Oi! Esse capítulo me deu um pouco de trabalho, mas, espero que a demora seja compensada pelas 37 mil palavras e, pelo conteúdo.
Tinha muita coisa acontecendo, o que, desta vez, mais atrapalhou do que ajudou. Pensei em dividir o capítulo no meio, mas, na ultima hora, senti que separados, eles ficariam secos ou vazios. Assim, com toda a primeira semana após os petrificados acordarem, me pareceu mais completo, ainda que um pouco desequilibrado. Se sentirem isso tb, suponho que nem sempre ficará bom o encaixe dos acontecimentos.
Sei que alguns esperam uma passagem de tempo, mas, ainda tem muito o que acontecer neste segundo ano, assim, paciência, que logo chegaremos ao terceiro.
Revisem, critiquem, elogiem, acho que esse é um dos capítulos que espero mais criticas do que elogios, ai, ai. kkk
Até mais, Tania
Estejam seguros!
Capítulo 79
Sirius e Denver olharam assombrados para a porta revestida de espelhos que balançaram com a forte pancada, ao mesmo tempo em que se encararam através de suas imagens refletidas.
— Pedirei que ele se desculpe. — Sirius disse confuso e constrangido. — Harry não deveria gritar desta maneira...
— Ele está certo. — Denver disse colocando as mãos nos bolsos do seu casaco. — Não tenho nada a ver com ele e, foi errado agir assim sobre algo tão importante, sem ao menos consultá-lo.
— Eu lamento pelo Duda, mas, Vernon tem apenas o que merece pelo que fez ao meu afilhado. — Sirius disse com firmeza, quando começaram a caminhar pelo túnel. — E, ele estará em uma prisão trouxa, nada como o inferno pelo que passei em Azkaban e, eu era inocente.
— Sim, mas, esse é o seu desejo por justiça ou necessidade de vingança, Sirius. — Denver disse ainda sem encará-lo, pois, estava envergonhada por suas ações. — Assim como a minha interferência, foi por questões pessoais e não tinha a ver com o que é melhor para o Harry, aliás, ele claramente não necessita que o Dursley pague por nada. O erro foi meu, em me meter na vida dele, sem me preocupar em descobrir o que Harry precisava ou queria, me concentrando apenas no que me deixaria satisfeita. Porque, obviamente, Harry precisava de outro resultado, além de que, a interferência de uma estranha também não o agradou e com razão.
Sirius ficou calado por vários metros antes de chutar uma pedra tentando descarregar a sua irritação.
— Merda! Harry é tão imprevisível! Nunca sei o que fazer ou qual o caminho certo!
— Você não tem culpa, eu fiz isso sem nem ao menos lhe consultar, Sirius, assim, o erro é todo meu. — Denver disse contrita.
— Sim, mas... eu tinha certeza que o Harry ficaria satisfeito quando lhe contássemos. Se você tivesse me consultado, eu teria aprovado completamente a sua ideia. — Sirius a encarou chateado. — Sabe, quando acho que o conheço e entendo, ele me tira o chão tudo de novo. Nestes momentos, eu me lembro que não sou o seu pai e penso em como James e Lily fariam isso facilmente e, com certeza, melhor.
— Claro que fariam melhor, eles seriam os seus pais por 13 anos, Sirius, mas, duvido que seria fácil, pois educar uma criança não é simples como... assar um bolo, sabe, não existe uma receita. — Denver tentou consolá-lo. — E, acho que essa imprevisibilidade ocorre, porque o Harry é um adolescente que está se desenvolvendo, mudando constantemente. — Ela acrescentou pensativa. — Além disso, se você não o conhece tão bem, não é sua culpa. E, é óbvio que está se esforçando, Harry sabe disso e, no fim, isso é o mais importante. — Denver passou a mão pelos cabelos chateada. — Agora, eu o conheço menos ainda e foi muita presunção da minha parte pensar que isso era o que ele queria. Espero que ele me desculpe pelo que fiz.
— Bem, pelo menos, eu sei isso sobre o Harry, ele não guarda rancor ou raiva por muito tempo... — Sirius suspirou ao perceber. — O que explica porque ele não precisa que aquele filho da puta fique preso por todos esses anos, além da preocupação que sente em relação ao Duda e a Petúnia. Eu sou um idiota por não perceber isso e por ainda não ter considerado como será triste para o garoto ver o pai preso.
— Isso não é o fim do mundo. — Denver disse com certa frieza. — Além disso, você ouviu o Juiz McKey, Sirius, eu não lhe pedi para dizer aquilo, nem o conheço e, com certeza, ele não estava inventando ou exagerando. McKey é experiente e muito bom no que faz, assim, ele viu em Vernon o potencial para se tornar um assassino, talvez da ex-esposa ou do filho. Sabe quantos feminicídios acontecem todos os anos, principalmente depois de um divórcio difícil?
— Você acredita que a prisão não será algo ruim, então? — Sirius perguntou ansioso. — Para o Duda, pelo menos? Até para Petúnia ou o Harry?
— Quem sabe? Depende do Dursley, mas, ele estará em uma prisão de segurança mínima, fará terapia para controle de raiva, aprenderá um trabalho artesanal, assim, ocupará sua mente. Ele não estará cercado por assassinos ou monstros que ficam em penitenciárias de segurança máxima e, se tiver uma boa avaliação, sairá em 3 anos, não 6. Assim, me parece que a prisão pode ser boa para todos, inclusive para o Dursley, se ele aproveitar a chance para repensar suas atitudes. — Disse Denver pensativamente.
— Porque não disse tudo isso ao Harry? — Sirius perguntou desconcertado.
— Porque isso não desculpa ou justifica as minhas ações. — Denver se virou para encará-lo. — Depois, você deve chamá-lo pelo espelho, explicar a situação e tentar tranquilizá-lo, mas, agora, Harry tem todo o direito de estar zangado.
— Pode ser, mas, ele ainda foi muito grosseiro. — Sirius disse suspirando.
— Ele tem 12 anos, Sirius. Eu ficaria muito admirada se todos esses hormônios não causassem algumas explosões, às vezes e, bem, além disso, ele tem um temperamento. Mas, o curioso, é que eu não tinha visto isso. — Denver voltou a andar. — Harry me pareceu bem tranquilo, racional, até frio, em alguns momentos.
— Ele herdou esse temperamento da Lily, a mulher poderia ser um poço tranquilo em um minuto e se tornar uma tempestade no seguinte. Eu juro. — Sirius disse saudoso. — Quanto a ser frio e racional, isso é dele mesmo, porque a Lily não era nada racional e o James era uma explosão de energia constante, não conseguia ficar um segundo parado. E, nenhum deles conseguiria ser frio, nem se esforçando muito.
— Quando você falar com ele mais tarde pelo espelho, diga que realmente sinto muito por minhas ações e que, se ele ou o primo precisarem de qualquer coisa... — Sirius acenou concordando ao perceber, por sua expressão, que Denver estava muito arrependida.
Quando aparataram para o apartamento de Denver, em Londres, Sirius tentou pensar em como quebrar o clima sombrio. O final de semana tinha sido incrível, em tom de comemoração, a chegada da poção restauradora, apenas tinha tornado o domingo preguiçoso na cama, ainda melhor. Mas, enquanto preparava o chá, Sirius percebeu que não queria conversar sobre algo casual e leve.
— Qual a questão pessoal que te fez interferir no julgamento do Dursley? — Sirius perguntou, mas não obteve resposta.
Denver olhava pela janela para a tarde chuvosa e fria do começo da primavera.
— Não quero falar sobre isso. — Ela disse quando sentiu o seu olhar insistente.
— Eu quero. — Sirius serviu o chá para os dois, mas Denver não se aproximou da mesa minúscula para beber o seu. — E, eu quero ser mais do que o cara com quem você está transando.
— Bem, não me lembro de hoje ser o dia de fazermos o que você quer. Ou, será que perdi o memorando? — Denver respondeu secamente.
— Emily, pare de me afastar! — Sirius disse irritado. — Com seu mal humor, sua frieza ou sarcasmos... apenas, pare. Eu não vou a lugar algum e acho que já passamos da fase de fingir que o que temos é casual ou sem importância.
— Não estou interessado em uma relação séria, Sirius, assim, deixe assim. — Emily disse e, se sentando na mesa, bebeu um gole da água quente e cheirosa.
— Eu também não. — Sirius fez uma careta. — No entanto, aqui estou, aqui quero estar e... Não consigo deixar de querer voltar de novo e de novo.
— Lide com isso. — Ela disse secamente.
— Vá a merda! — Sirius disse irritado. — Acha que sou idiota? Que sou o único aqui que sente mais do que quer sentir? Hum? — Sirius se levantou, a tirou da cadeira e pressionou o seu corpo contra o dele, enquanto afundava o rosto em seu pescoço sentindo o seu delicioso aroma cítrico. Maldita toranja.
Emily tentou afastá-lo, sem muita vontade, mas, Sirius logo ganhou vantagem com beijos e lambidas em seu pescoço, atrás da sua orelha e, assim que ele começou a mordiscar, Emily gemeu de prazer e se tornou mais ativa, passando as mãos por seu peito, puxando a sua camisa e retribuindo os seus beijos com a mesma fome. Em poucos minutos, eles estavam semidespidos e Sirius os conduziu para o quarto, onde se afastou ligeiramente e a encarou com profundo desejo.
— Está vendo... você quer isso também, tanto quanto eu...
— Eu posso te enviar embora quando quiser... — Ela disse, teimosa e feroz.
— Pode? Talvez..., mas... você não quer... — Ele disse com um sorriso atrevido.
— Cale a boca... — Ela devolveu duramente e, predadora, o empurrou de costas na cama e se sentou em cima dele. — Eu... não... quero... mais... falar...
Ela pontuou as palavras com beijos e mordidas em seu peito amplo, cheio de pelos negros encaracolados, concentrando-se em um dos seus mamilos e lhe arrancando um gemido de prazer. Sirius observou encantado a sua expressão e movimentos felinos, sentindo o desejo aumentar ainda mais ao ser devorado por sua boca deliciosa.
— Tudo bem por mim...
Mais tarde, Sirius olhava para o teto em silêncio prazeroso, mas, não completamente satisfeito.
— Sabe porque nunca quis uma relação seria com uma mulher? — Sirius perguntou preguiçosamente enquanto passava seus dedos longos lentamente por suas costas, pescoço, nuca e depois descia-os até o seu quadril, antes de subir outra vez em um toque bem suave.
— Hum? — Emily perguntou sonolenta com o rosto afundado nos pelos do seu peito.
— Você não me diz nada sobre a sua vida ou seus motivos, mas, gostaria de lhe falar sobre os meus... — Sirius disse lentamente, com a esperança de que sua sinceridade a ajudasse a se abrir. — Eu confio em você, Emy...
— Não me chame assim... — Emily disse e suspirou desejando que as coisas não fossem tão complicadas. — Não precisa me contar nada...
— Você não quer saber? — Ele perguntou, levemente magoado.
— Eu posso imaginar. — Ela disse ainda sem se mover. — Antes de Azkaban, você era jovem e só queria curtir, sem responsabilidades e, agora, você tem medo de se abrir, ficar vulnerável e ser magoado.
— Não ligo a mínima para isso. — Sirius disse sincero. — Sou um Gryffindor do caralho, não tenho medo de mergulhar e pagar para ver ou de me machucar ao tentar viver intensamente. Na verdade, depois de tudo o que passei, de ficar prisioneiro por tantos anos, é a ideia de não ter uma chance de viver é o que me apavora. E, também me sentia assim antes de ser preso.
Isso deixou Emily curiosa e a fez levantar o rosto e encará-lo, mas, Sirius mantinha os olhos presos no teto.
— Ok. Porque, então? — Ela perguntou suavemente.
— Eu não quero ter filhos. — Ele sussurrou lentamente e sentiu o corpo dela endurecer. — Qualquer mulher com quem me envolver seriamente, quererá ter filhos e, eu não os quero.
— Porque? — Ela questionou em um sussurro rouco.
— Meu sangue é amaldiçoado. — Sirius disse lentamente, ainda sem encará-la. — A endogamia fez isso, sabe. Os Blacks se casam a séculos entre si ou entre famílias bem próximas, meus pais são primos irmãos, meus avós também e, antes, houve até casamentos entre irmãos. Tudo para manter a linha Black pura, mas, tudo o que conseguiram foram produzir abortos ou insanos. Em cada geração, pelo menos uma das crianças nasce completamente sem controle, má, cruel e perturbada. Em minha geração, é minha prima, Bella, antes, minha mãe e..., bem, eu poderia fazer uma longa lista para você.
— Mas não são todos assim... — Emily disse baixinho.
— A maioria em minha família é purista e cruel, não duvide, mas, alguns poucos em cada geração são como eu ou minha prima, Andrômeda ou meu tio Alphard. — Sirius disse. — No entanto, os loucos também aparecem a cada geração e, eles são... bem, resumindo, não quero ter um filho ou filha assim. Com a morte do meu irmão, eu sou o último da linha masculina Black, portanto, quando eu morrer, ela morrerá comigo e, assim, não haverá a possibilidade de eu ter um filho, neto, bisneto ou quaisquer descendentes, com a doença da insanidade.
— Você prevê o pior, mas, seus filhos e netos poderiam ser como você. — Denver disse suavemente. — Principalmente se os amar e educar para serem bons.
— Hum... a insanidade de Bella e da minha mãe não tem nada a ver com amor e criação, Emily, elas nasceram loucas. Não arriscarei ter uma criança assim, além disso, quando eu não estiver mais aqui, meus descendentes não estarão sob o meu controle e poderiam fazer o que quisessem. — Sirius finalmente a olhou e mostrou a dor que sentia. — Quero que a Família Black morra comigo.
Emily acenou e, se inclinando, beijou docemente os seus lábios tentando afastar a dor de sua expressão. Ele a olhou surpreso, pois ela não era de gestos doces e gentis.
— O que? — Ela sorriu divertida. — Achou que o expulsaria da minha casa? Por que não quer ter filhos?
— Acho que sim... — Sirius deu de ombros. — Sei que não quer ter uma relação séria e, talvez, isso não lhe importe tanto, mas, pensei que tentaria me convencer a não desistir de ter filhos.
— É sua decisão e eu o compreendo, pois também não quero ter filhos. — Emily suspirou fechando os olhos cansadamente. — Não posso ter filhos, na verdade.
— O que? — Ele sussurrou surpreso.
— Eu cresci em Detroit, com minha mãe, Juliet Davison, ela era prostituta e viciada em drogas. — Ela se levantou da cama e foi até a cozinha, voltando com uma garrafa de whisky trouxa e dois copos. — Se tenho que contar essa história, prefiro estar meia bêbada, se não se importa.
— Tudo bem por mim. — Ele disse aceitando um copo, pois tinha a sensação que precisaria estar bêbado também para ouvir o que ela lhe diria.
— Minha mãe tinha um cafetão que a mantinha na linha, batia nela e a abastecia com drogas o suficiente para ela continuar funcionando e sempre querer mais e mais. — Emily disse e sua voz se embargou quando acrescentou. — Mas, ela ainda conseguia cuidar bem de mim, me amava do jeito dela, me alimentava, me vestia com roupas quentes no inverno. Não era o ideal, longe disso e, às vezes, ela ficava muito chapada e, eu era esquecida por algumas horas ou dias. A fome, me fez aprender bem cedo a me virar, ir para a cozinha e me alimentar sozinha com o que tinha. — Denver serviu um pouco mais da bebida âmbar no copo dos dois. — Ela sabia que eu era diferente, vivia falando sobre como especial sua garotinha era e que, um dia, eu iria para um lugar melhor. Provavelmente, eu fazia magia acidental, nada demais, alguma levitação ou mudança de cores, não me lembro de nada espetacular, mas, ela viu, claro, e sempre me alertava para não fazer isso quando o cafetão ou qualquer outra pessoa estivesse por perto.
— Ela queria te proteger dele. — Sirius disse suavemente. — Ninguém percebeu a situação em que estava?
— Sim e não. Minha mãe não era perfeita, sabe, mas realmente se importava comigo e o mantinha longe de mim... isso faz diferença, acho. — Sirius acenou concordando. — E, não havia mais ninguém, ela nunca me enviou para a escola, medo do serviço social, provavelmente, não tínhamos parentes e, os vizinhos, em prédios como aqueles, não se metem na vida dos outros. Minhas lembranças de infância são apenas daquele apartamento pobre e minha mãe, meu quarto era uma espécie de refúgio e prisão, onde era escondida quando o cafetão aparecia ou os clientes. Quase sempre, eles vinham a noite, assim, eu só ouvia alguma coisa quando algum deles lhe batia e ela gritasse. — Seus olhos, da cor da bebida âmbar, mostravam tristeza. — Infelizmente, quando cresci mais um pouco, apesar dos cuidados da minha mãe, o cafetão acabou me notando.
— O que ele fez quando te notou? — Sirius disse sentindo um terror terrível se instalar em seu peito.
— Eu tinha sete anos e ele queria me vender, me prostituir também e disse que eles ganhariam um bom dinheiro, pois tinham caras que gostavam de garotinhas. — Denver bebeu o whisky para tirar o amargo da boca. — Minha mãe ficou em fúria e eles tiveram uma discussão horrível. Eu acabei ouvindo e entendendo as coisas um pouco melhor, o porquê da minha mãe estar naquela situação. Ela conheceu meu pai e se apaixonou por ele quando tinha 16 anos, mas, seus pais não aprovaram o namoro, o cara era mais velho, 22 anos e um encrenqueiro. Quando ela engravidou, eles a expulsaram e os dois foram viver juntos em Detroit, mas, algo deu errado porque, em algum momento, ele deixou de ser seu namorado e se tornou o seu cafetão.
— O que? O cafetão era...? — Sirius se interrompeu, sentindo o estômago embrulhar.
— Sim, o cafetão era o meu pai. Isso é mais comum do que você poderia pensar, Sirius. — Emily suspirou triste. — Garotas, adolescentes que se envolvem com o cara errado, eles as usam, se aproveitam de suas ingenuidades, sentimentos e corpos. Pelo que entendi, ouvindo a discussão deles, os dois ficaram viciados em cocaína e ele a convenceu a fazer alguns programas, apenas até as coisas melhorarem, um emprego legal aparecer, mas, isso nunca aconteceu e, em pouco tempo, a vida dela se tornou um inferno de programas, drogas e surras. Quando ele decidiu me prostituir também, a situação se tornou insustentável e ela ameaçou ir embora para sempre e, por um tempo, a situação voltou ao que era. — Denver suspirou e fechou os olhos. — Então, um dia, ele veio e tentou me levar durante a noite, quando ela estava com um cliente, mas, minha mãe tinha me ensinado a não confiar nele, a temê-lo e não ir a lugar algum perto dele, muito menos deixar o apartamento. Eu comecei a espernear e gritar, ela veio correndo e me tomou dele, me trancou em meu quarto e me disse para não sair. Eles tiveram outra discussão terrível, porque ele tinha encontrado um comprador para mim. O cara queria me comprar em definitivo, não apenas por algumas horas e estava oferecendo uma grana alta, 500 mil dólares. Era uma fortuna na época e mais dinheiro do que qualquer um deles veria na vida. Minha mãe ficou louca e disse que não o deixaria fazer isso, me vender a um pedófilo nojento e nunca mais me ver, mas, ele queria muito o dinheiro e não ia permitir que ela ficasse em seu caminho. — Denver não disse nada por alguns segundos, perdida no passado e olhando para o copo vazio. Sirius voltou a enchê-lo e ela voltou a suspirar ao beber um gole. — Ele começou a bater nela, como das outras vezes, mas, os gritos não pararam e ele continuou a bater e bater. Então, tudo ficou em silêncio e eu pensei que tinha acabado, que ela logo entraria no meu quarto, me abraçaria e tudo ficaria bem, mas, foi ele quem entrou no meu quarto.
— Merlin... — Sirius sussurrou e bebeu mais, com a mãos trêmulas.
— Ele me pegou no colo e quando passamos pela sala, eu a vi caída no chão, havia um monte de sangue e ela estava morta. Eu sabia, sua cabeça e rosto estavam amassados, um dos seus olhos encaravam o teto com aquele vazio estranho. Eu comecei a espernear e gritar, então, ele me deu uns tapas, mas, eu não parei e, acho que ele me atingiu na cabeça com algo porque, eu apaguei. Quando acordei, o cafetão já tinha me vendido e não estava por perto, mas, havia outro homem, em um quarto grande e desconhecido... — Denver bebeu e tentou não olhar para Sirius, pois não queria a sua pena. — Eu não me lembro muito bem o que aconteceu depois, bloqueie a maior parte e, como estava zonza por causa do ferimento na cabeça, logo que o cara começou a me estuprar, senti tanta dor, que desmaiei outra vez. — Denver falou mais rápido agora, querendo terminar logo isso. — Quando acordei, estava em uma jaula no porão da casa e havia muitas outras jaulas, com muitas meninas e meninos, alguns ainda mais jovens que eu. — Denver ainda se lembrava do cheiro de sangue, urina, fezes, medo e dor. — Eu estava com muita dor, sangrando e meio delirante, além de apavorada que o homem voltaria e me machucaria de novo. Entrei em uma espécie de transe, sabe, pensava em minha mãe e como queria voltar para ela, abraçá-la mais uma vez e, de repente, Rox apareceu no porão e caminhou na minha direção.
— Como aconteceu com o Adam? — Sirius perguntou suavemente.
— Sim. — Denver sorriu sutilmente. — Ela era linda e assustadora, tinha certeza que estava ali para nos comer, mas, então, Rox falou comigo. Se apresentou, minha irmã espiritual, parte de mim, da minha magia e minha ligação com a magia natural. Tinha certeza que estava enlouquecendo, mas, ela entrou na jaula comigo e lambeu o meu rosto, me deixou abraçá-la. — Os olhos de Emily se encheram de lágrimas. — Não me senti mais sozinha ou apavorada, sabia que sempre a teria, ela era parte de mim e, talvez, um pouco da minha mãe também. — Ela pigarreou tentando afastar as emoções. — Ela se apresentou como Ferox, que significava feroz na língua antiga, descobri depois que era latim, e disse que eu precisava usar minha magia para fugir e libertar os outros filhotes, pois ninguém viria nos ajudar. Sua confiança e apoio me deu o que eu precisava para abrir a minha jaula e das outras crianças com minha magia e, depois, a porta do porão.
— Elas devem ter ficado curiosas. — Sirius tentou imaginar a cena.
— Não, nenhuma dela fez perguntas, seus olhos eram vazios e tristes, algumas estavam muito feridas para saírem sozinhas e foram ajudadas ou carregadas pelos mais fortes. — Denver disse suspirando. — Não sei a quanto tempo elas ficaram presas naquele lugar, Sirius, mas, imaginando o inferno que passaram, eu sei que tive sorte.
— Sorte? — Ele perguntou surpreso.
— Sim. Claro que nem sempre eu pensei assim, acredite, minha irmã espiritual não se chama Ferox sem um motivo. Naquele momento, eu estava cheia de dor e fúria, mas, eu tenho 36 anos agora e o tempo nos dá outra perspectiva. — Denver o encarou com sinceridade no olhar. — Eu passei algumas horas naquele lugar, não semanas, anos, fui estuprada uma vez, não dezenas ou centenas de vezes. Merlin, eu estou viva e você, melhor do que ninguém, sabe que nem todos conseguem sobreviver aos monstros e predadores que perseguem os inocentes.
Sirius acenou entendendo o seu argumento, afinal, tinha a mesma perspectiva sobre a sua própria vida, pois sabia que poderia ter sido muito pior do que fora. Não apenas Azkaban, mas sua infância também.
— Você matou o desgraçado? — Ele perguntou e ela sorriu feroz.
— Sim. Quando todos começamos a sair do porão, ouvimos gritos e choro no andar de cima, assim, peguei dois garotos maiores e uma menina, que devia ser a mais velha do grupo, e subimos. — Denver contou. — O velho safado estava com uma menina pequena, distraído e nós o atacamos, batemos, arranhamos, a menina mais velha arrancou um dos seus olhos com as unhas e, logo, ele parou de se mover. — Denver suspirou. — Alguém viu as crianças fugindo da casa e chamou a polícia, eles nos reuniram e disseram que estava tudo bem, íamos para o hospital, depois, voltaríamos para casa e seriamos devolvidos aos nossos pais. Mas, minha mãe estava morta e o homem, que eu sabia, era o meu pai, foi quem fizera aquilo comigo, assim, fugi quando eles se distraíram.
— Mas... — Sirius ficou confuso.
— Eu sei, eles não me entregariam para ele, mas, eu tinha 7 anos e não sabia disso, Sirius. Eu era muito protegida e ingênua, como disse, nunca tinha ido à escola, minha mãe sabia que a situação em que vivíamos era precária e que, se alguém descobrisse, ela perderia a minha guarda, assim, sempre me manteve escondida no apartamento.
— Para onde você foi? — Sirius afastou a garrafa vazia e lamentou que não fosse whisky de fogo, pois estaria mais bêbado.
— Para as ruas. Eu sabia me cuidar e não confiava em ninguém, assim, me entoquei em alguns lugares aqui ou ali, roubei comida, invadi algumas casas abrindo as portas com magia e sobrevivi. Não foi uma vida fácil, acredite, mas Rox estava sempre comigo e nunca me senti desprotegida ou solitária. — Denver sorriu levemente. — Quando fiz 11 anos, o vice-diretor Oneida me encontrou vivendo em uma casa invadida, os donos tinham viajado de férias e havia muita comida enlatada nos armários, assim, acampei lá por algumas semanas. — Sirius sorriu apesar de tudo. — Ele entregou a minha carta e me disse que não poderia continuar a fazer isso ou viver nas ruas, teria que ir para um orfanato ou não seria aceita em Ilvermorny.
— E, você queria muito ser uma bruxa. — Sirius disse com um sorriso carinhoso.
— Muito. Rox sabia que eu não estava segura, assim, se manteve ao meu lado durante aqueles anos e me contou sobre a magia da natureza, espiritual, que minha mãe me acompanharia sempre e que, um dia, eu me tornaria uma justiceira, para salvar outros inocentes.
— Uma Justiceira. — Sirius sorriu ainda mais e seus olhos cinzas brilharam. — Por isso você me entendeu tão bem, não é?
— Sim. — Ela deu de ombros. — Bem, eu não queria ir para um orfanato, mas, era só durante os verões e aceitei, mas, antes, questionei se na escola, eles me ensinariam a deter os monstros. Oneida me garantiu que sim e insistiu em saber minha história, Rox me disse que ele era de confiança, assim, contei o que tinha acontecido. — Ela bebeu o último gole do seu copo. — Ele me levou ao hospital mágico e, enquanto eles cuidavam de mim, providenciou para o cafetão ser preso pela polícia trouxa. Não foi difícil encontrá-lo, descobrir onde enterrou o corpo da minha mãe e, colocar um alerta vermelho no julgamento, assim, o cafetão pegou prisão perpétua.
— Por isso você fez o mesmo com o caso do Dursley. — Sirius entendeu a situação.
— Foi um erro, porque o vilão não é o Dursley e sim, Voldemort. Harry deixou isso claro e eu me precipitei por causa do meu passado, pensei... — Ela suspirou pensativa. — Eu tenho um fraco para casos de abuso infantil, sabe, ou agressores de mulheres e, pelo que me disse, Petúnia estava sofrendo abusos psicológicos. Assim, pensei que o filho também era abusado, portanto, a prisão do pai seria boa para o garoto também.
— Pelo que sei, Dudley estava afastado do pai porque ele estava tentando jogá-lo contra a mãe com mentiras. Também estava fazendo o garoto se sentir culpado pela separação ou algo assim, então, talvez, você não esteja tão errada. — Sirius disse lentamente. — Mas, podemos visitar a Petúnia, se você quiser, e oferecer nosso apoio a eles, ajudar o Duda a passar por isso.
— Duvido que eles gostariam de me ver, Sirius. — Denver disse chateada e, porque tinha bebido um pouco a mais, acrescentou. — Não sei nem se o Harry quererá me ver algum dia.
— Não, nem pense nisso. — Sirius tirou o copo vazio da sua mão e a puxou para a cama com ele. — Harry não guarda rancor ou raiva por muito tempo, como lhe disse e, depois que eu explicar o que aconteceu no julgamento, tudo será esquecido. — Ele segurou seu rosto e a encarou nos olhos com carinho. — Acredite.
— Ok. — Denver se recostou contra ele sonolenta.
— Como o seu nome se tornou Denver? — Sirius questionou ao pressionar um beijo em sua testa.
— Ah! Eu tive medo que a assistência social encontrasse os meus avós e me enviasse para eles, tinha muita raiva deles por expulsarem a minha mãe. Então, quando deixei o hospital e Oneida me levou ao orfanato, escolhi um novo sobrenome e disse que minha mãe não tinha família. — Denver suspirou pensativa. — Eu tinha visto umas fotos lindas em uma das casas que invadi, das montanhas do Colorado, o casal estava esquiando com os filhos e pareciam muito felizes, assim, sempre pensei que gostaria de conhecer Denver, que é a capital do Colorado.
— Você conheceu? — Sirius sussurrou gentilmente.
— Sim. É ainda mais lindo do que nas fotos. — Emily sorriu suavemente com a lembrança.
— E, Rox? — Ele perguntou adiando a verdadeira pergunta que queria fazer.
— Ela se despediu de mim no hospital. — Denver disse. — Me disse que eu estava segura e, que quando estivesse pronta, nos encontraríamos.
— E, quando você terminou o processo animagus? — Sirius imaginou se ela fora ainda mais precoce que ele.
— Processo? — Ela franziu o cenho confusa. — Não existe um processo, apenas, quando me senti pronta, ouvi o chamado em minha alma, para realizar a conexão, a ligação com minha irmã espiritual, eu fui até as Rochosas e realizei o Ritual de Ligação. Ao fim, nós éramos uma só e me senti completa quando o seu poder e espírito, se ligaram a mim.
— Você utilizou o método de Mason para a transformação animagus. — Sirius disse pensativo. — Harry emprestou o livro a Tonks e eu pretendia ler quando ela me devolveu, mas, me perdi em outros assuntos.
— Eu não sei quem é Mason. — Emily deu de ombros. — Eu usei a única maneira ensinada nas escolas bruxas dos Estados Unidos, que foram passadas pelos nativos americanos. Nas aldeias, antes da invasão inglesa, os bruxos índios realizavam o ritual de ligação espiritual e, quando Ilvermorny foi fundada, o conhecimento foi absorvido e transmitido para os alunos.
— Quer dizer que se tornar animagus é uma aula em Ilvermorny? — Sirius perguntou abismado.
— Claro. Realizar o Ritual de Ligação é um conhecimento que deve ser passado de geração para geração, não escondido e perdido para sempre. — Emily o encarou curiosa. — Você não aprendeu na adolescência? Com seus amigos em Hogwarts? Pensei ter entendido que vocês mantiveram em segredo dos registros do Ministério, por causa da guerra.
— Hogwarts não ensina ou estimula a transformação animaga, na verdade, eles não estimulam qualquer tipo de aprendizado avançado. As aulas são bem fracas e básicas, se você quer mais conhecimento, tem que buscar por si mesmo. O Ministério controla o currículo e mantem o conhecimento dos nascidos trouxas o mais inferior possível, pois sabe que as crianças puras têm tutores e aulas avançadas em casa durante os verões. — Sirius disse e, então, contou sobre como ele e os marotos se tornaram animagus.
— Isso é tão... absurdo. — Emily estava chocada. — O conhecimento mágico é o nosso maior tesouro e não pode ser controlado, censurado e impedido de ser transmitido aos jovens bruxos. E, vocês três poderiam ter se ferido, sem o acompanhamento de um adulto. — Ela sorriu com a lembrança. — Keith Oneida, ele descende dos índios nativos e, além de ser vice-diretor de Ilvermorny, também é o mentor das aulas de preparação para o Ritual. Elas começam a partir do quinto ano, quando temos idade para entender a importância desta ligação e é optativa. Aprendemos muito, meditamos, lemos... não sei, as aulas são meio espirituais, sabe, sempre na floresta, não importa o tempo, Oneida nunca nos tranca em uma sala de aula, pois o contato com a magia natural é importante.
— Quando se transformou pela primeira vez? — Sirius perguntou encantado com a ideia de aulas de animagia.
— Com 16 anos. — Ela sorriu triunfante. — Eu recebi o chamado e me sentia pronta logo nos primeiros meses das aulas de preparação, mas, Oneida insistiu que eu completasse o primeiro ciclo de preparação. Eu concordei, mas, assim que o segundo ciclo começou, fiquei impaciente e fiz o Ritual. Foi maravilhoso revê-la, Rox, sentia muito a sua falta e a transformação, ser uma leoa da montanha, sua força, agilidade, poder. Nunca me senti tão feliz e integrada com a magia e comigo mesmo, completa. — Sirius sorriu pelo brilho de alegria em seus olhos. — Você sente isso com o Almofadinhas? Como se ele completasse algo que você nem sabia que faltava em você?
— Eu... não. — Sirius pareceu desconcertado. — Eu não o sinto quando sou humano, exatamente, apesar de enxergar um pouco melhor no escuro do que antes da transformação. Hum... eu apenas sei que posso me transformar em um cachorro, em Almofadinhas e me transfiguro quando preciso.
— Hum... — Emily ficou pensativa por uns segundos. — Acho que esse método que você e seus amigos usaram, tem um grande foco na transfiguração, enquanto o Ritual de Ligação não tem a haver com isso e sim, com o seu espírito se ligando ao seu irmão espiritual. É um encontro de almas, magia, poder, personalidades que se complementam e se tornam um. Eu sou Rox e ela é Emily. — Emily sorriu. — Eu a sinto o tempo todo e nossa ligação é tão forte, que sou mais forte, rápida e tenho melhores sentidos quando sou humana. Não apenas visão um pouco melhor... — Ela o olhou com os olhos levemente arregalados. — Você deveria fazer o Ritual!
— O que? Mas... eu já consigo me transfigurar em meu animagus. — Sirius protestou surpreso.
— Esqueça a transfiguração, Sirius, isso é o menos importante. Se você fizer o Ritual terá uma conexão com o Almofadinhas, com a magia e seu espírito, que nunca perderá e que o fará se sentir completo. — Emily disse convicta. — Aposto, que é disso que precisa para deixar de odiar a si mesmo, seu sangue, suas origens.
Sirius acenou pensativo, ainda que duvidasse que algo o faria não odiar ser um Black.
— Você sentiu isso depois do Ritual de Ligação? — Sirius perguntou gentilmente. — Paz, em relação ao seu pai e sua mãe?
— Não, não paz. — Emily disse e seus olhos ficaram tristes. — Na época, eu sentia tanta raiva pelo que tinha acontecido comigo e, tinha esse plano louco de que quando fosse maior de idade, usaria minha magia para invadir a prisão em que o cafetão estava preso e o mataria lentamente.
— Isso seria um grande evento. — Sirius brincou levemente.
— Eu tinha me esquecido o que Rox me ensinou, sobre ser uma Justiceira, e só pensava em vingança. Me ligar a Rox não me trouxe paz, isso aconteceu com o tempo e maturidade, além do meu trabalho, mas, depois do Ritual, eu não me culpei mais, não me odiei por minha impotência e fraqueza. — Emily sentiu o toque dos seus dedos em seu rosto e o encarou. — Eu a ouvi ser espancada até morte, os sons das pancadas e socos, seus gritos, suas últimas palavras implorando para que ele parasse, "não mais, por favor, não mais". — Uma lágrima escorreu por seu rosto e ele limpou suavemente com os dedos. — Eu não fiz nada, não deixei o quarto, não tentei ajudar, não gritei por ajuda, apenas fiz o que ela me mandou. Fiquei escondida em meu quarto, minha prisão e refúgio, ouvindo ela ser morta...
— Você não sabia, era uma criança. — Sirius disse e expressou a dor que sentia por ela e a garota de olhos azuis. — Você me disse isso, quando lhe contei sobre a garota de olhos azuis, disse que nós dois éramos as vítimas, perdendo nossas inocências, ela morrendo e eu para sempre odiando a mim mesmo por minhas origens. Você também era a vítima, uma criança que apenas fez o que sabia, o que a sua mãe, sua protetora, lhe disse para fazer.
— Sim, sim, eu sei. — Emily disse suspirando para conter a vontade de chorar. — Eu sei..., mas, aos 16 anos, sabendo o que eu sabia sobre magia, me atormentava a ideia de que eu poderia ter feito algo. Se não fosse como um rato covarde escondida em meu cantinho, eu poderia ter usado a minha magia e a salvado. Então, Rox voltou para mim e a ligação me fez sentir completa, verdadeira e consegui me livrar da culpa, do ódio que sentia por mim mesma. E, me lembrei do meu propósito, o que a morte da minha trouxe para a minha vida.
— Ser uma Justiceira. — Sirius disse lentamente. — Assim como a morte da garota de olhos azuis trouxe para mim, deter monstros e levar justiça as vítimas.
— Sim, eu não podia permitir que o cafetão me destruísse, ao meu propósito e tornasse a morte da minha mãe vã e sem importância. — Ela disse suspirando. — Talvez, você encontre em seu animal espiritual, esse entendimento também.
— Talvez. Prometo pensar sobre isso. — Sirius disse sincero, depois, hesitantemente, acrescentou a pergunta adiada. — Você não me disse porque não pode ter filhos, Emily. É por causa do...
— Estupro? — Ela completou suavemente. — Pode falar, Sirius, isso foi a muitos anos, não tenho muitas lembranças do fato em si, além de que, fiz terapia por muito tempo. — Sirius mostrou leve surpresa, pois não podia imaginá-la se abrindo com ninguém, muito menos um estranho. — Tive que fazer ou não conseguiria realizar o meu trabalho, principalmente em casos de abusos infantis. De qualquer forma, além do tempo, o que mais me ajudou a superar o que aconteceu, foi o meu trabalho, a cada monstro que eu prendi, superei um pouco mais o que me aconteceu. — Emily levantou a cabeça do seu peito e o encarou nos olhos. — Depois do estupro, eu fugi, vivi nas ruas e não recebi tratamento pelos meus ferimentos internos. Quando Oneida me levou ao hospital, os curandeiros me informaram que os danos graves e a infecção que tive, tornaram impossível que meu útero possa carregar uma criança por nove meses. Eu poderia tentar, mas, provavelmente acabaria em um aborto ou parto prematuro, colocaria a mim e o bebê inocente em grande risco.
— E, você está bem com isso? — Ele sussurrou gentilmente.
— Não. — Ela disse sincera. — Hoje, tenho maturidade suficiente para lidar melhor com essa perda, mas, por anos, esse fato me machucou muito. Assim como a morte da minha mãe, ser estéril me causou muita raiva e amargura. Odiei o mundo e o cafetão por me tirar tanto, eu não sabia se queria ter filhos, mas, não ter a escolha, me encheu de um sentimento de impotência e inadequação. Tinha certeza, assim como você, que nunca poderia pensar em me casar, pois qualquer homem quer ter filhos, quer a continuação do seu sobrenome e magia.
— Por isso se mantem afastada? De todos e de mim? — Sirius perguntou passando a mão por seus cabelos curtos bagunçados.
— Sim e, pelo que disse antes. Não quero baixar a guarda e me machucar, além disso... — Emily acariciou os pelos encaracolados do seu peito. — Em alguns anos, voltarei para os Estados Unidos e você não pode deixar a Inglaterra, assim, me parece um tanto quanto... insólito, começar algo mais sério.
— Quem se importa? — Sirius disse e segurando o seu queixo a fez encará-lo olho no olho. — Olhe para nós, Emily. Os dois, com infâncias e familiares fodidos, mas, ainda lutando e tentando parar os monstros. Não somos nada convencionais e não precisamos agir assim sobre o que sentimos um pelo outro.
— Sirius...
— Talvez, não seja o esperado ou o mais inteligente, Emily e, com certeza, ninguém teria apostado em qualquer um de nós, se nos conhecessem a 30 anos, mas, aqui estamos. E, somos bons juntos... — Ele segurou seu rosto e lhe beijou a boca, firme, quente, de tirar o fôlego. — Você pode ficar aqui, comigo, podemos viver isso, seja lá o que for, sem mais hesitações e, em alguns anos, lhe prometo muitos monstros para prender.
— Tentador... — Sussurrou ela com um sorriso malicioso. — Principalmente a parte dos monstros.
— Mulher cruel... — Sirius sussurrou e roçou seus lábios contra os dela em uma carícia suave, que apenas a deixou louca por mais. — Se abra, Emy, dê uma chance para mim, para nós e, talvez... apenas, talvez, se você se permitir sentir tudo, seja capaz de ver o que eu vejo. — Ele falou em tom lento e sussurrante contra a sua boca, segurando o seu rosto e a impedindo de aprofundar o beijo.
— Ver o que? — Ela perguntou impaciente e lhe deu uma mordida no lábio em punição.
— Que somos perfeitos um para o outro... — Sirius disse antes de mergulhar a língua em sua boca e beijá-la de verdade, como ela queria ser beijada.
Ele os virou na cama, ficando por cima e ela puxou seus cabelos, tentando aprofundar ainda mais o beijo, porque não estavam perto o suficiente e ela queria mais, mais perto, mais fundo, mais tudo...
Harry caminhou pelos corredores tentando e não conseguindo controlar a raiva que sentia. Porque? Porque as pessoas tinham esse estranho impulso de acreditarem saber o que era melhor para ele e decidirem sobre a sua vida, sem ao menos consultá-lo? Dumbledore pelo menos tinha a desculpa do fato de que ele, Harry, era um bebê, mas Denver não. E, suas ações sem sentido tinham levado o Vernon a prisão e, enquanto o Harry era o primeiro a concordar que o seu ex-tio, merecia a cadeia por tudo o que lhe fizera ao longo daqueles 10 anos, Duda não merecia esse sofrimento.
Tia Petúnia estaria arrasada, no entanto, ela lidaria com isso, assim, como estava fazendo agora. Terapia, recomeço, estudos, trabalho voluntário e positividade. Em sua última carta, ela lhe dissera que estava tentando se redimir por tudo o que fizera de errado e ruim, tentando levar sua própria magia ao mundo e ajudar quem estava tão perdido como ela esteve. Harry estava feliz ao saber disso, que sua tia estava superando e tentando ser a pessoa que tinha o potencial para ser. Duda também estava em um bom caminho, nova escola, novos e bons amigos, mas, agora, Harry sabia que seu primo estaria sofrendo pela prisão do pai e..., bem, ele não sabia o que fazer para concertar isso.
Sua caminhada terminou na cozinha, o lugar de onde saiu, mas, ao entrar, a encontrou vazia dos seus amigos, apenas os elfos trabalhavam mais silenciosamente do que de costume.
— Sr. Harry? — Mimy apareceu rapidamente e mostrou ansiedade.
— Oi, Mimy. Para onde eles foram? — Harry perguntou gentilmente.
— Madame vice-diretora, McGonnagall apareceu e ficou muito zangada com o barulho e confusão, disse que atrapalhava os elfos trabalharem e que a cozinha não é lugar de crianças. — Mimy disse torcendo as mãos de ansiedade.
— Oh... — Harry franziu o cenho confuso, pois eles não estavam fazendo um barulho alto quando ele saiu, apenas conversavam e riam. — Desculpe, Mimy, não sabia que estávamos atrapalhando e lamento se o pessoal ficou muito alto.
— Mas... Mimy não acha que o Sr. Harry e seus amigos atrapalham ou fazem barulho alto... — Mimy disse hesitante e ansiosa. — Sr. Harry e seus amigos são sempre bem-vindos... — Harry olhou em volta e viu muitos elfos acenando. — Os elfos e Mimy gostam quando as crianças veem visitar nas cozinhas ou na Sala do Elfos.
— Você disse isso a McGonnagall? — Harry perguntou.
— Mimy não pode contrariar a Madame Vice-Diretora, Mimy tem que obedecer, mas... — Mimy olhou angustiada e os elfos pareciam infelizes. — Mimy não sabe o que fazer...
— Você deve ser sincera, Mimy. — Harry disse e olhou para os elfos que o ouviam. — Eu sei que é difícil, vocês não precisam desobedecer, mas, têm que, educadamente, dizer a ela que vocês não concordam ou se sentem assim sobre as nossas visitas. Tenho certeza que McGonnagall não sabia e pensou que era o que vocês queriam, mesmo que não se preocupou em perguntar... antes... — Harry parou pensativo. — Acho... que ela teve a intenção de ajudar, mas... Ficar zangado não adianta nada, essa não é a melhor maneira de resolver...
— Sr. Harry? — Mimy perguntou suavemente e Harry suspirou.
— Às vezes, as pessoas acham que estão nos protegendo, Mimy, nos cuidando e nos fazendo algo bom, mas, elas esquecem que precisam perguntar o que queremos porque, o que elas sentem ser o melhor, não é o mesmo que nós sentimos ser o certo. — Harry disse lentamente. — Se vocês não concordam com a McGonagall, precisam dizer a ela e explicar como vocês se sentem. Isso não é desobedecer ou ser um mal elfo, isso é deixar que ela conheça vocês, seus sentimentos e pensamentos.
Mimy acenou e, apesar de ainda parecer um pouco perdida, também parecia mais aliviada.
— Então, ser sincera com a Madame Vice-diretora não é ser uma má elfa? — Ela perguntou ansiosa.
— Não, não é. — Harry disse sorrindo. — Agora, vou encontrar os meus amigos, depois, você me conta como foi sua conversa com a vice-diretora. Obrigado por toda a ajuda que me deram na preparação do almoço.
Harry acenou em despedida para os elfos e voltou para os corredores, abriu o mapa, encontrando os amigos na Caverna, pelo menos a maior parte deles. Rapidamente, ele desceu até lá e encontrou o pessoal do Covil espalhado em volta ou dentro da piscina. Terry estava sentando em um banco conversando com a Penny sobre algo mais sério, pois suas expressões pareciam meio tristes.
— Ei. — Ele disse ao se sentar ao lado do amigo.
— Harry! — Os dois exclamaram surpresos. — Onde você foi?
— Estávamos preocupados. — Terry disse. — Fiquei com receio de que algo ruim tivesse acontecido outra vez.
— Nada ruim, apenas... — Harry hesitou, achando melhor deixar que a reação surpresa deles fosse realista. — Depois eu explico. Mimy me disse que McGonagall os expulsou da cozinha?
— Sim. McGonagall disse que estávamos fazendo uma balbúrdia no local de trabalho dos elfos domésticos e que deveríamos nos envergonhar. — Penny disse irritada. — Ela disse que como sou uma monitora, era meu dever deter esse tipo de comportamento e não os incentivar.
— Penny e Trevor tentaram argumentar, que era só a comemoração de alguns aniversários entre amigos e que ficou maior do que esperavam, pois vieram mais pessoas. — Terry disse. — Mas ela pouco quis ouvir, como sempre. Eu estava dizendo a Penny, que precisamos de uma área de convivência comum entre as casas, pois assim, podemos fazer festas ou reuniões como a de hoje, com mais pessoas e com alunos de todas as casas.
— Eu achei uma grande ideia e levarei a próxima reunião da AP, com toda a certeza. — Disse Penny suspirando. — Precisamos apenas encontrar o lugar certo.
— Acho que sei de um lugar, mas, falarei com Flitwick primeiro e depois, vocês dois podem discutir a possibilidade, antes da reunião. — Disse Harry sorrindo ao pensar na câmara, Penny acenou. — Será que a AP e o Conselho conseguirão um professor de Defesa ainda este ano?
— Acredito que eles estão entrevistando alguns possíveis candidatos e... — Penny se inclinou levemente. — Lembra-se que falamos sobre a maldição no cargo? — Os dois meninos acenaram. — Bem, parece que durante as férias de páscoa, uma equipe de quebradores de maldições virá para Hogwarts e tentará identificar e quebrar a maldição, se é que ela existe. Se tudo der certo, o novo professor começa logo depois da páscoa. — Seu sorriso era animado e refletiu os sorrisos dos meninos.
— Bom. — Harry disse e olhou em volta. — Todos vieram da cozinha para o Covil?
— Não, alguns foram fazer deveres atrasados. — Terry respondeu e percebeu o amigo olhando para Ginny, que estava apenas com a pernas na água e sentada na borda da piscina. — Ginny disse que esperará a Luna antes de voltar a nadar.
— Hum... — Harry tentou não sorrir ao pensar que isso não demoraria muito e decidiu por se concentrar em outra coisa que o confundira mais cedo. — Penny?
— O que? — Sua amiga desviou o olhar do Trevor, que ria conversando com Scheyla e o encarou.
— Porque garotas não gostam de serem apresentadas como namoradas de alguém? — Harry perguntou confuso e curioso.
— Oi? — Penny se mostrou confusa.
— Bem, vamos supor que você está com duas pessoas que namoram, outra pessoa chega e ela ainda não conhece a namorada, apenas o namorado. Eu, então, digo... hum... por exemplo, "Oi, Terry, essa é a Penny, namorada do... Trevor. — Harry explicou e ignorou o rosto corado da amiga.
— Ah. Bem... — Ela pigarreou. — Na verdade, acho que isso não é algo exclusivo de meninas, alguns garotos ou homens podem não gostar de serem definidos assim. Como uma parte de alguém e não por si mesmos. — Penny disse e viu sua expressão ainda confusa, mesmo Terry parecia perdido. — Bem, vamos tirar o contexto de namoro, vamos colocar outras situações. Terry, se você chegasse em algum lugar ou fosse conhecer alguém e te apresentassem, "Ei, esse é o Terry, melhor amigo do Harry Potter! " — Os garotos fizeram caretas. — Talvez esse seja um exemplo complicado, mas, mostra bem o problema. Quando alguém, de personalidade, que tem um cargo importante ou realizou um trabalho ou feitos significativos, é apresentada, ela quer ser introduzida por si mesma e não como uma parte de outra pessoa. Vamos supor você, Harry, ao ser apresentado, gostaria de dissessem, "Este é Harry Potter, herdeiro da Família Potter, buscador, grande aluno, Ravenclaw, filho de James e Lily Potter. " Todas essas coisas são partes de quem você é, mas não te definem ou te tornam um pedaço de algo ou alguém, mas, vamos supor, que alguém te apresentasse assim. "Este é Harry Potter, o menino-que-sobreviveu e matou você-sabe-quem! "
Harry arregalou os olhos ao entender.
— Então, eu não seria eu, seria apenas o apêndice de alguma coisa ou alguém.
— Exato. No contexto de namora é o mesmo, sabe. — Penny gesticulou para si mesma. — Eu ficaria chateada, pois gostaria que me apresentassem como Penny Clearwater, monitora, Ravenclaw, boa aluna, ou quaisquer qualidades que possam observar em mim. Não como Penny, a namorada do... de alguém.
— Entendi. — Harry acenou pensativo.
— Porque está perguntando isso? — Terry perguntou curioso ao entender melhor a explicação.
— Nada, apenas... acho que perdi o meu temperamento e magoei alguém. — Harry bagunçou os cabelos bagunçados e suspirou. — Terei que me desculpar.
— Bem, pelo que sei, isso não acontece sem que a pessoa tenha lhe magoado antes, assim, terá que ser uma desculpa dupla. — Penny observou. — O que me faz pensar, o que o Percy te fez para que o tratasse daquela maneira?
Harry fez uma careta e olhou em volta, encontrando a Ginny sentada na beira da piscina com Lavander e Parvati, conversando e rindo animadamente. No entanto, ele sabia que ela ainda tinha pesadelos, via isso quando Ginny aparecia de manhã para treinar na Caverna, seus olhos castanhos assombrados, magoados e as olheiras da noite de pouco sono tranquilo. No outro dia, Terry lhe deu um susto por trás, uma brincadeira boba e inofensiva, mas que a fez empalidecer e se encolher. Depois, constrangida, Ginny se afastou e se recusou a falar sobre o assunto com ele. Harry esperava que ela estivesse conversando com o Flitwick.
— Harry? — Penny o chamou e ele voltou a sua atenção para a amiga. — Perguntei...
— Eu sei o que me perguntou. — Harry suspirou e bagunçou mais os cabelos. — Olha, eu não posso te dizer, pois não é o meu segredo, mas, para mim, Percy fez algo grave e cruel... covarde. — Sus voz se encheu de raiva e ele suspirou tentando se controlar, mas, não era fácil. — Ele pode ter um bom coração ou sei lá o que, mas tem uma péssima personalidade e é muito egoísta.
— Essas são afirmações fortes, Harry, e por coisas que você não quer explicar. — Penny disse surpresa, Harry deu de ombros.
— Não precisa acreditar em mim se não quiser e, assim, como não é o meu segredo, não está em minhas mãos punir ou lecionar o Percy. Isso é papel dos seus pais. — Harry disse em tom definitivo. — Mas não quer dizer que preciso fingir gostar dele.
— Porque vocês estão tão sérios? — Tracy se aproximou com seu sorriso característico. — Pensei que isso era uma festa?
— E, eu pensei que vocês não pretendiam vir? — Harry perguntou curioso ao ver que Lidya e Daphne também estava na Caverna, na área de dança.
— Daphne quis vir dançar um pouco. — Tracy explicou olhando em volta para ter certeza que não havia ouvidos Slytherins. — Elas pediram que eu viesse lhe agradecer, por nos enviar para o meu quarto os almoços e bolos maravilhosos. Mesmo sem estar na cozinha, sentimos que fazíamos parte da comemoração, Harry.
— De nada. — Harry disse sorrindo. — Espero que um dia, vocês não precisem ficar de fora e possamos ser amigos abertamente.
— Hum... isso seria incrível, detesto toda essa tensão e hipocrisia purista. — Tracy disse com um bico, depois olhou meio gulosa para Terry. — Terry, como você tem estado?
— Bem, hum... tudo está bem. — Terry disse corando um pouco.
— Ok. Irei dançar com as meninas, mas, se você quiser conversar sobre a sua avó, eu estou aqui, sabe, afinal, somo amigos desde criança e eu gostava muito da Sra. Honora. — Tracy disse com um olhar adocicado.
— Obrigada, Tracy. — Terry disse sincero. Ela se afastou e Harry lhe deu um cutucão. — O que?
— Porque você sempre fica todo esquisito quando a Tracy está por perto? — Harry perguntou divertido.
— Sei lá. — Terry deu de ombros. — Ela fica de sorrisinhos estranhos, bicos, olhares melosos e, bem, é meio constrangedor.
— Bem, vocês são amigos há muitos anos e ela quer conversar, talvez, sinta a sua falta, já que essa separação de casas não os deixa passarem tempo juntos. — Harry disse dando de ombros.
— Acho que é um pouco mais que isso, Harry. — Penny disse sorrindo divertida.
— O que? — Terry arregalou os olhos. — Você sabe porque ela age assim? Em um minuto éramos amigos e, no outro, ela começou a ficar toda estranha e melosa. — Ele se arrepiou. — É meio assustador esses sorrisos e olhares esquisitos, mas, não entendo o que mudou.
Penny riu divertida ao perceber que nenhum dos dois sabiam o que acontecia com a Tracy.
— Um dia vocês descobrirão, acredito que não estragarei a surpresa. — Disse ela divertida.
— Meu pai disse o mesmo quando perguntei, "Um dia, você entenderá, Terry". — Terry parecia contrariado. — Isso não me parece muito justo...
Terry se interrompeu com a entrada do professor Flitwick na Caverna e Harry sentiu o seu coração se acelerar. Ele se aproximou da zeladora, a Sra. T e conversou com ela suavemente, os dois pareciam animados e seus sorrisos atraíram a atenção dos outros alunos.
— O que você acha que é? — Penny perguntou curiosa, mas, Harry deu de ombros tentando se segurar para não sorrir antes do tempo.
Ele olhou para Ginny e fez um gesto para que se aproximasse, alguém desligou a música que as meninas dançavam e alguns deixaram a piscina, incluindo o Neville. Prof. Flitwick se aproximou dos três, mas, logo eles eram mais, pois os outros se aproximaram para ouvir o que quer que fosse a notícia.
— Olá, meninos. — Flitwick disse sorridente. — Vim lhes avisar, pois sei o quanto estiveram ansiosos por esse momento.
— O que aconteceu, professor? — Terry perguntou um pouco tenso.
— Bem, eu pretendia comunicá-los discretamente, pois o diretor Dumbledore fará um comunicado durante o jantar, mas, bem... já que estão todos interessados. — Flitwick pareceu desconcertado ao ser cercado por tantos alunos. — Tenho a honra de informá-los que, há algumas horas, eu recebi a poção restauradora de um Mestre potioneer americano com quem estive em contato nos últimos meses. Madame Pomfrey já ministrou a poção nos petrificados e eles estão todos acordados!
Exclamações de alegria e comemoração se espalharam por todos os lados, enquanto Terry se levantou animado.
— Hermione! — Ele exclamou com um grande sorriso.
— Luna! — Ginny falou em tom mais suave e empalideceu. Harry, que estava ao seu lado, imediatamente estendeu a mão e apertou a sua com força sem ninguém perceber.
— Eles estão todos bem, professor? — Penny perguntou ansiosa.
— Todos estão muito bem, não se preocupem. — Flitwick não parecia conseguir parar de sorrir. — O professor Joe está com a Charlie, por isso a Sra. T está lhes vigiando, e não parece haver sequelas em sua mão. — Houve algumas vivas e palmas. — Luna está com o seu pai e os pais da Hermione e do Colin já foram comunicados. Assim que tiverem alta da enfermaria, os dois irão passar uns dias com suas famílias, é o mínimo, depois de tudo.
— Quando poderemos vê-los, professor? — Harry perguntou suavemente.
— Bem, isso depende da Madame Pomfrey, mas acredito que ela permitirá que seus amigos os visitem em breve. — Flitwick disse gentilmente. — Eu os manterei informados. Até mais, crianças.
Ele deixou a Caverna saltitante de alegria e Harry sorriu finalmente, não contendo a alegria.
— Mas, porque não podemos ir vê-los agora? Ele disse que ela estava bem, certo? — Terry reclamou chateado.
— Provavelmente, o professor não quis liberar visitas, pois essa é a função da Madame Pomfrey. — Disse Penny suavemente enquanto os outros se espalhavam comentando a novidade.
— Isso quer dizer que se formos lá pedir, talvez, ela nos deixe ver a Hermione. — Terry disse com os olhos arregalados de animação.
— Vou me trocar. — Disse Neville e se afastou apressado para o vestiário.
Harry puxou Ginny pela mão até um canto afastado dos ouvidos atentos e ela o seguiu meio paralisada pela tensão.
— Harry... — Ela sussurrou angustiada. — Eles... Luna, você acha que eles me deixarão vê-la?
— Claro que sim. — Harry sussurrou de volta. — Escuta, Flitwick não falou, mas, ainda não poderemos vê-los, porque devem estar conversando com o diretor e os aurores. — Ela empalideceu e ofegou apertando as duas mãos trêmulas. — Ei, está tudo bem, eu disse que tinha um plano. Lembra?
Ginny acenou e engoliu em seco, ao mesmo tempo que respirava fundo e tentava usar as técnicas de oclumência para se acalmar.
— Sim, eu me lembro. O que aconteceu? — Ela perguntou mantendo a voz firme.
— A poção chegou, por isso deixei a cozinha e estava lá quando a Luna e o Colin foram despertados. — Ginny arregalou os olhos de esperança. — Eu conversei com os dois e expliquei que não deveriam dizer que a viram no momento de seus ataques e os dois concordaram na hora, nem fizeram perguntas. — Harry sorriu e apertou sua mão com força. — Luna disse que sabia que você não desistiria de lutar, pois é uma guerreira.
— Ela disse isso? E, não estava zangada? Ou Colin? — Seus olhos se encheram de lágrimas, mas, ela respirou fundo tentando evitar que caíssem.
— Os dois estavam apenas preocupados, Luna mais confiante, como se soubesse que você estava segura. — Harry disse. — Olha, aposto que amanhã, deixarão que os visitemos, então, você verá por si mesma e não precisa ter medo, pois o aurores não saberão de nada. Você está segura agora, Guinevere, verdadeiramente segura.
Ginny suspirou sentindo um grande peso ser retirado dos seus ombros, um alívio imenso se instalar em seu coração. Ainda estava longe de estar curada, mas, saber que os petrificados estavam bem, que ela não seria expulsa ou presa e que nem Luna ou Colin a odiavam, era a maior das alegrias. Sem hesitar, ela se moveu e abraçou o Harry com força, recostando o rosto contra o seu peito e ouvindo o seu coração bater acelerado. O seu próprio batia rapidamente e ela suspirou contente ao sentir o seu cheiro gostoso, um aroma amadeirado, misturado com temperos, suor e Harry. Depois, Ginny se afastou e corou um pouco, constrangida por seu impulso, mas, Harry apenas sorria suavemente, nunca tornando difícil os momentos em que ela corava feito uma menina boba. Seus irmãos zombariam dos seus olhos cheios de lágrimas ou rosto corado, mas, não Harry, ele sempre parecia aceitá-la e suas emoções, pensamentos e ações, mesmo quando essas ações a levavam a abraçá-lo na Caverna, na frente de um monte de colegas.
— Obrigado, Harry. — Ela sussurrou carinhosamente em um suspiro de alívio.
— De nada, Guine...
— Porque está agradecendo ao Harry e o abraçando na frente de todo mundo? — Ron se aproximara deles sem que percebessem, pois estavam muito concentrados um no outro.
Apesar de ninguém ouvir a conversa, os alunos presentes na Caverna perceberam a emoção da Ginny e como o Harry a acalmava com palavras gentis. A maioria concluiu que Ginny estava angustiada por causa de sua melhor amiga, Luna, outros, mais espertos, ou seja, Penny e Daphne, concluíram algo diferente e entenderam que Ginny era a vítima controlada por Voldemort. Penny deduziu isso pelas reações e palavras de Harry contra Percy, e Daphne pela informação de que o alvo de Malfoy foi o filho de um inimigo, de quem ele queria se vingar e tirar do seu caminho. E, as duas raciocinaram o fato de que a Ginny começou a frequentar o Covil logo depois da morte da basilisco e da luta do Harry contra Voldemort e, ela era a único primeiro ano a fazer parte do grupo.
Penny imediatamente sentiu seu coração se encher de tristeza e carinho pela menina que passou por algo tão horrível e sendo tão jovem. Seus pensamentos foram para Percy e ela chegou à conclusão de que o Harry estava zangado porque, o irmão mais velho de Ginny, não percebeu que algo lhe acontecia, afinal, Percy estava sempre muito concentrado em si mesmo.
Daphne não pode deixar de admirar a garota minúscula, que lutou contra o controle do Lord das Trevas e ajudou o Harry a derrotá-lo, ao mesmo tempo que sentiu compaixão por seu sofrimento. Ainda que sua expressão continuou tão neutra como sempre. No entanto, as duas meninas chegaram a mesma decisão, não diriam a Ginny que sabiam a verdade, mas, tentariam ajudá-la como pudessem, a superar o trauma que viveu.
— Nada que seja da sua conta, Ron. — Ginny respondeu com certa frieza, mas, corou mais ao perceber que alguns outros colegas olhavam para eles, provavelmente, questionando porque ela abraçara o Harry. — Acho que vou subir para o meu quarto, com licença.
Ela caminhou para onde estava seu pulôver e sapato, ansiosa para se trancar em seu quarto e ficar sozinha.
— Ei, Ginny. — Tracy se aproximou, como sempre se mostrando animada e sorridente. — Daphne me pediu para te chamar, ela quer muito aprender aquele movimento que você fez agora a pouco.
— O que? — Ginny parou desconcertada e olhou na direção da menina de expressão sempre neutra, que a encarava intensamente com seus olhos azuis frios. Daphne nunca conversou com ela antes, bem, na verdade, a menina Slytherin não conversava com ninguém, além das amigas e Harry.
— O movimento de pirueta em uma perna só que você fez agora a pouco! — Tracy disse sorridente. — Ficamos encantadas! E, Daphne pediu para te chamar, assim, você pode nos ensinar! Vem!
Ginny não teve chance de responder sim ou não, pois Tracy a pegou pela mão e a levou para a área onde o chão era azul e estofado, em frente a parede de espelhos. Daphne ainda a encarava quando chegou e Ginny ficou meio constrangida com o seu olhar fixo.
— Você poderia nos ensinar? O passo da pirueta? — Ela perguntou em seu tom meio robótico, mas, sem a frieza e indiferença habitual, na verdade, Daphne parecia quase gentil.
— Sim, Ginny! — Mandy se aproximou também ansiosa. — Esse era um passo de balé! Eu não fiz balé, apesar da insistência da minha mãe, preferi a aulas de pintura, muito mais divertido quando se tem 6 anos. Agora me arrependo, pois, dançar é muito mais legal!
— Bem... — Ginny respirou fundo tentando afastar qualquer insegurança e continuou com voz firme. — Eu não sei o que é balé, exatamente, mas, eu adoro voar e realizar manobras. Quando estou no ar com a minha vassoura, eu meio que deixo o instinto me guiar, sinto o vento, a magia e não penso, apenas... ajo. — Ela sorriu mais confiante. — Quando dançamos, eu faço o mesmo, sinto o ritmo da música e sigo os meus instintos, assim, naquele ponto da canção, senti que deveria voar, pois a letra falava sobre ser livre. Então, eu apenas...
— Voou. — Disse Daphne e Ginny acenou com um sorriso tímido. — Poderia nos ensinar?
— Claro! — Ginny sorriu ainda mais animada e se posicionou em frente das meninas, lembrando-se do sentimento da música, respirou fundo e posicionou o corpo pequeno e delicado.
Sem saber, Ginny entrou em posição de bailarina, apoiando o corpo em uma perna só, com seu pé em meia ponta. Sua perna direita, ela ergueu e a posicionou em frente ao joelho esquerdo, depois, colocou os braços em arco em volta do seu ombro e, com a cabeça erguida, se impulsionou em uma pirueta de três giros perfeito, sem sair do lugar.
— Uau! Ginny, você parece uma bailarina! — Mandy exclamou admirada.
— Bailarina? — Ginny parou de girar e a olhou confusa.
— Oh! Bailarinas são as profissionais de dança que vivem do balé que é uma modalidade de dança. — Ela explicou excitada.
— Existem trouxas que ganham dinheiro para dançar? — Daphne perguntou mostrando uma leve surpresa em seu rosto sempre sem emoção.
— Sim, com certeza! E, em outras modalidades de danças também, mas, o balé é mais clássico e antigo. — Mandy contou. — As companhias de balés aceitam apenas a bailarinas e bailarinos mais talentosas do mundo e eles se apresentam em um grande teatro com um planteia de centenas de pessoas. — Todas as meninas puras ouviam de olhos arregalados enquanto Mandy contava sobre como eram as apresentações de balé, as roupas, as músicas e a dramatização, onde os bailarinos dançavam em uma coreografia belíssima. — E, você, Ginny tem o tipo físico perfeito e deve ser uma bailarina natural, pois esse movimento é muito difícil e pode levar anos para se dominar com perfeição.
— Oh... bem, eu não sei como eu fiz, apenas... — Ginny corou com os olhares de admiração.
— Você poderia nos ensinar, Ginny? — Daphne perguntou em tom suave.
— Sim, como você consegue girar mais de uma vez? Isso é incrível! — Tracy perguntou e as outras meninas acenaram.
— Ok. Hum... vocês devem usar os braços e suas cabeças para impulsionar o tronco e quadril durante os giros...
Enquanto isso, Harry observou a Ginny se afastar meio constrangida ao perceber que o abraço deles atraiu alguns olhares curiosos, além do questionário do seu irmão sem noção.
— O que ela tem? — Ron perguntou confuso e Harry suspirou para a estupidez emocional do garoto. Será que, se ele fosse um Gryffindor, também agiria assim? Não, decidiu, afinal, Neville é um cara bem esperto quando se tratava de compreender os sentimentos dos outros.
— Ela está emocionada porque encontrará a sua melhor amiga, a Luna. — Harry disse lentamente.
— Ah! Mas, isso é motivo para te abraçar? — Ron franziu o cenho mostrando não ser tão idiota quanto parecia. — Eu lhe disse, cara, não lhe dê muita atenção ou daqui a pouco, ela estará planejando o casamento.
— Ou, eu poderei planejá-lo por conta própria. — Zombou Harry e se afastou, deixando Ron com a boca aberta em confusão e espanto com suas palavras.
Harry pretendia ir atrás da Ginny e convencê-la a não se trancar em seu quarto por causa do Ron ou dos olhares, mas, observou quando Tracy a arrastou para a área de dança. Daphne tinha o olhar fixo em Ginny, como se tivesse desvendado um mistério. Olhando em volta, percebeu que Penny também acompanhava a menina ruiva com uma expressão de compaixão. Tanto para manter sua identidade em segredo, pensou Harry exasperado, e em um único abraço, elas perceberam. Preocupado, ele observou Ginny com atenção, pois interferiria na mesma hora se Daphne fizesse perguntas indiscretas, mas, meninas a cercaram e, muito em breve, Ginny estava sorrindo e dançando com muita habilidade e elegância. Aliviado, ele foi se encontrar com os amigos, que deixavam o vestiário.
Harry, Terry e Neville foram até a porta da enfermaria, mas, como previsto, não foram autorizados a entrar. Madame Pomfrey disse que os pacientes precisavam de descanso e não mais excitações além do necessário, pois já tinham recebido mais visitas do que o recomendado. Apesar de não dizer em palavras, ficou claro que os aurores estiveram interrogando os petrificados e Harry não detectou nenhuma preocupação ou alarme em sua expressão, assim, pode ir para a sua Torre aliviado.
— Você sabia que eles tinham acordado. — Terry disse quando estavam em frente aos seus quartos. Harry gesticulou para que entrassem e resumiu o que aconteceu mais cedo.
— Você poderia ter me chamado, eu queria muito ver a Hermione acordar. — Terry protestou fracamente.
— Eu também não a vi. — Harry disse. — Saí de lá logo depois de falar com o Colin e a Luna, não queria que Hermione e Charlie me vissem ou ouvissem a nossa conversa.
— Não pretende contar para a Hermione quem era o aluno controlado pelo Voldemort? — Terry perguntou confuso.
— Acho que tem muitas pessoas sabendo dessa história e cedo ou tarde, acabará se espalhando. Podemos apenas dizer que o aluno insistiu que não quer que ninguém saiba, se Hermione pressionar, eu converso com a Ginny e pergunto se ela concorda que contemos. — Harry disse e Terry acenou, achando a solução razoável.
— Ok. Bem, mas, você não disse quem magoou. — Ele questionou curioso e, Harry fez uma careta antes de contar sobre a sentença de Vernon e a discussão com Denver.
— Acho que pode estar certo em não ter gostado da sua intromissão, afinal, Denver nem ao menos lhe consultou, mas, é claro que você deixou o seu temperamento assumir outra vez. — Terry disse. — Você deveria ter deixado que ela explicasse os seus motivos, além disso, Harry, Vernon foi condenado por suas ações, pois tenho certeza que a sentença não foi forjada por ninguém.
— Você acha que o que Denver fez não influenciou? — Harry perguntou confuso.
— Acredito que influenciou, mas, apenas para que o Promotor e o Juiz olhassem o caso com mais atenção. O alerta vermelho não o fez dar ao Vernon a sentença máxima, aliás, tenho certeza que Denver ou qualquer um, não forçou a decisão final do Juiz. — Terry disse e Harry acenou pensativo.
— Espero que uma carta da minha tia chegue hoje, assim, eu saberei mais detalhes de tudo o que aconteceu. Você está certo, fiquei tão furioso que não perguntei sobre o julgamento ou qualquer outra coisa. — Harry disse cabisbaixo.
— Você pedirá desculpas a Denver? — Terry perguntou curioso.
— Sim. — No entanto, como ainda estava chateado com sua intromissão, acrescentou. — Mas, não hoje.
Mais tarde, depois do jantar, Edwiges chegou com a carta que Harry esperava e era bem longa, cheia de esperança e tristeza. Sua tia não contou detalhes do julgamento, apenas descreveu a sentença, que tinha uma possibilidade de condicional em 3 anos, caso Vernon se regenerasse. Essa era a maior esperança de sua tia, que expressou sua culpa, mas, acrescentou de maneira bem lúcida, que ela não era culpada pelas ações do Vernon, independente dos seus próprios erros, que foram muitos. A tristeza ficou por conta da reação de Dudley, que se mostrava muito abatido e culpado pela sentença do pai.
Harry sentiu seu coração se apertar ao pensar em seu primo e como, indiretamente, suas decisões causaram impacto na vida dele. Não havia volta, ele pensou, ou como protegê-lo, mas, não podia deixar de sentir essa necessidade e entendeu melhor Dumbledore e Denver por suas ações. Eles estavam errados, mas, era muito fácil se encher de boas intenções e tentar ajudar, mesmo sem compreender ou saber como.
Na manhã seguinte, eles voltaram para a frente da enfermaria bem cedo, antes do café da manhã e logo que deixaram a Caverna, com a esperança de que Pomfrey liberasse as visitas. Surpreendentemente, descobriram que os petrificados estavam sendo liberados, pois estavam muito bem de saúde e não haviam razões para ficarem internados na enfermaria.
— Terry! Neville! Harry! — Hermione exclamou quando saiu para o corredor e os encontrou esperando. — Vocês estão aqui! Eu estava ansiosa por encontrá-los e imaginando onde os encontraria. Não acredito que foi tudo resolvido! — Ela os abraçou fortemente enquanto continuava a falar. — Vocês precisam me contar tudo! Cada detalhe! Não é maravilhoso que Pomfrey nos deu alta? Eu estava apavorada de perder mais aulas! Três meses! Eu não acredito que perdi três meses de aulas! E só faltam dois para os exames começarem! Nunca conseguirei alcançar e me preparar a tempo! — Então, ela voltou a abraçá-los fortemente. — Vocês precisam me ajudar! Como vocês estão!? Contem-me tudo!
Ela disse tudo em um só folego e os meninos trocaram olhares divertidos e alegres por tê-la de volta.
— Não preocupe, pois a ajudaremos, Hermione. — Terry disse com um enorme sorriso. — Temos muito tempo e você terá as melhores notas, como sempre.
— E, contaremos os acontecimentos mais tarde, quando tivermos privacidade. — Harry disse.
— Como é bom te ver acordada, Hermione, sentimos muito a sua falta. — Neville falou e os meninos acenaram.
Nesse momento, Luna e Colin também deixaram a enfermaria.
— Vocês também estão liberados? Colin, você não ia passar uns dias com seus pais? — Harry perguntou. — Você também, Hermione?
— Ah! Eu decidi ir no fim de semana, Harry, assim, não perco mais aulas! — Hermione respondeu e Colin acenou concordando.
— Eu pensei o mesmo, Harry, afinal, estou petrificado desde novembro. Eu escreverei uma carta a eles e, Madame Pomfrey disse que já foram avisados que estou bem, assim, o diretor programou para nos levar para nossas casas na sexta-feira, depois da última aula. Voltaremos no domingo, logo após o almoço. — Colin explicou. — Madame Pomfrey deixou que tomássemos café no Grande Salão e confesso que estou faminto!
Eles começaram a caminhar pelo corredor e Harry se colou ao lado da Luna que tinha seu sorriso doce e olhos sonhadores de sempre.
— Tem alguém muito ansiosa por te encontrar. — Harry disse e seu sorriso aumentou.
— Eu também quero vê-la, Harry. Agora, na verdade. — Luna disse em tom de saudades. — Você sabe onde ela está?
Harry acenou e parou de andar, Luna interrompeu o passo também, enquanto ele pegava e acionava o mapa.
— Na Caverna, provavelmente está no vestiário terminando de se arrumar. — Harry disse pensativo. — E, só tem alguns poucos alunos, acho que é um bom lugar para conversarem.
— Que mapa curioso e útil... Ela está se sentindo culpada, não é? — Luna disse suavemente ao mudar de direção, Harry a acompanhou e o grupo a frente continuou sem perceber que eles não os seguiam mais. — O auror Shacklebolt fez algumas perguntas sobre ela, acho que ele desconfia que a Ginny foi enganada de alguma maneira por alguém, para me atacar.
— Hum... King e Moody são bons aurores, mas, nós fomos melhores em mantê-los bem longe da verdade. — Harry disse lentamente. — As coisas no Ministério mudaram e seria impossível esconderem a verdade de seus Chefes, e não confio em nenhum deles.
— Ginny está bem mesmo? — Luna perguntou e seus olhos azuis se mostraram preocupados.
— Agora que ela terá você de volta, acredito que Ginny ficará bem. — Harry respondeu e acrescentou sincero. — Mas, ela nunca mais será a mesma.
— Bem, acho que será interessante conhecer a nova Ginny, não é? — Ela sorriu feliz.
— Sim, esse é um bom jeito de pensar. — Harry disse sorrindo.
Eles entraram na Caverna, que estava vazia e Harry viu Lavander deixar o vestiário com Parvati. Olhando para o mapa, viu que Ginny era a única que restava e suspirou, sabendo que ela estava protelando de pura ansiedade, pois nunca ficou tanto tempo no vestiário depois de encerrar o treinamento.
— Ela está lá, Luna, deixarei que tenham privacidade para conversar. — Harry disse suavemente. — Nos encontramos mais tarde. Ok?
Luna apenas acenou e se caminhou para o vestiário, ignorando os olhares curiosos de Lavander e Parvati. Harry também não lhes disse nada e subiu para o Grande Salão.
Ela não estava protelando, Ginny repetiu mentalmente. É claro que não, apenas, levou mais tempo que o normal para lavar, seca e trançar os seus cabelos, que estavam muito compridos. Teria que pedir a sua mãe que os cortasse durante a páscoa, decidiu ela, ao se olhar no espelho atentamente. Seus olhos castanhos estavam arregalados e ansiosos, sua pele pálida e as sardas marrons se destacavam por todos os lados. Malditas sardas. Mordendo o lábio inferior pequeno e gordo, Ginny respirou fundo e observou Lavander e Parvati deixarem o vestiário conversando animadamente.
Ok. Ela estava protelando, admitiu, ou nunca ficaria mais tempo que aquelas duas se arrumando. Mas, ainda tinha tempo até as aulas começarem, não pretendia tomar o café da manhã no Grande Salão, pois estava sem fome e com o estômago embrulhado. Assim, talvez, ficar por último fosse bom, pois poderia encontrar a enfermaria vazia quando fosse visitar a Luna e o Colin. E, se eles a odiassem, teria uma desculpa para sair rapidamente, pois as aulas estariam para iniciar e ela não poderia se atrasar. Sim, pensou, protelar fora uma boa ideia, ainda que não tivesse exatamente decidido fazer isso.
Suspirando, Ginny fechou os olhos e respirou fundo tentando ser forte e corajosa, além de esconder seus receios por trás do seu exército mágico, que ficava cada dia mais forte. Ela teria amado aprender oclumência antes, pensou, e talvez, Tom nunca tivesse conseguido dominá-la... Não pense nisso agora, Ginny! Não agora! Fechando os punhos, Ginny pensou em como tinha sorte, ela estava viva, todos estavam vivos, acordados e bem. Sempre seria grata por isso e pelos bons amigos que estava fazendo. Abla e Demelza eram maravilhosas, a incluíam em tudo e a confortavam com suas ingenuidades e bom coração. No Covil, aos poucos, as meninas mais velhas estavam convidando-a para conversas, além da dança de ontem e Ginny estava feliz por isso, pois elas pareciam todas muito legais. Mesmo Lavander e Parvati, apesar de um pouco fofoqueiras, não eram maldosas e adoravam ensinar coisas de meninas como roupas, maquiagem e cuidados com a pele ou cabelos. Ginny nunca teve isso antes e adorava poder falar de coisas femininas com elas. Incrivelmente, até a fria Daphne era gentil com ela, talvez, sentisse falta da sua irmã mais nova, pensou Ginny...
Passos interromperam os seus pensamentos, Ginny abriu os olhos e, pelo espelho, encontrou um par de olhos azuis sonhadores bem conhecidos.
— Luna! — Sem fôlego, Ginny percebeu porque estava protelando. Ainda não estava pronta!
— Ginny! — Luna disse sorrindo suavemente — Oi! Harry disse que você não é a mesma, então, pensei em vir conhecer a nova você, para sermos amigas de novo.
Ginny arregalou os olhos, que se encheram de lágrimas, sem acreditar no que ouvia. Ao mesmo tempo, isso era tão Luna, que ela só pode fazer uma coisa. Correu para a amiga e a abraçou com força, sentindo o seu cheiro familiar ao afundar o rosto em seu pescoço.
— Desculpa! Eu sinto muito! Senti tanta a sua falta! — Ela disse com voz embargada.
— Bem, você parece a mesma Ginny para mim, ainda gosta de abraços apertados. — Luna disse ainda sorrindo. — Eu não me lembro, mas tenho certeza que também senti a sua falta, Ginny. E, não precisa se desculpar, eu não sei o que aconteceu, mas...
— Foi minha culpa! — Ginny se afastou e a olhou com olhos assombrados. — Ele atacou você por causa de mim, para te afastar e me deixar sozinha!
— Oh! — Luna parou espantada pelos novos fatos e pelo olhar cheio de tristeza de sua amiga. — Acho que entendi o que o Harry disse, você parece mais velha, Ginny.
— Você não ouviu? Foi minha culpa! Você deveria me odiar! — Ginny exclamou meio irritada.
— Mas, você disse que alguém me atacou para nos afastar, assim, como pode ser sua culpa algo que outra pessoa fez contra nós duas? — Luna franziu o cenho tentando entender. — Não faz sentido para mim, além disso, eu amo você, como posso te odiar e te amar ao mesmo tempo? Isso não seria possível, Ginny...
— Luna... — Ginny voltou a abraçá-la e explodiu em um choro dolorosamente aliviado. — Luna... Luna...
— Bem, isso é novo também. — Disse Luna suavemente ao abraçar a amiga com força. Sua Ginny nunca chorava.
Mais tarde, depois de muitas lágrimas e abraços apertados, as duas se sentaram em um banco do vestiário conversando suavemente.
— Você está se exercitando na Cavern buscadora do time de quadribol!? — Luna arregalou os olhos surpresa e feliz. — Harry tem razão! Você não é mesma pessoa de outubro! Será divertido conhecer a nova Ginny.
— Só me importa que continuemos amigas, Luna. — Ginny disse sorrindo suavemente.
— Bem, mas, espero que ser chorona não seja uma nova característica constante, isso seria meio estranho e molhado. — Luna disse mostrando o ponto da blusa, úmida das lágrimas da amiga.
Ginny riu meio chorosa e usou um lenço para limpar o rosto e assoar o nariz.
— Sem mais lágrimas, agora que todos estão acordados e bem... Merlin, só de ninguém ter morrido e eu mesma estar viva, isso me faz pensar que, apesar de tudo, eu tive muita sorte, acho... — Apesar das palavras, seus olhos se encheram de lágrimas e era possível ver a dor e mágoa em suas írises castanhas.
— Bem, mesmo que isso seja verdade, não torna menos terrível o que aconteceu. — Luna disse pensativa. — Eu não sei exatamente o que aconteceu, mas, sei que estive dormindo e ausente do mundo nos últimos 5 meses, enquanto você enfrentou o inferno sozinha. Então, acho que tudo bem, você não ser mais a mesma, estar triste e chorar as vezes, assim como estava tudo bem que, quando minha mãe morreu, eu... fiquei muito triste, chorei e nunca mais fui a mesma.
Ginny acenou e abraçou a amiga outra vez, as duas choravam agora, pois era impossível calar a dor que sentiam.
— Sabe, a única coisa que não é totalmente verdade, é o fato de eu estar sozinha. — Ginny disse limpando outra vez o rosto e segurando com carinho o lenço de Harry, que ficou com ela no dia anterior. — Eu nunca estive sozinha. Harry... ele contará o que aconteceu para você e Colin depois, mas, Harry foi incansável e nunca, nunca desistiu de me encontrar, me ajudar e... — Sua voz se embargou de emoção. — Eu me sentia tão sozinha e invisível, mas, ele me enxergou, Luna e lutou por mim, me ajudou a vencer o Tom, a destruí-lo e acabar com seu controle. Eu venci, mas, não fiz isso sozinha, Luna.
— Bem, então, talvez o Harry seja um herói de verdade, sabe, como nos livros. — Luna disse sonhadora.
— Não, Luna. — Ginny sorriu e seus olhos brilharam de afeto. — Ele não é um herói, é apenas o garoto mais bondoso e corajoso do mundo. E, o melhor dos amigos.
O dia transcorreu normalmente, o mais normal em muito tempo e o assunto mais discutido entre os alunos eram os despetrificados. A professora Charlie era a única que ainda estava na enfermaria, na verdade, eles souberam que Joe a levou para a clínica onde fez a cirurgia para ser examinada e começar os exercícios de fisioterapia em sua mão. Neville estava muito sorridente, caminhando ou sentado ao lado de sua companheira de sempre e melhor amiga. Terry parecia flutuar pela escola e seus olhos brilhavam a cada vez que reencontrava a Hermione para uma aula ou refeições. Harry se sentia muito feliz também, mas só ficou tranquilo quando, na hora do almoço, viu a Ginny sentada com Luna e Colin, conversando e rindo animadamente. Eles trocaram um olhar a distância, em uma comunicação só deles e sorriram contentes e aliviados, porque tudo estava bem.
Ou tão bem quanto poderia estar, pensou Harry ao ver a expressão magoada de Hermione quando ele disse que o aluno que foi controlado por Voldemort pediu sigilo sobre a sua identidade.
— Olha, eu prometo conversar com ele e tentar convencê-lo, mas, tudo o que aconteceu foi muito difícil e, é complicado confiar em alguém que você não conhece, assim, do nada. — Ele disse suavemente.
— Seja paciente, Hermione. — Terry disse gentil. — Nós contaremos todo o resto, cada detalhe, apenas, ele já foi... invadido o suficiente e queremos protegê-lo.
— De mim? — Hermione questionou confusa.
— Não, Hermione, não de você. — Neville disse. — Mas, ele confiou em alguém e foi traído, estamos tentando ajudá-lo a se curar, confiar de novo e, se o trairmos assim, tudo o que fizemos de bem no último mês, se perderá.
— Entendo..., bem, não, mas, se me contarem todo o resto, talvez, eu possa entender. — Hermione falou suavemente.
E, assim, eles lhe contaram tudo o que aconteceu, antes de sua petrificação, quando Harry escondia informações e, depois, quando os aurores deixaram de ser uma opção confiável. O plano que os três formularam junto com Flitwick, a descoberta do diário, Tom Riddle, Aragogue, a câmara, a morte de Freya, a destruição do diário. A descoberta do que era exatamente o diário, a imortalidade de Voldemort e, até as ideias que tiveram para a transformação da câmara secreta.
Hermione ouviu tudo com uma expressão espantada, olhos arregalados, empalideceu em diversos momentos, soltou exclamações de choque e raiva. Quando terminaram, ela ficou em silêncio por muito tempo absorvendo tudo o que ouviu, mas, provavelmente, demoraria mais para compreender a enormidade de todos os fatos.
— Mas... então, você sabia que era o alvo há semanas? Desde que Colin..., mas, não nos contou porque não prometemos guardar segredo e você temia ser retirado de Hogwarts. — Hermione raciocinou lentamente. — Não lhe ocorreu que isso seria bom? Você estaria seguro e, talvez...
— O que? Voldemort decidiria ficar bonzinho pelo resto do ano e não atacar mais ninguém? Isso sem falar no aluno que estava sendo morto lentamente, como Dobby me informou naquela noite. — Harry disse impaciente. — Ir embora, seria desistir de salvá-lo e, eu jamais faria isso. — Hermione parecia querer discutir, mas ele acrescentou. — E, lamento que isso a colocou em risco, por estar perto de mim e que terminou petrificada, mas, realmente, eu acredito que ficar e lutar era a coisa certa a fazer.
— Eu também questionei tudo isso quando soube, Hermione, mas percebi como estava sendo injusto. — Terry disse muito sério. — Se o Harry não tivesse escondido as informações, se fosse retirado de Hogwarts, não estaria aqui para nos proteger quando precisássemos. E, Voldemort ainda atacaria, não tenho dúvida que, quando perdesse o seu grande alvo, ele atacaria seus amigos, você ser uma "sangue ruim", seria apenas um prazer a mais. Então, estaríamos mortos e, quem fosse atacado depois, também morreria, a escola seria fechada e o aluno estaria sem apoio, seja contra Voldemort ou contra o Ministério, caso conseguissem encontrá-lo.
— Duvido. — Neville resmungou.
— Eu também. — Terry acenou. — E, não apenas o Harry manteve a atenção de Voldemort sobre ele, isso por si só foi uma vantagem, pois, fez com que todos os nascidos trouxas da escola fossem ignorados. Tão importante, Harry foi o único que conseguiu desvendar o mistério todo e tinha a capacidade que libertar a Freya e o aluno, sem destruí-los ao fazer isso.
— Ok. Eu entendo isso e, talvez, seja obrigada a admitir que estava errada ao dizer que você deveria confiar nos aurores, pois eles seriam mais capazes de matar um basilisco do que um aluno de 12 anos. — Hermione disse pensativa. — Ainda, tudo parece tão extremo e temeroso, meninos. No ano passado, a pedra estava em risco, ou assim pensamos, mas, era uma armadilha de Dumbledore para que o Harry encontrasse o Tom. — Ela fez uma pausa e sorriu ironicamente. — Me desculpem, mas pretendo chamá-lo assim a partir de agora, Voldemort soa bem falso e Tom me parece um bom nome para um mestiço órfão. — Os meninos apenas deram de ombros e ela continuou. — O que quero dizer, é que concordamos em confiar nos adultos para resolver essas coisas, mas, na primeira oportunidade, Harry, depois, vocês dois, esconderam as informações e realizaram todo um plano secreto de salvamento, que envolveu um ninho de acromântulas e uma basilisco gigante.
— Contamos a um adulto e ele nos apoiou na decisão de não contar aos aurores ou aos nossos adultos. — Harry disse. — O risco de fecharem a escola ou me tirarem daqui era muito grande, maiores ainda, eram as possibilidades dos aurores expulsarem ou prenderem o aluno que estava sendo controlado por Tom. Então, imagine, o aluno com a vida destruída ou morto, Tom com seu novo corpo, encontrando o espectro de Voldemort e o ajudando a recuperar o seu próprio corpo.
— Dois Voldemorts. — Neville ficou meio esverdeado de medo. — Estaríamos perdidos.
— Não sei se havia um caminho diferente, Hermione, onde as coisas acabariam bem, como acabaram, e nós confiaríamos nos adultos e ficaríamos protegidos em nossas Torres. — Harry falou com firmeza e seus olhos disseram claramente que não havia arrependimentos. — A única coisa que sei é que segui os meus instintos, confiei em minha magia, em minha equipe e, tudo acabou bem. Não tenho maior defesa do que essa.
— Não falo isso apenas por minha propensão a confiar nos adultos ou a sua aversão a isso. — Hermione disse séria. — Já não sou mais tão ingênua em acreditar que os adultos são infalíveis, Harry e, eu acredito que deveria ter lhe apoiado antes, mas, não achei que poderíamos realmente fazer alguma coisa sem morrermos e essa é a minha preocupação. Como crianças de 12 e treze anos lutam contra um basilisco? Não deveríamos ter que fazer isso ou passar três meses petrificados! E, como será no futuro? Porque, se continuarmos a enfrentar essas situações, aventuras ou mistérios, acabaremos perdendo alguém ou morrendo todos. E, esse é um fato do qual não podemos fugir.
Os meninos ficaram em silêncio, com expressões sombrias, tristes ou impacientes.
— Nós sabemos disso. — Harry falou primeiro. — Na verdade, estou a meses dizendo que não podemos fugir ou nos esconder do fato de que estamos em guerra e que as coisas tendem a piorar muito antes do fim. Haverá mortes, Hermione, não há como evitar e é por isso que precisamos treinar e nos preparar para lutar.
— Harry está nos treinando desde janeiro, Hermione. — Neville falou muito sério. — Tudo o que ele está aprendendo com Flitwick, Harry está nos ensinando, claro, não exatamente o mesmo, mas, o suficiente para aprendermos a sobreviver.
— E, ele treinará a equipe do Covil também. — Terry disse e Hermione se mostrou surpresa. — Somos mais agora e a maioria deles quer apender Defesa avançada, algo que não tiveram a chance com esses professores terríveis que temos.
— Mas... eles sabem o que virá? Sabem que podem morrer? — Hermione perguntou em um sussurro.
— Sim, não sei se todos compreendem completamente que não é uma aventura, mas, acredito que todos entendem que não há muita escolha. — Harry disse sincero.
— Mas, tem que haver! — Hermione se levantou andando impaciente. — Os adultos têm que assumir suas responsabilidades! O Ministério estava melhorando o Departamento Auror, a AP estava mudando Hogwarts! Devíamos ter bons professores, não aprender a lutar para uma guerra! Somos estudantes, não soldados! Não devia ser nossa responsabilidade!
— Talvez, não a de vocês. — Harry disse simplesmente. — Mas, eu tenho a profecia para cumprir e... não, deixe-me terminar. — Ele disse a impedindo de protestar. — Mesmo se não houvesse profecia e aquele desgraçado ainda tivesse matado os meus pais, eu escolheria ficar e lutar. Essa é a diferença, Hermione! Todos temos escolhas e eu escolhi lutar e matar Voldemort, não importa o custo. E, para aqueles que escolherem o mesmo caminho, aprender a sobreviver é a escolha mais inteligente e, eu os ensinarei tudo o que puder.
— Eu também escolhi ficar e não vou desistir até que Voldemort e seus comensais paguem pelo que fizeram. — Neville disse firme.
— É uma escolha pessoal, Hermione e cada um tem que fazer por si mesmo. — Terry disse suavemente. — Eu fiz a minha, depois daquele maldito dia na Caverna, pois percebi que somos sim os soldados dessa guerra e, infelizmente, não podemos ser simples estudantes.
— Vocês falam de escolha, mas, na verdade parece que não temos nenhuma, sinto que estamos sendo obrigados a matar ou morrer. — Hermione parecia aflita. — Eu quero lutar, pelos direitos dos elfos, dos lobisomens, nascidos trouxas ou qualquer ser mágico oprimido. No entanto, quero defendê-los política e juridicamente, não em uma batalha violenta.
— Acredito que você tem escolha sim. — Harry disse se levantando. — Você pode ir embora.
— O que!? — Hermione perguntou espantada, Terry e Neville também arregalaram os olhos.
— Hermione, não há nada que a prenda ao mundo mágico inglês, assim, você pode se transferir para Beauxbatons, se mudar com seus pais para a França, onde eles estarão seguros quando a guerra começar. — Harry disse sincero. — Você pode ir ter uma vida segura longe da guerra, Hermione, pois aqui, como minha amiga e uma nascida trouxa, você será um alvo.
— Mas... eu não... — Gaguejou Hermione, perplexa ao considerar a possibilidade.
— Os outros têm a mesma escolha, qualquer um pode pegar suas famílias e partirem ou ficar e lutar. — Harry disse duramente. — Apenas, se ficarem, terão que escolher se fingem que nada está acontecendo e ficam esperando que os adultos resolvam tudo ou se aceitarão que a guerra é inevitável!
— Eu sei disso! Eu entendo...
— Entende nada! — Harry a interrompeu zangado. — Você me chama de arrogante, mas é igual! Nunca escuta ou se abre para outros pensamentos e verdades! Você não se permite estar errada ou que alguém possa saber mais do que você!
— Isso não é verdade! — Hermione exclamou indignada.
— Acorda, Hermione! — Harry disse com dureza. — Sabe porque eu quero treinar a equipe do Covil? Por sua causa! Quero que quando os monstros se aproximarem, eles saibam o que fazer e não entrem em pânico! Eu quero que tenham uma chance de sobreviver, porque os monstros virão, cedo ou tarde, eles baterão em nossas janelas e não haverá onde nos escondermos. E, nós temos que ser o exemplo! Temos que estar prontos, mais do que tudo, mentalmente preparados! Quando a vida de alguém estiver em suas mãos, você não pode se apavorar, se perder e se confundir! — Harry viu seus olhos se encherem de lágrimas pois sabia do que ele estava falando. — Petrificá-la? Essa foi a sua solução para aquela situação?
— Eu... ela... — Hermione ofegou e mais lágrimas escorreram por seu rosto.
— Ela estava em choque, confusa, com dor e contava com você! E, sabe o que você deveria ter feito? Pegado a sua varinha! Você é uma bruxa! Ou não!? — Harry parou na frente dela e falou em tom de treinador, Hermione pulou e acenou. — Você deveria tê-la tirado de lá sem carregá-la fisicamente e sim, com magia, assim, estariam as duas em segurança em segundos. — Ela empalideceu. — Quando ela acordou, você deveria ter colocado a Charlie para dormir, da maneira que fosse e não, petrificá-la!
— Eu entrei em pânico! — Ela se defendeu magoada. — A basilisco estava tão perto, tentando nos morder e tudo em que pensava era que, a qualquer momento, eu estaria morta. Eu não sabia o que fazer!
— Bom, eu sabia e tentei o meu melhor, enquanto vocês três iam para todos os lados fazendo tudo, menos pensar ou seguir ordens! — Harry disse com dureza, Hermione viu o Terry e o Neville abaixarem a cabeça envergonhados. — Isso não se repetirá! Nós treinaremos e estaremos preparados, para sobreviver e ajudar quem precisar de nós. — Ele voltou a olhar para a Hermione — Você não sabia o que fazer? Bem, e o que fará a partir de agora, Hermione? Admitirá que precisa me ouvir e seguir minha liderança? Ou passará os próximos 5 anos me dizendo que sou arrogante? Eu sou, admito e não me importo que me diga as vezes, quando estiver passando do ponto, mas, quando se trata de sobreviver, não aceitarei mais questionamentos. Entenderam?
Todos acenaram silenciosamente, Hermione respirava pesadamente e seus olhos ainda estavam úmidos.
— Você precisa fazer a sua escolha, Hermione. — Harry disse mais suavemente. — Ou irá para a segurança, com seus pais e uma nova vida. Ou fica aqui, alienada para a verdade que nos cerca, até o dia em que estará em uma nova situação de risco, que a levará a entrar em pânico e não saber o que fazer. — Ele a encarou nos olhos com firmeza. — Ou, treina para ser a bruxa e Defensora que nasceu para ser, nos ajuda a treinar outros, a planejar, lutar e salvar o maior número de vidas que conseguirmos, mesmo que no fim, isso possa lhe custar a sua vida. — Hermione tinha os olhos arregalados e nada disse, mostrando sua confusão e angústia. — Sua escolha. Agora, eu preciso ir, estou atrasado.
Harry tinha outro encontro, no Covil, desta vez, assim, saiu apressado do quarto do Terry, esperando não ter sido muito duro com ela. Mas, a verdade, é que Hermione precisava compreender a realidade e não dava para ficar com palavras doces para protegê-la. A fase de amenizar a situação já passou, ela cometera um erro grave naquele dia na Caverna e, talvez, fosse injusto esperar que ela soubesse o que fazer, claro. No entanto, a partir de agora, errar outra vez daquela maneira, não seria mais aceitável, pois eles sabiam o que os aguardava e tinham que se preparar.
No Covil, Harry encontrou Ginny explicando a Luna e Colin o que era a sala e como a equipe do Covil estavam envolvidas em mudar o mundo mágico.
— Não posso dizer quem são ou o que fazemos, até que concordem em fazer parte, mas, vocês realmente devem querer isso, pois não é uma brincadeira. E, sabe, não é apenas se importar, precisamos de pessoas que queiram realmente ajudar, fazer a sua parte e que mantenham sigilo absoluto de tudo. — Ginny dizia muito séria. — Oi, Harry! — Ela sorriu quando o viu.
— Recrutando? — Ele perguntou com um sorriso divertido.
— Sempre! — Ela riu levemente. — Ainda que, com Colin e Luna, isso é fácil, pois, eu os conheço e não preciso me preocupar que não sejam sinceros ou que possam nos trair.
— Ainda assim, se incluir a Leda, você será a maior recrutadora da equipe. — Harry disse e se sentou ao seu lado no sofá. — Como foi o primeiro dia acordado? — Ele perguntou aos dois colegas.
— Intenso. — Colin disse sincero. — Muita gente olhando e fazendo perguntas, parecia legal no começo, mas ficou cansativo bem rápido. Entendi melhor porque você não gosta disso, Harry.
— Para mim foi muito bom, as pessoas normalmente não conversam comigo ou são gentis, assim, gostei que elas me trataram tão bem. — Luna disse com um sorriso alegre. — Ninguém roubou as minhas coisas do meu quarto durante todo esse tempo e eu passei um dia aprendendo um monte de coisas novas nas aulas, além de estar com a Ginny.
Os três a olharam levemente constrangidos com a sua sinceridade.
— Eu lhe disse, Luna, o professor Flitwick puniu as meninas que estavam roubando suas coisas ou te maltratando e isso não acontecerá mais. — Ginny disse firme. — Se alguém desobedecê-lo, você deve lhe avisar, pois temos que lutar contra o bullying, Luna. Eu lhe contei sobre a Leda, depois que as apresentei hoje, lembra-se?
— Oh, sim, eu me lembro. Conhecer suas amigas também foi muito divertido, Ginny, talvez, elas queiram ser minhas amigas um dia. — Luna disse com um sorriso suave.
Mais uma vez um silêncio estranho e Colin se adiantou, com um sorriso tímido.
— Eu também gostaria de ser seu amigo, Luna, se você quiser. — Luna arregalou os olhos azuis ainda mais de surpresa.
— Isso seria muito bom. — Ela disse e seu sorriso era ainda mais alegre.
— Eu também gostaria que fossemos amigos, Luna e lamento não ter me aproximado mais de você no início do ano. — Harry disse sincero.
— Oh! Hogwarts será ainda mais divertida com tantos amigos! — Luna disse animada. — E, quero fazer parte da equipe do Covil e ajudar, com seja lá o que vocês estiverem fazendo. Se a Ginny considera importante e bom, então, está bem para mim.
— Eu também. — Colin disse ansioso. — Eu confio que, se vocês dois estão envolvidos, deve ser algo que eu quero fazer parte. Apenas, não sei o que preciso fazer ou se terei tempo, pois estou enrolado com todos esses meses de aulas atrasadas.
— Não se preocupe, Colin, eu ajudarei você e a Luna com as matérias atrasadas. — Ginny disse apertando as mãos sentido certa culpa pelos amigos.
— Eu também ficarei feliz em ajudar. — Harry disse sorrindo. — E, não se preocupe, Colin, no momento, não tem muito o que fazer, mas, explicarei tudo e você pode decidir por si mesmo. — Respirando fundo, ele olhou para Ginny que acenou ficando meio pálida. Harry estendeu a sua mão e apertou a dela com carinho, para lhe dar forçar. — Bem, contaremos o que aconteceu. Começarei com o caminho que percorri e, Ginny poderá contar o seu caminho.
Luna e Colin acenaram seriamente e Harry contou sobre a visita de um certo elfo durante o verão, no dia do seu aniversário. Ginny ouviu com atenção, apesar de já ter conhecimento de todos esses detalhes e introduziu o seu final de verão, o momento em que recebeu o diário de seu irmão, Ron e cada sentimento estranho e desproporcional que vivenciou ao começar a escrever no pequeno livro.
— Era como se, a coisa mais simples, um pequeno pensamento inseguro, uma dúvida sem importância, um receio bobo, se tornassem gigantescos. De repente, eu tinha certeza que fracassaria em Hogwarts, nunca teria amigos, Harry me odiaria, tudo era pesado, escuro e difícil. — Seus olhos se encheram de lágrimas. — Eu estava tão animada em vir para a escola e, todo o brilho se apagou em meio a tristeza, medos e inseguranças.
— Eu senti algo diferente do trem, em nossa viagem para Hogwarts. — Luna observou pensativa. — Lembro-me de pensar que você não era totalmente você, Ginny.
— Eu me lembro de você dizer algo assim. — Ginny disse. — E, algumas semanas depois, você me disse que eu parecia comigo mesma outra vez.
— Você não conseguia parar de escrever? — Colin perguntou curioso.
— Não exatamente. — Ginny explicou. — Quanto mais me ocupava, menos escrevia e, assim, o diário tinha menos influência sobre mim e meus sentimentos. E, sem essa influência, eu me sentia feliz, animada com a escola, ria e tinha pensamentos positivos. Luna e eu passávamos muito tempo juntas, dormíamos nos quartos uma da outra e, por algumas semanas, eu quase esqueci do diário.
— O que fez Tom perceber que para retomar a influência que tinha sobre a Ginny, ele precisava se livrar da Luna. — Harry disse suavemente.
— Eu escrevia menos, mas, ainda escrevia e, nesses momentos, sim, Tom me impedia de parar. Mesmo se estivesse com sono, eu não conseguia deixar de escrever, tudo o que ele me perguntasse, eu contava e tudo o que me dizia, eu acreditava. — Ginny franziu o cenho lembrando-se. — Eu me sentia segura e confiava nele plenamente, se me disse algo absurdo, no começo, até poderia argumentar com ele, dizer que aquilo não fazia sentido, mas, a partir daquele ponto, me enchia de dúvidas e, em algum momento, aceitaria suas palavras como verdade.
— Quando escrevi no diário, senti isso também. — Harry disse. — Que poderia confiar nele, que era seguro escrever, além de sentir vontade de escrever e contar sobre mim.
— Você escreveu no diário? — Colin perguntou surpreso.
— Sim, mas, neste ponto, eu já sabia quem era Tom Riddle e consegui resistir aos encantamentos sutis do diário. — Harry disse suavemente. — Mas a intenção desse objeto, era formar uma conexão com que lhe escrevesse, assim, era necessário que você derramasse seus sentimentos, problemas, dúvidas e medos.
— Que é o que fazemos com um diário. — Observou Luna com expressão sombria. — O diário era uma armadilha impossível de escapar, mas, você conseguiu, Ginny e lamento não ter percebido nada. Eu fui uma péssima amiga para você.
— Oh, não! Luna! Eu também não percebi que algo estava errado! Quer dizer, tinha dias que me sentia doente e com um peso em meus ombros, em minha mente, uma fraqueza, mas, nunca desconfiei do diário. — Ginny disse.
— Porque os encantos nele a impediam de desconfiar que o diário era algo ruim. — Colin disse e Ginny acenou. — Como você se desconectou dele?
— Bem, primeiro, tudo piorou depois que a Luna foi petrificada. — Ginny contou sobre aqueles momentos sombrios, a culpa, a tristeza e a solidão com a distância dos irmãos. Então, Colin foi petrificado também, e começaram o sonambulismo e apagões, Tom a convencendo de que estava ficando louca como a menina do jornal e que seus pais a internariam no St. Mungus. Assim, quando esteve em casa nas férias do Natal, ela não conseguiu contar a eles o que estava acontecendo.
— Mas você conseguiu deixar o diário para trás. — Harry disse com um sorriso orgulhoso. — Isso exigiu muita força mágica.
— Como assim? — Colin se mostrou confuso.
— Nossa magia é muito sabia e intuitiva, Colin, por isso, é sempre bom ouvi-la. — Harry respondeu. — Ginny estava sendo atacada magicamente, Tom não apenas a influenciava e controlava seu corpo em alguns momentos, ele também estava sugando a sua magia, sua energia, sua vida. No entanto, a magia da Ginny nunca parou de lutar contra ele e, como me disse o professor Flitwick, para resistir a tal magia negra poderosa, apenas alguém com uma magia ainda mais poderosa, além de muita força mental.
Ginny corou levemente com seu olhar de admiração e ignorou a sobrancelha arqueada de Luna, que mostrava curiosidade.
— Bem, por isso eu estava tão fraca, apática e sem energia. — Ginny disse. — Eu me sentia doente, porque estava morrendo.
Colin e Luna ficaram pálidos, os olhos azuis sonhadores se encheram de lágrimas.
— Vou contar o meu caminho até o Natal. — Harry disse gentilmente e explicou o que aconteceu durante as petrificações dos dois, o que os emocionou profundamente.
— Você e seus amigos me encontraram na hora certa ou eu teria sangrado até a morte. — Luna disse em um sussurro inaudível.
— E, você salvou a minha vida ao distrair a basilisco! — Colin exclamou olhando para o Harry com gratidão. — Obrigada, Harry! E... — Sua voz se embargou e ele escondeu o rosto nas mãos para chorar com privacidade. — Desculpe. Eu sabia que ia morrer e, pensei em tirar uma foto para ajudar vocês a salvarem a Ginny e, isso me salvou! E, depois, você ainda conseguiu me resgatar da boca da cobra. Inacreditável! Meus pais e Denis não acreditarão quando lhes contar!
— Vocês não precisam me agradecer, apenas... eu fico muito feliz por ter estada lá nesses dois momentos. Só isso importa. — Harry disse sincero.
— Ainda não nos faz menos gratos, Harry. — Luna sabiamente. — Eu não temo a morte, mas, ainda não estou pronta para esse encontro, sabe.
— Eu também não! — Exclamou Colin e depois soltou um riso meio divertido, meio ansioso.
Isso fez os outros rirem também e o clima ficou menos emocional.
— Bem, como dizia, ao descobrir que eu era um alvo... — Harry continuou e falou sobre seu planejamento e ações, mas, que ao voltarem para Hogwarts depois das férias, tudo explodiu bem na sua cara. — Eu temia que isso pudesse acontecer e fui arrogante em acreditar que poderia controlar tudo sem ajuda. Liderei os meus amigos para uma armadilha mortal e, eles não estavam preparados para o que enfrentaríamos. Eles erraram, mas, eu fiz muito pior, pois agi como um péssimo amigo e líder.
— Não se puna ou se exija tão duramente, Harry. — Ginny apertou sua mão com força. — Nenhum de nós deveria ter que saber como sobreviver, pois não deveríamos ser atacados desta maneira, em nossa idade ou em uma escola. Flitwick sempre me diz isso, que não fui fraca ou estúpida, eu tenho 11 anos e é impossível esperar de qualquer criança de 11 anos, saiba como combater tudo o que enfrentamos.
— Flitwick está certo. — Harry suspirou e apertou sua mão, que estava sobre a dele. — Nós lutamos com o melhor das nossas capacidades e vencemos, apesar de tudo. O que precisamos fazer agora, é aprender e treinar, para aumentar nossas habilidades e, assim, continuarmos vivos.
Harry, então, contou sobre o ataque da Caverna, a petrificação da Hermione e Charlie, como conseguiram sobreviver por muito pouco e a dura conversa com Dumbledore, King e Moody.
— Depois da reunião... — Ele contou como encontrou o diário e o guardou, pensando em encontrar o seu dono, mas, se esqueceu de tudo sobre isso com a morte da Sra. Honora, avó de Terry.
Ginny pegou deste ponto e contou sobre como percebeu o que estava acontecendo e se livrou do diário. O medo de ser expulsa e presa, as semanas seguintes, procurando tensamente qualquer sinal de que alguém estava sendo controlado por Tom. O dia em que o descobriu com o Harry de decidiu roubá-lo e destruí-lo, não importava o custo.
— Olhando para trás agora, sei que deveria ter tentado conversar com o Harry, mas, eu estava apavorada e não sabia em quem confiar. — Ginny soltou um suspiro sentindo-se cansada.
— Bem, antes de Ginny me emboscar e roubar o diário... — Harry contou sobre a sua conversa com o Hagrid e a descoberta de que Tom Riddle era o verdadeiro nome de Voldemort.
Isso causou reações de assombro e medo nos dois, pois perceberam que estiveram frente a frente de Voldemort e que Ginny lutou contra ele por meses. Colin e Luna apenas ouviram sem comentar nada, como a parte final foi contada pelas perspectivas diferentes de cada um. Harry, inclusive falou sobre Firenze e a sua ajuda em adquirir o conhecimento que precisava para libertar Freya. A luta, a ajuda de Dobby, e o confronto final com Riddle, onde Ginny não desistiu e foi muito forte em quebrar a conexão com o diário em definitivo.
— Eu consegui porque você estava lá comigo e me fez mais forte. — Ginny disse com um sorriso tímido. — Me ajudou a lembrar que sou amada e dona de mim, que ele não passava de um parasita vil e patético. Nós destruímos ele e faremos de novo quando Tom voltar.
— Voltar? — Colin perguntou ficando mais pálido.
— Voldemort está vivo e tentando recuperar o seu corpo. — Harry disse. — Quando isso acontecer, estaremos em guerra outra vez e, por isso, precisamos nos preparar com antecedência, para enfrentá-lo e vencê-lo.
— Você nos treinará? — Luna perguntou, apesar de pálida, sua expressão era muito mais calma do que a de Colin.
— Sim, apesar de que espero termos um professor de Defesa decente no ano que vem, pois, a AP está realizando entrevistas. — Harry disse. — Mas, sim, eu ensinarei Defesa avançada a equipe do Covil, no entanto, não faço isso porque quero que lutem na guerra, isso deve ser uma escolha individual. O meu objetivo é que vocês tenham uma chance de sobreviver ao que enfrentaremos, por isso quero que estejam preparados para se defenderem.
— Bem, eu já queria participar antes, mas, saber que teremos uma nova guerra, que minha família e eu estaremos em grande risco, só me faz ter mais certeza de que quero fazer parte da sua equipe, Harry. — Colin disse determinado. — Ginny, eu nunca pensei por um momento que você fosse culpada do que aconteceu, mas, saber de tudo isso, do que passou e como lutou para impedir o Riddle, me faz sentir muito orgulho de ser seu amigo.
— Oh... obrigada, Colin, de verdade. — Ginny disse emocionada. — Estou tão aliviada que vocês estão bem, ninguém morreu, graças a Merlin. Charlie se recuperará totalmente e, a cada dia, me sinto menos angustiada com tudo o que aconteceu. Talvez..., eu até consiga contar aos meus pais.
— Eles te amarão como sempre, Ginny e se orgulharão de você. — Luna disse carinhosa. — Você é uma guerreira, eu já sabia disso, mas será divertido lutar ao seu lado e pegar alguns bandidos, além de fazer muitos amigos na equipe do Covil. Sabe, prevejo anos incríveis pela frente.
Harry riu, junto com Colin e Ginny.
— Eu não sei se lutar uma guerra pode ser considerado incrível, Luna. — Harry disse. — Mas, você está certa, lutar ao lado dos meus amigos, ao lado de vocês, será um prazer.
Essas palavras arrancaram sorrisos de orgulho e animação dos três e Harry decidiu explicar exatamente o que o Covil estava fazendo e porquê. Depois de mais de uma hora de muitas e detalhadas explicações, Colin e Luna estavam ainda mais determinados em serem parte da equipe e ajudarem a mudar o mundo mágico.
Enquanto isso, no quarto do Terry, ele e Neville tentavam consolar a Hermione.
— Acredite, ele foi até gentil com você, Hermione. — Terry disse. — No calor do momento, o esporro que ele me deu por desobedecê-lo e insistir em levar a Charlie, sem nem ao menos sacar a minha varinha, carregando ela como um saco de batatas, juro que pensei que ele nunca mais falaria comigo. — Ele bagunçou os cabelos envergonhado. — Merlin, é vergonhoso o que fiz e, ao longo desses meses, eu me recriminei por meus erros, Neville pelos deles e Harry pelos seus próprios.
— Harry não disse o que disse atoa, Hermione, ele reconhece que também errou e, por isso, está tentando melhorar. — Neville disse. — Você precisa fazer o mesmo, reconhecer que estava errada e tentar melhorar.
— Por isso, o Harry é tão duro. — Terry insistiu. — Ele é o nosso líder e precisamos respeitá-lo como tal, se duvidarmos dele ou questioná-lo em momentos de crise e desobedecermos, então, não confiamos nele ou respeitamos a sua liderança.
— Mas, ele sabe que conseguir nossa confiança e respeito, é tarefa dele e, assim, daqui por diante, será mais exigente. Precisamos aceitar que, além de nosso amigo, Harry é nosso líder quando se trata de lutar e sobreviver a essa guerra. — Neville encerrou.
— Vocês parecem tão calmos sobre tudo isso, seguros e até, confortáveis. — Hermione observou bebendo o chá quente que Terry lhe preparou para ajuda a acalmá-la.
— Eu sempre estive seguro que lutaria essa guerra, vingaria os meus pais, protegeria possíveis novas vítimas, meus amigos. — Neville disse dando de ombros. — E, eu confio no Harry para nos liderar durante esses tempos escuros, não apenas porque ele é especial, com suas ideias e dom para Defesa e Duelo. Mas porque ele não é um líder como Voldemort, nós não somos seus seguidores e não nos curvamos cegamente as suas ordens. Harry também não é como Dumbledore, que tem tantos segredos, desconfia de todos e nunca pede conselhos, além de ser tão passivo que uma árvore parece mais ativa. Ele nos ouve, sabe e, apesar de ter dificuldades em confiar, Harry luta, se esforça para superar isso e confiar em seus amigos. Porque somos seus amigos, Hermione, não seguidores, aliados ou ovelhas alienadas.
— Eu não tive tanta facilidade assim. — Terry disse. — Eu não quero lutar, matar ou machucar pessoas, muito menos passar a minha adolescência aprendendo a como fazer isso. Quero ser um estudando, adoro aprender e, foi para isso que vim para Hogwarts, não para me colocar em perigo mortal ou ter que vigiar as minhas costas e dos meus amigos por causa de inimigos ocultos e cruéis. — Seus olhos a encaram assombrados. — Mas, naquele dia, na Caverna, eu... Matei a Charlie, não literalmente, porque o Harry teve a inspiração de usar o feitiço familiar que a impediu de sangrar até morrer. No entanto, eu a matei... — Sua voz se embargou e seus olhos se encheram de lágrimas.
— Terry... — Hermione sussurrou angustiada.
— E, eu ouvi você gritando, precisando de ajuda e não podia fazer nada, não tinha a menor ideia do que fazer. Era como se minha mente ficasse em branco, como um pergaminho vazio, Hermione. — Ele se levantou irritado com as verdades dos fatos. — Sabe o que eu percebi? Que não importa quantos livros eu leia, quanto conhecimento adquira, ser um dos melhores alunos, minhas excelentes notas. Nada! Era como se eu não soubesse nada!
Hermione soluçou e acenou tristemente, pois se sentiu assim também, quando deixou o vestiário e a morte se aproximou, tudo se paralisou. Sua mente ficou vazia, seu corpo dormente e um zumbido soava em seus ouvidos, tudo era lento, como se aqueles segundos fossem anos, passando lentamente.
— Harry pode nos treinar para usarmos o que sabemos. — Terry disse voltando a se sentar. — Nunca seremos como ele, mas, também não somos aquele que deve cumprir a profecia e matar Voldemort, precisamos apenas, nos equiparar aos seus comensais. Pois precisaremos nos proteger, nossas famílias e dar cobertura ao Harry, que não pode vencer aquele monstro sozinho. Eu sei que é difícil saber, decidir... — Terry passou as mãos pelos cabelos angustiado. — Eu tive tantas dúvidas e me assombrou perceber que minha hesitação quase custou caro demais, mas, aquele dia me fez compreender que não quero ou abandonarei o meu irmão. Mas, se serei parte da sua equipe, se me esforçarei para apoiá-lo em seu destino, preciso aprender, treinar e me dedicar, inclusive, respeitando a verdade.
— Que verdade? — Hermione perguntou baixinho.
— Harry pode vencer Voldemort, ele tem o poder para derrotá-lo, por isso, devemos confiar nele, Hermione. — Terry suspirou sentindo-se cansado. — Não quer dizer sermos cegos, como disse o Neville, não somos seguidores, somos seus amigos e companheiros de luta. Harry nos respeita assim e devemos devolver o mesmo respeito, aceitá-lo como nosso líder.
— Eu não sei... o que pensar ou dizer. — Hermione disse sincera. — São tantas informações novas de uma vez, eu preciso de um tempo para refletir.
— Isso é bom. Harry sempre diz que cada pessoa é diferente da outra e, portanto, decide as coisas em tempos diferentes. — Neville disse. — Terry teve um tempo, você, terá outro, eu tive o meu próprio tempo. E, é por isso que ele só começará a treinar o pessoal do Covil em setembro, isso lhes dará tempo para se ajustarem e decidirem se querem realmente participar do treinamento.
— E, você deveria falar com seus pais sobre isso, Hermione, reflita e discuta com eles as opções que Harry expôs. — Terry disse, depois olhou para o tapete e acrescentou hesitante. — Se... sentir que deve partir e estar em segurança, tudo bem, não há nada de errado em fazer isso e, eu te apoiarei. Espero que sejamos sempre amigos, não importa o que aconteça.
— Eu digo o mesmo. — Neville sorriu timidamente e os olhos dela se encheram de lágrimas outra vez.
— Vocês são os melhores amigos, o Harry também. — Ele disse baixinho. — Obrigada por tudo o que fizeram por mim, Madame Pomfrey disse que me visitaram todos os dias.
— Não todos os dias. — Terry admitiu timidamente. — Muitas coisas aconteceram nos últimos meses e... bem, teve dias que foi impossível ir visitá-la.
— O que mais aconteceu? — Hermione perguntou suavemente ao ver os seus olhos castanhos tristes.
— Eu... deixarei que conte a ela, Terry. — Neville se levantou com uma expressão séria. — Nos vemos mais tarde, na nossa Torre, Hermione.
Depois que Neville saiu, Terry, em um sussurro triste, contou sobre a morte de sua avó. Os dois choraram silenciosamente, ele de saudade e ela por sua dor, lamentando não ter estado lá para ajudá-lo. Ao ouvir sobre o sequestro de Adam, ela arregalou os olhos e cobriu a boca de espanto e horror.
— Ele ficará bem? — Ela perguntou preocupada.
— Com o tempo, acredito que sim. — Terry disse suavemente. — A única coisa boa em tudo isso foi que os lobisomens confiam mais em Harry e Sirius agora. Eles concordaram em uma reunião definitiva no domingo de páscoa.
— Isso é muito bom! — Hermione arregalou os olhos. — Quer dizer que concordaram em ir para a ilha?
— Harry se encontrou com os anciões... — Terry contou os avanços que conseguiram nas últimas semanas, com os lobisomens, recrutando e se aproximando de filhos e netos dos membros da Suprema Corte. Além das entrevistas bombásticas de Sirius no Profeta, que estava sempre criticando o Ministro e seu governo. Também contou sobre Dobby, sua liberdade e como colocaram em prática a sua ideia de mudar as crenças do elfos domésticos aos poucos. — Nós queríamos esperá-la, mas, não sabíamos quanto demoraria para que acordasse e era uma grande oportunidade. Agradecer ao Dobby e comemorar sua libertação na frente de todos os elfos.
— Vocês fizeram bem. — Hermione disse com o coração apertado. — Eu teria adorado estar lá, mas, isso não é tão importante quanto ajudar os elfos. Quero visitá-los amanhã, não tive oportunidade de perguntar se gostaram dos gorros de gatos que fiz e lhes dei de presente de Natal.
— Eles amaram, Hermione. — Terry disse sorridente. — Usaram o inverno todo e ficaram muito triste com a sua petrificação.
— Tantas coisas aconteceram. — Hermione disse e seu olhos estavam um pouco tristes. — Sinto que fiquei para trás e não sei de mais nada.
— Não se preocupe, logo estará por dentro de tudo e antes que perceba, será como se nunca tivesse ficado ausente essas semanas. — Terry disse. — Além disso...
A porta se abriu bruscamente e Penny apareceu com expressão séria.
— Sei que me pediram para autorizar a entrada de uma menina em seu quarto, Terry, mas não pensei que quebrariam o toque de recolher.
— O que? — Hermione se levantou de olhos arregalado e olhou para o relógio. — Oh! Merlin! Já passa das 10 horas! Desculpe, Penny, eu não percebi...
— Tudo bem. — Penny disse com mais suavidade. —Mas você não pode ser pega aqui, no quarto de um menino, depois do toque de recolher ou estaremos os três encrencados.
— Ficamos conversando... tinha tanto o que contar... — Terry disse afobado e meio corado com as palavras de Penny.
— Porque não usaram o Covil? — Penny disse curiosa.
— Ah! Harry precisava do Covil livre, ele tinha outra reunião por lá. — Terry disse e Penny acenou curiosa.
— Vamos, Hermione, o melhor é que durma em meu quarto, do que arriscarmos uma caminhada até a sua Torre. Mesmo eu sendo uma monitora, seria difícil explicar a situação. — Penny disse suavemente.
— Oh! Boa ideia! Obrigada, Penny! — Hermione disse quando saíram para o corredor.
Nesse momento, Harry apareceu pela escada com um sorriso animado e olhos verdes brilhando.
— Oi! — Ele disse tranquilamente como se não tivessem discutido mais cedo. — Ainda por aqui?
— Tinha muito o que contar a ela, Harry. — Terry explicou meio constrangido, mas Harry apenas acenou.
— Bom que está em dia com os fatos, Hermione, pois temos muito o que fazer nas próximas semanas, meses e sentimos falta da sua mente brilhante. — Harry disse levemente. Hermione corou com o elogio, mas, ainda estava um pouco desconcertada por sua naturalidade.
— Estamos bem, então? — Ela perguntou querendo ter certeza que ele não estava mais zangado ou desapontado.
Harry ficou confuso por um momento, depois sorriu suavemente.
— Claro que estamos bem. — Ele lhe piscou levemente. — Eu ainda vou gritar muito com você no futuro, assim, não se preocupe, logo se acostumará. Ah, por falar nisso, espero que esteja às 5 horas na Caverna amanhã, pois precisa retomar o seu treinamento físico.
Hermione acenou e Penny gemeu de tristeza.
— Detesto fazer exercícios. — Ela disse mal-humorada.
— Você também está treinando? — Hermione ficou surpresa.
— Esqueci de te contar, Hermione. — Terry disse. — Todos do Cov...
— Esse assunto não deve ser discutido em corredores. — Harry o interrompeu e Terry acenou.
— Não se preocupe, eu conto a ela sobre como maldoso e terrível o Harry é. — Disse Penny, pegando o braço de Hermione e arrastando escada abaixo.
— Boa noite! — Todos disseram uns para os outros.
Na madrugada de quinta-feira, depois da aula de Astronomia, Harry finalmente pegou o espelho e chamou pelo Sirius, sabendo que ele estaria acordado apesar de ser 2 horas da manhã.
— Oi, como foi o jantar? — Ele perguntou direto, pois estava curioso em saber o que o jantar com os Progressistas revelou.
— Bem direto, hein? Boa noite, aliás, eu estou bem e você? — Sirius observou ironicamente e Harry corou levemente constrangido pela reprimenda. — Acredito que antes de falarmos sobre a minha noite, devemos conversar. Certo?
Harry suspirou, pois preferiria não voltar a esse assunto, mas, não havia como fingir que nada aconteceu.
— Eu entendo que exagerei, Sirius, e agradeceria se você pudesse dizer a Denver que sinto muito, por favor. — Ele disse com o rosto sério.
— Bem, pensei que teria que convencê-lo de que estava errado. — Sirius disse surpreso.
— Eu não estava errado. — Harry protestou na mesma hora. — Ainda não entendo ou concordo com o que Denver fez, mas...
— Não entende porque não ouviu tudo o que aconteceu antes de explodir o seu temperamento, Harry. — Sirius o interrompeu e tinha um olhar de aviso. — E, está fazendo de novo, julgando sem compreender toda a situação. Agora, quero fique em silêncio e escute tudo, depois, conversamos sobre o seu comportamento. — Seu tom era bem firme e Harry acenou silenciosamente, tentando esconder a surpresa.
Sirius contou o que exatamente a Denver fez, o que significava o alerta vermelho, todas as provas reunidas pelo Promotor e as palavras finais do Juiz McKey. Encerrou explicando a sentença, a prisão para onde Vernon estava indo, a oportunidade de se redimir e sair em 3 anos, em condicional.
— Quer dizer que... o alerta vermelho apenas fez o Promotor procurar razões validas para pedir a pena máxima? — Harry perguntou chocado.
— Sim, Harry. — Sirius o olhou exasperado. —Denver jamais corromperia a justiça, enviando alguém para a prisão sem um julgamento justo. O alerta vermelho apenas fez com que o Promotor e sua equipe fuçasse cada centímetro da vida do Vernon, procurando saber se o que aconteceu naquela noite foi só um acidente infeliz ou algo mais. E, se ele tivesse encontrado provas de que Vernon é um homem bom, que teve um dia ruim, uma explosão de temperamento, que terminou em sua queda acidental, o Promotor teria recomendado a pena mínima.
— No entanto, ele descobriu o contrário. — Harry acenou entendendo. — O Juiz disse isso mesmo? Que Vernon acabaria matando alguém?
— Ele disse. Foram palavras duras, Harry, mas, ditas com gentileza e sinceridade. Acredito que até mesmo Vernon Dursley compreendeu a gravidade da situação. — Sirius deu de ombros. — Denver disse que alguém com o histórico dele se encaminha em um crescente de ações agressivas, cada vez mais e com maior violência. Quando têm uma vida satisfatória, podem apenas continuarem a se comportar de maneira psicologicamente abusiva por anos, mas, quando enfrentam dificuldades, como perda de emprego ou um divórcio, eles podem evoluir rapidamente para agressões físicas e, por fim, homicídio. E, geralmente, a violência acontece contra as esposas ou ex-esposas.
Harry empalideceu e arregalou os olhos com o pensamento terrível.
— Merda. — Sussurrou engolindo em seco.
— E, isso não quer dizer que o Dursley foi punido por algo que não fez, apenas, o Juiz tem muita experiência e baseou a sentença no histórico comportamental, que foi o que levou a sua queda. A pena máxima era prevista pelas ações de Vernon naquela noite, que inclui sua indiferença para com uma criança gravemente ferida. E, sua total falta de remorso durante o julgamento também pesou, Harry, na verdade, o Juiz disse claramente que isso era uma das suas maiores preocupações, o fato de que Vernon não mostrava nenhum arrependimento por suas ações.
— Entendo. — Harry disse. — Eu já sabia da sentença, minha tia me explicou, mas, eu não sabia o que tinha sido dito pelo Juiz. Tia Petúnia também disse que Dudley está muito triste e ela está tentando encontrar uma maneira de poderem visitar o Vernon na prisão.
— Eu estive com ela na segunda-feira, na reunião com o analista e o novo administrador que contratamos. — Sirius disse suavemente. — Petúnia me disse que Dudley está abalado, mas, ansioso para ver o pai e esperançoso que ele se regenere e saia da prisão em 3 anos. Eu me ofereci para ajudar no que ela e Dudley precisarem, você sabe que nenhum de nós deixará de apoiá-los.
Harry acenou e suspirou sabendo que seu comportamento no domingo, além de exagerado, fora errado também, pois Denver não teve qualquer responsabilidade direta na sentença de Vernon. Verdade seja dita, seu ex-tio era o único culpado.
— Acho que devo um grande pedido de desculpas para a Denver. — Ele disse envergonhado.
— Acha? — Sirius ergueu a sobrancelha ironicamente. — Vamos deixar a Denver de lado por um momento. Ok? O quero é falar do seu comportamento, Harry, pois acredito que explodir daquela maneira sem ouvir todos os fatos, está longe de ser classificado como inteligente. E, você pode ser independente e esperto o quanto for, mas, não deve tratar os adultos com esse tipo de desrespeito, nunca. — Seus olhos cinzas estavam sérios e desapontados, Harry acenou silenciosamente. — Existe uma grande diferença entre discordar, argumentar, expor a sua opinião, algo que eu, os Boots e sua tia incentivamos, ou ser ofensivamente julgador, além de grosseiro com alguém que não lhe ofendeu ou agrediu de volta. Você tem algo a dizer?
— Eu... sei que fui um idiota e não deveria ter reagido daquela maneira, apenas... — Harry suspirou e bagunçou os cabelos. — Foi tudo junto, sabe, a minha preocupação com meu primo e tia Petúnia, vocês dois... você, Sirius, agindo como se me conhecesse, mas, a verdade, é que não. Denver, com suas boas intenções, tomando decisões que afetam a minha vida, mas sem se preocupar em me perguntar o que eu queria ou precisava. Isso tudo me lembrou de Dumbledore, do tempo que passamos separados por causa dele. E, também me recordou os porquês disso tudo, o fato é que Vernon está na prisão, porque eu fui deixado em sua porta, porque aquele maldito rato traiu os meus pais, porque Voldemort os matou. E, eu estava com tanta raiva! — Harry andou pelo quarto tentando se acalmar. — Quando penso nos erros cometidos, nas boas intenções que terminaram... como terminaram. — Ele o olhou nos olhos. — Como você não está cheio de raiva o tempo todo com o que te fizeram? Eles te aprisionaram, me tiraram de você, nunca lhe visitaram ou se preocuparam em ouvir o seu lado.
— Eu sinto raiva o tempo todo. Quem disse que eu não sinto? — Sirius disse suavemente. — Às vezes tenho que me controlar para não ser grosseiro com o Remus ou Andy, quando eles fazem algum comentário sobre como difícil é isso ou aquilo. Tenho que me esforçar para me lembrar que, apesar dos seus erros, não foi culpa deles que terminei em Azkaban. Apesar dos meus erros... também não foi minha culpa e, Harry, a pessoa de quem mais sinto raiva sou eu mesmo e, isso poderia facilmente me levar no caminho da autodestruição. — Sirius mostrou em seu olhar a verdade de suas palavras. — Eu poderia beber para esquecer, odiar o mundo, agredir e afastar todos, me enraivecer ou, posso tentar me controlar e compreender, amar e apoiar minha família e amigos. Sabe, no fundo, não é uma escolha difícil para mim, pois prometi que não permitiria que nada me afastasse de você, nem eu mesmo.
— Dumbledore teve boas intenções, Sirius, ele não é mal ou cruel, ainda que sua indiferença e negligência seja capaz de consequências cruéis. — Harry disse suavemente. — Mas, o que me dá mais raiva é que ele não se arrepende, como Vernon, o diretor parece não sentir remorso pelo que fez conosco, como se de alguma forma, houvesse uma justificativa válida em sua mente. — Harry suspirou. — Mas, você está certo, não posso ceder a raiva e amargura, por mais difícil que seja.
— Duvido que não tenha mais explosões como a de domingo, além de todo o peso que carrega, ainda tem um monte de novos sentimentos, acontecimentos e hormônios que influenciarão você nos próximos anos. — Sirius disse suavemente. — Mas, não aceitarei que acredite se aceitável aquele tipo de comportamento, mesmo que esteja certo sobre a situação. Entendido?
— Sim. — Harry acenou envergonhado.
— Agora, sobre a Denver. — Sirius suspirou e seus olhos ficaram tristes. — Não entrarei em detalhes, mas, Emily teve uma infância difícil, com algumas semelhanças com a sua, assim, quando soube do que passou, acabou se envolvendo e agindo. Agora, na minha opinião, o que ela fez era o certo e foi bom, mas, eu entendo que se sinta diferente e, na verdade, Emily reconhece que nunca poderia ter feito isso sem falar com você antes. Assim como você, ela está muito chateada por ter lhe magoado de alguma maneira e pede desculpas. — Sirius o encarou muito sério. — E, acredito que ela se desculpará quando se encontrarem pessoalmente, não preciso lhe dizer que eu espero que você também se desculpe.
— Ok. — Harry hesitou. — Entendo que minha história lembrou a dela, de alguma maneira, mas, ela deve ter visto casos de abuso infantil até piores, sendo uma auror. O que não compreendo é, o que fez Denver decidir agir assim, sem mais nem menos, porque, eu acredito que ela não teria um cargo tão importante se tivesse o hábito de fazer coisas sem pensar ou por causa da sua infância.
— Acho que... Emily não está acostumada a deixar as pessoas se aproximarem muito. — Sirius disse pensativo. — Emily não tem família e, talvez seja novo para ela gostar, se importar com alguém... então, apesar dela me dizer que fez isso por ela mesma, para satisfazer o seu senso de justiça, acredito que Emily fez isso por você, Harry. Porque ela se importa com você e quis punir quem o magoou.
Harry franziu o cenho um pouco descrente enquanto raciocinava e tentava compreender as suas palavras. Depois suspirou e negou com a cabeça.
— Lamento, Sirius, mas acho que está errado. Acredito que Denver fez isso por você, não por mim, pois é de você que ela gosta e deve ter percebido como odiava o Vernon e, que o queria punido pelo que me fez. — Harry deu de ombros. — Eu só a encontrei duas vezes, não acho que ela se importa tanto comigo.
— Bem, não sei... — Sirius pareceu desconcertado. — Na verdade, não acredito que ela goste tanto assim de mim.
— Por causa dessa história de que estão apenas transando e não, namorando? — Harry franziu o cenho. — Isso é muito confuso. Não são a mesma coisa?
— Não. — Sirius o olhou divertido. — Você pode beijar ou transar com alguém, sem um compromisso sério ou encontros de namorados.
— E, como você sabe que não está namorando, se faz tudo o que namorados fazem? — Harry perguntou.
— Bem... — Sirius parou um pouco confuso tentando entender a pergunta e achar uma resposta. — Isso pode ser um pouco confuso, na verdade.
— Foi o que eu disse. — Harry disse exasperado. — Vocês adultos, podem ser bem estranhos.
— É uma questão de comprometimento, Harry, quando você decide namorar alguém, está comprometido mentalmente com a relação. E, deve se dedicar a essa relação, ser fiel, tomar decisões juntos, compartilhar coisas sobre a sua vida e ouvir sobre a dela. Se a relação avança, você pode até começar a fazer planos de um futuro juntos. — Sirius explicou melhor. — Se não existe esse compromisso, há pouca conversa, apenas a parte de... bem, transar. E, claro, não se exige fidelidade, os dois podem sair com outras pessoas.
Harry franziu o cenho completamente perdido.
— Mas, se você gosta de alguém para transar com ela, como pode não se importar que ela transe com outra pessoa? — Ele perguntou meio horrorizado com o conceito. — Pensei que quando você gostasse de alguém, não aceitasse dividir essa pessoa, dessa maneira, com outras.
— Sim, mas, em uma relação assim, sem compromisso, normalmente, você não gosta da outra pessoa, o suficiente para se importar com isso. — Continuou Sirius.
— Ah... então, você não gosta da Denver? E, não se importa que ela transe com outros caras? — Harry disse entendendo melhor.
— O que? Não! Não foi isso o que eu disse! — Sirius suspirou e esfregou o rosto. — Eu gosto muito da Emily e não a quero com ninguém além de mim, na verdade, quando começamos a sair, eu lhe pedi exclusividade.
— Hã? Mas, você disse... — Harry ergueu as mãos para o alto exasperado. — Quer saber, não quero saber ou entender essa confusão estranha.
— Bem, isso mudará rapidamente em breve. — Sirius disse meio divertido. — Olha, eu quero uma relação mais séria com a Emily, mas, ela está resistindo, estou tentando ir devagar, respeitar os seus limites e conquistá-la. Enquanto isso, da parte dela, temos uma relação sem compromisso, da minha parte, estamos namorando e, por isso, eu não a quero transando com ninguém além de mim.
— Espera. — Harry fechou os olhos por um segundo tentando absorver esse novo conceito. — Então, além de haverem, transa sem compromisso e namoro comprometido, pode acontecer de duas pessoas na mesma relação, viverem relações diferentes? — Ele abriu os olhos completamente perdido. — Desisto! Isso é uma tremenda loucura, Sirius!
Isso fez o Sirius rir divertido
— Olha, minha situação não é diferente da sua, Harry. — Essas palavras fez o Harry franzir o cenho de curiosidade. — Você me contou sobre a Ginny e, o que o Portal Adler lhe disse sobre ela ser parte da sua alma. Em nossa conversa, eu lhe aconselhei a ser o seu amigo porque, talvez, ela não esteja pronta para mais, afinal, vocês são jovens demais e Ginny passou por muita coisa esse ano, certo? — Harry acenou e corou levemente. — Pois então, Emily também não está pronta para mais, assim, tenho que respeitar o seu tempo e aceitar ser o que ela me permite ser, que é mais que um amigo, mas, não um namorado. Ainda.
— Oh... — Harry acenou entendendo melhor e um pouco envergonhado por seu padrinho saber de quem ele estava falando naquele dia.
— Bem, e como está a Ginny? Ela ficou bem com os petrificados acordando? — Sirius perguntou curioso e decidindo mudar para um assunto menos constrangedor para o afilhado.
— Oh, sim. — Harry sorriu mais animado e seus olhos brilharam reveladores. — Guinevere parece muito mais leve e... alegre, acho que é a palavra. Ela é muito divertida, está sempre fazendo algum comentário sarcástico e engraçado que fazem todos rirem, mas, com tudo o que aconteceu, bem, ela esteve tensa e aflita, às vezes, triste, sabe. Agora, Luna está de volta e eu a vejo sempre rir ou sorrir e, acho... que ela está começando a curar, Sirius.
— Fico feliz em ouvir isso. — Sirius disse sincero. — Mas pensei que seu nome fosse Ginny, não, Guinevere?
— Ah, bem... — Harry corou levemente. — Dobby a chama de Senhorita Bonita e queria lhe dar um nome especial, hum, algo que só eu use. Entende? — Sirius acenou entendendo bem e sorriu divertido. — O nome dela é Ginevra, mas, Riddle a chamava assim, além disso, ela odeia esse nome e Ginny, bem, é como todos a chamam, então...
— Você escolheu Guinevere, a versão em inglês de Ginevra. — Sirius disse suavemente. — Ela gosta?
— Sim e, combina com ela, Sirius, quando a conhecer, você entenderá. — Harry disse sorrindo.
— Tenho certeza que sim e estou ansioso por conhecê-la. — Sirius disse levemente. — E, a Hermione? Está bem?
— Sim, ela está se ajustando a todas as novidades, tanto aconteceu e as aulas perdidas a deixam muito tensa, pois teme não ir bem nos exames. — Harry disse suavemente. — Hermione ainda não decidiu treinar comigo, como Terry e Neville, estou tentando dar-lhe um tempo para se adaptar e vir por conta própria.
— Você está certo. Deve ser sua escolha, mas, acredito que Hermione perceberá que deve treinar, ela só precisa de tempo. — Sirius disse positivo.
— Espero que sim ou ela se tornará um alvo fácil se continuar a ser minha amiga. — Harry disse preocupado. — Bem, fale sobre a reunião de hoje.
— Bem, acho que primeiro deve saber sobre as outras reuniões. — Sirius disse. — Talvez seja bom que anote, pois tem muita coisa que você deve pensar e decidir, sugiro pedir a ajuda dos seus amigos. E, Serafina teve uma ideia, sobre as famílias trouxas dos seus colegas do Covil, achamos muito interessante.
— Ok. — Harry se sentou em sua mesa, com um caderno e caneta para anotar. — Pode começar.
— Bem, como você sabe, segunda-feira, eu me reuni com um analista de mercado, sua tia e nosso novo administrador. — Sirius disse. — Petúnia se dispôs a nos ajudar, mas, nos aconselhou a consultar alguém mais experiente, afinal, ela está voltando a se informar sobre o mercado agora. Um dos seus professores, Justin Taylor, é um analista muito respeitado e tem uma empresa de consultoria, além de ser professor na Universidade de Londres. Michael, nosso administrador foi seu aluno de pós-graduação e também o respeita muito, assim, achei seguro seguir os seus conselhos sobre em que negócio investir no mundo trouxa.
— Legal. — Harry acenou curioso. — Como o Sr. Weston está se saindo com o trabalho?
— Muito bem. — Sirius sorriu e parecia aliviado. — Ele rapidamente entendeu o que está acontecendo, pegou todos os pequenos detalhes, projetos e não para um segundo de trabalhar. Michael tem uma sala no meu escritório, assim, sem associação com a GER, mas, claro que ele sabe sobre a empresa e entende que deve ficar separada dos negócios Potters oficiais. Ele também concordou em ajudar com o novo negócio trouxa, na verdade, está entusiasmado por começar e é um alívio para mim e Falc.
— Bom. Me conte sobre o negócio trouxa. — Harry pediu e anotou as informações, ideias e questões apresentadas por seu padrinho. — Ok. Esse será um negócio Black?
— Não, seremos sócios, assim, como seremos sócios do Hogsmeade Emporium. As reformas já estão começando, em breve, a Casa dos Gritos deixará de existir. — Sirius disse suavemente. — Agora, sobre a reunião com os lobisomens, Dobby está me ajudando a organizar tudo, ele já terminou a limpeza da Mansão Potter e agora está trabalhando no Castelo Stronghold, preparando-o para nossa visita na páscoa. E, depois disso, começarei a reformar a mansão Black e ele já concordou em me ajudar.
— Não o faça trabalhar demais, Sirius. — Harry disse ao pensar no animado elfo.
— Duvido que ele conheça o conceito de trabalhar demais. — Sirius disse divertido. — Agora, os Boots e eu, nos reunimos com Remus e algumas questões apresentadas pelos lobisomens apareceram.
— Ok. — Harry voltou a anotar tudo e franziu o cenho para os problemas. — Esses contratos, vocês querem a nossa ajuda, mas, vocês têm acesso a biblioteca dos Boots e Potter também, além dos livros de Hallanon.
— Primeiro, não podemos compor os contratos com feitiços familiares ou, a biblioteca Black seria uma grande fonte de pesquisa também. Segundo, não posso sair tocando em seus livros, Harry, alguns não podem ser acessados por ninguém além de você e levaria muito tempo para diferenciá-los. — Sirius observou. — Não estou afim de me arriscar, muito obrigado. E, nosso tempo não é dos maiores, Serafina e Falc estão passando mais tempo com as crianças e ainda trabalhando muito. Ela pediu demissão da escola, mas, a AP está entrevistando possíveis professores de Defesa e Poções, pois Slughorn não pretende continuar.
— Eu soube que alguns quebradores de maldições virão tentar quebrar a maldição sobre o cargo de professor de Defesa. — Harry disse curioso.
— Verdade. Sr. Boot solicitou ao Sr. Ollerton que envie uma equipe para investigar se é verdade a tal maldição, isso ocorrerá durante as férias de páscoa, por isso, nenhuma das crianças poderão ficar hospedadas. — Sirius acrescentou com um sorriso irônico. — Dumbledore não gostou disso, mas, o conselho aprovou e ele não pôde impedir. Bem, como eu dizia, estamos muito ocupados, Harry, Sr. Boot e eu, nos mudamos para a Mansão dos Boots em Londres, Dobby nos ajudou com isso. Eu tenho o projeto da ilha, do Emporium, a Boate Black, o novo negócio trouxa, além das Fábricas Blacks. Falc está completamente focado em Adam, trabalhando a partir de casa, mas, ainda tem muito o que fazer, pois os animais chegarão da África semana que vem e, ele está pesquisando estratégias para o pedido judicial do livro da Lily. Felizmente, Anton está cuidado da defesa dos lobisomens presos, isso liberou tempo para o Falc se concentrar na família.
— E, ainda tem a GER. — Harry disse suavemente.
— Felizmente, a GER está indo muito bem e o projeto do Jardim da Lily e as reformas da Travessa do Tranco, estão sendo administrada por Edgar e sua equipe competente, pouco precisamos nos preocupar com isso. E, como disse, Michael tem sido uma grande ajuda com os detalhes e burocracia, mas, ainda tem muito o que fazermos, assim, apenas o Remus está pesquisando sobre possíveis contratos mágicos. — Sirius encerrou e bocejou cansado. — Merlin, estou quebrado.
— Bem, acho que como somos mais e temos a Biblioteca de Hogwarts, parece justo ajudarmos com isso. Precisamos definir com muito cuidado os termos do contrato. — Harry disse fazendo mais anotações. — E, a reunião de hoje?
— Você tem razão, política é uma grande merda. — Sirius disse e bocejou de novo. — Finley é um político, na concepção da palavra. O filho da puta não sabe nada sobre os lobisomens, além do que apareceu no Profeta, não tem estratégias ou qualquer planejamento sobre como ajudá-los efetivamente, além de ter mentido para mim na maior cara de pau. — Sua expressão era azeda. — Eu posso ser um Black, mas, ali, para a maioria deles, eu era um garoto ignorante e ingênuo que não precisa ser levado a sério. Na verdade, o meu maior valor era o quanto sou popular com as eleitoras mulheres.
— Merda. — Harry disse irritado. — O que faremos agora?
— Eu conversei sobre isso com o Sr. Boot quando chegamos, mas, nós dois concordamos que a melhor estratégia é não apoiarmos nenhum dos lados e sim, sermos oposição de quem ganhar as eleições. — Sirius disse. — Exigir mudanças e apresentar projetos de leis é algo que podemos fazer sem nos filiarmos a um dos Partidos ou defendermos um candidato. Mas, ainda conversarei com Falc e Serafina, além de me reunir com outros membros do Partido e da Suprema Corte, talvez, não esteja tudo perdido.
Harry acenou e fez mais anotações.
— O pessoal do Covil, os puros que conhecem as dinâmicas políticas do Ministério, observarão com atenção esses caras durante o nosso baile e a inauguração do Jardim da Lily. — Harry disse e se esticou cansado. — Tudo certo para o grande dia?
— Sim. — Sirius sorriu. — O pessoal está acelerado e Edgar tem mantido segredo, ele disse que você pediu que fosse tudo surpresa, inclusive para mim.
— Eu adoro mistérios, você sabe. — Harry sorriu divertido. — Ainda não recebemos os convites, não estão atrasados?
— Não, devem chegar neste domingo, durante o café da manhã. — Sirius disse e bocejou de novo. — Tudo está certo e está na hora de dormimos.
— Só porque você está bocejando sem parar, velho. — Harry provocou divertido.
— Ei! Eu não sou velho, Harry Potter! — Sirius protestou indignado. — Nunca ouse nem mesmo insinuar algo assim.
Harry riu divertido e Sirius logo o acompanhou em seu riso rouco, que lembrava um latido.
— Eu te amo. Boa noite.
— Também te amo, Sirius. Noite.
Ele desligou o espelho e se espreguiçou, não estava cansado ou com sono, mas, seu dia começaria em breve, assim, o melhor era dormir um pouco. Antes, meditou, fortaleceu o seu exército mental e sorriu suavemente, enquanto mergulhava em um sonho com cheiro floral e fitas de seda vermelhas.
Os dias seguintes foram de ajustes para Hermione, nem todos eram bem-vindos ou fáceis, ela tinha que admitir. O melhor era estar com seus amigos e perceber que não precisava se esforçar para ser parte do grupo, pois, rapidamente, o trio voltou a ser um quarteto. Na verdade, eles pareciam felizes e aliviados com sua volta o que a encheu de alegria.
Também era maravilhoso perceber que tinha mais amigos além do Terry, Harry e Neville. Seu reencontro com Mandy, Padma e Morag foi emocionante e, mesmo Parvati e Lavander, a abraçaram com força, lhe fazendo se sentir muito querida. Como estava muito atolada de estudos, com muita leitura para pôr em dia, Hermione combinou um momento de meninas para o domingo à noite, depois que retornasse da casa dos seus pais. Elas fariam uma pequena festa de pijama, cuidariam dos cabelos umas das outras, passariam esmaltes que a Mandy tinha, conversariam e dormiriam todas no quarto da Morag, em colchões de ar.
Os elfos também a receberam com abraços e agradecimentos pelos presentes de Natal que lhes dera. Hermione tinha passado meses tricotando os gorros de gatos e, ao entrar na cozinha, ficou espantada ao ver todas as cabeças coloridas com a orelhas pontudas, andando por todos os lados. Eles também tinham lhe enviado doces caseiros de presente no Natal e, ela fez questão de lhes agradecer, além de passar um tempo conversando com os menos tímidos. Mimy contou sobre o Dobby, e Hermione aproveitou a oportunidade para explicar sobre como em seu mundo, os negros também foram escravos por séculos, até a liberdade. Isso pareceu surpreendê-la e assustar alguns outros, mas, Hermione rapidamente acrescentou que os negros continuaram a trabalhar nas fazendas, mas, livres e não eram mais chicoteados ou vendidos.
O resto do pessoal do Covil também lhe deu abraços de boas-vindas, todos ansiosos por compartilhar a alegria por tê-la de volta. Hermione teve que admitir que estava ansiosa pela próxima reunião e se envolver nos projetos, ao mesmo tempo, se sentia meio fora do prumo, pois não sabia muitos detalhes, apenas o resumo que Terry lhe deu. Terry, aliás, continuou insistindo que era uma questão de tempo até que tudo voltasse ao normal, sem conteúdos atrasados ou desconhecimento dos planos do Covil ou dos movimentos do Harry. Mas, apesar de não discordar de suas palavras, Hermione se irritava por isso ser necessário. Ela detestava ter perdido três meses da sua vida, tantas aulas importantes, acontecimentos e, ainda, seus pais ficaram arrasados com o que lhe aconteceu. A carta que eles lhe enviaram, em resposta à carta dela, deixava suas angústias e preocupações explícitas e Hermione sentiu ainda mais vontade de estar com eles.
Também se ressentia por não ter estado lá em todos esses momentos difíceis que os amigos enfrentaram. Era óbvio que os três se tornaram ainda mais unidos depois do que tinham enfrentado juntos. Eles confiavam mais uns nos outros, Terry e Neville pareciam aceitar a liderança do Harry sem mais discussões, bem... para ser justa, Neville sempre foi assim. Não que Terry deixasse de opinar ou debater ideias e movimentos, mas, parecia não haver mais aquela desconfiança de que um garoto de 12 anos não poderia estar certo ou saber mais que um adulto.
Hermione tinha que admitir que era desconcertante e que não se sentia da mesma maneira que os meninos, pois, uma parte dela, talvez, a parte mais jovem de si mesma, ainda esperava que os adultos assumissem suas responsabilidades e agissem de acordo. No fundo, ela sabia que estava sendo tola, Dumbledore era o senhor da torre, tão ausente que parecia invisível. McGonagall o seguia cegamente ou agia com uma severidade indiferente, apenas se a situação fosse seriamente aguda, ela percebia e interferiria. Os Boots e Sirius, no entanto, pareciam dispostos a fazer o necessário, mas, ela admitia que eles não podiam fazer tudo, principalmente estando fora de Hogwarts. Além disso, estava claro que o perigo rondava o Harry constantemente, seu amigo não podia fugir e, apesar de estar com medo, Hermione não conseguia pensar em abandoná-lo.
E, então, haviam aquelas coisas irritantes que ela estava sendo obrigada a aceitar. Como a identidade do aluno controlado por Voldemort, que ela ainda desconhecia quem era. Harry se manteve em silêncio e Hermione não teve uma única pista, dele ou dos meninos. Isso a irritou muito, pois queria as lealdades deles para ela e não a esse aluno, seja ele quem fosse. Apesar de sua insistência, Harry disse que o aluno pediu para não falar nada, pois queria observar e conhecer a Hermione melhor e, assim, decidir contar por si mesmo. A ideia de que estava sendo avaliada por alguém desconhecido também a deixou mal-humorada, pois ela sempre fora alguém séria e de confiança. Não entendia o que esse aluno precisava ver para saber que ela jamais o trairia ou ao Harry, por sinal.
Outra coisa irritante, por ser uma grande novidade e aleteração da dinâmica do grupo, era o fato de que Ginny Weasley estava por todo o lado. Não que Ginny fosse desagradável ou intrometida, na verdade, tanto quanto ela vinha até eles, Harry, Neville e Terry, iam até ela. E, Hermione tinha que admitir que a menina era muito interessante, ela estava sempre dizendo alguma coisa inteligente ou engraçada, que a faziam rir tanto quanto os meninos. Ela se esforçava muito nos treinos da Caverna e Hermione tinha a sensação que Ginny alcançaria o Harry em algum momento, pois, como ele, ela parecia adorar o treinamento e estava sempre cheia de energia. E, junto com ela veio outras pessoas legais, Abla e Demelza eram um pouco ingênuas, mas, muito doces, e Leda parecia carregar uma grande tristeza, apesar de ser sempre muito gentil. Colin era muito simpático e animado, Hermione o conhecia de antes de ser petrificado e gostava dele. Luna, era uma incógnita, saber que enfrentou o bullying e a petrificação, fazia Hermione se identificar com a menina, mas, ela sempre tinha um ar sonhador e ausente que a confundia e, Hermione não gostava de se sentir confusa.
O fato era que todos eles não eram o problema exatamente e sim, como tudo parecia diferente. Terry estava mais maduro, Neville mais corajoso e Harry mais seguro, além de parecerem ter um monte de novos amigos, que Hermione ainda precisava conhecer e fazer amizade. Era como ir dormir em um mundo e acordar em outro, bem diferente e ser obrigada a reaprender a nova dinâmica, piadas internas, olhares e expressões em código. Além de tentar acompanhar uma conversa que começou há horas, quando você não estava presente para ouvir. E, às vezes, era tudo isso ao mesmo tempo.
Na quinta-feira, depois do treino de quadribol do time Ravenclaw, eles se reuniram e Hermione assumiu a sua posição de anotar os temas, os presentes na sala e Terry a ajudou a entender a tabela com os nomes dos alunos que tentavam recrutar.
— Boa noite. — Harry disse e ouviu-se vários sussurros em resposta. — Não tinha planejado uma reunião tão cedo, muito menos durante a semana, normalmente nos reunimos aos sábados, mas, existem algumas coisas importantes que precisam ser compartilhadas. — Ele olhou para Hermione e sorriu. — Primeiro, devemos dar uma salva de palmas para nossa Hermione que, finalmente voltou para nos ajudar e... bem, nos dar ordens.
— Ei! — Ela protestou divertida enquanto todos riam e batiam palmas. — Obrigada, obrigada. É bom estar de volta, mas, de onde eu observo, quem gosta de nos mandar ao redor é você, Harry. Treinador mais carrasco de Hogwarts!
Aqueles que já sabiam disso, Trevor, Terry, Neville e Ginny, acenaram concordando, enquanto os outros riram.
— Eu não riria se fossem vocês, pois logo estarão sendo treinados pelo carrasco. — Ginny disse divertida e muitos fizeram uma cara de alarme ou riram descrentes.
— Bem, minhas habilidades em tornar suas vidas um inferno, à parte. — Harry disse e houve mais riso. — Quero também lhes informar que temos mais dois integrantes na Equipe do Covil, recrutados por Ginny e aprovados por mim mesmo. Por favor, apresentem-se, nome, idade, casa, status de sangue, é uma tradição e fica para o registro de integrantes.
Colin se levantou, estranhamente pequeno perto dos segundos anos ou mais velhos.
— Oi. Eu sou Colin Creevey, tenho 12 anos, Gryffindor e nascido trouxa. — Apesar de tímido, seus olhos castanhos brilhavam de animação por fazer parte de algo tão legal.
— Olá, eu sou Luna Lovegood, 12 anos, da Casa Ravenclaw e sou puro sangue. — Luna disse com seus olhos sonhadores e sorriso suave.
— Sejam bem-vindos e, Ginny, parabéns por recrutá-los. — Harry disse sorrindo para a menina ruiva que se esforçou para não corar. — Bem, agora, algumas notícias. Os lobisomens concordaram em me encontrar e meus adultos para uma reunião definitiva, meu contato diz que a possibilidade de um acordo é bem grande. — Isso arrancou vivas de animação.
— Você precisa que façamos algo, Harry? — Penny perguntou sorridente.
— A reunião está sendo organizada por Dobby e Sirius, assim, isso está bem. Mas, temos alguns pontos importantes a discutir no contrato de arrendamento, contrato de proteção, organização, trabalho e na escola. — Harry disse e Terry se levantou escrevendo os temas. — Como será o acordo para arrendar a ilha? Não quero que sintam que estou fazendo caridade, mas, não quero tornar custoso ou difícil demais os pagamentos anuais. As alas de proteção precisam proteger a ilha de invasão, mas, também, de traidores, assim, qualquer um que esteja interessado em trabalhar com pesquisa de alas, contratos mágicos ou meios de impedir que isso aconteça, seria bom.
— Informando. — Terry acenou para ele e Hermione. — Nós dois estamos cuidando das pesquisas, quem quiser se juntar a nós, é bem-vindo, pois temos pouco tempo.
Alguns se ofereceram para ajudar e Hermione anotou o nome da equipe de pesquisa.
— Bem, a organização dessa nova comunidade deve ser decidida também. — Harry disse. — Claro, é a vida deles, sua vila e a decisão final será dos lobisomens, mas, no momento, eles vivem separados, existem vários grupos com seus líderes, mas que são muito independentes e, existem as matilhas com seus alfas, comandando tudo. Precisamos de ideias para ajudá-los a encontrar um sistema que funcione, que seja igualitário, justo e não leve a violências por disputas entre matilhas. — Harry viu muitas expressões sérias e pensativas. — Trabalho. Sirius se reuniu com um analista de mercado trouxa, pedindo conselhos sobre qual o melhor negócio para investir no momento. Ou seja, o que tem mais potencial de sucesso, geração de empregos e lucros no mundo trouxa, para conseguirmos empregos para os lobisomens. Assim, depois de uma longa consideração, Sirius decidiu investir em construção civil.
— O que é isso? — Corner perguntou curioso.
— Quer dizer que ele abrirá uma empresa que constroem casas, prédios de apartamentos ou escritórios. Isso significa muita mão de obra, e o lucro vem das vendas ou aluguéis dos imóveis construídos. — Harry disse percebendo os olhares curiosos dos colegas nascidos trouxas. — O que precisamos é de funcionários trouxas, pois essa será uma empresa trouxa, agindo no mundo trouxa, assim, seria estranho se tivéssemos só funcionários bruxos ou lobisomens. Mas...
— Eles têm que ser trouxas que sabem sobre os lobisomens... — Luna disse lentamente e, quando todos a olharam, ela sorriu. — Se fossem trouxas que não sabem do nosso mundo, perceberiam os lobisomens se ausentando por alguns dias todos os meses.
— Exato, Luna. — Harry sorriu. — Essa ideia foi da mãe do Terry, então, para os nascidos trouxas que tiverem familiares que sabem do nosso mundo e que precisem ou estejam interessados em trabalhar nessa nova empresa, por favor, escrevam a eles e peçam que enviem seus currículos ao prédio da GER, no Beco Diagonal. O escritório do Sirius fica no segundo andar.
— Seu padrinho criará uma empresa como a GER? — Perguntou Justin interessado. — Uma GER trouxa?
— Bem, a GER comprou prédios do Beco e criou novos negócios, acho que o Sirius pretende apenas abrir uma grande construtora. — Harry disse lentamente. — Pelo que ele me disse, o analista explicou que com o aquecimento da economia e mais pessoas indo para as universidades, as pessoas tem melhores empregos, ganham mais e querem viver melhor. Casas maiores ou carros mais novos, roupas mais bonitas e assim por diante.
— Mas, a construção de casas dá mais emprego do que uma fábrica de roupas ou de carros. — Justin acenou entendendo.
— Sim. Olha, não vou fingir que entendo tudo e Sirius também está aprendendo e tendo a ajuda de um administrador, além do analista de investimento. — Harry disse sincero. — Eu sei que existe um escritório de Arquitetura e Construção no Beco, na verdade, pretendemos contratá-los para reformar as cabanas dos Lobisomens. E, essa empresa tem um escritório em Londres que atua no mundo trouxa, mas, eles são pequenos, ainda que bem posicionado no mercado de Londres. O que o Sirius pretende fazer é algo maior, como construir casas populares e ecológicas para os trabalhadores que ganham menos e que são a maioria no Reino Unido. Reformar prédios de apartamentos em comunidades carentes, construir prédios para que os mais pobres tenham onde viver. Também fará projetos para os trouxas ricos, claro, a empresa tem que ter lucro o suficiente para se manter funcionando. Apenas a prioridade não é o lucro e sim, conseguir empregos para os lobisomens e ajudar os trouxas mais necessitados ao mesmo tempo.
— Isso é uma ideia brilhante. — Trevor disse e parecia sem fôlego. — Harry, no meu bairro, existem montes de prédio caindo aos pedaços, em risco de incêndio, onde as pessoas são obrigadas que viver porque ganham uma miséria.
— No meu antigo bairro também. — Lisa disse animada. — Agora estamos em um lugar melhor por causa da indenização, mas, antes vivíamos em um bairro pobre e o nosso apartamento tinha vazamentos, mofo, sem falar que no inverno era frio como o ártico.
— Isso é bom. — Harry disse. — Façam uma lista dos lugares que vocês conhecem, podem ser ótimos pontos de partida para o Sirius. A empresa agirá em todo o Reino Unido, pois com magia, as equipes podem se deslocar facilmente. E, se alguns dos seus parentes tiverem interesse, a empresa precisará de tudo, secretárias, recepcionistas, pedreiros, carpinteiros, assistentes, gerentes, administradores, engenheiros, arquitetos.
— Harry, meus pais conseguirão uma vaga nessa empresa? — Owen perguntou ansioso.
— Sim. Na verdade, eles foram convidados a se qualificarem e isso serve para todos. Aqueles que tiverem interesse em estudar alguma nova profissão, nós ajudaremos com bolsas de estudo, assim, como faremos com os lobisomens.
— Isso parece enorme e demorado. — Observou MacMillan. — O que acontecerá com os lobisomens enquanto isso?
— Sirius está apressando tudo e ele tem dinheiro suficiente para fazer isso acontecer rapidamente. — Harry disse objetivo. — Quando se mudarem para a ilha, os lobisomens estarão bem ocupados com a reconstrução das cabanas, a implementação das estufas e dos animais. Além disso, estou abrindo duas novas empresas paralelas as minhas fazendas, que geraram algumas dezenas de empregos.
— Eles também estarão se qualificando para os novos trabalhos, alguns aprenderão nas fazendas Potters, como cuidar das estufas e dos animais. — Explicou Terry. — Haverá muito para mantê-los ocupados e os empregos estarão lhes esperando depois.
— Harry? — Hannah perguntou timidamente. — Você acredita que Sirius contrataria bruxas nascidas trouxas também? Porque, minha mãe está tentando conseguir um trabalho, sabe.
— Pensei que ela quisesse abrir um pub. — Harry perguntou suavemente.
— Bem, sim. Mamãe costumava ajudar o Tom no Caldeirão alguns dias por semana e, ela sempre pensou que quando nós o herdássemos, poderíamos reformar e administrar um dia. — Ela disse suavemente, depois deu de ombros. — De qualquer forma, agora, isso não é possível.
— Bem, se ela é nascida trouxa, acho que saberia muito sobre o mundo trouxa, então, acredito que sim, mas, talvez, ela se interesse em trabalhar no Night Club que o Sirius abrirá no antigo prédio do Caldeirão. — Harry sugeriu. — O lugar está sendo reformado e, no verão, Sirius irá inaugurar, assim, já está procurando pessoal.
— Oh! Acho que mamãe gostaria disso. — Ela disse sorrindo e trocou um sorriso animado com Susan.
— Diga a ela para enviar um currículo também e isso serve para todos que tiverem familiares que precisam ou querem trabalhar, e que não sejam puristas, por favor. — Harry brincou. — Agora, passamos de trabalho para escola. O Castelo também será reformado, uma grade curricular montada, Remus e Serafina estão cuidando disso e serão alguns dos professores. Qualquer sugestão que tenham, ideias, são bem-vindas.
— Harry, eu fico feliz de ser informada de tudo isso, mas, me parece que os seus adultos estão cuidando de tudo muito bem. Porque precisa de nossas ajudas? — Perguntou Daphne com fria curiosidade.
— Porque ninguém mudará o mundo mágico sozinho. — Neville respondeu com firmeza. — Dumbledore é bom e poderoso, mas, sozinho em sua torre, nunca fez nada. A 100 anos, nosso mundo era assim, a 50, era exatamente o mesmo e, Harry sabe que não pode fazer tudo sozinho.
— Nossas mentes são inteligentes e espertas, mas, todas as nossas mentes juntas, são capazes de revolucionar o mundo mágico, sem guerra e violência. — Terry acrescentou e Harry sorriu orgulhoso para os amigos.
— Eu posso ter começado, mas, esses não são os meus feitos ou os meus projetos, eles são nossos. — Harry disse. — Quero que ajudem, porque preciso de ajuda, os lobos, os elfos, os goblins, os nascidos trouxas, precisam que nos unamos. Além disso, não farei tudo sozinho, seus preguiçosos.
Todos riram e acenaram parecendo mais ansiosos por se envolverem. Harry olhou para Daphne que apenas acenou com indiferença, mas, ele pôde ver seus olhos brilhando com o mesmo entusiasmo dos outros.
— O que podemos ajudar sobre a escola? — Claire perguntou.
— Além das doações? — Terry perguntou. — Quer dizer, o que eles mais precisarão são de livros trouxas e mágicos e materiais de escrita, que já doamos. Organizar a grade curricular e contratação de professores têm que ser feito pelos adultos.
— E, não podemos pedir que ofereçam aos seus adultos a oportunidade de serem professores na ilha, pois, eles não saberão sobre ela. — Harry disse muito sério. — Isso é muito importante. Aqueles que enviarem seus familiares trouxas para trabalharem na nova empresa do Sirius, não devem falar nada sobre a ilha, eles apenas saberão que parte da equipe de funcionários são lobisomens. Entenderam? — Muitos acenaram, mas outros se mostraram confusos.
— Um segredo só continua segredo se o menor número de pessoas sabe sobre ele. — Ginny disse olhando em volta. — Não apenas a localização da ilha precisa ser secreta, mas sua existência também ou ela se tornará vulnerável.
— Bem-dito. — Harry disse suavemente. — O Ministério pode causar problemas imensos se souberem sobre a existência da ilha, mas, pior será quando Voldemort retornar.
— Mas, as pessoas se perguntarão para onde foram os lobisomens, quer dizer, eles desaparecerão completamente. Certo? — Perguntou Eddie Carmichael.
— Na verdade, os seus acampamentos desaparecerão. — Neville respondeu. — Quando eles tiverem trabalho e renda, acredito que os veremos com frequência no Beco Diagonal, por exemplo. Não é como se eles tivessem uma marca que os identifique como lobisomens.
— E, o registro? — Perguntou Ron preocupado. — Existe um registro no Ministério de todos os lobisomens contaminados. Pelo que entendi, foi assim que os aurores os encontraram e mataram na última guerra.
— É verdade. — Harry acenou. — Mas, isso é de circulação interna, apenas alguns funcionários de alto escalão têm acesso e eles não ficarão no Beco pedindo a identidade de cada pessoa que entra.
— Isso significa que os lobisomens logo estarão circulando pelo mundo mágico, protegidos por algum anonimato e seguros na ilha, que ninguém saberá que existe. — Terry disse. — O que nos leva a outro assunto importante. Meu pai redigiu contratos de confidencialidade para que todos assinem e eles serão obrigatórios para todos que quiserem visitar ou saber onde fica a ilha.
— Isso é importante para eles e vocês, pois impede traidores ou que sejam obrigados a contar por tortura ou enganações. O que torna a oclumência ainda mais imprescindível, pois seria muito ruim se conseguissem ler suas mentes para conseguirem as informações. — Harry explicou e todos acenaram, dispostos a assinar.
— Porque esse contrato não serve para os lobisomens? — Megan perguntou curiosa.
— Ele serve e eles assinaram também, pois precisamos que mantenham segredos importantes. — Terry respondeu. — Mas, o contrato de arrendamento, Harry quer que seja assinado individualmente, onde todos se comprometem a proteger a comunidade lobisomem.
— Seria muito ruim se, por exemplo, um lobisomem decidisse se juntar a causa de Voldemort. Assim, o contrato deles não é apenas para que não contem segredos, mas, para que nunca traiam a comunidade lobisomem ou a nós. — Harry disse e um silêncio pesado caiu sobre a sala.
— Você acredita que eles precisam assinar isso e nós não? Porque? Só porque eles são lobisomens? — Dean perguntou indignado.
— Isso é errado e se for assim, todos deveríamos assinar! — Lisa o apoiou.
— Nós não nos juntaremos ao Voldemort! — Protestou Susan.
— Bom, quem garante isso? — Mandy falou muito séria. — Como podemos ter certeza que um de vocês puros não se voltará contra nós quando a guerra piorar? Eu tenho família trouxa e me sentiria mais segura se todos assinassem.
— Isso é um absurdo! — MacMillan falou. — Eu sou puro, mas, não sou purista!
— Jamais me envolveria com Voldemort! Um Corner jamais faria isso e não preciso de um contrato...
— Os Weasley lutaram ao lado da luz desde sempre...
Rapidamente a situação se tornou mais barulhenta e raivosa. Mestiços e nascidos trouxas contra puristas, discutindo e argumentando, além de Dean e Lisa defendendo os lobisomens.
Harry se manteve em silêncio observando, Terry tentou interferir, mas, ele sinalizou que não e deixou que todos falassem por alguns minutos. Os únicos que ficaram em silêncio eram Daphne, Ginny, Neville e Hermione que olhava para a discussão com expressão chocada. Demorou alguns minutos, mas, aos poucos, eles perceberam que Harry os encarava com expressão séria e dura.
— Terminaram? — Ele perguntou quando a discussão acabou e muitos acenaram constrangidos e desafiadores. — Respondendo a sua pergunta, Dean, não, eles não assinarão esse contrato por serem lobisomens, mas porque não os conheço e não tenho como ter certeza da índole de todos. Quanto a nós, o contrato de confidencialidade garante que vocês mantenham em segredo tudo o que que discutimos e planejamos aqui. Aos poucos, mais informações serão passadas a todos, coisas que não podem se tornar fofocas ou ser discutida onde pode ser ouvido. Ponto. — Harry disse e olhou para Dean e Lisa, que acenaram. — Sobre traidores, eu acredito que todos aqui são sinceros e não puristas, mas, Peter Pettigrew também era, antes que suas traições causaram a morte de Carole Boot, Edgar Bones e sua família, Marlene McKinnon e sua família, Dorcas Meadowes, Caradoc Dearborn, Fabian e Gideon Prewett, James e Lily Potter. Mortes diretas, que temos conhecimento, isso sem falar nas indiretas ou que não foram descobertas. — Todos empalideceram e as expressões de Susan e dos irmãos Weasley eram de profundo choque. — Não seremos como a Ordem da Fênix ou Dumbledore, não teremos um rato entre nós, mas, a única maneira de termos essa certeza, é se todos assinarem o contrato, o mesmo que os lobisomens. Aqueles que não quiserem, não receberão informações importantes no futuro, também não participarão de decisões ou missões, não terão conhecimento das casas seguras ou planos de proteção. Eu os treinarei para se defender, mas, não lhes ensinarei magias que poderão ser usadas contra nós no futuro. — Todos ainda estavam em silêncio, pálidos e sérios demais e Harry lamentou que tivessem que ouvir algo assim sendo tão jovens. — Não é algo que precisamos decidir agora, mas, gostaria de uma resposta até setembro, por favor.
— Eu não preciso esperar. — Fred disse zangado. — Eu assinarei e qualquer um que se recusar, podem se esquecer de mim e dos meus irmãos, na verdade, não precisa voltar a falar conosco. E, eu gostaria de saber o que é a Ordem da Fênix.
Houve inúmeros acenos e expressões surpresas, pois a maioria nunca viu o brincalhão Fred tão sério e tenso. Harry notou uma movimentação da Hermione e, ao olhá-la, percebeu que ela queria responder à pergunta, assim, ele sinalizou. Hermione, como sempre, respondeu completamente, cada pequeno detalhe que eles descobriram sobre a Ordem da Fênix, seu objetivo, os membros conhecidos e como cada um morreu, traídos por Rabicho. Até a versão de Vance, que discutiu com Dumbledore e abandonou o grupo ao perceber que o diretor parecia não se importar em descobrir se eles tinham um traidor e que, aos poucos, a Ordem estava sendo dizimada de dentro para fora, cruelmente.
— Porque... — George e Fred estava com muita raiva, mas quem fez a pergunta foi Ron. — Não entendo, porque nossos pais não souberam disso?
— Você tem certeza que eles não sabem? — Susan disse e enxugou os cantos dos olhos. — Porque, eu tenho certeza que minha tia e meus pais sabem, apenas, não me contaram, porque sou muito jovem.
— Sim, mas, meus pais teriam contado aos meus irmãos ou falado entre si e teríamos ouvido, porque nossa casa não é grande. Quase sempre, encontramos um jeito de ouvir as conversas dos adultos. — George disse pensativo. — Não importa, agora nós sabemos e podemos questioná-los.
— Depois de ouvir tudo isso, alguém aqui é contra assinarmos esse contrato? — Trevor perguntou. — Porque, eu não colocarei meus amigos e família em risco.
Ninguém se opôs e muitos acenaram, determinados a mostrar que nunca seriam iguais ao Rabicho.
— Temos que superar essas desconfianças, pois, sinceramente, não acredito que ninguém aqui se juntaria a Voldemort. O contrato nos dará maior segurança, principalmente com a vida de quem amamos ou dos que queremos proteger, assim, se todos concordarem, pedirei ao Sr. Falc que redija os contratos para que assinem em setembro. — Harry disse. — Bem, depois que desenvolvermos um contrato bem completo e justo.
— Eu voto em uma punição bem severa para aquele que quebrar o contrato. — Ginny opinou, seus olhos brilhavam de raiva, mas estavam secos. — Perder a magia ou morrer, no mínimo.
— Eu concordo. — Daphne disse com indiferença. Harry percebeu que Hermione parecia desconfortável com a conversa. — Mas, menores de idade não podem assinar contratos com esse tipo de acordo.
— Acho que o mais importante não é a punição, até porque, servir Voldemort me parece o suficiente. — Disse Neville pensativo. — Precisamos de uma punição que nos ajude a identificar o traidor, alguém que se tornou espião ou pretende se tornar. Seria terrível descobrir apenas depois de uma traição e da morte de inocentes ou amigos.
— Isso é muito subjetivo. — Penny disse. — Contratos mágicos tem que ser redigidos com mais objetividade ou podem ser reinterpretados e até iludidos por alguém inteligente. Nas aulas extras para os puros sangues, eles ensinam a não assinar nada sem ler, claro, mas também insistem que um texto mal formulado pode levar a problemas sérios também. Quer dizer, se você se comprometer com algo impossível, pode sofrer sanções apesar disso. Ignorância não o exime das consequências, é o que diz o professor.
— Mais uma razão para que pesquisemos contratos mágicos, encantos e magias que nos proteja e aos lobisomens. — Harry disse. — Os adultos estão trabalhando nisso também, mas, nós temos a Biblioteca de Hogwarts a nossa disposição e mais tempo que eles.
— O bom é que o contrato pode ser escrito com mais de um acordo e ter mais de uma magia. Por isso, com todas as nossas mentes pensando juntas, podemos conseguir formular o melhor acordo possível. — Disse Terry e todos acenaram.
— Agora, o último assunto. — Harry disse e olhou para o relógio. — Estamos apertados com o tempo. Sirius esteve em um jantar com o Partido Progressista ontem à noite, esse foi o principal motivo para chamá-los aqui.
— Qual foi a impressão dele sobre o Sr. Finley? — Trevor perguntou curioso.
— A mesma que a sua sobre o filho dele, Allen. — Harry respondeu. — Ele parece honesto e gentil, é muito hábil com as palavras, mas, pouco diz de concreto. Sirius lhe perguntou diretamente quando apresentará projetos de proteção aos lobisomens e Finley disse que fará isso depois de eleito, pois está concentrado na campanha agora. Finley acrescentou que pressionou o Fudge a fazer as doações para as matilhas e que, ele mesmo doou do próprio bolso, mas que qualquer mudança de legislação deve esperar até que ele esteja sentado na cadeira de Ministro.
— Mentira. — Tracy disse ironicamente. — Falsas promessas de campanha e, aposto que quando for o Ministro, encontrará outra desculpa para não agir.
— Sim, e Sirius tem informações de primeira mão, que as doações de Fudge foi um movimento do Partido Conservador para limpar a imagem do Ministro. — Harry acrescentou. — Finley nunca o pressionou para fazer isso.
— Quer dizer que o Fudge está fingindo mudar de ideia para ganhar a eleição e Finley fingindo se importar com os lobisomens para vencê-lo. — George fez uma careta. — Aquela repórter, Vance tem razão, estamos ferrados com esses caras.
— E, eu estou feliz de nunca ter pensado em trabalhar no Ministério, esses caras são uns sacanas. — Disse Fred e muitos acenaram.
— O que o seu padrinho fará? — Daphne perguntou curiosa.
— Ele ainda está discutindo as opções com os meus outros adultos, mas, sua intenção é não apoiar nenhum dos dois lados, além de ser uma oposição dura para o vencedor. — Harry disse e sorriu timidamente. — Na verdade, tentei convencê-lo a se tornar Ministro, ele mesmo.
— Isso seria legal! — Tracy disse animada e olhou para Daphne que entendia mais de política. — Resolveria todos os problemas, certo?
— Em teoria. — Daphne respondeu pensativa. — O Ministro tem muito poder e, se estiver disposto, pode realizar muitas mudanças, mas, ainda, precisaria ter o apoio da Suprema Corte para realizar muitas coisas.
— A verdade é que ninguém consegue se tonar Ministro sem o apoio da maioria da Corte, o que significa fazer muitas promessas em troca dos votos. E, se depois de eleito, o ministro resolvesse romper com alguns membros ou não cumprir as promessas, ele perderia o apoio da Corte e dificilmente realizaria qualquer mudança significativa, pois todos votarão contra suas propostas, por princípio, não importa a causa. — Acrescentou Corner.
— Quer dizer que os votos são políticos? Se o Ministro não agradar os membros da Corte, ele não recebe apoio para os seus projetos? — Hermione perguntou irritada. — Isso não deveria acontecer na Suprema Corte! Seus votos deveriam ser jurídicos e embasados na legislação, em projetos que melhorem a vida da população mágica!
— Os Neutros pensam assim, mas, os membros do Partido Conservador e Progressista, pouco estão interessados em outra coisa que não seja política. — Disse MacMillan.
— No caso dos Conservadores, é importante ficarem no poder para impedir mudanças e no caso dos Progressistas, eles querem mais poder político, para poderem realizarem as mudanças que lhe interessam. — Daphne disse. — Mas, no fundo, o que importa é terem poder, eles não se preocupam realmente com causa alguma ou com qualquer um.
— Se o seu padrinho se envolver com isso, pode ficar igual aos outros políticos, Harry. — Disse Corner e Harry lhe lançou um olhar mal-humorado.
— Sirius não quer ser Ministro ou se envolver com política, apenas, quer lutar por leis mais justas, isso foi o que ele sempre quis. Agora que não pode mais ser auror, seu desejo é lutar na Suprema Corte apresentando novo projetos de lei, além disso, a ideia de ele ser Ministro foi minha. — Harry informou. — Mas, ele não tem como fazer isso, porque os Partidos já têm os seus candidatos, Sirius sabe que nem os Progressistas ou os Conservadores o apoiariam. Ainda que, na verdade, ele também não quer o apoio deles.
— Ele poderia ter o seu próprio Partido. — Luna disse com sua expressão sonhadora
Todos a encararam por alguns segundos, até...
— O que? Ele não pode fazer isso! — Corner protestou.
— Porque não? — Luna o encarou virando a cabeça lateralmente, parecendo muito interessada em sua resposta.
— Porque..., bem, isso nunca foi feito antes... — Corner pareceu incomodado por seu olhar fixo.
— Bem, só porque algo nunca foi feito ou visto, não quer dizer que é impossível fazer ou existir. Como os Narguilés, é claro.
— O que são narguilés? — Corner perguntou perdido.
— São pequenas criaturas inofensivas que infestam os visgos, por isso algumas pessoas ficam estranhas quando ficam embaixo deles. Meu pai sempre diz que devemos evitar os visgos se não quisermos ficar confusos. — Luna disse convicta.
— Nunca ouvi ou li nada sobre essa criatura. — Hermione falou interessada. — Como eles se parecem?
— Bem, isso ninguém sabe, porque narguilés são invisíveis, isso é comum de acontecer quando as criaturas são ignoradas pelos bruxos. Eles desenvolvem a invisibilidades, como os testrálios, claro. — Luna explicou em tom meio professoral.
— Mas... se são invisíveis, como sabe que eles existem? — Hermione perguntou a encarando com descrença.
— Exatamente o que disse. — Luna respondeu. — Só porque você não vê ou nunca foi feito, não quer dizer que não é possível.
Enquanto todos a encaravam confusos ou divertidos, Ginny sorriu com carinho.
— Acho que a Luna está certa, Harry. — Ela disse. — Aposto que alguns dos membros dos Partidos estão descontentes com o que seus colegas propõem ou fazem. O pai de Murray, por exemplo, talvez, ele tenha interesse em deixar os Conservadores, mas, porque fazer isso e ir para os Progressistas, que não são muito melhores? — Ginny tinha seus olhos brilhando de determinação. — Se o Sirius fundar o seu próprio Partido, um verdadeiro grupo político interessado em realizar grandes coisas, ele poderia atrair alguns membros da Suprema Corte entre os Conservadores, Progressista e Neutros, assim, eles poderão ser uma oposição forte contra os dois poderes atuais.
— Isso poderia dar certo. — Daphne olhou para Ginny e Luna com aprovação. — Não para as eleições do ano que vem, mas, daqui a 5 anos, o Partido de Black poderia ter poder e influência o suficiente para lançá-lo como candidato. E, se Sirius conseguir votos suficientes na Suprema Corte, talvez, não a maioria...
— Mas, sendo eleito, ele teria grande influência e, dependendo do projeto apresentado, ele poderia ter alguns votos entre os Progressistas, que seriam um partido mais amigável e não opositores diretos como os Conservadores. — MacMillan acenou. — Sim, pode dar certo, não quer dizer que seria fácil.
— E, ele precisará do apoio de membros importantes da sociedade mágica, mas, sendo um Black, padrinho de um Potter, que tem contato com famílias importantes, isso não me parece difícil de se obter. — Daphne apontou para Terry e Neville. — Si, acredito que é a melhor ideia, se Black realmente quer mudar o mundo mágico.
Harry ouviu as ideias e sorriu, cada vez mais convencido de que os envolver nos projetos era a coisa certa. Hoje, eles ofereceriam boas ideias e, amanhã, seriam os adultos realizando boas ideias.
— Não sei como direi isso ao Sirius, porque ele ficou horrorizado quando sugeri que se tornasse Ministro da Magia, imagine quando lhe disser que, primeiro, ele deve fundar um novo Partido. — Harry disse com os olhos brilhando de diversão.
Isso provocou alguns risos e sorrisos animados.
— Bem, acho que temos outra missão a partir de agora. — Terry disse. — Temos que ajudar Sirius Black a se tornar o Ministro da Magia!
— O que fazemos primeiro? — Alguém perguntou e em poucos segundos, todos estava dando ideias, completamente esquecidos do toque de recolher.
E, Sirius, estava dormindo em Londres, na minúscula cama de Denver, sem imaginar, nem em seus sonhos mais loucos, que seu futuro estava sendo planejado por um monte de adolescentes.
Mais tarde, depois que todos deixaram o Covil, lentamente e em pequenos grupos para não serem pegos, Hermione e Terry faziam as últimas anotações da reunião.
— Foram tantas e boas ideias. — Ela disse entusiasmada. — Vocês estão certos em envolver o pessoal do Covil, transformá-los em uma equipe, todas as nossas mentes juntas podem fazer mais do que apenas nós quatro.
— Essa ideia é do Neville, na verdade, ele insiste que não nos transformemos em Dumbledore. — Terry disse, guardando em sua mochila os livros de ideias e registros.
— Isso é brilhante e tão empolgante, quer dizer, não apenas estamos nos rebelando contra o sistema, mas, também, criando uma nova política, com uma visão e objetivos mais humanos e justos. — Hermione disse sorridente. — É disso que o mundo mágico precisa, uma nova geração mais...
Suas palavras foram interrompidas por um riso feminino cristalino e Hermione olhou confusa em volta, pois tinha certeza que apenas os quatro tinham restado. Ela até tinha a intenção de perguntar alguns assuntos confidenciais, mas, agora percebia que nem todos tinham partido ainda. Ginny estava conversando com Neville e, os dois riam muito de algo que a menina dissera. Nesse momento, Harry voltou a entrar na sala, tendo acompanhado o último grupo até a entrada do Covil e se aproximou dos dois. Ao ouvir o que Ginny dizia, ele gargalhou e colocou o braço em volta dos seus ombros, apertando-a em um abraço amigável e carinhoso.
Isso fez Hermione franzir o cenho confusa, porque o Harry raramente abraçava ou iniciava contatos físicos, muitos menos assim, tão casualmente. Mas, o que mais incomodou Hermione é que ela queria conversar com seus amigos e, com a presença da menina ruiva, isso não seria possível.
— Porque ela ainda está aqui? — Ela sussurrou para o Terry, que apagava o que escreveram na lousa pendurada na parede.
— Hum? Quem? — Ele acompanhou o seu olhar. — Ginny? Bem, porque ela não deveria estar aqui?
Ele se mostrou confuso e Hermione não tinha uma resposta justa, assim, apenas deu de ombros e deixou o assunto morrer. Em pouco minutos, eles estavam prontos para partir, mas, Ginny e Harry tinham se sentado em um dos sofás e conversavam um com o outro baixinho, sem perceberem que Neville não os acompanhou.
— Quer jogar uma partida de xadrez? — Neville perguntou a Terry, que acenou negativamente.
— Estou acabado, Nev, podemos deixar para amanhã? — Terry respondeu sonolento e Neville acenou concordando.
— Deveríamos ir, de qualquer forma, já passou mais de uma hora do toque de recolher. — Opinou Hermione, desaprovando que eles estendessem ainda mais a quebra do horário.
— Pode ser. — Neville deu de ombros. — Ginny, estamos indo para a Torre. Você nos acompanha?
— Eu levo ela depois, Nev. — Harry se apressou em responder, quando Ginny acenou que não.
— Ok. Até amanhã.
Neville e Terry se despediram, deixando a sala calmamente, como se fosse normal o Harry ficar mais tempo conversando com a Ginny. Ela hesitou, deveria lhes chamar a atenção, mas, Hermione sabia que com a capa e o mapa, Harry não seria pego e cuidaria para que Ginny também não fosse. Além disso, não era da sua conta o que eles tinham para conversar, pensou, tentando não se incomodar com isso ou com o fato de que seja o que fosse, Harry não parecia ter a intenção de discutir com eles.
Depois que os três deixaram, Ginny olhou pensativa para o Harry, percebendo por seu olhar, que algo o preocupava.
— Algo que ruim aconteceu? Quer dizer, você parece preocupado com alguma coisa e... se quiser conversar. — Ela disse suavemente e arrancou um meio sorriso de Harry, que deu de ombros. — Você sempre me ouve quando estou chateada ou preocupada ou triste, se quiser compartilhar o que te incomoda, eu ficaria feliz em ouvir.
— Tem certeza que não é um incomodo? — Harry perguntou meio tímido. Em sua experiência, normalmente, as pessoas não estão muito interessadas em seus sentimentos, ou ignoravam isso ou esperavam que ele fosse forte e corajoso.
— Você jamais seria um incomodo, mas, se um dia isso acontecer, prometo deixar bem claro a minha irritação. — Ginny brincou e lhe deu uma piscadela, o que fez o Harry rir levemente. — Se eu não sou um incomodo e, espero sinceramente não ser, o que o faz pensar que você seria para mim?
Harry olhou por alguns segundos os seus olhos castanhos que lembravam chocolate ao leite derretido e brilhante. Sua sinceridade e afeto eram claros, o que o fez se sentir aquecido por dentro de um jeito bom e estranho.
— Bem, primeiro, nunca você poderia ser um incomodo, mesmo que meninos normalmente não gostem de falar de sentimentos, eu gosto muito de conversar com você. — Harry disse, como sempre sincero e sem noção do significado de suas palavras. — É sempre fácil falar com você sobre certas coisas, talvez... bem... — Harry hesitou e decidiu não continuar nessa linha. — Bem, o que aconteceu...
Ele contou sobre o acidente no verão e como isso trouxe consequências boas, com sua tia e primo, mas, levou a prisão do Vernon. Harry contou sobre sua explosão no domingo e como esteve errado, pois Denver não era a responsável pela prisão do seu ex-tio. E, acabou chegando ao que mais o incomodava, sua preocupação com Dudley e a sensação de que desapontara o padrinho com sua atitude.
— O pais são assim, Harry, quando eles nos dão broncas, nos fazem se sentir culpados por termos errado e por tê-los desapontados. — Ginny disse suavemente. — Papai é especialista nisso, você se sente a pior pessoa na terra quando ele vem te dar uma bronca e explica o que você fez de errado. Mas, isso não quer dizer que ele está desapontado com você, mas, sim, com a sua atitude.
— Qual a diferença? — Harry franziu o cenho confuso com essa história de broncas de pais. — Porque, com os Dursley, eu continuar respirando era motivo de desapontamento constante, sabe.
Ginny apertou as mãos juntas tentando controlar o temperamento e a vontade de xingar aquele tal de Vernon ou dizer que a cadeia ainda era pouco por suas ações. Em sua opinião o verme merecia alguma tortura, com morcegos voadores.
— Bem, como disse, o papai é especialista nisso, mas a mãe é sempre mais... destruidora, talvez seja o termo. — Ginny suspirou. — Papai faz você se sentir muito culpado e arrependido pelo que fez, pois ele explica o que e porque fizemos de errado. Mamãe o faz se sentir mal consigo mesmo, porque ela dirá algo como, "estou muito desapontada com você"; "eu esperava melhor de você, mocinha"; "porque não pode ser bom como o Bill ou o Percy"; ou o pior, "porque você não pode ser gentil e delicada como as outras meninas".
Harry fez uma careta para os comentários, porque ele não achava que havia nada de errado com a Ginny, para ter que ouvir essas coisas.
— Ela está errada. — Ele disse e Ginny corou levemente, mas também sorriu grata.
— Bem, a mãe critica quem somos e, é como se nunca fossemos bons o suficiente para ela. Entende? — Ginny continuou e Harry acenou. — Papai critica nossos erros, mostra desapontamento por nossas atitudes e não por nós, ele não tenta nos mudar, apenas quer que entendemos que, o que fizemos foi errado, para não fazermos de novo.
— Ok. Acho que o Sirius foi mais como o seu pai. — Harry disse pensativo. — Isso quer dizer que ele não está desapontado comigo e sim com o que eu fiz. — Ele esperou que Ginny criticasse suas atitudes tolas. Terry dissera que Harry exagerara e errara em não ouvir toda a história e, se Hermione soubesse, lhe daria um sermão sobre desrespeitar os adultos e deixar o seu temperamento sem controle. — Você não vai dizer que eu fui um idiota?
— Não. — Ginny franziu o cenho. — Eu também ficaria zangada com essa interferência, além disso, Sirius e Denver, explicaram de uma maneira incompleta e como se você devesse estar comemorando. Eles esqueceram completamente do seu primo e sua tia, algo que é um erro muito grave da parte deles, na minha opinião. Por fim, quando perceberam que você não gostou ou estava preocupado, eles deveriam ter sido mais claros e não tentado convencê-lo de que a intenção da Denver foi boa. — Harry parou surpreso com suas palavras, que descreviam o cenário todo por um ponto de vista diferente. — Não que sua atitude tenha sido a melhor, mas, você já sabe disso e levou uma bronca de quem deveria lhe dar uma, ou seja, seu padrinho. Eu não estou aqui para te dar sermão e nem quero, porque, na minha opinião, os dois lados erraram, entenderam que estavam errados e pediram desculpas. Assim, como diz o meu pai, assunto superado.
Harry acenou, grato por sua perspectiva e se sentiu aliviado ao perceber que Ginny estava certa. Não precisava ficar remoendo isso, ele errara, entendera isso e ainda levara uma bronca, mas, a verdade é que não cometera um crime imperdoável e era hora de seguir em frente. Mais leve, ele olhou para ela e sorriu, levemente surpreso sobre como sempre se sentia melhor depois que conversavam.
— Obrigado, Guinevere, já estou me sentindo melhor. Você não teria uma solução para o Dudley também, teria? — Ele perguntou brincalhão.
— Na verdade... — Ginny sorriu com malícia. — Eu posso ter uma ideia.
— É claro que você tem. — Harry riu divertido. — Vamos lá, sou todo ouvidos.
— Você disse que trará Ffrind de volta para Hogwarts depois da páscoa, certo? — Ginny perguntou e Harry acenou.
— Estou morrendo de saudades dele e, agora que não tem mais basilisco, é seguro tê-lo aqui comigo. — Harry sorriu com o pensamento.
— Sim, mas, seu primo cuidou dele todos esses meses e, talvez, fique triste quando Ffrind partir com você. — Ginny disse. — Além disso, o filhote é seu e não dele, mesmo que tenha sido uma boa companhia.
— Oh... — Harry disse pensativo. — Dudley já está triste com a prisão do pai e ainda perderá a companhia de Ffrind. Isso, com certeza, o fará se sentir ainda pior. — Apesar de sentir o coração doloroso, Harry acenou resoluto. — Bem, então, eu deixarei o Ffrind com ele, Dudley precisa mais da sua companhia do que eu... E, bem, na verdade, eu tenho a Edwiges, que é uma ótima coruja, assim...
— Não, seu bobo. — Ginny sorriu, tocada por sua generosidade, mesmo que fosse óbvio a sua tristeza em não trazer o filhote. — Eu não lhe disse para abrir mão do seu filhote, para sempre ou temporariamente, minha sugestão é que você lhe dê um filhote de presente, assim, seu primo terá o seu próprio cachorro. Aposto que ele ficará feliz em não ter que emprestar o seu.
— Oh! — Os olhos de Harry brilharam de alívio e entusiasmo. — Claro! Eu posso fazer isso! Escreverei a minha tia... Ah não! Ela está na África essa semana! Perguntarei a Scheyla, talvez, ela saiba se eles têm algum filhote na idade certa em Hallanon! — Seu sorriso era imenso. — Guinevere! Você é um gênio! — E, em um impulso, Harry a abraçou e Ginny se engasgou de surpresa, mas, logo passou o braço por seu tronco, devolvendo o abraço.
Os dois ficaram assim, respirando fundo o cheiro um do outro, contentes e cheios de afeto. No entanto, outra coisa diferente aconteceu com os dois, borboletas começaram a voar em seus estômagos, provocando um frio estranho, ao mesmo tempo que uma quentura percorria o resto do corpo, se instalando em seus rostos sorridentes e, agora, corados. Os dois se afastaram ao mesmo tempo, constrangidos, não se encaram e, assim, não perceberam os sorrisos tímidos e rostos corados um do outro.
— Bem..., hum, — Harry pigarreou, pois, sua voz pareceu mais aguda. — Obrigado, pelos conselhos. Eu ia ficar remoendo tudo isso por semanas e semanas, agora, me sinto muito melhor.
— Hum... de nada, fico muito feliz em ajudar e... em ser sua amiga. Isso era o que eu mais queria, antes de vir para Hogwarts, sabe, ser uma grande bruxa e ser amiga de Harry Potter. — Ela riu meio envergonhada. — Eu adorava aqueles livros falsos e imaginava como seria legal viver uma aventura com você.
— Ugh! — Harry fez uma careta e riu também. — Bem, prefiro que sejamos amigos, sem livros e aventuras tolas, por favor.
— Concordo. — Ginny disse suavemente e, finalmente o encarou, sorrindo. — Eu prefiro assim também.
No domingo de manhã, os convites para a inauguração do Jardim da Lily chegaram as casas de todos os bruxos do mundo mágico. Incluindo nas casas trouxas que tinham filhos bruxos estudando em Hogwarts.
Um anúncio foi publicado no Profeta, explicando o convite e o evento em detalhes. Sentados na mesa da Ravenclaw, no café da manhã, Harry, Terry e Neville ouviram em silêncio enquanto Padma lia o jornal em voz alta, assim, os colegas em volta podiam acompanhar.
— Em 10 de Abril, no sábado de Páscoa, teremos o grande e esperado evento do ano, pelo menos até aqui. O Jardim da Lily, projeto idealizado por Harry Potter em homenagem aos seu pais, os amados James e Lily Potter.
Heróis de guerra, James e Lily, fizeram o sacrifício final por seu filho querido e, com suas ações corajosas e generosas, trouxeram ao nosso mundo a paz que todos ansiávamos e muitos lutavam ferozmente.
Lutadores, essa é uma das muitas qualidades de James e Lily, incansáveis em seus desejos de derrotarem a escuridão, a qualquer custo. Em proteger os inocentes, os perseguidos e injustiçados por leis e tradições puristas ultrapassadas e cruéis. Esta que vos escreve hoje, teve o prazer de conhecer James e Lily, pessoalmente e testemunhar o grande amor que sentiam, um pelo outro e por seu Harry, assim, me sinto privilegiada por estar presente neste emocionante momento.
Harry honra seus pais com atitudes, bons sentimentos e ações justas e corajosas, todos os dias. No entanto, o que ele mais deseja, é que todo o mundo mágico sempre recorde e honre James e Lily. Assim, em seu coração, Harry visualizou um lugar especial, não uma casa semidestruída, escura, abandonada, que mais parecia um lugar de terror e dor. Não era assim que Harry queria que seu pais fossem lembrados, ele os queria projetados pelo que os dois eram para o mundo e para si mesmo. Amor, alegria, generosidade, diversão, beleza e esperança. Esses são outros adjetivos perfeitos para James e Lily, assim, como um jardim cheio de flores, cores e perfumes, é o lugar perfeito para lembrar e homenagear meus dois queridos amigos.
Portanto, a partir do sábado de Páscoa, o Jardim da Lily estará aberto gratuitamente para todos aqueles que desejem desfrutar da paz e beleza do maior jardim já projetado no mundo mágico britânico. Com 5 hectares ou 50 mil metros quadrados, o Jardim foi magicamente projetado e ampliado por uma equipe de bruxos especialistas em construção, arborização e paisagismo mágicos, além de encantamentos rúnicos complexos.
O Jardim da Lily tem 500 espécies de flores e 100 variedades de árvores plantadas. São 60 mesas de piqueniques, 50 gazebos e 200 bancos espalhados por todo o imenso Jardim. Foram plantadas 1100 árvores, que assim como as flores, arbustos e grama verde, se mantem magicamente conservadas por todo o ano. Um complexo esquema de alas anti trouxa foram projetadas, respeitando o Estatuto de Sigilo, ainda que proporcione aos trouxas uma linda visão, de um jardim menor, que vivenciará os efeitos das 4 estações.
Ainda nesta manhã de domingo, todas as casas que tem um bruxo, receberam um convite para comparecer ao Jardim da Lily. O convite verde escuro é feito de um pergaminho reciclado, para a conservação das árvores. Fechado por uma delicada fita de cetim roxa e selado por uma cera vermelha, que contém o emblema do Jardim da Lily. Este desenho no brasão do selo, nos mostra um lírio entrelaçando os chifres de um cervo. O desenho será facilmente reconhecido nos portões da entrada do Jardim, onde foi artífice em ferro dourado e vermelho, as cores da casa de James e Lily em Hogwarts.
Muitos estarão curiosos sobre os chifres de cervo no brasão, mas, esta resposta todos receberão no dia da inauguração. Desde já, os aconselho a se prepararem para algumas lindas e emocionantes surpresas. Eu tive o privilégio de visitar o Jardim da Lily com antecedência e lhes garanto que não existe em nosso mundo, um local tão belo e representativo de dois incríveis bruxos.
O Jardim da Lily está localizado em Godric's Hollow, que, como todos sabem, é a cidade onde se localizava o Chalé Iolanthe, local onde James e Lily foram assassinados cruelmente. Godric's Hollow é uma pequena vila de apenas 1.753.000 habitantes, destes, ao menos a metade são de bruxos, portanto, a cidade tem um ponto de aparatação oficial. A partir das 8:30 da manhã, os convidados bruxos, que desejarem chegar por aparatação, podem usar o ponto de aparatação localizado na saída norte da cidade, entre as árvores. Uma pequena caminhada de 15 minutos os espera, mas, o local é tão bonito que lhes garanto que não se incomodarão.
Além da aparatação, os convidados podem usar o flu para a Estação de Godric. Na pequena vila, não existia uma estação de trem, mas, Harry Potter e seus guardiões construíram uma, e a nomearam a partir de um dos Fundadores de Hogwarts, Godric Gryffindor, que também dá nome a cidade, onde viveu a mil anos. Assim, a partir de agora, uma linha de trem trouxa seguirá das principais e grandes cidades da Inglaterra, Escócia e País de Gales, para a Estação de Hereford, que terá uma linha exclusiva com a pequena Estação Godric em Godric's Hollow.
Isso permitirá que não apenas famílias bruxas, mas famílias trouxas, que têm membros bruxos e conhecimento do mundo mágico, possam visitar o Jardim da Lily a qualquer momento que desejarem.
E, em mais um toque especial e gentil, Harry Potter e seus adultos, como ele gosta de chamá-los, providenciaram uma viagem no Expresso de Hogwarts para os convidados. Assim, aqueles que não podem ou querem aparatar ou fazer uso do flu, poderão se deslocar até Godric's Hollow no trem mágico, que deixará a plataforma nove e meia, às 8 horas em ponto e retornará às 16 horas para Londres. O convite, que todos estão recebendo esta manhã, lhes permitirão acessar a plataforma nove e meia, onde poderão subir no Expresso de Hogwarts e, com segurança e conforto, viajarem para o Oeste da Inglaterra. Não se preocupem, pois, a viagem mágica está programada para durar apenas 1 hora, assim, todos estarão na Estação Godric às 9 horas e, depois de uma caminhada de 5 minutos, se verão em frente aos portões dourados e vermelhos do Jardim da Lily, que se abrirão pontualmente, às 9:05.
Apesar de já ter visitado o lindo Jardim, espero ansiosa pela inauguração, como todos vocês, leitores, pois acredito que a beleza do Jardim da Lily, se ampliará diante da presença das pessoas que eles salvaram e que ali estão para sempre honrarem sua incrível e maravilhosa vida, não sua trágica morte.
Venham todos, companheiros, venham, para lembrar e homenagear os nossos heróis.
Emmeline Vance, Repórter do Profeta Diário.
Todos os amigos que se sentavam mais perto e ouviram a leitura se mantiveram em silêncio, assombrados e emocionados.
— Uau... — Sussurrou Lisa. — Você alugou o Expresso de Hogwarts?
— E, construiu uma estação? — Mandy estava de olhos arregalados.
— Sim. — Harry disse e deu de ombros como se não fosse nada demais. — Assim, todas as famílias trouxas dos bruxos podem ir, além disso, o passeio pelo Expresso tornará o evento mais especial, eu penso.
— Minha irmãzinha é louca para andar no Expresso de Hogwarts. — Owen disse pensativo e animado. — Mas, como faço para chegarmos a Londres? Da Irlanda?
— Use o flu de Hallanon para o Saguão do Beco Diagonal, caminhe até King Cross e pegue o Expresso. — Harry disse comendo mais um bocado de ovos mexidos. — Eu também irei pelo Expresso, aliás, acredito que será divertido.
— Trouxas no Expresso de Hogwarts! — Morag exclamou. — Isso será uma sensação!
— Você sabe como agitar as coisas, Harry, imagino o que mais tem no jardim para nos surpreender. — Observou Corner curioso.
— Sem informações privilegiadas, Michael. — Terry disse com um olhar agudo para o garoto.
— Nós também não sabemos nada sobre o jardim, apenas ouvimos que é sensacional. — Acrescentou Neville suavemente.
— Estou tão ansiosa, aposto que essas próximas duas semanas se arrastarão! — Disse Mandy e todos acenaram.
— Gostei dessa Vance como repórter. — Padma disse com os olhos no jornal, relendo a reportagem silenciosamente. — Ela é muito eloquente e inteligente. Realmente, é um texto muito bonito, Harry, Vance deveria gostar muito dos seus pais.
Harry acenou com um sorriso suave.
— Todos que os conheceram sempre me dizem que era impossível não os amar. — Harry disse mexendo a comida suavemente.
— Você fará um discurso, Harry? — Corner perguntou se servindo de um grande pedaço de torta de chocolate. — Sabe, como aquele na abertura do Beco Diagonal... — Ele se interrompeu ao encher a boca com uma mordida de torta.
— Não tenho essa intenção, o Jardim falará por si mesmo, além disso, colocamos pequenos pedestais em bronze, onde pergaminhos de metal azul terão informações sobre cada ponto do jardim. — Harry disse se perguntando porque não conseguia gostar muito do cara. — Sabe, sobre as escolhas de flores e paisagismo, na entrada existe um pedestal em vermelho e dourado falando alguma coisa sobre os meus pais. Acho que é o suficiente...
— Bem, eu, no seu lugar, falaria algo e Black também, claro. — Corner disse e não percebeu o olhar irritado do pessoal, até Anthony e Lisa pareciam incomodados com suas palavras. — Vocês estarão em frente a todo o mundo mágico, deveriam usar o momento para conquistar alguns apoiadores, isso pode lhes render muitos votos no futuro. Mais ainda, se fizerem o público chorar...
Mandy se inclinou sobre Padma e lhe deu um beliscão tão doloroso que Michael pulou, gritou, se encolheu e empalideceu, tudo ao mesmo tempo.
— Ahhh! O que?
— Se não calar a boca, seu idiota, te arranco um pedaço na próxima vez. — Disse Mandy o encarando furiosa e, foi só então, que Michael percebeu os olhares zangados ou contrariados.
— Acredita que sabe, Michael? Realmente, você pode me dizer, com certeza absoluta, o que você faria se estivesse em meu lugar? Se os seus pais estivessem mortos? Assassinados? — Harry perguntou em tom suave, mas, seus olhos revelavam um toque de magoa, que ele não conseguiu disfarçar.
— Eu... desculpe... — Ele estava meio corado de constrangimento, mas, ficou pálido quando Harry lhe fez a pergunta.
— O Jardim da Lily se trata dos meus pais, é uma homenagem para eles, que durará séculos e, assim, James e Lily Potter nunca serão esquecidos. — Harry disse e baixou os olhos, pois não queria que vissem sua tristeza. — Eles merecem muito mais, mas, isso... eu só tenho isso, que posso fazer por eles... nada mais.
O silêncio na mesa se prolongou, triste e constrangedor, mas Lisa deu um cutucão em Michael, que levantou a cabeça e tentou concertar.
— Sinto muito. — Ele disse sincero e constrangido. — Eu falei sem pensar...
— Bem, pelo jeito, deve haver um Ron em todas as mesas, então, porque falar sem pensar é a especialidade do meu irmão. — Ginny disse sentando-se ao lado do Harry e lançando um olhar mortal para Michael. — Ter a sensibilidade de um camelo é outra coisa que vocês têm em comum, Mickey, talvez, vocês estejam passando muito tempo juntos e seja contagioso.
— Imagino quem pegou de quem? — Neville falou ainda com expressão sombria.
— E, eu pensei que o ponto todo, era não falar de coisas assim, aonde qualquer um pode ouvir? — Ginny acrescentou com acidez ao sinalizar para a mesa Slytherin, que estava às costas de Michael.
O garoto olhou para trás sutilmente e engoliu em seco, percebendo que fizera uma grande tolice.
— Bem, acho que devo desculpas duplas. Sinto muito, prometo ficar mais atento ao que falo e onde. — Michael disse envergonhado.
— Deveria se preocupar com o que você come também. — Ginny ainda não tinha terminado de mastigá-lo e seus olhos castanhos pareciam que queimariam Michael em chamas dolorosas, quando apontou para a torta meio comida. — Comendo assim, aposto que amanhã, eu colocarei duas voltas em cima de você na corrida, Mick.
Isso fez Michael a encarar com raiva e ficar vermelho de constrangimento, pois houve alguns risos, afinal, todos sabiam que ele detestava o fato de que Ginny era mais rápida que ele na corrida e na natação.
— Eu vou te alcançar em breve, Weasley, aí veremos quem colocará voltas em cima de quem. — Ele disse rabugento.
— Só em seus sonhos, Topete de Ovelha. — Ginny provocou com malícia, mostrando bem que era irmã do Fred e George.
O apelido estranho fez todos pararam confusos, sem entender, mas, então...
— Topete de Ovelha! — Luna exclamou e, jogando a cabeça para trás, riu um grito de alegria tão alto que fez Anthony, sentado ao seu lado, pular de susto. Luna riu tanto que soltou o garfo que segurava e ele caiu com um estrondo sobre o prato. — Essa foi boa!
Seus olhos marejados de lágrimas se fixaram em Michael e apontaram para o seu topete, que fazia uma curva para dentro e sobre a sua testa, lembrando vagamente, o formato rechonchudo do pelo de uma ovelha.
— Topete... de... Ovelha... — Ela disse tentando recuperar o fôlego e rindo ainda mais.
Completamente surpresos, os colegas a mesa encararam Luna, depois Michael, e não puderam deixar de rir de sua expressão abobalhada e do riso alegre, além absurdamente longo da garota. Em poucos segundos, todos riam divertidamente e Michael fez uma cara azeda, enquanto tentava mudar o seu topete para que não parece o de uma ovelha.
Mais tarde, depois de muito deveres de casa e do almoço, Harry, Terry, Neville e Ginny, subiram para a Torre, pois era hora do treinamento. Hermione os alcançou nas escadas e parecia feliz, dado o tamanho do seu sorriso e sua expressão relaxada.
— Oi! Que bom que os encontrei! Acabei que chegar! A Prof.ª Vector buscou o Colin e eu, há alguns minutos. — Ela exclamou sorridente.
— Como foi a visita aos seus pais? — Terry perguntou sorrindo de volta. — Já almoçou?
— Sim, Terry, obrigada. Foi maravilhoso! Tão bom vê-los, estar em casa e abraçá-los! — Hermione suspirou. — Pude tranquilizá-los e explicar com calma tudo o que aconteceu, acho que eles estão bem, mas, ficaram muito angustiados por não poderem me visitar todos esses meses.
Hermione continuou falando enquanto entravam na Torre Ravenclaw, mas, em frente à estátua de Rowena, Harry os deteve e a olhou com atenção.
— Estamos indo para o treinamento de Defesa avançada, Hermione. — Harry informou com expressão firme. — Não são apenas feitiços e maldições, fazemos um treinamento sério.
— Oh! — Hermione arregalou os olhos parecendo desconcertada.
— Você vem? — Harry perguntou sem desviar o seu olhar.
Hermione engoliu em seco e, apesar de toda a racionalização que fez nos últimos dias, no fim, a decisão foi por instinto, pois, às vezes, você não pode ouvir sua mente e sim, o seu coração.
— Eu vou. — Ela respondeu firme.
Harry sorriu e, pôde ver o alívio de Terry e Neville. Eles entraram na área de treinamento, onde Trevor já estava esperando. E, foi só então, ao olhar em volta, encantada com o grande e bonito espaço, que Hermione percebeu a presença de Ginny Weasley, que os acompanhava desde o Grande Salão. Antes, estava distraída conversando com os meninos sobre os seus pais e como eles estavam empolgados com o convite e a viagem no Expresso de Hogwarts. Agora, olhando com mais atenção, Hermione percebeu que a presença da Ginny parecia normal e bem-vinda por todos.
— Hum... eu pensei que seriamos só nós, até setembro. — Comentou Hermione hesitante.
— Ah! Trevor está se formando em junho, assim, ele começa a treinar mais cedo. — Terry disse se alongando em preparação, Hermione decidiu começar a fazer o mesmo.
— E, a Ginny? — Ela se agachou e perguntou displicentemente, como se não fosse importante.
— Ela pediu ao Harry para treinar e ele concordou. — Terry disse mantendo a expressão bem neutra.
— Só assim? — A resposta a fez franzir o cenho confusa.
— Sim. — Ele deu de ombros como se não fosse nada demais. — Ela acompanha muito bem, apesar de ser um primeiro ano e, na Caverna, Ginny estará logo nos alcançando e poderá treinar conosco. Harry não pega leve com ela e... as vezes, acho até que ela gosta, sabe. — Terry disse, como se não pudesse entender porque alguém gostaria de ser treinado duramente.
— Hum... — Hermione respondeu ainda sem entender completamente porque ou quando, exatamente, Ginny Weasley se tornou um membro oficial do seu pequeno grupo.
— Hoje faremos algo diferente. — Harry disse se adiantando a frente de todos, depois do alongamento. — Com a volta da Hermione, temos a oportunidade de analisarmos com atenção o que aconteceu na Caverna durante o ataque da basilisco. — A tensão no ambiente mudou completamente, ao em vez de empolgação, se tornou sombrio e constrangedor. — Entendo que o que aconteceu foi duro, admitir os nossos erros é difícil, mas, todos precisamos deixar isso para trás da maneira certa. Não esqueceremos, pelo contrário, lembraremos, aprenderemos e, então, seguiremos em frente. Todos de acordo? — Harry olhou para cada um e recebeu um aceno positivo de volta. — Muito bem. Trevor, se não se importar, você representará a Charlie. — O garoto alto, de cabelos pretos encaracolados, acenou. — Ginny, você não estava lá, assim, observará e, depois, me dirá o que fizemos de errado e, o que deveríamos ter feito.
Ginny acenou engolindo em seco e um pouco pálida, mas, se manteve firme.
— A primeira parte é a mais rápida. — Harry disse e se posicionou no "vestiário". — Trevor, nós estamos no vestiário, nos trocando e Charlie nos espera na área de exercícios, perto da piscina. Fingiremos que aquela parede é a porta de entrada, quando nos aproximarmos, a porta se fechará e Charlie tentará explodi-la com um Reducto, mas, a maldição se refletirá, atingirá o seu braço e ela cairá inconsciente.
Trevor acenou, ainda que franzisse o cenho sem entender como eles sobreviveram, se a única adulta entre eles, foi incapacitada em segundos.
— Se posicionem. — Harry esperou que todos fizessem isso e, então... — SAIAM! — Ele berrou inesperadamente e todos pularam. — Agora! Confringo! — O feitiço foi na direção da parede e Neville já saltara em Terry e o arrastava para a direção de Trevor. — Depulso! Incendio Maximus! — Harry seguiu os dois amigos — Para a porta! — Gritou ele.
— Hermione! — Gritou Terry desesperado e tentando ir para onde Hermione estava posicionada, mas, Neville não o soltou e o puxou para a direção de onde Trevor estava parado.
— BASILISCO! — Berrou Harry para o estático Trevor, que imediatamente correu na direção da parede, com os três seguindo de perto.
Trevor/Charlie parou em frente a parede e sacou a varinha.
— A porta! Não! — Ele gritou e erguendo a varinha, lançou o feitiço. — Reducto!
Fingindo ser atingido, Trevor deu alguns passos para trás e caiu de costas no chão, de olhos fechados.
— Pausa. — Harry disse com expressão sombria e encarou Ginny, que parecia mais pálida. — Onde erramos?
— Eu... não sei... — Ela parecia meio trêmula. — Acho que, naquelas circunstâncias, vocês não foram mal.
— Verdade? — Harry deu rodeou a Ginny, observando-a e avaliando sua resposta. — Não ir mal não me parece bom o suficiente e, temos uma pessoa morrendo no chão. Onde erramos? — Ginny respirou fundo tentando se acalmar e hesitou. — Concentre-se! — Harry gritou em seu ouvido. — Agora! Responda à pergunta!
— Ok! — Ginny endireitou a postura e apertou a mandíbula empinando o queixo. — Só você sacou a varinha e lançou feitiços na basilisco, Terry e Neville erraram em não fazer o mesmo. Isso teria atrasado mais a cobra, acredito. Você usou feitiços que atrasaram a cobra, mas poderia ter sido mais agressivo, se derrubasse o teto do vestiário, por exemplo, poderia tê-la ferido e ganhado mais tempo.
— Algo mais? — Harry perguntou em tom mais suave.
— Terry paralisou ao em vez de seguir o seu comando, obrigou o Neville a se deter para ajudá-lo e colocou os dois em grande risco. — Ginny engoliu em seco. — Charlie entrou em pânico, ela deveria ter enviado uma mensagem de socorro, talvez, usado sua varinha para derrubar o teto da Caverna sobre a cobra, atrasá-la ou machucá-la. Hermione estava sozinha no vestiário, ao ouvir a comoção, deveria ter pensado em maneiras de trazer socorro.
— Mas, você não sabe o que eu fiz. — Protestou Hermione irritada.
— Desculpe. — Ginny ficou confusa. — Como você não fez nada agora, pensei que tivéssemos simulando o que aconteceu neste trecho do ataque.
— E, estamos. — Harry lançou um olhar agudo para Hermione. — Você fez algo diferente do que mostrou agora?
— Bem, não, mas... — Hermione parou quando as sobrancelhas do Harry se arquearam.
— Mal começamos a analisar os erros, Hermione, se você for ter dificuldades em aceitar críticas, é melhor sair. — Seu tom foi duro, tanto quanto as palavras e Hermione corou, meio constrangida e meio irritada.
— Eu posso lidar com críticas. — Ela mordeu de volta, tentando conter o temperamento.
— Bom. — Harry se voltou para Ginny. — Bem observado e boas ideias, infelizmente, no calor do momento, não pensamos nas melhores ou mais simples soluções. E, é por isso que treinamos, para agirmos assim, quando não for possível parar e planejar qual a melhor decisão. — Harry olhou para os outros. — Algo a acrescentar?
Todos negaram e eles foram para o trecho seguinte. Trevor se deitou, fingindo esta inconsciente e os três meninos se posicionaram em frente a "porta".
— Fechem os olhos. — Ordenou o Harry com voz calma e fez o mesmo, mas, sua magia imediatamente se estendeu e toda a área de treinamento ficou visível, bem, tanto quanto a escuridão era visível. No entanto, as magias dos amigos se mostraram brilhantes e fortes. Tentando não se distrair pelas lindas fitas de chamas, que envolviam Ginny, Harry respirou fundo. — É uma armadilha e estamos presos.
— O que faremos? — Neville sussurrou de olhos fechados. Agora, apenas Ginny e Hermione observavam o que acontecia.
— Charlie... — Terry disse baixinho. — Hermione...
— Não podemos fazer nada por elas, se concentre. — Harry disse. — Eu sou o alvo, vou atraí-la, tentem dar a volta, peguem os espelhos em nosso vestiário, Hermione e se escondam no vestiário feminino. Tentem encontrar uma forma de sair, explodam a maldita parede. — Terry fez um som de protesto, mas, Harry o interrompeu. — Vão! — E andou na direção da basilisco, quando passou ao lado do corpo de Trevor/Charlie, hesitou, depois, parou e apontou sua varinha, fingindo lançar um feitiço.
Em seguida, Harry começou a lançar feitiços para o alto, como se Freya estivesse ali. As luzes e explosões ecoaram pela sala, enquanto Terry e Neville, discutiam e depois carregavam o corpo de Trevor fisicamente na direção da parede mais distante. Trevor pesava mais que Charlie e compensava o espaço menor do que o da Caverna. O esforço físico e a lentidão eram imensos, Ginny assistiu de olhos arregalados e, Hermione roía as unhas de aflição.
Por fim, Harry percebeu o que eles faziam e disse o que acontecia, já que não havia mesmo uma cobra.
— A Freya desistiu de mim, eu a machuquei, ela está irritada e decide ir na direção do sangue fresco. — Harry diz em voz alta. — Eu tento detê-la, jogo um dos equipamentos de musculação sobre ela, isso à para por alguns instantes. Então, ela agita o corpo, joga a máquina longe e sua calda me acerta, eu sou jogado na direção da parede de espelhos e...
— Aresto Momentum! — Grita Hermione erguendo a varinha ao sair do vestiário.
— Volte para o vestiário, Hermione! — Gritou e voltou a correr na direção da basilisco. — Terry, Neville e Charlie estão do outro lado da piscina, Freya está muito mais perto e não conseguirei alcançá-la, assim, desejando muito estar lá e protegê-los, eu aparato em frente aos três.
Isso provoca uma reação de Trevor que abre os olhos espantado.
— O que?
— Pausa. — Harry caminha até onde estão os três, enquanto Trevor se levanta do chão.
— Você disse que aparatou? — Trevor perguntou chocado.
— Isso é impossível, não se pode aparatar em Hogwarts, para dentro ou para fora. — Hermione disse se aproximando com o cenho franzido. — Você deve ter se enganado, Harry.
— Eu não me enganei e não aparatei para fora de Hogwarts ou para dentro, aparatei de dentro de Hogwarts para dentro de Hogwarts, algumas dezenas de metros. Assim, acredito que isso abre alguma brecha, além disso, eu estava em uma situação de vida ou morte e queria muito estar do outro lado da piscina. — Harry disse lentamente. — A intenção na magia é muito importante, vocês sabem.
Trevor e Hermione ainda o encaravam espantados quando Harry olhou para Ginny.
— Observações? — Ele perguntou.
— Bem. Primeiro, como você poderia saber onde estava a Charlie e a basilisco, com os olhos fechados? Ou os três? — Ele perguntou confusa.
— Eu enxergo com a minha magia. — Harry disse suavemente. — Mas, só vejo magia, assim, quando fecho os meus olhos, estendo a minha magia para o ambiente, que é totalmente escuro, mas, eu consigo ver as magias de cada um de vocês em cores brilhantes. E, naquele dia, eu podia ver a magia da basilisco também.
— Uau! — Trevor exclamou ainda mais espantado.
— Isso é brilhante! — Ginny disse com um enorme sorriso. — Como se faz? Você pode ensinar?
— Hum... depois, eu explicarei melhor, mas, basicamente, eu tenho uma conexão natural com a magia. — Harry disse suavemente, um pouco envergonhado. — Com a meditação e oclumência, isso ficou mais forte e, por isso, consigo sentir a magia ou ver, se estiver de olhos fechados. Neville também, na verdade.
— Oh, não, nada como isso. — Neville se esquivou, corando levemente. — Quer dizer, é um dom ou uma identificação, eu me sinto conectado fortemente com as plantas, a terra, a água. Harry, como tem um dom natural para a Defesa, a magia defensiva, a feitiçaria, acabou desenvolvendo essa visão, mas, eu não posso fazer o mesmo.
— Em compensação, Neville nada como um peixe e praticamente conversa com as plantas. — Terry disse sorrindo.
Todos sorriram e Neville corou ainda mais.
— Ok. Vamos nos concentrar. — Harry pediu objetivamente. — Ginny?
— Bem. Terry entrou em pânico, não se concentrou como você pediu ou seguiu as suas ordens, mais uma vez, colocou Neville em grande perigo. — Ginny hesitou, mas Terry apenas acenou envergonhado. — Harry, você poderia ter sido mais claro, talvez, percebido que apenas ordenar sem um propósito mais definido, não seria o suficiente. Você parou e usou um feitiço para estancar a hemorragia de Charlie, mas, não os avisou. Em um momento como esse, comunicação é muito importante, não existe planejamento, não dá tempo para pensar, mas, é preciso que uma equipe se entenda com palavras ou gestos. Como, quando você nos treina para não agir sem avisar a equipe, ou sofremos com fogo amigo.
— Bom. — Harry disse orgulhoso. — Eu também errei naquele dia, na verdade, tudo o que aconteceu mostrou que eu sou um péssimo líder e nós não éramos uma equipe de verdade. O importante neste exercício não é encontrar culpados e sim, que todos admitamos e encaremos os nossos erros, para que assim, eles não se repitam. Alguém tem algo a acrescentar?
— Sim. — Trevor disse suavemente. — Terry e Neville deveriam ter usado suas varinhas, não carregado a Charlie fisicamente. Hermione não deveria ter saído do vestiário e poderia estar tentando buscar ajuda ou fazer uma saída.
— Isso tudo é verdade. — Harry disse. — Mas qual deveria ter sido as ações certas, de todos? — Ninguém respondeu refletindo sobre todas as possibilidades. — Vamos excluir a Charlie, ela se desespera, se machuca e está inconsciente. Como líder, eu deveria ter sido mais assertivo, como disse a Ginny. Eu deveria ter sido mais claro. — Ele olhou para a Terry. — "Charlie está morta, não há como salvá-la, mas, Hermione e vocês podem pedir ajuda se fizerem um buraco na parede do vestiário. Eu vou manter a basilisco ocupada. Rápido! Sejam rápidos! " — Harry se moveu se afastando, hesitou. — Aqui me ocorreu usar o feitiço, se houvesse uma chance de Charlie estar viva, estancar o sangramento. Então, eu gritaria: Eu parei o sangramento do ferimento! Vão em busca de ajuda! Rápido!
Harry se voltou para os amigos com expressão séria.
— Você pensou em tudo isso? — Neville perguntou surpreso.
— Sim. Estava tudo em minha mente, mas, o meu foco era atrair a basilisco, eu não queria falar e correr o risco de sair em ofidioglossia e Voldemort descobrir sobre isso. — Harry disse. — Mas, ainda foi um erro e lamento por isso.
— O seu erro não apaga os nossos... os meus erros. — Terry disse baixinho. — Eu poderia ter pensado em tudo isso por mim mesmo e, mais importante, sem saber sobre o feitiço que lançou em Charlie, a prioridade era buscar ajuda para ela ter uma chance de sobreviver. Arrastá-la daquela maneira, foi uma grande estupidez e eu assumo isso.
— Eu também errei. — Neville disse apertando os punhos. — Estou acostumado a não divergir e lutar, mas, eu deveria ter sido mais firme e o impedido, Terry, te arrastado se fosse necessário. Eu sabia que levá-la era um erro e, ainda assim, acabei capitulando.
— Bom que todos aprendemos alguma coisa com isso. Vamos seguir. — Harry disse e, assim eles fizeram, recriando toda a cena até o fim. — Observações. Ginny?
— Você disse que deveriam deixar a Charlie e, quando Terry discordou, você poderia ter esclarecido a situação, teve outra oportunidade de fazê-lo perceber que esse não era o caminho certo. — Ginny disse objetiva. — Eu sei que Voldemort estava contendo o som, mas, como não sabiam disso, demoraram muito para pensar em gritar por ajuda. Hum... Harry, talvez, você poderia ter pensado em enviar os meninos voando também, na direção do vestiário, não apenas a Charlie. Hermione, parou a Charlie com um feitiço e, depois, estranhamente, guardou a varinha e tentou carregá-la fisicamente. E, então...
— Eu entrei em pânico quando a basilisco começou a nos atacar. — Disse Hermione com expressão assombrada. — Ela estava tão perto, eu podia sentir a violência, ouvir seu corpo rastejando para perto, então, Charlie acordou e estava olhando em volta desorientada. A única coisa que pensei foi impedir que ela fosse morta pelo olhar da cobra, mas fazê-la dormir era a solução, não a petrificar. Na verdade, eu fiz tudo errado, fiquei paralisada de pânico, depois deixei o vestiário, pensando em ir ajudar os meninos a carregar a Charlie. Em nenhum momento, pensei em tentar explodir a parede, gritar por ajuda ou algo assim. E, quando finalmente eu precisei ajudar... — Ela levantou os olhos e apesar das lágrimas, havia determinação. — Eu prometi a mim mesma que não ficaria nas sombras, que não seria parte do sistema, alienada e cega, mas, durante todo esse ano, eu deixei o meu medo me controlar. E, agora basta! Eu sou um Defensora, sou uma bruxa e aprenderei o que tiver que aprender para honrar quem sou. — Ela olhou para o Harry. — Desculpe, ter sido tão difícil este ano, não foi justo, principalmente quando sei do que você é capaz e como quer nos proteger.
— Está desculpada. — Harry disse sincero. — Eu não sou perfeito, cometo erros e sou arrogante, você está certa sobre esse fato, mas, é por isso que não estou fazendo tudo sozinho. Eu preciso de vocês e, naquele dia, na Caverna, tudo parecia impossível, a cada volta e caminho, tudo se complicava mais. No entanto, vocês me ajudaram, a não desistir, a ser forte, a ser o Guerreiro e bruxo que nasci para ser. — Harry caminhou e parou em frente a Hermione. — Se você me deixar, nos deixar, podemos ajudá-la também, Hermione, você não precisa fazer tudo sozinha, sabe.
— Acho que ninguém pode fazer tudo o que precisaremos realizar, sozinhos, mas, juntos... — Neville se colocou ao lado de Harry e sorriu para Hermione. — Um apoiando o outro...
— Como uma equipe. — Terry passou o braço em volta dela em um abraço lateral.
— Como os melhores amigos que alguém pode ter. — Hermione disse fungando emocionada. — Sim, eu acredito em nós.
Eles sorriram um para o outro e se abraçaram, um abraço em grupo choroso, que parecia estar se tornando uma tradição. Trevor sorriu impressionado com a amizade e união que eles demostravam, além da grande força e determinação. Ele também acreditava neles.
Ginny sorriu emocionada, mas seu corpo se agitou de ansiedade, porque sentia que também deveria estar no abraço, afinal, ela estivera na Caverna naquele dia e sobrevivera, assim como os quatro amigos. Ela lutara, errara, mas, no fim, vencera o Riddle, para poder crescer, aprender e se tornar a bruxa e a Guerreira que nasceu para ser.
— Posso me juntar? — Ela sussurrou timidamente.
Harry, imediatamente abriu os braços, lhe dando um espaço no meio. Hermione olhou para a menina ruiva que parecia ansiosa e hesitante, encarou seus olhos castanhos ferozes e brilhantes, mas secos e determinados. Imediatamente, tudo ficou claro, as perguntas anteriores foram respondidas e Hermione entendeu porque, exatamente, Ginny Weasley estava ali.
— Vem. — Ela abriu os braços e Ginny correu, se derretendo em seu abraço forte, enquanto os meninos as rodeavam protetores.
