NA: Olá, estou postando cedo e com uma revisão, porque hoje é meu aniversário e pretendo sair e comemorar com alguns amigos. Portanto, ou é uma revisão ou fica para amanhã e sei que vocês estão esperando hoje, então, sejam gentis com os erros.
Também decidi fazer um grupo no facebook para os que estão acompanhado esta fanfic e eu, podermos nos comunicar. Percebi que queria lhes dizer sobre o meu possível atraso e não tenho como, assim quem quiser ser parte do grupo, me envie uma solicitação que quando voltar da minha diversão, aceito todos. Lembre-se que é apenas para falarmos sobre a história Harry, O Ravenclaw, podem me fazer perguntas, conversar entre si e tal.
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Por favor revisem! Até mais, Tania
Capítulo 48
— ... então, basicamente, tudo isso aconteceu nos últimos dias e sei que passei dos limites. Também sei que isso não justifica, mas espero que compreendam que, desde o momento em que entrei no trem, manter a frieza e tranquilidade não se mostrou fácil. Só posso supor que depois de 2 meses sem comentários ofensivos fiquei dessensibilizado, mas isso não desculpa minhas ações e aceitarei qualquer punição que acreditarem justa, o mesmo vale para o Prof. Flitwick com quem conversarei no domingo e contarei a verdade, além de lhe entregar a adaga.
Aguardo uma resposta sobre isso e conselhos sobre a ideia de Terry e Hermione.
Harry J. Potter
Sirius terminou de ler a longa carta do afilhado sentado à mesa da cozinha da Evans House e suspirou cansadamente.
— Bem, pelo menos ele não está ferido como temíamos quando a carta chegou. — Disse ele preocupado com seu afilhado.
— Uma adaga? Como... — Petúnia estava muito chocada. — Porque ele decidiu levar uma faca para a escola e ainda agir assim? Harry jamais... ele nunca foi violento... todos esses anos em que Vernon ou Dudley o provocaram... jamais agiu assim...
— Sirius, você o acompanhou ao cofre naquele dia, ele lhe falou sobre a adaga? — Serafina o encarou duramente.
— Não. E todos sabemos que Harry é inteligente e desconfiado demais para falar sobre algo assim com adultos, além disso, Petúnia, ele não revidou antes porque tem um grande instinto de sobrevivência e era mais jovem. Acredito que o que aconteceu neste verão com seu ex-marido mostra que sua passividade não duraria por muito tempo, independentemente de Hogwarts. — Disse Sirius firmemente.
— Mas ele não é violento... — Protestou Petúnia.
— Sim, ele é. — Sirius a contestou na mesma hora irritado por conhecer seu afilhado melhor que ela, que o viu crescer. — Todos somos em algum nível, mas o Harry é um guerreiro, um lutador, um sobrevivente, um defensor e, acredite, para ser tudo isso, precisa ter uma grande dose de violência dentro se si. Apenas, antes de tudo, ele tem um grande coração, uma alma doce e pura e, sinceramente, vocês deviam agradecer por isso ou não estariam aqui para terem a chance de se redimirem.
Houve silêncio depois disso e quando Petúnia percebeu que os Boots não iriam contestá-lo, escondeu a mão no rosto arrasada. Como perdera isso? Onde estivera nos últimos 11 anos que não enxergara como seu sobrinho se conteve, sua personalidade, sua naturalidade, seu instinto de defesa, apenas para sobreviver. Foi isso que ele fez enquanto crescia, sobreviveu como pode e continuou dia após dia, lutando sem deixar que eles o quebrassem.
— Isso não muda o fato que suas ações me parecem, completamente, desproporcionais para as ações destes garotos ou do professor. Além do fato de que ele não nos contou sobre a adaga porque sabia que não lhe permitiríamos levá-la com ele para a escola. — Serafina disse chateada.
— Sinceramente, isso pouco importa para mim. — Disse Sirius dando de ombros, cansado. Ele completou, hoje, 5 dias de treinamento, assim se sentia além de fisicamente e mentalmente exausto e, em cima disso, estava preocupado e saudoso de seu afilhado.
— Sirius! — Serafina se mostrou indignada.
— O que? Você quer puni-lo? — Sirius se levantou exasperado e jogou a carta na mesa. — Bem, puna-o. Escreva de volta e lhe diga quão decepcionados e chateados estamos com ele, proíba-o de fazer algo que goste muito, como estudar ou treinar, quem sabe voar. Não é como se ele tivesse muitas outras atividades, não é? Vamos ignorar suas palavras, explicações e garantias de que compreende seus erros, que está arrependido e mais importante, vamos ignorar que ele está sofrendo.
— Eu não quero ignorar nada, inclusive os nossos papéis como educadores. Esse é o tipo de coisa que lhe disse que poderia acontecer, ele mente e se esquiva, mostra arrependimento, nós relevamos e em pouco tempo perdemos o controle completo sobre suas ações, sua vida. E, não teremos ninguém a culpar, a não ser nós mesmos. — Serafina devolveu duramente.
— Os dois estão certo e brigarmos não ajudará a pessoa mais importante aqui, o Harry. — Disse Falc e relia a carta. — Primeiro, enquanto concordo que ele deveria ter nos consultado sobre a adaga, é compreensível que não confie nos adultos, principalmente, para entender e respeitar seus desejos, seus pensamentos e sentimentos. Temos que conquistar sua confiança e acredito que já avançamos muito em pouco tempo, mas não podemos forçá-lo nesta direção. E, segundo, sou obrigado a dizer que fiz muito pior que isso quando estava em Hogwarts.
— Eu também. — Sirius cansado e voltando a se sentar. — E, seu pai, mesmo Lily também trocou feitiços com Slytherins puristas. Além disso, ele não pegou a adaga com a intenção de machucar ninguém e sim de se defender, algo mais do que compreensível depois do último ano, suas ações com Draco foram instintivas de defesa de uma situação tensa. — Sirius os olhou com uma careta. — Nesta idade, James e eu teríamos enfeitiçado ou socado os tolos, pegaríamos 2 semanas de detenção e pensaríamos ser os heróis da Gryffindor.
— Mas... Harry não fez isso, ele controlou a situação, não deixou os amigos fazerem magia e expulsou-os do compartimento. — Disse Petúnia confusa.
— Porque ele é muito controlado e maduro perto de outros garotos dessa idade e mais, Harry tem um ótimo instinto quando se trata de um duelo, mesmo que verbal. Ele sabia que Draco não oferecia perigo o suficiente ou era importante para que uma ação mais ofensiva fosse necessária, assim apenas o colocou em seu devido lugar. — Apontou Sirius tranquilamente.
— Desculpe, mas não acredito que ameaçar uma criança de 12 anos com uma adaga foi uma "ação necessária". — Protestou Serafina os encarando irritada.
— Assim como socos e feitiços muitas vezes não foram, Serafina. — Falc segurou sua mão com carinho. — Ele sofrerá detenções e podemos castigá-lo, mas concordo com Sirius, não devemos fazer disso maior do que é.
— Além disso, Harry também tem 12 anos e por mais maduro que seja, ele é jovem e tem um temperamento. — Sirius apontou. — E precisamos admitir que essa história só chegou tão longe por causa dos Malfoys e de quem Harry é.
— Como assim? — Petúnia questionou confusa.
— Lembra o elfo doméstico que causou toda a confusão no jantar? Bem, ele pertence aos Malfoys e seu aviso nos alertou que seu amo pretende fazer coisas terríveis em Hogwarts este ano, portanto, assim como estamos preocupados, Harry também está e ser provocado desta maneira, ameaçado e ver um amigo ofendido. — Sirius deu de ombros. — Todos estão no limite e isso não é surpreendente, além disso, Draco corre para o pai que é membro do Conselho de Governadores, que exige a expulsão e prisão do Harry por causa de uma discussão de crianças que passou dos limites. Acreditam que se fosse outra criança isso teria acontecido?
— Então, o que fazemos? — Petúnia perguntou confusa. — Não gosto que ele tenha uma atitude violenta como essa na direção de ninguém, mas acredito que não devemos desconsiderar as circunstâncias, seria o mesmo que tentar puni-lo por chocar o Vernon.
— Talvez, e não podemos desconsiderar os hormônios da adolescência em todas essas explosões, concordo que podemos compreender o que aconteceu e seguir em frente, principalmente, porque Harry reconhece seu erro. — Serafina considerou razoável. — Mas isso não apaga o que aconteceu ou ele omitir a adaga e sua intenção de levá-la para Hogwarts, não o punir me parece um precedente perigoso.
— Então, vamos puni-lo, Harry está esperando por isso e aceitará nossa decisão, ainda, que não sei como fazer isso, como Sirius disse, ele não tem muita diversão e impedi-lo de voar prejudicaria seu time. — Apontou Falc.
— Olha, podemos pensar e decidir depois sobre um castigo, agora quero me concentrar em como o ajudaremos, quando é claro que ele está sofrendo. — Sirius se mostrou impaciente outra vez.
— Sofrendo? — Petúnia o olhou preocupada.
— Sim, sua carta é um pedido de ajuda. A ideia do Terry e Hermione me parece a tentativa deles de ajudá-lo, eles pararam de brigar e se colocaram a pensar em uma solução. Harry quer nossa opinião e ajuda para lidar com isso e precisamos encontrar uma maneira de fazer isso. — Sirius falou firmemente. — Pensem, todos temos assuntos dolorosos e difíceis que não gostaríamos de ninguém perguntando ou fofocando levianamente, imagine se as pessoas agissem como se fosse algo incrível e emocionante. E, esses livros idiotas colaboram para que o Harry seja visto como uma celebridade e não uma vítima ou uma criança.
— Eu mal consigo lidar com a morte da minha irmã e se alguém agisse como se, bem, não fosse importante ou sim motivo de celebração... — Petúnia mostrou a angústia que sentia. — Acredito que sofreria muito também.
— Ele lidou bem com isso o ano passado, porque este ano está mais difícil? — Falc questionou curioso.
— Não foi tão bem assim, ele teve problemas com o garoto Weasley e mesmo Hermione, mas, é possível que estivesse tão envolvido com tudo que não teve muito tempo para olhar em volta. Este ano ele está olhando em volta e sendo atacado por todos os lados, além disso, como Harry disse, depois de dois meses sendo ele mesmo, acredito que é natural baixar a guarda. — Disse Sirius sentindo uma grande vontade de abraçá-lo.
— Então, o que fazemos? Esse anúncio no Profeta pode ser feito? E, será efetivo? — Serafina perguntou olhando para o marido.
— Precisarei pesquisar legalmente, ter certeza que no contrato nada impede uma declaração como essa que levaria a um processo. — Disse Falc sincero. — Acredito que poderia ser positivo e efetivo, muitas pessoas são sensatas e acreditarão, mas não podemos esperar que todos ajam assim. Além disso, o Harry estará em grande foco se tivermos uma próxima guerra e ele terá que aprender a lidar com isso.
— Mas como podemos esperar que uma criança seja importante em uma guerra? Não devíamos colocá-lo em segurança? — Petúnia sentiu seu coração apetar ao pensar em perder seu sobrinho como perdeu sua irmã.
— Infelizmente, isso não é possível, precisamos apoiá-lo e ensiná-lo o máximo para que ele sobreviva. — Sirius falou suavemente. — Por isso acredito que o treinamento com Flitwick seja a decisão certa, isso lhe tirará um tempo de infância, mas o ajudará a longo prazo, tenho certeza.
— Além do fato de que Flitwick estava encantado com ele e seu talento. Harry tem treinado sozinho e agora que terá um mestre para orientá-lo, não tenho dúvidas que evoluirá, inclusive, no controle do temperamento. — Disse Falc positivo.
— Talvez possamos pedir ao professor que dobre as suas detenções com o nosso castigo e todos podemos escrever uma carta cada um, expressando o que sentimos. Creio que isso lhe mostrará o nosso apoio e também o pune sem exagero. O que acham? — Disse Serafina e todos acenaram concordando.
— Bem, preciso ir, estou quebrado e amanhã tenho mais um dia de treinamento. — Disse Sirius e era possível ver sua exaustão.
— Vocês não querem ficar para jantar? — Petúnia perguntou olhando para o fogão onde iniciara o preparo pouco antes dos 3 chegarem, inesperadamente, com a carta. Apesar da surpresa, ela se sentira feliz por ser incluída e por pedido do Harry, imagine isso, pensou ela, emocionada.
— Talvez em uma próxima, Petúnia. Eu não avisei a Sra. Honora com antecedência e ela pode se sentir perturbada se não me ver no jantar. — Sirius explicou suavemente.
Sra. Honora tivera um grande verão, parecia até melhor, mas nas últimas 2 semanas sua saúde e memória definharam, consideravelmente. No momento, qualquer coisa que alterasse sua rotina, bruscamente, a perturbava e provocava uma crise que poderia, inclusive, deixá-la violenta.
— E nós também precisamos ir, as crianças nos esperam para o jantar e precisamos liberar a Anne. — Explicou Serafina enquanto se levantava e seguia até a porta. Petúnia os acompanhou e lhes devolveu seus casacos e jaquetas. — Como está Dudley?
— Oh, ele está bem, teve uma primeira semana de aulas difícil e exigente, mas, meu bombonzinho está se esforçando muito. — Petúnia disse orgulhosa. — Escreverei a carta e...
— Eu enviarei a Edwiges amanhã depois do seu descanso e você pode enviar a carta por ela. Nós enviaremos por King, temos que escrever para o Terry também. — Disse Serafina e Petúnia acenou concordando. — No próximo sábado teremos o aniversário de Ayana e gostaríamos muito que vocês dois viessem.
— Mesmo? — Ela disse surpresa. — Eu... é muito gentil nos convidar... quer dizer, não queremos incomodar.
— Não será incomodo algum e será uma festa trouxa em um pequeno salão em St. Albans. — Explicou Serafina com um sorriso gentil. — Foi assim com Terry também, ele queria seus amigos da escola convidados, portanto, não era possível fazer seus aniversários em casa. Ayana está ansiosa pela festa e os convidados serão todos trouxas, além de nós, é claro.
— Muito obrigada pelo convite, nós iremos com certeza. — Disse Petúnia, sinceramente surpresa e grata pelo convite.
Logo depois eles se despediram e Petúnia voltou a preparar o jantar. Dudley desceu e começou a colocar a mesa sem que ela precisasse pedir, nos últimos dias, eles entraram em uma rotina bem ajustada e doce.
— Harry está bem, mãe? — Perguntou ele preocupado.
— Sim, querido, apenas algumas questões disciplinares que precisavam da decisão de todos nós. — Disse ela sorrindo tranquila.
— Disciplinares? Como, Harry fez algo e está em apuros? — Dudley se mostrou confuso, afinal, seu primo era um garoto bem tímido e nada violento.
— Sim, me surpreendi também, mas, na verdade, ele apenas respondeu ao bullying de um garoto ruim. — Petúnia suspirou e não viu o olhar arregalado do filho. — Creio que esses tipos de garotos existem em toda a parte... Dudley, se alguém tentar bullying com você nesta nova escola, você deve me contar, não me esconda nada, pois, assim posso te ajudar. Certo, cordeirinho?
Dudley sentiu o estômago se apertar com a culpa pela mentira, mas sendo bem menos valente que o primo, não teve coragem de contar a verdade.
— Sim, mãe. — Disse ele e começou a comer para não ter que falar mais nada.
— De qualquer forma, escreverei uma carta ao Harry e lhe direi para contar para os professores e não se envolver em brigas tolas, não vale a pena se sujar com esses tipos. — Disse ela com ainda alguns resquícios da venenosa Petúnia de antigamente. — Duduzinho, você não está comendo. Mamãe não fez um bom purê? O molho não está gostoso?
— Não, hum... Está muito bom, mãe. — Duda puxou o prato para mais perto e comeu um bocado que pareceu não ter gosto de nada. — Será que posso escrever uma carta para o Harry também?
— É claro que sim, carneirinho, você pode contar a ele como foi sua semana na escola e como está indo bem. — Disse ela o encarando com um sorriso de orgulho.
Sirius depois do jantar com o Sr. Boot e a Sra. Honora foi para seu quarto e olhou para a cama convidativa com profundo desejo. Seu plano inicial de sair para encontrar um pouco de diversão teve que ser adiado, indefinidamente, ou até que ele possa se manter minimamente acordado até depois das 9 da noite. Denver cumprira sua promessa de ser ainda mais dura nos dias seguintes e testá-lo a cada passo do caminho, além de tentar quebrá-lo e fazê-lo desistir. Se Sirius pudesse raciocinar perceberia que a única coisa que o impediu de desistir ou falhar nos testes foram suas palavras e provocações, e, então, entenderia que elas eram propositais e tinham esse objetivo.
Depois de se banhar, Sirius ignorou a cama e decidiu escrever uma longa carta a seu afilhado que, como ele, não estava tendo uma semana da mais fáceis. Quando terminou, deitou sonolento e esqueceu de programar a varinha, mas seu corpo meio treinado, além de seu inconsciente, o acordaram alertando que algo estava errado. Ao perceber o que era, pulou da cama e em minutos se vestiu e correu para o ponto de aparatação, mesmo sem café da manhã ou escovar os dentes, chegou quase 10 minutos atrasados.
— Está atrasado, recruta Black. — Denver lhe disse parada no ginásio onde treinaram nos últimos dias.
— Desculpa, esqueci de progra...
— Não quero saber das suas desculpas esfarrapadas, recruta, se em nossa primeira semana de treino você não consegue resistir a um sábado a noite de diversões ou se preocupa o suficiente com sua carreira auror para não se atrasar o problema é seu. Espero que compreenda que não aceitarei perder meu tempo com alguém irresponsável. — Disse Denver com frieza. — Agora sigamos que estamos perdendo ainda mais tempo, pretendia que tivéssemos a aula teórica hoje, mas como punição quero 3kg na esteira e 50 flexões.
Ela terminou de falar já andando e parou quando viu que Sirius não a seguia, voltando-se, Denver o encarou e sua expressão, igualmente, fria.
— Acredito que você tem 2 minutos para ao menos compreender a verdade, primeiro, não sou nenhum irresponsável que não se importa com a carreira e estive mostrando isso nos últimos dias. Segundo, não houve nenhuma festa, diversão ou mulher ontem à noite, tive uma preocupação com meu afilhado e, depois que resolvi, estava exausto como estou todas as noites, aliás, e dormi sem colocar minha varinha para despertar. — Sirius falou duramente. — Ainda assim, cheguei apenas 10 minutos atrasado, garanto que isso não ocorrerá novamente e aceitarei sua punição, pois a mereço, mas não tente me menosprezar como um garoto tolo.
Os dois se encararam com firmeza, nenhum deles cedendo e a eletricidade do ar crepitou, Sirius desviou seu olhar de seus olhos castanhos para sua boca pequena e gorda, a vontade de beijá-la foi tanta que sua boca secou e ele lambeu seus próprios lábios. Instinto lhe fez dar um passo adiante, mas o de Denver, ao sentir o perigo, foi dar um passo atrás, então, os dois pararam e se encaram nos olhos de novo. O impasse durou até que Denver recuou e lhe virou as costas voltando a caminhar e se recusando a reconhecer o que tinha acabado de acontecer.
— Muito bem. Seus dois minutos de explicações se passaram, agora vá e cumpra sua punição, depois te espero na sala de reuniões. Te quero limpo e disposto, recruta, em 1 hora e não aceitarei mais desculpas de você a partir de hoje, mesmo que não sejam esfarrapadas. — Ela disse isso enquanto deixava o ginásio e Sirius teve a nítida impressão de que Denver estava fugindo, esse pensamento lhe trouxe um sorriso e, enquanto cumpria sua punição, o fez com muito mais energia.
Mais tarde, quando se despediam, Denver lhe fez uma primeira pergunta pessoal em todos esses dias, o que aqueceu o coração de Sirius, inesperadamente.
— Espero que o seu afilhado esteja bem? — Disse ela, estranhamente tímida.
Sirius ficou mudo de surpresa, mas logo sorriu ao pensar em Harry e seu rosto se iluminou, seus olhos cinzas brilharam como prata quente e Denver teve que desviar o olhar para não queimar a vista.
— Sim, quer dizer, Harry é forte. Acredito, pelo que disse em sua carta, que está lidando com tudo o que está acontecendo e ele tem muitos bons amigos que o ajudam. — Sirius se recostou na mesa e cruzou os braços, o movimente fez os músculos dos braços, longe do ideal, mas, ainda atraentes, se evidenciarem e Denver voltou a olhar para seu rosto fingindo não ver. — No entanto, é difícil não estar lá e abraçá-lo, não faz nem uma semana que o vi, mas parece que foram anos de tantas saudades.
— Aconteceu algo grave? Você não poderia ir visitá-lo? — Perguntou ela ao ver em seus olhos a preocupação sincera pelo menino.
— Não é um caso grave que leve a uma visita familiar, ainda assim, agora que sou um padrinho, detesto colégios internos, mesmo sabendo o quanto Harry está se divertindo e aprendendo. — Sirius suspirou e passou a mão pelo rosto, a encarando com diversão. — De qualquer forma, eu lhe escrevi uma longa carta, ontem à noite, contei sobre minha semana e sobre minha carrasca. Espero que isso ao menos o faça rir e se sentir melhor.
Suas palavras a divertiram de imediato e Denver poderia ter rido se fosse o tipo de mulher que ri facilmente, mas ela conseguiu se impedir e apenas ergueu a sobrancelha ironicamente.
— Bom, se é para o bem do seu garoto, prometo cumprir meu papel muito bem. Te espero aqui amanhã, recruta Black, não me faça esperar outra vez. — As palavras finais foram mais serias e Sirius assentiu do mesmo modo, mas quando ela se virou e saiu, seu olhar se desviou para seu traseiro e seu sorriso voltou ao lugar, para uma carrasca, até que ela era uma visão bonita, pensou.
O domingo dos Boots também foi tenso porque, quando Serafina e Falc discutiram a punição para seu filho, discordaram veementemente.
— Ele é uma criança! Defendeu uma amiga, não disparou um feitiço e ainda está ajudando os amigos que estão brigando e confusos, sofrendo. — Falc disparou irritado com sua insistência.
— Isso não muda o fato que o episódio no trem teve sua colaboração e se castigarmos o Harry por isso seria injusto não o fazermos com Terry, que pode não ter usado uma adaga, mas usou sua varinha para ameaçar um garoto. — Serafina argumentou.
— Justo não seria se castigássemos nosso filho por ser um bom amigo e ameaçar um garoto tolo que deveria ser punido por dizer essas ofensas horríveis. Além disso, todos já passaram por dias difíceis, acrescentar uma carta expressando nosso desapontamento não é o apoio que nenhum dos dois precisam. — Falc disse irritado.
— Bem, escreva sua carta e os parabenizem por serem bons garotos, machos e defensores da pobre menina indefesa. Eu escreverei minha carta e deixarei bem claro que os espero usando os cérebros, não os punhos, ou varinhas e adagas. — Encerrou ela furiosa.
O almoço de família foi tenso e estranho, pois todos podiam ver que eles não estavam se falando, com exceção de Ayana e Adam que tagarelavam sem param sobre a festa de aniversário e a escola nova. Serafina desabafou com a mãe, irmã e cunhada sobre sua teimosia em educar as crianças ao em vez de relevar os erros.
— Se deixamos passar por causa disso ou daquilo, quando precisarmos segurar, seremos incoerentes, temos que ser firmes não importam a circunstâncias. — Disse ela picando os legumes ferozmente.
— Eu discordo. — Disse Elizabeth e recebeu um olhar feroz da cunhada com a faca. — O que? Posso ter minha opinião ou só a sua é que conta?
Isso pareceu desconcertar Serafina, que acenou constrangida e voltou a picar os legumes com mais calma.
"Acredito que o contexto, as circunstâncias sempre devem ser analisadas, intenções, objetivos são importantes sim, muitas vezes a criança faz algo errado, mas sua intenção não era essa ou ela não sabia. Mesmo que Terry e Harry sejam criança muito maduras e inteligentes, ainda são crianças e, assim como Adam, estão descobrindo um mundo novo ou vários novos mundos. " — Deu sua opinião Elizabeth.
— Sim, mas o pior é que, ao em vez de menininhos inocentes, eles são adolescentes cheios de hormônios, nossa, me lembro como eu era explosiva nesta idade, se alguma menina me olhasse torto mostrava minhas unhas para elas. — Disse Miriam sorridente e exibindo as unhas como garras de uma leoa.
Isso fez todas rirem, mesmo Serafina, que se lembrava muito bem do temperamento explosivo da irmã mais nova.
— Mas é muito mais perigoso em uma escola de magia. — Disse Serafina mais séria. — Um descuido e eles podem se machucar ou a outra criança facilmente.
— E, me parece que eles sabem disso, sabem também que estavam errados, Hermione lhes deu uma boa lição, eles brigaram, fizeram as pazes e seguiram em frente. — Sua mãe disse a encarando. — E eles poderiam ter lhes escondido tudo isso facilmente, como você mesmo fazia quando estava em Hogwarts. — Serafina corou sob seu olhar. — Ao em vez disso eles contaram a verdade e estão dispostos a serem castigados porque entendem o quão sério é o que aconteceu. E sabe o que isso me faz pensar?
— Não, mamãe.
— Que eles são bons garotos e que você deve confiar nisso. — Disse Sra. Madaki com firmeza.
Falc teve uma conversa parecida com o sogro e seu pai que o fez refletir pelo resto do dia. E a noite, antes de dormirem, os dois voltaram ao assunto.
— Olha, sei que não posso ser apenas compreensão e amigável, que devo ensiná-los, adverti-los, mesmo exigir deles uma postura mais madura. Mas também me sinto orgulhoso por ver como bons garotos eles são, defenderam um amigo, exageraram e reconhecem seus erros, aceitam a punição. — Disse Falc suavemente. — Temos que ser duros sem machucá-los ou os deixar inseguros de nos contar algo no futuro, porque se formos injustos, eles perderão a confiança em nós.
— Você está certo. Eles são boas crianças e merecem nossa confiança, precisamos dizer a eles que nos orgulhamos deles e que esperamos melhores decisões no futuro. — Disse Serafina o abraçando.
— Ok, me parece bom. E acredito que se Harry terá o dobro de detenção, Terry pode ter o mesmo tanto, sem o acréscimo de Flitwick. Acredito que ele pensará ser justo. — Disse ele suavemente e beijando sua testa enquanto a abraçava mais perto.
— Sim, Terry não gostaria que apenas o irmão fosse castigado e ele não. — Disse ela se aconchegando em seu peito.
Harry e Terry ficaram no Covil por mais alguns minutos, mas não ouviram mais nada, assim, invisíveis voltaram para a torre, tensos, alertas e com varinhas nas mãos. Eles se despediram e entraram em seus quartos, Harry sorriu ao ver Edwiges em seu poleiro especial o esperando.
— Olá, garota, que bom que voltou segura. — Disse Harry suavemente a acariciando, retirou as cartas e recebeu seu carinho quando ela subiu em seu ombro e bagunçou seus cabelos. — Escute, Edwiges, eu ouvi alguma coisa na escola hoje, era mal e estava faminto, você tem que ser cuidadosa e avisar as outras corujas. Ok?
Edwiges piou e depois voltou para o poleiro para um descanso merecido. A batida na porta fez o Harry saltar e sacar a varinha na hora, andando com cautela até a porta, perguntou:
— Quem é?
— Terry.
— Diga a senha.
— Dobby.
A porta se abriu e Terry entrou antes de Harry voltar a fechá-la rapidamente.
— Harry, você está muito tenso, acalme-se. — Disse Terry ao encarar o rosto pálido do amigo.
— Você não ouviu o que eu ouvi, Terry. Ele é mal e está faminto, se encontrar alguma coisa ou alguém, não hesitará em matar. Alertei a Edwiges, amanhã contarei ao Flitwick e ao Hagrid, você deve ser muito cuidadoso, todos nós, na verdade. — Disse Harry ainda sentindo a adrenalina percorrer seu corpo e pensando em mais soluções. — O ideal é que ninguém ande separado, a partir de agora andamos sempre em duplas ou mais.
— Ok, mas porque o Hagrid? — Terry questionou confuso.
— Porque se é uma criatura como me pareceu pode atacar outras criaturas e Hagrid tem que saber para protegê-las. — Disse Harry e viu o amigo empalidecer, sabia o quanto Terry amava as criaturas mágicas. — E porque veio ao meu quarto?
— Ok, concordo sobre o Hagrid. E, vim apenas lhe entregar suas cartas que vieram por King. — Disse Terry igualmente tenso e lhe entregando as cartas de Sirius, Serafina e Falc.
Suspirando e tentando colocar a noite dura de lado para encarar o que estava nas cartas, Harry se sentou na cama e deixou a cadeira para o Terry, em silêncio, eles leram as cartas dos adultos. Harry começou com a da Sra. Serafina e Sr. Falc que disseram basicamente o mesmo, estavam chateados por suas ações, esperavam mais, mas entendiam as circunstancias, agradeciam a confiança e estavam orgulhosos por suas atitudes honrosas. Harry sentiu o alívio inundá-lo ao perceber que eles não estavam desapontados ou zangados com ele e o castigo lhe pareceu justo. Na carta de Sirius, seu padrinho mal menciona o episódio, apenas no começo, depois a carta se torna mais pessoal e Harry a deixou para terminar depois quando estivesse sozinho.
— Papai e mamãe não estão zangados como pensei, acho que eles entendem que, bem, que agimos impensadamente e tal. — Disse Terry igualmente aliviado.
— Sim, aqui também é o mesmo. E meu castigo é cumprir o dobro da detenção que o professor me passar. — Disse ele pensativamente.
— E eu devo cumprir metade do seu total, me parece pouco... De qualquer forma, Flitwick lhe passou detenção? — Terry se levantou e bocejou.
— Não, nem conversamos sobre isso, perguntarei amanhã, mas sua mãe diz que escreverá a ele, assim, imagino que não preciso me preocupar por agora. — Disse Harry sonolento.
— Ok, vou dormir que estou quebrado. Boa noite.
— Boa noite... e tranque bem sua porta.
Sozinho, Harry leu a carta de seu padrinho e sorriu com o coração aquecido com suas palavras de carinho e apoio.
... Você receberá recriminações o suficiente de Serafina e Falc, assim não me deterei a isso, Harry, principalmente, porque você errou e reconhece isso, está arrependido e para mim é o que importa.
O que quero lhe contar é algo que fiz quando jovem, mais jovem que você, mentalmente, mas, em anos, 4 mais velho. Sempre encarei ou me esforcei para encarar a vida com leveza e não levar nada a sério, por muitas razões a vida em minha casa era um tremendo pesadelo, mas naquele verão foi ainda pior. Tive que fugir da casa dos meus pais ou então seria obrigado a me prostrar de joelhos diante de Voldemort e receber sua marca. Eu tive sorte de ter o melhor amigo do mundo e seus pais me acolherem como seu filho, ainda assim minha raiva pelos Slytherins, pelos puristas ou seguidores de Voldemort atingiram o ápice no início do meu 6º ano. Nada disso justifica minhas ações ou falta de consciência, pois posso lhe dizer que naquelas semanas, Harry, eu estava muito próximo de me tornar o que eu mais temia, um Black.
Snape era para nós, como o Draco é para você agora, um rival chato e insignificante, quase ofensivo com sua tolice e mesquinhes, mas com a guerra ficando pior, ele se aproximou mais e mais das artes das trevas e das famílias puros-sangues, crianças que se tornariam comensais da morte alguns anos depois como ele mesmo se tornou. Quando jovens, nossa rivalidade parecia infantil e apenas mais uma brincadeira, mas aos 16 anos e com tanta raiva e hormônios tudo ficou pior e pior. Nunca duvide que ele teve seus momentos de glórias e nós de humilhações, a raiva dele também estava lá na superfície e não há nada mais volátil que o encontro desses tipos de sentimentos sem controles, sem filtros ou exemplos. Nós dois estávamos bem pertos de fazermos algo que passaria os limites nunca impostos com palavras, mas que existiam e existem até hoje. Não mate em Hogwarts. Isso era um limite, mesmo os puristas mais puristas que matariam aos risos um nascido trouxa se o encontrasse na rua, não o faria em Hogwarts.
Em uma lua cheia, eu ultrapassei esse limite, fui inconsequente e cruel, deixei que Snape soubesse como chegar à Casa dos Gritos onde ele queria confirmar o que acontecia com Remus, porque nos reuníamos lá todos os meses. Como sempre, ele estava tentando entrar em nossos negócios e nos conseguir expulsos ou ao menos em detenção. Juro que, às vezes, me parecia que passava mais tempo nos perseguindo do que o Filch.
Não lhe direi que não pensei que ele não iria, me passou pela mente, "o idiota é covarde demais para aparecer, mas se aparecer, muito bem feito, tomará um gosto bem merecido". Mas, então, eu contei ao seu pai rindo o que fiz e seu olhar de pânico me gelou a alma. Eu vi em seus olhos castanhos, em seu desespero e pressa para chegar até lá, ele usou a capa, mas seus pés teriam sido vistos facilmente, nunca o caminho me pareceu tão longo e James não tinha dito uma única palavra, apenas, quando entendeu o que eu fizera, se cobriu com a capa e correu. Eu me tornei Almofadinhas e o segui pelas sombras, sabendo que dificilmente seria visto, era logo depois do toque de recolher, tínhamos que esperar porque, se sumíssemos muito cedo junto com Remus todos os meses, todos perceberiam.
Então, chegamos a entrada da árvore e corremos feito loucos pelo túnel, Snape já havia chegado a casa quando o alcançamos e James o agarrou. Remus transformado apareceu e eu corri para ele tentando distraí-lo da carne fresca a sua disposição e foi só neste instante que percebi o que fiz. Remus, meu tímido amigo que confiava em mim com seu segredo, cuja mente se perdia ao ser transformado, mas ele ainda estava lá e eu quase o transformei em um assassino. James salvou a vida de Snape naquele dia e o ódio dele por seu pai pareceu ficar ainda maior, assim como pelo resto de nós. Dumbledore nos ameaçou com expulsão, fez Snape jurar nunca contar a ninguém o que tinha visto, assim Remus estava seguro. Eu e James, contra a minha vontade, enfrentamos meses de detenção e a visita dos seus avós, acreditem, se Dumbledore pode ser temível, o Sr. Potter era muito pior. E a decepção de sua avó, Merlin, preferiria ser açoitado do que encarar aquele olhar decepcionado.
E isso nem foi o pior, James ficou mais de 2 meses sem falar comigo e Remus pelo menos 3, a raiva e decepção dos dois jamais me deixaram um só dia da minha vida e foi uma das lembranças que mais me atormentou em Azkaban. Quando voltamos a conversar, seu pai parecia mudado e me disse que só poderia ser meu amigo se eu compreendesse que ele não jogaria mais com a vida de ninguém, seja um inimigo ou muito menos um amigo. "A vida é preciosa, Sirius, inclusive a nossa e, tudo bem, estarmos com raiva e confusos, magoados, mas temos que fazer o certo e não o impensável"
Depois deste dia, até sua morte, me esforcei para me redimir e reconquistar sua confiança, acredito que consegui, apenas lamento que algum dia o tenha lhe decepcionado.
Não estou lhe contando isso para que pense, por um segundo, que o que você fez foi o mesmo. Pelo contrário, isso que aconteceu é uma brincadeira de criança em comparação, mas, Harry, em poucos anos, vocês não serão mais crianças e a escala de provocações e revides aumentará mais e mais. Enquanto sei que é um defensor justo e um grande guerreiro, lembre-se que em Hogwarts a letalidade não deve se algo comum, eu sei que com você nada é comum, mas ainda existem limites. Encontre-os, Harry, encontre esses limites e respeite a vida acima de tudo, seja amigo ou inimigo. Inclusive a sua própria, pois ela é a mais preciosa.
Terminando essa parte da carta, Harry enxugou as lágrimas que escorreram pelo rosto ao ler sua história, podia imaginar como essa tolice poderia ter pesado sobre as opiniões de Remus e Dumbledore quando seu padrinho foi preso. E ele se redimiu, pensou, seu pai não o faria seu padrinho se Sirius não tivesse se redimido por seu erro, um erro terrível, é verdade, e Harry podia imaginar como isso lhe pesara sobre os ombros, o arrependimento e a vergonha. Suspirou, entendendo o que Sirius e seu pai disseram, não seria um bom guerreiro se não valorizasse a vida de seu inimigo, que não estava lá para ser desfeita e apagada como algo efêmero, apenas vencido. A morte, se fosse esse o resultado, deveria ser uma consequência inevitável da vitória e não o objetivo principal.
Lendo o resto da carta, Harry sorriu e depois riu muito ao saber sobre sua semana de tortura, além das descrições divertidas da bonita carrasca que o tratava ainda pior que o Harry durante os treinamentos. Sentindo-se melhor, ele decidiu ler as cartas que Edwiges trouxera, eram de sua tia e, para sua surpresa, do primo, abrindo essa primeira, leu sobre sua semana difícil na nova escola. Os professores eram legais e pacientes, realmente se importavam e pareciam disposto a responder perguntas e mais perguntas para que todos entendessem. Ele contou que apesar de conseguir a vaga, estava fazendo aulas de reforço 2x por semana, oferecido pela própria escola, para alcançar os colegas e nunca estudara tanto na vida. Duda acrescentou que estava fazendo as preparações como Harry lhe aconselhara e ainda achava muito difícil acompanhar tudo. Por fim, ele disse que ainda não fez amigos, porque temia que eles o achassem muito burro, pois todos pareciam muito inteligentes e legais.
A carta da sua tia era doce e incentivadora, além de falar de como Duda estava indo tão bem o que, claramente, não era a verdade. Suspirando e se sentindo culpado por não ter pensado neles e em seus problemas uma única vez nos últimos dias, Harry lhes escreveu uma longa carta a cada um.
A Duda, ele incentivou a confiar em seus instintos sobre fazer amigos e que o Centro Esportivo também poderia lhe apresentar boas pessoas que não o julgariam. Além disso, lhe disse que estar atrasado vindo de outra escola, menos exigente, era normal e levando-se em conta que Duda pouco ou nada estudava, o fato dele conseguir uma vaga já era uma grande vitória. Dependia dele agora se esforçar, seria difícil, e confiar nos professores, mas que Harry acreditava nele. O incentivou também a contar a mãe a verdade sobre o que sentia, ela o ajudaria mais do que qualquer outra pessoa, pois ninguém o amava mais no mundo.
Para sua tia, Harry agradeceu o apoio e a tranquilizou que estava bem, não se colocaria mais em problemas e seria cuidadoso. Disse a ela para se cuidar e do Duda, perguntou sobre o processo e lhe incentivou a ir ao aniversário de Ayana.
Exausto, além do que poderia expressar, Harry deixou as outras três cartas para responder no dia seguinte e foi dormir. Felizmente, sua meditação o impediu de ter pesadelos, mas, no dia seguinte, estava grogue e pouco falou enquanto se exercitavam. As aulas passaram como um borrão e assim que a última aula do dia, com Flitwick, foi dispensada, Harry ficouaté que todos saíssem e sinalizou para Hermione e Neville ficarem também, já que eles tinham essa aula com os Gryffs.
— Algum problema, Harry? — Flitwick perguntou ao vê-lo tão tenso.
— Sim, senhor, ontem... — Harry rapidamente descreveu o que aconteceu e viu seu professor ficar muito preocupado, enquanto os dois Gryffs empalideciam.
— Que perigo você correu, Harry, estava sozinho... — Neville disse com olhos arregalados.
— Mas, Harry... se era uma criatura, um animal, ela não deveria falar. Certo, professor? — Perguntou Hermione.
— Não posso afirmar que conheço todas as criaturas mágicas, Srta. Granger, e muitas delas falam sim, uma linguagem especial e muitas têm inteligência para aprender o inglês se forem treinadas por um bruxo, por exemplo. — Disse Flitwick tenso. — Informarei o diretor, Harry, acredito que seu plano de contar ao Hagrid é muito bom, todos devem estar atentos, sem andarem por aí sozinhos ou fora do toque de recolher. — Ele os encarou como um aviso e todos os 4 coraram, Harry não dissera as horas, mas era óbvio que estavam além do horário correto.
No caminho para encontrarem Hagrid, Terry sugeriu avisar os amigos do Covil, Harry lhes disse que tinha treino de quadribol e que eles poderiam fazer isso. Apontou que ao em vez de reunir todos no Covil outra vez, apenas passasse contando a todos, discretamente, no dia seguinte pelas aulas ou corredores.
Hagrid estava em seu jardim cuidando de suas abóboras e ao seu lado tinha um gigantesco cesto cheio de ovos de galinha que ele colhera no galinheiro.
— Olá, para vocês, como estão? Tiveram um bom verão? —Seu sorriso era toda as boas vindas que eles precisavam, os ajudou a relaxarem e sorrirem de volta.
Eles entraram na cabana para um chá e lanches, Harry lhe ensinara a fazer biscoitos no ano anterior, assim, agora eles eram comíveis e, na verdade, bem gostosos.
— Eu aprendi a fazer bolos e rolls neste verão, Hagrid, posso lhe ensinar se quiser. — Disse Harry sorridente.
— Rolls? Eu não conheço esses e adoraria aprender, quando puder, Harry, eu agradeço muito. E como estão as aulas? — Perguntou ele já tendo ouvido sobre suas férias, ou parte dela.
— Bem, as aulas estão indo bem, mas eu ouvi algo estranho ontem noite, Hagrid. — Harry mais uma vez explicou em detalhes e viu seu amigo empalidecer. — Pensei em te avisar porque se estiver com fome como disse poderia tentar machucar algumas das suas criaturas e pensei que você gostaria de avisar aos centauros, caso os encontre... O que é isso, Hagrid?
— O que? Nada... não é nada, apenas, fiquei preocupado com os testrálios e os unicórnios, isso é tudo. — Mas ele falou sem encará-lo nos olhos e mexeu, nervosamente, na chaleira colocando mais água e a levando a lareira, o que o fez ficar de costas.
— Tem certeza que não sabe de nada, Hagrid? — Hermione perguntou depois de trocar um olhar com os amigos.
— Tenho e você deve avisar o diretor, Harry, ele precisa saber. — Disse Hagrid ainda de costas.
— Eu avisei o Flitwick que contará ao Dumbledore. — Disse Harry e decidiu parar de questionar seu ansioso amigo, pelo menos por hoje.
Harry e Terry tinham que ir até a sala do professor Flitwick para escolherem o projeto de pesquisa, Hermione e Neville decidiriam os esperar na biblioteca, assim eles adiantavam os deveres de casa e começavam a contar aos colegas que encontrassem sobre o que Harry ouvira. Os dois garotos esperaram na pequena fila formada e como estavam com Lisa, Anthony e Michael na frente deles, aproveitaram para explicar a voz ouvida na noite anterior. Quando chegou o momento deles, Terry e Harry entraram juntos e perguntaram se Hermione e Neville poderiam ajudá-los.
— Normalmente, isso é algo que apenas meus Ravens participam, não porque não quero que os outros alunos tenham essa oportunidade de ensinamento, mas porque não tenho tempo para supervisionar tantos alunos e os outros chefes de casa não têm interesse. Entendem? — Flitwick explicou e os dois acenaram. — Neste caso, compreendo, não apenas o interesse, mas também a amizade de vocês e sei que, dificilmente, não compartilhariam com eles seus pensamentos e ideias. Assim, autorizo que vocês façam duplas, mas, desde já, deixo claro que serei ainda mais exigente com seus projetos do que com os individuais. Entenderam?
Harry e Terry acenaram com grandes sorrisos e Flitwick lhes entregou dois livros.
— Esses são livros que ensinam sobre como fazer pesquisas, infelizmente, não tenho como lhes dar aulas de Metodologia da Pesquisa. Neles, vocês entenderão os passos que devem seguir e como elaborar o projeto e apresentá-lo para mim por escrito. Percebam que não existem atalhos, é desta forma que deve ser feito e qualquer dúvida que tenham, podem sempre me procurar. Como são dois anos para esse primeiro projeto ser concluído, nos encontraremos uma vez a cada 2 meses, mais se precisarem. Alguma pergunta até agora? — Flitwick falou com eles em seu tom esganiçado, alegre e sério ao mesmo tempo e eles acenaram negativamente. — Vocês querem esperar seus amigos para poderem escolher os temas?
— Não, senhor, eles deixaram a escolha por nossa conta. — Disse Terry ansiosamente.
— Muito bem, ali tem algumas opções que, acredito, 2º e 3º anos são capazes de pesquisar facilmente. Olhem e decidam. — Flitwick apontou para a lousa ou painel em sua sala que tinha alguns temas escritos e lhe deu tempo para escolher.
Harry se aproximou lendo com atenção e sua mente voou diante das possiblidades.
- Melhorar uma poção (efeito, cor ou sabor)
- Carpintaria Mágica (com efeitos mágicos, como uma caixa de música)
Harry imaginou que muitas meninas pegariam esse e achou que seria algo que Ayana adoraria ganhar em seu aniversário.
- Adubos mágicos (que tenham efeitos positivos em uma planta)
- Conjuração de um objeto pequeno (permanentemente)
- Usar um feitiço para algo ainda não utilizado
A lista continuava e muitos eram mais teóricos que práticos, mas Harry já sabia o que queria e interessaria ao Neville. Olhou para Terry que encarava, ansiosamente, a lista e parecia em dúvida, voltando ao Flitwick mostrou a ele qual queria.
— Este, professor.
— Ora, muito bem, interessante escolha, Harry, espero ver grandes coisas de você e o Sr. Longbottom. — Disse o professor e fez uma anotação. — Agora, sobre um outro assunto, recebi uma carta de Serafina ontem à noite e percebi que me esqueci de lhe dar uma detenção.
— Hum... sim? — Harry perguntou ansiosamente.
— Bem, dado a sua escolha para o projeto, acredito que organizarei para que você auxilie o Hagrid por duas semanas como minha punição, dobramos isso para um mês como punição de seus guardiões. E o Sr. Boot pode cumprir duas semanas, uma minha e, uma, dos pais. — Disse ele sorridente e Harry se recusou a fazer uma careta para sua expressão maliciosa.
— Parece perfeito, senhor, mas a que horas, exatamente?
— Sugiro que pela manhã, antes do seu treino, Hagrid começa seu trabalho de limpeza bem cedo. — Disse Flitwick rindo e, em seguida, Terry surgiu com sua escolha, ele anotou e o avisou de sua detenção.
Quando saíram da sala e se encaminharam para a biblioteca Terry estava chocado.
— Você e essa sua ideia de tema, foi inspirá-lo em nossas detenções! — Disse ele zangado.
— Bem, o que posso fazer, se soubesse, teria escolhido a maldita caixa de música. E você, que só escolheu transfiguração para agradar a Hermione? — Harry o provocou de volta.
— Não foi para... E o que há de errado em querer agradá-la? — Disse ele defensivo e Harry ignorou sua pele amorenada corando, algo bem raro.
— Nada, mas, pelo menos, eu escolhi um tema que me interessa. — Disse Harry dando de ombros.
— Bem, posso não ser tão bom quanto ela, mas Transfiguração também me interessa. Ok? — Disse ele ainda mais defensivo.
Harry segurou o riso e acenou, concordando.
— Ok.
E, então, eles chegaram a biblioteca e seus amigos os receberam com grandes sorrisos empolgados quando contaram os temas e que eles poderiam fazer duplas nos projetos. Hermione queria começar de imediato, mas Terry a lembrou que tinham que ler o livro primeiro e descobrir como e o que fazer. E, assim, eles voltaram para os deveres de casa.
Durante o treino, naquela noite, Harry conversou com os novos jogadores do time reserva e descobriu que eles eram todos não puristas, mesmo Erwood, tímido e discreto, parecia ser um cara legal e quando conversou com ele, descobriu que era da Irlanda, filho único e criado por um avô. Sua expressão deixava claro que não queria perguntas e Harry não precisava ser um Ravenclaw para entender que ele era outro que perdera os pais na guerra. Ele descobriu também que Eddie Carmichael era muito mais idiota que MacMillan que, apesar de arrogante e esnobe, não era chato e intrometido. E isso, porque Harry não era menina, mas ele pode ver Claire, Scheyla e Cho tentando afastá-lo e suas cantadas, além disso, como goleiro, ele parecia olhar mais para o traseiro das meninas do que para a goles. Pelo olhar irritado de Trevor, ele percebeu que seu capitão descobriu o mesmo problema e que o escorregadio Eddie estaria sendo triturado mais tarde. Outra coisa que Harry descobriu é que Cho Chang não parecia estar mais com raiva dele, pelo contrário, durante todo o treinamento, que fizeram juntos uma boa parte, ela ficou de sorrisos, olhares melosos e bater de cílios tão constrangedores que Harry não sabia o que fazer. Mas, quando ela fez um comentário sobre seus peitos e Harry, inadvertidamente, os encarou por um segundo, tempo suficiente para que ela mergulhasse e pegasse o pomo, ele entendeu seu jogo. Ao fim do treino, ela se aproximou dele toda melosa e doce, feito..., bem, uma menina açucarada.
— Obrigada, Harry, por ser tão bom para mim em meu primeiro treino, prometo que vou melhorar e ficar tão boa quanto você, assim algum dia Trevor poderá es... quer dizer, se precisar de mim, não desapontarei o time. — Disse ela e seu beicinho era até bonito, na verdade, Harry tinha que reconhecer que toda ela era muito bonita, mas ele entendeu seu jogo e sorriu.
— Que bom que entende que, se peguei leve, é por que hoje era seu primeiro treino e estamos nos conhecendo, a partir de quinta-feira, você terá que ser muito melhor se não quiser ser substituída. Além disso, sugiro que comesse a treinar fisicamente, precisa ser mais rápida e sua bunda está meio... bem, gorda. — Depois Harry lhe virou as costas e foi para o vestiário masculino.
Ele não viu seu olhar chocado ou como ela se virou tentando enxergar se era verdade. Neste momento, Eddie passou e a viu com o traseiro empinado e ela o encarando por sobre os ombros e assoviou.
— Porque está assoviando? Tem algo errado com a minha bunda? — Perguntou ela frenética.
— Não! Seu trasei..., bem, sua bunda é incrível, deve ser uma das maiores de Hogwarts, assim, hum... perfeita...
Mas ela não estava mais ouvindo depois de "a maior de Hogwarts" se registrou em sua mente e saiu aos prantos para o vestiário feminino. Eddie ficou parado meio confuso e essa confusão aumentou, quando seu capitão o agarrou pelo cangote e o arrastou de volta para o campo. Trevor vira a Cho sair chorando e acreditava que isso era por causa de outra cantada, assim, muito irritado, decidiu não adiar essa importante e necessária lição, que incluiria, algumas flexões punitivas.
No dia seguinte, Harry recebeu um bilhete com o horário da detenção que começaria na sexta-feira, Neville foi o único que parecia empolgado em cumpri-la, ele decidiu se autopunir, já que se recusou a escrever para a avó.
— Do jeito que ela pensa que sou um covarde, se lhe contasse, vovó me daria os parabéns. — Disse ele ironicamente.
— Ela ainda não sabe que você comprou uma varinha nova? — Perguntou Hermione preocupada.
— Não, passei a maior parte do meu verão no hospital ou no Chalé, assim foi fácil esconder. — Deu de ombros sem muita vontade de falar disso.
Durante o dia eles terminaram de avisar a todos os colegas do Covil o que aconteceu na segunda-feira à noite e todos ficaram tensos, mas parecia que mais nada acontecera e Harry não sabia o que pensar. Sabia o que ouvira e como a criatura parecia com fome, assim, porque nada ou ninguém foi ferido? Foi depois do treino de quadribol de quinta-feira que eles puderam se reunir no Covil e conversar, pois, na noite anterior tiveram Astronomia e, por isso, foram obrigados dormir um pouco mais cedo.
Seus amigos estavam ansiosos para dissecar cada detalhe de sua conversa com Flitwick, Dumbledore e a voz que ouvira.
— Ainda não acredito que o professor irá treiná-lo, Harry e com autorização dos adultos, é incrível. — Disse Terry assombrado.
— Ainda que perigoso. — Disse Hermione e ao ver seus olhares, se defendeu. — O que? É verdade! Harry está sendo treinado para estar na linha de frente, Dumbledore não está totalmente errado em querer te proteger.
— Você estaria certa se essa fosse sua intenção, Hermione. — Harry falou chateado. — Mas sua pequena armadilha com Quirrell mostra que a linha de frente despreparado é sua intenção para mim. Flitwick apenas sabe que não tem como eu fugir ou me esconder e quer me dar todas as chances, não recusarei e, na verdade, estou muito grato.
— Você está certo, apenas me preocupo com você, Harry. Me preocupo com todos nós, mas você é e sempre será mais exigido, só me parece tão injusto, se... — Ela se interrompeu ao perceber o que pretendia falar.
— Se ele não tivesse escolhido o Harry? Bem, então seria eu e não consigo nem imaginar nossas situações trocadas, mas nada foi justo para nenhum de nós dois, Hermione. — Disse Neville tristemente e todos assentiram.
— Vocês precisam entender que como meus amigos também estarão na linha de frente, serão perseguidos ou usados contra mim, assim, os ensinarei tudo o que o professor me ensinar. — Disse Harry e viu suas expressões surpresas. — Vocês sabem que estou certo, principalmente, com essas aulas fajutas de Defesa que esse Lockhart está nos dando. Precisamos de um lugar melhor para treinar, o Covil é muito pequeno, talvez os gêmeos saibam de um lugar.
— Harry, sexta-feira à tarde temos nossa primeira reunião com eles. Você não se esqueceu, não é? —Perguntou Hermione quando a lembrança surgiu.
— Não me esqueci, mas, sinceramente, começo a questionar se tenho tantas horas nos meus dias para tantos projetos. — Harry disse cansadamente.
— Nós o cobriremos sempre que necessário, Harry, não se preocupe. — Disse Terry e os outros os apoiaram.
— Sabe, o que mais me surpreendeu nisso tudo, além das vozes pela parede, foi o fato do professor lhe deixar com a adaga, Harry. — Hermione falou seriamente. — Sei que já conversamos e nos entendemos, mas isso me parece meio perigoso, sabe.
Harry suspirou e explicou sobre sua sensação sobre a adaga, a retirando do coldre, a entregou para ver o que acontecia, mas nenhum deles sentiu nada, quando voltou a sua mão, a certeza voltou e ele tentou descrevê-la.
— Nossa, se isso realmente pertenceu a um Lord Elfo, se foi feito por ele e usado em cerimonias e rituais, é muito poderosa. Se ela se liga a você tão fortemente, não se deve ignorar, isso é magia antiga, Hermione, não se ignora a magia, muito menos, a antiga. — Terry disse e o assunto, finalmente, morreu.
— Dumbledore, realmente, acreditou que vocês poderiam seguir em frente como se nada tivesse acontecido? — Neville questionou decepcionado como sempre com seu diretor.
— Eu estava disposto, não a perdoá-lo e ser seu melhor amigo, mas a deixar os problemas e diferenças para traz e nos unirmos no que importa, mas ele não muda seu jeito de ser. Não serei um cordeiro cego e obediente, deixei claro e o próximo movimento, é dele. — Disse Harry e depois explicou o que o mais preocupava.
— Ele realmente acredita que pode ser revertido? — Terry perguntou tenso.
— Dumbledore disse não ser impossível, principalmente, com o uso da magia negra, o que eles fariam em um piscar de olhos. — Disse Harry cansado.
— Não sei o que mais me preocupa, o fato de que eles poderiam trazer o Voldemort de volta ou reverter a proteção da sua mãe, Harry. — Disse Hermione pálida.
— Me preocupa que eles possam fazer os dois, se isso acontecer, teremos sérios problemas. — Harry esfregou o rosto sabendo que mesmo que os comensais não soubessem, Voldemort sabia como fora derrotado a 11 anos e poderia descobrir uma maneira de reverter tudo. Assim, como ele poderia se antecipar e se preparar a isso? Tinha muito o que pensar. — Me irrita que Dumbledore não ache isso importante de me ser dito, eu estava prestes a escrever um anúncio no jornal contando a verdade a todos e, então, seria tarde demais.
— Fico imaginando que outros segredos importantes ele esconde. — Disse Neville sombrio e todos espelharam sua expressão.
— Falando em segredos, vocês viram a reação do Hagrid? — Hermione disse confusa.
— Sim, mas se ele sabe alguma coisa sobre a voz, porque não diz? — Terry questionou e depois deu de ombros. — Talvez, ele só esteja preocupado com suas criaturas, na verdade, eu também estou.
— Você tem certeza que ela falou que estava com fome, Harry? — Perguntou Hermione o encarando. — Quer dizer, você estava cansado e...
— Tenho certeza, Hermione e, seja o que for, disse, claramente, fome... me deixe devorá-lo. — Harry disse levemente impaciente.
— Não estou duvidando de você, apenas quero entender como cada palavra foi dita, Harry. — Disse Hermione e com seu bloco e uma pena começou a anotar. — Diga todas as palavras.
Harry repetiu, palavra por palavra na ordem correta sem dificuldade, pois jamais as esqueceria.
— Parece mesmo um animal. — Sussurrou Hermione ansiosa. — Não poderia ser um fantasma ou algo do tipo?
— Existem muitos serem sombrios no mundo mágico, acho que teremos que pesquisar. — Disse Terry encarando a amiga e ela acenou de volta.
— Podemos encerrar por hoje? O treino de quadribol foi puxado e temos que acordar muito cedo para ir encontrar o Hagrid. — Disse Harry e todos concordaram. — Hermione, não sei que horas estaremos livres, acredito que você terá que treinar sozinha durante esse período de detenção. — Sua amiga apenas acenou tranquila.
O dia dos meninos começou às 5 da manhã, Terry, o mais sonolento deles resmungou todo o caminho escuro até a cabana de Hagrid que já os esperava. Quando o sol nasceu, os encontrou caminhando para o cercado dos animais e os estábulos onde, com uma pá cada um, eles começaram a limpar suas fezes e colocar em sacos de adubo verde claro. O cheiro não era do mais agradáveis, mas os animais eram carinhosos, os testrálios, cavalos, pôneis, as galinhas não causaram problemas, apenas o cercado dos hipogrifos ficou para o Hagrid, pois ele disse que eram mais ariscos.
— Depois apresento vocês a eles como calma, um de cada vez e um de vocês pode entrar para me ajudar, todos de uma vez os deixariam nervosos, os pobrezinhos. — Disse Hagrid e os elogiou por um trabalho bem feito e rápido.
— Ainda bem que estamos em forma ou ficaríamos aqui a manhã toda. — Disse Terry ao carregar um saco de adubo para um carrinho de mão.
— Bem, vocês podem me agradecer por isso depois. — Disse Harry ao pegar o carrinho de mão e empurrá-lo na direção das estufas, havia uma estufa menor apenas para preparação de adubos, ele descarregou os sacos e depois voltou para pegar mais.
— Você pretende agradecê-lo? — Perguntou Neville limpando o suor do rosto enquanto Harry levava o carrinho.
— Não mesmo. — Disse Terry e os dois riram.
Quando terminaram, Hagrid ficou impressionado e agradecido.
— Isso foi muito bom, pensei que me dariam uma mão, não achei que terminariam tudo antes do café da manhã. — Disse Hagrid sorridente.
— E nós também gostamos, Hagrid, não sabia que tínhamos cavalos aqui, adoraria aprender a montá-los. — Disse Harry enquanto caminhavam de volta para sua cabana.
— Esses são animais especiais, os testrálios te levam onde você precisar chegar voandoe os cavalos e pôneis também. E eles são treinados para subirem essas montanhas escarpadas, te levariam até o topo se lhe pedissem. — Hagrid contou mostrando todo seu amor pelos animais.
Eles se despediram dele e entraram no castelo, pensando em banho e comida, nesta ordem.
— Não teremos tempo para o treino mesmo. — Disse Neville ofegante.
— Acredito que todos esses exercícios limpando os cercados e estábulos dos animais já são o suficiente de exercícios pela manhã por esse mês, além disso, assim que a piscina e academia estiverem funcionando, podemos nos exercitar a tarde também. — Disse Harry subindo as escadas e ao sentir seu próprio cheiro fez uma careta. — Acho que nunca fedi tanto.
Isso, claro, fez os dois meninos se engasgarem de tanto rir e Harry logo os acompanhou.
Naquela tarde, Neville decidiu ir aprender mais sobre os adubos e seus preparos, pessoalmente, enquanto os três amigos se reunião com Fred e George em seu "laboratório". O lugar, que era uma sala isolada e cheia de feitiços para ninguém encontrar ou entrar, incrivelmente avançados para 4º anos, estava abarrotada e bagunçada. Harry logo percebeu que era uma bagunça organizada, livros, aparelhos e anotações, os garotos sabiam onde estava cada coisa.
— Oi, Harry, desculpa a bagunça, estivemos mergulhados aqui e praticamente só saímos para as aulas, estamos quase sempre fazendo as refeições na cozinha, os elfos nos adoram. — Disse George com empolgação.
— Bem, espero que não estejam deixando suas notas caírem, vocês chamarão a atenção dos professores e sua mãe se não manterem os estudos. — Disse Harry preocupado.
— Não se preocupe, nós entendemos que não devemos chamar a atenção, por isso montamos um laboratório igual a esse em nosso quarto e não estamos nem burlando o toque de recolher. Prof.ª Vector acredita que aprendemos a lição e somos bons garotos. — Disse Fred com uma piscadela maliciosa e então pediu que sentassem. — Estivemos lendo tudo sobre a eletricidade, ondas de rádios e todas essas coisas legais, aliás, obrigada por tirar nossas dúvidas. — Disse ele olhando para o Terry que ficou encarregado de responder as cartas dos gêmeos no último mês. — Descobrimos também o que tem no mundo mágico o mais perto do que queremos fazer. Aqui, já viram um desses?
Era um espelho de mão feito de madeira marrom e lisa.
— Não. — Harry respondeu curioso e viu Terry e Hermione acenarem negativamente.
— Custou um pouco do dinheiro que você nos enviou, mas valeu a pena. Nos deixe lhes mostrar. — Disse George pegando um segundo espelho. — Fred.
Fred que segurava o primeiro espelho lhes mostrou o rosto de George aparecendo, além de sua voz saindo alta e clara que todos podiam ouvir. Se levantando, Harry foi até ele e por seu espelho, viu o rosto de Fred, Terry e Hermione.
— Maldição! Eles já inventaram um comunicador. — Disse Harry irritado e chutou uma cadeira.
— Mas... eu nunca vi isso, como algo assim não é vendido ou popular? — Terry estava assombrado.
— Imagino que o preço seja um fator, é bem caro e o fato de que é individual deve ser outro, quer dizer, nós estivemos checando e não tem como colocar todas as pessoas com quem você quer conversar em um único espelho. — Explicou George.
— Assim, se você tiver que comprar um espelho para cada pessoa com quem precisa falar, seria inviável e...
— Caro demais, além do que, como se carrega dezenas de espelho no bolso. — Harry interrompeu o Fred, um pouco mais animado. — O que não entendo é, se a pessoa fez o mais difícil que foi criar o feitiço de comunicação, porque não continuou a pesquisar para poder resolver esse problema?
— Não sabemos. — Responderam os dois ao mesmo tempo, George continuou. — Mas sabemos os feitiços que estão nestes espelhos e que foram patenteados, escrevemos ao Ministério pedindo a informação que é pública e o inventor se chama Rodolfo Brand Jr.
— Não sabemos muito sobre ele, nem nada, mas um Rodolfo Brand aparece em Quadribol Através dos Séculos, era o capitão do time de quadribol alemão, Gaviões de Heidelberg. — Fred informou.
— Ei, esse é o time que jogou por 7 dias com as Harpies? — Terry perguntou curioso.
— Sim, esse mesmo e esse cara, Brand, estava nesse jogo. — George contou e olhou para o Harry que pegou um pergaminho e anotou esses fatos — O que você fará?
— Sobre isso? Nada, a não ser enviar uma carta ao Sr. Falc e pedir que ele pesquise o Sr. Brandi Jr. para nós. — Respondeu Harry dando de ombros.
— Precisaremos criar novos feitiços sem usarmos esse que ele usou para criar os espelhos de comunicação. — Disse Hermione que estava lendo a lista de feitiços e runas que os gêmeos identificaram no espelho.
— Sim, isso será importante, porque não podemos ser acusados de plágio, mas, quando tivermos mais informações pensamos mais sobre esse fato. — Harry disse terminando de anotar tudo o que precisava. — Vocês disseram que estão enfrentando outro problema?
— Sim, Harry, bem, você se lembra do dia da transmissão do rádio para toda a escola? — George elaborou e Harry acenou. — Lembra que o locutor do rádio conversava com o repórter que estava diretamente no saguão do Ministério?
— Eles estavam se comunicando, claro, me lembro, nunca pensei nisso porque é algo tão comum no mundo trouxa. — Disse Harry irritado por não ter visto isso. — Não me diga que ele tem outra forma de comunicação?
— Era o que temíamos, mas entramos em contato com a rádio... Bem, nosso amigo Lee, ele quer ser locutor, escreveu para um colega dele que trabalha lá, fez algumas perguntas por nós e descobrimos que eles usaram, discretamente, os espelhos, pois não querem que a concorrência descubra o truque. — Fred sorriu animado.
— Assim, o único dispositivo parecido no mundo mágico como o que queremos inventar é esse espelho? — Harry perguntou ansioso e aliviado quando os dois acenaram em confirmação. — Isso é uma boa notícia.
— Sim, é de fato, mas temos outro problema, estivemos simulando o que já sabemos nos aparelhos que você nos forneceu. — Disse George e mostrou alguns telefones, interfones, mesmo espelhos de madeiras empilhados em um canto, obviamente, destruídos e pareciam ter sido queimados por fogo ou eletricidade.
— O que aconteceu? — Harry perguntou curioso.
— Bem, em teoria nós sabemos como o rádio funciona, certo? Entendemos toda a parte física e técnica, sabemos como esse espelho funciona, assim, pensamos, porque não testamos o que nós já sabemos nos aparelhos trouxas ou em espelhos comuns de mão que compramos no Beco Diagonal. — Disse Fred inteligentemente.
— É uma boa ideia, já que não podemos fazer os aparelhos funcionarem com pilhas ou, magicamente, acessar conteúdos trouxas, poderíamos usar aparelhos trouxas para acessar a rádio mágica. — Disse Terry entendendo o raciocínio.
— Mas isso seria plagio ao contrário! — Protestou Hermione indignada. — Não podemos nos apossar de invenções trouxas, temos que inventar nosso próprio aparelho.
— Sabemos disso, Hermione, era apenas um teste, acredite, tudo o que descobrimos no último mês é o que não dá certo, graças a esses testes. — George explicou e apontando para a pilha. — Os aparelhos trouxas não dão certo, tentamos de tudo, colocamos runas de proteção, runas de ligação, de ampliação. Mas assim que acionamos o feitiço, boom! Eles explodem, além disso, os espelhos de madeira simples começam a tremer e, bem, vocês podem ver por si mesmos.
Harry podia, o espelho estava contorcido, o espelho em si quebrado e a madeira parecia ter fumegado, pegando os outros aparelhos viu que o mesmo acontecera, eles pareciam ter sido eletrocutados.
— Vocês podem ver pelos nossos testes que usamos os feitiços e runas como descritos, mas nenhuma vez chegamos nem perto. — Disse Fred e Harry fez isso, repassou suas anotações de cada teste e não encontrou nada que o fizesse questionar os resultados.
— Mas porquê? — Hermione e Terry resmungaram e fizeram um monte de pergunta para os gêmeos.
Em breve os 4 se sentaram discutindo física e tecnicidades de um lado para o outro, mas Harry se aproximou de novo da pilha tentando entender, algo estava coçando em sua mente. Segurando um dos interfones destruídos, ele fechou os olhos e deixou sua magia envolver o aparelho em busca de sua magia e.… nada. Abrindo os olhos, voltou a enviar sua magia tentando se conectar com a magia do aparelho e mais uma vez não sentiu nada, praticamente nada, o resquício de magia era mínimo. Largando o aparelho, Harry, rapidamente, se aproximou do rádio bruxo e estendeu sua magia sentindo no mesmo instante a magia do material, quente, forte. Ao lado estava o espelho e, segurando-o, sentiu sua magia que respondeu e se conectou a sua facilmente.
— Harry? — Hermione perguntou curiosa ao ver o que fazia.
Abrindo os olhos, Harry sorriu, deixando o espelho foi até o espelho de madeira comum e estendeu sua magia, encontrou magia, mas pouca, apenas um pouco mais do que o aparelho de plástico do interfone.
— Você está bem, cara? — Perguntou George.
— Não está ficando apaixonado pelos aparelhos, não é? Os acariciando de olhos fechados assim, deixará minha irmãzinha com ciúme. — Fred ironizou e Harry sentiu o rosto esquentar levemente.
Disfarçando, ele pegou o interfone e o espelho e os colocou sobre a mesa ao lado do rádio e espelho de comunicação.
— Qual o material que usam para fazê-los? — Perguntou ele apontando para os aparelhos.
Os 4 parecerem confusos, mas Hermione se pôs a responder, imediatamente.
— Bem, o interfone é feito de plástico que vem do petróleo, deve ter alguns metais como cobre dentro também.
—O espelho de madeira e vidro, também tem prata para se produzir o efeito do espelho. — Explicou Terry e os gêmeos os olharam meio confusos. O que raios era petróleo?
— E os mágicos? — Harry tornou a perguntar.
— O espelho é o mesmo, madeira e vidro, o rádio... — Terry parou confuso olhando para o aparelho e percebendo que não tinha certeza.
— Deve ter metal dentro também e o revestimento... Não sei o que é, quer dizer, os bruxos não utilizam plásticos, eles nem sabem o que é o petróleo. — Disse Hermione confusa.
— Vocês sabem? — Harry questionou os gêmeos que negaram.
— Não faço ideia, mas porque quer saber? — Perguntou George curioso e se aproximando segurou o pequeno rádio tentando imaginar qual era o material que o revestia.
— Porque eles têm magia, o plástico e essa madeira, nada em comparação. — Disse ele sorrindo.
— Você pode sentir a magia? — George pareceu chocado.
— Harry, deve ser porque o espelho e o rádio estão cheios de magias embutidas. — Disse Hermione se levantando também.
— Não, Hermione, os materiais usados em uma peça têm sua própria magia, nós aprendemos isso em carpintaria mágica, se você usa uma madeira ou pedra ou metal mágico, isso é sentido. — Disse Harry e pegando o interfone outra vez, continuou. — Aqui, mesmo esse plástico tem alguns resquícios, mas é mínimo em comparação, mal se sente nada.
— Uau! Você pode sentir a magia! — Exclamou George surpreso.
— Aprendemos isso com oclumência, meditação e nas aulas do Prof. Jonas, todos podemos sentir, mas o Harry é o melhor e o Neville vem bem atrás, por causa de sua conexão com a magia natural. — Explicou Terry para os dois ruivos chocados.
— Oclumência?
— Meditação?
— Sim, e as aulas de Carpintaria que agora são obrigatórias até o 4º ano, se eu soubesse antes, teria começado o ano passado. — Disse Hermione levemente irritada.
— Depois falamos mais sobre isso, podemos voltar a nos concentrar na questão dos materiais? — Harry perguntou e pegando o rádio bruxo. — Tem certeza que não sabe do que é feito, Terry?
— Não sei, sinto muito. Você está pensando que a magia não percorre os aparelhos trouxas por causa do material não mágico? — Terry se aproximou. — Isso explicaria porque não podem ser feitas certas magias com qualquer material, quer dizer, aprendemos sobre como, dependendo o ritual, além de ervas de limpeza das energias, runas desenhadas em metal especial e pedras preciosas são necessários.
— Isso é verdade. — George falou muito sério. — Nossa avó Cedrella sempre nos falou sobre esses rituais antigos e poderosos, que precisam de materiais mágicos e um bruxo poderosos.
— Ok, então o petróleo não é magico ou, quando transformado em plástico, perde o pouco de sua magia, mas, e quanto ao espelho? — Perguntou Hermione segurando os dois espelhos. — Esse é um espelho comprado no Beco, feito de madeira mágica, não deveria ter o mesmo efeito que o espelho comunicador quando usamos a mesma magia do Sr. Brand Jr.?
— Sim, e eu posso sentir a magia da madeira, mas... a não ser... — Pensativo Harry pegou o espelho de comunicação e sem hesitar o jogou no chão com força.
— Ei! — Um dos gêmeos protestou e todos os outros saltaram surpresos, mas Harry os ignorou.
Pegando o espelho agora quebrado viu atrás do vidro quebrado um material escuro e tocando-o percebeu que não era madeira.
— Ah! — Exclamou e voltou a jogar no chão, sacou sua varinha e gritou. — Reducto!
O espelhou se espatifou em vários pedaços e sorrindo, Harry os recolheu e se voltou para os amigos que o encaravam chocados.
— Eu realmente gostava deste espelho para falar com meu irmão, Potter. — Disse Fred irritado.
— Vocês estão juntos o tempo todo, além disso podem comprar outro. — Harry disse indiferente e apontou para o material. — Aqui, vejam o que tem dentro e é revestido pela madeira de maneira decorativa e estava atrás do vidro do espelho.
Seus amigos pegaram e examinaram, Hermione e George perceberam logo e ao mesmo tempo.
— É o mesmo material do rádio! — Exclamou ele.
— É carbono! — Gritou ela.
Harry acenou e depois arregalou os olhos.
— Você tem certeza, Hermione? Tem certeza que é carbono?
— Sim, Harry, é parecido com o grafite, veja. — Disse ela e Terry também pegou na mão e acenou.
— Me parece mesmo que é carbono e isso explica porque os espelhos de comunicação são caros, Fred. — Disse ele pensativo.
— Como assim? — Harry questionou.
— Era o que eu ia te dizer, Harry, por isso fiquei chateado com o espelho destruído, cada par custa 50 galeões, não dá para comprar outro e só compramos esse com a verba que nos deu para a pesquisa. — Fred explicou mal-humorado.
— Mas porque carbono é caro? — Harry questionou olhando em volta.
— Porque são os goblins que os extrai das minas, eles são grandes condutores de magia e podem ser usados em peças assim, mas, se tornam, em sua maioria, diamantes para joias e armas. — Disse Terry dando de ombros. — Os goblins não vendem seus produtos baratos e algo tão valioso como carbono muito menos.
— Espere. — Hermione estava confusa. — Tem carbono no mundo trouxa e é caro também, mas nada tão absurdo, além disso, porque você disse que os goblins transformam o carbono em diamantes? Isso acontece na natureza e é raro, por isso o diamante é tão caro.
— Os goblins trabalham o metal de um jeito especial e, por exemplo, conseguem acelerar, magicamente, esse processo natural e transformar o carbono em diamante. Além de utilizarem o carbono em outras peças que precisa de condução de magia, mas como é muito caro, é mais comum ser usado o cobre, ouro, prata, bronze e assim por diante. — Explicou Terry e apontando para o rádio. — O rádio deve ser uma exceção, talvez porque a magia tem que ser conduzida pelas ondas de rádio do ambiente e encontrar uma fonte de magia específica, ou seja...
— O carbono. — Disse Harry olhando para o rádio. — Então, basicamente, como pretendemos utilizar as ondas de rádio para aos interfones, teremos que descobrir um novo material condutor mais barato que o carbono ou comprar por um preço exorbitante dos goblins e encarecer nosso produto final.
Encarando seus amigos viu em suas expressões a mesma preocupação e desanimo que sentia. De repente, o trabalho de pesquisa mágica pareceu ficar muito mais difícil e longo do que pensaram a princípio.
Harry olhou em volta e suspirou tentando pensar e descobrir o que fazer, bem, poderia começando por animar seus amigos e estruturar as ações do grupo.
— Ok...ok, vamos dividir isso em três etapas. — Com sua varinha ele foi até uma das paredes e escreveu. — Etapa 1: Encontrar material que conduza energia mágica e que permita captar a rádio bruxa e testar o espelho de comunicação. — Quando parou, olhou para os amigos. — Não sou tolo em não supor que Brand Jr. não testou tudo e a pessoa que inventou o rádio também, mas faremos de novo, testaremos cada metal, madeira ou pedra possível. Sabemos muito sobre o mundo trouxa, que talvez eles não soubessem, e pesquisaremos ainda mais, por exemplo, como as grandes ondas eletromagnéticas são captadas.
— Claro, o plástico é um isolante, mas os fios e componentes elétricos de um aparelho são feitos de metal, cobre, acredito. Em caso de grande carga de eletricidade ou onda de rádio, eles devem ter outros condutores, temos que pesquisar e descobrir quais são ou como eles utilizam. — Disse Hermione sorrindo.
— E sempre é possível uma combinação, quer dizer, o metal que encontramos e que der o melhor resultado talvez combinado com uma pequena parte de carbono seja o suficiente e se for um metal mais barato como o cobre, os custos cairiam. — Apontou Terry e olhando para Harry, sorriu. — Acredito que você terá que fazer algumas compras, precisamos de livros, material para teste, um pequeno forno que derreter metais e...
— Precisaremos de um lugar maior. — Disseram os gêmeos ao perceberem para onde estava indo as ideias.
— E quais são as outras etapas? — Perguntou Hermione com seu bloco.
— Etapa 2: Encontrar os feitiços e runas que faça os intercomunicadores funcionarem depois que os construirmos, esse era o projeto inicial, mas agora sabemos que tem que ser algo diferente dos feitiços utilizados por Brand Jr. Etapa 3: Refinamos. — Disse Harry escrevendo na parede.
Hermione parou de escrever confusa e o encarou.
— Refinar?
— Sim, para chegarmos ao ponto de produção precisaremos testar e simular inúmeras vezes de maneiras e formatos diferentes, além disso, iremos trabalhar em sua estética, quero que fique refinado, bonito e confortável. — Harry escreveu tudo o que disse na parede sentindo falta de uma lousa. — Os espelhos são legais, mas nada práticos ou discretos. Precisamos de uma lousa, Hermione, você pode fazer uma em sua aula de carpintaria? O meu projeto será longo e demorarei mais tempo.
— Claro, farei uma lousa e um quadro de avisos. — Hermione continuou com suas anotações sem piscar e Harry continuou.
— Terry, faça uma lista de quais materiais e a quantidade que você acredita que precisaremos, farei a encomenda com seu pai. George, Fred, essa sala é bem segura? — Questionou ignorando o olhar de espanto dos ruivos que olharam em volta para os três anotando e Harry dando ordens naturalmente.
— Hum... Sim, é bem segura, estamos em um dos corredores do 6º andar, não tem salas de aulas utilizáveis por aqui e ninguém vem por esses lados. — Respondeu George.
— E nós lançamos todos os tipos de feitiços para que não seja encontrada, não pararia o diretor, mas o Filch e seu traseiro aborto nem se aproxima daqui. — Disse Fred e Harry lhe fez uma careta por seu modo grosseiro de falar, Hermione foi mais enfática.
— Ok. — Disse Harry interrompendo a amiga. — Vamos pegar a sala ao lado para nosso laboratório, podemos abrir uma porta nesta parede. — Disse apontando para uma das paredes de pedra.
— Ei, nós aprendemos a fazer isso. — Disse George animado.
— Ok, isso fica por conta dos dois, é melhor fazerem uma porta dupla e ampla, assim acompanhamos os experimentos da outra sala e aqui fica apenas para estudo, como um escritório. — Disse Harry e tirando dois livros da bolsa, gesticulou com a varinha e os duplicou. — Aqui, tem dois livros que vocês precisam ler.
— Metodologia da Pesquisa? — Fred olhou confuso.
— Sim, o que estamos fazendo agora terá que ser apresentado ao Ministério no Departamento de Patentes e eles quererão nossas anotações, testes e pesquisas de maneira científica e detalhada. — Disse Harry apontando para o livro. — Esses livros ensinam como fazer isso para não termos problemas burocráticos e legais no futuro. E se quisermos publicar um dia, isso seria importante também.
— Publicar? —Hermione levantou a cabeça interessada.
— Sim, sabe, como um livro, talvez um dia queiramos contar para as pessoas como fundamos a MagiTec. — Harry deu de ombros e seus amigos sorriram animados com o pensamento. Feliz que os ânimos estavam mais positivos, Harry voltou a dar ordens. — Muito bem, vamos ao trabalho.
Na manhã seguinte, Harry ficou muito tempo na biblioteca preparando as aulas da semana seguinte e para ser bem visto, já que pretendia passar a tarde em seu primeiro treinamento com Flitwick. Seus amigos o acompanhavam em seus próprios projetos e preparações, mas, como ele, estavam ansiosos para saber o que o professor o ensinaria. Na noite anterior, Harry escrevera uma longa ao Sr. Falc como seu advogado, solicitando tudo o necessário para o projeto da MagiTec e mais perguntas sobre as questões dos livros, Harry, O Aventureiro. Agora, era só aguardar e... algo brilhante e vermelho lhe chamou a atenção e olhando para a esquerda, viu Ginny e Luna entrando com livros para estudarem também. Ainda tinha que se desculpar com a menina ruiva, pensou, observando enquanto ela e Luna se sentavam e sussurravam, abrindo seus livros. Levantando-se e ignorando o olhar curioso dos amigos, Harry se aproximou da mesa, Ginny o viu primeiro e seu rosto se avermelhou, seu sorriso morreu e olhos encaram a mesa. Contrariado, ele decidiu que era hora de superarem o primeiro encontro desastroso e seguirem em frente, assim, Harry abriu um grande sorriso, meio tímido, meio animado. Incrivelmente, isso a fez corar ainda mais.
— Bom dia, meninas. Vocês estão bem? — Disse ele suavemente.
— Bom dia, Harry, estou bem e você, Ginny? — Luna se dirigiu a amiga com seu olhar sonhador.
Ginny arregalou os olhos, depois encarou o Harry por um segundo e voltou a olhar para a mesa.
— Oi... hum, tudo bem. — Sua voz saiu tímida e baixa, muito diferente de quando Harry a observou falar e rir em outros momentos.
— Sabe, Ginny, bem... Eu queria me desculpar por ter sido um pouco brusco quando nos conhecemos, lamento se a magoei... — Disse Harry também tímido, olhou para seu rosto corado e, como ela, depois encarou a mesa meio envergonhado.
Então, ela o encarou surpresa, seus olhos arregalados e, se possível, seu rosto corou ainda mais.
— Não... quer dizer, não foi nada. Hum... fui eu quem agi como uma estúpida e...
— Não, você não fez nada errado, seu irmão que foi um idiota, aliás, como sempre... Desculpa, eu sei que ele é seu irmão e tudo.
— Bem, idiota ainda é seu nome do meio, mesmo sendo meu irmão. — Disse Ginny ironicamente e Harry riu divertido.
Então, ela pareceu perceber com quem conversava e sorria, ficou vermelha e olhou a mesa. Harry encarou seu rosto cheio de sardas e corado, pensando que ela deveria ser mais tímida com meninos, mas era divertida e bonita. O pensamento estranho o fez olhar para a mesa também, constrangido e quando pensou em se despedir, Luna disse:
— Vocês estão bem mesmo?
Surpreso, Harry a encarou.
— Sim, tudo certo, porque?
— Estou bem, Luna. — Ginny respondeu, olhando confusa para amiga.
— Apenas, vocês estão agindo estranhamente, Ginny está vermelha e vocês ficam encarando a mesa. Tem algo interessante para ver por esse ângulo? — Disse ela tentando olhar a mesa de ângulos diferente.
Isso fez Ginny e Harry corarem ao mesmo tempo, ele disfarçou passando a mão pelos cabelos e depois se arrependeu ao perceber que os bagunçou ainda mais que o normal. Ela arregalou os olhos e tentou olhar para outro lugar qualquer, sem ser a mesa ou Harry, mas seu olhar foi atraído para seus cabelos bagunçados e, pela primeira vez, Ginny percebeu que eles estavam sempre assim, para todos os lados. Como Harry olhava em outra direção, buscando uma saída, ela pode olhá-lo sem pudor e não pode deixar de pensar que ele era muito bonito. E fora tão gentil, viera se desculpar, quando não tinha culpa de nada do que acontecera naquele dia. Harry pigarreou e olhou para Ginny, pegou seu olhar, uma mistura de curiosidade e admiração, mas ela logo desviou para a mesa, onde mais? Ele a viu morder o lábio inferior que era carnudo e vermelho, será que porque ela era ruiva? Pigarreou de novo e se forçou a dizer:
— Bem, tudo certo, então, deixarei vocês estudando e vou.… hum, estudar também, com meus amigos... E se quiserem se sentar conosco ou precisarem de alguma ajuda é só falarem. Ok? — Disse ele suavemente.
— Ok, obrigada, Harry e se quiser sentar conosco, você pode também. Certo, Ginny? — Disse Luna sorridente.
— Sim, claro... — Disse Ginny o olhando de esguelha. — Obrigada, por ser tão... gentil.
Harry não sabia o que dizer a isso, ele fora gentil? Parecia mais que fora estranho e bobo, na sua visão, mas não ia discutir, rapidamente, se despediu e se afastou para sua mesa. Ele se sentou na cadeira se sentindo estranhamente quente e confuso, pegando seu livro, voltou a ler, mas, então, fez uma pausa, se perguntando. Porque com o Colin foi tão mais simples?
Quando a tarde chegou, Harry deixou os amigos no Covil e invisível voltou para a torre Ravenclaw, esperou por poucos minutos até alguém abrir a estátua de Rowena e entrou, seguindo a orientação de Flitwick, ele parou em frente a um painel de madeira no meio do corredor que levava ao laboratório. A decisão de vir com a capa fora dele, pois assim despistaria os colegas de casa não confiáveis. Olhando, Harry pensou que o painel parecia como o resto da parede do corredor, mas ao se aproximar enxergou uma pequena águia em relevo na borda do painel, igual a que tinha na porta do laboratório. Sabendo o que tinha que fazer, ele tocou a águia com a varinha e disse:
— Spiritus Immensae. — Seu sussurro foi o suficiente e o painel se abriu revelando uma porta, Harry, rapidamente, entrou e a fechou atrás de si.
O lugar era grande e quadrado, tinha o chão azul emborrachado, lembrava o tatame ou dojo de artes marciais. As paredes eram de pedras, mas a cada poucos metros havia um nicho abaulado com uma estátua, olhando com atenção, Harry viu que elas eram femininas e masculinas, seguravam uma varinha ou uma espada.
— Boa tarde, Harry. — A voz esganiçada de Flitwick ecoou e Harry o procurou, mas ele não estava à vista.
E, como a grande sala de treinamento não tinha lugares para se esconder, adivinhou que ele estava invisível, como Harry estivera pouco antes de entrar na sala. Cautelosamente e, feliz de ter se vestido confortável, Harry sacou sua varinha e deu uns passos à frente, sua postura mudou completamente, adrenalina bombeou e seu caminhar era leve, fluido e silencioso. Ele olhou em todas as direções, mas não viu ou ouviu nada.
— Boa tarde, professor. — Respondeu educadamente, mas seu tom era estranhamente frio.
— Como você tem interesse em aprender galês e, para diferenciar o seu professor de Feitiços do seu instrutor em Duelo, você poderá me chamar de Meistr Filius. Apenas aqui, neste espaço ou em outros momentos de treinamento. — Apesar de falar por muito tempo, Harry não conseguiu encontrar a origem de sua voz. — E eu o chamarei de Prentis Harry. Mestre e aprendiz em galês.
Harry acenou concordando, mas sabendo que as palavras casuais escondiam perigo, assim não baixou a guarda.
— Muitas palavras educadas para dizer que o senhor pretende me trucidar, Meistr Filius. — Disse ele casualmente também.
— Hoje não farei isso, eles farão. — Disse Meistr Filius.
Eles, Harry descobriu, imediatamente, eram as estátuas que se moveram elegantemente de seus nichos, em passos de barulho de pedras, mas, ainda, rápidas e leves, para seu espanto. Todos se viraram e o encaram, Harry engoliu em seco ao perceber que as 20 estatuas tinham apenas um alvo. Ele.
— Em uma luta, Prentis Harry, não espere a honra dos inimigos, esteja pronto para vencer a todos, não importa os números. — A voz do Meistr ecoou e Harry soube o que viria.
Todas as estatuas apontaram em sua direção com suas varinhas, feitiços de cores diferentes e desconhecidos, pois nenhuma delas falou, obviamente, viajaram até ele. Harry entrou em ação, sem precipitação ou gastos de energia, como ensinado por Mason, gritou no último instante:
— Protego Maximum! — Os feitiços se impactaram na barreira mágica desaparecendo e, enquanto isso acontecia, Harry se moveu para outro lugar rápido e moveu sua varinha apontando para as estátuas. — Reducto! Confringo! Bombarda! Diffindo! Expulso! Protego! — Enquanto se movia rápido, mas sem correr de um lado para o outro, Harry continuou a lançar os feitiços de ação física nas estatuas.
Estava confiante de que seus movimentos e ações eram rápidos e eficientes, até ver uma das estátuas correndo em sua direção com uma espada, sem hesitar gritou:
— Depulso! — E a viu voar e bater contra a parede, mas foi o suficiente para um dos feitiços o atingir e seu corpo se enrijecer pela picada quente. — Protego! — Evitou os feitiços que vinham, mas demorou para se mover, então, algo em sua visão periférica lhe avisou do perigo e uma estátua, facilmente, caminhou pelo seu Protego e o espetou no peito.
Harry esperava dor, sangue e o fim da sessão, mas nada disso aconteceu, a espada era mágica e o atravessou incorporeamente, doeu, mas não sangrou ou era mortal. E a luta continuou, não houve interrupção como em um jogo e ele percebeu que a lição era que, mesmo ferido, tinha que continuar a lutar. E ele fez, lutou, se moveu, correu, saltou, lançou feitiços por um tempo indeterminado, as estátuas destruídas se refaziam e voltavam para a luta. Harry perdeu as contas de quantos feitiços ou espadas o atingiram, mas a cada uma, sua determinação aumentou e aumentou. Ele não desistiria! Nunca!
Então, acabou. Ofegante, suado, Harry viu as estátuas pararem, se curvarem e retornarem aos nichos. Flitwick apareceu um segundo depois e caminhou na sua direção, Harry não abaixou a postura, rigidamente, esperou o próximo ataque.
— Você morreu 17 vezes hoje. — Flitwick não sorria, pelo contrário, estava muito sério. — E foi atingido por mais 9 feitiços que o deixariam mortalmente vulnerável e incapacitado, além de receber 14 cortes que o fariam sangrar e enfraquecer.
Harry apenas acenou sentindo seu estômago se embrulhar ao perceber seu péssimo resultado.
"Porque eu coloquei 20 ofensores contra você, Prentis? "
— Para me testar, Meistr? — Harry devolveu a pergunta enquanto tentava regular a respiração.
— Não. Fiz isso, porque você-sabe-quem nunca faz nada por si mesmo, ele envia seus servos para matar e torturar para ele. Grupos de comensais da morte atacando cruelmente, ferozmente e, ainda, eles não chegavam aos pés de seu mestre. — Flitwick gesticulou para as estátuas. — Se você não puder vencê-los, nunca poderá vencer o seu maior inimigo. Entende?
— Sim, Meistr. — Disse Harry sentindo um frio de raiva percorrê-lo. Não de Flitwick, mas de si mesmo por pensar por um segundo que apenas Voldemort seria um problema, estivera tão focado no assassino de seus pais e em vingança, que se esquecera do óbvio. — Meistr? Porque as estátuas continuavam se regenerando e voltando?
— Boa pergunta. Descubra e me traga a resposta na segunda-feira. — Disse Flitwick com um sorriso. — Por hoje terminamos a parte prática, pode relaxar e guardar a varinha, Prentis.
Harry suspirou e fez isso, sentindo, enquanto a adrenalina abaixava, dezenas de pontos doloridos pelo corpo e uma rigidez que lhe disse que mesmo em forma, sentiria os músculos no dia seguinte. Teria que se lembrar de alongar antes de vir para os treinos, decidiu ele começando a fazer isso agora. Flitwick pareceu aprovar e caminhou pela sala.
— Enquanto você se alonga, compartilharei minhas observações, mas não as tome como críticas, Prentis Harry, você está aprendendo e lhe garanto que muitos recrutas aurores não fariam tão bem quanto você fez em seu primeiro treino. E isso é um grande elogio. — Apontou Meistr Filius.
— Obrigado, Meistr. — Disse Harry formalmente e sentindo seu estômago se aquecer por suas palavras.
— Enquanto isso é verdade, devo apontar que sua análise inicial foi falha, Prentis, pois você não percebeu que as estátuas estavam divididas entre as que portavam varinhas e as que empunham espadas. — Meistr explicou e Harry fechou os olhos por sua tolice.
— Eu observei isso, Meistr. — Disse em um murmúrio envergonhado.
— Mesmo? E ainda assim foi surpreendido pelo ataque da espada? Devo, claro, felicitá-lo pela escolha de feitiços, uteis para incapacitar fisicamente as estátuas, já que não eram humanos para serem estupefatos ou petrificados, mas nunca que se esqueça que em uma luta com seres humanos, muitos daqueles feitiços os teriam mortos. Assim, Prentis Harry, sempre tenha em mente o contexto e as consequências….
Por mais uma hora, Meistr falou e analisou o que Harry fez ou deixou de fazer, não lhe disse o que fazer no futuro, apenas lhe apontou seus erros e o que não deveria fazer no próximo duelo. Harry entendeu o que ele fazia, apontava seus erros e o fazia pensar em uma solução por si mesmo, ele fez algumas perguntas que renderam respostas, outras Meistr Filius o mandou encontrá-las. Quando ele o dispensou e saiu pela passagem que ia direto ao seu escritório, Harry desabou de exaustão no chão emborrachado, suspirou e fechou os olhos. Quando os abriu, para seu espanto, viu uma águia gigantesca desenhada em relevo no teto que, incrivelmente, parecia de gesso. Que estranho.
Se levantando, Harry se cobriu com a capa e, discretamente, abriu a porta, não vendo ninguém no corredor, deixou a sala e fechou o painel que parecia uma parede comum outra vez. Depois de um longo banho, Harry se enxugou e, olhando em volta para o minúsculo banheiro, decidiu pedir, na próxima melhoria do seu quarto, uma banheira. Poderia fazer os móveis que precisava por conta própria na aula de Carpintaria e uma banheira o ajudaria a relaxar depois de um longo treino.
Harry, logo se encaminhou ao Covil e encontrou os amigos esperando ansiosos, sorrindo, ele se sentou e contou o que aconteceu.
— Caramba!
— Uau!
— Incrível!
As exclamações de Neville, Terry e Hermione o fizeram rir, mas logo ficou sério.
— Isso só me fez perceber como estou bem atrás do que preciso e que não podemos continuar a pensar pequeno. Flitwick está certo, precisamos que o currículo de Hogwarts seja fortalecido para que todos sejam melhor preparados. Alguma notícia da Associação de Pais? — Harry perguntou olhando para a Hermione.
— Não, mas acredito que em breve, muito em breve, teremos boas notícias. — Disse Hermione, sorrindo com malícia.
— Bom, e como está a sua parte?
— O que você acha? — Seu sorriso e olhar determinado eram tudo o que o Harry precisava.
Naquela noite durante o jantar, assim que se serviu a sobremesa, Dumbledore se levantou e se colocou à frente do púlpito.
— Boa noite. — Disse ele sorrindo serenamente. — Não quero atrapalhar suas sobremesas, mas tenho algo importante a comunicar a todos, assim, por favor, permaneçam em seus lugares depois que acabarem.
Depois disso todos se apressaram em terminar de comer, pois estavam curiosos. Quando as louças e restos de doces se foram, o diretor voltou a se levantar acompanhado de Madame Pomfrey e Harry entendeu do que se tratava.
— Bem, no último ano e durante o verão, Madame Pomfrey apresentou uma brilhante ideia para tornar suas vidas mais fisicamente ativas e saudáveis. Em um estudo muito interessante, ela correlacionou as atividades físicas a saúde física e metal das crianças e melhor desempenho escolar. — Suas palavras encontraram muitas expressões curiosas e confusas entre os alunos. — Me ocorreu e aos professores, como esse aspecto tão importante do crescimento dos nossos alunos nunca foi abordado em nossa escola, assim, Madame Pomfrey solicitou e conseguiu apoio e financiamento para o seu projeto. Deixarei que ela lhes explique com mais detalhes.
Madame Pomfrey agradeceu e com um sorriso animado, pouco usual, começou a falar.
— A mim a importância dos esportes e atividades físicas também fugiu, nunca pensei além das questões de saúde, superficialmente, confesso. Mas, um aluno brilhante e meu paciente, me fez enxergar a verdade, atividades físicas são importantes para o desenvolvimento físico, mental, intelectual e social de vocês. — Suas palavras encontraram alguns acenos e mais confusão, Harry percebeu que a maioria eram de puros-sangues e tentou ignorar seu próprio rosto corado pelo constrangimento de seus elogios. — Foi por isso que minha ideia inicial se mostrou tão forte e saiu do papel, da teoria e se tornou uma realidade. Tenho o imenso prazer de lhes informar que Hogwarts ganhou um Centro de Educação Física com... — Mas suas palavras, claramente, emocionadas se perderam diante do burburinho chocado que se espalhou pelos alunos, eram nascidos trouxas e mestiços que sabiam o significado das palavras Educação Física. — Por favor, já estou terminando, bem, além de professores que lhes darão aulas de Educação Física, vocês terão acesso a uma academia nível de treinamento auror 1º ano, um ginásio com dojos e tatames para duelos e lutas trouxas e mágicas, uma pista de atletismo oval interna, um vestiário e uma piscina!
Sua palavra final saiu quase como um grito de vitória e sua emoção por realizar algo assim era visível em seu rosto emocionado. Harry sorriu, igualmente, emocionado e se levantou diante do choque de todos os alunos que pareciam emudecidos e começou a bater palmas. Em segundos ele foi imitado por, praticamente, todos os presentes, as palmas e ovação se tornaram ensurdecedoras, até mesmo os professores se levantaram e lhe bateram palmas com entusiasmo. Bem, Snape e os Slytherins, em sua maioria, nem se levantaram, alguns bateram palmas fracamente, talvez, por educação. Outros estavam perguntando exatamente o que eram aulas de Educação Física.
Dumbledore, inicialmente, foi contra o projeto e não mostrara muito apoio a Madame Pomfrey na primeira reunião do Conselho de Governadores, antes da intervenção de Sirius. Uma parte dele ainda pensava que as aulas não seriam bem quistas e os alunos não gostariam da mudança, mas, ao ver a ovação e comemoração dos alunos, percebeu, um pouco desnorteado, que estava muito errado.
Os alunos não falavam de outra coisa durante todo o domingo, o Centro estava pronto e seria inaugurado na tarde seguinte com a presença de membros do Conselho, Sirius Black, a imprensa, além dos novos professores de Educação Física. Sim, dois, as aulas seriam divididas entre eles e organizadas nos horários dos alunos, além disso, um deles sempre estaria presente ao CEF, como passou a ser chamado, para prestar auxílios aos alunos que queriam fazer treinamento extra. O CEF ficaria aberto das 6 da manhã às 9 da noite e cada professor trabalharia um período e teria um número de turmas, as aulas seriam por ano com todas as casas juntas e eram obrigatórias. Isso, claro, causou muita confusão, entre os puristas que não queriam atividades trouxas e os preguiçosos que não queriam atividade alguma. Mas eles eram minoria e, no geral, a escola estava fervilhando de animação e ansiedade positiva.
E, enquanto em seu escritório naquela noite de domingo, reunido com sua vice-diretora para discutir os novos professores, seus aposentos, as disponibilidades e necessidades para as aulas, além de organizarem os últimos detalhes da inauguração, Dumbledore foi surpreendido por uma estranha carta. Ao abri-la, se deparou com as seguintes palavras.
Londres, 13 de setembro de 1992
Prezado, Diretor Albus P. W. B. Dumbledore,
Venho por meio deste instrumento comunicar-lhe que uma Associação de Pais dos Alunos da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts foi fundada em 28 de agosto de 1992. De acordo com o Artigo 17 da lei de Educação de 1798, "os pais, em interesses de seus filhos enquanto alunos de Hogwarts, podem formar uma associação ou grupo de apoio".
Nossa Associação de Pais visa a defesa e a promoção dos interesses dos nossos associados em tudo que concerne à educação e ensino dos seus filhos e educandos da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.
Dessa maneira, certo de sua compreensão solicito uma reunião, urgentemente, para apresentação de objetivos e projetos, assim como, nos colocamos a sua disposição para eventuais dúvidas e questionamentos.
Cordialmente,
Serafina Boot, Diretora Executiva
Cecilia MacMillan, Vice-Diretora Executiva
E, membros do Conselho Diretor da Associação de Pais dos Alunos da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts
Dumbledore leu a carta duas vezes, completamente, abismado, depois a entregou a Minerva McGonagall que empalideceu ao ler as palavras claras e objetivas.
— O que é isso, Albus? O que está acontecendo? — Sussurrou ela chocada, uma Associação de Pais, imagine isso, nunca em todos os seus anos como professora em Hogwarts algo assim acontecera.
— Eu não sei, Minerva, por incrível que pareça, não tenho ideia do está acontecendo ou o que está por vir. — Disse ele juntando as mãos, solenemente e, nunca, Albus Dumbledore, foi tão sincero.
