Capítulo 43
Harry voltou a si quase imediatamente depois do desmaio, estava na sala de estar, meio deitado no sofá meio no colo de Sirius. Cercado por ele, Sra. Serafina e Sr. Falc que o encaravam com preocupação.
— O que...? — Perguntou confuso.
— Você desmaiou, Harry, não devia ter pulado e se agitado assim, isso sem contar as mais de 2 horas de conversa com o diretor. — Disse Sirius. — Eu o peguei antes de cair no chão.
— O que está sentindo, querido? Seria melhor chamar a Madame Pomfrey? — Sra. Serafina estava muito ansiosa.
— Não, estou bem, apenas muito cansado e emocionado por meu plano funcionar. — Harry suspirou voltando a sorrir e olhou para o Sr. Falc. — Estamos livres dele, Sr. Falc, o diretor não nos controla mais.
— Sim, Harry, seu plano foi brilhante. — Respondeu ele sorrindo.
— Confesso que eu seria capaz de dormir até amanhã de tão cansado, mas estou faminto e tem tanto o que fazer ainda. — Disse Harry se levantando e se recusando a ceder ao cansaço.
— Harry, seja o que for que precise fazer pode esperar até amanhã, você precisa repousar, Madame Pomfrey só o liberou totalmente a partir de quarta-feira. — Serafina lhe disse muito séria. — Você teve uma concussão a poucos dias e acabou de desmaiar...
— Apenas por alguns segundos, Sra. Serafina e porque dei um pulo e fiquei tonto, além disso, estou muito cansado pela tensão da conversa e manter minha oclumência. — Harry se espreguiçou. — Isso sem falar que o almoço parece ter sido a séculos atrás. — Exagerou divertidamente.
— Ok, nos diga o que você precisa fazer enquanto come e ajudaremos para que possa ir descansar o mais rápido possível. — Disse Serafina e Sirius acenou.
— Bem, vocês o ajudem, eu estou indo ao Ministério registrar esses documentos. Você tem uma razão para que isso não possa esperar até amanhã? — Falc perguntou curioso.
— Sim, Dumbledore é muito inteligente e cedo ou tarde perceberá que foi enganado, assim a pressa se justifica porque não quero correr o risco de que, se essa percepção ocorrer durante esta noite, amanhã ele nos impeça de concluir o acordo. — Disse Harry seriamente.
Sr. Falc acenou e usou o flu para ir cumprir sua missão. Enquanto isso, Harry foi servido na cozinha pela Sra. Serafina alguns sanduíches e um grande copo de leite. Sirius se sentou ao seu lado e logo Terry entrou o encarando ansioso.
— Deu certo, Harry? O plano funcionou?
— Perfeitamente. — Harry não conseguiu conter o sorriso triunfante.
Isso fez Terry saltar e comemorar com entusiasmo, felizmente, ele não desmaiou. Sirius e Harry riram divertidos, Sra. Serafina os olhou exasperada e moveu a cabeça negativamente.
— Sua ideia foi brilhante, Harry, mas todos vocês estão esquecendo que essa "vitória" significa que você tem que voltar a viver naquela casa? Com aquele homem?
Harry engoliu o sanduíche e suspirou olhando-a com carinho, sua preocupação com ele era algo muito precioso, assim como seu respeito em seguir seu plano apesar de ser contrária.
— Obrigado, Sra. Serafina, de verdade, por respeitar meu desejo apesar de discordar. E agradeço imensamente por sua preocupação e cuidados. — Harry pigarreou emocionado. — Tenho uma boa notícia para vocês, o que torna o meu blefe ainda mais prazeroso. Em minha conversa com tia Petúnia ontem, bem, nós nos entendemos...
— O que? — Terry perguntou surpreso.
— Eu sei, também me surpreendi, quer dizer, em algum momento teríamos que ter uma conversa franca e direta, mas ela tomou a iniciativa, pediu desculpas e disse que me quer vivendo com ela e Dudley. — Disse Harry e deu uma grande dentada em seu sanduíche, observando suas expressões surpresas e se perguntando se entenderiam o significado de suas palavras.
— Ela pediu desculpas? — Sirius estava chocado.
— E quer que viva com ela e... — Sra. Serafina arregalou os olhos e soltou um palavrão, depois tapou a boca com as mãos parecendo chocada e corou de vergonha.
Os três não aguentaram e explodiram em risadas, Serafina os acompanhou mais levemente, ainda constrangida.
— Harry, se eu entendi, sua tia quer que você viva com ela e o filho. Isso quer dizer, sem Vernon? — Serafina perguntou quando eles se controlaram.
— Sem Vernon. — Disse Harry sorridente. — Ela disse que decidiu se separar e quando o visitou na delegacia o avisou sobre isso. Na verdade, suas malas e as do Dudley estavam no carro e ela não pretendia voltar para o número 4, mas eu a convenci a ficar lá por uns 2 dias até meu plano ser finalizado. — Harry explicou e suas expressões de espanto ou incredulidade o fizeram rir. — Eu juro que é verdade e é por isso que não posso descansar, prometi a minha tia que a avisaria assim que ela pudesse se mudar em definitivo e não sei se Vernon pode sair sob fiança, mas prefiro não arriscar que ele a encontre sozinha e possa machucá-la.
— Isso é surpreendente. — Disse Serafina e todos concordaram.
— Sim, mas eu tinha esperança que um dia ela percebesse que Vernon não a merece, o bom é que, além de recuperar minha herança e enganar o diretor, não preciso lidar com o troll bigodudo. — Disse Harry e em pensamento agradeceu ao Dobby. — Agora precisamos ir e instalar minha tia e primo em nossa nova casa, ficarei com eles a noite como combinado e prometo repousar, amanhã voltarei para minhas aulas.
— E em que casa você pretende instalá-los? — Sirius perguntou curioso.
— Ora, onde mais? Na casa Evans, é claro.
Depois que Harry terminou de lanchar, Sra. Serafina e Sirius o acompanhou para Surrey e, ao bater na porta do número 4, poucos segundos passaram antes de sua tia abrir a porta.
— Harry! — Exclamou ela surpresa.
— Oi, tia Petúnia. — Harry sorriu e entrou quando ela se afastou, mas ele parou na entrada sem interesse de ir adiante. — Consegui finalizar meu plano, tia e por isso viemos buscá-los.
Petúnia pareceu surpresa e constrangida pela presença dos dois bruxos adultos, assim focou seu olhar no sobrinho.
— Verdade? Não o esperava até amanhã ou na quarta-feira, mas não reclamarei, infelizmente, ainda não encontrei um lugar, assim teremos que ficar em um hotel por alguns dias. — Disse ela suavemente, sua expressão ainda estava abatida e ansiosa.
— Não se preocupe, tia, tenho tudo organizado. A senhora pode apenas carregar o carro com as malas de novo e, se quiser levar algo da casa, meu padrinho e a Sra. Serafina podem ajudar. — Disse Harry animadamente.
— Eu não tirei as malas do carro, são pesadas e me pareceu ilógico, apenas peguei algumas coisas por uns dias. — Informou ela e depois hesitante olhou para Serafina e Sirius. — Eu agradeço a ajuda e, se puderem pegar os brinquedos e o computador do Dudley e do Harry seria incrível. O resto posso ir pegando aos poucos ou depois de resolvido o acordo de divórcio.
— Claro, Petúnia, será um prazer ajudar. — Serafina sorriu suavemente e sincera.
— A senhora entrou em contato com um advogado, tia? — Harry perguntou curioso.
— Sim, ele disse que diante do que aconteceu, deixar a casa não causa nenhum malefício a uma oportunidade de um acordo justo com Vernon. E já dei entrada ao pedido de divórcio. — Disse Petúnia parecendo aliviada. — Para onde vamos? É uma casa mágica?
— Não, tia, é uma casa trouxa e será uma surpresa, então, não direi onde fica, mas acredito que a senhora gostará. E Dudley?
— Se escondendo em seu quarto da Marge, que pode voltar a qualquer momento...
— A cadela está aqui? — Harry perguntou meio em pânico e com vontade de se esconder também.
— O que? — Serafina perguntou chocada.
— Que cadela? — Sirius olhou em volta sem entender.
— É a irmã de Vernon e ela é pior que ele, acredite. — Disse Harry com expressão sombria.
— Sim, a cadela está aqui, mas foi ao distrito visitar o Vernon, parece que a audiência de fiança foi marcada para quarta-feira de manhã. — Petúnia mordeu os lábios ansiosa e continuou. — É melhor partimos antes que volte, Harry, ela está enfurecida, principalmente com você, pois Vernon ligou e lhe deu sua versão dos fatos.
— Como se ela precisasse disso para me odiar. — Disse Harry amargo. — O melhor é nos apressarmos, então, não quero outra discussão hoje, uma já foi bem desgastante.
— Ela é tão ruim assim? — Sirius perguntou surpreso.
— Como ela pode ser pior que aquele homem horrível... — Serafina se interrompeu e encarou sua tia. — Desculpe, sei que ele ainda é seu marido.
— Tudo bem. Depois do que ele fez ao Harry na sexta-feira, eu também consigo enxergar isso e o que meu sobrinho disse é verdade, Marge é ainda mais maldosa que Vernon. — Disse Petúnia envergonhada.
— Sim, sua frase favorita enquanto eu crescia era dizer que, por ela, Vernon teria me afogado assim que fui deixado na porta, pois filhotes podres não mereciam viver. — Disse Harry com um gosto amargo na boca.
Sirius e Serafina exclamaram com raiva e indignação. Em seguida, eles terminaram de arrumar as coisas, tia Petúnia aproveitou para pegar alguns objetos a mais e fotos, Duda carregou quase o quarto inteiro ao ser explicado que os objetos seriam encolhidos e o carro magicamente aumentado. Harry deu uma última volta no seu ex-quarto, agora sem magias e com seu computador já empacotado no carro. E eles partiram. Duda muito silencioso, tia Petúnia aliviada e Harry esperançoso.
Serafina dirigiu, porque Harry insistiu que sua tia não deveria saber o endereço até chegarem lá e, quando chegaram a Londres e mais perto do bairro Somers Town, pediu que ela fechasse os olhos. Uma hora depois de iniciado a viagem eles estacionaram na rua St. Cranleigh e eles ajudaram Petúnia a sair do carro de olhos fechados para a surpresa, ainda que todos estivessem meio confusos ou constrangidos sobre todo o drama que Harry estava criando. A casa era um sobrado estreito de tijolos marrons amarelados, janelas brancas e telhado vitoriano. Tinha três andares, era muito bonito e bem conservado. Sua localização quando comprado a 15 anos era boa, mas agora valia 20x mais porque o bairro se desenvolveu e estava muito perto de duas grandes estações, a Euston Station e a King's Cross, além de a algumas quadras do The Regent's Park.
— Ok, tia Petúnia, pode abrir os olhos. — Disse Harry excitadamente.
Petúnia o fez e encarou a casa bem conhecida com a placa sobre a porta com os dizeres, "Evans House" e engasgou assombrada.
— Surpresa! — Disse Harry sorridente, mas para seu espanto sua tia começou a chorar copiosamente. — Eu... tia... o que!?
— Não se preocupe, Harry, às vezes, as pessoas choram de felicidade e emoção. — Disse Serafina suavemente. — Deixe-a se acalmar um pouco.
Isso aconteceu alguns minutos depois com Harry e Duda, desajeitadamente, batendo em suas costas, até que ela apenas estivesse fungando e suspirando.
— Oh, meu... Como? Harry, como é possível? — Perguntou com voz trêmula e ele sorriu.
— É uma longa história, mas em resumo, minha mãe era muito inteligente e confiou na pessoa certa. Agora porque não entramos e olhamos por dentro? Eu a visitei uma vez, brevemente, mas não pude ver a casa toda. — Disse Harry.
E assim eles fizeram e com a ajuda mágica conseguiram descarregar o carro rapidamente. A casa tinha piso de madeira claro e carpete azul claro em alguns cômodos. A cozinha ficava no porão e era bem ampla com uma grande mesa, armários azuis claros paredes brancas e janelas pequenas para o jardim dos fundos que traziam luz o suficiente para tornar o ambiente iluminado. O térreo tinha uma grande sala de estar, uma de jantar formal, um banheiro e um escritório com decoração masculina e cheio de livros. O primeiro andar tinha uma suíte, 3 quartos simples e um banheiro, um dos quartos fora transformado em uma saleta de leitura e costura com decoração bem feminina. O segundo andar era na verdade um sótão convertido em quarto de hóspede com banheiro e tudo.
Harry decidiu se apossar desse espaço, era bem iluminado, amplo e alto, o fazia se lembrar de seu quarto na torre Ravenclaw. Sua tia ficou com a suíte que foram de seus pais e Duda com o antigo quarto da mãe. O quarto de Lily ficou sem ser aberto em um acordo silencioso entre todos que esse ambiente não seria alterado, por enquanto. Petúnia ficou impressionada sobre como a casa estava limpa e conservada, apesar da decoração antiga. E na verdade essa decoração antiga foi o que mais os emocionou, sua tia mostrou almofadas e mantas costurados pela mãe ou quadros e objetos comprados por seu pai que adorava ir a lojas e bazares, as vezes até leilões, em busca de objetos antigos. Mas as fotos eram as mais impactantes, tendo a casa sido mantida exatamente como era quando seus avós estavam vivos, ninguém as removeram e sua avó as tinham espalhadas por toda a casa. Haviam fotos de seus avós com as filhas em diferentes idades, sua mãe, um bebê ou menininha ruiva e sorridente, sua tia abraçando a irmãzinha com olhos protetores, andar pela casa era como mergulhar nos anos de vida felizes dos Evans e Harry não disfarçou as lágrimas.
— Harry, amanhã irei com o meu sogro, Falc e Sirius para transferir as alas para essa casa, acredito que todos nós juntos podemos cuidar disso sem envolver Dumbledore. Você tem certeza que é isso que quer? — Serafina perguntou suavemente pouco antes de partirem.
— Sim, senhora, tenho. A senhora vem me buscar amanhã? Tenho aula de culinária com a Sra. Madaki e ela cortará meu cabelo como antes. — Disse Harry os acompanhando até a porta.
— Eu virei, depois trago Anne para conhecer o endereço, teremos que criar um ponto de aparatação na varando da frente. — Respondeu ela e o abraçou fortemente. — Descanse, o dia já foi muito difícil para você.
— Prometo. — Disse ele e abraçou Sirius fortemente também.
— Qualquer coisa envie Edwiges e estaremos aqui. — Disse o padrinho e Harry sorriu animado por poder ter sua coruja com ele.
Nos primeiros momentos quando os três ficaram sozinhos o clima foi meio entranho e constrangedor, a verdade é que foram muitos anos de uma relação hostil e fria, nenhum deles sabia muito bem o que fazer agora que isso mudou. Petúnia sugeriu que dessem uma pequena volta pelo bairro e encontrassem um Tesco para poderem comprar o jantar e café da manhã, no dia seguinte ela iria as compras de tudo o que precisavam em um hipermercado. O bairro era residencial, com casas, prédios de apartamentos, pequenos parques infantis e havia alguns prédios de escritórios, restaurantes e lojinhas espalhados, mas não era um bairro turístico ou com movimentos noturnos como boates e teatros.
Enquanto procuravam o Tesco passaram por um restaurante chinês que exalava um cheiro divino e decidiram levar para viagem. Harry nunca provou a comida chinesa, mas enquanto comia se descobriu um eterno apaixonado. Sua tia falou um pouco do que precisavam comprar, comida, artigos de limpeza e higiene, toalhas e lençóis.
— Bem, a decoração em si precisaria dar uma modernizada, mas... adoro ver como era quando papai e mamãe eram vivos. — Disse ela olhando em volta da cozinha com olhar saudoso.
— A senhora cresceu aqui, mamãe? — Perguntou Duda.
— Não, querido, eu... Nunca contei a vocês sobre meu pai, não é mesmo? — Disse ela parecendo triste e culpada.
— Conte agora. — Pediu Harry e recebeu um sorriso.
— Bem, papai, ou Brian Evans era de Liverpool, filho único e quando terminou a faculdade veio para Londres atrás de oportunidades de emprego. Ele trabalhava como contador em uma grande empresa e vivíamos em Cokeworth, era uma região bem pobre, mas o salário do papai não dava para vivermos em um lugar assim. — Disse ela usando as mãos para acenar pela casa. — Ainda que vivíamos muito melhores do que outras famílias, haviam bairros miseráveis e tristes por lá, mamãe sempre nos dizia para sermos gratas pelo que tínhamos.
Um silencio estranho se mostrou, pois esse era um lema nunca seguido pelos tios e Harry pode ver uma leve confusão na expressão do primo.
— Tia? — Ele perguntou quando o silencio se estendeu e sua tia parecia estar perdida em seus pensamentos.
— Oh... me desculpem, apenas pensei em minha mãe, nesta cozinha, ela amava cozinhar... — Seus olhos pareciam emocionados e tristes. — Quando Lily recebeu sua carta para Hogwarts tudo ficou mais difícil, os custos, a mensalidade e mais o material eram caríssimos e papai começou a pensar em maneiras de termos uma condição melhor. Mamãe começou a vender doces e bolos, fez um grande sucesso e eu a ajudava sempre que voltava da escola. Papai era muito inteligente e decidiu abrir seu próprio escritório de contabilidade, lembro dele dizendo a mamãe que estava cansado de trabalhar horas e horas por uma miséria, assim, ele pediu demissão e abriu um pequeno escritório. — Disse ela com um sorriso orgulhoso.
— Deu certo? — Duda perguntou curioso.
— Sim, nossa e como deu. Papai, ele... Tinha esses mesmo olhos verdes que você e sua mãe, Harry, também tinha carisma, não havia quem não gostasse dele ou duvidasse da sua honestidade. Isso, somado a sua competência tornou seu pequeno escritório em um de porte médio para a época, ele chegou a ter 7 funcionários e tinha muito orgulho disso. — Petúnia sorriu ainda mais e começou a arrumar as caixas de comidas vazias para jogar. — Então, quando eu tinha 14 anos e sua mãe estava terminando o seu 2º ano na escola, papai chegou e disse que poderíamos nos mudar para um lugar melhor e maior. Mamãe queria que fosse perto de King Cross, pois seria mais fácil levar e buscar Lily para pegar o trem para a escola e assim terminamos nesta casa.
— Imagino que o tamanho da cozinha foi o que fez a vovó se decidir por ela. — Disse Harry divertido e depois bocejou, o cansaço voltou com força total.
Sua tia insistiu em arrumar sua cama com lençóis limpos, apesar do Harry dizer que sabia fazer isso, afinal, cuidara disso a vida toda. E assim que se deitou, ele não teve tempo de estranhar a cama nova, pois estava dormindo.
No dia seguinte, Harry saiu bem cedo para explorar e procurar um parque para correr, a alguns quarteirões estava o The Regent's Park e ele apenas caminhou pelo ambiente enorme e bonito, cheio de árvores e flores. No dia seguinte estava autorizado a correr e agora sabia que era ali que faria seus exercícios da manhã, quem sabe convenceria o Duda a acompanhá-lo. Quando chegou em casa encontrou sua tia na cozinha tomando um chá e foi preparar o café da manhã.
— Pensei que ainda estivesse dormindo? Você já pode se exercitar? — Perguntou ela preocupada.
— Não, apenas a partir de amanhã, mas queria pelo menos andar um pouco, tomar um ar e encontrar um parque para correr. — Informou ele enquanto batia os ovos comprados ontem no Tesco.
— O The Regent's Park será perfeito para isso. Como será seu dia hoje? — Ela perguntou suavemente e Harry parou o que fazia e a olhou, estranhamente, pois nunca lhe perguntara sobre suas atividades antes.
— Bem, tenho aulas trouxas de manhã com o Prof. Bunmi e depois do almoço aulas de culinária com a Sra. Madaki. — Informou lentamente.
— Esses são os pais da Serafina, certo? — Perguntou ela parecendo realmente interessada. — Eu os conheci, brevemente durante o fim de semana.
Harry acenou e explicou sobre os dois, o trabalho do Prof. Bunmi e o talento da Sra. Madaki que lhe fez o bolo de aniversário mais delicioso e como ela lhe cortaria os cabelos hoje.
— Espere, foi ela quem cortou da outra vez? Como foi que ficou daquele jeito sem crescer nessa bagunça de novo? — Petúnia parecia apenas muito espantada e não contrariada.
— Bem, ela não cortou muito, apenas deu forma e tirou minha franja da testa. Eu gostei e assim minha magia não o fez crescer de novo. — Explicou Harry, se sentando com seu prato gigantesco.
Sua tia o olhou pensativamente e depois acenou.
— Isso faz sentido, como... Não entendo como não pensei nisso antes?
— Bem, acredito que sua intenção nunca foi me agradar e minha magia se rebelou contra a senhora. — Harry a olhou com um sorriso divertido.
Petúnia o olhou surpreso e depois riu lembrando-se de outras ocasiões em que pequenas coisas aconteceram que exemplificava essa rebeldia. Harry a encarou surpreso, pois esse era um riso verdadeiro e iluminou seu rosto, seus olhos brilharam e ela pareceu mais jovem, ele nunca a viu assim.
— O que? — Ela perguntou quando o pegou a olhando intensamente.
— Nada. — Harry terminou de comer e subiu para se arrumar e pegar suas coisas.
Sra. Serafina chegou e o levou direto para o casarão dos Madakis em Oxford, Terry e Hermione já estavam lhe esperando. O resto do dia foi de muito trabalho, ainda que cozinhar era mais um prazer, ele e a Sra. Madaki assaram uma torta de maçã, brownies, rolls de canela, cupcakes, tortinhas de abóbora, cheesecake e cookies com chips de chocolate. Harry queria aprender a fazer o bolo de aniversário também, mas isso teria que ficar para outro dia, pois levaria muito mais tempo. No fim do dia, ele ainda conseguiu o corte de cabelo estiloso de antes e foi buscado por Sirius. Eles passaram meia hora com a motocicleta antes de voltarem para a Evans House que já estava com as pedras rúnicas instaladas e as alas erguidas.
— Serafina disse que esse trabalho de transferência das pedras alas, encerrá-las lá e reerguê-las aqui a ajudou a entendê-las melhor e ela espera que isso a ajude a descobrir exatamente como a proteção funciona. — Disse ele quando se despediram na porta.
— Isso é bom. Como essa é uma proteção tão poderosa não tem porque não explorarmos o que mais é possível fazer com ela. — Disse ele suavemente.
Dentro da casa sua tia fizera compras e algumas mudanças, além de uma limpeza mais ao seu gosto. O cheiro de desinfetante na cozinha lhe deu péssimas recordações e Harry fez uma careta. O jantar estava adiantado e ele ajudou muito pouco, apesar de ter trazido sobremesas diversas em quantidades absurdas. Durante o jantar, Harry decidiu apontar algo que talvez poderia ajudar a tia.
— Tia? A senhora pretende trabalhar enquanto Dudley e eu estamos na escola? — Perguntou ele suavemente.
— Trabalhar? — Ela parou de comer e o olhou meio chocada.
— Bem, apenas estava pensando, sabe, assim a senhora não fica em casa o dia todo sozinha... A senhora fez faculdade, certo? — Ele tentou não mostrar muito interesse.
— Sim..., quer dizer, eu estava na faculdade de administração, pensei em ser contadora como meu pai... Nossa, foi a tanto tempo, mas, então, conheci o Vernon que já estava no último ano do mesmo curso e ele não acreditava que eu tivesse jeito para isso, quando nos casamos, logo depois de sua formatura, ele insistiu que eu abandonasse a faculdade. — Sua tia parecia pensativa e triste.
— Hum... entendo, mas sempre foi a senhora quem administrou as contas da casa e fazia isso muito bem. — Disse Harry sincero.
— Bem, mas... isso é diferente de trabalhar em uma grande empresa. — Petúnia corou um pouco.
— Era isso que a senhora queria? Trabalhar em uma grande empresa? — Perguntou Harry e olhou para o primo que comia os rolls de canela com gemidos quase obscenos.
— Oh, não, não, sempre pensei em trabalhar com meu pai em seu escritório, talvez pudesse ter sido meu depois que ele se aposentasse. Ele ficou muito decepcionado quando desisti e discutimos, mas Vernon não acreditava que eu pudesse comandar o escritório por mim mesma um dia. Depois o Duda nasceu e adorei ficar em casa e cuidar dele. — Disse ela olhando com amor para o menino com as bochechas estufadas de colocar um roll inteiro na boca de uma vez.
— Pois é, mas agora o Duda cresceu e a senhora deveria pensar em, talvez, voltar a estudar e trabalhar, não concordo com o Vernon, acredito que a senhora leva o maior jeito. — Disse Harry e corou com seu olhar espantado ao elogio. — A senhora teve notícias dele?
— Não, mas liguei para o meu advogado e o informei da nossa mudança, lhe dei nosso novo endereço, ah, por falar nisso, precisamos chamar um técnico para colocar uma linha telefônica e instalar seus computadores. — Disse ela e Harry lhe deu o número da loja onde ele comprou seu computador.
— Ele vende de tudo por lá, pode vir e fazer tudo o que precisamos. — Disse Harry e como estava cansado chamou o primo para lavar a louça enquanto ele secava e guardava. — Duda? Você tem pensado sobre a escola?
Seu primo não fez bico por ter que lavar a louça, mas se manteve silencioso.
— Não, mas não quero ir para um colégio interno e deixar minha mãe sozinha. — Disse ele defensivamente e Harry só acenou.
— Bem, se estará livre o bom é que poderá ir ao Centro Esportivo mais vezes, estamos bem mais pertos vivendo aqui. — Apontou ele e seu primo acenou parecendo animado com a ideia, mas depois seu rosto escureceu com algum pensamento e voltou a ficar sério.
— Você está preocupado com alguma coisa? — Harry perguntou suavemente.
— Hum... apenas, bem, não sei se quero continuar a fazer boxe... — Disse ele e parecia triste.
— Porque não? Pensei que gostasse?
— Sim, mas... — Ele apenas deu de ombros tentando agir indiferente. — Não quero ser como meu pai...
Harry acenou um pouco chocado de ouvir seu primo dizer algo tão, bem, profundo.
— Porque não conversa com o King ou seu treinador sobre isso? Meu O-Sensei Koolang e o Sr. King, sempre me dizem que a luta é um esporte e para autodefesa, não para machucar as pessoas. Koolang até diz que mesmo no ataque temos que ser misericordiosos. — Disse Harry tentando se lembrar do que seus professores ensinaram.
— E o significa ser assim em uma luta? — Dudley parou confuso.
— Significa derrotar seu inimigo rapidamente, sem arrogância e maldade. — Disse Harry e seu primo ficou pensativo.
— Conversarei com eles. Você virá no sábado?
— Creio que sim. Hum... eu vou correr de manhã no parque, você não gostaria de vir comigo? Isso o ajudará a perder peso. — Ofereceu Harry e Duda deu de ombros, nem que sim, nem que não.
Mas para o Harry isso foi o suficiente para tirar seu primo da cama as 6 horas e o levar para correr no parque. Como Harry não podia exagerar, correu no ritmo lento e uma distância menor para acompanhá-lo, mas ainda assim se sentiu muito bem, Duda ao contrário parecia que ia ter um colapso e em determinado momento parou e olhou para o primo.
— Vamos lá, nada de moleza, mais um pouco, até o fim do caminho e voltamos. — Gritou Harry, incentivando o primo.
— Você... disse que... faz isso... com seus amigos? Com esse... sorriso? — Perguntou Duda ofegante.
— Sim! Sempre treinamos e eu dito o ritmo, isso os incentiva. — Disse Harry correndo sem sair do lugar e todo sorridente.
— Como eles não... Te mataram, ainda? — Perguntou Duda voltando a correr no seu ritmo lento.
— Ora, não é óbvio? Eles não podem me alcançar! — Gritou Harry rindo e disparou tão rápido que em segundos estava a mais de 100 metros do primo.
Naquela manhã, os gêmeos vieram pelo flu pouco depois que o Harry chegou ao Chalé e eles foram para a biblioteca onde o Sr. Falc os esperava, Hermione e Terry estavam lá também.
— Bom dia. — Falc disse olhando para os 5 garotos ansiosos. — Não costumo ter clientes tão jovens, Terry me explicou o que pretendem fazer e porque precisam de um contrato mágico, Hermione, Fred e George, têm certeza que não querem seus pais presentes ou ao menos levar o contrato para eles lerem antes de assinar?
— Não, senhor, nós nos aconselhamos com nosso pai e não queremos envolver minha mãe até que questões legais sejam necessárias. — Respondeu Fred e seu irmão acenou.
— Eu contei aos meus pais e eles me apoiam. — Disse Hermione seriamente.
— Muito bem. O que precisamos é esclarecer que são duas coisas diferentes o trabalho de pesquisa, invenção e obter uma patente, de se abrir uma empresa para comercializar essa invenção. Abrir uma empresa teria todas as questões legais envolvidas e custos, sem um produto não vejo a necessidade disso no momento. — Explicou Falc. — Isso quer dizer que assinaremos hoje a divisão da patente, como dividirão os Royalties pela invenção de vocês. Certo?
— Sim, mas como saberemos como dividir a empresa depois? — Perguntou Terry.
— De acordo com, qual será a divisão dos investimentos de vocês para a abertura e estruturação da empresa que inclui fabricação do produto, comercialização, divulgação, contratação de funcionários. — Sr. Falc explicou. — Vamos supor que o Harry invista 60% e cada um de vocês coloquem 10% cada um, assim vocês ganhariam essa porcentagem pelas vendas e a porcentagem definida dos Royalties. Entenderam?
— E, se não tivermos nada para investir na empresa, não seremos sócios dela, ganharemos apenas nossa parte dos Royalties? — Perguntou Fred.
— Exato. Todos entenderam? — O garotos acenaram positivamente. — Têm mais alguma dúvida?
— Nós temos, senhor. — Disse George ansiosamente. — Nós, nos aconselhamos com nosso pai sem entrar em muitos detalhes e ele mencionou nossas outras invenções.
— Quer dizer, meu irmão e eu queremos inventar produtos de brincadeira e ter uma loja de piadas um dia. Queremos saber se esse contrato inclui todas as nossas invenções? — Fred também parecia preocupado.
— Não, apenas as invenções financiadas por Harry e que você trabalharem juntos. Suas invenções, pesquisadas e criadas por vocês dois e com seu dinheiro não está incluído no contrato. — Disse Falc seriamente.
— Mas, e.… bem, e se os livros que o Harry nos forneceu para ler ou os aparelhos e como eles funcionam nos derem ideias para invenções de algum produto de piada? — George perguntou.
— Essa é uma boa pergunta. — Falc disse e suspirando continuou. — Não tem nada legal que diz que seus cérebros e conhecimentos têm que serem divididos para sempre. Assim, legalmente vocês estão protegidos, mas moralmente alguns poderiam pensar que, indiretamente, Harry os financiou e nesse caso são suas consciências quem devem responder a isso.
Os gêmeos pareceram confusos e olharam para o amigo em busca de uma ideia do que fazer.
— Pessoal, tudo que tem a ver com a MagiTec, qualquer coisa mágica com tecnologia ou inspirado na tecnologia trouxa e que nos permitem avançar na área de comunicação, telecomunicação e que será pesquisado por nós, entra no contrato. — Harry disse firmemente. — Qualquer coisa que vocês inventarem por si mesmo com seus conhecimentos, inteligências e criatividade para a área que não incluir as que mencionei é de vocês. Não vou tentar tirar de vocês, jamais, seus cérebros ou sonhos. Entendido?
Os gêmeos concordaram muito seriamente o que era estranho em seus rostos normalmente sorridentes. Hermione e Terry fizeram mais algumas perguntas, eles concordaram com uma divisão de 15% para cada um dos 4 e 40% para o Harry que além de pesquisador seria o financiador. E, então, assinaram, todos ansiosos, animados e depois foram tomar uma cerveja amanteigada para comemorar enquanto o Sr. Falc ia para o trabalho. Harry notou os gêmeos muitos tensos mesmo depois da assinatura e os levou para o jardim para conversarem.
— Vocês estão mais tensos e sérios hoje. Estão tendo dúvidas sobre o contrato? — Ele perguntou e os dois arregalaram os olhos negando com a cabeça. — Tem a ver com seu pai? Ele está pegando no pé?
— Não, papai não é assim, ele é legal. — Disse George suavemente e olhando para o irmão que acenou prosseguiu. — Na segunda-feira, nós estávamos tentando pensar em coisas sobre o contrato e percebemos que não entendíamos nada sobre isso, aí decidimos perguntar ao pai.
— Ele foi muito legal e mostramos os livros e aparelhos, nossa ele ficou fascinado e empolgado, fez cópias de todos os livros para poder ler e nos fez prometer lhe dar os aparelhos quando não os usarmos mais. — Contou Fred sorrindo.
— Ele nos ajudou a pensar sobre a questão das nossas invenções e a criar umas magias em nosso quarto para a mãe não descobrir. Papai é assim, sempre nos apoia. — Disse George carinhoso.
— Ele parece bem legal e seria bom conhecê-lo, mas se não é isso, o que os está preocupando? — Harry tomou um gole de sua cerveja.
— Bem, é que... Você leu o jornal de ontem? O Profeta Diário?
— Não. Praticamente só fiquei no mundo trouxa ontem e ainda não ouvi nada sobre alguma grande manchete. — Disse ele confuso.
— Bem, a grande manchete é que Dumbledore não é mais representante do Reino Unido na ICW. — Disse Fred dando de ombros.
— O que? — Harry se levantou bruscamente.
— Pois é, na segunda-feira de manhã houve uma reunião e parece que ele foi convidado a renunciar ao cargo de Chefe Supremo e afastado da função de representante, outro bruxo ou bruxa terá que ser escolhido. — Disse George.
— Foi a punição que recebeu por sua participação no que aconteceu com o Sirius, mas não é esse o nosso problema. A ICW também puniu o Ministério da Magia, eles foram multados por crimes contra os Direitos Humanos e são obrigados a pagar indenizações as famílias dos lobisomens assassinados pelos aurores. — Informou Fred.
— E já tinham pago uma indenização ao seu padrinho. Isso quer dizer que o Ministério está quebrado e pessoas estão sendo demitidas, salários cortados e nada de horas extras mais, para qualquer função, com exceção dos aurores, claro. — George contou chateado.
— Oh... — Harry arregalou os olhos chocado, não pensara nas consequências que todas essas descobertas poderiam trazer.
— Sim, o salário do papai já tinha sido reduzido, mas ontem ele recebeu a notícia de que, ou parava as horas extras ou demitia o único funcionário do seu departamento, Perkins e, claro, ele parou com as horas. — Fred disse, orgulhoso do pai.
— Isso quer dizer que ficamos ainda mais apertados e com todos nós em Hogwarts, bem, Ginny já ia comprar livros usados e suas vestes seriam vestes antigas nossas reformadas, mas agora, infelizmente, eles não têm como pagar a mensalidade dela da escola e por isso nossa irmã não poderá ir para Hogwarts. — Disse George tristemente.
— Nossos pais contaram a ela ontem e foi horrível, Ginny implorou e chorou, estava inconsolável e papai estava arrasado, acho que até ele chorou um pouco. Mamãe ficou mais firme e disse que o primeiro ano é mais teoria e ela mesma pode ensinar a Ginny e, se economizarmos bastante, talvez, no ano que vem ela possa começar no 2º ano. — Fred parecia sempre mais frio que o irmão gêmeo, mas mesmo agora dava para ver que isso o atingira.
Harry se lembrou da garota na estação em dezembro e a mesma menina ruiva correndo atrás do trem rindo e chorando se despedindo dos irmãos, com certeza ansiosa para ir com eles para Hogwarts.
— Ginny sempre falou como queria ir, sabe, ela acompanhou todos nós partindo e no último ano ficou sozinha apenas esperando chegar o dia dela e agora... — George se sentou abatido.
— Eu... nem sei o que dizer. — Harry os observou e pensou na menina ruiva sentindo seu coração se apertar. — Vocês não poderiam dar ou empresar o dinheiro que eu os paguei ano passado? Não ajudaria seus pais um pouco?
— Nós pensamos nisso, Harry e teríamos dado tudo na hora, somando temos 127 galeões, mas não podemos explicar todo esse dinheiro sem quebrar a promessa que te fizemos e, se não explicarmos, mamãe pensará que fizemos algo ilegal ou muito errado. — Fred disse sombrio, tentando disfarçar a mágoa.
— Ora, isso não é mais um problema, vocês podem contar aos seus pais a verdade. — Disse Harry tentando tranquilizá-los.
— Verdade!? — Os dois exclamaram juntos e Harry sorriu acenando.
— Vocês podem contar toda a verdade, não preciso que seja mais um segredo, claro que se sua mãe escrever para a McGonagall teremos detenções, mas... — Harry parou e os encarou com expressão triunfante.
— Você acabou de ter uma ideia? — George perguntou astuto.
— Eu acabei de ter uma ideia. Vocês podem confiar nos seus irmãos, Ron e Percy para ajudarem? — Harry estava animado.
— Sim e, se eles não quiserem, os obrigamos. — Disse Fred bem sério. — Qual a ideia?
— Bem, primeiro...
Os gêmeos foram embora um pouco depois mais esperançosos e quando chegaram em casa subiram direto para o quarto de Ginny que ainda estava de pijama, encolhida na cama e sem comer nada desde o jantar.
— Ginny, somos nós. — Disse George sentando na cama e acarinhando seus cabelos.
Ela os olhou com olhos tristes e fez aquela expressão desolada de partir o coração.
— Eu não vou para Hogwarts, Georgie, eu não vou... — E começou a soluçar dolorosamente se jogando em seu peito.
George a abraçou com força e olhou para o irmão que acenou concordando.
— Escute, Ginnybaby, dissemos a mão que íamos fazer uma visita ao Lee, mas na verdade fomos no Harry e contamos a ele o que aconteceu. — George falou suavemente e Ginny interrompeu o choro e os olhou confusa.
— Harry nos deu uma ideia para ajudar você a ir para a Hogwarts. — Disse Fred e ela arregalou os olhos.
— Harry? Mas... Como? — Sua voz saiu rouca e cheia de esperança.
— Vamos entregar nosso dinheiro para o pai e a mãe, não resolverá tudo, mas ajudará e insistiremos que eles o usem para pagar a sua mensalidade. — Disse George sorrindo.
— Mas..., mas, é o dinheiro de vocês e quanto a promessa de não contar o que fizeram? — Ela perguntou surpresa.
— Harry nos liberou da promessa, mas depois ele teve uma ideia e nem precisaremos contar nada. Olha, porque não toma um banho e se veste, depois venha ao nosso quarto. Precisaremos do Percy e o Ron para nos ajudar, faremos uma reunião. — Disse Fred firmemente.
Uns 15 minutos depois, os 5 irmãos estavam no quarto dos gêmeos e Fred começou a reunião.
— Chamamos vocês dois porque encontramos uma maneira de ajudar a Ginny a ir para Hogwarts e precisamos de ajuda.
— Sim, George e eu temos algumas economias, ganhamos alguma grana ano passado e precisamos...
— Espere, vocês ganharam galeões fazendo o que exatamente? E quanto? — Percy os interrompeu com olhar desconfiado.
— Isso não importa, Percie, o que importa é entregarmos esse dinheiro a mãe e ao pai, não é o suficiente para resolver tudo, mas permitirá que a Ginny venha para escola conosco. — Disse George exasperado.
— Bem, porque não entregam a eles e pronto? — Perguntou Ron confuso.
— Não é óbvio? Temos um plano, assim não precisamos explicar como temos todo esse dinheiro e precisamos da ajuda de vocês dois. — Disse Fred irritado.
— Não ajudarei se não me disserem como conseguiram e quanto vocês têm exatamente. — Disse Percy sério, se empertigando em toda a sua altura.
— Nós podemos contar se quiserem, mas já avisamos que se qualquer um dos dois contar a alguém, mesmo que seja sem querer, e a mãe ou McGonagall ou Vector descobrirem, não nos importará qual contou ou se não foi nenhum de vocês dois. — Disse Fred em tom de promessa.
— Transformaremos a vida dos dois em um inferno de brincadeiras. — Encerrou George sombrio.
Ron e Percy engoliram em seco e se olharam apreensivos chegando a mesma conclusão.
— Ok, não precisam nos contar. — Disse Percy pomposo.
— Ótimo, o plano é o seguinte...
Durante o resto do dia depois da reunião, Ginny se manteve em seu quarto ainda mostrando tristeza e tentando afastar a ansiedade. No jantar, ela pouco comeu esperando o momento em que os irmãos começariam a colocar a ideia em prática, ainda não conseguia acreditar que Harry a estava ajudando indiretamente. Isso só mostrava que as histórias em seus livros poderiam ser mais precisas do que pensou. Quando era pequena tinha certeza que tudo era real, mas quando cresceu entendeu que as histórias baseadas na vida dele poderiam não ser exatamente tudo verdade, como conversar com dragões ou salvar ninhos de fênix. Em sua mente, Harry viajava por lugares diferentes, aprendendo magias e culturas mágicas de todos os lugares e deveria se divertir e viver aventuras. Desde que se lembrava desejou crescer e viver aventuras, além de jogar quadribol, claro. Um dia seria uma aventureira e jogadora das Harpias, mas antes tinha que ir a Hogwarts e se tornar uma bruxa poderosa. Suspirando, olhou para a comida sentindo o estômago se apertar de ansiedade e esperança, a ideia de Harry era muito boa e tinha que dar certo.
Ao fim da sobremesa seu pai lhe deu uma piscadela e pigarreou, os gêmeos conversaram com ele assim que chegou do trabalho e agora Ginny sabia que ele também participava do plano.
— Hoje estive na área de pagamento, eles estão pagando as últimas horas extras antes de encerrá-las de vez e eu tinha um pouco para receber que nem me lembrava. — Disse Arthur levemente animado.
— Arthur! Isso é ótimo! — Sua mãe exclamou surpresa.
— É o suficiente para a Ginny vir a escola, papai? — Perguntou Fred mostrando ansiedade.
— Não, filho. Sinto muito, Ginny, são apenas 20 galeões e ainda não é suficiente. — Disse ele com um sorriso triste.
— Bem, nós conversamos e decidimos entregar nossas economias para ajudar, pai, mãe. — Disse Percy com o peito estufado e o rosto corado, ele era um péssimo mentiroso.
— Ora, queridos, isso não é necessário, seu pai e eu daremos um jeito. — Disse sua mãe parecendo envergonhada.
— É necessário sim, mãe. — Disse George intensamente. — Não seria certo guardamos nossas economias e a Ginny não poder ir para Hogwarts. Somos uma família e temos que nos unir nesses momentos difíceis.
— Sim, os senhores deviam até escrever para Bill e Charlie e permitir que colaborem um pouco, eles ficarão muito zangados se não puderem ajudar a Ginny a ir para Hogwarts. — Disse Fred e viu seus pais se olharem surpresos e envergonhados, aproveitou para cutucar Ron.
— Ah..., bem, aqui, eu tenho 8 galões, 15 sicles e 20 nuques. Para a Ginny vir para a escola. — Disse ele corando.
— Oh! Ron, eu nem sabia que você tinha tanto... — Sua mãe se mostrou confusa e emocionada.
— Eu estava economizando para uma vassoura um dia, mas tudo bem. — Disse ele, vermelho feito um tomate.
— Obrigada, Ron. — Disse Ginny de verdade, mesmo que ele só tenha colaborado com os sicles e nuques, os galeões eram dos gêmeos, assim como os 20 galeões apresentados por seu pai.
— Eu tenho minhas economias aqui, pai, 17 galeões, 10 sicles e 16 nuques, é tudo que eu tenho. — Disse Percy colocando a bolsinha de moedas sobre a mesa como Ron. — Eu estava juntando para o futuro ou uma emergência.
Ginny viu sua mãe olhar surpresa e se encolheu torcendo para que ela não questionasse demais, até porque o pior vinha com os gêmeos.
— Aqui, são 27 galeões. — Disse Fred como se não fosse nada demais.
— E eu tenho 23 galeões, acabei perdendo uma aposta e Fred me tomou dois. — Disse George divertido.
A intenção era descontrair, mas não funcionou, sua mãe arregalou os olhos na hora e ficou muito séria.
— Como...? Fred e George Weasley! Como conseguiram todo esse dinheiro? — Gritou ela e seus irmãos a olharam meio magoados, pois ela não questionara Percy e Ron.
— Da mesma maneira que os dois ali. — Disse Fred chateado.
— Economizando. — Encerrou George em tom de desafio.
Sua mãe parecia tomar fôlego, mas Ginny não ia deixá-la estragar o plano.
— Obrigada, Percy, Fred, George! Pai, eu contei são 96 galeões! Eu posso ir agora? Posso? — Ela se levantou e saltou animadamente em frente a sua cadeira.
— Bem, isso não paga a mensalidade do ano todo, claro, mas eu decidi que já que estou sem horas extras conseguirei um segundo trabalho, portanto, Ginny Weasley, você irá para Hogwarts! — Arthur exclamou alegremente.
Ginny deu um grito de alegria e pulou em seu pai num grande abraço, sua mãe estava chorando emocionada e os gêmeos se levantaram e começaram a dançar e cantar.
— Ela vai, ela vai, ela vai!
Sem hesitar Ginny se uniu a eles girando e dançando, cantando bem alto.
— Eu vou, eu vou! Eu vou para Hogwarts!
E nos dias que se seguiram Molly Weasley encontrou alguns galeões perdidos e esquecidos pela casa, em potes, bolsos e latas, eram pequenos valores, o maior 7 galeões na lata de costura que podia jurar que não estavam ali antes. Na sexta-feira um pacote chegou para os gêmeos, Harry enviara seus livros e vestes escolares para o único primeiro ano que ele conhecia, Ginny.
— Vocês lhe pediram alguma coisa, meninos? — Molly perguntou chocada e desconfiada.
— Não, mãe, juramos. — Disse George e era verdade.
— Apenas comentamos que nossa irmã começava esse ano. Ele diz na carta que lhe parece um desperdício deixar os livros mofarem em seu baú e que as vestes estão curtas porque ele cresceu. — Disse Fred sincero, não esperavam que o amigo fosse tão legal.
— Sim, comentamos que o Ginny usaria vestes e livros usados, mas não pedimos nada. — Acrescentou George enquanto via Ginny abrir os livros bem conservados e tocar as vestes de qualidade melhor do que as antigas dos irmãos.
— Oh, aquele doce menino, tão generoso, deve ter percebido que estamos apertados pelos presentes e decidiu ajudar. Normalmente, não aceitaria, mas ele diz aqui que não é caridade e sim uma maneira inteligente de ter mais espaço no malão. Que educado. — Disse Molly lendo a carta com um sorriso carinhoso.
Ginny abriu um enorme sorriso ao perceber que poderia ficar com todas aquelas coisas que fora do Harry e sentiu seu coração explodir ao pensar nele. Como alguém poderia ser tão legal!?
Na semana seguinte todos os Weasleys foram para as compras que coincidiu com o dia de autógrafos dos livros do famoso escritor Gilderoy Lockhart para grande alegria da corada Sra. Weasley. Os gêmeos, sem dinheiro, se encontraram com Lee e acabaram se concentrando em apenas olhar as vitrines das lojas Qualidades Quadribol e o Gambol e Japes, além de especularem sobre o porquê das proteções que impediam de ver os prédios velhos no Valley Dead. Percy foi fazer suas próprias compras, e Ron e Ginny ficaram com os pais.
Na livraria houve alguma confusão quando Lucius Malfoy ofendeu Dean Thomas e seus pais, Arthur lhe deu um soco bem dado e justo, algo que deixou sua esposa bem chateada. Mais tarde, naquele mesmo dia, Ron entrou no quarto da irmã que estava guardando os livros dados por Harry em seu novo malão.
— Ginny, acho que a mãe comprou isso para você e acabou no meio dos meus livros. — Disse ele jogando o livro de capa preta sobre sua cama.
— O que é? — Curiosa ela o pegou na mão.
— Um diário, coisa de menina. — Disse ele dando de ombros.
— Oh... tem certeza que não quer? — Perguntou ela esperançosa e muito interessada na ideia de ter um diário.
— Não mesmo. — Zombou ele e saiu do quarto.
Ginny sorriu animada, tudo estava dando certo, ela ia para Hogwarts, tinha bons livros, vestes bonitas e ainda tinha um presente extra dado por sua mãe para compensar seu aniversário sem presentes bons. Sentando-se na pequena escrivaninha, pegou um pena e tubo de tinta novos, abriu na primeira página e escreveu:
Meu querido diário...
Para Harry os dias também voaram, havia tanto o que fazer e seus dias eram muito curtos. Completamente recuperado voltou a treinar física e magicamente, além de estar bem adiantado nas aulas trouxas. O Prof. Bunmi o elogiou por sua dedicação e por estar aprendendo o latim e francês tão diligentemente. Em sua nova casa tudo estava se encaixando, com muitos momentos constrangedores e difíceis. Vernon deixara a cadeia sob fiança e fora comunicado pelo advogado do processo de divórcio o que o enfurecera. O advogado de sua tia a informou que ele não queria dividir nada e pretendia exigir que Duda vivesse com ele e bem longe dos anormais. Isso provocara lágrimas e pânico, seu primo não queria viver longe da mãe e sua tia ficou arrasada, felizmente, o advogado a acalmou e disse que o que Vernon queria não era o que a lei determinava.
Harry forneceu a lembrança de sua conversa com Dumbledore para os Boots e Sirius assistirem e depois se sentaram para analisar.
— Me surpreendeu sua passividade, quer dizer, Dumbledore é muito calmo e sereno, mas me pareceu exagerada durante quase toda a conversa. — Disse Sr. Boot confusamente.
— Eu também me surpreendi, quer dizer, ele quer muito ter uma relação amigável comigo e essa foi a base do meu plano. A importância da proteção e seu interesse em que não sejamos inimigos. — Disse Harry pensativo. — Mas mesmo assim, eu exagerei um pouco para ver o que ele faria, mas nada, nem mesmo chamou minha atenção por minhas grosserias.
— Ele é um professor experiente e sabe quando está sendo provocado, além disso me pareceu que Dumbledore se sentia culpado e depois desconcertado com sua atitude. — Disse Serafina inteligentemente.
— Isso faz sentido, na verdade, em se tratando do Dumbledore ser cauteloso é o esperado, principalmente em uma situação como essa. — Disse Sirius com malícia.
— Eu não tinha pensado nisso assim e, bem, se sua intenção era me aplacar e analisar a situação sem dar muita informação, Dumbledore não conseguiu, na verdade, isso apenas o levou para onde eu o queria. — Disse Harry dando de ombros.
— Você foi brilhante, Harry, absolutamente... ainda estou vendo sua expressão quando o fez te enxergar de verdade e quando o interrompeu o chamando de mentiroso. — Terry disse de olhos arregalados.
— Sim, eu sei de muitos e muitos adultos que jamais enfrentariam o grande Albus Dumbledore com tanta coragem e inteligência. Foi incrível. — Disse Sirius o olhando orgulhoso.
Harry sorriu, mas pode ver que a Sra. Serafina não parecia tão feliz.
— A senhora acha o que fiz errado, Sra. Serafina? — Ele perguntou diretamente.
— Eu... estou em dúvida se devo lhe elogiar pelo seu plano brilhante ou castigá-lo por falar com alguém mais velho com tanto desrespeito, ainda que sei que fazia parte do seu plano. Mas, de verdade, o que está me incomodando é sua chantagem, Harry, isso é muito sério e não gosto que cruze esse tipo de linha. É por isso que não concordamos com Dumbledore, ele cruza linhas e faz coisas erradas por boas intenções. — Disse ela muito séria e Harry acenou suspirando.
— Eu entendo e quando tive essa ideia fiquei em grande conflito, conversei muito com Terry, Hermione e Neville, mas no fim tinha que ser minha decisão. Quando disse para o diretor se arrepender e assim eu poderia perdoá-lo e, quem sabe, confiar nele um dia, estava sendo sincero. Exatamente por isso, percebi durante o meu conflito que estava disposto a cruzar essa linha, pois era por uma boa ação. — Harry a olhou muito sincero. — Ele não é perfeito e eu não o julgo por suas ações bem-intencionadas e sim por não se arrepender, por não se esforçar...
Ele parou quando sua voz se embargou de raiva e emoção.
"Ele nunca se esforçou em pensar de maneira diferente, pensar em uma solução ou situação menos dura para mim, poderia inclusive ter se aconselhado com vocês. Isso, eu não perdoo e, sim a senhora está certa, minhas ações são semelhantes, mas com uma diferença, eu não sacrifiquei ninguém, prejudiquei ninguém e muito menos finjo que o que eu fiz foi certo só porque minha intenção é nobre ou justa. — Disse Harry com firmeza.
Todos ficaram em silencio e Serafina se levantou indo até ele e o beijou suavemente.
— Você está certo, Harry e mostra muita sabedoria com essas palavras. — Disse ela carinhosamente.
— Bem, isso de lado, poderia nos dizer como você teve a ideia para esse plano? — Falc perguntou curioso.
— Bem, não foi uma coisa só, sabe. Tudo foi se somando em minha mente desde o dia em que conheci o Terry, estou sempre pensando e pensando em porquês e para quês. — Harry suspirou cansado. — Parecia que as ações do diretor precisavam vir de algum lugar, ele não faria tudo o que fez, cruzaria todas essas linhas, por nada. Então, Voldemort me contou sobre a profecia, ela e a proteção de minha mãe explicaram tudo. A profecia foi feita a Dumbledore que enviou meus pais ao subsolo, quando sobrevivi a maldição da morte ele percebeu que eu era aquele dito na profecia com o poder para derrotar Voldemort e em sua mente esse poder é a proteção de minha mãe.
— Isso faz sentido. E é por isso que ele está fazendo o possível e impossível para que a proteção não se perca... — Disse Falc e seus olhos se arregalaram de surpresa. — E você percebeu isso, percebeu que ele faria qualquer coisa.
— Exato? Dias antes da audiência quando minha tia falou das alas que vinham de uma proteção da minha mãe e que eu não podia deixar sua casa, eu comecei a compreender e percebi que não poderia jogar fora esse presente porque, e se Dumbledore estiver certo? — Harry os encarou seriamente. — Ninguém aqui discute a genialidade do diretor e se ele estiver certo e o poder para derrotar Voldemort de uma vez vier da proteção...
— Perdê-la, seria um duro golpe. — Disse Sr. Boot pensativo. — Você blefou, não é mesmo? Nunca teve a intenção de deixar a casa dos seus tios.
Isso causou surpresa nos adultos e Harry acenou suspirando.
— Em minha defesa, quando formulei o plano, Vernon não tinha enlouquecido, mas sim, era um blefe e contei que Dumbledore acreditasse em minha ameaça, até mesmo temesse minha fuga do país. — Disse Harry dando de ombros. — No dia da audiência expliquei ao Sr. Falc minha ideia da guarda compartilhada caso o diretor apresentasse a proteção de minha mãe como o motivo de minha permanência no número 4. Uma parte de mim queria que fosse uma mentira bem inventada para minha tia e que as alas não existissem, mas o Sr. Falc disse que se Dumbledore as usasse seriam verdadeiras.
— Sim, porque ele sabe que isso é algo facilmente verificado por um Quebrador de Maldições e não mentiria. — Explicou Falc.
— Sim, quando o resultado da audiência foi explicado percebi o quanto a proteção é importante, Dumbledore a manteve em segredo por uma década e, naquele momento, para protegê-la contou a 4 pessoas e a mim, claro. — Disse Harry e sorriu divertidamente. — Percebi que tinha um trunfo ou um ás na maga e decidi fazer um pequeno teste. Assim levei Dumbledore para um pequeno passeio. — Harry riu se lembrando e todos o acompanharam, pois tinham assistido a lembrança do passeio pelo shopping.
— Aquilo foi um teste? — Sirius perguntou rindo.
— Sim, pensei, "o que Dumbledore estará disposto a fazer para mostrar que lamenta o que me causou e manter uma relação amigável comigo? " — Harry sorriu malicioso. — Quando disse que não aparataria com ele e que iria de trem foi o grande momento, ele poderia ter usado seu poder e autoridade, insistido ou persuadido, mesmo ordenado, mas não fez nada disso. E durante todo o passeio continuei a levá-lo de um lado para o outro, não fui grosseiro, mas tão pouco muito educado. Teve um momento em que pensei que se insistisse Dumbledore cortaria a barba e os cabelos cumpridos.
Todos riram só de pensar em ver a grande figura, passivamente, se deixar sentar em uma barbearia e ser totalmente escapelado.
— E foi quando você teve a ideia do blefe? — Perguntou Serafina.
— Sim, percebi que se Dumbledore acreditasse que eu abandonaria a casa dos meus tios e não me importava com a proteção, teria uma vantagem, pois além de não querer que eu deixasse o número 4, ele não queria se indispor comigo. Eu pensei no que ele poderia fazer para me obrigar, ameaçar vocês, a mim, me enfeitiçar, mas julguei que Dumbledore não cruzaria essas linhas, foi uma aposta e ganhei o jogo. — Disse Harry sorrindo e tentando não se gabar, sem muito sucesso. — Meu plano era esperar que o testamento dos meus pais fosse revalidado e, assim, conversaria com ele e lhe informaria sobre o processo de anulação da tutela e que depois disso deixaria meus tios para sempre. Pretendia deixar o diretor preocupado e tenso ao pensar em uma fuga e assim faria o blefe ou chantagem, mas então tudo se precipitou.
— Por causa de Vernon. — Disse Terry.
— Não, por causa de Dobby, indiretamente, ele tornou meu blefe ainda mais fácil de jogar e me ajudou a vencer. Devo-lhe e espero poder retribuir em breve. — Disse ele sentindo seu estômago se embrulhar ao pensar no que o pequeno elfo estava passando.
— E voltamos as preocupações para o aviso de Dobby. — Serafina suspirou preocupada.
— Eu não vejo muito o que podemos fazer sem colocar Dobby em risco. — Disse Sirius olhando para Harry.
— Isso não é uma opção, além disso, ele disse que o plano já está em andamento, já contamos para o diretor, podemos avisar ao Prof. Flitwick e ficarmos atentos. — Disse Harry sabendo que na carta Falc explicara o motivo da visita de Dobby.
— E não é algo que podemos discutir na reunião de associação de pais, mas no jantar com o King e Filius podemos trazer o assunto. — Disse Serafina e todos acenaram.
— A senhora já tem uma data marcada para a primeira reunião, mamãe? — Perguntou Terry.
— Sim, 21 de agosto e espero que consigamos um número grande de pais, as informações que vocês tinham de todos os nascidos trouxas e mestiços de Hogwarts foi muito útil. — Disse ela esperançosa.
Harry não participaria desse evento, era algo que a Sra. Serafina e o Sr. Falc decidiram promover. Uma associação de pais era uma resposta aos inúmeros problemas de Hogwarts, desde Snape, bullying, notas, falta de informação e comunicação, conteúdo das disciplinas e, claro, o fato de que a escola promove os preconceitos de sangue ao escolher ignorá-los, ao não discutir ou combater com efetividade o problema. Esse primeiro encontro seria para que eles apresentassem suas preocupações, dessem informações que os pais trouxas não tinham e formulassem juntos uma estratégia para participarem mais da vida estudantil dos filhos e decidirem se criariam legalmente uma associação de pais. Harry sabia que os Grangers os estavam ajudando, além dos pais de Mandy e Penny, assim estava esperançoso que com suas ações Hogwarts melhoraria.
O jantar com o Sr. King e Flitwick ocorreu em um sábado e aos dois foram mostradas as lembranças de tudo o que aconteceu no dia da luta com Quirrell e Voldemort. Eles perceberam, como bons Ravenclaws que eram, que o alçapão foi uma armadilha para o Harry e ficaram bastante decepcionados e chocados com Dumbledore. Também foram explicados sobre a profecia e o aviso de Dobby, King prometeu investigar discretamente e, mais importante, Prof. Flitwick prometeu estar atento as crianças o que permitiu aos adultos ficarem um pouco mais tranquilos com a ideia de enviá-los de volta a Hogwarts.
Naquele mesmo dia mais cedo, Harry teve uma difícil aula com o O-Sensei Koolang.
— Mestre King me disse que você foi agredido por seu tio. — Perguntou suavemente.
— Sim, foi a primeira vez que ele foi tão longe, normalmente, minha tia o acalma, mas..., bem, tudo deu certo no fim e tia Petúnia decidiu deixá-lo. Estamos morando em outro lugar agora e seguros. — Disse Harry sorrindo.
— Como você se sentiu no momento da agressão?
— Hum... conversei sobre isso com meu terapeuta e acho que o sentimento foi de impotência, tentei tudo o que o senhor me ensinou e.… nada deu certo, eu era fraco demais. — Disse Harry se sentindo envergonhado.
— Você não deve abaixar a cabeça e se envergonhar, você é, fisicamente, mais fraco que qualquer adulto, mas você ainda lutou e agiu com inteligência, isso mostra sua força e coragem. No fim, Harry, você ganhou a luta, apenas por não se deixar abater, levante a cabeça e continue lutando. — Disse ele com voz firme e Harry endireitou a postura e levantou o queixo.
— Agora, vamos repetir o que aconteceu, você vai descrever o que ele fez, o que você fez e eu o ajudarei a treinar maneiras de se defender desses ataques. — E assim eles fizeram.
Para cada situação descrita por Harry, um golpe ou técnica foi ensinada e repetida.
— Você errou em ir para a cozinha e não utilizar a porta dos fundos, uma luta se ganha com a inteligência e ao se ver encurralado, correr deveria ter sido considerado. Não há covardia em usar seu cérebro em busca de estratégias que te levem a vitória. — O castigou Koolang.
Harry acenou e eles continuaram, no momento da sua queda Harry contou a versão dada a polícia, que ele chutou Vernon e este o soltou e empurrou sem perceber que o jogava por cima do corrimão. Koolang segurou Harry da mesma maneira e disse:
— Você tomou a decisão errada ao usar a força bruta, quando em situação vulnerável seu principal objetivo é causar dor incapacitante ao atacante, que não o permita retaliar. O que adianta o prazer de lhe desferir um soco ou chute se receberá um de volta ainda mais doloroso e talvez fatal. — Disse ele segurando Harry como se ele fosse um saco. — Qual a parte mais vulnerável do meu corpo e a qual você tem acesso, Harry?
Harry de ponta cabeça olhou para o corpo do O-Sensei e engasgou quando entendeu.
— Seus testículos, O-Sensei. — Disse Harry tentando evitar de o rosto ficar vermelho.
— O que fará a próxima vez que alguém o segurar assim? E sem constrangimentos tolos, isso aqui é vida real, fale o que quiser falar. — Disse Koolang com firmeza.
— Apertarei as bolas do filho da puta até estourarem, O-Sensei. — Disse Harry com determinação.
Depois houve sua aula com o Sr. King e foi mais focada no ataque de Quirrell, mas ainda assim o ensinou muito. No almoço, King e Sirius conversaram com Duda sobre as competições de boxes e outras lutas marciais que eram considerados um esporte de combate.
— Violência, Duda, se trata de uma escolha. Todos temos o instinto da violência, pois está em nosso ser e em nossa alma o desejo de sobreviver e, às vezes, precisamos usar de força bruta para isso. No entanto, machucar alguém propositalmente e sem motivo, apenas por raiva ou maldade, isso não tem a ver com o que você aprende ou sabe e sim com as escolhas que faz. — Disse Sr. King com sua voz profunda.
Isso pareceu acalmar seu primo e ele decidiu ir mais duas vezes na semana para o Centro Esportivo. Harry decidiu ir mais um dia também já que suas sextas-feiras eram livres agora, apesar de ter um jardim para cuidar, ele era bem menor. Seus horários com o Sr. Martin foram cancelados e apenas os das segundas-feiras se mantiveram, pois, ele se sentia bem melhor do que no início do verão. Os pesadelos se foram e a cada dia a Evans House se sentia mais como uma casa e os Boots mais como sua família, isso lhe trazia uma segurança e contentamento difícil de nomear. Ele até teve o prazer e choque de ver sua tia e a Sra. Serafina conversando civilizadamente! Aconteceu quando Petúnia separou todas as roupas dos pais ainda nos armários depois de tanto tempo e as roupas velhas e grandes de Duda que vinha crescendo e perdendo peso durante o verão e entregou a Serafina para que ela concertasse com magia e depois os levasse a ONG que distribuía entre os abrigos e orfanatos. Serafina aproveitou e a convidou para se juntar a associação de pais o que claro emocionou e surpreendeu tia Petúnia.
— Pensei... Pensei que queria tirá-lo de mim... — Disse ela lançando um olhar de relance para Harry.
— Eu apenas o queria seguro e amado... — Serafina disse suavemente e depois tocou sua mão antes de partir.
Sozinhos Harry e Petúnia se olharam e ele hesitante foi até ela e a abraçou pela cintura.
— Ninguém me tirará da senhora, tia, nós sempre seremos família, desde que a senhora queira isso. — Disse Harry suavemente.
— Eu quero... eu com certeza quero. — Sussurrou ela emocionada.
Enquanto as coisas iam se encaixando em sua vida de maneiras que ele não poderia sonhar, o trabalho da GER estava cada vez mais acelerado. Faltando menos de 2 semanas para voltar a Hogwarts, Harry se viu inundado com novos planos, novos funcionários e reuniões importantes. A primeira foi para conhecer os novos Diretores de Divisões da GER, haviam 7 e os funcionários eram:
- Negócios/Administração: Edgar Schubert
- Financeira: Toby Carter
- Imobiliária: Diane Worthington
- Evans: Annabelle Perrin
- Turismo: Julian Montesino
- Marketing: Theodore " Theo" Foster
- RH Interno e Externo: Rebecca Gillian
Harry jamais se esqueceria suas expressões quando ele entrou na sala de reuniões, espanto e surpresa eram grandes eufemismos.
— Edgar, pensei que íamos conhecer o dono da GER? — Disse um homem branco, muito alto e magro, usava óculos e tinha alguns fios cinzas nos cabelos escuros que o faziam parecer ter uns 50 anos.
— E é exatamente isso que está acontecendo. — Disse Sr. Edgar com seu sorriso animado e doce de sempre. — Tenho o prazer que lhes apresentar o proprietário da GER e o grande idealista de tudo o que estamos realizando aqui todos os dias, Harry Potter.
Claro que houve um breve momento de choque e outro de olhares incrédulos que pareciam encarar Edgar perguntando se era uma grande brincadeira. Quando todos entenderam que era verdade houve um leve constrangimento, mas Harry apenas sorriu e os cumprimentou tranquilamente. A primeira a se recuperar e quem mais encantou Harry, foi a Srta. Perrin que apertou sua mão segurando um pouco mais e o encarou olho no olho por alguns segundos a mais como se lesse sua alma. Srta. Belle, como preferia ser chamada, foi escolhida para a Divisão Evans por sua formação e ascendência. Ela tinha 31 anos e era meia bruxa, meia ninfa, nascera na cidade de Versoix, na França, seu pai um bruxo francês a criara depois que sua mãe, uma ninfa dos lagos que habitava o Lago Léman, a tivera e decidira que o melhor para ela era viver no mundo bruxo. Infelizmente, ser uma meia raça no mundo bruxo, mesmo a França, não era fácil e ela acabou disfarçando a aparência e decidindo trabalhar no mundo trouxa. Na faculdade se formou em Sociologia e tinha um mestrado em Antropologia, se mudara para a Inglaterra para trabalhar em uma ONG que ajudava moradores de ruas, imigrantes e outras minorias a se integrarem a sociedade. Edgar a contratou também porque tinha muita facilidade com línguas, além de sereiano e ninfariano, Belle também falava as línguas de outros seres mágicos como os goblins e elfos da floresta. Apesar de trabalhar no mundo trouxa, ela nunca deixou de interagir com seres mágicos e aprender sobre suas sociedades e culturas. Harry a achou fascinante e muito bonita, seus olhos verdes marinhos eram brilhantes e seu sorriso doce e meio hipnótico. Ele a considerou a escolha perfeita para a Divisão Evans, pois um nascido trouxa que não sabia quase nada sobre a cultura mágica não poderia ajudar a realizar todos os importantes trabalhos sociais que ele queria que a GER realizasse.
O homem que questionara o Sr. Edgar era o Sr. Carter, Diretor da Divisão Financeira, nascido trouxa e formado em economia, com especialização em finanças. Sr. Carter foi o que pareceu mais chocado por ter um adolescente de 12 anos como chefe, mas, quando conversaram, ele aos poucos se sentiu mais à vontade ao perceber que Harry entendia e realmente idealizara a GER. Sr. Theo era inglês, tinha 40 anos e nascido trouxa, era formado em Marketing e estava cheio de ideias e entusiasmo, sua principal função era tornar a imagem da GER favorável para todos os bruxos, não importa o status de sangue. Ele também teria uma equipe, ainda não formada que trabalharia para ajudar cada nova loja a divulgar seus produtos e o Hotel seria um grande destaque o que fazia sua Divisão trabalhar mais fortemente com a Divisão de Turismo, comandada por Julian Montesino. Sr. Julian era meio italiano, meio inglês, alegre e animado, um nascido trouxa de 34 anos, não tinha um diploma formal, mas falava 8 línguas, viajou e trabalhou em empregos diferentes por diversos países e até escreveu 2 livros sobre suas viagens que fizeram sucesso. Harry o achou muito inteligente e dinâmico.
Sra. Diane tinha 42 anos, mas parecia mais velha, Sr. Edgar contou que ela trabalhava como agente imobiliária em uma agência trouxa, era viúva e sustentava sozinha 3 filhos. Também não tinha formação universitária, mas sua vontade de crescer e experiência na área a fez a candidata certa para ser a Diretora da Divisão Imobiliária que entre outras coisas cuidaria da manutenção dos imóveis e também deveria pesquisar e estar atenta a possíveis novas e boas aquisições. Harry a achou muito triste, talvez pela perda do marido, mas cheia de vontade de aprender e muito trabalhadora. Srta. Rebecca era o oposto, jovem, 29 anos, cheia de energia e animação, formada em Psicologia com especialização em Gestão do Trabalho estava, incansavelmente, ajudando o Sr. Edgar a contratar novos funcionários e entrevistar possíveis associados. Quando ouviu todas as novas e empolgantes informações e avanços, Harry se sentiu muito feliz e animado, tinha a sensação que aquela equipe entendia e respeitava o que estava tentando realizar com a GER.
— Bem, Harry, basicamente é isso, antes de você voltar para a escola já teremos a maioria dos contratos para você assinar com os associados. Sei que quer os conhecer, assim agendarei um dia para que isso aconteça, enquanto isso você pode ler todas as informações sobre eles e seus negócios. — Disse Sr. Edgar e pegando uma pasta azul com Isabella estendeu para ele. — Aqui.
— E sobre os que não poderei assinar antes de 1º de setembro? Poderei assinar o contrato e apenas enviar por coruja? — Perguntou Harry segurando a pasta e todas as outras que lhe foram entregues.
— Sim, serão poucos, Harry, mas não acredito que poderemos ter todos os imóveis ocupados em mais 10 dias. — Explicou Edgar.
— Mas poderemos ter tudo pronto até 20 de dezembro? — Harry perguntou com um sorriso.
— Você teve uma ideia? — Perguntou Sr. Falc conhecendo aquela expressão.
Sirius, Edgar e Penny riram enquanto os outros olhavam confusos.
— Meu afilhado está sempre tendo ideias e faz essa cara de mistério, ele adora saber algo que o resto da sala ainda não sabe. — Sirius disse sorridente e orgulhoso.
— Bem, mas dessa vez, eu pretendo contar. — Disse Harry divertido. — Estava tendo uma aula de história bem interessante com o Prof. Bunmi e falávamos sobre os festivais de antigamente, os seus objetivos, sabe, para questões religiosas ou de celebração ou para se encontrar um casamento e assim por diante. — Harry viu Penny e o Sr. Edgar arregalarem os olhos entendendo onde ele queria chegar. — O que eu pensei foi em inaugurarmos todas as lojas em um único dia, 20 de dezembro, decoramos o Beco, montamos um palco e trazemos as Irmãs Estranhas para cantar, colocamos os produtos em boas promoções, servimos comidas e bebidas do mundo inteiro, hospedamos pessoas no Hotel, podemos realizar sorteio de prêmios e... — Harry parou quando os adultos na sala soltaram exclamações de espantos e animação. — Poderíamos chamar de Festival de Inverno ou algo assim e faríamos todo o ano, esse ano seria apenas o primeiro.
— Isso é brilhante! — Alguém falou, mas logo outras exclamações e opiniões se juntou a essa, Harry sorriu e apenas se recostou na cadeira assistindo todos falando e dando ideias ao mesmo tempo.
A reunião seguinte foi com o Sr. Falc, Sra. Serafina e Sirius sobre sua herança mágica, Harry fez um testamento deixando todo o seu dinheiro para ser administrado e revertido para a GER e outros projetos sociais. Caso ele morresse sem herdeiros uma Fundação seria criada e administrada por um conselho formado por Boots, Grangers, Longbottoms e Blacks. Ele também queria que todas as fazendas voltassem a funcionar e produzir imediatamente, queria que os antigos funcionários, interessados ou sem trabalhos, fossem recontratados e o mais importante...
— Preciso que o senhor desfaça o contrato desses livros, quero que eles parem de serem escritos, quero que parem de serem vendidos e quero que tudo seja recolhido e queimado. E, se alguém tentar impedir, processaremos todos eles e... — Harry não encontrou palavras para expressar a raiva que sentia.
— Harry, acalme-se, você sabe que não é tão simples, questões autorais e editorias são delicadas. Terei que analisar com cuidado o contrato e ter uma boa estratégia, essas pessoas ganharam muito dinheiro com esses livros, não permitirão que lhes tiremos sua minha de ouro sem lutar. Prometo que pesquisarei e tentarei de todas as formas fazer o que você quer. — Disse Sr. Falc e Harry acenou tentando se acalmar, nada seria resolvido rápido e fácil como gostaria e teria que aceitar isso.
— Quanto as fazendas trabalharemos em uma de cada vez, elas estão bem conservadas, mas reiniciar a produção será trabalhoso e precisamos de pessoal qualificado e de confiança. — Disse Sirius suavemente. — Olha, você já tem muito com o que se preocupar, seus estudos, a GER, porque não deixa que Falc e eu cuidemos disso? Prometemos lhe manter informado e se tiver ideias pode nos escrever a hora que for.
— Sirius está certo, Harry, quando você crescer terá que se inteirar de todos os detalhes e administrar tudo, mas agora precisa se concentrar nos estudos e em curtir ter 12 anos, e é para isso que estamos aqui, para ajudar você com tudo isso. — Disse Serafina e Harry suspirou, queria muito ver os negócios de sua família de volta a todo vapor, mas eles tinham razão, não poderia ter mais isso com o que se preocupar.
— Ok, mas me mantenham informado, quero ver as fazendas produzindo outra vez, eu sei que é bobo, mas não me parece certo saber que tudo está parado. — Disse ele conformado.
— Não é nada bobo e você tem o direito de ter tudo voltando a ser como deveria, agora que tem o controle de tudo. — Disse Falc com um sorriso suave. — Bem, acredito que é isso, apenas temos que ir até o seu cofre de família, você ainda quer visitar neste verão, certo?
— Sim, senhor, eu quero e se tivesse tempo gostaria de visitar a casa dos meus avós Potters. — Disse Harry e hesitou um pouco ansioso.
— Harry? — Sirius notou sua hesitação.
— Tem outra coisa que quero fazer ou que vocês façam para mim... — Harry parou e suspirou. — Eu já sei o que eu quero que aconteça com o Chalé Iolanthe.
— Como assim? — Sirius perguntou com a voz engasgada e seu rosto empalidecendo.
— Eu estive lá em dezembro com a Sra. Serafina, visitei os túmulos dos meus pais e vi o Chalé transformado em um monumento macabro e de muito mal gosto ao assassinato dos meus pais. Sei que alguns dirão que a intenção é homenageá-los ou lembrá-los, mas existem outras maneiras de fazer isso e já sei o que quero fazer.
— Harry, você tem certeza? Não quer esperar até estar mais velho? Então, pode entrar no Chalé, tudo foi preservado da maneira em que estava naquela noite e pode haver objetos que lhe interessem. — Disse Sr. Falc suavemente.
— Preservado? Como assim? — Sirius perguntou confuso, ainda não conseguira coragem para visitar Godric's Hollow.
— Está exatamente como ficou naquela noite, Sirius, com parte do telhado destruído, o jardim cheio de mato alto, tudo escuro parecendo uma casa de filme de terror e no portão tem uma placa explicando sobre a tragédia que se abateu sobre a Família Potter. — Harry se levantou magoado só de lembrar daquilo e andou pela biblioteca. — A placa está cheia de mensagens de pessoas que devem vir de todos os lugares para ver o lugar em que Voldemort foi derrotado, em que eu sobrevivi a maldição da morte e o casal Potter foi assassinado. Pessoas que devem agir como turistas cheios de emoção, talvez tirem fotos em frente à casa para mostrar aos amigos que estiveram lá, talvez se sentindo excitados e corajosos por visitar local e chegar tão perto.
— Isso é horrível... eu... eu não sabia. — Sirius estava ainda mais pálido e igualmente magoado.
— Não quero que meus pais sejam lembrados ou desrespeitados de maneira não insensível, Sr. Falc, aquela casa... ela está preservada no momento mais terrível das nossas vidas e não a quero daquela maneira. Os objetos podem ser retirados e levados ao meu cofre, um dia olharei por tudo, mas aquele monumento macabro eu quero desfeito. — Disse Harry com firmeza voltando a se sentar.
— O Chalé do primogênito normalmente é o primeiro lar do jovem herdeiro quando se casam. Você está pensando em reconstruí-lo, Harry? — Perguntou Serafina.
— Reconstruir? Merlin, não, eu quero tudo destruído, quero aquele lugar no chão o mais rápido possível. — Disse Harry convicto.
— Tem certeza? — Sr. Falc se mostrou chocado.
— Sim. Acredita que posse viver e construir uma família naquele lugar? Colocar meu filho em meu antigo quarto e ignorar que minha mãe morreu ali mesmo, em frente ao berço? Ou andar pelos cômodos, rir, comer e me esquecer que naquele lugar eles foram tirados de mim? — Harry suspirou e fechou os olhos com o estômago apertado só de pensar. — Não quero nem entrar lá, quanto mais morar e criar meus filhos naquele lugar...
— Seus pais e você foram muitos felizes lá, por um breve tempo, Harry. — Disse Sirius com grande tristeza e expressão assombrada.
— Eu sei, mas estávamos felizes porque estávamos juntos e não por causa do Chalé, mas depois do que aconteceu, ele foi contaminado para sempre e nem poderia pensar em reconstruir e vender. Por favor, entendam, eu não quero que aquele lugar exista, me atormento a meses pensando no abandono, na escuridão e morte que aquele lugar exala. — Harry os olhou com seriedade e tristeza. — Eu quero homenagear e lembrar meus pais, mas não conservando o lugar de seus assassinatos como uma cena de morte congelada para sempre.
— Eu o apoio, se é o que quer fazer. — Sirius falou suavemente e dava para ver sua dor.
— Ok, se é isso que quer, mas depois de destruir o Chalé, o que fará no lugar? — Perguntou Falc.
— Vamos encher de vida, de beleza, de luz, de aroma. — Harry sorriu suavemente e pensou em sua mãe, seu cheiro suave de lírios e jacintos.
— Você quer fazer um jardim? — Serafina perguntou espantada.
— Sim, o Jardim da Lily, cheio de flores, lírios, jacintos, flores do campo, petúnias e muitas outras. — Harry sorriu ainda mais animado. — Vamos plantar árvores com flores como cerejeiras, pilriteiros e olaias, teremos caminhos de pedras e bancos para as pessoas passearem e se sentarem. Podemos ter gramas para piqueniques, talvez, e podemos ter algumas aves e borboletas.
Sirius estava com lágrimas escorrendo pelo rosto de emoção e mesmo Falc e Serafina estavam emocionados.
— Isso... é perfeito, o Jardim da Lily. Merlin, seu pai adoraria o nome, ele a amava tanto... nunca o vi tão feliz como no dia do casamento deles, pelo menos até o dia do seu nascimento. — Disse Sirius enxugando as lágrimas e sorrindo suavemente.
— Ficará lindo, Harry e podemos lançar magias para que as flores fiquem preservadas o ano todo e será a homenagem perfeita para seus pais. — Serafina disse emocionada e depois sorriu com o olhar distante. — Vocês sabem que eles começaram a namorar, ainda que não oficialmente, no nosso casamento?
— Oh... naquela foto que a senhora me enviou? Eles pareciam não empolgados e felizes. — Harry lembrou sorrindo.
— Espere, quando vocês se casaram? Que eu me lembre eles começaram a namorar depois do primeiro encontro que tiveram em nosso 7º ano em Hogwarts? — Sirius se mostrou confuso e espantado.
— Sim, oficialmente aquele foi o primeiro encontro deles, mas no nosso casamento, James não podia parar de olhar para ela, desconfio que ele nem prestou atenção a cerimônia ou a noiva, outras garotas, então, não existiam. — Contou Serafina rindo.
— Esse era James, com a Lily por perto o mundo parecia meio apagado ou invisível. — Disse Sirius divertido.
— Bem, eu não posso dizer que percebi porque, naquele dia, eu só tinha olhos para a mulher mais lindo do mundo. — Disse Falc olhando para Serafina com grande carinho.
Todos riram e Serafina corou ainda que tivesse um imenso sorriso e olhos brilhando.
— O que aconteceu naquele dia, Sra. Serafina? — Perguntou Harry ansioso.
— Bem, ela o evitou durante a festa e ele a seguiu com os olhos e, às vezes, tentava se aproximar, mas Lily ia para outro lugar se desviando dele. Quando perguntei, me contou que sentia seu coração explodir quando o olhava, mas que queria ter certeza que James realmente gostava dela e não era apenas uma brincadeira. — Serafina contou com o olhar distante. — Lily disse que ele parecia diferente, mais maduro e responsável, mas que ela se sentia confusa e não sabia se era real ou não. Eu lhe disse que, se não deixasse ele se aproximar, ela nunca saberia com certeza e quando James foi até Lily outra vez, ela não se afastou. Ele a convidou para dançarem e pelo resto da festa não dançaram ou conversaram com mais ninguém. Eu me lembro que estava dançando com meu pai e os vi se beijando suavemente enquanto dançavam e pareciam completamente encantados um pelo outro. Papai até me disse, "aposto que o próximo casamento é o deles" de tão bonito era ver os dois juntos. Logo depois chegou o momento de tirar fotos e, tiramos uma, nós quatro e quando a puxei de lado, Lily disse que eles tinham dado o primeiro beijo e que aceitara seu convite para um encontro no primeiro fim de semana de Hogsmeade. Os dois pareciam muito animados e felizes, essa foi a última vez que os vi porque a guerra piorou e não fomos ao casamento deles. — Serafina terminou o conto, tristemente.
— O casamento foi apenas os marotos e família, era muito arriscado convidar muitas pessoas, mesmo amigos queridos. — Disse Sirius suavemente. — James nunca me contou sobre isso, mas eu entendo, aposto que deve ter temido ser bom demais para ser verdade e não quis criar expectativa, posso imaginá-lo o resto do verão se perguntando se foi um sonho. Então, quando Lily o tratou bem no trem e eles começaram a trabalhar juntos como monitores chefes e foram ao primeiro encontro, James se tornou muito secreto, só nos dizia que era o homem mais feliz do mundo porque estava namorando sua alma gêmea, mas nunca contou detalhes sobre a relação deles.
— Bem, isso mostra que James era um cavalheiro, um homem honrado não desrespeita uma mulher falando sobre ela ou a relação deles para os amigos. — Disse Serafina suavemente.
— O que é alma gêmea? — Perguntou Harry curioso.
— É a pessoa certa, Harry, para você amar e estar para o resto da sua vida. Falc é minha alma gêmea, eu soube disso depois do nosso primeiro encontro. — Contou Serafina olhando o Sr. Falc com amor e apertando sua mão.
— Algumas pessoas têm o privilégio de encontrar a pessoa que preenche seu coração de sentimentos, aquece sua alma e até faz sua magia cantar, Harry. — Explicou o Sr. Falc. — O dia em que encontrar sua alma gêmea, você sentirá que até sua magia aceita e acolhe a magia dela, é algo especial.
Harry acenou entendendo, mais ou menos, mas esperando um dia ser tão feliz como eles e seus pais.
A visita a seu cofre de família foi muito além do que Harry esperava, Sirius o acompanhou e depois de conversarem com Ruggedstone, foram acompanhados por Grampo no carrinho que desceu pelos trilhos uma distância inacreditavelmente profunda. Ele descobriu que dragões realmente estavam protegendo alguns cofres, mas o seu não era um deles, para seu alívio.
— O cofre Potter tem proteções especiais. — Informou Grampo indiferente.
As proteções especiais começavam com uma porta dupla, alta e de pedra, em cada lado da porta, como maçanetas, havia uma gema preciosa encravada. De um lado um rubi e do outro uma opala, elas brilhavam intensamente e Harry podia sentir a magia que as envolvia.
— Você deve colocar as duas mãos, uma em cada pedra, o rubi identifica seu sangue e a opala sua magia. Se não for um Potter, morrerá na mesmo hora. — Disse grampo com um sorriso desagradável.
Harry trocou um olhar exasperado com Sirius e, calmamente e com segurança, colocou as duas mãos, uma em cada pedra. Imediatamente sentiu a magia fluir por seu corpo e sorriu, pois, lhe parecia muito familiar, era a magia dos seus antepassados e Harry podia sentir sua própria magia responder e acolhê-la suavemente. Quando acabou, as duas portas se abriram com um barulho alto de pedra se movendo e Harry se viu olhando para um cofre pequeno e vazio, olhando com mais atenção percebeu que na verdade era uma antessala.
— Esperarei no carrinho. — Disse Grampo entediado.
Sirius concordou e os dois entraram na antessala, olharam em volta e viram de um lado da parede uma tapeçaria com um brasão e do outro uma tapeçaria com a árvore genealógica do Potters.
— Esse é o brasão da sua família e a árvore genealógica. Existem tapeçarias iguais a essas na Mansão Potter, a antiga casa dos seus avós. — Disse Sirius suavemente.
Harry acenou e se aproximou do brasão tentando entender as figuras e dizeres. A tapeçaria era branca e bem conservada, um grande escudo verde escuro centralizado que tinha um caldeirão sob chamas desenhado no meio dele, em cima do caldeirão tinha uma árvore negra e de galhos secos, mas suas raízes eram fartas e penetravam no caldeirão e se espalhavam pela tapeçaria. Escrito em latim de um lado e do outro em uma língua desconhecida estavam as palavras Honoris, Familia, Fide, Animo, Studium.
— Honra, Família, Fidelidade, Coragem e Devoção. — Sussurrou Harry mostrando seu avanço no latim. — E essas?
— São as mesmas palavras, mas em galês. — Disse Sirius. — O Potters viviam na divisa com o País de Galês, por isso sempre utilizaram o galês e o latim.
Harry acenou e leu a frase embaixo do escudo, em uma faixa dourada e com letras bonitas na cor verde escuro.
— Qui est amor in animo et corde semper secum pugnare honore. — Disse ele baixinho e depois traduziu. — Aquele que tem coragem e amor em seu coração sempre lutará com honra.
Também estava escrito em galês e mesmo sabendo o que significava, lhe incomodou não poder ler. Suspirando passou os dedos pela tapeçaria perfeita até atingir o ponto mais alto onde se lia "Família Potter".
— Você sabe o que significa o caldeirão e a árvore, Harry? — Sirius perguntou e Harry acenou.
— Acredito que simbolize a Cura e a Vida, por isso um caldeirão e a faia, que é a árvore da vida. Meus antepassados, Linfred é um dos mais conhecidos, inventaram poções e curaram muitas pessoas doentes. — Disse Harry e sorriu. — Parece perfeito para mim.
— Está vendo aqui? — Sirius apontou para alguns símbolos desconhecidos.
— Não. — Harry disse curioso, eram pequenos e ele não os notara antes.
— São runas, são as palavras que você disse, mas na língua rúnica. Foram acrescentados por sua trisavó e trisavô, a Sra. Laura Fleamont Potter era uma mestra em Runas Antigas e quis refazer a tapeçaria e colocá-las. — Explicou Sirius. — Se um dia você quiser acrescentar algo que seja importante para você ou a família que formar, poderá refazer com esse algo novo.
— Legal. — Harry sussurrou ainda acariciando o brasão.
Depois ele foi olhar a árvore genealógica e engoliu em seco ao ver seu nome como o único Potter vivo, parecia errado e muito solitário. Passou os dedos pelos nomes dos seus pais e avós, suspirou surpreso ao ver um primo de seu bisavô Henry, Charles Potter casado com Dorea Black.
— Ela era uma tia avó, de um lado mais certo da família por assim dizer. Houve um ou dois em cada geração, em compensação sempre houve alguns outros loucos e cruéis. — Disse Sirius com um sorriso triste.
Harry apenas acenou, pelo pouco que seu padrinho falou sobre a família, ele não tinha certeza se queria saber mais. Decidindo a seguir em frente caminhou para o arco que separava a antessala do resto do cofre apenas para ser impedido por duas armaduras que se moveram na sua frente, com escudos e espadas prontas para atacarem.
— O que...? — Harry olhou para Sirius que apenas sorriu.
— Acredito que a partir deste ponto apenas o sangue Potter pode entrar, eu o esperarei aqui. — Disse ele.
Harry concordou e parou em frente as armaduras que depois de alguns segundos, sentindo o sangue e a magia Potter se afastaram e se recostaram e depois desapareceram na parede de pedra. Caminhando, ele viu dos dois lados o desenho das armaduras na parede e percebeu que aquela era apenas mais uma proteção. Passando o arco, Harry desceu alguns degraus para uma câmara circular, como seu quarto na torre Ravenclaw, e viu portas de madeira escura nas paredes. No centro da câmara havia um pedestal da mesma madeira das portas, parecia um tronco e tinha desenhos e runas entalhados, se aproximando viu um livro antigo com capa de couro marrom fechado sobre a base. Na capa estava escrito Grimoire Potter e Harry sorriu, sabia que famílias antigas tinham livros de magias criadas por antepassados e ansiosamente abriu o livro antigo delicadamente e seu sorriso morreu ao ver que estava escrito em galês também. As páginas eram antigas, mas não pareciam frágeis como que fossem se desmanchar e Harry calculou que magia o preservava. Virando as páginas descobriu mais para o fim algumas escritas em latim também e isso o tranquilizou, talvez houvesse algum feitiço de tradução pensou e decidiu levá-lo com ele para estudá-lo. Ao tirar o livro da base as runas entalhadas na base do tronco de faia se iluminaram e se moveram do tronco em uma dança até desaparecerem e apareceram na capa de couro antiga. Harry entendeu que aquela deveria ser a proteção do Grimoire e não pode deixar de se perguntar quais eram e o que fariam com quem o tocasse. Guardando o livro antigo em sua mochila, Harry viu palavras entalhadas na base embaixo de onde o livro estava pousado, estava em latim o que o fez supor que era mais recente.
Fur non est ad mortem tetigit
per scientiam ostende Potter tetigit
quae cum basi, sentire periculum pro eius reditu
— Hum... Tocado pelo ladrão a morte trará, tocado por um Potter conhecimento mostrará, conectado com a base, se sentir o perigo, para ela retornará, eu acho. — Traduziu ele um pouco hesitante. — Então, só um Potter pode tocar e se sentir perigo volta para cá, magicamente. Isso é muito legal.
Olhando para as portas de madeira observou que palavras estavam entalhadas em cada uma delas em latim. Ele abriu a que estava escrito "aurum" ou ouro e se deparou com uma espécie de caverna com tantos galeões e sicles e nuques que ficou levemente ofegante. Poderia viver mil anos sem trabalhar e ainda sobraria, pensou, um pouco chocado. Fechou a porta e abriu a seguinte "armis" e sorriu com a quantidade espadas de diversos tamanhos e formatos, adagas, maças, machados, bestas, arcos e flechas, lanças, bastões e outras que ele não sabia o que era. Haviam também armaduras antigas de metal, mas também de couro que ele supôs fossem de dragões de cores variadas. Se aproximando olhou a sala com atenção, cada arma estava presa em uma prateleira de madeira, organizada por tamanhos e tipos, eram uma mais linda que a outra, mas seu olhar foi atraído para uma delas. Era uma adaga negra, o cabo e a bainha tinham desenhos como redemoinhos entalhados e eram muito bonitos. Tocando-a e sentindo sua energia percebeu que o cabo era feito de osso de dragão, a bainha era de couro de dragão negro e além dos redemoinhos entalhados tinha o desenho de uma árvore faia, a mesma árvore sem folhas e raízes abundantes do brasão da família Potter. A árvore na bainha era feita de prata e seus galhos se encaixavam na prata que circulava o cabo, puxando a bainha os galhos se desencaixaram e Harry viu a lamina dupla prateada e afiada de uns 15 centímetros. Sentindo um bom sentimento ao segurá-la, decidiu levá-la e olhando em volta pegou um bastão de madeira escura com decorações entalhadas como um mosaico de folhas em vários tamanhos em um lado, do outro havia o nome Potter escrito e Harry decidiu que era um ótimo bastão para treinar com o O-Sensei Koolang e o guardou em sua bolsa junto com a adaga.
Fechando aquela porta, Harry foi para a que estava escrita "jewelry" e se deparou com centenas de joias de todos os tipos e tamanhos, colares, pulseiras, diademas, coroas, presilhas, anéis e montes de outras coisas bem femininas e com tantas pedras preciosas de todas a cores, ele não entendia nada de joias, mas sabia que deveriam ser muito valiosas. Estavam expostas como em uma joalheria em várias mesas cobertas por um pano aveludado azul, mas não tinham vidros, ele supôs que não precisavam de proteção extra. Fechando a porta, Harry abriu a próxima onde se lia "librorum" e "documenta", se deparando com muitos livros e franziu o cenho, tinha pensado que os livros Potters estavam na Mansão. Entrando na sala grande percebeu que ali não tinha livros suficientes para uma grande biblioteca e supôs que os mais antigos e valiosos ou com magias raras e especiais estavam aqui. Olhando com mais atenção descobriu livros de contabilidade dos negócios Potters de anos, séculos atrás, alguns diários de antepassados e escrituras de propriedades.
Enquanto caminhava encontrou nomes entalhados nas prateleiras daqueles cujos materiais estava exposto e seu coração se acelerou ao encontrar uma com o nome "Lily Potter". Com a boca seca e a mão suando de repente, Harry se aproximou encontrando dois cadernos de couro vermelho. Talvez fosse um diário, pensou e com mãos trêmulas abriu o primeiro.
Poções Vistas e Revistas, por Lily Evans Potter
Obviamente, seria pretensioso da minha parte publicar um livro de poções antes de alcançar o meu Mestre no assunto, mas decidi registrar aqui as correções que fiz nas poções ensinadas em Hogwarts. Minha conexão com a arte do potioneer se iniciou em minha primeira aula e jamais desapareceu, abrindo para mim um mundo de nova experiências e possibilidades. A intuição é minha maior companheira, além do conhecimento, pois na verdade cada sensação que tenho ao mudar uma receita escrita por um Mestre de Poções vem do meu conhecimento dos ingredientes e de suas interações, como o fogo, o ar, a água, o frio e, claro, os outros ingredientes.
Baseado nessa premissa ao longo da minha carreira escolar corrigi as poções das lições e sempre, sempre apresentei poções melhores que causaram resultados melhores e mais rápidos. Talvez, eu seja pretenciosa, mas mesmo que publique este livro apenas depois que concluir meu Mestre, não serei modesta em não o escrever agora.
Estas páginas não contem novas poções, apenas correções das poções ensinadas em minha carreira escolar em Hogwarts, além de um aprofundamento nos ingredientes e suas reações e interações. Eu terminei e está pronto para publicação, apenas aguardando o momento oportuno, ou seja, o fim da guerra. Decidi enfeitiçá-lo para que ao sentir o perigo vá magicamente para o cofre da Família Potter, onde estará seguro.
Sem fôlego e emocionado, Harry tocou a bonita e conhecida letra de sua mãe e começou a folhear as páginas encontrando as receitas das poções do ano passado e uma explicação clara e completa sobre como prepará-las. Embaixo havia anotações e orientações, "procure no sumário de ingredientes", rapidamente Harry foi para o fim do livro e encontrou uma página escrita "Sumario dos Ingredientes". Lendo descobriu que sua mãe escreveu as ações e reações de cada ingrediente em diversas situações, inclusive a quanto tempo foi colhido, como prepará-lo e retirar o melhor deles e assim por diante. Era incrível e tão detalhado que deve ter levado anos, provavelmente, começou ainda na escola, pensou Harry, orgulhoso.
Pegando o outro livro descobriu que era uma espécie de diário, mas não pessoal e sim de ideias e projetos. Haviam feitiços que, Harry percebeu, eram invenções dela e mais a frente descobriu poções também, dezenas de páginas com ideias, símbolos, números e equações. Percebeu que eram Aritmancia, Runas e mapas de astronomia, não entendia tudo, mas decidiu levar com ele e estudar, talvez fosse bom começar a estudar Runas Antigas e Aritmancia mais cedo, não queria esperar até o ano que vem. E, decidiu, precisava encontrar alguém que lhe ensinasse galês e talvez já conhecesse alguém que poderia ajudá-lo.
Olhando alguns documentos, Harry encontrou uma cópia do testamento de seus pais e outros mais antigos. Uma pasta vermelha lhe chamou a atenção, pois tinha o nome Stronghold, abrindo-a encontrou um testamento de Lindel Stronghold em favor de Harry Potter, com expressão confusa, ele leu e descobriu que além do cofre o Sr. Stronghold, seja lá quem fosse, lhe deixará suas propriedades em agradecimento pela morte de Voldemort. Que estranho. Colocou a pasta em sua bolsa e se aprofundou mais na sala até que em uma prateleira encontrou o nome Laura Fleamont Potter e nela havia o Grimoire dos Fleamonts. Além de surpreso, positivamente, Harry olhou em volta em busca de outros Grimoires, mas não encontrou nenhum, considerou que desde que o Gringotes fora criado a única a ser a última de uma linha de família, fora sua trisavó Laura. E antes disso, pelo livro de seu avô, apenas Iolanthe Peverell, mas naquele período talvez os Peverell não tivessem um ou foi perdido. E os O'Hallahans? Depois que o irmão de sua avó morreu seus filhos e netos ficaram com o Grimoire? Isso queria dizer que tinha primos na Irlanda? Talvez de segundo ou terceiro graus, mas ainda seria interessante conhecê-los.
Abrindo o Grimoire Fleamont encontrou a língua rúnica e latim, decidiu deixá-lo, já tinha muito o que estudar e não aprenderia runas sozinho o suficiente para ler tudo aquilo. Deixaria para o próximo verão, assim em seu terceiro ano, poderia traduzir enquanto tinha aulas de Runas Antigas. Olhando mais um pouco, encontrou as escrituras da Mansão Potter e de Hallanon, mas não tinha um endereço específico ou chaves. Harry sabia que Dumbledore estivera enviando elfos domésticos para limpar todas as propriedades, mas como ele sabia suas localizações?
Voltando pelo outro lado da sala, Harry encontrou uma prateleira com o nome do seu pai e um caderno com capa vermelha, abrindo encontrou o que parecia um projeto de quadribol. Esquemas de jogos, posições, táticas, treinamentos físicos, avançando mais um pouco ele encontrou um pequeno texto.
Ainda existe muito o que avançar no Quadribol enquanto uma Liga. Apesar de fundada a mais de 300 anos, como quase tudo no mundo mágico a Liga Britânica e Irlandesa de Quadribol se mantem parada no tempo e o pior, é controlada pelo Departamento de Jogos e Esportes Mágicos, do Ministério da Magia. Muitos não sabem, mas antes do Departamento ser criado em 1811, a Liga se movia com mais independência e lucros. Quando fundado, o Departamento tinha apenas a função de regularizar e coordenar a segurança dos jogos, evitando a quebra do Estatuto de Sigilo, mas com o passar dos anos mais regras e regras foram criados, além de uma boa parcela dos ganhos ser direcionada para os cofres do Ministério.
Em minha pesquisa sobre porque meu bisavô teve que vender o nosso time, Kenmare Kestrels, encontrei muitos erros administrativos tolos, mas também constatei que o maior problema eram as regras, estruturas e determinações do Ministério que não permitem ao time qualquer autonomia e possibilidade de crescimento. Isso sem falar que uma parte substancial do pouco lucro do time é sistematicamente direcionado para o Departamento como taxas de "custos de organização e manutenção". É tão absurdo que tenho pouco o que falar disso, até porque aconteceu a 110 anos e não pode ser alterado, mas meus planos para o futuro são buscar a reestruturação da Liga e começarei por comprar de volta o nosso time. Sei que mamãe ficará felicíssima quando descobrir que os Kenmare Kestrels voltarão a pertencer a sua família fundadora, nossa família. Depois disso, começa o trabalho pesado e sei que muitos esperam que eu jogue quadribol profissional, mas não tenho essa intenção por mais que ame o jogo. Quero fazer mais do que entrar nesse sistema falho e fazer gols, quero fazer a diferença.
Bem, comecemos com os planos iniciais...
Harry sorriu ao ler as palavras de seu pai, claro, ele era um gênio e nunca se contentaria em ser apenas um jogador, reestruturar a Liga de Quadribol era o seu sonho e objetivo. Rindo divertido, Harry guardou o caderno em sua bolsa, pensara que seus planos tinham terminado, mas agora percebeu que não. Era hora de pesquisar, estudar e preparar novos planos e o melhor, sem Dumbledore metendo seu nariz torto onde não deve.
— Não preocupe, papai, cuidarei de tudo e deixarei o senhor e a vovó orgulhosos. — Sussurrou ele em tom de promessa.
Dumbledore estava olhando pensativamente pelos seus óculos, pousados em seu nariz torto, para todos os documentos e pastas dos negócios Potters em seu poder. Suspirou, prometera enviar e já adiara mais do que devia, não queria que Harry acreditasse que estava faltando com sua palavra, falhara o suficiente com o pobre menino.
— Fawkes. — Dumbledore chamou suavemente e seu querido amigo brilhou no seu poleiro. — Você se importa de levar todo esse material para o Sr. Black? São importantes documentos para arriscar enviar por coruja.
Fawkes trilhou positivamente e voando até a caixa sobre a mesa, ele a agarrou com as garras e depois desapareceu. Pensativamente, Dumbledore caminhou na direção da janela e olhou para os jardins da sua escola e as montanhas ao longe, voltando a refletir sobre a difícil conversa com Harry Potter. Uma conversa justa e necessária, sabia que sua negligência tola era imperdoável e enquanto não se arrependia de deixar o menino com os tios, ele se arrependia de não agir de modo diferente. Fechou os olhos tristemente ao se lembrar daqueles olhos verdes magoados que não o encararam quando descreveu a vida e relação que poderiam ter tido enquanto crescia se ele se dispusera a visitá-lo. Como fora tolo, imaturamente agarrado em suas convicções e não parando para pensar em outras possibilidades, Harry estava certo, ele tinha idade e inteligência suficiente para saber que para chegar a um objetivo existem mais de um caminho e ele escolhera o mais duro para o menino e o mais fácil para si.
Nunca se sentira tão envergonhado como quando um garoto de 12 anos lhe chamara a atenção e mostrara seus erros. O lembrara de um outro garoto apontando suas outras escolhas erradas e voltar aquele dia da morte de sua irmã foi muito difícil, isso sem contar encarar a frieza de Harry. Por alguns momentos, Dumbledore temera que, devido aos seus desesperados planos para Harry não se tornar um novo James, ele o transformara em um novo Tom. Felizmente, o menino tinha amor demais em si, um coração imenso e ele percebera que o sarcasmo e a frieza eram apenas autodefesas, maneiras dele lidar com a raiva que sentia. Foi por isso que Dumbledore não reagira fortemente mesmo com suas maneiras grosseiras, percebera ser uma tática de provocação, para iniciar uma briga, uma discussão. Responder com reprimendas e ordens seria tolice, aumentaria a raiva de Harry e os distanciaria ainda mais, o melhor era ser gentil e deixá-lo descarregar sua justa raiva. Ainda tinha esperança que com o tempo e amadurecimento, Harry entendesse que seus erros não foram intencionais, nunca quisera prejudicá-lo e sim torná-lo apto a sobreviver aquela maldita profecia.
Suspirou olhando para os papeis em sua mesa que o chamavam, estivera tão ocupado nos últimos dias, com a preparação do reinício do ano escolar, a reunião com o Conselho de Governadores e Sirius Black, que levou a decisão da construção de uma piscina e espécie de academia de treinamento. Sua escola estava uma grande confusão, mas nem de perto era a confusão que vivia o Ministério da Magia com as pesadas e justas multas e indenizações pagas nas últimas semanas. Fudge se fechara em seu escritório, muito mais magro e pálido do que já estivera e só aceitava conselhos de Bones que, felizmente, sendo uma mulher boa e sensata o estava ajudando a cortar gastos para não chegarem a falência. Isso, claro, estava levando a demissões, verificação orçamentaria dos departamentos e fins das horas extras ou salários exorbitantes de algumas figuras de famílias antigas e puras. O descontentamento era geral e o pânico parecia fazer com que todos pensassem que a solução era mudar de Ministro, Dumbledore já conduzira a votação de duas Declarações de Desconfiança na Suprema Corte, felizmente elas não passaram, e recebera dezenas de cartas de pais apavorados que não tinham ou sabiam como pagariam pelas mensalidades dos filhos.
E isso ainda não apagava o duro golpe que foi a sua expulsão do cargo de Chefe Supremo da ICW. O Primeiro Titular Kofi Annan e outros membros que formavam a comissão designada para analisar em detalhes as provas dos crimes cometidos pelo governo mágico britânico o convocaram para um interrogatório informal. Ele não seria acusado criminalmente, mas foi acusado de responsabilidades e cumplicidades em crimes cometidos contra os Direitos Humanos. Sua defesa se baseava em sua convicção de culpabilidade de Sirius Black, mas isso não afastava os graves erros e crimes cometidos, assim eles chegaram a decisão de que Dumbledore não poderia mais ser o Chefe Supremo. Ele não poderia dizer que foi completamente inesperado, mas o afastamento como representante do Reino Unido na ICW o desconcertara, não fora destituído do cargo apenas por respeito e consideração. Mas seu afastamento era definitivo e a ICW esperava que a Suprema Corte Bruxa e o Ministro Britânico nomeassem um novo representante o mais rápido possível.
Felizmente, o Ministério e o Ministro tinham tantos problemas que a ninguém ocorreu o expulsar do seu cargo de Chefe da Suprema Corte Bruxa também. Eles agora tinham que se concentrar em escolher um novo representante, limpar toda essa bagunça e Dumbledore tinha que pensar em uma maneira de resolver os problemas de seus alunos, cujos pais, estavam com o orçamento apertado. Isso sem falar no aviso do tal elfo ao Harry, o preocupava fortemente o que Malfoy estava planejando e contra quem.
E mais uma vez sua mente voltou ao menino, a conversa difícil entre eles vinha o incomodando a cada dia mais e mais. No começo porque se sentia culpado por tudo o que acontecera, o incidente mágico com Vernon Dursley poderia ter tido consequências fatais e isso seria uma tragédia inimaginável para o mundo mágico. Depois decidiu que era a surpresa que sentira ao perceber o quão inteligente e esperto Harry era, raramente algo o desconcertava, mas, a mente ágil, a capacidade de analisar os fatos e desvendar os propósitos por traz deles, fizeram isso. Ainda o surpreendia como estivera preso em um modelo de Harry Potter ideal e não se afastara dele mesmo quando a verdade estava, claramente, bem à sua frente. Nunca em sua vida acadêmica se deparara com um garoto de 12 anos tão inteligente e forte mentalmente, suas máscaras e frieza o fizeram pensar em Tom, mas essa impressão logo se perdera. Harry não era nada como Tom Riddle, sua voz era cheia de emoção e seus olhos de sentimentos como amor, carinho e saudade. Ele não mascarava seus sentimentos sobre os Boots ou Sirius, Harry apenas escondera dele seus sentimentos sobre suas decisões em relação a sua vida. E eram, claramente perceptíveis, o amor e respeito que tinha pelos pais, seu orgulho e gratidão pelo presente da proteção legado pela mãe...
Dumbledore soltou uma exclamação de surpresa que acordou Fawkes do seu cochilo em seu poleiro onde estava a alguns minutos desde que voltara de sua missão. Ele ficou paralisado e olhando em choque pela janela sem ver o dia morrer lentamente e a penumbra envolver tudo antes da noite chegar. Não era possível, pensou, como...? Completamente desconcertado, Dumbledore repassou toda a conversa em sua mente, seu amor e respeito pelos pais, o momento em que não permitiu que voltasse a falar de Lily e do presente que ela lhe deu com sua vida. Sua curiosidade em entender porque a proteção era tão importante além do fato que poderia machucar Voldemort. Lembrou-se de suas palavras, fortes e intensas, "Você me olha, mas não me vê", "Olhe-me, Veja-me", "Eu sou um Ravenclaw", "O que o senhor entende de sacrifícios? ", "Máscaras são uteis", "Estou longe de ser um tolo, ingênuo e crédulo garotinho", "O senhor ainda está me subestimando? " Quando a verdade clareou em sua mente depois de uma sucessão de palavras e expressões, Dumbledore olhou para Fawkes que o encarava com certa curiosidade.
— Fawkes... — Sussurrou ainda desconcertado. — Acredito que cai no maior engodo da minha vida e quem me enganou foi um menino de 12 anos...
Fawkes apenas trilhou suavemente divertido e Dumbledore não aguentou e começou a rir de puro espanto e choque, gargalhou como nunca em sua longa vida adulta se jogando em sua cadeira e segurando o estômago de tanto rir. Os quadros dos antigos diretores o olharam espantados e o mais mal-humorado deles, resmungou:
— Que atroz deselegância.
