Capitulo 15 – O acordo

Ainda a aurora não estava totalmente clara, e Elizabeth já se encontrava acordada, ou melhor, mal tinha pregado olho durante aquela noite. A ansiedade era a sua inimiga naquela altura, o que não a confortava em nada. Revirando-se de um lado para o outro da cama, ela acabou por se levantar, passando as mãos pelo rosto. Num gesto brusco, pegou as roupas que se encontravam pousadas na cadeira e vestiu-as ligeiramente, calçando por fim as suas botas. Quando finalmente Elizabeth se aprontou, olhou para o espelho para apanhar o seu cabelo ondulado e o amarrar no cimo da nuca, enquanto suas repas deslizavam para seu rosto. Depois disso, levou a mão á maçaneta da porta e rodou-a cautelosamente, abrindo-a lentamente. Em passos apressados, ela saiu do quarto indo até ao convés superior, para poder observar a manhã que nascia no horizonte, mas deparou-se com um vulto quieto na proa, olhando o infinito.

-Madrugou. – murmurou Jack continuando quieto na mesma posição.

-Estou ansiosa. – respondeu, sentindo o arrepio frio que a madrugada lhe proporcionava – Tenho receio que isto não corra como previsto, e que a Calypso não ceda.

-É um risco que corremos, mas o que é uma aventura sem riscos? – ripostou ele, virando-se com um sorriso satisfeito estampado no rosto. – Pronta?

-Nervosa para ser mais concreta. – disse, endurecendo o rosto. – Será esse o momento certo? Não será melhor Perla estar presente?

-Meros detalhes, minha cara. – alegou ele elevando as suas mãos, e gesticulando-as no ar. – Quanto mais depressa despacharmos isto, melhor. – Ela pensou durante alguns segundos e, embora não concordasse em manter Perla afastada daquilo, Elizabeth acabou por ceder.

-Está certo! Vamos então despachar logo isso. – Ela aproximou-se da borda do navio e respirou fundo – Deusa Calypso, senhora e rainha dos sete mares, nós meros mortais precisamos novamente da sua ajuda…

Elizabeth olhou a sua volta, não viu nada de anormal acontecer.

-Você notou alguma coisa estranha? - Jack molhou o dedo indicador na boca e logo rodopiou-o sobre o ar.

-Nem uma brisa fora do normal, querida… – concluiu ele fechando a mão.

-Não adianta, Calypso não vai responder ao nosso chamado. – contrapôs num tom desgostoso. Num impulso Elizabeth virou costas para o mar, esfregando as mãos sobre seus braços gelados, a modos de os aquecer.

-Lizzie, olhe. – Jack apontou para o mar, o que fez ela virar-se bruscamente.

As águas da enseada agitavam-se vivamente, causando um pequeno remoinho perto do Pérola de onde saíram vários caranguejos brancos, que rapidamente subiram a bordo do navio. Uma vez no convés do navio, se amontoaram tomando a forma humana da Deusa Calypso.

-Mais uma vez, vocês mortais necessitam da minha ajuda. – disse ela num tom cínico e envolvente.

-Tia Dalma! – falou Jack, indo de braços abertos até a mulher negra, que sorriu sarcasticamente. – Ou melhor, cara Deusa Calypso.

-Jack Sparrow! – sussurrou num tom surpreendente, enquanto Jack parava perto dela – Porque será que você está sempre em cima do acontecimento?

-Nada escapa ao Capitão Jack Sparrow, Tia Dalma. Você devia saber disso desde a época em que estávamos juntos ou… – Jack fez um olhar nostálgico, com seus gestos típicos – quase juntos! Além do mais, sou eu que gero os acontecimentos.

-Sei… – concordou maliciosa, encurtando a distância entre ambos. – E em qual confusão você se meteu, desta vez, meu caro? Ainda a mesma história de Lord Silver? – Jack afirmou desajeitadamente com a cabeça. – Me dê sua mão Jack. – Ele ergueu a sobrancelha e, de um modo receoso, esticou sua mão esquerda, que Calypso pegou suavemente, analisando-a. – Estou vendo que andou novamente pelo mar Mediterrâneo, só que desta vez como pirata e… ouuhhh, aportou bem no local certo. Vejo que seu cavalheirismo continua sendo uma dádiva, não é mesmo? – A deusa deu um sorriso maroto e continuou olhando para a mão de Jack. – Não perdeu tempo em acolher um pobre coração carente em seu navio. – Ela olhou para Jack. – E eu falo carente em todos os aspectos. – Jack arregalou os olhos, e viu ela desviar novamente o olhar para a mão. – Sua história com ela é envolvente Jack, vejo que continua o mesmo pinga amor…

-Podemos prosseguir com isso, por favor! – pediu Jack, com receio que a Deusa falasse mais do que devia sobre seus sentimentos escondidos.

-Com certeza, não direi mais do que o necessário. – Naquele momento Jack sentiu-se invadido, como se Calypso tivesse lido sua mente. – Black Dog quer a Mão de Midas e está fazendo chantagem… Interessante de facto. – Ela largou a mão dele.

-Você conseguiu ver isso tudo na minha mão? – Ele analisou a sua mão, com uma expressão confusa.

-Jack… Não há nada que eu não consiga fazer. Agora, sinceramente, onde eu me enquadro nessa maravilhosa historia? – perguntou numa voz irónica, o que fez Elizabeth recear que a Deusa poderia não os ajudar.

-Nós precisamos de uma manobra de diversão. – disse por fim Elizabeth, mostrando firmeza nas suas palavras. – Precisamos achar essa Mão de Midas, enquanto alguém tenta achar as Cartas de Navegação.

-Bom plano, se me permitem dizê-lo… Mas têm a certeza de querer se deslocar até á Ilha Desaparecida e enfrentar a minha querida e terna prima, a Deusa Éris? – Ela soltou um sorriso malicioso, concentrando o olhar nos dois. – Devo avisar que, a natureza dela é mais conturbadora que a minha! Eu ainda tenho o dom da barganha, agora minha querida prima adora ver o mundo num perfeito caos, e podem crer que a fúria dela tem aumentado gradualmente desde a época em que Hades a expulsou do Tártaro devido a uns disparates, pouco impróprios, que ela fez. Poseidon castigou-a então e condenou Éris a ser protectora da Mão de Midas até á verdadeira guardiã aparecer. Como podem ver, ela não pode estar feliz naquele lugar…

-Elizabeth, a gente não pode desistir já? – sussurrou Jack de olhos arregalados.

-Deixe de ser covarde, Jack! – retrucou ela friamente, olhando de seguida para Calypso – Infelizmente não nos resta outra solução! – ,vendo a Deusa deslizar suavemente sobre o chão do convés.

-Foi por isso que me chamaram? É neste ponto onde minha preciosa ajuda entra?

-Não, caríssima Deusa Marítima, tecnicamente nós necessitamos de um outro tipo de ajuda. – Jack ganhou fôlego para continuar. - O negócio é o seguinte, nós precisamos do eunuco… – Elizabeth deu-lhe uma cotovelada acompanhada de um olhar fulminante. – …do Will Turner, digo. – Calypso soltou um sorriso de falso desprezo para o olhar preocupado de Elizabeth.

-Creio que isso esteja fora de questão meus caros…

-Isso é um caso de vida ou morte. – intercalou Elizabeth, desesperada. – Tenha compaixão…

-Compaixão? – Calypso deu um olhar impetuoso para Elizabeth. – Vocês, míseros piratas não tiveram compaixão por mim. Aprisionaram-me durante anos sem fim neste singular corpo humano, para que vocês pudessem dominar os oceanos que permaneciam sobre minha protecção, e agora pedem compaixão? – Jack viu o mar formar pequenas ondas, devido á irritação de Calypso.

-Nem em memoria dos velhos tempos? – Num tom desdenhoso, Jack passou a mão pelo ombro da Deusa, o que fez ela soltar um sorriso malicioso.

-Essa é a minha natureza… – retorquiu ela, dando ombros, indiferente aquele apelo.

-Você sempre argumenta isso, minha cara. – Ele desviou o olhar para Elizabeth. – Eu disse que de nada adiantaria, ela é sempre assim. – Ele deu duas passadas para longe da Deusa.

-Calypso, só Will nos pode ajudar! – Num tom de súplica, Elizabeth continuou, tremendo ao tentar controlar seu nervosismo. – Só ele iguala Black Dog em termos de mortalidade…

-Querida Elizabeth, seu marido tem uma missão a cumprir! Devo lembrar que, ele não poderá abandonar essa tarefa, a não ser que… – O tom de falsa esperança Calypso pareceu abrir uma expectativa em Elizabeth. – Você queira que seu marido quebre a missão, e ganhe uns certos tentáculos – ironizou a Deusa, enquanto as esperanças de Elizabeth caíram sobre terra.

-Você é Deusa, de certo poderá mexer seus dedinhos mágicos e nos arranjar uma solução plausível sobre esse assunto – sugeriu Jack, mordazmente.

-E o que sugere Jack? – perguntou ela numa expressão impassível.

-Já que tanto alega que os mares estão sobre sua encarecida protecção, porque não dispensa o garoto por alguns dias? Pelo menos até dar tempo de conseguir as Cartas de Navegação. Entretanto, você pode se encarregar atenciosamente das pobres almas que procuram a paz eterna, o que acha? – Calypso gargalhou bem alto, o que fez Jack olhar desconfiado, e Elizabeth, confusa.

-E deixar o mar por vossa conta? Para que vocês fizessem o que bem vos apetecesse do mar?

-Não seria a primeira vez que isso aconteceria. E olhe que, na sua ausência, ele continuou o mesmo á medida que os anos passaram. – contrapôs Jack, mostrando um sorriso triunfante.

-Não seja baixo Sparrow, se eu abandonei a protecção do mar foi porque vocês me fizeram prisioneira…

-Seja como for, nós soubemos cuidar muito bem dele…

-Notasse, foi por isso que criaturas como Beckett e Davy Jones vaguearam nestes mares e, quando vocês se sentiram encurralados, recorreram a mim. – Num tom sardónico a Deusa completou. – Curioso, não?

-Como você disse, nós te soltamos e te fizemos novamente rainha dos sete mares. – concordou Elizabeth, numa atitude desesperada. – Nós precisamos apenas que nos faça um simples favor…

-Ora Elizabeth, isso vindo de você até parece mal. – A Deusa aproximou-se de Elizabeth que se manteve numa posição firme e imparcial á aproximação da Calypso. – Todos nós sabemos o seu propósito, não é mesmo? Quer rever o seu marido… – E num sussurro ela continuou, sendo seguida atentamente pelo olhar de Jack. – Seu corpo pede encarecidamente o dele, e sua boca suplica para sentir novamente o gosto do beijo dele. Não vale a pena dizer que é mentira e que quer tê-lo aqui simplesmente para ajudar nessa aventura. – Elizabeth sentiu-se sem chão ao ouvir as provocações da deusa. – Se esqueceu que eu passei pelo mesmo? Apesar de ter encarregado Davy Jones de cuidar daqueles que morreram no mar, cada segundo que passava da ausência daquele maldito, amaldiçoava os céus e implorava para que aquela saudade insistente abandonasse meu coração. Você ainda teve um filho, no qual deteve sua atenção, agora eu nem isso tive. Talvez, não estivesse na minha natureza ser mãe. – Ela soltou um sorriso cínico – Sua vida é menos tumultuosa que a minha, nossas naturezas são completamente diferentes em todos os aspectos. Você nasceu para amar, eu para fazer os outros sofrer… Tanto é que abandonei o único homem que me amou.

-Lindo discurso, se me permite dizer, eu quase chorei. – ironizou Jack passando a mão pelos olhos, como quem limpa as lágrimas. – Agora, no meio desse comovente discurso, você não disse se ia colaborar ou não nesse pequeno favor. – Calypso encarou os dois seriamente.

-Eu ainda não vi o que ganho com isso? Qual é o pagamento?

-Pensei que já havíamos superado isso. – disse Jack, recebendo um sorriso maroto da Deusa.

-Velhos hábitos não mudam meu caro…

-Mal a gente se livre de Black Dog, te daremos a Mão de Midas…

-A Mão de Midas!? – exclamou Jack atónito, enquanto se punha á frente de Elizabeth de olhos erguidos. Ela fez um aceno irredutível com a cabeça, o que fez ele bufar vencido e virar-se para a deusa. – É, a Mão de Midas!

-Então temos acordo. – Ela chegou-se perto de Elizabeth, apertando-lhe a mão. – Darei no máximo duas semanas ao seu marido, que terá de cumpri-las depois dessa vossa aventura. Caso ele não volte depois desse tempo passar, Will ganhará uns tentáculos extra e só poderá pisar em terra um dia a cada dez anos…Um preço justo a pagar, você não acha? – Elizabeth não pronunciou nenhuma palavra. – Você toma essa grande responsabilidade?

-Tomo! - afirmou num tom robusto vendo a Deusa virar costas… – Calypso. – Ela se virou instantaneamente – Eu queria saber uma coisa, fora do contexto desta aventura. – A deusa fez um gesto para ela continuar – Caso a fiel enamorada do Capitão do Holandês Voador espere por ele, passado esses dez anos, a maldição que ele carrega se quebra? – O coração de Elizabeth acelerou ligeiramente, ansiosa pela resposta.

-Posso dizer que criei essa maldição com o propósito de ver o quanto Davy Jones amava o mar… – Ela levou a mão ao peito – O quanto ele me amava. Você não acha que eu queria ter o meu homem, depois de tanto tempo afastado dele?

-Ela amava-o muito! – murmurou Jack, sardónico. – Tanto é que, você o esperou no local exacto em que combinaram, para receber o seu amor depois dos dez anos afastados. – A Deusa permaneceu quieta ao sentir o efeito das palavras irónicas de Jack. – Se você amava ele e o traiu desse jeito, eu nem quero imaginar o que você faria se o odiasse…

-Não admito que me julgue, Jack Sparrow. Logo você que é tão incerto quanto o mar… Jack, Jack, apesar de tudo, nós somos muito parecidos nesse pequeno aspecto, sabe?

-Não me queira comparar com você…

-Longe de mim querer comparar nossas pessoas, mas será que você não faria o mesmo que eu? – Ela tocou no rosto dele num tom provocante, o que fez Jack tomar uma expressão de falsa indiferença. – Ou será que sua natureza mudou tanto assim desde que conheceu uma certa princesa? – provocou-o numa voz de triunfo.

-Jack, o que ela quer dizer com isso? – perguntou Elizabeth confusa com aquele jogo de palavras.

-Que o seu querido capitão, abdicou de um tesouro supremo para poder usufruir da coisa mais valiosa desse mundo…o coração de uma princesa, que ele simplesmente não pode ter, dramático não? – provocou ela vendo os olhos de Jack escurecerem. – Eu diria antes uma loucura completa.

-Você está errada, meu único amor é o mar. – rosnou Jack, continuando rígido.

-Cada um crê naquilo que quer, mas eu vou te dar um conselho gratuito em nome dos velhos tempos: não queira enganar uma Deusa, sabe que perde…

Naquele momento, Perla saiu da porta do porão, onde todos desviaram sua atenção. Ela ficou perplexa ao ver aquela mulher negra, cheia de adereços no cabelo embaraçado e numa veste espampanante no convés. Ao ver todo o mundo em silêncio, ela precipitou-se até eles não desviando o olhar de Jack.

-O que se passa aqui? – perguntou ela, como quem exige uma explicação.

-Muito bela por sinal, agora entendo o porquê dos seus emaranhados pensamentos, de facto, é uma luta grandiosa entre o querer e o não querer de algo que não pode ser seu… – E no ouvido dele finalizou. - Jack Sparrow não sabe o que quer? Ou tem medo de reclamá-lo para si? – Ele reconheceu aquela frase do dia em que tinha ido até á cabana de Tia Dalma, o que o fez abrir ligeiramente a boca.

-Quem é você? – Perla observava-a de uma ponta á outra.

-Que falta de delicadeza a minha. – Calypso aproximou-se de Perla com um sorriso faceto. – Sou a Deusa Calypso, protectora destes mares. – Ela fez uma teatral vénia. – Ouvi falar muito de você, Perla Bonny Neblon, e de seu noivo... – Calypso olhou á socapa para Jack. – Alessandro Dimas Ramizes, um bom moço que fez de tudo por você. – Aquelas palavras atingiram o peito de Perla feito uma faca. – Eu adoraria conhecê-lo, mas ficará para mais tarde, meus assuntos são outros…Trazer Will Turner até esta enseada.

Ela virou-se repentinamente em direcção ao mar, erguendo suas mãos até ao céu. As águas cristalinas borbulhavam intensamente ao tempo que Calypso pronunciava algumas palavras em latim primário, o que fez a atenção de todos ficar presa ao mar, esperando que algo acontecesse. O céu amarelo vivo ganhava uma nova tonalidade, como se um manto negro se apoderasse daquela manhã e os ventos tornavam-se mais fortes do que habitual, fazendo as velas esvoaçarem violentamente. O Pérola Negra ia balançando conforme a agitação do mar, fazendo Perla se agarrar a Jack, que a segurou firmemente. Ao sentirem essa mesma agitação, os capitães lordes dos outros navios, juntamente com as respectivas tripulações, vieram até aos seus convés para observar o que se passava, deparando-se com aquele cenário macabro.

Da porta do Porão saiu toda a tripulação do Pérola para apreciar o sucedido, enquanto as palavras de Calypso iam se afirmando cada vez mais naquele espaço, numa espécie de ritual, ao passo que das profundezas do mar, um navio aparecia diante do Pérola Negra, expelindo água por todos os lados, flutuando sobre as sossegadas águas. O céu novamente clareou e o ambiente acalmou, mas houve algo que naquela hora disparou, o coração de Elizabeth, que batia descompassadamente ao ver o Holandês Voador diante de seus olhos.

Já no Holandês Voador, Will observava com uma expressão confusa aquele panorama, não sabendo aonde estava, muito menos como teria chegado até ali. Seu pescoço mexeu ligeiramente para o lado, vendo a mesma expressão exposta nos rostos da sua tripulação. Ele deu dois passos largos até a seu pai, que observava um monte de navios empilhados uns em cima dos outros formando uma espécie de pirâmide.

-Pai, o que estamos fazendo aqui? – indagou ao ver Bill com um rosto tenso.

-Esta é a Enseada dos Náufragos. – murmurou ele num tom brando, fazendo Will olhar para aquele amontoamento de navios. – E aquele ali é o Pérola Negra! – Ao tempo em que Bill pronunciava aquilo, Will rodou a cabeça para a outra extremidade do navio, vendo um navio negro atracado ao lado do seu.

A tripulação do Pérola Negra acabou por ligar os navios através de uma tábua, onde Calypso, Jack, Perla e Elizabeth atravessaram sem hesitar, passando rapidamente para o Holandês Voador. Quando os pés de Elizabeth tocaram naquele navio, ela sentiu um arrepio, que percorreu seu corpo todo, mas permaneceu imóvel, tremendo incontrolavelmente ao estar com Will depois de um ano sem se verem, ou tocarem.

-Elizabeth! – murmurou ele, tentando ter certeza de que aquilo não era mais uma de suas ilusões.

Ao ouvir seu nome ser pronunciado com tanta doçura, Elizabeth ganhou confiança em si mesma e correu sem hesitar para os braços de Will, onde se beijaram intensamente tentando matar aquela saudade que vinha corroendo suas almas de pobres enamorados. Will puxou-a mais contra si para ter certeza que ela estava mesmo ali, fazendo-a elevar um pouco seus pés do solo.

Jack passeava com os olhos por cada ponta daquele navio, com uma expressão séria. Apesar da sua estadia ali ter sido curta, fora suficiente para arrecadar um monte de memórias desagradáveis. Principalmente o facto de seu amigo, se assim o podia considerar, ter sido brutalmente golpeado pelo aço daquela espada impetuosa de Davy Jones. Agora Will estava ali, consideravelmente vivo, beijando a mulher que ele tanto amava, embora só a pudesse tocá-la uma vez a cada dez anos. O preço muito alto a pagar para um jovem casal apaixonado.

-Será que podem deixar esse vosso afecto emocional para mais tarde? – interveio Calypso no momento do casal. Elizabeth e Will desuniram suas bocas, observando-se insistentemente com um leve sorriso exposto nos lábios.

-O que você faz aqui?

-As coisas pioraram Will, Black Dog voltou e…

-Você devia estar longe disso tudo. – Um tom de preocupação fez-se notar na voz de Will – Agora você tem novas responsabilidades em terra que a impedem de colocar sua vida em perigo.

-Eu sei disso! Não me vou vangloriar ao ponto de dizer que sou a única que pode deter Black Dog, – disse num tom apreensivo – mas o certo é que sou a única esperança que resta a estes lordes e a todos os piratas…

-Você é a minha esperança Elizabeth, a esperança do nosso filho. – rebateu ele meigamente, passando sua mão pelos cabelos dela. – Só você pode cuidar dele! Devido a esta maldição, eu não poderei acompanhar a infância dele, caso algo te aconteça.

-Mas também sou a perdição dele Will, ao meu lado ele corre perigo… Black Dog vai querer se vingar de todos os piratas lordes que o humilharam e aprisionaram aqui na Enseada, e não poupará nenhum. Ignorar este facto é colocar o nosso filho em perigo, por isso farei todos os esforços para o livrar deste mal. – Will fechou os olhos para pensar. – Sei que você nunca me perdoaria se eu não procurasse sua ajuda para tirar nosso filho desta encrenca começada por mim.

-Está certo! Eu estou disposto a ajudar no que for preciso…

-Sem querer interromper, já interrompendo este momento absolutamente familiar, mas o tempo está correndo e eu odeio perdê-lo quando ele é extremamente precioso, Savvy? – Jack andou um pouco, enquanto esbracejava suas mãos no ar.

-Calypso… – murmurou Will vendo ela lançar um sorriso ao ouvir seu nome – Aquela que me vem testando…

-Apenas venho testando sua firmeza William Turner e, pelo que vi, você é um garoto que sabe o que quer, Parabéns – felicitou ela num tom de desdém. – Agora, aproveite bem as duas semanas que lhe dei para resolver suas desventuras com esse Black Dog, mas que fique claro, você terá de as compensar quando voltar ao seu serviço.

-Muito bem é justo. – Ele olhou para todos ali presentes. – Vamos até a minha sala, lá falaremos melhor.

De mãos dadas, Will e Elizabeth foram na frente, sendo seguidos pelos tripulantes do Pérola Negra a passadas largas e firmes. Não demoraram muito tempo a chegar, pois a sala ficava mesmo debaixo do castelo da popa, que rapidamente ficou ocupada. Todos entraram sem hesitar, colocando-se ao redor da mesa, onde apenas se encontrava um mapa aberto e um tinteiro preto que fazia contraste com a altiva pena branca. Will fez um gesto para que as mulheres se sentassem nas duas cadeiras disponíveis, ao qual Perla recusou gentilmente, e Elizabeth sentou-se sem a maior das cerimónias, sempre de mão dada ao marido. O olhar de Will finalmente recaiu sobre Jack, que tentou fazer um ar dissimulado, nada convincente.

-Para você, Jack, estar envolvido nisto, é porque há algo mais nesta aventura, não há? – Jack levantou as mãos para responder, mas Perla antecipou-se:

-Há senhor Turner! – interviu Perla saindo detrás de Jack, em passos lentas. – Um tesouro supremo! Algo que todos os homens á face da terra desejam possuir, e Black Dog não é excepção. – Ela fez uma pausa ao ver todos olharem para ela, mas logo prosseguiu: – Como tal, ele raptou minha irmã e está querendo um resgate, por isso, esse objecto terá de ser encontrado para a resgatar. Mediante disso, armamos este plano. O Holandês Voador juntamente com o restante dos lordes irão atrás das Cartas de Navegação, que se encontram com Silver, e o Pérola deslocar-se-á até á Ilha Desaparecida em busca da Mão de Midas para desviar a atenção de Black Dog sobre meu envolvimento na recuperação das Cartas. – explicava Perla ao analisar o olhar concentrado de Will em cada palavra. – Vocês precisam torná-lo um mortal para que possamos matá-lo de uma vez por todas.

-Então é isso! – concluiu Will num tom de análise ás últimas palavras.

-Como vê caro Will, tudo questões familiares. – ponderou Jack com seus gestos típicos. – Perla anseia ver Black Dog morto para rever a irmã, você e Elizabeth desejam vê-lo morto por causa de seu filho e eu bom…nada familiar espero. – finalizou Jack fitando todos que o encaravam de uma forma silenciosa.

-Como saberemos onde Silver se encontra? – perguntou Will quebrando aquele silêncio. Todos ficaram pensativos, não havia maneira de saber onde se encontrava Silver. Logo ele que era um homem sem rumo.

-A bússola de Jack! – sugeriu Elizabeth, olhando para a cintura dele.

-Lamento informar minha querida, mas irei precisar dela para achar uma certa ilha…

-De onde veio essa bússola, poderá vir mais. – A Deusa fez um gesto rápido no ar com a mão, enquanto algo se formava no cimo dela. Passados segundos, algo caiu lentamente na mão de Calypso. – Esta pequena bússola tem as mesmas funcionalidades que aquela. – Calypso entregou-a a Elizabeth.

-Era mesmo isto que precisávamos. – assentiu Elizabeth, apertando a bússola com força na sua mão.

-Bom, agora que meus préstimos não são mais precisos aqui, eu vou cuidar de umas certas almas. - Ela virou-se para Jack e sorriu sardónica. – Não se esqueça do meu pagamento meu caro, espero que não queira provar da minha fúria.

-Eu não esquecerei… – afirmou Jack num tom mordaz, ao ver ela sorrir-lhe e transformar-se num monte de caranguejos brancos que correram para a porta da sala principal.

-Que pagamento? – questionaram Will e Perla em uníssono.

-Ora perguntem á senhorita negociante. – Jack apontou para Elizabeth, que abriu a boca ligeiramente olhando para os lados. - Ela melhor do que ninguém saberá vos explicar esse facto irreversível. – Ele cruzou os braços fingindo-se de amuado.

-Eu lhe prometi a Mão de Midas, quando este assunto do Silver tivesse arrumado. - Perla se inquietou, mas Elizabeth tentou tranquilizá-la. – Nós não tínhamos um pagamento adequado para ela, mas fique tranquila, Calypso só tomará posse dela quando o Silver entregar sua irmã.

-Está certo, desde que minha irmã esteja em segurança, vocês até podem afundar essa Mão de Midas. Eu não a quero para nada.

-Perla, amor, aquela… aquela Mão é o tesouro supremo… – articulou Jack, escandalizado com a falta de interesse de Perla pela Mão. – Você poderia transformar todo este mundo em ouro puro se quisesse. Como é possível você não ter um certo interesse por ela? Todos nós temos um pouco de ambição, de certo você não foge á regra…

-Eu tenho minhas ambições, senhor Sparrow. – Ela olhou-o com uma expressão impaciente. – mas não sou gananciosa, isso foi o que levou á maldição de Midas. A ambição de todos os seres humanos que a quererem possuir. – Perla maneou a cabeça em direcção ao casal, com um rosto mais descontraído. – Vamos agora ao que interessa: o tempo do senhor Turner é curto e, como disse o Jack, nesta altura o tempo é precioso.

-E este é um dia bom para partirmos! – ressoou uma voz grossa atrás deles. – É bom ver você de novo, capitão Turner.

-Obrigado, capitão Barbossa! – agradeceu com um aceno rápido de cabeça, enquanto Barbossa permanecia com um robusto sorriso nos lábios.

-Barbossa! – rosnou Bill ao vê-lo – Não mudou nada…

-Engraçado, você também não caro Bill apesar de ter trocado de ares, ao vender a alma a Davy Jones… – Ele aproximou-se do homem, dando-lhe umas palmadas nas costas. – Mesmo assim, espero que tenha esquecido as nossas pequenas divergências do passado. Não seria de bom-tom trazemos á tona o nosso desentendimento visto que temos problemas mais sérios, se é que me entende! – contestou Barbossa com um sorriso desdenhoso.

-Uma vez em toda a sua vida, você tem razão Barbossa… – Ele desviou o olhar para o filho. – O que vamos fazer então?

-Ora, o que é óbvio, vamos colocar o plano em acção. – abordou Barbossa num tom robusto, socando o ar de mão fechada.

-Pai, por favor, faça a gentileza de ir avisar a tripulação para preparar o navio para partir. – Num aceno rápido, Bill saiu da sala em direcção ao convés superior.

-Caro Hector. – Jack pigarreou ao aproximar-se dele lentamente. – Eu estive pensando, e como foi você que casou o nosso casal favorito, você poderia ocupar o seu traseiro imundo num dos aposentos deste navio, para matar saudade deles, o que acha?

-Está querendo se livrar de mim, ou é impressão minha?

-Eu livrar de você? – Jack formou uma expressão de falso espanto, e continuou num tom desdenhoso: – Ohhh, não Hector, claro que não! Longe de mim querer me livrar da sua calorosa companhia meu amigo. – Barbossa arqueou a sobrancelha, rodando os olhos. – Aceite isso apenas como uma sugestão.

-Será muito bem-vindo a este navio, e sua ajuda será sempre necessária. – incentivou Elizabeth, sorrindo.

-Bom, já que o meu velho amigo Jack insiste tanto, porque não aceitar a sugestão dele? – desdenhou Barbossa. – Visto que a abordagem que este navio vai fazer, será muito mais divertida do que atracar numa ilha deserta.

-Vá e morra longe de preferência. – resmungou Jack, acompanhado com um sorriso maquiavélico, ao tempo que esfregava as mãos.

-Ahh Jack, eu vou, mas volto para ocupar o meu lugar de capitão no Pérola, não se esqueça…- completou Barbossa, vendo o sorriso de Jack desmoronar.

-O navio é meu!

-Não, é meu!

-É meu…

-Ainda essa história? – perguntou Will com um sorriso exposto nos lábios.

-Acho que eles vão passar a vida deles disputando o Pérola Negra, amor. – concluiu Elizabeth dando de ombros, ao passo que os via rosnar de dedos erguidos na cara um do outro.

E cá estão de volta os antigos personagens da história, como Calypso e Will! Principalmente Will que ajudará na procura da solução para derrotar Black Dog, o vilão Silver rs. Aqui os ventos começam a mudar de direcção e novas aventuras terão um novo começo rs, espero que gostem.

Jessica Rossettini: Oiii tudo bom com você? Obrigada por ter deixado sua marquinha no anterior capitulo, espero que tenha gostado deste.

Roxane Norris: Oiii amoree obrigada, novamente, por ainda ter paciência de betar mais um capitulo meu rs! Quanto ao Silver, eu tinha de o pô-lo no anterior capítulo, já que toda a gente apareceu! E vou confessar, eu adoro o Silver, apesar de ser um pouco mauzinho rs. Te adoro mt querida

Dorinha Pamella: Olaa! Obrigada, sinceramente foi um pouco difícil trabalhar com um monte de personagens, principalmente com os lordes da corte que são cheios de manias rs! Quanto ao Silver, ele não poderia faltar rs, já faz parte da mobília da casa ehehe.

Jane: Não, o senhor Gibbs não está apaixonado pela Perla lool, apenas tem um carinho muito grande por ela, e não a quer ver mal. Mas quanto ao senhor Gibbs, ainda há muito que se lhe diga (cenas dos próximos capítulos). Quanto á corte, tentei ser o mais fiel á do filme, só que com a Perla lol.

Gabriela Black: Nossa menina, que monte de saudade! Sério, já sentia saudades suas, pensei que tinha desistido de ler fics. Ainda bem que está de volta, gostava de "ver" você mais vezes "por aqui". Você tem Orkut? Obrigada pela sua review.

Bruno: As tuas marquinhas são sempre bem vindas, tu sabes. É, a Perla tem muito da mãe, e da avó também lol, que foi uma pirata tão bem conhecida. Pois é, milagres acontecem lool, o Barbossa ( coitado, imagina o sacrifício que fez ) teve que admitir que o plano de Jack era bom, só para acabar de vez com o aquela zaragata, e porque era a única hipóteses para acabar com Black Dog.

Ieda: Claro que perdoo, não tem problema não com o atraso! Eu também tive esse problema para mandar reviews para as pessoas aff --'. Ahh que bom que você gostou, eu estava com medo de não conseguir descrever a Enseada conforme ela era. Obrigada por suas palavras, você sabe tocar no ponto de uma escritora rs. Espero que tenha gostado deste capítulo. Te adoro.

Likha Sparrow: Vocêé como eu! Também tenho sempre uma quedinha para os vilões, tenham eles que final tenham rs. É, e os Lordes não mudaram nada, têm sempre tendência em piorar rs. Obrigada, mais uma vez, por usa review.

Finni Felton: Mana, não tem problema, tu lê quando puderes, eu sei esperar sempre por uma marquinha tua. Eu respondo as Reviews não tão directamente. Dorotyyy mtooo.

Resumindo, obrigada, de coração, por vossas reviews, elas são o meu ponto de inspiração e a força que me faz passar as ideias para o papel.

No próximo capítulo vamos ter revelações sobre o passado de um personagem querido…não digo o titulo porque senão vai ficar obvio demais :P.

Fiquem bem e bjoka grandeee

Taty Black