NA: Olá, 23 mil palavras, então uma revisão ou só publicaria amanhã. Estou tentando fazer menores e caprichar na revisão, mas estive falhando feio, kkk.
Bem, todo esse inicio do capítulo surgiu porque um querido revisor, Gaius BlackPotter, me disse que esperava ter visto no Festival do Solstício algo mais mágico, uma cerimonia, já que estamos em um temática bruxa e essa é uma importante data para os bruxos. Eu adorei a critica justa e como ainda não tinha terminado a noite do Solstício, no cap. anterior, pesquisei e criei algo que espero que gostem. Tentei ser o mais precisa em minhas pesquisas, mas não sou uma especialista e tentei tornar informativo, divertido e mágico. Espero que gostem. Obrigada, Gaius.
Revisem, por favor, no ultimo cap. recebi algumas palavras lindas que me motivaram muito. Até mais, Tania

Capítulo 58

A noite era mágica e, mesmo para aqueles que viveram a magia todas as suas vidas, aquela dia e noite jamais seriam esquecidos. A meia noite, depois de muitas músicas, sorteio de brindes e mais música, Fiona subiu ao palco com um vestido branco, uma coroa de flores sobre a cabeça e um largo sorriso.

— Boa noite a todos. — Sua voz suave e etérea era de arrepiar e alcançou a todos no Beco. — Hoje é uma noite especial, não apenas por causa da reconstrução do Beco Diagonal ou esse show maravilhoso, mas porque é o dia do Solstício de Inverno onde celebramos e reafirmamos os ciclos da vida. Hoje, na noite mais longa do ano, comemoramos o nascimento e o renascimento. Hoje, abrimos nossas mentes, corações e almas para a luz, para a magia e para o recomeço. Todos vocês receberam uma vela vermelha, por favor, a acendam, essa chama simboliza a luz universal que nos permite ascender aos nossos sonhos e nos conectar com a magia. — Todos acenderam suas velas e em breve, um mar de ponto de chamas brilhantes era visto por todo o Beco. — Agora, nós faremos um círculo humano em volta da praça, não temam, a praça foi preparada para se expandir para que todos os presentes possam participar.

Harry observou como não um círculo, mas um caracol humano com dezenas, talvez centenas de círculos se formaram em volta da praça. Olhando em volta, viu que quase todos desciam do camarote para participarem e, gesticulando aos amigos, também desceu. Seu grupo, de amigos e familiares, era grande e formou mais um círculo que se colocou entre dois círculos. Todos ainda seguravam as velas acesas e ninguém parecia confuso ou preocupado, agiam por instinto e tudo parecia natural.

— Os círculos simbolizam a roda da vida, morte e nascimentos, fim e recomeço. — Disse Fiona em tom etéreo e depois abriu os braços em oferecimento e olhou para o céu.

— Hoc est matris suae petitionem populi!

— Haec est mater eferecimento populo!

— Accipere hoc rituali antiquiore in oferte matris liberalitatem!

— O Universo sente nossa disposição, estamos nos abrindo para o ritual, para a magia, para a limpeza das nossas almas e corações.

Nesse momento, um sino começou a tocar em um ritmo constante e constante, quase hipnotizador, e os círculos começaram a andar, girar e girar em uma roda mágica e viva.

Harry segurou sua vela e caminhou, acompanhando seu círculo, podia sentir a magia crepitando, buscando e pedindo, ele atendeu, fechou os olhos e conectou sua magia com a do ambiente e se sentiu elevar. Seus pés estavam no chão, mas sua alma ascendeu com a força da magia, da energia e ele se permitiu sentir, não pensar, não falar, apenas sentir e girar e girar.

— Deixem suas almas se elevarem, confiem na magia, ela os acolherá e os purificará. Não temam, aceitem o seu lugar na roda da vida. — Ao fim de suas palavras, que vinham de muito longe, um cheiro de pinho queimando o atingiu e Harry soube institivamente que girava em volta de uma fogueira.

A fogueira no meio da praça era larga e alta, as chamas lambiam os pinhos de yule levando o seu cheiro em todas as direções.

— O sino simboliza o feminino, a Deusa da Fertilidade, o pinho representa o masculino, o Deus Sol. Juntos, eles criam a vida, protegem a colheita e energizam nossas almas. — Os círculos mudaram e logo todos passaram em volta da fogueira sentindo seu calor, magia e luminosidade.

Harry girou em volta da fogueira sem perceber que dançava e se movia no ritmo de uma música mágica que vinha de sua alma. Sabendo o que fazer, ele jogou a vela na fogueira, abriu os braços para o céu e gritou, seu gritou ecoou por todos os lados e se juntou aos gritos dos companheiros que sentiram o chamado. Harry sentiu sua magia estalar e a eletricidade percorrer seu corpo, envolver e preencher, abrindo os olhos para o céu, viu suas mãos brilharem e a energia elétrica se expandir para o ambiente. Era como se sua magia se espalhasse e, ao mesmo tempo, ele nunca se sentiu tão forte e energizado.

Então, livre, elevado e energizado, Harry dançou em volta da fogueira e girou sobre si mesmo deixando sua magia se espalhar, se limpar e renascer.

O tempo passou e foi como se todos estivessem em transe, o cheiro, o calor, a magia, o sino tocando e tocando. Harry podia sentir o poder, a energia, era tudo tão intenso e real, mas ele não teve medo. E, quando sentiu a convocação, ele respondeu, gritando outra vez e neste momento o grito não era físico e sim, de sua alma, seu coração e ele encontrou resposta, não de seus companheiros de ritual, mas de quem o chamava. O grito do guerreiro reverberou e as respostas o tomaram como uma onda de energia, magia, vitória e coragem.

Ele sentiu ser tomado e acolhido por seus antepassados guerreiros, suas almas, suas magias se conectarão e, neste momento, Harry nunca se sentiu menos solitário. Era tanto amor, tanto carinho, eles lhe enviaram, o cercaram, o carregaram, o elevaram ainda mais alto e o exibiram com orgulho. Seu representante, o guerreiro de sua magia e sangue, poderoso, corajoso, fiel e bondoso. Não havia palavras ou pensamentos, apenas ser e sentir, a noite mais longa do ano se prolongou ainda mais e quando o último sino tocou e as chamas se apagaram, Harry se prostrou de joelhos pela intensidade e poder das emoções e da magia.

— Tibi gratias ago matrem! — Fiona gritou e as palavras se repetiram por todos os lados, de novo e mais uma vez.

— Tibi gratias ago matrem! — Gritou Harry sem fôlego. — Tibi gratias ago matrem!

Quando se levantou, sentia-se energizado e forte, leve e purificado, sorrindo, olhou para o céu e agradeceu mais uma vez a magia e aos seus antepassados. Depois, olhou em volta, buscando seus amigos ou familiares e arregalou os olhos ao ver um casal se beijando na sua frente. Suas bocas estavam engatadas, suas línguas invadiam a boca um do outro e eles se apertavam, se espremiam, as mãos viajavam pelos corpos. Corando, Harry desviou o olhar para outro lado e viu outro casal se atarracando, abriu a boca de espanto, quando o homem sugou a língua da mulher e puxou seu cabelo, mas, ela parecia gostar. Meio chocado, quente, corado e mortificado, Harry olhou em volta e por todos os lados haviam pessoas se beijando, se engasgou quando viu duas mulheres se abraçando e beijando, uma delas lambeu e mordeu o pescoço da outra que gemeu, parecendo muito feliz.

— Oh! Nossa! — Disse e rapidamente saiu de perto da fogueira onde parecia que todos estavam se sufocando pela boca.

— Harry! — Era sua tia Petúnia e o agarrou pela blusa. — Pegue suas coisas, acho que a noite ficou um pouco quente demais. Vamos embora.

Incrivelmente, além de sua tia, Sirius também parecia normal e ajudou a reuni-los, assim, rapidamente, todas as crianças de seu grupo estavam juntas e foram guiadas em direção ao Portal Adler. Eles não eram os únicos que empurravam os adolescentes na direção do Portal e uma barreira de adultos pareceu ser criada para impedi-los de olhar para traz.

— Não podemos ficar? — Fred tentou voltar e era claro que não estava totalmente normal, olhando com mais atenção, Harry percebeu que ninguém parecia o mesmo. — Havia essa garota... Era morena...

— Não! — Gritou Sirius e ajudou George, que estava rindo muito, a empurrá-lo para a frente.

Sirius apesar de humano tinha os olhos de Almofadinhas, George e Fred estavam com os cabelos brilhando como tochas em chamas, vermelhas e laranjas.

— Onde estão meus pais? — Perguntou Terry preocupado, Harry percebeu a aura de bondade e energia que o cercava.

— Você não vai querer saber onde estão ou o que estão fazendo. — Disse sua tia divertidamente. Harry percebeu que ela parecia mais jovem e leve, parecia ter se purificado de energias negativas.

— Oh!... — Terry empalideceu e depois corou.

Isso fez todo mundo rir e o grupo se descontraiu.

— Eu não acredito que participamos de um ritual pagão de solstício! — Exclamou Hermione animada, parecia que ia explodir de tanta energia, na verdade, Harry tinha certeza que sua pele brilhava um pouco. — Me sinto tão bem, cheia de energia e purificada, nunca me senti tão conectada com minha magia!

— Foi incrível! Não sabia que ainda fazíamos esses tipos de rituais, a tanto o que temos que aprender. Me senti elevada, como se minha alma alcançasse uma altura que meu corpo físico não poderia chegar nunca. — Disse Mandy, seus olhos brilhavam de emoção, enquanto caminhava saltitando como se ainda dançasse a música do ritual.

Todos acenaram, concordando com a descrição, Harry viu que Duda parecia ter um passo mais leve, um olhar sonhador e suave. Neville, cheirava a terra molhada e pinho, seus cabelos estavam bagunçados e Harry poderia jurar que viu algumas folhas se soltarem de sua roupa e flutuarem pelo caminho.

— Não fazemos mais, infelizmente, apenas alguns ainda mantêm e defendem os velhos costumes dos rituais da Roda da Vida. — Disse Sirius enquanto esperavam um grupo passar pelo Portal. — Eles acreditam que fortalecemos nossa magia e alma, que recarregamos e purificamos a nós mesmos e o universo, a natureza, pois, mais magia para o mundo traz mais magia para nós. Ao não realizarmos mais os antigos rituais, perdemos parte de nós, de nossa essência.

— Roda da Vida? — Hermione estava cheia de curiosidade, mas, eles chegaram ao portal e o atravessaram, todos juntos, com George e Sirius segurando o Fred com firmeza.

Do outro lado havia uma multidão, a maioria adolescentes e alguns adultos. Alguns casais também se agarravam e iam na direção do The Magic rindo e se abraçando, paravam para se beijar e depois continuavam.

— Nossa. — Disse Sirius olhando para as lareiras e pontos e aparatação. — Em nove meses teremos um boom de bebês por todo lado, a Deusa da Fertilidade estava ansiando por utilizar o seu poder. Acho que derramou um pouco demais.

— O que fazemos? — Petúnia perguntou quando mais casais começaram a passar pelo portal e procurar a cama mais próxima, no The Magic.

— Vamos nos manter juntos. — Sirius olhou para as meninas. — Onde pretendem passar noite?

— Na minha casa, nós temos flu e, como sabíamos que o show acabaria bem tarde, era mais fácil do que pedir aos pais da Mandy vir nos buscar de carro. — Informou Padma que estava agarrada na irmã Parvati que se apertava em Morag.

— Ok, vamos levá-los para as lareiras, então. — Disse Sirius, apontando para os gêmeos e Neville, felizmente, Fred parecia mais normal. — E, vocês?

— Eu vou para minha casa, minha avó não me deixou dormir no Chalé. — Respondeu Neville suavemente.

— Bem, íamos dormir no Lee, mas não conseguimos encontrá-lo. — Disse George e Harry o viu ficar meio esverdeado quando percebeu que estava com problemas. — Não podemos voltar para casa, mamãe acha que estamos no Lee e se souber que estivemos aqui o dia todo...

— Vocês podem vir para o Chalé, tem espaço de sobra. — Harry ofereceu e olhou para Terry que acenou em confirmação.

Nesse momento, Sra. Rosa se aproximou deles sorrindo.

— Como estão? Tudo bem?

— Sim, apenas, tudo ficou um pouco quente demais ao fim do ritual. — Informou Sirius meio brincalhão. — Assim, estamos tirando as crianças.

— Oh! Bem que o meu Julian previu isso! Ele preparou uma sessão especial para os inesperados check in de depois do Alban Arthan. — Disse ela sorridente e olhou para um casal cuja mulher estava no colo do seu parceiro, com a perna engajada em volta da sua cintura. — Ah! O Amor! É tão lindo!

— Mas... — Sua tia pareceu meio desconcertada. — Se já sabiam que algo assim poderia acontecer... porque não nos avisaram, assim tirávamos as crianças antes do ritual?

— Ora! E porque faríamos isso? — Sra. Rosa parecia indignada. — O jovens tem que aprender desde cedo e devem sentir o poder da magia, a verdadeira magia, se fortalecerem e purificarem. Além disso, o sexo é algo natural, o mundo anda muito conservador e intolerante, transformaram algo lindo e mágico em algo vergonhoso.

— Desde antigamente, os adolescentes, acima dos 11anos, participavam dos Rituais da Roda da Vida, Petúnia e aprendiam o seu poder, aceitavam o ensinamento e passavam adiante para a próxima geração. — Sirius explicou suavemente. — Ao fim do ritual, eles eram levados embora, claro, porque a união entre os casais é algo íntimo e não uma orgia. Você pode ver como eles estão procurando um local para estarem juntos, mas, não podem evitar de mostrarem o desejo que sentem, pois, o poder da Deusa os energiza.

— E, não há nada de errado no desejo ou no sexo, apenas nós que tentamos pensar que algo tão natural é motivo para vergonha. — Disse Sra. Rosa e olhou para os adolescentes. — Entendo que se sintam envergonhados, mas devem compreender que não a motivo para isso, seja sobre o que eles sentem ou o que vocês sentem. O amor, o desejo, a paixão, a necessidade, são sentimentos que nos tornam humanos e tão parte da nossa alma como nossa magia ou nossa respiração.

Todos a encaram de olhos arregalados e acenaram, ainda que uma parte deles estivessem levemente constrangidos, mas, era bem menos que antes.

— Isso quer dizer que eu posso voltar? — Fred perguntou empolgado.

— Não! — Gritaram Sirius e Petúnia ao mesmo tempo.

O rosto do Fred caiu em decepção e George riu, o que contagiou aos outros que riram também, relaxando a tensão final.

Eles se despediram da Sra. Rosa e esperaram as meninas e Neville usarem o flu, antes de seguirem para o Chalé. Sirius os acompanhou porque queria estar por perto até Serafina e Falc voltarem, assim eles não ficavam apenas com adultos trouxas, em caso se alguma emergência. Sua tia foi acomodar os gêmeos, Duda e Terry, sonolentos, também subiram, sussurrando sobre algo. Harry sinalizou ao Sirius que queria perguntar algo e os dois ficaram para traz.

— Sirius, eu não entendi uma coisa, porque esse desejo ou necessidade, não atingiu a todos? Você ou tia Petúnia, por exemplo. — Questionou curioso.

— Hum..., bem, os motivos são variados, pode ser que a Deusa sente que você não está pronto, é o caso dos adolescentes, ou que o que você precisa é outro tipo de recomeço, renascimento. — Sirius suspirou e apontou para a escada, eles se sentaram no degrau. — Ela pode perceber o que você precisa, se tem alguma angústia ou tristeza e precisa apenas de amor, purificação e energia. Ou, pode ser porque seu coração ama alguém que não está presente, se você estiver apaixonado, a Deusa saberá e não o fará desejar estar com alguém quando seu coração está tomado.

— Entendi. — Harry acenou se perguntando qual desses era o caso do seu padrinho e tia. — Hum... a magia faz as pessoas estarem com alguém? Como se ela não quer, mas, não tem escolha?

— Não. Merlin, não, se a pessoa não está pronta, preparada, disposta ou com vontade, a Deusa respeita, todas aquelas pessoas queriam ou estavam precisando disso. — Sirius sorriu brincalhão. — O sexo é algo bom, Harry, muito bom, encontrar alguém que você deseja e que te deseja, compartilhar aquele momento especial. Tudo isso, muitas vezes, não tem a ver com casamento ou compromisso, quem criou isso foram os homens e suas leis, para a magia, o amor carnal é algo natural e sem constrangimento. Como a Rosa disse.

— Então, aquelas pessoas passarão a noite juntas e nunca mais se verão? — Harry estava curioso.

— Algumas são casais, como os Boots, namorados, amigos que se desejavam e não reconheciam, mas, sim, alguns seguirão caminhos separados e nunca mais se verão. Ou não. — Sirius apertou seu ombro suavemente. — Antigamente, esse tipo de ritual era usado para encontrar seu par, sua alma gêmea, assim, várias vilas se reuniam no Alban Arthan e, aquele que despertava seu desejo sob o poder da Deusa, era encarado como o seu prometido. Pode ser que alguns desses casais, que eram estranhos antes dessa noite, tenham se encontrado e fiquem juntos a partir de agora.

— Isso seria legal. — Disse Harry meio sonolento e bocejou.

— Então? Tirei todas as suas dúvidas? — Sirius perguntou com um olhar carinhoso.

Harry concordou e se levantou, quando chegou ao topo da escada, perguntou:

— Sirius, você acha que vou encontrar minha alma gêmea?

Sirius o encarou surpreso e depois abriu um largo sorriso.

— Eu não acho, eu tenho certeza e aposto que ela será ruiva. — Disse ele e, lhe dando um beijo na testa, o enviou na direção de seu quarto. — Durma agora e não se preocupe, ainda não é o momento de pensar em sua futura esposa.

Harry disse boa noite, foi para seu quarto e depois de vestir o pijama, escovar os dentes, deitou-se e dormiu em segundos, sem ter tempo de pensar no dia incrível que tivera, mas, sua mente inconsciente não parou. Sonhando, Harry se viu envolvido em fogo vermelho e laranja que não queimava e sim, o acariciava como seda. Ao mesmo tempo, cheiros se misturavam no sonho e disputavam sua atenção, o pinho queimando e as flores do campo, mas, finalmente, sua mente escolheu seu preferido e, Harry sorriu, enquanto o cheiro floral embalava seu sono.

A segunda amanheceu e encontrou o Chalé silencioso, apenas a Sra. Madaki e seu marido, o Prof. Bunmi, estavam na cozinha, ela preparando o café da manhã e ele lendo o jornal. Harry, acordou um pouco mais tarde e não conseguiu companhia para correr na manhã fria de inverno, assim, decidiu treinar sozinho na floresta. Fechando os olhos e deixando que sua magia se conectasse ao ambiente, Harry correu, não muito rápido, mas, ainda correu na completa escuridão. Ele não conseguia ver as árvores, pedras ou troncos caídos, mas sua magia o avisava dos obstáculos e sem medo, confiando em sua proteção, Harry correu pela floresta sem tropeçar uma única vez.

Quando voltou, tomou um banho e desceu para o café da manhã, onde a comida cheirosa e apetitosa o aguardava. Na cozinha, Sra. Serafina e Sr. Falc, bebiam uma xícara de café e ainda usavam as roupas da noite anterior, amassadas agora. Harry adivinhou que eles dormiram no The Magic e acabaram de chegar.

— Bom dia! — Disse ele sorrindo e se servindo de um farto prato.

— Bom dia, Harry. — Serafina lhe sorriu e parecia levemente constrangida. — Vocês chegaram bem em casa ontem?

— Sim, Sirius e tia Petúnia nos trouxeram sem problemas. — Harry bebeu seu leite e sorrindo, perguntou. — E, como é The Magic? Seus quartos são tão incríveis como nas fotos? Não tive tempo de conhecer todo o hotel ou a piscina.

— Oh! Sim, quer dizer... — Serafina olhou para o marido que se escondeu atrás do jornal para não responder. — Bem, não conhecemos tudo e não fomos a piscina, mas..., o quarto em que ficamos era, com certeza, muito bom.

— Fico feliz. — Harry decidiu não continuar o assunto, que também achava um pouco constrangedor. — O que diz o Profeta, Sr. Falc?

— Só coisas boas até agora, Harry. — Sr. Falc apareceu de cabelo despenteado e uma sombra de barba, algo incomum. — Aqui, compramos outro no saguão do The Magic e esse é o da nossa assinatura.

Harry pegou o jornal e na capa havia apenas uma grande manchete com quatro fotos grandes formando um quadrado de imagens impactantes. A manchete dizia "O Festival e a Renovação". A primeira foto, era do The Magic, vista por Londres trouxa, ela se movia e mostrava uma multidão de pessoas entrando. A segunda, era do Saguão de Entrada, mostrando sua beleza e todas as entrada, ainda que o foco fosse o Portal Adler. A terceira foto era do Beco Diagonal renovado, com uma multidão fazendo compras e, no fim do dia, iluminado com decorações natalinas. E, a quarta foto era do momento do show das Irmãs Estranhas e a multidão cantando e pulando no movimento da foto.

Abrindo o jornal, Harry leu enquanto comia devagar, pois toda a edição era dedicada ao Festival. Haviam fotos e explicações sobre cada lugar renovado ou inaugurado, do Saguão de Entrada a Praça Resistentiam. Havia fotos de políticos e celebridades ou artistas, uma grande foto do Harry ao lado da Sra. Rosa, uma explicação detalhada dos cardápios e um elogio constrangedor ao seu discurso e boa intenção em ajudar ao próximo. Felizmente, em nenhum momento, o apelido, menino-que-viveu, foi usado e eles também não falaram sobre Voldemort, Harry ficou feliz que sua imagem estava sendo dissociada do assassino de seus pais. Ele sabia que as pessoas sempre lembrariam e entenderiam a sua pessoa e a de seus pais como aqueles que causaram o fim da guerra, mas era bom ver que todo o mundo mágico poderia ver além disso, o seu verdadeiro eu.

As lojas novas também foram descritas, seus produtos explicados, decorações elogiadas e os folhetos divulgados, o fato de aceitarem libras também causam impacto e mais elogios. As lojas GERs, como foram nomeadas, eram os destaques nas entrevistas, cidadãos comuns ou mais conhecidos, trouxas ou bruxos, até mesmo as Irmãs Estranhas, falaram e elogiaram as lojas, o The Magic e o The True. Os principais elogios eram sobre a renovação do Beco Diagonal, mas, muitos eram sobre o atendimento, preços e promoções, qualidades dos produtos e, ainda, todos disseram que o mundo mágico precisava se modernizar e crescer, oferecendo a população novos produtos e serviços, além de aumentar o número de empregos.

O Profeta deu um destaque especial a isso, ao explicar que a GER gerou mais de 1000 empregos diretos e, aproximadamente, o mesmo número indiretamente. Descreveu, com muita inteligência, o trabalho para promover o turismo no Beco Diagonal e como a nova entrada, com o hotel, restaurante e Portal, além da incrível decoração, elevava o patamar do mundo mágico britânico e o transformava em um destaque internacional. O repórter confirmava isso ao dizer que entre os jornalistas, alguns eram da França, Itália, Espanha, Alemanha e Estados Unidos. Harry arregalou os olhos de animação e surpresa, os jornais estavam levando a propaganda do Beco Diagonal para outros países! Isso era brilhante!

Terminando o seu prato, Harry percebeu que a mesa estava vazia, apenas a Sra. Madaki amassava um pão na bancada.

— Ninguém desceu ainda? — Ele olhou para o relógio e percebeu que eram pouco mais de 9 horas.

— Não. — Sra. Madaki o olhou com um sorriso. — Você é o único que consegue levantar cedo, não importa a hora que vai dormir.

— Hábito! — Disse Harry se levantando e se espreguiçando, levou seu prato e copo a pia e os lavou. — Vou subir e ver se minha tia e Sirius estão acordando, hoje será um dia ocupado.

— Serafina me disse os seus planos, você dever se concentrar neles e deixar que cuidamos das preparações dos alimentos para os Abrigos e o Natal. — Disse ela suavemente.

— Hum..., mas... eu gosto que ajudar, realmente. — Disse Harry tentando pensar em como fazer tudo que precisava e queria fazer. — Eu até criei uma receita para servir no Abrigo.

— Verdade? — Sra. Madaki o olhou surpresa e viu seu desejo de participar. — Ora, querido, isso é muito doce. Eu sei como gosta de cozinhar, hummm... Porque não me deixa te ajudar, então?

— Como? — Harry se aproximou curioso.

— Você separa as suas doações antes de sair e me deixa a sua lista de compras, para sua receita do Abrigo ou qualquer outra que queira preparar no almoço de Natal. Assim, fica livre para fazer suas visitas e apenas nos ajuda na hora de cozinhar tudo. O que me diz? — Sra. Madaki propôs com um sorriso e Harry acenou animado.

— Brilhante! Farei tudo agora mesmo! Obrigado, Sra. Madaki! — Harry lhe beijou o rosto e correu para seu quarto.

Hoje era o dia da faxina e Harry não demorou para separar todas as suas roupas, sapatos e acessórios trouxas que não lhe serviam mais. As roupas bruxas, Harry pediria a Sra. Serafina para ajustar e deixar mais feminino, assim ele podia enviar a Ginny. O pensamento da menina ruiva o fez se lembrar dos gêmeos que estavam dormindo no Chalé e precisavam voltar para casa ou estariam em apuros. Deixando suas coisas meios espalhadas, Harry correu para o terceiro andar e bateu em uma das portas, abrindo, encontrou os dois irmãos dormindo em camas de solteiro. As cobertas permitiam que apenas seus cabelos ruivos aparecessem e Harry os sacudiu tentando acordá-los.

— Vamos lá, vocês dois. — Disse ele irritado com esse sono pesado. E, se fosse um ataque? — George! George, porra! Eu os deixarei dormir e terem problemas, se não acordarem agora.

Os dois continuaram a dormir tranquilamente e Harry se encaminhou para a porta, mas parou e os encarou, sorrindo com malícia. Pensando com cuidado, Harry moveu sua varinha e conjurou água, mas não a deixou cair, com a mão esquerda a levitou até a cabeça de um deles. Depois, separou a água, levitando uma parte sobre a cabeça do George. Então, contou até três, mentalmente, 1, 2, 3...

— ATAQUE! — Seu berro fez o trabalho e os dois meninos abriram os olhos assustados, apenas para terem os rostos e as cabeças encharcadas por sua água flutuante.

Engasgados, os dois pularam da cama meio em pânico e Harry não se segurou ao ver suas expressões idênticas e gargalhou. Então, Sirius apareceu pela porta de cueca e varinha em punho, sua tia logo depois, felizmente já vestida, com um vaso nas mãos pretendendo acertar o atacante. Do andar debaixo, Harry ouviu exclamações e passos correndo pela escada, Serafina e Falc apareceram meio vestidos e de varinha nas mãos. Isso só o fez rir ainda mais, até não se aguentar e cair no chão segurando o estômago. Sirius foi o primeiro a entender o que aconteceu, olhando para os dois garotos molhados, com os cabelos escorridos e pingando, começou a rir junto com o afilhado, seus olhos brilhavam de animação e saudades de um passado de brincadeiras.

— Brilhante, Harry! — Disse ele rindo e ajudando o afilhado a se colocar em pé.

— Muito engraçado, baixinho. — Disse Fred se enxugando com uma toalha conjurada por Serafina. — Espere que terá troco, só espere.

— Poxa, Harry, como você nos pegou? Nunca ninguém nos brincou antes. — Disse George olhando para o pijama molhado, fora emprestado de Falc, por isso eram bem grandes.

— Não sei como, vocês nem se preocuparam em trancar suas portas e estou tentando acordá-los a 15 minutos sem sucesso. — Harry falou com um grande sorriso pretensioso. — Pensei em apressá-los, assim não têm problemas com sua mãe e estava desistindo, pareciam meio mortos, por isso decidi por uma estratégia diferente.

— Uma que deu certo. — Falc disse divertido. — Mas poderia não usar a palavra "ataque" da próxima vez, quase me fez enfartar lá embaixo ao ouvir seu grito.

— Ok. — Harry sorriu e deu de ombros.

— Como se ele fosse nos pegar de novo... — Começou Fred, mas George o interrompeu.

— Espere. Você disse que tentou nos acordar? Que horas são? — Ele perguntou meio apavorado.

— Quase 10 horas da manhã. — Disse Petúnia, antes de sair do quarto levando o vaso consigo.

— Oh! Merlin! Fred, precisamos ir, agora mesmo. — Disse George e começou a procurar suas roupas.

— Acalmem-se. — Serafina falou com firmeza. — Suas roupas estão limpas na lavanderia e lhes enviarei, tomem um banho rápido, depois, desçam para tomar café da manhã. Sua mãe entenderá que acordaram tão tarde porque a festa foi pela madrugada adentro.

— Eu também vou me arrumar ou nos atrasaremos, Harry. — Disse Sirius percebendo, finalmente, que todos dormiram demais.

Harry percebeu os gêmeos sussurrando, pareciam meio esverdeados e suando como se fossem ficar enjoados.

— O que é isso? — Serafina também percebeu e os dois saltaram com a pergunta um pouco assustados com seu tom. — O que estão escondendo?

Os garotos se olharam e George assumiu a frente como normalmente fazia quando estavam enrascados.

— Bem, sabe... hum... é que nossa mãe... ela não sabe que fomos ao show... — Disse George tenso.

— Ah! — Serafina os olhou com atenção, olhos de mãe, depois encarou o Harry. — Mas, aonde ela acredita que vocês estão? E, de quem foi a ideia de mentir para seus pais e depois dormirem aqui, sem que eles soubessem sobre isso?

Harry franziu o cenho um pouco confuso com sua expressão séria.

— Eu os convidei. — Disse Harry calmo. — Eles pretendiam dormir na casa do Lee, mas não o encontraram e, com o ritual, tivemos que sair rapidamente do Beco, não vimos o resto do show.

— Tínhamos combinado de nos encontrar nas lareiras se nos perdêssemos um dos outros, mas... com toda a confusão e Fred agindo todo estranho. — George tentou explicar, percebendo que estavam em problemas. — Quando Harry nos convidou para dormir aqui, aceitamos, porque pareceu mais seguro.

Serafina ainda olhava para o Harry que devolveu o olhar sem desviar, porque não acreditava ter feito nada de errado.

— Então, vocês mentiram para sua mãe, sobre onde estariam e foram ao show, desobedecendo suas ordens. Acabaram presos em uma situação complicada, sem adultos para protegê-los e aceitaram dormir na casa de pessoas que seus pais não conhecem e, eles não têm menor ideia de onde estão? — Serafina exemplificou e Harry começou a pensar que talvez a situação não fosse tão normal assim. — E, você, sabia disso?

— Sim. — Harry disse sincero. — Eles não foram permitidos no Beco ou no show por razões injustas, na minha opinião. — Harry viu os meninos acenarem e não comentou as questões financeiras. — Eu ofereci que ficassem no camarote conosco, pois queria que se divertissem. Quando o ritual acabou, Sirius e tia Petúnia reuniu todos nós que estávamos juntos no camarote, sem um adulto, e nos levou para a lareira. As meninas foram para a casa de Padma, como estava combinado, Neville para sua casa e eles perceberam que perderam o Lee, além disso, Fred queria voltar para o ritual e estava agindo estranho. Me pareceu mais seguro que viessem para cá.

Serafina suspirou e fechou os olhos pensando e pensando, depois os encarou e apontou o dedo na direção do Harry.

— Depois conversamos sobre essa sua ideia de ajudar os seus amigos a desobedecer seus pais porque, na sua opinião, eles estão errados. — Serafina falou com voz dura. — E, vocês dois, se aprontem e tomem café da manhã, depois os levarei para sua casa e conversarei com seus pais, pessoalmente.

— Mas... — Harry arregalou os olhos ao perceber que ela iria dedurar os gêmeos.

— Nem pense em discutir isso, Harry James Potter, ou para me pedir para aceitar que adolescentes mintam paras seus pais, desobedeçam e durmam na casa de estranhos. — Serafina disse e olhou para os três decepcionados, Fred e George abaixaram a cabeça, mas Harry franziu o cenho tentando entender. — Agora, se movam todos vocês.

Harry voltou para seu quarto, terminou de arrumar suas coisas e fez sua lista de compras do supermercado. Quando desceu, ainda conseguiu se despedir de Fred e George, antes que partissem por flu.

— Lamento por tudo isso, não queria que ficassem enrascados. — Disse Harry chateado.

— Não, a culpa é nossa. — George suspirou e olhou para o irmão que acenou. — Nós mentimos para os nossos pais e sabíamos que poderíamos ser pegos, isso sempre pode acontecer quando quebramos as regras. Na verdade, ontem já estávamos meio arrependidos, mas temíamos voltar para casa e admitir o que fizemos.

— Estamos acostumados, Harry, quase sempre, não nos é permitido fazer as coisas e fazemos, depois lidamos com o castigo, parece melhor do que não nos divertimos. Entende? — Fred continuou e Harry acenou.

— Nos últimos tempos, seguimos seu conselho e nos mantivemos mais calmos, para que nossa mãe ou os professores não peguem em nosso pé e atrapalhe a pesquisa. — George abaixou a cabeça. — Mas, ontem, ficamos muito irritados com toda a injustiça do que aconteceu e, bem...

— Saíram da linha. —Harry acenou entendendo. — Eu entendo, mas não achei que a Sra. Serafina os entregasse.

— Ela é mãe, Harry e adulta, os professores são iguais, Vector é muito legal e tudo, mas não hesitaria em nos dedurar, acredite. — Fred disse com sarcasmo.

— E, para ser justo, o que fizemos foi um pouco grave nas classificações das mães, sabe? — Disse George dando de ombros.

— É? — Harry perguntou confuso. Sua experiência não era muito clara porque, em sua vida com os Dursleys, Duda sempre teve permissão para fazer o que quisesse e Harry praticamente não fazia nada para evitar os castigos, porque qualquer coisa era motivo de castigos.

— Sim, Harry, pense. — George explicou. — Nossos pais dormiram tranquilos porque pensavam que estávamos seguros na casa do Lee, mas era mentira, fomos ao Beco e ao show. Sra. Serafina está certa porque, e se algo ruim nos acontecesse? Tivemos sorte que tudo deu certo, mas poderia não ter e, ainda dormimos em uma casa estranha, com pessoas que nossos pais não conhecem muito bem, sem eles saberem ou os donos da casa saberem, também.

— Resumindo, estamos ferrados e acho que você está um pouquinho também, baixinho. — Disse Fred com ironia antes de usar o flu para o Beco Diagonal.

Se o Harry estava... levemente ferrado ou não, ele não saberia porque tinha um dia de compromissos. Sr. Falc e Sirius pretendiam levá-lo as fazendas em que as Feiras seriam montadas. Das 18 fazendas por todo o Reino Unido, foram selecionadas 6, em pontos centralizados que receberiam as Feiras de Alimentos Naturais Potters. No escritório de Falc, Harry olhava o mapa com as localizações de cada fazenda e as assinaladas em vermelho, que eram as fazendas com a futuras Feiras.

— São 8 fazendas na Inglaterra e 3 terão feiras. — Harry apontou.

— Sim, no Norte, no Condado de York, na fazenda Richmond. — Explicou Falc.

— Os nomes das fazendas tem os nomes das cidades onde estão situadas, é mais fácil assim do que nomear cada fazenda. — Acrescentou Sirius. — James me explicou uma vez.

— Faz sentido. — Acenou Harry, olhando o mapa.

— Oeste, Fazenda Godric's Hollow. E, Sudeste, Fazenda Sevenoaks, está é a mais perto de Londres e tem uma ótima localização.

Harry acenou e olhou por um segundo a mais para Godric's, antes de olhar para a Escócia.

— Teremos apenas uma feira na Escócia?

— Sim, por lá não tem o melhor em termos de clima para a agricultura, assim, as duas fazendas que os Potters têm na Escócia são de estufas e animais, carneiros, ovelhas, gado e porcos. — Falc apontou para o mapa. — Callander é mais ao sul, perto de Edimburgo, uma localização muito boa. No inverno, teremos que estruturar a Feira para ser agradável aos clientes, mesmo sendo ao ar livre.

Harry acenou, entendendo, mas preocupado.

— E, sobre os bruxos que vivem no Norte da Escócia? Quer dizer, imagino que Hogsmeade tenha um supermercado ou algo assim, mas... — Harry parou ao vê-los acenar negativamente.

— Nada assim. — Falc se sentou e ergueu a sobrancelha. — Tem um pequeno empório, escuro e sujo, com alimentos não naturais e sem muita diversificação, mas, nós estivemos pensando que deveríamos mudar isso.

— Sim, o que você pensa de abrirmos um grande Mercado de Alimentos Naturais em Hogsmeade? — Sirius tinha um sorriso malicioso. — Alimentos frescos e saudáveis vindo diretamente das Fazendas Potters, não será ao ar livre, mas, em uma vila com apenas bruxos, teríamos menos preocupações com o Estatuto do Sigilo e garantia de vendas.

— Boas vendas. — Falc parecia animado. — Hogsmeade tem um comércio bem interessante, restaurantes, lojas, pubs, por causa de Hogwarts e a visita dos alunos, além de muitas famílias que tem suas residências por lá. Assim, poderíamos lhes fornecer alimentos de alta qualidade, isso sem falar que estaremos recebendo como clientela todos os bruxos que vivem no norte da Escócia, que poderão optar entre lá e Callander.

Harry acenou gostando de suas ideias, ele vislumbrou Hogsmeade em alguns momentos e ouviu os alunos mais velhos comentando e parecia que investir em seu comércio seria um movimento inteligente.

— Eu gosto, realmente. Teríamos que conseguir uma área e construir ou comprar algo e reformar... hum... esse empório que está lá. Será que o dono não teria interesse em ser nosso associado? Poderíamos reformá-lo e se ele concordar com as mudanças, continuaria como o gerente do novo Mercado. — Disse Harry com os olhos brilhando.

— O problema, Harry, é que as Fazendas Potters forneciam alimentos para o Sr. McNash, que tinha um grande mercado no Beco e outro, menor, em Hogsmeade. — Falc suspirou. — Os Potters tinham 30% dos lucros, lembra-se?

— Oh! — Harry franziu o cenho ao lembrar da descrição dos negócios de sua família. — Eu me lembro, o que aconteceu?

— Com o fechamento das fazendas, o Sr. McNash ficou sem produto, de um dia para o outro, e teve que encontrar outros produtores de alimentos naturais, mas a concorrência logo cresceu e tomou conta do mercado, com os produtos magicamente induzidos e mais baratos. — Explicou Falc com o rosto sério.

— E, ele fechou... — Harry se sentou, sentindo o estômago se embrulhar.

— Mais como faliu, ele persistiu e persistiu, mas acabaram despejando-o do imóvel no Beco por não pagamento dos alugueis. — Sirius não parecia feliz. — O prédio de Hogsmeade, felizmente, lhe pertencia e, mesmo sendo menor, Sr. McNash conseguiu se manter aberto, ainda que começou a vender produtos não naturais e que..., bem, a aparência do Empório McNash seja deprimente.

— Ele deve ter ficado arrasado, desmotivado com o que aconteceu, perder seu negócio assim. — Harry suspirou. — Precisamos corrigir isso. Vamos conversar com ele e oferecer para refazer tudo como era antes, Sr. Falc, Sirius.

— O problema é que o espaço dele é muito pequeno para um grande Mercado e se tentarmos fazer algo no Beco, poderemos encarecer os alimentos e sabotar as Feiras. Isso não me parece o movimento mais inteligente. — Disse Falc realista.

— Bem, sobre Hogsmeade, eu tenho uma ideia. — Sirius tinha um largo sorriso. — Podemos comprar a Casa dos Gritos!

— O que?

— Sim, pensem, todos acreditam que o lugar é assombrado, mas, nós sabemos que não é verdade. No entanto, o lugar está abandonado a décadas e aposto que o dono venderia por uma ninharia, poderemos reformar e transformar em um grande Mercado. — Disse Sirius sorridente. — Poderíamos até verificar os terrenos em volta, compra-los antes de se valorizarem e revendermos ou ampliarmos o Mercado no futuro se for necessário.

— Ora, acho que estou vendo a veia de investidor imobiliário do seu tio te alcançado. —Falc disse divertido e Sirius riu, ao ver o olhar confuso de Harry explicou sobre a herança que herdou de seu tio Alphard.

— Isso é muito legal! Você já decidiu o que fará com tantas propriedades? — Harry também tinha montes delas e queria conhecer cada uma para entender suas histórias.

— Visitei a quase todas e algumas estão em lugares muito bons para venda imobiliária, principalmente os terrenos. As casas, pretendia alugar ou vender, mas decidi manter, porque me ocorreu que podemos utilizá-las como casas seguras quando a guerra recomeçar. — Sirius apontou para Harry fazendo menção a sua preocupação com os mais vulneráveis a Voldemort e seus comensais. — E a ilha no caribe, estou pensando em criar um resort de férias. — Isso causou exclamações. — Sim, com um grande e incrível hotel como o The Magic, onde os bruxos podem ir e se divertir sem se preocuparem com os trouxas. Teria restaurantes, bares, boates, praias exclusivas e quem sabe o que mais. Por enquanto, é só uma ideia.

— Uma ideia genial. — Falc sorriu animado. — Entre vocês dois, os bruxos nunca mais terão um dia de tédio em suas vidas.

Eles riram e depois voltaram a falar das Feiras.

— Então, temos 3 Feiras na Inglaterra, uma na Escócia, mas com o potencial de entrarmos com um Mercado em Hogsmeade e isso pode ser uma ótima abertura para os outros negócios. — Harry falou pensativo — David está muito ansioso para abrir uma segunda Sports Company na vila bruxa.

— Edgar lhe dirá que qualquer segunda loja deverá vir apenas com os lucros da primeira loja, sem mais investimento da GER. — Falc lhe disse suavemente. — A Divisão Financeira já está ciente que uma parte dos lucros devem ser redirecionados a expansão das lojas. Bem, agora vamos para Gales que terá uma Feira, em Glynneath, mas a de Godric's Hollow é bem próxima da fronteira, assim, acredito que com esses dois pontos, abrangeremos os bruxos galeses. Em seguida, temos outras duas Feiras na Irlanda, em Longford que é mais ao Norte e, em Adare, mais ao Sul.

— As localizações me parecem excelentes estou ansioso para conhecê-los. — Disse Harry sorrindo. — Eles estão nos esperando para depois do almoço ou antes?

— Para depois do almoço, juntaremos os funcionários nos pontos mais próximos onde trabalham e você poderá conhecer todos sem ter que visitar cada fazenda, o que lhe tomaria mais que um dia e meio. — Sirius explicou. — E, não começamos cedo as visitas, porque hoje eles tiveram a manhã de folga para aproveitarem o Festival ontem.

— Assim como nós. — Disse Falc com um sorriso sonhador que mostrava que aproveitou muito bem o "Festival".

Harry e Sirius riram divertidos, ainda que Harry corou um pouco, tentando não ficar constrangido como lhe aconselhou a Sra. Rosa.

— E o Sr. Andrade e a Srta. Summer? Quando irei conhecê-los? — Harry decidiu voltar ao ponto.

— Francisco foi passar o Natal com sua família no Brasil, voltará na semana que vem. Faith está por aqui, mas pensei que uma reunião com os dois seria o melhor. — Falc explicou e Harry acenou. — Os dois estão utilizando um escritório no segundo andar da GER, onde está o escritório das Fábricas Blacks.

Harry olhou para o padrinho que deu de ombros.

— Eu tenho um escritório central no prédio da GER, além de um escritório em cada Fábrica, tenho alguns funcionários, mas não ocupamos um andar inteiro. Assim, dividir um andar com as Fazendas Potter nos pareceu adequado.

— Eu concordo. — Harry acenou. — E, isso está dando certo para eles? Francisco e Faith?

— Sim e não, eles preferem ficar mais perto das fazendas, da terra, Francisco, principalmente, que é o agrônomo. — Falc contou se recostando na mesa. — Mas, os dois compreendem que com tantas fazendas, mais as Feiras, o número de funcionários, eles precisam centralizar o trabalho. E, comandar uma equipe a partir de Londres e, não de uma das fazendas, me parece o mais inteligente.

— Mas, já conectamos o flu com todas as fazendas, Harry, cada uma delas tem uma casa, uma sede, onde vivem o gerente responsável e suas famílias. O flu fica no escritório, que nós reformamos para serem externos e, assim, as famílias dos gerentes não se verão invadidos a todo momento pelas nossas visitas. — Sirius suspirou pensativo. — Você terá a oportunidade de ver tudo e analisar, mas, estamos apenas começando, acredito que com o tempo, aprenderemos e melhoraremos cada vez mais.

— Essa é sua introdução para me pedir para não ser muito crítico? — Harry ergueu a sobrancelha ironicamente.

Eles riram e Harry prometeu ter a mente aberta.

— Bem, vamos almoçar, então esperar por Neville, ele foi para casa ontem, mas deve chegar...

Uma batida na porta e ela se abriu, era Terry e parecia preocupado.

— Papai, o Sr. Edgar está chamando pelo flu, disse que deve ir para a GER imediatamente. É algo urgente.

Harry se levantou na hora preocupado e Sirius o acompanhou.

— Apenas o Falc? — Ele perguntou preocupado. — Não Harry ou eu?

— Não, Sirius, apenas o papai, urgentemente. — Terry reafirmou e Falc pegou o paletó na cadeira.

— Irei e mandarei notícias, até saberem que é seguro, não vão para a GER. — Disse ele seriamente. — Edgar pode estar me chamando como advogado, por questões legais e não quer envolver vocês, ou estaríamos revelando o dono da GER. Se eu não voltar, sigam para as fazendas sem mim e não se preocupem.

Harry o viu sair e bagunçou os cabelos preocupado, era impossível não se sentir assim.


Enquanto eles se preparavam para as visitas da tarde, Fred e George usaram o flu até o Saguão de Entrada do Beco, esperaram por Serafina e depois de lhe explicar o endereço da Toca, seguiram para lá. Ao saírem na lareira na sala de estar, os dois liberaram a entrada para sua visita, tendo aprendido isso desde muito jovens. Passos foram ouvidos da cozinha e sua mãe apareceu, parecendo aliviada e lhes sorriu.

— Ah! Que bom que chegaram, estava começando a me preocupar que estariam incomodando a Sra. Jordan e pretendia flu para... — Mas ela se calou quando o flu foi acionado e uma mulher alta, morena e muito bonita surgiu. — Sra. Jordan?

— Não. Desculpe invadir sua casa, Sra. Weasley, mas acreditei que deveria lhe falar pessoalmente. Sou Serafina Boot, nós trocamos cartas durante o verão e é um prazer imenso conhecê-la. — Disse Serafina com um sorriso suave e sincero.

— Eu... ora, prazer em conhecê-la também, Sra. Boot, mas... o que... — Ela parecia confusa ao apertar a mão de Serafina e, então, olhou para os gêmeos que estavam com expressões culpadas e preocupadas, entendeu tudo em um segundo. — O que vocês dois FIZERAM!?

Suas palavras começaram suaves, mas acabou em um berro de furar os tímpanos e fez Serafina saltar assustada. Mas, ela percebeu que os garotos nem piscaram, apenas abaixaram os olhos e deixaram cair mais os ombros. Mais passos foram ouvidos descendo as escadas e logo mais 3 crianças ruivas apareceram invadindo a sala de estar.

— Mamãe? — O mais velho, alto e cumprido, de óculos, perguntou preocupado.

O outro garoto parecia meio sonolento de pijama, como se tivesse acabado de se levantar, segurava uma escova de dentes e tinha espuma branca nos cantos dos lábios. A garota, com rosto fino e grandes olhos castanhos de chocolate, olhava preocupada para os irmãos e não parecia feliz com a mãe.

— Sra. Weasley, os meninos estão bem e isso é o que importa, mas pensei que seria bom lhe avisar o aconteceu, de mãe para mãe. — Disse Serafina já não mais tão segura de sua decisão.

— Eu agradeço muito, Sra. Boot, é muita gentileza, mas, eu conheço meus filhos, sei como gostam de quebrar a regras e envergonhar a seu pai e a mim. — Disse ela em tom educado e gentil. Depois, lançou um olhar aos filhos do pé da escada. — Podem tratar de subir que isso não lhes diz respeito. — As crianças protestaram ao mesmo tempo e ela voltou a berrar. — AGORA!

Serafina voltou a saltar e perceber que nenhum do 5 piscava, mais do que acostumados a esse tratamento. As crianças subiram, mas, ela percebeu que a menina ficou sentada no degrau lá de cima, o que lhe permitia ver e ouvir o que acontecia na sala, felizmente, a Sra. Weasley não percebeu.

— Estou esperando. — Ela voltou a falar em tom suave e Serafina percebeu os meninos estremecerem.

— Nós mentimos e fomos ao Beco Diagonal, mamãe. — Disse George tentando falar em tom de desculpa e adoçá-la com mamãe.

— O que? — Sra. Weasley ficou espantada. — Mas vocês pediram para ir dormir na casa do Lee e deixamos porque seu pai e eu acreditamos que se distrairiam da decepção de não irem ao Beco ou ao tal show.

— Desculpe, mamãe. — Disse Fred tentando se justificar. — Queríamos muito ver o Beco e o show, assim mentimos que íamos no Lee, ainda que pretendíamos ir de verdade depois do show, nos encontraríamos e dormiríamos na casa dele.

— Mas, eles perderam o Lee de vista depois do Alban Arthan e... — Serafina hesitou em falar do Fred ou o fato que nem estava presente exatamente, principalmente toda a situação provocada por ritual. — Nós reunimos as crianças para levá-las para casa e os trouxemos juntos, pensamos que eles tinham permissão para estarem ali e...

— Nós dissemos que nossos pais sabiam que íamos dormir na casa de amigos depois do show. — Acrescentou George, percebendo que a Sra. Serafina tentava ajudá-los.

— Sim. —Serafina os olhou suavemente. — Tínhamos muitas crianças por perto e acreditamos que todos tinham permissão para estar por ali. Enviamos todos pela lareira seguramente e, quando Harry convidou os dois para dormir lá em casa, concordamos sem problemas. Eles são sempre bem-vindos, claro, mas, hoje de manhã percebi que algo estava errado e eles me confessaram tudo. Por isso decidi vir, pessoalmente, Sra. Weasley, porque como mãe, estaria muito angustiada se meus filhos me desobedecessem e dormissem em um lugar desconhecido por mim.

— Mas estamos bem, mamãe. — Se apressou George em dizer. — Sei que fizemos besteira, mas, não faríamos nada ou dormiríamos em um lugar onde não estivéssemos seguros, com boas pessoas. Sinto muito.

Serafina podia ver que eles estavam realmente arrependidos e pareciam entender o que tinham feito de errado.

— Então, vocês mentiram para nós, mentiram para seus amigos e seus pais, nos envergonharam e ainda se colocaram em uma situação onde precisaram ser recolhidos para não ficarem ao relento ou em uma situação de perigo? — Perguntou a Sra. Weasley num sussurro letal que foi ficando mais altos, os garotos se encolheram à medida que a raiva da mãe ia desabando sobre eles. — SE IMPUSERAM! — Berrou, por fim. — SE COLOCARAM EM PERIGO E NEM SABIAMOS ONDE ESTAVAM! NOS ENVERGONHARAM! VOCÊS AO MENOS SE IMPORTARAM CONOSCO? — Tomou fôlego e continuou apenas gritando, mas mostrando sua decepção. — Nunca em minha vida... esperem até seu pai voltar, nunca tivemos problemas assim com o Bill, nem com o Charlie ou o Percy...

— O Percy perfeito — resmungou Fred.

— VOCÊS PODIAM SE MIRAR NO EXEMPLO DO PERCY! — Voltou a berrar a Sra. Weasley, metendo o dedo no peito de Fred. — Vocês podiam ter sido feridos, sequestrados ou mortos! — Depois, inesperadamente olhou para Serafina e seu tom se tornou suave. — E, a senhora os acolheu, mesmo que mal nos conhecendo. Eu agradeço muito, gostaria de tomar um café?

Serafina demorou um segundo para perceber que não seria gritada também antes de responder, tentando suavizar a situação dos meninos.

— Oh não, obrigada, Sra. Weasley, tenho que voltar para casa, estamos começando as preparações para o Natal, mas, queria pedir que a senhora não se zangue muito com os meninos. Eu me sinto responsável, deveria ter confirmado com os pais das crianças que se juntariam ao show com as minhas crianças. — Disse ela suspirando e realmente se sentindo culpada. — Quer dizer, é bem possível que o Fred e o George não são os únicos que mentiram dizendo que tinham autorização dos pais. Sinto muito, Sra. Weasley.

— Ora, Sra. Boot, a senhora não é responsável por meus filhos e não tem culpa de nada do que aconteceu. Sou eu que serei sempre grata por tê-los acolhidos e cuidado deles quando não estávamos lá para fazer. — Sra. Weasley se emocionou e apertou o avental ansiosa. — Quando penso no que poderia ter acontecido...

— Sentimos muito, mamãe. — Disse Fred que não queria que sua mãe chorasse.

— Nada de mamãe para cima de mim vocês dois! — Gritou ela com raiva. — Subam para seus quartos e esperem lá sem um pio até seu pai chegar para o almoço e, então conversaremos. Subam! Agora! E, sem um pio!

Os meninos abaixaram mais a cabeça e se despediram da Serafina, suavemente, agradecendo pela hospitalidade. Depois se arrastaram para seus quartos, acenando para uma preocupada Ginny no caminho, que também se levantou do degrau e foi para o seu quarto.

Serafina e a Sra. Weasley se despediram, constrangedoramente, e seguiram com seus caminhos. Serafina voltou para a faxina no Chalé dos Boots e a Sra. Weasley a preparar o almoço e ruminar a sua raiva.


Harry, apesar de se preocupar com seus amigos, não teve tempo para conversar com a Sra. Serafina, o almoço foi agitado e barulhento. Todos falando sobre os planos de Natal, a faxina e o Festival, como o Portal Adler era incrível e as suas lojas preferidas. Sirius insistiu que a The Best Candy era a melhor de todas, mas Adam e Ayana brigaram que a melhor era a Glee & Dream, todos riam e falavam ao mesmo tempo. Quando terminaram o almoço, mesmo sem o Sr. Falc e, ignorando mais essa preocupação, Harry deixou com Sirius para a primeira fazenda. Neville apareceu no último minuto e disse não poder ir, mas que queria ir para a Irlanda no fim de semana, disse também, apressadamente, que tinha algo importante para conversarem. Confuso, Harry apenas concordou.

Sevenoaks é uma cidade no condado de Kent, no Sudeste da Inglaterra, e tem quase 19 mil habitantes. Uma comunidade pequena que tem sua estrutura baseada no turismo ecológico e histórico. A cidade tinha lindos castelos, palácios, igrejas e casas antigas, ruinas romanas, hotéis e restaurantes. Também tinha inúmeros parques, lagos, florestas e jardins, mas o principal, para o Harry, além de ser um belo lugar, era a Fazenda Potter e sua localização perfeita para ter a Feira de Alimentos.

A Fazenda Sevenoaks era muito grande e ficava em um vale cercado por florestas e um lago lindíssimo. Tinha uma área com estufas, celeiros, silos, uma grande área arada para a plantação, pastos e baias para os animais e um grande pomar. Era uma das fazendas mais grandes que Harry tinha porque a localização no Sudeste mantinha o clima perfeito para a produção de todos os tipos de alimentos. A casa de fazenda era térrea e tinha uma grande cozinha, onde Harry conheceu o gerente da Fazenda Sevenoaks, que a partir de sua contratação estava residindo ali com sua esposa. Bobby Ford era um dos funcionários mais antigos de seu avô, tinha 60 anos e amava o trabalho como agricultor. Depois de dispensado, sendo mestiço, Bobby foi trabalhar no mundo trouxa, mas quando oferecido a oportunidade de voltar para o lugar que trabalhou por 30 anos, aceitou muito feliz.

— É um prazer conhecê-lo, Sr. Bobby, e fico muito feliz que voltou a trabalhar na Sevenoaks. — Disse Harry aceitando uma xícara de chá e um pedaço de bolo que sua esposa, Sra. Lisbeth, lhe serviu.

— Não tão feliz como nós, Sr. Potter, não tão feliz como nós. — Disse ele sorridente. — Nós trabalhamos em outras fazendas da região, sempre moramos por aqui, mas, sempre sentimos falta daqui, mesmo que na época o gerente era o Sr. Pett. Agora ele já se foi, que Deus o tenha.

— Amém. — Disse sua esposa com um sorriso suave.

— Ele era um ótimo gerente, tudo o que aprendi, foi com o Sr. Pett e com seu avô também. Sr. Potter era um grande homem, mas ele preferiria ficar no seu laboratório e depois cuidando do filho, o seu pai, James. — Contou Sr. Bobby com um sorriso nostálgico.

— Seu avô e o filho as vezes vinham visitar e James era um garoto tão traquinas, adorava correr atrás dos animais e assustá-los, deixava o Sr. Pett furioso. — Contou Lisbeth, Harry e Sirius riram ao imaginarem isso.

Harry também conheceu todos os funcionários de Sevenoaks e das outras 4 fazendas que tinha na região Sul e Sudeste da Inglaterra. Ele apertou inúmeras mãos, recebeu muitos abraços e ouviu centenas de nomes, depois de um tempo, Harry desistiu de guardar o sobrenome e se concentrou em lembrar apenas os seus nomes. Com paciência, ele ouviu suas histórias e agradecimentos, corando algumas vezes, para diversão dos funcionários. Grande parte deles eram de funcionários do Ministério que foram demitidos, a maioria nascido trouxa e com uma vida difícil, mas haviam muitos mestiços também. Harry insistiu que todos deveriam voltar a estudar e ter um diploma básico no mundo trouxa.

— É o nosso mundo também e está mudando, crescendo a cada dia, se vocês não se mantiverem atualizados, serão como esses puristas que desprezam os trouxas e cultura, apenas por ignorância. — Disse ele e viu que muitos lhe davam atenção e acenavam concordando.

Harry também conheceu todas as instalações e o Sr. Bobby o levou para a área escolhida para a Feira, que seria perto do lago, com uma linda vista. Ele pode visualizar como ficaria com todos os estandes e cheio de pessoas comprando seus produtos frescos e sorriu animado.

— É perfeito, Sr. Bobby, realmente.

— Sim e essa sua ideia é bem assim também, Sr. Potter. — Harry desistiu de pedir que ele o chamasse de Harry, o homem era muito teimoso. — Sr. Pett e seu avô ficariam orgulhosos.

Isso fez o seu sorriso aumentar e seus olhos ficaram ainda mais brilhantes.

Eles foram para Richmond em seguida e lá Harry conheceu os funcionários da única fazenda que tinha no norte da Inglaterra. Ela era imensa também, mas não tinha campos arados, pois o terreno irregular e montanhoso não permitia isso. A fazenda tinha, predominantemente, pastagens nas áreas mais baixas e pastagens ásperas nas áreas mais altas das montanhas. As pastagens ásperas tinham mais escarpas e pedras, além de ser muito mais frio, o vento era cortante e a neve se acumulava dificultando muito as pastagens. Assim, até que o inverno passasse os animais ficavam em grandes currais, eram bem alimentados e cuidados. Harry percebeu que o número de gados, carneiros, ovelhas, porcos e galinhas era o triplo, ou talvez até mais, do que na Fazenda Sevenoaks. Havia também uma dezena de estufas gigantescas com temperaturas agradáveis onde cresciam verduras e legumes. Tudo lhe foi mostrado pelo gerente da Fazenda Richmond, Doug Field, que era o filho do antigo gerente, como ele mesmo lhe explicou com o seu forte sotaque de Yorkshire.

— Meu pai foi gerente aqui da Richmond por mais de 35 anos, Sr. Potter, e ele estava me ensinando para poder substitui-lo assim que se aposentasse quando..., bem, aconteceu o que aconteceu. — Disse ele com um sorriso triste ao entrarem na cozinha da casa onde ele e sua família viviam, quando terminaram de conhecer as instalações.

— Eu lamento que as fazendas foram desativadas, Sr. Doug e fico feliz que o senhor está trabalhando aqui, como seu pai trabalhou. — Disse Harry sorrindo para duas crianças pequenas e loiras que correram para abraçar as pernas do pai. A filha mais velha, de uns 9 anos veio buscá-los para irem brincar na sala, pois o "papai tem visitas", ela olhou para o Harry e corou quando ele lhe sorriu.

— Obrigado, Shelly. — Disse o Sr. Doug e aceitou a xícara de chá da mão da esposa. — Obrigado, querida. Essa menina tem sido uma grande ajuda cuidando dos irmãos, porque a Kathy tem me ajudado muito com a fazenda e as mudanças todas. Eu também estou muito feliz de estar aqui na Richmond, Sr. Potter, e ainda mais de ver a fazenda voltando ao que era antes.

— E, estamos felizes de criar nossa família aqui, é um bom lugar para as crianças crescerem. — Disse a Sra. Kathy lhe dando e ao Sirius seus chás. — Sentem-se, eu fiz um lanche para o chá.

Harry e Sirius atenderam ao pedido, comendo mais bolos deliciosos e sanduíches.

— Quando o Sr. Falc procurou meu pai para reassumir o cargo, ele ficou muito feliz e honrado, Sr. Potter, mas preferiu continuar na aposentadoria. — Continuou o Sr. Doug. — Ele disse que está muito velho e que eu deveria assumir, que era o que deveria ter sido..., mas, papai me ensinou tudo o que sei e, se eu precisar, me ajudará. Prometo me dedicar e fazer um bom trabalho, Sr. Potter.

Harry sorriu por seu tom fervoroso, apenas uma volta pela fazenda e conversando com os funcionários sorridentes, ele não tinha a menor dúvida disso.

— Eu sei, Sr. Doug, e não hesite em pedir ajuda para o Sr. Falc ou Sirius, mesmo eu, para o que precisar. Se tem uma coisa que eu aprendi sendo um Ravenclaw, é que não realizamos nada importante nessa vida, sozinhos. — Disse Harry.

Eles partiram para Callander logo depois do chá, a fazenda escocesa ficava mais ao norte ainda, mas não muito longe e Sirius os aparatou até lá. O frio e os ventos pareciam ainda pior e fez Harry se lembrar um pouco de Hogwarts, mas ele sabia que nas montanhas do Norte era ainda pior. A fazenda era linda e Harry arregalou os olhos ao olhar para o vale onde ela estava com um rio azul brilhante a ladeando serenamente.

— Incrível, não é mesmo? — Disse Sirius sorridente. — Quis te aparatar aqui em cima da montanha para que tivesse uma boa visão da fazenda. Essa montanha é sua também e é onde está a nascente do rio Callander, que desagua no Lago Venachar.

— É realmente lindo. — Harry estava encantado com a linda vista, mas feliz quando seu padrinho os aparatou até o vale, descer a montanha não estava em seus planos hoje, pensou.

Callander não era uma fazenda muito grande, seu foco principal eram os carneiros e ovelhas, a área de tosquia da lã era enorme e o lugar mais quentinho do lugar.

— Agora voltaremos a fornecer material para a Fábrica de Tecidos dos Fawcets, Sr. Potter, eles eram nosso principal cliente. — Disse Jesse Macpherson, a gerente da fazenda Callander.

Ela era jovem como Doug, talvez 35 anos, mas cresceu com o pai por essas áreas e aprendeu desde cedo a tosquiar ovelhas.

— Sim, estou muito feliz, vamos também fornecer a matéria prima para a Fábrica de Bebidas Ogden, como foi acordado a tantos anos pelos meus bisavôs. — Disse Harry acariciando a pequena ovelha felpuda. — Quando eles estarão prontos para a tosquia, Sra. Jesse?

— Ah, só no início da primavera, Sr. Potter, então, essas belezinhas estarão prontas para ficarem peladas e irem pastar por aí. — Disse ela sorridente, era possível ver seu amor pelas ovelhas. — Querem tomar um chá? Ainda não tive tempo de tomar o meu e adoraria a companhia.

Eles concordaram por educação e não fome, Harry sussurrou para Sirius que teriam que correr mais 2km no dia seguinte para compensar tantos bolos. Seu padrinho gemeu lamentando.

A Sra. Jesse vivia com o marido, que era trouxa e trabalhava na cidade, Sr. Macpherson era professor de matemática e os recebeu com grandes sorrisos, óculos tortos e um bolo de nozes.

— Mais bruxos? — Perguntou ele animado. — Quando Jess me disse que era uma bruxa, ri sem parar por uns 20 minutos, até que ela conjurou um leão de verdade e acho que quase fiz xixi na calça quando ele rugiu.

Sirius gargalhou e Harry quase chorou de tanto rir ao imaginar a cena. Jesse corou e bateu no braço do marido com o guardanapo.

— Kiefer, não me envergonhe na frente do meu chefe! — Disse ela constrangida.

— Oh! — Ele ficou mais sério e olhou para o Sirius. — Ela é a melhor gerente que o senhor poderia querer, minha Jess ama o que faz e se dedica muito mesmo. Nós até conseguimos uma babá para cuidar do nosso bebezinho, para quando as minhas aulas recomeçarem. — Ele apontou para um bercinho no lado mais quente da cozinha e Harry percebeu pela primeira vez o bebê dormindo.

— Eu confio nos meus funcionários, Sr. Kiefer. — Disse Harry se levantando e, ignorando a expressão espantada do homem, se aproximou do bercinho. — Principalmente, se eles foram contratados pelo Sr. Falc e o meu padrinho, aqui presente, Sirius. — Harry afastou a cobertinha azul e viu um bebê bem novo, loiro como os pais, muito bonito e com as bochechas rosadas. — Que lindo. — Sussurrou sentindo algo estranho dentro de si, ternura, talvez, era o tipo de sentimento que Harry só encontrou depois que conheceu Adam e Ayana. — Quanto tempo ele tem?

— Hum... 3 meses, Sr. Potter, mas, Jason não atrapalhará meu trabalho, prometo. — Disse ela, tensa de preocupação. — No meu antigo emprego, alguns empregados não me aceitavam como chefe de tosquia por ser mulher e, quando engravidei, meu patrão me despediu e disse que deveria ficar em casa cuidando do meu filho, mas eu lhe garanto que posso dar conta. — Seu tom era desafiador e Harry sorriu, tranquilizando-a.

— Eu não duvido nem um pouco disso, esses caras eram uns idiotas descerebrados e a perda é toda deles, mas, é o meu ganho, assim... — Harry deu de ombros e sorriu para o bebê mais uma vez. — É nosso ganho, hein, Jason, ela cuida da fazenda para mim e de você, enquanto cresce nesse lugar tão bonito.

— Espere, acho que perdi alguma coisa... — Kiefer disse ajeitando os óculos e se perguntando se no seu chá tinha alucinógenos. — O seu chefe é o garoto de 10 anos?

Harry o encarou de boca aberta e olhos arregalados.

— Eu tenho 12 anos e meio, fique sabendo, senhor! — Sua voz saiu mais alto e, na mesma hora, Jason acordou assustado e chorou. — Oh! Desculpa, desculpa, Jason, não quis te assustar. — Disse ele sussurrando e acariciou sua barriguinha e balançou o berço suavemente. — Shhhhhh, não chore, desculpa, seu pai é meio cego, mas não tive a intenção. Ssshhh, durma. — Sussurrou ele, Jason aos poucos se acalmou e abrindo a boca pequeníssima em um bocejo, fechou os olhos e voltou a dormir.

Jesse, que se levantou para pegar o filho, observou abismada enquanto seu garoto voltava a dormir tranquilamente.

— Ora, acho que nunca o vi dormir tão rápido. — Disse ela baixinho se sentando de volta na cadeira.

— Talvez ele possa ser nossa babá. — Sugeriu Kiefer também surpreso.

— Sugestão tentadora, Sr. Kiefer-que-precisa-trocar-os-óculos, mas não, muito obrigado. — Disse Harry voltando a se sentar e lhe lançando um olhar mal-humorado.

— Eu não sabia que tinha jeito com bebês. — Disse Sirius surpreso e divertido.

— Eu não tenho, quer dizer, nunca estive tão perto de um bebê. — Harry deu de ombros. — Jason que é bonzinho.

— Não é não, acredite, minhas olheiras te diriam se não estivessem cochilando agora. — Disse Kiefer que, realmente parecia cansado. — E, nós o chamamos de JK, como apelido.

— Não chamamos não. — Disse Jesse irritada. — Você que inventou esse apelido esquisito, quem gostaria de ser chamado de JK, ora? O nome dele é Jason Kiefer Macpherson, sem apelidos bobos, por favor e, sim, este é Harry Potter. — Jesse levantou a sobrancelha esquerda, seus olhos azuis davam um aviso claro. — Já lhe falei da história da família Potter e sobre como meu avô e meu pai trabalharam na Fazenda Callander suas vidas todas.

— Oh! Sim, eu me lembro, apenas... sei lá, acho que me pegou de surpresa que uma criança... — Harry o interrompeu pigarreado e levantando sua sobrancelha. — Ok, ok, um adolescente, de 12 anos e meio, seja o dono que uma fazenda e o seu novo chefe.

— No mundo mágico isso é mais comum, as crianças herdeiras de famílias antigas e ricas aprendem desde cedo a administrar suas heranças. — Explicou Sirius sorrindo suavemente. — Eu sou o Tutor do Harry e cuido de tudo oficialmente, mas, vocês vão descobrir que quem tem as ideias e toma as decisões, é o Sr. Babá aqui.

Harry se engasgou chocado com a zombaria e encarou o padrinho que não se segurou e gargalhou.

— Bem, se acabou de me desmoralizar, acredito que podemos ir embora, Sr. Tutor. — Disse Harry ironicamente.

O casal Macpherson se divertiram com as provocações e eles se despediram entre mais risos e conversa leve.

Assim que aparataram em Godric's Hollow, o clima descontraído desapareceu e um peso caiu sobre os dois. Enquanto caminhavam para a fazenda, que ficava aos arredores da cidade, distante o suficiente para que apenas vissem a fumaça subindo das chaminés, Harry, mais uma vez, pensou que jamais poderia viver nesta cidade. Era impossível não lembrar, não imaginar e não se entristecer com a dor da perda de seus pais.

— Você os visitou ainda? — Harry perguntou suavemente ao padrinho, enquanto se aproximavam da sede da fazenda. Sirius interrompeu o passo e olhou na direção da cidade.

— Ainda não... Remus me convidou no Halloween e eu pensei neles o dia todo, mas... — Seu rosto se sombreou de tristeza sem fim.

— Eu quero ir depois do Natal. — Harry disse com firmeza. — Não antes, antes e no Natal, quero me concentrar nos vivos e em ser feliz, mas, depois, quero ir até seus túmulos para lhes prestar meu respeito e colocar flores.

— Eu deveria ir com você, preciso estar com eles, lhes dizer... me desculpar... — Sua voz se partiu e Harry segurou sua mão.

— Eles não estão lá, não precisa ir até lá para estar com eles, Sirius, meus pais estão conosco, onde quer que estejamos... os túmulos, são o lugar onde seus corpos descansam, não eles de verdade... eu... Eu tentei encontrá-los lá e foi difícil, doloroso perceber..., mas, você deve ir, quando estiver pronto, apenas, sabe... para fazer o que você sente que tem que fazer lá.

— E, eu só saberei quando estiver lá? — Sua voz ainda mais rouca que o normal saiu dolorosamente.

— Sim, acho que sim... — Disse Harry e eles prosseguiram.

No Oeste da Inglaterra, os Potters tinham 2 fazendas bem grandes e com dezenas de estufas, campos arados, pastagens, lagos, currais com mais animais e uma infraestrutura mais moderna do que nas fazendas do Norte. O gerente, Sr. Graham, era um homem de 50 anos que lhes contou ter trabalhado para o seu avô desde o dia seguinte a terminar Hogwarts, ele tinha uma expressão fechada, sem muitos sorrisos ou conversas leves. Tratou Harry com respeito, mas pareceu mais preocupado em dar atenção ao Sirius, entendendo que como seu tutor, era ele que estava no comando e, talvez, pensando que Harry estava ali apenas por curiosidade infantil. Ele logo percebeu que estava enganado quando Harry passou a fazer perguntas e mais perguntas, se colocou à frente de Sirius e mostrou, claramente, quem estava no comando.

— Bem... o senhor parece que entende do assunto, quem diria, seu pai, mesmo depois de um homem feito, não costumava visitar as fazendas. — Seu tom era de crítica e Harry teve que se controlar para não fazer uma careta, Sirius nem tentou.

— Eu não sou meu pai e gostaria que não o julgasse baseado em situações das quais não tem conhecimento, Sr. Graham. — Disse ele com frieza.

— Desculpe, não quis criticar o falecido, que Deus o tenha. — Disse ele tirando o chapéu em respeito. Harry se afastou um pouco para não responder grosseiramente ao seu tom insincero e, depois disso, a visita só piorou.

A fazenda Godric, como era chamada, era talvez a mais grande, bonita, bem conservada e moderna, mas a que Harry passou menos tempo, por causa do gerente difícil. Enquanto caminhavam para o ponto de aparatação, Harry pisou duro e apertou o punho de raiva. Se cansara de ser tratado feito uma criança estúpida, que nem sabia o básico de ler e escrever. Homem tolo!

— Sei que está zangado, mas...

— Zangado!? Zangado!? Eu pareço estar zangado? — Harry parou e olhou para seu padrinho, o dia cansativo, o ambiente pesado daquela cidade e o péssimo tratamento que recebera em SUA fazenda lhe tirara do sério. — Se eu pareço, então, não estou conseguindo expressar os meus sentimentos, mas vou tentar deixar claro. Eu estou possesso com aquele ser humano lá traz que só ainda tem um emprego e não foi enfeitiçado por ter a sorte que eu também sou um ser humano!

Enquanto falava Harry andava de um lado para o outro gesticulando com os braços e, no fim, parou batendo o pé de raiva e indignação, o que fez o Sirius levantar a sobrancelha e cair na gargalhada.

— É incrível! Ver a Lily agindo, mas, com a aparência do James! — Disse ele entre risos e Harry sorriu divertido ao vê-lo melhor, acabou se contagiando e riu também.

Sirius se ajoelhou na sua frente e o puxou para um abraço inesperado, Harry ainda ria, mas ficou sério e o abraçou de volta.

— Sirius?

— Obrigado! Obrigado por isso, nunca pensei que... algum dia riria outra vez nesta cidade e... eu sei o que preciso dizer ao seus pais. — Sirius o olhou de novo com um sorriso suave. — Mas, você está certo, eu não preciso ir aos seus túmulos, eles não estão lá e acho que sei como podemos lembrar e agradecer.

— Como? — Harry perguntou curioso.

— Acredito que, como encerramos as visitas de hoje, devemos ir fazer algumas compras antes de voltarmos ao Chalé. Vamos lá! — Sirius disse entusiasmado e estendeu a mão.

Harry acenou um pouco confuso, segurou seu braço com firmeza e eles aparataram todo o caminho até o Saguão de Entrada do Beco. Ele se sentiu feliz que o gerente infeliz não lhes serviu nenhum lanche, pensou Harry, com o estômago levemente embrulhado.

— Ugh... Acho que devo estar cansado mesmo, nunca me sinto assim quando aparato. — Disse ele cansadamente.

— Aparatações repetidas não é uma coisa boa, mas iremos para casa por flu. — Disse Sirius e caminharam para o Portal Adler, Harry o viu hesitar e depois colocar a mão na parede colorida.

O Portal cintilou e ondulou, o contorno de uma mulher prateada apareceu e se deslocou para fora da parede como uma nuvem de energia cintilante que abraçou o Sirius e desapareceu ao tocar em seu corpo.

— Bem... vamos, então. — Disse ele com voz estranha e Harry o seguiu pela parede insubstancial.

— O que ela disse? A voz no Portal? — Harry perguntou curioso.

Sirius parou meio desconcertado e olhou para traz, na direção do Portal, e depois para o Harry.

— Ela fez uma pergunta, na verdade, eu... bem... "O que queres o seu coração, Justiceiro? ", foi o que me perguntou. — Sirius pareceu hesitar, depois voltou a andar. — Não sei porque me perguntou isso ou qual a resposta, magia nem sempre tem todas as respostas, Harry.

Harry o seguiu e pensou no cheiro que tinha que lembrar e que sabia, jamais se esqueceria, principalmente quando sonhava com ele, pensou, mas não disse nada.

Sirius o levou direto para a Rituum e Potions, a loja estava com grande movimento, como todo o Beco Diagonal, mas, ainda assim, Fiona sorriu e veio atendê-los.

— Ora, meus clientes preferidos, não me digam que vieram comprar mais poções que com certeza não eram para uma criança de 12 anos. — Disse ela ironicamente.

— Puff... — Bufou Harry mal-humorado. — Todo mundo tirou o dia para esquecer que não sou mais uma criança, tenho 12 anos e meio, assim, praticamente um adulto. Ou no meio do caminho para ser um. — Afirmou ele, muito sério.

Fiona e Sirius o encararam como se duvidassem de sua sanidade, mas, quando viram o brilho de diversão em seus olhos, caíram na risada, Harry os acompanhou.

— Bem, senhor adulto, no que posso lhe ajudar? — Fiona perguntou com os olhos zuis brilhando de alegria.

— As compras são minhas hoje, Fiona, de verdade. — Disse Sirius mostrando sinceridade ao vê-la erguer a sobrancelha em descrença. — Queria saber se você está preparando rituais para o Natal?

— Sim, com certeza, na verdade, a procura tem sido imensa, principalmente, depois do Alban Arthan. — Disse ela e os levou até uma mesa nos fundos da cheirosa loja. — As pessoas me disseram que a muito não se sentiam tão conectados com suas magias e queriam continuar com os rituais de Solstício até o dia do Yule, algo especial todos os dias.

— O ritual foi incrível, Sra. Fiona, nunca me senti tão forte e energizado, além de tudo o mais... — Harry tinha dificuldade de explicar.

— A Deusa estava ansiosa por contato e as oferendas de seu povo, quando a acolhemos, ela derramou muito de seu poder sobre nós. — Disse Fiona e os olhou com curiosidade. — O que vocês sentiram? Se puderem me dizer, claro.

— Apenas paz e purificação. — Contou Sirius sorrindo. — Fiz um ritual de purificação no verão, não era o solstício de verão, mas me senti bem, ainda que percebi que precisaria de mais, depois de tantos anos com aquelas imundices. Ontem, foi como uma continuação, me senti mais limpo e jovem, se não fosse as lembranças, quase poderia ser o Sirius de antes de Azkaban.

— Interessante. — Disse Fiona sorrindo feliz. — O Ritual se torna para cada um o que eles precisam, quando abrimos nossas mentes, almas, corações, a magia da Deusa sente nossa necessidade e a respeita. E, você, Harry?

— Eu... — Harry hesitou tentando explicar. — Foi como um chamado, hum... senti a magia me convocando e pensei que era a Deusa, me senti seguro, confiante... — Suas palavras se tornaram um sussurro quando se lembrou daquele momento mágico. — E, então, respondi e aceitei o chamado, mas... senti, eles...

— Eles? — Sirius o encarou preocupado e Fiona acenou para que se calasse.

— Sim..., meus antepassados guerreiros, eles me convocaram para representá-los, me honraram com sua confiança e orgulho, me declaram como seu sangue e magia, como o defensor de suas honras. Me senti forte e abençoado, acolhido e verdadeiro. — Harry parou e olhou para o padrinho. — Eles acreditam em mim, Sirius, todos eles acreditam que posso ser o vencedor, O Guerreiro Vencedor.

— Opinionem huic dea est illuminant. — Sussurrou Fiona de olhos fechados e mãos abertas em prece a Deusa.

— Ita. — Afirmou Sirius meio automaticamente, ainda olhando para o afilhado nos olhos, depois colocou a mão em seu ombro e afirmou. — Eu também acredito, Guerreiro.

Eles sorriram um para o outro e Harry se sentiu mais esperançoso.

— Um ritual de ligação com os antepassados, incrível, Harry e fico feliz que tenha conseguido a confiança para aceitar o contado deles. — Fiona sorriu docemente. — Na noite mais longa, mais escura do ano, os mortos estão mais pertos de nós, nossos mortos, nosso sangue e magia, se aproximam para celebrar a renovação, fortalecer nossa magia para a concepção ou para suportarmos as intempéries do inverno. Seus antepassados lhe deram um presente, eles o dotaram de sua fé e fortaleceram sua magia, com parte de suas essências.

— Foi como me senti, mais forte, mais esperançoso e... como se não estivesse sozinho, Srta. Fiona. — Disse Harry sorrindo.

— Isso é maravilhoso e fico tão feliz que de alguma maneira te ajudei e a muitas outras pessoas... na verdade, com o tanto de poder que a Deusa nos dotou, acredito que teremos um boom de nascimentos daqui a nove meses. — Disse Fiona divertida, Sirius e Harry riram. — Agora me digam, o que exatamente estão pretendendo fazer para a celebração do Yule?

— Queremos um ritual de lembrança e agradecimento aos mortos. — Sirius disse suavemente. — Queremos que os pais do Harry estejam conosco no Natal e lhe dedicar o nosso amor e agradecimento.

Harry acenou quando a Srta. Fiona o olhou atentamente.

— Muito bem. Vocês vão precisar de velas brancas, e flores brancas também, água purificada e fogo de pinho... visgo e hibisco, com certeza, hum... — Pensativa ela se levantou e deixou para os fundos da loja, sussurrando. — Prepararei o ritual..., talvez, a espiga, sim...

Sirius e Harry se olharam e sorriram.

— Você acha que os outros quererão participar conosco? — Harry perguntou.

— É possível, contarei o que pretendemos e eles decidem. — Disse Sirius pensativo.

— Acho que me meti em problemas com Serafina outra vez. — Disse Harry meio cabisbaixo.

— Oh? Verdade? — Seu padrinho o encarou curioso e divertido. — Bem, você não seria um adolescente de 12 anos e meio se não se metesse em problemas de vez em quando, não é mesmo? — Os dois riram divertidos. — O que você fez?

Harry contou a ele sobre os gêmeos, suas mentiras e porque eles mentiram, até disse que pediu ao Edgar que contratasse o Sr. Weasley. Depois que Fiona voltou e os instruiu, Sirius pagou e eles se despediram com um abraço e um Feliz Natal. No caminho para o Portal, Sirius, finalmente, disse o que pensava.

— Não posso criticá-lo por ajudar seus amigos, Harry, acredito que você fez o que era possível e foi um bom amigo, mas você deve tentar ver pelo ponto de vista de Serafina. — Harry acenou mostrando estar ouvindo curioso. — Para os pais, um cuidador, o que eles fizeram foi muito grave, os gêmeos tiveram sorte de terem te encontrado e que tudo acabou bem, mas muito poderia ter acontecido diferente. E, esse é o problema, o perigo que eles correram e, se Serafina não conta ao seus pais o que aconteceu, os gêmeos não serão punidos e se sentirão fortes para fazer o mesmo em outro momento já que se safaram dessa vez. E, talvez, então, as coisas não terminem bem. Entende?

Harry pensou no que poderia ter dado errado e colocado os meninos em perigo, ou pelo menos, mais encrencados do que eles já estavam com seus pais.

— Acho que sim, mas, acredito que foi minha culpa também, então. Eu deveria ter lhes aconselhado a voltar para casa e pedir aos pais para lhes deixarem vir ao show e, talvez, pedido a Serafina que conversasse com Srs. Weasleys em meu nome ou algo assim. — Disse Harry irritado consigo mesmo por não ter pensado em uma solução melhor.

— Sim, essa seria uma boa ideia, mas, os gêmeos poderiam não aceitar, por medo de perder o show se os seus pais não lhes dessem permissão. No fim a decisão era deles, Harry e eles escolheram mentir para seus pais sobre algo importante e, potencialmente, perigoso, assim terão que encarar as consequências. — Sirius explicou e, ao ver o afilhado acenar, suspirou aliviado, talvez pudesse pegar o jeito de ser seu amigo e educador, ao mesmo tempo.


Enquanto Harry tinha o seu dia importante e cansativo, os gêmeos passaram o resto da manhã em seus quartos tentando não pensar nos problemas em que se meteram. Fred não parava de pensar na morena misteriosa que vira no Alban Arthan e por quem se sentiu muito atraído.

— Você não a reconheceu, Fredie? Ela deve ter nossa idade e estar em outra casa de Hogwarts. — Disse George pensativo.

— Não, não reconheci, talvez, por causa da maquiagem e o cabelo preto dela estava todo cheio de cachos e volumoso. — Fred andou pelo quarto impaciente. Eles conversavam, bem baixinho para a mãe ou os irmãos não os ouvir. — Ela deve ter ido naquele tal de salão de beleza e pode ser que nem seja do nosso ano, parecia mais velha, acho... não sei, Georgie.

— Ainda não entendo o que aconteceu, você estava bem e, de repente... — George gesticulou e fez uma careta. — Pareceu ficar todo estranho e meio doido.

— Sim, foi quando eu a vi. — Fred parou e se sentou confuso. — Você sabe que eu gosto de beijar as garotas, a Alicia é um doce e a Beatrice, com aquele sotaque, é de arrepiar, mas isso foi diferente, Georgie. Depois que acabou o ritual, eu estava bem e olhando em volta, chocado com toda a pegação e, então, eu a vi e boom! Precisava tocar nela e beijá-la... — Fred suspirou com olhar sonhador. — Isso é culpa sua, agora nem sei quem ela é, porque não me deixou ir até lá.

— Bem, você estava todo estranho e não queria que se metesse em encrenca, irmão. E, se ela tivesse namorado ou estivesse com o pai, além disso, você parecia querer mais do que conversar ou dar uns beijinhos. — George disse e ergueu a sobrancelha sugestivamente.

— O que? Não! Não era assim, seu idiota de mente suja, eu não queria fazer isso... — Fred corou, um pouco constrangido. — Acho que a magia entende quando não estamos prontos ou somos muitos jovens, sei lá, Georgie, mas, eu só queria conhecê-la, estar perto dela.

— Bem, se foi algo que a magia te mostrou ou te enviou, deve ser importante e aposto que você a encontrará de novo. — Disse George e sorriu malicioso. — Podemos montar o projeto, "Encontrar a Morena Misteriosa". — Disse e depois riu divertidamente.

— Idiota. — Disse Fred e o empurrou para fora da cama, mas depois de uns segundos, riu também porque era engraçado, afinal.

Então, a porta se abriu com uma pancada e sua mãe apareceu com as duas mãos na cintura e uma expressão furiosa.

— Eu mando vocês para ficarem aqui sem um pio, para refletirem sobre seus graves erros e quando venho buscá-los para o almoço, encontro-os rindo e se divertindo como dois moleques! — Seu tom sussurrante era letal e os gêmeos engoliram em seco. — Como se nada demais tivesse acontecido!

— Mamãe...

— Calem a boca! Quero os dois lá embaixo e mais nenhum pio até seu pai terminar a refeição, então, conversaremos. — Disse ela e os dois se apressaram até a cozinha.

A refeição foi tensa, Ron ainda estava muito mal-humorado por não ter conhecido o novo Beco e as lojas, mas se manteve em silêncio para não direcionar a raiva da mãe para si. Percy tinha recebido uma carta da namorada e estava distraído, meio sonhador, pouco interessado em mais um drama que os gêmeos criaram. Ginny estava cabisbaixa pelo Beco e preocupada com os irmãos, que comeram em silêncio e cabeça baixa. Arthur não sabia o que aconteceu, mas, pela expressão da esposa, deveria ser algo muito sério porque, quando não era, ela gritava mais.

— Eu não fiz sobremesa hoje, assim, coloquem seus pratos na mesa, vocês três, e subam para seus quartos, não quero ver ninguém espionando. — Disse ela quando todos terminaram a refeição.

— O que? Sem sobremesa? — Ron protestou, esquecendo da sua resolução anterior.

— Agora! — Gritou Sra. Weasley e os três desapareceram em segundos, ainda que Ginny desceu uns minutinhos mais tarde para espionar.

— Bem, acredito que algo muito sério aconteceu. — Disse Arthur curioso e olhando para seus filhos que estava de ombros caídos e cabeças baixas.

— Imagine, Arthur que hoje recebi uma visita. — Disse Molly com voz suave.

— Visita? — Arthur perguntou confuso e surpreso. O que isso tinha a ver com os filhos?

— Sim, uma mulher muito gentil, Sra. Boot, ela veio pessoalmente nos entregar nossos filhos e nos contar que... — Molly resumiu o que aconteceu naquela manhã e as mentiras dos gêmeos.

Quando acabou, Arthur olhou para os filhos muito sério.

— Estou decepcionado com os dois, por suas mentiras e enganações, mas, ainda mais por se colocarem em uma situação perigosa. — Arthur disse e quando viu os filhos de cabeça baixa acrescentou, suavemente. — Olhem para mim. — Fred e George o atenderam. — Vocês sabem que a família Weasley, eu, pessoalmente, tenho inimigos e, se algum deles tivessem lhes encontrado em uma situação vulnerável, poderiam tê-los feridos. Vocês tiveram sorte de terem encontrado amigos que os ajudaram e acolheram, mas isso poderia ter saído de controle facilmente.

Os dois acenaram muito sérios ao ver o olhar decepcionado do pai.

— Nós sabemos, papai, juro que estamos arrependidos... — Começou George até a mãe interrompê-lo.

— Estão arrependidos porque foram pegos! Não pense que não os conheço bem, se tivessem se safado, estariam bem satisfeitos consigo mesmos e rindo da nossa estupidez por acreditarmos em suas mentiras. — Gritou ela furiosa.

— Não é verdade! — Fred protestou na hora. — Nós não pensamos, estávamos tão zangados, era tão injusto que não pudéssemos ir ao show ou ver as lojas novas.

— Sim, papai, não paramos para pensar e... não sei, acho que sentimos que podíamos dar conta e que tudo daria certo, mesmo sem muito planejamento, quando percebemos que não era assim, não queríamos voltar atrás e fomos teimosos... — George baixou a cabeça. — Sinto muito, de verdade.

— Vocês dois... — Arthur parou suspirando. — Estão crescendo, mas ainda não são adultos e precisam ser cuidadosos, precisam pensar antes de agir. Como seria para nós se algo ruim lhes acontecesse? Quando estávamos aqui, confiantes de que vocês estavam seguros, confiantes em vocês dois. Pensei que tínhamos discutidos isso no último Natal, sobre serem mais responsáveis e pararem de quebrar regras, mentir e desobedecer apenas porque é divertido ou para terem alguma diversão.

— E, nós o ouvimos, papai, estamos sendo mais responsáveis, nos dedicamos mais as aulas e nossas notas melhoraram. — Disse Fred chateado porque não queria que seu pai o olhasse assim e porque estariam com problemas para continuarem seus projetos se fossem severamente punidos. — O senhor precisa acreditar que não fizemos isso para zombar ou porque achamos divertido mentir, apenas... queríamos muito ver o Beco e o show, era tão injusto...

— Injusto!? —Molly gritou ainda muito zangada. — O que vocês sabem sobre injustiça!? O que sabem da vida? Seu pai e eu estamos sacrificando algumas diversões tolas para poderem estudar e terem um futuro! E, tudo em que conseguem pensar é em vocês mesmos! Em se divertirem e darem risadas! Enquanto vocês se preocupam com a próxima brincadeira, nós nos preocupamos em lhes dar e aos seus irmãos um Natal descente! Nós, nos preocupamos em que se tornem homens de bem e que tenham uma vida descente! Injusto é seu pai se dedicar tanto ao trabalho e não ter reconhecimento. Injusto é o Ministro cortar o seu salário e ele ser obrigado a conseguir um segundo trabalho. Injusto é ele ser demitido porque essa GER construiu uma nova entrada fantasiosa e todos desprezarem o Caldeirão Furado.

— Mas nada disso é nossa culpa! — Gritou Fred se levantando muito zangado. — Não temos culpa da crise do Ministério ou que eles são cegos para o trabalho importante do papai e sua dedicação. Não temos culpa da entrada, do Caldeirão ou do papai ser demitido!

George se levantou entendendo e compartilhando da zanga do irmão.

— Nós não reclamamos e não nos importamos com as roupas e livros usados, aceitamos que sempre estamos muito apertados para coisas divertidas ou caras. Tudo bem! Tentamos nos divertir do nosso jeito e não magoamos ninguém com isso, mãe. Talvez quando éramos mais jovens não entendíamos, mas, hoje, sabemos da importância de Hogwarts, como vocês lutam para que todos nós estudemos e valorizamos isso, estamos nos dedicando e estudando mais. E, também nos preocupamos com nosso futuro e com nossa família. — George estava magoado e isso era óbvio. — Tudo o que pedimos era para termos um dia de diversão, igual ao que todo mundo estava tendo e isso não é nenhuma tolice, ser feliz não é tolice. Prometemos não pedir nada, o show era gratuito, olhar as lojas não custava nada também.

— No entanto, mais uma vez, a senhora não nos ouviu, a senhora nunca nos ouve ou parece se importar. — Fred disse muito chateado. — A senhora só dá ordens e ignora tudo e todos, nos arrastou para fora do Beco como se fossemos alguns selvagens que não entenderiam que não podíamos fazer mais nada do que olhar. E, não percebe que é mais do que comer ou comprar algo, o que nós queríamos era viver aquele momento mágico, ver todos aquelas novidades incríveis.

— Havia tanto colorido, risos, cheiros e produtos trouxas incríveis que nunca tínhamos visto. — George falou com os olhos encantados. — Nós passeamos por todas as lojas e pegamos suas revistas de produtos, perguntamos como funcionavam, aprendemos e, em alguns lugares, havia degustação de produtos sem pagarmos nada por isso. Encontramos um monte de amigos e rimos, nos divertimos muito e sem precisar comprar nada para isso.

— Nós vivemos isso, um dia muito feliz, mas a senhora queria que ficássemos infelizes aqui pensando e imaginando tudo o que acontecia lá, em como todos os nossos amigos iriam ao show. — Fred estava inconformado. — Quando Ron e Ginny chegarem em Hogwarts, ouvirão seus amigos e colegas descreverem toda aquela maravilha, eles sentirão inveja, ciúme, e ficarão envergonhados de dizerem que não viram nada porque não temos grana. A senhora diz que quer o melhor para o nosso futuro, mas não se preocupa em nos magoar ou nos deixar infelizes agora.

O silêncio que ficou na cozinha era tenso e meio chocante, Arthur e Molly estavam acostumados com seus filhos quebrando as regras ou tentando convencê-los a permitirem isso ou aquilo, mas nunca os tiveram argumentando e explicando seus sentimentos, seu lado da história com tanta clareza.

— E, vocês acreditam que tudo isso justifica o que fizeram? — Ela perguntou também magoada, mas sem gritar. — As mentiras, as enganações e tudo o mais? A vergonha que passamos por termos nossos filhos recolhidos por estranhos que devem pensar que somos os piores e mais irresponsáveis do pais?

Suas cabeças caíram de novo e eles se sentaram.

— Não, percebemos que estávamos errados ainda lá no Beco, no fim da tarde ficamos com fome e não podíamos voltar ou ir na casa do Lee, porque ele e seus pais não sabiam de nada e combinamos de nos encontrar no show. — Explicou George. — Mas o show só começaria as 9 horas e não tínhamos dinheiro, mas...

— Foram teimosos e não quiseram voltar para casa, admitir que estavam errados e nós certos. — Disse ela satisfeita.

— Não se trata de certo ou errado Molly, isso aqui não é uma questão de quem venceu. — Arthur estava muito triste. — Todos perdemos aqui. Perdemos em não ouvir nossos filhos, perdemos em não lhes dar a oportunidade de viver um momento de felicidade, perdemos em não termos a confiança dos nossos garotos. — Seus olhos se encheram de lágrimas e seu rosto mostrou seu cansaço. — Sinto muito ser um pai tão ruim e não poder lhes dar mais, vocês merecem o mundo todo e queria... — Sua voz se embargou, os dois garotos pularam e abraçaram o pai pelos ombros.

— Não, papai, não, vocês nos dão tudo o que é importante... — Disse Fred em pânico.

— Sim, papai, somos nós que fomos tolos, não queríamos te magoar ou desvalorizar tudo o que fazem por nós. — George fungou contra seu ombro. — Nós temos os pais mais incríveis, que nos amam e cuidam de nós mesmo quando fazemos tudo errado. E, sabemos como isso é importante, na verdade, é um privilégio, sabe... Nosso amigo, Harry, não tem isso, às vezes, falamos algo sem querer e percebemos como ele fica magoado porque não tem o que temos.

— Sim, ele nem sabia por que estávamos tão encrencados, Harry nunca teve quem se importasse com ele, que lhe desse uma bronca ou ensinasse o jeito certo. As vezes... — Fred se afastou e enxugou o rosto. — Nós ficamos chateados quando nos dão um sermão ou nos colocam de castigo, mas lá no fundo, é bom, sabe, porque...

— Mostra que vocês se importam conosco e, sentimos muito não valorizar isso e tudo o que fazem por nós, de verdade, estamos arrependidos. — George disse e estava sendo sincero.

— Eu acredito em vocês e também lamento, porque foi nossa inflexibilidade que criou toda essa situação...

— Arthur! — Molly protestou, seu rosto tinha lágrimas também. — Nós estamos fazendo o melhor possível e eles podem conversar conosco, não somos carrascos, não vamos espancá-los ou trancá-los sem comida.

— Pode ser, mas nós não os ouvimos, Molly, eles mentem porque não confiam em nós. —Arthur parecia muito cansado. — Preferiram ficar com fome por horas e ir dormir com quase estranhos porque não confiam em nós e somos nós, como seus pais, que devem lhes conquistar a confiança. Eles não pedem porque sabem que diremos não, porque nunca tentamos ouvir e entender como certas coisas lhes são importantes. Como o Festival, nós esquecemos como é ser adolescente e o encanto de descobrir algo novo, compartilhar e se divertir com os amigos.

Molly acenou um pouco envergonhada, mesmo quando seus filhos pareciam arrasados no dia anterior, Ginny até chorou, magoada, sua maior preocupação era em tirá-los de lá. O lugar parecia apenas um monte de lojas caras e estranhas, com a demissão de Arthur, economizar era sua prioridade, algo que vinha fazendo por tanto tempo que não tinha parado para refletir que, talvez, seus filhos mereciam um pouco de alegria.

— Eu... não quis... — Ela olhou para Fred e George. — Não quis magoá-los ou empurrá-los para o perigo, apenas, quero muito que tenham tudo para serem grandes bruxos, mas... Eu também os quero felizes, juro, juro que me importo com isso. — Seus olhos brilharam e ela fungou.

Fred e George correram abraçá-la também assegurando que a amavam e estava tudo bem.

— Nós também te amamos. — Disse Arthur abraçando os dois garotos e a esposa. — Mas não pensem que não ficarão de castigo pelo que fizeram, sua mãe e eu conversaremos e depois lhe diremos...

Mas uma batida no vidro o interrompeu e Arthur foi até a janela pegar a carta da coruja que voou embora sem entrar, apesar do frio.

— Uma carta para mim... Arthur Weasley, A Toca, Ottery St. Catchpole, Devon, do Grupo Empresarial Revel. A GER? O que poderiam querer comigo? — Disse ele abrindo a carta que parecia bem oficial.

Fred e George se encararam com olhos arregalados e brilhantes de surpresa. Porque não poderia ser, poderia?

— O que é, Arthur? — Molly perguntou preocupada. — Vocês não aprontaram nada nessas lojas de fantasia, não é? — Disse ela lançando aos gêmeos um olhar desconfiado.

George se controlou para não fazer uma careta de magoa e Fred de lhe dizer que não eram marginais ou vândalos, os dois apenas acenaram negativamente.

— Ora, que estranho, eles... — Arthur olhou para a esposa parecendo espantado e ajeitou os óculos tortos. — Eles dizem que souberam da minha injusta demissão e que, com os novos empreendimentos, estão precisando de novos colaboradores. Pedem, se eu tiver interesse em uma colocação em um dos negócios da GER, que envie meu currículo por coruja com uma descrição de horário e salário pretendidos. Termina dizendo que eles estão em busca de pessoas honestas, dedicadas e trabalhadoras como eu e que estarão muito felizes em me ter na família GER.

— Arthur! — Molly gritou espantada e lhe tirou a carta da mão para lê-la.

— Ora, mas... não entendo, como... — Arthur parecia completamente abismado.

— Não importa, Arthur, não importa, olha aqui, dizem que sabem da sua dedicação e honestidade, olha, Arthur! Eles querem que você envie um currículo imediatamente, mas... Arthur, você tem um currículo? O que é exatamente um currículo? E, querem o salário e horários pretendidos, que estranho, não são eles que oferecem essas coisas? — Molly parecia desconcertada e confusa, ainda que animada. — Oh! Arthur, eles oferecem uma colocação em um dos seus negócios novos, naquelas lojas tão bonitas e o pub deles, era tão iluminado e limpo.

Fred e George se olharam um pouco perdidos.

— Harry!? — Sussurrou George.

— Quem mais poderia ser? — Fred devolveu, também confuso.

— Mas... Como? — George perguntou e nenhum dos dois tinha uma resposta.

— Mas, mas, Molly, eu não sei...

— Arthur! Seria uma desfeita deixá-los esperando e você não tem um currículo nem nada, assim deve ir pessoalmente até lá e lhes dizer que está interessado no emprego. — Disse ela energicamente.

— Papai, em um currículo, você coloca suas experiências profissionais, uma descrição do seu cargo, de seus resultados NEWTs e o que eles pediram, cargo, horário e salário pretendidos. — Explicou Percy surgindo na cozinha seguido de Ron e Ginny.

Os dois irmãos se uniram a ela no meio da conversa, quando ouviram Fred e George gritando.

— Mas..., mas, eles não pediram o cargo, eu não sei... Eu não faço algo assim desde que deixei Hogwarts e naquela época só tinha que apresentar meus resultados NEWTs. — Arthur passou a mão pelos cabelos vermelhos e ralos, ajeitou os óculos. — No Caldeirão, apenas conversei com o Tom e ele me contratou... e se...

— Arthur! Você irá pessoalmente até essa GER e não sairá de lá até conseguir a colocação que eles prometem nesta carta. — Disse Molly decidida. — Eu farei um flu para o Perks e lhe direi que precisou cuidar de um assunto urgente, não é como se você não tivesse fazendo horas a mais sem ganhar um centavo, assim uma folga é mais que justa.

— Ok, sim, farei isso. Ok, já vou. — Disse ele indo até a lareira na sala de estar, mas logo voltou. — Devo me trocar? Colocar uma roupa melhor?

— Não, querido, aqui, deixe-me desamassá-lo e.… prontinho, está perfeito. Agora vá. — Disse Molly ansiosa.

— Papai! A carta! — Gritou Ginny ao ver a carta esquecida sobre a mesa, seu pai retornou outra vez.

— Ah! Sim! A carta, preciso dela para..., bem, apenas preciso, acho. Obrigado, Ginny. — Ele voltou a sair da cozinha para a sala, mas, um segundo depois, voltou. — Vocês veem comigo!

— O que!? — Todos gritaram surpresos e confusos.

— Isso mesmo! Se conseguir um trabalho vamos comemorar e, se não conseguir, passearemos pelo novo Beco Diagonal sem dinheiro mesmo, mas, nos divertiremos como uma família! Vamos, todos se vestindo! — Ele não precisou dizer duas vezes, pois em um segundo todos os 5 subiram correndo para seus quartos.

— Arthur... tem certeza? — Molly ainda estava em dúvida.

— Sim, Molly querida, temos que pensar mais em como lhes proporcionar alegria e momentos felizes, do que apenas em comida, roupas e estudos. — Arthur disse com firmeza. — As duas coisas, são nossa obrigação como seus pais lhes fornecer.

Molly acenou antes de subir ao seu quarto para mudar de roupa também.

Em pouco mais de 15 minutos, a grande família ruiva fluiu para o Saguão de Entrada e mais uma vez ficaram encantados com tanta beleza. Arthur tocou no Portal Adler e suspirou quando a música da fênix o envolveu suavemente, um sussurro suave em seu ouvido, "Encontre a fé em seu coração". Emocionado e motivado com a música, Arthur atravessou o Portal e olhou para o prédio da GER, suspirou, tentando encontrar em si mesmo a fé de que tudo daria certo.

— Você conseguirá, papai, eu tenho certeza. — Disse Ginny docemente, pegando a sua mão.

— Eles seriam tolos se não o quisessem, papai. — Disse Percy pomposo e convicto.

— É, mostre para eles que você é o melhor, papai. — Disse George otimista.

— Você arrasará lá pai, aposto que eles lhe darão um salário ainda melhor do que o do Ministério. — Fred disse com uma piscadela brincalhona.

— Eles estão certos, Arthur, você pode fazer isso. — Disse Molly com um sorriso orgulhoso.

Meu coração, pensou Arthur olhando para sua família e sentindo ter encontrado o seu coração e a sua fé. Acenando, mais confiante, o grupo seguiu para a GER e foram atendidos por uma jovem simpática e sorridente.

— Olá! Boa tarde! Eu sou a Phoebe, em que posso ajudá-los?

— Hum... Olá, senhorita, eu sou Arthur Weasley e, bem, recebi esta carta ainda a pouco... — Disse ele lhe entregando a carta. Phoebe a leu e isso a fez sorrir ainda mais.

— O senhor nos trouxe o seu currículo? Pode entregar a mim que encaminharei para a Divisão RHIE e eles entraram em contato para agendar uma entrevista direta. — Disse ela solicita.

— Oh... entendo, apenas, eu não tenho um currículo e pensei que poderia vir pessoalmente conversar, mas, se um é obrigatório, eu providenciarei, Srta. Phoebe. — Disse Arthur um pouco corado, mas com firmeza.

— Ora, isso não é necessário, apenas aguarde um momento que tentarei agilizar tudo. — Disse ela e escreveu algo em um papel, colocou em uma caixa e a fechou batendo com a varinha na tampa. — Apenas um segundo... O Sr. Edgar não está presente hoje, mas acredito que a Srta. Gillian o receberá sem problemas.

Não demorou mais do que alguns segundos pela resposta e ela sorriu quando leu o papel que apareceu na caixa.

"Ela o receberá em 5 minutos, está terminando uma pequena reunião. — Phoebe sorria alegre e indicou os sofás azuis e confortáveis. — Por favor, aguardem na área de estar e pedirei que lhes sirvam um chá, sucos ou refrigerantes, talvez, alguns biscoitos. — Acrescentou ela piscando para Ginny, que sorriu gostando muito da moça.

— Não queremos dar trabalho, senhorita, apenas acompanhamos o Arthur porque, depois, visitaremos as lojas. — Disse Molly ansiosamente.

— Ora, não é trabalho nenhum. — Disse a recepcionista sincera.

Em poucos minutos, as crianças estavam experimentando refrigerante, recomendação dos gêmeos, que disseram ter provado no aniversário de Terry e se apaixonado. A Pepsi fez sucesso, os sanduíches e biscoitos também e, Molly viu o marido desaparecer no elevador aliviada que as crianças estavam distraídas e alimentadas com algo exótico. Se por um acaso a entrevista não desse resultado, eles não precisariam gastar com essas coisas trouxas esquisitas.

Arthur ficou chocado com o escritório da GER, principalmente, pelos sorrisos, animação e alegria com que todos trabalhavam. Os jovens iam de um lado para o outro, trabalhando cheios de energia e ele percebeu que a muito tempo não se sentia assim ou trabalhava com um sorriso. Verdadeiramente, Arthur amava seu trabalho, ajudar as pessoas e ainda ter contato com coisas trouxas era o trabalho perfeito, para alguém que não pode se dedicar em seu trabalho dos sonhos. No entanto, a crise do último ano, as duras atitudes do Ministério, a falta de reconhecimento e diminuição de salário lhe pesaram sobre os ombros.

— Sr. Weasley, por aqui, a Srta. Gillian irá recebê-lo. — Outra jovem sorridente o conduziu para um dos escritórios, bonito e espaçoso, onde uma mulher bonita de uns 30 anos o recebeu com outro grande sorriso.

— Sr. Weasley, que surpresa inesperada, mas bem-vinda. Sente-se, por favor, gostaria de um chá, café? — Perguntou ela docemente.

— Não, muito obrigada, já me servirão na recepção. — Arthur enxugou a mão suada. — Desculpe vir sem marcar uma entrevista, mas quando recebi sua carta, bem... a muito tempo que não procuro um trabalho mais formalmente e percebi que não tinha um currículo. Não queria perder a oportunidade e decidi vir pessoalmente, espero não causar nenhum transtorno.

— Transtorno algum e tenho tempo agora para entrevistá-lo, assim não vi motivo para remarcarmos. — Rebeca se sentou em sua cadeira e pegou alguns papeis. — Com o seu currículo teria algum conhecimento de sua pessoa, principalmente, aspectos profissionais, mas sem isso teremos que fazer tudo do começo. Quero que comece me contando sobre sua pessoa, sua família, seu tempo em Hogwarts, matérias em que se destacou e no que trabalhou desde que se formou. Lembre-se, não existe certo ou errado, apenas seja verdadeiro e me fale sobre Arthur Weasley.

Arthur não sabia o que dizer ou entendia que estava em frente a uma psicóloga, assim, se surpreendeu ao falar tanto de si mesmo e sua vida para uma estranha. Talvez, se Rebeca não fosse tão acolhedora e gentil, teria se sentido constrangido, mas, pelo contrário, Arthur se sentiu muito à vontade. Contou sobre como sua família perdeu muito dinheiro e teve maus administradores, além de muitos filhos para dividir o pouco que restou. Explicou como seu pai morreu de decepção por não conseguir reerguer a fábrica da família de objetos mágicos e que Arthur decidiu seguir em frente e cuidar de sua família com um trabalho mais seguro. Ele não era um aluno brilhante, mas, seu amor pela magia, objetos mágicos, defesa dos trouxas e ser um puro-sangue, lhe garantiu um cargo razoável no Ministério, na Seção de Controle do Mau Uso dos Artefatos Trouxas. Explicou sobre seus filhos, 5 de 7 em Hogwarts e como os cortes do Ministério, de horas extras e salários, os deixara apertado. Por fim, contou sobre o Caldeirão Furado e como estava sem o segundo emprego tão necessário.

— Desculpe, não pretendia falar tanto. — Disse ele com um sorriso tímido.

— Não precisa se desculpar, era exatamente disso que precisávamos para que eu pudesse conhecê-lo e descobrir qual a melhor colocação para o senhor, Sr. Weasley. — Disse ela suavemente. — Serei sincera, estamos precisando de novos funcionários em várias áreas, interna e externamente, mas queremos profissionais que encarem a GER como uma oportunidade de crescimento e não como um segundo trabalho e grana extra.

— Oh... — Arthur engoliu a decepção ao ouvir isso.

— Isso não quer dizer que não lhe daremos uma oportunidade, mas gostaríamos que considerasse a possiblidade que trabalhar conosco exclusivamente. — Disse Rebeca olhando para a recomendação que Edgar lhe deixara para lhe conseguir uma colocação, seja onde fosse, mas, mesmo sem isso, ela também sentiria vontade de ajudar um homem tão gentil e de bom coração.

— Eu... estou lisonjeado, senhorita, mas, não acredito que apenas um salário resolveria meus problemas e, ainda tem o fato de que amo o meu trabalho. — Disse Arthur sincero.

—Eu percebi e respeito isso, de verdade. No entanto, a possibilidade de crescimento do senhor ou seu Subdepartamento no Ministério da Magia, me parece improvável. Estou errada? — Perguntou ela gentilmente.

— Não, não está. — Admitiu Arthur tristemente.

— Foi o que eu pensei. E, não preciso que tome nenhuma decisão agora, Sr. Weasley, não estou lhe impondo condições para conseguir uma vaga. — Rebeca sorriu ao ver seus olhos esperançosos. — Apenas peço que se mantenha aberto as possibilidades e saiba que a GER tem grande interesse em seu crescimento pessoal e na empresa.

— Eu... não sei se entendo. — Arthur foi sincero.

— Bem, deixe-me explicar, com sua disposição de horário atual, tenho poucos cargos para o senhor, alguns como garçom ou barman, camareiro ou recepcionista, todos no período noturno. Entende? — Arthur acenou entendendo, era algo assim que esperava. — Não existe nada de errado com esses trabalhos, são honrados e importantes, mas, com alguém com sua qualificação, um desperdício.

— Minha... qualificação? — Arthur estava confuso.

— Sim, o senhor tem um grande conhecimento de objetos mágicos, interesse em pesquisa e tecnologia, incluindo da cultura trouxa. O senhor gerência um Subdepartamento no Ministério da Magia a mais de 15 anos, tem espírito de liderança, luta abertamente contra os puristas e em proteção dos trouxas. — Rebeca sorriu quando o viu corar. — O senhor é um homem bom e honesto com grande potencial para realizar grandes coisas. Por exemplo, poderia pensar em voltar a abrir o seu negócio de objetos mágicos... eu sei, entendo que foi algo doloroso de desistir, eram seus sonhos e o senhor precisou ser realista e cuidar da sua família. No entanto, antes, o senhor não tinha ajuda e hoje a GER está aqui e é isso que procuramos, pessoas criativas e empreendedoras com talento e coragem para viver seus sonhos. O senhor também poderia ter um cargo administrativo interno, trabalhar aqui na GER, temos diversas Divisões que ganhariam com sua colaboração, sua dedicação e empenho.

— Divisões? — Arthur perguntou com voz instável, era tanta coisa.

— Sim, temos a Divisão de Negócios que é comandada pelo Sr. Edgar, basicamente, é o nosso Diretor Executivo, administra e comanda a todos com muita compreensão e alegria. — Rebeca sorriu mostrando que gostava do seu chefe. — Depois temos a Divisão Financeira que lida com a contabilidade da empresa e auxilia cada novo negócio do Beco a manter seus números. Temos a Divisão de Marketing, que trabalha nossa marca e de cada loja de maneira inteligente, para atrair o público, além de cuidar da propaganda, seja nos jornais, rádios, folhetos. A Divisão de Turismo tem trabalhado incansavelmente para tornar nossos negócios mais atraentes para os bruxos do mundo todo, acredito que em pouco anos seremos um dos comércios mágicos mais visitados. Temos também a Divisão Imobiliária e sua função é cuidar dos novos imóveis, comprar, alugar, vender, é um trabalho importante porque queremos muito expandir, seja no mundo mágico ou trouxa. E, temos a Divisão Evans, nosso coração, que tem um importante trabalho social de ajudar os discriminados por nossa sociedade, estamos desenvolvendo projetos para ajudar os seres mágicos e também incentivando aos estudos quem não tem ou teve oportunidades.

— Incrível! — Arthur sorriu. — Vocês parecem o Ministério ou o que o Ministério deveria ser.

— Obrigada. — Disse Rebeca orgulhosa pelo elogio. — Estamos muito felizes com tudo o que realizamos e você poderá fazer parte disso, se quiser, e vir lutar conosco para melhorar o nosso mundo. Poderá voltar a estudar, conhecer mais sobre o mundo trouxa e tornar efetivo os seus esforços e dedicação.

Arthur estava muito confuso, não esperava nada disso e uma parte dele queria se jogar ao desconhecido, queria trabalhar em um ambiente alegre e criativo, voltar a sonhar e amar o que fazia. Queria aprender e ensinar aos mais jovens, ter seu trabalho valorizado e sua dedicação colher frutos reais. No entanto, ele não era um jovem de 20 ou 30 anos começando a vida sem obrigações, Arthur tinha 42 anos e 5 filhos, que ainda dependiam exclusivamente dele, de suas decisões, de seu trabalho e responsabilidade. E, nesse momento, eles estavam lá embaixo, esperando por algumas horas de alegria, momentos de felicidade que Arthur prometera a si mesmo, tentaria lhes proporcionar. Se ele aceitasse algo assim, talvez, o faria mais feliz, mas, então, seus garotos não poderiam fazer mais do que olhar para todas aquelas novidades. Ele precisava do segundo emprego, do dinheiro extra, olhando para a Srta. Rebeca, ela lhe sorriu ao ver sua resposta.

— Muito bem. Apenas saiba que estamos abertos a ouvi-lo se mudar de ideia, não desista de si mesmo, Arthur. — Disse ela suavemente e, então explicou as possiblidades de trabalho.

Quando Arthur desceu até o saguão, tinha um sorriso de alegria e, quando seus filhos comemoraram felizes o seu novo segundo emprego, foi muito fácil ignorar o aperto no peito que sentiu ao passar pelas portas da GER.


Em outro ponto de Londres, mais precisamente, no Ministério da Magia, o dia também se mostrou de conversas duras e tensas. Edgar, que chegou a GER antes dos funcionários, foi convocado a uma reunião urgente pela secretária do Ministro Cornelius Fudge. Imediatamente, ele entrou em contato com Falc, pois sabia que seu apoio jurídico seria necessário e precisavam estar totalmente preparados.

Assim, as 12:30, os dois entraram na sala de reuniões onde estavam o Ministro Cornelius Fudge, Albus Dumbledore, Madame Amélia Bones, Lucius Malfoy, Kevin Parkinson, Griselda Marchbanks, Tibério Ogden e Dolores Umbridge. As apresentações e cumprimentos foram feitos rapidamente e todos se sentaram na grande mesa oval de carvalho polido e brilhante.

— Sr. Ministro, fiquei surpreso com sua convocação urgente e ainda mais ao encontrar parte dos membros da Suprema Corte Bruxa, além do Chefe Dumbledore. — Disse Edgar com um sorriso amigável.

— Não deve estar tão surpreso assim ou não traria seu advogado, Sr. Schubert. — Disse Malfoy com frieza.

— Na verdade, advogado da GER. — Edgar apontou ainda em tom tranquilo. — Nós dois representamos executiva e juridicamente os interesses do Grupo Empresarial Revel. E, como imaginei que qualquer reunião tão urgente seria sobre a GER ou o Festival maravilhoso de ontem, acreditei que sua presença era necessária. Estava errado?

— Não, estava correto em sua suposição, Sr. Schubert e devo concordar com o senhor sobre o Festival de Solstício, estava maravilhoso. — Disse Sra. Marchbanks sorrindo.

Houve vários acenos e sorrisos concordando com essa afirmação.

— Eu acredito que nunca vi um lugar tão bonito quanto o Beco Diagonal, em toda a minha vida e, o Alban Arthan, foi precioso. — Madame Bones acrescentou com um sorriso sincero. — A muito estávamos afastados de nossa essência e não prestando o devido respeito a Deusa.

— Eu já viajei o mundo todo. — Disse o Sr. Ogden com expressão séria. — E, afirmo que o novo Beco Diagonal é o centro comercial mágico mais bonito em eu coloquei meus pés.

Sua afirmação cheia de suspense foi acompanhada de um grande sorriso, Edgar e Falc riram aliviados.

— Ficamos imensamente felizes em ouvir isso e, quando contar a todos os funcionários, eles se sentirão ainda mais realizados. Obrigado por suas palavras. — Disse Edgar e Falc acenou concordando.

— Eu também devo parabenizá-los pelo brilhante projeto que foi tão lindamente executado. — Disse Dumbledore com um sorriso sereno e olhos azuis brilhantes. — Posso dar uma sugestão?

— Com certeza, Chefe Dumbledore. — Edgar respondeu se inclinando mais à frente.

— Eu sou completamente apaixonado por boliche e se vocês colocassem um no Beco, me teriam como seu principal cliente. — Seu tom era sério, mas seus olhos brilhavam de diversão.

A Edgar e Falc só restou gargalharem divertidamente, aliviados que não era uma reclamação.

— Prometo pensar com carinho, Chefe e pesquisar sobre a possibilidade real de um boliche no Beco Diagonal. — Edgar respondeu sorridente.

— Bem, eu... também fiquei muito impressionado com as renovações, o novo hotel e a entrada para o Beco, todas aquelas lojas coloridas. — Fudge falou um pouco inseguro no começo, mas depois acrescentou parecendo presunçoso. — O Ministro da França ficou morrendo de inveja de tudo e disse que pretende fazer uma renovação semelhante em seu centro comercial.

— Ora, isso é maravilhoso. — Edgar falou com um grande sorriso. — É possível que consigamos abrir algumas das nossas lojas na França, Ministro e isso seria um grande prestígio para o Ministério e a GER.

— Sem dúvida. — Disse ele entusiasmado e olhos sonhadores. — Imagine, eu seria para sempre lembrado como o Ministro que invadiu a França.

Isso provocou risos e Edgar, começou a formar uma estratégia. Enquanto isso, todos ignoraram a expressão azeda e furiosa dos outros membros da mesa que não tinham se pronunciado ainda.

— Estou lisonjeado que nos chamaram até aqui para nos mostrar, pessoalmente, os seus apreços por nosso trabalho, de verdade. — Edgar disse sorridente e decidiu ir direto ao ponto. — Ou teve mais uma razão para essa reunião?

— A única razão para essa reunião, Sr. Schubert é o fato de que o senhor teve o atrevimento de encher o Beco Diagonal de imundices trouxas que não pertencem ao nosso mundo. — Disse o Sr. Parkinson com ódio no olhar.

— Ah...sim, bem... Sr. Schubert, esta manhã recebi a visita do Sr. Parkinson, que é um dos membros da Suprema Corte, protestando sobre alguns produtos vendidos nas novas lojas do Beco. — Fudge parecia novamente inseguro. — Sr. Malfoy, que é um proeminente membro da nossa sociedade, também não se mostrou muito confortável com tantas mudanças e como elas..., bem, tiram um pouco da alma e da magia que tínhamos antes em nosso antigo Beco.

Pelas expressões de Dumbledore, Ogden e Marchbanks, também membros da Suprema corte, essas afirmações não eram muito bem vistas ou compartilhadas.

— O nosso Beco era um lugar mágico, feito por bruxos para bruxos. — Malfoy disse petulante. — Agora temos uma aberração feita por trouxas, com produtos trouxas, comida e bebida trouxa, para os trouxas.

— Essa informação não me parece muito precisa, Lucius. — Disse Dumbledore calmamente. — A reconstrução do Beco foi feita por bruxos, quem trabalha e gerência as novas lojas são bruxos, todos aqueles que estiveram no Festival ontem e se apaixonaram por tudo o que viram, são bruxos.

— Exato. Tivemos alguns visitantes trouxas, mas eram pais acompanhando seus filhos e isso é permitido por nossas leis. — Disse Edgar objetivamente. — Além disso, os produtos são, em sua maioria, 80% deles, produtos bruxos, fabricados por bruxos e temos como provar isso.

— Isso pouco nos importa! Queremos que essa tolice imunda seja desfeita e que o Beco Diagonal volte a ser como era antes. Um local de respeito e tradição onde nossas famílias compram a gerações. — Parkinson tinha o rosto vermelho de raiva. — Essa indignidade tem que ser desfeita, nossas tradições conservadas e não misturadas com essas modernidades trouxas absurdas.

O silêncio na sala durou alguns segundos até que Edgar se inclinou e riu divertido.

— Desculpe, isso era uma piada, certo? Porque era algo muito divertido de se ouvir. — Disse ele alegremente.

— Está zombando de mim, seu san... — Parkinson se levantou colérico, mas o pigarro hem, hem, da única pessoa que ainda não dissera uma palavra o deteve.

— Tenho certeza que o Sr. Schubert não estava zombando de um membro tão importante da nossa sociedade e da Suprema Corte Bruxa. — Disse Dolores Umbridge docemente e isso, combinado com seu rosto sapóide, era meu enjoativo. Edgar ficou feliz que ainda não tinha almoçado. — Pois isso seria um grande desrespeito a um superior e alguém em um cargo tão importante não cometeria tal leviandade, imagine o que o seu chefe lhe diria. Por falar nisso, quem é o seu chefe?

— O dono da GER, obviamente. — Disse Edgar com um sorriso divertido. — E, não, Sr. Parkinson, não estava zombando, apenas achei suas afirmações divertidíssimas. Não me contive, mas, suponho que, sendo eu quem sou, deveria ser mais claro em minha reposta.

— Nada do que disser torna o que fizeram com o Beco Diagonal aceitável! — Parkinson esbravejou furioso. — Esse é o mundo bruxo e não um chiqueiro de trouxas!

— Sr. Parkinson, o senhor está passando da linha e membro da Suprema Corte ou não, deve se conter. — Madame Bones se inclinou para a frente e lhe lançou um olha intimidante. — Esta não é sua casa e não aceitarei mais discriminações tolas como justificativas para sua oposição ao Beco Diagonal. Aceitei que essa reunião fosse feita porque entendo que todos temos direito a preocupações e opiniões diferentes, ainda que espero que elas sejam baseadas em informações sólidas e não preconceitos antigos. — Madame Bones tinha um jeito simples e direto de explicar que cativava a todos, até Parkinson engoliu suas palavras, apesar da raiva.

— A questão principal são nossas tradições, nossa herança e o que deixaremos de legado aos nossos filhos. — Malfoy, mais inteligente e frio, assumiu a reunião. — Nosso mundo é o mundo dos bruxos e não dos trouxas, não podemos permitir que isso nos seja tirado. Nossas tradições e cultura, nossa magia desaparecem quando permitimos que uma cultura estranha invada nosso mundo.

— Eu sou obrigada a concordar com o que esses distintos senhores dizem, Sr. Ministro, me parece que essa empresa, GER, se aproveitou de sua boa vontade para deturpar o Beco Diagonal e transformá-lo em um local de loucuras e excentricidades. — Madame Umbridge com uma doçura maldosa enjoativa. — O que será de nossas crianças? Aprendendo todas essas bobagens estranhas e modernas? Esquecerão nossas tradições e se tornarão uns selvagens!

— Exatamente. E, ainda há a questão das permissões, duvido muito que essa empresa, que surgiu do nada e cujo dono não sabemos quem é, tem autorização legal para fazer todas aquelas coisas em nosso Beco. — Disse Parkinson acompanhando a linha de raciocínio. — Além disso, exijo saber quem é esse tal empreendedor que decidiu enlamear o nosso mundo.

— Bem, acredito que essa última declaração justifica minha presença. — Disse Falc com seu olhar de falcão, agudo e frio. — Cada etapa da criação da GER, cada decisão tomada, compra, venda, contratação, reconstrução, reforma, foi feito dentro da lei. As permissões foram pedidas e concedidas, as taxas e impostos pagos, o projeto apresentado para o Ministro e o Sr. Horstt, que infelizmente não está presente, aprovado e, assim... — Falc fez uma pausa. — Posso lhes garantir, senhores, senhoras, que nenhuma questão legal pode ou poderá ser levantada e contestada.

— E o que me importa suas garantias? Este é seu trabalho e está sendo pago para afirmar isso, mas não acredito até ver toda a documentação por mim mesmo. — Parkinson afirmou com arrogância. — E, quem diabos é este Sr. Horstt?

— Seu desejo é legalmente impossível, Sr. Parkinson e o Sr. Horstt é o responsável pelo setor de tributos, licenças, registro dos imóveis e outras tantas burocracias que, o meu Departamento e a Suprema Corte Bruxa, dão pouca ou nenhuma atenção. — Madame Bones explicitou com frieza, talvez chateada pela ignorância de um membro da Suprema Corte. — É chamado de Tribunal de Contas, é um dos subdepartamentos do Departamento de Leis e, o Sr. Horstt, é o seu responsável e muito competente em seu trabalho. Assim, apesar de não estar presente, posso lhe garantir que o Secretário Horstt não teria deixado passar uma virgula fora das leis deste Ministério.

As caras azedas e severas ficaram ainda mais desagradáveis.

— Porque a senhora diz que não podemos verificar as documentações da GER? — Malfoy questionou com olhar atento.

— Todos os documentos de registro públicos estão disponíveis, apenas existem sessões sigilosas, como endereços e nome do proprietário, por exemplo. — Madame Bones explicou e parecia quase divertida. — Essa é a lei, todas as famílias antigas do mundo mágico têm direito a manter informações confidencias dos seus negócios, contratos e registros.

— Exato. — Falc sorriu sem disfarçar a diversão. — E, acredito que os senhores não teriam interesse em mudar essa lei, não é mesmo?

Todos os três, mesmo Fudge, não conseguiram disfarçar o desconforto que sentiram, mas, Malfoy se recuperou rápido e seu rosto mostrou uma estudada indiferença.

— Então, o dono da GER é um membro de uma família antiga?

— Sim. — Respondeu Edgar e Falc apenas acenou. Alguns segundos de silêncio se passaram, mas, eles não acrescentaram nada, para o desapontamento de todos, pois a curiosidade dos presentes era imensa.

— E, como saberemos que isso é verdade? Que essa pessoa não está mentindo? Se ninguém, além desses dois senhores, sabe quem é o dono dessa tal GER? — Perguntou Umbridge com malícia, mas Parkinson e Malfoy apenas a olharam com desprezo.

— Acredito que essa pergunta tola nem mereceria resposta, mas... — Falc disse com ironia ao erguer as sobrancelhas. — Madame Umbridge, as magias antigas são acionadas para proteger as famílias antigas, com o sigilo, com as permissões especiais e até descontos de taxas e impostos. Nada disso seria acionado se o nome impresso no pergaminho não fosse o de uma das famílias antigas do nosso mundo. Mas, suponho que a senhora não teria como saber disso, não é mesmo?

Dolores Umbridge corou e sua boca se franziu tanto que parecia um sapo que chupou um limão, mas, felizmente, se manteve calada.

— Bem, se resolvemos as preocupações legais dos senhores, acredito que é minha vez. — Disse Edgar e seu sorriso suave e olhos alegres desapareceram. — O senhor disse mais cedo, Sr. Parkinson, que nada do que eu diria justificaria a reconstrução do Beco Diagonal. Deixando os seus preconceitos tolos de lado, como nos aconselhou Madame Bones, vamos discutir alguns números. — Edgar se levantou, dominando a sala facilmente com sua energia e inteligência, rodeou a mesa lhes entregando alguns papeis.

— O que é isso? — Perguntou Sr. Ogden curioso.

— Isso, senhores, senhoras, são nossos números iniciais e algumas projeções para os próximos meses. Estamos falando de resultados a curto e médio prazo, assim, vamos aos fatos, nos últimos 6 meses a GER contratou 1218 bruxos e bruxas do mundo magico britânico. Eu estou falando de 1218 bruxos e bruxas, não trouxas, bruxos e bruxas! — Edgar falou pousada e enfaticamente, sua energia envolveu a todos, ninguém o interrompeu. — Abrimos 25 novos negócios no Beco Diagonal, reformamos mais de 30 imóveis abandonados, e agora eles contêm 25 novos negócios que rendeu aos cofres deste Ministério o valor, em taxas e impostos, o total de 3.142 galeões. Lugares abandonados que ninguém pensou em utilizar para gerar renda ou novos empregos, mas que nós transformamos em um grande sucesso de público e vendas. Além de lindo e mágico, o Portal Adler gerou o número de pessoas que visitaram Beco Diagonal nas últimas 24 horas, sem repetir o registro para quem entrou mais de uma vez. Nesta linha em vermelho, este grande número.

— Tudo isso? — Fudge arregalou os olhos assombrado.

— Sim, em um dia, Sr. Ministro, em um único dia, tivemos a visita de 316 mil pessoas! Pessoas que compraram, consumiram, se encantaram e voltarão de novo e de novo! Esta é a projeção dos empregos que criamos indiretamente, ou seja, empregos criados nas fábricas a partir do aumento da produção para suprir as novas lojas da GER. Qual o número? — Edgar acenou para Sra. Marchbanks que chocada, disse:

— 900 Empregos indiretos.

— Isso é uma perspectiva dos últimos meses, porque agora a economia, que esteve em recessão por meses, se recuperará e a tendência é que novos empregos sejam criados. Essa é a projeção nos próximos 6 meses. — Edgar apontou para o Sr. Ogden que sorriu e disse.

— Perspectiva de criação de mais 1500 empregos diretos e indiretos.

— Exato! Estamos falando de um empreendimento de milhares e milhares de galeões que gerará direta e indiretamente, aproximadamente, 3600 empregos no mundo mágico! Não no mundo trouxa, estou falando em nosso mundo, que esteve por anos com a economia estagnada e no último ano com uma recessão terrível, causada, entre outras, por centenas de demissões realizadas pelo Ministério.

— Como você tem certeza que a economia de recuperará? — Fudge perguntou ansioso.

— Simples. — Edgar sorriu astutamente. — Como bem explicado por um jovem amigo outro dia, a economia se acelera quando o povo está empregado e com salários justos. Este é um exercício simples, Ministro, se o povo tem dinheiro, eles consumirão, compraram no comércio, nas lojas, restaurantes e se o comércio estiver em alta... — Edgar apontou para Fudge que como um bom aluno respondeu.

— As fábricas aumentam a produção! E, com mais produção, mais empregos! — Fudge parecia espantado com sua descoberta.

— Exato! O povo está feliz, com um emprego e salários justos, a economia se acelera, o que gera mais impostos, que são pagos em dia e os cofres do Ministério voltam a se estabilizar. Isso lhe permitirá voltar com as horas extras e reajustar os salários corretamente para os funcionários do Ministério. — Sr. Edgar se inclinou sobre a mesa e encarou para o Ministro, olho no olho. — Sabe o que tudo isso significa, Ministro? Sabe o que significa para o senhor, se o povo estiver feliz?

— Eu serei reeleito! — Seus olhos brilhavam e ele sorria como uma criança com os presentes de Natal. — Se tudo isso acontecer, eu, com certeza, serei reeleito!

— Eu não tenho a menor dúvida sobre isso, Ministro, mas, ainda mais, se o que projetamos acontecer, se conseguirmos incentivar efetivamente o desenvolvimento do mundo mágico britânico, mudaremos a história. — Edgar falou baixo, ainda o encarando e Fudge parecia meio hipnotizado. — Imagine isso, Ministro, mais consumo, mas produção, mais produção, mais emprego, mais emprego, mais consumo, num círculo de prosperidade e isso seria apenas o começo.

— O... Começo? — Sussurrou Fudge de olhos arregalados.

— Sim, porque logo as fábricas não darão conta e outras terão que ser abertas. Os novos produtos, trouxas ou não, serão consumidos por bruxos e poderão vir a ser produzidos por bruxos, futuramente. — Edgar sorriu e seu olhos ficaram sonhadores. — Imagine, Ministro, mais produtos, mais fábricas, mais lojas, mais empregos, mais consumo, mais produção. Aposto que o Beco ficará pequeno e precisaremos de um segundo centro comercial, talvez, Hogsmeade, a única vila do Reino Unido onde vivem apenas bruxos, recebendo bruxos do mundo todo. Ou, talvez, na Irlanda, quem sabe um terceiro Beco Diagonal em Edimburgo? Imagine isso, Ministro, quando o senhor for lembrado no futuro, nos livros de história, será como o Ministro que levou o mundo mágico britânico a um crescimento sem precedentes, a um nível internacional. Todos os Ministros, de todos os países, o invejarão e virão lhe implorar por orientação de como atingir o mesmo sucesso. E, o senhor será considerado o Maior ministro do mundo, não apenas do Reino Unido, mas de todo o mundo. Imagine isso...

Os olhos de Fudge estavam tão sonhadores quanto o de Edgar, visualizando o futuro projetado e se imaginando no topo do mundo, invejado, famoso e rico.

Os outros encaravam os dois entre divertidos, surpresos e completamente horrorizados. Fudge se levantou e andou pela sala com aquela expressão estranhamente ausente.

— Ministro, o senhor não pode cair nas mentiras absurdas deste... — Malfoy se levantou indignado e meio em pânico, apesar de disfarçar muito bem. — O mundo mágico sempre prosperou muito bem, estamos vivendo um momento conturbado que não é sua culpa e o povo verá a verdade disso. Tenho certeza que podemos sentar e pensar em maneiras de reerguer nossa economia sem que seja necessário aceitar ideias mirabolantes de um estranho e seu chefe, que se esconde como um covarde.

Suas palavras foram fortes e Fudge ouviu sem se convencer, ainda que estivesse acostumado a lhe dar atenção. Edgar riu e agora parecia estar debochando sem disfarçar.

— Sr. Malfoy, por favor, não nos faça rir. — Edgar olhou para Falc que também sorria, mas seus olhos tinham uma frieza e desprezo guardados exclusivamente para Lucius Malfoy. — Posso até imaginar a suas ideias, Sr. Malfoy, hum... deixe-me ver, despedir mais funcionários, nascidos trouxas ou mestiços, claro, cortar mais os salários dos funcionários que ficarem, não dos funcionários puros-sangues, obviamente. Aumentar os impostos das pequenas fábricas e lojas, dos trabalhadores, dos mais pobres, não das famílias antigas e suas heranças milionárias.

— Aposto que diminuir a verba para o St. Mungus passou pela cabeça deles, Edgar, afinal, são apenas pobres e doentes, mesmo. Quem se importa se morrerem? — Acrescentou Falc com inteligente.

—Bem lembrado, Falc, bem lembrado. E, sabe o que acontecerá, Ministro, se fizer tudo isso? Os preços dos produtos irão aumentar para compensar a alta nos impostos, o povo, sem dinheiro, sem emprego, não comprará, as fábricas não produzirão e mais pessoas ficarão desempregadas. — Edgar voltou a se inclinar sobre a mesa, dessa vez na direção de Malfoy e Parkinson. — É isso que desejam? Para todas essas pessoas? A pobreza e miséria? Deseja que mal tenham o que comer ou presentes para alegrar seus filhos no Natal?

— Acha que me importo com esses sangues sujos inferiores? Por mim todos podem morrer de fome que me faria muito feliz, seu sujeitinho imundo! — Gritou Parkinson se levantando escolarizado pela afronta.

Edgar nem piscou, pois, era essa a resposta que queria, apenas voltou a se endireitar e bater palmas debochadamente.

— Muito bem, muito bom plano, mas esse plano, Ministro, acabou de impedir sua reeleição. Sabe porquê? — Edgar olhou diretamente para o Fudge e a pontou para o papel que lhe fora entregue. — Qual é o número de nascidos trouxas e mestiços comparativamente ao número de puros-sangues, Madame Bones?

Madame Bones olhou por um segundo o papel e arregalou os olhos.

— 4 para 1, isso... é real? — Ela estava muito surpresa.

— Os números são oficiais, Madame Bones, consta nos arquivos da Seção de Registros, que faz parte do Subdepartamento do Tribunal de Contas. — Falc disse em tom educado.

— Imagine isso, Ministro, três quartos da população do seu país, seus eleitores, se não fosse pela GER, estariam tendo o pior Natal de suas vidas. — Edgar sorriu e abriu os braços. — Imagine se tudo o que foi alcançado fosse destruído, acredita que teria alguma chance de ser reeleito, Ministro Fudge?

— E, o senhor acredita que eles se importam? — Falc se levantou em toda a sua altura, elegante, postura de um bruxo puro que sabia quando era o momento de usar sua ascendência. — Acredita, Ministro Fudge que eles se importam com alguém além de si mesmos, de sua pureza e riqueza? O que esses senhores desejam, por causa de seus preconceitos, é dizimar o nosso mundo e pouco se importam quem é o Ministro, desde seja alguém maleável que obedeça às suas ordens.

Fudge olhou para os dois lados e, apesar de não ser dos bruxos mais inteligentes, percebeu que sua decisão o colocaria contra um dos lados e não haveria volta. Seu primeiro instinto era pedir orientação, antigamente seria para Dumbledore ou, atualmente, para Madame Bones, que vinha sendo um grande apoio. Mas, Fudge percebeu que sabia suas respostas, os dois o aconselhariam a fazer o bem para o povo, a ajudar e ser justo e, pela primeira vez em sua vida política, ele se importava com isso também. Sua visão do futuro não o tornou, de repente, um novo homem, não lhe tirou a ambição ou ganância, nem mesmo o transformou em um político justo e generoso. Não, o que aconteceu foi que Fudge percebeu que não queria ser lembrado como o Ministro que era cruel com o povo, que os deixava passar fome ou ter um Natal triste e pobre. Naquele momento, Fudge percebeu que queria ser um Ministro amado por seus eleitores, reverenciado e lembrado como aquele que os liderou na direção de um futuro brilhante. Olhando para o Sr. Schubert, perguntou seriamente.

— Isso tudo o que disse, essas projeções, todo... esse futuro incrível, isso é realmente possível?

— Possível? Com certeza. Será fácil? Não mesmo. — Edgar sorriu, apontoando para Falc e assim mesmo. — Nós acreditamos e, com a GER, seus mais de mil funcionários, lutaremos por esse futuro, Ministro Fudge. O meu chefe não é um covarde como dito pelo Sr. Malfoy, pelo contrário, ele teve a ideia da GER e da renovação do Beco Diagonal. Também teve coragem para transformar sua ideia em realidade e, apesar de não estar aqui agora, acredito que falo por ele quando digo que, estamos apenas começando.

Fudge acenou e sorriu, estendendo a mão em um cumprimento que selava o seu apoio e seu destino.

— Eu já apoiava todas essas mudanças no Beco Diagonal e agora que entendo completamente a grandiosidade do que vocês estão fazendo, não poderia fazer nada mais além de ajudá-los no que precisarem. Podem contar comigo. — Disse ele e parecia estranhamente sincero.

— Ministro... — Malfoy tentou protestar, seu rosto estava pálido.

— Não, Lucius, nós todos sabemos que nada poderia ser feito para destruir o que foi criado como vocês sugeriram. — Disse Fudge muito sério. — Eles estão dentro das leis e, mais importante, o povo adora o novo Beco, as lojas e produtos. As pessoas têm empregos, celebrarão um bom Natal por causa de tudo o que a GER fez, não me oporei ao progresso e virarei as costas para os meus eleitores. Isso está decidido.

Seu queixo estava erguido e sua expressão era meio arrogante e pomposa, mas quem o olhasse com atenção poderia ver que estava muito tenso com sua declarada oposição.

— Eu entendo. — Malfoy acenou formalmente e pegando seu casaco, se posicionou em despedida. — Acredito que é aqui que nos separamos, então, Ministro Fudge. Até mais ver e tenham todos um bom Natal.

Sua ironia final foi ignorada e a maioria lhe acenou, retribuindo o cumprimento, enquanto Malfoy deixava a sala, com um Parkinson enfurecido atrás.

Fudge se aproximou de Madame Bones que o cumprimentou por sua inteligente escolha. Sr. Ogden e Sra. Marchbanks se levantaram para lhe oferecer total apoio. Umbridge lançava olhares venenosos para Edgar e Falc, tentando imaginar alguma maneira de poder prejudicá-los, enquanto o estranhamente silencioso Dumbledore, também observa seus antigos e surpreendentes alunos, pensativamente.

Falc e Edgar se aproximaram de uma mesa lateral com água e chá, se servirão enquanto falavam suavemente.

— Exatamente o que esperávamos. — Sussurrou Edgar.

— Malfoy é bem previsível e ele é um dos mais inteligentes deles. — Falc bebeu sua água tentando afastar a amargura que sempre sentia ao ver o assassino de sua irmã. — Na verdade, o resultado foi melhor do que prevíamos.

— Parkinson se mostrou alguém muito fácil de manipular e me deu o que eu precisava para convencer o Ministro, que também me mostrou suas ambições facilmente. — Edgar suspirou e olhou para o homem sorridente que parecia ter a certeza de sua reeleição. — Estou com esperança, Falc, se o Ministro nos apoiar, se pudermos ter maioria na Suprema Corte, poderemos tentar mudar algumas leis, talvez...

— Um pouco otimista demais, meu amigo. — Disse Falc ironicamente. — Fudge é um político e suas decisões são baseadas em suas ambições, precisamos lhe mostrar que o melhor para ele, é que o mundo mágico prospere ou nos abandonaria em um piscar de olhos.

— Sim, você está certo, mas, deixe-me aproveitar a nossa vitória e ter esperança, Falc. — Edgar sorriu e se aproximou do grupo para lhes responder algumas perguntas.

Enquanto, Edgar explicava ao Ministro como uma administração voltada para o bem do povo era o melhor para sua carreira, Malfoy e Parkinson caminhavam para a saída do Ministério.

— Espere, Lucius, espere. — Mas, Malfoy só interrompeu o passo quando entrou no elevador. — Você não pode aceitar e simplesmente sair, precisamos voltar lá e obrigar...

— Obrigar? — A voz de Lucius ficou ainda mais fria que o normal. — Acredita que sou tolo, Kevin? Não estamos sob a proteção do nosso Mestre e não podemos obrigar ninguém a seguir nossos comandos. Podemos mentir e manipular, até ameaçar, mas, não obrigar e, você, como um Slytherin, deveria saber disso.

— Ok, mas me recuso a desistir...

— Quem falou em desistir? — Malfoy se interrompeu quando dois bruxos entraram no elevador.

Assim que chegaram ao imenso saguão, eles caminharão até a estatua com os bruxos, goblins, elfos e centauros.

— Você tem um plano? — Sussurrou Parkinson jogando alguns nuques na fonte para disfarçar.

— Sim. — Malfoy olhou em volta e disse com frieza. — Acredito que está na hora de lutarmos pelo controle do mundo mágico, mais efetivamente e, não o faremos sozinhos.

— Como assim? — Parkinson estava perdido.

— Explicarei hoje à noite em minha casa quando nos reunirmos com nossos velhos amigos, os que estão livres, claro. —Malfoy disse suavemente, começando a se afastar. — Às 8 horas, Kevin, não se atrase e não permita que ninguém falte. Temos muito o que planejar.