Capitulo 6 – Capitão, a princesa sumiu!
Já se fazia uma bela noite, onde os reflexos da lua embatiam no mar sereno, e o caminho estava calmo… calmo demais para desconfiança de Jack que observava o caminho com a sua luneta. Ele estava inquieto e, mesmo Perla, já havia notado isso desde que tinha saído da sua beira.
-Jack, que aquietação é essa? – questionou Gibbs levando o seu cantil aos lábios.
-Nada, coisas minhas! – Ele olhou para Perla com um sorriso maroto, que tratou logo de desviar o seu olhar de Jack.
-Está certo! – Ao aperceber-se da atenção do capitão, Gibbs segredou-lhe: – Jack, se a gente for enfrentar perigos, será que ela está preparada? Quer dizer, será que ela tem agilidade com espadas ou com outro qualquer tipo de arma?
-Com punhais, tenho a certeza que sim, – Jack fazendo uma pequena referência às portas do porão, tombada anteriormente no chão, logo no primeiro dia de Perla no navio. Com a sobrancelha empinada, ele deslocou-se até ela, esbracejando – Perla amor, você sabe usar pistolas ou lutar com espadas?
-Com pistolas eu sei, agora com espadas não muito bem. Eu aprendi quando era pequena, mas meu pai achou melhor eu desistir quando meu tutor me feriu no braço. – Explicou ela vendo Jack revirar os olhos.
-Mulheres, sempre com frescura. É por isso que eu digo: navio não é sítio para mulher, você sabe, não têm estômago suficiente para certas coisas. – Resmungou Jack levando as mãos ao ar, para espanto de Perla.
-Não seja machista senhor Sparrow. Um navio foi feito para quem o conseguir domar, e nós mulheres conseguimos fazer muita coisa que vocês homens não conseguem…
-Sim, como limpar o convés, cozinhar, descascar batatas… – Jack ia contando pelos dedos. – Estou me esquecendo de alguma coisa…-divagou para si mesmo, calando-se ao vê-la colocar-se á sua frente.
-Se é assim tão fácil, porque não me ensina a lutar com espadas? Assim eu lhe ensino a descascar batatas, ou, quem sabe, limpar um convés. – Jack ficou sem fala ao ouvir aquilo, enquanto a tripulação ria – E só me darem uma espada.
-Sim claro, como se eu te fosse dar uma espada… – Jack viu de imediato cada um dos seus homens oferecer suas espadas.
-Obrigada, senhor Pintel. – agradeceu Perla ao escolher a espada dele, deixando-a cair por causa do peso.
-Minha nossa! – gracejou Jack, rindo. -Nem numa espada sabe pegar – Jack revirou os olhos
-Experimente pegar um peso desses e depois diga-me alguma coisa. – Ela lá levantou a espada ate á cintura.
-Fique sabendo que isto vai lhe custar outro diamante! Não estava incluído no pack de viagem, aulas de espadachim – ele chegou perto dela e, colocando-se atrás da garota, puxou-a contra si, fazendo-a sentir o peito dele nas suas costas.
-Isto é mesmo…necessário? – indagou Perla, sentindo-se suas faces corarem violentamente.
-Aye, não me diga que está á espera que eu lhe ensine tudo por telepatia? Agora, fique quieta e deixe-se guiar por mim, se me permitir claro. – Jack agarrou o braço direito dela e elevou-o juntamente com a espada, ficando á medida do peito dela. Perla podia sentir a respiração de Jack no seu ouvido, visto que este estava com o queixo quase pousado no seu ombro. – Uma coisa muito importante é o posicionamento dos pés. – Com o pé esquerdo, Jack arrastou o pé esquerdo dela para a frente.
-Assim está bom? – averiguou ela, olhando um pouco de lado para Jack, onde viu os seus olhos negros fitarem-na de soslaio.
-Óptimo! – Jack segurou a mão esquerda dela. – Agora dê leves golpes com a espada sobre o ar, como se á sua frente estivesse um adversário.
Perla achou difícil ao princípio, mas com prática ela seguiu a série que Jack estava ajudando a fazer, até conseguir sozinha manejar a espada. Ela sorria timidamente ao ver aqueles dois olhos negros colarem em cada movimento insignificante que ela fazia. E quando Perla fazia algo errado, ele pegava na sua mão e olhava-a tão perto que Perla perdia toda a sua concentração, ou o resto que tinha.
-Eu acho que Jack está brincando com o fogo. – proferiu Barbossa para Gibbs, que assistiam a aula atentamente.
-Porquê? Ele só está a ensinar a moça a se defender para possíveis ataques.
-E já viu algum mestre mais empenhado em pegar praticamente em todas as partes do corpo da aprendiza, menos naquelas que realmente necessitam ser usadas.
-Você está exagerando Barbossa, Jack sabe o que está fazendo. – rebateu Gibbs analisando bem a situação, enquanto Barbossa rodava os olhos á sua maneira.
-Desde que o capitão não caia no erro de ter uma apaixoneta pela princesa e deite tudo a perder, por mim, ele até pode dançar nu á chuva. – Barbossa saiu da beira dele, descendo as escadas da escotilha.
-E eu só espero que Jack caia em si, o que vai ser muito difícil, e desista logo desse maldito plano. - Murmurou Gibbs cruzando os braços.
-Agora que já sabe basicamente manejar a espada correctamente, você vai duelar comigo, como se eu fosse seu inimigo…
-E não é, senhor Sparrow? – Ele quase nem teve tempo de desembainhar a sua espada, pois Perla não perdera tempo em o atacar.
-Literalmente amor, não! Talvez possa vir a ser um, quem sabe, um dia mais tarde. – Disse num tom debochado, defendendo-se de cada golpe desajeitado dela. Perla ia decorando os passos ou gestos que o capitão dava, como se fosse uma coreografia. – Agora vamos a outro exercício prático, só para ver se você ainda se recorda. Só um instante…
Num murmúrio, Jack falou algo a Ragetti, que correu logo para o porão. Passado alguns segundos, ele voltou com uma garrafa de rum vazia, que colocou logo sobre um dos barris. Jack, contrafeito, emprestou a sua arma a Perla que a analisou a cada pormenor até chegar a uma conclusão.
-Estou a ver o que quer. Pois fique sabendo, senhor Sparrow, que eu sou a melhor atiradora que você já viu.
-Não me faça rir amor! Mulher só tem jeito com faca quando é para descascar batata. Mas força, estou esperando. – Concluiu ele com os braços cruzados.
Indignada com tamanho rebaixamento, Perla deu duas passadas para a frente, erguendo a pistola até a garrafa ficar na sua mira. Olhando para Jack, ela carregou no gatilho. A bala acertou em cheio a garrafa, desfazendo-a em pequenos pedacinhos verdes no chão. Jack abriu ligeiramente a boca toda ao ver como ela era hábil com a pistola. Perla tratou de devolver a arma, colocando a mão na cintura, fitando-o com um ar provocador.
-Satisfeito, capitão? – desfrutou ela, arqueando a sobrancelha num tom irónico, com um belo sorriso exposto nos lábios.
-Ela está mais do que preparada, caro Gibbs. – Murmurou Jack em segredo, ainda de olhos arregalados.
-Capitão estão se aproximando vários navios, e um vem com a bandeira Real de Siracusa.
-Eles vieram-me buscar, eles querem-me levar. – Jack e Perla trocaram olhares. – Eu não posso ir!
-Aquiete aí o seu nervosismo, ninguém vai se aperceber que a Princesa de Siracusa está aqui. – Jack tirou o seu chapéu e colocou na cabeça da garota, para olhar embasbacado de todos, que pararam de fazer o que estavam a fazer. – O que é, nunca viram? Espero que não falem nada sobre a princesa, se não estaremos todos ferrados, Savvy? – A tripulação concordou, voltando à sua actividade.
Todos viram, agitadamente, os navios oponentes aproximarem-se velozmente, para desespero de Perla, que tremia só de pensar que poderia ser descoberta. Com esse pensamento, Perla lembrou-se do anel que Alessandro havia lhe oferecido, tirando-o rapidamente para o guardar no bolso. Quando um dos navios tinha finalmente cruzado com o Pérola Negra, eles estenderam uma tábua para fazer ligação entre os navios, e assim pudessem passar para o navio adversário. Alessandro foi dos primeiros a calcar a madeira negra do Pérola, seguido de Black Dog e seus guardas.
-Piratas! – Murmurou Alessandro para os seus guardas, olhando à sua volta.
-Black Dog, jovem como sempre! – Gracejou Jack, com seus trejeitos. -O que faz um pirata no meio de tantos guardas? Foi finalmente capturado? – ironizou Jack vendo Silver furioso e Alessandro olhá-lo de lado.
-Isso não é da sua conta pirata sarnento…- rosnou Silver entre dentes.
-Nós viemos aqui em busca da princesa Perla Neblon, que desapareceu. Achamos que foi raptada. Tenho aqui uma autorização para vasculhar todos os navios que encontrar. Caso não colaborem com a Marinha Real, será o mesmo que assumirem um comprovativo de culpa – Disse Alessandro mostrando a carta do rei.
-Esteja á vontade Comodoro! Faça de conta que está no seu navio. – Jack fez uma reverência teatral e o comodoro deu ordem para que seus guardas vasculharem o navio, seguindo eles.
-A Capitã e Rainha Turner encontra-se bem? – Perguntou Silver vendo o sorriso cínico de Jack desaparecer.
-Aye! Pelo que sei, está mortinha por lhe colocar a mão em si, tal como a Corte da Irmandade. Por isso, vá aproveitando bem a sua liberdade… – retrucou Barbossa aproximando-se com uma pose robusta.
-Engraçado – Ele deu duas passadas em frente. - Não estou vendo a Corte da Irmandade aqui. – Ele olhou para todos os lados. – Só dois membros patetas com uma fraca tripulação. – Silver agarrou o pescoço de Jack, fazendo Perla ficar de alerta e Barbossa colocar a mão no cabo da espada. – Avise a Corte que só me apanharam no dia em que criarem uma tripulação que iguale a minha. – Gargalhou Silver, enquanto Perla olhava-o com profundo ódio.
-Intencionalmente, eu não estarei com eles tão cedo, mas pode sempre lhes dar o recado pessoalmente, basta ir até á Baia do Naufrago. – Jack deu um encontrão a Silver que cerrou o punho.
Os três calaram-se imediatamente quando viram Alessandro vir da escotilha. Sua insatisfação estava exposta no rosto, não conseguindo disfarçar o seu desgosto de não ter achado uma pista de sua amada. Já Perla continuava concentrada naqueles três, esperando o próximo passo de Black Dog contra quem quer que fosse. Ela nunca tinha sentido ódio por ninguém e aquele sentimento estava se tornando obvio até mesmo para quem estava de fora. Alessandro ficou atento com o olhar perturbado do marujo e, mesmo debaixo do manto escuro da noite, resolveu aproximar-se lentamente. Ao perceber que o olhar do Comodoro tinha caído sobre ela, Perla oscilou ligeiramente, desviando o olhar. Alex continuou a se aproximar, agora com passadas largas, mas Jack colocou-se em frente do comodoro, a modos de evitar que ele chegasse perto da garota.
-Já agora a princesa fugiu porquê? Foi raptada? Ou foi atrás de algum namorado misterioso?
-Respeito Sparrow, ela é minha noiva, não admito brincadeiras dessas. – Jack calou-se subitamente ao ouvir aquilo, olhando de relance para Perla, que baixou a cabeça ligeiramente.
-Capitão, capitão Jack Sparrow, Savvy? – corrigiu Jack, desviando novamente seu olhar para o comodoro.
-Comodoro Ramirez, não encontramos nenhuma pista da princesa aqui! – Informou um dos guardas saindo do porão
-Droga! – Murmurou ele fazendo uma expressão triste
-Comodoro, já que não achou a princesa, você poderia prender o capitão mais procurado do Caribe, ganharia uma enorme recompensa com isso.
-Você endoidou Lord Silver? Tenho coisas mais importantes com que me preocupar, como achar a Princesa. Você acha que eu me iria preocupar com um capitão que não tem mais nada do que fazer, senão brincar de pirata? – Jack juntou as duas mãos e agradeceu a Alessandro que continuava com o seu aspecto formal – Guardas retirar. Capitão Sparrow, mais uma vez, muito obrigado por ter colaborado.
-De nada, sempre as ordens, Comodoro. – Eles apertaram a mão e Alessandro dirigiu-se para o navio, juntamente com Silver que o olhou com raiva.
Perla viu o navio de Alessandro se despregar do Pérola Negra e colocou novamente o anel, soltando um suspiro que estava preso na sua garganta. Ela correu até ao Castelo de Popa, praticamente no tombadilho, e viu o navio do seu noivo se afastar. Sentindo a brisa fresca sobre seu rosto, ela suspirou.
-Ele sempre me disse que faria qualquer coisa por mim, mas nunca pensei que ele seria louco a este ponto. – Jack subiu as escadas apressadamente e foi ao encontro dela. Bruscamente, virou-a para si, pegando na mão direita dela para apreciar o anel de compromisso.
-Porque não me disse que estava noiva? – indagou Jack vendo Perla baixar a cabeça em direcção ao anel.
-Sabe porquê? Porque você nunca demonstrou interesse em saber nada da minha vida – Ela ergueu o olhar de relance para Jack, com uma expressão indignada. -Apesar do meu casamento ter sido interrompido por causa dos planos desse Lord, eu nunca me senti à vontade de te contar isso. E, quando me viu pela primeira vez, não me viu vestida de noiva? Não me diga que pensava que aquilo era moda em Siracusa?
-Por acaso pensei! – Rebateu ele vendo ela revirar os olhos ao tirar o chapéu dele e colocar-lhe na cabeça.
"Porque só calham no meu navio, mulheres comprometidas?" Jack olhou de uma forma estranha para ela.
-Não me olhe assim! – Ela suspirou. – Se eu te tivesse contado isso mais cedo, teria mudar alguma coisa Jack? Você ter-me-ia deixado naquele porto, negando-me ajuda? – Ele continuou calado, observando-a - Jack, acredite que neste momento a minha maior prioridade é a minha irmã, apesar dele correr riscos ao navegar com o Lord Silver…- Disse ela de um modo claramente, num tom quase rouco.
Jack não soube praticamente o que dizer. Podia simplesmente sair daquela situação com os seus gracejos, mas, ao invés disso, ele foi-se aproximando mais dela. Ao sentir que Jack estava demasiado próximo do seu rosto, Perla fechou inconscientemente os olhos e suspirou, enquanto Jack fitava atentamente a sua boca, vendo-a morder o lábio inferior. Tentado a beijá-la, ele parou até vê-la abrir os olhos, observando-o.
-…Agora com licença, senhor Sparrow. – Ela olhou uma última vez para ele e crispou os lábios.
Perla desceu as escadas que davam para o convés superior e sentou-se no último degrau, enterrando o rosto nas suas mãos. Lá em cima, Jack pensava no que se tinha passado e no que queria ter feito ao ver os lábios dela tão próximos dos seus. Um pensamento apoderou-se da cabeça dele: estava ficando louco, só podia.
Ao ver a jovem sentada nas escadas, com um ar desamparado, Gibbs foi ter até ela, sentando-se ao seu lado.
-É servida? – Gibbs ofereceu-lhe uma garrafa de rum. Perla olhou para a ela e aceitou de imediato.
-Roubar e beber, sem nada devolver…-murmurou ela dando um gole longo, sentindo sua garganta arder.
-Como sabe isso, alteza? – Perguntou Gibbs abismado.
-Oras, chame-me só Perla. – Gibbs anuiu, com um sorriso. – Minha mãe contava-me histórias e me ensinava canções sobre piratas, por isso sei tudo o que posso saber sobre eles. Ela fez-me ganhar uma grande estima por eles, apesar da fama que têm. – Ela deu outro gole, olhando para o vazio.
-Mas seu noivo é comodoro…
-Ele sempre soube do meu sonho, de querer seguir as pegadas da minha mãe. – Ela fez uma pausa tentando procurar as palavras certas. - Meu pai também se apaixonou por uma pirata, por isso nasci com esta garra de querer viver no mar… – Gibbs podia notar num certo brilho no olhar dela, o que o fez baixar o olhar, rodando o cantil por entre os dedos – Sim, minha mãe era pirata! Noutras épocas, ela tentou saquear o navio Real de Siracusa, mas não foi bem sucedida. Foi capturada e levada para Siracusa sobre o critério de ser julgada lá. Mal a viu, meu pai caiu de encantos pela jovem pirata e fez um acordo com ela: não a condenava á forca, caso ela casasse com ele, abdicando assim a vida de pirata.
-Pelos vistos sua mãe aceitou a proposta do rei! – Disse num tom mordaz, o que fez Perla olhá-lo de forma curiosa, mas resolveu continuar sua narrativa.
-Mas não aguentou muito tempo trancada num palácio e…-Uma expressão de tristeza ocupou o rosto de Perla. – Em antes da suposta fuga dela, minha mãe me deu este colar. – Ela puxou a cruz que mantinha dependurada no seu peito, mostrando-lhe Gibbs. – Dizendo que ele abriria as portas do maior tesouro de sempre. Depois disso, ela tentou fugir. Não aguentando a humilhação, meu pai mandou-a capturar, mas as coisas não correram bem e eles acabaram por matá-la com um tiro.
-Interessante. – Murmurou alguém atrás deles. – Muito interessante! Então foi assim que mataram Deanne Bonny. Sempre pensei que nunca conseguissem apanhá-la. Ela era perita em disfarces e fugas…
-Então você sempre conheceu minha mãe! – arrematou Perla, levantando-se indignada. Gibbs afastou-se sem nada dizer ao ver que, supostamente, iria haver outra discussão entre os dois.
-Sendo a mãe dela Anne Bonny, de certo Deanne se tornaria na melhor pirata que alguma vez vi. Muitas mulheres tentaram chegar aos calcanhares dela, mas nunca conseguiram! – Ela sorriu com orgulho, ao ouvir aquilo. – Agora o que me espanta, é o facto de você saber que foi o querido pai, o suposto causador da morte de sua mãe e, mesmo assim, você ainda o quer ajudar!
-Eu estou ajudando minha irmã! – Frisou ela apontando o dedo indicador no peito de Jack.
-Bem que sua mãe me disse uma vez que queria que você fosse igual a ela! Nas feições, vocês são parecidas, agora no senso de justiça, vai um longo espaço…-Perla baixou a cabeça, vencida.
-Eu sou mesmo uma fraca! – Sussurrou ela deixando escapar uma lágrima. Jack levantou a cabeça dela ao encontro de seus olhos negro.
-Você arriscou o bastante. Pôs-se num navio pirata sem saber se a iríamos ajudar e está se saindo bem como pirata. Sua mãe iria se orgulhar da filha que tem. – retrucou num tom franco, tocando de leve no nariz dela. – Tem é de deixar seu pai resolver os problemas dele e só se preocupar com sua irmã. Lembre-se: foi seu pai o causador da morte da sua mãe.
-Tem razão! – Perla sorriu, bebendo outro gole de rum.
-Desde quando a mocinha bebe? – indagou ele de sobrancelha empinada.
-Desde que descobri que não há aqui ninguém da realeza para eu impressionar, muito menos manter as aparências. Um brinde Jack…- gesticulando os seus dedos no ar, ele olhou á sua volta e roubou a garrafa a Ragetti. - …á liberdade
-Á liberdade, amor. – As duas garrafas tocaram-se e Perla sentou-se outra vez – E ao Pérola Negra.
-Ao Pérola Negra que, quando você reaver minhas cartas de Navegação, passará novamente para meu comando, bom não se esquecer disso. – rebateu Barbossa dando um amendoim ao macaco.
-Meros detalhes, caro Barbossa! – Contestou Jack descontraidamente, rodando a mão.
-Porquê que Jack está querendo pôr a garota contra o pai? – perguntou Gibbs bebendo, enquanto pensava naquela hipótese.
-Não sei! Existe pirata mais confuso que esse aí? – respondeu Barbossa cruzando os braços ao analisá-lo atentamente, enquanto Gibbs soltava um sorriso misterioso.
-Vamos dançar, capitão? – Sugeriu ela vendo Jack erguer a sobrancelha com tal proposta.
-Perla, amor… - pigarreou ele, com a mao fechada sobre a boca. – lamento informar, mas não há música nem animação para tais emoções…
-Que não seja esse o problema, vamos animá-lo então. Ragetti, Pintel, Marty, Mullroy e Murtogg façam a festa, a noite ainda é uma criança. – Ela correu até eles tentando-os puxar para o centro do navio.
-Ela está claramente bêbeda, Jack - Comentou Gibbs aproximando-se dele - não acha melhor pô-la a dormir?
-Deixe-a divertir-se, Gibbs. Não é todos os dias que vemos um membro da realeza cair de bêbedo. – Jack observou a situação e riu cinico. – Confesso que é bem engraçado…
Depois de ter conseguido arranjado um pouco de melodia, ouvindo os piratas cantarem aquela música que sua mãe cantava na época em que Perla era criança, ela dançou e cantou ao mesmo tempo, enquanto a garrafa de rum permanecia na mão.
-Yo ho, yo ho, a pirate's life for me / We pillage, we plunder, we rifle, and loot / Drink up, me 'earties, yo ho / We kidnap and ravage and don't give a hoot / Drink up me 'earties, yo ho…
-Eu adoro esta música. – Confessou Perla sorrindo ao chegar perto de Jack – Venha dançar capitão.
-Vá capitão, aliás, não há mal algum acompanhar uma dama numa dança. – Aconselhou Gibbs estimulando-o
-Vou mais logo amor, estou só esclarecendo uns pontos aqui com o nosso caro amigo Gibbs. – Disse Jack lançando um olhar matador a Gibbs, que o devolveu com um sorriso forçado.
Jack viu-a a se afastar, começando a dançar animadamente ao som da música desafinada que os piratas cantavam. Ao vê-la assim, alegre e feliz depois de um dia como este, ou possivelmente sobre o efeito do álcool, Jack lançou um sorriso enigmático. De soslaio, Gibbs apreciava-o divertido, enquanto Jack baixava o olhar para a garrafa de rum, rodando-a entre os dedos, mas logo voltou a erguê-la. Seus olhos prenderam-se novamente sobre as feições da princesa, mas desta vez ela a fitava-a com carinho, coisa que Gibbs já não via a algum tempo.
-Ela é uma bela moça, Jack!
-Sim, de facto é! Parecida com a mãe… – Jack estava encostado ao corrimão da escada e coçou a cabeça desajeitadamente – Mas não é a beleza dela que me vai fazer desistir desse objecto, se é que me entende.
-Será que não Jack? Nem pela memória da Deanne Bonny, que ficaria extremamente decepcionada se descobrisse que o seu amigo anda tramando a sua filha? – O capitão levou o dedo ao queixo de modo pensativo, até abrir ligeiramente sua boca.
-Vá rogar pragas á sua avó. Além do mais, Deanne já morreu á muito tempo e, pelo que sei, os mortos não cobram dividas, – Jack afastou-se, mas no meio do caminho, rodou os seus calcanhares, voltando. – Ou arhm alguns, se você me entende… – e foi então dançar com Perla.
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De manha quando Perla acordou, ficou surpresa ao reparar que estava na cama de Jack. Atordoada, olhou para debaixo dos lençóis, apercebendo-se que estava vestida, o que a fez suspirar aliviada. A dor de cabeça, resultante da bebida, impedia de se recordar do que tinha acontecido ontem para parar na cabine do capitão. Rapidamente ela tratou de se levantar, olhando para o espelho, a modos de arranjar o seu cabelo sobre a bandana. De seguida, calçou as suas botas á pressa e tratou de ir á procura do capitão.
-Finalmente acordou, preguiçosa! Pensei que vossa alteza estivesse dormindo a sesta Real …
-O que eu estava fazendo em seus aposentos? – indagou Perla, confusa. - Eu não me lembro de nada! – Queixou-se ela levando as mãos à cabeça.
- Isso amor, foi de ter bebido feito uma condenada. E, como se não bastasse, na hora em que eu me fui retirar, você insistiu em me levar aos meus aposentos com medo que eu me perdesse no meu próprio navio. Lá dentro, você acabou por tombar na minha cama. – E com tom de sarcasmo continuou: - Uma maneira, deveras muito simpática, que você arranjou só para dormir com minha pessoa. – Ele sorriu ao vê-la arregalar os olhos. - Como fui um nobre cavalheiro, deixei você dormir e estendi a rede.
-Pela virgem de Guadalupe, diga-me que não fiz isso! – Jack sorriu debochado ao vê-la completamente envergonhada. – Ai que vergonha.
-Considere a festinha de ontem uma despedida de solteiro oferecida pela tripulação. Não houve foi mulheres nuas em consideração a você, darling – retrucou Jack apontando seu dedo indicador para ela.
-Obrigada capitão, prometo lembrar-me disso na hora de dizer "sim" no altar…
-E você o ama? – intercalou Jack descaradamente, vendo-a ficar surpreendida.
-Desculpe?
-Estou a perguntar se você o ama? – Insistiu ele continuando a vê-la surpresa com a pergunta.
-Creio não ter bebido rum suficiente para permitir este tipo de conversa…
-É muito simples a resposta, é sim, não ou, quem sabe, talvez. – Perla ficou pensativa ao olhar para Jack.
-Eu…eu…eu não o amo se isso lhe diz respeito. Meu casamento foi arranjado, como maioria de todos os casamentos da realeza. – Ela emudeceu, pensativa. Ambos ficaram em silêncio até ele a encarar.
-O que você está pensando? - Jack apercebeu-se que Perla estava pensativa, enquanto mexia no seu anel.
-Estava pensando nele. – Jack revirou os olhos observando-a a rodar o anel no dedo.
-E diz você que não o ama. Está na cara, você está perdidamente apaixonada por ele…
-Creio, senhor Sparrow, que nada saiba sobre os meus sentimentos. – retorquiu Perla vendo-o esticar-lhe a mão com uma garrafa de rum. – Nós crescemos juntos e desde muito pequenos que estamos comprometidos. Tinha-mos os nossos segredos, códigos, mas ele sempre foi como um irmão para mim, e sempre confiou em mim, ao ponto de me dizer que era capaz de dar a vida para meu bem.
-Aôhh, o cara está mesmo apaixonado... – Perla deu um longo gole e devolveu a garrafa a Jack. Este aproximou-a do rosto, vendo-a quase vazia e, de volta, olhou para Perla com a sobrancelha erguida e boca aberta. –… e você entrando num estado de desespero só visto.
-Sabe que mais, você é o pior conselheiro amoroso que eu já vi em toda a minha vida. – Disse ela roubando a garrafa das mãos de Jack
-E você a pior princesa que eu já vi até agora, amor… – Disse ele sorrindo cinicamente
-Onde você está a ver essa princesa, querido? Eu prometo que, quando vir uma, eu lhe darei o seu recado…
-Folgada demais para o meu gosto, mas com um grande sentido de liberdade. – Murmurava Jack sozinho, vendo-a afastar-se com a SUA garrafa de rum e sentar-se nas escadas. – Tenho de trancar todo o rum e esconder a chaves, antes que ela lhe ponha a boca. Está se habituando por demais…
-Capitão, estamos chegando a Tortuga! – Comentou Ragetti apontando para a ilha.
-Óptimo! Tripulação já sabem o que fazer…tratem de atracar.
O navio atracou por fim, no cais quase lotado de Tortuga, que estava recheado de variados navios. Ao ver o navio aportar, Jack lembrou-se do casco que tinha sido quebrado naquela maldita tempestade
-Tentem dar um retoque no casco, que uma certa lady estragou
-Ora, ainda essa história! Jack isso trata-se. – Perla viu-o acariciar o navio, como um acaricia uma criança. – Basta um pouco de seiva e...
-Quando eu quiser um conselho seu, eu peço!
-Grosso! – Murmurou Perla preparando-se para sair do navio.
-Espere, ao menos leve alguém para … – Marty, Ragetti, Pintel Mullroy e Murtogg estavam se oferecendo para a guiarem em Tortuga – … não se perder!
-Muito obrigada senhores, fico contente por saber que ainda há pessoas com boas maneiras. – Concluiu ela sorrindo de desdém para Jack.
-Agora é que ela vai ficar insuportável.
-Jack ela…
-Ahh não Gibbs, não vai tomar o partido da P.E.A., pois não?
-Só ia dizer que Perla está conquistando toda a tripulação! Só achei estranho ela ainda não ter conseguido conquistar o capitão, ou será que já o conquistou?
-Vá ver se eu estou na esquina, vá. – Completou Jack revirando os olhos.
-Não são normais essas vossas súbitas discussões…
-Já acabou? – Interrompeu Jack vendo Gibbs dar ombros. – Óptimo, assim vou aproveitar para achar seiva e tratar o meu navio, antes que as minhas nobres mãos cometam um Gibbscídio!
Gibbs ficou no navio, enquanto Jack caminhava apressadamente, para algures que Gibbs tão bem sabia. De certo iria ter com Giselle e Scarlett ao habitual bar que ele tanto adorava.
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Perla andava na companhia daqueles cinco homens. Estava finalmente em Tortuga! O lugar que tanto a sua mãe havia falado nas suas histórias. Realmente aquilo era uma espécie de fim de mundo, onde as pessoas faziam tudo o que queriam sem se importar com ninguém, andavam á porrada por um mero rastilho de pólvora e mulheres da vida oferecendo os seus encantos a quem quisesse. Aquele mundo era novo para ela, onde Perla via coisas que nunca tinha imaginado, nem mesmo quando ouvia sua mãe.
O passeio começou a ficar chato quando começou a ouvir Mullroy e Murtogg discutirem por causa de algo que ela não estava nem aí. Vendo que eles tinham parado em frente á porta de uma taberna para discutir, Perla aproveitou a distracção e correu para se afastar deles e se perder na multidão para não a acharem.
-A princesa? – Perguntou Ragetti olhando de um lado para o outro.
-Eu não estou vendo nada parecido com uma princesa, no meio desta porção de gente á minha volta. – Marty dava pinotes.
-Drogas, perdemos a princesa! Conheço alguém que nos vai arrancar as cabeças a sangue frio, se aparecermos sem ela. – Comentou Pintel volteando a sua cabeça.
-Vê, a culpa é sua... – Começou Murtogg dando um encontrão a Mullroy.
-Não a culpa é sua, você é que disse que Tortuga era lugar de bêbedo, eu apenas rebati, dizendo que não é só de bêbedo…
-Não está vendo gente bêbeda por todo o lado?
-Ora isso aí é outro….
-Vocês são capazes de parar com essas patetices, por um minuto? A princesa sumiu, por isso, vamos procurá-la, antes que o capitão descubra. – Disse Pintel andando para a frente.
-Eu achava preferível o capitão saber primeiro. – Quatro cabeças incrédulas manearam-se em direcção a Ragetti, que soltou um sorriso estúpido, ao acenar com a mão para eles.
-No dia em que a sua opinião contar par alguma coisa, aí sim, você terá a liberdade de opinar. – rebateu Pintel, revirando os olhos. – Agora vamos.
No bar ali perto, Jack dirigia-se descontraidamente até ao balcão para pedir um copo de rum. Lá, num canto encontravam-se duas pessoas que ele tão bem conhecia. Com um sorriso maroto ele moveu-se até elas.
-Scarlett, Giselle. – Ele dirigiu-se para elas de braços abertos, vendo-as aproximarem-se.
-Olhe quem é ele! – Giselle deu-lhe um tapa na cara. - Com que então você me mentiu…
-Com que então você não me ama…
-E acha-me gorda…
-E nunca foi a Bruxelas…
-CALMAAA AQUI NO PALHEIRO. – Berrou Jack farto de levar tabefes, continuando a ver elas de mãos no ar. – Percebam queridas, eu estava meio desorientado pelo meu navio ter desaparecido novamente, e acabei por descarregar em cima de vocês, minhas beldades. – Ele soltou um sorriso pelo canto da boca mostrando seus dentes de ouro, ao tempo que elas baixaram as mãos e as colocavam na cintura.
-Vendo os factos dessa maneira, Jack Sparrow, nós te daremos uma vigésima segunda oportunidade, – Jack juntou as mãos e começou a abaná-las em forma de agradecimento. – Então capitão, em que podemos ser úteis?
-Vocês sabem belezas, o que um pirata carece. – Elas sorriram uma para a outra e aproximaram-se dele, começando por fazer-lhe carícias no rosto.
-Capitão, capitão… – um grupo de cinco homens entrou na taberna.
-Bugger, mas o que se passa? O mundo vai se acabar é? Se é isso, deixem-me aproveitar bem os últimos minutos que tenho e beber o restante Rum. – Jack pegou na caneca que estava em cima do balcão.
-Capitão a princesa sumiu… – Jack expeliu todo o rum que tinha bebido.
-O quê? Será assim tão difícil cinco homens tomarem conta de uma criatura como ela? Foi vos pedida uma tarefa minimamente simples, e nem isso vocês conseguem fazer? – Eles entreolharam-se. – Vamos procurá-la. – Jack virou-se para as duas com um ar de pesar. – Minhas beldades do Oriente, infelizmente o dever me chama, lamento imenso. - Ele fez cara de cachorro abandonado. - Eu prometo não me esquecer de vocês…
-Com que então uma princesa, seu safado. – Scarlett puxou bem a mão atrás, dando-lhe um último estalo bem dado, fazendo Jack dobrar o rosto todo.
-É, essa eu acho que mereci. – Murmurou Jack pensativo, olhando para Pintel. – Vamos então procurar essa mocinha, antes que ela se ponha em confusão
Oiii
Bom o capítulo ficou um pouco grandinho, mas é para vos recompensar do meu grande atraso. Agora que a escola começou, eu estou tentando reorganizar os horários de estudo e o tempo que tenho para escrever e ler as fics que estou seguindo. Está um pouco confuso, mas estou me desenrascando bem rs.
Quando ao capítulo, confesso que não gostei muito por ser um pouco monótono, mas foi isto que minha cabeça cansada conseguiu produzir nesta ultima semana, espero sinceramente que gostem.
Quando ao P.E.A. significa Princesa em apuros e um Gibbscídio é aquilo que retrata um homicídio á pessoa em questão, fazendo uma espécie de brincadeira com a junção do nome da pessoa e a palavra homicídio.
Bom quero, como sempre, agradecer de coração as fantásticas Reviews que me têm mandado, são elas que me têm dado força para ter um espacinho de tempo e continuar escrevendo, por isso, o meu obrigada á Roxane Norris, Ieda, Jane, Likha Sparrow, Bruno, Dorinha Pamella, Fini Felton. Peço novamente desculpa por não vos responder ás vossas Reviews
Próximo capitulo… "Encontros em Tortuga", por isso até ao próximo capitulo
Bjokas grandes e fikem bem
Taty Black
