NA: Esse e os próximos capítulos estarão focados na vida empresarial do Harry, espero que compreendam que são necessários. No livro original o segundo livro começa no aniversário dele, mas não quero pular para esse dia e contar o que aconteceu durante o mês de julho, assim espero que gostem de me acompanhar por esse importante mês de projetos e mudanças que o nosso Harry idealizou com tanto cuidado. Até mais e, por favor, REVISEM! Tania
PS: oficialmente esse seria o primeiro capítulo da Câmara Secreta, mas não pretendo separar, escreverei todos o livros diretos como um só, espero que não se importem.
Capítulo 37
Harry acabou dormindo até o dia seguinte e ninguém quis interromper seu descanso, assim Serafina foi até os Dursleys avisar que o devolveriam no domingo à tarde. Petúnia apenas assentiu e fechou a porta rapidamente, antes que Vernon pudesse perceber quem estava na porta.
Ele acordou bem cedo, o sol estava apenas nascendo, descansado e sem pesadelos. Suspirando, Harry olhou o relógio surpreso ao perceber que dormira quase 18 horas seguidas, olhando em volta sorriu ao ver que ainda estava no Chalé e seu sorriso aumentou ao ver o padrinho roncando suavemente ao dormir na poltrona ao lado de sua cama. Ele foi ao banheiro e ao voltar o encontrou acordado.
— Bom dia. — Disse tímido, seu colapso ainda fresco em sua mente.
— Bom dia, Harry. Como você está? — Sirius perguntou sonolento e carinhoso, ainda sentado na poltrona.
— Estou bem, agora estou bem. — Respondeu Harry sincero.
Suspirando, Sirius se levantou e o segurou suavemente pelos ombros e o encarando olho no olho.
— Fico feliz que você agora acredite e entenda que o que aconteceu não foi sua culpa e muito menos que seus pais o culpam ou se arrependem. — Disse Sirius o olhando atentamente e viu uma sombra passar por seus olhos verdes. — Ou será que ainda não?
— Eu... eu acredito que os meus pais não me culpam ou se arrependem de me defenderem com suas vidas, mas ainda me sinto culpado. — Disse ele triste.
— Harry... O que poderia ser sua culpa? Voldemort existir? Uma profecia feita, ouvida por um comensal da morte, Rabicho se tornar um traidor? — Sirius sorriu suavemente. — Mas eu entendo, também me sinto culpado e mesmo que todos me digam que não, mesmo que você me diga que não, ainda sinto aqui. — Ele colocou seu punho no peito, depois levou até a cabeça do Harry. — Mesmo que aqui, não faça sentido. Você é inteligente o suficiente para saber que não foi sua culpa e tenho certeza que com o tempo vai sentir isso também.
— Talvez e acredito que o ritual de purificação seja o que eu precise para me sentir melhor, Firenze me falou sobre isso. Ele me disse que as vezes guerreiros e caçadores precisam limpar a energia da morte de seus espíritos, acredito que preciso fazer isso a muito tempo, Sirius, desde o dia em que meus pais morreram. — Harry começou a vestir sua roupa de treino e depois abriu a cortina e a janela para deixar o dia quente de verão entrar.
— Terry nos falou sobre isso e se você quiser posso te levar até Firenze no próximo fim de semana, mas queremos, Serafina, Falc e eu que você converse com o Martin também. — Sugeriu Sirius suavemente.
— Verdade? Você me levaria? E, claro que vou conversar com o Sr. Martin, eu deveria ter escrito a ele, mas era difícil escrever como me sentia sem contar sobre o que aconteceu e se eu contasse sem antes explicar para vocês, poderia ficar confuso. — Disse Harry vestindo seu tênis de corrida.
— Sim, eu o levarei, creio que um ritual de purificação seja exatamente o que eu precise também, não sei porque não pensei nisso antes. — Disse Sirius pensativo. — E hoje quando nos encontrarmos com Martin vamos tentar agendar alguns horários para você. Creio que duas vezes por semana até o fim do verão te ajudarão a lidar com tudo o que aconteceu, inclusive a morte de Quirrell.
— Ah, esqueci que vocês viram isso. — Disse Harry e tomando coragem, acrescentou. — Os Boots ficaram muito chateados?
— Claro que ficaram... — Sirius parou ao ver o olhar desanimado do afilhado, seus ombros até caíram. — O que é isso? Eles não estão chateados com você e sim com Dumbledore e seus jogos, com o Quirrell e sua estupidez e, bem, Voldemort é um fator de fúria ininterrupta.
— Então, eles não estão desapontados porque matei Quirrell? Quer dizer, fiquei com receio que eles não me quisessem perto das crianças. — Disse Harry enxugando as mãos suadas.
— Harry... Ninguém o culpa ou pensa menos de você pelo que aconteceu. Você se sente culpado? — Sirius se aproximou outra vez o olhando com atenção.
— Não e me preocupei que ficaria mal por não me sentir culpado, mas Firenze me ajudou a entender que sou um guerreiro e que eu não gosto de matar ou me orgulho disso, mas que como um protetor tenho que fazer o necessário, inclusive matar para proteger ao meu povo. — Disse Harry firmemente. — Mas, bem, Adam e Ayana são tão inocentes, quando estou com eles parece que só há bondade no mundo, Sirius e temi que a Sra. Serafina ou o Sr. Falc não quereriam que eu os contaminasse. — Ele disse essa parte final envergonhado.
— Contaminasse com o que? Sua bondade? Sua coragem? Sua força? — Sirius o abraçou com força. — Essa energia da morte em sua magia não pode ser passada a ninguém, é um peso que apenas você carrega e durante a batalha você fez o que tinha que fazer e foi brilhante. Quirrell era apenas um cadáver andando e falando, você apenas se defendeu e aos seus amigos como um guerreiro e estou muito orgulhoso.
— Verdade? — Harry o olhou nos olhos para ter certeza.
— Verdade. Você é um grande bruxo, Harry e tenho certeza que os Boots estão muito felizes que seus filhos tenham um irmão que agirá com a coragem e honra de um guerreiro defendendo-os absolutamente. — Disse Sirius com seus olhos cinzentos brilhando de sinceridade, orgulho e amor.
— Obrigado, Sirius. Eu... Acredito que estamos atrasados para o nosso treino. O que você está esperando? Vá se vestir, acordarei o Terry, aquele preguiçoso ainda deve estar dormindo. — Disse Harry energicamente e afastando-se do momento emocionalmente constrangedor.
Sirius gemeu em protesto e os dois riram. Eles se separaram e Harry realmente acordou Terry, que mal-humorado se vestiu resmungando. O treino foi pesado e Harry estava com seu sorriso animado maníaco e exigindo mais deles.
— Vamos lá, o que você fez durante essa semana, Terry? Comeu e dormiu feito o Kalil? E nada de aliviar o ritmo, Sirius ou contarei para todo mundo que você ronca. — Disse ele durante a corrida.
— Ei! Eu não ronco! — Protestou ele indignado e ofegante.
Harry apenas acelerou e riu divertido.
— Ronca sim!
Mais tarde, depois do café da manhã a família começou a chegar, os avós Madakis vieram de trem, assim como Martin e Elizabeth com as crianças. Os Colton estavam viajando, Miriam tinha um trabalho no Caribe, Chester e Jr a acompanhavam.
— Eles estarão de volta na quarta-feira, Harry e Chester quer marcar uma reunião com você, ele me enviou os relatórios que fez dos investimentos de sua herança trouxa e suas recomendações. — Disse o Sr. Falc durante o almoço. — Depois vou entregá-los, assim como explicar em que ponto estamos com seus planos, tenho certeza que quer acompanhá-los de perto.
— Com certeza, Terry enviou os 7º anos nascidos trouxa lhe procurar, senhor, gostaria de me reunir com eles também. — Disse Harry seriamente.
— Vocês não vão trabalhar no domingo, quando temos toda a família aqui, podem deixar tudo isso para amanhã, por favor? — Sra. Serafina pediu com um gesto brincalhão e um expressão de quem implora.
Todos riram e Harry, Sr. Falc e Sirius concordaram. Apesar disso, Harry conseguiu organizar sua agenda da semana, Sr. Martin e ele agendaram dois horários por semana de psicoterapia. Sr. Madaki agendou duas manhãs na semana para aulas de assuntos trouxas, Sra. Serafina combinou três tardes para estudos mágicos. Ele combinou horários para se encontrar com o Sr. Edgar, Sr. Falc e Sirius para conversarem sobre o Grupo Empresarial. Suas semanas seriam cheias, mas Harry não se importou, tinha muito o que aprender, muito o que fazer e o verão ainda teria muita diversão. E ela começava hoje.
Entre cozinhar o almoço com a Sra. Madaki, jogar jogos com as crianças, voar e conversar com todos, Harry teve o melhor dia de suas férias até o momento. E ter Sirius junto com ele apenas tornava tudo mais especial.
Depois que todos partiram e pouco antes de ir embora, Harry conseguiu se reunir com Sirius, Terry e seus pais para conversarem sobre os acontecimentos do ano e o encontro de seu padrinho com Dumbledore.
— Harry, quero que você saiba que nem meu pai, Serafina ou eu o culpamos pelo que aconteceu ou pensamos menos de você. Pelo contrário, enquanto lamentamos muito que você tenha sido obrigado a lutar em uma batalha de vida ou morte, estamos muito orgulhosos de sua força e coragem e aliviados que no fim você venceu e está bem. — Falc disse muito seriamente e Serafina que estava sentado ao seu lado no sofá apertou sua mão carinhosamente e acenou concordando.
— Realmente? Vocês não acham que eu sou mal pelo que fiz e por não me sentir culpado?
— Não, claro que não, nós entendemos, somos bruxos como você e enquanto não guerreiros, compreendemos que as vezes em uma batalha é necessário se defender com cada recurso que temos. — Serafina disse o abraçando pelos ombros suavemente. — E você foi brilhante, usou sua inteligência, sua lábia e sua magia para sobreviver e nunca pensaríamos menos de você por isso.
Harry acenou aliviado, parecia bobagem, mas era muito bom ter o apoio das pessoas que considerava como família e que não o criticavam por ele ser quem era. Seria terrível para o Terry e ele se fossem obrigados a esconder tudo o que viveram naquele ano.
— Eu agradeço o apoio de todos e quero dizer que não desci pelo alçapão em busca de aventura ou para quebrar regras, realmente acreditei que a Pedra estava em perigo e senti que precisava fazer o necessário para impedir Quirrell e Voldemort. — Disse Harry sincero.
— Nós sabemos, Harry, vocês crianças fizeram o máximo possível para deixar o assunto na competência dos adultos, mas a verdade é que Dumbledore montou uma armadilha para você. E ele não é considerado o bruxo mais inteligente em nosso mundo por nada. — Disse Sirius irritado. — E foi bom que eu o vi na sexta-feira, se o nosso encontro fosse amanhã teria dificuldade em manter minha raiva.
— Estamos preocupados com o conteúdo da profecia que o diretor sabe e nós não, Harry e o que ele está disposto a fazer para cumpri-lo. — Falc apontou e sua expressão mostrava sua preocupação.
— Eu contei a eles as ideias do Neville, de porquê Dumbledore não o treinou desde sempre sabendo que você é aquele descrito na profecia. — Explicou Terry.
— Se ele estiver planejando sacrificar você para derrotar Voldemort, não permitiremos, Harry, vamos protegê-lo. Prometemos. — Disse Sra. Serafina veemente.
Harry sorriu emocionado, mas acenou negativamente.
— Eu acredito que devemos esquecer tudo isso, principalmente, as intenções de Dumbledore ou sua interpretação da profecia. Não importa, independentemente de suas teorias ou planos, tudo mudou porque eu já descobri muito mais do que ele queria que eu soubesse e estou treinando e aprendendo mais a cada dia. — Apontou Harry sensato. — E em breve ele não terá nenhum poder sobre mim porque deixará de ser meu tutor, assim acredito que devemos seguir em frente.
— Mas, se você pensa assim, porque está dando tanta importância a proteção, as alas e mesmo a profecia? — Sirius perguntou confuso.
— Simples, a profecia já foi acionada, quando Voldemort me escolheu como o bebê que nasceu ao sétimo mês e matou meus pais, involuntariamente, me deu o que eu precisava para ser seu maior inimigo. Não só desejo vingar meus pais, como me defender e ao meu povo dele a qualquer custo quando recuperar seus poderes. A profecia não importa para mim, vou derrotá-lo porque eu quero mais do que tudo vê-lo definitivamente morto e não porque uma profecia diz isso. — Disse Harry com determinação. — As teorias, intepretações ou planos de Dumbledore pouco me importam e mesmo se a profecia diz que devo me sacrificar ou algo assim, não pretendo segui-la, vou usar meu cérebro e minha magia para vencer. Quanto a proteção, isso é completamente diferente porque foi um presente da minha mãe, dos meus pais, precisamos tentar descobrir mais sobre ela e se realmente preciso viver com minha tia, mas antes de saber com certeza de sua importância não poderia jogar no lixo esse presente. Entendem? Principalmente depois de como ela me ajudou a apenas algumas semanas, desistir da proteção não seria nada inteligente.
— Ok, entendo seu raciocínio e até concordo, mas você não está com receio das manipulações do diretor? — Disse Terry surpreso.
— Eu me preocupo e não podemos baixar a guarda, mas..., bem, eu posso estar errado, mas acredito que as ações de Dumbledore até agora tem a intenção de me tornar aquele que a profecia descreve, eu sou uma arma para ele e em sua mente devo ser preparado para ser essa arma. — Expos Harry pensativo. — Ele não queria que eu tivesse tido uma vida tão difícil nos meus tios, mas não se arrepende de verdade de sua decisão de me deixar lá, porque no fim o que mais lhe importa é eu existir para ser sua arma. Suas palavras para minha tia foram basicamente que todo o mundo estaria perdido que eu fosse morto, assim Dumbledore acredita que sou o único que pode derrotar Voldemort, ele acredita na profecia. No fim queremos o mesmo, apenas o diretor vai descobrir que quem decide sobre minha vida sou eu e que vou matar Voldemort a minha maneira. — Harry sorriu malicioso. — Na verdade, estou ansioso para ver a cara dele quando descobrir que não adianta agitar as cordas, pois eu não sou sua marionete.
— Ok, eu compreendo, Dumbledore está indo em uma direção e não percebeu que seus planos falharam, ainda que o objetivo final seja o mesmo. Mas, e sobre a profecia? Eu acredito que precisamos descobrir seu conteúdo. — Disse Sr. Falc e Harry acenou concordando.
— Eu estive pensando no que Voldemort falou sobre ir ver a mensagem no Ministério. Harry também poderia ver, certo? E poderíamos impedir que Voldemort a acesse quando tentar? — Perguntou Terry olhando para os pais.
— Não faço ideia. — Serafina disse e olhando para o marido e Sirius, eles também acenaram negativamente. — Creio que teremos que descobrir, mas não podemos sair por aí perguntando sobre profecias, não acredito que seria bom que essa história se espalhasse.
— Eu não quero que se espalhe, apenas nós devemos saber sobre toda essa história e, principalmente, sobre a profecia. As pessoas já me tratam diferente por causa do que aconteceu naquela noite, se soubessem que sou o predito para derrotar Voldemort, não teria paz. — Disse Harry exasperado.
— Ok, vamos pensar em como obter essa informação sem chamar a atenção e a partir deste ponto descobrimos se podemos impedir que Voldemort a acesse e, o mais importante, se o conteúdo da profecia deve nos preocupar além do fato do Harry ser aquele que deve matar Voldemort. — Disse Falc e todos concordaram.
— Bem, imagino que vocês querem saber como foi meu encontro com Dumbledore? — Disse Sirius e suspirando quando todos acenaram ansiosos, continuou. — O encontro foi em Hogwarts e foi bom voltar a escola, Hagrid me recebeu...
Sirius, parado em frente aos portões de Hogwarts observou o guarda caça da escola e antigo amigo se aproximar e deixá-lo entrar com seu grande e doce sorriso característico. Haviam algumas coisas que nunca mudavam, pensou, estranhamente aliviado.
— Sirius! — Disse o homem enorme lhe dando um esmagador abraço e batendo em suas costas até seu joelho se curvar. — Que bom te ver livre, tinha certeza que você não poderia trair James e Lily, eu disse ao Dumbledore que tratou o bebezinho Harry com carinho e ainda me emprestou sua moto para levá-lo em segurança.
— Bom revê-lo, meu amigo. Obrigada por me defender, Hagrid. — Disse Sirius sincero, sabia que o homem pouco poderia ter feito por ele e saber que não acreditava em sua traição já era significativo. — Diga-me, você ainda está com minha moto?
— Sim, Sirius, está lá na minha cabana, na parte de traz. Eu guardei todos esses anos, pensei que um dia o Harry gostaria de tê-la, sabe, posso te mostrar. — Disse Hagrid ansioso enquanto eles caminhavam na direção do castelo.
— Depois que conversar com o diretor vou até a sua cabana, Hagrid, acho que ainda me lembro do caminho. — Disse ele e acenando em despedida entrou no saguão onde encontrou Minerva McGonagall o esperando.
Sirius sempre a admirou e respeitou, não conseguia pensar na sua casa, seu verdadeiro lar, a Gryffindor, sem pensar em McGonagall ao mesmo tempo. Assim, ao se colocar a sua frente, sentia um grande conflito, ela não lhe devia nada, mas lá no fundo Sirius sentia que sua professora preferida também o abandonara.
— Professora. — Disse educado, mas sem o calor antigo.
— Sr. Black... Sirius, lamento tudo o que sofreu, você não merecia, nunca mereceu a desconfiança do seu sobrenome e os erros criminosos dos incompetentes do Ministério. — Disse ela muito digna e rigidamente. — E espero que possa me perdoar por minha própria tolice.
Sirius parou sem saber o que dizer, lhe doía mais do que poderia expressar que ela pudesse acreditar que ele trairia James, justamente a pessoa que os observara crescer tão de perto e deveria saber a verdade. Ela mais do que ninguém. Ainda, algo mudaria se ele descontasse sua dor sobre ela? E fingir que a perdoara era o melhor caminho? Esse era um ponto de discussão em sua terapia e mesmo depois de meses, ainda não tinha uma resposta.
— Prof.ª Minerva, eu... Serei sincero, estou tentando lidar com a dor e a raiva que ainda sinto pelo que me aconteceu e, principalmente, pelo abandono das pessoas que eu considerava meus amigos, minha família. Eu... não posso lhe dar o perdão que a senhora me pede, não hoje, mas eu não a odeio nem nada. Espero que compreenda. — Disse ele levemente constrangido, uma parte dele ainda se sentia o garoto de 12 anos que a admirava e queria seu respeito.
— Eu compreendo e se tiver qualquer coisa que eu possa fazer para te ajudar não hesite em me pedir, Sirius. De verdade. — Disse ela e sua voz se desfez de emoção.
Sirius apenas acenou e baixou a cabeça, se a visse chorar acabaria dizendo que estava tudo bem, quando era mentira.
— Sim, senhora, eu agradeço.
Um silencio constrangedor sem manteve por alguns instantes.
— Muito bem, você sabe o caminho para o escritório do diretor, a senha é Diabinhos de Pimenta. — Disse ela e depois afastou com aceno de despedida.
Sirius retribui o gesto e depois respirou fundo, ajustou sua oclumência e seguiu até o escritório de Dumbledore. Ele já fizera esse caminho inúmeras vezes, em muitas dessas vezes estava encrencado e sabia que ganharia detenção e um bronca, mas em apenas uma ele realmente temeu ser expulso. E agora, tantos anos depois daquele momento em seu 6º ano voltava a este lugar e tudo não poderia ser mais diferente. Quando a escada rolante mágica parou em frente a porta, ele estava pronto.
— Entre, Sirius. — A voz de Dumbledore foi ouvida e ele entrou no escritório circular e que, contrariando seu pensamento anterior, continuava igual a como era a 15 anos.
Dumbledore se encontrava em frente à janela, olhando para os terrenos de Hogwarts, mas se virou e veio cumprimentá-lo assim que Sirius fechou a porta.
— É muito bom vê-lo e tão bem, Sirius. — Disse ele e parecia sincero, seus olhos azuis tinham aquele brilho de bondade que faz todos acreditarem em sua infinita benevolência.
— Dumbledore. — Disse ele com ainda menos calor do que ao falar com McGonagall, mas apertou sua mão educadamente.
— A meses queria encontrá-lo e me desculpar pelo que fiz ou não fiz para que seu caso fosse tratado com justiça, você merecia um julgamento, Sirius e realmente lamento muito. — Disse ele encarando-o nos olhos muito sério e arrependido. — Espero que um dia possa encontrar dentro de si compreensão suficiente para perdoar um velho tolo que não viu o que estava bem à frente do seu enorme nariz.
Sirius tentou controlar no máximo sua raiva, não viera ali por perdão e ainda assim esse fraco pedido de desculpas era como uma punhalada em seu coração.
— É engraçado como, quando eu encontro as pessoas, elas me dizem que esperam que eu as perdoe, que eu compreenda, que eu aceite suas amizades como se nada importante tivesse acontecido. — Disse ele com a voz fria que causaria arrepios. — Eu também esperei, diretor, por dias, meses, anos que alguém, qualquer um me tirasse daquele lugar, que ao menos me visitassem e me dessem a chance de ser ouvido, de me defender.
— Sirius...
— Onde o senhor estava, diretor, onde estava o meu líder quando mais precisei do senhor? Eu não queria o diretor de Hogwarts, nem mesmo o Chefe da Suprema Corte, quem eu esperava era o líder da Ordem da Fênix, o homem que me convidou para me juntar e lutar ao seu lado. Eu fiz, lutei e lutei, assim como esperei e esperei, mas o senhor nunca veio, julgou-me, condenou-me e esqueceu-me. — Sirius tentou controlar a emoção. — Acredita que tudo se apaga assim? Com um pedido de desculpas que tenta mostrar remorso e culpa?
— Eu realmente sinto muito, Sirius e me culpo, não minto e jamais lhe deixaria naquele lugar que não acreditasse em sua culpa...
— E isso deveria me fazer sentir melhor? — Sirius gritou, mas com a dor que sentia sua voz saiu rouca e engasgada. — Eu jamais trairia meu irmão, mesmo ele sendo um comensal da morte, se pudesse daria a minha vida pela chance se salvar Régulos. James era ainda mais amado por mim, assim como Lily e Harry, eles eram minha verdadeira família. O que eu deveria ter feito além de todo amor que lhes dei para mostrar a você, a todos, que jamais os trairia? E sobre Peter e a explosão na rua, nem ao menos houve uma investigação e...
— Eu não sabia. Sirius, por favor, eu não sabia que não houve investigação, quando me disseram que sua culpa era irrefutável, acreditei que era baseado em provas...
— O senhor não quis saber, diretor, ninguém se preocupou em perguntar, em olhar, na verdade, todos olharam para o meu sobrenome e isso foi o suficiente. — Sirius suspirou cansado, não foi por isso que viera até ali, despejar sua raiva no diretor não o levaria ao mais importante. Harry. — E na verdade, isso não me importa mais, minha raiva é minha e vou lidar com ela, sua culpa é sua, lide com ela da maneira que quiser, apenas não espere que eu lhe alivie dessa culpa, não tenho nenhuma obrigação. A única coisa que me importa é o que restou da minha família, meu afilhado, Harry.
— Entendo. E mais uma vez sinto muito pelo que passou. — Dumbledore parecia meio pálido e triste, mais velho e cansado ao dar a volta na mesa e se sentar em sua cadeira. — Por favor, sente-se, vamos falar sobre o Harry.
Sirius se sentou e não ignorou como Dumbledore buscava a vantagem com a mudança para a posição diretor e aluno, lhe daria esse poder de bom grado. Assim, tomou a iniciativa e começou a atuar.
— Quero ver o meu afilhado, Harry, pretendia vê-lo na estação, mas soube que o senhor o tirou de Hogwarts e sei muito bem que sua intenção era me impedir de encontrá-lo. — Disse Sirius mostrando ansiedade na medida certa, se o diretor queria um aluno preocupado, lhe daria isso.
— Sirius, entenda que eu apenas queria me encontrar com você primeiro, não tenho a menor intenção de afastá-lo do Harry e acredito que uma relação entres vocês, trará benefícios a ambos. — Disse Dumbledore muito mais claro e seguro.
— Então, porque o tirou do trem? — Questionou Sirius irritado.
— Remus me disse que você pretendia oferecer uma nova casa com você ao Harry e, antes que fizesse isso queria lhe explicar, pessoalmente, que é impossível. — O diretor disse calmamente.
— Impossível? E por que isso seria impossível? Se meu afilhado desejar ficar com sua família trouxa, tudo bem, mas ainda assim ele poderia estar comigo parte de suas férias e talvez durante o Natal. — Sirius falou e se inclinando para a frente, quase implorou. — Ele é tudo o que me resta, Dumbledore, tem que me deixar conquistar seu amor e recuperar um pouco do tempo que perdemos.
— Sirius, você poderá fazer tudo isso, mas existem certas informações que preciso que compreenda completamente e elas são o motivo que torna impossível que Harry deixe a casa de seus tios. — Disse Dumbledore muito sério. — Tudo começa naquela noite...
Sirius ouviu com atenção toda a história da proteção de Lily e das alas, nada foi mencionado sobre o ataque que Harry sofreu e que ele ainda pouco sabia, mas o diretor deu profunda ênfase que a vida de seu afilhado estaria em risco se a proteção fosse perdida. Ele se esforçou para mostrar surpresa e fazer as perguntas certas, no fim demonstrou o desanimo esperado.
— Pensei... Tive esperança que talvez...
— Eu compreendo sua decepção, Sirius, mas não se desanime, você ainda pode fazer parte da vida do Harry e ele ficará muito feliz em conhecê-lo, tenho certeza. — Dumbledore sorriu benevolente.
— Então, posso ao menos convidá-lo para as férias de inverno? Quem sabe alguns fins de semana? Tenho um apartamento em Londres com um quarto extra, apenas precisa ser decorado e podemos até fazer isso junto. — Disse ele mostrando esperança quase juvenil com a ideia.
— Bem, neste verão a situação de Harry mudou sutilmente e algumas adaptações serão necessárias. — Disse Dumbledore hesitantemente.
— Mudou? O que quer dizer? — Sirius mostrou sua confusão.
— Harry fez amizade com os Boots, seu melhor amigo da Ravenclaw é Terrence Boot e passou as últimas férias de inverno com toda a sua família. Eles, como você deve saber tem uma ligação de longa amizade com os Potters e Serafina Boot, mãe de Terrence, foi amiga de Lily. — Informou o diretor calmamente.
— Eu me lembro de todos eles, hum... Áquila Boot era amigo pessoal do Sr. Fleamont, e seu filho era anos mais velhos, mas me lembro que tinha uma boa relação com James. Sua esposa, Serafina? Não tenho lembrança, na verdade, não sei se fomos apresentados. — Disse Sirius com o olhar distante no passado, depois sacudiu a cabeça impaciente. — Mas o que isso tem a ver com o Harry passar tempo comigo?
— Os Boots se tomaram de grande amor e cuidados com o Harry e não acreditam que ele está tendo a melhor educação ou cuidados na casa de seus tios. — Dumbledore falou pausadamente com se escolhesse as palavras e mesmo sem saber da verdade, Sirius teria ficado desconfiado.
— Isso é verdade? Mas você não cuidou dele por todos esses anos? — Sirius perguntou com voz de aço.
— Não acreditei que com as proteções isso seria necessário, você sabe como ela funciona, Sirius, quando sua tia o aceitou as alas foram acionadas e nunca me ocorreu que eles não amariam o Harry como um membro da família. Bem, os Boots descobriram que seus parentes apenas o toleram e... — Dumbledore explicou sobre a audiência, sem entrar em detalhes sobre as lembranças de maus-tratos, e sua conclusão, a guarda compartilhada.
— Mas, se a guarda de Harry deve ser compartilhada, deveria ser comigo, Dumbledore, eu sou seu padrinho, sua família, seu guardião segundo o testamento de James e Lily. — Protestou Sirius levantando-se indignado.
— O testamento não tem nenhuma validade, Sirius e você sabe, além disso, Harry está muito feliz por estar na casa dos Boots, ele os vê como sua família. Porque não se aproxima deles por esse caminho? Seria, acredito, mais fácil do que tentar encontrá-lo na sua casa trouxa, escreva aos Boots, se apresente e marque um horário para conhecer seu afilhado. — Disse Dumbledore sorrindo levemente. — Tenho certeza que estarão mais do que a abertos a recebê-lo e você poderá fazer o que me disse, conquistar o amor do Harry, recuperar o tempo perdido, vocês dois merecem isso. Apenas vá devagar, brigar para tê-lo para si não o ajudará a chegar ao seu coração.
Sirius acenou cabisbaixo e depois de pegar o endereço de para onde escrever, se despediu deixando o escritório mostrando distração e decepção.
— E, bem, foi isso, eu não quis insistir em uma discussão sem fim, acredito que sair decepcionado combinaria mais com meu estado atual, além disso não queríamos que ele se preocupasse com minhas ações. — Disse Sirius dando de ombros.
— Acredito que foi muito bom, Sirius e me espanta que Dumbledore minta com tanta naturalidade sobre a gravidade da vida do Harry na casa de seus tios. — Disse Serafina irritada.
— Eu concordo, mas não me surpreendo, ele manipulou o Sirius com a informações, Harry precisa ficar nos tios para sobreviver, Harry é feliz nos Boots, se você não seguir meus conselhos, Harry não vai amá-lo. — Falc disse com seus olhos azuis de falcão analisando os fatos friamente. — Se você não soubesse toda a verdade teria acreditado e seguido cada uma de suas palavras, Sirius e nunca teria convidado o Harry para viverem juntos como uma família.
— Sim, mas saber a verdade não muda nada, Harry ainda não pode viver comigo. — Disse ele trocando um sorriso triste com o afilhado.
— Quem disse? Você é da família assim como o Harry e, portanto, estão praticamente vivendo juntos, não é o ideal, mas como apontado isso não precisa ser para sempre. Vou investigar essas alas e a proteção, pode levar algum tempo, mas descobrirei como elas funcionam e talvez no futuro podemos dividir a guarda do Harry com você, Sirius. — Disse Serafina emocionada.
— Isso seria maravilhoso e obrigada por me aceitarem. Sei que deveria procurar um lugar para mim, mas não quero ficar longe do Harry ou de nenhum de vocês, na verdade. — Disse Sirius sorrindo para todos.
— Bem e sobre a surpresa que você disse que tinha, Sirius? — Perguntou Harry curioso.
— Ah, sim, eu peguei minha moto com Hagrid e a estou concertando, ficou parada por muito tempo, mas assim que estiver funcionando bem podemos ir dar uma volta. — Sirius tinha um sorriso enorme e animado, dava até pulinhos na poltrona.
— Uau! De verdade? Vamos andar em sua moto voadora? — Harry trocou um olhar animado com Terry que sorria como uma criança no Natal.
— Isso será incrível! — Disse Terry e depois arregalou os olhos e encarou os pais. — Vocês vão me deixar andar com o Sirius, não é?
— Vamos primeiro avaliar a segurança nesta tal moto voadora, para todos vocês, Sirius incluído. — Disse Falc sério.
— Ei! Minha moto tem tudo o necessário para voarmos em segurança, você só está com inveja porque não tem uma. — Disse Sirius pomposamente, Harry e Terry riram.
Logo depois Harry se despediu e a Sra. Serafina o levou embora. Quando chegou em sua casa, mais tarde que o normal sua tia reclamou, pois estava preparando o jantar sozinha. Harry apenas tirou uma grande travessa do bolso e o colocando sobre a mesa, tocou com sua varinha e ela voltou ao tamanho normal.
— Eu trouxe uma travessa de lasanha, tia Petúnia, eu fiz uma extra no almoço no Chalé dos Boots hoje e pensei em trazer para o nosso jantar. É lasanha de camarão, eu que fiz, Sra. Madaki me ensinou a fazer até a massa. — Disse Harry abrindo a travessa de vidro e mostrando seu trabalho.
Sua tia olhou surpresa, não comia uma lasanha de massa caseira desde que a mãe morrera a muitos anos.
— Parece muito bom, pensei em fazer uma sopa... — Disse ela olhando pensativa para os legumes que já começara a picar.
— Podemos fazer uns legumes salteados, é saudável, e combina com a lasanha. A senhora tem algum pão? — Questionou Harry abrindo os armários.
— Tem pão de alho no freezer, podemos assar. — Disse ela distraidamente, pegando o pão e colocando no forno enquanto Harry salteava habilmente os legumes.
Durante o jantar nada foi dito porque seus tios e primos estavam muito ocupados em comer toda a lasanha deliciosa. Dudley reclamou dos legumes, mas sua mãe o ameaçou de não poder repetir se não os comece, seu primo a olhou chocado pela ameaça e quando viu seu rosto estranhamente sério e intenso, engoliu em seco e acenando, comeu todos em silencio.
— Muito boa lasanha, querida. — Disse seu tio quando finalmente acabou.
— Foi eu quem fiz, tio. A avó de meu amigo me ensinou a fazer tudo, até a massa, hoje durante o almoço na casa dos Boots. Eu apenas fiz uma travessa extra e trouxe para o nosso jantar. — Harry informou com sorriso animado.
Seu tio empalideceu e olhou para a travessa que vazia, desapareceu da mesa subitamente, com certeza para aparecer na pia da cozinha da Sra. Serafina, onde estava sendo lavada magicamente. Harry sorriu ainda mais, o tempo foi perfeito.
— Você... Menino... Como ousa... — Vernon não poderia achar as palavras e seus rosto ficou roxo de raiva.
— Eu fiz sem magia, tio Vernon, a avó do meu amigo é trouxa, apenas a travessa da Sra. Serafina estava encantada para voltar para o Chalé quando estivesse vazia. — Disse Harry e se levantando começou a tira a mesa. — Dudley, você lava a louça hoje, vem, vou te ensinar.
Enquanto seu primo o olhava chocado, seu tio tomou fôlego para começar a gritar, mas sua tia o cortou.
— Pare de frescura, Vernon, comida é comida e estava tão boa que você comeu tudo. E Dudley, a partir de agora você vai lavar a louça do jantar, sem discussão. — Disse ela impaciente.
— Mas, mãeeee..., — Gemeu Dudley com expressão de cachorrinho.
— Mas, querida, ele... O menino... — Vernon tentou protestar.
—Mais nada, Harry estará aqui todas as noites e eu não terei discussões e mais discussões todos os dias, ele fez uma gentileza em pensar em nós quando estava aprendendo a cozinhar hoje e nos trouxe um delicioso jantar. Se você não pode agradecer, tudo bem, mas não vai gritar com ele sem nenhum motivo. — Sua tia se levantou muito séria e encarou o marido. — Eu lhe expliquei que temos que mudar a maneira como o tratamos, Vernon, e estava falando muito sério. E, Dudley, se você não for lavar a louça vai ficar sem computador e vídeo game por uma semana.
Suas palavras finais foram duras e seu primo a olhou como se não a reconhecesse, Harry podia entender, ele também estava chocado. Uma conversa, uma conversa de Dumbledore, se pelo menos o velho tivesse vindo mais cedo, como a 10 anos atrás, sua vida teria sido bem diferente, pensou.
Ele ensinou seu primo como lavar a louça e foi enxugando e guardando os pratos. Dudley tinha um bico do tamanho da tromba de um elefante e ficou estranhamente parecido com o filhote de um, Harry resolveu falar de sua ideia da academia.
— Academia? — Perguntou ele irritado por ter que repassar um prato que não ficou bem limpo. — Porque eu iria a uma academia idiota.
— Bem, tem piscinas e você sempre gostou de nadar, eu vou aprender porque nunca fui ao clube do tio Vernon como você. Lembra? — Dudley apenas acenou. — E tem esportes e lutas, seriam uma boa aprender alguma e você poderia emagrecer, sabe, e ganhar algum músculo. Eu quero deixar de ser magrelo e você pode deixar de ser gordo. — Disse Harry como se não fosse importante, mas viu seu primo olhar interessado.
— Luta?
— Sim, você assiste boxe na TV com o seu pai, eles têm aula de boxe por lá e seria só aos sábados. — Disse Harry tentando não imaginar seu primo aprendendo a socar alguém com aqueles punhos gordos.
— Perece legal. — Disse ele dando de ombros e Harry sabia que se tratando de Dudley aquela resposta era quase um "eu adorei a ideia".
— Bom, porque se você for para um semi-internato ainda vai poder ir mesmo depois do fim do verão. — Disse Harry tentando descobrir o que o primo pensava dessa ideia.
— O que? Eu não vou para um semi-inter.… sei lá o que. — Respondeu ele chateado.
— Bem, para onde você vai então? Não tem muitas opções e, se eu fosse você, iria querer ficar bem longe daqui. Ou você se esqueceu que Piers e os outros vão se unir e lhe dar uma surra assim que te encontrarem? Ou será que está planejando passar o resto da vida em seu quarto depois de chegar da escola? — Disse Harry ironicamente.
— E de quem é a culpa? — Disse Dudley o olhando raivoso.
— Sua, ou você já se esqueceu quem era o líder de uma gangue e estava bem no caminho de acabar no reformatório? — Disse Harry em tom baixo, mas cortante.
Dudley não respondeu e voltou a lavar a louça com seu bico de elefante. Harry decidiu dar apenas mais uma cutucada, antes de parar.
— Acho que se for um lugar legal vai ser muito bom, sabe, fazer novos amigos, ficar a semana toda estudando sem preocupações, você disse que quer deixar seus pais orgulhosos, não é? E aos fins de semanas seus pais vão estar morrendo de saudades e farão tudo o que quiser, suas comidas preferidas, parques e jogos. — Disse Harry displicentemente. — Se for uma boa escola, com bons professores podem até te ajudar a conseguir boas notas o suficiente para uma universidade e ser um diretor como seu pai um dia.
Dudley não respondeu, mas deu para ver em sua expressão que ele ouviu cada palavra e Harry esperou que isso seria o suficiente para ajudar seu primo, não havia muito mais que ele poderia fazer, infelizmente. Durante o resto da noite, Harry ficou em seu quarto lendo o relatório sobre seus negócios trouxas que o Sr. Chester lhe fizera e em seu bloco de notas fez inúmeras anotações e perguntas que poderia esclarecer quando se reunissem.
Na manhã seguinte depois do seu treino e de seu café da manhã, Harry estava lavando seu prato quando sua tia entrou na cozinha e o viu pronto para sair.
— Seu tio ainda não saiu, nem tomou o café da manhã, você não está adiantado? — Perguntou ela, seu tom era menos ríspido do que o normal.
— Às segundas-feiras e sextas-feiras tenho terapia com o irmão da Sra. Serafina, hoje às 8 horas e sexta às 11 da manhã, assim terei que sair mais cedo. Não se preocupe que vou com o Sr. Falc de trem e depois irei direto ao Chalé Boot e volto às 17 horas. — Informou Harry calmamente.
— Terapia? — Sua tia perguntou surpresa.
— Sim, Sr. Martin é psiquiatra e tem uma clínica em Londres, eu fui visitar o túmulo dos meus pais durante as férias de inverno e ele me ajudou muito a... bem... — Harry ficou constrangido, não sabia o que dizer para explicar e decidiu ser sincero. — Ele me ajudou a lidar com o luto e meu padrinho e os Boots querem que eu fale com ele de novo durante o verão para me ajudar com o que aconteceu com o Quirrell e com os pesadelos.
— Entendo. — Sua tia não disse mais nada e começou a preparar o café da manhã para seu tio.
— Eu vou até Brixton depois da consulta, à academia que lhe falei, conversei com o Duda ontem e ele se interessou pela ideia, se a senhora quiser podemos nos encontrar lá mais tarde. — Sugeriu Harry enquanto colocava sua jaqueta de couro preta.
Sua tia parou por um instante pensando e depois falou:
— Deixe o endereço, às 9:30 estaremos lá.
Harry acenou e escreveu o endereço em seu caderno de listas e saiu sem se preocupar em se despedir.
Quando o Sr. Falc aparatou na praça, Harry já estava lá esperando e os dois sorriram, se cumprimentaram e caminharam para a estação.
— Eu poderia te pegar em sua casa, Harry. — Disse ele suavemente.
— Não quero provocar meu tio demais e o parque é perto, não me importo de vir até aqui. — Disse ele dando de ombros.
Durante a viagem de trem para Londres, os dois falaram sobre os planos e combinaram que Harry iria ao seu escritório depois de Brixton. Edgar e Sirius, além do Sr. Falc, o estariam esperando para terem uma primeira reunião. Sr. Falc o deixou na clínica do Sr. Martin em Kensington e Harry esperou apenas 10 minutos antes de entrar na sala, tinha duas poltronas, um sofá e uma mesa e cadeiras. A decoração era leve e arejada, Harry se sentiu a vontade de primeira, principalmente, ao encarar os olhos bondosos do Sr. Martin, o lembravam muito de Terry.
— Sei que estar aqui é um pouco mais oficial, mas quero que se sinta à vontade para dizer o que quiser assim como em suas cartas e como naquele dia no Chalé. Ok? — Disse o Sr. Martin suavemente.
Harry assentiu e suspirou, tentando pensar no que ele queria falar primeiro, haviam tantas coisas. Talvez Quirrell, ou a profecia, Voldemort, ou seus pais, Dumbledore, mas então ele abriu a boca e disse algo que o surpreendeu.
— Eu acho que quero ajudar meu primo e minha tia, eles estão doentes e infelizes, o senhor acredita que é errado eu contar algumas mentiras se for para eles ficarem bem? Quer dizer, manipulação é errada mesmo com boas intenções, certo?
Sr. Martin não mostrou surpresa ou qualquer julgamento, apenas assentiu e disse.
— Vamos falar sobre isso, o que faz você pensar que sua tia precisa de sua ajuda? — Perguntou ele suavemente.
— Eu... Acho que ela não se ama, Sr. Martin, acho que minha tia não gosta ou não vê qualidades em si mesma e por isso é infeliz e acho que é por isso que ela se casou com meu tio Vernon, ele é um homem de coração duro e mesquinho que não a merece. — Disse Harry tentando explicar sua percepção dos últimos dias. — Ela nunca foi muito dura comigo quando era só nós dois, sabe, eu me lembro que passávamos o dia juntos e apesar de ter que a ajudar nas tarefas de casa, minha tia não me tratava mal, quando o meu primo estava em casa...
Harry então contou sobre sua infância em mais detalhes, agora que sabia a verdade sobre porque ela odiava a magia explicou como enxergava as ações de sua tia e suas motivações, como essas ações a enchiam de culpa, como ele e Duda estavam doentes por causa disso. Depois contou sobre suas ideias, afastar seu primo da sua gangue, a academia, uma nova escola e falar com sua tia de novo e novo.
— Às vezes, Sr. Martin, eu acho que ela quer saber mais, que ela se importa, mas algo a segura como se ela se lembrasse que tem uma máscara que deve usar e a vestisse de novo. — Disse Harry cansado de tanto falar.
— Isso é importante para você, Harry? Ajudá-los? Porquê? — Perguntou o Sr. Martin atento.
— Eu... não achei que era, Sr. Martin, não pensei que me importasse com eles, mas eu... acho que me importo e, na verdade, eu... não sei porque. — Respondeu ele sincero.
A sessão terminou logo depois e Harry saiu da sala mais confuso do que entrou, Sr. Martin o acompanhou até o taxi que o levaria a Brixton e disse suavemente.
— Não se preocupe tanto, teremos o verão todo para descobrir tudo que está em sua mente e seu coração, terapia não dá respostas em um estalar de dedos.
— Obrigado, Sr. Martin, até sexta-feira. — Disse Harry e depois de apertar sua mão, entrou no taxi e deu o endereço ao motorista.
Em meia hora, Harry chegou a academia e encontrou sua tia e primo na porta, eles entraram juntos e descobriram que era o grande galpão de tijolos vermelhos, com vários outros prédios acoplados, não era exatamente uma academia comum e sim um Centro Poliesportivo que foi fundado por um jogador de tênis famoso e rico. O Sports Center Brixton se localizava em um ponto pobre do bairro e a recepcionista que os atendeu disse que recebiam muitos adolescentes pobres que não tinham condições de pagar a mensalidade e que a prática de esportes depois da escola os tirava das ruas e diminuía a criminalização, além de oferecer oportunidades de uma vida no esporte aos mais talentosos.
Harry ouviu tudo com interesse e fez muitas perguntas, o Centro Esportivo parecia incrível e fazia um grande trabalho social. Ele explicou sobre seu amigo, o Sr. King que indicou o local e soube que ele não apenas frequentava a academia que havia no Centro, mas também dava aulas de algumas lutas, voluntariamente, para meninos e meninas.
— Eu só posso vir aos sábados, Srta. Shaw, mas poderia passar o dia todo aqui. E preciso fazer natação, meu médico recomendou porque estou abaixo da altura para minha idade e nadar me ajudará. Também gostaria de aprender alguma luta, Sr. King falou sobre o Muay Thai e não conheço muito sobre lutas, na verdade. — Disse Harry tímido e a Srta. Shaw sorriu simpática.
— Porque você não leva o nosso folheto com tudo o que temos disponível, sábados e domingos são os dias de maiores atividades porque durante a semana alguns tem que trabalhar depois da escola e não podem vir. Esses são nossos valores mensais, trimestrais e semestrais. Pensem e no sábado vocês dois podem vir e experimentar o que quiserem. — Disse ela muito solicita depois de lhes mostrar o primeiro andar do Centro.
— Eu com certeza voltarei, Srta. Shaw. — Disse Harry sorrindo e olhou para o primo que também olhava em volta interessado, seus olhos brilharam ao ver o lugar onde se aprendia boxe e quando uns adolescentes passaram com luvas e músculos, Harry não precisou ser um legilimente para saber o que o primo pensava.
— Eu também vou voltar. — Disse ele um pouco estupidamente.
— Bom, nós nos veremos no sábado, eu estarei aqui, venham com roupa de treino, de natação e com a taxa de matrícula e a mensalidade. — Disse ela objetivamente e depois eles se despediram.
Sua tia Petúnia não perecia muito satisfeita com o lugar, talvez desconfiada por ser um projeto social, mas Dudley nem parecia entender completamente o significado disso.
— Eu acho que é incrível, eles estão ajudando crianças e adolescentes, tia Petúnia e com nossas mensalidades vamos colaborar e aprender, nos exercitar. — Disse Harry enérgico. — São boas pessoas e será bom conhecer pessoas novas, até porque os últimos amigos do Duda estavam tentando colocá-lo no reformatório.
Isso pareceu calar sua tia e eles se despediram, ela foi para a estação que ficava a apenas uma quadra e Harry pegou outro taxi para o Caldeirão Furado, onde entrou o mais discretamente possível e foi até o escritório do Sr. Falc que ficava em um prédio estreito de dois andares, pintado de vermelho Gryffindor e com janelas verdes Slytherins.
Quando entrou, a recepcionista avisou o Sr. Falc de sua presença e este apareceu descendo as escadas, Harry pensou que eles subiriam, mas eles saíram para fora e caminharam rapidamente para o primeiro Beco Morto depois do Caldeirão, o mesmo onde estava a Editora Aprilis.
— Temos um prédio próprio para a GER Empreendimentos, Harry. Estamos dividindo o espaço com os escritórios dos Negócios Black. — Explicou o Sr. Falc e apontou para um prédio pintado de azul Ravenclaw e janelas vermelhas. — Nós o reformamos, achei que gostaria das cores.
— Eu gosto, parece muito bom, Sr. Falc. — Disse Harry, e observou a placa prateada identificando a empresa, GER Empreendimentos que estavam escritas em letras grandes, negras e fortes em cima da porta de entrada. A porta dupla de madeira estava pintada de vermelho como as janelas e cominava com o azul das paredes, ficou moderno e elegante.
Quando entraram, Harry percebeu que a recepção fora bem decorada, era acolhedor e eficiente. Não havia uma recepcionista, mas o local de trabalho parecia pronto para uma. Um elevador levava ao segundo e terceiro andares.
— Aqui no térreo, temos a recepção, sala de espera, banheiros para os clientes, banheiros e uma cozinha bem equipada para os funcionários. — Explicou o Sr. Falc. E indicando os elevadores, quando entraram, continuou. — O 2º andar ficam os escritórios dos Negócios dos Blacks e no 3º andar os escritórios da GER que não tem nenhuma ligação com você. Eu criei e registrei a nova empresa oficialmente no Ministério da Magia como um novo negócio da Família Potter, mas os registros são confidenciais e apenas podem ser acessados por nós.
— E Dumbledore. — Disse Harry quando o elevador se abriu no terceiro andar e Harry viu o escritório da sua nova empresa.
Havia no meio uma recepção circular com seis mesas, as secretarias trabalhariam ali. Em um lado havia uma área de espera clara e acolhedora com sofás e poltronas para os clientes e portas levavam para os escritórios e uma grande sala de reuniões. Tudo ainda estava vazio, mas dava para sentir a energia de positividade e trabalho, mudanças, Harry sorriu, era exatamente como ele planejara.
— Sim, mas seremos os mais discretos possíveis e esperemos que ninguém conecte a GER Empreendimentos com os Potters e em breve estaremos destituindo a tutela de Dumbledore sobre você e não precisaremos mais nos preocupar com qualquer interferência. — Disse o Sr. Falc apontando a sala de reuniões.
— Quando, exatamente, conseguiremos isso, Sr. Falc? Me preocupa que ele descubra e possa assumir a GER, até paralisar os nossos projetos. — Disse Harry e ao entrar na sala sorriu ao encontrar Sirius e outro homem que ele supôs fosse o Sr. Edgar. — Olá!
— Harry! Que bom que chegou, você está bem? — Perguntou Sirius o cumprimentando com um abraço e beijo na testa, para Harry era sempre algo natural receber o carinho do padrinho, mesmo que com os outros adultos ainda fosse estranho.
— Estou ótimo e estive na academia que o Sr. King recomendou e descobri que é um Centro Esportivo que está inserido em uma região pobre e... — Harry contou sobre tudo o que viu e como pretendia começar a frequentar aos sábados.
— Parece um grande projeto social. — Disse o homem de cabelos castanhos e olhos azuis, tinha um sorriso divertido e um rosto simples, mas bondoso.
— Oi, me desculpa não o ter cumprimentado, acabei me empolgando. Harry Potter, prazer em conhecê-lo, senhor. — Disse Harry estendendo a mão formalmente e sorrindo.
— Edgar Schubert e é um grande prazer conhecer o idealizador de todas essas ideias brilhantes, estou muito orgulhoso em trabalhar para você, Sr. Potter. — Disse ele com um sorriso sincero e apertando sua mão com firmeza.
— Harry, por favor, Sr. Edgar e pensei que o senhor era o Diretor do Negócios Blacks? Meu padrinho me contou sobre as mudanças incríveis que vocês estão trazendo para suas Fábricas. — Disse Harry olhando para o padrinho orgulhoso.
— Gerente Geral, Diretor, não importa o nome. E você está certo Harry, mas Falc e Sirius precisavam de toda a ajuda possível para colocar seus empreendimentos em movimento, assim me contrataram também para ser o Diretor da GER. — Explicou Edgar e quando todos eles se sentaram na comprida mesa de reunião, continuou. — Suas ideias, Harry, abrange inúmeros aspectos, não apenas questões legais que Falc faz com perfeição, mas também conhecimento de mercado, gestão de pessoas e desenvolvimento de negócios e é aí que minha experiência é necessária.
— Isso é incrível, fico muito feliz Sr. Edgar e onde estamos agora? Onde eu posso ajudar? — Disse Harry ansioso.
— Aqui, Harry. — Sr. Falc abriu um grande mapa sobre a mesa e apontou para o ponto principal. — A primeira fase do seu plano, depois que a GER foi fundada, era comprar todas as lojas disponíveis no Beco Diagonal, as que estavam abandonadas no Beco Morto somaram 36 prédios e mais 7 no Beco principal.
Harry observou o mapa que mostrava de forma plana o Beco Diagonal e suas centenas de lojas, braços se abriam a cada distancia específica do lado esquerdo e direito mostrando as vielas mais curtas sem saídas. No mapa estava sinalizado de azul cada um dos prédios que pertenciam a GER, os outros estavam em amarelo claro, ocupados e a esquerda em negro estava os prédios da Travessa do Tranco. A legenda e o mapa eram bem claros e Harry pode ver a localização, números e disposição de cada imóvel.
— Tantos prédios vazios, como é possível? — Harry falou pensativo.
— Infelizmente algumas famílias antigas deixaram de existir ou abandonaram suas lojas ao longo dos séculos. Os Becos Laterais como foram chamados era um projeto para revigorar o comércio do mundo mágico com novos negócios. — Falc suspirou apontando para as lojas. — Esperou-se que os mestiços e nascidos trouxas trouxessem esses novos negócios e dinheiro, mas não foi o que aconteceu. Na época os nascidos trouxas não tinham autorização para fundarem um negócio em nosso mundo, assim as famílias antigas não puristas se uniram e conseguiram a mudança dessa lei na Suprema Corte, deveria ser uma vitória, mas logo depois de maneira bem sigilosa e com o apoio do Chefe da Suprema Corte da época os puristas votaram as taxas e impostos especiais para aqueles que não pudessem comprovar a linhagens puros sangues de pelo menos um dos pais. Você, Harry como um membro de uma família antiga praticamente não tem taxas e impostos para pagar, mesmo sendo um mestiço, mas outros com esse status de sangue e sem um sobrenome antigo também teriam gastos absurdos que só são menores do que os gastos de um nascido trouxa.
Harry acenou entendendo, essa era a injustiça que ele queria combater com suas ideias. Um dia, ele lutaria na Suprema Corte, mas por agora a GER Empreendimentos revolucionaria o mundo mágico.
— E qual o próximo passo? — Perguntou Harry interessado. — Sirius disse que vocês já estão avançando.
— Sim, a fase 2 como chamamos é, principalmente, escolher os nossos sócios e os melhores negócios para cada um desses prédios. Isso é delicado porque não podemos escolher pessoas ou negócios sem uma análise e projetos criteriosos, pois seria terrível nos associarmos com alguém desonesto ou abrir um negócio que não tem mercado. — Explicou o Sr. Edgar seriamente, mas com seus olhos azuis brilhando de entusiasmo, Harry não tinha como não se contagiar por esse sentimento que transbordava do homem mais velho.
— E é aí que o senhor entra. — Apontou ele entendendo melhor.
— Sim, é aí onde eu entro. — Edgar riu animadamente. — Ainda não temos funcionários como você viu, mas Serafina nos deu uma ideia para começarmos a recrutar e analisar possíveis sócios e negócios. Você, disse ao Falc que gostaria de ajudar os nascidos trouxas que vivem na informalidade, infelizmente, nos aproximarmos deles é difícil, são pessoas muito desconfiadas. E com razão. — Disse ele com expressão triste.
— Qual foi a ideia da Sra. Serafina? — Perguntou Harry.
— Ela sugeriu entrar em contato pessoalmente com a Charity Doylen. Lembra-se dela, Harry? — Perguntou o Sr. Falc.
— Claro, eu compro livros apenas de sua loja e ela é minha intermediária quando quero um livro não censurado da Editora Aprilis. — Disse Harry entusiasmado. — Eu só a conheço por cartas, mas ela é muito legal.
— Sim, sem dúvida, Serafina a procurou e a trouxe para uma reunião, no início ela não parecia querer acreditar, mas quando Falc deixou claro que eram suas ideias e projeto, que falávamos por você, bem, depois disso Sra. Doylen se mostrou mais aberta. — Explicou Edgar sorrindo.
— Mas achei que íamos manter em sigilo meu nome? — Harry questionou preocupado.
— E vamos Harry, mas para aqueles que nos associarmos, como Charity, a verdade terá que ser informada, até porque o contrato com a Família Potter não pode ser escondido, mas não se preocupe que exigiremos um contrato vinculativo de confidencialidade a partir deste ponto. — Explicou Falc.
— É simples, Harry, eles estarão se associando a GER e o que impedi que essa associação seja registrada no Ministério é o fato de que o contrato mágico está sendo assinado com uma Família Antiga. — Explicou Sirius com um sorriso malicioso. — Você queria encontrar um jeito de enganar o Ministério e encontramos.
— Ok, então para o Ministério da Magia a GER Empreendimentos está abrindo dezenas de novos negócios e, por pertencer a uma Família Antiga, pagaremos nada de taxas e impostos. Mas na verdade as empresas e lojas pertencerão aos nascidos trouxas ou mestiços, faremos um contrato mágico particular entre eles e a GER, mas não precisamos registrar e informar ao Ministério deste contrato porque Famílias Antigas não tem essa obrigatoriedade. É isso? — Questionou ele acompanhando a explicação.
— Exatamente! Vamos usar cada um de suas leis contra eles e Harry essa é a maior brincadeira de todos os tempos, seu pai deve estar muito orgulhoso. — Disse Sirius animado e emocionado.
Harry sorriu, ele sabia que deviam haver brechas nas leis que os permitiriam fazer isso e nada o animava mais do que enganar alguns puristas esnobes.
— Mas os novos negócios não serão completamente dos nossos futuros associados. — Edgar voltou a explicar. — Muitos não terão dinheiro para investir e muito menos comprar os prédios e para a GER se manter e ter lucros temos que escolher e auxilia-los em negócios lucrativos. O significado da sigla GER é Grupo Empresarial Revel, aliás muito boa escolha com o nome, isso faz com que sejamos um grupo de diversas empresas, de ramos diferentes, mas abriremos cada negócio com um sócio diferente. Esse sócio entrará com seu trabalho e a GER com o dinheiro, mas a administração será conjunta e as divisões dos lucros justas.
— Bem, não quero apenas lucros desse projeto, Sr. Edgar, mas entendo que não podemos oferecer caridade, o Sr. Falc me explicou isso e foi por isso que eu tive essa ideia. Pensei que seria uma maneira de ajudar sem que eles perdessem suas dignidades e assim todos podem ter uma vida melhor e mais segura. — Disse Harry e voltou a olhar o mapa. — E como terminou a reunião com a Sra. Doylen?
— Charity acreditou e ficou muito interessada, quando explicamos que queríamos chegar ao outros informais e propomos que ela intermediasse, aceitou na hora e nos fez um grande favor ao indicar aqueles que não mereciam nossa atenção por não serem honestos. — Sr. Falc explicou e depois apontou para uma pilha de pastas. — Conseguimos com seu intermédio nos reunir com vários informais que se interessaram por nossas ideias, eles assinaram um contrato de confidencialidade antes da reunião, assim, mesmo aqueles que não fecharmos os contratos finais não poderão sair falando por aí sobre o que estamos fazendo.
— Entendi. Mas porque já não fechamos contratos com esses interessados? — Perguntou Harry recebendo as pastas e encontrando nomes diferentes em cada uma e o negócio que cada um administra.
— Precisamos avaliar cada uma dessas pessoas, Harry, mesmo com o aval, digamos assim, da Charity, ainda precisamos ter certeza de que se eles são, não apenas honestos, mas também trabalhadores e inovadores. E, além de flexíveis com a ideia de ter um sócio que administrará seus negócios em conjunto com eles, precisamos saber se eles são pessoas abertas a mudanças, desenvolvimento, aprendizagem. — Edgar foi quem explicou. — Seria terrível nos associarmos a alguém que depois não aceita expandir ou ir estudar e aprender mais para ser um administrador melhor, entende?
— Entendo. Parece muito trabalho, como ter certeza de que eles são tudo isso que o senhor quer, Sr. Edgar? — Perguntou Harry muito sério.
— Nós o testamos. Basicamente nós desenvolvemos maneiras de conhecê-los e descobrir suas características profissionais e pessoais. Tenho uma Psicóloga do Trabalho que está desenvolvendo alguns testes para mim, ela é trouxa, infelizmente não pode aplicá-los, mas eu a contratei e expliquei o contexto, excluindo a magia. — Edgar explicou. — Quando o testarmos vamos tentar descobrir se são empreendedores, inovadores, flexíveis, se aceitam ordens ou divisão de comando, se estão abertos a aprender e assim por diante. Os testes nos ajudarão, mas eles são apenas uma etapa. Outra etapa é uma entrevista de nós três com cada um deles, esperemos que eles sejam sinceros em suas respostas. Outra será uma apresentação minha dos problemas que identifico em seus negócios, vou analisar cada um dos seus empreendimentos e descobrir as desvantagens, os erros, as falhas e apontar para cada um deles.
— O senhor espera que eles se mostrem abertos a fazerem de modo diferente ao que fazem agora, a ouvirem e aprenderem com o senhor. Aqueles que não aceitarem as críticas ou o mandarem para o inferno não serão escolhidos. — Disse Harry entendendo. — Não pensei que precisaria fazer tudo isso.
— Poderíamos nos associar a todos desta pilha, Harry ou qualquer um que apareça na porta, mas as chances de fracasso seriam infinitamente maiores. Em uma empresa, você faz a seleção e treinamento ao contratar funcionários, assim terá os melhores disponíveis trabalhando para você. Para ser um sócio da GER Empreendimentos precisamos ser igualmente rigorosos ou tudo se tornará uma bagunça.
— Ok, e como o senhor sabe quais desses negócios são bons negócios para investirmos? — Perguntou Harry.
— Essa é uma questão importante. Primeiro temos a contabilidade dos negócios informais de cada pessoa com quem conversamos e conversaremos futuramente. Isso nos dá uma noção e estimativa de procura do produto, uma projeção razoavelmente precisa dos aumentos destes lucros diante da possibilidade de vendas a partir de uma loja física e com boa localização. — Explicou Edgar e apresentou uma planilha. — Mercado, qualidade do produto, propaganda, custo do produto, funcionários, aluguel custo final de venda. Tudo isso entra nesta planilha e ao calcularmos os números vemos em uma projeção se há possiblidade de lucros e da empresa se manter. Parece um pouco adivinhação, mas quando se trata de números você vai descobrir que eles são bem precisos.
Harry acenou olhando para as colunas, vermelha e azul, positiva e negativa, no fim um lado se comparava ao outro e o resultado final poderia pender para um lado ou outro.
— Mas isso não está completamente decidido, Harry, não queremos dispensar ninguém apenas porque a projeção de lucros é baixa ou nenhuma. Estamos buscando maneiras de aumentar os lucros, não apenas com propaganda, mas com diversificação de produtos de vendas. Esse aqui, por exemplo. — Apontou o Sr. Falc ao pegar uma pasta azul. — David Coleman vende artigos de quadribol...
— Oh... eu o conheço, comprei minha vassoura dele e outras coisas de quadribol, parece ser um cara legal. — Disse Harry.
— Tivemos a mesma impressão, muito entusiasmado e cheio de vontade de trabalhar, não tem dinheiro para investir e deixou claro que não se importa de ter um sócio investidor. — Explicou Edgar. — Mas seu negócio esbarra na concorrência, a Loja Qualidades Quadribol existe a séculos, literalmente, e as pessoas conhecem e estão acostumadas a comprar nesta loja que tem uma posição central. — Disse ele apontando para o mapa onde se localizava a loja mencionada e abrindo a pasta, mostrou uma planilha. — E essa é a projeção de lucros para a loja do Sr. Coleman.
Harry leu e arregalou os olhos, não esperava isso.
— Ele seria engolido, tem um negativo enorme! — Disse ele espantado.
— Exato, a loja, Quadribol Company iria à falência em poucos meses e com prejuízos enormes para a GER. — Disse Edgar realista.
— Mas o que podemos fazer para impedir isso? Para ajudá-los a se tornarem empresas de sucesso? — Harry perguntou ansioso.
— Além de tudo o que falamos até agora, ao escolher um negócio temos que inovar, evoluir, modernizar, diversificar. Depende, cada caso é um caso, neste do Sr. Coleman a proposta que apresentaremos para ele é que sua loja se transforme de Quadribol Company para Sports Company. — Explicou Edgar ao apontar o novo slogan, cores e proposta. — Assim ao em vez de artigos de quadribol a loja oferecerá artigos esportivos diversos, pensando que muitos nascidos trouxas e mestiços serão seus clientes, porque não ter equipamentos de outros esportes.
— Claro! E não apenas bolas ou luvas e chuteiras, mas camisas de times de futebol, adesivos, chaveiros, canecas. Não apenas equipamentos para treinos de esporte, mas também físicos, roupas para ginástica, natação. Isso é incrível! — Harry disse animado. — Terry adora o Arsenal e o Dean Thomas é fã do West Ham, meu capitão torce para o Chelsea. E vários outros comprariam para si ou para presentes para seus familiares trouxas.
— Exatamente! — Edgar mostrou um grande sorriso. — Temos inúmeros negócios e inúmeras ideias, ainda falta entrevistarmos muitos dos informais. E, assim que tivermos um grande número de projetos individuais, começaremos a seleção etapa por etapa. Depois abriremos cada loja, Harry, sua ideia foi brilhante e o mundo mágico nunca mais será o mesmo.
— Bem, sem querer ser desmancha prazeres, mas temos que contratar ajuda, o escritório está vazio e não conseguiremos fazer tudo isso sozinhos. — Disse Falc sorrindo com seus entusiasmos.
— Mas é por isso que eu pedi aos nascidos trouxas do 7º ano para vir aqui, Sr. Falc, essa é outra fase da minha ideia. — Disse Harry sorrindo animado.
— Outra fase? Acredito que não me falou sobre ela. — Disse ele curioso.
— Bem, antes tinha que pensar em como fazer isso e eu conversei com minha amiga Penny, ela é mestiça e uma Ravenclaw muito inteligente. Está indo para o 6º ano e tem nos ajudado com as infiltrações dos alunos nas aulas extras. — Explicou Harry. — E ela me ajudou a pensar em uma maneira de ajudar os alunos de Hogwarts e os que estão se formando sem fazer caridade. Basicamente, receberemos os nascidos trouxas e também mestiços, podemos claro fazer uma seleção como a que o senhor mencionou, Sr. King. A GER oferecerá estágios durante os verões para esses alunos nos diversos negócios e aqueles que se mostrarem interessados, com potencial e caráter oferecemos a oportunidade de emprego e bolsas de estudo. Esse será um braço da GER, que se chamará Divisão Evans, em homenagem a minha mãe. Ele tem o objetivo que ajudar, treinar, capacitar e qualificar os nascidos trouxas e mestiços que não tem condições financeiras para isso e que não recebem apoio, seja do Ministério ou de Hogwarts.
Harry terminou e encarou os três adultos, Sirius apenas sorria com orgulho e olhos emocionados. Sr. Falc fazia anotações e o Sr. Edgar o encarava abismado.
— Isso é... brilhante, se conseguirmos ajudar mesmo que seja uma geração inteira, Harry, nada será o mesmo em nosso mundo. — Disse ele emocionado.
— E algo tão simples, maravilhoso, mas simples. Como, que ninguém nunca pensou nisso antes? — Sr. Falc falou suavemente, distraído continuou a escrever e parecia falar consigo mesmo.
— Divisão Evans, é perfeito e uma linda homenagem, Harry, você é incrivelmente inspirador. Gostaria de oferecer as Fábricas Blacks para participar com os estágios e colocações de trabalho, além de contribuir com as bolsas de estudos. — Disse Sirius solenemente.
— Muito bem, parece que teremos muitos jovens candidatos a entrevistar nos próximos dias. Precisamos de recepcionista, assistentes e muito mais. E precisaremos entrar em contato com os jovens estudantes, creio que 5º, 6º 7º anos podem receber ofertas de estágios, no próximo verão, neste é impossível organizar tudo. — Disse Edgar entusiasmado.
— Penny ajudará e a Hermione também quer participar, Sr. Edgar, Terry e eu também estaremos aqui sempre que possível durante o verão. Eu escrevi para a Penny e dei seu endereço Sr. Falc, ela está com a lista de nascidos trouxas e mestiços que frequentam Hogwarts. Praticamente todos frequentaram as reuniões do Covil e conseguimos seus nomes e dados. Nós o chamamos de os infiltrados. — Informou Harry solícito.
— Lista? Ora, mas isso será de grande ajuda, mas o que são essas reuniões do Covil e esses tais infiltrados? — Edgar perguntou confuso.
Enquanto o Sr. Falc pedia licença e deixava a sala por alguns minutos, Harry explicou tudo sobre as aulas extras dos puros-sangues e como eles conseguiram infiltrar os mestiços e nascidos trouxas. Explicou sobre como eles contaram sobre as discriminações e dificuldades de se conseguir empregos depois de formados, sobre como a maioria voltou aos estudos trouxas. Sr. Edgar ouviu tudo com olhos arregalados e exclamações de espanto.
— Incrível, absolutamente maravilhoso. Falc tem razão, ideias tão simples e colocadas em práticas por uma criança de 11 anos, me sinto um tolo, tantos anos esperando que alguém fizesse algo e nunca percebi que não agir é exatamente o que alimenta essa sociedade preconceituosa. — Disse Edgar assombrado e envergonhado. — Sinto muito, Harry, não ter feito nada antes, por ter sido apenas mais uma peça, uma mola em toda essa engrenagem que permite todo esse horror.
— Eu não fiz sozinho, Sr. Edgar, meus amigos me ajudaram. — Harry disse tímido pelos elogios, viu Sirius sorrir e negar com a cabeça e acrescentou rápido. — E se tem algo que tudo isso me mostrou é que sozinho ninguém faz nada, precisamos no unir e assim conseguiremos mudanças. Esses são apenas pequenos passos, um dia teremos que lutar na Suprema Corte e dentro do Ministério.
— Sim, mas esses pequenos passos ajudarão centenas de pessoas, Harry e ainda, você e seus amigos estão abrindo os olhos dessas crianças, cada uma delas se tornarão adultos menos ignorantes e passivos. São como pedrinhas que se solta em uma montanha, elas rolam e se tornam uma avalanche, você, Harry Potter começou uma avalanche de mudanças que atingirão o mundo mágico nos próximos anos e não há como ninguém a deter. — Edgar disse solenemente.
Harry sorriu e olhou para o padrinho que acenou concordando com as palavras ditas pelo Sr. Edgar.
— Bom, é exatamente isso que eu quero e, na verdade, isso é apenas o começo. — Disse ele com um sorriso malicioso de seu pai e os olhos verdes brilhando de sua mãe, Sirius quase se engasgou de emoção. — Sirius?
— Não é nada, Harry, apenas estou muito feliz de estar aqui, ao seu lado e vendo a pessoa incrível que você é. Quando estava preso, eu tinha perdido a esperança e me sinto muito grato... —Sua voz se embargou. — Desculpe, estou sendo tolo.
— Não está não, nós somos família e é muito bom estar com a família, tudo é mais especial agora que eu tenho uma família de verdade. Tem momentos em que eu nem acredito, penso que estou sonhando. — Disse Harry sorrindo tímido.
— Bem, se vocês estão sonhando e de alguma forma eu acabei no sonho de vocês, sinceramente, espero que nunca acordem. Esse é o melhor sonho do mundo e não quero sair dele. — Disse Edgar com seu sorriso brilhante.
Sirius e Harry ririam e Edgar logo os acompanhou, neste momento Sr. Falc entrou e não estava sozinho, uma jovem adolescente de óculos e cabelos cumpridos e castanhos estava ao seu lado.
— Olha quem eu encontrei em minha sala de espera. — Disse ele sorrindo.
— Penny! — Gritou Harry animado.
— Harry Potter! Onde diabos você esteve? Desapareceu de Hogwarts, não responde minhas cartas, apenas no sábado recebi sua coruja com uma mensagem para vir até aqui, mas nenhuma outra explicação. — Disse Penélope Clearwater nem um pouco animada.
Mas Harry ignorou sua zanga e enquanto ela desabafava caminhou até parar a sua frente e sorrindo, disse:
— Eu também senti sua falta, Penny. — E a abraçou com força.
Isso a desconcertou completamente e toda a zanga passou em um instante e ela o apertou em um forte abraço.
— Harry, se você pensa que vai me enrolar..., mas eu senti sua falta também, muito mesmo. — Disse ela suavemente contra seu cabelo.
— Sinto muito o desencontro, Penny, mas eu não recebi nenhuma de suas cartas ou de Hermione e Neville, penso que alguém está roubando minha correspondência. — Explicou ele suavemente. — Minha carta chegou até você porque eu mandei minha coruja, Edwiges.
— Oh... isso explica então, ainda bem que você previu algo assim, não escrevi nada comprometedor e sei que a Hermione também não escreveria, como nos aconselhou. — Disse ela bagunçando seus cabelos. — Desculpe ficar brava, estava preocupada com seu silencio e logo após deixar a escola daquele jeito.
— Tudo bem, deixa eu te apresentar todo mundo. — Disse Harry e depois das apresentações eles se sentaram.
— Desculpem-me todos, eu apenas estava muito preocupada que algo tivesse acontecido com o Harry, não quis chegar assim sendo tão grosseira. — Disse Penny envergonhada.
— Está tudo bem, Penny, sua preocupação é justa e apenas nos mostra que você é a pessoa certa para trabalhar conosco. Muito obrigada por se preocupar com meu afilhado. — Disse Sirius galante e Penny corou.
— Eu... bem, de nada, Sr. Black, quer dizer, eu gosto muito do Harry e... — Ela gaguejou e Harry sorriu divertido.
— Fico feliz e nada desse negócio de Sr. Black, esse era meu pai e ele era um homem terrível, acredite. Apenas Sirius está bom. — Disse ele com um sorriso brilhante, agora que recuperara o peso e parte da antiga forma, ele era um homem muito bonito.
Penny arregalou os olhos e corou ainda mais. Harry, com pena da amiga, decidiu interferir.
— Penny, você trouxe a lista?
— Lista? Ah! Sim, sim a lista. Eu trouxe, Harry, aqui está. — Disse um pouco afobada Penny e estendeu a lista dos infiltrados. — Eu teria vindo mais cedo, mas não sabia se era possível ou seguro, fiquei um pouco no escuro, Harry. Você já escreveu para a Hermione? Ela estará aflita se não receber notícias suas.
— Eu já escrevi para ela e Neville também, infelizmente, não recebi nenhuma resposta ainda, mas acredito que como Edwiges te alcançou deve tê-los alcançado também. — Explicou Harry dando de ombros.
— Precisamos descobrir porque você não está recebendo suas cartas, Harry, isso é muito sério. — Disse Sr. Falc. — E foi inteligente de sua parte avisar seus amigos para não escrever nada comprometedor.
—Eu tive receio que com tudo o que planejamos durante o verão, bem, temi que Dumbledore pudesse tentar alguma coisa, como ler minha correspondência. — Disse Harry preocupado.
— Dumbledore? Porque ele roubaria suas cartas? — Edgar perguntou surpreso.
Suspirando, Harry bagunçou os cabelos, não queria falar disso, as pessoas que sabiam sobre toda essa bagunça eram as únicas que ele queria que soubessem.
— Prefiro que mudemos de assunto, Sr. Edgar, essa questão é complicada e ainda tenho algumas perguntas antes de ir para os meus estudos da tarde. — Disse ele timidamente.
— Claro, Harry. Quais são suas perguntas? — Disse ele nem um pouco chateado.
— Bem, primeiro, Penny, depois o Sr. Edgar vai lhe explicar tudo e te dizer no que você pode ajudá-lo. Eu a contratei, mas oficialmente, é ele e o Sr. Falc que cuidam das formalidades, mesmo assim quero lhe dar as boas-vindas. A GER Empreendimentos tem muita sorte de contar com sua ajuda. — Disse Harry solenemente.
— Eu... me sinto honrada com sua confiança, Harry e quero muito ajudar, estou disponível por todo o verão e podem contar comigo... — Penny sorriu emocionada.
— Espero que saiba o que está falando, Srta. Penny, porque vamos precisar de muita ajuda, você é, basicamente, nossa primeira contratação. Depois vou lhe informar em detalhes tudo o que já foi feito e nossos próximos passos, seus horários de trabalho e honorários. — Sr. Edgar disse sorrindo em boas-vindas.
— Muito obrigada, Sr. Schubert. — Disse ela sorrindo animada.
— Bem, eu queria perguntar sobre o aluguel que estão nas planilhas, Sr. Edgar, quando tive a ideia de comprar todos os imóveis disponíveis do Beco Diagonal, pensei que eles seriam utilizados sem que um aluguel fosse cobrado, afinal seremos os sócios de cada negócio, certo? — Harry perguntou confuso.
— Boa pergunta e a resposta é complexa, Harry. A GER é uma empresa que se envolverá em diversos ramos e precisamos sempre ter em mente que, enquanto importante ajudar e desenvolver pessoas, não estamos aqui para fazer caridade. — Edgar falou seriamente. — Para a GER se manter, crescer e ajudar mais e mais pessoas precisamos obter lucros, não para encher um cofre em Gringotes, mas para termos recursos para continuarmos com nossos empreendimentos. Compreende até aqui?
— Sim, senhor.
— Bom, um dos ramos ou divisões da GER é o imobiliário. A empresa investiu boa parte de seu capital inicial nestes imóveis e precisa recuperar o investimento. Assim a Divisão Imobiliária receberá aluguel da Divisão de Negócios e os associados, que estarão alugando esses prédios e assim teremos um fluxo de capital para continuar a investir neste setor ou redistribuir para outras divisões. — Edgar explicou bem claro. — Essa é a maneira correta de se trabalhar, você não pode misturar tudo e não saber para onde foi o dinheiro porque se não a empresa vira um poço sem fundo e logo você terá que colocar dinheiro de novo e isso mostraria uma má administração. O capital inicial deve ser dobrado, triplicado e reinvestido. Faz sentido?
— Sim, Sr. Edgar, faz muito sentido e é bom que trabalhemos com clareza assim, pois não quero que ninguém se ofenda pensando que estamos fazendo caridade. — Disse Harry muito sério e olhando para o Sr. Falc, continuou. — Também queria saber sobre o Caldeirão Furado? Não conseguimos comprar?
— Não, infelizmente, o proprietário Tom, que também é o barman, disse não ter interesse em vender e, na verdade, alegou que tem uma sobrinha neta, Hannah Abbott e que pretende lhe legar o Caldeirão como herança. — Explicou Sr. Falc chateado.
— Hannah! Ela é do meu ano e muito legal. — Harry ficou pensativo. — Não tem mais nada que possamos fazer? Oferecer mais dinheiro? Sociedade? Se ele puder deixar metade do Caldeirão para ela e com maior lucro não seria mais vantajoso?
— E eu pensei em tudo isso durante as negociações, na verdade, Edgar me ajudou com uma projeção do aumento dos lucros com as mudanças que pretendemos fazer. Mostrei nosso projeto e, no fim, isso o fez recuar decididamente. — Sr. Falc parecia bem irritado.
— O que? O senhor mostrou nossas ideias para um novo Caldeirão, aumento dos lucros e ele não quis nem discutir a possibilidade de uma sociedade? — Harry estava inconformado.
— Na verdade, ouvir nossas ideias o fez nem querer continuar as negociações, Tom disse que o Caldeirão é uma tradição no mundo mágico, existe daquela maneira a mais de 300 anos e sempre pertenceu a alguém de sua família, seu sangue. Ele é um Abbott, ainda que seu sobrenome seja Gump e disse querer continuar a tradição, quando ouviu sobre as mudanças que faríamos ao comprar o Caldeirão ou parte dele ficou muito zangado. Não creio que vamos dissuadi-lo, Harry, lamento. — Sr. Falc explicou e Harry ficou muito, mas, muito irritado.
— Tradição! Existem tradições que não se defendem eternamente e não é uma questão de lucros ou status, mas a entrada para o principal centro comercial do mundo mágico britânico é uma vergonha e precisa ser reformada. — Harry falou com firmeza. — Como podemos atrair mais compradores, turistas se a pousada que as hospeda é uma espelunca, a comida uma fraude e a limpeza parece que ainda não foi inventada.
— Concordo com tudo isso, Harry e sua indignação é muito justa. — Edgar disse e sorrindo brilhantemente, continuou. — Eu tenho uma ideia para resolvermos essa questão, aqui. — Disse ele trazendo o mapa do Beco Diagonal a frente da mesa. — Está vendo esses primeiros Becos Mortos depois que entramos pelo Caldeirão? No lado direito temos a Editora Aprilis, a GER, e tem mais dois antes do fim da viela. E do lado esquerdo temos 4 prédios na viela lateral e o prédio da esquina também foi comprado por Falc. Isso nos dá um enorme espaço, 5 prédios e a entrada seria praticamente a primeira porta que todos veriam ao entrar no Beco Diagonal. — Explicou ele animado.
Harry arregalou os olhos ao visualizar a ideia do Sr. Edgar.
— Isso... Sr. Edgar, sua ideia é brilhante! — Disse Harry eufórico.
— Que ideia? — Sirius perguntou confuso. — Ele apenas apontou os imóveis no mapa.
— Também não entendi. — Sr. Falc disse curioso.
— Eu entendi e me preocupa o que vai acontecer com o Caldeirão depois que o senhor conseguir convencer o dono a vender. — Considerou Penny preocupada.
— Convencer? Espera. O que esses cincos prédios que Edgar apontou os faz considerar que no futuro convenceremos o Tom a vender o Caldeirão Furado? — Perguntou Falc surpreso.
Harry sorriu com as expressões semelhantes dele e de seu padrinho, esses Gryffindors, pensou ele, mas decidiu não provocar.
— Simples, realizaremos os planos que tínhamos para o Caldeirão aqui nestes 5 prédios, faremos um grande hotel, com acomodações limpas, seguras e confortáveis. Com uma bonita decoração, não precisa ser luxuosa, longe disso, mas acolhedora e que nos ajude a atrair turistas de todo o Reno Unido e até de países do continente. — Explicou Harry animado. — Porque vir e apenas fazer as compras em um dia? Com o aumento do número de lojas, opções de compras, porque não se hospedar dentro do Beco, confortavelmente. E com boa comida, isso é muito importante, teremos o melhor restaurante do mundo mágico. Serviremos comidas de todos os lugares, América, África, Ásia, além do melhor da Europa, Espanha, Itália, Grécia, França e claro a nossa comida mais saborosa e tradicional. Seremos uma referência internacional.
— Oh... Harry esse poderia ser o nome, Hotel Internacional, Intercontinental. — Disse Penny com os olhos brilhando.
— Eu gosto. — Disse Harry com um grande sorriso.
— É uma ótima localização. Claro, o Caldeirão seria o ideal, mas ainda assim eu posso ver o Hotel se tornando um grande sucesso. — Disse Falc olhando o mapa com atenção.
— E, quando o inaugurarmos o Caldeirão se esvaziará rapidamente. — Edgar continuou explicando sua ideia. — Claro, sempre haverá aqueles sujeitos que preferem um lugar como o Caldeirão para negócios escusos, mas a grande maioria dos frequentadores do Beco migrarão para o novo e muito melhor hotel e restaurante.
— O Caldeirão não vai resistir a concorrência e depois de um tempo aposto que o Tom vai vender. — Disse Sirius compreendendo tudo. — Mas, se o Hotel já estará pronto, o que farão com o Caldeirão Furado? Penny está certa, depois não poderão ter dois hotéis um ao lado do outro.
— Podemos transformar em um Pub típico inglês, mas limpo e com comida simples e boa, nada daquela caverna suja e escura. Podemos reformar e transformar em uma pousada com hospedagem mais barata para aqueles que tem menos recursos ou que preferem um ambiente mais simples. — Edgar deu de ombros. — Tem muitas outras coisas que podemos pensar e até lá com certeza teremos uma ideia do que exatamente o Beco Diagonal necessita, ainda que acredite que manter a tradição do Pub/Pousada me parece o melhor.
— Eu concordo, apenas precisamos que seja um lugar que as pessoas sintam vontade de voltar e não retornem apenas por obrigação. — Harry se levantou e deu a volta na mesa. — Não sei como os pais trouxas deixam seus filhos irem para Hogwarts depois de entrarem pela primeira vem no mundo mágico por aquele lugar. Sinceramente, não entendo como ninguém faz nada sobre algo tão óbvio. Sr. Falc e sobre essa área que está em preto aqui, não tem nada construído? — Ele apontou para o mapa do lado oposto a entrada do Beco.
— Ah, Harry, essa é a Travessa do Tranco, o lugar está cheio de prédios velhos e decrépitos, o mundo criminoso tomou conta do lugar, infelizmente. — Explicou Falc muito sério.
— Criminosos? — Harry se surpreendeu.
— Sim, a todos os tipos de negócios e pessoas aqui, lojas com produtos amaldiçoados e proibidos de vender, com material roubado. Pubs com pessoas da pior qualidade e até ladrões e assassinos, mendigos nas ruas, bordeis e.… eu não devia falar sobre isso. — Falc se interrompeu, Harry o olhou confuso e quando Penny corou vermelho escarlate, sua confusão aumentou.
— O que é um bordel? — Perguntou e viu todos corarem levemente, menos Sirius que soltou uma gargalhada.
— Meu afilhado, acredito que estamos atrasados em uma pequena conversa. — Disse ele rindo ainda mais da confusão do Harry.
— Ok, zombarias a parte, porque ninguém faz nada sobre isso? Quer dizer, se os crimes acontecem e todos sabem, porque os Aurores não os prendem e fecham as lojas? — Perguntou sem entender. — E os mendigos, nós podemos ajudar? Oferecer emprego? Ou algo?
— Harry, não creio que seja tão simples assim, um sistema criminoso estabelecido não desaparece do dia para a noite e para prender precisa-se de provas...
— Entendi, não precisa explicar Sr. Falc, ninguém faz nada sobre isso pelo mesmo motivo que ninguém faz nada sobre tudo o mais que está errado em nossa sociedade, tradição, preguiça, talvez até porque se beneficiam e muito, muita maldita indiferença. — Disse Harry irritado. — Sirius, acredito que é você quem deve resolver isso aqui. — Disse ele apontando para o ponto negro.
— Eu? Como assim? — Perguntou ele surpreso.
— Você é Sirius Black, o herdeiro da família mais escura do mundo mágico e a partir de agora decidiu entrar na concorrência com os criminosos da Travessa do Tranco. — Explicou Harry com um sorriso malicioso, seu padrinho arregalou os olhos. — Vai comprar os prédios um por um, a GER também tentará comprar o que puder ou os que não quiserem lhe vender. Converse com os Aurores, você deu um bom dinheiro para eles aumentarem seus números e melhorarem seus treinamentos. Exija que uma operação seja feita para tirar o máximo possível de pessoas dos seus confortáveis trabalhos criminosos e que os aurores praticamente habitem a Travessa, com vigilância, batidas, trabalho de guarda e o que mais for necessário.
— Isso é brilhante! — Edgar exclamou animado. — Se os aurores realmente fizerem seus trabalhos com competência, inibirão os criminosos que verão seus lucros caírem e estarão mais suscetíveis a venderem seus prédios ou abandonar a Travessa. Claro, eles ainda farão seus "negócios" em outro lugar, mas...
— Não no Beco Diagonal! Não podemos querer atrair pessoas de todos os lugares e nos tornarmos o melhor centro comercial mágico do mundo com uma Travessa a pouco passos que é, literalmente, um ponto negro em nossa sociedade e que ainda por cima demonstra a nossa incompetência em lidar com a criminalidade. — Disse Harry indignado.
— Esse será um projeto de longo prazo, Harry e teremos que pensar no que fazer com as pessoas que vivem lá e não são criminosas. — Disse Falc e começou a fazer anotações.
— Vamos revitalizar o lugar, Sr. Falc. Foi essa a palavra que a Srta. Shaw usou hoje no Centro Esportivo, antes o bairro era um dos mais pobres e violentos de Londres, mas com a construção do Centro e a retirada dos adolescentes das ruas os números de crimes diminuíram e eles estão sempre trabalhando na revitalização do bairro. — Disse Harry caminhando de um lado ao outro. — Remodelação das casas e comércios, apoio aos centros de saúdes e comunitários e, bem, coisas que não importem tanto aqui no Beco, mas poderemos estudar caso a caso o que cada uma dessas pessoas precisam.
— Sim! Harry, isso é uma grande ideia, depois que os bandidos desaparecerem ficarão apenas os mais pobres e infelizes que vivem ou trabalham neste lugar. — Disse Penny, ainda um pouco corada. — Podemos comprar suas casas e comércios, eles podem viver em outro lugar, podemos auxiliar que encontrem novas moradias e aqueles que só trabalham lá ou vivem na rua podemos oferecer empregos.
— Eu sei que vocês são jovens e otimistas, mas duvido que será tão simples assim e, Harry, você está certo, a Travessa do Tranco é uma mancha que evidencia nossa incompetência e indiferença, mas estaremos lidando com todos os tipos de pessoas aqui, algumas más, desonestas que se aproveitarão de qualquer ajuda e não hesitarão em nos apunhalar pelas costas. Outras serão pessoas doentes e incapazes de se manterem em um trabalho que...
— Não podemos deixar vivendo miseravelmente nas ruas. — Harry disse com veemência. — Sr. Falc, eu entendo que existem milhares de mendigos trouxas e seria impossível dar moradias a todos, por isso existem Abrigos, mas eu também tenho certeza que o número de bruxos na mesma situação é bem menor. Assim proporcionalmente as dificuldades também serão menores e seremos inteligentes, lidaremos com cada caso com cuidado, quem estiver doente receberá tratamento, quem precisa de emprego e qualificação daremos e quem precisa ir para a prisão e não for esperto para fugir... — Harry fez uma pausa e olhou para o padrinho o questionando com o olhar.
Sirius que ouviu tudo com seriedade acenou, sabia exatamente o que fazer e sua mente já estava cheio de ideias e talvez, pensou, sentindo a adrenalina percorrê-lo, essa era exatamente a oportunidade que precisava para realizar seu antigo sonho de ser um auror.
— Vou aceitar seu desafio, a Família Black assumirá a Travessa do Tranco, mas Falc está certo, não é um projeto de meses, serão anos para revitalizar e reconstruir aquela área. Confia em mim? — Disse ele se levantando e olhando seu afilhado nos olhos.
— Confio. A família Potter o ajudará no que precisar. — Disse ele sorrindo tímido.
— E eu também. — Disse Penny se colocando de pé apressada.
— Vou ajudar no que for necessário, podem contar comigo. — Disse Edgar sorrindo e seus olhos azuis brilhavam de alegria.
— Os Boots também auxiliarão no que precisarem e será um grande prazer ajudar. — Disse Falc sorrindo.
Harry sorriu animado, sua avalanche acabou de ficar um pouco maior.
