NA: Oi, pessoal, revisão dupla, espero que tenham menos erros, Tania
Capítulo 41
Na sexta-feira, Harry pulou o treino e com o sol nascendo cuidou do jardim, preparou um farto café da manhã para si, tomou banho e, quando Anne apareceu às 7 da manhã, ele estava na porta esperando enquanto seus parentes ainda dormiam. No chalé, todos estavam esperando excitados e nada sonolentos, pesar da hora. Hermione fora buscada por aparatação e Neville tinha flu a alguns minutos. Eles estavam indo em carros e não trem, pois assim tinham veículos para se moverem pela cidade para o almoço e passeios. A viagem seria de duas horas, mas se pegassem um bom tráfego na estrada poderiam fazer em menos tempo. Os Madakis iriam de trem e retornariam com eles no fim do dia.
Assim que chegou, Harry foi abraçado e parabenizado por seu aniversário por todos e só isso lhe pareceu incrível, nem precisava de passeio ou festa. Sorrindo tanto que seu rosto doía, Harry se sentou no carro dirigido por Serafina, com Terry, Hermione e Ayana. No outro, dirigido pelo Sr. Falc, estavam Sirius, Adam, Neville e Anne. Eles tinham música no rádio e cantavam, conversavam e riam, a viagem durou apenas 1 hora e 40 minutos, mas passou tão rápido que pareciam que foram apenas alguns minutos que deixaram o Chalé.
Bournemouth era uma cidade pequena, mas linda e estava cheia de turistas e estudantes por causa da universidade e intercâmbios, Sr. Madaki explicou que haviam estudantes de todo o mundo estudando inglês ou outras disciplinas. Eles deram uma volta pelo centro, olharam os prédios históricos, mas logo o calor e a ansiedade por ir à praia se espalhou pelas crianças e contaminou os adultos também. A praia de mesmo nome da cidade tinha areia fina e branquinha, a água do mar era azul e limpa, tudo era tão lindo que tirava o fôlego. Haviam muitas pessoas sentadas ou deitadas na areia curtindo o sol e o grupo grande encontrou um canto mais isolado perto das pedras para se acomodarem. Harry, que nunca tinha ido à praia tinha certeza que, com exceção das montanhas escocesas, não havia nada mais bonito que o mar.
Depois que todos se acomodaram e ficaram apenas de trajes de natação, foram todos nadar e Harry descobriu por que haviam muitas pessoas na areia e não na água. Rindo e batendo os dentes de frio, ele pulou e se agitou para se aquecer, pois a água era muito gelada.
— Peguei você! — Gritou Ayana tocando seu braço e eles todos começaram um jogo de pega-pega muito divertido.
Quando voltaram para a areia, Sra. Serafina, discretamente, os aqueceu com a varinha e lhes deu sanduíches. Depois eles foram andar pela areia pegando conchinhas até chegarem ao lindo píer que avançava para dentro do mar. De lá puderam ver os surfistas esperando as ondas, o vento era mais forte e eles tiram fotos.
— Nunca pensei que no mundo trouxa tivesse tantas diversões, se os puristas soubessem. — Disse Neville sorridente.
— Mas é isso que alimenta os preconceitos, Nev, a ignorância. — Disse Terry inteligentemente.
— Por isso temos que falar sobre isso, você já pensou em uma estratégia para contar aos novos alunos nascidos trouxas e mestiços a verdade, Harry? — Perguntou Hermione, sua mente nunca descansava.
— Ainda não e temos que ser cautelosos, mais do que nunca, agora que a GER está trabalhando, não podemos correr o risco de as infiltrações serem descobertas pelo Ministério ou por Dumbledore. — Apontou Harry sensato.
— Bem, pensaremos em algo e estou ansiosa para ouvir se a Operação Travessa do Tranco realmente acontecerá. Sei que não será do dia para a noite, mas se pudermos ajudar algumas daquelas pessoas e afastar os bandidos. — Hermione suspirou e olhou para o horizonte, sem perceberem a aproximação de Serafina, ela continuou. — Confesso que não consigo tirar da cabeça o que você nos contou sobre os bordéis, quer dizer, eu já sabia que eles existiam, mas, se o Sirius estiver certo e houverem mulheres e homens escravizados e obrigados a se venderem... Isso é tão terrível.
— Sim, é terrível e também pensei muito nisso, a verdade é que tem coisas que não podemos mudar, mas podemos ajudar no que for possível. — Disse Harry seriamente.
— Crianças, estamos aqui para nos divertirmos e não falarmos de trabalho ou problemas, vamos lá. — Disse Serafina, todos acenaram e correram para alcançar os outros, mas ela segurou o Harry. — Espere, quando foi que você ouviu falar sobre bordéis?
— Oh... bem, na primeira reunião na GER, quando estava olhando os mapas, perguntei sobre o que era a Travessa do Tranco e por que não comprávamos prédios por lá. Sr. Falc me explicou sobre o lugar e deixou escapar que tinha bordéis e eu não sabia o que era, assim Sirius prometeu me explicar em outro momento com mais tempo. — Disse Harry e estranhou a expressão muito séria da Sra. Serafina. — Bem, nesta semana ele conseguiu me explicar o que era e contei para Terry, Neville e Hermione, que na verdade já sabiam alguma coisa sobre o assunto e estamos esperançosos que a Operação será aprovada e poderemos ajudar quem precisar de ajuda.
— Ok, entendi, mas tente não falar sobre isso na frente dos pequenos, eles são muito jovens e curiosos. — Disse ela, sua voz pareceu tensa e Harry acenou.
— Está tudo bem, Sra. Serafina?
— Sim, Harry, agora vá se divertir e nada de assuntos sérios. — Disse ela e Harry correu para alcançar os amigos.
No almoço eles foram a um restaurante de frutos do mar que ficava em um cais com vista para o mar. A comida estava deliciosa e no fim um pequeno bolo de aniversário surgiu para os parabéns e todos no restaurante estavam cantando e batendo palmas também, Harry corou feito um tomate maduro, mas tinha um grande sorriso animado, quando soprou a vela fez apenas um desejo: "Por mais momentos felizes com toda a minha família".
A tarde eles foram passear por trilhas e chegaram a Jurassic Coast que tem esse nome porque suas formações geológicas datadas de até 180 milhões de anos! O "arco natural" chamado de Durdle Door e a Lulworth Cove eram espetaculares e valeram a caminhada pela montanha. A praia ali era mais vazia e eles passaram o resto da tarde com mais privacidade nadando, rindo, correndo, rindo, brincando, rindo, tirando fotos e rindo ainda mais. Almofadinhas até apareceu e foi nadar na parte mais funda, Harry montou em suas costas e os dois enfrentaram as ondas suaves.
— É quase como surfar! Almofadinhas, você é minha prancha de surfe oficial! — Gritou Harry e em protesto, Almofadinhas o jogou de suas costas e Harry afundou, mas ele não entrou em pânico e sim se conectou com a magia da água que era tão intensa que lhe tirou o fôlego.
Abrindo os olhos, Harry viu a energia prateada que envolvia tudo e sorriu, isso era ainda mais bonito, pensou, e ficando sem ar bateu as pernas até a superfície. Sirius voltara a ser humano e o procurava assustado, mas sua expressão se suavizou e ele sorriu quando o viu.
— Almofadinhas é orgulhoso, Harry, tente não o ofender. — Disse ele divertido e Harry riu mais um pouco.
A viagem de volta foi mais silenciosa e sonolenta, todos cansados de um dia maravilhoso e especial. Quando chegaram ao Chalé era bem depois das 18 horas e quando Anne o aparatou para Surrey, Harry se deparou com seus tios e primo vestidos formalmente e ansiosos, esperando a chegada dos Masons às 19 horas e ensaiando como se comportariam, quem falaria o que e quando. Ele ficou por alguns segundos os assistindo e se perguntando se tinham perdido o juízo até ser notado por sua tia, que arregalou os olhos para seus trajes, cabelos ainda mais bagunçados e rosto bronzeado.
— Você chegou! A casa está toda limpa, não ouse espalhar areia por toda parte, suba, tome um banho e se vista adequadamente para o jantar...
— Nem pensar! Eu não quero esse menino no jantar de negócio mais importante da minha vida! Petúnia, não aceitarei isso, ele estragará tudo. — Berrou seu tio com o rosto avermelhando-se de raiva.
— Por mim tudo bem, estou exausto do meu dia na praia, tomarei um banho e depois vou dormir até amanhã. — Disse Harry cansadamente.
— Muito bem e nem um pio, garoto, os Masons não sabem que tenho um sobrinho vivendo de favor aqui e quero manter deste jeito. — Disse ele se empertigando todo como um pavão.
— E sobre o seu jantar? — Questionou tia Petúnia ansiosamente.
— Tenho alguns sanduíches que a Sra. Serafina me fez, além disso não estou com muita fome, comemos um monte na viagem. — Disse Harry e começou a subir as escadas tentando evitar de derrubar areia pela casa.
Harry pegou em seu quarto o necessário para um banho longo e quente que o deixou ainda mais sonolento, decidiu comer um sanduíche, tomar suas poções e ir direto dormir. No corredor, antes de abrir a porta, ouviu seus tios recebendo os Masons como ensaiaram e se sentiu grato de não ter que participar desta comédia absurda. Entrou em seu quarto já pensando em sua cama confortável, mas parou surpreso ao ver que já tinha alguém sentado nela.
Fechando a porta suavemente, Harry observou o elfo doméstico, tentando lembrar se o conhecia das cozinhas de Hogwarts e se perguntando porque ele estava lhe visitando. Seus grandes olhos esbugalhados e verdes do tamanho de bolas de tênis o encararam hesitantes e Harry devolveu o olhar curioso, enquanto ouvia o riso agudo de sua tia no andar de baixo
O elfo desconhecido escorregou da cama e fez uma reverência tão exagerada que seu nariz, comprido e fino, encostou no tapete. Harry reparou que ele vestia uma coisa parecida com uma fronha velha, com fendas para enfiar as pernas e os braços e teve certeza que ele não era um elfo de Hogwarts.
— Olá, sou Harry Potter, você veio me visitar? — Cumprimentou ele sabendo que o melhor era ser gentil. O elfo arregalou os olhos parecendo surpreso.
— Harry Potter! — Exclamou a criatura com uma voz esganiçada que Harry teve receio de que seria ouvida no andar de baixo. — Há tanto tempo que Dobby quer conhecê-lo, meu senhor... É uma grande honra...
— Obrigado, Dobby, também me sinto feliz em conhecê-lo, mas é melhor falar mais baixo, tem trouxas que não sabem de magia visitando meus tios hoje. — Respondeu Harry, andando até a cadeira da escrivaninha e se sentando, apontou para a cama, dizendo. — Por favor, sente-se e me conte o motivo de sua visita.
Mas para seu choque, Dobby caiu no choro, um choro não muito alto, mas agudo e triste.
— O que é isso? Você está ferido? — Harry perguntou se ajoelhando diante do pequeno elfo.
— S-sen-te-se! — Chorou ele e o olhou com adoração. — Nunca... nunca na vida... e ainda se preocupa com Dobby... Dobby não está ferido, senhor... Dobby nunca foi convidado a se sentar por um bruxo... como um igual...
— Bem, lamento em ouvir isso, Dobby e que existam bruxos com tantos preconceitos, mas na minha casa e para mim, você é um igual. Assim, pare com todo esse choro e vamos conversar, estou curioso sobre o que o traz aqui. — Disse Harry firmemente e ajudou o pequeno elfo a sentar em sua cama. Dobby fugou e o olhando ainda com adoração, suspirou e ficou sério.
— Ah, claro, meu senhor — disse Dobby seriamente. — Dobby veio dizer ao senhor, meu senhor... é difícil, meu senhor... Dobby fica se perguntando por onde começar...
— Bem, comece me dizendo para que família você trabalha, Dobby. — Pediu Harry gentilmente e se sentando na cadeira de frente ao elfo.
— Dobby não pode contar isso meu senhor... Dobby lamenta, mas Dobby é ordenado a não falar e proteger a família que serve...
— Entendo. Apenas pensei que pela forma que está vestido e que é tratado normalmente, você deve trabalhar para uma família antiga e purista. Estou certo? — Harry tentou ir por outro caminho e viu o elfo acenar afirmativamente.
— Sim, meu senhor.
— Hum... e se eles são puristas devem te tratar mal e, provavelmente, defenderam Voldemort...
Dobby soltou um gemido agudo e tapou as orelhas e Harry ouviu uma pausa na conversa no andar de baixo.
— Não fale o nome dele, senhor! Não fale o nome dele!
— Lamento que te assuste, Dobby, mas não deixarei de falar o nome do assassino dos meus pais ou mostrarei medo de dizê-lo. E mantenha-se baixo ou teremos problemas com os trouxas. — Harry falou firmemente e Dobby o olhou de olhos arregalados.
— Dobby ouviu falar de sua coragem, senhor. — Comentou com voz rouca — Que Harry Potter encontrou o Lorde das Trevas pela segunda vez, faz pouco tempo... que Harry Potter escapou novamente.
— É verdade, Dobby, mas ele ainda está vivo e tentará voltar cedo ou tarde, não consegui matá-lo de vez. — Disse Harry chateado.
— Ah, meu senhor! — Exclamou, secando o rosto com a ponta da fronha suja que usava. — Harry Potter é valente e audacioso! Já enfrentou tantos perigos! Dobby quer protegê-lo, Harry Potter é muito importante, meu senhor, e deve ficar seguro.
— Eu agradeço, Dobby. Mas estou confuso, se sua família é uma seguidora e defensora de Voldemort e seus ideais, porque está aqui e se preocupa comigo? — Harry perguntou curioso.
— Ah, se ao menos Harry Potter soubesse! — Gemeu Dobby, mais lágrimas escorrendo pela fronha esfarrapada. — Se ele soubesse o que significa para nós, para os humildes, para os escravizados, para nós escória do mundo mágico! Dobby se lembra de como era quando Ele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado estava no auge dos seus poderes, meu senhor! Nós, elfos domésticos, éramos tratados como vermes, meu senhor! É claro que Dobby ainda é tratado assim, meu senhor — Admitiu, enxugando o rosto na fronha. — Mas em geral, meu senhor, a vida melhorou para gente como eu desde que o senhor venceu Ele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado. Harry Potter sobreviveu, e o poder do Lorde das Trevas foi subjugado, e raiou uma nova alvorada, meu senhor, e Harry Potter brilhou como um farol de esperança para todos nós que achávamos que os dias de trevas nunca terminariam, meu senhor... E agora, em Hogwarts, coisas terríveis vão acontecer...
— O que? Coisa terríveis em Hogwarts? O que você está sabendo, Dobby? Conte-me tudo, por favor. — Harry exclamou tenso.
— Há uma trama, Harry Potter. Uma trama para fazer coisas terríveis acontecerem na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts este ano. — Sussurrou Dobby, tomado de repentina tremedeira. — Dobby sabe disso há meses, meu senhor. Harry Potter não deve se expor ao perigo. Ele é demasiado importante, meu senhor!
— Que coisas terríveis, Dobby? — Perguntou Harry na mesma hora. — Quem está planejando essas coisas?
Dobby fez um barulho engraçado como se engasgasse e em seguida bateu com a cabeça na parede num frenesi.
— O que... — Harry saltou confuso e segurou o elfo com firmeza, impedindo que continuasse a se machucar. — Pare! Não faça isso, não ouse se machucar, Dobby.
O elfo parecia meio zonzo e voltou a chorar, Harry o levou de volta a cama e o segurou tentando consolá-lo.
— Dobby teve que se castigar, meu senhor — disse o elfo, que ficara ligeiramente vesgo. — Dobby quase disse o que não pode dizer... Dobby é proibido, meu senhor...
— Entendi. Sua família está planejando fazer algo ruim em Hogwarts, você ouviu e veio me avisar? Mas não pode me dizer o que eles planejam. — Harry segurou o elfo firmemente para que ele não tentasse se machucar de novo. — E eles não sabem que você está aqui? — Perguntou apenas para ter certeza.
Dobby estremeceu angustiado.
— Ah, não senhor, não... Dobby terá que se castigar com a maior severidade por ter vindo vê-lo, meu senhor. Dobby terá que prender as orelhas na porta do forno por causa disto. Se eles vierem a saber, meu senhor...
— O que? O que aconteceria se eles soubessem, Dobby? E eles não vão reparar se você prender as orelhas na porta do forno? Não ficarão surpresos por vê-lo se castigar? — Perguntou Harry cada vez mais preocupado com o elfo e furioso com essa família purista.
— Dobby duvida, meu senhor. Dobby está sempre tendo que se castigar por alguma coisa, meu senhor. Eles nem ligam para Dobby, meu senhor. Às vezes me lembram de cumprir uns castigos a mais... e se eles descobrissem que Dobby veio alertar Harry Potter, eles me acoitariam, meu senhor, ou matariam Dobby...
O elfo parecia ainda mais assustado e Harry tentou controlar a raiva que sentia.
— Isso é muito corajoso de você, Dobby, vir me alertar apesar dos castigos e do perigo. Tem algo que eu possa fazer? Qualquer coisa para te salvar desta família cruel, te libertar? — Perguntou Harry seriamente e Dobby desmanchou-se outra vez em guinchos de gratidão.
— Harry Potter pergunta se pode ajudar Dobby... Dobby ouviu falar de sua grandeza, senhor, mas de sua bondade Dobby nunca soube... — Dobby o olhou com adoração e olhos cheios de lágrimas. — Um elfo doméstico tem que ser libertado, meu senhor. E a família nunca vai libertar Dobby... Dobby vai servir à família até morrer, meu senhor...
— Tem alguma coisa que você possa me dizer que me ajude a identificar a sua família? Talvez eu consiga comprá-lo deles ou algo assim... — Harry especulou e Dobby se engasgou outra vez. — Ok, ok, você não pode me dizer, entendi. Não precisa se machucar.
— Harry Potter é um grande bruxo e ainda quer salvar Dobby — disse Dobby, reverente, as órbitas dos olhos brilhando. — É por isso que Dobby veio avisá-lo, meu senhor... mesmo que isso faça de Dobby um mal elfo e que Dobby tenha que se castigar, meu senhor, mesmo que ele tenha que prender as orelhas na porta do forno depois... Harry Potter não deve voltar a Hogwarts.
Fez-se um silêncio interrompido apenas pelo tinido dos talheres lá embaixo e o reboar distante da voz do tio Vernon.
— O quê? — Harry encarou Dobby confuso. — E o que isso resolve alguma coisa, Dobby? O perigo acabará se eu não estiver na escola? — Um pensamento terrível lhe ocorreu e Harry se ajoelhou e encarou Dobby firmemente nos olhos. — Esse perigo tem a ver com Voldemort?
— Não... não Ele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado, meu senhor. — Disse ele estremecendo, mas os olhos de Dobby se arregalaram e parecia querer lhe dar uma indicação.
— Tem certeza, Dobby? Você não viu ele lá na casa da sua família? Um espectro escuro ou possuindo alguém? Foi assim que ele estava quando lutamos no fim do ano. — Harry perguntou urgentemente.
— Não, meu senhor... Dobby não viu Ele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado desta maneira que o senhor disse... — Mais uma vez Dobby parecia querer dizer alguma coisa e Harry o encarou tentando entender, "não desta maneira".
— Ele voltou, Dobby? Você o viu com um corpo de volta, recuperado? — Perguntou Harry com o coração acelerado.
— Não, meu senhor... — Harry percebeu que a resposta não estava completa, mas decidiu seguir para outras perguntas.
— Ok, então me diga, se eu não voltar para Hogwarts, o perigo se acabará?
— Não, meu senhor... A trama já está em andamento, Dobby não pode impedir... — O elfo parecia muito triste e angustiado. — Mas Harry Potter deve ser protegido, meu senhor...
— Ok, então a trama está ligada indiretamente a Voldemort e pode me atingir indiretamente, pois todos em Hogwarts estão em perigo. — Harry raciocinou e encarou o elfo tentando ler sua expressão que apenas confirmou o que disse. — Quem é o alvo, Dobby?
Mas o elfo começou a se engasgar e tentou agarrar o abajur para se bater, Harry foi mais rápido e o segurou com firmeza.
— Entendi, entendi, não precisa se machucar, apenas me diga que não pode dizer ou mova sua cabeça negativamente. Ok? — Disse ele praticamente abraçando o pequeno elfo que acenou com a cabeça afirmativamente. — Bom, você não pode me dizer quem é o alvo, mas pode me dizer se existe um alvo específico, Dobby?
— Existe, meu senhor... — Disse Dobby com a voz sufocada.
— É alguém que eu conheço, Dobby? Algum colega ou amigo?
— Não, meu senhor... Harry Potter não conhece...
— Ok, muito bom, estamos indo bem. Dobby, você pode me dizer se os alunos estão em perigo? — Harry perguntou preocupado.
— Sim, meu senhor, todos em Hogwarts então em grave perigo...
— Então, eu tenho que voltar para Hogwarts, Dobby, se meus amigos estão em perigo, tenho que estar lá para protegê-los. — Disse Harry firmemente.
— Não, não, não — guinchou Dobby, sacudindo a cabeça com tanta força que as orelhas esvoaçaram. — Harry Potter deve ficar onde está seguro. Ele é grande demais, bom demais, para perder. Se Harry Potter voltar a Hogwarts, vai encontrar um perigo mortal.
— Eu estou sempre em perigo mortal, Dobby, enquanto Voldemort não estiver bem morto ou seus seguidores estiverem por aí tramando crueldades. — Harry viu o elfo arregalar os olhos. — Então estou certo, um dos antigos seguidores está envolvido. Dobby, escute-me, eu posso ser importante para a luta como você disse, mas meus amigos são importantes para mim. Meu lugar é em Hogwarts, ajudando, avisando todos do perigo e lutando contra seja lá o que ou quem for. Eu estou estudando e aprendendo muito, além disso, Dumbledore está na escola e muitos outros bons professores. Prometo a você que não me colocarei em perigo e chamarei por um adulto, posso até chamar você por ajuda se quiser, mas não fugirei ou me esconderei feito um covarde, Dobby. — Disse Harry com determinação.
Dobby o olhou reverente, mas abaixou a cabeça tristemente.
— Alvo Dumbledore é um grande bruxo, meu senhor. Dobby ouviu dizer que os poderes de Dumbledore se rivalizam com os d'Ele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado, no auge de sua força. Mas, meu senhor... — A voz de Dobby se transformou em um sussurro urgente. — Há poderes que Dumbledore não... poderes que nenhum bruxo decente...
E antes que Harry pudesse impedi-lo, Dobby saltou da cama, agarrou o abajur da escrivaninha de Harry e começou a se golpear na cabeça, com ganidos de furar os tímpanos. Fez-se um silêncio repentino no andar de baixo, mas Harry, o agarrou rapidamente e lhe tirou o abajur das mãos e voltou a abraçá-lo.
— Calma, Dobby ou nos colocará em problemas, os trouxas lá embaixo não sabem de magia. — Disse Harry urgentemente e esperou com o coração batendo loucamente, mas logo a conversa retomou e ele ouviu risos um pouco forçados. — Eles devem ter inventado alguma coisa, mas se mantenha mais baixo e nada de se machucar, aliás não entendi o porquê você estava se batendo agora, Dobby.
— Dobby quase falou mal da própria família, meu senhor... Dobby tinha que se punir, meu senhor... — Disse ele com nariz sangrando e olhos vesgos.
Harry ficou ainda mais furioso, como permitiam que algo assim acontecesse com criaturas tão boas e doces.
— Sinto muito que tenha que viver assim, Dobby, ninguém merece isso e prometo que se tiver algo que eu possa fazer para te ajudar, não hesitarei. — Harry o sentou de volta na cama. — Agora vamos continuar, existe mais alguma coisa que você possa me dizer sem precisar se machucar, qualquer coisa?
— Não, meu senhor... Harry Potter voltará para Hogwarts, então? — Perguntou Dobby angustiado.
— Sim, voltarei, lá é o meu lugar e aonde preciso estar, agora mais do que nunca quando sei sobre essa trama, Dobby. Além disso como poderei aprender magias para ser um bruxo poderoso e vencer Voldemort um dia se não for para Hogwarts? — Disse Harry intensamente.
— Tinha esperança que quando contasse do perigo, Harry Potter não voltaria. — Lamentou Dobby tristemente.
— Não sou um covarde como o seu patrão, Malfoy... — Disse Harry jogando sua pequena ideia, percebeu que estava certo pela expressão apavorada de Dobby que empalideceu e seus olhos se esbugalharam. Harry o segurou firmemente e disse. — Tudo bem, você não me disse, eu adivinhei sozinho, assim nada de se machucar.
— Dobby não disse... — Ele disse em reverência. — Dobby não disse, meu senhor...
— Não, você não disse nada, assim está tudo bem. — Harry suspirou aliviado.
— Harry Potter deve se manter seguro, meu senhor, Harry Potter é tão bom e grande, Dobby pensou que poderia convencê-lo... Dobby até teve a ideia de que se Harry Potter não recebesse as cartas de seus amigos, então Harry Potter não iria querer voltar para a escola, mas Harry Potter está sempre na casa dos seus Boutis... — Disse Dobby preocupado e Harry riu divertido.
— Rá rá! Então é você que tem roubado minha correspondência? Muito esperto, senhor, mas isso não me impedirá de voltar para Hogwarts. — Disse Harry rindo.
Dobby arrastou os pés.
— Harry Potter não deve se zangar com Dobby. Dobby fez isso para ajudar...
— Eu não estou zangado, Dobby, acho que você agiu com muita inteligência e coragem, mas mesmo que seu plano tivesse funcionado, isso não me impediria de voltar. Agora, o que me diz de devolver minhas cartas? — Harry perguntou ainda sorrindo e com as sobrancelhas arqueadas.
Dobby piscou ansioso para Harry.
— Dobby está com elas aqui, meu senhor — respondeu o elfo. — Harry Potter as receberá, meu senhor, se der a Dobby sua palavra de que não vai voltar a Hogwarts. Ah, meu senhor, este é um perigo que o senhor não deve enfrentar! Diga que não vai voltar, meu senhor!
— Sinto muito e agradeço sua preocupação, mas não posso fazer o que me pede, Dobby. — Respondeu Harry com um sorriso triste. — O perigo não irá embora apenas porque me escondo em algum lugar qualquer e as cartas não têm importância, apenas queime-as todas e não deixe seu patrão encontrá-las.
Harry observou Dobby hesitar e depois respirar fundo como se tomasse uma decisão.
— Então Harry Potter não deixa a Dobby outra escolha. — Disse o elfo triste.
Antes que Harry pudesse se mexer, Dobby se precipitou para a porta do quarto, abriu-a e correu escada abaixo.
— Dobby! — Harry chamou urgentemente em voz baixa e correu atrás do elfo rebelde.
Desceu as escadas e pulou os últimos seis degraus, caindo como um gato no tapete da entrada, procurando Dobby por todo lado. Da sala de jantar ele ouviu tia Petúnia dizer:
"... que bom que gostaram do jantar, também preparei uma sobremesa deliciosa. Espero que gostem de pudim de creme..."
Harry correu pelo corredor em direção à cozinha e sentiu o coração parar. A obra-prima de tia Petúnia, o pudim coberto de creme e violetas cristalizadas estava flutuando junto ao teto. Em cima de um guarda-louça no canto, encontrava-se agachado Dobby.
— Não — disse Harry meio sem fôlego. — Dobby, por favor... não faça isso... — Ele entrou mais na cozinha e tentou se colocar embaixo do pudim, tentando agarrá-lo, mas estava muito alto.
— Harry Potter deve prometer que não vai voltar à escola...
— Dobby, pare com isso, desça e vamos conversar... — Harry disse e viu sua tia aparecer na porta da cozinha e abrir a boca confusa e depois chocada, ela ameaçou gritar, mas Harry acenou e apontou sutilmente para o elfo. Isso a calou, talvez, de puro pavor.
— Prometa, meu senhor... — Disse Dobby em tom de aviso.
— Dobby, eu não posso prometer algo impossível e você sabe disso. Eu não sei qual o seu plano ao tentar estragar o jantar dos meus tios, mas você tem que parar e descer esse pudim. Agora. — Disse Harry em tom firme e baixo.
— Sinto muito, meu senhor...
— Dobby! Escute, desça para conversarmos, tentaremos encontrar uma solução, chamar alguém para ajudar...
Dobby lançou lhe um olhar trágico.
— Dobby tem que fazer isso, meu senhor, pelo bem de Harry Potter. — E desviando o pudim de cima do Harry, ele o soltou.
Harry imediatamente usou sua vontade sobre sua magia para tentar segurá-lo, mas ele não estava concentrado ou conectado com a magia de uma floresta, a energia do ambiente era fraca e apenas o deteve por uns segundos e desacelerou a queda, ainda assim o pudim caiu no chão com um baque ensurdecedor. O creme sujou as janelas e as paredes quando o prato se espatifou. Com um estalido que parecia uma chicotada, Dobby desapareceu.
Harry e Petúnia se encararam chocados, enquanto ouviram-se gritos vindos da sala de jantar e tio Vernon irrompeu pela cozinha onde os encontrou paralisados. Ele logo voltou e tentou explicar o que estava acontecendo para seus convidados, muito sem graça e falso. Harry ignorou suas mentiras e suspirando começou a limpar a bagunça.
— Sinto muito, tia Petúnia, tentei impedi-lo, mas o danado foi muito rápido. — Disse Harry quando viu sua tia pegar sorvete na geladeira.
— O que aquela coisa estava fazendo aqui? — Perguntou ela tentando controlar o temperamento.
— É uma longa história e ele não é uma coisa, é um elfo doméstico, chama-se Dobby e, bem, de um jeito torto estava tentando ajudar... — Disse Harry confusamente.
— Ajudar!? — Sua tia olhou para o seu lindo pudim escandalizada.
— Sim e ainda não sei o que ele esperava conseguir ao destruir o pudim... — Disse Harry pensativamente.
Mas a resposta a essa dúvida se apresentou em alguns minutos. Tia Petúnia estava oferecendo uma caixa de bombons de hortelã, depois do jantar, quando uma enorme coruja mergulhou pela janela da sala de jantar, deixou cair uma carta na cabeça da Sra. Mason e tornou a sair. A Sra. Mason berrou como uma alma penada e saiu porta afora gritando que havia doidos lá dentro. Harry, que já estava terminando de limpar a cozinha correu para a sala ao ouvir os gritos e presenciou um muito zangado Sr. Mason se demorar o suficiente para dizer aos Dursley que sua mulher tinha um medo mortal de pássaros de qualquer tipo e tamanho, e para perguntar se aquilo era a ideia que faziam de uma brincadeira.
Os quatro ficaram em silencio por uns segundos até que Harry tentou ir pegar a carta, mas seu tio se precipitou e a agarrou primeiro e abriu.
— O que está fazendo? A carta é para mim, você não pode...
— Cala a boca! — Berrou Vernon fazendo todos saltarem assustados.
Seu tio leu a carta e depois o encarou com um brilho demoníaco nos olhinhos miúdos e avançou até ele. Harry tencionou o corpo e apenas não sacou a varinha porque ele estendeu a carta em sua direção.
— Leia isto! — Sibilou malignamente, sacudindo a carta que a coruja entregara. — Vamos... leia isso!
— É claro que lerei, a carta é para mim. — Harry disse, apanhou a carta e, tentando manter a frieza e segurança apesar da situação confusa, a leu.
Prezado Senhor Potter,
Fomos informados que um feitiço de levitação foi usado esta noite em seu local de residência às 9:26.
Como o senhor sabe, bruxos de menor idade não têm permissão para fazer feitiços fora da escola e, a continuar esta prática, o senhor poderá ser expulso da referida escola
(Decreto para restrição racional da prática de bruxaria por menores, 1875, parágrafo C).
Gostaríamos também de lembrar-lhe que qualquer atividade mágica que possa chamar a atenção da comunidade não mágica (trouxa) é uma infração grave, conforme seção 13 do Estatuto de Sigilo em Magia da Confederação Internacional de Bruxos.
Boas férias!
Atenciosamente,
Mafalda Hopkirk
ESCRITÓRIO DE CONTROLE DO USO INDEVIDO DE MAGIA
Ministério da Magia
Harry ficou indignado com tanto absurdo.
— Que bando de imbecis! Eles não podem ver que não fui em quem fez a magia? E sobre chamar atenção dos trouxas, enviar a carta por coruja fez isso muito mais do que a queda do pudim. — Disse Harry furioso e, erguendo os olhos, viu que seu tio tinha se aproximado mais dele e deu um passo para traz.
— Você não nos disse que não tinha permissão de usar mágica fora da escola — disse tio Vernon, um brilho demente dançando nos olhos. — Pelo contrário, você nos ameaçou com essa sua anormalidade...
— Eu não ameacei eles dois, eu ameacei você para poder ter uma vida melhor nesta casa. Acredita que sou algum idiota e que não usaria qualquer arma possível para te manter bem longe de mim? — Disse Harry com frieza.
— Seu maldito moleque! Eu me cansei de você e sua maldita boca esperta! — Berrou ele enlouquecido.
— Vernon! Pare com isso! O menino não tem culpa...
— Ele tem culpa! Tudo é culpa dele! Desde o dia em que chegou a esta casa minha vida virou um inferno! E já me cansei! Não vou mais te aturar ou suas maluquices. — Berrou ele saltando com seus braços gordos para agarrá-lo.
Harry tentou usar o pouco que aprendeu para se esquivar e se afastar de seu tio, enquanto dizia:
— Eu posso ser proibido de usar magia, mas isso não quer dizer que não usarei se for preciso. Fique longe de mim! — Gritou Harry indo na direção da cozinha, seu tio o seguiu.
— Não importa! Quebrarei essa maldita varinha e você também! Te darei a surra que estou te prometendo a anos e que talvez tivesse tirado essa maldita esquisitice de dentro de você! — Berrou ele o seguindo e encurralando contra a geladeira.
— Vernon! Não ouse tocá-lo, eu não permitirei que o machuque... — Gritou sua tia da entrada da cozinha.
— Cala a boca! Eu te ouvi por todos esses anos e olha o que deu isso. Esse moleque manda na minha casa e ainda me faz perder dinheiro! Agora sou eu que digo o que se permite ou não aqui. — Seu tio berrou e tia Petúnia empalideceu.
— Se o senhor me tocar, o colocarei na cadeia! Enlouqueceu? Esqueceu o que meu padrinho e os Boots poderão fazer com o senhor? — Disse Harry tentando acalmá-lo com o medo da magia, mas ele estava muito além da razão e quando avançou para agarra-lo, Harry tentou lutar e logo se viu carregado como um saco de batata embaixo do braço direito de Vernon.
— Não me importa! Amanhã ninguém vem te buscar, te trancarei em seu quarto e lhe darei uma surra, no domingo eles podem levar o que sobrou de você e nunca mais quero que pise em minha casa! — Berrou ele enquanto ia para a escada. — Saia do meu caminho, Petúnia! Você não me impedirá de ensiná-lo uma lição.
— Vernon! Pare com isso! Ele não foi o culpado pelo que aconteceu, você tem que se acalmar, não pode machucá-lo ou mandá-lo embora...
— Posso sim! Essa é minha casa e já me cansei de todas essas maluquices, quero ele fora daqui! Mas antes me vingarei! — Disse ele e riu meio insano. — Primeiro uma boa surra, depois quebrarei sua varinha e colocarei fogo em suas coisas e se aquela coruja estiver por perto quebrarei seu pescoço para não ouvir mais nem um pio daquela...
Mas Harry deixou de ouvir tamanha a raiva que o envolveu, Edwiges não estava aqui, mas só de pensar que ele poderia machucá-la se estivesse e todas as suas coisas, sua varinha... Ele vinha tentando se soltar, mas agora se moveu com ainda mais violência e no fundo ouviu sua tia gritando que seu padrinho apareceria para levá-los ao Centro Esportivo na manhã seguinte e seu tio subindo as escadas berrando que ela não deveria permitir os malucos perto do seu Duda.
— Tire as mãos de mim! — Gritou ele socando seu tio, mas seu corpo gordo nem parecia sentir seus fracos golpes.
— Ah! Ah! Ah! — Riu Vernon zombando. — Como se um magricela como você poderia dar um bom soco...
Eles haviam chegado a metade da escada e a raiva de Harry borbulhou ao ouvir seu riso debochado e de repente sua magia explodiu, não em chamas ou fogo, foi pura eletricidade. Harry a sentiu estalar e percorrer seu corpo, sentiu seu poder e com um grito de raiva a empurrou na direção de seu tio. A força elétrica mágica empurrou Vernon na direção da parede com tanta força que ela se afundou e com um grito de dor pelo choque, ele soltou Harry que foi empurrado na direção oposta por cima do corrimão da escada em um mergulho de cabeça. Harry tentou se lembrar de tudo o que aprendeu sobre quedas e tentou usar a magia para flutuar ou não cair com muita força, mas a gravidada agiu muito mais rapidamente e em segundos seu pulso esquerdo que ele colocou a frente para se proteger da queda se quebrou com um som doloroso ao atingir o piso. Desconcertado pela dor, Harry gritou e tentou se virar para protegê-lo, mas seu ombro e depois sua cabeça vinham a seguir e com um som assustadoramente alto ela bateu no chão e tudo escureceu.
Harry se sentiu sair da escuridão como se nadasse em lama escura e grossa, confusamente, ouviu sua tia gritar e tentou acordar para poder entender porque ela parecia tão aflita e ajudá-la, mas tudo parecia lento e estranho.
— ... não me importa. Dudley pegue toalhas, muitas toalhas e um cobertor, rápido. — Disse ela angustiada.
— A culpa foi dele! A culpa é desse pirralho maldito! Ele me deu um choque, poderia ter me matado... — Os berros do tio Vernon fizeram sua cabeça doer e Harry não entendia nada. Choque?
— Pare de gritar feito um louco e tire o carro da garagem! Precisamos levá-lo para o hospital agora mesmo... Obrigada Duda, aqui, me ajude a pressionar as toalhas em sua cabeça, precisamos estancar o sangramento, Deus, quanto sangue...
— Harry vai morrer, mamãe? — Ouviu a voz de Duda meio apavorada.
— Não, ele não morrerá, Duduzinho, acalme-se. Coloque o cobertor para aquecê-lo...
Ele estava morrendo? Como? O que aconteceu?
— Vernon! Porque você ainda está aqui? Tire o carro, precisamos levá-lo ao hospital, agora! — O grito de sua tia pareceu o despertar mais e Harry tentou tranquilizá-la.
— Tia...
— Oh, graças a Deus, você acordou, está tudo bem, você vai ficar bem, Harry... — Tia Petúnia parecia estar chorando e soluçando e Harry queria perguntar o que aconteceu, mas apenas um gemido lhe escapou.
— Mamãe, ele está com dor...
— Não podemos levá-lo ao Hospital, eles poderiam chamar a polícia, eu não serei preso por causa desse pirralho, Petúnia! — Gritou Vernon e Harry achou que parecia apavorado. — O que aconteceu foi culpa dele, ele que deveria ser preso por me chocar, poderia ter me matado.
— Eu já disse que não me importo! Ele está muito ferido, precisamos levá-lo ao Hospital, Vernon, tire o carro ou... — O que ela ia dizer se perdeu com outro berro do seu tio.
— Eu não tiro! Eu não me importo com esse garoto anormal e você também não, assim jogue ele lá no seu quarto e tranque a porta. Seu tipo maluco que cuidem dele pela manhã se ele ainda estiver vivo! Não levarei ninguém ao hospital!
O som alto reverberou em sua cabeça e finalmente, Harry ficou consciente para sentir a dor, tudo doía e ele voltou a gemer mais alto.
— Ok, eu levo ele sozinha... Harry é meu sobrinho, meu sangue e se acredita que vou ficar parada e deixá-lo morrer... — A voz de sua tia pareceu mais segura ainda que ansiosa. — Duda, me ajude a levá-lo para o carro, segure firme a toalha em sua cabeça quando eu o erguer.
— Sim, mamãe.
— Meu filho não ajudará nenhum maluco! — Berrou de novo e o grito, junto com o movimento de ser erguido aumentou a dor e a visão de uma poça de sangue escuro no chão claro, fizerem seu estômago se embrulhar e Harry engasgou.
Petúnia percebeu e parou, virando sua cabeça para que não sufocasse com o vomito.
— Deus, ele deve ter tido uma concussão, por isso está vomitando...
— Isso é grave, mamãe?
— Sim, Duda, mas ele ficará bem, tem que ficar...
Depois que parou de se engasgar, a dor o empurrou de volta para o fundo da lama escura. Quando voltou à tona mais uma vez estava em um lugar diferente, com esforço abriu os olhos e percebeu que era a parte de traz do carro e estava no colo de seu primo.
— Segure-o com firmeza, Duda, ele não pode balançar ou sentirá mais dor. — Sua tia dizia e o envolvia com um cobertor, seu rosto maquiado estava borrado de lágrimas.
— Tia Petúnia... — Ele sussurrou dolorosamente.
— Está tudo bem, tudo ficará bem... Tia Petúnia está aqui e a dor já vai passar, shsss
Suas palavras suaves e quase carinhosas o lembraram de repente de um outro momento parecido com esse, onde ele quebrara o pulso direito ao ser empurrado da escada por Duda. Devia ter uns 5 anos e sua tia o colocou sentado no carro e seu pulso inchado sobre uma almofada.
— Doí tia Petúnia, doí... — Soluçou ele tristemente.
— Shshssss, tudo bem, tudo ficará bem, meu docinho, a dor já vai passar, tia Petúnia está aqui e cuidará de você. Vamos para o hospital e eles lhe darão um remedinho e a dor vai embora... Não chore mais... tudo ficará bem...
Harry se lembrava de não entender porque ela foi tão carinhosa naquele dia durante todo o episódio, na visita ao hospital e até ele tirar o gesso do pulso cuidou dele, mas depois e na frente de seu tio voltou a ser dura, fria e ríspida como antes. Tinha se esquecido de suas palavras carinhosas, pensou ele sonolento, queria dormir, estava tão cansado.
— Não o deixe dormir, Duda, faça ele ficar acordado... — Sua tia falou urgentemente.
Acordado? Porque tinha que ficar acordado se estava com tanto sono, tão cansado, mas seu primo começou a falar.
— Acorde, Harry, vamos lá, nada de dormir, me diga como foi na praia, hoje foi seu aniversário, você foi para a praia...
A praia, aniversário, sim, lembrava disso, foi hoje? Parecia tão distante, tentou falar, mas as palavras pareciam estranhas e fracas.
— Bom... praia, diversão... Almofadinhas... surfe, riso, muito riso...
— Que bom. Ok e você ganhou presentes?
— Festa domingo... Presentes... Neville... Coldre...
Enquanto Duda fazia perguntas e não o deixava dormir, Petúnia dirigiu rapidamente e estacionou em frente ao The Royal Marsden Hospital para onde correu pedir ajuda. Em poucos minutos o médico e enfermeiros da emergência saíram com uma maca e o colocaram em cima, o movimento pareceu fazer a dor voltar com tudo e ele gemeu e soluçou.
— Tia Petúnia...
— Aqui, estou aqui... — Ela estava ao seu lado e segurou seu ombro, enquanto a maca se movia e Harry se sentiu ficar enjoado outra vez.
— Dói, tia Petúnia, dói...
— Eu sei, eu sei, eles vão fazer a dor passar, já vai passar... Tia Petúnia está aqui... tudo ficará bem...
E então ele estava sendo movido da maca para uma cama e alguém cutucou sua cabeça, a dor explodiu e a lama escura o envolveu mais uma vez.
Petúnia acabou em uma sala de espera trêmula e tentando não chorar, Duda sentado, olhava para o chão tenso e confuso, mas ela não podia ou conseguia se preocupar em acalmá-lo naquele momento. Sua mente zunia em todas as direções e a realidade de que a polícia poderia ser envolvida a atingiu com força total. Ela não sabia o que fazer, deveria mentir? Mas o que diria? Que fora um acidente? Magia? Quem acreditaria nisso? E, então, antes que ela tomasse uma decisão uma assistente social apareceu com uma enfermeira para preencher os papeis do seguro e descobrir os dados médicos de Harry Potter. Quando perguntaram o que aconteceu ou como ocorreu a queda, Duda com olhos duros e zangados, respondeu:
— Meu pai o jogou pela escada. Ele o jogou e Harry caiu por cima do corrimão, ele caiu e bateu a cabeça, foi bem na minha frente, tentei segurá-lo, mas não fui rápido e a cabeça dele bateu com força no chão e... — Ele começou a soluçar afundando o rosto nas mãos.
— Duda... — Petúnia correu para abraçá-lo, mas ele se esquivou do seu toque e correu chorando pelo corredor. — Dudley, volte...
—Não se preocupe, Sra. Dursley o segurança não o deixará ir longe, já o trarão de volta. — Disse a assistente social sinalizando para um segurança no fim do corredor que seguiu seu filho.
— Mas... eu tenho que cuidar dele... eu não...
— A senhora deve ficar aqui e responder mais algumas perguntas sobre o seu sobrinho, já traremos seu filho de volta. — Disse ela com voz firme e Petúnia aceitou se sentando confusa e meio em choque.
Depois disso ela não voltou a ficar sozinha e, quando Duda foi trazido de volta, ficou sentado longe dela. Ela conseguiu alguns minutos para ir ao banheiro lavar as mãos do sangue seco e viu uma coruja branca bem conhecida na janela e percebeu porque ela estava ali. Rapidamente, pegou em sua bolsa caneta, papel e escreveu em poucas palavras que Harry estava ferido e o endereço do hospital.
— Aqui, entregue aos Boots, vá rápido, bem rápido. — Disse ela, pois sabia que com magia Harry poderia ser curado mais rapidamente e se tivesse correndo risco de vida poderia ser salvo.
Os Boots, também exaustos do dia de diversão na praia foram dormir cedo, as crianças apenas tomaram banho e apagaram, os adultos ficarão mais um pouco, mas quando Edwiges apareceu e bicou a janela urgentemente, Serafina e Falc também dormiam. Eles acordaram assustados com os pios agudos da coruja e suas insistentes bicadas no vidro.
— Merlin, que coruja insistente... — Disse Falc sonolento e ao abrir a janela, viu que era Edwiges que voou e piou freneticamente até Serafina. — Edwiges?
— O que você tem, querida? Está ferida? — Sussurrou Serafina com voz rouca. — Ela tem uma carta... não um bilhete...
— Do Harry? — Ele perguntou se aproximando preocupado.
— Não... Oh, Deus... "Harry está ferido seriamente, por favor venha. The Royal Marsden Hospital, Petúnia". Falc! — Ela se levantou correndo e com o coração acelerado.
— Ela não diz o que aconteceu? — Ele perguntou começando a se vestir também.
— Não, mas precisamos ir para o Hospital agora mesmo... As crianças? Oh... meus pais estão aqui, os avisarei o que aconteceu e que estamos saindo, eles cuidarão delas. — Disse ela pálida de medo e preocupação.
— Sim, ainda bem que voltaram conosco, mas não vamos acordar as crianças até sabermos mais, o melhor é deixá-los dormir. Eu enviarei um patrono para o Sirius. — Disse ele apressadamente.
Em segundos eles estavam prontos para sair, Sra. Madaki desceu as escadas sonolenta, decidida a preparar um chá e esperar por notícias acordada. Passou-se mais 5 minutos e Sirius não surgiu, eles decidiram não o esperar mais.
— Se ele vier aqui, diga-lhe que o esperamos o quanto pudemos e confirme o endereço. — Disse Serafina com voz chateada.
— Eu dei o nome do Hospital, é possível que ele foi direto, devia ter pensado nisso e pedido que se encontrasse conosco aqui. — Disse Falc e os dois aparataram para Surrey, pensando com firmeza no endereço do hospital.
Quando entraram pelo corredor da emergência estavam muito aflitos e tensos.
— Deveríamos ligar para a Elizabeth? E o Martin? — Perguntou Serafina ansiosa.
— Vamos esperar para saber o que aconteceu e quais os ferimentos, se for muito grave o levaremos para St. Mungus. — Disse ele e se aproximaram da área de atendimento, mas não precisaram perguntar porque viram Petúnia na área de espera cercada com dois policias. — O que...
— Merlin, Falc, se a polícia está envolvida... Meu Deus... — Disse ela ainda mais pálida.
Aflitos eles se aproximaram do grupo e viram a expressão de alivio de Petúnia quando os viu.
— Vocês estão aqui... Precisam ver se ele precisa da ajuda da...
— Petúnia, acalme-se, estamos aqui, viemos assim que nos ligou. — Cortou Serafina ao ver que a mulher pretendia falar de magia na frente de trouxas, ela parecia em choque.
— O que aconteceu? Não entendemos nada quando nos ligou? Como está o Harry? — Falc questionou e ao ver Duda encolhido em um banco cochilando, acrescentou. — Vocês sofreram algum acidente?
— Espere. — Disse um dos policias uniformizados. — Vocês são os pais do menor, Harry Potter?
— Não, mas dividimos sua guarda com os Dursley. — Disse Serafina e ao ver o olhar confuso dos policias, pensou rápido. — Eu sou a madrinha dele e Petúnia sua tia por parte de mãe. Seus pais morreram quando ele tinha um ano de idade e temos a guarda compartilhada.
— Ok, e o que a Sra. Dursley quis dizer sobre vocês precisarem ajudar? — Perguntou a policial feminina com olhar desconfiado e frio.
— Porque meu irmão e cunhada são médicos, minha cunhada é pediatra e também a médica do Harry. — Informou Serafina e aflita acrescentou. — Podem nos informar o que aconteceu e como está meu afilhado? Tudo o que entendemos é que ele está ferido seriamente.
— Não temos todos os fatos e os médicos ainda não apareceram, mas parece que o menor Harry Potter foi agredido por seu tio, Vernon Dursley está noite, por volta das 20 horas...
Mas o policial não conseguiu terminar porque Falc e Serafina o interromperam.
— O Que!?
— Agredido!?
Seus gritos acordaram Duda que se levantou e olhou em volta assustado, ao ver suas expressões seu rosto se amassou de angústia.
— Mãe... o Harry não morreu, não é?
— Oh, Meu Deus... Não, Duduzinho, ele ficará bem, os médicos estão cuidando dele e...
— Os parentes de Harry Potter? — Uma voz falou e todos olharam para um médico alto e de expressão cansada.
— Aqui...
— Nós somos sua família... — Disseram ao mesmo tempo Petúnia e Serafina.
O médico olhou para os policiais e assistente social que o informou sobre existir uma investigação de uma possível agressão ao menor.
— Muito bem, o menino teve muita sorte, a queda poderia ter sido pior se sua cabeça e pescoço tivessem tomado a maior parte do impacto, mas como foi, seu pulso e ombro amenizaram a queda. — Disse ele com um suspiro sonolento.
— Ele ficará bem? — Perguntou Petúnia ansiosa.
— Quais são seus ferimentos exatamente? — Perguntou Falc com voz mais dura.
— Ele tem um pulso quebrado, o esquerdo, e seu ombro esquerdo também foi machucado, sem quebra, mas uma luxação bem dolorosa. Nós colocamos o ombro no lugar e imobilizamos, o pulso já está engessado e não precisará de cirurgia, foi uma ruptura interna e simples. O impacto em sua cabeça, apesar de diminuído, ainda não impediu um trauma craniano que causou uma concussão. — Disse ele e todos os adultos empalideceram, Duda olhou para a mãe tentando entender o que era uma concussão. — A tomografia, felizmente, não mostrou nenhum ferimento encefálico e não há afundamento craniano o que é uma ótima notícia. E o fato dele recuperar a consciência tão rapidamente e ser mantido acordado ajudou muito, assim como conter o sangramento do ferimento.
— Ferimento? — Serafina perguntou sufocada.
— Sim, um corte no couro cabeludo, tivemos que cortar seu cabelo para suturar, foram 22 pontos. Mesmo que não grave o trauma causou uma concussão e por isso Harry terá que ficar em observação, precisamos avaliar a evolução e ter certeza de que o quadro não se agrava. O menino é jovem e saudável não há por que supormos que isso aconteça, mas com traumas cranianos não podemos nos descuidar. — Disse ele suavemente.
— Podemos vê-lo? — Serafina perguntou com lágrimas nos olhos.
— Sim, mas apenas por traz do vidro por enquanto e depois um de cada vez, nada de sobrecarregá-lo, Harry estará desorientado o suficiente quando acordar. — Disse eles o os levou na direção do elevador.
— Ele pode ter sequelas? — Perguntou Petúnia com voz aguda de angústia.
— Não acredito, como eu disse ele precisa ser observado para termos certeza que sua recuperação ocorra bem, não temos porque supor neste momento que aconteça o oposto. Ainda assim, em se tratando de uma concussão, a recuperação é lenta e delicada, Harry pode ter perda de memória dos acontecimentos das últimas horas antes do acidente, sentir fraqueza, desorientação, tontura, dor de cabeça, fadiga e dificuldade para se concentrar. — Explicou ele quando a porta do elevador chegou, disse. — Harry está na UTI infantil, 7º andar, a enfermeira Noreen os guiarão até seu quarto, ainda não sei o número. Meu plantão acaba em 2 horas, mas antes de sair passarei para checá-lo uma última vez e depois entregarei o caso para o próximo plantonista.
Todos acenaram e entraram no elevador, os dois policias e a assistente social juntos, assim não puderam conversar. No 7º andar, a enfermeira os encaminhou para o quarto 16 e eles puderam ver sua forma pequena deitada na cama hospitalar e coberto com um cobertor simples pelo vidro da parede. Seu braço direto estava preso em um soro, um monitor sinalizava sua frequência cardíaca, seu lado esquerdo estava imobilizado e engessado. Seu rosto estava pálido e sua cabeça enrolada por uma bandagem branca.
— Deus... — Petúnia soluçou e apertou Duda contra si que ficou muito pálido quando viu seu primo, antes não entendera tudo o que o médico dissera.
— O que aconteceu? O que seu marido fez com ele? — Perguntou Falc com voz fria.
Os policias estavam afastados com a assistente social, talvez para lhes dar um momento de privacidade.
— Foi um acidente, ele não queria...
— Mentira! Papai o jogou pela escada! Mamãe, o que ele fez foi errado, para de mentir... — Duda disse irritado e se soltou dela.
— Jogou pela escada? — Serafina e Falc olharam chocados.
— Não, escutem, não foi assim. O que o Vernon fez ou pretendia fazer era errado, mas... Nós tivemos um jantar importante hoje para seus negócios e tudo deu errado, um elfo, não sei do que, apareceu...
— Um elfo doméstico? — Falc falou em tom mais baixo para os policiais não ouvirem.
— Sim, isso, foi assim que o Harry o chamou. Ele flutuou o meu pudim e o jogou no chão, Harry tentou detê-lo, mas não conseguiu, ele disse algo sobre o elfo ser bom e querer ajudar, mas do jeito errado, foi muito confuso. Ele disse que explicaria depois e limpou a bagunça, mas então uma coruja chegou com um aviso, aqui, eu peguei a carta. — E passou discretamente a carta do Ministério da Magia para os dois lerem. — Os casal Masons saíram apavorados, ela tem medo de aves e o negócio com certeza não sairá...
— Se você está tentando justificar o que o seu marido fez com o Harry, por algo que ele não teve culpa ou controle... — Serafina disse em um tom de ameaça.
— Não, não, apenas explicando, Vernon ficou possesso e ameaçou espancar o Harry e trancá-lo em seu quarto até alguém aparecer no domingo e que não o queria mais em nossa casa. Eu tentei detê-lo e mesmo o Harry o ameaçou, mas ele perdeu a razão, parecia enlouquecido e agarrou o menino como se fosse um saco. Quando estavam subindo a escada, com Harry tentando se soltar e dando socos, Vernon ameaçou matar sua coruja e riu de seus socos fracos, Harry ficou furioso e parecia que a magia saia do seu corpo em ondas elétricas. Eu estava perto e senti, não era dolorosa, mas, então, ele gritou e empurrou a energia elétrica contra o Vernon que bateu na parede com tanta força que a afundou, ele soltou o Harry, que foi na direção oposta e caiu sobre o corrimão e no chão onde se feriu. — Encerrou ela angustiada e com lágrimas escorrendo pelo rosto.
— Merlin, eu sabia que isso poderia acontecer, eu disse ao Dumbledore. Seu marido tem sorte do Harry ser tão jovem, daqui alguns anos quando ele for mais poderoso, Harry teria fritado ele feito um maldito frango. — Disse Falc furioso e os dois Dursley empalideceram mais ainda.
— Agora não é o momento de falarmos disso, Falc, precisamos tirar o Harry daqui e encontrar uma explicação não mágica para o que aconteceu. Os policiais não esperarão para sempre. — Serafina disse urgentemente.
— Tirá-lo daqui? O que... Mas o médico disse que ele precisa ficar em observação... — Petúnia disse confusamente.
— Sim, mas lembre-se do que ele disse sobre ter cortado seus cabelos para a sutura? O que você acredita que acontecerá quando eles desenfaixarem sua cabeça? — Perguntou ela com as sobrancelhas arqueadas.
— Oh, meu... seus cabelos vão crescer de novo... — Disse ela de olhos arregalados.
— Sim, ligarei para meu irmão e cunhada, para que venham nos ajudar, vamos levá-lo para nossa casa e ele será bem assistido, podemos, inclusive, chamar um curandeiro que curará seus ferimentos mais rapidamente. — Disse ela objetivamente olhando para Falc que acenou.
— E o que eu digo a eles? — Petúnia perguntou angustiada e apontou para os policiais.
— Diga a verdade, apenas não fale sobre nada mágico e, Petúnia, seja cuidadosa, se você mentir para proteger seu marido, cuidarei para que vá para a cadeia junto com ele. — Disse Falc em tom cortante e seus olhos azuis eram frios e sinceros.
Petúnia acenou rigidamente e se afastou na direção dos oficiais. Ela foi interrogada por um deles enquanto Duda foi interrogado pela policial feminina com a presença da assistente social. Enquanto isso eles foram fazer as ligações e acordar os médicos da família.
Sirius, depois de chegar da praia e tomar um banho, saiu para jantar com Remus, Vance e Maria. Eles tinham marcado de se encontrem a um tempo, para conversar e relembrar, Sirius queria que Remus se encontrasse com os velhos amigos. O preocupava o quão isolado o amigo vivia, mesmo com o trabalho, Remus apenas saia de casa algumas horas por semana, seu trabalho era de primeira qualidade, mas ele não se deixava se aproximar e fazer amizade com nenhum dos funcionários das Fábricas Black. Ele pensou em chamar outros da antiga multidão, mas decidiu começar devagar com seu amigo, assim quando a mensagem de patrono de Falc foi enviada, Sirius estava em um pub trouxa bebendo e se divertindo, contando histórias do dia incrível que tivera com Harry ou relembrando histórias não tão maravilhosas de anos atrás.
— Eu adoraria conhecê-lo, Sirius, ele se parece mesmo com James? — Perguntou Vance com um sorriso triste.
— Fisicamente, e ainda é todo ele mesmo, conversarei com Harry e marcarei um dia para vocês todos se encontrarem, você também, Moony. — Disse Sirius sorridente.
— Ele me escreveu uma carta tão doce e educada, me lembrou da Lily. — Disse Maria bebendo um gole de sua cerveja gelada.
— Ele tem muito dela na personalidade, mas ainda mais inteligente e sensato, é difícil colocar em palavras. — Confessou Sirius carinhosamente.
— Vocês parecem estar se dando bem, como você tanto queria, Sirius, fico muito feliz. — Disse Remus sincero.
— Estamos e os Boots tem sido... — Neste momento ele se interrompeu quando uma luz prateada que nenhum trouxa poderia ver se aproximou da sua mesa. A luz se transformou em uma ave, um falcão peregrino que, com a voz de Falc, disse:
— Harry está ferido, é sério. Ele está em um hospital trouxa, The Royal Marsden Hospital, em Surrey. — E o animal prateado desapareceu com apenas os 4 bruxos da mesa tendo ouvido suas palavras.
— Harry... — Sirius se levantou e cambaleou percebendo que bebera um pouco mais do que pensara, o que combinado com o cansaço do dia não caiu bem. — Merlin, preciso chegar até ele.
— Assim como está, você é vai se estrunchar, Sirius. — Disse Vance se levantando junto com os outros, preocupada.
— O que pode ter acontecido? — Remus estava pálido e angustiado.
— Sirius, você precisa de uma poção de sobriedade antes de ir a esse hospital. — Apontou Maria enquanto os 4 saiam para a rua.
— Eu tenho em minha casa, podemos ir até lá e depois te acompanho ao hospital, Sirius. — Disse Remus caminhando apressado para um beco.
— Ok, merda, eu não devia ter bebido, me sinto exausto. — Disse Sirius sonolento.
— É melhor eu te aparatar, Almofadinhas, e acredito que vai precisar de uma poção energética também. — Disse Remus o segurando.
— Vocês querem que nós vamos junto? — Perguntou Maria preocupada.
— Não, nunca é bom muitas pessoas no Hospital, é sempre confuso. — Disse Sirius e sorrindo para as duas acrescentou. — Obrigada pelo oferecimento, mesmo assim.
— Ok, nos mantenha informadas. — Disse Vance seriamente e Sirius acenou.
Demorou 15 minutos para as duas poções fazerem efeito e Sirius se sentir como novo e aparatar para Surrey sem ajuda, sem o endereço específico eles conseguiram um taxi e chegaram ao Hospital em mais 15 minutos. Quando finalmente os dois alcançaram o 7º andar os planos já estavam em andamento, Elizabeth e Martin estavam a caminho de Londres e depois de conseguirem a liberação do Harry para sua clínica particular, ele seria transportado, na verdade, para St. Albans. Ao ser informado do que aconteceu, Sirius ficou furioso e apenas os erros do passado e o desejo de não se afastar de seu afilhado o seguraram de ir atrás de Vernon. Depois do depoimento de Petúnia e Duda, uma viatura foi enviada até o número 4 e Vernon Dursley foi preso. A versão final foi que ao tentar agredir e prender o sobrinho em seu quarto, Harry lutou e em meio a luta, Vernon não mediu sua força e empurrou o menino por cima do corrimão. A preocupação de todos, enquanto observavam e visitavam Harry de um em um, era se Vernon falaria sobre a magia e Sirius teve a ideia de chamar King e avisá-lo sobre a possibilidade de feitiços de memória serem necessários.
Quando Elizabeth e Martin chegaram, Harry havia aberto os olhos, mas estava desorientado, fraco e voltou a dormir. Isso era um bom sinal e o médico plantonista estava otimista em sua recuperação, ele não viu problemas na transferência, mas para evitar mais trauma e movimentos bruscos sugeriu um helicóptero que, claro, foi providenciado rapidamente. Tudo foi decidido e feito tão rapidamente que 3 horas depois de sua entrada, Harry estava sendo preparado para a viagem à St. Albans. O casal Madaki o acompanharia no helicóptero, os Boots aparatariam e esperariam a chegada deles, Sirius e Remus iriam primeiro se encontrarem com King na delegacia e depois a Hogwarts em busca de Madame Pomfrey. Todos concordaram que a curandeira que o tratava a quase um ano era a escolha ideal.
Enquanto o helicóptero levantava voo, os adultos observavam tentando absorver tudo o que aconteceu em tão pouco tempo e que causou uma grande reviravolta.
— Eu não entendo... Dumbledore me disse que ele era feliz na casa dos tios, eu pedi para visitá-lo, ao menos, mas ele nunca deixou. Disse que isso confundiria o Harry e que o mais importante era mantê-lo seguro... — Remus disse confuso e abalado.
— Ele mentiu. — Interrompeu Sirius com voz rouca de raiva e indignação, ver seu afilhado tão pequeno naquela maca, ferido e pálido fora muito doloroso. — Era tudo mentira e se você parar de ser tão cego sobre Dumbledore, pode perceber por si mesmo que tem muito mais nesta história do que você supõe.
Sirius se aproximou dos Boots para avisar que estava indo se encontrar com King.
— Sirius, porque demorou tanto para chegar? Quase uma hora depois que enviamos o patrono. — Disse Serafina com voz cortante.
— Eu... estava em um pub com alguns amigos, tive que ir para a casa do Remus primeiro tomar uma poção de sobriedade e energética. — Explicou Sirius um pouco desconcertado por seu tom, olhou para Falc que também parecia confuso. — Depois aparatamos para Surrey e pegamos um taxi, já que não tínhamos o endereço do hospital.
— Ok, nós entendemos, Sirius. — Disse Falc em tom conciliador. — Vamos voltar para o Chalé e nos preparar para a chegada do Harry.
— Ok, estou indo me encontrar com King e depois buscarei Madame Pomfrey... — Disse ele, mas foi cortado por Serafina.
— Tente não se atrasar, Harry precisará dela assim que chegar ao Chalé. — Disse ela em tom duro e depois se afastou sem se despedir.
Sirius trocou um olhar confuso com Falc que disse algo sobre, "ela está muito tensa, nos vemos mais tarde" e a seguiu.
Petúnia se aproximou dele hesitante, ela estava pálida e desgastada, com o olhar ansioso e estranhamente triste.
— Você está indo para a delegacia de taxi?
— Sim, é mais fácil do que tentar encontrar um local desconhecido para aparatar e que esteja vazio. — Disse ele tentando ser civil, ela trouxera o Harry para o hospital rapidamente e suas ações poderiam ter lhe salvado a vida.
— Importa-se se for com você? Quero saber o que está acontecendo, entender o que... O que acontecerá... — Disse ela angustiada.
— Não, não me importo.
— Ok, espere apenas um segundo, já volto...
Ela se afastou na direção dos Boots que estavam conversando, baixinho.
— Olha, eu sei que exagerei, depois conversamos sobre isso... O que foi, Petúnia? — Perguntou Serafina.
— Estou indo a delegacia com o Sr. Black, mas não quero levar o Duda. Seria possível que o levassem com vocês? É onde o Harry estará, certo? — Disse ela suavemente e com a voz trêmula.
— Sim, ele estará em nossa casa. — Serafina suspirou e olhou para o menino obeso dormindo desconfortável em uma cadeira. — Claro que podemos levá-lo, você tem como anotar nosso endereço?
E logo Dudley foi acordado e viveu a estranha e enjoativa experiência de se aparatado, foi dado um pijama, uma cama e, em minutos, estava dormindo em uma casa bruxa. Enquanto isso ao chegarem a delegacia descobriram com King que Vernon estava possesso e não calava a boca, se incriminando a cada palavra, ele não falou sobre magia especificamente, mas deu a entender que a culpa da queda foi do Harry, que ele lhe deu um choque e era o menino que devia ser preso. King prometeu ficar atento e acompanhar tudo, interferiria apenas se fosse necessário e quis saber sobre o Harry e sua condição. Enquanto conversavam, Petúnia ligou para um advogado e pediu para falar com o marido, eles lhe deram apenas alguns minutos.
— Pet! Eles me prenderam! Esses idiotas! Você precisa dizer a eles o que aconteceu, precisa dizer a eles que é tudo culpa do pirralho. — Gritou Vernon com veemência.
— Mas não é culpa dele. — Disse ela com voz cansada. — Eu tentei te dizer e você não quis me ouvir, você poderia tê-lo matado, Vernon.
— Pet...
— Não, apenas me escute, por uma vez escute-me... — Ela suspirou trêmula. — Tudo isso é minha culpa, eu deixei que isso fosse longe demais... Deixei que minha inveja, ciúme e amargura fossem maiores que o amor... O amor pela minha irmã e meu sobrinho, meu sangue...
— Mas você não ama esses anormais...
— Eu amo sim! Eu menti para você e para mim mesma, tentei me convencer e sufocar o amor e a culpa, talvez eu poderia ter conseguido e apenas me arrependido em meu leito de morte, mas então, Harry voltou e me olhou com aqueles olhos e... — Petúnia sufocou um soluço. — Não consigo mentir mais, suas palavras, sua doçura, ele sempre foi meu docinho, tão amoroso e gentil...
— O que está dizendo? O que...
— Eu me casei com você porque eu o amava e suas qualidades, talvez tenha me cegado aos seus defeitos e tentando te agradar para não o perder, a vida que temos e que eu acreditava ser perfeita... Mas quando se tratava do meu sobrinho, nunca nada era o suficiente para você. Você não o apenas queria excluído de nossa família e convivência, você o queria infeliz, sentia prazer quando Harry estava triste, com fome, trancado. — Ela escondeu o rosto envergonhada. — É minha culpa, eu achei que era o certo, que tinha que defender meu casamento e meu filho, tentei desesperadamente fazer o meu Duda nunca duvidar que ele era amado e especial. E me convencer que ser um bruxo é terrível e errado...
— E é, Petúnia, é terrível e anormal, todos esses malucos...
— Sim, eu me convenci disso, me afastei de minha irmã e quase a odiei e então um dia um garotinho lindo foi deixado em minha porta, tão doce e amoroso, como não o amar e o que importava se ele é um bruxo. Tentei convencê-lo, mas você nunca me ouviu, mesmo antes de saber que ele tinha magia você não o suportava e por medo concordei com a forma como o tratamos, mas disse a você que não aceitaria que o espancasse, que não permitiria que o machucasse. Eu disse a você...
— Por causa, dos vizinhos, você disse que era para os vizinhos não saberem e a escola...
— Era mentira. Eu menti e menti, eu assumo culpa por fazê-lo acreditar que não me importava com ele, eu não queria me importar. E é por isso que nunca permiti que o machucasse fisicamente, porque o amo e porque ele é um garotinho que não tem culpa de nada. Você é capaz de entender isso, Vernon? Harry é inocente e nunca mereceu nada do que lhe fizemos e muito menos ser surrado. — Disse ela com firmeza. — Enquanto estava no hospital, rezando para que ele não morresse ou ficasse com sequelas, consegui perceber que foi tudo minha culpa por querer viver e agradar dois mundos opostos. Maltrato ele para te agradar, protejo ele de você para agradá-lo e isso nunca tem fim.
— Você o mandará embora? Certo? Você mandará o pirralho anormal embora.
— Não, Vernon, eu é quem vou embora com meus filhos. Porque enquanto eu assumo minha culpa e covardia, sua crueldade em não me ajudar a socorrer uma criança que você feriu indiretamente, sua indiferença se ele vivia ou morria, seu desejo por sua morte, seu prazer em vê-lo ferido. Enquanto dirigia para longe da nossa casa para o hospital percebi que a muito tempo não conseguia vislumbrar as qualidades que me fizeram amá-lo e, que seus defeitos que um dia eu fui cega, eram só o que existe em você para ver agora. — Suas palavras saíram tristes e cansadas.
— Pet.… o que está dizendo... você não pode...
— Posso sim, já tomei minha decisão. — Ela se levantou e se encaminhou para a porta. — Eu liguei para o seu advogado, sugiro que o escute se quiser sair daqui ou pegar poucos anos de prisão. E não fale nada sobre magia se não quiser que os bruxos se envolvam e acredite, você não vai querer que eles descubram o que fez com seu herói.
— Petúnia! — Ele berrou desesperado e chocado. — Você não pode destruir nossa vida perfeita por causa daquele maldito anormal...
— Eu não estou destruindo nada, não há nada a ser destruído... — ela o olhou uma última vez perdida e triste. — Nossa vida nunca foi perfeita, pelo contrário, estou apenas deixando de mentir para nós dois.
Petúnia saiu da sala e encontrou no corredor o homem negro e alto, com voz profunda com quem o Sr. Black falou mais cedo.
— Sirius pediu que eu lhe avisasse que teve que ir buscar a curandeira que curará o Harry. — Disse calmamente e Petúnia apenas acenou aliviada que seu sobrinho estava sendo bem cuidado. — A senhora tomou a decisão certa, Sra. Dursley.
Suas palavras a fizeram perceber que de alguma maneira, mágica com certeza, ele ouvira sua conversa, mas estava além do ponto em que se importava ou se ofendia com isso.
— Eu sei, mas acredito que foi tarde demais. — Sussurrou ela enquanto saia da delegacia, ele a seguiu e se ofereceu para chamar um taxi.
Petúnia voltou para o hospital e pegou seu carro, os custos do hospital, inclusive o helicóptero foram pagos pelos Boots, assim só lhe restava ir embora. Ela não sabia para onde ir exatamente, tudo o que sabia é que, depois de fazer as malas, partiria para St. Albans para buscar suas crianças.
Quando Harry chegou com o helicóptero, passara um pouco da meia noite e Madame Pomfrey já o esperava. O piloto pareceu um pouco confuso com a localização do pouso, pois entendera que levaria o paciente para uma clínica particular em Londres, mas um leve feitiço Confundus de Falc e ele foi embora tranquilamente acreditando que acabara de deixá-lo em uma clínica particular no campo. Harry foi levado para o seu quarto e examinado por Madame Pomfrey, que rapidamente desapareceu com o gesso, faixas e pontos, lhe deu poções para curar o osso quebrado do pulso, a luxação do ombro e usou Essência de Ditamno para curar o corte.
— O curandeiro trouxa está certo de que não houve lesão no cérebro, mas ele terá que ficar de repouso por alguns dias e ser observado de perto. Mesmo dormindo não pode ser deixado sozinho. Fora isso, acredito que ele logo acordará, pode se sentir desorientado e fraco, ter dor de cabeça, deixarei as poções necessárias para darem a ele pelos próximos dois dias. Segunda-feira retornarei para examiná-lo. — Disse ela calmamente e todos suspiraram de alivio.
— Temos uma festa de aniversário planejada para amanhã, as 15 horas, para ele e Neville, acredita que devemos cancelar, Poppy? — Perguntou Serafina.
— Não, se ele repousar até lá, acredito que não tem problema em comparecer, mas nada de muitas atividades físicas e muitos menos voar e se o barulho lhe der dor de cabeça a poção para dor ajudará. — Disse ela enquanto terminava de arrumar suas coisas e depois de se despedir, partiu por flu.
Harry acordou ao amanhecer com Serafina e Sirius dormindo em poltronas ao lado de sua cama. Sentindo-se estranhamente fraco e dolorido se perguntou porque estava dormindo em seu quarto no Chalé Boot e não no número 4. Ele se moveu e gemeu quando sentiu o quarto rodar e isso acordou os dois vigilantes.
— Harry! — Disse Sirius baixinho e sorrindo.
— Ei, você está com dor? — Serafina perguntou suavemente.
Confuso Harry acenou que não, mas sua cabeça pareceu explodir e ele gemeu dolorosamente.
— Aqui. — Disse Sra. Serafina lhe ajudando a beber a poção horrorosa, mas que lhe aliviou a dor.
— O que aconteceu? — Disse ele e ficou chocado com sua voz fraca e hesitante.
— Você não se lembra? — Sirius sussurrou e seu olhar era preocupado.
— Não... Hum..., estávamos na praia, para o meu aniversário, certo? — Disse ele confusamente e seus olhos começaram a pesar.
— Shshsss, está tudo bem, durma... — A voz suave disse e Harry sorriu, lembrando.
— Tia Petúnia... — E ele dormiu.
Quando acordou estava sozinho, mas ouviu sussurros de vozes não muito longe. Olhou em volta e não sentiu dor e o quarto não rodou, pela janela, percebeu que o sol estava quase se pondo, dormira o dia todo, pensou e ficou feliz ao perceber que conseguia pensar. Tentou se lembrar o que acontecera e imediatamente a lembrança de um elfo soluçando tristemente voltou e, num instante, Harry se lembrou de tudo. Sorriu, divertido ao perceber o plano de Dobby.
— Elfo danado, esperto e danado. — Disse carinhosamente. Claramente, Dobby planejou que ele fosse expulso por fazer magia fora da escola, se ele soubesse da reação do seu tio a toda a confusão e a carta, tinha certeza que Dobby pensaria em outro plano. — Mas não deu certo…hum, aposto que você tentará de novo, terei que ficar atento aos seus planos bem-intencionados. Ah! Ah! — Riu baixinho debochado. — Entre você e o diretor não sei como ainda estou vivo.
Percebendo que sua bexiga precisava ser esvaziada e que, provavelmente, foi isso que o acordou, Harry se sentou na cama sentindo uma estranhamente fraqueza e quando ficou de pé, a tontura fez o quarto rodar, mas ele considerou um avanço e, depois que passou, caminhou ao banheiro lentamente. Quando voltou, o quarto continuava vazio e as vozes continuavam a falar, assim decidiu seguir até elas. Saindo para o corredor, ele andou lentamente até chegar a porta do quarto da Serafina e Falc que estava entreaberta, confuso, percebeu que Sirius estava por lá também, pretendia entrar e dizer que estava acordado e bem quando percebeu que eles estavam brigando, assim, parou e ouviu.
— ... você está sendo injusta. Eu não estava bebendo ou festejando, eu estava com amigos, nós nos encontramos em um pub, jantamos e bebemos, eu não tinha como saber o que aconteceria com o Harry e eu não estava bêbado, apenas não completamente sóbrio e não era seguro aparatar e muito menos poderia ajudá-los aparecendo no hospital daquela maneira. Eu não me demorei mais que 40 minutos depois da mensagem e, a maior parte deles, passei tentando chegar até o hospital e depois até o andar em que estavam. — Disse Sirius e dava para ver sua voz magoada.
— Serafina, o que está acontecendo? É óbvio que algo a está incomodando e desde a praia eu percebi isso, e você está exagerando sobre toda essa questão. Sirius não sabia que algo assim aconteceria...
— Esse é o problema, Sirius quer assumir a responsabilidade sobre uma criança, mas ser pai ou cuidador é mais do que diversão e risos, tem a parte de se manter em guarda para situações como essa. — Disse Sra. Serafina com voz dura.
— Querida, não é incomum para nós bebermos um vinho, talvez não em pubs, mas aqui mesmo em casa, as vezes no soltamos de fim de semana e passamos da conta. Não é isso que a está deixando desta maneira e você também parece zangada comigo. — Disse Falc objetivamente.
— Estou zangada com os dois, sim, porque resolveram, pelas minhas costas, decidir sobre a educação do Harry, sobre o que ele pode ou deve saber. Eu não me surpreendo desta atitude vindo do Sirius, que não é pai, mas esperava mais de você, Falc. — Disse ela com frieza.
Houve silencio e depois Sirius disse confuso e sincero.
— Não sei do que está falando, mas quero apontar que mesmo sem ser pai, amo aquele menino mais do que tudo e não faria ou falaria nada para prejudicá-lo.
— Sim, mas achou que estava tudo bem explicar para uma criança de 11 anos sobre bordéis. — Disse ela sarcástica.
— O que? É por isso toda essa história?
— Serafina...
— Não venham me dizer que isso não é grave, porque é, primeiro, porque acredito que ele é muito jovem para saber sobre isso. Segundo, porque não pude expressar minha opinião, vocês decidiram por si mesmo e não é assim que se educa uma criança, os adultos que a criam têm que conversar e chegar a um consenso sobre o que, como e quando essas informações delicadas serão discutidas. — Serafina foi dura com seu tom. — Imagine minha surpresa quando ouvi o Harry falando disso com os amigos tão calmamente e percebi que, não apenas ele sabia, mas que ele contou aos outros. Nosso filho de 12 anos, Falc e duas crianças que não são nossas e cujos pais e avó podem não querer que sejam informados destes fatos nesta idade.
Mais uma vez houve silencio e Harry se encostou na parede do corredor e fechou os olhos, que confusão, pensou, chateado.
— Serafina... Harry é jovem, mas muito inteligente, esperto e você parece se esquecer que em poucas semanas ele e seus amigos estarão em um colégio interno com adolescentes mais velhos que poderão informá-los e responder suas perguntas. Ele me perguntou e eu expliquei, da maneira mais suave e sincera que pude, sem dar detalhes explícitos. Acredito que foi uma boa conversa e...
— E eu não sei de nada sobre isso, porque não fui informada, antes ou depois e Harry talvez não perguntasse se Falc não escapasse a palavra na frente de um menino de 11 anos curioso. — Apontou ela zangada.
— Lamento, estávamos falando sobre a Travessa do Tranco e, por um segundo, me esqueci que na reunião tinha uma criança e acredito que a curiosidade do Harry é natural. Serafina, se vamos reconstruir a Travessa, ele ficaria sabendo cedo ou tarde, além disso, Sirius está certo, prefiro que eles todos saibam sobre esses assuntos delicados por nós e não por adolescentes idiotas e cheios de hormônios. — Falc falou em tom de conciliação que lembrou a Harry de seu melhor amigo. — Ainda que concorde que isso deveria ter sido discutido e decidido entre todos nós.
— Olha, Serafina, eu não tenho mesmo experiência, mas quero aprender a ser o melhor padrinho do mundo para o Harry, não podemos substituir James e Lily, é verdade, mas sei que os dois querem que cuidemos dele como se fosse nosso. — Disse Sirius em tom de desculpa.
— Ok, talvez esteja exagerando, mas não gostei de saber que uma conversa tão importante aconteceu e não fui informada ou consultada. Não é assim que se educa uma criança, Harry tem os tios e nós, sabemos que os únicos que se importam com ele e sua educação somos nós, assim temos que estar na mesma página. O que acontecerá quando ele precisar ouvir um não? Toda criança precisa de disciplina e limites, adolescentes ainda mais. Harry pode perceber e pedir algo para mim e depois a você, Sirius, esperando autorização que eu neguei. E quando ele precisar ficar de castigo? Eu o castigo e você o libera. Percebem? — Serafina exemplificou de maneira inteligente.
— Sim e eu não tinha pensado nisso, mas não foi intencional ou com o desejo de te excluir, Serafina, sinto muito. — Disse Sirius sincero.
— Eu também sinto muito. Não foi justo descontar minha raiva em vocês, a verdade é que eu também pisei na bola, Harry esqueceu sua consulta com a Madame Pomfrey na semana passada e foi quando percebi que não tinha assumido o meu papel de cuidadora como deveria. — Serafina suspirou e parecia muito cansada. — Adolescentes são distraídos, são as mães que devem ficar atentos aos seus horários, roupas e outras coisas assim. Sabiam que ele lava suas roupas e as passa, ele mesmo? E como sabe cozinhar, tem sua própria empresa, seu dinheiro, às vezes, temo que ele sinta que é muito independente e não tem que seguir regras, cumprir horários. Ele é tão jovem e já sofreu tanto, apenas quero que seja criança um pouco mais, entendem, inocente um pouco mais... quero cuidar dele um pouco mais antes que cresça... — Disse ela com voz embargada e começou a chorar no fim.
— Ei, não fique assim, Harry ficará bem e só tem 12 anos, temos muito tempo para mimarmos e cuidarmos dele antes que se torne um adulto. Você tem razão, precisamos ser mais efetivos em sua educação e cuidados, Harry está cercado por adultos, mas é obrigado a ser independente e se cuidar sozinho, enquanto isso é bom por um lado, por outro o obriga a crescer rápido demais. — Falc disse suavemente abraçando Serafina. — E concordo que precisamos conversar e nos unirmos sobre sua educação, ele precisa no ver como uma frente de apoio e segurança.
— Eu concordo, prometo que não tomarei decisões sobre ele sem inclui-los e gostaria que me incluíssem também. Além disso, posso lhes contar o que conversamos, assim vocês sabem o que ele sabe, foi uma conversa importante e acredito que Harry estava pronto para essas informações. — Disse Sirius suavemente.
— Sim, eu gostaria de saber, Sirius, por favor. E, Falc, acredito que podemos fazer isso e será bom para ele, crianças se sentem mais protegidas e seguras quando tem adultos cuidando delas, adolescentes também. Elas podem até reclamar de serem vigiados ou controlados, mas preferem isso a indiferença e desatenção. E agora que Harry viverá conosco em definitivo isso será ainda mais importante. — Disse Serafina com voz rouca.
Harry ficou aliviado ao perceber que os adultos se entenderam e pensava que nunca reclamaria de ter pessoas que amavam e cuidavam dele, quando ouviu isso e franziu o cenho. O que?
— Na segunda-feira entrarei com o pedido junto ao Juiz Wood, ele disse que se algo acontecesse ao Harry naquela casa, sua guarda seria definitivamente nossa e ele assinará os papeis antes de Dumbledore possa piscar. — Disse Falc positivamente. — Harry nunca mais terá que voltar a casa dos tios.
— Isso é um alivio...
Harry se afastou voltando para o quarto, sentindo o cansaço o atingir assim como a realidade da situação.
— Isso não é bom. — Sussurrou ao deitar sob as cobertas. — Nada bom, preciso pensar, terei que adiantar meus planos... — Harry ficou deitado por alguns segundos com os olhos fechados e então abriu um sorriso cheio de diversão. — Mas, talvez, isso seja exatamente o que eu preciso para colocar minha ideia em prática, na verdade eu deveria agradecer ao tio Vernon, ou melhor, comprarei um presente ao Dobby, aquele danado. Ah! Ah! Ah!
Seu riso atraiu os adultos que o cercaram e Harry foi sincero ao dizer que fora ao banheiro, o que deixou Serafina contrariada, e que se sentia bem, apenas cansado.
— Harry, você se lembrou do que aconteceu? — Perguntou Sirius suavemente, Harry acenou afirmativamente. — Você poderia nos contar?
Harry suspirou e, depois de tomar as poções e água, contou tudo, sobre Dobby, seu aviso e a correspondência, seu desesperado pedido para que ele não voltasse a Hogwarts.
— Malfoy. — Disse Falc com voz escura e a expressão de Sirius e Serafina também eram furiosas. — Você tem certeza que o elfo não foi enviado por seu dono, Harry? Certeza que ele estava lá por conta própria?
— Sim, Sr. Falc, tenho certeza absoluta. Vocês teriam que conhecê-lo para entender, ele é tão triste e desesperado, tão sofrido, queria poder fazer algo para ajudá-lo, qualquer coisa. — Disse Harry com olhos tristes. — De qualquer forma, me preocupa muito o que Malfoy está planejando para Hogwarts, não tenho um bom pressentimento.
Todos acenaram pensativos e preocupados, tentando descobrir alguma forma de impedir ou proteger, mas nada lhes ocorreu. Harry contou o resto, até o momento em que caiu pelo corrimão e tudo escureceu. Depois, cansado acabou cochilando e quando acordou Sra. Serafina tinha uma sopa que o ajudou a tomar.
— A crianças querem muito visitá-lo, mas se estiver muito cansado, podemos deixar para amanhã. — Ela disse, mas Harry se sentia disposto.
— Apenas gostaria de um banho primeiro. — Disse ele quando tomou o ultimo bocado da sopa saborosa.
— Tem outra coisa... — Ela pareceu hesitar e, quando Harry ergueu as sobrancelhas a questionando com seus olhos verdes, suspirou cansadamente. — Sua tia está aqui e quer vê-lo.
— Tia Petúnia? — Harry estava além de chocado.
— Sim, depois que o enviamos para cá de helicóptero, ela decidiu ir à delegacia ver o marido e saber o que estava acontecendo. — Harry acenou, Serafina havia contado os acontecimentos de quando ele estava inconsciente, inclusive seus ferimentos, enquanto Harry tomava a sopa. Ele ainda não acreditava que andara de helicóptero e dormira o tempo todo. — Ela pediu que trouxéssemos o Dudley conosco, pois não queria levá-lo com ela e sabia que o traríamos para onde você estaria também e, bem, concordamos e seu primo passou a noite aqui. Essa manhã, perto da hora do almoço, Petúnia apareceu e pensamos que ela partiria com o filho, mas ela disse que só sairia depois de ver você.
Harry assentiu, sentindo seu estômago se apertar com uma grande mistura de sentimentos, essa conversa não poderia mais ser adiada, pensou, por mais que quisesse.
— Onde ela está agora? — Perguntou suavemente.
— Eu ofereci o quarto de hospedes e ela aceitou, disse que dormiria um pouco, mas pediu para chamá-la caso você acordasse e pudesse recebê-la. — Sra. Serafina tinha o cenho franzido e mostrava confusão. — Ela está muito estranha, diferente, não sei explicar e não podia mandá-la embora ou que esperasse no carro quando dirigiu desde Surrey até aqui e parecia tão exausta.
Harry apenas acenou sem dizer nada e refletindo sobre como deveria agir. Estava suficientemente lúcido para essa conversa? Preparado? Não, com certeza não e, talvez fosse covardia da sua parte, mas decidiu adiar um pouquinho mais.
— Se a senhora não se importar que ela fique aqui esta noite, Sra. Serafina, acho que prefiro conversar com minha tia amanhã depois do café da manhã. — Disse Harry suavemente.
— Não, eu não me importo e se você quiser que eles fiquem durante o fim de semana e para o seu aniversário também, está tudo bem, Harry. — Disse ela e Harry sorriu emocionado, sabia que ela faria esse sacrifício por ele.
— Eu agradeço por isso e por tudo o que a senhora fez e faz por mim, não sei se já lhe disse, mas nunca me senti tão querido e bem cuidado como quando estou nesta casa. — Harry se levantou e a abraçou com força. — Obrigado, Sra. Serafina.
— Oh... Harry, meu querido, eu ainda faço tão pouco, você merece muito mais, todo o amor do mundo. — Disse ela o abraçando e beijando seus cabelos.
Emocionado, Harry, disfarçadamente enxugou as lágrimas do rosto enquanto recolhia suas coisas para um banho, logo Sra. Serafina tomou dele dizendo que não podia fazer esforço, mas quando quis ficar no banheiro enquanto se banhava, Harry foi firme e disse ser desnecessário, assim ela o esperou no quarto.
— Grite se sentir tontura. Ok? — Disse ela ansiosa.
Ele prometeu, mas não foi necessário e logo estava de volta a sua cama com roupas de camas limpas e cheirosas, Harry sorriu se sentindo muito mimado. Seus irmãos vieram, um de cada vez para não o sobrecarregar, Adam o apertou com força e não disse muito. Ayana tinha lágrimas nos olhos, mas ficou forte e não chorou, lhe deu muitos beijinhos na cabeça para "sarar mais rápido, Harry". Terry estava pálido e cansado, eles se abraçaram em silencio e seus olhos estavam cheios de perguntas, mas, como sempre, ele respeitou seu momento.
— Prometo contar tudo depois, com Neville e Hermione, assim, só falo uma vez. Não se preocupe, pretendo adiantar meu plano, essa situação precipitou tudo e acredito que até me ajudará. — Disse ele e Terry arregalou os olhos.
— Tem certeza? E está certo que quer fazer isso? Depois de tudo...
— Sim, é o único jeito, Terry. — Harry o interrompeu com firmeza, eles já tinham dado voltas e mais voltas, não tinha outro caminho.
— Ok. É um bom plano, existe algo que eu possa fazer? — Disse Terry sabendo que os próximos dias seriam explosivos.
— Acredito que não, eu te aviso... Bem, meu primo está por aí, certo? — Perguntou Harry e viu seu amigo fechar a expressão.
— Sim. Ele ficou a maior parte do dia no jardim ou na cozinha olhando fazermos os doces e comidas para a festa.
— Você ajudou? — Harry perguntou confuso, lembrava que o amigo não fora recrutado para ajudar.
— Sim, mamãe não pode ajudar e não havia clima para sair com o papai em algum lugar divertido com pensamos, assim todos ajudamos. Hermione, Ayana, elas são melhores amigas agora. — Terry sorriu divertido. — Adam, vovó, vovô e eu. Tia Elizabeth e tio Martin voltaram para Londres para buscar meus primos e suas coisas para o fim de semana e chegaram no fim da tarde. Amanhã o resto da família chega para o almoço e os convidados para a festa ás 15 horas. Tudo está bem organizado, não precisa se preocupar. — Informou Terry e Harry acenou aliviado.
— Isso é bom, não quero estragar ou perder minha primeira festa de aniversário. Bem, eu queria pedir a você que tratasse bem o Duda...
— O que? Pensei que ele não foi legal com você enquanto cresciam? — Terry falou confuso.
— E não era, mas foi como ele foi ensinado, Terry, a verdade é que meu primo é uma vítima, dos pais e da minha presença em sua casa. Você viu como ele está obeso e foi você quem me fez considerar que o Duda estava doente como eu. — Harry suspirou cansado. — Naquele momento não entendi, mas durante esse verão percebi e estou tentando ajudá-lo e se você for legal com ele, Duda perceberá que os bruxos não são monstros assustadores que o machucarão. Não é para virar o melhor amigo dele, até porque esse título é meu, só trate o cara bem.
Terry suspirou e acenou concordando, depois sorriu malicioso.
— Sinto te informar que não é meu melhor amigo.
Harry sorriu também, sabendo que era uma brincadeira e decidiu ir junto:
— Não? Quem é seu melhor amigo, então? Ron Weasley? — Perguntou ele com falsa curiosidade.
— Não, não, Weasley pode ser o seu melhor amigo, o meu é, obviamente, o Zacarias Smith. — Disse Terry seriamente.
Os dois se olharam e depois caíram na gargalhada. Mais tarde, a Sra. Madaki veio lhe trazer um leite quente e um roll de canela.
— Eu sei que é o seu preferido, tem mais amanhã para a festa, mas achei que gostaria de apenas um antes de dormir. — Disse ela docemente e Harry lhe deu um sorriso brilhante, amava roll de canela.
— Obrigado, Sra. Madaki. — Disse ele sincero.
— De nada, querido. — E depois de lhe dar um beijo carinhoso na testa deixou o quarto.
Sonolento depois do leite, Harry ainda recebeu boas noites, do Prof. Bunmi, Sr. Martin e Sra. Elizabeth, Sr. Falc e Sra. Serafina, Sirius foi o último, mas seu padrinho se acomodou na poltrona para vigiar seu sono.
— Não precisa, Sirius, estou bem. — Disse Harry cansadamente.
— Eu sei, mas eu estou onde tenho que estar. Agora durma, amanhã você precisará de muita energia para sua festa. — Disse ele e não admitia discussão.
Harry não iria discutir, gostava de ser mimado um pouco, mas só um pouco, pensou.
— Não consegui me defender sem magia, Sirius, tentei, mas ele era muito forte e me encurralou, depois me agarrou como se eu fosse um saco e meus socos nem lhe fez cócegas. — Harry contou o que mais o incomodou em tudo o que aconteceu.
— Você esperava algo diferente? Depois de duas aulas? Quando ainda está desenvolvendo-se fisicamente, com um adulto que é mais pesado e forte que a maioria dos adultos, imagine uma criança? — Questionou Sirius com as sobrancelhas levantadas.
Harry suspirou se sentindo bobo por estar incomodado.
— Acho que tinha essa fantasia de que lhe daria um soco e um chute e o faria chorar feito um bebê. — Disse Harry com um bico, Sirius riu baixinho.
— Bem, pelo que eu soube você lhe deu um choque bem forte e dolorido. — Disse ele com um sorriso malicioso, Harry sorriu lembrando.
— Sim, foi incrível, Sirius, quer dizer, não era uma magia normal. Eu me lembro de fazer magia acidental e minha conexão com minha magia é forte, posso senti-la, controlá-la, mas naquele momento foi como se meu corpo, minha magia se eletrificasse, foi poderoso e meio explosivo. — Contou Harry tentando descrever a sensação.
— Isso nunca aconteceu antes? — Perguntou Sirius curioso.
— Hum... sim, no dia do ritual de purificação lá nas montanhas, quando me conectei com a magia foi diferente, não foi suave ou um sussurro, minha magia pareceu estalar e a eletricidade percorreu minha pele. Tanto aconteceu depois que me esqueci. — Disse Harry e bocejou, sentindo o sono alcançá-lo.
— Tudo bem, vamos pesquisar e descobrir exatamente o que é tudo isso. Agora durma, amanhã é um dia muito especial. — Disse Sirius suavemente e passou as mãos pelos seus cabelos e beijou sua testa.
Harry nunca dormiu, em sua lembrança, com alguém lhe fazendo cafuné, mas descobriu que era muito bom. Na manhã seguinte, Sra. Serafina não permitiu que ele descesse para o café da manhã e o serviu na cama.
— Você precisa repousar para ter energia para a festa ou estará dormindo antes de cortarmos o bolo. — Disse ela ajudando que ele se recostasse melhor nos travesseiros para poder comer.
— Estou me sentindo melhor, Sra. Serafina, tenho certeza que aguentarei a festa. — Disse Harry teimosamente.
— Aguentará se repousar. Coma tudo e daqui uns 10 minutos envio sua tia como me pediu, nada de extrapolar, converse por pouco tempo e depois tire um cochilo. — Disse ela antes de sair do quarto.
Tirar um cochilo? Mas se acabara de acordar, pensou Harry confusamente. Quando sua tia bateu na porta, Harry estava sentado na poltrona perto da janela, nem um pouco interessado em ficar deitado e vulnerável para essa conversa.
— Entre. — Disse ele e respirou fundo.
Petúnia entrou e olhou em volta evitando encará-lo, estava pálida, abatida e parecia estranhamente sem forma, confuso Harry a olhou com mais atenção e percebeu que seus ombros estavam caídos, sua postura menos rígida e empertigada, na verdade, sua tia parecia até mais baixa. Ela se sentou na cadeira e o olhou, mas não em seus olhos, como sempre e apertou as duas mãos no colo, ansiosamente.
— Como está? — Perguntou e Harry suspirou, não ia ser nada fácil.
— Bem. A curandeira da minha escola me visitou ontem e me curou bem rápido, ainda não posso fazer muito esforço, mas serão só por uns dias. — Disse ele calmamente, Petúnia acenou silenciosamente.
O silencio se estendeu e Harry decidiu tomar a iniciativa.
— A senhora pediu para me ver antes de partir com o Duda, assim...
Ela acenou e pigarreou, parecia não apenas ansiosa, mas com dificuldades para encontrar as palavras.
— Eu... Não concordo com o que aconteceu e sei que muitos dirão que foi minha culpa também e foi... eu sei que foi... — Ela suspirou trêmula. — Você é meu sobrinho e minha responsabilidade, seu lugar é comigo, nós dois precisamos da proteção da sua mãe, de Lily... — Sua voz falhou e ela voltou a pigarrear. — E... o que... Vernon fez ou ameaçou fazer e que causou seu acidente foi imperdoável, assim decidi me separar dele. Na verdade, já fiz as minhas malas e do Duda, seu malão está no carro com suas coisas também.
— O que? — Harry sufocou completamente chocado.
— E eu já o avisei, ele está preso, fui a delegacia e lhe disse que nosso casamento acabou. — Ela o olhou em seus olhos por alguns segundos mostrando sinceridade. — Não voltarei atrás, arrumarei uma casa para nós três e você estará seguro. Sei que... sua... os Boots vão querer tirá-lo de mim, mas não quero que isso aconteça, então, vim pedir a você que continue a viver comigo.
Suas palavras saíram entrecortadas e sufocada, como se ela se forçasse a dizê-las ou não tivesse certeza, ou... Não estivesse acostumada a dizer o que sentia de verdade. A questão, pensou Harry, era qual a opção certa. Não que ele não estivesse feliz por sua decisão, nas últimas semanas vinha pensando em como poderia ajudá-la, como fazê-la perceber que Vernon não a merecia, mas se fosse sincero, Harry pensou que isso poderia levar anos e não algumas semanas. O que causara isso? Sua mudança de atitude? A conversa com Dumbledore? Os dois?
— Porque? — Harry questionou firme, ao vê-la confusa especificou. — Porque quer que eu viva com você?
— Por.… por causa da proteção, você sabe como ela é importante para você e protege a mim e ao Duda também. — Disse ela de olhos arregalados.
— Você está terminando o seu casamento de mais de 10 anos, desistindo da sua vida normal e perfeita por causa de uma proteção mágica? A senhora que odeia tudo que tem a ver com magia? Que odeia que eu tenha sido deixado em sua casa? — Harry perguntou em tom duro e descrente.
— Sim, isso mesmo. — Ela disse em tom firme e Harry sentiu a mentira, nem precisava de legilimência.
— Bem, então, não precisa se sacrificar, tia Petúnia, isso não é necessário. — Disse Harry a encarando e viu seus olhos se arregalarem. — A proteção é importante para mim, claro, ainda que não seja garantia de que sobrevirei quando tiver que lutar e matar o assassino dos meus pais. No entanto, nós dois sabemos que para você e Duda, ela não significa nada, assim você pode voltar para sua casa perfeita, no seu bairro perfeito, para seu marido perfeito e continuar com sua vida normal e perfeita.
— O que... Como... — Ela estava pálida e desconcertada.
— Como eu sei? Simples, eu ouvi sua conversa com Dumbledore semanas atrás e ele disse que poderia colocar proteções para você e Duda, alas que impedirão que sejam encontrados ou tocados por qualquer inimigo. — Harry disse suavemente e seus olhos tinham um brilho de triunfo. — E se alguém poderoso como Dumbledore erguer alas em sua casa, acredite, elas os protegerão.
Sua tia olhou para as mãos e parecia confusa ou envergonhada.
— Você ouviu... tudo? — Sussurrou ela com voz sufocada.
— Sim. Cada palavra e verdade. —Harry se levantou e se aproximou para olhar o bosque pela janela, estava cansado de ficar parado.
— Você precisa entender que... — Ela parou procurando as palavras para se justificar, mas não as encontrou. Quando? Petúnia, pensou, quando suas justificativas começaram a parecer desculpas esfarrapadas?
— Eu preciso entender o que tia? Eu preciso entender que o destino foi cruel com a senhora? Que seus pais a decepcionaram? — Harry sentiu a raiva e magoa borbulharem e explodiram para fora dele. — Eu não tenho pais! — Gritou ele. — Eles foram arrancados de mim! Por um idiota egocêntrico e arrogante, um imbecil com mania de grandeza os tirou de mim, para sempre.
Harry tentou controlar a dor e raiva, as lágrimas e respirou fundo.
"Imagine se eu decidisse descontar a minha dor de perdê-los? Imagine se eu decidisse me amargurar, odiar o mundo, me vingar por ser tratado como eu fui enquanto crescia? Imagine se eu decidisse descontar em uma criança o fato de ser trancado em um armário, de passar fome e nunca ser amado pela única família que eu tinha? "
— Por favor... eu... — Sua tia começou a chorar e escondeu o rosto nas mãos.
— Por favor o que? O que você quer de mim? — Harry esperou que ela se acalmasse. — Eu não sei o que quer de mim, mas eu sei que quero lhe dizer que o que você fez foi muito injusto. Eu não tive culpa, minha mãe não teve culpa também e eu não sei como era a relação de vocês, mas ela não merecia seu ódio, sua amargura e desprezo.
— Eu não a odiava... nunca... apenas, era tão injusto, ela tinha tudo...
— Ela está morta! — Gritou Harry furioso. — Ela só viveu e viverá até os 21 anos, apenas e.… foi-se. Ela não tinha tudo, ela tinha tão pouco tempo para viver, se o destino foi cruel em não lhe dar magia, imagine como cruel ele foi para ela. — Harry soluçou de tristeza. — Eu daria qualquer coisa para tê-la aqui, eu daria minha magia, minha vida, assim como ela deu a dela por mim. E se eu pudesse eu lhe daria minha magia também, tia Petúnia e tenho certeza que se minha mãe pudesse, ela também teria lhe dado sua magia para você.
Sua tia soluçou e se encolheu na cadeira, como se desejasse desaparecer, deixar de ouvir as verdades que tornavam sua amargura ainda mais mesquinha e tola.
— Eu não conseguia ver.… eu... — Ela soluçou arrependida.
— E o que mudou? Porque? Porque decidiu não me amar mais? — Harry perguntou magoado. — Eu me lembro e eu ouvi você dizer ao diretor, você me amou, cuidou de mim, me abraçou, me consolou quando a dor e as saudades dos meus pais não me deixavam dormir à noite. — Harry foi na direção dela e segurou seu rosto suavemente, até que seus olhos se encontrassem. — Me olhe em meus olhos, sou eu, não Lily, apenas eu, Harry, me diz a verdade. Por que deixou de me amar?
— Oh... não, Deus, eu nunca deixei de amá-lo... nunca, nem por um segundo... — Ela soluçou mais forte e Harry a abraçou com força.
— Eu estou aqui, tia Petúnia, seu Harry está aqui, porque não podia mais me amar... porque... — Disse ele tristemente.
Ela o abraçou com força e o puxou para o seu colo, o lembrou de sua visão, sentado em seu colo com seus braços ao seu redor, sem poder controlar a tristeza, Harry chorou de saudades do colo de mãe que substituiu o colo da sua mãe, pelo menos por um tempo. Os dois se apertaram e choraram, sua tia disse algumas palavras e, depois de um tempo, Harry entendeu.
— Me perdoa..., por favor, me perdoa...
Suspirando, Harry saiu de seu colo e se afastou até a janela limpando as lágrimas do rosto, o problema não era perdoá-la e sim entender, ele precisava entender.
— Antes de te perdoar, preciso entender, eu sei que você me protegeu de Vernon, sei que me amava antes e em algum momento isso mudou. Mesmo que não haja uma explicação coerente, ainda quero ouvir uma. — Disse Harry com firmeza.
— Eu... Não é que não quero me explicar, a verdade, é que não sei porque agi como agi, eu... Sempre me senti menos, não estou tentando me justificar, apenas...
Harry acenou entendendo e a encarou, ela o olhou nos olhos e era sincera.
— Eu tentei construir cada aspecto da minha vida longe da magia porque era muito doloroso, não era apenas inveja e ciúme, doía profundamente não poder ser uma bruxa também. Meus pais... não foi intencional, acredito, mas eles me faziam sentir inferior, menos. Quando fui para a faculdade e conheci o Vernon com 19 anos, nossa, ele parecia perfeito, tinha todas as qualidades que eu admirava. — Petúnia suspirou e com um lenço enxugou o rosto e os olhos. — Não é diferente do que acontece com todas as jovens, mas então meus pais morreram e foi horrível, Lily e eu não éramos próximas, mas, quando ela se foi, percebi que só tinha o Vernon com quem contar. Eu tinha duas crianças, não trabalhava, Vernon investiu minha herança e perdeu todo o dinheiro, eu ainda o amava também nesse ponto. Eu também amava você e o tratava como um filho, mas Vernon, quando ele o viu fazendo magia, queria espancá-lo para tirar a magia de você, sufocá-la. Eu não aceitei e nossa vida se tornou um inferno, brigas e mais brigas, percebi que ia perdê-lo e fiquei apavorada, tive a ideia de afastá-lo da família. Se o mantivesse isolado e não lhe desse atenção ou carinho isso o contentaria, mas nada nunca o contentava, depois de um tempo ele o queria no armário, eu aceitei, depois trabalhando por seu sustento, eu aceitei, depois trancado por uma punição sem sentido, depois mesmo que você ajudasse na casa ainda não merecia muita comida. — Petúnia parecia envergonhada e o encarou parecendo perdida e sincera. — Eu não sei porque fui concordando e concordando, aceitando, eu parecia paralisada, presa como se não houvesse uma saída... E, me forcei a não mostrar sentimentos por você, a não me importar e nem o olhava se pudesse e nunca nos olhos... Seus olhos, a primeira vez que chamei Lily de anormal, ela me olhou com esses grandes olhos verdes cheios de magoa e confusão. Você me olhou assim quando comecei a te tratar com indiferença, confusão, magoa, por um tempo você ficou perdido, por minha culpa.
— Como assim? — Harry perguntou curioso.
— Quando o Vernon não estava em casa eu te tratava bem e o Duda me imitava, quando ele chegava, eu mudava de atitude, mas vocês dois não entendiam e continuavam do mesmo jeito. Duda sempre contava o que fizemos e Vernon percebia, brigávamos de novo e ele insistia que não queria seu filho amigo...
— De um maluco, eu sei. — Harry olhou pensativo para ela. — Você não mimou o Duda demais para me fazer sentir mal, inferior ou se vingar, você o mimou porque não queria que ele se sentisse mal quando descobrisse não ser um bruxo.
— Sim, eu... jamais me vingaria em você... Quando chegou para mim, Deus, era o bebê mais doce, meu docinho, era como te chamava. Mesmo que uma parte de mim não queria, porque não queria nada mágico em minha vida, não pude não o amar. — Ela encerrou e parecia muito triste e cansada. — Não sei se isso é suficiente de uma explicação, mas é a única que eu tenho.
— Eu tenho outra. — Harry disse e se aproximando parou na sua frente e voltou a segurar seu rosto carinhosamente até que seus olhos se encontrassem. — Acredito que a senhora ficou presa nesse casamento, nessa situação, porque se sentia perdida e porque não se sentia forte. A senhora se sentia fraca, não acreditava em si mesma para cuidar de dois bebês sozinha e não percebia que Vernon nunca a mereceu. Ele é um homem horrível, mas sua autoestima baixa a impediam de acreditar que a senhora merecia alguém melhor. A senhora tem que parar de duvidar de si mesma e se dar conta que não está sozinha, tem o Duda e a mim também.
— Oh... meu menino doce, tão amoroso, como pode ainda me perdoar depois de tudo, da minha covardia e fraqueza... — Seus olhos de encheram de lágrimas outra vez.
— Simples, eu te perdoo porque eu te amo, de verdade... — Sussurrou ele sincero.
— Oh... — Ela o abraçou de novo bem forte e chorou baixinho. — Também te amo, meu docinho, me perdoe, perdoe a tia Petúnia.
Quando eles se acalmaram, Harry se sentou na poltrona se sentindo cansado, mas ainda tinha duas coisas importantes para conversarem.
— O que fez você mudar agora, tia? E decidir se afastar de Vernon? Foi Dumbledore?
— Talvez ele tenha sido o meio. O começo foi você, quando chegou da escola, nossa, tão forte, inteligente e decidido. Eu o admirei e percebi que você poderia ter sido assim antes se eu... se não tivéssemos feito o que fizemos. É difícil quando nossos erros são apontados na nossa cara e foi isso o que Dumbledore fez, não tinha como fugir das verdades. E enquanto isso você continuava falando sobre sua nova família e as coisas que fazia e aprendia, tão vivo e doce, me lembrou meu garotinho de antes. — Petúnia suspirou e seu rosto ficou pálido. — E então na sexta-feira à noite, foi o fim, percebi que estava tentando segurar duas cordas que me puxavam para lados diferentes e que precisava soltar uma, achei que seria uma escolha impossível, mas foi incrivelmente fácil e libertador. — Petúnia então explicou suas percepções, a reação de Duda e sua conversa com Vernon.
— Duda fez isso? — Harry não poderia estar mais surpreso.
— Sim, eu conversei com ele, Harry, pensei que estaria se sentindo culpado com a prisão do Vernon, expliquei que não vamos mais voltar para o número 4 e morar com seu pai. — Petúnia mostrou preocupação. — Não sei, ele reagiu estranhamente, disse que tudo bem e que espera que seu pai não fique preso por muito tempo.
Harry acenou confuso, talvez seu primo só não conseguiu expressar o que sentia.
— Talvez mais tarde eu consiga falar com ele, antes de partirem. — Disse ele pensativo.
— Partimos? Isso quer dizer que não virá conosco? — Sua tia parecia muito desapontada e seu olhos brilharam de lágrimas.
— Não, por enquanto, mas ainda quero viver com a senhora, se realmente quer isso. — Disse ele sincero e esperando que a magia aceitasse isso.
— Eu quero com certeza, mas... não entendo...
— É uma longa história, mas preciso e, isso é muito importante, que a senhora não conte a ninguém que vai se separar do Vernon e peça ao Duda para não contar também. — Disse Harry com sua cabeça voando em todas as direções.
— Ok, mas se eles não souberem, tomarão a sua guarda em definitivo. — Apontou ela preocupada.
— Sim, mas eu tenho um plano, é difícil explicar tudo, mas em resumo, Dumbledore tem o controle da minha herança mágica...
— O que?
— Sim e, acredite, isso me irrita além do que posso expressar. Dumbledore anulou o testamento dos meus pais e se fez meu tutor legal, assumindo o controle sobre tudo. — Harry então sorriu com diversão. — Mas eu tenho um plano para mudar isso e preciso de sua ajuda, tia.
— Ele anulou a vontade da Lily? Eu já não gostava dele, agora... Ok, se é um plano contra aquele narigudo bunda magra, estou dentro. — Disse ela com firmeza.
NA: Espero que gostem das Reviravoltas! Se gostarem ou não, revisem e me contem, é um grande incentivo e me ajuda a escrever melhor. Além de aquecerem meu coração. Até mais, Tania
