NA: Olá, gostaria de agradecer a todos que revisaram e responderam minha pergunta sobre capítulos longos. E informo a vocês que a votação foi unanime, todos querem que eles continuem longos e como eu gosto deles assim, é assim que vai continuar.
Sobre esse capítulo, a primeira parte alguns podem achar diferente ou estranho ou mesmo desnecessário, mas espero que compreendam que como Sirius não terá um julgamento, eu queria colocar a minha versão dos fatos dos envolvidos em sua prisão na história, ou pelo menos as partes mais importantes. Queria também colocar o trabalho policial/auror competente e eu amo livros policiais. Esse não será o foco da história, claro, mas ainda foi muito divertido escrever os interrogatórios. Espero que gostem, Tania.
Capítulo 27
A tarde de sábado foi longa e dura para aqueles que se viram alvo do interrogatório de AC Denver. Com tantas pessoas em diferentes salas de interrogatórios, ela criou uma estratégia de ataca e recua, assim entrando e saindo de diferentes salas e fazendo perguntas e depois se ausentando e voltando e repetindo-as duramente, uma e outra vez.
O único que se manteve tranquilo o tempo todo foi Albus Dumbledore. Desde o momento em que percebeu que sua posição não impediria de estar dentro de uma sala de interrogatório, ele ainda se recusou a entregar sua varinha, o honorável diretor de Hogwarts se sentou tranquilamente e respondeu às perguntas sucintamente. O Sr. Secretário estava na sala de observação assistindo por uma parede encantada os depoimentos de cada sala onde cada testemunha se encontrava. Neste exato momento assistia mais uma tentativa de AC Denver em interrogar o Chefe da Suprema Corte Bruxa e Supremo Chefe da ICW.
— Chefe Dumbledore, deixe-me ver se compreendo, o senhor alega ter se oferecido como guardião secreto dos Potters, mas que estes, contra sua recomendação decidiram usar o prisioneiro Sr. Sirius Black. — Perguntou ela duramente sentada diante dele, com uma mesa cinza e fria entre os dois.
— Como disse anteriormente, AC Denver. Espero que possa compreender desta vez. — Disse Dumbledore serenamente, mas seus olhos azuis estavam sérios e sem o brilho habitual.
Denver ignorou seu comentário e se levantando passeou pela sala, se mostrando pensativa.
— Mas o que não me disse é por que deu essa recomendação aos Potters? Por um acaso suspeitava que o Sr. Black poderia não ser de confiança?
— Sim.
— Porque?
— Entenda AC Denver, aquele era um período dos mais escuros, confiar na pessoa errada poderia significar a morte e no fim foi o que aconteceu com os Potters. Minha recomendação era apenas porque eu confiava apenas em mim mesmo com sua localização, mas respeitei a decisão que tomaram de usar Black. — Disse ele tranquilamente.
— Entendo, e o que é Chefe Dumbledore, a Ordem da Fênix? — Perguntou Denver e pela primeira vez viu seu desconforto, ele se moveu na cadeira ganhando tempo para decidir o que responder.
— Gostaria de entender o que se trata tudo isso, talvez se você ou o Sr. Secretário me disserem, posso esclarecer tudo sem toda essa perda de tempo. — Disse ele enrolando e não respondendo mais uma vez.
— O senhor saberá Chefe Dumbledore, assim que responder minhas perguntas e eu não estou perdendo o meu tempo. O que era a Ordem da Fênix? — Denver falou mais duramente, mas sem levantar a voz.
— Era uma organização que eu criei durante a guerra de bons e corajosos bruxos que queriam lutar mais efetivamente contra Voldemort e seus seguidores. — Disse em tom de quem falava de algo sem importância.
— Uma organização, entendo, quem eram os membros dessa organização?
— Prefiro não falar sobre isso, AC Denver, tenho certeza que entende a necessidade de sigilo e cobertura. Poderia colocar pessoas queridas em perigo. — Desconsiderou ele com um gesto de quem pede o próximo assunto.
— Mas a guerra acabou a mais de 10 anos, Chefe Dumbledore, além disso essas informações ficarão apenas em poder da ICW, a não ser que esses bons e corajosos bruxos fizeram algo ilegal e o senhor pretende esconder e protegê-los. — Disse ela se sentando e o olhando com atenção.
— Não, de maneira alguma. Muito bem, se você tiver um pergaminho e pena posso escrever seus nomes. — Disse Dumbledore resignadamente.
Lendo os nomes e a frente os que estavam marcados como mortos, Denver arqueou a sobrancelha e assoviou baixinho.
— Muitos nomes que não estão mais entre nós, Chefe Dumbledore, a mim me parece que sua organização estava sendo dizimada e que o fim da guerra é que salvou a vida dos que ainda estão vivos. — Disse ela ironicamente.
— Estávamos como você disse, AC Denver, em guerra e na linha de frente, assim era normal termos algumas baixas. — Dumbledore parecia ainda mais sério e levemente irritado.
— Claro, eu compreendo, afinal eram apenas bons e corajosos bruxos, sem qualquer treinamento ou protocolos de segurança, guiados pelo senhor na linha de frente de uma guerra. — Constatou ela tentando irrita-lo mais.
— Algumas vezes isso se faz necessário, na situação em que estávamos, muito perto de ter nosso mundo destruído não tínhamos escolha a não ser lutar de volta. Algumas vezes temos que escolher fazer o que é certo e não o que é fácil, AC Denver, tenho certeza que compreende isso em seu campo de trabalho. — Disse mais duramente.
— Claro, com certeza e tem mais uma coisa que eu compreendo em meu campo de trabalho, Chefe Dumbledore, eu compreendo o que significa quando 12 dos 22 membros da sua tal Ordem da Fênix são mortos em um período de um ano. Isso me diz que o senhor tinha uma toupeira e isso me leva a acreditar que o senhor desconfiava do Sr. Black e por isso recomendou aos Potters que não o usasse como o guardião secreto. Estou errada? — Disse ela se inclinando sobre a mesa e o olhando com atenção.
Seu rosto continuou neutro, mas dava para ver uma certa contrariedade. Ele se manteve em silencio, mas isso foi resposta o suficiente.
— Então, o senhor comandava uma organização que tinha a intenção de lutar contra o terrorista Voldemort e seus seguidores, mas alguém mudou de lado e estava matando um por um os seus membros. E o senhor desconfiou de Black, imagino que deva ter alertado os Potters de suas desconfianças? — AC Denver voltou a andar pensativamente pela sala.
— Sim, mas os dois não acreditavam que nenhum dos seus amigos eram o espião. Como já disse eles insistiram em Black.
— Amigos, então, eles não confiavam apenas em Black, quais desta lista eram seus outros amigos confiáveis?
— Remus Lupin, Peter Pettigrew e Marlene MacKinnon.
— Entendo, então qualquer um deles poderia ter sido escolhido para ser o guardião, com exceção de MacKinnon que estava morta desde o verão?
— Em teoria sim, mas eles me disseram que seria Sirius, discutiram comigo que seria ele e não eu e que confiavam nele. Quando logo depois me esqueci da localização do Chalé dos Potters, tive a confirmação.
— Então, o senhor não os viu realizar o encanto ou os encontrou depois e confirmou quem era o guardião?
— Não, mas apenas uma semana depois eu me lembrei onde eles viviam e sabia o que significava. — Disse ele tristemente.
— Entendo, e apenas com uma afirmação dita em uma discussão, sem comprovação visual o senhor se apresentou como única testemunha quando o Sr. Black foi preso e atestou que ele era o guardião? O senhor tinha mais alguma prova deste fato? Talvez tenha se encontrado com o Sr. Black e este lhe confirmou que ele era o guardião? — Sugeriu ela razoavelmente.
— Não, eu não me encontrei com nenhum deles e testemunhei o que eu sabia ser verdade, que Black era o guardião.
— Sabia? O que exatamente o senhor sabia Chefe Dumbledore? Que os Potters confiavam em seus três amigos e que decidiram escolher um deles para ser seu guardião? — AC Denver o olhou duramente. — A uma grande distância entre saber ou acreditar, em supor, que foi apenas o que o senhor tinha, uma suposição e ainda assim foi até o Ministério e declarou em alto em bom tom que Sirius Black era o Guardião Secreto dos Potters, mesmo sem provas.
Pela primeira vez Dumbledore pareceu ter que conter a si mesmo e recostando na cadeira juntou as duas mãos como em uma prece e a olhou silenciosamente, sua expressão vazia.
— Nada a dizer? Bem, vou deixá-lo sozinho e refletindo sobre nossa conversa e quando voltar o senhor pode me explicar porque se apresentou com um falso testemunho contra o Sr. Black. — Disse ela com um sorriso frio.
Levantando-se ela deixou a sala e depois de trancá-la foi até a sala de observação.
— Finalmente, ele parece estar dando algo. — Sr. Balmat disse ainda de olho no homem que era, essencialmente, seu chefe.
— Ele não deu quase nada comparado aos outros e duvido que vamos conseguir muito mais, senhor, ele não é nenhum tolo e sabe jogar com as palavras. — Disse ela, levemente frustrada.
— Não desista ainda AC Denver, temos muito tempo e paciência para esclarecer cada maldito ponto dessa história e ninguém sairá daqui até eu estar satisfeito e isso inclui Albus Dumbledore. — Ele falou com firmeza.
— Acredita que ele aceitará ficar muito mais tempo apenas sentado naquela sala, sem informações? — Denver poucas vezes encontrara alguém tão poderoso e imponente e sem nem se esforçar.
— Foi meu acordo com ele, deixei claro que era uma importante investigação da ICW em relação ao Ministério da Magia e que precisava de sua colaboração total para que chegássemos ao fim da operação com completa neutralidade. E que até mesmo se ele tivesse acesso as informações poderiam influenciar suas respostas e tornaria a investigação nula. Ele concordou prontamente, disse que não quer atrapalhar o trabalho da justiça. — Sr. Balmat não pode esconder um pouco de amargura em sua voz.
— Entendo. — Disse Denver e não precisava ou deveria ser dito o que os dois pensavam, se Dumbledore tivesse agido assim a 10 anos eles não estariam ali e um homem inocente não teria passado todo esse tempo na prisão.
— Qual você vai atacar agora? — Sr. Balmat perguntou.
— Creio que é hora de finalizar o Sr. Lupin. — Disse ela e depois deixou a sala de observação e foi até a sala onde estava o lobisomem.
Ao entrar o encontrou inclinado sobre a mesa pensativo e um pouco pálido.
— Vamos recomeçar Sr. Lupin. — Disse ela com dureza. — Me descreva a sua relação com os Potters, Sr. Black e Sr. Pettigrew?
— Eu já lhe respondi essa pergunta antes AC Denver, duas vezes e não sei mais o que eu posso dizer além do que já disse. — Respondeu ele com um suspiro cansado, mas em nenhum momento Sr. Lupin ficou agressivo, algo raro para alguém em sua condição preso em uma sala sem janelas a horas.
— Bem, me responda outra vez e quantas mais eu perguntar Sr. Lupin. — Disse ela e se inclinando em sua cadeira se acomodou confortavelmente.
— Eu os conheci em nosso 1º ano em Hogwarts, os quatro se tornaram meus amigos, Lily mais a frente quando estávamos mais velhos. — E Remus Lupin mais uma vez contou um resumo de seus anos na escola, claramente, escondendo alguns fatos e explicou sobre sua relação com eles na vida adulta. — Estávamos em guerra e, apesar de ainda amigos, não nos víamos com tanta frequência porque eu estava ocupado.
— Ocupado com a Ordem da Fênix? — Disse ela mudando o rumo do que fora anteriormente.
Sr. Lupin a olhou atentamente como se analisasse se devia mentir, já que ela parecia saber o que ele estava evitando dizer.
— Aqui, Sr. Lupin, eu tenho uma lista dos membros da Ordem, você deve reconhecer essa letra. — Disse ela docemente.
Lupin ficou ainda mais pálida e se recostando em sua cadeira, tentando se distanciar dela e o papel.
— Sim. — Sua voz saiu entrecortada. — Eu estava ocupado trabalhando para a Ordem da Fênix, era um trabalho infiltrado e não via meus amigos com tanta frequência. Quando James e Lily foram se esconder ficou pior, pois era arriscado visita-los.
— Mas você sabia onde eles estavam escondidos?
— Sim, apenas era muito perigoso, eu poderia ser seguido e colocá-los em risco não era uma opção. Eu via Peter e Sirius com mais frequência.
— Porque os Potters estavam escondidos? — Disparou ela rápido.
— Porque Voldemort queria matá-los, Dumbledore trouxe a informação de um comensal da morte espião que os três, Harry também, eram alvos dele. — Informou ele dando de ombros.
— Entendo. E quem lhe informou que o Sr. Black era o guardião secreto dos Potters? — Denver mais uma vez se levantou e começou a andar pensativamente.
— Dumbledore, ele me escreveu pedindo que eu retornasse urgentemente, nesse ponto havia um zunzum percorrendo o acampamento. Quando o encontrei ele me contou sobre a morte de James e Lily e o que Sirius fizera.
— Ok, então imagino que depois de saber tudo isso, você como um dos melhores amigos do Sr. Black foi uma de suas testemunhas em seu julgamento. De sua discrição da relação de Black com os Potters deve ter lhe surpreendido muito que ele fosse considerado o culpado por suas mortes, além da morte de quase todas as pessoas dessa lista? — Questionou ela razoavelmente.
— Eu... não, Sirius nunca teve um julgamento, Dumbledore me contou que ele foi pego em flagrante depois de assassinar todas aquelas pessoas e Peter. Devido a isso e sua traição aos Potters o Ministério o condenou a vida em Azkaban. — Informou Remus e dava para ver raiva e tristeza em seu rosto.
— Ok, diga-me Sr. Lupin, o que faz o senhor acreditar que o Sr. Black era o guardião secreto?
— Ele era o mais próximo de James e Lily, padrinho de Harry, nós, Peter e eu éramos parte do grupo, mas Sirius e James eram como irmãos. E Sirius amava o Harry como um filho, assim ele era a escolha óbvia. — Informou Lupin.
— Mas toda essa descrição que você acabou de fazer me levam a pensar que Black não poderia ser aquele que traiu os Potters.
Lupin arregalou os olhos surpreso e depois franziu o cenho.
— Mas Dumbledore confirmou que Sirius era o guardião e...
— Esqueça o Dumbledore, Sr. Lupin estou perguntando a você, porque acreditou que Black seria aquele que trairia seus queridos amigos e seu amado afilhado? Porque não outro amigo de confiança, como você ou Pettigrew? — Disse ela batendo a mão com força na mesa para interromper sua justificativa.
— Eu... eu jamais os trairia e não estava por perto quando realizaram o Fidelius. E Peter, ele nunca faria isso, nem por um segundo eu consideraria isso.
— Mas acredita que o Sr. Black faria, nem por um segundo considerou o contrário ou então teria exigido um julgamento e insistido que ele era inocente. Porque? Porque Black e não Pettigrew? — Perguntou Denver.
— Peter, ele era doce e calmo, tímido e também adorava Lily e James e o Harry. Sirius era mais independente, egoísta e imprudente, além disso não se pode desconsiderar sua família. Os Black eram escuros e pressionaram Sirius toda a sua vida para que ele assumisse o lema da família. — Lupin disse se inclinando para frente tentando convencê-la ou a si mesmo.
— Estranha essa descrição dos dois, porque eu, mais cedo, colhi o depoimento dos membros da Ordem da Fênix ainda vivos e eles me disseram que Black era corajoso, leal e protetor enquanto Pettigrew foi descrito como, ansioso, inseguro, fraco, uma pessoa até o chamou de covarde. E também fui informada que Black fugiu de casa aos 16 anos por não querer se tornar um comensal da morte e que odiava a família. — Disse ela confusamente.
— Algo aconteceu, eu não sei o que, mas ele mudou de lado. — Afirmou ele e dava para ver um pouco de desespero em seus olhos.
— Baseado em que Sr. Lupin, em quais provas? Em quais testemunhas? Talvez o senhor se baseie no julgamento e na votação do júri que condenou o Sr. Black a prisão perpétua? — Disse ela com dureza e ele fechou os olhos como se não quisesse ouvir. — Ora, mas ele nunca teve um, nunca foi lhe dado a chance de se defender, não teve nem mesmo um mísero interrogatório. Sabe o que mais ele não teve, Sr. Lupin, a visita do seu melhor amigo, aquele que deveria conhecê-lo melhor que todos e defendê-lo ou ao menos questionar a versão dos fatos que foram apresentadas com provas circunstâncias e boatos.
— Mas Dumbledore disse que ele era o guardião, eu não tinha porque questionar isso. — Disse com voz rouca.
— Não? Pensei que tivesse dito que era amigo de Black. — Disse ela com escarnio.
— Eu era amigo dele! Eu o amava, como amava James, Lily, Harry e Peter, eles eram tudo o que eu tinha, eram minha família! — Gritou Lupin e pela primeira vez Denver vislumbrou o lobo em sua expressão.
— Bem, então porque não questionou os boatos de Dumbledore, era tudo o que ele tinha, uma suposição de que Black seria feito o guardião. Porque não insistiu que Black tivesse um julgamento? Porque se forçou a acreditar na culpa de Black tão fortemente que anos depois você o descreve como alguém que não era real e Pettigrew como alguém que nunca existiu? Porque, Sr. Lupin não se permitiu um único momento de dúvida que o levasse a visitar o Sr. Black na prisão e assim descobrir o que exatamente aconteceu? — Pressionou ela, uma pergunta após a outra, após a outra e Lupin parecia não querer ouvir, mas ela se inclinou em seu ombro e falou em seu ouvido. — Porque Sr. Lupin?
— Porque eu não podia, eu não podia fazer nada por ele! — Ele gritou furiosamente. — Você não tem como entender! Acredita mesmo que alguém me ouviria? Me daria a mínima atenção? Mesmo que por um segundo eu duvidei e eu fiz, Sirius, Merlin... ele amava James, mas quando Harry nasceu, apenas os próprios pais amavam mais aquele menino. Eu questionei Dumbledore, mas ele tinha certeza de sua culpa e não havia mais a quem ir depois disso. Eu comecei a pensar em sua família, de onde ele veio e o tempo passou e as dúvidas foram morrendo...
— Não, elas não morreram, você as matou. Me diga uma coisa Sr. Lupin, seus amigos sabiam que o senhor é um lobisomem? — Denver perguntou casualmente e viu o terror aparecer em seus olhos e seu rosto ficar cadavérico de tão branco.
— Como...?
— Não se preocupe, sua condição não é importante e não tenho qualquer preconceito, na verdade em meu país discriminá-los é crime e tenho alguns amigos lobisomens. Estou apenas curioso, seus amigos sabiam? — Disse ela rapidamente e viu o alívio o envolver.
— Sim, desde o 2º ano. — Disse Lupin em um sussurro rouco.
— Entendo, e imagino que o Sr. Black nunca se importou com isso, estou errada?
— Não, Sirius nunca se importou. — Lupin a olhava sem entender onde ela queria chegar.
— E mesmo depois de 10 anos de amizade o senhor simplesmente se convenceu que seu sangue e sobrenome eram mais importante que a pessoa que Black era, o amigo leal, o padrinho amoroso ficou esquecido e o senhor o discriminou por suas origens, quando ele nunca o fez por ser um lobisomem. — Disse Denver e havia desprezo em seu tom.
— Você não pode falar sobre o que não entende! Os lobisomens estavam sendo executados a vista por ordens do Ministério, se eu chamasse atenção para mim ou me aproximasse do Ministério eles descobririam e eu estaria morto. E eu não tinha a quem recorrer, ninguém a quem pedir ajuda, além disso, pensar que Sirius era inocente seria então acreditar que Peter era o culpado. Era uma decisão impossível...
Denver se levantou e recolhendo suas coisas se aproximou da porta, mas antes de sair se virou e o encarou.
— Não, Sr. Lupin, impossível deveria ser a decisão de deixar um homem cuja culpa não foi provada em um tribunal passar a vida na prisão sem fazer nada. Impossível deveria ser fazer isso para alguém que você diz que amou e chamou de amigo. — Disse ela com frieza. — E imagino que agora conviver com a verdade da inocência do Sr. Black poderá lhe ser impossível também.
— O que!? Espere... — Mas Denver saiu da sala e fechou a porta com uma batida seca.
Ela se encaminhou para a sala de observação e o Sr. Balmat a encarou.
— Isso fica cada vez pior e pior, precisa de uma pausa? — Perguntou ele gentilmente.
— Não, senhor, pelo contrário, estou muito ansiosa para continuar e acabar logo com isso. — Disse ela e era verdade, sua indignação a enchia de adrenalina e ela queria mais uns ataques certeiros.
— Ok, onde você vai agora? E Lupin? Pode ser liberado? — Perguntou ele olhando para o homem que estava arrasado em sua cadeira, com o rosto escondido nas mãos e seus ombros sacudiam levemente.
— Acredito que sim, senhor, não vamos tirar mais nada dele e já tenho muitas informações. Vou até Dumbledore, mais uma rodada e depois quero tentar o Crouch, talvez as horas de espera libere sua língua. — Disse ela e depois de tomar uma água voltou a entrar na sala de interrogatório de Dumbledore e acionou a pena magica que escrevia o que era dito na sala.
— Vamos continuar mais uma rodada Chefe Dumbledore, o que exatamente os Potters lhe disseram na noite da discussão sobre quem seria o guardião secreto? — Denver voltou a perguntar e viu sua expressão serena brilhar de leve impaciência.
Mas ele manteve a calma e respondeu essa e as outras perguntas de novo sem se contradizer.
— Então deixe-me ver se entendi, os Potters lutavam por sua organização, mas então sem mais nem menos decidiram se esconder e abandonar a luta. Porque?
— Porque recebemos informações de que Voldemort estava decidido a matá-los. — Disse simplesmente com um gesto de que era óbvio.
— Porque? Porque ele estava decidido a matá-los, a mim me parece que esse terrorista tinha a intenção de matar todos os membros da sua Ordem e ele estava tendo sucesso. Então porque os Potters em particular? — Denver viu pela primeira vez uma certa preocupação em seu olhar, mas ele disfarçou muito bem ao acariciar sua barba pensativamente.
— Nunca soubemos o que o fez buscar os Potters, além do fato de que James e Lily lutaram contra ele três vezes e viveram para continuar lutando, algo nada comum, acredite. Eles eram grandes guerreiros e suponho que Voldemort os temia. — Disse Dumbledore e sua expressão pensativa se tornou nostálgica. — Acredito que por eles, James e Lily teriam continuado a lutar, mas eles temiam por seu filho e assim decidiram se esconder.
Denver deu a volta atrás dele escondendo a surpresa, era a frase mais longa até agora e isso lhe dizia apenas uma coisa, o velho estava mentindo, dando tantas informações de uma vez, sem ser perguntado ou pressionado, mas eram mentiras em voltas em verdades.
— E quanto ao seu espião? — Perguntou ela casualmente.
— O que? — Disse ele levemente surpreso.
— Você tinha um espião, hum..., aqui está, Severus Snape é o seu nome. — Disse ela fingido ter se esquecido do nome e procurando em sua pasta enquanto o observava disfarçadamente. Sua expressão era bem contrariada, mas só durou um segundo.
— Você parece ter feito sua pesquisa muito bem-feita. — Disse ele com um sorriso de professor orgulhoso.
— Sim, eu tenho esse hábito. O senhor tinha um espião nas fileiras de comensais da morte e ainda não sabia o porquê de Voldemort estar atrás dos Potters? — Perguntou com leve descrença.
— Exatamente. Voldemort não confiava em ninguém, nem mesmo em seu círculo interno como eram chamados seus comensais mais fiéis. Severus não fazia parte desse círculo, mas mesmo se fizesse não receberia todas as informações. — Disse ele e Denver arqueou a sobrancelha quando ele continuou falando, mais nestas duas respostas do que em todas as horas de interrogatório. — Ele não sabia também quem era o espião, apesar de ter me avisado todas as vezes em que ele entregou a localização dos Potters. Era assim que conseguíamos mudá-los para outra casa segura, isso aconteceu por alguns meses e no fim apenas seus amigos mais próximos sabiam onde era sua casa segura e não a Ordem toda. Foi quando eu suspeitei que o espião era um deles. — Concluiu tristemente.
— E seu espião só trazia informações sobre os Potters? — Perguntou ela rodeando de volta o assunto que ele parecia querer evitar.
— Como? — Dumbledore pareceu confuso com a pergunta.
— Olhe esta lista, Chefe Dumbledore. — Disse ela e pegando a lista que ele escrevera mais cedo e a colocou na mesa com um baque. — Sua toupeira estava dizimando sua Ordem e o espião que lhe trouxe informações tão valiosas a ponto de ganhar uma passagem direta para fora de um julgamento e possibilidade de prisão, não conseguia lhe trazer informações que impedissem todas essas mortes? Mas, incrivelmente, ele sempre sabia quando os Potter seriam atacados.
— Isso é apenas uma coincidência, como eu lhe disse ele não tinha acesso a todas as informações ou ataques e suas informações foram valiosas. Pode não ter salvado todos, mas ainda salvaram muitas vidas, AC Denver. — Seu tom sugeria que ela o desapontara.
— Ok, vamos fingir que acredito nessa besteira, porque no meu trabalho é assim que coincidências são chamadas, besteira! — Disse ela com dureza. — O que eu gostaria de entender é por que os Potters eram tão importantes. Voldemort os queria e tinha um espião na sua Ordem, o senhor os queria protegidos e tinha um espião entre os comensais quase que exclusivo para realizar essa proteção. Porque Chefe Dumbledore, tenho a sensação de que essa história vai além da guerra que estava sendo travada?
— Está enganada AC Denver, tudo tinha a ver com a guerra e meu desejo de proteger os Potters não era diferente de minha luta para proteger todo o mundo magico. Nunca duvide disso por um segundo. Quanto a Voldemort, como já lhe disse não tinha ideia de suas motivações, mas de meu entendimento pelo que conheço dele, o fato dos Potters serem tão poderosos e terem sobrevivido três vezes a uma batalha feroz, pode ter ferido seu orgulho e ao vê-los como obstáculos ficou obcecado em destruí-los, inclusive o bebê. E como já lhe disse esse foi o motivo do casal Potter ter decidido se esconder, para proteger seu filho, Harry. — Seu tom era definitivo e estava claro que nada mais sairia desse caminho.
— Ok, vamos prosseguir, o senhor disse que no fim, pouco antes do ataque fatal eles confiavam apenas em seus amigos mais próximos. Quem eram eles? — Sua mudança de direção foi brusca, mas Dumbledore nem piscou e serenamente os nomeou de novo.
— Sirius Black, Remus Lupin e Peter Pettigrew.
— E como eram suas relações com os Potters?
— James era o melhor amigo do três e Lily também era muito próxima, desde a escola, você já deve saber que eles estavam no mesmo ano em Hogwarts. Os quatro sempre foram muito unidos e Lily e, depois Harry quando nasceu, pareciam compor uma família. — Disse ele pensativamente.
— Então, a confiança nos três amigos era incondicional, o senhor diria? — Perguntou ela em tom razoável.
— Sim, mesmo depois que os alertei da minha desconfiança de que um deles era o espião da Ordem, eles se recusaram a acreditar. Infelizmente, mas eles eram muito leais e nunca desconfiariam de um amigo. — Seu tom era respeitoso e triste.
— Diga-me, senhor, diante desses fatos, os Potters não poderiam ter escolhido qualquer dos três amigos para ser o seu guardião secreto? — Perguntou ela curiosamente.
— Eles me disseram que seria Sirius...
— Não lhe perguntei o que eles lhe disseram, perguntei se diante do que o senhor acabou de me descrever, anos de amizade, confiança incondicional, união familiar, os Potters poderiam ter escolhido qualquer um dos três como seu guardião? — Interrompeu ela duramente.
— Sim, sim, eles poderiam ter escolhido qualquer dos três. — Disse ele cansadamente, juntando as mãos outra vez como em uma oração.
— Então, eu lhe pergunto outra vez Chefe Dumbledore, porque apresentou o falso testemunho de que o Sr. Black era o guardião? — Perguntou incisiva.
— Não foi um falso testemunho, era o que eu acreditava ser verdade.
— O que o senhor acreditava ser verdade, mas o senhor disse que não tinha certeza? Ou confirmação? Ou provas? Disse ser apenas uma suposição, uma crença baseada em uma conversa que teve com os Potters? — Sugeriu ela razoável. — Ou o senhor disse Sirius Black é o guardião dos Potters, ponto.
— Eu disse o que eu sabia, Sirius Black era o guardião dos Potters, não havia nada que me fizesse pensar em outra possibilidade, AC Denver. — Seu tom era quase exasperado, mas a expressão serena.
— Engraçado o senhor dizer isso, porque eu concordo, os fatos são bem claros, não havia nada mesmo. Aqui. — Disse ela e jogou a pasta do processo de Black sobre a mesa, ela o abriu e apontou para a única folha. — Veja só, nada. Uma investigação dos assassinatos dos Potters e outras 13 pessoas, feita pelos aurores do caso. Nada. Um interrogatório feita pelo auror principal do caso em Sirius Black. Nada. Uma audiência preliminar onde o juiz acata a acusação do tribunal ou não diante das provas apresentadas. Nada. Uma condenação ou absolvição votada por um júri isento. Nada.
— Tínhamos certeza da culpa de Black. — Insistiu ele calmo.
— Vocês não tinham nada! Vocês não tinham uma única prova de que o Sr. Black era culpado porque ninguém se preocupou em fazer o trabalho correto, seguir os procedimentos e descobrir o que aconteceu. O senhor e todos os outros envolvidos tinham apenas crenças e suposições e diante disso deveriam ter seguido a lei. — Denver deu a volta pelo outro lado e se aproximou de Dumbledore. — Se tinham tanta certeza de sua culpa, deveriam ter provado isso diante de um juiz e um júri, com provas legais.
— Não se esqueça do flagrante AC Denver, naquele momento, com tudo o que estávamos vivendo em meio à pior guerra que já enfrentamos, o flagrante do assassinato de todas aquelas pessoas contava fortemente contra o Sr. Black. — Disse ele olhando com o cenho franzido para a pasta que ela colocara a sua frente.
— Claro, o flagrante, mas Chefe Dumbledore, haviam dois bruxos envolvidos naquela explosão, assim onde está a prova de que foi Black quem realizou o feitiço que a causou? Não foi usada o Priori Incantatem em sua varinha. Olha só, mais um nada. — Disse ela um pouco petulante, mas viu pela primeira seus olhos azuis sombrearem com dúvida.
Ele olhou para a pasta com o cenho ainda mais franzido como se ela, a pasta, o tivesse desapontado.
— O Sr. Pettigrew estava desaparecido, não havia porque supor que não fora Black o autor daquelas mortes. — Considerou ele, quase que para si mesmo.
— Desaparecido deveria ter sido a questão aqui, o senhor não acha? Mas tudo bem, vamos supor, como todos vocês fizeram a 10 anos, que foi o Sr. Black quem disparou aquele feitiço. Se, como o senhor disse, ele ou Pettigrew poderiam ser o guardião não era possível supor também que não era Black o espião e sim Pettigrew? — Disse Denver o olhando com atenção, ele devolveu o olhar levemente surpreso. — E que, naquele dia na rua trouxa Black lançou o feitiço em um momento de grande emoção para se vingar pela morte dos amigos e sem querer matou todas aquelas pessoas? Isso lhe renderia alguns anos de prisão, mas não prisão perpétua. Ou Pettigrew lançou o feitiço para poder fingir a própria morte e fugir deixando apenas um dedo para traz. O que o senhor acredita ser a verdade?
— Eu realmente não sei... — Disse ele e parecia agora um pouco chocado.
— Não sabe? Claro que não, porque o senhor decidiu que suas suposições eram o suficiente para enviar um homem inocente até que se prove o contrário para a prisão pelo resto de sua vida. — Disse ela mordaz.
— Não foi minha decisão. Na verdade, quando soube de tudo Sirius já estava em Azkaban e apesar de minha recomendação a Ministra Bagnold se recusou a voltar atrás em sua decisão. — Disse ele firmemente e sincero. — E esta pasta, estou surpreso AC Denver apesar da minha crença na culpa de Sirius nunca imaginei que a decisão de o enviar para Azkaban seria baseada em nada como você mesmo apontou. O auror do caso é um dos melhores aurores que já conheci, não posso acreditar que ele não faria um bom trabalho.
— Sim, o Sr. Moody me falou de seu trabalho nesse caso, foi muito informativo. E ainda mais é sua afirmação de que recomendou a ex-Ministra Bagnold voltar atrás em sua decisão de condenação de prisão perpétua. O senhor, Chefe Dumbledore afirma que sabia que o Sr. Black foi enviado e esteve preso nos últimos 10 anos em Azkaban sem julgamento? — Perguntou Denver e o viu mostrar pela primeira vez o que poderia ser algum receio.
— Sim, eu sabia. Mas como disse eu acreditava na culpa do Sr. Black e não sabia que nenhuma investigação fora feita. No fim não era minha decisão AC Denver, era da Ministra e eu não poderia impedi-la, nem mesmo eu tenho esse poder. — Disse ele como se estivesse ensinando um aluno em sala de aula.
— Realmente? Que estranho, o senhor é o Chefe da Suprema Corte Bruxo e pelo que me consta já estava neste cargo a 10 anos, estou certa?
— Sim. — Disse ele cansadamente.
— E ocupando tal cargo importante o senhor não podia impedir que ela cometesse um crime? O senhor é o representante máximo das leis e não tinha poder de corrigir um crime cometido por uma Ministra? Bem, se é esse o caso, porque não procurou a ICW por ajuda? O senhor estava lá depois da guerra com Grindelwald e assinou os Tratados e a Declaração do Direitos Humanos, Chefe. Porque então se tornou cumplice dessa desumanidade?
Dumbledore parecia um pouco abalado e juntando as mãos como se buscasse equilíbrio, suspirou levemente.
— Eu acreditava na culpa do Sr. Black e cometi um erro...
— Crime, Chefe Dumbledore, o senhor cometeu um crime e não um erro. — Interrompeu Denver fortemente. — E me pergunto porquê? Porque o senhor sendo o grande e bondoso Diretor de Hogwarts, Chefe da Suprema Corte Bruxa do Reino Unido e depois que se tornou Supremo Chefe da ICW e tinha ainda mais poder não fez nada para impedir ou alterar o crime que esteve sendo cometido nos últimos 10 anos? E não venha me dizer outra vez que acreditava que o Sr. Black era culpado, se ele era ou não culpado não muda o fato de que o senhor estava sendo cumplice de um crime gravíssimos contra os Direitos Humanos, crime esse que o senhor ao aceitar o cargo maior na ICW prometeu combater e sua promessa aconteceu depois da prisão do Sr. Black. O senhor fez um falso juramento Chefe Dumbledore e acobertou esse crime hediondo. Porque? Qual o seu interesse em que o Sr. Black continuasse preso custe o que custasse? — Pressionou Denver e pela primeira vez viu a raiva brilhar em seus olhos e junto com isso sua áurea de poder se projetou e ele ficou ainda mais imponente.
— AC Denver, sua insinuação está completamente equivocada. Não tive ou tenho qualquer interesse que o Sr. Black fique preso por um crime ou crimes que ele não cometeu. E nem por um segundo duvide que, se eu tivesse acreditado que havia a possibilidade de o Sr. Black ser inocente, não o teria libertado da prisão. — Sua voz era forte e mais uma vez a olhava com profundo desapontamento.
— E porque não o fez? Porque o deixou preso mesmo sabendo que isso era contra tudo o que o senhor defende e trabalha? Ah, sim, já sei a resposta, o senhor acreditou que ele era culpado. — Denver se inclinou sobre a mesa de frente para o diretor e o olhou nos olhos azuis. — Realmente, Chefe Dumbledore? Nestes 10 anos o senhor nenhuma vez, não sei, quando se deitou em sua cama em Hogwarts, pouco antes de dormir quente e confortável não pensou no que aconteceu naqueles dias? Não se perguntou por que o Sr. Black mudou de lado na guerra? Não pensou, ora, vou lá vê-lo e perguntar o que o fez matar todos aqueles bruxos, bons e corajosos, ao trair a minha Ordem. Não teve um mínimo de curiosidade em saber o que o fez trair alguém que antes amava como um irmão?
— Não, AC Denver, nestes 10 anos, não pensei em Sirius Black uma única vez. — Disse ele e parecia sincero ao devolver seu olhar.
Denver se endireitou e desligando a pena que escrevia o que era dito se aproximou da porta. Antes de sair o olhou e o viu olhando a pasta que ainda estava sobre a mesa.
— Eu não sei o que é mais triste, isso ser verdade ou mentira. — Disse ela olhando-o desapontada e viu sua expressão se entristecer.
Saindo da sala Denver foi até a sala de observação e encontrou o Sr. Balmat andando de um lado para o outro.
— Ele está escondendo alguma coisa. — Disse ele quando parou e a olhou.
— Também acho senhor, mas ele não vai falar mais do que já falou, uma coisa é ele dizer que sabia, outra é ele admitir alguma motivação dolosa. Ele não vai se incriminar e não tenho dados para ir além disso, senhor. Talvez se tiver mais tempo para investigar, interrogar mais testemunhas surja mais alguma coisa. — Denver parecia pesarosa.
— Sim e sua questão sobre os Potters, ele escorregou o quanto pode, tem alguma coisa ali também. — Disse ele observando o homem que segurava o papel assinado pela Ministra Bagnold a tantos anos.
— Na verdade, pelos meus instintos, acredito que ele mentiu mais lá do que neste final, senhor. Me parece que ele realmente acreditava na culpa de Black, apenas não se preocupou em lhe dar a chance de provar o contrário. A questão é porque? E porque os Potters são tão importantes?
— Talvez eu possa encontrar alguém que tenha algumas dessas respostas. — Disse ele pensativamente. — Quem você vai no próximo ataque?
— Crouch, talvez todo esse tempo esperando solte sua língua, com Sparks já finalizei, preciso apenas embrulhar. Ele falou tudo o que precisávamos para processá-lo e conseguir uma condenação. E Bagnold nem quis um advogado, admitiu o que fez e disse ainda não se arrepender. — Disse Denver com desprezo.
— E quanto a Moody? — Perguntou Sr. Balmat curioso.
— Não acredito que uma acusação se sustente, ele recebeu ordens de seu superior direto, seu chefe e sua Ministra. Não gostou das ordens, mas não tinha poder para fazer nada e também acreditava na culpa de Black, claro que ele deve ser punido, mas quanto a processá-lo criminalmente, não acredito que a Corte acate a acusação. — Disse ela sinceramente.
— Isso vai ser um longo processo, depois que encerrarmos as investigações levaremos tudo ao Primeiro Titular e ele decidirá se uma assembleia geral deverá ser chamada para julgar as acusações ou apenas uma comissão será formada para decidir. — Disse ele suspirando e olhando para seu relógio. — Vou tentar mais uma pessoa, se nada conseguirmos, liberamos Dumbledore e continuaremos em outro momento depois de mais investigações.
— Ok, senhor, vou para o Crouch enquanto isso.
Os dois foram para caminhos diferentes, Sr. Balmat foi atrás do advogando de defesa que ainda estava nos Escritórios acompanhando seu cliente. Black depois de dar seu testemunho e passar mais de duas horas sendo interrogado por Denver sem se mover um centímetro de suas afirmações, fora devolvido a cela onde depois de um jantar decente e muitas poções para recuperar a sua saúde estava dormindo.
Sr. Boot decidira ficar caso ele fosse necessário e agora ele era. Encontrando-o em uma sala fazendo anotações e com expressão cansada, Sr. Balmat o chamou para sua sala que tinha uma boa segurança para conversas sigilosas.
— Sr. Boot, gostaria que o senhor me dissesse tudo que sabe sobre os Potters. — Questionou Balmat e viu sua expressão preocupada.
Falc olhou o Sr. Secretário e suspirou, tinha esperança que ele não lhe perguntasse nada disso.
— O que exatamente o senhor quer saber?
— Qualquer coisa que você saiba e que seja importante nas investigações, na verdade ficaria muito chateado se tivesse escondendo dados relevantes. — Disse Sr. Balmat com frieza.
— Não é esse o caso e na verdade o que eu sei, que é muito pouco, só levanta mais perguntas e não pode ser usado. Primeiro, porque não há provas, são apenas suposições. Segundo, porque meu cliente está em poder de Albus Dumbledore e qualquer atitude poderia prejudicá-lo e isso não é uma opção. — Disse Falc determinado, não se importava que o zangasse, defenderia Harry.
— Seu cliente? Em poder de Dumbledore? Mas isso não é verdade, Black não está em poder dele. — Disse Balmat confuso.
— O meu primeiro cliente, que foi quem me levou ao Sr. Black, a verdade sobre ele e que nos trouxe até aqui. — Disse Falc seriamente.
— Entendo. E imagino que o senhor não me dará essas informações a não ser que eu prometa não as usar? — Especulou o Sr. Secretário.
— O senhor pode as usar desde que não envolva ou prejudique o meu cliente, entenda, ele vem em primeiro lugar. Se me prometer, não terei problemas em lhe contar o que eu sei até agora. — Disse Falc, solenemente e confiando que o homem a sua frente era verdadeiro em sua honestidade.
Sr. Balmat andou de um lado para o outro por alguns minutos pensando e considerando. Se eram informações sem provas e que nem poderiam usar no interrogatório de Dumbledore, valia a pena saber? Mas se não tivesse mais peças para esse quebra cabeça como poderia fazer o seu trabalho? Ou simplesmente cruzaria os braços e não faria nada. Isso ia contra o tipo de pessoa que era, assim...
— Prometo, não usarei essas informações de nenhuma maneira que possa comprometer ou prejudicar seu cliente. — Disse ele com firmeza.
Falc então passou a próxima hora lhe contando tudo, ponto por ponto, apenas não entrou em detalhes sobre a vida do Harry na casa dos tios, apesar de deixar claro que ele era maltratado. E também não falou sobre sua herança, apenas que ela estava em controle de Dumbledore e que este, em sua reunião, deixara claro que seus planos para o menino não incluíam informá-lo de qualquer coisa.
— Você está me dizendo que foi um menino de 11 anos que descobriu tudo isso? — Sr. Balmat estava chocado com tudo o que ouvira, mas saber que fora uma criança que deduzira todos aqueles fatos, era incrível.
— Sim, senhor, um menino muito inteligente e que tinha um interesse mais do que pessoal no caso. — Disse Falc com um sorriso orgulhoso e triste.
— É compreensível. Você tem razão, não posso usar nada disso e na verdade com o poder que tem Dumbledore provar que ele teve algum tipo de má intenção contra o menino Potter ou sabia que Black era inocente, é praticamente impossível. — Disse ele cansadamente.
— Não apenas provar, a verdade é que não sabemos se isso é verdade, não temos como encontrar um motivo para Dumbledore fazer tudo isso. É claro para mim que ele tem planos para Harry e seus planos são importantes o suficiente para fazer o possível para controla-lo, mas isso incluiria manter Sirius preso? Sinceramente, a algumas semanas eu negaria veementemente essa possibilidade, agora, não tenho mais certeza de nada. — Falc disse e também expressava cansaço.
— Você está certo, a não ser que ele confesse, nunca conseguiremos provar que ele fez isso por motivos torpes, se é que fez. A questão que fica é, o que exatamente ele quer com Harry Potter? — Balmat estava com um mal pressentimento com toda essa história.
Quando ele voltou a sala de observação viu que Denver finalmente estava fazendo progressos com Crouch que se mantivera em silencio antes acompanhado por seu advogado.
— Você é uma jovem insolente! Como ousa!? Dediquei toda a minha vida a justiça e a fazer o moralmente correto, nesse caso não foi diferente. Os comensais da morte eram monstros vis, eu lutei com tudo o que tinha para vencer a guerra e Sirius Black merecia o que teve!
— Sr. Crouch, por favor, o senhor não deve responder a nada que ela diga ou pergunte. É seu direito ficar em silencio.
— Realmente é, Sr. Crouch, e o senhor pode continuar em silencio, mas a verdade é que foi o senhor que orquestrou essa monstruosidade. Bagnold já admitiu o que vocês fizeram e disse que foi sua ideia! Sparks disse que seguiu suas ordens e Moody a mesma coisa. E em minha conversa com Dumbledore, ele me disse que não sabia que o Chefe do DLM enviou o Sr. Black para Azkaban sem antes pedir que seus aurores investigassem e descobrissem a verdade. — Disse ela com escárnio.
— Isso é uma acusação leviana, o meu cliente não foi o responsável por esse crime. — Disse o advogado de defesa.
— Não, pois para mim parece que ele não foi apenas o responsável, mas aquele que enganou os outros a serem seus cúmplices. Disse a Ministra que tinha provas da culpa de Black, quando era mentira e disse a Sparks e Moody que estava recebendo ordens da Ministra, mentiu para um lado e depois para o outro e agora eles ficarão livres e o senhor vai passar muito tempo na cadeia! — Disse ela duramente e batendo a mão na mesa com força.
Ele empalideceu e pegando o lenço enxugou o suor do rosto, seu pequeno bigode, que o fazia parecido com Hitler, estremeceu.
— Como vai ser senhor Crouch, muitos e muitos anos de prisão ou menos anos se admitir o que fez e colaborar com a ICW? Porque preso, nem dois advogados bem vestidos como esse aí, podem impedir que você seja. — Disse ela irônica e mordaz.
— Você não entende, eu não posso ser preso, não é possível!
— Não? — Denver o olhou com atenção, ele parecia em pânico e escondendo alguma coisa. — Mas você enviou um homem para Azkaban para o resto da vida sem julgamento, Sr. Crouch, pelo menos o senhor terá um julgamento.
— Black era culpado, ele era um comensal da morte e deveria ser preso como todos os outros.
— O senhor ainda não entendeu!? Black era inocente! O senhor cometeu um erro, enviou o homem errado para a prisão! Black sairá livre e o senhor é que vai ocupar a sua cela!
— Pare de aterrorizar meu cliente! Vou denunciá-la ao seu chefe, isso é um absurdo o que está fazendo com um bruxo respeitável e cumpridor das leis.
— Fique quieto! Calado! Eu preciso pensar! — Gritou o Sr. Crouch descontrolado, surpreendendo o advogado e Denver que viu o homem parecer desmoronar de angústia. — Você está certa disso, está certa que vou para cadeia?
— Pergunte ao seu advogado, você o está pagando para lhe dizer a verdade.
Denver observou enquanto os dois falavam brevemente, Crouch parecia desesperado e aflito, quando terminaram ele a olhou como se assombrado por um fantasma.
— Como? Como isso foi acontecer? Eu nunca erro, tinha certeza que Black era culpado.
— Culpado ou não ele ainda tinha direito a um julgamento, Sr. Crouch, e é de negar-lhe esse direito o crime pelo qual vai responder.
— Preciso falar com o Sr. Secretário, é muito importante, se vou mesmo ser preso tenho que falar com ele, urgentemente. — Disse ele aflito, Denver o observou com atenção tentando entender sua angustia, algo parecia aterrorizá-lo.
Neste momento a porta se abriu e o Sr. Balmat entrou na sala e fechou a porta.
— Estou aqui, Sr. Crouch, o que precisa me contar com tanta urgência?
— Sr. Secretário, saiba que sempre lutei pela justiça, mesmo que tenha feito coisas da quais não me orgulho e, antes de saber que o Sr. Black é inocente, pensava que tinha cometido apenas um ato terrível, agora sei que foram dois. — Disse o homem, antes orgulhoso e arrogante, parecendo arrasado e assombrado.
— Sr. Crouch, o senhor não deve dizer mais nada, podemos reverter isso em um julgamento, mas se o senhor confessar outros crimes, pouco poderei fazer por você. — Disse o advogado imperiosamente.
— O senhor não pode fazer nada por mim, é melhor partir, não preciso de um advogado agora, está dispensado. — Disse ele firmemente.
O advogado hesitou, mas não tinha escolha diante da dispensa, assim se levantou e saiu.
— Fale, Sr. Crouch, quero saber tudo sobre Black e o que mais o senhor fez. — Disse o Sr. Balmat assumindo o interrogatório.
— Sobre Black, é tudo verdade, acreditávamos diante do flagrante que ele era culpado e não nos preocupamos em investigar, mas Bagnold sabia, sempre soube. Sparks e eu queríamos o beijo, mas ela acreditava que ele merecia a vida ao lado dos Dementadores, ordenou que eles fossem estacionados em frente a sua cela. Moody tentou protestar, mas nós lhe ordenamos que se calasse, ele não gostou, mas era um soldado obediente. Dumbledore, ele não sabia que não houve investigação, mas também nunca perguntou ou se interessou pela verdade. Ele tentou dizer a Bagnold que o melhor era fazer tudo corretamente e assim Black seria condenado por seus crimes, mas ela não aceitou e o diretor não insistiu, como nós, tinha certeza de sua culpa. — Disse ele e em mais detalhes falou de datas, conversas, discussões. — E é isso.
— Ok, e qual outra coisa o senhor fez?
— Eu fiz algo terrível, terrível, mas não pude lhe dizer não, entendem? Eu me sentia tão culpado, ele deveria ser meu filho perfeito e ao em vez, era um monstro com meu sangue, minha responsabilidade. — Sr. Crouch parecia estar em outro mundo, sua palidez era assustadora. — Eu fiz o que fiz por ela, eu a amava mais do que tudo no mundo e como poderia lhe negar seu último desejo, mas agora que vou ser preso não posso permitir que ele escape e fique livre para machucar outras pessoas. Meu sangue já machucou pessoas demais, entendem?
— Sim, nós entendemos, porque não nos conta desde o início Sr. Crouch e assim podemos ajuda-lo a fazer a coisa certa. — Disse o Sr. Balmat se sentando diante de Crouch para ouvir a história mais aterrorizante de sua vida.
Quase duas horas depois Balmat estava em sua sala, era madrugada de domingo, o sol sairia em breve e ele bebia um chá quente apesar de seu desejo por um whisky de fogo. As salas de interrogatórios estavam vazias, em compensação as celas estavam mais cheias que nunca. Black de um lado, Bagnold, Sparks e Crouch do outro e muito em breve seu filho estaria ocupando uma cela bem ao seu lado.
Suspirando sobre o chá quente para se aquecer, Balmat fechou os refletindo sobre a confissão do homem. Sua culpa e conflito eram evidentes, saber que enviara um homem inocente para Azkaban e corria o risco de deixar um monstro, ainda que seu próprio filho, livre, fora o que o motivara a confessar. A verdade é que ele não tinha mais nada a perder já que a prisão era certa e pelo menos desfazia o crime terrível que cometera. Para um homem tão rígido e moralista deveria ser um peso enorme sobre seus ombros esse segredo.
Como, pensou, o Ministério da Magia Britânico permitiu que crimes tão terríveis fossem permitidos e o que mais se descobriria com o avanço das investigações? Uma batida na porta o despertou de seus profundos pensamentos e ele se virou da janela em que estivera em vigília, autorizando a entrada. AC Denver entrou e sua aparência não era de alguém acordada a quase 24 horas seguidas. Dava para ver a energia, causada pela adrenalina da missão, saindo dela em ondas.
— Está tudo pronto Sr. Secretário, tenho uma equipe e um plano de invasão e apreensão. Com as informações fornecidas pelo Crouch não será difícil imobilizar o fugitivo e sem riscos físicos, senhor. — Disse ela e parecia levemente animada com a operação de invasão iminente.
— Muito bem, confio em seu trabalho AC Denver, traga Crouch Jr. e, por favor, não machuque a elfa. Tudo já será muito traumatizante para ela e espero que possamos amenizar tudo ao máximo. — Orientou ele sabendo que a pobre elfa estaria arrasada com a prisão de seus amos.
— Sim, senhor. — E depois de acenar formalmente saiu quase saltitando da sala.
Suspirando olhou para sua mesa e decidiu trocar o chá por uma ou duas xícaras bem forte de café e também mergulhar no trabalho, tinha a sensação de que mais surpresas desagradáveis o esperavam nos próximos dias e semanas.
Enquanto mudanças sem precedentes aconteciam fora de Hogwarts, Harry tinha um fim de semana tranquilo com seus amigos. Eles passaram o sábado à noite conversando sobre a aula de Carpintaria. Hermione, que ainda estava de humor caído, fez dezenas de perguntas e pareceu muito interessada no aspecto da conexão com a magia da natureza, principalmente, ao entender que essa conexão os ajudaria a se tornarem animagus um dia. Eles estavam na sala de convívio na torre Ravenclaw e logo Morag, Padma e Mandy apareceram e todos passaram algumas horas falando sobre a aula diferente e jogando jogos. Mandy era a única das três meninas que se inscrevera nas aulas do Prof. Jonas.
Quando Michael, Lisa e Anthony apareceram o clima deu uma esfriada e Harry observou com o canto dos olhos que o garoto de topete foi cutucado pelos amigos até que abaixou a cabeça e acenando se aproximou deles. Todos ficaram em silencio na hora e o encararam, mas ele não se intimidou e parando mais perto do Harry, disse:
— Potter, queria pedir desculpas por minha atitude na semana passada. — Disse ele, de peito estufado, queixo e ombros erguidos, parecia estar concedendo um privilégio.
— Ok, estou ouvindo. — Disse Harry simplesmente e viu sua expressão levemente desconcertada. — Você disse que queria pedir desculpas Corner, mais ainda não as pediu.
— Oh... Bem, me desculpa. — Disse ele corando de constrangimento, Harry imaginou que ele não deveria estar acostumado a fazer isso.
— Pelo que você está pedindo desculpas, Corner? — Retorquiu ele na hora.
Mais uma vez o garoto parecia confuso e olhando em volta e não encontrando ninguém disposto a ajuda-lo, falou:
— Me desculpe pela maneira como eu agi na semana...
— Eu perguntei pelo que você está pedindo desculpas Corner e não quando e, definitivamente, não estou preocupado com suas maneiras. — Harry interrompeu em tom frio.
O silencio foi mais longo e pesado, Corner parecia levemente irritado agora.
— Eu não sei exatamente o que você quer de mim, Potter. — Disse ele impaciente.
— Bem, então descubra e, só então, venha se desculpar. — Disse Harry em tom definitivo.
Depois disso ele e seus amigos ficaram do outro lado da sala sussurrando uns para os outros ferozmente, mas Harry os ignorou e logo depois acompanhou seus amigos até a torre Gryffindor e quando voltaram, Terry e ele foram dormir. No dia seguinte acordaram cedo para exercícios e um longo dia de estudos que, além das preparações para as aulas da semana, incluía 2 horas de aulas extra de Defesa. E ainda conseguiram visitar Hagrid para um chá à tardinha e uma conversa sobre como foram as férias. Seu amigo agradeceu muito pelos seus presentes e disse que queria que Harry o ensinasse a fazer biscoitos tão bons, quando soube que fora ele quem os assara pessoalmente.
Depois do jantar eles foram para o covil e Harry passou um tempo explicando sobre oclumência. Ele terminara o livro e estava passando para Terry que terminara o de Meditação e estava emprestando para Hermione que lia mais rápido e depois o passaria para Neville. Harry também os chamou lá para lhes falar sobre sua capa especial.
— Queria que conversássemos aqui e não na torre porque queria mostrar algo a vocês. Eu recebi um "presente" atrasado de Natal e vocês não vão acreditar de quem. — Disse ele e retirando o bilhete entregou para o três lerem.
— Mas não tem assinatura, como... — Começou Hermione.
— Eu conheço essa letra! É de Dumbledore. — Interrompeu Terry muito surpreso.
— Exatamente. — Disse Harry.
— E ele está te presentando com algo que era de seu pai? Quer dizer que é sua herança, assim não pode ser considerado um presente. — Disse Neville olhando com uma leve careta para o bilhete, até ele conseguia perceber segundas intenções em suas palavras.
— Sim, eu pensei o mesmo Neville. — Disse Harry e começou a mexer em sua mochila.
— O que é Harry, essa capa que ele menciona? — Perguntou Terry e quando viu o amigo tirar a capa brilhante prateada ofegou. — Por Merlin, isso é o que eu estou pensando?
— O que? É uma capa especial? — Hermione estava curiosa e sem entender.
— Especial é a palavra, Hermione, observe. — Disse Harry e com um sorriso jogou a capa sobre si mesmo e viu e ouviu as exclamações de espanto dos amigos.
— Ele sumiu!
— Uma capa de invisibilidade!
— Caramba! Onde ele está?
Sorrindo Harry andou suavemente para traz dos amigos e lá retirou a capa voltado a aparecer e sem poder resistir...
— BOOH! — Gritou ele e viu os três saltarem e gritarem de susto e a ele só restou rir pela brincadeira.
— Muito engraçado, Harry. — Disse Terry corando de constrangimento por seu grito.
— Desculpa, mas eu não pude resistir e foi muito engraçado mesmo. — Harry disse entre risinhos e nunca se pareceu tanto com seu pai.
— Bem, deixando sua infantilidade de lado. — Hermione disse seria, apesar dos olhos brilhando. — Essa deve ser uma capa muito valiosa, você deve estar feliz por estar recebendo-a de volta, afinal era do seu pai.
— Sim, fiquei feliz e no começo fiquei me questionando se era mesmo dele, mas não acho que Dumbledore me daria algo tão caro se não tivesse pertencido ao meu pai. A questão é porque ele me enviou a capa? — Disse Harry voltando a se sentar.
— O que quer dizer? Ele te enviou porque pertencia ao seu pai e é sua herança. — Disse ela como se fosse obvio.
— Sim, mas Hermione, o Harry está certo. A capa era dele e poderia ter sido entregue a qualquer momento, na primeira semana de aula ou no fim do ano, mas porque agora? — Terry apontou pensativo.
— E não pode dizer que era por causa do Natal, porque obviamente não é um presente, Hermione, a capa é do Harry assim a data não é a explicação. — Disse Neville quando a amiga abriu a boca com o argumento na ponta da língua, ela voltou a fechá-la com um estalo.
— E deve-se ser considerado que eu não sabia e não tinha como saber sobre a existência da capa, assim como ele me manteve afastado de minha herança, poderia não me entregar a capa até eu ser um adulto e dizer que não achou que entregar algo tão valioso para uma criança em uma escola não seria sensato ou correto. — Disse Harry e viu que a amiga estava começando a entender. — Assim, eu pergunto de novo, porque me entregar a capa e porque agora?
— Bem, eu entendo que é um pouco estranho, mas não podemos ver duplo sentido em todas a ações do diretor. Pode ser que ele queira que você tenha a capa como uma forma de se proteger e mandou no Natal por ser uma época de presentes e ele achou que você consideraria um presente receber algo que pertenceu ao seu pai. — Disse ela sensata.
Todos acenaram concordando que a ideia era razoável e Harry já havia se decidido que enquanto atento não poderia ficar paranoico.
— Este é um bom argumento Hermione, mas não podemos desconsiderar totalmente a possibilidade de duplicidade, não quando se trata de Dumbledore. O que você decidiu fazer sobre a capa Harry? — Perguntou Terry curioso.
— Bem, eu tive esse mesmo debate comigo mesmo e cheguei à conclusão que sejam quais forem as intenções do diretor não posso descartar algo tão valioso e que pode me proteger do perigo. Além do fato de ter pertencido ao meu pai, seria como deixar minha varinha em meu quarto guardada, assim pretendo tê-la sempre comigo e na verdade quero descobrir uma maneira de carregá-la e usá-la mais efetivamente para proteção. — Concluiu Harry tocando-a com carinho.
— Acho que é o mais certo também. — Disse Hermione.
— Sim, é o mais inteligente, mas não devemos baixar a guarda. — Disse Terry levemente preocupado.
— E Harry, talvez o professor Jonas possa te ajudar a pensar em algo e ele não vai tentar te tomar a capa como outro professor. — Disse Neville suavemente.
— Essa é uma boa ideia, Neville, vou ver se consigo falar com ele na próxima aula. — Harry estava sorrindo e depois de guardar a capa na mochila, eles decidiram levar seus amigos até a torre Gryffindor, antes do toque de recolher.
Quando estavam voltando Filch apareceu e resmungou sobre porque estavam tão longe da sua torre e apesar da explicação ele achou que estavam aprontando alguma coisa e quis levá-los ao seu escritório para lhes dar detenção. Quando um barulho alto foi ouvido na sala de troféus ele desceu resmungando e os dois puderam prosseguir, mas outro barulho mais à frente no corredor os colocou em alerta máximo. Trocando um olhar eles tiraram suas varinhas e prosseguiram com cautela e ao chegarem perto de uma sala notaram que o barulho vinha de uma janela que batia por causa do vento da tempestade de neve que assolava as montanhas escocesas.
Aliviado Harry entrou e foi até a janela para fechá-la enquanto sabia que Terry estaria guardando suas costas. O trinco parecia solto, mas, com um reparo, Harry o concertou e fechou a janela.
— Agora podemos ir antes que Filch volte... — Harry virou-se e parou completamente chocado com o que estava vendo, era impossível.
— Harry? — Terry viu seu amigo empalidecer com uma expressão de completo choque.
Olhando para a direção que ele encarava, viu um espelho magnífico, da altura do teto, com uma moldura de talha dourada, aprumado sobre dois pés em garra. Estava escorada na parede à sua frente, não parecia pertencer ao lugar e sim que alguém acabara de pôr ali para tirá-la do caminho. Terry viu seu amigo se aproximar como se tivesse hipnotizado e seus olhos já derramavam lagrimas.
— Harry...? — Disse ele suavemente e confuso, mas seu amigo nem pareceu ouvi-lo.
Harry, na verdade, mal poderia notar qualquer coisa enquanto bebia as imagens em tamanho real de seus pais a sua frente e andando em sua direção uma parte dele acreditava que ia encontra-los de verdade, que eles eram reais e poderia tocá-los e abraçá-los. Outra parte que ele tentava sufocar gritava em alerta máximo, apontando a ilusão e o perigo, mas nem mesmo seus instintos tão aguçados poderiam impedi-lo de chegar ao espelho até seu nariz tocar no vidro.
Ele suspirou engasgado quando a mulher bonita do espelho lhe acenou e tocou seu ombro e, apesar de não sentir o toque, ele se virou para a sua esquerda como se fosse possível ela estar ali. Sua própria imagem no espelho sorria tão feliz e com olhos tão alegres, o homem alto tão parecido com ele lhe deu um sorriso malicioso e fez um gesto com o polegar e outra pessoa entrou na imagem. Sirius Black, percebeu, tão jovem e bonito como seus pais, vestido como um roqueiro e o olhando com carinho.
— Mamãe, papai... — Disse com tanta fome e saudade e estava prestes a dizer o nome do seu padrinho quando seu amigo, a quem Harry nem se lembrava que estava com ele, o tirou de frente ao espelho o puxando fisicamente até encostá-lo na parede.
O movimento brusco foi quase tão chocante quanto ver a imagem de seu pais no espelho e ele encarou seu amigo pálido e apavorado. Imediatamente Harry se pôs em alerta máximo sentindo o perigo voltou a retirar sua varinha e olhou em volta tentando se colocar na frente de Terry para protegê-lo. Mas a sala estava vazia.
— O que? O que aconteceu, você parecia em pânico? —Disse ele e Terry o olhou preocupadíssimo.
— Harry, eu estava em pânico por você, estou tentando te chamar a atenção e te tirar da frente do espelho, mas você parecia hipnotizado. — Disse Terry o olhando e depois para o espelho.
— Oh! Terry esse espelho é incrível! Ele mostra meus pais e...
— Harry! Olhe para a inscrição, veja! — Disse o amigo bruscamente, Harry estava confuso, não entendia porque Terry estava tão preocupado com um espelho.
Olhando para o espelho, tentou dar um passo à frente, mas Terry ainda segurava seu braço e não deixou. Observando com mais atenção encontrou uma inscrição entalhada no alto: Oãça rocu esme ojesed osamo tso rueso ortso moãn.
— O que quer dizer? É uma língua antiga? — Perguntou ele confuso.
— Não Harry, é latim e está ao contrario como se vê em um espelho. Significa, não mostra o teu rosto e sim o maior desejo de seu coração. — Disse Terry em um sussurro rouco e viu o entendimento de seu amigo.
— Oh... então não é eles de verdade, pensei... quer dizer, sabia que não poderia ser o futuro..., mas pensei que talvez... — Harry parecia abalado e quando olhou para o espelho Terry podia ver a fome em seus olhos e se preparou para impedi-lo fisicamente de ficar em frente a ele de novo.
Seu amigo o olhou e parecia hesitar, se aproveitando de sua confusão, Terry falou rapidamente.
— Precisamos ir, agora, o toque de recolher está bem próximo e Filch pode voltar. Vamos lá. — Disse e segurando seu braço o levou para fora da sala até a torre sem soltá-lo, mas por todo o caminho dava para ver seus pés se arrastando no chão de pedra e seu olhar se dirigir para traz.
Quando chegaram em frente a seus quartos Terry estava além de preocupado com seu olhar ausente e distante.
— Harry, Harry, me escute. — Quando teve a atenção de seu amigo continuou. — Você tem que esquecer aquele espelho, não pode voltar lá.
— Porque? — Disse ele e parecia sincero em sua confusão.
— Porque aquele espelho é um objeto mágico poderosíssimo e nem sei por que está naquele lugar onde qualquer um poderia tropeçar nele. Harry, isso é importante, o espelho é uma ilusão e se ficamos presos a uma ilusão e uma tão poderosa como o que desejamos ter do fundo do nosso coração, isso pode nos enlouquecer, você entende? — Disse Terry aflito e viu seu amigo acenar pensativo.
— Sim, a impossibilidade de ter o que mais queremos e ver de tão perto, mas não é real...
— Sim, não é, Harry prometa-me que não vai voltar lá, não vai voltar ao espelho. — Disse Terry o olhando com atenção.
— Não posso te prometer isso Terry... — Disse Harry meio envergonhado e pensativo. — Boa noite. — Sussurrou, entrou em seu quarto e fechou a porta.
Nenhum deles dormiu bem aquela noite e na manhã seguinte seus amigos Gryffs perceberam que algo estava errado. Harry mal se alimentou e sua expressão nas aulas era distraída. Sua poção recebeu um inédito e surpreendente A e Harry nem pareceu se importar. Terry estava aflito e se mantinha atento a ele, mas mesmo isso, Harry não percebeu e a noite quando estava fazendo os deveres sem a menor concentração, finalmente Hermione não aguentou mais e perguntou:
— O que está acontecendo? Vocês dois brigaram ou receberam notícias ruins de casa?
Terry olhou para o amigo, mas ele apenas deu de ombros assim ele contou a ela e a Neville o que acontecera na noite anterior.
— Oh! Sinto muito Harry, mas Terry está certo, é apenas uma ilusão, além disso sempre ouvi que quem morre nunca nos deixa totalmente, seus pais estão com você e não naquele espelho estranho. — Disse ela com olhos muito tristes.
Harry acenou lembrando da visita ao cemitério e a conversa com o Sr. Martin e a Sra. Serafina, mas no espelho eles estavam tão bonitos e pareciam tão reais, suspirou sem saber o que pensar.
— Não deixe isso te impedir de comer e estudar Harry, mesmo que seja doloroso, lembre-se do que você disse para nós. Nossos pais querem que sejamos felizes e alcancemos nosso potencial, é assim que devemos honrá-los. — Disse Neville muito pálido.
Harry voltou a acenar olhando tristemente para seu amigo e sabendo que ele também veria seus pais naquele espelho.
Naquela noite Harry não conseguia dormir, virando de um lado para o outro, ele nem conseguira meditar. O conflito que sentia o atormentava e pensando em tudo o que passara nas férias e no que disseram seus amigos Harry, finalmente, desistiu de dormir sabendo o que queria e precisava fazer. Levantando-se, Harry se vestiu e pegando sua capa saiu da torre invisível e, silenciosamente, caminhou até a sala com o espelho. Seu senso de direção o levou até lá sem problemas e quando entrou trancou a porta, pois não queria correr o risco de ser encontrado. Sem perceber que ele acionara o alarme do diretor para sua presença na sala e o fechara para fora, Harry se colocou em frente ao espelho e tirou a capa encarando a mesma cena da noite anterior.
Suspirando, trêmulo ele se perdeu em olhar para seus pais, perdeu a noção do tempo enquanto catalogava cada detalhe que uma imagem pequena em uma foto não se notava. Sirius ao lado lhe piscou e seu avós se aproximaram acenando e o olhando com orgulho. Harry sem poder segurar-se de pé pela dor e saudade se ajoelhou diante do espelho.
— Mamãe, papai, avós, eu... Não vim apenas para vê-los, eu... Eu precisava lhes dizer que... nunca vou me esquecer de vocês, nem um dia da minha vida ou deixar de amá-los e agradecer. Vou honrá-los, seu amor, seus legados, vou deixá-los orgulhos de mim, mas... — Soluçando Harry se inclinou levemente e tocou o espelho frio com a mão direita. — Se eu pudesse entraria nesse espelho com vocês para sempre, mas eu não posso fazer isso. Essas imagens são apenas uma ilusão, vocês não estão aqui ou no cemitério... E eu sei que vocês me amavam e me querem feliz e saudável, assim eu precisava vir aqui e me despedir de vocês... Eu... eu espero que entendam que eu preciso seguir em frente, não posso sofrer para sempre. Sr. Martin disse que é importante eu querer e, bem, eu preciso querer, por vocês e por meus amigos e por mim. Eu tenho obrigações, eu tenho pessoas que precisam de mim e que eu tenho que proteger, assim não posso ficar mergulhado no passado e no que poderia ter sido. — Harry terminou sua fala e olhou para eles sorrindo e acenando, mas seus olhos pareciam mais tristes. — Não fiquem tristes, eu prometo, eu... não sei se vocês podem me ouvir de verdade em algum lugar, eu... se puderem saibam que eu os amarei para sempre... — E sem poder segurar o bolo que se formou em sua garganta Harry se engasgou e se inclinando colocou a testa no espelho frio e chorou baixinho.
Quando finalmente as lagrimas acabaram Harry, um pouco trêmulo, se levantou e suspirando olhou para o espelho uma última vez.
— Nunca me deixem, eu sempre vou precisar de vocês, mas eu não posso voltar aqui e viver de ilusões, eu... preciso viver. — Disse ele, se virando se cobriu com a capa, abriu a porta e andou pelo corredor, passando por um invisível Dumbledore que apesar de poder vê-lo, não notou sua expressão decidida ou viu as marcas de lagrimas.
Harry sabia que não conseguiria dormir e além disso temia que se fosse se deitar poderia não conseguir se levantar como naquele dia depois de visitar os túmulos de seus pais, assim ele decidiu ir se exercitar, isso sempre o enchia de adrenalina e espantava a tristeza. Ainda não havia amanhecido e Harry começou a correr pelo corredor longo e estreito do covil de uma ponta a outra e a outra, era um ípsilon e descida e subida e no ritmo mais rápido do que corria normalmente, ele logo se perdeu na concentração do exercício. Sem ter noção de quantas vezes fora e voltara, Harry suado e sem folego parou na entrada do quinto andar, voltou a pôr a capar e foi para a torre. Estava no banho tirando da mente o ultimo vestígio de tristeza e nostalgia na água quente quando com um estalo a ideia lhe ocorreu.
Abrindo os olhos verdes e, sentindo que voltara a ser ele mesmo e não a bagunça do dia anterior, Harry saiu do banho e se vestiu, pegando suas coisas na mochila, incluindo a capa, ele deixou seu quarto e bateu na porta ao lado. Testando, encontrou a porta aberta e franziu a testa. Porque ele não a trancava? O quarto começava a clarear pois o sol estava nascendo, mas a leste e a janelas davam para o oeste. Encontrando facilmente seu amigo dormindo na cama de solteiro, Harry percebeu brevemente a nova e grande estante azul que já estava abarrotada de livros, mas se concentrou no mais importante.
— Terry... — Ele o sacudiu com cuidado para não o assustar. — Terry, acorde.
— Hum..., o que? — Ele abriu os olhos sonolento e sussurrou rouco e confuso. — Harry, o que... aconteceu alguma coisa...?
— Sim, aconteceu e preciso que você acorde e me escute, é importante. —Disse Harry e se afastou até os pés da cama colocando sua mochila. Olhando em volta viu que não tinha cadeira para sentar e ficou em pé mesmo.
— O que? O que aconteceu, espera nem amanheceu, porque está acordado? Alguém se machucou? De casa ou Hermione... — Disse ele se sentando na cama confuso e preocupado.
— Não Terry, ninguém se machucou, mas preciso te contar o que eu entendi, você tem que me dizer se não estou louco. — Disse Harry e sem poder se controlar começou a andar de um lado para o outro e passou as mãos pelos cabelos.
— Harry, não dava para esperar amanhecer... Ok, pelo seu olhar estou vendo que não, preciso me levantar ou posso ficar aqui na minha cama quentinha? — Disse Terry ainda sonolento e abrindo a boca em um enorme bocejo.
— Desde que não durma pode ficar aí mesmo. — Disse Harry exasperado. Depois respirando fundo, falou. — Eu fui até o espelho hoje de madrugada e...
— O que!? — Terry se sentou completamente com expressão chocada e aflita. — Harry, você não deveria ir, é muito perigoso. O que sobre tudo que falamos ontem, achei que tinha concordado...
— E eu concordei e foi por isso que eu tive que ir, isso não importa agora Terry, apenas entenda. Foi como ir ao cemitério me despedir, ainda mais real e ainda não, mas menos mórbido e triste e de certa forma ainda mais, eu não sei, é confuso. Mas eu precisava ir dizer adeus e olhá-los uma última vez... eu apenas precisava... — Disse ele olhando para o amigo e pedindo compreensão.
— Ok, tudo bem, se você precisava disso para se desligar do espelho, então acredito que tudo bem, o que importa é você não ficar preso a ele. — Disse Terry tentando conter a agitação e preocupação.
— Eu não estou e não estava, pelo menos, não desde o momento em que me retirou de frente do espelho a força e explicou sobre sua ilusão. Mas isso não importa agora e sim o que eu percebi enquanto tomava banho e deveria ter percebido muito antes se não tivesse com a mente tão distraída. — Disse Harry exasperado consigo mesmo.
— O que? — Disse Terry olhando-o atento, seu amigo tinha as deduções mais certeiras.
— O que você disse sobre ficarmos de sobreaviso porque Dumbledore me enviou um objeto mágico valioso e não sabíamos sua motivação e apenas dois dias depois, coincidentemente, tropeçamos em outro objeto mágico poderoso e valioso em uma sala pela qual passamos quase todas as noites depois de deixar Neville e Hermione. — Disse Harry e seus olhos brilhavam no entendimento da verdade.
Terry o encarou confuso e abriu a boca, mas parou com ela comicamente aberta enquanto refletia sobre o que ele dissera e sua expressão mudou para surpresa e sua boca se abriu ainda mais. Ocorreu a Harry que seu amigo tentando pensar com sono parecia o troll que eles lutaram a algumas semanas.
— Você está me dizendo o que eu entendi? Você acha que Dumbledore lhe deu a capa para que você encontrasse o espelho? — Disse Terry um pouco descrente.
— Terry, se você não começar a pensar vou te dar um banho com a minha varinha. — Disse Harry e realmente sacou a varinha do seu coldre.
— Hein! Foi você que veio me acordar antes do amanhecer com uma história maluca. — Protestou Terry indignado, mas se levantou e foi ao banheiro e quando voltou com o rosto lavado e mais desperto, estava pensativo. — Ok, Dumbledore te enviou a capa agora, neste momento, para que você pudesse quebrar o toque de recolher facilmente e encontrasse o espelho.
— Sim, nos perguntamos porque não enviou a capa antes, talvez ele não estivesse com o espelho, mas agora que o diretor o tinha e queria que eu o encontrasse, precisava me fornecer os meios. Use-a bem foi o que ele disse e aposto que esperava que eu saísse pelo castelo explorando, vivendo uma aventura, mas nem na sexta ou ontem eu fiz isso... — Disse Harry andando de um lado para o outro.
— Assim ele improvisou, antes do toque de recolher e eu estava junto, mas então Filch apareceu...
— E ouve aquele barulho na sala de troféus e outro barulho nos atraiu para a sala com o espelho. Terry, era uma armadilha! Dumbledore queria que eu encontrasse o espelho. — Disse Harry sentindo certeza absoluta sobre isso.
— Ok, ok, faz sentido, mas Harry o porquê ele iria querer que você encontrasse o espelho? Aquilo poderia ter matado você ou te enlouquecido. — Disse Terry e dava para ver sua confusão e preocupação. — Tudo o que consideramos até agora que ele fez ou deixou de fazer, foi que ele não teve más intenções ou que sejam quais forem seus planos, no fim do dia ele não é um homem mal, mas se o diretor realmente fez essa armadilha para você...
— O que? Você acha que ele poderia estar tentando me matar? — Harry perguntou, isso era algo que nunca considerara.
— Não, Harry, o diretor é muito poderoso e teve acesso fácil a você no mundo trouxa, se o quisesse morto não estaríamos conversando à essa hora ingrata. — Terry disse pensativo e Harry bufou levemente. — Se estivermos certo e foi uma armadilha para você encontrar o espelho, isso me diz que o diretor não tem limites ao colocar seus planos em prática, inclusive, colocar sua vida em risco.
Harry acenou entendendo o raciocínio do amigo e decidiu deixá-lo dormir um pouco mais e conversarem sobre isso com Neville e Hermione mais tarde. Terry quando soube que ele já treinara, colocou sua varinha para despertar uma hora além do habitual e praticamente o expulsou de seu quarto. Pensativo, Harry decidiu voltar para seu quarto, mas não para dormir e sim para treinar. Usando a parede queimada por suas mãos meses atrás Harry começou a disparar maldições contra ela, enquanto sua mente refletia e analisava suas novas descobertas.
O dia de aulas encontrou Harry mais uma vez distraído e preocupado e a professora Sprout até chamou sua atenção. Depois do jantar ele se reuniu com seus amigos no covil e contou a eles suas deduções. Hermione não negou suas ideias assim que as ouviu, ficando pensativa e Neville ficou com muita raiva, porque como ele disse, "como ele pode jogar com algo tão precioso como a memória de seus pais! "
— Harry, eu não estou dizendo que você está errado, mas qual seria o objetivo de Dumbledore? Como Terry disse esse espelho é perigoso e poderia ter lhe prejudicado seriamente, não entendo porque ele te colocaria nesta situação. — Disse Hermione confusa.
— Talvez ele apenas queria testar o Harry, para saber qual era o maior desejo do seu coração. — Disse Neville ainda irritado.
— Isso significaria que ele estava lá nos observando Harry, invisível e ouvindo o que falamos e pode ser que estivesse lá ontem também. — Terry estava muito preocupado.
Suspirando, Harry se levantou e foi até a janela, olhando para a escuridão nevada e fria.
— São muitos porquês e acredito que a melhor forma de obtermos mais informações é jogando o seu jogo.
— O quê?
— Do que está falando?
— Você pretende voltar lá, não é? — Neville perguntou entendo seu raciocínio.
— Harry! É perigoso voltar e para que faria isso? — Terry mais uma vez estava aflito.
— Pense, Terry, ele montou essa armadilha para eu encontrar o espelho, tenho certeza que o diretor espera que eu use a capa de invisibilidade, que ele generosamente me presenteou, para voltar sem você. No primeiro dia você interferiu, mas ele não teve escolha, pois estamos sempre juntos, assim tudo bem, mas aposto que ele pensou que você não seria tão seduzido pela imagem no espelho, na verdade você nem teve curiosidade em olhar. — Disse Harry andando de um lado para o outro, desvendando o mistério, algo que sempre o empolgava.
— Não tive curiosidade porque sei que aquele espelho é perigoso, além disso não preciso saber o maior desejo do meu coração, tenho muitos desejos e sonhos que gostaria de realizar e alguns eu sei, são impossíveis. E vou me concentrar no que é possível e lutar por isso, não viver para uma ilusão. — Terry falou meio pálido e triste, mas determinado.
Harry viu seus amigos acenarem concordando e suspirou, na verdade, ele pensava exatamente assim e, depois de sua conversa com o Sr. Martin, se sentia mais forte e pronto para se concentrar no vivos e não nos mortos, mas o espelho o fez retroceder e a dor estava na superfície outra vez. Neville estava certo, o que o diretor fizera, não importava os seus motivos, era muito cruel.
— Você está certo e fico feliz por não ter estado sozinho. O fato é que não acredito que é o fim, se o diretor estivesse satisfeito teria tirado o espelho da sala, mas ainda estava lá hoje de madrugada. E eu tranquei a porta quando entrei, pois, tive medo de Filch me encontrar, não queria ser interrompido. — Harry se aproximou e olhou para os amigos. — Assim, seja lá o que ele quer ver ou fazer, torna necessário que eu volte outra vez para assim descobrir. — Concluiu Harry.
— Eu não gosto da ideia, mas o seu raciocínio parece correto. O que? Não me olhe assim Terry, eu disse que não gostava da ideia. — Disse Hermione exasperada com o olhar traído do amigo. — Mas a verdade, é que não sabemos o que o diretor espera obter com esse teste ou experiência, se fosse para descobrir o maior desejo do coração do Harry, ele conseguiu essa informação já e o espelho deveria ter sido levado para outro lugar.
— Ok, então ele espera que o Harry volte, ontem você fez, mas era muito tarde e com a porta trancada o diretor não pode ver ou falar com você. O que vai acontecer se o que ele quer é te machucar? Você estaria sozinho com ele e vulnerável. — Disse Terry e agora ele estava andando de lá para cá.
— Terry, você mesmo disse que Dumbledore não quer me matar e que poderia fazer isso facilmente. Isso é um teste, eu não sei o que ou porque, mas talvez eu descubra se for hoje à noite, mas, tão importante quanto obter informações, é fazer o que o diretor espera que eu faça. Lembra-se? Eu me comprometi a ser o garoto tímido e cordato, assim se o que ele espera é que eu fique obcecado pelo espelho, seja fraco e volte de novo e de novo, é assim que tenho que agir. — Disse Harry resoluto e seus amigos perceberam que não conseguiriam convencê-lo a mudar de ideia.
Ainda assim o três queriam ir com ele, pelo menos um deles, mas Harry foi firme, mesmo com a capa de invisibilidade seria um risco desnecessário e poderia deixar o diretor desconfiado e isso era o que eles não precisavam.
— E sobre a oclumência? Você ainda não está pronto ainda para segurá-lo, Harry. — Tentou mais uma vez o Terry.
— Sim, mas não vou olhá-lo nos olhos e tentarei fazer minha hesitação parecer receio de estar encrencado por ser pego ou algo assim. E não pretendo contar nenhuma mentira, falarei a verdade, até porque ele não tem porque fazer perguntas que me fariam mentir e é assim que eu pretendo que continue. Quero o diretor acreditando que seus planos estão indo exatamente como ele planejou. — Disse Harry determinado.
Assim naquela noite por volta das 11 horas, Harry mais uma vez quebrou o toque de recolher e invisível chegou ao espelho. Engolindo em seco, Harry respirou fundo e ficou em frente a ele, sentindo seu coração se apertar ao vê-los todos juntos outra vez.
— Oi, voltei, mamãe, papai, avós... — Sussurrou ele e viu quando outros pares de avós surgiram.
Eram os pais de sua mãe e Harry percebeu que tinha mesmo os olhos verdes de seu avô que era alto e com cabelos castanhos. Sua avó era muito bonita com seus cabelos vermelhos escuros e olhos azuis. Sentando-se diante do espelho, Harry sorriu suavemente, olhando para eles e desejando do fundo do coração que pudesse ser real. E entendeu o que apavorava tanto Terry, pois ele sabia que poderia ficar ali para sempre, apenas ansiando o impossível.
— Então, outra vez aqui, Harry?
Harry sentiu a tensão percorrê-lo, apesar de esperar que algo acontecesse, ainda o surpreendeu que o diretor não apenas falaria com ele, mas também confirmaria, tranquilamente, tê-lo visto ali antes. Respirando fundo e, mostrando toda a preocupação por estar encrencado em seu rosto, ele olhou para trás. Sentado em uma das mesas junto à parede estava Albus Dumbledore. Harry devia ter passado direto por ele invisível quando entrara e, assim como na primeira noite, o diretor esteve lhe observando e suas reações. Isso lhe causou um arrepio de aversão, mas ele escondeu olhando para o chão timidamente.
— Eu... eu não vi o senhor. — Disse ele em um sussurro.
— É estranho como você pode ficar míope quando está invisível – disse Dumbledore, Harry sentiu alívio ao ver que ele sorria e apenas acenou não querendo revelar que sabia que ele estivera na sala invisível.
"Então. — Continuou Dumbledore, escorregando da cadeira até o chão para se sentar ao lado de Harry. — Você, como centenas antes de você, descobriu os prazeres do Espelho de Ojesed. "
— Este é o nome, senhor? Terry não sabia dizer o que era exatamente. — Harry foi sincero e falou sobre a presença do amigo, que ele já sabia o diretor tinha conhecimento.
— Sim, seu amigo foi muito esperto ao descobrir o significado da inscrição e seus perigos. Acredito que sua natureza prudente o impediu de olhar para descobrir seu maior desejo. — Disse ele em tom estranho, Harry não tinha certeza se apreciava ou não a prudência de seu amigo.
— Como é que o senhor soube? — Disse Harry confusamente.
— Eu não preciso de uma capa para me tornar invisível – disse Dumbledore com brandura, como se sua afirmação fosse um mero detalhe sem importância. —Bem, agora você sabe o que o Espelho de Ojesed mostra a nós todos?
Harry moveu afirmativamente a cabeça e manteve seu olhar no espelho, tentando em nenhum momento olhar o diretor nos olhos.
— Bem... me mostra a minha família... e esse é o maior desejo do meu coração. — Disse Harry olhando para o chão tentando parecer levemente envergonhado.
— Exatamente. E o homem mais feliz do mundo poderia usar o Espelho de Ojesed como um espelho normal, ou seja, ele olharia e se veria exatamente como é. Você, que nunca conheceu sua família, a vê de pé à sua volta. Seu amigo, veria algo menos significativo, talvez ter a maior biblioteca do mundo. — Disse ele com leveza e humor e sabendo que era o que o diretor esperava, Harry riu divertidamente.
— Sim, isso seria algo que o Terry quereria, sem dúvida. — Disse ele, engolindo a amargura que sentiu ao lembrar da Sra. Honora.
— Sim, mas sua inteligência em resistir ao fascínio do espelho dever ser admirada, pois ele está certo, é apenas uma ilusão e não nos dá nem o conhecimento nem a verdade. Já houve homens que definharam diante dele, fascinados pelo que viram, ou enlouqueceram sem saber se o que o espelho mostrava era real ou sequer possível. — Disse ele em tom professoral e se levantando continuou.
"O espelho vai ser levado para uma nova casa amanhã, Harry, e peço que você não volte a procurá-lo. Se algum dia o encontrar, estará preparado. Não faz bem viver sonhando e se esquecer de viver, lembre-se. E agora, por que você não põe essa capa admirável outra vez e vai dormir? "
Harry se levantou também, sabendo que o pequeno teatro estava chegando ao fim.
— Sim Senhor, Prof. Dumbledore. E sinto muito ter saído da torre senhor, não farei mais isso. — Disse ele timidamente, tentando mostrar se como um humilde primeiro ano que não entendera que sua presença ali fora uma armação.
— Não se preocupe Harry, todos nós somos tentados algumas vezes. — sorriu Dumbledore suavemente.
Foi só quando estava se preparando para dormir que lhe ocorreu que talvez para o diretor resistir ao espelho era lhe tão difícil como fora para ele.
No dia seguinte os quatro acordaram mais cedo para poderem se encontrar no Covil antes das aulas e Harry contou a eles o que acontecera em sua última visita ao espelho. Quando terminou todos o olharam, confusos e pensativos.
— Eu não entendo, tudo isso foi mesmo um plano para você encontrar o espelho, é claro agora. Ele nem disfarçou. — Disse Hermione confusa e desapontada.
— Ele não precisa disfarçar porque não pensa que eu sou muito inteligente ou curioso que vou perceber ou fazer perguntas. — Disse Harry sem saber se ficava ofendido ou feliz que o diretor o subestimava tanto.
— Mas você está na Ravenclaw e tem uma das melhores notas do ano, como ele pode pensar que você não é inteligente? — Neville estava chocado e irritado.
— Porque ele acredita que minha amizade com Terry e Hermione e estar na casa que estimula o estudo é o que me permite ter notas tão boas. E sobre eu estar na Ravenclaw, bem, ele deve saber que me sentei com Terry na viagem de trem e talvez pense que por causa da nossa amizade eu pedi ao chapéu para estar na mesma casa que ele. — Disse Harry dando de ombros.
—Ou ele sabe que você é inteligente, mas subestima o quanto e entende que por sua criação não tem o hábito de usá-la fazendo perguntas. — Disse Terry também especulando.
— Isso não importa tanto quanto entender porque o diretor teve tanto trabalho para colocar essa armadilha, Harry. Apenas para te observar, descobrir o maior desejo de seu coração e depois te avisar que o espelho é perigoso e vai ser enviado para outro lugar? — Disse Hermione impaciente.
— Talvez ele queria encontrar o Harry pela primeira vez desta maneira, salvando-o ou ajudando-o para se tornar uma figura positiva e sábia? Sabe, algo como: "olha só eu te salvei, pode confiar em mim", esperando que Harry não perceba que quem o colocou em perigo foi o próprio diretor. — Sugeriu Terry pensativo.
— Bem, isso faria sentido, é possível também que ele queria que o Harry se lembrasse dos pais e ficasse vulnerável e assim o veria como uma espécie de substituto. Algo como: "você não os tem, mas tem a mim, confie em mim. " — Disse Hermione um pouco enojada.
— As duas opções são doentias. — Disse Neville pálido e zangado e olhando para o amigo com atenção acrescentou. —Tenho a sensação que o Harry tem outra teoria.
— Harry? — Perguntou Terry curioso. A expressão de Hermione era idêntica.
— Eu não sei, não é exatamente uma teoria, apenas uma percepção ou intuição, o fato é que não consigo afastar da minha mente o que ele disse. — Harry disse pensativo.
— O que exatamente? — Hermione franziu o cenho, lembrava de tudo o que fora dito pelo o amigo de sua conversa com o diretor.
— Ele disse: "O espelho vai ser levado para uma nova casa amanhã, Harry, e peço que você não volte a procurá-lo. Se algum dia o encontrar, estará preparado. " — Parafraseou ele e observou o entendimento alcançá-los quase ao mesmo tempo. — Vocês percebem? Meu encontro com o espelho foi uma preparação, para o que, eu não sei, mas acredito que toda essa história está muito longe do fim. — Disse Harry sentindo um mal pressentimento envolvê-lo.
