Capitulo 17 – Doces delírios!
Quando o crepúsculo era evidente lá fora, Estella se manteve deitada num monte de cobertores velhos que o Sr. Jochem tinha, há bem pouco tempo, colocado na cela para as noites de Inverno, que começavam a tornar-se cada vez mais frias. Ela fitava concentradamente o tecto da gélida cela, enquanto cantarolava algo baixinho, que só ela mesma escutava.
-Exércitos conquistaram / e caíram no fim / Reinos ascenderam / depois são enterrados na areia / A Terra é nossa mãe/ ela dá e ela tira / Ela nos põe para dormir e / na sua luz nós despertaremos / Nós todos seremos esquecidos / Não há nenhuma fama infinita / Mas tudo que nós fazemos / Nunca é em vão…
Silver caminhava em direcção á cela, em passadas ritmadas pelo compasso da canção lenta que Estella cantarolava suavemente. O tirilintar das chaves de Pewal fazia notar a chegada dos dois homens, ao tempo que Estella maneava a sua cabeça lentamente para a porta da cela, onde eles já se encontravam. Pewal abriu rapidamente a porta, e Silver entrou a passos curtos e firmes.
-Há quanto tempo ela não come? – averiguou Silver num tom ríspido, observando a garota.
-Desde de ontem, senhor! – Estella virou a cabeça para o tecto, pouco importada com a presença deles e continuou a cantarolar.
-Nós somos parte de uma história / Parte de um conto / Nós todos estamos nesta viagem / Ninguém vai ficar / Onde estão indo/ Qual é o caminho?
-Ela está assim desde ontem, meu capitão. – acrescentou Pewal – Parece que está querendo morrer.
-Saia! – ordenou Silver num olhar severo, e o marujo obedeceu assim que pôde. – O que você está fazendo Estella? – Silver aninhou-se perto dela, passando a mão pelo seu rosto pálido.
-Estou facilitando as coisas para você – rebateu numa voz rouca, desviando um pouco o olhar vidrado para ele. – Estou cansada deste jogo Silver, não aguento mais isto. Eu prefiro morrer agora, do que ver minha irmã trazendo aquele maldito objecto só para me salvar.
Silver a analisou em silêncio. Era preciso ter uma enorme coragem e força de vontade para se entregar á morte de uma maneira tão decisiva, sem medir esforços, ou então, ser louca o suficiente para fazê-lo. Embora não admitisse, aquele acto dela o assustou. Não a podia deixar morrer, não agora que estava conseguindo o que queria.
Silver passou a mão pelos seus cabelos compridos e se questionou: " Mas afinal o que eu quero?" Ele tinha tudo o que queria, sempre o teve, ou…será que não? Estella conseguia embaralhar a sua cabeça insana, como se um temporal invadisse sua mente sem piedade e varresse de lá todos os seus ideais. Devido a isso, Silver tentava evitá-la, não queria que Estella amolecesse ainda mais a sua forma de ser.
Furioso, ele deu um tapa na testa, deslizando a mão pelo seu rosto comprido, e fitou-a mais uma vez. Num impulso Silver pegou em Estella, que parecia um peso morto em seus braços. Amaldiçoou-se por estar fazendo aquilo, mas seu subconsciente não o permitia abandoná-la naquela cela esquecida pelo diabo. Estella não contestou aquela situação, pelo simples facto de não querer medir forças com Silver, principalmente naquele estado.
Em passadas largas, Silver rapidamente chegou ao convés inferior, onde procurou o primeiro imediato para que ele trouxesse um bom prato de comida para a jovem princesa se alimentar. De volta aos seus aposentos, Silver a deitou sobre sua cama e a cobriu. Passado alguns segundos, Sr. Jochem entrou com um prato de carne mal passada, o que fez Estella torcer o nariz.
-Peço as minhas reais desculpas se isto não está ao seu agrado, mas o cozinheiro do navio não tirou um curso de culinária como os cozinheiros do palácio, my ladie. – ironizou Silver sentando-se na cama, com o prato de comida na mão.
-Nem que esse fosse o melhor petisco do seu soberbo cozinheiro, eu comeria. – contrapôs Estella, virando-se para o outro lado da cama.
-Ahhh mas é que vai comer mesmo, ou será que prefere ir jantar nua com a tripulação? – Estella virou-se repentinamente com um expressão incrédula. – Então, ganhou apetite para este pedaço de carne? – Ele esticou o garfo com um pedaço na direcção dela.
-Você é repugnante…
-E você uma garota mimada! Agora coma antes que eu perca a paciência.
Com alguma dificuldade Estella sentou-se na cama e encarou-o com uma expressão indignada, ao passo que ele lhe dava o garfo á boca. O processo repetiu-se durante várias vezes, até finalmente o prato ficar vazio. Silver levantou-se, então, para pousar o prato na mesa e logo olhou para a garota, que estava se levantando da cama. Ao ver que os pés dela falsearam ao tocar a madeira fria, Silver adiantou-se a ela, amparando-a antes que caísse ao chão. O olhar de ambos se encontraram, tornando o ambiente tenso.
Face to face -- my lovely foe (Cara a cara -- meu adorável inimigo)
Mouth to mouth -- raining heaven's blows (Boca a boca -- sopros de um céu em chuva)
-Agora que já me alimentou, eu devo voltar para a cela, onde é o meu lugar.
-Você vai ficar aqui até deixar essas ideias suicidas de lado…
-Só de olhar para a sua cara, faz-me aumentar essas ideias a uma velocidade surpreendente. – Silver acariciava o rosto dela com as costas da mão, a qual ela tentou se esquivar, com repugna.
-Temo que terei de demovê-la do seu intuito... – murmurou ele a milímetros de distância dos seus lábios.
-Você é louco. – retrucou num sussurro envolvente ao sentir finalmente lábios dele mergulharem nos dela. – E eu igualmente insana por cair nos seus caprichos.
Silver pegou novamente ela no colo, enquanto Estella enlaçava-lhe o pescoço. Ele a encaminhou para a cama, e delicadamente a deitou sobre o cobertor. Estella observou cada movimento vindo de Silver, e tremeu ao senti-lo deitar o corpo dele sobre seu.
-Vai-me dizer que não são caprichos deliciosamente agradáveis.
-Silver, entregar-me a você é o mesmo que ir contra Siracusa. – Ela colocou as mãos no peito dele, para o travar. - Além do mais, você está me causando um grande mal, como quer que eu te olhe com outros olhos?
-Deixe-me mostrar então que, nem todas as minhas intenções, seguem por um caminho tão ruim assim….
Cheek to cheek -- the bitter sweet (De rosto colado -- o doce amargo)
Commit your crime in your deadly time (Comete seu crime em sua hora mortal)
It's too divine -- I want to bend (É tão divino -- eu quero me entregar)
I want this bliss but something says I must resist (Eu quero este êxtase mas algo me diz que eu devo resistir)
Ele gentilmente tirou as mãos dela sobre o seu peito, e as beijou, fazendo-a estremecer. Silver baixou o seu rosto, colando-o quase ao de Estella, enquanto beijava suavemente o ombro dela. Lentamente ele foi descendo a alça do vestido, sobre o olhar atendo dela, até não ser mais empecilho para seus lábios. Ao sentir a mão dele percorrer-lhe as costas, ela fechou os olhos mordendo o lábio inferior, mas tornou a abri-los, ao ver a pressão sobre seu corpo diminuir. Estella observou-o com o seu coração acelerado, como se a qualquer momento ele fosse sair do seu peito.
-Eu gostaria de acreditar sinceramente em você…- murmurou ela, enquanto ele rolava para o lado, sentando-se a beira da cama e pegava numa das maçãs do cesto ali perto.
-Porque não? Eu apesar de ser um homem frio e calculista, posso ter muita boa coisa por desvendar.
Silver deu uma mordida bem suculenta á maçã, enquanto o seu sumo escorria pelo queixo abaixo. Estella apenas teve tempo de respirar fundo, puxando sua alça novamente para cima. Ela se acomodou na cama, sentando-se de pernas esticadas em direcção a Silver, que continuava com um sorriso maroto ao ver a bela jovem que parecia uma deusa, sentar daquela maneira na sua cama.
-Uma das suas coisas boas é me matar, não é verdade? – disse-lhe mordaz, fazendo seu olhar se tornar mais inocente.
Naquele momento, Silver agarrou numa perna dela, e a puxou delicadamente para ele. Estella cedeu a cada toque, tentando resistir, o que era simplesmente difícil. Com um movimento simples, ele puxou as vestes dela para não atrapalhar, e passou uma das pernas dela pelas suas, sentando-a no seu colo e enlaçando-a pela cintura.
Another life -- another time (Uma outra vida -- um outro tempo)
We're Siamese twins writhing intertwined (Nós somos gémeos siameses contorcendo-se um no outro)
Face to face -- no telling lies (Cara a cara -- sem mentiras)
The masks they slide to reveal a new disguise (As máscaras caem para revelar um novo disfarce)
You never can win -- it's the state I'm in (Você nunca pode vencer -- é o estado em que me encontro)
This danger thrills and my conflict kills (O perigo excita e o meu conflito mata)
They say follow your heart -- follow it through (Dizem para seguir seu coração -- segui-lo até o final)
But how can you -- when you're split in two? (Mas como você pode fazê-lo -- quando está dividido em dois?)
-Um pequeno segredo... – Silver estava cara a cara com ela, olhando-a seriamente - Traga sua irmã ou não esse objecto, eu simularei sua morte e te levarei comigo para onde quer que vá. – Estella petrificou ao ouvir aquilo. – Eu quero você comigo!
Silver encarou os olhos cor de mel da princesa, enquanto a cabeça dela entrava em confusão. Estella estava cada vez mais envolvida na teia de Silver, e isso a atormentava. Embora tentasse lutar contra aquele sentimento que crescia avassaladoramente, tornava-se cada vez mais óbvio que Silver tinha ocupado o lugar vazio deixado por Alessandro.
Mesmo assim, será que esse maldito sentimento contribuiria para uma fuga com Silver? Compartilhar uma vida com um pirata assassino, longe de Siracusa e de sua irmã, que estava fazendo de tudo para salvá-la? Confessava a si mesma que o perigo era excitante, mas quem sabe se Silver a quisesse só mesmo para atingir seus fins? Se a quisesse usar contra Siracusa... Ela suspirou lentamente envolvida naquela agonia. Aquele conflito de dúvidas matava-a lentamente.
And you'll never know (E você nunca saberá)
You'll never know (Você nunca saberá)
-Isso é mais uma das suas mentiras! – rosnou ela, com a respiração fogosa.
-Vai depender de você, querer ou não acreditar em minha palavra. - Estella sentiu os lábios dele nos seus, com aquele sabor intenso da maçã.
One more kiss -- before we die (Mais um beijo -- antes de morrermos)
Face to face -- and dream of flying (Cara a cara -- e sonhando em voar)
Who are you? -- who am I? (Quem é você? -- quem sou eu?)
Wind in wings -- two angels falling (Vento sob as asas -- dois anjos caindo)
To die like this -- with a last kiss (Morrer assim -- com um último beijo)
It's falsehood's flame -- it's a crying shame (É uma chama de falsidade -- é uma vergonha chorar)
Face to face -- the passions breathe (Cara a cara -- as paixões respiram)
I hate to stay but then I hate to leave (Eu odeio ficar mas, então, odeio ir embora)
Ela encarou-o firmemente, procurando algum sinal de deboche em seu rosto, mas encontrou uma expressão séria, não expondo qualquer traço de escárnio. Por mais que seus pensamentos entrassem em colisão, ela resolveu dar-lhe o benefício da dúvida, deixando-se assim, levar-se pelo doce desejo que queimava sua pele.
Mordendo o lábio inferior sobre o olhar atento dele, ela se aproximou, tomando a iniciativa de o beijar ardentemente. Despejando todo seu desejo, num sinal de entrega livre e espontânea, sem nada que a fizesse parar. Não se reconhecia, mas isso pouco lhe interessou. Silver, ao contrário, parecia deliciar-se com a atitude inusitada da garota, e atirando a maçã ao chão, envolveu-a em seus braços, beijando delicadamente os ombros de Estella, ao passo que ela desabotoava, impacientemente, sua camisa. Quando finalizou aquela tarefa, ela atirou a camisa para o chão, deixando o peito bem definido de Silver exposto ao seu toque, o que a fez sentir um calafrio gostoso na espinha. Ao compasso da suave melodia das ondas, ele passeava a mão nas pernas da princesa, subindo sorrateiramente o vestido até os quadris. Ao sentir o toque quente dele sobre sua perna fria, Estella arranhou marotamente as costas dele, arrancando um gemido rouco dos lábios do capitão em resposta a sua investida, e fazendo-o fitá-la com um olhar desejoso.
-Confesso que esta noite será interessante. – provocou ele, ao vê-la soltar um belo sorriso tímido.
-Então porque esperar mais? – sussurrou ela, com a respiração entrecortada ao seu ouvido
XxxXxxX
-Florestas e desertos / Rios, mares azuis / Montanhas e vales / Nada aqui permanece / Enquanto nós pensamos / Nós testemunhamos / Nós somos parte da cena / Esta história sem-fim / Onde conduzirá/ A Terra é nossa mãe / Ela dá e ela tira / Mas ela também é uma parte / Uma parte do conto.
Perla cantarolava esmorecida, enquanto caminhava vagarosamente para os aposentos. Sua mãe tinha ensinado aquela música para que tanto ela, quanto sua irmã, cantassem quando se sentissem sozinhas ou desesperadas devido a qualquer situação que as pusesse para baixo. Deanne fazia-a soar num som embalador, aquietando o coração das filhas, mas agora apenas a voz dela permanecia na cabeça das jovens, já que estava mais presente na vida delas.
Com a mão, Perla esfregou devagarinho o nariz, que ainda estava razoavelmente vermelho, devido ás últimas emoções por que passara. Novidades que, por breves instantes, pensou ser mentira. Ainda estava incrédula com a história de Gibbs, que ecoava por sua mente atormentada. Tudo era completamente fora do real. Como era possível sua mãe se ter envolvido com um guarda? Não que houvesse mal, mas não conseguia ver Deanne tento tal atitude.
Perla fechou os olhos por breves momentos, esperando recordar-se de Gibbs, ou até de Jack, lá no palácio de Siracusa, mas nada lhe ocorreu. Naquela época, ela ainda era uma criança, era natural não se recordar de tais detalhes.
-Nós somos parte de uma história / Parte de um conto / Às vezes bonito e às vezes insano / Ninguém se lembra como começou...
Continuou ela, enchendo seus pulmões com uma boa quantia de ar, acabando por expirar pausadamente, até finalmente chegar á porta dos aposentos. Perla abriu-a silenciosamente, e logo encontrou Jack, balançando distraidamente o pé fora da rede. Ele mantinha seu rosto tapado com o chapéu, para que a luminosidade não lhe queimassem as vistas. Ao vê-lo tão descontraído, ela crispou os lábios violentamente, decidida a falar com ele. Com isso, Perla levantou o chapéu de Jack que, ao deparar-se com ela e com um berro de susto, levantou-se.
-Vá matar sua avó de susto! – retrucou ele, retirando grosseiramente o seu chapéu das mãos de Perla, e colocando-o na cabeça.
-Eu devia era te matar por, novamente, ter mentido.
-Perai, você falou novamente? Qual foi a primeira vez que te menti? Porque simplesmente está escapando a memória... – disse ele com um ar dissimulado, olhando com uma expressão de pura inocência.
-Você tem memória curta, senhor Sparrow! – Ela tirou a espada e apontou-lhe ao seu"pertence".– Estou vendo que terei que reavivá-la.
-Ei, ei, ei… O que você está fazendo sua doida? Eu preciso desse meu pertence intacto, se me der essa gentileza. – Jack arregalou os olhos com cara de horror.
Perla fez uma expressão de quem está pensando no assunto, enquanto Jack achava que ela era maluca o suficiente para o castrar ali mesmo. O que fez pequenas gotículas de suor escorregar-lhe pela testa. Mordendo o lábio inferior com um sorriso exposto no rosto, e mostrando-se divertida com a situação, ela decidiu guardar a espada, fazendo-o bufar ao limpar o suor de sua testa.
-Por hoje passa… - ponderou Perla, cruzando os braços - Mas fique ciente que, da próxima vez, não serei nada gentil.
-E creio que te devo agradecer por isso. – ironizou Jack, mas logo se calou ao ver ela colocar a mão no cabo da espada, e ergueu a sobrancelha ao completar: – Ok, muito obrigada por preservar, por mais uns dias de vida ao meu maior pertence.
-Já sabe o que acontece se me voltar a enganar…
-Mas eu não te enganei. – insistiu, colocando suas mãos fechadas debaixo do queixo, como quem faz birra. - Apenas ocultei um segredo de um velho amigo. Savvy? – Jack encarou a garota desconfiada. - E pelo que vi, vocês até chegaram a se entender…
-Não abuse da sorte, Jack. – Ela sentou-se na cama, tirando as botas para o chão, que fez um barulho oco. – Bem que o capitão Barbossa alertou-me das suas intenções…
-O que aquela, aquela…alforreca gigante com mania de capitão disse sobre minha pessoa? – Jack seguiu cada movimento dela, vendo-a deitar com os braços cruzados atrás da cabeça.
-A alforreca gigante, como você bem lhe chama, alertou-me que você era bem capaz de jogar certas cartadas para benefício próprio, ou seja, jogar sujo.
-Juro que quando tiver com aquela amostra de homem gigante, vou-lhe cortar aquela barba horrível tão rentinha, que ela até vai ter medo de voltar a crescer. – resmungou Jack esbracejando suas mãos no ar.
-Ah Jack, não queira esconder a verdade com um pequeno ajuste de contas. – Ele fez uma expressão de safado, e em passos peculiares, Jack sentou-se na cama, fazendo-a levantar o sobrolho. – E já agora, o que pensa que está a fazer?
-Estou descansando um pouco as minhas pernas. Você sabe, estou me poupando para a velhice. – retrucou num tom sardónico.
-Então, dê meia volta e vá sentar esse traseiro espaçoso na sua rede e me deixe dormir. Hoje foi um dia de grandes emoções e eu quero guardá-las para o resto da viagem.
-Por que não as renova de uma maneira mais eficaz?
Perla viu Jack aproximar seus lábios dos dela, mas nada fez contra, muito pelo contrário. Ela jogou-lhe seu olhar mais pervertido, e com um sorriso maroto o puxou pelo pescoço, ao encontro dos seus lábios. O beijo foi esquentando cada vez mais, tornando-se cada vez mais intenso. Jack já começava a desapertar a jaqueta cinzenta da jovem, mas logo ela afastou docemente os seus lábios, expondo-lhe um sorriso malicioso.
-Boa noite, Capitão Sparrow. - murmurou Perla, mordendo o lábio inferior á medida que virava costas para ele.
Jack ficou imóvel, arregalando os seus olhos ao máximo, enquanto começava a praguejar sozinho a falta de sorte que tinha com as mulheres, principalmente tendo elas uma mente equiparado a um interminável e confuso labirinto de emoções passageiras. Tanto provocavam um homem, que o deixavam louco, e depois agiam como os seres mais inocentes do mundo. Isso dava volta aos nervos de Jack, que sentiu uma enorme vontade de virá-la em sua direcção e cometer a maior das suas loucuras. Ao invés disso, ele rapidamente procurou uma garrafa de rum perdida por algures no chão, perto da sua rede, e logo a bebeu.
-Boa noite, feiticeira! – despediu-se ele dando um longo gole, enquanto cambaleava para a sua rede. – Para a próxima, lembre-se de trazer mulheres menos complicadas que esta, isto se houver alguma assim!
Ela apenas ria baixinho daquela situação.
XxxXxxX
No Holandês Voador, na sala de reuniões, estavam Bill, Will e Barbossa, esperando Elizabeth aparecer. Na calada da noite, ela saiu pelas escadas da escotilha em direcção ao escuro convés superior e caminhou a passos apressados para a sala principal,ela saiu da escotilha e caminhou a passos apressados para onde todos moveram a cabeça em direcção á porta, que se abriu repentinamente. Dela, surgiu Elizabeth, com uma expressão vigorosa, caminhando firmemente com um simples mapa na mão. Rapidamente ela estendeu-o na mesa vazia e olhou para o rosto dos três homens que chegavam perto para observar melhor o mapa.
-O que pretende com isso, Sra. Turner? – interpelou-a Barbossa, tomando uma expressão confusa.
-Saber para que direcção do mapa Black Dog se dirige!
-Mas nós sabemos! – afirmou Bill, olhando de Barbossa para Elizabeth. - Ele dirige-se para Noroeste, a bússola mesmo indicou isso.
-Eu sei, mas nós precisamos ver para que zona ele se dirige. – Ela concentrou-se no mapa e apontou para uma zona. – Nós nos encontramos aqui, por isso… – Logo tirou a bússola do cinturão e abriu-a, vendo a agulha apontar novamente para Noroeste. De seguida pousou-a em cima do local em que o Holandês Voador se encontrava. – Se colocar a bússola aqui, vemos que… – ela seguiu com olhar, a agulha apontar para uma grandiosa ilha - Ele navega para o Sul da Jamaica. – Sua voz faltou ao ver para onde Silver se estava dirigindo.
-Será que ele é louco o suficiente para aportar em Port Royal? – retrucou Will, colocando seus dedos suavemente nos ombros da esposa.
-Eu não sei. – rebateu Elizabeth quase num murmúrio, enquanto abanava negativamente a cabeça. – Eu espero que não. – agitada, ela fitou o marido. - Sinceramente não quero voltar àquela cidade.
Elizabeth deu um olhar significativo para Will, que entendeu a razão pela qual ela não queria voltar lá. Muitas recordações iriam voltar á flor da pele, o que causaria um tamanho transtorno para Elizabeth, que praticamente passou sua infância em Port Royal, juntamente com o pai.
-Nada aponta para isso. Silver pode ir para outra cidade! – aclarou Bill, aproximando seu olhar do mapa. - Ele tem outras cidades como escolha: Old Harbor, Lionel Town, Alligator Pond, Santa Cruz…
-Mas não faz sentido! – contestou Will indignado. – Qual seria a jogada de Black Dog ao aportar num desses portos? Eu acho que ele não seria louco o suficiente para pôr tudo a perder...
-Louco é o segundo apelido de nós piratas, caro Will, e você devia saber disso! Ele está fazendo tudo de caso pensado. – intercalou Barbossa de braços cruzados, com a sua posse robusta.
-Seja como for, nós iremos atrás daquele canalha e o apanharemos, custe o que custar. – Seus olhos castanhos recaíram novamente sobre o mapa, e suspirou profundamente. – Ele não andará longe daqui. O mais certo é abordar o Adriatic Sea amanhã.
-E que tipo de abordagem pensa fazer-lhe? – Bill tomou uma expressão séria ao apreciar a nora.
-Bom. – Ela desempecilhou-se gentilmente dos dedos de Will e caminhou um pouco, pensando em algo. – Não podemos fazer uma abordagem bruta por causa da irmã de Perla, que se encontra num daqueles navios.
-E por que não soltá-la já? – sugeriu Will vendo os outros dois homens concordarem com a ideia.
-Seria demasiado arriscado! De certo colocaríamos a vida da pobre moça em risco. E eu não quero correr riscos desnecessários, entenderam? – Elizabeth fitou Barbossa bruscamente, que fez um acendo afirmativo. – Iremos agir como se não soubéssemos da presença de Estella naquele navio.
-Isso é ardiloso da sua parte, mas precisamos saber o principal: como iremos abordar, sem ataque? – insistiu Barbossa, impaciente.
Elizabeth olhou-os atentamente em silêncio. Não ia ser fácil abordar sem atacar, mas tinha de haver um jeito. Ao aperceber-se do embaraço da esposa, Will pensou num jeito de resolver aquela questão.
-Teremos de improvisar isso na hora. – considerou Will fazendo um gesto brusco com as mãos. – O mais importante é alcançar o Adriatic Sea e recuperar as Cartas de Navegação.
-Eu irei arranjar uma maneira de entrar nos aposentos de Silver sem ele perceba, enquanto vocês o distraem. – informou Elizabeth pegando na bússola. – Ela me ajudará a encontrá-las facilmente. Depois me juntarei a vocês.
-Isso será arriscado para você! – contrapôs Bill, enquanto Will a fitava preocupado.
-Não se preocupe, será algo rápido e eficaz.
-Um plano com improvisos e assaltos forçados… Vocês sinceramente são loucos. – Barbossa deu duas passadas assentes sobre o chão de madeira, e finalizou: - Loucos como Jack, e isso me agrada.
-Então, estão comigo? – perguntou Elizabeth sorrindo.
-Aye, majestade. – Barbossa tirou o chapéu e fez uma breve reverência, dando meia volta e saindo pela porta.
-Pode contar comigo, Elizabeth.
-Obrigada, Sr. Turner. – Bill sorriu, saindo também para deixar o jovem casal sozinho.
-Eu acho isso muito arriscado para você…
-Todos nós correremos perigo Will, mas eu já estou consciente que estes riscos são inevitáveis. – Ela aproximou-se do marido, e prendeu o rosto dele com as mãos. – Temos de correr esse risco pelo nosso filho.
Will suspirou e colocou as suas mãos sobre a da esposa.
-Eu sei meu amor, mas tenho receio que algo corra mal e eu te perca…
-Nada acontecerá, eu te garanto. – Elizabeth enlaçou o pescoço de Will, enquanto ele agarrava a cintura dela e ambos se beijaram apaixonadamente.
XxxXxxX
Estella acordou a meio da noite, reparando que o dia começava a clarear lentamente. Rodou a cabeça para o seu lado esquerdo e viu Silver dormindo tranquilamente, com uma expressão de pura satisfação no rosto. Ao passo que ela olhava para o tecto, colocava sua mão sobre a testa e pensava no que tinha feito á bem pouco tempo. Havia se entregado a um homem incerto como o mar, com uma natureza incontrolável, e isso, além de a envergonhar, a assustava. Estella expirou todo o ar que repreendia em sua boca e sentiu um peso na consciência ao voltar a acreditar em Silver, embora seu coração dissesse-lhe que deveria apostar naquele sentimento, pois tudo o que Silver falava era verdadeiro.
Tudo estava errado, não conseguia evitar a forte atracção pelo capitão, e isso fazia Estella sentir-se manipulada. Ela abanou a cabeça para esquecer aquilo e logo se recordou dos ares amenos de Siracusa e das saudades que tinha daquele tempo em que julgava Silver uma pessoa completamente diferente daquele homem cruel. O pior, é que ao entregar o seu coração aquele pirata, ela sentia que traia descaradamente Siracusa.
Com o olhar, Estella deu uma volta completa aqueles aposentos, observando cada objecto ali exposto. Ela levantou-se vagarosamente, para não chamar a atenção dele, e logo pegou no cobertor que os cobria, enrolando-o sobre seu corpo nu. Tratou de explorar cada coisa extraordinária, supostamente vinda de vários países, e sorriu ao ver um pequeno globo de ouro pousado na mesa. Ela pegou-o para analisar de perto, tinha sido seu pai que lhe tinha dado, e que pensou ter perdido na altura em que foi raptada. Apertando-a com força, Estella pousou-a novamente na mesa, mas a pequena esfera rodou até cair no chão, e correu para debaixo da mesa, que estava encostada á parede. Estella aninhou-se para a apanhar, até ver a esfera tocar numa arca.
Com medo de ter acordado Silver, ela olhou de relance para ele e viu-o apenas a acomodar-se na almofada devido ao barulho. Suspirando nervosamente, ela arrastou a arca para a frente e sem mais demora a abriu. Examinou seu conteúdo: um roupa velha, a qual atirou ao chão, á espera de achar algo entusiasmante. Ao ver que aquilo só continha roupa e nada mais, Estella resolveu guardar tudo. Ao bater com a mão no fundo da arca, que fez um barulho oco, Estella hesitou.
Curiosa, ela pegou na vela quase gasta e aproximou-a até ao fundo da arca de madeira envelhecida e chegou á conclusão que aquilo tinha um fundo falso. Novamente pousou a vela e tirou o retalho de madeira do fundo. Estella viu um pedaço velho de papel enrolado, o que a interessou. Ela pegou nele e ergueu-se, tirando o fio que o mantinha enrolado, estendendo-o sobre a mesa. Aquele mapa era grande e confuso, mas diferente dos outros que Estella tinha visto.
-Mas o que é isto? – murmurou baixinho, só para que ela ouvisse.
Nele encontrava assinalada a ilha da Florida e, no seu cimo, estava um grandioso cálice onde tinha a simples descrição "Aqua da Vida". Em cima, havia um esqueleto e um anjo sinistros que agarravam ambos uma ampulheta do tempo. Mais á frente um navio desenhado, onde em baixo lia-se a frase:
-Onde o diabo e ovelhas negras, realmente má rês.
Silver apalpou o outro lado da cama, e sentindo a ausência do corpo de Estella, abriu os olhos bruscamente, vendo-a debruçada sobre a mesa. Silenciosamente o capitão levantou-se e ao notar que ela tinha encontrado as Cartas de Navegação, ficou furioso.
-O que você está fazendo? – berrou ele fazendo-o ecoar pelas quatro paredes dos aposentos, o que atemorizou Estella.
-Eu estava apenas observando seus aposentos, quando encontrei aquela arca.
-Você não devia. – Ele a agarrou violentamente pelo braço, abanando-a. – Que seja a última vez que mexe nas minhas coisas sem permissão.
-Eu prometo, eu prometo. – gaguejou ela, assustada com o olhar diabólico dele. – Me desculpe, não volta a acontecer. – Ele a olhou mais calmo e respirou fundo.
-Está certo. - Silver a trouxe mais perto e beijou-a impetuosamente. – Vamos voltar para a cama, ainda é cedo.
Oiii genteee!
Cá está mais um capítulo, como já estou sem teste, resolvi postar logo. O capítulo está um pouco paradito, mas foi o que esta cabeça sem imaginação conseguiu…prometo tentar colocar um pouco mais d "acção" no próximo.
Bom quanto às musicas…a que Estella e Perla cantão é a musica do Within Temptation - Never-ending Story ( já traduzida) e a outra que envolve o ambiente entre Estella e Silver é dos Siouxie and the Banshees – face to face.
Quero agradecer a todos os que me mandaram uma review fofa: Rô, Ieda, Jessica, Likha, Bruno, Jane, Fini Felton, Dorinha…adoro cada review que recebo vossa. Um monte de beijokas para vocês.
Próximo capitulo vou ver se posto o quanto antes, e tem como titulo "Intercepção inesperada."
Bjokas grande e Fiquem bem
Taty Black
