Capitulo 7 – Encontros em Tortuga!
Perla caminhava livremente pelas ruelas apertadas de Tortuga, sempre olhando para trás, para se certificar que nenhum dos cinco piratas, que a acompanhavam até bem pouco tempo, viria atrás de si. Aquelas ruelas deram lugar a um mercado escuro onde as pessoas, mal-encaradas e sujas, mantinham um olhar sólido por todo o lado, em género de desconfiança. Pela ligeira movimentação lá designada, dava para notar que tinha sido dia de entrega de especiarias e os mercadores estavam repondo os seus stocks quase esgotados.
Perla atravessou-o com a maior das dificuldades, levando empurrões das pessoas que estavam claramente bêbedas e, assustada, Perla encarava o rosto das pessoas que lhe retribuíam um olhar árduo, como se ela fosse um ser anormal, algo diferente daquilo que estavam habituados a ver. Continuando com os seus passos firmes, Perla acelerou então mais o passo e apressou-se a sair dali, dando finalmente até á saída do mercado.
Perla inspirou com alguma dificuldade aquele ar mal cheiroso, e logo depois, expirou-o pausadamente. Olhando à sua volta, reparou que ali perto havia uma taverna bem iluminada, que por sinal parecia ser sossegada. De lá saiu um homem bem aparentado. Ela tentou focar a sua visão para observar melhor o tal homem que não lhe era desconhecido e, naquele momento, seu coração pareceu parar ao se perceber de quem era ele.
-Alessandro? – Perla viu-o despedir-se gentilmente de uns homens na porta, reparando que Alex não estava na deplorável companhia de Silver ou de seus guardas.
Rapidamente ela encostou-se a uma casa ali perto, observando-o cuidadosamente, enquanto pensava na hipótese de ir ou não ter com ele e contar-lhe tudo o que se passava, visto que Alex estava sozinho. Na sua cabeça passou-lhe também a hipótese de deixá-lo partir novamente, como se nunca o tivesse visto ali. Naquela hora percorreu-lhe um enorme receio de lhe contar tudo, e que Alessandro não fosse compreender os motivos pelos quais a levaram a sair de Siracusa sem ao menos deixar uma carta. Mas o receio maior era dele a levar dali para fora, de retorno para aquele maldito palácio. Mas ao mesmo tempo, ela lembrou-se que Alessandro sempre a tinha ajudado a fazer as maiores loucuras, então porquê que não a ajudaria em mais uma das suas maluquices? Além do mais, ele estava correndo perigo navegando com Silver, fosse ele querer matá-lo quando lhe desse na cabeça.
Seus pensamentos recaíram então sobre Jack! Não o podia deixar. Não agora que estava conseguindo aquilo que ela tanto precisava: de uma possível ajuda, fiável de preferência, e ao mesmo tempo a vida que ela sempre sonhou. Já para não falar que estava sendo uma experiência única navegar com Jack a seu lado.
Abanando a cabeça num acto de encorajar sua pessoas, Perla tomou então a atitude que achava certa. Saindo do meio da escuridão que aquela esquina da casa lhe proporcionava, resolveu então passar discretamente por Alessandro de cabeça baixa. Ele, que fitava o chão, olhou de relance para cima e deparou-se com aquele vulto mesmo á sua frente. Observou-o atentamente, tendo a impressão que conhecia aquele marujo de algum lado, talvez…
-Do Pérola Negra! Ei marujo? – Perla olhou-o através da sombra da aba do chapéu que tinha roubado a Jack, fazendo o comodoro reparar num certo brilho reluzente vindo directamente daquele olhar cor esmeralda. Perla fugiu. – Espere um momento!
Ao ver o marujo começar a correr, Alessandro seguiu-o sem mais demora, percebendo que ele estava arranjando uma manobra de diversão ao dirigir-se para o preenchido mercado. Foi difícil manter a vista nele, principalmente quando as pessoas de lá se iam pondo em frente dele, tapando-lhe completamente a visão. Perla tentava abrir espaço entre as pessoas, berrando para que estas saíssem da frente. Ela pensava se teria feito a escolha certa ao querer falar com Alessandro. Fosse o que fosse, ela tentaria sair dali continuando a penetrar no meio daquela gente que teimava em não sair da frente, tornando a passagem completamente difícil.
Quando finalmente estava alcançando a saída, Perla tropeçou no pé de um homem gordo que se tinha atravessado despropositadamente á sua frente. Este começou por xingar aquele ser que estava agora tombado no chão, continuando a sua caminhada sossegadamente. Aproveitando aquele fatal deslize, Alessandro parou diante dela, vendo-a toda suja de lama. Sem esperar, ele desembainhou a espada e apontou para o suposto garoto que estava deitado
-Nem mais um movimento garoto. – ordenou Alessandro continuando a observar cada movimento minúsculo do jovem. Vendo que ele permanecia quieto, Alex voltou a guardar a espada.
-Ahh droga! – Murmurou ela batendo com o punho no chão até sentir uma mão puxá-la para cima.
-Porque fugia de mim, marujo? – Alessandro limpou o rosto dela, ficando surpreendido. – Alteza! – Murmurou ele perplexo, fazendo uma pequena reverência
-Por amor da Virgem de Guadalupe, fale baixo comodoro e levante-se logo. Quer que toda a gente o oiça e fique sabendo que não sou tão marujo quanto parece?
-Claro que não! Ainda bem que a encontro, procurei-a por toda a parte. - Ele abraçou-a saudosamente, e Perla acabou por lhe retribuir o inesperado abraço – Seu pai está tão preocupado consigo… – Ele encarou o rosto dela. - Você está bem? Foi raptada? Molestaram você? O que faz aqui? Logo neste sítio de pirata. Você conseguiu fugir deles e está se escondendo? – inquiria ele não dando tempo para ela responder.
-Alessandro, não me aconteceu nada disso. Não tire conclusões precipitadas. Eu simplesmente tive os meus motivos para ter feito o que fiz, só preciso que me ouça. Por favor, você sempre foi meu amigo e sempre me ajudou…
-E que motivos foram esses que a levaram a se submeter a isto? – Sem dar tempo para ela responder ele voltou a abordá-la: – Peço imensa desculpa, mas vou levá-la de novo para Siracusa. – Ele pegou no braço dela, e começou a arrastá-la.
-Eu não vou a lado nenhum. – Indignada, Perla soltou-se grosseiramente do braço dele. – Eu descobri tanta coisa em antes de partir, e eu queria compartilhar isso com você, mas para isso, eu preciso que me escute por breves instantes, por favor. - Implorou ela vendo Alessandro concordar contrafeito.
-Está certo, vamos até ao porto. Lá estaremos melhor e assim você vai-me contando pelo caminho essa história.
-Isso que não seja uma estratégia simpática para me colocar dentro do navio daquele canalha do Silver, caro comodoro. Se assim for, você iria me levar a tomar atitudes drásticas… – Alessandro viu um certo brilho irónico naquele olhar, coisa que nunca tinha visto.
-Estou só cumprindo uma ordem sua, alteza! Se precisa falar comigo, porque não num lugar sossegado? – Ambos sorriram agradavelmente, e Alessandro fez um gesto para que Perla fosse á sua frente, seguindo-a.
Os dois seguiram calmamente o seu caminho, afastando-se definitivamente daquela confusão, apesar desta agora pertencer às alegres ruas de Tortuga, onde vários piratas disputavam com outros as suas riquezas em troca de uma garrafa de rum. A cada esquina podia-se ouvir o suar de um tiro perdido no ar, misturando-se com as risadas incontrolável das mulheres. Era neste ambiente que Perla, agora ao lado de Alessandro, ia contando tudo o que se tinha passado, desde a sua partida de Siracusa, frisando bem tudo o que sabia sobre Silver e escondendo-lhe por enquanto a parte que ele era imortal, até chegar á sua chegada em Tortuga com a tripulação do Pérola Negra. Alessandro escutava tudo aquilo abismado, ainda não acreditando no que ela estava contando. Parecia tudo tão surreal, tão fora do normal, que uma pessoa normal não poderia levar aquilo a sério. Os dois pararam de falar, quando viram uma prostituta ir em direcção a eles, o que fez Perla recuar um pouco atrás de Alessandro. Ele riu e deixou então bem claro que, aqueles dois homens perdidos da sua tripulação, não precisavam dos belos prazeres carnais daquela jovem mulher. A prostituta afastou-se contrariada, o que fez Perla bufar de alívio, continuando seu caminho para o Cais, onde estava repousando magnificamente o Pérola Negra.
-Foram esses os motivos que me levaram a sair do meu reino. – Ambos estavam chegando perto do Pérola Negra. -Eu não queria que ele te matasse!
-Você ficou preocupada comigo? – indagou ele soltando um vasto sorriso.
-É, fiquei! Minha vida não vale assim tanto Alex – Ela encarou-o carinhosamente – Por isso coloquei-me no primeiro navio que encontrei em busca de ajuda.
-Porque não me contou isto mais cedo? Poderíamos ter pensado noutra maneira de resolver as coisas…
-Eu julguei que você e meu pai fossem achar que eu estava louca…
-Claro que não Perla! Pensei que me conhecesse melhor. – Ele fez um rosto aborrecido.
-Eu sei que errei, e peço perdão Alex. Eu me precipitei na decisão que tomei, e esta aventura podia ter tomado proporções desagradáveis, mas eu estava de cabeça quente quando as tomei, eu não sabia que rumo havia de tomar.
-Eu mandarei um mandato de prisão para Silver…
-NÃO!! - Berrou Perla alterando-se. – Pela Virgem de Guadalupe, não faça isso! Ele pode-se vingar na minha irmã. Eu não a posso submeter a isso, não Estella que é tão frágil. – Ele a abraçou entre seus braços fortes a modos de a consolar.
-Você tem razão, temos de pensar noutro plano. Para isso, eu preciso que venha comigo no meu navio, poderemos manter Silver debaixo de olho…
-Eu não vou a lado nenhum com você, Alex. -Ela desprendeu-se gentilmente dos braços dele – Eu vou com eles. – advertiu firmemente num tom rude, fazendo Alex olhá-la surpreendido.
-Você vai estar manchando sua honra indo com esses malditos piratas. Imagine o que a Corte de Siracusa irá comentar quando isto chegar aos ouvidos do seu reino!
-Irão comentar que segui as pegadas da minha mãe, e para mim não há maior honra e orgulho do que ouvir isso! – retrucou mostrando orgulho naquilo que dizia – Eles estão-me acudindo Alex, e Jack sabe quem me pode realmente ajudar nesta situação…
-Já está tratando o capitão pelo primeiro nome é?
-Pelo amor da virgem de Guadalupe, será que dá para confiar em mim e me deixar achar essa Mão de Midas em paz? – Alessandro ficou inquieto, mas Perla acalmou-o ao passar a mão no rosto dele – Peço isto como um presente de casamento.
-Só se eu for junto! – Ele aproximou-se de Perla colocando-lhe a mão na cintura e pegando na mão dela, que ainda permanecia no rosto dele.
-E como vai fazer com o Silver? Ele vai desconfiar …
-Não se preocupe, eu trato de dar um jeito nisso. O pior será se o grande Capitão Sparrow não me deixar embarcar.
-Ele aceitará.
Sem ela contar, o comodoro aproximou os lábio dos dela num beijo delicado, demonstrando o carinhoso que nutria por ela. Perla colocar-se em bicos de pé ao sentir Alex puxá-la mais contra si, correspondendo aquele beijo inesperado.
Alguém aproximava se num passo acelerado, acompanhado por cinco inconfundíveis piratas. Jack ainda procuravam a princesa por todos os sítios possíveis e imaginários, mas sem nenhum resultado. Praguejando contra os incompetentes piratas que o seguiam, ele revolveu voltar ao Pérola Negra para buscar mais reforços. No Cais, Jack estranhou quando viu dois homens perto da tábua do Pérola se beijando. Por coincidência um deles vestia um casaco igual ao seu, e para surpresa o chapéu também. O chapéu que ele não tinha no cimo da cabeça.
-Perla? – Com a sobrancelha arqueada, Jack parou bruscamente ao deparar-se com a situação.
Como Perla poderia estar beijando alguém que não conhecia? Jack sentiu como se tivesse levado um murro no estômago, o que o fez acordar de algo que pensou ter imaginado. Os cinco piratas olharam para o capitão, analisando a expressão imprecisa no rosto dele. Naquele instante, Jack elevou as mãos até ao peito, caminhando em direcção ao casal.
-Com que então, a mocinha desaparece para andar aos beijos com o primeiro que aparece? – Com o seu passo característico, ele foi-se chegando até eles. – Acho que me deve uma explicação, depois de ter feito uma busca completa à ilha. – Alessandro virou-se na direcção de Jack, que abriu a boca, surpreso. - Aôh, seu mais que tudo noivo. – Ele fez uma careta discreta – Eu não queria interromper nada, sério! Vou deixar vocês mais…á vontade se assim desejam.
-Jack desculpe, eu não sabia que…
-Estou esperando você lá em cima alteza – intercalou ele sem mais nada dizer. Jack seguiu para o seu navio, onde estava Barbossa de braços cruzados, rindo da cara de Jack.
-Pelos sete mares Jack, parece que viu o diabo em pessoa! – Debochou Barbossa num tom elevado, controlando seu riso.
-É, você é muito parecido com ele, sabe? Fora que você é mais barrigudo, alto e um pouco arqueado– Barbossa olhou-se, arqueando a sobrancelha – Agora saia da minha frente alma penada!
-Jack…- "Oh não, ela não." Jack virou seus calcanhares em direcção á voz e viu Perla de mão dada com o comodoro – Jack por favor, eu queria lhe pedir uma coisa.
-Darling, se você vem pedir para casar aqui no meu navio, lamento mas já não realizo casamentos. Fale com o Barbossa, – e em tom de segredo ele concluiu: - Ele sim, é especialista nisso…
-Não é nada disso, eu só queria informar que meu noivo irá com nós.
-Creio que está se esquecendo de algum importante senhorita…
-Que é você o CAPITÃO e é você quem decide quem vai ou não no SEU navio…
-Uma pequena correcção: MEU navio. – Todos olharam perplexo para Barbossa em silêncio. – Pode prosseguir, alteza. – Ela voltou seu olhar para Jack.
-Jack, eu preciso de Alessandro comigo. – Pediu ela num tom de apelo, apanhando Jack de surpresa ao ouvir aquilo. – Ele é de confiança e precisa vir com a gente antes que passe pela cabeça de Silver matá-lo.
-Ahhh, eu cuspi no túmulo da minha avó, só pode! – Jack foi até eles e olhou o comodoro de cima a baixo com desdém até prosseguir. – Bem-vindo a bordo, comodoro Ramirez!
-Obrigado, senhor Sparrow. – Ele virou-se para Perla. – Eu volto já, vou falar com o Lord Silver.
-Tome cuidado, por favor. – Alessandro sorriu e beijou-lhe a mão, saindo de seguida.
-Só espero que o seu querido mais que tudo noivo não vote tudo a perder. Savvy? – resmungou Jack sério, virando costas e indo em direcção á sua cabine
-Tem mesmo a certeza que quer levar o noivo dela no navio? Não se esqueça que assim serão dois que você terá de despachar e olhe que o noivo dela não é tão ingénuo quanto parece… – comentou Barbossa baixinho, vendo Jack passar-lhe ao lado sem nada dizer. – Você é que sabe, meu caro.
Perla permaneceu imóvel ao ver Jack afastar-se irritado. Vê-lo daquele jeito fê-la sentir-se estranha, com uma espécie de sentimento de culpa que Perla mal conseguia explicar para ela própria. Sabia que não estava fazendo nada de mal ao levar o seu noivo, mas ao mesmo tempo sentia-se mal por isso, como se aquela viagem tivesse sido só destinada para Jack e ela, e não houvesse lugar para mais ninguém, a não ser a tripulação. Vendo o olhar concentrado de Barbossa na sua pessoa, Perla desviou o seu olhar sentindo-se incomodada, e farta de se martirizar por algo que nem ela mesma sabia, decidiu ir falar com o capitão para esclarecer as coisas, indo até á cabine principal.
-Jack. – Perla abriu a porta lentamente encontrando-o sentado, com os pés sobre a mesa, uma em cima da outra, rodando entre os dedos o gargalo da garrafa de rum. – O comodoro chegou! – Mentiu ela a modo de puxar assunto com ele. Não sabia como o abordar sobre o que se estava passando.
-Óptimo! Diga-lhe que o Capitão Jack Sparrow lhe manda comprimentos. – retrucou numa voz mordaz misturado com uma expressão cínica, continuando a rodar a garrafa. – Agora dê meia volta e feche a porta.
-Jack… – Ela fecha a porta.
-A intenção era fechar a porta, com você do lado inverso dela, não com você aqui dentro…
-O que se passa consigo? – Perguntou ela encarando-o, séria. - Está estranho.
-E você está redondamente errada, porque comigo não se passa absolutamente nada, estou incrivelmente bem! – Informou ele dando finalmente um gole de rum.
-Ficou chateado pelo facto de meu noivo vir com a gente? – Ele bufou descaradamente, levantando-se da mesa e arribando as mãos.
-Não, só fiquei irritado por ter dispensado a companhia de duas belas damas para ir atrás de vossa alteza, que andava aos beijinhos e abraços com o seu noivo. Rica maneira de desfrutar a estadia nesta ilha, se me permite dizê-lo.
-Não foi intencional, lhe garanto. Eu encontrei no caminho e achei que ele deveria saber a verdade. Alessandro cria até que eu fosse com ele…
-Então, porque não vai com o seu querido mais que tudo noivo, no vosso querido ninho do amor procurar essa querida Mão de Midas, enquanto eu vou ter com as minhas querida amigas que estão me esperando … - ele apontou as mãos para a porta.
-Porque você prometeu que me ajudaria, e não tenho intenções de sair daqui sem a sua prometida ajuda, savvy?
-Ridícula imitação, mas mesmo assim, fico lisonjeado… – Perla viu ele virar costas para ela e suspirou indignada.
-Jack compreenda, eu não planeei isto. Mas ele é uma ajuda valiosa para nós e seria incapaz de nos trair.
-Sabe darling. – Ele virou-se de rompante, sisudo. - Eu aprendi a não confiar em ninguém, e que traição é uma palavra propriamente corrente no meu vocabulário. – Informou Jack abanando as mãos no ar, à medida que a garrafa ia arremessando pequenas gotas de rum no ar.
-Dignidade também podia pertencer ao seu vocabulário. – rebateu, enfadada. - Se for a pensar que todo o mundo te vai trair, você se fecha no seu próprio mundo e não deixa ninguém penetrar nele, a não ser a sua única confidente: uma garrafa de rum. É só isso que você vai ter.
-É quem lhe disse que não é isso mesmo que eu quero? Eu, o meu mundo e o meu rum. – Perla bufou e revirou os olhos impaciente
-Você tem de aprender a confiar nas pessoas e deixar esses seus ressentimentos de lado. – Ela andou em direcção á porta e virou novamente para ele. – Ahh e mais uma coisa. Se pensa que eu estou levando Alex para ter algum tipo de diversão, visto ele ser meu noivo, esqueça porque isso não vai acontecer.
-Aye, vou fazer que acredito nisso. – Agora irrita, Perla moveu-se aceleradamente até ele, agarrando-lhe o braço, virando-a para si.
-Eu estou sendo sincera com você!
Jack olhou fundo nos olhos dela, abrindo ligeiramente a boca. Era como se nos olhos de Perla trespassasse a alma pura daquela garota, o que o fez, pela primeira vez, sentir-se mal com tudo o que lhe estava fazendo, inclusive mentindo-lhe deliberadamente. Já Perla sentiu seu corpo tremer com aquele olhar penetrante, como se ele estivesse lendo sua alma só com um olhar, e a qualquer momento fosse descobrir os seus segredos mais sórdidos, o que a deixou sem reacção.
-Vamos até lá fora cumprimentar o seu querido noivo – proferiu ele a modos de desviar aquela situação comprometedora. Ela anuiu, e logo saíram até lá fora, mas não se encontrava lá comodoro nenhum – O seu noivinho não devia estar aqui? – Perla tentou achar uma desculpa para dar, mas para sua sorte Alessandro apareceu.
-Alex, você foi rápido. Que desculpa você deu para não ir com ele?
-Apenas não dei. – Ela ficou confusa. – No caminho pensei que devia ir embora desta ilha sem nada lhe dizer, antes que Silver fizesse perguntas ás quais eu não poderia responder. Teremos é partir ainda hoje. – Perla olhou para Jack, esperando uma reacção.
-Atitude inteligente e correcta Comodoro, mas acho que se esqueceu de que quem decide alguma coisa no navio é o Capitão, ou seja esta humilde pessoa que está falando com vocês. Por acaso tem sorte de partilhar a mesma ideia que eu… – Jack virou para a tripulação. – Tripulação, o Pérola está pronto para zarpar? – Todos afirmaram. – Óptimo, vamos desembarcar então.
-Capitão, onde ficaremos acolhidos?
-Eu tenho um aposento bem pequeno nos fundos deste navio…
-Ahhh seu cachorro, é preciso ter muita cara de pau.
-Ela está falando comigo? – Perguntou Jack arregalando os olhos ao fazer-se de despercebido.
-Durante noites dormi em cima daqueles trapos velhos que tresandavam a rum, e agora você tem a cara de pau de dizer que este navio tem mais que um aposento!
-Darling, você dormiu lá porque quis, ninguém te obrigou. Você nunca me perguntou se eu tinha quartos, nem nunca se mostrou interessada em saber, por isso, pensei que tivesse gostado dos aposentos Reais que eu lhe proporcionei. – Provocou Jack com a cara mais descarada possível
Perla cerrou os punhos ao se aperceber que ele estava se vingando dela por Perla nunca lhe ter dito que tinha noivo. Jack usava uma ironia que fez referência às anteriores palavras dela, na altura em que ambos tinham falado, pela primeira vez, de seu noivo. Perla fechou o rosto, pronto a atacá-lo de novo.
-Ora seu… – Alessandro segurou-a pela cintura, evitando que ela atacasse o capitão.
-Bom como estava dizendo, antes de ser interrompido por uma certa lady, seu aposento será esse, comodoro. Espero que aproveite a estadia aqui no Pérola.
-Não me diga que vai continuar a deixar dormindo naqueles trapos.
-Você dormirá na minha cama, se preferir. Já dormiu uma vez, de certo não achará estranho dormir novamente. – Perla fitou Jack de modo apreensivo, já Alessandro deitou um olhar fulminante em Jack. – Calma filho, não se passou nada demais. Eu tenho uma rede lá que dá perfeitamente para mim. E não se preocupe, eu não tenho interesse nenhum na sua princesa de conto de fada, mate…
-Muito menos eu, num pirata sem vergonha como você. – Defendeu-se Perla fazendo-lhe uma careta.
-Palavra de pirata para mim nunca valeu nada, mas eu confio em Perla. E já que ela confia em você, por alguma razão deve ser. Agora, fique avisado capitão, se você tocar num único fio de cabelos dela, você se irá arrepender por isso, ficamos claros?
-Claros que nem água comodoro. – Jack elevou as suas mãos sobre os ombros e com os dois dedos indicadores ele apontou para Alessandro. – Agora que estamos todos em família, ou quase em família, vamos aproveitar este momento de harmonia para partir ainda hoje. Quanto mais depressa chegamos á senhora Turner, melhor. – Jack rodopiou seus calcanhares e foi em direcção ao leme.
-Você se habitua a ele Alex. Jack não é má pessoa, tem é um feitio insuportável, mas isso dobrasse bem devagarinho. – Comentou Perla, vendo Jack subir as escadas para o castelo de popa, resmungando sozinho com os seus gestos típicos. Ela adorava vê-lo assim, por isso, soltou um sorriso prolongado quando o viu agarrar no leme. – E será ele que nos irá ajudar. - Sim, agora podia dizer que iria começar aquilo que a tinha levado aquele navio e isso fê-la suspirar fundo, expirando pausadamente ao sentir um nervosinho miúdo na barriga.
-É certo levarmos o garoto? – averiguou Gibbs vendo lá em baixo os dois sorrirem um para o outro.
-E acha que me agrada a ideia de levar um intruso no meu navio…
-Intruso ou concorrente? – ironizou Gibbs, no qual Jack estreitou o olhar em direcção ao primeiro imediato.
-Acho que estamos tendo aqui algum tipo de problema que eu ainda não consegui captar, caro Gibbs! O que você quis dizer tecnicamente com isso? – Perguntou Jack lançando o olhar para o horizonte, com uma sobrancelha arregalada.
-Ora, o que está óbvio. Ele é noivo dela, e ela não o ama, por conseguinte, você não deixa de lançar olhares para a garota, olhares nos quais ela corresponde docemente. – Murmurou Gibbs vendo Perla olhar para Jack, com um agradável sorriso.
-Você andou bebendo Rum sem minha autorização, foi?
-Não capitão! Só andei reparando naquilo que está na cara, acho que o único que ainda não percebeu esse facto foi você que, sinceramente, devia pensar nisso! – Gibbs saiu, deixando o capitão em silêncio, observando Alessandro e Perla, que estavam curvados sobre a amurada, falando sobre coisas que só eles sabiam.
-Gibbs está louco, estão todos loucos aqui, sem excepção…até eu estou louco. Resumindo, isto é um navio de loucos – Resmungava ele sozinho. – Estou morto para pegar essa Mão de Midas e despachar esses dois…aí sim, Gibbs me dará razão. – Ele fixou-se num ponto fixo e se lembrou do dia em que tinha dançado com Perla no navio.
Flashback
-Prometa que me protegerá, caso alguma coisa corra mal? Sozinha nunca conseguirei lidar com uma situação de perigo. Como você diz, eu nasci apenas para estar sentada num trono e ouvir conselhos de um homem que me obriga a fazer coisas que não quero…
-Você é mais do que isso, amor. – sussurrou Jack apertando mais a cintura dela contra si. – Você é filha de Deanne Bonny! Se sua mãe fosse viva, ela iria sentir orgulhar da filha que tem.
-Jack, você não me prometeu…
-E é preciso prometer? Pensei que ajudando você estava dando essa prova de confiança.
-Como é que eu sei que você não me irá trair a qualquer momento…
-Você está se esquecendo de uma coisa importante amor, eu sou o capitão Jack Sparrow, Savvy? – Ela estremeceu ao ouvi-lo dizer aquilo no seu ouvido.
-Eu sei, por isso estou duvidando de você, amor. – Sorriu ela lançando um olhar dócil para Jack.
Fim flashback
-Vou ter de te arrancar dos meus pensamentos, amor. – Ele desceu até á cave de rum, abrindo-a com a sua inseparável chaves. Ao ver aquilo cheio, suspirou, e pegou a primeira garrafa que lhe apareceu. – Vamos lá te tirar dos meus terríveis pensamentos doçura.
-Quem é que você vai tirar dos pensamentos? – Perguntou Perla assustando Jack
-Minha avó! Ela veio-me visitar espiritualmente, então eu decidi tirá-la dos meus pensamentos….
-Obrigada Jack, por tudo. – Agradeceu Perla sorrindo, interrompendo o raciocínio mais sem lógica dele. Já Jack arregalou os olhos ao ver a mão dela pousar na sua.
Todos os pensamentos de honra, ou os que lhe restava, fugiram-lhe. Jack começou por se deixar levar pelo desejo agradável do momento: o que como seria ter uma mulher, como Perla, ao seu lado. O olhar dele estava preso ao dela e seus lábios, alinhados numa linha fina, crispavam desajeitadamente. Com atenção, Jack observou cada traço característico dela, sorrindo maliciosamente com os pensamentos impróprios que teve.
Naquela cave não se encontrava mais um pirata ou uma princesa e sim, dois seres humanos observando-se curiosamente, na expectativa que um dos dois fosse falar ou reagir a qualquer momento. Perla continuava com aquele belo sorriso a bailar-lhe nos lábios e, sem Jack contar, ela suspirou nervosamente, tomando a iniciativa de encostar os seus lábios nos de Jack, esperando que ele reagisse. Abismado, Jack correspondeu-lhe ansiosamente ao beijo, puxando-a cada vez mais contra si à medida que lhe segurava cuidadosamente a nuca.
No ardor da situação, na mente de Jack surgiu-lhe o pensamento de como uma garota como Perla, ainda para mais noiva de um comodoro, poderia estar beijando um pirata como ele! Já Perla desfrutava o momento delicado, sentindo as mãos fortes dele a segurarem com mais força, enquanto o beijo se tornava mais intensamente, como se suas línguas transmitissem as palavras que não estavam sendo ditas naquele instante. Parecia que nenhum dos dois conseguia controlar o que se estava passando ali e, ofegante, ela afastou-se docemente.
Perla baixou o olhar, sentindo o silêncio prevalecer na cave durante alguns segundos que pareceram uma eternidade. Ela abanou levemente a cabeça, como quem luta contra os seus pensamentos e roubou a garrafa das mãos de Jack, que continuava surpreso com aquilo. Sem mais nada dizer, Perla afastou-se a passos lentos e quando chegou á porta olhou uma única vez para trás vendo a figura imóvel de Jack, que a via afastar depois daquele inexplicável beijo, voltou a seguir em frente, deixando Jack sem reacção possível.
Perla saindo fora da casca rs…Agora com o querido noivo dela no navio, será que Jack irá ter paz? Será que Alessandro irá fazer a vida de Jack num inferno ou será simplesmente o contrário?
Mais um capítulo prontinho, e embora não desenvolva grandes detalhes para o avançar da história, espero de coração que tenham gostado e me deixem uma pequena opinião, para deixarem uma pequena autora contente por saber o que vocês acharam deste capítulo.
Quero agradecer ás pessoas que têm sido a minha fonte de energia para continuar escrevendo esta fic, mesmo que eu não esteja gostando do rumo da história… Roxane Norris, Bruno, Dorinha, Jane, Ieda, Likha Sparrow, Fini Felton, Jessica Sparrow Turner, agradeço mesmo do fundo do coração vossas review e o apoio que me têm dado, a vocês o meu obrigada
Bom, eu ainda não planejei o próximo capítulo, por isso não há título, por enquanto rs
Bjokas meninas e menino e até ao próximo capítulo
Taty Black
