Capitulo 13 – Tentações

Jack ia em direcção ao castelo da popa para poder coordenar o leme para novas mudanças de rota, quando deparou-se com Elizabeth debruçada sobre a borda do navio, com o vento do fim de tarde sobre o seu cabelo preso no alto da nuca. Ela apreciava atentamente o calmo mar que batia suavemente sobre o casco, perdida em lembranças que enchiam sua mente, saudosamente. Sentia-se vazia ali, naquele navio, onde tantos bons momentos tinha vivido e sonhado com tanto fervor, e que agora se tornavam uma vaga memória boa. Ao olhar de relance para a água límpida, Elizabeth julgou ver um rosto pálido desenhado nela, alguém com olhos cor âmbar, que dançavam devido á ondulação do mar, e uma barba cerrada que fê-la sentir o coração acelerar. A expressão da imagem era de alguém sorrindo, como quem tenta dar apoio á outra pessoa, sem mesmo usar uma única palavra.

-Will! – murmurou ela ao estender a sua mão, debruçando-se cada vez mais sobre a borda para poder tocar na tentadora imagem ali reflectida. Entretanto a distância entre eles era muito grande, para desespero de Elizabeth, que deixou cair uma lágrima na água, encima do olho de Will.

-Elizabeth – Uma voz atrás de Elizabeth fê-la olhar de relance para a pessoa atrás de si.

Deparou-se com Jack e sua garrafa de rum na mão, observando-a de uma maneira confusa, ao vê-la tão longe dali, não expressando qualquer tipo de reacção. Sua pele estava pálida e assustada, o que fez Jack aproximar-se lentamente dela, com medo que ela fosse desmaiar a qualquer momento. Num impulso, Elizabeth voltou a olhar para o mar, procurando pela imagem de Will, mas nada havia senão golfinhos agitando-se debaixo de água. O que a fez adoptar uma expressão desiludida, até concentrar sua atenção em Jack.

-Que susto Jack – disse-lhe por fim, quase num sussurro – Pensei que…

-Fosse o seu querido Will Turner que tivesse vindo fazer-lhe uma visita? – Ela encarou-o de soslaio, pensando na força que aquelas palavras tinham sobre a sua vontade.

Ia um longo espaço entre a vontade dela, o querer perto de si, até isso ser tecnicamente possível. Ela escorregou lentamente pela borda do navio até ao chão, colocando as mãos no rosto. Jack olhou-a com carinho, coisa que não fazia há muito tempo, desde que Elizabeth tinha sido mãe, e que deixara exposto em seu rosto que a maternidade lhe fizera muito bem. Jack concluíra então, que ela tinha nascido para ser mãe e para viver com uma família normal, não com um marido ausente pelas circunstâncias do destino.

-Não sabe como eu queria que isso fosse verdade, como o queria ter aqui perto de mim e aproveitar cada segundo da minha vida com ele. – Ela viu Jack continuar a fitá-la de maneira apreensiva. – Nem sei porque estou te contando estas coisas, você não entende nada disso… – Ele sentou-se ao lado dela e entregou-lhe a sua garrafa de rum, a qual ela aceitou de imediato, bebendo sem mais esperar.

-Lembro-me de uma jovem garota, ali mesmo naquelas escadas,... – Ele apontou para as escadas que levavam para o castelo da popa. – …me dizer o quanto ansiosa estava para se casar. – Elizabeth recordou daquele momento, enquanto soltava um fraco sorriso.

-E o que aconteceu com ela?

-Casou, teve a sua pequena lua-de-rum e, há bem pouco tempo, estava agarrada a um belo garoto. – Jack olhou para ela encontrando seu olhar triste. – Agora ela está no Pérola Negra, navegando rumo a enseada dos Náufragos para proteger o garoto de um certo vilão. – Ele desviou o olhar e centrou-o em suas mãos. - Eu vi nos olhos dessa mulher que, talvez, aquele garotinho de colo, fosse a única pessoa por quem ela daria a vida, já que pelo seu marido nada pode fazer.

-Eu ainda posso fazer algo pelo Will, basta esperar por ele daqui a nove anos, a maldição acabará e poderemos viver felizes os três… – Jack viu um novo brilho expandir no olhar dela.

-Você acredita mesmo que essa história de maldição acaba? Que basta esperar nove anos pelo seu grande amor, e puff, ele passa a ter novamente coração e volta a pisar em terra, até á hora de sua morte? - Elizabeth fechou o rosto com aquele irónico questionário – Darling, eu acho que você está desperdiçando sua juventude em acreditar numa patetice dessas.

-Eu acredito, sabe porquê? Porque eu não tenho a natureza da Calypso, eu irei esperar por ele e tenho fé que essa maldita maldição acabe de uma vez por todas…

-Vá pensando nisso até se convencer. – Ele tentou ser brando com suas palavras, o que não era normal. -Lizzie, nem você mesma acredita nas palavras que está dizendo, por mais que se esforce. – Ela fez a mesma expressão de outrora, quando Jack lhe contou que seu pai não iria voltar. - Quem ficaria comandando o Holandês Voador caso essa suposta maldição acabe? Alguma alma penada que decidiu fazer uma caridade para seu marido? Ora Elizabeth, estamos num mundo real e, apesar de certas vezes, acontecerem coisas insólitas, não quer dizer que sempre aconteçam. Eu não estou dizendo isto para ver você infeliz, mas para não acalentar falsas esperanças.

Elizabeth viu ele falar firmemente aquelas palavras, não usando sua ironia habitual, muito menos o rosto cínico que ele mostrava quando falavam algo sério. Essa simples constatação a deixou mais abalada e com raiva do destino, e levantando-se num impulso, passou a garrafa para Jack. De pé, curvou-se novamente sobre a borda do navio, procurando desesperadamente a imagem de Will, tendo certeza que as palavras de Jack eram verdadeiras. Cerrou o cenho e virou-se em direcção a ele, com o lábio crispado.

-Jack, você já se apaixonou realmente por alguém? – Jack ficou meio bobo com aquela pergunta, levantando-se rapidamente, sentindo o balanço do navio.

-Com que propósito me faz essa pergunta agora? – respondeu ele, preponderantemente

-Porque se você amasse alguém, entenderia o que eu sinto neste momento. Vivendo longe daquele que mais amo, e a dor que sinto por não poder acordar todas as manhãs com ele ao meu lado, agarrando-me apenas a uma mínima esperança, para poder levar minha vida em frente… Mas você nunca entenderá isso até se apaixonar de verdade – Ela disse num tom calmo, mas provocador – Só aí verá que não conseguirá passar um minuto sequer longe dessa pessoa, quererá mantê-la debaixo de seu olhar para poder contemplar cada traço ou gesto significativo dela. Tremerá só de ouvir a voz dela sussurrando algo em seu ouvido e necessitará de seus beijos para ter certeza que realmente está vivo, e seu corpo apelará ansiosamente pelo toque dela feito um íman, queimando-o – Jack arregalou os olhos ao ouvi-la acentuar a ultima palavra

-Eu gostaria de sentir cada sensação dessas. – murmurou ele, passando as costas da mão no rosto de Elizabeth, que colocou sua mão sobre a dele.

-E poderá sentir Jack… Você é um bom homem, não tem necessidade de passar o resto da vida sozinho, agarrado a um leme e admirando o mar! – Ela tirou gentilmente a mão dele do rosto dela e continuou agarrada a mão dele – Graças a você eu pude sentir tudo isso, se não fosse sua boa vontade, ai sim, eu nunca teria passado os bons momentos com o Will, muito menos teria meu filho! Agora você, está em bom tempo de arranjar alguém para ser sua companheira o resto da vida, alguém que te complete e te deseje como você a deseja. E se ela aparecer Jack, não lute contra esse sentimento, deixe-o fluir. Não se preocupe, que nem todas as mulheres vão trair você tendo um acto pirata, como eu fiz – Jack entendeu o que ela queria dizer.

-Isso é passado, e além do mais, você só fez o que sua consciência de mulher mandou. – Ela sorriu, beijando-lhe a bochecha, o que fez ele erguer a sobrancelha admirado.

-Estou orgulhosa de você! Se eu te pudesse retribuir…

-Faça só o possível para matar esse canalha… – Num aceno de cabeça, ela passou a mão pelo rosto dele e caminhou lentamente até ao porão, sempre mantendo sua cabeça baixa.

Jack sentia-se mal por vê-la assim, não parecia mais aquela mulher forte e destemida de outrora. Queria ajudá-la mais do que já estava fazendo... Mas como? Como o Capitão Jack Sparrow poderia ajudar uma pessoa que desejava alguém que simplesmente só voltaria daqui a nove anos, e supostamente partiria no dia a seguir? Essa maldição até podia ser quebrada, mas não havia certezas de tal coisa. Ele olhou para a garrafa e pensou na água da vida, algo que ele tanto almejava. Isso poderia resolver o problema desse jovem casal, que injustamente tinha sido separado, e colocá-los juntos mais um a vez. Ele rodopiou nos seus calcanhares em direcção a ela que estava quase chegando á porta.

-Lizzie. – Ela, que estava já com a mão na porta, ficou imóvel ao ouvir Jack, girando vagarosamente a cabeça em sua direcção. – E se depois disto tudo, você e eu... Eu e você... Nós os dois, fossemos atrás da fonte da juventude, caso essa suposta maldição não quebre? – Elizabeth virou-se completamente, ficando a olhar Jack por segundos, sob os traços laranjas daquela magnifico pôr-do-sol.

-Que acto de bondade repentino é esse Jack? O que você quer em troca?

-Por que qualquer intenção minha tem sempre que ter segundas intenções por trás? – falou ele, fingindo-se de amuado.

-Ahh Jack, quem não te conhece que te compre! No entanto, eu conheço você muito bem para saber que por detrás desse singelo acto de caridade, há sempre segundas ou terceiras intenções.

-Eu faço isso de coração aberto, darling. – Novamente aquela simpatia duvidosa – Não tem nada que eu queira em troca, apenas faria você abrir um pouco esse sorriso amargo, e dar uma nova chance ao seu querido Will de ficar com você, trazendo-o de volta á vida normal.

-Para isso teríamos de esperar nove anos e ver se existe ou não a maldição. Você estaria disposto a isso?

-Se eu abdiquei da minha vida eterna no Holandês Voador, para que fosse seu marido a apunhalar o coração de Davy Jones, e não morrer diante de seus olhos, porque não posso fazer esse pequeno sacrifício? Apenas preciso das Cartas de Navegação, e depois veremos o que o futuro nos reserva. – Jack pôde ver uma lágrima de felicidade escorregar pelo rosto de Elizabeth.

-Obrigada por tudo, não sei como te agradecer por esta oportunidade…

-Apenas não agradeça. – respondeu-lhe com um sorriso modesto.

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Will apreciava aquele restinho de tarde gostoso no tombadilho do Holandês Voador, enquanto observa de braços cruzados e cabeça erguida, os inúmeros botes que o acompanhavam em marcha lenta, cheio de pessoas que infelizmente haviam perdido a vida em alto mar, e estavam procurando a sua paz eterna ao se deixar guiar pelo navio. Ele suspirou pausadamente ao ver que mais um dia estava chegando ao fim, e que continuava aquela sua rotina diária de encaminhar aquelas pobres almas, enquanto poderia estar no seu lar, na companhia agradável de sua esposa e filho, que lamentava não ter visto nascer, e muito menos, seguir sua infância de perto.

Ele colocou-se sobre a borda do navio e deixou-se levar pela memória do dia em que acompanhou Jack Sparrow até á cabana de Tia Dalma, em busca de ajuda para supostamente salvar Elizabeth da forca. O olhar de Tia Dalma pousou directamente em si e naquele instante, o rosto dela fechou-se lentamente ao observá-lo de um modo estranho.

"Você…" Ela apontou para Will, e com passadas silenciosas aproximou-se dele, deixando-o surpreso "Você tem um toque do destino em si…William Turner"

Naquele momento, Will teve a certeza que aquela mulher sabia mais do que aparentava, mas na época não levou muito a sério o que aquela singela frase queria realmente revelar, ou transmitir. O que ela representaria no seu futuro próximo ou até mesmo na sua vida. Agora observando atentamente aqueles botes que deslizavam delicadamente sobre aquelas águas mornas, ele chegou á conclusão que seu futuro poderia ter sido bem diferente. Supostamente estaria navegando num daqueles botes, incerto do que aquela travessia lhe reservava. Mas simplesmente estava ali, no Holandês Voador, consideravelmente vivo, e graças á bondade de Jack. Se não fosse por ele, Will estaria morto e nunca mais poderia ter Elizabeth em seus braços, muito menos matar aquela saudade aguçada dos trajectos do corpo daquela mulher que tão bem ele tinha decorado, como quem decora um mapa.

Não havia um dia que passasse, no qual Will não pensasse naqueles maravilhosos momentos ao lado da esposa. O sonho realizado de finalmente casar com a mulher que sempre amou e de se perder nos encantos da jovem loira, lá naquela praia deserta, onde ambos exploraram cada pormenor de seus corpos nus. Eles insistentemente se atraiam numa enorme cumplicidade, sem que surgisse oportunidade para haver grandes espaços entre ambos, e a cada movimento de seus corpos ofegantes, trémulos e suados que chegavam a se unir num só, concluía que se completavam, numa perfeita harmonia, como se não houvesse amanhã…

Um ano se passou depois disso, e como havia prometido, Will voltou aquela mesma praia, só para contemplar de longe a mulher e o filho que ainda não conhecia. Embora não a pudesse tocar, ou simplesmente beijar, sentia que ao vê-la ali naquela húmida areia, ninando o menino que dormia calmamente sobre seus braços, esperando pelo aparecimento prometido dele, lhe dava mais força para continuar sua maldição.

Não negava que, mesmo depois de tudo, sentia uma saudade incontrolável da sua mulher, e sentia-se mal por a condenar juntamente com ele, aquela maldição que só a Will pertencia. Elizabeth estava perdendo sua juventude para o esperar, enquanto poderia aproveitá-la e, quem sabe, conhecer um outro alguém que preenchesse o espaço vazio que ele tinha provocado, embora não propositadamente. Esse tipo de pensamento corroía-lhe a alma, chegando ás vezes a pensar que melhor teria sido se ele tivesse morrido, ao menos assim, ela poderia levar sua vida em frente sem ter de esperar por ele.

Sim, realmente não havia um único segundo que ele não pensasse nela e, nesses eternos segundos, Will parecia sentir o cheiro de Elizabeth ainda tão vivo em sua esmorecida pele, como uma tatuagem marcada no corpo, algo que ele queria que permanecessem para sempre entranhado em si. De um momento para o outro, uma brisa de ar fresco surgiu na sua direcção, fazendo-o desviar seu olhar para encontrá-la bela como sempre, parecendo imortal a seus olhos.

Seus cabelos longos e cacheados estavam soltos, esvoaçando teimosamente sobre o seu rosto lívido e, num belo vestido semelhante ás túnicas gregas, ela aproximava-se calmamente, enquanto seus pés descalços tocavam na madeira fria daquele navio, expondo o seu memorável sorriso no jovial rosto. No ar, Will podia sentir aquele doce perfume de Elizabeth penetrar em suas narinas como uma espécie de neutralizante, o que razoavelmente tranquilizava sua alma perturbada. Rapidamente ele descruzou os braços, virando-se lentamente ao senti-la tão perto de seu corpo. Elizabeth tocou de leve no rosto dele, fazendo-lhe uma carícia, enquanto Will sentia apenas uma leve brisa acariciar seu rosto, suavemente. Ele tentou agarrar-lhe a mão, num gesto de ternura, mas não conseguiu. A mão dele penetrou na dela, fazendo aquela imagem silenciada pelo bater das ondas no navio, soltar um sorriso triste, tentando expressar um rosto de lamúria. Ocorreu-lhe a ideia de estar diante do fantasma de Elizabeth, que talvez não tivesse suportado todo aquele sufoco de viver sozinha, ou até mesmo não ter sobrevivido ás ameaças de Black Dog, que a matara sem piedade. Sentiu seus olhos arderem, á medida que as lágrimas brotavam neles, escorregando pelo seu rosto, e sobre aquela forte emoção, suas esperanças desaparecerem feito tempestade em alto mar. Ainda atormentado com tudo aquilo, murmurou:

-Eu te amo tanto Elizabeth. – Viu a figura dela fitá-lo de uma maneira infeliz.

Ao vê-la aproximar-se para lhe beijar, ele fechou os olhos para sentir novamente o toque de seus lábios nos dele, provando de novo o gosto do doce de seu beijo, mas ao abrir os olhos ela já não estava lá. Will cerrou o punho, batendo-o com força contra a borda do navio, sentindo dor.

-Não ceda Will… Calypso gosta de tentar os pobre homens do mar, e você é o mais frágil deles todos. Isso dá-lhe um enorme prazer. – Avisou Bill Turner ao se aperceber o que se tinha passado. – É isso que ela quer, te testar. Ver se você consegue concluir sua missão. E não Will, Elizabeth não está morta, ela continua bem viva. Se estivesse morta, ela estaria num daqueles navio ou esperando o retorno deste navio para te poder seguir.

-Calypso usa golpes baixos, principalmente ao jogar contra mim a enorme saudade que eu tenho de Elizabeth, que me mata aos poucos, mesmo que eu não corra esse risco. – confessou ele, voltando a cruzar os braços, adoptando uma postura firme – Eu só desejo que esta missão acabe, isto se ela acabar! – Ele virou seu rosto lentamente para seu pai. – Essa história de maldição é verdade? Ela poderá ser quebrada?

-Sabe Will, isso é tão vago quanto a incerteza de saber o futuro. Mas sim, eu acredito que sim! – Ele respirou fundo, e pausadamente expirou todo o ar contido nos pulmões. – Para explicar isso melhor, terei de pegar o exemplo do próprio Davy Jones. Você sabe muito bem que, na verdade, a missão do Holandês Voador é cuidar das almas daqueles que morreram no mar, e aparentemente Davy deixou de o fazer, quando viu que Calypso não o esperava ao retornar após os dez anos prometidos. Sendo assim, amaldiçoado com a aparência de criaturas marinhas. Quando eu te falei em pagar um preço alto, eu me referia a esse exemplo. Davy navegou durante dez honrosos anos em pleno mar, cumprindo a missão que Calypso lhe tinha incubido, esperançoso que sua enamorada fosse fiel a ele e o esperasse conforme tinham prometido, mas no final desse tempo, ela não estava lá. Foi aí que Davy Jones pagou esse altíssimo preço, o de passar toda a eternidade no mar. Visto que, só sua amada teria o poder de o libertar deste navio, isto claro se ela lhe tivesse sido fiel, coisa que a Calypso não foi. Por isso, eu acredito que essa maldição tenha um fim, caso Elizabeth te seja fiel. – Ele soltou um sorriso confiante para Will e virou costas.

Ele observou o pai afastar-se, pensando nas palavras que lhe marcaram como um ferro quente na sua pele. Se essa história de maldição se confirmasse, então ele seria um homem livre, caso Elizabeth o esperasse. Por isso Calypso o tentava dessa maneira, ela sabia que Elizabeth lhe seria fiel, algo que ela mesmo não fez com Davy Jones. Por isso a Deusa o tentava, queria ver até que ponto Will iria por Elizabeth, se conseguiria concluir aqueles restantes nove anos.

-Eu vou conseguir! – bradou ele para o mar vendo um homem negro, que ia no bote ao lado do navio olhá-lo.

-Será que você vai mesmo, William Turner? – Os olhos do homem negro soltaram um brilho suspeito, misturando-se a um sorriso malicioso, o que fez Will recuar e ir até á cabine principal.

Ele olhou para o grandioso órgão, pousando a mão sobre uma tecla que soltou um som agudo. Voltou as costas ao Órgão e foi em direcção ao armário, de onde ele tirou um tinteiro, uma pena e um pergaminho, indo até a mesa. Sentou-se, pousando as coisas sobre ela, e molhou a pena no tinteiro, pensando no que escrever no pergaminho. Queria registar todos os seus momentos, todas as suas marcas do dia á dia, para que um dia pudesse entregar a Elizabeth. Olhando num ponto fixo, ele pensou nas palavras certas para começar a escrever, algo que não ficasse muito superficial e marcasse bem aquilo que ele estava sentindo naquele preciso momento…

Meu amor,

Escrevo-te como se soubesse, que leria agora mesmo estas linhas.

Tenho tanto para te dizer, mas infelizmente você não está aqui ao meu lado. Desde que parti, desde que te deixei naquela praia, tudo se tornou tão diferente, tão vazio, tão desprovido de sentimentos e de emoção.

Sei que há algo mais forte do que a distância, do que o tempo, do que a minha própria vontade, e por mais que a vida me afaste deste amor e me leve para longe, não posso fugir ao meu mais íntimo sentimento.
Escrevo-te também, porque não tenho sua boca ao alcance da minha, porque seus olhos não fitam mais os meus e porque suas mãos não me conseguem aparar nas horas de solidão. Me diga que ainda se lembra de nosso beijos, da forma como nossas bocas se tocavam e do sentimento que nossas línguas transmitiam na ausência das palavras. Eu nunca os esqueci, e mesmo hoje, depois de tanto tempo sem os sentir, lembro-me do gosto de cada um deles. Me diga que morre de saudades da vida que nós descobrimos para o nosso amor, e dos nossos encontros perdidos. Do tempo parado à nossa espera, talvez aquele que eu desperdicei até revelar o quanto eu te amava, desde que eu abri meus olhos e me deparei com você, cuidando de mim... Do mar salgado que nos embalou várias vezes sobre o navio, da pálida lua que por várias vezes nos iluminou e, da praia onde nos completamos unicamente.

Trocava esse silêncio todo por um sorriso seu, mas condenado que estou, a não vê-lo por um bom tempo, acarinho o silêncio que você me deixou como a mais bela recordação que guardo no baú que criei, onde muitas vezes é o meu refúgio, o meu canto. O lugar onde posso ser verdadeiramente eu, onde felizmente te posso alcançar por breves instantes. Mas, por vezes, a distância tornasse longa e não tenho como chegar até você e, naquele momento, o que sei e sinto é que luto desesperadamente para te alcançar, para te tocar nem que seja mais uma vez. Apesar da minha sina, eu não deixo de pensar em você, pois te sinto tão dentro de mim, como se tivesse ao meu lado, me apoiando. Longe de você, de suas palavras, de seus olhos, de suas mãos que sempre me tocam, sem eu te alcançar.

E apesar de toda a dor, toda a angústia provocada pelo seu silêncio e ausência, uma força maior do que tudo isso, faz-me continuar esta minha missão… Aquilo que ainda tenho para te dar, em palavras, em gestos, em carinho, em manifestações de amor. O que faço? Não posso abdicar de tudo o que sinto. Ou, pior ainda, não posso deitar tudo ao mar, ou entregar a outra que não seja a destinatária destas afeições. No fundo preciso de você. Preciso desse seu amor.

Hoje senti sua presença, como se você quisesse que eu soubesse que está sempre ao meu lado. E, mesmo que eu não compreenda a razão pela qual você passou sem ficar, queria que soubesse que ainda assim fico preso à sua existência. Sei que isso são ilusões, por você estar tão viva dentro de minha alma, já que meu coração eu te entreguei, como se você vagueasse diariamente pela minha vida de uma forma ilusória, como você é, e sempre será, parte da minha vida por ser parte daquilo que sou, tenho de reaprender a te amar. A te amar sem te tocar, sem te ver, sem sequer me ser permitido sonhar-te.

Como eu sinto sua ausência. Sinto sua falta como se precisasse de encontrar um sentido para esta vida. E em sonhos você é esse sentido. Você é o meu Norte, meu Sul, meu Este e meu Oeste. Você está presente em todo o lado e para onde quer que eu olhe.


Me diz que nada mudou neste tempo todo, que lá dentro ainda está tudo igual. Diga-me que eu ainda sou o seu pirata, para que eu possa acreditar que não foi tudo apenas um sonho. Diz-me para eu deixar de ter medo, sim porque pirata também tem os seus medos.

As lágrimas que teimo em não verter, caiem cá dentro, inundando a minha Alma. Tal como o silêncio, infelizmente estas lágrimas que verto não me trarão você, mas eu serei paciente. Eu lutarei até que estes restantes nove anos voem, e novamente possa estar em seus braços, sentindo o gosto de seus doces lábios novamente…

Com muito amor se seu eterno pirata

William Turner

Ele não revisou a carta, simplesmente deixou a tinta secar para poder dobrar aquele pedaço de papel e guardá-lo em algum sítio que pudesse permanecer até poder, um dia, entregar a Elizabeth. Olhando para a janela, viu que o sol já não estava mais no céu e que a noite estava se alargando perante o mar. Will guardou finalmente a carta numa gaveta, e saiu da cabine principal, para preparar o navio para o resto da noite. Depois do trabalho terminado, se dirigiria para os seus aposentos, recorrendo ao baú de recordações que criara na mente e dormindo finalmente em paz

Oii meninas e menino :)

Queria desde já dizer que dediquei este capítulo ao meu casal favorito, Will e Elizabeth, pois sentia-me em falta com eles. Quanto á carta, eu imaginei a voz do Will suando feito sussurro enquanto escrevia cada palavra, aquela cena típico de filme ou de novela quando alguém escreve uma carta rsrs. Bom, sinceramente, eu deixei um pouco os meus sentimentos fluírem nela rs, espero que não esteja exagerada

Queria também agradecer as reviews do último capítulo, eu adoro cada palavra, pois dão-me força para escrever um novo capitulo. Por isso, o meu obrigada á minha beta Rô, Jane, Bruno, Ieda, Dorinha Pamella, Finni Felton e Likha Sparrow. Espero que tenham gostado deste capítulo ;)

O próximo capítulo está sendo escrito e deverá ter como titulo "A Enseada dos Náufragos", por isso, pito,frago"a semana devo post ;)

eu adora cada uma delas, pois d, aquela cena tipico ara a semana que vem, devo postá-lo sem falta.

Bjoka grandes e fikem bem

Taty Black