Pessoal, apenas uma mensagem antes que alguém me pergunte ou suponha isso. Essa não é uma história de soul bond! Eu as amo e tenho uma ideia com esse tema que quero escrever depois que terminar essa fic, mas Harry, O Ravenclaw, não irá nesta direção. Se vocês acompanharam tudo o que escrevi sobre a magia natural e de cada bruxo, além dos recados do Portal, além do interesse do Harry em Ginny, que existiu desde o principio, ainda que ele seja muito jovem para entender porque sempre a nota. Se, acompanharam tudo isso, entenderão o que aconteceu neste capítulo e até o que o Harry ainda não admitiu, mas, quase entendeu. Espero que gostem! Revisem e, se alguém não entender, me pergunte que respondo sem problemas!
Até mais, Tania
PS: Uma revisão, ando meio cansada para fazer uma dupla, desculpe
Capítulo 70
Ginny acordou bem cedo naquele domingo e sua mente foi direto para a decisão que tomou na noite anterior de enviar uma carta ao seu irmão Bill, pedindo sua ajuda. Apesar de cansada, ela se levantou e foi para o banheiro se arrumar, decidida a enviar a carta para o Egito o mais rápido possível. Enquanto tomava um banho quente, sua mente se questionou de o porquê não ter pensado nisso antes. Porque não pedira a ajuda ao Bill? Mesmo os gêmeos, se ela pedisse segredo, talvez, eles a ajudassem e não contassem nada aos professores ou seus pais. Mas, pensou, eles também não saberiam como destruir o diário e Ginny sentia-se envergonhada em lhes contar o que fizera. Não, pensou, esperaria por Bill, seu irmão mais velho sempre a apoiara em tudo e a ajudaria sem fazer julgamentos. Enquanto isso, decidiu, ela manteria o diário escondido em seu baú, pois o mais importante era que ninguém mais estava em perigo, muito menos o Harry.
Quando ficou pronta, Ginny foi até a mesa pegar a carta que escrevera na noite anterior, mas franziu o cenho quando encontrou outra letra escrita no pergaminho. Arregalando os olhos, ela leu as palavras...
Querida Ginevra, estava sentindo a sua falta e fico muito triste que planeje destruir o seu único amigo. Infelizmente, para você, sua ingrata, não pode se livrar de mim tão facilmente. Você é minha, Ginevra, para eu dispor como quiser e, ontem, ao assumir o seu corpo, provei isso.
Não tema, minha querida, seu sofrimento está bem perto do fim. Assim que encontrar alguém fraco e solitário como você, para escrever em meu diário, eu a levarei para a minha amiga Freya, minha linda basilisco, para que ela a mate dolorosamente. Adoraria brincar mais com você, Ginevra, mas, você não me deu escolha e prometo muita dor por ter sido tão tola ao me desafiar.
Atenciosamente,
Seu amigo Tom
Ginny soltou a carta horrorizada. Não! Não! Não! Ela não escreveu no diário! Como? Não era possível! Ela dormira, apenas dormira! Olhando para o diário sobre a mesa tentou se lembrar de qualquer coisa que acontecera na noite anterior, mas, nada lhe veio à mente. Ela pegara o diário do Harry e o colocara sobre a mesa, depois, tentara destruí-lo outra vez, mais e mais, até perceber que era impossível. Então, ela escreveu a carta e foi dormir, pois estava exausta... Será que era isso? Sua exaustão significava que o diário ficava mais forte? Mas, como? Ela não entendia!
Apavorada, Ginny andou de um lado para o outro do quarto, torcendo as mãos e tentando pensar no que fazer. E, se ela machucou mais alguém na noite anterior? Pois, se Tom assumiu, poderia ter levado a basilisco e petrificado... pior, matado alguém! Não podia esperar pelo Bill! Tinha que pedir ajuda agora! Mas, quem? Quem? Talvez... Dumbledore. Sim! O diretor era muito poderoso e saberia como destruir esse diário, que deve ter sido feito com magia negra e ela imploraria por misericórdia, diria que não sabia o que acontecia e pediria para ele não chamar os aurores. Sua mãe sempre dizia que Dumbledore era o maior bruxo do mundo e que tinha um grande coração. Ele a ajudaria! Tinha que ajudar!
Angustiada, Ginny pegou o diário e caminhou para a porta, mas, antes de alcançá-la, seu mundo ficou disforme, uma sonolência estranha a envolveu e ela se sentiu dormir.
Tom assumiu e percebeu sua intenção sem precisar ler seus pensamentos. O fato dela segurar o diário e estar indo em direção a porta, lhe disse que Ginny pretendia pedir ajuda a alguém para destruí-lo.
— Lamento, garotinha tola. Hoje, o único que morrerá será você. — Disse ele e, se desiludindo, rapidamente deixou a Torre.
Ainda era muito cedo, mas haveriam crianças tomando o café da manhã e ele poderia encontrar alguém solitário e vulnerável para receber o seu diário. Se fosse necessário esperar por mais crianças...
— Agghhh! — Tom gemeu quando a magia e a consciência de Ginny lutou contra ele e o afastou bruscamente do controle.
Ginny despertou e olhou em volta apavorada! Onde estava? O que? Ela dormiu, por alguns minutos, ela dormiu! Tom! Era Tom! Tinha certeza que ele assumiu, mas... Como? Tinha que pedir ajuda! Percebendo que estava no sexto andar, decidiu ir até o escritório da Vector que ficava no sétimo andar, perto da entrada da Torre Gryffindor. Não deu mais do que alguns passos, quando sentiu a vertigem envolvê-la...
— Não! — Gritou no corredor vazio, sem perceber que estava desiludida e, então, tudo se apagou.
— Maldita garota estúpida! — Tom sussurrou ao voltar a assumir com muito esforço.
Entrando em uma sala vazia, percebeu que teria que mudar seus planos. Teria que usar o feitiço de invisibilidade mais forte que tinha e silenciar a garota, além de encontrar alguém para substituí-la o mais rapidamente possível. Segurando a varinha, percebeu que suas mãos estavam trêmulas e não tinha muita força, ainda assim, teria que usar toda a energia mágica de Ginevra, pelos menos, até chegarem a Câmara. Decidido, Tom, reforçou o feitiço de desilusão e a silenciou, antes de voltar a descer as escadas. No segundo andar, hesitou, pensando se valeria a pena tentar encontrar outra pessoa ou deveria apenas matar a garota de vez. No entanto, não podia deixar o diário esquecido para sempre na Câmara e, sem sua ajuda, Freya não conseguiria...
— Aggghhhh! — Gemeu quando Ginny emergiu bruscamente.
Ginny arfou sem fôlego e cansada. Não! Onde estava? Olhando em volta, percebeu que ele a estava levando para o banheiro, talvez, a entrada da Câmara fosse lá! Ele ia matá-la! Precisava voltar e pedir ajuda a Vector! Ginny apressadamente subiu mais alguns degraus tentando voltar ao sétimo andar. Então, de repente, Percy apareceu do quinto andar caminhando de mãos dadas com uma garota de cabelos castanhos encaracolados. Apavorada, Ginny decidiu pedir sua ajuda, mesmo que ele chamasse os aurores. Não tinha escolha!
— Percy! Me ajuda! — Mas, nenhum som saiu de sua boca e Ginny arregalou os olhos. — Percy! Percy!
Ainda, apenas silêncio e os sussurros trocados pelos dois adolescentes sorridentes que passaram ao seu lado sem percebê-la. Então, Ginny se olhou e viu que estava invisível. Não! Como pediria ajuda se ninguém poderia vê-la! A vertigem e sonolência voltou como uma onda e tudo escureceu...
Tom arfou sentindo-se fraco e percebeu que seu tempo se escoava rapidamente. Se continuasse assim, Ginevra morreria antes de chegarem a Freya. Maldição! Sem hesitar mais, Tom desceu para o Grande Salão que estava meio vazio... Porque? Olhando para o relógio, percebeu que eram quase 8 horas, as aulas começariam em breve e já deveriam ter mais alunos tomando o café da manhã. Irritado, ele olhou em volta procurando qualquer garota ou garoto que lhe parecesse um bom alvo. Sorriu ao encontrar uma menina na mesa da Hufflepuff, ela estava sentada sozinha e comendo uma grande quantidade de comida, apesar de estar claramente obesa. Os Puffs sempre foram os mais patéticos! Quando dominasse o mundo mágico, apenas a casa Slytherin existiria e seres fracos como esses, sangue ruim, com certeza, seriam mortos antes de pousarem os olhos no nobre castelo de Hogwarts!
Ele deu alguns passos em sua direção avaliando com algum nojo a maneira ansiosa e glutona com que comia os ovos, tortas e bacons, parecia até que temia ter a comida roubada... Sorrindo, Tom entendeu bem, ela devia ser uma órfã! Vivia em algum orfanato miserável como aquele em que ele crescera e tinha que disputar a comida horrorosa que era servida, se não quisesse morrer de fome. Então, quando estava em Hogwarts, se alimentava para compensar a fome que passava no orfanato e... Uma dor aguda pareceu rasgá-lo e tudo desapareceu.
Ginny olhou em volta sentindo o coração acelerado e percebeu a menina que estava em sua frente. Não!
— Alguém me ajuda! — Ela se afastou da garota e caminhou pelo Grande Salão. — Por favor! Alguém me ajuda!
Mas, ninguém a viu ou ouviu e Ginny decidiu tomar uma medida desesperada. Movendo os braços, empurrou a louça de ouro para o chão e o estrondo ecoou por todo o imenso salão quase vazio. As pessoas olharam surpresas, McGonagall parou de falar com a Sra. T e observou com sua expressão severa, mas, ao não ver nada, voltou a conversa, enquanto a magia dos pratos e copos os levavam de volta para a mesa.
— Não! Aqui! Eu estou aqui! — Gritou e decidiu correr até a professora de Transfiguração e tocá-la.
Mas, a escuridão a perseguiu e tudo deixou de existir.
Tom retornou com um grunhido de ódio. Maldita garota! Voltando até a garota, talvez do 4º ano da Hufflepuff, percebeu que precisava do seu nome ou teria que encantá-la... Sim, a Confundiria para ir até o banheiro e pegar o diário, Freya poderia largá-lo lá, depois que Ginevra estivesse morta.
— Ei, Pilnner! — Um garoto do sexto ano mais abaixo na mesa chamou em tom de deboche. — Será que suas flatulências foram tão fortes que derrubaram os pratos?
A garota gorda o encarou com olhos arregalados de horror e corou como um tomate. Tom sorriu ao ver seus olhos se encherem de lágrimas, enquanto ela encarava o prato e voltava a comer, tentando ignorar a provocação.
— Cuidado, pessoal, Leda Pilnner tem um peido mágico poderoso! — Disse um colega do primeiro garoto e seus amigos gargalharam.
— Leda Pig Pilnner! — Cantou outro e fez um som de porco. — Come, come, até explodir!
As gargalhadas se tornaram mais altas e Tom os acompanhou, enquanto deixava o Grande Salão, pois já tinha o que precisava. Em segundos, ele chegou ao corredor do segundo andar, mas, outra vez, a magia e consciência de Ginny o empurrou para fora. Maldição...
— Ajuda! — Ginny gritou e, horrorizada, percebeu que não estava mais no Grande Salão. Não! Ela reconheceu que estava próxima ao banheiro do segundo andar, se virou e correu na direção oposta, precisava buscar por ajuda... por favor, alguém! Por favor...
— Ahhhhh! — Sua mente pareceu explodir e seu cérebro ficar em chamas. Ginny segurou a cabeça e sentiu-se desfalecer.
Tom despertou e se encontrou caído de costas no chão do corredor. Garota teimosa! Não parava de lutar! Estava usando toda a energia do seu corpo para tentar manter o controle sobre ela. Porque simplesmente não desistia!? Um pouco instável, ele se levantou e conseguiu entrar na Câmara sem mais interrupções até que na escuridão do túnel, Ginevra voltou a lutar.
— Pare de lutar! — Tom disse quando foi empurrado outra vez.
Ginny olhou em volta sem fôlego, coração acelerado e percebeu que era tarde demais. Ela estava na Câmara e não sabia como sair dali, precisava... Oh! Soluçando, ela olhou para a escuridão, não tinha o que fazer, ele a mataria! Não tinha como fugir ou para onde ir! Precisava destruí-lo! Talvez, se ela conseguisse destruir o diário, mesmo que morresse na tentativa, valeria a pena e ninguém mais estaria em perigo. Mais uma vez uma dor aguda rasgou sua mente e ela gritou quando a escuridão a abraçou.
Tom retornou e pode sentir que ela estava mais fraca devido ao desespero de perceber que seu fim estava próximo. Ele continuou a caminhada ansioso para pôr um fim a essa garota estúpida e teimosa! Ao entrar na Câmara, já se sentia mais forte, porque ela parecia muito angustiada para continuar a lutar contra ele.
— Finalmente me livrarei de você, sua garota insuportável! — Tom disse triunfante. — Pedirei a minha Freya que lhe cause muita dor, é o que merece por se colocar em meu caminho e tentar destruir os meus planos. Fale comigo, Slytherin, o maior dos Quatro de Hogwarts.
Ele esperou que a boca da estátua se abrisse, mas nenhum som soou e Tom olhou para cima, percebendo que o ninho já estava aberto. Ora, era possível que Freya não tenha voltado para o seu ninho?
— Freya? — Silêncio. Confuso, Tom deu alguns passos mais perto da estátua. — Freya, você está aí, minha querida?
— Ela não vai responder — Uma voz fria soou as suas costas.
Tom se virou abruptamente e empunhou a varinha, sem compreender como...
— Potter! Mas... Como!? — Tom encarou o garoto moreno completamente incrédulo e meio aterrorizado.
— Freya, você está aí, minha querida? — O garoto disse em ofidioglossia e em tom de deboche. Na verdade, sua expressão parecia zombar dele e desafiá-lo.
— Você... — Sem palavras, Tom o encarou tentando entender tudo. — Você é como eu...
— Não, Tom, eu não sou nada como você e, não sinto muito em te informar que seus planos... Bem, como se diz, Boom! Explodiram, meio que, literalmente. — Disse ele com um sorriso sarcástico.
Um frio de medo o percorreu, algo tão incomum de sentir que lhe causou estranheza.
— Freya... o que... Que é que você quer dizer com "ela não vai responder"? — Perguntou Tom, desesperado, zangado. — Ela não está... não está...?
— Morta? Sim, com certeza. Antes, tivemos uma longa conversa, depois a enviei para um lugar melhor do que essa Câmara, onde foi prisioneira por séculos. — Potter abriu os braços e gesticulou na direção da grande Câmara.
Em um segundo, sua tristeza por sua basilisco desapareceu e uma fúria imensa o envolveu. Maldito!
— Vou matá-lo! — Gritou Tom e viu Potter acenar tranquilamente com a cabeça.
— Não, Ginny vai matá-lo. Ela está lutando e, quer saber, você não tem a menor chance. — Tom viu seus olhos verdes o encarando com intensidade. — Certo, Ginny?
E, com uma onda dolorosa de poder, Tom se viu empurrado da mente da garota mais uma vez.
Ginny apesar de inconsciente, continuava lutando. Mesmo enfraquecida devido aos sentimentos de angústia pela inevitabilidade da morte, sua magia tentava impedir Tom e, quando a raiva, desespero, tristeza e fúria o envolveram, Ginny se fortaleceu e conseguiu expulsá-lo outra vez. E, para sua imensa surpresa, Harry estava na sua frente. Ela não estava sozinha!
— Harry! — Ginny ofegou o seu nome e o viu sorrir orgulhoso.
— Ginny! Você precisa lutar contra o Tom! Precisa quebrar a conexão! — Disse ele urgentemente.
— O que? Harry! — Ginny olhou em volta para a Câmara apavorada. — Essa é a... Câmara Secreta... Harry, eu não sabia, eu... Harry, ah, Harry, eu tentei destruir o diário, mas não consegui...
— Está tudo bem. — Harry se aproximou e pegou suas mãos. — Eu também tentei, mas ele foi feito com feitiços poderosos. Agora me escute, o que aconteceu não é sua culpa. Entendeu?
— Mas... Harry... fui eu, Harry…, mas... j-juro que não t-tive intenção... Riddle me obrigou, ele me levou até lá... e... — Ginny respirou fundo ao sentir suas mãos apertando as suas com força e tentou se acalmar. — Eu tentei lutar... juro que tentei, mas, Riddle não para de voltar e... E, eu não escrevi nele! Eu juro!
— A culpa é disso aqui. — Harry pegou o diário que estava em sua mão e jogou no chão. — Escute, você formou uma conexão com o diário e precisa quebrá-la. Depois disso, nós vamos destruí-lo juntos, eu sei como fazer isso.
— Conexão? — Ginny o olhou horrorizada e depois com nojo para o diário. — Eu não quero uma conexão com essa coisa. Como eu quebro a ... Ahhhh! — Ela gritou e segurou a cabeça que parecia em chamas. — Dói!
— Ginny! — Harry a chamou com urgência e viu seus olhos mudarem — Lute! Você pode vencê-lo!
— Não, ela não pode me vencer! — Tom gritou furioso e se afastou, lhe apontando a varinha. — Vou matá-la e você também, Potter. Como ousa matar a minha basilisco! Destruir os meus planos! Você sabe quem eu sou!?
— Sim, sei muito bem quem você é, Voldemort. — Harry disse com desprezo e sacou a sua varinha. — A questão é, você sabe quem eu sou?
— Você é o garoto Potter, que por um acaso conseguiu vencer o maior bruxo de todos os tempos. — Disse Tom o encarando com ódio. — Mas, eu o matarei, farei o que o meu eu mais velho não conseguiu. Depois, matarei essa maldita garota estúpida e enviarei o meu diário para outra aluna. Eu já a escolhi e, quando sugar toda a vida e magia de seu corpo, recuperarei o meu e...
— Merlin! Como você gosta do som da própria voz! — Harry disse exasperado. — Ouvi mais da metade dos seus planos da sua própria boca porque você não cala a boca! Sei muito bem os seus planos! Estou te caçando a muito tempo, Tom, estive ansioso pelo momento de descobrir como você está aqui em Hogwarts, quando Voldemort está escondido fora do país. — Harry viu certa surpresa e alarme em sua expressão. — Eu lutei com ele a poucos meses, um espectro fraco, vacilante e patético, de dar pena mesmo, mas, que também adorava falar e se gabar. No entanto, eu o derrotei e ele fugiu, assim como o derrotei a 11 anos e não foi um acaso.
— Ginevra disse que, em sua entrevista nos jornais, você disse que seus pais usaram um feitiço familiar antigo. — Tom especulou curioso e ao ver o seu sorriso de escárnio, vacilou, desconcertado. — Você mentiu.
— Com certeza. Acha que ia dizer para todo o mundo mágico o que de verdade aconteceu? — Harry deu de ombros displicente.
— Então... como? Com um garoto magricela, sem nenhum talento mágico excepcional, conseguiu derrotar o maior bruxo de todos os tempos? Como foi que você escapou apenas com uma cicatriz, enquanto os poderes do Lord Voldemort foram destruídos? — Tom perguntou e parecia ansioso pela resposta.
— Primeiro, Voldemort está longe de ser o maior bruxo que já existiu, Tom, assim, desça desse pedestal e pare de se elogiar. É muito mal-educado, para dizer o mínimo. — Harry disse em tom paternalista. — Segundo, nós somos inimigos, obviamente, assim, porque raios, eu lhe contaria os meus segredos?
— Seu garoto atrevido... — Ele disse com raiva e Harry quase podia imaginá-lo ter um chilique por não ter o seu pedido atendido.
— A não ser que você me conte os seus segredos. — Disse Harry sorrindo e o viu olhá-lo surpreso. — Me conte o que é esse diário e como consegue estar em dois lugares ao mesmo tempo, além de controlar a Ginny. E, eu lhe conto como Voldemort foi vencido por um garoto que usava fraldas.
Tom o avaliou com interesse, parecendo pesar a sua proposta.
— Bom, essa é uma proposta interessante — disse Riddle em tom agradável e Harry segurou a vontade de sorrir por estar certo. Voldemort, não importa a idade, jamais perderia a chance de se gabar para uma plateia. — E, uma história muito complexa para que alguém como você possa compreender completamente. O que é o meu diário, está muito além dos seus maiores sonhos, Potter, se é que algum dia você sonhou com o poder absoluto. Eu, Lord Voldemort, descobri como vencer a morte e, por isso, sou o maior bruxo que já existiu! — Seu sorriso era meio insano, triunfante e arrogante. — Dumbledore, o velho tolo e nobre, tem poder mágico, mas, não a coragem para fazer o necessário para ter poder acima de tudo e todos.
— Ok. — Harry o encarou pensativo. — Então, aos 16 anos, seus sonhos e buscas eram por poder e imortalidade. Muito ambicioso e complexo, Tom, como você disse... Aliás, uma curiosidade, seu nome é Tom S Riddle, assim, de onde vem essa história de Lord Voldemort?
Riddle sorriu e, erguendo a varinha, escreveu no ar três palavras cintilantes:
TOM SERVOLO RIDDLE
Em seguida, agitou a varinha uma vez e as letras do seu nome se reagruparam:
EIS LORD VOLDEMORT
— Hum... Interessante. — Harry disse, apesar de querer dizer "Patético".
— Sim. Era um nome que eu já estava usando em Hogwarts, só para os meus amigos mais íntimos, é claro. Você acha que eu ia usar o nome nojento do meu pai trouxa para sempre? Eu, em cujas veias corre o sangue do próprio Salazar Slytherin, pelo lado de minha mãe? Eu, conservar o nome de um trouxa sujo e comum, que me abandonou mesmo antes de eu nascer, só porque descobriu que minha mãe era bruxa? Não, Harry, criei para mim um nome novo, um nome que eu sabia que os bruxos de todo o mundo um dia teriam medo de pronunciar, quando eu me tornasse o maior bruxo do mundo.
— Sim, você já falou essa última parte antes e, como disse, não é muito educado e meio constrangedor ficar se auto elogiando, Tom. — Harry disse amigavelmente. — Interessante que você seja um mestiço, como eu, e odeie tanto os trouxas e nascidos trouxas. Entendo que seu pai tenha lhe abandonado, mas, esse pensamento purista é bem limitado, não é? Para alguém que se diz tão inteligente e que busca o poder, você dever saber que é possível ter poder além da magia.
— Você acredita mesmo nisso? — Tom debochou com escárnio. — Que os trouxas não são inferiores e que sua magia não lhe faz especial? Por favor... Eu sabia que era diferente desde garotinho, crescendo no orfanato com aquelas crianças choronas e inúteis, fáceis de manipular e dobrar a minha vontade. Todos inferiores a mim, mesmo antes de saber que era um bruxo, então... Um dia, eu recebi a minha carta, das mãos de Dumbledore, acredite, e percebi porque era especial. Pesquisei sobre a minha família e descobri que minha mãe, que morreu no meu nascimento e me deixou naquele inferno, era uma bruxa. E, meu pai era um trouxa imundo, que nos abandonou, apenas porque tinha medo da magia. Mas, eu fiz o covarde pagar, matá-lo e seus pais, foi uma grande satisfação. — Tom sorriu maldoso. — Mas, o mais incrível, foi descobrir que era o herdeiro direto de Salazar Slytherin, o maior dos quatro de Hogwarts. Isso apenas cimentou o meu desejo de assumir o meu lugar no mundo mágico e eu fiz o que tinha que fazer para conquistar o maior poder que existe. O da imortalidade.
— Entendi. — Harry olhou para o diário e se perguntou se Voldemort deixaria de ser imortal quando o destruísse. — Sabe, se Salazar estivesse aqui, acredito que vocês não caberiam nesta Câmara, devido ao tamanho de seus egos, mas, tudo bem, cada um é cada um. Então, você fez esse diário, para se tornar imortal, abriu a Câmara Secreta, matou Myrtle e enquadrou o Hagrid. Isso sem falar no assassinato de seu pai e avós, tudo isso, antes de deixar Hogwarts. — Harry observou o seu sorriso arrogante. — E, ninguém percebeu nada?
— Dumbledore nunca pareceu gostar de mim tanto quanto os outros professores e sempre me observou de perto, mas, no caso do Hagrid, foi a minha palavra contra a dele, Harry. Bem, você pode imaginar o que pareceu ao velho Armando Dippet. De um lado, Tom Riddle, pobre, mas brilhante, órfão, mas muito corajoso, monitor, aluno-modelo... do outro lado, o trapalhão do Hagrid, que vivia se metendo em encrencas, tentava criar filhotes de lobisomens debaixo da cama, fugia para a Floresta Proibida para brigar com trolls... Mas, admito que até eu mesmo fiquei surpreso que o plano tivesse funcionado tão bem. Achei que alguém devia perceber que Hagrid não poderia ser o herdeiro de Slytherin. — Seu rosto mostrou indignação. — Eu gastara cinco anos inteiros para descobrir tudo o que podia sobre a Câmara Secreta e encontrar a entrada... como se Hagrid tivesse cabeça, ou poder para fazer algo assim. Apenas o professor de Transfiguração, Dumbledore, pareceu pensar que Hagrid era inocente, acredito que o velho tolo, talvez, tenha adivinhado a verdade...
— Hum, sim, Dumbledore pode ser bem irritante assim, não é? Desconfiado, passivo e negligente, quer dizer, ele poderia ter se livrado de você a muito tempo, certo? — Harry disse e observou o diário. — Mas, você sabia que teria muitos inimigos, pois já planejava iniciar a guerra que se seguiu, e quis se garantir, assim, fez esse diário, que lhe deu imortalidade. Ok. Mas, ainda não entendi, como está em dois lugares ao mesmo tempo? E, como consegue assumir o corpo da Ginny?
— Simples, esse diário não é apenas uma memória, parte de minha alma foi guardada nele. Um ritual muito interessante e escuro, magia negra que encontrei em livros da sessão restrita de Hogwarts. — Tom disse parecendo gostar de contar seus grandes feitos. — Assim, o espectro como você disse, de Voldemort, existe e eu existo também. Quando recuperar o meu corpo, poderei ir em busca dele e assim, seremos dois Voldemorts para controlar o mundo mágico. — Riddle sorriu como se o pensamento fosse maravilhoso. — Suponho que a razão de Ginny Weasley estar assim é porque abriu o coração e contou todos os seus segredos para um estranho invisível.
— Como assim? — Harry perguntou deixando de lado as outras informações e tentando focar em descobrir algo que pudesse ajudar Ginny a quebrar essa conexão.
— A pequena Ginevra anda escrevendo em meu diário há meses. Me contou suas tristes preocupações e mágoas, como os irmãos a ignoravam ou dispensavam, como queria ser diferente e ir para outra casa, mas, se sentia culpada e com medo de não ser considerada uma Weasley. — Os olhos de Riddle brilharam. — Como achava que o bom, o famoso, o importante Harry Potter, jamais seria seu amigo... — Enquanto falava, Tom mantinha-se atento a sua expressão, como se quisesse ver sua reação. — É muito chato ter que ouvir os probleminhas bobos de uma garota de onze anos. Mas fui paciente. Respondi. Fui simpático, gentil. Ginevra simplesmente me adorou. Ninguém nunca me compreendeu como você, Tom... É uma alegria ter este diário para fazer confidências... É como ter um amigo portátil que se leva para todo lado no bolso...
Riddle deu uma risada aguda e fria que não combinava com o rosto de Ginny. Fez os cabelos na nuca de Harry se arrepiarem e o desejo de matá-lo aumentar.
— Ainda que seja eu a dizer e, apesar de não muito educado me gabar, como você disse, Harry, sempre fui capaz de encantar as pessoas de quem precisei. Então, Ginevra me revelou sua alma e, por acaso, essa alma era exatamente o que eu queria... fui ficando cada vez mais forte com a dieta dos seus medos mais arraigados e segredos mais íntimos. Fiquei poderoso, muito mais poderoso do que a pequena Ginevra. Suficientemente poderoso para começar a alimentá-la com alguns dos meus segredos e começar a instilar nela um pouco da minha alma...
— Sim, mas não foi tão fácil assim, não é? Ginny está lutando com você a meses e foi por isso que você atacou a Luna. — Disse Harry e seu sorriso presunçoso desapareceu.
— Sim, a garota é teimosa e tola ao acreditar que pode me vencer. — Riddle o encarou com atenção. — Assim como você por acreditar que pode me impedir e salvá-la.
— Vamos, Tom, estamos aqui, não é? Freya está morta e seus planos se implodiram. Mais importante, Ginny está lutando com você a cada passo do caminho e ela não está mais sozinha. — Harry disse com firmeza.
— E, o que você acredita que poderia fazer para me impedir? — Tom riu debochado. — Mesmo sem minha basilisco, você não pode se comparar ao meu poder e não importa o quanto lute, Ginevra não deixará de ser essa garotinha patética e fraca que usei e dispus como eu quis. Oh! Eu gostaria que você tivesse visto as anotações que ela fez no diário depois que as coisas ficaram muito mais interessantes... Era tão divertido. — Riddle parecia gostar de ver a expressão de raiva de Harry. — "Querido Tom, acho que estou perdendo a memória. Tem penas de galos nas minhas vestes e não sei como foram parar lá. Querido Tom, me sinto tão culpada por dormir na noite do Halloween e não estar com a Luna quando ela foi atacada. Querido Tom, Percy me diz o tempo todo que estou pálida e diferente do que era, ele ameaçou dizer a mamãe que sou muito fraca para estar em Hogwarts e que devo ser educada em casa. Estou com medo, Tom... Não posso confiar em ninguém, Tom... Eu dormi no jogo de quadribol e não me lembro o que aconteceu, Tom, quando acordei estava em meu quarto e não sei como cheguei lá. Tom, que é que eu vou fazer? Acho que estou ficando louca, Tom! Eles vão me tirar de Hogwarts e me trancar em St. Mungus como a menina do jornal, Tom! "
Riddle riu divertido e Harry apertou o punho da mão esquerda até as unhas se enterraram na palma da mão.
— Sim, mas ela percebeu o que você era e muito mais cedo do que você esperava. — Harry sorriu com frieza. — Você debocha dela, mas ela lutou e continua lutando, Ginny vencerá você!
— Nunca! — Tom disse irritado por essas palavras. — Nunca uma garotinha patética e fraca ou um garoto magricelo e sem talento mágico poderia me derrotar! Agora, me conte! Como é possível que você tenha derrotado Lord Voldemort?
Harry sorriu com arrogância ao observar o seu olhar faminto pela informação.
— O que eu disse aos jornais é meio verdade, meus pais me salvaram e destruíram Voldemort. Minha mãe morreu para me salvar e seu sacrifício me deu uma proteção mágica poderosa, que te impediu de me matar — Harry explicou suavemente.
— Então, sua mãe morreu para salvar você. É, isso é um contrafeitiço poderoso. Estou entendendo agora... afinal de contas, você não tem nada especial...
— Oh não, Tom, acredito que nós dois sabemos que eu sou especial. — Harry disse decidido a irritá-lo e enfraquecê-lo. — Eu tive o pai mais incrível do mundo, que não fugiu e me abandonou, na verdade, ele largou tudo o que mais amava para me manter seguro. E, minha mãe, ela me amou tanto que não hesitou em dar a sua vida para que eu vivesse. Você sabe o que é isso, Tom? Você consegue imaginar ser com é ser tão amado? Tão precioso e querido? — Harry sorriu superior ao ver sua expressão de raiva, desejo e amargura. — Eu sou especial sim, ao contrário de você, cujos pais fugiram para bem longe, o mais rápido que puderam e te abandonaram sozinho.
— Cale a boca...
— Pequeno Tom órfão, crescendo em um orfanato, um ninguém, sem família...
— Cale-se! Eu disse para calar a boca! — Berrou ele enfurecido, então seu rosto se contorceu e sua expressão mudou.
— Harry! — Ginny disse ofegante.
— Ginny. — Harry sorriu e se aproximou apertando as suas mãos com força. — Escute, você precisa quebrar a conexão com o diário.
— Como? Harry, como faço isso? — Ela perguntou ansiosa, seu rosto pálido e olhos cansados. Ela estava lutando a muito tempo e isso tinha que acabar logo.
— Você precisa se concentrar em sentimentos positivos, no amor da sua família... — Harry viu seus olhos se encherem de lágrimas. — Não, não, sem pensamentos negativos.
— Eles vão me odiar pelo que eu fiz, Harry, eu vou ser expulsa e presa, envergonharei os meus pais e...
— Não! — Harry a sacudiu levemente. — Ninguém saberá o que aconteceu. Escute, é por isso que estou aqui e prometo que ninguém, que não for da minha ou de sua confiança, saberá de qualquer coisa. E, sua família a ama, Ginny, você sabe disso...
— Eu sou invisível para os meus irmãos, eu tentei pedir ajuda, Harry, mas, eu estava invisível... acho que estou invisível a meses. — Ginny sussurrou tristemente.
— Não para mim. — Harry disse urgentemente, seus olhos castanhos se levantaram do chão e o encararam surpresos. — Eu percebi você, tentei me aproximar, mas, você sempre fugia... — Seu rosto corou e Harry sorriu docemente. — E, estou te procurando a meses... mesmo antes de saber que era você, eu sentia... uma intuição, que vinha da minha alma e me dizia que tinha que encontrá-la, que era muito importante. Eu encontrei... ou melhor, você me encontrou, mas, eu não desisti e nunca desistirei de te ajudar. Podemos fazer isso, Ginny, podemos destruí-lo, apenas quebre essa conexão com o diário.
— Ok. — Ela respirou fundo e sua expressão se tornou determinada. — Como faço isso?
— O diário se alimenta de sentimentos negativos, assim, concentre-se em sentimentos positivos. No amor da sua família, de Luna, a amizade de vocês e como ela ficará feliz ao acordar e te encontrar bem. — Harry apertou suas mãos. — Sinta, que você não está mais sozinha ou invisível, Ginny, eu vejo você e estou aqui do seu lado para destruir o diário. Use sua magia, feche os olhos... — Ela atendeu o seu pedido. — Sinta a sua magia, ela é forte, muito forte e está lutando ao seu lado, a meses, ela tenta expulsá-lo e você precisa confiar nela, Ginny.
Mas, Harry pode sentir que Tom também lutava e, quando Ginny gritou de dor e soltou suas mãos, segurando a cabeça, ele voltou.
— Maldita garota! — Tom gritou furioso. — E, maldito seja você, Potter! Você pagará pelo que disse, vou matá-lo e depois essa menina insuportável!
Ele moveu a varinha, mas Harry estava preparado e ergueu um escudo, facilmente. Tom acionou vários feitiços de cores diferentes e silenciosamente, mas Harry apenas o deixou se cansar e manteve o escudo Protego.
— Você está fraco, Tom e não pode me atingir. — Harry zombou com escárnio. — Você é apenas um pedaço patético de alma e não tem poder para me derrotar.
— Maldito! — Tom o olhou com malícia. — Posso estar fraco, mas a Ginevra também está e sei muito bem como acabar com você de uma vez. Avada Kedrava!
O feitiço verde brilhante veio em sua direção rapidamente e Harry pretendia se esquivar, mas, uma grande parede de pedra apareceu a sua frente bloqueando-o. Quando a parede explodiu com a força do feitiço, Harry ergueu um escudo para os pedaços não o atingir e os viu voando na direção da Ginny. Tom se abaixou, mas algumas acertaram os braços dela, arranhando e cortando.
— Como? — Tom olhou surpreso para a parede meio destruída, que foi desaparecida rapidamente. — Você é só um segundo ano e não deve saber esse tipo de conjuração avançada.
Harry riu divertidamente.
— Ah, Tom, você acha que desci até aqui sozinho? — Harry negou com a cabeça e apontou na direção da sua esquerda, onde Flitwick apareceu. Depois, ele apontou para a direita e foi a vez de Terry e Neville surgirem. — Ginny não está sozinha e eu também não estou. O único sozinho aqui é você, Tom, sozinho e patético, sem família ou amigos. Ah, e sem seguidores também, escondido em algum lugar na Albânia, abandonado até pelos seus servos mais leais, esquecido, superado, uma piada.
— Mentira! — Tom gritou meio desesperado e tomado pelo ódio. — Eu o farei pagar! Matarei todos vocês por ousarem me desafiar... Aghhhh, maldita...
— Lute, Ginny! — Harry gritou e se aproximou sabendo que seus amigos o defenderiam se necessário. — Lute! Ele está fraco e você é muito mais forte!
— Harry... — Ginny sussurrou e depois segurou a cabeça. — Ahhhhhhhhhh!
— Vou matá-la! — Tom disse e seu rosto se contorceu de dor. — Se não puder vencer, pelo menos a levarei comigo e farei ser bem doloroso.
— Ahhhhhhhhhhhh! — Ginny voltou gritando. — Queima! Minha cabeça está em chamas! Por favor! Ahhhhhhhh!
— Não... — Harry não sabia o que fazer e apertou as mãos angustiado ao vê-la com tanta dor. — Professor! O que fazemos?
— Não sei... podemos tentar destruir o diário, mas, Ginny poderia...
— Harry! Faça a dor parar! — Ginny caiu de joelhos segurando a cabeça. — Ahhhhhh!
— Mate-a, Potter. —Tom sussurrou com malícia. — Se você quer tanto me matar, apenas faça isso. Me mate!
— Não! — Harry se ajoelhou em frente a Ginny. — Você pode fazer isso! Você pode vencê-lo! Eu acredito em você, Ginny! Quebre a conexão! Expulse-o!
— A dor é tão forte, por favor... Ahhhhh! — Ginny caiu de costas e seu corpo se contorceu, ela parecia estar convulsionando.
— Ginevra é minha! Eu a levarei comigo! Você não pode salvá-la! Desista, Potter! — Tom sussurrou com malícia.
Então, Harry arregalou os olhos ao se lembrar da mensagem do Portal Adler. "Não esqueça o cheiro, Guerreiro. Quando o encontrar, não desista das chamas, Guerreiro, elas fazem parte da sua alma". Chamas? Como as fitas de chamas sedosas com que sonhava? Ele olhou para os cabelos de Ginny que pareciam chamas vermelhas e alaranjadas, lembrou-se da cor da sua magia que eram como fitas de chamas vermelhas e calorosas. Ela era a chama! E fazia parte de sua alma! Mas... o que isso queria dizer exatamente?
— Harry! — Ela gritou e seu coração se apertou de angústia e desespero.
— Ela é minha! Mate-a! Mate-nos! — Tom sussurrou daquele jeito persuasivo, mas Harry o encarou com raiva.
— Não, ela não é sua! — E, Harry soube o que fazer ao se lembrar de como Terry o acalmou na noite anterior.
Sem mais hesitar, ele se sentou no chão, a puxou para os seus braços e a apertou com força.
— Solte-me! — Tom tentou se desvencilhar, mas Harry apertou com força o corpo pequeno junto com os braços finos.
— Não! Nunca vou soltá-la! Está me escutando, Ginny! — Harry falou contra o seu cabelo e próximo ao seu ouvido. — Nunca desistirei de você! Você pode vencê-lo! Esqueça a dor! Concentre-se!
— Harry! — Ginny voltou e arregalou os olhos ao se ver abraçada contra o corpo do Harry, sua cabeça contra o seu peito, suas costas contra sua barriga. — A dor... Eu não consigo...
— Consegue! Você é uma guerreira! Ele é só um parasita que está sugando sua magia! Sua magia! Seu corpo! — Harry gritou e a apertou com mais força. — Você pertence a você, Ginny! Expulse-o! Eu estou aqui e não vou te deixar, não desistirei!
— Ahhh! — Ginny pareceu convulsionar pela dor.
— Respire. — Harry a abraçou mais forte. — Você é tão forte, Ginny. Respire. Esqueça a dor, Ginny. Respire. Sinta a sua magia, Ginny.
Harry fechou os olhos e deixou sua magia alcançar a dela, que era como seda quente o acariciando.
— Hum... — Ginny suspirou e seu rosto relaxou.
A magia dos dois pareceu cantarolar de contentamento e Harry pode sentir como Ginny estava esgotada, enfraquecida.
— Pegue um pouco da minha magia... — Sussurrou Harry contra o seu ouvido. — Se fortaleça e sinta a magia. Você pode sentir?
— Sim... é suave e elétrica... — Ginny sussurrou e virou o rosto contra seu peito suspirando e respirando o seu cheiro. — Tão bom...
— Eu estou aqui e você pode expulsá-lo, Ginny. Você não está mais sozinha e tem muitas pessoas que te amam. Lembre-se, Ginny. — Harry tentou pensar em como lhe dar sentimentos positivos. — Por quem você se sente mais amada, Ginny?
— Meu pai... — Sussurrou ela e tentou soltar os braços, Harry a atendeu e eles envolveram o seu peito, forte como cipós finos.
— Então, se concentre nisso. No amor do seu pai e no seu amor por ele, afaste o diário, afaste o Tom... — Ele a motivou em um sussurro.
— Ele me traiu... — Ginny protestou triste.
— Ele nunca foi o seu amigo... Luna é sua amiga...
— Eu a machuquei... minha Luna...
— Não, Tom a machucou, foi ele, Ginny. Tom machucou a sua Luna... O que ele merece, Ginny? O que o Tom merece? — Harry falou tão baixinho que apenas os dois podiam ouvir.
— Eu o odeio! Quero matá-lo! Destruí-lo! — Ginny se contorceu e os dois apertaram o abraço. — Não me deixe!
— Nunca! — Harry sussurrou. — Queime-o! De a ele o que ele merece, minha chama.
Ginny mergulhou em sua mente, em sua alma e sentiu a escuridão a envolvendo, mas ela também sentiu a força da sua magia que lutava para protegê-la. Junto a sua magia, a magia elétrica e suave a cercava, a alimentava, a apoiava e Ginny não se sentiu mais sozinha. Sua mente se concentrou em sentimentos positivos, o rosto da sua mãe e de seus irmãos saltaram, mas, o de seu pai era o maior, o mais sorridente, o mais amoroso. O amor do seu pai era tão forte, incondicional, ele a amava exatamente como Ginny era, sem críticas, sem tentar mudá-la. Então, Luna, seus olhos azuis grandes e sonhadores, tão bondosa, tão doce... Ele a machucou! Maldito!
"Você não pode me expulsar! "
"Você é uma garotinha fraca! "
"Você é minha, Ginevra! "
Não! Eu sou minha! Eu não estou sozinha e eu sou amada! Eu não sou fraca! Seu monstro! Eu vou destruí-lo!
A magia pulsou, queimou e eletrificou o ar. Terry, Neville e Flitwick foram obrigados a se afastar tamanha a força que crepitou e estalou em volta dos dois, que continuavam abraçados fortemente.
— Queime-o... — Harry sussurrou. — Use todo o amor, minha magia e a sua magia, expulse-o.
Ginny ouviu o sussurro e fez exatamente isso. Era como soltar os tentáculos de algo negro, um por um, de si mesma. Ainda, ele continuou lutando e tentando tomar o controle, Ginny poderia não ter tido forças, tão cansada estava, mas a magia de Harry alimentava a sua magia e ela estava vencendo. Tom tentou atacá-la, com palavras, mas Ginny deixou de ouvir e apenas ouviu os sussurros do Harry. Ele também tentou lhe causar dor, mas a magia do Harry parecia amenizar ou bloquear a dor, a suavidade elétrica a acariciando e protegendo. Ginny se sentiu mais forte e mais forte, ela não era fraca, não estava sozinha, não era invisível!
"Você não pode me vencer! "
Você é que é fraco, Tom! Você é patético! Um parasita! Um nada! Você é desprezível! Eu tenho nojo de você! Eu tenho pena de você! Deixe-me! Deixe minha mente! Minha mente! Deixe a minha magia! Minha magia! Deixe minha alma! Minha alma! Deixe meu corpo! Meu corpo! Fora! Fora! Fora! Fora!
— Fora! Saia de mim! Fora! — Ginny gritou e a magia estalou, pulsou e foi como se chamas quentes e elétricas deixassem seu corpo. Um grito agudo foi ouvido, o diário se agitou e se abriu, Tom foi empurrado de volta pelas chamas para as páginas em branco e, por fim, o diário foi fechado bruscamente. — Consegui! — Ginny disse ofegante e cansada, muito cansada. — Eu não o sinto mais, Harry... eu o expulsei...
— Muito bem, Ginny. — Harry a abraçou mais apertado e sussurrou contra o seu cabelo com cheiro de flores do campo. — Eu sabia que ele não tinha a menor chance, sabia que conseguiria.
— Obrigada... — Seu pedido saiu como um soluço e ela se afastou para encará-lo nos olhos. — Obrigada por não desistir de mim...
— Nunca. — Harry sorriu e a soltou do abraço. — Vamos destruir o diário agora...
— Não... — Ela se apertou contra ele, afundando o rosto em seu peito e Harry entendeu, também não queria deixar de abraçá-la, ainda não.
— Ok. — Mantendo a mão esquerda apertado em volta dela, Harry pegou o frasco do veneno e o bateu contra o diário. Ele usou a sua magia para quebrar o frasco inquebrável, um pulso, uma pancada com a mão direita aberta e o veneno se espalhou pelo diário.
Harry sentiu uma ardência na mão e percebeu que o vidro cortou a pele e o veneno penetrou no corte. Era doloroso, mas, o mais urgente era o diário, que pareceu gemer dolorosamente, uma fumaça ocre e fedorenta subiu. Harry se levantou, levando Ginny com ele, e se afastou alguns passos, mas, mais nada aconteceu. Agarrada ao seu peito, Ginny observava ansiosa, mas o diário parecia começar a se curar, se regenerar...
— O que? — Ela disse sem fôlego, angustiada. — Porque ele não morre?
— Temíamos que o veneno não seria suficiente. — Harry disse e olhou para Flitwick.
— O melhor é levarmos ao Dumbledore...
— Professor... — Harry protestou, pois não queria isso.
— Posso tentar o fogo maldito, mas vocês terão que deixar a câmara e.… se eu não sobreviver...
— Não! — Todos os quatro gritaram na mesma hora. — Isso não é uma opção! — Harry continuou com firmeza.
Respirando fundo, Harry olhou para o diário e decidiu tentar algo.
— Eu tenho uma ideia... não sei se funcionará, mas, acho que sim. — Ele tentou se mover, mas Ginny ainda apertava seu peito fortemente, assim como seu braço esquerdo rodeava seus ombros. — Apenas um minuto, Ginny...
Ela acenou e se afastou um passo, mas, oscilou cansada e com pouca energia, Harry fez uma leve careta de preocupação e pegou em sua mão direita com a sua esquerda. Enquanto tentava passar a sua energia para ela, Harry, usou a mão direita e pegou a adaga.
— O Athame? — Terry perguntou curioso.
— Sim. Quando a Freya morreu, não consegui colher o seu veneno, mas, senti que o Athame se tornava mais poderoso, como se absorvesse um pouco do seu poder. — Harry explicou e se moveu mais perto do diário, levando a Ginny com ele. Até que esse maldito diário estivesse destruído, não a queria muito longe. — Eu já sabia que isso era possível, pelo que li sobre os Athames, eles são feitos com magia élfica e absorve poder de sua ligação com seus mestres, assim como as varinhas. Também da magia natural e, ao realizarem uma morte honrosa, podem absorver algo da essência do ser mágico que foi vencido e ofertado.
— Você acha que isso a tornaria forte o suficiente para destruir isso? — Flitwick perguntou ansioso.
— Vamos descobrir. Se não der certo, levamos o diário ao diretor. — Harry disse e olhando para o rosto pálido e ansioso de Ginny, sorriu encorajador. — Juntos?
Seus olhos se arregalaram, não podia acreditar que ele queria a sua ajuda, mas, depois, ela sorriu com determinação e acenou.
— Juntos. — Ela disse com voz firme.
Harry se ajoelhou em frente ao diário e Ginny ao seu lado. Ele segurou a adaga com a mão direita, dolorosa e meio dormente, Ginny passou as duas mãos pelo cabo da adaga, sobre a sua mão e Harry cobriu as dela com a sua esquerda.
— Agora. — Sussurrou e, em um movimento único e fluído, os dois abaixaram o Athame no diário.
A adaga se enterrou direto no centro do livro. Ouviu-se um grito longo e cortante. Um rio de tinta jorrou do diário, escorreu e inundou o chão. Em seguida fez-se silêncio. O silêncio se prolongou, exceto pelo pinga-pinga da tinta que ainda escorria do diário. Harry ergueu a adaga e olhou para o buraco no diário que não se regenerava e teve certeza que ele estava morto. Depois, encarou a Ginny e os dois sorriram um para a outro ao mesmo tempo.
— Conseguimos. — Disse ele e, se levantando, a abraçou em pura alegria. Olhando para Terry, Neville e Flitwick por cima da sua cabeça, seu sorriso aumentou ao ver suas expressões de alívio e alegria. — Conseguimos!
— Graças a Merlin! — Terry se aproximou e bateu em seu ombro. — Finalmente, esse pesadelo acabou!
Depois, parecendo emocionado, ele o abraçou e a Ginny junto, que se apertava contra o seu peito. Então, Neville abraçou os três e, Flitwick, abraçou todos com seus braços minúsculos!
O abraço coletivo foi alegre e emotivo, Harry sentiu seu coração se expandir com o alívio e carinho por todos eles. Nunca teria conseguido sem o apoio e confiança de cada um deles. E, se não fosse a incrível força e coragem da Ginny, talvez não teria sido possível ajudá-la a lutar contra Tom, pensou, ao apertá-la com mais força e respirar o cheiro floral dos seus cabelos. Harry sentiu seus braços finos apertarem seu tronco como cipós em resposta e ela também respirou fundo o seu cheiro, o nariz pressionado contra o seu pescoço.
— Muito bem... — Flitwick se afastou com a voz rouca pela emoção e o abraço se desfez. — Deixe-me apenas confirmar...
Ele acenou sobre o diário esburacado, claramente, morto e suspirou de alívio.
— Destruído. — Flitwick o pegou e guardou em seu bolso. — Ainda terei que examinar com mais cuidado e entregar a Dumbledore, ele precisa saber o que era essa coisa e o que estava fazendo.
— Professor... — Ginny sussurrou e torceu as mãos ansiosamente. — Eu estou pronta para enfrentar as consequências, senhor, se precisar chamar os aurores para me prender. — Ela levantou o queixo tentando mostrar força, mesmo que estivesse apavorada.
Harry exclamou em protesto e apertou seu ombro com força mostrando o seu apoio.
— Srta. Weasley... Ginny, ninguém aqui jamais lhe denunciaria. — Flitwick se aproximou e apertou sua mão docemente. — Sabíamos o quanto você estava sofrendo e o perigo que corria, nosso objetivo desde o primeiro ataque, foi ajudá-la.
— Sim. — Harry encarou seus olhos castanhos, que estavam secos, mas tristes. — Estamos te procurando a meses, Ginny, sinto muito por ter demorado tanto... eu... Eu devia ter percebido, me aproximado de você quando a Luna foi petrificada...
— Não foi sua culpa, Harry... — Ginny fungou e parecia cansada. — Foi minha, toda minha. Papai sempre me disse para não confiar em algo que fala comigo, se não pudesse ver o cérebro, mas eu... eu escrevi e Tom me respondeu, ele parecia...
— Confiável? Seguro? Gentil e educado? — Harry disse suavemente.
— Sim. — Ginny o encarou de olhos arregalados. — Como? Você sentiu isso também? Por isso que ele o controlou?
— Não. Riddle não me controlou, eu já sabia quem ele era antes de escrever no diário, mas, ainda assim, senti como se pudesse confiar nele, senti vontade de continuar escrevendo e falando sobre mim. Os encantos eram sutis, mas, estavam lá. — Harry disse e apertou seu ombro com mais força. — Não foi sua culpa, era para ser apenas um diário e, no fim, era uma forte magia negra, mas, você foi mais forte, lutou e venceu.
— Harry está certo, Ginny. — Flitwick sorriu com carinho. — Enquanto procurávamos a garota que estava sendo controlada por Voldemort, tínhamos certeza que seria uma das alunas mais velhas, porque percebemos que você estava lutando e isso exigia muita força mágica. E, hoje, você lutou e quebrou a conexão com o diário, mostrou muita força e coragem, assim, não se culpe por nada.
— Espera... — Ginny estava confusa e chocada. — Voldemort?
— Sim, Ginny. — Harry disse e se aproximou mais dela. — Tom Riddle é o verdadeiro nome de Voldemort.
— Oh... — Ela ficou mais pálida e oscilou um pouco.
— Tudo bem. — Harry a segurou e apertou contra ele. — Ela está fraca e cansada, professor, precisamos da Madame Pomfrey.
— Ok. — Flitwick acenou e pediu o espelho de Neville enquanto Harry sussurrava para Ginny.
— Está tudo bem, depois vou lhe contar tudo o que aconteceu. Como nós investigamos e descobrimos tudo. — Ele cheirou o seu cabelo mais uma vez, sentindo o coração se aquecer. — O importante é que você está segura, todos estamos seguros e Riddle acabou.
— Harry... — Ginny fungou e passou o braço pelo seu peito com força. — Obrigada, Harry... obrigada por me procurar, pensei que estava sozinha...
— Nunca. — Harry afirmou e, sentindo a mão formigar, a olhou e percebeu que os ferimentos dos cacos e veneno da acromântula tinha feito algum estrago. — Terry, eu acho que preciso de algo para a minha mão, o veneno da acromântula penetrou nos cortes que fiz quando quebrei o frasco.
— Deixe-me ver. — Terry se aproximou rapidamente. — Porque não disse antes? Nem sei como conseguiu força para destruir aquele frasco, ele deveria ser inquebrável. Estão sentindo algum mal-estar?
— Não, apenas minha mão está dolorida e formigando. — Disse ele e viu seu melhor amigo limpar os cortes dos pedaços de vidro, antes de pegar um frasco da bolsa de poções que estava na perna do Harry.
— Vou precisar de uma bolsa dessas, sabe. — Disse Terry pensativo.
— Você ficará bem, Harry? — Ginny sussurrou ansiosa e encarando sua mão com os olhos arregalados.
— Sim, veja. — Harry disse suavemente quando Terry pingou algumas gotas sobre os cortes. — São lágrimas de Fênix, elas curam qualquer ferimento e eliminarão o veneno também.
Enquanto ele falava, as lágrimas penetraram nos cortes, fecharam um a um e o aspecto arroxeado, vermelho e inflamado que se espalhava por sua mão, desapareceu. Em poucos segundos, sua mão estava completamente curada, nem ao menos restaram cicatrizes.
— Como novo. — Terry disse e guardou o frasco na bolsa. — Com certeza, quero uma dessa.
— Considere encomendado. — Harry disse e sorriu quando o amigo lhe deu um dos seus sorrisos com todos os dentes brancos e brilhantes. — Seria bom usar o ditamno nos cortes dos braços da Ginny também. — Sugeriu e observou enquanto Terry fazia exatamente isso.
— Obrigada. — Ela sussurrou quando tudo foi curado.
— De nada. — Disse Terry sorrindo gentil.
Então, Harry viu o professor acenar que o caminho estava livre e, suspirando de alívio, Harry caminhou para a saída levando Ginny apoiada em seu corpo.
— Vamos sair daqui.
Eles caminharam lentamente pelo longo túnel e escadaria, Harry abrindo as portas com ofidioglossia, Ginny pareceu surpresa, mas, estava muito cansada para fazer perguntas.
— Os garotos disseram que o caminho está livre. — Flitwick disse quando chegaram ao banheiro. — Vocês se cubram com a capa e vão para o meu escritório, enquanto isso, buscarei a Poppy discretamente.
Eles acenaram e esperaram o professor sair, antes de se cobrirem e começarem a longa caminhada até o quinto andar pelos caminhos mais inabitáveis que conheciam.
— Acredito que eu e Neville podemos ir visíveis e, assim, todos chegamos mais rapidamente, andarmos curvados para que nossos pés não apareçam levará uma eternidade, principalmente nas escadas. — Terry sugeriu.
— Ok, tentem não atrair a atenção. — Sussurrou Harry sentindo falta do mapa. — Ou melhor, peguem a entrada do Covil no terceiro andar, assim, não se encontrarão com ninguém.
— Boa ideia, Harry. — Neville sussurrou.
Em um corredor vazio, os dois deixaram a proteção da capa e subiram as escadas rapidamente.
— Vamos lá. — Harry disse baixinho e eles caminharam devagar, mas sem precisarem se curvar.
— O que é um Covil? — Sussurrou Ginny e Harry se sentiu um idiota por não a ter chamado para uma reunião.
— Um lugar que nos reunimos para discussões importantes e sigilosas, ou que passamos um tempo descontraído. — Harry disse e, quando a escada se moveu, eles pararam de andar.
— Parece legal. — Disse ela e Harry acenou.
— É sim e você já está convidada para a próxima reunião, vou lhe mostrar onde é e como entrar, assim que se sentir melhor. — Ele disse quando retomaram a caminhada.
— Porque está sendo legal comigo? Por minha culpa, sua amiga, Hermione, foi petrificada. — Ginny disse em tom triste.
— Hum... — Harry a olhou por um segundo. — Não vou lhe dizer de novo que não foi sua culpa, quando é claro que não acredita nisso ou vai deixar de se sentir culpada do dia para a noite. Apenas saiba que eu, meus amigos e, muito menos, a Hermione, nunca a culparemos por nada do que aconteceu. E, sobre ser legal com você, pelo que me lembro, apesar da minha desatenção, eu sempre fui legal com você, com exceção do dia em que o Ron nos apresentou. E, eu tentei me aproximar, principalmente depois que a Luna foi petrificada e você fugiu de mim.
Eles se aproximavam do quinto andar e Ginny não respondeu, Harry a olhou e viu seu queixo tremendo levemente, ela parecia se esforçar para não chorar. Droga! Porque tinha que ser tão duro, quando ela estava tão abalada e cansada por tudo o que aconteceu?
— Sinto muito. — Ele disse baixinho. — Não queria te chatear mais...
— É verdade... — Ela disse e engoliu o bolo de choro em sua garganta, não choraria na frente dele! — Eu fui uma idiota... sinto muito...
— Não precisa se desculpar. — Harry disse e apertou seu ombro com mais força. — Você tem sido tão forte e corajosa, apenas tem que continuar um pouco mais e tentar vencer essa culpa. E, eu estarei sempre aqui, como te prometi.
Ginny acenou, pois sabia que se falasse, não seguraria o choro.
Então, eles estavam em frente a porta do escritório e ela corou ao se lembrar de atacá-lo. Harry riu divertido ao ver sua expressão e ela sorriu levemente ao perceber que ele não estava zangado.
— Você me pegou, mas, um conselho, quando emboscar alguém, nada de movimentos longos com o braço. — Harry disse e lhe deu uma piscadela.
— Ok, vou me lembrar. — Sussurrou ela tentando ignorar o frio na barriga que sentiu com seu sorriso e olhos verdes brilhantes.
Harry bateu na porta que se abriu rapidamente e eles entraram. Assim que ficaram visíveis, George e Fred saltaram sobre a Ginny em abraços sufocantes, lágrimas e pedidos de desculpas.
Ele decidiu se afastar e se sentou em uma das poltronas, Terry e Neville estavam no sofá e observavam aliviados a reencontro dos irmãos. Harry fez uma careta, pois ainda não os perdoou, mas suponha que a noite difícil deveria ser castigo suficiente.
— Porque não nos disse, Ginny? Nós teríamos lhe ajudado... — Fred disse enxugando as lágrimas do rosto.
— Quando? — Ginny disse e sua voz saiu dura. — Quando estavam em seu lugar secreto, fazendo sei lá o que? Quando me evitavam ou dispensavam sempre que tentava falar com vocês? Ou quando descobri que seria expulsa e presa? Me lembro muito bem do George dizendo que, na sua opinião, o aluno que havia atacado o Harry merecia Azkaban. E se vocês contassem para algum professor? Eu pensei mil vezes em pedir ajuda para a Vector, mas, eu sabia, minha intuição me dizia que ela procuraria ajuda do Diretor ou dos aurores e, mesmo ela, não poderia me proteger, impedir minha expulsão.
— E, você está certa. — Harry disse firme. — Mesmo Dumbledore, se recusou a impedir sua expulsão, apenas prometeu que lutaria para que não fosse enviada para Azkaban, mas, isso não evitaria um julgamento. Os jornais se envolveriam, seria uma grande bagunça e Vector, por mais legal que seja, não poderia impedir nada disso.
— Harry diz a verdade. — Neville falou suavemente. — Tivemos uma discussão feia com Dumbledore e os aurores, eles queriam saber o que sabíamos, mas não estavam preocupados com você, apenas em prendê-la. Fudge está pressionando, pois quer ficar bem nos jornais, por causa das eleições do ano que vem.
— Você fez bem em não dizer nada a ninguém e, se ela não procurou vocês ou eu, em busca de ajuda, a culpa é nossa. — Harry disse os encarando com firmeza. — Fomos nós que não lhe demos motivos para confiar ou acreditar que a apoiaríamos e jamais a denunciaríamos para os aurores.
— Nunca. — George disse e apertou sua mão em seu coração. — Eu juro, eu disse aquilo porque não sabia a verdade, não compreendia o que estava acontecendo e o quanto você estava lutando. Nada do que aconteceu é sua culpa e jamais a entregaria para ser expulsa ou presa, mas, Harry está certo. Nosso primeiro instinto teria sido buscar ajuda dos adultos e fico feliz que isso não aconteceu. Só espero que possa me perdoar... — Sua voz falhou. — Eu amo você, Ginnygirl e sinto muito ter falhado como seu irmão.
— Bem, você poderia começar não me chamando de Ginnygirl, já lhe disse que detesto esses apelidos. — Disse Ginny zangada, depois, deu um sorriso suave e o abraçou. — E, eu te perdoo.
— Obrigada por nos perdoar, Ginny, mesmo que não mereçamos. — Fred disse em tom autodepreciativo.
— Eu não ouvi você pedindo desculpas, apenas o George, alguém aqui ouviu? — Harry apontou acidamente.
— Não. — Neville disse olhando irritado para o garoto. — E, tenho certeza que não estou ficando surdo.
— Oh... — Fred corou um pouco, depois se ajoelhou e ficou da mesma altura da irmã. — Eu sou o pior dos irmãos... Eu estive tão envolvido em minha vida, meus projetos, isso foi muito egoísta e, mesmo sem esse diário maldito, eu deveria saber mais sobre sua vida, seu primeiro ano em Hogwarts. Eu adoro você e prometo que nunca mais vou me desligar de ser o seu irmão. — Disse ele a olhando nos olhos.
— Promete? — Sussurrou Ginny com voz embargada.
— Prometo. — Fred disse e abriu os braços.
Ginny saltou nele e os dois se abraçaram com força.
Neste momento, Flitwick entrou com Madame Pomfrey que tinha uma expressão curiosa.
— O que é tão importante, Filius? — Então, ele viu todos os alunos, desgastados, pálidos e chorosos. — O que aconteceu com vocês, crianças?
— Sem perguntas, Poppy, você me prometeu. — Disse Flitwick exasperado. — Quem não se encontra muito bem hoje, é a Srta. Weasley. Você pode cuidar dela, Poppy?
Ela o encarou por um segundo, antes de suspirar e olhar para Ginny.
— Se não posso levá-la para a minha enfermaria, preciso de um local discreto para o exame, Filius. — Poppy disse impaciente.
— Claro, claro. Venham comigo. — Flitwick os conduziu para sua área pessoal e, depois retornou, esperando com eles. — Você foi muito bem, Harry.
— Ginny é quem o venceu, professor. — Harry disse com orgulho. — Ela foi incrível ao quebrar a conexão, eu apenas a ajudei um pouco e tive um palpite sobre o Athame.
— Não adianta, professor. — Terry disse e bocejou sonolento. — Harry sempre dirá que ele não fez nada demais.
— Sim. Como se o fato de ter planejado tudo isso e, bem debaixo do nariz dos aurores e do Dumbledore, já não fosse suficientemente impressionante. — Disse Neville exasperado.
Harry corou levemente e sorriu para os amigos.
— Ainda não entendo como vocês descobriram tudo isso e... Bem, mataram um basilisco e tudo o mais. — George disse se sentando também e parecendo exausto.
— Depois, podemos nos reunir e contamos tudo, Ginny também merece saber de todos os detalhes. — Harry disse e se esticou, incrivelmente, não se sentia cansado. — Hum... Ainda estou cheio de adrenalina e pronto para um pouco de exercícios, alguém quer descer para a Caverna para um pouco de corrida?
— Merlin, não mesmo, só quero a minha cama. — Terry disse e voltou a bocejar. — Estou tão aliviado que acabou.
— Sim. Estou quebrado também, Harry. — Neville disse e, seu rosto redondo abatido, mostrava isso. — Mas, mais tarde, posso ir nadar, agora que não tem mais basilisco, será bom dar umas braçadas sem preocupações.
— Achei que estaria cansado, Harry, depois da luta com o diário. — Disse Flitwick surpreso. — Pelo que entendi, você compartilhou a sua magia com a Ginny, pois ela estava enfraquecida por lutar durante tanto tempo contra o Riddle.
— Sim, verdade, mas, desde que matei a Freya, me sinto cheio de energia, mais forte... não sei explicar. — Ele disse pensativo.
— Talvez seja bom a Poppy te examinar também. — Disse o professor preocupado.
— Hum... é bom não, ou ela começará a fazer perguntas, senhor. — Disse Harry. — Eu me sinto bem e tenho uma consulta com ela daqui a alguns dias, assim, se me sentir estranho ou qualquer coisa, posso lhe dizer então.
— Ok, mas, se não se sentir bem, prometa-me que a procurará imediatamente. — Insistiu Flitwick seriamente e Harry acenou.
— Prometo. — Então, Madame Pomfrey e Ginny retornaram, Harry se levantou na mesma hora e se aproximou preocupado.
— Ela está bem, Madame? — Ele perguntou ansioso.
— Com certeza, não. — Pomfrey respondeu muito séria. — Eu não sei o que aconteceu e entendo que não podem ou querem me dizer, mas Ginny está magicamente e fisicamente exausta. Eu lhe dei inúmeras poções e acredito que precisará de dois ou três dias de repouso, uma semana pelo menos sem realizar magias. Acredito que o melhor seria ela ficar na enfermaria, onde posso alegar que está com a mesma gripe que todos pegaram nas últimas semanas. E, posso manter um regime de poções e bons alimentos até que esteja completamente recuperada.
Harry franziu o cenho preocupado com sua saúde, além do sigilo. Olhando para seus olhos chateados, era claro que Ginny não queria ficar presa uma semana na enfermaria ao lado dos petrificados, sem nada para fazer o dia todo, apenas pensar em tudo que aconteceu.
— Não acredito que isso é uma boa ideia, Madame. — Harry disse e viu Ginny o encarar surpresa e esperançosa. Pomfrey, ao contrário, parecia muito irritada. — Sobre a comida, a senhora pode pedir a Mimy que lhe faça pratos saudáveis como fez comigo e Ginny pode tomar as poções por conta própria. Se ela ficar uma semana na enfermaria, chamará a atenção e isso é muito perigoso, além disso, ir as aulas e se distrair será melhor do que passar o dia todo sem fazer nada.
— E, sobre as aulas práticas? Como justificará para os professores que ela não pode fazer magia? — Pomfrey perguntou em tom razoável, depois de pensar um pouco e perceber que a menina ansiosa não se beneficiaria da inatividade.
— Hum... — Harry ficou pensativo, então se lembrou da varinha que Riddle segurava. — Ginny, deixe-me ver sua varinha?
Ela pareceu surpresa, mas, pegou a varinha do bolso e lhe estendeu. A madeira estava arranhada, lascada e era, claramente antiga, além disso, as maldições de Riddle foram fracas. Poderia ter sido só por causa da magia baixa da Ginny ou porque a varinha não lhe favorecia, assim, como a do pai do Neville, não se ajustava ao seu amigo. No entanto, Ginny lhe enviara um feitiço muito forte quando roubara o diário, mas, isso poderia ser porque ela queria muito e a intenção superou a varinha.
— Essa varinha não é sua. — Afirmou ele e a viu corar levemente.
— Não, é da minha bisavó. Hum... não tínhamos dinheiro para uma varinha nova, mas, minha mãe me prometeu uma no próximo verão, se eu for bem nas aulas. — Disse ela suavemente.
— E, como ela espera isso, se você tiver uma varinha que te atrase? — Harry disse com leve irritação, seu amigo Neville melhorou muito nas aulas práticas ao ter sua varinha de verdade.
— Atrase? — Ela perguntou confusa e indignada.
— Sim, Ginny. — Neville se adiantou. — A varinha escolhe o bruxo e forma uma conexão com ele, assim, varinha e bruxo se tornam mais fortes junto. Ao usar uma varinha que não a escolheu, não existe essa ligação e seus feitiços sempre serão mais fracos, além de que, você não evolui como deveria. Basicamente, é impossível alcançar o seu potencial com essa varinha.
— Não sabia disso. — Disse ela e seu rosto mostrou irritação, seus olhos castanhos brilharam em fogo.
Harry sorriu ao vê-la reagindo e parecendo menos... ferida.
— Tem uma solução simples para isso. — Ele disse com um olhar malicioso.
— Qual? — Ela o olhou curiosa e, mais uma vez, ignorando o frio na barriga ao ver o seu sorriso.
— Isso. — Sem hesitar, Harry pegou a varinha com as duas mãos e a quebrou ao meio.
— Oh!
— Harry!
— Pronto, está resolvido. — Harry disse entregando os pedaços de volta para a Ginny. — Sua varinha quebrou e você não pode fazer magia pelo resto da semana, até que sua Chefe, Prof.ª Vector a leve para comprar uma nova no Beco Diagonal. E, sua verdadeira varinha, o que é ainda mais perfeito.
— Mas... — Ginny olhou os pedaços entre feliz e meio angustiada. — Meus pais podem não ter o dinheiro e...
— Não se preocupe com isso, eu quebrei sua varinha, portanto, é mais do que justo que eu compre uma nova, assim como comprei a vassoura para os gêmeos quando as destruí no ano passado. Ei! — Harry sorriu divertidamente. — Isso está se tornando uma espécie de tradição!
Ele riu e os meninos o acompanharam. Ainda um pouco chocada, Ginny apenas sorriu e não sabia se deveria recusar ou agradecer. A verdade é que estava tão cansada e confusa com tudo o que aconteceu, ao mesmo tempo aliviada que o pesadelo acabou e não seria expulsa ou presa.
— Bem, acho que o Sr. Potter resolveu tudo. — Madame Pomfrey disse severamente. — Srta. Weasley, prepararei uma pequena bolsa com poções que quero que tome pelas próximas duas semanas pelo menos. Um dos seus irmãos pode vir buscar mais tarde, porque você deve ir se deitar e ficar de repouso, pelo menos até o início das aulas de amanhã. E, acertarei uma dieta bem nutritiva com Mimy, a elfa que cozinha os pratos saudáveis do Sr. Potter e quero descobrir que você está comendo tudo, sem reclamações.
— Sim, senhora. — Disse Ginny com firmeza, sabendo que contrariar ou reclamar não era uma opção.
— Muito bem, bom domingo para vocês. Até mais, Filius. — Disse ela antes de sair.
— Obrigado, Poppy. — Flitwick a acompanhou até a porta e depois os olhou, suspirou e sorriu. — Acredito que conseguimos não chamar a atenção e, assim, ninguém saberá de nada. Estamos todos seguros.
— E, cansados.
— E, famintos.
— E, aliviados
Eles riram divertidos e Flitwick chamou por ajuda para resolver um dos problemas.
— Mimy?
A elfo estalou na mesma hora, sorridente e ansiosa.
— Mestre Flitwick, senhor, em que pode a Mimy ajudar? — Ela olhou em volta e ao ver Harry, seu sorriso aumentou. — Mestre Harry, senhor, como está? Quer seu café da manhã? Mimy já o preparou.
— Por isso te chamei, Mimy. — Flitwick falou. — Como ontem, quando nos trouxe os sanduíches e biscoitos, estamos nos reunindo para conversar sobre algumas ideias que eles tiveram para Hogwarts e ainda não tomamos café da manhã. Seria possível que trouxesse comida para todos nós?
— Sim! Mimy pode fazer isso, em um instante. — Ela olhou para Harry em adoração. — Mestre Harry quer seu café especial?
— Sim, Mimy, bom te ver. — Harry sorriu carinhosamente para a elfa. — Você pode trazer o meu café saudável em dobro? Ginny aqui, ela é minha amiga e está precisando de uma alimentação bem saudável.
— Oh! — A elfa olhou para Ginny, magra e pálida demais. — Amiga do Mestre Harry precisa engordar e ficar corada. Mimy trará muita comida especial.
— Não esqueça... — Terry começou, mas a elfa estalou de volta para a cozinha. — Não sei porque eu ainda tento, quando o Harry está por perto, ela mal nos percebe.
— Sim. — Neville parecia triste. — Ela manda outro elfo fazer nossa comida, assim, pode se concentrar em fazer a comida especial do Harry.
— Vocês dois poderiam parar de chorar feito bebês, por favor, é meio constrangedor, sabe. — Zombou Harry e riu divertido.
Ginny não se aguentou e riu também, porque o riso do Harry era contagiante e a atitude dos meninos engraçada. Harry a olhou surpreso e feliz ao vê-la parecendo razoavelmente mais alegre, como quando estava com a Luna.
A comida chegou logo depois e Mimy parecia muito orgulhosa de servir Harry e Ginny, enquanto outro elfo trouxe a comida dos outros.
— Quanta comida! — Ginny disse surpresa. — Muito obrigada, Mimy.
— De nada, Senhotita Ginny. — Disse Mimy, antes de se despedir e partir.
— Eu não sei se consigo comer tanto. — Sussurrou Ginny um pouco cansada. — Tenho me forçado a comer nos últimos dias, mas, meu apetite foi pouco.
— Madame Pomfrey vai te dar poções de vitaminas e ela abrirão o seu apetite. — Harry disse começando a cavar o seu enorme prato, pois estava faminto. — Além disso, você vai perceber que essa comida mais saudável lhe dá mais energia e disposição, além de ser muito gostosa também. Experimente.
Ginny concordou e começou a comer também, leite, frutas, ovos, legumes, peixe, nozes, havia tanto e algumas dessas comidas, ela nunca pensou em comer no café da manhã.
— Porque você precisa comer comida saudável? — Ela perguntou curiosa.
— Hum... — Harry engoliu e bebeu um longo gole de leite. — Eu estava doente quando cheguei a Hogwarts. — Ele viu sua expressão alarmada e sorriu tranquilizando-a. — Estou quase completamente recuperado, Madame Pomfrey acredita que terei que tomar minhas poções do tratamento até o fim do verão ou por volta do meu aniversário de 13 anos.
— Que bom. — Ela disse suavemente.
— Bem, além disso, comer saudável é ótimo para os treinos físicos. — Harry continuou. — Você tem mais energia, melhora seu condicionamento físico e desenvolve músculos saudáveis.
— Oh, os gêmeos me contaram que vocês treinam na Caverna bem cedo. Depois das férias de inverno, eu pensei em começar a nadar com mais frequência, desde que a Luna foi petrificada... — Seu rosto mostrou culpa e tristeza. — Bem, não voltei a nadar, mas, então o ataque aconteceu e...
— Você percebeu que o diário não estava certo. — Harry disse entendendo e se mostrou pensativo. — Você deve ter escrito dos seus planos e comentou sobre como treinamos bem cedo na Caverna, Riddle usou essa informação. Ei...
— Desculpe... — Ela disse soltando o garfo e apertando as mãos.
— Tudo bem. — Harry apertou sua mão e se aproximou respirando o cheiro floral do seu cabelo e sentindo o coração se aquecer, como sempre. — Olha. Sabemos o que aconteceu. Riddle, Voldemort, é a pior pessoa que existe neste nosso mundo, mas, ele tinha dezenas, centenas de seguidores e simpatizantes. As pessoas o seguiam e serviam, além de que, na escola, ele era um dos alunos preferidos dos professores. Ele mesmo me disse que apenas Dumbledore desconfiou dele. Ginny, aquele diário, ainda não sabemos o que era exatamente, mas, ninguém nesta escola, nenhum aluno, teria resistido a escrever nele ou não acreditado em Tom e você não tinha como saber o que estava acontecendo.
— Eu sei, Harry... — Ela disse baixinho. —Acho que entendo onde você quer chegar, mas... Meus pais não pensarão assim quando souberem, sei que ficarão decepcionados e, indiretamente, quatro pessoas estão petrificadas por minha causa.
— Você não precisa contar a eles se não quiser ou pode contar quando estiver pronta. — Harry disse suavemente. — E, indiretamente, seu pai é o responsável também.
— O que? — Ginny o olhou chocada.
— Quem você acha que colocou esse diário nas suas coisas, Ginny? Quem plantou um objeto feito com magia negra de Voldemort em um estudante de Hogwarts? — Harry a incentivou a voltar a comer e observou sua expressão pensativa.
— Eu... não tinha pensado nisso, quer dizer, foi Ron quem me deu o diário...
— O que? — Dessa vez foi o Harry que perguntou, completamente chocado.
— Sim, eu quase não comprei nada naquele dia de compras, porque você me enviou os livros e vestes do seu primeiro ano... Oh, eu quis agradecer, mas... — Ginny corou envergonhada.
— Tudo bem, seus irmãos e sua mãe me enviaram agradecimentos, além disso, minhas vestes ficaram melhores em você do que em mim. — Harry disse sorrindo e Ginny ficou mais vermelha. — Me conte, como pegou o diário?
— Bem, Ron me deu logo depois que chegamos das compras no Beco. Ele disse que estava no meio das suas coisas e que, como diário é coisa de menina, mamãe deve ter comprado para mim. — Ginny disse, lembrando-se como ficou feliz ao ganhar um diário. — Eu fiquei muito animada e, assim que comecei a escrever, me pareceu tão certo e bom. Tom era tão gentil...
— Sim. Quando escrevi nele, senti o mesmo e Riddle parecia muito persuasivo. — Harry apertou sua mão outra vez e compartilhou algumas de suas framboesas, pois Ginny comera todas as delas. — Não gosto muito dessas.
— Oh, obrigada, adoro framboesas. — Ginny pegou um bem gorda e mordeu. — Hum... — Então, ela percebeu o Harry olhando para a sua boca. — O que? — Será que estava toda suja?
— Hum? Ah, não, nada não. — Harry disfarçou enchendo a boa de ovos e sentindo o rosto esquentar. Porque ver ela comer era tão... hum, bonito?
Confuso, Harry olhou em volta, mas, felizmente todos estavam comendo ou conversando e não prestavam atenção neles.
— Você ia me contar quem plantou o diário e como meu pai é indiretamente responsável. — Ginny disse o olhando com curiosidade e imaginando porque seu rosto estava corado.
— Bem... — Harry então, contou sobre Malfoy, Dobby, a briga do seu pai, a lei de proteção aos trouxas e as invasões a Mansão Malfoy em busca de objetos escuros. — Você entende? Malfoy fez tudo isso em vingança, Ginny e usou você ou, talvez, Ron fosse o objetivo...
— Não, eu me lembro, Harry. Antes da briga, Malfoy pegou um livro do meu caldeirão, disse ao papai que ele era uma vergonha para o seu nome e, então, eles se atracaram. Depois que foram separados, Malfoy colocou o livro no caldeirão com grande desprezo e partiu. — Ginny disse suavemente. — Apenas, ele não sabia que os livros eram do Ron e não meus, mas o alvo era eu, com certeza.
Harry sentiu uma grande raiva só de pensar naquele maldito e em suas ações. Ele sabia que Ginny morreria! Ele sabia! Ah, mas Malfoy que esperasse, porque assim que conseguisse livrar o Dobby de suas garras, ele o destruiria!
— Bem, Malfoy pagará pelo que fez, pode ter certeza. — Harry disse tentando controlar o temperamento. — O que quero dizer, Ginny, é que se você decidir que é indiretamente culpada pelo que aconteceu, então, todos somos. Seu pai por provocar a fúria de Malfoy, seus pais e irmãos por não perceberem o que estava acontecendo. Os professores e Dumbledore, pelo mesmo motivo. E, bem, eu também, porque eu estive procurando por meses a garota que estava sendo controlada por Voldemort e também notei que você parecia triste, mas, não liguei uma coisa com a outra. — Harry puxou os cabelos irritado consigo mesmo. — Pensei que estava apenas abalada com os ataques e Luna, Colin, conversei com os gêmeos e eles me garantiram que você estava bem... Me sinto um idiota por ter confiado neles.
— Eu... entendo, racionalmente, o que você quer dizer, Harry. — Ginny, cabisbaixa, mexeu os ovos com seu garfo. — Malfoy e Riddle são os únicos culpados, mas, não posso evitar como me sinto e acho que você também não.
Ela o encarou e, por alguns segundos, eles se olharam nos olhos. Harry, então, acenou suspirando.
— Tem razão, eu também me sinto culpado. — Ele sorriu e apertou sua mão com carinho. — Acho que teremos que superar isso juntos então.
— Juntos? — Ela sussurrou surpresa.
— Sim. Eu descobri que a melhor forma de lidarmos com esses sentimentos negativos, é falar sobre eles, não esconder ou fingir que não existem. Se puder confiar em mim, pode falar comigo e eu, falo com você. — Harry propôs gentilmente, pois sabia que ela poderia sufocar tudo o que sentia e isso pioraria ainda mais as coisas. Dessa vez, ele não pretendia se esquivar ou deixar que os irmãos cuidassem dela, pelo contrário, se Ginny quisesse, Harry estaria sempre lá para ajudá-la.
— Ok. — Ginny voltou a sentir o fria na barriga e um arrepio na pele com seu sorriso e gentileza. — Hum... tem uma coisa que não entendi, como você sabia que era uma garota que estava, bem, você sabe... — Ela sentiu um aperto doloroso ao pensar nisso. — E, como descobriu que era eu? Quer dizer, tive a impressão que você já esperava me encontrar lá embaixo, na Câmara.
— Sim. — Harry terminou seu café da manhã e suspirou. — Estou satisfeito.
— Eu também. — Disse ela e afastou o prato, incrivelmente, bem vazio. Ginny, incentivada por Harry, mal percebeu o fato de ter comido quase toda a comida, enquanto conversavam.
— Bom. — Harry olhou em volta e viu que todos estavam terminando, bocejando ou com expressões de cansaço. — Os seus irmãos também querem entender como descobrimos tudo, assim, porque não descansa hoje e, amanhã, depois das aulas, nos reunimos no Covil e conto sobre a investigação.
— Claro. — Ginny disse, estava exausta e dormir parecia uma ótima ideia, mesmo que não quisesse parar de conversar com o Harry. Era tão fácil! E, ela fugira dele feito uma idiota.
— Bem, se todos terminamos, podemos ir descansar. — Flitwick disse parecendo também muito cansado. — As últimas 12 horas foram bem extremas.
— O senhor não nos contou porque se atrasou, professor. — Disse Harry quando eles se levantaram e se aproximaram da porta.
— Oh... — Flitwick pareceu ficar meio esverdeado. — Acredito que esse é um conto para outro momento, na verdade, não quero falar sobre isso depois de tão deliciosa refeição. Tenham um bom descanso, meninos e, assim que tiver examinado e entregado o diário destruído ao diretor, os informarei. Ginny... — Flitwick se aproximou e apertou sua mão carinhosamente. — Sei que não sou o seu Chefe de Casa, mas quero que saiba que pode contar comigo para o que precisar e, o que me disser, ficará entre nós. Ok?
— Ok. — Ginny sorriu e parecia emocionada. — Obrigada, professor, por tudo.
— De nada, minha querida, agora descanse bastante. Converse com Vector sobre a nova varinha, se ela não puder levá-la ao Beco, eu farei isso. — Disse ele e, depois abriu a porta do escritório. — Ótimas ideias, meninos, tenham um bom domingo.
Todos saíram agradecendo e mantendo a fachada. No entanto, não tinha ninguém no corredor e, quando a porta se fechou, eles se olharam aliviados.
— Pode subir, Terry, vou levar a Ginny até a Torre. — Disse Harry enquanto tirava a capa da braçadeira.
— Não precisa, Harry, podemos acompanhá-la. — Disse George colocando a mão no seu ombro.
— Bem, vocês não me culparão por não confiar em vocês, não é? — Harry ergueu a sobrancelha e expressou o seu sarcasmo. — Além disso, tanto a Ginny, como eu, estamos sujos e chamaremos a atenção se andarmos por aí visíveis. Não podemos ter ninguém fazendo perguntas e sugiro que vocês se dediquem mais a oclumência, são muitos segredos e preciso que levem isso a sério. E, Ginny decidirá quando ou se contará aos seus pais e irmãos o que aconteceu, assim, acredito que respeitar isso, será uma boa maneira de começarem a se redimir.
Harry os viu abaixarem as cabeças e acenarem, castigados e envergonhados. Talvez, estivesse sendo muito frio e duro, mas não podia correr o risco de eles estragarem tudo, não era o momento para erros tolos. Erguendo a capa, Harry esperou que Ginny se aproximasse e os cobriu, depois, silenciosos, eles caminharam para o sétimo andar.
— Você está muito zangado com eles. — Ginny sussurrou enquanto subiam as escadas.
— Eu confiei neles, Ginny. — Harry disse com raiva, deles e de si mesmo. — Quando chegamos a escola em setembro, contei sobre a visita do Dobby e como tínhamos todos que ficar atentos a qualquer coisa estranha. Depois da petrificação da Luna, eu perguntei sobre você, falei da minha preocupação de que o alvo do ataque poderia ser você e não a Luna. No mês passado, depois do ataque na Caverna, eu percebi que você parecia triste, pálida e voltei a falar com eles, perguntei que você estava bem e, em todas as vezes, seus irmãos me disseram que estava tudo bem, que manteriam os olhos abertos ou que cuidariam de você. Eu procurava uma garota mais velha, pensei que você estava angustiada pelos ataques e toda a tensão, assim, decidi que, com Fred e George cuidando de você, eu não precisava me preocupar e poderia me concentrar em parar Voldemort. — Harry parou em frente a mulher gorda e a encarou. — Eu errei feio e isso quase custou a sua vida, não farei isso de novo e, se os gêmeos querem recuperar minha confiança, terão que trabalhar duro por isso.
Ginny apenas acenou sem palavras para expressar o que sentia, na verdade, ela não sabia o que sentia exatamente.
— Você... estava dizendo a verdade quando disse que me viu, que eu não era invisível... — Ela sussurrou e Harry acenou.
— Claro que vi. — Disse Harry simplesmente. —Leprechaun.
Com a senha, a mulher gorda, muito confusa olhou em volta e depois abriu a passagem. Ginny caminhou e se manteve espiando o Harry, tentando tomar coragem para perguntar porque ele a notara, quando seus próprios irmãos mal se lembravam que ela estava em Hogwarts. Mas, a timidez e assombro a calaram e Ginny decidiu se contentar com o prazer que sentiu ao saber que Harry se importava com ela, pelo menos, um pouquinho.
Os dois chegaram a sua porta e Harry parou, olhando para o seu nome escrito em letras vermelhas, "Ginevra".
— Hum... não fique chateada, mas, esse nome não combina muito com você... — Disse Harry timidamente.
— Oh! Eu o detesto. — Ginny disse olhando para as letras com uma careta.
Harry apenas acenou e não comentou que também não gostava, principalmente depois de ouvir o Riddle repeti-lo com tanta malícia diversas vezes.
— Bem... é isso, hum... — Ele olhou em volta e tirou a capa, enquanto a Ginny abria a porta. — Fique bem, descanse e... — Harry não sabia muito bem o que queria dizer, apenas sabia que não queria deixá-la e não sabia o que pensar disso. Ela estava bem, segura e ele podia descansar agora. — Você quer treinar comigo na Caverna a partir de amanhã? Se estiver se sentindo bem, claro. — Ele deixou escapar impulsivamente.
Ginny arregalou os olhos e tentou muito não corar, o que claro, era impossível. Pigarreando, ela acenou enquanto tentava encontrar sua voz.
— Sim... hum, quer dizer, se não for te atrapalhar, claro. — Ela sussurrou apertando as mãos.
— Não. — Harry bagunçou os cabelos um pouco ansioso. — Nós começamos as 5:30, assim, se você quiser descansar amanhã e começar na terça-feira, tudo bem.
— Ok. Até amanhã. — Disse ela acenando levemente.
— Até... hum, pedirei a Mimy que traga o seu almoço e jantar, assim, pode descansar bem. — Harry disse e, ouvindo passos, se cobriu com a capa. — Até amanhã, Ginny.
Ele se afastou rapidamente e tentou não pensar no fato de que estava agindo muito estranho.
Harry foi direto ao seu quarto, tomou um banho rápido e colocou sua roupa de treino. Escreveu uma carta rápida e acordou Edwiges para a viagem.
— Eu sei que está frio, mas, preciso que entregue a ela essa carta. — Harry abriu a janela. — Faça uma viagem segura, minha amiga.
Edwiges trilhou em despedida e voou para o sul.
Animado com a vitória incrível que tinham alcançado, Harry descarregou toda a sua energia correndo, malhando e até deu umas braçadas. Joe estava por perto, pois Harry não era o único aluno na Caverna e eles conversaram um pouco.
— Como estou sozinho e os aurores tiveram que partir, o diretor decidiu que a Caverna só abrirá de manhã e à tarde. As noites ficarão fechadas por segurança e porque, eu não tenho quem me substitua. — Disse o professor ao ajudar o Harry com os pesos. — Você parece muito bem, Harry, fez um longo circuito e não parece cansado.
— Estou cheio de energia hoje e acho que nadarei um pouco, assim, não preciso voltar a tarde. — Harry disse, decidindo tirar o resto do domingo de folga. — Professor, queria que soubesse que não tem mais perigo. — Ele acrescentou bem baixinho. — Não posso lhe dar nenhum detalhe, mas a basilisco está bem morta e o atacante..., bem, digamos que, por enquanto, ele não será um problema.
Joe o encarou surpreso e seu olhos azuis pareceram entender algumas coisas.
— Imagino que essa informação explique como minha esposa sobreviveu ao ataque em janeiro. — Ele disse suavemente e Harry sorriu, dando de ombros. — De qualquer forma, obrigado por me avisar, Harry, estou muito aliviado.
Depois de algumas braçadas, Harry tomou banho, se vestiu e decidiu ir comer na cozinha, pois estava faminto outra vez. Mimy o serviu o almoço e Harry lhe pediu para levar a comida da Ginny, pois ela precisava ficar em repouso.
— Oh, Madame Poppy já avisou Mimy, senhor Harry. — Disse ela sorridente.
— Ah, claro. — Harry disse envergonhado. Claro! Madame Pomfrey disse que conversaria com Mimy, ele estava se preocupando atoa. — Hum, Ginny gosta muito de framboesas, você poderia enviar algumas extras e bem graúdas, Mimy?
— Claro, senhor Harry, Mimy pode fazer isso. — Disse a elfa sorridente e ansiosa por agradá-lo.
— Obrigado, Mimy. — Harry disse antes de voltar para a Torre.
Como não estava cansado, com sono ou tinha seus amigos dorminhocos como companhia, Harry decidiu mergulhar nos deveres de casa e estudos atrasados. E, deixou algumas perguntas que rondavam sua mente, para tentar entender em outro momento.
Sirius acordou no fim da manhã de sábado, dia de São Valentin em uma cama estranha e seu primeiro pensamento foi que isso não acontecia a muito tempo. O cheiro na fronha do travesseiro era cítrico e doce, talvez, laranja? Que estranho...
Levantando o tronco, ele olhou em volta do quarto pequeno, janela com persianas fechadas, mas era possível perceber, pela pouca claridade, que o sol já estava alto. Apertado para ir ao banheiro, Sirius jogou as pernas para fora da cama e sentiu uma rigidez estranhamente dolorosa no seu lado esquerdo. Imediatamente, as lembranças da noite anterior retornaram de uma vez. Porra! Tocando e olhando o seu lado esquerdo, encontrou uma cicatriz grossa e avermelhada.
— Acho que você terá uma história interessante para contar quando alguém te perguntar sobre essa cicatriz. — A voz firme e sarcástica de Denver soou atrás dele. — Mas, acredito que seus chefes não gostarão tanto, na verdade, pelo que ouvi deles, estão ansiosos por uma explicação.
Sirius tentou se levantar, mas, apenas gemeu de dor, sentiu-se tonto e voltou a se sentar na cama. Droga!
— Estou fraco feito um bebê... — Sussurrou com voz fraca.
— Isso porque é um milagre que esteja vivo, Sirius. Não sei como conseguiu chegar vivo naquela loja de poções e ainda teve a sorte de encontrar alguém que sabia o que fazer para salvá-lo. — Denver disse e, se colocando ao seu lado, o ajudou a se levantar e dar alguns passos até o banheiro. — Consegue fazer os seus negócios sem mim, ou terei que segurá-lo?
— Posso segurar meu pênis enquanto urino, Denver, não se preocupe. — Disse Sirius, provocando acidamente.
— Bom saber porque, se fizer bagunça, quem lavará o banheiro é você, Black. — Disse ela antes de sair do banheiro e fechar a porta.
Sirius fez uma careta para a ameaça e foi muito cuidadoso, depois, escovou os dentes com uma escova extra da gaveta e lhe chamou para ajudá-lo na caminhada de volta.
— Você... pode me dizer... o que aconteceu? — Sirius perguntou ao se deitar na cama e fechar os olhos tentando não dormir.
— Acredito que essa pergunta é minha. — Disse Denver quando se sentou ao seu lado e acenou com a varinha. — Mas, acredito que as explicações podem esperar porque quero que coma antes de voltar a dormir. Eu lhe dei água e poções, mas preciso que esteja acordado para comer.
Uma bandeja com sopa veio flutuando e pousou em seu colo. Denver o alimentou e Sirius decidiu não reclamar porque era muito interessante e... quente, tê-la cuidando dele.
— Você tem alguma... informação sobre a Travessa? — Ele perguntou depois de algumas colheradas e de observá-la com atenção.
— Eu avisei King que você está aqui e nós concordamos que era melhor não o transferir para o St. Mungus. Assim, ninguém associará o seu ferimento com a Batalha na Travessa. — Disse Denver levando outra colher de sopa de legumes e frango a sua boca.
— Batalha? — Sirius perguntou chocado.
— É como o Profeta está chamando, eles não têm informações nenhuma, claro, mas estão especulando que os aurores batalharam com criminosos que tentaram invadir a Travessa do Tranco. — Ela explicou.
— Hum... quase a verdade, quem diria... — Sirius fechou os olhos cansado. — Alguém se feriu? Você sabe de Tonks... eu disse para ela sair, mas...
— Houve alguns feridos dos dois lados, alguns mortos do lado deles, Tonks está bem e a Travessa está sendo controlado pelos aurores. — Denver resumiu. — Os detalhes terão que esperar por King ou Moody. Agora, precisamos avisar sua família, você quer tentar escrever ou quer que eu escreva para os Boots, Harry?
— Hum... — Sirius abriu os olhos ao pensar no Sr. Boot, que estaria preocupado quando ele não voltou e com as notícias. — Escreva ao Sr. Boot... diga que estou bem, fora de perigo... Não avise o Harry, ele já está... muito tenso com os ataques na escola...
— Ok. É justo. — Dever enviou a badeja para a cozinha com o prato vazio e se aproximou de uma escrivaninha, onde pegou o que precisava antes de voltar a se sentar na cama. — Qual o endereço?
— Abadia Boot, St. Albans. — Sirius disse enquanto a observava.
— Aqui, beba essas poções, eu tive o curandeiro do Escritório vir aqui examiná-lo e ele as deixou para você. Achei melhor do que chamar alguém do St. Mungus ou confiar que a dona da loja de poções faria mais do que um trabalho decente. — Disse ela e começou a escrever enquanto Sirius bebia as poções de gosto horrível.
— Ugh, que coisa horrorosa... — Sirius gemeu, ainda que pode sentir o efeito de imediato quando as dores foram desaparecendo.
— Parece um garotinho reclamando, Black. — Denver provocou sem levantar os olhos do pergaminho.
— E, você parece muito bonita, Denver. — Sirius disse olhando com carinho para sua pele amendoada, nariz e queixo finos e lábios rosados.
Ela o encarou surpresa e viu que estava perto de dormir.
— Pelo jeito as poções têm um efeito estranho em você, hein? — Disse Denver divertida.
— Hum... apenas dizendo a verdade... Obrigado, Emy, por cuidar de mim... — E, um segundo depois, Sirius dormiu.
— Hum, já vou avisando, se me chamar de Emy, te chamo de Siri... — Disse ela enquanto voltava a olhá-lo e percebeu que ele já estava dormindo. — E, de nada...
Quando Sirius acordou de novo, ouviu vozes na sala ao lado do quarto. Sentindo se mais forte, ele foi ao banheiro sozinho e, quando voltou, percebeu que era noite. Dormira o dia todo? Que coisa estranha...
— Denver? — Sirius chamou voltando a se sentar na cama.
Ela apareceu em um segundo e percebeu que ele tinha um aspecto melhor.
— Que bom que acordou, quer vir para a mesa jantar? King está aqui e estava disposto a esperar até que acordasse. — Disse ela parecendo não muito contente com esse fato. — Ele quer questioná-lo, mesmo que eu disse que amanhã seria melhor.
— Estou me sentindo melhor. — Sirius se levantou e, apesar de fraco e dolorido, realmente se sentia bem o suficiente para conversar com King. — Ainda que preferiria ter tido tempo para um banho...
— Pode tomar depois do jantar, tem mais sopa e, se conseguir, algum pão e frutas. — Disse ela e o abraçou lateralmente o conduzindo até a pequena cozinha e sala do apartamento, onde havia uma ilha minúscula com duas cadeiras separando os dos ambientes.
— Bom lugar. — Mentiu ele gentilmente.
— Serve. — Ela respondeu dando de ombros e Sirius entendeu que não era um lar, apenas um lugar para dormir, tomar banho e comer, às vezes.
— Sirius. — King disse com sua voz grossa e o observou sentar na cadeira, sem esconder a expressão de alívio. — Isso me tirou alguns anos de vida, amigo.
— Oi, King. — Disse Sirius sorrindo palidamente. — Desculpe o susto. Todos estão bem? Tonks?
— Recruta Tonks está bem, apenas muito preocupada com você e arrependida por deixar que se afastasse sozinho. — Disse King se sentando no minúsculo sofá e observando Denver servir a comida a Sirius.
— Quer jantar, King? — Ela perguntou e ele recusou. — Bem, Sirius precisa comer, assim, sugiro que não o interrogue até a comida ficar fria.
— Eu posso esperar ele comer, Denver. — King ergueu as mãos em sinal de defesa e acatou sua ordem não dita. Ele os observou por um segundo e se perguntou se eles percebiam como pareciam à vontade um com o outro, a maneira como ela cuidava dele e ele se deixava cuidar. Até parecia algo normal, como casais bem ajustados pelo tempo de convívio.
— Minha melhor chance foi deixar a luta como Almofadinhas, isso me camuflou melhor e ajudou com o ferimento. — Sirius disse pegando um pedaço de pão e molhando na sopa saborosa. — Então, diga a Tonks que foi a decisão certa.
— Eu já disse. — King respondeu. — Se transformar ajudou a parar o sangramento?
— De minha experiência, quando me feria como Almofadinhas e voltava a ser humano, o ferimento estava quase cicatrizado ou totalmente, se fosse leve. — Explicou ele depois de engolir. — Nunca tinha tentando o contrário ou com algo tão grave, mas... Bem, minhas opções eram bem poucas.
— O curandeiro que o examinou ficou surpreso com o bom trabalho feito pela dona da loja de poções, disse que nem parecia amador. — Contou Denver colocando um copo suco de laranja na mesa para Sirius e entregando outro para King, agora que sua irritação com ele diminuíra.
— O nome dela é Fiona e ela é meio Elfa da Floresta, assim, saberia um pouco sobre cura. Foi por isso que escolhi ir até lá, na verdade, era minha única esperança. — Sirius disse olhando para a comida e sentindo o peso daquele momento assustador em que tivera certeza que morreria. — Hum... King, conte-me o que aconteceu na Travessa depois que me afastei.
— Tonks explodiu uma das casas para criar uma distração para sua fuga. — King começou a contar. — Ela mirou onde estavam os lobisomens mais agressivos, liderados por Todd Egan que, eu entendo, foi quem o feriu mortalmente. — Sirius acenou com a boca cheia. — Moody e os outros se aproveitaram dessa explosão e conseguiram pressionar os lobisomens para o paredão, sem imaginar que havia uma saída secreta ali. Apesar de muitos terem fugido, os lobisomens de Egan que tinham restado, continuavam a lutar, mas, como estavam em menor número, logo foram quase que totalmente subjugados. Foi quando um dos lobisomens jogou algumas granadas de mão trouxas que explodiram, além de algumas granadas de som que causaram uma grande desorientação.
— Isso quer dizer que eles têm conhecimento do mundo trouxa. — Denver observou sentada na outra cadeira da mesa. — Isso os ajudou a fugir?
— Na verdade, as explosões e o som desorientador, causou mais problemas para o grupo de Egan, que não se protegeram e estavam mais próximos. Vários lobisomens fugiram, mas conseguimos alguns liderados por um homem chamado Gun e todos os do grupo de Egan. — King explicou.
— Meu primo também foi pego? — Sirius perguntou curioso.
— Esse cara que te atravessou com a espada é seu primo? — Denver perguntou e parecia capaz de assassinar alguém.
— Sim, de segundo grau e nunca fomos amigos. — Sirius contou. — Ele é mais velho e do tipo que teria se tornado um comensal da morte com grande alegria se tivesse tido a oportunidade. É uma longa história, mas, resumindo, Todd foi mordido por um lobisomem e expulso da Família Egan e da sociedade mágica antiga e pura.
— Infelizmente, ele fugiu. — King disse e não parecia feliz com isso. — Assim como Greyback e os outros dois líderes e sócios do Chiqueiro. Conseguimos prender 17 lobisomens, 11 são do grupo do Egan, 6 do cara, Gun e, 8 dos homens do seu primo, morreram nas explosões.
Sirius acenou e fez uma careta.
— Que bagunça dos infernos. — Ele resmungou além de irritado. — Conseguiram prender o Malfoy?
— Não. Ele fugiu voado, com capa e máscara dos comensais, se eu não tivesse visto com meus próprios olhos, não acreditaria. — King disse cansado e irritado. — Foi uma tremenda bagunça e já tenho os fatos pelo depoimento da Tonks, mas gostaria de repassar tudo com você e precisamos tomar algumas decisões.
— Imagino com isso que você não quer ir prender o desgraçado. — Sirius disse exasperado.
— O que eu quero pouco importa, Sirius, você está cansado de saber que eu tenho chefes que me dão ordens. — King disse mal-humorado. — Chefe Scrimgeour e Madame Bones autorizaram uma investigação contra Malfoy e, acredite, isso é um grande passo. Eles querem que reviremos as legalidades dos seus negócios, a origem do seu dinheiro, seguir seus passos, investigar os seus contatos e sócios. Será uma investigação sigilosa e cuidarei dela pessoalmente, pode ter certeza que revirarei cada aspecto da vida dele e, quando tiver provas de seus crimes, o colocarei em Azkaban.
— Ele estar armando uma emboscada para me matar não é suficiente? — Sirius perguntou afastando o prato pela metade, pois perdera o apetite.
— Nem pense em parar de comer, Sirius Black, eu tive muito trabalho para cozinhar essa comida, cuidar de você nas últimas 24 horas e não aceitarei que tenha uma recaída por causa de um chilique idiota. — Denver falou zangada e empurrou o prato de volta.
Sirius a olhou desconcertado, pois não tinha pensado que ela cozinhara a comida, na verdade, nunca imaginou que Denver saberia cozinhar.
— Desculpe... — Ele comeu outro bocado e a sopa lhe pareceu mais saborosa. — Está muito boa... — Para apaziguá-la, Sirius comeu mais alguns bocados até que seu olhar se suavizou outra vez. — Obrigada, Denver, a sopa está uma delícia.
— Bom. — Ela disse uma pouco desconcertada pela sinceridade do elogio. — Não é nada demais, apenas uma sopa de legumes. Depois de todo o sangue que perdeu, precisa de algo leve e nutritivo.
— Bem, se o assunto, comida acabou, gostaria de continuar. — Disse King, quase divertido ao vê-los desviar o olhar um do outro e encará-lo, tentou não se ofender, pois tinha a sensação que os dois esqueceram da sua presença. — O que aconteceu ontem à noite, Sirius, é sigiloso, mesmo com o fim da missão, não podemos usar seu depoimento ou de Tonks contra Malfoy, porque alegadamente, ela não estava lá. E, você estava disfarçado, se usarmos a missão contra ele em um julgamento, todo o disfarce explode.
— Eu não me importo e, ontem, você também não parecia se importar. Na verdade, King, você estava ansioso para terminar a missão e não muito preocupado em manter o meu disfarce. — Disse Sirius objetivamente.
— Ora, isso é verdade? — Denver encarou King com seus olhos castanhos frios e o homem tentou não se mostrar intimidado.
— Sim, mas as coisas mudaram e, de qualquer forma, eu estava errado. Moody estava certo com a ideia de prendê-lo, Sirius, pois todos os antigos marginais da Travessa que ainda estão livres, não ficariam felizes ao saberem que foram enganados. Agora, metade dos lobisomens do Reino Unido se sentiriam ainda mais furiosos ao descobrirem a verdade e o considerariam diretamente responsável por perderem o Chiqueiro. — King alegou e Sirius fez uma careta, pois sabia que isso seria muito perigoso, para ele e aqueles que amava.
— Droga. — Sirius terminou a comida e bebeu o suco para tentar tirar o gosto amago da boca. — Que grande bagunça do caralho, King. Vocês não tinham qualquer informação de que os lobisomens eram os que controlavam o Chiqueiro? Porque, se tivessem, a abordagem teria que ser diferente, vocês me jogaram bem no meio de um caldeirão em fervura, exposto fisicamente e, o meu disfarce... Ele quase não segurou lá, cara. Agora, Malfoy, que armou essa emboscada para me matar sai livre, Greyback está me caçando, os lobisomens de várias matilhas podem querer se vingar e, eu estou preso, bem no meio disso tudo. Aposto que o plano de uma divulgação de arrependimento explodiu também, estou certo?
King parecia arrependido, chateado e um pouco envergonhado.
— Não, nossa inteligência não tinha qualquer cheiro sobre os donos do Chiqueiro, até porque, se soubéssemos, não tentaríamos comprar, Sirius. Nós teríamos a legalidade para invadir e retomar o controle dos prédios, você sabe disso. E, você está certo em tudo o que disse, foi uma grande bagunça, muito perigosa e injusta com você, além disso, nossa ideia de redenção e aceitação no treinamento auror, não vão colar, não agora. Os lobisomens sentirão o cheiro da mentira de longe e perceberão que foi tudo uma armação, Sirius e isso tornará essa bagunça ainda mais perigosa.
— Ok. — Sirius fechou os olhos tentando conter a raiva, não era o momento de explodir. — O que isso significa para mim? Quando poderei ir para o treinamento auror normal?
— Sirius. — Denver falou seriamente. — O bom trabalho de um disfarce é mantê-lo sempre, por uma questão de segurança e controle de danos, além de existir sempre a possibilidade de retomada do disfarce para uma nova missão. Se o disfarce tiver que ser completamente abandonado, deve existir uma história coerente por traz, não é incomum que o auror ou policial disfarçado, finja a própria morte para poder seguir com sua vida de verdade. Entende?
— Ok, eu entendo, mas eu estava usando o meu nome neste disfarce, apenas fingindo ter outra personalidade. — Sirius disse cansado. — O que? Como faço para deixar o disfarce para traz sem que isso me faça um alvo de marginais ou lobisomens enfurecidos?
— Não temos uma resposta para isso, ainda, mas, no momento, o melhor é que você não se envolva com o Ministério e os aurores. — King disse e olhando para Denver. — Ainda que espero que a Chefe Denver continue o seu treinamento.
Não! Sirius teve que morder a língua para não gritar o seu protesto! Ele estava ansioso pelo fim da OP, iniciar o treinamento no Ministério e estar livre para cortejar Denver. Mas que inferno!
— O que adianta ela continuar o meu treinamento se, neste ritmo, é possível que eu não possa me tornar um auror, King? — Sirius disse absolutamente abatido.
— Sirius, nós pensaremos em algo...
— Você pode me garantir 100% que poderei me tornar um auror? — Sirius perguntou duramente e King acenou negativamente. — Foi o que eu pensei, além disso, a ideia era que eu seria encaixado na turma da Tonks. Lembra-se? Todos pensariam que usei o meu nome e dinheiro para pular alguns meses de treinamento, assim, eu não teria que repetir tudo desde o primeiro ano. Eu estou na metade do segundo ano de treinamento, King, e a turma de Tonks está alguns meses a minha frente só, ou seja, se eu continuar e concluir o treinamento, como vocês me contratarão? O que diremos? Que eu fiz um treinamento particular?
— Merda. — King suspirou parecendo que não dormia a dias. — Tem razão, precisamos encaixá-lo agora, mas se fizermos esse movimento... Sirius, ter Greyback na sua cola já é ruim o suficiente, mas, se os outros quiserem vingança...
— Estou ferrado. — Sirius disse e fechou os olhos tentando conter a angústia. — Eu queria muito isso, você não faz ideia, pensei... Que era a minha chance de tornar o nome Black algo bom, honrado, justo e, nunca me imaginei fazendo outra coisa, King, não sei para onde ir a partir de agora.
— Talvez, eu possa ajudar. — Denver disse pensativamente. — Você pode se candidatar a uma vaga como auror da ICW, tenho certeza que você passaria nos testes e continuaríamos o treinamento de onde estamos.
— O que? — Sirius a encarou surpreso.
— Não é incomum que alguém se candidate a um cargo na ICW diretamente, ao em vez do Ministério de seu país. Eu, particularmente, comecei meu treinamento na MACUSA, mas, me interessei em trabalhar para a ICW, me inscrevi, fiz os testes e terminei o treinamento nos nossos Escritórios em New York. Claro, como uma agente em treinamento e novata, participei de muitas missões com os aurores americanos, para ganhar experiência.
— Ok. — Sirius a olhou com atenção e, apesar de seu coração bater acelerado com a ideia, que poderia ser a solução dos seus problemas e lhe permitiria realizar o seu sonho, sua expressão, quase triste, o deixou de sobreaviso. — Isso poderia dar certo, eu digo que quase morrer me fez ver que idiota estava sendo, que me candidatei ao treinamento auror da ICW e fui aceito. Não tem porque alguém desconfiar que o que fiz até agora, foi armação. Mas, sua expressão me faz pensar que isso não é uma notícia boa.
— Claro que é. — Denver disse muito séria. — Se você quer muito ser um auror, é a solução e, portanto, uma ótima notícia.
— Mas... — Sirius a incentivou a continuar.
— Mas, os aurores assumem a função que os trouxas chamam de militares, além de policiais, isso quer dizer que estamos sob a hierarquia de comando. — Denver explicou e Sirius acenou, já sabia disso. — Quer dizer que se os Chefes quiserem te enviar para outro país, você tem que ir, Sirius.
— O que? Não, eu não posso deixar o Reino Unido, abandonar o Harry. — Sirius protestou na mesma hora.
— Você não teria escolha, claro, poderia ser apenas uma crise temporária, alguns meses e estaria de volta, mas, também poderia ser por anos. — Disse ela e apontou para si mesma.
— Você foi enviada aqui? — Sirius perguntou surpreso.
— Sim, ou você acha que algum dia pensei em viver na Inglaterra? — Ela zombou com uma careta. — Eles precisavam de alguém para comandar os Escritórios da ICW daqui e eu estava em meu caminho, subindo a hierarquia. Meus Chefes acharam que era uma ótima oportunidade de aprendizado, comandar e liderar minha própria unidade, aprender um pouco mais de diplomacia e blá, blá, blá. Eu não fui perguntada, apenas enviada e, a qualquer momento, eles poderiam me chamar de volta ou me enviar para outro país.
— Isso é uma grande merda. — Sussurrou Sirius porque não podia nem pensar em deixar Harry e também não queria que Denver fosse embora.
— Sim, mas, com o tempo e subindo a hierarquia, tendo mais poder, você pode objetar ou solicitar pela não transferência. — King disse e, apontando para Denver, continuou. — Acredito que você está neste caminho, Chefe.
— Sim, mas ainda não cheguei lá e, como um agente novato, Sirius poderia ser enviado para qualquer lugar, inclusive para trabalhar com seus aurores. — Disse Denver.
— Eu não posso me arriscar. — Sirius disse sentindo o desanimo envolvê-lo. — Não posso deixar o meu afilhado.
— De qualquer forma, isso não seria uma boa ideia para vocês dois, também. — King disse com certa diversão. — Se trabalhassem juntos não poderiam se relacionar amorosamente, pois a ICW não permite que seus agentes confraternizem desta maneira.
Isso provocou um silêncio mais do que estranho no minúsculo apartamento, até que Sirius e Denver dissessem ao mesmo tempo.
— O que!?
— Nós não temos uma relação amorosa!
Sirius encarava Denver indignado e ela olhava para King chocada.
— Não? — King falou parecendo surpreso. — Ora, isso me surpreende, com toda a tensão e atração entre vocês dois, imaginei que estariam envolvidos por esse tempo.
— Bem, pois pensou errado e fazer isso teria sido contra as regras, Auror King, não tenho o hábito de dobrar as regras a minha própria conveniência. — Denver falou levantando o queixo.
— Ok, erro meu, mas, me parece que vocês estão interessados um no outro e, se trabalhassem juntos, isso seria impossível. Assim, acredito que isso veta a possibilidade de Sirius trabalhar na ICW. — Disse ele tentando esconder o sorriso.
— Não! — Exclamou Denver e, ao mesmo tempo, Sirius disse:
— Sim! — Depois, ele olhou para ela irritado. — Eu estive esperando pacientemente pelo fim da OP para iniciar o meu treinamento no Ministério e, agora você me sugere trabalhar com você, sem me dizer que isso tornaria impossível que nós dois...
— Sirius! — Denver falou bem alto. — Isso não é assunto para se discutir na frente do seu chefe.
— Ex-chefe! — Sirius disse e olhou para o King. — Você tem um mês, King, ou encontra uma solução ou estou fora do treinamento auror.
— Ok. Sirius, estamos todos com os nervos à flor da pele, devido a tudo o que aconteceu ontem. Esse não é o momento de se tomar decisões precipitadas ou encontrar soluções mirabolantes. — King disse seriamente. — Precisamos todos nos acalmar, pensar e, por fim, planejar algo que lhe permita ser um auror e estar livre de toda essa bagunça.
— Muito bem, não decidirei nada ainda, até porque tenho que me recuperar. — Sirius disse suspirando. — O que está acontecendo na Travessa?
— Nós assumimos o controle e o Ministro, ao ser informado que o Chiqueiro estava sobre o controle dos lobisomens, decidiu se apropriar das casas restantes na Travessa. — Disse King e seu olhar mostrou certo prazer.
— Espera, você quer dizer, todas as propriedades? Não apenas as 6 do Chiqueiro? — Sirius sorriu com a confirmação. — Isso quer dizer que Lucius perderá seus negócios e não poderá abrir a boca para reclamar sem se comprometer?
— Exato. — King sorriu ao ver o grande sorriso de Sirius.
— Agora, isso é uma boa notícia! — Ele disse animado.
— Porque isso não foi feito antes? — Denver perguntou curiosa.
— Porque, legalmente, muitas das casas tinham donos e alguns eram residências ou negócios legítimos, invadir, prender e nos apropriar teria sido perigoso e poderia render longos processos. A ideia de comprar as propriedades com a ajuda do Sirius nos pareceu uma grande ideia, até porque, ele se interessou em reconstruir a Travessa, como a GER fez com o Beco. — King explicou. — Aliás, o Ministro está ansioso por vender as propriedades para a GER e aumentar o caixa do Ministério, assim, se você estiver interessado, deve fazer uma oferta em breve.
— Não. — Sirius deu de ombros. — Já comprei mais da metade da Travessa, a GER pode ficar com o resto, na verdade, pensei em lhes vender alguns prédios meus, pois não saberia criar um monte de novos negócios como eles fizeram.
— Bem, de qualquer forma, agora que os lobisomens se revelaram, Fudge decidiu alegar, no pedido de apropriação, que todos os 19 prédios são dos lobisomens e, como eles não tem autorização para terem propriedades, elas passarão ao poder do Ministério. Ele acordou um juiz bem cedo hoje e já entrou com o pedido legal de apropriação. — Disse King sorrindo, depois seu sorriso desapareceu. — Infelizmente, esse ataque e tentativa de tomar o controle da Travessa, assustou Fudge e Scrimgeour que decidiram montar uma força tarefa para caçar os lobisomens que conseguiram fugir.
— E como eles vão identificá-los? Os lobisomens presos falaram alguma coisa? — Sirius perguntou surpreso.
— Nada. Ainda temos muito trabalho de interrogatório a nossa frente e sempre podemos conseguir algumas poucas informações e impressões aqui ou ali, mas, até agora, eles estão calados. — King disse e suspirou. — Moody foi encarregado da força tarefa e uma ordem judicial já foi lançada, lhe permitindo questionar todos os lobisomens conhecidos.
— Esses são poucos e não eram eles que estavam lá, King. — Sirius disse irritado. — Só espero que o Ministério não volte a matar lobisomens, já que perseguí-los, eles nunca pararam.
— Isso não acontecerá, por isso Madame Bones escolheu o Moody para liderar a equipe e ninguém será preso sem provas, apenas porque é um lobisomem. O problema é que aquela Umbridge está tentando usar tudo isso como motivo para apressar as discussões na Suprema Corte e enrijecer as leis contra os lobisomens. — King parecia mais do que enojado. — Ela quer que eles aprovem a colonização e controle das matilhas pelo Ministério.
— Como eram antes de Voldemort os libertar? — Sirius perguntou e, quando King confirmou, falou outro palavrão. — Se isso acontecer, eles se esconderão e se tornarão ainda mais perigosos, King, além de ser uma grande crueldade. Duas das três matilhas de ontem, não queriam participar daquela invasão louca ou começar uma guerra contra os aurores, mas, se os pressionarmos ou maltratarmos mais, cedo ou tarde, isso acabará acontecendo, King. Então, teremos uma guerra de verdade e uma carnificina, para os dois lados.
— Bem, me conte tudo o que aconteceu ontem do seu ponto de vista, talvez, algo surja que possamos usar para proteger essas outras matilhas. — King pediu e pegou pergaminho e penas oficiais. — Teremos que fazer tudo de acordo com os novos protocolos, Sirius, meus chefes estão esperando os relatórios.
— Tudo bem. — Sirius esperou a pena ser acionada e começou a contar tudo o que aconteceu sem esconder nada, fosse a participação de Malfoy ou a presença de Greyback e como Egan quase o matou. Também deixou claro que os outros dois líderes, Gun e Teagan, não se interessaram em cometer crimes, apenas queriam sociedade nos negócios ou ter um trabalho legítimo para sustentar suas matilhas. Ok, então, essa última parte era um pouco forçado, mas, talvez, ajudasse os lobisomens de Gun que foram presos e os outros, a não serem mais perseguidos do que já eram.
— Ok. — King finalizou e guardou a pena. — Não vou questionar você sobre essa história das matilhas não quererem participar, pois sei que exagerou só um pouco. Tonks disse praticamente a mesma coisa, assim, acredito que podemos deixar assim. No entanto, o que foi essa ideia de tentar virá-los contra Greyback? — King o encarou entre confuso e irritado. — Você sabia que os aurores atacariam a qualquer momento, tudo o que tinha que fazer era enrolá-los um pouco, fingir concordar com a proposta, mas, ao buscar que Greyback fosse traído e morto, tornou a situação ainda mais perigosa para você, Sirius.
— Fiz isso exatamente porque eu sabia que eles iriam atacar, King. — Sirius passou a mão pelo rosto exasperado. — Eu aproveitei a oportunidade, ok? Queria que um deles matasse Greyback porque, quais são as chances de prendermos aquele monstro? Naquele momento, cercado por todos aqueles lobisomens, ele não conseguiria escapar e, com Greyback morto, a luta em defesa dos lobisomens ganharia uma grande vantagem.
— Porque isso? E, Greyback não tinha seus próprios homens? — Denver perguntou confusa.
— Não, Greyback é um lobo sem matilha e, monstro, é uma descrição justa, acredito. E, esse é um dos motivos pelos quais ninguém o segue, até os lobisomens o temem. — King disse cansadamente. — Não existem provas, mas, as informações que se tem é que, antes de ser transformado, Greyback era um assassino em série e chegou a ser investigado pelos aurores a pedido dos trouxas. Na década de 50 e 60, ele aterrorizou a Inglaterra, matando mulheres e crianças trouxas cruelmente. Ele matava de maneira trouxa, mas, usava a magia para não ser pego, ainda assim, a Scotland Yard chegou ao seu nome, não conheço os detalhes da investigação, assim, não sei lhe dizer como. O fato é que, a pedido do Ministro trouxa para o nosso Ministro da época, Greyback foi investigado e esteve muito perto de ser preso, mas, um dia, ele desapareceu. Depois de um ano, mais ou menos, os aurores e policiais trouxas que os investigaram apareceram mortos, um, depois do outro e os filhos foram mordidos por um lobisomem. As crianças trouxas não sobreviveram, claro.
— Foi ele. — Sirius disse com raiva. — Acredita-se que, enquanto tentava fugir dos aurores, acabou se escondendo em algum lugar, se deparou com um lobisomem e foi mordido. Ele se vingou, ficou mais um tempo ausente e, então, tentou voltar e viver sua vida como se nada tivesse acontecido, mas Lyall Lupim estava na cola dele e queria provar de todas as formas que ele era um lobisomem, além de prendê-lo por seus crimes.
— Lupim? — Denver perguntou arregalando os olhos.
— Sim, resumindo, ninguém no Ministério acreditou quando o Sr. Lupim afirmou que Greyback era um lobisomem, mas, ele fez declarações nos jornais e isso foi o suficiente. Para a nossa sociedade, um boato é verdade e, assim, Greyback, que era um mestiço razoavelmente aceito em nosso mundo, passou a ser desprezado e evitado. — Sirius apertou os punhos em fúria. — Então, em vingança, ele mordeu Remus, aos 4 anos de idade.
— Foi por isso que tentou matá-lo e agora ele está na sua cola. — Denver disse acenando em compreensão. — Toda essa Operação foi uma tremenda bagunça, mas, suas ações tornaram tudo pior e você sabe disso.
— O que queria que eu fizesse, Denver? Que fingisse um acordo com ele e esperasse que a invasão dos aurores o prendesse? Eu sabia da saída no paredão e que ele fugiria, pois é o que Greyback faz! Se tentasse ir atrás dele, estaria revelando o meu disfarce e, com certeza, não ia ficar de braços cruzados e deixar aquele monstro sair dali facilmente! — Sirius se defendeu exasperado. — Não depois de tudo o que ele fez, do que fez ao Remus!
— Bem, essa é uma importante lição para você, recruta! — Denver disse com voz dura. — Primeiro, em nosso trabalho, você não pode deixar as emoções tomarem a frente em suas decisões! Tem sempre que manter o sangue frio e se controlar! Procurar vinganças pessoais é uma grande besteira! Segundo! Quando se está disfarçado, algumas vezes, você precisa deixar os piores bandidos fugirem porque, assim, mantem o seu disfarce e sua vida! E, com isso, você pode ter outra chance de pegá-lo em outro dia! — Denver estava espumando de raiva. — Suas ações e distração, quase o mataram e, além de fugir, facilmente, Greyback agora está te caçando! Parabéns!
Sirius não respondeu porque, apesar de toda a raiva que sentia, sabia que ela estava certa.
— Ela está certa. — King falou e parecia preocupado. — Avisarei Moody que a prioridade é Greyback e Egan, além de tentar convencer meus chefes que mais leis Anti-Lobisomem não ajudarão em nada. Enquanto isso, você se recupere e mantenha-se seguro, assim que tiver uma solução para os nossos problemas, entro em contato.
Ele se levantou e depois das despedidas, partiu.
Sirius ficou um pouco surpreso por King não ter gritado com ele também, mas, supôs que seu amigo decidiu que Denver era o suficiente.
— Você não dirá nada? — Ela perguntou depois de um tempo de silêncio enquanto lavava a louça manualmente.
— O que quer que eu diga? — Sirius se levantou cansado e tentado conter a frustração. — Eu tentei me vingar? Sim, eu admito. Você não sabe como foi ver o meu melhor amigo, meses após meses, sofrendo com as transformações! Ele tinha 4 anos, Emily e esse desgraçado já matou dezenas, talvez, centenas de inocentes! Nada teria me dado mais satisfação do que pôr um fim a esse monstro, mas, você está certa. Eu não mantive o sangue frio, cometi um grande erro e Greyback é apenas mais um dos meus problemas.
Denver suspirou e decidiu que continuar a criticá-lo não os levaria a nada.
— Olha, eu não pegarei mais no seu pé, pelos menos enquanto estiver se recuperando, voltaremos a isso quando retomarmos o treinamento. — Ela disse e, olhando para ele, continuou. — Sente-se bem para um banho? Ou prefere se deitar?
— Estou bem. — Mentiu ele, pois se sentia péssimo, e não apenas fisicamente. — Quero muito tomar um banho, será que você tem algo para eu vestir?
— Sim, quando escrevi ao Sr. Boot, pedi algumas roupas. Ele respondeu e disse que, assim que puder aparatar, espera que volte para casa e para não fazer mais nenhuma tolice até lá. — Denver mostrou a uma maleta com suas roupas.
— Droga. Ele ficará furioso quando descobrir o que eu fiz... — Sirius suspirou ao entrar no banheiro.
Depois de um banho quente, apesar de cansado, Sirius se sentiu muito melhor, limpo e confortável. Denver o esperava com mais poções horrorosas e insistiu que se deitasse.
— Estou bem... — reclamou Sirius.
— Ah, está quase caindo de cansaço, Black, não tente me enganar e pare de bancar o paciente ruim, não tenho vocação para enfermeira. — Disse Denver ácida.
— Hum..., bem, você cuidou de mim muito bem até agora... — Disse ele sentindo os efeitos das poções. — Não vou esperar mais, Emily...
— O que? O que você não vai esperar? — Perguntou Denver confusa ao recolher os frascos de sua mão.
— Para ser feliz... a vida é tão curta... preciso... — Mas, seja o que fosse, ele não conseguiu terminar quando dormiu.
Pela manhã, Sirius descobriu duas coisas bem rapidamente. Primeiro, ele se sentia muito melhor, mais forte, sem dor e a mente sem névoas. Segundo, ele não estava dormindo sozinho e, ao olhar para a pessoa que abraçava sua cintura, se deparou com uma Emily Denver que ele nunca tinha visto. Enquanto dormia, ela parecia ter uns 20 anos e não 36, a serenidade combinava com seu rosto fino e bonito, ainda que Sirius tivesse que admitir que não a deixava mais bonita, pois era quando estava zangada que seu rosto o atraia mais. Como isso era possível? Seu cheiro cítrico era mais forte e inebriante, Sirius não pode deixar de se imaginar acordando ela com um beijo, mas sabia que isso seria covarde. Não queria lhe roubar um beijo feito um adolescente, queria mergulhar com ela ao seu lado por cada centímetro.
Assim, ele se levantou e foi ao banheiro, quando voltou, Denver deixara o quarto e Sirius sentiu cheiro de café.
— Estou me sentindo bem melhor. — Disse ele ao pegar a xícara de café que ela lhe estendeu.
— Isso é bom, mas, sugiro uma semana de repouso antes de voltar a treinar. — Denver disse bebendo da sua própria xícara. — O que quer de café da manhã? Ovos? Ou prefere mingau de aveia.
— Não estou com fome. — Disse ele e, colocando a xícara sobre a ilha, caminhou na sua direção. — Vamos acertar isso.
— Black... Sirius, não... — Mas, foi sem convicção e Emily não pode mais ignorar a maldita tensão, o ar carregado de eletricidade que se instalou assim que ela acordou naquela manhã.
A verdade era que, antes, Sirius estava machucado e frágil, assim, tudo o mais ficou em segundo plano. No entanto, quando acordou a alguns minutos, Emily percebeu que ele estava fisicamente apto e escolheu fugir para a cozinha tentando fingir não sentir seu corpo reagir com os pensamentos cheios de luxúria. Mas, Sirius não lhe deu chance de continuar a mentir para si mesma e, quando ele chegou a alguns centímetros do seu corpo, da sua boca, mas não encostou, apenas parou e esperou, foi Emily quem venceu a distância final.
Sem poder se conter e percebendo que não queria se parar, Emily saltou em seu colo, abocanhou sua boca grossa e suculenta, envolveu as pernas em volta da sua cintura e mergulhou as mãos em seus cabelos compridos e encaracolados. Sirius retribuiu com o mesmo ímpeto e suas bocas se devoraram, as línguas se enroscaram, as mãos acariciaram e, quando ele a apoiou contra a ilha, não havia mais volta.
— Porra... — Grunhiu ele, ao largar sua boca e mordiscar, beijas e lamber seu pescoço. — Preciso de você agora, agora...
Emily não disse nada, apenas mostrou o seu acordo ao erguer sua camiseta preta, passar as mãos por seu peito musculoso e devolver os beijos, mordiscos e lambidas.
— O que está esperando para me levar para a cama, Black. Uma ordem? — Zombou ela com um sorriso malicioso.
— Não, Chefe, apenas te dando tempo para admirar o que você pegou. — Devolveu ele provocador, antes de carregá-la até o quarto.
Sem cerimônia ou delicadeza, Sirius a jogou da cama.
— Dispa-se para mim, Emily, minha vez de te admirar. — Ele sussurrou com voz rouca e gemeu quando ela puxou o top, deixando os seis pequenos e redondos expostos. Sua cintura fina, barriga lisa e ombros bem torneados eram apenas a moldura perfeita para sua linda beleza. — Não tem volta, Chefe, agora que eu te peguei, não vou te largar.
— Bem, vem me pegar, então... — Sussurrou ela antes de ter a boca devorada mais uma vez.
Mais tarde, Sirius acordou com uma batida na janela, sentiu Emily se levantar do seu lado e sussurrar com alguém. Abrindo os olhos sonolento, a viu acariciando uma coruja branca bem conhecida, retirando a carta de sua perna e prometendo comida e água.
— Você é tão bonita...
— O que Edwiges está fazendo aqui? — Ele perguntou completamente despertado. — Eu disse que não queria que você avisasse o Harry...
— Eu não avisei. — Ela disse e seguiu com a coruja pousada no braço para fora do quarto.
Sirius se levantou, colocou a calça do pijama e a seguiu para a cozinha, onde ela alimentava Edwiges.
— Você sabe o que pode ser? — Ele perguntou preocupado.
— Talvez. Espere, deixe-me abrir. — Ela leu a carta e abriu um sorriso surpreendente, na verdade, Sirius tinha certeza que nunca a tinha visto sorrir assim. — Acabou.
— O que? O que acabou? — Ele estava além de confuso.
— Não, quero dizer que Harry escreveu na carta. Veja, "Acabou". — Emily virou a carta na direção e, realmente, era a palavra escrita em letras bem grandes.
— O que mais diz? — Sirius se aproximou tentando ler as letras menores.
— Hum, aqui diz, "Denver, nosso acordo se mantem" Harry J Potter. — Emily leu e parecia aliviada, animada e meio orgulhosa.
— Espera, o que raios isso quer dizer? E que acordo você tem com o meu afilhado? — Sirius perguntou tentando não ficar irritado.
— Hum... vou preparar nosso café da manhã, enquanto lhe conto isso, pois estou faminta. — Disse ela seguindo para geladeira, onde recolheu ovos e bacon. — Não sei você, mas estou querendo algo bem grande e gorduroso. Sente-se Sirius ou venha me ajudar, ficar aí parado como uma estátua com essa cara, não é agradável depois da deliciosa manhã que tivemos.
Sirius hesitou por um segundo, pois essa Emily sorridente e animada era muito diferente da Denver que conhecia, assim, como era diferente da amante cheia de luxúria de antes. Quantas facetas tinha essa mulher, afinal? E, quão divertido seria conhecer e... amar todas elas, sua mente projetou o pensamento antes que pudesse tentar contê-lo. Desconcertado e estranhamente empolgado, Sirius se decidiu.
— Posso fritar o bacon, sou bom nisso... — Disse ele pegando a frigideira. — Harry me ensinou, ele é o melhor cozinheiro, você precisa provar sua comida.
— Isso seria legal. O que ele fez que você mais, gostou? — Disse ela quebrando os ovos.
— Hum, com certeza, sua versão do boeuf bourguignon...
