NA: Oi pessoal, vim apenas para agradecer as revisões dos últimos dois capítulos. E gostaria de pedir para que essas brilhantes pessoas que revisaram se cadastrem no site assim posso responder pessoalmente cada mensagem e responder duvidas e perguntas. Sem isso não posso, não quero toda hora escrever NAs para responder revisões.

Também gostaria de avisar para aqueles que preferem o Spirit que estou publicando a história lá, assim vocês tem uma opção diferente de plataforma de leitura.

Espero que gostem do longo capítulo de hoje. rsrs. Por favor, revisem depois de ler, são um grande incentivo. Abçs, Tania

Capítulo 30

Harry sentiu uma mão pousar em seu ombro esquerdo e virando-se viu Sirius o olhando seriamente e oferecendo seu apoio silencioso. Terry também estava de olhos arregalados encarando os livros e Sr. Falc parecia pesaroso. Sra. Serafina lhe deu um sorriso triste e com a varinha desapareceu as cinzas dos livros.

— Sinto muito por queimar seus livros Terry. — Disse ele suspirando. — Sr. Falc, eu entendo que ele é meu tutor, mas é o meu nome, Dumbledore não pode usar o meu nome como bem entender. Deve existir algo que possa ser feito para cancelar esses livros.

— Porque não entramos, nos sentamos para um lanche e continuamos essa conversa. — Disse Serafina e ninguém a contestou.

Harry não queria comer, estava com o estômago embrulhado, assim só pegou a xícara de chocolate quente e bebeu um gole suave, tentando controlar a raiva que ainda sentia.

— Harry, objetivamente, não podemos mudar nada enquanto Dumbledore for seu tutor. Como disse Sirius, com a comprovação de sua inocência podemos entrar com o pedido de cancelamento da anulação do testamento dos seus pais. Mas mesmo assim não há garantias de que o diretor não continue como seu tutor. — Disse Falc e era óbvio que o incomodava sua impotência diante dos fatos.

— Eu não entendo, achei que com o testamento sendo válido Dumbledore deixaria de ser meu tutor. — Disse Harry confuso.

— Uma coisa não está ligada a outra, ele se tornou seu tutor com a intenção de cuidar de sua segurança e herança, não porque o testamento foi invalidado. Se vencermos o processo de guarda ou se Sirius tiver sua guarda como estipulado no testamento, Dumbledore pode alegar que quer continuar seu tutor para poder ter certeza que nós ou Sirius, um homem que esteve preso nos últimos 10 anos, está cuidando bem de você e de seus interesses. — Falc explicou.

— Como ele fez durante os últimos 10 anos? Não podemos provar sua incompetência como tutor e nos livrarmos dele? Além disso, esses livros, está escrito: "Baseado na vida de Harry Potter" e isso é uma mentira. Não podemos usar isso, processá-lo, eu faço qualquer coisa Sr. Falc, eu vou pessoalmente até o juiz e respondo suas perguntas, mas eu não quero o diretor comandando minha herança. — Harry disse angustiado e determinado.

— Sinto muito Harry, mas um processo caberia a quem comprou os livros e foi enganado. Como seu tutor Dumbledore não fez nada ilegal ao usar seu nome ou concordar com a criação dos livros e alguns até diriam que ele fez o certo e lucrou um bom dinheiro para os cofres Potters. E, claro, vamos lutar primeiro com o pedido de guarda, com a questão do testamento e por fim podemos pedir o cancelamento da tutela, mas realisticamente com exceção do testamento dos seus pais, não há garantias de que ganharemos, porque Dumbledore é muito poderoso e influente. — Disse Falc realista.

— Mas toda essa questão da ICW, ele não vai perder prestígio e poder com tudo isso? Ele não pode ser acusado criminalmente? — Sirius perguntou muito preocupado.

— Não, Sr. Balmat disse que a decisão não é dele, mas que não acredita em acusações contra Dumbledore, ele pode ter sua reputação um pouco riscada, ainda que duvido que perda seus cargos ou poder. — Falc informou duvidoso.

— Isso é absurdo. Algo tem que ser feito, Harry está refém de sua tutela. Falc, as leis antigas das famílias, não existem maneiras de proteger a herança dos Potters? — Sirius se levantou andando de um lado para o outro.

— Tanto tem que estão em vigor, Dumbledore não pode vender propriedades, objetos de valor e muito menos acessar o ouro nos cofres. Mas ele é seu representante legal e maior, é por isso que quando ele diz que Harry não pode passar o verão aqui, temos que obedecê-lo. Assim, como é por isso que o diretor pode usar ou assinar em seu nome, os contratos antigos protegem a herança, mas não protege o Harry. — Disse Falc pensativo.

Todos ficaram em silencio também refletindo, a Harry restou tentar usar seu cérebro e não se desesperar. Se sua herança estava protegida, ele se sentia muito mais tranquilo, tinha sua herança trouxa caso Dumbledore quisesse boquear acesso aos cofres Potter. Seu único poder, e o mais importante, era sobre ele, pois o diretor poderia obrigá-lo a ficar nos Dursley e nunca mais visitar os Boot ou mesmo ver Sirius, mas, em último caso, se as coisas chegassem nesse ponto ou a vida na casa dos seus tios ficasse muito difícil Harry poderia fugir. Tinha muito dinheiro no exterior e poderia ir para a Suíça ou a América, Dumbledore nunca mais o encontraria. Ele poderia estudar em casa e quando fosse adulto voltaria e assumiria sua herança e seu lugar no mundo mágico, seria muito triste ficar longe dos Boots, mas seria por alguns poucos anos.

— Acredito que o tempo para um confronto entre eu e Dumbledore está perto, mas não neste momento. Vou tentar me esquecer da existência desses livros e sobre os elfos, por agora, e seguiremos os planos de tentar minha guarda e fazer valer o testamento dos meus pais. Quero também tentar descobrir mais informações, porque é tão importante que eu viva com meus tios e talvez consigamos essa informação se não iniciarmos uma guerra aberta contra ele. — Harry disse cansado e colocando sua caneca na mesa pegou um sanduíche. — Estou exausto, vou dormir. Boa noite.

Sua saída meio abrupta confundiu todo mundo, menos Terry que se levantou e pegando um sanduíche para si mesmo, disse:

— Não se preocupem, ele está bem, apenas precisa de tempo para pensar e planejar, eu conheço essa expressão, Harry está com um monte de ideias e vai esperar o momento certo e mais informações para colocá-las em prática. — Disse ele e depois de beijos de boa noite em seus pais, deixou a biblioteca.

— Não sei porque, mas não fiquei mais tranquilizada com essa informação. — Disse Serafina com o cenho franzido.

— E não deve ficar, se ele tem metade da inteligência de Lily e malicia do James, Dumbledore que se prepare. — Disse Sirius com um sorriso sereno.

O resto da semana de Harry foi de descanso e tranquilidade, apesar de tirar um tempo para fazer seus deveres e algum estudo, a maior parte das férias ele aproveitou o tempo bom para voar com Sirius, passear pelo bosque com Sirius, cozinhar para e com Sirius, cuidar do jardim com Sirius, brincar com seus irmãos com Sirius. Os exercícios, meio que empurrou o Sirius e não fez com ele, mas ainda foi muito divertido. Conhecer seu padrinho e aprender mais sobre seu pais foi um dos momentos mais especiais de sua vida e Harry decidiu aproveitar e deixar os problemas e preocupações para o verão.

Terry o encurralou e quis saber porque Harry não falou sobre o espelho ou o encontro com Dumbledore e ele foi sincero. Não havia nada em seu encontro com o diretor que acrescentasse aos fatos que os adultos já tinham e tudo o que faria era deixá-los preocupados. Como seu amigo também não queria preocupar os pais, desnecessariamente, acabou concordado, ainda que disse: "só concordo, porque você disse que não vai fazer nada imprudente Harry".

Harry não tinha essa intenção, ainda que tinha o pressentimento que Dumbledore tinha intenções diferentes. Ele também treinou, discretamente, tentar usar a capa e apesar de sua ligação com ela aumentar a cada dia, os dois não se entendiam. A magia da capa parecia querer agradá-lo e protegê-lo, mas os dois não entravam em sincronia, pensando em tudo o que aprendera sobre oclumência até o momento se perguntou se ele tinha que ser mais sutil e menos exigente.

No dia em que deveriam pegar o trem para Hogwarts, as despedidas ocorreram no Chalé, foi Harry que apontou que se todos fosse até a estação e o abraçasse e beijasse, Dumbledore poderia descobrir facilmente que Harry era tratado como família pelos Boots. E, claro, Sirius não podia aparecer até o anuncio do dia seguinte.

— Adam, nos vemos no verão, cuide das flores. Ayana, voe, se divirta e ajude o Adam. — Disse Harry enquanto os dois fungavam e o abraçavam.

Depois Harry abraçou fortemente a Sra. Serafina e sussurrou um "obrigado", ela lhe beijou a testa e a bochecha e ele corou.

— Sirius, não pare de se exercitar e se alimentar bem. Você deve se cuidar para recuperar sua saúde, lembre-se do que eu te disse. Quando ficar saudável sua magia vai ser mais e mais forte, no verão poderemos treinar juntos e conversar sobre como me tornar um animago. — Disse Harry sorrindo apesar do bolo na garganta, era a primeira vez que ir para Hogwarts não era o que mais queria.

— Eu prometo, vou me cuidar e você deve fazer o mesmo e... — Sirius não aguentou perdendo a voz de emoção, Harry o abraçou e sentiu seu padrinho o esmagar contra si.

— Eu não vou por muito tempo Sirius, no verão vamos estar juntos e vamos escrever um para o outro, você me conta sobre sua saúde e os exercícios e reencontrar os antigos amigos. E eu te conto sobre minhas aulas e quadribol e o jardim que vou plantar para mamãe e papai. — Disse Harry emocionado.

— Você está certo. — Se agachando Sirius ficou na sua altura olho no olho. — Não estamos mais sozinhos e não vamos nos perder de novo, não agora que nos reencontramos. Eu prometo, vou melhorar e escrever um monte de cartas e você faça o mesmo, estude, se divirta e fique seguro. Eu te amo. — Sussurrou ele e Harry engasgou quando viu o amor em seus olhos cinzentos sincero. Sem palavras ele apenas o abraçou pelo pescoço bem forte tentando transmitir pelo abraço tudo o que sentia.

Emocionados eles se separaram e Harry subiu no carro e acenou uma última vez. Na viagem até a estação em St. Albans e de trem até Londres ele se manteve em silencio, sua expressão cabisbaixa e a discreta despedida ao Sr. Falc foi o ideal para o caso de estarem sendo observados, mas quando o trem partiu Harry mudou seus pensamentos para Hogwarts e seus inimigos. Dumbledore e Voldemort estavam de uma maneira ou outra conectados a escola e tinha a sensação que as próximas semanas seriam importantes. Olhando para Terry que calmamente lia o livro, decidiu contar a ele suas ideias, sabia que podia confiar nele para o apoiar e planejar.

Quando chegaram a Hogwarts, Neville e Hermione os esperavam na estação e os dois falaram sobre as plantas. Harry quis ir direto para as estufas vê-las antes mesmo de entrar para no castelo, sorriu animado e agradeceu aos amigos quando as encontrou bonitas e saudáveis como ele as deixara.

— Acredito que nesse fim de semana podemos ir replantar, depois estaremos muito ocupados estudando para os exames. E a final de quadribol. — Disse Harry e seus amigos acenaram animados.

— E como foram as férias? Seus irmãos estão bem, Terry? — Perguntou Hermione que adorava ouvir o amigo falar das crianças.

Terry contou sobre os dias divertidos que viveram no Chalé Stone Grove enquanto entravam em Hogwarts e Harry complementou aqui e ali, sem mencionar Sirius. Esse era um assunto para o dia seguinte, pensou, com um sorriso malicioso e ele tinha um bom plano para tornar a bomba ainda mais especial, só precisava da ajuda certa para colocá-lo em prática.

Sirius também não se sentiu bem quando viu Harry partir, a solidão e tristeza que se afastara durante a semana voltou com força total e ao voltar para a Abadia o silencio da ala leste e de seu quarto era como uma manta o sufocando. Tentou se apegar ao rostinho animado, seu sorriso e olhos brilhantes, mas as saudades e culpa por James e Lily apenas ficaram mais fortes, por suas semelhanças e pela triste realidade que seus amigos nunca conheceriam seu menino especial. Enquanto Harry estava com ele, fora simples deixar tudo isso de lado, fingir que estava bem ou melhor e, apenas amar seu afilhado, mas agora a dor voltava com força total, como se Sirius tivesse colocado uma barragem provisória nos sentimentos e agora ela se desfizesse e tudo o engolfasse até parecer que nada mais existia a não ser a dor.

Perdido em sua dor Sirius chorou e bebeu até que tudo se anestesiasse e ele finalmente dormiu sem pesadelos. Quando acordou tomou o maior susto da sua vida, pois sentiu a água gelada bater em seu rosto tirando-o do sono bêbado em que se entregara.

— Ahhghunnn! — Gritou ele saltando da poltrona onde bebera até dormir. Olhando em volta com olhos injetados encontrou Sr. Boot parado a sua frente com a varinha apontada para ele. — Sr. Boot... o que... — balbuciou com voz rouca e olhos arregalados.

— Se você acha que vou deixar que se afogue em bebida cara está muito engando, Sirius Black, prefiro antes eu te afogar com água barata. Hoje é um dia importante e você tem motivos mais do que suficiente para não se deixar levar pela culpa e virar um bêbado inútil! Ou se esqueceu daquele menino que adora você? — Disse Sr. Boot com aspereza.

— Eu... não senhor, eu apenas não conseguia dormir e tomei um copo e depois outro... — Sirius parou ao olhar para o chão e encontrar a garrafa de whisky de fogo vazia.

— Sim? Essa é desculpa de hoje? E a de amanhã vai ser o que? Tive um pesadelo? E a da semana que vem? Estava triste? E depois? Não consigo parar? Assim, até não passar de um bêbado inútil e mais um peso e preocupação para aquele menino! — Sr. Boot se aproximou e olhando em seus olhos disse com firmeza. — Se é isso que vai fazer de sua vida pode se afastar de Harry agora mesmo e nunca mais voltar, ele já sofreu o suficiente e não vou permitir que o machuque ainda mais! Estou sendo claro!?

— Sim, senhor! — Disse Sirius humilhado, mas ainda o olhando nos olhos. — Não vou deixar ninguém me afastar do meu Harry, nem eu mesmo, senhor.

— Muito bem. Estarei atento a você Black, hoje está muito tarde para fazer os exercícios, mas tome um banho e tente tirar esse cheiro de whisky de você. Depois desça para o café da manhã e vamos repassar o dia de hoje, os Tonks chegaram as 10 horas e depois do almoço vocês irão para o Ministério. — Disse Sr. Boot com frieza. — Ou será que preciso soletrar para você a importância do que vai acontecer?

— Não senhor, vou estar pronto, senhor. — Disse Sirius e fez exatamente isso quando ficou sozinho, abriu as janelas para arejar o quarto e depois se banhou e escovou o dente até sair o cheiro de bebida.

Uma poção de sobriedade o encontrou ao deixar o banheiro e ele fechou os olhos agradecendo silenciosamente e a tomou de uma vez. Quando desceu cumprimentou a Sra. Honora com carinho e o Sr. Boot com respeito, saber que podia contar com o homem mais velho era um grande alento.

A reunião que se deu no Chalé entre os Tonks e os Boots, pai e filho, era muito importante. No dia de hoje o Ministro convocara a imprensa para o saguão do Ministério e pretendia anunciar sua inocência e liberação, o erro do Mistério e fazer um pedido de desculpa formal. Sendo segunda-feira o Ministério teria uma multidão, além disso a radio bruxa transmitiria o evento ao vivo. Sirius seria acompanhado por seus primos, Sr. Balmat e AC Denver estariam presentes, mas os Boots não poderiam ir, pois se o fizessem a ligação deles com a libertação de Sirius ficaria evidente para Dumbledore. Todos os planos precisavam ficar no lugar até que o diretor ficasse frente a frente ao juiz no dia da audiência pela guarda de Harry.

Depois de repassarem em conjunto tudo o que precisavam dizer e fazer, não poderia haver contradição diante das perguntas da imprensa. Os Tonks foram informados do motivo das mentiras e meias verdades e estavam mais do que dispostos a enganar Dumbledore.

Enquanto eles se preparavam Harry começava seu dia bem cedo, depois de se exercitar sem esperar por Terry, ele tomou banho e foi até a torre Gryffindor. Tendo conseguido a senha com Neville, "Salamandra", ele entrou facilmente. Como ainda eram apenas 7 horas a sala comum dos Gryffis estava praticamente vazia, alguns sonolentos estudantes estavam estudando ou esperando um amigo. Harry não foi questionado ao subir as escadas dos meninos até o terceiro andar e bater na porta firmemente.

— Entre. — Uma voz respondeu e Harry abriu a porta.

O quarto espaçoso tinha 6 camas e parecia que um furacão passara por ele. Harry ignorou a bagunça e procurou o que precisava.

— Ei, você é o garoto Potter. O que está fazendo aqui? — Perguntou um garoto de rosto magricela e cabelos loiros despenteados.

— Estou aqui a procura de Fred e George Weasley. — Respondeu ele firmemente e viu um garoto sair de traz do cortinado com um tênis furado nas mãos e outro idêntico surgir do banheiro vestido parcialmente e segurando uma escova de dente.

— E o que devemos a sua ilustre visita? — Disse o primeiro ruivo.

— Sim, porque dever ser algo importante que traz o famoso lutador de dragões e bruxos das trevas ao nosso humilde e asseado quarto. O que você acha, Fred? — Disse o segundo gêmeo.

Harry ignorou a menção dos malditos livros apesar do desejo de fazer uma careta e falar um palavrão.

— Tenho um empreendimento que preciso pôr em prática, hoje, e pela reputação de vocês julguei que poderiam ser as pessoas certas para me ajudarem. — Disse ele simplesmente.

— Empreendimento? — Disse o Fred, segundo dito pelo que devia ser o George. — O que você acha, George? Estamos interessados em empreendimentos de 1º anos anões?

— Hum, eu não sei, à primeira vista eu diria que não, mas em se tratando de tal prestigiosa pessoa, talvez devêssemos ouvir do que se trata. — Respondeu o George.

— Ok, estamos ouvindo. — E os dois o encararam, Harry levantou a sobrancelha e os olhou levemente decepcionado.

— Vocês discutem assuntos sigilosos diante de tantas testemunhas? Talvez eu esteja enganado ou a reputação de vocês seja muito exagerada. — Disse Harry displicentemente.

— Você ouviu isso, Fred? O baixinho questiona nossa reputação, talvez devêssemos lhe mostrar do que somos capazes. — Disse o George estralando os dedos.

— Sim, Geor...

— Ei! Vamos cortar a besteira! Acha que vim aqui tão cedo para ficar ouvindo piadinhas de gêmeos ou vocês dois se falando como macacos no zoológico? Não vou perder tempo com tolices, quero saber, agora, se estão interessados em ao menos ouvir minha proposta e usarem seus cérebros para me ajudar em algo grande e importante ou podem continuar guinchando. — Disse Harry com rispidez e viu seus olhos se arregalarem, os outros meninos que também observavam, abriram as bocas surpresos e encararam os gêmeos esperando por sua reação.

Harry fez o mesmo e observou os dois trocarem um olhar e acenarem em concordância.

— Se você nos der licença, vamos terminar de nos vestir e o encontramos na sala comunal. — Disse o Fred.

Harry concordou e se desculpou com os outros pela intrusão e desceu. Menos de 5 minutos depois os gêmeos desceram as escadas e Harry explicou que precisavam de um lugar discreto para conversarem e ele conhecia um, o que aumentou o interesse dos meninos do terceiro ano. Eles caminharam discretamente para o 5º andar e Harry os levou ao Covil, fechando a porta depois que entraram.

— Uau, esse lugar é legal, nós não o conhecíamos. — Disse um deles, Harry não sabia qual.

— Meus amigos e eu encontramos em setembro, pedimos ajuda dos elfos para limpar e mobiliar, nós chamamos de Covil. Sabe, um lugar para reuniões rebeldes e secretas. — Disse Harry e os viu trocarem um sorriso brincalhão.

— Muito legal, Potter, agora você poderia nos dizer o que é tão importante e sigiloso?

— Sim e porque precisa de nós?

— Antes de mais nada, o sigilo é importante, porque os adultos não podem saber de nosso envolvimento no que vamos fazer. Se é que vocês realmente têm capacidade de enganar os professores, com disse estou me baseando em suas reputações e até agora não me impressionaram. — Disse Harry e os viu arregalarem os olhos com o desafio.

— Você nos ofende e isso é a segunda vez que faz isso antes do café da manhã. Acredito que o heróizinho está pedindo uma lição, Fred. — Disse o tal George e Harry identificou ele, por seu jeito de falar e tom mais agressivo, como o garoto que saíra do banheiro.

— Sim, assim ele vai saber que nossa reputação nos precede por justa causa. — Disse o Fred, seu tom era mais calmo, suave.

Apesar das ameaças os dois tinham olhares brilhando de diversão e sorrisos animados, como se estivessem curtindo a conversa. Harry sorriu de volta o mesmo sorriso malicioso que James Potter tornou lenda.

— Bem, se para vocês isso é mais importante do que enganar todos os professores e o diretor, ficar para a história de Hogwarts e soltar uma bomba, no sentido figurado, nos estudantes e ainda lucrar um bom dinheiro. — Harry deu de ombros. — Tudo bem, vão em frente, e nem vou retaliar, tamanha será minha decepção. — Disse ele com indiferença e se sentou em uma poltrona azul, esperando.

— Enganar os professores?

— Dumbledore?

— História de Hogwarts?

— Bomba?

— Lucro!? — Encerraram os dois ao mesmo tempo.

Depois se sentaram juntos em um sofá e o olharam com sorrisos maníacos idênticos.

— Esqueçamos o que passou, Potter. — Disse o Fred.

— Sim, vamos deixar o passado no passado e falar sobre esse empreendimento e o tamanho de nossa diversão e lucro. — Disse George sorrindo.

— Bem, primeiro vamos nos apresentar, eu sou Harry Potter, não heróizinho, anão, nanico, 1º ano ou baixinho. Podem me chamar de Harry se quiserem e qual de vocês é vocês? — Perguntou ele de olhar atento.

— Somos quem dissemos que somos, baix... quer dizer Harry, o que faz você pensar o contrário? — Disse o tal George meio defensivo.

— Além da sua reação defensiva? Não sei, talvez o hábito que vocês têm de trocar e confundir todo mundo, FRED. — Respondeu Harry frisando o nome verdadeiro dele e percebeu por sua expressão e a cutucada do irmão que acertara.

— Bem, agora que já sabe, eu sou o George e ele é o Fred. Poderia nos contar sua ideia para a brincadeira, Harry? — Disse George, mais tranquilo, seu irmão fez uma leve careta e Harry resistiu a vontade de rir.

— Não é exatamente uma brincadeira... — Disse Harry explicando em detalhes o que queria fazer e precisava da ajuda deles para pôr em prática, na hora do almoço, meio dia em ponto.

— Isso é brilhante e você tem certeza que vai valer a pena? — Perguntou George e Harry sorriu malicioso.

— Bomba. — Disse ele e os meninos se olharam animados.

— Podemos fazer isso acontecer Harry e vai ser muito divertido, mas o que ganhamos, além de toda a diversão? — Disse Fred astucioso.

— E não se esqueçam de seus nomes na história. — Disse Harry com a sobrancelha arqueada. — E eu sei que vocês podem fazer isso, a questão é se podem manter pelo tempo necessário, os professores e até Dumbledore tentarão parar e isso não pode acontecer. Além disso se vocês forem pegos, têm que esconder minha participação, espero que sejam bons mentirosos e digam que a informação veio de fora. E precisam mentir para Dumbledore, se não puderem esconder a verdade dele, nossa conversa termina aqui. — Harry disse com firmeza.

— Não nos ofenda mais do que já fez, podemos fazer um trabalho de primeira e ninguém vai impedir, não depois que começar e não seremos pegos, acredita que teríamos a reputação que temos se fossemos pegos no ato? — Disse Fred levemente ofendido.

— Não se preocupe Harry, vamos entregar o trabalho, até porque vai ser muito divertido e isso é o que vale, além do lucro que você nos prometeu. — Disse George sorridente.

— Ok, quanto vocês querem? — Perguntou Harry os olhando atentamente.

— Podemos escolher quanto queremos? — George parecia meio chocado.

— Podem e depois negociamos, é assim que se faz negócios. — Respondeu ele, simplesmente.

— Ok, então queremos 100 galeões. — Disse Fred e quando George arregalou os olhos pelo valor pedido, acrescentou. — O que? Ele disse qualquer valor, Georgie.

— Sim, mas isso é muito, um primeiro ano não tem tanto dinheiro...

— Feito. — Disse Harry calmamente.

— Hum?

— O que?

— Eu disse feito. Serão 100 galeões, 50 para cada um, é um preço justo e pagarei ao fim do empreendimento se tiverem sucesso, se não, pagamento cancelado. Além disso terão um bônus extra se não forem pegos ou descobertos. E eu fico lhes devendo um favor, um pequeno, mas ainda é de vocês se precisarem no futuro. — Explicou Harry objetivamente. Ele esperou por um segundo, mas os garotos o encaravam de olhos e bocas escancarados. — Então, que me dizem, aceitam?

— Sim! — Gritaram os dois juntos e se olharam sorrindo animados e com olhos brilhantes.

— Muito bem. — Disse Harry e sorrindo estendeu a mão e apertou a deles. — Acordo feito, agora quero que me digam como vão fazer isso, em detalhes, quero ter certeza que o plano não tem nenhum furo ou se precisarei ajudar.

Por mais meia hora os gêmeos Weasley explicaram suas ideias e Harry refinou aqui ou ali e mais importante pensou em caminhos inteligentes para eles não serem pegos. Mas na verdade Harry teve que reconhecer que suas ideias eram brilhantes e suas reputações eram mais do que justa, ainda que, claro, ele não disse isso a eles. Era melhor não os deixar muito convencidos.

Depois Harry se apressou a tomar o café da manhã e sinalizou para Terry que tudo estava acertado, agora era só eles esperarem pelo meio dia e que os gêmeos não fossem pegos. As aulas da manhã se arrastaram e quando todos estavam no Grande Salão almoçando Harry olhou para os gêmeos e com um sinal, os viu mover a varinha sutilmente e uma voz reverberou por todo salão, era como se alguém tivesse ligado a rádio bruxa no volume máximo e ampliado o som para reverberar pelas paredes do castelo.

— ... Estamos aguardando o pronunciamento do Ministro Fudge, ainda não sabemos o motivo da convocação da imprensa e qual é o anúncio. Tentamos averiguar com nossas fontes, mas tudo o que conseguimos foi a informação de que o Departamento de Execução da Leis da Magia tem sofrido grandes mudanças...

Todos os alunos ficaram em silencio chocado com o inusitado, pelo que eles sabiam não havia um rádio no grande salão. Alguns sussurravam confusos e outros pediam silencio para ouvir o que era dito pelo locutor. Os professores se levantaram olhando em volta igualmente confusos e Dumbledore que estivera almoçando calmamente levantou-se com a varinha em punho. Enquanto Harry e Terry trocaram um sorriso sutil.

— ... Se estivermos certos e isso for algum anúncio sobre as mudanças do Departamento de Leis e o Auror, Madame Bones será um dos presentes no palco. Você que está ao vivo no saguão do Ministério, Liones pode nos dizer da movimentação? E das pessoas presentes ao palco? — Disse o locutor.

— Sim, Donaldo, neste momento o palco que sempre é usado em grandes eventos ou entrega de prêmios ou ordem de Merlin está vazio, mas... espere há alguma movimentação nos elevadores. Sim, é isso mesmo, Ministro Fudge e Madames Bones estão caminhando na direção do palco. Suas expressões é das mais...

Enquanto o jornalista, Liones descrevia os acontecimentos Dumbledore com sua varinha tentava encontrar a fonte do som, mas sua expressão frustrada mostrava que não conseguia encontrar. McGonagall falou com ele baixinho e depois olhou para os alunos.

— Se alguém está por traz disso, sugiro que parem agora mesmo, quando descobrirmos os responsáveis estarão em sérios problemas. — Disse ela severa. — Srs. Weasley, têm algo a dizer? — Disse ela se voltando para os gêmeos que arregalaram os olhos surpresos.

— Nós? Não senhora e porque colocaríamos a rádio bruxa ao vivo para todos ouvirem? Isso não me parece nada divertido. O que você acha, George? — Disse o claramente George, ele mentia muito bem, pensou, Harry.

— Nunca pensamos nisso, ainda que um pouco de música seria legal as vezes, não é Fred? — Disse Fred pensativo e inocente. — E seria legal ouvir o anúncio do Ministro, talvez ele vai renunciar e papai vai ser o novo Ministro da Magia. — Completou ele animadamente e os amigos bufaram ou riram.

— Sim, eu quero ouvir também. — Disse uma garota mais velha da Gryffindor e Penny um pouco mais abaixo de Harry se levantou.

— Também queremos ouvir o Ministro, parece importante. — Disse ela seriamente e toda a sua mesa acenou e logo toda a escola concordava e pedia para ouvir.

Dumbledore parou de agitar sua varinha e olhando em volta sorriu para os alunos.

— Bem, se todos querem o mesmo acredito que podemos ouvir, mas todos devem ir para as aulas no horário certo. — Disse ele serenamente.

Depois disso todos os professores se sentaram e fez-se silencio.

— ... O Ministro está diante do microfone, ele começará a falar, vamos ouvir. — Disse Liones.

— Boa tarde errr... bem, hum... O motivo de chamar vocês todos aqui é muito importante e bem... Madame Bones vai lhes explicar... Madame? — Disse Fudge parecendo ter um sapo na boca.

— Ministro Fudge parece muito nervoso, está pálido e suando, ele se retirou rapidamente sem maiores explicações e chamou Madame Bones, que todos sabem, é a Chefe do Departamento de Leis. Ela parece mais severa do que nunca e lançou um olhar mortal para o Ministro, Donaldo. As coisas não parecem boas por aqui e ainda não conseguimos identificar o outro homem no palco. Apenas que ao lado dele tem uma Auror feminina com o brasão da ICW no uniforme. E se a ICW está envolvida tudo pode ficar ainda pior para o nosso Ministro. Madame Bones vai falar.

Harry observou Susan Bones na mesa Hufflepuff e viu alguns a encarando ou questionando em um sussurro, mas ela ignorou altivamente.

— Boa tarde a todos, como dito pelo nosso Ministro o motivo da convocação da imprensa é para comunicar a população do Reino Unido Mágico alguns fatos importantes ocorridos a 10 anos e descobertos a poucos meses em nossas gestões. Temos aqui conosco o Sr. Secretário do Escritório de Assuntos Internos da ICW, Sr. Niklaus Balmat e a Agente Chefe Auror da ICW, Emily Denver. — Disse Madame Bones, sua voz saiu firme e fria, Harry percebeu que muitos franziram os rostos surpresos, outros confusos e curiosos. Dumbledore estava muito sério e o viu olhar algumas vezes na direção da porta, como se pensasse se devia deixar o Grande Salão e ir para o Ministério. — ... Algumas vezes nós cometemos erros e temos que os corrigir, temos que nos arrepender e melhorar. Algumas vezes uma empresa ou um governo comete erros e o mesmo é exigido, revisão dos conceitos, correção e evoluir. Infelizmente, ao longo da história os erros se mostraram muito maiores e mais graves, nestes momentos se mostra necessário uma admissão de culpa, um pedido de desculpa para com seu povo. É por isso que estamos aqui hoje para comunicar a vocês não um erro simples ou grave, mas um crime dos mais hediondos e desumanos. Há 10 anos no governo de Millicent Bagnold um homem foi enviado a Azkaban sem que os devidos procedimentos legais fossem seguidos como é determinado por nossas leis. Esse ato criminoso não apenas fere as leis do Ministério da Magia, como os se Sua Majestade e da ICW.

Houve um burburinho depois de sua declaração, lá no saguão do Ministério e em Hogwarts. Muitos se olharam chocados e Harry viu Hermione lhe lançado um olhar arregalado e ele percebeu que sua amiga já entendera do que se tratava. Na mesa alguns professores expressavam choque e o Prof. Flitwick se levantou e pediu silencio para poderem ouvir.

— Por favor, façam silencio assim posso lhes apresentar os fatos, abriremos para perguntas posteriormente. — Pediu Madame Bones rigidamente. Quando ela foi obedecida, continuou. — Nos últimos meses o Ministério da Magia esteve sob investigação da ICW, investigação essa conduzida exemplarmente pelo Sr. Secretário e sua Agente Chefe, que descobriram que ao ser preso em uma cena de assassinato, o bruxo, vítima desse grave crime foi enviado para Azkaban com uma ordem de condenação de prisão perpétua assinada pela ex-Ministra Bagnold. Não houve uma investigação dos aurores do caso, não houve um interrogatório, uma audiência preliminar para apresentação da acusação ao Juiz do Tribunal e muito menos houve um julgamento.

Mais uma vez algumas vozes foram ouvidas pelo rádio diante da chocante revelação. Harry olhou em volta e viu muitos alunos pálidos e chocados, ninguém falou, pareciam emudecidos.

— Eu compreendo a indignação e choque de todos aqui presentes e daqueles que nos ouvem em suas casas. Este foi meu sentimento quando descobri a cadeia de eventos que permitiu que um homem passasse 10 anos na prisão sem julgamento. Desde o início das investigações comandadas pelo Sr. Balmat, nós, o Ministro Fudge e eu colaboramos com tudo o que havia em nosso poder, inclusive com o sigilo exigido. Também iniciamos uma revolução no Departamento de Execução de Leis da Magia e em todos os seus subdepartamentos, o Departamento Auror sendo o mais significativo. Deixarei agora que o Sr. Balmat explique os detalhes da investigação, depois responderei a suas perguntas. Sr. Balmat, por favor. — Disse Madame Bones e a voz de um homem ecoou pelo Grande Salão.

— Boa tarde, sou Niklaus Balmat, Secretário da ICW. Efetivamente represento os assuntos da ICW em solo britânico e entre minhas atribuições é a garantia e defesa dos Diretos Humanos. Depois das guerras trouxas e mágicas da década de 40 o mundo se uniu no desejo proteger a humanidade, bruxos e trouxas igualmente, das atrocidades que um governante, um falso líder ou um bruxo cruel pode cometer contra elas. Dessa união surgiu a Carta de Declaração do Direitos Humanos que é uma defesa veemente a humanidade que eu, particularmente, defendo com todo o meu empenho. — Suas palavras fortes e sinceras tocaram a muitos, mesmo Harry sentiu aumentar em si o desejo de defender os direitos de todos. — E a alguns meses recebi uma acusação gravíssima ao Ministério da Magia Britânico, um ato contra os Direitos Humanos, que quebra os Tratados assinados a mais de 40 anos, que deveriam ser respeitados e honrados por seus governantes e líderes. Mas ao contrário, no dia 04 de novembro de 1981 a ex-Ministra Bagnold sentiu ser seu direito condenar um homem a prisão perpétua sem lhe dar o direito de se defender, de apresentar provas ou ter o apoio de um advogado de defesa. E junto as provas desse crime seu advogado, contrato pela família do prisioneiro de guerra, apresentou provas de sua inocência. Não apenas esse Ministério condenou a Azkaban alguém sem julgamento, mas condenou um bruxo inocente sem...

Mas suas palavras se perderam diante do choque e comoção causados pela verdade terrível que ele apresentava. Harry olhou em volta e viu pessoas até chorando, meninas e alguns meninos. Olhando para Penny, a viu lhe dar um olhar arrasado e ele lhe deu um sorriso triste e uma piscadela.

— Por favor, crianças, sei que a noticia é chocante, mas faça silencio, assim podemos ouvir. — Pediu Flitwick e sua animação de sempre desaparecera. McGonagall muito pálida olhava para Dumbledore que se manteve estoicamente olhando para o teto encantado.

— Por favor, se não fizerem... precisam se acalmar... — Tentava acalmar a multidão o Sr. Balmat.

— Tudo virou um caos por aqui Donaldo, depois dessa informação terrível, os funcionários do Ministério que vieram ouvir o anúncio estão protestando e chorando.

— Isso não me surpreende Liones, essas revelações são terríveis, um homem foi condenado aquele inferno sem um julgamento e ainda por cima sendo inocente. Liones, pergunte quem é o prisioneiro, precisamos saber quem é a pobre alma.

— Vou tentar. Sr. Secretário!? Sr. Secretário!? Quem é o prisioneiro de guerra? Quem foi a vítima do Ministério?

Suas perguntas reverberaram e finalmente fez-se silencio, pois todos queriam saber.

— Muito bem, por favor, vamos explicar tudo em detalhes. O prisioneiro de guerra que esteve em cárcere privado nos últimos 10 anos é Sirius Black. — Informou o Sr. Balmat e o choque foi tão grande que ele conseguiu continuar sem que houvesse interrupções. Mas no Grande Salão McGonagall soltou uma mistura de grito e lamento, muitos a olharam e viram-na ainda mais pálida e com uma mão sobre a boca como se tentasse calar a si mesma. — As acusações contra o Sr. Black foram traição, espionagem e assassinato em massa. Ele foi encontrado e preso depois de uma explosão em uma rua trouxa onde 12 trouxas morreram em consequência de um feitiço escuro... — E aos poucos o Sr. Balmat narrou os acontecimentos daquela noite e como Bagnold, Crouch e Sparks agiram ou não agiram, com crueldade e arrogância, desconsiderando as leis e se pondo acima delas ao não oferecer ao Sr. Black o direito inalienável a defesa. — Como alguns de vocês sabem, o Sr. Black era o melhor amigo de James e Lily Potter e entre as acusações, está a de traição, foi dito por uma testemunha que os Potters fizeram do Sr. Black o guardião secreto. — Harry olhou firmemente para a mesa e tencionou o corpo ao sentir o peso de todos os olhares sobre ele. — A testemunha, Albus Dumbledore, afirmou que James e Lily Potter usaram o Sr. Black como o guardião de sua casa, mas sua alegação, enquanto não dolosa, foi falsa, pois ele nunca recebeu tal confirmação apenas foi lhe dito pelo casal Potter que queriam fazer de Sirius Black o guardião. — Dessa vez o peso dos olhares foi para Dumbledore que tranquilamente olhava a paisagem do teto encantado e mantinha as mãos juntas como em uma oração. — Mas os Potters decidiram por outro amigo, Peter Pettigrew foi feito o guardião secreto e foi ele quem revelou a Voldemort a localização dos seus supostos amigos. E foi Pettigrew quem explodiu a rua e fugiu, sim exatamente, por causa da maldade, desumanidade e incompetência dos acusados um comensal da morte fugiu e está neste momento livre para fazer maldades ao em vez de pagar por seus crimes. Todos esses fatos foram apresentados ao Primeiro Titular da ICW, Sr. Kofi Annan, já que o Supremo Chefe Albus Dumbledore não poderia presidir o julgamento desse caso. Uma comissão foi formada e caberá a ela depois de avaliar os crimes e provas, decidirem as punições de todos os envolvidos. Desde já adianto que Bagnold, Crouch e Sparks responderão criminalmente e o Ministério da magia será punido e multado por este crime terrível. — Falou o Sr. Balmat com dureza. — Continuando, no curso de nossas investigações descobrimos outros crimes cometidos por esse Ministério e um dos mais graves deles ocorreu a pouco mais de nove anos, Bartô Crouch confessou durante o interrogatório que tirou seu filho de Azkaban. Bartô Crouch Jr. foi julgado e condenado a prisão perpétua por crimes muito graves, que incluiu a tortura pela maldição cruciatus até a loucura de Frank e Alice Longbottom, aurores e heróis de guerra. Mas Crouch Sênior acreditou que seu amor por sua esposa lhe dava o direito de tirar da prisão um criminoso condenado, cometendo outros diversos crimes ao fazer isso. Vou lhes explicar o que ele fez... — E assim pela segunda vez todos ouviram boquiabertos a história da libertação de Crouch Jr. pelo seu pai, a morte de sua mãe em seu lugar e o controle mantido pela Maldição Imperius por todos esses anos.

Harry que empalidecera ao ouvir os nomes dos pais do seu amigo o olhou e viu sua expressão assombrado e palidez. Como todo mundo o olhava, Harry desviou o olhar, sabendo que Neville detestaria a atenção. Viu que Terry o encarava pálido e angustiado e apenas acenou, pois nada podiam fazer para mudar os fatos.

— Crouch Jr. será devolvido a Azkaban em breve. Outra terrível informação nos dada no decorrer da investigação foi a acusação de que Crouch Sênior ordenou a execução de bruxos infectados com a Licantropia com a anuência da ex-Ministra. Ele confessou que todos os lobisomens foram executados ao serem identificados como lobisomens, mesmo se não houvessem crimes, acusações criminosas, provas de crimes ou envolvimento com os terroristas Comensais da Morte e seu líder, Voldemort. Eles os matavam apenas por serem lobisomens. Estamos investigando e tentando descobrir quem foram os bruxos e bruxas assassinados de maneira tão cruel e se alguém tiver algum parente desaparecido e quiser entrar em contato conosco, tentaremos auxiliar a todos da melhor maneira possível. Acreditamos já ter conseguido 17 nomes até agora e vamos ter mais em breve. Deixarei agora que o Ministro fale com seus cidadãos e responderei perguntas posteriormente. — Encerrou Sr. Balmat.

— Sim... sim... Bem, como vocês ouviram, todos esses crimes horríveis aconteceram anos atrás, eu e Madame Bones colaboramos com a ICW totalmente, não somos responsáveis pela gestão anterior. Sim, bem, agora que tudo está resolvido podemos seguir em frente, vamos superar tudo isso, mas antes, ah, sim, claro. Hum... O Sr. Black foi liberto de Azkaban assim que a verdade apareceu e esteve se recuperando. Gostaria que ele e sua família subissem ao palco, sim, muito bem. — Houve uma agitação gritos e exclamações.

— Sirius Black está subindo no palco Donaldo, ele está incrivelmente magro e pálido, deve estar muito doente depois de tantos nos na prisão bruxa. — Informou Liones.

— Ah, Sr. Black, por favor, hum... Em meu nome e do Ministério da Magia pedimos desculpas formalmente por tudo o que passou e espero que a indenização oferecida pelo Ministério o ajude a se recuperar e ter uma, bem, vida boa. — Disse Fudge de maneira açucarada.

Houve um começo de barulho ecoando pelo rádio e todos perceberam que eram palmas. As dezenas de pessoas no saguão do Ministério batiam palmas para Sirius Black e Harry teve que se esforçar para não sorrir imaginando sua reação.

— Olá, boa tarde a todos. Há dez anos eu perdi parte de minha família e tinha perdido a esperança de um dia sair daquele inferno. Os Dementadores não deixam você acreditar que pode ser feliz, não o deixam ter esperança. Eu perdi a noção do tempo e quando minha prima Andrômeda Tonks foi me visitar e disse quanto tempo passou, mal pude acreditar. Queria muito agradecer a ela por ter lutado, junto com seu marido, por minha libertação teria morrido naquele lugar se não fosse por eles. — A voz de Sirius saiu frágil, mas firme. — Também quero agradecer ao Sr. Balmat e AC Denver, que fizeram o trabalho que deveria ter sido feito a 10 anos. Sr. Ministro, com seu pedido de desculpas e a indenização justa que me ofereceu considero a dívida do Ministério comigo sanada. E espero que o Sr. e Madame Bones se disponham a não permitir que algo tão terrível volte a acontecer. Obrigada.

— Sim, sim, fico feliz Sr. Black, bem, agora abriremos para perguntas. Sim? Você?

— Liones McDorsey, Sr. Ministro, tenho uma pergunta para o Sr. Black. Por favor, Sr. Black depois de toda essa tragédia que interrompeu sua vida por 10 anos quais são seus planos para o futuro?

— Bem, eu estou feliz de acordar todos os dias, é melhor quando durmo sem pesadelos, e saber que não é um sonho, que estou mesmo livre. Estou feliz com pequenas coisas, como o sol da manhã me aquecendo e comida de verdade e não aquela gosma que servem em Azkaban. Não tenho planos para o futuro, estou vivendo um dia de cada vez e meu maior objetivo é recuperar minha saúde completamente.

— Rita Skeeter, Profeta Diário. Uma pergunta para o Sr. Secretário. Albus Dumbledore será punido por seus crimes?

— Srta. Skeeter essa não é minha decisão, é possível que Albus Dumbledore seja punido, mas não criminalmente. Uma decisão virá em alguns meses da comissão formada por integrantes da ICW. Assim que isso acontecer vocês saberão.

— Lovegood, O Pasquim, uma pergunta para o Sr. Ministro. Sr. Ministro diante de todos esses fatos o Ministério considera terminar sua associação com Dementadores?

— O que? Não de maneira nenhuma, uma coisa não tem nada a ver com a outra, próximo...

— Quem é o novo Chefe Auror?

— Quem é o novo Chefe do Departamento de Ligações Internacionais?

— Por quais crimes serão condenados os acusados?

— Qual a possível punição de Albus Dumbledore, caso ele não responda criminalmente?

— Quais são as mudanças feitas no Departamento de Leis para que nenhum cidadão tema ser jogado em Azkaban por um capricho de um Ministro?

— De quem o Sr. mais sente falta durante esses 10 anos de ausência? Algum amor perdido?

E assim, um a um, vários foram fazendo perguntas e mais perguntas. O foco era Dumbledore, as mudanças no Ministério e a vida e sofrimento de Sirius, que respondeu a tudo seriamente, mas em nenhum momento mencionou o Harry, como estava combinado. No salão ninguém se moveu para ir para as aulas, os pratos do almoço desapareceram e ninguém se incomodou. Todos pareciam meio congelados, paralisados diante das terríveis informações divulgadas. Os meninos estavam pálidos e algumas meninas choravam, os professores pareciam solenes e sérios como se alguém tivesse morrido e os dois que mais se destacavam eram McGonagall que chorava e Snape que tinha uma expressão raivosa.

Quando finalmente eles encerraram e foram embora ficou apenas os locutores analisando e falando sobre as notícias. Harry não precisou sinalizar, com um gesto sutil um dos gêmeos desligou o rádio e o silencio caiu sobre o salão como uma mortalha. Então alguém fungou e outro se mexeu e as conversas começaram em um sussurro. E para surpresa de Harry a primeira a se levantar foi Lisa Turpin, ela se adiantou uns poucos passos na direção dos professores e parecia chorar.

— Professor? Professor Flitwick? Meu pai desapareceu na época da guerra, nunca mais voltou para a mamãe e eu. Nós supomos que ele tivesse sido morto na guerra, morto por comensais. O senhor acha que ele poderia ser um dos que o Ministério assassinou? — Disse ela, torcendo as mãos angustiada.

— Meu pai também desapareceu Professor, minha mãe nem sabia que ele era um bruxo, mas quando eu recebi minha carta ela percebeu que ele fazia coisa estranhas as vezes. O senhor acha que ele poderia ser um dos nomes? — Disse Dean Thomas muito pálido.

— Meu irmão desapareceu Professor, ele era um lobisomem, foi mordido logo depois que se formou da escola, 2 anos depois ele desapareceu. — Disse um garoto magricela, da mesa Gryffindor, 6º ano.

E assim se fez o caos, pois aos poucos mais 12 crianças se levantaram alegando sobre algum parente desaparecido. Dumbledore conversou brevemente com McGonagall, que lhe deu uma resposta atravessada e depois deixou o salão ainda chorando. Flitwick assumiu as rédeas com as 15 crianças ansiosas por informações e Dumbledore trocou mais algumas palavras com Snape, Harry observou que o professor de Poções parecia capaz de cuspir ódio com suas palavras cortantes. Ele também deixou o salão rapidamente com suas vestes o fazendo parecer um morcegão. Depois o diretor se virou para os alunos.

— Bem, todos devem ir para seus dormitórios, as aulas de hoje estão canceladas. Por favor, peço que todos sejam sensíveis e não façam perguntas aos envolvidos e mencionados, tudo já foi um grande choque e eles precisam de apoio e não curiosidade. Agora vão, andem, andem, todos vão descansar e amanhã as aulas retomaram novamente. — Disse ele muito seriamente e com voz suave.

Muitos se acalmaram com seu tom e segurança, mas muitos outros o olharam com cenhos franzidos, esperando talvez alguma explicação ou talvez olhando pela primeira vez e vendo um homem falho, um homem que estava longe de ser perfeito. E isso talvez fosse um dos maiores choques da tarde.

Harry e Terry se levantaram, mas ignoraram seus colegas que iam para a torre e foram na direção da biblioteca, entraram em um corredor estreito cuja entrada ficava atrás estátua de uma princesa de manto, coroa e cajado. Seguiram rapidamente pelo corredor iluminado até chegarem ao Covil, nenhum deles disse nada apenas esperando e não demorou muito para ouvirem passos, infelizmente, era uma pessoa só. Hermione entrou pálida e angustiada, com lagrimas nos olhos.

— Harry! Você estava certo! Ele era inocente e o Ministério é tão cruel, mataram lobisomens. Talvez os pais de Dean e Lisa. — Ela disse de maneira entrecortada, parecia cheia de sentimentos intensos e agitada andava de um lado para o outro. Terry fez menção de se aproximar para acalmá-la, mas Harry o parou. — Isso está errado! Tudo está errado! Eles deveriam cuidar e proteger, os adultos, as autoridades. Dumbledore mentiu e ele não cuidou de você nos seus tios e não impediu o Ministério de prender seu padrinho sem julgamento. E deixou que seres inocentes fossem executados, nem um animal pode ser morto assim e eles... eles...

Harry pensou que ela fosse conter a energia de raiva que a percorria e transformar em lagrimas como das outras vezes.

— Coloque para fora Hermione. — Ele a incentivou, ela o olhou ferozmente como se zangada com ele e encurralada, agitada ainda andando de lá para cá e Harry viu o que ia acontecer um segundo antes e tirando sua varinha, disse: — Protego.

— Eu os odeio! Eu os odeio! Aghhhhh! — Gritou ela e sua magia se agitou e se expandiu saltou para fora dela quebrando o vidro das janelas, virando a mesa de chá e batendo em seu escudo.

— Nossa! — Exclamou Terry surpreso.

Harry ficou em silencio e quando a magia da amiga se acalmou deixou cair seu escudo. Hermione estava ofegante e seus olhos estavam secos, a raiva, decepção e magoa ainda existiam, mas agora estava carregado de muita revolta.

— Vocês sabiam de tudo isso, a meses sabem de tudo, achei que fossemos amigos. Não entendo porque não nos contaram, não confiaram em mim e Neville. — Disse ela duramente.

— O motivo é óbvio. Onde está Neville? — Perguntou Harry preocupado.

— Não sei, nos perdemos na multidão, pensei que o encontraria aqui. E o que quer dizer com óbvio? Não há nada de óbvio em esconder tantas informações importantes. — Ela ainda estava com raiva e descontando neles, mas não eram eles o alvo de sua raiva.

— Concerte as janelas, vou tentar encontrar o Neville e depois conversamos todos de uma vez. — Disse Harry e saiu da sala. Seguindo pelo corredor, Harry saiu no primeiro andar outra vez e foi no lugar onde ele acreditava seu amigo estaria.

A estufa 1 estava vazia, mas Harry seguiu até o fundo e encontro seu amigo fungando baixinho no meio das flores que eles plantaram. Sentindo seu coração se apertar, Harry se sentou ao seu lado em silencio, Neville percebeu sua presença, mas não disse nada.

Pegando uma tesoura de poda Harry começou a cuidar das flores, depois de um tempo, hesitante, Neville fez o mesmo, mas ainda não falaram nada. Passou-se quase 10 minutos antes de Neville falar alguma coisa.

— Meus pais não morreram na guerra, Bellatrix Lestrange, seu marido Rodolphus Lestrange, o irmão dele Rabastan Lestrange e Bartô Crouch Jr. os encontraram depois do desaparecimento de Volde...mort. Eles eram aurores, os melhores, lutaram e prenderam muitos comensais. Minha avó disse que depois do Halloween muitos voltaram para o nosso lado alegando a Maldição Imperius, outros fugiram e outros começaram a agir selvagemente tentando descobrir o que acontecera com seu Mestre, tentando encontrá-lo. Meus pais foram encurralados, os quatro os torturaram com a Maldição Cruciatus em busca de informações que eles não sabiam, ninguém sabia como Voldemort fora destruído. — Neville fungou baixinho, mas continuou a tratar as flores com carinho. — Eles vivem na Enfermaria de danos permanentes no St. Mungus, os curandeiros disseram que os danos em seus nervos e cérebros são irreversíveis. Eu sempre os visito com a minha avó, mas eles não sabem quem somos e acho que nem perceberiam se nunca mais fossemos. As vezes não quero ir mais porque dói... — Sua voz se embargou e ele suspirou tremulo. — Dói muito os ver assim e não os ter de verdade e saber que isso nunca via mudar.

O silencio se manteve tristemente por um momento e Harry sentiu suas próprias lagrimas deslizarem por seu rosto.

— Acho que está errado. — Sussurrou suavemente.

— Estou errado? — Neville estava confuso.

— Sim, acho que está errado quando diz que seus pais não perceberiam se nunca mais o visitasse. O mundo, principalmente, nosso mundo não é apenas físico. Os espíritos de seus pais e suas magias ainda estão lá e aposto que eles o reconhecem e sabem que você está crescendo e que está seguro, aposto que se sentem felizes por isso. — Disse Harry com voz rouca.

— Você acha? — Perguntou Neville, com os olhos cheios de esperança.

— Sim, acho, eu também não sentia meus pais, não os conhecia e não os sentia, mas agora é diferente. Eu posso sentir o amor deles por mim, sempre esteve lá, mas eu não me permitia sentir ou saber. As vezes posso até sentir eles comigo, sussurrando o seu amor e aí eu sei que não estou sozinho. — Harry chorou suavemente. — Você tem que se permitir sentir o amor deles por você, Neville, se permitir se conectar com sua magia e seus espíritos, porque isso é possível, nós somos muito mais do que mente e corpo.

Neville estava chorando e soltando a tesoura se inclinou como se não aguentasse a dor. Harry ficou em silencio, colocou a mão em seu ombro e deixou seu amigo chorar baixinho, entendia muito bem o que ele sentia e não estar sozinho era bom.

— Alguma vez vão embora Harry, essa dor e saudades vão embora? — Perguntou ele tristemente.

— Não, mas acho que fica melhor, eu estou melhor. Falar sobre isso ajuda e ser sincero sobre o que está sentindo para si mesmo também. E viver ajuda, todos os dias eu vivo, sorrio e aprendo e amo em homenagem aos meus pais, por mim e por eles. — Disse Harry sincero. — Temos muito pelo que viver e ser feliz Neville, vai ter dias mais difíceis e dias em tudo o que queremos é estar sozinhos, mas é nesses momentos que eu penso que não devo parar. Tenho que lutar, tenho que honrá-los e vingá-los e não vou parar até que o que aconteceu com eles não tenha sido em vão e esquecido, como um detalhe sem importância, como um acidente trágico. Nossos pais foram tirados de nós, foram arrancados de suas vidas, assassinados, feridos e isso foi permitido, Voldemort e esses quatros comensais são apenas os seres cruéis que seguravam a varinha.

— Não sou tão forte ou corajoso como você, Harry, mas quero me vingar, quero te ajudar a mudar o mundo mágico. — Disse ele tristemente.

— Você me diz que seus pais foram feridos, que estão todos estes anos em um hospital sem reconhecê-lo e você os visitam durante anos e anos, mesmo sem esperança que melhorem. Durante todo esse ano você guardou tudo, não contou ou desabafou com ninguém e me diz que não é forte ou corajoso? — Disse Harry e sorriu tristemente. — Sra. Serafina me disse uma vez que ia repetir que eu mereço ser amado até eu acreditar nisso e agora eu lhe digo, você é forte e corajoso e vou repetir isso até que você acredite.

Neville acenou e fungou de novo enxugando as lagrimas do rosto.

— Como você me encontrou? — Perguntou curioso, se levantando, já se sentia pronto para sair do seu esconderijo. Ainda doía, mas falar sobre isso e não ter mais esse segredo pesando sobre seus ombros o aliviou e ele se sentia melhor, incrivelmente.

— Bem, eu pensei que você procuraria um lugar onde ninguém poderia te encontrar e ficar te encarando e fazendo perguntas. — Disse Harry se levantando e tirando a sujeira da veste.

— Mas você me encontrou. — Apontou Neville confuso.

— Porque eu sou seu amigo e te conheço. — Disse Harry simplesmente, depois passou um braço sobre seus ombros e continuou. — Agora vamos lá encontrar alguns outros amigos nossos, eles devem estar preocupados. E eu preciso lhe contar que nossa Hermione parece ter finalmente libertado algumas das amarras que estavam lhe segurando.

— Hum? — Neville perguntou e ficou ainda mais confuso enquanto eles caminhavam para o 5º andar e Harry lhe contou o que acontecera. — E eu perdi isso?

— Pois é, foi legal, meio assustador, mas legal. — Disse Harry sorrindo. O importante é que distraíra seu amigo e agora seus olhos brilhavam, meio divertidos, meio preocupados.

Quando chegaram ao Covil encontraram muito mais do que seus amigos esperando. Penny estava por lá e andava impaciente de um lado para o outro, Hermione fazia o mesmo do outro lado da sala. Terry estava sentado em um poltrona, Fred e George em um sofá acompanhando com certa apreensão e diversão as meninas impacientes e zangadas. Quando o viram as duas olharam para ele e ao mesmo tempo disseram.

— Você! Até que enfim decidiu aparecer!

— Harry! Porque demorou tanto?

Harry arregalou os olhos surpreso e encarando Terry o viu dar de ombros, como se não quisesse se envolver. Ele estreitou os olhos para o amigo e se voltando para Hermione, respondeu:

— Demorei porque tinha que demorar. — E se voltando para Penny, continuou sarcástico. — Oi Penny, tudo bem? Eu estou ótimo, muito obrigado por perguntar.

Isso provocou o riso dos irmãos ruivos que se levantaram e vieram bater em seus ombros.

— Harry, você é bem corajoso, meu amigo e nós não gostaríamos de estar na sua pele quando essas duas acabarem com o que planejaram fazer com você. Certo, George? — Perguntou George, divertido.

— Sim, mas queremos assistir se você não se importar. Sempre gostamos de ver de perto um assassinato verbal sangrento, mas antes preferimos que você nos pague por nossos excelentes serviços prestados. Apenas no caso de você não sobreviver. Isso me parece justo, certo Fred? — Disse Fred com um sorriso malicioso.

Harry os olhou com frieza, mas quem o conhecia poderia ver o humor no brilho dos olhos verdes.

— Sim, é justo. Vocês já conseguiram o rádio? Desfizeram os encantos? — Perguntou Harry objetivamente.

— Sim, tudo feito e limpo. Os professores e alunos estavam muito ocupados para se preocuparem com quem colocou o rádio ao vivo no Grande Salão. Ainda estão pelo que vimos, quando você disse que seria uma bomba estava falando sério, cara. — Disse George, seu sorriso mais apagado.

— Sim e não fizemos ninguém rir, isso prejudica nossa reputação, você poderia ter nos avisado que as notícias eram bombasticamente tristes. — Acrescentou Fred.

— Vocês venceram Dumbledore ou foi só eu que vi o diretor tentando deligar o rádio e na verdade ele nem conseguiu encontrar onde estava. A mim parece que a reputação de vocês subiu alguns graus depois dessa. — Disse Harry e ele viu os dois irmãos idênticos arregalarem os olhos, se encararem e com um enorme sorriso, dizerem juntos:

— Mal! Não tínhamos pensado nisso!

— Sim, imagino que pensar não seja o forte de vocês, é por isso que estão na Gryffindor e eu na Ravenclaw. — Disse Harry segurando a vontade de rir.

— Ei, isso foi maldade. O plano foi nosso e foi perfeitamente executado, ninguém faria melhor, certo Fred? — Disse Fred e Harry fez uma careta, eles não percebiam que essa piada desgastava fácil?

— Espera, o plano do rádio foi de vocês? E a ideia foi sua? — Perguntou Penny os encarando indignada. — Vocês sabem que sou uma monitora, certo? Eu poderia denunciá-los aos professores e tirar pontos dos três e de quem mais estiver envolvido! — Continuou muito zangada e cruzou os braços no fim.

— Sim, mas você veio aqui porque quer respostas e se fizer isso não as terá, portanto, essa me parece uma ameaça vazia. Estamos na mesma casa Penny, reconheço um blefe quando vejo um. — Disse Harry firmemente.

— Pessoal, porque não paramos com as alfinetadas e conversa sem sentido e nos sentamos para falar seriamente. Estamos todos ansiosos e impactados com o que aconteceu e lidando isso da maneira errada. — Disse Terry razoavelmente, como sempre acalmando o ambiente.

— Eu concordo. Aqui, Fred e George. — Disse Harry jogando um saquinho de veludo de moedas para cada um, com seus respectivos nomes corretos. — Os 100 galeões combinado, 50 para cada um e o extra prometido, mais 10 galeões para cada. Se vocês quiserem ficar podem, mas saibam que isso vai ainda na execução do seu trabalho, sigilo absoluto é necessário. Se vazarem informações cuidarei de aniquilar suas reputações e não os chamarei para empreendimentos futuros. — Disse sentando-se em uma das poltronas.

Os gêmeos olharam para as bolsas com olhos arregalados, nunca tiveram tanto dinheiro, depois se olharam e acenaram em uma conversa silenciosa.

— Não se preocupe Harry, qualquer coisa que ouvirmos no Covil fica no Covil. E sempre que precisar dos nossos serviços pode nos chamar. — Disse George e se sentou com o irmão em um sofá, Neville sentou-se com eles.

Harry esperou e olhou para Penny e Hermione, a primeira se sentou, mas sua amiga continuou de pé perto da janela que estava reparada, aberta agora deixando uma brisa entrar e refrescar o calor.

— Antes de mais nada, quero lhes dizer que o que vou dizer é importante e sigiloso. Não falem com ninguém sobre, por favor, poderiam me trazer muitos problemas. E quero dizer e, sei que isso está te incomodando Hermione, que nem Terry ou eu, sabíamos nada sobre Crouch Jr. e muito menos sobre a crueldade com os lobisomens. — Harry falou isso olhando para sua amiga que ele podia perceber relaxou levemente e acenou com sua afirmação. — Se soubéssemos poderíamos ter lhes preparado, tudo o que esperávamos eram as informações sobre Sirius.

— Sim, estamos tão chocados como vocês e nossa ideia ao colocar a rádio bruxa ao vivo era para que as informações não fossem escondidas ou limitadas. Queríamos que todos soubessem a verdade, vocês sabem o que pensamos sobre a alienação e mentiras contadas pelo Ministério. — Disse Terry, seriamente. — Na verdade, soubemos que essa entrevista coletiva foi uma exigência de Sirius, pois o Ministro Fudge queria abafar todos os fatos e não permitir que se tornassem públicos.

— Isso é um absurdo! Todas essas crueldades e ainda negando nosso direito a uma imprensa livre? — Disse Hermione raivosa.

— Eu entendo porque vocês quiseram que ouvíssemos as notícias e fico feliz que não sabiam sobre os outros fatos, porque isso teria sido muito cruel. Com todos e principalmente com os envolvidos. — Disse Penny olhando brevemente para Neville. — Mas a questão é como vocês sabiam sobre Sirius Black?

— Porque Sirius Black é meu padrinho. — Harry viu os olhares surpresos de todos, menos Terry e, suspirando, contou a eles como ao saber dos fatos que levaram à prisão de Sirius e que além de seu padrinho era seu guardião indicado no testamento dos seus pais, percebeu que nada fazia sentido.

Harry explicou por quase uma hora, com ajuda de Terry e depois contou como o Sr. Falc conseguira tirar seu padrinho da prisão bruxa.

— Bem, durante as férias de páscoa eu finalmente o conheci e foi incrível. Ele era como um irmão para os meus pais e, bem, ele realmente gosta de mim. Sirius ainda tem muito que se recuperar, mas temos esperança que um dia possamos viver juntos. — Encerrou ele timidamente.

— Oh, Harry, seria incrível se você pudesse deixar a casa dos seus parentes. — Disse Hermione e Harry acenou, sentindo-se culpado por não contar a ela sobre o processo de guarda que começaria no início do verão.

— Incrível como você conseguiu libertar seu padrinho Harry, e tudo o que você fez foi olhar para o que não fazia sentido. — Disse Penny e seu olhar de admiração o fez corar.

— Eu apenas me importava o suficiente para olhar e ver a verdade que era bem clara. Dumbledore e outros não fizeram, não se preocuparam, foram cruéis e incompetentes. Desumanos como disse o Sr. Balmat. — Disse Harry levemente constrangido. — Bem, é isso.

— Espera, quero saber como vocês conseguiram enganar o diretor e colocar o rádio para o Salão inteiro ouvir? — Perguntou ela olhando para os gêmeos com olhar aguçado.

— Nós contamos, se você concordar que o que se ouve no Covil fica no Covil. Certo, George? — Disse George um pouco inseguro.

— Com certeza, ainda que não daremos muito detalhes, afinal não podemos passar informações demais e criar uma concorrência. Fred, irmão meu, você não acha que eles poderiam querer roubar nossas ideias? — Disse Fred com as sobrancelhas arqueadas.

— Bem pensado irmão George, bem pensado. — Disse George os olhando desconfiadamente.

— Ah, por favor vocês dois, acredita mesmo que alguém aqui tem interesse em se tornarem brincalhões? — Disse Hermione exasperada, ela estava sentada no banco da janela.

— Bem, pensando assim, provavelmente não, mas não sei se podemos arriscar. — Disse Fred cruzando os braços teimosamente.

— É melhor falarem logo ou vou lhes mostrar o que aprendi na ultimas aulas da McGonagall sobre transfiguração humana, sabe, eu poderia usá-los para treinar para minhas OWLs. — Disse Penny pegando sua varinha e a girando enquanto os encarava com um olhar ameaçador.

Harry viu os irmãos ruivos empalidecerem e engolirem em seco e sorriu divertido.

— Ok, ok, nos rendemos diante de suas cruéis ameaças Srta. Monitora. É melhor Fred, além disso todos aqui são muito bonzinhos para terem o espirito para a diversão. — Disse Fred com um bico.

— Bem, como provavelmente não sairemos inteiros do Covil, o melhor é falarmos tudo, George. — Disse George e se inclinando sorriu divertido. — Nossa ideia brilhante para enganar o grande diretor começa com colocar o rádio do lado de fora do grande Salão, porque sabíamos que ele procuraria dentro do Salão.

— Sim, simples e eficaz. — Disse Fred malicioso. — Nós usamos nossas vassouras e discretamente, colocamos o rádio do lado de fora da janela do Salão Principal e, claro, o desiludimos.

— Mas esse é um feitiço do 6º ano! — Exclamou Hermione surpresa.

— Veja isso Fred, pequena sabe tudo duvidando da nossa genialidade. — Disse Fred mordaz.

— Ei! — Gritou Terry irritado.

— Tudo bem Terry, posso me defender. — Disse Hermione se aproximando e falou maldosamente. — Meu nome é Hermione, se voltar a esquecer meu nome vou me juntar a Penny em seus testes, sempre quis saber mais sobre transfiguração humana.

— E, se eu fosse você, a escutava Fred, nossa Hermione é a melhor do nosso ano em Transfiguração. — Disse Harry divertido.

— Ok, desculpa Hermione, vocês são muito sérios e tensos, não gostam de uma brincadeirinha. — Disse Fred dando de ombros.

— De qualquer formar fiquei surpresa que vocês soubessem um feitiço tão avançado, pelo que sei nossa chefe de casa Prof.ª Vector tem apontado e insistido que vocês estudem mais, pois suas notas estão lá embaixo. Ela até escreveu para os seus pais. — Disse Hermione de braços cruzados.

— Tirando o fato de que nossa casa parece que só tem fofoqueiros e isso não é da sua conta. — Disse Fred mal-humorado. — Acha que perdemos tempo aprendendo feitiços para aulas tolas. Nós aprendemos para nossas brincadeiras e empreendimentos, como o feitiço de desilusão, que precisamos para poder andar pela escola sem sermos pegos. E como podem ver isso é muito mais rentável. — Disse ele jogando seu saquinho de moedas para o alto e o pegando habilmente.

— Ok, então vocês estudam por conta própria, mas não entendo, se são inteligentes e tão poderosos a ponto de aprenderem um feitiço tão avançado, porque não aplicam isso nas aulas e testes? — Perguntou Hermione curiosa. Sua impressão sobre os gêmeos é que eles não tinham interesse em aprender.

— E por que faríamos isso? — Perguntou Fred de queixo erguido.

— Sim, além do fato de que seria chato, perderíamos um tempo enorme onde poderíamos estar fazendo algo muito mais divertido e lucrativo. — Disse George sorridente.

— Consigo pensar em uns 10 motivos para se dedicarem nas aulas e ter boas notas, mas só vou falar de um. — Disse Harry. — Se vocês se esforçarem um pouco mais, principalmente, nos testes e exames e tirar boas notas, não vão ter professores, chefe de casa ou seus pais pegando no pé e vigiando tudo o que fazem, tentando controlá-los. Assim terão mais tempo e sossego para fazer suas pesquisas, projetos e brincadeiras. — Harry se expressou inteligentemente.

Os gêmeos o encararam bastante surpresos e depois se encaram conversando silenciosamente mais uma vez.

— Não tínhamos pensado nisso por esse ponto de vista, caro baix... quer dizer, caro Harry. — Disse Fred surpreso.

— Sabe, George, estou começando a pensar que ter amigos Ravenclaws tem suas vantagens. — Disse George sorridente.

— Bem, isso que falei é muito óbvio, mas vocês devem refletir que se querem no futuro entrar no mundo dos negócios das brincadeiras tem que ser levados a sério e boas notas podem ajudar vocês a conseguirem um investidor. Pensem nisso. — Disse Harry e viu os dois se olharem de sobrancelhas arqueadas e depois acenar seriamente.

— Agora continuem, estou curioso para saber como fizeram para o som do rádio se ampliar daquele jeito. — Perguntou Terry.

— Bem, essa foi a parte mais fácil, nós usamos o feitiço Excelsum Sonidus, ele é uma versão do Sonorus, mas para objetos e aumenta o som, também fizemos uma runa de amplificação do som, assim além de alto, o som viajou por todo o Grande Salão. — Explicou George.

— Acreditamos até que foi mais longe, porque alguns alunos que não estavam almoçando foram chegando no meio da transmissão. — Disse Fred.

— Foi simples e eficaz, como dissemos. — Disse George.

— Mas Fred, como vocês tinham certeza de que o diretor não o encontraria? — Perguntou Neville.

— Ele não é o Fred, Neville, é o George, eles se chamam ao contrario para confundir. — Disse Harry divertidamente.

— Ei, não revele nosso segredo Harry. — Protestou o George.

— Sim, é nossa brincadeira favorita, ninguém nunca sabe quem é quem, cara. Não estrague a diversão. — Disse Fred, com o cenho franzido.

— Eu não sei como as pessoas não percebem quem é quem, para mim é bem claro. — Disse Harry e olhou para os amigos que acenaram negativamente. — Vocês não podem ver as diferenças?

— Que diferenças? Eles são idênticos! — Exclamou Hermione, se aproximando e tentando ver o que o amigo via.

— Vocês têm que ver além da aparência e olhar mais profundo, para a personalidade, o jeito de agir e falar, até o que eles falam. — Disse Harry dando de ombros como se fosse óbvio. — Eles são bem diferentes.

— Como? Para mim, parece tudo igual. — Disse Neville olhando os gêmeos com atenção.

Os dois garotos já estavam se sentindo como animais em um zoológico. Hermione também os olhava intensamente, Terry e a tal monitora até se inclinaram para a frente para encará-los melhor.

— Bem, para começar o Geor...

— Ei, ei, ei! Pode parar aí mesmo. Nada de nos dissecar e contar nossos segredos. Se você sabe como nos identificar guarde para si mesmo, parceiro. — Disse Fred meio irritado.

— Sim, Harry, somos amigos e parceiros agora e não falamos os segredos uns dos outros, precisamos manter nossas identidades escondidas, isso é importante para nós. — Pediu George, como sempre mais suave. Como ninguém percebia?

— Ok, se isso é importante vou guardar para mim e também é um bom treino para vocês observarem além da superfície e aparência. — Disse Harry apontando para os amigos, que acenaram mal-humorados por não terem suas curiosidades satisfeitas.

— E acredito com isso que podemos ir embora meu irmão mais bonito. Cumprimos nossa missão com perfeição e revelamos nossos segredos sob ameaças terríveis, assim deixamos o Covil de Harry Potter inteiros. — Disse Fred divertidamente. Isso provocou risos e Hermione os olhou exasperada.

Harry acompanhou os dois até a saída, queria agradecer e frisar a importância de segredo, assim nada de se gabarem nem mesmo com os amigos e chamar a atenção. Eles concordaram e já estavam saindo quando um deles, Harry os identificava mais facilmente quando eles falavam, se voltou para ele pensativo.

— Harry, uma dúvida, porque você nos deu o dinheiro combinado em bolsinhas separadas? Quer dizer, porque não colocar tudo em uma bolsa só? — Perguntou George.

— Ora, isso é óbvio. Vocês são dois, assim o pagamento do serviço é meio a meio. Porque lhes daria uma única bolsa como se vocês fossem um só uma pessoa? — Considerou Harry dando de ombros, mas viu suas expressões confusas e logo depois eles se foram e Harry voltou a sala do Covil.

— Harry, tudo isso que aconteceu tem a ver com os planos que você tem? Você me disse que quando tivéssemos tempo me contaria sobre eles. — Disse Penny, muito séria.

— Penny, sinceramente, tudo a ver com Sirius é uma questão pessoal, ele é a única família deixada por meus pais. E ainda de certa maneira tem, porque tudo o que fiz desde que vim para o mundo mágico foi me rebelar, me recusar a olhar para o outro lado para coisas que sei que estão erradas ou que não fazem sentido. Aprendi a questionar e foi isso que me permitiu descobrir o que fizeram com meu padrinho. — Disse Harry e olhando para seus amigos suspirou. — Os meus planos para o verão são muito grandes, mas muito mesmo, preciso que vocês não apenas compreendam que não podem falar nada, também não podem permitir que usem legilimência e captem de suas mentes essas informações.

— Legilimência? O que é isso? — Penny estava confusa.

Harry olhou para Terry e o amigo lhe explicou sobre as duas técnicas mentais e como eram importantes.

— Eu nunca ouvi falar sobre isso. — Disse Penny confusa.

— Porque os livros sobre o assunto estão na parte restrita da Biblioteca e nada nos é dito ou ensinado sobre isso. Mas as crianças puros-sangues começam a aprender em casa, antes mesmo de virem para Hogwarts. — Disse Hermione cruzando os braços revoltada.

— Isso acontece porque as famílias antigas entendem que seus filhos têm que proteger os segredos das famílias. Alguns não querem nem correr o risco de alguém descobrir onde fica suas mansões, famílias antigas mantem a localização de suas casas ancestrais em segredo. — Disse Terry dando de ombros.

— Isso é apenas algo a mais que as pessoas que estão no comando querem nos impedir de aprender. Eles querem que o mundo mágico seja só deles e nos tratam como se fossemos um bando de parasitas, invadindo e roubando sua preciosa magia e tradições antigas. Tudo está errado e o que descobrimos hoje e a maneira como tratam as criaturas mágicas, a escravização dos elfos domésticos. — Hermione estava novamente andando de um lado para o outro e sua revolta era visível. —Eu não sei o que está planejando Harry, mas quero ajudar e minha oclumência está indo bem. Eu alcancei o estado ausência no outro dia e entendi que preciso fortalecer meu exército mental, o controle de minhas emoções também é muito bom, bem, com exceção de hoje. — Disse ela levemente envergonhada.

— Hoje foi um dia especial para todos nós, acredito. E se Penny estiver disposta a aprender oclumência e não chamar a atenção de Dumbledore para si, acredito que não vamos ter problemas. Mas vocês dois, o diretor vai vir para cima de mim com tudo e como meus amigos podem esperar que estarão sendo observados bem de perto, como descobrimos o Terry já está. — Disse Harry olhando para Neville e Hermione, que acenaram. — Precisam agir normalmente, se ficarem agitados ou mostrarem um comportamento diferente, fará com que ele se aproxime e nenhum de nós pode realmente resistir se Dumbledore decidir descobrir o que sabemos ou planejamos.

— Mas porque é tão importante que ele não saiba sobre seus planos? E porque você não confia nele? — Perguntou Penny preocupada e confusa.

Harry hesitou e olhou para Terry pedindo conselhos.

— Acho que você pode confiar neles e como eu disse uma vez sozinhos não mudamos nada, temos que nos unir. — Terry disse sinceramente.

— Ok, não falei nada disso na época das reuniões porque o mais importante era todos saberem os fatos e mentiras. Também porque não tinha provas e não queria dissecar minha vida na frente de todos, muitos eram apenas estranhos, mas vocês são meus amigos e acredito, como dito por Terry, que posso confiar em vocês. — Disse Harry e nervosamente enxugou as mãos suadas na veste, começando a falar de sua infância, do testamento de seus pais, da prisão de Sirius e o papel de Dumbledore nela, ainda que não houvessem provas de dolo, falou sobre como ele nunca o procurou ou lhe ensinou nada apesar de ser seu tutor e as cartas mentirosas para o Departamento de Educação. Sobre Hagrid, Sr. Corner, sobre o espelho e a capa e o encontro do diretor com o Sr. Falc. Contou sobre o pedido de guarda e a esperança de que Harry poderia deixar os Dursleys, mas o medo que o diretor não permitisse por causa de seus planos, sejam eles quais forem.

— Bem, é isso. — Disse ele timidamente. Olhou para os amigos, Terry como sempre parecia triste com tudo o que ouviu, Neville voltara a chorar e estava zangado. Penny tinha lagrimas escorrendo pelo rosto, mas Hermione era quem mais parecia sofrer, raiva, revolta, decepção e tristeza pareciam consumi-la.

— Eu não entendo. O porque ele faz e fez tudo isso. — Disse ela tremulamente.

— Não sabemos suas intenções e de tudo o que ouvimos sobre ele, talvez o diretor acredite que está fazendo o bem ou pelo menos não o mal. — Considerou Terry sensato.

— Isso é um pensamento assustador, se ele fez o mal, não é quem pensamos, se ele fez o mal achando que estava fazendo o bem, nunca foi quem pensamos. — Disse Penny, aflita.

— Além disso é óbvio que tudo o que ele fez foi para controlar você, inclusive a crueldade de não exigir um julgamento ao seu padrinho. Mesmo que ele tivesse certeza que Sirius era culpado, aposto que considerou mais seguro assim, não havia ninguém para contestar seus planos. — Disse Neville meio enojado.

— E Harry, se ele quer te controlar, Merlin... como podemos supor que não seja para algo terrível? — Disse Penny assombrada.

— Não podemos, é por isso que precisamos manter o perfil baixo, não chamar atenção. A audiência por minha guarda deve ser um segredo absoluto até o ultimo segundo e eu devo parecer inofensivo pelo maior tempo possível. Esses fatos estão em contagem regressiva e acho que até esse momento vamos ter mais informações e possivelmente a verdade. — Disse Harry simplesmente.

— A partir disso, o que fazemos? — Hermione perguntou. — Quais são seus planos?

— Para mim? Ainda não sei, tudo é ainda muito obscuro. Para o mundo mágico, se tiverem com tempo vou lhes contar minhas ideias e algumas delas já estão entrando em vigor, enquanto falamos. — Disse Harry com um sorriso malicioso.

Isso levantou o interesse de todos, Hermione enxugou as lagrimas e se sentou pronta para agir, Neville acenou com determinação e Terry como sempre sorriu o apoiando. Penny era a mais confusa, talvez um pouco chocada com a reviravolta de tudo, em algumas horas seu mundo e o mundo mágico se transformara em um caos.

Sirius deixou o Ministério imediatamente depois do fim do anuncio público do Ministro. Para não responder mais perguntas dos repórteres e ao mesmo tempo fugir dos olhares curiosos. E o mais importante, para não ter que se encontrar com Dumbledore, a última coisa que queria era estar frente a frente com o Diretor de Hogwarts e ouvir suas desculpas esfarrapadas. Pior seria se o homem tentasse convencê-lo a deixar o Harry na casa de seus tios, tinha medo de acabar fazendo uma loucura, dar-lhe um soco no nariz torto, por exemplo. Isso colocaria todos os planos no chinelo e Sirius, infelizmente, não se acreditava equilibrado o suficiente para manter o sangue frio.

Durante o resto da semana ele ficou bem longe do whisky de fogo, acordou cedo para os exercícios, se alimentou com pratos gigantescos de comida saudável e na parte da tarde foi a fisioterapia diariamente. Ele também se encontrou com Martin Madaki para uma primeira sessão de psicoterapia e se sentiu muito estranho de se sentar em uma poltrona e falar sobre seus sentimentos. Se não fosse a conversa que teve com Harry, onde ele lhe disse que se sentiu melhor, Sirius não voltaria, mas o desejo de melhorar e não desapontar seu afilhado o fez deixar a estranheza de lado e prosseguir com as sessões 3 vezes por semana.

Ele também se reuniu com seu advogado e administrador e se inteirou de seus negócios. Falc vinha a algumas semanas trabalhando nos papeis dos negócios Black e terminada a auditoria agora era o momento de conhecer e aprender como gerenciar seus negócios.

— Bem, sua herança pessoal, deixada a você pelo seu tio Alphard não tem muito problemas. Seu tio era muito inteligente e basicamente comprava imóveis velhos por um preço baixo, reformava e revendia com um enorme lucro. Com sua morte, tudo foi deixado a você, que decidiu apenas reformar as propriedades e esperar o fim da guerra para vender. — Apontou Falc.

— Sim, quando meu tio morreu, eu estava em meu último ano da escola, era muito jovem e não sabia muito bem o que fazer com tudo isso. Decidi concluir as reformadas das casas e me dedicar a guerra e depois quando tivesse mais tempo pensaria sobre isso, mas nunca houve esse momento. — Disse Sirius olhando para a lista de propriedades. — Eu nem me lembrava que tinha tantas propriedades.

— Sim e elas têm um ótimo mercado para venda, precisam de um pouco de manutenção, mas se você vender tudo, vai quintuplicar o valor pago por elas inicialmente, anos atrás por seu tio. — Informou Terry mostrando as projeções e valores de mercado. — Aqui, você tem 1 pequeno castelo no norte da Inglaterra, 10 fazendas de alguns hectares por todo o Reino Unido. E tem também 5 mansões e 2 apartamentos em Londres com ótimas localizações e 14 casas grandes em locais turísticos estratégicos na Inglaterra, França, Itália e Espanha. E mais 6 fazendas de porte médio nestes três países e por fim 1 pequena ilha no Caribe.

— São tantas, acredito que quero visitar todas elas e analisar suas localizações e arquiteturas, talvez seja uma boa ideia ficar com algumas delas e não simplesmente vender tudo. Essas fazendas todas poderiam ser uteis para algumas das ideias do Harry e uma ilha seria um incrível lugar para férias. — Decidiu Sirius e Falc acenou concordando.

— Acredito que é uma ótima ideia e ficarei feliz em lhe acompanhar, podemos levar conosco o Sr. Wilson, ele tem uma empresa de limpeza e manutenção e sempre trabalho com eles, pois são muito discretos e eficientes. E ele trabalha com nascidos trouxas, sem discriminação ou salários abusivos e não tem elfos domésticos. — Falc esclareceu e depois passou para a herança Black. — Agora, as propriedades Blacks, me surpreendi por serem tão poucas e na verdade mesmo a empresas não são em grande número ou muito produtivas, ainda que os lucros são significativos devido ao tipo de produtos finos e exclusivos que as Fábricas produzem.

— Meu pai se orgulhava de ter os produtos mais caros e refinados, dizia que assim não corria o risco de sangues sujos mortos de fome consumir ou usar qualquer coisa produzida pela Família Black. — Disse Sirius com desprezo.

— Bem, a Industria Têxtil tem uma produção de peças finas de tapeçaria, decoração e vestes de alta classe. Seus produtos são tão caros que realmente só podem ser comprados por puros sangues ricos e o pior a mão de obra são nascidos trouxas e mestiços que ganham uma miséria, além de alguns elfos domésticos que claro são extremamente maltratados. Eu visitei a Fábrica, Sirius e me choquei muito, as condições de trabalho são insalubres e perigosas, o Gerente, um Sr. Smith, creio que um dos membros da Família Smith, me disse que eles assinam um contrato de trabalho que isenta a Fábrica de culpa em caso de acidentes ou doenças causadas em decorrência do trabalho.

— Isso não me surpreende, vamos demitir esse Gerente, a família Smith são um bando de puristas. E vamos refazer os contratos de trabalhos, oferecer um salário justo e condições de trabalho, se tiver alguém doente os custos do tratamento é por nossa conta. — Disse Sirius e viu seu advogado e novo amigo anotar suas decisões. Sentia-se bem por ter o controle de sua vida e se sentir útil ajudando todas essas pessoas. — E vamos verificar informações dos funcionários que foram demitidos por doenças ou algum acidente na Fábrica, vou indenizar cada um deles e recontratar todos que têm condições de trabalhar.

— Isso tudo é ótimo, mas precisamos de alguém que entenda de produções Têxtil para nos orientar sobre como tornar a produção mais segura e menos nociva a saúde dos funcionários. — Disse Falc preocupado. — Tudo estava sendo supervisionado pelo Ministério, não entendo como eles não perceberam as irregularidades.

— Porque o supervisor era um purista e Smith devia estar pagando a ele um bom dinheiro para não ver nada. E as outras Fábricas? — Sirius perguntou ansioso para afastar essa corja de suas empresas.

— Existem as mesmas situações nas Indústria de Alimentos Naturais, na Fábrica de Poções e na Vinícola de Vinhos. Apenas os alimentos mais caros e de qualidade, assim como as poções mais caras e de alta periculosidade e os vinhos mais finos e exclusivos. Produtos apenas de consumo de puros sangues ricos e com mão de obra explorada, um gerente nada confiável e com lucros astronômicos. — Informou Falc claramente enojado. — Nenhum deles ficou muito feliz com minha visita, principalmente, porque sua situação ainda não fora divulgada, aleguei que estava representando membros da Família Black que não puderam assumir a herança antes e como tinha a autorização do próprio Ministro, eles cederam.

— Quero começar a agir de imediato Falc, não importa o trabalho que dê, nunca pensei que acabaria administrando os negócios Blacks, mas agora que sou o único herdeiro que restou quero fazer uma revolução. Ainda que você está certo, precisamos procurar alguém que entenda sobre produções e segurança no trabalho, ele poderia ser um Gerente Geral supervisionaria todas as fabricas e os Gerentes de cada área especializado. — Comentou Sirius animadamente.

— Isso é uma ótima ideia Sirius, precisamos procurar alguém no mercado com essa capacidade, nem que seja necessário ser um estrangeiro. Ele poderia nos ajudar a colocar as ideias do Harry em prática, principalmente, as ideias do Grupo Empresarial. — Disse Falc e pegando uma nova pasta. — Queria conversar com você sobre uma antiga Fábrica de sua família que está desabilitada desde o fim do século passado. A Industria de Instrumentos de Astrologia que foi o que iniciou a fortuna Black entrou em falência devido à pouca procura e interesse pela Astronomia e os produtos serem caros demais para os poucos interessados. Os alunos de Hogwarts têm menos aulas, fazem menos experiências e praticamente não aprendem mais ou fazem pesquisas nessas áreas, o que é uma pena. Mas a Fábrica está lá abandonada com tudo o necessário, ainda que precise de certa modernização e manutenção, para voltar a funcionar, produzir e gerar muitos empregos. — Mostrou Falc os documentos e fotos da Fábrica em questão.

— Mas se não tem mercado? — Sirius Perguntou curioso, Astronomia sempre fora uma das suas matérias favoritas.

— Tem mercado para produtos mais baratos e alguns menos complexos, para os alunos de Hogwarts, por exemplo. E podemos considerar a exportação, em outros países, como o Egito ou a Grécia, a Astronomia continua forte. — Falc se mostrou empolgado. — Sua família era conhecida por fazer os melhores instrumentos de Astronomia e aposto que os segredos estão em algum Grimoire guardado em seu cofre familiar.

Sirius sorriu animado com a ideia, poderia retomar a antiga Fábrica e tradição de sua família e criar novas, como o tratamento justo dos funcionários e produtos de consumo mais popular. Ele não pode deixar de pensar que sua querida mãe e pai estariam se revirando em seus túmulos e seu sorriso aumentou.

— Agora sobre as propriedades, você tem a Mansão Black em Londres e outra em Berlin. — Continuou Falc e o sorriso de Sirius morreu rapidamente. — Confesso que com a quantidade de dinheiro que sua família tem, esperava mais propriedades.

— Meus pais não gostavam do campo, acho até que meus avós viveram em uma casa de campo que ficava na região de Bath até que morreram. Mas depois eles a venderam, detestavam qualquer coisa que não fosse Londres, diziam que o campo era lugar de trouxas e sangue sujos pobres. E detestavam os estrangeiros igualmente, com exceção de Berlin, onde frequentavam festas exclusivas de pessoas com os mesmos pensamentos puristas. Alguns que lutaram ao lado de Grindelwald ou o financiaram. — Contou Sirius com uma careta de desgosto e raiva só de pensar em sua infância. — Deixe essas casas como estão, não me sinto preparado para sequer pensar nelas, quanto mais visitá-las.

— Muito bem, vamos então nos concentrar nas empresas e em visitar as propriedades que herdou de seu tio, como você disse... — E assim a reunião prosseguiu com mais e importantes decisões alterando o mundo mágico.

E o mundo mágico estava vivendo um momento inédito em sua história, as informações não estavam sendo abafadas e sim divulgadas. Mudanças, demissões e especulações estavam nas manchetes do Profeta Diário e Pasquim e em discussões na rádio bruxa diariamente. O povo se indignou e revoltou e se apavorou de que se algo assim acontecera com um importante membro de uma família puro-sangue rica, o que não poderia acontecer com eles? E se Crouch conseguiu cometer tal ato de corrupção o que mais não estava sendo feito dentro das paredes do Ministério que eles não sabiam? Se lobisomens foram assassinados sem comprovação de crime, quantos mais não tiveram o mesmo destino por serem meias raças ou nascidos trouxas?

Ministro Fudge que queria mais do que tudo seguir em frente e se esquecer dos últimos acontecimentos, viu sua vida virar um inferno. Era como a erupção de um vulcão, saindo por todos os lados e ele bem no meio sem saber o que fazer ou para onde ir.

Lucius Malfoy estava furioso por ter sido mantido no escuro por todos aqueles meses, exigiu mais informações, se recusou a aceitar as explicações de Fudge sobre estar magicamente impedido de falar sobre as investigações. E, quando soube que os lucros das empresas Black que os dois vinham dividindo entre eles ao longo dos anos cessaria e teria que ser devolvido, chegou muito perto de cometer um assassinato. Fudge com instinto de preservação a flor da pele, se recusou a recebê-lo novamente e deixou bem claro que se Malfoy não devolvesse o dinheiro, o desvio e roubo seriam descobertos e os dois iriam para a cadeia.

Dumbledore também apareceu exigindo informações e a localização de Black, que Fudge não tinha. E se mostrou muito contrariado com a coletiva, que achava desnecessária e por não ter sido comunicado, pois assim ele poderia estar presente e explicar o que acontecera ou, ao menos, mostrar seu apoio. O Ministro explicou que fora uma exigência de Black e que o Sr. Balmat não queria o envolvimento de Dumbledore em nada, porque não queria que a imparcialidade da investigação fosse questionada. E quando o diretor tentou lhe aconselhar sobre os próximos passos, Fudge o ignorou, pois estava zangado com Dumbledore que ele considerava responsável direto por toda essa bagunça que caiu em seu colo. Como durante todos aqueles meses ele se apegara a Bones, muito mais paciente e que parecia não querer assumir seu lugar, Fudge decidiu ouvir mais a Chefe do Departamento de Leis. E foi graças a seu fiel e forte apoio que ele conseguiu lidar razoavelmente com as críticas e protestos sem fim.

O momento mais difícil foi quando advogados surgiram exigindo uma análise apurada das investigações, procedimentos legais e julgamentos de seus clientes que estavam presos em Azkaban pelos mais diversos crimes. Muitos ameaçaram pedir a anulação dos julgamentos e a desconfiança no trabalho auror e do Tribunal de Justiça era crescente. Madame Bones criou um grupo para verificar caso a caso conectando com as investigações efetuadas pela equipe jurídica da ICW. Se recusou a considerar qualquer tentativa de libertar criminosos condenados por alguma brecha legal.

Mas o pior aconteceu quando um número assustador de pessoas apareceu alegando que seus familiares tinham desaparecido no período de guerra. Criou-se uma comissão apenas para filtrar os que sabiam com certeza que seus parentes eram lobisomens, dos que não tinham certeza. E assim eles se dividiram em dois grupos, o primeiro para comprovar os nomes das vítimas diante das informações registradas pelos aurores durante aquele período ou confessas por Crouch e Sparks. E outro para investigar o desaparecimento de todas aquelas pessoas que, em sua maioria devem ter sido assassinadas por comensais da morte, mas que nunca tiverem seus casos investigados como se deve.

A pressão era grande e ele chegou a temer que perderia o cargo, mas Fudge apresentou as mudanças e novas leis que seriam criadas. Isso pareceu acalmar o povo que percebeu que o atual Ministro e Chefe do DELM estavam empenhados em não permitir que tais terríveis atrocidades voltassem a ocorrer e punir os culpados. A doação de Sirius Black para restruturação do Departamento Auror também se mostrou uma grande vantagem. Eles convocaram um número enorme de bruxos e bruxas que tinham interesse em ser aurores e prometeram treinamento e capacitação, mesmo para aqueles que não tivessem as notas exigidas em seus NOMs.

Também ouve a contratação de jovens para treinamento da área de direito e promoção de alguns advogados em juízes. Os juízes mais velhos que se recusaram a aceitar as mudanças foram afastados e alguns aposentados compulsoriamente. Madame Bones e o Chefe Auror Rufus Scrimgeour se mostraram linha dura e os outros departamentos começaram a temer que eles também sofressem consequências de todo o desastre, mas pelo menos inicialmente o foco era o 2º andar.

Fudge depois que se conformou com a obrigatoriedade da coletiva e anúncio tentou voltar a abafar tudo e proibir que o Profeta publicasse mais sobre o assunto. Mas Bones, inteligentemente, o aconselhou a ser transparente e informar a população que eles estavam agindo e quais eram essas ações. Fudge então passou a falar mais abertamente tanto no jornal como na rádio bruxa, e apesar de um péssimo Ministro, era carismático e conseguiu acalmar boa parte da população. Ainda que talvez pela primeira vez muitos ouviram e olharam com mais atenção, questionando, não completamente tranquilizados ou confiantes.

Enquanto a semana de Sirius e do Ministro era cheia de desafios, mas muito produtiva, a de Harry e seus amigos foi incrivelmente ocupada. Com o fim das férias de páscoa os professores entraram em um frenesi de preparação para os exames. Como seu grupo já tinha uma rotina de estudos e preparações extras, Harry não sentiu muito, ainda que a grande quantidade extra de deveres de casa tomou muito de seu tempo. O clima na escola era sombrio e meio frenético, um zunzunzum constante sobre os acontecimentos descobertos e agitação pelos estudos extras tomou conta dos alunos em todos os lugares. Os professores tiveram que chamar a atenção deles em sala de aula e exigir foco.

Prof. Flitwick ajudou os alunos que alegaram ter familiares desaparecidos a se comunicarem com seus pais e os manteve informados das ações do Ministério. Ainda que todos puderam acompanhar essas ações pelos jornais e a rádio bruxa que estava ligado quase o tempo todo nas salas comunais.

Quem mais se destacava eram Prof.ª McGonagall que andava muito pálida e abatida e Snape que parecia ainda mais zangado e sem paciência com todos, até os Slytherins sofreram com sua ira, fato inédito. E, claro, muito alunos em tom de sussurro comentaram a ausência prolongada de Dumbledore, os alunos pareciam inibidos em falar mal do diretor, mas muitos não se contiveram de questionar suas ações e falta de explicações.

Depois que ele se abriu com seus amigos o grupo não conseguiu se reunir e falar sobre os planos e ideias que já estavam sendo colocadas em prática. A mais ansiosa era Penny, que até procurou Harry para dizer que queria trabalhar com ele durante o verão, ele apenas acenou e lhe disse: "Está contratada! ". O que a fez se afastar saltitante de animação.

Neville disse que gostaria de ajudar, mas que infelizmente sua avó controlava sua herança, tomava suas decisões e pior, era amiga de Albus Dumbledore. Harry disse que tudo estava bem, o importante seria, durante o verão, Neville manter seu treinamento e comprar uma varinha, além de aparecer para visitá-los sempre que possível. Isso fez seu amigo corar, claramente feliz por ter amigos, Harry, que se sentia do mesmo jeito o entendeu muito bem. Terry como um bom Ravenclaw estava muito focado nos estudos e decidiu deixar todo o resto para os adultos resolverem ou para eles lidarem durante o verão. E Hermione era sem dúvida a mais abalada, Harry a viu escrever para os pais com mais frequência e adivinhou que ela estava com saudades deles. Talvez por estar cercada por adultos em quem não conseguia confiar ou que a decepcionaram de um jeito ou de outro. Terry conseguiu conversar com ela, mas dava para ver como a impaciência e revolta se transbordava dela. No fim foi o Harry quem conseguiu direcioná-la ao lançar o desafio de quem seria o melhor aluno de seu ano nos exames. Hermione lhe lançou um olhar que deveria tê-lo assustado, mas Harry apenas levantou a sobrancelha e sorriu malicioso.

— Um galeão que sou eu que ficarei em primeiro lugar. — Disse ele.

— Apostado e pode desistir agora porque você já perdeu. — Disse ela e logo também mergulhou nos estudos de preparação para os exames.

No fim de semana como eles planejaram, conseguiram uma folga no domingo à tarde para ir plantar as flores e as árvores. Neville apareceu com um carrinho de mão onde eles colocaram os vasos e depois lentamente caminharam para a Floresta Proibida empurrando o carrinho e carregados de ferramentas. Hermione e Terry se preocuparam, mas Harry insistiu que iriam para perto do lago e não para dentro da Floresta e que nenhum professor era necessário, muito menos Hagrid que com certeza contaria para Dumbledore o seu projeto. Fazer esse jardim era algo especial e íntimo e não queria que ninguém se sentisse no direito de se intrometer.

Neville o apoiou e assim no fim da tarde eles seguiram caminho na borda da Floresta onde viam as margens do lago e não demoraram muito para encontrar uma pequena clareira, como um nicho com grama verde e Harry parou sorrindo, podia imaginar as duas árvores grandes e fazendo sombra para sentarem cercados de jacintos e lírios.

— Aqui me parece perfeito. — Disse ele olhando para os amigos.

— Concordo Harry, tem espaço para as duas árvores crescerem sem se incomodarem e suas copas vão se unir quando forem adultas. Estão perto o suficiente do lago, com sombra e sol nas medidas certas para não prejudicar as flores. — Disse Neville começando a descarregar o carrinho.

— Mas durante o inverno as flores não morrerão? — Perguntou Terry ajudando o Neville.

— Essa é uma Floresta mágica e vamos usar magia para plantar as flores e conectá-las com a magia da Floresta. — Explicou Harry, desde que começara a se interessar mais por Herbologia e queria plantar seu jardim sem que ele morresse no inverno, ele pesquisara sobre o assunto junto com Neville e seu amigo ainda fizera muitas perguntas a Sprout.

— Como? — Hermione se aproximou ansiosa por aprender algo novo.

— Primeiro temos que conectar nossa magia com a magia da Floresta. Depois pediremos a ela que proteja e acolha o que oferecemos em agradecimento e amor por tudo o que nos é dado. Cada um pode oferecer um agradecimento ou oferta pessoal, quando sentirmos que ela aceitou nosso presente e agradecimento, abriremos os buracos no chão com as pás. E ao colocar cada muda apontaremos nossa varinha para a planta e diremos o feitiço Magicis Nexum e fecharemos com adubo e terra. — Explicou Harry calmamente, todos acenaram e fecharam os olhos buscando a conexão com a Floresta.

Harry suspirou chamando sua magia facilmente e se abrindo para tudo o que estava vivo a sua volta. A magia da Floresta o acolheu como uma amiga, suave e afetuosa, o que o fez sorrir. Harry explicou sobre sua dor e o desejo de agradecer a magia pela vida, ao seus pais e avós por sua existência, seus legados e amor, sobre seu desejo de honrá-los e como queria ofertar vida e não morte. Pediu que ela acolhesse e protegesse sua oferenda e enviasse o seu amor para sua família em forma de energia e magia. Harry podia sentir o amor da Floresta o envolvendo, agradecendo e assegurando, se engasgando pela emoção ele abriu os olhos e percebeu que estava chorando. Enxugando as lagrimas do rosto Harry se ajoelhou e calmamente começou a cavar um buraco para a árvore de Faia, a árvore da vida, ele gostava dela, muito mesmo.

Seus amigos aos poucos se juntaram a ele, Neville pegou a Cerejeira e a posicionou a uns 5 metros de distância da Faia e começou a cavar. Orientados por eles, Terry e Hermione, começaram a replantar as flores criando um jardim em volta das árvores e deixando o centro com a grama para eles se sentarem. Apesar de trabalharem em silencio e diligentemente, foram mais duas horas antes que todas as mudas estivessem replantadas.

Satisfeito Harry se levantou e olhando para o bonito trabalho deles sorriu e agradeceu a Floresta que suavemente enviou uma brisa que lhe agitou os cabelos e pareceu envolver o jardim. Parecia agora que não haviam sido plantados naquele momento e sim a muito tempo, como se fizessem parte da Floresta.

— Incrível. — Sussurrou Hermione e todos acenaram e sorriram concordando.

Eles ficaram mais alguns segundos e depois Terry disse que era melhor voltarem, ia escurecer em breve. Depois de recolherem as ferramentas e colocarem no carrinho de mão vazio, os quatro refizeram o caminho, mas não andaram nem 50 metros quando Harry parou sentindo uma energia negativa por perto. Ele parou e viu seus amigos andando mais um pouco enquanto olhava em volta, mas logo Neville parou também e o encarou arrepiado assim como Harry.

— O que é isso? — Disse Neville se abraçando, a tarde quente de primavera de repente ficara fria.

— Você sentiu também?

— O que? Do que vocês estão falando? — Hermione perguntou confusa.

— Harry se está sentindo algo errado o melhor é nos apressarmos e não parar. — Disse Terry olhando em volta preocupado, confiava nos instintos do amigo.

— Ssshhhhh. — Disse ele baixinho e fechando os olhos estendeu sua magia sentindo o perigo, a escuridão, mas não era na direção deles.

A Floresta se agitou e a brisa fria aumentou, Harry abriu os olhos e encarou os amigos, todos pareciam sentir o mesmo que ele agora e se abraçavam olhando em volta assustados.

— A Floresta está pedindo ajuda, tem algum perigo que tenta feri-la. — Disse Harry urgentemente e as árvores se agitaram com mais urgência.

Sem hesitar Harry tirou sua varinha e deu alguns passos, mas foi seguro por Terry.

— Irmão, seja o que for não podemos ajudar, é muito perigoso. Vamos correr para o Hagrid e pedir ajuda. — Disse Terry urgentemente, mas neste momento a Floresta pareceu gritar de dor e todos se encolheram.

— Está em perigo! Preciso ajudar! Vocês voltam e busquem o Hagrid! — Gritou o Harry e sem hesitar se soltou e saiu correndo se lançando para dentro da Floresta Proibida.

Sua veloz corrida foi guiada por sua magia que estava conectada com a magia da Floresta e sabia onde estava o perigo, onde a ajuda era necessária. Harry era rápido e em segundos correra centenas de metros e pode sentir a urgência aumentar o perigo se aproximar. Sem perder o fôlego ele correu como nunca antes pela Floresta que ficava cada vez mais escura e densa, as copas se fechando e não permitindo que o sol do fim da tarde penetrasse. Quando Harry adentrou em uma clareira, silenciosamente, viu uma criatura encapuzada inclinada sobre um unicórnio bebendo seu sangue de uma ferida no pescoço.

Ele viu tudo nos segundos em que entrou na clareira e naqueles segundos ele soube o que fazer. Se conectando com sua capa, Harry pediu que ela o protegesse e não houve dúvidas ou confusão, a capa entendeu e acolheu o pedido de seu mestre e se soltando da braçadeira ela magicamente e suavemente o abraçou. Enquanto isso Harry continuou em seu passo de corrida e apontando para a criatura encapuzada, sem hesitar gritou:

— Depulso! — O feitiço atingiu a criatura lateralmente e o jogou longe, girando na direção das árvores, mas antes que pudesse atingi-las, o ser encapuzado parou e plainou em pleno ar e lentamente pousou como se voasse.

Surpreso, Harry agora invisível deteve sua corrida em frente ao unicórnio pronto para protegê-lo, mas a viu a criatura vir na sua direção deslizando meio que de gatas como se fosse um animal caçando a presa. Movendo-se rapidamente, Harry se afastou para a esquerda e lançou outro feitiço.

— Estupefaça! — E ainda correndo deu a volta na criatura tentando afastá-la do unicórnio, mas ela se desviou do feitiço e veio em sua direção como um imã, como se soubesse onde estava, era como se ele estivesse visível.

Harry parou, tentando entender e viu a criatura se aproximar ainda mais, decidido a afastá-la, gritou:

— Incendio! — O jato de fogo não era muito potente, mas foi o suficiente para a criatura parar e lançar sem palavras uma barreira de Protego.

Harry se moveu correndo e silenciosamente deu a volta novamente no que ele sabia agora era um bruxo encapuzado e durante a corrida voltou a lançar um "Depulso", depois terminou a corrida de volta em frente ao unicórnio. O bruxo que se protegera facilmente de seu último feitiço se virou na sua direção e foi quando Harry sentiu uma dor como ele nunca sentira antes, varou sua cabeça, como se a sua cicatriz estivesse em fogo, chocado e meio cego, ele recuou cambaleando. E foi quando percebeu que o bruxo tentava acessar sua mente, se firmando, apesar da dor, Harry reforçou suas defesas mentais e sutilmente, mas com poder afastou a tentativa de invasão.

Durante os segundos de sua luta para ocluir sua mente o bruxo encapuzado se aproximara, estava a três metros e levantou sua varinha para amaldiçoá-lo. Harry estava pronto para lançar seu Protego, quando ouviu o som de cascos às suas costas, galopando, e alguma coisa saltou por cima dele e atacou o vulto. Confuso e aliviado ele viu o encapuzado fugir na direção das árvores com um centauro o perseguindo.

Movendo o braço, Harry pediu a capa para ir para a braçadeira, o perigo se fora, a capa parecia hesitar, mas o atendeu. Quando o centauro jovem de cabelos louros prateados e o corpo baio se virou, Harry já estava totalmente visível e sua capa guardada.

— Você está bem? — Perguntou o centauro, se aproximando de Harry.

— Estou bem, muito obrigado por sua ajuda. — Disse Harry firmemente.

O centauro não respondeu. Tinha espantosos olhos azuis, como safiras muito claras. Quando chegou a poucos passou mirou Harry com atenção, demorando o olhar na cicatriz que se sobressaía, lívida, em sua testa.

— Você é o menino Potter. O que faz aqui? Este não é o lugar para você, a Floresta é muito perigosa. — Disse o centauro preocupado.

Olhando para o unicórnio ferido, mas ainda vivo e a urgência da Floresta por sua ajuda, Harry olhou-o e disse:

— Está errado, Sr. centauro. Estou exatamente onde deveria estar. E no momento certo.