NA: Olá! Apenas para avisar que devido ao atraso e ao tamanho do capítulo, fiz apenas uma revisão. Era isso ou só publicaria amanhã à noite e não queria atrasar ainda mais, portanto, sejam gentis com os erros.
Para os que se interessarem em saber o motivo do atraso, ou serem informados se algo assim acontecer no futuro, alem de outras informações e fotos da história, se inscrevam no grupo do facebook que criei para isso.
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Espero que gostem e, por favor, revisem, acredito que 23 mil palavras merecem algumas palavras de volta me contando o que pensam. Até mais, Tania
Capítulo 54
Harry estava sentado na mesa em seu quarto analisando os dados que tinha até agora em sua investigação improvisada. Suspirou, cansadamente, Luna, parecia um beco sem saída, sua família era puro-sangue, não antiga, importante ou rica, seu pai publicava o jornal, O Pasquim, que era encarado como uma piada pelo mundo bruxo, por causa da sua tendência a escrever as reportagens com um toque de humor ou falar sobre assuntos controversos. De suas perguntas sutis, os gêmeos ajudaram com isso, os Lovegoods e os Malfoys não tinham nenhuma rixa. Na verdade, eles disseram que era sua família que tinha problemas com a família de Lucius Malfoy e explicaram em detalhes como seu pai lançou ataques a Mansão Malfoy por objetos de magia negra, além, da veemente oposição de Lucius ao projeto de lei de Proteção aos Trouxas escrita, brilhantemente, por Arthur Weasley.
Isso criou uma nova linha de investigação e muito o que explorar, era possível que o ataque visava Ginny? E, por algum motivo quem foi petrificada era sua melhor amiga? Ou talvez a intenção era machucar sua amiga para fazê-la sofrer... Teoria improvável, mas não impossível, não com tantas variáveis desconhecidas. O que deixava a pergunta, onde estava Ginny Weasley na hora do ataque do Halloween?
Se conseguisse se aproximar da menina, delicadamente, talvez, conseguisse que ela lhe falasse mais sobre aquela noite e Luna. Moody deve ter lhe interrogado e não encontrou nada, assim, não deveria ter nada para descobrir, mas não custaria fazer algumas perguntas ele mesmo, decidiu Harry, e sinalizou isso em sua agenda especial de investigação. Ele também tentou saber mais sobre a câmara secreta, mas tinha quase nenhuma informação, discretamente, ele se aproximou dos professores mais antigos e foi sutilmente incentivado a não fazer perguntas, McGonagall de maneira mais veemente e Slughorn praticamente fugiu dele. Era óbvio que os dois sabiam de alguma coisa e isso lhe mostrava que havia algo ali para descobrir, mas o que? E, a quem perguntaria? Dumbledore? Ironicamente, ele lhe pareceu o menos propenso a não o deixar no escuro, provavelmente, porque queria usar o que estava acontecendo para prepará-lo para cumprir a profecia.
Outra questão era como Voldemort poderia estar em Hogwarts? Dumbledore não parecia estar mentindo e não tinha motivos para isso, na verdade, ele se mostrou desconcertado porque também acreditava que Voldemort era o responsável. Se ele estava agindo de maneira indireta, controlando alguém por magia ou guiando alguém que acreditava em suas crenças idiotas como Quirrell, esse alguém teria que ser um ofidioglota, mas esse era um dom raro... bem, não tão raro assim, afinal, ele mesmo era um. Era possível que Voldemort ou Malfoy encontrou outro ofidioglota e o estava liderando a um objetivo, matar nascidos trouxas parecia o mais óbvio, mas poderia haver outros. Mas... o basilisco chamaria alguém mais, além de Voldemort, de mestre? E, se não fosse um ofidioglota novo, como Voldemort poderia estar controlando o basilisco?
Harry fechou os olhos tentado encontrar outra possibilidade, havia tanto sobre a magia que não entendia, na maioria das vezes tudo era novo e surpreendente. Mais do que nunca desejou que seus pais estivessem vivos, desejou ter crescido com eles e aprendido, estar aprendendo... poderia lhes escrever e... Suspirando, engoliu o bolo que se formou em sua garganta, não adiantava ficar pensando no impossível, tinha que se concentrar no concreto, como... Seus olhos se abriram subitamente com o pensamento, concreto, voltou a olhar para as suas anotações.
- Voldemort não estava em Hogwarts. (Concreto)
- Malfoy é um comensal da morte. (Concreto)
- Malfoy foi investigado e sua casa vasculhada em busca de objetos amaldiçoados meses antes da visita do Dobby. (Concreto)
- Nada foi encontrado. (Concreto)
- Dobby disse que Malfoy tinha um alvo e que Harry não o conhecia. (Concreto)
- Voldemort não tinha nenhum objeto com ele em junho. (Concreto)
Harry olhou para suas anotações de novo e de novo. Isso era possível? Um objeto com magia negra poderia fazer isso? Algo que foi amaldiçoado por Voldemort, guardado e entregue por Malfoy a algum aluno? Que, talvez... apenas, talvez, não saiba que está de posse de um objeto amaldiçoado? Um objeto que levaria essa pessoa a falar a língua das cobras e ser controlada por Voldemort a distância? Mas... Harry se levantou e caminhou por seu quarto pensativo, se tal objeto existia, porque não controlar várias pessoas e criar um exército? Pelo que lera, a maldição Imperius exigia muito magicamente do bruxo, além de força e controle mental, então porquê..., mas, se tal objeto existia poderia ser único e poderia ter uma função especifica ou funcionar em condições especiais. Se, ele existia, claro, no entanto, não era algo absurdo e abria mais uma possibilidade de investigação. Harry decidiu perguntar a Flitwick se era possível que algo assim existisse e... Sirius poderia ser uma opção, desde que lhe pedisse segredo, a última coisa que precisava era a Sra. Serafina lhe enviando um Howler como a mãe dos gêmeos fazia.
O pensamento o fez rir divertido, mas foi interrompido por uma batida na janela, ao abrir, uma coruja marrom bonita entrou e pousou no encosto da sua cadeira estendendo o pé com a carta amarrada.
— Olá, moça bonita, você fez uma viagem fria, não é mesmo? — Disse Harry pegando a carta com delicadeza, a coruja tremia levemente pelo frio. — Você pode se aquecer ali no poleiro da minha Edwiges perto da lareira, tem comida e água. Ou, pode ir descansar lá no corujal antes de viajar de volta. Obrigado pela entrega, garota.
A coruja decidiu ficar no quarto quentinho, escondeu a cabeça sob as asas para dormir e descansar, depois de beber e comer. Enquanto isso, Harry olhou o remetente e descobriu com um sorriso, que era da Sra. Clark, vinha esperando ansioso por alguma informação sobre os livros da sua mãe. Talvez fosse isso, pensou animado e, abrindo o envelope, encontrou uma carta com papel trouxa simples e não pergaminho mágico, além de uma letra clara e bonita.
Caro, Sr. Potter,
Espero que, apesar das preocupantes notícias que recebo de Hogwarts, esta carta lhe encontre seguro e saudável.
Trago-lhe informações sobre o livro que sua mãe escreveu e que você tem interesse em publicar. Nos últimos meses analisei, junto com um Mestre de Poções e Herbologia, de minha total confiança e que assinaram contratos de sigilos mágicos, a possibilidade legal e comercial da publicação dos livros. Exatamente, você entendeu corretamente, livros.
O trabalho de sua mãe é incrivelmente abrangente e detalhista, além de competente. Isso por si só garante o interesse comercial para a publicação e, antes mesmo de consultar os Mestres, tinha certeza que seria um grande sucesso de vendas. O que torna o trabalho ainda mais interessante é seu método de revisão cientificamente detalhado e comprovado, além de explicado de maneira inteligente e de fácil compreensão.
Lily, sua mãe, revisou o trabalho acadêmico que é ensinado no currículo de Hogwarts até hoje, encontrando e exemplificando a arte do potioneer de maneira didática e inteligente. Posso dizer que, em minha opinião e dos Mestres consultados, o seu trabalho é revolucionário na área de ensino, além de fundamental na área de pesquisa de Poções.
Alguns dirão que ela apenas revisou, que não criou algo novo, mas, seu trabalho minucioso de identificar erros, pesquisar ingredientes e testar cada receita novamente e novamente até refinar a poção a quase perfeição é fantástico e me sinto privilegiada por poder publicar uma obra tão importante.
Como disse acima, a obra de sua mãe pode e dever ser dividido em mais de um livro. Primeiro, separamos o sumário de ingredientes em um único livro que poderá ser usado pelos alunos por todos os seus anos em Hogwarts e além. A descrição detalhada pode ser sempre consultada ou mesmo decorada e utilizada também em algumas aulas de Herbologia. Os livros seguintes podemos dividir por anos, o que geraria mais lucro, claro, mas por sugestão do Mestre de Poções, Sr. Edward Connor, devíamos classificá-los por etapas aprendidas. Basicamente, cada livro conteria as poções que os alunos precisam aprender antes de seguirem para o próximo nível, com novas técnicas e maiores dificuldades. Isso permitirá que os alunos compreendam melhor o processo e desenvolvimento das técnicas e absorvam as habilidades necessárias a cada etapa antes de ir para a próxima etapa.
Estou enviando para você um prospecto que exemplifica essa classificação, assim, teríamos 4 livros com as poções revisadas. O primeiro com poções de 1º e 2º anos, você notará que existem poções que hoje são ensinados apenas no 3º do currículo de Hogwarts o que mostra um atraso. O segundo livro teria as poções de 3º e 4º ano, o terceiro, poções do 5º e 6º ano, por fim, o último livro teria as poções mais difíceis e poderemos acrescentar descrições das profissões importantes no mundo magico que exige o NEWT de Poções.
Agora, as questões legais, obviamente, você desejará publicar os livros sem a restrições e censuras do Ministério da Magia. Isso, infelizmente, aumenta as taxas e impostos, tornando o produto final para o público muito caro, o que impossibilita que os livros sejam comprados pelos alunos de Hogwarts, com exceção das famílias mais abastadas. Com a crise financeira, realisticamente, a possibilidade de grandes vendas dos livros diminui muito, mas, tive uma ideia que pode baratear a produção dos livros.
Na última semana recolhemos um total de 18,6 mil livros da série Harry, O Aventureiro. Recebemos também os livros devolvidos pela livraria Floreios e Borrões, que decidiram aceitar o prejuízo e não manter e vender livros falsos, pois temem que isso afetaria sua reputação diante da comoção negativa da população com essa história toda. Os livros, em produção, estavam armazenados na gráfica e não foram queimados junto ao prédio do escritório da Editora Charmel. Assim, podemos, talvez, dobrar o número de livros que podem ser reutilizados de maneira ecologicamente inteligente, se você autorizar.
Eu não sei quais os seus planos para esses livros, mas podemos reciclá-los e utilizarmos o seu papel na produção dos livros da sua mãe. Estive conversando com um amigo de uma gráfica trouxa que utiliza papel reciclado em sua produção e, por seus cálculos, o papel que temos poderia render até 10 mil livros com o número de páginas que necessitamos. Se dividirmos por 5, teremos 2 mil livros produzidos para cada livro, com um custo absolutamente mínimo em comparação a opção de comprarmos o papel. E, isso se refletirá na venda do produto final, possibilitando que seja acessível a todos os alunos de Hogwarts, mesmo os nascidos trouxas e ainda lucrativos para nós dois.
Sei que, diante da importância que esses livros têm para você, lucro é o menos a se considerar, mas, como herdeiro de uma grande fortuna, lhe aconselho a sempre pensar no lucro como uma possibilidade, de um novo projeto, de novos empregos, de bem para as pessoas, ou seja, possibilidades.
Essa é uma decisão importante que, acredito, você discutirá com seus guardiões e tutores, assim, aguardo sua resposta sem pressão. Podemos, inclusive, nos encontrarmos nas férias de inverno próxima e discutirmos tudo pessoalmente.
Seja cuidadoso e espero que nos encontremos em breve.
Atenciosamente,
Julie Clark
Editora Aprilis
Harry releu a carta sem poder acreditar, 5 livros! A Sra. Clark queria transformar o livro da sua mãe em 5 livros e acreditava que seria um grande sucesso. Bem, ele também pensava assim, lera e já utilizava o livro de sua mãe, isso o tornava o melhor aluno em Poções para grande alegria de Slughorn e seu constante constrangimento a seus inúmeros elogios. Hermione implicara um pouco com a ideia de que ele tinha informação privilegiada e não era muito justo, mas, depois que Harry explicou que ele fazia suas próprias correções as receitas do livro de poções do currículo e, então, as comparava as da sua mãe, descobrindo semelhanças e diferenças, sua amiga aceitou.
Quase sempre, Harry fazia como sua mãe escrevera, sem antes ter lido a poção corrigida por ela, fato que sempre o fazia se sentir mais perto dela, de uma forma bem legal. Quanto ao sumário de ingredientes, Harry o decorara e emprestara aos amigos com a promessa de manterem segredo e eles concordaram, pois sabiam do seu desejo de publicar o livro. Ou os livros, pensou, com sorriso animado e orgulhoso.
E a reciclagem e reutilização do papel dos livros Harry, O Aventureiro! Era, simplesmente, perfeito! Uma ideia muito melhor do que colocar fogo em tudo, o que seria um desperdício e ainda baratearia o produto final para a população...
Baratear o produto final... Claro! Como não pensara nisto antes!? Estivera todo o fim de semana lendo e relendo a carta do Sr. Edgar que estava pessimista com a inauguração das lojas no mês que vem. As expectativas para as compras de Natal não eram boas por causa da crise econômica, Sr. Edgar fora sincero em dizer que as lojas de produtos mais supérfluos tinham grandes chances de não se manterem. Também lhe disse que a melhor decisão seria diminuir a produção, pois, um grande estoque, com as vendas do comércio em declínio poderia levar algumas lojas a falência. Sua carta também disse que, das 20 lojas que faltavam para serem alugadas, apenas metade tinham novos negócios, ou seja, 10 prédios estariam vazios para o dia do Festival. A carta chegou no sábado à noite e Harry mal dormira tentando encontrar uma solução, discutira incansavelmente com seus amigos, mas nenhuma ideia surgira. Até agora.
Suspirando, ele pegou o pergaminho, a pena e escreveu um bilhete rápido, depois, olhando para o relógio, decidiu infringir o toque de recolher por uma boa causa. Invisível sob a capa, Harry caminhou até o laboratório que esperava estivesse vazio, mas encontrou os gêmeos inclinados sobre anotações e a área de experiências com o fogareiro aceso.
— O que fazem aqui até tão tarde? — Harry os encarou confuso. — Pensei que tinham parado de quebrar o toque de recolher.
Eles o encararam confusamente, olharam para seus relógios e soltaram exclamações, palavrões e começaram a apressadamente arrumar tudo para partirem.
— Nem percebemos, se a Vector nos pegar estaremos em detenção, com certeza. — Disse George tirando o avental e outros equipamentos de segurança depois de abaixar o fogo.
— Perderemos tempo precioso se isso acontecer e ainda receberemos outro Howler da mãe, pode apostar. — Disse Fred mal-humorado.
Harry os observou e percebeu que pareciam cansados, teria que ser mais firme em descasarem mais, pensou e riu com o pensamento do Howler.
— Rindo de nós, Harry? — George perguntou rabugento.
— Você nos magoa profundamente, meu pequeno amigo. — Disse Fred com uma piscadela e relembrando a aposta de quem seria mais alto quando adulto.
— Não. — Harry sorriu com malícia. — Apenas me lembrando que mais cedo pensei que receberia um Howler também se a Sra. Serafina soubesse de algumas coisas que estou fazendo.
Os dois riram divertidos.
— Bem, tem sempre uma primeira vez para tudo e, além disso, faz bem à reputação não ser tão filhinho da mamãe. — Disse Fred distraidamente guardando alguns livros.
— Bem, esse problema lhe garanto que não terei. — Disse Harry com uma careta ao se aproximar da bancada com os aparelhos de testes.
— Desculpe, Harry, não pensei... — Disse Fred arrependido e Harry deu de ombros. — O que você veio fazer aqui, afinal?
— Vim buscar os espelhos, compramos mais um novo par para testes e estou precisando deles. — Explicou ele ao encontra-los e mostrar aos meninos.
— Você não vai destruí-los de novo, não é? — George arregalou os olhos preocupado.
— Não, vou usá-los. — Disse Harry e, abrindo a janela, esperou uns segundos e logo sua coruja voou para dentro e pousou em uma das mesas. — Ei, garota, esperta como sempre. Preciso que entregue isso ao Sr. Edgar, depois pode ir ao Chalé descansar ou a Evans House. Seja cuidadosa e viaje segura, minha amiga.
Edwiges piou concordando e estufou o peito orgulhosa, antes de subir em seu ombro, bagunçar seus cabelos e, então, voar pela janela. Harry a fechou e encarou os amigos que pareciam confusos.
— Preciso falar com meus guardiões e Sirius, urgentemente. — Disse Harry. — Por carta não será o mesmo, mas vocês podem pedir outro par de espelhos, ficarei com este, pelo menos até as férias de inverno.
— Ok, mas quem é o senhor Edgar? — Perguntou Fred curioso.
Harry suspirou ao se sentar em uma das mesas e cruzar os braços.
— Essa é uma longa história para outro dia. Queria lhes perguntar algo, se não se importarem. — Disse Harry delicadamente. — Vocês sabem onde sua irmã estava na hora do ataque da Luna?
Fred e George o olharam surpresos e depois se encaram confusos antes de se voltarem para Harry, desconfiados.
— Por que você quer saber? — Fred questionou e George acenou.
— Apenas curiosidade, estou com uma teoria balançando em minha mente e, talvez, eu possa descartá-la ou não. Vocês sabem? Não é nada por mal, acreditem. — Assegurou Harry sincero.
George acenou concordando, apesar de Fred ainda parecer desconfiado.
— Ela estava dormindo. —Respondeu George sério. — Ginny sentiu a gripe que todos estavam pegando no mês passado e decidiu tirar um cochilo antes do banquete, mas dormiu até quase à meia noite.
— O que foi bom, porque se estivesse junto com a Luna, poderia ter sido petrificada também, ou pior. — Acrescentou Fred e Harry acenou pensativo, isso supondo que o ataque a Luna foi aleatório, considerou ele. — Porque? Qual a sua teoria?
— Bem, me ocorreu que Malfoy poderia ter elaborado esse plano que o Dobby me avisou, não apenas para matar nascidos trouxas, mas para se vingar de alguma família que ele despreza. — Harry passou a mão pelos cabelos agitado. — Vocês me disseram que Malfoy não tem qualquer rixa com os Lovegood, mas tem com sua família, que seu pai fez buscas a casa dele a alguns meses, então...
— Você pensou que o ataque a Luna não foi aleatório, apenas um engano, que a intenção era machucar a Ginny. — Terminou George e Harry acenou.
— Harry, mesmo que isso seja verdade, porque não atacar a nós ou Ron e Percy? A Luna está sempre andando por aí e deve ter tropeçado no herdeiro sem querer. — Disse Fred pouco preocupado.
— Desculpe, mas não acredito nisso nem um pouco. — Disse Harry e, suspirando, apoiou o cotovelo na mesa. — Tem algo que não estou vendo, não tenho todas as peças do quebra-cabeça ainda, mas continuarei investigando. Vocês deveriam ficar atentos e avisar os seus irmãos também, apenas por precaução.
— Faremos isso. — Disse George e Fred deu de ombros pouco interessado.
— Como estão conseguindo esconder o laboratório do Sr. e Sra. T? Agora que estão limpando, iluminando e organizando tudo, é uma questão de tempo antes de nos encontrarem. — Disse Harry preocupado.
Os gêmeos suspiraram e gemeram parecendo chateados.
— Tínhamos esperança de que não nos perguntaria isso. — Disse George.
— O que? Do que estão falando? — Harry os encarou confuso.
— Você não se perguntou como andamos por Hogwarts sem sermos pegos? — Fred questionou com um sorriso malicioso.
— Ou porque ficamos conversando um bom tempo com Sirius no dia da inauguração da Caverna dos Marotos? — Acrescentou o George e retirou um pergaminho velho da bolsa.
Harry arregalou os olhos e se aproximou deles no outro lado da mesa.
— Isso é.…? — Sua voz morreu e Harry se engasgou de espanto e emoção. — O mapa... Vocês têm o mapa!
— Sim. Sabemos que você é o legítimo herdeiro, confirmamos com o Sirius que o nome da Caverna é em homenagem ao grupo de amigos que ele tinha quando estava na escola, incluindo seu pai. — Contou George cabisbaixo.
— Ele nos disse que seu pai, ele e outros dois amigos idealizaram e construíram essa perfeição. — Disse Fred estendendo o pergaminho. — Nos dói dar o mapa para você, mas decidimos que, quando você perguntasse, nós lhe entregaríamos, afinal, ele é mais seu do que nosso e você pode precisar dele.
— E, de qualquer maneira, já o conhecemos de cor, apenas, tem sido muito útil nos últimos tempos porque podemos vir para cá sem correr o risco de sermos flagrados. — Apontou George ando de ombros.
Harry acenou ainda sem palavras e pegou o pergaminho antigo, Sirius lhe contara a história desse mapa em detalhes e ele pensara estar perdido para sempre. Mas, imagine isso, aqui estava ele com dois de seus amigos e...
— Como vocês o encontraram? — Perguntou curioso.
— Bem... quando estávamos no primeiro ano, Harry... jovens, descuidados e inocentes... — Explicou George divertido.
Harry bufou, ironicamente, duvidava que algum dia os gêmeos teriam sido inocentes.
— ... bem, mais inocentes do que somos hoje... nos metemos numa certa confusão com Filch.
— Soltamos uma bomba de bosta no corredor e por alguma razão ele ficou aborrecido... — Fred tinha sua expressão maliciosa de sempre.
— Imagine isso. — Disse Harry fingindo choque.
— Exatamente. Então, Filch nos arrastou até a sala dele e começou a nos ameaçar com os castigos de costume...
— ... detenção...
— ... nos arrancar as tripas...
— Entendi. — Harry acenou divertido.
— E, não pudemos deixar de reparar numa gaveta do arquivo dele em que estava escrito Confiscado e Muito Perigoso.
— E, vocês o pegaram... — exclamou Harry, ainda mais sorridente.
— Bem, que é que você teria feito? — Perguntou Fred. – George soltou mais uma bomba de bosta para distrair Filch, eu abri depressa a gaveta e tirei... isto.
— Não foi tão desonesto quanto parece, sabe — comentou George. — Calculamos que Filch nunca descobriu como usar o mapa, mas, provavelmente, suspeitou o que era ou não o teria confiscado.
— Mas, vocês descobriram. — Disse Harry em tom de afirmação, não tinha a menor dúvida disso.
— Ah, sim, com certeza — disse Fred, rindo. — Esta joia nos ensinou mais do que todos os professores da escola.
Ele apanhou a varinha, tocou o pergaminho de leve e disse: Juro solenemente que não pretendo fazer nada de bom.
Na mesma hora, linhas de tinta muito finas começaram a se espalhar como uma teia de aranha a partir do ponto em que a varinha de Jorge tocara. Elas convergiram, se cruzaram, se abriram como um leque para os quatro cantos do pergaminho; em seguida, no alto, começaram a aflorar palavras, palavras grandes, floreadas, verdes, que diziam:
Os Srs. Moony, Rabicho, Almofadinha e Pontas, fornecedores de recursos para bruxos malfeitores, têm a honra de apresentar
O MAPA DO MAROTO
Era um mapa que mostrava cada detalhe dos terrenos do castelo de Hogwarts. O mais notável, contudo, eram os pontinhos mínimos de tinta que se moviam em torno do mapa, cada um com um rótulo em letra minúscula. Encantado, Harry se curvou para examinar melhor. Um pontinho, no canto superior esquerdo, mostrava que o Prof. Dumbledore estava andando para lá e para cá em seu escritório; Pirraça, o poltergeist, naquele momento saltitava pela sala de troféus; e um Tom Riddle caminhava pelo corredor do 2º andar, um monitor procurando alunos fora do toque de recolher, provavelmente. E, quando os olhos de Harry percorreram os corredores que tão bem conhecia, ele notou mais uma coisa.
O mapa mostrava um conjunto de passagens em que ele nunca entrara. E muitas pareciam levar...
— ... diretamente a Hogsmeade – disse Fred, acompanhando uma delas com o dedo. — São sete ao todo. Filch conhecia essas quatro — ele as apontou —, mas, temos certeza de que somente nós conhecemos estas outras. Essa passagem atrás do espelho está um pouco precária, mas ainda é possível usar antes que desabe e fique completamente bloqueada. E, achamos que ninguém jamais usou esta, porque o Salgueiro Lutador foi plantado bem em cima da entrada. Mas, esta outra aqui leva diretamente ao porão da Dedosdemel. Nós já a usamos um monte de vezes.
— Moony, Rabicho, Almofadinhas e Pontas — suspirou George, tocando no cabeçalho do mapa com carinho. — Devemos tanto a eles.
— Almas nobres, que trabalharam incansavelmente para ajudar novas gerações de transgressores — disse Fred solenemente. — E, nós conhecemos um deles, foi uma grande honra.
— É seu, Harry — acrescentou George. — Apenas, não se esqueça de limpar o mapa depois de usá-lo, senão qualquer um pode ler.
— É só bater com a varinha mais uma vez e dizer "Malfeito feito! ", e o pergaminho torna a ficar branco.
Harry encarou aquele tesouro, não era uma joia, era um baú repleto de joias belíssimas e muito, muito uteis.
— Vocês dois... isso... são, simplesmente, brilhantes. — Harry tinha um sorriso de partir a cara e seus olhos verdes brilhavam de entusiasmo. — Podemos fazer tanto com isso... Merlin, precisamos verificar cada uma dessas entradas, Filch não está mais aqui e precisamos tentar escondê-las ou a maioria delas dos Srs. Ts. A entrada da Dedosdemel, atrás do espelho e do salgueiro lutador já é nosso, três de sete é um bom número e, desde que tenhamos a certeza que os adultos estejam mantendo os outros seguros, podemos aceitar isso, mas, se não for o caso, precisamos fortificar cada passagem, Fred, George. Algumas coisas bem desagradáveis e dolorosas, armadilhas que deixarão marcas visíveis, nada mortal, mas, bem humilhantes.
— O que...
— Harry...
— E, podemos começar a trabalhar em construir outro mapa. Eu tenho contato com Moony, entre ele e Sirius, além do diagnóstico do mapa, poderemos fazer outro, talvez mais abrangente ou mais portátil como um rádio mágico com imagens do mapa... um computador! — Exclamou Harry animadamente. — Claro! Um computador portátil com o mapa, rapazes, vocês podem imaginar como isso faria diferença na guerra? Em uma batalha?
— Compu... o que?
— E, podemos encontrar e transformar uma passagem secreta em nosso novo laboratório. Não sei como não pensaram nisso antes..., mas, tudo bem, porque esse lugar estava abandonado e estávamos seguros. — Harry gesticulou com o braço amplamente. — Mas, agora com os novos zeladores e a possibilidade real de termos mais aulas... A AP está considerando isso e é bem possível que essas salas serão usadas no futuro. — Harry falava rapidamente e a expressão confusamente assombrada e idênticas dos gêmeos eram meio cômicas. — O que? Estão me olhando como se eu estivesse louco!
— Bem, para nossa defesa, você parece meio louco. — Disse George defensivamente.
— Não entendemos metade do você falou, cara, será que pode explicar com mais calma? — Disse Fred mal-humorado.
— Bem, qual metade vocês entenderam? — Harry perguntou impaciente.
— Sobre fazer mais um mapa, isso entendemos, mas nada dessa história de compu... sei lá o que. E, sobre armadilhar as passagens para fora de Hogwarts, entendemos, mas não porque isso é tão importante. — Disse George exasperado.
— E, encontrar outro laboratório? Já temos esse montado, mudarmos daqui será um trabalhão e podemos ser pegos carregando tudo para outro lugar. — Fred apontou o óbvio.
— Bem, foi por isso que disse que não entendia porque não pensaram antes em um lugar mais secreto, olhem isso aqui. — Harry colocou o dedo sobre o mapa. — Tem um monte de passagem, até o Covil está aqui, vocês têm esse mapa a mais de 3 anos e decidem criar um laboratório secreto em uma sala de aula do 6º andar? — Harry devolveu com irritação.
— Bem, como saberíamos que Filch seria trocado e poderíamos ter mais aulas? Não somos videntes, somos? — Fred devolveu levemente envergonhado.
— Ok. — Harry olhou em volta do laboratório pensativo. — Ok, vamos colocar tudo de volta nos baús que o Sr. Falc nos trouxe os produtos que pedimos e encolher, se necessário, faremos mais de uma viajem, mas, antes, temos que encontrar o lugar certo, limpar e reformar, deixar do jeito que precisamos. Eu terei treinos extras de quadribol essa semana, assim deixarei isso por conta de vocês. — Disse Harry pensativo.
— Você nos deixará com o mapa? — George perguntou chocado.
— Sim, mas até fazermos esta mudança, depois, precisarei dele... E, porque não me entregaram depois que conversaram com o Sirius? — Harry não estava chateado, apenas curioso.
— Bem, primeiro, porque nos apegamos a ele. — Confessou o George envergonhado. — E, estávamos relutantes em ficar sem ele, pois nos ensinou muito e nos tirou de boas enrascadas, não queremos ou podemos ter mais detenções.
— E, nós estamos aqui mais vezes e em horários impróprios, precisamos ter certeza que não tem ninguém no corredor quando saímos. — Disse Fred como se fosse óbvio.
— Bem, mas pensei que vocês sabiam o feitiço de desilusão. — Harry apontou também mal-humorado, porque ainda não conseguiu realizar esse feitiço.
— Nós sabemos. — George disse dando de ombros.
— E porque não usam!? — Harry exclamou irritado e viu suas expressões mudarem de confusas para surpresas e depois envergonhadas, seria engraçado acompanhar as reações idênticas se não fosse a seriedade da situação. — Olha, tudo bem, vocês gostam do mapa, estão acostumados em tê-lo sempre à mão, mas me parece que ele se tornou uma muleta. Vocês têm que pensar fora da caixa, poderíamos estar fazendo uma cópia dele a meses e, ainda por cima, não utilizaram todo o seu potencial. Sobre as passagens para fora de Hogwarts, nunca lhes ocorreram que do mesmo jeito que vocês podem sair, alguém com má intenção pode entrar?
Harry esperou uma batida e os viu empalidecer e arregalar os olhos.
— Mas, ninguém sabe...
— Como vocês sabem? Os marotos encontraram, Filch sabe de 4, assim, Dumbledore e os professores também devem saber, Voldemort possuía Quirrell no ano passado e agora está atacando os alunos com um basilisco. Fred, George, pensem! — Harry sabia que estava sendo duro e viu seus ombros caírem e seus rostos corarem de vergonha, suspirando, continuou. — A verdade é que não podemos deter alguém poderoso como Voldemort, mas, Malfoy ou outro comensal, podemos tentar ao fazermos algumas armadilhas bem humilhantes e dolorosas. Estão comigo?
— Com certeza. — Os dois se endireitaram e responderam juntos.
— Ok, deixem as armadilhas para a semana que vem, trabalharemos e montaremos elas todos juntos, assim saberemos como desarmar em necessidade. Essa semana, nos concentramos em encontrar um novo laboratório, limpar e mudar, algo atrás de uma estátua onde podemos usar o feitiço de senha como usamos no Covil. — Disse Harry.
— Podemos fazer isso, você se concentra em vencer aquelas cobras. — Disse George animado.
— Sobre o computador, tenho que lhes mostrar... nas férias de inverno farei isso, então, vocês entenderão, mas, eu me adiantei, precisamos primeiro terminar o projeto do intercomunicador. No entanto, podemos criar outro mapa, assim, teremos mais um em caso de emergência. Escreverei para o Remus e Sirius, vocês façam o feitiço de diagnóstico que fizeram no espelho, talvez nos ajude. — Harry os estimulou e eles acenaram.
— Devíamos ter pensado nisso, mas...
— Estivemos tão mergulhados na pesquisa...
— Eu entendo. — Harry suspirou e bagunçou os cabelos. — Tem algo que estou para perguntar para vocês e sempre me esqueço, outro dia falei sobre oclumência e me pareceu que vocês não sabem o que é.
— Oh! Naquele dia que você sentiu a magia dos aparelhos. Isso foi demais, alias. — Disse George sorrindo.
— E, nós não sabemos o que é oclumência, mas, porque isso é importante? — Fred perguntou se sentando em uma cadeira, pelo jeito não sairiam dali tão cedo e estava cansado.
— Pensei que vocês fossem puros-sangues. — Harry franziu o cenho confuso e se sentou também.
— E, somos, mas o que isso tem a ver? — Fred estava impaciente.
Harry, suspirou e rapidamente explicou sobre o que era oclumência e legilimência, sobre como meditar, organizar e proteger a mente com sua magia, ajudava a aprender, memorizar e, mais importante, impedir que qualquer um acessasse seus pensamentos.
— Pensei que por ser algo que alguns puros-sangues aprendem mesmo antes de vir para Hogwarts, vocês saberiam. — Encerrou Harry curioso.
Os garotos se olharam entre chocados e resignados.
— Bem, se for algo de tradição purista, meus pais não apoiam, sabe, é...
— Complicado. — Terminou Fred para o irmão.
— Não é uma tradição purista, é uma tradição das famílias magicas antigas, Terry começaria a aprender a partir do próximo verão, apenas nos adiantamos por causa de tudo o que aconteceu no ano passado. — Disse Harry.
— Bem, Harry... minha família, os Weasley são uma família antiga que sempre foi muito respeitada, mesmo que não fossemos tão ricos como os Potters ou Blacks, somos tão antigos e poderosos quanto. Entende? — George explicou um pouco envergonhado.
— Sim.
— Então, minha família perdeu toda a fortuna, eram muitos filhos, vovô se chamava Septimus porque era o sétimo filho, assim ele foi o que ficou com menos. Seus irmãos fizeram investimentos ruins e perderam tudo, vovô e papai tentaram reconstruir a fábrica de invenção e produção de objetos mágicos, não deu certo e eles faliram. — Explicou Fred cabisbaixo. — Vovó Cedrella sempre disse que essa decepção levou meu avô mais cedo do que deveria, porque ele morreu de repente e sem ser tão velho como Dumbledore, por exemplo.
— Papai adora o trabalho dele, mas sempre lamentou não ter realizado esse sonho. De qualquer forma, os Prewetts, família da minha mãe, são antigos e tradicionalista, não de um jeito bom, sabe. — George continuou a história.
— Não que eles sejam puristas como os Malfoys, mas vivem com essa ideia de superioridade e manter as aparências, seguir tradições antigas e tal. Minha mãe e os irmãos, perderam os pais cedo para a varíola de dragão, ela quem cuidou dos irmãos mais novos, gêmeos como nós, Gideon e Fabian. — Fred explicou com o rosto sombrio.
— Sim, mas, ela também era jovem e eles foram todos viver com seus avós e a tia Muriel que era irmã de seu pai...
— Ela é uma bruxa. — Fred interrompeu com uma careta. — E, isso não é um elogio.
— De qualquer forma, nossos bisavôs eram muito tradicionalistas e rígidos, tentaram, inclusive, obrigar a mamãe a um casamento de conveniência rico e desaprovaram o papai por ser pobre. — George continuou a história ignorando a interrupção do irmão. — Mamãe detesta essas tradições antigas puro sangue, sabe, e ela nunca se deu bem com a vovó Cedrella por causa disso. Vovó era uma Black, ela não era purista ou esnobe, nem nada, mas...
— Sempre dizia que tínhamos que aprender como ser e nos portar como os puros-sangues ou seriamos menosprezados. Ela e mamãe tiveram brigas espetaculares sobre isso, no fim, mamãe venceu, mas vovó no ensinou algumas coisas escondido, sabe, etiqueta, hierarquia das famílias antigas, como sempre respeitar e honrar nosso nome e coisas assim, mas... — Fred hesitou e seus olhos ficaram tristes. — Vovó morreu a dois invernos já e...
— Talvez ela pretendesse nos ensinar oclumência escondido também. — Encerrou George também triste.
Harry acenou, entendo melhor porque os Weasleys pareciam tão, não puros-sangues, até mesmo se comparados a famílias não puristas como os Corners ou Boots.
— Ok, imagino que seus irmãos mais velhos aprenderam mais que vocês e Ron, além da Ginny... — Harry hesitou ao se lembrar de como a menina ruiva o cumprimentara adequadamente quando se conheceram em setembro.
— Com certeza. — Disse George e Fred acenou concordando.
— Bem, meu conselho a vocês dois é que aprendam oclumência, tenho os livros, posso lhes emprestar e, no futuro, posso até lhes contar algumas informações sensíveis e confidencias que saberei, não serão acessados por quem não deve. — Harry os viu acenando em acordo, ainda que Fred fez uma careta para mais leitura. — E, escrevam aos seus irmãos mais velhos e descubram o que mais eles aprenderam com sua avó, não precisam se tornar puros-sangues pomposos como os Slytherins, mas, acreditem, se não souberem como se comportarem em algumas situações, serão humilhados e estarão desonrando o nome de suas famílias.
— Como assim? — George perguntou confuso. — Vovó muitas vezes falou sobre isso, sobre não desonrar o nome da nossa família, nossos antepassados, mas, éramos pequenos e nunca entendemos muito bem.
— Bem, eu só descobri isso quando cheguei ao mundo mágico, não sabia que era um bruxo ou que, como um Potter, certas atitudes eram esperadas de mim, que deveria saber me portar e responder de determinadas maneiras. Por exemplo, minhas roupas, Terry disse que era uma vergonha para minha casa vestir me em trapos, mas houve outras coisas... — Harry contou suas interações com Draco, Michael, os goblins, centauros, a descoberta sobre a história rica de sua família em defesa dos elfos, órfãos, doentes. — Imagine, se eu não aprendesse tudo isso e escravizasse um elfo doméstico ou me tornasse amigo de um Malfoy. Claro, tem tradições que se perdem e vocês não precisam ser formais entre amigos e famílias, mesmo no trabalho, mas, quando forem lidar com outras famílias antigas ou estiverem em situações mais formais, não quererão humilhar o nome Weasley, Prewett e Black.
Fred e George se olharam um pouco confusos e preocupados, nunca tinham imaginado o quão importante era o que sua avó Cedrella lutava por ensiná-los. E, não entendia porque sua mãe não os deixou aprender, seu pai também, sempre ficava no meio da discussão, sem apoiar ou decidir por um lado.
— Vamos escrever para o Bill, ele é o mais velho e poderá nos contar mais e, talvez, o pai... — George olhou para o irmão que deu de ombros.
— Não sei, se ele sabe de tudo isso, porque não nos contou antes? Melhor escrever para o Bill primeiro, podemos conversar com o pai no intervalo. — Disse Fred e George acenou.
— Obrigado, Harry e vamos querer os livros sobre oclumência, detesto a ideia de que qualquer um poderia ler nossos pensamentos. — George disse e Harry acenou.
— Acredito que devemos ir, amanhã tenho um treino antes das aulas. — Disse Harry olhando para o mapa e vendo os monitores caminhando pelos corredores. — Depois que tivermos protegido as entradas secretas e tivermos um novo laboratório, vocês me entregam ele, mas se precisarem não me importo de emprestar. — Disse ele tocando o mapa com suavidade.
— Ok, mas, fazer outro é uma grande ideia. — Disse Fred analisando o 6º andar, estava vazio, o 7º também e Vector estava em seu quarto, sem se mover, ou seja, dormindo, mas o 5º andar tinha um monitor, Percy Weasley. — Quer que lhe acompanhamos? Assim você pode se desviar do Percy.
— Não preciso. — Disse Harry sorrindo com malícia. — Tenho minhas cartas na manga.
Enquanto falava, sua capa deixou a braçadeira de couro e deslizou o envolvendo como água prateada, um segundo depois, Harry desapareceu e riu divertido com a expressões idênticas de espanto dos amigos.
— Que merda é essa? — Exclamou Fred.
— Aprendam oclumência e saberão, até mais ver. — Disse a voz não corpórea do Harry, que abriu a porta e deixou o laboratório.
Ele chegou a torre Ravenclaw sem problemas, cruzando com um sonhador e feliz Percy, calculou que, mesmo se estivesse visível, não seria visto pelo monitor Gryffindor.
O dia seguinte, terça-feira, ele resumiu suas ideias para os amigos que se mostraram otimistas, declarando que poderiam ajudar a resolver a crise econômica do mundo mágico. Contou sobre a publicação dos livros da sua mãe, o que arrancou exclamações de entusiasmo de Hermione e Terry, mesmo Neville se mostrou empolgado.
— Nós falamos sobre um livro com um sumário de ingredientes, Harry, isso será tão útil nas aulas de Herbologia! — Exclamou ele sorridente.
Ele também contou sobre o mapa e a missão dos gêmeos desta semana e a de todos eles para a semana seguinte.
— Vou ajudar como der, mas, Trevor está meio enlouquecido com o jogo de sábado, treinaremos todos os dias bem cedo antes das aulas, além dos treinos terça e quinta-feira à noite. — Informou ele aos amigos que pareciam empolgados com o mapa, mas...
— Harry, você deveria entregar o mapa para o diretor Dumbledore e o Moody, aposto que os ajudaria a encontrar o herdeiro e o basilisco, além de proteger as passagens secretas. — — Disse Hermione no seu melhor jeito defensora das regras.
Harry a encarou sem palavras por um segundo e depois deu uma gargalhada divertida.
— Ah! Ah! Ah! Muito divertido, Hermione, não sabia que tinha tanto talento para contar piadas. — Disse ele divertidamente, mas o fato é que ninguém mais estava rindo.
— Eu estou falando sério, Harry, alguém está atacando os alunos com um basilisco e esse mapa pode ser uma grande ajuda para encontrá-lo. É muita irresponsabilidade sua mantê-lo ao em vez de entregar ao auror que investiga o caso e.…— Hermione tomou fôlego para discursar sua opinião e Harry olhou para Neville e Terry, os dois pareciam não pensar como ela, felizmente.
— Hermione. — Harry a interrompeu, finalmente. — O mapa é uma herança de família, é meu e não emprestarei a ninguém, principalmente depois que deixaram claro que não querem minha ajuda. Ora, eles não são os grandes aurores e os sábios adultos? O que uma pobre criança de 12 anos como eu posso lhes oferecer? — Harry debochou com uma careta. — Moody e King nem estão mais investigando nada, pois estão muito ocupados com a OP Travessa do Tranco e Dumbledore já sabe de 5 das 7 passagens secretas, isso se não souber de todas. Nós faremos nossas próprias armadilhas, uma precaução extra, encontraremos um novo laboratório porque em breve os Srs. Ts vão nos encontrar e, eu ficarei com o mapa. Se, por um acaso, algo que eu ver me parecer estranho, avisarei o professor Flitwick que avisará o diretor e, ele contatará os aurores.
— Mas, Harry...
— Hermione. — Terry falou delicadamente. — Harry está certo, o mapa pode ou não ser útil para a investigação, mas se for descoberto pelos professores poderia ser confiscado e perderemos um ótimo recurso para esse e os próximos anos.
— Sem contar que é algo do pai do Harry, uma herança, seria terrível se fosse perdido e, de qualquer forma, essa decisão é dele, Hermione. — Neville argumentou muito sério.
— Ok, estou vendo que sou voto vencido. — Disse ela mal-humorada.
— Eu não chamei nenhuma votação. — Encerrou Harry um pouco rude.
Naquela noite, o treino de quadribol foi muito frio, não estava mais chovendo, mas o vento frio era tão forte e cortante que Harry e o time tiveram dificuldades em controlar as vassouras e, no caso dos artilheiros, as goles. Ele pegou o pomo algumas vezes, mas essa tarefa era a menos importante do jogo de sábado, o principal era combater a velocidade das vassouras novas do time Slytherin. Harry e o resto do time estava esperançoso com suas estratégias, se nada desse errado, eles poderiam vencer, a maior preocupação era, na verdade, com a sua posição que não tinha um reserva. Cho Chang fora expulsa do time por suas ações de bullying contra Luna e outras meninas que se apresentaram para reclamar depois da reunião de Flitwick com a casa. Os pais dela foram chamados e, em decisão conjunta, decidiram suas punições, Cho, que já chorava por qualquer coisa, esteve aos prantos por vários dias. Trevor entendera, mas não gostou de ver o time prejudicado, Chang era uma boa buscadora e seria a titular se o Harry não fosse tão obviamente superior.
Depois de um banho quente e de vestir seu pijama, Harry se instalou em sua cama e esperou pela chamada de espelho dos seus guardiões, Sirius e o Sr. Edgar, com um livro de Agatha Christie. Como sempre, Hercule Poirot lhe prendeu a atenção até que ouviu um zumbido ao seu lado, sorrindo, apressadamente pegou o espelho e viu o rosto de Sirius o encarando de volta.
— Sirius! — Sua exclamação foi uma mistura de saudade e alegria.
— Harry! Como está você? — Disse ele com a mesma expressão.
— Tudo bem. E você? Como está indo a OP? — Harry perguntou curioso.
— Eu estou bem e a OP está tendo resultados incríveis, praticamente... — Um pigarro o interrompeu e ele olhou para a sala antes de o encarar outra vez com ar de desculpa. — Depois conversamos mais sobre isso, tem um pessoal que quer te cumprimentar.
— Claro. Está todo mundo por aí? — Harry sorriu e acenou para o Sr. Edgar, Sr. Falc, Sra. Serafina e, para o seu prazer, o Sr. Boot estava lá também. — Sr. Boot! Que saudades! O Terry teria adorado vê-lo também. Como está a Sra. Honora?
— Olá, Harry, talvez amanhã à noite possamos ter uma reunião de família e não de negócios, esses espelhos são realmente brilhantes. — Disse ele com um grande sorriso. — Sra. Honora está bem, dentro do possível, obrigado por perguntar.
— Harry, você disse em sua carta que era urgente uma reunião de negócios. Algo aconteceu? — Sr. Falc falou apesar de não aparecer no espelho.
— Espere, colocarei ele aqui e todos seremos vistos. — Disse Sirius e levou o espelho até uma mesa mais distante, Harry pode ver todos sentados em sofás e poltronas da biblioteca do Chalé.
— Ei, pessoal. — Harry acenou sorridente.
— Nos conte que nova ideia você teve, Harry. — Sr. Edgar animadamente.
— Bem, antes disso, ontem recebi uma carta da Sra. Clark... — Harry contou em detalhes o que ela lhe disse e a possibilidade de publicar os livros.
— Isso é incrível, Harry, se sua mãe estivesse aqui... Nossa, Lily estaria soltando fogos de tanta alegria. — Disse Sirius emocionado.
— Sem dúvida, é um grande legado, Harry, e mostrará a todos a bruxa incrivelmente poderosa que Lily era, imagine isso, 21 anos e uma obra tão grande e importante como legado. — Disse Serafina com um sorriso emocionado.
Harry sorriu também emocionado, sabia que era algo que faria sua mãe muito feliz e, ainda mais, se ajudasse os alunos de Hogwarts.
— Eu preciso pensar bem, analisar o que a Sra. Clark me enviou, mas, de início, não quero tomar nenhuma decisão antes de conversar com ela, pessoalmente. — Harry explicou e viu todos acenando em concordância. — Também, estou pensando nos livros de Mason, eles têm imagens desenhadas muito interessantes que tornam o aprendizado mais completo e didático. Sei que isso pode encarecer os livros um pouquinho, mas, principalmente, para os 1º e 2º anos, seria muito interessante ter algumas imagens e... Bem, tenho algumas ideias que quero discutir com a Sra. Clark.
— Acredito que é uma boa ideia, Harry, mesmo que os livros fiquem alguns sicles a mais, isso será um diferencial que atrairá as crianças e os pais. — Disse o Sr. Boot positivo.
— Eu também penso assim e, se fizermos uma boa campanha publicitária e os livros tiverem tantos diferencias, como os desenhos, poções corrigidas e de maior qualidade, além do fato de que são livros escritos por Lily Potter, não importará que eles não estejam na lista de livros pedidos por Hogwarts. — Sr. Edgar esboçou os pontos principais pensativo. — Sra. Clark está certa, os livros serão um grande sucesso, Harry.
— Eu também acredito nisso e, na verdade, pensei que se o professor de Poções recomendar os livros, eles poderiam se tornar os livros não oficias da lista de Hogwarts. — Harry sorriu com o pensamento. — E, o Prof. Slughorn adora a minha mãe, disse que foi sua melhor aluna, aposto que se eu pedir, ele faria isso.
— Essa é uma grande ideia, Harry, mas o professor Slughorn está como professor de Poções até o fim do ano, ele concordou em ensinar durante esse tempo até encontrarmos alguém qualificado em definitivo. Depois ele volta para a sua aposentadoria. — Informou Serafina e Harry acenou.
— Entendo. Bem, ele não é unanimidade, não posso dizer que fico triste com essa notícia, mas espero que o próximo seja melhor que Slughorn e Snape. — Disse Harry sem muito calor. — De qualquer forma, não era isso que eu queria falar com vocês tão urgentemente. — Disse Harry ignorando os olhares confusos por sua frieza. — Enquanto lia a carta da Sra. Clark, sobre sua incrível ideia de reciclar o papel dos livros falsos e como isso reduziria o valor do produto final, percebi que podemos fazer o mesmo em relação as minhas fazendas. E, no processo, ajudar o mundo mágico a sair dessa crise financeira!
Harry logo percebeu que todos o encaravam confusos, tentando ligar uma coisa à outra.
— Você poderia explicar melhor? Porque nós dois conversamos a algumas semanas e concordamos que o melhor era iniciar as fazendas uma por vez e com baixa produção. — Sr. Falc disse lento e confuso.
— Não concordamos com nada, eu disse que precisava pensar em alguma coisa e depois o avisaria sobre a minha decisão. — Harry apontou com firmeza. — Eu venho tentando encontrar uma solução, além de que, recebi uma carta do Sr. Edgar me falando sobre como a crise financeira estava exigindo reajustes, menos funcionários sendo contratados, menos mercadorias produzidas ou compradas para a diminuição dos estoques e que alguns negócios não prosperarão.
— Essa é uma previsão, claro, mas uma embasada na realidade. — Considerou Edgar negativo. — Temos uma alta taxa de desempregados e redução de salários de boa parte dos trabalhadores da sociedade, isso sem falar que as fábricas diminuíram a produção naturalmente nos últimos meses por causa do baixo consumo e, assim, houve mais demissões fora do Ministério. A perspectiva para o Natal é bem pessimista, claro, seremos uma novidade e teremos bons produtos, bons preços, os vendedores estão sendo treinados para darem um bom atendimento. É possível que as lojas da GER não sofram tanto quanto as já estabelecidas, mas, isso é uma suposição.
— E, seria horrível se eles falissem, não acho que a concorrência seja negativa e não quero tirar ninguém do mercado. Monopólio não me interessa e não é benéfico para a população. — Apontou Harry mostrando o seu conhecimento de economia e administração depois de muitas horas estudando sobre o assunto nos livros recomendados pelo Sr. Chester.
— Você está certo e sendo muito sensato, Harry, não deveria me surpreender, já que conheço sua inteligência, mas você sempre consegue me deixar de queixo caído. — Disse o Sr. Boot com um sorriso carinhoso, Harry retribuiu.
— Mas, qual a sua ideia, Harry? — Sirius perguntou muito curioso.
— Bem, nossa maior dificuldade com os produtos naturais é que eles são mais caros e precisamos reentrar no mercado depois de tanto tempo, um mercado que se acostumou com o consumo de alimentos crescidos por indução mágica, que reduz seus nutrientes, mas também seu tempo para a colheita e preços. — Harry exemplificou e todos acenaram. — Precisamos, então, de uma maneira de baixar o custo do produto para o consumidor final, talvez, não tão barato como os alimentos não naturais, mas, com um preço suficientemente competitivo que leve as pessoas a refletirem sobre os benefícios. Podemos inclusive fazer uma campanha publicitária voltada para os benefícios para a saúde ao consumir um alimento sem indução mágica e mais nutritivo.
— Essas são ideias interessante, Harry, mas como reduziríamos o valor do produto para o consumidor final? — Perguntou o Sr. Falc interessado.
— Vamos vendê-los nós mesmos! — Harry exclamou animado e sorridente, mas logo viu que todos pareciam confusos. — Ao em vez de vendermos para que os empórios revendam, nós mesmos venderemos os produtos diretamente ao consumidor e, assim, sem a porcentagem de um terceiro, reduzimos o preço.
— Hum... isso é interessante, pode dar certo, como temos algumas lojas ainda vazias, poderíamos transformar duas em um minimercado ou algo assim e... Você está pensando em algo diferente? — Edgar se interrompeu ao ver o Harry movendo a cabeça negativamente.
— Um minimercado seria útil para uma ou duas fazendas. Não, nós faremos feiras ao ar livre como as antigas feiras medievais onde se vendia todo tipo de produtos e alimentos, tanto para trouxas como para bruxos. — Harry disse animado. — O Prof. Achala nos contou sobre isso em aula outro dia, aliás, ele é um grande professor, Terry e Hermione estão meio apaixonados. Faremos 4 ou 5 grandes feiras ao ar livre, com barracas de todos os alimentos, tudo bem bonito, limpo e organizado, não abriremos para os trouxas, claro, os tempos mudaram, além disso, não seria atrativo se os bruxos tivessem que fingir. Podemos ter duas na Inglaterra, uma na Escócia, País de Gales e Irlanda, além de comida, podemos ter entretenimento, passeios com pôneis para as crianças e algum jogo para os adultos. Os preços serão atrativos, será alegre, colorido e animado, espaçoso, com comida farta e de boa qualidade, aposto que as pessoas irão com prazer comprar em um lugar assim. Temos que cuidar das proteções para manter o Estatuto de Sigilo e ter um espaço para aparatação, economizaremos com aluguel de um espaço fechado, podemos fazer o transporte dos alimentos magicamente, menos custos com isso também e...
— Harry, espera, você está sugerindo que as fazendas produzam alimentos em grandes quantidades? — Sr. Falc perguntou abismado.
— Claro! Pensem! Resolvemos tudo com um único movimento, Sr. Falc. Colocaremos todas as 18 fazendas produzindo em sua capacidade máxima, contrataremos dezenas de funcionários que estão desempregados agora, que terão salários e poderão consumir no centro comercial do Beco, o que, por sua vez, acelerará a produção das indústrias que terão que contratar mais funcionários e assim por diante, como um movimento reverso do que acontece agora. — Harry viu muitas expressões diferentes em seus rostos e persistiu. — E, garantiremos a entrada dos alimentos Potters no mercado outra vez em grande estilo, atingiremos até mais pessoas, ampliaremos a área comercial mágica da nossa sociedade, forneceremos produtos naturais de alta qualidade por um preço competitivo. Eu sei que parece um grande investimento, mas tenho certeza que as vendas serão altas e recuperaremos, enquanto isso, teremos um monte de famílias passando um bom Natal.
Harry encerrou meio sem fôlego dada a intensidade apaixonada com que defendeu suas ideias. Ele esperou por alguma resposta, de algum deles, mas ele apenas o encaram com espanto, finalmente, Sirius soltou uma exclamação.
— Maldição! Esqueça tudo o que eu lhe falei antes, isso é genial! Harry! — Sirius se levantou e saiu da imagem como se não conseguisse se conter.
Ele riu suavemente e olhou para o Sr. Falc e o Sr. Edgar, os dois eram quem mais entendiam de negócios e poderiam dizer se era ou não genial a sua ideia.
— Harry, preciso analisar alguns números, precisamos ter certeza que os preços finais dos produtos serão competitivos e que, além de recuperarmos o investimento, teremos lucros. — Edgar disse lentamente, sua mente estava analisando e era possível ver isso. — Mas, em princípio, me parece mesmo uma grande ideia e poderia solucionar os problemas financeiros que estamos enfrentando, bem, não de uma vez, mas as expectativas melhoram consideravelmente.
— Sr. Falc? — Harry perguntou suavemente.
— Precisamos ver os aspectos práticos, Harry, como, por exemplo, quantos funcionários precisaríamos em cada fazenda para produção máxima, o valor do investimento inicial, a legalidade de feiras livres e quanto custaria para protegê-las magicamente, além de onde a faremos exatamente. — Falc enumerou e Harry viu uma pena de anotação mágica escrever o que ele dizia. — Você disse que não gastaremos com o aluguel de prédios, mas, se tivermos que alugar ou comprar um espaço ou espaços de terras para as feiras... — Falc se interrompeu ao ver Harry mover a cabeça negativamente. — Você tem uma ideia para isso?
— Sim, usaremos os terrenos das fazendas, quer dizer, não de todas, apenas o número que possibilite uma viagem possível por aparatação. Eu não sei a localização das fazendas, mas podemos pegar os pontos centralizados do Reino Unido e abriremos as fazendas para o público comprar os produtos colhidos na hora! — Harry exclamou animado. — Os mesmos funcionários das fazendas trabalharão nas feiras, podemos chamar de Feiras de Alimentos Naturais das Fazendas Potters. Os salários serão justos, mas não muito altos, mas faremos contratos por produção e venda, assim, ao fim da colheita e com o sucesso das Feiras, eles terão uma porcentagem no lucro final, acredito que isso os motivará ainda mais a fazerem um grande trabalho. O investimento inicial não seria diferente do que se reiniciássemos as produções lentamente, apenas será tudo de uma vez. A quantidade de funcionários, não faço ideia, mas precisaremos de um gerente para cada uma das 18 fazendas... Eu li no relatório que o senhor me deixou que conseguiu contato com alguns antigos funcionários que têm interesse em voltar a trabalhar nas fazendas. Certo?
— Sim. — Falc acenou pensativo. — Consegui contatos com muitos, alguns estão empregados, mas, mesmo assim, se interessaram em voltar quando tivermos uma vaga. Os que estão desempregados, nós selecionamos para as primeiras fazendas... Não importa, se decidirmos iniciar com produção máxima e considerando o tamanho de cada fazenda, precisaríamos de uns 15 ou 20 funcionários em cada uma delas, Harry. E, isso sem considerar as Feiras, na época da colheita teremos pessoal colhendo, transportando, armazenando, vendendo, acredito que o ideal é contratarmos um número menor agora e na colheita dobramos...
— Mas, isso não resolve o problema das pessoas desempregadas, Sr. Falc, ou permite um bom Natal para suas famílias ou boas vendas paras as lojas que serão inauguradas. — Harry se opôs de imediato com veemência. — Me recuso a permitir que todos os investimentos dessas pessoas se percam porque o Ministério da Magia não sabe lidar com uma crise com o mínimo de humanidade. Para nós um ou dez negócios pode não ser nada, mas, para os associados... são os sonhos deles e todas as suas economias. Faremos contratos por produção e vendas, no final do ciclo, dividiremos 20% dos lucros líquidos com os funcionários, isso os fará aceitar um salário menor a princípio e, se for um sucesso como acreditamos, todos cresceremos juntos.
— Precisamos fazer uma projeção, Harry, isso levará tempo, precisamos ter certeza que teremos trabalho para todos os contratados, não adianta contratarmos 20 pessoas e ter 10 paradas por meses enquanto os alimentos não crescem. — Disse Sr. Falc sensato.
— Não temos tempo! Falta 40 dias para o Natal e 35 para a inauguração das lojas! Sr. Falc, o Festival de Inverno que projetamos pode se transformar em um grande sucesso se agirmos agora ou, não fazemos nada, e ele será um fracasso. — Harry falou com veemência. — Podemos encontrar trabalho, eu não entendo de agricultura, mas podemos plantar um setor de terras, depois outro e depois outro, assim teremos sempre funcionários plantando e cuidando das plantações. E, teremos produtos com variados tempos de crescimento, assim a Feira funcionará o ano todo com os produtos da sua estação porque respeitaremos seus crescimentos naturais. Selecionaremos o pessoal da fazenda para vender nas feiras, todos farão de tudo, plantam, cuidam, colhem, armazenam e vendem, se eles participarem de todo o processo se sentirão mais envolvidos e poderão explicar aos fregueses como ou quanto tempo aquele alimento demorou para chegou até ali. E... — Harry arregalou os olhos e se levantou empolgado. — Podemos fazer estufas de adubos naturais, uma em cada fazenda, isso cortará os custos, pois não precisaremos comprar o adubo e teremos mais trabalho para os funcionários. Além de que, podemos diversificar, podemos ter gado para carne e leite, podemos ter ovelhas para carne, leite e lã, podemos ter porco e galinha... Sr. Falc! Nunca faltará serviço e produtos frescos chegando todos os dias!
— Falc, pare de pôr empecilho, o menino está certo, é uma ideia brilhante que precisa de ajustes para fazê-lo funcionar e não o contrário, assim todos temos que começar a pensar em soluções para os problemas que surgirão. — Disse o Sr. Boot e Falc acenou com a cabeça.
— É, realmente, brilhante, Harry. Você já pensou em como fazer a parte da propaganda? — Falc perguntou e começou a fazer anotações.
— Pensei em imitarmos os trouxas, enviar folhetos de anúncios dos produtos no meio do Profeta Diário, podemos fazer um acordo com eles. Podemos também anunciar na rádio, na inauguração enviaremos convites e os faremos voltar com bons atendimentos, bons preços, bons produtos e talvez um tour pela fazenda. As crianças amarão poderem andar nos pôneis, tocar nos filhotinhos ou bezerrinhos, podemos ter degustação de alguns produtos feitos nas fazendas, não sei, queijo, vinho, tortinhas de maçã... — Harry riu divertido. — Desculpa, minha mente começa a ir para a cozinha e esse não é o foco.
— Mas é uma excelente ideia, Harry, seria um diferencial, servir algumas receitas dos produtos que produzimos, não todos os dias, em dias especiais, todos os sábados, por exemplo. — Apontou Serafina pensativa. — Se as fazendas tiverem tantas diversidades de produtos, frutas, legumes, grãos, carne, leite, mel, nossa, só de imaginar. Falc, Harry está certo, tem trabalho de sobra o ano todo e as Feiras nas Fazendas Potters serão um grande sucesso.
— Precisaremos escolher as fazendas com cuidado, separar uma área grande que não será usado para a produção e sim para as Feiras. — Falc disse suavemente. — Montar as barracas e ligá-las magicamente com os armazéns, criar um sistema de comunicação para que os produtos que estejam acabando sejam enviados rapidamente. Nossa são tantas coisas, precisarei de ajuda, muita ajuda, além disso, são mais de 400 funcionários para contratar em um mês...
— Não um mês, Sr. Falc, 15 dias, assim eles estarão recebendo seu primeiro salário quinzenal a 5 dias do Festival de Inverno e a 10 do Natal, aliás, podemos dar uma pequena bonificação como presente de Natal a todos, um presente em dinheiro que lhes será muito útil. — Apontou Harry e viu o Sr. Falc o encarar de olhos arregalados.
— Harry... é impossível contratar 400 pessoas em 15 dias e ter todas as fazendas funcionando...
— Eles colocaram as fazendas para funcionar, Sr. Falc, confie em algum dos antigos funcionários como gerentes para cuidar da parte logística e sobre a contratação... Sr. Edgar? — Harry olhou para o seu diretor com a sobrancelha levantada.
— Sim, entendi, podemos fazer isso sim. — Edgar acenou concordando. — Colocarei todos os funcionários do escritório da GER para as entrevistas e seleção dos novos funcionários. Além disso, teremos toda a organização do Festival, precisaremos fazer turnos de 12 horas para darmos conta, mas os funcionários ficarão mais do felizes com as horas extras e a chance de ajudar. — Edgar apontou sincero. — Todos estão muito preocupados com as perspectivas negativas em relação ao Festival e o futuro das lojas, assim que lhes informar sobre as novas ideias e as projeções positivas, se empenharão ainda mais.
— Ótimo! E, podemos anunciar no Profeta que estamos abrindo 400 vagas de trabalho para as Fazendas Potters e direcionar as entrevistas para a GER, temos espaço suficientes lá...
— Merlin, nem pensar! Harry, você não viu a multidão de pessoas que estiveram no Beco, durante a troca dos livros, filas e mais filas. — Serafina empalideceu só de lembrar. — Precisamos fazer isso certo e com organização, o número de desempregados, no momento, é muito mais do que 400 pessoas e, se anunciarmos algo assim no Profeta, teremos uma invasão, mas não emprego para todos.
— Ok, temos dezenas de currículos de pessoas que ainda não foram contratadas pela GER, podemos convocá-las e lhes oferecer o trabalho, bem, para aquelas que não estão empregadas, acredito que o foco deva ser as pessoas que, no momento, estão sem emprego. — Sr. Edgar também pegou uma pena e anotou algumas ideias. —Podemos colocar um anúncio solicitando currículos para serem enviados sem divulgar quantas vagas contrataremos, serão centenas de corujas, mas é melhor do que milhares de pessoas e, a partir disso, selecionamos 400 e convocamos para as entrevistas. Acredito que terminaremos as assinaturas de contratos em 15 dias.
— Isso é uma boa ideia. As Fazendas Potters são uma empresa legalmente estabelecida e seu tutor, o Sirius poderá assinar por você, Harry. — Falc suspirou e olhou para ele. — Precisarei contratar alguém para administrar todos esses negócios, não darei conta e assim me concentro nas questões legais.
— Sr. Edgar não poderia...
— Sinto muito, Harry, mas entre a GER, as Fábricas Blacks e agora a AP, seria impossível para mim administrar isso também. — Disse o Sr. Edgar pensativo. — Mas, ajudarei a selecionar alguém e posso acompanhar de perto seu trabalho.
— Não se preocupe, Harry, encontraremos alguém qualificado para administrar as fazendas, Falc e eu podemos supervisioná-lo e colocaremos todas essas ideias em prática rapidamente. — Disse Sirius sorrindo orgulhoso.
— Eu poderei ajudar, não é como se o Conselho de Governadores me tomasse todo o tempo do mundo e, bem, sou advogado, não agricultor, mas acredito que posso ser útil durante esse período de mais urgência. — Sr. Boot disse suavemente. — Harry está certo, sabe, precisamos realizar esse projeto, assim, podemos salvar o Natal e sonhos de muitas pessoas, além de devolver a Fazendas Potters ao seu potencial real.
Harry sorriu com o apoio de todos e podia ver que eles já estavam cheios de animação e energia para começar.
— Harry, acredito que tenho mais duas ideias que podem gerar mais empregos a médio prazo, talvez, antes do início da primavera. — Disse o Sr. Edgar fazendo anotações.
— Diferentes daqueles novos que assinamos nas últimas semanas? Seria incrível, ainda faltam 10 imóveis para alugar, afinal. — Apontou Harry e sem poder se conter bocejou, cansadamente.
— Você parece exausto, Harry, o melhor é encerrarmos a reunião por hoje, já passou da hora de dormir e estar bem-disposto para as aulas amanhã. — Disse Serafina séria.
— Acredito que posso aguentar mais 5 minutos para ouvir isso. — Harry disse com muita educação, mas frio.
— Está tudo bem, Harry, tenho de analisar as possibilidades e, depois, lhe envio um relatório sobre elas, ok? — Disse Edgar olhando para ele e Serafina com estranheza.
— Ok, mas poderia adiantar as ideias agora, mesmo sem analisá-las? Prefiro não ficar no escuro e curioso. — Harry disse com firmeza.
— Claro, bem, pensei sobre a nossa conversa de agosto sobre abrirmos uma fábrica de produtos de cosméticos em sociedade com o Sr. Clement. — Edgar explicou rapidamente. — Tinha desistido da ideia porque estava com receio de que a loja dele, a Essence Spéciale, seria uma das que sofreriam com a recessão, mas, você está certo. Para acelerarmos a economia e superarmos essa crise, precisamos de empregos para a população mágica, assim, construir a fábrica agora me parece uma boa ideia. Teremos mais empregos e diminuição dos custos de seus produtos na loja do Beco. Além disso, bem, não entendo muito dessa área, preciso pesquisar e ver as possibilidades, mas a atitude da Sra. Clark em reciclar e sua menção a usarmos folhetos para anunciar os produtos das Feiras Potters, me fez pensar que podemos abrir uma gráfica.
— Oh! Isso é brilhante, Sr. Edgar! Podemos usar material reciclado, do mundo trouxa, não sei se existe reaproveitamento de papel no mundo mágico. E, faremos os anúncios, panfletos e podemos até imprimir os livros da minha mãe se tivermos a tecnologia certa, isso pode baratear os custos dos livros um pouco mais.
— Exatamente o que eu pensei, além de mais empregos, acredito que a GER ter sua própria gráfica será uma grande vantagem a longo prazo, pois precisaremos de catálogos e panfletos para todas as lojas. — Sr. Edgar sorriu e Harry pode ver que seus olhos pareciam mais esperançosos. — Você teve uma grande ideia, Harry, nunca mais vou subestimá-lo.
— Rá! Então, o senhor é o único. — Disse Harry com sarcasmo. — Por favor, me mantenham informado, a não ser quando estou em aula, se precisarem falar comigo a qualquer hora, estarei o tempo todo com o espelho.
— O espelho foi uma boa ideia, Harry, seu pai e eu tínhamos um amigo que os fez para nós em nosso 4º ano, usávamos para conversar quando estávamos em detenções separadas. — Disse Sirius com um sorriso saudoso.
— Vocês eram amigos do Brand Jr.? — Harry perguntou surpreso. — Eu não sabia disso! E, Sr. Falc, o senhor conseguiu algum avanço sobre a patente do espelho?
— Espere, do que estão falando? — Sirius olhou de um para o outro confuso.
— É uma longa história, Sirius, eu explico com mais detalhes depois. — Disse Falc ao ver o Harry bocejar mais uma vez. — Estamos avançando, Harry, o senhor Brand ainda está relutante e não é por causa do dinheiro, o preço que oferecemos é justo e ele reconhece. — Sr. Falc o informou. — Acredito que ele quer conhecê-lo e suas ideias, o pessoal todo, sabe, ter certeza que não é um jogo, que é um projeto sério.
— Bem, isso é razoável, vou tirar umas fotos do nosso laboratório e levar nossas pesquisas, levarei os gêmeos, Hermione e Terry, podemos também mantê-lo informado dos nossos avanços e quando conseguirmos o que queremos o avisamos. — Harry acenou pensativo. — Terei muito o que fazer nas férias de inverno, mas, pode marcar um dia para nos encontramos com ele, Sr. Falc.
— Ok, farei isso e podemos lhe oferecer os 5% da empresa MagiTec como combinamos, ainda não fiz isso porque senti que, insistir com mais dinheiro, poderia ofendê-lo, Harry. — Sr. Falc explicou sério.
— Espere, vocês estão tentando comprar o direito de usarem o espelho? — Sirius disse admirado. — Isso seria incrível! James e eu ficamos tão tristes quando o Junior morreu, estávamos no 6º ano e ele já tinha se formado a uns dois anos, então.
— E, precisamos encerrar, vocês podem conversar mais em outro momento, já é quase meia noite, Sirius, Harry. — Sra. Serafina interferiu e os dois acenaram, Harry dando outro bocejo. — Harry, espero que esteja se comportando e não se intrometendo onde não deve, como conversamos da última vez que nos encontramos. — Continuou ela e Harry se tencionou na hora, seu rosto ficou sem expressão e os olhos esfriaram.
— Não estou fazendo nada que não deva, senhora, como prometido. — Disse ele e mais uma vez ignorou as expressões confusas dos homens na sala. Serafina levantou a sobrancelha, considerando ou não, tentar justificar mais uma vez sua ordem, mas Harry não lhe deu chance. — Aguardo quaisquer novidades de vocês. Boa noite.
E, cortou a ligação com certa brusquidão, mas não se importou, estava cansado demais para outro sermão e de todos os adultos da sua vida de uma vez, além de sua tia Petúnia, seria muito pior, considerou. Agora que isso estava resolvido, Harry decidiu, poderia se concentrar no jogo de quadribol de sábado, precisavam vencer os Slytherins, assim abririam uma boa vantagem. Se, depois disso, descobrisse o responsável pelo ataque, teria um ano bem tranquilo.
Enquanto isso, no Chalé em St. Albans, Falc acompanhou Edgar até a lareira da sala de estar, antes de voltar para o escritório e encontrar Sirius encarando Serafina com uma expressão de interrogação.
— O que foi? — Ele questionou, já imaginando do que se tratava.
— Você sabe o que foi, Falc, eu perguntei para a Serafina porque o Harry está agindo com tanta frieza com ela e lhe deu aquela resposta. — Sirius repetiu impaciente.
— Tivemos uma pequena discussão no dia em que estive em Hogwarts, depois do ataque. — Serafina informou suavemente. — Nada significativo, não entendo porque ele parece irritado, na verdade.
— Que discussão? — Falc perguntou confuso.
— Harry quis entrar na investigação de King e Moody, insistiu e discutiu sobre isso, não queria entender que era contra as regras e protocolos. — Serafina explicou seriamente. — Eles negaram, claro, Harry ficou chateado e agiu arrogantemente, então, quando ficamos sozinho, eu o lembrei da promessa que ele nos fez de não se envolver em qualquer perigo e deixar que os adultos resolvam os problemas.
— Se me lembro bem, Harry prometeu que não se envolveria se os adultos estivessem cuidando de tudo, além disso, nós discutimos que era importante ouvi-lo e suas intuições. — Sirius falou tenso.
— Sirius, tem dois aurores, o diretor e montes de professores envolvidos, eles todos estão tentando descobrir a entrada para a câmara e uma equipe do Ministério está caçando o basilisco. — Serafina expos duramente. — Quaisquer possíveis ideias que o Harry possa ter, tenho certeza que todos esses adultos as terão também e, incentivarmos que eles participem das investigações, apenas os levarão a estarem em ainda mais perigo do que já estão.
— Acredita mesmo nisso? Quantos adultos tem no mundo mágico? Isso sem falar em nós 5 aqui presentes e ouvindo aquele menino genial encontrar uma maneira de resolver a crise financeira que enfrentamos, conseguir empregos para centenas de pessoas e reestruturar suas fazendas em um único movimento. — Sirius estava indignado. — Confusões estas, causadas por adultos, inclusive o diretor de Hogwarts.
— Serafina, sabemos que ele não pode participar da investigação ou ter informação privilegiada, mas ignorar suas ideias ou afastá-lo não é a resposta. — Falc disse suavemente. — Você viu como ele agiu, frio e distante, está magoado.
— Magoado porquê? Tudo o que fiz foi insistir que cumpra a promessa que fez e não se coloque ou aos outros em perigo, Falc. — Serafina suspirou. — Talvez eu tenha sido dura, mas Harry sabe o quanto me importo e que apenas o quero seguro. Deve estar apenas reagindo a ser ignorado, rebeldia normal dessa idade, adolescentes estão sempre agindo assim, sei bem.
— Acredito que quem está sendo arrogante é você minha nora, em supor e afirmar como o Harry se sente sem lhe perguntar e acreditar que ele não pode ajudar nas investigações. — Sr. Boot falou com firmeza. — Esse menino já provou uma e outra vez que quando coloca a mente para pensar, resolver mistérios e encontrar soluções para problemas é, incrivelmente, talentoso. Sinceramente, me parece que ignorá-lo é uma grande tolice.
O silêncio na sala se manteve por um segundo, antes de Serafina voltar a falar um pouco chateada.
— Posso não ter lidado bem com a situação, mas Harry tem 12 anos, não tem conhecimento, poderes mágicos, recursos para enfrentar um basilisco ou quem o controla. Ele pode ser incrível, mas não é um adulto ou auror, estes, estão cuidando da situação, ao contrário do ano passado, assim, eu espero e insisti que Harry mantenha a promessa e fique seguro.
— Eu compreendo o seu pensamento, Serafina, mas meu afilhado é especial e poderia ajudar, isso não é ser arrogante, é a verdade e espero que King e Moody não lamentem ter lhe dispensado. — Sirius suspirou e moveu a cabeça fechando os olhos. — Conheço aquela expressão, Lily era quente como fogo em seu temperamento, mas se fosse magoada se fechava e esfriava, se distanciava, ela era orgulhosa e, até que você se desculpasse e reconhecesse, não lhe concederia um fiapo de nada.
— Lily tinha um grande coração...
— Não tente agir como se a conhecesse mais do que eu. — Sirius a interrompeu com frieza. — Harry é seu próprio ser, mas tem algumas coisas dos pais, ele está magoado e não ajudará se não lhe pedirem sua ajuda ou se desculparem. E, sabe o que isso significa?
— Ele fará sua própria investigação. — Concluiu ela ao perceber o óbvio. — Droga.
— Conversarei com King e Moody, talvez possamos salvar as coisas ainda, mas teremos que atravessar essa ponte com calma durante as férias de inverno. — Disse Sirius os encarando preocupado e disse. — Precisamos que ele confie em nós.
Todos os outros acenaram, até mesmo Serafina, mas era óbvio por suas expressões que temiam ser tarde demais.
A semana de Harry foi completamente focada no jogo de sábado, além dos treinos, seu time escondeu com muito cuidado as estratégias e todos foram cuidadosos com um possível ataque mágico. A maior preocupação era Harry, já que ele não tinha um substituto, mas, mesmo os outros, foram orientados por Trevor e não andarem sozinhos pelo castelo. Apesar dessa orientação já existir por causa do basilisco.
Na sexta à noite, ele teve mais um treino de duelo com Flitwick e sabia que seu Meistr tinha preparado algo especial. O que ele não imaginou foi entrar em uma arena de duelo completamente escura. Na vez anterior, a escuridão era como uma noite sem lua, mas desta vez era diferente, a escuridão era espessa e completa, Harry teve a sensação de que estava completamente cego, mesmo sua mão a centímetros dos olhos, ele não conseguiu enxergar.
— Prentis, lembre-se de usar seus outros sentidos, respire fundo, na primeira parte, quero que se defenda do ataque físico. — A voz incorpórea soou e Harry fechou os olhos inúteis e respirou fundo.
Sua concentração inicial foi inútil, pois, um segundo depois, uma rasteira o derrubou de costas ao chão e lhe tirou o fôlego. Harry se levantou rapidamente e sentiu outro ataque vir, mas, sem saber de onde, deu um salto, apenas para ser atingido nas costas e cair para frente.
— Controle a respiração, ouça, sinta. — Meistr falou outra vez e Harry respirou fundo outra vez, se concentrou em sua meditação, confiou em sua magia.
O ataque seguinte veio pela frente e ele se afastou, a vontade de revidar era grande, mas Harry resistiu e apenas recuou, quando o próximo veio, se baixou. De repente, se sentindo mais à vontade, lembrou se das técnicas de defesa do Aikido, não tivera muitas aulas no verão, mas, nas últimas semanas, treinara com a Prof.ª Charlie, que parecia impressionada por sua rapidez. Ela lhe dissera que ele tinha um talento natural para a defesa e que, quando fosse fisicamente mais forte, sua rapidez o tornaria mortal.
Harry logo perdeu a noção do tempo enquanto se esquivava em todas as direções, muitas vezes não foi rápido o suficiente, mas a dor dos golpes o motivava a continuar, abaixa, salta, recua, rola, nunca desistir. Em pouco tempo, estava tão sincronizado com o som dos ataques que cortavam o ar, que não percebeu o momento em que sua magia se conectou com a magia da sala, mas, sua mente entendeu que a luz laranja azulada era a magia do inimigo que o atacava e, instintivamente, passou a se esquivar dela. Um segundo depois, ele percebeu que estava "enxergando" a magia com a sua magia, já fizera isso antes, sentiu a magia dos objetos, do ambiente, mas, nunca a "viu" em sua mente com cor e poder. Chocado, confuso, Harry observou luz vir em sua direção pela esquerda e se esquivou para a direita, de novo, mais uma vez e outra, ele não foi mais tocado e, quando a magia parou, Harry também o fez e a "olhou", esperando. Ela o rodeou, silenciosamente, Harry não a ouviria, mas pode "vê-la", assim se virou até estar à sua frente mais uma vez.
— Prentis? Você está me enxergando? — Perguntou Meistr e Harry ficou surpreso ao saber quem o atacava.
— Sim, Meistr, quer dizer, apenas sua magia, minha magia buscou a magia da sala, do atacante e encontrou o senhor. — Explicou Harry respirando fundo e tentando manter a concentração.
— Isso já aconteceu antes? — Veio a pergunta.
— Eu consigo sentir a magia do ambiente, dos objetos, da natureza, mas nunca a tinha "visto" em minha mente, é bem poderosa e colorida, laranja azulada. — Explicou Harry suavemente.
— Incrível e raro, seu dom para a magia natural se mostra aqui.
— Prof. Jonas disse que minha conexão tão rápida e forte com a floresta faz parte disso. Pensei que poderia ser consequência meditação e oclumência, mas ele disse que, quando alcancei o estado de ausência tão rapidamente, estava, na verdade, usando um dom natural de conexão com a magia natural e que é por isso também que sou voador natural. — Harry explicou suavemente, Neville também tinha essa conexão, pois, apesar de não ser bom em voar, nadava melhor que qualquer um na escola, mesmo tendo aprendido a pouco tempo.
— Você ainda está me vendo com sua mente? É difícil manter a concentração? — Meistr perguntou curioso.
— Não é difícil, minha magia age naturalmente a minha necessidade, ela gosta de me proteger, minha mente e meu corpo. Não estou te vendo com minha mente, Meistr, estou vendo a sua magia com a minha magia. — Respondeu ele, sincero.
— Interessante... surpreendente, na verdade. Bom, vamos continuar, agora quero que você ataque e se defenda ao mesmo tempo.
Ele não lhe deu tempo para se preparar e atacou imediatamente. Harry saltou e, instintivamente, ergueu a perna em um chute alto, bem, alto para o professor, e sentiu o Meistr se abaixar. O ataque a sua perna de apoio veio rápido, mas Harry era mais veloz e saltou, adivinhando onde o atacante estaria moveu o braço lateralmente e acertou um golpe na nuca. Harry viu o poder magico voar alguns passos a frente, mas retornar com força e rapidez.
Harry sabia que Flitwick era um grande duelista, fora campeão, afinal, sabia que ele era veloz e implacável, mas não sabia que ele poderia lutar fisicamente com tanto talento. Ele se sentiu, exatamente o que era, um aprendiz, tomou muitos golpes e deu alguns, mas seu Meistr nunca o acusou, retornando mais feroz, como se fosse um insulto. Para cada golpe que Harry o atingiu, dois entraram de volta, dolorosos e implacáveis, mas a adrenalina o impediu de sentir a dor e a vontade de vencer era mais forte que tudo.
A escuridão que os envolvia era acompanhado por suspiros, batidas, cortes de ar, passos leves, respirações ofegantes e, finalmente, um grito de dor mais forte quando Harry não se esquivou de um soco na altura do rim. Ofegante, ele caiu de joelhos, buscando por ar e tentando superar a dor, mas então a sala se iluminou e Meistr apareceu a sua frente. Vestia uma espécie de quimono japonês, meio bagunçado, estava com o rosto corado, algumas marcas aqui ou ali, mas respirava normalmente e sorria.
— Por hoje foi um bom treino e você perdeu. — Harry percebeu que ele parecia satisfeito e apenas acenou.
— Não sabia que o senhor lutava fisicamente e... — Ele gemeu quando se colocou de pé, estava muito pior que Flitwick. — Como conseguiu me enxergar?
— Um feitiço, muito avançado, que você nunca irá precisar aprender e tenho 1,3m de altura, com certeza aprendi a lutar fisicamente, com espadas e facas também. — Disse ele e tirando a varinha lhe fez um diagnóstico. — Nada quebrado, mas precisará de algumas poções, enviarei ao seu quarto, seria suspeito se aparecesse assim na enfermaria. No próximo duelo... quando será?
— Domingo à tarde, Meistr. — Respondeu Harry.
— Lutaremos com sua adaga, não adianta levar ela com você para todo lugar e não saber usar. — Flitwick suspirou sentindo seus próprios pontos doloridos. — Bom jogo amanhã, Harry. Boa noite.
— Boa noite, professor e obrigado.
O jogo era tudo o que a escola falou a semana toda e no sábado a eletricidade e tensão envolveu a todos. Os Slytherins estavam convencidos de que venceriam, arrogantes exibiram suas novas vassouras com grandes sorrisos. Os Gryffindors e Hufflepuffs, apesar de esperançosos, não estavam muito otimistas e pareciam temer uma goleada arrasadora, que poderia não ser tão ruim se o Harry pegasse o pomo. Como não sabiam se Draco era um bom buscador, pelo menos, isso parecia ser possível, afinal, Harry tinha uma boa vassoura também.
Os Ravenclaws sabiam dos treinamentos extras, da inteligências e estratégias do time, em ter reservas, por exemplo, assim se sentiam muito mais confiante. Meia hora antes do jogo, seu time estava aquecendo e voando, relaxando, se preparando para enfrentar o que viria. Trevor falou com eles antes de subirem para o jogo em definitivo, como sempre, foi breve.
— Nós treinamos a nossa estratégia, se fizermos bem, concentrados e com coragem, podemos vencer fácil. Lembrem-se que eles estarão com raiva quando perceberem que vão perder, assim, nada de confronto físico. Vamos lá!
Os discursos dele eram sempre rápidos, precisos e ajudava o time a subir para o campo confiante e concentrado. Trevor e Flint apertaram as mãos, Draco lhe lançou um olhar arrogante e depois olhou para a bancada dos professores, Harry acompanhou seu olhar e sentiu o sangue ferver ao ver Lucius Malfoy ao lado de Dumbledore e Slughorn. O que ele fazia ali? Dumbledore sabia que o ataque a Luna era sua responsabilidade, deveria desaprovar o flagrante desrespeito a ética e fair play com essa história de doar vassouras a casa do seu filho para lhe conseguir uma vaga no time. E, além de tudo isso, se pais e guardiões podiam comparecer, porque todos não eram avisados e permitidos? Harry teria gostado muito de ter o Sirius vendo-o jogar pela primeira vez.
O apito de Madame Hooch o tirou de seus pensamentos e Harry imediatamente ignorou a própria raiva e entrou no jogo. Que deveria ser um massacre, as vassouras Nimbus 2001 eram rápidas, muito rápidas mesmo, mas eles sabiam o que fazer para vencer. Harry se assegurou que o pomo desaparecera e se moveu para ajudar seus colegas, seus três artilheiros cercaram o artilheiro Slytherin com a goles que tentou voar entre eles, mas não conseguiu, pois foi espremido e cercado ferozmente. Isso o fez decidir se livrar da goles e jogá-la para um companheiro, mas Harry tinha uma Nimbus 2000 e era mais leve, rápido e talentoso, assim, conseguiu interceptar a goles e correr para o aro adversário, soltando-a nas mãos de Trevor no último instante e, ainda fintou e distraiu o goleiro, deixando o aro livre para o seu capitão marcar.
O movimento irritou e surpreendeu os Slytherins que pareceram se dar conta que, mais uma vez, eles tinham uma estratégia. Quando seu artilheiro se viu cercado na marcação por zona de pressão dos três artilheiros Ravenclaws mais uma vez, Flint gritou:
— Passe por cima desses imbecis!
Mas, seu time esperava isso e quando o troll, bem, ele parecia um troll, tentou usá-los como pino de boliche, seus artilheiros se afastaram, voando em círculo e o cercando a poucos metros de novo, de novo e mais uma vez. Isso se repetiu várias vezes, o jogo ficou lento e amarrado, a Slytherin não conseguia chegar aos aros para marcar e, quando tentava um passe, o Harry chegava primeiro, pegava a goles e corria para os aros adversários entregando-a para um companheiro pontuar. Logo eles estavam ganhando de 100x0, mas os Slytherins decidiram mudar de tática também e atacar o Harry, fisicamente e com os balaços, no entanto, depois da surra que levara na noite anterior, dificilmente, vassouras novas ou não, eles conseguiam chegar perto de tocá-lo.
Harry tinha certeza que era seu melhor jogo e a satisfação que sentia era imensa, lhe permitiu até sorrir para o Draco com arrogância também. Flint pediu tempo e conversou com seu time, quando voltaram, Draco estava ajudando os artilheiros, mas sem treinamento e menos talento na vassoura mais atrapalhava do que qualquer coisa. Finalmente, Flint gritou:
— Saí do caminho, seu imbecil! Eu disse para ficar colado no Potter!
Draco até tentou, mas Harry era rápido demais e o menino ficava perdido no meio do jogo agitado dos artilheiros, provavelmente porque só treinou em pegar o pomo acima de todos. Mas Harry não teve pena, quando marcaram 150x20...
Um grito de alerta e seus sentidos o avisaram do ataque, Harry se desviou e o balaço passou velozmente perto do seu ombro esquerdo. MacMillan estava ali um segundo depois e o bateu para longe, mas, para o choque dos dois, o balaço parou no ar e voltou para Harry, na direção de sua cabeça.
— O que...? Mas que porra é essa? — Gritou MacMillan tentando afastar o balaço que voltava e voltava.
Harry subiu acima dos artilheiros tentando não atrapalhar ou machucar seus companheiros e viu os Slytherins marcarem, irritado, olhou em volta em busca do pomo, se o pegasse, terminava de uma vez e então o balaço se desviou de MacMillan como se tivesse vontade própria e o atacou. Ele fugiu e se desviou com habilidade, mas não poderia jogar...
— Trevor! Pede tempo! — Seu grito foi acompanhado de um gemido quando o balaço o atingiu lateralmente nas costelas o lembrando do seu rim dolorido.
Harry o viu se afastar e depois, magicamente, parar e voltar a atacá-lo. Enraivecido pelo balaço obviamente adulterado, Harry tirou sua varinha e lhe apontou, gritando:
— Reducto! — Ele não tinha certeza se funcionaria em um objeto mágico, mas quando o balaço explodiu em pedaços, suspirou aliviado.
— Mas, o que...? — Madame Hooch apitou e se aproximou dele zangada. — O que pensa que está fazendo? Não pode usar magia em campo e muito menos destruir o balaço!
— Bem, me desculpe se estava tentando me salvar de um balaço adulterado! — Disse ele indignado e segurando seu lado com o braço, pois estava bem dolorido. Como ela não viu o que aconteceu?
Voando mais abaixo na direção do seu time, Harry percebeu os olhares de espanto e curiosidade dos artilheiros, considerou que, talvez, apenas os batedores perceberam algo estranho.
— Harry... porque destruiu o balaço? — Trevor parecia preocupado.
— Ele estava me atacando, Trevor, deve ter sido adulterado...
— Potter! Balaços atacam, é proibido usar magia em campo e destruir balaços, goles, pomos ou vassouras. — Disse Hooch o seguiu ainda irritada.
— O balaço estava me perseguindo! Ele foi adulterado magicamente! — Harry exclamou começando a perder a calma de vez.
— Isso é impossível...
Mas, enquanto Hooch falava, o outro balaço zuniu de repente ao seu lado e atacou Harry que só teve tempo de colocar o braço a frente do rosto para absorver o impacto. A força da batida quebrou o osso do braço, o fez soltar a vassoura e o jogou para traz, Harry caiu uns 3 metros e perdeu o fôlego com o impacto e a dor que o envolveu. Por um segundo tudo escureceu e ele ofegou por ar, no instante seguinte, abriu os olhos respirando com brusquidão e gemendo de dor.
Tudo ficou ainda mais confuso quando seus amigos o cercaram, havia gritos e protestos, mas Harry não deu atenção, a dor era tudo em que conseguia pensar e como ninguém parecia disposto a ajudá-lo, ele decidiu se levantar e ir para a enfermaria.
— Calma, Harry vamos ajudá-lo. — Disse Owen tentando apoiá-lo enquanto se sentava, mas Harry gemeu, porque tudo doía.
— É melhor não mexer nele, vamos levá-lo para a enfermaria em uma maca, pode ter algo mais quebrado além do seu braço. — Era a voz de Terry preocupada.
Harry concordava com a ideia, mas, antes de tomar fôlego e dizer qualquer coisa, outra voz se intrometeu.
— Braço quebrado? Eu resolvo isso em um instante. Afastem-se. — Era Lockhart e Harry finalmente encontrou voz para protestar.
— Nem pense nisso, fique longe de mim!
— Ele não sabe o que está dizendo – falou Lockhart em voz alta para o ajuntamento do time da Ravenclaw que cercavam ansiosos os dois. — Não se preocupe, Harry. Já vou endireitar o seu braço.
— Não! — Harry conseguiu dizer e olhou em volta procurando por ajuda. — Trevor, me ajude a ir para a enfermaria.
— Claro, Harry. — Disse seu capitão sem qualquer humor.
Por entre a floresta de pernas à sua volta, Harry viu a Madame Hooch, lutando para enfiar o balaço errante numa caixa. A bola continuava a resistir ferozmente.
— Aguarde um momento. — Pediu Lockhart, enrolando as mangas de suas vestes verde-jade.
— Não... não ouse fazer isso... — Harry com a voz fraca tentou impor sua vontade, mas não houve tempo porque Lockhart agitava a varinha e um segundo depois apontou-a diretamente para o braço de Harry.
Uma sensação estranha e desagradável surgiu no ombro de Harry e se espalhou até a ponta dos dedos da mão. Era como se o braço estivesse se esvaziando, não doía mais e nem de longe se parecia com um braço. As exclamações em volta o forçaram a encarar o braço e o que ele viu quase o fez desmaiar de novo, pela manga das vestes saía uma coisa que lembrava uma grossa luva de borracha cor de pele. Ele tentou mexer os dedos. Nada aconteceu. Lockhart não emendara os ossos de Harry. Ele os removera.
— Ah — disse Lockhart. — É, às vezes isso pode acontecer. Mas o importante é que os ossos não estão mais fraturados. Isto é o que se precisa ter em mente. Então, Harry, vá, dê uma chegada na ala hospitalar, ah, Sr. Pickford, Sr. Boot, podem acompanhá-lo? E Madame Pomfrey poderá... hum... dar um jeito nisso.
— Seu... seu... Imbecil descerebrado! — Harry estava com tanta raiva que conseguiu se levantar, ainda que pendeu para um lado no peso do braço sem osso. — Eu lhe disse para não me tocar!
— Olha o que o senhor fez! — Terry também estava muito zangado.
— Ora, isso pode acontecer com qualquer um...
— Pode acontecer com fraudes incompetentes! E, isso é exatamente o que o senhor é! — Terry o encarou furioso e num impulso o acertou com um soco no nariz. — E, isso é pelo meu irmão!
Enquanto Lockhart segurava o nariz sangrado, gemendo e chorando por seu lindo rosto destruído, Harry foi ajudado por seus amigos até a enfermaria. Madame Pomfrey não ficou nada satisfeita, na verdade, ela estava furiosa.
— Você deveria ter vindo me procurar diretamente! — Dizia enérgica, erguendo a lamentável sobra do que fora, meia hora antes, um braço útil. — Posso emendar ossos num segundo, mas fazê-los crescer outra vez...
— Isso não é possível? — Perguntou Harry desesperado.
— Claro que sim, mas será muito doloroso e demorado — disse Madame Pomfrey sombriamente, atirando um pijama para Harry. — Você vai ter que passar a noite...
Terry e Neville o ajudaram a vestir o pijama, Trevor voltou para o campo e Hermione esperou do outro lado da cortina até que ele se deitou em sua cama e o braço balançou molemente para o lado.
Hermione e Madame Pomfrey deram a volta à cortina. Madame Pomfrey vinha segurando um garrafão de uma poção que Harry reconheceu como a Esquelesce.
— Você vai enfrentar uma noite difícil — disse Pomfrey servindo um copo grande de boca larga e fumegante e entregando-o a Harry. — Essa é versão completa da poção que você vem tomando todos esses meses para fortalecer seus ossos. Fazer ossos crescerem de novo é uma coisa complicada e precisa ser tomado tudo de uma vez, não uma vez por semana como temos feito.
Tomar a Esquelesce, também era complicado. O líquido queimou a boca e a garganta de Harry e, apenas a prática de tomar tantas poções em seus tratamentos o impediu de cuspir.
— Obrigado, Madame. — Disse Harry bebendo um pouco de água com a ajuda de Terry e Hermione.
— Bem, eu lhe liberei para praticar esportes, mas seu corpo ainda está em tratamento, Harry, além disso, deixar esse... ser tocar com a varinha em você foi muito perigoso. — Disse ela arrumando sua coberta preocupada.
— Não deu tempo de impedir, Madame Pomfrey. Acredita que isso pode causar problemas aos tratamentos que o Harry está fazendo? — Perguntou Terry preocupado.
— Não. Ele está muito saudável e quase que completamente curado de seus problemas de saúde. Isso não evitará que sofra até esses ossos crescerem... — Neste momento, ela se interrompeu quando Lockhart entrou choramingo sobre seu nariz que ainda sangrava.
— Poppy, você pode salvar meu lindo rosto? — Implorou ele desesperado.
— Bem, o senhor não é um bruxo tão incrivelmente poderoso? Tenho certeza que pode curá-lo por si mesmo como fez com meu paciente. — Disse ela com malícia.
Apesar da dor que já o envolvia, Harry sorriu ao ver sua expressão horrorizada e com o pensamento de vê-lo com a face mole e disforme pela falta de ossos.
— Por favor, Poppy, foi um erro justo, poderia acontecer com qualquer um...
— Não comigo! — Ela gritou indignada e os meninos a encararam espantados. — Eu sou a curandeira desta escola e sou treinada para curar essas crianças! Como ousa tentar fazer uma magia tão difícil, colocar os alunos em risco apenas por arrogância e exibições tolas!? — Ela levantou sua varinha e Lockhart gritou agudamente se encolhendo, mas Madame Pomfrey apenas acenou e curou seu nariz. — Se voltar a tentar curar alguns dos meus alunos outra vez, farei mais do que quebrar seu nariz! Entendeu bem?
— Sim, sim, Poppy... — E, correu da enfermaria como o rato assustado que era.
Ainda lamentando os esportes perigosos e os professores ineptos, Madame Pomfrey se retirou, deixando-os sozinhos.
— E, pensar que eu pensei que ele era um grande professor. — Hermione suspirou decepcionada.
— Ele é a maior fraude, isso sim, aposto que inventou ou comprou todas aquelas histórias de seus livros, porque, com certeza, Lockhart nunca chegou perto de ajudar ou salvar uma única alma. — Disse Terry rabugento.
— Ou pior. — Resmungou Neville sombrio. Harry acenou concordando, sim, tinha a sensação que Lockhart era pior do que sua figura falastrona sugeria.
— Independente disso, você não deveria ter socado um professor, Terry. — Repreendeu Hermione decepcionada.
Terry corou um pouco constrangido e olhou para as cobertas da cama do Harry.
— Foi um impulso, o que ele fez foi muito perigoso, poderia ter causado danos mágicos sérios. St. Magnus está cheio de casos de pessoas que tentaram se curar por conta própria sem um curandeiro e estão presos a enfermaria de longo prazo, invalidas ou com dores horríveis para o resto da vida. — Disse Terry muito sério, Neville acenou confirmando e Hermione empalideceu com a informação.
— Eu não sabia disso. — Sussurrou ela chocada.
— Além disso, com a dor que estou sentindo agora, Lockhart merecia muito mais do que um soco no nariz. — Disse Harry com a voz dolorida. — Obrigado por me defender como sempre, irmão, mas da próxima vez, chute suas bolas. Ok?
Isso fez todos rirem, mesmo Hermione, Terry acenou e apertou seu ombro.
— Combinado.
A porta do hospital se escancarou naquele momento e o time da Ravenclaw entrou furiosos e entristecidos.
— O que houve? — Harry perguntou com um mal pressentimento.
— Perdemos. — Disse Trevor muito chateado.
— O que? Como assim? Draco pegou o pomo? — Disse Harry sem entender.
Eles haviam conversado sobre isso e feito planos, como Harry não tinha mais um substituto e os Slytherins eram uma equipe que jogava sujo, eles planejaram que se ele se machucasse, tentariam marcar mais pontos e deixar o pomo para o Draco pegar. Se tivessem uma diferença de mais de 150 pontos ainda venceriam, mesmo que fosse por uma margem pequena.
— Não, não houve mais jogo. — Disse Melrose e era o único da equipe que o encarava com olhos acusadores. — Eles deram os 150 pontos para eles porque você destruiu o balaço.
— O que!? — Harry e Terry disseram ao mesmo tempo.
— São as regras, Harry. — Trevor suspirou e se sentou em uma cadeira ao lado da cama. — Nenhum jogador pode sacar sua varinha e fazer magia em campo, a não ser que seja uma situação de vida ou morte.
— Ou destruir as bolas do jogo ou vassouras dos adversários. — Owen continuou sombrio. — Antigamente, alguns jogadores ficavam com raiva por uma finta ou jogada dos adversários e os atacavam com magia, o jogador ou sua vassoura. Isso foi proibido em 1806, se alguém faz isso, automaticamente o jogo é encerrado e os 150 pontos do pomo vai para a outra equipe.
— Mas... era uma questão de vida ou morte! Aquele balaço estava adulterado! Me perseguiu como se fosse magicamente forçado a me machucar! — Harry gritou furioso e tentou se levantar da cama, infelizmente, seu braço e uma tontura, além da dor o impediram. — Maldição... — Disse fracamente se afundando de volta para o travesseiro e fechou os olhos até a enfermaria parar de rodar.
— Nós protestamos, Harry e contamos o que tinha acontecido, mas os Slytherins exigiram o cumprimento da regra. — Explicou Trevor chateado. — Os covardes não quiseram voltar para o jogo por que sabiam muito bem que iam perder e Madame Hooch não viu o que aconteceu, assim...
— Assim? O que? Eles acham que eu ia destruir o balaço porque estava entediado? E minha palavra, de MacMillan e Owen, não valem de nada? — Harry estava possesso.
— Bem, eu também não vi o balaço te perseguir. — Disse Melrose em tom de acusação.
O time todo e os amigos de Harry o encararam com raiva, mas Melrose nem piscou. Harry apenas riu levemente, sem humor.
— Como se eu pudesse esperar que você enxergasse alguma coisa com esse seu nariz esnobe e purista na frente desses seus olhos falsos, Melrose. — Harry disse mordaz e viu o garoto se tencionar e empalidecer. — Acredita que não sei? Eu sou um Ravenclaw, seu idiota, e você é inteligente o suficiente para manter seus preconceitos para si mesmo, felizmente, ou te faria engolir sua língua se ousasse chamar minha mãe de sangue ruim.
Sua afirmação dura e fria abalou a todos que ainda não sabiam que Melrose era um purista, alguns até deram uns passos longe dele enojados.
— Como você ousa? Seu mestiço imundo! — Disse ele com ódio e Harry sorriu com sarcasmo.
— Alguém bata palma por mim, por favor. — Pediu ele e Neville entendendo sua intenção, atendeu o seu pedido. — Parabéns, Melrose, finalmente mostrando sua verdadeira face, hum... deve ser libertador. Como se sente livre do peso da máscara?
— Sabe quem eu sou? A importância do nome Melrose? O que minha família poderia fazer com a sua? Ah! Espera... — Melrose riu debochadamente. — Você não tem família! Os meus já destruíram os seus. Como se sente, livre do peso da...
Mas, o que ele ia dizer se perdeu, quando o calmo e silencioso Zane o acertou por traz com um chute entre as pernas. Melrose engasgou e parecia que engoliria a língua, ao mesmo tempo caiu de joelhos segurando as bolas, tão pálido e sem ar pela dor que logo ficou purpura.
— Harry mandou guardar seus preconceitos para você, idiota, até elogiou sua inteligência por fazer isso. — Zane disse suavemente. — Sugiro que continue a fazê-lo, porque se não, ele o fará engolir sua língua e eu corto suas bolas fora, assim sua família acaba com você. Entendeu?
Melrose pareceu perceber que a ameaça não era vazia e acenou com a cabeça, dolorosamente, porque não conseguia falar de tanta dor.
— Está vendo, Terry? É assim que se faz, acaba até o choramingo. — Disse Harry e seu amigo acenou impressionado.
— MacMillan, me ajude a tirar esse traste daqui. — Disse Trevor e os dois o pegaram, cada um por um braço, e meio ergueram, meio arrastaram Melrose até o corredor onde o largaram grosseiramente, ignorando os seus gemidos, trancaram a porta da enfermaria em sua cara pálida e suada.
— Bem, pelo menos o clima ficou mais leve. — Disse Scheyla se aproximando do Harry. — O que aconteceu com você afinal? Num minuto você estava cercado por Lockhart e no outro foi trazido para cá e não entendi nada.
Harry estava com muita dor e olhou para Terry que explicou rapidamente tudo o que aconteceu, além da reação de Madame Pomfrey.
— Que idiota! Não entendo porque ainda é nosso professor, eu mesma coloquei inúmeras mensagens de reclamações sobre ele na caixa de sugestões. — Disse ela irritada.
Todos acenaram concordando, pois tinham feito o mesmo, até Hermione.
— É uma questão de tempo e encontrar um substituto, infelizmente, encontrar pessoas qualificadas não é tão simples. — Disse Terry suavemente. — Na verdade, pelo que entendi, eles estão tendo que procurar fora do país alguns profissionais porque nós temos um círculo absurdo de desqualificação.
— Como assim? — Perguntou Owen curioso.
— Bem, os puros sangues que conseguem vagas mais facilmente no curso de mestres do Ministério ou têm dinheiro para pagar, não se interessam porque são ricos, têm negócios de família. Aqueles que se interessam, ou não têm dinheiro ou não conseguem a vaga, assim cria-se uma grande ausência de Mestres no mercado. — Explicou Terry e todos acenaram entendendo.
— Isso é criminoso, impedir o progresso intelectual, a evolução, imagine como mais magias, poções e outras descobertas não teríamos se não vivêssemos em uma sociedade atrasada por esses pensamentos tradicionalistas e preconceituosos. — Disse Hermione chateada.
— Mudaremos isso. — Disse Harry sonolento. — Estamos fazendo grandes mudanças e continuaremos...
— Primo, você precisa descansar, Trevor, voltamos ao que aconteceu no jogo depois. — Disse Scheyla tocando seus cabelos com carinho.
— Espera. — Harry falou com um pouco mais de energia. — Há algo que podemos fazer? Flitwick? Não podemos protestar e conseguir que remarquem o jogo ou algo assim?
— Não. — Trevor estava muito frustrado. — Ninguém entre os professores viram o que aconteceu, apenas nossos batedores e Scheyla, o outro time disse que não viu nada o que é uma grande besteira.
— Eles disseram que o testemunho de nós três, que são os interessados, não é válido. — Explicou Scheyla zangada. — Flitwick tentou argumentar, mas são as regras do jogo e os Slytherins pressionaram muito, incluindo aquele loiro esquisito.
— Malfoy! — Harry cuspiu o nome com nojo. — Eu o vi na bancada dos professores, não entendo como Dumbledore o deixa circular por aí depois de tudo o que fez.
— Provavelmente, para disfarçar, Harry e não o deixar saber que sabemos. — Disse Terry inteligentemente.
— Ok, ok, não tinha pensado nisso. — Harry suspirou cansado. — Perdemos por quanto afinal?
— Apenas 20 Pontos de diferença, Harry, ainda estamos na disputa, assim como a Hufflepuff ganhou por uma margem de 10 pontos e a Gryffindor também está no páreo. — Explicou Trevor e Harry acenou aliviado, pelo menos essa bagunça não tinha consequências tão duras para a Copa de Quadribol. — Mas eu gostaria de entender do que estão falando sobre o Malfoy, tenho a sensação de que o que aconteceu hoje não foi um acidente. Certo?
Harry suspirou e olhou para todo o time, inclusive o reserva que o encarava com atenção. Apenas Michael e Morag sabiam do que se tratava e os outros precisavam ser informados também, mas não hoje.
— Precisamos conversar, mas aqui não é o lugar, marcaremos amanhã para nos encontrarmos no Covil. — Disse Harry e viu todos acenarem, menos os puros sangues que não tinham ideia sobre o que ele falava.
Pouco depois, Pomfrey apareceu e os expulsou a todos, insistindo que Harry precisava repousar. Ele aproveitou para dizer que estava com dor em outros lugares, principalmente nas costelas e recebeu mais poções. Em 5 minutos, estava dormindo, exausto e dolorido. Muitas horas depois, Harry acordou de repente numa escuridão de breu e deu um ligeiro ganido de dor: o braço agora parecia cheio de grandes lascas. Por um segundo ele pensou que fora isso que o acordara. Então, ouviu uma fungada e percebeu que alguém estava passando uma esponja em sua testa. Confuso e um pouco assustado, Harry olhou para o lado e viu um elfo doméstico de aparência miserável.
— Dobby! — Sussurrou alto e muito surpreso.
Os olhos arregalados, parecendo bolas de tênis, do elfo doméstico espiavam Harry na escuridão. Uma lágrima solitária escorria pelo seu nariz longo e fino.
— Harry Potter voltou para a escola — murmurou ele infeliz. — Dobby avisou e tornou a avisar Harry Potter. Ah, meu senhor, por que não prestou atenção em Dobby? Por que Harry Potter não foi expulso quando fez magia fora da escola?
Harry se ergueu, apoiando-se nos travesseiros, afastou suavemente a esponja de Dobby, vestiu seus óculos e acendeu o candelabro ao lado da mesa.
— Dobby, eles sabiam que não foi eu quem realizou o feitiço, além disso, ninguém é expulso por fazer um mísero feitiço de levitação. — Disse Harry sorrindo por sua ingenuidade. — E, você sabe porque eu voltei, lhe deixei bem claro que não fugiria. A questão é, o que você está fazendo aqui?
Dobby o encarou timidamente e se balançou para a frente e para trás.
— Dobby ficou tão chocado quando soube que Harry Potter tinha voltado a Hogwarts que deixou o jantar do seu dono queimar! Dobby nunca foi tão açoitado, meu senhor...
Harry afundou de volta nos travesseiros.
— Merlin... açoitado! Dobby, sinto muito. Você está bem? — Harry perguntou preocupado.
Seus grandes olhos verdes se encheram de lágrimas.
— Harry Potter se preocupa com Dobby. — Ele assoou o nariz na fronha suja. — Dobby nunca teve alguém, um bruxo, que se preocupasse com Dobby. Dobby está bem, Dobby está acostumado com os castigos, meu senhor. Em casa, Dobby os recebe o tempo todo.
Ele parecia tão triste e patético que Harry sentiu a raiva por Malfoy duplicar.
— Por que você usa essa fronha velha e suja, Dobby? Os elfos de Hogwarts têm um uniforme limpo e bonito. — Perguntou sem conseguir pensar em como consolá-lo por sua vida miserável.
— Isso, meu senhor? — Disse Dobby, puxando a fronha. – Isto é a marca de escravidão do elfo doméstico, meu senhor. Dobby só pode ser libertado se seus donos o presentearem com roupas, meu senhor. A família toma cuidado para não passar a Dobby nem mesmo uma meia, meu senhor, se não ele fica livre para deixar a casa para sempre.
— Mas... eles poderiam lhe dar galeões para comprar ou costurar... — Harry suspirou e fechou os olhos. — O que eu estou dizendo? Como se os Malfoys fariam qualquer coisa razoavelmente boa para qualquer um. De qualquer forma, você ainda não me disse porque está aqui, Dobby.
Dobby enxugou os olhos saltados e disse de repente:
— Harry Potter precisa ir para casa! Dobby achou que o balaço dele seria suficiente para fazer...
— O seu balaço? — Disse Harry, chocado e irritado. — O seu... Como assim? Dobby, você que fez aquele balaço me perseguir?
— Dobby quer salvar a vida de Harry Potter! Dobby só queria que Harry Potter se machucasse o bastante para ser mandado para casa! Melhor assim, meu senhor, do que ficar aqui e acabar morto!
— Dobby! — Exclamou Harry e fechou os olhos tentando acalmar a irritação. — Poxa, você me fez perder um jogo importante, Dobby e ajudou seu mestre e aquele filho idiota dele. Pensei que estivesse do meu lado, que quisesse me ajudar e gostasse de mim.
Dobby o encarou com olhos arregalados e começou a chorar miseravelmente.
— Dobby gosta do Harry Potter, Dobby apenas quer protegê-lo e não queria ajudar os mestres, Dobby não gosta dos mestres... — Assim que terminou de falar, ele pegou a caneca de água vazia na mesa ao lado e começou a se bater na cabeça com ela. — Dobby mal! Dobby mal!
— Pare! Pare de se ferir! — Harry falou com firmeza e lhe tirou a caneca das mãos. —Nós dois temos muito o que conversar e quero que preste atenção, eu não estou com raiva de você e não quero que se puna, mas a maneira como está agindo, está errada, Dobby.
— Desculpa Dobby, meu senhor, Dobby quer ajudar. Harry Potter é muito importante, se o senhor soubesse o quanto! — Gemeu Dobby, mais lágrimas escorrendo pela fronha esfarrapada.
Harry fechou os olhos suspirando outra vez, precisava encontrar as palavras certas, uma maneira de ajudá-lo e resolver toda essa confusão.
— Ok, Dobby, eu entendo, mais do que imagina. Meus pais... eles lutaram muito pelo fim da guerra, deram suas vidas e eu valorizo muito isso. De verdade. — Harry o encarou sincero e o viu olhar de volta com atenção. — Sente-se aqui, vamos conversar. — Dobby fungou e assou o nariz fino e comprido.
— Obrigado, meu senhor. Harry Potter é muito gentil com Dobby. — Disse ele se sentando sobre as cobertas.
— De nada, Dobby, mas não faço mais do que todos deveriam fazer. — Disse Harry e pensou por onde começar. — Primeiro de tudo, não quero que fale nada que possa levar você a se punir, se eu te perguntar alguma coisa proibida, apenas me diga, "não posso dizer". Ok? — Dobby acenou freneticamente e Harry continuou. — O que aconteceu no verão e hoje, suas tentativas de me tirar de Hogwarts, teve boa intenção, mas também teve consequências. E, eu não deixei de vir para cá ou serei levado embora por causa de um braço quebrado, Dobby. Isso é algo que se cura facilmente por Madame Pomfrey, claro, para minha sorte, aquele idiota resolveu se envolver e por isso estou assim.
Harry apontou o braço que latejava dolorosamente.
— Sinto muito, meu senhor. — Dobby sussurrou tristemente.
— No verão também tive problemas, Dobby... — Harry contou o que aconteceu e o viu arregalar os olhos, parecendo arrasado e arrependido. — Vernon e Lockhart não são sua responsabilidade, Dobby, estou te contando isso para que entenda que ações têm consequências e que não deixarei Hogwarts. Assim, existe apenas uma solução para toda essa confusão.
— Qual, Harry Potter, senhor? — Dobby o olhou com ansiosa curiosidade.
— Vamos nos unir, Dobby, nós dois, e resolver esse mistério, impedir o plano de Malfoy e que mais alunos sejam feridos. — Harry o encarou seriamente. — Você pode me ajudar, Dobby?
O elfo o encarou com espanto e adoração.
— Harry Potter quer a ajuda de Dobby? De verdade?
— Sim, nós sabemos que estamos lidando com algo muito maligno e precisamos nos ajudar, mas, para isso, preciso de informações, Dobby. — Harry o encarou intensamente. — Mas, não quero que se puna ou seja pego por Malfoy, assim faremos isso com muita inteligência. Ok?
— Ok, Harry Potter, senhor. Como Dobby pode ajudar? — Ele estava cheio de energia pela ansiedade de fazer exatamente isso.
— Primeiro, você pode esconder do Malfoy sua visita e tudo o que conversarmos, Dobby? — Harry precisava ter segurança sobre esse ponto.
— Sim, meu senhor, Dobby pode esconder, apenas se o mestre perguntar diretamente ou proibir Dobby de ajudar, então, Dobby tem que obedecer.
— Entendi. — Harry acenou pensativo. — Isso é mais um motivo para você não cometer nenhum erro, Dobby, não chamar a atenção de Malfoy para você, nada de parecer muito feliz e animado, queimar o jantar ou reagir ao meu nome. Você tem que agir, normalmente, por nossa segurança. Pode fazer isso?
— Sim, Harry Potter, Dobby pode, Dobby é bom em manter segredos, Harry Potter. — A contradição dessas palavras o fez sorrir, mas Harry decidiu não apontar isso.
— Outra coisa, eu sei que não sou seu mestre, mas somos amigos e queria saber se você poderia ouvir e vir ao meu chamado se, um dia, eu precisar. — Perguntou Harry suavemente.
— Harry Potter é amigo de Dobby? — Dobby o encarou espantado e logo lágrimas se derramaram de seus olhos abundantemente.
— Dobby...
— Dobby nunca teve um amigo bruxo antes, meu senhor, e saber que Harry Potter considera Dobby seu amigo... — Dobby se esbugalhou em mais lágrimas e soluços.
— É claro que somos amigos, Dobby, você se importa comigo e me quer seguro, sinto o mesmo por você, queremos ajudar um ao outro, ainda que você está fazendo isso da maneira errada, mas, de qualquer forma, amigos são assim, sabe. — Harry disse suavemente e um pouco envergonhado. — Agora pare de chorar e me diga, se te chamar, você pode vir?
— Posso, Harry Potter, a magia de Dobby é o que permite a Dobby se conectar a um bruxo e ouvir seu chamado. A magia de Dobby não está escravizada, meu senhor, mas Dobby está, assim, se o mestre der uma ordem no momento em que Harry Potter chamar Dobby, Dobby não pode vir de imediato. — Informou ele enquanto enxugava as lágrimas.
— Interessante, bom saber disso. — Harry voltou a pensar. — Ok, então se você conectar sua magia com a minha para ouvir meu chamado, Malfoy pode descobrir?
— Não, meu senhor, mas, se o mestre perguntar diretamente, Dobby é obrigado a contar. — Dobby parecia arrependido como se fosse sua culpa.
— Ok, isso não é sua culpa e um dia libertarei você do Malfoy, Dobby, prometo. — Harry o encarou com sinceridade e recebeu um olhar de tímida adoração de volta. — Agora, Dobby, pelo que eu entendi, você só pôde vir me alertar sobre o que aconteceria em Hogwarts este ano porque Malfoy lhe proibiu de contar o que aconteceria, quais eram seus planos, mas ele nunca o ordenou a não contar que algo aconteceria a alguém. Certo?
— Sim, Harry Potter, mestre ordenou que Dobby não contasse, o que, mestre planejava fazer, mas nunca ordenou a Dobby que não contasse que ele planejava fazer coisas terríveis a Hogwarts este ano. — Dobby parecia levemente envergonhado como se temesse uma repreensão, mas quando Harry sorriu, ele suspirou de alívio e sorriu também.
— Isso é muito inteligente, Dobby, você com certeza seria um Ravenclaw se viesse estudar em Hogwarts. — Harry disse e Dobby ergueu os ombros e estufou o peito de orgulho, mas corou verde escuro de vergonha pelo elogio. — Agora, eu quero que me conte tudo o que você sabe sobre a câmara secreta, apenas o que não foi proibido por Malfoy.
Dobby arregalou os olhos e pareceu pensar um pouco antes de falar lentamente.
— A câmara secreta existe de verdade e tem um monstro que é controlado pelo herdeiro de Slytherin, meu mestre não sabe onde ela fica ou sua entrada, não sabe qual o monstro e como o herdeiro pode controlá-lo. — Dobby parou e fechou os olhos e era possível ver que se esforçava.
— Dobby? — Harry perguntou hesitante.
— Pergunte a Dobby, Harry Potter, pergunte a Dobby se a câmara já foi aberta.
Harry hesitou tentando entender para onde o elfo estava indo.
— A câmara secreta já foi aberta antes?
— Dobby não pode dizer, meu senhor. — A afirmação do elfo veio com um olhar que dizia o contrário, era um aviso e Harry sorriu entendendo.
— Ok. — Dessa vez foi a vez de ele pensar, a câmara já foi aberta antes, lembrou-se da sensação que Dumbledore, mesmo os aurores, sabiam de alguma coisa, a certeza do diretor de que Voldemort era o responsável. Como fora idiota! Claro! Hagrid lhe disse que Voldemort estudou aqui, na Slytherin. Uma das sugestões que Neville e ele debateram era a ideia de que algum aluno era ofidioglota e descobriu sua ancestralidade, sobre a câmara e a encontrou, provavelmente, isso aconteceu, mas a muitos anos. — Dobby, a câmara secreta foi aberta a 40 anos?
— Não, meu senhor. — Dobby respondeu aliviado por ver que ele entendera.
Harry pensou um pouco, era possível que Voldemort esteve em Hogwarts a muito mais tempo? Lamentou nunca ter perguntado isso a Hagrid, seu amigo inocente contaria, tinha certeza.
— A câmara foi aberta a 50 anos, Dobby? — Harry o viu arregalar os olhos e negar com a cabeça. — Hum... a 60 anos? — Dessa vez o elfo apenas negou indiferente e Harry percebeu que tinha que voltar. — A 45 anos?
— Dobby não pode contar, meu senhor.
Harry acenou e tentou pensar em mais perguntas específicas.
— Voldemort... — O elfo gemeu e estremeceu, mas Harry ignorou. — Foi quem abriu a câmara secreta?
— Não, meu senhor. — Mas mais uma vez seus olhos pareciam dizer alguma coisa e Harry tentou pensar, porque tinha certa que se a câmara foi aberta a 45 anos, Voldemort era o responsável.
— Voldem...
— Não diga o nome, meu senhor, não diga, Dobby se assusta. — Ele realmente parecia apavorado e Harry suspirou.
— Não quero assustá-lo, Dobby, mas ele é o assassino dos meus pais, me recuso a ter medo de seu nome ou dele. Isso é o que ele quer Dobby, que o tememos, por isso...
— Mas esse nem é o nome de você-sabe-quem de verdade, Harry Potter... — Dobby arregalou os olhos e tentou alcançar a jarra, mas Harry o agarrou.
— Está tudo bem, eu já sabia disso. — Mentiu ele tentando esconder o choque. — Você não me contou nada que eu já não soubesse, está tudo bem.
Aliviado, Dobby voltou a se sentar.
— Que bom, Harry Potter, Dobby pensou que tinha sido um elfo ruim.
— Você jamais poderia ser um elfo ruim onde importa, Dobby. — Harry suspirou e tentou pensar em outra pergunta. — Eu sei que Voldemort não é seu nome, mas, não sei o seu verdadeiro nome. Você sabe e pode me contar, Dobby?
— Dobby não pode dizer, meu senhor.
— Ok. Você já viu Voldemort, Dobby?
— Dobby não pode dizer, meu senhor.
— Você o viu meses atrás?
— Não, meu senhor. — Harry suspirou porque ele estava sendo sincero.
— Você o viu esse ano ou no ano passado visitando Malfoy?
— Não, meu senhor.
— Você viu o professor Quirrell de defesa? Quirinus Quirrell?
— Não, meu senhor.
— Você sempre vê os visitantes da mansão Malfoy? — Perguntou Harry, apenas para ter certeza.
— Sim, Dobby abre porta para o visitante ou serve bebidas, Harry Potter, senhor.
Harry suspirou tentando se lembrar de tudo o que sabia para encontrar as perguntas certas.
— Dobby, você viu com Malfoy algum objeto amaldiçoado que pertenceu a Voldemort?
E, Harry, imediatamente, percebeu que encontrou ouro.
— Dobby não pode dizer, Harry Potter! — Sua exclamação negativa saiu alegremente e seus olhos estavam tão arregalados que pareciam que ia saltar de sua cabeça pequena.
Isso! Harry se controlou para não comemorar. Sua suspeita estava certa, então, seria um objeto feito com magia negra, supôs, não podia imaginar como, mas a magia era tão surpreendente que não seria impossível, tinha certeza.
— Dobby, Malfoy entregou a alguém o objeto, você sabe quem é?
— Não, meu senhor. — Dobby parecia triste.
— Dobby, você sabe se essa pessoa está em perigo?
— Ela morrerá, Harry Potter, senhor. — Dobby parecia ainda mais triste. — Todos em Hogwarts estão em perigo, meu senhor, por isso queria salvá-lo.
— Eu sei, Dobby e agradeço, mas temos que salvar essa pessoa e todos na escola também. — Harry disse pálido ao saber que quem estava com o objeto morreria. — Você sabe qual objeto é Dobby?
— Dobby não pode dizer, meu senhor.
Harry acenou tentando pensar em mais alguma coisa, qualquer coisa.
— Dobby, tem mais alguma coisa que você quer que eu te pergunte?
— Sim, meu senhor, pergunte a Dobby se alguém morreu a 45 anos. — Disse ele ansioso.
— Oh... — Harry engoliu em seco. — Alguém morreu da outra vez que a câmara não foi aberta, Dobby?
— Dobby não pode dizer, meu senhor. — Seus olhos brilharam com lágrimas e tristeza, Harry apenas acenou.
— Foi um aluno, Dobby? — Sussurrou ele, com o estômago embrulhado.
— Dobby não pode dizer, meu senhor.
— Entendi... mais alguma coisa que você não pode me contar? — Harry perguntou e quase suspirou de alívio quando Dobby acenou negativamente. — Ok, obrigada por tudo isso, Dobby. Eu descobrirei e tentarei ajudar essa pessoa e isso será graças a você.
— Harry Potter não deve se colocar em perigo, meu senhor, Harry Potter é muito importante. — Dobby exclamou angustiado.
— Dobby, eu prometo que chamarei por ajuda e por você também, aliás, foi por isso que perguntei se você ouviria meu chamado e viria. — Harry o encarou intensamente. — Eu tenho um plano e preciso da sua ajuda.
— Dobby ajudará Harry Potter. — Ele falou com orgulho e estendeu a mão tocando a sua, Harry sentiu a magia de Dobby percorrê-lo e a sua própria cantarolou ao sentir sua força e bondade. — Dobby ajudará Harry Potter sempre que chamar Dobby e o protegerá. E, Dobby quer ajudar Harry Potter com seu plano.
— Isso foi muito bom, Dobby. — Harry suspirou e sorriu. — Obrigado e, muito obrigado por se arriscar ao me ajudar. Agora, o meu plano é bem simples...
Dobby ouviu atentamente e acenou freneticamente a cada vez que Harry lhe perguntou se entendia. Pouco depois eles se despediram e Harry olhou para o relógio, percebendo que era mais de 11 horas e perdera o jantar. Estava faminto e seu braço dolorido, não o deixaria dormir facilmente, principalmente, com o estômago vazio, pensou em chamar a Madame Pomfrey, mas mudou de ideia, ela deveria estar dormindo e não queria incomodá-la. Decidindo, desceu da cama e colocando os chinelos, foi ao banheiro rapidamente, apesar de doloroso, seu braço não era tão inútil como antes, depois se cobriu com a capa e, invisível, foi até as cozinhas. O lugar estava vazio, os elfos não precisavam mais trabalhar a noite toda agora, pois a nova organização lhes permitia horas de folga e noites de sono corretas. Apenas, em uma das mesas, uma grande quantidade de comida era mantida e conservada para o caso de alguém precisar e aparecer para lanchar. Harry se sentou e comeu alguns sanduíches e frutas, além de beber leite, suspirando aliviado, quando a fome acalmou. Muitas vezes dormira com fome enquanto crescia, mas agora que podia comer à vontade, além de se preocupar em se manter saudável, também preferia não dormir de estômago vazio.
Enquanto Harry comia e pensava na sua conversa com Dobby, duas outras coisas importantes aconteciam em Hogwarts, mais precisamente, na torre Gryffindor. Ginny se sentindo muito angustiada pelo que aconteceu com Harry, contou a Tom, em detalhes o episódio do jogo, a injustiça e como ele teria que passar a noite na enfermaria.
Queria poder visitá-lo, Tom, você acha que seria estranho?
Vocês não são amigos e ele gosta de Luna, poderia lhe fazer perguntas sobre aquela noite
Sim, você está certo, não somos amigos...
Angustiada, porque, na verdade, não tinha amigos, Ginny se deitou e chorou baixinho até dormir. Tom assumiu pouco depois e sorriu, finalmente uma oportunidade que surgia! Infelizmente, seguir ou encontrar Potter vulnerável não se mostrou muito fácil na última semana, além do fato de que Ginny era muito forte ainda, Tom supôs que demoraria mais alguns meses antes de poder controlá-la completamente. Invisível, ele caminhou até a câmara para ir buscar sua amiga, ela esteve caçando na floresta, mas ansiosa por caçar na escola e hoje era a noite perfeita. Com Potter sozinho na enfermaria, sua Freya o mataria sem problemas e testemunhas, ele se livraria desse estranho inimigo e poderia passar o resto do ano se alimentado da pequena Ginevra até recuperar um corpo.
Infelizmente, para Tom e seus planos, Colin Creevey ainda estava acordado e se encaminhando para a enfermaria também. Todos na Gryffindor ficaram indignados com a injustiça da derrota da Ravenclaw e Colin, que passava tempo com o time de sua casa tirando fotos quando pediam, ouvira em detalhes como e porque os Slytherins acabaram os vitoriosos. Ao saber tudo isso, imediatamente, ele se trancara em seu banheiro e revelara as fotos que tirou naquela tarde do jogo, pois sabia que poderia ter alguma imagem do que aconteceu com o balaço. Colin decidira tirar fotos dos jogos e depois oferecer aos jogadores se algum deles tivessem interesse em comprar por alguns sicles. Ele esteve concentrado nos artilheiros e não vira o balaço perseguindo o Harry, infelizmente, parecia que isso acontecera com todos da arquibancada, mas Colin tinha esperança de desfazer essa injustiça. E, talvez, compensá-lo por sua grosseria no início do ano letivo.
Colin gostava muito do Harry, não porque ele era famoso ou considerado um herói, mas porque, mesmo depois da forma como ele agira, Harry o tratara bem, o acolhera e até mesmo ajudara a se adaptar mais facilmente a Hogwarts com conselhos e incentivos. Quando a verdade toda foi revelada a algumas semanas, Colin se sentiu ainda pior e tornou a se desculpar com ele, mas Harry apenas sorriu e disse que o importante era que agora poderiam ser amigos sem essas coisas de fã bobas. Colin se sentiu honrado de ser considerado um amigo e era por essa amizade que passou horas e horas revelando fotos, até que, finalmente, lá estava. A foto mostrava claramente o batedor Ravenclaw batendo o balaço para longe, ele parando no ar magicamente e voltado a atacar Harry.
Sem poder se conter, Colin decidiu ir mostrar ao Harry imediatamente, assim, seu amigo passaria uma noite melhor por saber que, no dia seguinte, a verdade seria revelada. Com um passo saltitante e ansiedade em dar a boa notícia a Harry, ele se apressou pelos corredores completamente esquecido dos perigos do basilisco. Quando chegou ao corredor do 2º andar e se aproximou da enfermaria viu alguém conhecido em frente a porta, mas, franziu o rosto confuso ao vê-la acenar a varinha como se tentasse abrir a porta.
— Ginny? Você também veio visitar o Harry? — Perguntou ele se aproximando mais, a viu endurecer e depois se virar com os olhos arregalados. — Tudo bem, não vou te dedurar, vim contar ao Harry que encontrei a prova. Aqui. — Colin chegou a menos de 2 metros dela acenando com a foto, sua energia ansiosa e feliz saia em ondas. — Não é incrível? Passei a noite revelando as fotos que tirei e consegui uma imagem que mostra que o Harry disse a verdade, assim a vitória irá para a Ravenclaw! Vim contar a ele e...
— Bem que ela disse que você nunca para de falar. — Disse Tom e os olhos castanhos normalmente doces ou inseguros de Ginny estavam frios e maldosos, mas o pior foi a voz, completamente errada, masculina e fria.
Colin deu um passo para traz de espanto e porque, com uma única frase, ele percebeu que estava em perigo. Então, a lembrança do ataque no Halloween voltou e ele arregalou os olhos, deu mais um passo para traz sentindo o medo percorrê-lo.
— Ginny? — Sussurrou incerto, parecia entranho correr de sua amiga, mas...
— Ginny, a pequena chata, está dormindo. — Disse Tom e seu sorriso maldoso no rosto sempre doce e gentil era um grande choque. — Veja, Freya, dois pelo preço de um. Matamos Potter e um sangue ruim ao mesmo tempo, espero que esteja com fome.
Apesar de não entender o que era dito, Colin sentiu o corpo se arrepiar com os sibilos e a presença de algo a suas costas e fechou os olhos.
— Não adianta fechar os olhos, Colin, o veneno é bem doloroso e você, tão pequeno, que minha basilisco o devorará em uma mordida. — A voz fria zombava e Colin estremeceu ao perceber que não podia correr de olhos fechados, mas se ficasse morreria, assim como morreria se os abrisse, estava preso em uma armadilha.
— O que fez com a Ginny? — Ele disse engasgado e preocupado com a menina tímida e gentil.
— Não é da sua conta, mas em breve ela se juntará a você, assim, não se preocupe. — Disse e depois sibilou outra vez.
Colin só teve um segundo para decidir, um segundo em que sabia que ia morrer, não havia como escapar e seus pensamentos foram para seus pais e Denis. Então, percebeu que talvez pudesse não morrer em vão, assim como os pais do Harry, talvez sua morte poderia salvar a vida de outros, de Ginny, de Harry e sua família se orgulharia dele. Sem hesitar, Colin pegou a câmera e a levou ao rosto, abriu os olhos e apertou, de novo e de novo, até que tudo escureceu.
— Garoto tolo, como se uma câmera com essa fraca magia resistiria a minha Freya. — Tom disse e voltou a olhar para a porta da enfermaria onde encontrou uma ala básica de proteção mágica.
— Mestre, posso comê-lo, por favor...
— Vamos matar Potter primeiro e depois você terá os dois, minha querida. — Disse Tom carinhosamente.
Harry não estava onde Tom esperava, na verdade, terminado o seu lanche, voltou a se por invisível e deixou a cozinha caminhando de volta para a enfermaria sem pressa. Bocejando, percebeu que estava com sono e cheio o suficiente para dormir sem problemas, apesar da dor no braço e de sua raiva por tudo o que acontecera sobre o jogo. Primeiro, Malfoy era permitido comprar uma vaga no time para o seu filho descaradamente e com isso favorecendo uma casa de Hogwarts. Será que eles não percebiam a injustiça disso? Nem todos tinham condições de comprar uma vassoura nova ou de grande qualidade e usavam as vassouras velhas da escola. Depois, ninguém acreditava em sua palavra quando disse que foi perseguido pelo balaço, como se ele fosse algum idiota mentiroso que destruiria o balaço por nenhum motivo. Isso sem falar nessa regra estúpida...
— Mestre, posso comê-lo, por favor...
— Vamos matar Potter primeiro e depois você terá os dois, minha querida. — Disse uma voz masculina, carinhosamente.
Harry se tencionou como uma corda e, instintivamente, fechou os olhos e se recostou as sombras do corredor. Ele estava invisível e silencioso, mas, seu cheiro poderia ser detectado, sabia que estava em grande perigo e, pelo que ouvira, não era o único. Harry sabia que tinha que pedir ajuda, não tinha como salvar seja quem fosse, seu plano não estava pronto e...
— Dumbledore ou a curandeira deixou uma ala de proteção básica, Freya, mas isso não nos impedira de entrar e matar Potter. — A voz fria, masculina, familiar, mas ainda desconhecida falava em ofidioglossia. — Quero que você o mate com seu veneno e presas, dolorosamente, Freya, ele tem que pagar pelo que me fez, mesmo que tenha acontecido por um feitiço familiar e não por algum talento desse garoto estúpido.
Harry sentiu que tudo o que ouvia, mais a voz, não se encaixava com o Voldemort com quem lutara a meses atrás, mas não conseguiu entender porquê.
— Sim, mestre...
— O sangue ruim foi apenas um golpe de sorte, minha amiga, mas depois que retomar meu corpo lhe darei um todos os dias para se alimentar, prometo.
Harry fechou os olhos, tentando pensar no que fazer e quem poderia estar ali, machucado, talvez morto... seus pensamentos se voltaram para a Hermione e seus olhos se encheram de lágrimas. Sufocando a vontade de correr para ajudá-la, pesou suas opções, se corresse em busca de ajuda, poderia ser tarde demais quando voltasse porque, em breve, Voldemort encontraria seu leito vazio. Se gritasse ou atacasse, daria exatamente o que ele queria e estaria morto, pois ainda não estava preparado para enfrentar o basilisco. Antes que decidisse seu movimento...
— Venha, Freya, estou ansioso por isso... — Harry ouviu ou sentiu um zunido mágico e a voz exclamou um palavrão. — Dumbledore deve ter colocado uma proteção extra quando a porta fosse aberta por fora. Rápido, mate Potter antes que alguém chegue, infelizmente, não poderei saborear esse momento...
A voz ficou mais longe e Harry ousou abrir os olhos e viu um corpo caído a uns 20 metros de distância, se pelo menos pudesse cobri-lo com a capa, se pudesse vislumbrar quem Voldemort estava usando e que morreria tão cruelmente. Engoliu em seco ao lembrar-se de Quirrell, mas agora era pior porque, seja quem fosse, era inocente e jovem, ainda mais jovem que seus pais... Maldito! Mil vezes, maldito Voldemort!
Harry deu uns passos à frente e ouviu movimento na enfermaria, rezou para que Madame Pomfrey não aparecesse agora e deu mais um passo à frente, ainda com os olhos abertos.
— ... estúpida! Eu a farei pagar por isso, assim que não mais precisar dela, você poderá desfrutar de seu corpo, Freya. Preciso ir embora rapidamente, o velho não deve estar longe e ele pode me ver mesmo com o feitiço de desilusão. — A voz estava possessa e frenética, entrou no corredor e Harry fechou os olhos outra vez. — Pegue o sangue ruim e o desfrute, mataremos Potter em outro momento, ele deve ter voltado para a torre Ravenclaw... Fecharei a porta, é melhor que não saibam que tentei atacar Potter ou sua segurança aumentará ou pior, o tirarão de Hogwarts.
— Sim, mestre... obrigada por uma refeição tão deliciosa, estou ansiosa por matar seu inimigo, mestre...
— Em breve, Freya, muito em breve, minha querida.
Os passos leves e suaves passaram a sua frente, mas Harry não ousou abrir os olhos, pois sabia que, seja quem fosse, estava desiludido e prendeu a respiração, temendo ser ouvido. Em segundos, seja quem fosse, desapareceu na direção das escadas, se subia ou descia, era impossível saber dessa distância.
— Delícia... magrinho... apetitoso... ainda fresco, como eu gosto... — A basilisco parecia ansiosa para comer e Harry soube o que tinha que fazer.
— Freya! — Harry disse um segundo depois.
— Mestre? — A basilisco parecia confusa.
— Minha querida, rápido, deve se esconder agora, deixe o sangue ruim. — Sua voz saiu fria e, para seu espanto, se parecia com a voz que falara antes.
— Mas, mestre... estou faminta... o senhor o prometeu para mim...
— Eu sei, mas o velho está mais perto do que pensei e os caçadores do Ministério estão com ele. Por isso voltei, minha amiga, não quero que nada te aconteça, esconda-se e volte para a câmara onde estará segura. Não quero que nada te aconteça.
— Não posso levá-lo, mestre...?
— Não há tempo! Vá agora, me obedeça! Ele apenas irá atrasá-la, prometo que a recompensarei com Potter e outros imundos em breve, Freya.
— Sim, mestre... — O sibilo obediente e chateado se tornou mais distante até que Harry não ouviu mais.
Ele ainda esperou, uma batida frenética do seu coração, cinco, dez, quinze, então, Harry se moveu, lentamente, sem abrir os olhos e foi nesse momento que seu treinamento com Flitwick lhe veio a memória como um soco na nuca. Que estúpido! Como pode se esquecer!? Se concentrando, Harry pediu a sua magia que se conectasse com a do ambiente, sentido sua urgência, ela cantarolou suavemente e, então, ele podia ver. Girando em volta, Harry apenas viu a magia no chão, amarela brilhante com toques de vermelho, não havia mais ninguém ali e ele se apressou até a cor alegre e feliz. Harry não precisou abrir os olhos para saber quem era, soluçando, ele o alcançou, tocou seus ombros e o cobriu com a capa o protegendo. Finalmente, Harry abriu os olhos e ao se deparar com seus olhos azuis vazios e congelados, se engasgou entre aliviado e preocupado, Colin não sangrava, mas tocando seu peito, pode sentir seu coração pulsando.
— Tudo bem, você vai ficar bem, ok? — Harry sussurrou e olhou em volta, Dumbledore não deveria estar longe e ele tinha pouco tempo para pensar. — Vamos lá, não sei o que estava fazendo aqui, meu amigo, mas precisamos de um cenário diferente.
Harry pegou sua câmera de suas mãos rígidas, a pendurou em seu pescoço, colocou Colin sobre o ombro esquerdo em estilo bombeiro e, rapidamente, correu na direção do terceiro andar pelas escadas que usaram no ano passado no ataque do troll.
— London. — A senha abriu o covil e Harry continuou a correr.
Colin era menor e mais leve, mas sua rigidez o fazia pesado, no entanto, Harry mal sentiu, talvez, por causa da adrenalina. Além disso, ele era forte e muito rápido, em segundos, estava saindo do covil no andar da biblioteca e se aproximou da escadaria principal, na junção do 2º andar, deitou Colin e o tornou visível, depois, se afastou e desceu vários degraus, voltando a subir devagar. Fechou os olhos e usou toda a sua concentração, poder mental e mágico para colocar sua oclumência ao máximo, acalmar a respiração, os batimentos cardíacos e se concentrou no novo cenário. Todos os fatos anteriores estavam bem protegidos por seu exército, assim como a conversa com Dobby, e Harry encarou Colin com surpresa e pânico, o agarrou e correu para a enfermaria.
Dessa vez, Harry e Colin, em seu ombro, não estavam protegidos pela capa e, quando se aproximou da enfermaria, andando e não correndo, fingindo mais esforço do que fazia, as portas estavam abertas e o volume das vozes eram altos.
— Precisamos encontrá-lo! Albus! Onde está meu paciente!? — Era Madame Pomfrey desesperada.
— Não sei, Poppy, vim o mais rápido possível ao sentir as alas da porta se abrindo, eu temia... —Dumbledore pareceu hesitar receoso.
— O que!? O que você temia? E porque não me disse nada? Eu poderia ter passado a noite aqui e protegido aquele menino!
Harry sentiu seu coração se aquecer com sua óbvia preocupação e cuidado com ele, assim se apressou um pouco mais.
— Madame Pomfrey! — Gritou frenético e desesperado, tinha um papel a desempenhar e precisava fazê-lo bem. — Preciso de ajuda! Madame!
— Sr. Potter! O que...!? — Então ela o viu com Colin e empalideceu. — Coloque-o aqui agora mesmo. — Disse ela em modo profissional e Harry com esforço deitou Colin em uma maca.
— Eu o encontrei, Madame, na escadaria, acho que ele está como a Luna! — Harry não estava fingindo preocupação, apenas mentindo sobre o cenário e olhando em volta viu Dumbledore e McGonagall parecendo muito preocupados e curiosos.
— O que aconteceu, Harry? Porque não estava na enfermaria? — O diretor fez a pergunta com suavidade e sem desconfiança.
— Fui a cozinha, diretor, acordei a uma hora, mais ou menos, e estava faminto, não consigo dormir quando estou com fome e com a dor no braço... Não importa. — Harry bagunçou os cabelos com o braço esquerdo ansioso. — Quando voltei, encontrei Colin na escadaria do segundo andar, assim, não havia mais ninguém por perto. Eu o peguei e o trouxe o mais rápido possível, Madame Pomfrey, tive medo de deixá-lo sozinho enquanto pedia ajuda.
Enquanto falava, Harry passou todo o cenário em sua mente de novo e de novo, seus pensamentos superficiais seriam lidos por Dumbledore, talvez Moody e precisavam ser perfeitos. Se eles descobrissem a verdade, se soubesse que o alvo era ele, sabia muito bem que poderia ser retirado de Hogwarts. Não era nenhum tolo, entre a preocupação dos Boots e de Sirius, além do diretor, que o colocou nos Dursleys para protegê-lo, não se arriscaria.
— Você deveria ter me chamado, Harry, eu teria lhe conseguido comida, nunca deveria ter saído daqui quando está se recuperando e crescendo todos esses ossos. — Madame Pomfrey terminou de agitar sua varinha e se virou para ele muito zangada. — Nunca quero que volte a deixar essa enfermaria sem minha autorização. Estamos entendidos?
— Sim, Madame, desculpa, eu...não quis incomodar... —Harry sentiu os olhos se encherem de lágrimas, porque era verdade e estava tocado por sua preocupação.
— Esse é meu trabalho, seu garoto bobo, não me incomoda e, diante do momento de perigo em que vivemos, era ainda mais perigoso deixar a enfermaria e zanzar pela escola. — Ela suspirou cansadamente, porque sabia de onde vinha seu desejo de não incomodar.
— Colin ficará bem? — Harry deu uns passos mais perto do garoto pequeno com olhos azuis sem expressão.
— Sim, petrificado como a Luna, mas ficará bem. — Disse ela e apontou para o seu ombro. — O que é isso?
— Oh! Colin segurava sua câmara como se fotografasse alguma coisa. — Harry disse e a estendeu para Dumbledore quando este estendeu a mão.
— Você acha que ele conseguiu bater uma foto do atacante, Albus? — Perguntou a professora McGonagall, ansiosa.
Dumbledore não respondeu. Abriu a máquina.
— Meu Deus! — Exclamou Madame Pomfrey.
Um jato de vapor saiu sibilando da máquina. Harry sentiu o cheiro acre do plástico queimado e deu um passo para traz chocado ao perceber o que acontecera. Colin foi petrificado porque encarou os olhos da basilisco pela câmera, talvez porque sabia que poderia não morrer assim ou porque acreditou que morreria e tentava uma imagem da pessoa que estava controlando a basilisco.
— Derretidas — disse Madame Pomfrey pensativa. — Todas derretidas...
— O que significa isto, Alvo? — Perguntou assustada a Prof.ª McGonagall.
— Significa o que já sabíamos, a câmera secreta foi reaberta. — Disse o diretor olhando preocupado para Colin, Harry sabia o que ele pensava, que por pouco, muito pouco, mais um aluno não morreu.
Sem a adrenalina, Harry suspirou sentindo o cansaço e a dor em seu braço o atingir com força total.
— Oh! O que está fazendo de pé ainda? Venha, você precisa se deitar e repousar, Merlin, está crescendo 33 ossos em seu braço e não pode sair por aí atrás de aventuras. — Disse Madame Pomfrey o ajudando a se deitar e o cobrindo.
— Sinto muito, Madame Pomfrey. — Ele disse suavemente e era verdade, não se arrependia de ter ido para a cozinha, isso talvez lhe salvara a sua vida e a de Colin, mas não queria lhe causar preocupação.
— Tudo bem, Harry, não é sua culpa. — Ela suspirou e passou a mão por seu cabelo bagunçado. — Eu deveria ter pensado que com sua alimentação sempre tão correta com os horários, você acordaria com fome tendo perdido o jantar. E, deixado uma bandeja com sanduíches aqui ao seu lado. Você está com dor? Quer uma poção para dormir?
Harry acenou negativamente, a dor era forte, mas o ajudaria a se manter acordado e não queria uma poção de Sono sem Sonhos porque a última coisa que faria era dormir. A voz, que lhe parecia uma versão diferente de Voldemort, acreditava que Harry estava na torre Ravenclaw, mas não se arriscaria, a partir de hoje, sabendo que estava sendo caçado, Harry estaria mais acordado e atento do que nunca estivera em sua vida.
Enquanto isso, no quarto de Ginny, Tom jogou a fotografia de Colin na lareira e a viu queimar com um sorriso maldoso. Apesar da noite perdida, Ginny pagaria por isso, ao menos ele se livrou de um sangue ruim e impediu que sua nobre casa fosse prejudicada. Ainda que a Slytherin estivesse cheia de tolos inúteis que não a mereciam, a maior das 4 casas deveria sempre brilhar e vencer, mas era uma questão de tempo, assim que recuperasse seu corpo, os faria pagar e aprender a obedecer ao seu verdadeiro Mestre.
