Capítulo 29

Harry abraçou seu padrinho outra vez, afundou seu rosto em seu peito tentando acreditar que era possível, que eles poderiam ser uma família, que ele não estaria nunca mais sozinho. O cheiro estranhamente familiar como de um sonho distante no tempo o envolveu e lhe encheu o peito da quentura de bons sentimentos. Afastando-se, ele olhou para o Chalé que era ainda mais bonito na primavera e pensou na família que estava lá dentro e como estava aprendendo a amá-los e seu desejo de protegê-los. Encarando Sirius, Harry decidiu que ia protegê-lo também.

— Eu também prometo, Sirius, não vou deixar que ninguém o leve embora, vou lutar e proteger você. — Disse Harry solenemente.

Sirius queria negar sua promessa e dizer que era seu trabalho protegê-lo e não o contrário, mas pode ver em seu olhar a seriedade e determinação.

— Ok, acredito que podemos lutar juntos, então, para ficarmos juntos. Falc me contou sobre sua infância, sobre a negligência de Dumbledore. Vamos lutar Harry, para que você não tenha que voltar para aquela casa. — Disse ele e viu seu rosto corar e seus olhos se abaixarem. — Não foi sua culpa Harry e lamento muito que eu não estava lá, me desculpe.

— Você não tem culpa por ter sido preso sem um julgamento, Sirius. — Harry começou a andar pelo jardim, sentindo-se muito mortificado para ficar parado. — Meus tios nunca me quiseram e Dumbledore nunca poderia ter me largado em sua porta sem verificar isso e me esquecido depois. Essa é a falha dele e, infelizmente, não sabemos porque agiu assim.

— Eles me contaram tudo, sobre a anulação do testamento, vamos ter tempo para nos sentarmos e planejar com Falc e o Sr. Boot. Acredito que agora que estou livre e inocentado, podemos conseguir que a anulação seja cancelada. — Disse Sirius caminhando ao lado dele e, percebendo seu constrangimento, decidiu falar de sua infância. — Eu também fui maltratado por minha família.

— Foi? — Harry parou e o olhou surpreso.

— Sim, antes de ir para Hogwarts era apenas a frieza e críticas sem fim ou me punindo porque não agi ou agi de maneira que os envergonhava. Eles insistiam que eu fosse o menino puro sangue perfeito e se saísse desse padrão era trancado em meu quarto ou batido com o açoite...

— Eles espancavam você? — Harry ficou pálido e arregalou os olhos. Sirius ficou aliviado, porque sua reação mostrava que seu afilhado não passara pelo mesmo.

— Sim, não aconteceu muitas vezes, mas quando cheguei de Hogwarts no verão depois do meu 1º ano, levei a maior surra de todas e fiquei todo o verão trancado em meu quarto. Foi um alivio ir para Hogwarts, eu contei ao James que contou aos pais dele e no verão seguinte, ainda na estação de trem, eles ameaçaram meus pais que nunca mais foram tão cruéis, mas as vezes ainda me batiam ou diziam coisas terríveis. Quando tinha 16 anos, eles tentaram me obrigar a me tornar um comensal da morte e quando recusei eles usaram a maldição da tortura em mim. Eu consegui fugir e seu avós me acolheram, foi a Sra. Euphemia que me fez entender que não era minha culpa, minha falha, assim como o que os Dursleys fizeram com você é falha e culpa deles. — Disse Sirius calmamente, percebendo que Harry ouvia com muita atenção.

— Então, você não acha que eu fui fraco por não lutar de volta? — Harry perguntou chutando o chão pensativo.

— Não, acho que você foi forte, por resistir e persistir, por ser um garoto com um coração tão bom, apesar do que eles lhe fizeram. Eles não são boas pessoas, mas não conseguiram te contaminar com suas falhas ou sentimentos negativos, você os venceu Harry. — Sirius disse suavemente e viu seu afilhado sorrir e parecer menos tenso.

— Às vezes foi difícil Sirius, teve momentos em que eles quase me quebraram, quase me fizeram perder a esperança. Você se sentiu assim preso? — Harry perguntou olhando com seus olhos que veem tudo e Sirius não pode mentir.

— Sim. — Com um bolo na garganta Sirius pigarreou. — O que me manteve longe da insanidade foi a culpa, eu sabia que era inocente, mas também sabia que era minha culpa a morte de seus pais. Os Dementadores não podiam roubar essa lembrança, porque não era um pensamento feliz, assim eu sabia quem era e o que acontecera, porque estava ali. E, mesmo de você me lembrava, pois, estar longe, não ter certeza se estava bem e seguro, não poder te ver crescer era um pensamento angustiante. Aquelas criaturas nos fazem sentir que nunca mais seremos felizes e eu não tinha esperança de que algum dia sairia de lá e o veria de novo. — Sirius disse tristemente.

— Porque você diz que era sua culpa a traição de Pettigrew? — Perguntou Harry seriamente.

— Foi minha ideia mudar o guardião para Peter. — Disse Sirius sincero apesar de temer que Harry o odiasse. — Seus pais pediram a mim e aceitei, mas depois percebi que eu era a escolha óbvia e pensei que se mudássemos para Peter, os comensais e Voldemort continuariam a me perseguir, enquanto o segredo estaria seguro com Peter. — Harry podia sentir a culpa e a tristeza emanando de seu padrinho como uma doença.

— Não foi sua culpa. — Disse simplesmente e viu ele o olhar surpreso. — Era uma boa ideia e você não é culpado pelas ações de Pettigrew.

Sirius não parecia pensar assim e Harry percebeu, claro.

— Eu devia ter sido o guardião, se não tivesse sugerido, foi minha ideia Harry, você tem todo o direito de me odiar. — Disse Sirius cabisbaixo. Harry parou de andar e o encarou.

— Vocês cometeram um erro Sirius, confiaram em um amigo e a ideia pode ter sido sua, mas meus pais concordaram, assim foi um erro deles também. Você acha que devo odiá-los? — Perguntou Harry inteligentemente.

— Não! Nunca! Seus pais, eles confiavam em Peter, ele era nosso amigo desde nosso primeiro ano, inofensivo, tímido. Agora, olhando para traz posso ver sua covardia e falsidade, mas naquele momento... — Sirius tinha seu olhar assombrado e triste.

— Sim, eu fiquei com raiva dos meus pais por um tempo por ter confiado em Peter, por não fugirem para fora do país como os Boots, mas depois percebi que não posso culpá-los, ou a você, por confiar em um amigo. Foi um erro, mas um erro justo e eles e você pagaram por esse erro. Os culpados são Pettigrew e Voldemort e, se alguém merece ser odiado, são eles. — Disse Harry com firmeza.

Sirius não sabia o que responder, emocionado o puxou para si e abraçou fortemente.

— Obrigada por dizer isso e você está certo, ainda me sinto culpado pela morte deles, mas prometo pensar no que me disse. — Disse ele contra seus cabelos bagunçados.

— Espero que um dia você consiga se perdoar Sirius, porque eu já perdoei. — Sussurrou Harry contra seu peito.

Os dois se afastaram emocionados e sorriram um para o outro, não havia estranheza ou desconforto entre eles, nem parecia que se conheciam a meia hora, sentiam como se nunca tivessem se separado. Voltando a andar Sirius decidiu falar de algo mais leve.

— Então, Ravenclaw? — Sirius riu quando Harry corou. — Isso não me surpreendeu, James era um gênio com magia e sua mãe era completamente dedicada a aprender e desenvolver novos conhecimentos, sempre achei que a casa das águias se encaixaria muito bem para ela.

— Para o meu pai não? — Harry perguntou curioso, lhe ocorreu que ninguém saberia mais sobre seus pais do que seu padrinho.

— Não, James gostava da aventura e diversão, seu talento para magia era algo natural, não precisava de muito esforço ou estudo e nem gostava. James nunca poderia ficar mais do que meia hora parado estudando, era agitado, cheio de energia. A Gryffindor era a casa perfeita para ele, mas como segunda opção eu e ele também, acredito, consideraria a Slytherin, incrivelmente. — Disse Sirius e seu rosto se encheu de carinho e afeto ao falar de seus amigos.

— Porque? Achei que vocês detestavam a casa das cobras. — Perguntou Harry enquanto andavam pelo jardim.

— Eu detestava, por tudo o que representava para mim, minha família e o pensamento purista que tentaram enfiar em minha cabeça desde o dia em que nasci. Seu pai não podia odiar, até por que sua avó, Sra. Euphemia era uma Slytherin e James se parecia muito com ela, alguns viam eles com brincalhões e tolos, mas não eram nada disso. Os dois eram cheios de malícia e astúcia, preferiam serem alegres do que sisudos e não se importavam com formalidades, mas eram inimigos ferozes e espertos. — Disse ele sorrindo do entusiasmo de Harry ao aprender sobre sua família. — James não era muito ambicioso, financeiramente falando, os Potters têm muito dinheiro, mas quando se tratava que de algo que ele queria, verdadeiramente, se tornava a determinação em pessoa, nunca desistia. Sua nobreza e caráter o impedia de fazer coisas erradas, ele aprendeu com o pai a ser bom, honesto e nobre. Era um péssimo mentiroso... — Sirius não se aguentou e riu, Harry o acompanhou. — Ele era todo malicioso e astuto, mas quando tinha que mentir para um professor ou para seus mais, era hilário, ficava todo vermelho e coçava as orelhas ou ajeitava os óculos. Sua avó percebia na hora e o olhava com a sobrancelha arqueada e James não se aguentava e confessava tudo.

Os dois riram e Harry sentiu seus olhos se encherem de lagrimas, estava melhorando, mas havia momentos como esse que a dor da perda quase o sufocava, mas junto também vinha o amor e a cada dia o amor superava a dor.

— Ei, não queria que chorasse. — Disse Sirius preocupado.

— Não se preocupe, adoro ouvir sobre eles, mas dói não os ter aqui, acho que sempre vai doer. — Harry enxugou as lagrimas e suspirou.

— Você está certo, nunca vai deixar de doer. Mas, você fugiu, como foi parar na Ravenclaw? — Disse Sirius com olhos tristes.

— Bem, eu conheci Terry no trem e...— Harry explicou sobre sua ignorância e como Hagrid ao levar sua carta não o preparara para o mundo mágico, como eles acreditavam ser o que Dumbledore queria. Contou sobre a reveladora conversa que teve com seu amigo e como Harry percebera que precisava de conhecimento para se tornar um grande bruxo. — Eu queria deixar meus pais orgulhosos e honrar meu nome, mas também queria aprender a me proteger de quem pudesse querer se vingar de mim e continuar a luta dos meus pais contra os preconceitos puristas, assim pedi ao chapéu que me enviasse a casa que me ajudaria a me tornar o melhor bruxo possível e onde eu poderia fazer amigos. O chapéu disse que a Slytherin poderia me ajudar a ser grande, mas que lá nunca faria amigos e, portanto, o melhor lugar para mim era a Ravenclaw. E acredito que ele estava certo. — Concluiu Harry com um sorriso.

— Eu concordo, você não conseguiria fazer amigos na Slytherin, a maioria lá te odiaria por seu papel no desaparecimento de Voldemort. E ser um grande bruxo é importante, mas acredito que em qualquer casa você encontraria essa grandeza. — Disse Sirius orgulhoso, era incrível o ouvir falar, Harry era uma mistura dos pais e avós e ainda de um jeito só dele.

Nesse momento Harry ouviu seu estômago roncar audivelmente e corou constrangido, mas ao olhar para seu padrinho, este riu e seu olhar estava cheio de diversão.

— Bem, me parece que estou te mantendo afastado do resto da família e do almoço. Vamos lá, podemos conversar mais depois. — Disse Sirius rindo e passando o braço por seu ombro os dois caminharam para a porta da frente do Chalé.

— Estou faminto e morrendo de saudades das crianças e a Sra. Serafina, não os vejo desde o Natal. — Informou Harry sorridente por ser abraçado e cuidado.

— Eles me contaram que vocês ficaram muito apegados durante as festas, mas eu entendo, algumas semanas que estou por aqui e já os adoro. — Disse Sirius e em seguida os dois entraram na sala de estar, que estava vazia, mas o som de conversa os levou a cozinha onde todos se sentavam.

— Ah, que bom que vieram, estava em dúvida se os chamava para o almoço ou guarda aquecido para mais tarde. — Sra. Serafina que servia a mesa sorriu e indo até o Harry o abraçou fortemente. — Que saudades e olha isso você cresceu, quantos centímetros? — Perguntou ela o beijando carinhosamente na testa e na bochecha.

Harry corou, mas não resistiu e a abraçou de volta, abraços eram bons, muito bons. E, logo depois que ela o soltou, Adam agarrou sua cintura e Ayana agarrou seu peito e o fez cambalear, Sirius os segurou impedindo de caírem e riu divertido. A Harry só restou abraçá-los de volta com um sorriso ainda maior, nunca se sentira tão feliz e tão amado e nunca sentira tanto amor dentro de si, poderia até explodir. Depois todos se sentaram para comer e conversar e rir, Harry olhou em volta e sentiu como se realmente tivesse uma família.

Sentado ao seu lado Sirius ria das crianças ou ouvia com atenção histórias de Terry que falava da escola e de Harry. De vez em quando ele tocava seu cabelo ou seu ombro, como se quisesse ter certeza que Harry era real, Sra. Serafina lhe perguntou outra vez sobre quanto ele cresceu e dessa vez conseguiu responder.

— Desde o Natal cresci mais 2 centímetros! — Disse ele orgulhoso. — Madame Pomfrey disse que estou evoluindo muito e que pelas suas pesquisas nadar vai acelerar meu crescimento, ela disse que vai tentar conseguir junto ao diretor a construção de uma piscina!

— Isso é maravilhoso! Harry isso quer dizer que cresceu 4 centímetros desde setembro. E se ela conseguir uma piscina não será só você que se beneficiará, muitas outras crianças vão poder fazer um ótimo exercício. — Disse ela entusiasmada.

— Teria sido incrível uma piscina quando estávamos em Hogwarts, estou quase com inveja de vocês. — Disse Sr. Falc, divertido.

— Bem, ainda não há confirmação, madame Pomfrey espera convencer o diretor, mas o problema é o custo com a construção da piscina e contratação de um professor de natação. — Disse Harry pegando seu segundo pedaço de torta de melaço, estava muito bom.

— E sobre o resto da sua saúde em geral e sua musculatura e ossos? — Perguntou Sra. Serafina e Sirius ouvia tudo muito interessado.

— Meu estômago está bem e meu nível de vitaminas está o que devia. Meus ossos ainda não estão tão bons, ela acredita que terei que tomar poções pelo menos por mais uns 2 anos antes de chegar com o tamanho e densidade corretos. Minha musculatura está forte, mas ela acredita que ainda existe um risco de atrofia caso eu parasse de me exercitar, por isso que ela vai insistir na piscina, por ser uma questão de saúde e não por diversão. — Explicou ele olhando com vontade para a torta de melaço, queria mais, mas estava muito cheio.

— Não se preocupe Harry, Madame Pomfrey é uma força da natureza, se ela está lutando por uma piscina ninguém vai impedi-la de conseguir uma. — Disse Sirius com convicção.

Harry acenou sorrindo e esperando que seu padrinho estivesse certo, ele nunca aprendera a nadar e seria incrível aprender e poder se exercitar e crescer mais rápido. Depois do almoço Harry e Terry foram guardar suas coisas e depois foram brincar com as crianças, Harry nem percebera o quanto sentira suas faltas até ouvir suas vozes e risos. Sirius se juntou a eles e Adam e Ayana pareciam gostar muito dele e vice e versa.

— Harry, você vai me ensinar a voar? Por favor? Não está mais frio e nevando. — Disse Ayana com olhar implorante.

— Se seus pais deixarem, eu ensino sim, mas você não pode fazer as manobras que eu faço até estar em Hogwarts, combinado? — Disse Harry seriamente.

— Combinado! Vou falar com a mamãe! — Disse ela sorrindo e antes de sair correndo lhe deu um beijo no rosto.

— Me contaram que você voa muito bem e conseguiu um lugar no time já no primeiro ano. James estaria inflado feito um balão de orgulho e alegria. — Disse Sirius enquanto disputava uma partida de xadrez com Adam.

— Sim, Madame Hooch disse que sou um natural e me aconselhou a tentar a vaga de buscador e eu consegui. — Disse ele timidamente. — Eu vi os troféus do papai, não acho que sou tão bom quanto ele, mas adoro voar e jogar é muito divertido.

— Não o escute Sr. Black, eu não vi o Sr. Potter jogar, mas acredito que Harry é tão bom ou até melhor que ele. — Disse Terry montando um quebra-cabeça na mesa.

— Ah, é? Bem, por que você não me conta então, estou curioso. — Pediu Sirius divertido.

E assim um corado e constrangido Harry ouviu o amigo contar em detalhes sobre a última partida e seus feitos, Adam e Ayana, que voltou, escutaram de boca aberta e bateram palmas quando finalmente a descrição do jogo chegou no Harry pegando o pomo. Sirius tinha um sorriso de rachar a cara.

— Você é um gênio! E foi tudo sua ideia!? Isso é incrível! Terry está certo, seu pai era um atacante excepcional, um grande capitão e treinador, as vezes também tinha algumas ideias e estratégias diferentes, mas isso quando estava no 5º ou 6º ano, nunca no 1º ou 2º. — Sirius estava além de entusiasmado, seu orgulho parecia iluminá-lo. — Mas não importa comparações e sim que você esteja fazendo tão bem e feliz. E suas notas, como estão e qual seu melhor assunto?

Terry bufou e ganhou um olhar exasperado de Harry que foi sincero, mas humilde ao falar sobre suas notas e até compartilhou as vitórias dos amigos. Quando ele terminou Sirius brincalhão olhou para o Terry com uma sobrancelha arqueada e imediatamente o amigo contou tudo de novo com mais detalhes e empolgação.

— E mesmo em carpintaria mágica Harry se destacou, pois, o Prof. Jonas disse que ele tem o dom de se conectar com a magia facilmente e por isso ele alcançou o estado de ausência da meditação magica em dois dias. — Concluiu Terry sorrindo para o amigo que estava vermelho como um pimentão.

Sirius sorria encantado e percebeu que apesar de gostar de quadribol seus estudos eram muito mais importantes para Harry, assim disse.

— Isso é maravilhoso, estou muito orgulhoso de seus talentos e empenho, se Lily e James... — Sua voz se embargou e Sirius suspirou. — Se eles estivessem aqui estariam tão orgulhosos, Lily amava aprender e sempre dizia que devíamos valorizar o privilégio de podermos aprender magia, pois pelo menos 90% da população mundial nunca nem saberia de sua existência. E James, ele poderia não ser um rato de biblioteca, mas ele se dedicava muito a aprender e aperfeiçoar a parte prática da magia, você é bom como eles eram Harry e isso me deixa muito feliz.

Harry ficou emocionado, sentia que seus pais esperavam que ele se dedicasse e se orgulhariam dele, mas ouvir uma confirmação era muito bom.

— Bem, agora me expliquem essa história de Carpintaria Mágica e estado de ausência? — Pediu Sirius e os meninos explicaram. Adam e Ayana se interessaram sobre o assunto, como sempre encantados em aprender e saber mais sobre Hogwarts. — Então, vocês estão pensando em se tornarem animagus? — Sirius perguntou com um sorriso malicioso.

— Sim, quer dizer, Neville, Hermione e eu queremos e planejamos, Terry não se interessou muito pela ideia. Porque? — Harry perguntou o olhando com atenção, sua expressão escondia um mistério.

— Bem, se você prometerem guardar segredo posso contar algo a vocês…— Disse Sirius com um sorriso ainda maior e quando ouviu os quatro dizerem "Prometemos". — Eu sou um animago. — Sussurrou como se você um algo que só eles poderiam ouvir e todos os quatro arregalaram os olhos.

— O que? — Harry soltou, não podia acreditar, seu padrinho era um animago.

— Que legal, você é um gatinho? — Perguntou Ayana e Sirius fez uma careta.

— Por Merlin, não, não sou um gato, isso teria sido horrível e constrangedor. — Disse Sirius com uma careta e Terry e Harry riram.

— Você pode mostrar seu animago, Sr. Black? Por favor? — Pediu Adam docemente.

Sirius sorriu, ao ver os acenos dos outros, como se ele pudesse resistir ao Adam.

— Ok, mas sem gritos ou seus pais vão aparecer e quero manter em segredo pôr em enquanto. — Quando todos acenaram Sirius chamou sua magia e sua conexão com seu animal e se transformou em Almofadinhas.

Mesmo com as promessas quando um cachorro negro e peludo, gigantesco apareceu diante deles, Ayana soltou um grito, Adam bateu palmas e Terry deu um salto para traz e bateu na mesa com um baque alto, mas o pior foi o Kalil que deitado em seu tapete perto da porta se levantou e começou a latir assim que viu o outro cachorro. Tudo se moveu rapidamente, pois Harry se levantou e se colocou na frente de Almofadinhas para defendê-lo de Kalil. Terry foi para o seu cachorro para acalmá-lo e Serafina apareceu na porta preocupada com o barulho.

— Mas o que...? — E gritou quando viu o cão gigantesco e deu outro grito quando o cão se transformou em Sirius e então Falc apareceu com a varinha na mão pronto para ajudar e Harry não aguentou, segurando seu estômago começou a gargalhar e riu tanto que lagrimas escorreu por seu rosto.

Os outros o acompanharam no riso mesmo aqueles que não entenderam completamente, mas as gargalhadas das crianças e os de Sirius que lembravam um latido rouco eram contagiantes. Quando eles se acalmaram, Serafina olhou para Sirius com um olhar severo.

— Minha sogra me disse que viu um grim no jardim outro dia, achei que ela tinha alucinado e era você. Então, não era só Pettigrew que era um animago?

— Não, todos nós quatro éramos um animal diferente...

— Meu pai também era um animago? Qual animal ele era? — Harry interrompeu ansiosamente.

— Remus era um lobo, Pettigrew um rato e seu pai, era um cervo, seu animal lhe combinava muito bem. James era nobre e bondoso como os cervos. — Disse Sirius emocionado.

Harry acenou emocionado também, ele havia decidido se tornar um animago meses atrás, mas agora que sabia que seu pai fora um e seu padrinho era um, não podia deixar de sentir esse desejo aumentar. Depois disso eles saíram para fora e as quatro crianças brincaram com um alegre Almofadinhas e um desconfiado Kalil até o escurecer.

Sirius ficaria hospedado no Chalé durante aquela semana para ficar mais perto de Harry que, quando ouviu isso durante o jantar que ele ajudou Sra. Serafina a preparar, sorriu brilhantemente. Eles não conversaram sobre assuntos tristes naquela noite apenas sobre aulas e quadribol, Terry contou para o pai e a mãe o espetacular jogo de janeiro e como a Ravenclaw era a favorita para ganhar as duas Taças. Isso fez Harry ficar quase o jantar todo vermelho com os elogios e felicitações.

— Você precisa contar ao meu pai que usou o futebol Harry e como fez isso, ele vai adorar saber. — Disse Serafina.

Quando todos foram dormir já era tarde e Harry achou que tinha alegria e energia demais dentro do peito para pegar no sono, mas não foi o que aconteceu. Depois de meditar e alcançar o estado de ausência sua mente naturalmente repousou e o levou para lembranças felizes. Ele sonhou que estava voando em uma moto, sentindo-se seguro e feliz, só acordou por que de repente ele foi cercado por luz verde e um riso frio. Ainda estava escuro, mas Harry sentiu um medo estranho, medo que tudo foi um sonho ou que ele o perderia também, assim Harry se levantou e com passos suaves subiu ao terceiro andar e abriu a primeira porta do quarto de hospedes. Suspirou aliviando ao ver seu padrinho dormir na cama, a luz suave que entrava pela janela permitia-lhe enxergar muito bem seu contorno, cabelos cheios e encaracolados e rosto magro. Satisfeito ele fechou a porta e subiu ao sótão para passar um tempo com a Edwiges.

— ... E foi assim, agora ele está livre e eu tenho uma família de verdade, os Boots me querem e eu os adoro, mas é bom ter alguém que é meu, alguém que meus pais me deixaram, entende? — Disse Harry a sua coruja que estava sentada em seu ombro e piava em entendimento e acariciava seu cabelo.

— Eu entendo. — Disse Sirius suavemente se aproximando e sentando ao seu lado. — Desculpe, não quis te interromper, eu acordei quando abriu minha porta, tenho sono leve. — Ao ver o rosto arrependido do afilhado se apressou em acrescentar. — Não, não precisa se desculpar, eu as vezes tenho que olhar e verificar para ver se não estou sonhando, principalmente, depois de um pesadelo. Você teve um pesadelo?

— Sim e não, começou com um sonho bom, eu já tive esse sonho antes, estávamos em uma moto voadora e era muito divertido...

— Você se lembra disso? — Sirius perguntou chocado. — Eu andei com você em minha moto quando era tão pequeno.

— Então é verdade? Você tinha uma moto voadora? — Harry arregalou os olhos chocado e animado, sua coruja percebendo que ele não precisava mais dela decidiu ir caçar.

— Sim, eu entreguei para o Hagrid levar você para Dumbledore em segurança naquela noite enquanto ia caçar o rato, espero que ele a tenha guardado, assim posso pegar de volta. — Disse ele com um suspiro.

— Isso seria incrível, eu amo voar em minha vassoura, em uma moto deve ser incrível. — Disse Harry um pouco mais sério também.

— Sim, era incrível, uma vassoura é legal, mas não tem o poder de uma moto, sentir e comandar seu motor... — Sirius sorriu levemente ao se lembrar e depois olhou para Harry. — Eu te ouvi contando para sua coruja como você deduziu minha inocência e insistiu e lutou até que eles descobriram a verdade. Muito obrigada, Harry, você nunca pode imaginar o quão grato eu sou por acreditar em mim e me tirar daquele inferno.

— De nada. — Disse Harry simplesmente. — Eu não o conhecia, mas estou conhecendo meus pais e eu sabia ou sentia ou queria acreditar que eles não escolheriam um padrinho e guardião que não me amasse de verdade. Assim, você ser o espião nunca fez sentido e aquilo que não faz sentido dever ser questionado. — Disse Harry inteligentemente.

— Isso é a melhor maneira de ver essa situação e lamento que ninguém se preocupou em fazer o mesmo. Teríamos, nós dois, passado os últimos 10 anos juntos como uma família, que é o que somos. Seus pais me deixaram para você e te deixaram para mim. — Disse Sirius triste.

— Seria maravilhoso, mas não podemos viver do poderia ter sido ou viver de lamentações e culpa. Eu estou aprendendo isso e as vezes é difícil, mas eu quero viver e ser feliz com meus amigos, os Boots e você, para isso temos que seguir em frente...

— Um dia de cada vez. — Sirius murmurou terminando a frase. — Sr. Boot me aconselhou a fazer o mesmo e Serafina me aconselhou a fazer psicoterapia, não existe no mundo mágico, mas tem nascidos trouxas que trabalham como psicólogos no mundo trouxa. Eu resisti a ideia, mas os pesadelos têm me atormentado e vou aceitar o conselho, quero ficar melhor e talvez um dia eu possa ser seu guardião. Você gostaria de morar comigo um dia? — Sussurrou ele hesitante.

— Seria incrível, assim como viver aqui também. Deixar os Dursleys é algo que eu sempre sonhei e tinha perdido a esperança. Eu gostaria de ficar aqui, com meus novos irmãos e eu gosto muito da Sra. Serafina, ela foi a primeira pessoa que se preocupou comigo, é maravilhoso fazer parte da família. — Harry sorriu e olhando para o padrinho viu seus olhos decepcionados. — Mas com você nós formaríamos uma família, de dois, mas ainda nossa, seria especial. Talvez pudéssemos viver por perto ou vir sempre visitar os Boots?

— Claro! Eu... Com certeza, eu posso conseguir uma casa para nós aqui perto e podemos vir sempre, seria incrível e eu adoro os Boots, eles têm um jeito de nos fazer sentir queridos e é maravilhoso. Entendo porque quer viver aqui e, enquanto eu não estou melhor, será bom para nós dois sermos parte da família Boot. — Disse Sirius com um sorriso enorme.

Harry também sorriu e pensando em ajudá-lo decidiu contar sobre seus pesadelos e tudo o que passara com a perda dos pais.

— Acredito que você devia fazer a psicoterapia, Sr. Martin, irmão da Sra. Serafina, ele é psiquiatra e me ajudou muito a lidar com meus pesadelos e o luto pela morte do papai e da mamãe. — Disse ele baixinho e levemente envergonhado.

— Você tem pesadelos? E teve dificuldades sobre a morte de James e Lily? Mas achei que você sabia que eles estavam mortos antes de vir ao mundo mágico. — Sirius questionou preocupado.

— Sim, eu sabia, mas meus tios disseram apenas que eles eram bêbados e que tinham morrido em um acidente de carro. Eu não os conhecia, sabe, as vezes pensava em como seria bom ter pais e desejava que eles não tivessem morrido. Mas eu não pensava neles, como eles de verdade, como... — Harry parou buscando as palavras.

— Como James e Lily? — Sirius ajudou suavemente, entendendo o que o afilhado queria expressar.

— Sim e então Hagrid me falou um pouco deles e Terry me disse que eles me amavam e eram pessoas maravilhosas e amadas. Mas então a Sra. Serafina me enviou... — Harry então contou sobre as cartas e fotos, como foi maravilhoso aquele momento em que ele conheceu seus pais. — Eles tinham rostos e sorrisos, podia ver seus olhares e expressões, suas palavras, quase podia ouvir o sussurro de suas vozes em meu ouvido. E mais importante pude sentir o seu amor por mim, eles eram reais e seu amor era real e forte e verdadeiro e... — Harry parou emocionado e olhando para o padrinho viu que Sirius tinha lagrimas nos olhos também.

— Eles te amavam Harry, nossa como eles te amavam. Lily, era tão protetora e amorosa e James, por Merlin, seu pai sempre foi um pouco ingênuo, sua mãe dizia que ele tinha um coração de criança. Mas depois que você nasceu, James era todo pai, sério e atento, cuidadoso, ele me disse uma vez: "Almofadinhas, preciso lutar para tornar o mundo um lugar seguro para meu filho, nada é mais importante que ele ser feliz e estar seguro" — Disse Sirius com lagrimas escorrendo pelo rosto.

Harry não aguentou e soluçou, afundando o rosto em seu peito. Quando ele se acalmou, suspirando se afastou e limpou as lagrimas na manga do pijama.

— Foi maravilhoso conhecê-los, eles eram meus, mas no Natal o Sr. Martin me sugeriu ir visitar os seus túmulos. — Disse Harry com voz rouca. — Você já foi?

— Não, ainda não e achei perigoso sair sem antes se anunciar minha inocência. — Disse Sirius olhando para as estrelas do céu que se via pela janela.

— Você deve ir apenas quando estiver pronto, eu estava, ainda que foi muito doloroso, mas foi bom porque eu vinha negando e precisava encarar, sabe. — Disse Harry convicto.

— Negando? — Sirius ficou confuso.

— Não suas mortes, mas a dor de perdê-los, a tristeza de nunca os conhecer, a falta que fizeram e fazem em minha vida, a saudade imensa que sempre vou sentir todos os dias por não os ter. — Harry, então, contou como se sentiu depois e sobre sua conversa com o Sr. Martin e acrescentou o encontro com o espelho. — Foi e é bom falar sobre como me sinto, seja com o Sr. Martin por carta ou no diário, me ajuda a ser sincero e entender como e porquê, que eu não sou fraco e sim humano. E a culpa por querer seguir em frente me encheu de pesadelos, mas eu entendi que é meu sentimento, papai e mamão e meus avós não nos culpam e não estão tristes ou zangados por isso. E me ajudou fazer algo concreto para lembrá-los, eu tenho outras ideias e quero lutar para mudar o mundo mágico em homenagem a eles, Sirius. Meus pais merecem não terem morrido em vão e não vou permitir que seus assassinatos sejam esquecidos. — Disse Harry com determinação.

Sirius sorriu emocionado, sim pensou, cuidar desse menino lindo era sua maior e mais importante missão, mas ajudá-lo a mudar o mundo mágico poderia ser algo fundamental também, por James e Lily.

— Menino corajoso, inteligente e corajoso. — Disse Sirius o abraçando suavemente. — Seus pais estariam, assim como eu estou, muito orgulhosos de você e nunca vou me cansar de lhe dizer isso. E esse Sr. Martin parece alguém com quem eu gostaria de conversar, fico feliz que você esteja ficando melhor. Agora, o que você acha de irmos tomar um chocolate quente, enquanto você me conta sobre o que tem feito para lembrar de seus pais e quais são suas outras ideias. — Sirius disse com um meio sorriso.

— Oh! Você tem que provar meu chocolate quente, o pessoal diz que é o melhor, mas Terry insiste que o de sua mãe ganha do meu. — Disse Harry entusiasmado, se levantando pegou a mão de Sirius e não a soltou até a cozinha.

— Eu ouvi um boato sobre seu chocolate, estou ansioso para provar... — Sussurrou Sirius enquanto eles desciam as escadas.

Assim por mais uma hora Harry contou sobre as flores e árvores que estava na estufa 1 em Hogwarts, como eles as plantaram e cuidaram e nenhum vaso deixou de florir, "estão bonitas e saudáveis Sirius", e como pretendem replantar na Floresta.

— Ainda não escolhi o lugar, mas quero perto do lago, tem uma vista melhor. — Disse ele timidamente.

Depois contou seus outros planos e ideias, Sirius ouviu tudo em silencio o olhando com amor e um sorriso permanente de orgulho. Ele gravou sua voz, suas expressão e trejeitos, seu sorriso e riso, seus olhos verdes brilhando de entusiasmo, as vezes ele soltava a xícara e gesticulava com os braços para explicar sua ideia. Ele amara aquele menino desde o primeiro dia em que o vira, tão pequeno e bonito e a cada vez que o encontrava sentia esse amor crescer mais e mais. Ali, na cozinha do Boots, Sirius reencontrou seu afilhado e percebeu que seu amor podia se expandir ainda mais e jurou que seria o padrinho que ele precisava e merecia.

— Terry está errado, o seu chocolate quente é melhor do que o da Serafina. — Disse ele veementemente.

Harry sorriu ainda mais e corou, levemente envergonhado, mas muito feliz.

No dia seguinte era feriado e um dia quente, Harry se levantou cedo e acordou Terry e Sirius para fazerem exercícios. Na noite anterior seu padrinho lhe contara as recomendações do curandeiro trouxa, mas que ele ainda não começara a se exercitar, apenas corria como Almofadinhas as vezes, depois de um pesadelo. Harry imediatamente lhe dissera que Sirius começaria a treinar no dia seguinte com Terry e ele, seria divertido e assim seu padrinho recuperaria sua saúde mais rapidamente.

Mas quando as 7 da manhã, seu animado e cheio de energia afilhado o acordou para correr Sirius parou de acreditar em sua afirmação de que seria divertido. Sonolento ele saiu para o jardim com os meninos e seguiu sua orientação para alongar e aquecer, Terry ao seu lado parecia mais normal, mas Harry tinha uma empolgação preocupante. Merlin, era cedo demais e quem ficava feliz em se exercitar?

— Ele é sempre assim? — Sussurrou Sirius para Terry que se esticava ao seu lado.

— Sim, mas fica pior, é melhor se preparar. — Sussurrou Terry de volta e Sirius o olhou sem entender.

O pior deveria ser o quanto o menino corria, Harry era rápido e incansável. Ele insistiu que eles tinham que correr em um ritmo leve e aumentar para médio e rápido nos últimos 100 metros, pois isso os condicionaria aos poucos sem forçar a musculatura. Eles correram uns 2km e Sirius estava esbaforido, quando percebeu que tinham que voltar para o Chalé correndo quase entrou em pânico.

— Vamos lá, não parem, se parar perdem o ritmo e esfriam, vamos correr de volta em um ritmo mais acelerado. — Disse Harry em voz de comando. — Corra 2km no primeiro mês Sirius e aumente aos poucos nos meses seguintes, vamos lá, voltando.

Sirius não tinha folego para responder, assim o guardou para correr de volta, percebeu que Terry estava melhor que ele, mas arfava e suava levemente. Harry parecia estar andando e não correndo, não suava ou arfava e corria sorrindo como se estivesse se divertindo. Ele franziu a testa para isso.

— Eu sei, eu também detesto esse sorriso nesses momentos. — Disse Terry arfando.

No último trecho Harry acelerou e os incentivou a correr e acompanhar seu ritmo, era impossível, o garoto parecia um guepardo de tão veloz. Isso fez Sirius pensar que era possível que seu afilhado teria um animal rápido como seu animago. Quando chegaram a parte de traz do Chalé, Sirius desabou no jardim esbaforido e com a certeza que nunca mais se levantaria, mas...

— Nem pensar em parar agora Sirius! Levanta! Vamos lá! Precisa alongar e esticar para não endurecer a musculatura. Vamos! Vamos! — Gritou Harry em tom de comando e mesmo sem querer ou acreditar que conseguiria, Sirius se viu de pé e alongando. — Agora vamos para os polichinelos e abdominais e flexões, vamos lá Sirius, sem moleza. Terry estique os braços, Sirius pelo menos 10 de cada, para de preguiça.

E assim Sirius foi obedecendo suas ordens e vendo ele contar os exercícios com aquele sorriso maníaco no rosto e com uma facilidade exasperante. Quando finalmente acabou ele não conseguiria falar mesmo para implorar misericórdia e subiu as escadas tropegamente com o olhar arregalado de alguém que acabara de viver uma experiência assustadora. Depois do banho ele desceu para a cozinha e encontrou seu afilhado assoviando alegremente com os cabelos ainda húmidos e preparando o café da manhã junto com Serafina.

— Ah, Sirius, bom, eu preparei um prato para você. Depois do treino temos que comer em grande quantidade. — Disse Harry e colocou na sua frente um prato enorme, com ovos, queijo branco, legumes grelhados. Quem come legumes no café da manhã? Um copo de suco de laranja e uma tigela com mingua de aveia, um prato de frutas e um pote de mel e outro com nozes.

— Uau! Eu não sei se consigo comer tudo isso, Harry. — Sirius falou sincero.

— Tente Sirius, no começo eu achei que era muito, mas depois entendi que precisamos comer saudável e em grande quantidade para repor a energia que gastamos nos exercícios e para termos energia para fazer tudo de novo amanhã. — Explicou Harry e Sirius tentou não fazer uma careta com a ideia de passar por aquela tortura de novo.

Sirius começou a comer e estava tão bom que ele gemeu de prazer.

— Está uma delícia Serafina, muito obrigada. — Disse ele enquanto devorava a montanha de comida em seu prato.

— Não foi eu quem preparou os ovos e o mingau Sirius, fiz apenas os legumes. Agradeça ao Harry. — Disse Serafina enquanto arrumava um prato para si mesma, bem menor que o seu ou do Harry ou do Terry.

Sirius olhou para o afilhado que comia ao seu lado e viu seu rosto corado.

— Verdade? Me disseram que você sabia cozinhar, mas não pensei que sua comida era tão boa, Harry isso é incrível. — Disse Sirius e Harry só pode corar ainda mais e sorrir com os elogios.

Depois que todos terminaram o café da manhã Ayana, que tinha recebido autorização dos pais, bateu o pé e insistiu que Harry a ensinasse a voar e assim ele se viu no jardim de traz com a menina animada e ansiosa. Adam também estava lá, felizmente sem um pergaminho e pena para anotações, mas parecendo igualmente ansioso para pegar dicas para quando ele puder voar. Terry os acompanhou com sua vassoura, Sirius apareceu para assistir, Serafina para ficar de olho neles por segurança e no último instante o Sr. Falc surgiu curioso. Harry estava nervoso com a plateia e sem saber o que poderia ensinar a menina que ela já não sabia de voar na vassoura infantil ou que poderia aprender com seu pai. Apenas seu olhar expectante o impediu de alegar uma dor de barriga e se esconder no banheiro, pois não queria decepcioná-la.

— Ok, pegue sua vassoura e coloque no chão, se posicione ao seu lado. — Harry respirou fundo sentindo o ar entrar em seus pulmões lembrando de seu primeiro voo e viu Ayana fazer o que disse. — Agora, isso é importante, a vassoura foi feita de uma madeira mágica e tem muitas outras magias nela que nos permite voar, assim devemos respeitar sua magia e intenção. Você deve colocar sua mão sobre ela e lhe pedir com firmeza e determinação para que suba. Diga acima, queira a vassoura em sua mão, com confiança, Ayana.

— Acima! — Gritou ela e a vassoura saltou e voltou a pousar na grama, depois ela olhou para ele decepcionada.

— Você não precisa gritar, ela ouve sua intenção, sua firmeza e não seu grito. Respire fundo e peça a magia da vassoura que lhe atenda, queira ela em sua mão. Agora. — Disse Harry com firmeza, mas sem levantar a voz.

— Acima! — Disse Ayana sem gritar e com um rostinho determinado. A vassoura subiu forte e rápida e ela a agarrou e cambaleou até se equilibrar. — Consegui! — Disse ela com um sorriso enorme.

Harry sorriu também aliviado e pensando sobre como amava voar decidiu qual o próximo passo.

— Muito bem, agora monte em sua vassoura. — Harry a observou e percebeu que sua postura era correta, ele sabia que ela voara na vassoura infantil que ficava a apenas dois metros do chão, assim não era surpresa. — Você já voou Ayana e sabe como se postar sobre a vassoura e tirá-la do chão, mas não quero que você tenha pressa suba apenas os dois metros que está acostumada. Vou subir com você.

E assim os dois subiram e Harry sentiu toda a ansiedade desaparecer, quando estava voando tudo era possível.

— Agora, eu quero que feche os olhos e relaxe. — Ayana o olhou surpreso e eles insistiu, quando ela o obedeceu, Harry fechou os seus também. — Respire fundo o ar Ayana, sinta ele entrar em seus pulmões, sinta ele na sua pele acariciando. Tudo o que existe no mundo tem sua própria magia, voar é magico e é possível por causa desse dom maravilhoso que nos foi dado, a magia. Sinta, respire, quando estiver voando aqui em cima o vento será seu amigo, respeite-o. Sinta a conexão com sua vassoura, a madeira, o trabalho do artesão e respeite-o. Voar não é sobre perigo ou se exibir, voar é sobre sentir a natureza e a magia, confiar e se divertir. Você pode sentir?

— Sim, ela nos acolhe e o medo vai embora. — Sussurrou ela e Harry sorriu.

— Não tem porque ter medo, apenas sermos inteligentes e respeitarmos a natureza e a magia. Agora vamos subir mais um pouco e voar um pouco, sem pressa, apenas sentindo o prazer do presente que é a magia. — E assim eles voaram mais alto e os dois sorriam animados pelo prazer que sentiam. Terry se juntou a eles e Adam decidiu ir buscar um caderno e lápis para desenhá-los e anotar o que o Harry dissera, não queria esquecer nunca suas palavras bonitas.

— Ele é incrível, não é? — Disse Serafina ao Sirius que, assistiu à interação das crianças, embasbacado.

— Incrível! Merlin, ele me tira o folego. As vezes ele sorri animado e me lembra o James, as vezes quando me olha com esses profundos e bondosos olhos verdes, me lembra a Lily. E as vezes tenho a sensação de ouvir a Lily falar de dentro do corpo do James, é meio bizarro. Mas então, as vezes ele é todo ele, Harry e é tão especial que me deixa sem palavras. — Disse Sirius sem tirar os olhos das três crianças voando.

— É maravilhoso ver como ele se dá tão bem com as crianças, em sua vida nos Dursleys, Harry não teve amigos, pois eles não lhe permitiam. A única outra criança com quem convivia era o primo que ele detesta, mas assim que chegou aqui, Harry ficou amigo e depois irmão de Adam e Ayana. Isso sem falar das suas amizades em Hogwarts e Terry, claro. — Disse Falc carinhosamente.

— Acredito que um pouco é seu coração enorme, mas um pouco é o que Serafina disse antes. Seus filhos são tão doces e amorosos e sentiram que Harry precisava de amor e o acolheram e ele sendo muito inteligente, graças a Merlin, abriu seu coração e retribuiu. Ele me disse que sente que vocês o querem de verdade e isso é incrível. — Disse Sirius emocionado ao ouvir os risos do três voando agora mais rápido, era o melhor som do mundo.

— Como alguém pode não o querer? — Sussurrou Serafina igualmente emocionada.

Como estava concentrado em ensinar Ayana, Harry não fez nenhuma grande manobra, mas depois que ela se cansou e desceu indo alegremente contar aos pais sobre a grande emoção de voar, ele pode se soltar e voar livremente. Suas manobras assustadoras, e abandono e diversão deixaram seu padrinho de boca aberta e olhos arregalados.

— Merlin me salve! Ele é ainda melhor que o James! — Disse Sirius assombrado.

— Meu pai apostou comigo que ele vai levar a Inglaterra a ser campeã mundial em 2002 no Japão. — Disse Falc sorrindo. — Nunca vi alguém com esse tipo de controle em uma vassoura. Madame Hooch disse que ele é um natural.

— No Japão? E você apostou em qual? — Sirius perguntou curioso.

— Em 1998, na França.

Durante o resto do dia Sirius e Harry passaram um tempo entre si e com os Boots, crianças e adultos. Harry se encaixara na família facilmente em dezembro, Sirius nas últimas semanas também passara por isso. Agora os dois se ajustavam entre si e na dinâmica da família naturalmente, se alguém observasse de fora afirmaria que todos pareciam fazer parte de uma grande e animada família. A noite eles foram jantar na Abadia, Sr. Boot e Sra. Honora os recebeu alegremente com uma deliciosa comida feita pela cozinheira que trabalhava para eles a muitos anos.

— Sr. Boot, queria lhe agradecer por trabalhar na libertação do meu padrinho. O Sr. me prometeu que o devolveria para mim e conseguiu, muito obrigado. — Disse Harry solenemente e o abraçou rapidamente.

— Ora, de nada Harry, foi uma honra servir a justiça e ajudar Sirius e você a se reunirem. — Disse ele pigarreando de emoção.

Depois disso a noite foi tranquila, Sra. Honora parecia mais lucida e Terry passou bastante tempo ela contando sobre a escola e seus amigos. Fez até planos de os convidar para virem no verão para ela os conhecer. Harry fez uma partida de xadrez dura com o Sr. Boot e quase ganhou, mas ganhou inúmeros elogios por sua evolução desde dezembro. Sirius se transformou em Almofadinhas e tranquilizou Sra. Honora de que ela não vira um grim e todos riram muito de suas palhaças e brincadeiras com as crianças.

Na manhã seguinte a rotina de exercícios se repetiu e, incrivelmente, Sirius teve que reconhecer que apesar de cansado, dormira melhor, sentia mais apetite e tinha mais energia. Ele sempre fora do tipo preguiçoso, mas se para recuperar a antiga forma e saúde precisaria se exercitar Sirius faria isso e iria a fisioterapia e psicoterapia também. Discretamente ele conversou com Serafina sobre a possibilidade de conhecer seu irmão e ela informou que no domingo eles iriam todos para Oxford e Sirius poderia conversar com Martin.

No sábado à tarde eles foram para Londres trouxa, Sirius precisava comprar algumas roupas e as crianças queriam ir ao cinema. Harry e Serafina ajudaram Sirius a comprar roupas para as ocasiões certas, inclusive o anuncio que seria feito em uma semana pelo Ministro. Harry também escolheu uns vinis para ouvir com seus amigos, Mandy deixara a vitrola na sala de convivências deles assim todos os 1º anos poderiam ouvir música. Sirius adorou a modernização do mundo trouxa nos últimos 10 anos, roupas, música, filmes. Ele conhecia muito do mundo mágico, mas o shopping enorme e o cinema eram incrivelmente melhores. Foi bom sair e se divertir, nas últimas semanas ele não deixou a Abadia ou o Chalé, a não ser para comprar algumas poucas roupas e sua reunião com o Ministro.

Harry passou bastante tempo com o padrinho contando sobre os amigos e situações em Hogwarts enquanto compravam e passeavam. Quando contou sobre seu conflito com Corner, seu padrinho acenou concordando com sua atitude e disse:

— Você está certo, ele precisa entender o motivo das desculpas, assim ele sabe qual a ofensa e sua gravidade. Se você relevar, esse garoto vai apenas repetir o erro.

Quando explicou sobre Malfoy e todas as vezes em que o deixou sem palavras, Sirius riu as gargalhadas.

— Oh, Merlin, isso é muito mais divertido do que as brincadeiras que eu e seu pai fazíamos. Nunca pensei que fazer os Slytherins de idiotas com palavras inteligentes poderia ser tão engraçado e satisfatório. — Sirius disse e depois o puxou para um abraço de um braço só pelos seus ombros. — Nós nos achávamos tão espertos, mas você é que está certo em agir assim. Sendo inteligente evita ter um rival chato tentando te atacar e lhe dá a importância que ele merece. O melhor é que não precisa cumprir um monte de detenções, isso é um bônus extra. — Concluiu Sirius com uma piscadela.

Harry sorriu animado e perguntou das brincadeiras que ele e seu pai faziam. Sirius foi sincero em dizer que eles, ele principalmente, adorava provocar os Slys, mas quando ficaram mais velho eles apenas faziam brincadeiras com aqueles que machucavam ou discriminavam os nascidos trouxas.

— Mas eu tive muitos anos para me lembrar daqueles momentos, Harry e sei que algumas vezes passávamos do limite, nós queríamos defendê-los, sermos os heróis, mas éramos jovens e imaturos que não sabiam nada sobre isso. A guerra e depois a prisão deixou isso bem claro, você está certo em lutar contra a discriminação com o cérebro e não com sentimentos impulsivos. — Disse Sirius quando estava na fila para o cinema.

— Isso é o que meu avô sempre diz, lutar com palavras e inteligência e não com armas e ódio. — Disse Terry que estava junto com eles, ouvindo as histórias antigas. Seus pais e irmão foram buscar pipocas e outros lanches.

— Eu conversei com seu avô, os dois, na verdade e eles me ajudaram muito a controlar a vontade de ir tirar satisfação de Dumbledore por tudo o que aconteceu. Prof. Bunmi me disse para usar o cérebro que Deus me deu e não agir feito um touro bravo e descerebrado. — Disse Sirius levemente ofendido.

Os meninos riram e Terry acrescentou.

— Esse é o vovô Bunmi.

O filme foi incrível, era Beethoven - O Magnífico e contava a história de um cachorro São Bernardo que arrumava um monte de confusão com sua nova família. Sirius riu até chorar e as crianças o acompanharam. No jantar Harry comeu de novo um hambúrguer duplo com bacon e um milk shake de chocolate chips, seu padrinho o acompanhou e parecia no céu. Quando chegaram bem tarde no Chalé todos foram dormir para mais diversão no dia seguinte.

Que começou com o Harry os instigando a correr mais, 3km e num ritmo mais acelerado no fim.

— Temos que perder a gordura e açúcar extra que comemos ontem, assim 1km extra, vamos lá, sem preguiça. — Disse ele com firmeza e aquele sorriso animado.

Sirius não protestou e obedeceu ainda que na hora do banho, ele vergonhosamente conjurou uma cadeira para se sentar, suas pernas estavam bambas. Depois do café da manhã, diga-se uma montanha de comida saudável, eles foram todos para Oxford passar o domingo de Páscoa com os Madakis. Os avós Boots também foram e o dia foi cheio de riso e muito chocolate. Sirius começou a temer quantos quilômetros eles correriam a mais no dia seguinte com tantos ovos de páscoa que foram distribuídos.

Ele pôde conhecer os outros membros da família e ficou encantado ao ver mais crianças chegando. Sirius se esbaldou de jogar e brincar com elas e quando se tornou Almofadinhas, Chester Jr. cavalgou nele e riu as gargalhadas. Depois do almoço Harry ansiosamente lhe apresentou o futebol e explicou ao Prof. Bunmi, com a ajuda do Terry, as mudanças que ele trouxe na defesa do seu time de quadribol. O velho professor ficou encantado e eles passaram quase uma hora discutindo novas estratégias e movimentos. Sirius gostou do futebol, ainda que ele não entendeu porque era tão popular quando ninguém podia voar, quer dizer, era legal, mas era no chão e não tinha muito perigo e emoção. Quando ele expressou sua opinião se viu cercado por 4 pares de olhos exasperados, pois Chester III também era fã de futebol, ainda que fosse torcedor do Ashton Villa e não Arsenal. E ouviu uma defesa veemente do esporte até que concordou que era bom, segundo melhor esporte do mundo sem dúvida.

Mais tarde ele conseguiu um momento para conversar com Martin e eles combinaram que Sirius começaria a psicoterapia com ele em seu consultório em Londres. E, quando Sirius se sentisse mais à vontade com a ideia de fazer terapia, poderia buscar uma psicóloga nascida trouxa, que o ajudaria mais efetivamente. Aliviado de não ter que ir conversar com um estranho sobre seus problemas e pesadelos, Sirius caminhou até seu afilhado que estava em uma conversa séria e intensa com Chester, curioso ele se sentou ao seu lado e ouviu a conversa.

— A revista sobre negócios me ajudou muito Sr. Chester e eu até comprei um livro para entender o mercado financeiro e bolsa de valores, mas ainda me encheu de mais perguntas. Por exemplo, como faço para saber quando encerrar um investimento, eu entendo que fazer investimentos exige pesquisa e atenção ao mercado. Mas como sei se devo vender ações ou encerrar as participações em uma empresa específica? — Harry perguntou e Sirius levantou a sobrancelha espantando, bolsa do que?

— Essa é uma boa pergunta, Harry. E tem duas maneiras de você olhar para isso, sobres ações na bolsa de valores o mais importante é a estabilidade, se você não quer ser um investidor de risco, priorize sempre as ações de empresas que apresente evolução. Não precisa ter lucros imensos, mas ano a ano deve-se existir um aumento nesses lucros, estável, mas ainda crescendo. — Disse Chester animadamente e Sirius viu o olhar de seu afilhado brilhando como se tivesse entendido tudo o que fora dito. — Quando você examinar seus investimentos mais antigos esse é um ponto que deve ter sua atenção e outro é o mercado, como você disse a área de tecnologia está evoluindo e crescendo, assim observe se as empresas das quais tem ações tem uma projeção de mercado atraente. E claro outra maneira de você se decidir seria a administração e política da empresa.

— Com assim? Se tenho apenas uma pequena participação na empresa, posso me envolver na administração? — Harry estava surpreso.

— Não se envolver, mas também não ignorar. Uma empresa e seu dono devem ser pesquisado, imagine se o seu avô investiu em uma empresa a 15 anos e durante esse período ele não se modernizou, não se preocupou em se desenvolver e melhorar. Muitas vezes isso acontece, o empresário constrói um negócio de sucesso e ganha muito dinheiro, depois não quer mudar mesmo se os concorrentes apresentem produtos melhores ou produções com custos mais baixos. Eles perdem mercado porque seu produto é ultrapassado, inferior e mais caro. — Harry arregalou os olhas com essa nova informação.

— Entendi, como os investimentos do meu avô são antigos devo observar se as empresas acompanharam as evoluções do mercado e tecnológicos. — Disse Harry com expressão inteligente.

— Sim, porque os lucros não só podem estar em queda como cedo ou tarde a empresa vai à falência. Outra coisa que você deve estar ciente é a política social, trabalhista e ambiental que a empresa tem. Isso está crescendo e ficando a cada dia mais forte e importante, como deve ser. — Chester falou e Harry arregalou os olhos em entendimento, mas Sirius não entendera nada.

— Como assim? Não sei se entendo. — Disse Sirius sincero.

— Você leu isso na última revista, Harry, poderia explicar para seu padrinho? — Chester o estimulou.

Harry corou levemente, mas respirando fundo, falou:

— A política social são os trabalhos sociais que a empresa defende ou as doações para grupos em necessidade. Muitas vezes a empresas se instalam em um local e se preocupam em reconstruir o bairro e ajudar pessoas com dificuldades. Isso é importante e a questão ambiental vai nessa direção, existem normas e regras, as empresas são multadas se poluem o ambiente indiscriminadamente. E a questão trabalhista é a mais difícil de entender porque na revista eles dizem que a exploração da mão de obra barata versus qualidade de produtos são uma questão mundial. E que se deve incentivar empresas que pagam o justo aos seus empregados e também produzem produtos de qualidade, mas acrescenta que essas duas coisas tornam o produto final mais caro para o consumidor, assim a concorrência é injusta. — Harry falou e Sirius abriu a boca abismado, quando o viu corar mais com seu olhar se sacudiu não querendo constrangê-lo.

— Desculpe, não entendi a última parte. Poderia explicar de novo? — Disse Sirius e ouviu atentamente enquanto seu inteligente afilhado lhe explicava sobre multinacionais, produtos importados da China de qualidade inferior e sua concorrência com produtos de melhor qualidade feita por empregados que ganham um salário justo e não por empregados explorados.

Ele então lhe contou sobre a herança de seu avô e o testamento de sua mãe. Harry explicou que recebera os detalhes dos investimentos e agora tinha que analisar os dados e decidir o que fazer com eles, o advogado parecia pensar ser melhor deixar como estava até ele estar mais velho, mas Harry não pensava assim.

— Se você quiser Harry posso dar uma analisada em tudo e fazer um relatório realista para você ou te indicar um consultor financeiro. Seu avô fazia suas próprias pesquisas e investimentos, mas não é incomum que os investidores consultem um especialista e quando você for adulto poderá fazer isso por si mesmo. — Disse Chester seriamente.

Sirius viu seu afilhado pensar com cuidado, seu olhar inteligente encarou o homem alto e moreno com atenção.

— Ok, preciso saber exatamente o que você está me oferecendo nesta consulta e quanto isso vai me custar. Depois podemos até chegar a um acordo e um contrato. — Disse ele com firmeza.

Sirius voltou a ficar embasbacado e viu seu afilhado de 11 anos negociar habilmente um contrato de consultoria com o cunhado de Serafina, que tinha os olhos brilhantes de animação e um pouco de diversão, mas que ainda levou Harry muito a sério. Logo Falc se uniu a eles e como advogado de Harry participou da discussão e Sirius ficou em silencio um pouco chocado ao perceber que não entendia nada do assunto. E não era porque falavam de negócios trouxas, pois quando começaram a falar sobre o mercado e indústria mágica, ele também ficou perdido, a verdade é que nunca se interessara pelos negócios de sua família e quando foi desertado sua alienação apenas aumentara. Agora percebia que não podia deixar tudo nas mãos de Falc e seu escritório, tinha que aprender a administrar e talvez até ampliar os negócios e trazer mais empregos para o mundo mágico. Sorriu com animação e malícia ao pensar na reação de sua querida mãe quando ele empregasse os odiados nascidos trouxas nas empresas Black, por um salário justo. Com renovado interesse Sirius mergulhou a sua atenção na conversa e até fez perguntas quando não entendeu alguma coisa ou termo. E o Harry parecer feliz com seu interesse foi apenas a cereja no topo do bolo.

O dia seguinte foi de mais treino e Harry acreditou que seu padrinho estava menos pálido e magro. Até mesmo seus olhos pareciam menos tristes e assombrados, assim ele preparou um farto e saudável café da manhã preocupado se Sirius manteria a boa alimentação quando Harry voltasse para Hogwarts. Ele comentou isso com Sra. Serafina que prometeu ficar atenta e pedir o mesmo a Sra. Honora, mas Harry tinha esperança que até sexta-feira seu padrinho estaria em um ritmo saudável de exercícios e alimentação.

O fim de semana fora incrível, Sirius era esperto e engraçado, contara muitas histórias de seu pais e também ouvira sobre ele, Harry, como se realmente se importasse e gostasse dele. Ontem seu padrinho até se interessou por suas ideias de negócios e lhe pedira conselhos sobre os seus próprios negócios de família, imagine, pedir ajuda dele, Harry. Ele nunca se sentira tão importante para alguém e esperava que Sirius ficasse bem enquanto não estava aqui para cuidar dele.

Naquele dia Harry passou mais tempo com Adam, com quem não teve muito tempo para conversar. Eles desenharam, jogaram xadrez e Harry contou sobre Hogwarts e a aula de carpintaria, seu irmãozinho ficou encantado com a ideia de conversar com as árvores e pediu que ele o ensinasse. Preocupado que o menino quisesse entrar sozinho na Floresta, Harry o levou a estufa e o ensinou a cuidar das flores, aguar, tratar e podar, sempre com respeito e sentindo sua magia, toda a natureza tinha sua própria magia, mesmo que não fosse uma planta mágica, ele lhe ensinou.

Mais tarde naquela noite depois que os pequenos foram dormir Harry, Sirius e Terry se reuniram com o Sr. Falc e Sra. Serafina para saber os detalhes da investigação e da sua reunião com Dumbledore. Falc lhe enviara cartas mantendo-os informados, mas sem detalhes ou fatos mais importantes.

— Confesso que fiquei curioso sobre sua reunião com o diretor, depois que o senhor escreveu na sua carta que era melhor discutirmos os detalhes pessoalmente, mas estou ainda mais curioso sobre a investigação e a reação do Sr. Secretário quando apresentou todas as provas coletadas. — Disse Harry e ouviu com animação os detalhes do momento em que o Sr. Falc entrou no escritório do Sr. Balmat, passando para a investida ao Ministério e prisão do envolvidos.

Quando ele descreveu os interrogatórios das testemunhas e acusados e como cada um forneceu informações e mais fatos que mostravam que Sirius não era o culpado. E como AC Denver usou esses dados para interrogar fortemente os acusados que aos poucos cederam e confessaram seus crimes. Harry ouviu de olhos arregalados e animados sobre os interrogatórios e a técnica usada de ataque e recua, pensando que seria muito legal conhecer AC Denver e ver como ela trabalhava. Na verdade, ser um auror parecia um trabalho incrível!

Os depoimentos de Dumbledore, Hagrid e Lupin foram os mais chocantes.

— Quer dizer que Lupin sabia que Sirius não teve um julgamento? E ele contou aos Tonks que ele teve? Porque ele mentiu? — Harry perguntou muito zangado.

— Ele disse que tinha entendido que as provas incontestáveis, como explicado pelo diretor, eram julgamento suficiente. Assim como Dumbledore, Lupin não sabia que não haviam provas nenhuma, apenas alguns fatos circunstanciais. — Explicou Falc e ao ver o olhar de Harry levantou a mão em um gesto de paz. — Sim, eu sei e acredite os Tonks estão ainda mais zangados que você, com Lupin e Dumbledore.

— Você precisa entender que Remus é muito leal a Dumbledore, Harry. — Disse Sirius calmo.

— Você vai perdoá-lo? Depois que ele te abandonou lá por todos esses anos e nunca se preocupou com você? — Harry perguntou incrédulo.

Sirius respirou fundo tentando encontrar as palavras e sentimentos para ser claro e sincero.

— Primeiro, Remus era um grande amigo e ainda me sinto ressentido com ele, mas não posso alimentar isso para sempre, você mesmo disse que a culpa é de Peter e Voldemort, são eles que não merecem perdão. — Sirius viu Harry olhar para as mãos e acenar envergonhado. — Segundo, a razão pela qual Remus é tão leal a Dumbledore é a mesma que nos fez não contar a ele sobre a mudança do guardião. Acredito que devo lhes contar algo importante que os fará compreender melhor porque não posso odiá-lo... — E Sirius contou a triste história de um garotinho que foi mordido por um lobisomem cruel e vingativo, como ele foi para Hogwarts graças a um bondoso diretor a quem ele sempre seria leal. E como ele temera que fosse Remus o espião. — Vocês entendem? Nunca nos importamos que ele era um lobisomem, nos tornamos animagus para ajudá-lo, mas quando Dumbledore insistiu que um dos amigos próximos de James e Lily era o espião, nós desconfiamos dele. Quase nunca o víamos, Remus estava sempre em uma missão em algum acampamento dos lobisomens, tentado descobrir informações e convencê-los a não se juntarem a Voldemort. Como posso não o perdoar por acreditar que eu era o espião se pensei o mesmo dele? E se não tivesse pensado talvez ele poderia ter sido o guardião e tudo seria diferente. — Concluiu ele tristemente.

Todos ficaram em silencio pensando como pequenos detalhes poderiam mudar tudo, para o bem e para o mal.

— Agora faz mais sentido porque ele aceitou tão cegamente o que Dumbledore lhe disse, como ele poderia questionar ou lutar contra, mesmo para nós isso é algo difícil de conceber. — Disse Falc pensativo.

— Ainda não muda o fato que ele não foi totalmente claro com os Tonks e não os vejo lhe perdoando tão cedo, ainda que acho que você está certo em não querer alimentar ressentimentos Sirius. — Disse Serafina objetivamente.

— Bem, eu vou conhecê-lo primeiro, mas independente do passado, a verdade é que, se Lupin é tão leal ao diretor não posso confiar nele. — Disse Harry cruzando os braços. Seu coração se apertara pelo amigo de seu pai, mas não podia esquecer de seu abandono a Sirius e ele, se Lupin estava do lado do Dumbledore, estava contra ele.

— Bem, não posso discutir contra isso. — Disse Sirius com um suspiro.

— Ainda me surpreende que Dumbledore mesmo sabendo que o Sirius estava com o Harry e entregou a moto para o Hagrid viajar em segurança, ainda não pensou por um segundo que não poderia ser você o espião. — Disse Terry inconformado.

— Ele alegou que acreditava terem sido colhidas provas, disse que insistiu em um julgamento, mas Bagnold se recusou e como acreditava na minha culpa não insistiu, até porque ele não podia forçá-la a fazer o que não queria. — Disse Sirius com cinismo.

— Essas alegações deixaram Balmat e Denver furiosos, eles perceberam que havia mais, mas não tinham provas e quando expliquei toda a sua situação Harry, constataram que não podiam prosseguir buscando uma confissão de crime doloso, porque isso o envolveria e na verdade as chances de Dumbledore confessar eram zero. — Disse Falc. — E no fim não há como provar que ouve dolo, ele parecia realmente acreditar que Sirius era culpado.

— Bem, talvez Dumbledore nunca admita isso nem para si mesmo, mas no fundo, lá no fundo ele sabe porque não insistiu em um julgamento. Como AC Denver disse, um homem que sempre buscou fazer o bem e lutar pela justiça não se torna cumplice de um crime assim sem mais. — Disse Harry com convicção. — Dumbledore não fez nada porque ter o Sirius na prisão era o mais conveniente para me ter onde queria e realizar seus planos, sejam quais foram. Talvez não tenha sido uma decisão consciente ou dolosa, mas ele decidiu não agir e assim me manter sob seu controle.

Harry tinha convicção disso e mesmo se Dumbledore tivesse boas intenções e justificativas para suas ações, ele nunca poderia perdoar o que elas causaram ao seu padrinho.

— Harry, acredito que esse é o momento de contar minha reunião com o diretor em janeiro, na verdade todos devemos assistir. Eu trouxe a penseira e tenho a memória da reunião, assim estaremos todos cientes dos fatos. — Disse Falc e levantando-se pegou a penseira e a colocou sobre a mesa redonda.

— Eu já assisti, assim vou preparar um chocolate quente e sanduíches para quando vocês saírem. — Disse Serafina deixando a biblioteca.

Harry sentia-se ansioso, não apenas por todo o mistério que cercava essa reunião, Sr. Falc apenas dissera que tudo correra como eles planejaram, Dumbledore não desconfiara de nada e parecera tranquilo de que seus planos para Harry não se alteraram com a contratação dele como seu advogado. Outra coisa que lhe causava um frio na barriga era entrar na penseira e quando viu seu padrinho e amigo desaparecerem nela tranquilamente, Harry olhou para o Sr. Falc que sorriu incentivando-o.

— Apenas toque o rosto ou a mão na poção e você será puxado para a cena, Harry.

Ele acenou e inclinando-se tocou seu nariz no liquido e sentiu-se caindo e caindo até que pousou em seus pés ao lado de Sirius. Um momento depois Sr. Falc estava ao seu lado, Harry olhou em volta e se viu em um escritório grande, arejado e com um bonita e sóbria decoração. Sentados em duas poltronas com uma mesinha no meio estavam Dumbledore e um segundo Sr. Falc com uma roupa diferente. Eles estavam paralisados como estatuas ou o como se alguém congelasse a cena, Harry curioso se aproximou e tentou tocar no diretor, mas sua mão passou direto como se ele fosse um fantasma ainda que um bem substancial.

— Que bizarro! — Disse Harry com um sorriso divertido e os outros apenas sorriram do seu espanto.

— A memória está congelado e enquanto assistimos ela voltará a ficar congelada a cada vez que alguém falar, eu programei assim, desta forma podemos analisar com calma as reações do diretor e suas palavras. — Disse Falc seriamente. — Nesse momento da reunião nós já nos cumprimentamos e falamos de amenidades, trabalho, família. E eu tomo a iniciativa de entrar na questão principal, vejam... — E, usando a varinha em um movimento silencioso, a cena se descongelou e o Falc de terno começou a falar.

Professor, sei que deve ter recebido uma carta de Carson Corner e minha carta marcando esse encontro o deixou curioso, se não, já ciente do que aconteceu. Quando soube que o senhor era o Tutor de Harry fiquei muito surpreso, mas nada comparado a surpresa e alívio que ele sentiu. — Disse Falc falando tranquilamente. — Harry estava tão confuso e preocupado, saber que teria o senhor para cuidar de sua herança até sua maioridade o tranquilizou muito. Agora que sou seu advogado tenho que verificar com o senhor exatamente quais são suas orientações para a administração dos negócios da Família Potter.

Harry se posicionou para assistir e analisar com atenção as reações do diretor e o viu sorrir serenamente às palavras do Sr. Falc, ao mesmo tempo em que seus olhos sérios o avaliavam com atenção.

Falcon, por favor, me chame de Albus, não sou mais seu diretor e agora que vamos trabalhar juntos me parece que toda essa formalidade deve ser desfeita ou tudo será mais cansativo. — Disse Dumbledore, sorrindo serenamente.

— Ele está protelando, ganhando tempo enquanto analisa o que você falou, Dumbledore sempre foi assim. Fala, mas não diz muito e observa e ouve mais do que fala. — Considerou Sirius e todos acenaram compreendendo que, de todos ali, era ele quem mais conhecia ao diretor.

Posso tentar, profess... veja é um hábito e o senhor nem foi, realmente, meu professor. — Falc riu e seu convidado o acompanhou. — Vou tentar Albus e sinto uma grande honra em trabalhar com o se.… quer dizer, com você.

Obrigada e na verdade também não me desagrada trabalhar com a Família Boot, até porque sei que vocês eram muito próximos aos Potters. — Disse Dumbledore bebendo o chá. — E sei que terão o melhor interesse de Harry devido a essa proximidade.

— Isso foi um aviso? — Perguntou Terry surpreso.

— Mais como uma ameaça, foi bem elegante, "sei que vocês farão o que eu julgo seja o melhor para o Harry, ou então..." — Disse Harry e seu amigo acenou, pois entendera assim também.

Bem, eu, particularmente, respeitava muito o Sr. Fleamont e era colega de James, nossa diferença de idade nos impediu de sermos amigos próximos, mas ele era um duelista tão bom quanto o pai. Quando tivemos a oportunidade de duelar amigavelmente depois que ele terminou seu 5º ano, sou obrigado a confessar que ele limpou o chão comigo. — Disse Falc com falsa tristeza e os dois riram suavemente. — Mas papai fala com muito carinho do Sr. Fleamont, ele teve a oportunidade de cumprimentar e observar o Harry brevemente e o achou muito parecido com o avô e não com James, pois Harry é mais sério e tímido.

Eu também observei o Sr. Potter e tive a mesma impressão, ele me parece muito sensível, algo que acredito herdou da mãe. Lily era muito intuitiva as emoções, acredito que Harry tem a chance de se tornar um grande bruxo quando crescer. Diga-me Falcon, como foi que você se tornou seu novo advogado? — Perguntou Dumbledore com voz serena e expressão que não revela nada.

— Uma pergunta direta inesperada para tentar te pegar de guarda baixa. — Disse Sirius e foi Falc quem acenou agora.

Ah, imagino que Corner deve ter lhe feito algumas acusações ou insinuações sobre mim, o desafiei a protestar formalmente. Disse a ele que não fiz nada antiético e muito menos ilegal. — Falc disse exasperado, tinha que mentir, sem mentir e sua oclumência garantia o resto. — Não vou negar que aproveitei uma oportunidade Albus, mas não sou um ambicioso sem coração, Harry chegou em casa para passar as férias de inverno, Terry insistiu muito, aquele menino herdou o coração da mãe e não podia tolerar que seu melhor amigo passasse o Natal sozinho em Hogwarts. Não vi muito Harry nos primeiros dias, muito tímido e preferia ficar com Terry e meus outros filhos e evitava os adultos. — Falc suspirou brevemente e tomou um gole de chá. — Em um dos jantares meu filho, Terry herdou o cérebro da mãe também, mas tem um dom para o Direito como os Boots, começou a falar, fazer perguntas e afirmou que Harry não recebera nenhum contato de seu administrador e advogado. Eu fiquei muito surpreso e Harry disse que não deveria ter ninguém cuidando das suas coisas, ele estava muito preocupado, nem sabia o que acontecera com o que seus pais lhe deixaram ou se havia um testamento. Albus, achei que devia ter havido um engano, mas não pude deixar de me preocupar que o administrador não entrou em contato porque não estava fazendo tudo legal como se devia fazer. Mas eu só poderia verificar e responder essas perguntas se ele assinasse um contrato legal e mágico comigo. Aqui, eu tenho uma cópia do contrato para você. — Falc se levantou e pegou uma pasta vermelha e entregou ao diretor.

— Um pouco defensivo, eu sei, mas foi proposital, precisava dar a entender que estava preocupado que ele acreditasse que eu me aproveitei do Harry. — Disse Falc quando Sirius o encarou.

— Ele gostou da sua resposta, Sr. Falc, dá para perceber. Aposto que pensa que o senhor fará o que ele quer para manter a conta. — Disse Harry aprovador.

"Você verá que foi tudo feito corretamente e a magia aceitou a mudança, com o contrato pude me inteirar de tudo e responder as perguntas de Harry. Ele ficou preocupado que estivessem roubando o legado deixado por seu pais, mas quando contei a ele como você se tornou seu tutor e cuidou de tudo e, que mesmo se quisesse, Corner não poderia roubar nada ele se sentiu muito aliviado e grato. "

Parece-me que tudo está correto, mas gostaria de examinar com mais atenção. — Disse Dumbledore olhando o contrato, seu cenho se franziu levemente ao ver a assinatura de Flitwick no fim.

— Espere, ele não gostou do que leu. — Disse Harry e dando a volta percebeu seu olhar na assinatura do professor de Feitiços. — Ele não gostou que o professor é a testemunha do contrato, não consideramos isso, Dumbledore pode tentar tirar informações de Flitwick. — Disse Harry preocupado.

— Não se preocupe Harry, Flitwick é muito esperto e percebeu que algo estava errado, apesar de não termos lhe dado nenhuma informação importante. E não acredito que Dumbledore o questionaria, pois isso só tornaria ele mesmo mais suspeito. — Disse Falc e Harry acenou mais aliviado.

Você deve entender minha preocupação, tudo aconteceu tão repentinamente que se fosse qualquer outra família estaria desconfiado, mas como sei que vocês não são puristas ou desonestos e da antiga amizade com os Potters me sinto mais tranquilizado de que ainda que inesperada, essa mudança não foi feita com propósitos negativos ao Sr. Potter. Espero que compreenda Falcon que o bem-estar do Sr. Potter é muito importante para mim.

— Isso é a maior mentira que já ouvi. — Disse Harry com amargura.

Eu não tenho a menor dúvida, sei o quanto se importa com seus alunos e imagino que para ir tão longe a ponto de se tornar seu tutor, você entendeu a importância do Harry para nosso mundo. Harry é muito tímido e não se importa com sua fama ou mesmo com dinheiro, fez poucas perguntas e só parecia querer saber que estava tudo certo. Ele estava muito preocupado com ter que tomar decisões sobre tudo, mas eu disse que era você quem cuidava e decidia sobre o espólio até que completasse 17 anos e Harry me pareceu bem mais tranquilo. Ele confessou que se sente perdido com o tudo que tem que aprender e que mais isso lhe parecia muito pesado. Fiquei com um pouco pena dele, na verdade, Albus, e fico feliz que ele tenha nós dois para cuidar de tudo. Quanto a honestidade de minha família, acredite, meu pai e avô me ensinaram muito bem e nunca me ocorreria tirar aproveitar de uma criança, muito menos uma a quem todos devemos tanto. — Disse Falc com firmeza.

Ele percebeu Dumbledore relaxar muito sutilmente, mas não baixou a guarda e esperou seu próximo movimento.

— Vocês viram isso? — Disse Harry sorrindo animado. — Sr. Falc, ele acreditou na sua sinceridade e ficou muito feliz com o que o senhor disse.

— Essa era a intenção, que ele acreditasse que você é inofensivo, que não se importa e não quer se preocupar com sua herança. É significativo perceber o quanto isso é importante para ele. — Disse Falc preocupado.

— Você acredita que ele quer controlar a herança Potter? — Perguntou Sirius confuso.

— Não Sirius, ele quer me controlar. — Harry respondeu e voltou a olhar para o diretor.

Muito bem, fico feliz que pense assim. De qualquer forma foi minha decisão que Corner não entrasse em contato com Harry, acreditei que neste primeiro ou segundo ano eu o deixaria ser uma criança, se adaptar, se concentrar nos estudos e, bem, aproveitar a infância um pouco mais. Ele já tem pesos o suficiente para carregar sem colocarmos mais em seus pequenos ombros. — Disse o diretor muito contrito. — Mas deveria saber que seria impossível que não fosse informado sobre sua herança e história familiar. Percebi que seu filho está sempre lendo algum livro de história. — Especulou ele e Falc riu apesar do alarme de saber que o diretor esteve observando seu filho.

— Ele está me observando? — Terry perguntou de olhos arregalados.

— Isso não deveria nos surpreender, mas me preocupou também. — Disse Falc colocando a mão no ombro de Terry.

— Ele esteve me observando, então observaria meus amigos. Fizemos bem em não contar nada disso, ou quase nada, para o Neville e Hermione. — Disse Harry pensativo. — E ele admite que impediu o meu conhecimento da minha herança como se isso fosse um peso que atrapalharia minha infância.

— Isso não faz sentido. Todas as crianças das famílias antigas vão para Hogwarts com conhecimento sobre suas heranças e histórias familiares. — Disse Sirius contrariado. — Na verdade você chegar a escola ignorante do mundo mágico e de sua família pesaria contra você, desonraria seu nome e história. James sabia sobre tudo, até sobre a história de sua família irlandesa por parte de sua mãe e isso nunca o impediu de se divertir.

— Vamos continuar vendo e vocês vão entender. — Disse Falc.

Albus, meu sogro e minha esposa são professores de História, ele para universitários e ela para adolescentes. Terry cresceu respirando história e tem um dom para ensinar, na verdade, Harry tem se beneficiado muito desse seu talento. — Disse Falc orgulhoso.

Sim, sim, observei suas notas e elas me surpreenderam, as suas notas trouxas eram medianas. Confesso que tinha certeza que Harry seria um Gryffindor e mais parecido com o pai em relação aos estudos. — Dumbledore sorriu sereno e seus olhos azuis tinham um brilho quase ofuscante. — Foi uma surpresa positiva e acredito que essa amizade será benéfica para os dois.

— Como ele sabe minhas notas? — Harry estava com o rosto corado de raiva.

— E que história é essa de James ser mediano? Ele era o melhor aluno do nosso ano, imbatível nas magias práticas. Apenas ele tinha muita energia para ficar estudando e lendo por horas e na verdade nunca precisou. — Disse Sirius indignado.

— Sim e na minha época a Gryffindor poderia não ser tão estudiosa como os Ravens, mas nos importávamos em ter boas notas e aprender. Poderia não ser a prioridade de alguns, mas mesmo esses estudavam muito para os exames. — Apontou Falc.

— A questão é o ambiente sobre a personalidade do Harry, papai. O Harry quando entrou no trem era tímido, tinha receio em fazer perguntas e queria se encaixar. — Terry olhou para o amigo que concordou com um aceno. Ele então contou os problemas que Neville e Hermione viveram meses atrás. — Vocês percebem? Harry teria sido médio, porque não se esforçaria e não receberia estímulo para estudar mais.

— Eu me esforçaria para me enturmar e fazer amigos, para não me destacar, eu queria ser um garoto comum. E sem fazer perguntas nunca saberia nada sobre meus pais, o mundo mágico ou Sirius. Dumbledore está certo, se eu fosse um Gryffindor seus planos ainda estariam seguindo seu curso, mas eu ser um Ravenclaw mudou tudo. — Disse Harry e observando sua expressão acrescentou. — E ele sabe disso, não das mudanças, mas da possibilidade que elas aconteçam, diz que foi uma surpresa positiva e que eu ser amigo de Terry é bom para nós dois, mas está mentindo ou ao menos preocupado, pois isso só será bom se eu ainda for o filhote manso que ele quer que eu seja.

— O que você não é e ele vai ter uma grande surpresa negativa quando perceber isso. E ele conseguiu suas notas do mesmo jeito que as impressões de sua vida nos Dursleys, com o espião. Que, aliás, eu já descobri quem é, mas falemos disso depois. — Disse Falc diante do olhar curioso do Harry.

Eu não passei tanto tempo com Harry, mas minha esposa Serafina observou seus deveres, ele tem algumas dificuldades, mas parece muito determinado em fazer bem feito. Disse a ela que quer deixar seu pais orgulhosos. — Comentou Falc ao se levantar e preparar um novo chá.

Essa era uma das minhas preocupações, primeiro jogar um peso enorme sobre seus ombros e depois que o fizesse acreditar que ele tinha que corresponder às expectativas de ser um Potter, filho e neto de grandes bruxos e bruxas. E somado a isso há a perda dos pais e toda essa história de menino-que-viveu. — Dumbledore suspirou aceitando sua xícara com chá quente. — Pedi aos meus professores que não falassem muito sobre James e Lily e sobre a guerra, quero que ele se concentre nos estudos e no presente e não tente viver no passado ou pelos mortos.

— O que? Ele tentou te impedir de saber de James e Lily? E que história é essa de ser um peso deixá-los orgulhosos ou ser um Potter? Harry sendo ele mesmo já é um grande orgulho para os pais e ele honrar seu nome é importante, ser o melhor bruxo possível e um jovem de bom coração é importante e é isso que se espera de um Potter. — Sirius estava furioso.

Harry sorriu com suas palavras e corou levemente, sentindo seu peito quente.

— E não é um peso, pelo contrário, é uma motivação. Todos os dias acordo com orgulho de meu nome, minha magia, minha história e sinto o desejo de ser melhor para honrá-los. Foi horrível crescer sem saber nada disso e me sinto muito feliz de vir de pessoas tão incríveis. — Disse Harry suavemente, não conseguindo imaginar viver sem essa identidade familiar, seria muito triste e solitário, o faria mais órfão do que nunca.

Ele faz poucas perguntas como lhe disse Albus, mas me pareceu muito curioso sobre os pais, você acredita que não falar deles é o melhor? Normalmente um órfão sente falta e quer saber mais das pessoas que os trouxe ao mundo, de onde eles vieram. — Falc considerou suavemente.

Talvez, mas não acredito que seja o melhor para o Sr. Potter, acredito como disse que viver e aproveitar a vida e não viver de ilusões do passado é o melhor para ele. — Dumbledore falou com mais firmeza e Falc não era tolo para não perceber que estava recebendo uma ordem. — É por isso que quero que você pouco ou nada fale sobre os negócios da família ou dinheiro para ele, continuarei a cuidar de tudo e quando ele for maior de idade o ensinarei a administrar sua herança. Mas nada disso é importante agora, Harry deve se concentrar em aprender e em se tornar o que precisa ser.

— Mas isso não faz sentido! Ele diz que devo me concentrar em aprender, mas não quer que eu faça perguntas ou aprenda sobre minha família e herança ou sobre o mundo mágico e parece esperar que eu seja um estudante mediano. O que exatamente ele quer que eu aprenda? — Harry estava zangado e confuso.

— E o que você precisa ser? — Disse Terry igualmente confuso.

Os adultos nada falaram, mas Sirius estava furioso.

O problema é que em nosso contrato me comprometi a lhe informar de tudo que fosse importante, algo que seu antigo advogado não fez. Isso o irritou um pouco Albus, ele não gostou de ser ignorado, talvez você precise reconsiderar, talvez seja melhor você o deixar informado, ciente, mas explicar que tudo está seguro até ele poder assumir. — Tentou Falc, ele sabia que estava se arriscando, mas tinha que saber até onde ia as ideias do diretor.

— O senhor se arriscou Sr. Falc. — Disse Harry observando um ar de contrariedade passar pelo rosto do diretor.

— Ele não gostou de ser questionado, eu percebi e recuei, mas precisava tirar o máximo de informação e agora vocês vão entender melhor. — Disse Falc.

Não, isso não é o melhor caminho, iria distraí-lo do que é importante. — Disse o diretor com firmeza e misterioso, Falc teve que se segurar para não perguntar o que era importante. — Bem, você só o informe que tudo está indo bem como os pais dele deixaram, diga que eu estive e estarei cuidando de tudo e se ele insistir em saber mais detalhes, mostre o valor de seu cofre, mas evite mostrar as propriedades ou falar dos negócios que estão paralisados.

Claro, mas não posso não responder a perguntas diretas, estou magicamente vinculado, você compreende, professor. Felizmente, Harry não faz muitas perguntas, mas não entendi porque não falar das casas que ele tem, quer dizer, entendo que não queira que ele saiba ou se preocupe com a fazendas de produções paralisadas, mas por que ele não pode saber das propriedades familiares?

Quanto a produção, infelizmente, não podia dispor de tempo para gerenciar as inúmeras fazendas, Corner precisaria de mais do que apoio simbólico, seria necessário um gerente em tempo semi-integral e me comprometo a ajudar o Sr. Potter a retomar os negócios quando chegar o momento certo. O ajudarei pessoalmente, mas agora ele deve apenas ser um estudante, uma criança. — Dumbledore suspirou e o brilho de seus olhos arrefeceu. — Quanto as casas, é importante, e não posso lhe informar porque, sinto muito Falc, que Harry não saiba que tem outras casas. Disse ao Hagrid para lhe dizer que a casa de seu pais explodiu e quero que continue a acreditar nisso. É importante que ele acredite que a única casa que tem é a casa de seus tios e desde já lhe adianto que durante o verão ele não poderá ficar em sua casa como nas férias de inverno.

— A maneira que ele fala, como se Harry fosse dele ou uma boneca para comandar e decidir, não saiba, não pergunte, não pense. — Terry estava furioso.

— Ele não quer que eu tenha recursos. — Disse Harry e ao ver seus olhares questionando, explicou. — Ele quer me controlar, é importante que eu seja e esteja e faça o que Dumbledore acredita ser o melhor para seus planos. E eu saber quanto dinheiro tenho, saber das minhas outras casas ou ter uma família que se preocupa comigo, são recursos e possibilidades que podem alterar meus pensamentos, ações e em consequência até meu endereço.

— Claro! Foi como vovô disse, para te controlar ele te isola e não apenas de pessoas, mas de dinheiro, conhecimento ou qualquer outra coisa que possa te ajudar a ser mais independente. — Disse Terry de olhos arregalados.

— Mas porque é tão importante que ele o controle e que você viva nos Dursleys? Eu não compreendo! Falc me disse que ele deveria ter informações sobre como você era tratado e mais, Dumbledore sabia que Petúnia não gostava de Lily. Quando o entreguei para Hagrid pensei que ele o levaria para segurança e não para a casa dos seus tios. — Disse Sirius andando de um lado para o outro furioso.

— Espere, Hagrid me levou de Godric's Hollow direto para Surrey? Mas você nem tinha sido preso e Dumbledore não tinha anulado o testamento. Achei que tinha sido enviado lá depois desses fatos. — Harry estava de olhos arregalados.

— Descobrimos que não, Hagrid foi perguntado, não especificamente sobre isso, mas o que ele fez depois que Sirius lhe entregou você e a moto e sua resposta foi: "Levei o bebezinho Harry para a casa dos seus tios, são os piores trouxas, mas Dumbledore estava lá para entregar o pobrezinho a sua família". — Disse Falc e viu o rosto de Harry expressar a confusão e choque.

— Mas, eu não entendo, mesmo que ele acreditasse que Sirius era o guardião secreto, devia saber que meus pais teriam outros possíveis guardiões e que eles teriam um testamento... — Harry parou de falar, pois era incompreensível.

— Também não entendo Harry, Sirius, mas é óbvio que você viver nos seus tios era importante e acredito que mesmo se Sirius não tivesse sido preso, não seria fácil ele conseguir sua guarda legal. — Constatou Falc, claramente preocupado.

Claro, se você tem certeza que isso é importante, não fizemos planos para as férias de verão de qualquer forma, mas Serafina o convidou para as férias de Páscoa, sinto muito Albus, não tem como voltar atrás. — Disse Falc sinceramente contrito.

Tudo bem, mas tente não o fazer se sentir muito em casa ou parte da família. Ele deve ter consciência que sua única família são seus tios. — Dumbledore suspirou e não parecia nada feliz. — Não lhe pediria isso se não fosse tão importante Falcon, acredite.

— Ele quer que tratemos Harry mal? — Terry ficou pálido e chocado.

— Acredito que Dumbledore quer que o tratemos como um hospede, educado e gentil, mas não com muita familiaridade e com certeza não amorosamente como se ele fosse da família. — Explicou Falc sua percepção.

— Ele quer que o Harry pense que não tem outra família, Falc tem razão, mesmo se eu estivesse livre Dumbledore tentaria me impedir de ficar com você. — Disse Sirius assombrado.

— Mas os Dursleys nunca foram minha família, são meus parentes e viver com eles era algo que nunca tivemos escolha, nem eles e muito menos eu. — Harry se aproximou e olhou com atenção o rosto do diretor. — Ele não parece feliz, pelo contrário, parece muito infeliz e se Dumbledore mesmo contra a própria vontade insiste que eu continue a viver com meus tios, quer dizer que é importante e não vai ser fácil mudarmos isso. — Sussurrou ele meio desanimado.

— Harry, não desanime, papai acredita que o pedido de guarda será favorável. E eu acredito que Dumbledore não vai insistir quando perceber e for exposto como seus tios o trataram, ele não terá argumentos. — Disse Terry incentivador. Harry acenou ao amigo, mas era óbvio que não estava muito confiante.

— Harry. — Disse Sirius se agachando até ficarem olho no olho. — Se Dumbledore ganhar na disputa de guarda, vamos recorrer até a Suprema Corte se for necessário e vamos cancelar a anulação do testamento de James e Lily , não importa o tempo que leve ou se tivermos que destruir a reputação deles e acabar com seu poder. Eu prometo que vamos te tirar daquela casa. — Sua promessa foi firme e sincera.

Harry acenou agora com mais esperança e confiança, sem poder se conter o abraçou agradecendo em silencio por sua promessa, por se importar.

— Sirius está certo Harry, vamos mostrar a Dumbledore que você tem família de verdade e que com certeza não é os Dursleys. — Disse Sr. Falc e Harry sorriu e agradeceu emocionado.

Eu acredito Albus e espero que um dia possa confiar em mim para contar os motivos, gostaria de poder ajudá-lo. — Disse Falc sinceramente e usou a oclumência para esconder a raiva e o choque que sentia.

Obrigado por sua compreensão. Acredite, tudo isso que faço é para o bem dele, Sr. Potter pode não ver assim um dia, mas minha intenção é protegê-lo acima de tudo e prepará-lo. — Dumbledore concluiu deixando claro que não aceitaria mais argumentos.

— Para o que ele quer prepará-lo? — Sirius perguntou chocado, nunca ouvira de uma única vez tanto absurdo.

— Não sei Sirius, acredite, Serafina, meu pai e eu estamos a meses tentando entender o que ele quis dizer sobre isso, mas nada nos ocorreu. Na época em que James e Lily foram se esconder, foi por uma ameaça ao Harry, você sabe algo sobre isso? — Perguntou Falc.

— Sim, Voldemort tentou recrutá-los diversas vezes, ele admirava seu talentos e poderes, disse até que aceitaria o fato de Lily ser uma "sangue ruim" se os dois mudassem de lado. Eu o encontrei algumas vezes, uma figura, se achava o suprassumo do universo e oferecia sua vida como um favor que você devesse a ele. Sempre dizia que não queria derramar sangue puro ou desperdiçar um poderoso bruxo ou bruxa. — Disse Sirius e Harry o ouviu com atenção tentando conhecer o assassino de seu pais e ignorando o olhar de seu amigo que tentava lhe sinalizar a importância da palavra repetida. — James e Lily lutaram contra eles três vezes e quase venceram, os dois juntos é claro, Voldemort era muito poderoso e tinha décadas de experiência a mais. Mas muito se especulava que em alguns anos eles poderiam ser poderosos o suficiente para acabar com Voldemort e ele sabia disso, quando ficou claro que eles não mudariam de lado decidiu matá-los. Dumbledore trouxe a informação do seu espião e a ameaça não era só contra eles, mas ao Harry também. James me disse que Voldemort se determinou a matar o Harry por vingança e para quebrá-los assim seria mais fácil recrutá-los ou mata-los depois. — Concluiu ele e Harry aproveitou que os dois adultos estavam pensativos para sinalizar negativamente ao amigo, a última coisa que queria era contar sobre o espelho, a pedra e o possível ladrão.

— Eu não compreendo. — Harry falou depois de receber um olhar exasperado de Terry. — Ele não se importava que mamãe era nascida trouxa? E sobre o preconceito de sangue?

— Ele permitia o privilégio de viver se o bruxo tivesse algum talento ou poder, se tivesse muito dinheiro para financiá-lo ou se fosse muito leal e obediente a ele. Mais do que a causa o mais importante era servi-lo e obedecê-lo, mas isso para mestiços, nascidos trouxas eram mortos. Lily era uma exceção e uma justa, pois além de poder e talento, sendo uma Potter era muito rica. — Explicou Sirius objetivamente. Harry apenas acenou um pouco enojado, preferiria que seus pais estivessem mortos do que fossem servos desse homem cruel.

Ok. E, bem, se você mudar de ideia sobre retomar a produção das fazendas saiba que estou disposto a me envolver no trabalho duro e não me importo de supervisionar um gerente. Pense nisso, poder reerguer os negócios Potters traria muito prestígio para o meu escritório Albus. — Falc sorriu animadamente com a ideia. — O que exatamente você quer que eu faça sobre os negócios Potters e, se você puder me informar de onde 40% por cento da renda anual vem e como posso ajudar, ficaria ainda mais feliz.

— Eu também gostaria de saber disso. — Disse Harry curioso e ainda mais atento a Dumbledore.

Bem, sobre as fazendas ficarão como estão e as propriedades também não exigirá nenhum trabalho, pois durante os verões eu envio alguns elfos domésticos de Hogwarts para cada uma delas. Eles... — Mas Dumbledore conseguiu uma reação diferente de Falc desta vez.

Como? — Sua expressão era de choque.

Harry que ficara igualmente chocado demorou mais a reagir, mas quando o fez sua voz saiu como a de um trovão.

— É o que!? Como ele ousa!? — Harry podia sentir sua magia se agitar e desconsiderando o absurdo deu um soco na "cara" do diretor, bem no nariz, desejando poder quebrar seu nariz torto. — Como você pôde fazer isso!?

— Harry, acalme-se, sua magia acidental poderia destruir a penseira e nos machucar. — Disse Falc com voz calma e a varinha preparada para os tirar de lá.

Mas Harry não conseguia se acalmar, esse homem horrível já fizera muito mal a si e a seu padrinho e agora queria manchar a honra de sua família. Ele não toleraria e...

— Harry, olhe para mim. — Disse Sirius segurando seus ombros e o encarou nos olhos. — Entendo sua raiva, mas agora eu preciso que você respire fundo e se acalme, vamos lá. Muito bem, esse não é o momento de explodir sua magia, precisa controlá-la, ela faz parte de você, ela não controla você. — Disse ele suavemente, Harry acenou envergonhado e se acalmou respirando fundo.

— Sirius, minha família nunca teve elfos domésticos, eles defendem e tentaram melhorar a leis das criaturas mágicas. Foi meu tataravô que conseguiu a criação do departamento que cuida das criaturas, com a intenção de protegê-los e lutou pela libertação dos elfos. Meu avô escreveu em seu livro! E ele e seu pai, meu trisavô Henry lutaram por isso também, existe até um lugar para eles viverem quando não tem famílias, onde ficam seguros e bem tratados graças a ele. — Harry estava arrasado. — Nunca aceitamos e nunca aceitaremos a escravidão dos elfos e meu avô estaria humilhado ao saber que as propriedades Potters são mantidas por trabalho escravo. Isso é uma desonra. — Disse ele tristemente.

— Sim, você está certo e fico feliz que saiba disso e a sua importância. Seu pai se orgulhava muito de dizer que nunca um Potter teve um elfo doméstico, mas você não tem e nunca terá e é isso que importa. A desonra não é sua ou dos Potters e sim de Dumbledore, você entende isso? — Disse Sirius com firmeza e Harry acenou angustiado.

— E vamos lutar para controlar sua herança Harry e mudaremos isso, é uma questão de tempo. — Disse Sr. Falc tentando confortá-lo, mas Harry sabia que essa magoa não passaria facilmente. — Vamos ouvir o resto, estamos aqui a pouco mais de uma hora, Serafina deve estar preocupa. Harry, Dumbledore vai falar outra coisa muito grave que te zangará, quero que se mantenha calmo, logo depois sairemos e você pode explodir se quiser. — Avisou ele e Harry arregalou os olhos, poderia existir algo pior que isso?

Sim, eles ficam sem trabalho com a saída dos alunos e não se importam de limpar, arrumar os jardins e lançar feitiços de preservação nas casas. Em alguns dias está tudo pronto por mais um ano, assim isso é algo que podemos tirar de nossas mentes. — Disse ele calmamente.

Claro, faz sentido, desculpe minha surpresa é que nunca pensei em associar os Potters com elfos domésticos. Você, melhor do que eu, deve saber das batalhas ferozes dos Potters ao longo da história para libertá-los e melhorar suas condições de vidas e trabalho. — Disse Falc tentando disfarçar o choque.

Sim, sim, mas as circunstancias exigem discrição, um funcionário poderia não ser confiável. E eu não tenho tempo de ficar supervisionando e verificando seus trabalhos, nos elfos, eu posso confiar. — Disse ele e moveu a mão como se fosse algo sem importância.

Claro, mas mais uma vez o lembro que esse é meu trabalho ainda que compreenda a necessidade de discrição. Ok, então percebo que no momento tenho muito pouco o que fazer, embora espere que no futuro próximo você me conheça melhor, confie em meu trabalho e me permita trabalhar efetivamente na conta Potter. E isso nos deixa a renda desconhecida, procurei em todos os papeis, mas nos últimos oito anos existe uma renda fantasma que não tem uma origem comprovada. — Disse Falc tentado ser objetivo.

Ah sim, eu trouxe para você as informações, imaginei que gostaria de copias. Eu me senti culpado sobre a paralização dos negócios Potter, sei que o prejuízo será imenso, mesmo que o tamanho da fortuna Potter e as circunstâncias atenuem o fato. De qualquer forma a oito anos ou um pouco mais recebi o contato de uma Editora, a Charmel, eles tiveram a ideia e apresentaram um projeto de usar o nome do menino-que-sobreviveu em livros infantis.

Houve um engasgo de Harry e Sirius arregalou os olhos, abismado.

Entendo, então os livros Harry, O aventureiro é de onde vem os lucros. — Disse Falc e ele disfarçou seu choque mostrando conhecimento e analisando o contrato que lhe fora entregue.

Sim, que bom que os conhece. Eu não concordei com o uso do apelido de mau gosto como título, ainda que nas histórias isso é mencionado algumas vezes. Achei que seria uma maneira de compensar o menino, financeiramente, e de maneira inofensiva. E verifiquei a arte e as histórias contadas, são muito bonitas e de bom gosto, as histórias bem infantis e doces. — Disse Dumbledore sorrindo suavemente. — E claro é um sucesso, os lucros mostram isso, imagino que seus filhos sejam fãs da série?

Falc que estivera lendo o contrato enquanto ouvia o diretor respondeu fingindo distração.

Meus filhos são influenciados pela mãe em seus gostos para leitura e por isso preferem livros trouxas. Eu concordo porque como frequentam a escola trouxa seria estranho se deixassem escapar sobre um livro que só existe em nosso mundo. Quando ficam mais velhos e entendem melhor que não podem falar sobre magia liberamos, mas aí já estão muito velhos para livros infantis. Ainda que me lembro que Terry teve dois ou três e depois preferiu livros mais juvenis. — Informou Falc pensativamente. — Esse é um ótimo contrato Albus, além dos royalties pelo uso do nome você conseguiu 15% dos lucros nas vendas dos livros. Impressionante. Ainda que imagino que prefere que o Harry não saiba sobre isso e sou obrigado a concordar, o menino parecia muito envergonhado e irritado com a fama e, apesar de sua boa intenção, não acredito que ele vai aprovar.

Eu concordo e como todo o resto isso não é de seu interesse no momento. E quanto ao Harry, um dia ele vai entender que tudo o que eu fiz foi para o bem... quer dizer, para o seu bem. — Disse ele com o sorriso sereno de sempre.

A imagem se paralisou outra vez e todos saíram da penseira. Harry se viu de repente na biblioteca dos Boots e a desorientação o fez cambalear e Sirius o segurou impedindo que se espatifasse no chão.

— Ah, que bom, estava começando a me preocupar... — Começou Serafina, mas ao ver sua expressão e do Sirius de choque, parou de falar. — Imagino que estão assim por causa dos livros, aqui, eu encontrei os dois que o Terry comprou quando era mais jovem, não deixamos os pequenos ler ainda e o Terry perdeu o interesse neles a uns dois anos. — Disse ela lhe estendendo o livro.

Harry olhou para o amigo que lhe lançou um olhar de desculpas, mas ele nem tinha condições de ficar zangado, tamanho era seu choque. Pegando um dos livros Harry viu uma imagem de si mesmo, bem parecida, desenhada com olhos verdes, cabelos pretos e cicatriz em forma de raio na testa, não havia óculos. O desenho era mágico e se movia, abrindo a capa do livro pequeno, devia ter umas 15 páginas, viu a história de Harry, o Aventureiro que, além de derrotar bruxos maus e sobreviver, viaja pelo mundo ajudando as pessoas com dificuldades. O grande herói do mundo magico britânico está na China lutando contra um dragão negro maligno que quer machucar os bondosos dragões vermelhos. Usando sua espada e varinha ele monta uma armadilha e captura o dragão negro, os outros dragões querem matá-lo, mas ele não deixa sendo contra essa crueldade e o leva para o topo da montanha do Everest e o prende com magia. No fim o dragão jura vingança e ele ri e diz: "Eu derrotei o bruxo mais maligno que já existiu, Sr. Dragão, e sobrevivi, por isso sou o menino-que-viveu! "

Harry olhou para o livro absurdo, usando o seu nome, esse apelido estupido e a ideia inconcebível de que ele gostaria de ganhar dinheiro, um nuques que fosse, com a tragédia que era a morte de seu pais. E pensou em todos os anos de solidão e tristeza, no sofrimento que passara seu padrinho, enquanto Dumbledore alimentava essa mentira de que ele era um herói e mantinha seus pais esquecidos, suas mortes apenas um detalhe sem importância.

— Sinto muito, Harry, se soubesse das circunstâncias nunca teria comprado os livros, eu... — Terry parou tentando explicar. — Eu não entendia o que significava exatamente, você ser chamado de o menino-que-viveu, quando fiquei mais velho entendi e percebi que não deveria ser seu fã ou algo assim...

— Fã? — Isso chamou sua atenção e Harry o encarou exigindo uma resposta.

— Sim, Harry, fãs. Os livros são muito populares, é uma serie, deve ter uns 20 livros diferentes, eles lançam dois por ano. Todas as crianças do mundo mágico conhecem e devem ter os livros, bem talvez não os filhos de comensais da morte, mas... Bem, porque você achou que as meninas ficam de risinhos e corando sempre que você chega perto ou quando fala com elas? — Perguntou Terry exasperado.

— O que?! Eu não vi nada disse e além do mais a Tracy faz o mesmo com você! — Disse Harry indignado e constrangido.

— Bem, sim, mas comigo é só a Tracy, com você é todos, até alguns meninos gaguejam quando você fala com eles, mas as meninas são as piores. Ou você não percebeu a Chang e suas amigas, Lavander e Parvati, mesmo as meninas da torre, menos a Mandy que é nascida trouxa. Depois que elas te conheceram passou, mas no começo era o mesmo. — Disse ele e Harry acenou chocado.

Claro, ele percebera algumas meninas ruborizando ou dando risinhos, lembrou de Morag e Padma na mesa do banquete de abertura, mas pensara ser timidez, lembrou de Hannah e Susan quando elas vieram para a primeira reunião do Covil. Lembrou de Lavander e Parvati sempre que o Harry ia na mesa Gryffindor conversar com seus amigos, e como ele poderia se esquecer de Chang e suas amigas que ficavam o cercando e adulando como se fossem... Fãs! Elas os viam como um herói para adorar, para idolatrar! Era por isso que Weasley e os amigos vieram naquele dia falar com ele como se Harry fosse falar de alguma aventura! Faltaram apenas pedir um autografo! E tudo por causa desses malditos livros! Sem eles as crianças ouviriam sua história e talvez ficassem impressionadas, mas talvez não vissem o que aconteceu como uma aventura, talvez percebessem que sua sobrevivência acontecera sim, mas diante da morte de seus pais e que ele estava sozinho e não viajando pelo mundo feliz e se aventurando. Harry buscou nos livros e encontrou a escrita e grunhiu de fúria, pois embaixo na parte de traz estava escrito: "Baseado na vida de Harry Potter".

— Me dê o outro. — Harry pediu e sua voz saiu estranha, grossa e perigosa, meio animalesca em sua fúria e quando Sirius lhe entregou viu a mesma escrita e sem hesitar saiu da biblioteca para o jardim.

A porta voltou a se abrir magicamente, mas dessa vez não se quebrou, apenas se abriu suavemente. A noite estava fria e depois de se afastar dos arbustos Harry colocou os livros no chão, ouviu alguém chamar seu nome mais ignorou, Sirius estava certo, sua magia não o controlava, ele a controlava.

— Incendio! — Gritou apontando sua varinha para os livros no chão e teve a amarga satisfação de vê-los queimar.

Ainda que fosse pouco, ele queria queimar todos, cada um deles, fazer uma montanha com todos e queimar nos jardins de Hogwarts embaixo da janela de Albus Dumbledore.