Capítulo 34
A batida firme ecoou na manhã silenciosa e em poucos segundos a porta se abriu apenas uma fresta revelando olhos amedrontados e desconfiados. Quando o viu parado sozinho na entrada, os olhos de Petúnia se apertaram da contrariedade que Harry estava acostumado e ela abriu o resto da porta, lhe dando passagem e olhando em volta procurando por um bruxo adulto, com certeza. Ele entrou e também olhou em volta procurando as fontes de maior incomodo, seu tio e primo, mas não os encontrou. Quando sua tia fechou a porta, Harry tomou a iniciativa.
— Sinto muito voltar mais cedo, mas sofri um acidente e o diretor achou que estar aqui me ajudaria a me recuperar melhor e acabar com os pesadelos. Pelo menos vocês não têm que me buscar na estação. — Disse ele educado, mas firme. — Onde estão tio Vernon e Duda?
Petúnia que abrira a boca para repreendê-lo a fechou um pouco desconcertada, seu sobrinho raramente falava ou fazia perguntas e nunca em um tom tão seguro.
— Seu tio está no trabalho, a carta chegou depois que ele já tinha saído, achei melhor não o avisar porque tem uma reunião importante e não queria que ficasse mal-humorado. — Disse ela secamente e muito contrariada. — Duda ainda está no colégio, pessoas normais não largam seus compromissos sem mais. Foi muito desconsideração do seu diretor enviar uma carta e jogá-lo aqui logo depois. E se eu tivesse algum compromisso? E se estivéssemos viajando ou algo assim?
— Concordo plenamente e eu também fui pego de surpresa, mal tive tempo de arrumar minhas coisas e me despedir dos meus amigos. — Disse Harry acenando e seus olhos verdes brilharam de irritação. — E, acredite, preferiria ter ficado mais esses três dias com eles e voltar para Londres de trem, mas descobri nos últimos meses que Albus Dumbledore sempre faz o que ele acredita ser o melhor, sem levar em consideração a opinião dos interessados.
Petúnia abriu a boca e parou ainda mais desconcertada ao não encontrar nada para contrariar ou castigar em suas palavras e pelo compartilhamento estranho de opiniões e irritação.
— Bem. E onde ele está? Espero que não tenha desfilado pela rua com suas roupas anormais, os vizinhos teriam assunto por semanas para fofocar sobre nós. — Disse ela desviando o olhar de seus intensos olhos verdes e indo até a janela, espiar a rua e os vizinhos.
— Não, tia Petúnia, ele me deixou no parque e vim sozinho, eu lhe disse que você não ficaria feliz em vê-lo. — Disse Harry, sem se preocupar em mentir, ninguém teria coragem de dizer nada na frente dela, só fofocariam por traz como a própria tia fazia, portanto, ela jamais descobriria a verdade.
— Muito bem, suba e guarde suas coisas em seu quarto, vou lhe dar uma lista de tarefas para fazer. Onde estão suas coisas? — Perguntou olhando e percebendo apenas agora que ele não tinha o baú com o qual estava quando partira em 1º de setembro e também que usava roupas novas, e couro, como ele ousa vestir uma jaqueta de couro como um punk? Seu rosto se tornou ainda mais azedo, mas Harry apenas sorriu e pegando seu baú do bolso mostrou a ela, seu sorriso aumentou quando seus olhos se arregalaram.
— Minhas coisas estão todas guardadas aqui em meu baú que está encolhido, eu apenas uso um feitiço simples e ele volta ao tamanho normal, assim não preciso viajar com um baú grande e pesado. Magia é incrível, não é? — Disse com um tom provocador.
Sua tia empalideceu e seus lábios finos quase desapareceram diante de suas palavras finais.
— Como ousa falar da sua anormalidade em minha casa, eu não contei de sua visita em dezembro ao seu tio, mas se não se comportar falarei de seu desrespeito e atrevimento. — Disse ela com raiva. — Agora faça o que mandei, vou preparar uma lista de tarefas, isso deixará Vernon menos mal-humorado quando chegar e te encontrar trabalhando.
— Não. Lamento tia Petúnia, mas não tenho a menor intenção de trabalhar sem parar feito um escravo para vocês. Sei que nenhum de nós gosta de viver sob o mesmo teto, mas como me parece que isso é inevitável, por enquanto, acredito que precisamos estabelecer algumas coisas. — Disse Harry e entrando na cozinha se sentou na cadeira e esperou.
Petúnia entrou como um foguete e o olhou furiosa.
— Não ouse me enfrentar na minha casa! Você fará o que eu mandei, garoto! — Gritou ela e Harry fez uma leve careta quando sua voz arranhou seu ouvido, tinha esquecido que sua voz era um pouco aguda.
— Sente-se tia Petúnia e pare de gritar, você não quer que os vizinhos a ouçam, não é? O que eles pensariam da sua família perfeita se lhe ouvissem gritando com seu sobrinho em sua primeira hora em casa e depois de não o ver por meses e meses. — Disse Harry com uma expressão ironicamente séria.
Sua tia arregalou os olhos apavorada e voltou a olhar pela janela como querendo ter certeza que ninguém lhe ouvira ou estava espiando do jardim.
— Vamos nos sentar e conversar como pessoas normais, não é assim que a senhora gosta de se classificar? Normal? Bem, pois então vamos esclarecer algumas coisas aqui e agora. — Disse Harry agora sério de verdade e quando a viu o olhar com raiva e hesitar, continuou. — Ou podemos esperar até o tio Vernon chegar e resolvemos na sua presença, mas, como você está cansada de saber, ele é um pouco explosivo e dificilmente conseguiremos conversar, serão só gritos e ameaças, ele poderia até perder a cabeça e ficar agressivo. Se isso acontecer eu seria obrigado a me defender e ao em vez dos vizinhos ouvirem gritos, eles verão luzes brilhando. — Harry sorriu agradável, mas seus olhos eram frios. — Então, resolvemos agora ou mais tarde? — E ele sacou a varinha com habilidade e a pousou sobre a mesa, entre os dois.
Sua tinha empalideceu e dessa vez seus olhos se arregalaram de medo de verdade, Harry não gostou disso, mas sabia que precisava se defender.
— Você está me ameaçando? — Perguntou ela com voz engasgada.
— Não, não a senhora, tia Petúnia. — Disse ele sincero e a viu acenar e se sentar lentamente na cadeira em sua frente. — Estou apenas explicando que vou me defender se me sentir ameaçado e acredito que podemos resolver isso entre nós dois, até porque sei que a senhora não gosta de violência. A senhora me defendeu do tio Vernon muitas vezes, lembra-se? — Perguntou Harry levantando a sobrancelha, sua tia parecendo levemente envergonhada olhou para as mãos pousadas na mesa e evitou seus olhos.
— Eu me lembro. — Disse com voz ríspida.
— Sim, eu também me lembro, foram muitas as vezes em que o tio Vernon quis me bater e a senhora não permitiu. Se colocou na frente dele, dizia que os vizinhos ou professores poderiam denunciar para a polícia se vissem marcas e assim, para conter sua raiva, o convencia que era melhor me trancar no armário ou me fazer trabalhar mais, me deixar sem refeições. — Harry não deixou de olhar seu rosto com atenção, muito mais atento e cuidadoso em ler as pessoas e a viu lançar um olhar rápido em direção ao mencionado armário. — Minha vida aqui foi bem difícil, mas sei que se não fosse pela senhora teria sido ainda pior e agradeço, mesmo que a senhora tenha me defendido por conveniência e não porque se importa comigo, eu ainda sou grato.
Petúnia o olhou para ver se estava sendo sincero e se deparou com aqueles olhos verdes que sempre a enchiam de pesar, tristeza e ciúme. Harry lhe devolveu seu olhar com intensidade e por fim ela se desviou e acenou aceitando seu agradecimento.
— Mas suas punições criaram outro problema, eu descobri, com a curandeira da escola, que sofro de nanismo nutricional. Sabe o que é isso, tia Petúnia? — Harry perguntou com frieza e vendo seus olhos arregalados e leve aceno, sorriu ironicamente. — Que bom, ainda que não me importaria de explicar que todas as punições de ficar sem refeições ou o pouco que me davam, quando me davam, causou minha doença.
— Você deveria ser grato, não tínhamos obrigação de ficar com você, colocamos um teto sobre a sua...
— Blá, blá, blá, blá, blá... — Harry a interrompeu com sarcasmo, viu seu olhar de choque por seu desrespeito. — Por favor, poupe-nos do discurso favorito do tio Vernon e daquela cadela da irmã dele, já ouvimos o suficiente. E sei que a senhora a detesta e seus cachorros tanto quanto eu, assim. — Disse ele com todo o desprezo que conseguiu. — Mas, já que a senhora tocou no assunto vamos esclarecer mais esse ponto, porque perder a oportunidade. A senhora tem razão, não tinham obrigação de ficar comigo, então porque ficou?
Sua tia que ainda o olhava surpresa por sua maneira segura e sarcástica de falar e as palavras que muitas vezes ela mesmo pensou sobre a cunhada, pestanejou, surpresa com a pergunta que saiu como um tiro.
— Eu…, os vizinhos, eles saberiam que eu deixei meu próprio sobrinho em um orfanato e...
— E sabemos que isso é uma tremenda mentira, por favor, tia Petúnia, eu sou filho da minha mãe e acredito que quase tão inteligente quanto ela foi. — Harry a interrompeu outra vez divertido e viu seus olhos se arregalarem de surpresa. — Sim, e eu aprendi a usar meu cérebro também. E ao refletir sobre essa desculpa esfarrapada, não compreendo por que apenas não disse aos vizinhos, já que suas opiniões lhe importam tanto, que alguém da família do meu pai apareceu e me levou para viver na Escócia ou Irlanda? Teria até a desculpa da distância para que nunca os visitasse. Assim, a verdade, por favor. — Disse ele com as sobrancelhas arqueadas.
— Ok, aquele seu diretor disse na carta que deixou com você, quando o largou na porta, que havia uma proteção poderosa e que por isso você precisava ficar aqui. — Disse ela contrariada e ansiosa.
— Proteção poderosa? — Harry perdeu o folego. — Ele explica o que ou como existia essa proteção?
— Eu não sei, eu li a muito tempo a carta, se tinha uma explicação não me lembro os detalhes, mas era importante que eu o aceitasse em minha casa, algo a ver com sangue, que temos o mesmo sangue. Se o aceitasse ativava a proteção e você teria que chamar a minha casa de sua casa até a maioridade, isso nos tornaria a todos seguros dos de sua espécie. — Disse Petúnia com desprezo. — Considerei um preço baixo a se pagar para não ter que ver nunca mais essas aberrações, tinha esperança que você seria normal e Vernon se convenceu que se lhe desse algumas surras sufocaria qualquer anormalidade...
— A palavra é magia! — Disse ele além de irritado e batendo com força a mão na mesa. — Pode falar, não pega, não mata, não muda sua normalidade ao dizer a palavra, tia Petúnia. Eu sou um bruxo e faço magia, ponto.
Sua tia parecia ter engolido o maior e mais azedo limão do mundo e olhou para o jardim para ter certeza que ninguém o ouvira.
— Não fale disso na minha casa! Os vizinhos poderiam ouvir. — Disse ela rispidamente.
— Você ainda tem a carta? — Perguntou, ignorando sua reprimenda.
— Sim, devo ter ela em algum lugar, mas o que isso importa? — Sua tia estava irritada e ansiosa. — Depois que te aceitei não podia mais te mandar embora e a proteção não era apenas para você, era para mim e Dudley também. Ele disse que o assassino louco estava desaparecido, mas que tinha seguidores que poderiam vir atrás de mim para saber onde você estava escondido. Disse que eles me torturariam e matariam a minha família!
Harry não disse nada sentindo seu coração se apertar, o que raios era essa proteção? Se tinha ligação com sangue, teria haver com o sacrifício de sua mãe? Percebendo que sua tia o olhava esperando uma resposta, suspirou e acenou cansadamente, eram apenas mais perguntas e ele queria as malditas respostas.
— Se a senhora puder me entregar a carta, eu preciso entender as ações de Dumbledore. É muito importante. — Disse ele, sua tia o encarou e percebendo sua seriedade, acenou concordando. — Bem, se a senhora ficou comigo para se proteger e ao Dudley então foi sua escolha e não vou lhe agradecer pelo teto, pelo mísero de comida, pelo armário e muito menos por todos esses anos de ódio.
— E o que você esperava que fizesse? Eu não o queria aqui e os castigos me pareceram menos ruim do que as surras que Vernon queria lhe dar. — Disse ela e Harry pode ver por seu tom defensivo que não se sentia completamente tranquila sobre as próprias ações.
— Acredito que nós dois sabemos que a senhora poderia ter feito muito mais se tivesse se importado o suficiente ou se tivesse amado minha mãe e por consequência me amado. — Disse Harry sem tirar os olhos dela e viu seu rosto empalidecer ainda mais, seus olhos como sempre evitaram os seus e encararam suas mãos. — Mas isso não importa mais por que acredito que a senhora já fez uma escolha e não vai voltar a atrás e para mim o passado também não interessa, só me importa daqui em diante. Estou fazendo um tratamento e vou me recuperar completamente, poderei ser tão alto como meu pai foi e tão poderoso como ele e minha mãe foram. Pelo que a senhora disse me parece claro que somos magicamente obrigados a viver juntos e não vou me submeter a escravidão doméstica de antes e muito menos ficar sem alimentação, preciso comer saudável e em grande quantidade para o meu tratamento. E não me importo sua opinião ou do tio Vernon sobre mim, não hesitarei em me defender e, se for necessário, procurarei a polícia trouxa e mágica. — Seu tom foi bem firme e a ameaça clara.
Petúnia o olhou apavorada e voltando a checar o jardim, disse:
— Você não ousaria!? Imagine o escândalo! Depois de tudo o que fizemos seu ingrato. — Disse ela ansiosa e sem folego.
— Depois de tudo o que fizeram vocês mereciam a cadeia! — Gritou Harry segurando sua varinha e estava com tanta raiva que faíscas azuis prateadas saíram da ponta.
Com medo sua tia se levantou e se afastou correndo da mesa.
— O que está fazendo? Mantenha essa coisa longe de mim. — Disse ela agudamente.
— Isso são apenas faíscas tia Petúnia, nada demais, quando fico com raiva minha magia fica mais instável e se estiver segurando minha varinha isso acontece. Não se preocupe, não vou machucá-la e muito menos explodir a casa. — Disse ele com um sorriso irônico.
Ela hesitou e devagar voltou a se sentar ainda olhando com desconfiança para sua varinha.
"A senhora já viu isso antes com minha mãe e eu, é chamado de magia acidental, quanto mais forte o sentimento, raiva, medo dor, maiores as possibilidades de as crianças fazerem magias acidentalmente. — Disse ele suavemente e observou em seu rosto uma expressão estranha. Conhecimento, talvez? — Lembra? Eu virei a peruca do meu odiado professor na cor azul e voei para o telhado da escola uma vez.
Harry não achava que sua tia queria saber essas informações, mas sabia que a melhor forma de eles resolverem, razoavelmente, a convivência forçada, era se ela tivesse menos medo da sua magia.
— Lily também voava... — Suas palavras foram tão baixas que Harry não teria entendido se não a olhasse com atenção.
— O que? — Disse em um sussurro assombrado, parecia que falar da sua mãe naquela casa exigia um tom secreto.
Sua tia o olhou de olhos arregalados como se não percebesse que falara em voz alta e ao ver seus grandes e ansiosos olhos verdes, engoliu em seco, lembrando de olhos verdes iguaizinhos, cheios de curiosidade e alegria.
— Lily... Ela fazia essa coisa acidental... Quando íamos ao parque... No balanço, ela se soltava lá no alto e voava, pousando no chão bem devagar... — Seu tom continuou suave, seu olhar distante no passado, Harry engasgou com a emoção de pensar em sua mãe, uma garotinha ruiva voando corajosamente do balanço. — Ou ela fazia as flores desabrocharem... Era um botão e um segundo depois uma flor... Às vezes quando estávamos no jardim as flores voavam em volta dela... Lily girava rindo e pulando, agitava os braços e as flores dançavam... — Sua voz terminou em um sussurro no final e Harry ficou em silencio, esperando que ela dissesse mais, no entanto, seu olhar voltou ao presente bruscamente com o barulho do telefone.
O som quase obsceno de tão trouxa a fez se levantar, confusa e depois horrorizada e sair da cozinha rapidamente. Harry suspirou sabendo que dificilmente ela falaria mais qualquer outra coisa sobre sua mãe, supunha que depois de 10 anos de nada, ele deveria se sentir grato por essas imagens tão doces. Sabia que jamais se esqueceria.
Quando ela voltou, sentando-se rigidamente e encarando suas mãos parecendo envergonhada por seu lapso, Harry decidiu agir normalmente, ou no caso, anormalmente.
— Não me surpreende que minha mãe poderia fazer todas essas coisas antes mesmo de ir para Hogwarts, meu professor de Feitiços disse que ela era a melhor aluna que ele já ensinou, disse também que eu herdei o talento dela. — Disse ele com um sorriso e viu a expressão azeda e contrariada de sempre voltar com força total. Decidiu seguir em frente. — Mas, voltando ao que eu dizia, magia acidental tem a ver com a emoção, sua decisão de me defender do tio Vernon provavelmente evitou muitas magias perigosas. Agora, eu tenho minha varinha e não vou hesitar em usar se você não o impedir de tentar me machucar e isso inclui trabalho escravo, alimentação ou estar trancado. — Concluiu ele firmemente.
— O que você propõe? — Perguntou ela rispidamente.
— Eu vou lhe ajudar em algumas tarefas, não me importo de ajudar com as refeições, gosto de cozinhar e aprendi muitos pratos no último ano. Além disso, preciso seguir uma dieta bem rígida, assim não me importo de cozinhar para mim ou toda a família, ir ao supermercado comprar os alimentos com você. — Disse Harry e a viu avaliar sua sugestão e depois acenar. — Ok, uma vez por semana, no sábado, poderia fazer um pouco de jardinagem, cortar a grama, podar as flores, não me importo e até gosto, tenho aulas de Herbologia e aprendi coisas novas, mas trabalharei na hora do sol mais fraco e farei pausas para lanches e descanso. Não vou concertar e pintar nada, não vou limpar essa casa inteira até brilhar e, se eu cozinhei, a louça quem lava é o Duda.
Sua firmeza e a menção do seu primo mais uma vez desconcertou sua tia que parecia querer discutir, mas ao encarar aqueles olhos verdes teimosamente familiares, desistiu e apenas acenou.
"Não espero que vocês me tratem bem, se me ignorarem já estarei satisfeito. Eu passarei algum tempo da semana na casa do meu amigo Terry, a senhora se lembra da mãe dele, a Sra. Serafina? " — Sua tia corou de raiva com a lembrança e Harry continuou. — "Ela é professora e seu pai também, Prof. Bunmi é um respeitado professor de Oxford e se ofereceu para dar aulas de assuntos trouxas, além de francês e latim, assim poderei me formar na escola normal e até fazer faculdade um dia." — Informou a ela e viu seu olhar surpreso. — "Eu vou deixar minhas coisas mágicas bem escondidas e farei meu deveres e treinamentos com Terry em sua casa, assim prometo que vocês não terão que se preocupar com nenhuma magia aqui. "
Sua tia ficou em silencio mais um pouco e por fim acenou, parecia razoável, ela pensou, apenas...
— E se o Vernon não aceitar? — Perguntou ela preocupada.
— Tia Petúnia, eu já lhe disse o que pode acontecer e minhas ameaças não são vazias, tio Vernon sempre gostou de me ver infeliz e não vou sofrer durante todo o verão para satisfazer sua mesquinhes e maldade. Aguentei isso o suficiente a minha vida toda, a senhora o convence que esse acordo é para o melhor de alguma maneira e poderemos conviver, razoavelmente. — Harry falou com firmeza deixando claro sua determinação.
— Ok, você fica no seu quarto quando seu tio chegar e conversarei com ele, vou convencê-lo. — Disse ela e dava para ver que estava ansiosa. — Amanhã, você começa a arrumar o jardim, isso vai aplacá-lo um pouco, ele não vai gostar nada de seu retorno mais cedo.
— Como disse, eu não tive escolha. — Disse Harry mal-humorado. — Vou trocar de roupa e desço para te ajudar com o almoço, já estou com fome, o café da manhã parece que foi ontem.
Harry não esperou por uma resposta e subiu para seu quarto ou antigo segundo quarto de Dudley e suspirou ao ver a bagunça e sujeira, sua tia não se preocupou nem em tirar o pó. Abrindo a janela para arejar lamentou não poder usar magia para limpar tudo em instantes, teria que ser tudo do jeito trouxa. Pegando seu baú, com o toque da varinha o ampliou e abrindo pegou uma roupa mais leve e simples, sabia que couro não ia agradar seu tio e não estava disposto a provocá-lo. Se houve algo bom de voltar para casa hoje foi poder conversar com sua tia antes dele chegar, isso evitaria, talvez, brigas e discussões. E o melhor, Harry conseguira ter uma conversa razoável com ela e saber algo novo sobre sua mãe, talvez, pensou, tia Petúnia não teria tanto medo da magia se Harry falasse disso normalmente e despertasse sua curiosidade. Suspirando, moveu a cabeça negativamente, tentara de tudo para agradar e conquistar o amor de sua tia e nunca conseguira, estava sendo tolo em acreditar que ela poderia mudar agora.
Ele desceu e abrindo a geladeira, suspirou de novo, praticamente só havia comidas industrializadas e cheias de gordura e açúcar. Encontrando queijo e ovos, alguma cebola e tomates, abriu o armário e pegou ervilhas, no freezer encontrou um meio frango assado e rosbife, mas não muito, havia carnes congeladas, mas isso só para o jantar. Quando sua tia entrou na cozinha o viu preparar uma grande e cheirosa omeletes e esquentando o frango e rosbife.
— Não tem quase nada saudável que eu posso comer, tia Petúnia. Teremos que ir ao Tesco hoje mesmo. — Disse Harry habilmente controlando as panelas.
— Como é essa dieta saudável que você precisa seguir, afinal? — Disse ela irritada enquanto arrumava a mesa para os dois almoçarem.
Harry explicou sobre as poções, seus problemas para absorver nutrientes, seus exercícios e os tipos de comida e a forma como deveriam ser preparados. Ele os serviu, seu prato uma montanha que fez sua tia arregalar os olhos de surpresa, mas Harry a ignorou e comeu tudo, estava muito bom, pensou, e ao pegar o que sobrou na frigideira lhe ofereceu mais e quando ela recusou ele comeu tudo com prazer.
— As poções me dão muita fome, tia Petúnia e eu estou crescendo bem rápido, desde setembro foram 8 centímetros, logo alcançarei meus colegas de ano. — Disse ele e depois se levantou e começou a lavar a louça.
— Muito bem, faça uma lista, farei outra e podemos ir ao hipermercado, terá mais opções e produtos mais frescos do que o Tesco. — Disse ela pensativa e pegando um caderno na gaveta do armário e uma caneta, começou sua lista enquanto Harry terminava de limpar a cozinha.
Depois Harry fez a sua, sua tia subiu e desceu com outra roupa e os dois saíram com seu carro na direção do hipermercado. Quando chegaram eles se separaram, sua tia sabia que ele podia se virar sem problemas e Harry pode se concentrar em escolher tudo o que precisava. Voltaram para casa com o carro atulhado e depois que guardaram tudo Petúnia avisou.
— Não vou preparar dois tipos de pratos, o melhor é fazermos do seu jeito e apenas acrescentar algo que agrade o meu Duduzinho e não irrite o seu tio. — Disse ela de cara amarrada.
— Ok, porque não sentamos e fazemos um cardápio para a semana, assim podemos pensar em pratos saudáveis e acrescentar algo que eles gostam, com organização será mais fácil. — Sugeriu Harry, ela se mostrou pensativa, mas depois concordou, hesitantemente.
Em meia hora eles organizaram cafés da manhãs, lanches, almoços e jantares, sempre com pratos variados e frescos, mas com alguma fritura ou molho que agradaria aos outros dois membros da casa. Harry achou que ela foi muito razoável e se perguntou se foram suas sutis ameaças ou o fato de que, na verdade, sua tia também gostava de comer comidas mais saudáveis. Ela não era magra por acaso, afinal, durante toda a sua vida Harry a observou deixar de lado o bacon, os embutidos, os doces e preferir saladas e legumes.
Depois, Harry subiu com balde, panos e vassouras e faxinou seu quarto de cima a baixo, apesar da esperança de que ele não ficaria uma semana naquela casa, não pretendia viver naquele chiqueiro nem um dia que fosse. Com tudo limpo ele foi tomar banho, sabendo que quando seu tio chegasse ficaria irritado ao ouvi-lo no banho.
Dudley, mais gordo que nunca, chegou às 4 muito mal-humorado e resmungando que estava com fome, sua tia já tinha chá e sanduíches preparados para ele e quando o viu na sala, sentado confortavelmente no sofá tomando seu chá, empalideceu.
— O que você está fazendo aqui? — Perguntou e colocou a bunda contra a parede como se quisesse protegê-la.
— Olá, Duda, tudo bem? Teve um bom ano? O meu foi incrível, aprendi muito. Estou aqui por que aqui é minha casa, lembra-se? — Harry não conseguiu evitar o sarcasmo e calmamente deu uma grande mordida em seu sanduíche e mastigou o olhando divertido. — Sente-se, os sanduiches estão incríveis.
— Mas... Mãe! — Gritou ele e sua tia apareceu.
— O que foi, Duudynho? Quer que mamãe prepare seu chá? — Perguntou com voz carinhosa.
— O que ele está fazendo aqui!? Eu não o quero aqui! — Gritou e depois olhou para o Harry com medo que ele o transformasse em um porco de verdade.
— O garoto voltou mais cedo, ele voltaria no domingo, mas... não se preocupe ursinho, ele vai se comportar. Querido, sente-se, você disse que estava com fome, preparei uns sanduiches bem gostosos. — Disse ela ansiosamente e preparou seu chá.
Dudley hesitou, mas a fome venceu e ele se sentou no sofá em frente ao Harry, sem tirar os olhos dele, pegou um sanduíche e deu uma gigantesca mordida. Harry também o encarava com um sorriso e comendo seu sanduíche, quando terminou moveu o braço na direção da mesa de centro para pegar outro e seu primo deu um pulo de susto. Controlando a vontade de rir, Harry ergueu os braços em sinal de paz e calmamente pegou um lanche no prato.
— Está tudo bem, Duda, não vou te machucar, até porque eu não tenho nenhum motivo para isso, não é? — Disse Harry o encarando com a sobrancelha arqueada e um sorriso sarcástico.
— Ora, é claro que não, o meu Duduzinho é um anjinho, ele não faz mal a uma mosca. — Disse sua tia, Dudley se sentou e o encarou com olhos arregalados de medo e quando Harry lhe deu uma piscadela, engoliu em seco. — Coma, querido e me diga se foi tudo bem na escola, você terá mais aulas semana que vem?
— Siffm. — Respondeu ele com a boca cheia, mas sua tia não o corrigiu como sempre.
— Não devia já estar de férias, Duda? — Harry perguntou bebendo um gole do seu chá.
— Tenho que fazer algumas aulas extras, não fui bem em algumas matérias. — Disse ele mal-humorado e o olhando ainda com receio.
— Quais matérias? — Perguntou Harry.
— Matemática, Geografia e Ciências. Os professores estão pegando no meu pé, eu não fui tão mal assim. — Disse pegando seu terceiro lanche e comendo metade em uma mordida, nem reclamara da salada no meio, talvez porque não a vira, não tirava os olhos do Harry.
— É claro que sim, querido, você é tão inteligente e especial. Seus professores estão sendo muito exigentes, na segunda o acompanharei e conversarei com eles, você precisa de descanso, não pode continuar indo as aulas o verão todo. — Disse sua tia carinhosamente e penteou seus cabelos loiros com os dedos.
— Posso te ajudar se você quiser. — Ofereceu Harry depois que sua tia saiu da sala para fazer mais sanduíches, Duda já comera cinco.
Seu primo o encarou muito desconfiado, seus olhos pequenos e redondos quase se fecharam, parecia estar fazendo um grande esforço para pensar no que responder.
— Você estuda em uma escola de aberrações que ensinam a fazer aberrações, não sabe nada das coisas normais. — Respondeu ele finalmente.
— Sim, Duda, eu estudo em uma escola de magia que ensina magia, mas continuo a estudar as matérias do mundo trouxa. — Disse Harry e viu seu primo empalidecer.
— Você... Você não pode dizer essas anormalidades aqui, meu pai vai te ensinar. — Disse ele apavorado.
Harry suspirou, olhando para o primo e tentado pensar na melhor maneira de agir, poderia continuar a provocá-lo e se divertir vendo-o tremer de pavor, mas isso seria descer ao seu nível e ser um bullying. Dificilmente, algum dia, ele e o primo seriam amigos, mas, se Harry fosse obrigado a viver naquela casa até a maioridade, não queria que durante todos esses anos os dois fossem inimigos. Harry tinha inimigos de verdade e seu primo com certeza não era um deles.
— Olha, Duda, eu lamento que meu amigo Hagrid tenha lhe atacado em agosto passado, ele ficou nervoso e não queria te machucar. Eu sei que seus pais te ensinaram toda a sua vida que eu era uma aberração, nunca entendi porque até descobrir que é porque eu sou um bruxo. — Harry sorriu e seus olhos brilharam. — Não há nada de errado em ser um bruxo e fazer magia, como meu pais e também nada de errado em ser um trouxa e não ter magia. Ninguém é melhor ou pior que ninguém.
Harry olhou para o primo com atenção e o viu olhando-o desconfiado. Sabendo que não podia sobrecarregá-lo ou falar coisas que não tinha capacidade ou maturidade para entender, decidiu ir ao ponto.
"De qualquer forma, eu prometo que não vou, nunca, usar minha magia para te machucar, a não ser que você me ataque e eu precise me defender. O passado fica no passado e se você quiser não me importo em te ajudar com essas três matérias que estão difíceis para você. É sua decisão. — Disse Harry dando de ombros e se levantando pegou mais um lanche do prato que sua tia vinha trazendo da cozinha e deixou a sala. — Obrigado, tia Petúnia.
Mais tarde ele estava ajudando sua tia a fazer o jantar e começou a contar sobre os pratos que aprendera a fazer durante sua estadia na casa dos Boots. Petúnia fingiu não ouvir, mas suas expressões aqui ou ali a desmentia, Harry não se importou, decidido a agir como ele mesmo e como ela não o mandou calar a boca considerou isso um grande avanço.
— E se a senhora quiser poderíamos fazer o Gumbo tia, de um jeito mais inglês, talvez com menos pimentas, acho que a senhora gostaria. — Finalizou ele e ficou em silencio, que se prolongou e quando Harry abriu a boca para continuar a falar.
— Bem, parece interessante, suponho que possamos testar a receita algum dia... — Disse ela pensativamente.
Com um meio sorriso, Harry continuou contando outros pratos que fez e a promessa da Sra. Madaki em lhe ensinar a fazer doces típicos americanos, isso ganhou um franzir de lábios de sua tia que se apressou em dizer:
— Duvido que seja tão bom quanto os ingleses, minha mãe fazia os melhores doces e bolos, ninguém cozinhava tão bem quanto ela. — Disse e Harry parou de picar as cenouras, chocado. Duas vezes em um dia? Sua tia nunca falara de sua mãe ou de sua avó em todos esses anos e agora no mesmo dia falou das duas? E tudo porque ele se dispôs a falar firmemente com ela e não abaixar a cabeça e obedecer?
Harry a observou e a viu parada também como se surpresa, como se a muito tempo não pensasse em sua mãe com pensamentos que não estavam tomados pela raiva e amargura. Não querendo que ela voltasse atrás por constrangimento, Harry pensou rápido.
— Eu não sei, tia Petúnia, nunca provei nada que a vovó fez, mas os doces da Sra. Madaki são o céu, o roll de canela, Merlin, esse é o melhor de todos. Assim que aprender como, vou fazer aqui, aposto que o Duda não vai querer parar de comer. — Tagarelou Harry e pelo canto do olho viu sua tia descongelar aos poucos.
Aliviado Harry contou sobre o sucesso de seus Mince Pies no Abrigo e sua tia fez uma careta com a ideia de alimentar moradores de ruas, mas ele a ignorou e contou sobre como foi bom ajudar as crianças e que doara todas as roupas velhas do Duda para a caridade.
— Sra. Serafina as concerta com magia e depois as envia para uma ONG, que as distribui entre orfanatos e abrigos. — Disse Harry colocando a mesa para o jantar.
— Eu ia te perguntar de onde vieram essas roupas novas, imagino que aquela mulher as comprou para você? — Disse ela com voz azeda.
— Não, eu mesmo comprei, meu pai me deixou uma boa herança tia. Meu avô era um grande potioneer e até hoje recebo royalties por suas invenções, é por isso que mamãe e papai não trabalhavam, eles preferiram apenas lutar na guerra e tinham dinheiro mais que suficiente para nos manterem. — Disse Harry displicentemente. — Se a senhora quiser posso até pagar por meus gastos enquanto eu vivo aqui. — Acrescentou Harry, na verdade, até preferia pagar assim nunca mais tinha que ouvir que era um ingrato.
Sua tia pareceu muito chocada e demorou um tempo para responder.
— Isso... isso não é necessário e não deixe seu tio saber sobre isso ou...
— Nada, é minha herança mágica tia Petúnia, tio Vernon nunca poderia colocar as mãos e se tentasse, bem, vamos dizer que não seria muito saudável para ele. — Harry falou com um sorriso malicioso só de pensar no seu tio enfrentando os goblins, podia imaginar seu gerente de contas sacando sua espada e lhe arrancando a cabeça, rindo, ele continuou. — Pensando bem, deixe ele saber, acredito que seria muito divertido.
Nesse momento eles ouviram o barulho de carro na entrada e sua tia o apreçou para fora da cozinha.
— Vai, vou explicar a ele, não saia de lá até te chamar para o jantar. — Disse ela ansiosamente.
Harry obedeceu e subiu rapidamente, sempre quando seu tio chegava mal-humorado, tia Petúnia o tirava do caminho e só depois lhe chamava para a refeição. Na época ele tinha que ficar horas no armário, Harry era pequeno e tinha medo do tio, seu instinto lhe dizia para se manter longe. Algumas vezes quando não pode evitar sua tia entrava na frente e não o deixava lhe bater, com o tempo Harry aprendeu a ficar quieto, invisível e solicito. Detestava a ideia de se esconder no quarto como um garotinho outra vez, mas quando ouviu o rugido de fúria do tio decidiu que foi para melhor.
Nesse momento, Edwiges entrou pela janela e pousou em seu poleiro de galho de árvore, Harry ainda se lembrava o quanto ela ficara feliz com seu presente e muitas vezes sua amiga preferiria dormir em seu quarto do que no corujal.
— Oi, garota, você voou rápido. — Disse e pegando seu pote foi ao banheiro silenciosamente e voltou com água, no outro lhe serviu alguns petiscos saborosos. — Agora menina, me escute, meu tio acabou de chegar e saber que estou de volta, por isso os gritos. Eu vou te proteger, mas, se as coisas ficarem muito difíceis, você foge e voa para a casa do Terry, ok? Sra. Serafina vai cuidar de você. — Edwiges piou alto protestando e ele sorriu, a acariciando. — Eu sei que você quer me proteger, mas eu ficarei bem.
Nesse momento ele ouviu passos nas escadas e olhando em volta rapidamente se posicionou de maneira que pudesse se defender e sua coruja, mas sem parecer muito ameaçador. A porta do quarto se abriu com violência batendo na parede e sua amiga piou e abriu as asas assustada, Harry apenas olhou calmamente para seu tio alto e gordo na entrada. Tia Petúnia atrás dele demonstrava ainda mais ansiedade, pela pequena fresta em que Harry a via.
— Olá, tio Vernon! — Exclamou Harry sorridente. — Estou de volta! Como foi o seu ano? Sentiu minha falta?
Seu tio, que já estava vermelho de raiva, se engasgou com seu cumprimento alegre e começou a sufocar com a saliva ficando meio arroxeado, sua tia percebeu e lhe deu um tapa estalado nas costas. Isso resolveu, porque Vernon respirou fundo e o encarou furioso, na verdade seus olhos redondos de porco pareciam querer matá-lo. Harry sorriu ainda mais, seria muito divertido fazê-lo se contorcer.
— Sua tia me disse que você voltou mais cedo, foi expulso daquela escola de aberrações? Será que nem as aberrações aguentaram você, garoto? — Disse ele com o sorriso perverso de sempre, que mostrava seu prazer em ofendê-lo ou vê-lo infeliz.
Harry riu divertidamente e viu seu tio arregalar os olhos de espanto.
— Tio Vernon, sempre um piadista. Na verdade, essa é uma boa história e já que está tão interessado, vou te contar. Meu professor de Defesa, que era um seguidor do assassino dos meus pais, Voldemort, bem, ele tentou me matar, imagine isso. Seu nome era Quirrell, um péssimo professor, tio e gago, o senhor o detestaria. Acredita que ele usava um turbante roxo! — Harry disse escandalizado e continuou a história como se o tio não o olhasse cada vez mais chocado e furioso, seu rosto voltou a arroxear. — Bem, eu tive que me defender, claro, não ia ficar parado e deixar ele me matar, não é? Nós lutamos e, no fim, eu o matei.
Harry terminou com um sorriso brilhante como se sua última declaração fosse algo dito normalmente em uma conversa. Seu tio empalideceu e ofegou.
— Ma...Matou!? — Disse ele com voz sufocada.
— Sim, eu explodi sua cabeça com um feitiço, seu cérebro voou por todos os lados, até que foi legal. Eu posso mostrar para o senhor como eu fiz... — Disse Harry solicito sacando a varinha com grande habilidade e seu tio deu um passo atrás quase pisando em sua tia, que também muito pálida o encarava com olhos arregalados.
— Não! Eu não preciso ver nada! — Gritou seu tio com olhos apavorados.
— Não? Tem certeza? Eu não me importo. Bem, de qualquer forma, ver a cabeça do Quirrell explodir daquele jeito me deu alguns pesadelos. — Disse Harry guardando de volta a varinha e seu sorriso se mostrou meio culpado. — Meio bobo, eu sei, quer dizer o cara usava um turbante roxo, só por isso merecia ter a cabeça explodida, mas meu diretor achou que ficar longe do lugar onde eu o explodi poderia me ajudar com os pesadelos e por isso me trouxe para casa mais cedo. — Concluiu Harry com um sorriso brilhante. — E, bem, aqui estou, tio Vernon!
Seu tio o olhava como se Harry tivesse perdido completamente a sanidade e meio suando olhou para a esposa, ela lhe dissera que o garoto estava diferente e que ameaçara se defender com magia e chamar a polícia. Agora se perguntava se, naquela escola de loucos, o garoto não perdera de vez o juízo, mas porque o mandaram de volta? Se ele se tornara um assassino louco devia estar em um hospício ou na prisão. Harry viu sua tia sinalizar para seu tio e ele achou que depois do que lhe dissera o homem recuaria, mas quando o viu tomar ar e encontrar coragem, percebeu que era tolice ter esperado isso. Vernon Dursley nunca foi muito inteligente, sua cabeça enorme não era por ter um grande cérebro.
— Bem, rrrhhhhh... Sua tia me disse que vocês chegaram a um acordo sobre... Bem, sua estadia em minha casa. — Disse ele e Harry decidiu esclarecer alguns pontos.
— Sim e acredito que foi um bom acordo e como é a casa da minha tia também, ela concordou, certo, Tia Petúnia? — Disse ele lhe lançando um sorriso e piscadela.
— Sim... quer dizer, hum... Vernon, eu já lhe falei, o menino vai se comportar e me ajudar com as tarefas, mas precisa se alimentar bem por causa da sua saúde. — Disse Petúnia com firmeza. — Se ele ficar doente, seu povo esquisito poderia nos trazer problemas.
— Sim, sim, entendi Tuney. — Disse seu tio rapidamente. — Bem... sua tia me disse que você vai passar tempo na casa de algumas aberrações e por isso não vai poder fazer suas tarefas normais?
— Sim, vou continuar estudando durante o verão na casa do meu amigo, Terry é o nome dele, seu avô é um professor respeitado em Oxford, a Universidade. E a mãe dele, Sra. Serafina também é professora, vou estudar assuntos trouxas e mágicos, mas ajudarei a minha tia com algumas tarefas. — Disse Harry sorrindo simpaticamente.
— Sim, bem, bem, o problema é que não quero saber das suas anormalidades na minha casa, assim você vai me entregar suas coisas da escola de aberrações e esse negócio que você usa para fazer aberrações. — Disse ele apontado para seu braço com seu dedo gordo feito um salsichão.
— Isso? — Disse Harry sacando a varinha novamente e viu seu tio recuar de olhos arregalados. Sorrindo ainda mais ele disse. — Se chama varinha tio Vernon, Va-ri-nha, não é difícil de lembrar e com ela eu faço Ma-gi-a, veja, três silabas bem simples.
Seu tio voltou a mostrar fúria e dando um passo à frente gritou:
— Não fale dessas suas anormalidades em minha casa garoto! E você vai me entregar essa coisa e todo o resto, que vou manter trancado no seu armário e essa coruja, vai ficar presa na gaiola, não quero saber dessa ave esquisita voando para dentro e para fora, os vizinhos vão ver e eu não terei nada disso. — Seus berros agitaram Edwiges que abriu as asas agitadas e lhe lançou um olhar mortal, Harry podia imaginar os pensamentos da sua amiga, pois estava igualmente irritado.
— Não. — Disse simplesmente.
— O que!? Sua aberração ingrata! Você não vai me desafiar na minha casa! — Berrou e deu outro passo à frente entrando no quarto ameaçador.
— Vernon! — Gritou sua tia, mas Harry ergueu sua varinha e isso o imobilizou na hora.
— Não precisa se preocupar tia Petúnia, tio Vernon sabe o que o espera se tentar alguma coisa, não é, tiozinho? — Disse ele com olhos frios, voz baixa e perigosa. Seu sorriso desaparecera de vez. — Não vou lhe entregar meu material ou minha varinha porque, como lhe disse, vou usar durante o verão para continuar estudando. Não vou prender minha coruja, ela nem tem mais gaiola e é livre para ir e vir como quiser e se você ousar machucá-la o que eu fiz com o idiota do Quirrell vai parecer uma brincadeira perto do que farei com você. Estou sendo claro!? — Disse Harry dando alguns passos à frente até seu tio recuar para o corredor, seus olhos apavorados não deixaram sua varinha por um segundo e além de pálido deu para ver o suor aparecer em sua testa. E, pela primeira vez, Harry não se importou de provocar medo em alguém, na verdade, era muito satisfatório.
— Vo.…você ousa me ameaçar, garoto... — Disse ele com voz trêmula.
Harry não aguentou e riu, parecia mesmo meio insano.
— Claro que ouso! Merlin, o que você achou que eu faria quando voltasse? Ficasse olhando, passivamente, enquanto você trancava minhas coisas, minha coruja? Hahaha! Eu teria que ser um idiota mesmo. — Disse Harry malicioso, sem conseguir deixar de rir. — Vamos ser claros e sinceros aqui, tio, não nos suportamos. — Harry gesticulou com a varinha entre ele e o tio, que se encolheu. — Nos odiamos seria mais preciso, mas somos obrigados magicamente a viver sob o mesmo teto e acredite, quase entendo seu ódio pela magia, só por isso. O senhor sempre teve uma imensa satisfação em tornar minha vida nessa casa um inferno, não me esqueci, saiba. — Continuou ele ainda movendo a varinha e quando a ponta ia na direção dele, Vernon se encolhia apavorado. — E, claro, posso imaginar que o senhor deve estar pensando em continuar a tentar fazer o mesmo no futuro, mas aqui é o negócio: O senhor pode até tentar, mas, Não... Vai... Conseguir. — Disse ele enfatizando as palavras e movendo sua varinha negativamente. — Agora se eu decidir fazer o mesmo... — Harry sorriu brilhantemente e deu até um pulinho de animação, lembrou um pouco Bubbles. — Ah, tio Vernon, eu prometo que serei muito, mas muito criativo e só vou parar quando o senhor estiver chorando feito um bebê, implorando por misericórdia. Vou te esfolar vivo e te assar feito um porco.
Harry viu seu tio arregalar os olhos e se encolher ainda mais contra a parede, mais um pouco e ele a atravessaria, pensou, e decidiu parar, era melhor não exagerar em seu blefe.
"Então, como serão nossos verões? Você vai honrar o acordo que fiz com minha tia ou... — Disse Harry arqueando a sobrancelha e movendo a varinha.
— O acordo com sua tia está bom... muito bom. — Disse Vernon apressadamente, suando de tanto medo, o garoto estava insano, pensou.
— Maravilha! — Exclamou Harry com um grande sorriso e guardando sua varinha bateu palmas. — Olha só, estamos todos de acordo, como uma verdadeira família. Isso é emocionante. Porque não descemos todos e jantamos, estou faminto e não posso ficar muito tempo sem comer...
Harry fechou seu quarto e desceu as escadas tagarelando como se realmente eles fossem uma família e seus tios o seguiu chocados e apavorados. Quando se sentaram à mesa, Harry fez um prato gigantesco para si e pegou um copo de leite, seu tio o encarou com olhos raivosos, uma veia saltada na testa e os bigodes tremendo com seus suspiros e resmungos de raiva inaudíveis. Sua tia se sentou e comeu muito pouco, lançando olhares ansiosos na direção do marido e sobrinho. Dudley, mais uma vez esqueceu de reclamar dos legumes e verduras, encarando os pais e o primo de boca aberta e depois comendo feito um louco com medo de Harry comer tudo, afinal, parecia que agora quem mandava ali era ele.
Harry comeu com prazer, a comida estava muito boa, mas o melhor foi a expressão de seu tio, foi sem dúvida a refeição mais satisfatória de sua vida naquela casa.
Enquanto o dia de Harry se desenrolava na casa dos tios a carta de Terry voava para St. Albans e encontrou Falc em seu quarto se vestindo para o jantar pouco depois de chegar do trabalho. Ele ouviu a batida na janela e deixou a coruja de celeiro marrom entrar.
— Olá garota, de onde você é? — Perguntou Falc tirando a carta e ao ver a letra do filho, sorriu. — Hogwarts? Foi uma longa viagem, se você quiser pode descansar lá no sótão, tem água e petiscos também. Obrigado. — Disse ele e a viu voar pela janela.
Abriu a carta, pensando o que Terry teria a dizer, que não poderia esperar até domingo e seu rosto empalideceu quando viu suas palavras grandes e instáveis.
PAI! DUMBLEDORE TIROU HARRY DA ESCOLA! LOGO DEPOIS DO CAFÉ DA MANHÃ! DISSE QUE IA LEVÁ-LO PARA A CASA DOS TIOS! QUE ERA BOM PARA O HARRY SUPERAR OS PESADELOS PELO QUE ACONTECEU!
HARRY DISSE PARA NÃO IR NA CASA DOS TIOS! ELE TEME QUE DUMBLEDORE AUMENTE A VIGILÂNCIA! DISSE QUE DUMBELDORE PARECIA MEIO DESEPERADO, ELE ACREDITA QUE PODE TER DESCOBERTO SOBRE A AUDIÊNCIA!
TERRY BOOT
— Mas que porra é essa! — Disse ele e terminando de se vestir desceu as escadas correndo. — Serafina!?
— Na cozinha! — Quando entrou na cozinha viu sua mulher cortando alguns legumes. — Porque está gritando?
— Leia isso! — Disse lhe entregando a carta. Serafina enxugou a mão no avental, a pegou e leu rapidamente empalidecendo.
— Como? Você disse que não tinha como ele descobrir até a audiência! Falc! Harry está a horas sozinho naquela casa e ainda não quer que o verifiquemos? — Serafina tentou soltar o avental, mas Falc a deteve.
— Querida, Harry está certo, se Dumbledore descobriu sobre a audiência de alguma maneira e o levou a Rua dos Alfeneiros é porque acredita que lá ele está inacessível. Se descobrir que podemos encontrá-lo poderia levar Harry para um lugar desconhecido. — Disse Falc urgentemente e ela parou de lutar.
— E o que fazemos? Falc!? Aquelas pessoas o odeiam, a tia o tratou muito mal e ele disse que quando o tio está em casa é muito pior. — Serafina tinha os olhos cheio de lágrimas.
— Eu sei, mas eles não sabem que o Harry não pode fazer magia, isso vai mantê-los em cheque por alguns dia que precisamos, mesmo que Dumbledore tenha descoberto sobre a audiência isso não impedirá que ela aconteça. — Falc foi firme e pegou a carta. — Vou a Abadia, preciso mostrar isso ao meu pai e Sirius, descobrir como a informação chegou a ele. Talvez papai tenha uma ideia de como agir a partir de agora, precisaremos mudar de estratégia. Não acredito que volte para o jantar, querida.
Falc lhe deu um beijo e rapidamente usou o flu na sala de estar para chegar a Abadia. Caminhando até o escritório encontrou Sirius e seu pai conversando sobre um mapa sobre a mesa.
— Filho? — Sr. Boot disse, surpreso em vê-lo.
— Não tenho boas notícias. — E sem mais lhes entregou a carta.
— Dumbledore! O que ele está fazendo? — Sr. Boot estava furioso.
— De que pesadelos o Terry está falando? E o que aconteceu para o Harry ter pesadelos? — Disse Sirius confuso e preocupado.
— Nem tinha pensado nisso, você tem razão, Terry não menciona nada em nenhuma de suas cartas, a última foi para falar que a Ravenclaw foi a campeã da Taça de Quadribol. — Disse Falc voltando a ler a carta. — Confesso que fiquei mais preocupado com o Harry nos Dursleys, sozinho. E como Dumbledore descobriu sobre o nosso pedido de guarda? Isso não poderia acontecer até que uma audiência fosse marcada e ele intimado a comparecer.
— Os envolvidos na área de direito infantil são magicamente vinculados a manter segredo sobre os casos, a informação não veio do Tribunal ou do Departamento Infantil! — Disse Sr. Boot com firmeza. — Pode ser que ele tenha um espião em algum lugar, mas ainda me parece estranho, Falc, você deu entrada ontem à tarde com o pedido de guarda e apresentou as provas que devem ter sido analisadas durante todo o dia de hoje. Como raios Dumbledore saberia de qualquer coisa?
— Ele não poderia ter colocado o nome do Harry sob algum tipo de encantamento para ser alertado em caso do seu nome ser acionado judicialmente? — Perguntou Sirius tenso.
— Só se ele perdeu completamente a sanidade, fazer um Tabu com o nome de alguém assim é completamente ilegal e exigiria magia negra. Por Merlin, isso causaria tantos problemas que, os que ele vem enfrentando na ICW por causa da sua prisão, seriam brincadeiras de criança. — Sr. Boot caminhou de um lado ao outro furiosamente.
— Ok, ok, se não foi do Ministério, a informação poderia ter vindo de outra fonte, meu escritório não, nem minha secretária sabe sobre nada disso, trabalhei apenas de casa. Sirius? Pai? — Perguntou os olhando intensamente.
— Eu não disse nada a ninguém. Nem sua mãe sabe nada sobre isso, fiquei com medo que ela acabasse comentando com a Srta. Cassiane. — Respondeu o Sr. Boot e depois olhou para Sirius.
— Eu também não disse nada, sei como o sigilo é... — Sirius parou e ficou pálido, depois leu a carta de novo. — Ele não teria...
— Sirius? O que foi? Você disse a alguém sobre nossos planos? — Falc perguntou em tom cortante.
— Não, não falei disso e na carta não fica claro, poderia não ser a audiência, é possível que Dumbledore soube de outra coisa. — Disse Sirius ansiosamente.
— Sim, Terry diz que Harry falou que Dumbledore parecia desesperado, se ele inventou alguma desculpa esfarrapada para levar Harry embora de Hogwarts mais cedo é porque não quer o menino se encontrando com...
— Comigo! Ele não o quer se encontrando comigo! — Disse Sirius e pegando sua jaqueta do braço da poltrona a vestiu. — E já sei o que aconteceu, vou apenas confirmar e depois vou a Surrey ver se meu afilhado está bem.
— Sirius...
— Eu sei, não posso ser visto e não serei. Não façam nada até que eu volte, não vou me demorar. — Disse ele e caminhando até o ponto de aparatação, desapareceu com um estalo.
— Espero que ele não faça nenhuma loucura. — Disse Falc e suspirando se sentou em uma poltrona. — Independente do motivo que levou Dumbledore a tirar Harry da escola, isso apenas demonstra sua intenção de controlar a vida do menino. Pai, ele não vai ceder facilmente, pelo contrário, não duvido que use armas nada éticas para ter o menino aonde quer.
— Você acredita que vamos perder? — Sr. Boot perguntou sensato.
— Em se tratando de, com quem estamos lutando, sim acredito que temos grandes chances de perder, tinha esperança que as provas pesariam a decisão a nosso favor e que o próprio Dumbledore reconheceria que o melhor para o Harry é não ficar com seus tios. Mas a verdade é que estou apenas esperando que as coisas aconteçam porque seria o normal acontecer assim, mas nada nessa história é normal. Nada. — Disse Falc, levantando-se e andando de um lado para o outro.
— Você precisa mudar suas estratégias. — Disse seu pai firme.
— Eu disse isso a Serafina pouco antes de vir aqui, o senhor tem alguma ideia? — Falc o olhou curioso.
— Acredito que você terá que ser mais agressivo, Falc.
— Não posso fazer isso, basicamente, eu trabalho para ele e se perder ou não Dumbledore continua como o Tutor de Harry e controla sua herança. — Falc acenou negativamente, não podia se tornar um inimigo declarado do diretor.
— Ele não pode te dispensar. — Disse Sr. Boot, dando de ombros.
— Não, não pode, mas poderia tornar meu trabalho impossível ou poderia entrar com uma ação de improcedência, dizer que usei de meios ilícitos para conseguir me tornar o advogado do menino. Nada me surpreenderia vindo desse desconhecido Albus Dumbledore. — Disse Falc preocupadíssimo.
— Então, eu vejo apenas uma saída, Falc, você e Serafina precisam de um advogado. — Disse Sr. Boot muito sério e viu os olhos de seu filho se iluminarem com a nova ideia.
Enquanto os dois Boots renovavam os planos, Sirius aparatou em uma entrada familiar e bateu na porta. Remus a abriu e sorriu ao vê-lo, mas quando Sirius entrou muito zangado, seu rosto ficou bem sério.
— Sirius? Algo aconteceu?
— Você contou a ele! Não foi? Você escreveu a Dumbledore e contou a ele que eu pretendia encontrar o Harry na estação no domingo. — Sirius estava além de furioso, estava muito cansado de confiar e ser traído como um idiota.
— O que? — Remus ficou pálido. — Eu... sim, eu escrevi e mencionei isso, mas...
— E por isso o menino foi tirado de Hogwarts hoje de manhã, não vai participar do banquete e comemoração do campeonato das casas que a Ravenclaw ganhou, não vai viajar de trem com seus amigos e se divertir. E eu... — Sirius parou, ele vira Harry em abril, mas o desejo de revê-lo era enorme e Remus não sabia que seria um reencontro. — Depois de mais de 10 anos sem vê-lo, eu lhe disse como sentia falta dele, você sabe o quanto eu o amo. Se você nem se lembrou ou se importou com ele nos últimos 10 anos, isso é com você! Mas me impedir de encontrá-lo, quando estava tão perto... Eu achei que tinha me perdoado, que éramos amigos de novo...
— Não! Sirius! Eu te perdoei, somos amigos e eu me importo com o Harry! — Remus passou a mão pelos cabelos angustiado.
— Então, porque me fez essa crueldade e ao Harry!? Ele nem sabe porque foi tirado às pressas da escola! Eu achei que poderia confiar em você! Que poderia ser eu mesmo e não ficar controlando cada coisa que lhe falo por medo de você me espionar para o Dumbledore! — Sirius gritou magoado.
— Eu não o espionei! Não foi isso, me deixe explicar, Sirius... escute... Eu escrevi ao Prof. Dumbledore para lhe contar que finalmente tínhamos nos encontrado e nos perdoado. Contei como você estava se recuperando bem e que estava mais calmo e maduro, fazendo tratamentos para se recuperar de Azkaban. — Remus falou rápido. — Disse a ele dos seus planos de no futuro, futuro, Sirius, conseguir recuperar o Harry como deveria ter sido e que eu achava que isso seria maravilhoso para vocês dois e que deixaria James e Lily felizes, pois era o que eles queriam que acontecesse. Eu mencionei que você pretendia encontrá-lo na chegada do expresso, mas nunca pensei... Sirius, não entendo porque ele agiria assim, impedir vocês de se encontrarem, mas eu não quis jamais, jamais fazer algo para prejudicá-los...
Remus estava ofegante e angustiado, seu rosto muito pálido.
— Mas eu lhe disse que pretendia me encontrar com Dumbledore em breve e eu mesmo diria tudo isso a ele, Remus! Você não precisa me defender como se eu fosse um criminoso. Eu não preciso de carta de recomendação! — Sirius também estava ofegante. — Ele é MEU afilhado e fui impedido de estar com ele por atos criminosos de bruxos que fingem ser o que não são, incluindo Albus Dumbledore! Não vou ficar implorando permissão como se, eu, eu fosse o criminoso nessa história! Minha única preocupação é o Harry! Apenas ele! Eu não sou o melhor para ele agora, mas não vou desistir de ser o padrinho que James queria que eu fosse! Você pode ir lá e dizer isso ao seu amado diretor. — Encerrou Sirius com escárnio.
Depois ele se encaminhou para a porta.
— Sirius... Sirius, eu... eu não tive a intenção... Eu...
— Eu, eu, eu, eu! Sempre eu! — Sirius gritou em fúria e deu um soco na parede. — Tudo é sempre sobre você! O garoto que teve uma sorte tão cruel, tendo que esconder sua condição, a dor terrível das transformações, um monstro horrível. Você está sempre mergulhado nessa auto piedade sem fim e é apenas a si mesmo que enxerga! Olhe em volta porra! Eu também tive uma maldita infância do caralho! Eu também detesto o sangue ruim que corre nas minhas veias e odeio quando as pessoas só vêm um Black quando olham para mim. Um monstro. Eu passei os últimos 10 anos naquele inferno relembrando cada maldita lembrança ruim, cada surra, cada palavras cruéis e dor, de novo e de novo. Eu também perdi tudo naquela noite. — Sirius o olhou com tristeza agora e não raiva. — E o Harry também, enquanto você se isolava aqui e mergulhava em auto aversão e piedade, meu Harry crescia sem os pais mais incríveis, ele perdeu o maior amor do mundo naquela noite e eu quero apenas lhe dar uma parte disso de volta. — Sirius suspirou exausto. — Isso não se trata de você ou de mim, se trata dele e é bom que você perceba logo ou não terá um lugar na vida dele.
— O que quer dizer? — Sussurrou Remus tristemente.
— Quer dizer que, se tiver que lutar com o grande Albus Dumbledore pelo meu afilhado, eu vou, começarei uma maldita guerra se for necessário. E você, trate de decidir de que lado vai ficar porque não vou ter outro traidor perto de mim, fingindo ser meu amigo. Uma vez foi o suficiente.
Sirius sabia que estava sendo cruel, mas estava cansado de ser politicamente correto, estava cansado de pagar pelos erros, covardias e crimes de outras pessoas. Sem esperar uma resposta, ele deixou a pequena casa e aparatou até Surrey, o parque mesmo depois de escurecer era muito familiar. Serafina trouxera todos da família até aqui para que, em caso de emergência, ela não fosse a única a saber a localização do Harry. Transformando-se em Almofadinhas, ele logo localizou o número 4 na Rua dos Alfeneiros e espiou pela janela da cozinha, suspirou de alivio ao ver seu afilhado sentado à mesa comendo tranquilamente.
Observando com atenção viu o olhar raivoso e medroso do tio morsa, a ansiedade e preocupação da tia cavalo. O garoto gordo estava de costas, mas parecia tenso enquanto empurrava comida sem parar garganta abaixo. Harry comia devagar e tinha um sorriso satisfeito. Quando o viu terminar, deu um latido e seu afilhado o olhou diretamente nos olhos e abriu um enorme sorriso surpreso e feliz.
Harry terminou seu prato e satisfeito ia pedir para deixar a mesa quando ouviu um latido muito familiar, olhando para a janela viu Almofadinhas e sorriu.
— O que foi isso? — Disse sua tia Petúnia como sempre atenta ao seu jardim. — Foi um latido de cachorro!? — Perguntou horrorizada, ela detestava cachorro.
— Parece que sim, dever ser algum cachorro vadio, Tuney. — Disse Vernon tentando acalmá-la.
— Mas parecia no jardim, Vernon e se ele estragar minhas roseiras!? — Exclamou Petúnia apavorada.
— Deixa que eu verifico, tia Petúnia, já terminei meu jantar. — Disse Harry e sem esperar resposta, rapidamente saiu pela porta dos fundos ao jardim traseiro. Almofadinhas surgiu um instante depois e logo em seguida seu padrinho. — Sirius! — Sussurrou Harry mergulhando em um abraço de esmagar ossos.
— Ei, garoto, como você está? — Sussurrou Sirius, o enchendo de beijos nos cabelos bagunçados e na testa, se afastando o encarou nos olhos. — Você está bem? Eles te maltrataram?
— Não, eu os ameacei com a minha varinha e até com a polícia, consegui um acordo bom. Enquanto eles não souberem que não posso fazer magia, estou seguro, eu juro. — Disse Harry ao ver seu olhar atento.
— Ok, estávamos aflitos quando recebemos a carta do Terry. — Disse Sirius e o apertou de novo contra o peito. — Não se preocupe, a audiência será em breve, algum dia da semana que vem e...
— Mas, Sirius! Dumbledore estava agindo muito estranho, mentindo da maneira mais absurda ou ele me acha muito burro ou nem se importa que eu perceba sua falsidade. — Disse Harry aflito. — Acho que ele descobriu sobre a audiência...
— Calma, calma, não se preocupe, não foi isso que aconteceu. — Sirius resumiu rapidamente e Harry suspirou de alivio. — Remus não teve a intenção que isso acontecesse, sinto muito, nunca deveria ter dito nada. Você perdeu o banquete de despedida, a comemoração da sua casa, tempo com seus amigos, a viagem no expresso, tudo por minha culpa...
— Não foi sua culpa, você não tinha como saber que Lupim faria isso e muito menos a loucura do Dumbledore. Sirius, acredito que vamos ter que mudar de estratégia, Dumbledore não vai permitir que eu deixe a casa dos meus tios...
— Garoto! O que você está fazendo aí fora? — A voz do seu tio Vernon soou na cozinha e Harry rapidamente gritou de volta.
— Eu encontrei um gambá, tio Vernon! Estou tentando espantá-lo! Sirius, nosso tempo acabou e é melhor ninguém voltar, a Sra. Figg vai estar mais vigilante que nunca, aposto. — Harry disse e o abraçou de novo.
— Ok, tenha cuidado e não hesite em se defender e ir para St. Albans se for necessário. E fique tranquilo, os Boots são incríveis e eles vão pensar em estratégias para vencer Dumbledore. Fique seguro. — E Sirius se transformou em Almofadinhas e saiu rapidamente, fazendo barulho de dor, derrubando a lata de lixo e depois acelerou.
Harry sorriu e fingindo estar ofegante entrou de volta na cozinha correndo e animado.
— Era um gambá enorme, tio, lancei alguns feitiços nele, acho que o danado não chega muito longe. Vai sangrar até morrer, deu para ver suas tripas se arrastando atrás dele. — Disse com um sorriso maníaco.
Sua tia ficou verde e arregalou os olhos horrorizada, Vernon o olhou apavorado como se encarasse um louco homicida e Dudley ficou pálido e virando a cabeça para o lado vomitou todo o jantar no chão branco da cozinha limpíssima da mãe. Com cara de nojo, Harry saiu do caminho e rapidamente subiu para o seu quarto rindo muito, ainda que, silenciosamente.
No dia seguinte ele acordou cedo, tendo deixado a janela aberta para Edwiges entrar e sair viu que ela dormia com sua cabeça sob as asas. Vestindo sua roupa de exercícios Harry desceu para o jardim, se alongou e depois saiu para correr pela vizinhança com seu discman ligado no ouvido. Ele ficou guardado desde setembro porque em Hogwarts não funcionara nem com pilhas. Suspirando feliz, apesar dos sonhos ruis e da preocupação com a audiência, Harry se concentrou na corrida, no ritmo e na adrenalina o percorrendo. Amava correr.
Uma hora depois retornou e a casa ainda dormia, subindo tomou banho e se vestiu, quando desceu sua tia estava na cozinha e com um sorriso animado, que contrastava com a expressão fechada da tia, Harry a cumprimentou:
— Bom dia tia Petúnia! — Se servindo do chá Harry se sentou à sua frente e viu sua expressão se tornar ainda mais azeda.
— Porque estava tomando banho tão cedo? Seu tio não vai gostar. — Disse ela ríspida.
— Eu me exercito, lembra-se? Corri por todo o bairro e como estava suado precisei de um banho. E agora vou preparar o café da manhã porque estou faminto. — Disse ele e tomando se ultimo chá se levantou para fazer o que dissera. — Preparo só para nós dois ou tio Vernon já está acordado?
— Ele ainda está dormindo, nem sei como, tente não fazer muito barulho quando tomar banho. — Disse ela ainda de cara fechada. — Eu ouvi você gritando durante a noite, estava tendo pesadelos pelo jeito, o que você disse ao seu tio sobre seu professor é verdade? Que você... o matou? — Ela perguntou em um sussurro, parecia não querer saber.
Harry parou o que fazia e suspirando se apoiou no balcão de costas para ela e fechou os olhos tentando afastar as imagens do seu pesadelo.
— Infelizmente, sim. Mas não sinto nenhum prazer de ter feito isso... Foi apenas defesa, era ele ou eu... — Disse ele em um sussurro cansado. — Lamento pelos pesadelos, não há muito que eu possa fazer, estou tentando meditação, mas... bem, talvez com o tempo...
E não querendo falar mais nada começou a cozinhar o café da manhã. Sua tia também não disse nada ou fez mais perguntas. Harry preparou um café da manhã farto e saudável, mesmo sua tia pareceu apreciar a ausência de bacon e pão ainda que parecia chocada com a quantidade que ele comeu.
— Vou começar no jardim agora de manhã tia Petúnia, com o sol fresco. A senhora precisa me dizer o que quer feito ou se vai ser o mesmo de sempre. — Disse Harry quando terminou e foi lavar os pratos.
— Bem... apenas a gramas e os arbusto precisam ser cortados, mas a flores, minhas roseiras não estão tão bonitas esse ano, não sei porque. Você deve poda-las e tirar as ervas daninhas. — Disse sua tia meio ordenando, meio pedindo. Parecia meio bizarro vindo dela.
— Não estão tão bonitas porque não foi eu quem cuidou delas, tia Petunia. — Disse Harry com um sorriso quando terminou a louça e a encarou.
— O que quer dizer?
— Quer dizer que eu herdei o dom da minha mãe para Feitiço e para cuidar das flores, ainda que tenha sido acidental, quando arrumava o jardim usava minha magia para que elas ficassem mais bonitas e a grama mais verde. — Harry aumentou seu sorriso ao ver sua expressão chocada. — Não se lembra que o nosso jardim era o que demorava mais para crescer? E mesmo na época de seca e racionamento de água a grama estava sempre verde e as flores vivas?
— Eu... Sim, eu me lembro, mas... — Petúnia não parecia ter palavras.
— Interessante, não é? Todos esses anos a senhora com medo da magia e na verdade, não percebia o quanto ela é útil e bela.
Não querendo exagerar, Harry rapidamente saiu da cozinha assoviado e foi para o jardim, decidiu começar pelas flores e foram quase duas horas antes de podar, limpar as ervas daninhas e replantar algumas em lugares estratégicos para tornar o jardim mais bonito. Harry se conectou com a natureza e a magia cantou suavemente enquanto ele trabalhava, quando terminou essa parte as flores já pareciam mais vivas e bonitas.
Ele fez uma pausa para lanche e estava comendo um segundo sanduíche e bebendo leite quando seu tio e primo apareceram para o café da manhã.
— Menino! Você não devia estar cuidando do jardim? — Vernon falou grosseiramente.
— Eu fiz isso pela manhã tio Vernon e mais tarde quando o sol baixar vou terminar. — Respondeu Harry.
— Bem, enquanto isso você vai lavar meu carro. E nada de risca-lo.
— Não. — Disse Harry suavemente.
— O que? Não!? — Seu tio começou a ficar vermelho e seu bigode estremeceu de raiva.
— Vernon? Porque está gritando, querido? — Sua tia apareceu do jardim onde estava apreciando suas lindas flores.
— Tio Vernon quer que eu lave seu carro e eu estava dizendo a ele que isso não faz parte do nosso acordo. Certo, tia Petúnia? — Harry falou com um sorriso amigável e pegou outro lanche.
— Sim, Vernon, o menino vai cuidar do jardim, eu lhe disse. — Petúnia falou com expressão azeda.
— Mas..., Mas Tuney...
— Por que o senhor não ensina o Dudley a lavar o carro? — Sugeriu ele olhando para seu primo que não dissera uma palavra porque estava muito concentrado em enfiar toda a comida da mesa em sua boca.
Ao ouvir seu nome ele levantou o rosto gordo confuso e gorduroso de bacon e Harry sentiu seu coração se apertar. Terry tinha razão, seus tios o estavam deixando doente também.
— Off qhue? — Disse com a boca cheia e nenhum dos pais o corrigiu.
— Dudley?
— Sim, um dia ele vai ter um carro e precisa aprender a cuidar dele, é algo que todo homem precisa saber, não é? — Disse Harry sorrindo para o tio.
Vernon ficou pensativo, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Dudley, sentindo o perigo, engoliu a comida rapidamente e falou.
— Eu vou para a casa do Piers estudar, mãe eu te falei, ele vai me explicar matemática, lembra? — E lançou seu olhar de cachorrinho a sua mãe que já estava pronta para fazer sua vontade, mas Harry se adiantou, não ia deixar seu primo atormentar a vizinhança, não mesmo.
— Sinto muito que ainda seja amigo de Piers, Duda. — Disse Harry tristemente e ignorando os rostos surpresos, continuou. — Tia, tio, eu... eu não disse nada antes porque não achei que acreditariam em mim e não queria me meter em encrenca, mas Piers não é um bom amigo para o Duda.
Suas palavras fizeram seu primo o olhar com assombro e seus tios confusos, tia Petúnia preocupada e tio Vernon desconfiado.
— Ele sempre foi o maior bullying da escola e aterroriza toda a vizinhança, espanca as crianças menores e vandaliza o parque, joga pedra nos carros que passam, ouvi até que ele estava roubando... — Disse ele em um sussurro para ninguém de fora ouvir.
Seu tio ficou furioso ao ouvir sobre pedras e carros e sua tia escandalizada com a palavra vandalizar e roubar.
— Você precisa dizer a verdade aos seu pais, Duda, eles podem te ajudar te proteger. — Harry continuou batendo em seu ombro solidário.
— Duduzinho? — Tia Petúnia olhou para o garoto que tinha a boca escancarada de espanto e pavor. Sua tia achou que o medo era de Piers e correu para abraça-lo. — Mamãe vai te proteger Duduquinho, conta para mamãe o que o menino malvado te fez.
Duda o olhou apavorado e chocado e Harry sorriu e bateu em seu ombro suavemente.
— Tudo bem, primo, eu conto, não precisa ter medo. Tia, Piers sempre ameaça e aterroriza as outras crianças e faz o mesmo com o Duda. Ele obrigada o Duda a fazer todas essas coisas, ao em vez de estudar ou tomar chá ele o arrasta pela vizinhança vandalizando, roubando e batendo. E ele ameaça o Duda a fazer coisas, uma vez... — Harry diminuiu em um sussurro. — Ele ameaçou estourar a cabeça do Duda com um porrete se ele não jogasse uma pedra na janela da Sra. Lester. Lembra, Duda? Quando você acertou a TV lá do número 9?
Seu primo parecendo perceber que estava em uma grande enrascada e sem ter inteligência para sair apenas acenou e sua tia deu um grito aterrorizada e esmagou sua cabeça contra seu peito.
— Meu Dudoquinha, ninguém vai machucar sua cabeça, mamãe não vai deixar.
— Porque não nos contou Dudy? — Seu tio perguntou zangado.
— Porque Piers o ameaçou, tio, um dia na escola ele obrigou o Duda a socar um garoto do primeiro ano no estomago. Duda não queria e disse que contaria para a professora, mas Piers... — Harry moveu a cabeça desconcertado e se inclinando em um sussurro, seus tios se aproximaram como se fosse um segredo. — Ele tinha um canivete e ameaçou furar a barriga do Duda, disse que como ele era tão gordo baleia espirraria um monte de sangue.
Sua tia soltou um grito apavorada e seu tio se levantou furioso.
— Vernon! Esse menino é um monstro, Vernon, ameaçou matar nosso Dudynho e não sabíamos. Mamãe e papai vão te proteger, não tenha medo.
— Ele vai ver quando eu o encontrar, vou lhe mostrar, marginal, vândalo e ladrão é o que ele é.
E os dois gritaram de cá para lá e de lá para cá pálidos e apavorados e proibiram Dudley de sair de casa e ir à casa do Piers.
— Você não vai ser mais amigo dele, nunca esse monstro vai chegar perto de você, melzinho da mamãe.
E quando Harry soltou mais uma bomba seus tios pareciam que iam desmaiar.
— E eu ouvi Piers e Gordon e Mark combinando que se alguém chamasse a polícia os três iam dizer que o Duda era o chefe da gangue, assim só ele iria para o reformatório.
Tudo virou um pandemônio, enquanto seus tios gritavam e puxavam o cabelos e bigodes de desespero, Harry se ofereceu para ajudar o primo com matemática e sua tia e tio permitiram. Assim deixando os tios decidirem o que fazer, Harry arrastou um pálido e chocado Duda para o andar de cima.
— Ok, Duda, me mostra o que você está tendo problema em matemática.
Seu primo o olhou como se fosse louco e Harry sorriu divertido.
— Porque você mentiu?
— Você queria que eu dissesse a verdade? Que você é o líder da gangue, que você adora vandalizar, espancar e roubar? Que o canivete era seu? — Harry perguntou e viu seu primo acenar que não. — É, eu pensei que não. Estou tentado te ajudar Duda, eu recebi ajuda, fui alertado e abri meus olhos para a realidade. Seus pais ficariam horrorizados se soubessem que o filho amado deles é uma péssima pessoa e que provavelmente vai acabar no reformatório e depois na cadeia. Quis que você visse a reação deles para o tipo de pessoa que você é. E também porque eu posso te ajudar com matemática ou você quer ficar o verão inteiro em recuperação na escola?
Seu primo o olhou e parecendo estranhamente envergonhado pegou o caderno, livro e mostrou a ele. Suspirando, Harry passou quase uma hora explicando o assunto fácil em palavras simples que seu primo podia acompanhar.
— Eu entendi, porque o professor não explica assim? — Disse ele mal-humorado, enquanto terminava os exercícios pedidos.
— Porque adultos falam de um jeito mais difícil porque sabem mais. As vezes para nós, palavras mais simples e atalhos tornam o assunto mais claro. Você precisa mostrar interesse e perguntar Duda, dizer ao professor que não entendeu e pedir que explique de um jeito mais simples, com palavras que você conhece. — Disse Harry calmamente.
— Ele vai me achar burro! Todos vão rir de mim. — Disse Duda bicudo, lembrou um pouco Ayana. Harry afastou a saudade de sua irmã e respirou fundo.
— Não vão não e se você aprender ninguém vai te achar burro. Quando fui para Hogwarts achei que seria o último porque não sabia de nada e as outras crianças cresceram no mundo magico, as vezes os professores falavam uma palavra que eles ouviram a vida toda e eu não sabia o que significava. Eu perguntei e o professor explicou, simples, é para isso que os professores estão ali. — Disse Harry teimosamente. — E fazer preparações me ajudou também, fui o segundo melhor aluno do meu ano nos exames.
— Segundo!? Preparações? — Duda estava surpreso e confuso e Harry lhe explicou sobre as preparações. — Mas isso dá muito trabalho e papai não quer um filho CDF. — Disse Duda com uma careta.
— Seu pai está mentindo. — Disse Harry sem remorso.
— Mentindo?
— Sim, Duda, onde seu pai trabalha e em qual cargo?
— Ele é o diretor da Grunnings. — Seu primo falou com orgulho.
— Exato, acha que ele chegou nesse cargo importante com essas notas, Duda? Pense! Aposto que se você pedir para ver as notas do seu pai lá na sua escola vai descobrir que ele era muito inteligente. Principalmente em matemática, ninguém chega em cargos importantes como esse sem ser pelo menos um pouco CDF. — Disse Harry com firmeza.
— Mas..., mas ele disse...
— Ele disse porque não quer te magoar, Duda. Você sabe como seus pais te amam, e não queriam que ficasse chateado, mas não gostam de ter um filho que mal sabe contar. E você diz que dá trabalho, ficar de recuperação ou ser reprovado também não dá trabalho? — Disse Harry e se levantando, não queria sobrecarregar o primo, encerrou. — Se você fizer as preparações, entender os professores, ter boas notas não terá ninguém pegando no seu pé ou aulas extras e seu pais ficariam muito orgulhosos de você. Vou ajudar a tia com o almoço, se você quiser depois te ajudo com Ciências.
O resto do sábado foi uma tremenda confusão para os adultos. Enquanto Harry ajudava o primo com seus outros assuntos da escola e terminava o jardim, sua tia ligou para os pais de Piers, Gordon e Mark que ao ouvirem as acusações pressionaram seus filhos e estes apavorados contaram a verdade e que Dudley era o líder da gangue. Seus tios receberam três ligações acusando seu precioso filhinho e os gritos pelo telefone de um lado para o outro reverberaram pela casa. No fim do jantar eles estavam decididos a mudar Duda de escola e Harry decidiu dar um empurrãozinho.
— O Duda entendeu tudo o que eu expliquei hoje para ele, tia, os professores dessa escola não explicam de um jeito que ele entende. E ele me disse que nunca pode fazer perguntas ou dar a atenção as aulas porque Piers não deixa e zomba dele. Não é, Duda? — Disse Harry e seu primo percebendo que precisava mesmo mudar de escola ou estava morto, falou rápido.
— Sim, ele disse que CDFs são mariquinhas e roubou alguns dos meus deveres.
— O que? — Trovejou tio Vernon como se nunca tivesse dito o mesmo. — Mariquinhas!? Ora, eu era muito bom aluno, tinha boas notas e não era nenhum mariquinhas! Esse imbecil é que vai acabar na cadeia porque não tem cérebro para mais nada.
— O senhor era bom aluno, pai? — Duda perguntou confuso.
— Sim! Era o melhor em matemática da minha turma e era muito bom em ciências, cheguei a pensar em fazer engenharia, não é mesmo Tuney, querida? — Disse ele orgulhoso.
— Sim, querido, mas fez bem em fazer administração. Seu pai se formou com elogios e notas altas, querido, por isso tem um cargo tão importante. — Disse ela sorridente.
— Oh... — Duda parecia confuso e olhou para o primo que lhe deu o olhar, "não te disse". — Eu entendo quando me explicam de um jeito simples, os professores falam difícil e eu tenho vergonha de perguntar...
— Oh, Duduzinho, porque não nos contou. Vernon, precisamos escolher uma escola melhor, com professores melhores e que entendam nosso ursinho. — Disse a tia e seu tio acenou concordando.
— Eu posso te ajudar quando você tiver dúvida, Duda, papai não se importa. Suas notas vão melhorar e vou esfregar na cara desses imbecis que chamaram meu filho de delinquente. — Disse Vernon com o bigode tremendo de raiva.
Harry disfarçou o sorriso e considerou sua missão cumprida.
No domingo a manhã começou igual para Harry, treino, café da manhã e depois se fechou em seu quarto para estudar seus livros. Dudley depois do café da manhã foi levado pelo pai para lavar o carro, era muito trabalho, mas era legal passar um tempo com seu e ouvir seus elogios quando ele aprendia ou fazia algo certo. Depois do almoço uma batida na porta surpreendeu a todos, Harry estava guardando a louça do almoço que sua tia lavara, Vernon e Duda em frente TV na sala. Tia Petúnia foi atender.
— Pois não? — Disse ela friamente, com certeza querendo espantar vendedores.
— Sra. Petúnia Dursley? — Uma voz fria soou e Harry parou o que fazia.
— Sim? — O tom de sua tia mudou, parecia espantada.
— Eu sou Cecilia MacMillan e esta é Zenira Diggory, somos assistentes sociais do Departamento Infantil do Ministério da Magia. — Harry ouviu sua tia dar um gritinho e seu tio veio correndo da sala.
— O que é isso? Quem são vocês?
— Como estávamos dizendo a sua esposa, acredito, somos assistentes sociais do Departamento Infantil do Ministério da Magia. Recebemos uma denúncia de maus tratos a um Harry Potter junto com um pedido de transferência de guarda junto ao Tribunal de Justiça. Estamos aqui para verificar a veracidade das acusações e se o adolescente está em algum tipo de risco imediato e precisa de transferência antes da decisão do juiz na audiência a ser marcada. — Suas palavras pareciam ser lidas, mas foi dito em tom frio e profissional.
— O que!? Menino! Vem aqui! — Berrou seu tio e Harry imaginou o olhar horrorizado da mãe de Cedric e Ernie.
Harry deixou a cozinha e entrou no hall de entrada se deparando com as duas mulheres vestidas com roupas trouxas e elegantes. Sra. MacMillan era loira como os filhos e tinha olhos castanhos, Sra. Diggory estava com seus cabelos escuros presos em um coque e seus olhos cinzentos o verificaram como se quisesse ter certeza que ele estava bem.
— Olá Sra. Diggory, oi Sra. MacMillan, sou Harry Potter. — Disse Harry e elegantemente a cumprimentou.
— Prazer em conhece-lo Sr. Potter. Acredito que o melhor é levarmos esse assunto para dentro e começarmos...
— Não! Eu não quero saber de aberrações na minha casa! Menino, eu não sei o que você fez, mas resolva isso agora! — Berrou seu tio e Harry o olhou como se fosse um inseto.
— Tio Vernon, lembra-se da conversa de ontem? Bem, essas duas senhoras podem fazer bem pior do que eu poderia. — Harry viu seu tio empalidecer e as duas mulheres ficaram confusas. — Podem entrar, por favor, senhoras.
Eles todos seguiram para a sala onde Dudley assistia TV. Ele arregalou os olhos e com um sinal de sua mãe a desligou.
— As senhoras gostariam de um chá? — Tia Petúnia devia estar muito apavorada ou se não nunca oferecia chá para duas bruxas.
— Não Sra. Dursley, vamos iniciar as entrevistas imediatamente, o que nos traz aqui hoje é muito serio, não é uma visita social. — Disse Sra. MacMillan com grande seriedade.
— Entrevistas?
— Sim, precisamos entrevista-los separadamente para investigar as acusações de maus tratos, nosso relatório auxiliará o juiz a decidir sobre o pedido de guarda. — Respondeu Sra. Diggory.
— Quem fez o pedido? — Sua tia estava pálida e ansiosa.
— Sr. e Sra. Boot solicitaram a guarda do Sr. Potter.
Sua tia o encarou e seu rosto se fechou de contrariedade.
— Você sabia disso? — Ela perguntou rispidamente, Harry deu de ombros.
— Sim, Sra. Serafina e Sr. Falc me perguntaram se eu queria viver com eles e eu disse que sim. Não é como se algum dia fui bem-vindo ou feliz nessa casa. — Disse Harry com frieza.
— Bem, se eles querem podem levar, nunca o quisemos mesmo. — Disse seu tio estufando o peito.
— Vernon! — Sua tia lhe chamou a atenção ansiosa.
— Não Tuney, já aguentei o suficiente, não vou ser interrogado na minha casa por aberrações por causa dessa aberração! Nós fomos obrigados a ficar com ele e por bondade não o deixamos em um orfanato como ele merecia. Se essas duas aberrações querem o garoto podem levar, onde eu assino? — Berrou ele ainda mais alto e pela primeira vez a Sra. MacMillan pareceu perceber o perigo e sacou a varinha.
— Se o senhor não responder nossas perguntas aqui, civilizadamente, nós convocaremos os aurores e eles os levaram ao Ministério para interrogatórios. A lei é a lei, senhor e quando se trata de uma criança ela deve ser cumprida com ainda mais rigor. — Disse ela com muito frieza e seu olhar sugeria a vontade que ele resistisse, mas Harry não queria chamar mais a atenção do que o necessário.
— Aurores são policiais, tenho certeza que vocês não querem ser presos. — Disse ele seus tios ficaram ainda mais pálidos, até Dudley arregalou os olhos chocados.
— Presos? Quando tudo o que fizermos foi acolher esse anormal em nossa casa, alimenta-lo e vesti-lo, isso é um absurdo. — Gritou seu tio, mas apesar dos seus protestos logos eles estavam separados.
Harry em seu quarto, Duda no dele, sua tia na cozinha e seu tio na sala. As duas mulheres se dividiram, começando com as duas crianças e separando os dois adultos por uma barreira magica, para que não combinassem o que dizer. Quando a mãe de Cedric tirou a varinha e displicentemente fez magia na sala, seu tio quase tem um ataque cardíaco e Harry duvidou que algum dia a família Dursleys se recuperaria.
Em seu quarto Harry narrou sua vida a Sra. MacMillan que anotou tudo em uma pena de repetição. Ela se manteve bem neutra e profissional com suas perguntas e no fim perguntou se ele se sentia seguro naquela casa até uma decisão do juiz.
— Poderia ficar com os Boots? — Harry perguntou ansioso.
— Não, até uma decisão do juiz, você, Sr. Potter ficaria um orfanato, o mundo magico tem apenas um, o Orfanato dos Abortos. — Disse ela e Harry suspirou.
— Acredito que estou seguro aqui, eu ameacei meu tio com magia e a senhora viu como ele tem medo. — Disse Harry sentindo um frio no estomago com a ideia de ficar em um orfanato. Seu tio sempre disse que é um lugar horrível.
— Eles não sabem que você não pode fazer magia?
— Não, senhora, eu não contei lhe digo agora que se precisar me defender não vou hesitar em usar, mas acho que por alguns dias não vai haver problemas, como eu lhe disse minha tia sempre conseguiu impedir meu tio de me bater. — Explicou ele, mulher acenou e pediu para ver o armário.
Ela já tirara fotos de seu "quarto" e foi só quando Harry lhe mostrou o armário ainda com o fino colchão e cobertor que sua expressão escorregou e revelou um pouco do choque e raiva que sentia. Depois de mais algumas fotos, ela pediu que esperasse em seu quarto enquanto entrevistava seu tio. Sra. Diggory já entrevistava sua tia Petúnia.
Foram quase duas horas antes de as entrevistas com seus tios se encerrassem e as duas bruxas do Ministério partirem, mas antes a Sra. MacMillan disse:
— O senhor Potter usará magia letal se vier a se sentir ameaçado e, se eu souber que ele foi atacado, virei pessoalmente com aurores e os prenderei. Estou sendo clara? — Suas palavras foram frias e ameaçadoras, seus tios apenas acenaram pálidos.
E depois eles ficaram sozinhos, Harry que estava faminto foi direto para a cozinha e começou a fazer um lanche, ele ouviu seus tios discutirem, mas por fim seu tio foi para a sala esperar o chá e sua tia veio a cozinha e parou o olhando sem dizer nada por quase 5 minutos. Cansado, Harry parou de preparar seu sanduíche e a encarou de volta.
— Pode falar, tia Petúnia.
— Você sabe que não pode sair daqui. — Disse ela ansiosa.
Harry se surpreendeu, esperava recriminação e o discurso de sua ingratidão, não a menção a tal proteção.
— Sim, eu não sabia, mas agora sei. A audiência será em algum dia dessa semana e no que depender de mim, vou embora e dane-se Dumbledore e sua proteção. — Disse ele com firmeza e a viu baixar os olhos, parecendo... Magoada? Confuso, Harry voltou a preparar seu lanche. — Mas a verdade é que o velho diretor é muito poderoso e importante, além de meu tutor legal no mundo magico, assim as chances não estão muito a nosso favor. Essa proteção é apenas algo a mais para complicar tudo, mas, bem, não vamos perder a esperança, talvez ainda possamos nos despedir para sempre em poucos dias.
Harry encerrou sem voltar a olha-la e pegando seu prato e um copo de leite subiu para seu quarto para continuar a estudar e escrever uma carta para St. Albans.
Depois que Sirius voltou na sexta-feira à noite com informações tranquilizadoras, Falc voltou para o Chalé e depois de tranquilizar Serafina escreveu uma carta muito importante. No dia seguinte Anton Davis, seu amigo e sócio chegou ao Chalé as 9 horas da manhã e depois de servir um café para os dois, Serafina saiu com as crianças.
— Falc, você não me chamou aqui em um sábado de manhã para conversa fiada. Dever ser importante e estou curioso. — Disse Anton depois que eles falaram sobre as crianças voltando de Hogwarts no dia seguinte.
— Você fala como se nunca nos encontrássemos para conversas fiadas. — Disse Falc mais tenso do que gostaria de admitir.
— Sim, mas não em seu escritório o que me faz pensar que seu convite foi mais oficial. Vamos lá, dá para sentir sua tensão daqui meu amigo, diga-me o que está acontecendo. — Pediu ele levemente preocupado.
— Ok, a alguns meses você se ofereceu para me ajudar, disse que faria o que fosse necessário e não faria muitas perguntas. — Começou Falc hesitante.
O rosto de Anton perdeu a suavidade na hora e seus olhos se tornaram afiados.
— Isso tem a ver com Dumbledore?
— Sim e quero saber se você ainda está disposto a me ajudar...
— Contra Dumbledore? É claro que sim, o que você precisa? — Disse Anton se inclinando ansiosamente em direção a Falc.
— Eu preciso de um advogado.
