Capítulo 42
Harry não conseguiu se impedir de soltar uma gargalhada com suas palavras e sua tia também sorriu meio tímida, ele não se lembrava de vê-la sorrindo assim, nunca.
— Esse é um bom nome, Operação Narigudo Bunda Magra. — Harry riu divertido, sabia que Terry adoraria o nome.
— Bem, e o que é esse plano? E o que você precisa que eu faça? — Perguntou sua tia curiosa.
— Não tenho como te explicar tudo, mas preciso que a senhora parta sem contar a ninguém que pretende se separar do Vernon. E, se Dumbledore a procurar ou escrever, diga-lhe que está disposta a me ter em sua casa ainda, que isso não mudou, mas se, se encontrarem pessoalmente e precisar mentir, não o olhe nos olhos, tia, ele poderá perceber a mentira, mas não captará a verdade em sua mente. — Harry explicou, tentando pensar em tudo, mas estava se sentindo cansado e sua mente não parecia querer se concentrar, sem poder se conter, bocejou e percebeu que aquele cochilo era bem-vindo agora.
— Oh... o que estou fazendo, você precisa descansar, não pode conversar por tanto tempo e, todas essas emoções, depois de uma concussão. — Disse tia Petúnia ao se levantar e o ajudar a deitar na cama e cobri-lo.
— Estou bem, apenas cansado. — Disse Harry baixinho.
— Está tudo bem, você descanse e se recupere, farei o que me pediu e o melhor é voltar para o número 4, se Dumbledore me procurar, será lá e se eu tiver partido entenderá que estou deixando o Vernon. — Disse ela suavemente se sentando na cama.
— Ok, isso é bom, mas se o Vernon aparecer e tentar alguma coisa ou te ameaçar não precisa ficar, tia, meu plano estará terminado até segunda-feira, terça no máximo. Além disso... a senhora deveria procurar um advogado... antes de mais nada e.… se aconselhar sobre as questões legais e financeiras. — Harry suspirou cansadamente e fechou os olhos. — Não se esqueça que... vocês terão que discutir a guarda do Duda e dividir o dinheiro... a casa...
E ele estava dormindo, Petúnia alisou seus cabelos sempre para todos os lados suavemente e beijou sua testa com carinho.
— Ok, você está certo, meu docinho, sempre tão inteligente. Cuidarei de tudo, descanse e tenha uma boa festa de aniversário, você merece. — Disse ela suavemente.
Em meia hora Petúnia e Duda estavam na estrada, Serafina ofereceu que ficassem para a festa e, enquanto ela sabia que Harry não se importaria, Petúnia tinha consciência que o clima da festa seria estranho com a presença deles. Além disso, pensou, isso poderia pôr em risco os planos do sobrinho. Assim, depois de tirar o malão do carro e entregar a Serafina, que deu a Duda vários doces e lanches da festa, eles partiram.
— Nós ficaremos em um hotel, mamãe? — Perguntou Duda.
— Não, voltaremos ao número 4. — Informou ela.
— O que? Mas, pensei... — Duda estava confuso.
— Eu sei, mas Harry tem alguns planos, são importantes e por isso não podemos deixar ninguém saber que pretendo deixar seu pai. Eu sei que é confuso, mas será apenas por alguns dias, enquanto isso procurarei um advogado e tentarei encontrar uma casa para nós três. Ok? — Disse ela carinhosamente.
Ele acenou, hesitante a olhou e abriu a boca algumas vezes até conseguir expressar seus pensamentos.
— Eu não quero que nada ruim aconteça ao meu pai, apenas... Não quero que ele machuque o Harry de novo. — Disse ele e fungou baixinho constrangido.
Petúnia apertou o volante com força e acenou.
— Eu não permitirei que isso aconteça de novo, prometo, Duda.
Suas palavras o tranquilizaram e Duda suspirou olhando para a paisagem bonita pela janela. Ainda se sentia muito perdido e não entendia porque sentiu vontade de defender seu primo, mas, a verdade é que neste verão ele descobriu muitas coisas. Primeiro, seu antes odiado primo era um garoto legal que se preocupava com ele, até mentiu para ajudá-lo, ainda que na época Duda não viu isso como ajuda. Então, ele descobriu que o motivo do ódio do seu pai e que lhe foi ensinado desde que se lembrava era... Bem, não era nada demais, seus tios eram heróis de guerra, não bandidos e qual o problema em ser um bruxo? Essa confusão sobre o que aprendera dos pais a vida toda e o que parecia ser o certo agora, lhe deram dores de cabeça, Duda não sabia o que pensar, mas, então, seu primo caíra pelo corrimão bem na sua frente. Duda estava a poucos mais de 2 metros, mas foi muito lento e não conseguiu agarrá-lo, seu grito de dor e a cabeça batendo no chão seriam sons que ele nunca esqueceria. E todo o sangue... Deus, tivera certeza que o primo estava morto, tão pequeno e magro, caído no chão e seu pai nem um pouco preocupado, quase satisfeito... E, de repente, Duda entendeu o que seu primo quis dizer sobre ser covardia ele machucar as crianças menores. Como podia seu pai machucar uma criança e ainda rir, lhe embrulhara o estômago ao entender que seu pai queria que ele fosse assim também, era por isso que o premiava quando socava o primo. Duda ainda estava muito confuso, mas uma coisa ele tinha certeza, não queria ser como seu pai.
Quando Harry acordou estava bem descansado, mas ainda foi servido um almoço leve na cama, ele não gostou e esperava que a hora da festa chegasse logo para poder deixar o quarto. Depois do almoço pediu para falar com o Sr. Falc, Sra. Serafina e Sirius, precisava colocar seu plano em movimento e sentia que depois da festa talvez sua mente estivesse muito cansada para se concentrar em todos os detalhes.
— Está tudo bem, Harry? — Perguntou Sirius preocupado. — A conversa com sua tia não foi bem?
— Ela não quis ficar para a festa, Harry, eu a convidei, mas Petúnia disse que precisava voltar para casa. — Informou Serafina e Harry acenou.
— Ela não ficaria, ainda mais porque sabe que sua presença criaria um clima constrangedor. E sim, nossa conversa correu bem, mas prefiro não falar sobre isso agora. — Harry respirou fundo e os olhou com atenção. — Vocês se lembram que eu disse que tinha um plano para retomar o controle da minha herança mágica? Nos livrarmos do controle de Dumbledore de uma vez e sem ter que esperar o fim do processo sobre a anulação do testamento?
— Sim, quer dizer, você disse que tinha uma ideia e entrar com o pedido de cancelamento da anulação o ajudaria. — Disse Falc curioso.
— Bem, minha ideia me fez formular um plano e tenho que colocar em prática agora, não tem como adiar mais e preciso da ajuda de vocês. — Disse Harry seriamente.
— Ok, tenho certeza que todos estamos dispostos a ajudar, Harry, mas estamos curiosos também sobre esse seu plano. — Disse Sirius.
— Antes de eu explicar o que posso, Sr. Falc, o senhor deu entrada no processo? — Perguntou Harry ansioso.
— Sim e, bem, seria um presente para mais tarde durante a festa, mas acredito que você precisa dessa informação. — Falc sorriu animadamente. — O Juiz julgou procedente o nosso pedido de cancelamento da anulação, Harry, agora daremos prosseguimento ao processo e acredito que em alguns meses teremos o resultado.
Harry sorriu animadamente, isso só tornava tudo ainda mais perfeito para o seu plano.
— Isso é ótimo, Sr. Falc! — Exclamou Harry e só não se levantou para comemorar porque não queria contrariar a Sra. Serafina.
— Sim, é muito bom e acredito que o processo será favorável ao nosso pedido, Harry, assim se você tiver paciência para esperar alguns meses, talvez seu plano nem será necessário. — Disse Falc sensato.
— Não tenho nenhuma paciência quando se trata de Dumbledore controlar minha vida, minha herança e muito menos a GER, não Sr. Falc, não correrei o risco. Além disso, o narigudo bunda magra me deve e estou muito ansioso para cobrar essa dívida. — Disse Harry com um sorriso malicioso que deixaria seu pai orgulhoso.
Houve um silencio estranho, mas logo Sirius rugiu de tanto rir, Falc o acompanhou mais discretamente e Serafina tentou chamar sua atenção ainda que segurasse o riso e tivesse seus olhos brilhando de diversão.
— Ok, ok, se é para voltar para o narigudo..., ok, Serafina, para o Dumbledore, eu estou dentro não me importa seu plano. — Disse Sirius tentando controlar o riso.
— Você não deveria dizer isso antes de ouvir o plano, Sirius. — Disse Serafina mais séria.
— Ninguém ouvirá meu plano, preciso que confiem em mim e ajam naturalmente, se souberem minhas ideias poderão colocar tudo a perder. — Disse Harry firmemente.
Isso deixou todos sérios e Harry os encarou com segurança.
— Harry, tenho certeza que todos somos bons atores e razoáveis oclumentes, mesmo contra Dumbledore. — Disse Falc, finalmente.
— Eu sei e.… não é falta de confiança em suas habilidades, apenas que, bem, preciso que suas reações sejam sinceras, verdadeiras como, por exemplo, Sr. Falc gostaria que o senhor escrevesse uma carta ao diretor informando sobre o incidente da casa dos meus tios... — Essas palavras causaram exclamações de surpresa dos três adultos, mas Harry continuou. — E o informe que pretende entrar com o pedido de guarda definitiva amanhã de manhã e que nunca mais voltarei ao número 4.
— O que!? — Foi Serafina quem exclamou.
— A pancada na cabeça o fez perder o juízo? — Esse foi Sirius.
— Harry! Não podemos fazer isso, temos a chance de conseguir a assinatura do Juiz Wood em poucas horas amanhã, sem interferências e você nunca terá que voltar para aquela casa. — Esse foi Falc que parecia completamente surpreendido.
— Exatamente isso. — Disse Harry satisfeito, os adultos o olharam como se ele realmente fosse insano.
— Exatamente isso o que? — Sirius perguntou começando a temer pela saúde mental de seu afilhado.
— Exatamente essa a reação que eu preciso e quero quando finalizar meu plano. — Disse Harry exasperado. — Surpresa, choque, indignação, raiva e a cereja no topo do bolo, Sirius me chamando de louco
O três o olharam com expressões idênticas de espanto, as bocas abertas e Harry se segurou para não rir, sabendo que para ter seus apoios precisava manter a seriedade. Finalmente, Sirius se defendeu.
— Eu não o chamei de louco, apenas perguntei se a concussão está afetando seu juízo, mas... — Ele suspirou acenando. — Ok, entendi seu ponto.
— Eu também e imagino que esse exemplo não é verdadeiro. — Disse Falc o olhando com atenção, mas ao ver sua expressão se mostrou confuso. — Harry... essa é a chance de não ter que voltar para aquela casa, sei que valoriza a proteção de sua mãe, mas não podemos permitir que volte a viver com aquele homem depois do que aconteceu. Você entende?
— Sr. Falc, preciso que vocês todos confiem em mim. Por favor? Eu não estou sendo tolo ou irresponsável e no fim as coisas irão se resolver se o meu plano der certo, mas preciso deixá-los no escuro. — Harry os olhou intensamente. — E preciso que façam algumas coisas importantes, primeiro ajam naturalmente, não existe plano nenhum.
— Bem, isso não é tão difícil já que não sabemos nada mesmo... E, claramente, essa é sua intenção. — Disse Serafina entendendo melhor e acenando.
— Exato. Sr. Falc, o senhor teve uma boa conversa com Dumbledore depois da audiência de guarda e ele mostrou que concordava que minha segurança é o mais importante, agradeceu sua atitude e tudo mais. Nós sabemos que é tudo falso, mas ele não sabe que sabemos disso, assim o senhor escreverá uma carta como alguém que acredita que os dois estão do mesmo lado. — Harry explicou calmamente. — É importante que Dumbledore acredite que o senhor o avisou porque acredita que ele concordará totalmente com minha saída definitiva da casa dos meus tios, que ele não ousaria lutar ou impedir que vocês obtenham a minha guarda definitiva depois do que aconteceu.
— Ok, imagino que seu objetivo é que ele não desconfie que a carta tem outro propósito, a questão é qual o seu propósito? — Perguntou ele curioso.
— Meu propósito se tornará claro em sua resposta, não direi qual é porque não quero contaminar suas palavras, mas, assim que a carta dele chegar, o senhor me avise e saberemos se meu plano pode ter prosseguimento. — Harry falou tentado pensar em tudo, mas sua mente parecia estranhamente mais lenta, maldita concussão, pensou. — Ah, preciso que o senhor escreva agora mesmo, o mais rápido possível e se a reposta dele não chegar até amanhã de manhã, adie entrar com o pedido da minha guarda junto ao Juiz Wood.
— Adie até quando? Harry, não estou entendendo nada. — Falc o olhou confuso, Serafina preocupada, Sirius pensativo.
— Isso é bom, não é para vocês entenderem, por favor, depois tudo ficará claro. Confiem em mim? — Harry pediu meio implorando, seus grandes olhos verdes eram muito difíceis de resistir e os três acenaram concordando.
Harry suspirou de alívio, precisava da ajuda e apoio dos três ou seu plano não poderia nem começar. Sr. Falc escreveu a carta e, antes de enviar, Harry a leu e acenou.
— Sim, é exatamente isso e lembre-se que em algum momento sua indignação por ele não manter a sinceridade dessas palavras será necessária, Sr. Falc. Nós sabemos que Dumbledore lutará, mas ele não pode saber que o senhor nunca acreditou nele, precisará agir como um homem cuja fé foi traída. — Apontou Harry e ele acenou antes de enviar a carta por King.
Harry podia perceber que os adultos estavam preocupados e, enquanto agradecia suas preocupações e amor, ele precisava retomar o controle de sua vida, sua herança. Claro, ele teria cuidadores que ainda controlariam tudo, mas eram pessoas em quem confiava, em Dumbledore, ele não tinha a menor confiança.
Depois disso a hora da festa se precipitou rapidamente e Harry se viu em frente ao espelho tentando arrumar o cabelo como antes sem sucesso. Os médicos cortaram e rasparam seus cabelos na área do corte e sua magia o fizera crescer, mas ele voltara a como estava antes do corte de cabelo que a Sra. Madaki lhe deu em dezembro. Teria que pedir um novo corte, pensou Harry, pelo menos até conseguir controlar esse poder e ajustar por si mesmo. Ele também observou que seu rosto ainda estava meio pálido, mas, fora isso, se sentia e parecia normal com se nada tivesse acontecido. Querendo estar bem em sua primeira festa de aniversário, Harry vestiu uma calça jeans preta desbotada, a bota de couro de cano baixo, uma camisa verde escura e a jaqueta preta de couro de vaca. Estava moderno e rebelde como ele gostava.
Quando desceu as escadas sentiu alívio, estava cansado de ficar preso em seu quarto, passara muitas horas trancado em seu armário enquanto crescia e fora o suficiente de confinamento para toda a vida em sua opinião. Harry foi para o jardim e sorriu para a decoração azul e vermelha, havia faixas de feliz aniversário para ele e Neville, uma grande mesa com comida e doces, mesas menores com cadeiras para os convidados se sentarem e uma mesa redonda maior para Harry e todos os amigos. Era tudo tão bonito que Harry sorriu maravilhado como uma criança pequena. Se encontrando com seus irmãos, ele foi orientado por Serafina a ficar sentado e não se importou, pois estava em sua primeira festa de aniversário e não trancado, assim poderia ficar sentado o dia todo.
Poucos depois Neville chegou sorridente e sozinho, sua avó também não viria, ele contou.
— Ela acordou com uma leve dor de cabeça e disse que uma festa cheia de crianças barulhentas é a última coisa que precisa. — Informou ele dando de ombros.
Harry sorriu para Ayana e Adam que corriam pelo jardim com Chester Junior, Tianna e Marvel rindo, gritando e pensou que a avó de Neville não teria gostado disso nem um pouco.
Logo depois o Sr. Falc chegou trazendo seus amigos trouxas, eles combinaram de chegar a um ponto em comum, o Caldeirão Furado e depois seriam ensinados a flu no endereço do Chalé. Harry cumprimentou Mandy, Lisa e Anthony com abraços e se sentaram na grande mesa para conversarem. Os presentes foram entregues e Neville levou os dele e os do Harry para as mesas preparadas para isso. Harry já tinha colocado seu presente ao amigo na mesa dele. Penny chegou logo depois e eles se afastaram para conversarem em particular.
— Como você está, Penny? E a GER?
— Oh, Harry, eu estou ótima, nunca me senti tão feliz e trabalhei tanto. Tenho aprendido tantas coisas novas todos os dias e o Sr. Edgar é incansável, quer dizer, além de estruturar a GER, ele está trabalhando nas reconstruções das Fábricas Blacks. — Penny informou sorridente e admirada. — Eles formaram uma ótima equipe para gerenciar as fábricas diretamente, mas ele ainda participa e está atento a tudo. E você ficará feliz em saber que temos alguns novos diretores de Divisão escolhidos.
— Verdade!? — Harry exclamou animado e desejou conhecê-los, não gostava de ter funcionários e não saber nada sobre eles.
— Sim, Harry, essa semana foi muito intensa, entrevistamos vários possíveis candidatos, além de possíveis associados, são pessoas tão incríveis. Será maravilhoso ajudar todas elas a terem mais segurança e trabalharem com a dignidade merecida. — Disse ela sorrindo.
— Isso é bom, Penny. Escute, Hermione está ansiosa para te ver e te encher de perguntas, mas sejam discretas e mais importante, tentem se divertir, afinal hoje é dia de festa e não de trabalho. — Disse Harry, lhe dando um aviso justo.
Hermione chegou logo depois com seus pais, eles vieram de trem. Sra. Jean e Sr. Norton eram muito divertidos e inteligentes, Harry ficou feliz em conhecê-los e pode encontrar semelhanças dos dois em sua amiga. Hermione, assim que cumprimentou Harry e teve certeza que estava bem, correu até Penny e as duas começaram uma conversa animada e sussurrante. Morag e Padma vieram de flu direto de suas casas e Harry logo se viu cercado pela conversa e risos animados dos amigos que contaram sobre suas férias e a ansiedade para voltarem à Hogwarts. Apenas os gêmeos estavam faltando de seus amigos e Harry esperava que eles viessem, estava ansioso para lhes apresentar um novo projeto.
Na toca, como sempre que precisavam sair para algum lugar, os Weasleys estavam atrasados. Ginny empoleirada sobre a mesa observou com diversão enquanto sua mãe se movia em volta dos gêmeos alisando suas roupas, ajeitando seus cabelos e dando mil recomendações para serem educados.
— Mãe! — Gritou Fred, finalmente, exasperado. — Já estamos atrasados!
— É mãe, não queremos chegar atrasados demais, isso não seria educado também. — Apontou George espertamente.
— Oh, sim, você está certo, Fred. — Disse sua mãe ansiosamente e errando os gêmeos como sempre. — Vão e sejam educados, nada de piadas e brincadeiras. Espero que eles não se ofendam que vocês estão levando um presente só para cada aniversariante.
— Tenho certeza que o Harry não se importará, mamãe, aposto que ele só quer os amigos em sua festa. — Disse Ginny sorrindo.
Ginny se segurou para não rir quando os gêmeos prometeram mais uma vez se comportarem e serem educados antes de seguirem para a sala para usarem o flu.
— Você poderia parar de agir como o conhecesse, sabe. — Disse Ron de mal humor.
A dias seu irmão estava assim, Ginny até o entendia um pouco, quer dizer, ela adoraria ir na festa de aniversário de Harry Potter, mas sabia que seria uma bobagem esperar ser convidada quando eles não se conheciam. No caso de Ron, ele o conhecia, mas não eram amigos e, diante do convite aos gêmeos, Ginny chegara a conclusão que a festa seria apenas para os amigos de Harry e Neville, já que era uma festa dupla.
— Eu posso não o conhecer, mas pelo que diz os seus livros e o que os gêmeos contaram, Harry é um garoto muito legal e foi você quem agiu como um idiota e não se tornou amigo dele. — Disse ela com firmeza, estava cansada de seu bico.
— Os gêmeos poderiam ao menos ter me contado que eles eram amigos e o que fizeram juntos, quer dizer, eu entendo eles quererem manter segredo da mãe e do pai, mas por que ficam fazendo mistério comigo? — Disse Ron cruzando os braços como sempre irritado de nunca ser incluído nas aventuras dos irmãos mais velhos.
— Eles já disseram porque, Ron, você é que não quer entender. — Disse Ginny exasperada. — Eles prometeram não contar a ninguém.
— Eu não sou ninguém, sou o irmão deles, não Harry Potter... — Ron disse e depois corou envergonhado por sua demonstração de ciúmes infantil e saiu resmungando.
Ginny suspirou e ainda sentada em posição de lótus na mesa da cozinha continuou a costurar os uniformes velhos dos irmãos. Sua mãe disse que não teriam dinheiro para comprar vestes escolares para ela, nem mesmo usadas. O Ministério estava cortando gastos e diminuíra o salário do seu pai, assim o orçamento da família estava mais apertado do que nunca. Por isso Ginny e sua mãe estavam encurtando as barras das vestes usadas para servir nela, ela não se importava com vestes e livros usados, mas teria sido bom ter conseguido ao menos uma varinha nova, teria que usar a da sua tia-avó mesmo.
— Ah, Ginny, que bom que está aí, vamos continuar e desça da mesa, mocinha, isso não é nada educado. — Disse sua mãe se sentando na cadeira e retomando a costura.
— Ok. — Disse ela suspirando.
Para sua mãe nada divertido era educado ou algo que uma menina deveria fazer, pensou Ginny segurando uma careta e se sentou na cadeira.
— Oh, estou tão ansiosa, os gêmeos em uma festa sem que eu esteja lá para controlá-los, espero que eles não explodam tudo e nos envergonhe. — Disse ela nervosamente. — E não entendo porque esconderam que eram amigos de Harry Potter, foi a maior surpresa a chegada dos convites.
Ginny não disse nada, pois se lembrava bem que, quando os convites chegaram na terça-feira à noite, causaram uma grande confusão. Sua mãe achou que era uma piada dos gêmeos e escreveu a Sra. Boot para confirmar o convite e a festa. Depois ela ficou zangada por eles não contarem serem amigos de Harry Potter e por fim disse que não podiam ir porque não tinham dinheiro para cada gêmeo dar um presente para cada aniversariante. Isso somava 4 presentes e a situação da família não permitia.
Seus irmãos ficaram muito zangados com todo o processo, deu para perceber que ficaram magoados por a mãe duvidarem deles, lembrou Ginny, mas o pior foi quando disse que eles não iriam à festa. Os gritos da discussão reverberaram pela toca e, por fim, seu pai sempre conciliador sugeriu a compra de um presente para cada um dos aniversariantes que seria dado pelos gêmeos. E que sua mãe acrescentaria uns doces caseiros ao presente simples e, finalmente, sua mãe concordou e tudo se resolveu. Ginny até, de bom grado, a ajudou a preparar os fudges caseiros e tortinhas de abóboras que os gêmeos levariam. Seus irmãos não pareciam completamente animados, mas aceitaram, Ginny os questionou porque não usavam o dinheiro deles para o presente, mas Fred respondeu mal-humorado.
— Ficou louca? Se mamãe descobrir que temos essa grana vai querer saber porque, contaremos que não fizemos nada errado e que prometemos não contar, mas duvido que ela acredite em nós. Seria capaz de pensar que roubamos. — Disse ele tentando esconder a mágoa.
— E pior, ela tomaria o dinheiro e ainda nos colocaria de castigo o resto do verão, então não, obrigada. Além disso, Neville adora Herbologia e compramos um livro legal sobre o assunto e para o Harry, bem, achamos que uma luva extra de apanhador não lhe faria mal. — Explicou George.
Ginny entendeu e não discutiu porque tinha a impressão de que seus irmãos estavam certos e...
— Ai! — Exclamou ao furar o dedo com a agulha, levando-o a boca, chupou o sangue com uma careta.
Se pelo menos pudesse usar a varinha, mas sua mãe não permitia porque o Ministério proibia que menores fizessem magia fora da escola.
— Preste mais atenção, Ginny. — Disse sua mãe e ela apenas assentiu, tentando se concentrar na costura da bainha e não na festa onde George e Fred deveriam estar se divertindo muito agora.
Com a chegada de George e Fred a festa ficou mais alta e barulhenta, havia música, todos comiam e bebiam, Neville se soltou da sua timidez e riu divertidamente das piadas, até fazendo algumas que provocaram gargalhadas. Harry foi puxado pelos gêmeos de lado que agradeceram as vassouras e explicaram meio corados sobre os presentes.
— Isso não importa, o importante é vocês estarem aqui, mesmo se não tivessem trazido presente algum. — Disse Harry sorrindo. — Tenho certeza que Neville pensa igual, então, parem de se preocupar e agradeçam a sua mão e irmã pelos doces, tenho certeza que estarão deliciosos.
— Valeu, Harry. — Disse George e Fred acenou.
— Escuta, quero falar com vocês mais tarde sobre um novo projeto, se estiverem interessados. — Disse Harry baixinho.
— Um novo projeto para você, meu amigo?
— E um lucrativo, aposto? O que você pensa, George? — Disse Fred, os dois se olharam e sorriram divertidos.
— Estamos dentro! — Responderam juntos e Harry riu.
Depois ele conversou discretamente com Serafina e pediu para não abrirem os presentes na frente dos convidados, ela ficou curiosa, mas aceitou sem problemas e disse que eles poderiam abrir e enviar um pequeno cartão de agradecimento depois. Harry concordou e conversando com Neville, seu amigo acenou aceitando sem problemas.
Depois disso a festa continuou com muita animação, as crianças, os Boots, Madakis e os Grangers dançaram, comeram, beberam e brincaram. Harry explicou aos amigos que caíra e batera a cabeça, por isso tinha que ficar sentado e descansando, alguns olharam confusos e curiosos, mas pareceram perceber que não deviam perguntar. Penny foi uma exceção e Harry resumiu o que aconteceu, isso provocou algumas lágrimas e um grande abraço da amiga que sabia sobre sua infância nos Dursleys.
— Espero que ele fique preso para o resto da vida. — Disse ela veementemente.
— Isso seria incrível, mas alguns anos já me deixaria contente, quero ver como ele se sentirá de ficar trancado em um espaço apertado. — Disse Harry e logo Sirius se sentou ao seu lado para conversarem e Penny os deixou.
— Está se divertindo? — Disse ele lhe entregando mais bebida e comida.
— Muito. — Harry sorriu e depois de tomar um gole de cerveja amanteigada, perguntou. — Você não quis convidar os Tonks?
— Eu até gostaria em outras circunstâncias. — Disse Sirius dando de ombros. — Você ainda não os conhece e eu estou meio afastado deles, assim uma festa dessa não me pareceu o ideal, hoje é sobre você e Neville, é para vocês se divertirem sem dramas. Depois podemos marcar algo, talvez um churrasco e convidá-los, quero que você encontre Maria, Vance e Remus também, eles estão ansiosos para conhecê-lo.
Harry acenou, seu padrinho estava certo, um churrasco com menos convidados seria o ideal.
— Você já se acertou com Remus? — Perguntou curioso.
— Eu o desculpei, mas ainda tenho dificuldades de confiar nele... — Sirius o olhou pensativo. — Ainda que ver você ferido foi um baque, saber a verdade sobre sua vida nos Dursleys e entender que Dumbledore mentiu está sendo difícil para ele. De qualquer forma, eu o fiz prometer não escrever contando o que aconteceu para o diretor, naquele momento pensei que isso era o melhor. Não sabia que você tinha outras ideias.
— Você entendeu meu plano, não é? — Perguntou Harry olhando com atenção para seus olhos cinzentos.
Sirius acenou e sorriu divertido, ainda que levemente preocupado.
— Sim e é muito inteligente, mas perigoso também, principalmente, se não der certo. — Apontou seu padrinho.
— Dará certo, mas, se não der, seguiremos com o plano B.
Em seguida, Harry chamou os gêmeos para a biblioteca e mostrou o rádio dos Boots.
— Vocês sabem o que é isso? — Perguntou a eles.
— Hum... parece um rádio, mas é bem estranho... — Disse George olhando em volta do aparelho curioso.
— E isso? — Disse mostrando a eles o seu walkman.
— Parece um rádio também, mas nada que já vimos. — Disse Fred pegando nas mãos o pequeno aparelho e apertando os botões, quando apertou play a música da fita cassete começou a tocar. — O que...?
Os dois olharam surpresos e Harry pegou o walkie talkie e mostrou a eles que acenaram confusos.
— Também toca música? — George perguntou curioso.
— Não. E isso? — Mostrou a eles um aparelho de telefone.
— Ah! Eu já vi o pai mexer com um desses, como que chamava mesmo, Fred? — George apontou animado.
— Felitone. — Disse Fred seguro.
— O nome é telefone. — Harry disse divertido. — Seu pai tem um desses?
— Oh, papai adora coisas trouxas, Harry, mamãe fica louca com ele. — Disse George divertido.
— Sim, ele trabalha no Ministério, é o Chefe do Departamento de Controle do Mau Uso dos Artefatos dos Trouxas e passa horas em seu galpão desmontando e brincando com objetos trouxas. — Explicou Fred.
— Ele tem até uma coleção de tomadas, apesar de não saber como elas funcionam. — George contou analisando os aparelhos. — O que é isso?
— Esse é um interfone. — Disse Harry, olhando para os amigos, perguntou curioso. — O negócios da Família Weasley eram invenções de objetos mágicos?
— Sim, mas meu bisavô perdeu tudo, fez maus investimentos e teve muitos filhos para dividir, meu avô ficou com as terras da Toca e hipotecou uma parte para tentar reerguer a empresa, mas não deu certo e perdemos quase tudo. — Disse Fred com uma leve careta.
— Sim, só sobrou a nossa casa e um pedaço pequeno de terra. Papai trabalhava com o vovô e sempre lamentou que a empresa não foi para frente. — Disse George tristemente. — Bem, mas papai adora seu trabalho e está sempre curioso sobre as coisas trouxas, ele é fascinado para entender como elas funcionam. Se você o encontrar se prepare para muitas perguntas.
— Sim e ele está muito animado com a nova lei de Proteção aos Trouxas. — Disse Fred orgulhoso. — Se for aprovado pela Suprema Corte tornará crime encantar objetos dos trouxas, seja por brincadeira ou maldade, foi o papai que a escreveu, sabe, a lei.
Harry acenou sorrindo, Arthur Weasley parecia alguém que ele gostaria muito de conhecer, pensou e nesse momento Terry e Hermione entraram rindo, corados e ofegantes.
— Que bom que chegaram, não saberei explicar tudo a eles sozinhos. — Disse Harry divertidamente exasperado.
— Desculpe, Harry, nos distraímos. O que você já disse a eles? — Perguntou Terry sorridente.
— Apenas mostrei os aparelhos e ia começar a explicar como cada um funciona. — Disse Harry e se sentando, indicou que todos fizessem o mesmo e eles começaram uma aula de Física para os gêmeos.
Harry entendia mais do assunto por suas pesquisas nas últimas semanas, mas Hermione estava logo atrás e mesmo Terry sabia muito sobre os eletrônicos.
— Pesquisamos muito e temos os livros aqui para estudarem. — Disse Terry lhes entregando uma pilha de livros sobre Ondas e Frequência de rádio, telefonia, radioamador e intercomunicadores e walkie talkie.
— Ok. — Disse George animadamente recebendo os livros. Os dois irmãos ficaram fascinados ao ouvir como cada aparelho funcionava. — Esses walkies realmente permitem comunicação a distância?
— Sim, vamos fazer um teste? Terry? — Seu amigo concordou e deixou a biblioteca, alguns minutos depois o som da sua voz saiu do aparelho que ficara com eles.
— Testando, testando. Terry falando, estão me ouvindo? Câmbio.
— Olá, Terry, aqui é o Harry, estamos ouvindo alto e claro. Câmbio.
— Ok, eu posso ir mais longe, acredito que o sinal pode se manter por alguns minutos e sem interferências. Câmbio.
— Não precisa, Terry, os rapazes já entenderam, pode voltar. Câmbio desligo.
Harry observou a expressão encantada e olhos arregalados dos amigos.
— Vocês entenderam? Os walkie talkies e walkmans funcionam com pilhas, o rádio ali com bateria, os telefones com eletricidade. Eu tentei e as pilhas e baterias não funcionam em lugares com muita magia como Hogwarts e em casas mágicas como o Chalé duram por algumas vezes ou horas de usos. — Disse Harry e quando Terry voltou ouviu o final da conversa.
— Exato, o rádio que temos é para falar com meus avós Madakis, quer dizer, eles conosco, já que não podem chegar rapidamente aparatando e telefones não funcionam aqui porque não ter eletricidade. Em caso de emergência eles ligam pelo rádio, trocamos baterias a cada poucas vezes que usamos. — Explicou Terry.
— A pilha do walkie talkie ou walkman durariam poucas horas aqui enquanto no mundo trouxa duram muito mais. — Explicou Hermione. — Nós e vocês sabemos que a rádio bruxa como a trouxa usam a ondas e frequência para suas transmissões, mas não temos nada para comunicação.
— Nós entendemos e seria incrível se conseguíssemos criar algo para nos comunicar com qualquer pessoa em qualquer lugar. — Disse Fred com os olhos brilhando. — Essa é a ideia, certo? Criar uma maneira desses aparelhos funcionarem com magia? Sem eletric... cidade ou baterias e pilhas?
— Sim, mas não sejamos ambiciosos, vamos focar em uma coisa de cada vez. — Disse Harry e mostrando o interfone, continuou. —Vamos nos concentrar na intercomunicação e não a telecomunicação. Ok?
— Mas porquê? E porque isso seria mais legal? — Perguntou George confuso.
— Não é uma questão de mais legal e sim de oportunidade e legalidade. A ideia de um telefone mágico nos anima, mas além de não termos como fazer funcionar, ainda, teríamos que entrar na legislação do governo mágico, envolve muita coisa, demoraria anos e anos para conseguirmos que a Suprema Corte aprove algo assim. — Disse Terry sensato.
— Exato, mas temos a oportunidade em outro setor e não precisamos da aprovação ou legalização do Ministério. — Disse Harry. — Vocês sabem como os departamentos se comunicam no Ministério da Magia?
— Sim, por aviõezinhos. — Disse George naturalmente
Hermione não aguentou e riu divertida, Harry sorriu também de espanto por como todos encaravam aquilo de maneira tão natural.
— Não entendi. — Disse Fred e Hermione explicou sobre o que eram os aviõezinhos de papel no mundo trouxa. — Ok, então é uma brincadeira de criança? — O dois garotos pareciam chocados.
— Sim e para comunicações interdepartamentais são lentos e nada práticos, um absurdo ninguém ter pensado em nada melhor, mas se nós criarmos uma maneira de combinar as ondas de rádio bruxa com esse intercomunicador trouxa que tem que funcionar por magia... — Harry parou com as sobrancelhas arqueadas e esperou que eles entendessem.
— Harry, se criarmos um aparelho com essa combinação que permite a comunicação dos departamentos do Ministério, assim como esses walkies, mais rápido e prático. — George engasgou de tanta animação.
— Nós ficaremos ricos! — Exclamou Fred de olhos arregalados.
— Esse é um dos resultados sim, o outro é tirar o mundo mágico da idade do aviãozinho. Eu financiarei as pesquisas e se conseguirmos, patentearemos nossa invenção e produziremos os aparelhos e venderemos, para o Ministério, Hogwarts, lojas do Beco Diagonal, empresas, fábricas, até casas pessoais. — Disse Harry com um sorriso esperançoso.
— Sim, as grandes mansões podem se comunicar da cozinha com os quartos ou escritório, a verdade é que existe uma oportunidade de muitas vendas. — Disse Terry positivo.
— E muitas vendas significa o que? — Perguntou Harry divertido.
— Muita grana! — Exclamou os gêmeos saltitando no sofá.
— Exato. E os bruxos puros-sangues se acostumarão com os intercomunicadores e podemos continuar a pesquisar até conseguirmos que a comunicação aconteça de uma casa para outra não importa a distância. — Disse Hermione tentando manter a explicação de um jeito que não confundiria os gêmeos.
— Quando chegarmos neste ponto a sociedade bruxa estará mais aberta para algo tão revolucionário e aceitará mais facilmente essa nova... magitec. — Disse Harry e os amigos sorriram.
— Eu gosto deste nome, poderia ser o nome da nossa empresa de pesquisa, magia com tecnologia. MagiTec. — Disse Terry e todos acenaram aprovando.
— Bem, precisamos voltar para a festa ou todo mundo pensará que fugimos. Fred, George? O que me dizem, estão interessados? — Harry perguntou seriamente.
— Sim, com certeza. Certo, Fred? — Disse George animado.
— Sim, é um projeto incrível e, bem, mais sério do fazemos ou pensamos, normalmente. Obrigada por pensar em nós, Harry. — Fred falou estranhamente sério.
— Vocês são inventivos, inteligentes e, agora que sei que descendem de inventores, compreendo porquê. Preciso que estejam dispostos a trabalharem e estudarem, isso não é uma brincadeira e pretendo que assinemos um contrato com um acordo. — Informou Harry seriamente.
— Contrato? — Os meninos perguntaram confusos.
— Sim, como nós somos 5 e eu, além de pesquisador serei o financiador da MagiTec, proponho uma divisão de 51% para mim e os 49% restantes serão divididos entres vocês 4. — Explicou Harry.
— Isso nos dá 12,5% para cada um de nós, me parece justo, o que vocês acham? — Perguntou Terry enquanto os gêmeos continuavam a arregalar os olhos.
— Acredito que sim, mas me parece que deveríamos consultar alguém que entenda melhor sobre o assunto. Quer dizer, essa divisão para a patente me parece justa, mas, e quanto a empresa? A ideia é sua, Harry, seu dinheiro, confesso que não sei se é tão justo, então. — Apontou Hermione duvidosa.
— Conversaremos com o Sr. Falc e ele nos ajudará e fará o contrato, assim não precisamos resolver tudo agora. O que vocês acham de marcarmos uma reunião para essa semana? Quarta-feira de manhã, Fred, George? — Perguntou Harry.
— Mas... Harry, estamos confusos, quer dizer, seremos sócios da patente e da empresa que você criará e...
— Teremos um contrato e tudo? Teremos que contar aos nossos pais? — Fred perguntou de olhos arregalados.
— Sim, sim, sim e vocês decidem. — Harry respondeu divertido. — Em resumo a empresa ainda não existe oficialmente porque estamos pesquisando o nosso primeiro produto, quando o inventarmos patenteamos e criamos legalmente a MagiTec. Mas não podemos começar toda essa pesquisa sem que todos nós fiquemos assegurados, porque seria terrível se depois de todo o trabalho de vocês 4, eu decidisse lucrar sozinho ou se um de vocês decidisse vender a invenção a outro investidor. Assim faremos um contrato mágico entre nós 5 com nossos desejos estipulados e ele será valido legalmente quando finalmente abrirmos a empresa.
— Isso quer dizer que não precisam contar aos seus pais porque é um contrato mágico que vocês podem assinar, mas quando iniciarmos a empresa legalmente, se ainda tiverem menos de 17 anos, seus pais terão que ser informados, porque...
— Eles terão que assinar por nós. — Terminou George entendendo.
— Exatamente. — Disse Harry. — Então, vocês podem vir na quarta-feira de manhã?
— Sim, quer dizer, não, mas daremos alguma desculpa e estaremos aqui. Prometemos. — Disse George solene.
— E começaremos a ler tudo isso e a trabalhar imediatamente. — Disse Fred, pegando os livros.
— Nós temos um saco com feitiço de extensão para vocês, aqui. — Disse Hermione e pegando o saco colocou os livros e aparelhos.
— Os aparelhos também?
— Sim, cada aparelho tem um manual e tem livros falando sobre eletricidade, ondas de transmissão e muito mais. — Disse Hermione, ao ver seus olhares surpresos, Harry explicou.
— Vocês precisam de modelos para estudar e tentar encontrar uma maneira de fazer funcionar com magia. Se destruírem esses e precisarem de mais, me avisem.
— E se algum desses conceitos trouxas os confundir nos escreva imediatamente, logo estaremos em Hogwarts e teremos mais oportunidade para discutirmos e trabalharmos juntos. Precisaremos encontrar um laboratório e assegurá-lo bem. — Disse Terry com os olhos brilhando.
Depois disso eles voltaram para a festa que estava muito animada, Harry até dançou um pouco, mas logo se sentiu tonto e foi se sentar. Harry viu a Sra. Serafina impedindo os gêmeos de colocar algo na bebida e eles acenaram de olhos arregalados de assombro enquanto ela falava suavemente.
Sra. Honora estava com sua medibruxa Srta. Cassiane e Harry se sentou com ela e conversaram sobre festas de aniversários de sua filha Carole ali no jardim, infelizmente, hoje ela acreditava que a filha estava viajando com amigos e que retornaria em alguns dias. Harry conversou com a Sra. Madaki e os dois combinaram de ele aprender a fazer os doces americanos como prometido na terça-feira, depois das aulas com o Prof.º Bunmi. Ele aproveitou para agradecer por fazer uma festa tão linda e saborosa para ele e seu amigo, ela sorriu emocionada e disse que estava feliz por vê-lo seguro. Antes que pudesse mencionar ela o abraçou e lhe beijou a testa dizendo que na terça-feira lhe daria um corte de cabelo, Harry apenas sorriu e agradeceu.
Pouco depois das 18 horas quando Serafina o viu bocejando cansadamente, trouxe dois bolos grandes que tinham decorações bem diferentes, um azul com detalhes de quadribol e outro vermelho com detalhes de Herbologia. Neville corou de constrangimento na hora dos parabéns e Harry usou o seu segundo desejo para pedir que tudo desse certo com seu plano. Todos comeram o bolo maravilhoso da Sra. Madaki e Harry pensou que ela se superara, pois lhe parecia ainda mais gostoso do que o da festa de Terry.
Em seguida vieram as despedidas e os convidados começaram a partir. Mandy disse que eles deviam combinar um dia para irem ao shopping, cinema e patinar no parque, Ayana vibrou com a ideia e eles combinaram de incluir Padma e Morag ao convite. Anthony e Lisa agradeceram ao convite, Harry não os percebeu chateados com a ausência do Michael. E Penny lhe deu um grande abraço e inúmeras recomendações de cuidados com a saúde. Os gêmeos se despediram sorridentes e, quando Harry perguntou, confessaram que pretendiam colocar poções de mudança de cor de cabelos nas bebidas, mas foram parados pela Sra. Serafina que os avisou que poderiam machucar os trouxas da festa.
— Bem, nós não fizemos nenhuma brincadeira, mas ainda nos divertimos muito, Harry, obrigada pelo convite. — Disse George sorridente.
— Eu que fico feliz que vocês aceitaram e espero-os na quarta-feira para nossa reunião, pensem com cuidado sobre o que querem no contrato, depois não tem como voltar atrás. Ok? — Harry apertou suas mãos fortemente.
A família lhe deu grandes abraços e depois ele estava em seu quarto, não queria se deitar de novo, mas, assim que o fez, apagou. Acordou com a Sra. Serafina sacudindo seu ombro levemente e o ajudando a se sentar.
— Aqui, como essa torta, você precisa tomar suas poções. — Disse ela e Harry acenou meio grogue e obedeceu. — Além disso, Dumbledore respondeu a carta, Falc... ah, aqui está ele.
— Harry, ele respondeu e com sua fênix. — Disse Sr. Falc parecendo impressionado.
— O que? — Harry tentou acordar de vez, mas parecia ter teias de aranha em sua mente. Porque estava sendo tão difícil se concentrar? Se perguntou irritado. — Desculpe, não entendi.
— Dumbledore tem uma fênix como seu familiar, Harry. Você já leu sobre elas? — Disse Falc mais suavemente.
— Sim, senhor. Elas podem curar com suas lágrimas, se transportar magicamente e carregar grandes pesos, são imortais também. — Disse Harry fechando os olhos e se lembrando de tudo o que lera sobre a magnífica criatura. — O diretor tem uma?
— Ter não é o termo correto, Harry. Fênix, assim como outras criaturas mágicas, são companheiros, familiares, é diferente do que ter uma coruja ou cachorro. Entende? — Explicou Serafina enquanto separava as poções que ele tinha que tomar.
— Ok, entendi. E Dumbledore enviou sua carta por ela?
— Exato. King, que é das mais rápidas corujas, demorou horas para chegar até ele, seja onde for que Dumbledore esteja. Se ele enviasse sua carta por uma coruja não chegaria a tempo de me impedir de conversar com o Juiz Wood e as assistentes sociais. — Explicou Sr. Falc.
Harry sorriu entendendo e acenou, podia até imaginar sua resposta.
— Imagino, por sua urgência ao enviar a carta, que seu conteúdo solicita que o senhor não procure o Juiz Wood. — Disse Harry sorrindo abertamente.
— Sim e, ainda não sei porque você parece tão animado, mas o diretor solicita que não façamos nada até ele chegar amanhã. — Disse Falc o encarando com atenção.
— A que horas? — Harry perguntou.
— Às 13 horas. Ele disse que pela manhã tem um compromisso inadiável e solicitou que lhe déssemos acesso pelo flu no horário marcado. Nós concordamos e enviamos uma resposta pela fênix com o endereço do flu. Acredito que era isso que você queria? — Questionou o Sr. Falc.
— Sim, era exatamente isso. — Harry suspirou pensativo, nunca pensar lhe pareceu tão difícil. — Ele pedirá, provavelmente, uma nova chance para os meus tios...
— Não concordaremos com isso! — Exclamou Serafina indignada.
— Exato. — Disse Harry sorrindo, era isso que precisava. — Mantenham se firme e não aceitem seus argumentos.
— Ok, isso não é um problema, mas o que você espera que ele faça a partir de nossa recusa? — Falc perguntou entendendo porque eles tinham que agir naturalmente.
— Espero e acredito que Dumbledore pedirá para falar comigo. Mostrem-se hesitantes e a Sra. Serafina pode dizer que subirá para perguntar se eu quero falar com ele. Eu quero, mas não vamos deixar ele saber que o conduzimos para minha presença. Certo? — Harry pediu e bocejou.
— Aqui, tome suas poções. Nós entendemos, mas o que você pretende dizer a ele? — Perguntou Serafina.
Harry apenas os olhou e eles suspiraram.
— Você não nos dirá. — Constatou Falc e trocou um olhar preocupado com a esposa.
— Não, preciso que confiem em mim e não estou lhes contando por falta de confiança, apenas...
— Por nossas reações sinceras e naturais, entendi. — Disse o Sr. Falc acenando.
— Sim, Sr. Falc, estamos prestes a enganar o bruxo mais inteligente do nosso mundo e temos que ser perfeitos. Vocês entenderão depois. — Disse Harry suavemente e voltou a bocejar.
— Ok, durma e descanse, amanhã será um dia muito importante. — Disse Serafina, passando a mão pelos seus cabelos e, pela segunda vez, Harry dormiu com alguém lhe fazendo um cafuné.
Seu dia começou sem treinamento, infelizmente, Harry se sentia tão ansioso que correr o ajudaria a se acalmar para sua reunião com Dumbledore. Madame Pomfrey surgiu às 9 horas e o examinou gostando dos resultados e o liberando para fazer magias e exercícios a partir de quarta-feira. Harry se sentiu muito aliviado, no dia seguinte tinha aulas trouxas, mas queria retomar suas aulas mágicas o quanto antes. Depois disso, ele achou a espera muito difícil, não podia se exercitar, voar e não tinha outra maneira de tirar a tensão, quando Adam o convidou para um jogo de xadrez, Harry aceitou contente, mas estava distraído demais para vencer.
Depois do almoço, Harry foi para o seu quarto, pois queria dar a impressão que ainda estava repousando. As aulas mágicas da tarde foram canceladas, assim nem Hermione ou Neville apareceram e Harry suspirou quando o relógio antigo da casa bateu uma badalada, o palco estava pronto, apenas esperavam a entrada do ator principal.
Ele não se arriscou a descer para ouvir a conversa, mas podia imaginá-la em sua mente, Dumbledore tentando convencê-los da importância da proteção de sua mãe e os Boots lutando ferozmente, pois sua segurança era importante e ele não a tinha na casa dos tios. Depois de 20 minutos, Serafina apareceu e parecia muito zangada.
— Ele está irredutível, insiste que o que aconteceu foi um acidente e perder a proteção seria uma grande tragédia.
— Ok, Dumbledore pediu para falar comigo? Como ele lhe pareceu? Desesperado? — Harry perguntou ansioso.
— Um pouco e desanimado também, nós deixamos claro que avisaremos ao Juiz Wood sobre o que aconteceu e que nada que ele diga nos fará mudar de ideia. Ele pediu para falar com você antes de qualquer decisão. — Disse Serafina com expressão tempestuosa.
— Onde ele está? — Harry perguntou tentando não rir do fato que suas reações nunca seriam tão reais se soubessem do seu plano.
— Na biblioteca. Eu disse que subiria para ver se você queria falar com ele, disse que estava repousando. — Informou Serafina. — Está pronto? Para seja lá o que você pretenda fazer?
— Pronto? Merlin, nem um pouco, mas isso não me impedirá. — Disse Harry com determinação.
Ele desceu as escadas e na porta da biblioteca reforçou sua magia mental, sua oclumência não podia falhar, mas Harry se sentia seguro. Hoje, neste momento, não haveria mais mentiras, era a hora de tirar as máscaras. Ou algumas delas.
Dumbledore estava olhando pela porta-janela para o jardim e ao se aproximar o viu olhar para seus irmãos que corriam e brincavam. A decoração do aniversário se fora, mas o jardim no verão era um espetáculo.
— Você é muito feliz aqui. — Disse o diretor sem olhá-lo.
— Eu sou amado aqui, seria impossível não ser feliz. — Respondeu Harry suavemente.
— Lamento que não tenha recebido o amor que merecia na casa dos seus tios, Harry. — Disse ele ainda olhando pela janela.
— O senhor lamenta, mas não se arrepende. — Disse Harry em tom de afirmação.
Isso o fez olhá-lo, levemente surpreso, talvez porque não o considerasse suficientemente inteligente para lê-lo e entender.
— Você tem razão. Eu não me arrependo. — Ele parecia quase triste ao dizer isso. — A proteção...
— Eu sei tudo sobre a proteção, diretor, acredite, eu me lembro de tudo o que foi dito sobre ela, cada palavra e sei de sua importância, apesar de não compreender o porquê de sua importância. — Harry o interrompeu com firmeza.
Isso pareceu desconcertá-lo, mas como sempre Dumbledore pouco mostrava em sua expressão, assim Harry não teve certeza.
— Então você sabe que nós não podemos desistir dela por causa de um acidente tolo. — Disse ele em tom de professor que ensina ao seu aluno.
— É isso o que o senhor chama o que aconteceu? Um acidente? O fato de Vernon ter tentado me agredir não tornaria isso mais que um acidente, senhor? — Perguntou Harry expressando a confusão do aluno bobo que Dumbledore queria.
— Harry, nesses casos é sempre importante avaliar o todo. Você tinha ameaçado seu tio com magia e quando ele descobriu que era um engodo, ficou muito zangado, tentou castigá-lo e sua magia acidental provocou a sua queda. — Explicou ele em tom de quem fala com alguém pouco inteligente.
— Hum... — Disse Harry pensativamente como se considerasse suas palavras. — Entendo. O senhor está me dizendo que o que aconteceu foi minha culpa, então?
— Não sua culpa, exatamente, mas seu tio também não foi completamente culpado e não teve a intenção de machucá-lo. — Disse ele e sorriu serenamente, parecia crer que o convencera.
— Entendo. E diante disso o senhor espera que eu volte para a casa dos meus tios e finja que nada aconteceu. — Disse Harry levantando as sobrancelhas. — Faz sentido, como o que aconteceu foi, parcialmente, minha culpa, tenho apenas que voltar e ser um bom menino, comportado e obediente, assim Vernon não se zanga mais, assim ele não terá motivos para me castigar e minha magia se manterá calma. — Harry não aguentou e sorriu com sarcasmo. — Olha só, é perfeito. Mas... — Disse ele frisando o, "mas". — Se formos levar em consideração o seu conselho de avaliar o todo, diretor, temos que considerar o motivo que me fez ameaçar meu tio em primeiro lugar. Certo?
— Sim, suponho que sim, mas...
— E, se avaliarmos os meus motivos para ameaçá-lo, voltamos aos anos e anos em que vivi naquela casa sozinho, vulnerável, desprezado, humilhado... — Harry enumerou nos dedos, mas parou e o encarou nos olhos com muita atenção. — Trancado... esfomeado... Forçado a trabalhar por minha estadia no armário e o mínimo de comida, pois não era humano o suficiente para merecer mais, na opinião de Vernon.
Dumbledore suspirou e desviou os olhos parecendo envergonhado ou chateado.
"Esse tratamento não apenas me causou sofrimento, mas me deixou muito doente também e precisava continuar a me alimentar, exercitar e tomar as poções para me curar, obviamente, eu não podia passar o verão trancado e sendo alimentado com migalhas. " — Continuou Harry dando de ombros. "Assim, eu usei o único recurso que tinha para me proteger e minha saúde, ameacei Vernon com magia. Eu não fiz isso por diversão ou por algum jogo perverso, nem mesmo por vingança dos anos anteriores, fiz por defesa e proteção. "
Harry esperou que Dumbledore disse algo, mas o diretor apenas o olhou pensativo. Talvez estivesse percebendo que ele não era o garoto bobo que imaginara.
"Apesar disso o senhor ainda acredita que o que aconteceu foi, parcialmente, minha culpa? " — Harry perguntou mostrando um falso interesse. — "Bem, então avaliemos o resto do todo, Vernon, ao descobrir que eu não podia fazer magia ficou tão furioso e enlouquecido que ameaçou me dar uma surra, me trancar em meu quarto, disse que o que sobrasse de mim depois que ele acabasse poderia ser levado embora e que nunca deveria voltar. Ameaçou queimar minhas coisas, quebrar minha varinha, mas sabe o que foi o pior? O que me deixou com tanta raiva que me fez acreditar que minha magia ia explodir a casa? " — Harry lhe perguntou com voz carregada de raiva. — "Ele disse que ia matar minha coruja, quebrar o pescoço dela. Edwiges nem estava lá, eu a deixo aqui por segurança, temia que Vernon poderia querer machucá-la, mas quando ele disse isso e percebi que estava falando sério e que se ela estivesse lá poderia ser morta tão cruelmente..." — Harry fez uma pausa para engolir a raiva e respirar fundo. — "Ele rir de mim e debochar da minha fraqueza em lutar para me soltar dele, foi apenas a gota de água que transbordou tudo, porque me lembrou que sou magro e fraco por causa dele. "
— Lamento, Harry, que você foi obrigado a...
— Ainda não terminei. — Disse Harry com tanta frieza que pela primeira vez Dumbledore sentiu que o clima da sala não era nada amigável. — Se você ainda tiver dúvida sobre o culpado pelo que aconteceu, podemos avaliar o resto da história como o senhor sugeriu. Sabe, depois que eu caí e bati a cabeça, acordei, o que em caso de concussão é algo muito bom, mas eu estava grogue e confuso, com dor e ainda assim consegui entender o Vernon ordenando que minha tia não me levasse ao hospital, me jogasse em meu quarto e que os anormais cuidariam de mim quando aparecessem, dane-se se eu morresse até lá. — Harry voltou a sorrir com sarcasmo. — Pronto, avaliamos o todo, olha só, essa foi uma boa ideia, diretor. Agora podemos chegar a uma conclusão sobre quem é o mais culpado nesta bagunça.
Dumbledore assentiu mostrando cansaço e suspirou outra vez.
— Você está certo, o que o seu tio fez foi imperdoável e ele é culpado, mas Harry...
— Acredito que o senhor entendeu errado, senhor, eu não acredito que Vernon é o culpado, na minha opinião ele é apenas um troll sem cérebro e gordo. Ele me parece tão culpado como o troll que o Quirrell deixou entrar na escola ano passado, claro, isso não me faz querer viver com um troll, mas nós dois sabemos que eles não podem ser culpados por existirem. — Disse Harry ainda sorrindo com sarcasmo. — O culpado por toda essa bagunça é o senhor, diretor.
— Harry, entendendo que esteja zangado e tem razão para isso, minha atitude negligente lhe deu uma infância terrível e lamento profundamente...
— Pare! — Harry falou mais alto e Dumbledore voltou a olhá-lo surpreso. — Pare de dizer que lamenta quando sabemos que isso não significa nada e nem é realmente verdadeiro.
— Eu estou sendo sincero, lamento profundamente o que lhe aconteceu. — Disse Dumbledore com voz firme que não aceita ser contestada, mas Harry não se importou.
— E o isso importa? O que significa? O senhor lamentar ou não, não muda nada. — Disse Harry com frieza. — O senhor já disse que não se arrepende e é por isso que nunca se desculpou. Quando cometemos um erro e nos arrependemos de verdade pedimos perdão e então a pessoa que magoamos sente a sinceridade do nosso sentimento e nos perdoa. Sabe como eu sei que o senhor não se arrepende? — Harry o questionou, mas ao ver sua surpresa não aguentou e riu. — Merlin, o senhor achou que eu não perceberia, não é?
— Harry...
— O senhor deve me achar muito idiota mesmo, diretor. O senhor disse que lamenta, mas nunca pediu desculpas, nunca mostrou arrependimento sincero. — Harry o olhou tentando conter a mágoa. — O senhor viu as lembranças da minha infância, aqueles foram apenas uns 5 ou 6 dias, diretor, da minha vida naquela casa. Alguns dias de milhares de outros tão difíceis ou piores que aqueles, dias sem esperança, dias de solidão, dias em que depois de horas e horas trancado e com fome, eu desejei ter morrido no acidente de carro com meus pais.
O silencio se estendeu e Harry acenou diante disso.
"O senhor não consegue me pedir perdão porque não se arrepende de me deixar na casa dos meus tios. Diz que lamenta e eu acredito, mas isso não significa nada para mim e peço que pare de dizer isso, pare de dizer que lamenta e pare de dizer que espera que eu te perdoe. O senhor tem idade suficiente para entender e saber que não é assim que se consegue perdão. " — Disse Harry cansado de tanto ouvir "desculpas falsas".
Dumbledore o olhou com mais atenção e mais sério, disse:
— Harry, você está zangado comigo e com razão, como disse, eu não me arrependo porque a proteção era muito importante...
— E bá, blá, blá, blá. — Disse Harry impaciente e mal-educado. — Eu já disse que me lembro de cada palavra sobre a proteção de minha mãe, já superamos isso, sei porque o senhor me deixou na casa da minha tia. Podemos seguir em frente?
Harry o olhou esperando que ele o admoestasse por sua grosseria, mas o diretor apenas suspirou cansadamente.
— Seguir em frente para onde, Harry?
— Não é óbvio? Porque essa proteção é tão necessária para começar? — Harry questionou com firmeza.
— Bem, acredito que depois do que aconteceu em sua luta com Quirrell e Voldemort, essa resposta seria óbvia. — Disse Dumbledore levemente impaciente.
— Sim, sim, claro, como poderia me esquecer, Voldemort não pode me tocar, mas eu tenho uma solução para isso. — Disse Harry com sarcasmo. — O senhor e outros bruxos adultos, os aurores, por exemplo, impedem que ele recupere um corpo ou se e quando Voldemort tiver um corpo, todos vocês se juntam e o matam de vez. Veja, não é necessária nenhuma proteção.
— Sim, mas Voldemort poderá vir atrás de você outra vez e a proteção o impedirá de matá-lo. — Disse Dumbledore seriamente.
— Sim, sim, verdade, tem isso. O Voldemort por alguma razão desconhecida tentou me matar quando eu era um bebê e poderia tentar de novo, claro. — Harry fez uma expressão de falsa preocupação. — E o senhor ainda não me dirá o motivo?
— Não, Harry, entenda que você ainda é muito jovem e quero muito que aproveite sua infância, que se concentre em seus amigos, nos estudos. Esqueça-se disso por enquanto. — Disse ele suavemente.
Harry suspirou e moveu a cabeça de um lado para o outro exasperado.
— Ok, eu me esquecerei disso, assim... Não preciso viver com meus tios, viverei com uma família que me ama, com amigos, isso é exatamente o que eu quero, senhor. — Harry com falsa animação.
— Harry... Não é engraçado. — Dumbledore suspirou o olhando com certa pena.
Harry ficou sério na hora.
— Não, não é e acredite eu não estou rindo. O senhor tem que se decidir, diretor, ou é importante e preciso continuar na casa dos meus tios ou eu devo esquecer e fingir que não sei que o assassino dos meus pais pretende me perseguir, nesse caso não vejo porque devo viver naquela casa.
— É muito importante, você precisa dessa proteção, ela é fundamental de maneiras que não posso explicar ainda, mas no momento certo e quando você estiver pronto, eu lhe explicarei tudo. — Disse Dumbledore em tom de promessa.
— Entendo. E eu devo me sentar tranquilamente e confiar no senhor, confiar que saiba o momento certo e quando chegarei a esse estado que o senhor define, "estar pronto"? — Harry devolveu seu olhar de pena. — Acredita mesmo que depois de tudo o que me fez poderia confiar no senhor?
— Harry...
— Eu sei, eu sei, eu sei. O senhor tinha boa intenção, a proteção era importante, não sabia que meus tios me tratariam daquela maneira, etc. Eu conheço o discurso, senhor, tive uma concussão, mas não me esqueci, acredite. Só que eu não acredito muito em tudo isso, diretor, sabe, toda essa história tem muitos furos e se o senhor quer mesmo minha confiança preciso que confie em mim e responda a algumas perguntas com sinceridade. — Disse Harry e estava sendo verdadeiro, talvez se Dumbledore fosse sincero eles poderiam se entender.
— Que perguntas você quer que eu lhe responda? Eu gostaria que nos entendêssemos e quero que saiba que confio em você, Harry. — Disse Dumbledore e parecia sincero.
— Isso é muito bom de saber, senhor, então, poderia me responder porque eu não posso só fugir? — Harry disse tentando a verdade por outro meio e colocando mais alguns tijolos em seu plano.
— O que? — Dumbledore o olhou confuso.
— Fugir, diretor, sabe, pegar todas as minhas coisas e desaparecer no mundo. Eu tenho muito dinheiro, poderia conseguir um nome novo, uma casa na... Patagônia e, se e quando Voldemort voltasse, o senhor e os aurores poderiam matá-lo, assim não preciso de proteção alguma ou aguentar meus tios. — Harry sorriu sutilmente. — Porque eu não posso fazer isso?
— Pensei que gostasse dos Boots. — Dumbledore parecia cauteloso e preocupado pela primeira vez.
— Oh, eu os adoro e por isso os levaria comigo, tenho certeza que a partir do momento em que a guerra recomeçar, eles partiriam. Quer dizer, na última vez eles foram viver na América para proteger o Terry que nem tinha nascido, imagine agora com Adam e Ayana também. — Harry explicou calmamente. — E se eles não quisessem, o que duvido, poderia ir com Sirius e visitá-los sempre que possível.
— Entendo. — Dumbledore acenou e olhou com atenção. — Você parece ter pensado muito nisso, não pensei que consideraria fugir.
— E porque não? Tem um bruxo psicopata tentando me matar, eu não posso vencê-lo, mesmo que o senhor começasse a me treinar agora como lhe pedi a algumas semanas, não tem como eu me tornar tão poderoso quanto ele e lhe impedir de me matar. — Constatou Harry sensato. — Certo?
— Em teoria sim, Harry, mas a magia é algo especial, vai além do poder e não se esqueça da proteção da sua mãe. — Disse Dumbledore em tom persuasivo.
— Eu não me esqueci, diretor e também não me esqueci que tenho que viver nos meus tios para manter a proteção e é por isso que estou dizendo que se fugisse e me escondesse em um lugar que Voldemort nunca me encontraria, não precisaria de proteção e assim não precisaria viver naquela casa. — Disse Harry claramente. — Entende? Para mim parece uma solução perfeita.
— Eu entendo, mas, Harry, preciso que esteja aqui, na Inglaterra, em Hogwarts. É muito importante. — Disse Dumbledore sombriamente.
— Eu já entendi isso, senhor. — Harry suspirou sentindo a impaciência aumentar. — E também já entendi que preciso de muitas coisas, preciso da proteção, preciso estar em Hogwarts, preciso não ser treinado e sim curtir a minha infância, preciso não saber a verdade. Isso na sua opinião, claro, a questão é que, eu preciso saber porque eu preciso de todas essas outras coisas. O senhor compreende?
— Sim, eu compreendo e apenas lhe peço mais tempo, Harry e que confie em mim. — Disse Dumbledore solenemente.
Harry se afastou na direção da janela e desistiu, sabia que ele não falaria sobre a profecia e já lhe dera oportunidades suficientes. Estava cansado, muito cansado do seu tom condescendente e paternalista, era claro que mesmo depois de tudo o que conversaram, Dumbledore apenas lhe via como queria ver. Ele observou o jardim e o bosque e estruturou seus pensamentos, tinha mais uma dúvida antes de colocar seu plano em ação.
— Muito bem, vamos em frente. — Harry voltou a olhá-lo e percebeu que Dumbledore parecia levemente mais cauteloso. — Eu tenho mais algumas perguntas e espero que possa me esclarecer. Por exemplo, porque, se sou tão importante, se minha segurança é tão fundamental, nunca se preocupou comigo nos últimos 10 anos?
— Eu me preocupei com você, Harry...
— O senhor mesmo confessou que foi negligente e as duas coisas se excluem mutuamente, senhor. — Harry cortou inteligentemente.
— Sim, mas deixei a Sra. Figg vigiando você e seus relatórios não me apresentaram nada que me fizessem temer por sua segurança. — Apontou o diretor objetivamente.
— Sim, mas o senhor sabia que minha mãe e tia Petúnia não se davam bem e não conhecia o marido dela, como poderia ter certeza que eles me tratariam bem? A Sra. Figg não poderia ver o que acontecia dentro de casa, mas o senhor podia ou algum outro amigo dos meus pais. — Harry o olhou com atenção e viu algo brilhar em seus olhos. Ali estava.
— Eu acreditei que quando soubesse da morte da irmã e o recebesse, sua tia se esqueceria de todas as diferenças, acreditei que ela o amaria e quereria bem. — Respondeu ele cansadamente e Harry acenou, fingindo acreditar nisso.
— Ok, se o senhor realmente acreditou que ela superaria seu ódio, inveja e ciúmes da minha mãe apenas porque ela estava morta, porque não bateu na porta e me entregou em seus braços? Porque me deixou em sua porta com apenas uma carta e uma carta ameaçadora ainda por cima? — Harry levantou a cabeça e o encarou seriamente. — Eu li a carta, diretor, o senhor a ameaçou ao dizer que os seguidores de Voldemort poderiam torturá-la, matá-la e ao filho sem minha presença em sua casa, além de dizer que ninguém viria me verificar, ver se eu estava sendo bem cuidado. Você lhe escreveu que manteria os bruxos, mesmo os amigos dos meus pais longe de mim. Porque?
Dumbledore caminhou mais perto e Harry percebeu que ganhava tempo para criar uma mentira ou meia verdade.
— Temi que seus tios não o acolhessem se me apresentasse, como lhe disse minha interação com sua tia não foi positiva e precisava que ela o aceitasse, pois, esse ato acionaria as alas que criei a partir da proteção do sacrifício de Lily. E prometi que ela não teria contato com o mundo mágico pelo mesmo motivo, apresentei na minha carta todas as condições que naquele momento me fizeram crer que ela o aceitaria. — Expos Dumbledore e Harry percebeu a meia verdade.
— Que a obrigariam a me aceitar, o senhor quer dizer. — Harry sorriu ironicamente. — Vamos lá, diretor, sabemos que ela teria me jogado em um orfanato sem as ameaças ao seu filho precioso e sem a promessa de que o mundo mágico ficaria longe da vida deles. Aliás, quando o senhor escreveu isso na carta, lhes deu a segurança para me tratarem como quisessem sem retaliação.
— Nunca imaginei que eles te trariam assim, Harry, quando sua tia o aceitou e as alas foram acionadas, pensei que você estaria bem. — Suas palavras eram sinceras, mas Harry apenas sentiu sua raiva e impaciência aumentar.
— Realmente? O senhor, realmente, acreditou que apenas por me aceitar, ela me amaria e cuidaria bem de mim? — O tom dele deixava claro a incredulidade. — Ok, mas o senhor é o senhor e tal, não precisava manter a promessa, poderia ter me verificado ou permitido que os amigos dos meus pais o fizessem. Porque os amigos dos meus pais não poderiam me visitar, diretor?
— Por sua segurança, Harry, entenda que naquele momento os comensais da morte estavam desesperados e quando estão nestas situações as pessoas fazem coisas terríveis. — Dumbledore o encarou tristemente. — Você sabe do destino dos Longbottoms, se permitisse que todos os alegados amigos dos seus pais lhe visitassem, quanto tempo demoraria para um ser seguido? Para serem sequestrados e torturados, para usarem polissuco para chegarem até você e...
Harry não aguentou mais ouvir a óbvia mentira e bateu a mão na mesa com força, o interrompendo.
— Pare de mentir! — Gritou ele com firmeza. — Olhe para mim! — Harry deu alguns passos mais perto e o encarou nos olhos. — Olhe para mim! Você me olha, mas não me vê, Dumbledore! Quando me deixou na porta daquela casa, não viu um bebê que perdeu tudo... — Harry suspirou trêmulo e fechou os punhos tentado se controlar. — E que precisava de mais do que uma proteção mágica, que precisava de amor e família. E depois você seguiu com sua vida e não pensou mais em mim, apesar se ter se sentido no direito de se tornar meu tutor, anular o testamento dos meus pais, afastar seus amigos. O senhor nunca me viu como um bruxo, um Potter que merecia e devia saber sua origem. E a um ano estou na sua escola e o senhor apenas vê o que quer ver. — Harry o olhou nos olhos com firmeza. — Olhe-me, veja-me e pare de mentir porque eu sei a verdade, estou longe de ser um tolo, ingênuo e crédulo garotinho. Eu não sou seu nascido trouxa Gryffindor, ignorante e confiante. Eu sou um Ravenclaw, eu sou um Potter e estou muito cansado de suas mentiras e meias verdades.
Os dois se encararam com firmeza e, pela primeira vez, Harry viu o reconhecimento em seus olhos e sorriu com sarcasmo.
"Ora! Lá está! — Harry riu divertido. — Merlin, estamos aqui a quase 1 hora, senhor, eu deixei minhas mascaras lá fora pouco antes de entrar. Aqui estou eu, Harry Potter, prazer em conhecê-lo. " — Ele estendeu a mão em cumprimento, mas o diretor não parecia estar se divertindo e não retribuiu.
— Harry, eu não sei porque está agindo assim, entendo que o que aconteceu na sexta-feira foi muito grave, você teve uma concussão, mas não estou mentindo. — Disse Dumbledore suavemente e Harry riu descontroladamente.
— O senhor... Merlin, isso é muito engraçado, o senhor acha que estou assim por causa da pancada na minha cabeça? Sério? — Harry se dobrou rindo muito. — Vamos lá, diretor, o senhor é a pessoa mais inteligente na sala, mas tudo bem, vamos avaliar o todo, gostei disso. Comecemos por sua óbvia mentira, a primeira vez que ouvi essa história de que os amigos dos meus pais não podiam me visitar foi em dezembro. Aqui mesmo nesta sala, a Sra. Serafina me disse que tentou me visitar, mas que o senhor não permitiu porque isso colocaria minha segurança em risco, ela poderia ser seguida por comensais da morte ou pior. Correto?
— Sim, Harry, correto. — Disse Dumbledore o olhando com atenção, seus olhos azuis pareciam cautelosos.
— Bem, mas, e a proteção? — Harry perguntou e arqueou as sobrancelhas. — O senhor disse que a proteção me impede de ser machucado por Voldemort e que as alas na casa dos meus tios impedem que qualquer perigo me alcance, interna ou externamente.
Dumbledore voltou a caminhar e se recostou na mesa, claramente, pensando em uma resposta.
— Naquele momento eu não tinha certeza se as alas funcionariam e não podia me arriscar. — Disse ele simplesmente.
— Claro, faz todo sentido me deixar na porta de uma casa de pessoas que senhor se sentiu compelido a ameaçar para obrigá-los a me recolherem apenas por causa de alas e proteção que o senhor não sabia que iam funcionar. Trouxas ainda por cima, que não poderiam me defender contra comensais da morte. — Harry explicou os fatos e o sarcasmo escorreu em cada palavra. — Ok, vamos fingir que acredito nessa bobagem e eu lhe pergunto. Porque isso não mudou depois?
— Como assim? — Perguntou ele e era óbvio que estava ganhando tempo.
— Vamos lá, diretor, o senhor entendeu minha pergunta muito bem. — Harry o olhou de lado com curiosidade. — O senhor ainda está me subestimando, mas tudo bem, já estou acostumado. Porque depois que teve certeza que as alas funcionavam não permitiu a visita de amigos dos meus pais? O senhor mesmo disse, "naquele momento", mas o tempo passou, os comensais foram presos ou se enfiaram em suas vidas privilegiadas escapando de seus crimes. Assim, o perigo diminuiu, as alas funcionavam, porque, então, nunca pude receber visitas do mundo mágico e, por favor, nem mencione essa promessa a minha tia ou começarei a duvidar de suas boas intenções. — Harry falou com frieza.
Dumbledore o observou com ainda mais cautela e curiosidade, parecia estar olhando para um objeto estranho e tentando decifrá-lo.
— Porque quer saber disso? Porque isso é importante? — Dumbledore perguntou suavemente e Harry riu divertido.
— Hum... Interessante, o senhor mudou de estratégia. Agora ao em vez de meias verdade ou completas mentiras para me aplacar decidiu responder com perguntas. — Harry o olhou com olhos brilhando e viu um leve divertimento em seus olhos azuis. — Sim, diretor, isso é important senhor quem quer conquistar minha confiança, assim, para de enrolar e responda a verdade ou simplesmente diga que não vai responder, como fez antes. Seguimos a partir daí.
— Muito bem. Eu não o queria em contato com o mundo mágico porque não queria que soubesse tão jovem o que aconteceu, não o queria em contato com sua fama, seu status de herói e muito menos que desejasse deixar a casa dos seus tios para viver no mundo mágico. Nesta casa, por exemplo. — Disse Dumbledore sincero.
Harry analisou essa nova informação silenciosamente e por alguns ângulos diferentes.
— Ok, faz sentido. — Ele disse o olhando e viu seu alívio sutil na postura, ao redor dos olhos e sorriu ironicamente. — Mas não é toda a verdade. O senhor é um bruxo muito inteligente e poderia ter pensado em muitas soluções para isso. Eu tenho 12 anos e posso pensar em várias, a Sra. Serafina poderia ter me visitado uma ou duas vezes por mês e contado sobre minha origem, dito ser minha madrinha sem mencionar minha fama ou Voldemort. E eu não precisava visitar a casa dela ou de qualquer outro bruxo, não precisava ter contato com o mundo mágico diretamente.
Dumbledore o encarou em silencio, sua expressão muito séria e seus olhos sem mais o brilho habitual.
— Você já sabe a resposta a isso, não é? — Seu tom era quase triste.
— Eu sei sim, senhor. — Disse Harry sorrindo com certa arrogância.
— Então porque tantas perguntas e voltas se você já sabia?
— Porque quis lhe dar a chance de dizer a verdade, não é por isso que estamos aqui, Dumbledore? Para que conquiste minha confiança, para que me convença a aceitar o que o senhor acredita ser o melhor para mim e assim concordar em continuar a viver na casa dos meus tios? — Harry apontou inteligentemente. — Foi por isso que pediu para falar a sós comigo, não é mesmo?
— Sim, Harry. — Dumbledore parecia cansado outra vez.
— Eu sei porque nunca permitiu nenhuma visita dos amigos dos meus pais. — Harry se aproximou e o olhou com muita atenção. — O senhor sempre soube como era minha vida lá no número 4 e não podia permitir que alguém como a Sra. Serafina descobrisse e tentasse me tirar das importantes alas. Não estou certo?
— Sim e não. Eu não sabia todos os detalhes ou que era tão ruim, mas quando te deixei na porta daquela casa, eu sabia que nunca seria feliz ou amado lá. Sabia que sua vida seria difícil, mas acreditei que o sacrifício valeria a pena diante da importância da proteção de Lily. — Disse ele e pela primeira vez Harry o viu dizer a verdade e riu amargamente.
— Nossa! Quantas palavras bonitas e ainda termina com o nome da minha mãe. — Harry ficou sério e o encarou com frieza. — Não volte a dizer seu nome na minha frente ou fale sobre a proteção que ela me presenteou com sua vida. O que o senhor entende por sacrifício? O que sacrificou nos últimos 10 anos? A mim? Como ousou se sentir no direito de sacrificar minha felicidade, minha saúde, minha esperança e ainda tem a coragem de vir aqui e me dizer que não preciso saber os motivos, seus motivos, os motivos de Voldemort!
Harry gritou com intensidade e se afastou tentando controlar a raiva e amargura, não podia se descontrolar, estava quase lá, apenas mais alguns tijolos e tudo estaria onde precisava para o seu plano. Fechou os olhos e respirou fundo, se concentrando no amor de sua mãe por ele, o arrepio que o percorreu o lembrou de sua força e intensidade.
— Tem mais uma coisa que gostaria de saber e isso eu não sei, de verdade, acredite quando digo que pensei e pensei, mas nada faz muito sentido e gostaria que me esclarecesse, por favor. — Disse Harry educado e frio, voltou a encará-lo.
— O que é? — Disse Dumbledore com expressão abatida.
— Eu entendo porque nunca me visitou ou permitiu a visita dos amigos dos meus pais, mas porque não se preocupou em me ensinar sobre a minha origem? O senhor poderia ter me visitado pessoalmente um ano, seis meses antes de minha carta chegar e me contado a verdade, não apenas que sou um bruxo, mas todo o resto. — Harry se aproximou o encarando tentando perceber qualquer mentira. — Porque eu não poderia saber minha origem e história familiar? Porque o senhor não dispôs de algumas horas do seu tempo para vir me contar a verdade e me preparar para voltar ao mundo mágico como um bruxo, como um Potter?
Suas perguntas foram duras e rápidas.
— Eu já lhe disse, não queria que soubesse do seu status de herói ou fama. — Disse Dumbledore cansadamente.
— Mas eu saberia em poucos meses, porque não me contar antes, me preparar? Porque me deixar descobrir pelo Hagrid e chegar a Hogwarts sem saber nada sobre minha família? E, mais importante, sobre ser um Potter? — Harry perguntou com intensidade.
Isso era algo que não compreendia, se Dumbledore queria tanto ser importante e idolatrado por ele, porque não se aproximar uns meses antes e o "resgatar", lhe dizer toda a verdade e lhe preparar para assumir o seu lugar no mundo mágico, não com essa história estupida de herói, mas como um Potter.
— Bem, a verdade é que não pensei nisso e me pareceu que o melhor era não lhe informar sobre a história de sua família ou sua herança. Por isso pedi que o Sr. Corner não entrasse em contato com você, queria que não se preocupasse com todas essas questões e sim com ser um aluno em Hogwarts, ter uma infância, ter amigos. — Disse Dumbledore sincero.
Harry suspirou, ele era bom, se não soubesse a verdade, acreditaria.
— Por favor, pensei que já tínhamos superado isso. Se isso fosse verdade o senhor não teria preparado aquela armadilha para mim lá na escola. — Harry sorriu com frieza. — O que? — Ele perguntou quando Dumbledore o olhou surpreso. — Acreditou que eu não perceberia? Diretor, deixe-me esclarecer algo, talvez o senhor ainda não saiba, mas eu sou um Ravenclaw, não um tolo Gryffindor ou um esforçado Hufflepuff e muito menos um indiferente Slytherin. O chapéu me colocou em minha casa por que acreditava que lá era o melhor lugar para crescer e ser o melhor bruxo que eu posso ser. Assim, se o senhor tem essa ideia de que eu pedi para ser classificado na Ravenclaw por causa de Terry, está errado. Se tem a ideia de que o chapéu me classificou por pena ou se lá o que, está errado. E, se acredita que minhas notas dos exames são porque meus amigos me carregaram nas costas, está errado! Será que estou sendo suficientemente claro agora?
— Sim, Harry, está e sinto muito se subestimei sua inteligência e que você sentiu a necessidade de usar máscaras na minha frente. Isso é inteiramente minha responsabilidade. — Disse Dumbledore parecendo castigado.
— Mascaras são uteis, e o senhor, que deve dormir com as suas entende isso muito bem. — Harry respondeu rapidamente. — Olha, se formos falar sobre esse ano que passou ficaremos aqui indefinidamente, apenas entenda que sei muito bem que aquelas armadilhas absurdamente fáceis não tinham a intenção de prender um ladrão e muito menos Voldemort. O senhor queria apenas que eu passasse facilmente por elas e chegasse até ele, queria o meu encontro e luta com Voldemort. Ok, entendi e uma próxima vez faça algumas armadilhas decentes, assim posso ao menos fingir que passei pelo inferno com mais facilidade. — Harry suspirou cansado e sem mais vontade de jogos de palavras e sarcasmos. — Poderia responder minha pergunta?
— Harry, espero que entenda que não foi minha intenção o que aconteceu entre você e Quirrell, sei dos seus pesadelos e tudo o que eu queria era lhe dar a chance de conhecer Voldemort. — Dumbledore disse com cautela e Harry o olhou com as sobrancelhas arqueadas.
— Sério? Tem tantas contradições nesta afirmação que nem me dignarei a responder. — Harry estava ficando cansado e temia perder a concentração antes do mais importante, a verdade é que se estendera demais, fora um tolo ao fazer tantas perguntas de uma vez.
— Muito bem. Você já deve ter ouvido falar sobre seu pai, James? — Perguntou Dumbledore e Harry acenou cauteloso. O que seu pai tinha a ver com isso? — Bem, James chegou a Hogwarts um jovem muito mimado e egoísta, sua arrogância e bullying eram notórios. Eu queria que você, Harry fosse completamente diferente do seu pai e temia que se crescesse sabendo sobre seu status e fama, sendo adorado e adulado por todo o mundo mágico, poderia ser igual a ele. Temia que se fosse ensinado sobre a importância da família Potter no mundo mágico e sua grande riqueza, seria tão arrogante como ele ou outras crianças puros-sangues. Espero que entenda que minha intenção era que você fosse um jovem melhor do que James foi.
Harry o encarou e percebeu que ele realmente acreditava no que estava dizendo e não parecia perceber nada de errado em suas atitudes. Se afastando mais uma vez, ele lhe deu as costas e olhou pela janela tentando pensar em palavras para responder tal ofensa terrível e cheia de julgamentos.
— Sabe, diretor, eu ouvi muitas coisas sobre meus pais, inclusive, sobre seus defeitos. Mamãe era teimosa e temperamental, papai arrogante e brincalhão. Eu... — Harry parou sentindo uma grande dor percorrê-lo. — Eu os perdi muito cedo para me lembrar deles e essa é uma dor que sempre carregarei comigo, nunca passará... Também ouvi sobre as qualidades do meu pai e sobre seu amadurecimento, ele se tornou um grande homem e sou muito orgulhoso dele e de ser seu filho.
— Não disse que...
— Por favor, nem pense em se defender! Ou se justificar! — Harry gritou e o encarou furioso. — O senhor fala essas mentiras, meias verdades ou suas verdades absurdas e ofensivas com um tom tão calmo e sábio. Imagino se o faz porque todo o mundo mágico é idiota demais para ver a verdade ou porque o senhor acredita em si mesmo. — Harry se encaminhou na sua direção. — Meu pai era um grande homem e espero um dia ser tão grande como ele foi! Seus defeitos, meus defeitos ou de qualquer outra pessoa aos 11 anos de idade não devem servir como base para julgamentos e muito menos para decidir sobre a minha vida, meus direitos. Sabe quem eu era a 1 ano atrás? Ninguém. Apenas o sobrinho que mora de favor, o fardo, o anormal, ingrato e preguiçoso. Filhos de bêbados e vagabundos que morreram em um acidente de carro porque não me queriam mais, porque eu era um estorvo e preferiram morrer a ficar comigo.
— Lamento...
— Mentiras! Mentiras! E mais mentiras! — Harry gritou sentindo a raiva aumentar. — O senhor não lamenta nada, o senhor me queria exatamente assim, um órfão, um ninguém, um nada, sem história, sem amor, sem esperança. O senhor me queria fraco, passivo, maleável para me controlar e me conduzir onde acredita que devo chegar ou seja lá quais sejam seus planos futuros para mim. — Harry enxugou uma lágrima tola que escorreu pelo seu rosto. — Não faz ideia do que saber sobre a história da minha família me faz sentir, não é arrogância, é segurança, orgulho e foi isso o que viu em meu pai, mas pessoas como o senhor e Snape não podem entender isso ou sentem inveja e ciúme. Não me importa o que seja, mas de todas as coisas que me fez, me negar os meus pais... — Harry sufocou com a voz embargada. — Os meus avós, mantê-los como estranhos ou desconhecidos para mim por 10 anos é imperdoável. E não me importa que o senhor durma a noite tranquilo porque acredita em suas boas intenções o que fez comigo foi errado. E o que fez a Família Potter é ofensivo e desonroso. E a magia reconhece isso.
Suas palavras finais foram cheias de intenção e a magia estalou reconhecendo seu direito a cobrar pela ofensa e desonra a seu nome e magia. A magia se moveu dele e agressivamente se moveu para Dumbledore o tocando e os ligando por uma dívida mágica.
— Harry... — Dumbledore o olhou magoado e triste.
— Não vim aqui com essa intenção, mas espero que compreenda, deste momento em diante, que não está lidando com um garoto tolo. O senhor está diante de um Potter, do herdeiro da magia, do sangue e espirito, além das riquezas da Família Potter e não aceitarei mais ser desrespeitado. Nunca mais. — Harry disse com segurança e orgulho, que para alguns poderia ser considerado arrogância.
Dumbledore apenas acenou parecendo completamente desconcertado.
— Você pretende cobrar a dívida?
— Não, no momento. — Respondeu Harry, o faria apenas se seu plano não desse certo.
— Muito bem. Entendo depois dessa difícil conversa que não pretende voltar para a casa dos seus tios. — Perguntou o diretor parecendo derrotado.
— Me ajudaria saber porque a proteção é tão importante, mas já que por esse caminho o senhor não quer avançar, apenas me resta lhe dizer uma coisa. — Harry controlou a ansiedade do momento mais importante, agora, tinha que dar certo. — O que o senhor está disposto a fazer para que eu volte a viver na casa da minha tia?
Dumbledore o olhou levemente confuso e com cautela, estava aprendendo a não o subestimar, mas agora era tarde demais.
— Fazer? Como assim?
— O que me daria? Se eu assinasse um contrato mágico aqui e agora prometendo viver com minha tia até minha maioridade, o que o senhor me concederia? — Perguntou Harry se esforçando para ser frio e calmo.
— Chantagem, Harry? — Dumbledore perguntou parecendo muito decepcionado e Harry riu.
— Depois de tudo o que conversamos e da maneira como me sacrificou por causa dessa proteção? Acredito ser justo que eu tenha alguns benefícios também, o senhor não concorda? — Perguntou Harry com sarcasmo e insistiu. — Ou será que ela não é tão importante? O que o senhor me concederia, Dumbledore?
— Quase qualquer coisa, Harry. Eu não mataria ninguém ou lhe entregaria minha varinha, mas, como sei a importância dessa proteção, acredito que só me reste lhe pedir que me dê o seu preço. — Dumbledore o olhava decepcionado e triste.
Mas Harry não sentiu um pingo de culpa, talvez sentisse se não tivessem conversado sobre todas essas verdades, mas agora ao descobrir as atitudes "bem-intencionadas" do diretor, ele não ficaria com remorso por causa de uma chantagem. Principalmente porque o seu blefe tinha apenas a intenção de retomar o controle do que era seu.
— Quero que o senhor desista de ser meu tutor, imediatamente. — Disse Harry com determinação. — O senhor abrirá mão de minha tutela em favor de meu padrinho, Sirius Black e do controle total sobre minha herança ou quaisquer questões legais envolvendo meu nome.
Dumbledore o encarou parecendo chocado e Harry se esforçou para não mostrar seu triunfo e prazer em enganá-lo até esse ponto. Faltava pouco, muito pouco e estaria livre dele.
— Harry, espero que você saiba que minha intenção sempre foi proteger sua herança, ...
— Eu não me importo com suas intenções. Você entrou com um pedido para anular o testamento dos meus pais e se tornar meu tutor quando nem se preocupou em conseguir um julgamento para o meu padrinho e guardião. Vamos fingir que uma coisa não está conectada a outra ou com tudo o que acabamos de discutir sobre suas boas intenções e seguir em frente. — Harry pegou uma pasta e lhe entregou. — Aqui, o juiz concordou com dar seguimento ao processo de cancelamento da anulação do testamento dos meus pais. Assim, como pode ver é uma questão de tempo até que isso esteja resolvido. Com os Boots com a minha guarda, o testamento sendo legitimo, o próximo passo é provar que você não é um bom tutor e nós dois sabemos que isso não seria muito difícil de provar.
— Talvez, mas você poderia perder o processo, tanto esse do testamento como o da anulação da tutela. — Disse Dumbledore ainda cauteloso.
— Sim e é por isso que não quero me arriscar, estou disposto a me sacrificar e voltar a viver com minha tia se o senhor assinar agora tudo o que for necessário para deixar de ser meu tutor legal. E espero que não interfira no processo para validar o testamento dos meus pais, claro, suas últimas vontades são importantes para mim. — Expressou Harry seriamente, era importante que ele acreditasse que voltar a viver com sua tia era um verdadeiro sacrifício.
— Ok, entendi porque você quer isso, depois de tudo o que conversamos é natural que não me queira como seu tutor. — Disse Dumbledore tristemente e Harry o deixou pensar que sua chantagem fora decidida nas últimas horas de conversa. — O que acontece se eu não concordar com sua chantagem?
— Bem, a proteção se perderá e não me sentirei culpado, porque eu não sei o porquê de sua importância e, como já definimos, a culpa pelo que aconteceu na sexta-feira não foi minha. — Disse Harry o olhando com cautela, não podia mostrar ansiedade, mas também não podia ficar indiferente demais.
— E você lutará contra mim nos tribunais?
— Com certeza, não aceitarei que aja em meu nome, controle minha herança e provarei da maneira que for necessário que o senhor nunca foi um bom tutor. — Disse Harry e decidiu blefar apenas um pouco mais. — Irei até aos jornais se necessário, contarei sobre a minha infância, não gostaria de ter minha vida exposta, mas, como disse, farei o que for necessário.
Dumbledore acenou pensativo e levemente magoado, mas parecia acreditar.
— Como saberei se cumprirá sua palavra? Que não deixará a casa de seus tios na primeira crise e, mais importante, como convencerá os Boots?
— É uma pergunta justa, mas já a respondi, assinarei um contrato mágico onde me comprometo a viver com minha tia até minha maioridade e quanto aos Boots, bem, conversarei com eles e espero que entendam. Sra. Serafina e Sr. Falc costumam me respeitar e ouvir, são grandes pais e cuidadores. — Disse levemente mordaz.
Dumbledore ficou em silencio e voltou a olhar pela janela na direção do jardim bonito e pensou. Harry sufocou a ansiedade e tentou se manter sereno, mas era quase impossível, todo o seu plano conduziu para esse momento e para a resposta do diretor. Se ele recusasse, seu blefe seria descoberto, pois Harry não deixaria sua tia ou jogaria no lixo a proteção de sua mãe, principalmente, se ela o ajudaria a cumprir a profecia e matar Voldemort.
Finalmente, Dumbledore se virou e o encarou muito sério, na verdade parecia bem longe do gentil e amável diretor.
— Eu tenho algumas preocupações.
— Quais? — Harry perguntou tentando muito se mostrar seguro, mas seu estômago se apertou. Será que ele descobriu o engodo?
— Primeiro, como seu tutor uma das minhas obrigações eram lhe ensinar e, como discutimos a algumas semanas, posso lhe ensinar muitas coisas. Gostaria de manter isso para o futuro, em algum momento lhe convocarei para alas particulares e você aceitará. — Disse ele e Harry acenou pensativo tentando analisar por todos os ângulos e encontrar uma armadilha.
— Terei alguma escolha sobre o conteúdo? Ou se você decidir me ensinar a jogar boliche, serei obrigado a aceitar? — Harry não resistiu ao sarcasmo e Dumbledore o olhou levemente divertido.
— Ainda que seria muito interessante jogarmos boliche, não é o que eu pretendo lhe ensinar e sim, você pode ter uma escolha e opiniões sobre o conteúdo da aula. — Disse ele e Harry acenou concordando. — Bem, quero que neste contrato você se comprometa a nunca fugir da Inglaterra ou abandonar Hogwarts.
Harry sentiu uma leve irritação percorrê-lo, o velho esperto, estava perdendo o controle sobre sua herança, mas tentando prendê-lo e controlá-lo a qualquer custo.
— Me comprometo a não fugir do Reino Unido, mas poderei viajar para qualquer lugar que quiser no mundo de férias e sobre Hogwarts, o senhor sabe que isso é um absurdo, se amanhã o senhor não for mais o diretor e Voldemort tomar o poder, não poderia voltar para a escola. — Disse ele objetivamente.
— Se Voldemort tomar minha escola será porque estarei morto e nosso contrato não terá mais validade, mas compreendo sua preocupação, podemos colocar um adendo que em caso de Hogwarts ser um ambiente perigoso ou hostil, até mesmo em caso de expulsão a determinação está anulada. — Dumbledore ofereceu razoavelmente e Harry acenou, sabia que teria que ceder em algumas coisas, mas valeria a pena no fim. — Gostaria que considerasse passar o controle da sua herança para os Boots e não Sirius Black.
Harry se empertigou na hora e o encarou com frieza
— E porque faria isso?
— Sirius te ama e se preocupa com você, Harry, mas é muito jovem e passou os últimos 10 anos na prisão, não me parece ser muito inteligente permitir que alguém instável controle todo o seu dinheiro. — Disse ele sensato.
— Sabe, para alguém que quer conquistar minha confiança o senhor faz um péssimo trabalho. Em uma única conversa o senhor desrespeita minha mãe, ofende meu pai, desonra a minha Família e agora ousa criticar meu padrinho. — Harry o olhou perplexo.
— Sei da minha responsabilidade sobre o que aconteceu com Sirius, mas isso não muda a verdade, ele não é a melhor escolha para ser seu tutor e me sentiria mais tranquilo se entregasse o controle de sua herança para os Boots. — Dumbledore disse com firmeza e tom de comando, era óbvio que esperava ser obedecido.
— Não. — Harry disse simplesmente e ignorou sua surpresa e contrariedade. — Meu padrinho está se recuperando muito bem, fazendo terapia, se exercitando e aceitou bem o fato de que não posso viver com ele, mas percebi o quanto isso o entristeceu. Sirius, ao contrário do senhor, quer fazer parte da minha vida, efetivamente, cuidar de mim e quero lhe dar a chance de fazer isso mesmo que indiretamente. Poder cuidar da herança dos meus pais o fará se sentir útil e que está cumprindo seu papel de padrinho e o ajudará a ficar ainda melhor e mais rapidamente. Assim, ao seu pedido, eu lhe respondo não. — Sua frieza e firmeza pareceram impressionar o diretor que o olhou com certo respeito.
— Muito bem. Não concordo, mas aplaudo sua intenção, fico feliz que se importe com as pessoas e queira ajudá-las, Harry. Sempre foi esse tipo de jovem que quis que se tornasse, infelizmente, o mundo mágico está cheio de puros-sangues egoístas e indiferentes. — O tom professoral voltou com tudo e Harry teve que sufocar a vontade de se gabar.
Hoje não era o momento de esfregar na cara do narigudo bunda magra tudo o que ele fizera embaixo do seu narigão sem ele ao menos suspeitar.
— Mais alguma coisa? — Harry perguntou impaciente.
— Não, acredito que é apenas isso, podemos nos encontrar para assinar os papeis em algum dia desta semana e...
— Isso não será necessário, meu advogado está bem aqui e acredito que podemos resolver tudo agora mesmo. Com licença. — — Disse Harry e se apressou para fora do escritório.
— Agora? — Dumbledore se surpreendeu, mas Harry mal o ouviu.
Encontrando a família na cozinha lanchando, Harry percebeu que a Sra. Serafina tentava disfarçar a tensão, mas, como sempre, não muito bem. Sr. Falc estava mais sereno e conversava com Sirius baixinho. Todos os três e mais as crianças, Terry e Anne o encararam.
— Harry! — Praticamente todos falaram juntos e se não fosse a própria ansiedade, ele teria rido.
— Chegou o momento, Sra. Serafina, Sr. Falc, poderiam vir a biblioteca, por favor? Tenho algumas coisas importantes para contar. Sirius, o Sr. Falc o chamará em alguns momentos, tente não mostrar muita familiaridade. Ok? — Todos acenaram e os pequenos o olharam confusos, normalmente não o viam tão sério e intenso.
De volta ao escritório, Harry entrou com seus guardiões que o olhavam confusos e tensos.
— O que está acontecendo? — Perguntou Serafina.
— Bem, o diretor e eu conversamos, esclarecemos algumas coisas e ficou decidido que continuarei a viver com minha tia...
E o mundo desabou, Harry apenas assistiu à reação verdadeira e natural dos seus dois guardiões que protestaram veementemente. Contendo a vontade de rir, ele assistiu Dumbledore tentar se explicar e suspirar diante das acusações. No fim, eles disseram com segurança:
— Não aceitaremos isso! Eu não sei como o convenceu, mas lutaremos contra isso, o Juiz Wood jamais concordará que ele continue a viver com aquelas pessoas. — Falc disse duramente.
— Harry, querido, o que ele te disse? Se te ameaçou ou enfeitiçou, você pode nos contar, vamos protegê-lo e nunca permitiremos que volte aquela casa. — Disse Serafina o abraçando e afastando de Dumbledore.
— Deixem-me explicar, por favor. O diretor não me ameaçou ou enfeitiçou, essa foi minha decisão, nós chegamos a um acordo que me pareceu justo. — Disse Harry muito sincero.
— Acordo? Que tipo de acordo?
— Isso não importa. — Serafina falou furiosa. — Que tipo de professor é o senhor que faz um acordo com uma criança que a obriga a voltar a viver com um abusador, um homem agressivo e violento. Eu não aceitarei isso!
— Sra. Serafina, o que aconteceu na sexta-feira foi apenas uma explosão, sabe, acredito que não se repetirá novamente. Conversei com minha tia e ela prometeu que conversará com Vernon, vai ameaçar até de deixá-lo se ele não se comportar. — Disse Harry calmamente.
— Harry... — Sr. Falc o olhava completamente confuso. — Eu não entendo.
— E, eu tenho vocês dois e Sirius para me protegerem e ameaçarem ele também, acredito que isso o manterá sob controle. — Harry os olhou e ao perceber que pretendiam protestar mais, pois estavam inconformados, continuou. — O diretor Dumbledore aceitou a minha proposta, enquanto conversávamos e esclarecíamos alguns pontos chegamos a um acordo. Ele transferirá a minha tutela legal ao meu padrinho e todo o controle da minha herança também, aceitará sem protestos o processo de validação do testamento dos meus pais e eu viverei com minha tia até minha maioridade no sistema de compartilhamento de guarda das últimas semanas.
Harry observou a expressão de assombro dos dois, mas o brilho de triunfo nos olhos de Falc era reconhecível e ele se afastou para a janela, para pensar e se controlar. Serafina o olhou tristemente, pois percebeu que esse era seu plano e não poderia protegê-lo como queria.
— Harry, por favor, repense isso. Falc disse que entraremos com um processo e temos chances de ganhar...
— E temos chances de perder. — Harry disse e suspirou. — Sinto muito decepcioná-la, Sra. Serafina, mas a senhora sabe o quanto isso é importante para mim, quero que as coisas sejam da maneira de deveriam ou poderiam ter sido se o diretor não tivesse interferido com suas boas intenções. A senhora e o Sr. Falc como meus cuidares, Sirius como tutor e cuidador, além de padrinho e se tenho que conviver com meus tios por alguns momentos até minha maioridade, que assim seja. Estou disposto a esse sacrifício e ainda mantenho a proteção que parece ser importante, apesar do diretor não acreditar que eu mereça saber exatamente porquê de sua importância. — Disse Harry e ao fim olhou com frieza para Dumbledore.
—Eu já te expliquei, Harry, você ainda é muito jovem, quando for mais velho e estiver pronto, lhe contarei tudo. — Dumbledore em tom solene.
— Espero que não nos inclua nesta avaliação, diretor. — Falc se virou da janela. — Nem minha esposa ou eu, somos crianças e acredito que merecemos saber, como guardiões do Harry, porque essa proteção é tão importante. E porque Harry foi obrigado a enfrentar Voldemort e Quirrell sozinho para proteger um objeto tão poderoso com a Pedra Filosofal? Porque um professor foi morto e outro gravemente ferido e nenhum dos pais foram informados? Porque o senhor acredita ser aceitável que um ex-comensal da morte seja professor, um péssimo professor, de crianças. — Falc enumerou suas perguntas com frieza e caminhou até ficar em frente a Dumbledore. — O senhor tem muitas explicações a dar, diretor.
— Falc... eu compreendo que vocês estão desapontados e preocupados, mas espero que aceitem que minha maior preocupação é proteger nosso mundo, minha escola, Harry. Admito que cometi erros e por isso não confiam em mim, no entanto, a realidade é que Voldemort está vivo e um dia recuperará seu corpo e quando esse momento chegar precisamos estar unidos. A proteção de Lily...
— Não fale o nome dela. — Harry se empertigou com extrema frieza. — E cancele o discurso conciliatório e cheios de palavras bonitas e sabedoria que não dizem nada, acredito que depois de tudo o que conversamos o senhor já deveria saber que ninguém aqui é tolo e crédulo como o resto do mundo mágico. A única coisa que me interessa agora é o nosso acordo, Sr. Falc, poderia fazer os contratos mágicos necessários, por favor?
— Agora? — Serafina perguntou chocada.
— Contratos? — Falc o olhou confuso.
— Sim, eu assinarei um também em que prometo viver com minha tia até a maioridade e o diretor passará a tutela para Sirius. Quero que tudo seja feito legalmente e sim, Sra. Serafina, agora. — Harry disse com determinação.
Os dois o olharam e percebendo que ele não mudaria de ideia, acenaram, Sr. Falc suspirou chateado.
— Ok, providenciarei tudo imediatamente, mas espero que possa esclarecer minhas perguntas em outro momento e com respostas que dizem algo, diretor. Não aceitarei mais ser enrolado. — Falc disse e foi para sua mesa. — Precisaremos de Sirius aqui, você poderia flu ele para mim, querida?
— Eu... sim. — Serafina saiu parecendo que ia chorar e Harry a olhou tristemente, não queria magoá-la.
— Ela entenderá, Harry e você também, um dia lhe explicarei tudo e todos entenderão que apesar dos meus erros e tolices, minha intenção era protegê-lo. — Disse Dumbledore suavemente.
— Eu acredito nisso, mas espero que, o senhor, entenda que os seus erros e tolices, como os chama, não me permite lhe dar minha amizade ou confiança. — Harry disse o encarando.
— Isso muito me entristece, Harry, verdadeiramente, e espero que um dia possa fazê-lo mudar seus sentimentos. — Dumbledore parecia sinceramente triste e chateado.
— Incrivelmente, isso também me entristece. — Harry disse e suspirando olhou para os livros sem vontade de encará-lo. — Quando crescia, trancado por horas em meu armário, costumava fantasiar que algum familiar apareceria, um tio, um avô, qualquer um que me salvaria dos Dursleys. Quando olho para o senhor imagino como teria sido incrível crescer com suas visitas, o senhor seria como uma espécie de professor/avô, me protegeria dos meus parentes, eu teria um quarto, não passaria fome. O senhor me contaria sobre meus pais aos poucos, sobre a história dos Potters, o mundo mágico. Me ensinaria sobre magia, sobre ser um bruxo, talvez me levasse para alguns passeios no parque, na praia ou jogar boliche. — Harry pigarreou quando as imagens de um garotinho sorridente fazendo todas essas coisas com Dumbledore envolveu sua mente e o emocionou. — Mas..., bem, tolice minha acreditar que minha felicidade é mais importante que seus planos bem-intencionados. De qualquer forma, tem algo que o senhor pode fazer que poderia me levar a perdoá-lo e, talvez, confiar no senhor.
— O que, Harry? — Dumbledore sussurrou de olhos baixos, seu rosto empalidecera com a imagens apresentadas por Harry.
— Arrependa-se. — Harry disse com frieza e se afastou até o Sr. Falc.
Sirius entrou logo depois e sua atuação foi perfeita, mostrou carinho para com Harry, pouca familiaridade com os Boots, ainda que eles foram amáveis uns com os outros. Depois de ser informado dos fatos ficou escandalizado e contrário, argumentou, mas por fim concordou prometendo solenemente honrar a confiança de seu afilhado. Sr. Falc escreveu os contratos mágicos legalmente com todos os adendos, mas explicou que no caso da transferência de tutela, ela precisaria ser registrada no Ministério formalmente. Como tinham tempo, Harry insistiu que isso fosse feito ainda naquela tarde e se esforçou para não comemorar e pular feito um louco quando Dumbledore e Sirius assinaram os papéis necessários.
Dumbledore falou brevemente com Sirius o aconselhando sobre sua herança e prometeu enviar todos os documentos em seu poder no dia seguinte.
— Não se preocupe, diretor, contratei o Falc para me ajudar com os negócios da minha família e tenho certeza que terei seu apoio com a herança do meu afilhado, também. — Disse Sirius agindo tranquilo e despreocupado.
— Com certeza. — Disse Falc distraidamente. — Bem, acredito que tenho tudo o que preciso, aqui está sua cópia do seu contrato com Harry, diretor Dumbledore.
— Muito obrigado. Bem, me despeço de todos vocês. Harry, acredito que com nosso acordo o Juiz Wood e as assistentes sociais não saberão sobre o que aconteceu? — Perguntou Dumbledore suavemente.
— Acredito que é o melhor, seria muito difícil explicar o nosso acordo, assim não se preocupe, quando as assistentes sociais me visitarem lhes direi que tudo está bem. — Disse Harry pensativo.
— Ok. E sobre seu tio? Você quer que eu o visite? — Dumbledore caminhava para fora da biblioteca e não viu o breve brilho de pânico nos olhos verdes.
— Eu não acredito que seja necessário, senhor, entre minha tia, padrinho e o Sr. e Sra. Boot, tenho certeza que Vernon entenderá como deve agir pelos próximos anos. Ele é um pouco mais inteligente que um troll, o que claro, não é nenhum elogio. — Disse Harry com sarcasmo.
— Muito bem. Por favor, não hesite em me chamar para qualquer eventualidade, apesar de não ser mais seu tutor me preocupo com você. — Disse ele educadamente e Harry segurou a vontade de lhe responder a tal afirmação incoerente, sabia que era apenas uma questão de etiqueta.
— Claro. — Disse Harry nem um pouco sincero e o observou usar o flu para Hogwarts.
Ele esperou por alguns segundos enquanto observava o Sr. Falc fechar o flu e depois se virou com um sorriso tão grande e os olhos brilhando com tanta animação que parecia iluminar toda a sala.
— Consegui! Enganei o narigudo bunda magra! — Harry gritou e saltou com os punhos no ar comemorando a vitória, mas imediatamente a sala rodou e tudo foi escurecendo aos poucos e ele desmaiou de pura exaustão.
