NA: Olá, apenas aqui, brevemente para agradecer a Tatah por sua linda mensagem! Você não sabe o quanto me senti feliz e motivada por suas palavras! Dos meus leitores, infelizmente, poucos revisão, assim revisões tão doces e sinceras, realmente me tocam. Por favor, se cadastre no site ou no grupo do facebook, assim posso lhe responder diretamente e não pare de revisar!
Aos outros leitores, boa diversão e revisem, por favor! Até mais, Tania
Capítulo 55
Harry acordou no domingo de manhã para uma enfermaria iluminada pela luz do sol de inverno e seu braço curado, embora ainda muito duro. Sentou-se depressa e olhou para a cama de Colin, mas tinham na escondida com a cortina alta por trás da qual Harry trocara de roupa no dia anterior. Ao ver que ele acordara, Madame Pomfrey entrou apressada, trazendo uma bandeja com o seu café da manhã especial e então começou a dobrar e a esticar o braço e os dedos dele.
— Tudo em ordem com seu braço, mova-o normalmente até que essa rigidez desapareça. — Disse enquanto ele comia mingau, desajeitado, com a mão esquerda, depois acenou com a varinha. — Suas costelas estão bem, ficarão doloridas e recomendo uns dois dias sem muito esforço ou exercícios mais pesados. Quando terminar de comer pode ir.
— Posso visitar o Colin? — Harry perguntou olhando para a área onde estava sua cama. — Seus pais já foram avisados?
— Sim, você pode. Creio que a Prof.ª Vector os está visitando hoje, mas, infelizmente, é impossível que eles os visitem, trouxas não podem vir a Hogwarts. — Disse ela suavemente.
— Nunca? Mas... e se acontece algo assim com um aluno nascido trouxa? Ou na formatura dos alunos do 7º ano? — Harry parou de comer confuso.
— Seus pais não podem presenciar, participar ou visitar, não importa a razão, as magias em Hogwarts são fortes demais e feitas para que os trouxas nunca encontrem o castelo, vejam o castelo e se, por um acaso, eles se aproximam das proteções, elas o repelem para longe. — Madame Pomfrey explicou e recolheu sua bandeja vazia. — Os trouxas se lembram de uma missão inesperada ou querem ir na direção oposta, assim, se torna muito difícil entrarem em Hogwarts.
Harry se levantou tentando entender essa história mais do que estranha.
— Pode ser difícil, mas, imagino que não seja impossível ou não haveria trouxas no Beco Diagonal? — Ele apontou com inteligência.
— Você está certo, não é impossível, mas nunca foi feito porque defende-se que Hogwarts é um solo especial que apenas bruxos devem pisar. — Era óbvio que ela descordava desta ideia e Harry acenou entendendo que era apenas mais um pensamento purista que tinha a intenção de manter os nascidos trouxas longe do mundo mágico.
Harry se vestiu com roupas limpas trazidas, provavelmente, por um elfo do seu quarto e depois passou um tempo conversando com Colin e Luna. Quando deixou a enfermaria era ainda muito cedo e ele tinha muito em que pensar, tanto acontecera, a vontade era procurar os amigos e contar tudo, mas ele se impediu. Terry e Hermione não queriam se envolver e precisava respeitá-los, Neville o estava ajudando e apoiando, mas, no momento, seria impossível conversarem sobre tudo o que aconteceu sem que os outros percebessem. Flitwick era a melhor opção, mas temia que, apesar de seu apoio inicial, seu chefe de casa se sentisse na obrigação de informar seus guardiões sobre a ameaça clara contra sua vida. Assim, diante do seu temor da possiblidade real de ser retirado de Hogwarts, Harry decidiu que o melhor era manter segredo de tudo que, verdadeiramente, aconteceu na noite anterior.
Com essa decisão tomada, Harry encontrou os amigos e lhes contou sobre Colin, sem mencionar Dobby ou a "voz", que ele acreditava ser uma versão de Voldemort, ainda que um diferente do que enfrentou a alguns meses. A questão era, como isso foi possível? Harry seria o primeiro a admitir que não sabia muito sobre magia, mas, ainda parecia algo tão estranho que tinha certeza que muitos duvidariam de sua percepção.
Prof. Flitwick cancelou o treino deles devido a necessidade de recuperação de seu braço e Harry passou seu domingo mais livre em muito tempo. Sua expressão acabrunhada, pensativa e constantemente tensa não preocupou os amigos que acreditaram ser um efeito de perder o jogo de quadribol da maneira como foi e a petrificação de Colin. No entanto, Harry estava repetindo sua conversa com Dobby e o que ouviu a "voz" dizer a Freya em sua mente, de novo e de novo. Parecia-lhe que a investigação se encaminhou para uma direção e faltavam apenas algumas peças importantes, como, por exemplo, quem estava com o objeto amaldiçoado e que morreria por causa disso? Olhando em volta na hora do almoço, Harry encontrou muitos rostos tensos e preocupados, pálidos e de olhos arregalados, nada menos do que o esperado depois de mais uma petrificação.
— Bem, sabíamos que cedo ou tarde o herdeiro atacaria um nascido trouxa. — Disse Hermione revirando a comida sem interesse, estava muito preocupada.
— Sim, mas teremos cuidado, Hermione, e os outros levarão mais a sério a ordem de não andarem sozinhos ou descumprirem o toque de recolher depois do que aconteceu. — Terry disse também tenso. — Além disso, Moody e mais dois aurores já estão investigando, a equipe de caça ao basilisco está por toda parte, talvez encontrem alguma pista.
Harry não conseguiu evitar de bufar enquanto comia com gosto, seu apetite não sofreu com tudo o que aconteceu, felizmente, porque ele precisaria de toda a sua energia para treinar e se preparar, sentia que a próxima luta não estava distante.
— Você tem outras ideias, Harry? — Hermione perguntou e parecia sinceramente curiosa.
Harry parou de mastigar e os encarou, vendo o que Neville previa, os dois estavam percebendo que se manter de fora era impossível. Depois de engolir, ele falou, lentamente.
— Eu tenho muitas ideias, mas tenho que cumprir a promessa que fiz e não me envolver. — Dando de ombros, Harry olhou para Neville que sorriu sutilmente. — Além desse fato, se, os aurores me procurarem para me perguntar alguma coisa, se desculparem pela maneira como me trataram depois do Halloween e quiserem minha ajuda, estou disposto a esquecer o passado e lhes dar quaisquer informações ou ideias que eu tenha.
— Parece justo para mim. — Disse Neville divertidamente.
— Isso inclui nós dois? — Terry perguntou lendo nas entrelinhas de suas palavras a situação.
— O que você acha? — Harry retorquiu levantando a sobrancelha.
— Ei, isso não é justo. — Terry disse e olhou para Hermione e Neville. — Estávamos abalados com o que aconteceu com Luna e acreditávamos que o melhor era deixar os adultos cuidarem de tudo, era diferente no ano passado quando não tivemos ninguém nos apoiando ou protegendo.
— E, tem o fato que prometemos não nos envolver e me parece que um basilisco seria algo muito além da nossa capacidade. — Disse Hermione. — Mas se você tem alguma ideia ou sabe algo, gostaríamos de saber.
Terry acenou e Neville fez o mesmo, erguendo uma sobrancelha que dizia, "eu não lhe disse? ".
— Entendo. — Harry suspirou e olhou para a comida cheirosa em seu prato antes de voltar a encará-los. — E, estão dispostos a mentir? Se, eu decidir que não falarei de minhas descobertas ou ideias a ninguém, vocês mentirão para os seus pais? Os professores, aurores, Dumbledore? Se, eu decidir descer pelo alçapão, vocês irão comigo ou me deixarão ir sem contar aos adultos? — Harry os encarou nos olhos intensamente e viu a hesitação, relutância e desconforto. — Porque para mim isso é mais do que medo, claro que entendo o receio de se envolverem em algo que não podemos vencer, não sou tolo em acreditar que posso lutar e vencer um basilisco. Aliás, nunca disse que faria algo assim, deixei bem claro que apenas queria ajudar com as investigações, não lutar, mas, vocês dois foram insistentes em que eu me desligasse completamente de tudo. Acredito, que seus desejos de cumprirem as regras, agradarem aos adultos, serem bons e obedientes, os fizeram agir assim. Para mim, tudo bem, não estou ressentido ou magoado com vocês, respeito que se sintam assim e, é perfeitamente normal terem medo. Mas, espero que entendam que penso de modo diferente.
— O que quer dizer? — Terry perguntou engolindo em seco
— Eu não ligo a mínima para as regras, agradar ninguém ou obedecer ao que não acredito ser o certo. — Harry falou com firmeza e sem constrangimento. — Desta vez, vocês me limitaram porque fiz uma promessa, mas isso não se repetirá, nunca prometerei mais nada que possa me impedir de agir como eu considero que deva. Ninguém vai me controlar. Estou disposto a ouvir conselhos, repensar e até reconhecer quando estou sendo arrogante ou errado, é para isso que servem os amigos, no entanto, não me esconderei de quem sou.
Seus amigos não disseram nada por um tempo e Harry achou que isso era bom, eles tinham que refletir com cuidado antes de decidirem o que fariam. Enquanto isso, ele pegou um grande pedaço de torta de melaço de sobremesa e olhou em volta mais uma vez tentando encontrar algo fora de lugar. A "voz" dera a entender que uma menina lhe dera a informação de onde Harry estava, suas palavras foram: "estúpida! Eu a farei pagar por isso, assim que não mais precisar dela, você poderá desfrutar de seu corpo, Freya". Isso fazia sentido, pensou Harry, seria mais fácil entregar ou presentear uma menina com uma joia, por exemplo, e amaldiçoar um objeto assim parecia mais prático, pois, qualquer outra coisa, não seria usado com frequência. Seus olhos se detiveram nas meninas, imaginando se alguma delas estava usando um colar, pulseira ou anel sem poder imaginar que isso a mataria... Suspirando, olhou para seu prato vazio, comera a torta e nem se lembrava do sabor. Afastando o prato, encarou os amigos e se espreguiçou.
— Já que estou livre à tarde, podemos treinar um pouco de Defesa e depois irmos nadar na Caverna. O que me dizem? — Harry sorriu para seus acenos de concordância e sorrisos empolgados.
Durante o resto do domingo, os quatro treinaram e relaxaram na piscina sem voltarem ao assunto anterior ou o ataque a Colin. Harry esperou que Moody viesse lhe perguntar sobre o que aconteceu na noite anterior, assim como ele tinha esperado que alguém lhe perguntasse sobre como ele sabia sobre o basilisco ou se voltou a ouvi-lo, mas, como antes, eles não vieram. Harry adivinhou que Dumbledore pediu aos dois aurores, King e Moody, que não espalhassem aos outros aurores envolvidos e a equipe do Departamento de Criaturas o fato de Harry Potter ser um ofidioglota ou a informação já estaria nos jornais. Ainda assim, Moody poderia conversar com ele em privado, além de pedir-lhe para informá-lo se ouvisse o basilisco outra vez. O fato de que eles tinham o maior recurso possível para a investigação bem ali, a disposição, mas não o usavam, apenas porque Harry tinha 12 anos, era um absurdo tão grande que nem merecia comentários.
À noite, depois do jantar, eles se reuniram com o time titular e reserva da Ravenclaw, com exceção de Melrose, e explicaram tudo sobre a visita de Dobby no verão e a certeza que tinham de que as petrificações eram culpa de Malfoy.
— E, você acha que o balaço também foi ele, Harry? — Trevor perguntou indignado.
— Não. — Harry foi sincero, mesmo que não pudesse dizer a verdade. — Malfoy estava ao lado dos professores, alguém notaria se sacasse a varinha e ele é muito esperto para se arriscar por um jogo, além disso, as vassouras já foram sua tentativa de trapacear.
— De qualquer forma, não podemos nem provar que o balaço te perseguiu, imagine provar quem o adulterou. — Disse MacMillan irritado. — Você acha que tudo isso tem a ver com você-sabe-quem e o que aconteceu no ano passado?
— O que?
— Você-sabe-quem?
— O que aconteceu no ano passado? — Scheyla e os outros estavam encarando-os chocados e pálidos.
Harry olhou para os amigos, além de Morag, Michael e MacMillan que sabia da verdade pelo irmão, Ernie da Hufflepuff, os outros colegas de time não tinham conhecimento da verdade sobre Quirrell.
— É complicado e confidencial porque, como disse Michael uma vez, ninguém acreditará em mim se tentasse contar a verdade e, ainda pior, muitos pensariam que sou um mentiroso em busca de atenção e outros que eu deveria ser preso. — Harry os encarou e viu suas expressões chocadas, Scheyla se levantou e se sentou ao seu lado.
— E, quem seria insano para prender uma criança de 12 anos? Isso não é possível, não é? — Disse ela passando o braço por seu ombro em apoio.
— Infelizmente, Harry está certo em ser cauteloso, vocês viram o que aconteceu com Black, além de que, Malfoy e muitos outros comensais se livraram da cadeia sem nem um julgamento porque mentiram e pagaram ao Ministério. — Disse Edwin MacMillan, muito sério e sem seu ar pomposo de costume. — E, até hoje, essas pessoas tem poder, se pressionassem para sua prisão, bem, Harry não seria preso, porque ficaria provado a legítima defesa, mas o transtorno de uma investigação ou julgamento ainda seria duro.
— É por isso que não pode nos contar? — Perguntou Owen pensativo. — Porque não confia em nós?
— Não é uma questão de confiança. — Harry suspirou tentando pensar. — Antes, nunca pude lhes contar, apesar da nossa amizade, por causa de Melrose, temia que ele percebesse que tínhamos segredos e nos observasse com mais atenção ou contasse para outros puristas. Desde o início concluímos que, a melhor forma de manter o que estamos fazendo em segredo, era não chamar a atenção.
— Sim, se eles não perceberem nenhuma movimentação diferente de nossa parte, não olharão muito de perto e manteremos nossos segredos. — Explicou Terry com um sorriso.
— Discrição é importante. Estamos fazendo muitas coisas bem debaixo de seus narizes puristas e eles nem imaginam. — Disse Hermione sorrindo.
— Exato. Depois há o fato de que o time reserva é novo e eu não os conhecia, tinha que ter certeza que não eram como Melrose... — Harry foi interrompido com protestos das pessoas mencionadas.
— Minha família é puro-sangue, mas nunca e jamais fomos puristas ou apoiamos você-sabe-quem. — Disse Eddie Carmichael de ombros erguidos. — Meu tio, Colton, é casado com uma nascida trouxa e ela é minha tia favorita.
— Eu sou nascida trouxa. — Disse Claire a artilheira do 6ª ano, com orgulho.
— Eu sou puro-sangue, mas minha família não é purista ou rica, somos pessoas de bem e trabalhadoras, além disso, os Jones sempre foram amigos dos Potters. — Disse Hunter Jones, sobrinho do professor Jones.
— Eu sou mestiço e não concordo com esses pensamentos puristas, meu avô me criou para respeitar todos os seres e criaturas do mundo, sejam eles, mágicos, não mágicos ou além da nossa compreensão terrena. — Disse Zane com orgulho e Harry levantou a sobrancelha, pois sabia que o garoto escondia alguma coisa.
— Eu sei tudo isso. — Harry disse e acrescentou. — Tenho lhes observado e investigado com atenção, assim, sei que não são puristas, mas, ainda... Meus pais foram traídos por um de seus melhores amigos e por isso estão mortos. Um dia, não muito distante a nossa frente, estaremos abertamente em guerra, não quero me tornar uma pessoa desconfiada e cínica, mas tenho que ser cauteloso. Dito isso, existe um terceiro e importante motivo para manter alguns fatos. Vocês já ouviram falar de legilimência e oclumência?
Com exceção de Michael, Morag, Eddie, MacMillan e Roger, todos os outros acenaram negativamente, então, Terry e Hermione explicaram o que eram as duas habilidades mágicas e seus benefícios.
— Quer dizer que além de poderem ler nossos pensamentos superficiais e sentimentos, os puros-sangues tem a vantagem de organizarem suas mentes e terem melhores memórias, controle mágico e aprenderem mais rápido? — Trevor perguntou indignado.
— Nem todos usam essas vantagens, alguns se acham tão superiores que não valorizam isso e tem famílias mágicas que não se preocupam em ensinar seus filhos por um motivo ou outro, mas, as famílias mais antigas e tradicionais, principalmente as puristas, podem ter certeza que aprendem as duas técnicas. — Disse Terry seriamente.
— Nós temos os livros e podemos emprestar, particularmente, para mim foi a melhor coisa possível. Eu tenho um temperamento e consigo controlá-lo... bem, quase sempre. — Harry disse timidamente e todos riram. — Também consigo guardar melhor o que leio e minha conexão com a magia, a minha e da natureza é incrível. E, durmo melhor depois de meditar, até meus pesadelos quase que se foram todos.
— Para mim foi a memória, eu esquecia até a senha da torre, mas estou bem melhor agora e também consigo me conectar com minha magia e da natureza, é brilhante. — Disse Neville.
Hermione e Terry disseram os benefícios que eles vivenciaram, MacMillan acrescentou o seus, os outros ainda não estavam aprendendo.
— Meu pai disse que começarei a aprender no ano que vem, mas, se tem tantos benefícios, não me importo de iniciar agora. — Disse Michael e Morag concordou.
— Eu já deveria estar aprendendo, mas pensei que era bobagem e mais trabalho do que já tenho. — Disse Roger dando de ombros. — Mas, se preciso aprender para saber o que está acontecendo e não permitir que ninguém acesse as informações da minha mente, não me importo de começar agora.
— Isso é ótimo. — Harry disse sincero. — Ainda não lhes darei os detalhes, como disse, são informações perigosas, mas, basicamente, o que aconteceu no ano passado foi que Quirrell tentou me matar. — Exclamações de surpresa e choque foram ouvidas de todos. — E, ele não estava sozinho, Voldemort o possuiu...
— O que? — As exclamações se tornaram mais alta e Harry se interrompeu.
— Voldemort não morreu a 11 anos, seu corpo foi destruído e agora ele é apenas um espectro negro, não um fantasma, mas não totalmente humano ou solido. Quirrell o encontrou e se deixou convencer a obedecer suas ordens, vocês se lembram do corredor proibido do 3º andar? — Todos acenaram e Harry continuou. — Havia um objeto mágico poderoso que poderia ser usado para Voldemort recuperar seu corpo e eles estavam tentando roubá-lo, além de me matar. Conseguimos impedi-los, Flitwick ficou muito ferido, Quirrell morreu na luta, o objeto foi destruído e Voldemort fugiu.
Os amigos de time, que ainda não sabiam tudo isso, ficaram em silêncio absorvendo tudo o que ouviram.
— É por isso que você disse que teremos uma nova guerra? — Perguntou Owen muito pálido.
— Nunca deixamos de estar em guerra, estamos apenas vivendo a calmaria, quando a tempestade vier será violenta e devemos estar preparados porque, se continuarmos cegos, perderemos ainda mais do que foi perdido na última vez. —Disse Harry muito sério e os viu acenar um pouco engasgados.
— Os comensais, a maioria deles, estão livres para pregarem seus pensamentos puristas, criarem uma nova geração que seguem esses pensamentos, comandar o Ministério, a Suprema Corte, a economia. — Terry os lembrou. — Vocês estiveram aqui para as reuniões sobre a falta de empregos e desigualdades de salários, bem, menos os puristas e Zane, que como mestiço deveria ter sido convidado. Mas isso não importa, a questão é que, tanto Hogwarts como o Ministério, nos mantêm cegos para essa verdade, ainda estamos em guerra, somos discriminados e estamos em desvantagem. Quando...
— Quando e não se. — Frisou Harry e todos acenaram entendendo.
— Quando Voldemort recuperar seu corpo, estaremos todos sentados como patos na água esperando pelo tiro. — Disse Terry usando uma expressão trouxa, mas todos entenderam.
— O que você está fazendo, Harry? Para se preparar para... o que virá? — Perguntou Scheyla muito preocupada.
— Muito e ainda não posso lhes dizer tudo, no entanto, estou treinando Defesa, todos os dias, as vezes sozinho ou com os três, pois percebi, depois do que aconteceu no ano passado, que Voldemort não esperará que eu termine a escola. — Harry suspirou e passou as mãos pelos cabelos. — O que está acontecendo este ano, vocês me perguntaram se tem algo a ver com ele e a resposta é sim, Voldemort é o herdeiro de Slytherin e quem está atacando os alunos. Fora isso, os aurores se reusaram nos dar quaisquer outros detalhes e não divulgaram aos alunos quem é o atacante porque querem evitar o pânico.
— Além disso, muitas pessoas não acreditariam que Voldemort está vivo, temos a ideia de ir aos poucos falando a verdade, acreditamos que, quanto mais pessoas souberem e se prepararem, maiores serão as chances de vencermos essa guerra. — Explicou Neville suavemente.
Harry sabia, por suas expressões, que ainda estavam incrédulos com a ideia de que Voldemort poderia voltar e a guerra ser parte das vidas deles e imaginou que esse sentimento seria repetido por todo o mundo mágico quando isso finalmente acontecesse.
Durante os próximos dias, ele teve certeza que estava sendo caçado, observado de perto e tentou não mostrar a tensão para os amigos. Sua estratégia foi utilizar a recomendação dos professores para evitar lugares isolados, passando mais tempo nas salas comunais e de convivência das duas torres, ou mesmo seu quarto, para estudar e treinar.
Os gêmeos encontraram um corredor atrás de uma estátua de um javali em duas pernas e roupas, que terminava em uma sala grande que tinha um janelão e varanda com vista para a Floresta Proibida. O lugar era tão perfeito para o laboratório deles que, ao mostrarem para Harry, Neville, Hermione e Terry, sorriam feito loucos.
— Tá, dá! — Disseram eles juntos e todos riram.
Parecia mais um solar do que um laboratório, mas ninguém mencionou isso e, empenhados, eles limparam tudo, trouxeram os equipamentos e móveis das salas abandonadas do 6º andar e reorganizaram o laboratório em 2 dias. Depois, visitaram as passagens secretas, colocando algumas armadilhas dolorosas e humilhantes, Fred e George eram muito bons nisso e ficaram encantados ao descobrirem como usar a passagem do Salgueiro Lutador.
— Você não nos contará como sabe sobre isso? — Fred voltou a insistir.
— É um segredo que não me pertence. Se contentem em saberem o segredo da passagem e parem de perguntar, ora. — Disse Harry mal-humorado.
Eles também reforçaram a passagem dos espelhos para que não desabasse, Harry usou um dos feitiços do seu Grimoire familiar, pois os gêmeos confessaram que não sabiam como impedir o desabamento. O feitiço, "Confirma" fortaleceu a estrutura, desapareceu os danos e a protegeu contra danos mágicos. Essa era a passagem mais perto do novo laboratório e não era impossível encontrar os gêmeos indo buscar alguns novos artigos de pesquisa em Hogsmeade. O mapa foi entregue a Harry, mas eles usaram e abusaram do feitiço de Desilusão e pareciam muito satisfeitos consigo mesmos.
Sem dar uma chance para um ataque, Harry acreditava que, a qualquer momento, a "voz" perderia a paciência e temia o que poderia acontecer. A pressão era tão grande que ele quase cedeu e contou tudo para Flitwick, apenas o medo de ser retirado de Hogwarts o segurou. Assim, Harry mergulhou no treinamento, as aulas eram importantes, mas, mesmo elas, ficaram em segundo plano enquanto treinava com Flitwick, com os amigos ou sozinho. O Grimoire dos Potters era seu companheiro antes de dormir, os feitiços em latim foram traduzidos com certa facilidade e Harry os treinou, incansavelmente. Os feitiços em galês, ele ainda não estava perto de traduzir, apesar de continuar a estudar com a Prof. Babbling, infelizmente, o galês antigo precisava de algum conhecimento em gaélico também, assim, Harry encomendou um dicionário do gaélico antigo, era caro e difícil de achar, mas, era a única maneira e ele não se importou. Pensando como seria bom se pudesse estudar gaélico e outros idiomas, Harry escreveu um bilhete para a caixa de sugestões, solicitando aulas de línguas.
Harry também realizou os treinos com a adaga com Meistr e descobriu mais uma habilidade. Não que tenha sido fácil, mas o instinto de ataque e defesa, além da sua rapidez natural, eram fatores importantes para manejar a faca e isso Harry tinha aos montes. Flitwick não pareceu surpreso e disse que, quando Harry aprendesse a luta com espada, deveria se mostrar igualmente habilidoso.
— Os movimentos exigem fluidez e sincronia, flexibilidade, coragem, a faca deve se tornar parte de seu corpo, assim como sua varinha é parte de sua magia. — Meistr explicou e Harry acenou.
— Tenho a sensação que todos os esportes que tenho praticado também auxiliam, Meistr. — Disse Harry e habilmente moveu a faca. — Natação, Tênis, Ginástica Olímpica, as lutas marciais, parecem que compõe uma sincronia de movimentos, como se meus músculos os reconhecessem.
— Interessante observação, Prentis. Você perceberá que a luta de adagas não necessita de força e sim de inteligência, pois uma adaga na mão, não lhe garante a vitória. — Disse Meistr também movendo a sua bonita adaga de pedras rubis, demonstrando os movimentos que Harry repetia de novo e de novo. — Você deve ser inteligente para sempre antecipar seu adversário, se mover com velocidade e espontaneidade, para não ser previsível e nunca hesite em se defender de todas as maneiras possíveis, Prentis.
— Sim, Meistr.
Eles também treinaram mais lutas no escuro e Harry passou a andar pela escola sob a capa e de olhos fechados. Sua magia apenas podia ver a magia forte e pulsante de um ser vivo, assim, as paredes e chão do castelo, por mais mágicos que fossem, ficavam em completa escuridão. Harry fez muitos passeios depois do toque de recolher, observando o mapa ou treinando andar no escuro, com a esperança de ouvir a "voz" e Freya outra vez, mas não teve sorte.
Enquanto continuava sua caçada, Harry também teve que lidar com a divulgação do reinício das produções das Fazendas Potters. Falc procurou o Sr. Cuffe e pediu sua ajuda com a elaboração de um anúncio aos bruxos desempregados que não trouxesse uma multidão para o Beco, apenas os currículos dos interessados. Encantado com a ideia do Harry de ajudar todas essas pessoas desempregadas a terem um bom Natal, o Sr. Cuffe acompanhou o mutirão de contratação, pessoalmente, além de enviar repórteres para entrevistarem os contratados. Harry ficou preocupado no início, mas, conversando com o Sr. Cuffe, este prometeu que o foco das reportagens não seriam ele e sim, a crise financeira do mundo mágico, os desempregados do Ministério, que lhes virou as costas, e a importância de as Fazendas Potters retomarem sua produção, ajudar a população e ainda fornecer alimentos naturais e saudáveis. Ao fim, um total de 426 funcionários foram contratados, com as notícias e reportagens sobre isso nas primeiras páginas do Profeta Diário por vários dias.
Durante esse período, Harry voltou a receber inúmeras cartas de agradecimento e houve quem disse nas entrevistas para o Profeta ou a rádio bruxa, que ele era um anjo que voltou ao mundo mágico para salvá-los. Harry tentou ignorar o constrangimento dessas palavras, principalmente, quando os gêmeos decidiram lhe chamar de anjo e zombar dele a cada momento em que o viam.
— Abram passagem! O nosso anjo celestial está passando e precisamos permitir que ele nos salve. — Gritou Fred um dia no Grande Salão, antes do jantar.
Houve muito risos e vivas, Harry ficou vermelho como um tomate e tentou pedir que eles parassem, mas, isso parecia apenas incentivá-los mais. No entanto, era só uma brincadeira, Harry não se importou de verdade e, quando algum aluno se aproximou para lhe agradecer por dar emprego ao seu pai ou mãe, Harry aceitou com seriedade e lhes apertou a mão, sabendo o quanto isso significava para todos. O pior foi Lockhart que, sempre que o encontrava, insistia em lhe dar conselhos de gerenciamento de fama ou imagem, em alguns momentos, parecia até estar com inveja do quanto o nome do garoto aparecia no jornal. Harry fez tudo o que pode fazer para evitá-lo, além dos gêmeos, em locais públicos e se manter para si mesmo. Isso lhe ajudou a disfarçar o longo tempo em que passava nas Torres, nem Terry ou Hermione acharam estranho que ele aparecesse apenas para as aulas e as refeições e, se a "voz" desconfiou de alguma coisa, provavelmente, entenderia como coincidência.
Quando dezembro chegou, trouxe junto ainda mais frio, um vento cortante e a chuva se transformando em neve. Como fazia duas semanas do ataque a Colin e mais nada aconteceu, a escola entrou em uma calmaria estranha porque, enquanto o medo parecia diminuir, a excitação pelas férias de inverno os envolveu. Era possível ver os alunos sorrindo e falando com entusiasmo sobre isso pelos corredores, salas comuns e até em salas de aulas. Quando Flitwick passou recolhendo o nome de quem deixaria Hogwarts, as assinaturas foram de 100% e era bem óbvio a ansiedade de todos em partirem para casa.
— Posso saber porque não podemos, mais uma vez, ficar no Covil ou na estufa de adubos? — Neville perguntou enquanto entravam no quarto do Harry na torre Ravenclaw.
— Não é seguro. Qualquer um poderia nos seguir a esses lugares e estaríamos vulneráveis, além disso, temos que ficar sempre atentos com o que conversamos, não podemos ser ouvidos. — Disse Harry ao se sentarem em sua mesa. — Não encontramos nada sobre a música ainda, você acredita que deveríamos desistir?
— Não, sei que já ouvi falar de material mágico usado para sons... — Neville parou pensativo. — Não consigo me lembrar! Mas encontraremos e é uma grande ideia, se conseguirmos, algo tão belo e natural como a música para a estimulação do crescimento das plantas e alimentos. Isso é brilhante e não devemos desistir.
— Bom, vamos revisar tudo o que observamos e pesquisamos sobre os adubos até agora, o livro sobre a produção de adubos orgânicos trouxas foi muito esclarecedor e é incrível que ninguém no mundo mágico pensou em pesquisar no mundo trouxa. — Harry apontou os dados. — Quero conversar com o Flitwick antes, mas já pretendo usar algumas dessas ideias em minhas fazendas.
— E eu, nas minhas estufas. — Neville olhou para o amigo. — Sei que os negócios da minha família são outros, mas confesso que eles não me interessam tanto quanto a Herbologia.
— Eu entendo, para isso que temos administradores, também não me interesso pelas fazendas e mesmo a GER ou meus negócios trouxas, são apenas projetos, não consigo me imaginar trabalhando apenas com isso a vida toda. Na verdade... — Harry hesitou o olhando timidamente.
— O que? — Neville se mostrou curioso.
— Posso mudar de ideia no futuro, mas gostaria de ser um detetive auror, gosto de investigar, desvendar os mistérios, usaria técnicas trouxas e mágicas, meu cérebro, como Sherlock...
— Ou Poirot! — Neville exclamou, também era um apaixonado por livros policiais.
— Sim, sei lá, consigo me imaginar fazendo isso, sabe. — Disse Harry dando de ombros.
— Combina totalmente com você, mas somos jovens, claro, temos muito tempo antes de decidir. — Neville afastou o livro e encarou ao amigo. — Sei que precisamos entregar esse relatório sobre nossas ideias ao Flitwick antes das férias, mas, tenho a sensação que nessas últimas duas semanas, desde o ataque ao Colin, você está muito tenso.
— Mais do que o normal? — Harry falou ironicamente.
Neville riu e depois o encarou outra vez.
— Sim, você parece mais focado, controlado, nem se zangou com o Terry e Hermione querendo saber o que você sabe, depois de todo o drama daquele dia quando insistiram para não se envolver nas investigações.
— Eu entendo porque não querem se envolver e talvez seja melhor... — Harry hesitou tentando encontrar como explicar. — Firenze me disse que eu sou um guerreiro, que não gosto ou procuro a morte, mas, que se necessário para proteger o meu povo, eu não hesitarei em matar. Isso... não pesa sobre mim, eu precisei de um ritual para limpar minha alma e magia, mas eu não carrego a culpa ou dor pelo que fiz. Ele também me disse que vocês três não são como eu, Hermione é uma defensora, Terry um cuidador e você, uma alma gentil que nasceu para preservar e proteger. Matar seria penoso e doloroso para vocês, mas, por serem meus amigos... estão sendo empurrados para situações onde terão que matar para não serem mortos.
— Harry...
— Não estou dizendo que farei tudo sozinho, mas, até que eles decidam por si mesmos trilhar esse caminho, Neville, não posso forçá-los ou me odiarei para sempre, me culparei e nunca terei paz se algo lhes acontecer. — Harry se levantou e olhou para as montanhas. — Eles têm que ter certeza de que querem estar na luta direta, porque não é uma aventura, sabe, não vamos ser corajosos e heroicos, depois voltar para casa e deixar os adultos resolverem por nós. Eles precisam escolher, mesmo que essa escolha não nos foi dada.
— Não, mas, eu a escolho mesmo assim. — Neville disse com firmeza e Harry acenou.
— Eu disse a Voldemort, que ao matar meus pais, ele escolheu seu carrasco, a profecia pode dizer que é destino, mas, para mim, é minha escolha. — Harry suspirou e voltou a se sentar. — Algo aconteceu naquela noite, quando Colin foi petrificado, mas preciso que me prometa que não contará a ninguém, mesmo que não concorde com a minha decisão.
— Prometo, mas não ficarei de fora ou o deixarei correr riscos sozinho. — Neville o assegurou muito sério.
— Ok. Bem, primeiro... — Harry contou a conversa com Dobby em todos os detalhes.
— Uau! Harry! O que!? — Neville se levantou e andou pelo quarto. — O que o impediu de ir contar tudo isso ao Moody? Ou Dumbledore? Não entendo... Harry, eles poderiam encontrar esse objeto em pouco tempo, aposto.
— Talvez. — Harry fechou os olhos e apoiou a cabeça em suas mãos. — Provavelmente. Juro que não tem nada a ver com o que aconteceu na reunião com os aurores ou, eu querendo ser o herói, como disse a Hermione.
— Harry, qualquer motivo que você tenha, tem que ser muito importante porque, no próximo ataque, alguém pode morrer. — Neville falou muito sério.
— Sim, sim, isso não sai da minha mente e eu tenho meus motivos sim. Não confio nos aurores, Neville, talvez esteja sendo muito duro, mas essa investigação precisa de sutileza... Ok, se eu contar isso ao King, Moody e Dumbledore, qual seriam as primeiras coisas que eles fariam, na sua opinião? — Harry perguntou tentando explicar seus pensamentos.
— Bem, acredito que eles fariam uma revista nos objetos de todos os alunos, questionariam se alguém recebeu algo que não devia ou encontrou algo em suas coisas que não era seu. — Neville voltou a se sentar pensativo.
— Sim. Eu pensei o mesmo e então... vou lhe contar o resto do que aconteceu naquela noite.
— Tem mais? — Neville estava surpreso.
— Sim, depois que o Dobby foi embora, decidi ir para a cozinha comer, pois estava faminto, você já sabe disso, mas quando voltei... — Harry contou em detalhes a conversa que ouviu, sua conversa com Freya e sua decisão de tirar o Colin daquele cenário.
— Freya... E, você... conversou com ela? — Neville estava pálido e chocado, Harry acenou. — E, decidiu mentir sobre onde encontrou o Colin porque ficou com medo de ser retirado de Hogwarts?
— Você também não teria depois da maneira como todos agiram naquele dia? — Harry se levantou irritado. — Insistindo na promessa que fiz, que não deveria me envolver, que estava sendo arrogante e que deveria deixar os adultos resolverem tudo. Se, eles souberem que eu sou o alvo... Não posso me arriscar.
— Ok, isso faz sentido e até entendo melhor porque você está tão tenso, mas ainda não entendi porque decidiu não lhes contar sobre o que descobriu com o Dobby. — Neville olhou para o amigo que andava de lá para cá. — Vamos, Harry, você tem seus motivos, mas quero entendê-los. Porque tentar encontrar o objeto não é uma boa ideia?
— Primeiro, esse objeto está permitindo que Voldemort esteja aqui em Hogwarts, mesmo não estando aqui de verdade, assim, não sabemos o quão poderoso ele é. E, se não for encontrado? E, se Voldemort souber da procura e conseguir escondê-lo? E, se Malfoy descobrir que os aurores estão atrás de um objeto amaldiçoado? Dobby e essa garota estariam em ainda mais risco do que já estão, Neville. — Harry apontou voltando a se sentar.
— Ok, essa é uma preocupação justa, mas os aurores serão discretos, eles podem investigar os quartos dos alunos por um objeto com magia negra sem que ninguém saiba. — Neville argumentou sensato.
— Não creio que seja um objeto que seja deixado no quarto, acredito que está com a pessoa o tempo todo, além disso, uma joia com pedras teria mais poder mágico e seria algo que chamaria a atenção de uma menina. — Harry suspirou. — Mesmo não sendo dela ou encontrado sem querer, ela relutaria em entregar, isso se não tiver um feitiço de compulsão a obrigando a usá-lo o tempo todo.
— Então a pessoa... ou menina, teria que ser revistada e se feito do jeito errado... Ok, entendi, os aurores têm que ser discretos até terem certeza que encontraram o objeto e, então, pegá-lo. Mas você teme que eles não façam isso? — Neville perguntou tenso.
— Você não? Posso estar errado ou sendo muito duro, mas, para mim, Moody parece tão sutil quanto um elefante. Mas, para ser justo, eles são competentes e, provavelmente, conseguirão o objeto sem colocar a vida da menina ou Dobby em risco, mas...
— Porque sempre tem um, mas? — Neville perguntou com ironia e Harry riu levemente.
— Se eles encontrarem o objeto e destruí-lo o que acontece com a Freya?
— Bem, imagino que fique lá na sua câmara escura e fria hibernando...
— Exatamente! Neville, é isso que queremos? Um basilisco embaixo dos nossos pés que só Voldemort pode encontrar e controlar quando ele voltar? — Harry apontou com veemência. — Sabe o que acontecerá em uma luta? Uma guerra? Voldemort vencerá facilmente mandando sua querida Freya para cima de nós. — Harry viu o amigo empalidecer com o pensamento. — Precisamos encontrar a entrada, mas, eu não planejo descer pelo alçapão e enfrentar o basilisco, tenho treinado com o Flitwick apenas como precaução em caso de um ataque e, agora que sei que estou sendo caçado, isso se tornou ainda mais importante. Eu tenho evitado as áreas comuns e passado muito tempo aqui na torre porque, pelo que entendi, a "voz" não quer chamar a atenção ao fato de que está me caçando. "Ela" também disse a Freya que, depois de retomar seu corpo, a alimentaria com um sangue ruim todos os dias, assim, como temíamos, esse plano todo não tinha a intenção de apenas matar alunos nascidos trouxas.
— Ok, então, qual o seu plano? — Perguntou Neville se inclinando para a frente.
— Eles estão me caçando, então, vou caçá-los também. — Harry tirou o mapa do bolso. — Estou olhando o mapa com atenção a todo momento, procurando qualquer coisa estranha, tenho observado as meninas em busca de qualquer sinal e, quando encontrar, poderei segui-la sob a capa, descobrir a entrada da câmara e procurar Flitwick. — Harry bagunçou os cabelos ansioso. — Nós avisaremos o diretor, que chamará Moody e King, além da equipe de caça, se acharem necessário, eles poderão cercá-los lá dentro e destruir o objeto e a basilisco de uma vez.
— É um bom plano, mas...
— Sim, alguém poderia ser morto a qualquer momento, eu sei, Nev, estou seguindo minha intuição e, talvez, esteja errado...
— Harry, não é qualquer um que poderia ser morto, você, pode ser morto a qualquer momento. — Neville disse intensamente. — Você não percebe? O alvo é você! Voldemort não irá atrás de mais ninguém e não quer chamar atenção, manterá sua Freya bem protegida dos caçadores, além de manter o controle sobre essa garota muito bem, ainda que não imagino como. O fato é que ele está esperando o momento certo para te encontrar vulnerável, como naquela noite em que estava sozinho na enfermaria e, se escolher ir por esse caminho, a pessoa em maior perigo em toda essa escola, é você.
Harry acenou pensativo e se levantou olhando pela janela, a verdade é que não sabia o que fazer, se ao menos pudesse confiar nos adultos, acreditar que eles não reagiriam exageradamente e o tirariam de Hogwarts. Mesmo com Flitwick, não tinha garantias de que seu chefe de casa não contaria tudo aos seus guardiões. Havia Sirius, claro, mas o seu padrinho já lhe dissera que não podia decidir nada sobre ele sozinho e, se Sirius o ajudasse escondido dos Boots, haveria uma grande briga, Harry tinha certeza e não queria isso.
— Não sei se estou fazendo a coisa certa, Nev, mas tenho que seguir minha intuição, algo me diz que não devo contar a ninguém, não ainda. Além disso, estou sendo muito cuidadoso, passo muito tempo aqui na torre, se estou no laboratório ou no Covil, verifico o mapa e muitas vezes ando sob a capa. — Harry voltou a se sentar e puxou o livro sobre agronomia trouxa. — Se pelo menos pudéssemos descobrir qual o verdadeiro nome de Voldemort, não sei se me ajudaria a encontrá-lo mais rápido, mas, seria mais uma pista. Nenhum dos professores considera ao menos me responder qualquer pergunta, Hagrid tem fugido de mim e aposto que ele sabe. Estou quase...
— E o Flitwick? — Interrompeu Neville confuso.
— Ele começou a dar aulas aqui no fim da década de 60, 45 anos atrás, estamos falando da década de 40. McGonagall, Slughorn, Dumbledore, talvez, Kettleburn, todos os outros são muito jovens. — Harry suspirou cansado. — Você pode não acreditar, mas estou quase indo até o diretor, não confio nele, mas acredito que Dumbledore tem essas respostas e, junto com o que eu sei, talvez... não sei... E, o melhor agora, é voltarmos a esse relatório que não se fará sozinho, Nev.
— Ok. — Neville o olhou e pode ver como tudo isso estava lhe pesando e lamentou que Terry e Hermione estivessem em conflito, os dois amigos seriam uma grande ajuda. — Apenas, saiba que pode contar comigo e estarei de olho nas meninas para tentar descobrir algo estranho também.
— Tudo bem, mas seja cuidadoso. — Disse Harry muito grato pelo apoio.
Enquanto Harry procurava a pessoa com o objeto amaldiçoado, incessantemente, Ginny tentava disfarçar o pavor constante em que vivia. Nada estava bem, nada era normal, todos mentiram para ela, a enganaram e esconderam tudo. Seus pais lhes contaram a história do menino-que-sobreviveu e que salvou o mundo mágico desde, praticamente, o berço. Mentira. Eles lhe compraram os livros do Harry, O Aventureiro quando ela aprendeu a ler aos 5 anos e lhe disseram que aquelas histórias eram sobre a vida de Harry Potter. Mentira. Eles e seus irmão disseram que Hogwarts era o melhor lugar do mundo e aprender magia era incrível. Mentira. Sua mãe lhe disse que ela era uma menina muito especial e teria montes de amigos que a adorariam. Mentira. Seu pai lhe disse que era normal ter medo e que Ginny era forte e seria uma grande bruxa. Mentira. Tudo mentira!
Hogwarts não era legal, era sombria, sufocante e, mesmo depois que os novos zeladores mudaram tudo, iluminando e aquecendo o castelo, Ginny sentia frio o tempo todo. O medo e a insegurança eram sentimentos constantes, medo do basilisco, medo de a Luna estar zangada com ela por dormir, medo de não fazer bem nas aulas, medo de decepcionar sua família. Sentia insegurança em relação as meninas do seu ano, Abla e Demelza a acolheram depois que Colin foi petrificado, até mesmo os meninos se aproximaram, alegando proteção em números, mas Ginny não se sentia adequada, estava sempre com a sensação de que eles apenas a toleravam por pena, não porque gostavam dela.
Junto a tudo isso, Ginny sentia uma profunda tristeza, pela ausência da Luna, pela petrificação de Colin, ele sempre foi tão gentil com ela, pelas mentiras de seus pais e irmãos, que nunca lhe disseram como tudo era tão difícil e, o pior. Como eles puderem ser enganados sobre a verdade em relação ao Harry? Os pais não deveriam ser perfeitos? Saber de tudo? Quer dizer, ela e sua mãe discordavam sobre as coisas que uma menina devia ou não fazer, mas seu pai e Bill nunca estavam errados, até agora, e a decepção era dolorosa.
E, na escola, tinha que conviver com a indiferença dos irmãos em relação a ela, os gêmeos estavam sempre ausentes em seus projetos secretos. Ron não a queria por perto, só trocavam algumas poucas palavras se estivessem sozinhos, quando seus amigos apareciam, ela ficava invisível. Pior era Percy, para quem Ginny tentava ser invisível, pois, apesar de se alimentar bem e se exercitar com os professores Price, ela adorava a academia, dançar e nadar, ainda assim, se sentia fraca e estava perdendo peso. Sua palidez e pesadelos chamaram a atenção de Percy, que ameaçou escrever para a mãe e dizer que ela era muito frágil para Hogwarts e deveria estudar em casa. A ideia a apavorou, não queria deixar a escola, não queria fracassar, assim, Ginny disfarçou o mal-estar, a fraqueza, a tristeza, os pesadelos, se colocou no meio dos colegas sem estar verdadeiramente presente, ouvindo suas conversas sem muita atenção ou interação. Ninguém percebeu a verdade e ela suspirou aliviada.
Tom a orientou em como fazer um feitiço simples para disfarçar as olheiras e palidez, insistiu que comesse mesmo quando estava sem fome, sugeriu que agisse normalmente nas aulas e, quando Ginny estava tão sem energia que poderia dormir em pé, literalmente, a ajudou com os deveres de casa. E, assim, novembro acabou e dezembro trouxe a excitação das férias, do Natal, de ir para casa, todos estavam ansiosos e Ginny se contagiou com esse sentimento.
Não foi até esse momento que ela percebeu o quanto queria seus pais, ser abraçada, assegurada e convencida outra vez que tudo ficaria bem, mesmo que fosse mentira. No entanto, apesar da vontade de estar com eles, Ginny se sentia em conflito, devia ou não confiar a eles que não estava bem? Lembrou-se de ler no jornal sobre a menina Sally que tentou suicídio ao descobrir sobre os livros falsos do Harry, O Aventureiro, e como ela enlouquecera quando foi para Hogwarts. O repórter descreveu a doença como uma fraqueza do cérebro das pessoas que não conseguiam lidar com a realidade e, assim, o bruxo ou a bruxa passavam a ter delírios, alucinações, perda de memória, irritabilidade, tristeza profunda, apatia, dificuldade de se concentrar e isolamento social.
Ginny sentiu seus olhos se encherem de lágrimas, será que também estava ficando doente? Será que Percy estava certo e ela era muito frágil para estudar em Hogwarts? E, se enlouquecesse como a menina, Sally? E, se os seus pais tivessem que interná-la na enfermaria de longo prazo do St. Mungus? Soluçando, Ginny pegou o diário e conversou com seu único amigo.
Não sei o que fazer, Tom, se contar para os meus pais, eles...
Você não contará nada aos seus pais, menina boba...
Mas...
Ginny, minha querida, escute-me com atenção, você está bem, está apenas impressionada com o que aconteceu...
Mas, Tom! Eu dormi no jogo de quadribol e nem vi o buscador da Hufflepuff pegar o pomo! E, quando acordei, estava dormindo em minha cama, mas nem me lembro de como cheguei aqui! Também perdi mais algumas horas de dias aleatórios que estão totalmente em branco e ontem, apenas ontem…. Eu...
Ginny! O que aconteceu ontem deve ter sido tensão por causa de todos os estudos que tem feito para os testes e, naquele dia, do jogo, eu já lhe disse, você dormiu e deve ter sonambulismo...
Eu não sou sonâmbula! E, ontem eu não dormi, estava na biblioteca fazendo o dever de Feitiços e, de repente, eu estava no banheiro do segundo andar! Tom, acho que estou enlouquecendo!
Ginevra! Cale-se por um minuto! E, pense!
Não me chame de Ginevra! Você sabe que não gosto!
Desculpa, Ginny, apenas... gosto muito de você e quero protegê-la! Sei que tudo o que está acontecendo tem uma explicação, você não está louca e não deve contar nada para os seus pais. Entendeu? Se o fizer, será tirada de Hogwarts e enviada para St. Mungus! Nunca será uma bruxa! Ficará lá, presa, para sempre!
Soluçando, Ginny deitou o rosto sobre a mesa, o que faria? Se não podia contar aos pais, para quem contaria? Se ao menos Luna estivesse aqui! Sentindo a tristeza e escuridão engolfá-la, Ginny chorou, em soluços profundos e dolorosos, até dormir.
Tom despertou em seguida, cheio de energia e disposição, mas com tanta fúria que ela transbordava em ondas do pequeno corpo de Ginny.
— Maldita garota estúpida! Não para de chorar e lamentar! E, ainda não consigo controlá-la! — Tom se olhou no espelho e viu que os olhos, normalmente castanhos estavam avermelhados. — É uma questão de tempo... Durante as férias, a manterei afastada de seus pais e irmãos, a farei se sentir sozinha e abandonada, quando voltarmos a Hogwarts, pouco restará dessa resistência insuportável.
Decidido, Tom se desiludiu e foi atrás do seu alvo, mas, como sempre nas últimas semanas, Potter não se encontrava em lugar algum. Ele ouvira uma conversa de seus amigos, a sangue ruim e o mestiço, de que o garoto estava evitando as pessoas por causa do constrangimento das notícias do jornal. Perguntara a Ginny, sutilmente, sobre o que vinha acontecendo com Potter e ela lhe explicara. Como se não bastasse ter sido, indiretamente, responsável pelo fim dos poderes do seu eu mais velho, o garoto tolo se achava no direito de exibir sua grande herança familiar e bancar o herói ou anjo salvador. Seu ódio por Potter apenas aumentou, tivera a sensação de que eram semelhantes, órfãos, criados por trouxas, sem história ou identidade, tendo que conquistar seu caminho no mundo mágico, mas, agora percebia que não era assim.
A verdade é que Potter era de uma família antiga, um privilegiado que, apenas com seu nome e cofre cheio de ouro, conseguia tudo o que queria, mas Tom os faria se ajoelharem aos seus pés. Todos esses herdeiros puros e superiores se arrastariam aos seus pés e lhe chamariam de Mestre, obedeceriam ao seu comando e lhe dariam suas fortunas. Seu eu mais velho conseguira isso, mas perdera tudo por sua própria tolice, não previu todas as possibilidades e pagou um preço alto. Ele faria diferente, a começar por ser mais implacável, mataria todos os sangues ruins sem piedade, dominaria o mundo mágico, implacavelmente, não haveria luta, resistência ou questionamentos.
Seu primeiro passo era se vingar de Potter e, se não conseguia matá-lo, mataria seus amigos, a sangue ruim era seu primeiro alvo, decidiu. Potter, então, estaria mais vulnerável pela tristeza, pensou com um sorriso debochado, e matá-lo-ei, enfim. Depois, usaria a inocente e frágil Ginevra para entrar no escritório de Dumbledore, sua Freya o mataria facilmente, pois o velho subestimaria um primeiro ano assustado. Tom reconhecia que o velho tolo era um adversário formidável, mas, com sua morte, qualquer resistência se desfaria como um castelo de cartas e, assim, o caminho estaria verdadeiramente livre para sua ascensão.
Durante o resto do mandato, Ginny continuou disfarçando sua dor e a cada dia se sentia mais apavorada. E, Tom se tornou mais forte, mais presente em sua mente consciente, isso lhe deu mais chances de caçar seus alvos e destruir sua confiança já abalada. Mas ele teve outro problema, com os testes de invernos chegando, Potter e seu grupo, que já andavam ausente, se mostraram ainda mais reclusos, tudo parecia apenas uma grande coincidência, mas Tom detestava quando seus planos não se encaminhavam do seu jeito e, impaciente, descontou em Ginny, sendo mais grosseiro e debochado.
Quando o último dia em Hogwarts chegou, Tom desistiu, não queria invadir a torre e matar crianças puras, isso seria um desperdício e seus pais poderiam se voltar contra ele no futuro. Sua caçada teria que esperar a volta para Hogwarts em janeiro, o melhor, agora, era se concentrar em Ginevra e tornar o seu Natal o pior de sua vida.
Mas, Tom ainda não tinha controle total sobre Ginny que, por mais influenciada que estivesse, ainda pensava por si mesma, portanto, a escolha de levar o diário para casa era dela. Como Tom tinha sido grosseiro de um jeito bem maldoso ultimamente e Ginny esperava estar muito ocupada com o Festival, conhecendo as novas lojas, o Natal, seu pais e visitas de parentes, ela decidiu que não teria tempo para escrever no diário. Assim, na última noite antes do embarque, ela o deixou sobre a mesa do seu quarto ao arrumar suas coisas, mas, quando acordou na manhã seguinte, franziu o cenho confusa ao encontrá-lo dentro da mochila de viagem, quando foi pegar sua escova de cabelos. Com uma careta, tirou o diário da mochila e voltou a colocá-lo sobre a mesa, escovou os cabelos, colocou a mochila nos ombros e se encaminhou para a porta, mas... hesitante, voltou a olhar para o diário.
Com medo de que alguém pudesse encontrá-lo ali, pensou melhor e, abrindo seu malão, o jogou lá dentro decidida. Depois, mais animada e leve como a muito tempo não se sentia, caminhou para a estação na direção do Expresso de Hogwarts.
Enquanto dezembro avançava, Harry se sentia dividido, pois uma parte dele não queria deixar Hogwarts e interromper sua caçada. No entanto, ele tinha tanto o que fazer, a começar pelo Festival, que saíra do papel e estava bem encaminhado. A notícia fez o jornal também e dessa vez o seu nome não estava envolvido, felizmente, mas, ainda assim, Harry acompanhou tudo com atenção. O Profeta Diário, primeiro, fez uma reportagem bem interessante sobre a empresa GER, os pensamentos e objetivos que motivavam sua fundação e trabalho empreendedor. Depois, escreveram uma reportagem de primeira página sobre o I Festival do Solstício de Inverno que inauguraria as novas lojas do Beco Diagonal e era patrocinado pela GER, que anunciava a esperança de que o evento se tornaria anual, além de um grande sucesso. As novas lojas foram escondidas como um segredo de estado, mas os repórteres do Profeta tentavam descobrir e especulavam incessantemente, essa discussão também foi para a rádio bruxa e muitas famílias do mundo mágico esperavam ansiosos pelo Festival e todas as novidades que ele traria.
Em Hogwarts não foi diferente, os alunos, ansiosos por um assunto menos sombrio, falavam empolgados sobre as novas lojas e o que elas venderiam. Os folhetos com a programação do dia do Festival, domingo, 20 de dezembro, chegou a todos via coruja e informava sobre os eventos do dia, promoções especiais e o show das Irmãs Estranhas a noite. A empolgação de todos triplicou depois disso e com o anúncio de preços promocionais de abertura, todos decidiram adiar as compras de presentes de Natal até o dia do Festival.
Com as fazendas funcionando a todo vapor e as lojas e o Hotel sendo finalizado, Harry tinha uma reunião quase todos os dias, para tomar decisões, dar ideias, dizer o que queria ou pensava, conhecer gerentes e acompanhar tudo o que estava sendo feito. Junto com isso, Terry estava organizando seu aniversário e ele decidiu que não queria uma festa.
— Mamãe. — Disse ele pelo espelho um dia. — Podemos ter um jantar ou almoço de família em casa ou na casa dos avós, mas, com meus amigos, quero fazer algo diferente. Talvez, possamos ir patinar no Hyde Park, depois no shopping, cinema e pizza.
— Isso me parece uma grande ideia e, temos tanto o que fazer, que fico feliz de não ter que organizar outra festa. — Disse Serafina suavemente. — Mas ainda faremos corretamente, você me envia a sua lista de convidados e escreverei um convite aos pais, agendarei um ponto de encontro e assegurarei a eles que seus filhos estarão seguros no mundo trouxa. Pelo menos para os mais mágicos, claro.
Terry estava muito empolgado com sua comemoração de aniversário que não teria festa. Harry achou um pouco estranho, não conseguia se imaginar não querendo uma festa de aniversário, ainda que o passeio descrito pelo amigo lhe pareceu muito divertido também.
Harry o ajudou com a lista, que desta vez incluiu Michael Corner, além de Lisa, Anthony, Morag, Mandy e Padma. Terry pensou em colocar Penny e o time de quadribol, mas Harry o dissuadiu.
— São todos mais velhos e você não é tão próximo deles, Penny também não se sentirá muito à vontade cercado de garotos mais jovens.
— Eu concordo, Terry. Se fosse uma festa em sua casa com convidados de diversas idades, até adultos, acredito que ficaria bem, mas em um passeio assim, você deve convidar apenas os amigos mais próximos e da nossa faixa etária. — Disse Hermione olhando a pré-lista.
— Ok, mas vou incluir os gêmeos, eles são um pouco mais velhos, mas somos muito amigos e acho que adorariam passear no shopping. — Disse Terry riscando alguns nomes e acrescentando outros.
— Concordo e eu adoraria incluir a Scheyla, mas...
— Entendi. — Terry acenou e no fim sua lista, além dos amigos da Ravenclaw, incluiu, claro, Hermione, Neville, Justin, Megan e os gêmeos. — Seremos 13, mais que isso e chamaremos a atenção dos trouxas. — Disse Terry ao finalizar a lista e enviar por Edwiges.
— Seremos mais que 13, Terry, tem a sua mãe, Ayana e Adam, não se esqueça. — Apontou Harry e seu amigo acenou sem muito entusiasmo.
Harry e Neville, continuaram a observar as meninas em busca de qualquer coisa fora do lugar, mas não era algo simples. Eles não as conheciam e não tinham como saber o que estava diferente do normal, ao mesmo tempo, a tensão e ansiedade era visível em todos, meninos e meninas. A uma semana das férias, Harry perdeu a esperança de perceber qualquer coisa e estava quase cedendo e indo procurar Dumbledore ou Flitwick, seu maior medo era que, ao deixar Hogwarts, a "voz" fizesse algo muito ruim.
— Porque você fica chamando de a "voz"? — Perguntou Neville finalmente, curioso. — Pensei que tinha identificado como Voldemort?
— Sim, é ele, a frieza e maldade estavam lá, mas não era o Voldemort que conhecemos a meses atrás. — Disse Harry esfregando os olhos, a tensão estava lhe exigindo muito e seu sono vinha sofrendo.
Como poderia dormir bem se temia que Voldemort e o basilisco encontrassem uma maneira de entrar na torre, em seu quarto?
— Como isso é possível? — Neville se sentou meio chocado.
— Não sei, sou o primeiro a dizer que não entendo, magia é algo incrível e magia negra é algo completamente desconhecido para nós. — Harry deu de ombros. — Mas, ele disse para a basilisco, "Quero que você o mate com seu veneno e presas, dolorosamente, Freya, ele tem que pagar pelo que me fez, mesmo que tenha acontecido por um feitiço familiar e não por algum talento desse garoto estúpido".
— Ele acreditou no jornal! Mas... Voldemort sabe a verdade! — Neville estava com os olhos arregalados. — Harry, acredito que sua ideia de procurar Dumbledore não seja tão absurda mais, se alguém pode entender este tipo de magia negra, é ele.
— Eu sei, eu sei, Nev, mas... não sei como explicar, alguém está sofrendo, eu posso sentir, ela está sozinha e ferida, não entende o que acontece e não sei quem é, apenas algo... aqui. — Harry apontou para sua mente e depois seu coração. — E, aqui, me dizem que perdi algo, que esqueci alguma coisa e que tenho que ajudá-la, é importante.
— E, você não acha que Dumbledore ou os aurores a ajudariam? — Neville perguntou curioso, sabia o suficiente sobre a magia e conexões, para compreender que certas coisas você não ignora.
— Não acredito que ela seria prioridade, não com tanto acontecendo. No começo da investigação, qual foi a primeira coisa que eles pensaram? O principal foco? — Harry perguntou tentando explicar seus pensamentos.
— O basilisco. — Nev acenou entendendo. — O que você acha que pode não ter visto ou entendido?
— Não sei, isso está me matando, queria que ela tivesse um bom Natal, mas...
Das muitas coisas que o Harry não entendia, seus olhos, constantemente, procurando Ginny Weasley era apenas mais um. A menina ruiva pareceu se encolher depois que Colin foi petrificado e Harry descobriu que os dois se sentavam juntos nas aulas de Feitiços. Seus olhos castanhos chocolate pareciam assustados e grandes demais em seu rosto pálido e fino, mas, Harry a observou comer sem problemas sentada ao lado de duas meninas nascidas trouxas que falavam sem parar. Se algo não lhe parecia certo na cena, Harry não identificou, assim como não conseguia se impedir de olhar para ela durante as refeições todos os dias. Até que Hermione, sempre atenta, percebeu.
— O que? Não posso olhar e ver se ela está bem? Sua melhor amiga e um colega foram petrificados. — Disse Harry defensivamente e com o rosto corado.
— Bem, pergunta para a ela como está, então. — Disse Hermione com o cenho franzido. — Não precisa ficar encarando-a o tempo todo.
— Eu não estou encarando, além disso, Ginny é muito tímida e sempre que tento conversar, ela foge, quase correndo. — Disse Harry contrariado. — Eu perguntei para os gêmeos e parece que Ginny teve uns pesadelos e dificuldades para dormir, mas, fora isso, suas notas são boas e ela está bem.
— Bem, se ela teve pesadelos, a culpa é deles. — Disse Neville com uma careta. — Eles tentaram alegrá-la se revezando para assustá-la pelas costas, cheios de pelos e pústulas. Só pararam quando Percy ameaçou escrever à Sra. Weasley e contar que eles estavam se comportando mal de novo. E, como eles não querem chamar a atenção ou receber detenções...
— E, Ginny não foge de você porque é tímida, ela foge porque é uma menina fã boba que não sabe o que falar, cora e gagueja como se estivesse diante de seu grande herói. — Disse Hermione com uma careta de ironia, ela não gostava muito da quantidade de meninas fãs que não o viam por ele mesmo.
— Pois, você está errada. — Disse Harry com o cenho mais franzido. — As meninas fãs não fogem de mim, elas ficam de risinhos, batendo os cílios e tentando chamar minha atenção, Ginny não age assim e no início do semestre, ela conversou comigo normalmente.
— Bem, e porque ela age assim, então? — Perguntou ela com o cenho franzido.
— Não sei, não entendo de meninas, se você não consegue imaginar um motivo, como eu poderia? — Disse Harry e se concentrou em sua comida, naquela manhã eles tomavam café da manhã na mesa Gryffindor.
Hermione ficou pensativa por um tempo até que seus olhos se arregalaram como se entendesse alguma coisa, Harry esperou que comentasse algo, mas ela apenas sorriu com certa arrogância e voltou a comer. Harry fez uma careta, mas não perguntou, voltou a comer seu mingau e olhou em volta procurando algo fora do comum, no fim, seu olhar pousou na garota ruiva outra vez e, claro, ele não sabia porquê.
Mais tarde, naquele dia, a notícia de que se pretendia reabrir o Clube de Duelos se espalhou pela escola.
— O aviso no quadro da sala comunal disse que começaria hoje à noite. — Disse Michael durante o almoço. — Você disse que deveríamos treinar mais Harry, imagino que esse Clube vem bem a calhar.
— É uma boa ideia — disse Harry pensativo. — Depende de quem é o professor, claro.
— Bem, Flitwick foi campeão de Duelo quando jovem, assim, imagino que será ele. Estou interessada e vocês? — Disse Hermione empolgada e todos concordaram.
Assim, às oito horas daquela noite, os quatro voltaram para o Salão Principal depois do jantar e descobriram que as longas mesas tinham desaparecido e surgira um palco dourado encostado a uma parede, cuja iluminação era produzida por milhares de velas que flutuavam no alto. O teto voltara a ser um veludo negro, e a maior parte da escola parecia estar reunida sob ele, as varinhas na mão e as caras animadas.
— Isso não será bom, é melhor sairmos daqui enquanto é tempo. — Disse Terry e Harry acenou concordando.
— O que? Porque? — Hermione disse quando mais alunos se aglomeraram ao redor deles dificultando deixarem o Salão.
— Olha esse palco dourado, quem você acha que é o professor? — Disse Terry com uma careta.
— Oh, não... — Lamentou ela e Neville gemeu ao mesmo tempo, quando viram Gilderoy Lockhart subir ao palco, resplandecente em suas vestes ameixa-escuras, acompanhado por ninguém mais do que Flitwick, que sorria animadamente.
Lockhart acenou um braço pedindo silêncio e disse em voz alta:
— Aproximem-se, aproximem-se! Todos estão me vendo? Todos estão me ouvindo? Excelente!
"O Prof. Dumbledore me deu permissão para começar um pequeno Clube de Duelos, para treiná-los, caso um dia precisem se defender, como eu próprio já precisei fazer em inúmeras ocasiões, quem quiser conhecer os detalhes, leia os livros que publiquei.
"Deixem-me apresentar a vocês o meu assistente, Prof. Flitwick", disse Lockhart, dando um largo sorriso. "Ele me conta que, quando jovem, participou de duelos e desportivamente concordou em me ajudar a fazer uma breve demonstração antes de começarmos. Agora, não quero que nenhum de vocês se preocupem, continuarão a ter o seu professor de Feitiços mesmo depois de eu o derrotar, não precisam ter medo! "
— Idiota. Meistr limparia o chão com ele de olhos vendados. — Sussurrou Harry ao ver a careta divertida de Flitwick.
— Bem, eu não lamentaria se ficássemos sem professor de Defesa. — Disse Neville e todos em volta riram, algumas meninas lhe lançaram caretas.
Lockhart e Flitwick se viraram um para o outro e se cumprimentaram com uma reverência. Em seguida, os dois ergueram as varinhas como se empunhassem espadas.
— Como vocês veem, estamos segurando nossas varinhas na posição de combate normalmente adotada – disse Lockhart aos alunos em silêncio. — Quando contarmos três, lançaremos os primeiros feitiços. Nenhum de nós está pretendendo matar, é claro.
— O que é uma pena. — Murmurou Harry, observando Flitwick encarar Lockhart com uma intensidade assustadora.
— Caramba, Harry, ele olha assim para você? — Sussurrou Neville meio apavorado, mas Harry não teve tempo para responder.
— Um... dois... três...
Os dois ergueram as varinhas acima da cabeça e as apontaram para o oponente, Flitwick em silêncio lançou um feitiço vermelho e ofuscante, Lockhart foi lançado para o alto: voou para os fundos do palco, colidiu com a parede, foi escorregando e acabou estatelado no chão.
Quase todos os alunos, com a exceção de algumas meninas, deram vivas.
— Oh! Merlin, essa foi a coisa mais engraçada que eu vi durante esse semestre. — Disse Hermione, com a mão sobre a boca e tentando controlar o riso.
Os meninos não se seguraram e riram até ficarem vermelhos, enquanto viam Lockhart levantando-se tonto. Seu chapéu caíra e os cabelos ondulados estavam em pé.
— Como podem ver, — Disse Flitwick assumindo a palestra. — Eu utilizei um feitiço de desarmamento chamado Expelliarmus em silêncio, técnica que aprenderão a partir do 6º ano nas aulas NEWTs. Mas este feitiço é muito útil, pois, se encaixado corretamente, retira a varinha do seu adversário, o que pode significar a vitória em uma batalha. Em um Duelo amigável, vocês devolverão a varinha ao seu oponente, aqui está Gilderoy.
— Ah, muito obrigado, Filius, ótima maneira de demonstrar o feitiço e a técnica, eu sabia o que pretendia, é claro e poderia detê-lo facilmente, mas achei mais instrutivo deixá-los ver... — Flitwick apenas sorriu divertido com a óbvia mentira e os alunos acompanharam com um revirar de olhos. — Chega de demonstração, vamos reuni-los e separá-los em pares...
— Acredito que, primeiro, devemos lhes ensinar o feitiço e como bloqueá-lo, Gilderoy, essa foi apenas uma demonstração do que acontece se o feitiço for bem feito e não bloqueado. — Assumiu Flitwick outra vez, tranquilamente, Lockhart parecia quere protestar, mas ele não lhe deu chance. — Quem sabe fazer o feitiço Protego e Expelliarmus?
Harry olhou em volta esperando para ver se alguns dos alunos mais velhos ergueriam a mão, não tinham toda a escola presente, mas ele identificou muito alunos do 3º e 4º anos. No entanto, ninguém se apresentou e Harry franziu o cenho, esses eram feitiços básicos do 2º ano, ele e seus amigos os aprenderam adiantados desde o ano passado.
— Talvez estejam envergonhados... — Sussurrou Terry espelhando sua confusão.
— Ou, talvez, sejam vítimas dos péssimos professores que temos. — Disse Harry com frieza e, decidido, ergueu o braço.
— Ah! Sr. Potter, sim, suba aqui, por favor. — Disse Flitwick e Harry se colocou à frente do professor. — Agora, vamos demonstrar os dois feitiços de hoje, Expelliarmus e Protego. Sr. Potter, você me ataca primeiro.
— Sim, senhor. — Disse Harry concentrado. Os dois se curvaram em cumprimento e se posicionaram...
— A posição está errada! — Alguém do lado da Slytherin gritou.
— Boa colocação. — Disse Flitwick. — Em um Duelo, não existe uma maneira única de se posicionar, depende de cada bruxo, do seu estilo, seu planejamento metal do que pretende fazer, até mesmo o tipo de bruxo que ele está enfrentando.
O professor como sempre explicava tudo com calma e clareza, era óbvio que muitos estavam ouvindo isso pela primeira vez. Harry viu o Flitwick se posicionar e fez o mesmo, ao em vez de empunhar a varinha feito uma espada, ele virou seu corpo lateralmente, seu lado direito foi posicionado a frente e sua varinha apontada para o chão. Como era sua vez de atacar, Harry encarou seu oponente com frieza, procurando um ponto fraco e recebeu o mesmo olhar de volta, mas, como sempre, não teve medo.
Como estavam em uma plataforma em formato retangular, ele não podia se mover em círculo, assim esperou os segundos serem contados completamente estático, até sua respiração diminuiu, seu coração desacelerou e a magia crepitou no ar. Quando a contagem chegou ao três...
— Expelliarmus! — Gritou Harry, apontando sua varinha para o professor, foi tão rápido que alguns piscaram e apenas viram o feitiço vermelho bater na barreira mágica erguida por Flitwick.
— Protego! — Ele gritou com sua voz esganiçada.
Houve um murmúrio surpreso e entusiasmado, muitos ficaram surpresos ao verem que Harry realmente sabia o feitiço, outros com a força e rapidez do seu feitiço ou apenas com a demonstração que nunca tinham visto antes.
— Muito bem, Sr. Potter, muito bem, agora, vamos trocar. Pronto? — Perguntou Flitwick e Harry acenou, a contagem recomeçou. — Expelliarmus! — Gritou o professor e a maioria dos presentes esperavam ver o Harry ter o mesmo destino que Lockhart, mas, para decepção dos Slytherins, isso não aconteceu.
— Protego! — Harry não fez nenhum movimento brusco ou longo, apenas moveu a varinha sutilmente e a barreira mágica brilhante se deslocou a sua frente absorvendo o feitiço vermelho sem problemas.
Se o feitiço anterior impressionou alguns, dessa vez, não houve quem não arregalassem os olhos.
— Ora! Vejam isso! Vejam isso! Esse é o feitiço que eu teria feito, facilmente, se não estivesse lhes demonstrando o que acontece quando vocês não o usam. — Disse Lockhart sorridente. — Agora vamos dividi-los em pares e poderão treinar uns nos outros, mas apenas desarmar!
As duplas foram se formando e Harry desceu se colocando em frente a Neville. Terry e Hermione fizeram uma outra dupla.
— Agora, não tenham medo de errar e lembrem-se de pronunciarem as palavras corretamente. Expelliarmus e Protego. — Disse Flitwick andando em meio as duplas e os orientando.
Harry e Neville já tinham treinado antes e esses feitiços foram aprendidos a muito tempo, assim, os dois apenas atacaram e se defenderam distraidamente. Olhando em volta, Harry viu muitos colegas que não sabiam segurar a varinha corretamente, outros pronunciando a maldição errado, outros tão inseguros que o feitiço não tinha força para alcançar o adversário. Ao lado deles, Justin e Megan, eram um desses que se mostravam inseguros e, no outro lado, Michael e Lisa também tinham dificuldades.
— Uau! Neville, você também sabe os feitiços? — Perguntou Michael surpreso.
O pessoal ainda enxergava o Neville como o garoto atrapalhado e esquecido que não conseguia fazer os feitiços do ano passado. Ninguém parecia perceber que ele mudou muito este ano ou que, com a varinha nova, era um dos melhores alunos do ano em quase todas as disciplinas, com exceção de Transfiguração.
— Sim. Sei esses e outros, Harry me ensinou. — Disse Nev lançando outro Expelliarmus perfeitamente. — Podemos trocar se vocês quiserem.
Todos os 4 acenaram e Harry trocou de lugar com Justin, orientando Megan primeiro.
— Você precisa acreditar e querer, Megan. Quando você diz o feitiço, você tem que querer a varinha do seu oponente em sua mão, mesmo que ele se defenda com o Protego, a força do feitiço pode vencer a parede mágica ou, ao menos, desestabilizá-la. — Explicou Harry e a viu colocar mais vontade e confiança no feitiço, ele se deixou atingir, mas segurou a varinha com firmeza. — Viu?
— Eu fiz isso! — Disse Megan olhando para a varinha que tentou deixar a mão do Harry.
O outros ouviram sua instrução e a copiaram, tendo mais sucesso.
— Precisam de treino e repetição, qualquer feitiço ou maldição para ser feita com naturalidade e força, precisa ser repetida incansavelmente. — Disse Harry com seu tom de treinador.
—Argh! Eu que o diga, perdi as contas de quantas vezes ele me fez repetir esses feitiços. — Disse Neville divertidamente.
— E, é por isso que você o faz tão bem agora. — Harry riu e ajudou Justin que segurava a varinha errado. — Esse são dois feitiços essenciais em seus arsenais de defesa, assim, devem se tornar tão fácil fazê-los como é respirar. Justin, aqui, segure a varinha com suavidade, não a agarre, ela não é sua barreira ou defesa e sim, o instrumento que permite a sua magia te proteger.
— Obrigado, Harry. — Disse ele segurando a varinha com mais suavidade. — Expelliarmus! — Disse Justin com convicção.
O feitiço atingiu Harry com força e o fez dar uns passos para traz, sua varinha escapou da mão e caiu no chão a sua frente.
— Muito bem, Justin! — O menino tinha um grande sorriso animado.
Harry pegou sua varinha e foi ajudar a Lisa, enquanto Michael e Neville duelavam. Depois, ajudou Morag, Mandy e Padma que estavam por perto e viram suas interações. Flitwick também passou orientando a todos e parabenizando os que conseguiam realizar os dois feitiços. Apenas Lockhart era ignorado pela maioria e quando teve a ideia de misturar as casas, recebeu algumas caretas, pois ninguém queria duelar com os Slytherins.
— Aqui, Ron Weasley com Draco Malfoy e, Tracy Davies com Parvati Patil... — Foi escolhendo ele aleatoriamente.
Harry acabou de frente para Daphne Greengrass que o encarou com sua frieza habitual, ele apenas sorriu a conhecendo melhor e sabendo que estava se divertindo. Na contagem de três, Daphne o atacou e Harry se defendeu, devolvendo o feitiço com igual força e rapidez. Os dois se revezaram e eram facilmente os dois oponentes mais equilibrados e competentes do Salão, mas Harry queria vencer e, usando sua mão esquerda, empurrou levemente sua magia e pensou em um dos feitiços mais simples de Mason, "Dis". Isso empurrou Daphne para traz a desequilibrando e foi o suficiente, Harry foi para a ofensiva e em segundos sua varinha pousou em sua mão.
— Perdeu algo, Greengrass? — Harry tinha um sorriso debochado quando lhe estendeu a varinha.
— Você trapaceou, Potter. — Disse ela com uma careta mal-humorada.
Harry riu divertido ao lhe entregar a varinha.
— E, desde quando usar magia em um duelo mágico é trapaça? — Disse ele ironicamente.
Greengrass manteve a expressão e quem olhava poderia pensar que ela o estava ofendendo, mas baixando o tom, perguntou:
— Como você fez isso?
— Usei minha magia em um feitiço simples para te empurrar e conseguir a vantagem. — Disse Harry em um sussurro e mantendo a expressão debochada.
— Você fez magia sem a varinha e em silêncio? — O choque se mostrou por um segundo antes da expressão fria de sempre voltar para seu rosto.
— Apenas um feitiço simples, nada complicado, pode ser útil em uma luta. — Disse Harry dando de ombros como se não fosse nada demais.
Daphne não tentou lhe explicar que isso ainda era impressionante, não era do tipo que fazia elogios, assim, apenas acenou e se afastou. Harry olhou em volta e ficou feliz ao ver que Neville, Terry e Hermione tinham vencido seus duelos com tranquilidade. Millicent Bulstrode derrubara Lavander de costas, se sentara em cima e lhe puxava os cabelos, a garota Gryffindor devolvia puxando os cabelos de Bulstrode e as duas soltavam gritos histéricos. Weasley e Draco estavam rindo histericamente enquanto suas pernas dançavam como se feitas de gelatinas, rindo, Flitwick se aproximou deles, enquanto Lockhart e um 4º ano separavam as duas meninas.
— Finite Incantatem. — Disse o professor divertidamente. — Esses não eram os feitiços senhores, mas poderiam ter usado o Protego para bloqueá-los.
— Vamos deixá-los tentar de novo, Filius, quem sabe se mudarmos as duplas outra vez. — Disse Lockhart parecendo estar se divertindo muito.
Mais uma vez ele jogou as duplas e Harry se viu de frente com Draco Malfoy que lhe sorriu arrogantemente.
— Como medo, Potter? — Disse ele e Harry percebeu pelo seu olhar que Draco estava preocupado.
— Não preocupe, Draco, hoje é apenas um duelo amigável, não tenho a intenção de machucá-lo. — Disse Harry com um sorriso divertido.
— Como se você pudesse me tocar. — Disse ele com o rosto corado de raiva.
Então Lockhart começou a contagem e no 2, o trapaceiro enviou um Expelliarmus fraco, Harry apenas acenou e disse:
— Protego! — E, no instante seguinte. — Expelliarmus!
Draco parecia mais preocupado em sorrir de satisfação por tê-lo "enganado", do que se defender e o feitiço o acertou com força. O garoto loiro não caiu tão teatralmente quanto Lockhart, mas chegou bem perto e, quando se levantou, seus cabelos loiros normalmente bem assentados por gel, estavam completamente em pé. Vermelho de constrangimento e raiva, Draco olhou em volta buscando sua varinha e lançou caretas para os alunos que tinham parado de duelar e riam dele.
— Aqui, Draco. — Disse Harry que jogou a varinha para o garoto que se mostrou um buscador promissor e a pegou no ar. — Sua vez. — Harry se preparou para sua raiva e tentou ignorar os outros alunos que os observavam.
— Você vai pagar por isso, Potter! Serpensortia! — Gritou ele com fúria.
A ponta de sua varinha explodiu. Harry observou uma comprida cobra preta se materializar, cair pesadamente no chão entre os dois e se erguer, pronta para atacar. Os alunos mais próximos recuaram rapidamente, abrindo espaço e Harry franziu o cenho para a cobra, a raiva de Draco conjurara uma víbora venenosa, bem diferente da cobra inofensiva conjurada por Sirius durante o verão. Ele olhou em volta em busca de Flitwick que estava do outro lado do Salão instruindo uns 3º anos.
— Não se preocupe, Harry, cuidarei disso facilmente. — Disse Lockhart sorridente e arrogante — Permita-me! — E brandiu a varinha para a cobra, ao que se ouviu um grande baque; a cobra, em lugar de desaparecer, voou três metros no ar e tornou a cair no chão com um estrondo. Enraivecida, sibilando furiosamente, ela deslizou direto para Justin e se levantou de novo, as presas expostas, armada para o bote.
Olhando irritado para Lockhart e sua eterna incompetência, Harry se aproximou da cobra, pensando rapidamente. Seu primeiro instinto era acalmá-la, mas não podia revelar sua ofidioglossia, não podia permitir que a "voz" descobrisse que ele tinha esse talento também. Seu olhar foi, por um segundo, para Flitwick que se aproximava rapidamente para ajudar, no entanto, não chegaria a tempo. Justin estava pálido e paralisado, a cobra possessa e pronta para mordê-lo, Harry não sabia evanescê-la, assim, só lhe restou um recurso. Apontando a varinha para Justin, ele disse suavemente, pois não queria machucá-lo.
— Depulso! — Harry, aliviado, viu seu amigo voar para traz e bater nos outros alunos, todos caíram em um montão de resmungos e gemidos, mas sem mordida de cobra.
Irritada, ela se virou contra ele, que sentiu o instinto de obrigá-la a obedecê-lo, mas se refreou com dificuldade e, sem hesitar, lhe apontou sua varinha.
— Clauditis Maxilla! — Disse ele e viu o jato acobreado atingir o céu da boca da serpente e travar sua mandíbula.
Ela ainda estava muito irritada, mas Harry ainda pode entender facilmente seus sibilos de boca fechada.
— O que passassss... solte-meee... te darei uma mordida dolorosasss... matarei vocêeee, porque me trazes aquiiii...
—Deixe-me, Harry. — Disse Flitwick e, com um movimento de varinha, desapareceu a cobra. — Muito bem, você fez bem. — Disse ele lhe dando um olhar significativo e batendo em suas costas suavemente.
Harry apenas acenou e suspirou aliviado, isso passou perto.
— Obrigado, Harry, por um momento lá, pensei que estava perdido de vez. — Disse Justin estendendo a mão trêmula e suada que Harry apertou com firmeza, o garoto ainda estava pálido, com a veste e cabelos desarrumados, mas bem.
— De nada, Justin, fico feliz que tenha dado tudo certo, apesar da fraude ali. — Harry deu de ombros e direcionou a atenção de todos dele para o Lockhart, viu seus colegas lançando olhares irritados na direção do professor de Defesa que fingia não perceber, sorrindo e piscando para algumas meninas fãs bobas.
— Sr. Malfoy, eu disse especificamente que não queria outros feitiços, você poderia ter ferido um colega gravemente com essa atitude. — Flitwick disse severo e Draco olhava como se tivesse engolido um limão. — Prestem muita atenção, esse Clube está se abrindo em caráter emergencial por causa do basilisco, mas poderia se tornar algo definitivo em Hogwarts no próximo ano ou antes. Para isso, o responsável escolherá com muito critério os seus membros, assim como faço com o Clube de Feitiços, portanto, sugiro que se têm interesse, dediquem-se aos estudos de Defesa Contra a Arte das Trevas e se comportem de acordo ao esperado em um duelista honroso. Dispensados. Menos você, Sr. Malfoy, me siga, vamos nos reunir com seu chefe de casa.
Harry sorriu, sabendo que Slughorn aplicaria uma punição justa a Draco, ao contrário de Snape que lhe daria os parabéns.
— Seria bom se o Clube fosse oficial, me diverti muito e adoraria participar. — Disse Neville com um grande sorriso. Feitiços era sua melhor matéria, mas Defesa era um segundo próximo.
— Sim, mas para nós seria uma perda de tempo, porque estamos muito à frente dos outros, teríamos que nos segurar e prefiro gastar esse tempo treinando maldições mais avançadas. — Disse Harry olhando em volta e vendo muitos rostos animados e sorridentes por terem conseguido realizar um ou os dois feitiços.
— Isso pode se aplicar a você, Harry, que está treinando com o Flitwick e tudo, mas nós três estamos só um pouco a frente deles e, com um Clube de Duelo, talvez, até poderiam nos alcançar. — Disse Terry e Hermione acenou concordando.
— Bem, vamos ver quem será o nosso próximo professor, ser for um decente, poderia até me inscrever, treino nunca é demais. — Disse Harry sorrindo com a ideia, talvez pudesse até lutar com os alunos mais velhos e a prática seria interessante.
Os últimos testes do semestre chegaram e se foram, os alunos receberam pilhas de deveres de casa para os feriados e Harry os usou para continuar a evitar andar pela escola, pois alegou aos amigos que era melhor se concluíssem todos os deveres antes de embarcar.
— É melhor termos tudo pronto, nessas férias teremos tanto o que fazer que duvido que conseguiríamos tempo para sentar e fazer os deveres de casa. — Disse Terry quando finalizaram as últimas polegadas do dever de Poções.
— Eu escrevi aos meus pais e pedi que cancelassem a viajem de esqui para a Itália, assim poderei estar no seu aniversário, no Festival e qualquer outra coisa que programarmos. — Disse Hermione animada.
— Espero que eles não fiquem zangados. — Disse Harry preocupado.
— Oh! Não ficarão. — Disse ela convicta. — Eles entendem que preciso estar com vocês e prometi que no verão poderíamos ir para onde quisessem e eles me escreveram contando que iremos para a França e, talvez, daremos uma passadinha no norte da Itália
— Legal, Hermione. Harry, precisamos organizar o que faremos depois do Festival, acho que se usássemos uma agenda seria o ideal. — Disse Terry animado.
— Não posso fazer uma agenda, Terry, tudo o que quero fazer depois do Festival depende da disponibilidade de seus pais ou Sirius, não sei nada sobre o andamento da OP, assim tenho que esperar me encontrar com eles e decidirmos juntos, mas prometo inclui-los em tudo. — Garantiu Harry sorrindo.
— Eu pedirei permissão da minha avó para ir com você as fazendas quando as visitar, Harry, mas não irei as outras propriedades. Quero passar bastante tempo com meus pais e acredito que sua visita a Hallanon, Stronghold e a Mansão Potter exigirá muito de você e que deveria ir com menos pessoas, além de ter mais tempo para explorar. — Disse Neville e Harry concordou sem problemas.
— Nem sei como arrumarei tempo para fazer tudo, mas, de qualquer forma, será bom ver todo mundo e visitar esses lugares. — Disse Harry e olhou em volta da sala de convivência da torre Gryffindor.
Eles muitas vezes estudavam ou confraternizavam ali, porque era mais fácil para ele e Terry irem embora sob a capa do que deixar Hermione e Neville expostos. Normalmente, se ficassem na torre Ravenclaw, os dois dormiam por lá, pois era mais seguro. Harry amava Hogwarts, mas as tensões das últimas semanas foram pesadas, ele tinha certeza que a "voz" atacaria a qualquer momento, desistindo de ser discreto e tentando matá-lo na torre. Suas dúvidas não deixavam de atormentá-lo, deveria contar aos adultos? Deixar Hogwarts? Isso resolveria algo? Estava certo em confiar em seus instintos? E, se alguém morresse? E, se tudo piorasse com o envolvimento do aurores? Porque tinha a sensação de que esquecera algo importante?
Harry revisara seus dados diversas vezes, repetidamente, mas nada diferente se sobressaiu.
— Provavelmente, porque você não parou de pensar nisso por um minuto todas essas semanas, Harry, aposto que quando se distrair com outra coisa, você entenderá. Bem, pelo menos é assim comigo quando tenho a sensação que esqueci alguma coisa, mas não sei exatamente o que. — Disse Neville sorrindo.
Harry e ele riram divertidos, seu amigo melhorara muito com a oclumência, mas, às vezes, ainda tinha momentos em que sua memória se desligava.
Com as notas dos testes saindo no último dia e a arrumação das mochilas, o clima foi de despedida. Ele e Terry escreveram na lista de pedidos para os seus quartos que queriam um banheiro maior com banheira e os convites aos amigos que participariam da festa de aniversário diferente foram entregues. Tudo estava combinado para o próximo sábado dia 19, um dia depois da data de seu aniversário de Terry. Na quarta-feira à noite, Harry terminou de arrumar sua mochila e estava separando a roupa que usaria no dia seguinte para a viagem, quando ouviu uma batida na porta.
— Entre. — Sabendo que apenas quem tinha a senha poderia entrar.
— Duduzinho. — Disse Terry antes de abrir a porta e entrar.
— Ei, já terminou de arrumar tudo? — Harry perguntou tirando a mochila da cadeira para o amigo se sentar.
— Sim. Queria conversar sobre o que falaremos sobre o que você anda fazendo em relação ao basilisco e o herdeiro. — Disse Terry indo direto ao ponto.
— Pensei que concordamos que não estou fazendo nada porque fiz uma promessa de não me envolver? — Harry disse o encarando intensamente.
— Conheço você muito bem, Harry, não sou seu melhor amigo atoa, sei muito bem que não poderia ficar de braços cruzados e não tentar desvendar o mistério. — Disse Terry seriamente. Aquele dia, eu super reagi, admito, mas tive tempo para refletir e sei que não deixará as investigações.
— Não sei do que está falando. — Harry falou ajeitando a jaqueta mais quente que tinha na cadeira.
— É assim que agirá? Continuará a mentir para mim...
— Você não quer saber! — Gritou Harry em resposta indignado. — Hermione e você! Os dois deixaram bem claro que não querem saber! Eu não os forçarei a fazerem o que não querem, seja qual for o caminho que eu seguir até o dia em que matar Voldemort de vez, Terry, será perigoso, muitas vezes mortal.
— Eu sei...
— Não parece. — Harry foi duro, mas precisava ser. — Acredita que a morte de Quirrell no ano passado foi um acaso infeliz? Um incidente isolado? Falta de sorte? Não! Ele não foi o primeiro a morrer e nem será o último, além de que, é provável que eu mate outra vez para sobreviver. Eu sei disso, aceitei isso, compreendo e aceito quem sou, mesmo que, às vezes, o peso em meus ombros parece impossível de carregar, mas... — Harry fechou os olhos, não queria chorar. — Então, eu penso em meus pais e suas coragens, seus sacrifícios e percebo que ainda não é nada perto do que eles passaram. E, então, eu penso em meus amigos e famílias, as pessoas que eu amo e sei que não posso desistir.
— Harry... — Terry tentou se aproximar, mas Harry se afastou.
— Mas, você não é Harry Potter, você é Terry Boot, o cara mais incrível que eu conheço e não preciso que você seja meu braço direito ou minha sombra, um assistente que se coloca em perigo quando não quer ou deve. — Harry o olhou com sinceridade. — Preciso apenas da sua amizade, do seu apoio, lealdade, amor... — Suspirando, ele sorriu. — Você entende?
Emocionado, Terry acenou, entendo e caminhando até Harry, apertou seu ombro com força e lhe deu um abraço fraternal.
— Pode contar comigo, sempre. E, ainda estou em conflito, mas, quando acreditar que pode me dizer qualquer coisa, eu quero saber, estarei aqui para te ouvir. — Terry disse sincero e firme.
Harry suspirou de alívio e acenou.
— Se me disser que pode manter segredo da Hermione até ela chegar no ponto em que você está, lhe contarei tudo quando voltarmos para a escola em janeiro, mas, até lá...
— Não há nada acontecendo. — Disse Terry com firmeza.
— Nadinha. — Harry sorriu ironicamente.
Quando o Expresso partiu no dia seguinte, Harry olhou para o castelo que se afastava com a estranha sensação de que, involuntariamente, as caçadas foram suspensas por duas semanas. Quando retornassem, Harry voltaria a procurar pelo herdeiro que, ao mesmo tempo, voltaria a caçá-lo implacavelmente. Por um tempo curto, este estranho armistício, lhe permitia ser apenas uma criança normal de 12 anos aproveitando o Natal com sua família e amigos. Bem, tanto quanto sua vida poderia ser considerada normal, pensou divertido, ao pegar o folheto com os horários dos eventos do Festival no próximo domingo.
