Capitulo 2 – Ajuda de um pirata

Perla continuou imóvel, ainda perplexa com as declarações que tão claramente tinha ouvido. Agora percebia o porquê de nunca ter confiado naquele lord, mas o que de antes eram suspeitas, agora tornavam-se numa certeza irrefutável. Controlando sua respiração ao ouvir as gargalhadas daqueles homens nojentos, Perla tentou ser mais astuta, pensando numa maneira sensata para desmascarar Silver. Contundo nada lhe ocorria. A vontade de entrar naqueles aposentos e desmarcara-los era mais forte do que qualquer raciocínio lógico, porém certamente Silver daria um jeito de a chantagear, usando sua irmã, ou a mataria.

-Minha virgem de Guadalupe. – murmurou ela, colocando a mão na sua testa. – Se eu contar isto a alguém, dirão que estou louca, principalmente meu pai. Eu preciso fazer alguma coisa…

Ao ouvir passos, Perla gelou ao sentir o sangue falhar-lhe. Contudo, ao voltar a cabeça para o seu lado esquerdo, apercebeu-se que era Amélita. A jovem suspirou ao deixar o seu corpo trémulo esmorecer contra a parede. Respirando fundo, Perla fitou uma última vez a porta e confirmando que estava tudo sossegado, avançou cautelosamente até a ama, que mantinha o cenho enrugado.

-Perla, o que fazia ali? – questionou Amélita ao estranhar o facto da sua protegida ter estado à escuta atrás da porta, ainda para mais descalça.

-Fale baixo. – ciciou ela, num tom suplicante. – Vamos até meu quarto, lá eu lhe explico. –

Perla pegou abruptamente na mão de Amélita e praticamente puxou-a em direcção aos seus aposentos, sem voltar a olhar para trás. Ter a mão de Amélita entre a sua, fazia-a ter forças para não voltar para trás e entrar de rompante no quarto de Silver, afirmando saber de tudo. Mas do que lhe adiantaria? Aquele homem estava um passo à sua frente. E o pior? Era que a vida de Alessandro e do seu pai estavam na corda bamba, tudo por causa dessa guardiã e da Mão de Midas. E se ninguém descobrisse

"O que vou fazer? Deus meu, dá-me um sinal." Cogitou ao desviar o seu olhar de encontro ao tecto.

Por fim, ao virar numa esquina, os seus olhos recaíram sobre uma janela que dava a paisagem geral do horizonte. Do mar. Especialmente dos navios que mantinham suas amarras em pleno porto.

"Será que…?"

Ao entrarem na penumbra do quarto, iluminado por duas pálidas velas, Perla fechou silenciosamente a porta, como se não quisesse despertar a atenção de ninguém. Ainda perturbada, Perla largou a mão de Amélita e não a encarou, ponderando nas palavras exactas para contar o que tinha escutado. Trémula, e incapaz de proferir fosse o que fosse, ela mordeu o lábio e torceu as mãos. Amélita permanecia de semblante carregado, preocupada coma sua protegida.

-Perla… - a jovem esticou uma mão para a interromper.

-Todos aqui correm risco de vida. – murmurou num fio de voz. – Tudo por causa dessa maldita guardiã.

-Do que fala? – Desde que entrara naquele quarto, Perla encarou-a com amargura.

-Vou precisar da sua ajuda, e por tudo que é mais sagrado, não conte a ninguém sobre o que iremos falar aqui. – A sua ama anuiu, embora desconfiada. – Eu preciso ausentar-me do palácio, procurar auxílio…- e resfolgando, proferiu sem pausa: - Preciso que me ajude a fugir daqui e o mais rápido possível.

-Você ensandeceu? Seu pai acabou de perder a sua irmã, ele não suportará se você desaparecer também – Amélita analisou-a, como se ela tivesse realmente louca; Perla cerrou os olhos e apertou-os. – Eu não posso…

-Eu nunca vou pôr você em problemas, além de que a situação já é demasiado grave para isso. – divagou e prendeu os com o olhar sobre a janela enegrecida,

-Porque você não me conta o que se passa? O que descobriu? – A ama colocou uma mão no ombro da jovem, para ela voltar-se para sim.

-Tenho de te preservar – A jovem colocou a sua mão sobre a da ama. – Você é como se fosse minha segunda mãe e eu não te posso colocar em risco. Eu não suportaria. – Afagou carinhosamente o rosto distorcido de Amélita. – Já basta ter Alessandro e o meu pai sobre mira daquele canalha. – Resmoneou e, quando viu que a ama ia advogar, Perla concluiu: - Por favor, se me ama, não pergunte mais nada.

-Eu não posso concordar com isto. – Abanou a cabeça, estarrecida. – Terá de haver outra maneira.

-Por favor, Amélita, você sempre me ajudou quando precisei, não me negue agora essa ajuda. – implorou ao prender entre as suas mãos o rosto de Amélita.

-E se acontece alguma coisa a você? – ponderou a Amélita, cada vez mais desnorteada. - Eu não posso permitir isso minha filha, è uma responsabilidade enorme. Eu não posso ser cúmplice de uma sandice...

-Não é sandice. – intercalou, aborrecida.

-E o que pensa fazer? - retrucou ríspida, cada vez mais preocupada com os enigmas de Perla. – Confie em mim.

-Ainda não sei, todavia garanto-lhe que se tudo correr bem, você dará graças a Deus por me ter ajudado a sair daqui. – Com uma breve pausa, para analisar a expressão da ama, continuou: - Prometo que quando voltar te conto tudo. – Os olhos de Perla marejavam veementemente, o que deixou sua ama desconcertada.

-Eu não sei…

-Com ou sem a sua ajuda, eu sairei daqui, mesmo que ameace contar a meu pai. Todavia, você irá arrepender-se quando vir Alessandro e meu pai mortos. – Amélita cambaleou com aquela rispidez vinda da sua protegida.

-Se eu te ajudar… – ponderou com receio de que aquilo que Perla dissera se pudesse cumprir. - Me prometa que chegará sã e salva e não se colocará em riscos desnecessários. – Perla sentindo uma pequena esperança aflorar sobre sua mente, revitalizando a sua força.

-Prometo. - Amélita pensou durante algum tempo, suspirando cedente.

-O que eu não faço por esses seus belos olhos. – Perla abraçou-a de impulso, beijando-lhe o rosto. – Agora, como está pensando fugir? Os guardas já devem ter voltado para os seus postos, já que Hieron pediu a máxima segurança. E sozinha, você nunca conseguirá navegar um navio.

Amélita viu-a mover-se em direcção ao seu longo roupeiro. Abriu-o de rompante e procurou no meio dos seus vestidos, uma capa negra pendurada num cabide. Aquela que usava para realizar as suas fugas temporárias do palácio, principalmente quando precisava estar sozinha ou visualizar os navios mais de perto. Perla tirou-a de lá e rodou-a no ar, com um magnificente brio. Ao senti-la repousar sobre os seus ombros, apertou o fio com os seus dedos oscilantes. Com o olhar vago, ela suspirou e manuseou sua cabeça sorrateiramente para a ama, cogitando:

-Os únicos que sobraram estão a completar a ronda, os restantes estão em alto mar nas suas buscas. Quanto aos que ficaram por terra, você só terá de os distrair o tempo suficiente de eu conseguir fugir. Depois eu desenrascar-me-ei sozinha. – Ela fitou-se no espelho e colocou o capuz a modos de lhe tapar as feições. – Não ficarei mais sobre o mesmo tecto que um manipulador. - sussurrou para si mesma. – Buscarei ajuda, Amélita e muito em breve teremos Estella connosco.

-O que direi ao seu pai? Sou eu a encarregada de seguir todos os seus passos.

-Anuncie somente o meu desaparecimento quando amanhecer. Ele pensará que tomei uma atitude infantil ao fugir por causa da nossa discussão de hoje. – Ela suspirou, tentando não recordar nas palavras cruéis que proferira ao seu pai. – Diga-lhe que antes de me deitar disse que o amava.

-E seu noivo? …- Perla enrijeceu o corpo, apanhada de surpresa com a questão, até responder:

-Ficamos de nos casar depois de minha irmã aparecer, contudo ele sabe que, por vezes, é preciso quebrar algumas regras para um bem maior. Nunca se esqueça disso.

Seguidamente, Perla dirigiu-se à sua escrivaninha e impeliu uma das gavetas perras do armário. De lá, abriu um fundo falso e retirou um pequeno baú, repousando-o no tampo a modos de o abrir. De lá, várias joias cintilavam à luz da pequena chama dançante. Perla fitou-as momentaneamente e fez uma selecção daquelas que iria levar consigo nessa viagem, caso necessitasse persuadir ou paga a algum capitão para a levar a algum local. A jovem ficou estática, pois não sabia a onde se dirigir. Talvez a um reino mais próximo, ou a Espanha de maneira a investigar Santiago, o verdadeiro nome de Silver. Esse era o nome que adoptara para navegar por esses mares insondáveis. Chocalhou a cabeça, para afastar o pensamento daquele homem e colocou as joias numa pequena bolsa, metendo-a no decote.

Por fim, na gaveta debaixo, ela procurou uma pequena caixinha. Com todo o cuidado, ela levou-a até á sua cama, e quando a abriu, tirou de lá o seu punhal enferrujado e uma pequena faixa de trapo. Colocando a perna sobre a cama, ela subiu um pouco o vestido e ardilosamente rodeou a faixa na coxa, para que pudesse colocar lá o punhal. Sem se mover, Amélita seguia observadamente os passos de Perla com um aperto a estalar no coração, evitando que suas lágrimas se derramassem.

-Você não vai ao menos trocar de roupa? – Amélita sobrepôs as mãos debaixo do seu queixo, inquietada. - Pelo menos tire esse vestido de casamento para não o estragar.

-Não há tempo para isso. Depois arranjo umas roupas por aí, não se preocupe. – Ela abriu lentamente a porta do quarto, verificando se o caminho estava livre, enquanto Amélita se aproximava dela.

-Eu vou preparar o caminho para você. - Amélita deteve-se para encarar a sua menina, abraçando-a de seguida, à medida que as lágrimas lhe escorriam pelos olhos. - Tome muito cuidado. Pelo amor da Virgem de Guadalupe. - A ama deu-lhe um beijo carinhoso no rosto.

-Obrigada. – Agradeceu com um sorriso subtil - Eu tomarei. - Com uma menção de cabeça, Amélita recompôs-se e saiu.

Após esperar alguns minutos, a jovem pôde observar que não havia viva alma nos corredores do palácio. Avançou, então, com cautela, descendo discretamente as escadas que davam ao piso inferior. De lá, ela caminhou um pouco até chegar à cozinha, e, ao reparar que esta estava vazia, saiu silenciosamente pelas traseiras. Verificando se algum guarda se encontrava no vasto e longo jardim, ela inspirou todo o ar dos pulmões e atravessou-o apressadamente, com receio que alguém a visse, chegando finalmente ao portão da saída. Encostando-se à parede, Perla empoleirou-se numa árvore, tentando saltar o muro que dava para a cidade.

Ao conseguir, depois de arranhar suas pernas e sujar o seu longo vestido, ela correu desalmadamente até ao porto, descalça, atravessando a cidade adormecida sobre o silêncio absoluto da noite, apesar dos últimos acontecimentos. Ao ver uma escolta de guardas aparecer no meio da cidade, ela encostou-se à sombra de uma casa, com o seu coração palpitante a querer lhe sair do peito. Os guardas rapidamente foram em direcção ao palácio, dando-lhe a liberdade de concluir o seu percurso.

Ao chegar ao ancoradouro de Siracusa, Perla escondeu-se por entre umas enormes caixas, observando dois dos guardas que rondavam o porto. Quando estes se afastaram o suficiente para ela avançar, Perla ganhou coragem e correu até ao primeiro navio que encontrou.

Ela subiu a rampa que ligava o navio ao cais sem o maior sacrifício, ficando abismada com tamanha beleza. Nunca tinha visto um navio parecido com aquele aportado ali. Toda a sua madeira era negra, até mesmo as velas eram revestidas de um idêntico negro, mas mais luminoso devido aos reflexos da lua que as banhava. Ao se aperceber da aproximação de alguém, e completamente atrapalhada, Perla acabou por se esconder atrás das escadas.

-Que hora propícia para raptarem alguém, quase que nos faziam perder o nosso negócio de rum. – Perla escutou a voz emaranhada de um homem, que subia descontraidamente a rampa. – O que vale é que o nosso navio foi revistado antes de carregamos a mercadoria, se é que me entende.

-Jack, não acha melhor esperar até amanhã de manhã? – a dualidade da voz de Gibbs, que coçava a cabeça, fez Jack empinar a sobrancelha, pensativo. – Pelo menos os homens divertiam-se até ao amanhecer.

A sombra disforme de três homens contornou a dobra da rampa. Perla estreitou o olhar e tentou focar a sua visão o quanto podia, porém, devido há pouca luz projetada pela luz, não conseguiu captar as formas dos homens imóveis no convés.

-Claro… - ponderou Jack levando o dedo indicador até ao queixo. - …que não. – Barbossa bufou ao cruzar os braços. – Vocês apreciaram a quantidade de rum que rapinamos? Se dão por falta dele, as culpas recaíram sobre os recém chegados, o que acho uma tremenda injustiça, já que só estávamos a confiscar o material. – Jack fez beicinho. – E eles já descansaram o suficiente, vão mandriar lá no inferno.

-Se quer a minha humilde opinião, se fosse eu, daria uma boa estadia á minha tripulação nesta cidade. - contrapôs Barbossa, mesmo atrás dos dois, numa nota desdenhosa.

-Primeiro, caro Barbossa – Jack rodopiou apenas com os calcanhares para encarar o homem carrancudo. - Esta tripulação é minha. E em segundo lugar: nada de arranjar um novo motim contra minha pessoa. – Barbossa rodou os olhos e desceu novamente o navio, seguido de Gibbs, que deixou Jack sozinho no convés, contudo proferiu a cada passada:

-Se soubesse que iria dar nisto, nunca teria barganhado com você.

Perla observou cuidadosamente aquele estranho homem. Seu cabelo era negro e embaraçado como a noite, ao mesmo tempo que continha uma porção de trancinhas e vários pendericalhos emaranhado nele. Usava como acessório um chapéu pequeno de três pontas. Os seus olhos recaíram sobre o rosto dele, principalmente naqueles belos olhos negros que brilhavam com o reflexo da lua. No seu queixo, duas longas tranças, que Perla achou bastante interessante, balançavam conforme os movimentos incertos do capitão. Por momentos, ele tirou o chapéu, onde ela pode apreciar uma bandana vermelha sobre a testa. Ao aproximar-se mais para observá-lo melhor, Perla acabou por se desequilibrar e cair no chão, produzindo um diminuto estalido no chão tabuado.

Ao escutar o barulho oco perto da entrada da sua cabine, Jack colocou o chapéu e tirou ardilosamente, num gesto célere, a sua pistola, engatinhando-a e apontando-a à pessoa que se encontrava caída no na negritude da sombra das escadas.

-Estou vendo que tenho visitas inesperadas. – salientou ele, continuando com a pistola apontada a ela, que estremeceu ao ver que estava na presença de um pirata.

Não sabia se se teria colocado na boca do lobo, contudo aquela tinha sido a solução mais prática e rápida que se iluminara diante dos seus olhos. Talvez o sinal que pedira a Deus. E se aqueles piratas fossem maléficos, tal como Silver? Agora era tarde para se arrepender da decisão imponderada que tomara. Somente restava a sua delicadeza de donzela para tentar artilhar algo que fizesse aquele pirata ter compaixão por ela e ajudá-la. Ou quem sabe, arranjar maneira de sair dali e procurar nova ajuda.

-Vai atirar numa donzela desarmada e indefesa? – Ela levantou-se lentamente, de mãos para cima, com receio que ele atirasse.

-Quem me diz que você é uma donzela se se esconde por de detrás de um capuz?

-Nós mulheres temos os nossos pequenos segredos. – Com gestos contidos, Perla arrastou o capuz para baixo, deixando as suas feições desnudadas.

Jack observou-a com atenção, como se já tivesse cruzado com ela, não sabendo de onde. Ela era uma bela moça e bem aparentada. De certo era filha de algum ricaço da cidade, que resolvera ter um acto de pura rebeldia para contrariar seus pais. Examinou então o rosto dela, reparando nos belos olhos cor esmeralda que condiziam com o tom de sua pele clara. Os seus cabelos ondulados estavam amarrados à nuca, encimados por uma tiara de diamantes que Jack fez vista grossa ao passo que enviesava um sorriso matreiro. Olhou de seguida para o corpo desta e percebeu que a jovem aparentava ter por volta de dezoito a vinte anos, além de usar um precioso vestido branco com alguns diamantes repartidos pelo corpete, enquanto suas mangas eram feitas de renda branca. Deveria ter sido um belo vestido, apesar de agora estar maltratado e sujo pelo esforço que a jovem tiverem em chegar ali.

-Apesar de ser uma donzela, não deixa de ser uma intrusa neste navio. – Ele desengatilhou a arma e guardou-a no seu cinturão; Perla soltou o ar preso nos pulmões ao passo que Jack a olhava de esgueira. - Sua cara é me familiar, eu já a ameacei?

-Creio que não, é raro sair da cidade.

-Contudo, continuo sem saber o que veio aqui fazer. Por acaso veio pegar algum emprestado sem pedir ao dono? – indagou Jack de sobrancelha empinada, cruzando os braços sobre o peito.

-Claro que não, senhor…

-Capitão Jack Sparrow – retrucou ele divertido com a situação embaraçosa dela.

-Prazer. – Ela fez um pequeno meneio com a cabeça. - Eu nunca faria uma coisa dessas, eu tenho princípios. – Jack cingiu lentamente a jovem, contemplando cada pormenor que salientava à sua vista.

Perla permanecia enrijecida, sem saber o que fazer, apenas engolindo a seco, especialmente quando ele se deteve atrás de si e soprou no seu ouvido:

-Desde quando ladrão tem princípio?

-Ora, Capitão Sparrow, eu não sou uma ladra.

-Isso me leva a pergunta intrigante: o que faz uma aristocrata num navio pirata? – Ele esticou os braços, ao fazer menção ao espaço à medida que dava duas passadas para ficar de frente a ela. – É que caso não se tenha apercebido, você está dentro de um navio pirata, darling. Isso não a assusta?

-Não – Sua voz tremeu, incerta, permanecendo imóvel perante o penetrante olhar do capitão.

-Mentira. – Voltou a sussurras, desta vez Perla sentiu o bafo quente no seu nariz. – Você receia sobre o que poderá acontecer agora que está sobre os meus domínios. Intrigante, não?

-Nada é pior do que a vida que eu vivo – tentou articular numa voz suave, como se apelasse ao bom senso dele; ia ser difícil. – Eu só precisava de um esconderijo, já que possivelmente andam atrás de mim.

-Se andam atrás de você é porque boa coisa não fez, meu bem. – Ele deu ombros.

-Será que me poderá ajudar a sair da cidade? – ripostou, expressando sua irritação. – Talvez se me juntasse à sua tripulação…

-Essa é a piada do dia. – Jack soltou um riso cínico, interrompendo-a. – O seu estilo é mais para comandar navio de donzelas indefesas do que para grumete de navio pirata.

-O senhor é mesmo grosso, sabia? – Ela bufou, tentando se conter, até um importante detalhe despertar sua atenção. - Espere aí, você disse que se chamava Jack Sparrow? – averiguou Perla, lembrando-se daquele nome de algum lado.

-Capitão, Capitão Jack Sparrow, savvy? – reafirmou Jack, revirando os olhos.

-Então este aqui é o Pérola Negra. – concluiu entusiasmada ao olhar ao seu redor. - Minha mãe me contava histórias sobre você e a sua tripulação amotinada. A última vez que ouvi falar de si, foi na altura em que novamente foi abandonado pela sua tripulação, em Tortuga. Eu sei quase tudo sobre você…

-Engraçado, eu não sei nada acerca de sua pessoa. – ironizou ao fazer um de seus trejeitos peculiares.

-Eu chamo-me Perla Neblon e sou…

Ela ponderou se contaria ou não a verdade a Jack. Todavia, se mentisse, ele poderia acabar por descobrir a verdade, por isso, já que estava na boca do lobo, ao menos que lutasse até às últimas consequências. Se ele a decidisse igualmente raptar, acharia maneira de se desenvencilhar da situação.

-Irmã da princesa que raptaram. – Jack abriu a boca quase até ao chão, no passo que esbugalhava os olhos, perplexo com a figura daquela jovem.

"Não pode ser" Cogitou ele, olhando-a ainda abismado.

-Maldição vai, chô! – Ela ficou espantada ao vê-lo a empurrá-la para fora do navio. – Já não bastava uma ter desaparecido, agora aparece a outra querendo se engajar num navio pirata. Se os guardas a veem aqui, vão pensar que a estou sequestrando. – Jack parou e levou o dedo indicativo ao queixo, pensando: – Até que não era mau pensado, a recompensa devia ser bem rechonchuda. - Ele olhou melhor para ela, vendo-a atordoada. – Não, não vale a pena arriscar – e voltou a empurrá-la.

-Espere! Espere, por favor, eu preciso sair daqui. – ela endureceu o corpo, agarrando os braços dele. - Meu pai está confiando em alguém que o quer destruir…

-Sorte a minha, problema dele. – rebateu ele impassível.

-Dá para apelar à sua honra? - Ele prestou atenção; ambos os rostos ficaram a milímetros de distância, o que fez o peito de Perla ascender e descender velozmente. – Eles raptaram minha irmã e só a entregarão quando nós acharmos um objecto chamado Mão de Midas.

-Nunca ouvi falar em tal objecto. – retorquiu, um pouco mais interessado no assunto.

-Por favor, capitão Sparrow, eu preciso da sua ajuda. Prometo não atrapalhar ninguém e não causar embaraço algum. Eu sempre posso ser útil aqui no navio e executar tarefas como: limpar o convés, coser a roupa da tripulação, ensinar a ler e a escrever se for preciso.

-Obrigado alteza, mas creio que sei fazer isso perfeitamente. – retrucou, fingindo-se de ofendido.

-Pela Virgem de Guadalupe, não era minha intenção ofendê-lo. - Não sabendo mais o que fazer, ela começava a desesperar. - Mas compreenda, eu preciso mesmo embarcar neste navio.

-Lamento, mas não vai dar. – rebateu Jack enquanto cruzava novamente os braços cruzados, expressando um rosto de falso lamento.

-Queira ou não, eu vou. – proferiu ela firmemente, encarando-o séria.

-Receio que está seriamente enganada, minha cara. Você é princesa lá. – Ele apontou para o luminoso palácio. – Este aqui é o meu navio, por conseguinte, sou eu quem decide quem vai ou não nele. Savvy?

-É a sua última palavra?

-Aye- – retrucou de forma irredutível.

-Não vai mudar nem uma vírgula? – Jack virou costas para ela, indo no seu passo peculiar em direcção à sua cabine.

-Nem um ponto final sequer. – Ao ouvir isso, ela suspirar e, sentindo uma movimentação recatada vinda dela, Jack ficou curioso.

Pelo canto do olho, ele observou-a sorrateiramente, enquanto Perla tirava do seu decote um diamante. Ele deteve-se no caminho e rodando os calcanhares na direcção de ela, Jack gesticulou os dedos, arregalando bem os olhos com o intenso brilho do diamante.

-Que pena. Vou ter de apelar para outra tripulação…- Com um expressão de falso lamento, ela impeliu sua marcha, até uma voz a deter:

-Espere…

-Mudou de ideias, Capitão? – Ardilosa, ela rodou o diamante por entre os dedos, expressando um sorriso dissimulado.

-Bem vinda á tripulação, senhorita Neblon. – O sorriso de Perla mudou para um triunfante.

Ele tomou o diamante das mãos dela, analisando a autenticidade dele. Foi então que escutaram passos vindo lá em baixo no cais. O barulho de homens falando e subindo a tábua assustou Perla, que se escondeu novamente. Vários homens aparecerem no convés, cheios de barris e mais barris de rum. Jack abriu um grandioso sorriso ao ver os barris irem em direcção ao porão, mas logo sua atenção foi direccionada para Perla. Gibbs estranhou ao ver Jack vaguear com o olhar na escuridão proporcionada pelas fendas das escadas, curvando-se um pouco para procurar algo que nem Gibbs sabia o que era.

-Jack, preciso da chave da cave. – Gibbs interrompeu Jack, que ficou meio atravancado, entregando-lhe a chave à pressa. Gibbs arqueou a sobrancelha, desconfiado, desaparecendo por fim pela escotilha.

-Pode sair daí. – insinuou ele, endireitando-se ao cruzar as mãos atrás da costas - Eles são cães sarnentos, mas estão bem domesticados. – Perla olhou ao seu redor e lentamente, aproximou-se de Jack.

-Você vai-me ajudar então?

-Aye. – Ela aflorou um sorriso agradável, o que levou Jack a perguntar: - Já agora, sabe por onde vai começar a procurar essa Mão de Midas?

-Não, senhor Sparrow, só sei o nome…

-Como quer procurar algo se a única pista que tem, é o nome? – Vendo ela permanecer calada, revirou os olhos, impertinente. – Ahhh eu mereço. – Jack calou-se, estreitando os olhos, como quem pensa em algo sério. – Acho que sei de alguém que te pode dar um empurrãozinho nessa busca…- Entusiasmada, e despropositadamente, ela abraçou-o,

-Obrigada Capitão! – Perla deu-lhe um delicado beijo no rosto, vendo ele arregalar os olhos. – Peço perdão pela minha ousadia. – proferiu ela envergonhadíssima, depois de ter raciocinado no que tinha acabado de fazer. – Estusiasmei-me.

-Não sabia que tinha arranjado companhia… – ironizou Barbossa que permanecia encostado ao mastro principal, observando-os, o que a fez largá-lo instantaneamente.

-Não é da sua conta. – Indo para meio do convés, Jack tentou chamar a atenção da sua tripulação. - Eiii crianças, alguém muito importante adquiriu nossos préstimos por algum tempo. A princesa Perla Neblon – Todos olham-na atentamente, especialmente senhor Gibbs que a fitou de uma maneira tensa. – Irá embarcar connosco para tratar de alguns negócios interessantes, se me faço entender. – A tripulação riu-se descaradamente. - Se alguém ousar a encostar um dedo grunhento em qualquer parte do corpo desta dama, considere-se um homem morto. Savvy?

-Jack, dá azar levar mulher no navio. Você tem a prova disso desde a nossa última aventura. – relembrou Barbossa, fazendo Jack pensar por breves segundos, enquanto formava um pequeno beicinho.

-Pior será se não levar. – E em confissão, murmurou-lhe: - Ou muito me engano, ou isto vai render para todos.

-Não se esqueça do que me prometeu, antes de aportamos aqui. – Jack fez um gesto indiferente para Barbossa, virando-se novamente para a sua tripulação.

-Agora que o navio está completo, preparem-no para zarpar o mais depressa possível. – A tripulação começou a correr de um lado para o outro.

-Capitão, onde vou ficar? – Jack observou o diamante que ela lhe tinha dado, sorrindo maliciosamente.

-Sabe, isto serviu para pagar a viagem – ele fez uma menção ao diamante. - mas não uma viagem de primeira classe. – Jack pegou em Perla de surpresa e levou-a ao ombro, como quem leva um saco de batatas. Por mais que lutasse, ela não se conseguia libertar do pulso firme de Jack. – Como pode ver, estamos equipados para a melhor ocupação da Realeza, já para não falar no quarto de luxo para onde a estou levando. – Ela ia grunhindo, mas ele ignorava-a.

Jack desceu as escadas da escotilha e abrindo a primeira porta que dava para o porão, colocou-a no chão, fechando de seguida a porta com a chave. Por mais que Perla batesse na porta, implorando-a que a soltasse, Jack fazia de conta que não estava escutando nada, virando-se para a tripulação com um grande sorriso.

-Próximo Porto: Singapura.

-Jack acha certo levar uma princesa a bordo? Ela pode ser a sua perdição se, o todo poderoso… – Gibbs apontou para o palácio. -…descobrir.

-Não vai descobrir, porque nós vamos zarpar o mais depressa possível. – Gibbs revirou os olhos, preocupado com o destino que aquela garota ia ter nas mãos ardilosas de Jack.

-Você gosta sempre de arranjar confusão.

-Tenho culpa de ser um coração mole e atender pedido de Donzela em apuros…

-Sei. – ironizou Gibbs vendo Jack guardar o diamante no bolso. – Vá lá Jack, qual é o seu plano desta vez?

-Pense comigo, caro Gibbs: se os ladrões que estão ameaçando a família dela estão querendo esse tal objecto, é porque ele vale muito mais do que aquilo que um pirata pode imaginar.

-Por isso resolveu ajudá-la. – deduziu Gibbs ao reparar no sorriso triunfante de Jack. – E o que vai fazer?

-Vamos levá-la a pensar que queremos ajudar, mas primeiro precisamos saber do que se trata esse objecto. Por isso, iremos ter com alguém com um pouco de cultura… - Gibbs ficou impaciente com a pausa demorada de Jack. - Capitã Turner. Um plano fácil e perspicaz.

-E porquê levar a garota ali dentro? – rebateu Gibbs de modo agitado, encarando Jack que gesticulava suas mãos no ar.

-Você acha que eu iria deixá-la andar por aí, solta no navio? Quando reparasse tinha lacinhos cor-de-rosa espalhados por todo o navio, já para não falar nas belas cortinas que ela iria colocar nas janelas dos canhões. Com sorte ainda punha esta tripulação a cheirar a rosas. – Jack afastou-se, indo até ao leme, onde estava se preparando para deixar aquele porto

-Senhor Gibbs, ou é de mim, ou vamos ter problemas durante a viajem toda? – inquiriu Pintel chegando perto do primeiro imediato, que tinha seu olhar perdido sobre o palácio.

-É, o Capitão Jack Sparrow gosta sempre de pôr este navio com mulher, parece praga. Só espero que pelo menos, esta aventura seja menos tumultuosa que as outras, se não ou peço a reforma ou exijo um aumento. - batendo com a mão na amurada, virou-se para a sua tripulação. - Preparem para zarpar, iremos para Singapura. – berrou Gibbs para quem quisesse ouvir, olhando fixamente para a porta do porão que era socada com precisão. – E que Deus proteja aquela jovem de todo o mal.

N/A: Me desculpem a demora, mas aproveitei as minhas mini férias para descansar um pouco, e acabei por não escrever nada. Como prometido, aqui está o nosso Capitão e os seus planos mirabolantes.

Skald .K.: Cá está a continuação do capítulo, infelizmente atrasei-me um pouco por causa das férias inesperadas. Eu também queria um homem assim. Bem fico á janela vendo se aparece algum, mas infelizmente parece que todos fogem de mim rsrs.

Lady Ludmila: Ahh obrigada . Bom, Perla anda atrás da Mão porque precisa dela para resgatar sua irmã, Silver é o homem que está pedindo o resgate e quer essa mão para ter mais poder, e o Jack quer ela porque simplesmente é o Jack rs, interesseiro como sempre.

Fini Felton: Manaaa, ainda bem que gramaste o capitulo, ehehehe :). Pois é mana, ainda mal a fic começou e o gajo já está a meter nojo loool. Mana vê se voltas das tuas férias, já estou cheia de saudades tuas. Adoro-te muito:)

Jane: Pois, o meu depressa ficou em casa, o que se apoderou de mim agora foi a lentidão lool, desculpa lá não ter postado mais cedo, prometo que o próximo não demoro tanto :)

Likha Sparrow: Você ainda vai ver um dia chovendo Alessandros rs, eu ainda tenho esperança de encontrar o meu, apesar de achar que eles só existem nas novelas rs. Preguiça é o segundo nome desse Lord Silver rs eheheh.

Kadzinha: Oi, oi, oi. Obrigada pela sua marquinha. Tem estado muito frio por aí?

Até ao próximo capítulo

Beijocas e Fiquem Bem

Taty Black