Capitulo 5 – Pontos esclarecidos
Perla continuava em silêncio, observando a sala acolhedora do capitão. Ela tentava impacientemente, desviar-se daqueles olhos negros que permaneciam concentrados na sua pessoa. Apercebendo-se que Gibbs tinha trazido outra garrafa de rum, deixando-a em cima da mesa, Jack rapidamente apossou-se dela.
-Eu quero saber tudo…
-Servida? – intercalou Jack oferecendo um pouco de rum, rezando para que ela recusasse.
-Não obrigada! – Ela suspirou, finalmente encarando Jack. - Fale-me sobre esse falso Lord!
-Querida vá se conformando. Ele é Lord, como eu sou Lord, como mais sete piratas são Lords e, como tal, fazemos parte da Corte da Irmandade.
-Mas isso…o quê? – Perla que até á pouco estava incrédula, tomou uma expressão confusa. – Como ele faz parte da Corte da Irmandade?
-Depois da famosa aventura contra Cutler Beckett, o Capitão Vallenueva, no leito da sua morte, nomeou seu único filho, Silver Vallenueva a seu substituto! Esse canalha não perdeu tempo em apossar-se da tripulação e do navio de seu pai, apelidando-se logo de seguida por Black Dog…
-Esse nome veio das velhas lendas! – arrematou Perla, concentrada na história. - O cão negro sempre foi sinal de presságio de morte, por isso Black Dog, ou Silver, vem aterrorizando os sete mares. Devido ao medo que as pessoas têm de presságio e de dar caras com o demónio em pessoa…
-O que eu acho uma perfeita idiotice, o Black Dog aparece e some feito navio fantasma por estes misteriosos oceanos. Ele mesmo encarrega-se de ir atrás das pessoas que possuem algo de valor… – Jack fez um gesto com o dedo polegar e o indicador esfregando-os -…e de todas as pessoas que ele já surpreendeu, sempre trataram de evitaram defrontá-lo pelas várias embarcações que ele possui. – Jack deu um gole na garrafa, dando uma pausa á conversa. - Nos seus tempos de glória, eu dei de caras com ele, ainda estava navegando num minúsculo barquinho, remando em busca da fonte da juventude ou…do cálice da imortalidade, como queira chamar amor.
-Eu pensei que você andasse atrás de ouro como todo o pirata normal, ou algo que possivelmente reluzisse a seus olhos, mas afinal, você andava atrás de uma lenda.
-Digamos que andei supondo hipóteses sobre o seu possível paradeiro…- gesticulou Jack sobre o mapa.
-Você acredita mesmo que essa água da vida exista? Quer dizer, são só histórias. Quase ninguém chegou lá com vida…-Ela parecia cada vez mais confusa.
-Então me diga, quem conta essas histórias? – Era lógica aquela pergunta, o que fez ela suspirar vencida. – Aquilo não é uma lenda amor, aquilo é verdade, e eu tive a prova viva nas minhas mãos que ela existia…as Cartas de Navegação, que entretanto foram confiscadas…
Flashback
-O Famoso Jack Sparrow navegando num barquinho? O que é feito do seu grandioso Pérola Negra…
-Capitão, capitão Jack Sparrow, Savvy? – Silver lhe ofereceu uma garrafa de rum, no qual ele aceitou de imediato e bebeu-a com a maior das satisfações.
-Mas diga lá, o que se passou com o famoso Capitão Jack Sparrow para ele estar navegando, tão confortável num barco a remos!
-Eventualidade do destino meu caro! Alguém pegou no meu navio sem ao menos me pedir permissão. É para você ver como esta gente é! – retrucou, irónico vendo Black Dog pousar os cotovelos sobre a mesa.
-E veja a sua sorte mate, essa eventualidade do destino, trouxe você até mim…
-Eu diria que foi mais os maus ventos do Caribe… - Rebateu, com os seus trejeitos.
-E o meu bendito faro, que fareja tudo á distância meu caro Sparrow. – Ele deu um outro gole na garrafa, vendo Jack forçar o sorriso. – Para ser sincero, consta por aí que você é portador de umas certas Cartas de Navegação. Confesso que fiquei um tanto curioso, além de claro, ter ficado muito interessado nelas…
-Ora Black Dog, quem lhe disse tamanha calamidade contra minha pessoa? – contrapôs Jack, com uma falsa admiração.
-Vamos Jack, você encontra-se sozinho, apenas com um barquinho e uma garrafa de rum! Como acha que se vai safar sabendo que eu tenho a tripulação mais destemida dos sete mares… -Calmamente e com um sorriso sarcástico nos lábios, Black Dog esperava Jack dizer algo.
-Uma boa questão! – Jack levantou-se descaradamente, começando a andar rumo á porta. – Sabe, prometo que vou pensar numa solução lógica e mais logo te darei… – Ao abrir a porta do gabinete de Black Dog, deparou-se com duas figuras, um homem gordo que tinha uma falha nos dentes, e um mais magricela de espada apontada para a entrada, caso Jack pensasse em fugir. Este apenas arregalou os olhos e, fechando novamente a porta, voltou a sentar-se. – Acho que vou permanecer mais um pouco na sua acolhedora companhia…
-Fez uma escolha muito sábia Sparrow! No fundo, sabe que não tem hipóteses contra mim. E , como tal, sabe que não me custará nada matar você só para obter as Cartas…- Ele fez um gesto no ar, como quem corta algo invisível, o que fez Jack engolir em seco. - Mas como sou um capitão generoso, vou deixar você partir, caso me dê o que pretendo…
-Ora, que amável proposta! – Jack apontou-lhe o dedo indicativo, desajeitadamente. - Lembrar-me-ei desse gesto afável quando estiver navegando novamente no meu barquinho. Já agora, não querendo ser intrometido, mas o que você tanto procura?
-Algo que também procura: a Fonte da Juventude! – Ele soltou um sorriso desdenhoso. – Eu quero a vida eterna Jack Sparrow, e usarei todos os meios para tal! Pretendo ter sucesso, glória, as melhores pilhagens que um pirata pode rogar! Para isso, preciso de ser eterno, para usufruir de tais prazeres da vida que a morte me pode ceifar a qualquer momento… – Ele colocou pólvora numa pistola, que até á bem poucos segundos estava pousada na secretária, e apontou-a a Jack. – Contudo, eu gostaria de verdade ter esses mapas a bem…
Fim Flashback
-Então foi assim que o Famosos Capitão Jack Sparrow se deixou roubar…
-Perla, amor, eu tinha uma pistola apontada sabe-se lá para que parte de meu corpo e um bando de pirata maluco querendo meu couro, o que você queria que eu fizesse? Me transformasse em havaiana e saísse de lá dançando hula hula? – Perla apenas ficou atónica ao ouvir a explicação de Jack.
-E o que se passou de seguida?
-Bom, assim que Black Dog me dispensou, voltei a Tortuga atrás do senhor Gibbs…
Flashback
-Eu amaldiçoou o homem que me acordou deste jeito… – Berrou Gibbs, que tinha acabado de levar com um balde de água.
-Porque será que, quando eu te procuro, me deparo sempre com você tresandando a chiqueiro e, por mera coincidência, partilhando sua moradia com esses seus companheiros duvidosos… – Jack apontou para os porcos, deitando a língua de fora -…cuja única coisa que sabem fazer é roncar e dormir de barriga para cima!
-Jack é você? – Gibbs levantou-se rapidamente, com a ajuda de Jack. - Bons ventos o tragam! Você não devia estar usufruindo dumas boas férias na sua nova condição de imortal? – Gibbs analisou melhor Jack, não vendo nenhuma modificação nele. -Tem certeza que essa água funciona mesmo? Você está igual…- Jack bufou, impaciente.
-É uma longa história! Vem que eu te ofereço um copo, mas não se habitue meu caro. – Os dois foram até á taberna mais próxima, sentando-se na mesa que se encontrava mais longe daquela habitual confusão.
-Pelos sete mares Jack, o que aconteceu?
-Digamos que me confiscaram as Cartas de Navegação e estão, neste preciso momento, a usá-las para mérito próprio. – Explicou Jack dobrando-se um pouco para a frente em tom de segredo.
-O Barbossa conseguiu pegar você?- averiguou Gibbs vendo um homem dirigir-se com duas canecas de rum
-Não, ele não teria tanta inteligência para me pegar. A cabeça dele só serve mesmo para suporte daquele horrível chapéu. O cão sarnento que me abordou foi o novo Lordinho, o Black Dog…
-Ele esteve aqui te procurando, na altura eu disse que não sabia onde você encontrava, mas ele não descansou até saber mais sobre você, por isso rondou Tortuga inteira em busca dessa preciosa informação...
-Então, ele já sabia que essas cartas estavam na minha posse, interessante! – Jack passou a mão pelo queixo, descendo pelas suas tranças.
-Você decorou o caminho para a Fonte da Juventude, antes dele tas roubar? – Gibbs não tardou em pegar na sua caneca, dando um pequeno gole.
-Está me achando com cara de mapa? – Jack bufou, baixando outra vez o nível da voz: - Só sei que fica algures perto da Florida.
-E ainda está pretendendo alcançar essa fonte da juventude?
-Pretendo ter a imortalidade, senhor Gibbs. – Jack fez um gesto peculiar com as mãos, como quem se vangloria. -Capitão Jack Sparrow, o último pirara, soa perfeito. Se acrescentar algo mais, estraga.
-Então, se você sabe, mais ao menos, onde ela se encontra, porquê não vai atrás dela? O que tem outro plano?
-O negócio é o seguinte caro Gibbs: iremos atrás de Capitão Barbossa, propomos-lhe qualquer barganha e, com sorte, fico sendo novamente o capitão do Pérola Negra. Savvy?
-E será que vai resultar? Barbossa não é tão influenciável quanto parece.
-Não se preocupe, eu e ele falamos a mesma linguagem, nos entenderemos perfeitamente…principalmente quando ele souber que as cartas de navegação foram roubadas pelo seu pior inimigo. – retrucou Jack seguro de si, enquanto pousava a caneca, dando um sorriso discreto.
-Até isso acontecer, o Black Dog já chegou á Fonte da Juventude…
-Infelizmente não poderei fazer nada contra esse facto. O certo é que eu posso recuperar o MEU navio e também essas Cartas, e assim poderei realizar aquilo que quero. Basta ser engenhoso, e isso, modéstia á parte é coisa que eu sou. – Gibbs sorriu ao abanar a cabeça.
-Quando iremos partir? – Jack levantou o dedo indicador sobre a cara do primeiro imediato.
-Amanhã ao raiar do sol. – Os dois bateram as canecas – Não há que perder tempo.
Fim Flashback
-Esse filho de um cão sarnento conseguiu chegar à Fonte da Juventude, possuindo agora a vida de imortal que devia ser MINHA por direito. Entretanto, eu consegui o MEU navio de volta para poder procurar os MINHAS Cartas de Navegação. – Jack fez uma pausa para analisar a expressão de Perla, que continuava em silêncio. – No decorrer dos acontecimentos, Black Dog foi caçado pela Corte da Irmandade, que o quis condenar pelas várias regras quebradas do Código. Black Dog foi levado a julgamento, lá na Baia do Naufrago pela Capitã Turner…
Flashback
-Sobre o efeito desta reunião, chegamos á conclusão que, Lord Silver Vallenueva, será aprisionado…
-E pensa aprisionar-me até quando, alteza? – Ironizou Silver rindo ás gargalhadas. – Até que o apito do juízo final soe e resolva me vir buscar? Esqueceu que eu sou um imortal? – Elizabeth, cuja barriga já se fazia notar olhou para os Lords presentes que murmuravam entre si.
-Nem que te tenha de prender para toda a eternidade, como fizeram outrora os anteriores Lords ao aprisionar a Deusa Calypso num corpo humano…! Infelizmente só me resta a hipótese de te prender senão, de bom grado, acabaria com a sua raça! – rosnou Elizabeth com os olhos cheios de raiva.
-Se não pode acabar comigo, a culpa é de Jack Sparrow. – Todos desviaram os olhares para ele, que arregalou os olhos e se apontava para ele próprio, como quem pergunta "o que eu fiz, desta vez?" – Ele me deu as Cartas de Navegação para eu achar essa bendita Fonte da Juventude…- sorriu cínico.
-Bem, tecnicamente falando, as coisas parecem mais trágicas desse ponto de vista. – Barbossa lançava-lhe um olhar fulminante. – Mas a situação foi bem mais simples: pela eventualidade do nosso querido Lord Hector ter-me abandonado em Tortuga, eu tomei a liberdade de procurar essa bendita Fonte num barquinho bem humilde. Só que nessa minha viajem, o Lord Silver decidiu dizer um "oi" e confiscar-me as Cartas de Navegação…pronto é isso!
-Pronto é isso? Você disse que as tinham roubado numa memorável batalha. – Barbossa chegou perto dele, com um olhar vincado.
-Meros detalhes, caro Barbossa. – gesticulava Jack, levantando os braços no ar. - Apenas omiti um facto, que mal há nisso…
-Silêncio! – Ordenou Teague Sparrow, com um tom seco. – O código é bem explícito, os que traem as leis piratas têm o seu devido castigo…a morte! Você, Lord Silver, cometeu muitas infracções que não podem ser perdoadas. E, embora Jack Sparrow não seja um homem honesto... – Jack empinou a sobrancelha. – …não tomaria uma atitude tão nobre ao ponto de te dar de livre e espontânea vontade, essas Cartas de Navegação.
-Obrigado pai! – Jack juntou as mãos, agradecendo. – Sei que sempre fui o seu filho predilecto…
-Porque infelizmente é o único filho que tenho… – retrucou Teague firmemente enquanto Jack fez beicinho. – Pelo menos eu acho.
-E onde estão essas Cartas de Navegação? – indagou Barbossa esperançado que Silver lhe dissesse.
-Nem morto lhe direi, Lord. – Escarneceu Silver com um sorriso sarcástico.
-Você ainda é crente ao julgar que ele te vai dizer aonde estão. – debochou Jack sorrindo, mordaz.
-Lord Silver Vallenueva, filho do Capitão Edward Vallenueva, a você irá ser tirado o título de Lord e irá apodrecer na prisão da Baía Naufrágio. – Elizabeth levantou-se, encarando-o seriamente. – E declaro esta reunião terminada.
-Ahhh Elizabeth, quando eu conseguir fugir daquela prisão esquecida pelo Demónio, eu me vingarei de você! Você terá uma morte dolorosa e irá perder tudo o que conquistou até agora, pode apostar… – Elizabeth chegou perto dele, agarrando-o pela gola da camisa e, ficando cara a cara com ele, proferiu:
-Suas ameaças não me metem medo, Black Dog! Já enfrentei coisas piores do que um pirata imortal, por isso, é melhor você começar a ter medo de mim. – Ela fez um olhar significativo, o que fez Silver ficar furioso.
-Assim veremos, capitã! – Ele olhou para os restantes Lords: – Eu vingar-me-ei de todo vocês, um por um, até não sobrar pirata algum que reze a história, vocês ouviram?
-Levem-no…- Berrou Elizabeth vendo ele ser arrastado por três piratas. – O que eu faço Jack? – perscrutou ela tombando exausta na cadeira.
-Tire umas boas férias e tome seu tempo para tomar conta do Will Júnior que está chegando! O Black Dog tão cedo não sairá daquelas grades, por isso não se preocupe.
Fim Flashback
-Um mês depois, ele conseguiu fugir da prisão, com a ajuda de uns piratas traidores que se juntaram a ele. Pelo que soube, ele formou uma tripulação insensível e indestrutível, que chegam a ocupar cinco grandes navios. E, até agora, nunca mais ouvi falar dele.
-Isso quer dizer que ele é praticamente imortal… – averiguou ela apavorada. – Não há nada que possamos fazer contra ele? – Ela levantou-se exaltada. – A situação é mais grave do que pensava Jack, meu pai está em perigo, já para não falar na minha irmã que está á mercê desse monstro.
-Há apenas uma pequena e mínima solução, mas para isso, era bom achamos essas Cartas de Navegação. – Jack continuava com a mão no queixo, com um olhar longe.
-Explique-se, por favor…
-Bom darling é o seguinte: nessas Cartas de Navegação existe muitos objectos e destinos desconhecidos, ou seja, lá não só indica o caminho para a Fonte da Juventude, como também para a Aqua que o pode transformar num mero mortal. Por isso ele escondeu-as tão bem. Silver tem receio que o seu pior inimigo, ou seja a Corte, use isso contra ele, para poder matá-lo logo de seguida. Savvy?
-Estou entendendo! Agora só não entendi é onde a Mão de Midas se encaixa nesta história toda. Quer dizer, ele tem a Imortalidade e está na posse desses mapas. Então, porquê que Silver resolveu, logo agora, atormentar a minha família com essa história? Ele não pode usar essas Cartas de Navegação simplesmente para achar essa maldita Mão? – Perguntou-se Perla indignada.
-Para acharmos o que quer que seja nessas Cartas de Navegação, temos de achar a posição exacta das coordenadas, e das duas, uma: ou a Mão de Midas não se encontra localizada nesse mapa, ou então Black Dog não conseguiu achar a posição certa e está atrás de quem lhe faça o trabalho de encontrar esse objecto. E nada melhor que o seu reino encantado, onde lá ele pode sair ganhando bem…ora veja bem o ponto de vista dele: – Jack levantou-se começando a contar pelos dedos. - Ganha a confiança do rei, rapta a princesa mais nova, exige uma recompensa "a Mão de Midas" e ainda casa com a princesa mais velha, podendo assim arrecadar ainda com o reino e a fortuna do rei…sim, de facto é um bom plano, pena não ser meu.
-Jack, não estamos em alturas de brincadeiras…
-Não é uma brincadeira alteza, é simplesmente lógica! Só uma boa cabeça para planear uma coisa grandiosa como essas, onde parece não haver falha, nem contratempo. Até agora, ele cumpriu metade da sua lista de afazeres pessoais. Só falta mesmo obter a Mão de Midas, casar com a princesa e ficar com o reino.
-Ahhh Droga…
-Estamos perdendo a compostura, Realiza? – Debochou Jack rindo ao ver Perla dizer aquilo.
-Se você tivesse coração, talvez entendesse a aflição que estou sentindo, ao invés de ser irónico comigo! Eu amo demais a minha irmã. E, sinceramente, estou começando a perder as esperanças de a achar… achar… viv…- Ela não conseguiu acabar a frase, deixando uma lágrima grossa escapar.
Jack aproximou-se dela, colocando-lhe uma mão em cima do ombro, o que a acalmou inexplicavelmente. Ela soltou um sorriso recatado, suspirando pausadamente.
-Você está muito nervosa. Vamos até lá fora… – Ela concordou e Jack conduziu-a até ao leme, onde ele observou o horizonte com uma grandiosa luneta.
-Você tem problemas de visão, ou isso é alguma nova moda náutica? – Jack fechou a luneta, fazendo-se de ofendido.
-Muito engraçada a mocinha… – Ele agarrou o leme virando um pouco para a esquerda.
-Jack o que é realmente essa Corte da Irmandade? Eu já ouvi falar, mas nunca sobe bem o que era. – Jack revirou os olhos, guardando a luneta na cintura.
-É uma espécie de reunião feita por nove lordes. A penúltima e magnífica reunião foi feita na altura em que todos os piratas se uniram contra Cutler Beckett, que estava prestes a extinguir a pirataria do mundo. – Ele sorriu marotamente, ao recordar. - É uma história muito complicada, mas aqui vai: – Perla escutava com muita atenção. -…á um ano atrás, eu fui levado para o cofre de Davy Jones…
-Segundo sei, o cofre de Davy Jones era um sítio do eterno descanso dos marinheiros afogados que morrem em pleno mar. Esse cofre, que é um pedaço de ilha é uma espécie de purgatório, paraíso e inferno de quem morre no mar. Nele, as pessoas enfrentam seus medos mais profundos…
-Eu que o diga. – congitou ele lembrando do que se passou lá antes da sua tripulação chegar. – Mas continuando, como a minha tripulação sentiu arh, saudades minhas no sentido figurado da situação, acabou por rumar até Singapura e enfrentar Sao Feng a modos de conseguir as Cartas de Navegação que os conduziria até aos confins do mundo para me resgatar. Savvy?
-Entendi! Quem diria, eu no meu reino cumprindo os meus deveres e vocês vivendo aventuras mirabolantes. Agora só uma pergunta, como foi que conseguiram as Cartas de Navegação?
-Elizabeth do seu jeito inocente lá conseguiu, com a ajuda de Will e da tripulação. A única coisa que aquela mulher sabe fazer é enrolar as pessoas para salvar o Will…Will para aqui, Will para acolá…o pobre do Will, o indefeso do Will… – Resmungava Jack esbracejando no ar seus braços, esquecendo o que estava contando.
-Apesar de tudo, Elizabeth sentiu-se em divida para consigo, e eu imagino o fardo que ela carregou sozinha durante aquele tempo todo. Para ela salvar você, significava que não tinha ficado tão indiferente ao facto de o ter deixado á mercê de um Kraken. Jack, ela arriscou tudo para te salvar e conseguiu…você está aqui, navegando novamente o Pérola Negra, enquanto ela está supostamente em casa, saudosa por causa da ausência do marido… – Jack nunca tinha pensado assim, mas mesmo assim, ele continuava com a sua opinião formada – Pense nisso! – Ela desencostou-se do resguardo do navio e foi até ao convés, sentando-se num barril de rum, apreciando a viagem.
-É, ambos ficamos a perder nessa história… – Murmurou ele baixinho, abanando a cabeça, como quem tenta tirar alguma coisa da cabeça, respondendo por fim -Eles só me vieram buscar porque sem mim não conseguiram reunir a Corte da Irmandade e soltar a Calypso, para derrotar definitivamente Davy Jones e o Cutler Becket. – Berrou Jack, pensando na hipótese que Perla tinha falado.
Ele olhou para a figura imóvel de Perla, pensando no que ela tinha dito. Ela tinha razão, apesar de tudo, Elizabeth tinha entrado naquele maldito rumo para o resgatar, encarando com um montão de problemas. Senão fosse pelo engenho dela, talvez tudo poderia ter tido consequências graves. Mesmo assim, Elizabeth enfrentou tudo aquilo por sua própria culpa…quem mandou ela ter tido aquela atitude pirata? Atitude pirata, mas certa, pois se Elizabeth não tivesse feito o que fez, todos estariam a uma hora dessas no baú de Davy Jones, pois Jack teria fugido do seu destino.
Jack amaldiçoo Perla por tê-lo feito relembrar aquilo, mas ao mesmo tempo agradecia por o ter feito pensar doutra forma. Ela era uma boa garota e Jack estava-se apercebendo disso aos poucos, dando-lhe a oportunidade de se aproximar e de a conhecer melhor. No fundo estava seguindo os conselhos que Gibbs lhe tinha dado, também não custava nada arriscar. O seu maior receio era se apegar novamente a alguém, principalmente se esse alguém o pudesse trair da mesma maneira que tanta gente o traiu e que no fundo ele tinha acabado por perdoar e ajudar.
-A vida dá tantas voltas, e eu estou ficando frouxo demais. – Jack olhou para a sua garrafa de rum e murmurou. – Nós estamos ficando velhos! O que vale é que você é a única que eu confio e a única que nunca me trairá. – Ele deu um gole fundo e continuou seu caminho rumo até Tortuga.
Bom, este é um pequeno resumo do que se passou na vida do Jack Sparrow antes dele chegar aportar no Cais de Siracusa e encontrar Perla. Não podia deixar de falar na fonte da Juventude, já que possivelmente será tema dum futuro filme dos piratas do Caribe
Gente eu vou ficar por aqui e vou mesmo me deitar antes que tombe frente ao teclado rsrs…quero agradecer de coração as reviews que me têm mandado… Roxane, Jane, Fini Felton, Ieda, Dorinha, Bruno, Likha Sparrow, obrigada gente, sério…não sabem quanto eu fico feliz ao receber vossas opiniões.
O próximo capítulo se intitulará por "Capitão, a princesa sumiu!" que está sendo feito.
Bjokas grande e Fikem bem.
Taty Black
