Capítulo 53
Petúnia olhou para seu filho sentado ao seu lado com preocupação. Dudley era muito diferente do garoto de alguns meses atrás, já perdera 14k e estava mais alto também, o que o fazia parecer apenas acima do peso e não obeso como antes. Isso era um alívio para ela, a luta dos dois com sua alimentação e exercícios os aproximara muito, além do fato de estarem sozinhos nas últimas semanas. Eles se apoiaram mutuamente, ela o ajudou com a escola, deveres, leitura, o levou ao Centro Esportivo duas, depois três vezes por semana. Quando ele pediu, parou de chamá-lo com apelidos constrangedores e, quando ele foi sincero, conselho do Harry, e contou sobre seu medo de não fazer amigos, ela o orientou. Levou ele e seu pequeno grupo de projetos escolares ao cinema, lhes fez biscoitos, concordou em recebê-los quando precisavam trabalhar no projeto. Os amigos do Centro Esportivo eram diferentes, outra classe social e, ainda, Petúnia descobriu, bons garotos, cheios de sonhos no esporte e que aceitaram Dudley como um deles. Alguns deles não tinham dinheiro para ir ao shopping ou cinema, assim, Petúnia os recebeu em casa com lanches, os levou ao parque para piqueniques e viu seu Dudley sorrir feliz por ter amigos, bons amigos, que não o bullying ou o obrigavam a fazer coisas erradas.
Ele também a ajudou, quando ela se sentiu solitária ou duvidou de si mesma, vê-lo crescer e melhorar a fez desejar crescer e melhorar. Dudley lhe deu esperança, alegria e orgulho, sentimentos que ela podia não sentir sobre si mesma, mas, talvez, um dia, ela chegaria lá. E, talvez, o dia de hoje lhe ajudasse neste caminho, pensou, ansiosa.
— Você não pode entrar, Duda, por isso deve ficar aqui, nesta sala, a assistente social ficará com você o tempo todo. — Disse ela apertando as mãos.
— Eu sei, mãe, a senhora já me disse isso três vezes. — Disse Dudley calmo, tirando o livro de história da bolsa, mostrou a ela. — Ficarei estudando, tenho um teste na sexta-feira.
— Ok, desculpa, acredito que estou um pouco ansiosa. — Isso era um eufemismo, claro, mas seu advogado estava confiante e tentara lhe passar o sentimento, infelizmente, não deu muito certo.
Petúnia sabia que, por mais bom que seu advogado fosse, nada seria fácil, não com Vernon Dursley. Ao entrar com o pedido de divórcio, ela sabia que não seria um acordo amigável e simples, não foi uma surpresa quando ele contestou o processo com seu advogado, transformando a separação em um litígio. Hoje, eles teriam a primeira audiência, era a chamada audiência de conciliação, onde decidiam continuar com o processo de divórcio ou não. Se decidissem pelo sim, tinham que organizar questões de partilha de bens, custódia e pensão... Petúnia estremeceu ao pensar em tudo isso, parecia tão baixo e deselegante, nunca se imaginara se divorciando e discutindo com seu ex-marido por cada coisa que tinham que dividir, incluindo uma criança.
A criança em questão fora ouvida pela assistente social e psicóloga do Tribunal e expressara seu desejo de viver com a mãe, além de dizer que queria ver seu pai e se que sentia seguro com ele. Petúnia não o influenciara, sabia que Vernon amava o filho e, este amava o pai, apesar dos defeitos, mas, uma parte dela, desejava que seu filho nunca mais tivesse que ver seu ex-marido. Tinha esperança, ainda que fosse mínima, que Vernon pudesse aceitar o acordo de conciliação e manter uma relação razoável pelo bem do filho, mas, no fundo, sabia que estava sendo tola...
— Petúnia? — Seu advogado, um homem alto, cabelos negros que tinham as frontes ficando cinza, 45 anos, terno bem cortado e caro, a chamou suavemente. — Podemos entrar.
Ela concordou, se despediu do filho e acenou para a assistente que cuidaria de Dudley, antes de acompanhar o Sr. Brad Johnson. Procurar um advogado fora seu primeiro instinto quando decidiu sair da casa no número 4, aceitara seus conselhos, entrara com o pedido de separação de corpos e depois com o de divórcio. Quando percebeu os custos desses simples movimentos, ficara chocada, sua conta bancária pessoal fora esgotada em poucas semanas. Ela sabia que Vernon não lhe daria um centavo, assim, pensara em procurar um emprego, mas, enquanto olhava os classificados, se deparou com um par de olhos verdes a encarando com atenção.
Harry, de maneira muito inteligente, lhe tirara a verdade de sua situação, constrangida, Petúnia lhe disse que não devia se preocupar porque ela conseguiria um emprego e pagaria o advogado que já estava entrando com um pedido para que Vernon pagasse a escola do Dudley. Foi como falar com uma parede, seu sobrinho a colocara em contato com seu novo escritório de advocacia que cuidava de sua herança e investimentos trouxas. E, transferira uma quantia a sua conta bancária, nada absurdo que a deixasse envergonhada, mas, mais do que suficiente para ela e Dudley se manterem e pagar a nova escola do filho até a divisão de bens estar concluída. O advogado cobraria diretamente do Harry, assim essa era uma preocupação a menos. Petúnia tentara recusar e insistir que poderia trabalhar, mas Harry lhe disse que, se ela queria fazer isso, tudo bem, mas que não deveria fazer o que não se sentia pronta por causa de dinheiro, afinal, ele tinha mais que o suficiente. Ela aceitara, mas com a condição de que, quando resolvesse a partilha de bens, poderia lhe devolver ao menos os custos com o advogado e, felizmente, seu sobrinho aceitara.
Petúnia que não se sentia pronta para trabalhar ou voltar a estudar, assim, poder ter algumas semanas de tranquilidade financeira e a orientação de um advogado de primeira linha fora um grande alívio. Sr. Johnson tinha uma firma em sociedade com Eric Marton a 8 anos, mas sua competência, inteligência e experiência era exatamente o que precisava, porque ela não entendia nada sobre todos os meandros da lei ou de um processo tão constrangedor. E, mais importante, ele nunca a fez se sentir envergonhada quando lhe descreveu os motivos da sua decisão de se divorciar depois de 14 anos de casamento.
Entrando em uma sala pequena e formal, Petúnia se sentou ao lado do Sr. Johnson e viu Vernon se sentar à sua frente com um terno marrom bem ajustado, bigodes e cabelos aparados como se tivesse se preparado com cuidado para o dia de hoje. Ele perdera peso, mas não muito, seu rosto parecia suado e vermelho, mostrando irritação ou nervosismo, seus olhos castanhos escuros a encaravam quase sem piscar buscando contato visual. Ela lhe cedeu por alguns segundos e acenou em cumprimento antes de olhar o seu advogado que ela conhecia a muitos anos, Carl J. Gregory , usava um terno mais pobre e antigo que seu colega, além de mostrar uma deselegância natural ao vesti-lo. Ele a cumprimentou amavelmente e, então, o juiz entrou na sala, todos se levantaram até que ele se sentou na cabeceira da mesa. O juiz, Robert Swan, agiu com menos formalidade que o habitual e não se sentou em seu púlpito alto e sim a mesma altura, os encarando com suavidade e compreensão. A audiência de conciliação tinha a intenção de quebrar a burocracia, formalidades e permitir que as duas partes se entendessem.
— Audiência de Conciliação, Dursley versus Dursley, 17 de outubro de 1992... — A recitação e registro durou alguns segundos antes que o juiz tomasse a palavra.
— Eu examinei as justificativas de cada um de vocês para estarmos aqui hoje. Normalmente, quando um ou dois dos cônjuges optam por não aceitar o divórcio amigável e partir para o litígio, os motivos são desacordo na partilha de bens ou valor de pensão e, principalmente, guarda dos filhos. Muito raramente, encontro como justificativa que, uma das partes não quer o divórcio, que quer tentar retomar o casamento e, apesar dos graves motivos alegados pela senhora, Sra. Dursley, que a fez se decidir por este caminho, me sinto no dever de lhe pedir que mantenha sua mente aberta para a possibilidade de mudança e perdão. E o senhor, Sr. Dursley, espero que mostre, com palavras e ações, que realmente está arrependido, que mudou e quer ser um marido e pai melhor. Posso contar com os senhores?
— Sim, meritíssimo. — Responderam eles educadamente.
— Muito bem. Sr. Dursley, o senhor poderia nos dizer porque quer se reconciliar com a Sra. Dursley? E, o que pretende fazer para mostrar que está disposto a mudar? — Juiz Swan questionou suavemente.
— Bem, bem. — Vernon pigarreou incomodado em falar sobre sentimentos, isso era muito feminino e ele detestava essas frescuras tolas. — Tuney, querida, estamos casados há 14 anos, temos um filho maravilhoso, que sempre foi nossa alegria e orgulho. Sei que nem sempre mostrei o quanto a valorizo e a maravilhosa vida que temos, mas eu faço, verdadeiramente. Não quero que o nosso Duda sofra com nossa separação e distância, ele precisa de nós dois unidos, mais do que nunca. E.…, eu preciso de você, os últimos 3 meses têm sido difíceis além do que poderia imaginar, sinto sua falta e da nossa família. Eu a amo e espero que possa me dar uma chance de mostrar que posso melhorar, que serei o pai e o marido que vocês merecem.
Petúnia viu seu rosto se avermelhar ainda mais de constrangimento enquanto falava as palavras, obviamente, ensaiadas. Ao fim, seu advogado acenou em aprovação e ela supôs que algo tão sentimental nunca seria escrito por Vernon, mas não se importou, não viera ali em busca de reconciliação e muito menos de romance.
— Sra. Dursley? — O Juiz lhe deu a palavra, mas não parecia impressionado.
— Excelência, Vernon, como justifiquei em meu pedido de divórcio, minhas ações não é fruto de um impulso de momento, de raiva ou vingança e sim, de amor. Suas palavras são doces e bonitas, eu poderia acreditar que você pretende cumprir o que diz e que teríamos uma boa vida, na verdade, nossa vida antes não era tão terrível. Eu, particularmente, não me sentia mais tão feliz como no início da nossa união, às vezes, me desapontei com suas atitudes e, com certeza, fiquei chateada ou zangada com você, mas me sentia satisfeita com nossa vida. E, você não é um pai ruim, ama nosso filho e sempre o protegeu e cuidou, no entanto, além de um bom marido e pai, eu precisei que você fosse um bom ser humano e acolhesse uma criança órfão, mais que isso, eu precisei que você fosse um bom tio e acolhesse o meu sobrinho. O seu bonito discurso, Vernon, em nenhum momento reconhece o seu terrível, abominável erro, você não mostra arrependimento e, principalmente, não mostra nenhuma intenção ou pretensão de mudar. Portanto, mantenho o meu desejo de separação definitiva com o divórcio legal e peço... peço, em nome desse amor que nós dois temos por nosso Duda, peço por ele e sua felicidade, que aceite o acordo de conciliação e que possamos chegar a um acordo de compartilhamento de bens e guarda justo para todos nós.
O silêncio na sala foi tenso, o Juiz os encarava com curiosidade, Vernon estava vermelho de irritação, a rejeição só não o fez explodir porque seu advogado lhe disse que isso lhe custaria muito dinheiro.
— Essa é uma situação delicada porque envolve um menor, uma criança que vive sob suas guardas a 11 anos, desde que ficou órfão. Eu li os altos do processo por abuso infantil que o senhor está sofrendo, Sr. Dursley, os depoimentos apontam para um grande destempero que culminou em um acidente muito grave. O jovem menor, Harry Potter, é seu sobrinho e gostaria de compreender a sua implicância com sua presença em sua casa. E, se está disposto a mudar também em relação a ele.
— O menino... — Vernon se interrompeu tentando encontrar as palavras e justificar sua aversão ao garoto sem falar de magia. — O menino foi deixado em nossa porta, ninguém perguntou se o queríamos, seus pais eram hippies estranhos e imorais quando morreram, um dos seus tipos nos largou ele, com apenas uma carta. Nunca recebemos um centavo, lhe demos tudo o que precisava, desistimos de ter outro filho, queríamos uma menina depois de Duda, mas, três crianças seriam muito caras. O menino sempre ficou no caminho aprontando, enfrentando e desobedecendo, nunca o senti como meu sobrinho, como parte da minha família e por mim o teria deixado em um orfanato. Petúnia sabia como me sentia e lhe disse que sua insistência em ficar com o menino poderia nos trazer problemas e eu estava certo, por causa dele nós estamos aqui agora, nossa família e vida perfeita está sendo destruída. E, não, meritíssimo, não pretendo mudar de ideia sobre isso, quero minha esposa e filho de volta, mas não aquele... Eu o quero bem longe da minha casa. Gostaria que minha esposa se lembrasse que ela também se sente como eu e que o enviasse embora como lhe pedi a 11 anos.
O Juiz o encarou com certo espanto e desapontamento, a verdade é que seus motivos para não gostar da criança eram absurdos.
— Sra. Dursley? — Ele lhe deu a palavra e Petúnia suspirou.
— Tudo isso é minha culpa, meritíssimo. Minha relação com minha irmã caçula sempre foi difícil, por minha falha e escolha, mas, eu não via assim. Eu a culpava por tudo o que não era bom em minha vida, inclusive por minhas escolhas erradas, como se ela ser feliz, fosse uma afronta a mim, me envergonho em dizer que a invejei durante quase toda a nossa vida. Ela e meu cunhado não eram hippies imorais, James era um herdeiro de uma família muito rica e respeitada, quando os dois terminaram a escola particular para superdotados que frequentavam, decidiram se casar e viajar ao em vez de irem para faculdade e trabalhar como meros mortais. Mesmo isso, Vernon e eu invejamos, mas, neste ponto, não mantinha mais nenhum contato com ela e um dia... — Petúnia respirou fundo tentando sufocar a dor e a culpa. — Um dia, eles foram assassinados cruelmente, meu sobrinho me foi entregue em segredo e eu devia protegê-lo de quem matou seus pais. Um dia ele cresceria e herdaria tudo, mas, para algumas pessoas, ele valia mais morto. Entende?
— Claro, que história terrível, aconteceu aqui em Londres?
— Não, excelência, na Irlanda. — Petúnia o viu acenar como se isso fizesse todo sentido. — Vernon temia por nossa segurança e com razão, nossa situação financeira era difícil na época porque ele tinha perdido toda a minha herança em maus investimentos e seu cargo lhe dava um salário júnior. Seu ressentimento também vinha do fato de que, apesar de Harry ser um herdeiro rico, nenhum centavo nos foi entregue para criá-lo e não podíamos fazer um escândalo por isso ou estaríamos em perigo. Apesar da distância com minha irmã, meu ressentimento e inveja, eu a amava, mas mesmo se não o fizesse, seria impossível não amar o bebê Harry. — Ela sorriu suavemente. — Dudley é meu coração, mas ele sempre foi uma criança difícil, birrenta, chorona e exigente. Harry era o oposto, doce, suave e paciente, ele me olhava com os olhos da minha irmã e dizia, "tudo bem, ia Peúnia", "eu te amo ia Peúnia". — Sua voz se embargou e ela pegou um lenço para enxugar as lágrimas nos cantos dos olhos. — Ele chorava apenas quando tinha pesadelos sobre a morte dos pais e os chamava, com saudades, eu o abraçava e acalentava, consolava sua dor. Eu nem sabia que isso era possível, que um bebê de 15 meses poderia sofrer e sentir tanto a ausência dos pais, mas Harry é especial. Como eu poderia mandá-lo embora? Mesmo que pudesse representar o fim do meu casamento, como poderia lhe tirar outro lar, outra família e o jogá-lo em um orfanato? E, eu tentei... — Ela encarou Vernon duramente. — De todas as maneiras eu tentei, algumas, das quais, para sempre me envergonharei, mas eu tentei conciliar meu casamento e meu amor e cuidado por meu sobrinho. Tentei, meritíssimo e, por anos, vivi dividida, puxada de um lado e arrastada para o outro, isso me fez uma péssima pessoa, me odiava e não conseguia ser uma boa mãe, esposa ou tia. Naquela noite, meu sobrinho foi acusado de algo que não fez e Vernon se recusou a me ouvir, a entender a verdade, ele apenas explodiu todo o seu ódio e ressentimento, se tornou irreconhecível e, por um momento, percebi que ele é assim a anos quando se trata de Harry, colérico e cruel, foi apenas eu que não enxerguei. Meu sobrinho, minha família, meu sangue, o único elo que tenho com a irmã que perdi antes mesmo de sua morte por causa dos meus erros, poderia ter morrido por causa de um acidente na escada gerado por anos de ressentimentos. Eu caí em si, neste momento, e percebi que já não amo mais o homem que pode odiar o menino mais doce e bondoso do mundo. Harry jamais foi desobediente, desordeiro ou um problema, você, Vernon recusou a enxergar e amar o menino incrível que ele é. Minha decisão é uma decisão de amor, excelência, meu amor por meu docinho me disse para mantê-lo a 11 anos e, agora, esse amor me diz para lutar por ele. Sua madrinha e padrinho por parte de pai conseguiram, na justiça, metade de sua guarda e, se eu fizer alguma coisa, como voltar com Vernon, perderei a minha metade. Ele será levado embora e nunca mais o verei, não tenho vergonha em dizer que essa perspectiva me assusta muito mais do que nunca mais vê-lo, Vernon.
O silêncio emocional e chocado que se seguiu foi interrompido pelo Juiz Swan que pigarreou.
— Muito bem, acredito que diante disso, a reconciliação se torna impossível, suas diferenças me parecem insuperáveis e considero uma pena, porque, Sr. Dursley, o senhor está perdendo sua esposa e a convivência diária com seu filho, por causa da sua escolha de não abrir seu coração e amar uma criança que não é sua. Todos os dias, pais tentam ter filhos e por um motivo ou outro partem para a adoção e, quando o fazem, têm que abrir seus corações para acolher aquela criança e torná-la sua criança. O senhor diz que não teve escolha e que avisou sua esposa que a presença do Harry poderia causar o fim do seu casamento, mas está enganado, Sr. Dursley. Porque a 11 anos o senhor teve uma escolha, poderia ter escolhido amar aquele bebê, poderia ter escolhido fazê-lo seu, vê-lo como seu filho, o senhor deveria ter ouvido o seu próprio aviso e salvado seu casamento sendo um homem melhor. Lamento, que mesmo aqui, diante da possibilidade de arrependimento, o senhor se agarre a tolices.
Vernon ouviu com atenção, mas seu rosto vermelho só mostrava irritação e constrangimento, em seus pensamentos o desejo de falar da aberração era enorme, então, o Juiz o entenderia e lhe daria razão, mas o medo dos anormais falou mais alto e ele se calou.
— Bem, agora, vamos ao pedido de ambos os lados sobre a partilha de bens e, espero, que cheguemos a um acordo. — Disse Swan em tom suave.
— Meritíssimo, apresentamos todos os documentos necessários que comprovam o ganho do Sr. Dursley, as propriedades e os valores na conta bancária e investimentos. Minha cliente solicita metade de todos os bens e uma pensão de 1000 libras que compõe os custos escolares de Dudley Dursley, mensalidade, livros e transporte. — Sr. Johnson apresentou tudo de maneira inteligente e formal.
— Mas..., mas isso... você quer metade de tudo e ainda todo esse dinheiro? — Vernon parecia chocado e seu rosto estava púrpuro.
— Acredito que isso é o mínimo, Sr. Dursley, o senhor tem sorte que minha cliente não aceitou meu conselho de exigir a posse completa da casa que, por direito, ao ter sido comprada com sua herança familiar pessoal, deveria ser apenas dela. — Sr. Johnson foi frio e duro.
— E, não estou pedindo dinheiro para mim ou para coisas supérfluas e sim, para a educação do nosso filho, Dudley foi aceito em uma excelente escola e não permitirei que perca a vaga por sua mesquinharia. — Disse ela firmemente.
— Pois eu não aceito! Não lhe darei metade do meu dinheiro e um bocado desse tamanho do meu suado salário! — Gritou ele furioso.
— Contenha-se, Sr. Dursley, o senhor não está em sua casa. — A frieza do juiz calou Vernon, mas não lhe tirou o olhar desafiador.
— Quero ser ressarcido por cada centavo que gastei com aquele garoto, por anos, eu trabalhei e o sustentei, assim, agora quero o dinheiro de volta. Ficarei com a casa e os investimentos, você fica com metade do dinheiro do banco e 500 libras de pensão. Se quiser que nosso filho vá para uma escola chique, trabalhe e pague por si mesma, nunca precisou trabalhar quando era minha esposa, se não quer ser mais, bem feito. Ou, então, peça ao seu sobrinho rico que a sustente. — Disse ele ironicamente e Petúnia percebeu que ele acreditou que sua versão de herdeiro rico era mentirosa, apenas uma maneira de contar a história sem envolver a magia.
Ela não se importou, era melhor assim, conhecia muito bem seu interesse por dinheiro e sabia que ele poderia começar a agir como o bom tio, se descobrisse que Harry era um herdeiro rico de verdade.
— Sr. Dursley, o senhor era o guardião e tio do menor, Harry Potter, o aceitou em sua casa e, contrariado ou não, ele era sua responsabilidade legal e financeira, nenhum ressarcimento pode ser exigido. E, se o senhor tentar isso, legalmente, garanto que irá perder a causa e desperdiçar o tempo desse tribunal. — O Juiz falou muito duramente, Vernon parecia ainda mais raivoso, mas manteve-se calado. — A partilha de bens com sua esposa e a pensão para seu filho não está ligada a isso e sim, ao direito legal de divisão de bens acordado desde o dia do seu casamento, além do seu dever legal de prover seu filho. Portanto, não volte a mencionar tal absurdo na minha frente.
Petúnia o viu acenar, mas apertar os punhos gordos de raiva.
"Continuando, acredito que o pedido de sua esposa é muito justo, pois eu examinei os documentos em detalhes e, realmente, a casa foi comprada com o dinheiro que o Sr. Brian Evans lhe emprestou. Esse dinheiro foi descontado, posteriormente, da herança que o pai legou a Sra. Dursley, portanto, em seu direito legal, heranças não fazem parte da partilha de bens em processos de divórcios. "
— Quer dizer... eu não tenho direito a minha casa? — Vernon estava pálido e de olhos arregalados de choque.
— O senhor nos diz, Sr. Dursley, pode aceitar o que foi pedido por minha cliente ou podemos continuar com o processo litigioso e exigiremos a totalidade da casa. E, como dito pelo meritíssimo, legalmente, a casa pertence a Sra. Dursley e, mesmo que seja longo, ganharemos o processo que lhe custará muito dinheiro. Afinal, advogados não são baratos e o senhor tem outro processo por abuso infantil com que lidar, não é mesmo? — Sr. Johnson falou com ironia levemente debochada.
Petúnia se manteve séria e, com muito esforço, se impediu de sorrir com satisfação ao ver o olhar apavorado de Vernon na direção do Sr. Gregory . Essa ideia do seu brilhante e caro advogado era a estratégia certeira para impedir que esse processo se arrastasse por longos meses em o fato de que ele estava sendo pago com o dinheiro do menino que Vernon tanto desprezava, bem, isso era apenas a cereja no topo do bolo recheado de ironia.
Vernon e seu advogado conversaram, este confirmando a verdade dos fatos apresentados pelo Sr. Johnson, a discussão foi curta e intensa, mas, finalmente, o Sr. Gregory confirmou que o seu cliente aceitava a proposta de partilha de bens.
— Ótimo. Imagino que a senhora tenha interesse em ficar com a casa, Sra. Dursley? — Perguntou o Juiz continuando a partilha.
— Não, senhor, não é o lar adequado para os meus filhos, estamos vivendo na antiga casa dos meus pais, que ficou de herança para minha irmã e agora pertence ao meu sobrinho. Harry é muito generoso e quer que ela seja o meu... nosso lar. — Informou Petúnia suavemente e viu Vernon arregalar os olhos. — Acredito que metade do valor de mercado da casa em investimentos é mais do que suficiente.
— Mas..., mas... isso seria quase todo os investimentos que tenho! — Exclamou Vernon apavorado.
— Seria a sua metade dos investimentos, Sr. Dursley, a outra metade pertence a minha cliente, mas o senhor manteria a posse da casa. Minha cliente também solicita a transferência imediata do valor da metade da poupança familiar, para que ela possa sanar as dívidas contraídas nos últimos meses, inclusive com a escola de seu filho. Ela também quer alguns objetos e móveis da casa, aqui, temos uma lista. — Encerrou ele passando a lista para o Juiz que a leu e depois a entregou ao Sr. Gregory que a analisou junto com Vernon.
Petúnia aguardou paciente, esperava que ele não implicasse com alguns móveis, objetos de decoração ou cozinha.
— Estamos de acordo. — Disse o advogado educadamente, mas Vernon parecia lívido.
— Muito bem. Assinaremos este acordo hoje mesmo e, assim que a avaliação da casa e investimentos estiverem concluídos encerramos essa parte do processo de divórcio. Fico feliz que avançamos e sem grandes discussões, mas agora temos que falar sobre o mais importante em tudo isso. Dudley, o filho de vocês. — O Juiz tinha uma voz calma, como se soubesse que a delicadeza era a melhor maneira de conduzir essa situação difícil.
— Eu quero meu filho vivendo comigo, quero a guarda principal. — Disse Vernon determinado.
Isso surpreendeu a todos, mesmo seu advogado o encarou sem entender suas palavras.
— O que? — Petúnia conseguiu soltar engasgada.
— Você ouviu, não quero meu filho perto daquele moleque e seus tipos. Dudley viverá comigo onde sei que estará seguro e longe desses esquisitos, quero ter certeza que ele se tornará um homem de bem e não confio mais em você para educá-lo adequadamente. — Vernon parecia ter satisfação em desmerecê-la e Petúnia o encarou entre abismada e raivosa, mas antes que pudesse dizer algo, seu advogado tocou seu braço suavemente sinalizando para que não perdesse a calma.
— Sr. Dursley, o senhor diz seus motivos, mas não apresenta absolutamente nada que me faça ou esse tribunal acreditar que a Sra. Dursley não pode ter a guarda primaria da criança. Quais são suas acusações e provas de que Dudley não está seguro com a Sra. Dursley? De que ela não é uma boa educadora ou exemplo como mãe? — O Juiz perguntou em tom de aço.
Vernon ficou purpura como se estivesse engasgado e quisesse explodir, ele a olhou e, por um momento, um terrível e assustador momento, Petúnia acreditou que ele começaria a gritar, "O garoto é um bruxo", mas, felizmente, Vernon recuou e se manteve calado.
— Meritíssimo, o Sr. Dursley não tem absolutamente nada, sejam acusações ou provas que desabone minha cliente porque elas não existem. A Sra. Dursley é uma ótima mãe e foi por amor a seus filhos que ela decidiu enfrentar o desconhecido, o constrangimento e mudar toda a sua vida. — Sr. Johnson mostrou, com suas palavras intensas, porque custava tão caro. — Ela poderia ter enviado seu sobrinho para viver com os padrinhos e se acomodado em sua vida, mas ela decidiu pelo caminho mais difícil, mostrando coragem e determinação. Acredito que isso a faz um ótimo exemplo para seu filho, além de lhe ensinar a preciosa lição de amor e proteção. Minha cliente decidiu pela separação para proteger seu sobrinho, assim como, a 11 anos se decidiu por recebê-lo pelo mesmo motivo. Acredita que alguém disposta a fazer tudo isso não oferece segurança ao Dudley? Quando foi o Sr. Dursley que, em um acesso de fúria, provocou um acidente gravíssimo ao menino Potter? Um acidente que poderia ter provocado a morte ou sequelas graves? A mim, parece que um homem processado criminalmente por abuso infantil é que não está apto para ter a guarda de uma criança. Por isso, meritíssimo, solicitamos a guarda principal, com direitos a visitação acompanhada.
— Visitação o que? — A fúria de Vernon chegou a um nível alarmante. — Você não tirará meu filho de mim! — Ele se levantou e bateu a mão na mesa.
Sua atitude apenas parecia corroborar tudo o que foi dito pelo Sr. Johnson e o Juiz Swan teve dificuldade em levar a audiência a relativa calma de antes.
— Sr. Dursley! Contenha-se! O senhor já tem um processo por abuso infantil, não queira acrescentar desacato também ou lhe garanto que passará muito anos na prisão! — A ameaça finalmente o calou e, pálido, Vernon se sentou.
— Desculpe-me, meritíssimo. Apenas, meu filho é importante para mim e...
— Se isso é verdade, mais uma razão para que se comporte, suas explosões de fúrias não estão entre as qualidades adequadas de um pai, Sr. Dursley. Como posso autorizar que passe tempo com seu filho, sozinho, sem acompanhamento algum, quando sei de seu temperamento e que isso resultou no acidente gravíssimo de uma criança. — Ponderou o Sr. Swan muito sério.
— Eu jamais... jamais machucaria meu filho, nunca nem ao menos gritei com meu Duda, nunca. Petúnia, diga a eles, diga que sempre fui um bom pai e... — Ele parecia desesperado e olhava implorando para ela.
— Isso é verdade, você sempre foi um bom pai, nunca gritou com Dudley e muito menos lhe bateu, sempre fez suas vontades e tentou lhe dar tudo, até mais do que ele precisava. Nós o mimamos demais e Dudley ficou doente, obeso, mimado... — Petúnia olhou as mãos envergonhada. — Isso foi esfregado em minha cara, a péssima mãe que sou, estou tentando melhorar e quero que nós dois cheguemos ao um acordo de educarmos ele de verdade. Isso quer dizer, não lhe deixar comer até explodir, ter tantos brinquedos caros ou qualquer coisa que queira apenas por querer, sem apego a nada a não ser coisas matérias, recompensá-lo por birras e mal comportamento. Estou me esforçando para ser uma mãe melhor e, se você estiver disposto, pelo bem de Duda, a fazer o mesmo, talvez, no futuro possamos ter um esquema de guarda compartilhada. Apenas... neste momento, eu não confio em você, para ser um bom pai ou para mantê-lo seguro...
— Como ousa! — Gritou ele indignado. — Eu jamais o machucaria e você sabe disso!
— Bem, eu pensei que você jamais machucaria criança alguma e veja o que aconteceu! — Respondeu ela duramente.
— Foi um acidente! — Seu tom parecia implorar compreensão.
— Eu sei, eu estava lá... — Seus olhos se encheram de lágrimas. — Sei que a queda foi um acidente, mas também estava lá quando você berrou para mim, "Não levarei ninguém ao hospital! Eu não me importo com esse garoto anormal, jogue ele lá no seu quarto e tranque a porta. Seu tipo que o ajude pela manhã se ele ainda estiver vivo! "
Suas palavras eram duras e frias, seu rosto estava magoado e indignado. O outros na sala pareciam chocados com essa informação.
— Mas... eu... estava furioso... não quis dizer...
— Quis dizer sim, não venha com mentiras, você quis dizer exatamente isso. Nunca me esquecerei disso ou do meu nojo por ter me casado com um homem capaz de pensar, desejar algo tão abominável... — Petúnia enxugou as lágrimas e respirou fundo. — Duda está mudando, ver o pai agindo daquela maneira lhe abriu os olhos, ele não odeia mais o primo como nós o ensinamos a odiar, na verdade, eles estão se tornando amigos e até trocam cartas, agora que Harry está no internato. O que fará sobre isso? Gritará com ele? O trancará em seu quarto sem refeições como punição quando o contrariar? Não, Vernon, meu filho não está seguro com você, enquanto não mudar sua mente e aprender a controlar sua raiva, sugiro que se esforce e tente mudar, porque, para nós dois, pode ser tarde demais, mas com Duda, você ainda tem chance de fazer certo.
— Acredito, meritíssimo, que depois de tudo isso, está claro que para o melhor interesse da criança, estar com a mãe e o primo é a melhor decisão. Vistas acompanhadas uma vez por semana é o que minha cliente gostaria e propõe. Dudley frequenta um Centro Esportivo aos sábados, onde, entre as atividades, ele tem se destacado no boxe, interesse e talento que compartilha com o pai. Sra. Dursley acredita que, com a presença dos monitores e treinadores, que não autorizarão que Dudley deixe o Centro com o Sr. Dursley, seu filho estará seguro e poderá manter uma relação benéfica com o pai.
— Muito bem, estou chocado com tudo o que ouvi, absolutamente, chocado, mas hoje não estou aqui para julgar e decidir, apenas conciliar. Me parece, Sr. Dursley que a proposta é justa, se decidir não a aceitar e sim, prosseguir com o processo de guarda, lhe garanto que as suas chances de obter mais do que o oferecido pela Sra. Dursley, são mínimas. Meu conselho ao senhor é que aceite sua proposta, repense a si mesmo e seus valores, faça terapia para aprender a lidar com a raiva e, futuramente, se provar que pode ser um pai mais ativo na vida do seu filho sem prejudicá-lo, poderemos rever e elaborar um novo esquema de visitação.
— Eu não tenho a intenção de te afastar do seu filho, Vernon, mas se você não mudar, ele se afastará por conta própria. No futuro, podemos repensar e considerar dois fins de semana por mês de visitação, mas, neste momento, preciso proteger o meu Duda. — Seu tom era firme e definitivo.
Vernon parecia perceber que estava derrotado, mas sua raiva era visível e Petúnia não se surpreendeu, ela nunca acreditou que ele pareceria minimamente envergonhado ou arrependido. Foi sua crença de que o ex-marido não alteraria a forma de pensar que a impulsionou ao momento em que estava agora e, mais do que nunca, Petúnia percebia que era a decisão certa.
Depois de conversar outra vez com seu advogado, Vernon aceitou o acordo de conciliação, ele queria lutar e tornar a vida de Petúnia um inferno, mas a chances de perder eram muito grandes e isso lhe custaria muito dinheiro e, afinal, ele nunca foi um homem de apostas arriscadas. Sua única esperança era que conseguisse convencer seu filho a odiar aquelas aberrações outra vez e, então, escolher morar com ele. Sim, decidiu Vernon, satisfeito com esse pensamento, isso deixaria Petúnia muito magoada caso o filho preferisse ele e a abandonasse, seria uma justa vingança.
Depois do acordo de conciliação assinado, Petúnia foi para casa com seu filho sentindo seus ombros centenas de quilos mais leves. Agora, pensou, poderia começar a cuidar de si mesma, ainda não sabia o que faria com a recém conquistada independência financeira, liberdade e poder para decidir cada uma das ações em sua vida. Mas, seja lá para onde fosse a partir daqui, talvez, esperançosamente, poderia não se sentir tão envergonhada de si mesma.
Sirius parou em frente a porta da sala de Denver, hesitando em entrar, o que, claro, por si só era motivo de ansiedade. Suspirando, ele fechou os olhos tentando se acalmar, se James ou Remus estivessem ali e o vissem tão ansioso por ir falar com uma mulher... pior, ansioso por estar ansioso, seus dois amigos rolariam de rir. Mas essa não era qualquer mulher, a atração que sentia por ela era forte e diferente do que já sentira antes, de uma maneira que nem conseguia explicar. E, se isso não bastasse, Denver era uma rocha dura, forte, inflexível, que não cedia um milímetro de espaço para que ele se aproximasse, fato que, na verdade, o fazia admirá-la ainda mais, como se não tivesse dezenas de motivo para isso. Sua beleza física despretensiosa e adulta, ele era um homem saudável e não podia deixar de notá-la, claro, e Denver era toda mulher, feminina sem exagero, consciente sem vaidade. E, ainda havia sua dedicação incansável ao trabalho, inteligência, mente afiada, sarcasmo, bondade... Nunca se esqueceria de seu apoio há apenas 3 semanas quando desabara depois de encontrar todos aqueles jovens feridos. Bem, a verdade é que, tudo isso tornava impossível que ele não admirasse Emily Denver e, acrescente a atração física tão, incrivelmente... distrativa, e sua ansiedade por sua decisão de fazer um movimento era esperado, provavelmente.
Bem..., ele estar aqui, era inesperado, admitiu, já que estava sendo sincero, afinal, não era o tipo de homem que procurava relações complicadas, e não havia como uma relação com Denver, não importa o tipo, não ser muito complicada. Talvez, fosse um efeito pós Azkaban, uma espécie de espirito camicase, pensou Sirius, tentando encarar com humor a situação a qual não tinha o menor repertório.
Respirando fundo, ele bateu na porta e entrou assim que ouviu sua voz lhe autorizar. Denver estava atrás da sua mesa trabalhando em sua papelada habitual, o horário de expediente se encerrara a mais de uma hora, mas, como sempre, sendo a chefe e não tendo uma família lhe esperando, não se importava de trabalhar até mais tarde.
— Black? Não o estava esperando hoje, você veio treinar na academia? — Denver o olhou brevemente com estudada indiferença antes de voltar sua atenção para o papel em suas mãos e assiná-lo. O silêncio de Sirius a fez olhá-lo de novo e se deparar com aqueles intensos olhos prateados que a encaravam como sempre, era como se lessem sua alma. — Não tinha um movimento da OP hoje?
— Não, cancelamos, tivemos muito sucesso em pouco tempo e estamos começando a atrair a atenção, negativamente. — Disse Sirius se aproximando mais da mesa, queria que ela se levantasse e desse a volta, na posição em que estava, a mesa, um reflexo do seu trabalho, era usado como um escudo.
— Isso é inteligente, se eles começarem a desconfiar de suas ações, podem se tornar mais difíceis nas negociações. — Ela disse objetivamente e se levantou, rodeou e apoiou os quadris na beirada da mesa, cruzando o tornozelo.
A postura era falsamente descontraída e Sirius percebeu, sempre fora bom em ler as pessoas, as mulheres em particular, ainda que admitisse que com Denver, isso nem sempre funcionava.
— Sim, não apenas isso, mas temo que ao em vez de salvador, eles comecem a me ver como o inimigo, não muito diferente dos aurores, mesmo sem saber da nossa associação. — Disse Sirius se aproximando displicentemente. — Mas, não foi sobre nada disso que vim aqui hoje, na verdade, gostaria de falar sobre um assunto pessoal. Poderíamos sair para beber alguma coisa?
Denver, imediatamente, se colocou em guarda, ainda que, não desejando mostrar nenhuma fraqueza, não mudou sua postura ou se afastou dele. O único sinal que Sirius pode identificar como contrária à sua proposta foi o movimento de cruzar os braços.
— Lamento, mas ainda tenho muito trabalho, Black, não deixarei o escritório tão cedo. Se for algo urgente diga agora mesmo ou podemos marcar para um outro dia. — Denver disse mostrando pouco interesse em fazer isso, mas Sirius já esperava essa resposta e apenas sorriu.
— Tudo bem, podemos conversar aqui mesmo. — Disse ele com seu sorriso aumentando. Denver se tencionou levemente ao perceber que, ficar ali e conversar, foi sua intenção o tempo todo, ele apenas pediu mais para que ela caísse em sua armadilha. — Quero falar sobre nós. — Sirius disse isso se aproximando mais alguns centímetros e gesticulando com a mão entre os dois.
— O que? Não existe nós, Black, eu não sei do que está falando. — Disse Denver com voz tensa.
— Você tem razão, não existe nós e é isso que devemos mudar. — Sirius abaixou a voz e olhou para sua boca, a atração física entre eles estalou no ar como uma corrente de eletricidade, o ar ficou mais denso e quente. — Não venha com hipocrisia para o meu lado, Denver, nenhum de nós dois é mais criança e não estou interessado em fingir que não estou louco para te foder cada vez que ponho os olhos em você. Ou que não sonho com isso todas as noites... — Ele deu um passo mais perto e suas respirações de misturaram, Sirius podia ver o efeito nela, o pulso do pescoço disparado, a respiração levemente ofegante, as pupilas dilatadas. — Preferiria passar minhas noites transando com você, dando prazer a nós dois do que sonhando com isso, Denver e acredito que é isso que quer também.
Denver fechou os olhos por um segundo tentando não encarar os olhos prateados ou a boca grande e carnuda que ficava muito sexy cercada pela barba preta bem aparada, na tentativa de negar a verdade óbvia. Precisava ser forte e dizer não, assim, respirou fundo e foi tomada pelo cheiro dele, seu corpo traiçoeiro reagiu como sempre, sua boca secou e seu ventre se contorceu de desejo. Sem escolha, ela se afastou e voltou a se colocar do outro lado da mesa, dane-se se isso a fazia parecer fraca.
— Isso está fora do tom, Black, eu sou sua superiora e treinadora, exijo mais respeito, qualquer dos meus recrutas ou subordinados que falassem assim, estariam expulsos ou demitidos em um segundo. — Disse ela com voz levemente ofegante. — Vou me esquecer dessa conversa, mas...
— Corte a besteira, Denver. — Sirius falou com voz dura. — É assim que vai agir? Se escondendo, se protegendo atrás da sua mesa? Atrás do seu cargo?
— Eu não estou me escondendo de nada, Black, não preciso usar meu trabalho para me proteger, porque nada está acontecendo e continuará assim. — Seu tom foi igualmente duro e seu olhar se esfriou.
— Oh, por favor, acredita que fingir que não estamos atraídos um pelo outro fará isso desaparecer? — Sirius deu a volta na mesa, mas não invadiu o seu espaço desta vez. — Podemos fazer isso, se me disser que não sente nada por mim, que estou imaginando que me deseja tanto quanto eu te desejo, tudo bem, seguimos em frente e não mencionarei mais isso.
— Black, você está cruzando a linha aqui e não lhe dei qualquer abertura para isso, não me lembro, nunca, de ter lhe dado a ideia de que, independentemente de qualquer atração física, algo poderia acontecer conosco. — Denver deu um passo à frente com a mãos levantadas como se o empurrasse sem tocá-lo e disse enérgica. — Recue!
Sirius de um passo atrás, atendendo, instintivamente, sua ordem de se afastar e não forçar a proximidade. Suspirando, foi até a janela e olhou para Londres, era possível sentir a energia da cidade, das pessoas que caminhavam ansiosos para casa ou para um happy hour depois de um dia duro de trabalho.
— Você está certa, nunca me deu qualquer abertura ou me fez acreditar que aceitaria minha investida, no entanto, eu tinha que tentar. — Sirius voltou a olhar para ela e sorriu. — O Sirius de antes de Azkaban jamais faria isso, por imaturidade e por não querer complicações. Eu era jovem e pensava, porque ter uma mulher só, quando existem tantas com quem me divertir? E, que querem o mesmo que eu, diversão sem compromisso. Mas, olhando para traz, hoje, percebo e admito que também tinha medo da ideia de me comprometer, da responsabilidade, do fracasso. Talvez, com o tempo e a garota certa, eu superasse isso, mas...
— Isso lhe foi tirado. — Disse Denver suavemente.
— Sim, isso e muitas outras coisas, as vezes sinto dificuldade em me associar com a passagem de tempo, me lembrar que tenho 32 anos, porra, farei 33, mês que vem. — Sirius parecia desconcertado. — Estou descobrindo o novo Sirius, quem sou depois de tudo o que aconteceu, estou também decidindo quem quero ser e o que quero fazer da minha vida. Depois de tanto tempo encarcerado e sem controle, gosto disso, Denver, e percebi que quero coisas diferentes do que queria a 11 anos.
— O que você quer? — Perguntou ela engolindo em seco.
— Quero complicações, quero viver os meus sentimentos, não fugir deles, quero aproveitar cada segundo de vida, uma vida que temi nunca teria a chance de viver. — Sirius deu um passo em sua direção. — Eu poderia ser o Sirius de antes, fugir de compromissos e me esconder atrás de tudo o que está acontecendo em minha vida no momento. A OP, terapia, treinamento auror, meu afilhado, são todos motivos válidos para não querer mais complicações, no entanto, eu quero mais. Denver... — Sirius se aproximou mais e a olhou sincero. — Minha vida talvez fosse mais fácil se eu apenas saísse a noite e me divertisse sem compromisso, não há nada de errado nisso e acredito que você escolheu esse caminho para sua vida também. Se dedicar ao trabalho e se divertir sem compromisso, você deve ter seus motivos e eu respeito isso, mas...
— Mas o que, Black? O que? Está querendo dizer que a atração que sentimos é diferente ou especial, ou qualquer bobagem romântica sem sentido? — Denver disse com zombaria.
Sirius riu divertido e a olhou quase com carinho.
— Não, é claro que não. Além disso, eu nunca fui do tipo romântico e acho que já deixei bem claro o que quero fazer com você, Denver e lhe garanto que romance é a última coisa que passa em minha mente. — Sirius se aproximou mais e tocou seu braço com as pontas dos dedos, a eletricidade do contato percorreu os dois e arrepiou os pelos de seu braço. — Quero apenas viver isso, seja lá o que for, intensamente, e mesmo que não saibamos quanto tempo durará, mesmo que seja meio assustador, ainda será muito bom e dane-se o resto.
— Black, não é tão simples...
— Não, Denver... Emily, me escute, nada que é bom é simples, eu estou com medo também, mas ainda quero você, muito mesmo e não deixarei de ir atrás do quero. — Sirius ergueu sua mão e passou seus dedos por seu rosto, suavemente, rodeou seu maxilar até tocar seus lábios pequenos e grossos.
Denver respirou fundo, a boca estava tão seca que, instintivamente, passou a língua por eles e lambeu as pontas dos seus dedos suavemente. Os dois gemeram e, de repente, estavam movendo-se juntos, buscando a boca um do outro, as línguas se encontraram, o calor e a eletricidade pareciam que os queimaria tamanha a sua intensidade. Eles estavam se beijando com um desejo que os desconcertou, Sirius segurou sua nuca com uma mão e, com o outro braço, rodeou sua cintura a apertando contra seu corpo e tentou assumir o controle dos beijos, mas Denver lutou de volta, segurando seus cabelos grossos e encaracolados com força e tentando guiar sua boca como ela queria. A luta durou por alguns minutos sem ninguém ceder e com os dois vitoriosos, até que eles se afastaram por ar e Sirius, imediatamente, atacou seu queixo e pescoço, Denver gemeu quando a barda raspou e a língua queimou a sua pele e ela voltou a puxar seus cabelos até guiar sua boca de volta a dela e gulosa o beijou segurando seu lábio inferior entre os dentes e, com uma leve mordida, o fez gemer de volta. Desistindo de controlar o beijo, Sirius a segurou pelo quadril, desceu as mãos até sua bunda e a apertou sua pélvis contra sua ereção, sua mente estava pensando em qual superfície a pousava para fodê-la bem duro, quando, de repente, ela o empurrou e se afastou.
Os dois ficaram bem longe um do outro, tanto quanto a sala permitia, ofegantes e se encarando. Sirius pode ver sua mente voltar a raciocinar e ele moveu a cabeça.
— Não, não faça isso, Emily, você quer também, por favor... — Ele deu um passo em sua direção, mas ela levantou a mão defensivamente.
— Não. — A palavra saiu com firmeza e segurança, apesar de todos os sinais de excitação que Sirius podia enxergar nela. — Se você chegar muito perto não consigo raciocinar e preciso dizer... deixar bem claro porque não podemos levar isso adiante, não importante se for um caso de uma noite, semanas, meses ou anos. Escute, porque assim são as coisas e você precisa aceitar, Sirius, não existe outro caminho se você quer ser um auror. Entendeu?
— Emily...
— Você quer ser um auror, Sirius? — Denver perguntou mais duramente. — Você quer ser o Sirius de antes que pensava em sua própria satisfação ou você quer ser o Sirius que nasceu para ser? O Sirius justiceiro que defende e encontra justiça as vítimas? O Sirius que nunca esqueceu aquela garotinha?
— Não, por favor... — Sirius recuou, não queria falar sobre ela, não agora.
— Porque ela existe em você, em nós, desde que compartilhou comigo, seus motivos, seu desejo de ser um auror é mais nobre do que o de muitos, do que os meus. E, não quero que desista, você e ela merecem essa chance e não podemos fazer nada que coloque isso em risco. — Denver passou as duas mãos pelos cabelos marrons e curtos, ansiosamente. — Eu sou sua superior, treinadora, avalio suas provas práticas e teóricas, essa reponsabilidade é minha e King apenas me supervisiona. Sou exigente com você, mais do que com qualquer outro recruta porque, quando chegar ao esquadrão auror, muitos duvidarão que você realmente teve um treinamento, pensarão que inventaram e te colocaram lá por você ser quem é ou por pena. Sabe o que aconteceria se desconfiassem que tivemos um caso? Tudo seria cancelado, tudo, Sirius, todo o treinamento invalidado, a operação poderia ser colocada sob suspeita, pessoas presas poderiam voltar para as ruas. Uma noite ou 100, seriamos felizes, viveríamos isso... seja lá o que for, mas as consequências para nossas carreiras, para o seu sonho, seriam desastrosas. E não, não faremos isso escondido, porque os riscos de sermos descobertos é grande, por King, com certeza, e como nosso supervisor seria obrigado a nos denunciar ou sua carreira também estaria em risco.
— Isso seria uma bola de neve... — Sussurrou ele um pouco chocado.
— Você entende agora? Não estão errados em tornar isso uma regra de expulsão ou demissão, sabe. Você pode imaginar se os recrutas dormissem com seus supervisores ou treinadores e conseguissem acesso ou facilidades, mesmo a aprovação em testes? — Denver suspirou mais aliviada ao perceber que ele entendia. — Imagine esse auror sem o treinamento certo nas ruas e...
— Isso seria um desastre, entendi. — Sirius foi até a janela e olhou a cidade vibrante. — O que fazemos, então, fingimos?
— Sim, fingimos e continuamos o seu treinamento, vou pegar pesado como sempre e você será o melhor auror daquela porra de Ministério. A OP Travessa do Tranco será um marco para o Departamento Auror e para sua carreira, muitas pessoas estarão mais seguras e você terá realizado seu sonho, o que te impediram de realizar, injustamente, por tantos anos. — Disse ela com firmeza.
— E, nós, nunca poderemos... — Sirius hesitou, estranhamente triste, era tolice, era só uma atração física e seus sonhos e projetos eram mais importantes, ainda assim, parecia injusto ter um e abrir mão do outro. Ele já perdera tanto, queria tudo, estava cansado de fazer sacrifícios, no entanto, isso soava tão egoísta e errado também.
— Como você disse, nós somos adultos e isso é só uma atração física, podemos cuidar disso estando com outras pessoas e podemos... devemos nos controlar. — Denver rodeou a mesa e mexeu nos papéis meio sem jeito. — Nem mesmo uma suspeita deve haver, assim, agiremos com mais profissionalismo daqui por diante, sem tolices, brincadeiras ou... beijos. Entendido, recruta Black?
— Sim, Chefe Denver. — Sirius a olhou por um segundo e acenou antes de deixar seu escritório sem mais nenhuma palavra.
Seu passo foi mais lento e Sirius tentou não pensar que, incrivelmente, deixá-la para traz parecia mais errado do que tudo o que já fez em sua vida.
Serafina e Falc estavam no saguão da Editora Aprilis, ao lado da Sra. Clark, esperando os primeiros bruxos que compareceriam para a troca dos livros. Eles todos tinham a esperança de que a procura seria grande e poderiam recolher um grande número dos livros falsos. A dona da Editora Aprilis, que se indignara com toda a história dos livros Harry, O Aventureiro, se prontificara em conseguir os livros infantis e juvenis no mundo trouxa e mágico pelo preço de custo, pois acreditava que o movimento era para uma boa causa e uma grande propaganda, além de uma chance de abertura de mercado para livros trouxas no mundo mágico. Assim, a devolução do dinheiro seria acompanhada da entrega desses livros, seria um livro por um livro.
O anúncio no Profeta no dia anterior já estava tendo repercussões, discussões na rádio bruxa, mais artigos na edição do jornal de hoje, além de uma furiosa visita do dono da Editora Charmel que, inteligentemente, decidiu fechar o escritório por alguns dias. Suas acusações e ofensas foram cortados por Falc que foi bem claro ao dizer-lhe que qualquer tentativa de processá-los ou tentar continuar com os livros, se voltaria contra eles, o homem era, suficientemente, inteligente para entender que o melhor era recuar e foi o que ele fez. Falc estava otimista que com o movimento de devolução e troca, talvez, ninguém processasse a Editora Charmel ou mesmo Dumbledore, ainda que eles merecessem.
O começo da manhã pareceu promissor com algumas pessoas entrando e trocando os livros, por volta das 9 horas havia uma pequena fila que chegava a calçada. Duas horas depois, toda a travessa estava tomada por pessoas e eles se esforçaram para organizá-los e pedir compreensão pela demora, mas, não foi nada fácil. Infelizmente, os pais se mostravam indignados e mal-humorados, as crianças, que ainda não estavam em Hogwarts e foram trazidas, estavam tristes e impacientes, algumas não queriam devolver os livros e choravam, pois, eram obrigadas por seus pais. Antes das duas horas o caos tomou conta de todo o Beco Diagonal, todos os funcionários da Aprilis estavam envolvidos, mas logo, Edgar enviou os funcionários da GER para ajudar com a organização e distribuição do dinheiro e livros.
Enquanto tudo isso acontecia, os repórteres acompanhavam com atenção e, no final do dia, lançaram uma edição especial com fotos de crianças chorando e entrevista com pais furiosos. O dia caótico parecia não chegar ao fim porque as pessoas se recusavam a deixar a fila e voltar no dia seguinte com medo de perderem seu lugar na fila ou não ter mais dinheiro e, quando se espalhou um boato de que não haveria mais trocas ou devoluções além do dia de hoje e as pessoas entram em pânico de fúria, ameaçando invadir a Editora a força. Felizmente, a Sra. Clark conseguiu desfazer o boato rapidamente e ainda conseguiu comida e bebida para quem esperava na fila o dia todo.
— Tem centenas de pessoas lá fora ainda e eles não irão embora, ouvi alguns dizendo que com esse dinheiro irão pagar o aluguel ou fazer o mercado da semana. — Serafina muito exausta se sentou com a Sra. Clark, Falc e Edgar em uma das salas da editora e bebeu seu chá tentando aliviar a tensão. — Nunca pensei... não esperava algo assim, achei que eles ficariam chateados, zangados por serem enganados, mas essa fúria e desespero...
— Acredito que não previmos tudo e seria impossível fazermos isso, não somos videntes, mas eles são pais e estão vendo seus filhos sofrerem e chorarem, além disso, muitos precisam do dinheiro. — Disse Falc se sentando no braço da sua poltrona e apertando seu ombro.
— Os livros eram caros e muitos desses pais fizeram sacrifícios ou estavam em um momento melhor financeiramente, agora tudo está diferente, a crise econômica é um fator determinante para essa reação exacerbada, acredito. — Disse Sra. Clark pensativa.
— O Ministério demitiu centenas de pessoas, cortou salários e horas extras, isso diminuiu o consumo das famílias o que desacelerou o comércio e a fabricação de produtos, que levou a mais demissões e não há vagas de empregos em qualquer setor. Estamos vivendo talvez uma das piores crises econômicas do mundo mágico e não acredito que ainda acabou, vamos ver mais pobreza e desespero, infelizmente. — Disse Edgar seriamente.
— Bem, acredito que tenho uma boa notícia para, quem sabe, ajudar que tudo melhore mais rápido, na última reunião do conselho e da AP, conseguimos, por votação unanime, que a mensalidade de Hogwarts diminuísse em 40%. — Disse Serafina sorrindo animada.
— Isso é incrível! Lembro como era difícil para os meus pais pagarem as mensalidades quando estive na escola. — Disse a Sra. Clark e Edgar acenou concordando.
— Não sei se resolverá essa recessão, mas acredito que muitas famílias poderão ter um desafogo financeiro e quem sabe consumir mais. O problema são as famílias que não têm empregos, sem salário, não importa muito o valor da mensalidade. — Disse Edgar mais realista.
— A curto prazo não ajudará, mas quem sabe com outros movimentos, quer dizer, o Ministério tem que fazer algo, abaixar os impostos, taxas ou algo assim para acelerar a economia. — Disse Falc preocupado.
— Você espera muito do Ministério, Falc, sou mais cínico. — Edgar apontou com um sorriso.
— Quais são as expectativas da GER em abrir todas essas novas lojas em um momento tão difícil, Edgar? — Perguntou a Sra. Clark curiosa.
— Bem, realisticamente, esperamos uma porcentagem de fracassos, é impossível que 100% dos negócios sejam um sucesso, gere lucro ou se torne popular, principalmente, porque estamos inserindo produtos de outra cultura em uma sociedade já estabelecida. — Edgar deu de ombros, mas parecia preocupado. — Com uma crise dessas e a desaceleração do comércio e indústria, essa porcentagem aumenta, principalmente para produtos menos essências, em tempos de crises as pessoas não compram o supérfluo, infelizmente.
— O que podemos fazer, Edgar? A GER me parece um projeto tão importante e que pode ajudar tantas pessoas, o que faremos para que não seja um fracasso? — Perguntou Falc intensamente preocupado.
— Precisamos de mais empregos, mais fábricas, mais produção, o comércio, as lojas não geram tantos empregos como a indústria. No entanto, as fábricas que já existem estão com dificuldades, quem seria louco de começar algo novo? — Edgar apontou sensato.
Serafina ia falar algo quando um patrono brilhante apareceu na sala e os assustou, era um dragão enorme que parecia um lagarto de tão cumprido era sua calda.
— Serafina, Falc, estou com um problema em Hogwarts, sobre o Harry, nada grave, por favor, acesse a lareira do meu escritório. — A voz esganiçada, mas séria do professor Flitwick soou no escritório.
Eles se olharam preocupados e rapidamente deixaram a Editora e foram para o escritório de Falc. Descobriram então que ao longo do dia, milhares de cartas chegaram para o Harry em Hogwarts.
— Elas começaram de manhã, centenas de corujas entrando e jogando cartas para ele, mas ao longo do dia elas não pararam, assim, as direcionei ao meu escritório para não atrapalhar as aulas e quando cheguei aqui, encontrei isso. — Disse ele gesticulando para a pilha de milhares de cartas no chão.
— Merlin, deve ter umas 5 mil cartas aqui, talvez mais. — Disse Falc chocado.
— Harry não teve tempo de abrir nada e ler, mas ficou muito chateado porque disse não querer cartas de fãs, consegui acalmá-lo lhe explicando que, até lermos, não é possível saber o que elas dizem. — Contou Flitwick preocupado.
— Imagino que ele ficou horrorizado só de pensar nisto, no entanto, teremos que as ler, mesmo que demore semanas, precisaremos fazer isso e classificá-las. — Serafina suspirou e pegando sua varinha começou a enviá-las para uma sala vazia na Abadia. — Vou enviar tudo para a Abadia e direcionar as cartas de estranhos para lá, assim, Harry só receberá cartas da família e amigos. Devíamos ter pensado nisso, foi tolice da nossa parte, sinto muito, professor.
— Ora, não se preocupem, Harry foi muito corajoso em dar aquela entrevista e fazer esses anúncios. É muito bom que as pessoas saibam a verdade, mas, mesmo que seja o certo, algo deste tamanho tem consequências e teremos todos que lidar com o que vier. — Disse Flitwick sensato.
As consequências vieram em mais uma hora quando retornaram para a Editora com a intenção de continuarem a ajudar na devolução e troca. O número de pessoas ainda era grande, mas pareciam estar diminuindo aos poucos e eles estavam otimistas de terminarem antes da meia noite. Foi quando a notícia da tentativa de suicídio de uma jovem chegou e chocou a todos, Serafina se recostou na parede pálida e trêmula, completamente arrasada e ouviu muitas pessoas dizendo que a culpa era da Editora Charmel, que estavam enganando e fazendo mal as crianças com mentiras. Outros ainda gritaram contra o Dumbledore e houve muitos falando mal do Ministério, mas ela não prestou atenção.
Enquanto tentavam explicar as pessoas que deveriam voltar amanhã e que precisavam encerrar, houve mais caos, muitos não queriam ir embora, mas as notícias deixaram todos abalados e, depois de um dia exaustivo, era visível que ninguém poderia continuar. Sra. Clark, gentilmente, pediu compreensão e, finalmente, as pessoas recuaram e começaram a ir ao ponto de aparatação e partir. Serafina e Falc estavam tentando decidir o que fazer primeiro, avisar o Harry para que a notícia não chegasse pelo jornal ou ir para o St. Mungus descobrir a situação da menina antes de ir avisá-lo. Mas, então, tudo explodiu de repente quando alguém lançou um feitiço de explosão em um dos prédios do beco principal, o clarão de fogo, as chamas altas e os barulhos envolveram o Beco Diagonal assustando a todos e iluminando a noite. Ao correrem para tentar deter o fogo, descobriram que o prédio que tinha o escritório da Editora Charmel estava em chamas e elas tentavam atingir os prédios ao lado. Os adultos presentes, imediatamente, se colocaram em ação tentando apagar as chamas altas.
O dia que parecia não ter fim envolveu a chegada dos aurores e muitos depoimentos, mais fotos e entrevistas. Serafina foi para o hospital e Falc foi para Hogwarts avisar Flitwick para que este contasse a Harry, Terry e os amigos o que aconteceu. Boa medida porque, antes da meia noite, o Profeta lançou outra edição especial noturna com os novos acontecimentos. Quando o dia amanheceu a notícia era de que Sally Trypier estava bem, mas que seus problemas mentais a obrigariam a ficar para sempre na enfermaria de longo prazo do St. Mungus. Serafina e Falc conversaram com os pais, mas estes não foram receptivos a ajuda deles, na verdade, pareciam aliviados que Sally estaria sendo cuidada e ela não seria mais um peso para eles. Eles disseram que antes não conseguiram a vaga na enfermaria porque os médicos alegaram que ela não era um perigo para o Estatuto de Sigilo e que essa classificação mudou agora.
— Antes, se quiséssemos interná-la, pagaríamos uma fortuna para mantê-la aqui, mas, agora que a classificação mudou, os custos são bem menores, e não, não precisamos de caridade, sou mais do que capaz de prover a minha família. Obrigado. — Disse ele com orgulho.
— Olha, isso não é culpa de vocês ou daquele garoto doce que já foi tão enganado, assim, não temos qualquer ressentimento, mas preferimos que não voltem, não queremos saber da imprensa ou da nossa família exposta. — Disse a mãe, claramente, envergonhada com a ideia de todos sabendo que tinha uma filha doente.
Depois disso, eles recuaram, apenas insistindo que a menina pudesse ter os livros, Serafina pode visitá-la brevemente e lamentou que eles se recusassem a considerar o tratamento trouxa.
O resto do dia, assim como o resto da semana foi um caos e o número de cartas continuou a aumentar, as entrevistas com as pessoas que se sentiam enganadas e prejudicados pela Editora, Dumbledore e o Ministério estavam no Profeta todos os dias. A rádio bruxa discutia o assunto, entrevistava pessoas por suas opiniões e os níveis de insatisfação eram imensos. Os aurores não conseguiam descobrir quem destruíra o prédio da Editora Charmel que, além desse escritório, tinha os escritórios de outras empresas que se prejudicaram sem terem nenhum envolvimento em toda a história. A tensão estava alta e os pais que ainda vinham trocar os livros mostravam isso sendo mais agressivos, mesmo que reconhecessem que Harry Potter não era o culpado, alguns estavam zangados por ele causar toda essa confusão.
Serafina tinha se afastado do seu trabalho em uma licença temporária para poder se dedicar ao trabalho como diretora executiva da AP, assim, durante a semana pode estar com muitas dessas pessoas e tentar acalmá-las. Esse atendimento personalizado trouxe mais simpatia para o lado deles, até porque o Ministério, a Editora e Dumbledore não se pronunciaram, nem mesmo um pedido de desculpa formal no Profeta foi lançado. Parecia a todos, que eles não se importavam ou estavam esperando que todos esquecessem ou deixassem para lá, mas isso não aconteceria tão cedo.
Então o ataque aconteceu no Halloween e a semana difícil se tornou pior, algo que não consideravam possível.
— Eu vou lá amanhã, quero descobrir tudo o que está acontecendo em detalhes para manter os pais informados e saber como estão as crianças. — Disse Serafina na mesa da cozinha da Abadia, era madrugada, mas ao receberem a notícia, ela e Falc foram informar Sirius e o Sr. Boot.
— Acho que eles não tinham amizade com a menina, mas, se ela é uma Ravenclaw, Harry e Terry estarão abalados e, justamente, eles tiveram que encontrá-la. — Disse Sirius preocupado.
— O que nos diz que eles não mantiveram a promessa de não se envolver, seguir vozes por Hogwarts é muito envolvimento, na minha opinião. — Disse Serafina chateada.
— Querida, a mensagem de Flitwick nos disse que, eles encontrarem a menina, lhe salvou a vida. Como podemos culpá-los ou repreendê-los? — Disse Falc sensato.
— Eles agiram por instinto, Serafina, Harry tem bons instintos e chamaram por ajuda assim que possível. — Disse o Sr. Boot.
— Acredito que não devemos tentar reprimir estes instintos ou sua capacidade de desvendar os mistérios. — Sirius defendeu o afilhado. — Na verdade, eu só estou aqui hoje, porque vocês o ouviram e devemos continuar a fazer isso. Quando se encontrar com King amanhã, diga-lhe isso, Serafina, porque ignorar as ideias dele é tolice.
— Você fala como se ele fosse um auror de 12 anos, um prodígio, Sirius, sabemos que Harry é inteligente, mas não podemos autorizar ou pedir que um auror quebre os protocolos e o envolva na investigação. — Disse Serafina indignada.
— Ok, tudo bem, mas não podemos ignorá-lo, se ele tem uma ideia, temos que ouvir, se King e Moody subestimá-lo, estarão perdendo tempo precioso. — Encerrou ele seriamente.
Serafina, apesar da opinião dos três homens, pensava diferente e seguiu sua opinião, se recusando a ouvir o que o Harry tinha a dizer, suas ideias ou pensamentos. Foi firme em proibi-lo e aos outros de se envolverem nas investigações e deixou o castelo satisfeita, pois acreditou que eles a obedeceriam.
Enquanto isso, Dudley passou o primeiro sábado com seu pai no Centro Esportivo. Foi estranho no começo, eles não se viam a três meses e nenhum dos dois eram do tipo sentimental, assim, se cumprimentaram com certo constrangimento. Duda contou a ele dos esportes que fazia e como estava se destacando no boxe, tanto que ele vinha mais duas vezes durante a semana para treinar e usar a academia. Explicou sobre a perda de peso e como estava com mais energia e comendo saudável, seu pai não mostrou interesse nos outros esportes, apenas no boxe e ao ver seu treino o elogiou muito, parecendo orgulhoso, o que fez Dudley sorrir animado.
A escola foi um tema delicado, porque Duda falou sobre como era uma das melhores escolas de Londres e que Serafina Boot o ajudou a conseguir uma entrevista e, que depois disso, ele conseguiu uma vaga.
— Quem é essa? — Perguntou Vernon confuso.
— Oh! É, bem... uma espécie de madrinha do Harry, ela era amiga de escola da tia Lily e seu filho, Terry, é o melhor amigo dele lá em Hogwarts. — Duda explicou em tom baixo para ninguém ouvir, os dois estavam almoçando no Centro.
Vernon tinha feito uma careta para a comida de coelho e tentou ignorar a maneira como seu filho parecia mais feliz, animado e saudável do que a três meses. Também tentou não se sentir enciumado com suas conquistas, suas oportunidades e quantas vezes falou sobre como sua mãe fez isso ou falou aquilo, ainda que seu humor estivesse no chinelo de tão baixo. Mas, foi impossível ignorar a menção a Hogwarts, magia e bruxos, seu rosto se avermelhou e com muito custo se impediu de berrar.
— Você está tendo contato com aquelas aberrações!? — Cuspiu ele furioso. — Eu o proíbo, Dudley, não quero saber de você com amizade com esses tipos ou aquele anormal!
— Não fale assim! — Duda falou zangado e afastou o prato. — Meu primo não é anormal, ele é legal e não entendo porque o odeia tanto ou aos outros bruxos. A família Boot tem sido incrível conosco e eles não são pessoas más ou assustadoras como eu pensava, além disso, Harry é da minha família, meu sangue e isso é importante, sabe.
Os dois se mantiveram em silêncio e Duda olhou no prato constrangido e se sentindo meio culpado, era a primeira vez que enfrentava seu pai assim, duramente. Antes fazia birras ou tinha ataques de fúrias, mas, de certa forma, agora, parecia diferente, discordar e enfrentá-lo sobre algo tão importante.
Vernon respirou fundo tentando se acalmar, berrar feito um louco não o ajudaria em seu plano e precisava convencer seu filho de que ele estava certo.
— Desculpe, Duda, você está certo, eu não devo falar assim ou explodir sobre essas pessoas, mesmo que não goste delas. Isso poderia até me prejudicar em minha audiência sobre a acusação de abuso infantil, além de que, não posso falar nada sobre... suas esquisitices. — Disse ele mais razoável. — Entenda que estou muito zangado com tudo o que aconteceu, Duda, eu perdi um grande negócio, muito dinheiro, perdi sua mãe e você, além de poder ir para a cadeia e tudo isso por causa daquele menino.
— O que aconteceu não foi culpa do Harry, pai, ele não teve a intenção e...
— Eu sei, eu sei, sua mãe explicou que foi um acidente. —Mentiu ele pouco interessado em saber o que de fato aconteceu naquela noite. — Mas, Duda, eu nunca quis o menino em nossa casa, fazendo parte da nossa família, pedi a sua mãe que o enviasse embora, pois sabia que sua presença poderia nos prejudicar. Agora, perdi tudo, estou me sentindo tão sozinho naquela casa, meu filho, sem você e sua mãe, me sinto triste, arrasado. E, pior, posso acabar na cadeia e foi tudo um acidente, Duda, você precisa dizer que foi um acidente, eu não posso explicar a parte... anormal do que aconteceu e eles acreditarão que eu o joguei da escada. Posso passar anos preso, sem poder te ver, perder meu emprego, isso é.… um pesadelo. Você entende porque estou com raiva, Duda?
— Eu... sim. — Disse ele sem jeito e sentindo a culpa aumentar ao se lembrar que dissera aos policiais que seu pai jogou o primo da escada. — Mas...
— E, Duda, pior que eu estar infeliz, é ver sua mãe infeliz, me sinto arrasado, não sei o que fazer. — Disse ele passando as mãos pelos cabelos tristemente.
— Mamãe está infeliz? — Duda perguntou confuso. Ele sabia que quando deixaram a casa no número 4, tudo foi difícil para todos, mas teve a impressão que sua mãe e ele estavam melhorando.
— Claro que está. Eu a conheço muito bem, Petúnia nunca se sentiria feliz por terminar nosso casamento, ela me ama como eu a amo. Mas ela está fazendo isso por obrigação, sente que tem um dever ou dívida com a irmã, eu não sei, não entendi direito, sua mãe tentou me explicar, mas, tudo o que compreendi, era que pretendia me deixar por causa do menino, da proteção e porque eles iam tirá-la dela e isso seria errado. — Vernon parecia sincero. — Você entende, Duda? Sua mãe está infeliz, nos deixando infeliz por um senso de dever, por obrigação e me sinto furioso, porque não merecemos isso, você não merece estar longe de mim. Não posso nem te levar para minha casa nos fins de semana...
— Mamãe disse que isso é temporário, que em alguns meses eu poderei visitá-lo e passar os fins de semana com o senhor. — Disse Duda tentando animá-lo.
— Isso nunca acontecerá se eu acabar na cadeia, filho, serão anos sem nos vermos ou, se não for para a cadeia, mas acabar condenado e tendo que cumprir serviços comunitários, sua mãe pode usar o seu advogado caro para me impedir de ver você. — Disse Vernon preocupado. — E, como ela está pagando por aquele advogado, afinal?
— Mamãe não fará isso, ela disse que, se o senhor se acalmar e parar com suas explosões de raiva, poderemos passar mais tempo juntos. E, talvez, o senhor não vá preso, mamãe e eu diremos que o senhor não teve a intenção de jogá-lo da escada, eles entenderão. — Disse Duda tentando ser otimista.
— Talvez. Mas o que mais me faria feliz é ter vocês dois de volta, para podermos ser uma família. Duda, você não quer isso? Não quer que estejamos juntos como antes? — Vernon se inclinou o olhando intensamente. — Se você pedir a sua mãe, ela o atenderá, porque você é quem ela ama mais no mundo, por favor, filho, estou muito infeliz e sua mãe também, está em suas mãos resolver isso.
— Eu... não posso fazer isso, eu... — Duda engoliu em seco ao ver seu rosto espantado.
— Porque não? Você não nos quer como uma família? Unidos? Não sente falta de viver com seu pai? — Seu tom era acusatório e Duda engoliu em seco outra vez.
— Não. Sinto muito, papai, mas gosto mais da mamãe de agora, gosto mais de quem sou agora, gosto mais da minha vida de agora. Não quero voltar, sinto sua falta, mas não de viver com o senhor. — Duda viu o rosto de seu pai empalidecer e parecer magoado, sentindo-se culpado, se levantou. — Tenho que ir para academia agora, hum... se quiser ficar, podemos andar de bicicleta ou nadar juntos depois.
— Duda! — Vernon chamou quando ele começava a se afastar. — Você me decepciona, filho, nunca pensei que seria tão egoísta, que não se importasse com seu pai.
Duda se virou e olhou para as mãos envergonhado.
— Sinto muito, de verdade, mas foi o senhor quem me ensinou a ser assim, talvez... talvez, eu me torne melhor com o tempo. Estou tentando ser melhor e o senhor deveria fazer o mesmo. — Disse ele e sem olhar para o pai se afastou na direção da academia tentando engolir a vontade de chorar.
Harry tinha certeza que seria interrogado sobre suas ações daquela manhã de segunda-feira, assim que as aulas terminassem. Esperava por Hermione, Terry, quem sabe, Moody e Dumbledore, mas, para sua surpresa, a primeira pessoa que o encurralou e exigiu sua presença em seu escritório foi Flitwick. Eles tinham treinamento naquela noite, mas Harry nem deixara sua última aula, História, quando o pequeno professor o procurou e pediu que o acompanhasse, sua postura e fala estava normal, mas Harry sabia que a conversa não seria sobre questões escolares.
— Você sabia qual era a criatura. — Ele afirmou sem preâmbulos. — Desde quando?
— Desde sexta-feira à noite, quando o Sr. King me perguntou se tinha certeza que era um animal fêmea, percebi, ao me concentrar, que não estive ouvindo inglês e sim a língua das cobras. — Harry disse sem titubear, também não se sentou, pois não foi lhe oferecido um acento. — Os Boots me disseram para manter segredo sobre minha habilidade, meu primeiro instinto foi esconder já que não sabia nada sobre Moody ou confio em Vector. Depois, percebi que em poucas horas eles saberiam de qualquer forma e entenderiam, decidi apenas me adiantar e descobrir qual tipo de cobra era, pesquisei na biblioteca e encontrei as informações sobre o basilisco.
— E porque não informou na reunião de sábado? — Questionou ele muito sério.
— Quando? Eles não quiseram me ouvir, deixaram bem claro que não querem meu envolvimento e disseram que, seja lá qual eram minhas ideias, eles a teriam também se já não as tivessem. — Harry deu de ombros. — Serafina, Terry e Hermione me chamaram de arrogante pela forma como eu agi e acredito que King pensou o mesmo.
— Você foi arrogante. — Disse seu professor quase com humor.
— Sim, fui, não porque me acho melhor que eles ou que não possam resolver o mistério por si mesmos, apenas sei que posso ajudar e tive que defender minha crença. Isso me fez arrogante. — Disse Harry e sem poder esconder sua irritação continuou. — Mas, eles também foram, arrogantes e paternalistas, como se eu fosse inferior porque tenho 12 anos, como se não pudessem nem mesmo considerar me ouvir porque, com certeza, eu não saberia de nada que eles já não sabiam. Sra. Serafina não foi diferente da McGonagall, agindo como se ao nos ignorar, os fatos e nos mandar ficar longe dos problemas resolvesse tudo, como se o perigo morresse apenas porque não temos informações. Eles me pedem para confiar neles, nos adultos, mas não confiam em mim de volta, isso me parece uma grande hipocrisia, se o senhor me perguntar.
O silêncio na sala se tornou carregado de tensão e Harry se perguntou se passara dos limites.
— Concordo com você, Harry, mas antes de mais nada quero saber porque não contou aos aurores sobre o basilisco mais cedo. Era uma informação importante, eles poderiam estar caçando a criatura a dois dias já e você poderia ter forçado a informação, conheço-o o suficiente para saber que se você quisesse ser ouvido, faria isso acontecer, de um jeito ou de outro. — Flitwick questionou curioso.
— Porque não faz diferença, professor, o basilisco não será encontrado, além disso, fiquei chateado com a forma como eles agiram, se não querem minha ajuda, tudo bem, mas também não saberão o que eu sei. — Disse ele dando de ombros.
— Então, se você tiver uma informação que pode salvar a vida de alguém pretende manter para si mesmo? — Flitwick o encarou e Harry lhe devolveu seu olhar com firmeza. — Entendo. E, a promessa que fez de não se envolver?
— Eu a manterei, a promessa que fiz foi, textualmente, que se os adultos estivessem resolvendo tudo, não me envolveria, mas, se eu descobrir quem é o atacante primeiro, quer dizer que os adultos falharam. — Harry o olhou desafiando. — Para mim isso significa que estou fora da promessa, o senhor não concorda?
— Talvez, ainda assim, arriscar sua vida e a de outras pessoas por orgulho me parece algo bem Gryffindor. Pensei que estivesse em minha casa ou estou enganado? — Disse ele severo.
Harry abaixou os olhos devidamente castigado, se orgulhava de ser um Ravenclaw e sabia que tinha as características de todas as outras casas, mas, usá-las negativamente, não era nada inteligente.
— Talvez eu esteja deixando meu orgulho falar mais alto, talvez, eu esteja magoado sobre como eles me trataram, mas, ainda assim, não confio em ninguém, desculpe dizer isso, mas não confio nos adultos para fazerem o melhor. — Disse Harry convicto e voltou a encará-lo. — Vocês me pedem para repousar sem preocupações, pois vocês são mais inteligentes, poderosos, espertos e resolverão tudo, nos protegerão, mas, na primeira vez que alguém está tentando dar informações importantes, não enxergam e o descarta como um menino bobo que pensa bem demais de si mesmo. Foi um teste não planejado, mas ainda, um teste que mostrou que não posso repousar sem preocupações.
Mais uma vez, o silêncio na sala não foi confortável e Harry endureceu a mandíbula esperando ser criticado ou mandado como fez Serafina.
— Muito bem, não posso culpá-lo por se sentir assim dado os adultos idiotas que o cercam, ou as idiotices que alguns fazem mesmo sem serem tão idiotas. Eu me incluo entre os últimos e, este sou eu, sendo arrogante. — Disse Flitwick ironicamente. — Quero que me faça uma promessa, se me fizer, acreditarei e confiarei em você, prometo. Quero que me prometa que, quando descobrir tudo, não tentará resolver sozinho, se não quer dividir informações tudo bem, mas quando chegar o momento de descer pelo alçapão, me chamará para descer com você.
Harry o olhou com atenção, sabia que estava sendo sincero e que lutaria ao seu lado até o fim, este era o tipo de homem que seu professor era.
— Prometo que, dependendo a urgência, lhe enviarei minhas coordenadas para que me alcance ou o buscarei para lutarmos juntos. — Harry falou sincero. — Mas, quando se tratar de Voldemort, não posso lhe prometer ficar para traz e nunca mais farei promessas que me serão esfregadas na cara como uma maldita parede áspera.
— Ok. Antes de te liberar, o que faz você pensar que o basilisco não será encontrado? — Flitwick estava curioso com sua certeza.
— Simples... — Harry explicou e seu chefe de casa o encarou levemente surpreso. — Entende?
— Sim, você acredita que Moody não pensou nisto?
— Deve ter pensado, duvido que esteja seguindo apenas uma linha de investigação e pode até ter alguns suspeitos que não sabemos. — Harry suspirou e bagunçou os cabelos. — Acredito que, seja quem for, tem dois caminhos e sua escolha depende dos seus objetivos.
— Quais caminhos? — Flitwick perguntou sempre interessado em como sua mente funcionava.
— Ou ele atacará todos os seus alvos, sejam eles aleatórios ou não, o mais rapidamente possível, mesmo correndo um grande risco de ser pego ou ele se manterá bem quieto esperando que baixemos a guarda para depois atacar. Existem muitas variáveis para qualquer movimento e, de qualquer forma, fico satisfeito que toda a escola sabe sobre o basilisco e pode aprender a se defenderem ou ao menos estarem atentos. — Disse Harry satisfeito com isso, pelo menos.
— Foi a decisão certa informar os alunos e professores, enquanto entendo que o sigilo na investigação é importante, não sabermos do que precisamos nos defender seria uma decisão tola. — Concordou o professor com um aceno de aprovação.
Harry suspirou de alívio, tinha certeza que Flitwick estaria zangado com o que ele fez.
— Nos encontraremos essa noite, senhor? — Perguntou Harry antes de sair.
— No horário de sempre. — Flitwick saiu com ele da sala e Harry subiu para a sala comunal para disfarçar, mas depois desceu a escada redonda e foi na direção do Covil.
— King Cross. — Disse a senha antes de entrar.
Quando entrou na sala, seus amigos estavam conversando e fazendo os deveres de casa.
— Ei. — Disse ele e colocou sua mochila sobre a mesa.
— Como foi com o Flitwick? — Neville perguntou preocupado.
— Tudo bem, ele queria apenas saber a quanto tempo eu sabia sobre o basilisco e porque não falei nada. Ele me disse para agir com inteligência e que fiz bem em forçar o Dumbledore a contar a verdade para toda a escola. — Disse Harry dando de ombros.
— Eu gostaria de entender também, Terry nos disse que você sabia desde a noite do ataque. Porque não nos contou? — Hermione perguntou entre zangada e magoada.
— Vocês não queriam saber, Hermione, tentei falar no escritório, depois para a Sra. Serafina, depois aqui para vocês e tudo o que fizeram foi dizer que eu estava sendo arrogante e que tinha feito uma promessa e deixar os adultos agirem. Eu cedi e concordei, simples assim. — Disse ele defensivamente.
— Mas..., Harry! Algo assim, não poderia ser escondido! E se o basilisco tivesse atacado outra vez? Você deveria ter contado a King e Moody, assim eles estariam caçando o basilisco a mais tempo. — Disse Hermione indignada.
— Não faria diferença, eles não encontrarão o basilisco. — Disse Harry enfático. — Além disso, eles saberiam logo ao examinarem os restos da gata, porque ficar implorando para que eles me escutem, estou fora e não devo me envolver. Certo? — Seu cinismo não passou despercebido pelos amigos que pareciam perceber que ele estava chateado.
— É a segunda vez que diz isso. O que o faz acreditar que eles não encontrarão o basilisco ou a câmara secreta? — Terry perguntou curioso.
Harry ficou tentado a não dizer nada, já que eles não queriam se envolver, mas sabia que seria uma atitude orgulhosa e mesquinha.
— Bem, comecemos pela câmara secreta que dever ter sido procurada, exaustivamente, anteriormente e ninguém a descobriu, pelo menos que saibamos, afinal o basilisco está bem vivo. Suponho que alguém poderia tê-la encontrado e acabado morto, nunca mais encontrado, mas não temos informações disso. Certo? — O três amigos acenaram concordando. — Acreditam que o pessoal lá embaixo encontrará a entrada para a câmara? Sinceramente?
— Não vejo porque não, não sabemos se, realmente, muitos bruxos procuraram a entrada da câmara já que ela era considerada uma lenda e Moody é um bom auror, a equipe do Departamento de Controle das Criaturas é experiente e acredito que podem matar o basilisco. — Respondeu Terry razoavelmente.
— Ok, vamos no concentrar na câmara primeiro, nem sempre ela foi considerada uma lenda, aposto que, assim que Slytherin deixou Hogwarts e o boato se espalhou, os outros fundadores procuraram por sua entrada e, imagino, que eles e depois seus sucessores fizeram isso por anos e anos. Concordam? — Mais uma vez, seus amigos acenaram e Harry percebeu que eles começavam a entender. — Sinceramente, não acredito que a entrada está em qualquer lugar para ser facilmente encontrada e muito menos acessada. E, sem encontrarem a câmara não podem encontrar o basilisco e matá-lo.
— Mas... — Hermione hesitou confusa, pois estava esperançosa que todo esse pesadelo acabaria logo. — Quando o basilisco sair...
— Quando, é a questão. — Harry se sentou e os encarou seriamente. — Não somos os únicos que sabem que tem uma equipe de bruxos caçando o basilisco ou um auror muito bom percorrendo a escola. Voldemort e Malfoy também sabem e, seja como for que estão acessando a escola e controlando o basilisco, podem muito bem mantê-lo escondido na câmara, indefinidamente.
— Mas, porque fariam isso se planejaram isso por meses? Porque desistir? — Terry estava surpreso.
— Nós não sabemos qual o objetivo, Terry. Será que é recuperar seu corpo? Manter todos, os aurores e, principalmente, Dumbledore ocupados para não perceberem que Voldemort está voltando? Talvez me matar? Ou os nascidos trouxas? Talvez fechar a escola ou ter Dumbledore demitido, quem sabem matá-lo? — Harry enumerou as possibilidades.
— Harry! Você acha que poderia ser algo assim? Matar você ou Dumbledore? — Hermione estava pálida.
— Voldemort sempre temeu Dumbledore, Hagrid me disse isso, era o único a quem temia e ele sabe sobre a profecia, se estivesse em seu lugar... — Ele não terminou a frase, apenas deu de ombros, afinal era óbvio.
— O fato de suas ações serem imprevisíveis torna muito mais difícil para os aurores preverem um possível ataque, pode acontecer a qualquer momento ou daqui a meses e meses. — Percebeu Terry chocado.
— E, sem encontrarem a entrada da câmara, nunca matarão o basilisco. — Hermione parecia muito assustada e sua palidez a denunciava.
— Voldemort é muito esperto, mesmo que decida atacar agora, aposto que ele conhece muito bem a escola e suas passagens, além de centenas de magias para se esconder, ficar invisível ou coisas do tipo. — Harry suspirou cansadamente. — Tenho a sensação de que o ataque a Luna foi apenas o primeiro e que os aurores devem investigar por outros ângulos além de caçar o basilisco. Bem, é possível que estejam fazendo isso, não serei arrogante em dizer o contrário. — Disse ele sarcasticamente.
Terry e Hermione trocaram um olhar um pouco culpados ao perceberem que Harry ficou magoado com o que disseram e apesar de estarem muito curiosos, seguraram a língua para perguntar quais outros ângulos a investigação deveria seguir.
Os ângulos para investigar eram muitos, principalmente, Luna, porque atacar uma puro-sangue? Harry não tirava isso da mente nos dias seguintes e, discretamente, tentou descobrir mais sobre a câmara secreta, Salazar Slytherin, Luna Lovegood, a família Malfoy, além de observar qualquer aluno agindo estranhamente. Draco não era um candidato, apesar de Ron Weasley espalhar para quem quisesse ouvir que ele era o herdeiro e aquele que queria matar todos os nascidos trouxas. Wilkes, depois das punições de Flitwick e pressão dos alunos mais velhos, puristas e não puristas, estava bem mais discreto sobre seus preconceitos. Ainda que Harry não acreditava que um 1º ano era o responsável, mesmo que indiretamente, sua suposição era que se Voldemort estava possuindo alguém como fez com Quirrell, seria um aluno mais velho ou outro professor.
Ele conversou com Ginny, ou tentou, a menina estava pálida e abatida, perdera peso e seu olhos da cor do chocolate estavam muito tristes. Harry tentou animá-la e disse que se quisesse podia passar um tempo com ele e seus amigos da Ravenclaw.
— As meninas são muitos legais, Mandy, Padma, Morag, Terry e Neville, mesmo Hermione, ela parece meio assustadora, mas, lhe garanto que é legal também. — Disse ele suavemente, seu rosto estava corado e seus olhos pareciam culpados, Harry não sabia do que. — Você quer me contar alguma coisa? Você viu algo ou alguém olhando ou perseguindo a Luna?
Isso a fez empalidecer, Ginny estava tentando criar coragem para pedir desculpas por ter agido como uma fã boba e acreditado naqueles livros idiotas, mas a pergunta sobre a Luna a chocou. Ela vira algo ou alguém? Não. Deveria ter visto? Luna estaria bem se tivesse prestado atenção? Era tudo culpa dela?
— Ginny? — Harry sussurrou se aproximando, mas, em instantes, ela disparou correndo escadaria acima na direção da torre Gryffindor. — Mais que droga! — Harry se sentiu um idiota, não devia tê-la interrogado assim! Ela estava abalada e ele, simplesmente... Que idiota tinha sido!
Enquanto Harry fazia suas discretas investigações, a caça ao basilisco continuou, mas não encontrou nada como ele previra. O medo dos alunos e dos pais pareciam aumentar dia a dia em que o basilisco continuava vivo. Moody teve que se ausentar para liderar a limpeza da Travessa do Tranco e deixou dois aurores acompanhando a equipe do Departamento de Controle das Criaturas Mágicas. Depois de duas semanas do ataque, até mesmo Terry e Hermione foram mais pessimista e concordaram que o que aconteceu não parecia ser a prioridade do Departamento Auror. Harry os ignorou, se eles queriam fazer parte de sua investigação teriam que dizer em voz alta, não iria mais obrigá-los a se envolver. Neville acreditava que eles já estavam arrependidos de pedirem ao Harry para não se envolver e que era uma questão de tempo ou mais pessoas machucadas antes de admitirem isso.
Durante esses dias três coisas aconteceram que levantaram o ânimo do mundo mágico dentro e fora de Hogwarts, ainda que em outros tempos teria resultado em festas e comemorações. Infelizmente, a crise financeira, as mentiras e enganações e o basilisco solto em Hogwarts, apenas permitiram um alívio e não a festa esperada. Primeiro, os pais foram informados da diminuição da mensalidade de Hogwarts, esses 40% a menos seria um alívio para a maioria das famílias que ficaram emocionadas. O Conselho de Governadores, a AP e Dumbledore enviaram cartas comunicando que, diante da crise e investigação dos cofres da escola, decidiram que o valor da mensalidade era além de injusto e por isso estava reajustando os valores. Também comunicaram que famílias com mais de um filho em Hogwarts teriam 5% a mais de desconto chegando a 45% a menos em cada mensalidade do que pagavam antes.
Isso foi possível, porque os Governadores devolveram o dinheiro desviado e Edgar os informou que o cofre de Hogwarts estava empanturrado de ouro, mais do que suficiente para realizarem todas as principais melhorias necessárias. A começar por um novo professor de História, Manya Achala chegou em 06 de novembro e foi ovacionado pelos alunos ao ser apresentado e, em aula, ele falou mais de si mesmo. Prof. Achala era inglês, com avós indianos, nascido em Leicester, mestiço, formado em História e Sociologia no mundo trouxa e com um Mestre em História no mundo mágico, obtido no curso de formação de mestres do Ministério. Ele tinha 38 anos, casado com uma bruxa nascida trouxa e tinha dois filhos, não viveria em Hogwarts e sim, em Londres com sua família, mas viria todos os dias trabalhar por flu.
Terry e Hermione estavam muito empolgados e passavam um bom tempo fazendo perguntas ou conversando com ele depois das aulas de Histórias, que eram irreconhecíveis de tão boas. Harry não se importou, pois eles ocupados e distraídos lhe dava mais tempo para suas investigações, Neville o acompanhava as vezes e eles usaram as estufas de adubos para muitas conversas, além das pesquisas para o projeto.
Em seguida veio a notícia de que eles teriam um novo zelador, Filch estava sendo aposentado e, além de um salário mensal, lhe seria fornecida uma casa em Hogsmeade. Harry achou muito justo, mas o olhar triste e assombrado do homem não permitiu mais do que algumas comemorações discretas, era óbvio a sua dor pela perda de Madame Norra, ter que deixar o emprego foi apenas mais um duro golpe, mas pelo menos ele não estava sendo demitido sem nada.
Mandy, Morag e Padma tiveram uma ideia de como tentar ajudá-lo e conversaram com Harry que concordou em colaborar, Terry, Hermione e Neville se juntaram e, no dia da sua despedida, o presentearam com um gatinho meio kneazels todo branco com algumas manchas amareladas no pelo e intenso olhos azuis.
— Nós sabemos que Madame Norra nunca poderá ser substituída, mas... pensamos que o senhor gostaria de alguma companhia, sabe, para não se sentir muito solitário em sua nova casa. — Mandy falou carinhosamente.
Eles estavam no saguão de entrada e Filch estava com sua mala aos seus pés, sua expressão, que antes era de desespero, agora encarava com assombro o pequeno filhote que lhe era estendido.
— Também é uma forma de nós agradecermos todo o trabalho que o senhor fez por nós, alunos. — Disse Hermione e olhando em volta viu muitos alunos os encarando surpresos. — Nós, nem sempre valorizamos o quanto cuidar de Hogwarts deve ser difícil e exaustivo, assim, em nome dos alunos, agradecemos e nos desculpamos por qualquer mal que lhe fizemos.
— Esperamos que o senhor fique bem e que aproveite a sua aposentadoria, não lhe desejamos nenhum mal, Sr. Filch. — Disse Harry sincero.
Filch ainda olhava para a gata que o encarava nos olhos com uma inteligência assombrosa, até que miou suavemente antes de se estender na sua direção, ele deu um passo à frente e a pegou.
— Ela é uma menina tão bonita e inteligente... — Ao pegá-la se engasgou emocionado ao acariciá-la, depois os olhou parecendo sem palavras. — Eu... eu agradeço e.… obrigado, muito obrigado... Hum... se estiverem um dia em Hogsmeade e quiserem dar uma passada para visitá-la, prepararei um chá para vocês.
Isso surpreendeu Harry e os amigos, sua expressão amorosa em direção a gata desfazia sua eterna amargura e sua gratidão parecia sincera.
— Nós, com certeza, iremos no ano que vem Sr. Filch, será bom rever a gata. — Disse Terry sorrindo e seguindo a ideia de que era a gata que seria visitada e não ele. Suponho que era pedir muito que ele deixasse o orgulho de lado e dissesse que adoraria companhia.
— Ok, então, devemos partir agora... adeus e.… até mais... — Ele disse olhando, primeiro para Hogwarts e depois para eles, que acenaram dizendo até mais de volta. — Agora somos só nós dois, hum... Madame Ella, sim, este é um bom nome para você, não é mesmo, minha querida?
Enquanto ele descia as escadas para o jardim com a gata em seu colo e carregando sua mala, ela miou em resposta parecendo agradada pelo nome, Filch riu e sussurrou de volta. Harry suspirou aliviado e percebeu que o velho zelador estava saindo, mas deixando a tristeza e desespero para traz.
— Isso foi muito gentil de vocês, crianças. — A voz de Dumbledore o alcançou e ele se aproximou sorrindo com aprovação. — 5 Pontos para cada um por essa atitude.
Seus amigos sorriram e acenaram agradecidos, mas Harry o encarou e sorriu ironicamente.
— Encontraram o basilisco, diretor?
— Não, infelizmente, ainda não, Sr. Potter. — Disse Dumbledore com o sorriso desaparecendo e o encarando sério.
— Senhor? Quando o novo zelador chegará? — Hermione questionou tentando mudar de assunto.
— Ele já chegou, os apresentarei na hora do almoço. — Disse Dumbledore suavemente antes de se afastar.
— Harry, você poderia o menos disfarçar que está feliz pelo basilisco não ter sido encontrado. — Sussurrou Hermione chateada.
— Eu não estou feliz, apenas não posso deixar de apontar para ele que eu estava certo, mas acredite, preferiria estar errado. — Harry respondeu mais duramente e depois se afastou para sua primeira aula.
Terry o seguiu em silêncio por um tempo antes de dizer.
— Você poderia pagar mais leve com ela, Hermione só quer te proteger, Harry.
— Bem, diga ela para pegar mais leve comigo também, estou me cansando de ter alguém me criticando a cada passo que dou. — Harry respondeu irritado.
O novo zelador era um homem mais velho com rosto redondo, cabelos e barbas brancas que lembrava o Papai Noel. Tinha uns 50 ou 60 anos e se chamava Bob Templeton, bruxo nascido trouxa que trabalhou como zelador em uma escola trouxa por muitos anos em Newcastle, mas que se candidatou a uma vaga para trabalhar na GER nos últimos meses, desejando trabalhar no mundo mágico. Infelizmente, sem ter concluído a escola secundaria, não tinha qualificação para as primeiras contratações da empresa, mas estava na lista para uma vaga de zeladoria ou assistente. Sua experiência com crianças e escola, bom humor e bondade o tornava o candidato ideal para trabalhar em Hogwarts e Bob aceitou a função imediatamente, mesmo sem saber o salário. Ele e a esposa, Trudy, também nascida trouxa, se mudaram para Hogwarts e ela também estava sendo contratada, pois a AP acreditava que dois zeladores para uma escola tão grande eram necessários.
Seus sorrisos e olhares bondosos e animados causaram uma boa impressão aos alunos de primeira, com exceção dos puristas que os encaravam com desprezo. No entanto, eles não pareciam se importar, quando os alunos se aproximaram para conversar, eles disseram que se sentiam privilegiados por estarem de volta à escola e, que sempre que precisassem de algo, deviam chamá-los. Hagrid estava construindo um chalé não muito longe do seu, pois assim, eles poderiam ter um lugar próprio com cozinha e jardim, o casal alegou que prefeririam assim, do que viver em um quarto e sala dentro de Hogwarts. Harry simpatizou com eles de cara e, quando pediram para chamá-los se Sr. e Sra. T, as crianças foram completamente conquistadas.
— Sr. Templeton é muito cumprido, toda essa formalidade só atrapalha em minha opinião. — Disse o Sr. T sorridente, seus olhos eram azuis clarinhos brilhavam, ele não era muito alto, na verdade a Sra. T era mais alta que ele por um pouco. Ela tinha olhos castanhos e cabelos loiros claros, seu sorriso era bondoso, mas seu olhar atento e sagaz deixava claro que sabia como controlar as crianças.
— Temos 4 filhos, todos adultos e casados, são todos bruxos, mas nós os educamos em casa porque a mensalidade de Hogwarts era muito cara. — Contou a Sra. T sorrindo.
— Pedimos autorização ao Ministério e eles permitiram que os ensinássemos, pagamos uma taxa, compramos os livros e nossos garotos fizeram as provas OWLs e NEWTs nas disciplinas básicas. — Sr. T suspirou e olhou em volta do Grande Salão carinhosamente. — Eles sempre quiseram vir para Hogwarts, mas... Bem, agora com a mensalidade mais justa seus filhos poderão vir.
— Sim, temos 5 netos e são todos bruxos. — Disse a Sra. T orgulhosa.
A presença dos novos zeladores logo se fez notada pela escola que passou a ser muito mais iluminada, todas as tochas, de todos os corredores estavam sempre acesas. As entradas tinham um feitiço de limpeza de calçados, assim, qualquer barro ou neve, desapareciam quando entravam no castelo. O Grande Salão tinha uma grande lareira que agora estava sempre acesa e tornava o ambiente muito mais quente e acolhedor. O pedido por um aumento na área de estudo na biblioteca foi atendido e uma das paredes foi aberta para uma grande sala, onde mais mesas foram colocadas e os alunos tinham mais espaço para estudar e fazer projetos em grupos. O lugar também tinha uma lareira e tochas tornando tudo muito aconchegante e iluminado.
A limpeza era por conta dos elfos domésticos, mas a verdade é que eles precisavam de ajuda com a organização. Sra. T descobriu seus horários e funções, percebendo que eles trabalhavam muitas horas, tinham pouco descanso e ainda não davam conta de tanto serviço, assim dividiu-os em equipes. A esquipe de limpeza 1 limparia as torres e salas de aulas, a equipe 2 os corredores, bibliotecas e Grande Salão. A equipe da lavanderia trabalhava de manhã com lavagem e a tarde com passar e devolver as roupas pessoais e de cama. A equipe da cozinha, eram duas, uma para café da manhã e almoço, outra para o jantar e limpeza da cozinha para prepará-la para o trabalho do dia seguinte. Com esse esquema cada elfo não trabalharia mais do que 8 horas por dia e, se a princípio, ter tantas horas livres os desconcertaram, Hermione logo se envolveu e teve uma ideia. Ao visitar a área onde viviam, descobriu que eles tinham apenas quartos minúsculos e pediu a Sra. T que criasse uma grande e aconchegante sala de estar onde eles poderiam passar o tempo confraternizando e aprendendo. Mimy vinha pedindo a algum tempo que a Hermione a ensinasse a tricotar luvas, cachecóis e gorros, mas além da falta de tempo, eles não tinham um lugar para fazerem isso. Ela também sugeriu que, os alunos que se interessassem, poderiam passar tempo com eles quando estivessem de folga, jogando jogos, ouvindo suas histórias, ensinando-os a ler e escrever ou qualquer outra alguma atividade divertida.
Harry encomendou alguns tabuleiros de xadrez e sempre que teve tempo, dava um pulinho na sala dos elfos para jogar com quem estivesse por ali em seu horário de folga. Neville tinha apenas as plantas como habilidade, mas, ainda assim, enquanto os elfos decoravam com entusiasmo a grande sala, ele trouxe alguns vasos de flores que tornou o ambiente ainda mais bonito e se prontificou de cuidar delas com os elfos. Terry pediu alguns livros de casa, de quando era criança e colocou nas prateleiras, eram livros infantis, mas como eles tinham que aprender a ler, os livros eram os mais propícios para lhes ensinar. Logo, o que eles faziam se espalhou entre outros alunos, não houve uma grande adesão, mas, ainda assim, muitos começaram a frequentar a Sala do Elfos e fazer algumas atividades com eles. Mandy, por exemplo, levou sua vitrola e lhes deu de presente, além de alguns discos, e ensinou alguns mais corajosos a cantar e dançar. Harry pediu ao Colin que tirasse fotos na noite da inauguração da sala, principalmente, dos elfos, muito corados, dançando e cantando Michael Jackson com suas vozes esganiçadas. Essa foi a sexta-feira antes do primeiro jogo de quadribol da temporada que aconteceria no dia seguinte à tarde e duas semanas depois do ataque a Luna, assim, os amigos do covil que compareceram à festa improvisada, puderam relaxar e descontrair um pouco.
Além de todos esses acontecimentos, desde o Halloween, os professores vinham intensificando ensinar aos alunos feitiços e maldições para se defenderem. Flitwick foi quem tomou a iniciativa, pois percebeu que Lockhart não tinha interesse ou competência para ensinar os alunos a se protegerem. Aos alunos mais velhos foram ensinados feitiços avançados de invisibilidade, desaparecimento de cheiro e som, além de conjurações de objetos pesados como pedras, paredes e alguns feitiços de ilusão. Para os mais jovens, ele ensinou feitiços de distração com luzes e sons altos, além de maneiras de pedir socorro com o Sonorus. Harry insistiu, nas aulas de duelos com Flitwick, em aprender os mais avançados, mas se viu frustrado por não conseguir.
— Prentis, aos 12 anos, seus feitiços são fortes e você nem alcançou o reforço mágico que vem com a puberdade, esses feitiços de alteração corporal ou ilusões são muito avançados, mesmo os 3º anos não conseguiriam e alguns 4º anos também não. — Flitwick lhe disse sensato.
— Como lutarei com um basilisco de olhos fechados se ele pode me cheirar e ouvir? A capa me protege, mas, se conseguisse esses feitiços, ficaria verdadeiramente invisível. — Disse ele decepcionada.
— Primeiro, você não lutará sozinho, estarei contigo e posso acionar esses feitiços ou um dos outros professores ou aurores, além disso, você já é muito silencioso, Harry e isso é uma vantagem. Sugiro que, se encontrar-se enfrentando o basilisco sozinho, use toda e qualquer vantagem possível, você é inteligente para pensar em recursos. — Flitwick sorriu o incentivando. — Sobre lutar de olhos fechados, em nosso próximo encontro trabalharemos em algo que eu pensei.
— Ok. Obrigado, Meistr. — Disse Harry respeitoso.
— De nada. Agora é melhor se apressar ou perderá o jogo.
Harry acenou e se apressou para o campo, na arquibancada, se sentou perto do seu time de quadribol para que pudesse analisar os dois times adversários.
— Espero que esteja certo, Harry, bem, agora não tem mais volta, teremos que fazer dar certo. — Disse Trevor, Harry sorriu e acenou ao ver Gryffindor e Hufflepuff subir em suas vassouras.
— Foi a decisão certa, precisamos apenas treinar ainda mais essa semana e nos preparar para o jogo contra os Slytherin. — Disse Harry convicto.
A decisão, de pedir a Madame Hooch e McGonagall para alterar os adversários, fora de todo o time, inclusive os reservas, mas a ideia veio do Harry. Ele e Trevor tinham elaborado uma boa estratégia para derrotar o time da casa das cobras que neste ano ganharam novas vassouras Nimbus 2001 de Lucius Malfoy que, de maneira flagrantemente antiética, comprou o lugar de buscador no time para seu filho. Harry, ao saber que só jogariam contra eles em maio, pediu a Trevor que solicitasse a mudança, para enfrentarem os Slytherin primeiro.
— Você perdeu o juízo? Porque iriamos querer o pior primeiro? — Questionou Trevor chocado.
— E quem disse que eles serão o pior? Gryffindor tem ótimas artilheiras, além de Fred e George como batedores de primeira. Mesmo Wood é um grande guardião e você sabe que o time da Hufflepuff tem o Cedric, que é um excelente buscador. — Harry apontou suavemente. — O que tem os Slytherin? Jogo sujo e melhores vassouras, podemos vencê-los, temos uma boa estratégia, você gostou dela.
— Sim, gostei, na verdade, diria até que estou otimista, mas ainda não entendo o seu raciocínio para jogarmos com eles primeiro. — Trevor estava confuso.
— Porque não podemos deixar que eles ganhem. — Harry falou veementemente. — Prefiro perder do que permitir que eles vençam depois dessa atitude antiética absurda e permitida pela direção da escola, onde um Governador do Conselho pode favorecer uma casa e seu filho sem que ninguém proteste.
— Nós protestamos, mas, tem tanto acontecendo que ninguém nos deu atenção. — Trevor apontou chateado.
— Sendo Malfoy tão poderoso, duvido que comprariam briga com ele por algo que consideram uma bobagem, mas você está certo, o Conselho, a AP, professores e o diretor estão muito ocupados para se importarem com algo assim. — Harry bagunçou os cabelos irritado. — Mas, nós podemos sabotá-los, eticamente, com um jogo limpo, assim, minha ideia é que, indiretamente, passemos a informação de como vencê-los aos outros.
— O que? — Trevor estava espantado.
— Pense, não podemos ir e explicar nossa estratégia de jogo, seria pouco inteligente e antiético, mas se jogarmos primeiro e vencermos, a Hufflepuff e Gryffindor poderão aprender e nos imitar, eles terão mais chances. Entende? — Harry o encarou ansioso.
— E, se os três times vencerem a Slytherin, os tirariam da disputa da Taça e ela seria decida entre nós! Harry isso é brilhante! — Trevor disse entusiasmado.
Bem, pensou Harry, ao se lembrar da conversa, o resto do time e McGonagall também acharam a ideia brilhante, mas, isso só seria verdade, se eles vencessem os Slytherins no sábado seguinte. Esperava que não houvesse ninguém azarando sua vassoura outra vez, isso tornaria tudo mais fácil.
Para Ginny, passado o fim de semana depois do ataque a Luna, tudo voltou ao triste normal, seus irmãos voltaram a ignorá-la, as pessoas pararam de encará-la, o que foi positivo, pois tinham outros assuntos ou fofocas para discutirem e, ela voltou a ficar sozinha, apenas desta vez, não tinha a Luna nem nas aulas. O hábito de visitá-la todos os dias na enfermaria era a única coisa que lhe dava um pouco de consolo, adorava conversar com ela e contar sobre o que estava fazendo. Felizmente, ela tinha Tom, ele vinha sendo um grande companheiro, muito doce e parecia nunca se cansar de ouvir sobre seus problemas e tristezas. Quando ela deixou o Harry falando sozinho e saiu correndo quase em lágrimas, a vergonha a fez se trancar em seu quarto por horas e horas, mas Tom a acalmou e a convenceu a ir para as aulas, afinal ela não ia querer chamar a atenção e acabar sendo enviada para casa como uma menininha.
Por seu conselho, Ginny estava se alimentando e comparecendo as aulas, prestando atenção e tentando não parecer muito pateticamente triste. Prof. Vector lhe procurou e insistiu que ela passasse mais tempo com os colegas de ano, Ginny decidiu por Colin, ele era o mais tagarela e falava, falava sem precisar que respondesse e, ao mesmo tempo, ela aprendia sobre coisas trouxas. Isso pareceu tranquilizar sua chefe de casa e deixou Ginny aliviada, pois não queria que ela soubesse como se sentia cansada e sem energia, como estava triste e deprimida. Parecia os primeiros dias em Hogwarts tudo de novo, todos aqueles pensamentos negativos, o medo e angústia que não passavam, a sensação de peso sobre os ombros, escuridão a cercando ou apertando o seu peito até que ela tinha certeza que não conseguiria respirar. Tom lhe disse que era normal que ela se sentisse assim, afinal sua melhor amiga foi atacada e ela estava sem amigos além dele, claro.
O melhor a fazer é ficar invisível agora, Ginny, se você contar alguém ou se perceberem, podem decidir te mandar embora da escola, seus pais podem querer te educar em casa...
O pensamento era assustador e Ginny decidiu que não contaria para ninguém que não se sentia bem, ficaria invisível, não mostraria nada e, mesmo que fosse solitário, pelo menos, ela tinha o Tom e.… bem, o Colin também.
E, então, uma noite ela acordou no corredor do 2º andar onde a Luna foi atacada, confusa, olhou em volta sem entender o que fazia ali, Tom a acalmou mais tarde.
Provavelmente, você teve um pesadelo e tentou chegar a Luna, aquele corredor leva a enfermaria, esqueceu?
Oh! Sim, claro, mas não me lembro de nada e nunca tive sonambulismo antes...
Que você saiba, além disso, quando estamos enfrentando problemas, nosso sono muda mesmo... Não se preocupe, Ginny e melhor não contar a ninguém ou...
Não, não vou contar, Tom, obrigada por me ajudar...
Ginny queria se desculpar pela maneira que agiu com o Harry, sendo uma fã boba daqueles livros falsos e depois lhe deixando falando sozinho daquele jeito, mas a vergonha que sentia sempre que se aproximava era imensa, seu rosto corava e a vontade de fugir e se esconder aumentava. Tom a desaconselhou a tentar se aproximar dele.
Ele deve estar chateado com tudo o que aconteceu e toda essa fama, se você falar que era fã dos livros, aposto que o deixará mais zangado. Pior, se disser que não estava com a Luna porque dormiu, ele pode te culpar, você me disse que os dois pareciam ser bons amigos. Certo?
O que? Luna e Harry? Não, quer dizer, ele conversou conosco algumas vezes, mas...
Os dois estão na mesma casa, Ginny e devem ter conversado mais vezes, se tornado bons amigos e os momentos em que ele as procurou, provavelmente, foi ele indo conversar com a Luna...
Não, a Luna me diria...
Mas você disse que ela era distraída, talvez, se esqueceu
Ela é distraída, Luna está viva!
Tem razão, me desculpe, estava apenas querendo dizer que pelo que você me disse, Harry parece muito preocupado com a Luna e poderia lhe culpar pelo que lhe aconteceu.
Mas..., mas, não foi minha culpa...
Você não deveria ter dormido, Ginny, talvez, Luna estivesse bem, então, mas, claro que não foi sua culpa, foi de quem a atacou...
No dia do jogo, Ginny se sentou com Colin, Demelza e Abla estavam por perto e eles tagarelavam sobre estádios de futebol trouxas ou coisas do tipo, o esporte parecia interessante, mas ela estava muito cansada para participar da conversa. Se aconchegando mais em seu casaco, tentou se aquecer e olhou para os times jogando, a Gryffindor vencia por 150 gols a 40, deveria ser uma vitória fácil, mas os Hufflepuffs tinham um excelente buscador, Cedric, assim, se ele pegasse o pomo, a vitória seria do seu time. Ginny suspirou, tristemente, não tivera coragem de perguntar ao Wood se podia fazer um teste, tinha certeza que ele riria dela, além disso, estava se sentindo tão cansada que não sabia se poderia voar sem cair da vassoura. Como agora, suspirando, fechou os olhos um pouquinho para descansar e dormiu sentada na arquibancada com todo o barulho da torcida a sua volta, mas, um segundo depois, seus olhos se abriram alertas e frios, sua postura mudou e ela parecia irradiar saúde.
Finalmente! Finalmente, pensou Tom, consegui assumir com ela ainda acordada. Menina estúpida! Muito forte e resistente, mas malditamente estúpida! Se colocando em seu caminho, quando precisava terminar os seus objetivos, mas em breve ela pagaria, em alguns meses, antes do fim do ano, ele teria sugado toda sua energia e a deixaria morrer bem lenta e dolorosamente antes de entregar seu corpo a Freya.
Olhando em volta, Tom encontrou seu alvo e o analisou procurando algo de diferente ou extraordinário no menino que o derrotou a 11 anos, mas tirando uma estranha semelhança consigo mesmo, não encontrou nada. E, aos 15 meses, ele seria ainda mais patético, assim, a explicação dada no jornal a algumas semanas deveria ser verdadeira, magia antiga, magia do sangue Potter. Mas, ele resolveria isso facilmente, agora que os aurores estavam por toda a escola, observando e caçando sua Freya, o melhor era mantê-la protegida e não atacar até que a oportunidade perfeita surgisse. Não lhe interessava mais matar nascidos trouxas, cuidaria deles quando tivesse seu corpo de volta, agora, seu único objetivo era matar Harry Potter e, assim que o encontrasse vulnerável e desprotegido, cuidaria disso de uma vez por todas, mesmo que tivesse que matar seus amigos também. Depois, pelo resto do ano, se alimentaria da tristeza de Ginny por perder o seu ídolo, sugaria toda sua magia e alma, quando percebessem que algo estava errado, a pobre Ginny já estariam em sua câmara, morta, para sempre.
Neste momento, um dos buscadores pegou o pomo e a torcida da Hufflepuff gritou animadamente em comemoração. Tom ignorou os colegas de Ginny quando desceu da arquibancada, se afastou deles e, assim que ficou sozinho, se desiludiu e, lentamente, fez seu caminho na direção de Potter, pois, à partir de hoje, sempre que conseguisse assumir, se tornaria sua sombra, esperando que sua presa estivesse onde ele queria e precisava para terminar essa caçada de uma vez.
