N/A: Crepúsculo não me pertence.
Olá! Essa fic faz parte do Projeto One-Shot Oculta, um amigo oculto entre autoras do fandom de Crepúsculo. Confira as regras e todas as participantes na página bit (ponto) ly (barra) POSOffnet
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Essa fanfic é dedicada à minha amiga oculta que se perdeu do clã entre uma mudança e outra. ACullenPerdida, essa one foi inspirada no seu combo 1, música I'd lie da Taylor Swift. Eu soube o que fazer no momento em que bati o olho, mas isso não quer dizer que eu não tenha surtado do início ao fim do processo de escrita. Obrigada por me proporcionar isso! Foi feito com muito amor e cuidado. E respondendo a pergunta que você tem se feito durante todo esse tempo: Eu amei seus combos. Espero que goste do que escrevi.
Um muito obrigada à Jess e Sarinha que me ajudaram em parte do processo, me incentivando e dando opiniões valiosas.
E um agradecimento especial à Dê que aturou todos os meus surtos, me ajudou em cada detalhe, até a última hora, sem você essa história não teria saído. Obrigada por tudo amiga.
Bella pulou da cama às 6h30m. Foi quase impossível dormir a noite devido à ansiedade para o que o dia de hoje reservava.
Dia de receber a resposta sobre a faculdade que escolhera.
Ela correu para o banheiro e realizou sua higiene matinal. Tinha acabado de passar uma máscara verde no rosto quando alguém bateu à porta.
— Entra, entra! — Gritou do banheiro.
— Bom dia, princesa! — A empregada desejou ao adentrar o cômodo empurrando o carrinho com o café da manhã. — Acordou cedo hoje!
— Bom dia, Kate! — Ela sorriu e correu até o carrinho, vasculhando-o. — Eu estou um pouco ansiosa... Nada de cartas? — A moça balançou a cabeça, negando. — Droga! — resmungou, desabando na cadeira.
— Era algo importante, senhorita? — Kate perguntou enquanto colocava o café da manhã sobre a mesa.
— Na verdade, sim. — Ela suspirou. — Se algo for entregue para mim, você me avisa imediatamente, tá bom?
— Pode deixar! — Ela fez uma reverência e deixou os aposentos.
Bella é a princesa de Mônaco e, como filha única, em algum momento herdará as responsabilidades dos pais. Entretanto, isso nem mesmo é uma preocupação para a jovem. Ela tem uma longa lista de desejos e sonhos a serem realizados antes de assumir o posto.
A menina sempre foi um espírito livre, cheia de vontades, sonhos, energia e um poço de curiosidade. Sempre amou os registros, sejam eles contados por historiadores, por uma peça de teatro, por um filme, pintados em uma tela, fotografados ou apenas gravados na memória.
Ela tentou a pintura, mas após aulas e mais aulas sobre como melhorar sua técnica e não obter sucesso, decidiu que isso definitivamente não era para ela. Depois de passar pela trágica experiência do teatro e descobrir da pior maneira que não era uma boa contadora de história, finalmente se encontrou na fotografia aos onze anos, e desde então essa tem sido sua paixão e obsessão. Então quando ela descobriu aos doze anos que poderia cursar fotografia, colocou isso como prioridade na lista de desejos.
Não, ela não precisava, e não foi fácil convencer os pais a deixá-la fazer a faculdade, mas depois de tanta insistência eles acabaram cedendo.
A porta abriu de repente, o que a fez dar um pulo da cadeira.
— Você não sabe bater?
— Que droga é essa no seu rosto? — Edward riu ao se sentar e colocar três sacolas ao lado da cadeira.
— Hidratação profunda, separei um pouco para passar no seu rosto também.
— Mas não vai passar! — Ele sorriu.
— Eu sei que você adora cuidar desse rostinho, então por favor não se faça de doido! — Ela mordiscou o pão. — Diga! Por quê entrou desse jeito? Esqueceu seus modos em Londres?
Ele mostrou a língua.
— Porque tenho novidades que não podem esperar. — Ele tirou de dentro de seu sobretudo duas cartas. — E sobre Londres, Emmett mandou um beijo e Rose mandou isso. — Ele passou para ela as três sacolas.
Bella pegou as sacolas empolgadas e sorriu ao tirar o conteúdo de dentro
— Eu amo tanto a sua irmã!
— Eca, Bella, eu não preciso ficar vendo isso! — Edward reclamou quando a melhor amiga ajustou um sutiã de renda na direção dos seios por cima do roupão e fez uma dancinha — Nem sei pra que ela te manda lingerie, você nem usa!
— Quem disse que eu não uso? — Ela arqueou uma sobrancelha e Edward ficou vermelho como um pimentão. — Você fica todo constrangido quando falamos nisso, é fofo. — Ela apertou o nariz do amigo.
— Sai pra lá! — Ele deu um tapa em sua mão.
— Tudo bem! — Ela se sentou de novo. — Notícia que não pode esperar! — Bella recordou.
— Dartmouth. — Disse, sem rodeios, e Bella gelou.
— O que tem?
— As cartas chegaram hoje.
— Não recebi a minha. — Ela tentou e falhou em esconder a tristeza em dizer aquilo em voz alta.
— Sim, porque eu peguei. — Ele sorriu hesitante, provavelmente com medo de apanhar ali mesmo.
— Por que caralhos você fez isso? — Ela o fuzilava.
— Não é educado uma princesa usar esse tipo de palavreado. — O amigo zombou.
— Me dá isso aqui. — Ela pulou da cadeira tomando a carta da mão de Edward antes que ele pudesse tentar impedir. — Você recebeu uma? — perguntou um pouco receosa.
— Sim! — Ele sorriu — Queria abrir com você.
Aquilo cutucou algo no coração de Bella, mas ela ignorou aquela sensação e a expulsou da mente.
— Tudo bem! — Ela suspirou. — Pronto?
— Sim.
— No três.
— Um.
— Dois.
— Três.
Eles rasgaram os envelopes no mesmo momento e ficaram em silêncio enquanto procuravam no papel a resposta que queriam.
Edward sorriu ao encontrar a dele, havia sido aprovado para engenharia, começaria em setembro. Ele levantou o rosto da carta e seus olhos encontraram os da melhor amiga. Lágrimas escorriam de seus olhos e ela tinha um semblante triste e um sorriso hesitante.
— Conseguiu? — Ela perguntou.
— Sim. — Edward respondeu sem sorrir, o coração apertado. — E você?
— Também! — Ela sorriu mais e um peso enorme saiu do peito dele.
— Então por que diabos está chorando?
— Vou ter que aturar você todos os dias pelos próximos anos! — Ela se jogou na cama, gargalhando.
— Você é uma idiota, sabia? — Ele se juntou a ela e passou a mão bagunçando o seu cabelo.
Deitados na cama da princesa, os dois permaneceram em silêncio por um tempo.
Bella ia cursar fotografia em Dartmouth. Embarcaria nessa loucura com o melhor amigo. Era basicamente tudo o que ela vinha pedindo aos céus.
— Edward?
— Sim?
— Tem noção que vamos para a faculdade? — Ela se apoiou sobre um cotovelo ficando de lado para olhar o amigo.
— Que loucura, né? — Ele a fitou com os olhos esmeralda. — Sabe, a gente sonhou com isso a adolescência toda e cá estamos nós, indo para a mesma faculdade... juntos!
— Vai ser incrível! — Ela sorriu.
— Bella e Edward saem em uma aventura rumo ao desconhecido: a faculdade. — Ele esticou as mãos para o teto como se pudesse ver a cena se formando ali. — Será que eles vão se dar bem? Será que farão amigos? Será que vão passar a frequentar bares sujos com cheiro de cachaça e cigarro? Será que virarão alcoólatras? Será que vão voltar com o rabo entre as pernas para o castelo? Será que...
— Já chega! — Bella o cutucou. — Já entendi. — Ela riu e ele a acompanhou.
— Quando vai contar para os seus pais? — Ele perguntou.
— Hoje, depois do jantar. — Ela voltou a se deitar. — E você?
— Vou contar na hora do almoço.
Bella apenas assentiu e ficou encarando o teto. Seus pais disseram que ela poderia ir caso fosse aceita, então por que ela se sentia daquele jeito estranho? Talvez por que esperava que com o tempo eles vissem que ela realmente tinha talento e a apoiassem de verdade, ao invés de tratar esse sonho como uma perda de tempo.
— Ei! — Edward a chamou, entrelaçando seus dedos e tombou a cabeça para olhá-la. — Eles vão ficar felizes por você. Tenho certeza! — disse como se pudesse ver claramente os pensamentos que rodopiavam na mente da menina.
— Queria conseguir acreditar. Acho que pra eles vai ser sempre uma grande perda de tempo.
— É o seu sonho? — Ele perguntou e Bella assentiu. — Então é tudo o que importa.
Bella sorriu ao sentir o aperto nas mãos como uma confirmação do que ele acabara de dizer.
Edward chegou ao castelo quando tinha onze anos. É filho do Ministro do Estado e amigo de longa data do pai de Bella, Carlisle Cullen. Sempre lindo, gentil e carismático, o menino atraiu a atenção da princesa logo de cara. Bella quis se aproximar apenas por se sentir bem na presença dele. Um ano depois, os dois com doze anos, eles já tinham se tornado melhores amigos. Eles faziam tudo juntos, brincavam juntos, assistiam filmes juntos, iam à ópera juntos, se metiam em problemas juntos e isso não mudou conforme foram crescendo. Eles se tornaram cada vez mais confidentes e eram como carne e unha. Onde um ia, o outro ia atrás.
Um pouco depois de completar treze anos, Bella viu que sentia algo a mais do que só amizade pelo menino ruivo dos cabelos rebeldes, no entanto, nunca viu nenhum sinal de que isso fosse recíproco, exceto pelo dia em que os dois se beijaram aos quatorze anos. Como todo primeiro beijo, foi no mínimo estranho. Bella sentiu a barriga encher de ar e quando terminou jurou que Edward não queria soltá-la, mas então ele a chamou para jogar bola no jardim e nunca mais falaram no assunto.
Ela achou que estava confundindo os limites entre amizade e algum sentimento a mais que isso, a Bella de quatorze anos preferiu ficar do lado da amizade e guardar essa outra coisa doida no fundo do coração e da mente.
XXX
O dia passou como um borrão.
Como havia dito, Edward conversou com seus pais sobre a faculdade na hora do almoço. Senhor e Senhora Cullen ficaram muito empolgados pela conquista do filho. O coração de Bella quis transbordar de felicidade por ver a mais pura alegria dançando nos olhos do amigo ao contar a reação dos pais. Ela desejou poder sentir aquilo também, sentir aquele apoio sincero.
— Bom, acho que é minha vez! — A morena suspirou assim que Kate deixou o quarto após informá-la que seus pais a esperavam em dez minutos para jantar no jardim.
Ela estava sentada no sofá, enquanto Edward estava jogado no chão da sala da suíte da princesa.
— Vai dar certo! — Ele se sentou.
— E se não der?
— Eles não te falaram que você podia ir caso conseguisse? — Bella assentiu. — Então! — Ele deu de ombros.
— Pra você é fácil falar! — Bella se levantou dando uma última olhada no espelho. — Seus pais não menosprezam o que você deseja fazer.
— Tudo bem... Você tem razão! — Ela se aproximou do amigo para que ele afivelasse seu salto. — Mas olha, tudo o que você tem que fazer é comunicar, uma vez que já pediu permissão e eles concederam. — Ele terminou de afivelar os dois saltos e ficou de pé. — Primeiro, eles sempre cumprem o que conversam com você. Segundo, você sempre consegue o que quer. — Bella deu um sorrisinho. — Então para de ser frouxa.
— Tudo bem! — Ela respirou fundo. — Jantar, comunicar e sair. Fácil! — Edward abriu um sorriso encorajador.
Ela deu um último abraço no amigo e se afastou deixando-o no cômodo.
Bella seguiu apreensiva pelo palácio, seu coração batendo tão alto quanto seu salto no piso.
Ao chegar no jardim, sua mãe e seu pai já a esperavam sentados à mesa posta para três. Com um último suspiro ela se aproximou e estampou um sorriso que frequentemente era verdadeiro, mas dessa vez transbordava nervosismo e ansiedade.
— Boa noite, Bells! — O pai a cumprimentou.
— Boa noite! — Respondeu com falso entusiasmo.
— Demorou! — A mãe comentou quando gesticulou para que servissem as entradas.
— Não vi a hora passar. Estava jogando conversa fora com Edward.
— Falando nele, como está? Soube que chegou ontem à noite de Londres. Tem notícias de Rose? E aquele namorado lindo dela? Ainda estão juntos?
— Renèe! — O pai de Bella disse rindo.
— Ah, Charlie! Deixe de bobeira. — Ela gesticulou com a mão. — Só estou tentando me manter informada. — Bella soltou uma risada sincera, a primeira da noite.
— Ela está bem! E, sim, eles ainda estão juntos.
— Ela tá trabalhando em que mesmo? — Foi a vez de Charlie perguntar.
— Olha quem é o fofoqueiro agora! — Renèe o olhou com diversão nos olhos.
— Ela tá trabalhando no gabinete do atual primeiro ministro de Londres, não sei exatamente o que faz lá.
— Ah sim! Aquela menina vai se dar bem na política. — Renèe comentou.
— Ela realmente leva jeito! — Charlie respondeu.
O jantar em si foi ótimo. Eles falaram sobre como foram seus dias, Charlie disse que depois de tantas reuniões esperava poder relaxar assistindo seu time de futebol jogar, mas isso só o deixou ainda mais nervoso, Renèe não perdeu a oportunidade de debochar já que o time dele havia perdido para o time dela. E isso rendeu uma longa conversa sobre futebol, da qual Bella apenas olhava de um para o outro sem entender nenhum termo do que eles falavam.
— Bella, porque está tão quieta? — Charlie questionou durante a sobremesa
— Não estou quieta. — Forçou um sorriso, enquanto as mãos já começavam a suar de novo.
— Você não me engana. — Renèe semicerrou os olhos para a filha e cruzou as mãos sobre a mesa. — Desembucha.
A essa altura Bella já sentia o ar faltando e o sangue pulsando na cabeça.
— Eu... Eu... — Então ela o viu.
Olhando para trás dos pais, estava Edward atrás de um arbusto recém podado. Bella lutou para segurar o riso quando o amigo levantou um cartaz tosco escrito com uma caligrafia horrorosa.
"É só falar!"
Edward levantou outro cartaz.
"Eles não vão morder."
Mas foi o terceiro cartaz que afastou o nervosismo que ameaçava sufocar a garota.
"Eu tô contigo!"
Em seguida, ele fez um joinha e abriu um dos sorrisos mais lindos que Bella já vira. Ela afastou esse pensamento e sorriu.
— Tá olhando o quê? — Renèe questionou, se virando para trás exatamente no momento em que Edward voltou para trás do arbusto.
Bella olhou em volta e viu três garçons rindo, eles haviam visto também.
— Nada! — Ela se remexeu na cadeira. — Na verdade, tenho algo a dizer. — Ela endireitou a postura.
— Vá em frente. — Charlie gesticulou com a mão e a atenção de Renèe recaiu totalmente sobre a filha.
— Recebi a carta de Dartmouth hoje. — Bella praticamente cuspiu as palavras.
— E? — A mãe perguntou.
— Começo o curso dia 12/09.
— Vai mesmo insistir nisso? — A mãe questionou.
— É meu sonho. — Bella falou com a voz mais firme que conseguiu.
— É perda de tempo. — Renèe retrucou e isso foi como um tapa na cara da jovem.
Não que ela não esperasse essa reação, mas algo no fundo do coração havia tido esperança. Idiota.
— Vocês disseram que se eu passasse poderia ir.
— Achávamos que fosse desistir. — Renèe respondeu.
— Bom, eu não vou desistir. — Ela a encarou — Como ficamos? — Ela nunca havia ousado falar dessa forma com a mãe.
— Você vai, ué. Não foi o que foi dito? — Renèe disse com claro desgosto. — Só espero que quando você se der conta de que está jogando seu precioso tempo no lixo não seja tarde demais.
Bella olhou para o pai, que até então havia permanecido calado, mas este apenas encarou a mesa.
— Certo então. — Ela ficou de pé. — A matrícula deve ser paga até o dia 20.
— Considere feito. — Foi a primeira coisa que o pai disse desde que a discussão havia começado.
— Obrigada! — Charlie assentiu — Se me dão licença...
Ela falou já saindo e correndo para o quarto. Assim que fechou a porta atrás de si, desabou no choro. Alguns minutos depois alguém bateu na porta e não esperou pela resposta para entrar.
Bella não é do tipo que fica triste à toa, mas quando algo realmente a machuca ela não segura o choro, e quando isso acontece, palavras não funcionam. Ela precisa chorar e chorar até que se sinta pronta pra erguer a cabeça e passar por cima daquilo. Sabendo disso, Edward se sentou ao lado da amiga e a abraçou deixando que ela chorasse o que tinha pra chorar.
XXX
No dia seguinte, Bella acordou na cama ainda usando a mesma roupa. Aparentemente, havia chorado até cair no sono.
Ela se sentou e encontrou um Edward dormindo no chão enrolado em um edredom.
A jovem caminhou para o banheiro e, quando olhou no espelho, comprovou suas suspeitas, os olhos estavam vermelhos e inchados. Um inferno.
Ela lavou o rosto e foi até a banheira, onde a água parecia já ter sido preparada para o banho, provavelmente por Kate.
Entretanto, ao invés de entrar, começou a cantarolar "Another One Bites the Dust" da famosa banda Queen. Sua voz ficou mais alta na medida que ela ia batucando na bancada da pia.
Bella fechou os olhos e deixou que a melodia a envolvesse. Quando se deu conta já estava mexendo os braços e as pernas de maneira esquisita. Estava dançando de um jeito que ninguém nunca vira, nem mesmo Edward. Ela fazia uns passos estranhos com os pés e jogava a cabeça pra trás mexendo os braços em ondas, de repente começou a imitar um robô... Um robô pombo? Vai saber que tipo de dança era aquela! No entanto, os movimentos estavam em sincronia com a música que ela cantava, agora em alto e bom som, fazendo com que qualquer um do lado de fora pudesse ouvir.
Ela cantava mal e dançava pior ainda, mas era algo que sempre a relaxava. Então ela o fazia quando ninguém estava olhando.
Quando se deu por satisfeita, entrou na banheira e deixou que a água quente relaxasse seus músculos ainda tensos. Ela se lavou e enrolou por uns trinta minutos refletindo sobre as palavras de sua mãe na noite passada.
Quando por fim ela se convenceu de que não ia deixar que o que mãe disse ou achava a impedisse de ficar completamente feliz por ir fazer o curso dos sonhos na faculdade dos sonhos, ela saiu da banheira, se secou e vestiu o roupão, seguindo para a sala.
— Achei que tivesse descido pelo ralo. — Edward comentou assim que a menina entrou no seu campo de visão.
Ele estava com a mesma roupa de ontem, sentado à mesa que havia sido posta para o café da manhã.
— Precisava disso. — Ela se sentou e pegou um copo para preparar seu leite, torcendo para que o amigo não comentasse nada sobre a cantoria no banheiro.
— Eu sei... — Ele bebeu do suco de laranja. — Está melhor?
— Acho que sim... Quer dizer, não vou deixar que isso arranque toda a felicidade do momento.
— Isabella Swan e sua mania de sempre ver o lado bom de qualquer situação. — Ele levantou a taça com suco. — Um brinde a isso!
Bella sorriu e bateu levemente seu copo contra a taça dele.
— Bom, então é isso. Vamos para a faculdade! — Ela comentou.
— Vamos para a faculdade! — Ele abriu um sorriso tão largo que afastou qualquer vestígio do chororô de ontem.
— Você vai precisar fazer caligrafia. — Bella comentou, levando um pedaço de bolo à boca.
— Eu te dou um apoio moral enquanto me cagava de medo dos garçons me dedurarem para os seus pais, e você só reparou nisso? — Ele a olhou incrédulo.
— Sim! Letra horrível!
— Idiota!
Eles riram.
— Obrigada. — Ela o encarou.
— Pelo que? — Perguntou, distraído enquanto pegava mais suco.
— Pelo cartaz, por ter ficado aqui, por ser o melhor amigo do mundo!
— Ah... Faço qualquer coisa por você. Sabe disso, não é?
— Sim, eu sei... — Ela sorriu. — É recíproco, espero que saiba.
— Eu sei! — Ele retribuiu o sorriso.
XXX
Os meses seguintes voaram. Bella se manteve ocupada organizando seus últimos afazeres em Mônaco, pesquisando mais sobre o curso e escolhendo, junto de Edward, o apartamento onde os dois morariam pelos próximos anos.
A situação da jovem com os pais não piorou, mas também não houve nenhum progresso. Depois do jantar, a única coisa que foi dita sobre o assunto partiu de Charlie. Ele disse que abriria uma conta e depositaria dinheiro suficiente para que ela levasse uma boa vida, também pagaria o apartamento em que ela decidisse ficar. Só isso foi dito e nada mais.
Pelo lado da mãe, não houveram novos insultos. Na verdade, não houve nada. Renèe preferiu fingir ignorância a respeito da faculdade e não trocou mais nenhuma palavra com a filha sobre isso. O que, de certa forma, tranquilizava Bella, mas também a deixava incrivelmente apreensiva. Não sabia dizer se esse silêncio era algo exatamente positivo ou só uma falsa calmaria antes da tempestade.
Bella se convenceu de que a mãe não se importava o suficiente para se desgastar com isso, e se ela não queria tocar no assunto, tudo bem. Bella também poderia fazer isso.
Sendo assim, toda sua felicidade e entusiasmo foram compartilhados com Edward e secretamente com Esme, a mãe do melhor amigo.
A mulher a ouvira e ficara feliz por ela, dera conselhos sobre a faculdade e sobre como garotos podem ser perversos nessa idade, o segredo era ser mais perversa que eles. Edward quis sumir ao ver a mãe tendo esse tipo de conversa com a melhor amiga e princesa, mas Bella apenas pediu que ele deixasse de ser bocó.
Depois que ficou acertado entre Charlie e Carlisle que eles dividiriam o aluguel do apartamento e as contas, só faltava começar a levar as coisas dos dois para o lugar onde morariam. Isso foi feito uma semana antes do dia em que Bella e Edward deixariam o palácio.
E, então, o grande dia enfim chegara.
Eles foram levados até Hanover, cidade onde fica Dartmouth, pelo jatinho particular do pai de Edward.
Ao se despedir, Bella não conseguia conter a animação. O pai até que parecia não odiar completamente a ideia, oferecendo um abraço e até alguns sorrisos para a filha. Entretanto, a mãe se despediu apenas com um "eu te amo" seco. Não houveram abraços, sorrisos ou lágrimas da parte dela, apenas um olhar contido de desgosto.
Mas Bella estava tão animada com a viagem e esse novo mundo que ela, em breve, conheceria que socou no fundo do coração a tristeza que sentia pela reação da mãe. Pensaria nisso em outro momento.
A viagem durou quase o dia todo e, devido à mudança drástica de fuso horário, quando chegaram ao apartamento, que ficava praticamente do lado da faculdade, dormiram por quase dois dias. Eles chegaram uma semana antes com a intenção de ter esse tempo para conhecer a cidade, entretanto só fizeram dormir.
Foi mais difícil que o esperado se acostumar com o fuso horário, mas com muito esforço eles conseguiram.
A semana passou depressa e o primeiro dia de aula de ambos finalmente chegou.
— Você parece calma. — Edward comentou enquanto lavava a louça do café da manhã e Bella guardava.
— Só pareço mesmo, porque tô passando mal. — Edward riu. — Não ri, eu tô falando sério. Já me deu até dor de barriga. — Bella fez uma careta e Edward gargalhou.
— Eu não aguento como seu intestino reage quando você tá nervosa.
— Nem eu! — Ela sorriu — E você? Ansioso?
— Sim! — Ele confessou jogando água no último copo e passando para que Bella o guardasse. — É estranho. Geralmente eu sei o que vai acontecer, mas dessa vez não faço nem ideia do que esperar.
— Isso torna tudo mais excitante, não acha?
— Acho, mas também é pavoroso! — Ele arregalou os olhos e Bella riu.
— Vai dar certo. E se não der também, ainda temos um ao outro, certo?
— Certo! — Ele sorriu.
— Agora vou no banheiro uma última vez. — Ela disse já disparando.
— Cagona. Isabella Swan é uma ca-go-na! — O melhor amigo gargalhava.
— Vai se foder, Edward! — Gritou.
— Olha a boca, princesa! — Retrucou em tom de alerta e voltando a rir logo em seguida.
Uns cinco minutos se passaram quando Bella reapareceu.
— Aliviou o nervosismo? — Edward questionou.
— Eu não estav...
— Não tô falando com você, tô falando com ele. — O garoto apontou para a barriga de Bella — Seu intestino.
— Você é um idiota, sabia disso? — Ela olhou feio para ele.
— Você me lembra todo dia. — Ele levantou do sofá já com a mochila nas costas e sorriu. — Vamos?
A morena assentiu e em poucos minutos ele já haviam deixado o edifício. Como eles moravam perto da faculdade, veículos não eram necessários, então eles fizeram uma caminhada rápida e silenciosa até o campus.
— Bom, é aqui que a gente se separa. — Edward disse um pouco apreensivo.
— Nos encontramos aqui no final da aula? — Bella partilhava do mesmo nervosismo.
— Sim! — Ele abriu um sorriso nervoso, o qual a menina retribuiu.
— Então é isso. — Disse se balançando sobre os pés, não querendo sair da presença reconfortante do amigo.
— Sim... — Ele parecia sentir o mesmo.
— Boa sorte, Ed! — Ela o puxou para um abraço apertado.
Ele a apertou contra si e foi preciso muita força de vontade para soltá-la.
— Boa sorte, Bells! — Ele deu um beijo no topo da sua cabeça de maneira afetuosa.
Depois disso, Bella se obrigou a andar em direção ao prédio onde teria aulas pelo restante do dia.
As primeiras aulas passaram incrivelmente rápido. Bella montara sua grade de horários com a parte da manhã – que contava com quatro aulas – toda preenchida e a parte da tarde com apenas duas.
Ela agora estava na metade da aula sobre comunicação e expressão, a terceira aula da parte da manhã, e o professor explicava sobre um trabalho.
Um dos principais motivos pelos quais Bella escolheu deixar o palácio para fazer faculdade foi conhecer gente da sua idade. Ver como as pessoas agiam de verdade longe da realeza. E, bom, a princípio ela achou que se sairia super bem, que seria extrovertida e não teria vergonha, já que estava acostumada a conhecer gente nova devido aos diplomatas e seus filhos que passavam por sua casa.
Entretanto, no momento em que o homem disse que o trabalho deveria ser feito em dupla, foi como se o coração da menina tivesse acelerado, capotado e parado, tudo isso em um segundo.
Ali, sem conhecer ninguém, sem nem mesmo ter Edward para dar apoio moral, Bella percebeu porque era tão fácil fazer amizade antes. Ela estava na sua zona de conforto. Era fácil se relacionar com novas pessoas, quando já haviam outras no ambiente que ela conhecia. Mas ali, não havia ninguém e ela teria que se virar sozinha.
O professor terminou de explicar o trabalho que consistia basicamente em criar um álbum com cento e cinquenta fotos tiradas pela dupla, onde devia ser escolhido um sentimento para ser retratado de forma que apenas olhando para o registro alguém seria capaz de identificar do que se tratava.
— Pessoal, vocês têm dois meses para me entregar esse trabalho. — O professor falou e juntou suas coisas deixando a sala em seguida.
Bella viu a turma em volta se agitar e começar a murmurar para as pessoas que estavam próximas sobre o trabalho e com quem formariam duplas.
Um leve desespero assolou seu coração quando ela se virou para guardar os cadernos na bolsa e seguir para a próxima aula.
Quando ia se levantar, sentiu dois toques tímidos no ombro, o que a fez olhar para trás.
— Oi, eu sou Alice! — A menina que a havia cutucado cumprimentou. — Isabella, né? — O coração da princesa parou por um segundo, até que a jovem de cabelos curtos completou: — Desculpa, é que você deixou seu horário de aula cair. Toma!
Bella soltou o fôlego que não sabia que estava prendendo. Por um momento, achou que a tal Alice sabia quem ela era, o que era quase impossível já que ninguém nunca tinha visto sequer um retrato seu e para os parlamentares que visitavam sua casa, ela era apenas a sobrinha da rainha e eram veemente proibidos de a fotografarem.
— Obrigada! — Ela abriu um sorriso ao pegar o papel. — Pode me chamar de Bella. — Foi a vez de Alice sorrir.
— Você não é daqui, né? — A menina perguntou sem rodeios e Bella arqueou uma sobrancelha. — Seu sotaque te denunciou.
— Não... Sou da França.
— E veio pra cá só pra estudar? — Bella assentiu. — Corajosa! Veio sozinha?
— Não. Na verdade, meu melhor amigo também foi aprovado para essa faculdade, viemos juntos.
— Nossa, isso deve ser incrível! E seus pais concordaram logo de cara? — Sem perceber, Bella havia estampado uma expressão de "isso é um interrogatório?".— Desculpa, desculpa! — Alice recuou e Bella assentiu exibindo um sorriso tímido.
— E você? É de onde? — A princesa questionou.
— Forks.
— Fica em Washington, né? — Alice assentiu. — Legal! — Bella se balançou na cadeira, se perguntando se devia perguntar se garota queria ser sua dupla no trabalho ou deveria se levantar e ir embora.
Antes que ela se levantasse, Alice perguntou:
— Quer ser minha dupla no trabalho?
Bella não conteve o sorriso de alívio que se espalhou no rosto.
— Eu adoraria. — Alice sorriu de volta e ficou de pé, já caminhando para a saída.
A menina foi tão simpática com Bella, que ela reuniu coragem dentro de si e perguntou ao se levantar:
— Quer almoçar comigo hoje? — Alice tinha uma expressão indecifrável ao se virar. — É que você é legal e eu não conheço muitas pessoas... Achei que pudéssemos...
— Eu adoraria! — Alice por fim sorriu e o nó que esmagava o estômago de Bella se afrouxou. — A gente se encontra na saída desse prédio e então descobriremos um restaurante bom por aqui. — A menina deu uma piscadela e deixou a sala com passos leves e graciosos.
Bella sorriu para si mesma, incapaz de conter a empolgação. Fazer novas amizades. Uma coisa tão idiota e corriqueira para a maioria, e ao mesmo tempo tão desafiador e novo para ela.
A última aula correu sem mais trabalhos. Bella se sentara ao lado de uma menina chamada Lauren que parecia ser tímida, então a princesa quis puxar assunto.
Péssima ideia.
Lauren não parou de falar durante a aula toda, exceto pelas duas vezes em que a professora a olhou de cara feia, mas nem isso foi capaz de fazer a menina ficar em completo silêncio.
Bella quase correu para fora da sala assim que a professora anunciou que a aula havia acabado. Para a jovem, o problema não era o tagarelar. Era o tagarelar durante a porcaria da aula sobre assuntos que deviam ser comentados num lanche entre amigos, não no meio da explicação.
Como combinado, Alice estava na saída do prédio e Bella não conteve o sorriso ao se aproximar.
Elas fizeram uma caminhada tranquila pelo campus. Alice contou sobre porque decidiu fazer jornalismo e praticamente exigiu que Bella contasse porquê quis fazer fotografia. Elas conversaram sobre como a experiência de estar na faculdade era algo excitante e ao mesmo tempo apavorante. E embora soasse um pouco egoísta, Bella se sentiu incrivelmente aliviada por saber que a amiga também compartilhava do mesmo sentimento.
Alice cumprimentou várias pessoas durante a caminhada e Bella se perguntou se realmente era o primeiro dia dela. Entretanto, o jeito totalmente extrovertido da menina era resposta suficiente.
— É seu? — Bella perguntou quando Alice parou na frente de um porsche amarelo.
— Aham! — Ela respondeu empolgada. — Eu sei, a cor é muito chamativa... — Bella arregalou os olhos rindo. — Mas eu o amo, tá? Para de me olhar assim! — Alice deu um empurrãozinho na morena. — Vamos, entra logo ou vai ficar por aí.
— E vamos pra onde?
— Descobri com um pessoal na última aula que tem um restaurante muito bom a duas quadras daqui, o nome é Murphy's On the Green.
Bella olhou para trás, para o Campus, esperando ver Edward ali, mas nem sinal dele. Ela pegou o celular e digitou uma mensagem dizendo onde estaria, caso ele quisesse encontrar com elas.
— Vamos? — Alice perguntou e Bella assentiu entrando no carro.
O percurso não durou nem dez minutos, seja porque era realmente perto ou porque Alice dirige feito uma doida. Independente do motivo, elas já tinham feito seu pedido e sentaram numa mesa de canto.
— Me conta porque escolheu Dartmouth ao invés da Paris Sciences et Lettres?
— Queria sair da minha zona de conforto, sabe? — Bella brincava com um saquinho de açúcar distraidamente. — Ver como funciona o mundo longe da sombra dos meus pais.
— Pais controladores também? — Alice tinha um olhar de compreensão.
— Sim e não... Eles me deixam fazer as coisas que quero, é só que... É difícil de explicar. — Bella suspirou. — Eles não queriam que eu fizesse faculdade. Tinham outros planos para mim, os quais eu desejo seguir, mas não agora. Ainda não.
— Eu entendo! — Alice sorriu compreensiva. — Meus pais queriam que eu fizesse faculdade, mas quando anunciei que queria fazer jornalismo eles quase caíram pra trás! — Ela riu. — Acho que eles esperavam que eu fizesse sei lá... Medicina. — Outra risada. — Fala sério, isso nem combina comigo, deviam estar usando drogas. — Bella soltou uma gargalhada. — Eu tô falando sério!
— Eu sei que tá! — A garçonete colocou os pratos das duas na mesa e as meninas agradeceram. — Meus pais não caíram para trás porque quando eu disse que queria fazer fotografia, devia ter uns doze anos, e eles juraram que eu ia mudar de ideia.
— Eu te conheci hoje e já tenho certeza que é do tipo de pessoa que quando coloca algo na cabeça, ninguém tira. — Alice disse levando uma garfada à boca.
— De fato! — Sorriu tímida. — Enfim, quando a carta chegou e eu tive que comunicar foi horrível. Meu coração faltou sair pela boca, mas meu melhor amigo estava lá e me deu um apoio moral... Não tornou as coisas mais fáceis, mas foi ótimo ter alguém naquele momento.
— Legal! — Alice disse empolgada. — Ele parece ser um amigo incrível.
— Ele é! —Bella sorriu e bebericou o suco.
Elas terminaram de almoçar e continuaram ali jogando conversa fora por um tempo.
Alice dirigiu de volta para a faculdade com mais tranquilidade, talvez tenha visto o horror no rosto de Bella da primeira vez. Ao se despedirem, Alice passou seu número para a amiga e a fez prometer que mandaria uma mensagem para que elas pudessem se encontrar fora da faculdade.
As duas aulas da tarde pareciam que não passavam nem por um milagre. Bella precisou ir ao banheiro umas quatro vezes para lavar o rosto e se manter acordada.
Ao final da última aula, Bella fez amizade com uma menina chamada Ângela. A menina parecia querer cavar um buraco no chão e se enterrar ao perguntar se Bella podia emprestar o caderno apenas para que ela pudesse copiar a última coisa que o professor falou. Bella não hesitou em emprestar suas anotações.
As duas seguiram para a saída do prédio conversando sobre a última aula, e descobriram que fariam mais três aulas juntas durante a semana. Ângela se sentiu aliviada tanto quanto Bella.
Alice encontrou com elas no meio do caminho para a saída e o jeito que ela chegou fez com que Ângela tropeçasse o que arrancou uma risadinha de Bella e um pedido de desculpas de Alice.
Bella perguntou sobre como foi a última aula da amiga e Alice começou a tagarelar sobre um loiro muito simpático com quem ela havia feito dupla na aula de assessoria de comunicação.
— Vocês não estão entendendo! — Alice disse parando abruptamente na frente delas. — Ele é lindo, simpático, inteligente e o mais importante: cheiroso. — Bella e Ângela soltaram uma risada.
— Pegou o número dele? — Ângela questionou.
— Coloquei meu número no bolso da mochila dele quando não estava vendo.
— Você é impossível! — Bella falou voltando a andar.
— Sou esperta! — Alice corrigiu.
— Gente, vou ficando por aqui. Minha próxima aula é naquele prédio ali! — Ângela apontou para um edifício a esquerda de onde elas estavam.
— Boa aula! — Bella sorriu.
— Obrigada! — Ela sorriu e foi andando na direção do prédio.
— Você pediu o número dela? — Bella negou com a cabeça.
Alice saiu com passos rápidos, quase correndo, indo de encontro a Ângela que tomou um susto, de novo, quando ela chegou.
Alice falou alguma coisa que Bella não conseguiu ouvir, mas que fez com que Ângela olhasse para a princesa por cima do ombro da menina agitada que estava parada a sua frente, com um sorriso tímido no rosto. Bella indicou Alice com o queixo e arregalou os olhos balançando a cabeça como se estivesse dizendo "É o jeitinho dela." e Ângela riu.
— O que você queria? — Bella perguntou quando Alice voltou e as duas voltaram a caminhar em direção a saída.
— O número dela, ué! — A amiga deu de ombros. — Ela é bem simpática, né?
Antes que Bella pudesse responder, Alice parou de repente e falou:
— Olha que cara lindo! — Ela indicou com o queixo um cara alto, com o cabelo acobreado e rebelde.
Bella virou na direção que ela apontava e o coração parou quando percebeu que ela na verdade falava de Edward.
— Que... Quem? — Bella gaguejou.
— O loiro, olha! — Alice apontou de novo e Bella viu o cara do lado de Edward.
Um nó no estômago se desfez, mas Bella não se permitiu pensar muito no que essa porcaria significava.
— Ei, Bella! — Edward acenou e andou quase que correndo na direção da amiga.
— Oi, Ed! — Ele a alcançou puxando-a para um abraço. — É... Essa é Alice. — Bella indicou a amiga com as mãos. — Alice, esse é o Edward.
— Então esse é o famoso Edward! — Alice disse sorrindo e o rosto de Bella esquentou. — Prazer! — Ela estendeu o braço e Edward apertou sua mão.
— Prazer! — Ele retribuiu o sorriso. — Esse é James. — Ele indicou o amigo com a cabeça. — James, essa é Bella e sua mais nova amiga, Alice.
Alice sorriu para o loiro em cumprimento.
— Prazer! — Bella exibiu um sorriso tímido.
— O prazer é todo meu! — Ele abriu um sorriso verdadeiramente encantador.
Alice não deixou de reparar que o sorriso de Edward hesitou, mas se manteve calada.
— Bem, Bella, eu vou para minha última aula. Me manda mensagem, tudo bem? — Alice disse sorrindo e a amiga assentiu. — Foi um prazer, rapazes! — Edward sorriu e a menina saiu andando.
— Você vai pra que lado? — James perguntou, fazendo com que Alice parasse.
— Prédio E. Não sei pra que lado fica... — Ela olhou meio desorientada.
— Eu sei. — James a interrompeu. — Por coincidência, minha próxima aula é no mesmo prédio.
Eles foram na direção que James indicou e o loiro disse algo que fez Alice rir alto.
— É... Acho que eles se deram bem! — Bella cutucou Edward.
— Ele tá a fim de você. — Edward disse sorrindo, mas sua voz saiu mais ríspida do que ele esperava.
— Lógico que não! — Bella o olhou incrédula, sem perceber ou ignorando a alteração na voz do amigo. — Ele foi atrás de Alice agora e algo me diz que não foi só por causa da aula. — Ela riu e Edward forçou um sorriso — Vamos?
— Vamos! — Ele afastou da mente aquela sensação estranha se sentindo um completo idiota. — Me conta, como foi seu dia?
Enquanto eles andavam de volta pra casa, Bella contou tudo, sem deixar de lado nenhum detalhe e pediu que Edward fizesse o mesmo. Ele não poupou Bella dos detalhes, os quais ela ouviu atentamente.
Eles passaram o restante da noite no apartamento. Depois do banho e da rotina habitual de skincare da princesa, eles comeram pizza, enquanto Bella estava jogada no chão da sala respondendo algumas questões e Edward debruçado sobre livros e mais livros de cálculo que estavam espalhados na ilha que ficava no centro da cozinha.
— Eu não entendo porque insisti tanto em fazer faculdade! — Edward disse depois de passar horas resolvendo questões. — Minha cabeça tá explodindo!
— Hoje, durante algumas aulas, eu pensei a mesma coisa. — Bella disse se sentando no sofá e batendo com a mão sobre o estofado, sinalizando para que Edward se juntasse a ela.
— Eu tô cansado! — Ele se jogou ao lado dela e deitou com a cabeça no seu colo, a mão da morena se infiltrou em seus cabelos sem que ela percebesse.
— E é só o primeiro dia. — Bella lembrou e ele soltou um resmungo de descontentamento.
— Falou com seus pais hoje? — Ele a encarou e ela automaticamente ficou tensa.
— Mandei mensagem tanto para um quanto para o outro, nenhuma resposta. — Ela suspirou.
— Eles vão te responder. — Ele sorriu sem mostrar os dentes e acariciou a mão da amiga que estava sobre seu peito.
— Espero que sim. — Bella tentou retribuir o sorriso.
— Vai, coloca Lúcifer aí. A gente ainda não assistiu a última temporada.
— Tudo bem!
Ela fez o que ele pediu. Não demorou muito e Edward percebeu que Bella tinha apagado. Ele foi até o quarto dela, arrumou sua cama e, quando achou que estava confortável o suficiente, ele voltou para a sala, pegou uma Bella resmungando palavras incoerentes e a carregou para cama.
XXX
Duas semanas se passaram e o único tempo que eles tinham juntos era a noite, já que os horários quase não colidiam. Mas isso não impediu Bella de acompanhar o melhor amigo no dia que ele foi pegar seu volvo. Como, dos dois, ele era o único que tinha habilitação, o carro era dele, mas isso não impediu que Bella desse pitaco sobre a escolha do veículo e, até mesmo, da cor.
Bella e Alice frequentemente trocavam mensagens e sair para almoçar se tornou rotina para as duas, quer dizer, três, já que elas sempre arrastavam Ângela junto.
Quanto aos pais de Bella, eles responderam dois dos cinquenta e-mails que ela enviou. Sua mãe foi curta e grossa ao enviar um "Está tudo bem por aqui. Que bom que por aí também." e seu pai, um pouco mais atencioso, respondeu um de seus e-mails com "Que bom que está sendo como imaginou. Continue mandando notícias." Bella leu esses e-mails assim que chegou da faculdade, e ela ainda estava com o olho inchado quando Edward chegou horas mais tarde. Ele nem precisou perguntar o que tinha acontecido, ele só a abraçou enquanto Bella caia no choro de novo.
Alguma parte da princesa se sentia muito mal por fazer Edward aguentar essas merdas com ela, mas quando a menina pediu desculpas por isso recebeu um olhar de reprovação do melhor amigo e logo em seguida ele a fez jurar que nunca mais pediria desculpas por deixar que ele a amparasse.
Fora essa situação dos pais, as coisas correram bem. Bom, Edward tinha razão quanto a James. Ele pediu o número de Bella para Alice, a qual perguntou à amiga antes de repassar. A princesa não achou que seria problema já que, bom... Ela tinha ido ali em busca dessas experiências, né? Desde então, eles vêm conversando, e ele provou não ser só um rostinho bonito. Sabia de tudo um pouco, era engraçado e gentil, entretanto, eles ainda não tinham ficado, e não por falta de investidas dele. Bella achava que queria, mas quando surgia a oportunidade, ela dava pra trás. James não a sufocava, dizia que podia ser quando ela quisesse e estaria tudo bem pra ele.
Mais três semanas se passaram e Edward conheceu uma ruiva de cair o queixo, chamada Victória. Eles faziam duas matérias juntos. Ela era tudo o que alguém gostaria de ser ou de encontrar em alguém pra chamar de seu. Linda, gentil, sensual... A desgraçada parecia não ter defeitos.
— Qual é, Ed! A gente precisa ir nessa festa! — Bella sentou no sofá com o cabelo enrolado na toalha, enquanto Alice tentava convencer Edward a largar as responsabilidades e curtir a sexta-feira. — Vai, Bella, convence ele!
— Vamos, Edinho, não custa nada. Eu só vou se você for. — Ela fez beicinho.
O pobre coitado estava sentado no sofá com o computador no colo e um caderno abarrotado de contas que só de olhar fez a cabeça de Bella doer. Alice estava de um lado e a princesa do outro, praticamente encurralando ele.
— Vocês duas são tão chatas! — Ele resmungou anotando algo no papel.
— Vamos, Ed, por favor! — Alice implorou.
— Por que você quer tanto ir? — Ele questionou. — Aquele menino de quem você não para de falar vai estar lá? — Edward a encarou com um olhar malicioso, o que fez Ali acertar um soco no seu ombro.
— Não, seu idiota, ele vai estar com a família esse final de semana. E eu nem falo tanto nele assim. — Edward arqueou uma sobrancelha como quem diz "Jura?".
— Ela não fala, Bella? — Ele se virou para a melhor amiga.
— Não, não, de jeito nenhum! — Bella balançou a cabeça rindo. — É só "Jasper pra lá, Jasper pra cá". — A morena tentou imitar a voz da amiga enquanto fazia aspas com as mãos. Edward soltou uma gargalhada.
— Vocês são dois idiotas! — Alice disse rindo batendo com uma almofada em Edward, que tentava se defender, e logo em seguida acertando-a em cheio no rosto de Bella. — Não sei porque sou amiga de vocês.
— Porque você nos ama! — Bella deu de ombros e Alice revirou os olhos.
— Você, canalha, não mude de assunto! — Alice deu um soquinho no ombro dele.
— Eu? Mudando de assunto?
— É um ridículo mesmo! — Bella comentou.
Ele jogou a cabeça pra trás e fechou os olhos, Alice e Bella trocaram um olhar conspiratório.
— Tudo bem! — Ele cedeu.
— Tudo bem? — Alice o olhou surpresa.
— Sim, vamos a tal festa. — Alice deu um abraço empolgado nele e pulou do sofá.
— Você tava se coçando pra aceitar, né? — Bella provocou bagunçando seus cabelos com as mãos.
— Mas tenho uma condição! — Ele encarou as duas. — Vocês vão me ajudar a formatar esse e mais dois trabalhos.
Alice resmungou, mas concordou.
— Safado, estava esperando a oportunidade! — Bella brincou.
— Lógico! — Ele sorriu fechando o computador.
Alice foi até o seu apartamento pegar a roupa e outras coisas que usaria, mas voltou para se arrumar com Bella. Ela ligou para Ângela e disse para que se arrumasse que eles passariam para buscá-la às nove horas da noite.
Eles chegaram à festa por volta das dez horas da noite, e Bella culpou Alice pelo atraso.
— Ok! Regras: — Alice parou na frente do grupo, praticamente berrando por causa do som alto — Não usem balinha, não cheirem nada, não aceitem copo de estranhos e...
— Você acha que somos crianças? — Bella a interrompeu.
— Na verdade, acho que vocês nunca frequentaram esse tipo de ambiente. — Ela confessou e só bastou um olhar para Ângela para ver que ela realmente nunca tinha estado num lugar como aquele, mas Bella não sabia dizer se ela queria ir embora naquele exato momento ou estava curiosa. — Tudo bem, última coisa: Se forem beber não usem maconha, se forem usar maconha, não bebam. De resto... — Ela saiu da frente, abrindo os braços ao indicar a festa. — Divirtam-se!
— Podemos ir, mãe? — Edward zombou e Alice mostrou a língua.
— Oi, Ed! — Victória apareceu do nada, jogando os braços em volta do pescoço dele e depositando um beijo em sua bochecha. — Oi, gente! — Ela falou antes de puxá-lo e sumirem naquele mar de gente.
— Você precisa disfarçar essa cara! — Alice sussurrou no ouvido de Bella.
— Não sei do que está falando. — A morena cruzou os braços.
— Aham, não sabe... — Alice semicerrou os olhos e sumiu no meio da multidão puxando Ângela.
O ambiente era escuro e luzes piscavam para todo lado. Bella precisou se concentrar nos próprios passos para não cair. Ao chegar no bar, ela pediu um drink de limão.
— Oi, Bella! — James disse sorrindo.
— Oi, James! — Cumprimentou empolgada
— Tá fazendo o que aí parada? Vem, vamos dançar! — Antes que ela pudesse recusar, ele já estava puxando-a para o meio da multidão.
Bella não sabia dizer o que exatamente tocava. Era uma mistura de vários ritmos de uma maneira tão envolvente que, quando ela se deu conta, estava indo até o chão com James. Ela não se entregou completamente a música como costumava fazer quando estava sozinha, mas permitiu que parte de si fosse guiada pela melodia.
James segurou sua mão para um giro e foi quando ela viu Edward e Victória aos beijos.
Aquilo certamente não devia tê-la incomodado, mas incomodou. Aquele nó no estômago estava de volta e por alguma razão ela só queria ir até lá e tirar o amigo de perto da ruiva deslumbrante. No entanto, ela voltou do giro e quando percebeu que Edward olhava na sua direção jogou os braços em volta do pescoço de James e o beijou.
Estúpida. Isabella Swan, você é estúpida e ridícula e imatura e idiota.
Mas, mesmo achando tudo isso de si, ela aprofundou o beijo. Quando por fim ela o soltou, ele sorriu e Bella também forçou um sorriso.
Babaca e idiota, é isso que você é.
— Eu... Eu preciso ir no banheiro! — Ela gaguejou.
— Tá tudo bem? — Ele perguntou preocupado.
— Tudo, sim! — De novo, um sorriso forçado. — Já volto!
Ela não foi para o banheiro, pelo contrário. Ela foi para o bar e pediu dois shots da bebida mais forte que eles tivessem.
Alice a encontrou quando ela estava virando o segundo.
— O que aconteceu? — A amiga perguntou.
— Nada!
— Eu vi você e James na pista! — Alice sorriu. — Foi bom?
— Aham! — Bella sinalizou e o barman encheu seu copo de novo.
— Ei, vai com calma! — Alice alertou, mas Bella apenas virou a bebida deixando que descesse queimando tudo, inclusive aquele sentimento idiota o qual ela se recusava a aceitar.
— Cadê a Ângela?
— Foi pra casa.
— O que? Com quem?
— Um tal de Ben. Ela disse que eles fazem seis matérias juntos e são amigos.
— Ela chegou bem?
— Sim, já mandou mensagem avisando. E Edward?
— Não sei. — Respondeu rápido e secamente.
Alice a olhou de esguelha e deu uma risadinha, Bella praticamente podia ver as engrenagens girando na cabeça da amiga.
— Quero ir embora! — Bella resmungou esfregando o rosto.
— Eu também, já viu a hora? — Bella olhou no relógio de pulso e se assustou ao ver que já eram três horas da manhã. — Cadê Edward? — Alice voltou a perguntar ficando na ponta dos pés e olhando em volta.
— Ali! — Bella apontou para um canto afastado.
— Te encontro na saída, vou lá chamar ele. Aquela garota não desgruda, não? — Alice resmungou, já penetrando na multidão.
Bella foi para o lado de fora e estava encostada no carro de Alice quando a amiga apareceu com Edward no seu encalço arrumando o cinto na calça.
Bella seguraria a língua, mas a cara...
— Para de revirar esse olho! — Alice advertiu no pé da orelha da amiga.
— Eu não tô fazendo nada. — Bella rebateu, entredentes.
— O que vocês estão cochichando? — Edward perguntou, empurrando levemente as meninas.
— Que vamos ter que voltar a pé já que ninguém está em condições de dirigir. — Alice respondeu.
— Tudo bem! — Ele respondeu. — Cadê Ângela?
— Em casa, sã e salva. — Bella respondeu.
— Tá bom! — Ele jogou os braços nos ombros das meninas. — Pra casa então! — Ele sorriu e Bella resmungou com o peso.
Alice gesticulou com a boca para a amiga um "Ele está bêbado" e Bella revirou os olhos, passando o braço pela cintura dele ao mesmo tempo que Alice.
Edward tropeçou o caminho todo, só não caiu porque as meninas o seguravam firmemente. Ele não era de misturar bebida e não queria pensar no motivo que o levara a fazer isso.
Alice ajudou Bella a subir com ele e as duas o carregaram até o sofá.
— Pode ficar se quiser! — A morena disse.
— Não, amiga, eu vou pra casa. Eu moro no prédio da frente, esqueceu? — Ela riu.
— Tudo bem então. Manda mensagem quando estiver dentro de casa!
Alice assentiu e caminhou para o elevador.
— Pera aí! — Bella disse pulando no meio do corredor e Alice se virou.
— Um banho gelado e muita água vai resolver! — Ela piscou e gratidão assumiu as feições de Bella. — Amanhã dê dipirona para dor de cabeça, ele vai ficar bem.
— Obrigada, Ali! — Bella levou as mãos juntas ao peito.
— De nada! — Ela sorriu e entrou no elevador.
Bella voltou para dentro e olhou para Edward com cara de "O que diabos vou fazer com você?".
Ela se jogou do lado dele no sofá e ele colocou o braço no ombro dela.
— Você está emburrada! — Ele falou embolado.
— E você está bêbado. — Ele riu e ela o olhou de cara feia.
Bella ficou de pé e seguiu pelos corredores em direção aos quartos.
— O que você vai fazer? Fica aqui comigo! — Ele gritou da sala.
— Fica quieto! — Bella gritou de dentro do quarto.
Depois de algum tempo ela voltou pra sala e chutou o pé de Edward, que estava semi acordado ainda jogado no sofá, com os primeiros botões da blusa abertos mostrando um pouco do peitoral não tão definido.
— Vem! — Ela puxou sua mão. — Vem, vem! — Resmungou.
— Ah. Bella, me deixa aqui, eu tô quase... tô quase... — A cabeça dele caiu pra trás.
— Que droga, Edward, vem logo! — Ela o puxou com mais força e ele caiu de joelhos na frente dela. — Levanta. — Mandou.
Eles se encaram e Bella se viu presa na confusão de tons de verde que seus olhos tinham se transformado.
— Você é linda! — Ele soltou sem pensar.
— Eu sei, você já me disse isso antes. — Ela sorriu. — Agora levanta.
— Não.
— Vamos lá, não me faça perder a calma.
— Não levanto.
— Não vou me estressar com você.
— E eu não vou levantar.
— Eu sei que você adora discutir, mas vai ficar pra outra hora. Já são quatro e meia da manhã. — Ela deu tapinhas no seu ombro. — Levanta. — Ela disse entredentes já bufando de raiva.
Edward viu que ela já estava no limite e se levantou cambaleante. Bella enlaçou sua cintura e o levou para o banheiro.
Ele se sentou no vaso e apoiou o rosto entre as mãos.
— Bella, eu vou... — Ele segurou a ânsia.
— Aqui. — Ela entregou a lixeira a ele.
Bella ficou em pé do lado dele, segurando sua cabeça, enquanto ele vomitava tudo o que tinha comido e bebido nas últimas horas. Depois de longos dez minutos, ele se afastou.
— Melhor? — Ela perguntou.
— Sim! — Ele voltou a encostar a cabeça na barriga dela.
Bella fez um carinho em sua cabeça, esperando para ter certeza de que ele não vomitaria de novo. Depois de uns dois minutos, se afastou tirando seus sapatos, as meias e então abrindo a blusa revelando um corpo malhado, mas nem tanto.
— Isso é deplorável! — Ele resmungou.
— Sim, você está deplorável! Agora... — Ela pegou seu braço jogando por cima dos próprios ombros ajudando-o a ficar de pé. — Tira as calças.
— O que? Eu não...
— Tira as calças agora.
Ele bufou, mas obedeceu, ficando só de cueca.
— Bom... Agora, pra banheira, Edward Cullen.
— Ai, isso tá gelado. — Ele reclamou.
— Sim, calado!
Eles ficaram em silêncio durante um momento enquanto Bella pegava o shampoo e condicionador na pia.
— Obrigado! — Ele disse.
— Pelo que? — Ela perguntou, enquanto esfregava shampoo na cabeça dele.
— Por cuidar de mim.
— Não agradeça! Amigos são pra isso. — Ela sorriu.
Depois do banho, ela o levou para seu respectivo quarto e torceu para que ele não caísse no closet enquanto trocava de cueca. Em seguida, ele veio cambaleante e se jogou na cama. Bella colocou a blusa nele e foi buscar um copo d'água, o qual ela insistiu que ele tomasse.
— Boa noite, Ed! — Ela depositou um beijo na cabeça dele e saiu sem esperar por mais respostas, sabendo que ele já havia apagado.
Ela pegou o celular para verificar a mensagem de Alice e respondeu a amiga. Em seguida, tomou um banho rápido, escovou os dentes e se jogou na cama apagando.
XXX
No dia seguinte, Edward a acordou com uma bandeja recheada com tudo que um café da manhã farto tem direito.
— Bom dia, princesa! — Ele disse e Bella se virou na cama esfregando os olhos.
— Que horas são? — Perguntou sonolenta.
— Duas da tarde. — Bella deu um pulo.
— Duas da tarde?
— Sim! — Ele sorriu.
— E o que é isso? — Ela indicou a bandeja.
— Eu não faço ideia de como fui parar na cama ou de como não acordei fedendo a cachaça, mas tenho certeza de que tem dedo seu nisso, então isso — gesticulou para o café da manhã — é um "muito obrigado por ter cuidado de mim ontem".
— Isso não é necessário!
— Eu sei que não, mas quis fazer mesmo assim. — Ele pegou um pão da bandeja. — E vou comer com você, então para de pensar em maneiras de recusar e come.
— Só porque estou faminta. — Ela semicerrou os olhos.
XXX
Durante as semanas que se passaram, Bella e Alice estiveram totalmente envolvidas no trabalho que tinham. Elas escolheram fotografar o sentimento desprezo. Para isso, precisaram sair da cidade para conseguir bons cliques. A princesa aproveitou para conhecer outros lugares, como Lebanon e Canaan, tendo Alice como sua guia turística. Bella ficou encantada com cada lugar que conheceu, mas o que realmente a impressionou foi o tamanho do conhecimento da amiga.
A morena desejou que o melhor amigo estivesse ali para obter todo aquele conhecimento também. Edward com certeza ficaria encantado com as estruturas dos prédios ou o jeito como cada avenida parece ter sido desenhada por um gigante talentoso, mas com a semana de provas chegando, ele não tinha tempo para absolutamente nada. Quando não estava tendo aula, estava com seu grupo de estudos se preparando para as provas ou fazendo trabalho, e mesmo dentro de casa, Bella mal o via.
Ela mesma quase não tinha tempo. Seu dia era dividido entre assistir aulas, dar conta de tirar as fotos para que Alice pudesse montar o álbum, além de ter que fazer outros mil trabalhos passados, sem contar que tinha que estudar para as provas que aconteceriam no final do mês.
Quando Bella via James, era na saída da faculdade e ela sempre tentava não ser vista por ele, mas nem sempre tinha jeito. Ele, graças a Deus, não mencionou diretamente o beijo entre os dois, mas definitivamente não tinha esquecido, já que sempre soltava uma piadinha.
Na semana anterior à semana de provas, ela e Edward combinaram de liberar uma tarde para que pudessem ficar juntos e colocar a fofoca em dia, mas depois que o desespero para as provas virou o tópico da conversa por duas horas, eles decidiram que não tinham condições de estarem ali ignorando seus afazeres, então voltaram para suas responsabilidades.
A semana de provas enfim chegou e Bella estava apavorada. Não que ela nunca tivesse feito provas antes, mas aquilo... Aquilo era diferente. O medo de não conseguir e se decepcionar consigo mesma já era sufocante por si só, mas quando chegou o e-mail dos pais dizendo que gostariam de ver suas notas assim que saíssem, foi como jogá-la de um avião sem o paraquedas.
A semana foi, no mínimo, torturante. Edward e Bella revezavam entre fazer a janta e lavar a louça. Era sempre algo rápido e prático, para que eles pudessem voltar o quanto antes para os livros que pareciam nunca ter fim.
Durante esses momentos, ele chegou a perguntar se tinha algo errado e se ela precisava conversar, mas Edward parecia estar atolado em preocupações, ela não queria ser mais uma, então negou e ofereceu a mesma gentileza a ele que alegou ser só a pressão das provas.
Ela passava o dia ocupada, se não estava fazendo prova, estava assistindo aulas das matérias que optaram por passar trabalho, ou estudando. Era à noite, depois de se despedir do Edward e entrar no banho, que ela desabava.
Quando não estava dançando daquele jeito estranho que sempre fazia quando não conseguia lidar bem com seus sentimentos, chorava, não só pela cobrança que vinha de si mesma, mas pela dos pais, que até então fingiam nem ligar se ela ia bem ou não. Talvez isso fosse uma jogada da mãe. Se ela fosse mal e ficasse presa em alguma matéria, Renée poderia exigir que ela voltasse para casa, isso explicaria o interesse repentino no desempenho da menina.
Não. Ela não daria esse gostinho para a mãe. Mesmo que fosse mal, ela iria ficar. Não ia desistir do que passou quase a vida inteira sonhando só por umas notas ruins.
XXX
— Nem acredito que acabou! — Edward disse, se jogando no sofá.
— Essa última semana foi...
— Um inferno! — Alice disse, interrompendo a princesa.
— Ah, gente, nem foi tão ruim assim! — Ângela sorria ao dar uma mordida no seu pedaço de pizza e recebeu um olhar de incredulidade dos outros três.
— Nas duas vezes em que passei no seu apartamento, você estava acabada de chorar. — Alice falou com escárnio.
— Não precisava lembrar disso! — Ângela reclamou.
— Então, e o tal Jasper? Anda falando com ele? — Edward perguntou.
— Sim! — Os olhos dela brilharam. — Ele é tão gentil e...
— "Simpático e lindo e cheiroso e tudo o que há de bom no mundo". — Bella a interrompeu, rindo, e Alice jogou uma almofada na direção da amiga.
— Sim, tudo isso e um pouco mais!
— E quando vamos conhecê-lo? — Ângela perguntou.
— Não sei... Ainda nem chamei ele pra sair!
— Por quê? — Bella perguntou.
— Vergonha! — Edward tossiu engasgando com a cerveja. — O que que é? — Alice o encarou, irritada.
— Nada, nada! Continua. — Ele olhou para Bella, tentando esconder o sorriso, ela o encarou como quem diz "Você é impossível",ele deu de ombros, presunçoso.
— Alice, fala sério! — Ângela contestou.
— Tô falando!
— Nem parece que é a mesma pessoa que colocou o próprio número no bolso da mochila dele! — Bella falou.
— Foi um ato de insanidade!
— Mas deu certo! — Edward lembrou. — Chama ele, você é legal e tagarela, não vai faltar assunto.
— Não sei... — Ela sopesou.
— Olha, por que você não chama pra um encontro duplo? — Ângela sugeriu.
— Sim, ótima ideia! — Edward concordou. — O clima fica mais descontraído até, se esse é o seu medo.
— Pode ser, mas não conheço ninguém... — Ela terminou a frase quase em um sussurro e olhou de Bella para Edward com aquele olhar.
— Não! — Eles falaram em uníssono.
— Por favor, gente, por favor! — Ela levou as mãos juntas na altura do peito.
— Bella pode ir com James! — Edward sugeriu e deu uma longa golada na cerveja, como se precisasse fazer aquela ideia descer.
— James e eu... Não é uma boa ideia!
— Vai gente, por favor! Poxa, ajudem a amiga de vocês nessa. — Ela pediu.
— Edward, por que você não chama Victória? — Bella perguntou e Alice fuzilou a amiga com o olhar.
— Vocês dois são melhores amigos há anos e ambos são amigos da Alice. — Ângela falou antes que Edward pudesse. — Não faltaria assunto e acho que ela ficaria mais tranquila!
Bella e Edward se encararam como se debatessem isso telepaticamente, do jeito que eles sempre faziam.
— Alôôô! — Alice estalou os dedos entre os dois. — Nem todo mundo entende essa linguagem de vocês.
— Tudo bem! — Edward disse.
— Tudo bem? — Alice perguntou surpresa.
— Sim, nós vamos! — Bella afirmou. — Chama ele e avisa o dia pra gente.
— Vocês são incríveis! — Ela levantou, dando um pulinho e deu um beijo na bochecha dos dois, aproveitando para bagunçar o cabelo de Edward.
— Vocês têm uma preferência por restaurante? — Ela perguntou.
— Tanto faz! — Bella deu de ombros.
— Então tá bom! — Ela voltou a se sentar sorrindo.
O restante da noite correu super bem. Ângela contou sobre uma menina que conhecera durante a aula de ética e segundo ela a tal da Leah é "Tudo de bom que há no mundo".
"Aparentemente todo mundo tem alguém a quem dedicar esse título",Edward brincou e Alice não deixou passar despercebido o olhar que ele lançou na direção de Bella.
As meninas foram embora um pouco depois das duas horas da manhã, e Bella e Edward resolveram assistir Set It Up, a comédia romântica favorita dos dois. Eles acabaram dormindo no sofá mesmo e acordaram no dia seguinte com ele babando no ombro dela.
XXX
A segunda-feira chegou e, com ela, o entusiasmo de Alice para convidar Jasper para sair.
Ela estava com Bree, sua amiga, quando encontrou com Bella na saída da faculdade para comunicar duas coisas. A primeira era que que a amiga daria uma festa em casa no sábado e ela, Edward e Ângela estavam convidados. E a segunda era que Jasper tinha aceitado e sugerido que eles fossem ao Black's restaurant. O encontro estava marcado para sexta às oito horas da noite.
Bella passou a semana escondendo o nervosismo que sentia por esse tal encontro e ela nem mesmo sabia explicar o porquê. Na verdade, ela não estaria em encontro algum e se sentia uma tola por estar de certa forma ansiosa por isso.
XXX
"Oi mãe! Ainda não tenho as notas das provas, mas já tenho as dos trabalhos e me saí bem :)
Estou bem e muito feliz com os resultados que venho obtendo, cada vez tenho mais certeza de que estou no curso certo e fazendo o que eu amo.
Ah! Saindo um pouco do tópico faculdade, amanhã eu e Edward vamos a um encontro duplo para ajudar nossa amiga com o menino que ela gosta kkkkkkkk dá pra acreditar? Espero que seja legal. Edward parece estar tranquilo quanto a isso, mas eu estou sinceramente nervosa e até um pouco ansiosa. Na verdade muito ansiosa. Acho que é porque nunca passei por isso, mas Alice é uma amiga por quem eu faria qualquer coisa e sair com Edward vai ser normal, né? Afinal, já saímos juntos antes... Mas não assim! Enfim, não vou pensar muito nisso, vou viver um dia de cada vez. Não gosto de pensar muito no que esse nervosismo significa.
É isso, espero que esteja tudo bem por aí ;) Mande um beijo para o papai. Amo vocês."
— Tá podendo falar? — Edward perguntou, colocando a cabeça para dentro do quarto.
— Sim... Só estava enviando um e-mail para minha mãe. — Ela fechou o notebook.
— Ela tem respondido seus e-mails?
— Não! — Ela deu uma risadinha triste. — Quase três meses já e ela ainda age como uma criança mimada.
— Sinto muito! — Ele sorriu sem mostrar os dentes.
— Tudo bem! — Ela gesticulou para que ele entrasse. — O que você manda?
— Eu estava pensando aqui — Ele começou a falar e se jogou na cama da princesa e ela girou a cadeira na sua direção. — Podíamos conhecer Nova York. — Bella considerou. — A gente pode pegar a estrada sábado cedo, e eu até canto as suas favoritas do Bruno Mars, se você cantar as minhas favoritas da Taylor Swift.
Bella sorriu e caminhou até a cama deitando do lado do amigo.
— Só se a gente puder conhecer a estátua da liberdade e visitar o Empire State Building!
— Eu também quero fazer aquele passeio de Helicóptero que sobrevoa toda a cidade.
— Combinado! — Ela sorriu e ele também.
Depois de alguns instantes em silêncio, ele perguntou:
— Por que não seria uma boa ideia ir com James amanhã?
— Você não quer ir? — Ela perguntou, tentando esconder a mágoa.
— O quê? — Ele se apoiou em um cotovelo e a encarou um pouco indignado. — É claro que eu quero ir!
— Ah... — O aperto no peito se afrouxou. — Se eu saísse com James amanhã, ele entenderia errado. Criaria expectativas e eu não... Não é recíproco, sabe?
— Sei! — Ele ficou em silêncio durante uns minutos — Vic é legal.
— Eu sei que é!
— Mas você a olha de cara feia às vezes.
— Impressão sua! — Ela encarou o teto.
— Nós não estamos mais saindo... — Bella se odiou pela fração de felicidade que sentiu.
— Por quê?
— O mesmo que você e James... Ela estava querendo algo mais sério e eu não estou nessa.
— Sinto muito! — Ela falou.
— Sente nada! — Ele riu — Já pode parar de fingir, Bella! Você finge muito mal. — Foi a vez dela de rir.
— Em minha defesa, você também finge muito mal!
— Eu? — Ele fez cara de ofendido. — Eu sempre deixei claro que não gostava dele. — Eles riram. — Você merece coisa melhor!
— Obrigada, meu caro amigo! — Ela passou a mão bagunçando o cabelo dele. — A Vic era bem legal mesmo, não tenho nada contra ela!
"Não mais", ela completou mentalmente e sufocou o motivo dessa alegação no fundo do peito.
XXX
Bella deu uma última olhada no espelho antes de deixar o quarto e encontrar com Edward na sala.
Ela apareceu, deu uma voltinha e colocou a mão na cintura quando Edward sorriu.
— Que sorte a minha ser seu acompanhante da noite. — Ele andou na direção dela e Bella ficou vermelha. — Você está linda!
— Você também está. — Ela limpou uma poeira invisível no ombro dele. — Vamos?
— Vamos.
O restaurante ficava a trinta minutos do apartamento deles. Bella ofereceu carona a Alice, mas ela negou, dizendo que iria com Jasper.
O caminho até o Black's restaurant foi super rápido. Alice e Jasper chegaram uns dez minutos depois deles.
A alegria da menina era quase palpável e Bella não pôde deixar de reparar que os olhos da amiga brilhavam toda vez que ela olhava para Jasper ou que sua bochecha ficava vermelha como um pimentão sempre que ele a pegava o encarando com um sorriso bobo no rosto.
Edward logo fez amizade com o loiro, e realmente, o que não faltou foi assunto.
— Minha mãe diz que eu me pareço com meu pai, e de aparência pode até ser, mas minha personalidade é igual a dela — Jasper falou.
— Nossa, minha mãe nunca admitiria que me pareço com meu pai. Ela jura que me pareço com ela. — Edward falou.
— Você até tem uns traços dela, mas os seus olhos são do seu pai — Bella comentou, bebericando seu drink.
— Se você falar isso perto da minha mãe, arrumará um problema! — Eles riram.
— Ela sabe que é a verdade! — Ela deu de ombros e ele sorriu a encarando.
— Edward, Bella comentou que você toca! — Alice perguntou, mudando de assunto e ele lançou a princesa um olhar de indignação e ela sorriu como se pedisse desculpas. — Jasper também!
— Você toca o quê? — O loiro perguntou.
— Eu não...
— Ele não conta pra ninguém, mas é o melhor tocando guitarra. — Bella o interrompeu e sorriu para o melhor amigo com os olhos brilhando.
— Você é uma fofoqueira! — Ele rebateu.
— Você esconde seu talento do mundo, alguém precisa revelá-lo!
— Eu conheço vocês há mais de dois meses e nunca vi esse feio tocando. Edward, você me deve. — Alice reclamou e ele sorriu tímido.
— Eu toco para você só se Jasper aceitar ser minha dupla.
— Eu aceito! — Ele balançou a cabeça sorrindo.
Ao longo da noite, Bella não deixou de perceber o quanto Jasper parecia feliz de estar com Alice. Por muitas vezes ele a olhava com admiração e sempre que ela falava alguma coisa ou sorria, um sorriso bobo tomava conta do rosto do rapaz.
Bella pediu a sobremesa de Edward e ele pediu a dela, num joguinho que eles sempre faziam para provar o quanto um conhece o outro. Jasper perguntou quando eles se conheceram e Edward contou como se tivesse acontecido ontem, a memória estava tão vívida na mente dele que surpreendeu Bella. Ele contava com carinho cada detalhe, como se sempre repassasse aquele dia na cabeça.
Depois de muita conversa e risada, eles encerraram a noite. Alice sussurrou agradecimentos para os amigos dizendo que não saberia como agradecê-los, mas eles sabiam que a nítida felicidade da menina já era agradecimento o suficiente.
XXX
No dia seguinte, eles foram à festa de Bree. Parecia que a faculdade toda estava lá. Alice encontrou com Bella e Edward na entrada do jardim, segurando três copos vermelhos naquelas mãos miúdas. Ela entregou um copo para cada um e voltou saltitando para onde Jasper esperava.
Bella e Edward beberam tudo o que tinham direito. Bella dançou em cima da mesa com Bree e outras meninas que ela não fazia ideia de quem eram, e embora estivesse envolvida na diversão, imperceptivelmente passava o olho pela sala em busca de Edward e sempre o encontrava sorrindo na sua direção.
Em algum momento da noite, eles estavam sentados lado a lado em um sofá marrom, Bella estava escorada no ombro de Edward e Alice estava sentada no colo de Jasper. Tânia, uma amiga de Bree, ofereceu a eles um baseado e quando Bella pegou ganhou um olhar de reprovação de Alice. Não pelo uso da maconha em si, mas porque ela já tinha ingerido muito álcool antes. Ela apenas deu de ombros e fumou.
Decisão infeliz.
Bella engasgou na primeira tragada e achou que fosse morrer de tanto tossir. Edward já obteve maior sucesso e debochou da amiga por isso.
Por volta das três da manhã, Alice tinha sumido com Jasper e Bella e Edward se encontravam dançando na beirada da piscina.
Ele a puxou pela cintura para perto e sussurrou no seu ouvido:
— Você é terrível dançando! — Sua voz rouca contra o pescoço da princesa causou arrepios pelo corpo todo.
Ela ficou na ponta dos pés, encarando-o e sopesando suas decisões e palavras. Ela podia estar bêbada, mas tinha de resgatar um pouco da consciência para respondê-lo.
— Ninguém dança como eu! — Sussurrou no seu ouvido e se afastou deixando que seu nariz roçasse contra o pescoço do amigo, que não conseguiu impedir o tremor que percorreu seu corpo.
Edward sorriu, balançando a cabeça como se tentasse afastar qualquer pensamento impertinente quando Bella se afastou de olhos fechados e começou a balançar o corpo no ritmo da música que iniciava, usando as mãos para bagunçar o cabelo, jogando-o de um lado para o outro.
Day to night to morning, keep with me in the moment
I'd let you had I known it, why don't you say so?
Ela caminhou na direção de Edward e passou a mão pelo seu ombro esquerdo indo em direção ao direito.
Didn't even notice, no punches left to roll with
You got to keep me focused, you want it? Say so
"O que você tá fazendo? Pare com isso." Bella debatia internamente, enquanto fazia o caminho inverso quando esse trecho se repetiu.
Edward engoliu em seco quando ela terminou de o rodar e parou na sua frente encarando-o.
It's been a long time since you fell in love
You ain't coming out your shell, you ain't really been yoursel
Ela cantou, passando a mão pelo peito de Edward e o empurrando em seguida.
Tell me, what must I do? (Do tell, my love)
'Cause luckily I'm good at reading
I wouldn't bug him, but he won't stop cheesin'
Bella jogou o cabelo e sorriu para ele. Ela sabia que tinha que parar. Algo no fundo da mente gritava para que parasse, mas o corpo não queria. Ela culparia o álcool por isso.
Edward não sabia dizer se era o álcool, a maconha, ou algo que ele não queria encarar, mas Bella estava incrível.
Ele tinha certeza que o sorriso dela era capaz de iluminar o mundo. E ele amava quando ela ignorava tudo ao redor e dançava daquele jeito tão livre, tão ela. E, naquele momento, ele desejou que aquele sorriso que alcançava os olhos cor de chocolate e aquela dança fossem para ele.
Sem pensar, Edward se aproximou, puxando-a pela cintura, fazendo com que ela se chocasse contra ele.
And we can dance all day around it
If you frontin', I'll be bouncing
If you want it, scream it, shout it, babe
Before I leave you dry
Como se só existissem eles no mundo, Edward segurou a cintura de Bella com firmeza, balançando ao som da música, enquanto ela passava a mão pelo cabelo dele.
Bella já via tudo borrado. Ela sentia o corpo pegando fogo, tudo estava quente, seus pensamentos estavam quentes e ela jurou que podia entrar em combustão a qualquer momento.
"Álcool, Bella. É o excesso de álcool cobrando seu preço."
Sem quebrar o contato visual com Edward, ela se afastou, seguindo o ritmo da música, mas mudou o jeito que dançava. Jogou uma mão para o alto e começou a jogar a cintura de um lado para o outro de forma abrupta, fazendo uma cara engraçada o que levou Edward a soltar uma gargalhada.
Ele estava perdido na beleza da cena e totalmente embalado, não mais pelo som da música, mas pelo som da risada descontraída da princesa.
Ele percebeu nesse momento que enfrentaria o mundo para que ela pudesse sempre sorrir e dançar daquele jeito.
A música acabou antes que ele deixasse que os pensamentos fossem além dos limites que há muito tempo havia imposto a si mesmo. Bella se jogou nos braços dele, terminando sua dança e sorriu quando encontrou os olhos verdes brilhando para ela.
XXX
— Você gosta dele! — Alice disse no dia seguinte, quando elas se encontraram para o almoço.
— O que? — Bella a encarou. — Do que você tá falando?
— Do Edward!
— Você usou alguma coisa ilícita hoje de manhã? — Elas voltaram a andar em direção a saída do campus.
— Não. Lógico que não! Você gosta dele, só não admite.
— Lógico que gosto dele. Ele é meu melhor amigo. — Alice revirou os olhos.
— Dormiu com um palhaço, foi?
— Acho que você que dormiu com um, olha a bobeira que tá falando!
— Amiga, seus olhos brilham quando você olha pra ele, acho que nem você percebe que às vezes fica meio embasbacada.
— Você definitivamente usou drogas no café da manhã.
— Tudo bem! — Alice levantou as mãos em rendição. — Quero ver por quanto tempo vai continuar se enganando.
— Quero ver por quanto tempo vai alimentar essa ideia idiota! — Ela rebateu e Alice deu de ombros, como se fosse uma causa perdida mesmo.
XXX
Com o passar de mais duas semanas de correria, Bella não poderia estar mais ansiosa para o final de semana. Ela e Edward não ousaram comentar o que tinha rolado na festa.
Passaram de algum limite predeterminado, Bella tinha certeza disso. Mas os dois fingiram que nada aconteceu e parte da menina se sentia muito aliviada por isso, mas a outra parte... A outra parte esperava que tivesse significado algo.
Não. Ela não ia dar ouvidos a essa parte traidora.
Também não recebeu nenhuma resposta da mãe, e Bella tentava a todo custo ignorar isso, se convencer de que não se importava se a resposta viesse ou não, mas se importava. E o fato de ela abrir todos os dias o e-mail e não ter nenhuma mensagem, nem que fosse um "ok",a machucava cada vez mais.
Nos dias que ela chegou mais cedo que Edward, aproveitou para dar uma arrumada no apartamento e extravasar aquela confusão de sentimentos e pensamentos dançando daquele jeito estranho que ela sempre fazia quando ninguém estava vendo.
As palavras de Alice e a maldita dança volta e meia rodopiavam na mente da morena, mas nunca por tempo o suficiente para que ela contemplasse de verdade. Na verdade, ela fazia questão de ignorar, se ocupando com outras coisas que não fossem encarar o que aquilo significava ou o quanto Alice via.
Ela estava conscientemente fugindo dessas conclusões.
XXX
— Vamos ouvir o que eu quero na ida e o que você quiser na volta, pode ser? — Bella perguntou.
O relógio marcava sete e meia da manhã e eles já estavam a caminho de Nova York.
Eles pegaram a estrada um pouco antes do sol nascer, querendo chegar o quanto antes na cidade para que desse tempo de fazer tudo o que haviam planejado, e Bella agradeceu ao universo porque o sol já brilhava no céu e prometia ser um dia lindo.
— Pode ser! — Ele olhou para ela de rabo de olho e sorriu.
Bella aumentou o som do carro e abaixou a janela, colocando os braços pra fora cantando "Cold" do Maroon 5 a plenos pulmões e cutucava Edward para que ele cantasse as partes dele do dueto.
Ele a olhava com brilho nos olhos, encantado com o jeito que ela parecia quase selvagem com a cabeça pra fora da janela e o vento bagunçando seus cabelos enquanto sorria.
— O que foi? — Ela perguntou voltando para dentro.
— O quê? — Ele sorriu e voltou a olhar para a pista.
— Você com essa cara! — Ela fez uma careta.
— Nada não! — Ele deu de ombros.
Ela o observou sorrindo quando ele passou a mão pelo cabelo, enquanto usava a outra para batucar no volante cantarolando. Ela já havia, há muito, memorizado esses trejeitos dele. Coisas que ele faz sem nem perceber, mas ela nunca deixava passar.
Eles chegaram à Nova York e a primeira coisa que visitaram foi a Estátua da Liberdade, fizeram quase um álbum de fotos com o monumento. Depois do almoço, Bella quis visitar os lugares onde Gossip Girl foi gravado, obrigando-o a tirar fotos com ela na mesma fonte que Serena e Blair, depois de muitos resmungos, ele cedeu. Sempre cedia.
Eles foram no passeio de helicóptero quando a noite caiu. Edward contava histórias que aprendera sobre a cidade e Bella contava as cores em seus olhos. Os milhares tons de verde que fazia a morena querer se perder ali para sempre.
O último passeio do dia foi a visita ao Empire State Building. Devido ao horário, o arranha-céu estava quase vazio.
Bella debruçou no parapeito enquanto lambia seu sorvete, e o vento soprou forte fazendo algumas mechas de cabelo se soltar do coque. Ao ver a menina se atrapalhar, Edward se aproximou, capturando as mechas soltas com o dedo e prendendo-as atrás da orelha da princesa.
Ele se demorou mais do que gostaria ao acariciar sua bochecha.
— O que foi? — Ela perguntou tímida.
— Você é linda! — Ele admitiu.
Bella sorriu e olhou para a cidade que se agitava abaixo, tentando esconder o rubor que tomou conta de suas bochechas e torcendo para que o coração não saltasse pela boca.
— Sabe, esses momentos só são incríveis porque têm você neles. —Edward falou, encostando o braço no de Bella.
— Eu não me imagino conhecendo lugares lindos como esse sem você. — Ela confessou e ele a puxou para um abraço sorrindo.
— Vamos conhecer esse mundo juntos, Bella. — Sussurrou e a menina podia jurar que era uma promessa.
Ela se aconchegou no abraço dele e não soube quanto tempo havia se passado quando o segurança apareceu dizendo "Ei, os dois pombinhos aí! Estamos fechando, deem o fora".Eles riram sem graça ao deixarem o edíficio.
O caminho de volta à Hanover foi tranquilo. O volvo de Edward parecia um foguete cortando a noite. Eles ouviram Taylor Swift conforme fora prometido e Bella colocou para tocar outros artistas que ela sabia que Edward gostava.
Ela sentia o rosto esquentar toda vez que Edward a pegava o encarando. Mas era quase impossível não o admirar.
Ele tinha aquele brilho intenso que beirava a selvageria no olhar ao correr as mãos no cabelo e cantar "Get Lucky", balançando a cabeça no ritmo da música. Edward contava piadas ruins e Bella fingia sorrisos e ficava sem jeito sempre que ele sorria daquele jeito torto.
Ao chegar em casa, eles foram tomar banho e Bella vestiu um short curto de moletom e colocou a blusa que ela havia roubado do amigo, que nela ficava quase como um vestido.
Eles abriram uma garrafa de vinho e juraram que seria só uma taça, mas quando se deram conta estavam na terceira garrafa e Edward puxava Bella pela mão até a varanda para dançar "I've had the time of my life".
— Now I've had the time of my life. No I never felt like this before. — Ele segurava a taça de vinho e arrastava o pé de um lado para o outro com o riso já frouxo. — Yes I swear it's the truth. And I owe it all to you — Ele pegou a mão de Bella fazendo com que ela desse um giro cambaleante. — Vamos lá, Bella! — Ele a cutucou. — Cante a sua parte!
— 'Cause I've had the time of my life. And I owe it all to you. — Ela cantou apontando para ele e bebeu o vinho direto da garrafa, fechando os olhos e deixando que seu corpo seguisse a melodia.
Ela fazia passos estranhos enquanto Edward cantava sua parte da música e rodava completamente embriagado.
— So we take each other's hand. 'Cause we seem to understand. The urgency. Just remember. — Eles cantaram juntos e Edward pegou na sua mão, puxando-a, fazendo com que ela se chocasse contra seu corpo e os dois caíram na gargalhada.
You're the one thing
I can't get enough of
So I'll tell you something
This could be love because
Bella encarou aqueles olhos e viu que realmente não tinha mais como mentir para si mesma.
With my body and soul
I want you more than you'll ever know
Será que ele não via? Uma luz não deveria acender? Ela estava perdidamente apaixonada por ele.
So we'll just let it go
Don't be afraid to lose control, no
Ele sempre via tudo, via quando Bella tentava esconder uma mágoa ou um segredo, mas não via aquele sentimento que fervilhava no peito e parecia consumi-la. Será que ele ignorava inocentemente a verdade?
Yes I know what's on your mind
When you say, "Stay with me tonight" (stay with me)
And remember
Ele inclinou a cabeça para o lado, sorrindo, e Bella mandou as consequências ao inferno.
Ela ficou nas pontas dos pés ao segurar o rosto dele nas mãos e devagar colar seus lábios.
O coração dela podia explodir a qualquer momento e o mundo pareceu parar e as estrelas se aproximarem para observar o que estava acontecendo ali naquela varanda. O que aconteceria em seguida.
Edward havia paralisado e Bella esperou pela rejeição. Ela se preparou para o olhar de reprovação do amigo. Para se sentir pequena porque ela errou, não devia ter feito isso. Então se afastou, mas o que tinha nos olhos de Edward a surpreendeu.
Não desprezo ou reprovação, mas o puro desejo e vontade de mais brilhavam ali.
Edward enfiou as mãos pelo cabelo da princesa, segurando sua cabeça no lugar, enquanto a outra mão enlaçou sua cintura, puxando-a para mais perto e aprofundando o beijo.
Bella não sabia o que pensar daquilo, como se sentir ou como seriam as coisas depois daquele momento, mas ela afastou tudo isso da mente e aproveitou a sensação da língua de Edward se enroscando à sua.
O beijo era lento, como se eles estivessem esperando por isso há muito tempo e agora queriam aproveitar cada segundo daquele contato.
O nervosismo deu espaço para o desejo e Bella sentiu como se o mundo tivesse feito sentido. Ou talvez nem precisasse fazer. Eles estavam entrelaçados ali e era tudo o que importava.
Edward parecia não ter pressa ou pretensão de terminar, ele sentia como se pudesse fazer aquilo pelo resto da vida. Bella o sentiu apertá-la ainda mais, prendendo-a nos braços como se ela fosse fugir. Idiota. Nem que pagassem milhões ela fugiria daquilo, daquela sensação e daquele carinho.
XXX
Bella acordou em sua cama quase perto da hora do almoço. Ela se virou, se espreguiçando, e foi o passar a mão na cama vazia que trouxe à tona as memórias embaralhadas da madrugada.
Ela e Edward tomando vinho; eles na varanda; uma dança e... Um beijo?
Ela pulou da cama e a cabeça rodou.
Eles tinham se beijado, ela lembrava disso. E de sentir que aquilo tinha acabado de se tornar sua coisa favorita no mundo. Também tinham ido para a cama juntos, mas, bom... Ela estava vestida.
"Merda, maldito vinho!"
A morena levantou zonza e foi até o banheiro para tomar um banho e realizar sua higiene matinal. Ela precisaria estar em melhores condições para lidar com as consequências do que tinha acontecido.
Após vestir um short jeans e uma blusinha fresca, Bella respirou fundo e abriu a porta do quarto nem um pouco pronta para encarar o melhor amigo.
Quando ela chegou à sala, o alívio durou pouco ao perceber que Edward não estava em casa.
"Tudo bem, mais tempo para pensar! Mas... E se ele não gostou? E se eu estraguei tudo? Ele também estava fugindo. Merda, Bella, merda!"
Ela pegou o celular para mandar mensagem para Alice, mas foi a notificação do e-mail que chamou sua atenção.
Ao ver que a mensagem era da mãe, o coração da princesa errou uma batida.
Ela tinha mandado o anexo com as notas perfeitas para mãe no meio da semana passada, mas o e-mail de resposta não se tratava disso. Era um curto e grosso "Quero você em casa mês que vem. Precisamos conversar".
Fechou a aba e mandou uma mensagem para Alice antes de surtar completamente.
[11:43 18/07] Bella: Amiga, tá livre? Preciso conversar!
[11:46 18/07] Alice: Oi amiga, tô sim! O que acha de um almoço?
[11:47 18/07] Bella: Perfeito! Te encontro na saída do prédio em dez minutos.
[11:48 18/07] Alice: Tá bom!
XXX
— Eu beijei o Edward! — Bella soltou e amiga tossiu engasgando com o suco.
— O quê?
— Isso mesmo que você ouviu.
— Meu Deus, e como foi? Ele beija bem? Tem pegada? — Ela sorriu maliciosa
— Alice? — Bella questionou incrédula.
— Desculpa! — Ela levantou as mãos em rendição. —Tudo bem! Fala, o que houve?
— Ele não estava em casa hoje pela manhã, isso é um mau sinal, né?
— Não exatamente... Pode ter saído pra espairecer... Assim como você está apavorada, ele também pode estar. Me conta como foi!
Então Bella contou tudo do que se lembrava.
— Ele pode estar achando que você o beijou por causa do álcool — Alice concluiu quando a refeição delas chegou. — Obrigada! — Sorriu para a garçonete.
— E não foi? — Bella perguntou e ganhou um olhar de reprovação da amiga.
— Você se faz de burra, né?
— Eu estou tentando ignorar o fato de que estou apaixonada pelo meu melhor amigo e provavelmente não é recíproco.
— Olha! — Alice mexeu no celular e o jogou para a amiga.
Era uma foto dela e de Edward em um momento aleatório no apartamento deles. Ele a olhava com um brilho inconfundível nos olhos enquanto ela ria olhando para frente.
— Isso é só uma foto. — Bella rebateu, devolvendo o aparelho.
— Você mais do que ninguém sabe o quanto uma foto fala por si só. — Ela se debruçou sobre a mesa e apontou para a imagem. — Olha o olhinho dele! Já dizia Nicholas Sparks: Os olhos sempre dizem a verdade.
— Mas isso não diz se é recíproco ou não.
— Isso você só vai saber se perguntar.
Bella ficou em silêncio sopesando. Era um grande passo. Um passo instável para uma terra desconhecida e incerta.
— Como você soube? Que eu gostava dele.
— Eu já desconfiava antes, mas no dia do encontro ficou claro para mim. Vocês muitas vezes ficavam presos no mundinho de vocês, e você sempre ficava com essa cara abobada de apaixonada quando ele falava, sorria ou simplesmente respirava. — Alice sorriu e Bella revirou os olhos na última afirmativa, mas se permitiu pensar sobre isso.
Ela passou tanto tempo escondendo esses sentimentos, sem deixar que ninguém a visse desejando que ele fosse seu, que nem se deu conta quando não deu mais pra esconder. Quando ficou tão nítido que ela estava apaixonada por ele que ficava estampado no seu rosto para que qualquer um que olhasse com um pouco mais de atenção visse.
— Você não pode permitir que o medo impeça coisas lindas de acontecer. — Alice falou quando as duas se despediram na porta do restaurante e Bella apenas assentiu exibindo um meio sorriso.
Após recusar a carona da amiga, ela fez uma caminhada lenta até sua casa. Cada passo pesava mais que o outro e o coração galopava no peito. Ela não sabia dizer o que a apavorava mais: se era chegar em casa e encontrar Edward ou chegar e não ter ninguém.
Infelizmente, aquele não era um assunto do qual ela conseguiria fugir ou fingir que não existe, embora fosse tudo o que parte dela desejava. Enquanto a outra parte estava quase aliviada por finalmente encarar aquilo e tirar a prova real.
O apartamento estava vazio e permaneceu assim pelo restante da tarde. Bella não sabia mais o que fazer. Não queria pressionar Edward por uma resposta, ele nem tinha a obrigação de dar uma. Talvez ela tenha atribuído significado demais a um beijo de dois bêbados.
Sem contar que a princesa passou o dia ignorando a mensagem da mãe.
"Um problema de cada vez, Bella. Um problema de cada vez!" Ela repetia para si mesma.
Por volta das oito horas da noite, a princesa estava jogada no sofá quando o celular vibrou. Ela se virou sem vontade e o pegou no braço do sofá. A notificação a fez dar um pulo.
[20:15 18/07] Edward: Me encontra na entrada do Storrs Pond às 20:30 para um passeio?
[20:16 18/07] Bella: Estarei lá.
Ela só enfiou o celular no bolso antes de disparar para a saída do prédio e fazer uma caminhada apressada até o local de encontro.
"O que dizer? Como agir? Pedir desculpas?" Eram as perguntas que assombravam o coração e a mente da menina.
Ela não sabia o que esperar disso e estava desesperada, implorando a qualquer divindade que estivesse olhando para que tudo se resolvesse da melhor maneira possível.
A princesa não tinha certeza se haveria como dar um passo para trás, agora que todos esses sentimentos vieram à tona, mas por Edward, pela amizade deles, ela estava disposta a tentar. A encasular todas essas emoções novamente.
Edward estava onde havia dito. Quando Bella entrou no seu campo de visão, o coração parou pelo que ele julgou ser um longo minuto.
— Oi! — Ele disse quando ela se aproximou.
— Oi...
Horrível. O clima era horrível e Bella desejou nunca tê-lo beijado.
— Me acompanha? — Ele saiu da frente, indicando o caminho.
Ela apenas assentiu.
Edward falou sobre o tempo e, se Bella não estivesse tão nervosa, ela teria dado boas gargalhadas. Ele sempre fazia isso quando não sabia o que fazer ou o que dizer.
Pelo menos isso mostrava alguma coisa: Ele também estava nervoso e não sabia como agir.
Bella imaginou que de repente também tenha significado algo a mais para ele, mas foi outra coisa que a arrancou o fôlego.
Havia uma ponte iluminada por luzinhas douradas que cortava um lago, levando a uma mesa posta para dois, e haviam velas em tochas que tornavam a iluminação melhor.
Bella olhou para Edward sem reação. Ele não a olhou, apenas seguiu em frente com os ombros tensos e passos duros. A princesa foi atrás.
— Eu... Eu... — Ela gaguejou quando eles pararam próximo a mesa.
— Não, eu primeiro. — Ele segurou a mão dela, mas soltou em seguida. Seu olhar o delatando, não dava mais para esconder como as coisas mudaram. — Bella, eu... Eu não sei o que ontem significou para você, mas preciso dizer o que significou para mim. — Ele correu a mão pelo cabelo, como sempre fazia quando estava nervoso e Bella quis sorrir. — Eu pensei muito nisso. Pensei no que isso acarretaria e como nos afetaria, mas eu preciso dizer. — Uma pausa e um suspiro. — Eu estou apaixonado por você. — Bella prendeu a respiração. — E apesar de te contar todos os meus segredos, esse eu venho guardando por muito tempo. E tudo bem se não for recíproco, se você não sentir o mesmo, eu vou ser seu o que quiser que seja, só por favor... Me deixa continuar fazendo parte da sua vida, independente do que você sinta por mim. Eu posso lidar com qualquer coisa, mas não consigo lidar com seu afastamento.
Bella soltou uma risadinha e Edward quis morrer, mas apenas levantou a sobrancelha, questionando-a silenciosamente.
— Edward, você sempre percebe tudo, vê tudo através de mim, como se tivesse acesso livre à minha mente e a cada pensamento meu. Entretanto, não viu através do meu coração. Não percebeu que eu venho prendendo cada respiração por você. — Ela deu um passo para mais perto e encarou aquele olhar intenso que parecia querer gritar. — Eu te amo. — Ele não conseguiu esconder a surpresa. — Eu te amo, mas se me perguntassem, eu mentiria. Mentiria por medo de não ser recíproco e perder o que tínhamos. E eu fiquei tão boa em esconder isso que, por um momento, até me convenci de que não gostava mais. Me convenci de que nossa amizade bastava, e acredite, Edward, bastava. Era tudo o que eu queria. — Uma risadinha sem graça. — Até o dia em que fomos ao encontro com a Alice, e depois a dança na festa da Bree, mas foi naquele passeio de helicóptero em Nova York que eu realmente percebi que não tinha mais volta para mim. Eu não conseguiria esconder o que eu sentia por muito mais tempo.
Edward fechou a distância entre eles e levou a mão ao rosto de Bella, acariciando sua bochecha com o polegar ao mesmo tempo que ela fechou os olhos e aninhou o rosto na mão dele.
Um silêncio agradável caiu enquanto eles aproveitavam aquela intimidade tranquila e recém descoberta.
Não havia mais medo em aproveitar aquele carinho e proximidade, o frio na barriga ainda estava presente, mas não era mais aquela sensação desesperadora. Não, era acolhedor e convidativo.
— Como vai ser daqui pra frente? — Ela perguntou.
— Como assim? — Edward franziu o cenho.
— Nunca estive em um relacionamento antes...
— Nem eu! — Ele sorriu torto, mas logo ficou sério. — Eu sei que há um caminho mais fácil, que eu poderia simplesmente ter ignorado o que aconteceu ontem, mas toda vez que eu te olho eu só penso no quanto eu te amo e no quanto eu quero que você seja minha.
Bella abriu um sorriso tão largo que Edward sentiu o coração afundar no peito.
— Eu te amo. — Foi a vez dela de acariciar a bochecha dele. — Edward Cullen, eu te amo. — Bella segurou seu rosto nas mãos. — É tão bom falar isso pra você.
— Você já disse isso antes... — Ele sorriu, enlaçando a cintura dela.
— Não nesse sentido, idiota! — Ela deu um tapinha de leve no rosto dele.
— Eu te amo. — Ele falou perto de sua boca e ela engoliu em seco.
— Me beija! — Bella pediu.
Ele o fez sem pestanejar.
Edward passou a mão pelos cabelos dela e segurou sua cabeça no lugar enquanto o outro braço permanecia puxando sua cintura para mais perto.
Era como se estivessem passado tanto tempo querendo aquilo, mas com receio de pegar, que agora nenhuma distância seria tolerada entre eles.
Houve um barulho entre as árvores, o que chamou a atenção deles, e Bella bufou irritada enquanto Edward soltou uma risada.
— Ele podia respeitar a privacidade dos outros... — Ela reclamou.
— Você é a princesa de Mônaco, sua segurança é mais importante que sua privacidade. — Edward rebateu.
— Mas estou com você...
— Mas poderia ter mais gente dentro dessa mata.
— Justo! — Ela disse se virando e acenando com um sorriso amarelo para o segurança que o pai havia mandado atrás dela.
Bella tinha que dar os créditos a ele. Se manteve em uma distância respeitável durante todo esse tempo. Ele agia como uma sombra e a princesa ficava mais que feliz em ignorar o fato de que tinha um brutamontes atrás dela o tempo todo.
— Vamos comer? — Edward perguntou
— Vamos! — Ela aceitou, sorrindo.
Edward encomendou o prato favorito de Bella, e quando questionado, disse que tinha passado o dia fora resolvendo essas coisas.
— Então você não estava fugindo de mim? — Ela semicerrou os olhos.
— Fugindo? — Ele arregalou os olhos. — De me declarar para a minha melhor amiga, correndo o risco de tomar um chute na bunda e ainda perder a amizade dela? — Ele fez uma careta. — Lógico que eu não estava fugindo!
Bella soltou uma gargalhada e explicou que também tinha passado o dia apavorada.
Edward colocou aquela noite na lista de "melhores dias da minha existência"
— Você tem uma lista? — Ela perguntou meio sem acreditar.
— Lógico!
— E qual o dia em primeiro lugar?
— O de ontem. — Ele respondeu rápido, como se realmente não houvesse espaço para dúvidas e Bella ficou vermelha. — Eu queria fazer aquilo há muito tempo... Se eu disser que penso em te beijar desde os meus catorze anos, você vai me achar muito esquisito?
— Não, porque eu também! — Eles riram. — Por que nunca me mostrou essa tal lista?
— Porque você está em todos os dias que estão listados lá. — Ele confessou e ela sentiu o rosto esquentar de novo o que fez Edward sorrir e esticar o braço por cima da mesa para acariciar sua bochecha. — Eu te amo.
— Eu também te amo! — Bella sorriu.
A noite foi repleta de conversas, risadas, carícias e beijos. Era como se as coisas estivessem erradas antes, mas agora, finalmente, as peças do quebra-cabeça tinham se encaixado e o mundo tivesse voltado ao eixo. Tudo estava do jeitinho que deveria ser.
— Quem será que vai surtar mais quando souber: Rose ou Alice? — Bella perguntou quando Edward fechou a porta do apartamento deles e jogou a chave na bancada.
— Acho que nenhuma das duas... Pensando bem, nós nunca fomos bons em esconder isso... — Ele disse, puxando-a para perto pela cintura.
— Ei, eu fui sim... — Bella falou, sentindo a perna fraquejar quando ele passou o nariz pelo pescoço dela.
— Não foi, não! — Ele beijou o pescoço dela, o que fez com que a morena sufocasse um gemido, mas o corpo arrepiado a entregou.
— Ninguém liga! — Ela disse e o beijou.
Eles foram quase que imperceptivelmente para o quarto dela e quando caíram na cama, Edward se apoiou em um braço enquanto o outro acariciava o rosto dela.
— Você não disse o que sua mãe queria contigo...
— Ela não falou na mensagem...
— O que será que é?
— Não faço ideia...
— O que você vai fazer se ela quiser que largue tudo aqui e volte?
— Ainda não sei...
— E quanto a Alice? Você vai contar para ela quem realmente é?
— Eu quero muito, mas ainda não sei...
— E seus pais, como será que vão reagir ao nosso relacionamento?
— Nunca sei o que esperar deles, Ed...
— E se... — Bella levou um dedo a boca dele, silenciando-o.
— Será que nesta noite podemos tentar esquecer tudo e sermos apenas eu e você?
Ele considerou contestar, mas desistiu quando encarou a boca da morena.
— Com certeza! — Sussurrou e abaixou para beijá-la, se sentindo mais que satisfeito em deixar essas preocupações para outro dia.
O beijo no início era calmo e sem pressa, mas as coisas foram esquentando e se tornando mais urgentes.
Edward se encaixou entre as pernas dela, possibilitando que ela sentisse sua ereção.
Ela jogou o quadril contra o dele, o que o fez engasgar e interromper o beijo para olhá-la.
— Tem certeza? — Ele perguntou receoso.
— A gente não já...
— O quê? — Ele quase pulou da cama. — Não! Lógico que não, você estava bêbada e eu também. — Bella soltou uma gargalhada diante do desespero dele. — Para de rir, isso é sério.
— Desculpa! — Ela disse comprimindo os lábios para não rir.
— Idiota! — Ele deu um selinho dela.
— Sim, eu tenho certeza! — Ela sussurrou, segurando o rosto dele entre as mãos. — Quero tudo com você.
Então Edward voltou a beijá-la e ficou maravilhado em correr as mãos por aquele corpo, tanto quanto ela ficou em êxtase por sentir o toque quente dele por todo lado.
XXX
— Que droga! — Bella resmungou ao pegar o celular que não parava de vibrar na cabeceira da cama.
— Quem é?
— Alice. — Ela enfiou o celular debaixo do travesseiro e se virou deitando no braço de Edward. — Bom dia! — Ela sorriu.
— Bom dia, meu bem! — Ele deu um beijo na testa dela. — O que ela quer a essa hora?
— Não sei! — Ela afundou o nariz no pescoço dele. — E, por hora, nem quero saber.
— Que bom, porque eu não tenho a intenção de deixar você sair dessa cama tão cedo. — Ele disse e ficou por cima dela para um beijo, mas ela colocou a mão na frente impedindo-o. — Que foi?
— Escovar os dentes. — Ele a olhou incrédulo. — Eu tô falando sério, isso é nojento!
Edward revirou os olhos e saiu de cima dela, rindo.
— Se me dá licença, Princesa, estou indo fazer minha higiene bucal para te dar um beijo de bom dia! — Ele fez uma reverência e foi a vez de Bella revirar os olhos.
Ela levantou assim que ele saiu do quarto e foi ao banheiro para fazer a própria higiene. Bella se sentia um pouco dolorida devido à noite passada, mas nada insuportável. Edward fora um verdadeiro príncipe em cada segundo e se possível ela se apaixonou ainda mais por ele.
Ao sair do banho enrolada na toalha, ela seguiu para a sala atrás do cheiro de bacon e panqueca.
Edward havia posto uma mesa de café da manhã na varanda e Bella se perguntou como ele conseguiu deixar tudo tão bonitinho em tão pouco tempo.
— Você demorou! — Ele respondeu à pergunta silenciosa.
— Nem foi tanto assim. — Ela sorriu.
— Foi, sim! — Ele riu torto ao puxar a cadeira para que ela se sentasse.
Ele se sentou na cadeira de frente e Bella deu a primeira mordida na panqueca.
— Isso está divino!
— Eu sou um ótimo cozinheiro!
— E é convencido! — Ele riu.
Bella conseguiu ignorar as preocupações durante toda noite, mas agora cada uma delas vieram à tona e a cabeça da princesa era pura confusão. Tanta que ela nem se deu conta de que havia ficado em silêncio e de que Edward a encarava do outro lado da mesa com uma sobrancelha arqueada.
— Que foi? — Ela perguntou.
— Me conta o que está atormentando essa cabecinha. — Ela ficou em silêncio, considerando dizer que não havia nada, mas antes que pudesse decidir, ele completou: — E não adianta dizer que não é nada porque eu te conheço.
O celular da princesa vibrou em cima da mesa, mas ela o bloqueou.
Bella deixou os talheres sobre a mesa e cruzou as mãos diante do rosto apoiando o queixo.
— É Alice. Eu quero muito contar a ela toda a verdade.
— Mas você tem medo, né?
— Sim! — Confessou ao esfregar o rosto. — É que ela é a primeira amiga que eu tenho de verdade, tirando você. É estranho... Eu nunca tive medo de confiar em você.
— Mas é porque você nunca precisou esconder nada de mim. Esse medo é normal, Bella. Você pode contar a ela.
— Mas e se ela me trair? Você pode ver o tamanho da merda que será?
— Eu vejo, mas realmente aposto todas as minhas fichinhas nela. Ela não faria isso.
— Mas e se fizer?
— Isso é um risco. Se você quer contar, terá que correr, não tem pra onde fugir. — Ele bebericou do suco. — Isso se chama confiança. Eu sei que pra você, mais do que pra qualquer um, é difícil confiar, ainda mais um segredo desses, mas ela é sua amiga e no fundo você sabe que ela nunca faria algo para te prejudicar.
— É... Eu acho que sim!
— E qual é a outra coisa que está incomodando?
— É que minha mãe é uma desgraçada. Aquilo lá é mensagem que se mande? Que droga, porque não fala logo o que quer?
— Você sabe que sua mãe adora fazer um drama, infelizmente o alvo dessa vez foi você.
— Isso é um inferno. "Quero você em casa, precisamos conversar" — ela imitou a voz da mãe e soltou um rosnado de raiva no final. — Para de rir.
— Já tô parando! — Ele tampou a boca com a mão. — Mas, sério, tenta não esquentar muito a cabeça com isso. Às vezes nem é nada demais, é só que ela realmente é chegada num suspense.
O celular de Bella voltou a vibrar em cima da mesa e ela voltou a bloqueá-lo.
Depois de tirarem a mesa, os dois se jogaram no sofá e ficaram trocando carinhos durante um tempo enquanto assistiam qualquer porcaria que passava na televisão.
— O que acha que seus pais vão achar disso? — Edward gesticulou entre eles
— Não sei... Na verdade, essa é a menor das minhas preocupações. Eles te amam. — Edward deu um sorrisinho convencido. — Acho que nem minha mãe vai implicar.
— Ai que bom! Eu odiaria criar inimizade com o Rei e a Rainha de Mônaco.
Bella ia responder, mas o celular vibrou mais uma vez.
— O que é? — Perguntou ao atender.
— Bom dia pra você também. Caiu a orelha me atender? — Alice questionou do outro lado da linha.
— Vai cair em dez segundos, fala logo!
— Tô ligando pra te chamar pra...
— Para, Ed! — Bella empurrou o rosto de Edward para longe do seu pescoço
— Ah. Meu. Deus! — Alice soltou uma risadinha. — Tá com ele aí, né? Por isso não queria me atender. Já descobri tudo. E eu achando que era porque estava triste chorando no banho... Safada!
— Alice!
— O que foi? Almoço em duas horas, quero saber tudo.
Ela desligou o telefone antes que Bella pudesse recusar.
— Acho que tenho um almoço em duas horas.
— Então temos tempo de sobra. — Edward sussurrou no pé do ouvido dela e em seguida a pegou no colo indo em direção ao quarto.
XXX
— Meu Deus, ele é um romântico incurável! — Alice disse, depois que Bella contou detalhe por detalhe da noite anterior.
— Siiiim! — Ela sorriu. — Ele é o melhor e eu me sinto tão sortuda! Sou tão apaixonada por ele! — Bella se jogou pra trás, deitando no gramado em que as duas tinham ido após o almoço.
— Fico feliz que vocês finalmente assumiram o que sentem um pelo outro, eu já estava cansada de fingir que não via nada. — Alice confessou e a morena riu.
— Ficava tão na cara assim?
— Era quase palpável. — Bella riu.
— Tenho que te contar uma coisa. — Elas falaram em uníssono.
— Você primeiro! — Bella pediu.
— Jasper me pediu em namoro! — Ela deu um gritinho histérico, mostrando o anel. — E vai me levar para conhecer a família dele na semana que vem.
— Meu Deus, isso é incrível! — Bella disse sorrindo. — Nossa, eu tô muito feliz por vocês!
— Obrigada! — Alice respondeu empolgada e Bella a puxou para um abraço. — Agora sua vez.
— Você não pode surtar, não pode gritar, demonstre o mínimo de reação possível.
— Ai, você tá me assustando. O que houve? Matou alguém e precisa enterrar? Eu tenho uns contatos...
— O quê? — Bella franziu o cenho. — Não!
— Já sei! Tá grávida... Meu Deus se for isso não é do Edward, ou é e você... — Ela arregalou os olhos. — Bella, sua safada!
— Alice, cala a boca e me deixa falar. Não é nada disso.
— Tá. Fala.
— Sem surto, promete?
— Prometo.
Bella respirou fundo e, sem rodeios, cuspiu as palavras como se precisasse colocar pra fora antes que decidisse ficar quieta.
— Eu sou a princesa de Mônaco.
— VOCÊ O QUÊ?
— Xiu! — Bella tampou a boca da amiga com a mão. — Você prometeu.
— Eu sei, mas é que eu... Esperava qualquer coisa, menos isso. Na verdade, já sabia que você era alguém importante. — Bella arqueou uma sobrancelha. — Pessoas que ninguém se importa não andam com seguranças. — Ela indicou com o queixo o brutamonte parado do outro lado da praça. — Mas não imaginei que fosse A princesa de Mônaco... Eu nem sabia que Mônaco tinha princesa.
— Meus pais preferiram me esconder durante esses anos, para que eu não sofresse tanto com o assédio de paparazzis...
— E como eles conseguiram isso? Tipo, hoje em dia é quase impossível alguém que nem... Você conseguir se manter escondido por tantos anos.
— Meus pais têm contatos... Na verdade, eu também não sei muito bem, apenas não faça perguntas difíceis.
— Meu Deus, minha melhor amiga é a princesa de Mônaco... Você não está mentindo para mim, né?
— Por que eu mentiria?
— Sei lá, vai que quer me fazer de palhaça?
— Não, eu não tô mentindo. Olha. — Bella mostrou o celular com uma foto dela com os pais.
— Puta merda, eu ofereci maconha pra princesa de Mônaco! — Elas riram.
Depois de alguns minutos rindo e respondendo às perguntas mais inusitadas da amiga, Bella perguntou:
— Você não está chateada por eu ter escondido isso durante esses meses?
— Não. Olha o tamanho desse segredo. Estou é feliz que você confia em mim o suficiente para contar.
Bella deu um sorriso e puxou Alice para um abraço.
— Você é a primeira amiga de verdade que eu tenho, tirando Edward. É tão bom que mais alguém além dele saiba.
— Meu Deus, e Edward é o que? Um príncipe que foi escondido também?
— Não! — Bella riu. — O pai dele é o Ministro de Estado de Mônaco, braço direito do meu pai.
— Uou... Vocês são todos tão influentes! Será que me arrumam um emprego antes de eu terminar a faculdade? Sabe, depender dos meus pais é horrível! — Elas riram.
— Vou ver o que posso fazer. — Bella prometeu.
XXX
O tão temido dia enfim chegou.
Bella passou as últimas semanas com dores de barriga porque a passagem de volta para casa tinha sido comprada. Falta exatamente uma semana para o Natal e, como exigido pela mãe, ela já estava em Mônaco.
— Nervosa? — Edward perguntou.
— Não, nem um pouco. — Zombou.
— Vai dar tudo certo, meu bem!
Ele roçou a mão contra a dela, deixando que a princesa decidisse se gostaria de entrar de mãos dadas ou não. Como e quando contar aos pais seria decisão dela e ele não colocaria pressão.
Bella por sua vez, entrelaçou os dedos aos dele sem pestanejar. Edward era um apoio moral, sempre foi. Ela enfrentaria o mundo desde que tivesse ele ao seu lado. E sua mãe... bom, ela era um problemão, mas a jovem aguentaria essa.
— Bem vinda de volta, Princesa. — Kate a cumprimentou com uma reverência e um sorriso gigante no rosto. — Senhor Edward. — Um aceno leve de cabeça.
— Eu senti sua falta! — Bella deu um abraço em Kate.
— Olá, Kate! — Edward sorriu.
— É bom voltar pra casa... Cadê minha mãe?
— Ela pediu que você a encontrasse no escritório do seu pai logo após se acomodar.
— Tudo bem! — Ela sentiu o aperto de Edward na mão como um lembrete de que estava ali, sempre estaria.
Eles seguiram para o antigo quarto da princesa e Edward se despediu na porta dando um selinho e em seguida um beijo na testa da garota alegando precisar encontrar com os pais.
Bella tomou um banho e desfez as malas, após se vestir seguiu para encontrar com os pais. Ela desejou que Edward pudesse ir junto, mas pelo visto ia ter que encarar essa sozinha.
— Pode entrar. — Charlie liberou assim que Bella bateu à porta.
— Oi, pai. Oi, mãe. — Ela cumprimentou com uma reverência.
Os dois correram para abraçá-la, um entusiasmo que Bella não esperava, mas que aqueceu o coração de um jeito que a fez querer chorar.
Os céus sabem o quanto ela precisava desse carinho e de deixar, nem que fosse só um pouquinho, de se sentir o desgosto da família.
— Senti tanto a sua falta, querida! — Charlie falou, dando um beijo no topo da cabeça dela.
— Também senti a sua, pai! — Ela o abraçou pela cintura mais forte.
Quando ele se afastou, foi a vez de Renèe se aproximar.
— Oi... — Bella sorriu sem mostrar os dentes.
— Você fez tanta falta! — Ela puxou a filha para um abraço apertado e não conteve o choro.
— Você também! — Bella apertou o abraço e permitiu que aquele quentinho tomasse conta de todo o coração.
Elas se afastaram e Renèe foi para trás da mesa, se posicionando ao lado de Charlie, enquanto Bella permaneceu de pé.
— Filha, enquanto você esteve fora, tivemos bastante tempo para pensar. — Charlie começou.
— Nós queremos nos desculpar por termos desacreditado de você e dos seus sonhos. Prometemos sempre te apoiar e, no entanto, quando mais precisou, nós falhamos e sentimos muito. — Renèe completou.
Bella ficou sem palavras e sem reação. Ela esperava tudo, qualquer coisa, mas não isso.
— Vimos suas notas e suas fotos. Você tem muito talento e merece que todos vejam também. — Charlie falou. — Não queremos comprar o seu perdão, mas pensamos que expor suas fotos em uma galeria seria um bom jeito de começar a demonstrar a nossa fé no seu trabalho e no seu talento.
— Bella, nos desculpa. Me desculpa por ter agido como uma megera com você. Por ter sido uma péssima mãe durante esses meses... Eu sinto muito. Eu vejo o quanto você está feliz e... Sinto muito por ter demorado tanto para perceber!
— Você não vai dizer nada? — O pai questionou.
— Eu... Eu não sei o que dizer. — Confessou. — Eu tô tão feliz, parece um sonho. Durante todos esses meses, tudo o que eu queria era isso. Não a exposição de fotos, que é claro que eu amei, mas isso. — Ela gesticulou para eles. — O apoio de vocês. A confiança. Queria que ficassem felizes por mim.
— Nós estamos, querida. — Renèe falou. — E orgulhosos. Você é corajosa, queria fazer, foi lá e fez. É a pessoa que criamos para ser.
Bella se sentou na cadeira mais próxima e se curvou aos prantos. Um choro de felicidade e alívio. Ela apenas sentiu os pais se aproximando e abaixando ao seu lado para um abraço.
Eles sussurraram vários "a gente te ama" em seu ouvido e a princesa sentiu como se o mundo tivesse entrado no eixo de novo. Ela passou tantos dias sonhando com o dia que as coisas realmente ficariam bem, que quando enfim aconteceu, parecia que não passava disso. De um sonho.
— Eu tenho uma coisa pra contar. — Ela anunciou quando se recuperou.
— Pode falar. — Charlie respondeu.
— Eu e Edward estamos namorando. — Ela falou, receosa, e os pais trocaram um olhar conspiratório. — O que foi? Vocês não...
— Bella, a gente espera por isso há anos. — Renèe falou. — Todo mundo sabia que aquilo ia dar em namoro. O que me choca são os anos que vocês lutaram contra isso.
Bella olhou incrédula da mãe para o pai que deu de ombros.
— Por essa todo mundo esperava. — Ele riu — Vocês têm a nossa benção. Edward é um garoto bacana, sempre foi!
Bella não questionou a boa vontade dos pais, não abriria espaço para essas perguntas e esse monstrinho que a todo custo tentava convencê-la de que não merecia essa felicidade ou esse bem estar.
"Quando a vida sorri pra gente, a gente sorri de volta."
— Você pode começar a organizar agora mesmo, se quiser. Terá seu nome e será apoiado pela coroa real de Mônaco, assim não precisamos expor que você é a princesa.
XXX
— Nervosa? — Edward perguntou.
— Tô tranquila.
— Mas o seu olho está tremendo. — Edward riu.
— Finge que não está vendo. — Bella o olhou, zangada.
— Você viveu para essa exposição nas duas últimas semanas. Eu tenho certeza que está impecável, tenha um pouco de fé em si mesma.
Eles estavam atrás da cortina, e Bella se preparava para ser apresentada ao público como a artista responsável por cada foto sendo exibida naquela galeria.
Enquanto a cerimonialista fazia as considerações finais, Edward segurou o rosto da jovem entre as mãos e a encarou ao sussurrar:
— Você é incrível. Eu te amo e me orgulho de você.
— Eu te amo. — Sussurrou de volta e selou seus lábios quando a moça anunciou Isabella Swan.
Bella subiu no palco com um sorriso tímido, mas um olhar iluminado. Ao olhar para a plateia, ela sentiu como se o coração pudesse explodir de felicidade. Os pais, Alice, Jasper, Ângela e até mesmo Rose e Emmett vieram para a celebração.
— Boa noite! — Um sorriso. — Me chamo Isabella Swan, tenho 18 anos e sou apaixonada pela fotografia desde sempre. Foi a forma que eu encontrei de me expressar para o mundo, de mostrar a todos a beleza das coisas luxuosas, mas também das coisas mais simples. Não tenho palavras que façam jus à felicidade que eu sinto por partilhar isso com vocês. Sou grata aos meus pais, que me ajudaram a chegar até aqui, aos meus amigos, que me incentivaram, mas, principalmente, ao meu grande amor, que nunca, nem por um segundo, duvidou do meu talento ou da minha capacidade. Obrigada a todos que tornaram esse momento possível, sem o apoio de cada um, eu não teria seguido meu sonho e não estaria aqui.
Edward observou atento e calado. Ele sabia o quanto ela sonhou com aquele momento e poder fazer parte daquilo fazia com que ele quisesse explodir de orgulho e felicidade.
A noite seguiu tranquilamente. Edward viu Bella brilhar e se destacar pela sua arte, e era impossível não sorrir toda vez que o olhar dos dois se encontrava. Ela estava radiante e Edward imaginou que isso daria uma bela fotografia. Entretanto, existem coisas que estão muito além do que os olhos veem. Essa luz que saía dela, era mais algo que ele sentia do que propriamente via.
XXX
Eles cearam e trocaram presentes na noite de Natal, mas Bella só entregou o presente de Edward depois que os dois estavam a sós na sua suíte.
— Por que todo esse suspense? — Ele perguntou ao se jogar na poltrona.
— Porque eu puxei a minha mãe. — Ela mostrou a língua pra ele. — Toma! — Bella empurrou o embrulho que era quase do seu tamanho para ele.
— Um quadro? — Ele arqueou uma sobrancelha.
— Só abre logo!
E assim ele fez.
Era uma fotografia. As costas de um menino que observa a aurora boreal, o céu predominantemente pintado de verde.
— É lindo... — Sussurrou embasbacado.
— É você na foto. — Confessou tímida.
— O quê? Como?
— Tínhamos 13 anos. Foi naquela viagem para a Islândia...
— No dia em que nos beijamos pela primeira vez.
— Sim... Você estava lindo e o céu estava pintado da sua cor favorita. Você parecia esperançoso nessa hora e isso significou algo. Verde combina com você porque remete à liberdade, à esperança. Você sempre foi a minha esperança, Edward. Nos dias ruins era meu sol, e nos dias bons sorria ao me ver brilhar. — Ela se aproximou dele e segurou seu rosto nas mãos. — Obrigada por ser o melhor amigo e agora o melhor namorado do mundo.
— Sabe por que minha cor preferida é verde? — Ele segurou as mãos dela. — Porque me inspira tranquilidade, paz e bem estar. Tudo o que você significa para mim. — Ele afastou uma mecha do cabelo dela do rosto. — Eu te amo, minha Bella!
— Eu te amo, Edward Cullen.
Ela ficou nas pontas dos pés para beijá-lo. Um beijo calmo e cheio de muita paixão. Ela se perguntou se algum dia deixaria de se sentir flutuando toda vez que o beijasse, e desejou do fundo do coração que a resposta fosse não.
