Notas do Autor

Olá! Capítulo demorou para sair, mas está aqui. Tive que fazer muitas pesquisas, apesar de adorar, acho que fiz o suficiente por um ano, juro. Também precisei encontrar o tom e detalhes do capítulo, mas, o mais difícil foi o mal-humor do Harry, completamente inesperado, é claro, mas, já estou me acostumando que o Harry é tão imprevisível. Espero que gostem e não deixem de revisar.
Ah, publicarei algumas fotos da minha pesquisa no grupo do facebook, assim, vcs podem visualizar alguns detalhes do jardim, ou como eu o imaginei.
Até mais, Tania

Capítulo 81

O sábado de aleluia de 1993 amanheceu com um céu azul bonito, um frio amigável e muitos pássaros cantando. Enquanto o sol nascia, Harry correu no parque próximo a Mansão Boot, observando a grama verde, as árvores e as flores que brotavam com o início da primavera.

Ele acordou mais cedo do que seu horário habitual, correu o dobro do que corria todos os dias e foi mais rápido do que nunca. Terry e Sirius desistiram de acompanhá-lo e Harry correu apenas com seus pensamentos, que estavam focados no próximo passo e no próximo e no próximo. No entanto, enquanto sua mente se mantinha calma, seu coração batia acelerado e seu estômago tinha um frio pela expectativa do que aconteceria em algumas horas e, incrivelmente, até sua magia parecia animada.

Quando voltou para a Mansão, ele se sentou diante de uma montanha de café da manhã preparado pela Sra. Madaki, Serafina e Dobby que, sentando ao seu lado, o encarava com olhos brilhando em adoração enquanto Harry comia com prazeroso entusiasmo.

— Espero que não esteja trabalhando demais, Dobby, — Harry observou, quando o pequeno elfo também começou a comer.

— Não estou, Harry, senhor. — Dobby disse sorridente. — Dobby está cercado por pessoas bondosas, que estão sempre ajudando Dobby e Dobby tira folga como o senhor Harry disse.

— Bom. — Harry disse se esticando, a corrida e o banho quente não tiraram a tensão pela ansiedade da inauguração. — Está empolgado com a viagem no Expresso?

Dobby demorou um segundo para responder, pois acreditou que Harry falava com outra pessoa na mesa, mas, quando percebeu seus olhos o encarando, se engasgou.

— Eu? Dobby?

— Sim, Dobby. Você virá conosco a inauguração, não é? — Harry se mostrou surpreso.

— Dobby não sabia que poderia ir! — Dobby disse chocado.

— Dobby, você é livre e pode ir aonde quiser. — Harry sorriu. — Inclusive visitar o Jardim da Lily! E, não tem porque não vir conosco no Expresso.

— Mas, Dobby é um elfo, senhor Harry. — Dobby torceu as mãos confuso.

— Bem, eu enviei convites para os goblins, os lobisomens, os elfos do Jardim do Elfos e de Hogwarts, para as famílias trouxas que tem bruxos. Até para os vampiros, eu enviei, mas, eles responderam dizendo que preferem visitar o Jardim à noite. — Harry disse. — Eu respondi que o local estará sempre aberto, quer dizer, temos um portão muito bonito, mas ele não ficará trancado. E, claro, desejei-lhes que fizessem um agradável passeio noturno.

— Oh... — Dobby arregalou os olhos parecendo sem palavras.

— Eu teria enviado aos Elfos da Floresta, mas, Zane me disse que eles se mantem longe do convívio dos bruxos, por segurança. — Harry disse. — No entanto, eu não lhe enviei um convite porque você é como se fosse da família e pensei que saberia que viria conosco.

Dobby ainda o encarava com olhos arregalados e, imediatamente caiu em um choro emocionado e abraçou o Harry pelo peito.

— Dobby? — Harry perguntou confuso e o resto da mesa parou de comer e conversar para observar o pequeno drama.

— Dobby é tão grato! Dobby nunca foi amigo ou família de um bruxo! Dobby nunca foi tão bem tratado ou querido por uma família! — Dobby fungou e tirou um lenço da sua jaqueta. — Dobby é livre e feliz graças ao senhor Harry, então, Dobby o acompanhará até o seu Jardim da Lily.

— Ok. — Harry lhe deu um tapinha no seu ombro e se levantou. — Irei me vestir, você deve também, pois sairemos em alguns minutos.

Harry subiu ao seu quarto e olhou para a roupa que a Sra. Serafina tinha deixado pronta dentro em um saco preto e pendurada em um cabide. Como hoje era um dia especial, Harry pedira ao Sirius para fazer uma roupa especial em sua Fábrica Têxtil. Ele pensara muito sobre em como se apresentar, deixando todas as questões de etiqueta a parte, além do seu próprio gosto pessoal, Harry queria se mostrar por quem era, o filho de James e Lily, o herdeiro Potter. No entanto, ele não era apenas um bruxo, ele era também um trouxa e, os convidados de hoje não eram apenas bruxos, muitos eram trouxas. Assim, Harry queria respeitar seus convidados, fazê-los se sentirem bem-vindos e, ao mesmo tempo, respeitar a si mesmo.

Portanto, ele optou por sua bota de couro de dragão verde escura, uma calça social preta, uma camisa social em xadrez com as cores da Família Potter, vermelha e verde escura, além de um colete de seda azul acinzentado que cintilava suavemente ao sol e, sob o seu coração, o brasão Potter se destacava honrosamente.

Quando terminou de se vestir, Harry ajeitou os cabelos para ficarem na bagunça de sempre, mas liberar sua testa e a cicatriz de raio. Por último, apesar de não usar um paletó ou casaco, Harry colocou uma gravata vermelha, sentindo que o dia de hoje exigia uma formalidade justa.

Quando desceu, quase todos estavam prontos e a Sra. Serafina se aproximou dele sorrindo.

— Aqui, a gravata está um pouquinho torta... — Ela disse suavemente. — Mas, você fez bem, pensei que precisaria de ajuda para colocá-la.

— Eu vi a minha tinha ajudando o meu ex-tio durante anos, não tinha como não aprender. — Harry disse suavemente.

— Está pronto para isso? — Ela perguntou, passando a mão pelos seus ombros para tirar um amassado ou fiapo invisível.

— Não, mas, alguém está? — Harry encolheu o ombro tentando disfarçar a emoção.

— Certo, tem razão... — Ela suspirou e se afastou para ajudar Ayana a prender suas tranças.

Harry foi elogiado e "arrumado" pela Sra. Madaki, Elizabeth e Miriam, antes que deixassem a Mansão em diversos carros diferentes. Na entrada da estação Kings Cross, sua tia Petúnia esperava muito elegante com um vestido verde, da cor dos olhos de Lily e Harry. Duda usava um terno azul claro e parecia muito legal, principalmente sem a grande pança, apesar dos seus braços ainda serem bem grossos e suas mãos grandes. Internamente, Harry agradeceu por serem amigos agora que seu primo sabia socar de verdade. Sua tia também o ajeitou e elogiou, parecendo muito emocionada, suas palavras sussurrantes e olhos brilhantes não poderiam ser disfarçados.

Sirius chegou com Denver, ele tinha ido buscá-la depois do treino e Harry não o tinha visto todo pronto. Seu padrinho usava um terno preto em cetim brilhante, mas o calçado eram botas de couro de dragão preta e não um sapato social. Ele dispensara a gravata e seus cabelos encaracolados estavam presos em um coque no alto da cabeça, também usava um brinco em cada orelha de uma pedra preta cintilante e delineador preto nos olhos, que o faziam parecer mais azuis do que cinza na claridade da manhã.

— Você está demais, Harry! — Ele elogiou orgulhoso.

— E, você está cintilante. — Harry disse divertido, pois o terno preto cintilava tanto quanto a opala dos seus brincos.

— Bem, decidi me inspirar em você e usar as cores da minha família. — Sirius piscou sorridente.

Harry sorriu e olhou para Denver que se vestia com uma calça social preta, camisa branca e um casaco de couro marrom e macio, além de botas de combate trouxa. Ela parecia uma versão feminina e bem descolada de Sirius e Harry achou que eles combinavam bem.

— Bom dia, Denver. — Ele disse um pouco formalmente. — Eu... queria me desculpar, pela maneira como agi naquele dia. Além de grosseiro, fui extremamente tolo em não ouvir toda a versão dos fatos. Sinto muito.

Denver o encarou com atenção, como se tentasse perceber se ele estava sendo sincero, ao ver que sim, ela deu de ombros e sua expressão se suavizou.

— Está desculpado. E, espero que também possa me perdoar por ter interferido em algo tão importante sem ao menos consultá-lo. Isso foi grosseiro e injusto da minha parte. Sinto muito. — Ela disse sincera.

Harry também deu de ombros e sorriu suavemente.

— Eu entendi a situação, depois de ouvir tudo, assim, tudo está perdoado e esquecido para mim.

— Ótimo! — Sirius sorriu animado. — Agora que deixamos esse papo de desculpas para trás, vamos aproveitar o dia.

— Devemos nos mover para a Plataforma antes de atrairmos a atenção dos trouxas. — Disse Serafina ao se aproximar. — Todos já estão aqui.

Todos, eram a parte trouxa da família. Chester e Miriam chegaram com o pequeno Chester Jr., que estava andando de um lado para o outro e tagarelando sem parar. Elizabeth e Martin chegaram com Tianna e Marvel, que rapidamente se aproximaram de Adam e Ayana, ansiosos em falar sobre o passeio de trem. Fechando o grupo, estavam o Prof. Bunmi e a Sra. Madaki, que tinham vindo com eles da Mansão, e Petúnia com Duda, além do Sr. Boot. Com todos presentes, o grande grupo caminhou pela Estação King Cross, felizmente, bem vazia às 7:30 da manhã.

Quando se aproximaram da Plataforma nove e meia, Harry percebeu que o número de pessoas aumentava, pois havia uma pequena multidão que, aos poucos, atravessava a barreira. Bruxos e trouxas sorridentes e expressões encantadas, sussurravam mais alto do que deveriam, que estavam ansiosos por andarem no Expresso de Hogwarts. Harry sabia que eles vinham de todo o Reino Unido, usando algum flu próximo de suas casas até o flu do Saguão de Entrada do Beco Diagonal, antes de caminharem algumas poucas quadras até a Estação. Um grande esquema havia sido organizado com o Departamento de Transportes Mágicos para possibilitar o deslocamento das famílias trouxas/bruxas até Londres hoje e Harry esperava que tudo desse certo.

Haviam aqueles, claro, que poderiam viajar no trem trouxa até a nova Estação Godric, em Godric's Hollow, pois ela já tinha sido inaugurada oficialmente. No entanto, Harry duvidava que alguém perderia a experiência de andar no Expresso de Hogwarts. Provavelmente, até mesmo os bruxos, que poderiam aparatar facilmente ou usar o flu, prefeririam chegar a pequena cidade do Oeste da Inglaterra, no Expresso vermelho.

Quando se aproximaram a uns 50 metros da coluna onde estava a passagem para a Plataforma, o efeito nos trouxas começaram a aparecer. Por causa da possibilidade de haver uma grande quantidade de pessoas passando pela parede, a equipe do Ministério responsável pela plataforma, decidiram criar alas anti trouxas em volta da entrada. Assim, os trouxas se desviariam ou não olhariam, na verdade, eles nem perceberiam, o fluxo enorme de pessoas atravessando a parede.

No entanto, as famílias trouxas/bruxas tinham os cartões mágicos que estavam dentro dos convites enviados há duas semanas. Assim como em um casamento, você não poderia atravessar a passagem e subir no trem sem o pequeno cartão, pois eram eles que impediriam que os convidados trouxas fossem afetados pelas alas. Por razões de segurança, os cartões perdiam sua validade ou efeito mágico a partir da meia-noite de hoje e, se alguém não compareceu a inauguração, não poderia utilizá-lo em outro momento.

Este mesmo cartão serviria como um ticket que os possibilitariam entrar no Jardim da Lily, pois também os impediriam de ser influenciados pelas alas que o cercavam. O método do ticket mágico fora ideia de Edgar, pois assim, sempre que um trouxa/bruxo quiser viajar para Godric's Hollow e visitar o Jardim da Lily, tudo que ele terá que fazer, ao descer do trem trouxa, é ir até o guichê da Estação Godric, que vende as passagens de trem e pedir um ticket do Jardim da Lily. O ticket era gratuito, assim como a visitação ao Jardim, e garantiria aos trouxas com conhecimento em magia o acesso contínuo. O administrador da nova estação e sua esposa eram bruxos que viviam em Godric's Hollow e se sentiram muito animados por terem uma oportunidade de trabalho.

— Olha, Denis! Aquele é o Harry Potter! — A voz de Colin Creevey chegou até o Harry enquanto se aproximavam mais das pessoas que se amontoavam para atravessar a coluna de tijolos. — Ei, Harry!

Sua voz alta atraiu a atenção de todos que estavam em volta e que pararam de andar para olhá-lo também.

— Oi, Harry! — Disse uma nascida trouxa terceiro ano da Hufflepuff.

— Olha, mãe, aquele é o Harry Potter! — Outro garoto apontou, Harry sabia que era um Gryffindor, quarto ano. — Foi ele que nos convidou!

Rapidamente, Harry recebeu muitos acenos, alguns tentaram se aproximar para agradecer ou apertar sua mão e Harry se viu cercado e afastado dos Boots.

— Pessoal... — Harry tentou se mover entre o grupo, mas, todos eram muito altos e ele continuou a ser pressionado para trás, no entanto, outros se aproximavam da entrada da Estação, o prendendo no meio. — Precisamos chegar ao trem...

— Desculpe, Harry... — Colin gritou, mas, Harry não conseguiu mais vê-lo em meio aos adultos.

— Afastem-se! — A voz de Denver soou dura enquanto ela empurrava as pessoas do caminho até que conseguiu chegar ao Harry e o segurou pelo ombro. — Eu disse para se afastarem! Ou chamarei meus homens e prenderei todos aqui! — Alguns encararam ela com expressões contrariadas. — Todos para o trem! Ou querem ficar para trás? Vão!

Isso pareceu despertar uma certa urgência no grupo que, temendo perderem o trem, voltaram a ir na direção da coluna. Harry conseguiu ver Colin Creevey e seu irmão minúsculo sendo empurrados com seus pais pela passagem, ao mesmo tempo em que Denver o direcionou para a direita, onde seus adultos esperavam preocupados. Ele suspirou aliviado ao sair do meio das pessoas, pois essa era uma experiência sufocante.

— Harry! — Sua tia falou preocupada.

— Você está bem? — Era a Sra. Serafina.

— Você se machucou? — Elizabeth, sendo pediatra se aproximou com um olhar atento.

— Estou bem! — Ele disse se afastando, levemente irritado com tanta preocupação e atenção. — Acho que é melhor se eu ficar invisível até estarmos no compartimento do trem. — Harry disse e, se colocando atrás do Sirius e Denver, discretamente, se cobriu com a capa. — Nos vemos no trem.

Depois disso, Harry fez o seu caminho sem problemas e foi até o primeiro compartimento do Expresso, que tinha sido reservado para eles. Ao entrar, o encontrou vazio e se sentou perto da janela, observando a multidão que entrava lentamente pela passagem e subia no trem. Olhando para o relógio, percebeu que faltavam 10 minutos para às 8 horas e que eles não partiriam no horário. Supunha que algo nunca feito antes, não poderia acontecer perfeitamente, refletiu Harry.

Os Boots, Madakis, Evans, Sirius e Denver conseguiram alcançar o compartimento às 8:05.

— Já enviei um aviso ao Edgar de que nos atrasaremos. — Falc disse observando a plataforma abarrotada. — Nunca vi tantas pessoas aqui antes.

— Deveríamos ter pensado nisso. — Serafina disse suavemente. — Foi a mesma coisa na devolução dos livros no Beco.

— O trem comportará tantas pessoas? Ou o Jardim? — Perguntou Martin preocupado.

— Sim, a magia amplia o espaço e todos ficarão confortáveis. — Respondeu o Sr. Falc.

— O senhor deveria tirar o nome Potter da porta, Sr. Falc. — Harry disse e, diante dos seus olhares confusos, acrescentou mal-humorado. — O senhor não quer que comece uma fila de pessoas vindo aqui me cumprimentar, quer?

— Ah! — Sr. Falc se levantou e tirou a sinalização "Reservado, Potter", depois fechou a cortina para o corredor. — Pronto.

— Você não deve se chatear, Harry, as pessoas só queriam agradecer. — Serafina disse suavemente. — Eram todas trouxas e souberam por seus filhos que Harry Potter os estava convidando para um evento no mundo mágico.

— Isso é algo inédito. — Sr. Boot complementou. — Os trouxas que têm familiares bruxos não são permitidos em nosso mundo facilmente, portanto, era natural que eles quisessem ser educados e agradecerem.

— Bem, mas, quase me espremeram como uma sardinha. — Harry disse irritado. — Pretendia cumprimentar alguns amigos no trem, mas, agora acredito que é melhor ficar por aqui. E, espero que as pessoas entendam que não sou uma atração ou algo assim, o Jardim da Lily deve ser o foco, quer dizer, eu quero poder visitar o Jardim sem uma multidão me parando, cumprimentando, agradecendo ou...

— Pedindo autógrafos ou fotos. — Terry disse brincalhão e o Harry gemeu. — Acho que você deve se preparar para qualquer coisa.

— Merlin... Isso não foi uma boa ideia, talvez... — Harry olhou em volta pensativo. — Seja melhor eu visitar outro dia, quando não houver tantas pessoas...

— Harry. — Sirius levantou a sobrancelha. — Acredito que você não deve se preocupar ou exagerar, as pessoas estarão ocupadas com a visitação, conversar, tirar fotos, apreciar o Jardim. Talvez, algumas pessoas se aproximem para agradecer e, se isso acontecer, você será educado, além disso, não podemos voltar agora porquê... — O trem buzinou alto e começou a se mover. — Estamos partindo.

Harry observou a plataforma, agora completamente vazia, ficar para trás e suspirou preocupado.

— Ok, mas, se eu não conseguir visitar o Jardim da Lily com o mínimo de tranquilidade, me esconderei em baixo da minha capa. — Harry respondeu rabugento, e felizmente, ninguém contestou.

A viagem, que deveria durar 3 horas sem magia, passou rapidamente e sem interrupções. Exatamente 1 hora depois de deixarem Londres, eles chegaram a Estação Godric. A multidão rapidamente se moveu, descendo do trem, deixando a Estação e caminhando pela pequena cidade que ainda tinha as ruas com pavimentos antigos. A nova Estação ficava a apenas 5 minutos do Jardim da Lily e o caminho também foi encantado para que os trouxas de Godric's Hollow não percebessem tantas pessoas visitando. Por precaução, Harry e a família decidiram esperar a multidão seguir na frente, antes de descerem do trem e observarem a pequena Estação Godric.

— A arquitetura combina com o resto da cidade. — Harry sorriu. — Parece antiga, como se estivesse sempre aqui.

— Ian fez questão de incorporar a Estação a cidade. — Falc disse e foi cumprimentar o gerente da Estação. — Sr. Cooper, como está?

— Bem, Sr. Boot, muito bem! — Sr. Cooper parecia ter uns 60 anos, grisalho, seus cabelos compridos presos em uma trança, usava óculos e um sorriso de boas-vindas. — Quantas pessoas! Nunca pensei ver tantas pessoas de uma vez!

— Espero que todas as alas mantenham os trouxas da cidade de perceberem a multidão. — Falc disse preocupado.

— Manterá, tenho certeza, aquele pessoal francês passou semanas organizando tudo e devem ter cobrado uma fortuna dado o trabalho que tiveram. — Ele disse e gesticulou para a Estação. — Só a construção da Estação Godric demandou muito tempo e burocracia, mas, valeu a pena, pois receberemos muitos visitantes, tenho esperança que a cidade prosperará com novos negócios e empregos. Normalmente, os jovens vão embora estudar e não voltam, por isso, ficamos com cada vez menos habitantes a cada ano.

— Acredita que o Jardim da Lily ajudará com isso? — Harry perguntou confuso.

— Ah! Sr. Cooper, deixe-me apresentar a minha família... — Sr. Falc apresentou a todos, Sirius já o conhecia, Harry foi introduzido por último e a reação do Sr. Cooper explicou porque ele fez isso.

— Sr. Potter! — Esquecidos dos outros, o Sr. Cooper segurou sua mão com entusiasmo. — Um grande prazer e honra, Sr. Potter! Tinha muita esperança de poder conhecê-lo e agradecê-lo por construir essa estação e o Jardim! E, respondendo a sua pergunta, o Jardim da Lily tornará a nossa pequena cidade, um local turístico, com muita visitação durante todo o ano. O prefeito da cidade é um bruxo nascido trouxa e percebeu o potencial que isso nos oferece para crescer. — Sr. Cooper sorriu animado. — Claro que não seremos uma grande cidade, mas, do jeito que estávamos indo, acabaríamos morrendo, Sr. Potter ou nos tornando uma cidade de aposentados ou só de bruxos.

— Como assim? — Terry perguntou curioso.

— Bem, bruxos não tem problemas com o trabalho, pois podem viver aqui e aparatar ou flu para onde quiserem, mas, os trouxas, não têm quase nenhuma opção. Existem fazendas na região, mas, os jovens não parecem mais gostar de trabalhar no campo, querem trabalhos na cidade. Temos uma pequena rua com algumas lojas, uma mercearia, uma pousada, uma pequena clínica médica, uma clínica veterinária e mais nada. — Sr. Cooper explicou. — Quando fazem 18 anos, os jovens vão estudar em cidade maiores na região e não voltam, por isso, Godric's Hollow está morrendo. No entanto, se conseguirmos visitas de turistas do Reino Unido, quem sabe, alguns estrangeiros, eles farão mais do que visitar o Jardim da Lily. Podem comprar no comércio, comer, beber, se hospedar e, assim por diante, portanto, quanto mais pessoas, mais poderemos crescer.

— Mas, os trouxas não ficarão confusos quando aparecerem montes de pessoas para visitar a cidade, já que eles não sabem do Jardim da Lily? — Harry perguntou surpreso.

— Nós pensamos nisso, Harry. — Sirius disse suavemente. — Tivemos a ideia de criar um motivo para que Godric's Hollow se torne turística. Como estamos em uma cidade com mais de mil anos, decidimos explorar isso com inteligência.

— Sim, o prefeito criou uma Sociedade Histórica para preservar as casas antigas, foram feitos anúncios no jornal propagando que a cidade tem construções medievais, completamente preservadas. — Falc explicou. — Também, construímos alguns muros antigos fora da cidade, que anunciamos como uma descoberta da Sociedade Histórica.

— Muros romanos antigos, que datam de 1600 anos atrás! — Sr. Cooper riu divertido. — Os trouxas acreditarão e virão de longe ver! E, o prefeito disse que se construirmos umas ruínas de castelos medievais, parecerá ainda mais interessante.

— Mas, enganar os trouxas não é errado? — Terry perguntou confuso.

— Os muros não são tão antigos, Terry, mas, trouxemos pedras antigas das cabanas da ilha. — Falc disse olhando para o filho, que acenou entendendo qual ilha. — Segundo Ian, as pedras datam do século XI, não do século IV, mas, os trouxas não notarão a diferença e ele construiu os muros como os romanos faziam.

— Isso quer dizer que receberemos trouxas e bruxos para visitar, consumir e a cidade prosperará. — Sr. Cooper disse sorridente. — Eu sou o chefe da estação e minha esposa é a vendedora dos bilhetes no guichê, além de encarregada de distribuir os tickets mágicos do Jardim para os visitantes trouxas. E, estamos muito felizes, Sr. Potter, pois somos velhos para o trabalho duro das fazendas, mas, não queríamos nos aposentar tão cedo.

— Fico feliz, Sr. Cooper. — Harry disse sincero. — E, espero que todos na cidade se sintam felizes com as mudanças.

Eles se despediram e caminharam para fora da Estação Godric. A cidade, de chalés e casas antigas era adorável, haviam gramas verdes e flores coloridas nos jardins cercados com muros de pedra baixos. As casas pareciam recém pintadas, com floreiras nas janelas e, mesmo o calçamento das ruas, pareciam ter sidos reformados.

— O prefeito embelezou toda a cidade. — Falc explicou. — Consertou e pintou as casas ou comércios, mantendo suas características históricas, claro. Também arrumou as ruas, estradas, iluminação, tudo para que Godric's Hollow receba bem os visitantes.

— Mas, Falc, e se essa multidão decidir visitar a cidade hoje? Eles estão preparados? — Prof. Bunmi perguntou preocupado.

— Nós os orientamos a não fazerem isso e temos alguns recrutas aurores trabalhando no controle da multidão, apenas por precaução. — Falc disse quando se aproximaram dos portões de ferro com os padrões intrincados em que foi artífice e pintados em vermelho e dourado brilhante. Apesar de aberto, Harry pode ver o brasão do Jardim da Lily, o lírio entrelaçado nos chifres do cervo.

Praticamente todos já tinham passado pela entrada, provavelmente ansiosos por conhecerem o Jardim, mas, alguns poucos liam a placa da entrada que estava sobre um pedestal ou o folheto oferecido por alguns funcionários da Moment Parfait, que estavam estacionados em frente aos portões.

— Bom dia, Linda, Natan. — Falc os cumprimentou sorrindo.

— Bom dia, Sr. Falc, Sr. Sirius. — Os dois disseram sorridentes e entregaram os folhetos. — Aqui, neste folheto, tem algumas explicações e orientações sobre o Jardim da Lily, além de um mapa, caso se percam. Tenham um bom passeio e não deixem de pegar a sua cesta de piquenique, é um presente do Sr. Potter.

Harry não conhecia esses novos funcionários, mas sabia que, com criação da nova loja, pessoas foram contratadas pela GER durante os últimos meses. O folheto, em papel reciclado, tinha o brasão do Jardim na capa e, dentro, o texto falava sobre a origem e objetivos da sua construção, onde era localizado, seu tamanho, quantidade de espécies de flores e árvores plantadas. Atrás, um mapa mostrava seus pontos de referências mais importantes, como o portão de entrada, que ficava a Oeste, o Monumento em homenagem aos mortos da guerra, que estava no centro do Jardim. Ao Sul, estava localizada a Fonte Poções, a Leste, O Cervo e o Lírio e, por fim, ao Norte, estavam Pontas, Almofadinhas, Moony. Harry sorriu ao imaginar a expressão de Sirius quando visse sua surpresa.

— Obrigada pelo presente, Sr. Potter. — Duda brincou ao passarem pelo bonito portão.

— De nada. Ainda que acredito que você deve agradecer a outra pessoa, pois, eu não sabia que estaria dando presentes aos visitantes. — Harry disse olhando em volta e perdeu o fôlego quando viu a estátua dos seus pais, de corpo inteiro, segurando um bebê, ele, no colo. — Merlin... o que...

— A estátua já existia, Harry, estava posicionada perto do cemitério. — Falc se apressou em explicar. — Você não deve ter visto porque estava escurecendo quando visitou naquele dia. — Harry não disse nada ao se aproximar da estátua, lembrando-se como perturbado esteve depois de ver o Chalé Iolanthe destruído. Ele fora para o cemitério sem ver nada e a Sra. Serafina não lhe mostrou, provavelmente, porque não o queria mais chateado. — Pensamos que o melhor era deslocar a estátua para cá, assim, não ficaríamos com um outro ponto de visitação separado, o que confundiria os trouxas. — Harry apenas acenou, sem ter o que falar e sem poder tirar os olhos dos seus rostos fortes e bonitos ou do bebê sem cicatriz na testa.

— Quem... — Ele pigarreou quando sua voz soou rouca.

— Os moradores bruxos de Godric's Hollow. — Falc respondeu. — Eles criaram a estátua logo depois... queriam homenagear os seus pais, lembrá-los.

— Isso foi muito gentil da parte deles. — Harry disse engolindo a emoção e conseguindo desviar o olhar do rosto bonito de sua mãe e do sorriso divertido do seu pai.

Ele percebeu que Sirius e sua tia estavam ao seu lado, com expressões idênticas de tristeza, saudade e pesar, misturado com um pouco de culpa.

— Fico feliz que pense assim, Sr. Potter. Nossa cidade apenas tentou homenagear os seus pais da maneira mais singela e verdadeira possível. Quero lhe dizer pessoalmente, que estamos todos encantados e, absolutamente honrados que o senhor confiou em nós para receber este incrível Jardim. — Uma voz falou atrás dele e Harry se virou, encontrando um homem alto, magrelo, de cabelos ruivos compridos, sorriso doce e terno caro. — Arnold Abbot, prefeito de Godric's Hollow, é uma honra conhecê-lo, Sr. Potter.

— O prazer é meu, prefeito Abbot. — Harry estendeu a mão educadamente. — O senhor é parente de Hannah Abbot? Ela é minha colega de ano em Hogwarts.

— Sim, distante. Acredito que sou primo em terceiro grau do seu pai ou algo assim. — Ele disse ainda sorrindo. — Também sou primo distante dos Bagshots, Longbottoms e MacMillans. — Prefeito Abbot riu divertido. — Acredito que é impossível não sermos parentes, quando somos uma comunidade tão pequena, Sr. Potter.

— Apenas, Harry, por favor. — Harry disse observando como o seu pessoal se dispersava em pequenos grupos no caminho para o Jardim, apenas Sirius e Falc ficaram com ele.

— Sei que quer fazer a visita, Sr... Harry, não quero incomodá-lo, apenas, agradecer por essa oportunidade incrível que o Jardim da Lily trará para a nossa cidade. E me colocar a sua disposição, para o que precisar. — Ele disse gentilmente.

— Obrigada, Prefeito Abbot. — Harry sorriu sincero, mas ansioso por começar a visitação. — Tenha um bom dia.

Ele se afastou na direção do pedestal de metal vermelho brilhante, onde um livro aberto de metal dourado se abria e palavras em metal negro dizia:

Este Jardim foi projetado e construído por Harry James Potter, em homenagem aos seus pais, que deram a sua vida para que ele sobrevivesse a uma cruel tentativa de assassinato.

O Jardim da Lily é nomeado em honra a Lily Evans Potter, amiga, filha, irmã, tia, esposa, mãe. Lily viveu uma vida curta, mas cheia de amor e conhecimento. Ao caminharem pelo Jardim da Lily, poderão conhecer mais sobre essa mulher e bruxa notável, lembrar seu sacrifício e honrar a sua vida.

Seu marido, James Potter, foi seu grande amigo e amor. Sua coragem e devoção a sua família, transformou um menino em um homem, que viveu para orgulhar seus antepassados. A vida de James pode ter sido igualmente curta, como a de sua esposa, mas, foi repleta de alegria, magia e amizade. Nesta jornada pelo Jardim da Lily, vocês conhecerão o Sr. Pontas, que viveu para amar a sua flor.

Harry sentiu os olhos se encherem de lágrimas e, ao mesmo tempo sorriu ao passar as mãos pelas letras brilhantes.

— Espero que gostem, mamãe, papai. — Ele sussurrou amorosamente.

Ao fundo, ouviu o prefeito se despedindo de Sirius e Falc, que vieram em sua direção. Os três deram os primeiros passos pelo caminho largo de pedra decorada, onde um corredor de cerejeiras brancas floridas formavam um lindo arco e mantinha o resto do Jardim meio escondido.

— Mas... — Sirius arregalou os olhos surpreso ao perceber os desenhos no chão. — São as pegadas... do mapa do maroto! Como...

— Eu pedi para fazerem isso. — Harry disse sorrindo. — Todo o caminho de pedra, que serpenteia por entre as flores, arbustos, gramados e árvores, tem as pegadas iguais às que aparecem no mapa do maroto, quando alguém está andando. Bem, em algumas áreas específicas do Jardim, tem outros desenhos personalizados, junto com as pegadas.

— Harry! Isso é incrível! — Sirius pisou nas primeiras pegadas do calçado de pedras brancas, cinzas e negras. — Essa era a sua surpresa?

— Uma delas. Você não olhou o folheto? — Harry perguntou divertido, antes de caminhar na direção do Sr. Falc que já estava uns passos à frente.

— Ah, Harry, preciso te explicar duas coisas importantes. — Falc disse suavemente enquanto Harry olhava encantado para o caminho sombreado pelas cerejeiras brancas floridas, que formavam um túnel de uns 20 metros antes de saírem para a visão impressionante do grande jardim com grama, arbustos, árvores e flores diferentes e coloridas por todos os lados.

— Não pode esperar, Sr. Falc? — Harry disse arregalando os olhos para tanta beleza.

— Prometo que serei rápido e, então alcançaremos os outros. — Sr. Falc falou brevemente. — Primeiro, todos concordamos em deixar você com o Sirius, pois sabemos como quer surpreendê-lo e que tudo será muito emocionante para vocês dois.

— Harry! — Sirius se aproximou de olhos arregalados. — O que está escrito aqui, Pontas, Almofadinhas, Moony, eu não... O que quer dizer, exatamente?

— Você verá. — Harry sorriu animado. — O que mais precisa me dizer, Sr. Falc?

— Apenas, lembre-se que se alguém perguntar quem organizou todo esse evento, você deve dizer que foi a Moment Parfait, não a GER. — Ele disse suavemente.

— Eu me lembro. — Harry acenou tentando conter a leve impaciência. — Para não conectarem a GER com o Jardim da Lily, criamos uma nova empresa, que realiza eventos, como festas, jantares e casamentos, a Moment Parfait. Sei que seu escritório já está aberto no Beco há mais de um mês e, que nossa sócia, Monique Lemaire, é francesa e foi indicada pelo Sr. Delacour, pois sua empresa de organizações de eventos faz sucesso em Paris. Eu ainda não a conheci, mas, sei que ela assumiu a organização da inauguração há algumas semanas, assim, Edgar e os funcionários da GER puderam se afastar.

— Bem, Edgar ainda supervisionou cada detalhe, mas foi a nova empresa que organizou tudo e, as cestas de piqueniques foram ideia deles. — Falc continuou. — Monique observou que, em um evento que dura o dia todo ou qualquer evento, na verdade, é obrigação dos anfitriões alimentarem os seus convidados. Assim, as cestas de piqueniques foram entregues e cada família pode se sentar em algum lugar do Jardim e almoçarem, pois, as cestas têm muitos sanduíches, sucos, frutas e doces.

— Isso é muito legal! — Harry sorriu sincero. — Uma ótima ideia.

— Bom, eu te deixarei com o Sirius, sei que estão ansiosos, mas, vamos nos encontrar ao meio dia no Monumento para almoçarmos todos juntos. Ok? — Ele disse e se afastou depois que Harry e Sirius acenaram positivamente.

— Bom, só restou nós dois. — Sirius disse olhando em volta para a grama verde e os canteiros de flores coloridas. — Por onde começamos?

— Bem, ali a frente, você pode ver que tem uma trifurcação no caminho de pegadas. — Harry apontou sorrindo. — A esquerda é Norte, onde encontraremos Pontas, Almofadinhas e Moony. A direita, iremos para o Sul, onde encontraremos a Fonte Poções e, pelo centro, chegaremos ao Monumento, mas, existem caminhos de pedras com pegadas que se conectam entre eles por todo o Jardim. E, ao fim de qualquer dos três caminhos, chegaremos ao ponto oposto de onde estamos agora, ou seja, o Leste, onde encontraremos o Cervo e o Lírio. Assim, só nos resta escolher, por onde começaremos a nossa jornada?

Sirius o ouviu com atenção e com os olhos brilhando de animação.

— Ok. Confesso que estou muito curioso para ver tudo, mas, gostaria de começar pela esquerda, até chegarmos a Pontas, Almofadinhas e Moony, depois, podemos voltar e caminhar pelo lado Sul, até chegarmos a Fonte Poções. — Sirius disse saltitando de entusiasmo.

— Muito bem. — Harry sorriu entusiasmado. — Denver não quis esperar?

— O prefeito Abbot queria conversar sobre o tal Partido que fundarei, incrivelmente, a notícia já chegou a ele. — Sirius disse. — Denver percebeu que poderíamos ficar presos e decidiu seguir com a sua tia e Duda, acho que ela quer tentar ajudá-los de alguma forma, mesmo que seja apenas com informações sobre o tipo de prisão em que Vernon está encarcerado.

— Ah! — Harry fez uma careta. — Ontem, eu tentei falar com o Duda sobre isso, mas, ele me cortou, disse que prefere não discutir o assunto.

— Tenho a impressão de que o Duda está envergonhado. — Sirius disse. — Ok, vamos nos concentrar na visita, conversamos sobre isso depois. Você pode me explicar a intenção da trifurcação?

— Bem, a intenção é contar uma história. — Harry disse sorrindo quando eles pegaram o caminho da esquerda, Norte. — Começando por meus avós, claro.

— O que tem ali? — Sirius caminhou apressado e arregalou os olhos quando viu um canteiro com flores e arbustos em esculturas de cavalos em tamanho real. — Cavalos! Como os de Hallanon! E, tem hipogrifos! E, os cavalos alados!

— E... — Harry sorriu para a estrutura maior, que se erguia protetora sobre os cavalos. Era um dragão, esculpido em arbustos e revestido de flores azuis escuras. — Diona.

— Incrível! — Sirius entrou no canteiro e tocou a escultura da Diona e as lindas flores. — Lisianto azul, realmente representa bem a Diona.

— E, tudo isso representa a minha avó, Euphemia. — Harry apontou para o pedestal em bronze, com o livro de metal azul brilhante e letras negras.

Euphemia O'Hallahan Potter, viveu uma vida longa e feliz. Seu grande amor de infância e juventude, foram os animais da linda Hallanon, propriedade secular dos O'Hallahans.

Ela foi uma mulher forte e alegre, muito querida por seus amigos e profundamente amada por seu querido marido, Fleamont Potter. No entanto, sua maior aventura e conquista foi o seu precioso James, a quem ela ansiou e amou mais do que tudo.

Euphemia passou sua personalidade alegre e brincalhona para James Potter, que veio a ser um jovem encrenqueiro e brincalhão, mas com um grande coração e motivo de muito orgulho para sua mãe, Euphemia Potter.

Infelizmente, Euphemia e o marido, Fleamont, faleceram antes do nascimento do seu único neto, no entanto, Harry tem muito de seus avós em si mesmo e adora ouvir histórias de seus grandes feitos. Assim como se orgulha do seu amor pelos animais e proteção constante as criaturas mágicas.

Apesar de não estar mais neste mundo, seu legado vive e prospera, pois, seu neto o conduz com determinação.

— Euphemia teria amado isso. — Sirius disse suavemente.

— Se você olhar em volta, verá que neste trecho do Jardim, há mais referências a minha avó. — Harry apontou para o chão de pedras que, além das pegadas, também tinham cavalos, hipogrifos e os cavalos alados desenhadas. — E, perceba que as cores das flores nesta área representam minha avó de alguma maneira, rosas vermelhas e gérberas laranjas, como os seus cabelos ruivos. Os sinos da Irlanda verdes, cercados de cineraria prata, em referência à sua casa, Slytherin. Tem também... vem... — Harry se apressou a frente e mostrou um grande canteiro central arredondado. — Veja, tulipas amarelas plantadas em forma de trevo, cercado assim pelos sinos da Irlanda, que são verdes, se torna o...

— O símbolo dos Kestrels de Kenmare! — Sirius arregalou os olhos mais uma vez e riu divertido. — Harry! Isso é genial! Você fez esculturas de arbustos e desenhos nos canteiros das flores, além dos desenhos nas pedras do caminho, que representam todos eles!

— Realmente genial, Sr. Potter. — Uma voz falou atrás deles. — Eu conheci os seus avós e acredito que você herdou os seus brilhantismos.

Harry encarou o homem bem idoso, alto e magro, que lembrava um pouco Dumbledore, mas, de um jeito mais gangster.

— Obrigado, senhor. — Harry disse educadamente. — Espero que esteja tendo um agradável passeio.

— Stuart Waffling, prazer em conhecê-lo. — Ele estendeu a mão como se o prazer deveria ser do Harry em conhecer a sua pessoa. Harry não disse nada, apenas apertou a sua mão com firmeza. — Sr. Black, tenho ouvido muitas coisas sobre você. É um prazer conhecer o homem que sobreviveu com tanta lucidez a Azkaban.

— Talvez seja porque nunca fui muito lúcido, mesmo antes da minha injusta prisão, Sr. Waffling. — Sirius disse divertidamente ao apertar sua mão.

— Bem, isso explica porque tenho ouvido que o senhor pretende se aliar aos Progressistas e apoiar Albert Finley a cadeira de Ministro. — Waffling disse com um sorriso sarcástico. — Apenas a loucura poderia fazer um homem apoiar uma causa perdida.

— Não me diga que o líder do Partido Conservador veio em pessoa pedir o meu apoio? — Sirius sorriu com malícia. — Nossa! Minha atenção está mais disputada do que quando era um adolescente cheio de hormônios e habilidades sexuais lendárias em Hogwarts.

Harry olhou meio chocado para o padrinho e se esforçou para não rir.

— Não, Sr. Black, duvido muito que alguém do seu tipo se encaixaria em meu Partido, apenas gostaria de avisá-lo para não perder seu tempo, pois não tem como Finley vencer de mim. — Waffling respondeu arrogante.

— Mas, pensei que ele disputaria a eleição com Fudge. — Harry disse fingindo certa ignorância. — O senhor pretender se candidatar?

— Claro que não, menino. — Waffling olhou para ele como se reconsiderasse seu elogio sobre o seu brilhantismo.

— Oh! Ok, então. — Harry sorriu para o padrinho. — Acho que isso não é tão ruim, porque acredito que até eu poderia vencer o Fudge, Sirius.

Isso fez Sirius rir divertido, antes de encarar Waffling.

— O senhor não deveria estar tão confiante, Sr. Waffling. — Sirius disse em tom falsamente amigável.

— E, não deveria se preocupar com o Sr. Finley, senhor. — Harry acrescentou sorridente. — Ele é o menor dos seus problemas. — Então, Harry pegou a mão de Sirius e o puxou pelo caminho. — Tenha um bom dia, Sr. Waffling.

Nenhum dos dois olhou para trás, assim, não viram a expressão irritada de Stuart Waffling ao ser dispensado tão displicentemente.

— Ele ainda não descobriu sobre o novo Partido. — Harry disse suavemente. — Como o Prefeito Abbot descobriu tão rápido? Eu só falei sobre isso na festa do Slughorn na quarta-feira à noite.

— Porque Abbot vive em uma comunidade com muitos bruxos e tem contato com dezenas de pessoas todos os dias. — Sirius disse. — Sr. Waffling não sai de sua mansão com frequência o suficiente para ouvir as fofocas, mas, acredito que, em breve, a novidade chegará até ele.

— O que o prefeito queria saber sobre o Partido, aliás? — Harry perguntou suavemente.

— Se nós aceitaríamos nascidos trouxas. — Sirius parou ao ver a expressão do Harry. — Eu sei, fiquei surpreso também, não fazia ideia que os dois Partidos políticos tinham esse tipo de restrição.

— Mas, o Partido Progressista não deveria ser..., bem, progressista? E aceitar a todos? — Harry perguntou chocado. — E, o prefeito Abbot é nascido trouxa?

— Sim, seus pais são trouxas. Seu avô era um Abbot, bruxo, mestiço, que se casou com uma trouxa e teve dois filhos. O pai do prefeito era trouxa ou aborto, casou com uma trouxa e teve quatro filhos, apenas o prefeito é um bruxo e se considera um nascido trouxa. — Sirius resumiu. — Ele disse que o Partido Progressista o aceita como membro, mas, não lhe permite assumir cargos importantes, muito menos tentar algum cargo político.

— O que você disse a ele? — Harry perguntou curioso e se desviou de um grupo animado e barulhento que tiravam fotos. Olhando em volta, ele viu centenas de pessoas por todos os lados fazendo o mesmo ou sentadas nos bancos e coretos do caminho.

— Que ele era bem-vindo e que minha intenção era acabar com as leis injustas e discriminatórias, além de esperar que, um dia, um nascido trouxa fosse o Ministro da Magia. — Sirius disse sorrindo. — Agora que essa história do Partido está se espalhando e que Falc registrou tudo oficialmente no Ministério, terei que começar a selecionar os interessados com cuidado, porque terei dezenas de pessoas querendo se filiar, aposto.

— Bem, acho que deveria pensar em centenas, porque metade delas, serão mulheres querendo se aproximar de Sirius Black. — Harry disse com malícia e riu da expressão de Sirius.

— Merlin, que ótima hora para deixar de ser solteiro! — Sirius bateu o pé contrariado. — Meu antigo eu estaria vibrando de entusiasmo com esse pensamento.

— Eu não deixaria a Denver te ouvir dizer isso, Sirius. — Harry riu ao ver o padrinho olhar em volta levemente assustado pela ideia de ser ouvido por sua não-namorada. — Vamos seguir e conhecer um pouco sobre, Fleamont Potter.

— Estou curioso para saber o que fez para o seu avô. — Sirius disse tão animado como uma criança.

— Se você observar, as cores das flores... — Harry parou antes de continuar. — Esqueci de comentar que as flores do trevo dos Kestrels, eram tulipas amarelas, em homenagem a Carole e a Sra. Honora. Acham que os Boots irão gostar?

— Harry... — Sirius tocou o seu ombro com carinho e o olhou com amor. — Eles amarão essa lembrança e homenagem. Você não tem preço, garoto, não tem.

Harry corou meio tímido e deu de ombros, sem saber o que responder, assim, decidiu continuar.

— Bem, as flores mudam nesta área. — Ele pontou para os canteiros com cores predominantemente vermelhas, douradas e arbustos verdes. — Existem rosas, gerânios, papoilas, camélias, dálias, tulipas, crisântemos e montes de outras espécies de flores vermelhas, cercado por sempre vivas e capim dourados, além de plantas verdes escuras. Essas cores representam as cores da Família Potter e da Casa Gryffindor, ou seja, meu avô.

— Lindo. — Sirius disse chocado com tanta beleza. — O vermelho poderia deixar meio feminino, mas, a maneira como é misturado com o dourado e o verde, incrivelmente, lembra muito a Sala Comunal dos Leões.

— Rá! Então, acho que você gostará disso! — Harry disse e eles caminharam mais à frente. Sirius percebeu que o chão de pedra não tinha mais os animais de Hallanon, agora tinha as pegadas, o brasão Potter, caldeirões de poções e... latas da poção de cabelos Sleekeazy? — Veja, não é perfeito?

Sirius levantou a cabeça e se viu frente a frente com um enorme leão esculpido em arbusto verde, no entanto, seu corpo fora vestido com uma roupa de gato feita de flores, em xadrez, como as cores Potter, igual à da camisa do Harry. Seu rosto era muito expressivo, sereno, mas, a "língua" de crisântemos vermelho, para fora da enorme boca, o fazia parecer gentil e carinhoso, exatamente como Fleamont. E, seus "cabelos", feitos de tulipas negras, estavam bagunçados para todos os lados. Sirius não se conteve e gargalhou descontroladamente!

— Merlin! Fleamont e Euphemia ririam disso por horas! — Sirius se aproximou do leão e tocou o seu rosto. — Tão realista, eles fizeram o seu rosto parecido com o do seu avô e deve ter uns 3 metros de altura.

— E, aqui está a sua placa. — Harry disse apontando para outra placa em bronze e azul.

Fleamont Potter foi sem dúvida um bruxo e homem notável. Gerou admiração, amizade, afeto e confiança em centenas de pessoas que tiveram o privilégio de conhecê-lo. E, a todos esses, não escaparia o grande orgulho que Fleamont tinha de seus antepassados e seus feitos honrosos que abrilhantaram o nome Potter.

Um grande filantropo, Fleamont dedicou a sua vida a ajudar os necessitados, feridos e injustiçados, além de continuar a nobre herança da família Potter em inventar poções. Seu trabalho como potioneer lhe rendeu muitos elogios e dinheiro, mas, seu maior legado foi seu filho, James Potter.

Fleamont era um pai tão dedicado, que vendeu sua empresa para ser apenas pai de James e, com isso, ensinou seu filho a ser um grande homem, bruxo, amigo, marido e, mais importante, um grande pai.

— Maravilhoso, Harry, você projetou isso para mostrar a história de como tudo aconteceu. — Sirius disse suavemente. — Seus avós, depois, imagino, temos James. Do outro lado, ao Sul, teremos os seus avós trouxas, até Lily. E, no fim, encontramos o Cervo e o Lírio.

— Sim. — Harry disse suavemente. — E, no centro, o Monumento Vida, em homenagem aos mortos na guerra, não apenas meu pais ou bruxos, mas todos, para não os esquecermos.

— Você não colocou nada sobre você? Como tudo terminou? — Sirius perguntou curioso.

— Não. Quer dizer, eles são partes de mim, Sirius, ou eu tenho partes deles, para sempre. — Harry apontou para todo o Jardim com os braços. — As placas azuis e bronze da minha casa são pequenos pontos que mostram que sou a continuidade deles, assim, como eu represento as cores dos Potters, o seu brasão, seu amor pelos animais, pela preparação de poções, por quadribol, por ajudar as pessoas. Tudo isso, fala sobre eles e sobre mim, mas, eu não queria colocar uma área com minha presença, pois, o Jardim deve ser sobre eles, não Harry Potter.

— Ainda, há partes de você em todo lado. — Sirius acenou entendendo.

— Sim, mas, o mais importante é que tem partes de suas vidas em todo lugar. — Harry disse suavemente. — Acredito que todos devem lembrar da vida, não da morte.

— Muito interessante a sua forma de aceitar a perda, Sr. Potter. Admirável, eu diria. — Uma voz soou atrás deles e Harry se virou para encontrar outro senhor, de uns 70 anos, olhos azuis claros afiados e cabelos loiros até os ombros, sem fios brancos. — Albert Finley, muito prazer. — Harry apertou a sua mão educadamente. — Como está passando, Sirius?

— Muito bem, Sr. Finley. — Sirius o cumprimentou seriamente. — Está gostando do Jardim?

— Grandemente. Acredito que nunca vi tanto amor e respeito, representados tão bem. — Sr. Finley olhou para o Harry e sorriu suavemente. — Você é um jovem especial e seus pais e avós devem estar muito orgulhosos.

— Obrigado, Sr. Finley. — Harry percebeu seus olhos inteligentes e gentis, além de sua habilidade com as palavras, agradável e levemente bajulador. Um político. — Eles também me orgulham muito, senhor, por isso quis homenageá-los.

— Verdadeiramente, admirável. — Ele disse sorrindo. — Sirius, pretendemos realizar uma festa para o lançamento da minha candidatura em 1 de maio e, estaremos oficialmente em campanha no primeiro jogo de quadribol da temporada. Gostaria muito que viesse aos dois eventos, tenho certeza que apreciará que a imprensa o fotografe no camarote do Partido.

— Eu agradeço o convite, Sr. Finley. — Sirius disse suavemente. — O senhor pediu o meu apoio e, eu prometi pensar, já fiz isso e decidi não apoiar sua candidatura, senhor.

— Ah! Não me diga que Waffling o atraiu para o outro lado! — Finley se mostrou surpreso. — Não acredite no que aquele bastardo lhe prometer, Sirius, pois ele pouco faz além de manter o status e o poder que tanto preza.

— Não duvido disso nem por um segundo, Sr. Finley. — Sirius disse firme. — Minha intenção não é apoiar qualquer dos candidatos e sim, cobrar do Ministro eleito, ações efetivas para mudar o mundo mágico, portanto, espere que eu seja um eleitor muito exigente, senhor.

— Entendo. — Sr. Finley não pareceu ficar chateado, na verdade, olhou para o Sirius com respeito. — Admiro sua disposição e empenho, assim como, a sua determinação em manter as suas convicções. Apesar de não estarmos no mesmo caminho, seguimos na mesma direção, Sirius e espero que, no futuro, possamos realizar grandes feitos juntos. Sinceramente.

— Isso muito me agradaria, Sr. Finley. — Sirius disse respeitosamente ao apertar sua mão em despedida. Sr. Finley acenou para o Harry e se afastou em um passo suave, enquanto admirava as flores.

— Elegante e eloquente. — Harry disse pensativo. — Encontramos o Dumbledore gangster e o Malfoy bondoso. Que estranha mistura.

Sirius riu e apertou o seu ombro.

— Sinceramente, Finley não é um cara ruim, aparentemente. — Sirius disse quando voltaram a caminhar. — Como ele disse, estamos indo na mesma direção e, por isso, acredito que ele seria um Ministro melhor do que Fudge.

— Então, o que te incomoda nele? — Harry perguntou, pois percebera que o padrinho não confiava no homem.

— Você comparou Waffling a Dumbledore, mas, na verdade, é Finley que se assemelha mais ao diretor. — Sirius parou e se sentou em um banco vazio, Harry se sentou ao seu lado. — Waffling deixa muito claro os seus pensamentos e sentimentos puristas, mas, Finley é outra história. Como Dumbledore, ele não é claro ou aberto sobre o que pensa ou sente, sempre com palavras bonitas e eloquentes, como você disse, mas que não parecem dizer tudo ou serem completamente sinceras.

— Um político. — Harry disse, pois essa foi a sua impressão sobre Finley.

— Waffling e Fudge também são políticos, Abbot, que conhecemos a pouco, no entanto, Finley parece projetar o que queremos ou esperamos dele. — Sirius tentou explicar sua impressão.

— Como uma máscara? — Harry perguntou.

— Todos temos máscaras sociais, Harry e não há nada de errado em usá-las, às vezes, precisamos dela para realizar negócios ou vencer disputas. — Sirius disse suavemente. — Politicamente, elas são ainda mais necessárias, mas, ainda devemos ser verdadeiros, a não ser que estejamos mentindo.

— E, você acredita que Finley está mentido? — Harry pensou na conversa que tiveram a pouco, onde o Sr. Finley pareceu sincero.

— Bem, o que você viu nos olhos dele, Harry? — Sirius perguntou curioso em saber a sua percepção.

— Bem, gentileza, admiração sincera, curiosidade, aceitação, inteligência e, talvez, um certo paternalismo. — Harry disse ao se concentrar nos olhos azuis claros.

— Sim, mas, quando eu neguei o meu apoio, que é considerado valioso, por tudo o que já conversamos antes, o que se esperaria que Finley demonstrasse? Se estivesse sendo sincero em suas emoções, o que você esperaria ver? — Sirius acrescentou com as sobrancelhas arqueadas.

— Hum... frustração, raiva, exasperação, decepção... — Harry disse compreendendo onde seu padrinho queria chegar. — Ele não mostrou nada disso, talvez, um pouco de surpresa.

— Sim, surpresa e, depois, aceitação, acrescentou até sua admiração por minha determinação em manter minhas convicções. — Sirius disse.

— Ele pode estar sendo sincero. — Harry argumentou.

— Sim, ele pode, mas, como saberei com certeza se Finley é tão dúbio? E, como posso apoiar alguém que não confio? — Sirius deu de ombros. — Acredito que ele será um Ministro melhor do que Fudge, mas, também penso que só conheceremos o verdadeiro Albert Finley depois e, se, ele for eleito.

Harry acenou entendendo sua posição.

— Bem, independente disso, o novo Partido poderá ser uma grande força em manter o Ministro na linha. — Harry disse lentamente. — Podemos até nos surpreender e Finley pode vir a ser o nosso aliado na guerra.

— Essa é a ideia. — Sirius disse e olhou para o chão, arregalando os olhos. — O que é isso? Você desenhou o James voando em sua vassoura?

— Sim, a partir de uma foto. Pedi ao artista que, nesta área, desenhasse o brasão Potter, meu pai na vassoura e o brasão do Jardim, além das pegadas do mapa, claro. — Harry se levantou e eles voltaram a caminhar.

— Incrivelmente realista, parece mesmo o James e a imagem também se parece com você, mas, ele está carregando uma goles, não um pomo. — Sirius disse e olhou em volta ansioso. — Essa é a área do James!

— Sim. — Harry sorriu e apontou para as flores. — As cores são semelhantes, vermelho, dourado, verde escuro, as cores Potter e da sua casa em Hogwarts, mas, aqui, temos apenas lírios vermelhos.

Era uma um mar de lírios vermelhos por todos os lados, entremeado de capim dourado e sempre viva douradas, além de lírios verdes.

— Uau! — Sirius sorriu encantado.

— Eu não sei se o meu pai tinha uma flor preferida, mas, acredito que ele gostava de lírios, certo? — Harry disse divertido, o que fez seu padrinho rir.

— Muito certo. James acharia perfeito, pois vermelho, não apenas é a cor do brasão Potter e da sua casa em Hogwarts, mas, também é a cor do amor. — Sirius disse com um sorriso malicioso. — Ele deu lírios vermelhos para sua mãe no primeiro São Valentim deles juntos. O cartão dizia algo sobre a beleza das flores serem a expressão do seu amor, na época, eu brinquei sobre seu romantismo meloso. — Sirius tinha uma expressão nostálgica e suspirou sentindo o coração se apertar de saudades. — Bons tempos.

— Bem... — Harry tentou se concentrar no presente e ignorar a dor que sentiu ao imaginar como seria ver seus pais felizes e apaixonados. — Existem árvores para todos os lados do Jardim, mas, a frente, temos uma grande concentração, como um pequeno bosque. Isso é uma referência a Floresta Proibida e depois que caminharmos por seu local de aventuras secretas, conheceremos, Pontas, Almofadinhas e Moony.

— Estou ansioso por isso! — Sirius disse e apressou o passo.

Eles caminharam em direção ao Bosque Vermelho, onde só tinha árvores de folhas vermelhas, flamboyant, árvores de fogo, plátano vermelho, bordo, cerejeiras, ipês. Os dois olharam encantados em volta ao entrarem no bosque, a maneira como o sol iluminava as árvores, parecia que estavam em um mundo vermelho e etéreo.

— Apenas árvores vermelhas... — Sirius estava chocado com tanta beleza.

— Nós chamamos de Bosque Vermelho. — Harry disse suavemente. — Acha que papai gostaria?

— Harry, não existe absolutamente nada aqui que o seu pai não amaria. — Ele disse andando encantado pelo Bosque Vermelho. A volta deles havia dezenas de pessoas sentadas nos bancos ou coretos, tirando fotos e, algumas, já estendiam seus cobertores xadrezes para fazerem seus piqueniques. — Lily também adoraria, acharia tão doce...

— Olha. — Harry sorriu ao olhar para o cobertor que uma família estendia. — O cobertor que vieram nas cestas de piqueniques, tem o brasão do Jardim e as cores Potters, como a minha camisa.

— Bem pensado. — Sirius disse sorrindo. — Acredito que a Monique teve outra ideia criativa, a não ser que tenha sido ideia do Falc.

— Ou Edgar. — Harry disse e olhou para o relógio. — É melhor nos apressarmos, precisamos nos encontrar com os outros para o almoço em breve.

— Ok. — Sirius saltitou pelo Bosque Vermelho, ansioso pelo que viria a seguir, até que eles deixaram o caminho em meio as árvores e... — Pelas barbas de Merlin! Harry!

Harry riu da sua expressão assombrada e olhou com apreciação para a obra prima do paisagismo. Uma casa tinha sido erguida, feita de arbustos e flores, rosas negras, a representação da Casa dos Gritos. Sobre o seu "telhado" havia um lobo, não um lobisomem, mas, um lobo, que uivava para os céus. E, em cada lado da casa, como se protegendo e apoiando o lobo, havia um grande cachorro e um imenso cervo com chifres pontudos.

A decoração era enorme, em altura e largura. A casa, mais o lobo, alcançariam uns 10 metros de altura, o cervo e o cão, pelo menos 6.

— Pontas, Almofadinhas e Moony. — Harry sorriu ao se aproximar, Sirius ainda estava paralisado, olhando as esculturas de boca aberta, literalmente. — Vem, Sirius.

Ele finalmente caminhou e os dois se aproximaram mais, ainda que a quantidade de pessoas em volta das esculturas, tornava o trajeto difícil e lento. Muitos tiravam fotos das esculturas ou de si mesmo em frente a elas. Finalmente, os dois chegaram a placa azul e bronze, com as letras em metal preto.

James Potter ou Pontas, tinha um grande segredo. Ele era um animagus cervo e, ao lado dos seus amigos, Almofadinhas e Moony, transformaram Hogwarts e a Floresta Proibida em seu mundo de brincadeiras. Não se enganem, James era o mais brilhante dos alunos, mas sua energia, criatividade e alegria sem fim, tornavam cada dia de sua vida, uma nova aventura.

Amigo leal, James se tornou um animagus para proteger alguém que amava. Assim, como deu sua vida para proteger sua amada Lily e seu filho, Harry. Ainda que, realizar tudo isso, era fácil para alguém com seu grande coração e nobre caráter. O que verdadeiramente valoriza o homem que foi, era sua dedicação em se esconder por meses e meses para proteger seu bebê. James largou seu mundo de aventuras e brincadeiras para ser pai e morreu sendo o mais amoroso e corajoso entre eles.

James foi um grande filho, leal amigo, jogador de quadribol excepcional, bruxo poderoso e o mais dedicado dos maridos. No entanto, seus brilhantes feitos se desvanecem diante do seu papel mais importante, pois James foi o mais honrado e bondoso dos homens, a quem seu filho se orgulha de chamar de pai.

Harry se engasgou levemente e enxugou as lágrimas de seu rosto. Suspirando, ele olhou em volta, mas, Sirius não estava por perto. Um pouco surpreso, ele caminhou entre várias pessoas tentando encontrá-lo, até que uma câmara disparou bem perto do seu rosto, assustando-o.

— Sr. Potter, poderia me dar um autógrafo? — A voz de uma mulher soou a sua frente e Harry olhou para cima desconcertado.

— Desculpe, mas, eu não dou autógrafo. — Harry disse para a mulher de cabelos arrumados em cachos caprichosos e curiosamente rígidos, que contrastavam estranhamente com seu rosto de queixo volumoso. Ela usava óculos com aros de pedrinhas, uma bolsa de couro de crocodilo e, seus dedos grossos com compridas unhas pintadas de escarlate, seguravam um bloco e pena comprida.

— Não? Mas, pensei que todo esse projeto tinha como intenção receber seus fãs, conversar, tirar fotos, dar autógrafos, talvez, aumentar a sua fama. — Ela disse ainda sorrindo e Harry fez uma careta.

— Acredito que entendeu errado, senhora. — Harry disse com frieza. — Eu sou conhecido, mas, não uma celebridade e não tenho interesse em ter fãs ou fama. Além disso, o Jardim da Lily tem a única intenção de homenagear os meus pais, nada mais. Com lin...

— Espere, eu não quis ofendê-lo. Diga-me uma coisa, Sr. Potter. O que senhor acredita que seus pais pensariam desta homenagem? Estariam orgulhosos? Felizes? Envergonhados? — Ela perguntou em tom rápido e Harry viu sua pena se mover sozinha.

— Envergonhados? — Ele franziu o cenho confuso.

— Bem, por serem expostos desta maneira a estranhos, talvez, seu pai não gostasse que o senhor revelasse o seu crime. — Ela levantou a sobrancelha com expressão maliciosa.

— Crime? — Harry falou em um tom perigoso. — Quem é você?

— Skeeter! O que pensa que está fazendo? — Vance se aproximou de repente e se colocou protetoramente entre o Harry e essa tal Skeeter.

— O que lhe parece, Vancy? — A mulher a olhou por sobre os óculos com irritação. — Uma entrevista, e das boas, algo que você não seria capaz, mesmo em 20 anos de carreira.

— Entrevista? — Harry saiu de trás da Vance chocado. — Você é uma repórter?

— O que... — Vance parecia não ter palavras. — Você está entrevistando um menor sem a autorização ou presença dos seus guardiões e, ainda por cima, não se apresentou como jornalista? Está querendo ser processada? Além disso, eu estou cobrindo a inauguração do Jardim da Lily! Cuffe deixou isso bem claro e duvido que publicará qualquer reportagem que faça, principalmente desta maneira antiética!

— Ah... — Skeeter sorriu divertida. — Veja como dormir com o chefe deixa uma mulher segura de sua posição. Um jornal não funciona assim, queridinha. Se você conseguir um furo de reportagem, alguma informação escandalosamente suculenta, ela faz a primeira página. Portanto, continue com a sua cobertura doce e especial do evento, enquanto eu, trabalho como uma verdadeira repórter.

— Muito bem. — Vance disse com frieza. — Sinta-se à vontade para fazer o que quiser, inclusive destilar todo esse seu veneno sobre mim, mas, não ouse chegar perto do Harry, tentar prejudicá-lo ou este evento especial, Skeeter, ou, eu arranco seus olhos e a faço engoli-los.

— E, eu ajudarei. — A voz de Sirius soou com frieza atrás da Skeeter, que deu um pulo de susto. — Se tentar publicar mentiras sobre o meu afilhado, Rita, não duvide da minha capacidade de fazê-la se arrepender.

— E, se escrever alguma calúnia sobre os meus pais, lhe garanto que o que eles podem lhe causar não é nada, comparado ao que farei com a senhora. — Harry disse com voz dura. — Agora saia da minha frente.

— Bem, bem, estou vendo que o pequeno Potter não é tão bonzinho quanto quer parecer. Interessante. — Skeeter sorriu gulosamente. — E, também percebo que devo realizar o meu trabalho em outro lugar, mas, bem... com tantos peixes, aposto que consigo pescar um bem gordo e suculento em outro lugar. Ah! Adoro o meu trabalho! Tanta diversão...

Skeeter caminhou para longe entre as pessoas e logo desapareceu de suas visões.

— Que mulher horrível. — Harry disse irritado. — Oi, Vance. Onde você estava, Sirius?

— Oi, Harry. Divertindo-se? — Vance sorriu e, seus olhos quase sempre apagados e expressão solitária tinham desaparecido. — Acredito que nunca vi tanta beleza. — Ela suspirou com os olhos brilhando.

— Desculpe, Harry, me afastei porque, eu vi o Remus. — Sirius apontou para o amigo que observava as esculturas com um grande sorriso, a uns 15 metros de distância. — Ele está igualmente encantado.

— Espero que ele não se incomode com a escultura. — Harry disse levemente preocupado, apesar de que ele tentou não deixar pistas de que o lobo, na verdade, era um lobisomem.

— Porque se incomodaria? Acho que nunca vi algo tão incrível e que represente tão bem a realidade. — Vance disse sorrindo, ela era uma das poucas pessoas que sabiam da condição do Remus, entre os membros da Ordem da Fênix. — Harry, não quero lhe incomodar durante o seu passeio, mas, se você tiver um tempo para me responder algumas perguntas mais tarde, eu lhe agradeço.

— Claro, Vance e muito obrigado por seu apoio contra aquela... — Harry apontou com o braço para uma direção aleatória, sem conseguir encontrar uma definição adequada.

— Não foi nada, Harry, nos vemos mais tarde. Divirtam-se. — Vance acenou adeus, passou por Remus e lhe deu um abraço de cumprimento, antes de continuar o seu caminho.

— Eu me divertiria mais se não houvesse tantas interrupções. — Harry disse mal-humorado. — Gostaria de ter aproveitado o feriado de ontem e visitado o Jardim da Lily sem todos estarem presentes. Hoje, deixaria que eles aproveitassem sem que Harry Potter estivesse no caminho.

— Ei, não seja rabugento. — Sirius disse apertando o seu ombro. — Estamos nos divertindo, apesar de tudo. Agora, vamos pegar o Remus e ir almoçar com nossa grande família! — Seu padrinho tinha um sorriso gigante. — Não me lembro a última vez que fiz um piquenique!

Eles se aproximaram de Remus, que ainda olhava as esculturas com um sorriso alegre e bobo.

— Olha quem está aqui. — Sirius disse ao amigo.

— Harry! — Remus desviou o olhar das esculturas e abraçou o Harry em um aperto forte, que tirou os seus pés do chão. — Harry! Isso é incrível!

— Remus... — Harry resmungou meio sem fôlego. — Respirar...

— Ah! Desculpa! — Ele o soltou de volta aos seus pés e o segurou pelos ombros, enquanto se inclinava para que seus olhos ficassem na mesma altura dos olhos do Harry, que se sentiu levemente constrangido ao ver a emoção e afeto em sua expressão. — Obrigado. As esculturas são lindas, é uma homenagem emocionante e... estou sem fôlego ou palavras de tanta emoção...

— De nada, Remus. — Harry sorriu também emocionado e os três se viraram para as esculturas, bem de frente para a Casa dos Gritos de rosas negras e arbustos.

Por alguns minutos, eles não precisaram de palavras, apenas a emoção da linda visão, as lembranças e os sentimentos de amor e saudade. Apenas isso era o suficiente.

— Sei que essa escultura é para o seu pai, Harry, mas, compreendo que ela também é para nós dois, de alguma maneira e, por isso, agradeço. — Remus sussurrou com a voz embargada. — Ela me traz tantas boas lembranças... Não faz ideia de como a amizade deles foi importante para mim, o apoio e aceitação incondicional, tornou suportável... tudo.

— Eu não podia homenagear a vida dos meus pais, sem mencionar vocês dois. — Harry disse baixinho. — Vocês eram sua família e eles os amavam. Eu até consegui colocar o rato na escultura.

— O que? — Sirius o encarou chocado.

— Onde? — Remus olhou em volta, mas, não viu rato algum em qualquer lugar.

— Ali, veja. — Harry deu uns passos à frente e apontou para a boca do Almofadinhas, que estava a uns 4 metros do chão. — Encontrei o lugar certo para o Rabicho.

Sirius e Remus olharam com mais atenção a arregalaram os olhos de surpresa, pois entre os "dentes" do Almofadinhas, havia um rato de pelúcia acinzentado, obviamente, morto.

— Isso é... — Remus disse.

— Hilário! — Sirius disse antes de rugir em sua gargalhado rouca que lembrava um latido. Remus e Harry o acompanharam e os três se dobraram de tanto rir. — Harry, com essa sua inteligência, se decidisse se tornar um brincalhão, seria o mais engraçado entre eles.

— E, o mais perigoso. — Remus disse dando mais uma olhada no rato. — Tenho pena dos seus inimigos.

— Bem, acredito que não teria pena do Rabicho ou de Voldemort. — Harry disse ao sorrir com malícia.

— Não. — Remus retribuiu o seu sorriso.

— Sabe, ver esse rato de pelúcia, só aumentou a minha vontade de encontrar o Peter. — Sirius disse e sua expressão se tornou perigosa. — Acredito que é hora de me concentrar nessa missão com mais empenho.

— E, eu o ajudarei. — Remus disse muito sério. — Ninguém o conhece melhor do que nós e tenho certeza que conseguiremos encontrá-lo.

— Boa sorte aos dois. — Harry disse e, quando o Sirius voltou a andar, ele segurou o braço do Remus. — Você o vigiará, certo?

— Como uma sombra. — Remus prometeu.

— Vamos encontrar os outros e almoçar antes de continuarmos o passeio! Estou faminto! — Sirius disse muito animado.

Os três seguiram por outro caminho, em direção ao centro do Jardim, guiados por uma pequena placa com uma flecha e os dizeres "Monumento Vida".

— Eu já estive no Monumento, Harry e, é belíssimo. — Remus disse suavemente. — Eu vi muitas pessoas chorando com a homenagem aos mortos durante a guerra.

— Espero que isso faça com que eles não esqueçam do que perdemos, de quem perdemos. — Harry disse suavemente. — A guerra durou anos, matou centenas de bruxos e trouxas, mas, nos últimos 11 anos, foi como se nada tivesse acontecido para algumas pessoas.

— Acredito que isso vem do alívio de que tudo acabou e sobrevivemos. — Remus disse gentilmente. — Existem aqueles que perderam tanto, que nunca esquecerão, mas, tem quem só quer seguir em frente e esquecer a dor, o medo e insegurança daqueles anos terríveis.

— Eu entendo quererem seguir em frente e viver, Remus, mas, não aceito que queiram esquecer. — Harry disse dando de ombros. — Pior são aqueles com poder de realizar mudanças, mas que não fazem nada e permitem tudo continue errado.

— Sim, mas, lembre-se que nossa posição naquela guerra, Harry, era de defendermo-nos. — Remus disse inteligentemente.

— Como assim? — Harry o olhou confuso.

— Não foi o nosso lado que começou a guerra buscando mudanças no mundo mágico, Harry, foi Voldemort e seus comensais. — Remus disse seriamente. — Nossa posição era nos defender deles, de suas intenções, seus pensamentos, de sua invasão, como se fossemos um país sendo invadido por um exército hostil. Assim, quando vencemos, todos comemoraram a vitória e o fato de que o nosso mundo continuava nosso, assim, ansiosamente, voltamos a anormalidade anterior. E, em nenhum momento alguém pensou, "ei, vamos aproveitar a guerra e mudar o que está errado em nosso mundo", na verdade, todos queriam o mundo normal de volta, porque o mundo em guerra ou, o mundo que Voldemort queria impor, era muito pior do que qualquer coisa que estava errada no mundo que todos conhecíamos.

Harry pensou nessa análise por um bom trecho da caminhada.

— Eu posso compreender isso, Remus e, me alivia entender que não eram todos apenas insensíveis ou covardes por não tentarem melhorar as coisas ao fim da guerra. — Harry disse suavemente. — Ainda não explica porque nosso mundo continua com tantas coisas erradas por séculos e séculos sem que ninguém faça nada, mesmo pessoas boas, que se importam ou são poderosas, como Dumbledore.

— Eu não quero defender Dumbledore, principalmente, depois de tudo o que ele lhe causou, mas você deve considerar que o diretor ainda fez muitas coisas boas para ajudar as pessoas. Os nascidos trouxas, os sereianos, os centauros, Hagrid, eu, mas, é impossível para um único homem fazer tudo sozinho, Harry e, acredito que esse é o seu maior erro. — Remus disse e parou de andar pensativo. — Você não faz ideia do que aquela ilha significa para nós... não apenas um lar, segurança, mas, antes de tudo, que alguém se importa verdadeiramente. Eu tive uma família e amigos que se importavam comigo, mas, vivo em um mundo onde muitos se desviariam metros de distância de mim. Ou me matariam caso se sentissem ameaçados. — Remus olhou para o Harry com afeto. — O que quero dizer é que o que você está fazendo, a GER, a ilha... tudo, é tão simples, tão humano e generoso, Harry. Mostra para mim o quanto você se importa, mas, também me mostra o quanto Dumbledore não se importa. Ou, deixou de se importar.

— Você não acredita que ele seja mal. — Harry disse curioso.

— Não, não mal. — Remus voltou a andar. — Acredito que ele tenha um bom coração, mas, existe uma diferença entre saber ou ter consciência do que é certo. — Ao ver seu olhar curioso, ele continuou. — Pense em um fumante trouxa, por exemplo, durante o tempo em que trabalhei no mundo trouxa, percebi as campanhas sobre o mal que o tabaco faz a saúde. Os fumantes sabem disso também, mas não param de fumar. Sabe porquê?

— Não. — Harry disse sincero.

— Porque eles sabem, mas, não têm consciência dos fatos, pois é apenas a verdadeira consciência que leva a ação e gera mudanças. — Remus suspirou. — Dumbledore sabe como o nosso mundo tem problemas, sabe do sofrimento dos nascidos trouxas sem oportunidades, os lobisomens segregados, os elfos domésticos escravizados, mas, ele não faz nada efetivo sobre isso porque, Dumbledore não tem verdadeira consciência dessas verdades.

— Assim como um fumante, não tem verdadeira consciência de que está se matando ao fumar. — Harry disse pensativo ao compreender suas palavras.

— Isso é um pouco confuso. — Sirius disse franzindo o cenho. — Saber não é o mesmo que ter consciência?

— Não, ter consciência é ter completa compreensão dos fatos, inclusive, sentir empatia, vivenciar e experimentar emoções, sentimentos, pensamentos. Um psicopata, por exemplo, como Greyback, não tem consciência sobre nada ou ninguém, mas, nós, temos consciência sobre dezenas, centenas de situações diferentes, discernimos o certo do errado, compreendemos e vivenciamos emoções e sentimentos, simpatizamos com a dor do outro. — Remus disse lentamente. — Você pode saber sobre o sofrimento do outro e não agir, mas, se você tiver empatia, consciência, você agirá para deter essa dor.

— Então, em algum momento, mesmo sendo uma pessoa boa, Dumbledore deixou de ter consciência. — Harry disse suavemente. — Quer dizer, ele não se tornou uma pessoa tão importante sem fazer coisas boas, dentre elas, derrotar Grindelwald, mas, em algum momento, o diretor perdeu sua compreensão e empatia.

— Talvez seja a idade. — Sirius deu de ombros. — Ele tem mais de 100 anos e já deve ter tido dezenas de decepções, perdas, tristezas... — Ele parou ao ver o olhar surpreso dos dois. — O que? Posso não gostar dele, mas, também não serei injusto ou não empático. E, às vezes, sofrimentos na vida nos deixam... sem a capacidade de ser conscientes.

— Sim, pode ser. — Remus disse e deu de ombros. — Não sei muito sobre a longa vida dele, assim, poderia ser algo assim, ou poderia apenas ser... como os trouxas dizem? Cristalização social.

— O que? — Sirius e Harry perguntaram ao mesmo tempo.

— Desculpem. — Remus sorriu suavemente. — Tenho estudado muito ultimamente, me preparando para ser um professor na ilha e, o mundo trouxa tem faculdades que ensinam a pessoa a ser um bom professor. Vocês sabiam? — Harry acenou que sim e Sirius que não. — Tenho enviado os livros das aulas que estou frequentando ao Firenze e ele está fascinado pelo vasto conhecimento que os trouxas tem da arte de ensinar e, da mente humana, sobre o seu desenvolvimento social, antropológico e psicológico.

— Não sabia que estava estudando. — Sirius observou curioso.

— Ah, bem, na verdade, estou frequentando algumas aulas como convidado na Universidade de Oxford. — Remus disse sorridente. — Quando o Prof. Bunmi descobriu que eu seria um dos professores da ilha, me aconselhou a ir estudar sobre a arte de ensinar. Eu não tenho como fazer uma faculdade, porque não tenho documentos trouxas de conclusão do ensino primário, secundário ou médio, então, ele me convidou para ser um aluno convidado.

— E, isso é diferente de fazer uma faculdade? — Harry perguntou confuso.

— Sim, porque não preciso apresentar diplomas e, claro, não terei qualquer certificado pelas aulas que compareço. Prof. Bunmi me inscreveu como um professor de uma ilha escocesa, que está participando de algumas aulas como convidado, para obter algum conhecimento acadêmico. — Remus sorriu timidamente. — Um pouco fora da linha, mas, nada que prejudique ninguém e estou aprendendo muito nas aulas de Psicologia da Educação, Educação Básica, Qualificação do Professor, História da Educação e Desenvolvimento Humano.

— Ok, isso é muito legal. — Disse Harry sincero. — Mas, o que é Cristalização Social?

— Bem, basicamente, é quando estamos ou somos inseridos em uma cultura pré-estabelecida e, apesar de não concordarmos com seus conceitos, pensamentos e ações, não conseguimos mudá-la. — Remus disse suavemente. — Às vezes, as pessoas são parte desta cultura desde o nascimento e não veem nada de errado, assim, seguem a vida fazendo o que seus pais e avós fizeram antes.

— Como alguém como Draco, que apenas repete o que seus pais e meio social ensinaram. — Harry disse pensativo.

— Exatamente. No entanto, a socialização secundária, ou seja, a escola, lhe abre um novo mundo e Draco ou qualquer um, poderiam enxergar outras verdades e mudar, se tiverem ajuda, claro. — Remus explicou. — Nós mudamos e evoluímos, em nossa relação com outras pessoas, Draco e aqueles outros Slytherins puristas não podem mudar sem motivos ou do dia para a noite. Bem, mas existem aqueles que chegam em uma nova cultura e, a princípio, podem ter consciência do que está errado e tentarem realizar mudanças, mas, com o tempo, ao ver pouco ou quase nada se alterar, desistem e apenas acompanham o todo, seguindo a cultura estabelecida. Se cristalizam, intelectualmente, emocionalmente e se tornam parte daquilo que, antes, discordavam.

— Se tornam parte do sistema. — Harry disse pensativo. — Cedric falou sobre algo assim, ele discorda da visão do seu pai sobre os lobisomens, por exemplo, mas teme que, ao ir trabalhar no Departamento de Regulação e Controle das Criaturas, um dia, ele acordará e perceberá que pensa como ele.

— Isso pode acontecer. — Remus disse. — O meio social tem grande influência sobre o nosso pensamento, sentimentos e ações, pois é onde estabelecemos as nossas relações e, como disse, são essas relações que nos alteram, para o bem ou para o mal. Nós desejamos, naturalmente, fazer parte do nosso ambiente social, ser parte do grupo, ter amigos, sermos apreciados, mas, quando discordamos, quando somos diferentes, nos isolamos do todo e somos castigados socialmente, inclusive, podemos sofrer discriminação social. Ou apenas, não termos amigos, então, um dia, para poder fazer parte, você começa a tentar ser igual a todo mundo. Isso é chamado de Cristalização Social, pelos psicólogos trouxas, quero dizer.

— Uau. — Harry disse suavemente. — Eu não sei o que é pior, alguém como Dumbledore, que se tornou parte do todo ou alguém como Draco, que é parte do todo desde que nasceu e nunca percebeu que o todo é, bem, podre.

Isso fez Sirius e Remus rirem divertidos.

— Eu não tenho uma resposta para isso. — Remus confessou sorridente. — Ah, veja, chegamos ao Monumento.

O Monumento Vida havia sido muito pensado, considerado, discutido e, finalmente projetado. Harry disse que queria algo que lembrasse e homenageasse os mortos na guerra, mas, tinha que ser algo que seguisse o enredo do Jardim, ou seja, que simbolizasse a vida, não a morte.

— Merlin... isso é lindo... — Sirius sussurrou chocado. — O que significa o Monumento, exatamente? A Triqueta, a árvore, o espelho d'agua?

— Vida. — Harry disse sorrindo ao ver que ficou ainda mais espetacular do que imaginou ou a paisagista projetou. — O espelho d'agua tem um desenho específico, é possível ver pelas partes com pedras e com água.

— Sim, posso ver, parece uma cruz dentro de um círculo. — Sirius disse pensativo. — A cruz e o círculo de pedra, seu meio e a parte externa do círculo, com água...

— Sim, é a cruz solar, que representa renovação, as quatro estações, recomeço, muito usado pelos druidas em rituais nos equinócios e solstícios. — Harry disse suavemente. — Observe que a cruz tem os braços do mesmo tamanho, assim, não é cruz do cristianismo e sim, dos rituais pagãos antigos.

— Cristianismo? — Sirius o encarou perdido.

— Não importa. No meio da cruz, foi construído uma Triqueta de pedra. — Harry apontou para a escultura principal de 6 metro de altura e 4 de largura. — A Triqueta é um dos símbolos celtas mais antigos e representa a vida, morte e reencarnação. Seus caminhos se entrelaçam na escultura, veja, um circulando e encontrando o outro. E, ele simboliza o trio dos conceitos físico, mental e espiritual, ou seja, corpo, mente e alma ou espírito. Os nossos antepassados druidas celtas usavam a Triqueta para curar, abençoar e dar fertilidade nos seus rituais porque, ela também representa as três forças da natureza. Terra, água e ar. — Harry apontou para a água, o ar em volta e a árvore da vida, a faia, a árvore do brasão Potter.

— Por isso tem a água, a cruz representa o ar ou o sol e, a árvore, representa a terra. — Sirius disse apontando por último para a linda árvore que crescia no fim da cruz solar. — Um trio de forças, que energizam a Triqueta, a tornam especial e magicamente poderosa.

— Em um sentido de magia natural, claro. — Harry disse suavemente. — Acredito que todo o Jardim se beneficiará do seu poder e, um dia, a árvore da vida crescerá imensa e, seus galhos, sombrearão a Triqueta. Será como um pano de fundo protetor e perfeito para a escultura, ficará ainda mais bonito. E, mais importante que tudo, ele simboliza a vida, o recomeço, a renovação, assim, podemos chamá-lo de Monumento aos Mortos ou Monumento Triqueta, mas, na verdade, eu prefiro, Monumento Vida.

— Realmente incrível. — Sirius disse sorrindo. — Seus pais estariam tão orgulhosos.

— Ah, sim. — Remus disse olhando para o Harry com o mesmo orgulho. — Eles estariam nas nuvens.

— Depois, quero ir prestar minhas homenagens. — Harry disse sentindo o coração se aquecer com essas palavras. — Agora, devemos encontrar o pessoal...

— Ei! Rapazes! — A voz de Serafina os alcançou. — Estamos lhes esperando! Todos estão famintos!

— Nós também, Serafina! — Sirius disse caminhando até ela, depois, os 4 seguiram até o grupo que já os esperavam em um coreto pintado de azul e bronze com um telhado vermelho.

O coreto parecia pequeno por fora, mas, quando eles entraram, Harry percebeu que o espaço se expandiu, assim como a mesa e o banco cresceram para acomodar todos para o almoço. Eles estavam com uma linda visão do Monumento Vida, sombreados por uma árvore de bordo e cercado por antúrios azuis e laranjas. Assim que eles chegaram, Petúnia deu um grande abraço no Harry e parecia muito emocionada.

— Nunca vi nada mais lindo em minha vida. — Ela sussurrou apenas para os dois. — Eu não merecia ser mencionada, mas, você ainda fez e, de maneira tão bela, verdadeiramente, bela. Obrigada.

— Tia... — Harry a abraçou de volta, sentindo-se emocionado também. — A senhora é parte da família, da vida da minha mãe e, ela a amava, assim, claro que deveria ser mencionada. Nestes momentos, o amor é só o que importa, de verdade.

— Você está certo, meu docinho. — Ela o beijou na boceja e o apertou mais fortemente. — Sempre meu docinho.

Corado de vergonha pelo beijo e apelido infantil, Harry conseguiu se desvencilhar com dificuldade e se sentar ao lado do Terry.

— E, aí, docinho? — Ele disse baixinho e Harry corou ainda mais.

— Nem pense... — Harry ameaçou e Terry riu divertido.

— Cara, esse lugar é incrível! Enorme! — Seu amigo disse com entusiasmo. — Você encontrou o Neville ou a Hermione?

— Não, mas encontrei outras pessoas não tão legais. — Disse Harry resumindo os seus encontros enquanto recebia um prato com sanduíches da Sra. Madaki.

— Que pena, essa Skeeter parece tão ruim quanto suas reportagens. — Terry disse com uma careta. — Eu encontrei a Hermione, ela e os pais estavam encantados, mas, não vi o Neville ainda.

— Talvez, a avó dele não quis vir no Expresso e eles visitarão mais tarde. — Harry disse tomando um gole do seu suco. — Queria ter pensado em vir ontem, visitado tudo com a família, sem tantas pessoas. — Ele olhou em volta e percebeu muitas pessoas passando em volta do coreto, olhando, apontando ou acenando. — Não tinha pensado em como seria caótico e intrusivo.

Terry também olhou em volta percebendo as pessoas que paravam para olhar para o Harry, alguns, estavam até tirando fotos dele, a distância.

— Bem, pelo menos ninguém está pedindo autógrafos ou para tirar fotos com você. — Ele disse suavemente. — Ei, tentei conversar com o Duda, mas, ele está muito silencioso, acho que só a Denver conseguiu alguma coisa dele.

Harry olhou para o primo, que despedaçava um dos seus sanduíches em pedacinhos ao em vez de comer, seu olhar estava perdido no espaço, distante do presente.

— Tentarei conversar com ele outra vez, quem sabe...

— Sr. Potter! — Uma voz falou do lado de fora do coreto, Harry se virou e se deparou com um homem de 45 anos, indiano, roupas coloridas caras e bonitas. Ao seu lado estavam Padma e Parvati, além de uma mulher mais velha, muito parecida com as gêmeas, provavelmente, sua mãe.

— Sr. Patil. — Harry se levantou, desceu do coreto e estendeu a mão em cumprimento formal. — Harry Potter, senhor, prazer em conhecê-lo.

— O prazer é todo nosso, Sr. Potter. Está minha esposa, Cali e, minhas filhas, que você já conhece. — O homem apresentou a esposa e as filhas com orgulho e um leve sotaque.

— Muito prazer, Sra. Patil. — Harry disse sorrindo e estendeu a mão para as meninas também. — Como estão, Padma, Parvati?

— É uma alegria conhecê-lo, jovem Potter. — Sra. Patil disse com voz suave e sotaque mais forte que o marido. — Minhas meninas nos disseram como doce e gentil você é, além de um bom amigo. Ao conhecer este lindo Jardim e presenciar sua declaração de amor aos seus pais, percebo que elas estão certas. Devee ka aasheervaad aapake raaste ko prakaash mein la sakata hai, bahaadur javaan. — Ela disse em hindi e se curvou respeitosamente ao mesmo tempo em que juntava as palmas das mãos em um cumprimento indiano conhecido.

— Ela disse: Que as bênçãos da deusa iluminem o seu caminho, jovem valoroso. — Disse Padma sorrindo.

— Obrigado. — Harry sorriu e se inclinou respeitosamente. — O meu amor é apenas o reflexo das pessoas incríveis que eles foram e de seus amores por mim. E, fico feliz que estejam gostando do Jardim da Lily.

— Estamos encantadas, Harry. — Padma disse sorridente e Parvati acenou concordando. — É ainda mais incrível do que poderíamos imaginar.

— Sr. Potter, não queremos atrapalhar ainda mais o seu almoço, por favor, nos perdoe pela interrupção. — Sr. Patil disse contrito. — Minhas filhas me disseram que o senhor e seu padrinho têm planos de fundar um novo Partido, gostaria de saber se estrangeiros serão aceitos como membros.

— Sim. — Harry disse muito sério. — Sirius aceitará todo e qualquer bruxo, sem discriminação.

— Padma me disse que o senhor planeja coisas boas para o nosso mundo e, gostaria de poder participar dos seus entusiasmados sonhos. Um homem sem um sonho, é um homem morto. — Sr. Patil disse lentamente.

— Concordo. E, tê-lo ao nosso lado, me deixaria muito feliz. — Harry disse sincero. — Meu padrinho o convidará para uma reunião com os interessados em participar deste projeto, Sr. Patil. O senhor deve esperar uma carta em breve e se preparar para pressionar alguns velhotes tradicionalistas e tolos.

Isso fez o Sr. Patil rir e seus olhos brilharam de leve admiração. Logo depois, eles se despediram e Harry voltou para os seus sanduíches.

— Outra pessoa interessada em fazer parte do seu recém fundado Partido político, Sirius. — Harry disse ao padrinho. — Ele queria saber se você aceitaria estrangeiros, provavelmente outra discriminação dos outros partidos.

— Verdade? — Sirius disse com as sobrancelhas arqueadas. — Acredito que o meu medo inicial de ser o único membro não se cumprirá.

— Recém fundado? — Remus perguntou curioso. — Pensei que ainda estivesse refletindo sobre a possibilidade.

— Bem, quando o Harry foi convidado para a festa do Slughorn, percebemos que essa seria uma boa oportunidade de contatos e de espalhar a informação. — Sirius explicou. — Assim, tomei a minha decisão e, com a ajuda do Falc, registrei o novo Partido oficialmente no Ministério no início da semana. Agora, só precisamos de um nome e inscrever os membros.

— Bem, pode começar comigo. — Sr. Boot disse sorrindo.

— E, comigo. — Falc disse.

— Bem, eu também gostaria de fazer parte se... — Remus hesitou.

— Não haverá discriminação, Remus. — Sirius disse sério. — Aceitaremos nascidos trouxas, estrangeiros, lobisomens, vampiros, goblins, elfos domésticos, centauros, elfos da floresta, veelas, sereianos...

— Se a lei permitir, você quer dizer. — Falc o interrompeu. — Teremos que nos aprofundar nas leis e descobrir se criaturas podem se filiar a um partido político. No caso do Remus, o anonimato torna sua filiação possível, acredito.

— Bem, papai, se não puder, essa deveria ser uma lei a ser mudada urgentemente. — Ayana observou. — Aposto que eles estarão esperando algo mais importante e aceitarão mais calmamente uma alteração tão simples das leis.

— Essa menina será uma grande advogada um dia, Falc. — Anton Davis falou ao entrar no coreto com sua família. — E, acho que esse assunto deve ser discutido em um ambiente mais discreto. Espero que não se importem se nos juntarmos a vocês.

— Anton. — Falc se levantou para cumprimentá-lo e sua esposa. — Claro que não nos importamos, junte-se a nós, meu amigo. — Seu filho, Atos, se sentou perto da Ayana, e Tracy conseguiu um espaço entre Harry e Terry, o que fez o garoto moreno corar de constrangimento, afinal, ele agora entendia o porquê do olhar guloso da menina em sua direção.

— Oi, Harry. — Ela disse olhando para o Terry, antes de acrescentar mais docemente. — Oi, Terry.

— Ah... oi, Tracy...

Harry escondeu o sorriso e olhou em volta, percebendo mais pessoas olhando, acenando ou tirando fotos. Seu sorriso desapareceu e ele se voltou para o seu prato, tentando ignorar tudo a volta do coreto.

— Acredito que é uma excelente ideia. — Anton dizia ao Falc. — Também me filiarei ao novo Partido, mas, acredito que ele precise de um nome urgentemente. Tem que ser algo forte, que cause impacto e mostre aqueles velhotes que eles não terão mais vida fácil em comandar o nosso governo. E, você, Sirius, deve se preparar para se consolidar como o líder do Partido, pois, se não assumir esse papel com segurança, alguns dos outros atropelarão você e tomarão o Partido para si.

— Bem, acredito que fundar esse Partido e lutar na Suprema Corte por mudanças nas leis, além de pressionar o Ministro da Magia, seja uma grande ideia. — Sirius disse sincero. — No entanto, não sei o quanto estou interessado em me envolver com disputas políticas e de poder, seja dentro ou fora do Partido.

— Sirius, serei sincero, se você não mostrar segurança, em pouco tempo, os membros do Partido perceberão que você não é um líder forte, se unirão e destituirão você. — Anton disse. — Ele pode ser o seu Partido agora, mas, em pouco tempo, ele pode estar sendo liderado por alguém mais astucioso ou ambicioso.

— Você, talvez? — Denver perguntou com sobrancelha arqueada.

— Eu sou leal ao Falc, que é leal ao Sirius, assim, não tentaria um golpe, mas, os outros possíveis membros não terão os mesmos princípios. — Ele deu de ombros, pois estava falando a realidade. — E, você não pode aceitar apenas membros leais ou que não tem ambição política, isso seria discriminar pessoas com potencial para realizar grandes coisas.

— Então, além de encontrar pessoas que desejam ir na mesma direção e pelo mesmo caminho que nós, tenho que ser um líder forte para elas. — Sirius disse e olhou para o Harry exasperado. — No que você me meteu?

Todos na mesa riram divertidos, mas Harry não estava de muito bom humor.

— Não precisa fazer nada se não quiser, Sirius, principalmente se estiver se sentindo obrigado. — Ele disse impaciente. — Eu já terminei, vou visitar o Monumento.

— Ei! Harry, eu estava brincan...

Mas, Harry o ignorou e se afastou do coreto sem olhar para trás.

— O que aconteceu com ele? — Petúnia perguntou preocupada ao observar o sobrinho se afastar na direção do Monumento Vida.

— Pensei que ele estaria tendo um dia incrível, mas, parece mal-humorado. — Serafina se mostrou surpresa.

— Acho que as pessoas olhando, acenando ou tirando fotos o incomodaram. — Terry disse apontando para os pequenos grupos de pessoas e famílias que observavam o coreto de uma distância razoavelmente educada.

— Ele também ficou chateado com as pessoas o sufocando em King Cross. — Disse Martin.

— E, enquanto visitávamos o lado Norte do Jardim, fomos interrompidos mais de uma vez. — Sirius disse chateado. — Harry disse que gostaria de ter visitado ontem, quando o Jardim estava vazio e não haveria olhares ou interrupções.

— Devíamos ter pensado nisso. — Falc disse. — Acho que apesar de toda a preparação, não foi o suficiente. Haviam mais pessoas do que pensávamos, o trem se atrasou, as pessoas estão tratando o Harry como se ele fosse uma celebridade.

— Deve ser por isso que ele está mal-humorado. — Martin disse suavemente. — Hoje deveria ser sobre seus pais, não Harry Potter, mas, as pessoas continuam agindo como se ele não fosse um garoto comum.

— Mas, ele não é um garoto comum. — Denver disse com voz firme. — Garotos comuns não constroem um Jardim como esse para homenagear os seus pais mortos. Harry está chateado assim porque ainda não aceitou completamente que nunca poderá ter uma vida normal e simples. E, é por isso que ele ficou chateado com o Sirius.

— Não entendi. — Sirius falou, mas Martin sorriu compreendendo.

— Você está com dificuldades em aceitar o seu papel político, Sirius, assumir a liderança e fazer o que tem que fazer. — Martin disse. — Harry percebeu que está "obrigando" você a algo que não o faz confortável, assim, como ele se sente obrigado a assumir um papel que não o agrada.

— E, como ele é o Harry, quando algo assim acontece, ele fica mal-humorado. — Terry disse. — Ele se fecha, fica sozinho, pensativo e remoendo por alguns dias, até conversar com alguém sobre isso.

— Ele conversa com você? — Petúnia perguntou curiosa.

— Bem, sim, às vezes, mas, também com o Neville. — Terry disse. — Nas últimas semanas, Harry tem conversado mais com a Ginny.

— Que é Ginny? — Serafina perguntou e Terry deu uma grande mordida em seu sanduíche para não ter que mentir.

— Uma amiga da Gryffindor que o Harry fez. — Sirius disse.

— Ela é a irmã mais nova do Fred e George. — Terry disse olhando para o prato. — Passa muito tempo conosco no Covil ou no laboratório.

Serafina acenou e ninguém na mesa parecia pensar que Ginny era mais do que uma amiga ou irmã de amigos. Terry suspirou aliviado, ainda que se sentisse culpado por mentir, apenas esperava que isso não aparecesse em seus olhos, pensou, ainda mantendo o olhar em seu prato.

Harry andou até ficar em frente ao Monumento Vida, refletindo que estava sendo injusto com Sirius ao descontar o seu mal humor nele. Tudo o que ele queria, era um dia normal, passar despercebido, não falar sobre política, não pensar em guerras, do passado ou do futuro. Harry não queria nem pensar em Voldemort ou na morte, por isso o Jardim da Lily era a celebração da vida. E, hoje, mais do que nunca, Harry queria ser apenas Harry, viver um dia especial, passear pelo Jardim, cheirar o aroma das flores e se encantar com as esculturas.

Talvez estivesse sendo tolo, pensou mal-humorado, ou ingênuo em supor que poderia ter...

— Boa tarde, Sr. Potter. — Uma voz conhecida soou ao seu lado.

— Sr. Ruggedstone! — Harry olhou surpreso para o seu gerente de contas. — Fico feliz que o senhor tenha vindo. — Ele se inclinou respeitosamente. — Espero que esteja gostando do passeio, senhor.

— Prazer em revê-lo, Sr. Potter. — Ruggedstone se inclinou formalmente. — E, sim, estou apreciando a visita a esse belo Jardim, verdadeiramente. Acredito que o senhor realizou algo especial aqui, para a memória dos seus pais e para o mundo mágico.

— Obrigado, Sr. Ruggedstone. — Harry disse com um sorriso. — Os outros goblins também vieram?

— Não, Sr. Potter. — Ruggedstone disse e sua expressão se tornou mais suave. — Nós somos muitos e nossa presença em massa, não seria bem-vinda para os bruxos, assim, foi decidido que eu viria sozinho, representando a Nação Goblin.

— Oh! — Harry acenou compreendendo. — Bem, fico feliz e agradeço por ter vindo, Sr. Ruggedstone, mas, diga aos outros que se quiserem vir visitar em pequenos grupos e, em dias menos movimentados, serão bem-vindos. Não me importa o que dizem os bruxos, o Jardim da Lily sempre estará aberto a todos, sem restrições.

— Eu passarei o seu recado e também lhes direi que a visita vale muito a pena. — Ruggedstone disse e inclinou o cabeça levemente. — Devo, em nome da Nação Goblin, agradecer ao seu nobre convite, Sr. Potter. Apesar de apenas a minha presença ter sido autorizada, todos se sentiram apreciados por sua disposição em nos receber.

— Não poderia agir de maneira diferente, Sr. Ruggedstone. — Harry disse com um sorriso sincero. — Eu sou um Potter e, é assim que agimos. O senhor sabe que minha Família não concorda com as leis discriminatórias do Ministério da Magia.

— Eu sei. — Ruggedstone encarou Harry com seus olhos negros inteligentes. — Assim como sei o quanto tem feito para mudar o nosso mundo, Sr. Potter. Seus investimentos deixariam todos os seus antepassados orgulhosos, principalmente o seu avô, Fleamont. O ouro flui para os cofres Potters como um rio abundante.

Harry sorriu para as palavras dúbias, pois Ruggedstone sabia que ele era o dono da GER e compreendia a necessidade de manter o segredo.

— Muitas outras mudanças estão a nossa frente, senhor. — Ele disse sincero e olhou para o Monumento. — Espero que o futuro nos reserve mais flores e menos mortos.

— Eu estive no Monumento Vida, li que ele é dedicado a todos os mortos na guerra, incluindo, os goblins. — Ruggedstone disse solene. — Meu povo saberá de sua homenagem, Sr. Potter e nos lembraremos da sua consideração e desprendimento. Talvez chegue o dia em que poderemos nos reunir sem tanta cautela.

— Isso me deixaria muito feliz... — Harry hesitou, percebendo que esse era um momento importante e que precisava mudar a direção da conversa. — O importante é todos nos prepararmos, Sr. Ruggedstone. — Harry disse olhando firmemente para o goblin com vestes caras, barba bem aparada e espada presa a cintura. — Este Jardim não é para celebrar os mortos e sim, às suas vidas, seus sacrifícios, para que nos lembremos e para não cometermos os mesmos erros do passado.

— O senhor espera um futuro sombrio, Sr. Potter? — Ruggedstone perguntou demonstrando leve surpresa.

— Voldemort está vivo. — Ele disse suavemente. — Precisamos fortalecer os nossos exércitos e nos prepararmos para a guerra, Sr. Ruggedstone.

O goblin ficou em silêncio, encarando o Harry, como se tentasse descobrir se a afirmação era verdadeira, até que acenou, silenciosamente.

— Este Jardim é uma preparação? — Ele perguntou curioso.

— Lembrar o passado é a preparação. — Harry disse. — Hoje, estamos lembrando, mas, acho que o Jardim também nos dá esperança e isso é importante para vencermos. Certo?

— Bem, prefiro pensar que matar o inimigo é o melhor jeito de vencer. — Ruggedstone disse secamente.

— Bem, essa parte será mais difícil, parece que Voldemort tem mais de uma vida. — Harry disse sarcasticamente. — No entanto, temos tempo para enfraquecê-lo e, quando ele recuperar o seu corpo, estarei pronto.

— Para o bem de todos nós, desejo que esteja, Sr. Potter. — Ruggedstone parecia pensativo. — Devo partir agora. Mais uma vez, obrigado por seu gentil convite.

— De nada. Até mais ver, Sr. Ruggedstone. — Harry se inclinou respeitosamente e voltou a encarar o Monumento, enquanto o goblin se afastava.

O que acabou de acontecer? Que conversa mais estranha e enigmática! Harry franziu o cenho ao repassar as palavras trocadas, percebendo que o seu convite criara uma abertura com a Nação Goblin. E, os agradecimentos enviados por seu chefe de conta, levou-o a entender que essa era uma boa oportunidade para informá-los sobre Voldemort. Talvez, ele considerou, de alguma forma, os goblins poderiam ajudar na guerra, não em uma luta direta, claro, pois eles não se envolveriam em uma guerra bruxa.

Pensativamente, Harry caminhou para o Monumento, tentando encontrar uma maneira de a Nação Goblin ajudá-los no futuro. Ele passou pela placa azul e bronze com o nome e a explicação do Monumento e seguiu até a enorme escultura de pedra. Suspirando, Harry colocou a mão na Triqueta, percebendo que sua mente estava envolvida com todos os problemas outra vez. Isso nunca teria fim? Ele teria que estar sempre pensando em ajudar as pessoas? Mudar o mundo mágico? Lutar a guerra? Harry fechou os olhos e conectou sua magia com a energia da escultura, a rocha era sólida, forte, mágica e parecia eterna. Como ele conseguiria ser sempre forte? Às vezes, ele só queria respirar e não pensar em nada ruim, apenas ter um bom dia. Era pedir demais?

— Queria que estivessem aqui. — Ele sussurrou, sentindo como sempre o amor dos seus pais envolvê-lo. — Seria mais fácil ser forte, se vocês estivessem comigo.

Harry encostou a testa na pedra mágica da Triqueta e enviou uma oração, um pedido, à magia. "Me ajude a ser forte para ser quem devo ser. Me ajude a ser resiliente para suportar o peso que tenho que carregar. Me ajude..." Ele sentiu uma mão tocando a sua e um calor percorreu o seu braço até seu peito, quente e suave, como um fogo sedoso. Harry sorriu, sabendo quem era sem precisar abrir os olhos. Ele soltou a pedra e segurou sua mão com força, enquanto terminava o seu pedido. "Me ajude a ver e aceitar o meu caminho. E, me ajude a proteger as pessoas que eu amo".

Harry abriu os olhos e encarou Ginny, que estava do seu lado direito, sorrindo.

— Oi. — Ela disse meio tímida, meio divertida.

— Guinevere... — Harry disse, meio sem fôlego por vê-la e perceber que era exatamente ela quem gostaria de encontrar.

— Eu não quis te atrapalhar, estava fazendo uma prece aos seus pais? — Ela perguntou suavemente.

— Não. — Ele disse timidamente. — Sempre sinto os meus pais ao meu lado e, às vezes, converso com eles. — Harry olhou para a escultura de pedra que exalava magia. — Estava pedindo a magia que me ajudasse... me desse força e resiliência...

— Porque as vezes tudo fica muito difícil e... pesado? — Ginny disse olhando para a escultura também. — Você acredita que ela pode nos ajudar? A magia, quero dizer?

— Sim. — Harry respondeu sincero. — Ela me ajudou a te encontrar, me ajudou a te ajudar e, acho que isso mostra que se importa conosco, sabe. Precisamos apenas confiar..., mas, às vezes, sinto que ela espera muito de mim, como se... eu fosse mais forte do que sou.

— Bem, a magia te escolheu para me encontrar e me ajudar, assim, acredito que ela deve saber o que faz. — Ginny disse olhando para o Harry. — Porque está mal-humorado?

— Eu estou? — Harry perguntou e fez uma careta ao ver suas sobrancelhas se arquearem inteligentemente. — Acho que estou. — Ele olhou em volta e não percebeu ninguém o encarando, apesar de ter muitas pessoas em volta deles. — Onde está a sua família?

— Nos sentamos em um cobertor embaixo de um carvalho, logo ali. — Ginny disse apontando com a mão direita para uma família de ruivos que estavam a uns 50 metros de distância, sentados no gramado. — Até mesmo, a tia Muriel nos acompanhou, além de Bill e Charlie, que vierem para a inauguração e a Páscoa. Eu estava olhando para o Monumento, pensando como era bonito e, que seria tão bom te encontrar, quando te vi. Eu disse a minha mãe que iria prestar minhas homenagens aos mortos e voltava logo, ela me disse para não sair do seu raio de visão. — Ginny suspirou irritada. — Acho que ela ainda pensa que sou uma criança.

— Acho que não sou o único mal-humorado hoje. — Harry disse levemente divertido.

— Eu estou? — Ela devolveu com um sorriso irônico.

Harry riu e, percebendo que ainda segurava a sua mão, a puxou com ele pelo caminho de pedra da cruz solar, depois, por um dos caminhos do Jardim até um banco vazio, perto de um canteiro de flores da lua.

— Veja. — Ele disse quando se sentaram. — As flores preferidas da mãe da Luna! Tem flores da Lua espalhados por todos os lugares, mas, concentramos a maior parte aqui.

— Sim! — Ginny sorriu animada. — Luna e seu pai vieram conosco no trem. Ela sabia que as flores da lua estariam perto do Monumento, pois, você lhe contou, assim, ela e o pai seguiram direto para cá, enquanto nós decidimos ir pelo Norte. Os gêmeos amaram ver o Pontas, Almofadinhas e Moony, aliás. — Ela disse antes de tomar fôlego e continuar. — Depois, não vi mais a Luna, mas, tenho certeza que ela amou as flores em homenagem a sua mãe.

— Também tem muitas tulipas amarelas e jacintos, além dos lírios, achei que seria legal essas flores ficaram perto do Monumento Vida. — Harry disse olhando para a Triqueta e como muitas pessoas tocavam a escultura e faziam uma prece como ele fez a poucos instantes.

— Isso é muito lindo, Harry, todo o Jardim, é perfeito. — Ginny sorriu olhando em volta com os olhos castanhos brilhando de encantamento. — Acho que esse é o meu lugar favorito no mundo.

Harry riu sentindo o seu humor melhorar só de estar com ela.

— Isso porque você não conheceu a casa dos meus avós. — Ele disse pensando na cachoeira, a piscina natural, o jardim onde era sempre primavera. — No verão, daremos um baile e aposto que se tornará o seu lugar favorito.

— É o seu? — Ela perguntou curiosa.

— Sim, em termos de lugar, mas, ainda não é o meu lar. — Harry disse pensativo. — Mas, se sobreviver a guerra, espero que se torne a minha casa, sabe, com uma família, um dia...

Ginny apertou sua mão com carinho ao ver seus olhos brilhando com o pensamento.

— Quer me contar porque estava mal-humorado?

— Se me contar o seu, eu conto o meu. — Harry propôs com uma piscadela e Ginny riu, mas concordou.

— Meu mau humor vem do fato de que o Percy estava encrencado e decidiu que eu deveria ter problemas com os meus pais também. — Ginny disse e seus olhos brilharam de raiva. — Mas, eu segui os conselhos que me deram e não fiquei me defendendo ou agindo como se tivesse feito algo errado. Ainda assim, tive que explicar a situação e mostrar a foto que tiramos com a Gwen, para provar que eu estava vestida adequadamente. — Ela deu de ombros. — Meu pai me apoiou e fez o Percy se desculpar por criar intrigas sobre mim, mesmo a minha mãe admitiu que não fiz nada inapropriado.

— Mas... — Harry percebeu que algo não estava bem.

— Minha mãe está toda... — Ginny tentou encontrar as palavras. — Insistente. Primeiro parecia que estava tudo esclarecido e bem, então, ela me chamou para uma conversa particular e me disse que não devo aceitar convites de meninos para sair, pois, sou muito jovem. Ela insistiu que não devo ficar sozinha com nenhum menino em um lugar isolado, que meninas comportadas não procuraram meninos e que, se uma menina se veste inapropriadamente e se exibe para um menino, fica com má reputação. — Ginny fez uma careta. — Eu apenas ouvi, sem discutir, mas, desde quinta-feira, ela está a todo o momento jogando essas frases de ensinamentos aleatoriamente. Eu juro, não passa nem uma hora sem que eu não a ouça me dizer algo que começa com "Ginny, uma menina isso, uma menina aquilo..." — Ela rosnou furiosa e o coração do Harry saltou com o som. — Estou tão furiosa e gostaria de ficar bem longe dela, mas, ela parece estar me vigiando, como se estivesse tentando encontrar comportamentos para corrigir. Eu ri alto com a Luna no trem e ela disse que não devo rir assim quando estiver com meninos! — Ela estava indignada. — Tudo o que fiz foi ir a uma festa! Não fiz nada de errado e... — Ginny suspirou envergonhada por falar tanto, mas, era sempre fácil conversar com o Harry sobre tudo. — Desculpe, acho que não tinha percebido como estava zangada.

— Tudo bem. — Harry disse sincero. — Acredito que você tem motivos para estar tão chateada, ainda que não sei o que dizer para fazer com que se sinta melhor. — Ele bagunçou mais os cabelos com a mão esquerda, pois a direita ainda segurava a esquerda da Ginny. — Guinevere, sinto se convidá-la lhe causou problemas, ainda que não sinto por termos ido à festa juntos.

— Não é sua culpa, Harry e também não lamento ir à festa com você, nos divertimos muito. — Ginny disse suavemente. — E, já estou me sentindo melhor só de conversar, além disso, só tenho que aguentá-la mais uma semana.

— Você não acha que deveria conversar com ela? — Harry sugeriu timidamente. Ele não entendia muito de mães, mas, supunha que conversar era melhor do que se afastar para longe o mais rápido possível.

— Não temos o hábito de confrontá-la ou contrariá-la, Harry. — Ginny disse e parecia confusa. — Eu nem saberia o que fazer ou falar, normalmente, apenas fingimos que concordamos com seus sermões, seus gritos, broncas e fazemos do nosso jeito.

— Foi por isso que seus irmãos foram embora? — Harry perguntou curioso.

— Não do país, claro, mas, de casa, com certeza. — Ginny disse. — Bill dividia um apartamento em Londres no primeiro verão depois que terminou Hogwarts. Ele disse que era mais perto do Gringotes onde fazia o seu treinamento, mas, qualquer um podia ver que ele apenas não aguentava mais a minha mãe. Assim como ela faz comigo agora, a cada poucas palavras, a mãe aconselharia ou lecionaria que meu irmão deveria conseguir um trabalho no Ministério e Bill se segurava para não explodir. Então, ele se mudou, dizendo gentilmente que queria ser um quebrador de maldições, no entanto, quando Bill recebeu a oferta no Egito, houve um grande argumento. — Ginny franziu o cenho com a lembrança. — Com Charlie, bem... Charlie é muito pacífico, ele não entra em discussões, assim, quando recebeu o convite de trabalho, meu irmão avisou aos meus pais, minha mãe gritou, mas, ele a ignorou completamente. Era verão, então, ele foi para o bosque da Toca e acampou por lá naquela noite. No dia seguinte, Charlie fez as malas, se despediu e partiu. — Ginny fez uma careta ao perceber que ninguém realmente enfrentava sua mãe, discordava ou se defendia dela. — Já falei o suficiente de mim, Harry. — Ela disse confusa e levemente constrangida. — Me conte porque está de mal humor.

— Ah... — Harry suspirou e contou sobre o que aconteceu na Estação e todas as pessoas que ficavam interrompendo ou tratando-o como uma celebridade. — Agora, estamos aqui, em paz, porque ninguém me reconheceu, mas, se isso acontecer, aposto que acenarão, tirarão fotos ou virão me cumprimentar.

— Você também ficou chateado que fui cumprimentá-lo? — Ginny perguntou tentando entender seu humor.

— O que? Não! — Ele disse aflito ao ver sua expressão confusa. — Não, eu juro que não. Você é minha amiga, Ginny, também não me chateei com Padma, Parvati e seus pais. Estou falando dos estranhos que se aproximam porquê...

— Você é Harry Potter. — Ginny disse e viu sua careta. — Não estou falando sobre o menino-que-sobreviveu, dos livros falsos, de fama ou fãs, Harry, e sim, sobre quem você realmente é. — Ginny explicou. — Você é Harry Potter. Você está iniciando contatos sociais e políticos, por isso, seria impossível que algumas pessoas não tentassem contatos com os Potter e Black presentes. E, mais importante, você criou este Jardim, onde todas essas pessoas foram convidadas a comparecer. Olhe em volta, Harry. — Ginny pediu e Harry a atendeu. — Estes são os seus convidados e você é o seu anfitrião, por isso eles querem te ver, agradecer ou sorrir, quem sabe, um aperto de mão da pessoa incrível que os convidou para viver um dia tão especial.

Confuso, Harry olhou para as pessoas que caminhavam em grupos ou famílias em todas as direções. Elas pareciam felizes, coradas, emocionadas, entusiasmadas, se encontravam com amigos e se abraçavam, ou andavam de braços e mãos dadas. Namorados se beijavam, crianças riam, corriam e pulavam, senhoras se inclinavam para cheirar as flores e os homens tiravam fotos de suas famílias.

— Eu... acho que só queria um dia comum... — Ele disse suavemente. — Por um momento, fingir que era como qualquer um deles, viver essa beleza toda, me encantar, ser feliz, sem problemas ou expectativas.

— Hum... — Ginny olhou em volta também vendo toda aquela alegria. — Era isso que você queria, certo? Que o Jardim da Lily, recebesse essas pessoas e, que elas se lembrassem de seus pais e os honrassem. Este Jardim não é sobre eu ou você, Harry...

— É sobre eles. — Harry suspirou e fechou os olhos. — Tenho sido tão tolo, pensando que o dia de hoje é sobre mim, meu tempo, minha felicidade, minhas necessidades. Tudo hoje é sobre os meus pais e eu tenho sido um péssimo anfitrião para os convidados que estão aqui para conhecer as pessoas incríveis que eles foram.

— Porque você queria ter um dia comum? Principalmente, quando é impossível criar algo assim e ser comum. — Ginny apontou e o viu dar de ombros.

— Não sei... passei a manhã toda pensando que deveria ter vindo ontem e visitado tudo sem ninguém, prestado minhas homenagens aos meus pais, passeado por cada canto do Jardim sem interrupções ou olhares. — Harry disse.

— Isso é razoável. — Ginny disse suavemente. — Você pode voltar outro dia da semana e visitar quando estiver mais vazio.

— Sim. — Harry acenou decidindo fazer exatamente isso.

— Mas, tem algo mais te incomodando. — Ginny percebeu e Harry a olhou, levemente irritado por ela o ler tão bem. — O que? Seus olhos são muito expressivos, como os meus, aliás.

— Só para você... — Ele sussurrou em um suspiro.

— O que? Não ouvi. — Ela disse se inclinando mais perto e o cheiro do seu cabelo o atingiu como um soco quente, em seu peito, mas, estranhamente, seu estômago parecia cheio de borboletas voadoras.

— Você decidiu contar para os seus pais neste feriado? — Harry perguntou mudando de assunto.

— Oh... não, acho que não. — Ginny olhou para o chão, meio chateada por sua covardia. — Toda essa situação com o Percy deixou os meus pais muito tensos, minha mãe já está no meu pé e me ocorreu que durante o verão, terei mais tempo para explicar tudo e responder suas perguntas.

— E, você não se sente pronta. — Harry disse suavemente.

— Não. E, estou tão zangada com o Percy... — Ginny disse. — Acredito que falar sobre o que aconteceu agora seria um desastre.

— Ele se meteu em muito problemas com seus pais? — Harry perguntou curioso e Ginny acenou contando sobre os seus castigos. — Bem, talvez, isso tudo seja positivo, pois Percy pode ter a chance de perceber os seus erros e se redimir. Ele pediu desculpas por ter lhe dedurado, certo?

— Percy pediu desculpas por interpretar a situação errado, Harry, não por ter falado com meus pais e, sinceramente, não o achei nada arrependido. — Ginny disse e seus olhos brilharam de malícia. — Mas, quando voltarmos a Hogwarts, eu me vingarei e o farei se arrepender.

— O que você fará? — Harry perguntou confuso.

— Ainda não sei. — Ela respondeu sincera. — Mas, os gêmeos disseram que me ajudarão com alguma brincadeira. — Harry franziu o cenho. — O que?

— Apenas... seu irmão te chateou e magoou, assim, porque você não conversa com ele? Diga-lhe como se sente sobre suas atitudes? — Harry prguntou confuso. — Se vingar com uma brincadeira o deixará com raiva de você e os afastará ainda mais.

— Conversar. — Ginny ergueu as mãos para o alto exasperada e Harry lamentou que ela soltou a sua mão. — Você fala como se fosse fácil! Só ir e conversar com as pessoas!

— Não é fácil! — Harry negou com veemência. — Pelo contrário, é muito difícil e, para mim, que não tinha uma família até pouco tempo atrás, ainda mais. É por isso que me fecho e fico remoendo, mas, desde que os Boots se tornaram minha família e Sirius voltou para mim, eles me ajudam a lidar com os problemas e sentimentos estranhos. — Harry deu de ombros. — Com o Sr. Martin, eu falei muito sobre os meus pais, em uma espécie de terapia. Sra. Serafina, falei sobre confiança; com Sirius, sobre coisas de adolescentes e minha família; com Terry sobre o futuro ou meus medos; com Neville sobre o passado, meus planos e nossa dor. Agora, tenho conversado com você também sobre coisas que... bem, sentimentos, que não tenho vontade de conversar com os outros. — Harry a olhou, viu seus olhos arregalados e corou levemente. — O que quero dizer é que você precisa conversar com a sua família, principalmente se eles te chatearem. E, se algum dia, eu fizer algo que te magoe, prefiro que venha conversar comigo, do que se vingar com alguma brincadeira ou ficar com raiva de mim.

Ginny acenou pensativa, sua mente tentando imaginar como seria conversar com Percy sobre os seus sentimentos, teve se segurar para não rir com a imagem.

— Olha, acho que uma família não é igual a outra, mas, prometo pensar sobre isso. Ok? — Ginny disse sincera, Harry acenou, aliviado que ela não estava chateada com a sua intromissão. — De qualquer forma, os gêmeos diriam que a vingança é muito mais divertida do que conversar, sabe.

— Bem, se vingue, então. — Harry sorriu divertido. — Mas, depois, você deveria tentar conversar com ele.

— Eu pensarei sobre isso. — Ginny disse e olhou para a sua família, que estava se levantando e dobrando o cobertor. — Acho que preciso ir, não quero apresentá-los hoje, se não se importa, minha mãe já está sendo muito difícil, como eu disse.

— Tudo bem. — Harry disse chateado por ter que deixá-la. — Nos vemos em uma semana. Obrigado por me ajudar com o meu mal humor.

— Eu digo o mesmo. — Ginny hesitou com vontade de lhe dar um beijo no rosto, mas, sabendo que sua mãe poderia ver, apenas estendeu a mão em despedida. — Tenha um bom almoço amanhã, garoto comum. — Ela deu uma piscadela sarcástica, porque sabia que ele almoçaria com os lobisomens no dia seguinte e não havia nada de comum nisso. Harry apenas riu divertido.

— Feliz Páscoa, Guinevere. — Ele disse e a observou se afastar na direção de sua família.

Harry também se moveu para o coreto onde a sua família ainda estava sentada conversando. Ayana, Adam, Tianna, Marvel, Atos, Chester Junior e... Rocco, brincavam correndo pelo gramado em volta do coreto. Ao ver Rocco, ele percebeu que Mandy estava sentada com Dudley, Terry e Tracy, enquanto os seus pais conversavam com os adultos.

— Ei, Mandy. — Harry a cumprimentou quando subiu no coreto, depois cumprimentou seus pais. — Olá, Ricky, Charlie.

— Olá, Harry! — Mandy respondeu sorrindo.

— Harry, este Jardim é fantástico! — Charlie, a mãe da Mandy disse. — Estou encantada com tanta beleza e amor em um só lugar.

— Obrigada, Charlie. — Harry sorriu sincero. — Apenas mostrando como eles foram incríveis.

— Estávamos falando que, se você permitir, poderíamos usar o Jardim para a exibição da nossa nova peça. — Ricky disse entusiasmado. — Mandy disse que não existe teatro no mundo mágico e pensamos que essa seria uma linda forma de introduzir essa arte.

— Apresentação teatral ao ar livre, Harry. — Charlie disse empolgada. — Construímos um palco e as pessoas podem se acomodar na grama, sabe, como os antigos cinemas ao ar livre.

— Mas, e a acústica? — Terry perguntou curioso. — Como criar o efeito de som que permita que as vozes dos atores cheguem até a última fila de expectadores.

— O mundo trouxa tem diversos equipamentos de som, cada vez mais evoluímos nesta área e, podemos construir um palco em concha acústica. — Explicou Ricky. — Assim, o som se reflete para o público e também favorece trabalho dos atores e músicos.

— Podemos fazer algumas apresentações de verão, talvez no Natal e Ano Novo. — Disse Charlie.

— Mas, e os atores trouxas? O que acontece se eles verem os bruxos fazendo magia? — Harry perguntou interessado.

— Acho que tenho uma ideia para isso. — Mandy disse. — Como será um teatro trouxa, podemos avisar aos expectadores bruxos, que comprarem os ingressos, que fazer mágica é proibido no teatro ao ar livre.

— Eu gosto da ideia. — Harry disse olhando para o Sirius e Falc, os dois também pareciam interessados. — Não sei o quão lucrativo isso seria, mas, ainda acho que seria algo incrível de se fazer.

— Precisamos apenas do seu interesse e um investidor. — Ricky disse e olhou para Chester, que riu.

— Sabia que sobraria para mim. — Ele disse divertido. — Estou financiando a apresentação da sua peça no Teatro de Londres, Ricky, Charlie, sugiro que procurem outro amante do teatro no mundo mágico.

— A cultura não deve ser encarada como um negócio ou uma fonte de dinheiro. — Charlie defendeu com paixão. — O desenvolvimento e conhecimento da arte deve ser a busca principal, além de levá-la para todos, sem distinção. Nós, artistas, devemos encarar isso como uma missão, pois somos melhores quando ouvimos música, vemos um filme, uma peça, lemos um livro, a arte alimenta a nossa alma. Os artistas têm o prazer de fazer o que amam e, com sua arte, tocam a vida das pessoas de uma maneira mágica.

— E, o fato de a cultura existir de maneira tão efêmera no mundo mágico, me faz pensar que é um nicho de investimento não explorado e que seria lucrativa, se feito da maneira certa. — Ricky disse. — Vocês têm música e quadribol, mas, existem dezenas de atividades artísticas que poderiam ser introduzidas no mundo mágico e fazer sucesso. Se começássemos com um teatro ao ar livre, em pouco tempo, poderíamos ter um Royal Opera House ou Palace Theatre. Quem sabe um Carnegie Hall Mágico, com espetáculos de balé, peças de teatro, operas, shows de música e, um dia, com artistas bruxos.

— Para isso, teríamos que ter uma escola de arte, que ensine e incentive os bruxos e bruxas interessadas nessas atividades artísticas. — Serafina disse com os olhos brilhando. — Quer dizer, Hogwarts poderia ter um Departamento de Artes, mas, não consigo ver o Conselho ou o Ministério aceitando isso facilmente.

— E, uma escola de artes em Hogsmeade? — Harry sugeriu. — Os alunos interessados precisariam apenas se deslocar por flu de uma escola para a outra ou, podemos ligar as duas escolas. E, se for uma escola separada, construída com dinheiro privado, não de Hogwarts ou do Ministério, eles não teriam porque se opor. Certo?

— Em quem está pensando? — Tracy perguntou curiosa, pensando em como Daphne amaria essa ideia.

— Bem, conhecemos uma nova empresa que investiu em diversos negócios no último ano. — Harry disse levantando as sobrancelhas para Sirius e Falc, como um sinal. — Acredito que o dono da GER, poderia se interessar por um negócio assim.

— Claro! — Sirius disse sorrindo. — Harry está certo, que alguém poderia se interessar por algo assim seria a GER. Posso falar com o dono sobre isso.

— O senhor o conhece, Sr. Black? — Mandy perguntou empolgada. — Pode nos dizer quem é? Ou se é uma mulher ou homem? Scheyla tem certeza de que é uma mulher.

— Ah! Verdade? Que interessante! — Sirius disse com os olhos brilhando de diversão. — Bem, não, na verdade, não posso dizer, ele ou ela, é muito discreto e prefere manter sua identidade em segredo.

Mandy e Tracy pareciam desapontadas enquanto a família Boot/Madaki segurava o riso.

— Bem, de qualquer forma, sei que somos trouxas, mas, adoraríamos ajudar com um projeto com esse. — Charlie disse entusiasmada.

— Eu gosto da ideia de começarmos com um teatro ao ar livre. — Harry disse olhando em volta. — Acho que seria incrível, mas, devemos construir um espaço só para isso. Com o teatro concha e um auditório com cadeiras confortáveis, azuis aveludadas e macias, que forme um arco em volta do palco. E, as fileiras devem se elevar até que a última fileira esteja a vários metros do chão, isso tornaria o som ainda melhor. Precisamos que o Ian faça um lindo projeto, algo meio místico e antigo, que preserve as características da arquitetura da cidade e pareça mais um teatro mágico que trouxa, já que o público alvo são bruxos. Podemos fazer espetáculos gratuítos uma vez por mês, aos domingos, como um festival que dure o dia todo e, no resto da semana, cobraremos ingressos por um preço justo. — Harry se mostrou pensativo. — A entrada do teatro deve ser pelo Jardim da Lily, claro, isso significa que devemos manter o jardim aberto a noite e iluminá-lo, como tínhamos pensado, até decidirmos abrir só durante o dia. Precisaremos de funcionários que administrem o teatro, bilheteria, um bar para drinks no intervalo. — Falc pegou um pequeno bloco e fez algumas anotações. — Aposto que os novos negócios da cidade se beneficiarão de algo assim e, talvez, algumas empresas da GER poderiam abrir filiais aqui, no centro comercial de Godric's Hollow. E, precisamos de um nome impactante para o teatro, algo que remeta ao mundo mágico, não ao trouxa.

— Teatro Potter? — Sugeriu Falc fazendo mais algumas notações.

— Merlin, não. — Harry disse pensativo. — Não, algo mais simbólico e que possamos introduzir na arquitetura ou, talvez, o nome de um artista mágico importante. Os teatros trouxas recebem o nome de grandes atores, certo? — Ele olhou em volta e viu que os convidados o encaravam um pouco surpresos.

— Eu gosto de Teatro do Jardim das Flores ou Teatro das Flores. — Sugeriu Miriam. — Algo mais bonito e interessante, porque, usar o nome de um artista morto é meio mórbido.

— Eu gosto, Teatro Jardim das Flores ou Teatro Palácio das Flores. — Harry sorriu. — Poderíamos fazer o palco do teatro em forma de flor! Se integraria com o Jardim da Lily perfeitamente. E, apesar de ser ao ar livre, temos que criar uma estrutura que possa ser acionada para proteger os expectadores da chuva, neve e frio, para as apresentações de inverno.

— Ok. — Falc disse anotando todas as suas ideias. — Para quando você quer o teatro construído?

— Algum momento do verão, julho, acredito que seria uma boa data. — Harry disse pensativo. — Depois do baile... bem, se isso for possível para vocês. — Ele disse olhando para os pais da Mandy.

— Claro! — Ricky disse e Charlie acenou. — Só estamos surpresos sobre como você decidiu tão rápido e teve tão incríveis ideias!

— E, apenas, você disse que quer feito e Falc já está planejando, sem questionamentos. — Charlie disse surpresa.

— Realmente, isso é impressionante. — Anton disse admirado. — Quando crescer, você será um grande empresário, Harry.

— Ah, sim... — Harry sorriu meio constrangido e divertido pelo elogio. — Bem, obrigado. — Olhando em volta, ele viu como os Boots/Madakis tentavam disfarçar a diversão, mas, sem muito sucesso. — Acho que devemos seguir com a visita, Sirius, quero muito ver o lado Sul. — Ele se levantou, tentando mudar o rumo do fim do almoço, antes que seu segredo fosse descoberto.

— Boa ideia! — Sirius se levantou também. — Nos encontramos no fim do jardim, pessoal. Alguém já visitou o lado Norte e quer vir conosco?

— Não, fomos todos para o Sul. — Serafina disse. — Eu amei a Fonte Poções, Harry, é a cara da Lily.

— Estou ansioso para ver como ficou. — Harry disse mais animado.

— Nós já vimos tudo, apenas falta o fim do Jardim, o Cervo e o Lírio. — Disse Mandy. — Boa sorte amanhã, Harry.

— Sim, boa sorte. — Tracy acrescentou, desviando o olhar do Terry.

— Obrigada, meninas, — Harry acenou adeus ignorando os olhares curiosos. — Nos vemos mais tarde, pessoal.

— Nos espere no Cervo e o Lírio, podemos sair juntos e ir para o trem. — Disse Serafina, Sirius e Harry concordaram e partiram.

Eles caminharam no caminho central largo que tinha as pegadas do mapa e canteiros com inúmeras flores coloridas.

— Essa foi por pouco. — Harry disse olhando em volta para ter certeza que não seriam ouvidos. — Meus colegas estão super curiosos para saberem quem é o dono da GER, sempre que esse assunto aparece, eu fico com receio de alguém deixar algo escapar, principalmente quando tem tantas pessoas que sabem a verdade.

— Ainda é engraçado que algumas pessoas acreditem que o dono da GER é uma mulher. — Sirius disse. — Ei, sinto muito por antes, eu estava brincando, Harry.

— Não. Eu que sinto muito, meu mal humor não justifica ser grosseiro. — Harry disse. — Ainda que o que eu disse é verdade, Sirius, não se sinta obrigado a fazer nada que você não queira.

— Eu quero fazer isso, lutar por leis melhores, por ações políticas mais justas. — Sirius disse levemente envergonhado. — Minha hesitação, que escondo atrás das brincadeiras, vem da insegurança que sinto em minha capacidade de fazer tudo isso. — Sirius franziu o cenho pensativo. — Ser um líder político, guiar e inspirar outros bruxos, lutar contra políticos experientes, parece algo que Sirius Black jamais faria.

— Hum... — Harry acenou entendendo. — Acho que compreendo, mas, também acredito que, exatamente por ser Sirius Black, você pode fazer isso. — Sirius o encarou incrédulo e Harry sorriu. — Você cresceu em uma família antiga purista, presenciou todo o tipo de jogadas sujas, esquemas, corrupção, crimes. Aposto que teve que mentir, fingir ou ser político muitas vezes para sobreviver e, apesar de tudo o que tentaram te ensinar de errado, você ainda é um cara bom, que quer lutar por justiça. — Ele sorriu ainda mais. — Por isso você é perfeito para liderar e guiar esse novo partido político, porque você, Sirius Black, é incorruptível. — Sirius parou de andar e arregalou os olhos surpreso com essa verdade. — Além disso, o que o mundo mágico precisa, Sirius, é de algo diferente do que tiverem nos últimos séculos, portanto, você deve ser você mesmo. Não precisa ser igual a Waffling ou Finley para ser competente, na verdade, o melhor é ser bem diferente deles.

— Ser eu mesmo? — Sirius disse pensativo. — Acredita que, se eu agir como eu mesmo, terei o apoio dos futuros membros do partido?

— Sim. — Harry acenou convicto. — Alguns por acreditarem no que você e o Partido defendem, outros, por acreditarem que você conquistará poder e isso os beneficiará. De qualquer forma, acredito que deve tentar ser um líder sem seguidores e sim, com companheiros.

Sirius acenou, pois concordava com essa última parte.

— Você seria melhor nisso do que eu. — Ele disse suspirando.

— Eu? — Foi a vez do Harry parar, surpreso.

— Você é um líder natural, Harry, e inspira aos que estão a sua volta a tentarem ser melhores, agirem honradamente, com justiça e determinação. O fato de não ser autoritário ou desejar ter poder, o faz um líder ainda melhor. — Sirius suspirou e apertou seu ombro. — Prometo não desistir e tentar o meu melhor, apesar das minhas inseguranças.

— Todos temos dúvidas, acho. — Harry deu de ombros. — E, às vezes, estamos errados, por isso precisamos nos cercar de pessoas de confiança, conversar e aprender a ouvir suas opiniões e conselhos. Você tem Falc, Serafina, Sr. Boot, Remus, Denver, Anton, que pelo jeito se tornará parte da equipe. Confie neles, Sirius, não precisa fazer tudo sozinho.

— Foi o que aconteceu com você mais cedo? — Sirius perguntou e, diante do seu olhar confuso, continuou. — Eu o vi conversando com uma menina ruiva e, quando voltou, parecia menos mal-humorado.

Harry sorriu e corou levemente sem perceber como seus olhos brilhavam.

— Sim. Hum... Guinevere também estava de mau humor e falamos sobre o que nos incomodava. — Harry disse voltando a andar. — Ela está com uns problemas em casa e, mesmo que eu não possa ajudá-la ou ela a mim, só de conversar, já nos sentimos melhor.

— Entendo. — Sirius o olhou levemente divertido. — Bem, mas, o que o deixou de mau humor?

— Ah... apenas, ser Harry Potter. — Harry disse suavemente. — Acho que hoje, eu queria não ser eu, mas, quando não pude fugir da minha própria pele, fiquei frustrado.

— Hum? — Sirius o encarou confuso.

— Olá, Harry! — Lisa Turpin apareceu a sua frente com um grande sorriso. — O Jardim é belíssimo! Não consigo parar de olhar por tudo! E, o Monumento Vida, tão emocionante! — Ao seu lado havia uma mulher loira, que usava óculos e tinha uma expressão inteligente. — Esta é minha mãe, Greta, mamãe, este é Harry Potter e seu padrinho, Sirius Black.

— Prazer, Sra. Turpin. — Harry e Sirius a cumprimentaram.

— O prazer é todo meu. — Ela disse sorrindo timidamente. — Lisa me falou muito sobre vocês e, eu também li suas reportagens no Profeta. Quero lhes agradecer sobre como estão lutando pelos lobisomens e nascidos trouxas. E, por me permitir vir a este lindo Jardim e homenagear o meu marido.

— De nada, senhora. — Harry sorriu gentil. — Lisa é uma grande defensora da causa e também está empenhada em mudar o mundo mágico. E, ela é uma boa amiga.

— Eu me lembro do seu nome. — Sirius disse sorrindo. — A senhora enviou um currículo para o meu escritório! Está interessada em trabalhar na minha nova empresa trouxa de construção civil?

Greta Turpin corou levemente e acenou.

— Sim. Eu trabalho como secretária em uma empresa de marketing e, antes da indenização, tinha um segundo emprego de faxineira em um prédio de escritório. — Greta explicou. — Nunca pude estudar ou buscar um trabalho melhor, pois tenho segurança onde estou, mas, Lisa disse que o senhor precisa de funcionários trouxas com conhecimento do mundo mágico. Também me explicou que vocês ajudarão com qualificações dos funcionários, assim, me ocorreu que essa é uma ótima oportunidade de ajudar e melhorar nossas condições de vida, quem sabe, trabalhar em algo mais interessante.

— Bem, essa foi uma ótima entrevista inicial. — Sirius sorriu divertido. — Nós estamos procurando um prédio para montar os nossos escritórios e iniciar as entrevistas, contratações de funcionários e lançar a empresa no mercado. Acredito que em mais duas semanas, você receberá uma ligação.

— Isso será ótimo! — Greta sorriu mais amplamente. — Lisa disse que amanhã é um dia decisivo, sei que trouxas não estarão presentes, mas, se tiver algo que eu puder fazer para ajudar... — Ela olhou em volta e baixou o tom. — Na ilha, quero dizer, eu estou a postos.

— Apenas não levaremos trouxas nesta primeira reunião porque, não queremos perder a confiança deles com muitos estranhos. — Harry disse apressadamente. — Tudo tem que ser feito com muito cuidado, negociação, contratos, precisamos que eles acreditem em nossas intenções. Mas, Lisa estará segura, prometo.

— Oh, eu não duvido disso. — Greta apertou seu braço com afeto. — Agora devemos ir e deixar que continuem com o seu passeio.

— Sim, ainda temos muito o que ver, tirar fotos! — Lisa sorriu e acenou. — Até amanhã, Harry!

— Até amanhã. — Harry e Sirius acenaram em despedida e voltaram a caminhar para o início do Jardim. — Era disso que eu estava falando.

— Como assim? — Sirius perguntou confuso.

— Apenas... — Harry tentou explicar completamente, de uma maneira que não falou nem para Ginny, pois sabia que Sirius o entenderia. — As pessoas elogiam o Jardim, me dão os parabéns, dizem que sou um garoto incrível, que meus pais teriam orgulho de mim, mas, eu não queria nada disso. Eles não entendem, eu não queria esse Jardim, hoje, eu queria os meus pais, aqui, passeando comigo... — Sua voz se embargou, mas, ele não olhou para o padrinho. — Eu não quero um Pontas de arbusto, eu quero o meu pai e... conversar com eles, dar um buque de lírios para a minha mãe de aniversário ou dia das mães. — Finalmente, Harry parou e encarou Sirius, cujo rosto refletia a sua dor. — Então, hoje, eu me preparei para ser o filho de James e Lily, para relembrá-los, me emocionar, sorrir e curtir um dia especial com eles, de certa forma. No entanto...

— Estamos a toda a hora sendo interrompidos. — Sirius disse acenando.

— Eu só queria, não ser Harry Potter hoje. Eu queria ser apenas o Harry, o filho deles. — Harry se sentou em um banco. — Mas, estou sendo tolo, Sirius, pois não se trata de mim e sim, deles. Hoje é o dia para lembrá-los e homenageá-los, por isso, eu construí o Jardim, por isso, eu convidei essas pessoas. Era exatamente isso o que eu queria, que todos no mundo mágico os conhecessem, lembrassem e soubessem as pessoas incríveis que eles foram. Portanto, preciso deixar de ser bobo e fazer o que eu vim fazer aqui, receber essas pessoas e ser um bom anfitrião desse evento.

— Ok. — Sirius disse ao perceber sua expressão determinada. — Mas, você também gostaria de ter um momento para ser apenas o filho deles?

— Sim. — Harry suspirou. — Eu... quero voltar algum dia dessa semana, talvez, bem cedo, quando não tiver ninguém ou o Jardim estiver fechado. Quero que seja apenas, eu, Harry, sabe.

— Sei... — Sirius apertou seu ombro com carinho. — Vamos fazer isso.

Harry acenou, sabendo que o padrinho o entenderia e se levantou decidido a deixar tudo isso para trás.

— Ok. Estamos perdendo tempo, quero muito ver a Fonte Poções. — Ele disse e os dois andaram até a bifurcação, pegando o caminho a direita, para o Sul.

Imediatamente, Harry sorriu, pois, o caminho passou a ser ladeado por jacintos, petúnias e lírios de diversas cores. Em mais algumas dezenas de metros, eles se deparam com um obelisco em forma de bastão, envolto de duas serpentes e um par de asas de anjo em seu topo. A frente e a volta do estranho obelisco, as três flores formavam o escudo do time do Liverpool.

— Uau! Impressionante! — Sirius se aproximou do obelisco que subia a seis metros de altura. — Essas cobras de metal dourado, parecem uma mistura de Slytherin e Gryffindor. E, as asas aladas... Isso é algum animal místico que não conheço?

— Não. — Harry apontou para a placa em azul e bronze. — Está explicado ali.

Brian Evans tinha três grandes paixões em sua vida. O seu time de futebol, Liverpool. O seu trabalho como contador. E, sua família.

Nas flores, o escudo do seu time do coração, que muitos sabem, tornam a vida do seu torcedor cheia de emoções. Um dia você vibra com a vitória, no outro, você chora com a derrota, mas, no dia seguinte, você continua torcendo, com amor e determinação.

Brian fazia tudo com amor e determinação, algo tão simples como torcer por um jogo ou algo tão complexo quanto analisar números e ajudar os seus clientes. O obelisco com o bastão, as cobras e as asas de anjo, é o símbolo da profissão de Brian Evans. Ele foi um brilhante contador e, seu talento para a matemática, lhe permitiu criar uma empresa de sucesso, ajudar seus clientes, dar uma vida segura e confortável a sua família. Brian, mais do que uma mente brilhante, tinha um grande caráter, pois seus clientes não hesitavam em confiar-lhe e Brian jamais os desapontou.

As flores, representam seus maiores tesouros. Jacinth, sua linda e amorosa esposa. Petúnia, sua filha mais velha, tão parecida com Brian e que o enchia de orgulho. E, Lily, a filha mais jovem, que herdou seus olhos verdes brilhantes, além de sua incansável determinação.

Brian também foi avô e, apesar de partir muito cedo, seu amor e dedicação aos netos sempre serão lembradas. Harry e Dudley, são partes que ainda vivem de Brian, portanto, celebremos sua vida e seu futuro.

— Ficou um pouco maior, mas, as pessoas sabem mais sobre meus avós bruxos, assim, quis que eles conhecessem mais sobre os meus avós trouxas. — Harry explicou. — Estranho?

— Não. — Sirius disse sincero. — Lily vem do seu avô, assim, você precisa falar sobre as pessoas que a criaram, a amaram. O que você fez para a sua avó?

— Vem, vamos seguir. — Harry disse ansioso.

— Harry! — A voz de Michael Corner foi ouvida e Harry se esforçou para não fazer uma careta com mais uma interrupção.

— Olá, Michael. — Ele disse tentando lembrar-se que precisava ser um bom anfitrião. — Está gostando do passeio?

— Sim. — Ele disse e sua postura se mostrava mais pomposa, como quando se conheceram no início do primeiro ano. — Quero lhe apresentar os meus pais, Carson Corner e Melinda Corner. — Ele apontou para o casal ao seu lado. Eles se vestiam com roupas caras, Sr. Corner tinha um relógio de ouro enorme e sua esposa usava joias de ouro que brilhavam ao sol do início de tarde. — Pai, mãe, este é Harry Potter e seu padrinho, Sirius Black.

— Prazer em conhecê-los, Sr. e Sra. Corner. — Harry disse e estendeu a mão educadamente. Sirius também os cumprimentou e ignorou a maneira desaprovadora com que a Sra. Corner olhava para suas roupas, cabelos e delineador.

— É um prazer conhecê-lo, Sr. Black. — Sr. Corner disse com um sorriso simpático. — Suas entrevistas vêm causando uma grande sensação no mundo mágico, estão todos ansiosos para saber se apoiará Albert Finley em sua candidatura a eleição.

Era óbvio que ele estava pescando e Michael levantou a sobrancelha em diversão para o Harry, parecendo apreciar saber algo que o seu pai ainda não sabia.

— Bem, acredito que você logo saberá, mas, posso lhe dizer que está não é minha intenção. — Sirius disse com um sorriso divertido. — Tenho planos mais sensacionais!

Harry riu divertido e Michael sorriu, apesar de tentar disfarçar.

— Sr. Potter, gostaria de me desculpar sobre a maneira como a antiga parceria entre os Corners e Potters terminou há pouco mais de um ano. Assumo total responsabilidade e espero que acredite que não tive a intenção de ofendê-lo ou ser desleal. — Sr. Corner disse sincero.

— Isso são águas passadas, Sr. Corner, sinceramente. — Harry disse educado. — E, lamento que o meu antigo tutor nos colocou nesta posição, espero que entenda que as circunstâncias me obrigaram a decidir por não confiar em um desconhecido.

— Compreendo. — Sr. Corner disse, apesar de seus olhos mostrarem certa raiva. — Acredite, se Dumbledore não fosse quem é, eu o processaria, pois, suas ações me custaram um dos meus mais antigos clientes. Ainda, me sinto aliviado em saber que os negócios Potters não poderiam estar em melhores mãos, além das minhas, claro. Por favor, se precisar de qualquer ajuda, não hesite em me procurar, os Corners sempre o apoiarão.

— Obrigado, Sr. Corner. — Harry disse. — Fico feliz em saber que meu bisavô esteve certo em confiar em seu avô.

— Certamente. — Sr. Corner disse orgulhoso.

— Devo parabenizá-lo por este lindo Jardim, Sr. Potter. — A Sra. Corner sorriu rigidamente. — Uma excelente ideia e feita com muita competência. Estava dizendo ao Carson, há alguns minutos, que se decidisse cobrar pela entrada do público, o senhor ficaria rico.

Ela riu como se fosse uma ideia incrível e divertida, Michael sorriu em concordância e Harry percebeu de quem o colega herdara a insensibilidade.

— Querida. — Sr. Corner disse com mais tato e certo constrangimento. — Os Potters já são muito ricos, além disso, o Jardim é uma homenagem a James e Lily Potter, não um negócio.

— Tudo pode se tornar um negócio e dar lucro, se feito do jeito certo. — Ela disse sem se preocupar em se desculpar pelo que disse. — Meu conselho para você, Sr. Potter, é que não se prenda demais aos mortos, eles precisam de paz e, o senhor, deve se cercar das coisas boas da vida. Como o dinheiro, por exemplo.

Harry a encarou por um segundo imaginando se tinha ouvido algo tão absurdo e, num impulso, tirou sua varinha e apontou para o Michael.

— Se, eu matá-lo, aqui e agora, a senhora poderia fazer isso? Enterrá-lo e esquecê-lo? — Harry disse com frieza e viu os três Corners empalidecerem. — Eu não a conheço, senhora ou nada sobre a sua vida, mas, agradeceria se não tentasse opinar sobre como eu vivo a minha vida. E, por favor, não volte a falar dos meus pais.

— Desculpem-me. — Sr. Corner pegou a esposa pelo braço e a arrastou para longe enquanto o Harry guardava a varinha, já arrependido pelo que fizera.

— Merlin... — Ele sussurrou bagunçando os cabelos e percebendo que suas mãos estavam trêmulas. — Michael, diga a sua mãe que sinto muito, perdi a cabeça... Com licença.

Ele se afastou, ouviu o Sirius dizer algo ao Michael e o seguir de perto.

— Harry... — Sirius disse baixinho.

— Eu sei, deixei o meu temperamento agir outra vez... Merlin, o que acontece comigo? — Ele disse chocado pelo que fizera.

— Acalme-se. — Sirius o parou e o encarou nos olhos. — Hoje está sendo um dia muito emocional e aquela... bruxa horrorosa mereceu ser colocada em seu lugar. A falta não é sua, Harry, está ouvindo? Ela é a adulta e, quem deveria ter o mínimo de sensibilidade.

— Talvez... — Harry suspirou e olhou para trás, mas, nenhum dos Corners estava à vista. — Talvez.

— Vamos continuar e esquecer isso. — Sirius passou o braço por seu ombro e eles voltaram a andar. — Estou começando a entender porque ficou de mau humor pelas interrupções.

Eles caminharam por um tempo em silêncio, até que ficou claro que eles estavam na área de Jacinth Evans. Antes, além das pegadas, as pedras do caminho tinham bolas de futebol e o símbolo da contabilidade, agora, elas tinham livros de receitas e um desenho perfeito da Evans House, o lar da família Evans. A flores eram as mesmas, mas, aqui, as cores eram mais românticas, vermelhas, rosas, brancas, azuis claras e lilases. E, quando chegaram ao seu marco, Harry sorriu para as esculturas de arbustos.

— Lindo... — Sirius parecia emocionado.

— Achei que vovó gostaria. — Ele disse pigarreando de emoção.

As esculturas de arbustos eram uma família em um parque trouxa. Brian Evans estava sentando em um banco, com o braço sobre o ombro da sua esposa, que se sentava ao seu lado. Eles observavam suas filhas brincando no parque, Lily ainda criança, estava sentada em um balanço e Petúnia, um pouco mais velha, se colocava ao seu lado, segurando a corrente do balanço e olhando protetoramente para a Lily, que sorria. Atrás da árvore de bordo, onde o balanço se pendurava, havia um arbusto de um garoto, assistindo escondido as irmãs brincando.

— Aquele é o Snape? — Sirius olhou meio assombrado.

— Minha tia me disse que foi assim que eles se conheceram. — Harry explicou. — Snape as espiava brincar e presenciou a minha mãe fazendo magia acidental, então, um dia, ele tomou coragem, se aproximou e contou a mamãe que ela era uma bruxa. — Sirius acenou entendendo. — Sei que eles não eram mais amigos no fim, mas, Snape fez parte da vida dela, assim, pensei que deveria colocá-lo de alguma maneira.

— É lindo, uma família. — Sirius olhou pensativamente. — Acho que a Lily e os seus avós, gostariam disso.

— Tia Petúnia disse que também gostou. — Harry disse suavemente. — Minha avó era dedicada a família, assim, achei que sua família a representaria perfeitamente.

— Deixe-me ler o que está escrito no pedestal. — Sirius se adiantou.

Jacinth Evans era uma extraordinária mulher. Trabalhou como professora até o nascimento de sua primeira filha e dedicou toda a sua vida a cuidar de sua família. Apaixonada por culinária, ela passou para a sua filha, Lily, o talento da invenção e criação de poções, apenas, Jacinth criava, cozinhava e assava os melhores pratos, enquanto Lily, se tornou uma potioneer de alta qualidade.

Seus livros de receitas têm criações originais que muito a orgulhavam e, encantavam ao paladar do seu marido, filhas e amigos.

Jacinth também se dedicou a ajudar os mais necessitados e sempre ensinou as suas meninas a valorizarem o que tinham e nunca virarem as costas a quem necessita de ajuda. Sua generosidade só não era maior do que o seu amor pelo marido e por suas filhas, Petúnia e Lily.

Apesar de partir tão cedo, Jacinth foi muito amada e deu muito amor, assim, a sua maneira, ela trouxe magia ao mundo. Seus netos não conviveram com sua sábia avó, mas, sempre se lembrarão de suas palavras, "valorizem o que têm e não se amargurem pelo impossível. "

— Minha tia me ajudou a escrever, já que eu não sei muito sobre ela. — Disse Harry sorrindo suavemente. — Ela me disse que sua mãe sempre lhe dizia isso, para ser feliz com o que tem, não se amargurar pelo impossível.

— Uma pena que Petúnia demorou tanto para ouvir. — Sirius disse.

— Antes tarde do que nunca. — Uma voz disse atrás deles e, ao se virar, Harry abriu um grande sorriso.

— Sra. Clark! — Harry disse animado e a abraçou, o que a pegou de surpresa. — Desculpe, apenas fiquei feliz em ver a senhora. — Disse se afastando timidamente.

— Ora, meu doce menino, não precisa se desculpar. — Sra. Clark sorriu e tocou o seu rosto com carinho. — Estou feliz por tê-lo encontrado, queria lhe dizer que me sinto emocionada por visitar a mais bela declaração de amor que já vi. Seus pais te amaram muito e são muito amados, assim, onde estiverem, devem sentir o seu amor.

— Eu também sinto o deles... — Harry suspirou emocionado. — Queria que eles estivessem aqui, mas...

— Eu sei, eu sei... — Ela tocou o seu ombro com carinho. — Meu doce menino, você, dentre todos, não merecia essa dor, mas, você, dentre todos, é o mais forte e amável. — Sra. Clark se afastou. — É possível perceber, sabe, de estar com você, como cheio de amor e bons sentimentos você é, Harry. O seu enorme coração é o maior legado dos seus pais e você deve seguir o conselho da sua avó, não se amargure, seja feliz.

Harry acenou emocionado com suas palavras e suspirou limpando uma lágrima do rosto.

— Eu farei isso, mesmo que tenha dias mais difíceis, não pretendo desistir. — Ele pigarreou. — Temos uma batalha esta semana. A senhora está preparada?

— Eu nasci preparada para a batalha, meu querido. — Sra. Clark disse, então, olhou para o Sirius. — Sirius, me desculpe, não quis te ignorar, que deselegante da minha parte.

— A senhora nunca poderia ser deselegante, mesmo se tentasse, Sra. Clark. — Sirius beijou as costas da sua mão, galantemente. — Está linda, como sempre.

— Rá! E, você, sempre um galanteador. — Ela sorriu divertida. — Estou ansiosa por vê-lo se apaixonar, acredito que o seu par será interessantíssimo.

Sirius sorriu meio divertido, meio sem graça.

— Acho que ele já a encontrou, Sra. Clark e, ela é muito legal. — Harry disse com certa malícia.

— Ora, vejam só. — Sra. Clark riu. — Espero ter o prazer de conhecê-la em breve. — Depois, ela olhou para o Harry. — Estou uma pilha de nervos, confesso, mas, Falc está muito otimista, mais importante, eu estou com um bom pressentimento.

— Eu também. — Harry sorriu sincero. — Nos vemos na quarta-feira?

— Combinado. Ah, adoraria publicar os livros de receitas da sua avó, Jacinth, pense sobre isso e conversaremos depois. — Ela disse, o beijou na bochecha, recebeu outro beijo nas costas da mão de Sirius e partiu.

— Até que essa interrupção não foi tão ruim. — Sirius disse e Harry riu.

— Acho que estamos alternando ou algo assim, aposto que a próxima não será muito boa. — Ele disse brincalhão.

Sirius riu também e o clima voltou a ficar mais leve. Quando se aproximaram da área da Lily, as cores das flores, petúnias, jacintos e lírios, se tornaram mais Gryffindors, vermelho e dourado. Haviam também algumas flores da lua, rosas vermelhas e amarelas, orquídeas, violetas, tulipas vermelhas e muitas árvores de cerejeira, brancas, vermelhas, amarelas, rosas e lilases.

— Acho que essa é a área com mais flor e cerejeiras, tão colorido, mas, predomina o vermelho Gryffindor. — Sirius disse maravilhado.

— Eu coloquei algumas flores que eu gosto também, pensei que a mamãe gostaria. — Harry explicou e apontou para os desenhos no caminho. — As pegadas, caldeirões e varinhas, por causa do seu talento para Poções e Feitiços. Também coloquei o brasão do Jardim, já que é o Jardim da Lily.

— Fantástico. — Sirius suspirou sentindo o perfume delicioso das flores. — E, o que é essa tal, Fonte Poções?

— Ah! Veja, lá está a fonte. — Harry apontou e o Sirius arregalou os olhos apressando o passo.

— Merlin! Mas... O que? — Seu padrinho parecia sem palavras.

A Fonte Poções era um imenso caldeirão de arbustos verdes, com uma varinha igualmente grande em seu topo, de onde saia água em um som agradável. A varinha parecia estar suspensa, magicamente flutuando, sem que nada a sustentasse e a água parecia surgir por um feitiço de Aguamenti. Do caldeirão, fumaça e vapor subiam, fazendo parecer que havia um poção sendo preparada dentro do caldeirão de arbustos. Na base do caldeirão, havia uma grande fonte circular com água, onde flores de lótus, flores de água, lírios d'água e vitórias régias flutuavam lindamente. A visão era tão linda e colorida, que dava vontade de cozinhar ou preparar uma poção, ou, apenas olhar para a Fonte Poção, ouvindo o som suave da água caindo.

— Só não colocamos fogo em baixo do caldeirão, achamos melhor colocar a base dentro da fonte e preencher com flores de água. — Harry disse suavemente. — O caldeirão e a varinha, seus maiores talentos e, flores, para expressar sua beleza.

— Sim, Lily está incrivelmente bem representada. — Sirius disse emocionado e tocou a água da Fonte, depois, se aproximou da placa azul e bronze.

Lily Evans Potter pode ser encontrada na Fonte Poções. Ela era, com certeza, a futura grande potioneer do mundo mágico e uma grande estudiosa da feitiçaria. Seus professores amavam seu talento, criatividade, espírito e determinação. Seus amigos, tiveram a honra de conviver com seu coração generoso, mente afiada, humor sarcástico e lealdade absoluta.

Vir do mundo trouxa nunca foi um empecilho para Lily, pelo contrário, ela se orgulhava de suas origens, de sua família, dos seus ensinamentos e buscava a todo instante ser mais do que uma bruxa poderosa. Lily queria ser uma grande mulher, orgulhar e honrar a educação de seus pais, retribuir o amor que recebeu em sua vida, fazendo o bem ao próximo.

Ela sempre buscou, incansavelmente, um mundo seguro e justo para os nascidos trouxas. Assim, quando a guerra começou, Lily desistiu dos Mestres de Poções e Feitiços, pois ela queria lutar e defender os perseguidos pelos puristas. Por anos, ela dedicou a sua vida, arriscou a sua vida, corajosamente e sem hesitações, mas, então, um dia, Lily teve um bebê, que ela chamou de Harry. Deste momento em diante, Lily não era mais filha, irmã, amiga ou bruxa, Lily era mãe e sua vida se tornou o seu Harry.

Todos que amam entendem, mas, apenas os pais, compreendem completamente o amor que um filho inspira e o desejo absoluto de mantê-lo seguro. Nós estamos aqui hoje, porque, Lily Potter não hesitou em sacrificar a sua vida por seu bebê, mostrando a imensidão do seu amor e coração. Assim, O Jardim da Lily é apenas um tributo sincero e um obrigado amoroso, pouco, diante do seu imenso presente, mas, Harry ainda queria dizê-lo.

Nós estamos hoje aqui, para lembrar, honrar e agradecer.

Obrigado, Lily Potter.

Obrigado, mamãe.

— Obrigado, Lily. — Sirius sussurrou emocionado, ele limpou as lágrimas que escorreram por seu rosto e fungou. — Você escreveu?

— Sim... — Harry disse também enxugando o rosto. — Tentei não dar muitas informações, mas, também queria que entendessem que ela é a verdadeira heroína.

— Acho que eles entendem, Harry, bem, quem tem capacidade, claro. — Sirius suspirou passando os dedos pelas letras. — Você sabe que não precisa agradecer, certo? Sua mãe nunca esperaria ou quereria um agradecimento, ela te amava demais, Harry e, seu sacrifício, foi um ato de amor. Algo tão forte e especial, não precisa de resposta.

— Ainda, eu estou vivo porque ela me deu a vida, duas vezes, Sirius. — Harry disse olhando para a Fonte. — Que tipo de filho eu seria se não valorizasse e agradecesse?

Sirius o olhou com um sorriso suave e olhar orgulhoso.

— Você está certo, meu afilhado inteligente. — Sirius o abraçou. — Acredito que já disse isso muitas vezes, mas, direi mais uma, seus pais e seus avós estariam tão orgulhosos de você.

Harry sorriu sentido seu peito se aquecer com o pensamento e com o amor que sentia por sua família. Se apertando contra o peito do padrinho, Harry olhou para o outro lado do caminho, onde havia um banco, bem de frente para a Fonte Poções e, sentado no banco, estava alguém bem conhecido. O que o surpreendeu, na verdade, foi ver que ele estava chorando.

Confuso e surpreso, Harry se afastou do Sirius e pediu um minuto, apontando para o banco.

— Ok, estarei aqui. — Seu padrinho respondeu suavemente.

Harry atravessou o caminho de pagadas e se aproximou do banco.

— Professor. — O homem em questão não pareceu ouvir e Harry se sentou ao seu lado, tocou o seu braço. — Prof. Slughorn, o senhor está bem?

Slughorn pareceu despertar de longe e olhou para o Harry com uma expressão surpresa.

— Ah... Harry... eu estava... Harry! — Ele disse como se entendesse quem estava a sua frente e colocou a mão em seu ombro, em um aperto forte. — Essa fonte... essa... homenagem... tão linda, absolutamente... — Slughorn soltou o seu ombro e usou um lenço para limpar as lágrimas e assoar o nariz. — Estou aqui, sentado, olhando e lembrando, não sei a quanto tempo... Nunca, nada me emocionou tanto... meu caro garoto, tão brilhante e doce... Estou sem palavras... apenas...

— O senhor realmente gostava dela, não é? — Harry disse com um leve toque de surpresa. Slughorn o olhou e deu um sorriso aguado, enquanto seus olhos voltavam a verter algumas lágrimas.

— Gostar dela? Eu não imagino qualquer um que a conheceu que não tenha gostado dela... Muito valente... Muito engraçada... Vivaz, você sabe. Garota encantadora. — Ele disse emocionado.

— Todos me dizem isso, que era impossível não gostar dela. — Harry disse baixinho. — E, ela foi a melhor mãe, por isso, o Jardim em sua homenagem e do meu pai. Por isso, a Fonte.

— Fonte Poções. Genial, brilhante, mas, você herdou o brilhantismo da Lily, apenas a maneira como prepara as suas poções, revela isso. — Slughorn disse com um suspiro trêmulo. — Eu estava aqui, me lembrando, da primeira aula dela... Lily estava tão ansiosa por aprender, mas, assim que a vi mexendo o caldeirão, picando os ingredientes, eu percebi. Ela era natural, talento puro! — Ele lhe deu um olhar envergonhado. — Você não deveria ter favoritos sendo um professor, é claro, mas, ela era uma das minhas. Lily Evans. Uma das mais brilhantes que eu já ensinei. Eu costumava dizer que ela tinha que estar na minha Casa. Eu costumava receber respostas bem imprudentes.

Isso fez o Harry rir levemente.

— Acho que ela seria uma grande cobra, mas, provavelmente, seus companheiros não sobreviveriam a ela. — Harry brincou divertido, Slughorn gargalhou segurando a barriga proeminente.

— Tem razão, caro garoto, tem toda a razão. — Ele suspirou e seus olhos voltaram a se encher de lágrimas. — Desculpe a minha emoção, Harry, apenas... tão triste, tão terrível a sua morte... Lily era tão especial e olhar o seu amor por ela, me fez lembrar disso, sabe...

— Perdê-los sempre será doloroso, professor, mas, devemos lembrá-los, honrá-los e agradecê-los. — Harry disse gentilmente, pois estava tocado por sua emoção e o verdadeiro afeto a sua mãe. — Qual a sua melhor lembrança da minha mãe?

— Ah! — Slughorn sorriu em meio as lágrimas. — Eu tive um peixe uma vez, um presente de uma aluna. Em uma tarde de primavera, eu encontrei um aquário em minha mesa, com apenas alguns centímetros de água e, boiando na superfície, havia uma pétala de flor. — Seu olhar se tornou distante na lembrança. — Enquanto eu olhava, a pétala afundou e, um pouco antes de atingir o fundo, ela se transformou em um peixinho. Foi uma magia incrível, linda de se ver. A Pétala de flor tinha vindo de Lily, sua mãe Harry. Eu nomeei o meu peixe de Francis e... o tive por anos. — Seus olhos se entristeceram. — Um dia, eu desci as escadas e encontrei o aquário vazio, foi quando eu soube... Foi o dia em que sua mãe...

— Ela não se foi completamente, professor. — Harry sorriu e enxugou as próprias lágrimas emocionado com a linda lembrança. — Nós a recordamos, meu coração bate, nós ainda a amamos e, tudo isso, a mantem viva.

— Você é um menino muito sábio e esse Jardim, é um presente a todos nós, não apenas aos seus pais. — Slughorn disse suavemente. — Obrigado, Harry. Agradeço por me permitir lembrar e me emocionar, mesmo quando já estou tão velho.

Harry apenas acenou e suspirou olhando para a Fonte Poções. Eles ficaram em silêncio por alguns minutos, apreciando a emoção do momento, até que Slughorn falou outra vez.

— Sei que não me aprova, Harry, meus métodos, mas, quero que saiba que, eu realmente adorava a sua mãe. — Harry o olhou surpreso com o comentário. — Eu posso ver, sabe, que você não gosta muito de mim.

— Bem, acho que estou precisando melhorar a minha oclumência então. — Ele disse divertido, depois deu de ombros. — O senhor é um grande professor, com quem aprendo em todas as aulas. O senhor trata meus amigos e colegas com justiça, sem discriminação ou covardias. Apenas... — Harry suspirou decidindo confiar no velho professor da sua mãe. — O senhor sabia que só descobri que era um bruxo quando recebi minha carta de Hogwarts?

— Acredito ter lido nos jornais, mas, supus que era apenas um jogo de palavras para os leitores. — Slughorn disse surpreso. — Não me diga que é verdade?

— Sim. Dumbledore era o meu tutor, pois Sirius estava preso, sem julgamento, mas, o diretor nunca me visitou ou contou sobre a minha família e história. — Harry percebeu que Slughorn entendia a gravidade disso. — Ele enviou a minha carta pelo Hagrid, um grande amigo, mas, que pouco soube me dizer, além do fato de que meus pais foram assassinados por Voldemort. — Slughorn gritou e tremeu, mas Harry o ignorou.

— Você não sabia? — Ele perguntou sem fôlego e Harry acenou negativamente.

— Minha tia disse que eles morreram em um acidente de carro. — Harry explicou. — Quando entrei naquele trem, em minha primeira viagem para Hogwarts, eu era, basicamente, um nascido trouxa, professor, mas, com montes de olhares sobre mim. E, as pessoas se aproximavam buscando algo de mim, fosse uma reação, informações ou a emoção de conhecer o menino-que-sobreviveu. Muitos, eram tão insensíveis, como se aquela noite tivesse sido uma aventura e, os meus pais terem sido assassinados, fosse sem importância. — Harry gesticulou em volta emocionado. — Por isso, eu dei as entrevistas, por isso, eu fiz esse Jardim, para que todos entendam que eles importam.

— Entendo. — Slughorn disse baixinho.

— Assim, eu não desgosto do senhor, apenas, não sei o que quer de mim. — Harry o encarou com seus olhos verdes brilhantes e sincero. — Não sei se quer me usar, se quer ser meu aliado, me ajudar, ser meu amigo ou se, como Dumbledore, o senhor pouco se importa comigo.

— Ah, menino... sinto muito... — Slughorn suspirou e deu um tapinha em seu ombro. — Não, não, não... Você não deve pensar isso por um segundo. Eu não uso as pessoas, parece isso, mas, não é assim, Harry. Não existe chantagem, acordos ou ameaças, eu não cobro favores ou os obrigo a fazerem nada. Se, alguém me diz não, eu aceito sem problemas, sem rancor e jamais faria nada para prejudicar ou difamar ninguém. — Slughorn o olhou com sinceridade. — Eu me importo com todos os meus alunos, todos, até os mais medíocres, pois, amo ser professor. Não existe maior satisfação do que vê-los crescendo, evoluindo, aprendendo e suas pequenas mentes se enchendo de conhecimentos. No entanto, eu sou um Slytherin, sou ambicioso e, um pouco habituado as coisas boas da vida, entende? — Ele lhe deu uma piscadela e um sorriso malicioso. — Assim, eu apresento um aluno promissor a um possível empregador ou envio uma carta de recomendação justa. Às vezes, o ajudo a se preparar ou o oriento para entrevistas de empregos importantes. Eu tento ajudar a todos, Harry, aqui ou ali, mas, os mais promissores e talentosos, acabam tendo um pouco mais da minha atenção. Isso não é incomum, não se trata de preferências, mas de impulsionar os mais talentosos a realizarem grandes coisas. Esse é o papel de um professor. — Harry acenou entendendo. — Eu faço amizade com algum deles ou, ao menos, mantenho um contato amigável. Realizar festas e jantares, socializar em eventos, são apenas algumas das atividades que me permitem manter essas amizades, saber sobre as vidas dos meus ex-alunos, ter certeza que eles estão bem, felizes, se precisam de alguma ajuda. Quando faço isso em Hogwarts, eu apresento à futura geração, o que eles podem conquistar, entende? — Harry voltou a acenar. — Por exemplo, sua amiga, Ginny, ela conhece Gwenog e sua história, acredita que, um dia, pode alcançar o seu próprio sonho e isso a faz se dedicar mais, estudar ou treinar mais. Ela também aprende os caminhos, as dificuldades e, no futuro, quando ela for uma grande jogadora da Liga de Quadribol, talvez, Ginny se lembre de mim.

— Ela o encontrará em eventos, vocês se manterão próximos e, por gratidão, Ginny poderia lhe enviar ingressos. — Harry disse suavemente.

— Sim. Alguns me enviam presentes que, eu jamais pedi, apenas, expressão a sua gratidão. E, acredite, às vezes, eu ouço um não a algum pedido, mas, isso não importa porque, me esqueço rapidamente, pois um homem não deve se lembrar dos que lhe viram as costas, ele deve se concentrar naqueles que o recebem com um abraço e sorriso sinceros. — Slughorn sorriu e Harry retribuiu. — Eu jamais o usaria e, amigos ou aliados, saiba que me importo muito com você, garoto, afinal, você tem os olhos da Lily.

Harry riu levemente e Slughorn o acompanhou.

— Eu acredito no senhor, mas, também compreendo o pensamento Slytherin de caminhar por estradas vantajosas. — Harry sorriu com certa malícia. — Eu também poderia ter sido um bom acréscimo a sua casa, professor, se não fosse os inimigos que fiz quando ainda usava fraldas. De toda a forma, eu fico aliviado que o senhor tem um bom coração, pois, não tenho nada contra a ambição ou o desejo por uma vida confortável.

— Fico feliz em saber disso, Harry e lamento não o ter na Slytherin, acredito que alguém como você apagaria a injusta reputação que recebemos. — Slughorn disse sincero.

— Talvez. — Harry disse e lhe deu uma piscadela. — Quem sabe o futuro reserve essa honra para um filho meu.

— Ora! Isso seria brilhante! — Slughorn voltou a segurar a barriga quando riu.

— Professor. — Harry disse suavemente, depois que riram. — Eu tenho um projeto. — Slughorn o encarou curioso. — Talvez, eu o esteja usando agora, pois, tenho pouco a oferecer de vantagens, apenas, a minha gratidão e amizade. Também ofereço a certeza de que minha mãe ficaria feliz se nós trabalhássemos juntos em algo tão especial. O senhor estaria interessado na chance de realizar algo incrivelmente maravilhoso, mas, como disse, sem lucros pessoais?

— Hum... realmente, você fala com palavras tão cuidadosas e sedutoras, que parece um Slytherin. — Slughorn o encarou atentamente, mas, sem desconfiança. — Peça, rapaz, o máximo que acontecerá, é que não poderei lhe atender.

Harry sorriu ao ver seu interesse, pois sabia que sua amizade e gratidão eram grandes vantagens.

— O senhor jantaria comigo e minha família esta semana, professor? — Harry disse suavemente. — Precisamos conversar em um local mais discreto e, precisarei que assine um contrato de sigilo, não importa a sua resposta.

— Ora. Agora, você me deixou ainda mais curioso. — Slughorn olhou em volta claramente sofrendo com a curiosidade, mas, por fim, acenou. — Muito bem. Envie-me a informação de flu por coruja, Harry. Qual dia você está pensado?

— Quarta-feira à noite? Às 7 horas? — Harry propôs e Slughorn acenou concordando.

— Quem mais estará presente ao jantar? Será formal?

— Não, senhor. Apenas uma reunião familiar e amigável. Estarão presentes os Boots e meu padrinho, Sirius Black. — Harry informou e se levantou. — Devo seguir com o passeio, pois o dia se aproxima do fim. Enviarei a carta amanhã, professor. Obrigada por sua disposição e... por ter gostado tanto da minha mãe.

— Eu que lhe agradeço. De verdade. — Slughorn apertou sua mão estendida. — Até breve, meu rapaz.

Harry se afastou até o padrinho e os dois caminharam algumas dezenas de metros antes que ele lhe contasse a conversa estranha e informativa que tivera.

— Está pretendendo convidá-lo para ser o professor de Poções de Stronghold? — Sirius perguntou suavemente.

— Sim e, se ganharmos a audiência, o convidarei para escrever no livro da mamãe. — Harry explicou. — Também acredito que ele seria um ótimo acréscimo ao novo Partido.

— O que? Slughorn? — Sirius o encarou chocado. — Ele é um preguiçoso sanguessuga, Harry.

— Eu pensava assim também, mas, Slughorn me deu uma nova perspectiva sobre o que ele faz, Sirius e, acredito que ter alguém com seus contatos no Partido, seria interessante. — Harry, então, contou a explicação de Slughorn em detalhes.

— Então, você acredita que alguém com essa natureza... ardilosa, seria boa para o Partido. — Sirius levantou as sobrancelhas descrente.

— Sirius! O que ele faz é ajudar e se beneficiar disso, sem maldade alguma. Slughorn não tem porque se envergonhar, pois, ele não faz mal a ninguém e, suas vantagens ou presentes, são dadas livremente, em gratidão ao seu apoio e amizade. — Harry disse. — Se Slughorn estiver em nosso Partido, ele poderá nos colocar em contatos com inúmeras pessoas, poderá influenciar outras tantas e sua própria vantagem será estar em contato constante com pessoas poderosas e manter amizade com elas. É como um círculo, Slughorn nos ajuda exatamente com o que é considerado por ele, um caminho vantajoso. Entende?

— Acho que sim. — Sirius franziu o cenho e olhou para o afilhado. — Às vezes me esqueço que você também é ardiloso.

Harry riu divertido e olhou em volta apreciando toda a beleza das flores.

— Sirius, eu lhe disse, você tem que se cercar de pessoas que podem acrescentar muito aos nossos planos ou lhe ensinar algo. No entanto, assim como não se transformará em Waffling ou Finley, você não precisa ser como o Slughorn, mas, não quer dizer que não pode aprender com ele. — Ele disse sabiamente. — O pessoal do Covil, por exemplo, eles estão todos envolvidos e dispostos a ajudar, mas, um dia, um deles pode ligar para mim ou para um outro colega e pedir algo. Isso o faz um interesseiro? Que só foi nosso amigo por anos porque queria vantagens?

— Não, claro que não. — Sirius suspirou acenando. — Eu entendo tudo isso, Harry, apenas, preciso fazer do meu jeito, sabe, e o meu jeito, não é tão Slytherin. Eu posso envolver o Slughorn, mas, o aceitarei no Partido apenas se ele acreditar no que propomos e estiver disposto a ajudar, não o quero lá apenas para ganho pessoal. E, não aceitarei ser usado, apenas porque estou usando ele também.

Harry acenou compreendendo que isso era algo que eles viam de maneiras diferentes, mas, Sirius era um Gryffindor, afinal, e ele respeitava isso.

— Ok. Se é assim que prefere, eu concordo, aliás, é importante que os membros do Partido percebam que seus interesses pessoais não podem vir acima do bem do mundo mágico. — Harry suspirou. — Apenas espero que não estejamos sendo ingênuos.

— Você teme que possamos começar com boas intenções e acabar tão inúteis e perdidos como os Progressistas? — Sirius perguntou preocupado.

— Acho que enquanto estivermos vivos, isso não acontecerá, mas, nós dois não podemos supor que, no futuro, as coisas não mudarão. — Harry deu de ombros.

— Suponho que temos que fazer a nossa parte, que inclui ensinar a nova geração, um dia. — Sirius disse, depois sacudiu a cabeça. — Merlin, estou falando como um velho e, discutindo coisas sérias demais com um garoto de 12 anos.

Harry riu e Sirius o acompanhou, passando o braço por seus ombros.

— Sirius! — Uma voz feminina chamou de um dos caminhos transversais.

— Cissy! — Sirius sorriu e caminhou em sua direção. — Eu não tinha lhe visto!

— Eu também não o vi, até ouvir o seu riso, ele é inconfundível. — Ela estendeu as duas mãos e sorria suavemente, apesar de não expressar mais do que um educado interesse. — Como está, primo?

— Muito bem. — Sirius pegou suas mãos e beijou as duas afetuosamente. — E, você, Cissy, gostando do passeio?

— Gostar é um eufemismo. — Ela disse elegantemente. — Creio nunca ter apreciado tanto um Jardim e, eu sempre pensei que o meu jardim era especial.

Harry observava o encontro um pouco confuso, pois, apesar de saber que eles eram primos, não tinha ideia de que eram tão próximos ou que o seu padrinho gostava de Narcisa Malfoy. Draco, a alguns passos da mãe, tinha a mesma expressão confusa e espantada, pois jamais vira a mãe ser tão suave e... não fria, com alguém além dele e seu pai.

— Deixe-me apresentar o meu afilhado. — Sirius soltou suas mãos e passou o braço em volta dos ombros do Harry. — Este é Harry Potter. Harry, esta é minha prima, Narcisa Malfoy.

— Prazer em conhecê-la, Sra. Malfoy. — Harry estendeu a mão educadamente.

— Meu prazer, Sr. Potter. — Narcisa manteve a expressão absolutamente neutra ao apertar sua mão, enquanto seus olhos, iguais aos do Sirius, avaliavam o Harry atentamente. — Assim como é meu prazer passear por tanta beleza. Estou verdadeiramente encantada.

— Isso me deixa feliz, senhora. — Harry sorriu suavemente. — Além de homenagear os meus pais, queria proporcionar um lugar agradável a todos.

— Bem, você conseguiu. — Narcisa olhou para o filho, que esperava pacientemente. — Sr. Potter, você já conhece o meu filho, claro, mas, Sirius, acredito que ainda não foram introduzidos.

— A última vez que o vi, ele era um bebê de colo. — Sirius disse, olhando para Draco com um sorriso gentil.

— Draco, este é meu primo, Sirius Black. — Draco estendeu a mão, que Sirius apertou firmemente. — Sirius, este é Draco.

— Ótimo revê-lo, Draco.

— Senhor, prazer em conhecê-lo. — Draco disse formalmente, antes de acenar para o Harry. — Potter.

— Malfoy. — Harry estendeu a mão e Draco a apertou relutantemente. — Espero que esteja gostando da visita.

— Bem, acho que nunca vi tantas flores. — Draco disse e parecia levemente entediado. — As esculturas são muito interessantes e estive lendo que as magias manterão tudo preservado desta maneira. Certo?

— Sim. — Harry disse olhando em volta. — Mesmo quando nevar no inverno, as flores e árvores não morrerão, ainda que eu gostaria de poder manter a primavera para sempre.

— Isso é impossível, Potter. — Draco disse arrogantemente.

— Verdade? — Harry sorriu misterioso. — Com a magia, nada é impossível, acredito.

— Eu concordo, Sr. Potter. — Narcisa disse. — O fato de os trouxas não poderem ver o Jardim como ele realmente é, nos mostra o poder da magia. Tenho certeza que um dia, alguém disse ser impossível esconder o Beco ou Hogwarts. E, bem...

— Aqui estamos. — Harry disse sorrindo suavemente. — Por favor, me chame de Harry, não há necessidade de tanta formalidade.

— Claro. Harry, diga-me, você se interessa por feitiçaria, como a sua mãe? — Narcisa perguntou suavemente.

— Sim, senhora. — Harry sorriu ao olhar na direção da Fonte, que eles deixaram para trás. — Um dia, espero ser tão bom quanto ela em criar feitiços e, talvez, encantamentos rúnicos. Minha trisavó, Laura Fleamont, foi uma Mestre em Runas e espero ter herdado um pouco do seu talento.

— Bem, se for esse o caso e com uma mente que não acredita em limites mágicos, não duvido que conseguirá a sua primavera eterna. — Narcisa disse lentamente. — Sirius, poderia ter um momento em particular?

— Claro, Cissy. Com licença, garotos. — Sirius e Narcisa se afastaram para um banco a 20 metros de distância, enquanto Harry e Draco ficaram sozinhos, se encarando.

— Sua mãe é muito bonita e parece muito inteligente, Draco. — Harry disse educadamente.

— Ela é. — Draco disse com orgulho. — Eu vi as esculturas e as placas, seus pais pareciam legais também.

— Eles eram. — Harry disse com orgulho.

Os dois ficaram em silêncio depois disso, sem terem muito mais o que dizerem um ao outro.

Enquanto isso, Narcisa se sentou no banco e apertou a mão de Sirius com afeto.

— Obrigada, Sirius, por sua ajuda e o presente de custear as consultas e tratamentos. — Ela disse intensamente. — Isso me ajudará a disfarçar do Lucius o que farei e, bem, é muito gentil da sua parte fazer isso, mesmo quando não concorda comigo.

— Não precisa me agradecer, Cissy. — Sirius disse sincero. — Nossas crenças nos afastaram e as circunstâncias me fez expulsá-los da Família Black, mas, nós dois sempre seremos família.

— Quer dizer que a expulsão... — Narcisa retirou a mão da deles, tentando disfarçar a mágoa.

— Ela já foi registrada, acredito que você receberá uma notificação na próxima semana. — Sirius disse suavemente. — Espero que isso seja temporário e, sobre o meu presente, sei que não posso ser o padrinho de verdade, mas, gostaria de pensar que, simbolicamente, para o bem ou para o mal, eu faço parte dessa futura vida.

— Você faz. — Narcisa olhou para as duas crianças que esperavam silenciosamente. — Não tenho muito tempo, não quero que Draco faça muitas perguntas.

— Onde está o Lucius? — Sirius perguntou curioso.

— Ele decidiu ficar até amanhã na França. Seu pai gostou do seu projeto de reativar a fazenda da família e marcou um jantar com bruxos franceses importantes para hoje à noite. — Narcisa disse. — Apesar de não gostar do meu sogro, me anima pensar que Lucius pode ser mais facilmente convencido a viver na França em definitivo, se tivermos uma vida social interessante. Mas, o que eu queria lhe perguntar é quando pretende iniciar a reforma de Grimmauld Place?

— Assim que as crianças retornarem a Hogwarts pretendo me concentrar na reforma. Porque? — Sirius informou.

— Porque, terei que fazer um procedimento invasivo no meu útero para corrigir um problema e, assim, poder engravidar. — Narcisa acenou ao ver sua expressão preocupada. — É algo bem simples, mas, que exigirá um resguardo de 1 mês, inclusive sexualmente.

— Ah! — Sirius sorriu divertido. — Está pensando em me usar para manter Lucius dos seus aposentos? Me sinto lisonjeado, prima.

— Não seja vulgar, Sirius. — Narcisa disse, mas, deu um meio sorriso quando o primo gargalhou com a própria brincadeira. — O que acontece é que Lucius estará muito ocupado na França, com a reativação da fazenda e, eu poderei ficar aqui, recolhendo os móveis e objetos Blacks prometidos por você, sem levantar desconfiança. Aproveito, faço o procedimento e me recupero enquanto trabalhamos na casa... quer dizer, pensei que você poderia me deixar ajudar com a reforma e isso justificaria minha longa ausência de 4 semanas.

Sirius a olhou pensativo, então, acenou concordando.

— Um plano muito inteligente, Cissy. Eu concordo, mas, não seremos os únicos na casa, principalmente quando começarmos a reforma. — Sirius explicou. — Espero que trate bem os presentes.

— Claro, Sirius, não tenho o hábito de ser indelicada com pessoas desconhecidas, principalmente, quando não estou em minha casa. — Narcisa disse com certa frieza.

— Bom. Então, eu passarei primeiro, tirando tudo o que me interessar ou qualquer objeto escuro que não deixarei ir para as mãos de um Malfoy, em seguida, te envio uma carta com a data. — Sirius disse e Narcisa acenou se levantando.

— Isso é perfeito para mim, Sirius. Obrigada, mais uma vez. — Ela disse entendendo a mão, que Sirius beijou gentilmente.

— De nada, prima.

Os dois voltaram a Harry e Draco, que continuavam em silêncio, olhando para direções opostas.

— Até mais, Draco. — Sirius estendeu a mão em cumprimento. — Foi muito bom conhecê-lo e ver que, apesar de fisicamente você se parecer com o seu pai, ainda tem muito de sua mãe, inclusive os olhos.

— Obrigado, senhor. — Draco disse hesitante, pois não sabia se era um elogio ou não. — Até mais.

— Harry, diga-me, você teve a ideia para esse Jardim? — Narcisa perguntou em tom mais suave.

— Sim, senhora. — Ele sorriu e gesticulou com as mãos em volta. — E projetei tudo com a paisagista, a Srta. Linda. Sirius não sabia de nada, acho que nunca o vi tão espantado como hoje.

— Eu também me senti assim. — Ela disse e seu olhar se aprofundou em seus olhos verdes. — Sabe, antes, eu tive receio, mas, ao saber que tanta beleza saiu da sua mente, me sinto mais tranquila.

— Tranquila? — Harry franziu o cenho confuso.

— Sim, um garoto com tanto amor e gratidão, nunca poderia ser como o Lord das Trevas. — Ela disse e ignorou o "Cissy! ", de Sirius.

— Entendo. — Harry disse e sorriu com frieza. — Eu lhe garanto que não sou nada como ele.

— Eu acredito. — Ela disse e estendeu a mão, Harry a segurou e se curvou elegantemente. — Adeus, Harry.

— Adeus, senhora.

Harry e Sirius ficaram em silêncio e os observaram se afastar até estarem fora de vista.

— Merlin, ela é intensa, não é? — Harry disse franzido o cenho.

— Sim, intensa, tensa, fria e sem emoções. — Sirius disse. — Nunca conheci um oclumente melhor do que Cissy.

— Não tinha entendido que vocês eram tão próximos. — Harry disse quando eles voltaram a andar.

— Crescemos juntos. Narcisa é 4 anos mais velha do que eu, Andy 7 e Bella quase 9, além de ter uma personalidade terrível. — Sirius fez uma careta ao pensar na prima presa em Azkaban. — Régulos, meu irmão, era apenas dois anos mais novo e meu melhor amigo enquanto crescíamos, mas, ele era muito ingênuo e protegido por minha mãe, assim, acabava vivendo minhas aventuras com a minha prima mais próxima.

— Narcisa. — Harry disse entendendo.

— Bella não conta, mas, também nos dávamos bem com a Andy, mas, a diferença de idade era muito grande. — Sirius disse com um sorriso. — Quando Andy foi para Hogwarts, eu tinha 4 anos e, quando comecei a escola, ela estava no sétimo ano e já namorava o Ted, secretamente. Mas, tanto Andy como Cissy estavam na Slytherin e, eu fui classificado na Gryffindor, isso acabou nos mantendo mais distantes.

— Então, Andy se casou com o Ted. — Harry disse pensativo.

— Ah! Isso foi um escândalo! Ela estava prometida para se casar com Evan Rosier. — Sirius sorriu ao se lembrar. — Bella tinha sido prometida a Troy Egan, mas, ele morreu de varíola de dragão, assim, Todd, que era 3 anos mais jovem que Bella, recebeu a infortúnio papel de noivo. No entanto, Bella decidiu que não queria se casar com o garotinho de rosto bonito que ainda estava na escola e exigiu que meu tio, Cygnus, fizesse um novo contrato. Foi assim que ela acabou se casando com Rodolfo Lestrange e o contrato com Todd caiu no colo de Narcisa.

— Narcisa e Todd Egan estavam prometidos? — Harry perguntou espantado.

— Sim. Claro, não era oficial e tudo acabou abafado, pois, alguns meses depois, naquele verão, Todd acabou mordido por um lobisomem e expulso da Família Egan, além da alta sociedade. Naquele verão, depois do meu primeiro ano, Andy fugiu com Ted e, a Narcisa, que iria ficar noiva oficialmente de Todd, acabou ficando noiva de Lucius, e, Bella se casou com Rodolfo.

— Uau! — Harry arregalou os olhos. — Mas, porque Narcisa não acabou noiva de Evan Rosier, se Andy o tinha deixado e passar um noivo de uma irmã para outra parecia algo normal.

Isso fez o Sirius rir divertido.

— Você é muito esperto. Narcisa gostava de Lucius, ainda que sua opinião e sentimentos pouco valiam, claro, mas, quando ficou decidido que ela se casaria com um Egan, no lugar de Bella, isso valia menos ainda. — Sirius explicou. — A Família Egan é mais antiga e rica, além de mais próxima aos Blacks do que os Malfoys, portanto, meu tio não lhe permitiria se casar com Lucius no lugar do Todd. Quando, no início do verão, Todd foi mordido, Andy preparava sua fuga, enquanto sua mãe, tia Druella, planejava o seu casamento com Evan, para a primavera do ano seguinte. Narcisa sabia do seu namoro e implorou a irmã que esperasse, ela convenceria o pai a firmar o seu noivado com Lucius oficialmente e, depois da fuga de Andy, isso impediria que ele voltasse atrás e tentasse casá-la com Rosier.

— E deu certo? — Harry perguntou fascinado pela dinâmica da Família Black.

— Perfeitamente. Narcisa é muito boa em executar planos e ter sua vontade satisfeita, sem que qualquer um percebe que ela fez algo para conseguir o que queria. — Sirius disse. — Em menos de um mês, Narcisa e Lucius estavam oficialmente noivos, Andy fugiu em meio a festa de noivado e ninguém percebeu sua ausência até que ela estava bem longe.

— Rosier deve ter ficado furioso. — Harry especulou.

— Furioso e humilhado, afinal, o noivado deles já era oficial e conhecido por toda a sociedade. — Sirius disse.

— Mas, não existia um contrato de noivado? Andy conseguiu fugir dele? — Harry perguntou.

— Havia um contrato assinado pelos pais de Andy e Evan, não por eles, Harry, afinal, minha prima era menor de idade. Se você não assinar, se não for a sua magia e a sua vontade, não existe obrigação mágica, ainda que existam compensações legais pelo não cumprimento do contrato. Lembro-me que meu tio estava furioso por ter que dar muito do seu ouro para os Rosiers.

— E, como foi para você, Sirius? Depois de tudo isso? Eles também tentaram te obrigar a se casar com alguém? — Harry perguntou suavemente.

— Ah! Bem, eu era uma decepção para os meus pais depois que fui classificado na Gryffindor. — Sirius explicou. — Eles me queriam casado com alguma família pura, antiga e purista, mas, eu era considerado meio defeituoso por não ser um Slytherin. Acredito que eles encontrariam um negócio que lhes agradasse em algum momento, mas, logo depois, a guerra se tornou a maior prioridade. Eles não se importavam mais em me impor um casamento, mas, sim, sua causa e insistiam que eu deveria me juntar ao Lord das Trevas para vencer Dumbledore e o Ministério. — Sirius parou de andar e suspirou com as lembranças. — Como você disse, eu tive que ser muito político para evitar que eles soubessem que, na verdade, eu pretendia me juntar ao outro lado.

— Você fingiu que era purista? — Harry questionou interessado.

— Não, eu não era tão bom oclumente quanto a Narcisa e, minha mãe era uma legilimente decente. — Sirius sorriu com malícia. — O que eu fiz foi fingir não me importar. Eu agia como um adolescente tolo, brincalhão, pouco inteligente, que não sabia ou queria saber nada sobre a guerra ou política de sangue. Quando meu pai ou minha mãe começavam seus discursos sobre como eu deveria assumir o meu papel, deixá-los orgulhosos e ser um Black, eu me fingia de entediado ou idiota. Fazia alguma brincadeira, fingia não entender nada, falava sobre garotas, sobre quadribol, como se fosse só um cabeça oca sem noção.

— Muito inteligente. — Harry disse, ao mesmo tempo que imaginava quanto desse personagem Sirius teve que manter publicamente, o que o fez parecer um brincalhão irresponsável para os professores e colegas de Hogwarts.

— Sim, mas, quando fiz 16 anos, não havia mais como fingir. — Sirius disse com uma careta. — Meus pais me disseram que receberiam Voldemort para um jantar e que, depois de me conhecer, o Lord das Trevas decidiria me marcar como um dos seus comensais ou não.

— Sua própria audiência... — Harry sussurrou chocado. — Como a que Malfoy conseguiu para Yaxley.

— Sim. E, eu deveria me sentir honrado, pois a maioria não recebia essa honra facilmente, só depois de algumas missões bem-sucedidas, mostrando que estavam envolvidos na causa e que eram valiosos para o Mestre. — Sirius parecia enojado. — Mas, eu era um Black e por ser tão importante e rico, receberia a marca antes de qualquer missão.

— Então, você fugiu. — Harry disse, sentindo-se feliz por isso.

— Sim, pois, eu sabia que não passaria pelos testes de Voldemort, ele é um grande legilimente e, provavelmente me mataria na frente dos meus pais. — Sirius disse e suspirou cansado. — Assim, fiz o mesmo que minha prima, Andy, fugi para bem longe e nunca olhei para trás.

— Bom. — Harry disse e os dois trocaram um sorriso.

— Voltando a sua pergunta inicial. — Sirius voltou a caminhar e Harry o acompanhou. — Quando eu tinha 15 anos, Narcisa se casou com o Lucius. Nós já estávamos distantes, pois ela era uma Black Slytherin e, eu, um garoto brincalhão Gryffindor, mas, depois que ela se casou, nos tornamos quase estranhos. A guerra se tornou cada vez pior, eu fugi e, assim que me formei, me juntei a Ordem da Fênix, portanto, nunca nos víamos e as cartas se tornaram escassas. Então, um dia, nos encontramos por acaso no Beco, lembro-me que era novembro, pouco depois do meu aniversário e ela fazia compras. — Sirius sorriu com a lembrança. — Ela tinha essa expressão completamente fria e indiferente, como uma estátua, seus olhos pareciam vazios e Cissy estava muito magra, parecia doente. Apesar de tudo, quando a vi, me lembrei de nossa amizade e afeto de infância, a abordei, a abracei e perguntei o que estava errado. Disse que mataria Malfoy se ele estivesse ferindo-a e ela sorriu para mim, disse que o que a machucava era a solidão e que, meu abraço e afeto, eram o melhor remédio. — Sirius apontou para um banco e eles se sentaram. — Eu a levei comigo para o mundo trouxa, menos riscos de sermos vistos, sentamos em um café e escutei sobre a sua vida infeliz.

— Malfoy a maltratava? — Harry perguntou com raiva só de imaginar.

— Não fisicamente, mas, era indiferente e ausente, pois, para ele, o casamento deles era de conveniência. Apenas um bom negócio para a Família Malfoy. E, Narcisa não conseguia engravidar, algo comum entre bruxas puras, por causa da endogamia. — Harry acenou entendendo. — Para uma mulher, em um casamento que não é por amor, dar um herdeiro ao seu marido é a principal função, Harry. Portanto, Narcisa estava falhando, fracassando e, seus sogros já planejavam desfazer o casamento, devolvê-la aos seus pais e casar Lucius com um mulher que não fosse defeituosa.

— Isso é nojento. — Harry disse chocado.

— Sim. E, isso a estava machucando profundamente e, me entristeceu vê-la assim, então, decidi distraí-la dos problemas e da guerra. — Sirius sorriu. — Eu a tinha levado ao mundo trouxa algumas vezes, anos antes, então, combinei de fazermos isso outra vez. Apenas uma vez a cada dois ou três meses, nos encontraríamos e passearíamos por alguma cidade trouxa, comeríamos, ouviríamos músicas trouxas e não falaríamos de nada ruim. Um ano depois, recebi uma carta dela, desmarcando o nosso encontro daquele mês, pois ela estava grávida e precisava repousar, para não perder o bebê. — Sirius olhou para as flores. — Draco nasceu em junho, prematuro e, em novembro, marcamos um novo encontro no meu apartamento, Narcisa apareceu com o Draco, pequeno, loiro e rosado. E, ela estava tão radiante que parecia o próprio sol, me agradeceu por meu apoio e carinho, disse que veio porque queria que eu conhecesse o seu bebê, mas, que ela não voltaria a me encontrar, pois os riscos eram muito maiores agora. Se Voldemort sequer vislumbrasse que ela se encontrava comigo e que sabia o endereço do meu apartamento em Londres...

— Ele a mataria. — Harry disse suavemente.

— Sim. E, essa foi a última vez que a vi. Exatamente um ano depois, eu fui jogado em Azkaban. — Sirius suspirou.

— Você acredita que Narcisa pode conseguir manter Malfoy longe? — Harry perguntou.

— Não. Assim que Voldemort voltar, não importa quantos anos a nossa frente, Lucius retornará aos seus serviços. — Sirius disse sincero. — Mas, nosso plano nos dá um espião e a oportunidade de salvar minha prima quando a situação piorar.

— E, Draco? — Harry olhou para o padrinho.

— A vida e o futuro de Draco, estão nas mãos dele, Harry. Se ele for mais como a Cissy, no fim, sobreviverá, mas, se decidir seguir o Lucius... — Sirius deu de ombros sem que fosse preciso dizer mais nada, pois os dois sabiam o que poderia ser o fim.

— Que bela visão vocês são! — A voz de Andy Tonks interrompeu o silêncio dos dois. — Vê-los juntos, aqui, neste lindo Jardim, me deixa muito alegre.

— Andy! Ted! — Sirius se levantou e a abraçou carinhosamente.

— Olá, Sra. Andy, Ted. — Ele também os abraçou com um grande sorriso.

— Lindo garoto. — Andy beijou sua bochecha. — Estou profundamente emocionada. Este Jardim é maravilhoso, nunca me cansarei de visitá-lo.

— Sirius nos disse que você teve a ideia disso tudo, Harry. — Ted disse com seu sorriso de Papai Noel. — Se sua intenção era nos encantar e emocionar, você conseguiu, garoto.

Harry riu levemente e procurou por Tonks.

— Obrigado e fico feliz de ter tido sucesso em minha missão. Tonks não veio?

— Ela está trabalhando. — Ted explicou.

— Os recrutas estão em treinamento de controle da multidão, pois eles precisam saber lidar com crises em áreas lotadas como o Beco e estádios de quadribol. — Andy continuou. — Assim, eles foram postados em volta do Jardim, para lidarem com os visitantes e terem certeza que eles não invadirão a cidade e alertarão os trouxas.

— Entendo. Confesso que quando pensei no Jardim da Lily, não tinha estimado o trabalho que daria fazer funcionar e, ao mesmo tempo, respeitar o Estatuto de Sigilo. — Harry disse sincero.

— Bem, é por isso que você tem nós, adultos, Harry, para pensar nos detalhes chatos. — Sirius brincou divertido. — Andy, acabei de me encontrar com a Cissy, 10 minutos atrás. Você a viu?

— O que? — Andy olhou em volta ansiosamente, como se esperasse ver a irmã. — Não, eu não a vi... há anos, na verdade. Uma pena, quero dizer, eu não poderia me aproximar, mas, teria sido bom apenas vê-la... de longe.

— Não fique triste, Drômeda. — Ted disse, carinhosamente pegando a sua mão.

— Ora, claro que não estou triste, querido, que tolice. — Ela sorriu fracamente e bateu em sua mão afetuosamente. — Como alguém pode ficar triste em meio a tanta beleza e amor.

— Andy, estou planejando iniciar a reforma de Grimmauld Place em uma ou duas semanas, mas, terei que dispor dos objetos, móveis e quadros da família, antes começar. — Sirius disse e Andy o encarou interessada. — Não sei se tem algo que lhe interesse pessoalmente, mas, adoraria que me ajudasse e, claro, qualquer coisa que quiser manter, é seu.

— Ora, Sirius, isso é muito doce. — Andy disse suavemente. — Você já foi tão gentil em nos devolver para a Família e todo aquele dinheiro que nos deu...

— Eu apenas fiz o justo, Andy. Se não tivesse sido expulsa, você teria recebido uma porcentagem anual dos lucros das Fábricas Blacks, como qualquer outro membro da Família. — Sirius disse firme. — E, eu não tenho interesse em manter nada daquela casa, pretendo passar primeiro e retirar qualquer objeto perigoso, mas, depois, você pode ficar com o que quiser, pois pretendo doar o resto.

— Bem, faz mais de 20 anos que pisei naquela casa, mas, gostaria de revê-la antes que seja reconstruída e, talvez, algo me interesse. — Andy disse pensativa. — Posso levar a Dora comigo?

— Claro. — Sirius acenou positivamente. — Eu escreverei com antecedência para marcar a visita.

— Faça isso. — Andy disse, depois olhou para o marido. — Devemos ir, falta apenas 1 hora para a partida do Expresso e quero passar pelo Monumento outra vez. É belíssimo e tão mágico, nos passa uma boa tão sensação de paz.

— Claro, querida. Harry, adorei andar no Expresso outra vez, me recordou bons momentos. — Ted disse sorridente.

— Sirius... — Andy hesitou e seus olhos brilharam de emoção. — Se você a ver... diga que... sempre penso nela.

— Eu direi, prima. — Sirius a abraçou carinhoso e, logo depois das despedidas, o casal Tonks partiu.

Eles voltaram a caminhar na direção Leste e Harry olhou para o padrinho ironicamente.

— Depois, eu que sou ardiloso. — Disse ele e Sirius gargalhou.

— Elas não se veem a tanto tempo... — Sirius deu de ombro e suspirou meio cansado. — Malditos preconceitos puristas idiotas.

— Bem, ainda é legal que você faça isso por elas. — Harry disse olhando com admiração para o padrinho, que pareceu constrangido e piscou divertidamente.

— Por elas? Estou fazendo por mim, garoto, entre as duas, não precisarei me preocupar com um único móvel daquela maldita casa.

Harry riu divertido, mesmo que no fundo soubesse que esse era apenas o seu lado brincalhão disfarçando o cara muito legal que Sirius Black era.

Mais alguns minutos de caminhada e eles chegaram, finalmente, ao fim do Jardim da Lily e, Sirius pode ver o Cervo e o Lírio. Talvez, não fosse tão espetacular quanto as esculturas ou a fonte, mas, era igualmente belo e emocionante. Harry sorriu e se emocionou mais uma vez quando viu o grande desenho de um cervo de flores, lírios brancos e. seu "focinho", encostava no topo do grande desenho de lírio feito com lírios vermelhos, como se cheirasse a flor. Em volta do cervo de lírios brancos e do lírio de lírios vermelhos, havia um coração feito de rosas vermelhas, simbolizando o amor do dois.

— Merlin, Harry, eu não sabia que você era romântico. — Sirius disse olhando para o imenso canteiro circundado por um coração de rosas vermelhas. — Sua mãe amaria isso, mesmo James, ficaria emocionado... eles se amavam tanto...

— Foi por isso que eu quis terminar assim, Sirius. — Harry lhe deu um sorrido tímido. — Eu mostrei de onde eles vierem, meus avós, seus talentos, amigos, falei de suas personalidades, mas, no fim, eles não eram apenas Lily e James, eles eram a Lily do James e o James da Lily. — Sua voz se embargou e Harry se aproximou mais, tocando os lírios vermelhos. — Minha mãe, em seu quarto na Evans House, rabiscou em um papel o seu futuro nome antes de se casar com meu pai. Lily Potter, Lily Evans Potter, James Evans...

Sirius riu levemente e Harry o acompanhou.

— Eles eram uma dupla, um casal real, almas gêmeas. — Sirius disse gentilmente.

— Sim. E, me orgulho deles, do seu amor e fico feliz que estejam juntos. — Harry disse suavemente, depois apontou para a placa em bronze e azul. — Escrevi sobre a história de amor deles, como mamãe disse não aos seus convites muitas vezes, como, depois que ele amadureceu, ela se permitiu conhecê-lo e se apaixonou por ele. E, quão dedicados e felizes eles foram, até o fim... O Cervo e o Lírio.

Sirius se aproximou para ler, enquanto Harry deu a volta no coração de rosas vermelhas para se aproximar dos chifres do cervo, que foram tão detalhadamente desenhados com os lírios brancos. Tudo era tão lindo, singelo, romântico e doce, que até o mais cínico dos homens se emocionaria, mas, havia um, que tinha o coração tão amargurado e ciumento, que se recusava a compreender a verdade.

Harry o viu quase ao mesmo tempo em que ele o percebeu e, por um segundo, os dois pararam, se olharam, surpresos, se analisando, sem saber o que dizer ou quem faria o primeiro movimento. O olhar de ódio e aversão de Severos Snape era bem conhecido por Harry que, sinceramente, nunca esperou encontrá-lo aqui. Assim, ele decidiu ignorá-lo, esperando que Snape partisse, e lhe virou as costas, concentrando o seu olhar nos lírios. No entanto, o dia lhe mostrou que, o que ele queria, nem sempre era o que obtinha.

— Ela odiaria isso. — A voz soou amarga e dura.

Harry se virou para ele e o encarou em seus olhos negros.

— Desculpe? — Harry disse com frieza, pois Snape não podia ter dito o que ele ouviu.

— Eu disse: Ela odiaria isso. — Snape falou enfatizando cada palavra com uma mistura de ódio, fúria, aversão e amargura. — Lily odiaria ser chamada de heroína, ter seu nome, sua vida, sua família, expostos para qualquer um ver, ler, comentar, fofocar, zombar. Como um maldito circo de aberrações...

— Você não sabe nada sobre a minha mãe. — Harry o interrompeu apertando o punho em fúria.

— Eu sei muito mais do que você. — Snape zombou com malícia, seus olhos negros brilhantes em fúria. — Eu a conheci, ouvi a sua voz, seus pensamentos, seus sentimentos, a abracei, toquei a sua mão, vi o seu sorriso... Ela era minha melhor amiga, ela era minha...

— Ela não era sua! — Harry deu um passo à frente e sua magia se agitou tamanha era a sua fúria, a eletricidade pareceu estalar e sua mão formigou em estática. — Ela nunca foi sua! Lily Evans Potter pertencia a si mesma, nem meu pai pode ter a desonra de reivindicá-la. Ninguém tem o direito de reivindicar propriedade sobre ninguém, seja um filho, amigo, amor. — Harry respirou fundo tentando se acalmar. — No entanto, você está muito enganado, Snape, porque, eu a conheci, muito mais do que qualquer um. Porque, ela era a minha mãe, não minha, mas, a minha mãe. Eu cresci dentro dela... — Harry sorriu ao ver seu rosto cinzento de repugnância. — Sim, você não gosta de imaginar isso, não é? Bem, mas foi assim, eu era apenas uma sementinha, deste tamanho... — Ele moveu os dedos para mostrar o tamanho de um pequeno feijão. — Seu corpo me nutriu, me protegeu, acalentou e a voz dela foi a primeira que eu ouvi e reconheci, seu toque, foi o primeiro que senti. Aposto que ela falava comigo o tempo todo quando estava grávida, eu me mexia e ela colocava a mão onde estava a minha... — Harry se esforçou para controlar a emoção. — O amor dela por mim foi o maior de todos. O que ela sentiu por você, sua amizade, não há comparação... E, é por isso que você me odeia, não é? — Harry sorriu com malícia. — Eu, me parecer com meu pai, é apenas mais um incomodo, meu pai ter lhe atormentado na adolescência, apenas uma rixa juvenil. Você o detesta porque ela o escolheu, mas, você me odeia, porque ela nunca te amou um milésimo do que ela me amou. Minha mãe nunca morreria por você, Snape, mas, por mim, ela morreu e morreria mil vezes.

— Você não sabe nada sobre mim, garoto imbecil! — Snape se moveu para partir, mas Harry se posicionou em sua frente.

— Não, você não partirá até ouvir tudo o que tenho a dizer, Snape. — Harry disse friamente. — Você começou isso e vamos chegar ao fim.

— Seu garoto arrogante! — Snape disse em tom de desprezo. — Seu pai era igual, sempre se achando superior a todos, acreditando poder fazer ou ter o que quisesse. Ele não merecia ela e você também não.

— Talvez. — Harry disse e deu de ombros. — Mas, era a escolha dela a quem entregar o seu coração e, se ela escolheu o meu pai, eu respeito isso. Ao contrário de você, eu não desprezo as escolhas da minha mãe, Snape, porque, ao contrário de você, eu a conheço, de verdade.

— O que? Acredita que porque viveu com ela por um ano, você a conhece mais do que eu? Você nem se lembra dela! — Snape disse impaciente.

— Não, realmente, eu não me lembro conscientemente dela. — Harry disse e olhou para o lírio de lírios vermelhos. — Mas, ainda, eu a conheço, porque ela vive em mim, assim como eu sempre serei parte dela. Eu sou seu sangue, sua carne, sua magia! Você olha para mim e vê um Potter, mas, eu sou um Evans também. — Harry o encarou com um sorriso sem humor. — E, eu posso não me lembrar dela, mas, eu me lembro do seu amor, Snape. Minha mãe não apenas me gerou em seu ventre, ela me segurou em seus braços, cantou para mim, me amamentou, me fez carinho, chorou quando eu chorei e se angustiou quando eu adoeci. — Ele limpou uma lágrima teimosa que deslizou por seu rosto. — Um amor tão grande nunca poderia ser esquecido, porque está aqui, comigo, todos os dias, eu a sinto, seu sangue em minhas veias, sua magia em meu corpo. Eu a conheço, porque eu posso sentir que ela está comigo, me amando, me guiando, me apoiando. — Harry o olhou e o viu pálido. — Você já a sentiu, Snape? — Snape deu um passo para trás, abalado. — Não, claro que não. Porque você era apenas um ex-amigo! Um traidor! Que se rastejou aos pés do seu assassino! Você não era nada para a minha mãe!

— Como ousa!? Você não sabe nada! Nunca poderia entender! — Snape ainda parecia furioso, mas, também machucado.

— Como ousa você!? Vir aqui, neste dia, aonde eu declaro o meu amor e gratidão a minha mãe, me dizer que eu não a conheço! — Harry disse sem remorso ao ver a sua dor. — Como ousa você!? Dizer que minha mãe odiaria minha homenagem, meu amor, minha gratidão e reconhecimento por seu sacrifício! Ela é minha mãe! Eu estou vivo porque ela era a minha mãe! Porque ela me amava!

— Pois ela não devia! — Snape gritou e deu um passo mais perto, mostrando mais de sua dor e ódio. — Ela devia estar viva e você morto! Você nunca valeu o seu sacrifício! Você não é nada perto dela!

— Essa não é sua escolha ou minha! Você parece pensar que a ama, mas, não respeita suas decisões! — Harry disse zangado. — Minha mãe era dona de si mesma e sua vida era dela para dar, assim como o seu coração! Além disso, você não ouviu o que eu disse, porque, posso não ser nada para você, mas, eu era tudo para Lily Evans Potter! Minha mãe! Você ouviu, Snape? Minha mãe! — Harry empurrou o seu peito com o dedo e Snape deu um passo para trás. — Você nunca significou algo mais que um amigo para ela! Alguém que nunca valorizou a sua amizade! Você é o único responsável por deixarem de ser amigos!

— Potter foi o culpado! — Snape berrou.

— Não! Você foi o culpado! — Harry disse com raiva. — Eu não preciso saber o que aconteceu em detalhes para ver a culpa em você, Snape! Minha mãe não se afastou de um amigo, ela se afastou de um comensal da morte em treinamento! E, você não voltou atrás! Se você a amasse de verdade, você deveria ter se arrependido ali, naquele momento, e voltado atrás!

Snape o encarou com nojo, mas, era possível perceber que ele estava abalado.

— Ela não me deu uma chance...

— Mentira! — Harry riu incrédulo. — Merlin, você diz que a conhece, mas, nem ao menos consegue aceitar a verdade! Ou admitir os seus próprios erros. Minha mãe deve ter lhe dado muitas chances porque ela não era do tipo que viraria as costas a um amigo! E, se você não pode nem admitir isso, então, está explicado porque tudo aconteceu como aconteceu, Snape. — Ele o olhou com pena. — Você está tão mergulhado em si mesmo, em seu egoísmo, em sua escuridão, que não consegue ver a minha mãe. Olhe em volta... — Harry gesticulou para a beleza dos Jardim da Lily. — Olha toda essa beleza, todos esses sentimentos, amor, esperança, gratidão... Minha mãe era tudo isso...

— Eu sei! Por isso que Potter nunca a mereceu! — Cuspiu Snape com ciúme.

— Você também não. — Harry disse com frieza. — Mas, meu pai era bom, tinha uma alegria que iluminava tudo a sua volta, um coração de criança... Era assim que minha mãe o chamava, sabia? Seu amor, com coração de criança, pois mesmo em meio a uma guerra maldita, ele era um homem decente, um bom marido e um pai dedicado! E, você? O que você era, Snape? — Harry o encarou com todo o seu desprezo. — Talvez, alguma parte de você seja decente e tenha amado Lily Evans, mas, ela não era sua e, um dia, ela se tornou mais, ela se tornou Lily Potter, ela se tornou a minha mãe e a heroína verdadeira de todo o mundo mágico. E, sobre essa Lily, você não sabe nada! E, para essa Lily, você não significava nada! E, a essa Lily, você não amava!

— Acha que um verdadeiro amor desaparece assim? Como você pode acreditar que o meu amor por ela é menor ou menos importante do que o seu? — Snape disse com ódio. — Ela era a minha vida! Eu aceitei que a tinha perdido para Potter, mas, desde que ela deixou de respirar, eu morri também! Um pirralho como você nunca poderia entender isso! E, eu te odeio! Porque é sua culpa ela estar morta!

Harry deu um passo para trás e se firmou para voltar ao ataque.

— Você consegue se ouvir? — Ele disse feroz. — Você não tinha que aceitar nada! Você não perdeu nada! Meu pai não ganhou nenhuma disputa porque não havia nenhuma! Ela não era sua, Snape! E, você nunca a amou!

— Você não sabe...

— Eu sei! Eu sei que o amor não é isso aí! — Harry disse com desprezo. — E, o único culpado pela morte dela é Voldemort... — Snape estremeceu, mas, Harry o ignorou. — Eu me senti culpado também, mas, minha mãe me disse...

— O que? — Snape empalideceu e arregalou os olhos.

— Eu fiz um ritual de purificação depois que matei Quirrell, pois a culpa me atormentava e, na luta, Voldemort disse que seu objetivo era me matar e que minha mãe poderia ter sobrevivido. — Harry passou as mãos pelos cabelos agitadamente. — Dumbledore se recusa a me dizer o porquê, mas, nada disso importa. Quando estava nas montanhas, lá de Hogwarts, eu fiz o ritual para limpar a morte da minha alma, sem perceber que não era só a morte de Quirrell que pesava em mim. — Seu rosto se encheu de angústia. — Eu estava lá e não me lembro, mas, eu os vi morrer, pelo menos ela, em frente ao meu berço, foi onde ele a matou. Então, quando entrei em transe, minha mãe apareceu, espírito e magia, tão amorosa, gentil e...

— E? — Snape deu um passo à frente ansioso por ouvir cada detalhe.

— Chateada. Ela me disse que eu não tinha o direito de questionar o seu sacrifício, o seu amor, a sua escolha. — Harry o encarou com dureza. — Minha mãe me disse que escolheu o caminho mais fácil para ela e o mais difícil para mim, porque morrer por mim era tão natural quanto ter me gerado e trazido a esse mundo. Ela me pediu para respeitar e valorizar o seu amor, o seu sacrifício e nunca, nunca, me culpar por ser tão amado. — Sua voz se embargou. — E, eu valorizo minha mãe, seu amor e seu sacrifício, por isso não me culpo, por isso fiz esse Jardim, que não é nada perto do que ela fez por mim, mas, ainda mostra minha gratidão e amor por ela.

— Se não fosse Potter... nada disso teria acontecido... ela teria sido muito mais, ela estaria viva... — Snape disse e parecia levemente trêmulo ao tentar repetir as convicções de sempre, como se tentasse convencer a si mesmo.

— Era a vida dela! Eram suas escolhas! Respeite-a! — Harry disse zangado. — Meu pai não a obrigou a nada e morreu tentando defendê-la e a mim!

— Ele não é um herói! — Snape berrou enraivecido.

— Não! Ele era o meu pai! — Harry gritou de volta. — Meu pai! E, não importa o quanto essa sua mente amarga e mesquinha tente fazê-lo o vilão dessa história, Snape, porque ele não era o vilão ou o herói. Ele era apenas o meu pai! Que desistiu de toda a sua vida para me esconder e me manter seguro! Esse era o tipo de homem que ele era e por isso minha mãe o amava...

— Ele era um valentão! Você não sabe o que ele e seus amigos fizeram comigo! — Snape disse amargo.

— Na verdade, eu sei. — Harry suspirou sentindo-se muito cansado. — Sirius me contou o que fez e como meu pai o salvou ao descobrir a brincadeira irresponsável, meu padrinho pagou pelo que fez e se arrependeu. E, enquanto o meu pai pode ter atormentado você, pelo que sei, você deu tanto quanto levou. E, não me importa quem começou ou quem atacou mais quem, porque, no fim das contas, isso não define nada. Lily Evans cresceu, James Potter, Sirius Black, também cresceram e, suas imaturidades ou egoísmos juvenis, ficaram para trás. No fim, em seu último dia de vida, meu pai era um homem incrível, de grande caráter, um marido amoroso e um pai...

— Mas, nada disso a manteve viva, não é? O perfeito Potter não a protegeu. — Zombou Snape com escárnio.

— Não. Todos pagamos pelo que Peter fez, meu pai e Sirius não são culpados por confiarem em um amigo. — Harry deu de ombros. — As coisas são como são, sabe e, se estiver disposto a ouvir um conselho, sugiro que comece aceitando o passado. Não deixe o que aconteceu te definir para sempre, Snape. — Harry o encarou com dureza. — Aceite que minha mãe está morta e que essa ilusão que você chama de amor, é apenas uma muleta que você usa para sei lá o que. E, mais importante, pare de desrespeitar a minha mãe e sua memória com esse seu luto amargo absurdo! — Ele se moveu para se afastar, mas, parou, querendo por um ponto final. — Eu conheço tão bem a minha mãe que tenho certeza que ela amaria o seu Jardim e tudo o que ele representa, assim como sei que ela ficaria horrorizada ao ver no que se transformou o seu amigo Sev.

Harry lhe virou as costas e caminhou para longe, percebendo que Sirius não era o único que o esperava, na verdade, toda a família assistia a discussão com expressões preocupadas, apreensivas e zangadas. Eles estavam longe o suficiente para não ouvirem a conversa, com exceção dos gritos e berros, mas, Harry notou seu padrinho acenando com a varinha e percebeu que ele havia silenciado a área, para ninguém poder ouvi-los.

— Ei... — Sirius disse e, diante de sua expressão surpresa, acrescentou. — Eu ouvi o início da conversa e pensei em interferir, mas, depois, senti que devia lhe deixar dizer umas verdades a ele. Por isso, lhes dei privacidade, o máximo possível, apesar de algumas pessoas terem olhado para vocês, pois era claro que estavam discutindo.

— Você está bem, Harry? — Serafina perguntou preocupada.

— Aquele é o Sev? — Petúnia perguntou com o cenho franzido pelas más recordações.

— Sim e sim. — Harry respondeu, depois, fez uma careta. — Não verdade, não e não. Eu estou exausto e aquele não era o Sev, era Severus Snape, um homem muito desagradável.

— Bem, acho que ele não mudou tanto, então, porque o Sev sempre foi desagradável. — Petúnia deu de ombros e Harry riu levemente.

— Podemos ir? Eu realmente gostaria de não encontrar ou falar com mais ninguém hoje. — Ele disse muito cansado.

— Ei, você ainda está mal-humorado... hoje era para ser o seu dia, mas parece que você não se divertiu muito, Harry. — Miriam disse quando todos começaram a caminhar na direção Oeste, para a entrada do Jardim da Lily.

— Porque hoje não era o meu dia, Miriam. — Harry disse suavemente. — Hoje era o dia de voltar ao passado e relembrar James e Lily Potter. No fim, de um jeito ou de outro, acho que foi o que aconteceu.