Capítulo 28

Durante os dias seguintes Harry voltou a ser ele mesmo, atento e dedicado aos estudos, concentrado no presente e nos vivos. Apenas a noite não voltara a ser como antes, vinha tendo pesadelos onde via seus pais e avós presos no espelho, chorando e batendo no vidro como se tentassem sair e gritando por ele, para que ele não o esquecessem. O sonho sempre terminava com uma luz verde explodindo o espelho e ele acordava chorando ou gritando suado e tremulo. O que o ajudou a manter se calmo e concentrado durante o dia foram a meditação, os exercícios e a certeza de que Dumbledore não sabia que Harry não era o pequeno filhote obediente inocente.

Outra coisa que vinha ajudando, para sua surpresa, era o diário, passadas a estranheza inicial, Harry logo percebeu que quando conseguia colocar seu dia, sentimentos e sonhos por escrito e com sinceridade, era como uma espécie de terapia. Assim como meditar o ajudava a esvaziar a mente, escrever sobre sua dor o ajudava a entendê-la e aceitá-la. Ele também escreveu ao Sr. Martin e contara o que acontecera, sem envolver o Dumbledore e sim dando a entender que encontrara o espelho acidentalmente. Sua resposta fora que era natural a necessidade de estar mais próximo ou em contato com quem perdemos, contou que no mundo trouxa não era incomum as pessoas procurarem o espiritismo, uma religião onde se acredita poder falar com os mortos, ou médiuns. Muitas pessoas acabavam obcecadas e perdiam todo o seu dinheiro e até sua sanidade para poder falar ou receber recados, mas muitas vezes eram enganadas ou iludidas. Harry ficou aterrorizado que alguém poderia usar a dor de outra pessoa para ganhar dinheiro.

Sr. Martin também dissera que ele aceitar os conselhos dos amigos e escolher os vivos mostrava claramente que Harry estava melhorando e seguindo em frente, que a culpa acompanha esse movimento, mas que tudo bem também, ele só tinha que compreender que a culpa era seu sentimento e não de seus pais, pois eles não culpavam Harry por viver. Ele disse que quando Harry aceitasse essa verdade os pesadelos parariam.

Mas de tudo o que mais o ajudou foi a carta do Sr. Falc lhe contando que as investigações estavam progredindo rapidamente e que Sirius, que já estava fora de Azkaban e em breve deixaria a prisão da ICW também. Isso o encheu de esperança, pois o fez perceber que nem tudo naquele espelho era ilusão, seu padrinho estava vivo e eles ainda poderiam ser uma família. Depois disso, decidido a viver e não sonhar Harry mergulhou nos treinos de quadribol com grande intensidade, queria muito vencer os Slytherins e muitas vezes Trevor e ele foram vistos sentados juntos discutindo estratégias de defesa e comparando-as ou retirando ideias do futebol que os dois apreciavam.

— Trevor, acredito que esse movimento vai nos ajudar porque além de confundir os Slytherins, vamos evitar o contato físico direto e bruto, principalmente do Roger que é o mais pequeno dos atacantes. — Disse Harry mostrando o diagrama que fizera para seu capitão.

— Eu concordo, Harry, mas não é um movimento fácil de treinar e também vai ser difícil torná-lo instintivo, o contato direto para tomar a goles é a primeira coisa que aprendemos quando iniciamos no jogo. — Disse Trevor fazendo anotações no diagrama.

— Isso porque não temos reservas, já lhe disse minha opinião, deveríamos ter um time reserva para ajudar a treinar e para preparar novos jogadores quando vocês se formarem. Além disso parece injusto que tão poucas pessoas pratiquem esportes na escola. — Disse Harry exasperado.

— Eu concordo e já lhe disse que pretendo falar com a Prof.ª Hooch, mas sinceramente não sei se muitos terão interesse, eles saberão que não vão jogar por anos e talvez não queiram perder tempo de estudo por nada. — Argumentou Trevor.

— Talvez não os mais velhos, mas os mais jovens, aposto que ficarão felizes de jogar mesmo que sejam em treinos e nos ajudar a ficarmos e melhores e ganharmos. Sabe, fazer parte de um time é especial também, se não os times de futebol não teriam tantos reservas. — Disse Harry e viu seu amigo acenar pensativo.

— Ok, prometo que vou pedir autorização a professora, agora me explica essa sua ideia de novo. — Pediu Trevor.

— Bem, foi algo que eu vi no jogo do Liverpool na TV, o sistema de defesa deles era incrível e observando com atenção percebi que os zagueiros e volantes, principalmente, não tentavam tirar a bola do adversário. Eu vi outros jogadores fazendo isso, eles atacavam e, ou tomavam o drible ou faziam faltas, mas os do Liverpool não, eles apenas cercavam e tiravam os espaços, claro se o jogador ficasse desatento eles davam o bote e pegavam a bola, mas isso aconteceu poucas vezes. — Harry desenhou mais uma vez o movimento no diagrama. — Você vê? Eles cercam e cercam, e também cercam o jogador sem a bola, assim o passe fica mais difícil, o outro time errava o passe e eles rapidamente saiam para o contra-ataque. Podemos fazer o mesmo, ao em vez de tentar lidar com a brutalidade física dos Slytherins, podemos ser mais rápidos, vocês três são mais leves e rápidos. Quando eles errarem o passe aquele que pegar a goles já lança rápido para o outro atacante que passa rápido para o outro antes que a marcação chegue e gol. — Disse Harry com um sorriso triunfante.

— Isso é brilhante Harry, eu adoro futebol, mas nunca pensei em usar as técnicas de campo no ar, mas você está certo. E se conseguirmos treinar e colocar isso em prática os Slys não vão saber o que os atingiu. — Disse Trevor com um sorriso enorme.

Assim eles mergulharam nos treinos, como Harry não precisava de muitos treinos para sua posição, ele se juntou aos atacantes e de dois contra dois colocaram em prática suas ideias de defesa e contra-ataque. Mesmo o rabugento MacMillan gostou dos novos movimentos e apoiou a ideia do Harry de terem um time reserva. Melrose como sempre sorriu e fingiu que não se importava com algo que veio do mundo trouxa, Harry temera que ele poderia colocar algum empecilho, mas o garoto deveria gostar muito de jogar porque treinou sem uma careta.

Antes do sábado do jogo teve um sábado de aula de carpintaria mágica. Harry achou que o professor os deixaria começarem a trabalhar em sua madeira, mas não foi assim. Enquanto ele acompanhou os outros alunos para a Floresta, os orientou a conheceram o que iriam criar e depois de conjurar três bancos do tamanho adequado para cada um deles, explicou.

— O que quero que façam é desenhar o banco que vocês irão construir, aqui tem um modelo, observem cada detalhe dele, os ângulos, os encaixes, as medições. Quando usarem o papel e lápis de desenho coloquem atenção as medidas e proporções e decoração, esses são bancos básicos, mas os de vocês podem ser como quiserem, sejam criativos. — Ele disse com um sorriso amigável.

Depois todos os alunos e ele saíram para a Floresta e Harry, Neville e Owen se sentaram no chão e usaram seus blocos e lápis preto e coloridos para captarem o banco em detalhes. Harry nunca se interessara por desenho e nas aulas de artes nunca mostrara nenhum talento, mas ele sabia o suficiente para conseguir desenhar o banco que na verdade tinha linhas, ângulos e proporções simples. Depois de desenhar o banco ele trabalhou nos detalhes, pensando com o que decorar decidiu colocar seu nome inteiro e o desenho de uma flor para simbolizar sua mãe e sua avó. Quando terminou Harry sorriu animado, desenhar as flores lhe dera uma boa ideia.

Ao fim da aula todos retornaram e apenas 10 dos 25 alunos voltaram sem um galho. Prof. Jonas os tranquilizou dizendo ser normal e insistiu que tivessem paciência e continuassem meditando. Terry se colocou ao lado de Harry na mesa, sorrindo animado com seu galho de uma árvore de Freixo e disse que fora uma experiência maravilhosa. Logo todos saíram e Harry ficou mais um pouco para conversar com o Prof. Jonas.

— Tudo bem, Harry? — Disse ele, adotando a informalidade como fazia com todos.

— Sim, professor, queria saber se o senhor faz trabalho com couro de dragão também ou só madeira? — Perguntou ele hesitante.

— Eu não sou um artesão do couro, mas um carpinteiro tem que aprender a trabalhar com todo o tipo de material, inclusive couro de dragão. — Disse ele apontando para sua mochila de couro transversal. — Porque? Você me parece ter uma ótima mochila, é couro de vaca, não é?

— Sim, eu ganhei de presente de Natal e é ótima. Hum..., apenas, o que eu estou pensando não vou encontrar em uma loja mágica ou trouxa, é algo específico e pensei que o senhor poderia me ajudar... — Harry estava hesitante porque não queria lhe incomodar.

— Claro, seria um prazer, me fale o seu projeto. — Disse Jonas se sentando em seu banco e conjurando uma cadeira para ele.

— Bem, eu ganhei no Natal um coldre de varinha, veja... — Disse Harry erguendo a manga da veste e mostrando a ele.

— Hum... muito bem-feita e imagino que colocou seu sangue para ser comandada por sua magia? Você já consegue pegar a varinha em um movimento fluído e seguro? — Jonas perguntou observando com atenção.

Harry acenou e desejando sua varinha em sua mão, ela instantaneamente saltou e ele a pegou agilmente.

— Muito bom, isso não deveria me surpreender, Prof.ª McGonagall me contou que você é um grande buscador. — Disse ele sorrindo e observou quando Harry moveu o pulso e guardou sua varinha com a mesma habilidade. — Você que aprender a fazer um coldre como esse?

— Não, não exatamente, bem, eu tenho um objeto valioso e que seria importante para minha segurança e proteção. Eu gostaria de tê-lo sempre comigo e poder usá-lo e guardá-lo como faço com a varinha, mas é um objeto muito maior do que a varinha, entende? — Disse Harry explicando e sendo misterioso ao mesmo tempo.

— Entendo e se é para sua proteção me sinto ainda mais disposto a te ajudar, mas sem ver o objeto me sinto um pouco limitado em ter ideias, Harry. Você poderia me mostrar? — Pediu Jonas e quando o viu hesitar acrescentou. — Prometo que não falarei sobre isso com ninguém, mesmo os professores, se é para sua segurança.

— Eu agradeço professor, é uma herança, pertenceu ao meu pai e não quero correr o risco que alguém descubra, porque sua proteção vem do elemento surpreso, entende? — Enquanto falava Harry rapidamente fechou a porta da sala e abrindo sua mochila, tirou a capa prateada brilhante.

— Merlin, isso é uma capa de invisibilidade? Elas são muito raras e valiosas e podem ser muito uteis para proteção. Você está certo Harry, é um grande trunfo e ninguém saber sobre ela é muito importante. — Jonas a tocou admirado com seu tecido que lembrava água.

— Sim, eu pensei o mesmo e quero tê-la sempre comigo professor, mas com ela dentro da mochila perde-se um grande tempo para acessá-la. Minha amiga sugeriu guardá-la no bolso da minha veste, senhor, mas eu, em muitos momentos, uso roupas trouxas e se fosse revistado por alguém ou estuporado a pessoa descobriria e tomaria a capa facilmente. — Explicou Harry pensativamente.

— Claro, usá-la como um elemento surpresa é importante inclusive em caso de captura ou se você ficar inconsciente seria terrível se ela fosse roubada. — Jonas também estava pensativo. — E um elmo de couro de dragão como o que protege sua varinha é uma ótima ideia, porque ninguém poderá tirá-la de você, mas o aspecto mais complicado seria o tamanho e a fluidez para você usar a capa.

— Hum, mas não dá para colocar o feitiço de extensão, assim a capa caberia em um espaço menor? Ou talvez fazer um elmo maior? — Perguntou Harry curioso.

— Sim, com certeza, precisaria de algumas runas permanentes bem fortes, mas é possível sim. A questão é a fluidez, quando você libera sua varinha, ela se solta e com um momento rápido de pulso você a pega antes de cair. Com a capa será diferente, ela vai explodir e se expandir e você terá que segurar e se cobrir com ela, tudo isso correndo ou fugindo ou sendo atacado por magias. As chances de que em um momento como esse você não conseguir segurá-la e perdê-la é grande, a não ser que... — Prof. Jonas parou quando seu rosto se iluminou com uma nova ideia. — Harry acho que talvez, hum... talvez possamos pensar de forma diferente.

— Diferente? — Harry viu sua expressão animada e sorriu.

— Sim, Harry, diferente porque sua ligação ao liberar sua varinha é com o coldre, ela tem sua magia impregnada e obedece seu comando. Claro que você poderia usar magia sem varinha, e isso seria muito difícil, para convocar sua varinha se ela caísse no chão. Mas com a capa pode ser diferente, vamos fazer um teste, coloque a capa e ande pela sala. — Disse Jonas excitado por sua ideia.

— Ok. — Disse Harry e colocando a capa andou pela sala silenciosamente, parou e olhou para o professor.

— Accio capa de invisibilidade. — Gritou ele e Harry tentou segurar a capa para impedi-la de ir na direção do professor, mas ela nem se mexeu. Jonas tentou mais duas vezes e nada. — Incrível! Você pode aparecer Harry?

Harry fez isso tirando a capa perto das janelas, a uns 10 metros de distância e depois voltou para a cadeira.

— O que é incrível, Prof. Jonas?

— Harry, a capa deve ser um objeto mágico poderoso e está conectado com sua magia. — Jonas explicou e ao ver seu olhar confuso continuou. — Quer dizer que a capa tem sua própria magia, assim como a árvore a qual você se conectou naquele dia, e a magia da capa é sensível como todas as magias do mundo, mas... Coloque-a aqui sobre a mesa, assim você vai entender. — E se levantando uns três metros apontou para a capa e disse. — Accio capa de invisibilidade. — A capa imediatamente voou rápido até sua mão. — Viu?

— Sim, quer dizer que a magia da capa é sensível a sua função de proteger e se eu tentar me conectar com ela pode ser que ela me atenda como a árvore? — Harry arregalou os olhos surpreso.

— Sim e não, vamos fazer outro teste, você ainda não aprendeu o feitiço de convocação, é um feitiço de 4º ano, mas você é muito bom em Feitiço então pode ser que consiga. Treina com a capa na mesa, uns dois metros estão bons. — Orientou Jonas e por um tempo Harry treinou o feitiço convocatório até que ele conseguiu que a capa voasse em sua direção rapidamente. — Muito bem, agora eu vou me cobrir com a capa e você vai convocá-la, não estarei muito longe, mas você não saberá onde estou, queira a capa para vir até você, Harry.

Harry sentiu um incomodo estranho quando viu a capa e o professor desaparecer e, rapidamente, a convocou e nem se sentiu tão surpreso quando ela voou na sua direção descobrindo Jonas, apenas alívio quando a segurou.

— Isso é incrível! Ela está conectada a mim? — Disse ele sorrindo.

— Sim, eu desconfiei e isso apenas confirma, a capa é uma herança familiar e sua magia está conectada ao seu sangue e a sua magia. Harry, isso torna tudo mais simples, ou menos complexo, pois se você conectar sua magia com a magia da capa, ela vai, ao seu comando, se movimentar como quiser que ela faça, pois, seu primeiro instinto é proteger o sangue Potter. Entende? — Disse Jonas com um sorriso enorme e Harry acenou com um ainda maior. — Não quer dizer que não precisará de treino e muita habilidade para se conectar com ela quando estiver em perigo, também teremos que criar um elmo para mantê-la protegida e acessível junto ao seu corpo. Tenho algumas ideias e na próxima aula trarei alguns projetos e podemos decidir juntos a melhor opção e depois fabricaremos e colocaremos cada magia necessária. — Professor Jonas parecia empolgado e Harry estava mais do que grato.

Logo depois os dois se despediram e Harry foi procurar seus amigos, queria conversar com Neville sobre outra ideia que tivera.

O resto da semana o clima esquentou na escola com a perspectiva do jogo de quadribol das duas casas que venceram seus primeiros jogos, nem parecia que era inverno. Os Slytherins desfilaram arrogantes com a certeza da vitória e dizendo para todos ouvirem que a vitória da Ravenclaw fora um golpe de sorte, porque seu inexperiente buscador conseguiu pegar o pomo, inesperadamente. Os Ravens os ignoraram nem um pouco interessados em cair em provocações e perderem pontos, alguns apenas disseram, inteligentemente, que ninguém ganha antes de jogar o jogo.

Harry também os ignorou, principalmente Malfoy que parecia um pavão de tanto que se pavoneava, ainda que se manteve longe dele, talvez ainda se lembrando da ameaça que Harry lhe fizera. O último treino, ao em vez de irem para o campo ficaram no vestiário como da última vez e conversaram, sobre estratégias, suas preocupações e Trevor encerrou pedindo que todos chegassem com uma hora de antecedência para se concentrarem e se aquecerem antes do jogo. Ele também os orientou a sempre andarem em grupos, pois os Slytherins tinham a reputação de tentar enfeitiçar os jogadores do time rival para conseguir uma vantagem.

O dia do jogo amanheceu frio e chuvoso, um contraste com o jogo da semana anterior entre Gryffindors versus Hufflepuff, o jogo terminara com vitória para os texugos, mas apenas por 10 pontos. Seu buscador, Cedric pegara o pomo, mas o ataque dos Gryffindors fora imparável. Assim todas as casas estavam ainda com pontuação para vencer, dependeria desse jogo e da próxima rodada em maio. Como combinado todos chegaram mais cedo e Trevor os incentivou a aquecer com alguns exercícios, essa fora uma ideia de Harry que lhe dissera se sentir mais forte e apto fisicamente, desde que começara a fazê-los. No começo os puros-sangues MacMillan, Davies e Melrose estranharam, mas acataram sem grandes discussões porque queriam muito ganhar da casa das cobras. Depois do aquecimento no vestiário eles voaram um pouco, a chuva era fina e usaram feitiços de aquecimento para espantar o frio.

Para Harry, como sempre, voar o libertava das preocupações e quando voltaram para o vestiário para esperarem ser chamados estava totalmente concentrado no jogo. O barulho aumentou e o locutor começou a narrar a abertura inicial, Jordan era seu nome.

— Bem, é isso, nós sabemos o que temos que fazer e precisamos apenas ter confiança, lembrem-se evitem confrontá-los fisicamente. Batedores, precisamos que nos cubram hoje mais do que nunca e Harry faça os desvios, mas não se machuque ou se distraia, só temos chance de vencer se você pegar o pomo. Temos o fator injusto e inesperado de Snape ser nosso juiz, Madame Hooch prometeu interferir se ele começar a marcar injustamente, mas podemos vencê-los, mesmo com esse absurdo. Vamos lá, vamos mostrar quem são os Ravens de Hogwarts! — Ele gritou o final e todos o acompanharam.

A surpresa desagradável do Snape ser o juiz viera ontem, Prof. Flitwick viera lhes informar e dissera que a uma semana vinha lutando contra esse absurdo e injustiça com o apoio da Madame Hooch, mas por fim Dumbledore tomara a decisão final e seria o chefe da casa Slytherin que arbitraria o jogo. Harry não contara ao time o ataque a sua vassoura em novembro, assim também não explicou que Snape ser o juiz era, provavelmente, uma tentativa de protegê-lo. Não que Harry acreditasse que Snape não se aproveitaria de sua posição exatamente como fazia em sua sala de aula.

— Bem, agora vamos anunciar os jogadores da Ravenclaw! Eles mais uma vez não são os favoritos, mas isso não os impediu de ganharem da Hufflepuff em novembro. — Gritou Jordan. — E temos os atacantes Pickford, também capitão, Melrose e Davies. Os batedores MacMillan e Flynn e a goleira Martín. Fechando com o surpreendente buscador 1º ano, Potter! Esperemos apenas não ver um massacre hoje, estou torcendo para as águias, mas as cobras são sem dúvida mais experientes, além de especialistas em jogar sujo, isso sem falar que parecem trolls de tão feios...

— Jordan! — Gritou McGonagall.

— Desculpe professora. Os times se cumprimentam e o juiz apita o início da partida. E essa é a novidade de hoje, já não basta o favorecimento de Snape em sala de aula, os Ravenclaws terão que superar sua presença e decisões injustas e nós aguentar sua cara feia...

— Jordan! Estou lhe avisando! — Gritou mais uma vez McGonnagall.

Harry apenas riu e depois se concentrou totalmente no jogo. Eles sabiam que Snape poderia ser injusto e pegar o pomo era uma prioridade, mas jogar o jogo que eles treinaram todas aquelas semanas também era. Sua estratégia era simples e Harry manteve sua atenção dividida entre encontrar o pomo e observar o jogo e viu com prazer quando depois de cercarem os atacantes, Melrose pegou a bola em um erro de passe e passou a bola rapidamente para Trevor que acelerou na direção das balizas opostas e recebeu o passe mais longo e sem marcação fez o gol, cara a cara com o goleiro. Isso!

Foi tão rápido que todos, inclusive o time Slytherin, ficaram surpresos e olharam confusos. Mas a comemoração da torcida azul e bronze foi ensurdecedora.

— Isso foi um movimento interessante, um golpe de sorte sem dúvida. — Disse Jordan.

Sorte, pensou, Harry, não era sorte e quando em uma hora de jogo seu time marcou 150 pontos quase todos em contra-ataques e as cobras só conseguiram 30, sua narração mudou.

— Isso é incrível! Os Ravenclaws estão trabalhando em uma estratégia inteligente de não confronto físico direto e rapidez, isso é muito inteligente e exige muito treino. Se Potter pegar o pomo podemos ter mais uma vez uma surpreendente vitória! O que é isso, não foi falta! Essa é a quarta vez que uma falta inexistente é marcada antes de um ataque promissor dos Ravens, esse juiz ao menos sabe as regras do jogo. — Jordan falou irritado e dessa vez a professora não se manifestou, pois ela também estava indignada.

Harry observou um Snape bem mal-humorado marcar mais uma falta e decidiu seguir com seu plano, quando os atacantes Slytherins voaram na direção das balizas, Harry se lançou na direção deles fingindo estar perseguindo o pomo. Seus próprios atacantes os cercavam sem dar o bote, mas Harry foi na direção do que tinha a bola tão rápido e só parou a centímetros de se chocarem pegando o garoto de surpresa e o fazendo largar a goles. Sem hesitar, Harry a pegou, sorriu para ele e disse.

— Oi! Obrigada por me dar a goles. — E com um movimento fluido disparou para a baliza Slytherin, ele não podia fazer o gol, assim quando chegou diante do goleiro carrancudo ele passou a goles sutilmente para Trevor que sem goleiro, que estava olhando para Harry, fez o gol.

— Vocês viram isso!? Vocês viram isso!? Potter bloqueou o ataque e recebeu a bola, passou para Pickford e este fez o gol, 160 a 30. Incrível, nunca vi algo assim e agora os trolls estão protestando. — Disse Jordan animado.

— Jordan, é meu último aviso... — Disse McGonagall.

Mas Jordan estava certo, os trolls, inclusive o chefe troll, estava protestando e queriam cancelar o gol e até marcar pênalti, Trevor pediu a interferência de Madame Hooch que disse que o lance era legal. Harry podia ajudar no ataque e defesa, apenas não podia fazer gol, assim o gol era válido.

Depois disso os Slytherins ficaram furiosos e tentaram jogar sujo e machucar os Ravens, Snape nada marcava e quando eles tinham a bola marcava faltas que não existia. Harry ficou furioso e interferiu mais duas vezes, principalmente, quando um deles machucou Davies que precisou sair do jogo. Com um jogador a menos, Harry assumiu a função de atacante e com sua rapidez absurda, ninguém conseguia chegar perto dele, assim ele conduzia a goles e entregava para Trevor ou Melrose fazer o gol.

Quando chegaram a incríveis 250 a 50, seu capitão o mandou pega o pomo e encerrar com chave de ouro. Sorrindo, Harry subiu e observou o campo em busca do pomo dourado. O outro buscador livre assistira a partida e não encontrara o pomo durante sua ausência, mas ele o viu dez minutos depois de começar a procurá-lo. Ele estava perto de Snape e sem hesitar Harry partiu em sua direção tão rápido que quando o professor de poções o viu ele estava a poucos metros dele. O susto foi tão grande que ele arregalou os olhos e tentou se afastar bruscamente. Harry se concentrou apenas no pomo e quando o agarrou sentiu Snape bater na sua vassoura que girou, como estava inclinado e se segurando com uma mão a sacudida fez essa mão escorregar e Harry sentiu-se caindo da vassoura.

Snape percebeu o que fizera e quando o viu o menino cair moveu-se o endireitou na vassoura segurando pelo cangote do uniforme. Surpresos, os dois se olharam por um segundo e Harry se afastou com um constrangedor "obrigada" e foi comemorar com seu time que vinham eufóricos na sua direção. Com um arrasador placar de 400 a 50 a comemoração era enorme, seus amigos vieram para o campo e Harry se viu cercado. De repente, Dumbledore estava a sua frente e apesar de saber que ele estava assistindo, Harry tomou o maior susto, mas disfarçou com um sorriso de surpresa.

— Muito bem. — Disse Dumbledore baixinho, de modo que somente Harry pudesse ouvir. — Que bom ver que você não ficou pensando naquele espelho... manteve-se ocupado... excelente...

E por que era o que Harry sabia que se esperava dele, ele sorriu e agradeceu, mas ficou muito feliz quando foi arrastado por Terry na direção do vestiário e não precisou olhar para o amigo para saber que o movimento fora proposital.

No vestiário a festa do time era imensa, rindo animados e com gritos de vitória, mas alguém mencionou uma festa e Harry foi agarrado e colocado sobre os ombros de Trevor que o carregou cercado por uma multidão. Sorrindo tanto que seu rosto doía, Harry gritou e comemorou pelo resto da noite, recebendo parabéns e descrições diferentes do jogo de vários colegas de casa, ele mal conseguiu se sentar um pouco com seus amigos antes de, cansando, deixar a festa e ir dormir já bem depois da meia noite.

O resto da semana foi a melhor para o Ravenclaws em muitos anos, eles tinham grandes chances de serem os campeões duplos, da Taça das Casas e de Quadribol, algo que não acontecia a décadas. Os Slytherins por uma vez se mantiveram para si mesmo, sem provocações e arrogâncias e as outras casas vieram parabenizá-los por o melhor jogo de quadribol que já tinham visto. Harry curtiu o momento pensando em seu pai que também fora um astro de quadribol na escola e que aonde estivesse com certeza estaria feliz e orgulhoso dele.

Na quinta-feira era aniversário de sua mãe e com a ajuda de Neville e autorização de Sprout, Harry colocou a ideia que tivera na aula de carpintaria em prática.

— Ainda não entendi porque você mesmo não conversou com a professora, Harry, tenho certeza que se você explicasse o porque queria fazer isso, ela entenderia. — Disse Neville quando entraram e foram para os fundos da estufa 1.

— Você é seu aluno preferido e adora Herbologia, seu interesse em vir aqui hoje e plantar algumas flores nem foi questionado, eu teria que dizer o porquê e como você disse ela entenderia, mas seria constrangedor, vocês são meus amigos e tudo bem, seria diferente com os outros. — Disse Harry carregando as coisas que encomendara do Herbologista.

— Acho que está errado Harry, professora Sprout entenderia, até te acharia fofo por fazer algo tão bonito. — Disse Hermione sorrindo.

— Fofo? Ugh, você fez certo em não falar Harry, teria sido muito constrangedor. — Terry declarou com uma careta divertida.

— O que? — Hermione estava confusa.

— Hermione, meninos não querem serem chamados de fofos, é constrangedor e estranho. — Respondeu Terry e Neville e Harry acenaram concordando.

— Vocês, meninos, às vezes, podem ser bem bobos mesmo. — Disse ela entre exasperada e divertida. — Bem, como vamos fazer, Harry, você vai plantar as flores no vaso e as mudas aonde?

— Bem, segundo o livro de jardinagem trouxa que eu dei para o Terry, posso plantar a árvore de cerejeira e faia nos vasos e quando chegar a primavera replanto elas lá na Floresta. O importante é plantar e cuidar dela e das flores agora no início aqui na estufa que tem a temperatura certa. — Disse Harry separando as sementes e as mudas com cuidado e depois pegou os vasos que estavam encolhidos e colocando-os no chão, tocou sua varinha e eles cresceram.

— Isso é muito legal Harry, o que te fez pensar nisso? — Perguntou Neville enquanto pegava as ferramentas, terra e adubos.

— Foi na aula, lembrei que o professor Jonas disse que também planta árvores e que fazer isso ajuda a equilibrar o que pegamos da natureza. Quando fiz a decoração no desenho do meu banco, desenhei a árvore da Faia que me deu a madeira e um lírio e um jacinto, em homenagem a minha mãe e avó, e foi então que percebi que queria homenageá-las e agradecer a natureza e a magia, criando vida, plantando. — Explicou Harry enquanto suavemente e segundo as indicações do livro plantava, ele sabia alguma coisa, mas nunca plantara essas duas flores ou árvores.

— Eu entendo os lírios e os jacintos, mas por que as árvores? — Perguntou Terry ao lado do amigo e pegou um vaso e começou a seguir suas instruções e plantar as sementes das flores.

— As flores são para as duas e minha avó Euphemia, apesar de não saber sua flor preferida. A faia é a árvore da vida, assim é um agradecimento por todos eles me darem a vida, e um agradecimento a natureza e magia também. E a cerejeira, bem eu li sobre ela no livro e diz que até no inverno ela fica florida e pensei que isso simbolizava, bem, tudo. Mesmo nos momentos difíceis e escuros, ainda existe vida e amor e esperança, eu estou aprendendo isso e quero plantá-la para simbolizar a vida, o desejo de viver e para nunca esquecermos disso, nunca perdermos a esperança. — Disse Harry suavemente, ele fungou baixinho, mas ninguém disse nada, apenas acenaram e continuaram a plantar.

Os vasos de flores e os com as duas mudas de árvores precisariam de cuidados durante o inverno, mas todos queriam ajudar e depois acompanhá-lo para replantar em algum lugar da Floresta Proibida na primavera. Harry havia escrito ao Sr. Martin sobre a sua ideia e ele o apoiara dizendo que, enquanto Harry não poderia deixar de viver ou viver em função dos mortos, não havia nada de errado e poderia até ser terapêutico dedicar um momento do seu dia para fazer algo para lembrá-los e honrá-los. Naquela noite, depois de rever as fotos dos seus pais e avós paternos, Harry foi até a janela e olhando para o céu, sussurrou baixinho:

— Feliz aniversário, mamãe.

Depois ele foi dormir e essa foi a primeira noite que não teve pesadelos. Harry não precisava conversar com o Sr. Martin para entender que fazer algo concreto para mostrar si mesmo e a sua família que nunca os esqueceria, finalmente, afastou a culpa por sua vontade e seu esforço para viver e ser feliz. E, incrivelmente, Harry passou a apreciar Herbologia como nunca antes, ele percebeu que no começo associava essa aula com as horas e horas que passara trabalhando no jardim de seus tios, as vezes com fome e sede, sem nunca um obrigado ou elogio. Mas agora ele entendia a Herbologia pelo que era, cuidar da natureza e suas diferentes vidas, magias e sua associação era com sua mãe e sua avó e, principalmente, consigo mesmo e sua magia.

Na aula seguinte de carpintaria, professor Jonas acompanhou os 10 alunos para tentarem conseguir sua madeira enquanto os outros desenhavam seus bancos. A Neville, Owen e Harry foi dado a missão de suavemente limpar a madeira de sua casca e musgos. Esse material, Jonas explicou, não seria jogado fora e sim entregue de volta a Floresta, pois ele seria absorvido pela terra como adubo e viraria energia e vida.

Quando ele voltou com os 10 alunos restantes carregando suas madeiras, Harry tinha conseguido limpar todo o seu galho até que a cor avermelhada escura podia ser vista por toda sua extensão. Jonas os liberou e pediu ao Harry que ficasse mais um pouco, ansioso para ver suas ideias ele se sentou com o professor que lhe mostrou os desenhos de projetos diferentes para fazer um elmo para sua capa.

— Hum, gosto mais dessa Prof. Jonas, a braçadeira, como será de couro vai ficar muito legal e quem ver vai pensar que é apenas um acessório. Eu gosto de acessórios de couros e roupas também, assim ninguém vai piscar quando me ver usando e acho mais acessível, também vou poder me acostumar mais facilmente. — Disse Harry enquanto gesticulava com o braço esquerdo imaginando ele inteiramente coberto por uma braçadeira de couro.

— Eu concordo e tirei a ideia do arco e flecha, os arqueiros usam braçadeiras assim para evitar o contato da corda do arco com o braço, é um equipamento de segurança, pois a corda poderia machucá-los gravemente. — Disse Jonas e pegando uma pasta de sua bolsa. — Bem, agora que temos o projeto precisamos escolher o couro, peguei essa pasta com opções da loja que vende couro de dragão. Vamos pegar um couro de alta qualidade, bem curtido e leve assim não pesa em seu braço e é mais fácil de fabricar a braçadeira.

Harry folheou a pasta observando os couros e suas cores, tocando e sentindo sua textura, o preto o atraia mais, mas tinha texturas mais ásperas escamosas e um verde escuro muito bonito de um Dragão Chifres-Longos Romeno era pesado. No fim Harry se encantou pelo azul prateado e macio do Focinho-Curto Sueco e se decidiu por esse couro. Entregou dinheiro ao Jonas para comprar o necessário para a fabricação da braçadeira e depois de agradecer de novo, os dois se despediram.

Nas semanas que se seguiram Harry e os amigos mergulharam nos estudos e faltando 12 semanas para os exames, eles aumentaram as horas de estudos de todos os assuntos e diminuíram as aulas de Defesa extra. Na última semana de março Harry terminara seu banco e agora trabalhava em fazer uma estante para seus livros. A aulas de carpintaria se tornaram um sucesso e sua reputação e do Prof. Jonas era tão boa que muitos se arrependeram de não terem se inscrito e já planejavam fazer a aula no ano seguinte. Os dois também haviam fabricado a braçadeira e Harry achou fascinante a paciência e delicadeza exigida para um artesão moldar a matéria prima, seja a madeira ou o couro, até ele se tornar aquilo que eles projetaram. As runas necessárias e feitiços eles pediram a ajuda a Prof.ª Babbling que os ajudou sorridente e divertida e não fez perguntas.

Felizmente, depois que Harry voltou a meditar e dormir bem conseguiu se conectar com a magia de sua capa e era fascinante, pois ela o reconhecia ou sua magia, assim como Harry tinha a sensação de que ela lhe era família, como uma parte de si mesmo. Quando ele colocou a capa dentro da braçadeira e conectou suas magias pedindo que ela deixasse o elmo ao mesmo tempo em que pediu ao elmo que a liberasse, não deu nada certo, pois a capa saltou na direção dele e Harry não conseguiu controlar o pano leve com fluidez para se cobrir com ele. Na verdade, foi como se a capa o atacasse fazendo-o cair sentado em seu traseiro, Jonas riu de sua decepção e constrangimento, lhe aconselhando a treinar e treinar, até se tornar algo que ele nem precisava pensar para realizar, como voar.

Harry estava no Covil, treinando e treinando quando Neville e Hermione apareceram, Terry estava sentado no sofá lendo.

— Ainda com dificuldades com a capa, Harry? — Perguntou Neville curioso, olhando para a braçadeira bonita que parecia uma segunda pele no braço do amigo.

— Sim, acredito que como toda a magia é a intenção o principal e preciso encontrar a certa. — Disse Harry e olhando para Hermione que não falara nada a encontrou pensativa. — Tudo certo, Hermione?

— Sim, apenas... — Ela os olhou e parecia meio chocada. — Desde que descobri que sou uma bruxa tenho me surpreendido mais e mais e a cada vez tento ou me proponho a nunca mais ficar chocada com nada, mas...

— O que te surpreendeu? — Terry perguntou soltando o livro curioso.

— Acredito que tem um dragão em Hogwarts. — Disse ela de maneira simples e como se não acreditasse em suas palavras.

Os três meninos a olharam como se tivesse perdido o juízo, mas quando Hermione explicou ter visto Hagrid e suas ações, mesmo eles concordaram que era plausível.

— Mas..., mas, é crime ter um ovo de dragão ou um dragão e eles são raros e caríssimos! — Disse Terry meio pálido. — Como ele conseguiria um?

— Nem imagino, mas me lembro que no dia em que me levou ao Beco disse que seu maior sonho era ter um dragão e, se está agindo tão misterioso, ou ele já tem um ou está tentando conseguir um. — Disse Harry seriamente.

— Hagrid perdeu o juízo!? Sua cabana é de madeira e quando o dragão ficar adulto vai tentar comê-lo e aos alunos. — Disse Neville meio apavorado.

— Isso não é o pior, se chamarem os aurores ele será preso Harry, comercializar ou criar dragões foi proibido em 1709 pela ICW por causa do risco ao Estatuto Internacional de Sigilo. Era impossível domesticá-los e impedir os trouxas de vê-los e precisavam sempre obliviá-los. Se Hagrid for pego passará muitos anos em Azkaban. — Disse Terry o encarando preocupadíssimo.

— O que fazemos? — Hermione perguntou agora meio pálida.

— Primeiro, temos que confirmar se o dragão existe e seguimos a partir daí. — Disse Harry e com a concordância dos amigos todos desceram até a cabana do Hagrid.

Quando eles bateram à porta da cabana do guarda-caça alguns minutos mais tarde, ver que todas as cortinas estavam fechadas e Hagrid perguntando "Quem é? ", antes de deixá-los entrar para, em seguida, fechar depressa a porta assim que eles entraram, lhes deram um mal presságio.

Estava um calor sufocante no interior da cabana. E embora fosse um dia bem quente havia um fogaréu na lareira. Hagrid lhes ofereceu um chá e sanduíches de carne de arminho, que eles recusaram.

— Então, vocês queriam me perguntar uma coisa? — Questionou ele, claramente, sem graça com suas presenças.

— Queríamos — disse Harry. Não havia sentido em perder tempo com rodeios. — Você tem um dragão aqui, Hagrid?

Hagrid amarrou a cara e moveu seu corpo como se quisesse esconder algo, ficando de costas para a lareira.

— Eu não sei do que você está falando... — Balbuciou ele meio aflito, Hagrid era um péssimo mentiroso.

— Hermione viu você agindo estranhamente Hagrid, lá na biblioteca, todo misterioso e emprestando um livro sobre dragões. — Disse Harry com firmeza.

— Bem, sim... hum...ok, mas vocês não podem falar para ninguém. — Disse Hagrid mexendo, ansioso, na barba. Saindo de frente da lareira apontou para o que estava no meio do fogo, debaixo da chaleira, havia um enorme ovo negro.

Os quatro amigos trocaram um olhar preocupados e aflitos.

— Onde foi que você arranjou isso, Hagrid? — Perguntou Terry, abaixando-se para o fogo para olhar o ovo mais de perto. — Isso deve ter-lhe custado uma fortuna, pois são muito raros.

— Ganhei. A noite passada. Eu estava na vila tomando uns tragos e entrei num joguinho de cartas com um estranho. Acho que ele ficou bem contente de se livrar do ovo, para ser sincero.

— Mas o que é que você vai fazer com ele, quando chocar? — Perguntou Hermione.

— Bom, andei lendo um pouco — disse Hagrid, tirando um grande livro de baixo do travesseiro. — Apanhei este na biblioteca: A criação de dragões como prazer e fonte de renda. É meio desatualizado, é claro, mas está tudo aqui. Mantenha o ovo no fogo porque asmães sopram fogo em cima deles, sabe, e quando chocar, dê-lhe um balde de conhaquemisturado com sangue de galinha a cada meia hora. E vejam aqui: como reconhecer osdiferentes ovos, e este aqui é um dragão norueguês. Eles são mesmo muito raros.

Ele parecia muito satisfeito consigo mesmo, mas Hermione não.

— Rúbeo, você mora numa cabana de madeira — lembrou-lhe.

Mas Hagrid nem escutou. Estava cantarolando alegremente enquanto atiçava o fogo.

— Hagrid! — Harry não gritou, mas falou com firmeza. — Ter esse ovo em sua cabana poderia lhe render anos em Azkaban! Você sabe que é crime criar um dragão.

— Eu..., mas Harry, dragões são criaturas incompreendidas, não são perigosos e eu vou cuidar muito bem dele. Vocês não devem se preocupar. — Disse ele como se realmente acreditasse nesse absurdo.

— Hagrid, pense, quando ele se tornar um adulto será enorme e muito mais forte e mesmo você não conseguirá impedir que machuque alguém. E mesmo que consiga, não poderá escondê-lo e as crianças puros-sangues vão informar seus pais e os aurores estarão aqui para prendê-lo antes que perceba. — Argumentou Terry.

— Vocês acham? Quer dizer, acham que eles me enviariam para Azkaban? — Hagrid parecia finalmente começar a ver gravidade da situação.

— Com certeza, é a lei Hagrid e Dumbledore poderia tentar te ajudar, mas você ainda poderia ficar preso. — Disse Hermione aflita.

— E você tem que considerar o fato de que pode não conseguir domesticá-lo, Hagrid, será muito pior se ele machucar ou matar alguém. Seria considerado sua culpa e você poderia passar a vida toda em Azkaban. — Disse Neville e Hagrid ficou pálido.

— E se isso acontecer, não seria só você que pagaria Hagrid, eles mandariam bruxos para pegar o dragão e poderiam machucá-lo ou até matá-lo. — Disse Harry e ao ver a angustia de seu amigo percebeu que dissera a coisa certa.

— Não, não, não, eles não podem machucá-lo, mas também não posso largá-lo, não posso. Ele não chocaria e um filhote não sobreviveria sozinho. — Disse ele desesperado e olhando o ovo com carinho.

— Precisamos enviá-lo, discretamente, para uma reserva, lá o dragão estará seguro e bem cuidado, mas precisaremos de ajuda para isso. Será que o diretor não te ajudaria, Hagrid? — Terry falou pensativamente.

— Oh, não, eu não quero envolver o Dumbledore, não quero trazer problemas para ele, um homem tão bom. E ele vai ficar muito zangado comigo, não quero decepcioná-lo. — Hagrid agora estava angustiado e parecia que ia chorar.

— Bem, pensaremos em alguma coisa. — Disse Harry e começou a preparar um chá para todos, Hermione o ajudou e Neville serviu os biscoitos que Hagrid fizera depois que Harry o ensinara. — Fique calmo Hagrid, vamos te ajudar e juntos encontraremos uma solução.

No fim foi Neville quem teve a ideia de conversar com Ron Weasley, pois lembrou que ele tinha um irmão que trabalhava em uma reserva de dragões na Romênia. Hagrid apontou o único problema:

— Teremos de esperar ele nascer, se tirarmos o ovo do calor do fogo ele não chocará.

— Hum, será muito mais difícil transportar um dragão do que um ovo e perigoso também. — Disse Harry preocupado que seu amigo se apegasse ao dragão bebê.

— E se construíssemos uma incubadora que mantivesse a temperatura, seria fácil de transportar e protegeria o ovo. — Disse Hermione animada.

— Isso parece algo complicado e precisaríamos de um professor para fazer as magias. — Disse Neville depois que a amiga lhe explicou o que era uma incubadora.

— Não podemos envolver os professores, pois todos se sentiriam obrigados a informar o diretor e não podemos pedir a eles que coloquem seus empregos em risco. — Disse Terry objetivamente.

— Acredito que tem um professor que poderia nos ajudar. — Harry disse com um sorriso.

E assim tudo se organizou rapidamente, Neville pediu a Ron que escrevesse para seu irmão explicando a situação discretamente e o menino ruivo concordou, ansiosamente. E Harry escreveu para o professor Jonas, contou o que estava acontecendo e seus planos. Jonas marcou de vir no dia seguinte tomar chá com o Hagrid e os meninos apareceriam de surpresa, assim ninguém desconfiava de nada. Eles assistiram enquanto ele criava uma incubadora que, incrivelmente, foi revestida de couro de dragão, pois poderia resistir a temperatura tão alta quanto o fogo sem ser destruído. Ele usou feitiços complexos para manter a temperatura e o ovo foi colocado sem problemas.

Felizmente, a resposta de Charles Weasley chegou rapidamente e ele concordou em flu para Hogsmeade e de volta para a Romênia. Precisava apenas que alguém levasse a incubadora para ele ao Três Vassouras e como Hagrid chamaria muita atenção, Jonas se ofereceu para levar. Assim, 4 dias depois que descobriram o ovo, eles o viram ir embora seguro e ainda ovo, graças a Merlin.

—Até a vista, bebê dragãozinho! — Soluçou Hagrid, quando Jonas trancou a incubadora e disfarçadamente a colocou em sua mochila que tinha o feitiço de extensão. — Nunca vou me esquecer de você!

Enquanto Hagrid ficou meio triste nos dias seguintes os quatro amigos ficaram muito aliviados de terem resolvido tudo sem drama e confusão. Harry fez questão de agradecer a Ron Weasley pela ajuda e viu o menino corar constrangido, mas ainda satisfeito. As últimas duas semanas de aulas antes das férias de Páscoa foram tranquilas, apenas com muito estudo. Harry ficou preocupado com suas flores e árvores na semana em que estaria fora, mas Neville e Hermione, que ficariam em Hogwarts, prometeram cuidar delas.

E assim, na quinta-feira antes do domingo de Páscoa, Terry e Harry entraram no Expresso para Londres. Não eram muitos os alunos que deixavam Hogwarts, a maioria preferiria ficar na escola para estudarem para os exames e se concentrarem na grande quantidade de deveres que os professores passavam aos alunos. Neville comentou que, apesar de terem uma semana sem aulas, ainda estudariam tanto quanto ou mais do que em dias normais. Ele e Hermione queriam ficar para se prepararem bem, mas Terry confessou que estava com muitas saudades dos irmãos e não queria esperar até fins de junho para vê-los. E Harry o acompanharia porque fazia parte da família e Ayana e Adam quereriam ver os dois irmãos. Harry tinha esse e outro motivo para querer ir, mas não contou aos seus amigos Gryffis, eles estavam evoluindo com a oclumência, Neville era incrivelmente bom em meditação e Hermione em controlar as emoções. Mas Harry tinha receio que Dumbledore tentasse descobrir alguma coisa sobre aonde o Harry ia ou com quem ia e do seu envolvimento na libertação de Sirius ou pior os planos para o pedido de guarda. Assim seus amigos continuavam sem saber de nada, até porque nenhuma única linha fora escrita no Profeta Diário sobre o fato de que o Ministério da Magia estava sob investigação da ICW ou que Sirius Black era inocente.

— Então? Pronto para encontrá-lo? — Perguntou Terry quando o trem começou a diminuir a velocidade na estação em Londres, essa fora a viagem mais curta do Expresso.

— Mais do que pronto. — Respondeu Harry em um sorriso ansioso e um frio no estômago.

Enquanto as semanas passavam em Hogwarts para Harry e seus amigos com muito estudo, novos empreendimentos e um pouco de aventura, no Escritório da ICW em Londres os movimentos eram constantes e investigações incansáveis. Com cada depoimento e interrogatório mais informações eram empilhadas e novos rumos surgiam como uma teia sem fim de acontecimentos. Uma linha de tempo formada com a colaboração de Vance que sabia as datas de cada ataque e missões e emboscadas, além dos envolvidos, que a Ordem sofrera. Lupin também ajudou e falou sobre as mortes de dezenas de lobisomens por ordem do Ministério, além da ordem que os aurores receberam de usar as maldições imperdoáveis e matar e torturar, como se a guerra justificasse tais atrocidades.

Bagnold e Crouch defenderam tais atos, mas Sr. Balmat disse que havia uma diferença entre matar em batalha e execução sumária sem provas de crimes cometidos e julgados. Lembrou que a tortura de prisioneiros era contra as leis da Declaração dos Direitos Humanos e que a pena de morte não existia em solo inglês, trouxa ou mágico, desde 1965. Enquanto as pilhas de acusações criminais cresciam e cresciam o atual Ministro fazia um esforço para abafar tudo e esconder as investigações.

Recusando o conselho de Bones de fazer uma declaração e admitir o erro do Ministério e a colaboração nas investigações da ICW, Fudge com medo que tudo isso respingasse em si e ele perdesse o cargo de Ministro, decidiu manter tudo em sigilo. Ele até desejaria o conselho de Dumbledore ou seu amigo Malfoy, mas fora magicamente proibido de dar detalhes das investigações e no fim achou até bom, pois tinha esperança que, quando ela fosse concluída, tudo seria esquecido e voltaria ao normal e ninguém saberia de nada.

Enquanto isso Bones realizava mudanças no Departamento dos Aurores sem interferências do distraído e estranhamente solicito Ministro. Moody, foi temporariamente afastado em licença remunerada, Kingsley Shacklebolt assumiu sua função como chefe do treinamento dos recrutas e Rufus Scrimgeour se tornou o novo chefe auror. Sua postura austera e exigente logo se fez sentir e a maioria dos aurores aceitaram com muito prazer um chefe que não tinha preferidos, se preocupava com protocolos de segurança e realizar um trabalho de primeira. Já os mais preguiçosos e que mantinham amizade com Sparks resmungaram e reclamaram até serem transferidos ou rebaixados. Ficou claro que o Ministério da Magia estava dando os primeiros passos para alguma necessária modernidade.

Bones estava fazendo o mesmo com o Departamento Jurídico, essa era sua área de especialização, tendo sido advogada e juíza do Tribunal de Justiça. Passado o choque pelo crime terrível que seu Departamento cometera, Bones iniciou um monte de protocolos para se evitar fraudes, injustiças e subornos. Fudge que estava muito cordato com Bones nem percebeu que suas assinaturas e apoio as mudanças estavam complicando sua própria vida futura. Sem poder se aconselhar com Dumbledore ou Malfoy o confuso e incompetente Ministro estava fazendo um bom trabalho, ainda que sem querer.

Enquanto isso Falc teve que informar seu pai de uma terrível notícia.

— O que? O que está me dizendo? — Perguntou Sr. Boot completamente branco.

— Isso que você ouviu, papai. Eu tinha uma desconfiança depois que entrevistei Vance e não quis falar nada até ter confirmação, mas hoje o Sr. Balmat me atualizou sobre as investigações. — Disse Falc tristemente, Serafina segurava sua mão firmemente.

— Quer dizer que... Carole foi morta em... — Mas ele estava chocado demais para falar.

— Uma das emboscadas que o pessoal da Ordem da Fênix sofreu logo no começo quando ainda trabalhavam com voluntários que queriam ajudar nas fugas, transferências e proteção dos nascidos trouxas. Pela data deve ter sido pouco depois que Pettigrew se tornou o espião, foi assim ao que tudo indica que eles acabaram cercados e Malfoy a matou, Carole e, na sequência, Louis. — Disse ele em um sussurro doloroso.

Todos os três ficaram em silencio absorvendo essa verdade dolorosa e cruel.

— Isso não muda a verdade, que sua irmã está morta e que seu assassino está livre. E não posso nem contar para sua mãe, seria muito doloroso e ela logo se esqueceria. — Disse ele observando a foto de sua linda filha que sempre carregava no bolso.

— Não há nada que se possa fazer, Falc? Não há como acusá-lo agora que estão ocorrendo mudanças no Ministério? — Perguntou Serafina aflita pela dor do marido e sogro.

— As mudanças são sutis e, enquanto o fato de Malfoy não ter sido julgado pode ser questionado, ele e muitos outros, ainda não sei se conseguiríamos uma acusação ou mesmo um julgamento. Não se esqueça que a única testemunha está morta. — Disse Falc dolorosamente realista.

Enquanto os Boots lidavam com a nova e triste informação, Sirius aguardava ansioso por sua liberação e agora que estava tão próximo sua impaciência característica se mostrava a todo instante. Falc e Andy, que eram quem mais o visitavam já haviam percebido que ele variava momentos de intensa animação, planos e esperança com outros de amargura, autodesprezo e tristeza. Fisicamente as poções e a boa alimentação vinham fazendo maravilhas, mas estar preso e não ter atendimento psicológico, que não existia no mundo mágico, o estava afetando fortemente.

Falc pressionou por sua liberação e conseguiu que, no começo de março, o Sr. Secretário marcasse uma importante reunião com Fudge e Bones com sua presença.

— Bem, vocês têm meu relatório em mãos. Acredito que ficou bem claro com todas as provas e depoimentos o que aconteceu, os culpados e a inocência do Sr. Black. Minha recomendação para o Ministério é que vocês não apresentem acusações criminais na tentativa de levar o Sr. Black a um julgamento, mas essa decisão cabe a vocês. — Disse o Sr. Secretário depois de duas horas mostrando cada prova do caso e como a inocência do Sirius era óbvia se alguém tivesse se dignado a olhar.

— Não é preciso dizer que se tentarem processar meu cliente por esses crimes vocês irão perder e tornará ainda mais polpuda a indenização que ele conseguirá. — Disse Falc com um sorriso irônico.

— Indenização!? — Gritou Fudge chocado, se antes ele estava suando e pálido, isso só se acentuou.

— Sim, podemos é claro chegar a um acordo, meu cliente está disposto a ouvir uma proposta financeira que seja justa para pagar um pouco todo o mal que ele sofreu nos últimos 10 anos. Mas se não chegarmos a um acordo, vamos processá-los e exigir uma indenização. — Disse Falc friamente, olhando para Fudge sem entender seu choque. Ele acreditou que o Ministério não pagaria pela desumanidade que cometeram?

— Não se preocupe advogado, com certeza apresentaremos uma proposta generosa e tentaremos evitar o desgaste ao seu cliente e ao Ministério de um processo. — Disse Bones respeitosamente.

Durante toda a reunião ela se sentara rígida e severa, empalidecendo a cada nova informação, mas, dos dois, era ela quem se mostrava mais arrasada e não preocupada com o próprio traseiro.

— Sim, sim, claro, vamos apresentar uma proposta, em breve, não é necessário um processo, não queremos que toda essa bagunça se espalhe, não é mesmo? — Disse Fudge enxugando o suor do rosto nervosamente. — Então, Sr. Secretário, agora acabou tudo, certo? Os senhores descobriram tudo e prenderam os culpados, isso quer dizer que o Ministério não está mais sob investigação e podemos voltar ao normal. — Afirmou o Ministro esperançoso.

— Pelo contrário, Ministro Fudge, encerramos apenas as investigações de Sirius Black e isso o permite sair livre, tenho autorização para liberá-lo, mas no curso de nossas investigações muitas outras informações apareceram e algumas que comprometem ainda mais o seu governo. — Sr. Balmat observou o homem ficar quase verde e ainda mais pálido e temeu que ele vomitasse em sua sala de reuniões. — O Ministério da Magia do Reino Unido continuará sob investigação da ICW e espero colaboração total de sua parte, Sr. Ministro.

— Eu... sim, sim, claro, hum... Poderia nos informar qual a investigação, Sr. Secretário? — Balbuciou Fudge aflito.

— Não nesse momento, assim que as investigações estiverem concluídas o senhor será informado Sr. Ministro, mas até lá o sigilo é muito importante. Agora, qual a decisão de vocês, Sr. Ministro, Madame Bones? Pretendem acusar o Sr. Black? — Sr. Balmat perguntou, objetivo.

— Não, todas essas provas mostram claramente que Black não é o culpado, poderíamos tentar apresentar uma interpretação diferente dos fatos e talvez um juiz concordasse com a acusação, mas como são todas provas circunstanciais não se sustentaria em um julgamento, além disso, não queremos fazer o Sr. Black passar por tudo isso em cima de tudo o que já lhe aconteceu. — Disse Bones sinceramente.

— Muito bem, assinarei a autorização de soltura de Black. Ministro, devo lhe dizer que sua postura de silencio não poderá continuar indefinidamente. Mesmo que não queira divulgar o fato de que o Ministério da Magia está sob investigação da ICW deve considerar que é impossível esconder a soltura do Sr. Black, as pessoas teriam um choque tremendo se o vissem andando pelo Beco Diagonal, por exemplo, sem que antes um anúncio de sua inocência seja feito. — Observou o Sr. Balmat.

— Sim, sim, faremos um anúncio, não preocupe. — Mas era óbvio que Fudge não parecia interessado que nada disso chegasse a público.

Depois dessa reunião, finalmente, Sirius foi liberado. A verdade é que a espera dos últimos dois meses fora quase tão ruim quanto Azkaban, lá ele estava conformado e sem esperança, mas ficar preso em uma cela aguardando sua liberação a qualquer momento criara uma grande ansiedade. Acompanhado de Falc, Sirius com roupas limpas, cabelos e barbas compridas se encontrou com Andy, Ted e o Sr. Boot em uma saleta onde aguardavam a carta de liberação e declaração de inocência da ICW, além de sua varinha.

Sirius foi abraçado e cumprimentado por todos e tentou superar a emoção e constrangimento. Depois de tanto tempo seus familiares eram estranhos para ele e algum ressentimento ainda existia, mesmo que Sirius soubesse que os responsáveis pelo que lhe acontecera estavam presos.

— Eu quero agradecer toda a ajuda de vocês, mesmo depois de tanto tempo sei que nunca teria saído de lá se não tivessem lutado por mim. — Disse ele tentando afastar os pensamentos sombrios.

— Você não tem nada que agradecer, Sirius, muito pelo contrário, tem razões de sobra para nos odiar por não ter feito nada antes, por ter duvidado de você, se soubéssemos... — Andy não aguentou e começou a chorar. Sirius não suportou sua tristeza e remorso, todo o ressentimento desapareceu quando ele a abraçou fortemente.

— Nunca poderia odiá-los, me sinto zangado, mas não os odeio e eu os perdoo, nem por um segundo pense assim, Andy. — Disse ele em um sussurro rouco.

Nesse momento AC Denver e Sr. Balmat entraram na sala e houve mais um momento estranho de desculpas, boa sorte e despedidas e, então, Sirius Black depois de 3776 dias caminhou para o ar livre e sentiu o sol do fim do inverno tocar seu rosto. A emoção estava em seu rosto e todos sorriram junto com ele, também emocionados. Sirius nem sabia o que dizer ou fazer, não apenas estava livre, ele era um homem livre e a sensação era indescritível, mas a verdade é que apesar de sua ânsia por esse momento, não fazia ideia dos seus próximos passos. Sr. Boot deve ter entendido o que ele sentia, pois se aproximou, apertou seu ombro e disse:

— Um dia de cada vez Sirius, o que você precisa é se recuperar, sua mente, seu corpo, viver um dia de cada vez e encontrar um novo caminho. Quero lhe pedir que venha viver na Abadia Boot, lá tem muito espaço, você terá uma ala para sua privacidade e tem um lindo jardim e bosque para ficar ao ar livre quando o tempo esquentar. — Sr. Boot viu seu olhar surpreso e sorriu tristemente. — Pettigrew e sua traição covarde me tirou uma filha e de você parte de sua família e 10 anos de sua vida, acredito que seria bom para nós dois e minha Honora te ajudarmos a recomeçar.

Sirius ficou emocionado, soubera por Falc os detalhes da investigação e sabia que Harry passara as férias de inverno na casa Boot, assim ficar com a família que o acolhera e ajudara na sua liberação o agradava muito. Ter muito espaço ao ar livre era muito atraente também.

— Você pode ficar conosco também Sirius, é mais do que bem-vindo e a casa Black em Londres está vazia e disponível, até onde eu sei. — Disse Andy com um sorriso suave.

— Eu agradeço, Andy, mas a ideia de espaço me atrai e Falc me disse que o Harry vem visitar na páscoa. — Seu tom pedia confirmação e, quando a teve, seu sorriso aumentou. — Prefiro ficar na Abadia então, muito obrigada, Sr. Boot. De verdade. — E assim eles se despediram, prometendo se encontrarem em breve e Sirius aparatou com o Sr. Boot até a Abadia.

Os primeiros dias de liberdade foram estranhos e estar em uma casa desconhecida como hospede só acentuou isso, ele adorou a Sra. Honora e jogou xadrez com o Sr. Boot ouvindo-o falar de Harry e bebendo cada palavra. Mas Sirius se sentia desconectado do mundo, das pessoas e havia momentos em que duvidava da realidade, questionando se sua mente não estava lhe pregando uma peça, pois sua liberdade lhe fora um sonho quase impossível de se manter vivo no inferno onde passara os últimos 10 anos. Depois de alguns dias de liberdade os avós Boots e ele foram para o Chalé Stone Grove para o almoço de domingo e Sirius conheceu Serafina que estava emocionada em encontrá-lo.

— Sirius, é maravilhoso conhecê-lo, queríamos lhe dar uns dias para se ajustar antes de lançar o resto da família sobre você. — Disse ela sorrindo. — Harry ficará tão feliz quando souber que já está fora da prisão, estamos mantendo-o informado e sei que tudo o que ele mais queria era sua liberdade.

— Obrigada Serafina, de verdade, ainda não sei tudo o que aconteceu, mas sei que vocês acreditaram que era possível eu ser inocente e lutaram por minha liberdade. — Disse ele sorrindo.

— Nós apenas ouvimos o Harr ele que você deve agradecer. Venha, meus garotos e meus pais estão na cozinha, estamos preparando biscoitos e doces para enviar para os meninos em Hogwarts. — Disse ela os conduzindo pela sala até uma porta de onde se ouvia risos e conversas.

— O meninos? — Perguntou curioso.

— Terry, meu filho e Harry. — Explicou ela e então eles entraram em uma grande e iluminada cozinha.

Em uma grande mesa azul duas crianças estavam amassando massa de biscoitos e um homem mais velho, seu avô trouxa, sentado perto da janela lia um livro de capa marrom antigo. De pé no fogão uma bonita mulher mexia em várias panelas preparando o almoço.

— Estes são meus filhos mais novos, Adam e Ayana, crianças, este é o padrinho de Harry, o Sr. Black. — A crianças sorridentes desceram e com mãos de massas vieram cumprimentá-lo.

Sorrindo, Sirius apertou seus pulsos evitando as mãos sujas.

— Prazer em conhecê-los. — Disse ele se abaixando para ficar em sua altura.

— Oi, Sr. Black, quer fazer biscoitos conosco? Vamos enviar para Hogwarts. — Disse Adam um pouco tímido.

— Eu adoraria, seu irmão e Harry gostam de biscoitos?

— Sim, mas os biscoitos do Harry ficam mais gostosos, ele nos ensinou e podemos te ensinar se quiser, vem. — Ayana o puxou para a mesa sem cerimônia passando massa em sua manga, mas Sirius não se importou.

Ele cumprimentou os avós Madakis, com um aperto de mãos do Prof. Bunmi e um abraço da Sra. Shawanna.

— Olá, meu rapaz, soubemos de sua história e é uma honra encontrar alguém que lutou uma guerra e sobreviveu a tamanha injustiça. Sr. Black, pode contar conosco, para o que precisar. — Prof. Bunmi disse solenemente.

— Oh! Você está tão magro, precisa de muita comida saudável e mais tarde vou lhe cortar esses cabelos e barbas, isso o ajudará a se afastar ainda mais da prisão e de ser um prisioneiro. — Disse Sra. Shawanna otimista.

Sirius tocado por suas palavras e afetos apenas acenou e mergulhou no movimento, conversas e risos da família. Sra. Honora, com a enfermeira Srta. Cassiane, quis ir para a estufa e Sr. Boot foi encontrar o filho em seu escritório. Enquanto isso Sirius se encantou com as crianças e a arte de fazer biscoitos, ouvindo-os falar do seu irmão, Harry e como ele era legal, como voava e patinava bem, como seu chocolate quente, biscoitos, queijo grelhado eram os melhores do mundo, "Ah, as panquecas também, Sr. Black".

No almoço, todos se sentaram juntos em volta de uma comida deliciosa e muita conversa. Sirius pela primeira vez se sentiu conectado e presente, naqueles momentos Azkaban parecia estar muito longe, e ficou contente ao perceber que seu afilhado crescera em uma família tão boa. Mais tarde a Sra. Shawanna o levou ao solar e cortou seus cabelos, Sirius decidiu cortar os cabelos curtos nos lados e deixar os cachos negros em cima, mas raspou toda a barba se sentindo muito estranho quando se olhou no espelho. Ele não tivera planos de fazer algo tão radical, mas as palavras dela de afastar o prisioneiro de si mesmo o levara nessa direção. E Sra. Shawanna estava certa, Sirius quase se parecia com seu eu mais jovem, ainda não conseguia absorver completamente o fato de que tinha 31 anos, uma parte dele se sentia com 21.

Mais tarde sentado com Falc e seu pai na biblioteca, Sirius suspirou feliz por um bom dia, estava tentando seguir o conselho do Sr. Boot e viver um dia de cada vez, sem expectativas ou planos, com uma única exceção, encontrar seu afilhado.

— Sabe, eu quero ouvir tudo o que aconteceu que os levaram a verdade do que aconteceu comigo, mas de qualquer forma estou aliviado que Harry cresceu em uma casa tão legal. Como foi que vocês conseguiram ficar com ele? — Perguntou suavemente enquanto tomava seu chá, os biscoitos que fizeram acompanhavam a tradição da tarde inglesa.

— O que te deu essa impressão? — Falc parecia desconfortável.

— Bem, eu não tinha certeza, mas quando ouvi seus meninos chamando Harry de irmão percebi que vocês devem tê-lo criado, além disso vocês me falaram tanto sobre ele, como se o conhecessem bem. — Disse Sirius confuso com suas expressões.

Nesse momento Serafina entrou e percebendo o clima estranho, suspirou.

— Vocês já contaram a ele?

— Contaram o que? — Sirius agora estava além de confuso.

— Não, ainda não. Sirius, não quis lhe falar nada disso antes porque, bem, você já passou por tanto e não acreditei que todas essas informações iriam ajudar durante esse momento estressante de espera na prisão da ICW. — Disse Falc enquanto Serafina se servia de uma xícara de chá e se sentava ao seu lado. — Harry, infelizmente, nunca viveu conosco, nem mesmo o conhecíamos até as férias de inverno. O fato é que ele e nosso filho mais velho, Terry, se tornaram muito amigos desde a viagem de trem em setembro. Terry fez questão e, nós também, que Harry viesse passar o Natal conosco já que ele pretendia ficar em Hogwarts durante as festas. E queríamos muito conhecê-lo, claro.

— Mas, seus meninos o chamaram de irmão, pensei...

— Isso porque Harry é o menino mais doce e maravilhoso e meus garotos se apegaram a ele rapidamente. Foi muito bonito ver o amor crescendo entre eles e acredito que Harry precisava muito de carinho e afeto e as crianças perceberam, instintivamente, e Harry retribuiu. — Disse Serafina com um sorriso triste.

— Precisava de amor? Como assim? O que aconteceu com meu afilhado? — Sirius agora estava impaciente.

— Sirius, você era seu guardião e havia uma lista de possíveis guardiões no testamento dos Potters, no caso de algo lhe acontecer. Com quem você esperava que Harry ficasse com sua ausência? — Sr. Boot perguntou curioso.

— Remus seria a primeira opção, mas Lily queria também uma figura feminina, assim Maria, Alice e Marlene. Eu vi seu testamento, fui uma das testemunhas, sei que até mesmo Flitwick foi listado e James sugeriu o Sr. Boot que era um amigo de confiança de Fleamont e, então, Lily se lembrou de você Serafina, disse que poderia ao menos ser uma tia ou madrinha para ele. — Disse Sirius, seu rosto ainda magro demais voltou a ficar triste, seus olhos assombrados.

— Oh! Ela disse isso? Eu teria amado ser sua madrinha, talvez ainda possa ser se ele me aceitar. — Disse ela emocionada e pegando um lenço que seu marido entregou para enxugar as lagrimas.

— Eu teria adorado cuidar do menino, nunca vou perdoar Dumbledore por isso, nunca. — Disse Sr. Boot tristeza e raiva em suas palavras.

— Dumbledore? Eu não entendo. — Disse Sirius e sua preocupação por Harry cresceu ainda mais.

— Sirius, é importante que você se mantenha calmo, estamos tentando ajudar o Harry e sua decisão, seu plano é o sigilo e não abertamente confrontar Dumbledore. — Falc disse e quando Sirius acenou concordando. — Bem, acho que devemos começar com o que aconteceu anos atrás, Serafina e eu fomos procurar Dumbledore...

Foi um fim de tarde longa e dura para todos, contar e ouvir a triste infância de Harry trouxe raiva, lagrimas e revolta. Sirius teve que ser fisicamente seguro por Falc e Sr. Boot para não sair atrás de Dumbledore e, quando desistiu porque o convenceram que isso prejudicaria os planos para ajudar seu afilhado, Sirius chorou no ombro do homem mais velho que o abraçou como um pai a um filho, consolando e balançando e dizendo palavras de conforto.

Naquela noite, Sirius que passara os últimos meses tendo pesadelos horríveis sobre Azkaban, sonhou um sonho diferente e ainda mais cruel, um sonho com um garotinho, seu amado garotinho trancado em um armário, triste, sozinho e com fome.

No dia seguinte ele acordou assombrado e tomado pela culpa, sua dor e tristeza eram visíveis. Ele andou pela Abadia durante dias, se recusou a comer ou conversar, sentia-se encurralado e preso outra vez, porque sabia que não poderia fazer nada para mudar o passado, mas sair intempestivamente outra vez não era uma opção. Serafina foi insistente, que mais importante que o passado, que vingança eram todos se concentrarem em proteger Harry, em cuidar de seu futuro.

No fim foi a Sra. Honora que conseguiu alcançá-lo.

— Sabe, Sirius, quando a culpa nos atormenta devemos reconhecer nossos erros e tentar repará-los, eu nunca tive essa chance. Quando minha Carole se foi a dor era tão grande que acreditei que ela me mataria ali mesmo na hora em que vi seu corpo jogado no chão como uma boneca quebrada e sem vida. — Disse ela um momento de grande lucidez, talvez percebendo que alguém precisava dela. — Não era racional, eu sei, nós tínhamos discutido porque eu queria que ela parasse de se arriscar na guerra, casasse-se com Louis e fosse embora como Falc fizera, mas ela disse que não poderia não fazer nada, que não estava na luta direta e sim protegendo nascidos trouxas em fuga. Quando a enterrei minha culpa foi enorme, por não ter insistido mais, por não ter segurado ela aqui em meus braços, por não ter protegido minha garotinha com minha vida. Porque é o que nós pais nascemos para fazer, proteger e assegurar nossos filhos até nosso último suspiro. Você tem essa chance Sirius, eu não tive, mas você tem seu afilhado vivo necessitando de sua ajuda e para realizar essa missão, para se redimir de seus erros passados não pode se perder na dor e na culpa. E, tem que fazer o que for preciso, para ser quem Harry precisa que você seja.

Suas palavras o assombraram em uma noite de pesadelos e pouco sono, sentindo-se atormentado Sirius se transformou em Almofadinhas e correu pelo bosque tentado encontrar um mínimo de paz. Mas foi só ao amanhecer quando parou para beber água em um pequeno riacho que ele entendeu, pois viu do outro lado da margem um cervo adulto e ao seu lado o seu pequeno filhote era incentivado a margem para beber água caminhando hesitante e com pernas bambas. Sirius se sentou e os observou sentindo seu coração sangrar, sabia que fora tudo sua culpa, a morte de James e Lily, a infância terrível de seu afilhado, mas ele tinha chance de se redimir, poderia ajudar a proteger o Harry e dessa vez faria o certo, daria sua vida por ele se fosse necessário.

Alguns dias depois Sirius se sentou com Falc e ouviu sobre os planos para libertar seu afilhado dos Dursleys e de Dumbledore além dos seus projetos para melhorar o mundo mágico. Ele se sentiu tão orgulhoso de sua inteligência e grande coração que de repente sua própria dor se tornou pequena perto da grandeza dele e sua decisão de o ajudar a cada passo do caminho se solidificou.

Dias depois eles se encontraram com o Ministro e Madame Bones para fechar o acordo de indenização. Fudge lhe ofereceu uma gorda indenização com a condição que ele não desse entrevistas quando sua prisão injusta fosse divulgada para o público e acrescentou uma exigência, de que Sirius daria uma única entrevista dizendo que não era culpa do atual Ministério e que não verdade eles ajudaram e colaborarão com sua liberação. Talvez se Sirius não soubesse o sofrimento do seu afilhado nos últimos 10 anos, ele poderia ter concordado, nunca se interessara muito por dinheiro e não tinha particular interesse em dar entrevistas, mas a verdade é que não queria ficar preso em qualquer situação que lhe impedisse de ajudar Harry no futuro e se um dia precisasse dar entrevistas para todo o universo para protegê-lo, Sirius faria.

— Não, sem condições e quero o dobro do valor oferecido. — Disse com frieza.

— O dobro! Mas..., mas acreditamos que 5 milhões de galeões seriam o suficiente, isso é uma fortuna e poderá lhe ajudar a se reerguer na vida, Sr. Black. — Fudge estava suando e parecia exasperado.

— Meu cliente não concorda, Ministro e nem eu. Sr. Black perdeu 10 anos de sua vida e durante esse tempo sua mãe, pai, tios faleceram. Os negócios Blacks foram administrados pelo Ministério e seus lucros redirecionados para seus cofres, assim além da indenização queremos cada centavo devolvido para os cofres Blacks e que o controle das empresas seja entregue ao meu cliente, imediatamente. — Disse Falc com uma expressão seríssima.

Suas palavras pareciam que tinham o poder de sufocar Fudge que ficou vermelho, purpura e roxo como quem estivesse asfixiando. Até mesmo Bones ficou chocada, pois não sabia dessa última informação.

— Assim, vocês podem ver que um processo, que levaremos até a Suprema Corte se necessário, será ganho por nós facilmente, portanto, acredito que podemos chegar a um acordo justo. —Disse Falc.

— E o que seria um acordo justo para você e seu cliente, Sr. Boot. — Perguntou ela objetivamente.

— Como eu disse meu cliente quer de volta o controle dos negócios de sua família, 10 milhões de indenização e ele concorda com apenas 50% dos lucros dos últimos 10 anos, desde que a outra metade seja redirecionada para a ampliação, modernização e treinamento do Departamento dos Aurores, que aliás ele tem intenção de ingressar futuramente, quando estiver recuperado fisicamente de sua injusta prisão. — Disse Falc e viu a surpresa nos olhos de Bones, uma agradável, claro. — Ele também não aceitará condições e na verdade, exige um pronunciamento público por parte do Ministro, representando o Ministério da Magia, onde ele estará presente e exige um pedido de desculpas formais durante esse momento.

— Eu vou escolher a data, ainda estou me recuperando, assim creio que uma semana depois da Páscoa é uma data aceitável. — Disse Sirius, pois nas próximas semanas queria se concentrar em melhorar para encontrar seu sobrinho e só depois lidaria com o público, imprensa e antigos amigos e conhecidos.

Fudge estava muito contrariado e pediu um tempo para conversar com Madame Bones, mas ela foi firme e como ele não poderia se aconselhar com mais ninguém acabou acatando o seu raciocínio. De que o Ministério já enfrentava muitos problemas para ainda se deixar ser processado e o lembrou que ao fim do processo, que eles perderiam com certeza, Black poderia conseguir muito mais dinheiro de indenização e exigir 100% dos lucros de suas empresas.

Eles concordaram e Sirius disse que o Sr. Boot era seu novo administrador e todos os dados de sua empresa deveriam ser lhes entregues e que os dois queriam saber de cada gasto feito nas melhorias do Departamento Auror, assim exigiu que uma auditoria externa fosse contratada para controlar o uso do dinheiro para o que foi determinado.

Com o acordo assinado Sirius pode se concentrar em melhorar, fisicamente e mentalmente, ainda que os pesadelos estivessem lhe dificultando essa última parte. Ele acabou, por conselho de Serafina, indo ao médico trouxa que, além de insistir em uma alimentação saudável, lhe deu vitaminas e recomendou a prática de exercícios e psicoterapia para lidar com os pesadelos e fisioterapia para a recuperação muscular.

Ele não queria nada disso, muito menos ir a um psicólogo, ainda que fazer exercícios como um cachorro o animava, mas o Sr. Boot o alertou que tem coisas que se lidamos sozinhos leva mais tempo e as poções não podiam fazer milagres, a longo prazo elas ajudariam a recuperar sua saúde, mas sua saúde mental era sua maior preocupação.

Sirius adiou a decisão para depois da Páscoa, sua ansiedade com a chegada do Harry só se controlava quando estava com Adam e Ayana brincando ou fazendo biscoitos e doces para enviar aos meninos na escola. Saber que Harry cozinhava muito bem o surpreendeu, mas se lembrava que Lily também era ótima em fazer bolos deliciosos e que aprendera com sua mãe. Ele passava muito tempo com a Sra. Honora, incrivelmente, sua presença e necessidade de cuidados e atenção a ajudava a se manter mais no presente e ela o estava ensinando a tricotar como uma forma de terapia, Sirius não era muito bom, mas eles riam muito juntos de suas tentativas.

Finalmente a quinta-feira antes do domingo de páscoa chegou e Falc foi buscar os meninos na estação. Sirius ficou no jardim esperando eles chegarem, muito ansioso para esperar lá dentro ou se distrair com alguma atividade, mesmo brincar com os pequenos. Ele não sabia o que esperar, vira algumas fotos do Natal em que Harry estava presente, ele se parecia tanto com seu pai que doía, mas Sirius ouvira o suficiente sobre seu sobrinho para saber que ele não tinha muito da personalidade de James e nem gostava de comparações. Seu receio era que ele o culpasse ou odiasse pelo que lhe acontecera e por sua participação na morte de seu pais, Sra. Honora lhe disse que Harry não tinha um único fio de cabelo capaz de odiar ninguém.

Sirius caminhou pelo jardim da frente, a primavera vinha chegando cada vez mais forte e tudo já estava mais verde e florido e foi quando pensava sobre se oferecer para ajudar Serafina com o jardim que o carro virou na última curva e ele sentiu seu coração disparar. Parado como uma estátua observou um menino pequeno, parecia ter uns 10 anos, de cabelos pretos bagunçados correr em sua direção. Ele parou a uns três metros e Sirius viu seus olhos verdes brilhantes e doces, estavam cheios de lagrimas e pareciam hesitar sem saber o que esperar ou fazer. Engolindo o nó na garganta, Sirius se agachou até sua altura procurando as palavras.

Para Harry, a última parte da viagem foi longa e cheia de ansiedade, nem conseguiu se concentrar na conversa de Terry com seu pai. Ele sabia que Sirius estava vivendo na Abadia e passando muito tempo no Chalé, Adam até mesmo lhe enviara um desenho com o "Sr. Black" assando biscoitos com ele e Ayana, mas a verdade é que Harry não sabia o que esperar. Será que ele ficaria feliz em vê-lo, será que gostaria do Harry, que não era mais um bebe? Ficaria decepcionado que ele era um Ravenclaw e não um Gryffindor? Pensaria que Harry era fraco por deixar os Dursleys abusar dele e não fazer nada ou lutar para impedir? Tinha tantas coisas passando por sua mente que começou até a pensar tolices, nem parecia o garoto inteligente de sempre.

Então o carro chegou em frente ao Chalé e Harry viu um homem moreno e alto andando ansiosamente pelo jardim.

— É ele? É o Sirius? — Harry perguntou meio sem folego.

— Sim, é ele, Harry. — Falc respondeu suavemente.

Harry saltou do carro e correu na direção do padrinho, mas a uns três metros de alcançá-lo ele parou em um misto de sentimentos, ânsia, duvidas e receios. Ele o olhou com atenção absorvendo sua magreza doentia, palidez e olhos cinzentos tristes, será que ele o queria, será que o amava? Então Sirius se abaixou e o olhou intensamente, em seus olhos havia lagrimas e um brilho que Harry viu muitas vezes quando o Sr. Falc olhava para os filhos.

— Eu senti tanto a sua falta, todos os dias pensei em você...

E Harry o reconheceu, sua voz, o sentimento de amor, até mesmo seus olhos cinzentos lhe pareciam familiares e de repente tudo ficou bem claro e ele só queria abraçá-lo com força e não soltar nunca mais. Ele era sua família, a única família que seus pais lhe deixaram, Harry ouviu seus sussurros de palavras sem sentindo, mas que, ele sentiu, falavam de amor e saudades. Para Harry nunca houve um momento em que se sentiu tão amado, tão seguro e desejou mais do que tudo não o perder também.

Sirius queria dizer mais, pedir desculpas, explicar e justificar, mas não conseguiu porque Harry deu um salto na sua direção e o abraçou em um aperto feroz e sem poder se conter Sirius o abraçou de volta se levantando e tirando seus pés do chão enquanto o embalava e acariciava seus cabelos e suas costas, sussurrando palavras que expressavam todo seu amor e saudades. Ele perdeu a noção do tempo e quando se afastou, colocando-o no chão, viu que Harry chorava assim como ele, enxugando sua lagrimas, Sirius o olhou nos olhos e viu o Harry, seu afilhado, seu lindo menino.

— Ah, nossa como é bom ver você, Merlin, como você cresceu, me desculpa ter lhe deixado, me desculpa não ter estado lá para você, me perdoe... — Suas palavras saíram entrecortadas e dolorosas.

— Não me deixe de novo Sirius, não me deixe sozinho outra vez, por favor. — Disse Harry em um sussurro triste que partiu seu coração.

E foi nesse momento que Sirius entendeu completamente, ele tinha que melhorar de qualquer maneira possível, fazendo o necessário para ficar forte e ser o que Harry precisava, mas não para morrer por ele e sim para viver por ele.

— Eu prometo, aqui e agora, como prometi a tantos anos ao ser dada a honra de ser seu padrinho, que vou te proteger com tudo o que tenho e não vou te deixar outra vez. Está ouvindo, ninguém vai me tirar de você. — Disse ele e viu Harry acenar sem palavras, havia esperança em seu olhar e essa era a coisa mais linda que Sirius vira desde o dia em que fora preso, olhos verdes cheios de esperança.