Capítulo 46
Harry e os amigos subiram as escadas rapidamente, estavam exaustos do dia longo e estressante, mas, em um acordo silencioso, seguiram direto para o Covil. Assim que entraram e fecharam a porta, Terry começou a falar:
— Harry...
— Eu sei, eu sei, exagerei como sempre faço com essa história de fãs idiota. — Disse bagunçando os cabelos ainda mais e, andando de um lado para o outro, tentou tirar da mente a visão dos grandes olhos da cor do chocolate parecendo magoados e mortificados.
— Olha, o dia foi difícil e entendo porque o Ron te tirou do sério, mas a pobre menina não tem culpa e descontar nela não foi justo. — Disse Terry.
— Sinceramente, acredito que temos problemas maiores do que nos preocuparmos com menina fã tola. Como Snape e Dumbledore, por exemplo. — Disse Hermione
— Isso tudo tem a ver, Hermione. — Terry falou chateado. — Harry... Não, todos nós saímos da linha hoje e agimos de maneira nada inteligente, eu assumo a minha culpa. Mas, da mesma maneira que defendi você, quando fez um monte de perguntas bobas ao Harry a um ano e o deixou zangado, não posso me calar agora.
— Eu sei, Terry, apenas... queria que esses malditos livros e apelido idiota não existissem. — Harry ainda andava furiosamente. — E me irrita ainda mais ver como as pessoas não enxergam a verdade, primeiro, eu não matei Voldemort, ele nem está morto, mas quem destruiu seu corpo foi minha mãe. Segundo, fui dado esse apelido porque sobrevivi a maldição da morte, mas na verdade isso apenas me lembra que sobrevivi e meus pais, não. Terceiro, como alguém pode acreditar que aqueles livros são, realmente, baseados na minha vida? Eu cresci no mundo trouxa e sem sabia sobre magia até outro dia, imagine, viajar pelo mundo em aventuras mágicas.
— Harry, você precisa entender que ninguém sabe nada disso, seus pontos são válidos, mas desconhecidos para todos. E as pessoas veem sua sobrevivência como algo positiva, o fim da guerra, das mortes e do medo. — Disse Terry suavemente.
— E sobre os livros... — Neville corou um pouco quando falou. — Quando os li, pensei que era tudo verdade.
— O que? — Harry se mostrou chocado.
— Entenda, Harry, eu tinha 5 ou 6 anos e ouvir a história do Harry Potter, o menino-que-viveu era algo incrível. Você era o herói que nos salvou e isso tornava os livros de aventuras reais também, além disso, a afirmação "Baseado na vida de Harry Potter", mostrava isso para todos, não apenas crianças. — Explicou Neville levemente constrangido.
— Neville está certo, muitos adultos acreditam nos livros de aventura, acreditam que foi você quem matou Voldemort e não podem ou não querem ver o seu lado de toda essa tragédia. — Terry continuou e suspirou cansado. — E são esses os adultos que ensinam as crianças, Harry, imagine isso, nos últimos 11 anos essa história foi repetida, de novo e de novo pelos pais deles e todos tinham seus livros também. Como podemos esperar que crianças enxerguem o que está bem debaixo de seus narizes. — Terry terminou mais duramente e Harry assentiu envergonhado.
— Vocês estão certos e, desde que descobri sobre os livros, eu já tinha aceitado tudo isso, ainda que normalmente prefiro ignorar ao em vez de me zangar com essa história de fãs. — Harry se sentou também. — Se tiver a oportunidade me desculparei com a menina, ela não tem culpa e não foi justo descontar nela.
— Eu não penso que deveria fazer isso, apenas lhe dará esperança e o pior é que ela pode acabar por pedir um autógrafo de verdade. O melhor é deixar as coisas assim, além disso você já se vingou do seu irmão por ela. — Disse Hermione.
— Você não precisa pedir desculpas, mas pode ser gentil em outra oportunidade. — Disse Terry concordando com Hermione.
— Eu nunca pensei que o Ron poderia voltar ainda mais idiota. — Disse Neville exasperado. — Ela pareceu tão envergonhada, fiquei com pena.
— Sim, eu percebi, foi por isso que disse aquilo ao Ron, o cara não tem o direito de humilhar ninguém assim, ainda mais a própria irmã. — Disse Harry lembrando como ficara irritado com a atitude do ruivo, mas sua irritação aumentara quando, depois que lhe piscara, a garota, Ginny, o encarara com admiração. Perceber que ela o via como uma espécie de herói e não como ele mesmo o incomodara, assim tentou deixar claro que não queria fãs, mas sabia que fora grosseiro e descontara sua raiva na menina. — Bem, toda a história com o Malfoy me incomodou e depois Snape, acabei jogando minha raiva onde não devia.
— O que faremos? Snape levará a reclamação de Draco ao diretor. — Apontou Hermione preocupada.
— Eu não estou preocupado com isso. — Harry deu de ombros.
— Harry! Você tem que se preocupar, você poderia ser acusado de agressão e ser expulso. — Hermione o olhar com o cenho franzido.
— Hermione, o diretor acabou de me fazer assinar um contrato vinculativo mágico onde me comprometo a não deixar o país ou Hogwarts. Acredita que ele me expulsaria? — Harry ergueu a sobrancelha exasperado.
Isso a fez se calar por alguns segundos desconcertada, antes de voltar com tudo.
— Ok. Concordo que é essa não é uma preocupação, mas você, provavelmente, ainda terá que ir a sua presença e pensei que a ideia era evitá-lo. Além disso, temos que falar sobre o que aconteceu, agradeço e entendo porque ameaçaram o Malfoy, mas não podemos sair por aí resolvendo tudo com ameaças e violência. — Disse ela seriamente e Terry e Neville abaixaram a cabeça envergonhados.
— Eu concordo com a última parte, ainda que não sei qual a solução, se você tem uma forma de impedir o loiro azedo de dizer aquelas palavras horríveis, estou ouvindo. — Disse Harry realista. — Sobre Dumbledore, preferiria nunca mais vê-lo, mas sabemos que isso é impossível e, se tiver que acontecer, que seja logo. Além disso, não estou preocupado, o que ele pode fazer agora que não é mais meu tutor?
— Isso é arrogância, Harry! — Disse Hermione exasperada.
— O que? Arrogância? — Ele a encarou confuso.
— Sim, você enganou Dumbledore e agora pensa que é mais poderoso que ele, está deixando isso subir a sua cabeça e já faz um tempo que percebi isso. — Ela continuou e ignorou o olhar chocado dele. — Você pode pensar que tem o diretor em suas mãos, mas não tem, a verdade é que não sabemos como ele reagirá ao perceber que foi enganado ou como pode usar seu poder para te controlar. Quer você queira, quer não, Dumbledore é importante e poderoso, muito mais do que todos nós, o Boots, Sirius, juntos, assim você não pode baixar a guarda.
O Covil ficou em silencio e Harry encarou Terry e Neville para ver o que pensavam, eles pareciam confusos, mas não se opunham completamente.
— Eu não sei o que dizer... — Harry se levantou confuso e abriu a janela para olhar as montanhas. — Eu preciso pensar, ok? Eu estive me sentindo animado e seguro desde que consegui me livrar da sua tutela e, enquanto espero uma reação dele quando perceber que o enganei, não posso negar que não estive muito preocupado com isso. E, talvez seja arrogância, mas nós sabemos que por causa da profecia ele precisa de mim aqui, seguro, além disso, não acredito que Dumbledore apelaria para ameaças ou feitiços para me controlar.
— Ok, talvez... — Terry parou pensativo. — Acredito que os dois pontos de vistas estão corretos, Harry não pode baixar a guarda mesmo que não enxergamos o que Dumbledore poderá fazer. Precisamos parar e refletir, mas não hoje estamos cansados e preocupados, talvez o melhor é voltarmos ao assunto amanhã com mais calma depois de uma noite de sono.
— E sobre Malfoy? — Neville questionou. — E não apenas o cérebro atrofiado, mas seu pai também?
— Não temos como saber o que ele está planejando e duvido que Draco saiba alguma coisa além de que algo irá acontecer em Hogwarts este ano contra os não puros. — Harry falou preocupado. — Temos que ficar atentos a tudo e qualquer coisa acontecendo fora do normal em Hogwarts.
— E sobre Draco, minha solução é não reagirmos ao loiro descerebrado e muito menos com ameaças e violência. — Disse Hermione muito séria. — Eu entendo e agradeço por me defenderem hoje mais cedo, mas não gosto e exijo que não se repita.
— Hermione... — Terry começou a protestar, mas ela o olhou firme e ele se calou.
— Eu não sou uma donzela em perigo e quando vocês se levantam e se colocam na minha frente daquela maneira, me fazem pensar que vocês me acreditam inferior e incapaz de me defender por mim mesma. — Disse ela muita zangada não lhes deu a chance de protestar, ainda que todos arregalassem os olhos e movessem a cabeça negativamente. — Eu estava lidando com ele, fingindo que nem estava lá, por isso comecei a falar com vocês ao em vez de lhe responder, pensei que vocês tinham entendido e me acompanhariam. Poderíamos ignorar suas palavras e falar sem reagir a ele até que Draco se cansasse de ser tratado como alguém invisível e fosse embora. Ou, sacasse a varinha e, então, teríamos motivos para nos defender de um ataque mágico ou físico.
Os meninos ficaram em silencio surpresos ao entenderem seu plano.
— Era um bom plano, Hermione e não é que não acreditamos que seja você capaz de se defender, mas, Draco disse aquelas palavras horríveis e... — Terry tentou explicar, mas Hermione o interrompeu.
— E, eu não ligo a mínima para o que pensa ou diz Draco, seu pai ou qualquer puro-sangue ignorante. — Hermione falou furiosa. — E não podemos super reagir sempre que alguém falar ou fazer alguma discriminação como essa, não é assim que combateremos o preconceito. O que estamos fazendo com a GER, a Associação de Pais e contar a verdade aos nascidos trouxas são os caminhos corretos. Não feitiços e adagas.
Os meninos olharam para o chão envergonhados e acenaram concordando.
— Ok, você está certa, Hermione. Precisamos pensar em uma estratégia de enfrentamento, pois eu duvido que essa será a última vez que ouvimos esse tipo de ofensa. — Disse Terry suavemente.
— Acredito que indiferença é o melhor... — Hermione falou e ao ver seus olhares contrariados, continuou. — Apenas a curto prazo, lembrem-se que a Associação de Pais lidará com o bullying e discriminação.
— Hermione, mesmo com as ações da Associação, isso não é garantia de que algo mude, pincipalmente, com os professores indiferentes que temos, Snape e uma casa inteira que prega a pureza de sangue. — Harry apontou irritado.
— É verdade, mas quer saber? Teremos que aguentar, assim como muitos aguentaram antes, até que chegue o dia em que o mundo mágico não esteja mais dominado por puristas. — Disse Hermione determinada. — Talvez chegue o dia em que essa discriminação seja crime assim como o racismo é em alguns países no mundo trouxa. E, se suas mães enfrentaram o preconceito, eu também posso e farei isso com inteligência, não ameaçando garotos tolos de 12 anos com facas.
— Era uma adaga e eu não pretendia machucá-lo, Hermione e já reconheci que o que fiz foi errado. — Disse Harry irritado por sua insistência em voltar no assunto.
— Sim, mas você não está pensando! Harry, você passou dos limites, o que acontecerá quando Draco espalhar o que aconteceu? Mesmo que Dumbledore não faça nada, e sobre o pai dele? Que, além de perigoso, é membro do Conselho de Governadores. — Hermione estava impaciente agora. — E quanto tempo demorará para essa informação chegar aos seus guardiões e Sirius?
Harry que não tinha pensado em nada disso até o momento, falou um palavrão.
— Harry! — Protestou a amiga.
— O que? Eu já estou em montes de problemas mesmo, um palavrão a mais não fará diferença. — Harry disse e se levantando andou de um lado para o outro. — Eu não tinha pensado em nada disso.
— Isso é óbvio. — Hermione um pouco presunçosa.
— Dê um tempo, Hermione. — Harry suspirou. — Olha, se tiver que sofrer algumas detenções ou se a Sra. Serafina, minha tia e padrinho me colocarem de castigo, terei que encarar. Você está certa, o que eu fiz está errado, mas não deixarei de carregar a adaga e prometo que apenas usarei em caso de perigo real.
— E sobre Malfoy? E se ele exigir sua expulsão ou tentar se vingar de alguma forma? Já temos que nos preocupar com esse plano horrível que ele colocou em andamento, que não sabemos o que é ou quem é seu alvo. Agora teremos que nos preocupar que ele tente machucar você. — Hermione insistiu ainda muito séria.
— Ok! Eu já entendi! — Harry estava mal-humorado. — Eu fiz besteira e terei que lidar com isso, seja o que for que Malfoy decida fazer. Como se ele precisasse de uma desculpa para me odiar.
Hermione parecia que ia voltar a recriminá-lo, mas Terry foi mais rápido.
— Chega, Hermione, já concordamos que você está certa, continuar nos recriminando não resolve nada. Se Harry tiver que enfrentar detenções e castigos, Neville e eu o acompanharemos, pois também somos culpados.
— Não, isso não seria justo, foi eu quem ameaçou o Draco com a adaga, passei dos limites como disse a Hermione. — Disse Harry arrependido.
— Sim, mas eu me levantei e saquei a varinha bem rápido também. — Disse Terry razoável.
— E eu estava muito ansioso em transformar o descerebrado em um eunuco. — Disse Neville e, claro, isso levou os meninos a rirem divertidos, Hermione se conteve e os olhou exasperada.
— Meninos. — Disse ela com um pouco de humor.
— Olha, eu não sei o que virá e você está certa, Hermione, foi a maneira nada Ravenclaw de lidar com o preconceito. Draco é apenas a pontinha minúscula de um problema enorme que precisamos combater corretamente e já estamos fazendo isso. — Harry disse voltando a ficar sério. — Se isso chegar ao diretor, negarei e direi que o Draco está mentindo, mas contarei a verdade aos meus guardiões e aceitarei qualquer castigo. Sobre o Malfoy pai, se ele vier tentando alguma coisa oficialmente contra mim, sei que Sirius e mesmo Dumbledore me protegerão, mas não acredito que ele faria nada para me machucar em vingança.
— Concordo. Se Draco está espalhando o que aconteceu, qualquer coisa que aconteça com Harry, se voltaria contra ele e não é assim que o covarde age. Seu plano, seja qual for, para realizar coisas terríveis em Hogwarts mostra isso, sem o aviso do Dobby nunca saberíamos quem é o responsável e duvido que consigamos provar qualquer culpa do Malfoy. — Apontou Terry e todos acenaram concordando.
— Ok, então ficamos atentos, ignoramos os puristas e suas ofensas, Harry manterá essa adaga para emergências e torcemos para que Dumbledore não decida fazer nada. Ah, e vocês terão que encarar o castigo dos adultos, seja qual for. — Enumerou Hermione. — Mais alguma coisa?
— Na verdade, sim. — Disse Terry preocupado. — Temos um Avery e um Wilkes entre os 1º anos, um deles na Ravenclaw e isso me preocupa.
— Eu percebi sua tensão quando eles foram anunciados. — Disse Harry voltando a se sentar.
— Existem dezenas de crianças nesta escola, filhos e netos de comensais da morte ou puristas, como Daphne, mas Avery era um do mais cruéis e seu filho não ficava atrás. — Terry suspirou parecendo cansado. — Avery pai foi morto na guerra por seu pai, Harry.
— Eu não li nada sobre isso. — Disse Harry surpreso.
— Porque a Ordem da Fênix não era oficial...
— Espera, como você sabe disso? Nem sabíamos da existência dessa Ordem até outro dia? — Hermione perguntou confusa.
— Porque estive conversando com meu avô e ele tem investigado tudo sobre aquela época e sobre as ações da Ordem da Fênix desde que descobriu que minha tia Carole foi morta em uma de suas missões. — Terry disse cabisbaixo. — Papai e mamãe não sabem disso, mas eu encontrei alguns papéis e documentos em seu escritório.
— Porque ele estaria fazendo isso? — Harry não entendeu.
— Vovô me disse que são três as razões, primeiro, ele quer tentar descobrir qualquer coisa que leve a encontrar Pettigrew, tanto ele como Sirius estão muito empenhados nisso. Segundo, meu avô quer que aprendemos com os erros do passado, ele disse que é algo que aprendeu com o vovô Bunmi, olhar para a história e analisar o que deu errado e fazer certo na próxima. — Terry sorriu um pouco triste. — Como nós, vovô tem certeza que uma nova guerra ocorrerá e como estivemos a ponto de perder da outra vez, ele, com a ajuda do Sirius, tem analisado as ações e decisões do Ministério e da Ordem para entender tudo o que foi feito errado e qual a estratégia que devemos ou não seguir.
— Isso é muito legal, você os esteve ajudando? — Harry perguntou impressionado.
— Um pouco, você sabe como adoro história e pesquisa, mas não tanto quanto gostaria, pois não queríamos que minha mãe descobrisse, papai também. — Explicou Terry, meio envergonhado e os três amigos acenaram em compreensão. — Não acredito que ela aprovaria que eu aprendesse sobre tudo isso.
— Ok, isso é realmente muito legal e você deveria ter nos contado, poderíamos ter ajudado. — Disse Hermione como sempre ansiosa para aprender coisas novas. — E qual o terceiro motivo?
— Não falei porque meu avô e Sirius querem fazer isso por si mesmos, como se estivessem se redimindo pelo passado. Entendem? — Quando todos acenaram, continuou. — O terceiro motivo é que ele quer escrever um livro contando a verdade, sabe, algo sobre por dentro da guerra, além de dar respostas verdadeiras sobre o que aconteceu para as famílias que perderam alguém, assim como está acontecendo no caso dos lobisomens. O magoou muito perceber que demorou mais de 10 anos para descobrir a verdade de como e porque minha tia foi morta.
— Agora ele sabe que, Pettigrew ser um espião e a existência da Ordem teve um envolvimento direto em sua morte. — Disse Harry compreensivo, pois lhe fora doloroso e ainda um alívio saber porque seus pais foram caçados e mortos.
— Exato. E, claro, que o livro só será publicado depois que Voldemort estiver muito bem morto, vovô acredita que seria perigoso se ele ou seus antigos seguidores descobrissem que alguém está investigando tudo o que aconteceu e quem fez o que. — Explicou Terry. — No caso do Avery, ele era um dos seguidores mais fiéis de Voldemort, algo como um de seus comandantes e muito ativo. Sirius contou que Avery era amigo de seu pai e avós, um homem que cometia muitas crueldades contra os trouxas, sua morte foi antes de nascermos e no Ministério está registrada como uma luta do comensais da morte contra os aurores. Mas, Sirius explicou que estava presente e que os aurores nem estavam por perto, como quase sempre, e que a Ordem da Fênix impediu que eles colocassem fogo no Orfanato do Abortos.
— Oh! Meu Deus! — Hermione exclamou chocada e muito pálida, Harry e Neville não estavam muito melhor.
— Sirius disse que seus pais lutaram, incansavelmente, Harry e que em determinado momento, Avery desviou um dos seus feitiços explosivos na direção das crianças que tentavam fugir por uma trilha para a floresta que cerca a propriedade. — Terry ficou mais pálido e seu olhos assombrados. — Duas meninas foram jogadas longe e despedaçadas como bonecas, Sirius contou que seu pai ficou furioso e devolveu o feitiço com grande poder e o escudo Protego de Avery não conseguiu segurar e, bem, fez um buraco no estômago dele.
— Bom. — Harry falou sentindo uma mistura de asco, orgulho e tristeza, Hermione chorava e Neville segura os punhos com força.
— Precisamos nos apressar, o toque de recolher está em cima. — Disse Terry tentando ser objetivo. — Avery filho nunca foi preso, assim como Malfoy, alegou que foi controlado pela maldição Imperius e comprou seu caminho para fora de um julgamento. Quem foi classificado hoje é seu filho e neto do homem que seu pai matou, Harry.
— Ok, entendo sua preocupação, eles com certeza sabem a verdade, mas se nem Draco ou qualquer aluno mais velho tentou nada contra mim, porque deveria me preocupar agora? — Harry questionou confuso.
— Porque se preocupar e ficar atento é o mínimo que podemos fazer, Harry, além disso, não sabemos nada desse plano do Malfoy que o Dobby o alertou e poderia ter algo a ver com esses garotos e isso me leva ao Wilkes. — Terry respirou fundo cansado. — Rolan Wilkes é filho de Juno Wilkes, ele foi morto, junto com Evan Rosier, quando tentaram fugir dos aurores, isso aconteceu depois que Voldemort desapareceu. Os comensais ficaram perdidos, alguns agiram como Malfoy e Avery, outros tentaram encontrar Voldemort de todo jeito...
— Como os Lestrange e Crouch Jr. — Disse Neville com raiva.
— Sim, outros, além de procurarem por seu mestre, tentaram causar o máximo de mortes e destruições possíveis por vingança pela morte de Voldemort ou porque acreditavam que poderiam continuar a guerra sem ele. — Terry os olhou preocupado. — Foi o caso de Rosier e Wilkes, eles resistiram a prisão e foram mortos pelos aurores. Rolan deveria ser recém-nascido ou estar na barriga da mãe dele e agora está na Ravenclaw, isso não me parece um bom sinal.
— Eu entendo sua preocupação, Terry, mas ele é um garoto de 11 anos e não deveria carregar o peso pelos erros do pai. O fato dele estar na Ravenclaw não mostra que talvez ele seja diferente? — Hermione questionou sensata.
— Talvez, mas a mãe dele é uma Travers que é uma família purista de comensais da morte cruéis, o tio de Rolan matou toda a família McKinnon e está em Azkaban por isso. Os avós deles por parte de mãe e pai estão vivos e são todos puristas da pior espécie, ele estar na Ravenclaw não significa que não seja como o resto da sua família. — Apontou Terry e todos ficaram preocupados com essas novas informações.
— Melrose é um exemplo disso, mas Sirius também, ele é completamente diferente de sua família purista. — Disse Harry pensativo e olhou o relógio. — Mas entendo sua preocupação e, na verdade, fico feliz do meu pedido da melhoria do meu quarto para o Prof. Flitwick. Pessoal, faltam 5 minutos, precisamos correr ou estaremos ainda mais encrencados.
Harry e Terry acompanharam os amigos até a o 7º andar e depois voltaram rapidamente para a Ravenclaw chegando bem na hora. Não havia ninguém na torre e eles não se surpreenderam, todos estariam exaustos pela viagem e dormiriam cedo, pois tinham que estar às 7 da manhã presentes na reunião com Flitwick. Quando entrou em seu quarto, Harry sorriu animado e se sentindo bem por estar de volta a sua casa fora de casa, bem, nesse caso ele tinha três casas agora, pensou, levemente surpreso. E eram boas casas. Muito cansado, Harry vestiu seu pijama e comeu um lanche enquanto lia o bilhete deixado por seu chefe de casa em sua mesa.
Caro, Harry, bem-vindo de volta. Preciso me encontrar com você para uma conversa que talvez lhe interesse, assim o espero para um chá no domingo às 15 horas.
Enquanto isso, sobre o seu pedido de melhoria do seu quarto, lamento que você sinta necessidade de se proteger em sua casa. Isso é o que deveria ser a Ravenclaw, a sua casa, mas compreendo que depois do último ano você sinta a necessidade de estar mais seguro. Assim, deixo logo abaixo o feitiço que é utilizado na estátua da Rowena, para encantar sua porta.
O feitiço é "Apud Patitur", você deve realizá-lo por si mesmo, pois, sua magia o tornará mais forte, já que é o seu quarto que estará protegendo, além disso, você é um grande feiticeiro e mais do que capaz. Mova sua varinha e abranja toda a porta, visualize mentalmente as janelas também, elas não precisarão de senha para se abrirem, mas ninguém poderá entrar por elas, facilmente. Quando terminar de dizer o feitiço diga a senha, escolha uma palavra que apenas você conhece e, ainda assim, aconselho a mudar de tempos em tempos.
Boa semana de aulas,
Prof. Filius Flitwick
Harry sorriu animado e rapidamente sacou sua varinha e saindo para o corredor, fechou a porta e se concentrou pedindo a sua magia para proteger seu quarto, seus pertences e a ele. Sua magia o obedeceu facilmente e Harry suspirou se conectando com a magia do castelo, forte e pulsante, quase demais para sentir e controlar, mas se tinha algo que aprendera com a feitiçaria é que ele controlava a magia e não o contrário.
— Apud Patitur... Dobby. — Harry sorriu ao pensar no pequeno elfo, apenas as pessoas em quem ele confiava e diria a senha sabiam sobre ele, assim era uma palavra impossível de ser adivinhada.
Ele tentou abrir a porta e não conseguiu.
— Alohomora. — Disse e nada, a porta continuou bem fechada. — Dobby. — Disse suavemente e a porta se abriu sozinha, assim como a estátua de Rowena. — Demais!
Aliviado, Harry entrou e tomou suas poções, programou sua varinha, fez sua meditação e fortaleceu sua oclumência antes de dormir profundamente. Acordou às 6 da manhã e pulando fez alguns alongamentos, hoje não teria tempo para exercícios, limpou seu quarto e banheiro, tomou banho e se vestiu, descendo poucos minutos antes das 7 para uma sala comunal lotada. O burburinho era suave e ansioso, Harry olhou para os 1º anos se lembrando da própria ansiedade a um ano atrás. Olhando para Terry, sinalizou e seu amigo se levantou vindo em sua direção.
— O que?
— Vamos nos apresentar para os 1º anos, eles devem estar tão ansiosos quanto estávamos. Lembra-se? — Disse Harry em um sussurro.
— Se me lembro. Ok, mas temos só 5 minutos. — Disse Terry e os dois se aproximaram do grupo estranhamente polarizado.
Era claro que pequenos grupos de amigos tinham se formado. Havia um trio com duas meninas e um garoto, duas duplas de dois meninos e havia uma única menina sozinha, loira e com olhos azuis sonhadores. Harry foi na direção dela primeiro, pois não gostou de vê-la sozinha.
— Olá, eu sou Harry, este é meu amigo, Terry. — Disse ele tentando não ser muito formal e estranho no caso dela ser uma nascida trouxa.
— Olá, eu sou Luna. — Disse ela suavemente, um sorriso sereno e ainda, olhos sonhadores.
— Prazer em conhecê-la, Luna, somos 2º anos, se precisar de alguma ajuda pode nos dizer. Ok? — Disse Terry com seu sorriso gentil.
— Oh! Eu sou um 1º ano, se precisarem de ajuda podem me dizer também. — Disse ela com um sorriso maior, parecia animada.
Harry e Terry se olharam levemente confusos e ouviram um bufo das duas meninas que estavam por perto e ouviram a conversa.
— Ela é bem doida. — Sussurrou uma delas para a amiga que deu um risinho idiota.
Harry franziu o cenho na hora e percebeu que era por isso que Luna estava sozinha, olhando para o Terry viu sua expressão zangada.
— Ok, obrigada, Luna, estamos combinados, então, se precisarmos de ajuda podemos pedir uns aos outros. — Disse Harry suavemente e sorrindo, Luna acenou feliz.
Terry se aproximou para cumprimentar o trio, que incluía as duas meninas desagradáveis.
— Olá, somos Terry e este é Harry, somos 2º anos e sei que devem estar ansiosos, assim, se precisarem de alguma coisa. — Terry ofereceu gentilmente, apesar de ser menos caloroso do que foi com a Luna.
— Oi, sou Sue Li. — Disse a menina que rira do comentário da amiga. — E esta é Evelyn Kelly. — Seu risinho saiu outra vez quando ela olhou para o Harry. — Você é Harry Potter, certo?
— Hum... Sim, sou. — Disse Harry e olhou para o garoto ao lado delas, parecia bem tímido e ansioso. — E você?
— Eu sou Kennedy Thickey, mas prefiro Kenny. — Disse ele timidamente.
— Prazer em conhecê-los, não fiquem muito ansiosos, Prof. Flitwick é o melhor chefe de casa e ajudarão vocês a se adaptarem facilmente. — Disse Harry sincero e focando em Kenny que suspirou de alívio.
— Obrigada, eu não sabia que era um bruxo até receber minha carta. Pensei que a Ravenclaw seria uma casa legal, mas os garotos ali me disseram para não sentar perto deles ou vou sujá-los. — Disse ele apontando para uma das duplas e parecendo magoado, depois olhou para o Terry. — Eu sei que você falou sobre os preconceitos na reunião, mas pensei que aqui seria diferente.
Harry suspirou percebendo que Kenny não estava enturmado com as meninas, apenas se sentou ali porque foi tratado mal pelos dois puristas.
— Infelizmente, tem puristas em todas as casas, a maioria está na Slytherin, mas não todos. — Disse Harry e sinalizou para os dois meninos que também pareciam ansiosos, era a outra dupla, os dois se aproximaram timidamente. — Olá, sou Harry e este é meu amigo Terry, somos 2º anos, estamos nos apresentando e oferecendo ajuda. Este é Kenny, ele estava nos contando que só descobriu que era um bruxo quando recebeu sua carta.
— Oh! Cara, verdade? — Um dos meninos falou parecendo aliviado e sorriu para Kenny. — Eu também, minha família quase não acreditou quando a Prof.ª Sprout nos contou. Meu nome é Stephen, vivo em Leeds e você?
Kenny se levantou sorrindo e aliviado estendeu a mão.
— Sou de Bristol. Prazer em conhecê-los.
— Sou Kevin, sou mestiço e sempre soube que viria a Hogwarts, mas meus pais são nascidos trouxas, os dois e tenho avós trouxas, tios e primos também. Vivemos em Birmingham. — Disse o outro garoto, parecendo animado em fazer amigos.
Terry e Harry se olharam felizes enquanto os três garotos começaram a conversar e fazer amizade. Depois seguiram na direção da última dupla que sabiam que teriam problemas, mas tinham que se apresentar a todos. O garoto Wilkes era alto e bem magro e os encarou com expressão fria, o outro mais baixo tinha um olhar curioso.
— Olá, sou Harry e este é Terry, estamos nos apresentando e oferecendo ajuda se precisarem. — Disse Harry educadamente, mas sem nenhum calor e estendeu a mão.
Houve um momento de silencio e, quando Harry pensou que nenhum dos dois reagiriam, o garoto mais baixo se levantou e formalmente apertou sua mão.
— Eu sou Otto Quirke e nós agradecemos, mas não somos nascidos trouxas ignorantes, assim não precisamos de ajuda. — Disse ele com um sorriso arrogante.
— Harry Potter, prazer em conhecê-lo. — Disse Harry com a mesma formalidade, Terry o imitou enquanto dizia.
— Terry Boot. Mesmo que tenhamos crescido no mundo trouxa, Hogwarts é uma grande novidade e aqui na Ravenclaw nós ajudamos uns aos outros.
Quirke apenas levantou a sobrancelha desinteressado e Harry estendeu a mão para cumprimentar o Wilkes, mas o garoto apenas o encarou com frieza.
— Você, realmente, não espera que eu toque em sua mão imunda, não é, Potter? — Disse Wilkes com frieza e malícia. — Não estou interessado em me contaminar com sua sujeira trouxa.
Harry recolheu a mão lentamente e sorriu com igual frieza.
— Como queira, Wilkes, ainda que posso lhe garantir que nada de bom ou de ruim do mundo dos trouxas é muito diferente do mundo mágico, não que ignorantes como vocês poderão entender isso algum dia. — Disse Harry abrangendo os dois garotos. — Mas também lhe informo que aqui, nesta casa, vocês puristas existem, no entanto, são minoria e muito discretos porque sabem o seu lugar. Assim sugiro a você que mostre a inteligência que o fez um Ravenclaw e aprenda a manter essa sua boca nojenta bem fechada. — Harry deu um passo à frente e ficou feliz ao perceber que era um pouco mais alto que o garoto, ao invadir seu espaço pessoal e continuou com ainda mais frieza. — Ou eu fecho ela para você.
Harry não lhe deu a chance de responder e se virando afastou-se com Terry para perto dos amigos 2º anos. Ele sabia ser um risco lhe dar as costas, mas valeu a pena insultar o garoto ao mostrar que não o considerava um perigo.
— Hermione ficará furiosa. — Disse Terry quando se sentaram.
— Bem, ela que entre na fila, tenho a impressão que muitos estarão zangados comigo nos próximos dias. — Disse Harry dando de ombros e então sorriu ao ver seu chefe de casa se colocar de pé sobre a banqueta e cumprimentá-los animadamente.
Prof. Flitwick parecia completamente recuperado e ele mesmo enquanto falava com toda a casa, ano por ano. Seu jeito alegre e animado, ainda confiável e inteligente fez Harry se sentir emocionado por vê-lo vivo e ainda mais em casa. Rapidamente, cada ano foi deixando a sala comunal com seus horários que, ao analisar, ele percebeu que era igual ao do ano passado. Neville ficaria decepcionado, pensou Harry.
— Agora aos 2º anos, vocês tiveram um ano para se adaptarem, por isso esperarei mais organização e disciplina. Quero que se preparem melhor para as aulas e que seus deveres de casa subam de nível, afinal já tiverem um ano para se acostumarem com o ritmo de cada aula, professor, e a estrutura da escola. Me reunirei com vocês no próximo semestre para discutirmos as aulas eletivas que escolherão para o próximo ano, mas até lá, espero 2 horas extras de estudos independentes, além das preparações e deveres de casa. E, para aqueles que se interessarem em realizar um projeto de pesquisa me procurem na semana que vem, na terça-feira depois das aulas estarei disponível e lhes mostrarei os projetos que vocês podem realizar com seu nível de conhecimento mágico e poderão escolher. Lembrem-se exigirei dedicação nas pesquisas e nenhum relaxamento em suas notas por causa do projeto. Agora podem sair, boas aulas e não esqueçam de ajudar seus colegas 1º anos, compartilhem e aprendam juntos. — Disse Flitwick sorridente e com seriedade ao mesmo tempo.
Harry subiu rapidamente e arrumou sua mochila, como era quarta-feira, eles tinham duplas de Feitiços, duplas de Herbologia, uma de História e a noite duplas de Astronomia. Ele tinha se preparado para as aulas dessa semana e da próxima, inclusive preparando as poções no laboratório do Chalé sob a supervisão da Sra. Serafina, assim estava tranquilo. Tinha apenas que reler as anotações e melhorar seus deveres de casa como disse Flitwick, mas isso não seria um problema, pois o Prof. Bunmi treinara muito sua gramática e redação durante o verão, além de que Harry perdera as contas de quantos livros lera. Satisfeito, animado e sentindo-se preparado, Harry desceu e deixou a torre com Terry, silenciosamente, enquanto seu chefe de casa conversava com os 1º anos. Enquanto iniciava seu dia, fez uma prece para que Sirius se saísse muito bem em seu primeiro dia no treinamento auror.
O dia de Sirius começou às 5 da manhã e menos de uma hora depois ele estava diante de AC Denver na academia de treinamento dos aurores do escritório da ICW.
— Muito bem, Black, sua pontualidade está registrada e espero que continue assim. — Disse Denver o encarando rigidamente. — A partir de hoje, treinaremos 7 dias por semana, 4 horas por dia. Serão 4 dias de treinamentos físicos no "1º ano", que espero cobrir até o Natal, 2 dias de treinamento prático de inteligência e estratégia e 1 dia de teoria. Isso quer dizer que espero que você estude a teoria por si mesmo e em nossa única aula semanal responderei perguntas e duvidas, além de mostrar exemplos nos estudos de casos. Entendido?
Sirius teve que sufocar o desapontamento por sua postura, tom e maneira de ir diretamente ao ponto sem ao menos alguma conversa ou provocação. Olhando-a nos olhos castanhos tentou encontrar qualquer da atração que vira na semana anterior, mas Denver apenas o olhou de volta sem emoção. Desde que a encontrara, Sirius pensara muito na competente auror, mais do que devia, provavelmente.
— Isso não é um problema, pois já comecei a estudar todo o material que você e King me enviaram, além disso, eu estive, durante todo o verão, relendo e praticando o material do 7º ano da escola. Isso ajudou muito a sentir e fortalecer minha magia. — Explicou Sirius no mesmo tom profissional, mesmo que não fosse o que queria, o fato é esse treinamento era muito importante para ele e não se queimaria apenas pelo prazer de algumas provocações ou uma atração física.
— Muito bem. Essa primeira etapa quero me concentrar em seu desenvolvimento físico, teórico e de inteligência. Depois do Natal entraremos no treinamento mágico e espero que até o fim do próximo ano seu treinamento esteja completamente concluído. — Denver sinalizou para que ele a seguisse. — Se a OP terminar antes disso e você puder se apresentar para o treinamento em seu Ministério, eu lhe darei uma recomendação de qual ano seu conhecimento o qualifica. Agora, se troque para roupas de treino físico.
Sirius obedeceu e logo se viu em uma grande área de corrida, no chão tinha dezenas de esteiras rolantes mágicas e ele não pode deixar de ficar impressionado.
— Uau, quantas, construí 4 dessas em Hogwarts para a academia onde meu afilhado irá treinar, além de uma piscina. Eu nem sabia que existiam algo assim para treinamento. — Disse Sirius animado.
— Um bruxo japonês teve a ideia a partir das esteiras elétricas trouxas. Ele usou o conceito junto com a magia das escadas mágicas rolantes e inventou essas esteiras. São feitas do material do chão que é meio emborrachado para evitar muito impacto. — Explicou Denver ainda em seu tom mais profissional. — Encantos e runas fazem com que essas faixas no chão se movam quando acionados, a velocidade é imposta pela força da corrida do bruxo, assim segue o ritmo que você aguentar. Depois que alongarmos quero que corra 2km e meio no ritmo que sua forma física lhe permitir e nos moveremos a partir deste ponto, além disso concluiremos um circuito de desenvolvimento muscular. Desde já lhe digo que, assim como nos treinamentos convencionais existem cortes, aqui não será diferente, portanto, cada treinamento é também um teste. Se não passar, está fora.
— Eu estive treinando fisicamente desde abril, meu afilhado me arrastou com ele durante as férias de Páscoa, então, acredito que posso acompanhar, Emily. — Disse Sirius se cansando de toda essa formalidade.
— O treinamento que o colocarei não o exigirá apenas fisicamente, Black. — Disse ela frisando seu sobrenome com um tom duro. — Mas mentalmente também e se perceber que não pode aguentar a pressão e exigência, não permitirei que se torne um auror. E é AC Denver para você, recruta.
Sirius decidiu não responder e mostrar na prática que podia aguentar o que ela lhe mandasse. Correr a distância pedida não foi tão ruim, ainda que não lhe rendeu elogios.
— Você fez essa distância em um tempo que até uma vovozinha faria, recruta, espero que aumente o ritmo e baixe esse tempo nas próximas semanas. — Disse Denver em tom de zombaria.
Sirius engoliu a vontade de responder com sarcasmo, a última coisa que precisava era ser considerado insubordinado e desrespeitoso, e continuou no circuito de treinamento que incluiu o trabalho intenso em seus membros superiores (braços, peito, ombros) em barras, flexões, barras invertidas; nos membros inferiores (panturrilhas, pernas, glúteos) com elevações de panturrilha, agachamentos com variações, marchas para glúteos, ponte para glúteos; e músculos centrais com os abdominais invertidos.
Em algum momento do treinamento de mais de 3 horas, Sirius compreendeu completamente o que Denver quis dizer sobre exigência mental. Se dependesse apenas de seu corpo, Sirius teria desistido no meio do treino, mas a vontade de continuar, de não desistir e de provar a Denver que podia o fez continuar. Mesmo quando perdeu a noção de tempo, de quantas flexões ou agachamentos ou abdominais ele fez, quando o espaço em volta se tornou nada e apenas a voz dura e severa de Denver podia ser ouvida, Sirius continuou.
— Mais rápido, Black! Força, suba até o fim, nada de moleza. Está pensando em desistir, Black? Desista, então, mostre para mim o que eu já sei. Você não conseguirá, Black, então, porque o esforço? Vamos lá, seu preguiçoso!
Mas ele não desistiu e quando, finalmente, o treino acabou, Sirius sentiu que ia desmaiar de pura exaustão, apenas a vergonha de tal indignidade em frente a Denver o manteve de pé.
— Melhor do que eu esperava para um primeiro dia, mas ainda longe do que eu espero de um recruta, quanto mais de um auror. Temos muito que trabalhar e amanhã serei tão dura quanto hoje, assim sugiro que vá até o vestiário e entre na banheira com gelo ou então seus músculos não aguentarão o treino que faremos amanhã. — Disse Denver e parecendo perceber que o que o impedia de cair era sua presença. — Preciso retomar meu trabalho. Até amanhã, às 6 horas, Black.
Assim que estava sozinho, Sirius se deitou no chão emborrachado e fechou os olhos se esforçando para acalmar a respiração, mas um segundo depois o abriu quando percebeu que, se seus músculos endurecessem, na manhã seguinte não sairia da cama. Se levantando, ele se arrastou até vestiário com os armários onde se trocara, encontrou vários chuveiros e duas grandes banheiras, uma com água quente e uma com água e gelo, sem hesitar, se despiu e entrou na com gelo, suspirando de prazer e voltando a fechar os olhos.
Sim, pensou, Denver estava certa em dizer que iria trabalhá-lo com força, a mulher parecia estar querendo que ele desistisse, mas isso não aconteceria. Ele se tornaria um auror, terminaria a OP Travessa do Tranco com sucesso e deixaria Harry orgulhoso dele. Pensar em seu afilhado o fez sorrir, ele e Denver se dariam muito bem, os dois eram verdadeiros carrascos nos treinamentos físicos, mas pensar nele também fez seu coração se apertar de saudades, um dia, apenas um dia e já sentia um grande vazio em sua vida. Neste ponto, todo esse treinamento e estudo seria muito bom para preencher esse vazio e talvez ele pudesse seguir o conselho de James e encontrar um pouco de diversão. Seu pensamento foi diretamente para uma mulher alta de olhos marrons e Sirius fez uma careta, era óbvio, por sua atitude distante e profissional, que Denver queria negar e afastar a atração que sentiram um pelo outro. A questão era, o que ele faria sobre isso?
O dia do Harry terminou como ele já previa, ainda que tudo se moveu mais rápido do que gostaria e os conflitos com Hermione não estavam resolvidos como pensara na noite anterior. Ao fim das aulas, os 4 amigos foram visitar os elfos domésticos na cozinha, receberam lanches e abraços, Mimy contou como todos estavam felizes que os alunos voltaram e agora todos tinham muito trabalho. Depois seguiram para a biblioteca para fazerem os deveres do dia e organizar suas agendas para os estudos extras.
— Ainda não sei os horários do treino de quadribol, mas acredito que serão os mesmo que do ano passado, assim podemos encaixar as aulas extras facilmente. — Disse Harry em um sussurro para não incomodar a Madame Pince.
— Temos que pensar no projeto que o Prof. Flitwick irá nos apresentar semana que vem. — Disse Terry e viu o olhar interessado de Hermione, mas depois ela disfarçou quando se lembrou que não podia participar. — Estava pensando que poderíamos, se o professor não se opor, escolher algo que vocês dois poderiam ajudar, sabe, eu escolho um tema que a Hermione me auxilia e Harry escolhe um tema que o Neville possa lhe ajudar.
— Isso seria legal! — Harry falou ao ver o plano do amigo. — Posso escolher algo de Herbologia ou Poções, Neville, talvez de Metalurgia Mágica.
— Se o Flitwick não se importar, eu topo, Harry, os projetos de Herbologia ano passado foram muito legais, além de aprender muito, minhas notas aumentaram muito com os extras. — Disse Neville animado.
— Vocês não deviam ter que fazer isso, quer dizer, é algo da casa Ravenclaw, assim não se sintam obrigados. — Disse Hermione orgulhosa.
— Bem, estamos querendo compartilhar com vocês porque são nossos amigos, isso não é uma competição de casas, Hermione. — Disse Terry chateado. — Pensei que tinha superado isso, principalmente, com as mudanças na Gryffindor.
— Não, eu superei, quer dizer, os novos quartos individuais, as salas de convivência são incríveis. Agora a sala comunal é apenas para estudo e alguma festa ou comemoração eventuais, mas ainda não temos um laboratório de poções ou projetos de pesquisa e acredito que nunca teremos. A verdade é que nossas casas são diferentes e eu aceito isso, portanto, vocês não precisam ficar compartilhando coisas que são da sua casa. — Disse ela sincera.
— Bem, talvez você esteja certa, não precisamos fazer isso, mas queremos e se vocês querem e o professor não se opõe, eu não vejo o problema. — Disse Terry suavemente e, sorrindo, tocou a mão da Hermione, o que pareceu surpreendê-la. — Nós somos amigos e é para isso que são os amigos. Certo?
— Certo. — Disse ela e parecia um pouco mais corada que o normal.
— Bem, estamos combinados. Que área você tem mais interesse? — Perguntou Terry sorrindo.
— Em todos, assim qual você escolher estará bom para mim. — Disse ela sorrindo de volta.
— Certo. — Disse ele com seu sorriso aumentando.
Harry disfarçou o riso divertido e olhou para Neville que devolveu com a mesma expressão conspiratória.
— Bem, quero um tempo para meu projeto sobre os elfos domésticos também. — Disse Hermione parecendo esperançosa.
— Você ainda não nos explicou sobre sua longa conversa com a Srta. Belle, mas imagino que foi sobre a Divisão Evans ajudar os elfos domésticos. — Apontou Harry curioso e viu a amiga suspirar séria.
— Eu pensei que poderíamos ajudá-los com mais rapidez, sabe, exigir do Ministério ou libertá-los por conta própria. Srta. Belle disse que se fosse tão simples, ela mesma compraria cada elfo e os libertaria, mas que além das questões legais, políticas e culturais, temos que pensar a longo prazo nas consequências. — Disse ela em seu tom professoral, que não lembrava mais McGonagall.
— Como assim? — Perguntou Neville.
— Srta. Belle usou como exemplo a libertação dos negros nos séculos 18 e 19. Vocês sabiam que quando as abolições foram decretadas os fazendeiros escravagistas os expulsaram das propriedades? — Hermione parecia muito chateada e Terry acenou afirmativamente, enquanto Neville e Harry negaram.
— Os negros eram escravos? — Neville parecia confuso e Hermione suspirou.
— Espero que você pegue Estudos Trouxas ano que vem, Neville, é incrível a quantidade de fatos importantes que os bruxos puros-sangues não têm ideia. — Disse a amiga e explicou rapidamente sobre a escravidão, como os negros eram colhidos ou sequestrados como gados na África e levados para o continente da América do Norte e do Sul, além da Ásia, Europa e Oceania. — Foram séculos até que a escravidão fosse considerada a aberração desumana e criminosa que era, então, país por país começaram a libertá-los, mas isso, normalmente, acontecia abruptamente, sem preparação e com muitas pessoas lutando contra.
— O fazendeiros escravagistas devem ter estado entre eles imagino. — Disse Harry irritado só de pensar em pessoas defendendo tratar outros seres humanos ou seres mágicos como escravos.
— Exato. E quando eles perdiam e a libertação se tornava lei, ou seja, quando era obrigatório libertá-los, esses mesmo escravagistas, simplesmente, os expulsavam de suas fazendas. — Hermione parecia magoada. — Alguns nem sabiam o que estava acontecendo, tão isolados eles estavam, muitos eram mulheres e crianças, apenas com a roupa do corpo, sem comida, empregos, casas e ao pedirem ajuda eram afastados porque a liberdade não acabou com o racismo.
— Merlin, e o que aconteceu com eles? — Neville estava meio pálido.
— Alguns tiveram ajuda dos abolicionistas, mas muitos ficaram nas ruas passando fome ou se juntaram para criar vilas que se tornaram favelas ou bairros pobres. — Hermione abriu uma pasta. — Estive pesquisando e em todos esses países, até hoje os números de pobreza, violência, crimes e assassinatos são muito maiores entre os negros porque até hoje, eles ainda têm menos oportunidades e sofrem com o preconceito. Eu sei que o mundo mágico é diferente em muitas coisas, mas a verdade é que se conseguíssemos que o Ministério libertasse os elfos, eles ficariam perdidos, sem casa ou meio de subsistir e, no caso deles, de serem felizes porque...
— Para os elfos o trabalho é como se sentem felizes. — Terminou Terry seriamente.
— Exato. Conversando com a Srta. Fiona e pesquisando a história do elfos descobri que, mesmo antes quando eram livres e tinham sua própria cidade, os elfos amavam trabalhar e se manter ativos, ajudar e se relacionar com outros seres. Acredito que para eles o isolamento seria tão difícil quanto não estarem trabalhando para uma família. — Explicou Hermione.
— Mas eles não estão isolados no local em que vivem? Quer dizer, os elfos que não servem uma família e vivem nesse local que o Ministério preparou...
— Na verdade, foi seu bisavô, Harry, que preparou para eles. — Hermione pegou outra pasta. — Aqui, é uma fazenda que foi cedida por Henry Potter para os elfos domésticos sem famílias, eles passam os dias trabalhando nas plantações, cuidando dos carneiros e outros animais. Eles são muito felizes e saudáveis porque parte dessa comida é enviada aos Orfanatos do Abortos, assim eles não se sentem inúteis, sabe.
— Eu não sabia disso, que dizer... Eu sabia que meu avô Henry conseguiu esse lugar para os elfos quando ele era membro da Suprema Corte, mas não sabia que era uma propriedade nossa. — Disse Harry emocionado.
— Parece que quando ele apresentou seu projeto, teve muitas pessoas que riram dele e disseram que o Ministério não gastaria um nuque com elfos. — Hermione disse com raiva. — Como se eles não merecessem ser cuidados. Então, seu avô prometeu que não haveria gastos e a maioria aprovou, mas foi por pouco, então ele separou uma das suas maiores fazendas para abrigar os elfos e ainda teve a ideia de lhes dar um propósito.
— Claro. Os elfos se sentem úteis porque sabem que estão trabalhando para alimentar as crianças do Orfanato. — Disse Terry sorrindo.
— Sim e esse alimento é o que permite ao Orfanato ainda funcionar. — Disse Hermione e ao ver seus olhares confusos, continuou. — Ele foi fundado a pouco mais de 100 anos por um aborto que foi abandonado por seus pais nas ruas de Londres. Sr. Adélio Bulstrode tinha mais de 60 anos e quando morreu deixou um fundo para o Orfanato ser mantido, mas esse dinheiro não foi bem administrado, 50 anos depois não tinha mais dinheiro e o Ministério ia fechar as portas e jogar as crianças nas ruas, literalmente.
— Quando foi isso? — Harry estava chocado.
— Na década de 50 e nessa época a fazenda do elfos já existia e fornecia um pouco de alimento as crianças, mas, então, seus avós, Fleamont e Euphemia decidiram aumentar a produção dos alimentos para que o Orfanato continuasse a funcionar. — Hermione pegou um recorte de jornal. — Antes a produção era pequena e a maior parte era para alimentar os elfos, depois disso mais da metade dos alimentos plantados e colhidos pelos elfos são entregues ao Orfanato o que, claro, os deixou muito mais felizes.
— Isso é incrível. — Disse Harry lendo o recorte do jornal antigo. — Como encontrou tudo isso?
— Oh, eu conversei com o Sr. Falc e pedi que ele copiasse tudo e qualquer coisa sobre os elfos domésticos nos arquivos do Ministério. Estou estudando as leis e fatos históricos, tentando ler nas entrelinhas as verdades, mas incrivelmente não tem praticamente nada de registros mentirosos. — Explicou Hermione parecendo cansada. — Nem sei o que isso significa.
— Significa que eles não se preocupam em mentir porque não sentem vergonha ou acreditam ser errado a maneira como tratam os elfos. E claro, não tem para quem mentir porque não sentem que devem ou serão julgados algum dia por qualquer pessoa. — Disse Terry suavemente.
— Era algo assim que eu temia e voltando a sua pergunta, Harry, os elfos estão isolados, com exceção dos funcionários do Departamento de Criaturas Mágicas que os visitam ocasionalmente. — Hermione parecia preocupada e triste. — Imagino que quando aparece uma família, eles vão muito felizes servi-las depois de passarem anos sem poder sair de lá.
— Eles não podem sair? — Harry não gostou disso.
— Sim, podem, mas para onde? Não existem lugares para elfos frequentarem e socializarem, acredito que poderiam visitar amigos e familiares que servem algumas famílias, mas duvido que poderiam ficar mais do que alguns minutos nas casas puros-sangues... — Hermione se interrompeu quando um garoto do primeiro ano da Gryffindor se aproximou.
— Oi! — Disse ele com um sussurro alto e animado, encarando Harry como se olhasse para uma visão celestial. — Você é Harry Potter, não é? Eu sou Colin, Colin Creevey, a professora McGonagall pediu que lhe procurasse e entregasse um recado. Este é meu primeiro ano e estou na Gryffindor, eu não sabia que era um bruxo, você acha que estaria tudo bem se ... posso tirar uma foto? — Acrescentou, erguendo a máquina esperançoso.
— O que? — Repetiu Harry sem entender, pois, o garoto falou muito rápido.
— Para provar que conheci você — disse Colin Creevey ansioso, aproximando-se mais. — Sei tudo sobre você. Todo mundo me contou. Como foi que você sobreviveu quando Você-Sabe-Quem tentou matá-lo e como foi que ele desapareceu e tudo o mais, e como você ainda conserva a cicatriz em forma de raio na testa — (seus olhos encararam com adoração a testa do Harry) —, e um garoto no meu dormitório disse que se eu revelar o filme na poção correta, as fotos vão se mexer. — Colin inspirou profundamente, estremecendo de excitação, e continuou ainda rápido e já pulando para outro assunto. — Isto aqui é fantástico, não acha? Eu não sabia que as coisas estranhas que eu fazia eram magia até receber uma carta de Hogwarts, meu pai é leiteiro, ele também não conseguia acreditar. Então, estou tirando um montão de fotos para levar para ele e seria bem bom se tivesse a sua também. — O garoto olhou para ele como se implorasse e Harry estava tão chocado que não sabia o que dizer. — Quem sabe o seu amigo podia tirar, e eu podia ficar do seu lado? E depois você podia autografar a foto?
— Merlin... — Terry suspirou já prevendo a reação do amigo e pensando em alguma maneira de salvar o garoto, mas quando foi falar, Neville o impediu.
— Deixe, é melhor terminar de uma vez, pegamos o resto do garoto e o ajudamos depois. — Disse Neville que sabia que, se fosse alguém sendo tão desrespeitoso com seus pais, ele também ficaria furioso.
— Primeiro, Colin, este é o seu nome, certo? — Disse Harry suavemente quando encontrou voz para falar. — Qual o recado da McGonagall?
— Oh! Ela pediu para lhe entregar este bilhete. — Disse ele lhe estendendo o papel todo sorridente.
— Ok, muito obrigado. Segundo, esses seus amigos que contaram a você sobre toda essa história do menino-que-viveu, cicatriz e tal, lhe contaram sobre o que aconteceu naquela noite? — Perguntou Harry tentando controlar o temperamento.
— Sim, sim, sei que foi no Halloween, que você-sabe-quem matou seus pais, mas ele não conseguiu te matar e que você o matou. — Seus olhos estavam arregalados de empolgação como se fosse um grande conto de aventura.
— O nome dele é Voldemort, se você vai falar sobre o assassino dos meus pais, poderia ao menos dizer seu nome. — Harry disse e então sua raiva passou ao sentir um grande cansaço. Como ninguém poderia ver que não era uma história de contos de fadas, uma aventura para fotos, visitas ao Chalé onde tudo aconteceu ou autógrafos? Que nunca deveria ser uma história infantil ou algo que traga fama e fãs? — Ok, eu posso lhe dar uma foto e um autógrafo. Diga-me, Colin, eu deveria ir buscar os cadáveres dos meus pais para a foto ficar mais real e emocionante para você?
Harry viu o menino de rosto inocente empalidecer e arregalar ainda mais os olhos, se é que isso era possível.
— Eu... — Ele sussurrou sufocado.
— Sabe, eu sei que está feliz e emocionado por ser um bruxo, parabéns e fico feliz que tenha pais em sua casa para mostrar fotos e espero que você seja um grande bruxo e os deixe orgulhosos de você. — Harry se levantou e arrumou suas coisas na mochila. — Você tem mais do que eu, mas quem se importa, não é? Eu tenho uma cicatriz maneira e sou famoso, porque pais seriam importantes quando se tem tudo isso?
Sem conseguir encará-lo outra vez ou seus amigos que deviam estar zangados com ele por sua explosão, Harry deixou a biblioteca rapidamente tentando controlar a vontade de chorar e gritar e bater em alguém. Tinha se esquecido, dois meses de férias e se esquecera dessa fama idiota e essas pessoas estúpidas que não compreendiam nada. Harry caminhou sem perceber o caminho ou as pessoas a sua volta enquanto subia para sua torre tentando controlar a raiva e a dor que sentia, mas, então, ele viu um cabelo ruivo saltitando e descendo as escadas animadamente e o ambiente voltou a entrar em foco. Ainda assim, ele passou por ela apressadamente, ignorando-a quando Ginny Weasley parou, subitamente, ao vê-lo e corou.
Enquanto continuava a subir, não percebeu seu olhar magoado por causa da sua expressão zangada que Ginny pensou que ser direcionado a ela. Ou viu quando ela tirou um diário da bolsa e escreveu para seu amigo Tom que seu maior medo acontecera. Harry Potter a odiava.
Harry parou no 5º andar pensando em ir para o Covil e se deu conta do bilhete em sua mão, se esquecera tudo sobre ele. Abrindo, encontrou a letra de Dumbledore.
Harry, o aguardo em meu escritório, às 16 horas.
PS: Gosto de ratos de açúcar.
Olhando para o relógio, percebeu que estava atrasado a quase 15 minutos e correu de volta para baixo até o 3º andar. Sabia que Dumbledore o chamaria para uma conversa cedo ou tarde e parecia que não poderia fugir disso, ótimo, porque estava no humor certo para enfrentá-lo.
— Ratos de açúcar. — Disse para a gárgula e subiu na escada que o levou até a porta, bateu e teve permissão para entrar, esperando encontrar um zangado Dumbledore, assim ficou muito surpreso ao se deparar com um desapontado diretor, Snape, Draco e outro homem alto e loiro, tão parecido com o garoto Slytherin que não tinha dúvida sobre sua identidade.
— O senhor me chamou, diretor? — Harry perguntou educadamente sem dar atenção para os outros presentes.
— Não irá nem se desculpar pelo atraso? — Disse o pai de Draco com voz fria e doce ao mesmo tempo. — Imagino que, crescendo entre trouxas, ser educado e pontual seria pedir muito, mas supus que aqui nesta escola você ensinaria a boa educação aos seus alunos, Dumbledore.
Harry desviou o olhar para o homem que o encarava com desprezo e sorriu, isso ia ser muito divertido.
— Harry, estamos te esperando a 15 minutos. — Disse Dumbledore em leve tom de reprimenda.
— Desculpe, diretor, mas acabei de receber seu recado, acredito que a Prof.ª McGonagall entregou o bilhete a um excitado 1º ano da Gryffindor, veja isso, o garoto acabou de me encontrar na biblioteca e vim direto para cá. — Harry disse encarando Dumbledore ainda sorrindo. — Imaginei que continuaria nossa conversa de outro dia, mas se estiver ocupado podemos remarcar.
— Não se faça de tolo, Potter, sabe muito bem porque está aqui. — Disse Snape com seu veneno habitual.
— Sei? — Harry o encarou ainda educado e agradável. — Oh, nossa, não me diga que é sobre as invenções absurdas de Draco sobre uma faca ou sei lá o que?
— Não são invenções! Você me ameaçou com uma faca e até cortou meu lábio! Eu lhe disse que ia te ver expulso, não disse? Meu pai é membro do Conselho de Governadores e agora você terá o que merece, Potter. — Disse Draco triunfante e Harry quase teve pena dele, o idiota nunca mantinha a boca fechada.
— Eu sei, você me contou sobre o seu pai desde o ano passado, Draco e me ameaçou com expulsão desde o dia em que me recusei a ser seu amigo. Lamento que feri seus sentimentos, mas, como já lhe disse, poderemos ser amigos apenas se você provar que é diferente do seu pai e ficar inventando coisas...
— O que disse? — Interrompeu o homem loiro com voz cortante.
— Na verdade, eu ainda estava dizendo, interromper não é muito educado, senhor, imagino que cresceu entre os trouxas. — Disse Harry com voz doce e educada. — Eu estava dizendo que inventar histórias para que eu seja expulso não levará a nada, Draco, porque não serei expulso por suas mentiras. E isso apenas torna ainda mais difícil que você realize seu sonho de ser meu amigo.
Harry conseguiu terminar a frase porque os dois Malfoys estavam sem palavras em choque, Dumbledore, levemente divertido e Snape, curioso, ainda que ele não admitiria isso nem sob tortura.
— Você sabe quem eu sou, menino? — Perguntou o homem loiro e Harry sorriu outra vez.
— Na verdade, não, afinal, não fomos apresentados ou então o senhor não me chamaria de menino, mas já que ninguém foi educado em nos apresentar. — Harry deu um passo à frente com a mão estendida e formalmente continuou. — Harry James Potter.
— Este é meu pai, Potter, não se faça de estúpido. — Draco disse com grosseria.
— Verdade? Interessante... e seu pai tem um nome? — Harry perguntou curioso.
— Meu nome é Lucius Malfoy e não admito que chame meu filho de mentiroso. Dumbledore, exijo que esse... moleque seja expulso e entregue ao aurores, imediatamente, ou levarei isso ao Conselho e conseguirei sua demissão também. — Disse Malfoy com raiva.
— Lucius, você não dá ordens em minha escola enquanto ela for minha escola e até agora nada foi esclarecido que prove que o Sr. Potter fez algo que mereça sua expulsão de Hogwarts. — Disse Dumbledore em tom severo.
— E, eu gostaria de saber porque que meu chefe de casa não está presente? Pensei que depois da última vez e das mudanças nas regras das punições, apenas o chefe de casa e o diretor poderiam punir um aluno. — Harry falou com as sobrancelhas e cruzou os braços. — Acredito que essa discussão tola e sem sentido deve ser suspensa até que o Prof. Flitwick chegue.
— Harry, acredito que devemos e podemos resolver isso facilmente, você me deixa revistá-lo e mostra que não tem nenhuma faca e podemos todos seguir nossos caminhos. — Disse Dumbledore suavemente.
— Isso é um absurdo! Ele pode ter tirado e escondido a faca... — Mas Harry se encaminhou para a porta decidido e isso interrompeu o que Lucius Malfoy ia dizendo. — ... Onde pensa que está indo, Potter?
— Estou indo embora, claro, não discutirei mentiras e acusações sem meu chefe de casa, quando vocês tiverem decidido como proceder, podem nos chamar e voltaremos. — Disse Harry abrindo a porta.
— Espere, Sr. Potter, eu o chamarei. — Disse Dumbledore em tom decidido.
Harry o encarou da porta e o viu enviar uma fênix prateada e brilhante com uma mensagem. Ele deixou a porta a aberta e todos ficaram em silencio, foi incômodo e cheio de tensão, mas Harry manteve a expressão agradável e educada, encarando os Malfoys sorridente. Flitwick entrou e sentiu a tensão na sala, as presenças nada agradáveis e perguntou o que acontecia, ao ser informado por Dumbledore seu rosto sério se encheu de frieza e lembrou a Harry da noite em que duelou com Quirrell.
— E porque só estou sendo informado disso agora? E não fui chamado aqui até que meu aluno solicitasse minha presença? — Questionou ele com frieza.
— Isso pouco importa! E sua presença não é necessária para cuidar da expulsão de um garoto claramente desequilibrado que ameaçou meu filho com uma faca. — Malfoy disse olhando para Flitwick com desprezo.
Harry sentiu os pelos do corpo se arrepiar de raiva ao ver como Malfoy tratava seu chefe, mas, dessa vez, Dumbledore se adiantou a ele.
— Peço que se contenha em meu escritório e em minha escola ao se dirigir a um dos meus professores, Lucius, pois não admitirei qualquer desrespeito. Se continuar neste tom, encerrarei essa tolice antes mesmo que possa piscar. — A frieza do diretor era de dar arrepios e Malfoy recuou, obviamente, intimidado, mas com ódio em seu olhar. — Só estou levando essa questão adiante pela gravidade das acusações e porque não tolero violência de nenhuma espécie contra crianças, mesmo que venha de outras crianças. Estou sendo claro?
Todos acenaram e Harry engoliu a amargura que sentiu com as palavras hipócritas.
— Eu gostaria de ouvir exatamente o que aconteceu. — Disse Flitwick. — Sr. Malfoy, onde o senhor estava quando foi ameaçado pelo Sr. Potter?
— Em seu compartimento no trem. — Disse Draco de peito estufado.
— E porque estava em seu compartimento se não são amigos? — Flitwick questionou.
— Eu... apenas, fui visitá-lo, saber de suas férias e coisas assim. — Draco disse e ele era um péssimo mentiroso, Harry teve que se esforçar para ficar calado.
— Sr. Potter, o senhor tem uma faca? — Flitwick se dirigiu a ele e Harry não teve dificuldade em mentir.
— Não, professor, sem faca nenhum e eu admito que as coisas esquentaram quando Draco foi nos perguntar sobre nossos "verões", como ele disse. — Harry não pode deixar de sorrir com sarcasmo. — Eu saquei minha varinha, mas nenhum feitiço foi disparado, apenas os ameaçamos e Draco e seus amigos foram embora.
— Isso é mentira! Olha aqui, meu lábio! Seus amigos idiotas sacaram suas varinhas, mas Potter me ameaçou com uma faca. — Draco gritou enraivecido.
— É óbvio que você ficou envergonhado por termos te posto para correr como um rato amedrontado e agora inventou isso para se vingar e tentar me expulsar como me ameaçou...
— Eu te mostrarei quem é um rato! — Gritou Draco e sacou sua varinha.
— Sr. Malfoy, guarde isso imediatamente e mantenha seu tom, seu gritos e desmandos não serão tolerados neste escritório. — Disse Dumbledore zangado.
— Draco, guarde isso. — Disse seu pai parecendo decepcionado e o garoto obedeceu, vermelho de constrangimento.
— Como eu dizia, existem várias testemunhas que ouviram Draco me ameaçar de expulsão e com seu pai que faz parte do Conselho de Governadores, inclusive vocês. — Disse Harry calmo.
— Isso não significa que você não carregue uma faca, Potter e adoraria saber porque se sentiu no direito de ameaçar meu aluno com sua varinha como você alegou. — Disse Snape ranzinza. — Não que algo assim me surpreenda vindo de você.
Harry não pode deixar de rir levemente ao encarar seu professor de Poções.
— Isso é interessante, está ficando criativo em me ofender sem me ofender, acredito que vamos nos divertir este ano. — Disse ele sorridente.
— Albus, toda essa história pode ser encerrada? Entendo sua preocupação, mas Draco parece, claramente, ter como hábito incomodar e ameaçar meu aluno e Harry não tem porque ter uma faca em Hogwarts. — Disse Flitwick objetivamente.
— Claro que não, Merlin, porque eu teria uma faca? Quer dizer, não é como se houvessem pessoas querendo me matar por todos os lados e eu estou em uma grande escola com poderosos bruxos que jamais fariam nada para colocar minha vida em risco. Assim, porque eu precisaria de uma faca? — Disse Harry sarcástico e sorridente.
— Creio que talvez poderíamos ver uma lembrança do ocorrido, na sua penseira, diretor, assim saberemos quem está mentindo. — Disse Snape com olhar presunçoso.
— Isso! Aí vocês verão que não estou dizendo a verdade. — Disse Draco encarando Harry com expressão semelhante à de seu chefe de casa e seu pai sorriu da mesma maneira.
— Eu penso que é uma ótima ideia. — Disse Harry e ignorou expressão de espanto de todos. — Acho até, que a presença dos aurores seria uma boa ideia, quer dizer, vocês não me perguntaram porque meus amigos e eu ficamos tão zangados e tiramos nossas varinhas. Bem, eu explico, Draco achou que era legal vir ao nosso compartimento e chamar nossa amiga, Hermione, de sangue ruim, imagine isso. — Harry continuou como se contasse uma história sem importância a alguns amigos, exclamações foram ouvidas de Dumbledore e Flitwick, mesmo Snape olhou Malfoy zangado. — Isso depois que ela tentou ignorá-lo e nós lhe pedimos para ir embora quando ele nos ameaçou, mas não com expulsão desta vez, não. Acreditam que Draco disse que neste ano nossas vidas estão em risco em Hogwarts? Ele disse que os nascidos trouxas não viverão por muito tempo e, quando perguntamos porque, ele não quis nos dizer, então, Hermione disse que ele estava mentindo como sempre e Draco a chamou desse nome terrível.
Harry fez uma pausa para encarar a todos, os professores e Dumbledore estavam muito sérios e encaravam Draco e seu pai que tinha uma expressão azeda como uma careta permanente e, Harry percebeu, apertava o ombro do filho com tanta força que este empalideceu.
"Eu adoraria que Draco mostrasse a memória e explicasse suas ameaças e certezas, com aurores aqui tudo fica, sabe, mais oficial e tal. " — Terminou Harry com um grande sorriso.
O silencio se entendeu até que Draco gemeu baixinho e Harry viu em seus olhos que ele estava com dor e em pânico.
— Isso não será necessário. — Disse Malfoy com voz contida e a mesma careta azeda. — Creio que apenas detenção em se tratando de crianças será o suficiente.
— Detenção pelo que, Sr. Malfoy? — Flitwick estava frio e calmo. — Por expulsarem seu filho de seu compartimento? Por sacarem suas varinhas? Se for assim, então qual deveria ser a punição do seu filho por ameaçar e ofender colegas? Por mentir para prejudicar um outro aluno?
— Eu mesmo cuidarei do meu filho. — Disse Malfoy como se não acreditasse que ninguém ali o contestaria e Harry entendeu porque Draco era tão convencido e arrogante.
— Isso não é uma opção, Lucius, se as regras foram quebradas a punição será disciplinar aqui na escola e não em sua casa quando Draco estiver de férias. — Disse Dumbledore com frieza. — Acredito que cada chefe de casa deve escolher a punição para seu aluno e seguimos em frente. Espero que vocês dois mostrem maior comedimento no futuro, ofensas e ameaças não resolverão seu problemas e diferenças. Lamento, Sr. Malfoy que sua educação em casa foi tão pobre que se sinta à vontade para usar termos vulgares para colegas de escola.
Para crédito de Draco, ele pareceu abalado de alguma maneira, pois abaixou a cabeça.
— Muito bem, creio que a punição é aceitável e não se preocupe com a educação do meu filho, Albus, lhe garanto que estaremos tendo uma longa conversa em breve. — Disse Malfoy enquanto se encaminhava para a porta ainda segurando o filho pelo ombro.
— Sr. Malfoy? — Disse Harry e abriu um largo sorriso quando ele se virou para encará-lo. — Prazer em conhecê-lo e se não se importar com uma pequena sugestão. Quando estiver cuidando da educação do Draco, o ensine a ficar de boca fechada, nós conversamos sobre isso outro dia, mas acho que o senhor pode fazer melhor que eu. — Harry falou como se lhe desse um generoso conselho, depois encarou Draco e lhe deu uma piscadela.
— Não preciso de seus conselhos, Potter e.… prazer em conhecê-lo. — Sua careta desmentia suas palavras e seu tom de desdém acompanhava perfeitamente.
E logo, no escritório, haviam apenas os três, já que Snape acompanhou os Malfoys depois de lançar um olhar venenoso na direção do Harry que estava tão acostumado com eles que nem se importou.
— Mais alguma coisa, Albus? — Perguntou Flitwick seriamente.
— Não, eu preciso conversar com o Sr. Potter, mas podemos deixar para outro momento. — Disse o diretor e os dispensou.
Harry desceu as escadas em um silencio aliviado por Dumbledore não pretender conversar com ele agora porque estava muito cansado e irritado para manter o mínimo de civilidade. Quando começaram a andar pelo corredor, Flitwick o deteve e o encarou.
— Não pense que não percebi sua mentira, Sr. Potter.
— Professor, eu...
— Não quero ouvir suas justificativas hoje, conversaremos no domingo e espero que tenha boas razões para o seu comportamento ou escrevei aos seus guardiões. Entendido? — Disse Flitwick muito sério.
— Sim, senhor. — Disse Harry sincero.
Quando se viu sozinho no corredor, suspirou muito irritado, agora decepcionara seu professor preferido também. Primeiro Serafina, Hermione, Ginny e... irritado, começou a caminhada para o Covil, porque se importava que chateara a garota Weasley? Ela era só uma fã boba e cega, todos eram cegos e não viam a verdade, ele estava cansado disso e ainda tinha que lidar com os Malfoy e o Snape, além de tipos como Wilkes. Como alguém poderia culpá-lo por explodir?
Entrando no Covil encontrou seus amigos o esperando ansiosos.
— Harry! Estávamos preocupados quando você sumiu e o que era sobre o bilhete? — Hermione perguntou assim que o viu.
— Ei, você está bem? — Terry se aproximou preocupado.
— Sim, sim, apenas... — Harry nem sabia como explicar o que sentia, assim focou nos fatos e contou sobre a reunião no escritório de Dumbledore.
— Então você encontrou Malfoy. — Disse Terry com uma expressão amarga.
— Sim e o cara é uma peça, Terry, convencido, arrogante e purista dos piores, o que explica o Draco ser como é, na verdade, quase fiquei com pena do idiota por ter um pai como aquele. — Harry suspirou e olhou para os amigos, Hermione parecia que se segurava para dizer algo. — O que é, Hermione?
— Apenas... Nada disso teria acontecido se você não tivesse uma faca, eu entendo a intenção de proteção, mas acredito que é exagero. Flitwick quer falar com você sobre o assunto e acho que deve falar a verdade e lhe entregar a faca. — Disse Hermione e cruzou os braços.
— Eu não mentirei para o meu chefe e se ele quiser me tomar a adaga, lhe entregarei, mas, se não, ficarei com ela porque não concordo sobre ser um exagero. Estamos cercados de puristas que me odeiam e esse plano de Malfoy pode ser qualquer coisa, a maneira como ele recuou rapidamente e basicamente fugiu do escritório do Dumbledore só mostra que Dobby me disse a verdade e que seus planos são importantes e perigosos. — Disse Harry defensivo.
— Bem, sinto muito por me preocupar com você se meter em mais apuros do que já está. — Disse Hermione irritada. — Harry, você ameaçou Draco com uma faca, depois ameaçou um primeiro ano da sua casa, isso sem falar no que fez ao pobre Colin, depois que você saiu, ele começou a chorar desesperado por ter lhe magoado.
— Isso porque ele me magoou! — Gritou Harry com raiva. — Que bom que ele tem um pingo de inteligência para perceber o que fez e fico feliz que esteja arrependido. E ameacei Wilkes, depois que ele destratou de maneira imperdoável outro primeiro ano nascido trouxa que estava quase em lágrimas. Quanto a Draco, eu já concordei que exagerei e que foi um erro, o que mais você quer de mim, Hermione? Eu não sou perfeito e não ficarei me desculpando por meus erros eternamente.
— Bem, mas se mantiver essa faca acabará por usá-la, porque quando temos uma arma e não temos controle sobre nosso temperamento estamos sempre a um passo de machucar alguém! — Hermione falou no seu tom de sermão. — Você não tem maturidade para ter...
— Chega. — Terry falou com voz firme e calma, ele nem precisou levantar a voz. — Temos que nos acalmar, estamos todos tensos, preocupados e sobrecarregados, se continuarmos com essa discussão tola não chegaremos a lugar algum e apenas nos magoaremos. Hermione, você tem que respeitar a decisão do Harry e confiar nele, ele aprendeu a lição com Draco e prometeu usar a adaga apenas em uma emergência.
— Você, claro, ficará ao lado dele. E sobre Colin? — Disse ela zangada com Terry agora.
— Hermione. — Quem falou foi Neville. — Se fosse comigo, eu teria dado um soco no garoto, você está sendo injusta. Harry vem recebendo esses tipos de comentários desde o ano passado, inclusive de você e sempre manteve a civilidade, mas o que você espera? Que ele concorde com a foto e autógrafo? Harry se sentiu desrespeitado e magoado, sua reação foi justa e Colin percebeu seu erro também, talvez agora o garoto pare de agir como um fã e possa até ser um amigo um dia.
— Bem, estou vendo que nenhum de vocês está do meu lado. — Disse ela magoado.
— Não se trata de lado, se trata de concordar e discordar. Eu concordo com você que nossa reação no trem foi errada e temos que controlar nosso temperamento, mas você tem que parar de recriminar o Harry por cada coisa que ele faz. — Disse Terry chateado.
— Até porque, com todo respeito, mas, quem manda em mim, sou eu mesmo, tenho muito respeito por meus guardiões e meu padrinho, ouvirei seus conselhos e broncas, acatarei seus castigos, mas não aceitarei ninguém tentando me dizer o que fazer como se eu fosse uma marionete. — Disse Harry com frieza. — E já lhe disse isso antes, para de me dar ordens e entenda que nem sempre concordarei com sua opinião.
O silencio que ficou no Covil foi dos mais desagradáveis e, finalmente, Hermione saiu sem dizer uma palavra parecendo magoada. Neville suspirou e pegou sua mochila.
— Vou atrás dela e tentar acalmá-la. — Disse antes de sair apressado atrás da amiga.
Harry suspirou também e se aproximou da janela para olhar as montanhas e buscar um pouco de equilíbrio. Porque tudo parecia sair errado desde que entrara naquele trem?
— Harry, não fique assim. — Disse Terry tocando seu ombro. — Hermione entenderá que você ou nenhum de nós tinha a intenção de magoá-la só porque discordamos dela.
— O fato é que ela está certa, Terry, tenho que aprender a controlar meu temperamento e pensar com clareza antes de agir. Foram menos de 2 dias desde que entramos no expresso e olha toda essa confusão em que me meti. — Harry pensou em seu O-Sensei. — Koolang já tinha me dito que para me tornar um bom guerreiro, eu precisaria de mais do que habilidade, coragem ou esperteza, ele me disse que preciso de inteligência emocional e tudo isso mostra que eu não tenho nada disso. Eu decepcionei sua mãe, Hermione, Flitwick e... — Harry se interrompeu quando olhos da cor do chocolate magoados vieram a sua mente, irritado consigo mesmo por pensar na garota. Porque se importava por tê-la magoado?
— Hermione entenderá e está na hora de perceber que nem sempre concordaremos com ela e impor sua opinião não ajuda. — Disse Terry. — Flitwick é um grande duelista e entende a sua necessidade de se defender, pode ficar chateado e lhe dar detenção, mas duvido que passará disso. Quanto a minha mãe, o que o faz pensar que a decepcionou? — Terry perguntou sem entender.
Harry sentiu seu coração se apertar, vinha guardando isso para si mesmo a semanas e talvez pudesse confiar em seu melhor amigo para ajudar.
— Ela ficou desapontada comigo por ter chantageado o diretor, eu percebi, sabe, no fim a Sra. Serafina aceitou que eu fiz o que tinha que fazer, mas percebi que ela me olhou com outros olhos. Penso que ela não confia ou gosta de mim como antes. — Sussurrou Harry revelando a dor que isso lhe trazia em sua voz.
— Harry! Não! Harry, não foi o que aconteceu, irmão, olhe para mim. — Terry o virou e o fez encarar com seus olhos verdes brilhantes, tristes e magoados. Harry era tão forte que as vezes se esquecia como era jovem e sem confiança no amor das pessoas. — Olha, mamãe ficou chateada com o que aconteceu, mas foi com a situação, sua decepção veio do fato de que você foi obrigado a usar de chantagem para resolver tudo e se livrar de Dumbledore. — Terry o encarou sincero. — Tenho certeza que ela estava desapontada consigo mesma por não ter lhe protegido, tudo o que ela quer é isso, cuidar de nós para que sejamos crianças e inocentes por um pouco mais. Mesmo eu gostaria que você não tivesse que nos proteger matando o Quirrell daquela maneira, mesmo que não seja sua culpa. Eu queria ter chegado antes e feito isso por você.
— E eu gostaria que vocês nunca tivessem visto aquilo. — Sussurrou Harry, olhando para as mãos.
— Acho que quando amamos alguém queremos proteger e cuidar, as coisas são assim, mas, Harry, mesmo quando alguém faz algo que não concordamos, isso não diminuiu o amor, não em uma família ou quando a amizade é de verdade. Isso é algo que Hermione e você precisam entender e, quer saber, temos 12 anos e temos muito o que aprender, irmão. — Terry sorriu docemente. — Todos estamos crescendo e amadurecendo, cometeremos erros, falaremos e faremos bobagens e aprenderemos com isso. E um dia você será um grande guerreiro como Koolang lhe disse, não precisa apressar nada, não precisamos crescer tão rápido assim, eu acho.
Harry o ouviu com atenção e acenou, Terry estava certo, precisava aprender com seus erros e seguir em frente, ficar lamentando não resolvia nada. E crescer era difícil, quer dizer, parecia que suas ações tinham que ser sempre perfeitas e maduras, mas as vezes ele não sabia o que fazer ou não conseguia controlar seu temperamento, principalmente, quando as pessoas atacavam seus amigos ou desrespeitavam seus pais. Estava cansado de ter que defender o seu direito a não ver o que aconteceu naquela noite como algo bom, de ter que justificar sua dor e perda como se não fosse óbvia, mas, pensou, eles eram todas crianças também. Ron e seus amigos, todas as meninas com risinhos e olhares melosos, Draco com seu pai o doutrinando, a garota ruiva com seus olhos de chocolate cheios de admiração e Colin, sua estúpida câmera e adoração constrangedora. Todas crianças que não sabiam ou entendiam nada e ele tinha que parar de atacá-los e se enraivecer com suas ignorâncias, mesmo que fosse difícil, Harry sabia que tinha que seguir em frente e lidar com tudo isso de maneira diferente.
— Você tem certeza que a sua mãe não ficou decepcionada comigo, Terry? — Disse Harry quando os dois deixavam o Covil para irem jantar.
— Tenho sim. Ela te ama e o admira muito, apenas é difícil para os pais quando crescemos e não precisamos mais deles tanto, sabe. — Disse Terry sincero. — Isso não quer dizer que não estaremos de castigo pelo que aconteceu no trem, irmão, na verdade, acredito que receberemos uma carta bem zangada em breve.
— Desde que não seja um Howler, por mim tudo bem. — Disse Harry divertido e os dois riram levemente.
Eles só encontraram Hermione e Neville no dia seguinte, o clima estava estranho durante o treinamento físico da manhã e, depois do café, eles se separaram para as aulas sem oportunidade de conversarem. Harry e Terry tinham duplas de Defesa com os Slytherins nas primeiras aulas e Harry estava ansioso por isso, pois esperava que tivessem um professor melhor do que Quirrell. Como se viu, a única coisa melhor era o fato de Gilderoy Lockhart não lhe dar dores de cabeça. Hermione e Neville tinham tido essa aula no dia anterior, mas com tudo o que aconteceu, Harry não teve o pensamento de lhes perguntar como foi.
Quando a classe inteira se sentou, Lockhart pigarreou alto e fez-se silêncio. Ele esticou o braço, apanhou o exemplar de Viagens com Trasgos da mesa de Michael e ergueu-o para mostrar a própria foto na capa, piscando o olho.
— Eu — disse apontando a foto e piscando também. — Gilderoy Lockhart, Ordem de Merlin, Terceira Classe, Membro Honorário da Liga de Defesa Contra as Artes das Trevas e vencedor do Prêmio Sorriso mais Atraente da revista Semanário dos Bruxos cinco vezes seguidas, mas não falo disso. Não me livrei do espírito agourento de Bandon sorrindo para ela.
Ficou esperando que sorrissem; alguns poucos deram um sorrisinho amarelo e Harry franziu o cenho, confuso, ele não comprara os livros de Defesa escritos por Lockhart, pois estudara o conteúdo das aulas do 2º ano com a Sra. Serafina e preferia os livros de Defesa de Mason. Não estava preocupado, tinha certeza que poderia acompanhar, afinal, esse era o seu melhor assunto.
— Vejo que todos compraram a coleção completa dos meus livros, muito bem... Ora, menos você, como se chama? — Lockhart olhou para a mesa do Harry e o encarou parecendo contrariado.
— Harry Potter, senhor. — Disse Harry educadamente.
— Harry Potter, você disse? — Sua expressão mudou completamente, seu grande e brilhante sorriso retornou com tudo. — Isso explica, então, pois imagino que deve estar acostumado, com toda a sua fama, a receber os livros de presente direto das editoras sem precisar se dar ao trabalho cansativo e tão plebeu de comprá-los.
Seu tom parecia mostrar que entendia e aceitava muito bem esse comportamento apontado por ele e Harry o olhou meio chocado, mas antes de poder responder, Lockhart continuou.
— Eu entendo completamente, Harry, também sou assim com meus presentes especiais. — Sua piscadela era quase obscena e Harry se sentiu enojado. — Não se preocupe, eu escreverei a minha editora e pedirei toda a minha coleção para você, estará aqui em poucos dias e poderemos tirar algumas fotos e publicar no Profeta. Nós dois juntos valeremos a primeira página e o público adorará atestar minha generosidade ao nosso herói famoso.
Harry estava, ao fim do discurso, pálido feito um fantasma, olhou para o Terry que o encarava assombrado também e se esforçou para ignorar Malfoy e seus amigos com seus sorrisos zombeteiros ou risinhos. Ele se prometera a não reagir a esse tipo de coisa, mas sua promessa era em relação aos alunos de Hogwarts, não adultos e professores que deviam saber melhor.
— Isso não será necessário. — Disse Harry quando encontrou a voz.
— Oh! Não se sinta constrangido, não me dará trabalho algum e nesse mundo de celebridades é comum troca de favores...
— Eu disse que não será necessário. — Seu tom frio e determinado que frisava cada palavra, finalmente, chamou a atenção de Lockhart. — Eu não comprei os livros porque já tinha comprado de outro autor e estudado a frente durante o verão, assim não preciso ou estou interessado em nenhum presente. Obrigado.
— Claro, claro, que tolice a minha, sendo você quem é, e tão poderoso, obviamente estaria à frente dos seus humildes colegas, mas meus livros e eu ainda podemos lhe ensinar algumas coisas, Harry, não seja pretensioso, isso não pega bem para os fãs. — Ele deu outra piscadela e Harry sentiu que poderia vomitar. Isso só podia ser um pesadelo. — Continuando, pensei em começarmos hoje com um pequeno teste. Nada para se preocuparem, só quero verificar se vocês leram os livros com atenção, o quanto assimilaram... Bem, para aqueles que leram meus livros, Harry, lamento, mas não posso mostrar preferências assim terei que testá-lo junto com os outros.
Harry não se preocupou em responder, antes duvidava que houvesse algo em seus livros que ele não sabia e agora que o conhecia, tinha certeza. Lockhart, depois de distribuir os testes, voltou à frente da classe e falou:
— Vocês têm trinta minutos... começar, agora!
Harry olhou para o teste e leu:
1. Qual é a cor favorita de Gilderoy Lockhart?
2. Qual é a ambição secreta de Lockhart?
3. Qual é, na sua opinião a maior realização de Gilderoy Lockhart até o momento?
E as perguntas continuavam ocupando três páginas, até a última:
54. Quando é o aniversário de Gilderoy Lockhart e qual seria o presente ideal para ele?
— Isso é uma piada? — Terry falou antes que Harry pudesse abrir a boca.
Harry olhou em volta e viu muitos rostos confusos e chocados, até mesmo Draco folheava o teste irritado.
— Piada? Não, de maneira alguma, as respostas a essas perguntas estão ao longo de todos os meus livros e assim saberei que os leram e absorveram seu conteúdo. — Disse Lockhart sorridente. — Ontem na aula com os Gryffindors e Hufflepuffs, a Srta. Granger respondeu todas as perguntas corretamente, mas foi a única até agora.
— Isso porque Hermione tem memória fotográfica, ela nunca esquece algo que lê. — Disse Terry irritado. — Porque temos que responder sobre suas características pessoais, senhor?
— Ora...
— Isso, se o senhor não sabe, é uma aula muito importante, de Defesa Contra as Artes das Trevas e ninguém aqui está interessado em saber sobre sua cor favorita ou data de aniversário. — Harry disse além de irritado.
— Mas, meus fãs...
— Que fãs? — Perguntou Michael contrariado e virou o teste. — Eu não sou seu fã e não estou interessado em sua pessoa, professor.
— Sim, queremos aprender magia de Defesa, professor, afinal, em seus livros o senhor diz que fez coisas incríveis. — Disse Morag se sentindo incentivada pelos amigos.
Aos poucos todos viraram os testes para baixo se recusando a fazê-lo e encararam Lockhart que tinha seus olhos arregalados e parecia suar.
— Bem, hum... nesse caso, eu pretendia deixar essa surpresa para o fim da aula, mas... — Ele pegou do chão uma grande gaiola coberta e a depositou sobre a mesa. — Na aula do 2º ano de ontem eles não se saíram muito bem, mas talvez vocês consigam passar neste difícil teste prático.
— O que é isso? — Perguntou Draco parecendo preocupado.
— Umas das piores criaturas do nosso mundo, mas espero que se mantenham calmos e saibam que estão seguros comigo, ontem seus colegas, infelizmente, entraram em pânico e isso não foi muito bom para eles. — Disse Lockhart e a tensão da sala aumentou, ele continuou em voz baixa. — Peço que não gritem, pois isso poderia provocá-los.
E a classe inteira prendeu a respiração. Lockhart puxou a cobertura com um gesto largo.
" Aqui está, senhores — disse teatralmente. — Diabretes da Cornualha recém-capturados.
Todos ficaram em silencio por um segundo e depois começaram a rir, divertidamente, o que desconcertou Lockhart que não sabia o que dizer.
"Ora, porque estão rindo? — Questionou ele.
— Acredito que o senhor está nos confundindo, professor, somos Ravenclaws e Slytherins aqui, estudiosos e ambiciosos que leem a frente. — Disse Michael divertido.
— Sim, os Gryffs podem nem saber o que são esses Diabretes e os Huffles como dominá-los, mas isso não é um problema para nós. — Continuou Greengrass com ironia.
— Bem, se estão tão seguros... — Disse o idiota loiro que abriu a jaula liberando os Diabretes.
Não houve pânico ou confusão, todos tiraram suas varinhas e começaram a usá-las sem grande drama.
— Immobilus.
— Glacius
Os pequenos monstrinhos azuis não tiveram chance de causar confusão, apenas dois deles se esconderam no candelabro e Harry tirou um biscoito do bolso e os atraiu, permitindo que Terry os paralisassem e jogassem nas gaiolas.
— Pronto. — Disse Terry satisfeito. — Será que podemos ter uma aula de Defesa real agora?
Gilderoy Lockhart parecia ainda mais desconcertado e ansioso, olhou para o relógio e viu que nem meia hora se passara.
— Bem, creio que podemos encenar um dos meus maiores feitos, isso mesmo, — Disse ele respirando fundo e se tornando mais seguro. — Vamos encenar o momento em que capturei um lobisomem e o forcei com um feitiço muito complicado a se tornar outra vez um homem. Hum... Harry? O que me diz de ser o lobisomem?
— O que? — Harry o encarou sem entender.
— Para a encenação, você faz o lobisomem e eu mostrarei como o venci. — Disse Lockhart excitadamente.
— Não, obrigada. Porque o senhor não apenas nos ensina o feitiço que usou sem encenação alguma? — Perguntou Harry muito irritado.
— Tem certeza? Pensei que gostaria de treinar e se apresentar para alguns fãs. — Disse Lockhart com outra piscadela.
— Que fãs? Eu não tenho nenhum fã! Todos aqui são amigos ou colegas. — Disse Harry sentindo a raiva aumentar.
— Ora, Harry, não precisa agir assim e entendo que quer manter a discrição, afinal, seria arrogância se exibir e não fica bem, mas se você quiser posso lhe dar alguns conselhos sobre como gerir sua imagem depois das aulas. Isso o tornará mais acessível ao seu público. — Disse Lockhart sorridente.
— O senhor perdeu o juízo? — Harry sentiu que ia explodir e se levantou.
— Harry... — Terry se levantou também e tentou segurar o amigo.
— Não! Estou cansado disso, de todos me olharem como se eu fosse algum herói ou famoso que quer fãs. — Disse Harry enfurecido. — Se o senhor gosta dos seus fãs, bem, parabéns, mas eu não tenho ou quero fãs nenhum e pare de agir como se eu fosse algum tipo de celebridade ou seu colega famoso.
Harry se aproximou de Lockhart enquanto falava, um pouco mais alto do que seria educado se dirigir a um professor, mas estava além dele se controlar com tanta tolice. Lockhart se afastou e se encolheu, parecendo intimidado e Harry, quando terminou de gritar, olhou em volta e encontrou muitos rostos surpresos o encarando. Desconcertado e irritado por perder a calma mais uma vez, ele saiu da sala e acabou no banheiro respirando fundo tentando se controlar. Porque estava tão difícil controlar seu temperamento? Porque o castelo parecia tão cheio de negatividade e todos continuavam a irritá-lo?
Exausto, ele não voltou para a aula e foi para o Covil, Terry o encontrou e trouxe sua mochila.
— Estou em detenção?
— Não sei, o idiota não disse nada e parecia pensar que você estava emocionado por encontrá-lo, por isso que agiu daquele jeito. O bom é que ninguém concordou em encenar a captura do lobisomem e nem mesmo os Slytherins gostaram dele. — Terry suspirou cansado. — Temos que ir para a próxima aula, Harry, se não estaremos mesmo encrencados.
Até a hora do jantar se espalhou a história de que Harry abandonara a aula de Lockhart e o chamara de incompetente, o que era, na verdade, apenas o que todos pensavam e quiseram lhe atribuir a ofensa. Harry não se importou, pelo menos até Hermione lhe censurar por destratar um professor e escritor famoso.
— Hermione, você não viu como ele agiu, tratando o Harry como uma celebridade, como se eles fossem colegas que compartilham fãs. Foi horrível, nem os Slytherins acharam graça, com exceção de Malfoy e seu gremlins. — Explicou Terry para a amiga.
— E sua competência é uma grande dúvida, pelo que o Terry me explicou e por seu teste, seus livros apenas falam dele e de suas aventuras, não ensinam magia. E ele ensinou uma magia hoje completamente absurda. — Harry falou irritado.
— O que? Ele lhes ensinou uma magia? — Hermione parecia magoada.
— Nossa aula foi um caos, ele e os alunos fugiram deixando para nós descobrirmos como capturar os Diabretes o que, felizmente, nós sabíamos desde a limpeza do Covil. — Contou Neville.
— Nós recolhemos os Diabretes em uns 10 minutos, todos na sala leram a frente e sabiam o que fazer, não houve pânico, na verdade, pensamos que era uma piada. — Terry deu de ombros não querendo evidenciar mais a diferença das duas turmas.
— Bem, mas nada disso diz que ele é incompetente, apenas que quis que aprendêssemos na prática! E, quer saber, Harry, está na hora de você superar essa sua fobia por fãs e ser famoso. — Hermione disse a Harry com veemência. — Nós sabemos o que aconteceu de verdade, mas as pessoas não sabem e é natural se sentirem curiosas ou te verem como uma celebridade heroica. Você precisa se acostumar e não explodir a cada vez que isso aco...
Mas Harry se cansou de ouvir sua voz, suas palavras, sua insensibilidade e deixou o Covil sem olhar para traz. Ninguém entendia, a verdade, pura e simples, é que ninguém poderia entender o que aquela noite lhe tirara. Sufocado além do saudável de raiva e amargura, Harry subiu ao seu quarto e pegando sua vassoura decidiu ir voar, saiu pela janela mesmo, pois não queria encontrar ninguém. Ele foi até o campo e voou muito tempo na noite quente, perdeu a noção do tempo ou das lágrimas em seu rosto e apenas sorriu quando Edwiges apareceu para voar ao seu lado.
— Oi, garota, está indo caçar? — Perguntou Harry quando parou e estendeu o braço para ela pousar, seus olhos amarelos os olharam questionadores. — Estou tendo alguns dias difíceis, Edwiges e tenho a impressão que tudo só vai piorar. — Seu pio parecia lhe assegurar que tudo ficaria bem. —Eu não penso assim garota, eu quero apenas ser um estudante, mas todos ficam me fazendo lembrar, Edwiges, todos, o tempo todo não me deixam seguir em frente e dizem que devo me acostumar, mas... Como posso me acostumar com isso? — Sua voz ficou trêmula e ele suspirou. — E há todo esse plano terrível para machucar os alunos e eu sinto que já começou, sabe, minha intuição me diz que alguém já está em perigo e sofrendo, mas não posso ajudá-la, como poderia se nem consigo me ajudar, me controlar? Preciso me equilibrar ou então não ajudarei quem estiver sofrendo, Edwiges, a questão é, como faço isso? Como?
— ... e não pode explodir a cada vez que isso aco... Onde você vai? — Perguntou Hermione quando Harry saiu do Covil sem uma palavra.
— Hermione... —Neville a olhou decepcionado. — Eu entendo a insensibilidade de todos porque eles não conhecem ou gostam do Harry como nós, mas não esperava isso de você.
— Eu... eu não quis... ser insensível, apenas, é a verdade, Harry vive no mundo mágico a 1 ano e, se eu posso me acostumar a ser discriminada e ofendida, ele pode se acostumar com ser encarado como um herói. Não dá para ele se deixar levar por seu temperamento o tempo todo. — Disse ela defensiva.
— Onde você acha que algo assim é possível? Dos seus livros? — Neville se levantou com o rosto vermelho, ele jamais gritara e por isso, Terry e Hermione o olharam surpreso. — Não dá para se acostumar, não tem como, não existe uma maneira em que a dor vá embora ou a saudade ou os pensamentos do que poderia ter sido. Cada coisa que ouvimos e fazemos nos lembra, as vezes... quando alguém diz, minha mãe me abraçou ou me pai me ensinou é como uma punhalada e sangra e dói tudo de novo. E a cada dia seguimos em frente porque não podemos deixar de viver ou desonrar nossos pais, mas então tem dias que alguém vem e os desrespeita, que trata a guerra como algo emocionante ou uma aventura. — Neville tinha lágrimas em seu rosto. — Praticamente, ninguém me perguntou sobre meus pais depois do que descobriram, ainda que recebi muitos olhares curiosos, mas logo todos se esqueceram e seguiram em frente, mas com o Harry não é assim. Ninguém para de lembrá-lo e todos fazem festa como se fosse algo incrível e emocionante, não tem como se acostumar com ser apunhalado e sangrar todos os dias. E você não pode entender, tudo bem, mas é inteligente o suficiente para pensar antes de falar esses absurdos, se coloque em seu lugar por um instante e tenho certeza que poderá perceber porque Harry reage como ele faz.
O silencio no Covil foi emocional e carregado, Hermione e Terry também choravam, ela encarou Neville tentando falar e se desculpar, mas som saia e por fim fechou os olhos, suspirou, pensando e tentando entender, se colocando no lugar do Harry e imaginando como seria perder seus pais e ter uma ferida tão terrivelmente dolorosa aberta de novo e de novo. Por fim ela abriu os olhos, entendendo.
— Ele está sofrendo, com dor e reage com raiva atacando como um animal selvagem faria, ele nem pode reconhecer quem não quer ou tem a intenção de lhe fazer mal, Harry apenas reage para se defender porque dói. — Disse ela com lágrimas escorrendo pelo rosto.
— Não apenas a ele, Hermione, acredite, dói o suficiente para que Harry reaja assim por si mesmo, mas ele também está defendendo aos pais dele. Eu mataria para defender a vida dos meus pais, mas Harry não os tem fisicamente, apenas suas memórias, seu amor e a cada vez que alguém trata ele como um herói, uma celebridade, parecem comemorar o que aconteceu, é apenas mais uma punhalada. E... — Neville perdeu o fôlego pela dor que sentia, por si e seu amigo. — Tudo o que sentimos é dor e tristeza, saudades…isso nunca vai passar...
— Neville, sinto muito, me desculpa. — Hermione o abraçou chorando.
Mas ele se afastou e respirou fundo, tentando se controlar.
— Não é a mim que você deve desculpas e já lhe digo desde já que, se algum dia desrespeitar meus pais, não precisa vir se desculpar porque eu não vou querer mais sua amizade. — Disse ele com uma frieza que não lhe combinava e saiu do Covil.
— Oh! Terry o que eu fiz? — Disse ela chorando. — Tenho sido tão crítica e insensível, pensei que tinha deixado esse meu lado para traz.
— Hermione, não seja tão dura consigo mesma. Vou lhe dizer o mesmo que disse ao Harry, somos jovens e estamos aprendendo e amadurecendo, é por isso que tem que parar de exigir perfeição de todos e de si mesma. — Terry disse suspirando cansado, como seu grupo unido se afastara tão rapidamente. — E pare de se zangar quando alguém discorda da sua opinião, eu sei que você se preocupa conosco, mas, com o Harry, quanto mais você o empurrar com mais força ele te empurrará para longe. Agora, não se preocupe, amanhã você pede desculpas ele, reconhece seu erro e tenho certeza que tudo ficará bem.
— E se ele não me perdoar? Como Neville?
— São situações diferentes e acredito que Neville disse isso porque está zangado. Olha, sente-se aqui, vou te pegar uma água e vamos tentar encontrar uma maneira de ajudar o Harry. — Disse Terry pegando e entregando um copo de água a amiga.
— Como assim? — Perguntou Hermione mais calma.
— Bem, estou pensando sobre como poderíamos...
Harry se encontrou com Terry na manhã seguinte e em silencio eles desceram para o campo de quadribol para treinar. Neville e Hermione os esperavam nas escadas e o grupo continuou sem palavras até que, antes de começarem a alongar, Hermione respirou fundo:
— Harry, eu... sinto muito pelo que eu disse, foi horrível e é errado esperar que você se acostume com algo assim. E lamento mesmo ter sido tão crítica, minha única defesa é que me preocupo com você, de verdade.
Harry suspirou cansado e encarou a amiga que estava sendo sincera em suas palavras.
— Eu sei, Hermione e você está certa sobre me controlar e meu temperamento, mas não sei como fazer o que você me pede, não sei como aceitar, me acostumar ou ficar passivo diante de ofensas racistas e pessoas agindo como se a morte dos meus pais não fosse importante. — Harry foi sincero. — Ainda fico com raiva e tento entender, mas, às vezes, tudo só explode para fora, preciso encontrar um equilíbrio porque não gosto de perder o controle do meu temperamento e precisamos nos concentrar no que é importante.
— O que quer dizer? — Terry perguntou curioso.
— O plano horrível do Malfoy pode estar acontecendo agora, nesse instante, e estamos tão concentrados em nós mesmos e toda essa bagunça que podemos não ver quem precisa de ajuda. Vocês notaram algo diferente? Alguém? — Perguntou Harry e seus amigos acenaram que não.
— Mas não conhecemos todos e tem os primeiros anos que nunca tínhamos vistos. — Disse Hermione preocupada.
— Bem, então, precisamos espalhar a palavra. — Disse Harry percebendo o que devia fazer e agora que sabia se sentiu muito mais calmo e focado.
— Como assim? — Neville não entendeu
— Vamos marcar uma reunião no Covil com nosso ano e amigos de outros anos e contar o que sabemos, que não é muito, mas será o suficiente para que todos fiquem de olhos abertos. — Harry disse decidido. — Não temos porque carregar esse peso sozinhos quando temos bons amigos para ajudar. Além disso, a partir de agora vamos anotar cada vez que sofremos ofensas racistas e avisar a Associação de Pais, a Sra. Serafina disse que eles iam lidar com isso e temos que confiar neles. E sobre essa história de herói, bem...
— Harry, temos uma ideia para ajudar a resolver isso, talvez não 100%, mas talvez a maior parte. — Disse Terry sorrindo. — Hermione e eu conversamos e acreditamos que o melhor é você fazer um anúncio público.
— O que? — Harry os encarou confuso.
— Um anúncio, Harry, informando que os livros Harry, O Aventureiro não é baseado em sua vida e que você a pouco descobriu sobre eles e os está cancelando. Explicando que o que aconteceu aquela noite foi um evento mágico antigo causado pelo sacrifício e amor de sua mãe, que você não é um herói e, sim, um de muitos que ela salvou. — Disse Hermione suavemente.
— Você pode dizer que espera que as pessoas respeitem o fato de não querer falar sobre isso ou ser festejado, que para você é um momento triste e de dor. Que você não quer fotos, autógrafos ou ser famoso e tudo o mais que você quiser. — Terry explicou. — Você pode publicar no Profeta Diário e todo o mundo mágico saberá a verdade, claro, haverá aqueles que não acreditarão ou aceitarão, mas acho que a maioria e quem importa entenderão a mensagem.
Harry analisou a ideia e pensou que era boa, ainda que esperasse que ninguém o considerasse ainda mais famoso por dar uma declaração ao maior jornal do mundo mágico. Olhando para Neville que estava calado, perguntou:
— O que você pensa?
— Que é uma boa ideia, talvez as pessoas parem de abordá-lo, insensivelmente, e você não tenha mais que destratá-las, mas, sinceramente, não acredito que isso o deixará menos famoso e conhecido. Você ainda será, para o mundo mágico, o menino-que-viveu e, graças a você ou sua mãe, Voldemort se foi. — Disse Neville e Harry apreciou sua sinceridade.
— Preciso pensar, pessoal, tenho muito o que pensar e decidir, precisamos parar de brigar por tolices e seguir em frente, aprender com nossos erros, prestar atenção ao nosso redor e tentar impedir esse plano. Mas agora estamos perdendo tempo de treino, assim, vamos alongar e começar a correr. — Disse Harry e sorriu para eles mostrando que estava tudo bem.
Hermione sorriu de volta aliviada e depois olhou para Neville que acenou tímido e seu sorriso aumentou quando ela o abraçou fortemente. Harry não entendeu, mas achou melhor não perguntar e sim gritar seu incentivo habitual dos treinos.
— Vamos lá! Sem preguiça, não quero saber de corpo mole, estiquem mais, hoje vou pegar pesado, se querem moleza vão comer gelatina seus dorminhocos!
