Capitulo 17 – Doces delírios

Capitulo 23 – O reverso da fonte da Juventude!

Perto de Costa Rica, um navio cortava as suaves ondas do mar do Caribe, impetuosamente. O Holandês Voador continuava a sua trajectória em busca do reverso da Fonte da Juventude, pondo em prática toda a imensa velocidade do navio. Will orientava o leme, seduzido pelos raios sol, que já se encontravam bem acima da linha do horizonte, expondo seus traços dourados sobre o cristalino oceano, que cintilava maravilhosamente com a sua claridade. Barbossa encontrava-se no castelo de popa, perto do tombadilho, observando com sua luneta as encostas bem arrebatadas de Costa Rica. Sua atenção foi desviada, quando viu alguém sair da escotilha. Fechou a luneta e, lentamente, guardou-a no seu cinturão, aproximando-se de Will com um sorriso de puro escárnio estampado no rosto.

-Elizabeth? – murmurou Will para si mesmo, erguendo a sobrancelha.

-Dá para perceber o quanto sua mulher é teimosa. – confessou Barbossa de braços cruzados sobre o peito. – Você é jovem Will, e se casou com uma mulher incrivelmente… – Barbossa procurava a palavra exacta. - audaciosa. - Will o fitou, soltando um agradável sorriso.

-E o pior é que sempre tive consciência disso. – concordou ele, encolhendo ombros e indo de seguida ao encontro da sua mulher. - O que você faz aqui? Você deveria estar descansando…

-Eu estou melhor... – tranquilizou-o dando-lhe um beijo – E como você pode apurar, o tempo cada vez aperta mais. Temos muito trabalho até chegar á ilhota da Costa Rica e eu não posso dar-me ao luxo de perder o nosso precioso tempo deitada naquela cama. Eu vou até a sua sala, verificar os mapas e ver se estamos na direcção certa... – ao vê-lo parado, olhando-a fixamente, Elizabeth acarinhou-o no rosto, sussurrando-lhe: – Will descanse, eu estou bem. Tive o melhor curandeiro do mundo.

-Está certo. – retrucou ele vencido. - Eu vou com você.

Os dois encaminharam-se de mãos dadas até à sala principal. Ao abrir a porta, Elizabeth dirigiu-se para a cadeira que ficava em frente às Cartas de Navegação, sentando-se com alguma dificuldade devido ao recente ferimento do abdómen. Will colocou-se atrás dela para apreciar todo o processo. Rapidamente ela sacou a bússola e colocou-a em frente ao mapa, pegando em seguida o compasso. A ponta seca do compasso foi fincada na posição em que o Holandês Voador se encontrava, e a outra, na ilhota. Elizabeth mediu a distância que faltava para chegarem ao seu destino, concluindo que eram apenas algumas léguas.

-Fico gratificado por terem se lembrado de me convocar para esta sigilosa reunião. – Um homem alto e robusto apareceu na porta, observando uma maçã verde. – Entretanto, penso que não irão se opor a me contar de que assuntos tratavam aqui... claro.

-Barbossa... Como sempre, as regras de boas maneiras lhe escaparam. – Barbossa expressou um sorriso forçado, dando uma mordida na maçã.

-Nunca me dei bem com esse tipo de coisas, Sra. Turner. Nem estou em idade de aprender tais regras de boas maneiras, mesmo porquê, não estou interessado. – retrucou audaz. – O que estava observando nos mapas?

-Estávamos comparando a distância e o tempo que falta para aportarmos.

-Dai concluíram que… – Barbossa entrou, por fim, dando passadas pesadas no chão até se sentar, sem cerimónia, na cadeira à frente de Elizabeth.

-Estamos mais perto do que pensávamos. – concluiu Will, colocando gentilmente as mãos nos ombros da mulher. – É uma questão de não tirarmos os olhos do horizonte. – Elizabeth abriu um suave sorriso ao lembrar-se do significado especial que aquela frase tinha para ela, e que tantas vezes Will lhe proferiu.

-Interessante. – Barbossa mordiscou novamente a maçã, limpando com a manga o suco que escorria teimosamente pelo queixo. – Meus caros, pretendo viver mais uns míseros anos só para poder apreciar de camarote o dia em que Silver for vencido por piratas astutos como nós.

-Todos nós queremos, todos sem particular excepção, caro Barbossa. – declarou Elizabeth, colocando a mão por sobre a do marido, que lhe retribuiu um sorriso confiante.

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-Ordens para o navio, capitão? – perguntou Marty, quebrando o silêncio congelador daquele convés.

Desalentado, Gibbs ergueu um pouco a cabeça, olhando de soslaio para Marty. Ele bufou silenciosamente ao erguer-se por completo, fitando a tripulação. Ser chamado de capitão soava tão arrojado, que o fazia sentir mal consigo mesmo. Aquele posto pertencia apenas a uma pessoa e que, infelizmente, estava morto a uma hora dessas. Ele concentrou-se, então, na sua tripulação e num desabafo ordenou:

-Iremos procurar o Holandês Voador e avisar do sucedido. Fracassamos, cavalheiros… fracassamos. – sentenciou, batendo com a mão na amurada.

-É para já, capitão. – Gibbs cruzou as mãos atrás das costas e voltou seu olhar para o oceano, vendo se via um deles boiar a deriva, mas o mar continuava sereno.

-Ela morreu sem saber toda a verdade. – suspirou Gibbs passando nervosamente a mão pelo rosto fatigado. – Por que não lhe contei logo que pude? – Ele deu costas ao mar, vendo a tripulação preparar o navio para partir. – Este maldito remorso vai morrer comigo.

Naquele momento, um solavanco fez o navio andar na sua dianteira, como se o próprio mar estivesse dando permissão para o Pérola Negra avançar. O recife que aparentava os apreender naquele lugar, cedeu, fazendo o navio deslizar suavemente consoante a sua orientação.

-O navio cedeu. – comentou Mullroy amarrando uma corda da vela.

-Capitão olhe, ali. – Murtogg apontou para a sua frente, fazendo Gibbs rodopiar seu corpo num giro.

-Virgem santíssima! Será possível? - Ele abriu ligeiramente a boca, ao ver uma pequena porção de terra emergir calmamente sobre o mar. – Alguém tem uma luneta?

Cotton correu até ele, entregando-lhe a sua. Gibbs abriu-a rapidamente, levando-a ao olho direito sem hesitar, de onde viu uma pequena ilha assomar descansadamente sobre o mar. A esperança de Gibbs novamente floresceu, fechando a luneta de rompante, com um grande sorriso estampado nos lábios.

-Mudança de planos, caros senhores! Algo me diz que aquele ilhéu não apareceu ali em vão. – Entregando a luneta a Cotton, ele dirigiu-se para o leme. – Como Jack disse: este é mais um dia como os outros, o que mudou foi apenas a rotina. – Manuseando o leme, ele completou: - A todo o pano marujos!

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O ilhéu reapareceu ligeiramente na superfície do mar, sem ostentar grandes ondulações. Aquela pequena ilha, na verdade, tinha sido a base que Poseidon idealizara para a fortaleza que prenderia Éris até ao momento em que a Guardiã a fosse soltar, por extrema necessidade. Embora, agora a ilha tivesse voltado ao seu estado normal, depois de tantos anos enfeitiçada.

Foi então que duas pessoas emergiram á tona, boiando na água. Jack respirou fogosamente, tentando recuperar a fôlego dispersado debaixo de água. Ao ver que tinha conseguido escapar, ele olhou desesperadamente à sua volta procurando por Perla, vendo-a boiar meia desacordada há alguns centímetros de distância dele. Rapidamente, Jack nadou até ela antes que se voltasse a afundar, e a amparou nos seus braços, tentando esbracejar com alguma dificuldade até à encosta da ilha. Quando, por fim, começava a ganhar pé, Jack pegou-a no colo e, meio cambaleante, caminhou até á extensa areia, carregando Perla em seus braços.

Ao avançar por entre as ondas do mar, que se emaranhavam na camurça das suas botas, acabando por se desfazer numa espuma branca à beira mar, Jack ia calcando finalmente a areia fina da extensa praia, e caindo de joelhos, pousou Perla delicadamente na areia fofa, vendo-a continuar sem respirar. Ela permanecia serena, para preocupação de Jack, que a observava de uma ponta á outra, até tomar a iniciativa de lhe abrir uma fissura na boca e lentamente aproximar os seus lábios dos de Perla, expirando todo o ar que continha em seus pulmões, pressionando o peito dela com as mãos.

-Vamos lá garota, não está na altura de você brincar comigo, não desse jeito. – sussurrava ele, voltando a pressionar o peito dela – Não desista agora. – implorava, voltando a fazer respiração boca a boca até ver Perla tossir, expelindo uma boa quantidade contida na boca. Ele suspirou aliviado ao vê-la reagir.

-Jack! – Ela abriu ligeiramente os olhos fitando-o com alguma dificuldade, devido aos raios do meio-dia que o sol expunha tão claramente. – Estamos no paraíso? – Ele olhou à sua volta, analisando o local.

-Esse lugar não está destinado para mim, darling! – E num tom mais baixo segredou, apontando para o céu. – Acho que o todo poderoso lá em cima não vai lá muito com a minha cara.

-Por que será? – ironizou ela, erguendo um pouco o seu tronco, levando com o sol gostoso sobre seu rosto molhado.

-Sinceramente, eu adoraria ter uma resposta concreta para lhe dar. – Ele expôs um sorriso maroto, o que fez seus dentes reluzir com os raios insistentes. – Bom, agora que está tudo bem, eu vou esticar um pouco as pernas até o Pérola se aproximar o suficiente para voltámos.

Jack levantou-se num pulo, espreguiçando-se completamente. Olhou então para os lados, e dando ombros, afastou-se em passadas largas, de forma a conhecer o lugar ao seu redor. Perla seguiu cada movimento de Jack com o olhar, mas logo sua atenção foi direccionada para o mar, apreciando o Pérola Negra aproximar-se velozmente da ilha. Ou o suficiente para os tirar dali vivos, o que já era um bom sinal.

Estava ansiosa, queria sair dali o mais depressa possível. Não suportava estar naquele maldito lugar, depois de tudo o que se tinha passado. Depois da perda significativa de Alex. Sentindo suas forças faltarem num lampejo, devido as lembranças que lhe vieram a mente, Perla arranjou posição para se sentar, lembrando-se que a causadora daquilo tudo estava mesmo atada á sua cintura. Ela levou a mão até ao largo cinto e tirou de lá aquele amaldiçoado objecto, que ainda permanecia no mesmo lugar em que o tinha colocado. Finalmente ela descolou a Mão de Midas, observando-a atentamente, não tirando o trapo que tapava a parte dourada. Sentindo seu sangue borbulhar, Perla, com um berro colérico, atirou-a para bem longe de si, caindo quase perto dos pés de Jack, que olhou para o objecto de sobrancelha empinada. Gesticulando os dedos no ar, ele baixou-se sorrateiramente para pegar o objecto, analisando-o na sua mão. Desviando o seu olhar para Perla, Jack ergueu as mãos e aproximando-se dela, notando-lhe que os olhos esmeralda estavam marejados por grossas lágrimas.

Querendo que suas lágrimas passassem despercebidas, ela levantou-se subitamente da areia, dando costas ao capitão para que este não percebesse da sua fragilidade. Respirou fundo para conter o choro, mas essa missão era completamente impossível, visto que infelizmente sua cabeça borbulhava de recordações que pareciam tão vivas. Tão palpáveis que ela parecia que ia ensandecer. Jack apenas guardou a Mão de Midas no seu espaçoso bolso e aproximou-se novamente de Perla, agarrando-a suavemente pela cintura. Ele chegou-a para perto de si, afagando-lhe suavemente os cabelos molhados com a mão. Ela cedeu a cada toque dele, sentindo-se tão pequena e vulnerável naquele grandioso mundo atroz, e posando a cabeça em seu peito, provou da segurança que tanto necessitava.

Por um lado, sentia um enorme remorso em estar com aquele homem logo depois de Alex ter morrido. Era como se fosse um insulto à sua memória, mesmo assim, ele tinha morrido para que ela pudesse ser feliz com o homem que realmente amava... Se isso fosse algum dia possível.

-Será que este remorso nunca mais vai desaparecer? – Com a manga da camisa rasgada, ela limpou as lágrimas, continuando com o seu olhar perdido no mar. - Jamais me vou perdoar pelo que fiz – murmurou numa voz atormentada. – Eu nunca o deveria ter envolvido nesta aventura. Alessandro sempre foi tão correcto comigo e eu o deixei morr…- Ela não foi capaz de terminar a frase.

-Por que não o escolheu? – Ela não entendeu a pergunta e, numa feição sisuda, virou-se em direcção a Jack que concluiu deliberadamente: – Eu não sou quem você pensa.

-Eu já vi quem você era, não precisa de disfarçar. – retrucou Perla, passando-lhe a mão pelo rosto. – Confesso que, ao princípio, eu te achava um homem insuportável, calculista e mentiroso. Mas eu estava completamente enganada a seu respeito. – Jack a fitava confuso, enquanto seus olhos se estreitavam curiosamente. – As suas atitudes durante a viagem demonstraram que, por detrás da sua aparência de durão, escondia um bom homem, alguém com um bom coração.

-Isso era eu tentando ser alguém que realmente não sou …-rebateu ele num tom igualmente sério, o que fez Perla abanar negativamente a cabeça, mostrando seu nervosismo.

-Não Jack, eu tenho fé em você, sabe por quê? – Ele não descolou o seu olhar dos dela, esperando a resposta que nem ele sabia se queria ouvir. - Porque eu te amo!

Jack abriu ligeiramente a boca, abismado com a situação presente. Tantas foram as mulheres que já se tinham declarado a ele de um modo tão simples, e a todas eles abandonou sem a maior dificuldade, visto não nutrir nada forte por nenhuma delas até agora, deixando uma em cada porto. Mas aquela mulher, ali diante de si, colocando a nu toda a sua alma tão pura e inocente, era diferente de todas as outras que já conhecera, coisa que ele mesmo já tinha estabelecido a si mesmo. Por que não conseguia simplesmente abandoná-la e acabar de uma vez com aquilo? Ele já tinha a Mão de Midas, tudo o que tinha planejado até agora estava correndo às mil maravilhas, mas vê-la ali, com o rosto baixo ao derramar as suas constantes lágrimas, o fez recuar em tudo o que ele tinha planeado até agora. Jack suspirou, vencido pelas palavras que tanto tinha custado ouvir, olhando para o céu azul claro, sem nenhum traço branco formado que pudesse estragar aquela bela pintura tropical. Rendido ao ambiente gélido que se tinha instaurado entre os dois, Jack puxou com delicadeza o queixo dela para cima, até seus olhos se encontrarem naquele curto espaço que os separava.

-Mas como pode amar um homem que te enganou e fez de tudo para chegar até à Mão de Midas? – Jack procurou no bolso a Mão e elevou-a até ao olhar de Perla, deixando-a cair de seguida na areia. – Será que você era capaz de continuar amando esse homem depois de tudo?

Perla concentrava o seu olhar na figura estática de Jack, que lhe retribuía, pela primeira vez, um olhar sincero, o que a desmoronou por completo. Permitiu então que mais lágrimas lhe escorressem pelo rosto agora pálido, suspirando num soluço toda a sua agonia. Jack crispou os lábios, oprimido com a situação de a ver desamparada diante de seus olhos escurecidos. Com a mão, puxou Perla pela cintura, indo ao encontro do seu corpo. Sem hesitar, Jack envolveu os braços sobre o pescoço da princesa, com tanta força que Perla poderia sentir a respiração acelerada dele.

Jack via-se numa posição constrangedora, não sabendo o que fazer, ou simplesmente dizer. Não estava à espera de tal revelação, embora, lá no fundo, tivesse o certo desejo de ouvi-la pronunciar tais palavras pelo menos uma única vez. Ele estava confuso com a situação. Nunca poderiam ficar juntos, suas vidas encaminhavam-se por lados opostos: ele no mar, ela em plena terra. Aquilo simplesmente era uma loucura. Apesar de tudo, Jack sentia-se na obrigação de arrancar aquele sentimento comprometedor de dentro de si, fazer de tudo para resistir á tentação, para mais tarde não lhe custar ainda mais.

Já Perla apertava seus olhos com força, pedindo a Deus que aquele momento fosse eterno, que pudesse ficar com aquele homem, nem que fosse por alguns segundos, em plena paz, sem discussões ou birras… Num momento só deles: único e sincero. Por mais que seus caminhos não estivessem destinados a se juntar num só, isso doía-lhe, corrompia-lhe a alma lentamente, tornando-se uma dor insuportável dentro de seu peito.

De longe, um bote dirigia-se para a ilha, em busca dos dois que permaneciam abraçados até alguém quebrar aquele momento só deles.

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À medida que o sol começava a penetrar na linha do horizonte rosado, quebrando seus raios sobre as águas arrefecidas pelo tempo, o Holandês Voador cada vez mais encurtava a distância que o afastava da pequena ilha que estava há poucos metros de navio. Lá, um bote estava sendo preparado pelos marujos para que Elizabeth e Barbossa pudessem partir a qualquer momento, visto serem os únicos a poderem calcar terra firme, sem se comprometerem.

-Acha seguro irem só vocês os dois? – indagou Will num tom preocupado, vendo Elizabeth colocar uma pistola no cinturão.

-E que hipóteses temos de vocês irem, jovem Turner? – Barbossa ajeitava descontraidamente a penugem do seu chapéu. - A não ser que você tenha uma tripulação suplente guardada num baúzinho que nos possa acompanhar... – Will lançou-lhe um ar gracioso.

-Will, eu e Barbossa saberemos nos desembaraçar. Além do mais, teremos uma pequena ajuda que nos será útil. – Ela chegou perto do marido e com os lábios perto do ouvido dele, Elizabeth murmurou: -Não se esqueça que a Morte queria facilitar a descoberta desse tal reverso, por isso, não se preocupe, será fácil de a encontrar. – E logo de seguida beijou o rosto do marido.

-Então vamos logo antes de anoiteça.

Will deu um beijo de despedida na esposa e sussurrou-lhe um "tome cuidado", ao mesmo tempo que ajudava Bill a descer os cabos do bote, até que foi lentamente pousado sobre o calmo mar. Elizabeth ajeitava-se delicadamente sobre o bote para que pudesse remar sem lhe proporcionar uma grande dor na sua recente, e quase, cicatrizada ferida. Barbossa tentava remar pelos dois, mas sua força já não é o que era há uns tempos atrás. O caminho foi feito em silêncio, mas com o mesmo pensamento: chegar á bendita ilha, pegar um pouco da Água e voltar novamente para a Enseada do Naufrago, onde supostamente teriam Jack Sparrow esperando.

O entusiasmo de Elizabeth em chegar á tal fonte que iria possibilitar a condição de mortal a Silver, era realmente notório, pois seus olhos cintilavam de emoção á medida que o pequeno bote singrava perto da costa da ilha, cortando as leves ondas que se desfaziam à beira-mar, com pouca densidade.

Mal os remos já eram travados pela areia do fundo do mar, Elizabeth e Barbossa desceram do bote, empurrando-o até à costa, onde o pudessem deixar até a sua volta. Ela tirou repentinamente de seu cinto a bússola, que apontou radicalmente para o Holandês Voador. Seu olhar se moveu mediante a agulha, e em seu rosto aflorou um leve sorriso, que foi disfarçado pelo olhar impaciente de Barbossa.

-Não é hora apropriada para esse tipo de desejos. – murmurou Elizabeth para si mesma, abanando a bússola despercebidamente.

-E então? Para onde a bússola aponta?

-Para Norte! – retrucou vendo finalmente a agulha parar na sua dianteira. – Será necessário nos prevenimos? – Ela manuseou o olhar para a pistola.

-Talvez seja melhor, nunca se sabe que tipo de eventualidade nós vamos encontrar pelo caminho.

Barbossa tirou duas das suas pistolas do largo cinturão, erguendo-as lentamente ao nível do peito. Elizabeth sorriu ao perceber o gesto do velho lobo-do-mar, decidindo seguir o mesmo exemplo dele, desembainhou sua única pistola. Fazendo um gesto significativo para Barbossa, Elizabeth tomou finalmente a direcção que a bússola apontara, dando começo à jornada naquela ilha desabitada, em busca de uma suposta pista que os levasse à tal fonte.

O caminho que a bússola indicava era demasiado fácil de caminhar, principalmente por esse curso possuir pouca vegetação, ou algo que os dificultasse a sua passagem. Embora tudo tivesse correndo bem até aquele momento, nada impedia Barbossa e Elizabeth de redobrarem a atenção, à medida que avançavam, visto não estarem muito confiantes do que lhes esperava.

-A Morte é muito sábia! – rosnou Barbossa, olhando ao seu redor.

-Por quê diz isso? – Elizabeth estranhou aquele comentário.

-Nada como facilitar o caminho da presa até à sua teia, para depois devorá-la sem dó nem piedade. – Ela o mirou de soslaio, percebendo o que ele queria dizer com aquela afirmação. - Está tudo muito fácil, Sra. Turner. Fácil demais para pessoas que almejam o maior bem da vida… A imortalidade.

-Por isso esta facilidade em penetrar na ilha sem o menor desassossego.

-Lembre-se de se preocupar mesmo quando tiver frente à tal fonte. Aí sim, acho que é caso de alerta. Nunca se sabe o que vai acontecer… – arrematou Barbossa num tom audaz.

-Você mesmo disse que a Morte só levava os mortais, que de tais águas cristalinas bebesse. Qual o receio? – Ele parou para encarar.

-Eu já tive morto Sra. Turner! Vi coisas que nenhum mortal jamais verá em antes de passar pelos portais do Tártaro. Sou vivido o suficiente para ter a certeza que a Morte é mais trapaceira do que qualquer outro Deus. Por isso, tome cuidado, nunca se sabe o que vai além da sua sombra. – E com um sorriso forçado, voltou a sua caminhada, deixando Elizabeth pensativa, parada no mesmo sítio em que tinham parado. – Melhor se despachar enquanto o sol permanece firme na linha do horizonte. – Ela despertou com a voz de Barbossa e continuou.

Rapidamente aquele trilho deu lugar à entrada de uma inesperada gruta, onde era visível o desgaste da pedra pelo tempo. Elizabeth e Barbossa entreolharam-se duvidosos, acabando por entrar receosos.

Os passos cautelosos deles ecoavam pelas paredes húmidas da câmara, que precedia a entrada, fazendo com que Elizabeth sentisse um arrepio frio percorrer-lhe a espinha. O caminho a seguir era só um, não havia concavidades ou saliências nas paredes que eles tacteavam com receio, e que indicassem uma câmara adjacente. As frestas formadas pela união das pedras, deixavam que apenas uma pálida luz iluminasse pontuais partes da câmara, e diante do cheiro ocre que se formava ali dentro pelos veios d'águas que mantinham as paredes húmidas, nada mais restava a eles a não ser prosseguir até o final da gruta para ver o que os esperava.

Andaram cerca de uns dez minutos pelo tortuoso corredor de rocha, quando um leve marulhar chegou ao ouvido de Barbossa juntamente com uma brisa fresca, que vinha directamente do caminho a frente. Ele sorriu malicioso, colocando a mão sobre o ombro da jovem, que o fitou repentinamente, parando de seguida.

-Ouça este belo som! – Elizabeth virou a nuca lentamente para sua frente, apurando sua audição, até ouvir aquilo que mais desejava. – Quanto tempo esperou para ouvir o som do desejoso triunfo?

-Muito tempo, meu caro! – Ela esgueirou seu olhar para a bússola, que permanecia com a mesma indicação. – Tempo demais para ficamos aqui parados. – Elizabeth aflorou um grandioso sorriso. – Vamos pegar um pouco dessa água e sair logo daqui. Este sítio me dá arrepios.

-Como queira, majestade. – Barbossa fez uma vénia para que ela continuasse.

Eles aceleraram um pouco mais o passo, vendo finalmente suas esperanças depositadas numa nascente que prevalecia intacta, sendo rodeada por vários cadáveres e esqueletos de pessoas que tentaram a sorte de uma vida imortal, e foram enganados pela sua própria cobiça. Aprimorando suas pistolas sobre o ar, eles aproximaram-se da nascente, sempre atentos ao que os rodeava. O cheiro tinha piorado devido aos cadáveres que jaziam ali no chão, sem qualquer pingo de cor nos rostos, tornando o ar praticamente irrespirável.

-Pelos sete mares, ande com isso antes que eu morra sem sequer ser preciso outra bala perfurar meu peito. – resmungou Barbossa, colocando o braço em frente ao nariz, tentando abafar o cheiro.

-Será um prazer.

Ela tirou de seu decote uma pequena cápsula de vidro, abrindo a tampa. Aproximando-se da nascente, ela agachou-se para ficar ao alcance dela e mergulhou o recipiente nas reluzentes águas, enchendo-o o suficiente para o que pretendia. Barbossa seguia atentamente cada movimento dela, até Elizabeth fechar o frasco e voltar a guardá-lo no decote. Ela levantou-se inesperadamente, voltando novamente para o lado de Barbossa.

-Missão concluída, Sra. Turner. – disse Barbossa, respondendo ao sorriso recatado dela. – Agora vamos voltar para o navio de seu marido, e finalmente partir para a Enseada do Naufrago.

Elizabeth deu um grito ao sentir algo agarrar seu tornozelo. Ao desviar o olhar para o chão, viu que um dos cadáveres lhe agarrava. Barbossa apontou certeiramente a pistola para a cabeça do homem, disparando logo se seguida. Ao olharem ao seu redor, viram que aquele não era o único que estava consideravelmente morto.

-Temo que não tenho balas suficientes para tanta gente morta! – informou Barbossa com um sorriso contrafeito nos lábios. – O que acha da gente resolver isto da maneira tradicional? Como nos bons velhos tempos.

-É sempre uma honra cruzar espadas ao seu lado, capitão. – Ela atirou a pistola para o chão, desembainhando a sua espada, que reflectiu com a luminosidade do sol que entrava por uma frecha nas rochas mal formadas.

-As damas primeiro, alteza. – Ele fez uma vénia teatral, sendo respondido com o sorriso peculiar de Elizabeth, que se pôs em posição de ataque.

Os mortos-vivos cambaleavam desajeitadamente ao desembainharam suas espadas enferrujadas, ganhando posição de ataque para evitarem que os dois saíssem pela única saída possível. Elizabeth e Barbossa viram suas expectativas de saírem dali serem ceifadas, fazendo um aceno concordante com a cabeça. Barbossa deu ombros, impassível com a situação, e guardou por fim as suas duas pistolas, tomando posse da sua espada. O círculo cada vez apertava mais e, vendo-se em circunstâncias controversas, ele tomou a liberdade de dar o primeiro golpe, ouvindo os grunhidos incompreensíveis daqueles cadáveres andantes, que oscilavam persistentemente. O golpe cortou precisamente a cabeça de um, que caiu logo no chão. Apesar do cenário ser horrendo, Elizabeth decidiu seguir o exemplo dele, tentando abrir um caminho para a saída, que continuava sendo obstruída por aqueles seres. Ela dava golpes precisos, afinando a lâmina da sua espada no estômago de um quem ousou cruzar espadas com ela.

Barbossa não cedia aos ataques frequentes dos seus adversários, muito menos perdia sua pose elegante de luta, brandindo muito bem sua espada. Principalmente nos golpes de cima para baixo, cortando impetuosamente alguns membros dos seus adversários. Eles agarravam cada oportunidade que lhe surgissem, como as falhas que aqueles seres lhes proporcionavam ao tentarem bloquear os seus ataques.

Na gruta, o som de aço maciço era misturado em uníssono com os insistentes grunhidos que aqueles mortos-vivos soltavam, tornando o momento intenso. À medida que Barbossa conseguia se livrar dos tumultuosos homens que caíam no chão, a passagem ia ficando livre para um fuga ocasional.

-Elizabeth! – chamou ele, bloqueando um golpe sobre o ar. -Aproveite agora para sair. – Ela desviou por momentos o rosto para a saída.

-E você? Estamos juntos nisto, eu não saio sem você…

-Saia já! Eu estou mandando! - berrou ele com o seu tom de autoridade, reprimindo Elizabeth que, ao finalizar um golpe certeiro, o olhou seriamente, mas sua atenção foi cortada ao ver uma espada a milímetros de distância do seu rosto. Baixando-se quase instantaneamente para evitar o golpe, ela usou sua força para atacar as pernas do seu adversário. – Vá! Eu saio em seguida.

-Está certo capitão Barbossa. – Ela levantou-se e foi travada por um daqueles seres, que se colocou á sua frente.

Cravando a espada na barriga dele, Elizabeth correu para a saída sendo seguida por Barbossa. Os mortos-vivos seguiram os dois feito doidos, tropeçando em tudo o que era lugar. Quando chegaram ao fim do túnel, repararam que o céu estava já laranja, sem um raio de sol que os pudesse iluminar. Elizabeth e Barbossa, que tinham um grande avanço sobre os mortos-vivos, olharam para trás e viram que aqueles seres não desistiriam de os alcançar.

-Como um bando de homens mortos consegue voltar a viver assim do nada? – indagou Elizabeth, tirando os cabelos da frente do rosto suado.

-Com certeza a Morte não iria deixar escapar os únicos sobreviventes que não caíram na tentação de beber a água da nascente. – interviu Barbossa guardando sua espada. – Daí, concluímos que, até a Morte tem os seus medos, Sra. Turner. E um dos medos dela è que todo o mundo descubra que esta fonte não è de fato a Fonte da Juventude.

-Vamos voltar para o Holandês Voador! – retorquiu mordazmente, olhando com desprezo para a gruta, que estava a alguns metros de distância. – Não nos resta mais nada a fazer aqui.

Embainhando novamente a espada, Elizabeth deu as costas para a gruta, e apressou o passo para voltar ao bote e se afastar daqueles seres que ainda os seguiam. Barbossa apenas deu uma última olhadela no lugar, e expirando violentamente todo o ar contido nos pulmões, seguiu Elizabeth.

Oiii genteee boaaa!

E mais um capítulo com revelações amorosas rs, um pouquinho de acção á mistura e finalmente a localização do reverso da fonte…agora é só esperar para ver o que acontece com todos os nossos heróis rsrs.

Quero agradecer aos meus queridos amigos, que ainda seguem esta história: Rô, Likha Sparrow, Carlinha, Jane, Bruno Teixeira, Ieda e Fini Felton…obrigada pelas reviews que me têm mandado, adoro cada palavrinha fofa que vocês escrevem, sério. Agradeço do fundo do meu coração pelo apoio que tenho tido até agora.

Próximo capitulo estará para breve, espero não atrasar muito.

Bjokas grandes e fiquem bem meus queridos!

Taty Black