Capítulo 49
A segunda-feira pareceu se arrastar e os professores tiveram dificuldades em manter a atenção e silêncio dos alunos. A excitação pelo importante evento parecia ter tomado Hogwarts e a agitação, conversas e risos eram ouvidos por todos os lugares. Para Harry, todo esse movimento e alegria era motivo para classificar o CEF como algo positivo, mas ele e seus amigos tinham certeza que mais coisas boas viriam desta mudança em Hogwarts.
Depois da última aula, os alunos ainda com seus uniformes e mochilas foram direcionados para o pátio interno de pedra que tinha uma bonita fonte que jorrava suavemente, um som calmante que se perdeu diante do zumbido das conversas dos grupos que se formaram enquanto esperavam para conhecer o Centro de Educação Física. Ninguém pareceu perceber que, ao se amontoarem em frente a uma bonita porta dupla de carvalho marrom, os alunos formaram grupos de casas e idades diferentes, com exceção dos Slytherins que ficaram na parte de traz pouco interessados, ao menos a maioria deles, em se misturar ou em conhecer esse novo Centro de coisas trouxas. Mas, como a presença de todos era obrigatória, eles acompanhavam indiferentes aos sussurros animados do resto dos alunos que se posicionaram formando um círculo ao redor da porta onde a Prof. McGonagall esperava, estoicamente, os convidados que chegariam em instantes com o diretor Dumbledore.
Harry e Terry acabaram longe de Hermione e Neville, pois tinham as últimas aulas diferentes, assim, aos seus lados estavam alguns Hufflepuffs e Ravenclaw. Neste momento, Dumbledore entrou no pátio e os alunos se espremeram, abrindo um corredor para ele e seus convidados. Haviam 3 estranhos que Harry nunca viu, puros-sangues pela postura e vestimenta, uma mulher alta e loira, de rosto severo, um homem baixo, de cabelos brancos e muito magro, parecia mal-humorado. O último deles era muito alto, cabelos fartos e cinzentos, expressão serena e curiosa, atrás dele vinha Lucius Malfoy com sua careta de azedume permanente em seu rosto. Ao passar em meios aos alunos parecia se esforçar para não ser tocado por nenhum deles e de quando em quando, lançava um olhar mortal para traz de si.
O motivo de seu olhar foi descoberto logo depois quando, um Sirius Black elegante e sorridente, caminhou pelo corredor de alunos. Seus cabelos cacheados e volumosos mais compridos até o pescoço estavam perfeitos e brilhantes, seus olhos prateados tinham o toque de diversão e malícia, seu sorriso a animação e charme nas medidas certas para fazerem muitas meninas suspirarem meio apaixonadas. Ao seu lado, uma sorridente e emocionada Madame Pomfrey, caminhava, ligeiramente, tentando acompanhar seus passos, mas ninguém pareceu notá-la, já que era tão pequena. Seguindo-os, mais algumas pessoas estranhas passaram, mas os alunos prestaram pouca atenção, focando seus olhares em Dumbledore. Quando todos pararam diante da porta dupla, Harry notou um fotógrafo e uma mulher loira, pequena e pálida, fazendo anotações, imaginou ser uma jornalista.
— Boa tarde. — Disse o diretor sorrindo. — Sei que estão ansiosos por esse momento, assim como eu, mas, antes gostaria apenas de lhes apresentar algumas pessoas, além de Madame Pomfrey, que tornaram esse momento possível. Esses são 4 dos 12 membros do Conselho de Governadores que autorizaram a construção do Centro, além de liberarem verba para a contratação dos dois professores. Srs. MacTavish, Belby e Malfoy, além da Sra. Smith, por favor, uma salva de palmas.
As palmas aconteceram mais por educação do que por interesse e Harry viu o garoto Smith se esticar mais alto e estufar o peito enquanto batia as mãos fortemente. Imaginou que a senhora de expressão severa e entediada fosse de sua família, os dois eram narigudos o suficiente para serem mãe e filho, decidiu Harry.
"A M&T Arquitetura e Construção fez um projeto incrível que atenderá a todos de maneira completa e segura, assim, espero que gostem e aproveitem cada momento desta incrível oportunidade. Uma salva de palmas aos Srs. MacLaren e Trent. " — Dumbledore apontou para os dois associados que estavam mais do seu lado direito e Harry sorriu ao vê-los tão animados e orgulhosos. — "Além disso, tenho o prazer de lhes apresentar os novos integrantes do nosso corpo docente, Charlotte e Joseph Price. " — Disse ele com um sorriso gentil a um casal por volta dos 30 ou 35 anos que se adiantaram. — "Por favor, uma salva de palmas. "
Depois das palmas, eles apertaram as mãos do diretor, Madame Pomfrey e Sirius.
— Olá, meu nome é Joseph, mas podem me chamar de Joe ou professor Joe. — Disse ele sorridente, era alto, musculoso e seus cabelos compridos e loiros, preso em rabo de cavalo bagunçado, pareceu não agradar aos conselheiros, mas as meninas se abanaram, pois, o dia pareceu mais quente.
— Boa tarde, sou Charlotte, mas prefiro Charlie, assim, professora Charlie está bem. — Disse ela, igualmente loira, alta e magra, seu rosto bonito e olhos verdes pareceram sinceros e animados. Os meninos mais velhos arregalaram os olhos e babaram de entusiasmo. — Joe e eu somos casados, temos duas academias no mundo trouxa, a Pegasus, uma fica em Londres e temos a filial em Brighton. Sou formada em Educação Física, tenho duas pós-Graduação em Artes Marciais e Educação Esportiva.
— Eu também sou formado em Educação Física, tenho uma pós-graduação em Dança e estou fazendo meu Mestrado em Anatomia e Fisiologia do Corpo. Estamos muito entusiasmados com trabalhar em Hogwarts, nós estudamos aqui e nos formamos a mais de 15 anos, assim, é um grande prazer retornar como professores. — Prof. Joe disse sorridente, Prof.ª Charlie acenou concordando e Dumbledore continuou:
— Bem-vindos, meus queridos. Quando Madame Pomfrey apresentou esse brilhante projeto, encontrou as limitações financeiras como o seu maior obstáculo, mas isso não a deteve. Sua busca por apoio encontrou na figura de Sirius Black um importante aliado, que doou o dinheiro necessário para a construção do Centro de Educação Física de Hogwarts, assim, ao Sr. Black, uma salva de palmas.
Desta vez o barulho e palmas foram mais sinceras e entusiasmadas, quando Sirius se adiantou, sorridente e ergueu o braço direito acenando, ouviu-se alguns suspiros e gritinhos das meninas quando seus músculos ficaram em evidência. Harry e Terry riram, divertidamente, mas a expressão do Malfoy sênior parecia que poderia matar alguém.
— Olá! Como estão? Estou muito feliz de estar aqui, mas quero que essas palmas sejam todas para a Madame Pomfrey, foi ela e somente ela quem idealizou, buscou e lutou, ferozmente, por esse Centro. — Sirius disse isso enquanto a trazia mais à frente dos membros do Conselho. — Madame Pomfrey encontrou resistência e ignorância, preconceitos tolos, mas não se deixou abater, minha colaboração foi apenas com o dinheiro. — Sirius sorriu com entusiasmo e certa malícia agora. — Quando estive em Hogwarts me diverti muito, acreditem, as histórias que eu poderia lhes contar de toda a diversão e brincadeiras que meus amigos e eu tivemos, ficaríamos aqui por uns dois dias. — Isso levou a muitos risos e alguns disseram, "Conta" o que levou a mais risos. — Se tivéssemos algo como isso teria sido incrível, sei que adolescentes são meio preguiçosos, mas sei também como gostam de impressionar as garotas, assim, um pequeno segredo de alguém com mais experiência. Entrar em forma e fazer um esporte os ajudarão a impressioná-las. — Disse ele com uma piscadela e houve mais risos, desta vez um pouco envergonhados. — Me pediram para nomear o Centro e pensei muito e muito, decidi que o nome deveria ser jovem e divertido para combinar com vocês, alunos de Hogwarts, além de homenagear dois grandes amigos. Assim, lhes apresento o Centro de Educação Física "A Caverna dos Marotos"!
Às suas palavras o pano vermelho sobre a porta dupla de carvalho voou para suas mãos e uma placa dourada com letras grandes e negras se revelou. Estava escrito, Centro de Educação Física "A Caverna dos Marotos", cedido por seu patrono, Sirius Black e idealizado por Papoula Pomfrey aos alunos da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts no ano de 1992.
Imediatamente mais palmas e ovações foram ouvidas, então, as portas se abriram magicamente e os adultos avançaram seguidos de perto pelas crianças entusiasmadas.
Harry tinha uma ideia do que esperar, mas, mesmo ele, ficou impressionado, olhando em volta viu que seus colegas estavam de queixos caídos e emudecidos de espanto. O lugar era enorme, a porta encontrava uma escada de dez degraus e, enquanto desciam, Harry percebeu que deveria ter o tamanho do Grande Salão ou da cozinha, mas ao em vez de mesas e elfos, o CEF ou Caverna tinha uma decoração de teto alto, paredes com cores acinzentadas e grafites pretos que lembrava uma caverna urbana, pensou Harry, impressionado. Os escritos em grafites tinham palavras como "Esporte", "Vida Saudável" "Motivação", "Persistência", além do nome "Caverna dos Marotos", "Hogwarts" ou os nomes de cada casa espalhados.
Do lado esquerdo, com o chão azul e emborrachado, tudo parecia novo e brilhante, havia uma academia com esteiras mágicas, aparelhos de ginásticas e abdominais, esteps, mini camas elásticas, estação de musculação. Um pouco mais a frente havia dojos e tatames de duelos de magia, espada e lutas marciais, a parede decorada tinha diversos tipos de bastões, espadas e adagas, os meninos começaram a apontar com entusiasmo. Não muito longe uma parede mostrava uma grande e bonita foto bruxa de mulheres e homens trouxas dançando e, a sua frente, uma área quadrada e acolchoada da cor vermelha parecia ser a área de dança.
Do lado direito haviam duas divisões também, uma área tinha uma quadra esportiva que Harry imaginou, pelos aros de basquete, seria para ensinar este esporte. Mais para o fundo, uma piscina de 25x20 azul clara chamou a atenção de todos que encaravam embasbacados. Ao fundo portas azuis levavam para o que deveria ser o vestiário feminino e masculino. E, circulando toda a área havia uma pista de atletismo oval avermelhada com linhas brancas, Harry sentiu seu entusiasmo aumentar, nada mais de correr na neve ou no corredor do Covil.
— Pessoal! — A voz foi da Prof.ª Charlie. — Por favor, olhem em volta e não deixem de nos perguntarem se tiverem duvidas, mas não mexam ou tentem nada. Temos muito o que explicar e questões de segurança importantes a ensina-los, faremos isso para cada ano em suas respectivas aulas que começarão a partir de amanhã.
— Para aqueles que se interessam por esportes coletivos, mas não fazem parte do time de quadribol, esta quadra poderá ser adaptada facilmente para diversos esportes, Basquete, Vôlei, Handebol, Futsal. — Disse o Prof. Joe e Harry quase riu da confusão nas expressões dos puros-sangues. — Não se preocupem que ensinaremos as regras desses jogos para todos, eles são esportes trouxas muito populares e divertidos.
— Nossa, isso será incrível! — Disse Terry olhando em volta e, localizando Hermione e Neville, foi naquela direção, mas Harry optou por ir cumprimentar seu padrinho.
— Olá! — Disse ele sorrindo.
— Harry! — Sirius o abraçou com força e ele retribuiu. — Estava me perguntando como iria encontrá-lo no meio de tantas crianças.
— Ei! Não sou tão pequeno assim! —Protestou Harry e, olhando para Madame Pomfrey, continuou. — Olá, Madame e parabéns por seu incrível projeto.
— Ora, Harry, você sabe muito bem que nada disso existiria sem você, além disso, nos meus planos iniciais tudo o que existia era uma piscina. — Apesar das palavras, Madame Pomfrey sorriu e corou levemente. — O resto foi idealizado por Sirius e com sua colaboração, pelo que sei.
— Bem, não importa quem pensou o que, e sim que isso ficou incrível. — Disse Harry e olhou para o padrinho. — Obrigado, Sirius.
— De nada, Harry, valeu cada centavo só para ver a cara do Malfoy, olha lá. — Disse ele apontando para os conselheiros.
Srs. MacTavish e Belby olhavam em volta curiosos, o primeiro era mais agradável, mas mesmo o Sr. Belby, o cara baixinho, parecia interessado. Em compensação, Malfoy e a Sra. Smith, cujo filho estava esticado como um poste ao seu lado se exibindo, tinham expressões severas e enojadas.
— Estou louco para ver o Draco sendo ensinado a dançar. — Disse ele tentando conter o riso, mas Sirius não se conteve e gargalhou, Harry o acompanhou em seguida.
Seus amigos se aproximaram para abraçar o Sirius e Harry o apresentou a outros colegas e amigos Ravenclaws. Os gêmeos pareciam cochichar e depois decidiram se aproximar também, Harry os apresentou e os três se puseram a conversar em um sussurro entusiasmado. Decidindo lhes dar privacidade, ele se encaminhou para a área da piscina, era enorme e nadar seria muito divertido. Assim que tivesse seus horários reconfigurados se organizaria com seus amigos para visitarem a Caverna todos os dias, o treinamento o ajudaria com o quadribol e com os treinos com Meistr Filius, além de que, nadar o ajudaria a crescer e toda essa história começou por causa disso, afinal.
Olhando em volta, viu que Neville fazia perguntas ao Terry, Hermione estava conversando com a Prof.ª Charlie, então viu Ginny e Luna ao lado da piscina e se aproximou. Elas não o viram e Harry as ouviu conversando com animação, a garota ruiva não parecia tímida como quando ele estava por perto e seu sorriso iluminava seu rosto.
— Pense nisso, Luna! Vamos nadar como no rio lá em casa e tem dança, quero aprender a dançar músicas trouxas, dever ser legal. — Ela riu entusiasmada. — O que você quer fazer?
— Podemos escolher? Pensei que, como é uma aula, é obrigatório fazer tudo. — Disse Luna com seu sorriso alegre, olhos azuis brilhantes e sonhadores.
— Oh! Você está certa, mas o que você quer aprender ou fazer mais que tudo? — Voltou Ginny sem piscar um olho. —Acho que será legal aprender a usar aquelas máquinas trouxas, papai morreria se as visse e preciso explicar tudo para ele no Natal.
— Hum... acho que nadar, sinto falta de nadar como quando éramos crianças. Foi minha mãe quem ensinou. — Seu rosto ficou triste e Harry franziu o cenho confuso.
— Sua mãe também me ensinou, mamãe nunca tinha tempo, é uma das minhas melhores lembranças dela. Tia Pandora tinha o sorriso tão bonito, como o seu Luna. — Disse Ginny suavemente e apertou a mão da amiga com carinho, Harry entendeu que a mãe de Luna falecera.
— Obrigada por dizer isso, Ginny...
Neste momento, Harry viu, pelo canto dos olhos, Wilkes se mover lentamente por traz das duas, seus olhos focados na Luna, que se inclinou para tocar a água e falava alguma coisa sobre animais que gostam de água doce. Ele percebeu sua ideia e sem hesitar deu três passos rápidos e se colocou entre os dois, o encarando com um olhar frio.
— Planejando alguma coisa, Wilkes? Quão infantil de você. — Disse Harry mostrando seu desapontamento ironicamente.
O garoto o encarou com frieza, mas seu rosto corou, talvez de raiva ou constrangimento.
— Não se meta no que não é da sua conta, Potter. — Disse ele e, olhando em volta, pareceu perceber que estava em um local muito público e se afastou.
— Bem, pelo menos ele é mais inteligente que o Draco. — Sussurrou Harry, sabendo que o loiro Slytherin estaria grasnando feito um pato nesta situação.
Virando-se, Harry se aproximou das meninas que não tinham percebido o que acontecera.
— Olá, meninas. — Disse ele com um sorriso.
Ginny pulou ao ouvir sua voz, se virou dando um passo para traz e se desequilibrando na direção da piscina, ela estendeu a mão para Luna e Harry, sempre rápido, saltou primeiro e a segurou com firmeza.
— Ahhhh... — Seu grito não foi alto, mas quem estava perto ouviu e riu do seu quase mergulho.
— Desculpe. — Harry disse aflito ao ver seu rosto corar de vergonha. — Não quis assustá-la.
— Tudo bem, quer dizer, obrigada por me segurar... — Disse ela timidamente e olhando para o chão.
— Bem, era o mínimo que eu podia fazer... — Disse ele constrangido, impedira Wilkes com seu plano e quase fizera pior, porque sempre agia feito um idiota quando se aproximava dela? Pigarreando, decidiu mudar de assunto. — Então, empolgadas com a Caverna?
— Muito. Será divertido aprender tantas coisas novas e estar sempre em movimento, às vezes, a vida pode ser bem tediosa, sabe. — Disse Luna sabiamente e Harry sorriu concordando.
— Eu também não gosto de não ter nada para fazer e queimar as energias, ficar em forma e saudável, isso sem falar na diversão. — Harry disse empolgado. — E você, Ginny?
— Sim... — Ela ainda estava corada, mas pareceu tomar coragem para encará-lo e sorriu timidamente. — Eu adoro nadar e todas aquelas coisas trouxas, devem ser bem legais. Além disso, é mais uma aula com a Luna, nós só temos duas e tirando os deveres na biblioteca, não conseguimos passar tanto tempo juntas como gostaríamos.
— Ora, porque não ficam juntas nas torres? — Disse Harry as olhando confuso.
— Mas... não podemos ir para as salas comunais das outras casas. — Disse Ginny também confusa.
— Quem disse? Não existe nenhuma regra que proíba isso e desde que os visitantes se comportem, não há problema algum. Hermione e Neville vivem conosco na torre Ravenclaw e, de vez em quando, também visitamos a Gryffindor. — Harry apontou para os gêmeos. — Quando preciso falar com seus irmãos, vou até o quarto deles e os visito, além disso, as salas de convivência existem para estarmos com nossos amigos, não importa de qual casa.
Isso pareceu surpreender as duas meninas que se olharam e sorriram animadamente.
— Luna!
— Ginny!
As duas exclamaram e parecia ser uma brincadeira entre as duas, porque começaram a rir imediatamente, Harry as acompanhou contagiado por seus risos, mesmo sem entender a graça.
— Poderemos nos visitar, Luna, como quando éramos crianças, e poderei conhecer a torre da Ravenclaw, pelo que me disse parece ser muito bonita. — Ginny disse sorridente.
— Isso será bom, Ginny, você será uma companhia mais agradável do que as outras meninas e pode me ajudar a procurar meus sapatos. — Disse Luna erguendo a veste e mostrando os pés descalços.
Harry franziu o cenho confuso e surpreso ao ver isso.
— Eu lhe ajudarei, Luna e, se descobrir que aquelas meninas más pegaram seus sapatos, vou enfeitiçá-las, Bill me ensinou uma azaração que fará seus cabelos cheirarem feito bosta de hipogrifos. — Disse Ginny bravamente.
— Alguém está roubando seus sapatos? — Harry perguntou confuso.
Mas, antes que ela pudesse responder, um movimento busco foi feito a alguns metros e Colin, com sua câmera, foi empurrado, violentamente, para a piscina. Seu grito chamou a atenção e provocou mais risos, Harry se aproximou para ajudá-lo, Prof. Joe também estava ali em segundos e parecia pronto para pular na piscina, mas Colin submergiu e nadou para a borda sem dificuldades. Parecia muito chateado quando o professor o puxou para fora, além de molhando e pálido, talvez, pelo susto.
— Oh, acho que perdi minha câmera e as fotos. — Sussurrou arrasado.
— Não se preocupe, é só um pouco de água, tenho certeza que poderemos concertar e, as fotos, você pode tirar mais depois. — Disse o Prof. Joe paciente. — Vem comigo, vamos te secar e te arrumar.
Os dois se afastaram na direção do vestiário, um dos amigos de Colin o acompanhou.
— Escutem! Piscinas são perigosas e nem todos aqui sabem nadar, regras e feitiços existirão para que não aconteçam acidentes, além de que, sempre, Joe ou eu estaremos aqui quando a Caverna estiver aberta. — Gritou a Prof.ª Charlie objetivamente. — Além disso, se eu pegar algum aluno empurrando um colega na piscina, essa pessoa estará em detenção até o Natal, comigo ou o Prof. Joe, e lhes garanto que não estarão escrevendo linhas.
Houve muitos acenos e sussurros preocupados pelo aviso. Harry olhou em volta e encontrou o que procurava facilmente, Wilkes estava rindo e conversando com Quirke que ria e gesticulava imitando alguém que está fotografando. Pegando seu olhar, Wilkes sorriu debochado e lhe lançou um olhar triunfante, Harry o encarou com frieza, enojado por seu comportamento.
— Tudo bem, Harry? — Sirius se aproximou parecendo preocupado.
— Sim, apenas... deixa para lá, não importa. — Harry olhou para o padrinho que parecia melhor do que o vira a uma semana. — Você parece bem, pensei que estaria exausto depois de tanto treinamento pesado.
— Agora estou bem, mas a noite fico sem energia e tenho que dormir muito cedo, mas estou me acostumando e meu corpo está se ajustando, graças aos seus treinamentos. — Sirius apertou seu ombro com carinho. — Obrigado por isso, eu não teria conseguido acompanhar o treinamento auror por um dia se não fosse por você.
Harry corou constrangido pelo elogio e sorriu.
— Você deveria dizer isso para o Neville, Terry e Hermione, eles ficam reclamando durante todo o treinamento, são uns resmungões. — Disse Harry esfregando o sapato no chão.
— O problema é seu sorriso, Harry, se você parar de sorrir, tudo ficará bem. — Sirius disse divertido. — Você está melhor agora? Depois dessa semana difícil?
— Sim, sim, estou melhor, sinceramente, estou pensando cada vez mais que o anúncio será uma boa ideia e, bem, as aulas de Defesa são uma piada, mas a minha primeira aula de Duelo foi incrível. Tudo está se ajustando e consigo ignorar, quase sempre, os idiotas. — Harry o encarou suavemente. — Obrigado, pelo que você disse na carta e por me contar o que aconteceu a tantos anos.
Sirius pareceu ficar envergonhado e suspirou gesticulando para os dois caminharem.
— Não me orgulho do que eu fiz, Harry e me sinto triste por ter traído a confiança de um amigo, além disso, sei que isso pesou na decisão de Dumbledore e Remus em acreditarem em minha culpa a 11 anos. — Sirius encarou o afilhado. — Sei que deve ter ouvido do Ranhoso que seu pai era isso ou aquilo, ele não era perfeito e demorou para madurecer, mas essa questão em particular foi minha culpa e, apenas minha. Snape detestava James...
— Isso eu já percebi, entendo a rivalidade e o fato de Snape ter se tornado um comensal da morte, mas no fim ele mudou de lado, Sirius. — Harry o interrompeu curioso sobre algo. — A investigação da ICW comprovou isso e Dumbledore meio que confirmou outro dia que Snape se tornou um espião, assim, porque ele ainda odeia meu pai? Porque parece me odiar? Isso não faz sentido algum. — Ele disse isso inconformado e olhou na direção onde estavam os professores, Snape estava entre eles, com suas vestes negras e expressão rançosa, destoando completamente do ambiente.
Sirius fez uma careta ao ver seu antigo inimigo e suspirou.
— Acredito que apenas ele poderia responder por suas razões, verdadeiramente, mas só posso supor que sua mãe é um dos motivos ou o mais forte deles. — Disse ele suavemente.
— O que? — Harry nunca esperou tal resposta, chocado parou de andar e encarou o padrinho com seus olhos verdes incisivos. — O que minha mãe tem a ver com isso?
— Eles eram amigos antes de Hogwarts, estavam sentados juntos no trem em nossa primeira viajem e pareciam próximos. — Disse Sirius, dando de ombros. — Nunca prestei atenção em nenhum dos dois ou suas amizades, mas a partir do nosso 4º ano, James notou tudo sobre a Lily e percebeu a proximidade deles. E pior, percebeu que Snape gostava da sua mãe um pouco mais do que como amigos...
— Como namorado? Eles namoraram? — Harry sussurrou meio enojado, porque ninguém lhe parecia menos adequado para sua mãe, que era tão vibrante e luminosa, do que Snape, tão sombrio e pegajoso.
— Não, acredito que sua mãe não o enxergava assim. É preciso tentar entender como estávamos naqueles tempos sombrios, Slytherins e Gryffindors não são amigos facilmente e, em meio à guerra, era mais difícil. — Harry acenou lembrando-se de Flitwick falando algo sobre isso na reunião depois de sua discussão com Snape no ano anterior. — Seu pai ficou muito chateado porque percebeu como Snape era falso com sua mãe, ele a tratava bem e era gentil na sua frente, mas, as suas costas, tinha amizade com tipos como Travers, Múlciber, atormentava os nascidos trouxas e, se tivesse a oportunidade, nos enfeitiçava.
— Papai deve ter se zangado muito. — Pensou Harry, se sentindo, ele mesmo, zangado com o pensamento de alguém enganando sua mãe.
— Sim e ciumento, protetor. Depois que ele se apaixonou por Lily, tudo em que ele pensava era em como fazê-la feliz, o que fazer para que ela o notasse ou como conquistar seu coração. Claro que ele fez tudo errado. — Sirius riu e Harry o acompanhou. — Olhando para traz e analisando o que aconteceu, acredito que James e Snape começaram a atacar um ao outro ainda mais por causa de Lily, como uma competição que ela nem sabia que estava em disputa. Nós protegíamos os nascidos trouxas dos Slytherins, mas Snape nem precisava estar fazendo nada para James ou eu, o enfeitiçar.
— Isso é bullying, Sirius. — Disse Harry chateado.
— Sim, era e ele revidava, a diferença é que éramos 4 e ele 1 em muitos momentos, então, sim, nosso comportamento era mesquinho e horrível. — Sirius disse quase arrependido ao encarar aqueles olhos verdes. — Não estou me justificando, Harry, mas éramos jovens, tolos e imaturos, tomamos as decisões erradas, no caso de James, a vontade de cuidar e conquistar sua mãe o fazia ainda mais ansioso. No fim, Lily enxergou por si mesma, e com um empurrãozinho do James, quem era Snape e encerrou sua amizade com ele. Seu pai achou que vencera a disputa, mas, esqueceu do fato de que a pessoa mais importante nesta história, não gostava muito dele. Depois das minhas ações horríveis naquela noite, James mudou e seus avós lhe deram bons conselhos.
— Você me falou sobre isso. — Harry disse sorrindo.
— Pois é, isso ajudou, ele amadureceu e era um cara incrível, sua mãe enxergou isso e se apaixonou por ele. Mas as coisas com Snape apenas pioraram depois disso tudo, o ódio por seu pai aumentou e, acredito que na mente dele, James lhe tirou a garota que ele gostava, além de tentar matá-lo. Ranhoso manteve a promessa de nunca contar a ninguém sobre Remus, mas a cada passo do caminho tentava amaldiçoar seu pai, que revidava ou se defendia. E, bem, foi isso, imagino que seu pai se casar e ter um filho com Lily, depois de Hogwarts, não o deixou menos popular com Snape. — Disse Sirius dando de ombros.
— É possível supormos que ele ajudou e se tornou espião por que queria proteger minha mãe? Mas, então, porque se tornar um comensal em primeiro lugar? — Harry percebeu que toda essa história só lhe trouxera mais perguntas. — E, meus pais lutaram com Voldemort e outros comensais da morte muitas vezes, arriscaram suas vidas, mas Snape só passou a espionar para Dumbledore quando eles tiveram que se esconder, depois da profecia. Porque não antes? E, porque não avisar sobre os outros ataques contra membros da Ordem? Porque apenas avisar sobre ataques contra meus pais?
— São boas perguntas e acredito que os únicos com as respostas são o ranhoso e o bunda magra. — Disse Sirius e Harry não pode deixar de rir divertido, apesar de sua mente estar fervilhando.
Depois, Harry conseguiu conversar com os professores sobre os treinamentos que precisava fazer para crescer. Com Mac e Ian sobre as reformas das lojas e do hotel que estavam avançando, diligentemente. Além de fugir de uma mulher que se apresentou como jornalista, Srta. Skeeter, e parecia querer uma entrevista com o menino-que-viveu. Harry a encarou friamente e depois lhe deu as costas sem se dignar a responder. Em tudo, a inauguração da Caverna dos Marotos foi um tremendo sucesso.
Naquela noite, depois do jantar, Harry teve mais uma aula com Meistr Filius, desta vez não houve um duelo.
— Eu quero ter uma noção do seu repertório, além disso, precisamos começar a trabalhar os seus feitiços silenciosos. A maneira mais fácil é introduzirmos naturalmente, assim, seu cérebro se ajustará e você nem perceberá. — Filius disse suavemente e conjurou um manequim animado. — Lembre-se de manter isso em segredo, nada de sair usando sua varinha silenciosamente. Ah, e quero testar sua pontaria.
Isso significava que o manequim nunca estava no mesmo lugar por muito tempo. E, ele não se movia de lá para cá e sim por toda a sala, felizmente, ele não revidava, assim, Harry só tinha que se concentrar em acertá-lo. Não era tão simples, porque ele era rápido, além disso, depois de dizer a maldição em voz alto, Harry tinha que a repetir, silenciosamente. Nas primeiras vezes, ele tentou pensar muito para fazer o feitiço sem dizê-lo, quando conseguia ou não, o manequim estava do outro lado da sala.
— Não pense, apenas enfeitice e, se não sair nada, vá para o próximo e o próximo, não pare, acerte aquele manequim, Prentis. — A voz de Meistr era forte e autoritária.
Harry se endireitou e fez exatamente isso.
— Estupefaça!
Repete em silêncio.
— Petrificus Totalus!
Repete em silêncio.
— Myrmikos!
Repete em silêncio.
— Glufot!
Repete em silêncio.
E, assim foi por quase duas horas, Harry disse todas as azarações do seu repertório e tentou repeti-las em silêncio. Quando acabou e perguntou se deveria repetir a lista, Meistr Filius acenou que não e depois verificou algumas anotações. Exausto, Harry desejou que houvesse água por aqui, estava sedento.
— Muito bem, seu repertório é bem interessante apesar dos professores de Defesa...
— Ridículos? — Sugeriu Harry quando ele hesitou.
— Sim, boa discrição. Você está estudando os Vol. 2 de Mason?
— Estou estudando o Vol. 3, mas ainda não dominei todas as maldições, Meistr Filius. — Disse Harry educadamente.
— Tente dominá-los, quero dobrar seu repertório até o Natal e, antes das férias, o colocarei contra as estátuas e não quero que repita um único feitiço. — Disse ele e Harry acenou decidido a pedir o Vol. 4 e 5 de Mason para a Sra. Clark. — Você errou 45% dos feitiços no alvo, isso é uma péssima pontaria, Prentis, significa que errou quase a metade dos feitiços. Além disso, conseguiu apenas 20% dos feitiços silenciosos, o que, na verdade, é um bom resultado para uma primeira tentativa e sendo tão jovem. Mas espero que até o fim do mandato, antes das férias de verão, você tenha dominado essa habilidade, porque seu último teste será lutando comigo e as estátuas, espero não ouvir um único feitiço saindo de sua boca.
Harry engoliu em seco só de pensar nisso e prometeu a si mesmo que se esforçaria para colocar um bom desafio a seu Meistr.
— Ok, Meistr.
— Você descobriu a resposta à sua pergunta de sábado?
— Não, Meistr. — Harry disse envergonhado.
— Reflita, Prentis, use sua mente e visualize a luta, encontre a resposta. Nos vemos na sexta-feira, Prentis.
O resto da semana passou rapidamente, com sua manhã tomado pela detenção de ajudar o Hagrid com os animais, Harry e os amigos começaram a ir treinar na parte da tarde. Prof.ª Charlie estava presente e depois de um exame físico, testes e uma conversa sobre segurança, lhes deu um circuito com alongamento, corrida, exercícios de musculação sem peso e natação. Neville era o único que não sabia nadar, mas, depois de um tempo na piscina sendo ensinado pela treinadora e uma dica de Harry para se conectar com a água, seu amigo parecia um peixe e sorria de orelha a orelha. A aula da sua turma seria apenas na sexta-feira à tarde, mas durante a semana, os outros anos foram apresentados aos esportes e exercícios, além da piscina e não havia outro assunto entre os alunos. Alguns adoraram, outros pareciam pensar que era muito trabalho por nada e outros, a maioria puristas, falaram mal das aulas e professores, eles eram minoria e foram facilmente ignorados.
Quando a sexta-feira chegou, os alunos do seu ano estavam muito ansiosos e quando entraram na Caverna, os dois professores já estavam presentes. Eles foram orientados a se trocarem no vestiário onde roupas de treinos estavam disponíveis, as cores eram iguais, cinzas, com detalhes na cor da casa, Harry viu o emblema azul e bronze da Ravenclaw e sorriu. Quando voltaram, ficaram na área de ginástica em frente aos professores.
— A primeira aula de cada ano estão sendo administradas por nós dois porque hoje temos exames físicos e testes para fazer. Aqueles que já estão usando a Caverna para treino pessoal, ou seja, já passaram por essa etapa, podem se colocar em posição para preparação. — Disse Prof. Joe.
Os 4 amigos se afastaram do resto dos colegas e ganharam muitos olhares curiosos, que aumentaram quando eles começaram a preparar, ou seja, alongar. Prof. Joe cuidou da parte burocrática e a Prof.ª Charlie se colocou a ajudar os alunos que terminavam e precisavam aprender a preparação. Em meia hora, todos estavam alongando e, então, os problemas começaram.
Malfoy e seus amigos pareciam querer cruzar os braços e não fazer nada, mas Joe disse que estariam todos em detenção até o Natal se não participassem das aulas e a detenção seria limpar todos os equipamentos da academia e dojos, sem magia. Isso os fez se mexerem, mas logo ficou claro que eles não alongariam como precisavam para não sofrer depois, Harry teria gritado com eles e comandado que esticassem de verdade, mas não foi o que os professores decidiram fazer.
— Ok. Só um aviso para aqueles que não estão levando a sério os alongamentos e preparação, amanhã estarão tão doloridos que mal sairão da cama sem gemer. — Disse Charlie divertida.
— Estamos ensinando a maneira correta, mas tenho certeza que semana que vem já terão aprendido a lição. — Disse Joe sorridente.
— Eu deveria ter usado essa estratégia com vocês. — Disse Harry aos amigos.
— E, eu não queria estar na pele deles. — Disse Terry apontando para Draco, Crabbe e Goyle que se alongavam fracamente.
— Ou deles. — Apontou Hermione para Ron, Dean e Seamus que também se esticavam sem vontade.
— Preparamos um circuito, vamos nos dividir, os alunos de A até o M, por nomes, por favor, de um lado comigo. — Disse Charlie.
— E d desse lado comigo. — Disse Joe.
Harry e Hermione ficaram com ela, Neville e Terry com ele.
— Nós começaremos com uma corrida, ritmo leve, 10 voltas em volta da pista oval. — Explicou Charlie e Joe levou seu grupo para os aparelhos. — Vocês dois, mantenham o ritmo que estão acostumados e podem dar mais voltas, será um bom substituto para o treino de mais tarde, assim não precisam voltar. — Disse ela apontando para Harry e Hermione que acenaram.
— Espera, porque o treino deles é diferente? — Protestou Draco irritado.
— Porque eles já estão treinando a mais de um ano, estão em forma e fazem um circuito mais puxado que vocês não podem acompanhar...
— Eu posso acompanhar! — Protestou ele indignado. — Ela é só uma menina, posso ir muito mais rápido que qualquer menina.
Isso provocou alguns resmungos e olhares irritados das meninas, inclusive Slytherins, mas Hermione apenas sorriu debochada.
— Você pode até tentar, Malfoy, vou adorar te ver se humilhando.
Antes que ele pudesse responder, algo grosseiro por sua expressão, a professora o interrompeu e os mandou começar.
— Sugiro que faça o que mandei, Draco, não aliviarei no fim quando não estiver se aguentando em pé. — Disse ela como um aviso.
Draco escolheu ignorá-la e quando eles começaram a correr tentou acompanhar o ritmo dos dois, no começo, nas duas primeiras voltas seu sorriso arrogante se manteve, mas, duas voltas a mais e ele estava metro atrás se esforçando para alcançá-los.
— Draco! Corra no seu ritmo, pare de tentar alcançar os dois! — Gritou Charlie, mas Draco nem pareceu ouvi-la.
Quando chegaram a volta 6, Hermione e Harry colocaram uma volta no loiro azedo que os encarou com um olhar rabugento enquanto resfolegava feito um cão velho, suado e trôpego.
— Parece que o que você disse antes é o oposto da verdade, Malfoy. — Disse Hermione com um sorriso sarcástico. — Todas as meninas é que são mais rápidas que você.
Isso provocou risos, pois era verdade, todas a meninas estavam vários metros à frente dele que fechava o grupo. Quando terminaram as 10 voltas, ele só parecia menos cansado que seus amigos, Crabbe e Goyle que, por serem gordos, pareciam que iam desmaiar. Os três ameaçaram desabar no chão, mas Charlie não os deixou e orientou a todos para a área de aparelhos, onde começaram com os steps, mini camas elásticas, abdominais, flexões, bicicletas e esteiras mágicas, bancos e cadeiras de abdominais e extensoras, pesos leves e muito mais. Cada aparelho foi ensinado e eles se revezaram passando de um para outro em um circuito leve, muitos tinham os rostos exaustos e suados, mas pareciam achar divertido. Eles pareciam surpresos ao ver o Harry e Hermione fazendo as flexões, abdominais e demais exercícios sem dificuldades.
— Você nem está ofegante. — Disse Dean parecendo incomodado.
— Sim, e como pode fazer tantas flexões com esses braços finos. — Disse Michael com inveja.
— Isso se chama treino e meu braço já foi muito mais magro, agora os músculos estão fortalecidos, não preciso ser musculoso para ser forte. — Disse ele levemente arrogante e os viu tentando lhe alcançar, sem sucesso, e isso o fez se sentir muito bem.
Draco parecia estar dividido em tocar em coisas trouxas ou se humilhar e ser o pior de novo, Charlie gritando em sua orelha o fez se decidir e obedecer, Harry se divertiu ainda mais.
— Adoro ela. — Disse ele para Hermione que bufou.
— É claro que gosta, ela é uma carrasca igual a você! — Respondeu ela.
Para a fase seguinte eles foram enviados a área de dança onde uma música eletrônica começou a tocar. Isso era novidade para o Harry, mas Hermione parecia saber o que aconteceria.
— Vamos fazer um pouco de ginástica aeróbica, no futuro queremos introduzir a dança, mas começaremos com coordenação e diversão. — Disse a professora e logo começou a se mover.
Havia um espelho em frente e todos começaram a imitar seus movimentos bem coordenados, mas era tudo uma bagunça, cada aluno em um tempo diferente ou fazendo movimentos em direções contrárias. Harry achou divertido e, sem constrangimento, riu de si mesmo e de sua descoordenação.
— Me sinto um pato! — Gritou ele e todos riram, depois disso alguns o imitaram e relaxaram, rindo de si mesmos e se divertindo.
Claro, houve Mandy, Daphne e Lidya que eram muito boas e ficaram a frente ansiosas por aprender, Harry tinha certeza que nunca viu o rosto de Daphne tão cheio de vida. E, Draco ficou atrás com seus amigos com expressões azedas, outros meninos pareciam muito envergonhados para tentar muito. Harry tentou, se esforçou e, no fim, teve a sensação que pegava o jeito.
No circuito seguinte, o outro grupo se uniu a eles para brincaram em uma disputa de cabo de guerra, era algo para descontrair enquanto se exercitavam. Foi um grupo contra o outro e seus treinadores gritando e incentivando, no fim, o grupo da Charlie ganhou, mas Joe alegou que seu grupo tinha um aluno a menos e isso provocou risos e discussões bem-humoradas.
— Bem, agora temos a piscina. Sei que todos devem estar ansiosos para nadarem e se divertirem, mas temos algumas regras bem simples. Deste lado quem sabe nadar muito bem, não mais ou menos, estou dizendo, muito bem. — Disse Joe com firmeza.
Os 3 amigos se afastaram na direção dele, Neville ficou porque ainda estava aprendendo e, apesar de estar indo muito bem, sabia que não seria deixado por conta própria depois de 3 aulas. Junto com eles veio todos os nascidos trouxas, com exceção de Megan, que parecia hesitante. Lisa também veio, já que cresceu no mundo trouxa, os puros sangues não se mexeram, com exceção de Ron, que sorriu, arrogantemente, para Draco que ficou vermelho de raiva por ser superado mais uma vez. Harry olhou surpreso para o Terry.
— As mansões puros-sangues não têm piscinas, não temos clubes no mundo mágico, apenas se você morar em uma fazenda e tiver um rio, mas não acredito que seja o caso de ninguém aqui, bem, menos Ron. — Disse ele dando de ombros.
— Oh, isso explica porque a Ginny sabe nadar. — Disse ele pensativo.
— Ginny? — Terry perguntou confuso.
— Sim, ouvi ela conversando com a Luna outro dia, elas aprenderam a nadar com a mãe da Luna e Ginny disse que estava ansiosa pela piscina porque adora nadar. — Disse Harry sorrindo. — Preciso perguntar a ela como foi sua aula.
— E a Luna. — Disse Terry tentando esconder o sorriso.
— O que? Ah! Sim, e a Luna. — Disse Harry e, então, prestou atenção aos professores.
O grupo que sabia nadar foi liberado e seriam observados pelos professores, enquanto eles ensinavam o grupo maior a nadar, muitos pela primeira vez.
— Não se preocupem porque programamos a piscina magicamente para que o lado em que os ensinaremos fique menos funda. Assim, todos estarão seguros e vocês poderão nadar à vontade na área mais funda. — Disse Charlie para os dois grupos. — Agora, vão se trocar!
As meninas estavam de maiôs de corpo inteiro e os meninos de calções, mas ainda houve alguns momentos de constrangimentos. Meninas um pouco acima do peso como Morag e Hannah estavam coradas de vergonha, mas, quando as outras meninas a cercaram e agiram, normalmente, elas se soltaram. Charlie as levou para um lado da área rasa e Joe levou os meninos para o outro, Crabbe e Goyle foram motivo de risos dos Gryffindors por suas barrigas e braços gordos, mas eram tão tapados que nem perceberam ou entenderam as piadas, que o professor cortou, rapidamente, prometendo mais flexões para o próximo que zombasse de um colega.
Harry usou esse tempo para treinar e nadar de um lado para o outro da piscina. Neville logo se juntou a eles, então, fizeram um concurso de braçadas, o mais rápido a atravessar a piscina. Ron e Dean quiseram participar, ambos competitivos, mas ficaram para traz rapidamente, Harry venceu e Neville veio logo atrás, seguido por Terry e Hermione. Ron não pareceu gostar de perder para uma menina e ela aproveitou para zombar dele como fizera com Draco mais cedo. E, isso levou a muitos risos e provocações das meninas.
Aproveitando a água quente, que era incrível, Harry olhou em volta para seus colegas rindo, animados, aprendendo a nadar, interagindo sem classificação de casas e, sorriu, considerando o quão incrível era que, o seu desejo de não ser um nanico, provocara tudo isso.
Enquanto a semana das crianças prosseguia cheia de novidades e excitação, o diretor e sua vice-diretora trocavam cartas de um lado para o outro com a recém fundada Associação de Pais. Inicialmente sua intenção era descobrir seu objetivo e tranquiliza-los de que seus filhos estavam muito bem e aprendendo magias que os tornariam grandes bruxos. Essa bem-intencionada ideia, como eram todas as de Dumbledore, encontrou resistência firme e irredutível, assim ele mudou o tom das cartas concordando em encontrá-los, informalmente, para responder suas perguntas. E, quando mais uma negativa se apresentou, tudo saiu do seu controle, pois ele descobriu que uma carta de apresentação fora enviada para o Chefe do Departamento de Educação do Ministério da Magia e para o Presidente do Conselho de Governadores.
A partir deste ponto, com outras pessoas envolvidas, chocadas e curiosas, além da exigência da AP que uma reunião formal fosse agendada em caráter de urgência na sede de Hogwarts fora de Hogwarts, Dumbledore se sentiu meio à deriva e decidiu que o melhor era apenas assistir aos acontecimentos. O Chefe do Departamento de Educação, Sr. Elphick Ollerton e o Presidente do Conselho, Sr. Derbton MacTavish, conhecedores das leis, acataram ao pedido e agendaram a reunião para a segunda-feira seguinte, 14 de setembro.
A sede de Hogwarts fora da escola ficava em Edimburgo, a capital escocesa, e era usada para reuniões pelo Conselho de Governadores a mais de 2 séculos. A intenção original para sua criação e escolha de localização não mágica, fora permitir o acesso dos pais trouxas dos alunos nascidos trouxas em uma eventualidade e para que as reuniões do Conselho acontecessem sem a formalidade e dificuldade de se viajar e acessar Hogwarts a todo momento. Além, de diferenciar o Escritório de Hogwarts do Ministério da Magia, que são e devem ser, independentes um do outro. O fato de ficar na capital da Escócia e não da Inglaterra era apenas uma provocação do seu fundador, obviamente, um escocês.
Na noite de segunda-feira, enquanto Dumbledore e McGonagall deixavam a escola para aparatarem de Hogsmeade para Edimburgo, foram abordados por um trio de alunos liderados pela monitora do 6º ano, Penélope Clearwater.
— Boa noite, diretor, vice-diretora. — Disse ela formalmente. — Somos membros da Associação de Pais, representantes dos alunos de Hogwarts e gostaríamos de solicitar que os acompanhemos até Edimburgo para essa primeira reunião tão importante.
— Vocês são membros desta Associação? — McGonagall perguntou surpresa.
— Exatamente. Associações de Pais podem ter como membros, alunos, ex-alunos e professores, além dos pais. — Disse um jovem alto e magricela, devia ser um 7º ano.
— Quando recebemos o convite para fazermos parte da AP de Hogwarts no sentimos muito entusiasmados, conversamos entre nós os alunos mais velhos e monitores. — Explicou Penny com um sorriso. — Todos queriam participar, mas sabíamos que tínhamos que eleger três representantes, assim, decidimos por 3 monitores dos três anos mais avançados e que representem a todos os status.
— Status? — Dumbledore perguntou curioso.
— Sim, senhor. —Disse o jovem magricela. — Mino Flume, sou puro-sangue e 7º ano.
— Eu sou Penny Clearwater e sou mestiça, estou no 6º ano.
— Matt Nielsen, estou no 5º ano e sou nascido trouxa. — Disse o terceiro garoto, moreno e de olhos castanhos.
— Ok, se vocês estão representando os alunos, acredito que é justo suas presenças na reunião. — Disse Dumbledore suavemente, McGonagall o encarou surpresa. — Vocês sabem qual professor foi convidado a fazer parte da Associação?
— Eu. — Disse a voz esganiçada e animada atrás deles. — Recebi o convite esta semana e fiquei agradavelmente surpreso, concordei, claro, em comparecer e participar desta brilhante ideia. — Disse Flitwick sorridente, ele usava seu melhor terno e parecia bem satisfeito.
— Acredito que a escolha de qual professor deve participar desta Associação teria que ser discutida entre os professores. Você não acha, Filius? — Minerva lhe perguntou rigidamente.
— Não exatamente, Prof.ª McGonagall, o professor Flitwick representa os alunos de Hogwarts, assim como nós e os pais, ele não está lá representando os professores ou seus interesses. — Apontou Penny inteligentemente. — E a demora para convidá-lo veio porque a Sras. Boot e MacMillan nos pediram para consultarmos a maioria dos alunos e perguntar quem eles escolheriam entre os professores como seu representante. Os votos foram quase que unanimes no professor Flitwick.
— Sim, houve alguns Slytherins que pensaram que Snape era a melhor escolha para eles, imagine isso. — Disse Matt ironicamente.
— Entendo. — Disse McGonagall ainda mais empertigada.
— Creio que devemos partir ou nos atrasaremos. — Disse Flitwick sorridente.
Todos acenaram e caminharam para os portões de Hogwarts, cada um dos adultos levou um dos alunos em aparatação acompanhada e, em minutos, eles chegaram ao Escritório de Hogwarts. A casa antiga, bonita e bem conservada ficava na Cidade Velha de Edimburgo, não muito longe da linda Catedral de St. Giles. Eles aparataram no hall de entrada e seguiram para uma sala de estar muito bonita e formal, presentes estavam o Sr. MacTavish, Sr. Ollerton e todos membros do Conselho, incluindo Lucius Malfoy, que os encarou com uma expressão lívida.
— O que significa isso, Dumbledore? O que essas crianças estão fazendo aqui? — Perguntou ele com frieza.
Antes que Dumbledore pudesse responder, Penny se adiantou, se apresentou, aos colegas e explicou tudo outra vez sobre suas presenças e a do professor Flitwick. Srs. MacTavish e Ollerton lhe apertaram as mãos, assim como os outros membros presentes como a Sra. Smith, Sr. Belby, Sr. Dearborn, Sra. Fancourt, Sr. Toots e Sr. McLaggen, mas os Srs. Malfoy, Parkinson, Pucey, Roockwood e Warrington ignoraram suas mãos estendidas e apenas acenaram friamente.
— Um prazer conhecê-los, estou muito curioso sobre essa Associação de Pais, em mais de 200 anos que essa lei existe, não tivemos a fundação de um grupo representativo de pais dos alunos de Hogwarts. — Disse o Sr. Ollerton, era um homem idoso, perto dos 90 anos, cabelos e barba cumpridas e brancas.
— Bem, estou interessado quanto ao seu propósito, estive lendo as regras que essa Associação deve seguir e me pareceu que eles poucos poderes têm comparado ao Conselho de Govenadores. — Se pronunciou o Sr. MacTavish com sua voz grave.
— Isso pode ser verdade, Sr. Presidente do Conselho, mas o senhor também deve ter lido que, por lei, nossa associação tem direito a um membro no Conselho de Governadores de Hogwarts. — Disse Serafina Boot ao entrar na sala de estar acompanhada por seu grupo. — Boa noite a todos, sou Serafina Boot, Diretora Executiva da Associação de Pais dos alunos da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.
Seu sorriso era educado e profissional, seu tom seguro e firme, os puristas a olharam com desprezo óbvio, mas ela os ignorou.
— Isso pode até ser verdade, Sra. Boot, mas não é possível que sua Associação queira uma posição em nosso Conselho. — Disse Sr. MacTavish em tom esnobe.
— Não apenas é possível como queremos e reivindicamos nossa posição junto ao Conselho de Governadores de Hogwarts. — Respondeu Serafina frisando que o Conselho pertencia a escola e não eles. — Imediatamente.
O silencio tenso se fez presente até que Penny arregalou os olhos e gritou animada.
— Sr. Edgar! — Disse ela e em instante o abordou em um abraço forte. — Eu não tinha o visto, senhor. Oh, Sr. Falc que bom vê-los!
Isso quebrou a tensão e os dois grupos se olharam, curiosamente.
— Bem, acredito que devemos transferir essa conversa para o lugar ao qual pertence, a sala de reuniões, e fazermos as apresentações necessárias. Depois prosseguiremos com suas... reivindicações. — Disse Sr. MacTavish em seu tom esnobe.
Isso aconteceu em poucos minutos e a grande mesa com 15 cadeiras foi magicamente estendida para que comportasse a todos. O grupo se dividiu, de um lado, a AP com todos os seus membros, incluindo Flitwick e os alunos, do outro lado, o Conselho de Governadores. Dumbledore e McGonagall ficaram no meio, neutros e, ao mesmo tempo, fora de lugar, suas expressões curiosas e constrangidas evidenciavam isso. As apresentações foram feitas formalmente, junto com Serafina, vieram:
— Cecilia MacMillan, Vice-Diretora Executiva.
— Zenira Diggory, Secretária.
— Edgar Schubert, Diretor Financeiro.
— Todd Jones, Vice-Diretor Financeiro.
— Jean Granger, Diretora Geral. Que incluem os aspectos culturais, esportivas e sociais.
— Falcon Boot, Diretor Jurídico e Patrimonial.
— Isabella Byrne, ex-aluna e membro convidada da Associação. — Concluiu Serafina as apresentações. — E vocês já conhecem nossos membros representantes do corpo docente e discente de Hogwarts. — Ela apontou para os alunos e Flitwick que sorriram.
— Muito bem, prazer em conhecê-los todos e bem-vindos a sede de Hogwarts. — Disse Sr. MacTavish, formalmente. — Esse lugar existe para nossas reuniões e no caso de um necessário encontro com algum pai trouxa de um aluno nascido trouxa. Mas acredito que essa é a primeira vez em mais de 200 anos que recebemos algum trouxa em nosso meio. Bem-vindo, Sr. Jones, Sra. Granger.
Ele parecia sincero e muitos membros acenaram concordando, mas Malfoy, Pucey, Parkinson, Roockwood e Warrington estavam pálidos e lívidos, encarando os dois trouxas com nojo.
— Obrigada, Sr. MacTavish, fico muito feliz em estar aqui e espero que nossa iniciativa traga benefícios aos nossos filhos. — Disse Jean Granger educadamente.
— Obrigado. Me sinto, verdadeiramente, honrado em trabalhar com pessoas tão especiais para ajudar nossas crianças. — Disse o Sr. Jones sorrindo timidamente.
— Eu gostaria de compreender todo esse despropósito, Sr. MacTavish, associações e trouxas interferindo em Hogwarts não podem ser aceitos por membros deste Conselho. — Disse Malfoy com voz cortante.
—Eu não sou apenas um trouxa, Sr. Malfoy, também sou, com muito orgulho, pai de 2 lindas e talentosas bruxas. É apenas por isso que estou aqui e, qualquer interferência que a Associação de Pais vier a fazer em Hogwarts, será dentro da lei e pensando no que é melhor para a educação dos nossos filhos. — Sr. Jones falou com firmeza e inteligência. — Assim, acredito que independente de status de sangue tolos, todos temos o direito de estar sentados nesta mesa.
— Muito bem-dito, Sr. Jones. — Disse Serafina sorrindo orgulhosa dele, pois estava se portando brilhantemente tendo sido avisado do que esperar de certos membros. — Srs. Conselheiros, somos 12 membros da Associação presentes hoje, 6 de nós formamos a Diretoria Executiva e representamos todos os 72 membros da Associação que se inscreveram e confiam em nós para discutir a vida educacional dos nossos filhos em Hogwarts.
— São 72 pais? — Sr. Ollerton perguntou surpreso.
— São 72 representantes de 72 crianças de Hogwarts. — Informou Serafina objetivamente. — Não precisamos que os dois pais se inscrevam, apenas um ou guardião.
— Isso não representa todos os alunos de Hogwarts, nem a metade. — Desprezou Parkinson friamente.
— Isso porque não tivemos acesso a lista de todos os alunos de Hogwarts. — Apontou Falc suavemente. — Ou os alunos do primeiro ano que foram recém classificados, além de muitas outras crianças.
— Sim, nosso acesso foi apenas com conhecidos, amigos nossos e de nossos filhos que, por sua vez, gerou mais contatos, como uma corrente humana com mais e mais pais. — Serafina explicou. — Imagine, quando pudermos entrar em contato com todos os pais e apresentarmos nossas ideias para melhorarmos a vida dos nossos filhos.
— Esperamos que o Departamento de Educação nos auxilie ao nos liberar a lista de todos os alunos de Hogwarts. — Disse Cecilia sorrindo docemente para o Sr. Ollerton.
— Hum, sim, claro. — Disse ele acenando positivamente. — Bem, gostaríamos de ouvir suas ideias e o que os levou a decidirem por fundar uma Associação de Pais?
— Vamos mesmo ouvir tais absurdos? — Warrington trovejou furioso. — Desde quando permitimos que alguém além do Ministério e o nosso Conselho decida algo sobre nossos filhos?
— A lei permite isso, Sr. Warrington, além disso, estamos aqui com reclamações e ideias para melhorar a escola onde nossos filhos estão vivendo por quase 10 meses do ano, em 7 importantes anos de suas vidas. — Disse Serafina com firmeza.
— Leis podem ser alteradas facilmente na Suprema Corte. — Disse o Sr. Pucey com desprezo.
— Isso não é verdade, Sr. Pucey. — Disse o Sr. Ollerton suavemente. — As leis educacionais são e devem ser muito sensíveis, para que elas sejam alteradas, uma combinação de votos do Ministério, Suprema Corte e Conselho de Governadores são exigidos.
— Ainda, a meu ver, isso é melhor do que o dia em que nos sentaremos com trouxas para ouvir suas ideias e tolices sobre o nosso mundo. Me recuso a permitir que seres inferiores pensem que tem o direito de mudar nosso modo de vida e tradições. — Disse Sr. Parkinson se levantando furioso.
Sr. Warrington e Sr. Pucey se levantaram também, mas Malfoy e Roockwood continuaram sentados.
— Eu gostaria de ouvir o que são essas reclamações e ideias antes de sair intempestivamente, Srs. —Disse ele com um sorriso frio e doce ao mesmo tempo.
Isso os fez repensarem sua decisão, mas enquanto os outros dois se sentavam, Sr. Parkinson os encaravam furiosos.
— Muito bem, se estão dispostos a se rastejarem na lama, eu não estou, não ferirei a honra dos meus antepassados e meu nome com esse absurdo. Até mais ver, senhores. — Disse ele e saiu da sala a passos largos.
O silêncio se manteve até que Serafina sorriu animadamente.
— Bem, parece que nossa vaga no Conselho acabou de se abrir. Isso não é maravilhoso?
Os integrantes da Associação sorriram alegres uns para os outros e Cecilia disse formalmente.
— Gostaria de sugerir o nome do Sr. Áquila Boot para o cargo de Governador deste Conselho.
— Eu apoio a indicação. — Disse Serafina e houve vários acenos do seu lado da mesa.
O outro lado parecia um pouco chocado com os acontecimentos, tudo parecia estar se movendo muito rapidamente e sem controle.
— Isso não pode ser decidido assim... Quer dizer, precisamos nos reunir e temos regras... — Sr. MacTavish tentou retomar o controle e seu colegas acenaram concordando.
— O senhores já estão reunidos e as regras são claras, o Conselho de Governadores de Hogwarts precisa de 12 membros para suas decisões serem válidas. — Disse Edgar sorrido inteligentemente. — A Associação de Pais tem direito a uma dessas vagas e o Sr. Parkinson, claramente, acabou de renunciar a sua posição. Assim, a mim parece e, acredito, a todos os presentes, que nenhum adiamento é necessário.
O seu lado da mesa acenou concordando com suas palavras, Sr. MacTavish olhou para seus colegas e Dumbledore decidiu intervir.
— Penso que o Sr. Boot seria uma ótima escolha, mas ele não teria que ser um membro da Associação de Pais? — Disse ele suavemente.
— Não um membro oficial, pode ser apenas o porta voz da Diretoria Executiva, uma espécie de embaixador. — Expressou Serafina calmamente.
— Bem, mas ele nem ao menos está presente, é possível que não se interesse em se tornar um Governador de Hogwarts. — Disse Sra. Fancourt irritada.
— Bem, se esse for o problema, irei buscá-lo imediatamente. — Disse Falc e levantando-se, encaminhou-se ao ponto de aparatação e em menos de 5 minutos estava de volta com seu pai.
— Boa noite, senhores. — Disse ele regiamente, assim como presidia seus tribunais quando era um dos juízes do Ministério.
— Áquila, que prazer em revê-lo. — Disse Sr. Ollerton se levantando e o cumprimentando com satisfação. — A aposentadoria está lhe fazendo muito bem, parece rejuvenescido.
— Isso são os netos, Clivus, não existe nada mais prazeroso do que rir com os netos. — Sr. Boot sorriu elegantemente. — Mellie, como está você? — Disse ele abraçando a Sra. Fancourt e, assim, o Sr. Boot cumprimentou, agradavelmente, a todos os membros mais velhos do Conselho pelo nome, ficou claro que era muito querido e respeitado, apenas os 4 puristas na sala foram ignorados por ele, que mal dirigiu um olhar para Lucius Malfoy. A Dumbledore, ele concedeu um aperto de mão frio.
— Ótimo revê-lo Áquila, mas precisamos continuar com essa reunião. — Disse Sr. MacTavish em seu tom esnobe.
— Claro, Derb, eu tenho consciência da razão de minha presença aqui hoje. — Sr. Boot disse mais formalmente. — Fui informado e convidado pela Associação de Pais para ser seu representante junto ao Conselho de Governadores de Hogwarts. E aceitei com muito prazer, apenas não compareci a reunião de hoje em respeito ao possível membro destituído, mas meu filho informou que Parkinson renunciou ao cargo por conta própria. — Boot sorriu também esnobe, sabia como se misturar entre essas pessoas, pois aprendeu desde o berço.
— Sim, realmente, acredito que podemos agilizar essa questão e dar seguimento a reunião principal. Alguma objeção? — Sr. MacTavish olhou em volta, a expressão de Malfoy se manteve fria e sem emoção, Roockwood era incrivelmente robótico, mas Pucey e Warrington não disfarçavam tão bem a fúria que sentiam, no entanto, como não tinham o que argumentar, se mantiveram calados. Os outros conselheiros acenaram negativamente e em poucos minutos, o Sr. Boot foi votado e empossado como um Governador do Conselho. — Muito bem. Agora, podemos prosseguir com o motivo da convocação desta reunião. Por favor, Sra. Boot.
— Nosso principal objetivo ao fundarmos esta Associação é, obviamente, a vida escolar dos nossos filhos e tudo o que isso abrange. — Disse Serafina formalmente. — Quando enviamos nossos filhos para Hogwarts pensamos apenas no aspecto mágico, um bruxo de 11 anos deve ir para uma escola aprender magia e, assim, se tornar um bruxo adulto qualificado. Eu mesma, quando recebi minha carta de Hogwarts e descobri que era uma bruxa, me senti tão especial e fantástica que todo o resto se perdeu. A distância da família por meses e meses, convivências sociais, preconceitos de sangue, currículo escolar ou inserção no mercado de trabalho do mundo mágico, são pontos importantes e, completamente, ignorados por todos os envolvidos. Hogwarts, o Ministério, os pais, a sociedade mágica, todos nós ignoramos que nossas crianças deixam de ser crianças e se tornam homens e mulheres em Hogwarts. Quando enviei meu filho para a escola a pouco mais de um ano, compreendi melhor as consequências de um internato em uma família.
— Não sei se estou entendo. — Disse a Sra. Smith com expressão azeda. — A senhora está sugerindo que Hogwarts deixe de ser um internato?
— Não, absolutamente, o que nos propomos é participar mais da vida dos nossos filhos enquanto eles aprendem e se tornam grandes bruxos. — Disse Serafina imediatamente. — Quero que tenhamos maior ação e participação nas decisões sobre suas vidas escolares em todos os seus aspectos. Percebi que não tenho qualquer controle, nenhum dos pais tem qualquer controle sobre a vida dos seus filhos enquanto em Hogwarts.
— Bem, uma criança puro-sangue é ensinada desde o berço como se portar e acredito que tenho completo controle sobre meu filho, senhora. — Disse Sra. Smith com frieza.
— Não poderia ter dito melhor, Selena. — Disse Malfoy com ironia e frieza. — Se os pais trouxas não controlam seus filhos, isso não é do nosso interesse ou se exige mudanças em uma instituição tradicional que nos serve a tantos séculos.
— Sim, talvez o problema esteja no fato que essas crianças não pertencem a Hogwarts. — Disse Sr. Pucey com um sorriso maldoso.
— Todas as crianças com magia pertencem a Hogwarts e isso nunca mudará, é o que torna nosso mundo e nossa escola possível. — Disse Dumbledore, seu tom sereno e autoritário tirando o sorriso da cara de Pucey, imediatamente. — Pelo que entendi, a questão apresentada pela Sra. Boot não é o controle das crianças, mas sim fazer parte de sua vida escolar. Estou certo?
— Sim, diretor, exatamente isso. Sra. Smith, compreendo sua pergunta, mas, tenho certeza que como mãe não gostaria que fatos aconteçam em volta ou com seu filho que estará fora do seu controle, além de lhe ser desconhecido. Por exemplo, a morte do Professor de Defesa Contra as Artes das Trevas no ano passado. — Apontou Serafina objetivamente.
E, esse era o momento mais delicado, pois a verdade teria que ser apresentada sem que toda a verdade fosse apresentada, dado a companhia a mesa. Dumbledore mostrou, claramente, com um leve tencionar do corpo, seu desconforto pelo assunto, no entanto, seu rosto continuou sereno como sempre.
— O que esse acontecimento tem a ver com tudo isso? Um professor morrer em um acidente mágico é algo razoavelmente possível de acontecer, por mais trágico que seja. — Disse Sr. Belby com certa displicência.
— Em primeiro lugar todos os acidentes, mágicos ou não, devem ser analisados para que eles não se repitam no futuro. Prevenção é importante em uma escola com crianças que estão com muito do seu tempo livres sem a supervisão dos adultos de Hogwarts, pois temos de considerar o fato de que temos quase 300 crianças entre 11 a 17 anos para, apenas, 15 adultos. — Apontou Cecilia seriamente, ninguém a questionou sobre isso, seu trabalho como assistente social era bem conhecido e respeitado.
— E, acredito que isso é um ponto a ser discutido seriamente, o que estamos fazendo para evitar acidentes? Qual o número de pequenos ou grandes incidentes mágicos ou de poções que acontecem sem que nada seja feito para que eles não se repitam de novo e de novo? — Apontou Serafina com as sobrancelhas arqueadas. — Mas, esse assunto podemos deixar para um momento posterior já que o que aconteceu com Quirrell não foi um acidente.
— O que?
— Do que está falando?
— Claro que foi um acidente.
As exclamações e expressões eram de surpresa e Falc assumiu o controle, rapidamente, quando os conselheiros começaram a encarar Dumbledore.
— Na verdade, acredito que a postura e decisão do Diretor Dumbledore não foi de toda incorreta, contar a verdade para todas aquelas crianças poderiam assustá-las e gerar confusão, mas acredito que os pais deveriam ter sido informados do que aconteceu. — Disse ele sobriamente, a última coisa que queriam eram jogar Dumbledore aos lobos, sabiam que enquanto falho, ele era um bom diretor, além de ter poder para manter abutres como Malfoy na linha. — Me ocorreu que não temos uma política de comunicações com Hogwarts, se algo acontece com nossos filhos sabemos se, eles escolhem nos contar ou se a falta é tão grave, que uma simples detenção não é suficiente punição. Neste caso um chefe de casa entra em contato com os pais e solicitam sua ajuda para disciplinar o aluno. Estou correto, Prof. Flitwick?
— Sim, esse é o procedimento. —Aquiesceu o professor de Feitiços.
— Imagine minha surpresa quando soube depois que meu filho e minha ala já estavam em casa a quase uma semana que seu professor de Defesa morrera a 3 semanas. — Disse Falc e viu alguns se moverem com desconforto. — Então, eu soube que o diretor informou a todos os alunos que ocorrera um acidente, mas os dois me contaram que não foi isso que aconteceu. Agora, alguns poderiam dizer que as crianças mentem, mas não as minhas crianças. De qualquer forma, entrei em contato com o professor presente no momento do tal acidente e que esteve por semanas na enfermaria se recuperando dos seus ferimentos e ele me confirmou a versão das minhas crianças. — Falc voltou a olhar para o Flitwick, mas Malfoy se adiantou.
— Quem é, exatamente, a sua ala, Sr. Boot? Pelo que sei, o senhor tem apenas um filho com idade para comparecer a Hogwarts. — Seu tom mostrava curiosidade, mas seu olhar arguto dizia que ele já sabia a resposta.
— Essa é uma questão interessante. Vocês adotaram uma criança? — Sr. Ollerton questionou confuso.
— Não, somos legalmente os guardiões mágicos de Harry Potter e dividimos sua guarda com sua tia trouxa. — Informou Serafina suavemente, eles sabiam que não poderiam esconder esse fato, por mais que quisessem proteger essa importante informação.
— Potter?
— O Harry Potter?
— Sim, existe apenas um, como vocês sabem. — Disse Falc tentando conter a ironia.
— Pensei que Potter cresceu no mundo trouxa. — Disse Malfoy com desprezo.
— Isso pouco importa e não é da sua conta, Sr. Malfoy. — Disse Serafina com frieza. — A questão aqui é o que aconteceu de verdade em junho passado. Prof. Flitwick?
— Bem, Quirinus tentou matar Harry e...
— O que?
— Isso é impossível!
— Se me deixarem continuar? — Flitwick questionou em tom professoral e calou a sala. — Infelizmente, Quirinus, antes de morrer se declarou um seguidor de você-sabe-quem. — Essa informação empalideceu muitos rostos, mas ninguém o interrompeu. — Ele disse que se candidatou como professor de Hogwarts para tentar vingar a morte de seu mestre e, durante todo o ano, buscou matar o Harry. Como queria que parecesse um acidente, deixou um troll entrar na escola no Halloween — Isso provocou novas exclamações sustos. — E tentou, novamente, em um jogo de quadribol. Neste ponto, Harry começou a ficar desconfiado e, quando foi atacado por um homem encapuzado na beira da Floresta Proibida, teve certeza que alguém tentava matá-lo. Apenas a ajuda e interferência de um centauro o salvou nesta ocasião.
— Um centauro ajudando um bruxo, isso é muito surpreendente. — Exclamou o Sr. Toots, impressionado.
— Harry é muito surpreendente. Bem, meu aluno me procurou com seus amigos e me contou de suas desconfianças, eles acreditavam que Quirrell era o responsável, mas não tínhamos provas, claro. — Continuou Flitwick sem mencionar a Pedra ou Voldemort, os membros da AP que sabiam a verdade, ouviram sem reagir, pois, foram informados que a presença de comensais da morte tornava muito perigoso a verdade. — Algumas noites depois, enquanto o vigiava, Quirinus atacou Harry, cruelmente, como não esperava minha presença, o fator surpresa me ajudou a derrotá-lo. Harry, mesmo ferido, me auxiliou e quando a luta acabou, me carregou até a enfermaria, Quirinus Quirrell morreu antes que a ajuda o alcançasse. — Seu tom mostrava o quanto lamentava o desperdício e o que se vira obrigado a fazer. — Eu passei todo o verão me recuperando dos meus ferimentos e Harry também passou uma semana na enfermaria.
Todos ficaram em silêncio por alguns segundos e, então, o Sr. MacTavish encarou Dumbledore com um olhar questionador.
— Isso tudo é verdade? E porque não fomos informados?
— Tudo já havia terminado, Quirrell estava, tolamente, morto por suas próprias motivações, Filius e Harry estavam se recuperando de seus ferimentos na enfermaria e expô-los a mais sofrimentos e fofocas não me pareceu uma boa ideia. — Explicou o diretor sem perder a calma e acompanhando a mentira facilmente. — Como dito por Falc, contar a verdade as crianças, me pareceu desnecessário, afinal o que aconteceu foi algo inesperado e confuso, não havia motivo para assustá-los.
— Eu posso compreender isso, mas nós não somos crianças e, além disso, porque Quirrell não foi despedido se havia uma desconfiança sobre suas ações? — Questionou Sr. McLaggen arrogantemente.
— Não tínhamos provas e despedir a pessoa errada poderia precipitar as ações do verdadeiro responsável. Tudo era muito delicado e Filius não era o único de olho no Sr. Potter, infelizmente, fui atraído para fora de Hogwarts sob falsos pretextos e, quando retornei, a luta já se encerrara. — Explicou Dumbledore ignorando a pergunta de porque ele não informou o Conselho.
— A luta foi muito rápida e só estou vivo devido as rápidas ações do jovem Harry. — Disse Flitwick como se encerrasse o assunto.
— E, em tudo isso que aconteceu, nós, os pais não fomos informados de nada e, sinceramente, me parece um absurdo que um assassino de aulas para os nossos filhos por um ano e não sabermos desse fato. — Disse Falc tentando direcionar o assunto para o ponto fundamental.
— Isso é, realmente, muito grave e, enquanto entendo o seu raciocínio, Albus, me parece que precisamos discutir novas regras de conduta em casos como esse. — Disse Sr. Ollerton preocupado.
— Precisamos discutir muitas coisas além disso, Sr. Ollerton, os professores, por exemplo. Ou, quando foi a última vez que o currículo de Hogwarts foi atualizado? Aulas extras, projetos de pesquisas, convivência social, bullying. — Serafina enumerou suavemente.
— Bullying? E professores? Currículo? Não posso acreditar que Hogwarts precise de mudanças nestas áreas. — Respondeu o Sr. Ollerton com um sorriso paternalista. — O Ministério da Magia aprova completamente o currículo ensinado, os professores são os melhores em seus campos e, tenho certeza, que não temos bullying em Hogwarts, implicância entre crianças dificilmente é um problema, acredito.
— Que bom que o senhor acredita nisso, assim deve dormir com a consciência tranquila todas as noites. Eu, como mãe, não tenho essa certeza e durmo com muito mais dificuldade, mas vamos aos fatos. — Disse Serafina com frieza. — Penny?
— Enquanto perguntávamos aos alunos, qual o professor, eles gostariam que os representasse na Associação, fizemos uma pesquisa informal. — Disse ela apresentando alguns papéis e distribuindo entre os presentes. — Vocês podem ver que conseguimos atingir 85% dos alunos, excluímos os não interessados em responder e os 1º anos que acabaram de chegar a escola.
— Sim, a primeira pergunta que fizemos é o que eles consideram o pior e o melhor de Hogwarts. — Disse Mino suavemente. — Vocês podem ver que o melhor é a magia com 55% e o pior é...
— Severus Snape! — Exclamou Sr. Toots chocado.
— Sim, 80% dos entrevistados escolheram Snape como o pior da escola e, na pergunta sobre o pior professor, esse número sobe para 90%, pois até mesmo os Slytherins são, suficientemente, inteligentes para constatar este fato. — Disse Penny sorrindo. — Binns fica com os outro 10% e apenas porque alguns gostam de dormir em sua aula, mas muitos que escolheram o Snape disseram que para eles os dois estão empatados.
— Isso é um pouco preocupante, mas muitos alunos não gostam de professores mais rígidos ou matérias mais complicadas. — Disse Sr. Ollerton olhando confuso para o resultado.
— Bem, eu concordo com o senhor sobre isso, sou professora de História em uma escola trouxa e sei que minha matéria e de Matemática não são as preferidas entre os alunos, o que torna a mim e ao meu colega menos que populares. — Disse Serafina suavemente e apontou para Falc que se levantou e tirou uma caixa do bolso, ampliou-a e de dentro tirou uma penseira. — Meu marido lhes mostrará duas lembranças de duas aulas diferentes, essa foi a primeira aula dos 1º anos do ano passado. Em Ravenclaw e Hufflepuff, a lembrança é do meu filho e, em Gryffindor e Slytherin, a lembrança foi cedida por Hermione Granger, cuja a mãe está presente e autorizou sua retirada e compartilhamento.
Jean Granger acenou positivamente, ela já vira a lembrança e sabia que precisava ser mostrada a todos os presentes. Dumbledore suspirou, suavemente, sabendo que esse era um desenvolvimento impossível de evitar, o melhor era pensar em controle de danos.
— Projetarei a lembrança na parede, assim todos poderão assisti-la sem que precisemos entrar na penseira. — Disse Falc quando terminou e a imagem dos alunos, Snape e a sala de poções nas masmorras apareceu. — Se alguém quiser certificar a autenticidade das poções, posteriormente, é mais do que bem-vindo.
E, então, ele soltou a lembrança de Hermione que mostrou Snape entrando na sala sombrio e intimidador, sua expressão estava furiosa e muitos alunos engoliram em seco.
— Vocês estão aqui para aprender a ciência sutil e a arte exata do preparo de poções — Falava pouco acima de um sussurro e os alunos se inclinaram para tentar ouvir. — Como aqui não fazemos gestos tolos, muitos de vocês podem pensar que isto não é mágica. Não espero que vocês realmente entendam a beleza de um caldeirão cozinhando em fogo lento, com a fumaça a tremeluzir, o delicado poder dos líquidos que fluem pelas veias humanas e enfeitiçam a mente, confundem os sentidos... Posso ensinar-lhes a engarrafar fama, a cozinhar glória, até a zumbificar, se não forem o bando de cabeças-ocas que geralmente me mandam ensinar.
O pequeno discurso tornou todos os presentes, na sala de reuniões, um pouco mais sérios e desconfortáveis, mas ninguém disse nada.
— A receita da poção de hoje está na lousa e os ingredientes no armário. — Snape disse com frieza apontando para os mencionados locais. — Comecem!
E, assim, os alunos fizeram, Snape separou-os aos pares e mandou-os misturar a poção simples para curar furúnculos. Enquanto os alunos liam as instruções na lousa e picavam os ingredientes, Snape caminhava imponente com sua longa capa negra, observando-os pesar urtigas secas e pilar presas de cobras, criticando quase todos, exceto Draco, de quem parecia gostar. E, logo ficou claro que os Gryffindors eram os principais alvos, em pouco tempo ele tinha xingado, gritado e tirado pontos de quase todos os alunos dessa casa.
— Srta. Granger, essas presas precisam ser maceradas até virarem pó e isto está bem claro nas instruções. Serão 5 pontos por sua desatenção. — Disse ele parecendo prazeroso de puni-la.
Os alunos estavam arrasados por serem atacados de novo e novo, Neville era o pior, cada vez que Snape falava, ele pulava e empalidecia ainda mais. Hermione o olhou muitas vezes preocupada, mas o pior ainda não acontecera. Snape tinha acabado de dizer a todos que olhassem a maneira perfeita com que Draco cozinhara as lesmas quando um silvo alto e nuvens de fumaça acre e verde invadiram a masmorra. Neville conseguira derreter o caldeirão de Seamus transformando-o numa bolha retorcida e a poção dos dois estava vazando pelo chão de pedra, fazendo furos nos sapatos dos garotos. Em segundos, a classe toda estava trepada nos banquinhos enquanto Neville, que se encharcara de poção quando o caldeirão derreteu, tinha os braços e as pernas cobertos de furúnculos vermelhos que o faziam gemer de dor.
— Menino idiota! — Vociferou Snape, limpando a poção derramada com um aceno de sua varinha. – Suponho que tenham adicionado as cerdas de porco-espinho antes de tirar o caldeirão do fogo?
Neville choramingou quando os furúnculos começaram a pipocar em seu nariz.
— Levem-no para a ala do hospital – Snape ordenou a Seamus e Hermione que se aproximou para ajudar. — Parece que recebi uma leva de Gryffindors idiotas como sempre. Classe dispensada, darei notas a partir do que encontrar em seus caldeirões. E, quero 3 polegadas de pergaminho como dever de casa para a próxima aula sobre, porque não se deve adicionar cerdas de porco-espinho antes de tirar o caldeirão do fogo.
Enquanto a classe deixava lentamente, Neville, chorando, foi amparado por Seamus e Hermione, mas, pouco antes de saírem, ouviram Draco rindo e dizendo:
— Meu pai tinha me dito que o herdeiro Longbottom era quase um aborto, mas acho que ele estava errado, ele é um aborto completo! — E gargalhou, seus amigos o acompanhando.
Hermione olhou para o professor que avaliava as poções nos caldeirões, mas Snape não esboçou nenhuma reação, apesar de ter ouvido as palavras. No corredor, Hermione não aguentou os risos e palavras de Draco e sua turma, se virando, deixou Neville se afastar com Seamus e disse.
— Você está errado em zombar de um colega assim! Você não pode ver o quanto ele está sofrendo! Deveria se envergonhar! — Disse ela em sua atitude sabe tudo.
— E, desde quando, eu me importo com abortos ou escuto tipos como você, sua sangue-ruim! — Disse Draco e depois se afastou satisfeito.
A lembrança se apagou e a sala ficou em silêncio chocado. Não houvera interrupções, mas os governadores, com exceção dos puristas, empalideceram mais e mais a cada momento.
— Aqui, temos a pergunta que fizemos sobre o bullying que o senhor disse que não existe em Hogwarts, Sr. Ollerton. — Disse Matt entregando os papéis. — Sou um nascido trouxa e posso lhe garantir que uma vez por dia sou empurrado ou xingado devido ao meu status de sangue. Sangue ruim é o termo preferido, mas lixo trouxa, porco imundo, animal inferior são expressões ouvidas com frequência por mim e meus colegas. E, os senhores podem ver, 65% dos alunos disseram já terem sofrido bullying e 85% destes dizem que isso é recorrente e consideram um problema grave.
— Perguntamos também qual a casa que mais os ofendem, 65% apontaram os Slytherins e, esses quando questionados, apontaram para os Gryffindor, 25% e 10% disseram os Ravenclaws. — Explicou Penny objetivamente.
— Acreditamos que esse comportamento do Prof. Snape, apenas incentiva seus alunos a agirem assim. — Disse Mino. — Eles testemunham em todas as aulas, de todos os anos, seu chefe de casa atacando as outras casas e se sentem à vontade para fazerem o mesmo. O preconceito de sangue é apenas um fator a mais que, como não é inibido, se torna maior e maior, seria muito bom se pudéssemos combater essas ações e educar...
— Educar! — Gritou Sr. Pucey colérico. — O que um garoto tolo como você sabe sobre educar! Eu eduquei meus filhos desde o berço para saberem seus lugares em nosso mundo e você deveria se envergonhar de não saber o seu.
— Eu sei meu lugar! Ao lado de bruxos e bruxas! — Mimo disse com firmeza e se inclinou para frente. — E ao lado de seres que, mesmo sem magia, não deixam de ser humanos! O senhor é que deveria se envergonhar de seguir um assassino!
— Como você ousa, seu moleque! — Pucey se levantou e sacou a varinha, mas Dumbledore foi mais rápido e sua aura se espalhou pela sala.
— Sente-se e nem pense em ameaçar um dos meus alunos, Pucey! Agora! — Ele não levantou a voz, mas o tom frio era de enregelar a alma e Pucey empalideceu, sentou-se e depois corou de constrangimento.
— São pensamentos como esses que devem ser superados! Voldemort foi destruído! — Disse Serafina e ignorou os estremecimentos e gemidos. — Enquanto deixarmos nossas crianças agirem impunimente e não protegermos outras de seus ataques, desconsideramos todos os que foram mortos lutando contra esses preconceitos antigos e horríveis! Educar, é sim uma estratégia, Hogwarts não pode ser neutra e indiferente a esses pensamentos que dominam nossa sociedade.
Suas palavras pairaram no ar e os governadores tradicionais pareciam divididos, a maioria deles se considerava superior aos trouxas, mas eram contra a guerra e Voldemort.
— Os pensamentos puristas existem em nosso mundo a mais de mil anos. — Disse o Sr. Boot olhando para seus novos colegas. — Essa guerra de sangue sem fim tirou minha filha e, sei que também feriram suas famílias. Hogwarts é nosso berço social, enviamos nossas crianças e recebemos bruxos de todo o Reino Unido para serem ensinados a serem bruxos poderosos, mas é lá que eles crescem e se tornam adultos também. Estamos falhando em ensiná-los a serem homens e mulheres fortes e bondosos, estamos falhando com os pais que pagam e acreditam em nós para cuidar e educar seus filhos. E, estamos falhando com nossos mortos. — Seu tom era triste e amargo. — Falc?
— Essa é a lembrança do meu filho da sua primeira aula de poções. — Disse Falc liberando a lembrança.
Mais uma vez todos assistiram em silêncio enquanto os alunos eram atacados, ignorados e perseguidos. Quando Harry se levantou e se defendeu, Sr. Toots comemorou e torceu como se assistisse um filme de mocinho contra o vilão. A lembrança acabou quando Flitwick assumiu a situação e levou a lembrança para Dumbledore.
— Eu nem sei o que dizer... — Sr. MacTavish rompeu o silêncio da sala. — Quer dizer, ele nem ao menos explicou nada a eles, ensinou qualquer procedimento de segurança.
— Como preparar os ingredientes. — Disse Sra. Fancourt indignada.
— Ou, como fazer a poção corretamente. — Sr. Ollerton parecia mais do que chocado, parecia ofendido.
— E ele age assim em todos os anos. — Disse Mimo amargo. — Infelizmente, não consegui um O em suas OWLs, assim não pude prosseguir nas aulas de NEWTs, pensei em ser um Curandeiro, mas terei que adiar pelo menos até conseguir ter aulas particulares com um tutor e tentar os meus NEWTs diretamente no Ministério.
— Em minha sala de 6º ano tem apenas 6 alunos e dentre eles, 4 são Slytherins e dois Ravenclaws. — Informou Penny chateada. — Eu não sou um deles, pois também não consegui um O.
— Isso é monstruoso! Ele dá esse tipo de aula atroz e exige notas perfeitas! — Sr. Ollerton estava pálido de raiva.
— Esses são os números de formandos em Poções nível NEWTs nos últimos 10 anos, que compareceram as aulas do 6º e 7º anos de Poções. — Apresentou Cecilia passando o papel com a informação. — Vocês podem ver que são menos da metade de alunos que a metade do tempo anterior, 5 anos.
— Albus! — Sr. MacTavish exclamou furioso ao ver os números. — Como pôde permitir tal absurdo! Esse Severus Snape foi recomendado por você, que nos disse a 10 anos que ele era um grande Mestre de Poções!
— Meu filho estava naquela sala! — Gritou Sra. Smith. — Meu garoto! Que foi ensinado a fazer uma poção, que conhece os procedimentos de segurança, mas que estava cercado de crianças ignorantes que mal sabiam controlar as chamas sob seus caldeirões! E, se ocorresse uma explosão? Um acidente com uma dessas poções perto do meu Zachary? Isso é sua reponsabilidade! Proteger meu filho está em suas mãos e me parece que está fazendo um péssimo trabalho. Trolls! Professores assassinos e inqualificáveis! Apenas o que me falta é ouvir que você permite que Cerberus passeiem pelos corredores!
Houve um silêncio estranho depois dessas palavras e Penny bufou e tossiu, disfarçando a vontade de rir. Dumbledore quase suspirou de alívio ao perceber que ninguém planejava dedurá-lo.
— Lamento por tudo isso. Primeiro de tudo, providências e mudanças ocorreram no ano passado em relação as avaliações das notas nas aulas e exames de Poções. E, essas lembranças foram um dia atípico, a reação do Sr. Potter trouxe consequências para a aula seguinte, pois inflou a raiva de Severus. — Disse ele com seu tom sereno e persuasivo que costuma convencer a todos. — Além disso, esses números me eram desconhecidos e...
— Mentira! — A voz esganiçada e furiosa de Flitwick se fez ouvir. — Como você ousa culpar meu aluno pelas ações de um adulto! Harry não fez nada além de se defender de um ataque covarde e, se Severus não é maduro o suficiente para não descontar em seus alunos de 11 anos, não é culpa dele! E você conhece esses números muito bem! Por diversos anos apresentei-os a você, Albus e reclamei, exigi uma providência, implorei para que ao menos controlasse Severus e tudo o que ouvi foi esse seu discurso indiferente e passivo. No ano passado tudo o que fizemos foi tornar as notas dos alunos justas, mas isso não mudou a atitude de Severus ou o fez um bom professor.
— Além disso, esse não foi um dia atípico. — Disse Mino chateado. — Sou um Hufflepuff e essa é a maneira que somos tratados em todos os momentos, apenas não é pior do que a maneira que Snape trata os Gryffindors.
— O que no caso seria eu. — Disse Matt amargo. — Desisti de reclamar com a Prof. McGonagall, apenas, espero com ansiedade o fim do meu 5º ano para não ter que estar nesta sala nunca mais. Acreditem, nem eu, ou meus colegas faremos nenhum esforço em nossas OWLs de Poções.
O choque do testemunho dos alunos e Flitwick levaram os planos de contenção de danos de Dumbledore para o ralo. Os conselheiros estavam lívidos e chocados, o Sr. Ollerton, defensor da educação durante todos os seus 65 anos trabalhando no Departamento da Educação do Ministério, perdeu a voz. Apenas os puristas estavam indiferentes, pois sabiam que seus filhos puros-sangues não seriam prejudicados.
— E, este é apenas mais um problema que Hogwarts apresenta para a vida das nossas crianças. — Serafina disse suavemente decidida a manter a vantagem. — Vamos falar sobre o professor Binns, temos uma aula dele, cedida pelo Sr. Flume que já é maior de idade. Falc?
A aula de Binns foi vergonhosa e nauseante, monótona, sonolenta, em pouco tempo todos os alunos dormiam e Mino apenas ficou acordado porque estava com dor de dente este dia, explicou ele. Binns nem percebeu que não tinha audiência e continuou falando e falando...
— Por, Merlin, tira isso ou dormirei também como os alunos. — Disse o Sr. Toots bocejando.
Falc paralisou a lembrança e voltou a se sentar.
— Como podem ver, isso é uma aula do 5º ano, eu tive que me esforçar para me lembrar de uma em que estive acordado. — Explicou Mino sem constrangimento. — No meu ano, o 7º, não tem uma turma de história.
— No meu ano tem uma turma com 4 alunos, todos Ravenclaw e eu estou incluída, porque gosto muito de história, mas normalmente, usamos este tempo para estudar por conta própria. — Contou Penny.
— Nem sei o que pensar, nunca poderia imaginar que Hogwarts tivesse tantos problemas. — Disse o Sr. Ollerton assombrado. — Vocês disseram e acreditam que temos um problema com nosso currículo também?
— Claro que, de tempos em tempos, os livros da lista de compras dos alunos devem ser renovados, mas é mais do que apenas isso. No último ano, duas aulas foram acrescentadas a grade curricular. — Apontou Serafina animada. — Carpintaria Mágica e Educação Física, que começou a uma semana, mas já tivemos resultados positivos. Professor Flitwick?
— A adesão, que era voluntaria no ano passado para Carpintaria Mágica foi enorme, assim, foi necessário que duas turmas fossem formadas. Neste ano, conseguimos que as aulas fossem obrigatórias para os alunos de 1º ao 4º ano e tem sido muito positiva. — Explicou ele animadamente. — Educação Física se tornou o assunto de Hogwarts na última semana, mesmo os alunos puros-sangues que nunca ouviram falar sobre as práticas de exercícios e esportes, além de quadribol, estão encantados e os benefícios para suas saúdes é incalculável. No entanto, tudo isso me mostra que nossos alunos anseiam por mais conhecimento e atividades, sejam ela social, esportivas, lúdicas ou intelectuais.
— E é nosso dever ouvi-los e proporcionar isso a eles. Quer dizer, deveres de casa e leituras, além das aulas, tomam algumas horas dos seus dias, mas e depois? — Serafina indagou.
— Mas, se eles tiverem muitas aulas ou atividades, não perderão tempo que podem estar estudando magia? Quer dizer, as aulas bases são as mais importantes, acredito. — Disse McGonagall rigidamente.
— Eu concordo, mas lhes explicarei, brevemente, como as crianças e adolescentes trouxas dedicam seu tempo entre estudos, diversão e socialização. — Disse Serafina e apontou as aulas principais da escola trouxa, os horários, os esportes, balés, línguas, clubes, eventos como bailes, feiras de ciências, pesquisa de campo e laboratórios, preparação profissional e... — Eles ainda voltam para casa e convivem com seus pais e irmãos. Sei que dirão que nossos mundos são diferentes e concordo que não podemos copiar e forçar nossas culturas a serem as mesmas, mas acredito que, por nossos filhos, devemos estar abertos ao conhecimento, as mudanças.
— Uma criança trouxa realmente faz todas essas coisas? — Sr. Toots parecia impressionado.
— Eu gostei muito dessa maneira que eles permitem que os adolescentes de 15 ou 16 anos escolham suas disciplinas de acordo com suas ambições profissionais. — Disse a Sra. Fancourt suavemente. — O nosso jeito exclui potenciais bons profissionais porque erraram uma pergunta em uma prova, isso não me parece muito inteligente.
—Realmente. Quer dizer, nossa maneira de classificação é tão antiga quanto o Ministério, mas me parece que permitir que eles continuem nas disciplinas básicas, obrigatoriamente, e lhes conceder a escolha pelas intermediárias de acordo com seu talento ou ambição profissional seria interessante. — Disse o Sr. Ollerton animado com novos pensamentos e ideias, ele amava o conhecimento. — Que outras disciplinas vocês estão sugerindo?
— Línguas me parecem importante, latim, francês, galês, sereiano, grugurles. — Disse Flitwick sorrindo.
— Matérias básicas trouxas, para os nascidos trouxas e mestiços não perderem o contato com o mundo trouxa completamente, Matemática, História, Inglês, Ciências e Geografia. — Disse Serafina empolgada.
— Oh! Seria incrível algumas aulas de Cura, elas poderiam começar a partir do 5º ou 6º ano e ser optativo, apenas para quem tem interesse na profissão de Curandeiro ou Medibruxo. — Disse Mino sorrindo.
— Poderíamos ter aulas de Duelos e esgrima a partir do 4º ano. — Disse Flitwick. — Poderiam ser aulas complementares as de Defesa, como uma espécie de clube e trabalhar junto com as aulas de Educação Física.
— Poderíamos ter clubes de mais assuntos, apenas Feitiços tem um e seria incrível se Transfiguração, Poções e, quem sabe, Astronomia e Herbologia. — Disse Penny sorrindo. — E os clubes poderiam oferecer oportunidades de projetos e pesquisas, como jardinagem mágica, desenvolvimento de poções e muito mais.
— Poderíamos ter também algum treinamento profissional como o de Carpintaria Mágica, quer dizer, seria incrível aprender sobre Construção Mágica, Culinária, Pintura Mágica... — Disse Matt ansioso.
— Costura Mágica! — Exclamou Penny sorridente. — E seria incrível alguns clubes por diversão, sabe, xadrez, bexigas, leitura, quem sabe soletração! No mundo trouxa existem competições de soletração e parece muito divertido.
— E, seria legal uma sala de estudo maior ao lado da Biblioteca, o espaço que temos hoje é pequeno com algumas mesas, temos nossas salas comunais, mas, às vezes, você precisa da Biblioteca para pesquisar e não tem espaço para sentar. — Apontou Mino.
— Isso é muito irritante! — Exclamou Penny animada. — E, seria tão incrível se tivéssemos pesquisas de campo, quer dizer, museus, aquários, observatórios, florestas e tantos lugares incríveis para visitarmos.
— E visitar outras escolas mágicas em um intercâmbio cultural! — Exclamou Matt saltando em sua cadeira. — Imagine conhecer Beauxbatons ou Mahoutokoro!
— Uagadou! — Penny saltou empolgada.
— Castelobruxo! Imagine, conhecer o Brasil e a Floresta Amazônica! Tudo o que aprenderíamos!
— Isso seria incrível! — Penny disse com os olhos brilhando. — O Prof. Joe disse que nos ensinará a dançar e seria tão maravilhoso se tivéssemos um baile por ano, poderíamos ter uma equipe de organização e marcaríamos para depois do fim das últimas provas, como uma espécie de comemoração e despedida.
— E competições esportivas, quer dizer, quadribol é incrível, mas são apenas 6 jogos por ano e existem tantos e tantos esportes divertidos. — Disse Matt.
— E...
— Crianças! — Gritou Serafina rindo divertida. — Acredito que nossos Governadores entenderam.
Os três alunos encaram os presentes e coraram ao perceberem que se empolgaram um pouco demais, o seu lado da mesa parecia animados e divertidos, mas, o outro lado, os encaravam chocados. O mesmo pode ser visto com McGonagall e Dumbledore, que estavam assombrados só de imaginar o trabalho que todas essas novas atividades e aulas lhes trariam. Os dois pensaram igualmente que estavam um pouco velhos para tudo isso, a vice-diretora sentiu um gosto amargo na boca ao perceber como estava desatualizada sobre as necessidades de seus alunos e sua mente se voltou para uma jovem 1º ano que lhe disse algumas palavras duras a poucos meses.
— Isso é impossível... Todas essas coisas custariam uma fortuna e... — Sr. MacTavish pareciam procurar as palavras, olhou para seus colegas em busca de ajuda.
— E demoraria anos e anos, precisariam de mais professores e funcionários... Impossível! — Exclamou Sr. Dearborn.
— E, ainda, imagine todas essas coisas... — Os olhos do Sr. Toots brilhavam. — Impossível, claro, mas só de ouvir me deu vontade de ter 11 anos de novo.
— E, como é impossível, segundo os senhores, se voltassem a ter 11 anos não usufruiriam de nada disso. — Disse Serafina seriamente. — Nada é impossível, pode ser trabalhoso, mas pode ser feito e, desde quando, novos empregos é algo ruim ou absurdo?
— Não haveria dinheiro para tudo isso... — Voltou a dizer o Sr. MacTavish.
— Bem, considerando a fortuna que eu pago todos os meses na mensalidade para a minha garota estudar nesta escola, me parece muito estranho que não haja dinheiro. — Disse o Sr. Jones ironicamente.
— Sim, são apenas 15 a 20 funcionários, a comida, os elfos são escravos, os alunos compram boa parte dos materiais escolares. Hogwarts não tem custo de manutenção porque tudo é feito com magia e as mensalidades são, absurdamente, caras. — Disse Sr. Edgar com um sorriso como um tubarão. — Gostaria muito de acesso aos livros de Hogwarts para compreender porque não há dinheiro para novos professores, por exemplo.
Suas palavras causaram desconforto nos conselheiros e o Sr. Pucey abriu a boca para falar antes de poder ser contido ou raciocinar corretamente.
— Acredito que esqueceu o fato de que existem 12 Governadores neste conselho, trouxa. — Seu tom de desprezo debochado morreu rapidamente quando expressões de choque o encararam de volta.
— O que exatamente está dizendo!? — Serafina exclamou indignada.
— Eu também gostaria de saber. — Dumbledore os encarou com frieza. — O cargo de Governador deste Conselho é um privilégio e honorífico, quando aceitam essa honra, os senhores se dispõe a dedicar tempos de suas vidas para o bem de Hogwarts. E, isso é sem remuneração.
— Mas... isso... Quer dizer, nós trabalhamos e merecemos receber um salário justo... — Disse Sr. MacTavish meio constrangido e defensivo.
— Não merecem, não! Um cargo como esse que exige reuniões semestrais e escolhas por votos de decisões rotineiras, além de liberação de verbas justas. — Sr. Ollerton se levantou furioso. — Independente do que pensam sobre o quão difícil e desgastante é esse "trabalho", a questão principal é que consta do estatuto de Hogwarts que é um cargo de honra e não remunerado. Os senhores concordaram e se comprometeram com isso quando aceitaram ser Governadores deste Conselho e agora me dizem que tem roubado o dinheiro da escola! Das nossas crianças!
— Roubado! — Sr. Toots exclamou magoado.
— Nós não roubamos nada. — Disse Sra. Smith azeda. — Derb nos disse que era justo e aceitamos, simples assim.
Todos encararam o Sr. MacTavish que se encolheu e corou, desviou o olhar para Malfoy, brevemente, e depois gaguejou:
— Eu... quer dizer, havia tanto dinheiro... sem uso... as crianças não precisavam e trabalhamos muito todos esses anos... Acredito que merecíamos receber por nossa dedicação e votamos, todos concordaram...
— Como se alguém votaria contra a chance de receber ouro. — Sr. Boot disse com desprezo. — Acredito que a partir de agora, eu cuidarei de administrar o dinheiro de Hogwarts com a ajuda do nosso Diretor Financeiro. — Continuou ele, olhando para Edgar.
— Com certeza. E, quanto mais rápido agirmos, mais rápido poderemos descobrir o quanto foi desviado e começar a administrar o dinheiro com inteligência. — Disse Edgar e olhando para Penny e Isabella. — Creio que não seremos mais necessários nesta reunião, o que me dizem de me ajudar a encontrar e analisar os livros?
— Oh! Com certeza, Sr. Edgar, será bom trabalhar com o senhor outra vez. — Disse ela animada.
— Será um grande prazer ajudá-lo a descobrir o valor do desfalque que nossos senhores da sociedade puro-sangue aplicaram em nós por todos esses anos. — Disse Isabella com frio sarcasmo.
Suas palavras causaram constrangimento nos Governadores, enquanto os três deixavam a sala de reuniões para o escritório administrativo que ficava ao lado.
— E, os senhores, assim que for provado o valor, devolverão cada galeão! — Disse o Sr. Ollerton, exclamações de protestos foram ouvidos. — Vocês devolverão ou envolverei Madame Bones e o Ministro Fudge nisto, além de fazer questão de informar ao Profeta Diário!
Isso calou os protestos e praticamente todos acenaram concordando, apenas Malfoy estava pálido de fúria, seu olhar mostrava todo o ódio que ele não conseguia disfarçar por traz da fachada de frieza puro-sangue. Era a segunda vez, em pouco meses, que era obrigado a devolver o dinheiro que embolsara em seus esquemas e não compreendia porque seus planos cuidadosos e inteligentes estavam sendo destruídos. Mas, o diário era seu grande trunfo, pensou, engolindo a fúria e se regozijando de satisfação, esse plano ninguém poderia impedir e, quando nascidos trouxas começassem a aparecerem mortos, Dumbledore seria demitido e ele retomaria o controle do Conselho de Governadores, mesmo que tivesse que usar um pouco da velha "persuasão".
— Eu proponho que Derbton MacTavish, seja destituído do cargo de Presidente deste Conselho. — Disse o Sr. Boot formalmente.
— Eu apoio. — Disse Millie Fancourt. — Vamos votar.
Eles foram rápidos e, por 6 votos a 5, ele foi destituído do cargo. Apenas os puristas e McLaggen, muito amigo de MacTavish, votaram a favor dele.
— Eu proponho Áquila Boot para o cargo. — Disse Millie sorrindo. — Confio em sua honestidade e acredito que precisamos dessa liderança forte e inovadora.
— Eu proponho, Lucius Malfoy. — Disse Warrington. — Ele é um dos mais antigos do Conselho e alguém em quem podemos confiar.
A votação foi rápida e o Sr. Boot ganhou po votos, pois desta vez, apenas os puristas votaram em Malfoy.
— Parabéns, Áquila! — Disse Millie e os outros a acompanharam em suas felicitações.
—Obrigado e agradeço pela confiança, prometo que honrarei este cargo, nosso Conselho e Hogwarts. — Sr. Boot disse solenemente. — E, desde já aviso que trabalharemos muitos nos próximos meses para transformar Hogwarts na escola que nossas crianças querem e merecem.
E o lado da mesa oposta ao Conselho bateu palmas com entusiasmo, pois os resultados da noite foram muito melhores do que o esperado. Não houve tanta resistência e, o melhor de tudo, eles tinham um deles como o Presidente do Conselho De Governadores, além do fato que, o conservador Sr. Ollerton parecia muito interessado em todas as ideias da Associação. E se a careta azeda dos puristas, Malfoy, principalmente, era um bônus extra, eles mantiveram essa satisfação para si mesmos.
— Bem, comecemos por Severus Snape...
Enquanto isso em Hogwarts, Harry levou seus amigos para a sala de duelo e começou a treiná-los com mais intensidade do que nunca. Mesmo sem as estátuas, ele fez uma simulação de 3 contra 1, insistindo que eles precisavam aprender a se defenderem e pensarem com rapidez quando em desvantagem. Com o fator surpresa, Harry lançou alguns ataques físicos e usou sua adaga ainda na bainha para evitar ferimentos. Depois de suas horas, quando terminaram, os três desabaram exaustos, doloridos e meios estropiados, mas, Harry os fez se levantar.
— Vamos lá, alongando ou amanhã não aguentarão o treino ou o trabalho com Hagrid. — Disse ele, acenando positivamente quando se levantaram e começaram a esticar.
— Você é pior que Joe e Charlie juntos. — Resmungou Terry, Neville e Hermione concordaram.
— Me agradeçam quando isso salvar suas vidas. — Disse Harry um pouco ríspido.
— Nada mais aconteceu, Harry, a voz que você ouviu não voltou, assim me parece que estamos seguros. Além disso, Voldemort continua fraco, os comensais estão presos ou com suas vidas confortáveis e...
— E estamos realizando grandes mudanças no mundo mágico, dentro e fora de Hogwarts. — Hermione completou e Terry acenou, Harry se perguntou se eles percebiam que, às vezes, um terminava a frase do outro. — Estou tão ansiosa pela reunião de hoje, vou esperar por Penny para saber como foi e já avisei a Prof.ª Vector que dormirei em seu quarto. Penny disse que não se importa.
— Independente disso tudo, até termos certeza que o tal plano do Malfoy foi detido, precisamos estar em guarda, mas vocês estão certos sobre o resto. — Disse Harry mais suavemente. — Talvez amanhã depois do treino de quadribol pudéssemos fazer algo divertido, sem estudo ou treino.
— Isso seria legal! — Disse Terry animado.
— Poderíamos ir nadar! — Neville, o novo peixe da turma, disse com os olhos brilhando.
— Poderíamos convidar mais pessoas, o pessoal do Covil...
— Tirar os gêmeos do laboratório...
— O time de quadribol...
— Ok! — Harry riu quando eles começaram a se revezarem de novo. — É uma ótima ideia, vou falar com Trevor para terminar o treino mais cedo e, quem sabe, conseguimos alguns lanches na cozinha, mas teremos que avisar o Joe e a Charlie.
— Posso fazer isso logo cedo. — Disse Hermione enquanto eles subiam para a sala de convivência para esperar a Penny. — Enquanto vocês estão em detenção, descerei para treinar um pouco e lhes pergunto se está tudo bem. Uma festa na piscina! Que legal!
— Sim e podemos...
E, assim, eles esperaram por Penny, conversando e fazendo planos para a primeira festa na piscina de Hogwarts. Morag, Mandy e Padma logo se juntaram a eles e se animaram com a novidade, o grupo passou o resto da noite jogando alguns jogos, rindo e se divertindo.
Enquanto isso, na torre Gryffindor, Ginny arrumava uma pequena mochila com itens para passar a noite. Que emocionante, pensou, não fazia uma festa de pijama desde os 8 anos, mas sua chefe de casa lhe dera permissão para dormir com a Luna hoje à noite. Prof.ª Vector parecia muito legal e dissera que uma vez por semana era aceitável que uma ou a outra dormissem no quarto da outra e Ginny, que já frequentava a torre Ravenclaw desde a semana anterior, quando Harry lhe dissera que podia, se sentia muito empolgada. A torre Ravenclaw era muito mais amistosa, os alunos mais velhos eram pacientes e apoiadores, os Gryffindors não tinham o hábito de sair do seu caminho para ajudar ou conversar. Seus próprios irmãos, ela pouco via, Ron e Percy não era tão inesperado, mas os gêmeos... Sentia falta deles, muito mesmo, mas os dois estavam sempre ocupados e secretos. Bem, mas ela tinha a Luna, a melhor amiga do mundo!
O fato das duas só terem uma a outra como amigas não importava e sim que elas não tinham mais que ficar sozinhas porque podiam visitar uma a outra o tempo todo. E, foi o Harry quem lhes disse que podiam fazer isso, ele foi tão gentil e doce, Ginny sentiu o rosto corar só de pensar nele. Sempre soube que Harry Potter, o menino-que-viveu era especial, famoso, aventureiro, mas ela não esperava que ele fosse tão gentil e legal, bem, para um menino. Ginny cresceu com meninos tolos e grosseiros, mas Harry não era assim e ele não a odiava como pensou a princípio...
O pensamento a fez olhar para o diário sobre a mesa, já tinha um tempo que não escrevia nele, estivera tão ocupada, talvez devesse levar com ela e escrever antes de dormir, mas, logo mudou de ideia. Seria mais legal conversar com a Luna e decidiu falar um oi para o Tom, rapidamente.
Oi, Tom!
Ginny, quanto tempo não nos falamos, estava sentindo sua falta...
Eu sei, desculpa, mas tantas coisas aconteceram...
Conte-me tudo! Estou ansioso por você...
Hoje não tenho tempo, mas, deixa eu te falar só que o Harry não me odeia como eu pensei, eu te contei como ele pediu desculpa e foi gentil na biblioteca. Bem, ele veio conversar com a Luna e eu outro dia e foi muito doce e legal. Ai, Tom, ele é tão bonito e seus olhos verdes são tão brilhantes...
Ginny corou ao escrever algo que ainda não admitira para si mesma. Ela achava o Harry bonito!
Parece que você gosta dele, me conte mais, o que ele lhe disse?
Não posso agora, Tom, a Luna está me esperando, Harry nos contou que poderíamos nos visitar a vontade em nossas casas e hoje vou passar a noite na torre Ravenclaw! Não é incrível!? Nos falamos mais outro dia... Tchau!
Espere...
Mas o diário estava fechado e Ginny, rapidamente, deixou o quarto com sua mochila e desceu as escadas empolgada e cheia de energia. Animada em ir se encontrar com sua amiga e, talvez, ela ainda pudesse ver o Harry! Oh! Como estava feliz!
