Olá, pessoal, antes de mais nada, quero me desculpar pela longa espera e explicar o que aconteceu. Como vocês todos sabem a Débora se prontificou a fazer a revisão gramatical dos capítulos e todos devem ter percebido como o texto está melhor desde então. Mas a Débora está muito ocupada com o trabalho, assim, ela está corrigindo mais devagar. Por exemplo, o capítulo 85 está com ela há duas semanas, mas apesar de todo o seu esforço, acordando mais cedo e revisando aos domingos, ela ainda não conseguiu terminar. Conversamos e eu disse como desesperadamente ansiosa eu estava para publicar e chegamos ao acordo de que eu postarei os capítulos assim que terminar a minha própria revisão e repostarei depois quando ela terminar a dela.
O capítulo 85 será publicado agora e, Débora acredita que sexta-feira terminará a correção e eu repostarei, (talvez). Quem quiser esperar, eu compreendo, mas eu faço uma revisão e acho que vocês encontrão o texto razoável, como eram antes.
A Débora não deixará de me ajudar, pelo contrário, ela até se ofereceu para ir aos poucos revisando todos os capítulos anteriores, que todos sabem precisam de muitas correções, principalmente os primeiros. Será um missão longa, que levará muito tempo, mas eu já sou eternamente grata a ela por seu oferecimento e apoio. Assim como o de vocês, que leem e revisam com tanta dedicação. Obrigada.
Por fim, uma boa noticia, enquanto a Débora estava com o capítulo 85 eu escrevi o capítulo 86 e o terminei segunda-feira. Esse poderá demorar até uma semana ou mais para a Débora corrigir, mas já postarei para vocês e quem quiser pode reler depois que estiver repostado. Assim, apesar da demora inesperada, vocês receberão 2 capítulos de uma vez. Acho que é um presente de Natal antecipado!
Sinceramente, espero que gostem, o capítulo 85 se tornou o meu preferido de todos e espero ver muitas revisões! Estou com sdds delas! Isso sem falar sobre como elas me incentivam!
Eu já comecei o capítulo 87, não sei quando termino, mas espero que esse ano ainda.
Desejo a todos um bom Natal e bom Ano Novo. Que para todos nós 2021 seja mais seguro e saudável!
Abçs! Até breve, Tania
ATENÇÃO! CAPÍTULO REPOSTADO! JÁ ESTÁ CORRIGIDO! OBRIGADA A DÉBORA E A TODOS PELA PACIÊNCIA!
FELIZ NATAL, PESSOAL!
Capítulo 85
Harry se sentia mais do que animado naquele sábado de manhã. A família toda estava pronta, com mochilas e caixas preparadas para um fim de semana em uma casa que ficou muitos anos desabitada. Sra. Serafina separou comidas, roupas de cama e banho, utensílios de cozinha e limpeza, e Harry teve que se controlar para não revirar os olhos e dizer que Stone Waterfall tinha tudo o que eles precisavam. Apenas comida seria necessária, mas ele escolheu deixá-la organizar tudo à sua maneira.
Dobby, saltitando de animação, levou as caixas e mochilas pessoais de todos para a mansão, onde pretendia abrir as janelas, acender as lareiras e trocar as roupas de cama. Assim, eles teriam pouco a fazer e poderiam partir sem problemas... ou quase isso.
— Eles estão sempre atrasados. — Terry disse para um Harry impaciente. — Você já deveria ter se habituado.
— Sim, mas... — Harry gesticulou com as mãos impacientemente, sem ter o que dizer, e apenas continuou andando de um lado para o outro da sala de estar da mansão Boot de Londres.
Dobby já estava preparando a casa para a chegada deles, mas Harry queria ir primeiro, e Sirius o aguardava para eles abrirem a sua casa e recepcionarem os convidados, mas ele queria cumprimentar os Weasley antes de partir. Hermione e seus pais tinham chegado há pouco, aparatados por Falc e Serafina. Neville avisou que poderia aparecer apenas no domingo, pois hoje ele estava se despedindo de seus pais, e os três amigos Weasley estavam atrasados, como sempre.
Olhando pela janela, Harry fez uma careta para a chuva fina e fria que caía constantemente. A tempestade se fora, mas o céu continuava carregado de nuvens cinza chumbo, que tornavam o dia acinzentado e triste. Sua tia Petúnia ficou muito zangada com seu passeio pela chuva no dia anterior, mas Sirius e Harry apenas riram descontroladamente durante a sua bronca. Ela finalmente desistiu e os enviou para um banho quente e roupas secas, enquanto preparava um chá quente e um almoço saboroso.
Olhando para o padrinho, Harry o viu sorrir com malícia para Denver, de algum comentário sugestivo, se o rosto corado da auror pudesse ser considerado como pista. Remus se sentava com o Sr. Boot, ambos concentrados nas notícias dos lobisomens que chegaram no fim da tarde de ontem.
Todas as matilhas decidiram assinar os Tratados. Todos os lobisomens, de todas as matilhas e grupos. Harry ainda não tinha absorvido completamente essa notícia, e ele tinha que admitir que a alegria estava de mãos dadas com o choque.
— Parece que Travers foi convencido por Belle a se juntar com seus homens. — Remus disse suavemente ao Sr. Boot. — Ela apelou para sua lealdade aos seus irmãos lobos, que precisam mais dele do que o seu irmão assassino de crianças.
— Isso é maravilho...
Harry voltou a andar na direção da janela e se afastou da conversa, pensando que Travers era o menor dos problemas da ilha, mas com certeza seria um deles. O ritual seria escolhido neste fim de semana, e Harry sabia qual ele queria, mas também sabia que seus adultos iriam protestar. Os Tratados seriam assinados no dia seguinte, os lobisomens se mudariam para a ilha e, quando estivesse tudo pronto, o ritual seria realizado. Era real, Harry pensou, a ideia que tivera há meses e meses atrás, que arrancou olhares incrédulos de muitos, estava mesmo se tornando real. Isso só aumentava a sua crença de que tudo era possível...
O barulho do flu interrompeu os seus pensamentos e Ginny apareceu, caminhando para fora do fogo elegantemente, sem um único tropeço.
— Harry! — Ela abriu um largo sorriso quando o viu. — Desculpe o atraso, minha mãe... — Mas ela se calou quando Harry a abraçou fortemente.
O flu voltou a se acionar duas vezes enquanto Harry ainda abraçava Ginny, e eles nem perceberam os olhares confusos ou divertidos que receberam.
— Somos invisíveis, irmão. — Fred zombou.
— Acho que já sei por que fomos convidados, George. — Disse George.
Isso fez os dois se afastarem, corando um pouco ao verem os olhares de todos sobre si, e Harry segurou a vontade de justificar que ficou preocupado com a amiga desde que soube que Rabicho viveu em sua casa por tantos anos. Era irracional, claro, mas era bom ver com seus próprios olhos que Guinevere estava bem. Era só isso, nada de mais – mas Harry se calou e apenas cumprimentou os gêmeos com um sorriso envergonhado.
— Vocês foram convidados porque são meus amigos, meu chapa, nada mais. — Harry disse, e depois fez as apresentações. — Pessoal, vocês já conhecem o Fred e o George, acho que menos a Denver e o Remus. — Eles se cumprimentaram com apertos de mão e Harry continuou. — Mas acho que ninguém ainda conhece a Ginny. — Ele colocou uma mão em suas costas, a guiou pela sala e a apresentou para todo mundo. — Este é o meu padrinho, Sirius... Sra. Serafina, como uma madrinha... e essa é minha tia Petúnia e Duda, meu primo... Sr. Boot, avô do Terry, e essa é a Denver, auror chefe da ICW, além de namorada do Sirius... ainda não entendi o que ela viu nele. — Ele sussurrou alto e Sirius gritou um "Ei! ", em protesto, que fez todos rirem. — Esse é o Remus, já lhe falei dele... então o Sr. Falc, claro... os pais da Hermione, Jean e Norton Granger... Esses são meus irmãos, Adam e Ayana... Bem, acho que são todos. Pessoal, essa é a minha amiga, Ginny!
Ginny apertou as mãos de todos educadamente, com um sorriso tímido, mas parecia feliz pela forma como Harry fazia questão de apresentá-la a cada um. Era quase como se ela fosse importante para ele ou algo assim.
— Nós entendemos essa parte, Harry. — Sirius disse ao se inclinar galantemente. — É um grande prazer conhecer tão bela dama, Srta. Guinevere.
— Apenas Ginny, por favor. — Ginny disse timidamente. — Dobby! Oi! — Ela o abraçou quando Dobby apareceu na sala.
— Olá, Srta. Bonita! Dobby está feliz em ver a senhorita. — Dobby tinha um sorriso de adoração.
— Srta. Bonita! Ora, Dobby parece que tem bons olhos, hein? — Sirius deu uma piscadela maliciosa e Ginny corou em um tom ainda mais forte de vermelho enquanto todos riam.
— Senhor Harry, Dobby levou tudo para Stone Waterfall, senhor, e a mansão está pronta. — Dobby disse para Harry, que acenou. — Falta apenas a mochila dos convidados que acabaram de chegar.
— Obrigado, Dobby. Ginny, George, Fred, podem entregar as mochilas para o Dobby, ele as levará para o quarto em que ficarão hospedados. Acho que agora podemos ir, Sirius. — Harry disse, ansioso, enquanto Dobby saía com mais um pop e um grande sorriso.
— Ok. Nós vamos na frente, pois o Harry tem que convidá-los e recebê-los dentro das alas. É apenas uma precaução a mais. — Sirius explicou. — Podem aparatar em frente à casa. Ok?
Todos acenaram e Sirius aparatou com Harry do ponto de aparatação da mansão Boot para o jardim em frente à Stone Waterfall. O barulho suave da água descendo pela cachoeira de pedras escuras da fonte criava uma melodia bonita, combinando com o barulho do vento que assobiava por entre as árvores da floresta que os cercava. A neve fora substituída por grama verde, as árvores estavam mais frondosas e bonitas, e, apesar do céu nublado e cinzento, ali não estava chovendo.
— Ela é ainda mais linda do que eu me lembrava. — Harry sussurrou sorrindo.
— Vamos lá. Avise as alas que você está recebendo amigos e familiares. — Sirius o orientou e Harry acenou.
Ele fechou os olhos e estendeu a sua magia para a do ambiente, a magia que cercava e protegia a mansão e a magia da própria mansão. Harry suspirou sentindo a intensidade, familiaridade e alegria que o recebeu e o acolheu em seu lar. Mentalmente, Harry solicitou que seus amigos e família fossem recebidos e acolhidos, pois ele confiava neles. A magia consentiu, e seus cabelos se agitaram quando uma brisa mais forte o envolveu e se afastou um segundo depois.
— Pronto. — Harry disse, abrindo os olhos.
— São permissões temporárias; se você quiser que se tornem permanentes, teremos que mudar as alas. — Sirius disse, antes de aparatar sozinho de volta para Londres.
Harry caminhou para a mansão, subiu os degraus de calcário branco brilhante e abriu as folhas duplas da bonita porta de madeira vermelha. Tudo estava limpo e arrumado por causa da magia de preservação, mas Dobby tinha passado as últimas semanas limpando ao melhor, espalhando flores que perfumavam o ar em vasos pelos cômodos, e as lareiras já estavam acesas para aquecer o ambiente. O início da primavera estava chuvoso e frio, mas a casa parecia acolhedora e iluminada.
Suspirando de animação, Harry se virou quando pops de aparatação soaram às suas costas. Dobby chegou com Fred, George e Ginny, enquanto Falc apareceu com os Granger adultos. Remus surgiu com Petúnia e Duda, que segurava Ffrind nos braços. Serafina aparatou com Ayana e Adam, o Sr. Boot com Hermione e Kalil e Sirius trouxe Denver. Todos olharam em volta e arregalaram os olhos ao verem a beleza impressionante da mansão.
— Oh!
— Nossa!
— Caramba!
— É enorme!
— Que linda!
Em meio às exclamações, Harry olhou para Ginny, que levou a mão ao peito e disse:
— Harry! Parece um palácio!
Rindo, ele acenou para que eles entrassem na casa, animado em lhes mostrar o lar da sua família.
A visita fez todo o sucesso que ele esperava. A sala de estar, decorada com tão bom gosto, arrancou mais exclamações de espanto. A cozinha fez a Sra. Serafina, sua tia Petúnia e a Sra. Jean olharem encantadas e desejosas de cozinharem uma farta refeição. A biblioteca fez Terry e Hermione se perderem nas possibilidades, mas Sirius foi firme em dizer que precisavam consultar o tomo de classificação dos livros de acesso livre, e os dois adolescentes prometeram que não tocariam em nada sem antes consultarem o sumário. O laboratório do seu avô Fleamont fez Fred e George arregalarem os olhos de prazer ao pensarem em todas as experiências que poderiam realizar naquele espaço incrível. A linda vista do lago que podiam ver dali arrancou suspiros e palmas quando Harry explicou que eles poderiam patinar no inverno e pescar durante o verão. Os quartos, as torres e os outros ambientes foram o mesmo sucesso, e Harry mostrou o quarto onde cada um ficaria hospedado naquela noite. Enquanto falava sobre algumas das suas ideias para a reforma, Serafina começou a fazer anotações do que ele dizia e de suas próprias observações.
— Assim, já teremos uma ideia melhor para a reunião de hoje à tarde. — Ela disse em tom de explicação, e Harry acenou. Ian e Mac viriam para o chá da tarde e uma reunião, onde Harry pretendia falar sobre a reforma da mansão.
Apesar dos inúmeros elogios, foi o Jardim Encantado, com sua primavera eterna, que mais encantou a todos e os fez caminharem abismados em meio às flores, curtindo o sol quente que nunca desaparecia do céu azul.
— Eu jamais imaginei que algo assim poderia existir. — Jean disse, cheirando as flores e aproveitando o calor do dia perfeito de primavera. — Magia é realmente incrível!
— Sua trisavó devia ser um gênio, Harry. — Terry disse, de olhos arregalados. — Não consigo nem imaginar como ela fez algo assim.
— Eu também não, apesar das minhas aulas de Runas Antigas em Hogwarts. — Serafina disse espantada.
— Ela criou o próprio encantamento rúnico. — Harry disse suavemente. — Minha avó Laura era uma Mestra em Runas e uma estudiosa da feitiçaria. O Grimoire dos Fleamont é cheio das suas invenções, alterações ou composições mágicas, e sim, ela era brilhante! — Seu orgulho era óbvio e todos sorriram, pois percebiam o quanto a sua família era importante para ele.
O Pavilhão arrancou mais exclamações de prazer, e Serafina parecia entusiasmada com o Baile de Verão.
— Esse local é perfeito, Harry! — Ela exclamou e apontou para Petúnia e Jean como e onde poderiam decorar o lugar para o baile.
— Espero que você consiga vir ao baile. — Harry disse suavemente para Ginny. — Será em 24 de julho e muito divertido, acredito.
— Bem, acho que minha mãe não tem por que dizer não. — Ginny disse e sorriu. — Vou adorar vir e dançar, ouvir a música! Nunca fui a um baile!
— Eu também não. — Harry sorriu. — E ainda tenho que aprender a dançar ou passarei vergonha! — Isso fez os dois rirem divertidos. — Enviaremos convites para a sua família inteira, Guinevere, assim, não tem por que a sua mãe implicar com nada. Hum... ela tentou impedi-los de virem hoje?
— Sim. — Ginny suspirou e caminhou pelo lindo Pavilhão, com Harry ao seu lado. — Meu pai estava muito abalado durante toda a semana com a verdade sobre o Perebas. Quando o convite chegou, a minha mãe disse que o melhor era passarmos o fim de semana com ele, sem preocupá-lo ainda mais com nossas ausências em um lugar desconhecido. Então, à tarde, o papai chegou muito feliz do Ministério e insistiu que deveríamos ter a chance de nos divertirmos com nossos amigos.
— O que deixou o seu pai feliz? — Harry perguntou curioso, imaginando se isso tinha algo a ver com Rabicho.
— Ah, bem... — Ginny explicou sobre a amizade do seu pai com Bones, suas condições de trabalho e as mudanças que ocorreram no seu departamento. — Acho que nunca vi o papai assim, sabe, se sentindo valorizado e querido, não tinha percebido como ele se sentia subvalorizado pela forma como o seu departamento era tratado por todos.
— Imagino que qualquer área trouxa tenha pouco valor, dentro ou fora do Ministério da Magia. — Harry disse chateado. — Bones parece incrivelmente razoável, e acredito que em breve deveremos tentar algum tipo de contato com ela.
— Estou tão curiosa para saber sobre os lobisomens! — Ginny exclamou e saltou de excitação. — Você não me deixará morrer de curiosidade até a próxima reunião do Covil, não é?
— Eu não seria tão cruel. — Harry disse divertido, e eles riram mais uma vez. — Todos concordaram com os termos, e assinaremos os Tratados amanhã à tarde. — Ginny abriu a boca em espanto e Harry bateu em seu queixo com carinho para fechá-la. — Cuidado com as moscas. Bem, na verdade, você e seus irmãos podem vir conosco para a assinatura e conhecer a ilha, já que estarão aqui.
— Harry! — Ela tinha parado de andar e pegou em seu braço com força. — Isso é incrível! Falamos que era possível termos muitas recusas, e que ficaríamos felizes se a maioria aceitasse, mas todos... — Então sua expressão se tornou exasperada e seu olhar se estreitou. — Eu deveria saber, é só colocar você fazendo um dos seus discursos e pronto, ninguém teria coragem de dizer não.
Isso fez Harry rir, levemente constrangido, tentando ignorar o próprio rosto corado.
— Eu não fiz sozinho, você sabe disso. — Ele gesticulou para os seus adultos. — Todos eles ajudaram, além da Belle, Prof. Bunmi, Dean, Lisa, Penny, Firenze, Flitwick... acredite, cada um contribuiu um pouquinho, e foi por isso que eu quis reuni-los com os lobisomens no último domingo.
— O que você...
— Harry! — Sirius chamou, quando o grupo, que tinha se dispersado pelo Jardim Encantado e pelo Pavilhão, voltou a se reunir. — Você tem algumas surpresas, mas o que quer fazer primeiro?
— Ah! — Segurando a mão de Ginny, Harry a puxou com ele quando caminhou até o grupo. — Bem, a primeira surpresa será agora, mas para isso vocês precisarão de trajes de banho, pois vamos nadar. A segunda surpresa ficará para depois do almoço.
— Nadar? — Petúnia olhou surpresa em volta. — Mas não tem nenhuma piscina por aqui.
— Talvez esteja escondida embaixo do solário. — Disse Jean, olhando para o chão. — Com a magia, tira-se o chão e aparece a piscina.
— Uau! — Norton arregalou os olhos com a ideia e Harry riu.
— Isso seria muito legal também, mas não é onde está a piscina. — Ele disse misterioso.
— Se estiver se referindo ao lago ou a uma piscina fora do Jardim Encantado, nem os mais fortes feitiços de aquecimento ajudarão a espantar o frio, Harry. — Serafina considerou preocupada.
— Confiem em mim, pessoal. — Harry sorriu ainda mais. — Vão se trocar, assim posso lhes mostrar.
Todos acenaram e seguiram para o lado direito da mansão, onde estavam os quartos familiares. No lado esquerdo ficavam os quartos de hóspedes, mas precisavam de reforma, por isso Harry decidiu não os colocar ali; de qualquer forma, no lado da família havia espaço para todos.
Harry ficou com o quarto dos seus pais, onde ficava uma das torres redondas. A outra torre redonda ficava no quarto dos seus avós, onde ele colocou o Sr. Boot, pois sabia o quanto eles eram amigos. Ainda sobravam oito suítes no segundo andar da ala sul. Uma foi ocupada por Serafina e Falc, outra por Sirius e Denver, outra pelo casal Granger, outra por Remus, outra por Fred e George, outra por Hermione e Ginny, outra por Terry e Adam e a última por Ayana, que pode ter uma suíte só para si. No entanto, quando foram se vestir para nadar, Ayana pegou a sua mochila e bateu na porta das meninas.
— Hermione, posso ficar aqui com vocês? — Ela pediu, olhando com timidez para Ginny. — Não gosto de dormir sozinha em um quarto tão grande e desconhecido.
— Claro! — Hermione exclamou e Ginny acenou, sorrindo de maneira amigável. — Pedirei à sua mãe para que traga outra cama para cá, tem espaço mais do que suficiente!
— Será divertido nós três meninas juntas. — Ginny disse animada. — E estou louca para ir nadar! Harry está empolgado com essa surpresa, então deve ser incrível!
— Vamos nos trocar! — Hermione as incentivou e, uma a uma, as meninas entraram no banheiro e saíram com suas roupas de banho.
Ginny colocou um maiô simples e marrom, Ayana também veio com um maiô rosa chá que combinava com sua pele morena, e Hermione usava um biquíni azul escuro. Seus seios, pequenos, mas ainda existentes, fizeram as duas meninas mais jovens arregalarem os olhos de espanto e uma pontinha de inveja. Ginny olhou para o próprio peito completamente liso e fez uma careta, desanimada.
— Não vejo a hora de crescer e ter peitos também! — Disse Ayana, como sempre sincera e direta.
Ginny corou e Hermione riu, já conhecendo o jeito da menina mais jovem. Aliviada, Ginny sorriu também ao ver que estava tudo bem.
— Eu também, mas acho que ainda vai demorar. — Ela disse, tentando afastar a vergonha.
— Cada um vai no seu ritmo, tanto meninas como meninos não passam pela puberdade da mesma maneira. — Hermione disse suavemente. — Eu farei 14 anos em setembro, Ginny, você tem... 12 anos?
— Ainda tenho 11, faço aniversário em agosto. — Ginny disse pensativa.
— Então, e Ayana ainda tem 10, só fará 11 anos em setembro. — Hermione disse gentilmente. — Eu já estou menstruando, por exemplo. Nenhuma de vocês já teve a sua menarca, certo? — As meninas acenaram negativamente, e Ginny corou em um tom mais escuro. — Bem, assim que vocês passarem por isso, seus corpos se desenvolverão naturalmente, e aposto que, quando tiverem a minha idade, as duas terão seios.
— Quando você menstruou pela primeira vez, Hermione? — Ayana perguntou, sem qualquer constrangimento. — Minha mãe tinha 13 anos, e disse que provavelmente eu a imitarei nisso, pois isso às vezes é assim, meio que hereditário.
— E ela está certa. Saber quando sua mãe menstruou é uma boa referência. — Hermione disse sorrindo. — A minha primeira vez foi há menos de um ano, durante o verão passado, e eu ainda tinha 12 anos, a mesma idade da minha mãe. — As duas olharam para Ginny, que arregalou os olhos e corou em vermelho escuro, de pura mortificação.
— Hum... bem, hum... minha mãe nunca falou sobre isso exatamente, e não sei... bem, quando ela... — Ela gaguejou, completamente perdida, e Hermione pareceu entender que a amiga teve pouca orientação sobre as mudanças causadas pela puberdade.
— Talvez porque ela ainda a considere muito jovem, Ginny, e pretende falar neste próximo verão. — Hermione disse, tentando ser gentil.
— Bem, se ela não falar, pergunte, ora. — Ayana disse de forma mais direta, dando de ombros. — Nunca deixe de saber por vergonha de perguntar, o mundo se move pelos nossos questionamentos, sabe. Vovô Bunmi sempre diz isso.
— Ah! Você iria adorar o Prof. Bunmi, Ginny. — Disse Hermione, depois de vestir uma canga colorida. Ayana fez o mesmo, e Ginny, que não tinha nada parecido, colocou o vestido que estava usando antes sobre o maiô, mas Hermione acenou negativamente.
— Não sei para onde vamos, mas o seu vestido poderá ficar todo sujo, ou pior. Aqui. — Ela pegou em sua mochila outra canga verde escura. — Pode usar essa, eu gosto mais da colorida.
— Obrigada! — Ginny sorriu pela gentileza de Hermione. — Vamos?
O grupo voltou a se reunir no Jardim Encantado. Sirius, Remus, Falc e o Sr. Boot tinham conhecimento da cachoeira e da piscina natural, mas não disseram nada e deixaram que Harry se divertisse com a surpresa dos outros. Eles logo deixaram o jardim para trás e entraram na trilha da floresta, que em pouco minutos se tornou mais íngreme, e a Mansão passou a ser vista do alto. Kalil e Ffrind os seguiam animadamente, com o filhote pulando no cachorro mais velho e provocando-o com mordidinhas divertidas. Kalil preguiçosamente o ignorou, assim como fez durante toda a visita à mansão.
A trilha era clara, mas estreita, e ninguém percebeu que Adam diminuíra o passo. As árvores se fechavam e se agitavam levemente com a brisa, trazendo lembranças do dia do seu sequestro, e, por mais ansioso que esteve por visitar o bosque lá da sua casa, não gostou da floresta estranha. Quando Ffrind ganiu levemente ao fingir que a mordida brincalhona do Kalil tinha doído, Adam sentiu o coração explodir no peito com a lembrança de um outro filhote chorando apavorado. Apressando o passo, ele se aproximou da sua mãe e segurou com força em sua mão, o que a fez olhá-lo surpresa e confusa.
— Ainda é primavera aqui. — Terry disse surpreso, e Harry apenas acenou quando o barulho da cachoeira se tornou mais alto.
— Que barulho é esse? — Hermione perguntou confusa, e Ginny arregalou os olhos.
— Oh! — Ela entendeu o barulho e apressou o passo. — Merlin! — Exclamou sem fôlego, ao passar pela última árvore e contemplar a piscina natural e a cachoeira.
Os outros a alcançaram em segundos, e a maioria parecia sem palavras, encarando a linda paisagem de boca aberta.
— Meu Deus... — Sussurrou Serafina, olhando para o alto do monte onde as árvores mostravam a umidade da chuva que caía naquele dia, mas, em determinado ponto, o encantamento da primavera eterna se iniciava e mantinha a piscina com uma temperatura agradável o ano todo.
Harry sorriu e olhou com alegria para a cachoeira, que estava maior e mais forte, pois no inverno havia menos água que descia do monte.
— No inverno ou em qualquer época do ano, não importa a neve ou a chuva, aqui podemos nadar à vontade. — Ele disse suavemente, e ganhou muitos olhares espantados, encantados e divertidos. — Vamos nadar!
Suas palavras foram seguidas do seu movimento de correr e pular na parte mais funda da piscina natural de água cristalina. Harry nadou para ainda mais fundo e, com os olhos abertos, observou mais corpos pipocando por todo o lado. Sorrindo, ele nadou para cima e emergiu ao lado de Terry e Hermione. Olhando em volta, viu a cabeleira vermelha presa em uma trança flutuar enquanto Ginny nadava habilmente até eles. Quando ela emergiu ao seu lado, seu sorriso era estelar.
— Você tinha razão! — Ela disse, agitando as pernas para se manter à tona como ele fazia. — Esse é o meu lugar preferido no mundo!
Harry jogou a cabeça para trás, rindo de pura alegria.
— Vamos! Quero te mostrar uma coisa! — Ele disse, e nadou para a borda com Ginny lhe seguindo de perto.
— O quê? — Ela perguntou, ao aceitar a sua mão para sair da água e se pôr de pé na borda de pedra.
— Um teste de coragem, Guinevere. — Harry disse com um olhar provocador. — Onde o medo deve ser enfrentado com bravura!
— Eu não tenho medo, Raven! — Ela respondeu com orgulho, mas seus olhos brilharam de diversão.
— Vamos! — Harry pegou a sua mão e a guiou pela escada de pedra que subia atrás da cachoeira. Quando chegaram no topo, eles olharam para a piscina, dez metros abaixo. — É seguro. — Harry afirmou mais seriamente. — É fundo o suficiente, e as pedras têm feitiços de amortecimento, você apenas tem que saber mergulhar e ter coragem para pular.
— Tem um rio na minha casa e muitas vezes pulei da árvore que fica na beira. — Ginny disse sorridente. — Lá não é tão alto, mas eu não tenho medo.
— Eu já sabia disso. — Ele sussurrou, encarando os seus olhos de chocolate. — Pulamos juntos?
— Juntos. — Ela disse excitada e os dois se afastaram, depois correram e pularam de mãos dadas, afundando de pé e espirrando água por toda a parte.
— Harry! — Serafina gritou, branca de susto, quando o viu emergir.
— Está tudo bem, Serafina. — Sirius se apressou em explicar, e, rapidamente, todos os mais corajosos (ou seja, Fred, George, Falc, Sirius, Norton, Duda e Ayana) subiram e pularam do alto da cachoeira.
Hermione se recusou até a olhar o pai saltar, e sua mãe disse que tinha medo de altura desde criança, característica que a filha herdou dela. Terry, Serafina e Petúnia não pareciam com medo, mas cautelosos e pouco interessados em viver a emoção dessa aventura, e Remus disse que uma barrigada a dez metros de altura uma vez na vida era mais do que suficiente. Sr. Boot disse tranquilamente que seus ossos velhos não precisavam dessa experiência, muito obrigado, e Adam foi proibido pela mãe, mas acabou sendo levado pelo pai e os dois saltaram juntos, com o menino no colo de Falc.
A água era fresca, cristalina e a piscina enorme e funda, permitindo que todos se divertissem, brincassem e nadassem por todos os lados. Kalil e Ffrind saltaram e nadaram, brincando e se divertindo com as crianças. Adam riu tanto que logo se esqueceu do momento de pânico que viveu anteriormente, e Serafina era a única que parecia ter percebido algo.
— Neville amará esse lugar. — Terry disse, sentado na borda de pedra com as pernas na água.
— Será difícil tirá-lo daqui amanhã. — Hermione acrescentou, deitada na pedra e se deixando bronzear pelo sol de primavera. — Ainda não acredito que sempre teremos esse clima, mesmo se houver uma tempestade de neve lá fora.
— A água da cachoeira fica mais fraca, porque o topo do monte, onde ela nasce, fica congelado. — Harry disse. — Fora isso, tudo será igual.
— Você precisa aprender como fazer isso e nos ensinar, Harry. — Disse Hermione, sorrindo com os olhos fechados.
— Essa é uma magia familiar, Hermione. — Terry disse, e ignorou o seu olhar contrariado. — Dificilmente o Harry poderia ensinar algo assim para qualquer um.
— Eu não sou qualquer uma! — Ela protestou levantando o tronco e, sentada na pedra, lhe lançou um olhar indignado.
— Claro que não, mas... — Terry tentou consertar. — Magias familiares são familiares porque continuam na família que a criou, como uma herança. É algo importante, valioso e tradicional.
— Bem, é uma grande bobagem! Magias deveriam ser compartilhadas e vivenciadas por todos! Assim, todos experienciarão e poderão usar a criatividade para criarem ainda mais! — Seu discurso era apaixonado, como sempre. — Imagine quanto já não teríamos evoluído em termos de possibilidades mágicas, se mais pessoas pesquisassem e criassem novas magias?
— Eu concordo. — Harry disse, parando a leve discussão. — No entanto, a resposta não está em liberar magias familiares, Hermione, e sim em criar um currículo de pesquisa. — Harry ainda estava na água, Ginny do seu lado esquerdo e Ayana do direito; como era um ponto raso, eles apenas se sentavam no fundo de pedra. — Hogwarts deveria oferecer um programa de pesquisa mais extenso e amplo, talvez, depois de formado, sabe, o aluno poderia voltar para um ou dois anos de estudos especializados e pesquisas.
— Ou alguém poderia criar uma universidade. — Ayana disse pensativa. — Quer dizer, seria ótimo termos como nos especializar depois de Hogwarts naquilo que desejarmos. A vida acadêmica de uma universidade está em constante ebulição, pesquisas, estudos do passado, experimentos científicos, poderíamos ter uma versão mágica disso. — Ela disse, pensando em Oxford e como o seu avô descrevia o lugar.
— Isso seria incrível — Hermione disse, com um sorriso sonhador.
— Sim... talvez a GER possa criar algo assim. — Terry disse, arregalando os olhos em animação na direção do Harry, que o encarou surpreso.
— Por que a GER? — Ginny perguntou confusa.
— Não sei. — Harry disse sem graça. — Acho que a GER não se interessaria por algo assim, sei lá.
Todos ficaram em um silêncio estranho e constrangedor, e Ginny franziu o cenho chateada.
— Ok. Não precisam dizer, apenas saibam que eu cresci com meus irmãos tentando esconder coisas de mim e sei bem identificar mentiras. — Ela se afastou e Harry lançou um olhar irritado a Terry, que disse um "sinto muito" silencioso.
— Ei. — Harry a alcançou mais à frente na piscina. — Sinto muito...
— Harry, não precisa se desculpar por não poder me contar sobre alguma informação confidencial, apenas não minta para mim, eu detesto mentiras. — Ela o cortou em tom firme.
Harry fez uma careta, pois também detestava mentir para ela, mas o fato era que ele estava sempre cheio de segredos.
— Olha, eu não quero esconder coisas ou algo assim, mas o que Terry deixou escapar é algo que poucas pessoas sabem, e elas assinaram contratos de confidencialidade para saberem. — Ele disse. — Prometo que, se assinar o contrato, lhe conto tudo, mas você não poderá contar para ninguém, nem para a sua família.
Isso deixou Ginny com um olhar curioso, e, diante da seriedade de Harry, ela quase desistiu de querer saber, mas a vontade de conhecer mais sobre ele e de não haver segredos e barreiras entre os dois falou mais alto.
— Ok. Eu assinarei o contrato. — Ela disse, e Harry sorriu alegre.
— Vem, quero lhe mostrar outra coisa especial. — Harry voltou a sair da água e pegar a sua mão para ajudá-la a subir na borda, depois a guiou pela trilha do rio. — Esse rio estreito segue da piscina por aqui, mas o encantamento termina logo.
Alguns metros à frente, a primavera quente se dissipou e eles entraram na primavera nublada e fria de abril.
— Ui! — Ela estremeceu e desejou ter pego a canga que Hermione lhe emprestou.
— Vale a pena, prometo. — Harry disse, caminhando apressando e sem soltar a sua mão. — Está ouvindo?
— Sim... o que... Tem outra cachoeira? — Ginny arregalou os olhos de espanto e apressou o passo com entusiasmo.
Em poucos passos rápidos, eles chegaram à beira do penhasco com a enorme cachoeira de mais de 50 metros de altura. Com mais água, a queda d'água era impressionante e barulhenta, além de apresentar as cores do arco-íris descendo pela água cintilante até as pedras cinzentas lá embaixo. Além disso, a floresta Stone Waterfall se estendia como um manto verde e aveludado a perder de vista, com o lago imenso e brilhante bem no meio.
Nenhum dos dois disse nada, pois não havia palavras para tanta beleza. Eles apenas contemplaram, de mãos dadas, sentindo o encantamento e alegria que os cercava e os unia.
— Queria que fosse a primeira a ver. — Harry disse em um sussurro. — Antes de eu mostrar aos outros.
— Obrigada. — Ela disse com os olhos brilhando, depois acrescentou com um sorriso matreiro. — Vamos saltar essa também ou você tem medo, Raven?
Harry gargalhou jogando a cabeça para trás e, tirando a varinha do coldre, acenou para a janela do seu quarto, que era possível ver daquele ponto. Um segundo depois, a janela se abriu e um zum veloz foi ouvido na direção deles, até que a Nimbus 2000 parou bem na sua mão.
— Sem medo, Gryff. — Ele disse e montou na vassoura. — Vamos?
Ginny sentiu o coração parecer explodir no peito de tão forte que batia; sem hesitar, montou atrás do Harry e segurou a sua cintura com força. Um segundo depois, ele mergulhou pelo penhasco, seguindo rente à água cintilante da cachoeira, e Ginny só conseguiu gritar de empolgação.
— Uuhhuuuuuuuuu!
Harry a acompanhou, sentindo o vento enregelar o seu peito sem camisa, mas o mergulho era tão incrível que nada mais importava. Rindo, ele estendeu a mão esquerda e tocou a água com o arco-íris. Ginny estendeu o braço também, e os dois riram e gritaram quando tocaram a água fria e cintilante que os molhou e à vassoura. O mergulho continuou até poucos metros das pedras cinzas, quando Harry movimentou a vassoura habilmente e plainou sobre as copas das árvores da floresta.
— Isso foi incrível! — Ginny disse, rindo sem parar, e Harry não reagia de forma diferente.
— Sim! Aquele Wronski não é nada perto disso! — Ele brincou divertidamente. Então, porque estava com frio e imaginou que Ginny também estaria, manobrou a vassoura em um círculo suave e se virou em direção do alto da cachoeira. — Lá perto do lago, eu construirei uma cabana! — Ele disse a ela, e Ginny se inclinou mais perto para poder ouvir apesar do barulho do vento e da queda d'água. — Um chalé para quando pescarmos ou patinarmos, que no futuro será o chalé do filho mais velho.
— Talvez o seu filho mais velho queira viver mais longe! — Ela disse em tom divertido de aviso.
— Não! — Harry disse, e a olhou nos olhos intensamente. — Quero a minha família bem perto de mim.
Ginny apenas acenou, entendendo por que ele se sentia assim, e o abraçou mais forte. Eles continuaram o resto do caminho em um silêncio agradável e feliz.
O resto do grupo também se encantou com a segunda cachoeira; Serafina logo apareceu com uma câmera e começou a tirar fotos de todos, além da belíssima paisagem. Ginny e Harry, com sorrisos e piscadelas maliciosas, escolheram manter o seu passeio especial só entre eles.
Em dado momento, Dobby apareceu para avisar que o almoço estava pronto, assim todos voltaram para a mansão. A porta da sala de jantar estava aberta, mas eles seguiram para a cozinha, pois todos adoraram o ambiente claro e bonito. A mesa estava posta com sanduíches, tortas salgadas, bolos, tortas doces, sucos e leite.
— Dobby, não precisava ter feito tanto sozinho! — Serafina parecia envergonhada. — Eu perdi a noção do tempo com tanta diversão, senão teria vindo te ajudar.
— Eu também. — Petúnia disse, e Jean acenou.
— Dobby gosta de cozinhar para a família e amigos do Sr. Harry. — Ele disse, sumindo na direção da câmara fria e voltando com uma torta de melaço. — Dobby adora fazer os preferidos do Sr. Harry. Dobby fez torta de melaço! E Dobby fez o bolo de chocolate com frutas vermelhas que a Srta. Bonita gosta!
— Obrigado, Dobby! — Harry e Ginny disseram, ao mesmo tempo e com grandes sorrisos.
Todos lhe agradeceram e caíram sobre a comida, que estava deliciosa. Dobby se sentou com eles e também almoçou, algo que já estava acostumado. Depois do almoço, o elfo foi liberado da limpeza, pois todos insistiram que ele deveria descansar e se divertir também.
Enquanto os outros iam se vestir para as próximas atividades, Harry, discretamente, foi para a sala de jogos, onde estavam os objetos encontrados na câmara secreta. Dobby tinha arrumado tudo com muito cuidado, e Harry percebeu que o lugar parecia agora uma sala de guerra ou um museu de guerra, dependendo como você olhasse.
— Finalmente você apareceu, Potter. — Uma voz fria soou e Harry sorriu para Slytherin.
— Olá, Salazar. — Ele fechou a porta e se adiantou. — Como tem sido a sua estadia em minha casa?
— Muito informativa. — Slytherin se manteve sentado em sua cadeira que parecia um trono. — Como me deixou livre para circular pelos outros quadros da casa, pude passar muito do meu tempo em companhia dos seus antepassados na galeria, e eles me contaram sobre alguns dos acontecimentos dos últimos mil anos.
— Essa era a ideia inicial, assim eu não precisaria fazer isso, além de que, imagino que ficar neste quadro sozinho por mil anos deve ter sido muito tedioso. — Harry disse brincalhão, e Slytherin levantou a sobrancelha com certa ironia.
— Eu sou apenas um quadro com a impressão da minha magia, Potter, dificilmente eu perceberia a passagem do tempo. — Ele disse em tom arrogante.
— O que quer dizer é que você dormiu a maior parte do tempo. — Harry disse inteligentemente.
— Bem... sim, suponho que sim. — Slytherin desistiu da pose. — Nunca poderia imaginar o quanto perdi durante todos esses séculos, o mundo hoje é tão diferente que mal consigo concebê-lo.
— Bem, você é um quadro, dificilmente tem a capacidade da imaginação. — Harry devolveu a ironia e ganhou um olhar afiado.
— Como sempre, desrespeitoso com os seus melhores, Potter. — Slytherin disse irritado.
— Pode me chamar de Harry, toda essa formalidade é muito tola. — Harry disse suavemente. — Tenho alguns visitantes hoje, você gostaria de conhecê-los?
— Eu tenho escolha? Pelo que sei, sou de sua propriedade a partir do momento em que você me furtou da minha escola. — Slytherin disse acidamente, e Harry riu.
— Sua escola? Nem em vida ela era mais sua do que agora, Sal... Posso te chamar de Sal? — O rosto do homem se tornou sombrio e os olhos mais frios.
— Não se atreva, infante desrespeitoso. — Ele disse bruscamente, e Harry sorriu.
— Olha, se você quiser ficar aqui sozinho, sem conversar com seres vivos, apenas os quadros da galeria, fique à vontade. — Harry deu de ombros. — Eu tenho muito o que fazer com o meu pessoal e...
— Certamente não serei deselegante em recusar a visita dos seus convidados. — Slytherin interrompeu com uma expressão de quem fazia um grande favor. — Traga-os depois do chá, concederei uma hora do meu tempo antes do serviço de jantar.
— Ok. — Harry fez um aceno de agradecimento mais formal enquanto segurava o riso. — Nós nos veremos mais tarde, Sal!
— Você não se atrev...
Mas Harry apenas acenou com malícia e fechou a porta da antiga sala de jogos. Depois, ele foi até a galeria, onde estavam os quadros dos seus antepassados. O lugar era amplo e iluminado, as janelas mostravam a floresta e o lago. Havia poltronas e mesinhas, como de uma saleta onde alguém se senta para conversar calmamente enquanto bebe um vinho ou whisky. A imagem se formou em sua mente e Harry pode ver claramente o seu avô, talvez com a sua avó, sentado na poltrona, conversando com os membros mais velhos da família.
— Olá. — Uma voz suave soou e chamou a atenção dos outros quadros em sua direção.
Harry olhou para uma mulher de cabelos vermelhos e encaracolados, olhos azuis-mar e sardas sem fim pelo rosto muito branco.
— Oi. — Ele disse timidamente, e engoliu em seco ao passar os olhos pelos inúmeros rostos que tinham uma incrível semelhança com o seu. — Eu sou Harry... Harry Potter.
— Mas é claro que você é. — Disse um homem com a voz tão profunda que ecoou pela galeria. — Você é a cara do meu neto, como poderia não ser um Potter?
Harry sorriu e os inúmeros quadros sorriram também.
— O senhor é o meu bisavô Henry? — Ele perguntou suavemente.
— Sim, mas a família sempre me chamou de Harry, assim, seu nome foi escolhido em homenagem a mim, filho. — Ele disse, com um sorriso emocionado. — Mas você pode me chamar de vovô, meu bisneto.
— Ok. — Harry pigarreou para afastar a emoção. — Eu quero conhecê-los e conversar, mas estou com muitos convidados. Se importam se eu voltar depois do jantar?
— Claro que não, meu querido. — A mulher de cabelos chamejantes respondeu. — Você deve ser um bom anfitrião e se divertir, depois venha que queremos ouvir a sua história. — Harry acenou. — Ah! Eu sou Laura Fleamont, aliás. — Ele arregalou os olhos e sorriu mais amplamente.
— Estivemos na cachoeira até agora há pouco! — Ele exclamou. — O melhor lugar do mundo! É o que todos disseram! Além de como a minha avó Laura era um gênio!
Isso fez Laura rir roucamente, com um brilho de malícia em seu olhar azul bonito.
— Você ainda não viu nada, meu jovem senhor. — Ela disse brincalhona. — Espero que tenha herdado o meu talento para as Runas, Harry, pois isso tornará a sua vida muito mais divertida.
Harry riu e acenou um adeus antes de subir para se trocar. Ao descer, encontrou todos os convidados esperando, conversando e rindo.
— Qual a sua próxima surpresa, Harry? — Fred perguntou excitadamente. — Se for tão boa quanto a última, o dia será um estouro.
— Ok. Vamos lá. — Ele disse, e os guiou em direção à cozinha e depois para a porta dos fundos. — Essa é uma surpresa mais para os bruxos, mas os outros podem assistir, se quiserem.
Mais uma vez, eles caminharam pela trilha da floresta e Adam se encolheu, sentindo o coração disparar fortemente. Desta vez o caminho era mais longo, frio e escuro, pois não tinham a claridade da primavera eterna. Assustado, Adam se aproximou de sua mãe e segurou a sua mão com força, pois se sentia mais seguro com seu toque quente. Serafina lhe lançou um olhar preocupado, mas Adam tentou respirar devagar apesar do coração na garganta. A floresta parecia muito sombria, e imagens de outra floresta começaram a pipocar em sua mente. Um rosto mau e um filhote... Não pense! Adam apertou a mão da sua mãe até doer, e Serafina já tinha decidido retornar à mansão ao perceber os seus olhos castanhos arregalados de medo, quando uma clareira se abriu – então, ela entendeu que não era uma clareira.
Na verdade, todos perceberam que não era uma clareira. Era um maldito estádio de quadribol!
— Você tem um estádio de quadribol na sua casa! — George arregalou os olhos de assombro.
— Sim! — Harry sorriu de pura animação. — Presente dos meus avós para o meu pai!
— Isso é fenomenal! — Fred olhou em volta de boca aberta. — É igualzinho ao estádio de Hogwarts!
— Sirius me contou que meu pai acrescentou as arquibancadas, vestiários e as cores idênticas para ajudar nos treinamentos da equipe Gryffindor durante os verões. — Harry disse, com um sorriso meio pateta. — Assim, ele mantinha as referências das posições das jogadas, transferindo daqui para lá sem perda de entrosamento ou ligações importantes das jogadas ensaiadas.
— Seu pai era brilhante! — Terry disse. — Podemos fazer isso também, certo?
— Com certeza! — Harry disse, e as expressões dos três Weasley se tornaram trovejantes.
— Você não se atreva, Harry Potter! — Ginny disse. — Isso seria uma grande e injusta vantagem!
— Bem, grande com certeza, mas injusta... — Harry tinha um brilho de malícia no olhar. — Injusto seria eu não oferecer algo assim para a minha equipe, Guinevere, e você sabe.
Ela cruzou os braços irritada, mas não contestou a verdade das suas palavras.
— Cara, antes da Ginny, eu já lamentava que você não fosse da Gryffindor, agora eu não consigo deixar de pensar. — George olhou para o amigo com olhos cobiçosos. — Você não quer vestir o chapéu outra vez? Talvez ele tenha se equivocado!
Isso provocou risos por todo o lado, e Terry abraçou o Harry com uma expressão carrancuda.
— Nem pense em tentar roubá-lo, cara, só por cima do meu cadáver.
— E por que eu precisaria passar por cima do seu cadáver para roubar o Harry? — George perguntou confuso.
— É uma expressão trouxa, George. — Serafina disse sorrindo. — Mas ninguém roubará ninguém, com ou sem cadáver.
— Ótimo! Porque eu quero todo mundo vivo para jogar! — Harry disse, e apontou para um armário de vassouras. — Tem vassouras para todos lá e são todas iguais, assim, ninguém estará em desvantagem.
George e Fred correram para o armário das vassouras, com Sirius os seguindo para abrir a porta, e Ayana correu atrás deles para poder escolher uma boa vassoura para si mesma. O Sr. Boot convidou os Grangers, Petúnia e Duda para subirem no camarote dos professores e assistirem ao jogo ao seu lado. Enquanto isso, Serafina conversava baixinho com Adam, que acenou negativamente, depois soltou a sua mão bruscamente e correu atrás do avô.
— Bem, como dividiremos os times? — Terry perguntou, olhando para Hermione, que fez uma careta e apontou para o camarote.
— Pode esquecer, eu não subirei nessa vassoura, muito menos para jogar quadribol. — Disse ela, e sua mãe se mostrou aliviada.
— Você poderia ser goleira. — Terry apontou e a amiga deu de ombros.
— Lamento, pessoal, mas eu realmente não estou interessada. — Ela respondeu, e foi se sentar ao lado dos pais.
— Somos dez, assim ficamos equilibrados. — Harry apontou, mas Denver acenou negativamente.
— Eu nunca joguei quadribol, Harry. Em Ilvermorny jogamos Quodpot, portanto, eu apenas assistirei lá de cima.
— O que é Quodpot? — Sussurrou Harry confuso, ao ver a auror subir as escadas.
— Bem, acho que seremos nove, então. — Disse Terry olhando para os gêmeos e Sirius, que vinham carregando as vassouras antes de lançar um olhar para Serafina. — Mamãe?
— Sinto muito, Terry, mas acho que também vou assistir. — Disse ela distraidamente, antes de deixar o campo.
— Bem, e agora? — Terry olhou para o pai e Harry.
— Temos três adultos, acho que podemos dividir um em cada time e o outro pode ser o goleiro dos dois times, assim usamos os aros de apenas um dos lados do campo. — Disse Falc, e Remus levantou a mão.
— Eu sou um goleiro razoável, poderia ficar no gol e defender para os dois times.
— Bom. — Falc disse olhando para o grupo. — Sirius e eu estaremos em times opostos, acho que os gêmeos também devem ser separados, isso equilibrará cada lado. Acho que cada menina pode ficar em um dos times também, e assim, sobram o Terry e o Harry, cada um de um lado. Certo?
Terry fez uma careta por não ficar no time do Harry, já prevendo que seu lado perderia com certeza.
— Ok, mas Ginny e Harry têm que ficar em times opostos ou não teremos chances. — Ele apontou, e Ginny sorriu maliciosamente.
— Separaram os times? — Sirius perguntou ao distribuir as vassouras. Atrás dele, um malão com as bolas do jogo vinha flutuando serenamente.
— Sim. — Terry disse, ajeitando o time em sua cabeça depois das condicionais. — Você, Fred, Ginny e eu. Papai, George, Harry e Ayana. E Remus será o goleiro dos dois times, jogaremos em apenas um dos lados do campo.
Houve acenos de concordância e Ayana pulou animada com a ideia de jogar no mesmo time com Harry e seu pai. George e Fred não gostaram de ficar em times separados, mas aceitaram com relutância para manter o equilíbrio.
— Bem, acho que teremos dois artilheiros, um batedor e um apanhador. — Sirius disse, olhando para as possibilidades oferecidas pelo número reduzido de jogadores.
— Eu voto em não soltarmos o pomo por agora. — Harry propôs. — Vamos manter três artilheiros e jogar por um tempo, uma hora, e depois a Sra. Serafina pode soltar o pomo e um dos artilheiros poderá buscá-lo.
— Boa ideia! — Ginny exclamou, pois gostava mais de ser artilheira, e poderia se divertir fazendo uns gols antes de ter que encontrar o pomo.
— Eu serei o batedor... — Sirius e Fred disseram ao mesmo tempo, depois se encararam com uma careta. — Eu sou sempre o batedor, cara, vocês já estão separando o meu irmão de mim, não vai querer me pôr de artilheiro também, poxa! — Fred fez um cara de cachorrinho e Sirius cedeu, mal-humorado.
Harry se juntou ao seu time em um canto para conversarem sobre estratégias e Falc assumiu o comando.
— Bem, Sirius foi batedor e, pela sua cara, não deve ser um grande artilheiro. — Ele disse, analisando a concorrência. — Terry é preciso e inteligente em suas jogadas, mas não muito rápido.
— Ginny compensará isso. — Harry disse na mesma hora. — Ela é muito rápida e hábil.
—Como você sabe disso? — George o encarou confuso, e Harry sorriu misterioso.
— Bem que você gostaria de saber, hum?
— E o Fred? — Falc disse ignorando a provocação.
— Ele é um batedor tão bom quanto eu, e ele não tem consciência, então podem esperar que o balaço venha com força. — Disse George, e Harry acrescentou.
— Pegamos o gêmeo bonzinho, Sr. Falc, mas o George é um batedor muito bom também.
— Ei! — George parecia indignado. — Eu não sou nada bonzinho!
Isso fez Ayana soltar um risinho e ganhar um olhar estreito do garoto ruivo.
— Bem, estaremos em desvantagem, pois Ayana nunca jogou quadribol mesmo sendo uma grande voadora, portanto, nada de ser bonzinho, George. — Falc disse, batendo em seu ombro em incentivo. — Como você se sai como artilheiro, Harry?
— Eu me viro bem, e o senhor? — Harry perguntou curioso.
— Fui artilheiro da Gryffindor em meu tempo e ganhei dois campeonatos. — Ele disse sorrindo. — Vamos vencer essa, time, mas precisamos de atenção e precisão, pois o Sirius conhecerá os pontos fracos do Remus como goleiro.
O time acenou e eles foram para o meio do campo. O outro time já os esperava, e Sirius soltou apenas um dos balaços, já que teriam menos batedores para controlar a bola assustadora. George e Fred voaram, se encarando com olhos estreitados, enquanto o pomo era enviado para a Sra. Serafina segurá-lo por uma hora. Depois, os outros voaram com suas vassouras e Remus jogou a goles para o alto antes de voar correndo para os aros.
Harry avaliou friamente os dois times enquanto Sirius e Falc disputavam a posse da goles. Os três artilheiros do outro time eram bem razoáveis, com Ginny se destacando pela rapidez e Sirius pelo tamanho. Mas o senhor Falc compensava com seu próprio tamanho e qualidade de artilheiro experiente, algo que Sirius não tinha, e foi por isso que ele ganhou a goles e eles foram para o primeiro ataque.
Harry e Terry não tinham experiência como artilheiros, mas eram grandes voadores, com o Harry se destacando por sua rapidez e ousadia. O ponto fraco, então, era Ayana, que desequilibrava o jogo a favor do outro time, já que Ginny era muito boa. Seus pensamentos logo buscaram uma solução para isso, e Harry se moveu escudando a irmã quando ela recebeu a goles de Falc.
Falc pediu a goles de volta mais à frente, mas Harry gritou incentivando.
— Vou te bloquear! Se desvia e lança! — Seu grito e presença bem à frente lhe espantou, mas Ayana era esperta e usou o corpo do Harry como escudo até chegar mais perto dos aros. Depois, sem hesitar, ela se desviou para baixo e lançou a goles no aro direito, ou esquerdo de Remus, tão baixo que quase não entrou.
— Gol! — Ayana berrou, e quase derrubou Harry ao pular nele em um abraço. — Eu fiz um gol! Mamãe! Meu primeiro gol!
Serafina batia palmas com um grande sorriso e assobiou em apoio. Os outros também batiam palmas, e o Sr. Boot estava tirando fotos. Falc veio até eles e abraçou a filha com força, George também apareceu e bateu em seu ombro.
— Boa jogada, Harry! Vou chamar de Bloqueio Potter! Nunca vi isso antes, caramba! — Ele disse com um sorriso brilhante.
— Foi uma grande jogada mesmo, e menos óbvia, Harry, pois estavam todos me marcando e não esperando a Ayana lançar ou você bloqueando ela. — Disse Falc, com um grande sorriso.
— Apenas pensei que devemos compensar a inexperiência da Ayana e desfazer a vantagem que eles têm. — Harry disse e Falc acenou, pois era uma boa ideia.
Remus pegou a goles e voltou a lançar para o alto. Desta vez, Ginny, rápida como um morteiro, se lançou, e, se desviando dos voadores dos dois times, pegou a goles. Foi tão rápido que Sirius demorou para perceber que o ataque era deles. No entanto, ele logo se lançou à frente e recebeu um passe de Ginny. Harry cercou o Terry, que tentou se desviar para receber à frente, e Sirius enganou a todos. Ao invés de lançar para Terry, ele lançou para Ginny bem lá na frente, a menina ruiva rapidamente alcançou a goles e, sem se deter, lançou para o aro esquerdo. Remus parecia mais atento, mas não foi suficiente rápido e ela marcou o gol.
Sua expressão de alegria arrancou um sorriso de Harry, que sentiu o coração se acelerar ao pensar em como ele ficava bonita assim, feliz, corada e voando destemida.
— O gol foi contra nós, Harry. — Falc disse divertido. — Tente disfarçar um pouquinho, filho.
Harry corou e correu para mais perto de George, pois teve uma nova ideia para uma jogada. O garoto arregalou os olhos ao ouvir, mas sorriu malicioso e concordou.
Quando a goles foi solta por Remus outra vez, Sirius deixou que Ginny usasse a sua rapidez para alcançá-la, mas Falc já estava esperando por isso e, usando sua experiência e grande altura, se posicionou muito bem e encaixou a goles quando virou o corpo. A finta fez Ginny ultrapassar Falc por uns seis metros, pois a sua velocidade extrema era difícil de desacelerar bruscamente.
Enquanto isso, Falc jogou a bola para Harry, que sem hesitar a deixou cair, disparando para os aros. Remus se posicionou, Terry o perseguiu de um lado e Ginny o alcançou pelo outro, mas ele apenas riu e mostrou as mãos.
— Não está comigo!
Os dois olharam na direção de Ayana e Falc, que se mostraram igualmente confusos, até que George passou com um foguete, gritando em diversão e segurando a goles embaixo do braço. O momento de confusão e surpresa foi o que Harry precisava para receber a goles de volta, pois George a deixou cair e Harry apenas lhe bateu com as cerdas da vassoura e a empurrou pelo aro central, pois Remus tinha saído para a esquerda pensando que George lançaria a goles ali.
Seu time gritou em comemoração e Sirius tentou protestar, mas mesmo Fred achou o lance incrível e cumprimentou o irmão. Ginny lançou um olhar estreito para Falc, ainda irritada com a facilidade com que ele a fintou.
— Quadribol não é só velocidade, Ginny. — Ele disse, em tom paternal. — Você é rápida, leve, e isso pode ser usado contra você, assim, lembre-se de usar bem a mente, sua vassoura e seu corpo em vários tipos de movimentos.
Ela acenou, e Ayana também parecia ouvir com atenção.
Depois disso, eles voltaram para o jogo, que foi exatamente como eles esperavam: equilibrado.
Cada time tinha seus pontos fortes e fracos, cada lado era esperto para explorar isso, e, claro, Remus se mostrou um péssimo goleiro. Harry riu das suas expressões surpresas e atarantadas a cada vez que um deles fazia uma manobra nova e impossível que os levavam a acertar o aro com sucesso. Ele era rápido, claro, mas parecia não ter uma malemolência própria de quem joga ou jogou quadribol, como alguém que não tem ritmo para dançar. Assim, Remus sempre parecia descoordenado, um segundo atrasado no ritmo da música que era o jogo entre os dois times.
Terry não tinha prática, mas o que o fazia lento era sua hesitação e pensamentos constantes. Fred mandou ele parar de pensar e apenas seguir os instintos, mas o garoto moreno de olhos inteligentes sempre parecia precisar de alguns segundos para tomar uma decisão.
Ayana era o oposto e jogava por instinto, mas a inexperiência a fazia tomar decisões erradas ou precipitadas às vezes. Isso era algo esperado, e Falc, entendendo a ideia do Harry, sempre tentava compensar suas desvantagens e passava montes de orientação, ideias e incentivo. Tanto Ayana como Ginny pareciam estar adorando aprender com ele, e Falc parecia muito feliz em ser uma espécie de professor/técnico de quadribol.
Sirius não era um bom artilheiro, mas compensava com experiência e ousadia, se jogando e malandramente provocando a todos, fintando ou girando piruetas como um maluco. Ele logo percebeu que Ginny era a melhor artilheira, e não se cansou de lhe lançar goles para que ela marcasse.
Mas, apesar da competitividade, tudo era diversão. Quem errava não ficava chateado, pois recebia apoio e conselhos dos dois lados. Quem acertava um grande passe, um lance ou um gol era comemorado por seu time, mas também recebia elogios do outro time, ainda que aumentasse a vontade de fazer melhor em cada um. Eles riram, gritaram e voaram tão velozmente que os trouxas no camarote só podiam acompanhar abismados ou encantados. Serafina explicou as regras e todos batiam palmas para os dois times a cada vez que faziam um gol.
Finalmente, depois de uma hora e mais de 40 gols, o pomo foi solto, e Ginny e Harry mudaram de posições, se tornando buscadores. O time do Harry tinha 210 pontos e o da Ginny 230, assim, quem pegasse o pomo levaria a vitória, e os dois sorriram um para o outro, divertidos e competitivos.
— Acho que teremos uma prévia do jogo final. — Harry disse, parando ao seu lado.
— Sim. — Ela disse, olhando em volta do campo e não para ele, seu olhar determinado mostrava como queria encontrar o pomo. — Eu estive treinando muito, mas você terá o verão para ficar ainda melhor, assim, minha melhor chance é esse ano.
— Você pode vir treinar sempre que quiser também. — Harry disse, e Ginny o encarou surpresa. — O quê? Acredita que não compartilharia minha casa com você?
— Você quer vencer. — Ela disse dando de ombros, e voltou sua atenção para o campo.
— Sim. — Harry disse simplesmente, e também olhou em volta.
— Então? — Ela disse em tom de pergunta.
— Então, que os dois são verdade. — Harry disse, e Ginny franziu o cenho, confusa.
— Que dois? — Harry sorriu, ainda sem olhar para ela, e esquadrinhou a grama lá embaixo.
— Eu quero vencer e quero compartilhar a minha casa com você. — Ele disse, e sorriu ainda mais com seu silêncio.
— Bem, então, quando você vir até Stone Waterfall, pode me chamar que virei também, se meus pais deixarem. — Ela disse, com voz sumida. — Isso deve ser um segredo? Sabe, para o seu time não saber que treinamos juntos?
— Claro que não. — Harry disse na mesma hora e a encarou nos olhos castanhos. — Eles têm que confiar em mim, assim como o seu time em você. Bem, isso é o que eu penso.
— Eu concordo. — Ginny disse, sorrindo aliviada.
Os dois ficaram em silêncio e assistiram Ayana fazer outro gol. Sem eles no time, Sirius e Falc pareciam se dividir em um embate pessoal, entremeados com incentivos aos dois irmãos. Ayana vibrava e gritava a cada lance, passe ou gol, Terry apenas sorria animado e surpreso, como se estivesse descobrindo o prazer de jogar quadribol.
Cada lado fez mais dois gols antes que o pomo cintilasse na visão de Harry e Ginny, que o viram ao mesmo tempo. Eles sorriram e mergulharam como só eles poderiam, em velocidade máxima em direção ao chão, aparentando para qualquer um que os assistia que nunca poderiam parar antes de se esborraçarem na grama verde e úmida. O vento frio foi ignorado, as exclamações desapareceram ao fundo e apenas o pomo existia, assim como o adversário. Com vassouras iguais, eles se mantiveram cabeça a cabeça durante toda a descida, mas, para Harry, voar era como respirar, assim como a sua conexão com a magia. Sabendo que só tinha uma chance, ele girou em um eixo parafuso que o impulsionou para frente, ao mesmo tempo em que Ginny, menos segura da vassoura estranha, inclinou a frente da vassoura alguns centímetros para cima. Sua intenção era planar rente à grama e se inclinar para pegar o pomo. Quando ela viu Harry à frente por uns 30 centímetros, também tentou parafusar sua descida, mas era tarde demais.
Harry soltou uma das mãos da vassoura e a estendeu para o pomo, que fugia rapidamente. Ginny o alcançou, estendeu a mão e, quando o Harry pegou o pomo, ela apertou a sua mão. Ainda no controle da vassoura, Harry a virou secamente para o alto em um parafuso mais lento, e Ginny planou para a frente, diminuindo a velocidade lentamente.
Seu time veio até ele e Harry viu os rostos pálidos de Falc e Sirius, que os encaravam assombrados.
— Eu tinha certeza que vocês se matariam, e eu teria que encarar o Arthur aqui e o James lá do outro lado! — Sirius disse chocado. — Isso foi brilhante!
— Brilhantemente louco, você quer dizer. — Falc disse, bagunçando os cabelos dos dois. — Não me deem mais ataques cardíacos como esse, por favor!
Os outros apenas lhes deram os parabéns. George e Fred estavam encantados com o talento da irmã e não paravam de dizer que ela tinha grandes chances de vencer o Harry em maio, no jogo final de Hogwarts. Quando se juntaram aos outros, Serafina e sua tia Petúnia, igualmente pálidas, apertaram seus ombros como se quisessem ter certeza de que estavam vivos.
— Não voltem a fazer isso! Nunca mais! — Petúnia disse, meio trêmula.
— E você, mocinha! Sua mãe sabe que você faz essas manobras loucas com a vassoura? — Serafina disse olhando para Ginny.
— Sim, senhora. — Mentiu ela inocentemente, e Harry percebeu o olhar incrédulo de Serafina.
Eles voltaram para a mansão conversando sobre os lances, inúmeros gols, as poucas defesas de Remus e o grande final.
— Ginny, eu já sabia que o Harry era imprudente na vassoura, agora você também! Eu terei cabelos brancos antes dos trinta, tenho certeza! — Hermione disse, enganchando um dos seus braços no braço esquerdo de Ginny. Com o outro, ela enganchou o direito de Ayana, que sorria animada por ser incluída na conversa das meninas mais velhas. — Você também foi incrível, Ayana! Aposto que será uma artilheira da Gryffindor um dia! Vocês poderão jogar juntas!
— Oh! Isso seria muito legal! Eu adoraria ser artilheira, é muito mais divertido do que ser buscadora. — Disse Ginny, enquanto caminhavam entre as árvores sem perceberem que o sorriso de Ayana vacilou um pouquinho.
Mais uma vez, aqueles que jogaram precisaram de um banho e roupas secas, pois tinham suado e se molhado durante o jogo devido a alguns pingos de chuva ocasionais. Enquanto isso, os outros se espalharam pela casa, olhando e conversando com os quadros, lendo livros, jogando xadrez e, no caso das mulheres, ajudando Dobby com a preparação do chá. A refeição foi posta na mesa de jantar – afinal, eles eram muitos e receberiam convidados – com muitos bolos, tortas, biscoitos, sucos, chocolate quente, chá e até café (em consideração a Denver, claro).
Harry recebeu Ian e Mac ao lado de Sirius na sala de estar, onde estava localizada a lareira com o flu. Junto com eles estava Savita Achari, a decoradora e dona da Designer & Home, a loja de decoração do Beco Diagonal e sócia da GER. Os três admiraram a imensa sala decorada com cores vivas e a parede de vidro que dava para o Jardim Encantado, que iluminava o ambiente e o tornava ainda mais especial.
Depois dos cumprimentos, Harry os levou para a sala de jantar onde a linda mesa tinha sido preparada. Ele se apressou em apresentar os convidados aos amigos e família e insistiu que tomassem o chá antes de conhecerem a casa.
— Se a casa for tão linda como a sala de estar e a de jantar, estou confusa sobre por que estou aqui. — Savita disse com um largo sorriso, ao preparar um chá cheiroso de jasmim para si mesma.
— O problema é que a mansão foi dividida entre a ala da família e a ala de hóspedes. — Harry disse, se servindo de um pedaço de bolo de canela e um chocolate quente. — E minha avó e bisavó não gostavam muito de receber hóspedes... bem, isso ficará claro quando vocês olharem os quartos separados para eles. — Brincou Harry, e todos riram. — Quando eu viver aqui, ou antes, quando vier passar um fim de semana com amigos e família, não quero que eles fiquem desconfortáveis, e eu não pretendo hospedar estranhos que não gostaria que se hospedassem por muito tempo, então...
— Entendi. — Savita disse acenando e se servindo de um pastel de Belém, que Harry tinha pedido para o Dobby aprender a fazer. — Imagino que você queira mais conforto e beleza, ou tem questões estruturais também?
— Espero que tenha, ou então não haveria por que nós estarmos aqui. — Mac disse brincalhão, e se serviu de uma enorme fatia de bolo de chocolate.
— Bem, o que acontece é que a Ala Norte, dos hóspedes, foi redimensionada para que uma parte do seu espaço se tornasse parte da ala dos empregados. — Harry disse e olhou para Sirius, que explicou:
— A bisavó do Harry, Geórgia, era casada com Henry Potter, membro da Suprema Corte, e eles recebiam muitos convidados para jantares, festas, bailes... — Sirius disse, servindo-se de chá e torta de banana flambada, enquanto Denver, ao seu lado, preferia café e um roll de canela saboroso. — Eles tinham muitos empregados, mas a área não era confortável, então ela fez uma reforma e construiu uma saleta e cozinha para eles, além de colocar pequenos banheiros individuais em cada quarto. Esse espaço extra saiu da ala dos hóspedes, pois, naquela época, a família já tinha diminuído muito e receber amigos era um pouco perigoso. Henry Potter fez alguns inimigos políticos, incluindo o próprio Ministro da Magia.
— Isso foi muito gentil da sua bisavó. — Ian disse suavemente. — No mundo trouxa, os espaços dos empregados são simples, desconfortáveis e pequenos.
— No mundo mágico é igual. — Sr. Boot disse. — Os puristas colocam seus elfos domésticos em armários escuros e apertados.
Hermione franziu o cenho com a ideia horrível e Harry lançou um olhar para Dobby, que comia um pedaço de torta de morango com expressão distraída e encantada. Sorrindo, ele desejou que todos os elfos pudessem ser livres para experimentar coisas novas e prazerosas.
— O que você está pensando em fazer nessa ala de hóspedes exatamente, Harry? — Mac perguntou objetivamente.
— Bem, além de mudar a decoração escura e antiga, quero colocar pequenas varandas, daquelas arredondadas, para que os hóspedes tenham mais contato com a floresta ou com o Jardim Encantado. — Harry explicou.
— São sacadas julietas. — Disse Mac sorrindo. — Ficará lindo, podemos trazer um pouco do ambiente de fora para dentro.
— Sim, isso. — Harry se animou. — É exatamente isso que eu quero, mais luz, ar e a sensação de que eles estão em uma casa de campo, não em um museu.
— Você tem um norte para a decoração? — Savita perguntou curiosa.
— Acho que a sala de estar e os ambientes pessoais dos meus avós devem ser a sua inspiração. — Harry disse lentamente. — Eu adoro aquela sala e o estúdio do meu avô, além do quarto deles e o dos meus pais, que também é de muito bom gosto.
— Realmente é. — Savita disse sincera. — Aquela sala é fenomenal, estaria estampando a capa de qualquer revista de decoração do mundo.
— Bem, minha avó tinha bom gosto, mas ela e meu avô disputavam um pouco a divisão do vermelho e verde, as cores das suas casas em Hogwarts. — Harry disse, e Ayana se engasgou.
— Sua avó era da Slytherin? — Ela parecia surpresa. Seus olhos azuis, iguais aos do pai, se arregalaram.
— Sim. — Harry sorriu, entendendo o seu interesse.
— Euphemia era a pessoa mais astuta e inteligente que já conheci. — Sirius disse e Remus concordou. — Com um grande coração, mas com olhos maliciosos e um espírito brincalhão.
— James puxou dela sua veia para as brincadeiras e malícia. — Sr. Boot disse, sorrindo saudoso. — Fleamont era sério e régio, como um rei, mas James e Euphemia colocavam fogo em qualquer ambiente.
Harry sorriu ao ouvir sobre eles e suspirou com um aperto no peito antes de continuar.
— Se você perceber, essa sala é mais vermelha e a cozinha é mais verde. — Ele explicou. — O quarto deles tem um pouco de tudo, o laboratório/estúdio do meu avô é a cara dele e assim por diante.
— Você quer manter isso? — Savita perguntou.
— Não. — Harry respondeu sincero. — Na verdade, o que eu quero é que você se inspire no que minha avó fez com tanto carinho, mas não se preocupe com as cores. Vermelha, verde, azul, amarela, branca, laranja, não me importa, Srta. Savita, pois não quero que isso sombreie a minha casa. Eu sou um Ravenclaw, mas também tenho partes de cada uma das outras casas dentro de mim e não quero trazer para o meu futuro lar essa rivalidade sem sentido, entende?
— Sim. — Ela sorriu, e os outros também pareciam impressionados. — Você está certo. Se estamos lutando contra os preconceitos às diferenças, isso deve começar por essa bobagem de que uma casa é melhor do que a outra.
— Eu concordo. — Remus disse suavemente. — A rivalidade no quadribol e a disputa pela Taça das Casas é uma coisa, mas isso extrapola para fora de Hogwarts, e por todos os lados vemos Hufflepuffs sendo menosprezados ou Slytherins sendo demonizados.
— Em Ilvermorny também temos casas diferentes, com qualidades distintas, e isso nos norteia em nosso amadurecimento, mas não nos define. — Denver disse, com o cenho franzido. — A impressão que tenho daqui é que ser um membro de uma das casas de Hogwarts o impede de ter qualidades ou agir igual as pessoas das outras casas.
Todos à mesa conversaram um pouco sobre o tema, emitindo suas opiniões, e os mais jovens perguntaram sobre as casas de Ilvermorny, que Denver explicou mais detalhadamente.
— Eu fui classificada na casa Pumaruna, que representa o corpo do bruxo e recebe os guerreiros, mas, desde o primeiro dia de aula, aprendi a respeitar a mente (Serpente Chifruda), o coração (Pukwudgie) e a alma (Pássaro-Trovão), pois somos todos compostos por essas quatro partes. Não podemos ser inteiros e completos se não tivermos em nós as características das outras casas, e não tem porque nos limitarmos e escolhermos ser menos. Meu professor dizia que, para ser um guerreiro de verdade, devemos acessar a nossa mente, encontrar a nossa alma, viver do nosso coração, para depois usar o nosso corpo.
— Uau... — Todos suspiraram com suas palavras.
— Uma pena que Hogwarts foi construída sob as crenças e rivalidades de Slytherin, que perduram até hoje. — Sr. Boot disse decepcionado. — Voldemort apenas transformou a casa em seu reduto pessoal, mas antes o lugar já era um poço de cobras puristas, infelizmente.
— Não tem por que não tentarmos mudar isso. — Serafina disse resoluta.
— Punições não resolverão nada, Serafina. — Sr. Boot disse. — Acredite, a não ser que expulse alguns alunos, nada mudará, e, mesmo aqueles que ficarem, apenas fingirão para não serem expulsos também.
— Sr. Boot, por um acaso o senhor é parente de Webster Boot? — Denver perguntou, ignorando o pequeno debate.
— Este seria um dos meus antepassados, hum... avô do meu bisavô, na verdade. — Respondeu ele pensativo.
— Oh! Ele é um dos fundadores de Ilvermorny! E ele criou a minha casa, a Pumaruna! — Denver exclamou sorridente, e, com as exclamações de espanto, a auror contou rapidamente a história da fundação de Ilvermorny e de Webster Boot. Sr. Boot já sabia algumas coisas, mas Terry, Ayana e Falc se mostraram chocados e animados.
— Talvez vocês é que deveriam abrir uma universidade, Ayana; claramente está no seu sangue. — Brincou Harry com uma piscadela, afinal, ela era neta e filha de professores, além de parente direta de Webster Boot.
Só mais tarde, Harry voltou a falar sobre a reforma.
— No momento, a ala dos hóspedes tem oito quartos e um único banheiro no corredor. — Harry disse.
— Um banheiro para oito quartos? — Fred disse, com seus olhos brilhando de falsa tristeza e choque. — George, já descobri tudo, papai e mamãe também esperam que não fiquemos hospedados por muito tempo, por isso temos um banheiro só para nove pessoas lá em casa!
Isso provocou gargalhadas divertidas por todos os lados.
— Bem, agora somos sete... Ora! Isso explica porque o Bill e o Charles se mudaram logo depois de se formarem! — George disse rindo.
Quando a mesa se aquietou, Harry explicou mais:
— Os quartos são pequenos, pois, como dissemos, uma parte do espaço foi redirecionada para a ala dos empregados. Eu quero que continue assim, mas ainda gostaria que os quartos fossem mais espaçosos e com um banheiro em cada um.
— Bem, poderemos aumentar magicamente os quartos, não dá para ampliar drasticamente, pois magias estruturais se movem com o tempo, principalmente em casas mágicas. — Mac disse objetivamente. — Ou poderemos diminuir o número de quartos, o que eu não recomendo.
— O que você recomenda? — Serafina perguntou.
— Bem, quando chegamos, eu observei pela imensa parede de vidro da sala de estar que a casa faz um U, com esse lindo jardim no meio. — Mac apontou para a porta de vidro da sala de jantar, que dava para o Jardim Encantado. — Estamos no térreo da perna Norte do U, que tem mais um andar e a torre quadrada onde fica a cozinha e, imagino, os aposentos dos empregados logo acima da cozinha? — Harry e Sirius acenaram. — Mas daqui posso ver que a perna Sul do U tem dois andares acima do térreo, assim, minha sugestão é aumentarmos um andar na Ala Norte. — Harry arregalou os olhos, e murmúrios impressionados se fizeram ouvir pela mesa. — Pense, Harry, você pretende receber apenas bons amigos e familiares, certo? Assim, com mais um andar, você aumenta a capacidade de hospedar e pode construir uma sala de convivência ou de jogos para que os mais jovens se entretenham.
— Isso é brilhante! — Ian se inclinou e lhe deu um beijo estalado sem o menor constrangimento. — Melhor arquiteto do mundo! — Mac corou pelo beijo e pelo elogio.
— Vocês são namorados? — Ayana perguntou, curiosa como sempre.
— Ayana! — Serafina a repreendeu. — Não seja curiosa!
— Está tudo bem, Serafina. — Ian disse sorrindo. — Estamos entre amigos, afinal. E nós somos casados, não apenas namorados, Ayana.
Ninguém na mesa pareceu se incomodar com a informação, ainda que arrancasse alguns olhares surpresos.
— Esse novo andar, Harry, você poderia tornar mais juvenil, estabelecendo como uma área para receber as crianças e adolescentes. — Savita disse positiva. — A sala de jogos seria uma ótima maneira de eles se entreterem e deixarem os pais em paz.
Isso fez os pais da mesa rirem e acenarem positivamente.
— Bem, acho uma ideia legal, e poderíamos fazer a sala de jogos/convivência na torre. — Harry disse empolgado. — Quer dizer, acima da ala dos empregados, e com um andar a mais que poderia ser um terraço ou mezanino de astronomia! Tem algo parecido no escritório do meu avô, sabe.
— Bom, eu terminei. Por que você não nos mostra essa sua linda casa e podemos ir conversando sobre o que mais você quer fazer no caminho? — Mac disse, ansioso por começar.
Harry, Sirius, Serafina e Petúnia acompanharam Ian, Mac e Savita pela visita. Eles estiveram em cada cômodo, com exceção do berçário construído por Euphemia e Fleamont para o Harry e a sala com o quadro de Salazar Slytherin. Savita pareceu impressionada com o bom gosto de sua avó, mas apontou um ou dois pontos que poderiam ser melhorados nesses ambientes.
— Estamos na década de 90, Harry, sua avó usou tantas cores porque o mundo da decoração as estava descobrindo nas décadas de 60 e 70, depois de um preto, branco, marrom e bege das décadas anteriores. — Ela explicou. — E você tem razão, seus avós distribuíram as cores verdes e vermelhas por toda a parte, mas são cores de extremo contraste, não harmoniosas. Isso torna cada ambiente bonito, mas carregado de informações. Podemos suavizar isso com tons sobre tons, sabe, verde mais claro, cinza esverdeado, vermelho caramelo ou roxo, talvez azul e cinza. As tendências minimalistas e naturais estão em alta, e podemos compor uma conversa com as decorações da sua avó, tornando tudo mais harmonioso.
— Eu gosto de azul e cinza. — Harry admitiu. — Gosto de dourado também, mais do que do vermelho.
— Boas escolhas! O dourado faz um contraste suave e luxuoso com quase tudo, mas ainda manteremos a simplicidade da sua avó, pois ela não recorre a objetos e tecidos caríssimos. — Savita disse impressionada. — É assim que conhecemos alguém rico: ele pode comprar o mais caro, mas compra o mais bonito, mesmo que seja o mais barato.
— Minha avó vem de uma família perdulária que foi à falência por gastar com luxos tolos. — Harry disse sorrindo. — Se você conhecesse Hallanon, ficaria chocada.
— Bem, então posso fazer essas pequenas mudanças nos outros cômodos, ou você prefere deixar como a sua avó fez? — Ela perguntou, fazendo anotações em seu bloco.
— Se forem pequenas mudanças, eu não me importo, só não quero mudar tudo porque eu não viverei aqui por muito tempo ainda, e, no futuro, minha esposa ou eu poderemos querer algo diferente. — Harry deu de ombros e seu olhar saiu pela janela do quarto na direção da floresta e do lago, lembrando de um passeio de vassoura especial. — Mas eu quero que mude a sala de jantar. Aquela mesa é maravilhosa e deve continuar, mas não gosto de todo aquele vermelho escuro. A cozinha quero que fique como está, por favor, é o meu espaço preferido. — Savita acenou. — Eu confio em você para decorar a ala dos hóspedes, o que já existe e o que será construído.
— E sobre a ala dos empregados? Acredito que precise de uma modernizada também? — Ela perguntou distraidamente enquanto anotava.
— Pode modernizar, mas deixe mais neutro, por favor. Se eu precisar de empregados, gostaria que eles decorassem aos seus gostos. — Harry disse. — Um dos quartos será do Dobby, assim, você pode se sentar com ele e perguntar o que ele quer. Não importa o que seja, quero que fique um verdadeiro lar para o meu amigo.
No térreo, na área da família ou a Ala Norte, Harry também explicou o que queria fazer.
— Quero desfazer esse escritório que não tem função, e seu espaço tornará possível aumentar a biblioteca. Gostaria que a galeria e a biblioteca ficassem lado a lado, com uma porta francesa branca as separando. — Harry apontou para a sala íntima. — A sala íntima passará para o segundo andar, e parte desse espaço será usado para construir uma saleta na biblioteca; a outra parte se tornará um banheiro. E... — Ele caminhou até a base da torre quadrada, onde havia um banheiro. — Aqui, faremos um escritório formal, para reuniões de negócios. E quero que haja uma lareira com flu, pois pretendo que os visitantes entrem por aqui, como uma espécie de antessala, antes de poderem acessar o resto da casa.
— Isso é inteligente, pois impede que os visitantes entrem diretamente na sala de estar. — Mac disse pensativamente. — Vocês têm um ponto de aparatação?
— Sim. — Sirius disse. — Fica lá fora, no jardim em frente à mansão. Nós direcionaremos as alas para a entrada de vocês e mais alguns poucos funcionários durante a reforma, mas terão que ser pessoas de confiança.
Os três acenaram e Mac pediu para ver a frente da casa. A beleza e imponência da mansão os encantaram, e Mac sugeriu a construção de uma varando em frente à porta dupla vermelha.
— Acredito que uma varanda combinaria, e o ponto de aparatação poderia ser nesta varanda e não no jardim, assim a família e os convidados chegariam em um ponto com cobertura. — Ele disse suavemente. — E podemos construir um vestíbulo que não leve diretamente à sala de estar.
— Como assim? — Harry perguntou confuso.
— Claramente, você está preocupado com a segurança e a privacidade. — Harry acenou. — Imagine que você está recebendo alguém para uma reunião de negócios e sua família está na sala, ou no jardim, e você quer levar a sua visita diretamente ao escritório. Ao abrir a porta, podemos não sair diretamente para a sala de estar como agora, podemos fazer um vestíbulo, antessala ou hall funcional, com um armário para chapéus e casacos e duas portas, uma que dê acesso à casa e outra que os leve diretamente ao escritório.
Harry acenou, entendendo e gostando da ideia.
— Mas isso criaria um corredor depois dessa porta, pois o escritório está a vários metros de distância. — Petúnia apontou com o cenho franzido.
— Não é preciso. Com magia, podemos criar uma ilusão, assim essa porta se ligará com o escritório, sem corredor ou paredes. A porta pode ser incorporada ou camuflada à parede, assim só a veremos quando ela for usada. — Mac explicou e acenou a varinha, conjurando uma porta. — Veja, construímos o hall com duas portas, uma será mágica e se ligará com o escritório, assim, ao passar por ela... — Mac passou pela porta e não saiu do outro lado. Todos arregalaram os olhos quando ele apareceu seis metros à frente, como se estivesse passando pela porta de lá. — Viram?
— Uau! — Harry disse, e Petúnia suspirou.
— Isso seria muito útil... — Ela disse impressionada.
— Podemos fazer esse encantamento provisoriamente? — Harry perguntou, explicando sobre o baile que dariam no Pavilhão e como queria que os convidados passassem pela porta da frente e fossem direto para o Pavilhão sem poderem acessar o resto da casa. Nem mesmo a sala de estar.
— Claro! Isso é mais do que possível. — Mac disse ao desaparecer a porta. — O encantamento é usado em construções mágicas, mas pode ser utilizado para vários outros fins. Encantaremos a porta e os convidados passarão do vestíbulo direto para o Pavilhão ou para o Jardim, se você pretende que ele faça parte do baile.
— Pensamos em fazer um corredor decorado até lá, com uma magia que impeça os convidados de se desviarem para o restante da casa. — Serafina disse. — Mas acredito que a porta seria ainda melhor, assim poderemos decorar o Jardim Encantado, e todos que passarem pelo vestíbulo entrarão diretamente no Jardim e depois no Pavilhão, que estará com todas as suas portas abertas.
— Podemos encantar as paredes de vidro da casa para que os convidados nem possam ver os cômodos internos. — Sirius acrescentou e Harry acenou, gostando de todas as ideias.
— Bem, acredito que vimos toda a mansão. — Mac disse, olhando em volta. — As Alas Norte e Sul, bem como todos os andares e cômodos onde você quer alguma mudança. Podemos conhecer o Pavilhão agora e esse lindo jardim? Estou encantado com o fato de que a magia preserve tão bem as flores, a grama e os arbustos.
— Realmente é lindo e parece muito poderoso. — Savita disse quando eles foram para o Jardim Encantado pela porta da sala de jantar, que estava vazia outra vez. Harry se perguntou para onde foi todo mundo. — Vocês renovaram as magias há pouco tempo?
— Bem, na verdade... — Harry olhou para Sirius, se perguntando se deveria contar, e ele acenou. — Minha trisavó, Laura Fleamont Potter, era uma mestra em Runas Antigas e estudiosa da Feitiçaria. Assim, ela criou uma maneira de preservar a primavera neste jardim para sempre. É chamado de Jardim Encantado.
Isso causou alguns instantes de silêncio e confusão em suas expressões.
— O quê? — Ian perguntou primeiro.
— Não sei como ela fez, pois está no meu Grimoire e não entendo de Runas para saber explicar com mais detalhes. — Harry disse. — Mas minha trisavó criou um encantamento rúnico que permitiu criar uma bolha nesta área, que inclui o Pavilhão e o jardim, que segue até o início do morro, lá na frente. — Ele apontou para a direção da cachoeira. — Neste lugar, a primavera está preservada para sempre, a estação nunca muda, o sol nunca desaparece e a temperatura nunca abaixa.
Os três olharam para o céu azul, como se só agora percebessem que era um céu diferente do carregado de nuvens cinzentas que viram há instantes em frente à mansão.
— Merlin... — Savita disse chocada. — Se você patentear e vender o encantamento, ficará bilionário.
Harry riu e corou um pouquinho ao pensar que já era bem mais do que bilionário.
— Eu até pensei nisso, mas é algo para o futuro, pois não tenho habilidades para patentear nada e o Grimoire não pode ser tocado por ninguém. — Harry deu de ombros, timidamente.
Os três caminharam pelo jardim e fizeram mais algumas perguntas, que Sirius pode responder melhor.
— O Pavilhão e o Jardim são perfeitos. — Mac disse suavemente. — Mais alguma reforma ou mudança que está planejando, Harry?
— Tem mais duas coisas. — Ele respondeu, e apontou para o escritório do seu avô.
— Mas esse escritório é perfeito. — Ian olhou em volta, admirado.
— Eu também acho, mas queria que vissem como é o mezanino onde fica o telescópio de Astronomia. — Harry disse. Sirius subiu rapidamente as escadas e abriu o telhado, ao mesmo tempo em que a plataforma de madeira se deslocava para cima até ficar completamente suspensa no espaço acima da torre.
Ian e Mac riram impressionados, e Savita fez algumas anotações.
— Isso é brilhante! — Ela sussurrou. — Desculpem, estou decorando uma casa em Edimburgo e essa é uma ótima opção para a família.
— Pensei em lhes mostrar, assim podemos fazer algo parecido no topo da outra torre, onde ficará a sala de convivência do novo andar. — Ele sugeriu e viu Mac, que era o arquiteto, ficar pensativo.
— Como a ideia é que aquele andar e a sala de estar sejam para crianças e adolescentes, sugiro fazermos apenas um terraço com poltronas, puffs, um ou dois telescópios e um parapeito seguro. — Ele disse, e os adultos acenaram. Harry deu de ombros ao pensar que um terraço com parapeito seguro ainda era muito legal.
— Ok. Bem, por último... — Harry apontou para as grandes janelas abertas do escritório, por onde eles viam a floresta Stone Waterfall e o lago. — Eu quero construir um chalé lá embaixo, próximo ao lago. Usaremos como uma cabana para quando formos pescar ou patinar, mas, no futuro, será o chalé do filho mais velho.
— Interessante. — Mac, com a mente se enchendo de ideias, contemplou o lindo lago. — Você tem uma ideia do que quer, exatamente?
— Não. — Harry respondeu sincero. — Apenas quero que seja confortável, bonito, se mescle com a floresta e valorize a vista do lago. Além disso, quero que siga o padrão da mansão Stone Waterfall, pois espero que seja como uma extensão dela, como um lar ao lado do lar.
— Bem, parece-me que você sabe exatamente o que quer. — Mac disse, em tom divertido e carinhoso. — Eu entendi, e prometo lhe enviar alguns projetos em breve; podemos conversar com calma até encontrarmos o melhor. Agora, preciso ir até lá olhar o terreno para me inspirar e fazer algumas medições.
Harry foi liberado dessa parte da visita e se despediu dos três visitantes, antes que Sirius os acompanhasse até o lago. Denver decidiu ir com ele, pois disse que uma caminhada pela floresta queimaria as calorias de todas as deliciosas comidas servidas na mansão.
Encontrando o pessoal espalhado pela sala, Harry pediu que todos se reunissem na sala de jantar, pois ele precisava mostra uma coisa especial.
— Outra surpresa, Harry? — Ayana perguntou excitadamente.
— Sim. — Ele sorriu do seu jeito misterioso.
— Não quer esperar o Sirius? — Terry franziu o cenho, preocupado.
— Ele já sabe. — Ele suspirou e ficou mais sério. — Eu voltei à câmara secreta depois que tudo aconteceu, pois queria investigar se Voldemort poderia ter deixado algo importante para trás. — Ele não gostava de mentir, mas procurar por uma horcrux era a melhor desculpa que poderia usar sem ser a verdade. Todos acenaram em entendimento, menos Fred e George, que não sabiam detalhes sobre as horcrux. Jean e Norton olharam para a filha e apertaram seu ombro, Harry sabia que a amiga decidira contar tudo aos pais, sem esconder o que eles enfrentariam na guerra. Ginny arregalou os olhos levemente, engoliu em seco e torceu as mãos, mas Harry não deteve seu olhar sobre ela para não atrair atenções à sua angústia.
— Você encontrou algo? — Sr. Boot parecia intrigado.
— Sim. Não o que eu esperava, e ainda muito mais do que eu esperava. — Ele voltou a sorrir. — Dobby trouxe tudo para cá, e, com ajuda do Sirius, ele organizou os objetos nesta sala.
— Espera... — Hermione arregalou os olhos. — Você encontrou algum objeto deixado por Salazar Slytherin ou Voldemort?
— Mais do que isso, e acredito que tudo pertenceu ao Slytherin. — Harry sorriu mais amplamente. — Encontrei alguns livros, armas, escudos e estatuetas, e até um quadro antigo.
— Quadro de quê? — Remus arregalou os olhos e prendeu a respiração ao imaginar.
— Venham. — Harry abriu a porta, e a Sala de Guerra, com dezenas de espadas, machados, lanças, arcos e adagas enfeitadas com pedras de jade, esmeraldas e diamantes em seus cabos ficou bem visível. Os escudos tinham o emblema de Slytherin, assim como a tapeçaria imensa de veludo verde com bordados em prata.
Todos olharam absolutamente abismados para tanta beleza e riqueza que tinham sido penduradas na grande sala. Agora sem a mesa de jogos, o espaço mais parecia um pequeno museu de guerra, e, centralizado em uma das paredes, um único quadro se destacava. O homem alto e bonito, olhos azuis impressionantes, com feições simétricas e arrogantes, se sentava em sua cadeira de espaldar alto como um rei. Ele encarava os visitantes com ar de enfado e desinteresse, parecendo muito ocupado para lhes dar atenção ou que se dispunha a fazê-lo por obrigação.
— Pessoal, esse é Salazar Slytherin. — Harry disse, e todos os bruxos presentes ficaram boquiabertos por alguns segundos.
— Eles são dementes? Não sabem falar? — Slytherin se inclinou curioso, como se esperasse ver algum tipo de espetáculo singular.
Suas palavras destravaram a todos, que começaram a falar ao mesmo tempo, e o som alto fez Slytherin se recostar aborrecido.
— Um de cada vez, senhores, ou me deixarão surdo! — Ele disse, mordaz, e Harry lhe lançou um olhar chateado.
— Você é só um quadro, Sal, não pode ficar surdo, então seja mais gentil. — Ele disse, e todos o encararam, espantados com sua intimidade com o quadro de Slytherin.
— Já lhe disse para não me chamar assim, pirralho mal-educado. — Ele disse com expressão escura. — Ao menos pretende apresentar os seus convidados? Ou me deixará sem saber como me dirigir a eles?
Harry fez as apresentações e Slytherin pareceu muito confuso quando olhou para Jean, Norton, Petúnia e Duda, mesmo Hermione ganhou um olhar surpreso.
— Você tem certeza de que eles são de linhagem Comum? — Ele perguntou espantado. — Me parecem limpos, articulados e até muito bem-educados para serem... Ah! Imagino que sejam nobres! Claro! Os nobres Comuns têm um pouco mais de educação, ainda que também não sejam muito limpos.
— Oh! — Hermione arregalou os olhos ao perceber um dos motivos pelos quais Salazar não tinha os trouxas em alta conta. — Imagino que, na Idade Média, o senhor encontrou o mundo trouxa extremamente restritivo, primitivo e... sujo.
— Idade Média? — Ele pareceu não compreender o termo. — Não sei o que quer dizer, mas, enquanto estava vivo, os Comuns, ou seres não-bruxos, viviam se matando em disputas absurdas, invadindo reinos, escravizando povos, guerreando para conquistarem mais terras, escravos ou poder, e os povos mais humildes viviam morrendo de doenças que se alastravam por falta de higiene, não sabiam ler, escrever, tomar banho, cuidar dos dentes ou falar com civilidade.
— Por isso que o senhor odiava os trouxas? E nos queria mortos? — Norton perguntou com expressão séria.
— Mortos? Por que eu os quereria mortos, meu jovem? Por acaso pareço algum genocida? — Slytherin se mostrou ofendido.
— Não compreendo. — Hermione olhava como se tivesse encontrado o santo graal. — O senhor não queria os bruxos nascidos trouxas fora de Hogwarts?
Slytherin olhou para Harry e suspirou.
— Seus antepassados me contaram sobre o Ministério da Magia e um pouco sobre a minha reputação ao longo desses séculos. Suponho que devo me explicar.
— Isso seria muito bom da sua parte. — Harry disse, e sugeriu que todos se sentassem. Remus e Serafina conjuraram cadeiras.
— Bem, Hogwarts era a minha vida. — Ele começou em tom solene. — Eu tive esposa e filhos, mas eles pouco me interessavam perto da grandiosidade do feito que era a construção da maior escola mágica do mundo. — Seu tom era soberbo e meio obsessivo, e ninguém pareceu gostar de saber que ele não foi um bom pai e marido. — Minha amizade com Rowena, Helga e Gryffindor era apenas algo que tornava a minha vida mais especial, pois não haviam bruxos e bruxas mais talentosos. Então, Hogwarts se tornou real para todos nós e os problemas surgiram, como deveríamos ter previsto, pois era tolice acreditar que o mais difícil seria a construção do castelo. Todos nós nos esforçamos para superar os desafios, pois sabíamos que Hogwarts era mais importante do que nós quatro. Um dia morreríamos e viraríamos pó, mas Hogwarts viveria para sempre, e era através dela que ficaríamos vivos na história do mundo mágico. — Sua voz era eloquente e contava muito bem a história, apesar da arrogância. — Mas um problema se tornou insuperável. Os Originem Ducentes eram impossíveis de controlar.
— Originários? — Serafina perguntou, ao reconhecer o termo em latim.
— E por que você queria controlá-los? — Hermione perguntou incisiva, e Slytherin estreitou os olhos.
— Sem interrupções! Como poderei contar a verdade com tantas perguntas? — Todos se aquietaram depois da bronca, pois se sentiram como alunos sendo repreendido pelo professor.
— Originem Ducentes era o termo usado para definir as crianças com magia que nasciam de pais Communia. — Slytherin disse em tom professoral. — Eu costumava chamá-los de Ordinarius, pois eram comuns e vulgares ao mesmo tempo. O termo Originem Ducentes significa Originários, como bem traduzido, mas, com o tempo, eles também passaram a ser chamados de Descendants ou Descendentes, pois era óbvio que aquelas crianças eram descendentes de bruxos e bruxas originais que se procriaram com os Comuns. — Todos acenaram, pois concordavam com essa teoria. — Os altos elfos os chamavam de Almas Despertas ou Awakened Animarum, pois era como se a magia despertasse em suas almas. A cada Descendente descoberto, nosso mundo se alegrava, pois parecia que a Deusa nos presenteava com mais magia e bruxos talentosos. Era como se florescêssemos por todos os lados e cantos da ilha dos bretões, da ilha dos irlandeses e das montanhas dos escoceses. — Seu olhar ficou triste. — No entanto, o mundo dos Comuns mudava a cada sopro do vento, e parecia que eles queriam que todos fossem tão ordinários quanto eles. Se alguém se sobressaísse por talentos ou beleza, era temido, evitado, ignorado ou perseguido, pois a igreja dos Comuns decidiu que a magia era um dom do diabo. Claro que não eram em todos os lugares. — Slytherin acrescentou. — No interior e pequenas vilas montanhosas, essas tolices não chegaram por séculos, e a igreja pouco tinha poder sobre a vida simples das pessoas. Era nesses lugares que a maioria dos bruxos vivia, em vilas ou vilarejos isolados, em propriedades perdidas em florestas e montanhas quase inacessíveis. Alguns se arriscavam em portos ou cidades com comércio, mas não muitos, e assim vivíamos bem. Por muitos séculos, os Descendentes eram encontrados aleatoriamente por um bruxo e ensinados a arte da magia. Depois da fundação de Hogwarts, se abriram portas invisíveis de conhecimentos, poder e amizade. Incrivelmente, nós nos descobrimos, Bruxos e Descendentes, em número maior do que pensávamos que existíamos e nos tornamos mais unidos. Como queríamos florescer, criamos uma equipe para encontrar mais dos Descendentes, e eles chegavam aos montes e montes a cada ano. — Slytherin sorriu com a lembrança. — De todas as idades, ansiosos por encontrarem um lugar em que não se sentissem como estranhos ou eram perseguidos, apenas querendo aprender e fazer parte. Eu era o mais impaciente com suas maneiras, sujeira, ignorância e mentes rasas, mas eles queriam aprender, tinham magia e aquela era uma escola de magia. Alguns se mostravam talentosos, outros tão dedicados que, em poucos anos, não se encontrava neles nada da vida miserável de outrora. — Ele suspirou. — Mas, como eu disse, os Comuns não gostavam dos diferentes e, naquele ponto, era proibido acreditar que bruxos existiam. Leis e decretos foram afirmados por reis e papas que proibiam a perseguição ou a execução de qualquer um que se supunha ser um bruxo ou bruxa, pois era óbvio que eles não existiam. — Aqueles que conheciam História acenaram, pois sabiam que as perseguições e execuções de bruxas só começaram no século XV e se intensificaram no século XVI, período em que o Estatuto de Sigilo foi criado.
— Essa decisão não seria positiva? — Terry perguntou suavemente, e Slytherin não pareceu chateado.
— Os bruxos adultos de verdade nunca eram pegos pelos perseguidores; mesmo sem uma varinha, era possível fugir. — Ele acenou como se isso fosse óbvio. — Infelizmente, as maiores vítimas dessas perseguições abomináveis eram outros Comuns com alguma peculiaridade ou as crianças Descendentes que não tinham controle sobre a sua magia. Era raro, mas às vezes ouvíamos sobre um bruxo ou bruxa adulto que tinha sido emboscado sem uma varinha e acabou preso, torturado e morto. Isso nos fazia ainda mais unidos e decididos a viver em lugares pouco habitados. O problema é que esses decretos se espalharam como verdade absoluta por muitos lugares e criaram um problema para nós, pois, quando explicávamos para os pais que seus filhos eram bruxos e que aprenderiam magia em uma escola, eles riam em nossa cara, se recusavam a acreditar ou nos atacavam por medo. Então, usávamos magia, comprovávamos a verdade e alguns entravam em pânico, diziam que éramos filhos do diabo e que os enfeitiçaríamos! Alguns nos ameaçavam, outros apenas temiam serem presos, pois era crime afirmar que bruxos existiam e a pena era a decapitação. Imagine então o medo que sentiam com a ideia de enviarem seu filho para aprender magia em uma escola de magia! — Todos arregalaram os olhos e empalideceram. — Mas isso não foi o pior. Alguns pais religiosos extremos, que acreditavam nessas bobagens sobre o diabo e outras tolices, matavam seus filhos para libertá-los do espírito maligno. — Slytherin falou em tom de deboche pelos trouxas (ou Comuns) e suas crenças absurdas, mas era possível ver seu olhar enfurecido. Na sala, todos ficaram ainda mais pálidos e chocados. — Outros os levavam até padres, que matavam as crianças em exorcismos ou torturas horrendas. Jejum, chicotadas, gaiolas, fogo, água, o que vocês puderem imaginar.
— Merlin... — Sussurrou Falc, e olhou para Adam e Ayana, que ouviam aterrorizados, mas Slytherin não percebeu, concentrado no passado.
— Quando percebemos o que estava acontecendo, havia pouco o que podíamos fazer, mas tínhamos que fazer alguma coisa. — Ele disse. — Em minha opinião, não deveríamos trazê-los para nós, e sim deixar os Descendentes viverem em meio às suas famílias. Estava claro para mim que era uma questão de tempo até que os ventos mudassem outra vez e os Ordinários decidissem que existíamos sim e que deveríamos ser perseguidos e mortos. Insisti que deveríamos nos separar completamente do mundo comum e nos manter distantes dos Communia, mesmo os mais inofensivos que, em sua ignorância e inconstância, poderiam se tornar nossos algozes com a rapidez de um pensamento. — Ele deu de ombros. — Mas a ideia de abandonar todos aqueles jovens bruxos, com tanto potencial, à mercê de um mundo tão cruel era inconcebível para Rowena, que insistiu que a solução era tirarmos os Descendentes do mundo comum e os criamos em nosso mundo. Helga disse que deveríamos observar caso a caso, sem decidir igualmente sobre todos, pois ela acreditava que haveriam pais ou familiares que não reagiriam daquela maneira horrível. Gryffindor queria apenas enfeitiçar os Comuns, fazê-los esquecer das crianças ou esquecer de temer a magia, mas essa solução poderia criar mais e mais problemas no futuro. Imagine, gerações e mais gerações de bruxos vendo seus pais Comuns serem enfeitiçados por nós, quando os ensinávamos na escola que a magia não deveria ser tratada levianamente ou contra os Comuns?
Todos acenaram entendendo o dilema, pois era claro que todas as possíveis ideias tinham prós e contras.
— Na época, não tínhamos um Ministério ou Ministro e cabia a nós a decisão, assim optamos pela conjunção das ideias da Helga e Rowena. Observávamos caso a caso e tirávamos as crianças que estavam em situação de risco. — Mais acenos, pois isso não era diferente do que aconteceria hoje no sistema social que protegia as crianças vítimas de abuso. — No entanto, eu percebi que isso não duraria para sempre, pois tinha certeza que, cedo ou tarde, estaríamos em grandes riscos em meio ao mundo dos Comuns. Eu insisti em dezenas de reuniões que precisávamos criar maneiras de nos separarmos e nos escondermos dos Comuns, ou pelo menos esconder a existência da magia. Mas, depois das nossas resoluções iniciais, as coisas se acalmaram e vivíamos em relativa paz por décadas. — Slytherin suspirou. — Como sou um guerreiro, decidi me antecipar e me preparar para o que viria, ou aos meus descendentes, pois sabia que meus herdeiros acabariam por viverem em uma época de perseguição. Criei a câmara secreta, Freya e deixei anotações com ideias de como poderíamos nos proteger e à nossa existência. Eu tinha certeza de que, um dia, o meu verdadeiro herdeiro, que falaria a língua das cobras, poderia usar as minhas brilhantes ideias e a Freya para criar um mundo separado dos comuns. Claro, Freya seria usada apenas no caso de os Comuns formarem um exército contra a nossa Hogwarts, pois protegê-la era fundamental.
— Mas você foi descoberto. —Harry disse suavemente.
— Sim. Eles ignoraram os meus argumentos e medos, insistiram que eu deveria lhes mostrar a câmara e destruir qualquer monstro que eu tivesse criado. — Slytherin ergueu o queixo com orgulho. — Como me recusei, eles se uniram e me expulsaram do meu lar.
Houve um silêncio estranho depois do seu relato, e todos se entreolharam chocados ao perceberem que Slytherin nunca quis destruir ou afastar os nascidos trouxas, ou Descendentes, de Hogwarts. Ele apenas queria protegê-los, mesmo que, para isso, tivesse que abrir mão deles e seus talentos. Também a câmara e Freya não tinham a intenção de matar trouxas ou nascidos trouxas, e sim de defender Hogwarts de um possível exército trouxa de inquisidores e caçadores de bruxos.
— Imagine a minha surpresa quando o seu antepassado, Ralston Potter, me contou que os bruxos se uniram séculos depois da minha morte e criaram basicamente o que eu propusera! — Slytherin parecia indignado. — Eu não chamei de Ministério, e sim de Conselho, que seria formado por cinco bruxos; um número ímpar é melhor para as votações, acreditem. — Ele disse acidamente. — E esse Conselho dos Cinco imporia a lei do segredo, onde se tornaria proibido para todos os bruxos fazer magia ou falar abertamente sobre magia na frente dos Comuns. Eu até tive a brilhante ideia de que casamentos com Comuns seriam proibidos, assim, ao longo das gerações seguintes, não haveriam mais Descendentes.
Essa ideia não agradou ninguém, e isso ficou claro em suas expressões.
— Ah! Vocês são como Gryffindor! — Slytherin disse meio despeitado. — Ele era o grande defensor da liberdade de escolha! Proibir o ir e vir ou com quem cada um se casaria era uma crueldade, pois dizia que o ser humano não nasceu para ser controlado ou censurado. Hugpf... mas isso não impediu os Comuns de perseguirem os bruxos e bruxas por séculos, não é? E, no fim, a minha ideia foi colocada em prática às pressas para poder proteger o nosso mundo. — Ele deu de ombros, parecendo decepcionado. — Uma pena que também não proibiram os casamentos, isso tornaria nosso mundo mais seguro e limpo, pois os Comuns sempre desprezaram as mínimas noções de higiene.
— O mundo mudou muito desde o seu tempo, Sr. Slytherin, e afirmo que nossas noções de higiene evoluíram drasticamente. — Jean disse objetiva. — Além disso, posso lhe garantir que nós, os Comuns, como você chama, não somos nada comuns. — Ela sorriu e tocou o rosto da filha. — Na verdade, nós somos extraordinários! E por isso podemos criar lindas crianças como minha menina, que abrilhanta o seu mundo com seus talentos mágicos ou não mágicos. Por isso inventamos remédios para doenças terríveis, maneiras de comunicação revolucionárias... Nós viajamos para o espaço! Pisamos na lua! — Ela suspirou. — Também somos tolos e cruéis, capazes de grandes desumanidades, mas assim são todos os seres humanos, bruxos ou não bruxos. Seu descendente matou centenas de pessoas, incluindo crianças, porque acreditou que era superior e que os sem magia, ou Descendentes, deveriam ser escravizados ou mortos. O problema em seu mundo antigo ou no presente nunca foi a mistura entre raças, e sim a arrogância de pessoas que se sentem no direito de machucar inocentes. O mundo mudou, Sr. Slytherin, os dois mundos, mas a base dessa mudança foi a liberdade, a fraternidade, a igualdade e a educação. Há mil anos, o seu papel como professor deveria ter sido o de ensinar cada pessoa que cruzasse o seu caminho, incansavelmente, além de ensinar outros a ensinar outros e mais outros, com paciência, perseverança e amor, nunca com violência.
Quando Jean terminou o seu discurso, o silêncio envolveu a sala. Todos a olhavam impressionados, até mesmo Slytherin (que tentou disfarçar), e Hermione e seu pai pareciam muito orgulhosos.
— Bem... — Slytherin disse pensativo. — Eu não sei todos os acontecimentos e mudanças ocorridas nas últimas décadas, mas, pelo que os quadros dos Potter antigos me disseram, nosso mundo está seguro desde que o Estatuto de Sigilo foi implementado. Felizmente, magias e um sistema foram criados para impedir que sejamos descobertos, pois sei que, não importa o quão extraordinário vocês acreditem que os Comuns sejam: se descobrissem sobre a nossa existência, os bruxos estariam em grande perigo. — Ele deu de ombros. — Não compreendo o que o meu herdeiro, Tom, queria com essa guerra tola e essa perseguição aos Comuns e aos Descendentes. Pelo que Potter me disse, Tom é um mestiço e cresceu no mundo Comum. Não faz o menor sentido que ele tentasse destruir tantas vidas, então me questiono sobre o porquê de suas ações. — Seu olhar passeou pela sala e ele se sentou outra vez em seu "trono". — Alguém entre vocês poderia me explicar? — Apesar do pedido, o tom era de ordem.
— Claro, será um prazer. — Sr. Boot disse. Remus e Serafina acenaram.
Entre os três, Slytherin soube como as famílias antigas e puras deturparam seu desejo de separar os mundos.
— Mas eu não queria limpar o sangue mágico e torná-lo puro! — Ele disse indignado. — Minha intenção era separar os mundos para a nossa proteção! Casar com um Comum não é como se casar com animais, porque os Comuns não são animais, apenas são tão sujos quanto eles! Como assim, sangue sujo!? Eu estou falando de sujeira corporal, não de sangue! Como um sangue pode ser sujo, ora!? — Quanto mais ouvia, mais chocado e furioso Slytherin ficava. — Caça aos Comuns? Merlin! O que esses insanos fizeram!? Eles agiram com os Comuns como eu temia que os Comuns agissem com os bruxos! Isso é um absurdo! Se o Estatuto de Sigilo mantém o sigilo, impedir que os Descendentes frequentem Hogwarts não tem sentido! Precisamos dos Descendentes para que nosso mundo cresça com mais talentos e magias! — Então, o Sr. Boot falou sobre Grindelwald. — O quê!? E esse louco teve seguidores!? Nos mostrar aos Comuns é exatamente o que nunca poderemos fazer! Escravizar os Comuns! Campos de Concentração! Acampamentos dos Lobisomens! — Slytherin estava apoplético. — Os Comuns são inferiores, pois não têm a erudição, conhecimento e magia, ou sabem tomar banho! Mas eles são seres humanos, e conheci muitos com a capacidade de aprender. Eles não são todos bestas selvagens! Nem mesmo animais devem ser escravizados, imagine humanos! — Então, eles chegaram à parte sobre Voldemort. — Espere... eu não compreendo. As famílias antigas que lutaram tão ferozmente para se manterem puras se ajoelharam e serviram a um mestre com sangue dos Comuns? E exatamente o que Tom queria?
— Poder. — Harry respondeu e, talvez, entre todos ali, era quem melhor o conhecia. — E as famílias também queriam poder. Não sabemos muito sobre a infância do Riddle, mas sabemos que ele cresceu em um orfanato, sua mãe morreu em seu nascimento e seu pai os abandonou. Ele odiava o lugar onde cresceu, chamou de inferno e machucou magicamente as outras crianças que lá viviam. Desde pequeno, ele usava magia intencionalmente, não acidentalmente, e se acreditava diferente, especial. Quando se descobriu um bruxo, Riddle entendeu que era isso que o tornava especial e superior aos trouxas com quem vivera até então. — Harry explanou sobre a cronologia dos eventos dos quais tinham conhecimento. — Então, ele buscou incansavelmente descobrir quem eram seus pais, pois sabia que era um mestiço. Sua certeza de que sua mãe era trouxa se baseava no fato de que um bruxo superior e poderoso não morreria em um simples parto, então ela deveria ser uma trouxa fraca, mas ele acabou descobrindo que seu pai era sem magia. Depois de passar anos obcecado por sua linhagem, Riddle descobriu que era herdeiro de Salazar Slytherin, encontrou a câmara, a basilisco e você, que lhe contou sobre as horcrux quando ele perguntou sobre uma maneira de se tornar imortal. — Isso provocou exclamações de espanto, e Slytherin empalideceu. — Sua obsessão mudou, ele já sabia que era de uma família importante, herdeiro de um bruxo poderoso, só lhe restava limpar a sua linhagem vergonhosa e alcançar o que poucos bruxos alcançaram: a imortalidade. Então, Riddle matou o pai e os avós trouxas, fez sua primeira ou talvez, segunda horcrux e, em algum momento (ou sempre planejou isso), decidiu que não queria apenas ser o bruxo mais poderoso, ele também queria controlar todos os outros bruxos. Ele me disse que escolheu um novo nome, Voldemort, porque não poderia ter um nome trouxa comum, não quando ele seria reverenciado como o maior bruxo que já existiu. Disse que queria que seu nome provocasse medo nos corações de todos os bruxos e bruxas do nosso mundo, e acredito que lhe dava prazer ter as famílias puras como servos que obedeceriam às suas ordens cegamente e o temeriam. Poder, ele queria controle e poder absoluto sobre todos, além de limpar o mundo mágico dos Descendentes. Não sei se pensou em escravizar os trouxas, como propôs Grindelwald; acredito que, por sua crueldade, matar todos eles combinaria mais com Riddle. — Harry suspirou. — Sobre as famílias, acho que a maioria acreditou em seu discurso purista, na causa justa de tornar o mundo mágico dos bruxos limpo de invasores imundos. Eles o viam como um meio para um fim, aquele com poder para conduzi-los nessa limpeza, e, por isso, e também por temor ao seu poder, todos o serviram e seguiram cegamente.
Slytherin mantinha a cabeça entre as mãos, como se não aguentasse mais ouvir tantas coisas terríveis. Como a história tinha distorcido suas palavras dessa maneira? Como seu orgulho criou um mundo tão terrível? Se ao menos ele tivesse aceitado o pedido de Rowena...
— Se lamenta o que aconteceu nesses mil anos, talvez concorde em nos ajudar. — Harry disse suavemente.
— Eu estou morto, Potter, dificilmente um quadro pode fazer qualquer coisa sobre... qualquer coisa. — Ele parecia derrotado.
— E se eu lhe disser que tenho um plano? — Harry sorriu e ignorou os olhares de todos em cima dele. Sirius e Denver tinham retornado, mas seu padrinho também não sabia de suas ideias, afinal, elas dependiam da reação de Slytherin à verdade sobre Voldemort.
— Plano? — O homem no quadro o encarou como se ele fosse pouco inteligente, enquanto, na sala, alguns sorriram ou gemeram, pois sabiam que seus planos eram sempre... bem, meio insanos.
— Sim. Quero que se torne meu espião, Slytherin. — Harry disse sorrindo. — Você não pode morrer, assim, é o espião perfeito e acima de qualquer suspeita porque, bem, você é Salazar Slytherin.
— Isso é brilhante! — Sirius exclamou, mas todos os outros ainda estavam confusos.
— O senhor me disse que tem um outro quadro, que foi perdido em algum lugar no passado. — Harry o lembrou com um sorriso.
— Sim... bem, talvez tenha sido destruído ou se perdido para sempre. Quando adoeci, eu o entreguei ao meu grande amigo, Canis Black, e, ao morrer, despertei no quadro mágico criado por Hogwarts. — Slytherin explicou. — Eu fiz um quadro novo, pois não sabia se Hogwarts me daria essa honra depois da minha expulsão.
— Obviamente, a magia de Hogwarts sabia que suas intenções não eram más e terríveis como os outros fundadores acreditaram. — Harry disse. — Tudo foi um mal-entendido, e, por isso, o senhor, como um dos diretores de Hogwarts, teve direito ao seu quadro. Agora, como lhe disse, meu padrinho é Sirius Black, descendente de Canis Black, e ele encontrou o seu quadro em seu cofre, no Gringotes.
— Encontrou? Gringotes é o tal banco criado pelos goblins? — Slytherin perguntou, parecendo curioso.
— Exatamente. — Sirius se adiantou e se inclinou em cumprimento. — Sirius Black, Lord Slytherin, a seu dispor. Quando Harry me pediu para encontrar o quadro, eu sabia que ele só poderia estar no cofre, na sala de quadros da família. Ele esteve abandonado e precisa de algumas restaurações mágicas, mas, depois disso, o senhor poderá se deslocar de um quadro para o outro livremente.
— Interessante. Prazer em conhecê-lo, Lord Black. Você tem certa semelhança com Canis, um homem de grande bom humor. — Slytherin desviou o olhar para Harry. — Você espera usar o meu quadro para espionar quem, exatamente?
— Voldemort. — Harry disse, e isso causou alvoroço entre o grupo. — Nós faremos com que Voldemort, quando retornar, roube o seu quadro ou o encontre de alguma maneira. Apostaria toda a minha fortuna que ele colocará você em sua sala de trono, para se exibir como o herdeiro de Salazar Slytherin. E, ao conceder audiências para os seus servos, dar ordens, punir as falhas e tomar decisões, revelará os seus planos para nós, pois você ouvirá cada palavra e, ao visitar o seu outro quadro, nos informará.
Harry sorriu esperando pelas reações, e riu divertido quando ouviu exclamações, palmas, recebeu tapinhas nas costas, alguém bagunçando ainda mais seus cabelos, e Serafina lhe dando um beijo na testa.
— Garoto genial!
— Sim, é brilhante, muito brilhante. — Slytherin interrompeu a balbúrdia. — Mas esse plano brilhante depende de mim. — Sua expressão era novamente arrogante.
— Sim, eu sei. — Harry ficou sério. — Entenderei se não quiser nos ajudar a matar o seu herdeiro e vencer a guerra. Ainda temos muito o que planejar, e acredito que poderemos vencer, apenas tinha esperança de que a sua colaboração nos ajudaria a salvar mais vidas.
Slytherin ficou pensativo, avaliando as palavras sinceras do Harry, mas que não eram exatamente um pedido, e muito menos uma ordem. O menino deixava claro que a decisão era só sua, e o antigo fundador gostou disso.
— Quando vivi, meu melhor amigo se chamava Leoff Longbottom. Era um garoto bonito e de grande coração, apaixonado por Lira Black, irmã de Canis. Tão apaixonado que gaguejava bobamente e corava como um garotinho quando a via. Seu irmão mais velho, Neville, costumava rir e zombar dele. Leo não era um guerreiro como Neville, Canis, Godric ou eu; seu coração estava nas artes das plantas. Ele se tornou o mestre herbologista em Hogwarts, talentoso e muito querido pelos alunos. Um dia, tomou coragem e pediu a mão de Lira. Os dois tiveram um filho, Leônidas, e sua felicidade era contagiante. — Salazar contava a história de uma maneira seca, fria, desapaixonada, como se tentasse fazê-los acreditar que não se importava, mas a dor era clara em seus olhos azuis cintilantes. — Em uma tentativa de ajudar alguns Descendentes que viviam em uma vila chamada Oxônia, Leoff entrou em conflito com um padre que pretendia açoitar as crianças e marcá-las com ferro quente para expelir o demônio. Ele não pediu ajuda, acreditou que conseguiria lidar sozinho com a situação, e eram crianças; Leo não lhes viraria as costas. Acabou morto, pois um dos ajudantes do padre tinha uma espada e sabia como usá-la, mas... — Ele engoliu em seco. — Quando percebeu que morria, ele fez magia para enviar as crianças para a segurança de sua casa. Não conseguiu enviar todas, pois estava fraco, assim mandou que as outras corressem. Quando Lira viu as crianças surgindo apavoradas em seu lar, pediu por nossa ajuda em Hogwarts e chegamos à vila a tempo de ver a igreja queimar. O padre havia decidido que a magia que Leo realizou era obra do diabo, que tinha contaminado o solo santo e que o melhor era queimar tudo ao chão, junto com o corpo do filho do demônio. Seus ajudantes pegaram as crianças em fuga, não todas, mas três mais jovens, de pernas curtas, que não correram muito longe, e eles as prenderam na igreja com o fogo. As crianças foram queimadas vivas, e só pudemos ouvir seus gritos de dor... — Ele parecia preso no passado e muito pálido. Todos na sala estava em silêncio atordoados e pálidos de horror. — Enquanto ficamos paralisados de terror com o que víamos, Rowena agiu brilhantemente e, com grande habilidade, fez um feitiço de extasse. Toda a vila ficou paralisada no tempo e pudemos entrar na igreja, pegar o corpo de Leo e das crianças. Helga tentou o possível para salvá-los, mas era impossível, os danos eram muito extensos... — Ele engoliu em seco ao pensar nos corpos dos pequenos infantes queimados, e pigarreou antes de prosseguir. — E Leo já estava morto antes do fogo. Demos-lhes um enterro digno, e as crianças que foram salvas foram adotadas entre as famílias bruxas, como era comum quando tínhamos que tirá-las de suas famílias. Rowena voltou à vila e convenceu aos habitantes de que precisavam criar uma escola para ensinar as crianças, passar conhecimento aos mais jovens e criar novos conhecimentos. Ela tinha convicção de que a ignorância precisava ser combatida com educação. — Slytherin olhou para Jean. — Rowena gostaria da senhora, Sra. Granger. — Ela apenas acenou, e o silêncio durou um pouco, pois todos sentiam que Slytherin tinha mais a dizer. — Como disse anteriormente, eu já acreditava que algo deveria ser feito sobre o perigo que corríamos, mas foi depois da morte de Leo que comecei a construção da câmara secreta e criei a Freya. O que quero dizer com essa história é que as crianças devem ser protegidas, e nunca, absolutamente nunca, feridas por ninguém. Eu fui um guerreiro, um professor e um pai, minha vida foi dedicada a proteger os infantes, a ensinar as pequenas mentes teimosas e ver florescer seus milagrosos talentos. — Ele olhou para o Harry com firmeza. — Se eu puder, em morte, continuar a minha missão, sem os erros do meu orgulho tolo, então, eu assim farei.
Harry soltou um suspiro de alívio e sorriu, ainda que se sentisse abalado pela terrível história e a tragédia vivida pelos antepassados do seu amigo Neville.
— Bem-vindo à equipe. — Ele disse solenemente.
Depois disso o grupo se dispersou. Alguns queriam conversar mais com Slytherin, fazer perguntas, e outros queriam fazer algo mais leve. Harry, particularmente, preferiu ir ajudar o Dobby a preparar o jantar; queria se concentrar em algo que adorava fazer e esquecer as coisas feias do mundo. Outros se juntaram a ele, incluindo Adam e Ginny, que pareciam estar se dando muito bem. Os dois riram divertidos enquanto amassavam uma massa para uma torta de framboesa que Harry estava fazendo.
— Vocês devem usar a farinha para untar o balcão e amassar a massa. — Harry disse, ao vê-los cobertos de farinha pelo rosto e cabelos. Os dois infantilmente apenas jogaram farinha nele também e riram sonoramente da sua expressão.
Harry também riu divertido e decidiu separá-los.
— Aqui, Guinevere, você pica as framboesas para a geleia. Adam, nós faremos a massa, ou não teremos torta alguma para o jantar.
— Ah! Isso seria uma tragédia para o meu irmão Ron! — Ginny disse sorridente. — Ele não vive sem sobremesa. Aliás, ele ficou um pouco chateado por você não o incluir no convite e papai decidiu levá-lo com ele para o trabalho, no Ministério e no The Bar, para distraí-lo.
— Ah... — Harry franziu o cenho pensativo. — Não somos amigos, e eu sabia que algumas das coisas que discutiríamos seriam secretas.
— Não se preocupe, só durou um segundo, e ele sabe que não poderia esperar um convite só porque é membro do Covil. — Ginny se apressou em explicar.
— Como vai Percy? — Harry perguntou.
— Mais mal-humorado do que nunca depois que o Perebas foi descoberto ser um impostor. — Ela disse, comendo mais uma framboesa, apenas para ter certeza de que estavam boas.
— Se continuar roubando as framboesas, não haverá o suficiente para a torta, Guinevere. — Harry disse, sem levantar os olhos da massa que estava ficando perfeita. Ao seu lado, Adam seguia os seus movimentos, distraidamente murmurando em tom cantado.
Ginny corou ao ser pega e imaginou como ele sabia o que ela fazia se não a estava olhando. Sorrindo inocentemente, disse:
— Não sei do que está falando.
— Hum... — Harry levantou o olhar e o estreitou divertidamente. — Talvez o Adam deva picá-las?
— Não! Eu faço, sem mais provas, prometo! — Ela se apressou em afirmar e voltou a picar as framboesas. — Apenas mais uma... — Sussurrou baixinho e, olhando para o Harry, comeu mais um fruto. Ele manteve a cabeça baixa, mas riu baixinho.
— Eu sei que você ainda está comendo.
Eles continuaram a se provocar, e Adam parecia relaxar e se divertir enquanto os ajudava. Dobby andava de um lado para o outro, assoviando e preparando outro banquete, com Petúnia e Denver o ajudando. Os outros adultos ainda estavam com o quadro, enquanto Ayana, Duda e os gêmeos estavam na sala íntima jogando alguns jogos. Terry e Hermione estavam na biblioteca.
Durante o jantar, a deliciosa comida e os recentes acontecimentos os mantiveram silenciosos. Todos estavam meio chocados ou cansados ou animados, ou tudo isso junto. Por fim, uma ansiosa Hermione quebrou o silêncio.
— Como você pretende que o quadro caia nas mãos do Voldemort? — Ela perguntou, olhando para Harry, que deu de ombros.
— Ainda não pensei nisso, e isso é um dos motivos pelos quais eu queria que vocês soubessem sobre a minha ideia. — Harry disse. — Acredito que todos nós juntos poderemos pensar em alguma coisa.
— Eu tenho uma ideia. — Ela disse sem fôlego.
— O quê?
— Um museu. — Ela disse, e Terry acenou com um grande sorriso, pois já sabia da sua ideia.
— Museu? — Sirius perguntou confuso.
— Sim! Não é brilhante? — Hermione parecia que saltaria da cadeira com tanta empolgação.
— Não sei se entendo. — Harry disse. — O que um museu tem a ver... — Ele parou e arregalou os olhos, depois riu. — Oh! Sim, muito bom, acho que poderia dar certo!
— Eu não entendi. — Sirius disse, e o Sr. Boot acenou em concordância. — O que é um museu?
— Um museu é uma grande galeria ou um ambiente espaçoso onde coisas bem antigas, especiais ou diferentes são expostas, guardadas e conservadas para a apreciação do público. — Hermione explicou. — As pessoas visitam o museu e veem quadros, esculturas, roupas, joias ou armas de períodos passados, por exemplo. Eles servem principalmente para expor coisas de pessoas ou artistas importantes, ou apenas para entender como as pessoas se vestiam, viviam ou guerreavam há 500 ou mil anos, ou como eram os dinossauros, ou os protótipos dos primeiros aviões, ou as armas das guerras antigas e assim por diante.
— Muito interessante. — Sr. Boot disse. — No mundo trouxa existem muitos desses museus?
— Absolutamente! — Jean, tão apaixonada pelo conhecimento como a filha, exclamou. — Cada um mais incrível que o outro! Não acredito que não exista um museu no mundo mágico! Vocês são tão ligados ao passado, ao tradicional, que me parece algo que gostariam de ter.
— Acho que a questão é que muitas das coisas antigas que estariam em um museu pertencem e estão em poder das famílias antigas. — Serafina esclareceu. — No mundo mágico, o mais tradicional é manter objetos antigos e valorosos em poder das famílias, até porque, muitos são objetos mágicos.
— Mas podemos criar um Museu Mágico! O objeto ainda pertencerá à família que o doar para a exposição, e poderá ser devolvido em caso de necessidade, mas, enquanto isso, ficaria exposto para todo mundo apreciar! — Hermione disse. — Eu estava pensando em como seria incrível que os livros da biblioteca do Harry estivessem em uma biblioteca pública para que todos tivéssemos acesso... E eu sei que isso é impossível, pois não são livros comuns, compreendo. — Ela acrescentou rapidamente ao ver a expressão alarmada de Sirius. — Mas objetos, armas como aquelas na sala do quadro, não guardam segredos importantes e perigosos. As roupas antigas ou móveis, esculturas, joias, quadros, poderiam ficar em um museu para que outras pessoas possam vê-los e... — Ela parou olhando para Terry, que a incentivou com um aceno. — Eu pensei que, se colocássemos o quadro do Slytherin, poderíamos alcançar dois objetivos ao mesmo tempo. A verdade sobre os seus pensamentos seria compartilhada e se espalharia por todos os bruxos, sem especulações ou invenções, apenas as palavras do próprio Slytherin. E, quando Voldemort retornar e souber que o quadro está no museu, recebendo visitas de trouxas e nascidos trouxas, aposto a fortuna do Harry que ele irá invadir e roubar o quadro, sem imaginar que é uma armadilha!
Houve muitos acenos e sorrisos pensativos, pois a ideia era muito boa.
— Acho que temos dois problemas com essa ideia. — Disse Serafina. — Primeiro, o fato de que precisamos autentificar o quadro e as armas como sendo de Salazar Slytherin e o Harry tê-los roubado da câmara secreta sem que Dumbledore os visse complica as coisas.
— Ei, eu não roubei! — Harry protestou, ao ver os olhares chateados. — Sal autorizou que eu os pegasse, porque era tudo meu por direito mágico. — Ao ver algumas expressões confusas ou incrédulas, ele acrescentou. — Quando contei a ele que Voldemort tinha invadido a nossa casa e matado os meus pais, tentado me matar no berço para acabar com a linha Potter, Slytherin ficou muito chateado. Ele disse que isso era uma atitude desonrosa e os Slytherin estavam em dívida com os Potter até que a magia e eu estivermos aplacados. Eu senti magicamente a sua promessa, e, desde aquele momento, as armas mágicas estão conectadas com a minha magia, assim como qualquer outro objeto mágico do meu próprio cofre.
Isso trouxe surpresa e acenos de entendimento a todos.
— Mas uma promessa como essa é possível por um quadro? — Hermione era a mais espantada.
— Um quadro mágico tem um pouco da magia do pintor, da magia dos encantamentos e da magia do bruxo que foi pintado no quadro, ou seria impossível que, além de ganhar vida, se mantivesse a personalidade do bruxo retratado. — Remus explicou. — Se Hogwarts fez o quadro mesmo depois que Slytherin estava longe do castelo há anos, acredito que se utilizou da magia deixada por ele na construção do próprio castelo.
— Vocês falam como se Hogwarts fosse senciente. — Jean perguntou surpresa.
— A magia é senciente, mamãe. — Hermione respondeu. — E o castelo de Hogwarts é impregnado de magia.
— E uma forte magia. — Harry disse sorrindo. — Quando me conecto com a magia de Hogwarts, é como ser abraçado por camadas e camadas de energia pura, um pouco elétrica, mas muito gentil.
— Ah... — Hermione gemeu chateada. — Ainda não consigo fazer isso.
— Nem eu. — Terry disse, dando de ombros.
— É difícil? — Norton perguntou surpreso.
— Sim, mas para o Harry é natural, como voar. — Terry disse, mostrando orgulho do irmão.
— Para o Adam também é natural. Ele se conecta às árvores tão facilmente quanto eu respiro. — Ayana disse, sorrindo para o irmão mais novo. — Eu tento, mas também não consigo.
— Acho que é porque vocês são muito racionais. — Harry disse. — Precisam sentir, e não pensar, além de passar muito tempo meditando, até alcançarem a ausência de si.
Isso levou a mais perguntas e explicações, e demorou um pouco até voltarem ao assunto principal.
— Qual o outro problema que a senhora identifica em relação à ideia do museu, Sra. Serafina? — Hermione perguntou curiosa.
— Bem, se resolvermos a questão da autentificação e fundarmos um museu, obviamente esperaremos que Slytherin fale a verdade sobre como se sente em relação a essa história de pureza de sangue. Por um lado, ele é arrogante e esnobe, e isso poderia ser visto como uma confirmação de que acredita na superioridade dos bruxos sobre os trouxas. — Ela disse, e todos acenaram compreendendo. — Claro, podemos pedir que ele não fale muito mal dos Comuns, como Salazar se refere, e que ele apenas conte os fatos e amenize as críticas. No entanto, isso cria outro problema, porque, quando Voldemort retornar, ficará muito zangado ao saber que o seu antepassado mais ilustre se tornou um defensor de trouxas. E isso poderia levá-lo a destruir o quadro ao invés de roubá-lo.
Todos se mantiveram em silêncio, pensando em como resolver o problema. Por fim, Harry falou pensativamente:
— Posso estar errado, mas, pelo que conheço de Voldemort, ele não destruirá o quadro. Pelos motivos que falei mais cedo, e também porque Voldemort vai querer convencer Slytherin de que ele é quem está certo, de que ele, Voldemort, é o maior bruxo de todos os tempos e de que apenas ele teve coragem para fazer o necessário. — Seu olhar se tornou distante. — Como foi que Quirrell falou? "...Conheci-o quando estava viajando pelo mundo. Eu era um rapaz tolo naquela época, cheio de ideias ridículas sobre o bem e o mal. Lord Voldemort me mostrou como eu estava errado. Não existe o bem ou o mal, só existe o poder e aqueles que são demasiados fracos para o desejarem..."
— Então, Voldemort provavelmente manterá o quadro, para exibir sua ascendência para os seus servos e o seu poder para Slytherin. — Remus raciocinou. — Faz sentido para mim, pelo que conhecemos da personalidade de Voldemort.
— Para mim também. — Sirius disse, e todos ficaram mais tranquilos.
— De qualquer forma, podemos perguntar a Slytherin se ele está disposto a correr o risco e... bem, um quadro destruído não o destruirá, pois temos o segundo. — Harry disse. — Apenas aconselho que, seja lá qual de nós que tiver que lidar com Slytherin, devemos sempre deixar claro que a decisão é dele, pois Sal não aceitará ser ordenado. Além disso, pode levar anos e anos para Voldemort retornar e o quadro ser roubado ou destruído, assim me parece que ter um museu poderia gerar mais benefícios aos nossos planos de combater a discriminação do que problemas com a guerra.
Todos acenaram positivamente sobre isso e começaram a planejar o museu.
— Podemos montar salas inteiras com móveis antigos e mostrar as roupas que se usavam há mil anos, ou mais, ou menos! — Hermione disse empolgada. — As armas, quadros e objetos mágicos podem ser separados por salas e não por anos, assim fica mais organizado.
— Ainda bem que eu ainda não me desfiz dos móveis de Grimmauld Place, assim posso selecionar alguns para esse museu. — Sirius disse pensativo.
— Eu adoraria ajudá-los com isso. — Jean disse. — Mas onde faremos o museu?
— Bem, Godric é um bom lugar, afinal, as pessoas já irão para lá visitar o Jardim da Lily. — Serafina sugeriu, e Harry arregalou os olhos.
— Acho que não devemos atrair Voldemort propositalmente para Godric's Hollow, principalmente se esperamos que ele invada e roube o museu. — Ele disse preocupado.
— Harry está certo, e devemos refletir sobre se todos os outros objetos não poderão ser roubados também. As armas são valiosas e atrairiam Voldemort e seus comensais da morte. — Falc disse.
— O Beco Diagonal é o lugar ideal. — Terry disse. — Ele é muito mais protegido, com muitas pessoas indo e vindo, além de ser magicamente conectado ao Departamento Auror para roubos ou ataques, e Voldemort, ou quem ele enviar, teria que esperar para roubar à noite.
— E essa ação terá que ser rápida, digo, pegar o quadro e fugir antes de os aurores chegarem, assim não haveria tempo para roubar mais nada, afinal, os objetos expostos estarão protegidos magicamente. — Denver apontou.
— Mas haveria tempo para destruir tudo com fogo maldito! — Hermione disse ansiosa, ao imaginar o seu futuro museu destruído.
— Podemos lançar magias protetoras como fizemos com o resto do Beco. — Sirius a tranquilizou. — Mas se vamos lançar uma armadilha para Voldemort, não será sem riscos... Na verdade, quando se trata de uma guerra, a cada passo que dermos, estaremos correndo um grande perigo.
Todos acenaram em reconhecimento a essa verdade e falaram mais um pouco sobre como proteger o museu e lançar a armadilha para Voldemort.
Quando estavam comendo a torta de framboesa, Denver decidiu fazer uma pergunta:
— Sei que ainda não assinei o Tratado do Faraó, mas será que poderiam me explicar o que é uma horcrux? — Essas palavras tornaram sombrio o ambiente tranquilo.
— Bem... Edgar chegou com os Tratados na quinta-feira. — Falc disse. — Encontrei-me com ele ontem; tudo está sendo preparado para as assinaturas das Equipes, e, neste momento, os lobisomens já estão assinando os seus dois Tratados. Edgar, Belle e sua equipe estão se assegurando de que tudo esteja pronto para o encontro de amanhã à tarde. — Algumas expressões se mostraram curiosas com essas novas informações. — São mais de três mil lobisomens que precisam assinar os Tratados, e eles não podem ser reunidos todos juntos ou chamariam a atenção dos bruxos e trouxas. Ao longo de ontem e hoje, eles estão assinando o primeiro Tratado, que é o Tratado de criação e comprometimento da Matilha. E, em pequenas reuniões ao longo da semana, eles já debateram o que queriam acrescentar aos textos dos Tratados, se decidiram pelo nome da matilha, escolheram o nome da escola e da vila; apenas a Ilha será chamada de Stronghold, em homenagem ao seu antigo dono, como foi pedido pelo Harry. Edgar e Belle estão visitando cada matilha e grupo, acompanhados pelos líderes, que são as testemunhas da assinatura de cada lobisomem.
— Isso quer dizer que, se alguém não estiver sendo sincero, o Tratado revelará e os líderes testemunharão e expulsarão o mentiroso. — Remus disse suavemente. — Esperamos que isso não aconteça muito.
— E o segundo Tratado, eles não assinarão? — Hermione perguntou.
— Apenas depois que a matilha estiver formada oficialmente, e isso inclui uma cerimônia de promessa. — Remus respondeu, e continuou as explicações. — Eles também escolherão a sua primeira e primeiro alfas, Becky e Elfort, ou melhor, o Harry os escolheu, mas eles os aceitarão formalmente. No Tratado, os nomes dos alfas não estão especificados, apenas a promessa de seguir os dois alfas da matilha. Assim, além de assinarem o contrato mágico, cada lobisomem deve prometer, verbalmente e magicamente, servir à matilha, obedecer aos alfas escolhidos agora ou no futuro e respeitar os Conselhos, que ainda não têm seus membros escolhidos. Chamamos de Cerimônia da Promessa, que é quando uma matilha recebe um novo integrante e ele faz as promessas de lealdade em frente a todos os membros e do seu novo alfa. Nesse caso, todos têm que passar pela cerimônia e fazer as promessas mágicas.
— Que interessante. — Norton disse empolgado.
— Depois que todos assinarem o Tratado da Matilha e participarem da Cerimônia da Promessa, começarão a assinar o segundo Tratado como membros da nova matilha. — Falc continuou. — Amanhã à tarde, quando o Harry chegar à ilha, apenas faltará a sua assinatura e as dos alfas. Esse será o momento final e, feito isso, daremos o sinal para que os lobisomens possam se mudar para Stronghold.
— Ficará faltando apenas o ritual. — Harry disse, pensativo e curioso. — Vocês já sabem os nomes escolhidos?
— Não. Eles querem contar para você primeiro, Harry, nem Edgar e Belle saberão até amanhã. — Falc disse.
— Você não deveria estar lá, Remus? Se juntando à matilha? — Perguntou Serafina para o amigo.
— Eu assinei o primeiro Tratado e fiz o juramento ontem. — Ele disse sorrindo. — São tantas pessoas que serão necessários três dias (ontem, hoje e amanhã) para assinarem os dois Tratados. Amanhã assinarei o segundo junto com o Harry e os alfas.
— Bem, acho que está tudo bem organizado, então. — Harry suspirou. — E, como as equipes Covil e Pegasus logo assinarão o Tratado que impedirá qualquer um de cometer uma traição, creio que podemos compartilhar algumas informações importantes com Denver, Ginny, Fred e George.
— Antes disso, quero contribuir com alguns feitiços que separei para acrescentar no Tratado das Equipes. — Denver disse. — Vocês perguntaram se havia algo que usamos em nossos contratos de trabalho para a ICW e para a MACUSA ou em meu trabalho como auror. Assim, eu os estudei e separei alguns que acredito que se encaixem bem no que precisamos para proteger as Equipes.
— Isso é fantástico! — Serafina disse. — Os Tratados são quase impossíveis de serem quebrados, mas feitiços extras de proteção são bem-vindos. — Então ela olhou para os filhos; Ayana e Adam acompanhavam a conversa, mas o menino parecia distraído e cansado. — Mas acho que devemos colocar as crianças na cama antes dessa conversa.
— Mas, mãe...! — Ayana protestou. — Eu também quero saber o que é uma horcrux! Eu quero ser parte da equipe Covil e assinar o Tratado!
— Depois discutiremos isso, Ayana, preciso conversar com o seu pai antes para decidir o que lhe contar. Além disso, você e o seu irmão já ouviram mais do que deveriam por hoje, então os dois vão para a cama, e sem resmungos. — Serafina disse com firmeza.
Ayana resmungou um pouco, mas Adam saiu sem protestos, silencioso e sonolento.
Dobby insistiu em cuidar da mesa e da louça, dizendo que o senhor Harry e seus amigos precisavam conversar sobre coisas importantes. Eles seguiram para a sala de estar, que tinha espaço para todos se acomodarem. Falc deu aos quatro contratos de confidencialidade que envolviam a GER, pois os Tratados seriam assinados depois, e eles protegeriam as informações sobre as horcrux.
— Mas nós já assinamos contratos de confidencialidade antes de deixar Hogwarts. — Fred disse confuso.
— Aqueles eram para que não contassem sobre os lobisomens, Stronghold e nossas ações em Hogwarts, no Ministério e na Suprema Corte. — Harry disse. — O Tratado será mais amplo e específico, pois tem o objetivo de evitar espiões e traidores. Esse contrato de confidencialidade tem a ver com a GER.
— A GER? — George se mostrou confuso, e Harry olhou para Ginny.
— Eu lhe disse que contaria assim que possível, mas lamento não ter podido falar antes. — Ele disse timidamente, e ela sorriu de forma suave. — Isso não tem a ver com Voldemort, mas acho que vocês devem saber, assim não precisamos ficar controlando o que falamos o tempo todo.
— Estou curiosa. — Denver disse, olhando entre Harry e Sirius. — Ora... Isso é o que eu estou pensando?
— Não sei o que você está pensando. — Sirius disse, com um sorriso divertido.
— Vocês são os donos da GER? — Ela disse, meio perguntando, meio afirmando. Sirius riu e acenou negativamente.
— Eu não, minha querida, desta vez eu sou inocente.
— Eu sou o culpado. — Harry disse, e parecia meio envergonhado. — Eu sou o dono da GER.
Isso provocou um engasgo de incredulidade em George. Fred demorou um segundo para entender, e depois riu como se fosse uma piada. Ginny assumiu uma expressão de espanto e depois de entendimento, ao perceber que era sobre isso que eles falavam naquela manhã, na cachoeira. Por fim, seus olhos se arregalaram de emoção ao perceber que fora Harry quem dera o segundo emprego do seu pai. Ele os ajudara quando a situação era quase impossível e as expectativas para o Natal eram tenebrosas. Fez isso por amizade e porque tinha um coração tão grande que não deveria ser real. Emocionada, ela controlou a vontade de lhe dar um abraço, pois não estavam sozinhos, e lhe lançou um olhar cheio de gratidão.
Enquanto isso, Fred e George ainda riam e Denver refletia sobre essa nova informação.
— Imagino que sua intenção com a fundação dessa empresa era melhorar a economia do mundo mágico e gerar mais empregos. — Denver disse.
— Entre outras coisas. — Harry sorriu.
— Espera. — Fred parou de rir, mas ainda tinha um grande sorriso no rosto. — Isso foi uma grande piada, Harry... Certo?
— Não é piada. — Ele respondeu. — Eu sou o dono da GER, e não fiz isso sozinho, todos aqui me ajudaram, mas o motivo principal da criação da empresa era trazer os nascidos trouxas para o nosso mundo.
Harry, então, para espanto dos quatro, explicou em detalhes a operação de infiltrar os nascidos trouxas no mercado de trabalho e na economia mágica com as sociedades das lojas.
— Mas... — Fred estava sem palavras.
— Então, foi você quem deu o emprego ao meu pai? — George tinha os olhos esbugalhados. — Nós contamos a você como ele perdeu o segundo emprego e, logo em seguida, chegou uma carta da GER o convidando para uma entrevista de emprego!
— Bem, eu não lhe dei o emprego, apenas a entrevista. — Harry disse timidamente. — Quem conseguiu o emprego foi o seu pai; se ele não tivesse se saído bem, eu não poderia fazer nada.
Apesar dessa afirmação, os três irmãos estavam cheios de emoção e gratidão.
— Harry, você... — George tentou, mas estranhamente estava sem palavras.
— Cara... — Para Fred, não ter palavras era mais comum, mas era óbvia sua expressão de afeto.
Ginny limpou uma lágrima discretamente e abriu um grande sorriso. Harry corou, sentindo borboletas voando em sua barriga, e sorriu de volta.
— Tudo certo, o importante é que seu pai está feliz. — Ele disse lentamente, não querendo constrangê-los com agradecimentos. — Mas quero manter segredo sobre a GER, pois preciso me concentrar em treinar, estudar e me divertir. Se as pessoas soubessem, me exigiriam demais, e prefiro que os meus adultos, além de Edgar e sua grande equipe, cuidem de tudo.
Eles acenaram, ainda tentando absorver a realidade de que o misterioso dono da GER era o seu jovem amigo, e não algum bruxo adulto e rico.
— Agora, sobre as horcrux. — Denver iniciou o assunto mais importante. — Pelo que entendi, isso é algo que permite a Voldemort continuar vivo mesmo depois que o seu corpo foi destruído, há quase 12 anos.
— Sim. — Sirius respondeu, e respirou fundo antes de explicar o que exatamente era uma horcrux.
Ginny já sabia de tudo isso, mas ainda empalideceu com a explicação detalhada. George e Fred pareciam enojados, ao mesmo tempo em que tentavam não olhar aflitos para a irmã quando Sirius explicou sobre o diário, e Denver se mostrou muito preocupada.
— Isso quer dizer que, se não conseguirmos prendê-lo e precisarmos matá-lo, isso será impossível. — Ela constatou.
— Prendê-lo? — Harry pareceu surpreso. — A guerra não terminará com a prisão de Voldemort, Denver, apenas a sua morte conseguirá isso.
— Foi o que aconteceu há doze anos. — Sr. Boot acrescentou. — Todos, inclusive os seus comensais da morte, acreditaram que Voldemort estava morto. Com isso, muitos se renderam, fugiram, se esconderam ou alegaram que estavam imperiosos e que por isso o serviram.
— Se o prendêssemos, se os seus seguidores acreditassem que ele estava em algum lugar, vivo, moveriam céus e terras para encontrá-lo. — Remus disse. — Os conflitos e os perigos jamais cessariam.
— Desculpem. —Denver disse, e parecia um pouco desconcertada. — Como auror, meu trabalho é prender bandidos, não os matar. A morte é o último recurso, e esse caminho é escolhido com muito cuidado e certeza, pois não há volta. Me parece que, se vocês conseguissem que o Ministério, principalmente o Departamento Auror, fizesse um trabalho decente, digo, capturar e prender Voldemort e seus comensais, seria uma possibilidade real. Esse não é um trabalho para se fazer sozinho; mesmo que as Equipes cresçam em número, nós precisaremos de aurores competentes e eficientes. Não venceremos a guerra sozinhos e...
— Não passaremos pela guerra sem matar. — Harry a interrompeu e olhou para todos. Jean e Norton eram os mais incomodados com o assunto. — Não mataremos levianamente, nunca, apenas como defesa de nossas vidas, mas Voldemort não poderá sobreviver. — Ele encarou Denver. — Quando ele desapareceu naquele Halloween, os pais de Neville foram torturados até a loucura com a cruciatus. Bellatrix, seu marido e outros queriam informações sobre Voldemort, pois eles sabiam que ele era imortal, que não poderia estar realmente morto. Neville não está conosco hoje porque está se despedindo dos seus pais, que estão internados na ala de doenças irrecuperáveis no St. Mungus. — Denver ficou pálida. — Eles eram dois dos melhores aurores da época, mas hoje não o reconhecem, falam, vivem ou podem ser os pais presentes que o Neville merece. Não podemos deixar que isso se repita. Além disso, Voldemort não será facilmente morto, muito menos capturado.
— Se prendê-lo não é uma opção e ele é imortal, como espera que vençamos a guerra? — Denver perguntou realista. — Na primeira vez, foram onze anos até que um fenômeno mágico interrompesse a guerra, mas, quanto irá durar na próxima vez? Quantos morrerão? Acredito que, se tivermos a oportunidade de prendê-lo e a todos os seus comensais da morte, devemos ir em frente.
— Denver, você não está pensando a longo prazo. — Sirius discordou da namorada. — Não existe prisão segura o suficiente para impedir que Voldemort se liberte com a ajuda dos seus seguidores, e é impossível prender todos, porque, quando prendermos os pais, deixaremos os filhos e as filhas livres para crescerem e continuarem a planejar e lutar. Mesmo que décadas passem, mesmo que seus pais morram na prisão, Voldemort estará vivo e isso nunca terá fim.
— Depois que ele estiver preso, podemos conseguir informações de onde estão suas horcrux, é para isso que servem interrogatórios. — Denver teimou, e Sirius, Remus e Harry a encararam meio incrédulos. — O quê?
— Acho que você não entendeu o quão poderoso Voldemort é, Emily. — Remus disse gentilmente. — Matá-lo era algo impensável, foi assim há doze anos e será assim quando ele retornar. Dumbledore é o bruxo mais poderoso do nosso tempo e nunca chegou perto nas poucas vezes em que eles duelaram.
— Além disso, Voldemort é muito inteligente, um estrategista, e não hesita em recuar e fugir se sentir que está em perigo. — Sirius disse. — Mesmo que o cercássemos com dez poderosos bruxos, ele sairia de lá facilmente e sem suar.
— Isso me parece um exagero. — Denver disse, confusa e demonstrando que não entendia o quão poderoso Voldemort verdadeiramente era. — Ele não pode ser invencível. E nós somos inteligentes, podemos armar uma armadilha e pegá-lo, tenho certeza.
— Podemos tentar. — Harry deu de ombros. — Acho que qualquer plano ou tentativa é válida, mas teríamos que planejar com muito cuidado, além de preparar uma cela de onde ele nunca poderá sair. E esqueça essa ideia de descobrir onde estão suas horcrux; mesmo que você fosse a melhor interrogadora do mundo, ele jamais lhe diria.
— Eu ainda gostaria de tentar. — Ela disse, convicta de suas habilidades como interrogadora.
— Bem, os meus planos seguirão em outras direções. — Harry disse. — Encontramos as horcruxes, destruímos todas que ainda existirem e o tornaremos mortal. Depois, armamos uma armadilha, não para prendê-lo, mas para matá-lo.
— Se a prisão é uma opção, porque matá-lo? Além da sua preocupação com a continuação dos conflitos, você deseja vingança? — Denver perguntou direta.
— Sim. — Harry disse, sincero e sem remorso, depois olhou em volta. — E porque esse é o meu destino. — Ao ver seus olhares confusos, acrescentou. — Uma profecia foi feita, eu não sei todo o conteúdo, apenas o que Voldemort me contou, que é só o que ele sabe também.
— Profecia? — Ginny sussurrou empalidecendo.
— Aquele com o poder de derrotá-lo nascerá quando o sétimo mês morre, nascido daqueles que o desafiaram três vezes. — Harry disse. — Por isso ele atacou a nossa casa: os alvos nunca foram os meus pais; Voldemort queria matar o garoto da profecia.
— Você? — Ginny parecia ainda mais branca e, quando Harry acenou, ela se curvou levemente, como se o peso da verdade pousasse sobre os seus ombros. — E ele nunca irá parar de tentar te matar, por isso você tem que matá-lo.
— Espere. — Denver parecia cética. — Profecias não são precisas, muitas nunca se cumprem... Sinceramente, não sei nem se acredito em algo tão instável.
— O que importa é que Voldemort acreditou na profecia, Denver. — Harry explicou. — Por isso meus pais estão mortos. Além disso, acho que essa profecia já se cumpriu.
— Como!? — Fred perguntou chocado.
— Quando ele me atacou e matou os meus pais, me encheu de sede de justiça e de vingança, além da incansável determinação em vê-lo morto. — Harry disse. — Ao me atacar, Voldemort cumpriu a profecia e me deu o poder para derrotá-lo. Existe também a proteção da minha mãe, vocês já sabem que o seu sacrifício foi o que destruiu Voldemort naquela noite, e até hoje essa proteção existe em meu sangue. — Eles acenaram, pois Denver sabia desde que Sirius lhe contou, e o pessoal do Covil foi informado da verdade enquanto pesquisava o ritual de ligação do Harry com a nova matilha. — É possível que essa proteção seja esse poder e me ajude a vencê-lo, mas também não sabemos como, esse é apenas mais um mistério.
— Não tem como descobrirmos o restante da profecia? — George perguntou.
— King está investigando isso. — Sirius disse. — Muito discretamente e, por isso, lentamente, mas acredito que em breve poderemos ter acesso ao conteúdo.
— Então, essa profecia é mais uma razão para você querer matar Voldemort. — Denver disse pensativa. — Mas vocês sabem se ele tem mais horcrux do que o diário? Quantas são? Onde estão? Porque seria muito bom se encontrássemos elas antes do seu retorno, assim a guerra poderia não durar muitos anos. Além disso, se destruirmos uma e ele descobrir quando voltar, colocará as outras em níveis de proteção intransponíveis. Isso poderia fazer a guerra durar décadas e décadas, ou nos levar à derrota.
Suas palavras eram verdadeiras, mas tornaram o ambiente sombrio diante da perspectiva aterrorizante.
— Estamos investigando Tom Marvolo Riddle. — Sr. Boot respondeu, muito seriamente. — Tentando descobrir informações sobre ele e seus primeiros anos como Voldemort. Além disso, Flitwick é nosso espião junto a Dumbledore; o diretor também está fazendo a sua própria investigação, e Flitwick prometeu não contar sobre as horcrux ao Harry se ele tivesse permissão de participar das descobertas.
— Pretendo dedicar mais do meu tempo a isso, Emily. — Sirius disse suavemente. — Na verdade, acho que nós, adultos da equipe Pegasus, deveríamos fazer dessa a nossa missão mais importante.
Todos acenaram, pois concordavam que o futuro deles dependia da destruição das horcrux de Voldemort.
— Bem, Dumbledore tem seus próprios planos, pois sabe da profecia, de todo o seu conteúdo, por isso me deixou na casa dos meus tios e faz esses joguinhos para que eu enfrente Voldemort. — Harry disse, e deu de ombros. — Agora ele também sabe sobre as horcrux, e acho que percebeu que eu preciso ser ensinado a sobreviver ao que está vindo. Não confio nele, mas o diretor disse que reconhece os seus erros e começará a me treinar a partir do ano que vem.
— Ele só está fazendo isso para te controlar. — Denver disse irritada. Ela detestava Albus Dumbledore. — Ele percebeu que perdeu o controle sobre você e está oferecendo algumas migalhas para te atrair.
— Bem, eu ficarei atento, mas não posso me dar ao luxo de recusar aulas com Albus Dumbledore, mesmo que sejam apenas migalhas. Se ele me ensinar como sobreviver, já estou satisfeito. — Harry disse suavemente.
— Você não pretende contar para o Covil sobre a GER, mas contará sobre as horcrux? A profecia? — Fred questionou.
— Não. — Harry disse e suspirou. — Neville insiste que não devemos ser controladores e desconfiados como Dumbledore. A maneira como ele mantém os segredos e centraliza as decisões, sem pedir ajuda ou ouvir conselhos, é um erro que eu não pretendo cometer, por isso as Equipes. No entanto, acredito que as horcrux e a profecia são verdades perigosas demais para estar na mente de tantas pessoas que ainda estão aprendendo o básico de oclumência. Mesmo com o Tratado e qualquer feitiço que Denver possa ter nos trazido para fortalecê-lo, os riscos são grandes demais, pois colocam o que sabemos e quem sabe em imenso perigo.
Todos já tinham concordado com isso e entendiam que algumas informações precisavam ficar apenas entre eles o máximo de tempo possível. Um dia, todos teriam que saber sobre a profecia e as horcrux, mas antes precisavam se tornar melhores oclumentes e aceitarem completamente o que significava fazer parte das Equipes. Harry era sincero em dizer que temia que alguns dos seus colegas do Covil vissem tudo o que estavam fazendo como uma aventura. Ele desconfiava que apenas o início da guerra aberta os faria despertar dessa fantasia e encarar a realidade.
— Harry, obrigado por nos contar sobre tudo isso. — Fred disse solenemente. — Prometemos que não trataremos levianamente essas informações e nos aplicaremos ainda mais em nossa oclumência. — George e Ginny acenaram, compartilhando a promessa.
— Bom. — Harry disse, e seu rosto ficou mais severo. — Porque pegarei no pé de todos mais do que nunca a partir de agora, e não aceitarei erros tolos. Quando chegarmos à escola, faremos uma reunião e esse será um dos assuntos discutidos. — Ele não disse que os erros do seu irmão Ron eram a base para a bronca que ele daria. — E, antes de começarmos a treinar em setembro, todos terão que assinar o Tratado, não treinarei ninguém que não assinar.
— Falando nisso. — Denver tirou uma pasta do bolso e a ampliou. — Aqui estão alguns dos encantamentos que a ICW e a MACUSA utilizam em seus contratos de trabalho e sigilo. Eles podem ser acrescentados facilmente ao pergaminho do Tratado, não precisam estar em um contrato separado.
Serafina pegou a pasta para ler, Remus e Sirius se aproximaram e espiaram. Os três imediatamente se mostraram impressionados, e Sirius até soltou um assoviou.
— Tem muita coisa boa aqui, Emy. — Ele disse distraidamente, sem perceber sua expressão irritada com o apelido.
— Realmente são ótimos para o que precisamos, e acredito que se complementarão muito bem com a magia do Tratado, principalmente com as runas do pergaminho. — Serafina percebeu a expressão curiosa de Harry e como Hermione e Terry pareciam prontos para enchê-la de perguntas. — Eu tive a oportunidade de examinar o Pergaminho da Pureza, a Pena da Verdade e a Tinta da Deusa ontem, enquanto escrevíamos os textos nos dois Tratados. No pergaminho, além de todos os poderosos encantos e materiais mágicos utilizados em sua preparação, existem algumas runas egípcias poderosas desenhadas no papel do pergaminho. Tem a Thurisaz, (Proteção da Deusa), a Kenaz (Iluminação, Guia e Renovação) e a Naudhiz (Cautela e Revelação). Tem também a Tiwaz, (Justiça e Desejo) e a Eihwaz (Proteção), Perdhro (Revela o oculto), Ehwaz (Lealdade) e Mannaz (Confiança). Juntas, elas têm a função de proteger o pergaminho de roubos, fogo, água, além de preservar e potencializar as magias utilizadas e o texto escrito.
— E quais os feitiços que a Denver trouxe? — Harry perguntou.
— Bem, tem alguns feitiços básicos para contratos de trabalho ou de compra e venda. — Denver respondeu. — Mesmo que o Tratado já tenha a função de impedir traidores de assinarem e fazerem parte das Equipes, não vejo por que não o reforçar. E tem os feitiços mais sérios, que revelarão traidores no futuro, caso algum dos membros das Equipes mude de lado.
— Esses são os mais interessantes. — Disse Serafina pensativa. — Entre os básicos, tem o Feitiço do Julgamento, (Fiduciverita) que mostrará no próprio contrato ou no pergaminho a existência de uma traição.
— Isso é importante porque, se o acordo for desfeito por uma das partes, o contrato mostra isso e se torna nulo. — Falc explicou. — Claro que, no caso de um contrato com múltiplas assinaturas, apenas o acordo firmado com o traidor se torna nulo, mas isso se tornará visível no pergaminho.
— Mostrará quem é o traidor? — Terry perguntou surpreso.
— Não, esse feitiço mostra apenas que alguém descumpriu o contrato. — Falc respondeu. Sentando ao lado da esposa, leu os feitiços e acrescentou. — Outro feitiço básico é o Scripta Tracta, que vai selar tudo o que foi escrito e as magias colocadas no acordo e no pergaminho. É como o ponto final de um contrato e o torna magicamente válido, além de ser um feitiço exigido legalmente.
— Tem também o Estveru, que é um feitiço que só aceita que verdades sejam escritas no pergaminho. Você não pode mentir no texto do contrato. — Serafina continuou. — Acredito que o Tratado do Faraó já contempla isso, então não acredito que precisemos utilizá-lo.
— Existe uma diferença entre a verdade e a verdade da pessoa. — Denver disse. — Neste caso, ele permite que aquilo que você acredita ser verdade seja escrito. Por exemplo, se você acredita que acontecerá uma guerra ou que Voldemort está vivo, poderá escrever no texto do contrato sobre isso. No entanto, para a maioria dos bruxos, isso não é verdade, e a magia também revelará se, entre os membros das Equipes, existe alguém que não acredita nesta verdade.
— Entendi. — Harry acenou.
— Muito interessante. — Falc disse olhando para o feitiço. — Algo para se manter por perto.
— Bem, agora os feitiços sérios. — Serafina continuou. — Primeiro tem um ritual e ele é muito interessante, chama-se O Legado do Traidor.
— É um ritual bem simples, cantamos na língua antiga as palavras descritas no feitiço; tem um ritmo próprio que deve ser respeitado. Também precisaremos de velas vermelhas e três bruxos ou bruxas. — Denver disse. — É um ritual muito poderoso e preciso: se feito corretamente, seu efeito é duradouro.
— Qual é o seu efeito? — Hermione perguntou.
— Ele é ativado se alguém trair o contrato e faz com que as palavras do contrato, que foram traídas, apareçam na pele do traidor. — Serafina disse impressionada. — As palavras brilham e desaparecem, depois voltarão a brilhar de tempos em tempos, até que ele seja punido ou perdoado.
— Eu gostei desse! — Fred olhou para o irmão com olhos arregalados. — Me dá algumas ideias de brincadeiras!
— Hum. — Serafina lhes lançou um olhar afiado. — Continuando, o próximo feitiço se chama Khayin e é bem severo, pois ele cria uma marca na testa do traidor que não sai de nenhuma maneira, é chamada de "A marca de Caim", e imagino que tenha sido criada por um bruxo cristão.
— A marca nunca deixará a testa do traidor? — Harry perguntou, e Denver acenou afirmativamente. — Eu gosto, me parece uma punição justa. E o bom desses dois feitiços é que revelarão a todos que temos um traidor entre nós.
— Sim, mas não o impede de contar algum segredo importante. — Ginny apontou preocupada.
— Bem, é por isso que eu trouxe o feitiço Cantor (Operene), que fará com que, quando alguém tentar contar os segredos das Equipes ou revelar localizações, a pessoa começará a cantar, literalmente. É um feitiço poderoso porque não é colocado na pessoa, ele é encantado no contrato ou no Tratado; a pessoa aceita magicamente o efeito do feitiço e se compromete a não contar os segredos. — Denver explicou, e os gêmeos parecia que saltariam dos sofás de tanta animação. — Mas o melhor nessa composição é que, se alguém tentar revelar um segredo para um dos nossos inimigos, começará a cantar, as palavras passarão a brilhar em sua pele e a marca de Caim surgirá na testa, sem que nenhum segredo seja verdadeiramente exposto.
— Uau! — Hermione disse, de olhos arregalados.
— Parece exatamente o que precisamos. — Harry disse, igualmente empolgado.
— Mas menores de idade poderão assinar? Lembro-me da Daphne explicando que apenas adultos podem assinar contratos mágicos com punições mais severas. — Terry disse preocupado.
— Apenas punições como a morte e a perda da magia, ou vínculos de escravidão e de casamento. — Falc disse. — Além disso, esse é um contrato mágico de promessa de sigilo, obviamente ele é muito mais poderoso que um contrato de sigilo comum. No entanto, não é uma obrigação de lealdade, não estamos pedindo que os membros das Equipe prometam sua fidelidade eterna ao Harry ou que lutem na guerra. Assim, desde que eles não estejam sendo ludibriados, a magia aceitará suas promessas.
— O Tratado revelará quem não estiver sendo sincero, e esses encantamentos extras que a Denver trouxe nos mostrarão quem vai mudar de ideia no futuro. — Harry disse, sentindo que estavam no caminho certo. — Acho que estamos nos protegendo o máximo possível de espiões e traidores.
Todos acenaram, concordando que, ao contrário da Ordem da Fênix, eles estavam preocupados em encontrar maneiras eficazes de se protegerem de traidores. Não havia muito mais que pudessem fazer, já que era impossível lutarem uma guerra sozinhos.
— Hum... — Hermione disse suavemente, chamando a atenção para si. — Sabe, eu não gosto do termo Trouxa ou Nascido Trouxa, aliás, "Comum" é ainda mais absurdo, mas gostei muito do termo Descendentes. Gostaria de sugerir que adotássemos essa denominação aos nascidos trouxas a partir de hoje.
— Originem Ducentes ou Descendants me parecem termos usados quando os nascidos trouxas eram considerados uma benção para o mundo mágico. — Sr. Boot disse pensativo. — O mundo florescia com novos talentos mágicos, e isso era encarado positivamente.
— Já o termo Comum ou Ordinarius descrevia literalmente os trouxas como sendo comuns ou sem magia, mas concordo que a palavra é imprecisa, pois todos temos um pouco de magia em nós. — Serafina disse, sorrindo para Petúnia. — Como Jean disse, os sem magia são extraordinários, e não comuns.
— De onde vem o termo Trouxa? — Harry perguntou.
— Ele surgiu depois do Estatuto Internacional de Sigilo e da fundação do Ministério e da ICW. — Remus disse. — Trouxa quer dizer ignorante, simplório, aquele que não sabe ou não tem conhecimento de informações importantes. É usado de maneira depreciativa e debochada, como se eles fossem menos inteligentes por não saberem ou perceberem que a magia e bruxos existem.
— Isso é terrível. — Harry disse incomodado.
— Pior é o fato de que continuamos a perpetuar a palavra nós mesmos ao repeti-la continuamente. — Hermione disse resoluta. — Não farei mais isso. A partir de agora, usarei o termo Descendants ou Descendentes, pois é o que sou, uma descendente de bruxos, e... — Ela parou desconcertada e olhou para os pais. — Como chamaremos os que não têm magia, se não usarmos o termo Trouxa?
— No-maj ou no-majs é o termo usado nos Estados Unidos. — Denver informou. — Confesso que demorei um pouco para compreender e me acostumar com o termo Trouxa.
— No-maj, não-mágicos. — Hermione analisou pensativamente. — É bem simples e frio, mas pelo menos não os menospreza.
— Minha avó os chamava de Daoine. — Disse Remus. — Quer dizer humanos em irlandês.
— Mas todos somos humanos, certo? — Jean perguntou.
— Os termos humano e homem queriam dizer a mesma coisa nos tempos antigos, assim, os termos originais eram Daoine para Homens/Humanos e Draoithe para os Bruxos. — Remus explicou. — Isso na época em que os druidas, os altos elfos e os humanos viviam livremente, como um único povo. Quanto mais separados ficavam os dois mundos, mais termos eram acrescentados, como criaturas mágicas, seres mágicos ou sem magia e, por fim, comuns e trouxas.
— Acho que o termo Humano deprecia os bruxos, pois não acredito que somos seres mágicos, acredito que somos seres humanos com magia. — Disse Terry seriamente, e todos acenaram concordando com o raciocínio.
— Bem, se somos todos uma única espécie com talentos diferentes, os nomes não podem menosprezar ninguém só porque não tem um talento. Quer dizer, não existe por aí alguém chamando os sem talento para dançar ou cantar de no-dance ou no-cant. — Norton disse, e houve mais acenos.
— Eu concordo, mas como será um termo usado por bruxos para identificar outros seres humanos que não têm magia, me parece que no-maj é algo aceitável. — Petúnia disse. — Afinal, ele não deprecia ou classifica, apenas constata o fato de que aquele grupo de seres humanos não tem magia.
Esse era um bom raciocínio, e Harry se surpreendeu um pouco por vir da sua tia.
— Bem, então, que termo usamos? — Fred perguntou. — Se os nascidos trouxas serão os Descendentes, como chamaremos os trouxas?
Eles ficaram em silêncio por alguns segundos refletindo sobre possíveis nomes. Então...
— Acho que deveríamos fazer um concurso. — Disse Harry, com os olhos brilhando.
— O quê? — Todos o encararam confusos.
— Concurso?
— O que um concurso tem a ver com o que falávamos?
— Talvez ele esteja com febre. — Disse Fred, tentando tocar a sua testa, e Harry o afastou rindo.
— Sai pra lá! Se me deixarem explicar, por favor. — Todos pararam de rir e falar aos poucos. — A GER, uma empresa com centenas de funcionários Descendentes, que respeita e acolhe os bruxos de origem no-maj, acredita que a denominação trouxa é um menosprezo aos nossos irmãos humanos. Seu Diretor Executivo, Edgar Schubert, dará uma entrevista explicando sobre como os nascidos trouxas eram chamados de Descendentes antigamente, porque eles são descendentes de bruxos, bruxas e abortos ou Descendentes sem magia, que se casaram com no-majs. — Harry explicou formalmente. — Então, com o intuito de promover o fim da manutenção de um termo tão discriminatório, a GER passará a adotar o termo Descendentes para se referir aos conhecidos como "nascidos trouxas", e promoverá um concurso. Nesse concurso, todos poderão enviar um nome que acreditam ser um termo adequado para nomearmos os chamados trouxas ou humanos sem magia. Os nomes deverão ser enviados com o seu significado e com uma explicação do porquê de a pessoa acreditar que aquele é o melhor termo para ser o escolhido. Uma seleção dos melhores nomes será feita, e os cinco melhores serão selecionados para uma votação popular. O nome mais votado será assumido pela GER e seus funcionários para denominar os nossos irmãos no-majs. E os cinco finalistas receberão prêmios em galeões, sendo que o dono do nome escolhido receberá mil galeões!
Enquanto falava, aos poucos, todos passaram a encarar Harry com expressões de espanto e maravilha. Ao concluir, um silêncio assombrado se manteve por alguns instantes, até que todos explodiram falando ao mesmo tempo, animados, chocados e cheios de mais ideias.
— Podemos coincidir com a revelação do quadro do Slytherin! — Serafina disse.
— Claro! Quando ele contar sobre os Descendentes, a GER pode usar o museu e seu relato como uma maneira de promover o concurso! — Terry disse.
— Melhor! O concurso pode promover o museu! Podemos revelar o nome escolhido na noite da inauguração do museu! E entregar o prêmio aos ganhadores! — Hermione parecia saltar de tanto entusiasmo.
Mais ideias e planos foram surgindo e surgindo. Quando o grupo finalmente foi para a cama, já era bem tarde, e todos se sentiam cansados e empolgados depois do delicioso dia que tiveram.
Harry desceu depois de vestir o seu pijama, pois, apesar de atrasado, não deixaria de visitar os quadros dos seus antepassados, como prometera.
Ao entrar na sala, os encontrou acordados e esperando.
— Lamento o atraso. — Ele se desculpou apoplético. — Tivemos uma reunião inesperada depois do jantar e ela durou mais do que imaginei.
— Não se preocupe, meu neto. — Henry Potter disse sorrindo. — Você está com a casa cheia de lindos convidados, alguns nos visitaram e, pelo som dos risos e conversas, todos estavam se divertindo muito. Isso é o mais importante, viver a vida cercado de boas pessoas que o amem e amá-las em retorno.
— Além de ser um bom anfitrião. — Uma mulher de cabelos marrons avermelhados, tão escuros que pareciam mogno brilhante, falou com voz rouca. — Como um Potter e herdeiro de célebres Potter, você deve sempre se lembrar de ser o anfitrião perfeito, meu jovem.
Seus olhos caramelo o examinaram com atenção, como se o avaliassem, e Harry engoliu em seco.
— Não exagere, Geórgia. — Henry disse brincalhão. — Não ligue para a sua bisavó, Harry, ela é francesa e leva muito a sério o trabalho de administrar uma casa e receber convidados para jantares e festas.
— Bem, alguém tem que levar a sério, pois, por você, receberíamos os convidados e serviríamos sanduíches! — Geórgia Potter disse friamente. — Espero que não me envergonhe, meu jovem.
— Hum... — Harry hesitou ao falar, afinal foram servidos sanduíches no almoço daquele dia. — Vovó, neste fim de semana, eu estou conhecendo a mansão e usufruindo das suas diversões junto com amigos e familiares; não estou dando uma festa ou jantar formal, mas prometo que, quando isso acontecer, não servirei sanduíches.
— Bem, é justo. — Ela disse, ainda em tom severo, depois sorriu carinhosamente. — Mais quel beau jeune homme tu es, mon cher petit-fils (Mas que lindo jovem você é, meu querido neto).
— Merci, grand-mère (Obrigado, vovó). — Harry sorriu e corou com o elogio.
— Est-ce que tu parles français? Oh... comme c'est beau. Je suis très heureux de vous rencontrer, Harry. Je suis votre arrière-grand-mère, Geórgia Helene Ceslestine Gagnon Potter (Você fala francês? Oh... que belo. Estou muito feliz em conhecê-lo, Harry. Eu sou a sua bisavó, Geórgia Helene Ceslestine Gagnon Potter).
— Merlin, você e todos esses nomes, Geórgia, como é cansativa! — Laura disse aborrecida. — Nunca deveria ter deixado meu filho se casar com uma francesinha esnobe.
— Oh! — Geórgia olhou com expressão indignada para a sogra. — Eu não sou uma esnobe!
— Fútil, então, apenas preocupada em receber bem, se vestir na última moda e ser popular na sociedade. — Laura disse entediada.
— Bem... — Geórgia acenou pensativa. — Isso tudo é verdade, sogrinha, mas você não pode negar que isso ajudou o nosso Harry a se tornar um membro muito respeitado da Suprema Corte.
— Sim, eu não nego. — Laura disse, e olhou para a nora com carinho. — Passei a gostar de você quando nasceu o meu neto, e que você lhe deu o nome de Fleamont, como eu pedi.
— Bem, depois de tal sacrifício, gostar de mim era o mínimo que você poderia fazer! — Geórgia exclamou indignada, e Laura riu.
Harry riu também da troca e as duas mulheres voltaram a focá-lo.
— Agora você, meu jovem, nos conte sobre sua vida. — Laura disse suavemente. — Desde que Fleamont e Euphemia faleceram tantos anos atrás, nós não soubemos mais nada do mundo lá fora.
— No entanto, o fato de James e Lily não retornarem por tanto tempo nos levou a acreditar que, infelizmente, eles não sobreviveram à guerra. — Henry disse seriamente.
— Eu tentei ser otimista. — Disse um homem de cabelos negros e olhos castanhos. Ele parecia uma versão mais severa de Henry e Fleamont, que eram elegantes, mas descontraídos. — Olá, sou Ralston Potter, acredito que seja seu tataravô. — Ele disse suavemente. — Tínhamos a esperança de que seus pais tivessem fugido do país quando a guerra piorou ainda mais.
— Mas, com a sua chegada a esta casa sem a companhia de James e Lily, nos vimos obrigados a reconhecer o pior. — Disse outro quadro de uma jovem vestida elegantemente com um vestido antigo e azul, além de cabelos loiros avermelhados. — Sou Frida Melrose Potter, esposa de Raslton. — Harry levantou a sobrancelha, surpreso com o sobrenome que o fazia parente de seu colega purista do time de quadribol da Ravenclaw.
— Poderia nos contar o que aconteceu com eles e sobre a guerra contra Voldemort? — Pediu uma mulher de rosto sardento, olhos castanhos e cabelos vermelhos como um fogaréu. — Sou Isobel Longbottom Potter, casada com Henry Potter, o primeiro.
— Este sou eu. — Disse um homem barbudo de intensos olhos verdes, e não castanhos como a maioria dos quadros. — Prazer em conhecê-lo, nobre guerreiro.
Harry então foi apresentado a todos os seus antepassados, e descobriu que apenas os quadros dos filhos mais velhos, ou seja, do herdeiro Potter, além de suas esposas, eram pintados.
— A maioria de nós teve irmãos e irmãs, claro, mas seria impossível uma galeria com tantos quadros. — Liam Potter explicou, com um sorriso sereno. — Assim, os outros Potter da família poderiam fazer quadros, mas eles os manteriam em suas casas.
— Isso quer dizer que, se você visitar as suas outras inúmeras propriedades, encontrará quadros de alguns outros Potter que não são seus antepassados diretos como nós. — Henry I explicou. — Meu irmão, Isaac, vivia em Edimburgo, e seu quadro estará na casa dele, que poderá ou não ser sua, caso a linha dele ainda exista, mesmo que o nome não seja mais Potter. Entende?
— Sim, senhor. — Harry acenou entendendo. — Seria impossível acompanhar a linhagem de cada Potter que já nasceu, pois ela pode ter se unido com dezenas de famílias e ido para todas as direções.
— Inclusive para a América. — Henry II disse orgulhoso. — O irmão do meu avô se mudou para os Estados Unidos e foi um dos fundadores da MACUSA, além de ser um dos primeiros aurores da América. Abraham Potter era o seu nome.
— Que legal! — Harry não conseguiu evitar o sorriso e decidiu que contaria isso para Denver no dia seguinte. — Hum, Sr. Liam, o senhor é o Potter que firmou a sociedade com os Jonas na Madeireira Mágica, certo?
— Culpado. — Ele sorriu com olhos castanhos meio etéreos. — A melhor coisa que já fiz, pois Calvin Jonas era o melhor homem que já conheci. Ele salvou a minha Margaret.
— E você lhe salvou a família inteira. — Afirmou Destiny Potter, uma mulher baixinha de cabelos rubros e boca da mesma cor. Ela usava roupas masculinas e mantinha os cabelos curtos, na altura da nuca. — Margaret, nossa filha, quase se afogou no rio Wye, mas Calvin e seu filho Callum estavam pescando e conseguiram salvá-la. Anos depois, a família dele teve que deixar a vila em que vivia, pois eles estavam sendo perseguidos pelos fanáticos religiosos da igreja. — Seu olhar mostrou raiva. — Ainda não tínhamos o Estatuto de Sigilo ou o Ministério, então ele pediu a nossa ajuda e é claro que o atendemos, pois tínhamos uma dívida eterna.
— Nós o acolhemos em nossas terras. — Liam disse sorrindo. — Realizamos um ritual de ligação entre nossas famílias e nos tornamos irmãos, ao mesmo tempo em que comprometemos os nossos filhos em casamento. Margaret e Callum eram almas gêmeas, qualquer um poderia ver, e eles tiveram uma vida longa e feliz. Espero que seus descendentes estejam vivos e seguros.
— Quer dizer que a família Jonas é parente dos Potter? Por sangue e magia? — Harry sorriu animado. — Qual era a promessa desse ritual?
— Bem... proteção, lealdade, amizade e o casamento de Maggie e Cal. — Destiny disse suavemente.
— Qual ritual vocês usaram? — Harry se mostrou curioso.
— O ritual dos antepassados. — Liam disse, e o olhava curioso. — Por que pergunta?
— Essa é uma longa história. — Harry disse, e se sentou em uma das poltronas da galeria, que lhe permitia ver todos os quadros, sem pressa de falar sobre a própria vida. — Antes de eu contar sobre a minha vida, posso perguntar se algum irmão seu se casou com uma trouxa ou comum, Sr. Henry I?
— Não, eu não tive irmãos homens, mas tive uma irmã, bem, duas, mas Esther morreu na infância de varíola de dragão. — Henry I disse, com olhos verdes tristes. — Por quê?
— Apenas, Slytherin me disse que os meus olhos verdes eram iguais aos do Linfred e seus filhos, mas meu pai, meu avô e muitos de vocês têm olhos castanhos ou negros. — Harry apontou para os quadros. — Apenas você tem olhos verdes como os meus e como os da minha mãe.
— Ah! Você supõe que sua mãe possa ser descendente de uma linha Potter? — Henry I disse pensativo. — Pode ser uma coincidência, ainda que concorde que nossos olhos são incrivelmente parecidos. Lily esteve aqui algumas vezes, e sua mente arguta e olhos verdes me lembraram de Priscilla, confesso. No entanto, eu tive muitos e muitos primos, Harry, pois sou neto de Hardwin Potter, o primeiro dos sete filhos de Linfred. Meu quadro foi o primeiro pintado na família Potter; meu pai recebeu o nome do seu avô, mas era conhecido como Lino e morreu muito jovem. Já Linfred e Hardwin não deram importância para a pintura de seus quadros, pois não era algo tão tradicional durante o tempo em que viveram. — Henry parecia nostálgico. — Bem, como disse, tive dezenas de primos, mas apenas uma irmã, então é possível que os olhos verdes tenham vindo de qualquer um deles.
— Oh... — Harry acenou, entendendo que era impossível descobrir com certeza.
— Você poderia tentar construir a árvore genealógica da sua família por parte de mãe, Harry. Talvez, em algum momento, eles se cruzem com algum Potter. — Isobel disse, sentada em sua cadeira de madeira escura que parecia desconfortável, assim como suas roupas antigas. — De qualquer forma, Priscilla se casou com um trouxa de uma cidade de pescadores ao norte.
— Nunca entendi o que ela viu no rapaz. — Henry I disse exasperado. — Ele era um bronco sem instrução ou beleza, ao contrário de Keitor Parkinson, um bom pretendente, mas Priscilla sempre foi... imprevisível.
— Você a amava exatamente assim. — Isobel disse, sorrindo com carinho. — Ela conheceu John na viagem de volta da Irlanda, pois minha cunhada queria se aventurar por lugares desconhecidos, além de encontrar o seu amor. Na viagem de volta, o barco foi levado pelos ventos para essa pequena cidade de pescadores que tinha um porto minúsculo. Priscilla disse que sonhou que encontraria a sua alma gêmea em uma viagem pelo mar, "quando a corrente do mar irlandês a levar para o norte desconhecido, apenas a sua coragem frente ao perigo lhe trará as recompensas que anseia o seu coração".
— Uma profecia? — Laura se mostrou interessada.
— Não exatamente, mas Priscilla tinha esses sonhos premonitórios. — Henry I disse. — Ela sonhou com a morte de Esther, que ela se tornaria uma estrela no mar dos céus. Bem, como meu pai morreu cedo, Priscilla estava sob a minha proteção, assim, eu lhe acompanhei nessa viagem aventureira e, quando ficamos presos em uma tempestade, acabamos nesse pequeno porto de uma cidade recém-nascida. Antes era apenas uma vila de pescadores, mas ainda era muito pobre, simples e cheia de marginais esperando por uma oportunidade para se dar bem. Enquanto nosso barco era consertado, percebemos que seríamos assaltados, então eu deixei um pouco de magia à mostra para espantar a quadrilha. Deu certo; por medo, eles desistiram de nos roubar, mas se voltaram para um barco simples de pescadores que chegava depois de dias no mar. Priscilla empunhou a sua espada e correu em seu socorro, e eu fui obrigado a correr atrás dela, claro. — Ele parecia exasperado e divertido. — Depois da luta de espadas, felizmente, não foi necessária a magia; lá estava ele, John Evanshore. Ele e Priscilla se apaixonaram ao primeiro olhar e eu fui obrigado a voltar para casa sem ela.
— Nós voltamos dois meses depois para a cerimônia de casamento deles e Priscilla já estava grávida, tão feliz que parecia o próprio sol. — Isobel disse sorridente.
— Evanshore? — Harry perguntou surpreso. — Hum... como era o nome da cidade de pescadores em que vocês aportaram?
— Liverpool. — Henry I disse, e se mostrou curioso ao ver Harry sorrir. — O quê?
— Isso não pode ser coincidência, desculpe, mas não acredito nisso. — Harry disse, com um grande sorriso. — Liverpool foi fundada em 1207, e antes era uma vila de pescadores, mas ela continuou a ser uma cidade de pesca e comércio marítimo por causa do seu porto.
— Priscilla conheceu John em 1249. — Henry I informou.
— Bem, meu avô, pai da minha mãe, nasceu em Liverpool, e, pelo pouco que descobri, sua família toda era de lá... e seu sobrenome era Evans! — Harry disse se levantando, caminhando e agitando as mãos de empolgação. — Aposto que John era um antepassado do meu avô e que, entre 1249 e 1979, alguém da família encolheu o sobrenome de Evanshore para Evans! Isso explicaria os olhos verdes! Minha mãe herdou seus olhos do vovô Brian! Eles também eram Potter! Distantes, claro, mas isso também comprova que ela era uma Descendente! — Harry começou a andar pela sala, animado. — Mamãe era mais do que o termo "nascida trouxa" diz, ela era uma Descendente da família Potter!
— Harry, isso são suposições, boas suposições, eu admito, mas ainda suposições. — Disse Henry II, sensato. — Para afirmar isso categoricamente, você precisa de provas, meu neto.
— Eu tenho a minha intuição e, para mim, isso é prova suficiente. — Harry disse. — Desde que Slytherin me contou sobre os olhos verdes de Linfred e seus filhos, essa informação não deixou a minha mente, e não acredito nesse tipo de coincidência, vovô, não mesmo... mas entendo que, para esfregar essa verdade na cara dos puristas, eu precisarei de provas reais, e pretendo consegui-las. — Sua expressão mostrou toda a sua determinação, e os quadros ficaram impressionados.
— Seria ótimo se a nossa sociedade aceitasse que os nascidos trouxas ou Descendentes não são invasores, são filhos de bruxos que viveram há muitos séculos e que se relacionaram com os trouxas. — Disse Liam solenemente, e olhou para Henry II. — O Estatuto de Sigilo nos protege, mas nada foi criado para proteger os trouxas e Descendentes. O menino está certo, meu neto, ele precisa provar a verdade para as famílias antigas puristas.
— Eu buscarei a árvore genealógica da família Evans, mesmo que demore um tempo para encontrar todas as informações. — Harry disse animado. — Não importa se for complicado ou caro, eu farei isso, e talvez seja possível exibir a verdade na inauguração do museu.
— Museu? — Geórgia perguntou curiosíssima. — Não me diga que finalmente este país atrasado terá um museu mágico?
— Pretendemos criar um, sim. — Harry disse sorrindo.
— Alléluia! Na França, temos os museus mais lindos do mundo trouxa. Você já conheceu Paris, mon petit? Não? Um neto meu que ainda não conhece a França? — Ela parecia escandalizada. — C'est absurde! (É um absurdo!) Harry, você precisa visitar Paris imediatamente! Conhecer o Louvre, a Basílica, o Arco, a Torre, o Palácio, a Catedral!
Harry riu divertido com seu jeito escandaloso e animado.
— Não se preocupe, vovó, eu ainda sou jovem, acredito que terei tempo suficiente para fazer tudo isso. — Ele disse suavemente. — Prometo visitar a França antes de qualquer outro lugar.
— E procure por Madame Tussauds, pois ela abriu o museu mágico de Paris, além daquele maravilhoso museu de cera em Londres, claro. — Geórgia disse. — Ela é brilhante e muito talentosa, procure-a que ela te ajudará a criar um museu mágico britânico.
— Mas... — Harry hesitou confuso. — Pensei que Madame Tussauds estava morta desde o século 19 ou algo assim.
— Marie não morreu. — Geórgia arregalou os olhos. — Pensei que vocês soubessem! O que se ensina naquela escola escocesa de magia? Marie Tussauds é uma vampira, Harry, além de uma bruxa poderosa e talentosa. Seu museu mágico de Paris é fenomenal!
— Ora... — Harry parou desconcertado. — Que interessante. Bem, o pouco que eu sei sobre ela vem do mundo trouxa, realmente não existe informações sobre Madame Tussauds no mundo mágico do Reino Unido.
— C'est honteux (Isso é vergonhoso). — Ela disse, empinando o nariz como só uma francesa poderia fazer.
— No entanto, eu procurarei a Madame Tussauds, vovó, e quem sabe ela nos ajude com o nosso museu mágico. — Harry disse, fazendo uma anotação mental para pedir ao Sirius e Falc que entrem em contato com ela. — Sr. Liam...
— Apenas Liam, Harry, ou vovô Liam. — Liam Potter falou com um sorriso gentil. — Nada de senhor entre a família, meu rapaz. Você tem outra pergunta?
— Sim, vovô Liam. — Harry sorriu. — Hector Jonas é o meu professor de Carpintaria Mágica e me contou como o senhor ensinou a sua família a respeitar a floresta ao colher a madeira mágica para a produção de móveis. Ele também disse que a história ensinada pelas gerações da família Jonas é que o senhor passava a maior parte do seu tempo na floresta e que era um animagus. Queria saber qual era o seu animagus.
— Rá! Seu pai também ficou curioso. — Liam disse sorrindo. — Ainda me lembro dele garotinho me perguntando o mesmo e se exibindo para nós quando conseguiu a sua transformação. Infelizmente, ele foi pelo caminho mais fácil, que é a transfiguração animaga e não a transformação animaga. Existe uma diferença, acredito que você saiba.
— Sim, vovô Liam. — Harry acenou afirmativamente. — O método que o papai e Sirius usaram promove a transfiguração física e mágica de um bruxo em seu animagus, mas a transformação promove uma alteração e conexão de almas entre o bruxo e seu espírito animagus.
— Exato! — Liam parecia orgulhoso. — Eu disse isso ao seu pai, mas ele era teimoso e impaciente, queria fazer ou ter tudo o mais rapidamente possível.
— Sim, acho que ele sabia que não viveria muito. — Harry disse, com um olhar triste. — Bem, eu sou mais paciente e estou fazendo o que é necessário para conseguir a transformação animaga verdadeira, vovô Liam.
— Ótimo. Isso quer dizer que eu posso lhe falar das minhas descobertas, ou parte delas. — Liam disse sorrindo. — Hoje não terei tempo de lhe dizer tudo, e é claro que deixei anotadas as informações em um livro pessoal na nossa biblioteca. O que você precisa saber é que eu não era um animagus, originalmente. — Harry franziu o cenho, curioso e confuso. — Eu era um lobisomem.
— O quê!? — Harry perdeu o fôlego, e alguns quadros soltaram exclamações de surpresa ou choque.
— Papai? — Ralston disse confuso. — O senhor nunca me contou isso. E... eu tenho certeza que o vi na lua cheia em muitas e muitas ocasiões.
— Desculpe, Ral, mas eu e sua mãe sempre fomos cautelosos com essas informações e nossas descobertas. — Liam disse, e não parecia envergonhado. — Na época, o Ministério e o Estatuto de Sigilo não existiam, e a nossa família tinha muitos inimigos por causa da nossa defesa aos Comuns, como eram chamados. Quando você se envolveu com política e se tornou membro da Suprema Corte, a verdade se tornou ainda mais perigosa para você e toda a nossa família.
— Ok. Eu compreendo, mas, aqui, entre nós, por que nunca nos contou? — Ralston perguntou um pouco magoado.
— Porque não importa para nós, Ral. — Destiny disse impaciente. — Estamos mortos, ora. O que meros quadros fariam com nossas descobertas? Além disso, sempre soubemos que um dia, entre os nossos herdeiros, alguém mereceria saber o que descobrimos. Era a nossa decisão escolher para quem contar, não de qualquer um de vocês.
— Era nosso segredo, e acredito que todos aqui têm algum segredo que nunca compartilharam. Ou estou errado? — Liam perguntou, olhando em volta, e ninguém contestou. — Bem, Harry, conte-me sobre o que tem feito até agora para encontrar o seu espírito animagus.
Harry acenou e contou sobre a sua meditação, a oclumência e sua conexão com a magia natural.
— Muito bem, você está no caminho certo, mas sugiro que faça alguns rituais em datas mágicas importantes. — Liam disse, e enumerou várias datas mágicas específicas. Harry lamentou não poder anotar, mas decidiu que voltaria com um bloco no dia seguinte.
— Hum... eu fiz três rituais. — Harry disse pensativamente. — Um ritual de limpeza, me ajudou muito com meus pesadelos, sabe, vovô Liam. Também fiz um ritual Yule para convidar meus pais para nossa ceia, e os meus avós também vieram, foi muito bom, me senti parte da família Potter como nunca. E também participei do ritual do solstício de inverno, em uma fogueira cheia de bruxos e tanta energia! Quando entrei em transe, senti vocês me convocarem e me escolherem como o seu representante, o defensor da sua magia, da sua honra e sangue. Senti a fé de vocês de que eu conquistarei a vitória, e meus antepassados guerreiros sussurraram que confiam que serei o Guerreiro Vencedor.
— Um ritual de ligação com os antepassados. — Liam disse, surpreso e orgulhoso. — Incrível!
— A Deusa deveria estar acolhedora para liberar uma magia tão especial e única. — Destiny disse sorrindo. — No entanto, meu marido está certo, Harry, você precisa fazer mais rituais para poder se preparar para a transformação animaga verdadeira. Prepararei uma lista para você, mas para isso precisamos te conhecer mais, meu neto.
— Ok. — Harry ainda estava relutante em falar sobre a sua vida. — Antes, poderia me contar o seu segredo, vovô Liam?
— Claro, pois sinto que você é aquele para quem devo contar essa história. — Liam tinha um sorriso sereno. — Eu fui mordido aos 20 anos e sabia que isso era a destruição da minha vida. Meus pais me amavam e me apoiaram, assim como meus irmãos, que deixaram claro que queriam que eu continuasse sendo o herdeiro Potter. Suas confianças em mim me envergonharam e me motivaram a encontrar maneiras de honrar nossa família com tudo em mim. Eu viajei e passei muito tempo nas florestas do mundo, fiz rituais de limpeza, de sabedoria, de purificação, de amor, respeito, autoconhecimento e aceitação. Quando estava na África do Sul, encontrei o meu destino. — Ele olhou para a esposa com muito amor.
— O bobo tentou me dizer que eu não deveria amá-lo, imagine isso. — Destiny disse, com um sorriso malicioso.
— Mamãe nunca te obedeceu na vida, papai. — Ralston disse divertido.
— Ainda bem, ou você não existiria, filho. — Liam disse, e todos riram. — Bem, Destiny e seu amor me ajudaram a me aceitar, e foi nas florestas da África que encontrei o ritual de ligação animagus verdadeiro. Claro que existem versões desse ritual em toda a parte, mas lá o chefe da tribo Khwe me ensinou a encontrar o meu espírito animagus, mesmo que em minha alma eu já não estivesse sozinho. Eu achei que seria impossível, quer dizer, o lobo em mim era forte, real, e não apenas uma infecção ou doença. Mandla, o chefe da tribo, me disse que a doença me tirava o controle, o discernimento humano, e me tornava mais animal do que bruxo. No entanto, a licantropia não contaminava a minha alma, que era inteira e pura. Ele disse que eu precisava aceitar o lobo e vencer a doença, e que o lobo precisava me aceitar. Para isso, eu precisava da conexão mágica com o meu irmão espiritual, pois ela me fortaleceria para vencer a maldição, bastava que eu acreditasse. — Liam pareceu envergonhado. — Eu não acreditei e voltei para a Inglaterra com Destiny, aceitando que o pouco de paz que tinha obtido até ali era tudo o que eu teria.
— Então, quando eu disse que queria ter seus filhos, ele negou, pois temia que eles nascessem com a doença. — Destiny disse sombria. — Insistiu que um dos seus sobrinhos seria o seu herdeiro, mas eu insisti de volta e não cedi até que ele concordasse.
— Eu não conseguia lhe negar nada, como poderia lhe tirar o prazer de ser mãe? Ao mesmo tempo, era uma criatura muito egoísta para lhe deixar partir e realizar o seu sonho com outro homem. — Liam suspirou. — Assim, voltei para a África do Sul, ficamos lá por muitos anos e criamos uma reserva de animais mágicos, que eram cuidados e protegidos pela tribo de Mandla. Ele era um chefe muito sábio e com visões estranhas do futuro, sempre me dizia que, um dia, um dos meus herdeiros reuniria os lobos na "Grande Matilha", se tornaria irmão dos lobos e os ensinaria a serem um com seus espíritos irmãos. — Harry arregalou os olhos com essas palavras, mas Liam não percebeu. — Com a ajuda de Mandla e muitos rituais, eu consegui realizar o ritual de ligação com meu irmão espiritual. O lobo era forte e queria o controle, mas meu animagus era mais forte, ele era filho da Deusa e não poderia ser vencido. Pertinax me julgou e me acolheu como seu irmão, aceitou a nossa conexão e nós três nos tornamos um. — Liam sorriu com a lembrança. — Quando a lua cheia chegava, eu tinha a força do meu irmão para manter o controle e continuar a ser bruxo; ao mesmo tempo, sempre que eu precisava me transformar em meu animagus, o lobo se enchia de animação por poder correr e brincar. No entanto, depois que me tornei um animagus, nunca mais perdi o controle sobre o meu lobo, nunca passei pela dor das transformações na lua cheia ou perdi a minha humanidade.
— Sim, mas passava mais tempo correndo pela floresta do que como humano. — Destiny disse carinhosamente. — Ele sempre voltava em paz e feliz, assim, me tornei uma animagus para poder acompanhá-lo, e passamos muitas e muitas noites vivendo na natureza.
— Sim, eu me lembro disso. — Ralston não parecia se ressentir, mas suas roupas elegantes e maneiras o mostravam como um homem que preferia o conforto de uma casa e adorava trabalhar em um escritório. Liam estava com roupas simples e Destiny com suas roupas masculinas e cabelos vermelhos curtos na altura da nuca. Suas peles eram bronzeadas como de duas pessoas que passavam muito tempo ao ar livre, e Harry pensou que não pareciam fazendeiros, mas aventureiros ou índios. — Felizmente, vocês ficaram em casa o suficiente para me criar e aos meus irmãos.
— Bem, tínhamos que ficar, porque você detestava viver na floresta. — Liam disse exasperado para o filho almofadinha. — Se não fosse a minha cara, Ral, duvidaria que fosse meu filho.
— Lamento decepcioná-lo, papai, mas sou a sua cara. — Ral brincou, e Harry adivinhou que essa conversa provocativa já ocorrera antes.
— Então você quer dizer que encontrou a cura para a licantropia, vovô Liam? — Harry voltou ao mais importante.
— Cura? Jamais teria essa pretensão, Harry. — Liam disse sincero. — Minha busca era por paz e aceitação, não a cura, pois sabia que não poderia deixar de viver a minha vida atrás de uma quimera inalcançável. Não, o que eu fiz foi me unir ao meu lobo e ao meu animagus, juntos nós alcançamos a paz que eu buscava.
— Qual era o seu animagus? — Henry II perguntou curioso.
— Eu era um tigre de bengala. — Disse Liam orgulhoso. — E Destiny era um lince da neve.
— Espera, pensei que você fosse um lobo negro. — Ralston disse confuso. — Eu te vi transformado em várias ocasiões, papai.
— Bem, esse era o lobo, e ele gostava de correr mais do que o tigre, que preferiria dormir e sair mais para caçar. — Liam explicou. — Assim, como não podia explicar ter dois animais animagus, afinal isso é impossível, eu assumi apenas o lobo negro como o meu animagus. Apenas a sua mãe sabia sobre o tigre, claro.
— Dois... — Ralston parecia desconcertado com os segredos do pai.
— Mas os lobisomens não se transformam em lobo, ele se torna uma criatura humanoide de duas patas. — Laura disse confusa.
— Isso acontece por causa da doença que atinge o lobo e o bruxo. — Destiny contou. — Todos sabem que a licantropia foi uma doença criada por um bruxo a partir do sangue de um Shapeshifter lobo. Certo? — Todos acenaram e ela continuou. — Os Shapeshifters eram poderosos e viviam em grande comunhão com seus animais e com a Deusa, assim, sua ligação se manteve no sangue contaminado, mas essa contaminação acontece com bruxos que não têm a mesma comunhão com a natureza, com a magia ou com seu espirito irmão. E os bruxos contaminados pela licantropia lutam contra o lobo, ou se entregam à fera e corrompem suas almas, se tornando monstros, não mais animais ou humanos.
— O lobo estava no meu sangue, na minha alma, mas a doença machucava a mim e ao lobo, não nos permitia nos unir. — Liam disse gentilmente.
— O lobo não é a doença... — Sussurrou Harry chocado.
— Não, o lobo é o dom dos shapeshifter que foi roubado e espalhado por uma maldição mágica de sangue. — Liam disse suavemente, e todos tinham expressões chocadas. — A maldição é a doença, mas, quando eu aceitei o lobo, aceitei que ele era parte da minha alma, tudo se tornou possível. No entanto, Tristan, o lobo, também precisou aceitar a mim e ao tigre, enfrentar a loucura da maldição de sangue que o corrompia. E, com isso, o meu espírito irmão, dotado pelo poder da Deusa, ajudou imensamente. Foi como se o tigre, Pertinax, se tornasse irmão do lobo, Tristan, e o acolhesse como parte de nós. E os três se tornaram um.
Harry estava tão perdido em assombro, como todos os quadros, que o silêncio se prolongou por alguns minutos. Sua mente girava em torno das possibilidades. Se os lobos passassem por esse processo, se conseguissem a transformação animaga, poderiam deixar de sofrer com a licantropia!
— ...Sabe se sua mordida deixou de ser contagiosa? — Laura perguntou, e Harry voltou a prestar atenção.
— Nunca testei, claro, mas acredito que os riscos ainda existiam, principalmente na lua cheia. — Liam disse serenamente. — Eu tinha controle, mas Tristan ficava mais impaciente e explosivo nesses dias. Me acostumei a não me transformar, pois temia que ele pudesse se tornar agressivo com algum forasteiro na floresta. Nunca quis arriscar, entende? — Todos voltaram a acenar.
— O senhor me ensinará, vovô Liam? — Harry disse intensamente. — Para que eu possa ajudar os lobisomens?
— Claro, mas antes, preciso saber se você é o herdeiro que unirá os lobos. — Liam disse sincero. — Se não, o ajudarei apenas a encontrar o seu espírito irmão.
— Ok. — Harry suspirou, e sabia que não podia adiar mais. — Voldemort matou meu pais... — Ele disse, e viu o olhar triste de todos. Geórgia imediatamente começou a chorar pelo neto, e Henry II passou para o seu quadro para abraçá-la carinhosamente. — A guerra estava em seu pior, mas eles combatiam ferozmente... A Ordem da Fênix... Papai e mamãe lutaram contra Voldemort três vezes, e acho que um dia poderiam tê-lo vencido... Uma profecia foi feita... Voldemort me escolheu... Apesar de todos os cuidados... Eles tinham um espião... No Halloween... Seu amor criou a proteção e me salvou... — Harry enxugou as lágrimas do rosto, e não havia um só quadro que também não chorasse. — Sirius foi enviado para Azkaban sem julgamento... — Henry II parecia que saltaria do quadro de tão possesso que se tornou. — Dumbledore anulou o testamento e me enviou para viver com a irmã da minha mãe... Eles me odiavam, e nunca me contaram a minha história... Vivia no armário, e disseram que meus pais morreram em um acidente de carro... Então, a carta chegou... Em minha primeira viagem para Hogwarts... Praticamente um nascido trouxa... Terry, Ravenclaw, a verdade, os Boots... Sirius estava livre, mas eu queria mais, não posso permitir que a morte dos meus pais seja em vão. Todas aquelas pessoas que morreram na guerra e nada mudou! É tão errado!
— Realmente é. — Henry II disse suavemente. — Todos lutamos um pouco a cada vez, mas parece que nunca é o suficiente.
— Conte-nos o que fez até agora? — Ralston perguntou interessado.
— Bem, primeiro... os alunos se infiltraram, então... A GER infiltrou os Descendentes e mestiços ao seu lugar de direito... Estamos lutando e planejando em várias frentes... O novo Partido, na Suprema Corte... Stronghold e a nova matilha com os lobisomens tendo um lar.
— Isso é brilhante, Harry! — Liam disse sorrindo. — Sempre me perguntei sobre como o meu herdeiro uniria os lobos na "Grande Matilha", e a resposta era óbvia! Você lhes deu um lar!
— Eu me inspirei na ideia do vovô Henry II, que proporcionou um lar para os elfos domésticos que não servem a uma família. — Harry disse, olhando para o bisavô com orgulho.
— Grande ideia também, meu bisneto. — Ralston disse olhando para Henry II.
— Tudo isso é muito bonito e emocionante, mas o que tem feito sobre a guerra? — Matthew Potter, marido de Laura, que se manteve em silêncio a maior parte da conversa, perguntou. — Aposto que as ações de Dumbledore não foram em vão, e isso quer dizer que aquele maldito irá voltar.
— Sim, infelizmente. — Harry suspirou, mais cansado do que poderia admitir, mas continuou falando e falando. — A pedra filosofal... Quirrell... Eu o matei... pesadelos... A verdade sobre a profecia... Dumbledore tem seus planos, mas não sei se ele espera que eu sobreviva... Dobby... As petrificações... O Portal Adler... Guinevere... O diário... A câmara secreta... Freya... Firenze... As Equipes... O Jardim da Lily... Treinamentos e planejamentos para a guerra... Às vezes acho que nunca terá fim, mas tenho esperança de que podemos vencer e espero sobreviver. — Ele encerrou suavemente.
— Ah! — Mariano o olhou com atenção. — Você tem em você o que é necessário para enfrentar a guerra, filho: um grande coração, uma mente brilhante, coragem de sobra e sangue frio.
— Em uma guerra, não se trata de vencer, Harry, se trata de perder menos, porque todos perdem quando vão para a guerra. — Acrescentou Henry I suavemente.
— Nós ajudaremos você, Harry, em espírito, com nossa magia e fé, além dos nossos conselhos pelos quadros. — Disse Liam lentamente.
— Você não está sozinho, Harry, porque você é um Potter, e nós nunca estamos sozinhos de verdade. — Disse Henry I solenemente.
— E você já encontrou a sua companheira. — Destiny disse sorrindo. — A Deusa foi generosa com você, Harry, pois você também é o seu Guerreiro Vencedor. Liam e eu criaremos uma lista de rituais para você agora que o conhecemos melhor e ao seu destino, meu querido neto.
— Quando chegar a hora, Harry, eu lhe ensinarei o que precisa das Runas para fazer com que esse Voldemort se arrependa de ter nascido. — Laura disse ferozmente.
— Descubra o resto da profecia, Harry, eu analisarei com atenção, pois minha avó era uma vidente verdadeira. — Disse Frida, pensativa e gentil. — Muitas respostas estarão nas palavras enviadas pela Deusa.
— E mantenha Dumbledore por perto, Harry, ele não é seu amigo ou inimigo, mas às vezes é melhor ter um inimigo declarado do que um falso amigo. — Ralston disse seriamente. — Ele acredita que suas ações são justas e corretas, esses são os mais perigosos, pois se iludem com a própria importância e sabedoria.
— E não se esqueça de se divertir, mon cher. — Geórgia disse, com um olhar carinhoso. — Você tem adultos incríveis ao seu lado, a guerra ainda não começou para valer e você tem apenas 12 anos. E amanhã, você deve ser apenas um bom anfitrião e ter muita diversão. É uma ordem da sua bisavó!
Harry sorriu emocionado, e enxugou uma lágrima que escorreu pelo canto dos olhos.
— Obrigado por me receberem tão bem em casa. — Ele disse suavemente e suspirou, pois era assim que se sentia: em casa.
— Esse é o seu lar, Harry, e espero que você viva muitos e muitos anos e o encha de lindos bebês de olhos verdes e castanhos. — Isobel disse docemente. —Agora vá dormir, pois você está cansado.
— Boa noite, vovôs, vovós. — Harry acenou e deixou a sala com um coro de boa-noites o seguindo.
Assim que ele fechou a porta, os bruxos nos quadros começaram a trabalhar, afinal, os membros da família Potter sempre apoiavam uns aos outros e a todos aqueles que buscassem seus auxílios.
Enquanto Harry tinha sua reunião especial e a casa dormia, a noite não se mostrou tão tranquila para Adam, que teve pesadelos horríveis com florestas desconhecidas, crianças queimando vivas em uma igreja, filhotes chorando e um terror que o fez gritar desesperado. Terry o abraçou tentando acordá-lo, mas seus pais chegaram um segundo depois e o pegaram. Adam se agarrou à mãe tentando afastar as imagens, tentando compreender. Chorando, ele balbuciou sem palavras e dormiu novamente, exausto, sem encontrar respostas.
A manhã de domingo encontrou todos meio sonolentos, cansados, famintos ou preocupados. No caso de Harry, ele estava incrivelmente animado com as descobertas da noite anterior e ansioso por mais um bom dia, pela assinatura dos Tratados e o presente que ele daria para o Duda. A eletricidade que percorria o seu corpo espantou qualquer cansaço pelas poucas horas de sono.
Sirius partiu bem cedo com Remus para verificar como andava o trabalho de Edgar e Belle com as assinaturas, e Falc foi até Hallanon buscar o filhote que Harry pretendia dar ao primo. Quando ele retornou trazendo uma caixa discreta, Harry a levou para a sala íntima e chamou Duda e Petúnia, pois queria fazer a surpresa sem todos em volta.
— Duda. — Harry disse suavemente, e acariciou a cabeça de Ffrind, que o seguia por toda a parte, ou ficava na cozinha com Dobby, por quem parecia apaixonado (sentimento claramente correspondido), ou no jardim brincando com Kalil. — Você sabe que, agora que é seguro, eu estou levando Ffrind comigo para Hogwarts.
Seu primo tentou manter o rosto neutro, mas seus olhos azuis ficaram tristes na mesma hora.
— Eu sei, hum... está tudo bem. — Ele disse baixinho. — Ele sente muito a sua falta e deve ficar com você.
— Sim, eu também senti falta dele, pois Ffrind é um amigo, um companheiro, como Edwiges. — Harry disse. — E também é um presente da minha tia Trissie, o primeiro presente que ela já me deu, o que o faz ainda mais especial. — Petúnia desviou o olhar na tentativa de esconder o ciúme, mas Harry estava focado em Duda e não percebeu. — No entanto, eu sei como você ama o Ffrind e sentirá a sua falta, também entendo que você tem passado por muitas coisas difíceis nos últimos tempos e... bem, algumas delas são por minha culpa. Então...
— Espere. — Duda franziu o cenho confuso. — Nada do que aconteceu de ruim comigo é sua culpa, Harry.
— Bem, talvez se não fosse por mim, seu pai não estaria preso, Duda. — Harry disse arrastando o pé no chão.
— O juiz disse ao meu pai que ele acabaria na prisão se não mudasse o seu comportamento. — Duda disse. — O que aconteceu apenas antecipou isso, e não foi sua culpa o que o meu pai fez, Harry. Ele não tinha o direito de te machucar, te atacar ou te odiar, você é família e meu pai tinha que entender isso. A falha foi dele, não sua.
Harry apenas acenou, sem palavras por causa da emoção, e afastou Ffrind, que tentava alcançar a caixa para ver que cheiro curioso era aquele que estava sentindo.
— Obrigado por dizer isso. Hum... de qualquer forma, acho que você merece um pouco de alegria por causa de tudo o que aconteceu, e decidi comprar o seu presente de aniversário com antecedência. — Ele prosseguiu, e viu os olhos de Duda se arregalarem.
— Mas meu aniversário é só em junho! — Ele protestou surpreso.
— Bem, é por isso que eu disse antecedência, ora. — Harry pegou a caixa e estendeu para o primo. — Lhe desejo dias melhores e muitos bons amigos.
Confuso, Duda olhou para a mãe, que acenou emocionada e pegou a caixa, que tinha sido enfeitiçada para não ouvirem os barulhos do filhote, mas isso não o impediu de andar pela caixa, ansioso para sair e conhecer o seu dono. Duda se engasgou de espanto ao sentir algo se mover dentro da caixa e rezou para não ser uma cobra.
— Que não seja uma cobra... por favor... — Ele sussurrou tão baixinho que Harry e sua mãe não o ouviram.
— O quê? — Harry se inclinou.
— Nada, estava apenas dizendo que é uma surpresa. — Duda se apressou em responder, mas não tentou abrir a caixa.
— Você não vai abrir? — Harry perguntou confuso.
— Abrir? Ah, sim, claro... Eu tenho que abrir, sim, sim, claro. — Engolindo em seco, Duda fechou os olhos e, com as mãos trêmulas, ergueu a tampa apenas alguns centímetros, mas foi o suficiente para se desfazer o feitiço e os três ouvirem os ganidos do filhote. Em um segundo, Duda arregalou os olhos e tirou toda a tampa, que caiu no chão enquanto ele olhava abismado para o lindo filhote branco amarelado.
— É um filhote de labrador. — Harry se apressou em dizer. — Macho, tem todas as vacinas e eu comprei todos os equipamentos necessários também. — Duda não respondeu, ainda encarando o filhote de olhos escuros, que o encarava de volta curioso, tentando subir pela caixa e alcançá-lo. — Não havia mais filhotes de Setters, mas achei que você não se importaria, pois labradores também são cachorros muito companheiros e amigáveis, além de muito inteligentes e protetores. Ele poderá correr com você e dormir no seu quarto, se quiser, pois tem pelos curtos, ao contrário de Ffrind, que é todo peludo.
Ffrind encarava o filhote com a mesma atenção de Duda, como se avaliasse o que era a criatura e se era confiável. Ao ouvir o seu nome, ele latiu e pulou nas pernas de Harry, querendo atenção e firmar o seu território. Harry o pegou no colo e o aproximou da caixa. Ffrind se inclinou e cheirou o pequeno labrador, que recuou levemente intimidado, depois deu uma fungada curiosa no focinho de Ffrind. Quando Ffrind deu um cascudo de aviso, Harry o puxou para trás, mas o filhote tinha entendido o recado de que não deveria mexer com o seu companheiro, pois Harry era dele. O filhote olhou para Harry um pouco preocupado, depois para o garoto que segurava a caixa e entendeu que aquele era o seu companheiro; assim, ele imediatamente sorriu docemente e tentou pular da caixa no seu colo.
— Calma, garoto, assim você vai cair. — Duda disse, quando a caixa balançou em sua mão. Ele pegou o filhote amarelo suave e o colocou contra o peito, soltando a caixa na mesinha. — Nossa, que bonito você é... — O elogio fez o filhote sorrir ainda mais e lamber com carinho a mão de Duda. — Veja, mãe, eu tenho um filhote também e... ele é amarelo, a sua cor preferida! — Duda tinha os olhos arregalados e apaixonados pelo filhote.
— Sim, estou vendo. — Ela sussurrou quase sem voz. — Hum... teremos que treiná-lo, como fizemos com Ffrind.
— Quer dizer que posso ficar com ele!? — Duda não conseguia acreditar.
—Bem, é claro. — Ela disse, e acariciou hesitantemente a cabeça do filhote, que lhe lambeu a mão e sorriu com suas palavras. — Esse é o primeiro presente que o Harry lhe deu e isso é especial, como ele disse. Além disso, a casa ficaria muito silenciosa sem um cachorro, já me acostumei a termos um como companhia.
— Sim! — Comemorou Duda com um grande sorriso, que não se via em seu rosto desde o julgamento do pai. — Você ouviu isso, amarelo? Vamos ser companheiros! Os melhores amigos, e eu cuidarei bem de você, prometo. — Duda beijou o cachorro, tentando esconder a emoção. — Obrigado, Harry, de verdade. Esse foi o melhor presente das centenas que já recebi, e prometo que não descuidarei do amarelo.
— De nada. Mas por que vai chamá-lo de amarelo? — Harry disse, tentando descontrair o ambiente. — Quer que ele não goste de você?
— Não sei, gosto do fato de ele ser amarelo. — Duda riu levemente e olhou nos olhos pretos do filhote. — Hum, como posso te chamar, então?
— Bem, amarelo em latim é flavo e em galês é melyn. — Harry sugeriu. — Eu chamei o Ffrind com esse nome porque é amigo em galês.
— Bem, acho que vou manter a tradição, então. O que me diz, Melyn? Gosta mais desse nome? — Melyn deu uma lambida em seu nariz e sorriu animado. — Pronto! Ele gostou! Veja, mãe, esse é o Melyn!
— Olá, garotinho. Esse nome combina com você, Melyn. Boa escolha, Duda. — Ela então sorriu para o Harry. — Obrigada, Harry, você sempre me surpreende com esse seu coração enorme e com sua gentileza.
Harry corou um pouco envergonhado e voltou a arrastar o pé no chão.
— Não foi nada, tia. Duda cuidou do Ffrind para mim por todos esses meses, e ele merece um companheiro como o Melyn. — Harry tocou a cabeça do filhote com carinho. — Veja, Ffrind, agora você terá um amigo para brincar quando estivermos em casa. — Ffrind observou o filhote e entendeu que ele não tomaria o seu dono, assim, amigavelmente, ele lambeu o seu focinho e lhe deu as boas-vindas. Melyn retribuiu a lambida e sorriu emocionado por ter uma família tão legal.
— Vamos mostrar o meu Melyn aos outros! — Duda disse com um grande sorriso, e deixou a sala com Harry e Petúnia o seguindo.
Eles foram até a cozinha, onde todos ainda tomavam o café da manhã, pois tinham acordado mais tarde do que o habitual. Harry foi um dos poucos que acordou cedo para se exercitar; na verdade, apenas ele, Sirius e Denver tinham corrido várias voltas no campo de quadribol, e Harry descobriu que a chefe auror era incansável.
— Vejam! — Duda exclamou, e exibiu Melyn no alto para todos verem. — Harry me deu um filhote! Como presente de aniversário antecipado! — Do alto, Melyn olhou em volta e ganiu assustado, com medo de cair.
— Oh...
— Que fofo!
— Ele é lindo!
As exclamações altas de prazer pelo filhote ressoaram pela cozinha, mas não abafaram o grito de Adam.
— Não! — A primeira palavra que ele falou depois de meses saiu rouca e desesperada, toda a cozinha se silenciou e o encarou em choque. — Não! Você não irá machucá-lo! Eu não vou deixar!
As palavras saíram entrecortadas e Adam parecia em transe, como se seus olhos vissem uma cena diferente da que estava à sua frente.
— Adam... — Sua mãe sussurrou, tentando chamá-lo.
— Eu não deixarei que o coma! Vou lutar com você! Eu não tenho medo! — Adam correu e investiu contra Duda, mas era tão pequeno que seu primo nem piscou, apesar de estar com expressão de espanto.
Serafina e Falc imediatamente se adiantaram e tentaram conter o menino e seus socos.
— Eu vou lutar contra você, homem mau! Eu não tenho medo! Você não irá feri-lo! Me dá ele! — Adam gritava e tentava se soltar dos braços de Serafina, enquanto seu pai segurava os seus punhos, que socavam tudo à sua volta.
— Adam! — Falc falou com firmeza tentando alcançá-lo, mas Adam parecia preso no dia em que fora sequestrado.
— Por favor, Adam... — Serafina o abraçou com carinho. — É mamãe, está tudo bem, você está seguro. O homem mau não irá machucá-lo.
— Não! Fuja, filhotinho! Galon! Galon! Me ajude! Salve o filhote! Salve ele! — Adam continuou a lutar e gritar, com os olhos arregalados e distantes.
Todos tinham se levantado da mesa, e Ayana chorava abertamente ao ver o sofrimento do irmão, enquanto Terry a abraçava tentando acalmá-la.
— Talvez seja melhor lhe dar uma poção calmante. — Sugeriu o Sr. Boot, muito pálido.
— Não! — Terry se adiantou. — Ele não fala ou consegue falar há semanas, precisamos deixar que o Adam desabafe o que o angustia. Tio Martin diria isso se estivesse aqui.
— Adam, baby, fale com a mamãe, estamos aqui... o papai está aqui... — Serafina disse baixinho.
— Ahhhhhhhhh! — Adam gritou, e os cachorros ganiram de tristeza. Ffrind correu e pulou nas pernas de Adam, e Kalil começou a lamber seu rosto, tentando fazê-lo voltar para o presente.
— Galon! Não deixe ele te ver! Leve o filhotinho! Salve ele! — Adam gritou aterrorizado e, enquanto todos observavam sem saber o que fazer, Duda se moveu à frente e lhe estendeu o Melyn.
— Aqui, Adam, pegue o filhotinho. Veja, ele está bem, Melyn está seguro. — Ele falou em um tom suave e gentil.
Serafina e Falc o soltaram e Adam pegou o filhote com força, mas carinhosamente e o protegeu junto ao peito. Melyn, sentindo que precisava fazer a sua parte para ajudar o garotinho, lambeu o seu rosto suavemente.
— Você está seguro, filhotinho. — Adam sussurrou como se não quisesse que alguém o ouvisse, e fechou os olhos com força. — Eu vou te proteger, o homem mau não comerá você... sshhhh...
Suas palavras fizeram Ayana soluçar alto e ficar ainda mais pálida.
— Adam... — Sua mãe sussurrou o seu nome com carinho e acariciou os seus cachos de anjo. — Você e o filhotinho estão bem. Você pode voltar agora, meu amor...
Adam ouviu a mãe e abriu os olhos, a encarando. Parecia levemente confuso, como se não entendesse por que não estava no topo de um monte chapado, com um vento enregelante e cercado por árvores, mas sim na cozinha de Stone Waterfall, cercado por amigos e família. Ele olhou em volta por um segundo, depois para o filhotinho em seus braços, e arregalou os olhos ao perceber que, apesar de ser um labrador, aquele filhote não tinha os pelos brancos com manchas marrons; ele era todo branco amarelado. Então, ele se lembrou de que não pode salvar o filhotinho e começou a chorar.
— Adam! — Serafina o abraçou.
— Mamãe... — Ele parecia desconsolado. — Eu não o salvei, mamãe... O homem mau... ele pegou o filhotinho e quebrou o pescoço dele... crack, crack, crack, crack! Eu não paro de sonhar com o barulho... então... — Adam falava em meio aos soluços entrecortados. — Ele puxou a cabeça dele do corpo... espirrou sangue... o cheiro não vai embora... e ele o comeu e comeu... mastigou ele e os ossos faziam barulho... crack, crack! Eu fechei os olhos! Eu não queria ver! Mas eu ouvi! Eu ouvi! Ele queria que eu comesse o filhotinho! O homem mau queria, mas eu disse não! — Era como se, depois de tantas semanas sem falar, tudo jorrasse sem controle, um vômito de palavras, dor, imagens e pesadelos. — Eu fiquei paralisado! Eu estava com muito medo! Não consegui ajudá-lo! Não consegui! É minha culpa! O filhotinho morreu por minha culpa, mamãe!
Ele se afundou nela, chorando desolado, e Serafina o apertou com força, com lágrimas escorrendo por seu próprio rosto. Na verdade, não havia ninguém na cozinha que não estivesse chorando, pálido, arrasado, preocupado e triste com a história do menino. Então, Falc pegou o Melyn devagarinho e devolveu ao Duda, com um olhar de agradecimento; depois, pegou o filho no colo e se levantou do chão, onde estavam agachados.
— Está tudo bem, filho. — Ele acariciou as suas costas com uma mão e abraçou Serafina pela cintura com a outra. — Agora nós vamos conversar, você, a mamãe e o papai. Ok? — Enquanto saíam da cozinha, Adam acenou com a cabeça, mantendo o rosto escondido em seu pescoço e soluçando tristemente. — É tão bom ouvir a sua voz, meu garotinho... mamãe e papai te amam muito...
Os sussurros carinhosos de Falc se perderam e desapareceram enquanto os três se afastaram da cozinha, com Kalil os seguindo de perto. Todos ficaram em silêncio, e Harry viu o primo apertar Melyn com carinho, parecendo preocupado e culpado.
— Não foi sua culpa, ou minha, Duda. — Ele disse suavemente. — Não se preocupe, Adam ficará bem.
— Tem certeza? — Ayana perguntou, ainda chorando.
— Claro que sim. — Terry respondeu, apertando-a em seu abraço, enquanto Harry acenou. — Agora que ele conseguiu falar o que o angustiava, tenho certeza de que Adam melhorará.
— Seus pais o ajudarão, Ayana. — Harry acrescentou, otimista.
— Maldito Greyback! — Ayana enxugou as lágrimas com expressão feroz. — Ainda bem que você o matou, Denver.
— Digo o mesmo. — Denver disse com expressão idêntica à da menina, mas estava ainda pálida.
— Queria ter estado lá e tirado um pedaço dele. — Fred disse zangado.
— Eu estava, posso mostrar a lembrança na penseira se quiserem. — Harry sorriu feroz. — Ele implorou pateticamente por misericórdia antes de morrer.
Isso provocou exclamações de diversão e alegria, que fizeram Jean e Norton se olharem meio chocados ao verem as crianças, incluindo a filha, tão à vontade ao falar sobre alguém matando alguém.
— Adam, Serafina e Falc estarão ocupados por um tempo. — Petúnia disse, assumindo o comando ao ver que as coisas poderiam descarrilhar facilmente. — Enquanto isso, quero que terminem o café da manhã e depois todos vão brincar, na piscina ou no campo de quadribol, não me importa. Não quero vocês presos aqui dentro, não com esse sol maravilhoso lá fora. — Ela parou um segundo antes de acrescentar. — Quer dizer, lá fora na parte encantada, na parte de fora ainda está chovendo.
— Um pouco de chuva não derrete ninguém. — Ginny respondeu, ansiosa por jogar mais quadribol. — Harry, me ensina a fazer aquela pirueta rente ao chão. — Disse ela, enchendo o prato com ovos e bacon.
— Claro. — Harry se sentou e tentou relaxar, apesar de sentir o coração pesado pelo que aconteceu com Adam. — Já digo que aqueles que não acordaram para treinar de manhã terão que se exercitar extra antes de jogarem.
Gemidos ecoaram pela cozinha, pois ninguém tinha se levantado cedo.
— Harry, é domingo! — Fred protestou.
— E é o último dia de férias! — George disse, com olhos de cachorrinho.
— E ficamos acordados até tarde ontem! — Protestou Hermione, depois olhou para Ginny e Ayana. — Acabamos indo dormir ainda mais tarde, pois ficamos conversando...
— Ok, ok. — Harry disse com firmeza. — Primeiro, não importa o dia da semana ou se estão ou não de férias. Para manterem a forma que precisarão para o que vier, precisam treinar todos os dias. Não pensem que pegarei leve com vocês por serem meus amigos.. Pelo contrário, eu espero que vocês deem o exemplo! — Todos acenaram silenciosamente ao verem sua expressão séria. — Segundo, exatamente por hoje ser domingo, vocês poderiam tirar um cochilo mais tarde e recuperar o sono perdido, mas escolheram não treinar. Digo desde já que, se por alguma circunstância vocês forem dormir mais tarde do que o normal, não serão os treinamentos que deverão ser sacrificados. Por fim, não quero mais saber de desculpas, protestos e choramingos; se eu disse que vocês irão treinar, vocês irão treinar. Ponto. Entendido? — Harry olhou para Terry, Hermione, Fred, George e Ginny, que acenaram rapidamente e sem protestos.
— Estava sentindo falta do carrasco. Acho que isso deve significar que eu não sou lá muito normal. — Uma voz disse da porta da cozinha, e todos se viraram e se levantaram ao verem quem era.
— Neville! — Os amigos o cercaram e felicitaram a sua chegada com abraços e tapas nas costas.
— Bem, já que sou invisível, repetirei o meu café da manhã, pois estou faminto outra vez. — Sirius disse, se sentando ao lado de Denver e enchendo um prato de comidas variadas. — Isso é culpa minha por treinar com dois carrascos, você e o Harry quase me tiraram o couro.
— Que parte do sem choramingos você não entendeu, Black? — Disse Denver, com olhar firme. — E, Harry, muito bem, mantenha o controle sobre esses preguiçosos ou eles acharão que isso é um acampamento de férias.
Harry sorriu com a sua aprovação e trouxe Neville para se sentar ao seu lado.
— Coma, Nev, depois vou te mostrar a casa, ou podemos nadar primeiro, se você quiser. — Harry olhou para rostos desapontados. — Temos muito tempo para jogar mais tarde. — Acrescentou ele, pois sabia que Neville amaria mais nadar do que voar.
— Obrigado, Harry, mas já tomei o café da manhã. — Neville respondeu com um sorriso.
— Eu também. — Harry disse, e apontou para o padrinho. — Ele também já comeu. Vamos lá, coma pelo menos um bolo. Dobby é quem fez.
— Oi, Dobby. — Neville cumprimentou o elfo, que acenou da sua cadeira, onde também tomava o seu café da manhã. — Ok, mas só um bolo gostoso de chocolate.
— Remus não voltou? — Harry perguntou ao Sirius.
— Não. Ainda há muito o que fazer e Remus decidiu ficar para ajudar, assim tudo estará pronto para essa tarde. — Sirius disse depois de engolir. — Até agora, só tivemos 14 lobisomens que não são sinceros sobre a lealdade à matilha, e mais 7 que se mostraram falsos sobre a lealdade a você. Os Tratados realmente funcionam, Harry.
— Tudo isso? — Harry sussurrou surpreso.
— São mais de 3 mil lobisomens, Harry, 21 me parece pouco. — Denver opinou. — Eu estava esperando mais.
— O importante é que a matilha foi estabelecida com os juramentos e o Tratado assinado. Agora, a matilha está assinando o segundo Tratado e, assim que você e os alfas assinarem, Stronghold se tornará o lar dos lobisomens. — Sirius disse solenemente, e arrancou sorrisos animados de todos.
— O que acontecerá com aqueles que foram descobertos mentindo? — Hermione perguntou lentamente.
— Suas mentes serão apagadas. — Sirius disse com expressão fechada, e o ambiente se tornou sombrio. — Analisamos com muito cuidado o que fazer, e a verdade é que não existe outro caminho, pois, ao serem "rejeitados", esses lobisomens poderiam nos destruir.
— Eles poderiam nos denunciar ao Ministério ou Voldemort, poderiam sair por aí mordendo outros bruxos para formarem uma matilha própria para se vingar de nós. — Harry disse preocupado. — Vingança é algo incontrolável, e só contratos de sigilo não são o suficiente para calá-los se quiserem nos prejudicar.
Todos acenaram, pois entendiam, mesmo que não gostassem da decisão.
— Flitwick e Belle estão cuidando dos feitiços. — Sirius disse. — Fazendo com muito cuidado para não deixar muitos vestígios para trás e convencendo-os com histórias credíveis.
— Como assim? — Terry perguntou confuso.
— Sabe, em um deles, ele era da matilha do McGregor, o feitiço o convenceu de que ele queria viajar por um tempo e deixar a matilha, pois não gostava mais de viver nas montanhas. — Ele deu de ombros. — Na verdade, o cara sempre teve essa ambição e só o "convencemos" disso.
— Mas e se ele tentar voltar para a matilha de McGregor e não a encontrar? — Hermione considerou.
— O feitiço é forte, e temos que esperar que ele encontre um boa vida e não queira voltar, mas é um plano com falhas, eu reconheço. — Sirius suspirou. — Ainda bem que são apenas 21 até agora e, desses, 15 são das quadrilhas do Travers e do Quirke. Eles já assinaram e prometeram ficar de olho em seus antigos companheiros de crimes.
— Uma pena que eles não puderam aproveitar essa chance. — Hermione disse.
— E McGregor? — Harry perguntou. — Achei mais fácil ele não conseguir do que o Travers, sinceramente.
— McGregor não é idiota. — Sirius respondeu. — Ele sabe que estará melhor em um grupo grande, vivendo na ilha com muitas possibilidades e recursos do que sozinho na montanha, até porque, a sua matilha quis se unir à nova matilha, ou seja, ele estaria realmente sozinho. Acredito que ele prefere deixar a liderança do que enfrentar um futuro assim.
— Qual o problema desse McGregor? — Jean perguntou curiosa.
— E se esse Travers e Quirke são bandidos como Greyback, por que estão sendo aceitos? — Norton acrescentou.
— Greyback? — Sirius se mostrou perdido. — Nenhum deles é remotamente parecido com Greyback, felizmente.
— McGregor é um machista da pior espécie. — Terry disse, com uma careta. — Não gostou nem um pouco de ter uma alfa mulher ou receber ordens do Harry, por ser tão jovem.
— Como vocês sabem de Greyback? — Sirius olhou para Hermione. — Você falou a eles?
— Não, na verdade, não tive oportunidade de falar sobre isso em detalhes. — Hermione disse. — Apenas expliquei que Adam não falava porque tinha sofrido um trauma.
— Bem, não foi difícil de entender depois do que aconteceu com o menino. — Norton disse, apontando para onde Adam teve o seu colapso. — Esse Greyback o sequestrou, e Denver, junto com os outros aurores, o matou durante o resgate.
— Bem... — Hermione arregalou os olhos ao perceber que não tinha explicado sobre a missão de resgate de Adam.
— O que aconteceu com o Adam? — Sirius perguntou preocupado, e percebeu que nem o menino nem seus pais estavam na cozinha.
— Vem, Neville, vou te mostrar a casa e a piscina. — Harry se apressou em se levantar e chamar o amigo. — Denver pode te explicar, Sirius, e... Sr. Granger, Sirius e Denver podem te contar sobre o resgate. Com licença.
Aliviado, Harry deixou a cozinha e foi seguido rapidamente por Neville, Fred, Ginny, George, Terry, Ayana e uma afobada Hermione.
— Nadar é uma ótima ideia, Harry! Uma maneira de me exercitar e compensar a minha preguiça de hoje de manhã! — Ela falou em voz alta.
Harry e os amigos seguraram o riso e se apressaram a se vestirem para nadar.
Claro que Neville se apaixonou pela piscina natural e a cachoeira, mas se recusou a pular do alto, mostrando que ainda tinha muito medo de altura. Eles se divertiram nadando, jogando jogos (como uma maratona de prender a respiração embaixo d'água, que Fred ganhou), rindo e conversando. Mais tarde, os outros se juntaram a eles, mas Adam e Serafina não.
— Adam finalmente dormiu, e a Serafina velará o seu sono para o caso de ele ter pesadelos. — Falc explicou. — Mas ela quer que todos se divirtam e que não deixem o que aconteceu atrapalhar o dia de vocês.
Todos acenaram e voltaram para o que faziam, desejando que Adam ficasse bom logo. Harry viu Sirius conversando com Falc, parecia se desculpar ou lamentar sobre algo, mas Falc acenou negativamente e apertou o seu ombro com afeto.
— Ele se culpa. — Denver disse, ao seu lado na água, ela também observava Sirius. — Acredita que seus erros causaram o sequestro de Adam e o seu sofrimento.
— O que aconteceu naquela noite na Travessa não foi um erro intencional ou algo que ele poderia controlar facilmente. — Harry disse. — Mas Sirius é assim. Ele também se culpa pela morte dos meus pais, pela minha infância e tudo o mais.
— Sim. — Denver suspirou.
— Você o ama? — Harry perguntou diretamente e a encarou nos olhos. Denver engoliu em seco com a pergunta e com aqueles olhos verdes que pareciam ler sua alma.
— Não sei. — Respondeu sincera. — Nunca amei alguém, não sei se o que sinto é amor.
— Não sabe se ele é sua alma gêmea ou não? — Harry perguntou, levemente surpreso.
— Alma gêmea? — O conceito parecia estranho e incrivelmente trouxa. — Não sabia que esse termo era usado pelos bruxos.
— Companheiro ou parceiro, a pessoa certa, não importa o nome. — Harry deu de ombros. — Serafina e Sirius me disseram que, quando encontramos essa pessoa, nós, bruxos, sentimos isso em nossa alma, com a nossa magia.
— Mas como se tem certeza? — Denver perguntou, tentando não demonstrar sua curiosidade.
Harry hesitou ao tentar expressar o que sentia. O fato é que a magia tinha lhe dado um toque, era quase uma trapaça, refletiu, mas, e se o Portal Adler não lhe falasse nada, como se sentiria sobre ela? Suspirando, Harry a olhou, sentada com Hermione e Ayana na pedra à beira da piscina, rindo e jogando a cabeça para trás, os cabelos molhados e mais escuros do que o normal presos em uma trança comprida e grossa. O sol iluminava as sardas em seu rosto, e seus grandes olhos castanhos brilhavam como chocolate derretido. Sua voz e riso o alcançaram e formaram o bater de asas de borboleta em sua barriga, ao mesmo tempo em que uma quentura estranha se alojou em seu baixo ventre. Então, ele sentiu a sua magia cantarolar e se estender na sua direção, era a maneira que ele sempre sabia que Ginny estava na sala e onde ela estava. Sua magia nunca a perdia de vista.
— Sua magia lhe dirá. — Harry sussurrou com voz rouca.
— Hum... minha magia. — Sussurrou Denver pensativamente.
— Sim. Você tem uma boa conexão com a sua magia, não tem? — Harry a olhou outra vez. — Quer dizer, você se tornou a Rox da maneira que os antigos índios americanos ensinam. Certo?
— Sim. — Ela respondeu. — Sempre tive uma boa conexão com a minha magia... quer dizer, desde que Rox apareceu para mim quando eu era criança. No entanto, quando fiz o ritual, quando ela se tornou eu e eu me tornei ela, isso só aumentou.
— Como é a sensação? — Harry perguntou curioso.
— Libertador e... revelador. — Ela disse suavemente, e, ao ver sua expressão confusa, explicou. — Libertador porque é como sair de uma casca, uma armadura que te reprime física e mentalmente. De repente, os seus sentidos se ampliam para um mundo novo e tudo se torna mais. — Denver fez uma pausa. — Revelador porque você se enxerga como não poderia antes. Assim como os seus sentidos melhoram para ver o mundo, você se vê com mais verdade e isso te revela quem você realmente é. Eu me odiava e me culpava... pela morte da minha mãe... — Seu sussurro foi triste, mas seus olhos castanhos não tinham mais culpa. — Ser eu, inteira, me fez entender e me perdoar, me amar como sou.
Harry ouviu em silêncio e voltou a olhar para o padrinho, que parecia estranhamente triste ao conversar com Falc.
— Sirius precisa disso. — Ele disse. — Eu visitei sua casa de família com ele na sexta-feira e percebi como o passado o atormenta. — Seus olhos se encheram de lágrimas. — Ele se odeia, Denver. Sirius odeia quem é, seu sangue, seu nome, tudo o que ele representa. Você precisa tentar ajudá-lo a encontrar essa paz, talvez... Talvez, se ele fizer o ritual, o Sirius consiga se perdoar e se amar também.
— Eu falei sobre isso de passagem, mas Sirius não se interessou muito, afinal, ele já é um animagus. — Denver franziu o cenho, preocupada. — Mas acho que vou pressioná-lo para considerar fazer o ritual em breve.
— Por favor. — Harry disse suavemente. — E cuide dele para mim.
— Claro. — Ela o encarou, surpresa com o pedido. — Por que está me pedindo isso?
— Porque eu posso não sobreviver à guerra. — Harry disse lentamente, e a viu franzir o cenho. — Não se preocupe, eu não tenho a mínima intenção de deixar aquele narcisista idiota me matar. Apenas... eu penso que, se o Sirius tiver mais para amar e pelo que viver, se no fim algo me acontecer, ele não ficará sozinho. Entende? — Denver acenou, meio sem palavras pela sensibilidade e amor de alguém tão jovem. — Se você o amar, espero que o ame até ele se sentir entupido de amor.
— Romântico. — Ela disse ironicamente.
— E lhe dê muitos filhos. — Harry continuou, como se ela não tivesse falado nada.
— Sirius não quer filhos. — Denver disse seriamente.
— Sirius se odeia demais para colocar siriuzinhos no mundo. — Harry disse, dando de ombros. — Eu não posso entendê-lo, mas respeito os seus receios. No entanto, talvez um dia ele mude de ideia...
— Isso é impossível comigo. — Denver disse, com voz entrecortada e estranhamente pálida. — Eu sou estéril.
— Oh... — Harry a olhou surpreso. — Bem, então acho que vocês são mais perfeitos um para o outro do que imaginei. Ainda bem que vocês podem adotar, e mudar de nome, claro.
— Mudar de nome? — Denver perguntou, tentando esconder o choque com a palavra adoção.
— É. Sirius odeia a sua família e não quer que ela continue a existir, esse é um dos motivos de ele não querer ter filhos, assim os Black morrerão quando ele morrer. — Harry disse. — Então eu sugeri que ele mudasse de nome ou assumisse o seu. Minha mãe escreveu em um caderno quando era adolescente o nome James Evans. — Ele sorriu com a lembrança. — Acho que Sirius Denver ficaria muito legal, ou... — Ele arregalou os olhos. — Ontem conversei com meus antepassados na galeria. Eles disseram que, antigamente, um dos meus antepassados se casou com um John Evanshore, um jovem trouxa, e que talvez eles tenham se tornado Evans com o passar do tempo. Isso explica porque eu tenho os olhos verdes dos primeiros Potter.
— O quê? — Denver se mostrou confusa.
— Não importa, isso é meio complicado. Apenas pensei que vocês poderiam criar um novo sobrenome baseado na conjunção de Denver e Black. — Harry disse animadamente. — Pode ser Denverblack ou Blackdenver, assim os sobrenomes dos dois sobrevivem, mas vocês criam algo novo, só de vocês.
— Acho que está um pouco à frente, não acha, Potter? — Denver disse, meio desconcertada. — Eu e o Sirius mal assumimos que estamos namorando, mudar os sobrenomes ou pensar em filhos me parecem planos um pouco prematuros.
— Bem, Sirius me disse que você não se importava que ele transasse com outras mulheres, mas agora que estão namorando, você se importa. — Harry disse pensativo. — Então, acho que ele está conseguindo conquistar o seu coração, como ele disse que desejava.
— O quê? Outras... — Denver lançou um olhar escuro e ciumento para Sirius, que ria de algo que Norton tinha dito. — Ele te disse isso, hum? Bom saber. Aliás, boa conversa, Harry, obrigada.
— Hum... por que está me agradecen... — Mas Denver já tinha se afastado em direção à borda. — De nada, eu acho. — Dando de ombros, Harry se aproximou de Terry e Neville para conversar.
— Bem, foi isso. — Terry disse ao terminar de contar o que aconteceu com seu irmão mais novo.
— Nossa! — Neville estava pálido. — Adam não merecia isso, mas pelo menos ele está vivo e vai se recuperar agora que conseguiu falar.
— Sim, mas ele nunca esquecerá. — Terry disse, com expressão sombria. — Isso que aconteceu sempre o marcará.
— Mas não quer dizer que é algo ruim. — Harry disse suavemente. — Sirius teve uma infância difícil, pior que a minha, acredito, e há momentos que o marcaram para sempre. No entanto, Sirius não teve uma família unida e amorosa para ajudá-lo, ele teve apenas o meu pai e os meus avós, e foi por pouco tempo. Lembre-se disso: Adam não está sozinho, Terry, estamos e sempre estaremos aqui para apoiá-lo.
Terry acenou e suspirou, deixando um pouco do peso que sentia sobre seus ombros diminuir quando o compartilhou com seus amigos.
Mais tarde, os mais jovens jogaram quadribol amigavelmente. Harry ensinou para Ginny algumas acrobacias e movimentos, enquanto Terry e Ayana treinavam com Fred e George a disputa da goles. Neville e Hermione ficaram nas arquibancadas, assistindo e conversando.
— Você até que é bom, Terry, e com treinamento ficaria melhor. — George disse ao amigo. — Você nunca pensou em tentar o time?
— Não. Eu gosto de esportes, todos os esportes. — Terry sorriu. — Um dia, os levarei para um jogo de futebol no estádio e vocês amarão. No entanto, eu não tenho essa veia competitiva ou vontade de dedicar horas dos meus dias em treinamento esportivo. Sinceramente, prefiro gastar o meu tempo estudando.
Isso causou uma expressão de terror nos gêmeos, que se afastaram com medo de ser uma doença contagiosa. Ayana riu divertida.
— Bem, eu prefiro fazer os dois. — Ela disse, e jogou a goles para o aro, determinada. — Gosto de ser artilheira, mas não sei se eu gostaria de jogar em outra posição.
— Bem, vamos testá-la! — Fred disse animado.
Ayana detestou ser goleira, não tinha paciência para ficar parada assistindo e esperando sem fazer nada. Ela adorou ser batedora e se mostrou promissora, com um braço forte, boa pontaria e uma veia para a malícia. Os gêmeos lhe fizeram muitos elogios. Quando teve que pegar o pomo, se precipitou para baixo corajosamente, como vira Harry e Ginny fazerem, mas perdeu o controle da vassoura e acabou caindo um tombo espetacular, com algumas piruetas e o saldo de um braço quebrado.
Quando todos se aproximaram para acudi-la, meio preocupados, meio divertidos, Ayana se sentou no chão meio zonza e balbuciou.
— Isso é um grande não para buscadora. — Depois desmaiou, caindo para trás.
Eles a levaram para a mansão, onde Serafina cuidou do seu braço e leve concussão com alguns feitiços e uma poção. Nem ela ou Falc pareciam preocupados; na verdade, ele parecia orgulhoso, pois disse ter quebrado o braço inúmeras vezes quando jogava ou treinava quadribol.
— É incrível como algo que causaria tantos transtornos é encarado com tanta tranquilidade por vocês. — Jean disse espantada. — Uma criança trouxa causaria pânico aos pais, que correriam para o hospital e levariam semanas para ela tirar o gesso do braço.
— Gesso? — Neville se mostrou confuso.
Quando todos se sentaram para almoçar, Hermione lhe explicou sobre o gesso e o grupo discutiu a medicina trouxa e mágica, com todas as suas vantagens e desvantagens. Quando estavam na sobremesa, Adam apareceu com Falc, que tinha estado velando o seu sono para que Serafina cuidasse de Ayana. Sonolento, ele olhou em volta e sentiu o cheiro de sua comida preferida.
— Tem mais torta do pastor? — Perguntou suavemente. — Estou morrendo de fome!
O silêncio durou alguns segundos antes que todos respondessem, batessem palmas ou se levantassem para abraçá-lo, dando os parabéns e apoio. Dobby se apressou em lhe servir um prato enorme de Shepherds' Pie e um copo com suco.
— Aqui está, menino Adam, sua torta quentinha e gostosa. — Dobby disse, com um sorriso emocionado.
— Obrigado, Dobby, sua torta é a melhor, faz tempo que quero lhe dizer. — Disse Adam, com um sorriso doce. Dobby pareceu crescer alguns centímetros com o elogio.
Adam comeu ferozmente, mostrando que realmente estava com fome, e demorou alguns minutos para todos deixarem de olhá-lo e voltarem às conversas informais. Em um acordo tácito que não precisou de palavras, ninguém fez perguntas sobre o que aconteceu ou sobre seu sequestro.
Naquela tarde, eles voltaram para a piscina, e a voz animada de Adam foi ouvida por toda a parte, falando e falando sem parar. Ele parecia ter dezenas de perguntas, comentários e piadas que tinha sido impedido de fazer nas últimas semanas. Ninguém se importou, e, a cada vez que ouviam a sua voz, todos se sentiam mais e mais felizes.
Um chá da tarde foi servido para a despedida da casa, e todos se sentiram nostálgicos por deixarem a mansão. Ninguém deixou de reconhecer que Stone Waterfall tinha uma atmosfera e uma alegria que só um lar feliz e amoroso pode ter.
Harry apresentou Neville a Slytherin, que pareceu muito emocionado ao conhecer o descendente de seu amigo Leoff.
— Claro que você é da linha de Leoff e Leonidas, meu afilhado. — Slytherin disse. — Neville, o irmão mais velho de Leoff e herdeiro dos Longbottom, teve seis filhas, por misericórdia.
Neville ficou emocionado ao saber da história do seu antepassado e orgulhoso por sua coragem e altruísmo. Ele falou sobre o que aconteceu com seus pais com voz suave, e Slytherin pareceu sem palavras para comentar a tragédia. Por fim, depois de longos minutos de tristeza, ele disse suavemente:
— Durante o tempo em que a magia existir neste mundo, os Slytherin estarão em dívida com os Longbottom. Espero que, um dia, a vergonha e a mágoa se transformem na amizade de outrora, pois o mundo sempre será triste e cinzento enquanto duas famílias amigas se afastarem pelo ódio e ambição. — Lágrimas escorreram de seu rosto viril, tornando-o estranhamente comovente. — Que assim seja.
— Que assim seja. — Disse Neville lentamente, e a magia crepitou na sala.
Harry se despediu dos quadros dos seus antepassados e anotou uma pequena lista de rituais que deveria fazer nos próximos meses. Destiny e Liam disseram que ele precisava fortalecer a sua magia, seu corpo e sua mente antes de começar a fortalecer a sua alma. Ele era jovem, mas, com uma guerra à frente, não deveriam esperar até que ele crescesse.
— Precisamos tornar a sua magia adulta mais cedo, e isso poderá ser doloroso, mas valerá a pena, pois, além de se tornar um verdadeiro animagus, isso o ajudará a ser letal ao duelar com os seus inimigos. — Disse Liam, e Matthew acenou em aprovação.
Harry agradeceu e prometeu voltar para visitá-los no verão, e que Sirius os manteria informados de seus planos e projetos. Mais algumas fotos foram tiradas em despedida e Harry passou um tempo na torre, olhando para o lago e imaginando o chalé que estaria por lá quando retornasse.
— Chalé Iolanthe. — Ele sussurrou. — Não, acho que precisamos de um novo nome, aquele chalé tinha esse nome porque Iolanthe Peverell Potter foi a primeira esposa a viver lá. — Harry sorriu ao pensar em uma ideia, e rapidamente pegou um pergaminho e caneta para anotar. — "Chalet est Flammis, em latim. Chalet o Fflama, em galês. Chalé das Chamas, em inglês. Quero as três traduções em uma placa na entrada, pois esse será o nome do chalé, por favor".
Descendo, ele entregou o bilhete para Sirius.
— Entregue isso ao Mac, por favor. — Harry pediu e Sirius acenou, antes de dar uma espiada no papel e sorrir maliciosamente.
— Ooookkkk. — Ele lhe deu uma piscadela e Harry corou levemente.
A partida foi rápida e a mansão foi fechada, pois as reformas só começariam em algumas semanas, depois que a mansão Black estivesse pronta.
Eles chegaram à mansão Boot em Londres e Serafina acomodou todos os convidados, pois George, Fred, Ginny, Hermione, seus pais e Neville passariam a noite e seguiriam para a estação King Cross com eles na manhã seguinte. Apenas Petúnia e Duda iriam para a Evans House, mas antes compareceriam à Stronghold para a assinatura do Tratado.
Harry se vestiu com uma roupa mais formal, calça preta, camisa verde escura e uma jaqueta preta de couro de dragão. Suas botas também eram as de couro verde de dragão e, ao se olhar no espelho, Harry se sentiu mais bruxo do que nunca. Hoje, ele representava a família Potter, e faria isso com honra e orgulho, conforme prometeu aos seus antepassados.
Mais uma vez, todos se prepararam e, com o flu ligado ilegalmente na ilha (serviço realizado pelos goblins por uma pequena fortuna), chegaram em poucos minutos ao Grande Salão do castelo. Hermione, Jean, Norton, Neville, Petúnia, Duda, Denver e os Weasley olharam por tudo, completamente encantados, e Harry pode mostra-lhes a linda vista do mar cinzento e turbulento da Escócia.
— Aposto que, no verão, o mar deve ser mais calmo e azul. — Ele disse, olhando as ondas baterem nas pedras do fundo do penhasco. O vento era mais forte aqui do que em Londres ou Stone Waterfall, mas não estava chovendo.
Eles não tiveram que esperar muito para a chegada de Edgar, Penny, Remus, Belle, Becky e Elfort, além dos outros líderes. As apresentações e cumprimentos foram feitos e os pergaminhos dos Tratados foram espalhados na grande mesa. Harry olhou para o primeiro, que compunha formalmente e magicamente a nova matilha.
— Além dos 14 que não passaram no primeiro Tratado e os outros 7 do segundo, tivemos mais baixas? — Harry perguntou preocupado.
— Sim, mais 13 lobisomens que não eram verdadeiros em sua lealdade a você, Harry. — Becky informou. — O Tratado revelou, e, por fim, foram 34 lobisomens. A maioria era do bando de Travers, Quirke ou T, pois não tinham verdadeiro interesse em sair da vida de crimes.
— Bem, eles agora são responsabilidade dos aurores se decidirem continuar a cometer crimes. — Remus disse decepcionado. — Mas sabíamos que alguns não seriam sinceros ou estariam dispostos a trabalhar para viver. Ah, eu já assinei o segundo Tratado, Harry, agora faltam vocês três.
— Bem, vamos nos concentrar em vocês, na matilha, e não em quem não quis estar aqui. — Harry acenou suavemente, mesmo que, por dentro, lamentasse os perdidos.
— Tivemos alguns que queriam fazer parte da matilha, mas que não confiam em você, Harry. — Elfort disse chateado. — Sofreram muito, e não conseguem dar suas lealdades facilmente, sabe. Talvez, no futuro, eles possam tentar outra vez, sabe, ao verem que é tudo verdade e que estamos seguros.
— Claro. — Harry acenou suavemente. — Bem, vocês escolheram os nomes da matilha, da escola e da vila?
— Sim. E quero lhe agradecer em nome de toda a matilha por nos permitir escolher esses nomes. — Becky disse, e aceitou um chá que foi servido por Dobby e os outros dois elfos do castelo. — Nós nos reunimos, conversamos e debatemos o que queremos nessa nova vida que nos é oferecida, o que queremos construir em nosso lar e o que precisamos para sentir que estamos deixando um legado de valor para o nosso povo, pois um dia não estaremos aqui, mas a matilha deverá persistir.
— Alguns queriam nomes viris de guerreiros ou caçadores. — Elfort disse ironicamente. — Felizmente, a Becky e a Cara foram pacientes em lembrá-los de que não somos caçadores ou lutadores.
— Nós somos seres humanos, bruxos e lobisomens. — Becky disse com orgulho. — Por isso, pensamos em nomes que representassem essa tríade e que nos abençoasse em nosso intento.
— Estou curioso. — Harry disse, inclinado para frente, e todos à mesa acenaram.
— A escola receberá o nome da deusa das florestas. — Becky disse. — Cara e suas Águias a honram com rituais e buscam sua proteção. Flidais é a deusa do cervo, do gado, da fertilidade, das florestas, e tem a habilidade de se metamorfosear em animais, dos quais era uma protetora feroz. Então, pensamos em pedir-lhe a benção e proteção para a nossa escola, nossos jovens alunos, além de homenageá-la ao chamar o castelo de Escola Flidais de Ensinamentos Mágicos e Trouxas.
Todos absorveram o nome e o que ele representava.
— Um nome forte e muito justo. — Disse Harry, e a magia se agitou pelo ambiente. — A partir de hoje, este chão é conhecido como Flidais, a escola que aceita a todos os protegidos da deusa e que para sempre será abençoado por ela. Que assim seja.
— Que assim seja. — Repetiram todos os bruxos, sentindo que era isso que deviam fazer.
A magia se agitou ainda mais forte e quente, espantando o frio do dia úmido.
— Eu gosto. — Serafina disse, com um sorriso. — E me sentirei honrada em ser professora e vice-diretora da Escola Flidais.
— Bem, sobre a vila, decidimos homenagear outro deus celta e também pedir a sua proteção. — Elfort disse com voz forte. — Cernunnos é o deus cervo, pois usa chifres de cervo, pode se transformar nesse animal e também em lobo ou cobra. Ele é considerado o senhor dos animais e seu protetor, nutridor, pois nunca lhes permite vivenciar a fome. Assim, pedimos ao deus Cernunnos que abençoe a nossa vila, nossa colheita, nossos animais, e que, sob sua proteção, prospere a bem-aventurança em nosso lar. Que ele permita que seus servos nunca mais sintam a dor e o desespero da fome e do medo. E assim nomeamos a vila dos lobos de Vila do Cervo, em homenagem a Cernunnos, e para nunca esquecermos quem somos.
Harry sorriu e trocou um olhar com Sirius e Remus, que pareciam igualmente emocionados.
— Que o lar dos lobos seja a partir de hoje chamado de A Vila do Cervo, e que seus filhos sempre sejam abençoados por Cernunnos, senhor e protetor dos animais. Que assim seja. — Harry disse, fechando os olhos e pensando em seu pai, que estaria cheio de alegria com esse nome.
— Que assim seja. — Os bruxos sussurraram e a magia estalou, causando suspiros e arrepios em todos.
— Bem, pedimos a dois deuses guardiões das florestas, dos lobos, dos alimentos e da fertilidade que nos abençoem e protejam. — Becky disse lentamente. — No entanto, somos nós quem devemos guardar as nossas terras, nosso povo, nossas vidas e corações, com a benção de Flidais e Cernunnos. Somos nós os moradores desta ilha e também seus guardiões, somos os lobos e os bruxos, somos animais e humanos. Somos os servos das florestas, das águas, das terras e do ar, assim como os seus protetores. Então, para lembrarmos de quem somos e da nossa missão, seremos a Matilha dos Lobos Guardiões. The Pack of Guardian Wolves.
Mais uma vez, o nome forte e justo ressoou pelo salão e impressionou a todos. Harry sorriu em aprovação, pois considerava as escolhas perfeitas para esse novo começo.
— Que a Ilha de Stronghold, da família Potter, receba a Matilha dos Lobos Guardiões. Que aqui seja o seu lar, o seu porto seguro, e que vivam sempre em paz, com magia, alegria, bondade e abundância. Que assim seja. — Harry disse sorrindo.
— Que assim seja. — Todos repetiram. A magia estalou e agitou o fogo da lareira e das velas, parecendo criar um círculo de proteção ao redor dos presentes sentados à grande mesa.
Harry se levantou e estendeu o Tratado a Elfort e Becky, que, como alfas, foram os últimos a assinarem, ao fim das assinaturas de todos os membros da Matilha dos Lobos Guardiões. Depois, Harry pegou a Pena da Verdade, mergulhou na Tinta da Deusa e escreveu o seu nome no Pergaminho da Pureza.
Em verdade atesto as palavras escritas neste Tratado, e que essas palavras sejam minhas e dos meus para todo o sempre,
Harry James Potter, Chefe da família Potter e protetor da Matilha dos Lobos Guardiões.
A magia estalou ainda mais intensamente enquanto o Pergaminho da Pureza absorvia a verdade e justiça do texto do contrato, sentia a verdade escrita com a Tinta da Deusa e criava a nova realidade com a Pena da Verdade. Harry sentiu quando a magia do Tratado se vinculou à sua própria magia e deixou uma marca em sua alma. Os alfas suspiraram ao sentirem mudar dentro de si os sentimentos, pensamentos e visão de mundo. Ao assinarem o primeiro Tratado, se vincularam à Matilha dos Lobos Guardiões, parte de um todo, leais, fortes, unidos e verdadeiros. Agora, como um todo, uma matilha, eles se vinculavam a Harry Potter, e suas lealdades eram tão verdadeiras e recíprocas que poderiam ser respiradas no ar que os cercava.
— Você realmente é leal e verdadeiro em suas promessas. — Becky disse, com os olhos cheios de lágrimas. — Eu posso sentir a sua proteção, lealdade e força, Harry Potter, e espero que possa sentir que a Matilha dos Lobos Guardiões também é sincera em seu comprometimento e lealdade.
— Eu sinto. — Harry disse suavemente, fechando os olhos. — O Tratado do Faraó é poderoso, e, com nossa verdade, criamos uma nova realidade, onde estamos vinculados por lealdade e amizade. No entanto, o ritual de vinculação nos tornará irmãos e companheiros, eu serei parte de vocês e vocês serão parte de mim. Quando tudo estiver pronto, eu retornarei a Stronghold e realizaremos a última parte dos nossos objetivos. Por enquanto, a ilha está protegida com as melhores alas que os goblins podem erguer, a escola Flidais está quase pronta para receber os seus alunos, e a Vila do Cervo está à espera dos seus habitantes para ser reconstruída com amor e povoada com alegria. Assim, a partir de agora, a Ilha de Stronghold não é mais uma propriedade Potter: ela está arrendada para a Matilha dos Lobos Guardiões por 10 anos x 10 anos, e eles são bem-vindos para virem ao seu novo lar.
Às suas palavras, a magia em volta cantarolou e as alas pareceram se expandir e relaxar, como se entendessem que aqueles a quem protegeriam chegariam em breve. O círculo quente de magia passou por Harry, Becky e Elfort antes de ser absorvido completamente pelo Tratado, cujos nomes escritos na Tinta da Deusa brilharam intensamente em vermelho-fogo e depois se estabeleceram. O Pergaminho da Pureza se dobrou sozinho e se duplicou, depois flutuou e pousou, um na mão de Harry e o outro na mão de Becky. Eles esperaram por alguns segundos, mas a magia tinha se acalmado e todos entenderam que o Tratado estava definitivamente selado.
— Sim! — Gritou Harry, erguendo o pergaminho em sinal de vitória, e todos gritaram, se levantaram e bateram palmas em comemoração. — Conseguimos!
Emocionado, Harry abraçou Becky e Elfort, depois Sirius e Serafina. Então, Petúnia e Duda estavam ali lhe dando os parabéns, Edgar apertou suas mãos e Belle o beijou no rosto. Cara, Theo, Bridget, Simon, Alice, Lud, Archie, Henderson e os outros líderes também lhe apertaram as mãos ou lhe deram tapinhas nas costas e abraços.
— Vão buscá-los! — Harry exclamou, e olhou para os adultos. — Deem a localização e os tragam para casa!
Os adultos bruxos saíram para o ponto de aparatação fora do castelo; os outros os seguiram e esperaram. Em menos de um minuto, os primeiros pops foram ouvidos, e então mais pops, e mais e mais e mais.
— Bem-vindos! — Harry exclamava a cada novo grupo de pops que surgia. — Sejam bem-vindos a Stronghold!
Os lobisomens olharam em volta, chocados ou maravilhados, pois o ponto de aparatação lhes dava uma visão do penhasco, do mar, do castelo, da floresta e do monte escarpado. Mesmo o dia cinzento, úmido e frio, com o mar revolto e ventos cortantes, não apagava a beleza da ilha ou do castelo, muito menos desfazia a magia de pisarem pela primeira vez em seu novo lar.
— Sejam bem-vindos! — Harry exclamou, sorrindo ainda mais quando dezenas e depois centenas e centenas, então milhares de bruxos lobisomens apareciam com mochilas de barracas nas costas, roupas simples no corpo e esperança no olhar.
Ele olhou para os seus amigos e família, que refletiam em suas expressões a mesma emoção e alegria que ele sentia. Harry então sentiu sua magia cantarolar e soube quem estava ao seu lado, sem precisar olhar. Sorrindo, ele pegou a sua mão e apertou com força, sentindo o seu perfume alcançá-lo e aquecê-lo por dentro.
— Não é incrível, Guinevere!? — Ele exclamou emocionado, ainda olhando para a multidão.
— Sim, é incrivelmente maravilhoso. — Respondeu ela, sem desviar de Harry aquele seu olhar de chocolate derretido.
— Bem-vindos! — Ele disse, quando mais e mais pops soavam. Alguém lhe lançou um feitiço sonoro na garganta (Penny, mais provavelmente) quando a multidão se tornou grande demais e os mais distantes não poderiam ouvi-lo. Enquanto isso, Harry continuou a gritar as boas-vindas e acenar para todos, e os lobisomens, aos poucos e timidamente, sorriram e acenaram de volta. — Sejam bem-vindos a Stronghold! Bem-vindos ao lar da Matilha dos Lobos Guardiões!
