Olá, pessoal! Segunda-feira, como prometido para alguns e muito depois do que prometi a outros, mas a vida é assim.
Como respondi em uma revisão do capítulo anterior, eu estou muito ocupada! Muito trabalho, reforma, estres pela reforma e cansaço pelo trabalho. Ainda assim, eu escrevi um capítulo bem longo! 44 mil palavras!
Vcs sabem que esse capítulo é da reunião, assim, se preparem para uma longa reunião, mas espero que vcs gostem como ficou, eu gostei. Tem drama, muita discussão, o Harry socando a mesa, alem de muito informação.
Eu fiz apenas uma revisão, assim, se encontrarem erros não liguem muito, mas se encontrarem alguma informação ou dado incoerente, me contem, por favor. Meu nível de concentração está baixo e tenho medo que minha memoria falhe em um capítulo tão grande e com tantas pessoas. Se algo ficar confuso ou estranho, me digam tb.
O próximo capítulo tem uma surpresa! Ai, ai, estou ansiosa por essa cena!
Revisem, tantas palavras merece longas e longas revisões!
Até mais, Tania
Capítulo 82
Naquela noite, todos se reuniram para o jantar na Mansão Boot, inclusive os Davis, Remus e Denver. Era o momento de introduzirem Anton e sua esposa, Loreley ou Lorie, como preferia ser chamada, nos planos do grupo. E, dar mais algumas informações a Denver do que ela já tinha.
Neville, Harry, Terry e seus adultos, incluindo o Flitwick, tinham feito uma reunião prévia por espelho chamada, onde decidiram trazer os três para o grupo e contar sobre os projetos aos poucos. Harry foi insistente em não mencionar que ele era o dono da GER ou sobre a ilha Stronghold e seus futuros habitantes, ainda que Denver já soubesse sobre a ilha, ela prometeu não mencionar o assunto na frente dos Davis. Eles pretendiam falar sobre Voldemort, (profecia e horcruxes não inclusos) o Covil, os planos políticos e de mudanças de leis na Suprema Corte, além da intenção de se prepararem para a guerra. Todos concordaram e, apesar de Falc confiar em Anton completamente, e Sirius em Denver, ambos entendiam que certas informações deveriam vir com assinaturas de sigilo. Além disso, como observado por Flitwick, eles precisavam observar como o casal Davis reagiria ao que lhes contassem e, a partir daí, descobrirem se eles queriam saber ou se envolver ainda mais. Afinal, não eram todos que estavam dispostos a redirecionarem suas vidas em uma preparação para uma eventual futura guerra ou, que decidiriam dedicar seu tempo em ajudar seres oprimidos, como os lobisomens, por exemplo.
Isso rendeu um debate interessante, pois Neville insistia que eles não poderiam acabar como Dumbledore, não confiando em ninguém e cheios de segredos. Sirius foi enfático que também não poderiam terminar como a Ordem da Fênix, com um traidor que eles nunca imaginariam que se tornaria um espião. Falc os lembrou das perdas de Anton e como ele nunca se uniria a Voldemort, Sirius também disse que confiava em Denver absolutamente, mas, ainda pedia cautela. A reunião se encerrou com todos concordando com uma busca por um equilíbrio nesta situação complicada.
O jantar em si foi muito animado e alegre com todos conversando com todos sobre o dia incrível que tiveram. Desde a viagem de trem mágica até a visitação ao Jardim da Lily que tinha emocionado a todos em diversos momentos. Cada um tinha os seus lugares favoritos, as crianças amaram as esculturas do lobo, do cão e do cervo, Sr. Boot adorou as tulipas amarelas e o Monumento Vida em homenagem aos mortos. As mulheres admitiram que gostaram muito do Cervo e o Lírio, pois consideraram muito romântico e representativo do amor de James e Lily. Sra. Serafina admitiu que a Fonte Poções era o que mais lhe lembrava da Lily e o que mais a emocionou, principalmente as palavras escritas na placa. E sua tia Petúnia admitiu que a sua família no parque em esculturas de arbustos era o seu lugar preferido.
Harry gostou de ouvi-los contando sobre suas experiências, suas opiniões, impressões e emoções, afinal, ele não esteve presente para vivenciar estes momentos com cada um. A alegria, bons sentimentos e animação de todos fez seu humor melhorar muito, principalmente quando considerou que nas casas com bruxos de todo o Reino Unido, algo parecido se repetia. Agora, todos eles conheciam as pessoas incríveis que eram o seu pais, sabiam sobre os seus talentos, suas personalidades e as vidas que sacrificaram tão altruisticamente. Também o confortou perceber que não importa o que aconteceria no futuro, os bruxos e trouxas/bruxos sempre teriam um lugar para visitarem e se sentirem bem.
Ao fim do jantar, Chester e Miriam, Martin e Elizabeth, partiram para suas casas com seus filhos sonolentos. A Sra. Madaki e o Prof. Bunmi se ofereceram para colocar as crianças na cama, incluindo Atos, pois os Davis foram convidados a se hospedarem pela noite, afinal, a reunião prometia se prolongar até mais tarde. Petúnia e Dudley também passariam a noite, pois sua tia sentia que, as vésperas da primeira vista a Vernon, o filho precisava do apoio da família. Sua tia também foi convidada a participar da reunião, mas, como ela já sabia de tudo o que seria dito, preferiu se retirar, pois estava emocionalmente exausta depois da visitação ao Jardim da Lily. Harry, que se sentia igual, não podia culpá-la, ainda que uma parte dele já estava cheia de energia se preparando para a reunião do dia seguinte com os lobisomens.
Harry não entendia completamente porque esteve tão mal-humorado durante o dia ou seu desejo por ter um dia preso em uma bolha fora da realidade. Apenas poderia supor que não era um desejo de normalidade, mas, uma vontade de não ser encarado como especial e se destacar na multidão. Mas, Ginny estava certa, ninguém que construiu um Jardim em homenagem aos pais poderia ser comum e, ao pensar na reunião do dia seguinte, Harry se sentia incrivelmente bem com isso. Afinal, um garoto comum não poderia ajudar todos aqueles bruxos/lobisomens a terem uma vida segura e digna.
Esse pensamento se manteve em sua mente depois de sua conversa com o Snape, pois o irritou perceber como o homem se mantinha preso aos sentimentos negativos, ao que poderia ter sido e não fazia algo bom com sua vida ou se preocupava em ajudar as pessoas. Snape se enfiou em um poço escuro de amargura e dor, se concentrou em culpar outros, não admitir os seus próprios erros e ainda descontou a amargura em crianças inocentes. Na opinião do Harry, esse era um jeito desonroso de lembrar sua mãe, que merecia ter seu nome associado a amor, bondade e esperança. Essa era a sua decisão de vida, Harry refletiu, fazer coisas boas para o mundo, multiplicado por três, em homenagem aos seus pais. No entanto, para isso, ele não podia ser comum, certo? E, algum dia isso acabaria? Essa pergunta rondava sua mente sem parar. Algum dia ele poderia ter uma vida tranquila e razoavelmente normal? Não sabia e também não sabia o que sentir sobre isso, a não ser uma certa resignação.
— Está tão pensativo, Harry. — Terry disse quando voltaram a se sentar na mesa de jantar, onde aconteceria a reunião. Era o lugar mais espaçoso da mansão, onde todos ficariam mais confortáveis. — Ainda de mau humor?
— Não, apenas... — Harry deu de ombros. — Fico pensando sobre tudo o que estamos fazendo e faremos, o que teremos que enfrentar. Você acha que um dia acabará? E poderemos ter uma vida normal?
Terry pareceu surpreso com a pergunta e refletiu antes de responder.
— Acho que depois que lutarmos uma guerra, nunca mais seremos os mesmos e o mundo mágico ainda precisará que tentemos melhorar o que não estiver certo. — Ele disse pensativo. — Mas, acho que cada vez mais haverá pessoas fazendo a sua parte e, portanto, não precisaremos fazer tudo. Então, acredito que de certa forma poderemos ter a vida que escolhermos e essa vida será o nosso normal. — A expressão do Harry mostrou certa confusão e Terry continuou. — Não existe só um normal, Harry. Uma vida normal para mim pode ser bem estranha para você e vice e versa. Acho que o importante é sermos felizes com a vida que escolhermos.
Harry acenou pensativamente ao colocar mais um componente em seus questionamentos. Qual vida ele escolheria? Bem, pensou, ainda era cedo para pensar nisso, afinal, ele nem ao menos sabia se sobreviveria a guerra, no entanto, poder escolher que vida teria era essencial, supôs. Quer dizer, ele não poderia ser feliz se estivesse vivendo uma vida que não era o que queria, assim, quando soubesse o que queria, tinha que se esforçar para conseguir. Incrivelmente, o pensamento foi confortador, assim como compreender que não precisava se preocupar com essas coisas de adultos tão cedo. Não, o melhor agora era se concentrar em ajudar e preparar o mundo mágico para a guerra, além de treinar muito para vencer Voldemort.
Mais aliviado e tranquilo do que esteve o dia todo, Harry observou os adultos irem se sentando a grande mesa aos poucos, depois das despedidas dos que partiram e dos boas noites daqueles que se recolheram. Tracy se sentou do outro lado do Terry, olhando um pouco preocupada para o seu pai, que ainda não parecia ter percebido sua presença. No entanto, assim que todos estavam acomodados, Anton a olhou levemente espantado.
— Tracy, querida, você sabe que essa é uma reunião de adultos, pensei que já tinha lhe dado boa noite. — Ele disse suavemente.
— Está tudo bem, Anton. — Falc disse suavemente. — Tracy sabe o conteúdo da reunião, assim como Terry e Harry, por isso eles estão aqui.
Essa nova informação pareceu surpreender Anton e Lorie, que encaram a filha com atenção. Tracy, na verdade, não era filha de Lorie, e não se parecia em nada com a madrasta, que tinha cabelos pretos e olhos azuis violeta. A amiga tinha os cabelos loiros escuros e olhos azuis claros do pai, seus cabelos cacheados deveriam ser uma herança de sua mãe biológica, que morrera no parto. Mas, apesar de não terem ligação de sangue, era possível ver que Tracy e Lorie eram muito próximas e que se amavam como mãe e filha.
— Eu não compreendo completamente. — Lorie disse com sua voz tímida e suave. — Anton disse que discutiríamos sobre como ajudar os seres mágicos, melhorar as leis e influenciar politicamente o mundo mágico com o novo Partido que Sirius acabou de fundar. Eu nem tinha certeza se eu deveria participar, mas, Serafina me pediu para estar aqui.
— Sim. — Anton olhou para o amigo. — Também tinha entendido que falaríamos sobre Hogwarts e o trabalho que a AP está fazendo. Dificilmente qualquer desses assuntos interessam as crianças, Falc.
— Interessam, papai, porque não somos mais crianças, além disso, muitas dessas coisas foram ideias nossas ou de outros membros da Equipe Covil. — Tracy disse levemente desafiadora. — E, também, porque nos importamos com essas causas. Harry sempre diz que se nos importamos, temos que mostrar isso nos envolvendo e agindo, não apenas sentados nos bastidores.
— Equipe Covil? — Anton olhou confuso para a filha e depois para o Harry. — Tenho a sensação de que você tem algo a ver com isso.
— Bem... — Harry olhou um pouco surpreso para Tracy. — Pensei que tinha contado a eles...
— Você disse para contarmos se estivéssemos prontos e seguros, quer dizer, eu não tenho medo dos meus pais, como a Daphne tem da sua família, mas sabia que papai tentaria me manter longe de tudo quando soubesse toda a verdade. — Tracy disse e seu rosto sempre animado se mostrava sério e ansioso.
— Tudo? — Anton parecia perdido. — Falc, você quer me dizer o que está acontecendo? Porque minha filha sabe de coisas que eu não sei e está mentindo para mim?
— Eu não estou mentindo, papai, apenas não lhe contei o que sei e, o tio Falc também não lhe disse nada, assim, você pode ver que o assunto é muito sério e importante. — Tracy se defendeu, sua voz se tornou mais aguda pela ansiedade.
Anton pretendia responder, mas sua esposa colocou a mão em seu braço tentando acalmá-lo.
— Não vamos nos exaltar desnecessariamente. — Lorie disse suavemente. — Vamos ouvir o que é tão importante e, depois, conversamos com Tracy sobre suas ações.
— Ok. — Anton concordou mesmo que mostrasse em seus olhos azuis claros que não era o que queria fazer. — O que é tão importante que precisa de tantos segredos? — Ele olhou para Falc ao fazer sua pergunta.
— Bem, eu não sei os motivos da Tracy, mas, nós estamos compartilhando as informações que temos aos poucos e com pessoas selecionadas. — Falc explicou sério. — Primeiro, porque é algo chocante e inacreditável, portanto, precisamos contar para aqueles que sabemos que acreditarão em nós. Segundo, são informações sensíveis e precisamos confiar que o que será dito aqui, hoje, não será espalhado levianamente, pois seria extremamente perigoso para todos.
— Falc, está me assustando. — Lorie disse se tencionando.
— Porque o que discutiremos é assustador, Lorie. — Sr. Boot disse gentilmente. — Também tínhamos que saber se vocês estão dispostos a participar, como disse a Tracy, nós precisamos de pessoas que se envolvam verdadeiramente.
— Eu sei que você quer participar, nos ajudar e é um amigo de confiança, Anton. — Falc continuou. — Assim como a Lorie e a Agente Denver, por isso, nós nos reunimos e concordamos em convidá-los a fazer parte da equipe.
— A Equipe Covil? — Anton disse e voltou a encarar o Harry.
— Não. — Sirius disse levemente divertido. — A Equipe Covil são alguns dos alunos de Hogwarts, amigos e colegas de confiança do Harry.
— Nós três somos parte da Equipe e, na verdade, somos muito mais do que só nós três e, claro, o Harry é o líder. — Tracy disse orgulhosa. — Mas, a equipe dos adultos do Harry está crescendo e agindo aqui fora, nós ajudamos da escola como podemos.
— Adultos do Harry...? Porque eu tenho a sensação que tudo gira em torno de você? — Anton perguntou ao Harry com uma expressão levemente severa. — E, se é assim, porque exatamente uma criança lidera outras crianças e ainda precisa de uma equipe de adultos?
— Porque Voldemort está vivo. — Harry disse secamente e ouviu gemidos por toda a mesa. — O que?
— Harry, concordamos em falar devagar, não de maneira tão brusca. — Falc disse exasperado, enquanto Sirius se continha para não rir.
— Ora, eu já disse que não acredito que exista uma maneira fácil de dar essa notícia, o melhor é apenas sair com isso para fora sem mais enrolação. — Harry deu de ombros.
— Isso é brincadeira? — Lorie sussurrou incrédula ao olhar para Serafina, Falc e o Sr. Boot.
— Falc? — Anton parecia ainda mais assustado do que a esposa, pois empalidecera completamente.
— Sinto muito, Anton, mas é verdade. — Falc disse e Lorie também empalideceu, Denver não reagiu, pois já sabia dessa informação. — Voldemort está vivo e tentando recuperar seus poderes, na verdade, nos últimos dois anos, houve duas tentativas e estivemos muito perto do reinicio da guerra.
— Mas... — Anton olhou para todos os rostos inclusive o da sua filha, percebendo que todos já sabiam desse fato terrível. — Como isso é possível? Porque não fomos informados? O Ministério está escondendo essa informação? E, como minha filha de 13 anos sabe sobre isso e, eu não?
— O Ministério não sabe de nada, com exceção de dois aurores de confiança. — Falc respondeu. — Duvido que Fudge acreditaria ou concordaria em divulgar a informação para o público. O que nos leva ao motivo pelo qual queremos aumentar a nossa influência política no Ministério, pois não podemos ter um Ministro como Fudge quando estivermos em guerra.
— É também por isso que buscaremos mudar as leis injustas. — Serafina continuou. — Basicamente, estamos tentando mudar o que está errado em nosso mundo, ao mesmo tempo em que nos preparamos para a guerra.
— E, nossa decisão de não apoiar Finley vem do fato de que não confiamos completamente nele, por isso decidimos fundar um novo Partido e pressionar o Ministro, seja ele quem for. — Sirius encerrou.
— E essa ideia de um novo Partido foi da Equipe Covil. — Tracy disse orgulhosa.
— Você sabia que você-sabe-quem está vivo? — Lorie perguntou a filha gentilmente, ainda parecendo meio trêmula de medo.
— Voldemort, mamãe, nós não devemos temer dizer o nome. — Tracy disse ignorando como ela e o pai estremeceram. — Sim, eu sei há um tempo e Harry nos aconselhou a contar a verdade para nossas famílias, desde que confiássemos que eles acreditariam em nós.
— E, você achou que não acreditaríamos? — Anton disse com um olhar aguçado. — Ou por outra razão?
— Esse foi um dos motivos que decidi não falar nada. — Tracy deu de ombros. — Sempre pensei que o tio Falc acabaria te contando e você acreditaria mais facilmente nele. Além disso... — Ela hesitou. — O senhor, provavelmente, tentaria me manter longe da luta e queria estar mais velha, cercada por adultos e pelo Harry, assim, todos podemos convencê-lo a me deixar participar.
— Participar do que exatamente? — Lorie disse ansiosa. — Você não está planejando lutar na guerra?
— Não, porque ainda não estamos em guerra, mamãe, pelo menos, não em uma guerra direta. — Tracy disse. — No entanto, como eles disseram, estamos nos preparando para o momento em que Voldemort voltar e pretendo ajudar no que puder.
— Espero que vocês também estejam dispostos a ajudar. — Harry disse suavemente. — O Sr. Falc confia em vocês e, Sirius confia em Denver, precisamos de todos que estiverem dispostos a fazer o necessário e que sejam de nossa confiança.
Anton e Lorie ainda tinham expressões chocadas ao tentarem absorver todas essas informações, enquanto Denver acenou seriamente.
— Ainda não sei o que planejam em termos de logística de guerra, mas, há algumas semanas, Sirius me pediu para analisar as ações que o Ministério e a Ordem da Fênix tomou durante a última guerra. — Denver disse em tom profissional. — Ainda não terminei o meu relatório, mas posso adiantar que os erros cometidos foram absurdamente infantis e tolos.
— Como assim? — Sr. Boot perguntou interessado.
— Primeiro, o Ministério não tinha capacitação ou estrutura para enfrentar um conflito desta proporção. — Denver disse seriamente. — O Departamento Auror era inútil, ineficaz e despreparado. Os números de aurores eram baixos, o treinamento incompleto e a falta de trabalho em equipe, evidente. Isso sem falar que eles não tinham protocolos de ação ou diretrizes individuais ou conjuntas. A primeira coisa que o Ministério deveria fazer para se preparar para a próxima guerra, seria criar dois subdepartamentos no Departamento Auror.
— Quais? — Harry se inclinou ansiosamente curioso.
— Departamento de Resposta Rápida. — Denver disse e Terry começou a anotar. — Ou seja, em caso de ataque, uma equipe estará em prontidão, monitorando cada canto do país ou região e responderá rapidamente defendendo o local. Isso diminui a resposta aos ataques, o número de mortos e feridos, além de permitir mais prisões.
— Interessante. — Sirius disse pensativo. — Na última guerra, quase sempre os aurores apareciam depois dos ataques, os comensais já tinham fugido ou matado dezenas.
— Isso é estrutural. — Denver disse. — A culpa não é dos aurores e sim da instituição que não cria uma estrutura de ação efetiva.
— Qual o outro subdepartamento? — Terry perguntou pronto para escrever.
— Inteligência. — Denver disse. — Antes de responderem rapidamente a um ataque, os aurores têm que receber informações colhidas pelo Setor de Inteligência sobre onde o próximo ataque acontecerá. Basicamente, esses aurores trabalharão colhendo informações com informantes infiltrados e espionando em busca de qualquer dado que revele as futuras ações do inimigo. E também devem trabalhar para encontrar espiões dentro do Ministério, pois um dos maiores problemas na última guerra era o fato de que muitos dos seguidores de Voldemort estavam posicionados dentro do governo e entre os próprios aurores. — Denver deu de ombros. — E, imagino que isso não seja diferente agora, assim, não adianta se preparem com mil aurores e treiná-los duramente para lutarem em batalhas, se o inimigo pode nos derrotar de dentro para fora.
— Fudge jamais concordaria com nada disso. — Sr. Boot disse exasperado. — São ótimas informações e ideias, Emily, mas teremos que acreditar e esperar que Finley seja diferente.
— Bem, eu ainda tenho que terminar minha análise, mas, posso dizer que se Voldemort voltar e tiver como tomar o Ministério com seus espiões e seguidores, ele estará a um passo de vencer a guerra. — Ela disse sincera. — Na verdade, esse era o caso há quase 12 anos, mas, incrivelmente, suas ações no último ano da guerra foram extremamente erráticas. Seus comensais se tornaram mais dispersos e menos efetivos, ao mesmo tempo que ficavam mais descontrolados e cruéis, como se não estivessem mais sob o controle de um líder atento. Então, no Halloween houve o ataque aos Potters, completamente injustificado, pois ele não precisava matá-los para vencer a guerra, Voldemort praticamente já tinha vencido. Na época, sua maior resistência era Dumbledore e sua Ordem, mas, mesmo eles estavam sendo destruídos por dentro.
— Você analisou os erros da Ordem da Fênix? — Sirius se mostrou curioso.
— Bem, por onde começar? — Denver suspirou exasperada. — Primeiro, vocês eram poucos, um tanto quanto descoordenados também, mas, o talento e o bom trabalho em equipe compensava e os tornavam muito mais efetivos do que os aurores. Apenas, os números eram desproporcionais, como se vocês estivessem tentando deter uma enxurrada com palitos de dente. — A analogia confundiu os Davis, mas eles não questionaram. — No entanto, o maior problema que vocês tiveram foi o espião que levou quase todos os membros a morte. Acredito que não preciso dizer que se decidirmos criar uma organização como a Ordem da Fênix, precisamos de ações anti espiões efetivas e inteligentes. Confiança é apenas uma palavra quando estamos falando de vida ou morte.
Todos acenaram concordando e com expressões sombrias, Lorie ficou ainda mais pálida.
— É disso que isso se trata? Estamos formando um grupo para lutar contra você-sabe-quem, e seus comensais da morte? — Ela sussurrou e todos acenaram, com exceção de Anton, com quem ela trocou um olhar angustiado. — E, como faremos isso? Não somos aurores, guerreiros... eu... Eu não quero lutar em batalhas de vida ou morte... Por Merlin!
— Acalme-se, Lorie, ninguém precisa lutar se não quiser, ainda que todos deveríamos treinar Defesa avançada para podermos ao menos nos defender em caso de um ataque. — Falc disse apressadamente. — Ainda, mesmo que não esteja na linha de frente, você pode fazer muito para ajudar, lembre-se que duelar é apenas um dos aspectos de uma guerra.
— E, porque as crianças estão envolvidas, Falc? — Anton disse rispidamente. — Compreendo a necessidade de preparação para quando você-sabe-quem retornar, mas não faz sentido que nossos filhos estejam ouvindo e diretamente ativos em nada disso.
— Essa guerra é nossa também, papai. — Tracy defendeu fortemente. — Nós estamos fazendo a nossa parte em Hogwarts, mas um dia, quando crescermos, teremos que estar prontos para lutar.
— O melhor jeito de estarmos prontos, é se nos prepararmos desde agora, tio Anton. — Terry explicou suavemente.
— O que... Falc! — Anton olhou chocado para o amigo. — Eu não posso estar ouvindo isso! Você realmente deixará seu filho se envolver com algo tão perigoso? E acreditar que você permitirá que ele lute na guerra?
— Não é o que queremos, Anton. — Serafina disse. — Eu lutei contra isso desesperadamente, e parte de mim sempre estará em conflito, mas, Voldemort pode voltar em um ano ou em 5 e, então, nossos filhos serão adultos, tomarão suas próprias decisões e, sem treinamento, não serão fortes o suficiente para sobreviverem.
— Queremos treiná-los, Anton, mas, o mais importante, nosso grupo quer realizar mudanças no mundo mágico em preparação para o que virá. — Falc disse lentamente, seus olhos azuis mostrando sinceridade. — Não podemos mantê-los seguros em uma redoma, amigo, portanto, precisamos prepará-los e a nós mesmos.
O silêncio continuou por alguns segundos, claramente, os Davis não estavam recebendo bem a verdade sobre Voldemort. Harry decidiu que precisavam deixá-los absorver tudo enquanto seguiam em frente.
— Denver, no seu relatório, você pretende nos orientar sobre como podemos enfraquecer Voldemort, antes mesmo que ele consiga retornar? — Ele perguntou e Terry se moveu para mais anotações.
— Sim. Algumas coisas são bem básicas, como um sistema penitenciário anti fugas, o que não é o que vocês têm agora. — Ela disse em seu tom profissional. — Treinamentos avançados, preparações e infraestrutura, como eu disse, precisam ser implementados. E, ao criar o Setor de Inteligência, eu aconselharia iniciarem uma ligação com o SIS.
— O que é isso? — Sr. Boot perguntou confuso.
— MI6 ou SIS, que significa, Serviço Secreto de Inteligência, é exatamente o que eu descrevi antes. — Denver disse. — Nos Estados Unidos os trouxas tem a CIA, Centro de Inteligência Americana, e a MACUSA tem o seu equivalente, CIM, Centro de Inteligência Mágico. São agentes que trabalham exclusivamente em conseguir informações sobre países hostis, grupos terroristas ou qualquer tipo de ameaça externa ou interna. Basicamente, são espiões que fazem o necessário para prever e deter ameaças contra o governo. — Denver percebeu olhares de interesse de todos. — A CIM trabalha em contato direto com a CIA, pois obviamente é do interesse dos dois mundos deterem ameaças, sejam elas de origem trouxa ou mágica.
— Que legal. — Harry disse baixinho e Tracy acenou de olhos arregalados.
— O Serviço Secreto de Inteligência é o sistema de espionagem inglesa e um dos melhores do mundo, assim, ao criar o equivalente mágico, eu sugiro fortemente que um contato seja feito. Eles poderiam treinar os agentes, fornecer informações, empreender parcerias, pois, na última guerra, Voldemort esteve muito próximo de bruxos puristas de outros países. Imagine se você tiver uma rede de espionagem, observando esses nomes? Saber todos os seus movimentos, onde estão ou se entraram no Reino Unido? — Denver explicou e Terry escrevia sem parar com os olhos brilhantes. — Bem, isso é o que eu vi até agora, mas, provavelmente existem muitas outras ações necessárias. Mudar leis e uma política mais corajosa, que vocês se propõem a buscar, me parece algo importante também. — Denver disse. — E, além do relatório, estou disposta a ajudá-los no que precisarem, principalmente quando chegar a hora de chutar alguns traseiros.
— Bem, nunca deixaríamos você de fora da diversão. — Harry disse divertido. — Acredito que precisamos focar em treinamentos, nós, a Equipe Covil, começaremos a estudar Defesa Avançada a partir de setembro, mas, individualmente, já aconselhei que todos se dediquem mais ao estudo da Defesa Contra as Artes das Trevas. No entanto, vocês adultos precisam entrar no ritmo, treinamento físico e mágico, lutas marciais, com facas e espadas. — Ele apontou para o Sirius e depois para Lorie. — Sejam aqueles que lutarão diretamente ou aqueles que se defenderão de um ataque, vocês não podem confiar no que aprenderam durante os seus anos em Hogwarts. Além disso, precisamos nos tornar uma equipe de verdade, nós da Equipe Covil trabalharemos com esse objetivo e vocês também precisam treinar juntos porque, se a guerra começar amanhã, quem estará na linha de frente são vocês. — Harry respirou fundo e ignorou o olhar espantado do casal Davis. — Acredito que Denver poderia liderar o treinamento da nossa equipe de adultos com o auxílio do Sirius e do Remus, e tenho mais um integrante que se juntará a vocês durante o verão, Trevor Pickford. Além disso, durante o verão, acredito que nós deveríamos nos juntar a vocês em algumas aulas para observação e algum treinamento extra. Bem, todos do Covil que tiverem essa disponibilidade, claro.
— E, claramente, precisaremos apresentar o relatório da Denver a Suprema Corte ou ao menos a Madame Bones, pois precisaremos implementar essas medidas aconselhadas por ela. — Terry disse inteligentemente. — Seja Finley ou Fudge, acredito que a Madame Bones continuará como Chefe do Departamento de Leis. Segundo Susan, apesar de rígida, sua tia é uma mulher muito íntegra que acredita nas leis e na justiça, além de não ter interesses políticos.
— Susan tem a missão de tentar se aproximar da tia e prepará-la para uma abordagem mais direta. — Tracy disse objetivamente. — Aposto que com o relatório da Agente Denver, conseguiremos convencê-la mais facilmente a preparar o Departamento Auror para a guerra.
— King já se mostrou disposto a fazer esse movimento mais direto. — Sirius disse.
— E, Moody? — Denver perguntou.
— O problema com o Moody é que ele é muito leal ao Dumbledore. — Remus disse pensativo. — Não sei o quanto ele estaria disposto a agir sem seu conhecimento, aprovação ou participação.
— Isso não me surpreende. — Harry disse em tom duro. — Para mim, Moody pode ser um grande auror, mas ele não é um líder, é um seguidor que precisa de alguém lhe dando ordens.
— Como um soldado. — Denver acenou aprovando a sua avaliação. — King é bem diferente e acredito que poderia ser o Chefe do Departamento de Leis e, quem sabe o Ministro, um dia.
— Bem, então confiamos no King mais do que no Moody? — Sirius questionou.
— Acho que podemos confiar no Moody, mas, não o ter como parte da equipe. — Harry disse e seus adultos acenaram concordando. — King já sabe muitas coisas e acredito que ele está do nosso lado e deve estar na equipe, mas, teremos que mantê-lo no escuro sobre algumas coisas, afinal, seu trabalho pode entrar em conflito com nossas ações.
— Bem, vocês têm mais opções de recrutamento? — Denver perguntou. — E, já têm uma maneira de se protegerem de uma traição?
— Acredito que os pais de Ernie MacMillan são as melhores possibilidades a curto prazo. — Tracy disse. — Muitos pais da Equipe Covil são opções e alguns já sabem sobre Voldemort estar vivo.
— Bem, além de contratos de confidencialidade, estamos formulando contratos mágicos bem rígidos. — Terry disse. — A Equipe Covil se dedicou a pesquisar esses contratos na Biblioteca de Hogwarts nas últimas semanas porque precisamos do comprometimento de todos em não se tornarem traidores.
— Nós acompanhamos as pesquisas e Falc está formulando os contratos. — Serafina disse. — Acredito que eles abrangerão diversos aspectos que impedirão a existência de um espião entre nós.
— Mas, estamos abertos a mais sugestões. — Harry disse ao ver Denver franzir o cenho franzido.
— Contratos mágicos são seguros para evitar espiões porque, se alguém descumprir o contrato, não pode esconder o fato. No entanto, isso não impede a traição. — Denver disse. — E devemos sempre considerar a captura, tortura, onde a pessoa passará informações involuntariamente.
— O que você sugere? — Falc perguntou preocupado.
— Eu pensarei com calma, muitas opções me veem a mente, mas, tenho que adaptá-las ao nosso grupo, afinal, somos poucos e com intenções diferentes a de um Departamento de Aurores. — Ela respondeu e Terry voltou a anotar. — O que você anota tanto, Terry?
— Uma ata da reunião, Denver. — Ele respondeu. — Coloco os presentes, assuntos discutidos, ideias ou planos, além de atribuições missões individuais ou em grupo.
— Muito interessante. — Ela disse suavemente. — O que estão usando para proteger as informações?
— Criamos um relatório em código, ideia da Hermione. — Terry estendeu o bloco. — Utilizamos o alfabeto reverso, é bem simples, mas dificilmente os bruxos sabem sobre algo assim. Além disso, mantemos essa informação apenas entre os líderes ou os amigos mais próximos.
— Bem pensado. — Denver disse impressionada. — O fato de não ter proteção mágica tira um pouco a suspeita, mas sugiro que coloquem um código gatilho.
— Como assim? — Terry perguntou ansioso por aprender.
— Um código para acessar o conteúdo e se ele não for usado, as anotações explodem, pegam fogo ou desaparecem. — Ela disse e Terry começou a anotar imediatamente.
— Isso é brilhante! Harry, isso é como a ideia dos esconderijos e garantias de que falamos antes. — Ele disse entusiasmado.
— Sim. — Harry disse com os olhos brilhando. — Precisamos pesquisar sobre magias explosivas e bombas trouxas também, em um esconderijo, poderemos destruir o lugar, as informações e os invasores de uma vez.
— Isso é bom! — Tracy disse, depois franziu o cenho. — Como os trouxas fazem bombas sem magia?
— Com inteligência...
— Tracy! — Lorie disse meio chocada. — Não há nada de bom em explodir e matar pessoas!
— É claro que não, mas estamos falando de guerra e de matar ou morrer, mamãe. — Tracy disse muito séria. — Não podemos fugir da realidade.
— Talvez, mas isso não quer dizer que você tem que se envolver. — Anton disse e Tracy ergueu o queixo o desafiando. — Falc, o que exatamente vocês esperam de nós? Da minha filha?
— Eu respondo essa. — Harry disse com firmeza. — O que esperamos é que não finjam que o mundo é perfeito! Que se prontifiquem a agir, ajudar e lutar! E, existem mais de uma maneira de fazer isso, Sr. Davis, pois o senhor, por exemplo, pode ajudar com as mudanças de leis na Suprema Corte. A Sra. Davis pode nos ajudar a criar alas em casas seguras, aprender sobre cura, treinar para se defender e, os dois, podem ajudar com ideias, com motivação e apoio. — Harry apontou para a Tracy. — Tracy não lutará até ser adulta, mas, sabendo o que enfrentaremos, ela precisa do apoio dos dois para treinar e se tornar uma duelista de primeira. Assim, o que vocês precisam fazer agora é refletir se continuarão suas vidas como se não soubessem a verdade ou se unirão a nós para vencer Voldemort de uma vez.
Anton olhou para Harry com atenção, tentando avaliar exatamente qual o seu papel em tudo isso, pois, surpreendentemente, ele parecia ser o líder.
— Eu e minha família no mantivemos neutros na última guerra e, apesar disso, eu perdi o meu irmão. — Ele disse duramente. — Agora, devo me envolver diretamente, além de ver minha filha e esposa em perigo? É isso o que me pedem? E se eu as perder também? Algum de vocês podem me garantir que elas sobreviverão a guerra?
— Não. — Harry disse com voz igualmente dura. — Mas não lutar não é garantia de nada ou o seu irmão estaria vivo. Além disse, estamos falando em ajudar com a preparação para a guerra, com o enfraquecimento de Voldemort e seus seguidores, com o fortalecimento das leis e das ações aurores. Ninguém aqui disse nada sobre enviar sua filha e esposa para alguma batalha.
— No entanto, eu preciso treinar para saber me defender, papai. — Tracy disse encarando sua expressão severa. — Um dia, isso poderá significar a minha sobrevivência e não tem como fingir não saber de que lado estarei quando enfrentarmos o pior.
— Se depender de mim, você estará bem longe daqui. — Anton disse em tom definitivo.
— Papai... — Tracy tentou argumentar.
— Isso não está em discussão, Tracy. — Anton falou com voz mais autoritária. — Falc, eu os ajudarei no que precisarem, quero me envolver com o novo Partido, ajudar com os projetos de leis na Corte, defenderei os lobisomens que serão julgados, mas minha esposa e filha não se envolverão em nada disso. E quando você-sabe-quem retornar, eu as tirarei do país junto com meu filho.
— Então, eu espero já ter 17 anos quando isso acontecer porque eu não fugirei! — Tracy se levantou furiosa, algo tão incomum em seu rosto sempre alegre.
— Tracy! — Lorie disse se levantando também. — Depois conversaremos sobre o seu comportamento, acredito que agora devemos nos retirar desta reunião, pois ela não tem nada a ver conosco. — Ela deu a volta na mesa e pegou a filha pelos ombros, tentando conduzi-la para fora da sala de jantar. — Seu pai lidará com isso...
— Esqueci de lhe dizer, Harry, que meu pai é um machista de primeira qualidade. — Tracy disse em tom de escárnio. — Se eu fosse um homem ou se o seu precioso Athos fosse quem pedisse o seu apoio para treinar e aprender a duelar, pode ter certeza que só haveria orgulho em sua expressão.
— Tracy! — Lorie disse ainda levando a menina para fora da sala. — Chega!
— Mas, como eu sou apenas uma inútil mulher, ele apenas me envia para longe, para a segurança, pois não acredita que posso fazer algo importante ou ser forte e poderosa como um homem! — Tracy falou tudo olhando para o Harry e não seu pai, enquanto sua mãe a puxava para fora da sala.
Harry olhou a amiga com o coração apertado, percebendo que sua alegria excessiva deveria ser uma máscara para esconder seus problemas. No entanto, agora, não haviam máscaras, sua expressão era furiosa e magoada, seus olhos azuis encaravam o Harry, implorando por ajuda e ele não podia deixar de atender.
— O senhor é um tolo, Sr. Davis e um covarde egoísta. — Ele disse se levantando e ignorando os suspiros ou o Sr. Falc tentando detê-lo com um "Harry! ".
Lorie soltou a filha quando Tracy se desvencilhou de suas mãos e se colocou ao lado do Harry, com o queixo erguido em desafio.
— Merlin! Isso só pode ser uma piada! — Anton se levantou e olhou para Falc, enquanto todos se levantavam da mesa, pois a reunião mudara de tom. — Além de descobrir que aquele maldito está vivo, que teremos outra guerra, sou desafiado por minha filha e ofendido por um pirralho!
— Ei! — Sirius exclamou decidido a defender o afilhado, mas Denver o deteve.
— Eu não o ofendi, apenas disse a verdade e o senhor deveria admitir isso a si mesmo, afinal, se valoriza tanto os homens, deve considerar honrado não mentir sobre os seus defeitos. — Harry disse dando de ombros e acrescentou sarcasticamente. — Mas não posso deixar de observar como é curioso que um homem machista tenha uma filha mais corajosa que ele mesmo.
— Você não sabe nada! — Anton disse e estava pálido com as ofensas. — E, já passou dos limites! Estou desapontado, Falc e partirei com a minha família imediatamente.
— O Sr. Falc é quem deveria estar desapontado. — Harry continuou com tom suave, como se estivesse tendo uma conversa normal. — Ele defendeu fortemente que convidá-lo a fazer parte da nossa equipe era uma ótima ideia. Que o senhor era de confiança e estaria mais do que disposto a lutar ao nosso lado, no entanto...
— Eu estou disposto! — Anton se defendeu com força. — Apenas, não arriscarei minha família! Você é só uma criança, não sabe nada sobre o inferno que vivemos na última vez!
— Sei que o senhor é um bruxo puro, um Slytherin e, dificilmente esteve em perigo. — Harry deu de ombros. — Aposto que sua vida foi muito confortável ao se sentar em sua mansão, ir para o seu escritório chique e fechar os olhos para os perseguidos, para as vítimas e todas aquelas mortes. Neutralidade é sinônimo de indiferença e covardia em meu livro, Sr. Davis. — Seus olhos verdes brilhavam e mostravam dureza. — Então, um dia, o seu irmão foi assassinado e a guerra se tornou bem real e o senhor não pode mais se esconder atrás da sua linhagem pura.
— Como ousa!? O que você sabe sobre qualquer coisa? — Anton disse cada vez mais furioso.
— Ele sabe! — Tracy disse zangada. — E Harry está certo! O senhor é um covarde! Mas eu não sou!
— Eu não sou um covarde! Apenas quero protegê-la! — Anton olhou chocado e magoado para a filha.
— Eu... todos, compreendemos isso. — Harry disse ainda em tom suave. — Mas existem mais filhas que precisam de proteção além da sua, Sr. Davis. A última guerra durou 11 anos e tantos morreram porque pessoas que poderiam fazer alguma coisa não agiram. Agora, temos a oportunidade de nos antecipar! Quando Voldemort retornar, nós estaremos prontos e ele enfraquecido! Não podemos espalhar a verdade por todo o mundo mágico, assim, cabe a nós, fazermos o necessário para proteger a todos.
— Eu já disse que pretendo ajudar, mas, não permitirei que minha filha se coloque em risco. — Anton olhou para filha buscando compreensão. — Você sabe o quanto significa para mim...
— Eu também o amo, papai, mas preciso fazer a minha parte! — Tracy disse determinada. — Harry está certo! O senhor não pode pensar só em mim e eu não serei egoísta! Eu posso ajudar! E, preciso aprender como me defender, pois se precisar lutar contra aqueles monstros, não me acovardarei! Harry nos ensinará e o senhor precisa confiar em mim, mesmo que eu não seja um garoto.
— Minha mãe, uma mulher, salvou a todos nós naquela noite, assim, não entendo essa discriminação, Sr. Davis. — Harry cruzou os braços e sua expressão se tornou severa. — Estamos lutando contra preconceitos e discriminações que existem a séculos em nosso mundo, assim, não tolerarei ninguém na minha equipe que discrimine qualquer pessoa ou ser. — Depois se virou para Falc. — O senhor estava errado, Sr. Falc...
— Sua equipe? — Anton perguntou completamente confuso. — Isso é um absurdo! Falc, o que raios está acontecendo aqui?
— Você saberia se tivesse nos deixado explicar ou feito as perguntas certas, Anton. — Falc disse mostrando claramente que estava desapontado. — Eu lhe disse que Voldemort tentou voltar duas vezes e foi detido! Quem você acha que fez isso? Que lutou contra ele e o venceu duas vezes!
Anton e Lorie olharam para o Harry tão chocados quanto estavam quando souberam que Voldemort estava vivo.
— Nós somos a equipe do Harry, porque tudo se trata do Harry, como foi há 12 anos e se repetiu duas vezes nos últimos anos. — Serafina disse. — Acreditem, eu não quis aceitar ou sequer pensar no fato de que estamos treinando crianças para uma guerra, mas, Anton, Lorie, fugir não é a resposta. Nós fizemos isso uma vez, era o certo naquele momento, mas agora, temos que estar ao lado dos nossos filhos e apoiá-los.
— Eu... — Anton parecia confuso e perdido. — Eu não consigo compreender essa situação ou o que me pedem, e não posso conceber colocar minha garotinha em qualquer tipo de risco.
— Ok. — Harry acenou. — Essa discussão não nos levará a qualquer lugar, se senhor estiver disposto a ouvir o que aconteceu, o que fizemos até agora e nossos planos, podemos seguir em frente. Se, depois de ouvir tudo, ainda quiser impedir que Tracy faça parte de algo tão importante, todos entenderemos e Tracy não discutirá.
— Harry! — Tracy protestou na mesma hora.
— Tracy... — Terry se adiantou entendendo onde o Harry queria chegar. — O que estamos fazendo é importante e há muito que você pode ajudar como parte do Covil, mas se desentender com seus pais não é a resposta. — Ele manteve o olhar firme no dela e, felizmente, Tracy entendeu o recado de que poderia continuar a ajudar em Hogwarts sem os seus pais saberem.
— Ok. — Ela disse relutante e fingindo estar decepcionada.
— Eu estou disposto a ouvir e ajudar. — Anton disse sincero, olhava para a filha como se quisesse fazê-la entender, mas, Tracy o ignorou. — Ao contrário do que pensam, eu não sou um covarde e quero entender como raios uma criança impediu você-sabe-quem de voltar.
— Antes de falarmos qualquer outra coisa, vocês devem assinar um contrato de confidencialidade. — Falc disse abrindo uma pasta sobre a mesa e retirando alguns pergaminhos. — Este é um contrato padrão, bem simples, que impede que vocês, voluntariamente, revelem o que descobrirão a partir de hoje.
— Mas, com apenas esse contrato, vocês não serão informados sobre tudo. — Harry disse se sentando e, aos poucos, cada um ocupou o seu lugar. — Alguns fatos continuarão confidenciais até que tenhamos certeza de que estão empenhados em fazer parte da equipe e concordem em assinar os contratos mágicos mais rígidos que mencionamos antes.
Anton apenas acenou, compreendendo que o assunto era muito sério e que todos estavam extremamente preocupados com traições. Lorie ainda se mostrava muito tensa e duvidosa.
— A senhora não precisa ficar, Sra. Davis. — Harry disse suavemente. — Não há nada de errado em não querer fazer parte, mas se ficar, precisa abrir sua mente e ter coragem.
Lorie o encarou por alguns segundos, depois olhou para a filha, que se mostrava tão valente e respirou fundo.
— Se minha filha ficará, então, eu também. — Ela disse apertando as mãos.
Em alguns segundos, o casal Davis e Denver assinaram os contratos de sigilo, mas Anton olhou confuso para Tracy, que respondeu a sua expressão questionadora.
— Eu já assinei, papai. — Ela explicou. — Todos os membros do Covil assinaram há alguns dias, antes de deixarmos Hogwarts.
— Ok. — Anton parecia meio espantado, meio resignado. — Estou vendo que vocês não estão brincando.
— Não. — Falc disse olhando em volta e recebendo vários acenos. — Bem, acho que devemos começar com o primeiro ano das crianças em Hogwarts, Harry fará um resumo e depois colocarei a luta na penseira. A lembrança terá alguns cortes, mas, como dissemos, essas são informações que não liberaremos a todos ou não sem contratos mágicos mais rígidos.
— Em nosso primeiro ano... — Harry foi bem sucinto em explicar os pontos mais importantes, a Pedra Filosofal, o Troll, Quirrell, as armadilhas que deveriam proteger a pedra, mas que se mostraram apenas um embuste que permitiria ao Harry enfrentar Voldemort.
— Mas, porque? — Anton estava pálido. — Eu detesto aquele homem, mas, não compreendo porque ele iria fazer tudo isso, colocar todos os alunos em risco apenas para atrair o Harry e você-sabe-quem para um confronto?
— Ele tem suas razões e nós, nossas desconfianças, mas essas são informações que não compartilharemos hoje. — Disse Serafina. — Apenas acredite, nossa opinião sobre Dumbledore mudou completamente depois dessas ações e pelo que ele fez com o Harry em sua infância.
— Se ele fosse acusado de apenas metade desses absurdos, Albus Dumbledore não continuaria como diretor de Hogwarts ou teria tanto poder no Ministério. — Denver disse com expressão carregada. — Poderia até ser preso.
— Atacar Dumbledore não nos serve de nada. — Sirius disse e os outros acenaram. — Voldemort o teme e com razão, pois o diretor é o único bruxo que se equipara a ele em poder. Além disso, loucuras a parte, Dumbledore é um bom diretor e acredito que receberemos o seu apoio em nossas ambições na Suprema Corte.
— Dumbledore pode não ser um aliado, mas também não é um inimigo e acreditamos que iniciar uma guerra política ou de poder contra ele não seria benéfica para o mundo mágico. — Harry disse. — Desde que o diretor não se oponha aos nossos planos ou tente nos impedir, efetivamente... — Ele deu de ombros.
— Isso não quer dizer que confiamos nele ou que não observaremos de perto suas ações, principalmente os seus planos para o Harry e Voldemort. — Sr. Boot apontou.
— Agora, acionarei a lembrança. — Falc se levantou quando Denver concordou os argumentos. — Projetarei na parede, lembrem-se que existem alguns cortes...
Apesar dos cortes, que incluíam as informações sobre a profecia e a Pedra Filosofal, resgatada por George, a visão de Voldemort, atrás da cabeça de Quirrell, foi assustadoramente impactante para o casal Davis. Claramente, os dois pareciam ter esperança de que tudo era um engano, mas, não podiam contestar a comprovação de que Voldemort estava vivo e tentando retomar o seu poder. Até mesmo Tracy ficou pálida, pois, apesar de já saber os fatos, não tinha como imaginar a violenta luta.
— Este ano, ele tentou voltar outra vez, por outros meios. — Harry disse sem deixar que comentassem a luta. — Os ataques e petrificações, a basilisco, tudo isso eram ações de Voldemort, que buscavam distrair a atenção de Dumbledore da sua verdadeira intenção.
— Recuperar o seu corpo. — Anton sussurrou chocado. — Imagino que você o deteve outra vez?
— Sim. — Harry deu de ombros. — Dumbledore e os aurores estavam muito longe de resolver o mistério, além disso, eles afirmaram que não tinham como provar que Voldemort era o culpado, afinal, ele está oficialmente morto.
— Eles pretendiam culpar o aluno que Voldemort estava usando, papai. — Tracy disse zangada. — Um aluno inocente, vítima da crueldade de Malfoy e que poderia ter morrido se não fosse pelo Harry. Esse aluno seria responsabilizado, expulso, talvez, enviado para a Azkaban, por isso, Harry decidiu agir sozinho.
— Não sozinho exatamente. Terry, Neville e o professor Flitwick me ajudaram, além disso, eu apenas apoiei o aluno em sua luta contra Voldemort...
— Espere. — Anton o interrompeu. — Malfoy? O que aquele desgraçado tem a ver com isso?
— Ele foi o responsável por colocar um objeto amaldiçoado de Voldemort em poder de um aluno de Hogwarts. — Falc explicou. — Com esse objeto, o aluno foi controlado e quase morto, mas como disse o Harry, o garoto lutou e, juntos, eles destruíram o tal objeto e venceram Voldemort.
— Que ainda está vivo, infelizmente. — Harry disse. — Ele continuará tentando voltar e, um dia, terá sucesso, portanto, precisamos fazer o possível para enfraquecê-lo e nos preparar para a guerra. — Ele olhou para Denver e os Davis. — Por isso nós estamos nos reunindo hoje, Sr. Falc e Sirius acreditam que vocês são de confiança e que gostariam de ajudar, mas se decidirem por seguirem suas vidas...
— Eu já disse que ajudarei. — Denver disse com firmeza. — Posso inclusive criar uma comissão oficial na ICW, que avaliará a crise e ficará em prontidão para quando Voldemort recuperar o seu corpo. Depois disso, poderemos trabalhar juntos com os aurores do Ministério britânico para deter a ameaça. — Ela olhou para Sirius. — Posso solicitar aos meus superiores minha continuidade no país para ajudá-los a deter a ameaça e também a liderança da comissão. Enquanto minha equipe trabalhará oficialmente com o Departamento Auror, eu posso fazer parte da equipe do Harry, extraoficialmente.
— Uau... — Tracy disse olhando para Denver com admiração. — Você tinha razão, Harry, ela é incrível.
— Mas, se farei parte desta equipe, preciso saber tudo o que vocês sabem, não aceitarei ficar no escuro, assim, concordo em assinar os contratos mágicos mais rígidos que estão elaborando. — Denver disse ignorando as palavras da Tracy. — E, se treinarei a equipe de adultos, farei do meu jeito e já digo que não pegarei leve.
— Harry disse o mesmo para nós, membros do Covil. — Tracy disse e sorriu animada. — Deveríamos ter um nome! Quer dizer, Equipe do Harry não é um nome e Equipe Covil é para os alunos de Hogwarts.
— Tracy... — Lorie a olhou espantada, mas Tracy a ignorou.
— Tem que ser um nome legal, como Ordem da Fênix... hum... que tal, Ordem do Dragão! — Ela disse arregalando os olhos para o Harry, que fez uma careta. — Não?
— Eu gosto mais da linha sombria. — Sirius disse com um sorriso divertido. — Como Covil, algo do submundo, um lugar de foras das leis, como, Ordem dos Ladrões!
— Sirius, nós não somos ladrões. Lembra-se? — Remus disse entre divertido e exasperado.
— Bem, e qual a sua sugestão, então? — Sirius lhe perguntou cruzando os braços.
— Acho que como essa equipe é do Harry, ele deveria escolher. — Remus disse olhando para o Harry que suspirou.
— Isso é mesmo necessário? — Ele perguntou.
— Sim! — Sirius, Remus, Terry e Tracy responderam em coro. Os outros olharam divertidos, enquanto o casal Davis parecia perdido.
— Bem... acho que se queremos simbolizar os nossos objetivos e luta incansável contra o mal, contra Voldemort, os puristas e suas crueldades, devemos ser representados por um animal mágico que lutou guerras com determinação e valentia, além de sempre se manter leal ao seu familiar. — Harry disse. — Precisaremos de sua coragem, lealdade, inteligência e astúcia para vencer nossos inimigos, assim, sugiro que nos tornemos a Equipe Pegasus.
Harry olhou em volta esperando por suas reações e, sorriu aliviado quando eles começaram a acenar e sorrir positivamente.
— Eu gosto! — Sirius disse animado.
— E, Equipe é melhor do que Ordem, porque é o que somos, uma equipe. — Terry disse sorrindo.
— Mega! — Tracy disse batendo palmas. — Seremos duas Equipe, a Covil dos alunos de Hogwarts e a Pegasus dos adultos.
— Bem, agora que temos um nome, talvez seja o momento de explicar o que a Equipe Covil tem feito em Hogwarts para ajudar. — Harry disse levemente preocupado com a expressão exasperada de Anton.
— Ah! Eu fico com essa parte! — Tracy disse ansiosa para mostrar ao pai do que eles eram capazes e que ele se orgulhasse dela.
Demorou alguns minutos, mas, Tracy explicou sobre os alunos infiltrados nas aulas extras...
— Que a partir do ano que vem não será mais exclusivo para os alunos puros. — Serafina apartou. — Já tive uma reunião muito esclarecedora com o Sr. Ollerton e pretendemos estabelecer um currículo de especialidades a partir do sexto ano.
Tracy, então, continuou falando sobre como a equipe estava se aproximando dos filhos e netos dos membros da Suprema Corte com a intenção de recrutá-los para a Equipe e obter seus apoios em influenciar seus pais e avós a votarem favoravelmente em projetos de leis justos. Também explicou que eles estiveram pesquisando extensivamente na Biblioteca de Hogwarts contratos mágicos e feitiços que impediriam traições. Finalizou ao dizer que a Equipe começou a treinar fisicamente na Caverna do Maroto e que, a partir de setembro, treinaria Defesa Avançada com o Harry.
— Harry irá treiná-los? — Anton disse encarando o garoto de olhos verdes. — Sem querer ofender, eu o vi lutando com Quirrell e Voldemort, penso que foi brilhante, mas acredita que pode ensinar Defesa Avançada para todos esses alunos?
— Bem, considerando os péssimos professores de Defesa que tivemos nos últimos anos, além dos que vieram antes, acredito que posso lhes ensinar mais do que sabem. — Harry disse suavemente. — Eu estou treinando com um Mestre em Defesa e campeão de Duelos desde setembro e espero que até o próximo ano, tenha conhecimentos suficientes para passar a todos eles. O mais importante é treinarmos como uma Equipe e acho que posso fazer isso.
— Nós também teremos um novo professor de Defesa em breve, Anton. — Serafina explicou. — Acredito que as boas aulas de Defesa Contra as Artes das Trevas e as aulas extras com o Harry, além de qualquer treinamento individual que cada um se dispuser a fazer, lhes fornecerá os recursos necessários para se defenderem.
— Isso é importante. — Terry disse. — Se um dia nos vermos em uma situação de perigo, temos que saber como nos defender, como pedir ajuda, como fugir ou cuidar dos feridos.
— Isso tudo que vocês estão fazendo e se propondo a realizar, é enorme. — Anton disse sincero e espantado. — Eu quero fazer parte dessa Equipe e ajudá-los, mas, sobre o envolvimento da minha filha e esposa, eu preciso pensar.
— Nós aceitamos isso. — Harry disse olhando para Tracy que parecia decepcionada por seu pai não admitir que sua participação era importante.
— Anton, como dissemos, estamos elaborando os contratos mágicos mais rígidos e quero que saiba que, se decidir ser parte da nossa Equipe, terá que assinar o Tratado do Faraó. — Falc informou suavemente.
— O que? — Anton olhou para o amigo espantado. — Vocês iriam tão longe?
— Sim. — Sirius respondeu. — James e Lily, nossos amigos da Ordem, foram mortos porque não fomos tão longe naquela época. Como dissemos, não cometeremos os mesmos erros.
— Foi a Equipe Covil que encontrou esse contrato egípcio na Biblioteca de Hogwarts, papai. — Tracy disse orgulhosa.
— Ok. — Ele ainda parecia chocado e levemente admirado. — Vocês me deram muito em que pensar, prometo que lhes darei uma resposta em breve.
— Sr. Davis. — Harry recebeu toda a atenção do seu olhar e tentou não se intimidar. — O senhor deve pensar com cuidado em tudo o que falamos, mas, deve compreender que, em nossas Equipes, as mulheres não são tratadas de maneira diferente. Elas aprendem as mesmas coisas, têm funções iguais, além do mesmo respeito e confiança. Assim, se o senhor decidir se unir a nós, compreenda que isso não mudará, mesmo que o senhor decida não envolver a Sra. Davis e a Tracy.
— Entendido. — Anton disse olhando para a filha rapidamente antes de continuar. — Espero que entenda que fui criado para cuidar e proteger as mulheres, não as considero inferiores, apenas acredito que batalhas e guerras são assuntos dos quais elas não devem se envolver.
Harry podia ver claramente que Tracy já sabia desses pensamentos do pai, mas se sentia decepcionada pelo fato de a presença de todos eles não alterar a sua atitude. Anton e Lorie se levantaram, deram boa noite a todos e deixaram a sala de jantar, levando uma Tracy mal-humorada com eles.
— Que figura. — Disse Denver exasperada. — Em que século ele acha que estamos? Existem mulheres entrando em todos os tipos de campos de trabalho, inclusive no exército e na força policial.
— Infelizmente, o mundo mágico está atrasado, Emily. — Disse o Sr. Boot com um suspiro. — Aqui, para as famílias mais tradicionais, as mulheres não devem trabalhar fora ou, se o fazem, serão em funções mais femininas, como professoras, assistentes sociais, secretárias. Em famílias antigas e ricas, nem isso é permitido, elas são treinadas para serem apenas mães e esposas, essas são as suas funções.
— Anton não é machista no sentido de acreditar que os homens são superiores, como ele mesmo disse, mas meu amigo tem um pensamento tradicional. — Falc explicou hesitante. — Ele e o irmão, Louis, foram criados por seu avô... — Sr. Boot grunhiu e fez uma careta a menção do velho Davis. — Que era um homem severo, rígido e tradicionalista ao extremo, além de purista. Ele não era um apoiador de Voldemort ou aceitava violências, mas considerava os trouxas inferiores e os bruxos superiores.
— Felizmente, Louis e Anton também tinham sua mãe, uma mulher amorosa e gentil, que os ensinou a serem bondosos e justos, apesar da influência do avô. O velho Davis os criou como seus filhos, pois o pai dos garotos faleceu quando eles eram pequenos. — Sr. Boot explicou melhor. — Quando eles vinham a nossa casa, nas férias de verão, para visitarem o Falc, víamos a rigidez, a formalidade e seriedade dos dois garotos. Louis era mais jovem e conseguimos que ele relaxasse mais facilmente...
— Carole conseguiu isso. — Falc disse com um sorriso divertido. — Minha irmã tinha o Louis na palma da mão, ele nunca conseguia deixar de sorrir, se divertir ou fazer tudo o que ela queria.
— Sim. — Sr. Boot riu com a lembrança. — Quando Carole tinha uns treze anos, Honora me disse que eles acabariam se apaixonando e eu fiz bem em não duvidar dela. Bem, mas, Anton, era o mais velho, o herdeiro da Família Davis e de quem seu avô esperava mais. Aos 17 anos, ele já tinha um contrato de casamento assinado com Renata Greengrass...
— Greengrass? Ela era da família de Daphne? — Harry se mostrou curioso e olhou para o Terry que acenou.
— Elas são primas em segundo grau, acredito, pois, a mãe falecida de Tracy é prima irmã do pai da Daphne. —Terry explicou.
— Sim. As famílias puras, antigas ou não, estão quase todas misturadas, Harry, as vezes é difícil acompanhar. — Falc disse suavemente. — Leonel Greengrass é o patriarca da família e avô da colega de vocês. Ele tinha dois filhos, Christopher, pai de Daphne, e Ludovic, que morreu há muitos anos, mas ele também tinha uma sobrinha que criou como uma filha, Renata. Ela se casou com Anton em um acordo firmado entre o velho Davis e o velho Greengrass, mas, infelizmente, Renata não sobreviveu ao parto da Tracy.
— Logo depois dessa tragédia, o velho Davis queria arrumar um casamento para o neto, pois Tracy não era um menino, mas Anton insistiu em esperar, pois queria respeitar a memória de Renata. — Sr. Boot disse suavemente. — Não era um casamento por amor, mas eles se respeitavam e Anton é um homem gentil, apesar do avô.
— Então, ele conheceu a Lorie. — Serafina continuou a história. — Ela começou a trabalhar como secretária no escritório deles e Anton se apaixonou por ela. Foi inesperado, mas muito bonito ver os dois juntos e felizes.
— Anton se casou com Lorie mesmo sem a aprovação do avô, que acabou aceitando quando Athos nasceu. — Falc finalizou e Harry acenou entendendo melhor a situação.
— E, Tracy deve ter crescido ouvindo dos dois velhos, Davis e Greengrass que ela não tem muita utilidade por ser uma menina. — Ele disse suavemente. — Além disso, o Sr. Davis parece agir como se não acreditasse que Tracy é capaz de fazer o mesmo que um herdeiro pode.
— O velho Davis morreu há uns quatro anos e Anton não deixa que a Tracy fique muito tempo com os Greengrass, ele não gosta de Leonel ou de Christopher. — Falc disse suavemente. — E, sim, Anton valoriza um herdeiro masculino para sua linha, mas, isso não quer dizer que ele não ame ou valorize a Tracy. Ou acredite que mulheres sejam inferiores. Hoje mais cedo, quando eles nos alcançaram no coreto, Anton elogiou a Ayana e disse que ela será uma grande advogada um dia. Ele estava sendo sincero e se Tracy desejasse seguir os seus passos, Anton a encorajaria, acreditem.
— Mas, o que ele pensaria se Tracy desejasse ser uma auror? — Denver perguntou pontualmente, mas Serafina, Falc e o Sr. Boot ficaram em silêncio. — Foi o que pensei, ele pode não a considerar inferior, mas, ainda é paternalista e acredita que a filha não tem a capacidade de aprender a se defender por ser uma menina. Isso é machismo e entendo que ele foi criado assim pelo avô tradicionalista, mas, não muda os fatos. Talvez, para nós e nossa equipe, isso não mude nada, mas para aquela menina, enfrentar o pai e buscar que ele se orgulhe dela, será um grande desafio. — Todos ficaram em silêncio e Harry pode ver que Terry se sentia preocupado com a amiga de infância. — Agora, a pergunta mais importante da noite, como raios Voldemort sobreviveu a destruição do seu corpo?
Mais uma vez, houve silêncio na mesa e Harry sorriu por ver que a Auror e mulher tinha chegado facilmente ao ponto mais importante da longa reunião. Anton nem mesmo cogitou ou pensou em questionar isso.
— Assim que o Tratado do Faraó estiver assinado, lhe contaremos isso e muito mais. — Harry disse misterioso e divertido. — Sei que Sirius já lhe informou sobre os lobisomens e a ilha, assim, se quiser nos acompanhar na reunião de amanhã, você é bem-vinda.
— Sim, ele me disse e, em minha opinião, o plano brilhante, Harry. — Denver disse sincera. — Acredito que se colocar a mente para pensar, você vencerá essa guerra antes mesmo de começarmos, garoto. — Harry corou com o elogio. — No entanto, acredito que ter um auror da ICW na reunião pode tornar mais difícil ganhar a confiança deles, além disso, eu me comprometi com a sua tia em acompanhá-la e o Dudley até a penitenciária onde o Dursley está preso.
— Ah... — Harry suspirou ao se lembrar do seu silencioso primo e acenou concordando. — Bem, acho que encerramos por hoje, certo?
Todos acenaram e se despediram do Sirius e Denver que deixaram para o apartamento dela. Depois foram dormi, pois se sentiam cansados, desgastados e ansiosos pelo dia seguinte, que prometia ser tão intenso como aquele.
Harry acordou muito cedo e foi correr no parque com Sirius, Terry, Duda e Tracy. Seu primo ainda se mantinha silencioso e distraído, mas, estranhamente, Tracy também não era a sua normal alegre e feliz.
— A Boate Black será inaugurada em 5 de agosto. — Sirius informou a eles suavemente. — Mas a Academia de Treinamento Body & Magic, já estará em funcionamento em 1 de maio. A intenção de abrir ao mesmo tempo em que começa o campeonato da Liga de Quadribol é atrair os torcedores que querem ficar em forma para o verão, talvez alguns jogadores da Liga também venham. Na verdade, estávamos pensando em convidar um jogador profissional para ter aulas e promover a Academia.
— Deveria chamar a Gwenog Jones, Sirius. — Harry sugeriu. — Ela é muito legal e engraçada, sabe, e é quase enteada do Sr. Cuffe, então, não seria difícil entrar em contato com ela.
— Essa é uma ótima ideia! — Sirius disse sorridente. — Jones é uma estrela e aposto que atrairá muitos alunos, inclusive para os treinamentos físicos.
— Você não está muito otimista que haverá uma boa procura de pessoas em busca de condicionamento físico? — Terry perguntou enquanto mantinha o passo suave de corrida.
— Os bruxos são preguiçosos por natureza, porque têm magia para facilitar as suas vidas. — Sirius deu de ombros. — Tenho esperança de atrair os nascidos trouxas que frequentam academias trouxas, pois temos o diferencial de sermos uma academia mágica, com os aparelhos mágicos mais modernos, além de termos aparelhagem trouxa que não utiliza de energia. A campanha publicitária está focando, entre outras coisas, em educar os bruxos sobre a importância do treinamento e condicionamento físico para a sua saúde. Também apelamos para a aparência, sabe, o desejo de sermos mais bonitos, magros, musculosos e atrair a atenção do sexo oposto por estarmos mais interessantes fisicamente. Claro, o aspecto de treinamento marcial pode trazer curiosidade em muitos, teremos aulas de lutas marciais diversas, como boxe... — Ele olhou para Duda, que apesar de acompanhá-los, não prestava atenção a conversa e não reagiu a menção do seu esporte favorito. — Taekwondo, Caratê, Kung fu, Aikido. Também teremos esgrima, lutas de facas, yoga e o treinamento em Duelo Mágico.
— Será incrível termos um lugar para os nossos treinamentos em equipes. — Harry disse suavemente. — Podemos usar a academia e a piscina para o treinamento físico mesmo durante o verão e treinaremos Defesa Avançada com a Denver. Espero que todos os membros do Covil consigam comparecer durante os verões...
— Farei um combo com taxa de mensalidade bem baixa para a Equipe Covil, assim, eles podem se matricular na academia neste verão. — Sirius disse. — E, eles não poderão participar das aulas de Duelos porque são restritas aos bruxos maiores de idade, mas eles poderiam começar a treinar com a Denver, Remus ou comigo, se você quiser.
— Não. — Harry disse acenando com a cabeça. — Quero que se concentrem no condicionalmente físico e lutas marciais antes de começarem a incorporar magias em seus treinamentos. Além disso, Denver treinará fortemente os adultos com o seu apoio e o de Remus, ela não será uma professora de Defesa, que é o que eles precisam, já que estão atrasados neste assunto. Em setembro, pretendo repassar os feitiços básicos com eles, Sirius e pedir isso para vocês seria atrasar o treinamento dos adultos.
— No entanto, quando eles estiverem mais avançados, podemos transferir os mais talentosos para o treinamento com a Denver, certo? — Tracy perguntou séria.
— Com certeza. — Harry disse e Terry acenou. — Eu continuarei treinando com o Flitwick durante o verão, mas, espero participar dos treinamentos com a Denver. Então, aqueles do Covil que se mostrarem muito bons em Defesa e precisarem de mais treinamento do que eu posso oferecer, podem treinar com a Equipe Pegasus durante os verões.
Tracy acenou e sua expressão se tornou determinada, pois ela tinha toda a intenção de ser um desses a treinar com a equipe dos adultos.
Pouco mais a frente, Harry diminuiu o passo para correr ao lado do seu primo, que mal pareceu notá-lo.
— Duda? — Harry o chamou e recebeu o seu olhar azul aquoso distante. — Ansioso para se encontrar com o seu pai hoje? — Seu primo apenas deu de ombros e cerrou o maxilar, seu ombro mostrou a tensão pelo assunto. — Eu não sei o que você está passando, mas, acho que precisa conversar sobre isso, sabe, guardar tudo para você não ajudará.
— Tem razão. — Duda disse secamente. — Você não sabe o que estou passando. — E se deteve, começando a correr na direção oposta, de volta para a entrada do parque, deixando claro não querer discutir o assunto.
Enquanto isso, Terry se aproximou de Tracy, que tinha uma expressão determinada e rígida por seus pensamentos, mas seus olhos estavam tristes.
— Não importa a decisão do seu pai, Tracy, você ainda nos ajudará muito em Hogwarts. — Terry disse gentilmente e sua amiga lhe deu um sorriso sem graça, mas um olhar de gratidão.
— Obrigada por dizer isso e por você e o Harry terem pensado tão rápido ontem, mas a decisão do meu pai importa, Terry. — Tracy disse e tentou não ficar chateada, mas o peso em seu peito pelo desapontamento que sentia por seu pai era quase venenoso. — Estou cansada de ficar tentando me provar ou em segundo plano, como uma decoração inútil na sala. Você tinha que ver como o meu avô se vangloriava ao velho Greengrass por ter um neto, enquanto ele tinha apenas netas inúteis. Meu pai nunca me defendeu e adora levar Athos com ele por toda a parte, exibi-lo para os amigos, mostrar o seu escritório, em cavalgadas pelo campo ou em jogos de quadribol. — Seus olhos brilharam com lágrimas, mas, elas a segurou com firmeza. — E, eu sou deixada para trás, presa em casa com minha mãe, aprendendo coisas femininas, onde é o meu lugar. Eu odeio que eles decidam o meu lugar baseado em meu sexo, isso não é justo, Terry, o mundo não é justo para as mulheres.
— Tem razão. — Terry disse suavemente. — Mas você é mais forte e inteligente do que todos eles juntos, Tracy. O seu lugar é onde você escolher estar e ninguém te impedirá, mas você precisa ser inteligente e astuciosa. Sobre o seu pai... bem, é difícil quando queremos deixar nossos pais orgulhosos, mas queremos algo diferente do que eles acreditam que é o melhor para nós. Temos que seguir o nosso coração, fazer o melhor da nossa capacidade e esperar que um dia eles nos compreendam e respeitem as nossas escolhas.
— E... se isso nunca acontecer? — Ela parou de correr e o encarou curiosa. — O que fazemos se nunca conseguirmos que eles se orgulhem de nós?
— Teremos que viver com isso. — Terry deu de ombros. — Não podemos ser quem eles esperam, temos que ser fieis a nós mesmos, assim, podemos ter amor próprio e, quem sabe, alguma felicidade.
Tracy acenou pensativa enquanto sussurrava baixinho como um mantra, "fieis a nós mesmos".
Quando voltaram para a Mansão, os Davis estavam deixando e não esperaram pelo café da manhã ou que Tracy tomasse um banho depois do treino.
— Teríamos saído antes se você estivesse aqui. — Anton disse levemente contrariado ao ver a filha suada depois de correr em um parque trouxa.
Falc o acompanhou até a porta, onde os quatro Davis partiram por aparatação. Harry se despediu educadamente, mas sem muito calor e subiu para se arrumar. Antes de descer para o café da manhã, ele, impulsivamente entrou no quarto de Duda e o encontrou se vestindo.
— Olha... — Harry decidiu fazer outra tentativa. — Entendo que você não queira falar comigo, talvez esteja zangado porque o seu pai está preso por minha culpa, indiretamente. Mas o fato é que seja o que for que está sentindo ou pensado, você deve tentar conversar com alguém e se manter otimista.
— Otimista? — Duda o olhou irritado. — O que há de otimista sobre ter um pai presidiário? Condenado por abuso infantil? Talvez, você consiga ter um pensamento otimista sobre isso, senhor-que-tem-pais-perfeitos.
Harry parou completamente confuso com suas palavras, pois isso era a última coisa que esperava ouvir.
— O que? Não entendo, o que meus pais têm a ver com isso?
— Você ainda pergunta? — Duda jogou a jaqueta na cama e apertou os punhos. — Você fez um maldito Jardim em homenagem aos seus pais perfeitos! Heróis de guerra! Grandes caráteres! Bondosos, honestos, poderosos bruxos, animagus, grandes potioneers! Jesus! Quantos elogios mais pode haver para duas pessoas sem que comece a ficar constrangedor?
— Duda... — Harry estava pedido.
— Eu sempre zombei de você por ter pais bêbados e mortos, agora você deveria zombar de mim porque sabemos que sou eu que tem pais patéticos. — Duda disse entre magoado e zangado. — Meus pais abusaram de você, mentiram e meu pai acabou na cadeia, mas sabemos muito bem que os dois poderiam estar presos pelo que fizeram.
Harry não sabia o que fazer, mas se lembrou que o Sr. Martin sempre perguntava sobre os seus sentimentos e o deixava falar.
— E... como se sente com isso? — Ele sussurrou se sentando na cama do primo.
Duda olhou para sua expressão doce e gentil, e controlou o ímpeto de socá-lo por ser sempre tão bom. Era sempre assim! Mesmo quando ele era cruel e mal, seu primo continuava a ser bom e gentil! Sempre perfeito! Andando de um lado para o outro, ele tentou controlar as emoções enquanto respondia a sua pergunta.
— Me sinto enganado! Tudo o que acreditei sobre a minha vida e família perfeitas eram mentiras! Meus pais não são perfeitos! Eles mentem! Eles enganam! Meu pai é preconceituoso, agressivo e cruel! Minha mãe fez tudo o que fez por inveja e ciúme! — Duda bateu os dois punhos na cabeça. — Me sinto envergonhado! Não sei como será entrar naquela prisão para vê-lo! Tenho vergonha e medo, raiva e preocupação! Então, ontem, seus pais... — Duda voltou a andar furiosamente. — Estou com tanta raiva! Porque os meus pais não são como os seus!? Porque!?
Ele se deixou cair em uma poltrona parecendo ter se esvaziado e olhou para as mãos envergonhado por sua explosão.
— Eu não quero ir... — Duda continuou. — Mas, eu preciso, tenho que ajudar o meu pai a se tornar alguém melhor, não posso abandoná-lo... — Ele olhou para o Harry e seus olhos brilharam de vergonha. — Mas, me sinto com raiva por ser obrigado a ir, por ter que encará-lo... não sei o que dizer e... estou com medo e vergonha da ideia de os meus amigos descobrirem...
Eles firam em silêncio, Harry pensado no que dizer e Duda se sentindo estranhamente aliviado e cansado por despejar tudo de uma vez.
— Não tem um pensamento otimista para mim? — Duda perguntou ironicamente e Harry lhe deu um sorriso envergonhado.
— Na verdade, eu não sei como ajudá-lo, você precisa falar com a sua mãe e um terapeuta. — Harry disse suavemente. — Quando eu... vivenciei a morte, o assassinato dos meus pais e, depois, a morte do Quirrell, foi muito difícil. Tantos sentimentos, tudo junto e tão confuso, parecia pesar sobre meus ombros, me empurrar em todas as direções e me senti perdido, esgotado. Conversar com o Sr. Martin ajudou mais do que eu posso explicar e, às vezes, ainda escrevo a ele para falar sobre o que estou sentindo e pensando. — Harry suspirou. — Mas posso lhe dizer que está sendo injusto em sua comparação, Duda, porque você ainda pode fazer algo sobre sua situação, pois mesmo que seja difícil, constrangedor ou que te enfureça, seus pais estão vivos e isso lhe permite um sem fim de possibilidades para o futuro e a relação de vocês. Sua mãe já mudou, se arrependeu dos seus erros, está se esforçando para ser uma mãe melhor e te ama muito. Quanto ao seu pai, mesmo no pior cenário, caso ele ainda continue a ser o mesmo de sempre, você ainda o terá e poderá ter algum tipo de relação e convivência com Vernon. — Harry olhou pela janela. — Meus pais estão mortos e isso não tem solução... Talvez, tendemos a falar só das qualidades quando homenageamos a memória de alguém que partiu, mas isso acontece porque não estamos falando de alguém que está vivo, Duda. O Jardim da Lily... — Ele suspirou levemente trêmulo. — É uma homenagem as memórias de dois mortos, por isso prestamos os nossos respeitos e os elogiamos, mas eles não eram perfeitos em vida. Meu pai era arrogante e egoísta na adolescência, perseguia e fazia bullying contra alunos rivais, demorou para amadurecer e se tornar o homem gentil, bondoso e de caráter que era ao morrer. Minha mãe tinha um temperamento meio assustador, era impulsiva, fácil em julgar as situações sem ter todos os fatos, tinha dificuldades em pedir desculpa e era rancorosa. — Harry o olhou e deu de ombros. — Ninguém é perfeito e meus pais não eram, assim como os seus não são, a diferença é que tudo o que sei sobre os meus pais é o que me contaram, mas você conhece os seus, Duda, e não deve perder a chance de viver o que o futuro reserva a vocês. — Ele se levantou. — Acho que tudo bem você estar com raiva, envergonhado e todas as outras coisas, mas ainda acredito que deve se manter otimista, pois existe a possibilidade de que as coisas mudem para melhor.
— Você não vai zombar de mim? — Duda perguntou ainda olhando para os punhos fechados.
— Isso o faria se sentir melhor? — Harry perguntou e o primo deu de ombros. — Ok. — Ele pensou por um instante. — Você é um chorão como o seu pai que deve estar berrando feito um bebezinho não prisão. E... apesar de não ser mais gordo, você ainda é feio como um porco de peruca.
Duda o encarou de olhos arregalados por um instante e depois caiu na gargalhada.
— Porco de peruca! — Ele riu descontroladamente e Harry o acompanhou até que o primo fungou levemente, enxugando os olhos. — Não sou um bebê chorão, seu magricela, tem apenas um cisco no meu olho.
— Nos dois? — Harry zombou e Duda acenou. — Ok. Olha, você tem um dia difícil pela frente e mais alguns anos que também não serão mamões com açúcar, não é fraqueza pedir ajuda, conversar e se chatear. Apenas, não se feche e empurre todo mundo para longe de você, Duda, porque somos sua família e eu aprendi que família tem essa função, nos ajudar a enfrentar os momentos difíceis.
— Acho que ainda me sinto envergonhado... — Duda disse lentamente. — Sabe, quando eles dizem como você é parecido com o seu pai ou sua mãe sobre isso ou aquilo, percebo que ser como o meu pai nunca será um elogio. Quero sentir orgulho do meu pai, Harry, como você tem do seu...
Harry acenou entendendo melhor, porque o orgulho que tinha dos seus pais era forte e especial.
— Ok. Primeiro, ninguém deve julgá-lo ou compará-lo ao seu pai, para o bem ou para o mal. — Ele disse e deu de ombros. — Às vezes, eu tenho que lembrá-los que sou Harry e não James ou Lily, também não quero ter que ser como eles ou ter todas as suas qualidades, pois sou minha própria pessoa com defeitos e qualidades diferentes. Também tenho sonhos diferentes, talentos, pensamentos e sentimentos próprios, assim, me esforço para não deixar que suas qualidades pesem sobre mim. Você é você, Duda, para o bem ou para o mal, não é uma cópia do seu pai. — Seu primo parecia ouvir atentamente. — Sobre se orgulhar do seu pai, isso depende dele e de suas ações futuras, acho.
— E se ele não mudar? O que acontece se meu pai continuar a ser o mesmo cara mesquinho e preconceituoso de sempre? — Duda perguntou angustiado.
— Bem, então, você terá que aprender a viver com essa realidade e lidar com isso da melhor maneira possível. — Harry disse sincero. — Às vezes, as coisas são como são, Duda, injustas e imperfeitas... Acredite, se eu não tivesse aceitado isso, teria enlouquecido de raiva pelo que tiraram de mim.
Seu primo acenou e, pouco antes do Harry deixar o seu quarto, disse baixinho.
— Seus pais eram incríveis, Harry e... teriam sido os melhores tios... — Harry acenou de olhos fechados e não se virou, pois não queria que o primo visse em sua expressão, a tristeza que sentia. — Sinto muito... por eles e pelo que os meus pais lhe fizeram... sinto muito mesmo...
Ele voltou a acenar sem palavras, pois nunca esperou que seu primo, algum dia, se desculpasse por sua infância, depois, saiu do quarto e desceu para o café da manhã. A mesa estava com muitos ausentes e Serafina explicou o porquê.
— Falc, Sirius e Remus já foram se encontrar com o Edgar, eles estão organizando a viagem dos líderes para a ilha. — Ela disse agitada. — Precisamos seguir também, pois temos muito o que organizar e preparar para o almoço.
Harry acenou e, rapidamente todos começaram a se preparar para passar o domingo de páscoa na ilha. Sua tia Petúnia e Duda saíram primeiro com Denver, que tinha chegado com Sirius e tomou o café da manhã com a família. Harry falou brevemente com sua tia, que estava ansiosíssima e aliviada pelo oferecimento de Denver, pois não se sentia em condições de dirigir para um penitenciária. Ela confessou ao sobrinho que estava ainda mais preocupada com a viagem de volta, afinal, o encontro com Vernon era uma incógnita.
Dobby, junto com dois elfos contratados do Jardim dos Elfos, já estavam na ilha, usando a recém reformada cozinha para a preparação do almoço. Os dois novos elfos foram convencidos por Dobby a serem livres e trabalharem por um salário justo, folgas e férias, assim, Pink e Donnie assumiriam a cozinha da nova escola.
— Acredito que temos tudo. — Serafina acenou com a varinha e enviou tudo o que necessitariam para Stronghold. — Seguiremos para a GER pelo flu, onde encontraremos ajuda para a aparatação acompanhada. — Crianças, vão em frente, eu ajudarei os seus avós.
Terry, Ayana, Adam e Harry passaram pelo flu, Prof. Bunmi e a Sra. Madaki vierem com a ajuda de Serafina. A GER estava fechada, afinal era domingo, mas, ainda tinha alguma atividade, pois alguns dos funcionários estavam envolvidos com o que aconteceria hoje. Uma refeição especial de Páscoa estava sendo enviado para as matilhas e grupos que a GER mantinha a localização desde as doações das semanas anteriores. Belle, a Diretora da Divisão Evans, foi quem os lembrou que oferecer um almoço farto para os lideres, enquanto seu pessoal passava necessidade era, no mínimo, cruel.
Além disso, quando os contratos fossem assinados, se fossem assinados, nas próximas semanas, a GER iniciaria imediatamente o processo de reconstrução da vila, abertura da fazenda de flores na floresta da ilha, selecionariam os lobisomens para cada função ou treinamento, além de organizarem a abertura da nova escola e clínica em Stronghold. A verdade é que essa primeira reunião para a negociação da assinatura dos contratos era apenas o começo de meses e meses de muito trabalho. Harry era obrigado a admitir que se sentia ansioso, afinal, a reunião com os Davis não fora positiva como eles esperavam. Ainda, ele deveria ter considerado essa possibilidade, afinal, a Sra. Serafina não demorou meses para aceitar o envolvimento deles? Portanto, era de se supor de os pais de Tracy ou de qualquer outro membro do Covil, reagiriam da mesma maneira.
Esse fato o fazia pensar nas preocupações de Hermione em envolver alunos tão jovens, menores de idade, sem o consentimento dos pais em algo tão perigoso e extremo como uma guerra. E, não adiantava ele tentar se convencer que treiná-los não significava que os estivesse preparando ou esperando que lutassem, pois sabia que quando chegasse o momento da batalha, nenhum deles recuaria e se acovardaria.
Harry se manteve em silêncio e pensativo enquanto as aparatações acompanhadas eram definidas. A princípio, Serafina ficara tensa com a ideia de levar seus pais e os filhos mais jovens para a reunião, principalmente Adam, que ainda não falava ou deixara de ter pesadelos depois do seu sequestro. No entanto, o Prof. Bunmi foi quem a convenceu com suas palavras sábias.
— Você está tentando dizer que não os teme, que os considera como seus iguais e os convidou para um almoço de páscoa. Isso é muito mais que uma reunião, filha, isso é um encontro familiar e, portanto, sua família tem que estar presente, pois se não, todo o seu discurso é uma tremenda hipocrisia.
Depois disso, os planos foram feitos em acordo com essas palavras. Crianças e trouxas estariam presentes para o almoço, ainda que apenas os pais de Serafina, que tinham conhecimento de todos os aspectos do plano e poderiam ajudar. A mãe de Lisa mostrou interesse em comparecer, mas, ela ainda não tinha assinado contratos de confidencialidades ou sabia das possíveis dificuldades que enfrentariam com os lobisomens fora da lei, como Teagan e Gun. Alguns membros do Covil também compareceriam, mas apenas aqueles que poderiam acrescentar a reunião, como Lisa, Dean e Penny. Foi Harry quem recusou mais colegas presentes na reunião, pois poderia distrair a discussão e seriam muitos alunos passando o domingo de páscoa em um lugar desconhecido por seus pais, a base de pouca explicação ou mentiras. Além disso, a localização da ilha não seria revelada a toda Equipe Covil até que os contratos mágicos mais rígidos fossem devidamente assinados.
Uma das presenças mais importantes em sua opinião, era a do Firenze, pois Harry acreditava que os lobisomens entenderiam a sinceridade das propostas ao verem que o jovem centauro era um companheiro e amigo.
— Vamos, Harry? — A voz de Lucy Brown interrompeu os seus pensamentos. — Belle está pronta para te levar.
— Sim. — Ele sorriu grato e ansioso.
Belle era a Diretora da Divisão Evans e Lucy sua assistente, assim, as duas estariam envolvidas nas atividades de hoje. Enquanto Belle compareceria à reunião, Lucy lideraria a equipe que entregaria o almoço para as matilhas e grupos. Olhando em volta, Harry podia ver por suas expressões que eles estavam animados e ansiosos para iniciar o trabalho duro, assim que tivessem um acordo assinado com os lobisomens.
Eles foram para o ponto de aparatação e, Harry segurou o braço de Belle com firmeza. A viagem seria em duas etapas, a primeira, de Londres a Edimburgo, depois, da capital escocesa para Stronghold. Quando eles pousaram na ilha, Harry ignorou o estômago levemente enjoado e olhou em volta com um grande sorriso de admiração. As fotos não faziam justiça para tanta beleza, pensou ao sentir seu coração se acelerar ao encarar o lindo castelo branco com o mar ao fundo. Então, havia a floresta, os montes escarpados onde a grama e flores que nasciam com a primavera combinavam com o castelo, o mar azul e a brisa fria que bagunçava os cabelos. Mas com certeza, o ponto principal da ilha e que tirava o fôlego, era o lindo e enorme castelo, não tão grande quanto o castelo de Hogwarts, mas ainda muito bonito por ser de pedra branca, com uma arquitetura mais romântica e que lembrava o castelo de um conto de fadas.
— Uau... — Ele sussurrou com os olhos brilhando. — Espero que eles sintam isso.
— O que? — Belle perguntou curiosa.
— Esse lugar é perfeito para se construir um lar, Srta. Belle, não uma casa ou negócio, mas um verdadeiro lar. — Harry disse olhando em volta encantado.
Ela acenou concordando e sorriu enquanto caminhavam na direção do castelo. Havia um pátio de pedra na frente das portas, com uma fonte de querubins que espirravam água pela boca. As portas de madeira avermelhadas eram imensas e estavam abertas para um saguão amplo de mármore avermelhado que seguia até uma grande escadaria.
— O castelo foi um convento logo depois de sua construção no século XV, por isso as fontes de querubins. Depois, ele se tornou um lar para uma família trouxa, antes de pertencer aos Stronghold, que reformaram no século XIX e tornaram tudo mais luxuoso, principalmente os acabamentos. — Belle disse suavemente. — A nossa reforma não terminou completamente, mas, Ian e Mac estão conservando e restaurando tudo exatamente como era depois da última reforma. O mármore no saguão é um mármore imperador de origem italiana que deve ter custado uma fortuna e veja o corrimão da escada. — Harry olhou para o corrimão dourado e arregalou os olhos. — Sim, é feito de ouro. Bem, como será uma escola, não é necessário tanto luxo, mas, para uma família riquíssima viver, um castelo luxuoso era algo comum entre os bruxos puros do passado.
— O que está pronto até agora? — Harry perguntou curioso ao olhar em volta do lindo saguão, até as paredes eram de mármores, mas era branco e não marrom avermelhado como o chão.
— As paredes são de mármore Carrara. — Ela disse ao ver seu olhar curioso. — Bem, incrivelmente, apesar desse saguão luxuoso e das áreas de visitas terem acabamentos igualmente caros, os cômodos familiares são mais simples e caseiros, como se o objetivo fosse o conforto e não as aparências. Temos o salão de baile, que será o Grande Salão para as refeições das crianças e que está pronto. Teremos a reunião por lá e o chão também é de mármore imperador, mas felizmente, as paredes têm uns janelões imensos que dão para o penhasco com uma vista incrível do mar. Do outro lado, a parede é de pedra branca normal, o ambiente é incrivelmente lindo e romântico, mas não tão luxuoso. A cozinha também está pronta e foi completamente modernizada, na verdade, o lugar precisou ser todo reestruturado, pois necessitamos de uma cozinha maior para uma escola, além de uma área de despensa e lavanderia. — Harry acenou compreendendo. — Ficou muito bonito e Mac escolheu acabamentos que combinem com o resto castelo, sem serem luxuosos e caros demais. Neste primeiro andar, as áreas familiares foram totalmente abertas e se transformarão em uma grande Biblioteca e área de estudo, o chão é de madeira avermelhada e combina bem com as paredes de pedras brancas, verdadeiramente, tudo fica muito aconchegante. O porão ou masmorra será convertido em áreas de treinamento físico e arenas de duelos. — Eles caminharam para as portas em madeira creme que se abriam para o Grande Salão descrito anteriormente. Era a metade do tamanho do Grande Salão de Hogwarts, mas lindo e imponente, com uma única e gigantesca mesa central, que estava sendo preparada para o almoço. — Os andares superiores, são 4 no total, ainda não estão prontos, mas, serão transformados em salas de aulas, salas de convivência e também serão bem aconchegantes com chãos de madeira avermelhada.
— A madeira do chão é a mesma ou precisou ser trocada? — Harry perguntou.
— A mesma, relativamente bem conservada por magia, mas precisando de alguma restauração. — Belle explicou. — Mas as janelas precisaram ser trocadas, infelizmente a madeira exposta ao ambiente marinho e úmido não estavam em boas condições. O que foi bom, pois isso permitiu que as janelas fossem ampliadas para aumentarmos a claridade sem corromper a arquitetura. Isso tornará o castelo menos escuro e permitirá aos alunos uma vista linda, seja do mar, dos morros escarpados ou da floresta.
Harry acenou conseguindo visualizar tudo o que ela explicava e pensando que a escola seria maravilhosa e um bom ambiente de estudo.
— Dá para ver a vila daqui? — Ele perguntou curioso.
— Não, a vila ou o que sobrou dela está do outro lado da ilha, em frente a uma linda praia, é possível vê-la apenas do alto da torre mais alta. — Ela disse suavemente. — Os alunos caminharão por alguns quilômetros para chegar aqui, pois não seremos um internato, não teremos quartos ou salas comunais. Ainda que a Serafina sugeriu uma sala de estudo e convivência em cada andar, além da área de estudo junto a Biblioteca.
— E as torres? — Ele sabia que tinham duas grandes torres e uma menor.
— Uma será a Torre de Poções, onde teremos laboratórios de poções para pesquisas e preparação da Wolfsbane, além da sala de aula de Poções. A outra será a Torre de Astronomia, pois estar no alto é importante para essa disciplina. Quanto a torre menor, acredito que se tornará a sala do diretor, apesar de ouvir de Remus que ele não precisa de uma torre inteira. — Ela sorriu divertida. — Serafina disse que pretendem transformar a torre em toda a área administrativa, com arquivos, área da secretária, salas dos professores, sala da vice-diretora e a sala do diretor.
— Isso é brilhante! — Harry disse sorrindo. — Bem, acho que estamos com tudo bem encaminhado, assim que assinarmos os acordos, acredito que não demorará muito para que a escola possa ser inaugurada.
— Eu concordo e estou ansioso por isso. — Remus disse as suas costas. — Estive com os líderes, eles estão aguardando a chegada de Teagan e Gun, então, todos serão aparatados para cá. — Ele olhou para o relógio. — Provavelmente devo voltar, eu apenas me afastei para ajudar Filius e Firenze a chegarem a ilha.
— Eles já estão aqui? — Harry sorriu ainda mais e olhou animado para a entrada, onde Firenze e Filius entravam conversando e olhando em volta encantados. — Com licença. — Ele acenou para Belle e Remus. — Professor! Firenze!
— Harry!
— Meu amigo. — Eles se cumprimentaram alegres e Harry contou a eles tudo o que Belle tinha acabado de informá-lo.
— Harry, os professores também não viverão no castelo? — Flitwick se mostrou curioso.
— Não. Aqui teremos apenas uma escola normal, sem internato ou habitantes, acredito que apenas os dois elfos viverão aqui, afinal, eles não têm um lar próprio. — Harry disse suavemente. — De qualquer forma, essa é uma ilha onde lobisomens reais circularão livremente, não quero restringi-los em seu novo lar ou que aqueles que viverem na ilha não tenham uma casa de verdade. Quer dizer, sei que Hogwarts é o seu lar, professor e entendo, mas...
— Mas não deveria ser assim. — Flitwick disse pensativo. — Você está certo, Harry, eu e todos os professores de Hogwarts deveríamos ter um lar, uma vida fora da escola, mas até mesmo nas férias, a maioria de nós vivemos no castelo, com apenas poucas viagens aqui ou ali.
— Exato. — Harry deu de ombros levemente constrangido. — Se Firenze viver na ilha, gostaria que ele tivesse sua própria casa, não apenas um quarto, e ainda ser obrigado a fazer suas refeições no Salão, servido por elfos e sem poder receber seus amigos.
— Eu gostaria disso. — Firenze disse suavemente. — Gostaria de ter um verdadeiro lar, não apenas um aposento impessoal.
— Há tanto o que fazer, quer dizer, depois de assinarmos os contratos. — Harry suspirou ansioso e viu a Sra. Madaki e Serafina deixando a cozinha sorridentes.
— Todos já estão aqui, agora só falta os líderes. — Serafina disse ansiosa. — Dean, Lisa e Penny foram trazidos por Sirius e Falc, como combinado.
Harry acenou e acenou para os amigos que se aproximavam. Lisa e Dean foram orientados a irem até os escritórios Blacks, assim não perceberiam o envolvimento da GER, Penny os acompanhou para disfarçar.
— O Sr. Edgar está por aqui? — Penny perguntou ansiosa para ajudar.
— Ele foi com Remus, Sr. Boot, Sirius e Falc buscar os líderes. — Harry disse. — Acredito que logo estarão aqui.
— Maravilha. — Penny disse e, percebendo Belle, pediu licença e se afastou.
— Quem é ela? — Lisa perguntou curiosa.
— Bem, estamos reformando o castelo e, quando assinarmos os contratos, começaremos a reconstrução da vila, a preparação da abertura da escola, a reativação da fazenda, assim, precisaremos de muita ajuda. — Harry explicou como estava combinado. — Sirius e o Sr. Falc não podem fazer tudo, portanto, pedimos ajuda para a GER, ela e o Sr. Edgar são Diretores dessa empresa.
— Oh! — Lisa e Dean pareciam surpresos. — Mas, o que eles ganham ajudando?
— Nada, realmente. — Harry sorriu. — Lembra-se que a Penny deu a ideia de pedir ajuda da GER para enviar nossas doações a comunidade lobisomem? — Eles acenaram. — Bem, a GER tem uma Divisão que se chama Divisão Evans e seu objetivo é ajudar o mundo bruxo, com projetos sociais, luta contra a discriminação, bolsas de estudos e muito mais. Nossa ideia de dar um lar para os lobisomens se encaixa com seu propósito em ajudar todos os seres e criaturas mágicas, assim, nós pedimos ajuda com a logística e organização do empreendimento e eles adoraram a ideia de participar.
— Que legal. — Dean disse curioso. — Isso me deixa ainda mais curioso para saber quem é o dono.
— Quando assinarmos os contratos, a Divisão Evans cuidará de tudo? — Lisa perguntou ansiosa.
— Com a ajuda de todos, Remus, Serafina, Firenze, que serão professores, além de Sirius e Falc. — Harry disse suavemente. — A nossa equipe de adultos é muito capaz, Lisa, não se preocupe.
Ela acenou e depois se afastou com Dean para conhecer Belle.
— Harry, assim que voltar para a escola, devemos iniciar suas aulas de arco e flecha. — Firenze disse com o cenho franzido. — Não quebrarei minha promessa, mas, meu tempo na Floresta dos meus antepassados está se esgotando.
— Claro! — Harry sorriu animado e agradecido. — Obrigado, meu amigo.
— De nada. — Ele disse gentilmente. — Ah, não se esqueça de levar a sua parceira com você.
Firenze de afastou suavemente na direção do pequeno grupo e Harry franziu o cenho confuso.
— Parceira? — Flitwick, o único que se mantinha ao seu lado perguntou curioso. — Está namorando alguém, Harry? — Ele parecia surpreso e levemente divertido, pois seu aluno era muito jovem.
— Não! Eu... não. Porque o senhor diria isso? — Harry perguntou constrangido.
— Bem, para os centauros, uma namorada ou esposa é chamada de parceira, pois o termo companheiro ou companheira, são mais comumente usados para se referir aos companheiros de luta ou caça. — Flitwick explicou didaticamente. — Firenze é um caçador e caça com seus companheiros e, um dia, ele se casará com sua parceira. Entende?
Harry acenou e olhou para o amigo centauro imaginando se ele sabia de algo sobre o futuro ou sua parceira.
— Bem... hum... eu não estou namorando, sou muito jovem, professor. — Harry disse, sentindo o rosto esquentar ainda mais.
— Ok. — Flitwick o olhou divertido e decidiu não insistir.
A mesa estava posta para o almoço, mas ninguém se sentou, apenas circularam em pequenos grupos conversando e esperando ansiosamente. Serafina serviu a todos com sucos e pequenos canapês, Harry aproveitou para ir à cozinha conhecer Pink e Donnie, Dobby os apresentou orgulhosamente, animado por poder dizer que era amigo e funcionário de Harry Potter. Os dois pequenos elfos o encararam com olhos arregalados de assombro e admiração, agradecendo profusamente por contratá-los para o trabalho no castelo da ilha.
A comida do almoço tinha sido preparada entre sexta-feira e hoje pela manhã, já que ontem eles tiveram a inauguração do Jardim da Lily e Harry tinha ajudado na sexta, mas, hoje, estava muito ansioso para se concentrar em cozinhar. Felizmente, entre os três elfos, Serafina e a Sra. Madaki, eles tinham tudo pronto e a fartura, o cheiro e a aparência da comida estavam dando água na boa, assim, Harry se despediu e voltou para o Salão.
As 10 horas, eles ouviram vozes e em poucos segundos o primeiro grupo chegou. Eram os anciões e Harry os cumprimentou com apertos de mãos e sorrisos, depois os apresentou a todos com a ajuda de Flitwick, que abraçou sua amiga Alice carinhosamente. Dean se colocou ao lado de Theo Goldman, o crivando de perguntas, Lisa ao lado ouvia tudo atentamente. Firenze e Simon se juntaram com o Prof. Bunmi e o inusitado grupo de trouxa, lobisomem e centauro parecia bem à vontade. Bridget, esposa de Theo, rapidamente fez amizade com a Sra. Madaki, se dispondo a ajudar com o almoço, enquanto Mark, Fennah, Jonas, Dorian e Robert se espalharam entre os outros grupos.
O segundo grupo tinha Elfort, Tenny, Becky, Blythe, McGregor, Sonnian e Raven. Harry ainda não os conhecia, assim, se apresentou e apertou suas mãos firmemente. Elfort lhe bateu nos ombros agradecendo por sua ajuda com a fuga dos aurores. Tenny, quase surdo e rabugento, gritou que não aceitaria ordens de um garoto, mas, Harry disse que ele não pretendia dar ordens e sim, lhe fazer uma proposta de negócio. Isso pareceu surpreendê-lo e, antes que Becky o levasse para se sentar, tomar um suco e comer uns canapês, ele berrou:
— Gosto desse magricela, Becky!
A última viagem trouxe Gun e Teagan, que olhavam em volta com expressões desconfiadas e ansiosas, provavelmente pensando em como fugir no caso de estarem caindo em uma armadilha. Junto com eles, vieram outros líderes com expressões pouco amigáveis ou simplesmente desagradáveis. Harry e seus adultos estavam dispostos a abrir a ilha para todos, mas sabiam que nem todos os grupos ou matilhas viviam uma vida correta e honrada. Um deles olhou para o Harry com uma expressão calculista e um outro, parecia resistir a vontade de lhe enfeitiçar.
Harry se apresentou a todos e apertou suas mãos, ganhando alguns olhares surpresos e espantado daqueles que nunca foram cumprimentados com tanta cordialidade ou respeito. Bebidas e canapês saborosos foram servidos, de uma maneira bem simples e informal, mas que ainda destoava da maioria dos convidados, que se vestiam com roupas limpas, mas velhas e puídas. A presença de Firenze pareceu espantar a todos e Cara Raven, líder de um grupo de lobisomens só de mulheres pareceu encantada ao conversar com ele.
Finalmente, às 11 horas, Serafina chamou a todos para se sentarem para o almoço de páscoa. Assim que eles se acomodaram, os lobisomens levemente espantados ou constrangidos por todos, inclusive as crianças, se sentarem com eles, a comida magicamente foi enviada da cozinha. A fartura e o cheiro saboroso arrancaram exclamações de espanto, engasgos e gemidos de prazer por todos os lados e Harry viu que muitos pareciam emocionados por poderem comer tanta comida.
— Antes de comermos, eu gostaria de lhes dizer que me sinto muito feliz por tê-los aqui. — Harry disse a cabeceira da mesa antes de se sentar. — Esta ilha foi me deixada por um parente distante que queria me agradecer por ter matado Voldemort. — Exclamações de choque, estremecimentos e rostos pálidos acompanharam o nome temido, mas Harry ignorou. — Por isso, acho que esse é o lugar perfeito para ser o lar daqueles a quem Voldemort e os puristas mais desprezam e discriminam. — Houve alguns acenos. — Sei que alguns de vocês se preocupam com os seus grupos e matilhas, mas enquanto conversamos, um grupo de pessoas gentis e atenciosas, que trabalham com a Srta. Belle, está entregando comida a todos eles ou para aqueles que temos a localização do acampamento. Assim, comam sem culpa e... Feliz Páscoa! — Harry apontou para Belle enquanto falava e ela acenou e sorriu confirmando a informação, para espanto de todos. Ao fim do pequeno discurso, ele se sentou e começou a se servir.
Isso pareceu descongelar a todos e, rapidamente, os pratos se encheram da comida saborosa. Seus adultos tinham se espalhado por toda a mesa para que não houvesse uma separação entre eles e o grupo de líderes, ao mesmo tempo em que poderiam conversar e conhecê-los melhor. Adam e Ayana se sentaram entre sua mãe e os elfos domésticos, que timidamente aceitaram o insistente convite do Harry para participarem do almoço com eles. Dobby sorria orgulhoso e incentiva Pink e Donnie a comerem, ao mesmo tempo em que mantinham uma conversação divertida com as duas crianças, Adam ainda fazia gestos, que eram traduzidos por Ayana.
Firenze se sentava na outra extremidade da longa mesa, conversando profundamente com a Sra. Raven e Becky, enquanto Remus, no meio, mantinha um assunto animado com Elfort e Henderson, gesticulando e falando sobre a beleza da ilha e do castelo. Falc respondia perguntas jurídicas feitas por Gun, com Quirke e Travers ouvindo tudo atentamente, enquanto Serafina conversava com Sonnian e Blythe. Prof. Bunmi, sua esposa, Sr. Boot se mantinham em uma conversa solene com os anciões, enquanto Belle explicava o trabalho da Divisão Evans para Myers e McGregor. Flitwick, sentado à direita do Harry, conversava com James e Trevelyan, enquanto T apenas comia sem parar e Harry teve a impressão que ele escondia alguns pedaços de carne assada no bolso.
Harry tentou acompanhar a maior parte das conversas, pelo menos as mais próximas e respondeu diretamente algumas perguntas, mas de resto, ele observou e se preparou para a reunião que viria ao fim do almoço. O clima do almoço era estranhamente engessado, afinal, eles eram todos estranhos e tinham uma natureza desconfiada. Portanto, não haviam risos ou conversas altas, mas o Harry refletiu que o fato de conseguirem almoçar juntos sem um grande silêncio constrangedor, era uma vitória.
A Sra. Madaki, Adam e Ayana seriam levados de volta por Dobby depois da sobremesa e, assim, os assuntos pesados poderiam ser discutidos. Esperançosamente, todos queriam que a reunião fosse tranquila e terminasse com resultados positivos, mas, o Prof. Bunmi fora bem realista ao lembrá-los que os lobisomens eram pessoas oprimidas, perseguidas e abandonadas. Isso tornava toda a situação delicada e exigia equilíbrio, inteligência e frieza.
Todos também concordaram que o Harry deveria liderar a reunião. Não dava para ele deixar que Sirius, Falc ou Edgar assumissem desta vez, afinal, a ilha, o castelo e os planos eram deles. Aliás, Edgar nem ficou para a reunião, acreditando que ter Belle como representante da GER era mais inteligente e menos oficial, afinal eles não queriam associar a GER ao Harry. Além disso, os contratos seriam assinados em favor da Família Potter e, reconhecidamente, era do Harry a luta mais importante neste dia. Se vivessem em um mundo ilusório, o mais importante hoje seria a luta contra a discriminação, a injustiça e a desigualdade, mas a verdade era que hoje, eles venceriam uma batalha contra Voldemort, uma que o maldito ainda não sabia que estava lutando.
Apesar de ansioso e tenso, Harry se sentia mais preparado para isso do que se sentiu para a visitação do Jardim da Lily, pois, por alguma razão desconhecida, enfrentar esse momento era menos assustador do que todas as atenções do dia anterior. O fato de que seus adultos e amigos estavam ali para apoiá-lo incondicionalmente também lhe dava segurança e Harry esperava que toda a preparação que fizerem naquelas semanas fosse o suficiente para terem sucesso.
A comida deliciosa, incluindo a sobremesa, foram muito elogiadas e seus cozinheiros coraram e agradeceram. Logo depois, Pink e Donnie foram para a cozinha e começaram a limpeza da cozinha e dos pratos, enquanto a Sra. Madaki recolheu os netos e saiu para uma caminhada pela ilha.
— Vamos dar uma volta e caminhar pela praia antes de partimos. Não se preocupem, pois, o Dobby estará conosco e estaremos seguros. — Ela disse sorrindo. — Foi um prazer conhecer todos vocês e espero poder voltar em breve para ajudá-los a se acomodarem.
Adam e Ayana acenaram, beijaram seus pais e correram a frente da avó, ansiosos por passearem pela linda ilha, enquanto Dobby se apressava em segui-los para ter certeza de que estavam seguros.
O silêncio depois da saída deles trouxe uma certa tensão ao ambiente e o primeiro a falar com um sorriso frio foi Travers, que encarava Sirius com olhos negros vazios.
— Acredito que agora que terminamos de jogar, podemos ir para os negócios, Black.
A tensão se dobrou rapidamente e Sirius retribuiu o olhar frio, mas, quem respondeu foi o Harry, na cabeceira da mesa.
— Na verdade, os negócios começaram desde o momento em que pisou em minha ilha, Travers. — Harry disse retribuindo o sorriso. — Não duvide disso. — Todos direcionaram seus olhares para ele e sua expressão se tornou mais calorosa, ainda que se mantivesse séria. — Antes de começarmos, gostaria que fizéssemos uma espécie de apresentação individual. Está reunião, este momento, é importante e histórico, assim, manteremos registros dos presentes e dos assuntos discutidos. Meu conselho é que quando tiverem suas próprias reuniões como matilha, vocês também mantenham esse registro.
Harry olhou para Serafina que acenou com a varinha e um livro de registro se abriu e uma pena começou a escrever magicamente.
— Primeira reunião com os líderes das matilhas e dos grupos na Ilha Stronghold. Hoje é 11 de abril de 1993, eu sou Harry James Potter, herdeiro e único membro da Família Potter, 12 anos, dono de Stronghold e o negociante principal da proposta de acordo com a comunidade lobisomem. — Os lobisomens o escutavam espantados pela formalidade e por serem informados que o Harry era o líder da reunião. — O acordo proposto pela Família Potter a comunidade lobisomem é sobre o arrendamento da Ilha Stronghold e na reunião de hoje, iniciaremos as negociações. Meus objetivos, proposições e condições serão apresentados aos líderes presentes, que poderão ou não, individualmente ou coletivamente, aceitarem a minha proposta.
Harry parou de falar e viu um dos anciões, Mark, levantar o braço como se pedisse permissão para falar, ele apenas acenou com um sorriso gentil.
— O que quer dizer individualmente ou coletivamente?
— Quer dizer que se algum de vocês ou suas matilhas e grupos não aceitarem a minha proposta, isso não impossibilita que os outros aceitem e cheguemos a um acordo. — Harry disse e viu muitos suspiros de alívios e expressões menos tensas, enquanto olhares contrariados eram lançados em direção a Travers. — Vocês poderiam se apresentar? Nomes verdadeiros, por favor.
— Apenas nomes e idade? — Sra. Raven perguntou curiosa.
— Informações sobre suas matilhas ou grupos, números de membros seria importante também, além de um resumo de suas histórias. — Belle respondeu suavemente. — Bem, acho que posso começar. Sou Isabelle Perrin, sou meia bruxa e meia ninfa, tenho 31 anos e trabalho na GER como diretora da Divisão Evans. Nosso objetivo é ajudar os seres mágicos a terem uma vida digna e justa, por isso, estamos apoiando Harry Potter em seu projeto. Minha assistente, Lucy, está coordenando a entrega do almoço de páscoa para o seu pessoal e espero que minha equipe e eu possamos ajudá-los nos próximos meses, quando iniciarem uma nova vida na Ilha Stronghold.
— Sou Filius Flitwick, meio bruxo e meio goblin, 53 anos e professor de Feitiços de Hogwarts. — Filius foi em seguida. — Estou aqui como testemunha e apoio para Harry e a comunidade lobisomem, espero poder ajudá-los no que precisarem.
Aos poucos o seu lado da reunião se apresentou, Sirius, Serafina, Falc, Sr. Boot, Remus. Os destaques foram Penny...
— Sou Penny Clearwater, mestiça, 17 anos, aluna e monitora do sexto ano de Hogwarts. — Ela seriamente. — Também sou membro da Associação de Pais de Hogwarts e presidente do Comitê dos Alunos. Nos últimos meses, meus colegas e eu trabalhamos para recolher materiais de estudo, roupas e brinquedos para as crianças que viverão nesta ilha e estudarão neste castelo. Este é um presente de alunos para alunos e o Comitê dos Alunos de Hogwarts se sente honrado em ajudá-los. Particularmente, espero que o pouco que fazemos os façam se sentirem bem-vindos.
Suas palavras trouxeram expressões espantadas e emocionadas nos rostos de alguns dos líderes. Depois foi a vez de Dean e Lisa.
— Sou Lisa Turpin, meia bruxa e meia lobisomem. Meu pai foi assassinado pelos aurores e estou aqui para ajudar o seu povo, o meu povo, a encontrarem uma vida melhor e digna.
— Sou Dean Thomas, meio bruxo e meio lobisomem. Sei que meu pai estaria orgulhoso por eu estar aqui hoje, ele foi assassinado pelos aurores e espero que possamos vencer as injustiças e preconceitos que levaram a sua morte.
Algumas exclamações de espanto se espalharam entre os lobisomens com suas declarações de meios lobisomens, mas, o orgulho e sinceridade de Lisa e Dean eram inegáveis.
— Vocês não se transformam? — Cara Raven perguntou em um sussurro assombrado.
— Não, senhora. — Eles responderam, o que causou mais exclamações de espanto pela mesa. Harry olhou para Remus que disse em seu olhar que poderiam conversar sobre isso mais tarde.
— Sou Bunmi Madaki, trouxa, negro e professor. — Ele disse com orgulho. — Eu deixei o meu país de infância em busca de um mundo mais civilizado, mais justo e seguro, pois em minha terra, a terra dos negros, ser negro era uma ofensa aos brancos. Descobri que esse mundo que eu idealizei, não existe, pois em todos os lugares existem homens que se acham superiores, que discriminam e violam os direitos do próximo. — Ele olhou com firmeza para os rostos presentes e ganhou o respeito de muitos apenas com isso. — Não há como ir em busca de um mundo de ilusões, o único caminho é lutar contra as injustiças em nosso mundo. Eu aprendi que, para que o mal triunfe, basta que nos calemos, cruzemos os braços e fechemos os nossos olhos. Durante toda a minha vida, eu não temi os gritos dos maus e sim, o silêncio dos bons. — Prof. Bunmi se inclinou para frente. — King disse isso, um lutador, mais um assassinado por causa dos preconceitos e da violência humana. Trouxa, bruxo, lobisomem, não importa sua ascendência e sim, o seu coração. Eu estou aqui porque serei o professor das suas crianças e espero ajudá-los a encontrar as suas vozes.
Suas palavras emocionaram e tornaram as expressões de muitos deles mais solenes, pois perceberam que não estavam ali apenas por si mesmos. Naquela reunião residia o futuro dos lobisomens, principalmente de suas crianças.
Firenze foi o próximo.
— Meu nome é Firenze e sou um centauro do clã das terras de Hogwarts. — Seus olhos prateados e expressão etérea mantiveram todos atentos as suas palavras. — Há muito tempo os movimentos dos planetas me mostraram que o meu destino não era com o meu clã. Minhas interpretações me levaram a entender que o meu futuro está entrelaçado ao coração do jovem guerreiro. Aqui reside o seu coração, olhem em volta todos vocês e vejam sua família, amigos e aliados. Todos o amam, o apoiam, o seguem, o protegem e lhe confiam, assim, esse é o nosso destino, viver no coração do guerreiro. Esse é um destino nobre e honrado que me disponho a viver com coragem e esperança. Hoje, vivemos o começo dos nossos destinos e todos devem ter coragem de serem mais e, assim, mudarem nossas vidas e o destino do mundo. Viverei nesta ilha como seus conterrâneos e serei o professor nesta nova escola, espero também ser amigo dos meus companheiros de jornada.
Firenze abaixou a cabeça regiamente mostrando o seu respeito e a maioria retribuiu ao perceberem que estavam diante de um sábio e vidente poderoso.
Um pigarro interrompeu o silêncio e demonstrando coragem, Becky foi a primeira a se apresentar.
— Sou Rebeca Young, mas prefiro Becky. — Ela disse suavemente, mas ao olhar para o Harry, seus olhos verdes bondosos lhe deram mais firmeza. — Sou uma lobisomem, tenho 44 anos e fui transformada aos 11 anos, pouco antes de ir para Hogwarts. No ataque, meus pais foram mortos e fui enviada para os acampamentos, onde fui prisioneira do Ministério até que... você-sabe-quem nos libertou. Eu fugi dos comensais e dos aurores, até que me juntei a Tenny e ele se tornou o líder da nossa matilha, que chamamos apenas de Matilha Tennison e ela cresce mais a cada ano. Somos 416 membros e hospedamos um quarto da matilha do Gun.
— Bem, agora que Greyback está bem morto, talvez ela pare de crescer. — Disse Tenny incrivelmente lúcido e divertido. — Sou Kevin Tennison, 81 anos e um lobisomem desde os 45. Nunca mais vi minha esposa e filhos depois que fui mordido, nem sei se tenho netos, mas, agora que estou velho e doente, isso não importa. O que é importante é que os jovens tenham uma vida melhor do que a que eu tive e espero que esteja sendo sincero garoto ou voltarei do meu túmulo para assombrá-lo. — Alguns riram, mas Harry apenas acenou com expressão solene. — Quando eu me for ou antes disso, Becky me representa e minha matilha, assim, tudo o que ela disser é como se eu dissesse.
Becky sorriu emocionada para o homem que era como um pai para ela e apertou sua mão com carinho.
— Sou Harvey Elfort, sou o alfa da Matilha Elfort, temos 233 membros e também hospedamos pelo menos um quarto da matilha do Gun. — Ele explicou, acenando na direção geral de Gun, que se mantinha sério e desconfiado. Teagan, incrivelmente, parecia mais relaxado como se estivesse se divertindo. — Tenho 49 anos e sou um lobisomem desde os 14 anos, estou aqui porque acredito no garoto e quero ouvir sua proposta. — Elfort falou de maneira rápida e seca.
— Sou Douglas McGregor. — O ruivo escocês falou a seguir. — Sou o alfa de uma matilha, que chamamos de Martilha Tuath, quer dizer Norte em gaélico e tem esse nome porque nos mantemos bem ao norte, sempre acampando nas montanhas escocesas. Somos 122 membros, apenas homens... bem, a maioria dos lobisomens são homens e a vida no Norte da Escócia é dura, assim... — Ele deu de ombros como se isso explicasse ter apenas homens em sua matilha. — Tenho 57 anos, sou um lobisomem há 13 anos, não tenho família, mas perdi meu emprego em uma fazenda que trabalhei desde garoto lá na Escócia.
Harry acenou refletindo que se ele trabalhou em uma fazenda a vida toda, saberia como cuidar da fazenda da ilha.
— Bem, sou Kennar Blythe, alfa da Matilha Ddraig, que quer dizer dragão em galês. Somos 426 membros, mistos, e nos mantemos quase sempre a Oeste da Inglaterra ou Centro Leste do País de Gales. — O homem alto e loiro disse, seus cabelos e barbas loiros também eram compridos, assim como os de Gun e McGregor, que era ruivo. — Tenho 32 anos e fui transformado quando tinha 19 anos. Eu fazia parte da Matilha Gárgulas junto com o Gun e éramos a maior matilha do Reino Unido, mas quando o nosso alfa, Cameron Rufus, faleceu, percebemos que precisávamos nos separar, pois não tinha como cuidarmos ou mantermos o controle em tantos lobisomens ao mesmo tempo. Também estamos hospedando um quarto da matilha de Gun.
— Meu nome é Wayne Sonnian, sou irlandês e minha matilha acampa por toda a Irlanda. — O homem ruivo de cabelos curtos, cavanhaque e olhos verdes inteligentes, falou suavemente. — Tenho 39 anos, fui mordido aos 16, nunca vivi nos acampamentos, pois minha família me protegeu, mas depois da guerra, percebi que precisava viver com o meu povo e não ser um peso para eles. Existem duas matilhas na Irlanda, as Águias do Sino e a minha, que se chama Cervo Branco, nós somos mistos e temos 489 membros, além de hospedarmos o último quarto dos membros dos Gárgulas.
— Acho que essa é minha deixa. — Raven, a senhora bonita de cabelos brancos compridos e olhos azuis bondosos. — Sou Cara Raven, tenho 50, irlandesa e a alfa da Matilha Águias do Sino, somos uma matilha só de mulheres e temos 293 integrantes. Normalmente nos deslocamos pelo Sul da Irlanda e produzimos artesanato para vender nas feiras do interior, pois isso nos permite nos mantermos e ficarmos ausentes nos dias de lua cheia sem muita complicação.
— Isso é incrivelmente inteligente! — Harry exclamou sorridente. — Espero que vocês continuem a fazer isso quando viverem aqui na ilha, é uma ótima fonte de renda. — A expressão de McGregor se tornou uma careta. — Algum problema? Aliás, porque uma matilha só de homens e uma só de mulheres? Existe algum tipo de proibição para o sexo oposto?
— Não proibimos mulheres lobisomens de se juntarem a nós, mas como disse, a vida no Norte é árida e dura. Além disso, nós não vivemos de artesanato... — Seu tom revelava certo desprezo. — Nós nos mantemos da caça, pesca e frutificação, além de criarmos algumas ovelhas gordas.
— Ora, Douglas, podemos não ser agricultoras, caçadoras ou pescadoras, mas vivemos uma vida dura nos acampamentos também e não tem nada errado em vender nosso artesanato. — Cara disse levemente ofendida. — Isso não nos faz menos lobisomens, você sabe.
— Não, isso as faz mais mulheres. — Ele disse sarcasticamente e riu da própria piada machista. Alguns o acompanharam, mas apenas por camaradagem masculina, pois a piada era bem ruim.
— O senhor não gosta de mulheres? — Harry perguntou ao compreender o machismo declarado.
— O que!? Eu gosto de mulheres! — McGregor parecia ofendido e ficou vermelho quando riram dele. — Principalmente, eu gosto de uma boa mulher esquentando...
— Doug! — Gun explodiu o seu vozeirão ao chamar a atenção do outro alfa. — Tem crianças e mulheres, assim, sugiro que não diga tolices.
— Ok, ok, estava apenas dizendo... De qualquer forma, minha matilha aceita mulheres, são as Águias do Sino que não aceitam homens e preferem viver sozinhas. — Disse McGregor defensivamente, mas não parecia arrependido.
Harry e os outros direcionaram seus olhares curiosos para Cara, que suspirou e juntou as mãos magras e frágeis parecendo tentar encontrar coragem para falar.
— Eu... me tornei uma lobisomem aos 15 anos e... — Ela engoliu em seco. — Na época, nos prendiam nos acampamentos do Ministério, que eram guardados pelos aurores e... as meninas, as adolescentes mais bonitas eram selecionadas e... — Seu rosto muito branco e com rugas se tornou ainda mais pálido. — Os guardas nos usavam... sexualmente... — Todos na mesa, que não sabiam sobre isso, empalideceram e Harry sentiu o estômago se embrulhar. — Não eram todos, muitos eram gentis e nos protegiam... — Seu olhar foi para Theo Goldman que acenou solenemente. — Mas alguns..., bem, quando fiquei livre dos acampamentos e fui viver em matilhas, descobri que não era a única que tinha receio dos lobisomens homens, que poderiam ficar agressivos ou autoritários facilmente. Passei de uma matilha para a outra, buscando proteção e um lar, mas nunca me senti segura, assim, decidi sair e formar um grupo de mulheres que se sentiam como eu. — Ela olhou para o Harry com um sorriso gentil. — Rapidamente meu grupo cresceu tanto que tivemos que nos tornar uma matilha e, apesar de estar disposta a ouvir sua proposta, Sr. Potter, espero que entenda que minhas garotas não vivem longe dos homens por acaso ou tolices.
Harry acenou entendendo e lhe deu um sorriso suave, depois olhou para Belle que parecia angustiada com o conto de Cara.
— Não estamos aqui para obrigá-los a aceitar o acordo e, dentro do razoável, nos abriremos para outras ideias. — Belle disse gentilmente. — Queremos ajudar a comunidade lobisomem e se a ilha não for a solução para alguns, então, buscaremos outras.
— Com certeza. — Harry disse sincero e viu a expressão de alívio de Cara, que parecia muito mais velha do que os seus 50 anos. — Quem é o próximo?
— Acho que pode ser eu. — Gun disse com seu vozeirão. — Sou Riles Gunfyer, tenho 42 anos e fui transformado aos 26, sou galês e o alfa da Matilha Gárgulas. Na minha última contagem, éramos 875 membros e somos a maior matilha do Reino Unido. Destes, 195 são crianças ou adolescentes e somos a única matilha com crianças, ainda que as outras nos ajudem a cuidar deles sempre que possível.
— Os 875 inclui os que estão presos? — Falc perguntou curioso.
— Sim. — Gun disse tenso. — Nos jornais disseram que eles teriam advogados no julgamento...
— Sim. Meu sócio, Anton Davis está cuidando de suas defesas e ele está positivo que seus homens pegarão uma pena mínima. — Falc informou formalmente. — O depoimento do Sirius ajudará a provar que eles não cometeram os crimes mais graves dos quais estão sendo acusados. — Gun olhou para Sirius e acenou em agradecimento, ainda que sua expressão continuasse tensa.
— Bem, acredito que as matilhas acabaram, então, posso começar com os grupos. — Theo quebrou o silêncio. — Sou Theo Goldman, somos um grupo de velhos lobisomens, apenas os 9 que estão aqui hoje e eu sou o líder, com muita honra. — Ele olhou para os companheiros. — Tenho 83 anos e sou um lobisomem há quase 10. Acredito que o menino está sendo sincero e espero que possamos fazer desta ilha o nosso lar, com segurança e fartura.
Todos do grupo de Theo também se apresentaram, apenas os seus nomes e idade, para que suas presenças ficassem registradas na reunião. Depois...
— Sou Carl Teagan, líder dos T-London. — Teagan diz com um sorriso divertido e meio malicioso que combinava com sua aparência rebelde. A roupa de couro, delineador preto nos olhos, os cabelos loiros finos e compridos, além do corpo magrelo de altura mediana, o fazia parecer mais um roqueiro pobretão do que um lobisomem. — Vivemos em Londres, moramos no subterrâneo e nos mantemos com roubos, contrabando e golpes. Bem, antes, também tínhamos uma porcentagem do Chiqueiro, mas alguém estragou a nossa diversão. — Ele olhou meio mal-humorado para o Sirius, mas não parecia zangado de verdade. — Eu até acredito na boa vontade do garoto ali, mesmo que desconfie do resto um pouco, mas já digo que meu grupo não está afim de viver numa maldita ilha deserta na Escócia fria dos infernos.
Isso faz o Harry rir divertido e toda a mesa o acompanhou suavizando o clima.
— Já imaginávamos isso, T. — Harry disse levemente. — Posso te chamar de T?
— Claro que sim, meu camarada. — T piscou divertido. — Posso de chamar de H?
— Não, mas pode me chamar de Harry. — Harry respondeu divertidamente. — Sirius tem algumas ideias individuais para você e sua gangue, T...
— Gangue? Quem te contou que somos uma gangue? —T perguntou defensivamente.
— Bem, você acabou de fazer isso. — Harry disse erguendo a sobrancelha e sua resposta fez os lobisomens gargalharem.
— Ele te pegou, T! — Gritou Quirke divertido.
— Bem... isso foi bem astuto, meu camarada. — T disse meio envergonhado e meio divertido. — Já pensou em liderar um grupo de foras das leis?
Harry riu e Terry gemeu, escondendo o rosto nas mãos. Dean, Lisa, Sirius e Remus riram divertidos.
— Ele meio que já faz isso, Sr. T. — Terry disse exasperado. — Somos uma equipe, a Equipe Covil e Harry é o líder, mas não somos foras das leis, somos rebeldes, porque lideramos uma rebelião.
— Rebelião, hein? — T disse olhando pensativo para o Harry. — Eu gosto disso. E os T-London não se importariam em trabalhar com o líder do Covil.
— Bem, se for esse o caso, deve saber que não somos bandidos, somos rebeldes e fazemos algumas coisas contra as leis do Ministério, leis injustas e discriminatórias. — Harry disse e gesticulou para a mesa. — Como as leis contra os lobisomens, nascidos trouxas, centauros, goblins, elfos, no entanto, não roubamos, matamos, contrabandeamos ou cometemos outros crimes.
— Bem, e como você ganha dinheiro se não rouba, camarada? — T perguntou curioso.
— Deixe de ser idiota, T! — Travers falou e parecia querer dar um tabefe na cabeça do homem mais jovem. — Os Potters são a família mais rica do mundo mágico! Mais dinheiro do que você verá em sua vida miserável toda!
— Bem... — T lançou um olhar raivoso para o Travers, parecendo tão jovem quanto sua aparência mostrava. — Eu não sou de família rica, guri, então, tenho que comer e cuidar do meu pessoal, sacou?
— Saquei. — Harry disse suavemente. — E, se eu estivesse no seu lugar e sem oportunidades, faria a mesma coisa, mas o que estamos oferecendo para os T-London é uma oportunidade. Vocês apenas precisam querer trabalhar duro e honestamente, assim poderão ter uma vida digna, longe dos crimes mas tem que ser suas escolhas.
— Em Londres? — T perguntou pensativo e descrente.
— Em Londres. — Harry acenou sincero.
— Bem, se é assim, então, vou ouvir sua proposta, guri. — T disse dando de ombros. — Bem, encerrando a minha parte, tenho 24 anos, sou um lobisomem desde os 7 anos e essa merda não fica mais fácil. Sacou? — Harry acenou e olhou para o Remus que também tinha sido mordido bem jovem. — Vocês mataram o Greyback, o filho da puta me mordeu, então, eu sou grato porque aquele cara era um sádico de merda. Acreditem.
— No fim, ele rastejou e implorou para não morrer. — Harry disse com um sorriso maldoso.
Suas palavras fizeram os lobisomens arregalarem os olhos de espanto e depois bateram as mãos na mesa ou gritaram em comemoração.
— Isso é uma visão de sonhos, garoto, uma visão de sonhos. — T disse com uma gargalhada maliciosa.
— Qual de vocês matou ele? — McGregor perguntou olhando na direção de Remus, Sirius e Falc.
— Foi minha garota, Emily, ela é uma auror. — Sirius disse orgulhoso.
— Uma garota matou Greyback!? — McGregor gargalhou divertidamente. — Ora, adoraria poder ressuscitá-lo apenas para zombar da sua bunda fraca.
— Pois eu prefiro o saco de bosta morto, Dougred. — T disse com uma careta. — Bem, meu grupo é grande, afinal, Londres é grande, guri, somos 129 membros nos T-London. E, é isso.
Harry acenou e olhou para um senhor bem idoso, barbudo e cabeludo, com olhos castanhos gentis.
— Meu nome é Archibald Trevelyan, mas podem me chamar de Archie, tenho 98 anos e meu grupo é de anciões também. — Ele disse com voz serena. — Eu fui alfa de uma matilha por muitas e muitas décadas, mas quando fiquei velho, fui expulso por um lobisomem jovem de cabeça quente. No fim, ele não viveu muito e McGregor assumiu o seu lugar depois...
— Eu disse que você podia voltar, Archie. — McGregor disse defensivamente. — Não como alfa, mas, poderia viver conosco.
— Eu já tinha me acostumado com o meu pequeno grupo e com o calor do Sul, não quis voltar para as montanhas geladas infernais da Escócia. — Ele respondeu divertidamente olhando de relance para T. — No grupo do Theo tem alguns mais jovens, mas em meu grupo só tem os velhos que as matilhas não querem mais cuidar, pois nos tornamos um peso para elas, sabe, apenas consumimos e não temos mais forças para trabalhar ou caçar.
— Ninguém nunca mandou meus velhos embora e, se alguém fizer, leva uma coça. — Diz Elfort e olhou em volta para os rostos de expressões levemente envergonhadas de Sonnian, Blythe, Gun e McGregor. — Vermes nojentos!
— Ei! Nós cuidamos das crianças! Elas estão sempre famintas e é difícil alimentar a todos! Porque você acha que me associei com aquele monstro! — Gun se defendeu e sua voz reverberou pelo Salão.
— Não defenda sua fraqueza, garoto! — Elfort disse furioso. — Todos enfrentamos dificuldades e nem por isso nos associamos com Greyback!
Harry pensou que Gun responderia e isso poderia iniciar uma briga, mas o gigante loiro e musculoso ficou em silêncio e abaixou a cabeça envergonhado
— Bem, alguns de nós foram expulsos, mas a maioria saiu por si próprio quando perceberam que estavam sendo um peso para os mais jovens. — Archie disse suavemente. — É bom, nós ficamos juntos e morremos em paz.
Era uma mensagem triste e todos se sentiram chocados com suas palavras.
— Quantos vocês são, Sr. Archie? — Perguntou Belle docemente.
— Ah, somos 81, menina, começamos com pouco mais de 10, como o Theo, mas crescemos mais a cada ano. — Ele disse com um sorriso de desculpa. — Eu fui transformado quando tinha 32 anos. E, bem, seria bom ter uma lar quente e comida saborosa nos anos que nos restam.
Harry acenou e viu Belle fazer algumas anotações em um caderno, imaginou que ela estava pensando o mesmo que ele. Como eles acomodariam os lobisomens mais idosos com segurança e dignidade?
— Acho que sou eu agora. — Um homem de barba castanha farta disse com voz tímida. — Meu nome é Scott Henderson, meu grupo é pequeno, temos apenas 17 membros e sou o líder. Vivemos em uma ilha já, na Ilha de Man, acampamos nas florestas e vivemos da caça, pesca e permuta, sabe, trocamos nossa carne e peixe por roupas, ferramentas, barracas ou o que mais precisarmos, com os outros moradores. — Ele disse suavemente. — Gostamos da nossa vida simples e, na lua cheia, aparatamos para o continente, em algum lugar mais isolado de humanos, assim não corremos o risco de machucamos ninguém durante a transformação. Tenho 32 anos e fui mordido há 7 anos... Bem, eu vivi na ilha desde criança e me casei com minha namorada da adolescência, quando fui mordido decidi continuar a viver na minha terra e manter um olho na minha família.
— Entendo. — Harry disse gentilmente. — A ideia de viver aqui, mais longe deles o preocupa?
— Bem... — Henderson suspirou. — O Ministério teria tomado a minha casa se eu continuasse a viver com a minha esposa e filhos, por isso, eu fui viver na floresta. Quando vinha ao continente para as minhas transformações, encontrei outros que gostaram da ideia de viver uma vida mais isolada na ilha, longe dos olhos do Ministério e de Greyback. Mas ainda não estamos completamente protegidos lá, enquanto aqui, talvez... — Ele parecia hesitante.
— Pode falar, Scott. — Harry disse serenamente.
— O que quero saber é se aqui, eu poderia viver com a minha família? — Ele perguntou ansioso. — Na lua cheia eu posso levá-los para o continente, mas se tivermos uma casa que não será tomada de nós, eu poderia viver com minha esposa e filhos outra vez.
— Claro que sim. — Harry disse e olhando em volta, percebeu expressões positivas de todos os seus adultos. — Garantiremos a segurança deles e precisaremos saber as idades dos seus filhos. Eles já vão para Hogwarts? E sua esposa? Ela trabalha em algum lugar?
— Minha esposa é trouxa. — Ele disse e ficou ansioso com algumas das expressões alarmadas. — Ela sabe que sou bruxo e um lobisomem, mas não se importa, o que a deixa irritada é não podermos viver juntos como uma família por causa das ameaças do Ministério. Constance é professora de inglês e tenho certeza que adoraria trabalhar nesta nova escola. Meus filhos ainda são jovens, Lyanne tem 7 e Leon tem 4 anos, mas os dois são bruxos e podem estudar aqui antes de irem para Hogwarts.
— Mais um professor! — Remus disse sorrindo. — Estamos precisando de professores e sua esposa será muito bem-vinda como nossa colega.
— Vocês agem como se fosse simples para trouxas e crianças serem criados juntos com lobisomens. — Quirke disse lançando um olhar invejoso para Henderson.
— Porque não seria? — Serafina questionou. — Os Gárgulas tem centenas de crianças entre eles.
— Elas são lobisomens também e entendem a nossa realidade, senhora. — Ele disse sombrio. — O lobisomens têm uma vida dura, trabalhamos, caçamos, sobrevivemos um dia de cada vez, sem mordomia e, bem, viver nesta ilha não mudará isso.
— Talvez. — Remus respondeu. — Não estamos prometendo que a vida será maravilhosa, pois ainda serão lobisomens, mas por experiência própria sei que uma casa, emprego, amigos, fazem a diferença.
— E será seguro para crianças bruxas conviverem com crianças lobos? Ou mulheres trouxas? — McGregor falou e Harry começou a ficar impaciente o homem machista.
— Sim. — Ele respondeu. — Vocês são homens e não animais, portanto, acredito que todos são mais do que capazes de conviver com outros seres. Se a família de Scott quer viver aqui na ilha com ele, então, tornaremos isso possível, pois em Stronghold nunca teremos discriminações. Não importa o seu sangue, sexo, idade, condição social ou aparência e, se alguém aqui pensar diferente, então, bem... vocês estão no lugar errado.
Houve alguns instantes de silêncio, então alguém pigarreou.
— Então, hum... tenho uma pergunta. — Josh Myers falou timidamente. — Eu não tenho preconceitos ou nada disso, mas porque uma criança que não parece nem ter 11 anos, é quem manda aqui? Apenas, sabe, queria entender porque estarei recebendo ordens de uma criança?
Harry ficou indignado e ignorou o Sirius se engasgando para contar o riso.
— Ele é Harry Potter, palermão. — Disse Quirke sarcástico. — Quem você acha quem mandaria por aqui? Remus? O lobisomem intelectual? — Remus fez uma careta de desagrado com o comentário.
— Ser um intelectual e futuro professor também não me faz menos lobisomem, Quirke. — Disse Remus defensivamente.
A maioria dos lobisomens homens zombaram e mostraram certo desprezo por Remus, mas Harry ignorou.
— Eu estou no comando por muitas razões, Josh. — Harry lhe respondeu. — Primeiro, a ilha é minha e como dispor dela é minha responsabilidade e privilégio. Segundo, a ideia de transformá-la em um lar para a comunidade lobisomens, foi minha. — Isso trouxe expressões surpresas por todos os lados. — Meu desejo por lutar em busca de um mundo mais justo existe desde que descobri que a morte dos meus pais e de centenas de bruxos e bruxas durante a guerra, foram em vão. Nós queremos lutar contra as leis discriminatórias na Suprema Corte, mas isso levará anos e anos, assim, eu pensei em como poderia lhes ajudar mais rapidamente. Conversei longamente com o Remus, que me contou sobre suas vidas nos acampamentos, a falta de empregos e perspectiva, a fome, o frio e o desamparo em que vivem. Então, tive a ideia de lhes oferecer a chance de terem um lar, pois se estiverem seguros e acolhidos, podem esperar mais alguns anos pelas leis justas e inclusivas.
O silêncio se prolongou enquanto todos o encaravam com expressões de espanto ou orgulho.
— Cara, tu falas muito bonito. — T disse impressionado. — Deve ser do tipo inteligente, como o Remus aqui, eu quase não entendi tudo.
— O mais importante que ele disse é que pretende ir contra as leis do Ministério para nos dar um lar seguro, quente e digno. — Becky disse com um sorriso grato. — Isso é como um sonho, porque é exatamente o que precisamos e temos uma oportunidade incrível de mostrar que não somos monstros ou animais como sempre nos taxaram. Podemos tornar essa ilha o nosso lar, vivermos em paz e com segurança, trabalhar duro, cuidar uns dos outros e, então, as leis pouco importarão.
— Elas sempre importarão, Becky. — Belle disse firme. — Porque vocês deveriam viver livres em nossa sociedade, com os mesmos direitos dos bruxos sem a licantropia. Não deveriam se esconder ou usar de subterfúgios para ter um lar ou um emprego.
— A ilha pode ser o lar dos lobisomens para sempre, mas no futuro, vocês deveriam poder viver sem serem segregados ou discriminados. — Serafina disse.
— Duvido que isso aconteça um dia, senhora. — Gun disse educadamente.
— Bem, o dia de hoje também era impossível e aqui estamos. — Harry disse sorrindo. — Porque não se apresenta agora, Josh?
— Sim, Josh, porque não conta em qual buraco o covarde do Keith se enfiou? — Zombou Quirke e Josh corou.
— Bem... é que, eu não sou o líder do meu grupo, Keith Sloan é. — Ele gaguejou meio timidamente.
— Ok. E, porque o tal Keith não veio? — Harry perguntou curioso.
— Bem, sabe, Keith não acreditou muito em tudo isso de ilha e empregos, achou que era armação do Ministério para nos prender nos acampamentos que existiam antigamente. — Josh explicou. — Keith é meio paranoico, entende? — Harry acenou. — Bem, então, nós insistimos e pegamos no pé dele, pois nós confiamos no Sr. Theo aqui e no Sr. Elfort também, além disso, vocês mataram o Greyback e nos conseguiram comida, roupas, barracas novas e tal. Então, bem, Keith disse sim, afinal, ele não é nosso alfa e não pode nos proibir, mas ele me enviou em seu lugar, pois se fosse uma armadilha, eu que seria pego.
Houve alguns resmungos entre a mesa, era óbvio que esse Keith não estava em bom conceito entre alguns deles.
— Está tudo bem ter medo e ser cauteloso, mas fico feliz que você decidiu vir, Josh, assim, pôde descobrir que não existe armadilha. — Belle disse com um sorriso gentil que fez Josh corar levemente. — Fale-nos do seu grupo.
— Bem, somos apenas 25 membros e ficamos na nossa, às vezes, conseguimos alguns bicos no mundo trouxa, pois a maioria de nós é mestiço ou nascido trouxa. — Ele disse timidamente.
— Qual a sua idade e de Keith, se você souber, claro? — Belle voltou a perguntar.
— Bem, eu tenho 21 anos e fui mordido com 16, por isso o Keith me enviou, porque tenho varinha para me defender se for preciso. — Disse ele com um sorriso tímido. — Quanto ao Keith, ele não fala muito de sua mordida, sabe, mas sei que foi quando ele já era adulto, porque Keith tem uma varinha também. E, bem, não sei a sua idade, nunca perguntei, mas ele é velho, bem velho, acho que algo como 50 ou 55 anos.
Theo, Archie e os outros anciões idosos riram divertidamente.
— Quem disse que 50 anos é bem velho, garoto? — Simon perguntou irritado. — Eu tenho 75 e sou o que? Uma múmia egípcia?
— Oh... Desculpe, senhor! Eu... eu não quis ofender. — Josh disse ansiosamente.
— Pare de implicar com o garoto, Simon. — Archie disse divertido e Simon resmungou em resposta. — Bem, quem vai a seguir? Quero acabar com essa parte e ouvir a proposta do menino, quando somos tão velhos, o tempo é precioso, sabe.
Houve alguns risos e Harry se virou para Quirke, que deu de ombros e começou a se apresentar.
— Sou Donaldo Quirke, herdeiro da Família Quirke, que não é uma família tão antiga como os Potters, mas, ainda somos puros e ricos. — Ele disse.
— Não tão puros mais. — Zombou Travers e Quirke fez uma careta, mas sem cair na provocação.
— Pelo menos temos um herdeiro. — Ele disse displicentemente. — Eu tinha dois filhos, Otto e Orla Quirke, eles eram bem pequenos, mais jovens do que os garotos de Henderson aqui. Eu fui mordido, tem 7 anos agora e nunca mais os vi... — Ele tentou aparentar indiferença, mas era possível ver que isso lhe causava sofrimento. — Fui expulso por meu pai, é claro, deserdado e Otto se tornou o seu herdeiro direto. Além disso, minha esposa ficou horrorizada ao perceber que estava casada com um monstro e se divorciou oficialmente. — Mais uma vez, Quirke deu de ombros displicente. — Nada mais justo ou muito diferente do que eu faria se fosse ao contrário, pois é assim que as famílias puras agem, elas limpam suas linhas, suas casas e se mantêm longe das imundices.
— Hum... isso porque a sua família é boazinha. — Travers zombou com escárnio. — Famílias como a minha, não deixaria seus abortos ou membros infectados saírem pela porta e viverem calmamente.
— E como você está aqui? — Terry perguntou curioso e recebeu um olhar maldoso de volta.
— Eu matei o mensageiro do meu pai e desapareci. — Disse ele e sorriu com malícia.
— Você fez bem. — Harry disse sem se impressionar. — Eu teria feito o mesmo, mas, claro, minha família jamais me abandonaria ou tentaria me matar, porque eles são verdadeiros e amorosos. Nada como essas famílias puras idiotas e cegas que acreditam nessas tolices estúpidas de pureza. Merlin, isso é tão cansativo e lamento que vocês tenham que pagar por crenças tradicionais tolas e ultrapassadas. — Harry olhou para o Quirke. — Eu conheço o seu filho, ele é um primeiro ano da Ravenclaw e, infelizmente, é um purista preconceituoso também e tem amizade com um garoto da família Wilkes. Um menino maldoso e desagradável capaz de ser violento contra os colegas.
— Bem... — Quirke parecia desconcertado, ainda que seus olhos brilhassem ao ouvir sobre o filho. — As crenças puristas foi tudo o que me ensinaram desde o berço, apenas nunca me disseram o que eu deveria fazer ao me tornar algo que sempre odiei.
— Porque esse ódio não tem justificativa real, Sr. Quirke. — Belle disse suavemente. — Ser portador da licantropia não o torna menos bruxo ou um monstro. Ser mal e fazer o mal é uma escolha de cada um, não preciso fazer contas para perceber que a maioria de vocês escolheu ser bons. Greyback e alguns outros não os representam.
— Os puros têm essa ideia de que são superiores, mais poderosos, mais fortes, mais especiais ou inteligentes, apenas porque não tem sangue misturado. — Sr. Boot disse em tom aborrecido. — Mas não percebem que tudo a nossa volta desmente essas tolices, vocês serem lobisomens e não se tornarem bestas imundas, sem cérebros e magia é um exemplo. Dumbledore é mestiço, extremamente inteligente e poderoso, além disso, nosso maior vilão, Voldemort... — A mesa estremeceu e gritos de medo foram ouvidos. — É filho de um trouxa, portanto...
— O que? — Exclamações de surpresa foram ouvidos por todos os lados.
— O Lorde das Trevas era um nascido trouxa? — Quirke perguntou incrédulo.
— Mestiço. — Sr. Boot respondeu. — Estou pesquisando sobre as suas origens para um livro que pretendo escrever sobre a guerra e descobri que ele é filho da casa Gaunt. Sua mãe se chamava Mérope Gaunt e nunca frequentou Hogwarts, ela não recebeu a sua carta, assim como o seu irmão. Os dois parecem ter sido criados em casa pelo pai, mas infelizmente as informações são poucas, pois o velho Gaunt não confiava no Ministério ou em registros oficiais. — Sr. Boot explicou e todas as expressões eram perdidas ou assombradas. — Seu pai está registrado como um trouxa de nome Tom Riddle, e Voldemort recebeu o seu nome, mas foi criado em um orfanato trouxa depois que sua mãe morreu no parto.
— Tom? Seu nome era Tom? — Theo perguntou chocado por saber que um monstro como aquele tinha um nome tão comum.
— E... ele era filho de um aborto e um trouxa? — Quirke estava pálido ao olhar para Travers. — Você sabia disso?
— Houve rumores. — Travers deu de ombros. — Apenas isso porque quem era pego questionando isso, mesmo que em pensamento, era torturado ou morto por ele. Acredito que o seu círculo íntimo sabia a verdade, meu irmão me disse uma vez que o próprio Lord das Trevas tinha limpado a impureza da sua linha, por isso ele exigia o mesmo de todos os seus seguidores.
— Eu descobri que a família Riddle inteira foi assassinada misteriosamente há quase 50 anos. — Sr. Boot disse sombrio.
— Depois, nós somos os monstros. — Disse Cara chocada.
— Seu irmão era do círculo íntimo de Voldemort? — Harry perguntou sem tirar os olhos de Travers.
— Sim. — Ele respondeu o encarando com frieza. — E, eu teria sido também se não fosse um lobisomem.
— Acho que você se saiu melhor que o seu irmão, então. — Harry respondeu friamente, depois olhou para Quirke. — Você poderia continuar, Donaldo?
— Bem, eu tenho 41 anos, meu grupo tem 12 homens apenas e vivemos de trambiques, principalmente roubos e contrabando. — Ele disse e, mais uma vez, deu de ombros. — Somos a maioria bruxos que não sabem nada sobre o mundo trouxa ou sobre agricultura, caça, pesca, porque crescemos em famílias bruxas.
— Um bando de menininhos ricos e mimados que nunca trabalharam um dia na vida. — McGregor disse com desprezo.
— Sim, mas não somos assassinos ou pior. — Quirke disse. — Ou trabalhamos com Greyback...
— Não foi a minha melhor decisão, cara, mas meus homens e eu só cuidávamos dos bares e das bebidas. — Gun se defendeu envergonhado.
— Sim, e meu pessoal conseguia a bebida de graça, sacou? Sem derramamento de sangue. — T acrescentou beligerante. — Nós também vivemos de trambiques e sei que podemos mudar, trabalhar duro e sair dessa vida. A questão é se os riquinhos de mãos suaves também podem.
— Como se ser bandido fosse uma vida fácil. — Quirke disse rabugento. — Viver em uma maldita barraca, ter que planejar golpes para poder ter o que comer ou roubar sem ser pego pelos aurores. A verdade... — Seu rosto se suavizou. — É que o garoto está certo, sabe, esses preconceitos puristas são um gigantesco saco de bosta de dragão. Eu não deixei de ser eu mesmo quando fui mordido, ainda sou um bom bruxo, poderia ter sido um bom pai e marido. Não sou um monstro ou um assassino apenas por causa da licantropia e se tiver a chance de ter uma vida melhor, uma oportunidade para que o meu grupo não precise mais correr o risco de acabar em Azkaban apenas para não passar fome, então, bem, estamos dispostos a trabalhar duro por isso também.
Ele estava sendo sincero e Harry acenou, antes de olhar para o mais silencioso dos líderes.
— Meu nome é Patrick James, tenho 38 anos e sou o líder de um grupo de 45 bons homens e mulheres. — Ele disse suavemente. — Fui mordido há 12 anos e sobrevivemos de um misto de atividades, alguns fazem bicos no mundo trouxa, outros caçam ou pescam. Se pudermos ter um lar seguro e um trabalho, seria muito bom e estamos dispostos a ajudar.
— Bem, poderia começar dizendo o seu nome verdadeiro, Lud. — Travers zombou com escárnio e recebeu um olhar atravessado. — O que? Acha que não reconheço esses olhos azuis frios? A marca dos Greengrass, é o que sempre ouvi.
Patrick James suspirou exasperado e olhou em volta levemente envergonhado.
— Se não disser o seu verdadeiro nome, dificilmente podemos acreditar em suas boas intenções. — Falc disse sério. — Além disso, os contratos precisam ser assinados com intenções verdadeiras e isso se perde com nomes falsos.
— Ok. Meu nome é Ludovico Greengrass. — Ele disse e afastou os cabelos compridos do rosto barbudo. Harry imediatamente percebeu a semelhança com Daphne, a pele clara, os olhos azuis gelados, até o formato do rosto e a testa larga.
— Pensamos que estivesse morto. — Sr. Boot disse lentamente. — Acredito que foi notícia no Profeta há 12 anos, a informação dizia que você foi assassinado em um ataque de comensais da morte.
— O Lord das Trevas pediu o apoio do meu pai, financeiro e na Suprema Corte, onde ele é um dos membros. — Lud disse lentamente. — Ele concordou, desde que tudo fosse feito com discrição, pois meu pai queria manter a neutralidade para a sociedade.
— Isso era muito comum. — Quirke disse. — Aconteceu o mesmo com a minha família, ainda que meu pai o apoiou um pouco mais abertamente entre a sociedade pura.
— O que aconteceu? — Harry perguntou olhando para o tio de Daphne.
— Perto do fim da guerra, papai tinha certeza da vitória de você-sabe-quem, mas, acho que ele não gostou das ideias de que os nascidos trouxas seriam mortos. — Lud continuou. — Meu pai os enxergava como úteis para o trabalho e os queria como escravos... — Suas palavras provocaram resmungos e palavras contrariadas. — E, naquele último ano, o Lord parecia distraído e pouco atento aos seus comensais, que eram mais cruéis ao agirem sem o seu controle. Entendam, mesmo com os seus defeitos, meu pai ficou chocado ao saber das crueldades que estavam sendo cometidas contra trouxas, nascidos trouxas e até com famílias puras. Os McKinnons foi a gota d'água para ele e sua decisão foi não apoiar mais a causa, mas quando você-sabe-quem soube disso, ele enviou um recado ao meu pai.
— Você? — Belle perguntou chocada.
— Sim. Fui sequestrado e colocado com um lobisomem na lua cheia, Greyback, mas as ordens eram para me contaminar e não matar. — Lud deu de ombros. — Meu pai entendeu e imediatamente voltou a apoiar financeiramente o Lord, mas alguns meses depois, ele morreu e tudo acabou.
— Eles te expulsaram? — Lisa perguntou ansiosa e pensando que Daphne não sabia de nada sobre isso ou teria dito algo.
— Não. Eu estava muito ferido no começo e os aurores matavam lobisomens indiscriminadamente, assim, eu fui colocado em nosso chalé no campo e permaneci lá por meses enquanto me recuperava. — Lud respondeu. — Então, a guerra acabou, mais alguns meses se passaram e pensei que as coisas poderiam ser normais, afinal ninguém soube do que tinha me acontecido e eu poderia esconder minha condição. Minha mãe queria que eu ficasse no campo indefinidamente, meu irmão exigiu que eu nunca me aproximasse de sua esposa e filha, Daphne, e meu pai acabou decidindo que o melhor era dizer que eu tinha morrido nos ataques enlouquecidos dos comensais no fim da guerra. — Lud passou as mãos pelos cabelos. — Desde que eu concordasse com isso tudo, eu poderia viver escondido no chalé e nada me faltaria.
— Você não concordou, imagino. — Sirius supôs, pois sabia que isso seria como ser um prisioneiro.
— Claro que aceitei. — Lud sorriu autodepreciativo. — Como Donaldo, eu era um jovem mimado que não sabia nada da vida ou o que fazer comigo mesmo, imagine deixar o conforto e segurança para viver em uma floresta.
— O que mudou? — Harry perguntou curioso e o viu olhar em volta em conflito.
— Meses antes de ser mordido, eu estava apaixonado e namorando com... — Ele hesitou olhando em volta. — Caspiana Dearborn.
— O que? — Sirius e Remus gritaram. — A irmã de Caradoc?
— Mas ela desapareceu! — Sirius disse chocado.
— Sim, eu sei. — Lud apertou os punhos furioso. — Quando fui sequestrado, eu estava procurando por ela e Caradoc já tinha desaparecido enquanto a procurava também. Nós dois não éramos próximos por causa da minha família, mesmo que eu não compartilhasse os seus pensamentos puristas, mas isso não importava porque a Caspiana sabia a verdade e me amava.
— Você descobriu o que aconteceu com ela? — Remus perguntou ansiosamente.
— Ela foi sequestrada. — Lud disse e ficou pálido. — Mantida em cativeiro por Selwyn, o filho mais velho, e por Rabastan Lestrange. Gustav Selwyn tinha uma obsessão por Caspiana, mas ela o rejeitou várias vezes, então, ele decidiu tê-la de qualquer jeito. Felizmente ou não, quando ela foi pega, Caspiana já estava grávida de mim, isso não os impediu de estuprá-la, mas ao menos ela não engravidou de qualquer dos dois desgraçados. — Suas palavras trouxeram palidez e tristeza nos rostos da maioria.
— Como você descobriu tudo isso? — Sirius perguntou com voz ausente.
— Caspiana me contou. — Lud disse suspirando. — Depois que Caradoc desapareceu, eu quase perdi a esperança, mesmo que ainda continuasse a procurar por pura teimosia ou desespero, acho. Então, fui mordido e a guerra acabou, Rabastan acabou em Azkaban e Gustav ficou sozinho com Caspiana, que usou toda a sua inteligência para se livrar dele. — Ele olhou para a mesa. — Ele mantinha nosso filho longe dela, deixava que ela o visse algumas horas por semana se Caspiana fosse muito boa para ele. Em um desses momentos, ela o atacou e o matou com uma agulha de tricô, a mulher que cuidava do bebê não reagiu e Caspiana pegou nosso filho e fugiu.
— Isso não me surpreende. — Disse Sirius com um sorriso triste. — Caspy era um foguete.
— Sim, ela ainda é. — Ele sorriu com amor.
— Ela está com você? — Remus perguntou com um sorriso suave e Lud acenou positivamente. — Você sabe o que aconteceu com Caradoc?
— Está morto. — Lud respondeu. — Ele chegou muito perto, quase a encontrou, mas Rabastan e Gustav eram muito fortes e o pegaram primeiro. Caspiana disse que eles os mataram na sua frente e depois desapareceram com o corpo, pois não podiam deixar que o seu mestre descobrisse o que fizeram, afinal, eles não podiam agir livremente sem suas ordens. Pelo menos até aquele ponto era assim. — Todos acenaram.
— Mas, ainda não entendi porque você deixou a proteção de sua família ou como Caspiana o encontrou? — Harry perguntou curioso.
— Ao deixar o cativeiro, Caspiana soube da minha morte e procurou minha família por ajuda, pois ela não tinha mais ninguém. — Lud disse suavemente. — O membros da ordem estavam mortos, presos ou desaparecidos... — Ele olhou para Sirius e Remus. — Ela pensou em procurar por Maria MacDougal, mas temia colocá-la em perigo, pois quando os Selwyn descobrissem a morte de Gustav, viriam atrás dela.
— Ela achou que os Greengrass poderiam protegê-la. — Sirius disse pensativo. — Mas não foi assim.
— Meus pais duvidaram que o filho fosse meu, mesmo que o menino fosse a minha cara. — Lud suspirou exasperado. — Ainda assim, eles a levaram até mim e foi o momento mais incrível para nós dois, afinal, tínhamos certeza que o outro estava morto. Caspiana não se importou sobre a licantropia e eu muito menos com o que lhe aconteceu durante aqueles quase dois anos de cativeiro. No entanto, para os meus pais, tudo era um problema, pois eu estava oficialmente morto e deveria continuar assim. Caspiana concordou em viver escondida comigo no chalé, afinal, ela não tinha ninguém para se apresentar e dizer que estava viva. Um ano depois, meu irmão teve uma segunda filha, Astoria e os curandeiros foram claros que minha cunhada não deveria tentar outra gravidez, pois não sobreviveria. Eles tiveram uma menina aborto, mais velha que Daphne e o risco era terem outro aborto, natimorto ou que Valerie morresse no parto.
— Então, o seu filho se tornou o herdeiro dos Greengrass. — Disse o Sr. Boot compreendendo a situação.
— Exato. A não ser que meu irmão se divorciasse da esposa e se casasse com outra, que lhe desse um filho, meu garoto era o herdeiro do meu pai. — Lud disse e mais uma vez passou a mão pelo cabelo loiro comprido, mostrando ansiedade. — Tudo deveria ser simples, acho, Talles foi concebido antes da minha transformação, Caspiana é uma bruxa pura, isso tudo o tornava o herdeiro puro perfeito para o meu pai. Pensei que quando ele fosse adulto ou meu pai falecesse, poderia assumir como o chefe da Família sem que Caspiana e eu nos declarássemos vivos. Eu disse a ele que manteríamos o acordo e viveríamos no campo, isolados e oficialmente mortos, mas meu pai não concordou e teve a ideia de trocar as crianças, eles me dariam a menina aborta e meu irmão ficaria com o meu filho. Ele era pequeno o suficiente para não se lembrar de nós e tudo se encaixaria como deveria, mas...
— Vocês não poderiam aceitar. — Serafina disse sabendo que ela jamais deixaria os seus filhos por nada no mundo.
— Não. Mesmo que pensássemos que nosso menino estaria mais seguro e recebendo a educação e herança de que tinha direito, não podíamos abrir mão dele. — Lud disse fechando as mãos em punhos. — Pensamos bastante, pesquisamos um lugar seguro, um grupo ou matilha onde poderíamos desaparecer e, quando tivemos uma oportunidade, pegamos minha sobrinha e partimos.
— Vocês a levaram? — Belle perguntou espantada.
— Sim. Sabíamos que eles mandariam Vivianne para o orfanato dos abortos, não tinham feito isso ainda porque Valerie estava com dificuldade em se desapegar da menina. — Lud disse e seus olhos mostravam tristeza. — Deixamos uma carta, dissemos que deixaríamos o país e que cuidaríamos muito bem dela. Eles nunca nos procuraram e, quando os aurores também não pareciam nos caçar, ficamos tranquilos para viver nossas vidas.
— Eles não envolveriam os aurores. — Falc disse pensativo. — Não com a mentira sobre a sua morte e o escândalo que isso causaria.
— Ainda não acredito que Caspy está viva. — Sirius disse tristemente. — Eu passei meses procurando por Caradoc, com a ajuda da... Maria! — Seus olhos se arregalaram. — Os dois estava quase noivos! Eu precisarei contar a ela o que aconteceu com ele.
— Você pode contar tudo, mas entenda que precisamos manter nossa localização segura, Sirius, não podemos correr o risco de que meu pai e irmão tentem algo contra nós. — Lud disse seriamente.
— Seu menino é bruxo? — Belle perguntou fazendo anotações.
— Sim. — Lud disse lentamente. — Ele recebeu a sua carta de Hogwarts, mas não podíamos arriscar, assim o ensinamos nós mesmos. Ah, queria que soubessem que o nosso grupo é composto por casais ou famílias como a nossa, que não querem se separar porque um deles é um lobisomem. Por isso que somos tantos, além dos adultos, temos algumas crianças.
— Depois você me diz quantas crianças e suas idades. — Belle disse fazendo anotações. — Precisamos saber com quantos alunos a escola começará nos próximos meses.
— Se o contrato for assinado, ninfa. — Travers zombou levemente e recebeu um olhar frio em troca.
— Acho que só falta você. — Harry disse o encarando firme. — Tenho a impressão que você é um dos que não tem interesse de viver em uma ilha ou de trabalhar duro para sobreviver. Então, a questão que fica é, o que você está fazendo aqui, Travers?
Travers deu de ombros com uma indiferença maliciosa.
— Eu ouvi sobre como o garoto Potter e seu padrinho pretendiam ajudar os lobisomens. — Ele olhou para Black com olhar arguto. — Uma ilha para vivermos sem o controle do Ministério, onde podemos ter a liberdade de fazermos o que queremos sem o risco de acabar em Azkaban. Você não pode me culpar por querer saber do que se trata, qual a proposta, se existe alguma armadilha por trás de tanta bondade. — Seu tom era de escárnio.
— Não existe uma armadilha, mas se pretende viver nesta ilha, ainda não poderá fazer o que quiser. — Harry disse lentamente. — Não se o que você e o seu grupo quiserem for roubar, enganar ou machucar pessoas. E dentro da comunidade lobisomem, vocês terão que buscar uma harmonia, pois precisarão viver todos juntos como uma grande matilha ou clã. Sem separações e sem violências entre si ou essa ilha não será um lar e sim, uma arena. Além disso, todos e cada um dos lobisomens que viverem nesta ilha assinarão um contrato vinculativo mágico com a Família Potter, onde se disporão a nunca trair ou prejudicar a mim, aos meus e a matilha.
— Seremos os seus escravos? — Travers disse sorrindo com superioridade. — Sabia que toda essa bondade não seria de graça. Ele quer que sejamos seus servos e obedecemos às suas ordens! Quer nos controlar!
Suas palavras trouxeram expressões tensas e ansiosas nos rostos de todos, mas Harry apenas sorriu.
— Eu não sou Voldemort, Travers. — Ele disse lentamente. — Seu irmão o serviu fielmente, se ajoelhou aos seus pés, rastejou por sua provação e misericórdia, matou por ele e agora está em Azkaban, onde sofrerá o inferno até o seu último suspiro. E, como nos disse com orgulho, você teria feito o mesmo que ele e servido aquele monstro. Fico imaginando qual teria sido o seu destino. — Harry deu de ombros com a mesma indiferença do homem de olhos maus. — Eu não quero servos, escravos ou assassinos e também não preciso de obediência cega, na verdade, é por isso que estamos aqui hoje. Para que possamos conversar e eu prometo ouvir o que cada grupo e matilha precisam, ao mesmo tempo em que vocês analisarão a minha proposta e decidirão se aceitam ou não.
— Isso não me parece uma ditadura, Travers. — Elfort disse com olhos astutos. — Talvez seja você que não queira que o acordo dê certo, talvez, agora que Greyback não está mais no jogo, você queira assumir o seu lugar e nos aterrorizar ou nos usar para os seus interesses mesquinhos.
Suas palavras levaram muitos olharem para Travers com desconfiança e um pouco de medo.
— Deixe de tolice, Harvey. — Ele disse meio defensivo. — Bem, acho que agora é minha vez, ou será que não posso me apresentar também? — Harry acenou positivamente e ignorou a expressão fechada de Sirius e Remus. — Meu nome é George Travers, da Família Travers, sou o filho mais novo e mesmo que o meu irmão esteja em Azkaban e meu pai sem um herdeiro, ele ainda não me acha digno de carregar o seu nome. Fui mordido aos 17 anos e, quando meu pai me expulsou, me enviou com um carrasco amigo dele chamado Macnair que gostava de matar. O velho era um psicopata sádico, mas ouvi meu pai dando ordens para que ele me abatesse rápido, como se faz com um animal doente. Eu fingi que não sabia a verdade e que acreditava que o velho apenas ia me acompanhar ao acampamento do Ministério. — Ele sorriu mostrando a crueldade do assassino. — Ele se descuidou, se sentindo seguro de que eu era apenas um garoto imprestável, mas eu mostrei para ele. Depois, eu fugi e aprendi a me virar sozinho...
— Sozinho? — Tenny sorriu com malícia. — Pelo que me lembro, você e Greyback passaram um tempo juntos zanzando por aí e você aprendeu com ele como sobreviver, Georgie.
— Cale a boca, velho! — Travers disse com expressão escura e Tenny riu divertido. — Eu precisava sobreviver e fiz o que tinha que fazer! Alguém aqui ousaria me julgar? — Ninguém falou nada e ele deu de ombros. — Exatamente. Todos vocês fizeram o que tinham que fazer e pronto.
— E o futuro, Georgie? — Harry provocou deliberadamente e não se intimidou com o seu olhar frio. — Está disposto a ouvir ordens de outros? De nascidos trouxas, mestiços, trouxas, centauros? Mulheres? — Ele acenou olhando em volta. — Todos vocês viverão juntos em uma comunidade e cada um terá suas funções, assim, a convivência pacifica é importante. Sinceramente, Travers, com o seu histórico, você acredita que pode se mudar para essa ilha e pacientemente coabitar com os outros?
— Bem... — Travers hesitou. — Colocando dessa forma... Mas eu não sou um monstro como Greyback ou Egan. Nunca matei por diversão e prazer, assim, se a condição é parar de matar e roubar, meu grupo pode estar disposto.
— Não me preocupo que você seja como Greyback ou Egan, você não conseguiria almoçar calmamente conosco se fosse um psicopata louco. — Harry disse. — A questão é o quanto você é parecido com o seu irmão e seu pai, Georgie. Porque puristas não tem vez nessa ilha e preciso saber o que acontecerá quando Voldemort voltar e o chamar a sua presença. — Exclamações de pânico e incredulidade soaram pelo Salão. — Ele está vivo e não quero saber de comensais da morte ou covardes em nosso meio, que nos trairão e matarão assim que a guerra recomeçar.
— O Lord das Trevas está vivo? — Travers fez a pergunta que passava pela mente de todos, menos o grupo de Theo, que já tinham sido informados anteriormente.
— Isso não é possível! — Sonnian disse muito pálido.
— Pelo que entendemos, os seus pais o mataram! — McGregor exclamou. — Como ele pode estar vivo?
— Provavelmente, magia negra. — Sirius respondeu. — Ele era conhecido por experimentar sem qualquer tipo de controle ou responsabilidade.
— Voldemort está enfraquecido, mas tentando recuperar seu poder e, quando isso acontecer, o nosso mundo estará em guerra outra vez. — Remus disse suavemente. — Não queremos que lutem ao nosso lado, apenas, que estejam seguros aqui na ilha, longe dos conflitos, protegidos de Voldemort e do Ministério.
— Tempos sombrios nos esperam. — Firenze disse em tom etéreo. — Marte brilha intensamente, ansioso por sangue e a balança de Atena pende a cada nova decisão. Nosso futuro será negro se não confiarmos no coração do guerreiro, pois só ele pode derrotar a escuridão.
— Essa história de coração do guerreiro outra vez. — Travers disse impaciente. — Quem é esse guerreiro? E o que o torna especial para derrotar o Lord das Trevas?
— Não seja idiota, Georgie! — Elfort disse impaciente. — O garoto é o guerreiro! E, ele nos tirar do jogo é o que o faz especial! Preste atenção! Você-sabe-quem voltará com sede de poder e de morte, quem ele tentará destruir? O garoto que todos pensaram que o tinha derrotado de uma vez, o filho daqueles que quase o mataram. Por isso o garoto está nos dando a ilha! Assim, não lutaremos contra ele no futuro!
— Porque, quando Voldemort voltar, obrigará muitos de nós a sermos os seus escravos e lutarmos, quer queiramos ou não, mas, se ele não nos encontrar... — Theo disse mais claramente.
— Isso é muito astucioso, guri! — T riu divertido e olhou com admiração para o Harry, que sorriu de volta. — Você é mesmo um líder malicioso e perverso, meu camarada!
— Obrigado, T. — Harry disse. — Quero que saibam que mesmo sem Voldemort, eu lhes daria a ilha para viverem, pois isso é o que minha família faz, nós ajudamos e lutamos para melhorar o nosso mundo. — Ele deu de ombros. — Mas sim, gostaria de pensar que minhas ideias para os ajudar hoje, serão importantes para vencermos Voldemort na guerra de amanhã.
— E, é por isso que exigiremos contratos mágicos. — Serafina disse. — Não porque queremos servos, mas para que vocês nunca mudem de lado e se tornem servos de Voldemort. Ou pior, que traiam o segredo da ilha e o traga até aqui junto com seus comensais.
Muitos empalideceram com o pensamento sombrio.
— Quando ele retornar, procurará por vocês, pois precisará aumentar os seus números rapidamente. — Harry disse.
— Ele não se importa com vocês ou os vê como mais do que servos descartáveis, mas por medo, muitos de vocês não conseguirão recusá-lo. — Remus acrescentou. — Outros terão a ilusão de que sob o seu governo os lobisomens terão mais poder e liberdade.
— Isso é uma ilusão de merda! — Sirius disse com uma careta. — Travers, Quirke e Lud sabem como os puristas pensam, e eles ou Voldemort jamais lhes dariam nada que prometessem. Na verdade, se ele tivesse vencido a última guerra, não haveria mais comunidade lobisomem.
Os três acenaram concordando com o comentário e Travers, relutantemente, acrescentou:
— A ordem para os aurores matarem os lobisomens partiu dele. — Ele deu de ombros ao ver suas expressões surpresas. — Meu irmão me disse que o Lord era brilhante e gostava de jogar jogos, nada de ir para cima e destruir tudo, matar centenas de bruxos, não, nada disso. Ele era sutil, elegante, calculista e um de seus aurores espião conseguir lançar o Imperius em Bagnold. Isso deveria significar o fim da guerra, mas, não era assim que ele queria vencer, o Lord queria que todos parassem de lutar, desistissem e reconhecessem que era inútil continuar a resistir. Ele queria quebrar cada bruxo do mundo mágico e fazê-los se render, reconhecer seu poder e invencibilidade, se ajoelharem aos seus pés e, de bom grado, servirem como servos fieis. — O clima ficou ainda mais sombrio, mas alguns tinham expressões furiosas e indignadas. — Então, ele comandou que Bagnold desse a ordem para os seus aurores matarem lobisomens a vista e, ao fazer isso, ele jogou os lobisomens contra o Ministério e atraiu centenas para o seu lado da guerra.
— Maldito! — Remus disse e Harry viu como ele, Dean e Lisa estavam pálidos e arrasados.
— Bem, acho que essa verdade todos entendem. — Harry disse suavemente. — Voldemort é um assassino cruel e nada ou qualquer um é capaz de impedir ou imaginar do que ele é capaz. Temos que esperar e nos preparar para o pior, tão importante que isso, precisamos continuar com nossas vidas. — Harry olhou para o Falc, que acenou. — Se vocês decidirem aceitar a minha proposta, estarão protegidos dele e da guerra, se quiserem lutar ao nosso lado, isso será uma escolha pessoal. No entanto, se assinarem o contrato mágico, nenhum de vocês nunca poderão nos trair e se juntarem a Voldemort ou, contarem sobre a existência e a localização da ilha.
— Então, esse contrato vinculativo com você nos impede de te trair e nos juntar a Voldemort? — Elfort perguntou e parecia aliviado quando Harry concordou. — Apenas isso? Nada mais?
— Tem mais alguns detalhes, Sr. Harvey e vocês poderão ler com atenção todo o contrato, fazer perguntas e refletirem sobre o que querem. Podem inclusive solicitar que acrescentemos algo que vocês gostariam que acontecesse, mas o principal ponto e objetivo do contrato é impedir traidores.
As expressões da maioria eram de otimismo e esperança.
— Nunca vi um contrato que impede traições com absoluta garantia, que não seja um vínculo de escravidão. — Travers disse desconfiado.
— Além disso, como esconderemos a existência da ilha? Ou a sua localização? — Quirke perguntou incrédulo.
— Se deixarmos a ilha para trabalhar, poderemos ser seguidos ou sequestrados. — Lud disse pensativo. — Sob a tortura de você-sabe-quem, qualquer um falaria tudo e, mesmo se a punição da quebra do contrato for a morte, isso não impedirá que a verdade seja revelada.
— Essas são boas perguntas. — Belle disse lentamente. — Mas antes de continuarmos, precisamos de uma decisão do Sr. Travers. — Ela olhou para ele tensamente. — Quais são seus objetivos aqui? Qual será a sua lealdade na guerra que virá? Quantos existem em seu grupo?
— Ok, ninfa, já entendi. — Ele a impediu de continuar a fazer perguntas. — Somos 40 membros, todos com um passado bem negro e alguns deles não estão interessados em viver em uma ilha na Escócia ou trabalharem honestamente. No entanto, alguns querem uma chance e é por eles que eu vim aqui. — Sua expressão era bem neutra. — Eu posso não ter mais jeito ou mereça um futuro diferente, mas tenho alguns dos meus homens e mulheres que só precisam de uma oportunidade. Esse é o meu objetivo, saber se não existem armadilhas e ajudar os meus homens a terem uma vida melhor. — Travers deu de ombro. — Quando a guerra começar, o Lord das Trevas libertará os seus servos fieis de Azkaban, incluindo o meu irmão e aquela sua prima louca. — Sirius empalideceu com o pensamento. — Meu irmão me protegeu na última guerra, me tornou útil para o seu Lord e sempre me avisou dos perigos. Meu pai também sabe que estou vivo, mas o meu irmão nunca deixou que ele me encontrasse e terminasse o serviço, portanto, minha maior lealdade sempre foi para o Gavin.
— Então, se tiver uma oportunidade, o seu irmão se juntará a Voldemort e isso quer dizer que você o ajudará? — Harry perguntou.
— Não sei. — Travers respondeu sincero. — Não sei o que farei, pois, apesar de amar o meu irmão e ser grato a ele por sua proteção, também sou leal aos meus homens e não os quero mortos.
— Isso quer dizer que você não assinará o contrato? — Falc perguntou objetivamente.
— Eu posso assinar o contrato, pois nunca me juntarei ao Lord das Trevas, mas não posso dizer que não ajudarei o meu irmão. — Travers disse claramente.
— Isso não será um problema. — Harry disse suavemente. — Não pretendo que o seu irmão saia de Azkaban com vida, Georgie.
— O que? — Travers o encarou chocado.
— Bem, foi você quem disse que fazemos o que temos que fazer para sobreviver, certo? — Harry sorriu divertido e deu de ombros. — Eu não permitirei que Voldemort se fortaleça quando retornar e, se tenho que matar alguns prisioneiros pelo caminho, bem, isso não me faz um psicopata louco, é apenas sobrevivência.
— Gostei dessa ideia! — Sirius disse animado e bateu palmas. — Adoraria ver a Bella mortinha!
— E, eu ficaria muito feliz em ter um pedaço de Rabastan. — Lud disse animado.
— Se vocês estão planejando um assassinato em massa dos prisioneiros de Azkaban, eu topo! — T gritou animado. — Quando começamos?
— Depois que os meus homens saírem de lá, é um bom começo para mim. — Gun disse rabugento. — Eu posso até dar uma ajuda, em agradecimento pelo advogado.
— Acha que deixarei que mate o meu irmão? — Travers perguntou com expressão escura.
— Seu irmão já está morto, Georgie. — Harry disse com frieza. — Porque, se ele ficar em Azkaban, morrerá lá um dia e, se fugir para servir o seu maldito mestre, eu o matarei aqui fora. Você não precisa esperar pela guerra para fazer uma escolha! Esse momento está aqui e agora! Ou você se ilude em pensar que pode salvar o seu irmão ou se compromete com o seu povo, com os seus homens e faz por merecer um futuro melhor. Ninguém o absolverá ou condenará aqui, Georgie, apenas você tem esse poder.
— O menino te pegou, cara. — T disse com um sorriso malicioso. — É aqui e agora, ou vai ou racha, sacou?
Travers lhe lançou um olhar irritado que apenas fez T rir em diversão.
— Se eu disser não e não assinar o contrato, isso quer dizer que você não ajudará os meus homens? — Ele perguntou olhando para Harry intensamente, como se quisesse ter certeza de sua sinceridade.
— É claro que eu os ajudarei. — Harry disse positivamente. — O que estamos fazendo hoje são escolhas individuais tanto quanto coletivas. Se alguém, de algum grupo ou matilha, não quiser vir para a ilha, ele tem esse direito, pois é sua escolha, assim como a ausência de um líder ou alfa não impede aos outros escolher estar aqui.
— Bom... — Travers disse pensativo. — Tem alguns que viverão bem aqui e merecem essa chance.
— Você não é um deles? — Belle perguntou suavemente.
— Não, ninfa, acredito que eu estou bem onde estou. — Ele disse e seu tom era suspeitosamente indiferente.
— Ok. Acho que podemos ouvir sobre essa proposta agora, certo? — McGregor disse impaciente.
— Sim. — Falc respondeu e os olhares se viram para ele. — Primeiro, é preciso que saibam que vocês terão que assinar o Tratado de Faraó.
Apenas Lud, Quirke e Travers mostraram saber do que se tratava, os outros mostraram apenas confusão.
— E o que seria isso, bicho? — T perguntou impaciente.
— O Tratado de Faraó é um contrato mágico muito antigo, foi criado na época do reinado de Cleópatra pelos bruxos que queriam assegurar a proteção de suas casas e reinos. — Penny disse inteligentemente. — Nós, membros do Covil, estivemos pesquisando na Biblioteca de Hogwarts em busca de um contrato mágico que garanta a fidelidade entre as partes. E encontramos o Tratado do Faraó, que é incrivelmente poderoso, complicado e caro, mas que realmente assegura a proteção. — Houve acenos de entendimento e Terry pegou a deixa.
— Na época do Egito Antigo, traições, invasões e guerras eram comuns e isso acontecia até mesmo entre irmãos ou de filhos contra pais. Os bruxos daquele período também viviam a instabilidade dos impérios ditatoriais trouxas que poderiam trair um amigo ou iniciar uma guerra por um simples capricho. Assim, eles decidiram criar um contrato a prova de traição e, apesar de suas complicações e custos, ele foi muito utilizado durante séculos. — Terry disse com seu jeito fácil de explicar que Harry sempre pensou que o faria um bom professor.
— Apesar de não muito utilizado nos últimos 800 anos, ele foi registrado em livros antigos e, felizmente, nós tivemos acesso total as suas informações históricas, seus objetivos e resultados, além de como é difícil prepará-lo. — Penny disse lentamente.
— Bem, mas o que ele faz? E como é feito? — Elfort perguntou e todos acenaram curiosos.
— Bem, vamos a como ele é feito. — Penny disse suavemente. — Primeiro, seu pergaminho é feito do real papiro egípcio misturado ao tronco do carvalho branco mágico. Ele é preparado de uma maneira específica por um artesão e, depois, mergulhado por 7dias em água pura com uma gota de lágrima de fênix e uma gota do rio mágico Stix, da Grécia. Isso o transforma em um pergaminho mágico que, com sua pureza, impede que acordos escuros sejam escritos nele, por exemplo, um contrato de escravidão nunca poderia ser escrito em tal pergaminho. Se a magia do pergaminho considerar o acordo cruel ou injusto, ele queimará em fogo mágico imediatamente.
— Eu já tinha ouvido falar sobre isso, mas lembro-me do meu avô dizer que era uma lenda. — Lud disse curioso.
— É uma magia antiga que se perdeu há muitos séculos em livros antigos, deixando de ser conhecimento comum ou ensinado às novas gerações. — Serafina disse lentamente. — Mas em bibliotecas antigas como a de Alexandria, Atenas, Hogwarts e outras tantas, seu registro é bem documentado com detalhes do seu uso histórico e com o ensinamento de sua preparação.
— Mas parece tão complicado e caro. — Becky disse suavemente e lançou um olhar preocupado para o Harry. — Você já está nos dando uma ilha para viver, não deveria gastar ainda mais do seu dinheiro, jovem Harry.
— Não se preocupem, os custos valerão a pena, além disso, nós encomendaremos apenas dois Tratados com o artesão egípcio e não ficará nada absurdo. — Harry sorriu gentilmente.
— Mas pelo que me lembro, o Tratado do Faraó não se tratava apenas de um pergaminho mágico. — Travers disse pensativo. — É por isso que é um tratado, era um conjunto de itens mágicos poderosos que, juntos, compunham uma tríade poderosa. Certo?
— Sim. — Serafina respondeu. — Desde que as crianças descobriram o livro antigo em Hogwarts, estivemos estudando todos os aspectos do Tratado que é composto por um trio de objetos poderosos ou Tríade do Poder. Assim, além do Pergaminho da Pureza, existe a Pena da Verdade e a Tinta da Deusa. Nós nos correspondemos com um artesão egípcio que produz os três componentes mágicos e normalmente os vende separadamente, ele nos disse que em 70 anos de ofício, essa é a segunda vez que ele vende o Tratado de Faraó.
— O que é essa pena? — Becky perguntou.
— É uma pena dentro do núcleo de uma pena. — Serafina respondeu. — A técnica surgiu antes da fabricação das varinhas e muitos acreditam que foi ela quem inspirou o surgimento das varinhas com núcleos de diversos animais pelo mundo afora. Basicamente, mais uma vez de uma maneira especial, o artesão compõe a pena de um pássaro trovão dentro da pena de uma fênix. — Isso arrancou suspiros e expressões chocadas. — São dois pássaros do fogo e simbolizam a virtude, a força, o poder e a verdade. E, enquanto o pássaro trovão tem a capacidade da destruição, a fênix tem a capacidade do renascimento, portanto, quando você escreve algo com essa pena a verdade anterior é destruída e uma nova verdade renasce.
— Então, quando o texto do acordo for escrito no pergaminho com essa pena, o que era antes se desfaz e surge algo diferente, baseado naquelas palavras? — Perguntou Elfort com olhos arregalados.
— Sim. E, quando cada um de vocês assinarem com a Pena da Verdade, essas palavras se tornarão a sua verdade e realidade. — Ela explicou. — Como se o que vocês eram antes fosse destruído e vocês renascessem com o acordo imbuído em suas almas e corações.
— Uau! — Henderson expressou o que os outros pensavam.
— Intenso, gata. — Disse T sincero.
— E, o que faz o terceiro componente do Tratado? — Quirke perguntou ansioso.
— A Tinta da Deusa com a qual não se escreve mentiras, intencionais ou não. — Penny respondeu sorrindo. — Ela é uma receita complexa e, apesar de estar descrita no livro que encontramos, não ousaríamos tentar fazer. Na verdade, foi por isso que contatamos um artesão egípcio, os riscos de falharmos ou de levar muito tempo para a preparação da Tríade do Poder, eram muito grandes. A tinta se chama Tinta da Deusa porque um dos seus ingredientes são as cinzas da pena da avestruz queimada em fogo mágico. As penas de avestruz representam a Deusa Maat, que segundo as lendas egípcias, usava as penas para avaliar os corações dos homens no submundo e descobrir se eles eram dignos.
— A receita leva muitos outros ingredientes, como garra de Dedo Duro, o pássaro, e esse ingrediente também é usado na poção Veritaserum. — Terry disse. — Sangue de salamandras para queimar as mentiras, medula de Cerberus para lealdade, pena da Coruja de Atena para sabedoria em discernir as enganações, raízes de oliveira branca que representa a justiça e assim por diante.
— Sim, enquanto a Pena da Verdade torna verdadeiro as palavras por ela escrita, a Tinta da Deusa impede que mentiras sejam escritas com ela. — Penny disse sorrindo.
— Não é o mesmo? — Elfort perguntou confuso.
— Não. — Serafina disse lentamente. — A Pena da Verdade torna as palavras do acordo verdade, ela muda a realidade com sua poderosa magia, mas se quem propor o acordo ou quem o aceitar, não forem sinceros em suas intenções, a magia do fogo da fênix e do pássaro de fogo queima as palavras e a destacam em cores vermelhas brilhantes. — Vendo seus olhares confusos, explicou. — A pena é usada separadamente da tríade em contratos oficiais no Egito, certo? — Eles acenaram. — Vamos supor que em um contrato, alguém se compromete em um acordo de sigilo, um funcionário para o seu patrão. Ao assinar o contrato, sua sinceridade em manter o sigilo é verificada pela magia da pena da verdade e, se ele estive mentindo, a assinatura se torna vermelha, se estiver sendo sincero, a verdade do contrato se torna a verdade para os dois, patrão e funcionário. — Eles acenaram. — Com a Tinta da Deusa, nenhuma mentira pode ser escrita com ela. Vamos supor que no contrato que exemplifiquei, o patrão concorda em pagar um bônus ao funcionário se esse mantiver o sigilo, mas isso é mentira, mesmo que todo o resto seja verdade. Então, a palavra ou frase mentirosa é identificada pela magia da tinta e as letras queimam e se tornam cinzas sobre o pergaminho.
— No livro dizia que era como se a tinta queimasse até as cinzas e que, depois, você poderia soprá-la do pergaminho. — Penny disse lentamente. — A Tinta, incrivelmente, é mais comum de ser usada, ainda que seja muito cara, pois a Pena da Verdade cria uma verdade ou realidade que não pode ser destruída facilmente. Vamos supor que o funcionário tentasse quebrar o sigilo prometido no contrato ou fosse torturado por essa informação, bem, o livro dizia que mudar a verdade criada pela Pena da Verdade seria incrivelmente doloroso.
— Não impossível, mas muito doloroso e magicamente debilitante, pois ao assinar com a Pena da Verdade, o bruxo vincula sua magia, alma, mente e coração com aquela realidade. — Serafina concordou.
— Bem, e a combinação da Tríade do Poder cria o Tratado do Faraó, onde é feito um acordo sem falhas ou bem perto disso. — Harry disse depois da explicação. — Eu não posso escrever mentiras, enganá-los sobre as minhas intenções ou fazer um acordo injusto e cruel. Mesmo se inconscientemente, eu não estiver sendo sincero, a Tinta da Deusa nos revelará isso e a Pena da Verdade tornará minhas intenções de ajudá-los uma realidade protegida por magia poderosa. E vocês também não podem assinar os contratos se não tiverem a real intenção de cumpri-lo, pois, a magia do Tratado se encarregará de revelar a verdade. O mais importante disso tudo é que a traição de ambos os lados se torna quase impossível e isso nos faz acreditar que o Tratado do Faraó é o nosso melhor caminho.
Houve muitos acenos concordando, mas Lud ainda estava preocupado.
— Olha, sem ofensa porque o trabalho de vocês em pesquisar e encontrar algo tão antigo e poderoso, foi incrível, mas quase impossível de haver traição, não é impossível, Harry. — Lud disse sincero. — Não posso colocar os meus filhos em risco, sejam pelos perigos dos comensais da morte e seu mestre ou da minha família. E, enquanto estou aprendendo a confiar em você, não posso dizer que confio em todos esses milhares de lobisomens mencionados hoje, que são apenas números para mim.
— Eu sei e, na verdade, esse era o maior de todos os problemas. — Harry suspirou. — Eu nunca duvidei que os pesquisadores do Covil encontrariam algo como o Tratado. — Ele olhou para Terry e Penny. — Eles dois e outros membros se tornaram incansáveis nas últimas semanas, enquanto os outros e eu, tentávamos compor o texto do acordo. O tempo todo, discutimos as ideias com os adultos de fora de Hogwarts e com o Prof. Flitwick, reuniões e mais reuniões, acreditem, todos estavam motivados e empenhados em ajudá-los.
— Você não disse quantos vocês são, guri. — Disse T curioso. — O seu grupo, você não disse os seus números.
— Ah! Falha minha, me desculpem. — Harry sorriu timidamente. — Somos 37 alunos, ainda que estejamos recrutando com afinco criterioso e prometo a vocês que todos da Equipe Covil assinarão uma versão do Tratado do Faraó, pois também não correrei o risco de uma traição vir de um deles. — Ele olhou em volta, encarando todos nos olhos. — Nenhum deles tem a localização da ilha, com exceção da Penny, Terry, Lisa, Dean, Neville e Hermione que são de absoluta confiança.
— E nós assinaremos o Tratado também. — Penny disse imediatamente e muito séria.
— 37? — Gun parecia impressionado. — Todos alunos de Hogwarts?
— Sim. — Harry disse acenando. — Todos estamos envolvidos nesta rebelião contra o Ministério e estivemos discutindo a melhor maneira de ajudá-los e garantir a segurança dos dois lados. — Todos os observavam atentamente. — O Tratado é uma grande segurança e torna uma traição quase impossível, mas eu também queria tirar o quase e nos proteger completamente. No fim, foi a Sra. Serafina quem teve uma ideia possível e, para explicá-la, tenho que lhes contar a verdade sobre o que aconteceu há 12 anos, no Halloween de 1981.
As expressões se tornaram surpresas e curiosas.
— Pensei que você já tinha feito isso quando deu aquela entrevista no Profeta. — Elfort disse e alguns acenaram, outros não sabiam sobre isso. — Foram os seus que pais destruíram você-sabe-quem, eles encontraram uma magia familiar antiga, um ritual de proteção, que o impediu de te machucar e acabou matando... quer dizer... — Elfort se mostrou confuso. — Ele não está morto, então...
— Se houvesse tal ritual de proteção familiar, com certeza os meus pais o realizariam, mas ele não existe. — Harry disse e deu de ombros. — Infelizmente, dizer a verdade é muito perigoso, principalmente com o quanto de comensais da morte que estão livres e zanzando por aí. — Todos acenaram entendendo. — Mas era importante para mim que as pessoas soubessem a verdade, que foram eles os heróis, principalmente a minha mãe, não um bebê de 15 meses que usava fralda. Na verdade, quem teve essa ideia, de que um bebê poderia derrotar um bruxo adulto e poderoso, é um tremendo imbecil. — Harry viu T rir divertido enquanto os outros se mostraram mais confusos. — O que acontece é que Voldemort tinha decidido me matar em vingança, acabar com a linha Potter, porque meus pais o desafiaram e sobreviveram, além de recusarem os seus convites de se juntarem a ele.
— Isso é uma desonra terrível. — Lud disse e muitos acenaram com a cabeça. — Matar uma criança, destruir a linha de uma família mágica antiga, esse tipo de coisa não se faz sem punição.
— Ele matou o meu pai primeiro, que tentou ganhar tempo para minha mãe fugir comigo. — Seus olhos se arregalaram ao ouvir a verdade. — Minha mãe não conseguiu sair, não sei porque, mas ela se colocou em frente ao meu berço para me proteger e Voldemort lhe ofereceu a chance de viver, ela apenas tinha que se afastar e deixá-lo me matar. — Exclamações de espanto ecoaram pela mesa. — Afinal, com meu pai morto, a linha Potter acabaria quando ele me matasse e acho que o agradava a ideia de deixá-la viva para sofrer com a nossa morte.
— Isso o agradaria, mas pelo que disse Georgie, acredito que ele também se agradaria de vê-la capitular e desistir. — Prof. Bunmi disse e muitos acenaram.
— Ela se recusou a sair da minha frente e implorou por minha vida, ofereceu a dela pela minha, mas ele apenas riu e a matou. — Harry disse, seus grandes olhos verdes cheios de tristeza. — Depois, ele tentou me matar, mas, o sacrifício da minha mãe, sua disposição em morrer por mim, criou uma proteção magica poderosa que fez sua maldição da morte se refletir e destruir o seu corpo.
— Magia antiga. — Archie disse sombrio. — Ele mexeu com uma magia desconhecida, antiga e poderosa, além de toda a magia negra que ele brincou que o permitiu sobreviver. Lud está certo, a magia puni aqueles que a desrespeitam e você-sabe-quem está pagando por sua arrogância.
Harry acenou concordando, mas não disse que sentia que a magia o ajudava em sua busca por derrotá-lo de vez.
— Voldemort é apenas um espectro agora e está tentando desesperadamente se recuperar. — Ele disse suavemente.
— Como sabe de tudo isso? — Travers perguntou e Harry deu de ombros.
— Eu o enfrentei duas vezes nos últimos dois anos e ele me disse, riu de mim e da minha mãe sangue ruim, mas eu disse na cara dele que foi ela quem o transformou naquela coisa patética e fraca. E o coloquei para correr nas duas vezes, com a ajuda dos meus amigos, claro. — Harry disse apontando para Terry.
— Nós não fizemos nada, apenas chegamos tarde ou o observamos lutar contra o maldito. — Terry disse brincalhão. — Ele não aceita muitos créditos e elogios.
— Bem, os seus apoios foram de grande ajuda, ora. — Harry disse devolvendo a brincadeira e ignorando os olhares espantados.
— Isso é verdade? Você lutou contra ele e venceu, duas vezes? — McGregor parecia incrédulo.
— Ele está muito fraco, mas apesar disso, eu ainda fiquei ferido, assim, acredito que se ele recuperasse o seu corpo, não teríamos tanta sorte. — Harry disse com indiferença. — Mas o que importa no que lhes contei é que Dumbledore descobriu o que aconteceu e percebeu que essa proteção mágica que surgiu do amor da minha mãe, do seu poderoso sacrifício, lhe permitia criar uma ala de proteção. Essa ala só poderia ser alimentada pelo amor do sangue da minha mãe, assim, ele me enviou para viver no mundo trouxa com minha tia. — Ele olhou em volta para ver se todos entendiam e percebeu que Tenny cochilava com expressão satisfeita. — Portanto, enquanto o lar da irmã de minha mãe fosse o meu lar, as alas se manteriam erguidas fortemente e impediriam que Voldemort e seu comensais da morte pudessem me alcançar.
— Isso deve ter sido uma magia brilhante. — Lud disse pensativo.
— Bem, dizem que o cara é brilhante, certo? — T disse dando de ombros. — Não que eu o conheça, sacou?
— Realmente foi algo brilhante. — Serafina disse suavemente. — No momento em que Petúnia aceitou o Harry em sua casa e se dispôs a amá-lo, a proteção foi ativada e ela deixará de existir apenas quando o Harry alcançar a maioridade ou se um dos dois decidir que não viverão mais juntos.
— Ok, isso é muito interessante e tal, mas o que tem a ver conosco? — McGregor perguntou impaciente.
— Deixe de ser besta, Doug! Eles estão dizendo que colocarão essa proteção aqui na ilha. — Disse Elfort olhando para o outro com pena.
— Mas como? — Becky arregalou os olhos. — Você e sua tia pretendem viver aqui?
— Não e não. — Harry sorriu timidamente. — Não é exatamente isso. A Sra. Serafina pode explicar melhor.
— Harry e a tia se mudaram recentemente, assim, tive a oportunidade de investigar a proteção e as runas usadas para erguê-las. — Serafina disse. — Percebi, por exemplo, que as alas não estão vinculadas ao sangue e sim ao amor e intenção.
— Como a maioria das magias. — Theo disse apertando a mão de Bridget com carinho.
— Exatamente. — Serafina sorriu para eles. — Claro que o sangue que o Harry e a tia compartilham, tornou as alas de proteção ainda mais fortes, afinal, essa é uma magia que surgiu a partir da magia de alguém que morreu e que era do mesmo sangue que os dois. Mas nem todas as magias desaparecem quando o seu perpetrador morre ou, então, todas as proteções e alas anti trouxas de Hogwarts ou do Beco teriam desaparecido a séculos. Todos entenderam até agora? — Ela perguntou e houve alguns acenos positivos, outros negativos, mas...
— Eu nunca fui a Hogwarts, senhora, assim, não entendo tudo, mas está tudo bem, pode continuar. — Disse Becky timidamente. — A senhora explica tão bem que consigo acompanhar um pouco.
— Ok, mas pode me chamar de Serafina, Becky. Bem, apesar da morte da Lily a proteção não morreu, pois ela vive no Harry, em seu sangue, em sua magia, em sua pele. — Serafina disse olhando para o garoto com carinho. — Assim, Dumbledore também vinculou essa proteção ao sangue de sua tia, ergueu as alas que os mantêm seguros e, indiretamente, criou uma retroalimentação. A magia de proteção no Harry alimenta as alas e as alas, ajudam a magia de proteção a continuar a existir mesmo depois de 12 anos da morte da Lily.
— Uau... —Travers disse com o cenho franzido. — É por isso que você o derrotou, não é? Nessas duas vezes, foi a proteção que o impediu de matá-lo de novo e o ajudou a vencê-lo.
— Sim. — Harry disse sorrindo. — É muito forte e posso sentir a minha mãe e seu amor comigo, ela continua a me proteger mesmo depois de tanto tempo.
— Isso é tão bonito, um amor tão grande só poderia gerar uma magia tão poderosa. — Cara disse emocionada e Harry acenou.
— Bem, ainda não entendo qual a ligação dessa proteção conosco. — Disse Gun com seu vozeirão.
— Em nossos momentos de discussão, percebemos que o melhor jeito de os ajudar, era transformar a comunidade lobisomem em uma comunidade unificada. — Harry disse objetivamente. — Vocês precisão se transformar em uma única matilha ou clã, não podem viver ou conviver nesta ilha mantendo a separação atual ou vivendo de maneira individual. É preciso que vivam coletivamente e o mais harmoniosamente possível.
— Pensando nisso, concluímos que um dos Tratados do Faraó deve ser assinado por vocês se comprometendo a essa nova matilha. — Terry disse.
— Cada um dos lobisomens assinarão o contrato que cria uma única matilha e concordarão em ser um membro, a honrar, proteger e cuidar da matilha. — Remus disse. — Como um juramento de dedicação, lealdade e fidelidade a comunidade, assim, ao ser assinado com o Tratado, esse acordo se tornará verdade para todos e quase impossível de se quebrar.
Todos se mostraram pensativos ou preocupados e Harry decidiu deixá-los absorver essa ideia e seguir para a próxima.
— Em seguida, entra a segunda parte ou o segundo Tratado do Faraó. — Harry disse e recebeu a atenção de todos. — O novo clã assinará um acordo com a Família Potter que durará por séculos e séculos, mesmo quando nós não estivemos mais aqui.
— Um acordo? Quer dizer o arrendamento? — Perguntou Becky e Harry acenou negativamente.
— Não. Na verdade, depois desse acordo, acredito que o contrato de arrendamento se tornará apenas uma formalidade. — Harry disse suavemente. — O que faremos é um Defod Bondio.
— O que? — As expressões de todos era confusa, com exceção dos galeses a mesa.
— Um ritual de ligação? — Gun perguntou de olhos arregalados.
— Mas... — Blythe parecia sem palavras.
— Isso é para sempre, não poderia ser desfeito até o dia em que a linha Potter morrer ou a nossa matilha deixar de existir. — Gun disse mais eloquente.
— Eu sei e desde já digo que essa ideia é minha, de mais ninguém. — Harry disse sincero. — Eu estive lendo o Grimoire da minha família e encontrei uma explicação bem detalhada do que seria o ritual de ligação.
— E o que é exatamente? — Becky perguntou ansiosa.
— É um ritual que liga a linha Potter, meu sangue e magia, com vocês. — Harry resumiu. — Literalmente, formaremos um vínculo mágico e nos tornaremos familiares.
— Espera, seremos da Família Potter? — T disse de olhos arregalados.
— Não. — Harry sorriu gentilmente. — Existem diversos tipos de ligações ou vínculos mágicos, como o do casamento, por exemplo. Existem os ruins, como o vínculo de escravo ou os perigosos, como o voto perpétuo, também é possível se tornar familiar de um animal mágico, como Dumbledore é ligado com Fawkes, a fênix. E também existe o Defod Bondio que, basicamente, permite a duas famílias fazerem um juramento mágico, que exige um ritual complexo, onde se comprometem a mútua lealdade, fidelidade, amizade e familiaridade. A partir daquele ponto, eles se tornam familiares, ligados para sempre por magia e a intenção de bons sentimentos. — Harry recebei muitos acenos assombrados. — Antigamente, o Defod Bondio era usado entre famílias poderosas e famílias que precisavam de proteção. Alguns viam isso como um sistema de vassalagem, onde o Lord dava terras e proteção a outra família, desde que essa prometesse se manter sempre leal e amiga.
— E nós seriamos seus vassalos? — McGregor perguntou com uma careta.
— Não, pois eu não sou um Lord. — Harry disse levemente impaciente. — Estou falando de como era feito antigamente. Os conflitos e guerras eram constantes por toda a parte, no mundo trouxa e mágico, assim, uma família buscava a proteção de uma família rica e poderosa. Eles realizavam o Defod Bondio, e essa família tinha terras seguras para viver e plantar, criar suas famílias.
— Mas o que eles davam em troca? — Elfort perguntou inteligente.
— Depende. — Harry disse sincero. — Se houvesse uma relação de amizade verdadeira entre as famílias, nada era exigido em troca além de mutua lealdade e proteção. Imagine que 100 ou 500 anos depois, a situação se invertesse e a família poderosa precisasse de ajuda ou apoio da outra família.
— A primeira família seria obrigada a ajudar. — Disse Gun acenando.
— Não existe uma obrigação mágica, mas com certeza seria desonroso recusar o auxílio e poderia quebrar a ligação no caso da pessoa que pediu ajuda morrer, por exemplo. — Harry disse lentamente. — A magia é muito inteligente e sutil, muitas vezes ela age de maneira completamente inesperada. — Ele viu acenos positivos e continuou. — No caso de as famílias não serem amigas, a ligação mágica, as terras e a proteção poderiam ter um preço, mas era combinado algo justo, como o pagamento do arrendamento da terra, por exemplo. Metade da plantação colhida por 10 anos, ou que o filho mais velho viesse trabalhar nas colheitas da fazenda da família poderosa. Em alguns casos, eles assinavam o casamento de seus filhos, pois seria de interesse da família poderosa que sua filha se casasse com um linha adequada e amiga. Haviam acordos mais sombrios, como aceitar o chamado para lutar na guerra, por exemplo, mas essa não é a minha intenção. Acredito que o arrendamento da ilha se encaixa perfeitamente como pagamento pela ligação mágica e minha proteção, ao mesmo tempo em que torna impossível de nos trairmos já que seremos familiares por magia.
— Bem... — Lud parecia pensativo. — Na teoria parece algo bom para nós, mas gostaria de ter mais conhecimento sobre o assunto.
— Ainda não entendo a intenção, quer dizer, o Tratado do Faraó com promessas de não traição já não impediria o risco de isso acontecer? — Quirke perguntou confuso. — Não é infalível, é verdade, mas me parece algo muito mais tradicional do que um ritual de ligação mágica antiga, que nos torna familiares para sempre.
— Bem, primeiro, a ligação mágica seria entre a Família Potter e o novo Clã que será criado. Vocês, como membros do clã, sentiriam essa ligação familiar, mas se abandonassem a matilha, ela se perderia, pois não é uma ligação individual. — Harry disse objetivamente. — Segundo, essa ligação nos torna familiares e o vínculo nos faz protetores uns dos outros, fortalece os bons sentimentos de amizade, afeto e lealdade, tornando uma traição impossível. O Tratado do Faraó é incrível, mas existe a possibilidade de quebrá-lo, mesmo que seja algo doloroso e magicamente debilitante. Ao fazermos o acordo do ritual de ligação no Tratado do Faraó, estaremos nos cercando de uma poderosa e benéfica magia que dará a todos nós segurança nos anos de guerra que enfrentaremos no futuro. Isso também permite que vocês sempre tenham essa ilha e a proteção dos Potters, assim, mesmo em 100 ou 500 anos, este Clã não será abandonado ou esquecido pelos meus descendentes. — Harry viu que todos o olhavam assombrados com suas palavras. — Por fim, ao se tornarem meus familiares e eu me tornar parte da sua matilha, vocês poderão se beneficiar da minha magia, inclusive da poderosa proteção que minha mãe me deixou.
Mais uma vez alguns expressaram confusão ou espanto.
— Pensei que fosse uma proteção para você e sua tia, sabe, ligada ao sangue de sua mãe. — Becky expôs a confusão de alguns.
— As alas foram erguidas e existem por causa do sangue que minha tia e eu compartilhamos. — Harry disse. — Mas se a proteção não existisse em mim, em minha magia, como uma marca, onde as alas se alimentariam para continuar a existir?
— Se o Harry deixar de viver com a tia, as alas cairão porque elas foram criadas a partir do amor e sangue que eles compartilham, mas o que alimenta as alas e que permitiram a elas existirem por todos esses anos, é a proteção criada a partir do sacrifício da Lily. — Serafina disse lentamente. — E, onde vive essa proteção? — Todos os olhos se desviaram dela para o Harry e ela acenou. — Exato. A proteção faz parte do Harry, está em seu sangue, magia, em sua alma e coração, assim, mesmo com a morte de Lily, essa poderosa magia não se desfez e não duvido que está tão forte quanto há 12 anos.
— Um lindo presente que sua mãe lhe deixou, jovem. — Cara disse com um sorriso gentil e Harry sorriu de volta.
— Eu sei. — Ele pigarreou emocionado. — Bem, viver com a minha tia, o sangue da minha mãe, e dentro de alas tão poderosas, permitiram que a proteção se mantivesse viva ao mesmo tempo que a proteção em mim alimenta as alas. Como um círculo infinito e, defeitos a parte, não podemos negar que Dumbledore é genial. — Houve alguns acenos e caretas de desagrados diante do nome. — Bem, quando discutíamos o que fazer, como protegê-los e como impedir traições, o Tratado do Faraó parecia a solução mais viável, pois um acordo feito com a Tríade do Poder é quase inquebrável. No entanto, como dissemos, eu não queria o quase e continuei pensando sobre o Defod Bondio, era uma decisão importante e definitiva, assim, cabia apenas a mim refletir e chegar a uma conclusão. Então, a Sra. Serafina mencionou que era uma pena que não pudéssemos usar a proteção da minha mãe em alas em volta da ilha, pois assim, vocês estariam completamente protegidos de Voldemort e dos seus comensais da morte.
— Eu mencionei isso apenas como um pensamento alto, pois era obviamente impossível de acontecer. — Serafina disse. — A única maneira do Harry criar alas assim aqui, seria se no local vivessem pessoas com quem ele tivesse uma ligação de sangue ou uma ligação mágica poderosa, não apenas afetiva. — Seus rostos pareciam confusos e ela acrescentou rapidamente. — Por exemplo, Harry tem uma ligação afetiva e familiar conosco, os Boots, mas por mais que nos ame, nossa casa não poderia receber essa proteção em nossas alas, pois não existe um vínculo mágico ou sanguíneo. Entendem? — Todos acenaram e Harry continuou.
— Eu sabia que a Sra. Serafina estava analisando a proteção e as alas criadas a partir delas, assim, quando ela me explicou que apenas com uma ligação mágica ou de sangue, as alas poderiam ser erguidas, percebi que a resposta para todas as nossas discussões era o Defod Bondio. — Harry disse. — O Ritual de Ligação criará um vínculo impossível de quebrar, pois estaremos nos tornando irmãos em magia, eu serei parte do seu clã, um companheiro de matilha. E vocês serão parte da minha família, protegidos e assegurados pela magia Potter, pela influência e poder do meu nome, além de receberem a lealdade e afeto do meu coração.
Era possível ver pelos olhos arregalados que todos estavam assombrados com suas palavras. Quando qualquer um deles foram tratados com um mínimo de gentileza? Com um mínimo de civilidade? E, no entanto, ali estava uma criança, um jovem rico e importante que oferecia a eles o que até mesmo suas famílias lhes negaram. Proteção, afeto, lealdade e amizade verdadeira.
— Estou chocado, Harry. — Lud disse suavemente e muitos acenaram. — E emocionado, sinceramente eu... não sei como um dia poderemos retribuir algo tão... especial e único. — Quase todos acenaram ou olharam para ele com admiração.
— A única coisa que quero em troca, além de vê-los ter uma boa vida na ilha, é que nunca se juntem a Voldemort na guerra. — Harry disse com firmeza. — E aqueles que cometeram crimes até agora, que deixem de fazê-lo e passem a ter uma vida honesta e digna. No dia em que Voldemort estiver morto, quero voltar a essa ilha e comemorar com meus irmãos de matilha. — Ele olhou em volta. — Quero que neste dia, todos que assinarão o Tratado estejam aqui, vivos, inteiros, íntegros em suas promessas e prontos para um futuro com leis justas e verdadeiras.
— Não duvidem que venceremos. — Sirius disse olhando para o afilhado com orgulho. — As duas guerras, contra Voldemort e contra o Ministério, mas faremos isso com integridade, inteligência, lealdade, astúcia e muita coragem. Além de um pouco de loucura também, porque isso torna tudo mais divertido.
Isso provocou risos e gargalhadas divertidas por toda a mesa e Harry pegou o Firenze olhando para o teto do Grande Salão.
— O guerreiro e seu grande coração não estão mais solitários e, a partir de hoje, o povo dos Shapeshifter não estarão mais esquecidos ou abandonados. — Ele sussurrou em tom etéreo que viajou pelo Salão como um encanto mágico, arrepiando os pelos das nucas de todos.
Suas palavras causaram sorrisos e expressões de espanto ou esperança.
— Tenho apenas uma dúvida, senhora. — Becky disse curiosa ao olhar para Serafina. — Eu não sei muita magia, mas, como é possível que possamos ser protegidos pela magia da proteção, se faremos um ritual de ligação com a Família Potter e a proteção vem do sangue da mãe do Harry.
— Essa é uma excelente pergunta. — Serafina respondeu com sorriso gentil. — Primeiro, as alas que ergueremos aqui serão poderosas por si só e acrescentaremos a proteção que a Lily deixou para torná-las ainda mais poderosas. Além disso, essa proteção extra apenas os protegerá de Voldemort e seus seguidores, serão as outras alas que protegerão a ilha de outros atacantes, como o Ministério, por exemplo. Tudo certo até aqui? — Ela perguntou e houve muitos acenos. — A proteção da Lily só poderá ser acrescentada as alas da ilha a partir do momento em que os habitantes da ilha, vocês, se tornarem vinculados por magia a Família Potter. E não mentirei ao dizer que a proteção aqui será tão poderosa quanto é na casa do Harry e sua tia, pois lá temos que considerar a ligação de sangue e amor.
— E a proteção que Lily deixou vem do seu amor, sua magia e sangue. — Remus disse. — Assim, as alas lá são impenetráveis e a existência dessa ligação entre Harry e a tia permitem que elas se mantenham fortes.
— Certo. — Becky acenou entendendo. — Mas se é a magia da senhora Lily, como nos ligarmos a família Potter, nos colocaria sob a proteção do seu presente?
— Porque, eu sou a Família Potter. — Harry disse suavemente. — Se vocês se ligassem a Família Potter com outro Potter, caso ele existisse, a proteção não os atingiria, pois como dissemos, ela existe em mim. — Alguns acenaram, mas outros pareciam confusos e Harry sorriu. — Eu sou Lily e James, aqui... — Ele apontou para as veias do seu braço. — Sangue, magia e carne de Lily e James, assim, ao nascer, eu recebi a magia da minha mãe que se uniu a do meu pai e elas se tornam um, eu, Harry. Portanto, ao se ligarem a Família Potter, vocês se ligam a mim, pois eu sou a Família Potter e, é em mim que vive a proteção da minha mãe.
— Oh... — Becky disse acenando e todos os outros pareceram entender.
— Vocês também devem se lembrar que Lily também era uma Potter, pois quando se casaram, eles fizeram o ritual de ligação matrimonial, assim, a magia de Lily foi aceita pela magia Potter. — Remus disse e ao ver os olhares espantados, explicou. — Dois bruxos podem se casar sem o ritual e serem muito felizes, mas se decidem fazê-lo, as magias um do outro têm que se aceitarem ou o ritual falhará, isso significaria que a magia considerou que os dois bruxos não são almas gêmeas.
— Uau... — Josh disse espantado — Magia é uma coisa incrível mesmo, hum... vocês serão os professores das crianças, mas será que podem nos ensinar algumas dessas coisas também? Eu fui mordido antes do meu sexto ano e não aprendi algumas dessas coisas.
— Com certeza. — Remus e Serafina disseram juntos, depois, ela acrescentou. — Infelizmente, o currículo de Hogwarts não ensina essas coisas, mas pretendemos que aqui o conhecimento mágico não seja limitado.
— E queremos montar uma ou duas turmas de adultos e teremos aulas noturnas, assim, não se preocupem, pois quem não concluiu ou foi para Hogwarts também terão a oportunidade de aprender. — Remus disse e ganhou mais olhos surpresos e sorrisos animados.
— Que legal! — Disse Josh parecendo uma criança no natal.
— E... — Becky se inclinou para frente ansiosa, pois tinha sido mordida aos 11 anos e nunca pegou em uma varinha. — As varinhas, quer dizer, como aprenderemos magia sem varinhas?
— Nós traremos um fabricante de varinhas até vocês. — Falc informou. — Ele não saberá onde estamos ou quem vocês são, claro, além de não registrar a varinha no Ministério.
— Olivaras nunca concordará com isso. — Quirke disse pessimista.
— Ele não é o único fabricante de varinhas do Reino Unido e, se for necessário, iremos atrás de um no exterior. — Sirius disse, pois sabia que Olivaras não aceitaria a oferta.
— Mas isso custaria uma fortuna... — Elfort disse meio contrariado. — Quer dizer, você está nos dando a ilha para viver, reformará nossa casas, construirá uma escola, uma fazenda, fornecerá empregos e agora varinhas também. Me parece que nunca poderemos pagar por tudo isso, sinceramente.
— Eu entendo e não estou aqui para fazer caridade. — Harry disse com firmeza. — A ilha será arrendada e no contrato de arrendamento colocaremos um valor justo para os dois lados. A escola funcionará com doações e dinheiro da matilha, acredito que a única coisa que pagarei por um tempo é o salário dos professores, mas só até a matilha ter uma estrutura financeira para assumir.
— Nós também estamos nos organizando para pedir as famílias trouxas/bruxas para doarem materiais escolares das escolas trouxas que seus filhos frequentam ou frequentaram. — Disse Penny energicamente.
— Famílias trouxas/bruxas? — Travers se mostrou confuso com o termo.
— Ah! São famílias trouxas que tem um membro bruxo e sabem sobre o mundo mágico. — Ele explicou. — O Comitê dos Alunos é algo separado do Covil, eles não sabem sobre a ilha, mas sabem que nossas doações são para a comunidade lobisomem. Todas aquelas reportagens no Profeta nas últimas semanas ajudaram a conseguirmos mais doações, pois todos se sensibilizaram ou se chocaram com a realidade da vida dos lobisomens.
— A escola terá um custo baixo, na verdade. — Serafina disse. — Salários dos professores serão os maiores gastos, a comida poderá ser fornecida pela fazenda da matilha para o almoço das crianças e funcionários. Usaremos materiais escolares doados e comparemos livros ou qualquer coisa que faltar com o dinheiro da matilha. E, quem sabe no futuro, o Ministério poderia ser um colaborador.
Mais acenos de compreensão ao perceberem que a escola não seria algo financeiramente impossível.
— As casas, eu pagarei os custos das reformas e material, vocês entrarão com a mão de obra, sob a orientação da M&T Arquitetura e Construção. — Harry continuou. — Como estarão trabalhando para construir e valorizar as minhas terras, acredito que isso me faria em dívida com vocês, assim, pago essa dívida custeando as reformas. Faz sentido? — Houve alguns acenos e franzir de cenhos.
— Mas estamos valorizando uma terra que não será vendida, assim, não é como se você tivesse algum retorno financeiro. — Disse Lud.
— Sim, mas pensem se a ilha ficar assim, com a vila destruída e as terras sem produzir. — Harry disse. — Eu não ganharia nada e, se decidisse reformá-la e iniciar a produção de uma fazenda, teria que investir uma fortuna, pagar funcionários e ter alguém para administrar. No entanto, em nosso acordo, eu não terei custos além de reformar as casas, ganharei o arrendamento anual da ilha e verei as terras produzirem ao em vez de ficarem abandonadas.
— Acredito que é razoavelmente justo. — Elfort disse pensativo. — Nós cuidaremos das suas terras, pagaremos pelo arrendamento e você nos ajuda a construir nossas casas.
— Exato. — Harry sorriu por todos parecerem compreender. — Bem, sobre os empregos, vocês trabalharão e receberão salários, espero que todos sejam bons funcionários e prometo que serei um bom patrão. Acredito que isso não é um favor e sim um acordo normal e justo. — Houve mais acenos. — A fazenda entra na mesma questão das casas, além disso, o arrendamento lhes dará permissão para produzirem na terra. Eu apenas os ajudarei a iniciar a produção e aqueles que tiverem interesse, poderão aprender sobre agricultura e ovinocultura em uma das minhas fazendas.
— Eu não preciso aprender nada, garoto e ainda posso ensinar esses jovens a serem bons fazendeiros. — Disse McGregor de maneira arrogante.
— Isso é bom, em teoria. — Harry disse sincero. — No entanto, aprender nunca é um coisa ruim e novas técnicas estão surgindo para aumentar a produção e manter os aspectos naturais e nutritivos dos alimentos.
— É o que? — McGregor o olhou confuso. — Você ainda está falando a nossa língua, garoto? Plantar e colher é simples, não exige muito cérebro.
— Olha... — Harry tentou conter a impaciência com sua atitude e o "garoto" em tom de menosprezo. — Podemos conversar sobre todos esses pequenos detalhes em uma próxima reunião, além disso, Remus, Sirius, Sr. Falc, Sra. Serafina, todos sabem o que eu penso e sinto sobre algumas coisas. Espero que nos próximos dias, vocês discutam e resolvam cada pequeno aspecto dos Tratados e do contrato de arredamento. Se conseguirmos um acordo em tempo, no próximo fim de semana, poderemos assinar os Tratados e realizar o ritual.
— Tão rápido? Mas os tratados já foram encomendados? — Elfort perguntou surpreso.
— Não, mas pretendo viajar pessoalmente para o Egito e voltarei com eles, o artesão disse que demoraria 10 dias para tê-los pronto. — Sirius disse objetivamente. — No entanto, com a minha presença e uma grana extra, acredito que podemos ter tudo pronto em uma semana.
— Enquanto isso, os construtores começarão a trabalhar no projeto da vila, enquanto terminam o castelo. — Falc disse. — E, nós trabalharemos nas alas com a ajuda dos quebradores de maldição do Gringotes.
— Se concordarem com tudo, podem se mudar em uma semana e começarem a construir as casas. — Harry disse sorrindo. — Se não for possível, eu participarei das reuniões para chegarmos a um acordo definitivo a partir de Hogwarts, acompanharei tudo de perto e virei para as assinaturas, além do ritual. — Harry olhou em volta. — Quero que todos se mantenham com a mente aberta, pois todas as suas vidas mudarão e nem sempre vocês estarão no controle, como as questões dos empregos. Srta. Belle. — Ele olhou para ela que sorriu de volta.
— A GER tem um setor de Recursos Humanos que fará as entrevistas com todos, precisamos conhecer seus perfis, conhecimentos gerais e específicos, além de interesses. — Ela disse suavemente. — No momento, temos opções de trabalho na ilha, fora da ilha no mundo trouxa e mágico, mas essas decisões não serão exclusivas de vocês ou ficaremos meses ouvindo disputas sem fim para esse ou aquele trabalho. Vocês terão que confiar em nós para orientá-los para a melhor vaga e têm que estar dispostos a aprender. Aulas noturnas serão ministradas aqui no castelo e, quando for necessário, vocês serão conduzidos e orientados para cursos especializados em universidades ou escolas técnicas no mundo trouxa. Para aqueles que apresentarem talentos em áreas que precisam de tutores mágicos, mestres serão contratados. — Expressões de espanto se mostraram nos rostos dos lobisomens. — Se alguém tem o desejo que trabalhar em uma área, poderão solicitar treinamento e isso será providenciado. Como eu disse, a Divisão Evans trabalha em ajudar a sociedade mágica no que o seu povo precisar, estamos apenas começando, mas queremos que os nascidos trouxas tenham bolsas de estudos e empregos melhores. Pretendemos ajudar os abortos no Orfanato, os elfos domésticos precisam de maior proteção e a comunidade lobisomem também receberá o nosso apoio.
— A Divisão Evans é um projeto social. — Harry disse. — Não é caridade, é um trabalho humano e bonito que visa melhorar a nossa sociedade. Vocês, como uma matilha, serão uma sociedade que, infelizmente, viverá a parte da sociedade bruxa em muitos aspectos, mas ainda um grupo que precisará melhorar e crescer. Aqueles que se sentirem felizes em cuidar das ovelhas, ótimo, mas ainda aprenderão a serem os melhores cuidadores de ovelhas que já pisou nesta ilha. — Ele olhou para o Firenze. — Eu estive no clã de Firenze há algumas semanas e encontrei uma sociedade tradicionalista, preconceituosa, segregadora e violenta. Espero que esse clã seja melhor do que isso ou, então, não temos razão para existir.
— Como faremos isso? — Becky disse ansiosa. — Como nos tornaremos uma matilha, um clã unido e melhores do que a sociedade mágica lá fora?
— Nós temos algumas ideias. — Harry disse e olhou para Penny que parecia ansiosa. — Antes, sobre as varinhas, os custos das varinhas serão meus e poderão ser descontados do primeiro salário de todos. Isso parece justo? — Todos acenaram e ele apontou para a Penny.
— Bem, como o Harry disse, passamos essas semanas tendo diversas reuniões e nos separamos em pequenos grupos para não chamar a atenção. — Ela apontou para o Terry. — Hermione e o Terry lideraram o grupo de pesquisa, do qual eu participei e o Harry liderou a equipe que discutiu o texto dos acordos, depois os Tratados quando eles foram encontrados e, por fim, o Defod Bondio.
— Ainda estamos pesquisando e discutindo qual ritual de ligação poderá ser usado. — Terry disse rapidamente. — Existem dezenas de tipos de rituais, inclusive alguns gregos, egípcios e japoneses, assim, acredito que em mais alguns dias, já teremos um definido, pois aproveitaremos a semana de férias para mais alguns encontros secretos.
— Podemos participar dessa decisão ou será que escolherão isso por nós também? — McGregor perguntou rabugento.
— A decisão é minha, McGregor. — Harry disse com frieza. — Eu sou o patrono do ritual e vocês os vassalos, ainda que isso não seja para mim uma relação de superioridade. São apenas os fatos que seguem os caminhos da magia antiga desde os tempos antes dos fundadores de Hogwarts. — O ruivo fez uma careta como se quisesse responder ao comentário, mas não encontrasse argumento. — A discussão acontece porque eu preciso debater com os meus adultos coisas importantes assim, afinal, eu tenho apenas 12 anos e muito para aprender. Por fim, quando tivermos refinado em alguns rituais que me agradam, eles serão apresentados a vocês e os lideres poderão opinar, mas mais uma vez, a decisão final é minha. Mais alguma pergunta? — Harry o encarou de frente, mas McGregor apenas deu de ombros sem responder.
— Bem... — Penny pegou seu bloco de anotações. — Como eu estava dizendo, outro grupo, liderado por mim, se concentrou em discutir ideias para ajudá-los a se ajustarem e criarem uma sociedade saudável nesta ilha. Aspectos como respeito e amizade são bem óbvias e acreditamos que quando vocês assinarem o Tratado de Faraó onde se comprometem a nova matilha com as promessas de lealdade, companheirismo e afeto, as relações se desenvolverão naturalmente.
— Nós não acreditamos que a separação de matilhas continuará depois que assinarem o Tratado, pois vocês estarão escrevendo uma nova verdade com a Pena da Verdade. — Terry explicou. — Assim, vocês não serão mais da matilha Gárgulas ou Águias do Sino, serão da Matilha... Stronghold, por exemplo.
— Eu gosto do nome. — Disse Gun com um sorriso tímido.
— Um pouco piegas, G. — Disse T com malícia. — Devíamos tem um nome mais sombrio e assustador.
— Como T-London? — Harry provocou com sarcasmo. — Quem você queria assustar com esse nome, T? As crianças nos parquinhos?
Isso provocou uma onda de risos e T foi um dos que mais riu segurando a barriga em diversão.
— Gostei dessa, guri, ô se gostei! — Ele disse animado.
Quando o riso parou, Penny retomou a palavra.
— Bem, o Tratado ajudará na criação da nova matilha, seja o nome que tiver, mas a questão que fica é como será essa nova "sociedade". — Ela disse inteligentemente. — Quais as regras, lideranças e hierarquias que serão estabelecidas?
— Não que eu queira concordar com o ruivo idiota, mas essa não deveria ser a nossa decisão? — Quirke disse sério.
— Em teoria sim. — Harry disse com a mesma seriedade. — No entanto, enquanto não tomaremos decisões sem consultá-los, eu disse antes que tinha condições e estou aberto a ouvir seus desejos, claro, mas existem algumas coisas não serão aceitas por mim. Por isso devemos discutir tudo isso antes, pois aqueles que não puderem aceitar as condições, simplesmente não assinarão os Tratados.
— Pensei que a condição fosse não se juntar a Voldemort? — Travers disse parecendo irritado.
— Eu serei um companheiro desta matilha, darei minha proteção, minha magia, meu nome e minhas terras. — Harry disse no mesmo tom. — Acredita que, ao chegar para visitá-los, eu aceitarei ver uma mulher machucada porque foi agredida por um homem? Ou um jovem triste porque foi espancado por um mais forte? E se daqui a 100 anos, o líder da matilha decidir que deixará alguém passar fome em punição por alguma falta? — Ele deu um soco na mesa com raiva. — O mundo é cruel porque os homens são cruéis! E, aqui, onde estamos criando uma sociedade nova, precisamos ser humanos e justos! Não aceitarei preconceitos, intolerâncias e violências! E se alguém não concordar com as minhas condições, bem, que escolha outro caminho, mas se escolherem estar aqui, terão que se comprometer em criar um mundo justo.
Todos ficaram em silêncio, talvez percebendo que, por mais bondoso que fosse, Harry Potter não era fraco ou idiota.
— Em nossas discussões... — Penny voltou a falar e todos lhe dirigiram a atenção. — Que o Prof. Bunmi participou, nós debatemos muito o ideal de sociedade e como criar um sistema que seja justo e livre de preconceitos.
— E, como lhes disse em nossas reuniões, Penny, isso é impossível. — Prof. Bunmi disse sorrindo com afeto para a jovem. — O ser humano é falho, portanto o mundo é falho. Como disso o Harry, somos nós que criamos o que nos rodeia, assim, se um único homem ou mulher tiverem um preconceito ou má intenção em seus sentimentos, pensamentos e ações, então, será inevitável que haja conflitos, discriminações e injustiças.
— Exato. — Belle disse sorrindo. — Eu estudei sociologia e antropologia na faculdade, acreditem, em qualquer sociedade, em qualquer tempo ou por qualquer sistema de governo, erros são cometidos porque os humanos erram.
— O que impede que um sistema de injustiça prevaleça, são as leis. — Sr. Boot disse. — Como advogado e juiz, eu acredito nas leis, nas regras, no cerceamento e nas punições justas. Mas ao estabelecer leis, uma sociedade tem que estar preparada para colocá-las em prática, aplicá-las efetivamente e com justiça.
— Ao mesmo tempo, aqueles que lideram e aplicam as leis estabelecidas, não podem estar acima delas, pelo contrário. — Falc disse. — Os líderes devem ter uma conduta irrepreensível, devem ser um exemplo para a sociedade e serem homens ou mulheres de bem.
Todos ouviam com atenção, alguns encantados e outros espantados com tantas coisas que aprendiam ao mesmo tempo em que ansiavam por viver em um mundo assim.
— Erros acontecerão e, por isso, vocês devem estabelecer um governo forte e justo para lidar com eles. — Prof. Bunmi acrescentou. — Eu sugiro que se tornem uma democracia ou o mais perto disso diante dos aspectos culturais de uma matilha.
— Além disso, temos mais algumas ideias. — Penny pegou o seu bloco. — Pensamos que vocês devem ter dois conselhos distintos e que eles devem ter o mesmo peso para decisões importantes. O Conselho Ancião. — Ela olhou em volta e viu muito olhares interessados. — Como já sabemos, a matilha terá muitos anciões e eles devem ser respeitados, nunca serem expulsos, maltratados ou esquecidos, pelo contrário. O Conselho Ancião teria um número específico de membros e estes participariam das reuniões e decisões importantes com o líder da matilha, além de oferecerem aconselhamento aos mais jovens.
— Isso é algo aceitável? — Harry perguntou e a maioria acenou concordando.
— Acredito que temos muito o que ensinar para os mais jovens. — Theo disse sincero. — Isso dever ser um dever honroso dos mais velhos, não podemos nos omitir e depois julgar os erros dos jovens. — Os mais velhos acenaram concordando com suas palavras e os mais jovens também pareciam positivos a ideia, apenas rostos como McGregor, Sonnian e Travers se mantiveram neutros.
— O segundo conselho seria o Conselho das Valkyries. — Penny disse e olhares de espanto confuso se espalharam pela mesa. — Composto por mulheres do clã, que teria como objetivo administrar os aspectos financeiros, logísticos e alimentícios. Ou seja, elas cuidariam da administração dos alimentos e materiais distribuídos coletivamente, do dinheiro dado por cada lobisomem para colaborar com a matilha e da organização dos possíveis setores criados como, por exemplo, a clínica, a escola, a fazenda, a cozinha coletiva ou quaisquer outras possibilidades.
Isso causou tanta estranheza que imediatamente várias vozes começaram a falar ao mesmo tempo, com perguntas e protestos.
— Um de cada vez! — Falou o Prof. Bunmi com sua melhor voz de professor e todos se silenciaram.
— De que dinheiro está falando? — Quirke perguntou na mesma hora. — Pensei que cada um teria o seu trabalho e o seu dinheiro, porque preciso dar o meu dinheiro para a matilha?
— E porque as mulheres devem administrar? — McGregor perguntou indignado. — Se alguém deve administrar qualquer coisa, devem ser os homens! As mulheres mal sabem falar, quanto mais fazer contas!
Protestos e olhares das mulheres foram em sua direção, mas ele os ignorou, parecendo dar pouca importância para o que elas poderiam pensar.
— Pensei que a escola teria um diretor, vice-diretor. — Disse Henderson pensativo. — Porque as Valkyries cuidariam disso também?
— As escola será cuidada por um diretor no aspecto escolar, disciplinar e estudantil, mas existem os aspectos financeiros e institucionais que devem ser geridos pelos maiores interessados. — Serafina respondeu. — Claro que o diretor e vice-diretor participarão das reuniões e das decisões administrativas e financeiras junto com o Conselho das Valkyries. O mesmo vale para a clínica, que será administrada pela Alice. — Ela apontou a amiga de Flitwick que sorriu animada. — Mas ela terá que prestar contas ou pedir auxílio para as Valquírias, afinal, quando a clínica precisar de dinheiro, por exemplo, serão elas que lhe fornecerão.
— A fazenda e a distribuição da comida entram nessa administração. — Penny disse. — A produção terá gasto e lucros, o gerente da fazenda administrará o dia a dia, os funcionários e junto com as Valkyries, administrarão o livro de contas. E, respondendo à questão do dinheiro, sugerimos que a matilha viva como uma unidade de cooperação, onde todos trabalham para um e um trabalhe para todos.
— Desculpe, não sei se entendo. — Disse Josh confuso. — Nós já vivemos assim, um ajudando os outros, dando o pouco que ganhamos ou conseguimos para ser repartido entre todos. Apenas pensei que, com cada um tendo uma casa, um emprego, poderíamos viver independente, sabe, e fazer o que quisermos com nossa grana e tal.
— Bem, desde que os primeiros sistemas de governos surgiram, houve um custo para ser parte de uma sociedade. — Prof. Bunmi disse. — Você é protegido, assegurado, cuidado, educado e isso tudo tem um preço. Impostos bem administrados devem ser repassados em benefícios para os cidadãos, assim, tecnicamente, você não está jogando seu dinheiro fora. Vocês poderão gastar os seus salários como quiserem, apenas uma pequena porcentagem será exigido de cada um para os cuidados e manutenção da matilha.
— Como dissemos, a escola tem um custo baixo e teremos doações, mas no futuro, a sua manutenção deve vir da matilha. — Serafina disse. — Quem custeará a clínica? Ela atenderá a todos gratuitamente, assim, precisa ser mantida, certo? — Houve alguns acenos. — A crianças são outra questão, pois a grande maioria não tem pais e precisarão ser cuidadas. Os idosos que não tiverem mais condições de trabalharem ou viverem sozinhos também precisarão ser assegurados e a fazenda da matilha deve distribuir sua produção com igualdade, além de vender uma parte dela. O gerente e funcionários da fazenda receberão um salário a partir da venda de parte desses produtos colhidos, mas a Alice e seus ajudantes precisarão de uma renda por seu trabalho e isso sairá desse imposto. O mesmo vale para o Alfa, que não poderá trabalhar fora da ilha, pois estará cuidando da matilha.
— E não esqueçamos da Poção Wolfsbane. — Remus disse. — Produzi-la para todos custará uma fortuna e isso será administrado pelas Valkyries, mas tem que ser custeado por toda a matilha.
— Se ficaremos na ilha, sem a possibilidade de machucar ninguém, talvez não precisemos da poção. — Considerou Quirke, mas Remus acenou com veemência.
— Isso seria um grande erro. — Ele disse. — Primeiro, porque com certeza os lobos causarão muitos ferimentos em si mesmos e uns nos outros. Lobos são territoriais e, ao serem cercados por lobos estranhos, brigas aconteceriam, disputa de poder, de atenção feminina ou de comida. Além disso, com a poção, vocês se recuperaram em um dia ou dois de descanso depois da transformação, mas sem ela, estarão quase uma semana debilitados, pois o mal-estar começa dias antes da lua cheia e dura mais tempo depois da transformação.
— Espera. — Elfort perguntou curioso. — Quer dizer que com essa poção não nos sentiremos fracos antes da lua cheia? Ou destruídos depois?
— Não. — Remus sorriu. — Eu só me sinto estranho no dia da transformação, mais irritadiço, cansado ou faminto. Durante a transformação, eu me mantenho completamente são e racional, como se fosse um lobo Remus, não um animal feroz, assim, me enrolo em minha sala de estar e durmo a noite inteira. No dia seguinte, me sinto meio enjoado e fraco, cansado e sonolento, durmo mais e tenho menos apetite, mas me forço a comer algo leve e nutritivo para ter energia. Quando acordo no outro dia, estou quase completamente recuperado, um pouco cansado, sem apetite, mas consigo trabalhar e ter uma vida normal.
— Uau... — Mais uma vez todos pareciam assombrados.
— As crianças não sofreriam mais. — Gun disse intensamente. — É muito difícil vê-las tão doentes.
— Ok. Entendo a questão do imposto, mas porque a fazenda deve distribuir a comida? — McGregor disse. — Aqueles que trabalharem nela deveriam poder viver dos lucros ou será que trabalharemos para alimentar a matilha toda por uma merreca de um salário? E porque ninguém respondeu à pergunta que eu fiz? Porque as mulheres deveriam administrar a matilha?
— Sinceramente, ninguém respondeu porque o que você disse é um absurdo machista e não merece atenção, além disso, o Harry já deixou claro que esse tipo de atitude não será aceito na ilha. — Serafina disse o encarando com firmeza. — E sobre a fazenda, ela pertencerá a matilha e aqueles que trabalharem nela serão pagos com justiça por seu trabalho. Parte da produção pode ser vendida para gerar renda e manter o funcionamento da fazenda, para a compra de matéria-prima, equipamentos, pagar os salários. E os produtos que sobrarem devem ser divididos igualmente e consumido por todos e é por isso que o Conselho das Valkyries estará encarregado disso.
— As Valkyries serão mulheres e administrarão a matilha, pois as mulheres são mais justas e humanas. — Harry disse e sorriu para os protestos dos homens, principalmente McGregor. — Ok. Então, me diga, Doug, como você acharia justa a divisão da fazenda e a administração dos recursos da matilha.
— Bem, isso é óbvio! — Ele disse com voz forte. — A fazenda deveria ser entregue a quem entende do assunto para administrar e a produção seria vendida aos membros da matilha. E o alfa deveria ser responsável pela divisão de quaisquer recursos, como os impostos, por exemplo, que deveriam ser usados para comprar a produção da fazenda e distribuído para todos, além de financiar a clínica e a escola. E, cada um viveria do seu salário e os velhos e as crianças seriam alimentados com os produtos que o alfa compraria da fazenda com o dinheiro do imposto.
— Interessante. — Harry disse pensativo. — Bem, mas quem seria o responsável pela fazenda? Porque me parece que essa pessoa terá milhares de clientes a sua disposição para vender tudo e embolsar todo o dinheiro, quando o combinado é que as terras sejam exploradas pela matilha, para o benefício de todos. — Ele olhou para Gun. — Você gostaria de ser o fazendeiro? Talvez... Lud, você gostaria de ser o rico fazendeiro da ilha? Quem sabe você, Sonnian? Ou você, Quirke?
Quando seus nomes eram mencionados, eles acenavam e sorriam.
— Eles não entendem nada de fazendas, garoto, eu trabalhei com isso por mais de 30 anos! — McGregor disse irritado e paternalista. — Eu deveria cuidar da fazenda!
— Ganhar, você quer dizer, porque você não está se oferecendo para administrar a fazenda para a matilha, você quer que ela seja dada a você, que lhe pertença. — Cara disse sarcástica. — Se for assim, eu me ofereço para ser a fazendeira, eu cresci em uma fazenda e entendo bem do assunto, além disso, estou disposta a aprender mais e posso ensinar as minhas meninas. Seria justo se a fazenda pertencesse a nós, as Águias do Sino.
Isso provocou uma enxurrada de protestos, socos na mesa, gritos e dedos apontados na cara de um ou de outro. Harry se manteve em silêncio e sorriu para Terry, que suspirou, tirou um galeão do bolso e o deslizou sobre a mesa até o amigo.
— Eu lhe disse que isso aconteceria. — Harry falou sorridente e aos poucos a discussão parou. — Terry me falou que vocês perceberiam o potencial de explorar as terras da ilha e como isso seria uma grande fonte de recursos para a matilha. — Ele acenou negativamente. — Mas eu convivi toda a minha vida com um tio mesquinho e ganancioso, assim sei muito bem como alguns reagem ao verem a oportunidade de ganhar dinheiro, principalmente se for passando por cima dos mais honestos ou pouco "espertos". — Enquanto falava o seu sorriso morreu e ele encarou McGregor com frieza. — A fazenda pertence a matilha. Ponto. Não é, e nunca será uma propriedade particular, além disso, aquele que ficar como o gerente da fazenda, terá que prestar contas para as Valkyries, assim como a Sra. Alice e Remus. E assim como eles, esse gerente e os seus ajudantes terão um salário justo, portanto, Doug, sugiro que pense bem se você quer essa função porque se as Valkyries o considerarem desrespeitoso ou incompetente, elas terão o poder de despedi-lo.
Isso pareceu lhe desagradar mais do que tudo e Harry sorriu com malícia para a sua expressão.
— Bem, e quem será essas mulheres que comporão esse tal conselho? — Quirke disse tentando parecer indiferente. — Quer dizer, não seria pretensão achar que porque são mulheres, elas serão honestas? E quais os critérios de escolha?
— São boas questões. — Penny disse. — Por isso estamos trazendo esses pontos, ainda temos muito o que discutir e resolver, além da definição do ritual de ligação. Pensamos que o Conselho Ancião deveria ser composto por todos aqueles que tiverem interesse em se envolver e mais de 75 anos. — Ela fez uma pausa, houve vários acenos e expressões positivas. — Acredito que devemos ter um número justo de membros, minha opinião é por 15 membros, é uma numeração impar e isso me parece inteligente para quando houverem votações. Mais uma vez, precisamos esclarecer como eles devem ser escolhidos e o Terry tem uma ideia para isso.
— Bem. — Terry assumiu. — A Suprema Corte tem a questão etária, mas para se tornar um membro você tem que ter uma indicação de um membro já escolhido e ter realizações admiráveis. Uma grande tolice que só alimenta a corrupção e favorecimentos convenientes, assim, como somos bruxos, acredito que devemos encontrar um teste mágico e permitir que a própria magia escolha os membros. — Expressões confusas se espalharam e Terry sorriu. — Pensem em Hogwarts e o chapéu seletor, por exemplo. Obviamente, a magia presente no chapéu foi criada de uma maneira que, ao ler os pensamentos e personalidade dos alunos, ela compreende a melhor casa em que deve classificá-los. — Isso teve acenos dos presentes que já foram para Hogwarts e olhares arregalados daqueles que não tinham essa informação.
— Então, você sugere que os candidatos passem por um teste mágico para que sejam ou não escolhidos para serem parte dos conselhos? — Becky disse e fez uma careta. — Desculpa, mas não gosto dessa ideia, pois aqueles que não forem escolhidos sempre se perguntarão o porquê. Qual o defeito deles? E, os outros ficarão desconfiados se essa pessoa é desonesta ou sei lá o que.
— Isso poderia trazer conflitos e acabar com a auto estima de algumas pessoas, as mulheres mais jovens, por exemplo, que não fossem selecionadas para ser uma das Valkyries, ficariam arrasadas. — Cara disse apoiando a opinião de Becky.
— Bem, suponho que é por isso que estamos discutindo, para encontrarmos o melhor caminho. — Terry disse com um sorriso tímido. — Alguém tem uma ideia?
— Bem, o alfa é o mais poderoso de uma matilha, ele poderia escolher. — Disse Sonnian e alguns acenaram.
— Alias, como o alfa será escolhido? — Gun perguntou olhando para o Harry.
— Eu tenho algumas ideias e o Prof. Bunmi sugere uma eleição. — Harry disse suavemente. — Eleições podem ser corruptas e alvos de mesquinharias, acordos sujos ou pressões sociais. Sinceramente, não gosto disso, mas concordo que uma escolha democrática é uma boa opção. No momento, antes que todos possam viver aqui, se organizar e votar, eu escolherei o alfa temporário até uma resolução.
Isso provocou olhares arregalados e exclamações.
— Você? — McGregor perguntou incrédulo. — Um garoto de 12 anos escolherá o alfa?
— Bem, isso não parecia lhe importar quando você queria que eu lhe desse uma fazenda para que enriquecesse. — Harry disse ironicamente. — Sim, acredito que por algumas semanas ou meses até decidirmos e organizamos a escolha do alfa e dos conselhos, o alfa que eu escolher fará um bom trabalho.
— Bem, e como você escolherá? — Sonnian parecia ansioso. — Será entre nós? Você fará alguma pergunta?
— Não preciso, Wayne, eu estou avaliando vocês desde o momento em que sentaram à mesa, assim, não preciso fazer perguntas para decidir quem será o melhor alfa. — Harry disse sorrindo e se recostou na cadeira. — Eu decidi há horas atrás, na verdade.
— Ele adora fazer isso. — Sirius disse brincalhão. —Todo esse mistério, saber algo que o resto de nós ainda não sabe, Merlin, ele saboreia cada momento disso.
Harry riu e o seu pessoal o acompanhou, pois todos já tinham percebido esse seu lado brincalhão.
— Bem, e então? — Elfort disse encarando o Harry nos olhos. — Estou curioso, você não é um garoto comum, assim, imagino que sua decisão não será o que todos esperam.
— Eu imagino que todos esperam que eu escolha eles mesmos. — Harry disse ainda sorrindo. — Obviamente, eu não tenho como agradar a todos, mas se vocês observaram a reunião com atenção e entendem o que espero de todos, minha escolha não surpreenderá ninguém. A liderança da matilha deve ficar com alguém de mente aberta, bom coração, coragem e sensatez para enfrentar os desafios que virão nos próximos dias, semanas ou meses, enquanto realizamos cada Tratado e reconstruímos a ilha. — Harry olhou na direção dela e sorriu para o seu olhar esbugalhado. — Becky, você será a primeira alfa da nossa matilha. Você aceita minha escolha?
O silêncio era de puro espanto por toda a mesa, pelo menos entre os lobisomens machos. Os outros sorriam positivamente pela decisão ou, no caso de Cara, a sensação era de emoção por uma mulher ser escolhida.
— Eu? — Ela perguntou com voz rouca.
— Sim. — Harry confirmou. — Você já cuida de uma das maiores matilhas, incluindo parte dos seus, Gun... — Ele lançou um olhar de sobrancelha erguida para o loiro gigante que o fez abaixar a cabeça envergonhado. — E faz isso muito bem, além de cuidar de Tenny e hoje, você se mostrou forte e inteligente. Mais importante... — Harry olhou para McGregor que tinha o rosto vermelho de raiva. — Você me parece alguém sem preconceitos, humana e justa. — Isso fez o homem ruivo resmungar e abrir a boca como se quisesse contestar, mas...
— Cale a boca, Doug. — Elfort disse irritado. — Você só falou besteiras o dia todo e o menino está certo. Becky já é uma alfa da Matilha de Tenny e faz isso com grande competência. Se essa é a escolha do menino, eu apoio e promete de seguir a partir de agora, Alfa.
— Eu também. — Cara disse e sorriu gentilmente. — Pode contar comigo e minhas águias, Becky.
— Eu... obrigada. — Ela sussurrou para os dois e depois encarou Harry com seus fortes e sinceros olhos castanhos. — Eu aceito sua nomeação e prometo honrar sua confiança. Obrigada.
— De nada. —Harry sorriu de volta. — Bem, como você acredita que seria uma escolha justa para os membros dos Conselhos e o Alfa da matilha?
— Hum... — Ela olhou para Tenny e sorriu com carinho. — Acho que primeiro deveríamos decidir por dois alfas, uma mulher e um homem. Tenny pode parecer briguento, mas ele sempre me acolheu em sua liderança, respeitava minhas opiniões e conselhos, além de que, será bom as lobisomens sempre terem uma representante.
— Essa é uma excelente ideia. — Penny arregalou os olhos e fez algumas anotações. — Assim não corremos o risco que a matilha se tornar um sistema patriarcal e machista.
— Patri... O que? — Sussurrou T confuso, mas ninguém respondeu.
— Se é assim, qual de nós você escolherá para ser o Alfa masculino? — Sonnian perguntou obviamente interessado no cargo.
— Elfort. — Harry disse sem fazer mistério. — Afinal, ele foi o único homem que não se importou em ter uma mulher como alfa e se dispôs a segui-la. Acredito que os dois trabalharão muito bem juntos.
— Obrigada, garoto. — Elfort disse e olhou para Becky sorrindo. — Vamos arrasar, garota!
Isso provocou risos e os menos contrariados com as escolhas começaram a acreditar que os dois eram as pessoas certas para o cargo.
— Bem, respondendo a sua pergunta. — Becky olhou para o Harry depois de sorrir para Elfort. — Acho que a ideia de a magia escolher os membros dos conselhos e os alfas é interessante e justa, pois acredito que todos nós confiamos na magia. — Ela olhou para o Terry. — Eu gostei dessa parte, mas talvez haja alguma forma de que a escolha aconteça sem que um teste seja realizado que desqualifique e humilhe os candidatos não escolhidos.
— Bem, teremos que fazer mais pesquisa. — Terry disse olhando para Penny que acenou e escreveu freneticamente.
— Vocês precisão de um cálice de fogo. — Disse Sirius pensativo e, quando todos o encararam, ele continuou. — Eu li sobre ele na época da escola, lembra-se, Remus?
— Sim, sim. — Remus acenou pensativo. — Claro que me lembro, hum... nós pesquisamos informações sobre grandes acontecimentos em Hogwarts, queríamos replicar brincadeiras ou bater recordes. James era obcecado por ser o jogador de quadribol que mais fez gols em partidas em Hogwarts e ele comemorou com um porre daqueles quando conseguiu.
— Merlin, pior ressaca da minha vida. — Sirius disse com um sorriso saudoso. — Bons tempos.
— Ok. Suas bebedeiras a parte, o que é o cálice de fogo? — Harry perguntou divertido.
— O cálice de fogo era usado no torneio Tri Bruxo, que é uma competição entre as três escolas mágicas da Europa, Beauxbatons, Durmstrang e Hogwarts. — Remus disse. — Um aluno de cada escola era escolhido para representá-las em três tarefas muito difíceis e aquele que vencesse a competição, ganharia uma grande soma em dinheiro e fama, além de trazer honra para a sua escola. A competição não acontece a mais de 100 anos por causa do grande número de mortes que ocorriam, pois, as tarefas eram muito difíceis.
— Mas o importante é como os alunos eram escolhidos. — Sirius disse. — Os alunos interessados colocariam o seu nome no cálice de fogo, um objeto mágico muito poderoso que, depois de um tempo de avaliação, escolhia os competidores mais adequados expelindo o papel com o seu nome.
— O cálice é um objeto mágico vinculativo, assim, aqueles que fossem escolhidos seriam obrigados magicamente a competirem. — Remus continuou. — Não havia como voltar atrás sem sofrer as consequências pela quebra do contrato mágico e elas eram severas. O cálice funcionava de quatro em quatro anos, depois que os nomes eram escolhidos, ele não acordaria, por assim dizer, por esse período de tempo.
— Esse cálice ou algo semelhante poderia ser a solução. — Harry disse pensativo. — Quer dizer, aqueles que colocarem os seus nomes no cálice e não forem escolhidos ficarão decepcionados, mas não é como se eles fossem humilhados ou expostos. E a escolha seria da magia, que julgaria aqueles que têm o maior potencial para serem um bom alfa ou conselheiros, o que não quer dizer que os outros sejam pessoas desonestas ou fracas.
— Também não quer dizer que os escolhidos serão perfeitos. — Becky disse inteligentemente. — Ter o potencial é apenas metade do caminho, a pessoa tem que fazer jus a essa escolha e ser um bom líder ou conselheiro.
— Sabias palavras. — Archie disse com um sorriso de admiração. — Pois um competidor escolhido ainda poderá não vencer o Torneio Tri Bruxo, afinal, só um pode ganhar, mas o importante é competirem com honra. Enquanto liderar e aconselhar a nossa matilha não será uma competição, ainda se exigirá muita coragem e força dos escolhidos.
— Ok. Isso é tudo legal, mas onde encontramos esse tal cálice de fogo? — T perguntou impaciente.
— Não podemos usá-lo. — Remus disse. — Ele é um cálice feito por um artesão mágico com o objetivo de escolher os competidores do torneio, não podemos reprogramá-lo para outra coisa.
— Além disso, ele deverá estar bem protegido no Ministério e não teríamos como consegui-lo. — Falc disse.
— Não podemos fazer o nosso próprio cálice? — Harry perguntou olhando para os seus adultos. — Ainda temos artesãos mágicos, certo?
— Sim, claro. — Falc disse pensativo. — Os Longbottom produzem peças com metais preciosos, armas, armaduras e objetos mágicos.
— Os grandes artesões e inventores de objetos mágicos eram os Weasley. — Sr. Boot disse e os mais velhos acenaram concordando. — A fábrica fechou há uns 30 anos, mas eles tinham falido muitas décadas antes.
— Não quer dizer que não podemos fazer. — Remus disse pensativo. — Mas não seria barato.
— Valeria a pena se for para manter a paz e a justiça. — Becky disse suavemente. — Ainda que seja o seu dinheiro, claro. — Ela olhou para o Harry timidamente e ele riu divertido.
— Eu concordo e será um dinheiro bem investido. — Harry disse e olhou em volta. — Alguma pergunta mais que vocês tenham?
— Sim! — T saltou na mesma hora. — Vocês disseram que tinham planos para eu e meus homens.
— O certo é dizer mim e a ordem seria, os seus homens e você, T. — Corrigiu Serafina automaticamente.
— Bem, foi o que eu disse. — Ele parecia confuso. — Não queremos viver na ilha, camarada, então, para onde vamos?
— Acho que primeiro devemos estabelecer que mesmo sem viver na ilha, vocês ainda serão parte da matilha. — Harry disse. — Todos os Tratados discutidos antes e o ritual de ligação devem envolvê-los, T, pois não posso confiar em você e seu homens cegamente. Ok?
— Ok, guri. — T deu de ombros. — Eu achei muito legal tudo o que vocês falaram, não entendi tudinho, tudinho, mas ainda era porreta, sacou?
— Sim. — Harry disse sorrindo divertido, então, olhou para o Sirius.
— Acredito que essa é minha deixa. — Ele disse. — Como sabem, entre o Harry e eu, nós estamos providenciando empregos para todos ou para a maioria de vocês. As crianças e os idosos não trabalharão, haverá aqueles selecionados para trabalharem na fazenda ou na clínica, mesmo a escola pode precisar de alguns funcionários. Ainda não foi discutido, mas Belle está preocupada com as crianças, idosos e a divisão de moradias, assim, acredito que nos próximos dias, vocês dois e ela passarão bastante tempo discutindo essa questão. — Sirius disse apontando para Belle, Elfort e Becky.
— Porque as crianças são um problema? — Gun perguntou preocupado.
— Bem, o Sr. Theo nos informou que o número de lobisomens é de 3347. — Belle respondeu e olhou para sua soma. — Entre vocês, seus grupos e matilhas chegamos a 3212, imagino que os outros não quiseram comparecer a reunião? — Houve acenos negativos, mas ninguém disse nada sobre os ausentes. — Bem, de maneira realista, devemos considerar o fato de que não existe espaço na ilha para se construir 3212 casas, certo? — As expressões se franziram de surpresa, pois eles não tinham pensado nisso. — Consideramos a ideia de ampliar o espaço da vila magicamente e o professor Flitwick está disposto a trabalhar nisso. Precisaremos apenas encontrar uma mestra em runas antigas, pois a professora de Hogwarts está grávida e não poderá realizar uma magia tão poderosa e complexa no momento.
— Eu já visitei a vila e, enquanto a ilha é enorme e comporta uma matilha tão grande, devemos compreender que muito da sua metragem é composta por florestas e montes escarpados. — Flitwick disse e aqueles que olharam com atenção a ilha quando chegaram acenaram. — A área da vila, vocês devem ter visto pelas fotos é bem ampla e existem 684 cabanas semidestruídas. No entanto, existe muito espaço para construir mais algumas centenas de casas, talvez cheguemos a mil. Se dobrarmos esse espaço com runas e feitiços complexos, teremos duas mil casas e ainda estaremos em falta de mais de mil.
— Não dá para triplicar? — Josh perguntou curioso.
— Dificilmente. — Flitwick disse. — Além de extremamente arriscado. Não se esqueçam que quem viverá no local são bruxos que farão magias, alas serão erguidas e instabilidades podem acontecer. Imagine se uma runa enfraquece e o local se encolhe, estamos falando de centenas de metros quadrados desaparecendo subitamente e as casas que estão neste espaço precisaram ocupar outro lugar.
— As casas poderiam ser espremidas, destruídas pela força mágica e, quem estiver dentro, esmagado. — Serafina resumiu e mais olhos arregalados e acenos acontecerem.
— Pensem em Hogwarts, por exemplo. — Flitwick exemplificou. — Como ela se modificou nos últimos mil anos, as escadas se movem, existem passagens secretas, corredores e caminhos que provavelmente não exigiam antes. A magia que cerca o castelo vem das alas, dos seus milhões de alunos e modificaram o seu ambiente, portanto, se os fundadores tivessem tentado ampliar o castelo ou o terreno do castelo magicamente, em algum momento, tudo teria ruído sobre nossas cabeças.
Houve mais acenos, alguns encantados com a miniaula e outros levemente confusos pela teoria mágica quase completamente desconhecida.
— Bem, assim, temos que considerar as opções. — Belle continuou. — Minha sugestão é que ampliemos o espaço para apenas 1500 casas, sem cortar as árvores da floresta e com o mínimo de ampliação mágica. Os 129 membros dos T-London, não viverão aqui o que nos deixa com 3083 habitantes, destes, 195 são crianças. Depois, teremos os números exatos de casais, mulheres e homens, até mesmo parentes ou amigos e, a partir disso, direcionar uma casa para pelo menos duas pessoas. E, acredito que devemos considerar que as crianças sejam adotadas, por assim dizer, pois não gosto da ideia de criarmos um orfanato para elas viverem. É impossível esperar que alguns poucos de vocês cuidem de todos, principalmente considerando que terão uma carga horário de trabalho.
— Acredito que meu pessoal não se importaria de pegar uma criança cada dupla. — Gun disse. — Nós já cuidamos deles mais ou menos assim, dividindo-os em barracas, é mais fácil cuidar de todos desta forma do que colocarmos eles sozinhos em uma única barraca.
— Bom, isso ajuda. — Belle e Penny fizeram anotações. — E temos que considerar os idosos, eles também precisam de cuidados e amor, não acredito que ninguém aqui gostaria de criar um asilo e terminar seus dias lá, sozinhos e esquecidos. Penso que aquelas duplas que não adotarem uma criança, devem adotar um idoso e cuidar dele com muito amor.
— Acho isso uma grande ideia. — Becky disse olhando para Elfort que acenou. — Minha matilha cuida bem dos seus idosos e não deixaremos de fazer isso, além disso, acho que todos sabem que o meu idoso será o Tenny. — Disse ela olhando para o senhor que roncava suavemente ainda dormindo em sua cadeira confortável.
— Minha matilha também não terá problemas com isso, pois já protegemos os nossos velhinhos. — Disse Elfort positivo.
— E aqueles que não quiserem ser adotados e cuidados? — Archie disse. — Alguns de nós ainda somos independentes e queremos ter uma casa, trabalhar pela matilha no que pudermos e não viver de caridade na casa de dois desconhecidos.
— Por favor, Sr. Archie. — Belle disse docemente. — Não se ofenda ou pense que estamos generalizando, muito menos decretando como será suas vidas ou que vocês não têm nada a oferecer a matilha. Pelo contrário, acreditamos que todos poderão ajudar e, levando-se em conta que a maioria da matilha estará trabalhando fora, vocês terão muito o que fazer. Além disso, a casa será de todos os seus moradores, ninguém viverá de favor na casa de ninguém.
— Archie, precisamos pensar em maneiras de ajudar a todos igualmente. — Becky disse suavemente e olhou com carinho para Tenny. — Não se trata de caridade e sim de amor, toda a matilha deve se apoiar e proteger, uma sociedade não se sustenta quando se abandona e despreza os seus velhos e crianças.
— E o Conselho de Anciões existirá para representar e ouvir os anciões. — Harry disse. — Olha, precisamos aceitar que não será uma transição fácil, todos se mudando e vivendo juntos em um espaço limitado, por mais grande que seja a ilha. Se o número de casas não for suficiente para todos e alguém não quiser viver com outra pessoa, podemos diminuir a floresta, ainda que prefiro que seja a última opção. Se algum idoso não quiser viver com dois estranhos, podem viver com outro idoso que seja seu amigo. Acredito que podemos avaliar caso a caso, com muita paciência, manter a mente aberta e ir ajustando aos poucos a convivência de 3 mil pessoas.
— Bem, se as Valkyries administrarão os recursos da matilha, o que o Alfa fará? — McGregor perguntou de braços cruzados.
— Isso que o Harry acabou de falar. — Elfort disse. — Um bom alfa não cuida do dinheiro ou da divisão da comida, ele coloca alguém de confiança para fazer isso, seu tolo. Um alfa deve cuidar da sua gente, ouvi-los, ajudá-los, apoiá-los, também impor as regras e, quando necessário, punir algum idiota. E acho ótimo saber que terei uma companheira alfa, pois eu nunca daria conta de cuidar de tantas pessoas sozinhas.
— Bem, o papo tá maneiro, Alfafort, mas, ainda não falaram de nós, eu e meus homens. — T disse impaciente.
— Sim. — Sirius disse sorrindo. — Temos algumas opções de empresas que gerarão empregos. Eu estou abrindo uma construtora no mundo trouxa, Harry está abrindo uma fábrica de cosméticos no mundo mágico e uma fazenda de flores na floresta daqui, no outro lado da ilha. Acredito que poderemos empregar a maioria dos homens e mulheres da matilha, mas como os T-London vivem em Londres e estão habituados a uma vida mais noturna e livre, eu acredito que o ideal é investir e empregá-los em minhas boates.
— Boates? — T perguntou arregalando os olhos.
— Sim, sem prostituição, tudo legal e correto, sem trambiques. — Sirius disse. — Estou abrindo a Boate Black no prédio onde era o Caldeirão Furado e mais dois Night Club na Londres trouxa. Uma será luxuosa, com decoração de primeira, em uma localização badalada e ofereceremos os produtos mais caros. A outra será mais popular, em um bairro industrial, com uma decoração moderna e divertida, atrairemos os jovens, universitários e oferecemos uma boa diversão por um preço acessível.
— E como será a boate do Beco? — Penny perguntou curiosa.
— Como isso é algo novo no mundo mágico, ofereceremos um pouco dos dois, além da exclusividade. — Sirius disse. — Quero fazer shows ao vivo, ter muitos espaços VIPs, mais de uma pista de dança com músicas diferentes tocando em cada uma, sem que os sons se misturem e atrapalhem. Imagine, você caminhar de uma pista para a outra e ir trocando de ritmo, criamos uma bolha mágica para cada pista. E os camarotes VIPs poderão ter como escolher a música que quiserem ouvir de qualquer pista, poderemos colocar vários bares em ilhas espalhadas pela boate, assim, você não precisa deixar sua mesa para ir buscar bebidas que estão do outro lado do salão.
— Uau! — T. disse com os olhos esbugalhados. — Isso é maneiro, bicho! E você quer que eu e o meu pessoal trabalhe neste barato!?
— Sim. — Sirius acenou. — Vocês conhecem o mundo trouxa, a noite londrina, estão acostumados a lidar com pessoas, apenas farão isso honestamente a partir de agora.
— Sim! Nós já topamos, meu irmão! — T pulou na cadeira energicamente de tanto entusiasmo.
— Eu terei funcionários que não são lobisomens, pois na lua cheia vocês todos folgarão, também podemos fechar as boates uma vez por mês se for necessário, mas acredito que nos ajustaremos bem. — Sirius disse animado com a expressão encantada de T.
— Obrigado, meu camarada. — Ele disse e depois olhou para o Harry. — Sei que tudo isso é ideia sua, brainiac, assim, em nome do meu pessoal... Valeu, guri! — Isso provocou risos por toda a mesa. — Bem, então, seremos parte da matilha, visitaremos e passaremos as luas cheias aqui, menos arriscado do que os túneis do metro, com certeza. E vamos colaborar com uma porcentagem para ajudar a cuidar das crianças, dos idosos e tudo o mais, pode contar com isso. Além disso, nós conhecemos os melhores fornecedores, com os produtos de primeira e bons preços, posso lhe garantir.
— Sem contrabando, T. — Sirius disse. — Eu quero conhecer o seu pessoal e a Divisão de RH da GER irá entrevistá-los e selecionar cada um deles para as funções existentes. Além disso, precisamos encontrar um local para vocês viverem...
— Oh, não precisa, meu camarada, nós temos o nosso ninho ou esconderijo. — T disse sorridente. — Tem um buraco grande em um dos túneis para uma sala de máquinas e os caras do metro só aparecem lá uma vez por ano para fazer a manutenção. Eu e meu pessoal se vira bem por lá, sacou?
— T, o jeito certo de falar é meu pessoal e eu. — Serafina disse gentilmente. — Você deve colocar o outro sujeito na frente, antes de si mesmo.
— Oh! Isso é super, gata. — Ele disse com uma piscadela.
— T, eu entendo que vocês viveram por muito tempo neste lugar e é seguro, mas agora que terão novos empregos, deixarão de ser uma gangue e não precisão viver em um esconderijo ou buraco. — Sirius disse. — O risco de serem pegos é muito grande, me parece desnecessário e desconfortável viverem assim.
— Além disso, se o resto da matilha terá casas, vocês também devem ter um lar. — Belle acrescentou.
— Ok. — T arregalou os olhos um pouco surpreso e emocionado. — Seria maneiro ter uma casa de verdade e meu pessoal gostaria disso, mas como pagamos por isso?
— Bem, como vocês viveram em Londres a vida toda, acredito que saberiam melhor encontrar um prédio antigo e velho, que precise de muita reforma. — Sirius deu de ombros. — Pode ser em um bairro pobre, pois aos poucos, minha construtora pode renovar e reconstruir o entorno, podemos até ajudar com a diminuição da pobreza e violência do lugar. Vocês podem encontrar um prédio com 100 apartamentos ou dois com 50 ou 60 que fiquem próximos e vocês trabalharão na renovação do lugar, depois abateremos o trabalho de vocês no aluguel dos apartamentos, assim como faremos aqui na ilha. Um ano sem aluguel me parece justo. — T acenou com olhos arregalados e parecia imaginar os bairros que poderiam fazer isso.
— Tem um bairro bem legal na Ilha dos Cães, Millwall é o nome. — T disse pensativo. — Tem umas fábricas antigas nas docas que estão abandonadas e poderiam ser convertidos em prédios com apartamentos. Seria mais maneiro do que os prédios tradicionais no centro ou nas periferias, pois será como se vivêssemos em uma fábrica antiga e assombrada. — T sorriu com o pensamento. — E fica bem de frente para o Tamisa, bicho, a vista é de morrer, sacou?
— E a fábrica tem espaço para 100 ou 120 apartamentos? — Sirius perguntou anotando a informação.
— Ah, sim, tem mais de um prédio, sacou? É como um grande espaço cheio de fábricas ou galpões onde guardavam mercadorias e tal. Tem também uma doca e seria legal ter um barco para descer pelo rio e podemos até pescar! — T riu e olhou para McGregor provocador. — Teremos peixe e nem precisaremos viver nas malditas montanhas geladas da Escócia dos infernos. Sacou?
Isso arrancou mais risos e levou McGregor a resmungar com uma careta de desagrado.
— Bem, acredito que podemos encerrar a primeira reunião...
— Espera! — Josh disse. — Isso quer dizer que vamos fechar o acordo? Eu posso dizer para o meu líder que os lobisomens aceitaram a proposta? E, qual o nome da nova matilha? E da escola?
— Bem, nossa proposta está na mesa e a decisão final é de vocês, como grupos, matilhas e indivíduos. — Harry disse. — Os nomes da matilha e da escola, podem ficar entre as muitas coisas que temos que discutir e decidir nesta semana. Claro que aceitaremos sugestões, apenas aconselho a não escolhermos nada com lobo no nome para não chamar a atenção caso alguma conversa seja ouvida por aí. Acredito que a Ilha deve manter o nome da família a quem ela pertenceu e que me deixou essa herança tão especial. — Harry olhou em volta pensativo. — Ah! Sugiro que comecemos a chamar de Stronghold ao nos referirmos a ilha, pois chamar de ilha meio que dá muita informação caso também sejamos ouvidos falando sobre ela. — Todos acenaram entendendo e Harry olhou para o livro de registro e a pena automática. — Bom, acho que agora vocês devem contar tudo isso para o seu pessoal e, depois que decidirem, nos avisem. Encerrando a reunião...
Ao fim das suas palavras de encerramento, o livro se fechou com um baque audível, acompanhado pelo som das cadeiras se arrastando quando todos se levantaram da mesa. Harry apertou as mãos, se despediu e trocou algumas palavras com quase todos. McGregor, Sonnian e Travers se afastaram sem despedidas, mas Harry pode ver que Belle conversou brevemente com Travers antes que ele partisse.
— Você acha que conseguiremos que todos aceitem a proposta? — Harry perguntou ao Sirius quando todos os visitantes tinham partido.
— Não sei se todos, mas a maioria só não aceitou porque precisam conversar com suas matilhas e grupos. — Ele disse sincero. — McGregor obviamente não gosta de obedecer a ordens, de não ser o alfa e muito menos de mulheres, assim, pode ser que prefira ficar onde está. Espero que ele seja sincero com a sua matilha e lhes dê a chance de escolherem individualmente. Sonnian ficou chateado por não ser escolhido o alfa, mas acredito que ele é esperto o suficiente para não deixar que isso prejudique o seu pessoal ou o faça perder uma oportunidade tão boa. Quirke está ansioso por aceitar, quando soube que Voldemort está vivo, ficou ainda mais interessado.
— Eu percebi isso, porque será? — Harry perguntou suavemente.
— Os filhos. — Remus respondeu se recostando na mesa onde Sirius e Harry estavam inclinados. — Desconfio que ele planeje roubar os filhos de volta da esposa e do avô, principalmente quando a guerra recomeçar.
— Claro. — Sirius acenou concordando. — O velho Quirke apoiará Voldemort e enviará o seu neto para ser um comensal da morte, mas se Donaldo roubar as crianças, elas poderão ficar protegidas aqui na ilha até o fim da guerra.
— E, eles terão acesso a uma escola de magia, assim, Hogwarts nem fará falta. — Harry acenou entendendo. — Seria bom que Otto ficasse longe daquele Wilkes, porque o menino é uma peste. Sacou? — Harry disse com um sorriso divertido e os dois adultos riram. — E sobre Travers?
— Sinceramente, acredito que ele não virá. — Sirius disse e Remus concordou.
— Ele tem um grupo de mercenários, Harry. — Remus disse. — Na guerra, eles serem lobisomens não importava para Voldemort, que os usava sem restrições.
— E os comensais? — Harry perguntou.
— A maioria dos comensais da morte eram de famílias ricas, importantes ou pelo menos antigas, não faziam o trabalho sujo do dia a dia. — Remus disse. — Claro que eles eram assassinos, atacaram e mataram muitas pessoas a mando de Voldemort, mas quem lidava com o trabalho mais vil e sujo eram a ralé.
— E os lobisomens estavam entre a ralé. — Harry disse com uma careta.
— Sim. Como o irmão de Georgie era um dos braços direitos de Voldemort e mantinha contato com o irmão, ele o recrutou e o seu grupo para esses trabalhos. Depois da guerra, eles não viram porque parar, afinal, matar se tornou um meio de vida. — Remus disse. — O medo dos lobisomens por Greyback era porque ele era insano e mataria um lobisomem facilmente. O grupo de Georgie não é temido, pois eles só matam bruxos ou trouxas por encomenda, são assassinos de aluguel e atuam por toda a Europa.
— Ok. — Harry disse um pouco chocado com a ideia de ter almoçado com um assassino profissional. — Mas porque ele veio? E porque disse que tem algumas pessoas entre eles que gostariam de viver aqui?
— Você acha que ele não estava sendo sincero? — Sirius perguntou.
— Ele me pareceu sincero, mas não consigo entender porque não quer largar essa vida e recomeçar aqui. — Harry disse pensativo.
— Talvez seja a escolha que você lhe deu, Harry. — Remus disse suavemente. — Se ele ama e é leal ao irmão, provavelmente não sente que pode assinar um Tratado para uma nova vida que o impossibilitará de ajudá-lo.
— O maldito irmão dele não merece sua lealdade depois de tudo o que fez. — Sirius disse e seu rosto ficou meio acinzentado. — De todas as crueldades que eles fizeram, matar a família toda da Marlene é... tão vil, não há perdão.
— Marlene era amiga da mamãe, certo? — Harry disse suavemente.
— Sim. — Remus sorriu com saudade e carinho. — Ela era do nosso ano e amiga de todos nós, na verdade. E, nós namoramos um pouco em nosso sexto ano quando eu passei alguns meses afastado de Sirius e James. Ela era linda e cheia de energia, combinava com a sua mãe, as duas juntas poderiam explodir uma sala com alegria e animação.
— Você gostava dela? — Harry perguntou.
— Não seriamente, éramos mais amigos e nos divertimos sem compromisso, eu tinha medo de contar sobre a licantropia e, um dia, ela me disse que já sabia. — Remus lembrou. — Ela e Lily adivinharam, mas nunca falaram nada e Marlene disse que o meu coração era maior do que minha condição.
— Menina sábia. — Sirius disse e parecia emocionado. — Ela adorava os irmãos mais novos, eram dois meninos e acho que por isso Marlene tinha mais jeito para lidar conosco, uma paciência que as vezes faltava a Lily, que era filha caçula. Sempre a vi como uma irmã, sabe, nunca pensei nela com outros olhos porque gostava de garotas mais velhas. — Ele pigarreou. — Marlene era da Ordem e sabia dos riscos, mas Gavin Travers invadiu a sua casa segura e matou seus pais, seus irmãos de 16 e 13 anos que estavam em casa por ser verão e matou ela também. Uma família inteira dizimada, o nome MacKinnon desaparecido para sempre e os malditos puros acreditam que Voldemort estava ao lado das famílias bruxas antigas.
Harry acenou triste e imaginando como se sentiria se seu melhor amigo, Terry, seus pais, Adam e Ayana fossem assassinados desta maneira horrível. Ele podia imaginar a dor de Sirius e Remus, mas sabia que para sua mãe teria sido devastador.
— O que faremos sobre isso? — Ele perguntou baixinho.
— Sobre o que? — Sirius perguntou confuso, afinal, eles tinham tantas coisas para fazer nos próximos dias.
— Azkaban. Como impedimos que Voldemort liberte seus comensais mais leais e loucos que estão presos? — Os dois o encararam sem reação. — Ele invadiu os acampamentos dos lobisomens que eram controlados pelo Ministério e os libertou, por assim dizer. Acreditam que Azkaban será um problema?
— Não, não será. — Sirius disse e ficou meio pálido quando seu estômago se embrulhou ao pensar em sua prima.
— Os Dementadores se uniriam a ele, pois duvido que Voldemort os impediria de se alimentar. — Remus sussurrou chocado. — Merlin...
— O que fazemos? — Harry perguntou olhando de um para o outro, mas recebeu olhares vazios de volta. — Bem, então, temos mais um importante projeto para pensar, planejar e executar, porque não podemos deixar que aqueles monstros fiquem livres para voltarem a matar.
