Notas do Autor

Olá pessoal! Espero que todos tenham tido um bom e seguro fim de ano e que janeiro não esteja sendo mais difícil do que foi dezembro.
Faz quase um ano que estamos na pandemia e hoje tentei lembrar como foi o último janeiro, um mês "normal", sem pandemia e percebi que a única coisa de que me lembro é de escrever essa fic. Sim, esse mês, mais precisamente em 18 de janeiro, fez 2 anos que publiquei o primeiro capítulo, lá no FF e meses depois comecei a publicar no Spirit. Não foi intencional, mas acho que esse capítulo de hoje é perfeito como presente de aniversário de 2 anos e espero que vocês amem tanto quanto eu amei. Este capítulo também é o capítulo mais longo que já escrevi, com mais de 49 mil palavras! Quero lhes agradecer pelo apoio nesses 2 anos, que me possibilitaram e motivaram a continuar essa história maravilhosa que torna os meus dias especiais, apesar de tudo.
Hoje, essa Nota será diferente, porque a Débora, minha querida revisora ou beta, tem um recado importante para vocês, assim, por favor, leiam:

"Oi, galeras, aqui é a Débora, a revisora, ou beta, ou sei lá como os jovens chamam, enfim, a pessoa que está deixando vocês na mão haha
Pedi licença pra Tania só pra me desculpar rapidinho pelo atraso nas revisões; fui surpreendida por uma montanha de trabalho no fim de 2020, e a GER não paga meus boletos, né? Mesmo assim, sei que faltei com meu compromisso aqui e não gostei nada de precisar fazer isso.
Prometo me organizar melhor pra ajudar na tarefa de entregar sempre a melhor versão de cada capítulo pra vocês, assim como reafirmo meu compromisso de revisar a história toda, desde o início, conforme conseguir. Essa fanfic é uma obra de arte, a melhor história que já li; ela merece estar com o mínimo de erros possível pra encantar cada vez mais leitores, e é uma honra pra mim fazer parte disso.

Agradeço a todos pelo apoio. Seguimos juntos!"

Agora sou eu! A Tania! kkk
Bem, vocês leram e sabem que o capítulo de hoje ainda não tem a revisão da Débora, mas eu fiz a minha básica de sempre e está razoável. Ficará muito melhor depois que a Débora revisar e eu repostarei, mas não quero deixá-los esperar mais. Assim, desde já, sejam bonzinhos com os erros!

Ainda estou aqui! A Nota ainda não acabou! kkk
Um último aviso, esse capítulo tem muita informação! Por isso eu demorei tanto para terminar. Eu quase fiquei doidinha! kkk.
Precisei de um índice ou guia o tempo todo para não escrever que abobrinhas são laranjas e laranjas são berinjelas. Por isso, irei publicar antes do capítulo a minha cola para vocês terem um norte também! Quem não se importar em ficar confuso ou perdido, ignore. Quem confiar na própria capacidade de entendimento do texto e memória, além da clareza da minha escrita, ignore. Quem quiser usar o índice durante a leitura, (eu recomendo), faça isso. Quem preferir ler antes ou depois do capítulo, tudo bem.


Índice:

Suprema Corte

Total: 50 membros

Partido dos Progressistas: Albert Finley (Líder do Partido Progressista e pai de Allen Finley); Moira Gamp; Lief Beamish (PJ) (Seu pai, Osvaldo Beamish, foi pioneiro nas leis dos direitos dos goblins); Balfour Blane; Robert Ollerton (Criou com seus irmãos, Barnabé e Guilherme, a Companhia de Vassouras Cleansweep); Devlin Whitehorn (Fundador da Companhia Nimbus de Vassouras); Rodolph Keitch (pai Randolfo Keitch que fundou a empresa de vassoura Comet em 1929); Gaspar Shingleton (Célebre inventor do Caldeirão Automexediço); Hamish MacFarlan; Daniel McCormack (PJ) (Pai de Kirley, guitarrista das Irmãs Estranhas e Meaghan, goleira dos Pride of Portree e marido de Catriona, jogadora de quadribol famosa); Roderick Muldoon; Brendan Sweeting; Morgan Morgan; John Pittiman; Antony Grimstone

Total: 15 membros; Lief e Daniel se filiaram ao PJ; Assim Total: 13 membros.

Partido dos Conservadores (Não Puristas): Pamela Wenlock; Doreen Wright ( Avó de Dean Thomas); Joseph Fawcett (Sócio do Harry na Fábrica de Tecidos Fawcett); Helena Dagworth-Granger; Tibério Ogden; Clovis McLaggen (tio de Comarc McLaggen, irmão de Caleb McLaggen e amigo de Slughorn); Justus Pilliwickle; Daniek Everett (Substituiu Kevin Parkinson); Phillip Toothill; Ernest Murray (PJ) (Pai de Dempsey Murray, teve um irmão morto pelos aurores por ser lobisomem); Onis Cauldwell; Brian Umfraville; Kennan Twycross (seu filho, Wilkie Twycross é Instrutor de Aparatação no Ministério).

Partido dos Conservadores (Puristas): Stuart Waffling (Líder do Partido Conservador); Letholdus Fawley (Não é Comensal da Morte); Berinon Smith (Não é Comensal da Morte); Olívia Hornby (Bruxa que atazanava a vida de Myrtle Warren por causa de seus óculos/Não é Comensal da Morte); Chaucer Pritchard (Ajudou Voldemort financeiramente/filho era comensal da morte); Leonel Greengrass (Avô de Daphne Greengrass/Ajudou Voldemort financeiramente); Mallet Melíflua (Ajudou Voldemort financeiramente); Douglas Quirke (Pai do lobisomem Donaldo Quirke e avô de Otto Quirke/Ajudou Voldemort financeiramente); Clifton Thurkel (Não é Comensal da Morte); Ian Melrose (Avô de Elton Melrose/Ajudou Voldemort financeiramente); Aptus Hipworth (Não é Comensal da Morte); Lorna Shafiq (Ajudou Voldemort financeiramente); Marlon Baddock (Não é comensal da Morte); Titus Vaisey ( Ajudou Voldemort financeiramente); Timothy Bletchley (Não é um Comensal da Morte)

Total: 28 membros; Ernest Murray se juntou ao PJ/ Assim, total: 27 membros; 13 não puristas e 14 puristas.

Neutros (Sem Partido) : Albus Dumbledore; Griselda Marchbanks (Atual representante do Reino Unido na ICW); Elifas Doge; Miranda Goshawk (Autora dos livros Padrão de Feitiço); James Redford (Pai de Jacinta Redford, aluna do mesmo ano de Penny/Ele é elitista e esnobe); Alana Montgomery; Perpétua Melinda "Mellie" Fancourt (PJ) (Membro do Conselho de Governadores).

Total: 7 Membros; Mellie Fancourt se juntou ao PJ. Assim, total: 6 membros

Partido dos Justos:

Sirius Black

Falc Boot

Serafina Boot

Áquila Boot

Remus Lupim

Filius Flitwick

Edgar Schubert

Belle Perrin (Diretora da Divisão Evans)

Diane Worthington (Diretora da Divisão Imobiliária)

Theo Foster (Diretor da Divisão de Marketing)

Rebeca Gillian (Diretora da Divisão RHIE)

Matilde White (Assistente Divisão Imobiliária)

Maxwell White (Assistente da Divisão Financeira)

Lucy Brown (Assistente da Divisão Evans/ Namora Isabella)

Isabella Byrne (Namora a Lucy/ assistente da Divisão Executiva, do Edgar)

Ted Tonks

Andy Tonks

Nymphadora Tonks

Timothy Doylen (Sócia da World of Books)

Charity Doylen (Sócia da World of Books)

Fiona O'Shea (Sócia da Rituum & Potions)

Professor Hector Jonas

Professora Bathsheda Babbling

Adrian Sarid (Sócio do Hotel The Magic)

Rosa Sarid (Sócia do restaurante The True Magic)

Savita Achari (Sócia da Designer & Home)

Kabir Clement (Sócio da Essence Spéciale e sócio do Harry e do Sr. Delacour da Fábrica de Cosméticos)

David Colemam (Sócio da Sports Company)

Ian (Sócio da Alliance Arquitetura e Construção)

Mac (Sócio da Alliance Arquitetura e Construção)

Anton Davis

Lorie Davis

Maria MacDougal

Julia Clark (Dona da Editora Aprilis/ Lembrando que seu sobrinho é americano e não pode se filiar)

Arnold Boot (Prefeito de Godric's Hollows)

Sr. Jay Patil (Pai de Padma e Parvati/ Sua esposa não se filiou)

Callistus Moon (Pai da Lidya Moon)

Arthur Weasley

Mellie Fancourt (Membro da Suprema Corte e do Conselho de Governadores)

Cecilia MacMillan (Mão de Ernie e Edwin)

Everald MacMillan (Pai de Ernie e Edwin) Quem é Edwin? Ele é colega do Harry do time de quadribol da Ravenclaw e não é membro do Covil.

Zenira Diggory (Mãe de Cedric)

Ernest Murray (Pai de Dempsey e antigo membro do PC)

Daniel McCormack (Membro da Suprema Corte e antigo membro PP)

Meg McCormack (goleira dos Pride of Portree)

Gwenog Jones (Dispensa apresentações)

Donaghan Tremlett (guitarrista das Irmãs Estranhas)

Lief Beamish (antigo membro PP)

Livius Dearborn (Membro do Conselho de Governadores)

Caleb McLaggen (Membro do Conselho de Governadores/Pai do chato Cormack McLaggen e irmão de Clovis McLaggen)

Total: 50 membros! Por enquanto! E tem 4 membros na Suprema Corte

Como acontece as votações na Suprema Corte:

- Para ter mais de um candidato a ministro concorrendo nas eleições, cada um dos indicados devem receber um terço dos votos da Suprema Corte, ou seja, no mínimo 16 votos. Se isso acontecer, a votação se torna popular, com o chefe de cada família votando pela família inteira, esposa e filhos menores de idade. Cada família tem um voto.

- Para passar os projetos de lei são necessários 25 + 1 votos

- Para conseguir se tornar membro da Suprema Corte são necessários 25 + 1 votos.

É isso, pessoal. Se por um acaso eu tiver escrito algo contraditório a todas essas informações em algum capítulo mais antigo, me avisem, assim eu corrijo. Infelizmente não consigo me lembrar de tudo e não tenho tempo para procurar.
Agora podem se diverti com esse longo capítulo!

Até mais! Tania


Capítulo 87

Sirius soube que algo estava errado antes mesmo que eles ficassem sozinhos. Depois de uma semana especial com seu afilhado, que incluiu a captura de Peter e um fim de semana incrível com a família e bons amigos, Sirius não estava esperando problemas. Muito menos com a sua agora oficialmente e muito gostosa namorada.

No entanto, o fim do domingo trouxe uma distância e frieza que Sirius identificou, apesar da sua parca experiência com relacionamentos, como aquele momento da relação em que o homem fez uma grande bobagem, mas não tem ideia do que.

Lily era a rainha do silêncio gélido e James costumava rastejar implorando para saber o que tinha feito de errado e pedindo perdão por seja lá o que fosse. Então, depois de algum tempo de punição fria, Lily se tornava um vulcão de fúria e despejava toda a sua raiva e indignação pelas ações de James que a magoaram. Felizmente, sua raiva nunca durava mais do que alguns momentos, James apenas tinha que se desculpar, reconhecer o seu erro, prometer que jamais faria outra vez e tudo ficava bem outra vez.

Sirius nunca viu o seu amigo argumentar de volta, discutir ou tentar dizer que não errara e isso sempre o desconcertara. Fora Fleamont quem lhe explicara que na hora da raiva de uma das partes do casal, o outro deveria apenas se desculpar e tentar conversar depois, quando a raiva passasse ou então a briga explodiria sem controle, palavras cruéis seriam trocadas, um magoaria o outro, nada seria resolvido e, no fim, o casal mal se lembraria do que exatamente iniciou a discussão.

No caso de Denver, pelo que Sirius já tinha aprendido sobre ela, ele sabia que não haveria silêncios longos e gélidos. O que a impedia de falar o que a incomodava era a presença de dezenas de pessoas a volta deles. Ele também sabia que não haveria uma explosão vulcânica furiosa e breve. Não, não, Denver exporia o que a atormentava assim que ficassem sozinhos, mas com frieza e precisão, nada de raiva quente, nada de emoções descontroladas. Ainda assim e talvez por isso, a conversa deles seria muito difícil, pois ela não era o tipo de mulher que se acalmaria com um pedido de desculpas que tinha a intenção de amenizar o clima, mais do que reconhecer um erro. E, sinceramente, Sirius não era James e nunca entendeu completamente essa maneira estranha do amigo e seu pai de lidarem com suas mulheres. Particularmente, Sirius gostava de uma boa discussão, principalmente se terminasse em uma transa quente depois, e ele não tinha paciência para aceitar calado as acusações injustas.

Assim, depois da assinatura do Tratado e a emocionante chegada dos lobisomens, o grupo voltou para Londres e as crianças foram enviadas para a cama, pois estavam exaustas e teriam que acordar cedo no dia seguinte. Sirius planejava ir com os Boots levar parte das crianças a plataforma nove e três quartos, mas concordou em ir para o apartamento de Denver depois que ela disse que não passaria a noite na Mansão Boot.

— Amanhã tenho que ir cedo para o trabalho e é mais prático dormir em meu próprio lugar. — Ela disse com expressão distante.

— Por mim tudo bem, posso dormir lá e volto de manhã para acompanhá-los a King Cross e me despedir do Harry. — Disse Sirius e viu a sua expressão se fechar, o que o fez refletir que era mais do que provável que ele acabaria dormindo na mansão naquela noite.

Assim que eles entraram no apartamento, Sirius esperou por suas palavras e não se decepcionou.

— Temos que conversar. — Ela disse tentando aparentar indiferença.

— Eu imagino que sim. — Sirius disse suavemente e como ela, foi direto ao ponto. — Algo aconteceu?

Denver tinha planejado quase o dia todo o que dizer, sua intenção era falar sobre o uso do seu apelido infantil, que ela detestava que ele usasse displicentemente. Também queria falar sobre as questões dos sobrenomes e como ela não queria mudar o seu sobrenome e, que se Sirius estivesse pretendendo adotar uma criança, ela não se sentia pronta para ser mãe. Não agora, talvez nunca. Mas quando ela abriu a boca para falar, a primeira coisa que saiu foi algo que ela decidiu que não se rebaixaria em mencionar.

— Você me traiu? — Ela disse com raiva fria.

— O que? — Sirius a encarou desconcertado porque essa era a última coisa que esperava ouvir.

— Eu sei que não estávamos namorando realmente antes, era apenas... sexo, sem compromisso e eu não tenho o direito de perguntar, mas eu quero saber se você esteve com outra pessoa desde que começamos... isso. — Ela perguntou entre constrangida, raivosa e petulante.

Sirius a encarou por alguns segundos completamente desconcertado.

— Você está certa. Você não tem o direito de perguntar. — Ele disse irritado.

— Isso quer dizer que você me traiu! Eu sabia! Sabia que não poderia confiar em você! — Denver disse caminhando furiosa pelo minúsculo apartamento.

— Ei! Se você quer saber se dormi com alguém desde que começamos... isso. É assim que você chamou, certo? Bem, vamos ser claros, eu não dormi com ninguém, mas se tivesse, não seria traição porque como você mesmo disse, a nossa relação ainda não era um namoro comprometido. — Sirius disse e Denver parou de andar parecendo envergonhada. — O que é isso? Quando já lhe dei algum motivo para não confiar em mim? Para acreditar que eu insistiria com você para namorarmos para valer e ao mesmo tempo sairia transando por aí?

— Bem, você era um mulherengo antes e sei que você e Vance eram amantes. — Denver disse defensivamente.

— Eu e Vance somos amigos desde sempre e transamos em diversas ocasiões por mútuos benefícios, mas as coisas são diferentes agora. — Sirius franziu o cenho. — Ela está namorando sério e eu estive investido em nossa relação, porque queria mostrar a você que eu não sou o mesmo Sirius de antes e que estou falando sério sobre nós.

— Ok. Eu acredito em você. — Denver disse tentando aparentar que não se importava, mas Sirius percebeu o seu alívio.

— Eu quero saber de onde isso surgiu. Estava tudo bem e, de repente você mudou e ficou toda fria, distante e agindo como se eu tivesse feito algo errado. — Sirius se aproximou. — Porque você achou que eu tinha te traído?

— Algo que o Harry me disse. — Ela deu de ombros.

— Harry? — Sirius se mostrou ainda mais confuso, pois tinha certeza que o seu afilhado nunca inventaria algo assim.

— Sim e isso me lembra que eu pretendia te avisar que não tenho a intenção de mudar o meu sobrenome ou quero adotar uma criança agora. E, sinceramente, não sei se algum dia irei querer. — Ela disse e cruzou os braços teimosamente.

— O que? — Sirius a encarou como se ela estivesse completamente louca.

— Eu conversei com o Harry hoje mais cedo e ele me disse que você planeja adotar, trocar o seu sobrenome e que você lhe disse que a nossa relação não o impedia de transar com outras mulheres. — Denver explicou ainda de braços cruzados.

— Merlin! — Sirius riu divertido. — Tudo isso veio disso? Emy, acho que você entendeu errado ou não completamente certo. O que acontece é que o Harry sugeriu que se o meu problema em ter filhos é a continuação do meu nome e meu sangue, eu posso adotar e mudar de nome. No entanto, essa é uma sugestão dele, uma interessante ideia, eu confesso, mas eu não tive tempo para refletir ou decidir nada. Obviamente, se eu decidir considerar qualquer dessas coisas, eu conversarei com você antes, afinal, você faz parte do meu futuro ou eu espero que assim seja.

— Ok. — Denver caminhou pela janela pensando em suas palavras. — Eu preciso pensar sobre essas possibilidades também porque minha carreira é muito importante para mim e não quero ter filhos e não ter tempo para me dedicar a ser uma boa mãe. Além disso... não sei como me sinto sobre adoção, confesso que nunca considerei... Eu... apenas me conformei de que nunca seria mãe e mergulhei em meu trabalho.

— Eu compreendo e também não sei como me sinto sobre adotar uma criança, nunca considerei isso, ainda que o Harry é o mais perto de ter um filho que eu já cheguei e ele não é o meu sangue. — Sirius disse suavemente. — Acho que não poderia ama-lo mais se ele fosse meu. — Denver acenou entendendo, pois, o amor entre os dois era visível para todos. — Agora, a ideia de mudar o sobrenome me agrada muito, mas preciso verificar se isso é legalmente possível e, se caso for e nossa relação terminar em casamento, não me importo de aderir ao seu sobrenome. — Ele sorriu com malícia. — Sirius Denver soa bem, eu acho.

— Harry sugeriu unirmos os sobrenomes, Denverblack ou BlackDenver. — Denver disse ainda incomodada com a ideia. O seu sobrenome era algo que ela criara para si, a ideia de mudar parecia como se deixasse de ser quem era, como se perdesse uma parte de si. — Não me sinto à vontade com essa ideia, além do fato de que me parece muito cedo para considerarmos isso.

— Ok. Eu já disse que vamos no seu ritmo e, se quiser manter o Denver, eu te apoiarei. — Sirius disse razoável, ainda que uma parte dele queria que ela estivesse mais segura e à vontade com a relação deles. — Estamos ok?

— Não sei... — Ela cruzou os braços tentando entender porque ainda estava com raiva e se lembrou do seu apelido. — Eu também estou muito irritada com o fato de você continuar a me chamar de Emy, acho que já lhe pedi uma dezena de vezes para parar e você não me escuta.

Sirius virou os olhos e suspirou impaciente.

— Por Merlin! Você está afim de brigar? É isso? Primeiro essa história de traição e agora essa implicância tola...

— Não é uma implicância tola! Eu te pedi para não usar esse apelido e você não dá importância ao que eu quero ou preciso! E ainda por cima me chamou assim em frente a todos lá em Stone Waterfall! — Denver se aproximou possessa com sua atitude indiferente.

— Eu não me importo com o que você quer ou precisa!? — Sirius berrou enfurecido. — Isso é tudo o que eu faço! Me preocupo em respeitar o seu espaço, o seu humor, o seu tempo, os seus sentimentos! Você é que não liga a mínima para mim! Sempre me mantem distante, me envia sinais confusos e ainda não consegue nem disfarçar que não está à vontade com a nossa relação!

— Eu não... — Denver parou porque suas afirmações eram razoavelmente verdadeiras. — Você está sendo injusto! Eu lhe disse que nunca tive uma relação séria e que não sei como me sinto com planos para o futuro! Eu disse para ficarmos só na transa, mas você quis mais e agora quer mais! Eu não estou pronta! Um fim de semana familiar já é um passo enorme para mim e agora você fala sobre filhos, adoção, juntar nossos sobrenomes e nós mal nos conhecemos, porra!

— Eu não falei nada sobre nada disso! — Sirius protestou irritado. — Quem falou foi o Harry e...

— Ah, sim! E não vamos nos esquecer que você está fazendo planos para nós com o seu afilhado! Ele acredita que estamos às vésperas brincar de casinha com um monte de bebês! — Denver zombou ironicamente.

— Isso não é verdade! E duvido que o Harry disse que eu falei isso, porque seria mentira e meu afilhado não é um mentiroso! — Sirius disse magoado e percebendo que a discussão estava sem controle e se tornando absurda. — Olha, vamos nos acalmar e esclarecer as coisas...

— Não tem nada para esclarecer! Se você não pode aceitar que não estou pronta, que não quero que me chame de Amy e que isso é importante e não um capricho bobo, podemos parar por aqui mesmo! — Denver gritou.

— Eu nunca disse nada disso! Eu sei que não está pronta e me lembro de dizer que eu também não estou pronto para tudo isso! Eu nem pensei com calma sobre a mudança do meu sobrenome! E isso só tem a ver comigo! — Sirius disse em tom defensivo. — E se te chamar de Emy é tão importante, diga ao menos o porquê! Tudo o que você faz é me ordenar que não te chame assim, mas eu não consigo compreender a importância disso! E, sinceramente, eu mal percebi que te chamei de Emy na frente do pessoal! Emily! — Sirius tentou se aproximar e suavizou a voz. — Quando te chamo de Emy, é um apelido carinhoso! Não é consciente ou com má intenção!

— Não é da sua conta porque eu não gosto! Eu apenas não gosto e ponto final! — Denver disse irritada com seus argumentos razoáveis e consigo mesmo porque querer ceder. — E, eu gostaria muito de entender como uma conversa com seu afilhado entrou em detalhes sobre a nossa relação, inclusive que você tinha liberdade para sair por aí e transar com quem quisesse.

— Algo que não aconteceu e você tinha o mesmo direito, mas não me vê te interrogando sobre o que não é da minha conta, porque isso realmente não é! — Sirius disse impaciente. — No entanto, o apelido parece ser mais do que está dizendo e tenho o direito de saber sim!

— Direito! Você não tem qualquer direito sobre mim! Se acredita que pode me dar ordens e eu pularei com uma cadela está muito enganado! — Seu rosto ficou vermelho de fúria.

— Não foi o que eu disse... Merlin! Você está levando tudo o que eu falo para o pior lado! — Sirius esfregou o rosto exasperado e cansado. — Isso não está indo a lugar nenhum, Fleamont e James estavam certos, porra. Você está claramente tentando arrumar uma briga comigo por qualquer maldito motivo e faz isso porque está com medo, Emily.

— Eu não tenho medo de nada. — Denver disse muito rapidamente, claramente era uma mentira.

— Mentirosa. — Sirius se aproximou com o coração batendo forte pelo que pretendia fazer. Era arriscado demais, mas necessário. — Você está morrendo de medo do que sente por mim, está apavorada com o fim de semana familiar e como se sentiu bem, certo, encaixada em minha vida e da minha família. Você está em completo pânico em admitir que você quer uma família também, porque você quer isso, Emy...

— Não! — Ela gritou em protesto.

— Sim! Você quer tudo! Até filhos! Mas não tem coragem de admitir para você ou para mim! — Sirius disse ferozmente e deu mais um passo, ficando bem a sua frente, sem que seus corpos se encostassem. — E está tudo bem ter medo! Eu não me importo e tenho os meus próprios medos para lidar, mas você nem consegue nomear a nossa relação! E ainda tenta me empurrar para longe, arrumar uma briga tola para encontrar uma desculpa para terminar! — Denver empalideceu ao perceber que isso era exatamente o que estava fazendo. — Tudo bem, não precisa me mandar embora da sua vida, eu saio por mim mesmo e sem discussão. — Sirius segurou o seu rosto e lhe deu um beijo doce, longo e cheio de sentimentos, depois se afastou e a encarou olhos nos olhos. — Eu irei e esperarei que esteja pronta para ir me encontrar, ok? Não quando estiver sem medo, mas sim quando tiver a coragem de enfrentar nossos medos juntos. Por favor, só me procure quando conseguir entender e nomear o que temos pelo que é de verdade, uma relação, um namoro, amor, vivo e real. Nós não somos "isso", porque "isso" é nada e nós somos muito mais. Acredite.

Sirius soltou o seu rosto, deu um passo para trás e depois saiu do apartamento sem olhar para trás.

Denver ficou parada, paralisada no meio da sala, percebendo chocada que era exatamente isso o que buscava com a briga estúpida. Ela queria ficar sozinha, pois assim era mais seguro, menos apavorante e arriscado, afinal como poderia dar certo uma relação entre duas pessoas tão diferentes? Com tantos fantasmas? Tão feridas? Tão quebradas? Eles não tinham nada em comum e queriam coisas diferentes do futuro, assim, o melhor era seguirem rumos opostos e não se arriscar em algo que ela sabia que seria um fracasso doloroso.

Mas apesar da sua certeza, Denver sentiu o apartamento vazio estranhamente menor do que antes e muito mais melancólico, triste, raso, frio, sem risos e esperanças. E, ela tentou, se esforçou muito para não admitir que o apartamento minúsculo em que vivia lembrava muito fortemente dela mesma e de sua vida. Depois do mais maravilhoso e assustador dos fins de semana, Denver tinha a chance de voltar para a sua vida de sempre, mas abalada, percebeu que essa vida não parecia ter mais os mesmos atrativos. A questão é se ela estava disposta a ter uma vida segura e infeliz ou se arriscaria tudo ao mergulhar no impossível.

Sirius caminhou ansiosamente de um lado para o outro no corredor em frente a porta de Emily, pois apesar de sentir que fez o certo, era muito difícil ir embora. Além disso, uma parte dele estava esperançoso de que Emily abriria a porta para ir atrás dele e pedir que voltasse, pois o amava, mas os minutos se passaram e isso não aconteceu. Desanimado, triste e meio apavorado, Sirius se recostou na parede do corredor e deslizou até se sentar no chão, apoiando os braços nos joelhos enquanto tentava se convencer de que ir embora era o melhor.

A verdade é que ele não podia pressioná-la ou obrigá-la a se envolver, a se entregar mais do estava preparada. Sirius era o primeiro a admitir que em outros tempos seria ele a resistir, a se acovardar e criar motivos tolos para se afastar. No entanto, ele não era o mesmo jovem, inconsequente e egoísta Sirius Black e, depois de 10 anos no inferno, Sirius dava valor aos sentimentos verdadeiros, assim como acreditava ter se tornado muito mais paciente e compreensivo. Quem melhor do que ele para entender os seus medos? As incertezas? Ou a certeza de não ser bom o suficiente ou merecedor de amor e felicidade? Ou a crença dolorosa de que tudo era bom demais para ser verdade e o sofrimento estava bem ali, ao virar da esquina? Emily não poderia perceber o quanto eles eram parecidos? Como incrivelmente perfeitos eles eram juntos?

Talvez não, pensou Sirius, meia hora depois e ainda olhando para a porta fechada, talvez Emily não sentisse o que ele sentia. E, talvez, tenha sido um grande erro sair, ele deveria tê-la beijado até deixá-la sem fôlego. Depois transado com ela até deixá-la mole e desesperada por mais e mais dele. Até que ela esquecesse o próprio nome ou que eles tinham brigado. Mas sexo não tiraria os seus medos, apenas amorteceria as percepções, e Sirius a queria inteira nessa relação porque, quando ele estivesse pronto para conversar sobre casamento e filhos, ele queria que Emily estivesse no mesmo ritmo.

Mesmo que Sirius estivesse certo da sua decisão, isso não queria dizer que os próximos dias sem ela foram fáceis. Se despedir do Harry naquela manhã de segunda-feira se mostrou mais difícil do que o normal e, felizmente, seu afilhado estava tão distraído que não percebeu o seu humor sombrio.

Seu dia foi cheio de reuniões e mais reuniões. Suas fábricas funcionavam a perfeição e com Edgar administrando tudo, Sirius tinha apenas decisões e supervisões para fazer de semana em semana. A GER estava no mesmo caminho, pois além de bem administrada, tinha uma grande equipe chefiando e trabalhando em cada Divisão. No entanto, a Feiras estavam há menos de um mês para as inaugurações e muitos detalhes precisavam ser organizados. A Fábrica de Cosméticos seria inaugurada no fim de maio e a estruturação e reforma do prédio estava acelerado. Hallanon tinha de volta quase todos os seus animais, os novos e alguns dos antigos funcionários e haviam tantas coisas necessárias para gerir uma fazenda tão grande que ele ficou feliz por Trissie e Michael (novo administrador dos negócios Potter) estarem cuidando de praticamente tudo.

A construção do Emporium estava sendo finalizada e o acabamento e decoração começaria ainda naquela semana. Isso sem falar na academia que seria inaugurada em menos de duas semanas e Sirius conseguiu um encontro com Gwenog Jones, graças a Barnie Cuffe, e uma campanha de publicidade foi acordada entres eles. Gwen não apenas treinaria na nova academia como aparecia em fotos promocionais, cartazes e outdoors no Profeta, no Beco e nos jogos da Liga de Quadribol, que se iniciaria em maio.

Sirius também deu início a compra das antigas fábricas abandonadas na Ilha do Cão. Ele pretendia realizar uma extensa reforma nos prédios e converte-los em prédios com apartamentos. O lugar era muito maior do que ele tinha imaginado e haveriam muito mais apartamentos do que os 129 necessários para o grupo do T, mas Sirius achou um ótimo investimento, pois poderia alugar os outros apartamentos para famílias trouxas/bruxas e até criar alas de proteção poderosas para quando a guerra se iniciasse, transformado o local em um esconderijo seguro.

As boates também entraram na discussão das reuniões e Ian e Mac prometeram apresentar um projeto que permitisse a inauguração das três boates durante o verão. E foi com esses dois que Sirius teve a reunião mais importante, pois eles realizaram as assinaturas de sociedade da nova construtora no mundo trouxa e transformaram a M&T Construção e Arquitetura na Alliance Arquitetura e Construção. O nome Alliance foi escolhido porque a empresa seria uma aliança entre a empresa estabelecida de Ian e Mac e a empresa que o Sirius e o Harry estavam fundando. Depois de uma longa reunião, os detalhes, objetivos, projetos e valores foram acertados e as documentações assinadas.

Enquanto isso, a Divisão RHEI da GER começou a realização das entrevistas com os lobisomens em Stronghold, enquanto a Divisão Evans providenciou comida, roupas, sapatos, produtos de higiene e selecionou aqueles que precisavam ou queriam estudar assuntos mágicos ou trouxas. Flidais estava em sua última etapa de reforma e preparação para o início das aulas em junho, com Remus e Serafina iniciando o difícil e burocrático processo de abrir uma escola trouxa legalmente e uma mágica ilegalmente. Assim que o castelo estivesse pronto, essa mesma equipe de construtores selecionaria os lobisomens para ajudarem na reconstrução da vila, enquanto um outro grupo já começaria a visitar as Fazendas Potters e aprender a trabalhar com a produção de alimentos e animais.

Enquanto cada projeto estava em andamento com cada um fazendo a sua parte e com uma organização eficientíssima, Sirius pode se concentrar na organização do primeiro jantar do seu novo Partido. Esse primeiro contato era para apresentar alguns dos projetos, a missão e os objetivos que o Partido se comprometia a seguir e Sirius estava ansioso para que os convidados percebessem que sua intenção era oferecer uma opção verdadeiramente progressista e justa. O número de filiados no fim da noite revelaria se o encontro foi um sucesso ou não.

O encontro seria na Mansão Boot em Londres e Dobby o ajudou a organizar tudo, afinal, Serafina estava muito ocupada com Flidais e os filhos. Uma mesa de bufê com muita e deliciosa comida foi preparada e seria reabastecida magicamente por um pequeno grupo de elfos contratados para esse trabalho específico e que seriam pagos por isso. As bebidas seriam servidas em um bar por Dobby, que arregalou os olhos muito animado e sorridente ao saber que seria o bartender da reunião.

Sirius tinha recebido dezenas de cartas de interessados em saber mais sobre seus planos, mas ele selecionou aqueles que verdadeiramente tinham o desejo de mudar o mundo mágico e que poderiam acrescentar ao Partido. Não precisava conhecer profundamente alguns dos correspondentes para saber que eles apenas queriam espionar a reunião ou pior, queriam se aproveitar do poder do nome Black para se alçarem politicamente.

Assim, Sirius enviou convites para um grupo seleto com a intenção de, pelo menos inicialmente, dar valor a qualidade e não a quantidade. Afinal, ele precisava se cercar de pessoas que queriam lutar pelo mundo mágico, mais do que engrandecer as suas carreiras... ou bolsos. Sirius também admitia que precisava do apoio de pessoas politicamente experientes, inteligentes e com senso de ética, pois ele mesmo ainda tinha muito o que aprender neste novo mudo em que estava adentrando.

Enquanto se ocupava da organização da reunião e das inúmeras reuniões na GER e no Escritório Black, Sirius ainda encontrou tempo de passar por Grimmauld Place e selecionar os objetos que não gostaria que estivessem em posse dos Malfoys. Primeiro, Petúnia o ajudou a selecionar alguns móveis, quadros e objetos de decoração que ficariam interessantes expostos em um museu como uma "sala de estar e um banquete da Família Black". Eles selecionaram um grupo de objetos que representavam claramente a história e característica purista dos Blacks, pois Sirius queria mostrar que essa era a maneira antiga da sua família pensar e agir. Um pensamento que ficou no passado, pois a Família Black agora e no futuro sempre apoiariam os Descendentes.

Com a ajuda do Sr. Boot e dos goblins, Sirius também selecionou os objetos escuros e toda a biblioteca Black e os enviou para seu cofre familiar em Gringotes. Os livros retornariam depois da reforma, mas os objetos ficariam guardados até que uma equipe de quebradores de maldição pudesse analisá-los e desfazer qualquer maldição ou encantamentos escuros.

Pessoalmente, Sirius ficou com algumas lembranças do seu irmão, alguns livros e fotos de seus familiares não puristas e todo o resto foi deixado para que Andrômeda e Narcisa dividissem entre si mesmas. O encontro estava agendado para quinta-feira e Sirius sabia que Narcisa tinha realizado o procedimento cirúrgico na segunda-feira de manhã, assim ele esperava que sua prima estivesse bem para o que fariam.

Em meio aos planos, reuniões e horas sem fim de organização e trabalho, Sirius tentou ignorar a dor no peito que a ausência constante de Emily lhe causava. Uma parte dele duvidava de sua decisão e se perguntava se não deveria procurá-la e pedir por uma nova oportunidade. Seu lado impulsivo, que Sirius tanto tentava combater, lhe dizia que o melhor era esquecer de tudo e mostrar para Denver que ele não precisava dela. Ele deveria se concentrar em seu afilhado, na preparação para a guerra, encontrar as horcrux, ajudar a realizar os planos sem fim do Harry e continuar solteiro. Afinal, Sirius tinha que reconhecer que ele não teve muito chance de se divertir depois que deixou a prisão e o que era mais divertido e descomplicado do que ficar com várias mulheres sem compromisso? Porque ele queria se prender a uma relação complicada, como uma mulher distante, fria e com tantos fantasmas quanto ele?

Mas então, Sirius se lembrava do seu cheiro, sua voz, seu sorriso e olhos de whisky cheios de calor, da sensação da sua pele contra a dele e do poder que os seus beijos tinham de lhe tirar o fôlego. E, ele tinha que reconhecer que adorava o seu jeito turrão e frio que não permitia que ninguém a sacaneasse, mas que infelizmente também mantinha todos a alguns passos de distância o tempo todo.

Felizmente ou não, o trabalho o manteve ocupado e Sirius se forçou a se concentrar em cada projeto, pois ele precisava aliviar a carga de Falc para que o amigo passasse mais tempo com Adam. Além disso, muitas pessoas dependiam dele, principalmente Harry, e Sirius se recusava a decepcioná-lo apenas porque não conseguia deixar de pensar em uma mulher... mesmo que essa mulher fosse Emily Denver.

— Está pronto? — Sr. Boot perguntou ao observar o Sirius pelo espelho dando o último laço na gravata cinza.

Ele escolhera uma roupa mais formal para esse encontro, sem deixar de ser ele mesmo. O terno era cinza escuro, a camisa era vermelha com um colete e gravata cinza claro. Seu cabelo estava peso em um rabo curto na nuca e o cavanhaque bem aparado. Seus olhos cinzas pareciam mais escuros e sombrios do que o normal, mas seu sorriso foi sincero ao responder para o Sr. Boot.

— Incrivelmente, sim. — Ele disse quando terminou de se arrumar. — Eu pensei que estaria despreparado quando esse momento chegasse e meio apavorado, mas me sinto pronto. Eu tenho o apoio de todos vocês e estive me preparando ou me ajustando mentalmente para assumir essa responsabilidade.

— Fico feliz. — Sr. Boot sorriu e bateu em seu ombro em apoio carinhoso. — Eu já lhe disse que tenho absoluta fé na sua capacidade de empreender esse novo papel.

— Obrigado, Sr. Boot. — Sirius disse emocionado. — Sua fé em mim é um grande presente.

— Bem, para mim será um presente especial se você parar de me chamar de Sr. Boot, somos família, Sirius e espero que me chame de Áquila. — Sr. Boot disse e Sirius arregalou os olhos.

— Hum... acho que demorarei para me acostumar, mas agradeço, por tudo, senh... Áquila. — Sirius sorriu sentindo a estranheza do nome, mas também pareceu certo.

Eles desceram para o salão antes da chegada dos primeiros convidados e encontraram o resto da família. Serafina apareceu apressada e muito bonita em um vestido azul de seda e muito curto.

— Adam já dormiu, felizmente, ele está ansioso para voltar para a escola amanhã, apenas espero que ele não tenha pesadelos. — Ela disse com um suspiro. — Ayana está lendo antes de dormir, mas já lhe dei boa noite e verifiquei a organização na cozinha, tudo está perfeito, Sirius. Você, o Dobby e os elfos contratados fizeram um excelente trabalho.

— Bem, se as crianças estão bem e os elfos estão realizando um bom trabalho, acredito que a minha linda esposa pode relaxar, tomar uma bebida e se divertir um pouco. — Falc lhe entregou um copo de vinho branco, que ela aceitou com um sorriso animado.

— Ah, sim, isso é exatamente o que eu preciso. — Ela disse tomando um gole generoso. — Me divertir em meio a políticos insossos é a última coisa que farei, mas prometo tentar relaxar, querido.

— Ei! — Sirius protestou divertido. — Me sinto ofendido!

Eles riram e a campainha anunciou o primeiro convidado. Era Remus, muito elegante e acompanhado de Maria MacDougal, que estava linda em um vestido verde claro, que contrastava lindamente com seus cabelos ruivos e cacheados. Eles se cumprimentaram e Dobby lhes serviu uma bebida, claramente animado ao preparar os drinks ou talvez com o seu fraque branco e preto, que o deixava superelegante.

— Você e Maria, hein? — Sirius provocou Remus baixinho enquanto Maria conversava com Serafina.

— Oh... — Remus corou e pareceu meio atarantado. — Não é isso, apenas tenho passado um tempo com ela, sabe, para ajudá-la com tudo... hum, Maria precisa conversar sobre Caradoc e tudo o mais.

— Ahhhh... — Sirius sorriu com malícia. — E isso é tudo o que vocês fazem? Conversar? Porque o olhar quente que ela está te enviando me diz outra coisa, meu amigo.

Remus ficou ainda mais vermelho e resmungou uma resposta incompreensível antes de tomar um gole do seu vinho.

Pontualmente, Horace Slughorn chegou em seguida e parecia encantado em encontrá-los tão elegantes e animados.

— Para um velho, não há nada mais delicioso do que estar cercado de jovens bonitos, boa comida e a melhor bebida. — Ele disse ao ser servido de um conhaque francês caríssimo.

A Sra. Clark e seu sobrinho, Arnold, chegaram em seguida e Slughorn pareceu perdido ao encontrar uma aluna tão antiga.

— Julia! Você esteve entre minhas primeiras alunas! Que prazer reencontrá-la! — Ele disse estupefato de emoção.

Eles se afastaram para um reencontro emocionado e cheio de histórias das últimas décadas, ao mesmo tempo em que mais convidados entravam no salão de festas da mansão e Sirius os recepcionava com um grande sorriso.

Barnie e Vance vieram como amigos e jornalistas, pois pretendiam fazer uma reportagem sobre a criação do novo Partido e suas propostas.

— Sua namorada virá, Sirius? Estou ansiosa para conhecê-la melhor. — Vance disse animada, pois queria se tornar amiga de Denver e esperava que o fato do Sirius e ela terem sido amigos com benefícios não se tornasse um empecilho.

— Ah..., não, ela não virá. — Disse Sirius sem acrescentar mais nada, mas seus olhos tristes disseram muito.

— Você está bem? — Vance pegou seu braço preocupada, sem perceber o olhar incomodado de Barnie.

— Sim, minha amiga. Eu ficarei bem, não se preocupe. — Sirius deu de ombros.

— Se quiser conversar mais tarde, estarei por aqui. — Vance disse antes de se afastar com Barnie.

Ted, Andy e Tonks também foram convidados e, orgulhosos do Sirius, compareceram para mostrar apoio e descobrirem mais sobre seus projetos.

— Remus está por aqui? — Tonks olhou em volta sem disfarçar um certo interesse. — Queria lhe contar sobre um treinamento que tivemos essa semana...

— Sim, ele já chegou. — Sirius disse distraído. — Obrigada por virem, o apoio de vocês é muito importante.

— Nós somos a sua família, Sirius e agora também somos Blacks outra vez, graças a você, assim é nosso dever e prazer assumir nossas posições ao seu lado. — Andy disse altiva como só uma Black poderia ser. — Pode contar conosco sempre.

Entre os sócios da GER estavam Timothy e Charity Doylen, da World of Books, Fiona, a dona da Rituum & Potions, Professor Hector Jonas, da Custom Furniture, que chegou de braços dados com uma reluzente Professora Bathsheda. Além de Adrian e Rosa Sarid, donos do Hotel e restaurante The Magic, Savita Achari, da Designer & Home, Kabir Clement, da Essence Spéciale e David Colemam, da Sports Company. E Ian e Mac também apareceram, ansiosos por apoiarem o seu novo sócio.

Alguns funcionários da GER também se mostraram interessados, Edgar estava mais do que animado por fazer parte do novo Partido e compareceu com sua esposa, Angel. Ela não era a única trouxa convidada, os Madakis estavam todos presentes, assim como os Grangers e Petúnia, (Duda estava dormindo na casa de um amigo). A família estava ali para apoiar, ajudar e para Sirius analisar se algum dos convidados discriminariam os convidados sem magia. Infelizmente, as leis do Ministério impediam que trouxas se filiassem a partidos políticos ou todos eles já teriam se filiado.

Da GER, também vieram Belle Perrin, Diretora da Divisão Evans, Theo Foster, Diretor da Divisão de Marketing, Rebecca Gillian, Diretora da Divisão RHIE, Diane Worthington, Diretora da Divisão Imobiliária. Além de Matilde e seu irmão gêmeo Maxwell White, assistentes das Divisões Imobiliária e Financeira respectivamente. E Lucy Brown, assistente da Divisão Evans, que chegou de braços dados com a sempre séria Isabella Byrne, a assistente de Edgar.

A família Brown também foi convidada, Procópio e Leticia eram amigos de Serafina e Falc, além de serem uma família respeitável. Sirius se preocupou com seus interesses ambiciosos e egoístas, mas ficou feliz em cumprimentá-los e ouvir dos dois que, se Sirius pretendia ajudar os lobisomens, receberia o apoio deles. O encontro com a sobrinha Lucy foi estranho e constrangedor, principalmente quando ela apresentou Isabelle como sua namorada, mas felizmente o casal Brown não demonstrou se desagradar com a relação. Claramente Lucy tinha algum ressentimento dos tios, mas decidiu ignorar isso e se concentrar no objetivo da reunião.

— Nossa, que constrangimento. — Leticia disse para o marido. — Não sabia que ela estaria aqui...

— Eu também não. — Procópio enxugou o rosto suado. — Ainda bem que ela não fez nenhum comentário sobre a herança.

— Ela não tem direito a nada, Procópinho. — Disse Leticia com um bico. — Seu pai expulsou o seu irmão e o deserdou quando ele foi mordido, assim, sua esposa e filha também sofreram o mesmo destino e isso era o mais justo, afinal ela teve uma filha e não um filho. Lucy e sua mãe não tem motivos para se ressentirem ou culparem você, queridinho.

— Eu sei, eu sei, mas talvez devêssemos ter nos aproximado e ajudado elas financeiramente, afinal estávamos em boa situação. — Procópio disse alisando as vestes caríssima.

— Bem, mas é tudo nosso por direito e não é muito... — Leticia disse mesquinha. — E, quando ajudamos alguém, eles sempre querem mais e mais! Aposto que elas nos deixariam pobres, meu ursinho!

— Sim, sim, você está certa, meu coelhinho. — Disse Procópio facilmente desaparecendo com a pequena pontada de culpa. — Mas talvez pudéssemos ter sido uma boa influência para a minha sobrinha e ela não estaria namorando uma garota, por Merlin!

— E ela se exibe para todos! — Leticia disse indignada. — Será que ninguém lhe disse que em nosso mundo essas relações antinaturais são escondidas atrás de portas bem fechadas?

Cecilia MacMillan e seu marido, Everald também surgiram elegantes e interessados em saber sobre os objetivos de Sirius com o novo Partido, principalmente sobre os altos impostos, taxas e leis que favoreciam os puristas.

— Somos uma família pura, Sirius, mas vejo famílias sofrendo com as altas dos impostos e tendo dificuldades em alimentar as suas famílias. — Cecilia disse indignada. — Isso tem que ter um fim!

— Os salários foram baixados, pessoas foram despedidas, mas não foi o suficiente, agora o Ministério subiu os impostos e alega que isso é para compensar a ajuda aos lobisomens. — Everald alisou seu bigode castanho claro, com irritação. — Como se algumas barracas, roupas e comidas justificassem esse absurdo.

— Acredito que esse é um tema importante que precisaremos discutir e encontra uma solução rápida. — Sirius disse. — Não sou especialista na área, serei sincero, mas tenho algumas pessoas especialistas na área financeira que acredito, nos ajudarão a criar o projeto certo para mudarmos isso.

Amos Diggory chegou com sua esposa, Zenira, colega de trabalho de Cecilia, mas parecia muito hesitante, como se não tivesse certeza do que estava fazendo ali exatamente. No entanto, sua esposa estava empolgada e circulou por todos os grupos, interessada em conhecer essas pessoas incríveis que queriam efetivamente ajudar os oprimidos.

— Eu não entendo como você pôde acreditar que me interessaria em lutar pelos direitos daquelas bestas. — Amos sussurrou para ela depois que conversaram com um grupo que defendia em alto e bom tom que a Suprema Corte tinha que mudar as leis injustas contra os lobisomens.

— Porque eles estão certos! E você está errado, Amos! — Zenira disse em tom baixo, mas cortante. — Se não deixar os preconceitos de lado e aceitar que nosso mundo está mudando, irá afastar ainda mais o Cedric! Não quero vê-los brigando como eu vi durante essas férias de páscoa!

— Alguém encheu a cabeça do menino com ideias malucas! — Amos disse irritado. — E pelo jeito você está igual! Eu não devia ter deixado que trabalhasse, Zenira, o seu lugar é em nossa casa e não ouvindo essas tolices modernas!

Os Davis também estavam presentes e muito interessados em ajudar a Equipe Pegasus em algo que não envolvia lutar contra comensais da morte e Voldemort. Anton tinha decidido que ele e Lorie assinariam o Tratado, mas deixou claro que quando a guerra recomeçasse, sua esposa e filhos deixariam a Inglaterra.

— Tenho certeza que com pressão política e com projetos de Leis bem estruturados, nós pressionaremos a Corte por mudanças. — Anton disse para Ernest Murray, pai de Dempsey e membro da Suprema Corte e do Partido Conservador. — Alias, Arthur, parabéns pela elaboração e aprovação da lei de proteção aos trouxas.

— Concordo. — Ernest deu um tapa amigável no ombro magro e curvado de Arthur Weasley. — Meus colegas de Partido passaram semanas tentado encontrar maneiras de desqualificar o seu texto, mas acabaram se rendendo. Bem, a maioria, alguns votaram contra o projeto mesmo sem uma justificativa válida.

— Essa nova lei está ajudando muito em meu trabalho e, mais importante, deixando os trouxas mais seguros. — Arthur disse orgulhoso. — Espero que essas ideias do Sirius nos ajude a avançar nesta direção, menos preconceitos é apenas um passo, a verdade é que como uma sociedade civilizada, devemos proteger os trouxas com punições tão severas para quem os ataca, quanto para quem ataca um bruxo.

Molly também estava presente, ainda que se sentisse deslocada em meio a tantas pessoas estranhas e muito ansiosa pelas conversas anti Ministério.

— Arthur, se descobrirem lá no Ministério que você está aqui, você será demitido! — Ela disse a ele em um ponto da reunião. — Essas pessoas não apoiam o Ministro da Magia!

— Molly, vivemos em uma democracia e eu posso fazer parte de um partido político sem sofrer retaliações, aliás, isso está em meu contrato de trabalho. — Arthur disse indignado. — Se não fosse assim os Partidos não teriam membros, porque a maioria do mundo mágico trabalha do Ministério da Magia. Bem, com exceção dos nascidos trouxas que em sua maioria estão nos empregos braçais... Olha, isso não importa, o que interessa é que essas pessoas querem lutar por um mundo melhor e mais justo. Isso foi algo que os Weasleys sempre apoiaram e não posso deixar de aceitar um convite para uma missão tão nobre.

— Eu sei, Arthur, mas as coisas andam tão diferentes e mudam a cada piscar de olhos, me parece que manter a cabeça baixa seria a melhor solução. — Molly disse preocupada.

— Mudanças são coisas boas, minha querida e gosto de estar fazendo parte disso. — Arthur disse sorrindo, com os olhos brilhando de entusiasmo e Molly suspirou resignada. — Vem, quero lhe apresentar a Srta. Rebecca, foi ela quem me entrevistou para o trabalho da GER.

Jay e Cali Patil também estavam orgulhosamente presentes, pois como imigrantes nunca tinham sido aceitos no mundo político da sociedade mágica. Por causa da sua empresa e riqueza, eles eram tolerados em festas, jantares e eventos sociais, mas sempre existia uma clara barreira dividindo os nós de vocês.

— Eu me sinto muito otimista, Sr. Clement. — Disse o Sr. Patil para Kabir Clement, dono da perfumaria. — Quando poderíamos pensar que um francês indiano poderia abrir uma loja no mundo mágico britânico, mesmo que em sociedade? E nós fomos convidados a nos envolver com a política do país que decidimos adotar como nosso lar.

— Nossas filhas apenas falam coisas boas do jovem Harry Potter e nos dizem que seu padrinho tem os mesmos objetivos nobres. — Sra. Patil disse suavemente. — Eu conheci o menino e ele tem uma aura diferente, uma bondade que vem de um coração forte e generoso.

— Eu concordo plenamente. — Sr. Clement disse. — Eu conheci o jovem Harry, estou realizando alguns negócios com Sirius e tive a oportunidade de conversar com o menino que está se tornando um homem forte e valoroso. Acredito essa é uma oportunidade de lutarmos por um mundo melhor para os nossos filhos e isso me deixa muito animado.

— Você pretende se filiar? — Sr. Patil perguntou.

— Eu acabei de solicitar cidadania inglesa no Ministério. Felizmente meus negócios aqui estão crescendo, meu sócio cuidará da parte francesa de tudo e, assim, decidi me mudar para cá com a minha família. Então sim, eu me filiarei ao partido dos Sirius. — Sr. Clement explicou animado.

Callistus Moon, pai de Lidya Moon também foi convidado e não estava interessado apenas em política.

— Sr. Black, eu entendo os movimentos políticos e de poder da nossa sociedade e como um Black, é mais do que esperado que o senhor deseje assumir o seu lugar e obter poder, mas minha preocupação é com o fato de que Voldemort está vivo. — Ele disse exasperado. — Minha filha me contou o que o seu afilhado descobriu e o que mais me interessa é o que esse partido pretende fazer para impedir a sua volta ou destruí-lo de vez.

— Por favor, me chame de Sirius. — Sirius disse suavemente e acenou para King. — Acho que você conhece os auror Kingsley Shacklebolt, certo.

— Claro que sim, como vai, Auror Shacklebolt? — Callistus apertou a sua mão e parecia meio pálido. — O senhor foi um dos aurores que investigou o desaparecimento e assassinato da minha esposa e sogros.

— Sim. Prazer em revê-lo, Sr. Moon, não sabia que tinha voltado ao país. — King disse formalmente.

— Minha filha queria estudar em Hogwarts, assim... — Ele deu de ombros como se isso explicasse tudo e explicava, porque King e Sirius apenas acenaram.

— Callistus estava me dizendo que seu interesse em se filiar ao partido está condicionado as nossas ações contra Voldemort. — Sirius disse a King. — Você poderia lhe falar um pouco sobre o que efetivamente está sendo feito no Ministério?

— Bem, Madame Bones ganhou um pouco de liberdade de ações depois de tudo o que aconteceu nos últimos meses e, com o dinheiro doado por Sirius, conseguiu realizar mudanças reais no Departamento de Leis. — King explicou. — Triplicamos o número de aurores e pretendemos triplicar o número atual em mais um ano. Temos um novo centro de treinamento e conseguimos introduzir técnicas trouxas de luta e combate, além de testes de batalhas mágicas individuais e em grupos. Os relatórios dos aurores e suas ações estão sob escrutínio mágico e do chefe do Departamento, pois crimes, espionagens e mentiras não serão tolerados. A área de lei está sendo reestruturada e a todos os juízes, advogados e estagiários estão sendo exigidas mais pesquisas, relatórios precisos e projetos para melhorar as leis abusivas ou arbitrárias. Bones disse que um dos papeis do departamento jurídico de um governo é apresentar incongruências ou injustas nas leis instituídas no país.

Callistus acenou levemente impressionado.

— Madame Bones sempre me pareceu impressionante. — Ele disse e depois olhou para o Sirius. — E o partido, você tem projetos específicos nesta área?

— Temos muitas ideias, não teremos poder em cargos políticos a menos que os membros da Suprema Corte presentes se junte a nós, mas não deixaremos de pressionar e exigir mais ações efetivas. — Sirius disse. — Uma das coisas que pretendo propor a Bones é a criação de um departamento de inteligência para investigar e prever as ações de Voldemort e seus comensais da morte. Precisamos ser mais proativos e anteciparmos as suas ações, seus ataques e dar aos aurores informações precisas. Infelizmente, na última guerra, os aurores eram os últimos a chegarem e isso acontecia depois que os atacantes já tinham partido deixando todos mortos.

— Infelizmente isso é verdade. — King disse e Callistus apenas acenou, pois, um desses ataques tinha sido em sua casa, com sua família.

— Temos mais projetos, Callistus, mas esses não pretendo espalhar aos quatros ventos para que os outros Partidos se antecipem as nossas ações. — Sirius disse e olhou em volta com atenção. — Nem todos aqui se juntarão a nós e aposto que alguns estão apenas espionando a concorrência.

— Ok. Entendo a sua cautela. — Callistus disse mais acessível. — E depois que nos filiarmos ao Partido?

— Então poderemos falar mais claramente, inclusive sobre Voldemort e como nos preparar para a guerra. — Sirius disse determinado. — Acredito que você se interessará por nossos projetos, Callistus.

King também foi questionado em particular por Sirius sobre o avanço nas investigações contra Malfoy e na tentativa de descobrir sobre a profecia.

— Felizmente, eu tenho autoridade o suficiente para questionar o funcionamento da Sala das Profecias, pois os Inomináveis são extremamente misteriosos com seus projetos. — King respondeu para Sirius em tom bem suave. — Descobri que todas a profecias já realizadas estão armazenadas nesta Sala, mas apenas os bruxos referidos no texto da profecia ou na previsão do texto podem retirá-la. Mesmo os Inomináveis não têm autorização para ler o conteúdo, apenas podem transportar em caixas mágicas especiais. Croacker me disse que essa regra é importante para que ninguém tente influenciar as previsões, impedi-las ou adiantá-las, afinal, profecias são consideradas avisos da magia sobre o que virá. Alguns até acreditam que as previsões são a vontade da magia, pois ela conhece o equilíbrio do mundo e sabe o que é melhor para nós.

— Harry e Neville tem uma teoria semelhante. — Sirius disse suavemente. — Então, só o Harry?

— Sim, ele deve fazer um pedido oficial e poderá apenas ouvir o texto, não retirar a profecia da Sala das Profecias. — King disse. — Sugiro que vocês ou o tutor do Harry, vá direto a Saul Croacker e solicite discrição em relação ao pedido. Não acredito que o assunto se espalhará, pois, como eu disse, eles são muito misteriosos.

— Acredito que Falc deve fazer isso discretamente. — Sirius disse olhando para o amigo do outro lado da sala. — Se eu me envolver pode atrair muita atenção. E sobre Malfoy?

— Hum... — King sorriu com malícia. — Malfoy está tentando disfarçar seus negócios sujos, talvez porque você disse no jornal sobre a nossa investigação... — Seu olhar se tornou afiado e Sirius sorriu com igual malícia ao dar de ombros. — Mas ele não é muito bom nisso, talvez por nunca ter precisado ou por incompetência mesmo. Acredito que em mais duas ou três semanas, terei o suficiente para prendê-lo por muitos anos.

— Minha dica sobre Yaxley ajudou? — Sirius sussurrou.

— Absolutamente. — King sorriu grato. — Pude formar uma nova linha de investigação e descobri muita sujeira, se é que você me entende. E, assim que colocar o Yaxley em minha sala de interrogatório, descobrirei muito mais.

— Sugiro que se apresse porque Malfoy pretende se mudar para a França em breve, você sabe. — Sirius disse esperando que a prisão de Malfoy libertasse sua prima de um futuro sombrio.

— Eu sei, mas isso não é um problema, pois Malfoy continuará a vir para o Reino Unido, pois duvido que pretenda se desfazer dos seus pequenos negócios escusos. E estou mantendo um radar apertado sobre ele, Sirius, acredite, não permitirei que Malfoy escape. — King garantiu. — Sirius, onde está Denver? Achei que a encontraria aqui.

— Ela não pode vir, infelizmente. — Sirius disse meio cabisbaixo.

— E como está indo o seu treinamento? Estive curioso em saber como você pretende manter seu objetivo de ser auror enquanto preside um partido político.

— Ah..., bem, meu amigo, a verdade é que não tenho mais a intenção de me tornar um auror. — King expressou surpresa. — O que acha de almoçarmos na semana que vem e eu lhe explicarei tudo?

— Claro, vamos marcar. — Concordou King.

Entre os convidados também haviam alguns membros do Conselho de Governadores de Hogwarts, como Derbton MacTavish, Sr. Caleb McLaggen, Sr. Gordie Toots, Sr. Clayton Belby, que compareceu com seu irmão, Dâmocles Belby, o inventor da Poção Wolfsbane e o Sr. Livius Dearborn, tio-avô de Caradoc e Caspiana. Com esse último, Sirius falou brevemente e o sentiu um bruxo idoso bondoso e solitário.

— O trabalho no Conselho é algo que me anima muito, principalmente por ter a companhia de bons amigos. Nos últimos meses temos feito tantas coisas incríveis por Hogwarts e isso é uma grande motivação. — Sr. Dearborn falou com voz rouca para Sirius. — Eu fui membro do Partido Conservador por décadas, mas desde que Waffling nos obrigou a apoiar aquele idiota do Fudge para Ministro da Magia, perdi um pouco o interesse ou desejo pela política. Acabei deixando o partido há alguns anos, mas Áquila me disse que você tem planos grandes e maravilhosos para o nosso mundo.

— Ele disse a verdade, Sr. Dearborn. — Sirius sorriu suavemente. — Espero que depois de ouvi-las o senhor se torne um companheiro de partido. E, particularmente, eu gostaria de alguns momentos do seu tempo mais tarde, se o senhor não se importar. Para um assunto confidencial.

— Ah, um pequeno mistério, eu costumava gostar deles em minha juventude. — Sr. Dearborn sorriu e acenou concordando.

Perpétua Melinda "Mellie" Fancourt, membro do Conselho de Governadores e da Suprema Corte (Neutra), também compareceu. Ela veio acompanhada de sua amiga de longa data, Doreen Wright, companheira da Corte, mas membro do Partido Conservador. Sirius tinha lhe enviado um convite, que a nobre senhora recusou elegantemente, mas o Sr. Boot interferiu por meio de Mellie, que conseguiu que a Sra. Wright comparecesse.

— Eu agradeço o convite, Sr. Black, mas como lhe disse em minha resposta, estou contente como membro do Partido Conservador e não tenho interesse em mudanças. — Disse ela com certa frieza.

— O motivo pelo qual queríamos muito a sua presença é porque sabemos o que aconteceu com o seu filho, Joshua, antes de ele morrer. — Sr. Boot disse suavemente. — Talvez não lhe interesse em saber e aceitaremos, mas queríamos a oportunidade de lhe contar.

Sra. Wright o analisou com expressão severa por alguns segundos e, por fim, acenou.

— Gostaria de falar sobre isso em particular, senhores. — Ela disse objetivamente.

— Claro. — Sr. Boot e Sirius a guiaram para um escritório e assim que tiveram privacidade, continuaram a conversa. — Sra. Wright, eu compreendo que a senhora sabe que o seu filho foi assassinado por um auror ao ser identificado como um lobisomem.

— Eu não sabia até o ano passado quando a ICW revelou a verdade. — Ela respondeu mantendo a expressão neutra, mesmo que seus olhos castanhos escuros mostrassem algum pesar. — Infelizmente, eu perdi o meu filho muito antes disso, pois quando ele foi contaminado com a Licantropia, meu marido o expulsou das nossas vidas. Quando os acampamentos foram desfeitos, pensei que Josh nos procuraria, mas isso nunca aconteceu e... eu pensei... — Sra. Wright hesitou. — Pensei que ele se refugiaria no mundo trouxa e que não me procurou por todos esses anos porque nunca me perdoou por não o ajudar... — Seu rosto negro parecia mais jovem do que os 70 anos que lhe pesavam os ombros, mas ao falar do filho a Sra. Wright parecia mais velha que sua idade real. — Vivemos em um mundo onde as mulheres não tem voz e meu marido era quem decidia tudo, cabia a mim apenas obedecer. Quando ele morreu, eu deixei de ser uma dona de casa subserviente e decidi fazer mais pelo nosso mundo mágico, assim, me envolvi com política, me tornei membro do Partido Conservador e consegui uma na Suprema Corte por meus próprios méritos.

— A senhora queria ajudar os lobisomens? — Sirius perguntou curioso.

— Inicialmente eu me iludi que poderia fazer algo por eles e pelos direitos das mulheres, também desejava que as eleições fossem por votos diretos dos cidadãos. — Ela respondeu e deu de ombros. — Agora sei que essas lutas são muito maiores do que eu e mais longas do que o meu tempo nesta terra.

— Isso porque você está lutando sozinha, Sra. Wright — Sr. Boot disse com um sorriso. — Se juntar-se a nós, lhe garanto que se surpreenderá com o que um Partido focado e forte pode fazer, principalmente se estiver verdadeiramente interessado em mudanças.

— O que não é o caso do Partido Conservador. — Sirius disse. — Se a senhora deseja mudanças, porque não se juntou aos Progressistas?

— Porque acreditava que poderia fazer mais dentro do Partido mais poderoso do nosso mundo. — Ela deu de ombros sincera. — Os Progressistas têm boa intenção, mas esse é o momento em que mais perto eles chegaram da cadeira de Ministro em décadas.

— Bem, não deixa de ser uma estratégia interessante se juntar aos inimigos e vencê-los por dentro. — Sr. Boot disse com admiração. — Mas espero que ouça nossas propostas e objetivos, talvez se surpreenda positivamente.

— Bem... Millie fala tão bem de você, Sr. Boot, acredito que poderei ao menos ouvir, já que estou aqui. — Ela disse suavemente. — Agora, os senhores disseram que descobriram sobre a vida do meu filho depois que deixou o acampamento e antes de ser assassinado. Poderiam me dizer como puderam saber sobre o que lhe aconteceu? Vocês o conheceram?

— Não, infelizmente. — Sr. Boot disse em tom ainda mais gentil. — O filho de Joshua nos contou.

O silêncio durou alguns instantes enquanto a Sra. Wright empalidecia e sentia as pernas tremerem perigosamente. Sirius se adiantou e a ajudou a se sentar em uma poltrona.

— O que? O que está dizendo? Filho? De Josh? Mas... — Ela parecia chocada, perdida, abalada e ao mesmo tempo emocionada.

— Seu filho se refugiou no mundo trouxa como a senhora imaginou. — Sirius continuou. — Ele se apaixonou por uma mulher, Elizabeth Lynden, e eles viveram juntos por um tempo. Joshua nunca lhe contou sobre ser um bruxo ou a guerra, muito menos sobre ser um lobisomem. Quando ela engravidou, ele decidiu pedir ajuda para a família, pois temia que os comensais ou o Ministério pudessem ferir Elizabeth e o bebê.

— Oh... — Ela sussurrou e tapou a boca com a mão tentando conter o grito de choro, mas lágrimas escorreram por seu rosto incontrolavelmente.

— Joshua também queria se casar e que a mãe estivesse presente na cerimônia. — Sr. Boot acrescentou. — Foi o que ele disse a Elizabeth antes de partir, que iria fazer as pazes com a família e que voltaria em breve trazendo a mãe para se casarem. Infelizmente, Joshua se deparou com um auror que o matou quando estava indo para a sua casa, Sra. Wright.

— Por Merlin... — Ela sussurrou e fechou os olhos como se tentasse encontrar forças dentro de si para se controlar e não desmoronar. — Eu me perguntei... quando soube o local onde ele foi morto... eu me perguntei se ele estava vindo até mim ou se apenas se escondia em um local conhecido. — Ela apertou um lenço azul claro e o torceu ansiosamente depois de enxugar as lágrimas do rosto. — Ele... meu neto... onde...

— Ele está em Hogwarts. — Sirius disse e a viu o encarar de olhos arregalados de espanto e esperança. — No mesmo ano que meu afilhado, um Gryffindor muito valoroso e educado. Seu nome é Dean Thomas.

— Dean... um neto... eu tenho um neto... em Hogwarts... Por Merlin, eu estou sem palavras pela emoção... um neto... filho do meu único filho... — Ela os encarou. — Eu tenho uma filha, mas Gianna nunca pode ter filhos, seu pai a casou com Fredrick Pucey, o segundo filho da Família Pucey.

— Dean pediu a nossa ajuda para encontrar membros da família de Joshua Wright e descobrir se eles teriam interesse em conhecê-lo. — Sirius disse e a Sra. Wright acenou freneticamente enquanto mais lágrimas escorriam por seu rosto.

— Dean também solicitou ao meu filho, Falc, que é advogado, que entrasse com um pedido judicial de acréscimo de nome. — Sr. Boot explicou.

— Nome? Porque... — Ela respirou fundo tentando se acalmar e voltou a enxugar as lágrimas. — Porque meu neto se chama Thomas? Porque não Wright ou... o nome da mãe dele?

— Porque Elizabeth pensou que tinha sido abandonada grávida e, anos mais tarde, quando se casou, seu marido adotou o Dean e lhe deu o seu nome. — Sr. Boot explicou.

— Oh..., mas meu Josh era um menino tão bom, ele... — Ela engoliu em seco emocionada. — Ele jamais abandonaria um filho e... não merecia o que lhe aconteceu... — Sua voz se embargou e ela parecia uma peça toda encaixada que estava prestes a desmoronar.

— Dean quer manter o sobrenome do padrasto, que o ama como um filho, mas quer acrescentar o do seu pai, que lhe deu a vida e foi tomado dele tão precocemente. — Sr. Boot falou rapidamente tentando distraí-la da dor e lhe dar tempo para se recompor. — Assim, Dean quer se chamar Dean Joshua Thomas-Wright.

— Oh... até que ficou bonito e se é o que ele quer... Bem, se o seu padrasto o criou como um filho, suponho que não devo me opor, meu neto mostra muita lealdade e caráter ao agir assim. — Disse ela orgulhosa.

— Às vezes família não tem a ver com sangue. — Sirius disse sorrindo para o Sr. Boot.

— Você está certo, meu jovem. — Ela disse com voz rouca. — Acreditam que poderei encontrá-lo em breve? Dean?

— Solicitarei junto ao diretor Dumbledore a autorização para a sua entrada em Hogwarts, assim, a senhora poderá conhecer o seu neto. — Sr. Boot disse gentilmente.

— Oh, por favor, me chamem de Doreen e muito obrigado por essa notícia maravilhosa. — Ela se levantou e suspirou. — Ficarei para ouvir suas ideias, Sr. Black, mas depois partirei, pois me sinto sem fôlego, exausta e emocionada. Sobre a minha decisão de me filiar ou não ao seu Partido, aguarde uma carta minha.

A avó de Dean e Mellie Fancourt não eram as únicas presentes que pertenciam ao corpo de membros da Suprema Corte. Tibério Ogden, sócio dos Potters na Fábrica de Bebidas Ogden e membro do Partido Conservador também foi convidado. Slughorn e ele eram contemporâneos e, pela primeira vez, Sirius admitiu que convidar o velho professor não fora uma má ideia.

— Política não é uma brincadeira, Sr. Black, você não pode fundar um partido e acreditar que o seu nome lhe abrirá portas para fazer do nosso mundo o que quiser. — Ele disse severamente.

— Eu não tenho tal pretensão, Sr. Ogden e muito menos estou brincando, pelo contrário, levo muito a sério a missão a que me proponho. — Sirius disse incomodado com a menção ao seu sobrenome.

— Bem, e como pretende agir sobre a reestruturação tributária que pretendemos discutir na próxima reunião da Corte. — Ele disse com olhar atento. — Particularmente acredito que devemos ir pelo caminho de menos é mais, além de fazermos uma reforma administrativa, mas sei que o meu partido pretende apoiar Fudge.

Sirius sabia que isso era um teste e percebeu que não passaria, pois não entendera nada ou quase nada do que Ogden dissera.

— Tibbys! — Slughorn se aproximou e o cumprimentou alegremente. — Eu não sabia que o encontraria aqui ou teria lhe trazido aquele charuto especial que eu recebo de meu antigo aluno que vive em Havana! Ele acabou de me enviar uma caixa extra, por causa do meu aniversário! Acredita?

— Horace, meu amigo, eu também não sabia que estaria aqui esta noite. — Ogden parecia alegremente surpreso. — Nunca soube que se interessava por política.

— Ora, eu sempre me interessei por política, Tibbys, apenas fui muito discreto e imparcial, mas meu caro Sirius Black aqui, me abriu os olhos para muitas possibilidades. — Slughorn bateu nas costas de Sirius com força.

— Verdade? — Ogden pareceu curioso e surpreso.

— Claro que sim! — Slughorn disse entusiasmado. — Sirius aprendeu desde o berço a ser um político, mas infelizmente sua injusta prisão o impediu de buscar a sua vocação. Particularmente, acredito que redistribuir os salários de forma mais justa entre os funcionários do Ministério e não por status de sangue é a melhor reforma administrativa que pode ser feita e isso dará uma folga justa para o cofre ministerial. Sirius me disse que acredita que esse é um bom projeto para baixar os impostos e manter os tributos a um nível aceitável.

— Ora, isso é exatamente o que eu penso. — Ogden olhou para Sirius chocado. — Parabéns, Sr. Black, o senhor me surpreendeu positivamente e espero que mesmo que estejamos em partidos diferentes, possamos lutar por essa agenda urgentemente.

— Absolutamente, Sr. Ogden, esse é o meu desejo também. — Sirius disse com um sorriso falso de animação.

— Ótimo! Tibbys, venha comigo que quero que conheça uma antiga aluna minha, Julia, acredita que eu fui seu professor em 30? Parece que foi ontem! Lembra-se quando...

Sirius suspirou aliviado ao vê-los se afastarem e agradeceu ao Harry mentalmente.

— Então, você é prefeito de Godric's Hollow? — Mellie Fancourt disse alegremente a Arnold Abbot. — Eu amei o Jardim e soube que novas lojas serão abertas na cidade.

— Sim, investir em turismo trouxa e mágico é um projeto antigo, mas precisávamos de apoio financeiro do Ministério ou do setor privado, felizmente, Harry Potter apareceu com seu brilhante projeto, o Jardim da Lily. — Sr. Abbot disse animado. — Sei que a senhora mantém a neutralidade na Corte, Sra. Fancourt, mas está aberta a possibilidade de entrar para o novo partido fundado pelo Sr. Black?

— Bem...

— Nunca. — Disse um homem idoso se aproximando. — Conheço Mellie desde criança e sei que ela é teimosa como um tritão, meu jovem prefeito. Assim, tenho certeza que ela nunca ficará presa sob as ordens de um partido, conduzido por homens tolos.

— Black me parece longe de ser tão tolo como Waffling e Finley, Joe. — Mellie disse sorridente ao cumprimentá-lo. — Sr. Abbot, esse é Joseph Fawcett, membro do Partido Conservador e da Corte, além de um hábil falastrão.

Sr. Fawcett riu divertidamente.

— Você me conhece muito bem. — Ele disse beijando as costas das suas mãos. — Como vai a família, minha amiga?

— Muito bem e Joan, veio com você? — Mellie perguntou suavemente.

— Não, infelizmente sua mãe está muito doente e minha esposa está lhe fazendo companhia. — Ele respondeu. — Sr. Abbot, o senhor parece muito ansioso em se filiar ao partido de Black, mas lembro-me que não se filiou aos Conservadores quando teve a oportunidade.

— Os Conservadores não aceitam nascidos trouxas e os Progressistas não permitem que os seus membros de origem trouxas concorram a cargos políticos, assim, decidi não me filiar. — Abbot explicou. — Agora tenho uma oportunidade, pois o partido de Black não fará distinção por status de sangue ou de família e riquezas.

— Interessante. — Sr. Fawcett disse pensativamente. — Confesso que essa é uma das tradições antigas que adoraria que o meu partido superasse.

— Waffling e tipos como eles nunca permitirão isso, Joe. — Um homem bonito de cabeleira ruiva comprida se aproximou batendo em seu ombro. — O que precisamos é superar esse partido ultrapassado, deixá-lo para trás em poder e influência.

— Isso nunca acontecerá, Daniel. — Sr. Fawcett disse incrédulo com o pensamento. — O Partido Conservador existe desde que o Ministério da Magia e as primeiras leis nasceram. Nossos candidatos são eleitos os Ministros continuamente há 8 décadas...

— E ano que vem isso mudará, Joe, escreva isso, pois sei que estou certo. — Disse o ruivo grande e impressionante. — Daniel McCormack, senhor, a seu dispor.

— Arnold Abbot, prefeito de Godric's Hollow. Prazer em conhecê-lo, senhor. — Abbot apertou sua mão gigantesca com receio de não receber a sua de volta.

— Daniel é membro da Suprema Corte, mas obviamente filiado aos Progressistas. — Fawcett informou. — E um defensor fervoroso do seu partido, o que me leva a dizer que estou surpreso por encontrá-lo aqui.

— Eu sou um curioso, além disso, minha filha e seus namorados foram convidados e decidiram descobrir se o novo partido de Black é realmente liberal ou se é só conversa. — Daniel apontou para uma garota ruiva muito alta, de cabelos compridos trançados que chegavam ao seu traseiro, muito bem delineado em seu vestido azul colante.

— Namorados? — Fawcett pareceu assombrado.

— Sim. — Daniel sorriu divertidamente. — Meaghan está namorando Gwenog Jones e Donaghan Tremlett que é companheiro do meu filho Kirley na banda.

— O senhor é pai do Kirley Duke, o guitarrista das Irmãs Estranhas? — Abbot arregalou os olhos. — Minha esposa e filha adoram as músicas deles.

— Sim, Arnold... por te chamar de Arnold? Sim? Ótimo! Bem, minha esposa foi uma famosa jogadora de quadribol, Catriona foi artilheira dos Pride of Portree e agora a Meaghan segue seus passos como goleira deles. — Daniel disse orgulhoso. — Meu filho Kirley decidiu que queria tocar guitarra e fundou uma banda com seus amigos, mas ele é bem calmo. Em compensação, Meaghan vive aprontando algo novo a cada semana.

— E você não pode detê-la? — Fawcett perguntou ao observar chocado quando a moça ruiva, Meaghan, beijava Gwenog Jones e depois um rapaz alto e magricela, de cabelos compridos e tatuagens nos braços.

— E porque eu faria isso? — Daniel lhe lançou um olhar irritado. — Criei meus filhos para serem livres e fazerem o que bem entenderem, não importa o que pensem os puristas ou tradicionalistas tolos. — Ele sorriu com orgulho para a filha. — Ela está apaixonada e feliz, isso é tudo o que um pai pode querer, Joe.

— Black a convidou? — Mellie perguntou curiosa.

— Na verdade, Black convidou a Gwen, pois ela acabou de fechar uma campanha publicitária com sua empresa, mas ele pediu que ela trouxesse quem tivesse interesse em ouvir suas propostas e aqui estou. — Ele os encarou sorridente. — Mas diga, Joe, o que você faz aqui? Espionando para o Waffling?

— É claro que não! — Fawcett exclamou indignado. — Eu não espiono para ninguém, Daniel, muito menos os meus parceiros de negócios. E foi por isso que eu vim, os Potters são amigos dos Fawcetts e sócios da nossa Fábrica de Tecidos desde a sua fundação. E Black é nosso maior cliente, pois sua Fábrica Têxtil tem produzido em larga escala nos últimos meses. Assim, eu não poderia desprezar o seu convite, além disso...

— Já entendemos, Joe, não se preocupe, eu estava apenas de provocação, meu amigo. — Daniel disse com uma piscadela divertida para Abbot.

— Ah..., bem, de qualquer forma, estou curioso para ouvir o Black, pois apesar da força do meu partido, Waffling tem sido muito cansativo em sua insistência em apoiar aquele idiota do Fudge. — Fawcett disse mal-humorado.

— E, como sempre, o que Waffling ordena, o resto de vocês obedecem. — Mellie disse com uma careta. — Detesto aquele homem e não sei como vocês o suportam.

— Waffling é poderoso, influente e tem os amigos certos nos lugares certos, ou mais precisamente, ele coloca os amigos certos nos lugares certos. — Daniel disse. — Black melhor estar preparado, porque ele está se colocando em duelo com um inimigo poderoso.

— Sirius, espero que não se importe que eu trouxe Meg e Don. — Gwen disse abraçada no meio dos dois namorados que eram bem mais altos que ela. — Sei que não é exatamente uma festa ou evento, mas a maioria dos lugares não ficam muito felizes com a nossa presença, sabe, como um tri-casal.

— Sim. Os bruxos da alta sociedade ou do quadribol, a imprensa, ficam nos encarando ou fazendo perguntas vulgares. — Meg disse olhando em volta com atenção. — Apenas nos shows do Don e da banda as pessoas parecem não se importar... e aqui também não estamos recebendo olhares curiosos ou discriminatórios.

— Meus amigos e familiares nunca os discriminarão e tenho certeza que muitos dos meus convidados também encararão a relação de vocês três sem piscar, mas não posso falar por todos, claro. — Sirius sorriu. — Estou feliz que vocês vieram e espero que, independentemente de estarem ou não interessados em política, que acreditem em nossos objetivos de lutar pela igualdade em nosso mundo. O apoio de vocês seria incrível.

— E você aceitaria um roqueiro tatuado como membro do seu partido? — Don, o baixista da banda Irmãs Estranhas perguntou.

— Bem, como eu fundei o partido e tenho mais tatuagens do que juízo, além de amar rock, espero que sim ou estou ferrado. — Sirius disse e os quatro gargalharam.

— Confesso que não esperava que Joe estivesse aqui, mas também me surpreendeu encontrá-la, Doreen. — Ernest Murray disse ao lhe estender uma taça de vinho. — Você está bem? Parece um pouco pálida.

— Apenas cansada. — Doreen gesticulou como se não fosse importante. — Vim porque Mellie insistiu que eu deveria conhecer Áquila Boot e a ideias de Black, pois eles estão fazendo coisas incríveis em Hogwarts com a Associação de Pais. Não estou interessada em mudar de partido se é isso que está me perguntando e duvido que Joe se sinta diferente.

— Uma pena. — Ernest disse sincero. — Porque eu estou muito interessado. — A expressão de Doreen mostrou sua surpresa. — A descoberta sobre a morte do meu irmão me abriu os olhos, Doreen, para o fato de que o nosso Partido está interessado apenas em manter as coisas exatamente como são desde há duzentos anos ou mais. Meu filho Dempsey me fez entender, sabe, que o que aconteceu com meu irmão poderia acontecer com ele ou com um filho dele e nossa sociedade os expulsaria, excluiria e mataria exatamente como fizeram com Edward. — Ele falou do assunto com veemência e intensidade. — Se Black estiver disposto a realmente lutar para que isso mude, eu lutarei ao seu lado.

— Ora, ora, Ernest, eu não me lembro desse seu interesse pelos direitos dos lobisomens quando eu tentei discutir esse assunto na Corte. — Disse uma voz suave de um homem de estatura baixa e olhos negros duros.

— Lief... — Ernest disse em tom neutro. — Não tenho vergonha em admitir que eu estava errado. Você está pensando em se juntar ao novo Partido?

Lief Beamish também era membro do Partido Progressista e da Suprema Corte, além de neto de Oswald Beamish, que foi o pioneiro em compor as leis dos direitos dos goblins e duendes. Alguns diziam que isso acontecia porque a mãe de Oswald tinha sido uma goblin e a estatura baixa nos membros da família parecia confirmar isso. Lief seguia os passos da sua família e defendia ferozmente os direitos dos goblins, lobisomens, elfos e outros seres mágicos.

— Nosso partido tem uma grande oportunidade de mudar as coisas com a eleição de Finley, mas ainda quero conhecer os objetivos de Black, pois as vezes acho que os Progressistas são muito tradicionalistas. — Lief disse inteligentemente.

— Radicalismo não é a resposta em minha opinião. — Doreen disse preocupada. — Se Black estiver planejando uma revolução, até mesmo os mais progressistas entre os progressistas ficarão preocupados.

— Bem, acho que descobriremos a suas intenções agora. — Disse Ernest ao apontar com a sua taça na direção de Sirius, que tinha se colocado diante da sala e começou a bater em sua própria taça com sua varinha, atraindo a atenção de todos e pedindo silêncio ao mesmo tempo.

— Boa noite a todos. — Sirius disse e sua voz soou elegante, aristocrática e envolvente como apenas um Black poderia conseguir. — Senhoras, senhores... Acredito que todos os presentes sabem porque os convidei e tiverem a oportunidade de especular se eu estou sendo sincero ou se tenho capacidade para realizar o que me proponho. — Sirius sorriu ironicamente ao ver algumas expressões culpadas. — Eu cresci em uma mansão que fica não muito distante desta aqui, mas que era completamente diferente em sua essência. Minha família me ensinou desde pequeno que os Blacks eram os melhores, os mais ricos, poderosos e puros bruxos do mundo e que, como os melhores, tínhamos o direito a ter tudo o que quiséssemos. — Sirius falava com firmeza e sinceridade, envolvia a sala e parecia estar em um palco de tanto que atraia a plateia para si. Ser tão bonito ajudava um pouco, obviamente. — Eu acreditava nisso, como toda a criança que acredita em seus pais e avós, tios, mas então, um dia, em uma sala como essa aqui, houve uma festa entre os homens da minha família. — Sirius engoliu em seco e se forçou a falar sobre o que presenciara. — Eu fui convidado, pois como estava prestes a ir para Hogwarts e precisava aprender a ser um homem e um Black. Não entendi muito o que isso significava e achei a festa sem outras crianças para brincar bem maçante, serei sincero. — Isso provocou sorrisos ou risinhos divertidos. — Então, um dos meus tios entrou com uma criança trouxa, uma menina de 12 anos, talvez. — O clima se tornou sombrio e alguns empalideceram, enquanto outros se mostravam confusos, pois não tinham entendido. — Todos os homens que eu costumava admirar, seguir e desejar ser igual quando eu crescesse, incluindo o meu pai, estupraram a menina, a espancaram, a torturaram e a mataram. — Sirius falou cada palavra pausadamente e expressões de horror e exclamações de choque se espalharam pela sala. — Eles queriam que eu participasse, era a hora de me tornar um Black de verdade, mas eu não aguentei os gritos de dor, desespero e os pedidos de ajuda da garota. Assim, eu fugi e me escondi no jardim até que o meu pai me encontrou muito mais tarde. Meu tio disse que eu era fraco e ainda não estava pronto, mas que oportunidades como aquela não faltariam no futuro. — Sirius suspirou. — Antes de partirmos, meu pai mandou alguém jogar o lixo fora e, na minha ingenuidade, demorei um segundo para entender que o "lixo", era o corpo morto da menina trouxa. — Ele fez uma pausa e bebeu um gole do seu vinho para afastar a amargura da boca ao contar essa história. — Não preciso dizer como essa situação me marcou e como o pensamento de quantas crianças como aquela eles mataram me assombrou. Quando fui para Hogwarts a última coisa que eu queria era ser um verdadeiro Black, então, eu sentei na cabine do Expresso com um menino de cabelos pretos bagunçados e óculos que apregoava para todos ouvirem que ser um bravo, nobre e corajoso Gryffindor era o seu objetivo. — Isso provocou alguns sorrisos suaves com a lembrança do menino James. — James Potter, foi o meu primeiro amigo, meu melhor amigo, mas ele também foi o primeiro a me dizer, "Porque não? ". — Sua expressão se tornou chocada e divertida. — Se você não quer ir para a Slytherin, porque não ir para outra casa? Se não quer ser um verdadeiro Black, porque não ser quem você quer ser? Porque não? — Sua expressão se tornou solene. — James foi o primeiro a me ajudar a desconstruir o que eu tinha em mim e a encontrar quem eu era e queria ser de verdade. Ao longo dos anos seguintes, eu tive muitos outros que me ajudaram em minha verdadeira educação, pois eu percebi que aquilo que meus pais tinham me ensinado não era bom ou certo. Eu tive muitos bons amigos... — Sirius ergueu a taça para eles e encontrou o olhar triste e orgulhoso de Remus, Maria e Vance. — Infelizmente, muitos não estão mais conosco. Eu também tive incríveis professores e outros adultos em quem me espelhar para me tornar um homem de bem. Fleamont e Euphemia Potter foram o mais perto que eu tive de verdadeiros pais e para todos que esperavam ver um Black aqui está noite, lhes digo que apesar de ser Sirius Black, eu nunca fui um verdadeiro Black. — Sirius olhou em volta para todos, tentando passar a mensagem. — Eu não contei essa história para ganhar simpatia ou olhares tristes, mas para que vocês me conheçam, o verdadeiro eu. Apenas lhes dizer os meus objetivos para empreender esse grandioso projeto não é o suficiente e, eu apenas obter a lealdade de vocês ao se filiarem em meu partido, também não. Eu quero conhecer cada um dos meus companheiros e quero que eles conheçam a mim, verdadeiramente. É com esse conhecimento que teremos mais confiança uns nos outros e é nessa fé em quem somos e em nossos objetivos que nos fortaleceremos para enfrentarmos o que está por vir. — Sirius percebeu muitas expressões espantadas e aprovadores. — Eu não serei o seu presidente, o seu guia ou o seu dono, eu serei o seu companheiro e lider, pois o nosso partido não existirá para repetir os erros dos outros ou para manter o status co. Eu não lhes farei promessas e sim um convite, para que se unam a mim na luta para alcançar os nossos objetivos. — Houve muitas expressões positivas e acenos de cabeça, além de sussurros de aprovação. — Agora, eu imagino que vocês estão se perguntando qual seriam os nossos objetivos. — Sirius bebeu mais um pouco de vinho e aceitou uma nova taça de Dobby. — Obrigado, Dobby. Eu pessoalmente tenho dezenas de desejos, planos, sonhos e sei que cada um vocês têm seus próprios objetivos pessoais. Mas como transformamos isso em projetos e objetivos coletivos? Como formulamos um plano e lutamos para alcançar os sonhos de cada um de nós? Como realizamos aquilo que políticos são feitos para realizar? — Sirius sorriu. — Nos unindo. Mas antes de falarmos sobre o que queremos, vamos falar sobre o que seremos, senhoras e senhores. Serei sincero em dizer que a ideia de formar um partido político não foi minha e que meu primeiro pensamento foi fugir correndo para as montanhas. — Isso provocou risos e os convidados relaxaram sutilmente. — Não me entendam mal, eu me importo com nosso mundo e quero lutar para que ele mude, mas entrar para a política, fundar e liderar um partido político parecia tão assustador quanto lutar uma guerra. — Alguns dos mais velhos acenaram. — Foi meu inteligente afilhado que me disse que eu não farei tudo isso sozinho e que, quando enfrentamos as dificuldades com o apoio de amigos, famílias e companheiros, os monstros se tornam menos assustadores. — Muitos levantaram as sobrancelhas surpresos por essas sabias palavras virem de uma criança. — Harry é um dos motivos pelos quais estou aqui hoje e também o que torna os monstros menos assustadores para mim. — Sirius sorriu com amor. — As crianças são mais inteligentes do que podemos imaginar e aconselho-os a ouvirem as suas, eles os surpreenderão. Meu afilhado também me disse que existem muitas maneiras de fazer as coisas, usando o cérebro é sempre a melhor e sei que os Ravenclaws da sala concordarão. — Isso provocou vários acenos e sorrisos divertidos. — No entanto, Harry acredita que a união de todos e todas as qualidades das casas de Hogwarts é a resposta de como enfrentaremos e venceremos os monstros. Neste partido, não importa em que casa você foi classificado ou se alguém o convenceu que não pode ser corajoso, porque tem que ser leal e astuto ou que não pode ser estudioso, porque alguém afirmou que você só pode ser trabalhador e valente. Nós seremos astutos, ambiciosos, valentes, nobres, leais, incansáveis e inteligentes. — Sirius voltou a sorrir para as expressões espantadas. — Quando eu digo que estamos construindo algo diferente do que existe, eu estou sendo sincero, pois não faremos política como estão fazendo agora. Não atacaremos nossos rivais, não destruiremos reputações, não corromperemos a nós mesmos e outros inocentes, não envergonharemos os nossos filhos, netos, sobrinhos e afilhados. E nós não cruzaremos os braços para o sofrimento das pessoas, só porque temos a sorte e privilégio de uma boa vida. Justiça, igualdade, direitos, não serão só palavras bonitas, honestidade, integridade e empenho não serão só discursos de fachadas. — Sirius percebeu que todos o ouviam com muita atenção. — Precisamos de uma base sólida, de confiança uns nos outros, em nossa missão e objetivos ou fracassaremos antes de começarmos. Por isso, o convite para essa noite foi bem restrito e por isso que cada um de vocês está sendo avaliado, pois só aqueles que realmente mostrarem interesse verdadeiro em mais do que o próprio traseiro será parte do nosso partido. Se você não se importa com os direitos dos elfos, dos goblins, dos centauros, dos lobisomens e todos os outros seres mágicos, o seu lugar não é aqui. Se não estiver disposto a lutar pela igualdade entre os bruxos, não importa o status de sangue, o seu lugar não é aqui. Se não tiver interesse em desfazer leis antigas puristas e discriminatórias, o seu lugar não é aqui. — Sirius falou pausadamente e presenciou alguns franzires de cenhos, mas muitos acenos de aprovação. — Se você é ambicioso e astuto, pode ficar, mas se considerar aceitável se unir aos comensais da morte livres para conseguir poder, definitivamente o seu lugar não é aqui. Esses são alguns dos nossos objetivos e direi mais apenas para os que se filiarem ao partido e assinarem contratos de confidencialidades. Porque se você está aqui para espionar, bem, lhe aviso que ficará desapontado. — Isso provocou risos altos. — Bem, falamos sobre quem eu sou, quem seremos e sobre alguns objetivos importantes do Partido. Agora devemos falar sobre porque vocês devem se juntar a nós e porque vocês devem se importar. O mundo que conhecemos tem muitas coisas erradas e vocês sabem disso ou não teriam vindo até aqui hoje à noite, assim, falarei de apenas uma coisa, um motivo. E se qualquer de vocês não sentir aqui... — Sirius colocou o punho sobre o próprio coração. — O quanto essa missão é importante, então, bem, vocês com certeza estão no lugar errado e não apenas geograficamente. — Ele fez uma pausa e muitos acenaram, todos presos e envolvidos com seu discurso. — Vamos falar sobre os preconceitos puristas que permeiam a nossa cultura há séculos. Tudo em nosso mundo é definido por isso, com quem casamos, onde somos classificados em Hogwarts, quem são nossos amigos, os amigos dos nossos filhos, nossos empregos, nossos cofres em Gringotes, nossas casas, se temos ou não casa, se temos ou não empregos. A guerra. — Ele fez uma pausa e o ambiente se tornou mais sombrio. — Um homem, um bruxo, com sede de poder, reuniu os puristas em nossa sociedade e lhes prometeu que eles limpariam o mundo mágico dos sangues sujos. Prometeu a eles um mundo limpo de mestiços e invasores trouxas, lhes ofereceu o que todos eles querem há muito tempo. — Houve acenos e resmungos indignados. — E assim, ele usou esses preconceitos estúpidos para construir e controlar um exército, matar bruxos e bruxas, matar trouxas e nos controlar através do medo e da violência. E o que fizemos sobre isso? — Sirius parou e olhou em volta. — Nós, eu quero dizer o governo, o Ministério, a Suprema Corte. O que as pessoas que assumiram o dever de proteger o mundo mágico fizeram sobre isso? — O silêncio perdurou sem resposta. — Ok. A guerra foi um horror, erros foram cometidos, ninguém esperava e blábláblá. Desculpas esfarrapadas, mas e depois que a guerra acabou? O que foi feito sobre isso? — Sirius olhou para os membros da Suprema Corte presentes. — O que vocês fizeram para deter os puristas? Para acabar com os preconceitos, discriminações e desigualdades que deram poder aquele homem para nos aterrorizar e nos matar!? — Sua exclamação foi de indignação. — Eu estive preso por 10 anos, sem julgamento, e o sistema que vocês administram permitiu isso. Crouch tirou o seu filho de Azkaban e o manteve sob controle do Imperius sem que uma única pessoa descobrisse. Comensais das mortes saíram livres de um julgamento pagando subornos para todos os lados, para bruxos que sentam em cadeiras aos seus lados. — Sirius apontou a taça para os membros da Corte. — Mas quer saber, isso não é o mais importante. Vamos falar sobre os mortos, então? Todos aqueles que morreram lutando contra esses monstros, sobre os inocentes que estavam no lugar errado ou hora errada, aqueles que se recusaram a se unir a eles ou aqueles pobres trouxas que foram assassinados apenas porque os comensais e seu mestre se acham superiores. — Sirius parou lhes dando um tempo para refletir e suas expressões eram tristes. — Brindemos a eles. A todas as vítimas, a todos os amigos e familiares que amávamos e que perderam a vida por causa desse preconceito purista cruel. — Todos na sala o imitaram e ergueram seus copos e beberam em homenagem aos mortos da guerra. — Mas isso também não é importante. — Sirius disse e sorriu com tristeza para algumas expressões surpresas. — Podemos lembrá-los, brindá-los, mas se não mudarmos o que os matou, isso não significa nada. — Muitos acenaram em concordância. — Não, o que devem levá-los a se importarem e se juntarem a nós não é o passado e sim o futuro. Eu quero um futuro onde meu afilhado não tenha que lutar uma guerra e que seus filhos mestiços não sofram discriminações. — Sirius olhou em volta. — Qual o mundo que vocês querem para os seus filhos? Seus netos? Quanto tempo demorará para que alguém como Voldemort se levante... — Houve gritos e estremecimentos pela sala. — Sim, vocês ainda o temem, certo? Era isso que ele queria, seu nome verdadeiro era Tom, mas ele criou um novo nome, pois queria ser temido por todos, queria que cada bruxo e bruxa tivessem tanto medo dele que nem conseguiriam pronunciar o seu nome. — Expressões de choque e rostos pálidos se espalharam pela sala. — Tom estudou em Hogwarts, era um monitor, querido pelos professores e com um futuro brilhante, mas ele queria poder, queria controlar o nosso mundo a sua vontade e limpá-lo das "impurezas". Quanto tempo demorará para que outro Tom apareça com as mesmas ideias? E o que estamos fazendo para impedir isso? Alguma nova lei anti discriminação? Alguma nova lei de igualdade salarial entre nascidos trouxas e puros? Vocês sabiam que legalmente um bruxo de origem trouxa paga 65% a mais de impostos do que um bruxo de família bruxa? Mesmo que os seus salários sejam em média 80% menor do que os salários dos chamados bruxos puros? Nosso governo os discrimina ao dizer que para viverem e trabalharem em nosso mundo eles precisam pagar e muito caro por isso. — Mais expressões e exclamações de choque. — A GER criou dezenas de empregos para os nascidos trouxas e sabem onde eles trabalhavam antes? — Acenos negativos. — 80% deles trabalhavam no mundo trouxa, pois nunca conseguiram empregos aqui depois de se formarem em Hogwarts. Os outros trabalhavam em fábricas ou fazendas de famílias antigas e ganhavam em média o equivalente a 20% dos salários pagos para os bruxos mestiços e puros, mesmo que fizessem o mesmo trabalho. — Mais exclamações indignadas e furiosas foram ouvidas. — Eu posso falar sobre isso a noite inteira, tenho números, fatos, histórias e mais histórias sobre como uma guerra que durou 11 anos e nos levou milhares de pessoas queridas não mudou nada. — Sirius fez uma pausa. — E o nosso futuro nos reserva outra guerra. Cedo ou tarde, teremos uma união entre os puristas, ou um Tom os unindo e controlando com o objetivo de purificar a nossa sociedade. E, então, veremos nossos filhos morrerem porque assim como antes de nós ninguém fez nada, nós também nos sentamos em nossos traseiros, cruzamos os braços e não fizemos nada para impedir isso! — Sua defesa tinha sido apaixonada e sincera, não havia ninguém ali que não acreditasse ou concordasse com o que Sirius dizia. — É por eles que vocês devem se unir ao nosso partido, para protegê-los, porque os mortos já estão mortos e não podemos mais ajudá-los. Mas os vivos estão aqui e precisam que nós, os adultos, os que se importam, ajam! Se importar deve ser mais do que palavras! Precisamos lutar por eles! — Sirius parou olhando em volta. — Então, para aqueles que se perguntaram porque eu estou fazendo isso, a resposta não é aquela menina que eu vi ser brutalizada há tantos anos ou o assassinato do meu melhor amigo e sua esposa, duas pessoas que eu amava como meus irmãos. Eu estou fazendo isso pelo Harry... — Ele parou e olhou para Doreen. — Por Dean... — Olhou para Ernest. — Por Dempsey... — Olhou para os Boots. — Por Terry, Ayana e Adam... — Olhou para os outros convidados. — Por Lavander, Cedric, Ernie e Edwin, Padma, Parvati, Tracy e Lidya. E para todas as outras crianças em nosso mundo que precisam que nos unamos para protegê-las e seus futuros! — Sirius encerrou em tom firme e esperou alguma reação.

O silêncio meio assombrado e admirado se manteve por alguns segundos até que...

— Aonde é que eu assino? — Perguntou Don Tremlett.

Sua pergunta séria tirou os outros de seu momentâneo silêncio e, quase todos, ao mesmo tempo, começaram a bater palmas e a exclamar em concordância com suas palavras. Muitos se aproximaram para apertar sua mão e lhe dar os parabéns, afirmando que estavam dentro, que queriam ajudar, que concordavam com os objetivos e missão que o partido se propunha. Sirius tentou não parecer muito aliviado ao ver as reações positivas e procurou mostrar a segurança e arrogância natural dos Blacks.

— Pensei que tivesse dito que não tem jeito para isso, filho. — Sr. Boot disse lhe dando um tapinha nas costas.

— Eu não escrevi um discurso nem nada, senhor, apenas falei a verdade. — Sirius disse se sentindo mais leve.

— Exatamente. — Sr. Boot sorriu com orgulho.

— Bem, Sr. Black, depois dessas sábias e convincentes palavras, qual nome escolheu para o seu Partido? — Perguntou Barnie Cuffe curioso.

— Ele não é meu, Sr. Cuffe, eu apenas liderarei os companheiros que decidirem entrar nesta justa comigo. — Sirius disse sorrindo. — Acredito que como uma equipe que lutará por igualdade e justiça com honra e inteligência, devemos ser os Justos, ou o Partido dos Justos. — Houve acenos e sussurros de aprovação. — Não seremos simples políticos, senhoras e senhores, assim como não seremos apenas guerreiros ou trabalhadores, seremos os cavaleiros da justiça. E espero que estejam prontos para iniciarem essa aventura ao meu lado.

Os convidados acenaram e pareciam se sentir especiais por serem nomeados como cavaleiros. Serafina preparou uma mesa chique com um pergaminho para as assinaturas de filiação ao partido e uma fila se formou entre aqueles que decidiram se engajar. Sirius sabia que alguns dos convidados não mudariam de partido ou se envolveriam diretamente, como Slughorn que estava apenas dando apoio ou assessoria, mas se sentiu mais do que animado quando viu que a maioria dos convidados estavam se filiando.

— Em nossa reunião vocês já tinham me convencido a ajudar e hoje, apenas bateram o martelo por assim dizer, mas não posso declarar apoio diretamente me filiando ao Partido, Sirius, ou terei muitas portas se fechando para mim. — Ele disse em tom conspiratório.

— Eu entendo, Horace e acredite que estou muito grato por seu apoio e ensinamentos, pois sei que hoje é apenas o começo. — Sirius disse apertando a sua mão.

— Bom que sabe disso, Sr. Black. — Fawcett se aproximou com expressão séria. — Você está entrando em território desconhecido e cheio de dragões, não pense que terá vida fácil.

— Eu nunca tive vida fácil, Sr. Fawcett. — Sirius sorriu ironicamente. — Imagino que pretenda continuar com os Conservadores?

— Sim, ainda acredito no que estamos fazendo, mas saiba que não me oporei a algumas dessas mudanças que você planeja. — Fawcett disse pensativo. — Enquanto tenho ressalvas quanto as leis de direitos, acredito que devemos ter mais leis de proteção e programas de assistência social.

— Os lobisomens, nascidos trouxas, centauros e elfos precisam de liberdade e oportunidades, Sr. Fawcett, não de caridade. — Remus se aproximou do grupo mostrando certa indignação. — Programas assistencialista apenas humilha quem quer um emprego e a chance de estudar em Hogwarts.

— Posso entender esse pensamento, Sr. Lupim, mas não vejo como permitir que lobisomens façam parte da nossa sociedade, dado o perigo que eles representam, mas também não concordo com o abandono em que eles vivem. — Fawcett disse. — E a desigualdade de salários é um absurdo criminoso que dever ser revisto imediatamente.

— Joe, nós nos conhecemos há décadas e sinto lhe dizer que os pensamentos conservadores do seu Partido estão em vias de serem extintos, meu amigo. — Slughorn disse solidário. — Para cachorros velhos como nós, o melhor é orientar os mais jovens e ajudá-los a colocar suas boas ideias em prática.

— Mas Horace! — Fawcett pareceu chocado.

— Venha comigo, vamos conversar um pouco. — Slughorn bateu em seu ombro e o levou na direção do bar.

— Você ouviu tudo o que Black disse, Amos? — Zenira perguntou ao marido. — Você não está filiado a nenhum partido, não gostaria de...

— Não! — Amos arregalou os olhos para a esposa. — Todas essas coisas são baboseiras modernas, Zeny! As coisas não irão mudar em nosso mundo!

— Mudarão se lutarmos, Amos! Se ficarmos parados elas não mudarão mesmo! — Ela respirou fundo e observou enquanto sua melhor amiga e o marido assinavam o contrato de filiação. — Pense em Cedric, Amos, em como ele está crescendo e percebendo como nosso mundo é injusto e cruel. Ele quer o seu apoio e se orgulhar do pai... — Ela voltou a encará-lo. — Pela primeira vez, Cedric se mostrou disposto a trabalhar em seu Departamento, apresentou boas ideias e pediu a sua ajuda. E o que você fez? Riu dele! Debochou das suas ideias apenas porque isso traz mudanças para o mundo terrível em que vivemos!

— Não é um mundo terrível! É o nosso mundo e ele é bom assim! — Amos disse veementemente.

— Bom para nós, que mantemos nossa posição social, oportunidades e riquezas! Nosso filho será chefe do seu Departamento um dia! E sobre os filhos dos pais trouxas, que enviam seus filhos para o nosso mundo sem saberem que eles nunca serão aceitos!? Nunca terão uma oportunidade justa! Que serão discriminados e rejeitados!

— Isso não é da minha conta! — Amos disse irritado. — Nada disso é da conta dos Diggorys! E eu sabia que vir aqui hoje era uma péssima ideia! Vamos embora!

— Não. — Zenira respirou fundo e olhou para a mesa com o pergaminho do Partido, que estava sem fila agora. — Eu acredito em tudo o que ouvi e tenho o direito a minha própria decisão, Amos...

— Você não ouse! — Amos segurou seu braço com força, mas ela se desvencilhou. — Eu sou seu marido e te proíbo!

— Você não é meu dono, é meu marido e tem direito de pensar como quiser, assim como eu. — Zenira disse fortemente. — Direito que todas as mulheres, nascidos trouxas, lobisomens e seres mágico do nosso mundo deveriam ter! E, se o meu filho estará nessa briga, eu quero apoiá-lo! E eu vou apoiá-lo! Com licença.

Ela se afastou e ignorou o seu chamado, foi até a mesa e, pegando o pergaminho, respirou fundo e assinou o seu nome. Olhando em volta, percebeu que ninguém prestava particular atenção em sua ação, mesmo que para ela fosse o ato mais libertador e rebelde de toda a sua vida.

Amos foi até o bar sentindo-se furioso e querendo azarar quem colocara essas ideias tolas na cabeça do seu filho. Agora, até mesmo a sua mulher estava sendo difícil de controlar.

— Elfo! Me sirva um whisky de fogo! Duplo! — Ele gritou sem olhar para o Dobby, que estava servindo Slughorn e Fawcett!

— Um momento, senhor! — Dobby gritou alegremente.

Dobby saltitou pelo bar e serviu a dose em pouco mais de um minuto.

— Onde está o gelo, elfo? — Amos perguntou grosseiro.

— Ah! Aqui está, senhor! — Dobby estalou os dedos e dois cubos de gelo apareceram no copo. — O senhor não tinha dito que queria gelo, senhor!

— Não me questione, elfo! — Amos disse bebendo um grande gole do whisky.

— Meu nome é Dobby, senhor! — Dobby disse ainda sorrindo, mas com menos entusiasmo. — Se precisar, o senhor pode me chamar!

— O que me importa o seu nome, criatura! — Amos bebeu mais do seu copo. — Aqueles idiotas querem direitos para elfos como você, como se tivessem outra serventia além de serem servos.

— Dobby não é um servo, senhor, Dobby trabalha para o Sr. Harry e o seu padrinho. — Dobby disse e seu sorriso desapareceu. — Dobby é livre e recebe salário, além de ter um lar e não ser mais punido ou espancado como era antes.

— O que? — Amos o encarou chocado. — Que tipo de aberração é você?

— Dobby não é uma aberração. — Dobby disse e sua expressão se tornou desapontada. — Convidado do Sr. Sirius não é um homem bom ou quer ajudar os elfos e os lobisomens. Dobby não serve mais o senhor.

Dobby se afastou para ir atender outro convidado e Amos ficou olhando abismado por um segundo antes de seu rosto ficar vermelho de raiva.

— Elfo! Volte aqui imediatamente e se desculpe! — Seu grito atraiu a atenção dos que estavam mais próximos, eles pararam de falar e, aos poucos, todos os convidados foram silenciando as conversas. Dobby nem olhou na direção de Diggory, que ficou ainda mais zangado por ser ignorado. — Elfo! Eu disse para vir aqui ou eu o prenderei por...

— O que está acontecendo aqui? — Sirius se aproximou e encarou Amos com o cenho franzido. — Porque está gritando com Dobby, Sr. Diggory?

— Ah, Black, que bom que apareceu, assim pode ensinar ao seu servo o seu lugar. — Amos bebeu um pouco da sua bebida. — Ele foi grosseiro e se recusou a me servir.

— Dobby? — Sirius chamou o elfo que se aproximou e tinha uma expressão teimosa. — Tudo bem?

— Sim, Sr. Sirius, Dobby está bem.

— Pode me contar o que aconteceu? — Ele perguntou gentilmente.

— O convidado do senhor chamou Dobby de aberração e não quis usar o nome de Dobby. Dobby não se chama criatura ou elfo. Dobby acha que seu convidado não é um bom bruxo e o Sr. Harry disse a Dobby que como um elfo livre, Dobby pode fazer o que quiser e não o que ordenarem, assim, Dobby não quer servir esse homem. — Dobby disse de queixo erguido.

— Ok. Se não quer servi-lo, não precisa servi-lo. Por favor, continue o seu bom trabalho. — Sirius disse suavemente.

— O que? Que absurdo é esse! Agora são o elfos que mandam nos bruxos? — Amos perguntou furioso.

— Amos, é melhor irmos embora. — Zenira disse ao seu lado e parecendo profundamente envergonhada.

— Eu concordo. — Sirius disse e seus olhos cinzas eram frios e cortantes. — Meus funcionários não serão destratados na minha frente, Sr. Diggory e é isso que Dobby é, um bom funcionário e um amigo. Eu não tenho escravos e você como chefe do Departamento de Controle e Regulação das Criaturas Mágicas deveria se envergonhar de ser ofensivo com um ser mágico.

— Me envergonhar? — Amos parecia chocado e ao olhar em volta percebeu os olhares contrariados em sua direção. — O meu trabalho é controlar essas criaturas, não cuidar deles, Black!

— Pois isso está errado! — Serafina se aproximou e parecia muito zangada. — Lobisomens, elfos, centauros, goblins não precisam ser controlados e sim apoiados, aceitos e integrados a nossa sociedade.

— Integrados? O que a senhor pretende? Defender que procriemos com elfos e goblins? Ou talvez com aquelas bestas escuras!? — Amos exclamou e parecia enojado.

Antes que Serafina pudesse responder, Sirius bateu palmas ironicamente.

— Vejam senhoras e senhores, este é o tipo de pessoa que lidera a nossa sociedade. — Sirius disse em voz alta. — Ele não tem qualquer empatia pelos seres mágicos que deveria cuidar e proteger, mas é o chefe desse Departamento no Ministério! Acreditam que ele conseguiu esse cargo por competência ou por seu sobrenome e status de sangue? — Resmungos mal-humorados e olhares desapontados se espalharam pela sala. — Não pensem que lutaremos apenas contra puristas ou apoiadores de Voldemort, nós também teremos que bater de frente com bruxos que parecem ser boas pessoas, mas que no fundo escondem um coração bem mesquinho e cruel.

— Mesquinho? Cruel? — Diggory gritou enfurecido enquanto a sua mulher praticamente o arrastava para a porta de saída. — Eu apenas estou defendendo o nosso mundo como ele é e sempre foi! Não precisamos de ideias e mudanças excêntricas ou... — Mas eles tinham passado pela porta e, aos chegarem ao pórtico, Zenira aparatou e o levou com ela.

— Muito bem, Black. — Lief Beamish falou em voz alta e bateu em seu ombro com aprovação. — Você acabou de me convencer a mudar de partido, pois Finley jamais defenderia um elfo doméstico de um bruxo de renome e cargo importante. — O homem era baixo, mas tinha uma presença imponente. — Um brinde, companheiros! — Ele levantou a sua taça. — A novos caminhos e a Dobby! O elfo livre!

Todos ergueram suas taças e brindaram com ele. Dobby sorriu e corou antes de animadamente erguer o próprio copo, que tinha coca cola, e beber de uma vez.

Mais tarde, Sirius observou que todos que pretendiam assinar já o fizeram e voltou a falar em voz alta.

— Todos aqueles que assinaram e se filiaram aos Justos, teremos uma nova reunião amanhã, às 19 horas. — Ele disse e recebeu acenos por todos os lados. — Temos muito o que fazer e não podemos perder tempo, companheiros. Agora, por favor, se divirtam, comam e bebam, a noite é uma criança.

Sirius ergueu sua taça e sorriu para todos, mesmo que seus olhos não mostrassem a mesma alegria.

— O que aconteceu, Sirius? — Vance perguntou quando eles finalmente conseguiram um momento sozinhos. — Você parecia feliz com a Denver.

— Eu estava, mas... acho que pressionei demais para termos algo além do casual, Vance. — Sirius sorriu tristemente. — Denver tem seus próprios fantasmas e não estava pronta... sinceramente, eu também não estou pronto para coisas como casamento ou filhos, o problema é que eu a convidei para um fim de semana com a família e isso a assustou.

— Ah... — Vance acenou e olhou discretamente para Barnie, seu chefe e namorado. — Entendo bem, sabe. A verdade é que nós ficamos em pânico porque as vezes algumas coisas são boas demais para serem verdadeiras ou duráveis. Pelo menos você não fez algo errado ou intencional para magoá-la e talvez consiga mostrar para a Denver que vocês podem ir em um ritmo leve, sem pressa.

— Eu já disse tudo isso a ela, Vance e já deixei claro que é ela que está no comando, jamais a pressionaria ou tentaria impor nada, pelo contrário. — Sirius gesticulou chateado. — O fim de semana parecia inofensivo, mas além do ambiente familiar, Denver teve uma conversa estranha com o Harry, não entendi muito bem, mas isso a assustou. Ela fugiu, por assim dizer ou brigou comigo por bobagens para ter uma desculpa para terminar. Eu deixei claro que não cairia no jogo e que tinha percebido o que ela estava fazendo e, que se ela queria terminar, não precisava criar uma cena. Disse que se ir embora era o que ela queria que eu fizesse, bem, então, tudo bem e que se ela mudasse de ideia, saberia onde me encontrar.

— Esqueça o que eu disse, você é um idiota. — Vance disse exasperada.

— O que? Eu sou um idiota por não a pressionar? Ou ficar no pé dela como um louco perseguidor? — Sirius disse confuso.

— Não, Sirius e obviamente você a conhece melhor do que eu, mas lhe ocorreu que Denver não percebeu que iniciar uma briga com você era uma defesa ao que ela sentiu durante o fim de semana? Ou que isso significa que o que ela sentiu foi tão forte que a deixou em pânico e agindo irracionalmente, algo não comum para alguém como ela, eu suponho. — Sirius acenou pensativo. — Então, você a tirou dos eixos, meu amigo e a fez sentir coisas que nunca sentiu ou que não sabia que existiam e ao em vez de ficar lá e ajudá-la a enfrentar esses sentimentos, você lhe virou as costas e disse um grande e orgulhoso, "se mudar de ideia, sabe onde me encontrar".

— Merda... — Sirius arregalou os olhos. — Quer dizer que todas aquelas coisas que ela estava falando e que pareciam bobagens ou desculpas para uma discussão...

— Na verdade, nisso você pode estar certo, mas o que acontece é que Denver estava em pânico e precisava que você lhe desse um chão bem firme para se acalmar e pensar direito. — Vance disse. — Pode ser que você jogar na cara dela os seus medos e depois ir embora não tenha sido a melhor linha de ação.

— Você acha que é por isso que ela não me procurou? — Sirius mostrou a dor em seu olhar. — Tinha esperança...

— Que ela sentiria a sua falta e correria atrás de você? — Vance suspirou. — Se Denver for tão orgulhosa como você, Sirius, acredita realmente que ela fará isso?

— Não. — Sirius reconheceu derrotado. — O que eu faço?

— Bem, acho que você deveria dar mais alguns dias para ela refletir sobre os próprios sentimentos, que você esfregou em sua cara, e depois rastejar atrás dela... — Vance pensou por um segundo. — Sugiro um longo e humilhante rastejar, Sirius. Isso é se você realmente gosta dela.

— Eu... acho que a amo, Vance. — Sirius disse em um sussurrou meio apavorado.

— Ora... — Vance sorriu desconcertada, mas feliz. — Então, espero que vocês consigam se acertar, Sirius, porque se tem alguém que merece ser feliz, esse alguém é você. E meu conselho é que você diga a ela como se sente, garotas gostam de saber para onde estão indo e onde estão pisando, sabe, surpresas só são divertidas em presentes de aniversários.

— Ok, vou me lembrar disso. Obrigada, Vance. — Sirius lhe deu um beijo na bochecha antes de se afastar.

— Espero que o beijo tenha sido pela reportagem incrível que você colocará amanhã no Profeta. — Cuffe disse sem conseguir disfarçar os ciúmes ao se aproximar de Vance.

— Não, na verdade foi em agradecimento por alguns conselhos amorosos. — Vance disse fazendo algumas anotações distraidamente e sem noção do ciúme do namorado.

— Amorosos? — Cuffe perguntou agudamente. — Como assim?

— Sirius pisou na goles com a Denver e lhe dei umas sugestões para que ele concerte as coisas. — Ela levantou o olhar e estranhou a sua expressão. — Espero ter ajudado, mas só o tempo dirá. Porque pergunta?

— Bem... — Ele pigarreou constrangido. — Sei que vocês estiveram juntos por um tempo e pensei que talvez...

— O que? Sirius e eu? Juntos? — Vance pareceu divertida. — De onde tirou isso? Nós somos apenas amigos, Barnie, transamos algumas vezes ao longo dos anos, mas apenas como amigos que querem se divertir com uma boa transa sem compromisso. Nem mais, nem menos.

— Ah... — Barnie pareceu meio perdido sem saber se ficava feliz ou chateado com a informação.

— Barnie... — Vance se aproximou e tocou o seu rosto com carinho. — Nós dois temos um passado, você ainda trata a Gwen como uma filha apesar de a sua relação com a mãe dela ter se encerrado há anos. Eu quero acreditar que você não sente mais nada por sua ex e espero que você acredite quando lhe digo que Sirius e eu nunca tivemos uma relação de verdade, apenas uma boa amizade. E isso não mudará agora que estou com você.

— Eu não sinto mais nada pela mãe da Gwen, eu juro, nossa relação acabou há muito tempo e estou muito feliz com você. — Barnie disse apressadamente. — Apenas, Gwen era uma menina e passei alguns bons anos vendo-a crescer, então... meio que me tornei seu padrasto para sempre, sabe. — Vance acenou que entendia. — Desculpa, você está certa, eu estou sendo tolo por ter ciúmes, apenas... Sirius parece mais o seu tipo, já que você é tão bonita...

Vance riu e depois o beijou intensamente, afastando-se apenas quando ele tentou aprofundar o beijo.

— Seu bobo, se a beleza de Sirius fosse a questão, eu teria me apaixonado por ele antes de Azkaban, quando ele era muito mais bonito. — Ela disse divertida. — Nós dois somos apenas amigos e sempre seremos, mas você... eu não sei para onde vamos, mas eu realmente gosto de você, Barnie.

Barnie arregalou os olhos de surpresa e emoção por uma mulher tão bonita parecer realmente apreciá-lo, afinal, ele sempre foi o cara gordinho com cabelos bagunçados.

— Eu também gosto de você, Vance, muito e muito. — Ele disse meio sem fôlego pelo beijo.

— Bem, agora que a parte importante da festa acabou, o que você me diz de sairmos discretamente e irmos para a sua casa, onde você pode me mostrar o quanto é esse muito e muito. — Vance sussurrou sensual e com os olhos escuros acesos de desejo.

— Oh, sim, boa ideia, Emmeline... — Ele sussurrou seu nome daquela maneira única que sempre a fazia se sentir especial.

— Eu vi a Vance sair com Barnie discretamente e os dois pareciam bem animados. — Maria disse a Remus alisando a gravata listrada que ele usava. — O que me diz de fazermos o mesmo e irmos para a minha casa? Aliás, eu já lhe disse como você está elegante hoje?

— Obrigado. — Remus corou pelo elogio e pelo olhar que ela lhe lançou e que prometia uma noite bem divertida.

— Maria...

— Ah, não, Remus, outra vez não. — Maria suspirou chateada.

— Apenas estou preocupado com você, Maria. — Remus suspirou e acariciou o seu rosto. — Você passou todos esses anos sozinha porquê...

— Porque ainda tinha esperança que Caradoc estivesse vivo e era errado dormir com outro homem enquanto eu não tinha certeza da morte do meu noivo. — Maria disse com firmeza. — Agora eu tenho e quero me divertir, sou jovem, livre e tenho esse direito. Não posso ficar de luto para sempre.

— Eu sei e não estou te julgando, mas acho que você pode estar indo rápido demais, faz tão pouco tempo que você soube e... não quero que pense que estou me aproveitando de você. — Remus disse levemente culpado.

— Rápido demais? Remus, eu estive sozinha por mais de 11 anos e eu quero isso, você não está me obrigando a nada. Não estou pedindo compromisso ou promessas, quero apenas me divertir e, pelo exemplo de Vance, me parece que fazer isso com um amigo é melhor do que com um estranho qualquer. — Maria disse tentando mostrar segurança e não o pânico que sentia com a ideia de sair e tentar encontrar alguém. — Olha, acho que é eu quem está te usando e não o contrário, mas se você não estiver afim...

— Não se trata disso. — Remus suspirou, pois apesar do sentimento de que eles estavam seguindo um caminho perigoso, não podia deixar de gostar do que faziam, afinal, Maria era muito bonita, boa companhia e ele não esteve em uma relação que era mais do que uma transa rápida de uma noite há muitos e muitos anos. — Ok. Deixe-me apenas me despedir do Sirius e podemos partir, tenho que falar rapidamente com a Serafina também.

— Ok. Te esperarei no pórtico. — Disse Maria com um sorriso animado que não chegou aos olhos castanhos tristes.

Remus estava voltando depois de suas despedidas quando viu um aceno de Tonks, que estava incrivelmente diferente da recruta auror que ele conheceu antes.

— Não tive a oportunidade de lhe contar sobre o treinamento que eu tive na semana passada. — Tonks disse com um grande sorriso que iluminou o seu rosto em formato de coração. — Eu segui o seu conselho e venci o desafio!

— Uau! — Remus sorriu animadamente e seu próprio rosto se iluminou. — Incrível! Quero ouvir os detalhes e saber o que você ganhou por vencer.

— Apenas um estágio extra com o esquadrão da ICW, Denver será minha treinadora. — Tonks disse dando de ombros como se não fosse importante, mas seus olhos violetas brilhando intensamente a denunciavam. — Nada demais.

Remus riu sentindo-se estranhamente mais leve ao vê-la feliz.

— Ei, eu já estava de saída. — Remus disse ao ver por trás de Tonks que Maria o estava procurando entre os convidados. — Vamos marcar um almoço? Então você me conta cada detalhe?

— Combinado! Pode ser sábado? É minha folga. — Tonks disse sorridente.

— Perfeito. Podemos nos encontrar no Saguão de Entrada? Às 11? — Remus sugeriu e Tonks acenou antes de se inclinar e beijá-lo no rosto.

— Até sábado, Remus! — Ela disse antes de se afastar para o meio da multidão.

Remus ficou paralisado por um segundo, completamente desconcertado pelo cheiro delicioso do seu perfume e pelo beijo de despedida. Depois, apressadamente caminhou para a saída e foi ao encontro de Maria.

— Sr. Boot, foi um prazer conhecê-lo. — Doreen estendeu a mão em despedida. — Mais uma vez obrigada por me contar tão gentilmente sobre o meu neto.

— De nada e por favor, me chame de Áquila. — Sr. Boot sorriu. — Entrarei em contato em breve para marcar um encontro com Dean.

— E eu lhes enviarei uma resposta sobre a minha decisão de mudar de Partido, mas desde já lhe digo que fiquei muito impressionado com o Sr. Black. — Ela disse olhando em volta. — Também gostei muito da presença de tantos trouxas, a Sra. Madaki é uma senhora linda e o seu marido incrivelmente culto. Ele me disse que é professor de mais de 300 alunos que estão se tornando professores ou pesquisadores. Nunca poderia imaginar em como os trouxas estão evoluídos na área da educação.

— Eu convivo com trouxas desde que meu filho se casou com a Serafina e as vezes ainda me surpreendo com tudo o que eles são capazes de fazer, construir ou inventar. — Sr. Boot caminhou com ela até a porta. — Dean vive no mundo trouxa e poderá lhe ensinar muito, acredite.

— Um neto... com quem poderei aprender... — Ela suspirou com um sorriso incrédulo. — Parece um sonho.

— Fico muito feliz que não seja, pois, os netos são as maiores alegrias da vida. — Sr. Boot sorriu orgulhoso ao pensar em seus netos. — Prazer em conhecê-la, Doreen. Boa noite.

Aos poucos os convidados foram se despedindo e se retirando, até que apenas os Boots, Madakis, Sirius e Petúnia restaram na sala.

— A Sra. Clark decidiu se filiar ao partido. — Petúnia disse sorrindo. — Eu estava preocupada em ser discriminada por alguém entre os convidados, mas isso não aconteceu, felizmente.

— Ter trouxas nesta primeira reunião foi um bom teste. — Prof. Bunmi observou. — Também não senti discriminação de nenhum bruxo, apenas curiosidade ou surpresa por nossa presença. — Ele suspirou. — Uma pena que trouxas não possam fazer parte do Partido, ainda que faça sentido, pois os países também não deixam estrangeiros se filiarem e votarem em seus sistemas eleitorais.

— A reunião foi linda, mas estou exausta. — Sra. Madaki disse bocejando. — Se não se importam, me retirarei por hoje.

— Eu a acompanho, minha querida. Sirius, parabéns, acredito que você se tornará um grande político. — Prof. Madaki disse.

Sirius sorriu e agradeceu, ainda incrédulo que a noite tinha sido um sucesso. Quem diria que Sirius Black poderia realmente se envolver com política?

— Quantos se filiaram? — Sirius perguntou ansioso.

— Bem, quase todos, menos Fawcett, Ogden, Wright e o Sr. Belby do Partido Conservador, o que não é surpreendente. — Serafina disse.

— Ainda tenho esperança sobre Doreen Wright e felizmente Dâmocles Belby é mais evoluído do que Clayton Belby, meu colega do Conselho, jamais será. — Sr. Boot disse pensativo. — Dâmocles inventou a Wolfsbane e está empolgado em fazer parte de um grupo que ajudará os lobisomens de verdade.

— Bem, Vance e Cuffe, por serem jornalistas, acredito que se manterão imparciais e também não se filiaram. Os Browns, acho que Letícia se assustou com nossos planos revolucionários. — Ela disse divertida. — Eu lhe disse que pretendíamos lutar para que as crianças com licantropia frequentassem Hogwarts no futuro e minha amiga ficou horrorizada. Amos Diggory também não se filiou, obviamente, mas Zenira Diggory se tornou uma das nossas companheiras. Hum... Derbton MacTavish do Conselho e dos Progressistas também não se escreveu, assim como Clovis McLaggen da Suprema Corte e dos Conservadores, mas o seu irmão, Caleb McLaggen que está no Conselho de Governadores se juntou a nós. E King, como sabíamos, decidiu não deixar seu apoio a Sirius tão exposto.

— Zenira é uma surpresa com aquele marido dela, mas Cedric e Cecilia MacMillan podem ter lhe influenciado. — Sirius especulou. — Caleb também me surpreendeu, mas como ele não faz parte de nenhum partido, talvez tenha sentido que era o momento de se envolver. Como ele é no Conselho de Governadores?

— Silencioso, mas aberto a mudanças, sem preconceitos explícitos ou excesso de tradicionalismo. — Sr. Boot disse. — Quem mais me surpreendeu foi Mellie se juntar a nós, pois ela se mantém neutra há décadas. Ela me confidenciou que sua liderança é um dos motivos que a fizeram se filiar, pois, sempre detestou Waffling e Finley.

— E sobre Daniel McCormack, membro da Suprema Corte? — Falc disse sorrindo animado. — Convidar a Gwen foi uma ideia brilhante! Ela trouxe Daniel, além de Meg McCormack e Don Tremlett. Eles se filiaram?

— Os três. — Serafina respondeu empolgada. — Além de Daniel, também pegamos o Lief Beamish dos Progressistas e o Ernest Murray dos Conservadores.

— Ah, Waffling e Finley ficarão furiosos. — Sr. Boot disse com um grande sorriso.

Todos riram animados com o sucesso inicial do Partido dos Justos.

— Quantos membros temos até o momento? — Sirius perguntou.

— Hum... somos 47 membros, contanto conosco. — Serafina informou. — Flitwick pretende se filiar e podemos ter mais alguns funcionários da GER que também não puderam estar aqui hoje. Assim, acredito que estamos em um bom caminho.

— Bom, a reunião de amanhã será a mais importante e saberemos quem realmente está disposto a lutar ao nosso lado. — Sirius disse antes de encerrarem a noite.

Na manhã seguinte, bem cedo, Sirius aparatou em Grimmauld Place, onde Monstro o recebeu com um olhar desagradável e curvatura infinitesimal.

— Andy e Cussy chegarão em breve, prepare um lanche e bebidas na sala de estar da família, por favor, Monstro. — Sirius disse ainda no patamar da escada. Ele olhou para o retrato da sua mãe, mas felizmente o encontrou ausente. — Você retirou o quadro para o sótão?

— Sim, mestre Black, como o senhor autorizou, Monstro levou o quadro da Mestra e os objetos pessoais do Monstro para o sótão. — O elfo disse com a sua voz roufenha. — Monstro queria saber se o mestre dará todas as coisas da mestra de Monstro para a Sra. Cissy e a Sra. Andy.

— Sim, Monstro, tudo o que elas quiserem levar, será delas, porque? — Sirius perguntou curioso.

— Mestra ficaria triste em ver a antiga casa dos Blacks vazia e destruída, mas se tudo ainda pertencerá aos Blacks, Monstro acredita que a mestra não ficaria tão decepcionada. — Monstro disse e Sirius fez uma careta tentando se controlar para não dizer que não ligava a mínima para o que a bruxa queria ou gostava.

— Ótimo. — Ele disse indiferente. — Eu apresentei ao arquiteto as ideias para a reforma da mansão e ele me apresentará um projeto na segunda-feira. Se tudo estiver de acordo, começaremos a reestruturação na terça-feira mesmo, Monstro, assim, decidi que você deve ficar comigo na casa dos Boots enquanto os operários mágicos estão aqui.

— Monstro não pode abandonar a casa dos Blacks, o que a sua mestra diria... Monstro tem que ficar aqui e vigiar...

— Não haverá nada para vigiar, Monstro, pois teremos retirado tudo e os construtores estarão quebrando a mansão de cima a baixo. Eles não poderão se preocupar em não lhe atingir ou ficar tropeçando em você pela casa. — Sirius disse com voz firme. — Eu visitarei a obra algumas vezes e o trarei comigo, além disso, durante a noite, eu permito que você venha visitar o quadro da minha mãe, mas durante o resto do tempo, viverá comigo na Mansão Boot. — Sirius usou um tom de ordem e Monstro se engasgou ao perceber que não conseguiria desobedecer.

— Sim, mestre Black. — O elfo disse com um olhar de ódio na direção do Sirius.

Sirius caminhou para a sala de estar familiar e analisou a tapeçaria da família Black, que agora tinha Andy, Ted e Tonks restaurados, enquanto Narcisa, Lucius e Draco foram queimados. Ele planejava fazer o mesmo com Bella e seu marido, mas esse processo não tinha pressa para ser iniciado. O som da aldrava batendo sinalizou a chegada de alguém e Sirius foi abrir a porta, encontrando uma pálida Narcisa no pórtico.

— Cissy! — Ele a segurou pelo cotovelo e eles caminharam até a sala lentamente. — Você está bem? Fez o procedimento?

— Estou bem, não se preocupe, fiz o procedimento na segunda-feira e tenho que ficar de repouso por uma semana e resguardo por 30 dias. — Narcisa se sentou em uma poltrona. — Estou pálida porque perdi um pouco de sangue e por causa das poções que me deram para a recuperação... — Ela suspirou. — A médica incluiu um remédio estranho para anemia que nunca tinha visto, ele vem em pílulas grandes e difíceis de engolir... Sulfato ferroso é o nome.

— Você está anêmica? — Sirius perguntou preocupado.

— Sim e com a perda de sangue a tendência é piorar e atrasar a minha recuperação, então, ela me deu esse remédio, pois disse que não existe algo parecido entre as poções mágicas. — Narcisa tocou em seu braço tentando tranquilizá-lo. — Devo estar completamente recuperada em duas ou três semanas, depois voltarei na clínica para iniciarmos o fortalecimento do meu corpo para a gravidez.

— Então você não mudou de ideia? — Sirius perguntou pensativo. Se King realizasse a prisão de Lucius em breve, sua prima não poderia colocar o seu plano de engravidar em ação e Sirius não sabia que ficava aliviado ou triste com isso.

— Não e estou muito fraca para discutir isso outra vez, Sirius, assim, guardarei minhas energias para escolher tudo o que eu quero levar comigo e nada mais. — Narcisa disse resoluta e olhou em volta para a sala com poucos móveis. — Você já retirou tudo que que queria para si mesmo?

— Sim. — Sirius respondeu.

— Não pensei que se interessaria pelos móveis da sala de estar. — Narcisa disse levemente surpresa.

— Eu retirei alguns móveis e objetos para um projeto paralelo, você saberá mais tarde. — Sirius explicou. — Também enviei toda a biblioteca para um cofre em Gringotes e fiquei com alguns objetos pessoais e lembranças de Régulos, além de algumas pratarias e louças para usar em eventos formais. O resto vocês podem dividir.

— Dividir? — Narcisa o encarou confusa e indignada. — Você não disse nada sobre dividir...

A batida da aldrava ressoou pela sala e Sirius se apressou em ir receber sua segunda convidada ao invés de responder.

— Andy! — Ele disse em tom mais suave. — Bom dia.

— Bom dia, Sirius. — Andy sorriu e seu cabelos soltos até as costas a faziam parecer mais jovem. — Estou ansiosa para começarmos.

— Venha, tenho uma surpresa para você. — Ele disse e a caminhou para a sala de estar onde Narcisa tinha se levantado para receber o visitante inesperado.

— Surpresa? Mas o que... — Então ela parou e encarou a irmã caçula que não encontrava há 20 anos. — Oh... Merlin... Cissy...

— Andy... — Narcisa sussurrou chocada e deu um passo à frente. — Andy...

As duas se encontraram no meio do caminho em um forte e saudoso abraço.

Sirius abriu um grande sorriso ao ver a emoção das duas ao se reencontrarem. Ele decidiu deixá-las sozinhas por um tempo e foi até a cozinha onde Monstro preparava os lanches que pedira e percebeu que o ambiente estava incrivelmente mais limpo.

— Monstro já irá servir na sala de estar, mestre Black. — Monstro disse parecendo contrariado por ter alguém invadindo a cozinha.

— Espere uns 10 minutos, Monstro, quero que Andy e Cissy tenham privacidade. — Sirius ordenou ao elfo. — Gostaria que separasse toda as pratarias e louças que sobraram e as colocassem sobre a mesa, assim, as duas poderão escolher e dividir entre elas.

— Eu farei isso, mestre Sirius. — Monstro se apressou em direção aos armários onde estavam guardados o que Sirius pedira.

— Depois que elas dividirem os móveis e objetos, quero que as ajude a levar para suas casas, Monstro. Cissy poderá chamar seus elfos, mas Andy precisará de ajuda. — Sirius disse em tom mais suave.

— Sim, mestre Black.

— E nada de contar sobre o que você viu ou ouviu de mim ou do Harry, ou de qualquer pessoa que esteve comigo nesta casa para qualquer um, muito menos para os Malfoys. Entendido? — Sirius voltou a usar o tom de ordem.

— Sim... mestre Black. — Monstro lhe lançou um olhar venenoso antes de continuar o trabalho.

Sirius suspirou sentindo os maus sentimentos voltarem como sempre acontecia quando estava naquela maldita casa. Ele deu uma volta pela biblioteca para ter certeza de que nada foi deixado para trás, algo improvável dado os quão eficientes os goblins eram.

Depois de mais algumas voltas pelos cômodos escuros e cheios de lembranças terríveis da sua infância, Sirius voltou para a sala de estar e encontrou suas primas sentadas no sofá de mãos dadas.

— ... ela está com 20 anos agora e será uma auror em 1 ano, estamos muito orgulhosos dela. — Andy dizia. — Sirius! Você nos enganou!

— Eu não fiz isso! — Ele disse com um sorriso divertido. — O motivo de estarem aqui ainda existe, apenas quis fazer uma pequena surpresa.

— Pequena surpresa... — Narcisa o encarou incrédula. — Nada sobre isso é pequeno... eu tinha me esquecido como era bom estar cercados por Blacks. — Ela apertou a mão de Andy. — Por minha irmã favorita.

— Como se Bella algum dia poderia ser a favorita de alguém. — Sirius disse ironicamente e as duas riram, antes de Andy dizer mais seriamente.

— Ela era a favorita do nosso pai.

— Isso porque Bella era insana como ele. — Narcisa disse e parecia cansada. — É maravilhoso saber de você e da minha sobrinha maravilhosa, mas existem muitas coisas que eu quero te contar.

— Cissy? — Sirius mostrou surpresa.

— Não quero esconder nossos planos de Andy, Sirius e acho que ela também deve saber sobre o Scorpions. — Narcisa disse resoluta. — Se algo me acontecer, quero que ela cuide dos meus filhos.

— O que? — Andy se mostrou chocada. — Sirius Black! O que você está aprontando agora?

— Cissy... — Sirius ignorou a reprimenda de Andy. — Você sabe que não deixarei nada lhe acontecer. Quando o momento chegar, se o momento chegar, tomaremos todos os cuidados necessários.

— Eu sei e confio em você, mas nós sabemos que é impossível prever tudo e não estou falando apenas do nosso acordo. — Narcisa disse. — Também temo que algo aconteça comigo durante o parto.

— Parto? Você está gravida? — Andy encarou a irmã espantada e animada. — Eu ia te perguntar sobre a sua palidez, mas você insistiu em saber sobre a minha vida durante esse tempo em que ficamos sem comunicação.

— Eu não estou grávida, mas pretendo ficar. — Narcisa disse. — Sempre quis mais filhos e isso tem a ver com os planos que mencionei antes, mas não culpe o Sirius, na verdade, ele está tentando me ajudar.

— Ok, mas tem algo que não entendo, porque vocês estão conversando amigavelmente se o Sirius acabou de expulsá-la da família? — Andy perguntou olhando de um para o outro.

— Acho melhor explicar tudo a ela, Sirius, não devemos ter segredos entre nós porque precisamos estar unidos para o vier. — Narcisa disse decidida. A verdade é que nas últimas semanas ela tinha percebido que sua decisão de ter outro filho as vésperas de uma nova guerra era uma temeridade. Como protegeria Draco? Lucius? E um bebê? Lucius se manteria longe do Lord das Trevas? Se ela tivesse que se tornar uma espiã, como fugiria se fosse descoberta? Se Lucius fosse preso, o que ela faria? E a resposta a todas essas perguntas eram sempre as mesmas, ela precisava do apoio de sua família, dos Blacks. Não havia família mais importante ou poderosa, não haviam pessoas mais determinadas a alcançar os seus objetivos. O sangue, a magia e a criação Black eram fortes e poderosos, tornava impossível que eles desistissem, se encolhessem ou se escondessem. Narcisa usaria isso para sobreviver e para ensinar o seu filho a sobreviver a qualquer custo, mas para isso precisava do apoio dos outros Blacks.

— Ok. — Sirius franziu o cenho e contou sobre a tentativa de Malfoy a sua vida que levou a expulsão de Narcisa e Draco da Família Black.

— Então, Lucius tentou assassiná-lo. — Andy disse e parecia furiosa. — Eu não sei porque me surpreende que ele tenha tentado... Porque não nos contou, Sirius? Sabíamos que tinha se ferido, mas não explicou nada sobre uma tentativa de assassinato.

— Era mais fácil não a preocupar, Andy, pois não havia muito a se fazer. — Sirius disse. — O que podia ser feito, eu fiz e sinceramente não tinha pensado em envolvê-la. — Ele olhou para Narcisa com preocupação.

— Não lidaremos com uma guerra sem nos unirmos, Sirius. — Narcisa disse.

— Mas estamos em lados oposto, Cissy, como estivemos há 12 anos. — Sirius protestou.

— As coisas são diferentes, pois o que está em jogo agora é o meu Draco e a vida do bebê que terei em breve. — Narcisa expôs. — Como Blacks, temos que nos apoiar e prometo que não deixarei que qualquer pensamento purista se interponha entre nós... E eu já deveria ter tomado essa atitude assim que Bella foi presa e entrado em contato com você, Andy.

— Lucius também era um risco para Andy e sua família. — Sirius apontou.

— Lucius jamais faria algo que pudesse me ferir. — Narcisa disse.

— Mas ele tentou matar o Sirius! — Andy apontou. — E que história é essa de guerra!?

— Eu nunca deixei que Lucius ou seus pais percebessem que Sirius e eu que éramos tão próximos, apenas disse que fomos amigos de infância, mas que isso desapareceu quando ele se tonou um Gryffindor. — Narcisa disse. — Mas ele sabe que sempre senti a sua falta e que fomos muito unidas, eu inclusive lhe contei como você me ajudou a ficar noiva dele e não de Evan Rosier. Não, o risco maior para você, seu marido e filha vinha da nossa própria família, principalmente da Bella. De qualquer forma, nada disso importa agora e você deveria ter contado a Andy o que está por vir, Sirius.

— Eu pretendia fazer isso hoje, na verdade. — Sirius disse e encarou a prima. — Andy, estaremos em guerra em algum momento do futuro porque Voldemort está vivo e tentando recuperar o poder que tinha antes.

A reação de Andy foi idêntica à de todos que já tinham sido informados sobre isso. Depois que ela se acalmou, Sirius explicou sua oferta para Narcisa e a decisão dela de engravidar de Lucius e mantê-lo na França, longe de Voldemort.

— Você, está chantageando a minha irmã e você, está se iludindo que seu marido ficará brincando de casinha nos vales franceses enquanto ocorre uma guerra purista aqui! — Andy tinha se levantado e andava de um lado para o outro enquanto ouvia, até que parou e apontou seu dedo indicador para os dois com uma expressão severa. — Tudo isso para realizar um plano insano de espionar o Lord das Trevas mais perigoso que já existiu! Eu nem sei o que dizer... parecem duas crianças! Como quando se escondiam para pregar alguma peça e eu tinha que acobertá-los!

— Andy, não há outra solução. — Narcisa protestou apesar de seus olhos brilharem com a reprimenda da irmã, algo que não experimentava há muitos anos. — Eu não desistirei de Lucius e a oferta de Sirius me dá a chance de voltar para a família Black e salvar a minha família. E, ter um bebê pode ser o que eu preciso para manter Lucius para mim e não perdê-lo para o seu maldito mestre.

— E, enquanto eu preferiria que Narcisa deixasse o marido, no caso de Lucius voltar a servir o Voldemort, nós teremos uma espiã muito bem colocada e que poderá nos ajudar a vencer a guerra mais rapidamente do que da última vez. — Sirius apontou.

— Não importa o quão arriscado será. — Andy os encarou chateada.

— Andy, estaremos em guerra, não importa o que façamos, o perigo nos acompanhará em qualquer caminho que escolhermos. — Sirius defendeu.

— Você está certo e mostra que se tornou um homem muito sábio, primo. — Andy se sentou e parecia perdida. — Minha filha, uma auror, lutando uma guerra contra comensais da morte assassinos e o Lord das Trevas. Pensei que esse pesadelo tinha desaparecido há 12 anos, não entendo como ele ainda pode estar vivo.

— Não vamos permitir que nada aconteça com a Tonks e estamos nos preparando para vencer, Andy. — Sirius disse convicto.

— Eu não me importo com os trouxas ou nascidos trouxas, mas não permitirei que o meu Draco se torne um comensal da morte. — Narcisa disse determinada. — Usarei todos os recursos e habilidades da nossa família para isso, os Blacks não sobreviveram a tanto para sermos destruídos facilmente. Ensinarei o meu filho a ser um Black e sobreviver.

— Bem, acho que terei que ensinar alguns truques a Dora, ela é muito como o seu pai as vezes. — Andy disse com carinho.

— Bem, o que me dizem de olharmos pela casa, assim vocês podem dividir os móveis e objetos da família. Depois podemos tomar um chá que Monstro está preparando para nós. — Sirius se levantou e as primas o acompanharam.

— Merlin! Monstro ainda está vivo? — Andy perguntou chocada ao caminharem para fora da sala.

— Infelizmente, sim. — Sirius disse com um suspiro dramático.

Os três primos passaram a manhã olhando por cada canto da mansão e Andy e Narcisa dividiram os móveis e objetos entre si. Narcisa era a mais interessada, Andy escolheu apenas alguns dos seus móveis, quadros, tapetes, esculturas, pratarias e louças favoritas, além de serem peças que ela gostaria de usar para redecorar a sua pequena casa. Sua irmã por outro lado, queria levar todo o resto, interessada em quanto conseguiria ao vender algumas das peças mais caras e exclusivas. Uma parte dela se horrorizava com a ideia de vender objetos tão importantes para a história dos Blacks, mas Narcisa sempre foi prática. Ela precisava de dinheiro e a herança Black não estava mais acessível, assim, vender alguns objetos antigos poderia ajudá-la em seus planos na França. Depois de explicar os seus planos a Sirius e Andy, Narcisa olhou encantada para um louça chinesa de mais de 400 anos.

— Claro que não venderei tudo, ficarei com os meus favoritos.

— O que está planejando fazer com o dinheiro? — Sirius perguntou curioso.

— Lucius está na França estudando maneiras de reativar a fazenda, não sei exatamente o que ele pretende fazer e confesso que não entendo nada sobre agricultura ou cuidar de animais, mas seja o que ele decidir fazer, usarei esse dinheiro para investir no negócio e me tornar a sua sócia. — Narcisa disse pensativa.

— Sócia? — Andy parecia chocada. — Não me lembro de você jamais ter se interessado por negócios ou trabalho antes, Cissy.

— Tudo é diferente agora e eu não sou mais uma garota romântica e boba. — Narcisa abanou a mão impaciente com as lembranças de si mesma. — Lucius esteve muito perto de ir para a prisão ou pior naquela noite na Travessa e o que aconteceria comigo e Draco? — Narcisa manteve-se sem expressão, mas era possível sentir a sua tensão. — Meu sogro, Abraxas, assumiria o controle sobre a herança Malfoy até Draco ser maior de idade. Ele assumiria o controle sobre a minha vida e do meu filho. No momento, Lucius me permite acesso ao nosso cofre, acredita que seu pai faria o mesmo? E como será quando a guerra recomeçar? Quando o Lord das Trevas retornar? Precisaremos de dinheiro para fugir e nos escondermos dele, mas e se Lucius voltar a servi-lo e acabar morto ou preso, o que farei? Principalmente com um novo bebê?

— Você sabe que eu não deixaria de ajudá-la. — Sirius apontou.

— Isso supondo que você também não morra. — Narcisa disse friamente.

— Bem, se já terminamos, porque não tomamos o chá que Monstro preparou para nós na sala de estar? — Andy disse incomodada com toda a conversa sobre morte. — Preciso me aquecer depois de andar por essa casa sombria e fria, além disso quero saber que história é essa sobre Bella e Scorpions.

O três voltaram a se acomodarem na sala e Narcisa serviu os chá para os três antes de se sentar.

— Acho que você está certa em querer sua independência financeira, minha irmã, mas duvido que Lucius e Abraxas concordem com seus planos. — Andy disse. — Você deveria investir esse dinheiro em algo próprio e particular, sem permitir que eles saibam sobre isso ou seu marido lhe tomará o dinheiro e fará o que bem entender.

Narcisa a olhou pensativa, pois sempre tinha ouvido os conselhos da sua irmã com carinho.

— Qual a sua sugestão? — Ela perguntou. — Não posso investir em um negócio sem que Lucius saiba e pensei que me tornar sócia de algo que ele estará construindo para o nosso futuro e dos nossos filhos e que poderá me ajudar a mantê-lo na França.

— Não preciso dizer que acho que está se iludindo com a ideia de que Lucius não se apresentará a Voldemort e ter um filho nessas circunstâncias é uma temeridade. — Sirius criticou exasperado. — Mas concordo com a Andy, Lucius assumirá o dinheiro e você não conseguirá ser sócia de nada. Velhos bruxos como o Abraxas jamais permitirão que uma mulher tenha alguma propriedade em seu nome ou se envolvam com os negócios dos homens. — Sirius disse ironicamente. — Porque não fazemos um teste?

— Teste? — Narcisa se mostrou interessada.

— Sim, você leva uma parte dos objetos e móveis, não os mais caros, vende e abre uma conta em seu nome no Gringotes. — Sirius disse com sua mente trabalhando em um plano. — Diga a Lucius sobre os seus planos, tente colocá-los em prática e, enquanto isso, eu venderei o resto e abrirei uma conta em seu nome em um banco trouxa. Tenho alguns conhecidos que podem me ajudar a fazer alguns investimentos que farão o seu dinheiro render inteligentemente. — Narcisa abriu a boca para perguntar, mas Sirius gesticulou. — Eu não entendo muito sobre mercado de ações, títulos e coisa e tal, o dia em que reencontrar o Harry, lhe pergunte e meu afilhado lhe explicará em detalhes. Sua mãe lhe deixou uma fortuna no mundo trouxa e Harry o administra com a ajuda de alguns profissionais da área.

— Ok, mas como acessarei esse dinheiro? — Narcisa se mostrou curiosa.

— Eu lhe ensinarei como. — Andy disse sorrindo. — O que me diz que nos encontrarmos um ou duas vezes por mês no mundo trouxa e te ensino algumas coisas? Pelo menos enquanto a guerra não se reinicia.

— Claro! — Narcisa sorriu para a irmã e apertou sua mão com carinho. — Creio que não será difícil ir fazer compras em Paris de vez em quando, se puder me encontrar por lá, não sei como justificar vir para Londres a Lucius.

— Ora, será maravilhoso, Paris e você, Cissy. — Andy disse emocionada.

— Se você precisar fugir e se esconder, lhe garanto que o mundo trouxa é uma boa opção e você terá dinheiro acessível em qualquer país da Europa. — Sirius continuou. — Se estivermos errados sobre Lucius te aceitar como sócia, você pode usar o dinheiro para fazer o negócio crescer ou para emergências.

— Me parece um bom plano e o aceitarei. — Narcisa disse pensativa. — Levarei comigo apenas os objetos que pretendo manter e alguns outros para vender, mas deixarei os mais valiosos sob seus cuidados, Sirius.

— Bom, agora que isso está resolvido, me contem sobre esse segredo de que falaram. — Andy os encarou e Sirius se encolheu levemente sob o seu olhar sério.

— Não é culpa dele, Andy, é minha. — Narcisa disse e endireitou os ombros. — Durante todos esses anos eu decidi nem pensar sobre isso, nunca falar ou admitir o que eu vi, mesmo que para mim mesma. Sirius era mais novo que eu, apenas um garotinho e, quando lhe disse para não falar o que ele viu, não havia porque ele não me obedecer.

— O que vocês viram? — Andy estava tensa.

— Eu não me lembrava. — Sirius disse baixinho e seu olhar mostrava um ar assombrado. — Os dementadores nos fazem relembrar os piores momentos das nossas vidas e também trazem para a consciência coisas ruins que aconteceram quando se era muito pequeno e que não nos lembrávamos mais. — Ele olhou para Andy. — Um dia, em Azkaban, sonhei conosco correndo e brincando de esconder no bosque da casa de campo.

Andy empalideceu ao se lembrar da casa de campo e a última e trágica visita da família.

— Mas perto dos dementadores, nós não sonhamos, apenas relembramos as piores memórias, de novo e de novo. — Sirius suspirou. — Narcisa estava procurando daquela vez e me encontrou muito rápido, então, eu a segui enquanto ela procurava por vocês. Eu trapaceei e disse que tinha visto o Scorpions ir para a beira do penhasco, acho que pensei que não queria que ele vencesse, pois Scorpions era o outro menino da brincadeira e parecia errado eu perder para ele.

— Vocês dois eram um pouco competitivos. — Andy disse suavemente ao se lembrar do irmão perdido há tantos anos. — Você era mais jovem, brincalhão e jovial, enquanto Scorpions era mais velho, sério e o herdeiro da família Black. Não só ele era o preferido do meu pai, mas dos nossos avós, tios e até os seus pais o consideravam o futuro Lord Black perfeito.

— Meu pai ser o segundo filho nunca o incomodou. — Sirius disse pensativo. — Mas me lembro que quando eu me tornei o herdeiro por causa da morte do Scorpions, meu pai ficou irritado por ter que deixar o seu pai me ensinar certas coisas... era como se ele quisesse me passar o conhecimento de como ser um Black.

— E, no fim, ele passou. — Narcisa disse. — Meu pai morreu alguns anos depois e seu pai se tornou Lord Black, aliás, apesar de te expulsar da família, tio Orion nunca mudou legalmente o seu acesso a ser o herdeiro.

— Porque Régulos também estava lutando na guerra. — Sirius disse. — Quando eu fugi e me mudei para a casa dos Potters, meu pai procurou pelo Sr. Potter e enviou um recado para mim. Ele disse que apesar de estarmos em lados opostos da guerra, eu ainda era seu filho e herdeiro, portanto, não me excluiria da sucessão, principalmente porque se eu sobreviesse e Régulos não, ele queria que a família continuasse a existir comigo.

— Isso não me surpreende, tio Orion sempre foi muito sensato e inteligente, ao contrário de papai que se mostrava a cada dia mais insano. — Andy disse. — Assim como a Bella... — Ela encarou os primos. — O que ela fez?

— É incrível como Sirius se lembra de tantos detalhes, eu confesso que apaguei quase todo aquele dia da minha mente. — Narcisa respirou fundo para afastar o enjoo do estômago. — O que eu me lembro claramente é de chegar próximo à beira do penhasco e ouvir Bella falando algo... acho que pensei que encontraria os dois de uma vez e só faltaria você para vencer o jogo.

— Eu não me lembro de ouvir a Bella. — Sirius disse pensativo.

— Você estava distraído, como sempre, olhando em volta atrás de uma borboleta ou pássaro colorido, mas nós passamos pela última árvore quase juntos, você um passo atrás de mim, então... — Narcisa engoliu em seco. — Bella disse a Scorpions, " Porque você teve que nascer? Eu era a sua preferida antes e agora só você importa porque é um menino! Mas eu sou a mais velha! Eu deveria ser a herdeira dos Black e a preferida do papai! "

— Merlin... — Andy ficou ainda mais pálida e se encolheu porque as palavras lhe lembraram de sua irmã assassina e insana que tinha tornado a sua vida um inferno enquanto cresciam.

— Scorpions não respondeu, apenas a olhou com uma expressão fechada e tudo se moveu muito rápido. — Narcisa disse. — Ela colocou a mão em seu peito e o empurrou pelo penhasco.

— Oh... — Andy não pode segurar as lágrimas.

— Foi a parte que eu vi. — Sirius disse baixinho. — Rápido, muito rápido, um empurrão e Scorpions gritou, então... Narcisa me agarrou e me puxou para trás da árvore, Bella não nos viu, mas quando ela se virou e se afastou tinha um grande sorriso no rosto. Esse sorriso me deu pesadelos e apesar de me esquecer do que tinha visto, lembro de que sempre tive medo dela e me mantinha distante nos anos seguintes.

— Eu não pensei em nada, agi por instinto, pois eu senti que nós dois estávamos em perigo. — Narcisa disse pensativa. — Nunca conscientemente formulei o pensamento de que Bella teria nos matado também, mas sempre agradeci por qualquer instinto que me fez agir tão rapidamente e impedir que ela nos visse.

— Ela apenas adiantou a morte dele. — Andy disse e enxugou as lágrimas do rosto. Ao ver suas expressões confusas, acrescentou. — Nunca se perguntaram durante todos esses anos porque Scorpions não sobreviveu a queda? O penhasco tinha uns 12 metros de altura, talvez 13, fatal para uma criança sem magia, mas não para uma criança bruxa que usaria de magia acidental para sobreviver. — Andy e Sirius arregalaram os olhos. — Você caiu do alto do corrimão da escada uma vez, Sirius, em cima de uma mesinha de vidro que se espatifou, mas você só se levantou e continuou a correr atrás de Régulos como se nada tivesse acontecido. Isso porque a sua magia impediu o impacto e cortes no vidro. — Ela voltou a suspirar. — Bella não sabia ou papai, pois a ideia do seu herdeiro e orgulho ser um aborto era impensável, mas mamãe descobriu de alguma maneira e pediu ajuda ao tio Orion. Ela queria enviar o Scorpions para um lugar seguro antes que papai descobrisse e o matasse... Ela se lembrava do que os Carrows tinham feito com uma das suas crianças e não queria que o seu garotinho fosse queimado vivo.

— Como você descobriu? — Narcisa perguntou chocada.

— Eu vi a mamãe e o tio Orion conversando sozinhos um dia e ouvi uma das nossas tias dizer a tia Walburga que os dois estavam tendo um caso. Era só um comentário maldoso para irritar a sua mãe, Sirius, e ela nem ligou, no entanto, eu fiquei curiosa, queria saber se era verdade e os espionei. — Andy deu de ombros. — Eu ouvi a verdade e os planos deles, acho... que eram planos para breve e, talvez, se Bella não o tivesse matado...

— Não há como ter certeza. — Sirius disse apressadamente. — Seu pai ainda poderia tê-lo encontrado e o matado, isso sem falar que tio Cygnus poderia ter matado a sua mãe também. — Andy baixou os olhos tentando afastar da mente as lembranças do seu pai espancando a sua mãe.

— Mamãe morreu de tristeza pela morte do Scorpions. — Narcisa disse com um olhar distante. — Só depois que perdi o meu bebê, eu entendi completamente o que ela passou.

— Cissy... — Andy agarrou sua mão e apertou com força. — Você perdeu um bebê?

— Eu... — Narcisa arregalou os olhos ao perceber o que dissera e como queria contar para a irmã sobre o que passara, mas ao mesmo tempo, os muitos anos em que fora fria, indiferente e contida não se apagavam facilmente.

— Eu as deixarei sozinhas. — Sirius se levantou e pousou a xícara sobre a mesa. — Tenho muito trabalho no meu escritório e vocês tem muito o que conversar, acredito. Fiquem o tempo que precisarem e transportem tudo o que decidirem levar, Monstro as ajudará no que precisarem.

— Ok. — Andy se levantou e abraçou Sirius. — Obrigada por esse presente e por tudo o mais.

— Sim, obrigada, Sirius. — Narcisa foi mais contida e apenas acenou levemente.

— De nada. Cissy, tente não se esforçar muito e Andy, nos encontramos hoje à noite. — Sirius disse em despedida e partiu.

Á noite, uma nova reunião aconteceria entre os membros do Partido dos Justos, mas antes Sirius e o Sr. Boot tiveram a difícil missão de conversar com Livius Dearborn sobre os seus sobrinhos.

— Lamento ter partido mais cedo ontem, senhores, infelizmente a velhice não me permite ter disposição para as horas mais tardias. — Ele disse ao aceitar uma xícara de chá, sentado em uma poltrona no escritório da mansão. — Eu parti logo depois da assinatura de filiação, mesmo que estivesse curioso sobre o assunto particular que você mencionou, Sirius.

— Não precisa se desculpar, Sr. Dearborn, eu deveria ter me desocupado mais cedo e lhe dado a minha atenção. De qualquer forma, o importante é estarmos aqui agora e podermos conversar. — Sirius disse para o homem idoso.

— Não tem um jeito fácil de falar sobre isso Livius e peço que você se mantenha calmo, por favor. — Sr. Boot disse gentilmente.

— Ora... — Sr. Dearborn parecia desconcertado. — Eu sou calmo, Áquila, você me conhece... ou melhor, eu te conheço desde que era um garoto.

— Sim, você era amigo do meu pai. Lembro-me de observa-los jogar xadrez por horas e horas durantes os verões no Chalé. — Sr. Boot lhe deu um sorriso nostálgico.

— Eu viajei muito pelo mundo todo, escrevi alguns livros sobre as plantas mágicas dos outros continentes, mas apesar de me orgulhar das minhas realizações, sinto mais falta do tempo com os meus amigos e famílias do que das viagens. — Sr. Dearborn pareceu tristemente pensativo. — Eu o aconselho, jovem Sirius, a valorizar a família, os amigos e ter muitos filhos e netos, como Áquila aqui. Isso torna a velhice bem menos solitária.

— O senhor nunca se casou? — Sirius perguntou suavemente.

— Sim, brevemente. — Ele disse e usou o lenço do bolso para enxugar os cantos dos olhos úmidos se lágrimas. — Sarah, era o nome dela, nos casamos assim que terminamos Hogwarts, mas dois anos depois ela morreu no parto, junto com a nossa filha. — Ele pigarreou e abanou a mão. — Eu tenho 101 e as perdi há quase 80, mas a tristeza é tão forte como se tivesse sido ontem.

— Mas você teve sobrinhos, sobrinhos-netos. — Sirius disse. — Eu estudei no mesmo ano de Caspiana e conheci bem o Caradoc.

— Meu irmão mais novo teve apenas um filho e meu sobrinho teve dois filhos lindos, Caspy e Car, nós o chamávamos e, particularmente, eu os mimei muito. — Sr. Dearborn sorriu divertidamente culpado. — Eles adoravam quando eu chegava das minhas viagens com presentes e histórias das aventuras que vivi. Quando seus pais morreram de varíola de dragão, minha cunhada e a avó deles assumiu as tutelas, pois o meu irmão também já tinha falecido. — Seu olhar mostrou a sua dor. — Eles eram como meus próprios netos, mas... eu os perdi também e agora só resta a mim, o último dos Dearborn.

Sr. Boot e Sirius trocaram um olhar triste e preocupado.

— Caspiana está viva, Livius. — Sr. Boot disse baixinho.

Sr. Dearborn o encarou por um, dois, três segundos e, então seus olhos se arregalaram e se encheram de lágrimas.

— O que... Áquila... o que está me dizendo. — Ele sussurrou sem fôlego.

— Ela ainda está em grande perigo e, por isso, ninguém pode saber que ela está viva ou onde está. — Sirius disse rapidamente. — Mas ela nos autorizou a lhe contar o que lhe aconteceu e a marcar um encontro com o senhor, para se reencontrarem.

— Eu... — Ele parecia perdido de sentimentos contraditórios, mas conseguiu focar em um fato importante. — Porque minha neta está em perigo? Quem a está ameaçando?

— Essa é uma história longa e terrível, Livius, espero que esteja preparado. — Áquila disse e, respirando fundo, contou sobre o sequestro de Caspiana.

Pálido e trêmulo, Sr. Dearborn ouviu com uma expressão de horror o que aconteceu com sua sobrinha-neta. Sobre a morte terrível de Caradoc, o nascimento do filho de Caspiana e Lud, que depois de se tornar um lobisomem, foi dado como morto pela família. Por fim, Sirius contou sobre como eles se reencontraram e fugiram dos Greengrass para protegerem o filho e a sobrinha que nasceu sem magia.

— Malditos! — Sr. Dearborn se levantou e caminhou pelo escritório tirando energia do ódio que sentia. — Todos eles, malditos!

— Acalme-se, Livius, a última coisa que Caspiana quer é que você tenha um mal súbito. — Áquila se levantou e conduziu o homem mais velho de volta a poltrona. — Eu, melhor do que ninguém, sei o que você está sentindo, mas você não deve fazer nada precipitado que coloque a sua vida ou de Caspiana e sua família em risco.

— Porque... — Ele parou tentando controlar a raiva que sentia e respirou fundo. — Porque minha neta não me procurou quando deixou o seu cativeiro? Eu estava ansioso por notícias dela e de seu irmão, e poderia tê-la tirado do país facilmente com seu filho. Poderíamos ter buscado justiça! Denunciado o que aqueles dois monstros lhe fizeram e a Caradoc!

— Sr. Dearborn, eu não posso absolutamente responder por sua neta, mas ela passou quase dois anos sendo estuprada por esses monstros e teve a vida do filho ameaçada constantemente. — Sirius disse pausadamente. — Quando escapou, depois de matar Selwyn, não consigo imaginar que Caspiana tinha forças para buscar justiça ou vingança, isso sem falar no constrangimento que seria todos saberem o que ela passou. Havia também os riscos que os Selwyn buscassem vingança e seu primeiro instinto seria proteger seu filho.

— Caspy me conhece e sabe que eu não conseguiria controlar o meu desejo por justiça. Caradoc merece que as pessoas saibam o que lhe aconteceu! — Ele enxugou as lagrimas do rosto com o lenço.

— Ela planejava procura-lo, tenho certeza, assim que estivesse em um lugar seguro e com a mentira da morte do Lud, Caspiana acreditou que o neto comoveria o velho Greengrass. — Sr. Boot disse gentilmente.

— Mas então, ela descobriu sobre Lud e eles foram obrigados a fugir. — Sr. Dearborn acenou entendendo. — Ela estava me protegendo, essa doce menina. Eu entendo, sabe, porque me procurar teria alertado os Selwyn e os Greengrass, aposto que eles me vigiaram de perto para tentar encontrá-la. Malditos! — Sr. Dearborn apertou o punho em fúria. — Quando poderei vê-la? E sua família?

— Marcaremos um encontro para o mais breve possível, Livius, e Caspiana poderá responder a quaisquer outras perguntas que você tem. — Sr. Boot disse sem mencionar Stronghold ou a Matilha dos Guardiões.

A decisão de não contar para os membros do Partido dos Justos sobre a ilha e a união das matilhas, foi unânime. Isso porque, apesar do Tratado que todos assinariam naquela noite, eles não sentiam ser o certo confiarem a vida de todos os lobisomens nas mãos de tantos bruxos desconhecidos. Durante a reunião daquela noite, eles apresentariam a verdade sobre Voldemort e se o grupo se mostrasse aberto a acreditar e não disposto a jogar o Harry aos leões, bem, então Stronghold poderia se tornar conhecido por todos.

— Muito bem. — Ele se levantou parecendo estranhamente mais velho e seu rosto enrugado apresentava algumas rugas a mais do que horas antes. — Estou tão feliz que Caspiana está viva, mas não consigo me concentrar na boa notícia, eu apenas... — Sr. Dearborn apertou a bengala com força ao olhar para Sirius e Áquila. — Vocês podem não concordar com isso, mas não me esquecerei do que eles fizeram com meus netos, com a minha família! Eu cobrarei essa dívida com sangue! Mesmo que seja o último que farei nesta vida, eu os farei pagar! Todos eles! Os Greengrass! Os Lestrange! Os Selwyn! Amaldiçoarei suas famílias, destruirei cada um deles até que seus nomes sejam apenas pó jogado ao vento!

— Não o recriminarei por se sentir assim, Livius, pois sinto o mesmo desejo em relação ao assassino da minha filha, mas se vingar em inocentes não o tornará muito melhor do que esses monstros. — Sr. Boot disse severamente.

— No entanto, existe muito o que podemos fazer contra essas três famílias, não apenas por vingança, mas para permitir que Caspiana e sua família possam ser livres e seguros. — Sirius disse. — Não lhe diremos como agir, Sr. Dearborn, mas se concordar com essa estratégia, pode contar conosco.

Sr. Dearborn o encarou pensativamente e depois acenou, se apoiando em sua bengala e parecendo aliviado ao perceber que não estava sozinho.

— Temos um acordo, senhores. — Ele finalizou a conversa.

Um pouco mais tarde, os Justos começaram a chegar e desta vez, Flitwick conseguiu comparecer. Eles se reuniram em uma gigantesca mesa, magicamente ampliada e com mais de 50 cadeiras.

— Já ouvi por todos os lados que o seu discurso de ontem foi impactante e inspirador, Sirius. — Flitwick disse com um sorriso divertido. — Parabéns.

— Nunca imaginei que o meu nome e a palavra discurso estariam na mesma frase algum dia, professor, assim não sei se parabéns é a palavra certa. — Sirius disse entre divertido e envergonhado.

— Serafina me contou que um grande número de bruxos se filiaram ao Partido e que foram as suas palavras que geraram essa reação tão positiva, assim, acho que cumprimentá-lo é o correto. — Flitwick disse. — No entanto, eu compreendo que duvide de si mesmo, nunca sabemos se somos bons em algo até tentarmos e tenho certeza que você nunca tentou ser político em sua vida.

— Essa realmente não era uma qualidade da minha juventude. — Sirius disse e os dois riram. — Está tudo certo para a nossa partida?

— Sim, consegui uma folga para amanhã, Dumbledore não fez muitas perguntas e eu disse apenas que precisava visitar um amigo no continente urgentemente. — O professor respondeu. — Devemos estar de volta no domingo à tarde, a tempo para a reunião com o Harry.

— Harry me disse o que aconteceu e nem sei o que pensar. — Sirius disse. — Apenas que um certo Lord não está com muita sorte.

— Sirius, todos já estão aqui. — Serafina disse e Sirius acenou antes de se encaminhar para a cabeceira da mesa.

Hoje haviam apenas bruxos e apenas os novos integrantes do Partido dos Justos. E Sirius sabia que apesar da vitória na noite anterior, esse era o momento decisivo.

— Boa noite a todos. — Sirius disse e sorriu ao cumprimentá-los.

Um coro de sorrisos veio em sua direção, mas Sirius suspirou e ergueu um pergaminho.

— Infelizmente não começaremos nossa reunião com palavras bonitas, histórias ou amenidades. Temos muito o que fazer, por isso iremos direto ao ponto e a primeira coisa a se dizer é que além de se filiarem ao Partido, todos terão que assinar um contrato mágico de comprometimento, lealdade e confidencialidade.

— Não fizemos isso ao assinar o contrato de filiação? — Perguntou Daniel. — No momento em que assinamos, todos comprometemos nossa fidelidade e lealdade ao Partido dos Justos e, automaticamente deixamos de ser membros de outros partidos em que alguns de nós estávamos filiados.

— O contrato de filiação não é suficiente, não para o que lhes contarei, não para o que lhes mostrarei, não para o que conversaremos e muito menos para o que faremos no futuro. — Sirius disse com firmeza. — Esse não é um contrato comum, é chamado de Tratado de Faraó... — Houve muitos sussurros e expressões de choque. — É bom que alguns saibam do que se trata, mas Serafina explicará para todos exatamente o que isso é.

Serafina passou mais de 15 minutos explicando tudo em detalhes e respondendo a algumas perguntas, até que todos se colocaram em silêncio.

— Isso é realmente necessário? — Mellie Fancourt perguntou preocupada.

— Sim. — Sirius respondeu contundente. — Eu não posso explicar o porquê, mas depois que todos assinarem, vocês entenderão.

— O texto do Tratado é bem claro e simples, e vocês sabem as consequências mágicas de quebrá-lo. — Sr. Boot tomou a palavra. — Muitos aqui são advogados, juízes ou intelectuais, portanto devem ler o contrato com calma, tomem o tempo que quiserem para fazer mais perguntas e tomarem uma decisão. Não há pressa e quem não se sentir confortável pode partir, pensar e assinar outro dia.

— Caso alguém decida deixar o Partido, nós também entendemos, mas espero que vocês compreendam que as vidas de muitas pessoas estão em jogo e sob a nossa responsabilidade, por isso somos tão cuidadosos. — Sirius encerrou e houve muitos acenos confusos ou surpresos.

O Tratado foi lido em voz alta por Ernest Murray, mais perguntas foram feitas, respondidas e, por fim, Don Tremlett suspirou antes de dizer.

— Olha, cara, eu nunca pensei em me envolver com política na minha vida, mas eu me filiei ao Partido porque confiei em você e em seu propósito, assim, não me importo de assinar esse Tratado, principalmente se você está dizendo que ele é necessário e importante. — Depois, ele se levantou, pegou a Pena da Verdade, mergulhou na Tinta de Deusa e assinou no Pergaminho da Pureza. — Feito. — Ele disse com um grande sorriso e entregou a pena para Gwen, que entregou para Meg e assim, cada um dos presentes, incluindo os Boots, Flitwick, Remus e Sirius assinaram.

— Até você assinará? — Lief Beamish perguntou surpreso.

— Todos devemos nos sentir seguros e confiar uns nos outros. — Sirius disse. — Entendam, somos mais do que um partido político e espero que aceitem que se mudarem de ideia e decidirem não fazer parte disso, precisarão manter em segredo tudo o que ouvirem. — Ele se levantou. — O Tratado não nos protege apenas agora, ele será importante no futuro, pois não poderemos ter espiões entre nós em meio à guerra.

— Guerra?

— Que guerra?

— Você está planejando uma guerra?

As perguntas e sussurros se espalharam e alguns pareciam chocados ou apavorados, outros bem confusos.

— Eu não, mas Voldemort está. — Sirius disse e o nome fez quase todos gritarem, gemerem ou se encolherem.

— Merlin, você é tão ruim nisso como o Harry. — Falc suspirou exasperado.

— Ele está certo, não tem jeito fácil de contar. — Sirius encarou os rostos pálidos. — Voldemort está vivo e tentando recuperar o seu poder...

— O que!?

— Como!?

— Vivo!?

— Que absurdo é esse!?

— Quietos! Por favor. — Sirius pediu levantando a voz levemente. — Eu não tentarei convencê-los, apenas mostrarei as provas e vocês entenderão porque o Tratado era necessário. Falc? — Ele sinalizou para o amigo que caminhou até a penseira que estava sobre uma mesa lateral. — Falc irá projetar a lembrança na parede, assim não precisamos entrar na penseira. Vocês perceberão que alguns trechos da memória foram cortados, isso acontece porque o dono dessa lembrança não quer que alguns assuntos pessoais sejam de conhecimento de muitos, principalmente de estranhos. Mas todos poderão verificar a veracidade da memória depois se assim quiserem.

— De quem é a memória? — Perguntou Tonks curiosa.

— Do meu afilhado, Harry Potter. — Sirius respondeu suavemente.

Isso fez todo se calarem e olharem surpresos ou assustados para a parede, onde uma grande câmara subterrânea apareceu. Nela havia um espelho de pé, grande e com moldura de ouro, além de um homem com um turbante roxo. Alguns segundos depois, Harry Potter apareceu, parecendo muito frio e concentrado. Apesar de ser sua lembrança, a penseira permitia ao expectador ver tudo o que o Harry via na sala, o que incluía ele mesmo, algo que só a magia poderia explicar.

Alguns minutos depois que a conversa entre o Harry e Quirrell se desenrolou, os membros do Conselho de Governadores se moveram incomodados.

— Então, a explicação que nos deram sobre a morte de Quirrell não era verdadeira. — Mellie disse e Dearborn também parecia irritado.

— Não poderíamos dizer a verdade com a presença de comensais da morte a mesa, Sra. Fancourt. — Falc disse serenamente. — Tudo o que não precisamos é que eles descubram que seu mestre está vivo.

— Ainda não acredito nisso. — Disse o Sr. Toots. — Tenho certeza que o Ministério saberia se isso fosse verdade e nos contaria.

— Sim, assim como eles sabiam sobre mim e Crouch. — Sirius disse ironicamente. — Ou talvez, como Fudge planejava abafar tudo e só concordou com a declaração para a imprensa porque eu condicionei isso a abrir mão de parte dos lucros dos negócios Blacks que o Ministério se apropriou enquanto eu estava em Azkaban.

Isso calou a todos e houve muitos que franziram os cenhos para as novas informações. O silêncio levou a penseira a continuar de onde a cena tinha sido parada quando a primeira palavra foi dita. Durante mais alguns minutos nada foi dito, até que Andy não se conteve.

— A Pedra Filosofal estava realmente em Hogwarts? E porquê? — Ela espelhou a confusão de muitos dos presentes.

— Deduzimos que Dumbledore queria atrair Voldemort, pois a pedra o ajudaria a recuperar seu corpo, mas acho que foi impossível controlar a situação. — Serafina disse sem acrescentar os testes que o diretor planejava para o Harry por causa da profecia. Harry insistira que não queria que a existência da profecia se espalhasse.

— Impossível? O diretor foi atraído facilmente para fora de Hogwarts, mesmo sabendo que havia um ladrão tentando pegar a pedra que ele usou como isca! — Callistus Moon disse indignado. — Isso não foi falta de controle, isso foi pura negligência.

Todos a mesa, acenaram concordando com a observação.

— Eu concordo, mas depois responderemos a mais perguntas, por hora, vamos assistir, assim todos saberão o que sabemos. — Sr. Boot propôs e eles assistiram por mais um tempo.

— Desculpe interromper, mas tenho que dizer que o Sr. Potter é incrivelmente inteligente. — Disse o Sr. Patil. — Ele se mantém frio, calmo, faz o homem falar e direciona a arena a seu favor.

— Arena? — Perguntou Cecilia MacMillan aflita com a cena, ela já sabia a verdade do que acontecera, mas nunca tinha assistido a luta.

— Sim, é claro perceber que em breve eles duelarão, dá para sentir na postura dos corpos, nas palavras, na tensão do ambiente. — Sr. Patil disse olhando para a cena paralisada com os olhos brilhando.

— O senhor é um duelista? — Flitwick perguntou curioso.

— Sim. Fui campeão na Índia em 3 ocasiões. — Sr. Patil respondeu com orgulho.

O silêncio depois dessa intervenção os levou para a primeira vez em que ouviram a voz de Voldemort.

"Chega... Ele está ganhando tempo... Seu tolo... Consiga a Pedra... — Disse uma voz fria de pesadelos que parecia vir do próprio Quirrell. "

— O que raios foi isso? — Meg perguntou ficando pálida e apertando o braço do pai, Daniel, com força.

— Voldemort. — Sirius respondeu serenamente.

— Ele está lá? Como? — Perguntou Tonks de olhos arregalados.

— Assistam. — Sirius disse simplesmente.

Mais alguns minutos e eles ouviram como Harry incentivava o Quirrell a falar sobre a sua história e como ele tentava se mover e se posicionar, até que...

"Potter! Afaste-se, eu já disse! — E levantou a varinha, mas a voz soou outra vez.

Não... Use-o.… use o menino para pegar a Pedra...

Não estou interessado em ser usado para te ajudar Voldemort. E por que não aparece? Acredito que já conversei com seu capacho o suficiente. — Disse Harry resolutamente. "

— Oh, meu Deus... — Sussurrou Arnold Abbot meio chocado, meio apavorado. — Ele está vivo...

Mas alguns ainda olhavam para a cena incrédulos e pareciam não querer acreditar. No entanto, quando Quirrell tirou o turbante e se virou, engasgos de enjoo soaram pela sala e nenhum rosto deixou de ficar pálido e enojado. Mas ninguém falou nada, pois estavam paralisados de horror.

"Harry Potter... — falou Voldemort. "

Harry apertava com firmeza a varinha e se mantinha calmo para a surpresa dos espectadores.

"Está vendo no que me transformei? — Disse Voldemort. — Apenas uma sombra vaporosa... Só tenho forma quando posso compartir o corpo de alguém..., mas sempre houve gente disposta a me deixar entrar no seu coração e na sua mente... O sangue do unicórnio me fortaleceria nessas últimas semanas... meu servo fiel Quirrell esteve bebendo-o por mim na floresta..., mas alguém nos impediu em nossa última caça e tivemos que adiantar o roubo da Pedra…, mas uma vez que eu tenha o elixir da vida, poderei criar um corpo só meu... Agora... por que você não é um bom menino e me ajuda a consegui-la?

E porque eu faria isso? Por pena do seu estado? Talvez em agradecimento por ter assassinado meus pais? "

Harry mostrava uma fúria fria, mas se mantinha estranhamente calmo.

— Merlin, ele o enfrenta... — Sr. Toots estava encolhido na cadeira e parecia querer correr para longe.

— O garoto tem coragem. — Disse Lief encarando com admiração a cena.

— E é muito frio, inteligente... — Disse Anton. — Não entendo como ele não está na Slytherin.

— Ele disse ao chapéu que queria fazer amigos. — Sirius respondeu com um sorriso orgulhoso. — Obviamente a melhor opção era a Ravenclaw.

— Na Hufflepuff ele teria muitos amigos leais! — Disse Tonks trocando um sorriso com seu pai.

— E com toda essa coragem e bravura, ele seria um brilhante Gryffindor. — Disse Ernest Murray.

— Ele seria brilhante em qualquer casa, mas acredito que a minha casa é o lugar perfeito para o Harry, pois ele precisava de incentivo para desenvolver o seu brilhantismo. — Flitwick disse. — Nós o incentivamos a lutar para alcançar todo o seu potencial e ele precisava disso, Harry precisava acreditar em si mesmo.

Houve muitos acenos e o silêncio liberou a cena que se moveu adiante.

"Não seja tolo — rosnou o rosto. — É melhor salvar sua vida e se unir a mim... ou vai ter o mesmo fim dos seus pais... Eles morreram suplicando piedade..."

Para o choque dos que assistiam, Harry riu levemente e se moveu parecendo buscar uma posição específica, o que fez todos concluírem que ele tinha um plano. Quirrell e Voldemort se moveram também, mas pareciam distraídos.

— Harry planeja algo. — Disse Tonks se inclinando para frente tentado entender o seu plano.

— Se esse é você-sabe-quem, como o menino pode rir assim, sem mais? — Mellie disse horrorizada com o que via.

— Harry é diferente. — Disse Edgar não escondendo a admiração por seu chefe.

Isso é o melhor que você tem para me provocar? Uma óbvia mentira sobre meus pais? Patético.

O rosto apavorante e malvado de Voldemort sorriu e o Sr. Toots gemeu de pavor.

— Ele acabou de chamar você-sabe-quem de "patético"? — Sussurrou Gwen assombrada.

— Não pode ser ele... — Sussurrou Dearborn. — Como isso é possível?

— Você está assistindo o mesmo que todos nós e ainda tem dúvidas, Livius? — Perguntou o Sr. Boot exasperado.

— Mas como ele pode estar vivo? — O idoso questionou.

— Boa pergunta. — Sirius disse. — A lembrança não tem essa informação, mas supomos que Voldemort usou de magia negra.

Todos acenaram considerando a suposição razoável e a lembrança continuou.

"Que interessante... — sibilou. — Sempre dei valor à inteligência e coragem... E você parece ter eles de sobra, herdados de seus pais... É, menino, seus pais foram corajosos... Matei seu pai primeiro e ele me enfrentou com coragem..., mas sua mãe não precisava ter morrido... estava tentando protegê-lo... Me ajude e deixarei que viva, a não ser que queira que sua morte tenha sido em vão...

Harry se deteve por um segundo, mas depois sorriu e acenou negativamente.

Mais mentiras, é assim que consegue servos tão fieis? Com mentiras e ameaças e eles são tolos em segui-lo? Ah, mas eles o abandonaram, então talvez tenham percebido que você não era mais que uma fraude com palavras doces. — Disse Harry provocativamente. — Afinal um bebê de 15 meses o derrotou...

Garoto tolo... Acha que tem alguma chance contra Voldemort... Você nunca me derrotou... sua mãe, poderosa e talentosa... eu a teria deixado viver por isso, apesar de seu sangue imundo... Ela se recusou a se afastar e então eu a matei... Em frente ao seu berço e você tão patético não pode me impedir…, mas seu sacrifício criou uma proteção, magia antiga... Eu fui tolo, não previ isso... Quando virei minha varinha para você a maldição ricocheteou e destruiu meu corpo... Dor foi tudo o que senti desde então... Até que o fiel Quirrell me encontrou... Ele será grandemente recompensado por seus serviços…"

Todos a mesa, se mostraram assombrados e olharam para o Sirius.

— Foi por isso que ele foi vencido? — Andy estava emocionada e com os olhos cheios de lágrimas. — Lily sacrificou a própria vida para salvar o seu bebê e criou essa proteção mágica?

Sirius apenas acenou afirmativamente.

— Mas não foi isso que o menino disse no Profeta... — Sr. Toots tentou dizer, mas foi interrompido.

— O menino seria muito idiota em falar a verdade para todos saberem, Toots, ou você se esqueceu que os comensais da morte também leem o jornal? — Lief disse ironicamente. — Ele fez certo, disse uma meia verdade e conseguiu que soubéssemos que foram os seus pais que mataram... quer dizer, destruíram o corpo de você-sabe-quem, ao mesmo tempo em que protegeu a informação mais importante.

— Dumbledore teme que ao saberem sobre a proteção, seus seguidores poderiam usar esse conhecimento para trazer Voldemort de volta. — Sirius acrescentou.

— Isso é possível? Sem a pedra filosofal? — Ted perguntou. — Porque o Harry deve tê-lo impedido de roubá-la ou já estaríamos em guerra.

— Se ele sobreviveu com magia negra é justo supormos que Voldemort poderia recuperar o seu corpo da mesma maneira. — Serafina apontou.

— Eu gostaria de entender porque Voldemort tentou matar o bebê Harry. — Apontou a Sra. Clark angustiada. — Pelo que essa... coisa disse, Lily poderia ter se afastado do berço e sobrevivido... Como se alguma mãe fizesse tal escolha... — Ela olhou para o Sirius. — Porque Harry era o alvo?

Todos ficaram em silêncio ao perceberem que essa era uma questão ainda não respondida, além de absolutamente surpreendente.

— Nós sabemos e o Harry descobriu neste momento, mas ele não quer que estranhos saibam sobre isso. — Serafina disse suavemente. — É um peso doloroso que ele carrega em seus ombros e, enquanto parte dele sabe que não foi sua culpa...

— Ele ainda se culpado pela morte dos pais... — Sussurrou Diane tristemente.

— Não é uma questão de confiança, afinal vocês assinaram o Tratado. O Harry apenas quer manter essa verdade entre a família e amigos mais próximos, pelo menos até que o momento em que será absolutamente necessário que todos saibam. — Falc encerrou a explicação e houve muitos acenos de aceitação, outros ficaram muito curiosos ou incomodados, mas nada disseram.

— Eu gostaria de ver como o menino impediu que você-sabe-quem roubasse a pedra. — Disse Daniel mudando de assunto.

Isso levou a acenos e ao silêncio, que fez a cena prosseguir.

"Por sua servidão você quer dizer, já entendi que você quer servos, escravos e pelo que soube estava muito perto de vencer a guerra a quase 11 anos. E de repente decidiu matar um bebê e perseguiu meus pais obsessivamente até encontrá-los por isso? E quer que eu acredite nisso? — Harry se mantinha muito frio. — Acho que você estava com medo dos meus pais, eles eram poderosos, mais jovens que você e poderiam vencê-lo, cedo ou tarde. Não foi? Você percebeu que eles eram mais poderosos e agora inventa essa história para não admitir aos seus escravos que seu mestre é fraco.

Nesse momento houve uma pausa e a imagem acelerou se tornando nebulosa até se mover normalmente outra vez e mostrou um Harry tenso, com a varinha erguida e pronto para duelar.

Acha que o temo menino... Vou destruí-lo e expor seu corpo para todos saberem que ninguém pode derrotar Voldemort...

Então lute!

Houve mais um segundo de nebulosidade e então...

Voldemort apareceu se virando para que Quirrell pudesse usar a varinha e lutar contra o Harry. Depois disso, tudo aconteceu muito rápido e ninguém teve a oportunidade de expressar o choque pela ousadia do Harry em chamar Voldemort para a luta.

"Accio Quirrell! "

Harry gritou e, no momento seguinte, o homem, a poucos metros de distância, ainda meio de lado, voou em sua direção e, Harry, posicionado em frente ao espelho, se afastou levemente deixando o corpo passar por ele e um barulho ensurdecedor sooudo encontro do professor com o espelho.

Todos observaram enquanto Quirrell e o espelho voavam vários metros à frente, até atingir o chão e rolar mais alguns metros pela força do feitiço. Mas Harry não tinha terminado e, murmurando um "Wingardium Leviosa", fez o espelho flutuar alguns centímetros do chão.

Enquanto isso, meio trôpego, Quirrell se levantou do chão com alguns arranhões e as vestes bagunçadas, seu olhar era de profundo ódio. E não houve um na sala que não olhasse a cena de boca aberta, ao mesmo tempo em que se inclinavam torcendo por Harry.

"Você vai pagar por isso Potter, vou te matar bem devagar e dolorosamente. "

Quirrell disse ao dar alguns passos em direção ao Harry, que sorriu parecendo satisfeito.

"Que coincidência engraçada, eu estava pensando a mesma coisa. "

— Ele perdeu a cabeça...

Alguém disse baixinho, mas ninguém respondeu e a lembrança prosseguiu com o Harry movendo a varinha e a mão esquerda ao mesmo tempo. O espelho flutuou na altura do tronco de Quirrell e Harry gritou:

"Depulso! Depulso! "

Com assombro, eles viram o espelho bater em Quirrell com violência, e depois impulsioná-lo na direção da parede de pedra da câmara. Alguns saltaram de susto porque desta vez o estrondo foi ainda mais ensurdecedor quando o espelho se quebrou e, Harry, parecendo furioso e determinado, continuou a massacrar o homem e o espelho.

"Depulso! Reducto! "

Seus feitiços jogaram Quirrell e o espelho contra a parede de novo e de novo, até que o professor se mostrou aparentemente inconsciente e com cortes numerosos por toda parte do corpo, causados pelo espelho quebrado.E sua varinha estava no chão, ao seu lado e quebrada em vários pedaços.

— Merlin! — Alguém exclamou e sussurros se espalharam pela mesa onde todos estavam de olhos arregalados.

— Uau!

— Eu sabia que tinha um motivo para mim ter gostado desse garoto!

— Detona ele!

— Esse menino é brilhante!

— Foi assim que ele o venceu?

— Mas como Quirrell morreu?

— A lembrança ainda não acabou. — Disse Sirius ganhando a atenção de todos. — Essa parte é mais difícil, estejam preparados.

— Mais difícil do que saber que esse monstro está vivo? — Questionou Toots pálido. — Duvido muito.

Ninguém disse mais nada e a lembrança continuou. Harry se aproximou como se quisesse verificar se Quirrell estava morte, mas uma onda de energia mágica o jogou voando para trás e para o alto.

— Não! — Sra. Clark gritou parecendo querer entrar na memória e ajudar o Harry.

Todos a mesa se inclinaram para frente, alguns seguraram suas varinhas sentindo o mesmo impulso. Felizmente, Harry pousou no chão com força, mas sua magia deteve a força do impacto, mesmo que a todos ainda parecesse muito doloroso. Por alguns segundos, Harry ficou encarando o teto, sem fôlego e Quirrell caminhou de costas em sua direção, os olhos vermelhos e o rosto machucado por ter sido esmagado contra a parede o encaravam com fúria.

— Levante-se, Harry! — Lucy gritou angustiada ao ver o seu chefe em perigo. Isabella apertou a sua mão com força, mesmo que por dentro estivesse chocada por perceber que isso acontecera enquanto ainda estava em Hogwarts e ela não soubera de nada.

— Porque ninguém chegou para ajudá-lo ainda? — Sra. Clark questionou.

— E porque o Harry está tentando proteger a pedra? Mesmo sem Dumbledore, Hogwarts tem dezenas de professores capazes! — Exclamou Mellie furiosa.

— Explicaremos depois. — Sr. Boot prometeu e todos se silenciaram para assistir o que aconteceria.

"Você morrerá e depois matarei cada um de seus amigos...

Por favor, nós sabemos que quem vai morrer aqui não sou eu e nem você, mas seu patético servo. "

Harry interrompeu Voldemort enquanto se levantava parecendo estar com dor.

"Estou muito cansado e dolorido para ouvir seu discurso, e você, Voldemort é um grande egocêntrico para ouvir qualquer um, assim, te pouparei do meu. "

— Incrível! Ele não parece estar com medo! — Disse Lief olhando para Harry com franca admiração.

— Acho que ele perdeu a mente por falar assim com você-sabe-quem, muitos morreram por menos. — Disse Anton chocado com a coragem do Harry.

Houve acenos de concordância com a opinião dos dois homens.

A lembrança se moveu e mostrou Voldemort se detendo a dois passos do Harry e o encarar pensativamente antes de sorrir apreciativamente.

"Você está certo Harry Potter... Eu gosto de sua inteligência e coragem... Um dia será um poderoso bruxo como seus pais foram... Junte-se a mim e poderemos governar esse mundo de fracos, juntos….

— Que horror! Ele parece gostar do Harry... — Disse Diane enojada.

— Voldemort não gosta de ninguém, ele apenas usa as pessoas e propôs esse acordo porque percebeu que o Harry será um inimigo poderoso. — Remus disse encarando a imagem congelada com raiva.

Muitos acenaram concordando, mesmo que outros ainda se sentissem horrorizados com a visão do temido bruxo e a ideia de uma futura guerra.

"Agora que você me deu a informação de que tenho o poder de derrotá-lo? Por que me uniria a você? — Uma nebulosidade de segundos aconteceu antes que o Harry prosseguisse com um sorriso frio. — Você escolheu seu inimigo e seu futuro carrasco, Voldemort e eu vou adorar vê-lo gritar por misericórdia.

— O que?

— O menino tem o poder para derrotá-lo? — Perguntou Ernest espelhando a pergunta na mente de todos.

— Mais uma vez, Harry compartilhará o que Voldemort lhe disse quando se sentir pronto. — Sirius insistiu. — Não direi mais nada e cada um pode tirar suas próprias conclusões, desde que respeitem o Tratado e o tempo que o Harry pediu.

— Se isso for verdade, Voldemort cometeu um grande erro ao passar essa informação ao Harry. — Edgar disse sabendo que Harry Potter usaria qualquer migalha e transformaria em algo surpreendente.

— Voldemort foi arrogante, ele acreditou que o Harry não sairia vivo daquela câmara e quis se gabar, magoar o menino cujo os pais morreram para protegê-lo. — Sr. Boot disse pensativamente. — Foi um erro, mas a informação não trouxe muitas possibilidades por enquanto, apenas magoou muito o Harry. Ao mesmo tempo em que lhe encheu de determinação para vingar a morte dos pais e deter Voldemort quando ele retornar.

— Se vocês se acham determinados, ainda não conheceram o meu afilhado. — Sirius trocou um sorriso com os funcionários e sócios da GER, além dos Boots e Remus. — Acreditem, nada o deterá até que Voldemort lamente amargamente o dia em que decidiu matá-lo.

Muitos pareciam acreditar e ter esperança, enquanto outros se mostravam confusos, desconfiados, curiosos ou temerosos, mas ninguém fez mais perguntas.

"Garoto atrevido, vou..."

Gritos de susto soaram pela sala quando Quirrell se precipitou sobre o Harry e começou a estrangulá-lo. A tensão se redobrou e era possível ver muitos se movimentarem como se quisessem defender o Harry física e magicamente. Quirrell se mostrava consciente e possesso, mas assim que apertou o pescoço do Harry, ele soltou um grito aterrorizante.

— O que...? — Alguém exclamou abismado, mas outra pessoa pediu silêncio e a penseira continuou a projeção.

"Ahhhhhhhhh. Estão queimando, mestre, minhas mãos.

Mate-o... mate-o..."

Harry também gritou de dor ao ser jogado de costas e parecia perto de perder a consciência, mas nada preparou os espectadores para o momento em que Quirrell voltou a apertar a garganta do Harry e os dois gritaram juntos parecendo sentir imensa dor, ainda que o grito do Harry saísse abafado por causa do estrangulamento.

— Merlin!

— O que raios é isso? — Questionou Mac angustiado.

— A proteção. — Sirius disse suavemente e até ele estava pálido, apesar de já ter visto essa memória antes. — A proteção de Lily ainda o defende de Voldemort, por isso, esse monstro não é capaz de tocá-lo.

— Depois de todo esse tempo? — Sra. Clark questionou assombrada. — A proteção de Lily ainda age depois de 12 anos?

Sirius apenas acenou e todos se mostravam perplexo ou emocionados.

— Se você-sabe-quem não pode tocar o menino e, portanto, não pode matá-lo, talvez seja esse o poder que o Harry tem para derrotá-lo. — Especulou Dearborn.

— Sim, mas isso não explica porque você-sabe-quem tentou matar um bebê de 1 ano de idade. — Observou Daniel curioso.

— Saberemos mais quando conquistarmos a confiança do jovem Harry. — Edgar disse sabendo que o seu chefe lhes informaria quando estivesse pronto. — Eu não me importo de esperar até que ele se sinta pronto, enquanto isso, tudo é apenas especulação.

Ninguém poderia discordar disso e o silêncio levou a cena da lembrança a se mover.

"Minhas mãos mestre..."

Quirrell chorava e gritava pateticamente enquanto sua mão se queimava em carne viva por tocar na pele do Harry. Era algo assombroso e alguns desviaram o olhar quando o Harry percebeu o que acontecia e levou as suas mãos ao rosto do professor de Defesa, fazendo-o gritar ainda mais com as terríveis queimaduras. Mas o próprio Harry gritava de dor e parecia se esforçar para não desmaiar, ninguém questionou isso concentrados em saber como o menino se livraria da situação perigosa em que estava.

"Ahhh, mestre... Queima... Me ajude mestre...

A varinha... Pegue a varinha…"

A voz de Voldemort pareceu mais fraca, mas Quirrell ainda pegou a varinha do Harry do chão para atacá-lo. Felizmente, Harry conseguiu agarrar a mão de Quirrell queimando-o e desviando a ponta da varinha para a entrada da câmara. A disputa dos dois pela varinha durou alguns segundos quando o caos se fez presente. Um grupo de adolescentes entrou correndo e desceu as escadas chamando pelo Harry.

"Harry!

Harry, estamos aqui!

Solta ele! "

Os garotos tinham expressões ferozes e preocupadas e pareciam prontos para ajudar o Harry, no entanto, também era claro que eles se precipitaram ao alcance de serem atingidos, pois a varinha estava apontada em suas direções. Todos na sala perceberam o que aconteceria quando Quirrell abriu a boca e gritou:

"Confringo!

Aguamenti! "

O feitiço do Harry foi gritado ao mesmo tempo, mostrando que ele também percebeu o perigo e sua varinha lhe obedeceu soltando um jorro de água pela câmara.

— Garoto esperto! — Exclamou Don batendo palmas. — Agora acabe com ele!

E Harry fez exatamente isso ao segurar a mão de Quirrell com suas duas mãos e apontar para o pescoço do professor antes de gritar com grande intensidade.

"Confringo! "

E, quando a cabeça de Quirrell explodiu, enviando sangue, cérebro e crânio para todos os lados, os membros do Partido dos Justos gritaram, se engasgaram e se levantaram de suas cadeiras, horrorizados e chocados com a cena.

— Merlin!

— Minha nossa!

— Está no fim, por favor, silêncio. — Serafina pediu, pois, a cena tinha se paralisado na imagem do corpo de Quirrell sem a cabeça e caindo sobre o Harry.

Quando ela voltou a rodar, todos viram o Terry e o George tirarem o Harry de sob o corpo e Arthur empalideceu ainda mais ao perceber o perigo em que seus filhos estiveram.

Cambaleando, sujo de sangue e com um olhar aterrorizado pelo choque do que tinha acabado de fazer, Harry olhou freneticamente em volta procurando por algo e começou a murmurar urgentemente por sua varinha até que Fred a colocou em sua mão.

"Aqui.

Está tudo bem Harry, já acabou, Quirrell está morto. "

Penny disse isso com carinho e muitos dos que a conheciam puderam ver porque ela e Harry eram tão próximos. Ele a encarou confuso antes de acenar aterrorizado.

"Não, Quirrell está morto, mas Voldemort está aqui também, fiquem todos a postos, peguem suas varinhas. "

Apesar de suas palavras, apenas Terry, Neville e Hermione, os três mais jovens, o atenderam enquanto Penny, Fred e George o encaravam confusos e descrentes.

"Façam o que eu mandei. Agora! "

— Uau! Ele sabe dar ordens... — Sussurrou Daniel impressionado.

A imagem continuou e eles observaram quando um espectro deixava o corpo de Quirrell e parava em frente ao Harry, que se colocou protetor a frente dos amigos, mesmo que parecesse que desmaiaria a qualquer momento.

"Vá embora Voldemort! Você perdeu, mas hoje ainda não é o dia em que vou te matar.

Você pagará por isso Harry Potter... Aguarde, retornarei e destruirei tudo o que ama... O farei temer e respeitar Voldemort...

A ameaça apavorou todos a mesa que sabiam que isso era possível de acontecer, ao mesmo tempo em que não houve uma única pessoa que não olhou com admiração para o Harry, que se manteve corajosamente a frente dos amigos e disse com firmeza:

"Vá embora. "

Suspiros de alívio ecoaram pela sala quando o espectro desapareceu e, preocupados, eles observaram Harry cambalear e ser apoiado pelos amigos.

"Tudo bem, estou bem, apenas muito cansado, acho que vou desmaiar. — Sussurrou Harry parecendo estar em choque.

Vamos te levar daqui, vamos te levar para Madame Pomfrey. — Terry disse com voz embargada.

Sim, Harry, você vai ficar bem, estamos aqui, desculpa não entrarmos antes. — Uma chorosa Hermione acrescentou antes de todos ouvirem a voz de Dumbledore chamando urgentemente e então a memória acabou.

O silêncio na sala era estrondoso e as emoções eram intensas. Aterrorizados, enojados, pálidos, furiosos, apavorados, angustiados, desconfiados, a miríade de sentimentos era visível nas expressões de cada um.

— Antes de prosseguirmos e respondermos as perguntas, quero dizer que se alguém não quer estar aqui, acreditar, participar e saber sobre tudo isso, essa é a hora de partirem. — Sirius disse suavemente. — O Tratado os impedem de falarem sobre isso tudo, de nos traírem, mas não os obriga a ficarem.

— Como alguém pode partir quando sabemos que aquele monstro está vivo!? — Callistus disse angustiado. — Eu perdi muito na última guerra e se vocês têm um plano para acabar com aquele desgraçado, eu com certeza quero saber e ajudar!

Houve muitos acenos e exclamações de apoio, mas ainda havia alguns com expressões duvidosas ou aterrorizadas.

— Alguém não se sente assim? — Sirius pressionou.

— Teremos que lutar? Na guerra? — Perguntou o Sr. Toots encolhido na cadeira.

— É claro que não. — Sirius disse com firmeza, pois esse grupo não era a Equipe Pegasus. — Nós não somos um exército ou algo do tipo, mas somos aqueles com o poder de lutar politicamente e que tem o conhecimento do que enfrentaremos com o retorno de Voldemort. Não agirmos seria um erro covarde, mas é claro que não espero que qualquer um de vocês se envolvam em batalhas mágicas.

— Isso não quer dizer que vocês não precisem estar preparados. — Remus acrescentou. — Reforcem suas alas, preparem casas seguras, voltem a treinar Defesa Contra as Artes Trevas, ensinem seus filhos a se defenderem. Não sabemos em que momento a guerra recomeçará, mas podemos ter a certeza de que eles estarão envolvidos de alguma maneira e em grande perigo.

— Eu já decidi tirar minha esposa e filhos do país quando isso acontecer. — Anton disse apertando a mão de Lorie. — Quero ajudar o nosso Partido, mas não colocarei minha família em risco.

— Eu farei o mesmo. — Sr. Patil disse tensamente. — Mas ficarei para ajudar.

— Mesmo assim, aconselho que se preparem, pois não há como saber quando o primeiro ataque acontecerá ou onde será. — Sr. Boot disse sabiamente. — Voldemort pode retornar e manter o perfil baixo, como na primeira guerra quando agiu silenciosamente em seu "recrutamento" até que não sabíamos mais em quem confiar.

— Por isso o Tratado. — Disse Isabella olhando em volta. — Assim nos sentimos seguros para confiar uns nos outros e não pararmos de agir quando ele voltar.

— E o que faremos exatamente? Como nos preparamos para uma guerra? — Don questionou confuso.

— Antes disso, vocês poderiam nos contar o que levou a esses eventos? Porque o Sr. Potter foi obrigado a lutar contra aquela coisa? — Mellie questionou irritada. — E porque não nos contou a verdade em particular, Áquila? Depois que Malfoy e seus amigos não estavam mais entre nós?

— Se fosse uma das suas netas, você contaria, Mellie? — Sr. Boot disse abrindo as mãos. — Dumbledore decidiu esconder a verdade para proteger o Harry, pois revelar o que Quirrell fez e o fato de que Voldemort está vivo, exigiria mostrar provas concretas, algo que levaria com que todos soubessem o que Harry se viu obrigado a fazer em legítima defesa.

— Nós também decidimos proteger o Harry, pois não confiamos que alguém como Fudge não usaria o que aconteceu contra o meu afilhado. — Sirius disse. — Decidimos que contaríamos a verdade para aqueles que sentíssemos que acreditariam em nós, como os Davis, que são amigos dos Boots há muito tempo.

— Se tivéssemos tentado contar para vocês sem a memória, vocês não acreditariam e não poderíamos mostrar a lembrança sem a garantia de que o Harry não seria prejudicado. — Sr. Boot encerrou a explicação.

— Bem... — Mellie ainda parecia zangada, mas também não tinha argumentos.

— Eles estão certos, Mellie, jamais acreditaríamos sem provas e eu concordo totalmente que vocês protejam esse menino. — Sr. Toots disse. — Ele é admirável e não merece ser punido por agir com tanta coragem.

— Ok! Eu concordo, mas onde estavam os outros professores? — Ela perguntou enérgica.

Sirius, Flitwick e Serafina descreveram os eventos que levaram Harry e os amigos até aquele momento.

— Incrível! — Arthur disse. — George e Fred não me contaram nada, mas quando me disseram que se tornaram amigos do Harry, confesso que fiquei confuso já que estão em anos e casas diferentes.

— Eu não entendo as ações de Dumbledore ou da professora McGonagall. — Disse Ernest. — Ele colocou a Pedra Filosofal em uma escola cheia de crianças, protegida por um Cerberus e outras armadilhas perigosas. Tudo isso para atrair Voldemort! Nem por um segundo ele pensou que colocaria as crianças em risco?

— Vocês do Conselho não sabiam nada sobre isso? — Questionou Lief e Mellie, Toots e Dearborn negaram.

— Jamais concordaríamos com algo assim e me faz pensar se Albus merece ser vigiado com mais atenção. — Disse Dearborn.

— Ou substituído. — Toots acrescentou.

— Não é nossa intenção perseguir ninguém, mesmo em relação a Fudge, o nosso objetivo é vencê-lo na eleição. — Sirius apontou. — E não se esqueçam quão poderoso politicamente Dumbledore é, isso mantem cobras como Malfoy longe de Hogwarts.

— E quando Voldemort voltar, Dumbledore precisa estar lá para proteger a escola e os alunos. — Serafina disse. — Isso tudo que aconteceu não altera o fato de que ele é um bruxo poderoso e de que precisamos dele, assim, demiti-lo não parece o caminho mais inteligente.

— Pelo menos por agora, eu também acredito nisso, mas concordo que devemos ficar atentos ao diretor e suas ações. — Sr. Boot disse e o grupo acenou concordando.

— E sobre McGonagall? — Questionou Gwen chateada. — Eu sempre a achei uma chefe de casa negligente, para dizer o mínimo, mas abandonar as crianças assim foi... cruel.

— Ela seguiu ordens de Dumbledore e enquanto achamos que suas ações foram um erro, não podemos puni-la quando aquele que lhe deu as ordens não sofrerá nenhuma punição. — Serafina disse. — No entanto, McGonagall deixou voluntariamente a chefia da Casa Gryffindor e tem se concentrado apenas em dar aulas e ser a vice-diretora, algo que com a nova secretária que contratamos, acredito que ela fará melhor.

— Além da secretária para ajudar o diretor e a vice-diretora, teremos assistentes para os professores a partir de setembro. Trocamos o antigo zelador por dois zeladores bruxos, teremos mais algumas aulas e o acréscimo do número de professores e Madame Pomfrey ganhará uma colega curandeira e uma medibruxa para assessorá-la. — Compartilhou Cecilia com todos. — Nós acreditamos que todos esses novos adultos ajudarão a cuidar e proteger melhor as crianças.

— Foi por isso que criamos a AP, depois que vimos essa memória e pensamos em quantas coisas poderiam ter dado errado. — Serafina disse apertando as mãos. — Não gosto nem de pensar, mas temos que aceitar que, como pais e avós, temos o direito e dever de participar da vida escolar dos nossos filhos. Não fazermos isso nos faria tão negligentes quanto Dumbledore e McGonagall.

— Bem, mas se não podemos contar a mundo mágico que Voldemort voltou, como podemos nos preparar para a guerra ou impedir que ela aconteça? — Perguntou Arthur preocupado.

— Impedi-la é muito improvável, mas podemos nos preparar. — Sirius respondeu. — Como eu disse ontem, desde que Voldemort desapareceu, o nosso mundo continua o mesmo, como se todas aquelas mortes e o terror que passamos fosse empurrado para debaixo do tapete e esquecidos. As nossas leis, o Ministério, a nossa sociedade continuam os mesmos e foram eles que tornaram possível que Voldemort quase vencesse e se tornassem o ditador do nosso mundo. Imaginem isso, aquele monstro controlando cada um de nós, nossas escolhas e modo de vida.

— Os nascidos trouxas jamais pisariam em Hogwarts. — Disse Arnold Abbot triste. — Seriamos perseguidos, abandonados ou pior.

— Os trouxas voltariam a ser caçados e mortos, o Estatuto de Sigilo estaria ameaçado e poderíamos ter nosso mundo destruído pelas forças estrangeiras. — Disse Tonks ansiosa.

— Os seres mágicos seriam perseguidos, usados, torturados e mortos. — Disse Fiona apertando a mão no peito.

— E se Voldemort voltasse hoje, encontraria um mundo perfeito para continuar de onde parou. — Sirius disse. — Malfoy tem Fudge no bolso, praticamente o seu melhor amigo. As leis continuam terrivelmente injustas e discriminatórias e a sociedade mantem a estrutura hierárquica purista de séculos. Mas podemos lutar contra isso e nós já começamos. — Ele olhou para Edgar que acenou.

— Meu chefe não está presente e quer manter o anonimato, mas ele envia seu apoio incondicional e diz que a GER é o seu sonho de um mundo justo e igualitário. — Edgar disse formalmente e muitos o encararam espantados. — Nossa empresa tem a maior taxa de empregados de origem trouxa e pagamos um salário justo e equivalente ao cargo, não ao status de sangue. Temos como objetivo acelerar a nossa economia, trazer mais empregos, empreendedores e inventores para desenvolver o nosso mundo. Isso nos fará crescer, sair do obscurantismo tradicionalistas e tirar muitas pessoas da pobreza. Assim, desde já, o Partido dos Justos pode contar com o apoio e dedicação de todos da GER, incluindo o seu fundador.

— Uau... — Disse alguém impressionado.

— Isso quer dizer que todos os funcionários da GER serão membros do partido? — Perguntou Maria sentada ao lado do Remus.

— Não, isso é uma escolha pessoal de cada um e é por isso que tem apenas alguns dos funcionários aqui. — Disse Rebeca rapidamente. — O convite para participar foi feito, mas muitos não se interessam por política ou não tem tempo para se dedicarem a algo tão importante.

— O que Edgar quis dizer é que a GER ajudará a nossa causa com os seus planos econômicos e de inclusão. Contratando nascidos trouxas, meias raças, lobisomens e criando uma estrutura em que eles não sofrerão discriminações ou injustiças. — Sirius explicou. — E poderemos dizer para bruxos como Fawcett que eles não precisam de assistencialismo e sim de oportunidades iguais, acesso à educação mágica e básica.

Apesar dos muitos acenos de concordância, alguns pareciam céticos.

— Mas a contratação de lobisomens é contra a lei e dificilmente um empresário se arriscará para ajudá-los. — Apontou Daniel. — Não estou julgando o seu chefe, Sr. Schubert, mas boas intenções não são ações efetivas.

— Eu compreendo, mas mudar as leis não é o trabalho do meu chefe, Sr. McCormack, na verdade, como membro da Suprema Corte, esse trabalho é seu. — Edgar devolveu a cutucada com elegância. — Se fizer a sua parte, estaremos prontos para fazer a nossa.

— Mudar essa lei absurda deve ser uma prioridade. — Remus disse indignado. — Impedir que os lobisomens trabalhem, contribuam para a nossa sociedade e se mantenham dignamente é uma crueldade. Além disso, assistencialismo não é a resposta e fico feliz em saber que isso é algo que não temos que nos preocupar, pois os lobisomens terão empregos quando mudarmos as leis Anti-Lobisomem.

— Enquanto isso, não existe nenhuma lei que impeça que os lobisomens trabalhem no mundo trouxa. — Sirius disse. — Harry e eu estamos iniciando sociedade com a empresa de arquitetura e construção do Ian e do Mac. — Ele apontou para os dois homens que levantaram as mãos e sorriram. — Estamos ampliando a empresa, pretendemos operar em todo o Reino Unido e Irlanda, assim, precisaremos de centenas de novos funcionários.

— E vocês contratarão os lobisomens? — Lief parecia chocado, mas impressionado.

— Sim. — Mac respondeu com um grande sorriso. — Na verdade, a GER está nos ajudando com as contratações. — Ele apontou para Rebeca que sorriu. — A Divisão de Recursos Humanos deles está trabalhando incansavelmente nas entrevistas e seleção dos interessados, além de oferecer treinamento para algumas áreas como eletricidade, hidráulica, empreita, carpintaria, pintura e assim por diante.

— Como sabemos das pausas lunares, os lobisomens poderão trabalhar com tranquilidade e sem correrem o risco de serem demitidos, pois criaremos um cronograma especial para eles. — Ian acrescentou.

— Mas, e os funcionários trouxas da empresa? Como esconderão a magia deles se parte dos seus funcionários estarão de folga mensalmente na lua cheia? — Everald MacMillan se mostrou curioso.

— Simples, os funcionários trouxas contratados serão parentes de bruxos. — Sirius disse e muitos arregalaram os olhos. — Eles sabem sobre magia, sabem sobre os lobisomens e muitos precisam de trabalho, assim porque não os contratar?

— Isso é muito inteligente! — Disse Arthur animado. — Quantos lobisomens vocês contratarão?

— Muitos. — Rebeca disse. — Ainda não temos um número exato, porque a empresa está se estabelecendo com a nova sociedade.

— Semana que vem começa a campanha da Aliance Arquitetura e Construção. — Mac parecia empolgado. — Faremos uma grande festa formal de anúncio no Hilton Hotel, teremos a imprensa trouxa londrina e muitos convidados da alta sociedade e empresários. Obviamente vocês estão convidados, companheiros.

Os sussurros e sorrisos se espalharam pela sala com a ideia de uma festa de gala.

— Ok. Nada contra o que vocês estão fazendo, mas o que faremos para nos preparar para a guerra? Como detemos você-sabe-quem? — Questionou o Sr. Toots ansioso.

— Mas ajudar os lobisomens faz parte do movimento de luta contra Voldemort, Sr. Toots. — Sirius respondeu e se inclinou sobre a mesa. — Os lobisomens estão vulneráveis a serem recrutados e obrigados a servirem Voldemort, assim, quando os ajudamos, lhe damos oportunidades reais, sem falsas promessas, o exército de comensais da morte perde em números.

— Oh... — Sr. Toots arregalou os olhos surpreso e impressionado, assim como muitos outros na sala.

— Isso não quer dizer que não devemos lutar politicamente pela comunidade lobisomem, pois eles merecem ser parte da nossa sociedade e não mais viverem segregados, abandonados. — Serafina disse. — Empregos e um lar, é o que todos os bruxos do nosso mundo merecem, e os lobisomens são bruxos como nós.

— Quando uma empresa como a GER fortalece a nossa economia, quando abrimos as portas para os segregados e educamos os jovens contra os pensamentos puristas, estamos lutando contra Voldemort. — Falc disse. — Então temos a AP com seu trabalho em Hogwarts, temos mais empregos para os discriminados com a GER, a Aliance e as Fazendas Potters, portanto, agora é nosso dever buscarmos as mudanças das leis que defendem os puristas e seus pensamentos.

— Não temos a maioria na Suprema Corte. — Ernest apontou. — Somos quatro aqui, os Progressistas acabaram de perder dois dos seus, Daniel e Lief, e agora têm 13 membros na Corte. Os Conservadores perderam apenas a mim, mas ainda são a maioria, 27, mais do que suficiente para contestarem qualquer projeto de lei, mesmo que conseguíssemos o apoio dos Neutros.

— E nem todos os Neutros são realmente neutros. — Apontou Mellie. — Eu estive entre eles por muitos anos e posso lhes assegurar isso.

— Sabemos que James Redford não é tão sincero em sua neutralidade, assim como acreditamos que Joseph Fawcett, Doreen Wright, Tibério Ogden e Clovis McLaggen, todos do Partido Conservador, podem ser persuadidos a nos apoiar. — Sirius disse, o que provocou certa surpresa entre alguns.

— Meu irmão realmente ficou impressionado com tudo o que ouviu ontem. — Disse Caleb McLaggen, membro do Conselho de Governadores e pai do chato Cormack McLaggen. — Acho que ele quer conhecer vocês um pouco mais e observar suas propostas na Corte, mas não duvido que ele mude de Partido no futuro e é possível que Clovis vote a nosso favor sim.

— Ok, isso é bom, mas como vocês sabem tudo isso? — Daniel perguntou curioso. — Redford é muito discreto, mesmo eu não sabia com certeza sobre sua falsidade e os convites para participarmos do jantar de ontem foi incrivelmente certeiro, deixe-me dizer.

Isso provocou alguns sorrisos entre Sirius e os Boots que responderam ao mesmo tempo.

— Harry.

— Não entendo. — Lief disse franzindo o cenho. — Tão incrível como ele se mostrou naquela luta, não imagino como o menino saberia qual de nós estávamos mais abertos a mudarmos de partido.

— Ou nos filiarmos. — Disse Arthur curioso. — Particularmente nunca me mostrei interessado em me envolver com política e sei que outros aqui também se mostravam neutros. — Ele olhou para Meg, Don e Gwen, além de Maria e Zenira.

— Vocês precisam compreender que Harry é especial de muitas maneiras. — Serafina explicou. — Ele sabe que Voldemort voltará, sabe que teremos outra guerra e entende que o nosso mundo não está mais preparado para enfrentá-lo e vencê-lo do que estava naquela noite de Halloween. — Ela olhou em volta e viu o entendimento de cada um. — Harry nos instigou, inspirou e ajudou a iniciarmos a AP, as Fazendas e as Feiras Potters e o novo Partido.

— Além disso, Harry está treinando para a guerra. — Flitwick tomou a palavra. — Eu sou um Mestre de Duelo e o tomei como o meu aprendiz. Ele é natural na arte, como vocês presenciaram na memória mostrada e tem treinado os seus amigos em aulas de Defesa extras no último ano.

Isso fez muitos arregalarem os olhos de surpresa.

— Harry também acredita que espalhar a verdade e preparar o maior número de pessoas para o que está por vir é o movimento mais inteligente. Por isso vocês estão aqui e por isso ele e seus amigos mais próximos formaram um grupo de alunos em Hogwarts que estão indireta ou diretamente envolvidos em nossos projetos. — Sirius continuou. — Eles se intitulam a Equipe Covil e são colegas de confiança, filhos, netos ou sobrinhos de alguns de vocês e que estão dispostos a ajudar na preparação para guerra. Isso não quer dizer que eles lutarão, apenas que eles sabem o que virá e querem ajudar no que for possível.

— Meu filho, Ernie, está muito feliz em fazer parte da equipe do Harry e nos escreveu pedindo que contratemos um tutor de duelo e Defesa Contra as Artes das Trevas para que ele possa recuperar o atraso durante o verão, dos terríveis professores de Defesa que tiveram. — Disse Cecilia orgulhosa.

— Ele também disse que trará dois ou três amigos para treinarem com ele e que quer se inscrever na academia que o Sirius abrirá em alguns dias, pois não pode parar de se exercitar. — Acrescentou Everald. — Algo sobre o Harry ser um carrasco.

— Ele realmente é, acreditem. — Sirius disse divertido. — Harry está planejando treinar Defesa com a equipe a partir de setembro, mas exigiu que todos treinem fisicamente para estarem em forma e que aprendam oclumência.

— Ele está preparando um exército? De crianças? — Dearborn questionou chocado.

— Não, ele está ensinando as crianças a se defenderem se forem atacados, Livius. — Sr. Boot disse friamente. — Harry é excepcional em Defesa e está treinando intensamente, pois sabe que lutar na guerra não é uma escolha para ele. No entanto, para todos os seus amigos e colegas, para todos vocês, existe outro caminho, vocês podem partir e esperar que dê tudo certo. Não há nada de errado nisso, mas não os protege completamente de serem atacados, cercados ou traídos, assim, Harry está preparando a Equipe Covil para a guerra, não os preparando para a batalha. Entendem a diferença?

Todos acenaram, mesmo que alguns se sentissem meio chocados ou apavorados com a ideia de uma criança preparando crianças para a guerra.

— Dito isso e respondendo à pergunta feita por Daniel, uma das ideias do Covil foi o Partido dos Justos e nossa luta junto a Suprema Corte e ao Ministério para mudar as leis e as políticas injustas. — Sirius continuou. — Nós fizemos algumas pesquisas próprias e Harry e sua equipe fizeram a mesma coisa em Hogwarts.

— Não entendo. — Daniel disse confuso.

— Bem, Daniel, seus filhos já são adultos, mas você tem um sobrinho na Gryffindor e ele nos informou sobre como você é um cara legal, de mente aberta e que abomina qualquer tipo de discriminação, censura ou injustiça. — Serafina respondeu.

— Mellie, suas lindas netas disseram que você não está filiada a um partido porque detesta Waffling e Finley, mas que sempre se interessou em fazer mais pelo nosso mundo. — Sr. Boot disse sorrindo.

— Acho que não preciso dizer, Ernest, que seu filho Dempsey é parte da Equipe Covil e que se dispôs a convencê-lo de que a causa lobisomem é fundamental. — Sirius disse e Ernest apenas acenou. — O gêmeos e Ginny tinham certeza que apesar da desaprovação da sua esposa, você não deixaria de se envolver em algo tão importante e certo, Arthur.

— Ora... — Arthur pareceu meio atrapalhado e orgulhoso. — Meus meninos são muito inteligentes, sabe.

— Cedric tinha esperança que Amos e você pudessem mudar de ideia, Zenira. — Serafina disse suavemente. — Assim como os garotos do Arthur, ele faz membro da Equipe e está muito comprometido em ajudar.

— Amos está cego, mas eu vi algo em Cedric que me fez sentir que eu precisava estar aqui e... agora eu entendo. Preciso ajudar vocês e meu filho a lutar na terrível guerra que nos espera. — Zenira disse com firmeza.

— A filha de James Redford é uma esnobe insuportável e deixou claro que seu pai só se preocupa com causas que envolvam e favoreçam famílias muito ricas, ou seja, os seus clientes. — Sirius continuou e apontou para Gwen. — Harry me disse que ficou impressionada com sua postura sincera e crítica durante a festa do Slughorn, Gwen e sugeriu que deveríamos tentar atraí-la para a nossa causa. Aliás, foi ideia dele contratá-la para a campanha de publicidade da Academia.

— Nossa! Esse garoto está em todas! — Gwen disse sorridente.

— E ele está nos espionando. — Lief disse meio impressionado, meio incomodado.

— Harry e os amigos não estão espionando, Lief, apenas colhendo informações, fazendo novos amigos, aliados, quem sabe futuros associados nos negócios. — Falc objetou. — Não muito diferente do que nós e muitos outros fizeram enquanto frequentávamos Hogwarts. A diferença é o motivo por trás disso, e acredito que não podemos duvidar das importantes motivações do Harry e sua Equipe.

— Bem, não posso discordar disso. — Lief acenou mostrando que as ações de Harry não eram um problema para ele. — Então, temos os Progressistas, 13 votos, nós quatro e os neutros, com exceção de Redford, são 5 votos, o que dá um total de 22 votos, mas precisamos de 25 + 1 para a aprovação de projetos de leis. Se você estiver certo sobre obtermos o apoio de Fawcett, McLaggen, Wright e Ogden, chegamos a 26, o suficiente para vencermos, mas será uma vitória apertada.

— E não podemos nunca ter absoluta garantia de cada voto, entre os Progressistas podemos ter um dissidente e os Neutros são ainda mais imprevisíveis. — Ernest apontou.

— Pelas informações que a Equipe Covil obteve sobre Finley, ele é o maior perigo. — Sirius disse. — Não apenas por seu voto pessoal, mas também por sua influência como líder dos Progressistas.

— Mas como um Progressista, Finley não deveria querer essas mudanças? — Arthur perguntou confuso.

— Verdade, quer dizer, suas entrevistas, a base da campanha que ele já iniciou para as eleições do ano que vem estão apoiadas em uma fala de mudanças. — Disse o Professor Jonas. — Ajudar os lobisomens, mudar as leis...

— Nossas informações são de que Finley não é o que parece ou o que discursa por todos os lados. — Explicou Sirius e olhou para Lief e Daniel que eram Ex-Progressistas.

— Deixe-me adivinhar, a Equipe Covil conseguiu essa informação do filho do Finley? — Lief perguntou ironicamente e Sirius apenas sorriu.

— Foi por isso que você não se filiou aos Progressistas! — Daniel exclamou surpreso. — Finley tinha certeza da sua filiação depois daquela reunião, mas não entendeu quando recuou.

— Eu fiz a minha própria avaliação com base nas informações que recebi e não tenho certeza de nada. — Sirius deu de ombros. — Finley é uma incógnita. Ele pode estar sendo sincero, quero acreditar nisso, e que ele será um Ministro melhor do que Fudge, mas ele pode estar mentindo. A única certeza que temos é que ele não é confiável com informações sensíveis e não poderíamos arriscar.

— Não sei se entendo, Sirius. — Disse Andy e muitos acenaram confusos.

— Harry. — Lief se inclinou sobre a mesa e olhou em volta para todos. — Harry é a chave de tudo aqui, ideias, inspirações, motivações, liderança, esperança ou o que seja, além de muito amado e protegido por Sirius e pelos Boots, imagino. — Sirius e os Boots acenaram com determinação. Remus, Maria, Flitwick, Jonas, Bathsheda, Edgar e todos os funcionários e sócios da GER, Andy, Ted, Tonks e a Sra. Clark também acenaram mostrando aos outros que o Harry já tinha tocado a vida deles de alguma maneira. — Bem, a verdade é que alguém como Finley usaria o Harry, suas qualidades, seus defeitos, a sua coragem e inteligência, os seus erros ou qualquer outra coisa sobre o menino para benefício próprio.

— Ele sugaria o menino. — Daniel continuou. — Waffling é um purista desgraçado que quer manter tudo como está, mas Finley quer apenas se dar bem, ter poder e sucesso.

— Se Finley assistisse essa lembrança... — Mellie apontou para a penseira. — Inicialmente ele agiria como nós, chocado, pesaroso, diria que foi legítima defesa e totalmente justificado, porque foi. Mas se em algum momento ele tivesse uma ideia ou se surgisse uma oportunidade de colher benefícios próprios ao denunciar ou divulgar o que o Harry foi obrigado a fazer, Finley a usaria e não ligaria a mínima para o menino. — Lief e Daniel a encararam surpresos. — O que? Eu conheço bem aquele bastardo. E vocês fizeram bem em não confiar nele. — Ela acrescentou olhando para Sirius e Áquila.

— Então não podemos ter certeza dos votos dos Progressistas? — Lucy perguntou indignada.

— Não necessariamente. — Respondeu Lief. — Se apresentarmos projetos bem feitos, detalhados, coerentes e não radicais, os Progressistas da Corte não terão porque votar não ou isso desmascararia suas intenções e isso inclui Finley. Eu conheço bem os membros da Corte que são Progressistas e muitos deles querem o que queremos, assim, se articularmos bem, acredito que teremos seus votos.

— Ok. Mas isso levanta a questão sobre que tipo de Ministro Finley será? — Apontou Ted. — Se houverem dois candidatos, a votação será aberta e como teremos certeza que ele será um bom Ministro?

— Não teremos. — Sr. Boot respondeu. — Mas estaremos em guerra em algum momento dos próximos anos e ter Finley como Ministro nos dá a esperança de que teremos uma liderança forte para lidar com Voldemort. Isso sem falar nas mudanças que pretendemos exigir, porque como já dito, Waffling e Fudge querem que tudo permaneça como está para sempre.

O pessoal acenou, pois esse era um raciocínio razoável.

— E no caso de Finley se tornar o Ministro da Magia, teremos de considerar quem irá substituí-lo como membro da Corte. — Daniel colocou a questão.

— Quem são os possíveis candidatos? — Edgar se mostrou curioso. — Talvez possamos lançar alguém?

— Cada membro da Corte pode fazer uma indicação individualmente, mas normalmente os Partidos chegam a um consenso e todos apoiam apenas um candidato que disputará a vaga com o candidato opositor. — Ernest didaticamente. — Everett ganhou a cadeira de Parkinson porque os Conservadores são a maioria e com tão poucos de nós na Corte, lançarmos um candidato nosso seria perda de tempo.

— Mas poderíamos nos unir aos Progressistas e aos Neutros para um nome em comum. — Daniel se inclinou empolgado. — Mesmo não tendo a maioria votos e a possibilidade real de vitória, ainda seria uma boa oportunidade de fortalecermos as relações entre nós e lançarmos um nome forte no cenário político que pode ser escolhido quando a próxima cadeira vagar.

— Quem escolheríamos? — Sirius perguntou olhando em volta.

— Os únicos que podem concorrer nesta mesa são Áquila e Dearborn. — Mellie disse. — Ainda que tenho certeza que Finley insistirá em seu candidato.

— Mas não precisamos decidir isso agora, certo? Temos um ano até as eleições para Ministro e não sabemos se Finley vencerá. — Apontou Cecília.

— Com política não é assim, temos que sondar o terreno, procurar articulações, obter informações e fechar acordos. — Lief disse. — Se deixarmos para fazer algo depois das eleições, será tarde demais, porque Finley e Waffling já terão movido todas as peças do tabuleiro e apenas faltará o xeque mate.

— Bom, temos nossa primeira missão, então. — Sirius disse sorrindo. — Descobrir quem serão os candidatos de Finley e Waffling, ainda que acredito que esse último não espera que Fudge perca. Se pudermos influenciar a escolha de Finley, teremos um possível apoiador nas votações futuras da Corte.

Todos acenaram e Ernest deu ideias de como poderiam descobrir e articular uma estratégia. Daniel, Mellie e Lief se juntaram a ele, pois eram os mais experientes politicamente a mesa e como membros da Corte, tinham muito o que ensinar a todos.

— Eu gostaria de ser o candidato. — Sr. Dearborn disse ao refletir que isso o ajudaria em seus planos contra o velho Greengrass, que tinham uma cadeira na Corte. E, se mudar as leis antigas prejudicasse famílias como os Lestrange e os Selwyn, então, isso seria ainda melhor. — Eu sou o mais velho entre vocês, da velha guarda e talvez Finley pense que não sou tão radical. — Seus olhos brilharam com malícia. — Ele não precisa saber das minhas aventuras da juventude. — O pessoal riu. — Posso até dizer a ele que tentarei controlá-los e aconselhá-los em uma agenda mais suave e sem radicalismos.

— Isso pode dar certo! — Daniel disse com um grande sorriso em seu rosto de urso. — Finley pode sentir que ter uma amizade ou ligação com o Sr. Dearborn lhe dará algum controle sobre os Justos, que o respeitaremos e o ouviremos por ser o mais velho.

— Finley pode abaixar a guarda e ver isso como uma troca. — Lief disse com olhar calculista. — Ele apoia o Sr. Dearborn a cadeira vaga e tem mais controle sobre o novo Partido.

— Precisamos ser muito inteligentes. — Ernest disse pensativo. — Os movimentos têm que ser precisos e a ideia toda tem que parecer ser do Finley, não nossa, assim ele não desconfiará.

— Uau... — Disse Tonks impressionada. — Vocês são bons nisso.

— Eu concordo e também acho que é um bom plano. — Sirius disse. — Alguém se opõe? A candidatura do Sr. Dearborn ou ao plano?

Todos acenaram negativamente e o Sr. Dearborn agradeceu o apoio e a confiança.

— Tenho a sensação, depois de saber que você-sabe-quem está vivo que nada é mais importante que isso. — Disse Everald, apesar de ter ouvido tudo com atenção impressionada.

— O que mais faremos para impedi-lo de retornar? — Arnold Abbot perguntou.

— E sobre os seus seguidores que ficaram livres e podem ajudá-lo? Podemos vigiá-los? — Sugeriu Callistus.

— Pessoal, lembrem-se que não somos um exército ou os aurores. — Sirius disse. — Para isso temos o Departamento Auror e o nosso trabalho é fornecer meios para que eles se tornem cada vez mais competentes. — Ele gesticulou para Serafina que passou a eles uma pasta vermelha multiplicada magicamente. — Quero que estudem esse documento. A Auror Chefe da ICW de Londres, Emily Denver concordou em fazer uma avaliação dos erros cometidos pelo Departamento Auror durante o período da última guerra. Ela também fez muitas sugestões sobre o que poderíamos fazer para melhorar e nos preparar para uma guerra futura. Acredito que um dos primeiros projetos que devemos nos dedicar é levar essas ideias a Madame Bones e ajudá-la com os recursos necessário para realizar essas inovações. O Departamento de Leis recebeu uma grande doação no ano passado, feita por mim, que possibilitou a Bones fazer algumas boas mudanças, mas ela não sabe que Voldemort está vivo e que deve se preparar para uma guerra.

— Também podemos iniciar a escrita de um projeto de leis pró lobisomem. — Ernest propôs animado. — Temos que protegê-los e para isso, precisamos criar leis que os favorecem, não que os persigam.

— Vamos iniciar uma lista do que é preciso ter neste projeto. — Sirius propôs e imediatamente ideias pipocaram de todos os Justos sentados à mesa enquanto uma caneta mágica as escrevia em um pergaminho.

— Arthur, você estaria disposto a escrever o texto? — Sirius perguntou e o homem ruivo engoliu em seco ao acenar.

— Seria uma honra. Mas não me importaria de alguma ter ajuda porque algo tão grande e complexo tomará muito tempo e acredito que esse é um privilégio que não temos. — Arthur disse arrumando os óculos tortos.

— Eu adoraria ajudar, Sr. Weasley. — Lucy disse animada.

— Eu também. — Isabella disse endireitando os ombros pronta para o trabalho.

— Eu também gostaria de ajudar, Arthur. — Ernest disse. — Meu irmão merece a minha dedicação a esse projeto.

Cecilia, Zenira, Remus, Belle e Fiona também se dispuseram a ajudar no difícil e longo trabalho de escrever o projeto de leis pró lobisomem.

— Isso é incrível, vou adorar trabalhar com todos vocês. — Arthur disse sorridente.

— Acredito que devemos discutir o aumento dos impostos também. — Everald disse mal-humorado. — Fudge lançou mão de várias medidas que aumentam os impostos de tudo, inclusive das famílias antigas e puras, mas claro que com uma porcentagem bem menor. Em compensação, para o resto da população, a ordem é impostos altos nos salários, produtos básicos e nas a propriedades. E a justificativa é que o Ministério teve que gastar muito com o assistencialismo aos lobisomens.

— A estratégia veio diretamente do Waffling. Ele quer que todos que defenderam os lobisomens, que se solidarizaram e pediram para que o Ministério os ajudasse, sejam punidos e se arrependam. — Ernest explicou para a indignação geral. — Ele espera que isso tire os lobisomens da moda e do foco do Profeta Diário, assim todos os esquecerão rapidamente e tudo voltará a ser como antes.

— Bem, Waffling deve se preparar para um triste desapontamento, porque nós não pararemos ou deixaremos que os lobisomens sejam esquecidos outra vez. — Sirius disse determinado e todos acenaram. — Alguém tem ideias para diminuirmos os impostos e ainda termos arrecadação para as contas do Ministério?

— Sem olhar os livros do Ministério isso é quase impossível. — Edgar respondeu. — Mas em uma empresa que está em dificuldades financeira a estratégia seria descobrirmos o valor dos seus gastos fixos, cortar custos desnecessários ou supérfluo, investir em ações que economizem dinheiro sem queda na eficiência. Podemos fazer algo mais amplo como uma reforma administrativa, ou seja, equilibrar o trabalho com o número correto de funcionários e ajustar os salários ao equivalente trabalhado, sem privilégios ou supervalorizações injustas. Uma reforma tributária envolveria taxar produtos menos essenciais, como as bebidas alcoólicas, charutos, roupas de luxo, vassouras, joias, mas diminuir ou retirar totalmente os impostos dos produtos básicos como comida, livros, uniformes de Hogwarts e assim por diante.

— Uau! — Disse Ian impressionado.

— Já sei quem chamar se tivermos problemas na empresa. — Disse Mac sorrindo.

— Se existem tantas opções porque tantos funcionários foram demitidos e as horas extras cortadas? Porque os impostos foram aumentados? — Arthur perguntou, pois, sua família fora diretamente impactada por essas ações.

— Porque não tem ninguém tentando, Arthur. — Respondeu Edgar. — Um Ministro ou presidente tem que ter muitas qualidades, dentre elas ser um bom administrador ou gestor, pois se ele não sabe fazer, deve contratar quem saiba. O Ministro trouxa tem um secretário para cuidar só da economia e ele administra todos os detalhes do dia a dia, as crises, as burocracias, planejamentos, estratégias. Quando se reúne com o Ministro, ele passa relatórios detalhados do que está acontecendo e qual a melhor decisão, qual caminho o país deve seguir. O Ministro aceita, debate, procura unir suas ideias com as do secretário da economia para chegarem a um consenso do que é melhor para o país, para a população, não para aos próprios bolsos ou carreiras.

— Interessante. — Everald disse pensativo. — Obviamente o Ministro trouxa deve ter o mínimo de conhecimento sobre economia, certo?

— Um pouco mais do que o mínimo, na verdade. — Disse Serafina. — Um ministro não chega a esse cargo sem ter experiência em outras gestões públicas ou particulares ou apresentar ideias e conhecimentos das mais diferentes áreas. Isso sem falar nos debates entre os candidatos que permite ao público conhecer as propostas, fazer perguntas sobre temas específicos e assim decidir em quem votar. Infelizmente, a maneira como funciona o sistema eleitoral do mundo mágico é muito atrasado, centralizador e manipulativo.

— Fudge é quase uma ameba e foi colocado lá por Waffling, que obrigou todo o partido a votar nele. — Ernest disse chateado.

— Isso faz com que o cargo de Ministro seja apenas uma alegoria, ou seja, é supérfluo e poderíamos ter uma estátua sentada naquela cadeira, que daria no mesmo. — Serafina disse. — Waffling não quer mudanças, por isso escolheu um ministro que é tão incompetente, que não conseguiria fazer algo certo mesmo que quisesse fazer. Por isso ele pede conselhos a Dumbledore ou Bones para tudo, porque não tem conhecimentos ou capacidades para administrar absolutamente nada, muito menos um país.

Ninguém poderia discordar dessas afirmações.

— Eu trabalho no subdepartamento de Tributos e Fiscalização. — Everald disse se inclinando para a frente. — Sr. Schubert, o senhor acredita que poderíamos criar um projeto de reformulação dos impostos e taxações baseado em tudo isso que senhor falou, e assim melhorarmos a vida da população mágica?

— Com certeza. E, por favor, me chame de Edgar. — Edgar respondeu sorrindo.

— Eu gostaria de ajudar com isso. — Disse o Sr. Toots sorridente. — Eu sou bom com números.

— Não me importo de auxiliá-los também, meu trabalho na GER é justamente na área financeira, o que inclui lidar com os tributos. — Disse Maxwell White.

— Bem, acho que temos um bom começo. — Sirius disse sentindo-se incrivelmente mais leve em ver como todos estavam se entendendo e se ajudando. — Alguém tem algo mais a acrescentar ou podemos encerrar a reunião de hoje? Não sei se perceberam, mas já passa da meia noite.

— Eu tenho uma pergunta, Sirius. — Dâmocles Belby levantou a mão. — Nós ajudaremos outros seres mágicos além dos lobisomens? Porque os vampiros são uma comunidade pequena que sofrem muitas restrições sociais, apesar de não serem pobres, felizmente.

— Sim, Dâmocles, temos planos de ajudá-los sim e os elfos domésticos, centauros, gigantes, elfos das florestas. — Sirius respondeu. — Acredito que devemos nos encontrar toda a semana, expormos nossas ideias, bolarmos estratégias para cada grupo e situações específicas, além de relatar os avanços do que estamos fazendo.

— Também temos que discutir algumas estratégias para lidar com as reações que o Partido dos Justos irá causar, principalmente porque já começamos com 4 membros da Corte se filiando e três deixaram seus antigos partidos. — Sr. Boot apontou. — Depois da reportagem no Profeta, aposto que receberemos muita atenção.

— Podemos direcionar as cartas do Partido para um único local. — Disse Matilde White. — Nós temos um local específico como sede? Para reuniões?

— Ainda não, mas isso é algo que devemos organizar a partir da semana que vem. — Sirius respondeu. — Por enquanto, as cartas chegarão aqui e proponho nos reunirmos na quinta-feira quem vem e continuarmos de onde paramos.

Todos concordaram e se levantaram para partir. As despedidas foram rápidas, a noite tinha avançado a madrugada e todos pareciam exaustos, talvez um pouco traumatizados por tudo o que viram, mas também dava para perceber que eles estavam verdadeiramente empenhados nesse novo propósito, preparar o mundo mágico para derrotar Voldemort.

No dia seguinte, Sirius se sentiu tentado a procurar Emily, mas resistiu, sabendo que devia a ela mais do seu tempo para terem uma longa conversa. E que se fizessem as pazes, eles não teriam tempo para estarem juntos devido a sua viagem com Flitwick para a Romênia. E se eles terminassem de vez, então, Sirius sabia que não teria condições de ir a lugar algum por... uns dias, talvez.

Assim, depois de uma manhã de sexta-feira com mais reuniões sobre a abertura da Academia e a inauguração das Feiras Potters, Sirius se viu na sala de estar da Mansão Boot em Londres com uma mala de viagem aos seus pés.

— Eu já chamei um taxi e aqui tem tudo o que precisa para a viagem. — Serafina lhe colocou na mão direita um calhamaço de papeis. — Tem a sua documentação, bilhetes e instruções detalhadas do que fazer e para onde ir.

— Mas você já me explicou o que tenho que fazer e não pretendo esquecer, Serafina. — Sirius disse exasperado, apesar de guardar os papeis no bolso magicamente estendido do seu casaco.

— Essa é uma viagem desconhecida e é normal se esquecer ou ficar confuso, Sirius, e se isso acontecer, você pode consultar as instruções. — Serafina disse e lhe estendeu um pequeno pacote. — Aqui tem alguns sanduíches para a viagem se vocês decidirem não sair da cabine de vocês para irem ao restaurante do trem.

— O trem tem...

Nesse momento o flu da lareira foi acionado e Flitwick saiu elegante e sorridente.

— Estou atrasado? — Ele perguntou com sua voz aguda e animada. — Dumbledore concordou em dispensar as aulas desta tarde quando disse que precisava ir visitar um amigo no Continente, e sem fazer muitas perguntas, felizmente. Eu estou muito animado de viajar de maneira trouxa! Espero ter pegado tudo o que precisarei. — Flitwick apontou para o bolso onde estava a sua mala. — Nunca se sabe o que se pode precisar em um lugar desconhecido, mas...

— Professor. — Serafina o interrompeu, pois, sua excitação, apesar de divertida, iria atrasá-los. — Tenho certeza que tem tudo o que precisa, mas deve levar a mala visível em sua mão para que os trouxas não estranhem que esteja viajando sem bagagem. — Uma buzina foi ouvida vindo de fora. — O taxi chegou! Ele os levará até a Estação *St. Pancras e o bilhete indicará em qual plataforma vocês embarcarão no trem.

— Que maravilha! — Respondeu Flitwick agudamente enquanto pegava a mala do bolso e a desencolhia. — Vamos então, Sirius!

— O trem só partirá a 14:15, Serafina, porque temos que sair com tanta antecedência? — Sirius perguntou mal-humorado.

— Vocês devem chegar com meia hora de antecedência para embarcarem, essa instrução está no bilhete. — Serafina respondeu enquanto se encaminhavam para a porta da frente. — Querem que eu os acompanhem pelo menos até o embarque? Não me importo...

— Não precisa, Serafina, você tem montes de entrevistas para a contratação de professores em duas escolas, por Merlin. — Sirius disse rapidamente. — Tenho certeza que conseguiremos pegar um trem sozinhos, ora.

O taxista foi gentil em pegar a sua mala e a do Flitwick e guardar no porta malas do carro, além de não parecer nem levemente perturbado pelo tamanho diminuto do professor de Feitiços. Durante o trajeto, ele deixou escapar que já tinha carregado em seu táxi todo o tipo de pessoas, inclusive um rei de uma tribo africano com tatuagens por todo o corpo, inclusive o rosto.

— Depois disso, nada mais me surpreende, senhor. — Ele tagarelou e, 20 minutos depois, quando chegaram a estação St. Pancras, os ajudou a pegar as malas e se despediu com um sorriso amigável. — Façam uma boa viagem e se voltarem a precisar de taxi aqui em Londres, por favor, me liguem.

Sirius pegou e guardou o cartão com os números de telefones e o nome do taxista.

— Obrigada, Elton.

Depois, eles caminharam para dentro da estação abarrotada de pessoas andando apressadamente para todos os lados com as suas malas. Rapidamente as pernas longas de Sirius e a multidão deixaram Flitwick para trás e ele ficou parado no meio do saguão tentando enxergar o seu companheiro de viajem e percebendo que não fazia ideia de qual era a plataforma onde embarcariam. O professor ficou parado no lugar sabendo que o mais inteligente era esperar que Sirius refizesse os seus passos e o encontrasse, algo que aconteceu 10 minutos depois.

— Professor... — Sirius disse aliviado e segurou em seu ombro. — Vamos lá, plataforma 10, ou nos atrasaremos.

Flitwick não gostou de ser guiado como uma criança, mas também não protestou entendendo a necessidade do momento. A plataforma estava praticamente vazia, pois as pessoas eram incentivadas a embarcar em suas cabines imediatamente. O trem era muito comprido e estranhamente arredondado, branco e azul, muito diferente do Expresso de Hogwarts e Flitwick se sentiu intimidado.

— Porque decidimos não pegar uma chave de portal para a Romênia, mesmo? — Ele perguntou a Sirius incomodado.

— Porque não queremos chamar a atenção, algo que aconteceria caso se espalhasse que nós dois estamos viajando juntos para a Romênia. — Sirius disse. — Na verdade, mesmo se fossemos individualmente, isso atrairia atenção.

— Ah sim, por isso, verdade. — Flitwick acenou e eles se moveram para embarcar no trem estranho, mas não havia ninguém pegando o ticket nas portas. — Não temos que mostrar o bilhete ao funcionário?

— Hum..., sim, suponho que sim, mas... — Sirius se aproximou de um funcionário vestido em um uniforme azul e branco. — Senhor, devo lhe entregar o meu bilhete?

O homem de quepe azul o encarou levemente entediado e condescendente.

— Bem, é por isso que estou lhe orientando para embarcar, senhor, assim posso passar pelo acento de cada passageiro e verificar os bilhetes antes de deixarmos a estação. Seria muito tolo verificar na porta do trem e promover filas enormes com todos esperando em pé quando os passageiros podem esperar sentados e confortáveis em seus lugares.

— Oh... — Sentindo-se levemente estúpido e punido por seu tom, Sirius acenou e entrou no trem com Flitwick o acompanhando.

— O funcionário está certo, claro, desta forma é mais inteligente, mas ele poderia ter sido mais gentil... — Resmungou o professor enquanto caminhavam para o corredor. — Onde está a nossa cabine?

— Ah, Serafina me disse que como essa é uma viagem rápida, não teremos uma cabine e sim, acentos marcados. — Sirius disse e pegou os bilhetes no bolso.

— Marcados? — Flitwick se mostrou confuso.

— Sim, existe uma numeração, cada acento tem um número e temos que nos sentar no número marcado em nosso bilhete. — Sirius disse. — Aqui, 1ª Classe, vagão 3, assentos 046 e 047, hum... acho que entramos pelo vagão dois, assim devemos andar um para trás.

Eles fizeram isso e logo estavam no vagão três que tinha um enorme corredor com tapete felpudo azul e assentos confortáveis em tom de azul e cinza. O acento 046 ficava na janela, onde Flitwick se sentou e Sirius se sentou ao seu lado, no assento do corredor.

— Bem, é isso, agora só devemos esperar, chegaremos à Paris em 3 horas e meia. — Sirius disse suspirando.

— Apenas isso? — Flitwick pareceu surpreso. — Pensei que trens fossem lentos, quer dizer, o Expresso de Hogwarts faz o trajeto para a escola em 7 horas por causa da magia ou levaria umas 12 horas.

— Verdade. — Sirius franziu o cenho confuso. — Bem, Paris é bem mais perto que Hogwarts, eu suponho.

— Verdade. — Flitwick disse sentindo um frio estranho na barriga de mal pressentimento.

Alguns minutos depois o funcionário pouco gentil passou por eles e recolheu a metade de seus bilhetes e dos outros passageiros que ocupavam cada poltrona disponível no vagão. Pontualmente, às 14:15, o trem partiu da plataforma e deixou a estação St. Pancras para trás. E, 5 minutos depois uma funcionária passou lhes entregando revistas, oferecendo bebidas e orientando sobre o vagão restaurante que ficava no vagão 5, caso eles estivessem com fome.

Flitwick agradeceu a gentileza, sentindo que suas preocupações eram tolas e olhou pela janela, levantando-se no assento graças ao travesseiro que a funcionária educada lhe trouxera para ficar mais alto.

— Merlin! — Ele gritou com sua voz esganiçada.

— O que? — Sirius o encarou confuso.

— Sirius... porque... como estamos indo tão rápido? — O professor disse em tom mais baixo ao ver que atraíra alguns olhares.

Sirius olhou pela janela e ficou surpreso ao perceber que a paisagem era apenas um borrão disforme de cores indistintas.

— Uau... Eu nunca fui assim tão rápido da minha moto, talvez na minha vassoura. — Sirius sussurrou chocado. — Não, acho que nem com a vassoura.

— Como é possível ir tão rápido e o trem nem balançar? — Flitwick olhou em volta para os atendentes e passageiros que caminhavam pelo corredor tranquilamente. — Quer dizer, o trem não nem sacoleja como o Expresso... E como raios ele pode se mover tão rápido sem magia?

— Não sei, mas deve ser por causa da eletricidade. — Sirius disse se inclinando para ver melhor pela janela.

— Acho melhor trocarmos de lugar, toda essa velocidade está me deixando enjoado. — Flitwick disse e Sirius concordou alegremente.

Os dois aceitaram o chá servido pela atendente que não aceitou quando Sirius quis pagar, dizendo que isso estava incluído no valor do bilhete, apenas o restaurante servia mais opções por um custo.

— É uma viagem bem mais confortável que a chave de portal, mesmo que seja mais demorada. — Flitwick admitiu. — Harry me pediu para lhe contar algumas coisas, mas acho que teremos que esperar para quando tivermos menos ouvidos por perto.

— Ele está bem? — Sirius perguntou, pois não falara com o afilhado a semana toda, com exceção de segunda-feira quando ele lhe mostrou a Sala Precisa e falou sobre a horcrux tiara encontrada.

— Estranhamente distraído essa semana, mas fora isso, ele me parece bem. — O professor respondeu. — Cheio de ideias e novos projetos, claro.

— Claro. — Sirius sorriu e suspirou carinhosamente. — Ele não seria o Harry se não estivesse planejando a próxima revolução.

— Ele ficará feliz com o sucesso do Partido. Acredito que reunimos um grupo de bruxos muito interessantes. — Flitwick apontou e Sirius sorriu ainda mais.

— Concordo. Eu ainda estou surpreso que está dando certo e que eles realmente acreditam em mim. — Ele acrescentou ao ver o seu olhar confuso. — Eu passei muitos anos sendo o garoto irresponsável, sem bom senso ou inteligência para a minha família e acho que fingi tão bem que até eu acreditei que era assim. E, nunca fui levado muito a sério, perdão pelo trocadilho...

Os dois riram levemente e Flitwick acenou.

— Acho que você está certo, pois uma parte de mim ainda o vê como o aluno brincalhão do passado, a cada dia que me surpreendo com as suas ações, eu percebo isso. — Flitwick disse. — Você fingiu para se proteger, Sirius, não deve se culpar pelas circunstancias que exigiram isso de você ou sentir que ter uma personalidade menos séria o faz menos capaz ou confiável.

— Sim, mas o meu jeito de agir me colocou em Azkaban. — Sirius disse baixinho. — Ninguém duvidou que eu era o traidor e...

— Acho que está errado. — Flitwick disse. — Acho que todos duvidaram, contestaram, pensaram que não era possível, mas a verdade é que escolheram, por motivos diversos, não seguirem os seus primeiros instintos. Talvez o seu comportamento adolescente tenha tido uma pequena parte nisso, mas acredito que é tão pequena que não pode ser intitulada como o motivo de seu tempo na prisão.

— Talvez... — Sirius disse pensativo. — Talvez não fosse diferente se eu fosse igual ao Remus, mas suponho que nunca saberei.

Algum tempo depois, o trem entrou em uma espécie de buraco escuro e eles não conseguiram ver absolutamente nada do lado de fora, ao mesmo tempo que luzes se acenderam no teto.

— O que raios? — Sirius olhou em volta, mas ninguém parecia preocupado.

— Onde estamos? Porque entramos em um buraco? — Flitwick perguntou meio apavorado.

— Talvez seja uma montanha e passamos por dentro dela... — Sirius disse coçando a cabeça confuso.

— Porque eles fariam isso? Não podem desviar? — Flitwick perguntou com a voz aguda de medo. — Eu gosto de torres, sou uma águia, ora, são os Hufflepuff que gostam de tocas.

Eles falavam em tom baixo, mas estavam tão alertas e preocupados que chamou a atenção de uma das atendentes que veio ver se estavam bem.

— Não é nada, apenas... hum, quanto tempo demora para sair do buraco? — Sirius perguntou apontando para a escuridão do lado de fora da janela que continuava igual há alguns minutos.

— Do túnel? — A atendente o encarou confusa. — São meia hora de viagem por dentro do *Eurotúnel e, quando saímos, já estaremos na França.

— Túnel? — Flitwick se mostrou surpreso. — Construíram um túnel sobre o Canal da Mancha? — Ele não conseguia conceber tal coisa.

— Não sobre o Canal, na verdade. — Ela disse levemente divertida. — No momento estamos dentro do Canal da Mancha, submersos sob a água.

Ela se afastou depois disso e Flitwick ficou paralisado por alguns segundos de terror.

— Sirius, esses trouxas são insanos...

— E brilhantes! — Sirius disse de olhos arregalados. — Imagine, fazer um túnel dentro do mar que liga a Inglaterra à França! Uau!

— Bem... — Flitwick pensou por um momento na questão. — Talvez eles sejam brilhantes, mas isso não muda a insanidade da coisa toda e, está decidido, voltaremos por chave de portal e não por trens velozes que viajam dentro do mar. Merlin, nunca pensei que diria isso. Trens velozes que viajam dentro do mar...

Flitwick continuou a resmungar sobre a coisa absurdamente insana, enquanto Sirius continuava a olhar para a escuridão, imaginando que depois do túnel havia o fundo do mar e como isso era incrível.

Eles chegaram a Paris pouco antes das 18 horas na Estação Gare du Nord e Flitwick parecia muito feliz em caminhar com as próprias pernas. Sirius releu as instruções de Serafina, feliz por ela ter pensado em escrevê-las, pois se sentia confuso no meio da multidão de passageiros.

— Devemos ir até o guichê e pegar os bilhetes do trem que nos levará para Bucareste. — Sirius disse olhando em volta até ver a placa "guichet". — Ali está. Vamos, Serafina já comprou as passagens, temos apenas que retirar.

— Hum... isso é muito prático. — Flitwick disse enquanto caminhavam apressadamente.

Sirius retirou os bilhetes mostrando o documento que Serafina lhe dera, onde o seu nome com foto aparecia. Era um documento verdadeiro, pois Serafina insistira que todos deveriam ter documentação trouxa para viagens urgentes ou fugas inesperadas.

"Quando estivermos em guerra, ter documentação trouxa e meios de viajar sem que os bruxos nos detectem é um grande trunfo. "

Sirius não poderia discordar, apesar de que comparecer aos escritórios que emitiam as documentações com Serafina tinha sido muito chato. Flitwick também teve que fazer esse sacrifício e achou muito divertido tirar fotos que não se moviam.

— Serafina disse que todos os membros das Equipes precisarão ter documentos trouxas. — Sirius resmungou ao se afastar do guichê. — Mas não posso tirar a carta de motorista até fazer as aulas, acredita? Como se eu não soubesse dirigir!

— Bem, pelo menos eu não tenho que me preocupar com isso. — Disse Flitwick divertidamente. — Que horas sai o nosso trem?

— Daqui a meia hora, o que quer dizer que devemos embarcar agora para que eles nos encontrem em nossos lugares para verificarem os bilhetes. — Sirius disse. — Plataforma 13, Primeira Classe, vagão 6 e cabine dupla 06. Ah! Ficaremos em uma cabine desta vez!

— Quando chegaremos a Bucareste? — Flitwick se mostrou ansioso para rever o seu velho amigo.

— Hum... Uau! São 12 horas de viagem! — Sirius exclamou surpreso.

— 12 horas! — Flitwick franziu o cenho. — Isso quer dizer que só chegaremos amanhã de manhã em Ardel! Sirius, acho que deveríamos ir por aparatação, mesmo que exija duas ou três aparatações, ainda ganharemos um bom tempo!

— Sim, suponho... — Sirius leu as instruções de Serafina. — "Não tentem aparatar, pois a distância de 2 mil quilômetros de Paris a Bucareste exigirá muito magicamente e vocês poderão se esgotar e ficar vulneráveis ao chegarem a um país desconhecido. Além disso, nós não avisamos os Ministério da Magia da França e da Romênia das suas presenças, dada a brevidade da viajem e a importância do sigilo, portanto, evitem fazer magias poderosas como a aparatação. Afetuosamente, Serafina. "

— Hugf! — Flitwick resmungou ao retomar a caminhada para a plataforma 13. — Acho que não temos escolha.

— Sim. — Sirius concordou e eles caminharam até o trem, que desta vez era vermelho e azul, com detalhes em branco. — Espero que conjurar uma cama não entre na categoria "magias poderosas", porque eu não vou passar a noite sentado naquelas poltronas, por mais confortáveis que elas sejam.

Desta vez eles foram orientados por um funcionário de libré vermelho que os acompanhou até a cabine confortável da 1ª Classe. Ele tagarelou sobre o ótimo vagão restaurante que ficava no vagão 8, bem próximo a eles e como ele esperava que tivessem uma boa noite de sono.

A cabine tinha apenas um banco do lado direito, sem poltronas e Sirius pensou que aquilo tornava impossível qualquer um ter uma boa noite de sono, mas então, o funcionário atencioso tirou duas camas tipos beliches da parede de madeira do lado esquerdo.

— Uma camareira virá preparar a cama de vocês por voltas das 21 horas e o vagão restaurante estará aberto das 19 horas à meia noite. — O funcionário continuou a falar sem perceber suas expressões espantadas. — Se precisarem de qualquer coisa não hesitem em apertar a campainha, temos travesseiros extras, mais cobertores se sentirem frio durante a madrugada e estamos aqui para atendê-los. Meu nome é Pierre, por falar nisso. — Seu sotaque era forte, mas o inglês era impecável e Sirius lembrou-se que Serafina lhe disse que precisava dar gorjetas aos ajudantes, garçons, camareiros e afins.

Ele se atrapalhou um pouco, mas lhe deu uma nota de 50 libras sem perceber a expressão espantada do rapaz.

— Obrigada, Pierre, você é muito gentil. — Sirius disse olhando pela cabine que parecia mais convidativa agora que sabia que tinha camas para dormirem.

— Esses trouxas... — Flitwick abaixou uma das camas a examinando curiosamente e se sentou no colhão incrivelmente confortável. — Que interessante, não precisamos nem de magia, Sirius, eles têm tudo o que poderíamos querer.

Eles logo descobriram que a demora na viagem era não só por causa da distância, mas também porque esse trem viajava bem mais devagar que o anterior. Pierre lhes explicou que o *Euroestar era um trem bala que alcançava 300Kh de velocidade, por isso que a viagem de Londres para Paris era tão rápida. A comida do vagão restaurante da primeira classe era pouco variada, mas muito saborosa e Sirius distribuiu gorjetas gordas para todos os lados, ganhando um atendimento ainda mais exclusivo e atencioso dos atendentes que quase brigaram entre si para poder servi-los. A bebida era mais variada e eles puderam provar um vinho francês de altíssima qualidade durante o jantar e encerrarem a noite com um conhaque francês saborosíssimo que os ajudou a ter uma noite de sono quente e confortável. Claro que Sirius teve que alongar um pouco a cama para caber os seus pés e o ritmo suave do trem ajudou, mas tanto Flitwick como Sirius reconheceram que o conhaque era o par perfeito para se dormir em uma cama estranha.

Sem ouvidos atentos, Flitwick contou para Sirius das descobertas do Harry junto aos quadros dos seus antepassados.

— Ele era mesmo um lobisomem? E teve um animagus tigre? — Sirius estava espantado. — Isso muda tudo professor, tudo! Sabemos que lobisomens podem ter filhos sem passar a doença, o que nos leva a pensar que a teoria de que a maldição é magica e não genética é mais do que verdadeira. No entanto, isso não explica a contaminação pela mordida...

— Sangue, Sirius. — Flitwick disse. — Acho que a contaminação ocorre pelo sangue porque é no sangue que encontramos muito da magia de um bruxo. A mordida leva o sangue do lobisomem, afinal ele está sempre se mordendo, para o corpo do outro bruxo, acho que o problema não é a saliva, é o sangue.

— Isso faz sentido. — Sirius disse pensativo. — Mas também nos diz que a licantropia não tem cura, pois maldições de sangue são irreversíveis.

— Por enquanto, afinal nunca se sabe se alguém não encontrará a cura no futuro. — Flitwick disse. — De qualquer forma, se a experiência de Liam possibilitar que os lobisomens controlem a maldição e não sofram mais com as transformações, teremos um avanço enorme na busca por uma... "cura".

— Imagine isso! Remus não teria mais que passar pelas transformações terríveis! Poderia ser um animago e controlar o seu lobo... — Sirius franziu o cenho preocupado. — Mas ele ter que aceitar o lobo como parte dele, isso me parece quase impossível, professor, pois Remus sempre odiou o lobo.

— Ele tem que superar isso, Sirius ou não conseguirá a transformação animaga verdadeira e o controle das transformações. — Flitwick disse.

— Denver insistiu em vários momentos que eu deveria fazer o ritual animagus, mas eu sempre achei sem sentido já que eu sou um animagus pelo ritual de transfiguração, mas talvez... — Ele sorriu. — Eu farei o ritual e assim poderei ajudar o Remus a encontrar o que ele precisa para passar pelo dele.

— Essa é uma excelente ideia. Hum..., e sobre Denver? Eu fiquei surpreso por não a ver no jantar de ontem. — Flitwick especulou suavemente.

— Bem, Denver quer ser parte da Equipe Pegasus, mas não tem interesse em se envolver com política, como King, que prefere ser um auror. — Sirius disse cabisbaixo.

— Ah, bem, faz sentido. Ainda que sua prima, Tonks teve uma ideia diferente. — Flitwick decidiu mudar de assunto.

— Ela é da família, seu apoio é mais simbólico e quando a trouxer para a Equipe, aposto que se desinteressará pelo partido. — Sirius disse e rodando o conhaque no copo de cristal, tomou coragem para acrescentar. — E, bem, Denver e eu tivemos uma briga, acho que meio que terminamos.

— Você não tem certeza? — Flitwick mostrou surpresa e Sirius deu de ombros. — Quer falar sobre isso? Eu já tive alguns amores ao longo da minha vida, sabe.

— Ora, eu não sabia disso. — Sirius sorriu divertido. — Nunca pensei no senhor como um conquistador apaixonado.

— Aparências enganam, obviamente. — Flitwick disse e os dois riram muito embalados pelo vinho e o conhaque. — Não, eu nunca amei verdadeiramente, mas me apaixonei muitas vezes e fui feliz em vários momentos, em outros, nem tanto.

— Emily é a certa para mim. — Sirius se serviu de mais conhaque e suspirou ao pensar na mulher linda que fora tolo em deixar. — Eu sinto isso, acredito nisso, mas ela não e... não sei o que fazer. Devo esperar? Ou devo pressionar? Ou implorar?

— Implorar nunca é uma boa coisa para o amor próprio, a não ser que você tenha feito algo terrível e precise implorar por perdão. Não? Bem, então esse não é o caminho mais saudável para você e o futuro da relação, sabe, porque você nunca terá certeza se Denver ficou com você por amor ou por pena. — Flitwick disse e Sirius acenou entendendo a verdade de suas palavras. — Acho que forçar não é o tipo de coisa que você pode fazer com alguém como a Denver, aposto que os limites dela são bem claros. — Sirius voltou a acenar, pois sabia que Emily era a pessoa mais forte e independente que conhecia. — Esperar pode dar certo, desde que você tenha dito tudo o que sente para ela, Sirius, sem meias verdades, orgulho ou com a noção de que ela pode ler os seus pensamentos.

— Eu disse o quanto a amo e que esperarei que ela venha até mim quando estiver pronta, mas Vance acha que eu não deveria tê-la deixado e sim, ficado ao seu lado e tido mais paciência. — Sirius disse. — Eu não tive a intenção de lhe dar um xeque mate ou fazer parecer que para me ter ela tem que correr atrás de mim, mas acho que acabei fazendo exatamente isso.

— Bem, se foi sem intenção, então você pode ir até ela e explicar, dizer que não quer terminar e que terá paciência, mas o seu orgulho deixará que você faça isso? — Flitwick perguntou.

Sirius não respondeu, apenas olhou para o liquido âmbar, que lembrava os olhos de Denver e tentou pensar como se sentiria ao voltar atrás no que dissera. Como seria passar mais semanas, talvez meses, esperando para que ela se entregasse a ele verdadeiramente? Ele poderia fazer isso? Ele queria fazer isso? No fim, tudo se resumia a uma coisa, ele percebeu, o quanto ele a amava?

Pela manhã, Sirius e Flitwick desembarcaram no trem na Estação Nord e procuraram um lugar discreto para aparatarem. Apesar dos conselhos de Serafina, nenhum deles queriam encarar mais horas de viajem de Bucareste a Brasov, assim, a esperança era que o Ministério não os detectasse.

— Agora me sinto compadecido dos trouxas que são obrigados a fazerem percursos tão longos, acho que teria desistido de viajar pelo mundo quando jovem se fosse obrigado a ir tão lentamente. — Observou Flitwick e Sirius concordou, pois também era apressado. — Eu não estive em Brasov por muitos anos, mas ainda sei como chegar a Ardelean, onde vive Mihai. — Flitwick pegou o braço de Sirius e os aparatou para Brasov, capital da província de Ardel. Eles chegaram a uma estrada fora da cidade, cercada por uma densa e verde floresta, com montanhas e escarpas de tirar o fôlego de tão lindos. — Para o Leste, fica a cidade de Brasov, mas no alto do Monte Moldoveanu, está o Castelo Ardelean. Veja.

E, realmente, no alto do monte escarpado, com uma cobertura de árvores verdes e um pouco de neve, apesar da primavera, havia um castelo incrustado. Ele era mais impressionante do que bonito, pois parecia uma fortaleza de pedra e não exatamente um castelo habitado.

— Como conheceu esse Mihai Ardelean? — Sirius perguntou curioso, enquanto caminhavam montanha acima, pois seria rude aparatar muito perto.

— Em arenas de duelos pelo mundo, é claro. — Flitwick caminhou saltitando animadamente e sua voz se tornou mais aguda. — Nós éramos párias entre os bruxos competidores, mas também éramos os melhores duelistas e cada um em sua categoria, ganhamos muito mais do que perdemos. Infelizmente, depois de muito viajar, Mihai foi obrigado a assumir o seu lugar junto ao seu clã e eu fiquei preso em Hogwarts, mas não deveria ter ficado tanto tempo sem visitá-lo.

Em poucos minutos, eles chegaram aos pés de um imenso portão de madeira, ladeado por muros de pedras cinzas escuras. Um vigia apareceu no alto e questionou suas presenças, Flitwick respondeu e, um segundo depois, um jovem aparentando ter uns 25 anos, cabelos negros compridos e olhos azuis, apareceu na murada.

— Filly! — Ele gritou animadamente e com um sorriso de rachar a cara. — Abram os portões! O que estão esperando! Vamos! Abram! Filly, eu estava lhe esperando ansiosamente!

— Filly? — Sirius sussurrou meio engasgado pela vontade de rir e chocado ao perceber que Mihai Ardelean não era apenas um bruxo.

— Não ouse. — Flitwick sussurrou de volta enquanto o enorme portão abaixava lentamente com um rangido das correntes de metal.

— Acho que se esqueceu de me dizer que seu velho amigo era um vampiro, Filly. — Sirius sussurrou provocativamente.

— Se me chamar assim de novo, deixarei você aqui para alimentar Mihai e seu clã, garanto-lhe. — Ameaçou Flitwick com o rosto vermelho de vergonha.

Sirius tentou controlar o riso, mas foi um esforço hercúleo.

— Sinto atrapalhar sua intenção com a ameaça, Filly, mas eu não gosto do sangue de cães! — Mihai gritou por cima da murada, mostrando que ouviu a conversa sussurrada apesar do barulho do gigantesco portão que se abria.

— Ora, eu não sou um cão. — Sirius disse levemente ofendido e observou o portão se abrir totalmente.

— Bem, mas o seu sangue... — Mihai iniciou a frase no alto da murada e, meio segundo depois, estava diante deles. — ... cheira a cachorro, assim lamento o meu desinteresse em bebê-lo. Mihai Grigorescu Stefan Ardelean, a seu dispor, jovem amigo de meu grande amigo, Filly. — Ele se inclinou em cumprimento e seus compridos cabelos negros caíram para frente de seus ombros enquanto seus olhos azuis cintilaram em diversão.

— Sirius Orion Black. — Sirius também se inclinou educadamente. — Prazer em conhecê-lo, Sr. Ardelean.

— Ora, nada de formalidades! Apenas Mihai! — Ele disse com um sorriso branco e brilhante antes de se virar para Flitwick. — Meu querido amigo... — Mihai se ajoelhou diante do pequeno professor e o abraçou fortemente. — Que grande alegria revê-lo e recebê-lo em Ardelean.

— Lamento a longa ausência, Mihai, e sua alegria espelha a minha, acredite, grande amigo. — Flitwick abraçou Mihai emocionado.

— Entrem! — Mihai se levantou e disfarçou a emoção ao acenar amplamente com os braços e gritar para que o acompanhassem. — Meu lar é sua morada, como sempre, Filly! E seu amigo com cheiro de cachorro também é bem-vindo!

Sirius disfarçou uma careta e percebeu que Flitwick parecia se segurar para não rir dele. Não foi difícil entender que a provocação de Mihai era uma pequena vingança pela diversão de Sirius com o apelido de Flitwick.

Eles caminharam pelo portão para um pátio grande e vazio, mas Sirius sabia que deveriam haver vigias em vários pontos estratégicos em volta da fortaleza. O cheiro de cavalo também era distinto e ele percebeu um estábulo no lado esquerdo. A porta do castelo estava aberta e os degraus da entrada pareciam antigo, apesar de bem conservado. Na verdade, todo o castelo era bem conservado, limpo e bonito, ainda que desse a sensação a Sirius de que ele estivesse alguns séculos no passado.

— Quando recebi a sua carta, não acreditei, Filly, eu juro! Pode perguntar para Adriana! Eu disse a ela: "Querida, deve haver um engano, pois não posso acreditar que finalmente meu grande amigo está me visitando depois de tantos anos! " — Mihai falava em tom alto e gesticulava sem parar de tanta emoção.

— Lamento a minha longa ausência, amigo, infelizmente quando envelhecemos nos acomodamos em nossa rotina e fazemos a tolice de não gostar mais tanto de longas viagens. — Flitwick disse em tom de desculpa.

— Ora! Você não está velho, Filly! Não mudou nada desde a última vez que te vi há 18 anos! — Mihai os conduziu pela escadaria e para dentro do castelo que não era nada rústico por dentro. Como Stronghold, apesar da aparência de fortaleza por fora, por dentro era um verdadeiro e luxuoso palácio.

— Muito gentil, Mihai, mas essa afirmação me faz duvidar da boa visão dos vampiros. — Flitwick respondeu divertido.

— Vamos até a sala de estar e pedirei que nos sirvam uma bebida... — Então ele olhou para Sirius e o cheirou com um fungada longa. — Você está com fome! Ainda não tomaram o café da manhã?

— Não, Mihai, nós chegamos de trem em Bucareste a poucos mais de 20 minutos e aparatamos direto para cá. — Flitwick disse sorrindo.

— Excelente! — Mihai disse em seu tom alto e animado. — Augustin!

— Milorde? — Um bruxo vampiro vestido com um terno de mordomo impecável, apareceu imediatamente ao lado de Mihai.

— Peça a cozinha que prepare um delicioso café da manhã para os meus convidados. Não podemos ter sangues quentes com fome em nossa casa, isso seria um insulto! — Mihai disse e Augustin se inclinou.

— Imediatamente, Milorde. — E se afastou mais rápido que um piscar de olhos.

— Milorde? — Sirius perguntou surpreso.

— Ah, os empregados me chamam assim porque sou filho do chefe do clã, mas eu detesto toda essa formalidade. Estamos as portas do século 20, por todos os santos! — Ele exclamou em seu tom alto e os encaminhou para uma sala de estar grandiosa, com arandelas de ouro, tapetes persas e sofás de veludo.

— Grigore está presente? Adoraria cumprimentá-lo. — Disse Flitwick em tom pouco sincero.

— Não, papai se mudou para Sabrov há alguns anos. Desde que Adriana e eu nos casamos, ele prefere viver em sua cobertura imensa, com piscina, hidro, muitas bebidas e mulheres. — Mihai disse levemente constrangido. — Papai insiste que já foi um líder sério e arguto o suficiente, agora essa é a minha função e que quer aproveitar um pouco os prazeres da vida.

— Bem, suponho que não podemos culpá-lo. — Flitwick disse. — E como está Adriana?

— Estou muito bem, Filius, mas preocupada com a sua presença em minha casa. — Uma belíssima mulher morena apareceu na sala como se surgisse do nada e Sirius imaginou se algum dia se acostumaria com a rapidez com que se moviam. — Espero que não esteja pretendendo levar meu marido para longe de mim outra vez.

— Adriana! — Mihai a repreendeu chateado. — Não seja grosseira com Filly ou seu amigo e lembre-se que ninguém me obriga a fazer o que não quero, querida.

— Como poderia esquecer. — Ela disse lhe lançando um olhar escuro e irônico.

— Não se preocupe, Adriana, estou aqui apenas para visitar um bom amigo de quem senti muita falta nos últimos anos e usar o seu dom de artesão mágico. — Flitwick não se mostrou ofendido. — Ainda que desde já estendo o convite para que me visitem, os dois, em minha casa em Edimburgo. Nada me deixaria mais feliz do que tê-los em meu lar por uma longa temporada.

— Talvez quando o meu pai sair da sua vida de diversões irresponsáveis. — Mihai disse exasperado. — Infelizmente no momento a responsabilidade de gerir o clã e nossos negócios está todo sobre os meus ombros.

— Você também passou por décadas de diversões irresponsáveis, meu marido, assim, não pode ser muito crítico com o meu sogro. — Adriana alfinetou. — Além disso, você sempre pode dividir um pouco das responsabilidades comigo, mas prefere me manter distante de tudo.

— Isso porque o clã apenas a tolera e a última coisa que preciso é de uma rebelião. — Mihai passou a mão pelos cabelos se mostrando zangado. — Esse não é um assunto que quero voltar a discutir, muito menos quando Filly está nos visitando depois de tanto tempo.

— Bem, apenas tenho a esperança de que Filius coloque um pouco de bom senso nessa sua cabeça dura. — — Adriana disse antes de concentrar seus olhos negros em Sirius. — E você? Que cheiro curioso tem o seu sangue, acho que nunca provei... — Ela se aproximou e Sirius se controlou para não se afastar e mostrar que sua fome era um pouco assustadora. — Hum... você não é um lobisomem, o cheiro deles é nojento, mas ainda...

— Sou um animagus cachorro. — Sirius respondeu antes de se inclinar educadamente. — Sirius Orion Black, Milady, aos seus serviços.

— Todos os serviços? — Ela se aproximou mais, o cercando e lançando um olhar provocador. Mihai grunhiu do outro lado da sala e Adriana se deteve, sorrindo como se tivesse alcançado o seu objetivo com suas provocações. — Lamento, mas meu marido não gosta de compartilhar os seus brinquedos.

Sirius não teve a chance de responder, porque no segundo seguinte, Adriana não estava mais na sala. Suspirando de alívio, Sirius olhou para Flitwick mostrando em seu olhar que não gostava do lugar onde tinham se enfiado.

— Lamento por minha esposa, ela gosta demais de seus joguinhos. — Mihai disse e sua animação de antes tinha desaparecido.

— Pensei que já tinham se entendido, Mihai. — Flitwick mostrou preocupação.

— Nós estamos bem, Filly, apenas continuamos em desacordo sobre essa questão apontada por Adriana. — Mihai apontou o sofá e esperou que eles se sentassem antes de se acomodar. — O clã nunca aceitou o meu casamento com Adriana e não confiam nela, assim colocá-la para administrar questões da família ou dos negócios do clã geraria uma revolta. Pior, isso poderia colocá-la em perigo, pois existem mais de um membro do clã que não hesitaria em tentar um golpe.

— Porque eles não confiam nela? — Sirius perguntou curioso. — Se não se importa que eu pergunte.

— Não, claro que não. Não temos nada a esconder ou nos envergonhar. — Mihai se levantou e foi até a janela que dava para o norte. — Mais ao Norte fica a Transilvânia e imagino que você sabe o que aconteceu lá no fim do século passado.

— Drácula. — Sirius respondeu conhecendo bem a história.

— Sim. O maldito era um purista, xenofóbico e sanguinário. — Mihai disse. — Ele aterrorizou a região por décadas e nosso clã perdeu muitos membros, assassinados por Drácula e seus seguidores. Em 1895, nos juntamos aos clãs de toda a Romênia e os destruímos, mas Adriana e alguns outros não eram iguais aqueles monstros. Adriana é prima distante de minha mãe e eu a conheci quando ela era bem jovem, antes de toda essa loucura que Drácula criou com os assassinatos de trouxas e bruxos estrangeiros. Ele chegou tão perto de quebrar o Estatuto de Sigilo e o Ministério da Magia romeno ameaçou expulsar os clãs de vampiros do país se não resolvêssemos o problema.

— Mas vocês resolveram. — Sirius observou e se lembrou que a União dos Clãs fora a única maneira de acabar com a loucura de Drácula em limpar a Romênia de trouxas e estrangeiros.

— Sim, nós somos o país europeu com mais clãs de vampiros e nunca poderíamos considerar deixar nossos lares, assim, apesar das rivalidades, nós conseguimos nos unir o suficiente para pôr fim aquele horror. Mas o que fazer com os que, como Adriana, nada tiveram nada a ver com a Guerra da Noite? — Mihai apontou o problema. — Os líderes dos clãs queriam exterminá-los todos, o Ministério queria prendê-los para sempre em uma cela em Turnu, mas eu e alguns outros lutamos contra essas duas ideias até que chegamos a um consenso. Cada um seria julgado individualmente por suas ações e punido de acordo, mas Adriana só poderia ficar livre se alguém assumisse a sua tutela, ou seja, que se assegurasse de que ela não agiria em vingança em nome de seu pai.

— Adriana é filha de Drácula? — Sirius se mostrou surpreso.

— Sim, mas ela não é nada como o pai ou seus irmãos. — Mihai se apressou em responder.

— Claro que não, eu jamais suporia...

— Milorde, a mesa do café da manhã está preparada. — Augustin apareceu como uma sombra.

— Maravilha! — Mihai gesticulou animado e os guiou para a sala de jantar informal que tinha uma mesa de 16 cadeiras. — Por favor, comam à vontade! Nada me deixa mais feliz do que recebê-los em minha casa!

Ele realmente parecia emocionado e Sirius adivinhou que era uma mistura de rever Flitwick depois de tanto tempo e o prazer de ser o anfitrião em seu lar.

— Como você conseguiu salvar Adriana e se casar com ela ainda por cima? — Sirius perguntou enquanto enchia o prato de inúmeros tipos diferentes de alimentos desconhecidos, mas de aparência deliciosa.

— Mamãe tentou assumir alegando o parentesco distante, mas os lideres só aceitavam a tutela de um homem e líder de clã, assim apelei para o meu pai que disse que aceitaria em meu nome, mas que a responsabilidade seria minha. — Mihai se serviu de um copo de vinho tinto. — Eu concordei sem saber que entre os acordos firmados, ele assinou o nosso noivado e futuro casamento. — Mihai gesticulou bruscamente, mas incrivelmente nenhuma gota de vinho caiu de sua taça. — Entenda que para um vampiro, encontrar a sua companheira é algo especial e ele só a procura quando se sente pronto. Adriana é minha companheira, mas eu não estava preparado para reconhecer isso ou me comprometer com ela, muito menos em circunstâncias tão injustas, onde fomos obrigados um ao outro. — Sirius acenou entendendo o sentimento. — Assim, eu me revoltei e fugi, mas antes garanti que ela ficaria segura, claro.

— Como fez isso? — Sirius perguntou deliciado pela história e pela comida romena saborosa.

— Eu entrei em contato com um velho amigo irlandês, Abraham Stoker. — Mihai continuou. — Bram era um bruxo nascido trouxa e escritor que tinha viajado pela Romênia em sua juventude. Nos tornamos amigos e quando Drácula começou a sua loucura, eu o levei em segurança até Paris. Como retorno a esse favor, eu pedi a ele que contasse uma versão da história de Drácula como um livro de ficção e o publicasse no mundo trouxa. O livro, Drácula, foi um sucesso estrondoso e a Transilvânia se tornou o palco de muitos olhares, visitas e atenção de trouxas e bruxos. Eu abri o antigo castelo do Clã Balaur para visitações dos turistas, transformei a verdade em lenda e em um negócio lucrativo para o clã. Também deixei claro que se alguém a atacasse, eu faria um inferno ainda maior do que Drácula fez e queimaria a Romênia ao chão.

Seu tom deixava claro que ele falava muito sério e seus olhos azuis escureceram perigosos.

— Para onde você foi? — Sirius perguntou e Mihai sorriu voltando a ser a pessoa animada e cheia de energia de antes.

— Para todos os lugares! — Ele falou tão alto que mais parecia um grito e Sirius tentou se lembrar que os romenos eram de origem latina, mas ainda era estranho ver um vampiro tão alegre. — E foi quando eu conheci o meu amigo, Filly! — Ele olhou para Flitwick com amor. — Em uma arena em Tirana, assisti a luta de espada mais impressionante em séculos! Um bruxo grego de 150 quilos que poderia esmagar a maioria dos homens e Filius Flitwick! Adivinha quem ganhou? — Sirius e Mihai olharam para o professor diminuto que se elevava magicamente na cadeira e comia com satisfação.

— Estava com saudades da comida romena tanto quanto de você, Mihai. — Flitwick disse simplesmente e Mihai caiu na gargalhada, bateu palmas e parecia que iria chorar de emoção.

— Filly ganhou! Reduziu o grego a um bebê chorão e venceu o torneio! Então, eu me aproximei dele para parabenizá-lo e perguntar como ele poderia ser tão bom quando era tão pequeno e ele disse: "Cresça com todos querendo te matar, te rebaixar, te humilhar, te diminuir e você será muito bom em chutar os traseiros dos idiotas". — Mihai voltou a rir alto e Sirius o acompanhou. — Somos amigos desde então!

— Você ainda é um bom contador de história, Mihai. — Flitwick o elogiou mantendo um sorriso carinhosamente divertido. — Sirius, você sabe que viajei por muitos anos, o que nunca lhe contei é que tive a companhia de Mihai e que nossas aventuras, estudos e amizade me tornaram um homem e bruxo melhor.

— Filly! Você não pode dizer uma coisa dessas! Ou todos os meus empregados me chamarão de chorão! — Disse Mihai emocionado. — Eu é que tive a sorte de conhecê-lo e desfrutar da sua amizade, Filly. Sirius, foi o Filly que me ajudou a entender o que Adriana significava para mim e me incentivou a voltar depois de zanzar pelo mundo por décadas! E, quando Adriana se recusou a me perdoar e aceitar o meu amor, Filly me disse que antes de desistir, eu deveria cortejá-la pacientemente pelo mesmo tempo em que estive ausente.

— Sua paciência foi recompensada. — Flitwick disse sorrindo. — O casamento de vocês foi lindo e vejo que está feliz, Mihai e isso muito me alegra.

— Eu estou feliz. — Mihai disse sorrindo e depois sua expressão ficou sombria. — Mas não a minha Adriana, e não sei como deixá-la feliz e protegê-la ao mesmo tempo, Filly.

— Os riscos são tão sérios assim? — Flitwick perguntou surpreso. — O seu clã realmente o trairia, atacaria a sua esposa e companheira?

— A maioria a odeia e parte deles me odeia também. — Mihai disse com expressão sombria. — Eles acham que eu permiti que o sangue do monstro vivesse e se misturasse com o dos líderes do nosso clã. Alguns sussurram que nossos filhos serão amaldiçoados e malditos como Drácula foi. O que nenhum deles entendem é que eles não foram os únicos que perderam naquela maldita guerra, eu perdi muitos amigos e um irmão. Depois que meu pai se afastou e me deixou na liderança do clã, sussurros começaram entre alguns de que eu não era um verdadeiro líder e que eles não querem seguir a filha do demônio.

— E você acredita que a impedir de te ajudar é o melhor caminho para que eles mudem de ideia? — Sirius franziu o cenho. — Porque fazer isso faz parecer que você concorda com eles.

— O que? — Mihai o encarou chocado e se levantou furioso. — Ești orb!? Sau surzi!? (Está cego!? Ou surdo!?) Acabei de dizer que Adriana é minha companheira e nada como o seu pai!

— Sim, mas quando você a deixa afastada dos negócios e assuntos do clã, passa a imagem de que não confia nela. — Sirius argumentou tentando não mostrar medo do vampiro alegre, que parecia bem assustador agora. — Já pensou que o seu pessoal acredita que você se casou com Adriana por obrigação e que não a deixa ajudá-lo como os outros líderes fazem com suas companheiras, porque você acredita que ela é como o pai? Porque teme que ela o traia? — Mihai o encarava assombrado e sem mais raiva. — Talvez os sussurros que você tem ouvido são de pessoas desejando protegê-lo, livrá-lo da ameaça ou planejando o que fazer no caso de ela te matar em seu sono.

— É uma boa teoria, mas vampiros não dormem, Sirius, você sabe disso. — Flitwick disse tranquilamente.

— Você concorda com ele, Filly? Acredita que meu clã a odeia porque acha que eu a odeio? — Mihai se sentou parecendo um adolescente perdido.

— Eu não sei se o Sirius ou a sua percepção está correta, mas sei que o Mihai que eu conhecia não se sentaria esperando para descobrir. — Flitwick disse com olhar arguto. — Muito menos ele se sentaria cordialmente e obedeceria ao mal humor alheio. A questão é o que você quer fazer, Mihai e não o que alguns tolos querem que você faça.

Mihai não respondeu e olhou fixamente para o seu vinho enquanto Sirius e Flitwick terminavam o seu café da manhã.

— Vocês me deram muito o que pensar. — Ele disse por fim quando percebeu que eles tinham terminado a refeição. — Como sempre, Filly, você me traz bons sentimentos e boas ideias. Agora, vamos aos negócios! — Ele se levantou e os orientou por um corredor que os levou até um jardim interno, que os conduziu por outro corredor até uma porta de madeira arredondada. — Minha oficina. Entre, por favor. — Sirius e Flitwick entraram em uma ampla sala com mesas, bancadas, bancos e centenas de tipos diferentes de matérias primas, ferramentas e objetos. Janelas amplas estavam abertas para a floresta e iluminava o ambiente de trabalho. — Na sua carta você me disse que precisa de um objeto mágico, Filly, mas não quis especificar o que ou para o que.

— Infelizmente o sigilo é deveras importante, Mihai. — Flitwick disse sentando em um banco alto com a ajuda da magia. — Eu jamais pediria um contrato de confidencialidade de um amigo em quem confio a minha vida, mas espero que entenda que as vidas de muitos estão em jogo e, por isso, peço que assine isso.

Mihai olhou surpreso para a pasta com o contrato, mas o assinou sem fazer perguntas.

— Eu confio em você, Filly, se você diz que devo assinar, é o suficiente para mim. — Mihai disse ao lhe devolver a pasta. — Diga-me, em que aventuras andou se metendo desta vez.

Isso fez Flitwick suspirar e depois rir meio desconcertado.

— Ah, meu amigo, por onde eu começo?

Entre Sirius e Flitwick, os dois conseguiram fazer um resumo dos acontecimentos que levaram a união das matilhas que agora viviam em Stronghold. Apesar de Harry ser o ponto central do conto, eles não mencionaram a GER ou a profecia, horcrux, apenas explicaram sobre como Voldemort ainda estava vivo, como Harry lutara com ele duas vezes e que quando a guerra recomeçasse, o mundo mágico britânico precisava estar pronto. Ajudar os lobisomens, além de ser o certo, era uma maneira de enfraquecer Voldemort e seu exército, assim, ajudar a nova Grande Matilha a se fortalecer e viver em paz era um objetivo importante, tanto quanto lhes dar um lar.

— E vocês acreditam que um objeto mágico que escolha o alfa... desculpe, os alfas, é a maneira mais justa de conduzir ou administrar esse novo clã. — Mihai disse pensativo. — Curioso. Eu vivo há muitos séculos e vi muitas maneiras de lideranças. Hereditária, pela força bruta ou mágica, parlamentar, ou pela democracia trouxa que é tão corruptível apesar de bem-intencionada. Acredito que é a primeira vez que vejo um povo mágico confiar na magia para escolher os seus líderes. E justamente os lobisomens concordaram com isso? — Ele se mostrou cético. — Sem querer ser preconceituoso, mas os lobisomens são ainda mais territoriais do que os vampiros e sentem uma grande necessidade por domínio e controle. Acredito os alfas das antigas matilhas terão muitas dificuldades em aceitar um papel de beta.

— Eles assinaram o Tratado, farão o ritual com o Harry e aceitaram que os alfas sejam escolhidos por um objeto mágico. — Flitwick argumentou. — Não me pareciam insinceros ou revoltados.

— Não estou duvidando da sinceridade ou lealdade deles, mesmo a ideia não me parece ruim, mas acho que vocês devem se preparar para o fato de que tudo isso não evitará as disputas por poder. — Mihai caminhou pela oficina, gesticulando amplamente. — Eu vi centenas de reinos e governos se levantarem e caírem ao longo dos séculos e a maioria deles começaram com bons ideais, Filly. No entanto, eles foram traídos, corrompidos, invadidos ou assassinados por inimigos que em sua maioria estavam posicionados bem ao lado dos seus governantes e reis. Isso é a natureza humana, ela não aceita viver passivamente, pelo contrário, os humanos são ambiciosos, inconformados, desafiadores e egoístas. Agora, imagine um humano com um lobo dentro de si, territorial, dominador, um caçador, acredita que a paz que vocês buscam se resolverá com um cálice mágico? — Sirius e Flitwick trocaram um olhar preocupados, mas não sabiam o que responder. — Eu farei o objeto mágico, Filly, jamais lhe negaria nada, meu amigo, mas acredito que vocês devem se preparar para que ele não seja o suficiente para evitar conflitos, violências ou traições. As relações humanas não podem ser controladas por um simples objeto, por mais magicamente poderoso que ele seja, não se esqueçam disso. — Mihai sorriu mais positivo. — É isso que o garoto, Harry Potter, está fazendo, certo? Se preparando com antecedência para uma guerra anunciada?

— Sim. — Sirius disse suavemente e Flitwick acenou pensativo.

— Bem, meu conselho é que façam o mesmo com a Grande Matilha, preparem-se. — Sirius e Flitwick acenaram em acordo. — Ele parece ser alguém que vale a pena conhecer. — Mihai disse sorrindo. — Harry, quero dizer, por suas descrições, ele parece ser um jovem de coração bondoso e mente arguta. Incrivelmente, um nem sempre é acompanhado do outro.

— Harry é ainda mais especial, Mihai, pois além de bondade e inteligência, ele tem uma coragem e nobreza incomparáveis. — Flitwick disse com um sorriso orgulhoso.

— Você o admira! — Mihai exclamou surpreso.

— Absolutamente! Quando o conhecer, você entenderá o porquê, Mihai. Apenas lhe digo que jamais conheci um jovem tão incrível quanto Harry Potter. — Flitwick disse em tom sincero. — E é por isso que eu o tomei como o meu aprendiz.

— O que? — Mihai parou de andar e encarou seu velho amigo. — Você realmente... Lembro-me que me disse em vários momentos que não tinha interesse em tomar um aprendiz, Filly. O que mudou?

— Harry. — Flitwick deu de ombros. — Ele é especial, precisa desse conhecimento e não tinha mais ninguém para ajudá-lo. Minha reticência com a ideia de passar o meu conhecimento como Mestre de Duelo sempre existiu porque eu temia a responsabilidade de dotar alguém com tantos e perigosos conhecimentos.

— É justo. — Mihai disse sabiamente. — Um verdadeiro Mestre é para sempre responsável por seu aprendiz. O que ele fizer com os seus ensinamentos pesará em seus ombros como se fosse a sua própria varinha que realizou o mal. Sabe, Filly, agora fiquei ainda mais curioso para conhecer esse tal de Harry Potter. — Ele sorriu levemente envergonhado. — E sim, estou um pouco enciumado de sua amizade com ele, me condene a vontade.

Flitwick riu divertidamente.

— Jamais o condenaria por uma fraqueza tão humana, bruxo-vampiro. — Ele disse e Mihai abriu um sorriso largo com a provocação antiga.

— Hum... Mihai, você tem uma ideia de quando poderá nos entregar o objeto mágico e o que exatamente irá construir? — Sirius interrompeu a camaradagem entre os amigos.

— Não e não. — Mihai gesticulou com os braços mostrando a oficina. — Minha magia é parte de mim, assim como o meu dom e o meu conhecimento dos muitos mundos que vi em minha longa vida. Isso parece o suficiente, mas nem sempre é, a inspiração chega de maneiras distintas, estranhas e eu apenas espero pacientemente por ela. — Ele caminhou e tocou os objetos, metais, madeira, pedras e pedras preciosas, sentindo suas magias e seus olhos azuis cintilaram como se fossem estrelas e a magia crepitou no ar. — Em breve eu saberei... e prometo que será exatamente o que precisam. — Flitwick e Sirius se mantiveram em silêncio até que Mihai voltou do mundo que o absorveu e suspirou, depois bateu palmas e sorriu amplamente. — Enquanto isso, aproveitamos o fim de semana! O que faremos primeiro?

O fim de semana foi animado e descontraído, principalmente, (segundo Flitwick), porque o pai de Mihai não deu as caras. Adriana reapareceu e se mostrou uma anfitriã perfeita, abraçando carinhosamente ao Flitwick e mostrando que também estava feliz com a sua visita. Ela também fez companhia ao Sirius, (sem provocações) enquanto Mihai e Flitwick colocavam a conversa em dia e matavam as saudades. Sirius descobriu que além de bonita, Adriana era muito inteligente e interessante.

— Sei que Filius não é o culpado da longa ausência do meu marido, mas Mihai conta sobre suas aventuras com tanta animação e saudades que sempre temo que ele volte a elas. — Ela disse enquanto caminhavam pelo lindo jardim depois de um delicioso jantar. — Ver sua alegria ao revê-lo me faz sentir que...

— Que você não é o suficiente? — Sirius especulou e o silêncio dela foi a resposta. — Pelo grunhido que ele deu quando você se aproximou de mim, eu não desacreditaria do seu amor.

— Vampiros são territoriais e sua reação espelha isso. — Ela disse claramente mostrando que não dava importância a possessividade vampírica. — E amor as vezes não é o suficiente, você como homem deve saber disso. Aposto que viver apenas para uma mulher não é uma ideia que o atraia ou não seria solteiro, Sirius. E como meu marido, você não gostaria de abandonar suas aventuras ou diversões com seus amigos.

Sirius riu pela ironia e imprecisão do comentário.

— Não julgue, Adriana, há muito mais em mim do que esse rostinho bonito. — Ele disse e ganhou um sorriso divertido de Adriana. — Sabe, acho que entendo melhor essa questão de possessividade vampírica, pois me parece uma tolice que você acredite que Mihai não pode amá-la, se dedicar a você e ainda viver aventuras ou se divertir com amigos. Você não quer dividi-lo com ninguém, Adriana e neste ponto está certa, ninguém pode ser feliz preso em uma gaiola.

Adriana caminhou em silêncio por um tempo, antes de suspirar e mudar de assunto.

— Conte-me o que assombra esses lindos olhos cinzas. — Ela disse gentilmente.

— Ah... — Sirius suspirou longamente e o rosto de Emily surgiu em sua mente. — Não vale a pena falar sobre mim, acredite, minha história é bem sem graça.

Adriana riu divertidamente.

— Duvido muito. Vamos, podemos dar mais algumas voltas pelos jardins e deixar aqueles dois relembrarem os velhos tempos. — Ela disse e Sirius acenou desistindo e contando sobre sua prisão em Azkaban, as perdas dos amigos na guerra e como ele se comprometera a ser um bom padrinho para o Harry e ajudá-lo na guerra que viria. Por fim, relutantemente, ele contou sobre as suas dificuldades com Emily.

— Dumnezeu! (Deus!) O que há de sem graça em sua vida, jovem Sirius? — Adriana o encarou impressionada. — Não direi nada sobre a injustiça que sofreu ou falarei palavrões pela eternidade, mas lhe digo que abandonar esta Emily não foi muito gentil. Eu também fui abandonada, em outras circunstâncias, é verdade, mas você se sente o pior e mais fedorento dos lixos. — Seu olhar expressou a sua dor.

— Você o perdoou? — Sirius perguntou.

— Sim, porque o amo, mas a dor nunca será apagada. — Ela disse sincera.

— Eu não tive a intenção de abandoná-la. — Sirius suspirou. — Emily é forte, independente e detesta alguém tentando manipulá-la, pressioná-la, dominá-la e eu amo exatamente assim. Não a quero dócil, submissa ou insegura, sempre gostei de mulheres fortes e seguras, sabe, e sinto que nós dois somos companheiros. — Ele bagunçou os cabelos. — Eu segui os meus instintos, me afastei para que ela se decidisse por si mesma, mas acho que fiz besteira.

— Talvez não, talvez os seus instintos estejam certos, Sirius, afinal, você a conhece melhor do que qualquer um e se ela teme se perder ao amá-lo, é possível que precisasse desse distanciamento para chegar a uma decisão. — Adriana apontou sabiamente. — Não sou a melhor em dar conselhos amorosos, eu só amei o meu Mihai, desde que o conheci e esperei pacientemente por ele. Primeiro, esperei que ele me notasse, depois, quando me tornei um peso e uma obrigação, esperei que seu ressentimento desaparecesse e que abrisse o seu coração para mim. Tudo o que fiz foi esperar e esperar... — Ela suspirou e parecia ainda mais bonita, os cabelos escuros, pele pálida e olhos negros, como um quadro da renascença. — Assim, admiro sua paciência e desprendimento, espero que a sua Emily valorize isso.

— Posso fazer uma pergunta indiscreta? — Sirius a olhou curioso.

— Ora, você deve tomar muito cuidado com indiscrições em Ardelean, Sirius, meu marido é muito alegre e animado para um vampiro, mas ainda é um vampiro. — Ela disse maliciosamente e Sirius riu.

— É bom saber que ele é diferente, estava imaginando se todos os vampiros romenos são tão... — Sirius gesticulou com os braços expansivamente como Mihai e Adriana soltou uma gargalhada alta.

— Oh, meu... — Ela ainda tentava controlar o riso quando acenou negativamente. — Não, meu Mihai é especial, apesar dos séculos de vida, ainda consegue encontrar vida, magia e prazeres em cada momento. Esse é um dos motivos que eu o amo... — Seus olhos tinham um brilho de amor inconfundível. — Mas me faça a sua pergunta indiscreta, agora estou curiosa.

— Apenas queria lhe perguntar qual a sua idade? — Sirius perguntou timidamente.

— Ah! Eu não me importo em dizer, até porque sou jovem para um vampiro. — Disse ela displicentemente. — Eu nasci em 1778, de uma das esposas do meu pai e sempre fui ignorada por ele e sua corte, felizmente. Drácula tinha poucos interesses em sua vida e uma filha com certeza não seria um deles.

— Sua mãe ainda vive? — Sirius sussurrou e Adriana acenou negativamente e sua expressão se tornou sombria.

— Drácula era obcecado por mulheres, qualquer uma que o intrigasse e o atraísse com sua beleza, seu poder mágico, talento como atriz ou uma bela voz, ou a melhor das dançarinas... — Ela acenou como se os porquês não importassem. — Ele as seduzia com magia, com sua beleza e poder sem quaisquer escrúpulos e sugava suas vidas, não apenas os seus sangues, mas suas essências. As mulheres se tornavam apáticas, fracas, tristes, mas ainda eram obrigadas a entretê-lo, cantar, dançar, contracenar, trepar até que sua obsessão se desfizesse e ele passasse para a próxima mulher. Aquelas que lhe davam um filho, como minha mãe, ficavam presas no castelo, mas as outras eram livres para ir, se ainda não tivessem enlouquecido. Minha mãe enlouqueceu como a maioria e, quando eu tinha 4 anos, ela se matou, jogou a nós duas em uma fogueira, eu sobrevivi porque acordei e minha magia me tirou das chamas.

— Sua história também não é nada sem graça, admito. — Sirius disse depois de um tempo de silêncio chocado.

Adriana gargalhou divertidamente e espantou as lembranças tristes do passado.

No domingo, eles cavalgarão e Sirius pode conhecer a beleza da região de Brasov, além de conversar mais com Mihai.

— Você e Adriana parecem ter se tornado bons amigos. — O vampiro disse enciumado.

— Espero que isso não seja um problema. — Sirius disse divertidamente. — Pelo que você me disse, Adriana não tem amigos entre o seu clã e imagino que isso não seria diferente nos clãs vizinhos. Ela não pode sair livremente e interagir com trouxas, obviamente, assim, Adriana deve se sentir muito solitária. Além disso, se ela o divide com os seus amigos, acredito que você pode lhe mostrar a mesma consideração.

Mihai ficou em silêncio por um tempo antes de dizer teimosamente.

— Eu não acho que minha companheira seja solitária, afinal ela tem a mim.

— Sim. E você seria feliz apenas com ela? Sem liderar o seu clã, se divertir com seus amigos e familiares? — Sirius perguntou com certa malícia.

— O que ela precisa é ter um filho, assim que isso acontecer, sei que ela será feliz. — Mihai disse e Sirius suspirou.

— E eu pensando que tinha problemas com a Denver, quase me sinto melhor ao perceber que dois vampiros seculares são ainda piores que nós. — Ele disse exasperado. — Bem, lembro-me de ler que apenas vampiros bruxos podem procriar, mas os vampiros de origem trouxa ou sem magia não podem. Isso está certo?

— Sim, a magia em nossos corpos nos permite realizar o que queremos como a magia de qualquer outro bruxo, pois a intenção é o que move a magia. Assim que Adriana quiser verdadeiramente, sua magia lhe permitirá engravidar. — Ele olhou para Sirius. — Porque diz que nós estamos piores do que você e sua Denver?

— Nós somos razoavelmente sinceros um com o outro, abertos sobre quem somos e o que queremos, mas só de conversar brevemente com você e Adriana, percebo que no que é verdadeiramente importante, vocês não se conhecem. — Sirius disse sincero. — Eu recebi de uma amiga querida um conselho e acho que vale mais para você do que para mim, Mihai. Deixe seus sentimentos bem claros para Adriana e pergunte sobre os dela de mente aberta, não com suposições tolas de que para ser feliz uma mulher precisa de filhos. — Sirius parecia zangado. — Minha Emily é estéril porque foi estuprada quando criança e sei que posso fazê-la feliz mesmo sem termos filhos. Eu me dedicarei a ela e a amarei, mas também ouvirei o que lhe é importante e o que seu coração deseja. Eu pretendo cercá-la de amigos, família e vida porque ela merece ser amada, não a manterei em um castelo, protegida, mas solitária e infeliz.

Depois dessa conversa, os dois se mantiveram mais calados, Mihai pensando no que ouvira e Sirius com muita saudade de Emily. As despedidas chegaram rápido demais e a emoção entre Flitwick e Mihai era comovente, principalmente quando se prometeram não ficar mais 18 anos sem se verem.

— Adriana e eu levaremos o objeto mágico pessoalmente até vocês, Filly. — Disse Mihai solenemente.

— Maravilha! — Flitwick exclamou saltitante de alegria.

— Realmente? — Adriana sussurrou esperançosa e surpresa.

— Sim. Acredito que é mais do que hora de lhe mostrar alguns lugares bonitos deste mundo e lhe apresentar a algumas pessoas que não a tratarão mal por ser quem é. — Mihai disse pegando a sua mão. — Filly me falou de algumas pessoas incríveis que querem mudar o mundo e estou curioso para encontrá-los também, mas só irei se vier comigo, meu amor.

— É claro que irei! — Adriana exclamou e saltou nos braços de Mihai lhe dando um beijo quente.

— Acho que é nossa deixa para sair. — Flitwick disse divertidamente e Sirius não poderia concordar mais.

Os dois fizeram a viagem de volta aparatando em pequenos saltos de centenas de quilômetros, pois não estavam interessados em perder tempo em trens trouxas, por mais interessantes que eles fossem. Eles foram separadamente, exigindo menos magicamente e com a esperança de não serem detectados pelos Ministérios. Como precisavam parar para descansar e se alimentar em Paris, marcaram em um ponto específico e depois se acomodaram em um restaurante com vista para o Sena. Durante a refeição, conversaram sobre a reunião daquela noite com o Harry por espelho chamada.

— Antes me encontrarei com Mason, quero lhe perguntar sobre as transformações animagus. — Flitwick disse. — Mas acredito que chegarei a tempo para a reunião. Você quer vir comigo? Sei que está interessado em fazer o ritual e Mason não se importará quando lhe disser que você será discreto sobre a sua identidade.

— Sinto muito, professor, adorei nossa viajem, mas nos separaremos em Londres. — Sirius disse movendo-se inquieto e irritado pela necessidade de ficar parado para descansar.

— Onde pretende ir? — Flitwick perguntou já sabendo a resposta.

— Vou até a Emily. Preciso vê-la. — Sirius disse esfregando o peito que doía de saudades.

E era o suficiente para que Flitwick não o questionasse mais, apenas lhe desejou boa sorte quando se despediram na Mansão Boot em Londres. Sirius correu para cima, pois queria tomar um banho e se vestir bem, não podia tentar reconquistar a sua Emily com sujeira da viajem e roupas simples, ele queria estar cheiroso e bonito.

— Serafina, estou saindo, mas volto a tempo para a reunião. — Sirius disse percebendo que teria pouco tempo com Emily, mas se recusava a esperar mais.

— Tem uma visita para você na sala de estar. — Serafina respondeu.

— Você não pode dizer que ainda não cheguei da viajem? — Perguntou ele aflito ao supor que fosse algo sobre o trabalho ou o Partido. — Eu realmente...

— Não dá, pois ela está aqui porque eu lhe avisei que você tinha chegado. — Serafina abriu a porta da sala e Sirius perdeu o fôlego ao ver Emily perto da janela, olhando para a rua em frente a mansão.

— Emily! — Ele exclamou o seu espanto ao entrar na sala e nem percebeu que Serafina fechou a porta atrás de si.

— Sirius... — Ela se virou e parecia hesitante ou insegura, fato que o incomodou. — Você voltou.

— Sim, cheguei a instantes, só tive tempo de tomar um banho... — Ele percebeu que o papo era só enrolação e deveria ir direto ao ponto. — Olha, Emily...

— Não. — Ela o interrompeu e se aproximou alguns passos. — Me deixa falar primeiro, por favor, eu tenho algumas coisas que preciso dizer. — Emily parecia mais determinada e Sirius assentiu em acordo. — Ok. Quando começamos a sair, apesar de ser proibido, nós dois concordamos que seria algo casual, apenas diversão sem compromisso. — Sirius voltou a acenar. — Eu relutei por meus próprios motivos e por causa das nossas carreiras, que eram tão importantes para nós dois. A minha carreira, meu trabalho foi tudo para mim por anos e, sinceramente, nunca acreditei que ser um auror dedicado combinasse com casamento e filhos. — Denver passou a mão pelos cabelos curtos e os bagunçou desajeitadamente. — No entanto, apesar de saber de tudo isso, desde o primeiro momento em que ficamos juntos, você quis mais e me pressionou, empurrou de novo e mais uma vez. Quando eu cedia um pouco de espaço, você pressionava por mais um pedaço, quando eu aceitava algo que recusei inicialmente, você me enchia de mais possibilidades impossíveis e quando eu o empurrava para longe, você fincava os pés e não saia da porra do lugar. — Ela o encarou com olhos duros e Sirius sentiu seu coração se acelerar. — Então, há uma semana, você simplesmente partiu, depois de ser intrometido, desrespeito e insistente por meses, você simplesmente desistiu.

— Emily... — Sirius deu um passo à frente pronto para dizer tudo o pretendia e se desculpar por inadvertidamente abandoná-la.

— Deixe-me concluir, por favor. Isso é importante. — Denver disse sem fôlego e Sirius acenou, mesmo que por dentro estivesse meio apavorado. — Percebi durante essa semana que eu estava certa o tempo todo e que nossa relação é impossível, Sirius. — Denver disse andando agitadamente pela sala e não percebeu que Sirius empalideceu. — Eu sou como sou e você precisa de alguém com quem não tenha que lutar por um pedaço a cada passo do caminho. Você merece ser amado incondicionalmente, ser cuidado com toda a dedicação e carinho, e eu não sou essa pessoa. Como poderia? — Ela respirou fundo e Sirius sentiu o coração doer ao perceber que ela estava terminando tudo e que ele a perderia para sempre. — Você estava certo sobre o porquê de eu agir como uma pirada na semana passada. O fim de semana me apavorou e minha conversa com o Harry foi como um mergulho em águas congelantes. Minha raiva tinha vários motivos e o principal deles foi que eu sabia que você não entenderia o que eu estava sentindo... Merlin, eu tinha certeza que você pressionaria, lutaria por mais um pedaço de mim e por mais espaço em minha vida, mesmo que eu estivesse em completo pânico de me perder. Minha raiva era dirigida a você e a mim, porque eu sabia que cederia mais uma vez, que eu não conseguiria empurrá-lo com força o suficiente e que mesmo se eu tentasse, você fincaria os pés e não se afastaria. — Ela o olhou com atenção, como se tentasse entendê-lo. — Mas você se afastou. — Sirius acenou e engoliu em seco esquecido de todos os conselhos que recebera e pronto para implorar por mais uma chance. — Eu não sei em que momento isso aconteceu, mas você me conhece de uma maneira que ninguém jamais conheceu e sempre parece saber o que eu preciso. Eu percebi que você não pressiona apenas para se impor ou para me dominar ou a nossa relação. Você me empurra quando sente que estou pronta e recua quando percebe que preciso de mais tempo para me encontrar entre nós dois. Isso é... — Ela parou quando sua voz se embargou pela emoção. — ... desconcertante, ter alguém que me conhece assim e está disposto a dedicar-me seu tempo, a me amar como sou, incondicionalmente. — Emily pigarreou para tirar o bolo que se formou em sua garganta. — Eu agradeço por isso e por se afastar, por entender e respeitar que eu precisava encontrar o meu caminho até você por mim mesma, porque você merece isso de mim.

— Emily... — Sirius deu mais um passo à frente sentindo o coração bater como um tambor de pura esperança.

— Eu ainda acho que estarmos juntos é uma loucura e não consigo deixar de temer o futuro. — Denver continuou. — Eu ainda sou a mesma pessoa, com um trabalho exigente e fundamental para quem sou, mas... — Ela o olhou com sinceridade. — Eu reconheço que a nossa relação é... o melhor que já aconteceu em minha vida e que apesar de todos meus medos, perder você ser tornou o maior de todos eles. Então, eu não posso fazer promessas para o futuro, Sirius, apenas admito para nós dois que... — Seus olhos se encheram de lágrimas. — Eu realmente amo você e que se você ainda quiser...

Mas Emily não precisou terminar porque em dois passos rápidos Sirius a alcançou e a pegou em seus braços. Ele a apertou com força e a beijou com força, sem romantismo, delicadeza ou hesitações, apenas com a fome que vem do desejo e do medo, tudo misturado e ao mesmo tempo tão claro que era doloroso.

Quando o beijo terminou, os dois estavam ofegantes, com as bocas marcadas e olhares de desejo.

— Deixe-me te mostrar o quanto eu quero. — Ele disse e, ainda abraçado fortemente a Emily, Sirius os aparatou para o segundo andar, para o seu quarto na mansão. — Deixe-me pressionar um pouco mais... — Ele encheu sua boca de beijinhos enquanto a empurrava de costas em direção a cama. — Dê-me mais um pedaço de você... — Ele tirou a blusa dela. — Deixe-me entrar em seu coração. — Ele tirou a própria camisa.

— Você já fez isso. — Ela disse quando ele a deitou na cama. — Você o invadiu...

— Não... — Sirius disser sem fôlego ao se deitar sobre o seu corpo comprido e magro e beijou seu seio esquerdo onde o seu coração batia acelerado. — Você é a mulher mais forte que eu conheço e jamais amaria um invasor... — Ele a encarou nos olhos com amor e admiração. — Apesar dos seus medos, você me acolheu em seu coração e... me desconcerta que eu tenha o privilégio de ser amado por você.

Então, ele a beijou outra vez e a fome era tudo o que havia. O desejo, a necessidade, a saudade, seus corpos, seu ritmo, o prazer, dar, receber, explodir e amar com tanta intensidade que o mundo parecia se mover, se desfazer e recomeçar apenas um no outro.