Capitulo 4 – Depois da tempestade…a bonança
Um trovão rasgou no céu escuro, inundado por uma espessa cortina de neblina, fazendo todo o mar estremecer. Mais á frente, os mares tumultuosos acolhiam no limite do horizonte, as nuvens negras que se acamavam sobre ele. Jack saboreava aquela agitação característica do mar, que ele tão bem conhecia. Seu navio começou então por começar a balançar e os ventos pareciam cada vez mais fortes. Era notório que a tranquila noite daria lugar a uma movimentada tempestade.
-Capitão, não conseguimos ver o horizonte! Acredito que se avizinha aí tempestade, e das memoráveis. – avisou Pintel, esperando instruções de Jack, que continuava agarrado ao leme.
-O Olho do Gigante! – murmurou ele, olhando fixamente para o horizonte enegrecido. – Esta zona é conhecida pelos naufrágios de vários navios, e o Pérola não será mais um pedaço de madeira velho apodrecido pelo tempo, flutuando sobre este amaldiçoado mar. – Ele desceu o olhar para o convés, avistando a sua tripulação. - Vamos marujos, aguentem as velas mais um pouco, precisaremos delas bem hirtas para nos safamos desta…mais á frente, teremos céu limpo, garanto-vos. – ordenou Jack ao prender o leme para os ir ajudar.
Ondas violentas se formavam no mar arisco, sendo maiores do que o costume e, no céu, assomavam raios dourados, que iluminavam tudo á volta, seguidos de um estrondoso barulho que parecia tambores nos ouvidos da tripulação. Todos auxiliavam na tarefa de aprontar o navio para a terrível e curta tempestade que se começava a avizinhar.
No convés inferior, Perla acordou sobressaltada, aturdida com o barulho dos insistentes trovões, e ao demasiado balançar do navio. Sustendo a respiração, ouviu o casco do convés onde estava, roçar em algo que ela não tinha a certeza do que ela, possivelmente velhas traves de madeira, outrora pertencido a grandiosos navios.
-Isto não estava previsto acontecer, tudo apontava para uma viagem calma. – bufou ela, tremendo da cabeça aos pés. – Aposto que ele fez de propósito e escolheu o caminho mais inoportuno. Ele tem o gostinho de me enervar.
Perla levantou-se num salto e abriu a porta para sair. Ao subir as escadas, reparou no mau tempo que consumia aquele ambiente saturado. Todos continuavam a ajudar, mas o navio parecia não querer aguentar aquela inesperada tempestade.
-Você devia ficar quieta no seu lugar, para não atrapalhar a minha tripulação, Savvy? – apreciou Jack ao segurar uma das cordas da vela, tentando puxá-la para a amarrar.
-Capitão, vamos embater num rochedo. – berrou Marty avistando á sua frente um grandioso rochedo, ao mesmo tempo que tentava puxar, embora tivesse a dois metros do chão, a mesma corda de Jack
-Minha virgem de Guadalupe! – rezou Perla agarrando-se á porta para não cair com o balançar do navio.
-Será possível alguma alma ir até ao leme e mudá-lo de direcção? Pelo amor de todo o rum existente no navio. – pediu Jack apercebendo-se que estavam todos ocupados.
-Eu posso ir, capitão! – sugeriu Perla ao ver Jack rir alto, quase deixando escapar o fio.
-Você nem uma unha quebrada saber consertar quanto mais desviar um navio de um rochedo…
-CAPITÃO VAMOS EMBATER…
-Bugger, Bugger, Bugger, Bugger…
Perla não pensou duas vezes. Embora seu corpo ainda vibrasse devido ao pavor daquela situação, e do medo terrível que tinha dos trovões, Perla crispou os lábios decidida, ganhando finalmente a coragem para correr até ao leme, para desespero de Jack, que toda sua vida rezou para que o navio não calhasse na mão de uma mulher. Ao subir as escadas tropegamente, devido às ondas que embatiam no navio, Perla escorregou no quinto degrau e escorregou.
Parada no sítio em que tinha derrapado, ela respirou e expirou bem fundo, sentindo-se bloqueada. As vozes de Gibbs e Barbossa suavam-lhe como vozes ocas, perdidas no meio dos pingos de chuva, que não cessavam. Jack fitava-a com um semblante apreensivo, relutante em largar a corda e ir ao seu encontro. Foi então que Perla ergueu a cabeça para além do Castelo da proa e viu um alto rochedo cada vez mais próximo.
"Eu não quero morrer aqui, não agora!"
Esse pensamento fê-la ganhar forças para subir as restantes escadas a gatinhas, até ficar frente ao leme. Ao desprendê-lo, o leme ficou totalmente descontrolado, o que fez Perla agarrá-lo com força para o conseguir dominá-lo e rodá-lo. Confusa olhou para Jack esperando instruções:
-Larguem a âncora de estibordo. – Ele olhou para Perla e berrou para que ela pudesse ouvi-lo no meio da tempestade: - TODO A ESTIBORDO! – Ela anuiu e com novamente com força, puxou o leme para estibordo, vendo ele dar uma grande curva, mas, mesmo assim, raspando um pouco o casco negro no rochedo – Bugger, dá para aguentar o navio, sem fazer NENHUM ESTRAGO? – implicou Jack com um rosto indignado.
-Estou tentando, capitão!
-Podem levantar âncora.
Naquele momento, uma onda enorme cobriu o navio todo, levando consigo alguns dos marinheiros que não estavam a prever. Quando tudo ficou calmo, Jack chocalhou a cabeça, sacudindo a quantidade de água que tinha no rosto, e olhou de relance para o leve, vendo-o vazio.
-PERLA!! – berrou Jack ao largar a corda e correu até ao Castelo de popa.
-Virgem santíssima. – rosnou Gibbs, limpando a testa, enquanto corria para a borda do navio e procurava freneticamente por um sinal da princesa.
Perla encontrava-se aninhada, juntamente ao leme, segurando-se à cana deste com toda a sua força ainda existente em seu corpo cansado. Jack ajudou-a a levantar-se, tomando novamente o seu posto. Foi então que ergueu a sobrancelha de um modo singular ao senti-la agarrar-se ao seu braços, deitando a cabeça sobre seu peito. Ela continuava assustada. Nunca presenciara nada igual em toda a sua vida, muito menos da janela de seu quarto, de onde visualizava algumas das tempestades que aconteciam.
-Capitão, já se vê o horizonte adiante. – informou Gibbs reparando que, a poucos quilómetros, tudo estava mais calmo.
Jack anuiu com a cabeça, travando novamente o lema à medida que Perla se afastou timidamente dele. Passados segundos, ele voltou-se para ela com uma expressão de falsa impaciência e proferiu:
-Você já viu os estragos que fez no MEU navio? – Perla olhou-o abismada. - Foram os suficientes para deixar qualquer capitão de cabelo em pé, embora os meus estejam bem entrelaçados. Por isso é que navio não é lugar para mulher. Mal colocam a mão no leme, segundos depois desfazem quase metade do casco.
-Você endoidou? Eu salvei a SUA vida e a da tripulação também. – retorquiu ela irritada com a falta de boa educação de Jack - A uma hora dessas, poderíamos ter embatido naquele rochedo…
-A última mulher que me quis salvar, e á minha tripulação também, praticamente necessitou de me matar …
-Não conheço essa mulher, mas entendo bem os motivos dela para tal efeito. Acredite que eu faria o mesmo, capitão, se a situação me impusesse.
Com uma crispada irritada de lábios, analisando bem seu opositor, Perla abandonou a posto de comando. Jack levantou a sobrancelha, á medida que um biquinho se formava nos lábios, enquanto a via descer as escadas com uma expressão revoltada, como quem tem ainda mais para dizer, mas preferiu guardar para si. Foi então que ela desceu a escotilha e fechou-a com violência.
-E CUIDADO COM AS PORTAS, QUER ARRUINAR O RESTO DO NAVIO? – Jack reparou que toda a sua tripulação o olhava. – Ahh, que foi?
-waaapp, mau tempo no navio, waaappp. – Jack tirou a pistola da bainha e engatinhou-a, apontando-a ao papagaio, que tapou o bico com a pena.
-Jack, o papagaio do Cotton tem razão, você foi injusto com ela!
-O que é isto? Um complô contra mim? Não me digam que já se juntaram ao fã clube da donzela em apuros? – desdenhou ele, esbracejando irritado.
Todos se baixavam e desviavam para lados opostos, á medida que ele balançava a pistola no ar, de um lado para o outro, com medo que o capitão carregasse no gatilho sem querer e disparasse em alguém. Ao vê-los tomar uma posição de defesa, ele cerrou o sobrolho, até que Marty apontou o dedo para algo que ele não percebeu á primeira, olhando para o céu. Ao reparar que ele apontava para a pistola, Jack mostrou a arma ao dar um sorriso contrafeito, até a baixar, desapontado. Agora, toda a tripulação estava imóvel, o que fez Jack revirar os olhos.
-Cotton, traga-me o macaco, preciso de dar um tiro em alguma coisa
-Nem pense que vai atirar no meu macaco. – advertiu Barbossa ao vê-lo saltar para o seu ombro.
-Continuo a dizer que Perla não tem culpa do seu passado. Dê uma oportunidade á garota para a conhecer melhor!
-Vocês sabem muito bem por qual motivo eu a deixei fazer parte desta tripulação, se assim se pode dizer…- Finalmente Jack desengatilhou a arma e guardou-a.
-Para saber onde se encontra esse objecto precioso, suponho. – completou Barbossa trincando uma maçã que tirara do bolso. – Coisa mirabolante! - Ele revirou os olhos impacientemente.
-Mas isso não impede você de a tratar um pouco melhor, ou está com medo de alguma coisa? – insistiu Gibbs, que cruzou os braços. Jack fez uma trejeito com a boca.
-Capitão Jack Sparrow não tem medo de nada, meu caro. – Ele olhou para a tripulação que o fitava atentamente e ordenou: - agora seus cães sarnentos, toca a trabalhar, há muito que fazer.
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Quando novamente uma chuvinha miudinha caía sobre o soalho de madeira do navio, Perla saiu do porão para apreciar no horizonte, um pequeno raio de luz áureo aparecer. Ela aproximou-se do castelo da proa, subindo as escadas para ir quase perto do gurupés. O tempo continuava um pouco frio, o que a fazia esfregar insistentemente os braços para aquecer o corpo gelado e ainda trémulo. Jack foi ao encontro da garota, com os braços cruzados atrás das costas, e pigarreou para chamar a sua atenção. Perla olhou ligeiramente para trás, vendo a figura parada do capitão.
-A noite arrefeceu, mas como dentro de poucas horas estaremos no Caribe, o dia aquecerá bastante. – iniciou ele, vendo-a tremer de frio.
Inconscientemente, Jack tirou o casaco e, num passo peculiar, aproximou-se o suficiente dela para lhe cobrir as costas com o seu casaco. Perlar aceitou de bom grado o casaco, com um agradável sorriso, ficando surpresa com a primeira atitude gentil do Capitão para ela.
-Obrigada, senhor Sparrow! – agradeceu ela com uma voz abafada pelo ar frio, continuando: – Ouvi falar muito a respeito do clima do Caribe, principalmente que ele é mais temperado do que o ameno Mediterrâneo.
-Eu também queria…eu queria…- Ela encarou-o seriamente, expressando um sorriso recatado. -"ohh Bugger" - Como era difícil continuar. Não era do feitio de Jack agradecer alguma coisa, principalmente a uma mulher. – Obrigado por ter ajudado! – agradeceu tão rapidamente, que a fez sorrir.
-De nada! – Ele virou costas e andou um pouco. – Bem que minha mãe tinha razão…- Jack parou e rodopiou os calcanhares lentamente para Perla – você é uma bom homem, Sr. Sparrow, embora não demonstre. E, apesar de não ser aquilo que esperava, eu estou gostando de fazer esta viajem com vocês.
-Ainda bem que está gostando de navegar com a minha humilde tripulação, senhorita. – Soltou um sorriso do canto da boca – Bom, vou preparar novamente a rota, a tempestade desviou-nos um pouco do nosso principal caminho.
Perla viu-o afastar-se e suspirou! Como um homem podia ter duas facetas ao mesmo tempo? Numa hora, ele implicava com ela por meros pormenores, noutra, ele demonstrava ser um homem compreensível e simpático. Não conseguia ter uma definição exacta para descrever aquele homem ou, ao pensar nele, a primeira palavra que surgia na sua cabeça era confuso. Talvez fosse a única palavra que o caracterizasse por completo. Ao olhar discretamente para trás, viu Jack dirigir-se para a sua cabine, seguido de mais dois piratas. Perla estranhou, erguendo uma sobrancelha, mas voltou a concentrar-se no belo horizonte, para ver o nascer do sol, um dos seus sonhos de criança
Dentro da cabine, Jack fitava atentamente o grandioso mapa, enquanto tamborilava os dedos de sua mão esquerda no tampo da mesa, enquanto que, com a outra, ele segurava o queixo. Os presentes esperavam Jack começar a falar algo, mas, ao vê-lo tão concentrado naquele pedaço de papel velho, era como se estivesse hipnotizado.
-Jack, para ser franco com vocês, eu ainda não percebi bem o intuído dessa sua missão salvamento…-desdenhou Barbossa com um sorriso cínico a bailar-lhe nos lábios. - …que pretende fazer?
-Caro Barbossa, é simples: - Começou ele, retrucando-lhe com um sorriso dissimulado. – Ela é uma princesa, eu um pirata, por conseguinte ela precisa de mim para salvar a irmã, e eu preciso dela para achar essa bendita Mão de Midas. Conclusão: eu ajudo ela, ela me ajuda, uma mão lava a outra e assim vivemos todos felizes para sempre…
-Resumindo: nós levamos a garota, ela indica-nos o caminho para essa tal Mão de Midas, pegáramo-la para nós, descartamos a princesa e pronto, vivemos todos felizes para sempre. É só isso? – indignou Barbossa olhando arrogantemente para Jack, que levantou o dedo indicador.
-Pense comigo, caro Hector. Isso se você for capaz, claro. – Barbossa marcou Jack com um olhar grosso. -Porque ameaçariam a família real de Siracusa, em troca de um pequeno objecto chamado "Mão de Midas"? Pensando racionalmente como um pirara, porque não pedir antes a fortuna do rei, ou quem sabe, o reino? – Reflectia Jack batendo com mais força com os dedos na mesa, com a última interrogação. – Seria mais lógico do que exigir um objecto sem valor algum, ou estou errado?
-De facto tem razão! – arrematou Gibbs, vendo o macaco de Barbossa saltar no ombro dele.
-Se eles não fizeram isso, então é porque esse objecto vale mais do que a fortuna do rei, ou qualquer outro tesouro valioso. Savvy?
-Estou a perceber onde você quer chegar. – pronunciou Barbossa com a mão no queixo e com um grandioso sorriso estampado. – Mas, e se ele não valer assim tanto?
-Isso é um risco que corremos, mas qual é o pirata que não se arriscaria por uma enorme fortuna? Temos de arriscar, é a única chance de descobrir se esse objecto tem alguma valia. – Jack levantou-se para vasculhar as suas gavetas e armários até achar uma garrafa de rum. – Já por isso, iremos ter Elizabeth. Talvez ela dê o ar da sua graça e nos ceda alguma pista. – Deu então um longo trago na sua garrafa.
-E acha certo usar a garota? Ela veio em busca da sua ajuda, Jack.
-Em antes dela ter a família em apuros, eu já era pirata há muito tempo, se é que me entende. – Barbossa soltou um olhar de "entendidos", enquanto Gibbs abanava a cabeça negativamente.
-E tem mesmo de colocar Elizabeth nesta história?
-Você hoje deu para defensor das Donzelas oprimidas, senhor Gibbs? – Gibbs continuou calado, até Jack bufar e continuar: – E porque não? Ela é uma pirata audaciosa, engenhosa e esperta. – Jack deu outro gole. – Esperta demais para falar a verdade! – murmurou ao olhar para o gargalo da garrafa, agora vazia. - E eu tenho que falar com ela, visto já não termos a genuína Tia Dalma para nos ajudar. – fez beicinho nostálgico.
-E o que está pensando fazer á princesa, quando puser a mão nesse objecto?
-Terá de usar outro objecto para dar aos ladrões. Agora que estabelecemos as ideias todas, caro Barbossa, nada de tentar fazer outro tipo de motim contra mim. Sabe que, desta vez, não iria resultar. Já cai duas vezes na sua conversa, o que vale é que na segunda fui mais astucioso que você. – desafiou Jack próximo de Barbossa, que cerrava os dentes com o sorriso provocador de Jack.
-Um erro caro a pagar com a sua audácia. – Jack fez uma expressão de falso amuo. - A esta hora já podia ter posto a mão na Agua da Vida!
-A água não ficou nem para mim, nem para você e sim para o nosso querido amigo Black Dog, por isso, fim de discussão. E sim, eu ainda desconfio de você. – Barbossa suspirou fundo para não se enervar.
-Desde há um tempo para cá, que não tem tido razão de queixa sobre minha humilde pessoa, pois não?
-Assim o espero... –Gibbs apenas olhava os dois, quase colados um no outro e de dedos indicadores no rosto de ambos.
-E sabe porquê? – Jack fez um sinal de desentendido, como se o assunto não lhe interessasse. – Porque você prometeu-me as Cartas de Navegação, bem nas minhas mãos. Você tem um tempo limite para as achar, depois eu penso num destino especial para te dar. Quem sabe, se eu não te mando para o sítio de onde você nunca deveria ter saído.
-Barbossa, tanto rancor faz mal! – gracejou, dando umas palmadas nas costas de Barbossa. - Quando tivemos a Mão de Midas, e se ela for assim tão valiosa, eu te comprarei um chapéu novo e te farei Comodoro de uma nova embarcação comprada em New Providence. Depois pensamos nas Cartas de Navegação!. Agora, mãos ao trabalho! Quero despachar isto o mais depressa possível, e pôr a mão nesse objecto. – Os dois piratas concordaram e saíram da cabine.
Jack olhou para a janela da sua cabine e viu o sol já nascendo na fina linha do horizonte, agora num tom avermelhado. Ele deu uma outra olhadela ao mapa, e bebeu a última gota de rum da garrafa, quando viu que já tinha acabado, começou a resmungar sozinho.
-Diabos, porque o rum tem sempre de acabar. – Ele abriu a porta num só empurrão e viu que Perla ainda continuava na proa, o que o fez escarnecer: – Você não se cansa de estar aí?
-Muitas vezes, da janela de meu quarto, vi o pôr-do-sol, pensando em como seria o nascer deste. Se seria tão glorioso ou ainda melhor. Agora vejo que ambos são imemoravelmente formosos. – Perla continuava tremendo, devido à roupa encharcada, que se colava agora em seu corpo delgado.
-Ainda não se secou? – Ela olhou para o seu vestido, e abanou a cabeça com um tímido sorriso. – Venha comigo, eu vou-lhe dar outra roupa para se trocar.
-E onde está pensando me levar? Para o fundo do navio, a modos de me trancar lá e eu não poder sair, é? Pois fique sabendo, senhor Sparrow, você não se livra de mim tão cedo. – Jack abriu um sorriso safado, mostrando seus dentes de ouro.
-E que tal deixar-mos as formalidades de lado! Trate-me apenas por Jack. Você não está no meio da realiza para me tratar com tanta cerimónia, darling. – Perla fitou-o, admirada com a proposta dele. – E não, eu não a vou levar nenhum lugar macabro e trancá-la lá. Vou apenas levá-la a conhecer os meus aposentos, onde poderá trocar esses farrapos velhos.
Ela caminhou ao seu lado em silêncio, mergulhada pela curiosidade de conhecer os aposentos daquele capitão, imaginando cada artefacto, mobília ou pequenos tesouros que poderia encontrar naquela divisão. Quando finalmente chegaram, Jack abriu a porta, fazendo-lhe uma pequena reverência teatral para que ela entrasse primeiro.
Perla ficou encantada ao observar aquele pequeno cubículo. Havia toda a espécie de artefactos, desde grandes peças até pequenos tesouros, embora não os tivesse imaginado em tamanha abundância. Ao apreciar as coisas, ela imaginava por quantos lugares Jack tinha visitado, nas suas viagens, e quantas coisas espantosas tinha visto, conquistado ou até mesmo roubado. Ao vê-la seduzida pelos seus aposentos, Jack dirigiu-se até ao seu guarda-roupa procurar algo que ela pudesse vestir.
-Fique sabendo que não tenho roupas de grande luxo, apenas camisas, calças e… -Perla só via roupa voar do guarda-roupa. -…camisas.
-Prefiro mesmo algo nada extravagante. Julgo que umas calças e camisa seriam óptimas para me integrar melhor, além que, se formos interceptados por algum navio, pensam que sou um pirata, como outro qualquer. – Jack encolheu os ombros, passando-lhe então umas calças e camisa. – Isto vai-me ficar largo.
-Está me chamando de gordo? – indagou ele, fazendo-se de ofendido ao formar um beicinho.
-Claro que não senhor… quer dizer, Jack! Mas não queira comparar a minha cintura com a sua. – Jack analisou a sua cintura e a dela e levantou a sobrancelha ao chegar á conclusão de sua comparação.
-Realmente sua cintura é mais delicada, mais justa e mais…-Por momentos olhou-a de cima abaixo a modos de captar cada pormenor da garota, o que a fez corar.
-Você tem uma caixinha de costura? – interceptou Perla, a modos de tentar desviar o olhar concentrado dele.
-O quê? – perguntou ele acordando do transe.
-Qualquer coisa que tenha uma agulha e um fio! – ele foi até uma gaveta na sua mesinha e tirou algo que parecia ser uma agulha
-Isto foi em tempos de uma lady que eu sequestrei, mas pode usar, de certo ela nunca mais vai precisar disso. – Jack viu ela pegar na agulha. – Sabe mexer com isso?
-Sei! Fui eu que preparei este meu vestido de noiv… quer dizer, minha ama ensinou-me para ser eu a fazer os vestidos das minhas bonecas. Por isso, é fácil para mim fazer qualquer coisa. – Jack anuía, fingindo que entendia o que ela dizia. – Vai ficar ai olhando?
-Não, eu vou até lá em cima ao convés. Preciso ver como estão correndo as coisas! – ele virou costas, indo em direcção à porta, até a voz dela o interromper.
-Jack, quando chegaremos a Singapura?
-Singapura? Primeiro vamos a Tortuga tratar do navio, depois sim, iremos a Singapura. Tudo isso em pouquíssimo tempo, eu prometo – ele sobrepôs as mãos, enquanto Perla anuiu
Sem dizer mais nada, ele saiu, deixando-a com a caixinha de costura. Sozinha, ela pegou na roupa e deu largas á sua imaginação. Das calças verde musgo, ela apertou na cintura e fez uns corsários até baixo do joelho, onde ela pudesse enfiar depois as longas botas castanhas. Da camisa cor pérola, ela apertou mais no torso e deixou as mangas ficarem largas.
-Está o mais parecido com uma roupa pirata. – Suspirou ela. Ao tirar o casaco de Jack ela deparou-se com um problema. – Como vou desapertar isto sem estragar o vestido? - Perla viu a porta abrir de rompante e com um salto para trás, ela assustou-se.
-Calma, eu não tenho cara de bicho papão! – debochou Jack divertido, procurando algo debaixo da cama. -Está com algum problema? – Ele olhou-a, vendo-a imóvel.
-Estou, e não sei como hei-de resolver – murmurando, ela baixou a cabeça ao corar ligeiramente.
-Se eu poder ajudar, darling!
-É que…bom, quem me ajudava com isto era minha ama, mas visto que não há nenhuma mulher neste navio eu.... – ela bufou, enquanto Jack cruzava os braços, á espera que ela falasse. – Sozinha nunca vou conseguir desapertar os espartilhos. – proferiu ela rapidamente, despejando tudo de uma só vez. Ao ouvir aquilo, Jack gargalhou, vendo-a ficar claramente aborrecida.
-Amor, eu já desapertei vários espartilhos, uns mais difíceis e impacientes do que outros. Isso para mim é uma arte fácil de manejar. Agora vire as costas para mim, Savvy?
Perla aproximou-se lentamente de Jack, ainda hesitante sobre o que tinha pedido. Ao tê-la perto dele, Jack afastou-lhe delicadamente os longos cabelos dela para a frente do pescoço, fazendo-a vibrar com o seu toque. Ao afastá-los, um doce aroma de lírios do campo chegou-lhe ao nariz, como um neutralizante suave. Sorrateiramente, ele chegou o seu nariz á nuca de Perla, enquanto sua mão pousava no ombro dela, percorrendo-o com o dorso da mão, até chegar ao outro ombro. Sua pele era delicada, como se de uma boneca se tratasse. Perla apenas mantinha-se de olhos fechados, e estremecia a cada sensação provocada por aquele homem, desejando que ele continuasse cada carícia, embora soubesse que aquilo era errado.
-Senhor Sparrow, creio que não lhe dei tanta liberdade para tais princípios! – advertiu Perla, virando-se repentinamente para ele.
Ambos ficaram bem próximos, encarando-se por breves segundos, á medida que seus olhos caíam cautelosamente para os lábios um do outro, observando-os atentamente. Inundada por uma nova sensação, Perla sentiu a respiração acelerara descompassadamente, confusa com aquela situação constrangedora. Tentando quebrar aquele tentador delírio, Jack desviou o olhar para o decote da garota. Ao vê-lo dirigir a mão para o seu decote, o coração de Perla disparar, ficando cada vez mais com a respiração fogosa. Foi então que ele puxou um colar com o formato de uma cruz ancorada.
-Onde é que arranjou isso? – indagou Jack semicerrando os olhos, parecendo um pouco perturbado.
-Era de minha mãe, ela me deu antes de morrer! E não esteja fazendo vista grossa para ele, pois não tenho intenções de deixar você roubá-lo. – Perla tirou grosseiramente o colar da mão de Jack e guardou-o outra vez no sítio. - Sempre me vai ajudar a tirar estes malditos espartilhos ou vai continuar a olhar para onde não deve?
-Bugger! – Jack virou-a de relance e, com um punhal, cortou todos os fios do corpete. Ela respirar fundo como se tivessem tirado um peso de cima. – Não sei porque vocês mulheres continuam em utilizar isso! – Resmungou ele, abanando a cabeça. – Ahh, e guarde esse seu vestido, ainda podemos aproveitar bem esses diamantes todos, para eventuais negócios. – E dito aquilo, bateu com a porta.
-Porquê que ele ficou tão perturbado ao ver este colar? – questionou-se ao rodar o colar em suas mãos, fixando o olhar num ponto fixo, meditando por segundos. – Tenho de esclarecer isso com ele.
Por mais que Perla pensasse, não conseguia chegar a uma conclusão. Encolhendo os ombros, ela tratou de vestir as suas novas roupas. Do velho vestido, ela fez uma nova bandana e também uma espécie de fita para amarrar na cintura. Calcando as botas apressadamente, ela correu até ao convés vendo Jack dar ordens a Mullroy e Murtogg.
-Jack, porquê ficou incomodado com o meu colar? – perguntou ela interrompendo o capitão.
-Eu incomodado? Você deve estar delirando... – Jack olhou novamente para os marujos: – Como estava dizendo, eu quero …
-Você está mentindo! Eu reparei como ficou amolado quando o viu! – insistiu ela ao vê-lo rodar na sua direcção, colocando as mãos cerradas junto do queixo.
-Dá para não me interromper? Estou a tentar dar ordens aos meus marujos. – Ela bufou. – Faça o seguinte para se distrair: vá ver se há peixinhos no mar. Se houver, mande comprimentos do Capitão Jack Sparrow – Ele virou-se novamente para eles, para admiração dela. – quero que alcem as velas para avançamos o mais depressa possível, savvy?
-Não vai me dizer, pois não?
Jack fez um sinal descontínuo com as mãos para os dois se moverem, enquanto ele foi para o leme, deixando-a sozinha e de boca aberta. Perla seguiu-o até lá a modos de saber alguma coisa.
-Lá vem você de novo! Eu devo ter feito muito mal a Deus para me rogar uma praga destas.
-Eu só gostava de saber se você conheceu minha mãe! Ou se sabe da origem deste colar. – Agora que estava concentrado nela, viu como lhe ficava bem aquela vestimenta de pirata, nem parecia mais a delicada princesa que tinha acolhido no porto, há algumas noites atrás.
-Não, eu não conheci sua mãe e não, eu não sei da origem desse colar, agora deixe-me navegar em paz, sim? – Perla cerrou os olhos e bufou novamente, para conter os seus nervos.
-O que eu tenho de suportar para salvar minha irmã! – Jack viu os olhos dela marejarem
-Você disse que sua irmã foi raptada? – inquiriu ele com um tom calmo, fazendo-se de desinteressando.
-Foi. – retrucou ela, encostando-se ao resguardo do navio de cabeça baixa. – Apenas deixaram uma carta, dizendo que tinham levado ela e que a matavam dentro de dois meses, caso ninguém achasse esse objecto. É por ela, senhor Sparrow, que eu estou aqui, só por ela!
-Vocês não desconfiam de ninguém?
-Meu pai não, mas eu desconfio de uma pessoa que se juntou a ele, simplesmente por interesse. Ele andava há alguns meses a rondar o palácio, querendo falar com o rei. Veio propor-lhe sociedade! Meu pai aceitou de imediato, não pondo em causa a suposta dignidade do homem. Desde então, nada tem dado certo no palácio até ao dia em que ela foi raptada. Nesse dia, ouvi uma conversa suspeita que me fez crer que era ele que tinha sido o raptor da minha irmã, e ainda estava fazendo planos para casar comigo, para ficar com o reino de Siracusa – ela ergueu a cabeça para o horizonte, e completou: – Eu só não contei a ninguém, porque sabia que ninguém ia acreditar em mim, visto esse homem ter se tornado tão amigo de todos. Era a palavra dele contra a minha, nada podia fazer a não ser partir do meu reino e procurar ajuda.
-E quem é essa pessoa? – Jack estreitou o olhar, curioso.
-Ele diz que é Lord, mas eu acredito que não. Ele é um pirata! Seu nome é Silver…
-Black Dog! – concluiu Jack, perplexo, vendo Perla encarando-o incrédula.
-Você o conhece? Nem vale a pena dizer que não, porque você acabou de o confirmar!
-Claro que o conheço, todo o mundo da pirataria o conhece! Venha comigo até á minha cabine, temos muito que conversar. – Ele saiu primeiro, deixando a curiosidade de Perla aumentar gradualmente, a cada passo que dava em direcção á cabine de Jack.
Ao entrar na cabine, Jack fechou a porta e sentou-se na cadeira em frente á grandiosa mesa, fazendo um sinal para Perla se sentar. Ela rapidamente obedeceu e viu Jack colocar os cotovelos sobre a mesa e sobrepor as mãos debaixo do queixo, como quem espera alguma coisa:
-Muito bem, o que quer saber?
O capítulo em si não tem grandes revelações, mas no próximo Jack estará pronto a esclarecer as dúvidas de Perla, e explicar-lhe como Black Dog apareceu nos sete mares, aterrorizando as suas vítimas sem piedade. Já para não falar de como desapareceram as Cartas de Navegação das mãos de Jack…
Fini Felton: Obrigada manaaaa, espero que tenhas gostado deste também…Dorotyyy mtooo my sister
Roxane Norris: Oiii queridaa, fico contente por ter gostado de minha fic, e mal acabe de postar este capítulo vou correndo ler a sua, pois já vi que tem actualizado recentemente.
Ieda: Obrigada, fico mesmo feliz que tenha gostado! É, eu adoro o senhor Gibbs contando suas mirabolantes historias, por isso não havia melhor pessoa para contar o que se passou com Jack do que ele. Espero que tenha gostado deste capítulo.
Jane: Achaste o capítulo engraçado? Eu nunca pensei que fosse tanto assim xD. Até me fizeste rir com os "momentos arrepiantes"…desculpa lá ter estado quase outro mês sem postar, mas não faço por mal. Eu vou tentar ser mais rápida a postar
Likha Sparrow: Nossa assim você me deixa sem palavras xD. Obrigada querida! Eu tentei fazer um Jack divertido, apesar das condições dele, espero que esteja resultando
Bruno: Olaaaa Bruno xD! É o "savvy" já é uma característica do Jack lool...fico feliz por estares a acompanhar a fic, a sério! Obrigada mesmo…
Bom, o próximo capítulo já está a ser feito, por isso, não demorarei muito tempo a postá-lo (espero eu)
Até ao próximo Capitulo…
Bjokas grandes para todos e fiquem bem
Taty Black
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