Capítulo 59
Naquela noite, durante o jantar no Chalé Boot, o assunto principal foi o dia de faxina e compras. Depois que todas as roupas, sapatos e brinquedos foram separados, concertados e encaixotados, Serafina e tia Petúnia os levaram até a ONG que os distribuiria para os orfanatos e abrigos da região. O dia seguinte seria para irem ao supermercado comprar tudo o que precisariam para as preparações das refeições e Harry os ouviu atentamente, pois queria ajudá-los na quarta-feira a cozinhar tudo. Ele também falou sobre seu dia, arrancando sorrisos e suspiros de todos quando contou sobre os lugares lindos que viu, os animais fofos e, principalmente, o bebê Jason. Sirius os fez rir contando as partes engraçadas do dia e se emocionar com sua ideia para um Ritual Yule no Natal, para homenagear Lily e James.
Sr. Falc disse que a urgência do chamado de Edgar, foi uma reunião convocada pelo Ministro, mas que o resultado da reunião era positivo e que poderiam conversar com mais detalhes no dia seguinte. Harry se sentiu aliviado, pelo menos algo bom, porque sua conversa com a Sra. Serafina não estava prometendo ser assim.
Ela veio procurá-lo em seu quarto pouco antes de dormir e tinha uma expressão séria.
— Você teve o dia todo para refletir sobre o que fez, consegue compreender porque estava errado? — Serafina perguntou suavemente.
— Sim. — Harry suspirou e se sentou em uma poltrona. — Eles são meus amigos e minha reação foi me colocar ao lado deles, apoiá-los e ajudá-los, no entanto, eu deveria ter visto o quadro todo. É mais do que rebeldia contra uma injustiça, eram os dois fazendo algo potencialmente perigoso para eles mesmos e também não era correto trair a confiança de seus pais. Me sinto culpado por não os ter ajudado de verdade, assim não estariam com tantos problemas.
— Bem, parece que você realmente pensou nisso tudo e fico feliz que tenha entendido a gravidade do que aconteceu. — Serafina suspirou se sentando em uma das cadeiras. — Eu também não queria os colocar em problemas e não me senti satisfeita em dedurá-los, mas, como mãe, não podia permitir que eles acreditassem que podem fazer algo assim e só porque tudo acabou bem, então, não estava errado. Ou, você e Terry pensassem assim.
Harry acenou entendendo que ela tinha que ser responsável e adulta, mesmo que isso não a fizesse legal. Sirius também vinha vivendo esse conflito e foi sincero com ele ao afirmar que estava aprendendo como ser seu padrinho e tudo que isso envolvia.
— Seus pais ficaram muito zangados? — Harry perguntou preocupado.
— Seu pai não estava presente, apenas sua mãe e sim, ela ficou zangada e aflita com o que poderia ter lhes acontecido se não os tivéssemos trazido para casa. — Disse ela com uma expressão estranha. — Você poderia me explicar porque achou que seus pais foram injustos com Fred e George? — Perguntou Serafina tentando entender toda a situação.
— Bem, eu os encontrei no fim da tarde, sozinhos, mal-humorados e com fome... — Harry contou tudo o que os gêmeos lhe disseram e seu pedido a Edgar para conseguir um trabalho para o Sr. Weasley. — Na hora, pensei que não havia nada demais estarem ali sozinhos e que seria legal se pudessem ver o show no camarote conosco.
— Mas, Harry, eles passaram a tarde andando pelas lojas sem comer ou beber nada, a não ser o lanche que você lhes forneceu e depois ficaram por lá sem jantar até às 9 horas da noite, que foi quando chegamos. — Serafina suspirou. — Sei o quanto é independente e como é normal para você não contar com os adultos, se virar sozinho, mas não lhe ocorreu que seus amigos precisavam de mais do que um misto quente?
Harry abaixou a cabeça envergonhado ao perceber que estava muito concentrado em si mesmo, no Beco, nas lojas e toda a festa para perceber que seus amigos precisavam de ajuda e não de uns tapinhas nas costas.
— Não, sinceramente, não pensei nisso tudo, acho... que minha mente estava mais concentrada em todo o Festival e, eles são muito orgulhosos e quase não aceitaram o convite para o lanche. — Harry bagunçou os cabelos. — Posso pensar em montes de caminhos diferentes e corretos para essa confusão toda, mas, naquele momento... — Ele se interrompeu e olhou com sinceridade para Serafina. — Além disso, me solidarizei com eles, Sra. Serafina, porque sei como é ser impedido de fazer, comer ou ir a lugares legais e divertidos. Posso citar nos dedos de uma mão, momentos em que os Dursleys foram obrigados a me deixar ir a algum lugar ou comer algo diferente, participar de alguma ocasião especial, apenas para manter as aparências. No resto do tempo, ficava trancado em meu armário ouvindo a diversão, sentindo o cheiro gostoso da comida que tinha ajudado a preparar. Ou, quando eles iam a algum lugar divertido, eu ficava na Sra. Figg e, depois, o Duda debochava de todas a coisas legais que viu ou nos brinquedos que andou, nas comidas que comeu e eu jamais teria, porque aberrações não mereciam... — Harry se engasgou e baixou a cabeça apoiando a testa em sua mão sentindo a angústia e tristeza daqueles momentos em que não entendia porque não era merecedor de ser feliz também.
— Harry...
Harry fez um gesto, deixando claro que não queria pena e respirou fundo, antes de continuar.
— Eles são merecedores, Sra. Serafina, todas as crianças são merecedoras de serem felizes e me pareceu tão injusto que seu pais lhes tirassem esse momento especial... — Harry suspirou cansado. — Acho que só pensei nisso e não no que era importante.
— Isso é importante também, seus sentimentos são importantes, até porque eles são os motivadores de suas ações. E, seu impulso de ajudar um amigo nunca poderia ser criticado por mim, mas, você é um Ravenclaw, Harry e não um Hufflepuff, assim, mesmo que elogio sua lealdade, não aprovo suas atitudes nada inteligentes. — Serafina disse palavras duras, apesar do tom suave da voz.
Harry acenou com a cabeça sabendo que ela estava certa, mas...
"No entanto, não serei dura demais em relação a toda essa história porque sei que você não foi o responsável ou planejador dos erros dos garotos e muito menos posso esperar que você sempre saiba a coisa certa a fazer em todas as situações. — Serafina suspirou e estendeu a mão para o Harry, que se levantou e ficou a sua frente, olhos castanhos encararam os verdes. — E, é por isso que quero que você confie em nós, Harry. Porque você é jovem, está crescendo e aprendendo, as vezes estará em situações conflituosas ou que nunca experimentou antes e, nesses momentos, você deve dar um passo para traz e refletir ou, ainda melhor, pedir nossa ajuda. E, nós estaremos aqui para lhe ouvir e aconselhar, apoiar... sei que não agi assim a alguns meses, mas, aquela era uma situação em que nunca estive e eu estava em conflito, mas ao em vez de dar um passo para traz e pedir conselhos ao Falc, Sirius e Petúnia, tomei decisões sozinhas e errei. Você entende?
Harry acenou entendendo a ligação entre um erro e outro, suas semelhanças e como poderiam ter sido evitados facilmente.
— Esse não é o meu primeiro instinto, Sra. Serafina, quando estou em dúvida, quando não sei o que fazer ou a situação se aperta, tento resolver por mim mesmo. Ainda não me acostumei que tenho pessoas que se importam comigo..., na verdade, às vezes, quando olho para a minha tia e o Duda, rindo ou conversando com todos, tenho certeza que estou trancado no meu armário tendo o sonho mais louco do mundo.
Isso fez Serafina rir e Harry a acompanhou.
— Eu entendo, sério, tinha a mesma sensação quando recebi minha carta e fui para Hogwarts. — Serafina ficou com os olhos úmidos de repente. — Eu era tão independente e tentava resolver tudo por mim mesma, sabe, as dificuldades em Hogwarts, os preconceitos dos puristas, mesmo que doesse muito, nunca contei aos meus pais. Voltava para casa com um grande sorriso e engolia a tristeza, escondia os problemas do mundo mágico e, mesmo quando a guerra chegou ao auge, a tensão me tirava o apetite, não me deixava dormir, eu não lhes contei nada. Então... aquela mulher horrível me ameaçou naquele dia e... — Ela se interrompeu por um segundo, ao se lembrar o medo terrível e enregelante por seu bebê. — Eu estava em pânico, perdida, confusa e Falc tentava ajudar seus pais a lidarem com a morte de Carole... Uma tarde, visitei meus pais, com um sorriso falso, tentando disfarçar o indisfarçável e eles não aceitaram mais minhas mentiras, insistiram em saber o que acontecia, me disseram que seja o que fosse, eles me ajudariam.
— E o que a senhora fez? — Harry sussurrou ao ver uma lágrima solitária deslizar por seu rosto.
— Eu caí no choro, ali, na minha casa de infância, abraçada por meus pais, acalentada por seu amor, contei toda a verdade. Demorou horas para contar tudo, minha vida em Hogwarts, a sociedade mágica, a guerra, a verdade sobre a morte de Carole... — Seus olhos expressaram a dor pela perda. — Tínhamos dito que foi um acidente mágico, saber que ela foi assassinada tão cruelmente enquanto ajudava na fuga dos perseguidos foi um grande choque e quando contei sobre a ameaça que tinha sofrido... Ah, Harry, eu tinha sido tão tola, arrogante, pensei que eles, não sendo bruxos, não poderiam me ajudar. Esse é um dos problemas em viver em uma sociedade intolerante e opressiva, com o tempo, os oprimidos começam a acreditar nas crenças preconceituosas.
— Como assim? — Harry perguntou sem entender.
— É como os homossexuais que se escondem por temerem o preconceito, alguns acreditam que realmente são os culpados, os errados. Ou negros, que se ressentem de serem negros porque, depois de serem discriminados e excluídos por suas vidas todas, começam a associar isso a quem são. Assim, depois de um tempo, a culpa não é dos pensamentos preconceituosos ou de quem comete discriminação, mas deles por serem negros, homossexuais ou nascidos trouxas. — Serafina explicou suavemente. — Na escola, não era incomum eu esconder características minhas, não falar sobre o mundo trouxa, minha família, esconder uma parte de mim para evitar ser diferente, ser discriminada. E, em algum momento, a cultura do mundo bruxo me convenceu que a culpa era das minhas origens. — Serafina bateu no peito e sua culpa era clara. — Eles ensinam aos nascidos trouxas a se envergonharem de terem vindo de famílias trouxas e a acreditarem que são superiores por serem bruxos. Uma parte de mim acreditou que, por serem trouxas, meus pais não eram tão capazes como os bruxos, assim, eles não podiam me ajudar, mas... Quando terminei de contar tudo, meu pai não me disse nada, não ficou zangado ou me recriminou pelas mentiras, ele apenas trocou um olhar com minha mãe e pronto.
— O que eles fizeram? — Harry perguntou ansioso.
— Papai se levantou e foi até o telefone e ali, na minha frente, ligou para um amigo no Alabama. Disse que precisava que ele conseguisse uma casa, em um lugar tranquilo, disse que tinha que ser uma casa de alguém que nenhum dos dois conhecesse e que não poderiam saber o endereço. Ele pediu urgência, para refugiados de guerra, disse, e isso bastou, seu amigo sabia o que fazer. Papai ligou para o aeroporto e reservou duas passagens de avião para New York, para dali a dois dias apenas. — Serafina enxugou outra lágrima que escorreu pelo seu rosto. — Em um segundo, meu pai entendeu tudo, percebi enquanto o ouvia conversar e organizar tudo, que ele sabia muito mais do que eu sobre guerras, discriminação, refugiados e, que esse conhecimento, o tornava mais experiente e capaz, mesmo sem magia, de me proteger, me ajudar. Quando tudo estava pronto, eu ainda hesitei, fugir parecia errado, mas minha mãe me olhou nos olhos e me disse para parar de ser tola e pensar no meu bebê. "Você já é sua mãe, Serafina, esse garotinho precisa da mãe dele, precisa que você o proteja acima de tudo e todos". — Ela o olhou com um sorriso meio assombrada. — Só assim, e eu sabia o que tinha que fazer, todas as minhas dúvidas se foram e, quando cheguei aqui, arrumei minhas coisas e desci com as malas. Falc chegou e eu lhe disse que precisava ir, por Terry, mas que entendia se ele quisesse ficar com seus pais, mas, Falc decidiu ir conosco.
— E, como foi lá, nos Estados Unidos? Viver tão longe de todos? — Harry perguntou suavemente, sabendo que essa decisão, talvez, lhes salvara a vida e, mais uma vez, lamentando que seus pais também não tivessem partido.
— Difícil, no começo, as saudades e preocupações eram imensas, mas viver sem magia teve seu peso também. — Com o olhar confuso do Harry, Serafina explicou. — Entramos nos país por meios trouxas, como se fossemos trouxas, tínhamos viajado para o exterior desta maneira outras vezes, por isso, Falc tinha a documentação. Mas, quando você chega a um outro país deve se apresentar ao seu governo mágico e pedir autorização, ou visto, mas, o mais importante é ter uma permissão para fazer magia em solo estrangeiro. Nós, obviamente, não nos registramos na MACUSA, a ideia era não deixar rastros e por isso não podíamos usar magia e sermos detectados pelo governo. Isso causaria problemas, poderíamos até ser presos, assim, a magia foi excluída das nossas vidas, a menos que fosse uma emergência. — Serafina sorriu divertidamente. — Para o Falc foi muito pior, mas mesmo eu sofri, porque há tantas coisas do nosso dia a dia que fazemos com um simples feitiço. Para mim foi como me reencontrar comigo mesmo, sabe, com minhas origens, com a Serafina Madaki, percebi que não era apenas uma bruxa, era muito mais e que, isso, me tornava especial. Voltei a ter orgulho de quem era e a valorizar as minhas origens, os trouxas, que mesmo sem magia, realizam tanto, todos os dias. Falc, depois de um tempo, se adaptou e é por isso que ele se locomove no mundo trouxa com tanta desenvoltura, pega o metro, vai ao shopping, cinema, lanchonetes e nem parece um puro-sangue.
— Talvez seja essa a solução, podemos obrigar todos os puros-sangues a viverem sem magia no mundo trouxa. —Disse Harry divertidamente e os dois riram. — Obrigado por me contar tudo isso, Sra. Serafina, de verdade, acho que entendi melhor o que e porque é importante que eu confie em vocês.
— Fico feliz e não se exija demais, você passou anos sem ter o apoio de ninguém e faz apenas um ano que isso mudou. Oficialmente, menos ainda. — Serafina o olhou com um sorriso amoroso. — E, confiar, como quase tudo nessa vida, é algo que aprendemos com tempo e paciência. Apenas, não desista, Harry, mesmo quando cometermos erros e, não tenho dúvida que isso acontecerá, não desista de nós ou duvide do nosso amor.
Emocionado, Harry acenou e pigarreou.
— Prometo. Não desista de mim também, Sra. Serafina e não duvide que a amo e todos os outros, para mim, os Boots, são a minha família. — Disse ele com a voz embargada.
— Oh! — Emocionada ela o puxou para um abraço forte. — Nunca, nunca desistirei de você, nenhum de nós e obrigada por seu amor. Não faz ideia do quanto eu valorizo isso.
Harry se afundou em seu abraço tentando absorver tudo o que sentia por ter o seu apoio, amor e encorajamento. E, naquele momento, lhe pareceu, que mais do nunca, que ele não estava mais sozinho.
Em Wiltshire, nos arredores da cidade de Warminster, escondida dos trouxas por poderosas proteções, ficava a Mansão Malfoy. Ela ficava ao fim de uma estrada ladeada por florestas e seu imponente portão de ferro trabalhado apenas anunciava a imponência da propriedade. Um jardim gigantesco ladeado por sebes, mostrava uma linda fonte e cisnes majestosos, o que tornava o paisagismo ainda mais espetacular. O casarão era gigantesco e sua arquitetura deixava evidente a riqueza e luxo em que viviam a família Malfoy, mas um toque sombrio e misterioso causaria a maioria dos trouxas um arrepio de medo, se pudessem vê-la, claro.
Naquela noite, Lucius Malfoy, elegantemente vestido, recebeu seus velhos amigos e companheiros de guerra. Mais cedo, ele jantou com seu filho e esposa, mas agora, a imensa sala de jantar formal reunia um grupo de homens que, sentada na longa mesa de carvalho polido, bebia o melhor whisky de fogo e vinho élfico. Eles eram 12 a mesa e Lucius notou a ausência de uma pessoa, ainda que não o surpreendesse totalmente.
— Não conseguiu contato com Gibbon, Kevin? — Lucius perguntou, depois que todos foram servidos e Dobby deixou a sala.
Mas o pequeno elfo voltou e subiu na viga de madeira decorativa que ficava do lado de fora da sala de jantar, bem perto da porta fechada.
— Sim, fiz o que me pediu, Lucius, não deixei ninguém de fora, mas, não me surpreende a sua ausência, Timo sempre foi um covarde. — Disse Kevin Parkinson bebendo seu whisky com prazer.
— Hum..., queria que nosso Mestre estivesse aqui ainda, ele faria Gibbon mijar sangue pelos olhos. — Disse Rosier debochadamente e gargalhou grosseiro, a mesa o acompanhou.
— Se o nosso Lord estivesse vivo, Gibbon não ousaria faltar a uma convocação. E, o mundo mágico estaria a nossos pés, mas agora, somos obrigados a conviver com impuros nojentos por todo lado. — Disse Amico Carrow e cuspiu no chão, mostrando seu asco.
A reação de todos foi de apoio a essa afirmação.
— Lucius, tão feliz como estou de encontrar velhos amigos e beber do seu delicioso e caro vinho, o que me interessa é saber o que faremos para deter essa empresa amante de trouxas, a GER. — Disse Avery com desprezo e maldade.
— Eu tenho uma ideia e acredito que pode ser o que precisamos para detê-los e, talvez, expulsarmos os sangues ruins do nosso mundo de uma vez por todas. — Disse Lucius serenamente. — No passado, tínhamos nosso Mestre e seu poder que conquistava a tudo, lançava temor em todos, mas, agora, e nos últimos 10 anos, tudo que fizemos foi ocupar nossos lugares, nos posicionar hierarquicamente em nossa sociedade e não avançamos além disso. Na verdade, com essa GER e a renovação do Beco, acredito que retrocedemos e permitimos, com nossa passividade, que eles avancem. Por isso os chamei, é hora de agirmos mais efetivamente e tomar o que é nosso por direito. O controle do mundo mágico.
Todos o ouviram com atenção acenando em concordância, quando terminou seu discurso, as exclamações eram motivadoras.
— Eu gosto disso, gosto muito, Lucius, e o que faremos? Alguns ataques? Estou louco para matar alguém. — Disse Macnair com expressão ansiosa.
— Sim! — Parkinson gritou encorajado pela companhia e bebida. — Começaremos por aquele sangue sujo, Schubert! Eu o matarei pessoalmente e bem devagar!
Houve mais exclamações e risos, Malfoy esperou em silêncio e ficou aliviado ao ver que não eram todos e nem a maioria que se comportavam de maneira tão tola.
— Sim, atacamos, matamos e, provavelmente, terminaremos em Azkaban como nossos companheiros ausentes. — Disse Lucius friamente quando o barulho diminuiu.
— Bem, e o que você sugere, então? Que engulamos aquela monstruosidade que fizeram ao Beco Diagonal? — Cuspiu Aleto Carrow furiosa.
— Ou que celebremos o Natal com todos aqueles animais inferiores! Que aceitemos que eles digam o que podemos ou não fazer em nosso mundo! — Seu irmão estava insanamente raivoso. — Eu fui dito por um daqueles animais que deveria esperar para ser atendido! Eu, um bruxo puro, um Carrow, aquele a quem essa plebe deveria se ajoelhar!
— E, é por isso que devemos agir com cuidado ou apenas o fortaleceremos ainda mais, isso não pode acontecer ou viveremos um futuro negro. — Disse Lucius com suavidade.
— Além disso, sem o poder do nosso Lord, se agirmos precipitadamente, poderemos perder tudo. — Rosier disse e seus olhos mostraram certa tristeza. — Foi assim que perdi meu filho, Evan e agora tenho meus netos a quem cuidar, sua mãe é muito fraca e preciso estar presente para lhes ensinar os caminhos antigos.
Todos acenaram, sabiam que os netos de Rosier, dois garotos, foram enviados para estudarem em Durmstrang, o que eles não sabiam era que dois outros foram enviados para o Orfanato do Abortos.
— Eu estive em uma reunião com Fudge e o Diretor da GER, Edgar Schubert, sangue ruim, mas muito astuto, conseguiu manipular o ministro facilmente. — Disse Lucius e Thorfinn Rowle se engasgou com sua bebida, em choque e depois, riu debochadamente.
— Deixou um animal inferior vencer você, Lucius? Está perdendo o jeito? Talvez sinta falta do Mestre lhe dando ordens. — Disse ele com seu rosto feio contorcido de diversão e os puros extremos riram divertidamente, mostrando claramente a divisão na mesa.
Lucius ignorou o deboche e se concentrou em avaliar a mesa, Avery, Rosier, Nott, eram inteligentes e concordariam com suas ideias. Goyle e Crabbe eram ovelhas que seguiriam sua liderança sem contestação. Macnair era um pendente, porque seu desejo por matar poderia superar seu instinto de preservação, mas Lucius confiava em poder manipulá-lo e distraí-lo com promessas de jovens trouxas para torturar. Selwyn e Rowle não eram tolos, mas também não particularmente inteligentes e, talvez, seguiriam a maioria, porque não tomariam a iniciativa de fazer nada por conta própria. Eles eram bons em seguir ordem, o problema era que não gostavam muito de Lucius, sempre invejaram sua relação mais... próxima com o Lord das Trevas.
O grande problema na mesa, na opinião de Lucius, eram Parkinson e os gêmeos Carrows. O primeiro era explosivo em seu temperamento, abandonara a reunião do Conselho de Governadores e dera muitas armas para Schubert na reunião com o Ministro, naquele mesmo dia. Os gêmeos eram insanos, sendo irmãos, filhos de irmãos, netos de primos e assim por diante, sua família se recusava a deixar de se procriarem entre si mesmos. Suas crianças abortas nunca tinham a sorte de chegar ao Orfanato, mesmo com a proibição do Ministério, eles se recusavam a permitir que as pequenas aberrações vivessem.
— Se acabaram os risos. — Disse Rosier com frieza, sendo o mais velho e quase... amigo do Lord das Trevas, era respeitado, assim todos se calaram. — Gostaria de ouvir sobre essa reunião em mais detalhes. Lucius?
— A reunião foi orquestrada por mim e Parkinson, pretendíamos pressionar o Ministro a proibir e multar a GER pelas atrocidades que fez ao nosso Beco, além de desfazer tudo, claro. — Lucius começou e Parkinson acenou concordando. — Usaríamos a minha influência junto ao Ministro que, infelizmente, diminuiu nos últimos meses por causa dos acontecimentos infelizes envolvendo a libertação de Black. — Resmungos foram ouvidos com o nome. — E, claro, a posição de Parkinson como membro da Suprema Corte Bruxa, mas...
— Deu tudo errado, por causa daquela Bones, uma pena que o Mestre não acabou com a família toda. — Disse Parkinson petulante.
— Bones tem sido uma espécie de braço direito do Ministro e o ajudou a enfrentar os problemas com a Confederação Internacional. — Disse Lucius que estava sempre bem informado. — Agora, Fudge a consulta sobre qualquer movimento, pois teme invocar a ira do novo Chefe Supremo, Kofi Annan. Bones foi chamada e disse que uma reunião para ouvir nossas preocupações parecia justa, no entanto, defendeu que mais pessoas interessadas deveriam participar e os representantes da GER convocados para responder nossas questões. Concordamos e terminamos em uma sala com Fudge, Bones, Dumbledore como o Chefe Bruxo e os mais antigos membros da Suprema Corte, Ogden e Marchbanks, que também é a nova representante do Reino Unido na Confederação Internacional dos Bruxos.
Houve resmungos e perguntas sobre o que aconteceu, muitos irritados que Fudge simplesmente não acatou as ordens dos dois.
— E, esse tal Schubert respondeu suas questões? — Avery questionou curioso.
— Sim, ele e o advogado da GER, Falcon Boot. — Disse Lucius com desprezo, a família Boot sempre lhe fora indiferente, mas desde que começara a lidar com Áquila e Serafina Boot no Conselho de Governadores, passara a detestá-los tanto quanto aos Weasleys. — Basicamente, eles nos disseram...
Devido as interrupções e exclamações de fúria, Lucius demorou mais de uma hora para descrever a reunião e quando terminou não houve quem estivesse assombrado e furioso.
— Eles realmente planejam fazer todas essas coisas? — Nott perguntou.
— Sim, claro que não será algo rápido e provavelmente o Ministro não será o mesmo, mas Fudge estava tão seduzido que nem se deu conta. — Lucius considerou se servindo de mais vinho. — Mas, não tenho dúvidas que suas ambições são essas, transformar o nosso mundo em um mundo moderno, rico e igualitário.
Seu tom era de profundo desprezo e as exclamações de ódio acompanharam a sua afirmação.
— Igualitário!? Eles esperam que aceitemos que esses impuros que invadem nosso mundo todos os anos, que roubam a nossa magia sejam tratados como iguais!? Que sejam ricos como as famílias antigas!? — Rosier se levantou e bateu a mão na mesa. — Blasfêmia!
— Se nosso Mestre estivesse aqui, os matariam a todos, apenas pelo atrevimento de pensar em tal aberração. — Disse Selwyn com ódio no olhar.
— Eu fiquei com vontade de matar aquele Schubert bem ali no Ministério, pela maneira debochada e desrespeitosa com que se dirigiu aos seus superiores, mas tive que me controlar. — Disse Parkinson com o rosto vermelho de ódio. — Mas ele não perde por esperar, quando atacarmos essa GER, ele é meu.
— Não atacaremos ou mataremos ninguém, Kevin, os meus planos são outros. — Lucius disse inexpressivamente e ignorou os protestos dele, dos Carrows, Rowle e Selwyn.
— Porque não podemos atacar e matar a todos? Como nos velhos tempos? É o que todos merecem, um pouco de tortura até que mijem nas calças e depois... — Macnair disse por sobre os protestos com expressão desejosa, até lambeu os lábios de vontade.
— Porque não é como nos velhos tempos e não temos mais o nosso Mestre para nos proteger. Não colocarei um manto e uma máscara para matá-los, quando as chances de sucesso não estão do nosso lado, Macnair. — Disse Lucius friamente.
— Nós podemos fazer isso mesmo sem o Mestre, podemos vencer! — Gritou Rowle que, o que tinha de musculo, não tinha de cérebro.
— Realmente? — Avery disse o olhando agudamente. — Adoraria que o Lord das Trevas estivesse aqui para lhe ouvir dizer isso, Thor.
Thorfinn empalideceu apenas com a ideia e voltou a se sentar.
— Nós somos minoria e com o dinheiro entregue por Black ao Departamento Auror, eles não apenas melhoraram seus números, mas seus treinamentos também. — Lucius se mostrou preocupado, o que era raro. — Yaxley me mantem informado e disse que Bones e Scrimgeour fizeram algumas mudanças preocupantes no Departamento. Eles têm deixado aquele, Shacklebolt, cuidar do treinamento dos novos recrutas e supervisionar as missões que agora seguem regras rígidas. Ele tem o cargo de Diretor de Estratégias e ensina técnicas de combate e investigação baseada na inteligência e não força bruta. Relatórios são feitos de cada movimento e decisão dos aurores e, mesmo os mais antigos e experientes, são obrigados a passarem por reciclagem, treinamento físico e de conduta.
— O que? — Todos estavam chocados.
— Sim, Yaxley explicou que eles não querem mais erros sendo cometidos, seja como os que aconteceu com o Black ou os lobisomens. — Lucius fez uma careta de nojo. — Eles estão focados em ter aurores que não tenham preconceitos contra mestiços e sangue ruins, alguns foram demitidos e Yaxley se manteve porque é muito bom oclumente.
— Isso realmente é preocupante. — Disse Rosier irritado ao ver como esses pensamentos progressistas pareciam contaminar a todos os lugares. — E os seus números?
— Em setembro, depois que as mudanças foram feitas, eles fizeram uma campanha para que todos que tivessem interesse em ser aurores, mas não tiveram as notas NEWTs necessária, deveriam comparecer para uma entrevista. — Lucius explicou e todos acenaram, pois se lembravam disso. — Eles selecionaram 35 novos recrutas com potencial, mas que precisavam de alguma nota, eles estão estudando o assunto para reaplicarem o NEWT, enquanto fazem o primeiro ano de treinamento.
— Eles serão mais de 50 aurores? Como permitimos que isso acontecesse? — Parkinson disse furioso se referindo a Suprema Corte.
— Todas essas decisões são burocráticas e precisa apenas da aprovação do Ministro, não da Suprema Corte, pois não envolve uma mudança de leis. — Informou Lucius igualmente irritado. — E, com essa AP invadindo Hogwarts e fazendo mudanças...
— Também não está conseguindo deter isso Lucius? Um grupo de animais inferiores dando ordens em nossa escola e você, junto com os outros puros, não fazem nada? — Disse Amico com desprezo.
Lucius o encarou com frieza, mas os Carrows, como sempre não se intimidaram, sua insanidade não lhes permitia ver o perigo com muita clareza.
— Como estava tentando explicar, temos um movimento acontecendo em nosso mundo, comandado, acredito, por esse misterioso empreendedor, o proprietário da GER. — Lucius disse pensativamente. — De alguma forma, ele se conecta com os Boots, pois eles estão envolvidos nessa nova empresa e na AP. Em relação ao Departamento Auror, isso foi uma infeliz coincidência, a libertação de Black e os acontecimentos subsequentes, mas ainda, essas mudanças no Ministério me preocupam, pois vão de encontro com as mudanças promovidas pela GER em nosso comércio e pela AP em Hogwarts. Por isso, precisamos agir imediatamente.
— Nos conte a sua ideia, Lucius, estou interessado. — Disse Rosier inclinando-se sobre a mesa.
— Precisamos nos unir e nos opor efetivamente, pois me parece óbvio que é isso que o outro lado está fazendo. Essa pessoa, seja quem for, uniu um grupo de pessoas poderosas e razoavelmente inteligentes para agir dentro da lei, das nossas leis, para mudar o nosso mundo. Foi isso que lhes permitiu transformar o Beco Diagonal naquele desatino e não podemos desfazer, o Ministro os apoia, as leis os protege, as pessoas inferiores gostaram de todas aquelas novidades imundas. — Apontou Lucius.
— Eles estão em vantagem óbvia. — Disse Nott e todos concordaram.
— Exato. Por isso precisamos unir as famílias antigas nos ideais e tradições que guiam e imperam em nosso mundo a séculos. Se não fizermos isso, esses invasores assumirão o controle sobre tudo, não duvido que além desses planos mirabolantes para um crescimento econômico e igualitário, eles também tenham a intenção de controlar Hogwarts e talvez o Ministro, pior, contaminar a Suprema Corte e mudar nossas leis. — Lucius disse irritado e preocupado.
— Eles não ousariam! Essas sujeiras não têm cérebro o suficiente para pensar em tudo isso. — Gritou Rowle com convicção.
— Você é que parece que não tem cérebro dentro dessa sua cabeça imensa, Thorfinn. — Disse Nott com desprezo. — Não ouviu nada do que foi dito até agora? Quem está no comando é um puro-sangue pertencente a uma família antiga! E, eles tiverem inteligência para fazer tudo que fizeram até o momento e nem desconfiamos de nada!
— Eles agiram na surdina e não tiveram oposição, mas, a partir de agora, mudaremos isso. — Continuou Lucius. — Nos reuniremos com os sagrados 28 e todos as outras famílias puras do mundo mágico que, como nós, defendem nossas tradições e o legítimo direito de controlar o que nos pertence a séculos. Nosso mundo não é dos impuros imundos e sim nosso, mas precisamos no unir e lutar contra eles.
— Eu gosto disso, se tivermos mais números podemos matar a todas as imundices de uma vez. — Macnair disse parecendo salivar como o pensamento atraente.
— O problema é que todas essas famílias eram covardes demais para lutarem mesmo quando o nosso Mestre estava vivo. O que o faz pensar que eles lutariam agora? — Disse Aleto com olhar astuto.
— Quem falou alguma coisa sobre lutar ou matar? Pensem! Estou falando em detê-los usando nossas posições, poder, dinheiro para nos opor e impedi-los! Se todas as famílias puras se unirem, essas pessoas não conseguirão seguir com seus planos e mudaremos as leis que lhes permitiram agir livremente até agora. — Lucius disse fortemente.
— Se dominarmos a Suprema Corte, poderemos endurecer as leis, censurar e proibir, obrigá-los a desfazer o que fizeram com o Beco, impugnar essa tal de AP. — Disse Rosier entendendo o plano.
— Mas nós já fazemos isso. — Disse Selwyn um pouco confuso. — Os puros já se unem para manter as leis como queremos e impedir qualquer tentativa de beneficiar os sangues ruins. Como aquela lei idiota do amante de trouxa, Weasley.
— Sim, mas a lei do Weasley passou, além de tudo o que já conversamos que foi feito bem debaixo dos nossos narizes e nem sabíamos até o dia desse maldito Festival! — Avery disse irritado com tanta burrice. — E, nossas leis tão perfeitas permitiram isso! Lucius está certo! Estamos muito passivos e precisamos ir para a ofensiva!
— E, com o apoio que todas as famílias puras, poderemos não ser a maioria como dito por Schubert, mas, com certeza, teremos mais poder dentro do Ministério e da Suprema Corte. — Disse Lucius com arrogância.
— Eu gosto muito destas ideias, mas tenho uma preocupação. Quem é esse misterioso empreendedor? — Questionou Rosier seriamente. — Tem certeza que não é Dumbledore, Lucius?
— Acredito que não. — Lucius se serviu de mais vinho. — O velho tolo nunca se envolveu ou se prontificou a tentar realizar todas essas mudanças absurdas. Enquanto sempre defendeu os trouxas fielmente na Suprema Corte, além de Hogwarts, nunca pareceu disposto a algo mais. Dumbledore me parece um professor pacifista e não um empreendedor, para isso é preciso coragem, sou obrigado a admitir. O Lord da Trevas iria querer esse tal, dono da GER, como seu aliado se estivesse aqui.
— Ainda me preocupa, porque esse homem misterioso e Dumbledore podem ser aliados, o velho tem muito poder e contatos na Suprema Corte. — Afirmou Rosier realista.
— Pode ser, mas bateremos de frente e no fim é a maioria dos votos que decidem a favor ou contra, não o Chefe Bruxo. — Disse Avery. — Acredito ser uma boa ideia, Lucius e, se endurecermos as leis, poderemos um dia expulsar todos esses invasores impuros do nosso mundo.
— Eu me oponho a isso. — Disse Nott suavemente.
— O que? — Parkinson perguntou espelhando a surpresa e raiva de todos.
— Os sangues ruins são bons animais de trabalho. O que seria da minha Fábrica de Calçados se não os tivesse na linha de produção? E sobre todas essas novas lojas? — Nott levantou a mão quando ouviu protestos. — Com exceção aos produtos trouxas e aqueles trouxas imundos terem permissão para acessar o Beco, as novas lojas aumentam a produção das nossas Fábricas e os vendedores são nascidos trouxas. Ou vocês planejam que esses trabalhos servis sejam feitos por bruxos puros?
— Bem, não posso dizer que não tenha aumentado meus ganhos em minha Fábrica de Tecidos, os Fawcets não têm dado conta da demanda porque não tem matéria prima. — Disse Avery pensativo.
— Isso mudará agora que as Fazendas Potters voltaram a funcionar. — Disse Rosier com uma careta. — Outra dívida na conta de Black que iremos cobrar, minhas fazendas sofrerão com a entrada dos produtos Potter no mercado alimentício.
— Não mais do que Avery e eu estamos com a interferência do Departamento Auror na Travessa do Tranco. — Disse Lucius em enfurecido. — As novas mudanças realizadas por Bones e Scrimgeour, influenciados, talvez, pela renovação do Beco me tiraram os lucros com os nossos bordéis. Borgin, Burke, Flint, Bulstrode, Melrose e Wilkes venderam suas participações, além de outros como Dog e Silver que venderam assim que a Travessa foi invadida. Além de nós dois, apenas Greyback e seu pequeno grupo continua a resistir.
— Qual é a intenção do Ministério com essa invasão absurda? — Perguntou Rosier curioso.
— Yaxley não faz parte da força tarefa e mesmo os aurores selecionados sabem muito pouco, estão sendo comandados por Moody, que é o que eles chamam agora de Diretor de Ações ou comandante de campo. — Lucius informou e todos ouviram com atenção. — Shacklebolt é o Diretor de Estratégias e está acima de Moody, que foi punido por seu envolvimento na prisão ilegal de Black. Assim, Moody se reporta apenas a Shacklebolt que se reporta a Scrimgeour e Bones, além do Ministro, claro. Parece que o objetivo ao tentarem limpar a Travessa do Tranco é mostrar à população que o dinheiro doado por Black está sendo bem usado, assim Fudge fica bem e tem uma boa alavanca para a sua reeleição.
— Esse Fudge é um fraco e ambicioso, seria algo que ele faria para poder ficar no cargo, assim como se unir a essa gente asquerosa. — Disse Parkinson um pouco bêbado. — O que pretendem fazer?
— Estamos resistindo, mas nossas casas fechadas é um desperdício de dinheiro, já perdemos quase metade da nossa mercadoria. — Disse Avery soturno. — Minha vontade é vender tudo, tem um comprador, mas Lucius não quer, porque é Black.
— Eu ouvi falar disso, Black está planejando retomar os antigos negócios de sua família e parece que investirá em alguns entretenimentos especiais. — Disse Rowle sorrindo com malícia.
— Sim... — Macnair soltou um suspiro sonhador. — No tempo do meu avô, os Black forneciam as fêmeas trouxas para alguns joguinhos especiais. Ele me levou lá quando tinha 13 anos, foi minha primeira tortura e morte.
Os Carrows e Parkinson riram e outros exclamaram positivamente.
— É sempre bom matar esses animais, quanto mais eles gritam... hum, sim, seria bom se Black voltasse com os velhos costumes. — Disse Rosier ajeitando a calça quando ficou duro de desejo.
— Me recuso a vender para Black, mesmo que sua fortuna seja maior e ele possa adquirir mercadorias descartáveis como essas. — Disse Lucius orgulhoso. — Ou possa esperar que o Ministério pare com seus joguinhos e retire os aurores da Travessa. Quando isso acontecer, acham que quero me sentar e ver Black ficar ainda mais rico com os meus negócios?
— Sim, mas não temos a fortuna do Blacks para continuar tendo tantos prejuízos. Se esperarmos mais, toda a nossa mercadoria morrerá e, quando a Travessa ficar limpa de aurores, teremos que comprar mais. Perderemos uma fortuna, Lucius! — Exclamou Avery irritado com a discussão repetida.
— Isso não importa, já lhe disse que se encontrar outro comprador, venderei. E, esse não é o assunto da noite e sim, o que faremos para assumir o controle do mundo mágico para que operações como essa na Travessa nunca mais ocorram. — Lucius disse com dureza. — Podemos até tornar legal torturar e matar trouxas, por um preço, é claro.
Houve risos e exclamações de apoio.
— E, sobre o que eu disse? — Nott voltou a insistir.
— Nott, pense por um segundo! Se conseguirmos o que queremos, não precisaremos mais de empregados! — Disse Rosier animado. — Poderemos criar leis que tornam esses animais imundos nossos servos, nossos escravos, que obedecerão nossas ordens como os elfos fazem.
— Exato. Assim, como no passado, os bruxos dominaram e ensinaram aos elfos o seu verdadeiro lugar, faremos o mesmo com os sangues ruins e depois podemos dominar o mundo trouxa também, como sempre quis o nosso Lord. — Lucius esticou os ombros com orgulho. — O nosso Mestre conseguiria isso muito mais rapidamente, nós teremos que ser pacientes e planejar com cuidado. Por isso, acredito que nosso primeiro passo é alcançarmos as outras famílias puras, que devem estar tão indignadas quanto nós, com as renovações feitas ao Beco Diagonal.
— Os sagrados 28 não são todos puristas, aquele Weasley é um exemplo. — Disse Rowle com desprezo.
— Shacklebolt também, sua mãe era uma mestiça e ele se casou com uma sangue ruim. — disse Selwyn com nojo.
— Isso não importa. — Lucius acenou com a mão. —A última classificação dos Sagrados 28 deveria ser revista, assim, nos uniremos com aqueles que nos apoiarem. Pucey, Warrington e Roockwood são nomes certos e não estão entre os Sagrados.
— Melrose e Harper são meus amigos de longa data, tenho certeza que estarão ansiosos por se envolver e ajudar. — Disse Rosier ansioso.
— Yaxley e Runcorn também se envolverão, ainda que discretamente, eles não quererão perder seus postos no Ministério. — Disse Lucius acrescentando seus principais contatos.
— Bulstrode e Flint me seguirão em um estalar de dedos se for para matar trouxas. — Disse Parkinson sorridente.
Em poucos minutos, outros nomes de amigos puristas foram mencionados até que Nott sugeriu alguns não tão certos.
— E sobre Greengrass? MacMillan? McLaggen? Fawley? Thorne?
— Sim, esses só saberemos quando os abordarmos diretamente, mas acredito que todos poderiam ter interesse em manter os negócios do Beco em nossas mãos e não no controle desse misterioso empreendedor amante de trouxas. — Disse Rosier acidamente.
— E sobre Borgin e Burke? — Perguntou Amico, pois os conhecia a muito tempo.
— Eles estão falidos, perderam até a loja na Travessa, não poderão ser de nenhuma ajuda. — Lucius acenou a mão com desprezo. — Temos que procurar os puros em posição de poder e, claro, temos que tentar virar a maioria da Suprema Corte para o nosso lado.
Todos acenaram concordando, mas os Carrows não estavam felizes.
— E sobre o Beco? Simplesmente ficaremos de braços cruzados e não faremos nada? — Aleto disse com o rosto deformado, vermelho por tanta bebida.
— Exato. Minha irmã está certa, Lucius, esse seu plano pode ser muito bom, mas demorará até conseguirmos assumir controle para desfazer o que fizeram no Beco. — Aleto acrescentou.
— Eu concordo! — Parkinson, mais bêbado bateu a mão na mesa. — E, temos que matar aquele Schubert, maldito que zombou e riu na minha cara! Temos que fazer algo, nos vingar!
— Eu apoio! Como nos velhos tempos! — Rowle gritou, Selwyn e Macnair os acompanhou com exclamações e incentivo.
— Não faremos nada! — Lucius se levantou e tentou impor sua autoridade, mas só recebeu olhares de desprezo dos Carrows e Parkinson que eram os puristas mais extremo da mesa. — Precisamos agir com cautela e tentar colocar os puros ao nosso lado, principalmente os que se mantiveram neutros na guerra. Se agirmos como selvagens e eles nos associarem aos comensais da morte do Lord da Trevas, poderão não nos apoiar.
— Então, teremos que engolir aquele maldito Beco e ainda rastejar atrás desses neutros covardes para termos os seus apoios!? — Aleto se levantou grasnando em fúria. — Nunca!
— Eu não estou perguntando a vocês, Aleto! Estou ordenando! — Lucius se impôs com toda a sua altura e arrogância. — Isso é mais do que uma vingança tola e nosso Mestre não está aqui para nos proteger! Os tempos são outros, máscaras e mantos não nos manterão de irmos para Azkaban!
— Kevin, você sabe que Lucius está certo, para realizarmos algo tão grandioso, temos que ser pacientes e cautelosos. — Rosier usou sua influência sobre Parkinson, esperando que este fosse sensato o suficiente para controlar os Carrows. — Podemos realmente fazer isso, mas precisaremos ter a mente fria. Todos nos aproximaremos de nossos amigos mencionados e exigiremos que nos apoiem, usaremos de suas influências, riquezas e cargos para assumir o controle da Suprema Corte e, finalmente controlar o mundo mágico.
— E sobre o Ministro? Ou aquele Schubert? — Perguntou Parkinson acenando para os Carrows esperarem quietos.
— O Ministro poderá voltar a ser controlado facilmente se lhe mostramos que é de seu interesse nos apoiar. Não quero chegar a ter que ameaçá-lo, mas o farei se for necessário. — Disse Lucius com frieza, voltando a se sentar. — Quanto a Schubert, tenho certeza que poderemos segui-lo ou nos informar de seu endereço com cautela, podemos atacar sua casa, matá-lo e sua família.
— Sim! — Macnair sorriu e bateu na mesa ansioso. — Eu quero participar, Lucius.
— E, o fará, Walden, mas faremos parecer um incêndio, um acidente, assim, não levantamos rumores sobre nosso antigo grupo. — Disse Lucius com um sorriso frio. — Mas deixarei que cuide das crianças, Walden, sei como gosta de fazê-las gritar e quero que as mate na frente do pai sangue ruim. Ele pagará por seu deboche e atrevimento.
— Eu gosto dos seus planos, Lucius. —Disse Avery e ergueu seu copo. — Um brinde, aos novos planos e a morte dos invasores imundos.
Os copos se bateram e mais bebidas foram consumidas por todos enquanto os planos eram discutidos e refinados por mais algumas horas.
Quando a noite se encerrou, Parkinson e os Carrows seguiram até o Caldeirão Furado para mais bebidas e uma conversa particular. Tom os encaminhou para uma sala reservada, apesar do salão estar praticamente vazio, e os serviu com seu melhor whisky.
— Pena que Macnair, Rowle e Selwyn decidiram seguir Lucius tão facilmente. — Cuspiu Aleto em fúria.
— São uns fracos e gostam de ter alguém lhes dizendo o que fazer. — Disse Amico com desprezo.
— Como se aceitaríamos ordens de Malfoy. — Parkinson expressou todo o seu ódio por seu "amigo".
— O plano dele é ficar sentado e implorar ajuda dos neutros? Se o Mestre estivesse aqui, tudo seria diferente, ele nos deixaria nos vingar por seus atrevimentos. — Disse Aleto furiosa. — Temos que fazer alguma coisa!
— Gostei da ideia de ir matar o Schubert e sua família. — Parkinson tinha um profundo ódio no olhar. — Mas não quero esperar! Ele riu e debochou de mim, na minha cara! Um maldito sangue ruim rindo do seu superior!
Os três beberam mais um pouco e repetiram as ofensas aos seus muitos odiados, Schubert e Malfoy, seus alvos favoritos, a aberração no Beco Diagonal ganhando altos brados de protestos e xingamento.
Finalmente, eles estavam bêbados de álcool e de ódio o suficiente para que uma ideia insana surgisse. Aleto foi quem sugeriu e seu irmão concordou, rindo histericamente. Parkinson tinha um temperamento explosivo, mas não era tão desequilibrado, tentou voltar atrás quando a ideia de repente se transformou em ação, mas os irmãos sabiam como instigá-lo.
— E o que fará, então, voltará para casa e obedecerá ao Malfoy como um bom menino? — Disse Amico com deboche.
— O Kevin é o menino obediente de Lucius... O Kevin é o menino obediente de Lucius... — Cantou Aleto rindo histericamente e dançando em volta da mesa.
— Calem-se! — Gritou Parkinson batendo na mesa furioso. — Eu não obedeço aquele traidor! Nunca! Vamos, se faremos isso, é melhor iniciarmos agora e depois estarmos em nossas casas quando os aurores chegarem. — Parkinson tinha apenas um pouco de discernimento para saber como agir e não ser pego.
Os três deixaram o Caldeirão Furado para Londres trouxa e andaram os metros necessários para entrarem no Saguão de Entrada. A porta foi aberta facilmente e o Saguão estava vazio, as portas do The Magic e The True fechadas, o balcão da recepção não tinha atendente. Parkinson tocou no Portal Adler e este cintilou em um cinza nebuloso.
"Seu lugar não é aqui, mas o lugar ao qual pertence o espera a muito tempo"
— O que? — Confuso pela voz fria, ele tentou avançar, mas a parede era sólida. — Me deixe entrar!
— Deixe-me tentar. — Aleto se aproximou e quando a parede voltou ao losango colorido a tocou.
"Cuidado com o que desejas, pode ter mais do que pode aguentar"
— Hã? — Mas Aleta estava muito bêbada para prestar atenção. — Ainda está solida, deve ser pelo horário, só funcionará de manhã.
— Podemos ir pela porta do Caldeirão. — Sugeriu Amico já se encaminhando para a saída.
— Não podemos ir por lá, pois deixaremos testemunhas! — Gritou Parkinson furioso.
— Podemos cuidar disso facilmente, Kevin, não vai se acovardar agora, não é? — Disse Amico com um sorriso de escárnio.
Eles voltaram a entrar no pub que tinha apenas o Tom e dois homens sentados em uma mesa conversando. Os irmãos trocaram um olhar divertido e, sem hesitarem, tiraram suas varinhas e apontaram na direção da mesa.
— Avada Kedrava! — Gritaram juntos e depois riram divertidamente com a satisfação que matar sempre lhes dava.
Aleto começou a pular e dançar em volta dos corpos tombados e não prestou atenção no irmão indo até o Tom e o matando também.
— Não tem mais ninguém? — Disse Aleto meio triste. — Pena, mas a noite não acabou, quem sabe encontramos algumas surpresas no Beco. Vamos lá!
Rindo e saltando, dançando e cantando, Aleto seguiu o irmão já esquecida das palavras do Portal. Amico parecia contagiado pelo frenesi dos assassinatos e olhava ansioso em volta, como um viciado procurando a próxima dose. Parkinson manteve um pouco o controle, mas se o plano deles atraísse Schubert para sua armadilha, o resto pouco lhe importava.
— Por onde começamos? — Perguntou Amico olhando a irmã, mas quem respondeu foi Parkinson.
— Pelo prédio da GER! — Disse e caminhou ansioso naquela direção, o frio da noite lhe deixou mais sóbrio, mas não afastou a insanidade ou o ódio.
— Uma surpresinha! Uma surpresinha especial! — Cantou Aleto que continuou a dançar e gritar enlouquecidamente enquanto seguia Parkinson e seu irmão até a Viela I, onde eles apontaram suas varinhas para o bonito prédio da GER.
— Fiendfyre! — Gritaram os dois e as chamas vermelhas, laranjas e azuladas rugiram em vida e envolveram o prédio.
— Mais fogo! Mais fogo! — Gritou Aleto e seu irmão lhe atendeu, aumentando o poder nas chamas que aprendera a controlar a muitos anos.
Amico, incentivado pela irmã, correu da Viela para Beco principal, levando consigo as chamas que tinham vida, carregadas com seu ódio e poder, animais apareceram e rugiram em fúria querendo a liberdade.
— Mais fogo, mais fogo! — Gritou Aleto rindo em histeria e seu irmão riu com ela enquanto via as chamas envolver os novos prédios, assim como os antigos.
Em meio a sua loucura e empolgação, nenhum deles discerniu as novas lojas das lojas antigas ou percebeu a raiva com que as chamas reagiam ao terem contato com os prédios da GER. As runas da Praça Resistentiam protegiam como foram feitas para fazer, os prédios tinham mais runas e magias em suas estruturas feitas pelos arquitetos e especialistas em magia. Tudo fora construído para resistir a ataques e acidentes, mas as magias de proteção não durariam para sempre, pincipalmente contra o fogomaldito carregado de tanto ódio.
Enraivecido por não poder consumir o alvo do ódio do seu controlador, o fogomaldito lutou para se libertar, Amico lutou de volta e, talvez, tivesse vencido se não estivesse tão bêbado ou se, neste momento, aparições de emergências não acontecessem por todo o Beco Diagonal e ele se visse cercado por aurores. Edgar programara um feitiço de alerta especial com o Departamento Auror para que esses pudessem identificar um ataque ao Beco. A preocupação era com ladrões e vândalos, assim, ninguém estava preparado para as gigantescas e animalescas chamas que cercavam o centro comercial quando aparataram.
Moody assumiu o controle rapidamente.
— Fogomaldito! Recuem! Recuem! — Gritou e seus comandados obedeceram, aparatando para longe.
Apenas Moody e outro auror, com o conhecimento para deter as chamas, ficaram e começaram a combatê-las, mas elas rugiram enfurecidas.
— Malditos! Mate eles, irmão! Mais fogo! Mais fogo! — Seu grito de incentivo foi ouvido e obedecido.
— Morram! — Gritou Amico jogando mais poder, as chamas rugiram sem controle e saltaram na direção de Moody, mas ele as empurrou de volta com seu próprio poder.
As chamas, que se transformaram em uma imensa cobra furiosa, ansiosa para matar procurou outro alvo e encontrou Aleto, pulando, dançando, gritando e rindo de um lado para o outro como se estivesse em volta da fogueira do ritual do Alban Arthan.
— Mais fogo! — Foram suas últimas palavras antes de ser engolfada pela cobra em chamas que rugiu de satisfação em consumir seu corpo que se desmanchou dolorosamente. — AHHHHHHH!
— Nãoooooooo! — Gritou Amico chocado. — Nãaoooo! Aleto, não! Aleto! Volta! Não!
Abandonando as chamas sem controle, Amico correu para o lugar onde estivera sua irmã e, ao encontrar apenas alguns poucos restos sangrentos, caiu de joelhos em um choro convulsivo. O fogomaldito, descontrolado, mas sem poder, foi rapidamente dominado por Moody e o outro auror. Quando estavam lutando com as últimas chamas raivosas, King aparatou e os ajudou.
— Moody, situação. — Pediu sem preâmbulos.
— O fogomaldito foi feito pelo idiota ali que parece ter matado a própria irmã, mas tem mais lá a frente na Viela. — Disse Moody com voz cansada e suando, mas já andando na direção em que as chamas podiam ser vistas.
— Ok, Ferguson, prenda e leve o idiota ali para o Quartel. — Disse King seguindo atrás de Moody. — Depois volte com apoio, mas apenas daqueles que podem ajudar a controlar o fogomaldito e envie uma equipe ao Caldeirão. Quero o lugar isolado. Agora.
— Sim, senhor. — Disse Ferguson que sem dificuldades prendeu um choroso e em choque Amico que repetia sem parar.
— Aleto, volta. Aleto, volta. Volta, Aleto.
Na Viela, onde ficava a GER e a Editora Aprilis, o fogo era mais controlado e menos poderoso. Parkinson o mantinha sob seu controle e esperava que Schubert aparecesse, mas Edgar estava em sua casa, dormindo, por enquanto, e não caiu na armadilha. No entanto, Parkinson logo se viu cercado pelos dois melhores aurores do Ministério e ficou enraivecido ao perceber que fora ele quem caíra em uma armadilha.
— Venha sem lutar, Parkinson. — Disse Moody torcendo para que ele lutasse. — Já matei muitos de vocês e adoraria matar mais um, essa noite.
— Não vão me prender! Deixem que eu saia do Beco ou os queimarei vivos! — Disse ele enraivecido, mas também cheio de pânico.
— Isso não acontecerá, Kevin. — Disse King com sua voz profunda e persuasiva. — Entregue-se sem lutar e posso até conseguir uma cela descente para você.
— Eu não vou para Azkaban! — Disse ele meio histérico.
— E para onde mais você vai? Seu lugar não é aqui, Parkinson, Azkaban te espera a muito tempo. — Disse Moody em tom de deboche, queria provocá-lo para ter uma luta, mas suas palavras o fizeram arregalar os olhos de espanto.
— Foi isso que ela disse... a voz... disse, mas... como? — Ele baixou a varinha alguns centímetros e Moody não hesitou.
— Expelliarmus! — A varinha de Parkinson voou e, enquanto era amarrado, King e, depois, Moody controlaram com mais facilidade o fogomaldito.
Depois olharam em volta para o lindo Beco destruído e franziram o cenho ao perceberem que, enquanto a Editora Aprilis era apenas um esqueleto preto e triste do que fora antes, a GER estava apenas chamuscadas. Quando voltaram para o Beco principal, constataram o mesmo, as novas lojas da GER estavam chamuscadas e, devido a força do fogomaldito de Amico, ali o estrago era pior. No entanto, as lojas já existentes daquela área tinham sido completamente destruídas pelas chamas.
E, sobre o Caldeirão, a surpresa deixada por Aleto, seu último feitiço, uma caveira gigantesca e esverdeada com uma cobra deslizando por sua boca pairava no ar sobre o telhado, anunciando a morte.
Harry não teve um sono calmo naquela noite. Apesar da sua conversa e entendimento com Serafina, que não o colocou de castigo, compreendendo que ele não tinha feito nada intencionalmente errado. Apesar de sua meditação e oclumência, Harry foi transportado para um caleidoscópio de sons, imagens e cheiros. O cheiro floral era como um desejo, uma vontade por algo ainda não saboreado, como o cheiro da comida sendo preparada e que você tinha que esperar para provar. O fogo o acariciava como seda, mas em algum momento a escuridão se aproximou dele, parecia querer lhe tirar as chamas e Harry se moveu agitado, tentando impedir. Então, a escuridão pareceu atacá-lo e Harry se viu em Godric's Hollow, a cidade parecia fria e sombria na paisagem de inverno, como quando ele a conhecera a um ano. E, ao fundo, um bebê chorava e chorava...
— Jason!? Jason! — Gritou ele e correu procurando o bebê, mas o som parecia vir de todos os lugares.
Harry rolou na cama e se debateu com o pesadelo, mas não acordou em seu desespero de encontrar o bebê chorando.
— Jason! Eu vou te encontrar! — Gritou o Harry do sonho, mas, quando o som o levou para a casa onde seus pais morreram, ele hesitou.
O Chalé Iolanthe estava do jeito que se lembrava, mas não poderia ser, Jason não podia estar ali, porque o Chalé fora destruído e um jardim estava sendo construído. No entanto, o choro desesperado persistia e Harry não podia deixá-lo sozinho, precisava protegê-lo. O Harry na cama choramingou, suado e trêmulo, enquanto o Harry do sonho abria o portão e seguia para dentro da casa, mas, ao passar pela porta, ele não entrou no Chalé e sim se viu no cemitério diante do túmulo de seus pais. O choro desaparecera, Harry olhou em volta confuso com o novo cenário e parou chocado ao ver dois caixões abertos ao lado das covas e se adiantou, pois sabia que eram seus pais. Uma parte dele sentia que tudo estava errado e não deveria se aproximar, mas uma necessidade estranha e imperativa o empurrou para a frente. E, no segundo em que os viu, não bonitos, mortos e frios como esperava, mas em decomposição, esqueléticos e fétidos, Harry saltou para traz horrorizado, o cheiro delicioso e persistente de flores do campo, finalmente, desapareceu e o Harry da cama acordou com um grito estrangulado e engasgado pela bile que lhe subiu pela garganta. Ele só teve tempo de chegar ao banheiro antes de vomitar tudo em seu estômago, ofegante e engasgado, chorando sem perceber.
Quando terminou, escovou o dente e lavou o rosto, depois, sentindo-se pegajoso e nojento, entrou na ducha para tomar banho. Se lavou de olhos fechados, tentado usar sua oclumência para afastar a imagem aterradora e o cheiro terrível que persistia em sua mente, mas conseguiu apenas parar de soluçar e tremer. Quando voltou para a cama com um novo pijama, estava tão exausto que o sono o reivindicou em segundos.
No entanto, menos de uma hora depois, alguém balançou seus ombros para acordá-lo e Harry sentiu seu coração se apertar ao ver o rosto pálido e preocupado de Sirius.
— O que...? — Seus pensamentos foram para todos que amava, para o bebê Jason, Edgar, todos os seus funcionários.
— O Beco Diagonal foi atacado. — Disse ele e Harry sentiu a vontade de vomitar voltar na hora, mas se controlou.
Sem fazer perguntas, Harry acenou e se levantou.
— Vou me vestir e te encontro lá em baixo.
Em poucos minutos, Harry desceu as escadas e encontrou, Sirius, Falc e Serafina o esperando.
— ... E, eu avisei meus pais e Petúnia, assim, podem manter um olhar nas crianças quando acordarem. Ainda bem que estão passando essa semana aqui... Harry! — Disse Serafina o encarando com preocupação.
— Estou pronto. Vamos? — Harry disse muito sério.
— Antes... — Sirius se aproximou e tocou seu ombro. — Precisamos decidir como faremos isso. Eu não posso me envolver diretamente, ser visto ou fotografado pela imprensa, isso poderia estragar a OP Travessa do Tranco. Irei diretamente ao escritório da GER e me encontrarei com Edgar, ajudarei no que puder a partir de lá. Você poder vir comigo e receber as informações a partir de lá, nem os aurores lhe verão.
— Ou, você pode vir conosco pela entrada e isso, provavelmente, revelará quem é o dono da GER. — disse Sr. Falc preocupado. — Queremos ver os estragos pessoalmente antes de chegar a GER.
— Eu irei com vocês, também quero ver tudo por mim mesmo, mas irei com a capa e, assim, ninguém me verá. — Disse Harry decidido, estendeu o braço e a capa o atendeu, deslizando como água prateada e o cobrindo.
— Seja cuidadoso e fique por perto. — Disse Serafina aflita.
Sirius foi primeiro, direto para a GER, seguido de Falc e Serafina, ela esperou que Harry deixasse as chamas verdes antes de ir para o Portal com o marido pela multidão de pessoas que esperavam para passar e não recebiam autorização.
— Eu tenho minha loja, você tem que me deixar entrar! — Gritou um homem, parecia em pânico e outros imploravam desesperado.
— Por favor, senhor, eu ouvi que comensais da morte usaram fogomaldito, minha loja... tudo o que tenho... meu estoque... por favor... — o homem puxava os cabelos em lágrimas.
— Por favor! Escutem! Assim que os aurores terminarem as suas investigações, o Beco será liberado, o ataque ocorreu a mais de 2 horas e isso não demorará muito agora. Precisam ser pacientes ou a investigação poderá ser comprometida e as pessoas responsáveis saírem livres. — Uma Tonks muito séria e paciente dizia aos comerciantes que cercavam a entrada do Portal Adler, onda ela e mais 3 recrutas mantinham a guarda.
Serafina e Falc se aproximaram e foram permitidos entrar, aliviados ao perceberem que o Saguão de Entrada não sofreu nenhum ataque. Harry os seguiu de perto e, enquanto eles conversavam com Tonks, se aproximou do Portal e o tocou. A parede cintilou e as chamas voltaram tão reais que arrancou algumas exclamações de susto de alguns, mas Harry ignorou, concentrado na magia que cintilou e o envolveu como fitas de seda de fogo.
"Não esqueça o cheiro, Guerreiro"
As vozes do coral disseram suavemente. Fechando os olhos, ele foi banhado pelo cheiro maravilhoso e suspirou aliviado quando o cheiro fétido da morte foi afastado de sua mente.
— Obrigada, eu não me esquecerei. — Sussurrou, para ninguém ouvir.
"Quando o encontrar, não desista das chamas, Guerreiro, elas fazem parte da sua alma"
Surpreso pela segunda voz que sussurrou em seu ouvido como se fosse um segredo, Harry viu Serafina e Falc atravessarem a parede insubstancial, para disfarçar que alguém invisível estava ali, pensou Harry e decidiu segui-los.
— Não! Vocês não podem entrar! Eles foram convocados pelos aurores e, em breve... — Dizia Tonks, mas Harry atravessou para o outro lado e não mais a ouviu.
Ele se engasgou na hora, horrorizado com o que viu e se apressou para a frente onde os aurores estavam por toda a parte seguindo instruções de King e Moody. Edgar estava na esquina entre a Viel Beco Diagonal conversando seriamente com Bones e Fudge, mas Harry ignorou todos enquanto olhava para as lojas atingidas, suas lojas, com as pinturas descascadas, vidros de vitrines destruídos e telhados retorcidos, como se uma mão gigantesca os tivesse socado repetidamente. Mas, elas estavam de pé, suas estruturas conservadas e os produtos ainda, razoavelmente, intactos, no entanto, as lojas antigas que não pertenciam a GER... Seus olhos se encheram de lágrimas de tristeza ao ver que a Floreios e Borrões, com todos os seus livros, não existia mais e ficou mais horrorizado ao ver o Empório Coruja um esqueleto de carvão com centenas de penas de corujas de todas as cores, por toda parte.
A destruição prosseguia a frente, até o fim do primeiro quarteirão, a Viela II não fora atingida ou o resto do Beco. Enxugando as lágrimas do rosto, Harry deu as costas para as penas das corujas e voltou para onde Falc estava conversando com Fudge e Bones.
— Temíamos que o fanatismo dos puristas os levasse a algo assim, Ministro. — Disse Falc pensativo. — Mas, não esperávamos que eles agissem tão repentinamente ou de maneira tão cruel.
— A reunião de ontem nos levou a pensar que eles pretendiam lutar contra nós de maneira mais política, Ministro Fudge. — Disse Edgar com rosto entristecido. — Preparamos nossas lojas para acidentes, ataques, ladrões e vandalismo, mas o fogomaldito e todo esse ódio, não tínhamos como prever.
— Não, não, eu também, nunca... — Fudge parecia sem palavras de horror. — E, um integrante da Suprema Corte, não menos, o Profeta e o povo falarão sobre isso por semanas, meses.
— Lidaremos com isso, Cornelius, o melhor é fazermos um pronunciamento, na rádio bruxa e uma nota no Profeta. — Bones disse e estava muito pálida. — Temos que explicar os acontecimentos de hoje para o povo e deixar claro que os responsáveis estão presos e pagarão por seus crimes. E que, qualquer mais destas tentativas puristas de destruir o nosso mundo não será mais tolerado. Também precisamos nos encontrar com as famílias dos mortos... Tom, era tio-avô de Hannah, uma grande amiga de minha sobrinha e quero lhes comunicar pessoalmente.
Harry sentiu seu coração se afundar de tristeza e, pela primeira vez, olhou na direção do Caldeirão, onde outros 2 recrutas estavam na porta, impedindo e protegendo a cena do crime. Tom, o barman teimoso que se recusou a vender o Caldeirão estava morto? E, quem mais? Algum de seus clientes? Quem fez isso? Porque? Se, antes, perguntas não eram tão importantes quanto chegar ao Beco, agora, Harry sentiu uma profunda necessidade por respostas.
Passando ao lado do Sr. Edgar, ele o resvalou e depois seguiu para o prédio da GER, que também fora muito atingido, mas as janelas de vidro, pintura derretida e telhados poderiam ser concertados, pensou Harry, as vidas perdidas, não. Enquanto olhava para o prédio, os primeiros raios de sol sugiram iluminando suas paredes e telhado, deixando a esquelética e negra estrutura da Editora Aprilis ainda mais triste e sombria. O amanhecer pareceu ser o sinal para que os aurores deixassem as pessoas entrarem, não era uma multidão, provavelmente, apenas os comerciantes, as notícias se espalhavam rapidamente e era natural a preocupação.
— Não! — Alguém gritou desesperado. — Minhas meninas! Minhas corujas! Não... por favor... meus animais, meus pobres...
Engasgado de tristeza ao ouvir seu desespero, Harry entrou na GER e encontrou o saguão e recepção vazios. Usando o elevador, chegou ao escritório, onde Sirius e Serafina tentavam acalmar os funcionários presentes que deveriam ter vindo por flu.
— Quando vão no liberar? — Isabella estava andando de um lado para o outro. — Precisamos começar a trabalhar e o Sr. Edgar pode estar precisando de ajuda.
— E, precisamos saber quem fez isso. — Disse Noah o assistente da Divisão de Turismo, parecendo muito zangado. — Eles têm que pagar pelo que fizeram!
Nesse momento o flu foi acionado e Carter, Diretor da Divisão Financeira chegou ansioso e preocupado, fazendo perguntas. A ansiedade e tensão eram gigantes, mesmo que ainda faltassem muitos funcionários, Harry sabia que, como ele, todos ficariam arrasados com os estragos.
Falc entrou pelo elevador e parecia arrasado.
— Os aurores liberaram o Beco, não entrem nas lojas mais atingidas até que tenhamos uma avaliação estrutural de Ian e Mac. — Recomendou e, rapidamente, todos os funcionários presentes entraram no elevador e a GER ficou silenciosa.
— Harry? — Falc falou e ele recolheu a capa, seu rosto pálido e entristecido mostrando que compreendera todo o horror dos acontecimentos. — Edgar já vem para conversar com você. Ian e Mac, já estão trabalhando e temos muitos associados presentes ajudando uns aos outros ou pelo menos os prédios atingidos.
— Harry, você quer ficar aqui? — Serafina perguntou preocupada.
— Aqui é meu lugar, Sra. Serafina. Vou para a minha sala, assim se algum auror aparecer não serei visto. — Disse ele resolutamente e entrou em seu escritório, grande, bonito e com vista para a Viela.
Ele parou na janela e olhou sem ver a movimentação lá de baixo, pensando e pensando, sabia o que acontecera, não importava quem, pois todos os extremistas eram os mesmos. Eles atacaram a GER, sua empresa, por ousar mudar, inovar e caminhar de mãos dadas com o mundo trouxa. Eles os queriam assustados e encolhidos, temerosos de lutar ou viver no mundo mágico, mas não conseguiriam o que queriam, não mesmo.
— Harry. — Edgar entrou na sala, seguidos de Falc, Sirius e Serafina. — Falc me disse que estava aqui e andou pelo Beco invisível, então, deve ter visto os estragos. A boa notícia é que não houve danos estruturais, apenas estéticos, o mais demorado e caro para concertar são os telhados, mas já temos o pessoal do Ian e Mac cuidando disso.
Harry gostou que Edgar fosse direto ao ponto, pois era exatamente o que ele pretendia fazer.
— O que aconteceu, Sr. Edgar? Quero que me conte tudo.
Ele apenas acenou e, se sentando em uma das poltronas, contou em detalhes a reunião do dia anterior no Ministério da Magia e a vitória política que obtiveram.
— Esperávamos uma reação negativa, mas não um ataque dessas proporções. — Disse Falc em determinado ponto.
— Quem fez isso? — Harry perguntou, o nome Malfoy pairando no ar.
— Parkinson e os gêmeos Carrows. — Disse Edgar e contou sobre os três mortos no Caldeirão, a prisão de dois deles e a morte do outro, além da utilização do fogomaldito na tentativa de destruir a GER.
— Sabemos que o alvo era a GER, mas, segundo me adiantou o King, Parkinson estava tentando atrair o Edgar para cá e matá-lo. Ele ficou irracionalmente enraivecido com o que aconteceu na reunião, pois se sentiu desrespeitado por uma criatura inferior. — Explicou Falc e Harry olhou preocupado para seu Diretor.
— Sabíamos que íamos apertar muitos calos, Harry e, como seu Diretor, eu sou a cara da GER. Estou em nível de segurança máximo, além de ter minha família bem protegida também, desde domingo, e o que aconteceu me fará ser ainda mais cauteloso. Assim, não se preocupe que prometo ter cuidado. Ok? — Disse ele com um sorriso gentil e Harry acenou, sabendo que não podia fazer mais nada além de confiar.
— Esses dois homens serão condenados pelo que fizeram? E, existe a possibilidade de Malfoy estar envolvido? — Perguntou ele e Sirius acenou negativamente.
— Sim a primeira pergunta, Parkinson ser um membro da Suprema Corte não impedirá seu julgamento e condenação. Podemos tentar ver o lado positivo mais a frente, por sabermos que três extremistas a menos estão soltos por aí fazendo coisas horríveis. — Sirius disse e seus olhos espelhavam a tristeza de todos. — Malfoy jamais de envolveria em algo que poderia lhe prejudicar ou em uma ação tão mal planejada e tosca. Os três imbecis atacaram o Beco de cara limpa, os comensais usavam máscaras e mantos para protegerem suas identidades. Eu conheço Lucius, ele é frio e estrategista, posso vê-lo planejando, desde o fim da reunião, uma maneira de prejudicar a GER, mesmo matar o Edgar, mas não faria dessa maneira.
— Sim, foi o que pensamos sobre seus planos em Hogwarts, mesmo que descubramos quais são os planos e alvos, duvido que consigamos ligar a ele. — Disse Harry pensativo. — Isso quer dizer que não acabou, esse foi apenas os mais extremistas dos puristas, os mais enlouquecidos, descontrolados e sem inteligência. Teremos outro ataque ou ataques muito em breve, não é?
— É bem provável, mas não esse tipo de ataque. — Disse Edgar gesticulando para a janela, se levantou e se serviu de água, mesmo quando poderia ter acenado com a varinha. — Esperamos ataques políticos, legais... Malfoy e seus amigos puristas com certeza tentarão mudar as leis que nos permitiram criar tudo isso e...
— E a AP. — Apontou Serafina e Harry acenou.
— Não duvidamos que Malfoy elabore também um plano para matar o dono da GER ou no caso o seu Diretor, já que o dono é um mistério. — Prosseguiu Edgar calmamente, como se não falasse de planos para sua morte.
— Por isso a vitória de ontem foi tão importante, Harry, ter o apoio do Ministro é uma grande vantagem, desde que mantivermos ele ao nosso lado, claro. — Disse Falc com uma careta. — Fudge é muito volúvel e segue o que é melhor para ele próprio e sua carreira política.
— Então, se continuarmos a mostrar que nos apoiar é o melhor para sua carreira... — Harry acenou entendendo que o Ministro pouco se importava com o mundo mágico. — Ok, temos o apoio do Ministro, pelo menos por enquanto, mas os puristas virão com tudo para cima de nós e podem virar o jogo. Eles podem mudar as leis? Nos obrigar a desfazer o que fizemos? Ou no impedir de fazer mais?
— Se tiverem a maioria na Suprema Corte? Sim. — Disse Sirius suavemente. — Mas, eles não estiveram particularmente ativos na Suprema Corte nos últimos anos, mantem-se discretos depois da guerra e apenas tentam impedir qualquer nova lei que beneficie os nascidos trouxas.
— Eles não podem fazer muito contra a GER, Harry, porque a empresa pertence a uma família antiga e isso os prejudicariam também, mas, eles poderiam tentar endurecer as leis contra os nascidos trouxas e mestiços. — Falc explicou tenso.
— E, como fazemos para ter a maioria da Suprema Corte? — Perguntou ele preocupado.
— Não existe muito o que podemos fazer, Harry, precisamos confiar que os membros não sejam, em sua maioria, puristas, porque, efetivamente, não podemos mudar os pensamentos preconceituosos dos puristas ou obrigá-los a votar a nosso favor. — Disse Serafina suavemente. — E não, chantagem não é uma opção. — Acrescentou divertida, Harry riu suavemente, Falc e Sirius acompanhou.
— Acho que perdi alguma coisa. — Disse Edgar confuso.
— Um dia lhe conto essa história, Sr. Edgar. — Disse Harry e, depois parou pensativo. — Acho que estão errados em pensar que não podemos fazer algo sobre a Suprema Corte. Temos que colocar nossas mentes para trabalhar e encontrar soluções, precisamos dos nomes de todos os 50 membros e vamos investigá-los, pois, com mais informações sobre eles, podemos montar estratégias de como lidar com cada um. Os que forem declaradamente puristas, como Parkinson, ou velados, como Malfoy e Greengrass, nada poderemos fazer, mas os outros, observaremos, nos aproximaremos e estenderemos nossa amizade. — Harry viu suas expressões surpresas e tentou se justificar. — Sei que parece frio a ideia de fazer amizades com segundas intenções, mas não seremos falsos, tentaremos fazê-los ver que seguir com nossas ideias e estratégias será benéfico para eles também. Acredito que poderemos descobrir como abordar cada um de diferentes e inteligentes maneiras, por um Black ou por um Boot, quem sabe com uma associação lucrativa com a GER? Sem falsidades ou mentiras.
Harry esperou alguma reação, mas eles apenas o encaram por alguns segundos, até que finalmente Edgar se levantou, foi até ele, o erguendo do sofá e o beijou em ambas as bochechas.
— Garoto maravilhoso! — Disse ele e se afastou na direção da mesa da sala. — Brilhante! Você tem razão, não podemos ficar passivos, porque os puristas com certeza não ficarão.
Harry ainda estava meio paralisado e chocado, enquanto via o Sr. Falc se levantar animadamente.
— Eles devem estar planejando os próximos passos neste instante, Edgar e devemos agir rapidamente.
— O que aconteceu hoje os atrasarão, porque qualquer movimento que façam poderá ser conectado diretamente ao ataque e assassinatos de hoje. — Sirius também se levantou pensando em todos da Suprema Corte que conhecia. — Eles tentarão preservar suas imagens e não as ligar a Parkinson, os Carrows e, muito menos, aos pensamentos que eles defendiam.
— Isso quer dizer que, indiretamente, essa tragédia provocada por esses bruxos insanos prejudicará Malfoy e seus amigos. — Disse Serafina sorrindo pela primeira vez. — E, teremos tempo para agir com calma... E, podemos levar a opinião pública para o nosso lado! Edgar! Você pode dar uma entrevista direta para a rádio e falar com todos em suas casas, contar sobre essa tragédia e as intenções das famílias antigas puristas. Sobre como, todos devemos lutar e exigir do Ministro e Supremo Corte que defenda a população.
— Isso é brilhante! Aposto que fará tanto Fudge como os juizes pensarem duas vezes antes de apoiarem a agenda dos puristas se a população se manifestar fortemente contra. — Disse Edgar e parecia novamente cheio de energia. — Temos muito o que fazer, muito trabalho e decisões, preciso entrar em contato imediatamente com a rádio bruxa e agendar uma entrevista para ainda esta manhã.
— Eu conseguirei os nomes da Suprema Corte e, Sirius e eu poderemos começar a trabalhar com coleta de informações... meu pai poderá ajudar, com certeza, ele conhece muitos dos membros mais antigos. — Disse Falc pegando seu casaco para deixar a GER.
Todos deixaram o seu escritório, Harry os seguiu um pouco chocado ainda e temporariamente invisível para os adultos motivados, apesar de não estar com a capa. Mas, ao voltarem para a área das secretarias, se depararam com vários dos funcionários chorando e lamentando, completamente arrasados com o que viram.
— Como puderam fazer isso...
— É o que eles fazem, Grace, se pudessem nos mataria a todos e se divertiriam. Malditos puros. — Disse Lucy, assistente da Divisão Evans.
— Vocês precisam se acalmar. — Disse a Srta. Belle suavemente que era a Diretora de Lucy. — Sei que estão zangados e magoados, mas, agirmos precipitadamente em nossos julgamentos, não é a resposta.
— Mas como podemos não os odiar? Ou não nos enfurecer? — Disse Noah zangado. — Trabalhamos duro demais e fizemos coisas incríveis, para esses... intolerantes tentarem destruir tudo e nos expulsar.
— O que temos que fazer é não desistir e não os deixarem vencer, não hoje e nem nunca. — Disse Harry se aproximando a frente para ser visto. Todos se viraram para ele, surpresos, pois não sabiam que estava no prédio. — O que os puristas querem é despertar o nosso medo, assim, recuamos, fugimos e desistimos. Bem, não faremos isso. — Harry sorriu para eles. — O que faremos é concertar os estragos e não apenas os das nossas lojas. Vamos ajudar as lojas perdidas, Aprilis, Empório, Floreios e Borrões, e de todas as outras, eles precisarão da nossa solidariedade, apoio e trabalho duro. Noah, horaremos o nosso trabalho, com mais trabalho, sem perder a esperança e sem odiar. Porque se os odiarmos, eles vencem. — Harry suspirou cansado. — Nem todos os puros-sangues são puristas e nem todos os nascidos trouxas não são preconceituosos. Isso não é uma guerra entre puros e nascidos trouxas e, se passarmos a discriminar e odiar os puros, seremos iguais aos fanáticos que mataram o Tom e mais duas pessoas hoje. Seremos igual a Voldemort e seus comensais... — Harry os viu estremecer. — Me recuso a odiar, me recuso a discriminar e me recuso a desistir. — Ele sorriu outra vez com malícia. — Lembre-se de tudo que já fizemos, nos infiltramos em Hogwarts e nos infiltramos aqui no Beco. Agora, o próximo passo, é nos infiltramos no Ministério e é assim que os venceremos, com inteligência. Eles podem vir com violência e intolerância, nós devolveremos com coragem, perseverança e muito trabalho duro. Estão comigo?
Harry os viu aos poucos se encherem de esperança e coragem enquanto falava e quando encerrou com sua pergunta, houve muitas exclamações positivas, palmas e gritos de apoio. Alguns se adiantaram para abraçá-lo, outros lhe bateram nos ombros ou apertaram sua mão.
— Bem, se terminaram de chorar, levar bronca e puxar o saco... — Disse Edgar divertidamente, mostrando que estava brincando, todos sorriram levemente. — Temos muito trabalho duro pela frente e espero que estejam com disposição porque não vamos parar até cada uma daquelas lojas estarem funcionando outra vez. E, como o Harry disse, não apenas as nossas lojas. — Edgar se adiantou e apontou para Diane, Diretora da Divisão Imobiliária. — Quero você e sua equipe coordenando com Ian e Mac, precisamos de um boletim com informações a cada 2 horas e os informe que devem aumentar suas equipes para a reconstrução das lojas que não são da GER. — Apontou para Belle Perrin, da Divisão Evans. — Ajudaremos e apoiaremos as vítimas com a Divisão Evans, verifique os nomes das pessoas que foram mortas, dos comerciantes e coordene comigo diretamente, para podermos encontrar uma maneira de ajudá-los e suas famílias. Julian e Theo, quero que comecem a pensar em como impediremos a queda das vendas e visitas dos turistas depois desse ataque, como podemos impedir que o Beco se esvazie por causa do medo. — Os dois Diretores da Divisão de Turismo e Marketing acenaram. — Pensem em estratégias e também em uma declaração ao Profeta, além de qualquer coisa que possam pensar que eu deveria dizer ou anunciar na minha entrevista na rádio bruxa ao vivo. — Depois olhou para sua assistente que se empertigou. — Isabella, consiga-me uma entrevista ao vivo na rádio bruxa, o mais rápido possível, antes do Ministro seria o ideal.
— Sim, senhor. — Disse ela e rapidamente se moveu para sua mesa para começar ao entender a urgência.
— Trevor, números, precisamos de uma estimativa de prejuízo e repasse-os para mim e Falc. — Disse ele apontando para o Sr. Falc. — Ele apresentará isso como responsabilidade dos atacantes e conseguiremos uma indenização justa. — Trevor Carte, Diretor da Divisão financeira acenou e aprecia ansioso para começar. — As outras secretarias, quero que coordenem as esquipes e me mantenham informado de tudo o que acontece. Phoebe, sei que o dia será difícil, por favor, seja brilhante como sempre com os visitantes e, se precisar de ajuda, não hesite em pedir. — A recepcionista que chorava antes, sorriu com o elogio e acenou bravamente. — Rebeca, visite cada associado e verifique suas condições mentais e dos funcionários para reabrirmos o Beco amanhã.
— Espere. — Harry se adiantou ao ouvir isso. — O Beco não se abrirá hoje?
— Harry, depois de tudo o que aconteceu e parte do Beco sendo reconstruído, não acredito que reabrirmos para vendas hoje seria possível. — Disse Edgar o olhando curioso, pois sabia que ele sempre tinha uma ideia.
— Todos estarão abalados, Harry e os visitantes, clientes, temerosos em vir as compras. — Sugeriu Rebeca suavemente. — Posso estar com eles hoje e ajudá-los a voltar amanhã.
— E, amanhã terão que encarar o que não fizeram hoje, e os clientes ainda estarão temorosos. — Harry acenou negativamente. — Um dia não mudará nada e enfrentar de uma vez é a melhor coisa para todos. Além disso, o Sr. Edgar falará com a população pela rádio e poderá dizer que não vamos desistir ou sermos coagidos a fugir, nos trancar em nossas casas. — Harry se adiantou e falou com firmeza. — Diga que a GER estará aberta para que todos possam fazer suas compras de Natal sem medo, que haverá segurança extra dos aurores, que as lojas estão sendo reformadas e que, quem quiser vir e ajudar por algumas horas, se unir na luta contra os puristas intolerantes e assassinos, é muito bem-vindo.
— Isso é muito bom! — Disse Theo do Marketing. — Podemos dizer que a GER não se intimidará, que não fechará suas lojas, que não desistirá jamais. E, que abriremos hoje para honrar os que perderam suas vidas tão cruelmente, mostrando nossa coragem e espirito de luta para enfrentar esses covardes.
— Poderíamos colocar caixinhas de doação nas nossas lojas para aqueles que quiserem ajudar na reconstrução das lojas destruídas, principalmente, na reposição dos estoques. — Sugeriu Belle com um sorriso.
— Ok. — Edgar levantou as mãos. — São boas ideias, eu concordo, mas teremos que ver se os associados e funcionários, têm condições psicológicas de trabalharem hoje. Rebeca, deixe-os saber sobre o nosso desejo de não fechar um único dia, mas que respeitaremos quem não se sentir capaz. — Rebeca acenou sorrindo para sua sempre disposição para compreender e ser bom. — Ok, acredito que todos têm o que fazer, assim, ao trabalho.
Em segundos a área ficou praticamente vazia, com exceção das secretárias.
— Ok, enquanto Falc consegue os nomes da Suprema Corte, levarei o Harry para o nosso compromisso nas últimas fazendas. — Disse Sirius em tom de sugestão. — Quando voltar, podemos começar a trabalhar.
— Não podemos adiar? Gostaria de poder ficar e ajudar no que puder. — Disse Harry olhando em volta.
— Todos estão envolvidos e fazendo um ótimo trabalho, Harry, e você pouco pode fazer, além de não poder ser visto. — Disse Serafina gentilmente.
— E, suas ideias e discurso já foram ajudas suficientes, Harry, era exatamente o que precisávamos para deixar o choque para traz e começar a trabalhar. — Edgar apontou, depois baixou o tom. — Além disso, acredito que, mais do que nunca, sua identidade deve ser mantida em segredo.
— Ok. — Harry suspirou sabendo que eles estavam certos. — Apenas mais algumas coisas, chame a Penny para ajudar, ela ficará feliz e poderá ser de grande ajuda. Avise-os hoje sobre as questões de segurança, Sr. Edgar, e seja bem claro, se eles não forem muito cautelosos poderão ser torturados para revelar informações e mortos. — Harry viu seu diretor acenar preocupado enquanto olhava para os seus funcionários. — Quando tiver a lista dos membros, me envie uma cópia, por favor e, se precisarem de qualquer coisa, não deixem de me chamar. — Encerrou Harry com firmeza.
Edgar e Falc concordaram, logo depois, Harry, Serafina e Sirius usaram o flu para o Chalé.
— Posso perguntar porque você quer a lista dos membros da Suprema Corte? — Perguntou Serafina suavemente.
Harry se esticou desejando poder ir dormir, não viajar e suspirou quando sentiu o cheiro de comida.
— Muito simples. Quero saber quem são seus filhos, se estão em Hogwarts e recrutá-los para o nosso lado. — Se dirigindo para a cozinha e ansioso por um café da manhã, continuou. — Alguns deles podem influenciar os pais ou espioná-los. — Harry sorriu ao pensar em Daphne.
Na cozinha, todos estavam ansiosos por notícias e a Sra. Serafina explicou o que aconteceu com delicadeza para não assustar Adam e Ayana que já estavam de olhos arregalados. Tia Petúnia parecia muito preocupada e o abraçou com força pouco antes do Harry deixar o Chalé com Sirius.
— Seja cuidadoso. — Disse ela muito tensa.
— Eu prometo e estarei com Sirius, então, estarei bem. — Garantiu ele e depois eles partiram.
Eles foram por flu desta vez, foram até o escritório da GER e de lá para a fazenda de Gales e depois para as duas fazendas na Irlanda. Os três últimos lugares onde as feiras seriam construídas eram tão perfeitos quanto os visitados anteriormente. A paisagem, o espaço, os gerentes, Harry riu muito com o gerente irlandês, Connor MacGregor, que era um verdadeiro piadista. Seu filho adolescente, ruivo e cheio de sardas, Patrick, estava na Hufflepuff e era amigo de Cedric, parecia muito animado com a linda fazenda em Adare e ajudar o pai com os animais e as plantações. Sr. MacGregor era viúvo, sua esposa, que era trouxa, morrera em um acidente de carro quando Patrick era pequeno e Harry pode ver que isso ainda lhe doía, mas, ao mesmo tempo, encarava a vida com muita alegria e amor. Dava para sentir seu imenso amor e orgulho por seu filho e trabalho.
Em Gales, Harry se sentou e tomou um segundo café da manhã com Dylan Appemdrick e sua esposa muito grávida de uma menina.
— O bebê chegará a qualquer momento agora, estamos felizes e conseguirmos nos acomodar e arrumar tudo, até o quarto dela está pronto. — Disse Emma Appemdrick.
— Vocês já escolheram o nome? — Perguntou Harry olhando para a imensa barriga, decidiu não perguntar se eles tinham certeza que era só um bebê, Sra. Emma poderia se ofender de verdade.
— Glenda, aquela que nasce no vale. — Disse Sr. Dylan. — Assim que nos mudamos, percebemos que era o nome perfeito para essa bruxinha.
Harry acenou concordando, a Fazenda Glynneath ficava em um lindo vale e o nome da bebê era igualmente belo.
Foi sentado com eles que Harry e Sirius acompanharam a forte entrevista de Edgar que conseguiu se adiantar ao Ministro e contou tudo o que aconteceu ao Beco Diagonal e porque aconteceu. Suas palavras foram fortes e verdadeiras, falou do sonho por um lugar para todos no mundo mágico, de igualdade de direitos e rendas. Falou do desejo da GER e seu fundador de um mundo sem violência e discriminação, mas, que para isso, o Ministério tinha que criar leis que protegessem os discriminados, que tornasse crime ofender, agredir ou discriminar alguém, qualquer ser mágico, por sua origem ou status de sangue. Edgar convidou a todos para terem coragem de lutar e exigir, para virem ao Beco e mostrar que não tinham medo e que não fugiriam por causa de alguns loucos racistas e extremistas.
— A GER não fechará! Nem uma única loja do nosso Grupo estará de portas fechadas, até mesmo as que foram atingidas pelo fogo estarão atendendo parcialmente em meio as reformas. Não nos acovardaremos e, nem por um dia, essas pessoas conseguirão nos impedir de trabalhar honestamente e prover nossas famílias!
— Nossa, ele é tão corajoso! — Disse Emma emocionada e seu marido apertou seu ombro em apoio.
— E, eu ouvi dizer que ele é um Hufflepuff. — Disse Harry com um sorriso orgulhoso.
Edgar encerrou a entrevista pedindo que quem pudesse vir ajudar na reconstrução das lojas, principalmente as mais destruídas, eram bem-vindos. Falou também das caixinhas montadas nas lojas para ajudar os comerciantes que perderam tudo a repor seus estoques e abrirem antes do Natal. E, agradeceu aos aurores por sua reposta rápida ao feitiço de emergência que impediu uma tragédia ainda maior.
Quando acabou, Harry e Sirius trocaram um sorriso, pois logo viram os resultados ao vivo.
— Sr. Potter, se o senhor não se importar, enviarei alguns dos meus homens para ajudar na reconstrução do Beco. — Disse Dylan se levantando ansioso por ajudar.
— Não me importo, é uma boa causa e todos devermos ajudar. — Disse Harry sorrindo.
— E, eu vou ir também...
— Querida, o bebê...
— Estaremos bem, Dylan, vou apenas marcar presença, comprar algumas coisinhas que preciso e colaborar com a caixinha de doações. — Disse ela decidida. — Precisamos nos unir e mostrar para esses puristas que não temos medo deles.
— Ok, mas chame sua mãe para lhe acompanhar, me sentirei mais tranquilo. — Disse seu gerente e logo depois Harry se despediu feliz ao ver os funcionários ansiosos por ir ao Beco Diagonal ajudar.
Na última fazenda, em Longford, norte da Irlanda, Harry pouco pode ver das instalações, porque o frio e vento eram intensos.
— Eu já dispensei o pessoal, a previsão é de uma tempestade de neve vindo do Norte, Sr. Potter, mas eles quiseram ficar para conhecê-lo e cumprimentá-lo pessoalmente. — Disse o Sr. Saul Kelly.
Harry sorriu emocionado e feliz por não ter cancelado a visita e cumprimentou cada um deles com um aperto de mão. Eram dezenas de funcionários, porque essa era a maior fazenda que tinha na Irlanda e onde foi reunido todos os funcionários das fazendas irlandesas, com exceção os da Adare. Harry tinha 8 fazendas na Inglaterra, 3 em Gales, 2 na Escócia e 5 na Irlanda, assim, sua visita a Longford foi quase tão demorada quanto a de Sevenoaks, mas ele não se importou e dedicou seu tempo a falar com cada funcionário. Passou mais tempo com os gerentes das outras fazendas, que ele prometeu visitar no verão, conversando sobre as produções, fez dezenas de perguntas e aprendeu muito.
Os funcionários que foram dispensados por causa da tempestade decidiram ir para o Beco, ajudar na reconstrução, pois a entrevista de Edgar também lhes motivou a participar.
— Tenho a impressão que haverá mais ajuda do que trabalho. — Disse Sirius divertido quando partiram pouco antes da hora do chá.
Depois que usaram o flu para a GER, Harry, um pouco desorientado com a longa e agitada viagem, respondeu.
— Isso seria ótimo, se tudo for reconstruído hoje, todos podem abrir amanhã mesmo. — Disse Harry e logo descobriu que a GER estava tão agitada quanto no dia do Festival.
Isso porque uma multidão invadiu o Beco Diagonal. Centenas de pessoas, nascidas trouxas, mestiças, puros-sangues não puristas, apareceram para ajudar, para comprar e mostrar seus apoios.
— Virou uma loucura, Harry, assim que Edgar deu sua declaração, as pessoas começaram a aparecer e aparecer, muitos querendo ajudar na reconstrução das lojas e outros apenas para fazer suas compras. — Disse Grace com um grande sorriso. — Parece até o dia do Festival de novo, as caixinhas de doações estão dando muito certo também e o Sr. Mac nem precisou aumentar sua equipe, pois um mutirão se formou para reconstruir as lojas.
— Isso é incrível! — Harry sorriu animado. — Eu sabia que o povo poderia se unir, esses puristas não sabem o que lhes esperam.
Harry e Sirius não podiam ficar ou serem vistos, assim, logo partiram para o Chalé e descobriram a família chegando do supermercado com as compras para os Abrigos e Natal. Eles puderam ajudar a descarregar os dois carros e guardar tudo, falando sobre as fazendas e o que acontecia no Beco. Uma edição extra do Profeta chegou à tarde, a edição da manhã focou no ataque, nos assassinatos, nos assassinos e em uma revisão da última guerra e o grupo chamado de comensais da morte, os seguidores fieis de "você-sabe-quem". A capa era de uma foto tirada da marca negra esverdeada pairando sobre o Caldeirão Furado, o título era "Horror". No entanto, na edição da tarde, as fotos eram da multidão invadindo o Beco, corajosamente, para ajudar na reconstrução, para realizar suas compras e oferecer apoio a GER e aos lojistas. Houve muitas entrevistas e depoimentos das pessoas e o Prof. Bunmi leu algumas em voz alta enquanto tomavam o chá.
— "Os puros precisam parar de pensarem que são superiores, nós somos bruxos também, temos nossas varinhas desde os 11 anos, como eles"
"Nós não fugiremos, não fugimos durante a guerra e não fugiremos agora. Como bruxos, temos o direito de estar aqui"
"Sofremos preconceitos durante todos os anos em Hogwarts e nunca ninguém fez nada, nem professores ou o diretor. Se a GER quer nos apoiar e lutar por nós, estaremos bem ao seu lado"
"Eu vim porque concordo com tudo o que foi dito pelo Sr. Schubert, e quero mostrar meu apoio. Eu sou puro-sangue e tive minha vida e da minha família, ameaçadas por não ter esses pensamentos puristas de superioridade. Isso tem que acabar. "
"O maior problema é que essa cultura purista ficou para traz quando vencemos a guerra. Eles têm que entender isso e não vamos a lugar nenhum, somos muitos e lutaremos de volta"
"Eu sou um puro-sangue e membro da Suprema Corte, estou horrorizado com o que esses intolerantes insanos tentaram fazer com o nosso Beco Diagonal. E, concordo que leis mais rígidas têm que ser criadas e espero o apoio dos meus colegas nesta missão"
— Como ele se chama? — Perguntou Harry curioso.
— Albert Finley. — Respondeu o professor.
— Tem um Finley no time de quadribol da Hufflepuff, não tem? — Harry olhou para Terry que confirmou.
— Sim, Allen Finley, porque?
— Tive uma ideia... — Harry explicou sua ideia e seu amigo parou pensativo.
— Eu gosto, mas devemos envolver os outros, nosso grupo do Covil tem uns puros-sangues que podem nos ajudar e você é o principal fator, acredito. — Disse Terry depois de muito pensar.
— Eu? — Harry parou confuso e viu sua tia e primo também confusos.
— Sim, você é Harry Potter. — Seu amigo apontou dando de ombros.
— Terry está certo, Harry. — Disse Sirius e trocou um olhar com Serafina. — E, talvez, seja a hora de começarmos a planejar a entrada das famílias Black e Potter na alta sociedade bruxa.
— Como assim? — Petúnia perguntou confusa.
— Além de tudo o que cerca o Harry e que o torna famoso, Petúnia, os Potters são uma família muito antiga, rica e importante, assim, tem poder e influência no mundo mágico. O mesmo acontece com os Blacks, de maneira muito mais direta, obviamente. — Explicou Serafina.
— Os Blacks sempre foram protagonistas na alta sociedade do mundo mágico e, como líderes das famílias antigas, eram os grandes influenciadores dos pensamentos puristas. — Explicou Sirius com uma careta. — Os Potters estavam no polo oposto, ainda que não o mesmo, pois nunca foram esnobes e arrogantes ou se importaram com posição social. Eles defendiam os nascidos trouxas ou qualquer ser mágico perseguido, lutaram em vários conflitos para defenderem os trouxas, casavam com nascidos trouxas, assim, não eram bem-vindos na sociedade puristas exclusiva. Quando minha família fazia um dos seus grandes, caros e disputados Bailes, os Potters jamais seriam convidados, enquanto que famílias como os Corners, que também não são puristas, seriam. Isso porque eles são muito discretos ou jogavam o jogo político muito bem para se inserirem nos dois lados. Entende?
— Michael Corner está em nossa casa e seu melhor amigo é Anthony Goldstein, que é nascido trouxa. — Explicou Terry suavemente. — Mas, Michel foi impedido por seus pais de convidarem o Anthony para o seu Baile de Natal por causa de seu status de sangue. Os clientes do Sr. Corner poderiam não gostar de estar na mesma festa que um "sangue ruim".
— Exato. Eles fazem isso para manterem sua posição social e seus clientes, mesmo que não concordem com os pensamentos puristas. — Apontou Sirius e continuou. — Os Potters nunca se importaram com isso, posição social, ambição política e sempre foram abertamente anti-puristas. Isso não impediu que fossem importantes politicamente, realizassem grandes feitos, tivessem amizade com famílias bruxas da sociedade não purista e seus Bailes de Natal também eram famosos e muito disputados. Claro que os Blacks e outras famílias como a minha jamais seriam convidados.
— Mas aposto que os Corners seriam, habilmente deslizando pelos dois lados. — Disse Petúnia com certo desprezo.
— Absolutamente. — Disse Sirius ironicamente.
— Então, qual é a ideia? Voltar a fazer esse Bailes e participar dos eventos da alta sociedade? — Harry perguntou.
— Sim, mas, para isso, teríamos que melhorar minha imagem que está comprometida pela OP e, depois disso, voltar a aceitar convites para eventos da alta sociedade e realizar festas e bailes. — Sirius não parecia muito animado com a ideia.
— Bem, podemos fazer do jeito que minha família sempre fez e dessa vez, a família Black será convidada... Na verdade, poderíamos dar um grande Baile juntos, Sirius. — Disse Harry sorrindo com malícia. — Harry Potter e seu infame padrinho, Sirius Black, os convidam para o Baile do Ano.
Harry gargalhou e todos riram junto com ele.
— Não é uma má ideia, Sirius. — Serafina disse sorrindo. — Sei que quer se concentrar em sua carreira e não se importa com essas bobagens da alta sociedade, mas você e o Harry poderiam causar algum alvoroço...
— E termos mais aliados. — Disse Harry agitado. —Eu não ligo para essas bobagens também e nem me atrai a ideia de ir a bailes e festas, Sirius, mas, se temos que fazer isso para ter influência social, não me importo. Podemos unir a sociedade, a alta sociedade, como estamos unindo o resto da população, para lutarmos contra os puristas e, se os cercarmos por todos os lados...
— Poderemos tornar seu poderes e influências inócuas. — Sirius disse acenando e compreendendo que o plano era muito bom. — Ok, precisamos ir devagar, planejar com calma e...
— E inteligência. — Apartou Harry.
— E, esperar a OP Travessa do Tranco acabar, pois não posso melhorar minha imagem até que ela esteja finalizada. — Concluiu Sirius e todos acenaram.
— Me parece razoável, até porque, se vamos realizar com uma grande festa, teremos que ter tempo para organizar tudo com calma, escolher uma data e enviar convites... — Serafina disse pensativamente.
— Eu adoraria ajudar, apesar de ser uma festa mágica. — Disse tia Petúnia entusiasmada.
— Claro! Podemos todos nos envolver, será a primeira festa da alta sociedade bruxa com trouxas como convidados especiais. — Disse Serafina animada, olhando para os pais. — Eu dei algumas poucas festas, mas nada grandioso, porque a Sra. Honora nunca ficou completamente recuperada depois da morte de Carole. Mas, Falc e eu estivemos em alguns Bailes, nunca aceitamos os do Yule, porque preferimos passar com a família, no entanto, nesta época acontece incríveis Bailes Yule de diversas famílias.
— Poderíamos fazer algo no solstício de verão... —Sugeriu o Terry e eles continuaram a discutir as possibilidades de como realizar um grande evento social no verão.
Mais tarde, Sr. Falc chegou e resumiu o longo dia. No Beco Diagonal, as lojas foram totalmente reconstruídas, mesmo as que pareciam apenas ruinas negras e, no dia seguinte, já estariam de volta as atividades.
— A caixinha de doações permitiu que, as lojas que perderam os estoques, repusessem tudo. As encomendas foram feitas e serão entregues durante a madrugada, na verdade, o trabalho continuará por toda a madrugada para que tudo esteja perfeito para amanhã de manhã. — Disse ele.
Os mortos foram identificados, além de Tom, havia dois garotos que estavam bebendo até mais tarde antes de subirem para seus quartos no Caldeirão. Pela manhã, eles pegariam uma chave de portal no Ministério para irem visitar alguns amigos na Bulgária.
— Eles eram jovens? E porque estavam indo passar o Natal com amigos em outro país? — Serafina perguntou confuso.
— Eu fiz algumas perguntas aqui e ali, pelo que entendi, os dois eram de família pura... O que mostra que os Carrows e Parkinson não se preocuparam em diferenciar entre status de sangue em seu desejo de matar. — Disse Falc secamente. — Os garotos eram primos, da família Bulstrode, que sempre envia seus filhos homens para Durmstrang e as meninas para Hogwarts. Os garotos tinham muitos amigos na Europa Oriental da época da escola e decidiram ir passar as férias por lá porque, depois do ano novo, tinham que voltar ao trabalho. Eles trabalhavam nos negócios da família e tinham 22 e 25 anos.
— Isso é horrível, tão jovens. — Disse Sra. Madaki abalada.
— Sim, mesmo que sejam de famílias puristas, não mereciam algo assim. Estive acompanhando o trabalho dos aurores e a perícia disse que eles não tiveram tempo de sacar suas varinhas e se protegerem, isso apenas pesará ainda mais no julgamento de seus assassinos, pois não houve uma chance de duelo. E, eles não terão o apoio das famílias antigas, mesmo os puristas como Malfoy estão se mantendo bem quietos e distantes de todo o caso. — Falc estava muito sombrio. — Fudge recomendou a Bones que faça tudo legalmente possível para que eles sejam condenados o mais rapidamente e por toda a vida em Azkaban. Ele quer agradar seus eleitores, claro, e parece cada vez mais interessado em se distanciar de qualquer associação com as famílias puristas.
— Imagino que ele se assustou com o comparecimento grandioso do público em apoio a GER e contrário aos puristas. Acredito que, por enquanto, podemos contar com seu apoio e, se conseguirmos mais aliados na Suprema Corte, é possível que tenhamos o necessário para iniciar o processo de mudança de controle do mundo mágico. — Disse Sirius e Terry sorriu.
— Isso já começou, Sirius, desde o dia em que o Harry começou a infiltrar os nascidos trouxas e mestiços por toda a parte, os puros perderam o controle, apenas não sabiam disso. — Disse ele satisfeito.
— Agora sabem e lutarão contra nós. — Disse Serafina tensa.
— Quer dizer que haverá mais perigo? — Tia Petúnia perguntou preocupada.
— Quer dizer que agora todos os lados estão cientes que a guerra não acabou e que cada lado está se preparando para vencer. — Disse Harry. — Sabemos que eles estão planejando e eles sabem que fazemos o mesmo. Acredito que a diferença é que precisamos ser mais inteligentes, o ataque de hoje foi um erro monumental da parte deles e nos mostra sua crueldade, mas também seu desiquilíbrio, desunião e falta de cérebro. O que precisamos é aproveitar a pequena vantagem que temos hoje e continuar avançando, até porque, quando Voldemort voltar, perderemos qualquer vantagem.
— O que o faz pensar isso? — Falc perguntou curioso. Harry tinha uma maneira única de analisar as coisas e de entender Voldemort.
— Porque Voldemort é o seu "Mestre", ele os mantêm controlados, obediente cérebro por traz das suas ações. — Harry expos sua ideia. — Aposto que depois do Festival e da reunião no Ministério, onde saíram derrotados, eles se reuniram e começaram a planejar como lutar contra a GER, sob a liderança de Malfoy, claro. Mas, famílias como os Parkinson e os Carrows são puristas extremos e odeiam as famílias como os Malfoys que fingem não serem puristas e que interagem, por conveniência, com mestiços ou mesmo nascidos trouxas.
— Assim, eles não o obedeceram ou seguiram suas ideias. — Considerou Sirius concordando com a análise. — Mas como sabe de tudo isso? Sobre essas famílias?
— Tenho algumas fontes de informação, Sirius. — Harry apenas sorriu e não explicou. — O fato é que, esses três malucos decidiram agir por conta própria e, algo assim, jamais aconteceria se estivessem sob o comando de Voldemort.
— Então, o que fazemos? — Petúnia perguntou e Harry sentiu seu coração se aquecer por ela se incluir.
— O que estamos fazendo, unindo o mundo mágico, os informando sobra a verdade, mudando Hogwarts, melhorando a economia para todos e... — Harry hesitou ao pensar em Voldemort em Hogwarts controlando uma menina inocente e tentando recuperar seu corpo. — Impedindo de todas as formas possíveis que ele recupere seu corpo.
