Voltei, boa leitura!
Edward gargalhou. Ele riu tanto que seu rosto ficou vermelho, sua risada fez com que eu me sentisse uma idiota, o dançarino deveria me considerar a maior trouxa da história.
Ainda rindo, até um pouco sem fôlego, Edward conseguiu falar:
— Não sabia que além de cantora você também estava começando uma carreira na atuação, Swan.
— O quê? — indaguei confusa.
Ele riu mais.
— Isso que você falou, claramente está testando sua atuação comigo, não é? Foi bem convincente, seus olhos estavam bem desesperados. É diálogo de algum roteiro, né? Série ou filme? Minha mãe ama comédias românticas e sempre me obrigou a assistir com ela, sou meio que um especialista no gênero, meu favorito é Como Perder Um Homem em 10 Dias, até porque a Kate Hudson tá uma gata nele.
Me senti ainda mais trouxa naquele momento, ele sequer tinha acreditado no que falei. Talvez, fosse melhor, eu sustentar que era um roteiro, depois poderia dizer que tinha desistido da atuação.
— Vai, me conta — O Cullen insistiu.
— E-Eu — gaguejei, mas não consegui mentir, a verdade escapou por minha boca. — Não estou testando minha atuação — sussurrei. — O que eu falei é verdade.
Os olhos verdes de Edward se arregalaram mais uma vez, sua boca abriu e fechou diversas vezes, mas o dançarino não conseguiu dizer nada naquele momento.
— Esquece isso, tá? — pedi. — Finge que não tivemos essa conversa. — Tentei andar para longe dele, amargando minha vergonha, mas o Cullen segurou em meu braço.
— Espera. Isso é verdade? — questionou incrédulo, suspirei e assenti.
— Sim, mas é uma ideia ridícula, me desculpa ter iniciado esse papo. — Me soltei dele, entretanto ele não estava disposto a me deixar ir, andou até estar parado na minha frente.
— Por que você… Simplesmente não vai a esse casamento? Quero dizer, se está apaixonada por esse cara, o que fará no casamento dele? Sofrer gratuitamente? Nem open bar paga isso! — Eu me vi rindo com aquela fala dele, foi impossível não achar graça, Edward deu um sorrisinho.
— Quem é o cara? — Quis saber.
Eu hesitei, entretanto acabei lhe dando o nome, ele acabaria ligando os pontos em breve mesmo.
— Mike Newton.
— Minha mãe ama os filmes dele! — Edward exclamou. — Eu gosto daquele que se passa na Rússia, é uma boa comédia romântica.
— Você gosta mesmo de comédia romântica — observei, Edward deu de ombros.
— Falei, fui criado assistindo todas elas. Disney? Não, eu estava lá assistindo 10 Coisas que Odeio em Você.
— É um bom filme — declarei, mas fazia anos que não o assistia.
— É um ótimo filme, Swan — me corrigiu. — Então, o que devo usar no casamento?
— O quê? — praticamente gritei. — Não, esqueça que te pedi isso, é loucura.
— Qual é, você vai negar a oportunidade de eu viver minha própria comédia romântica? — Piscou para mim. — Você sabe, relacionamentos falsos são um clássico nelas, como em A Proposta.
— Edward, você assiste algum filme que não seja comédia romântica?
— Claro que sim, eu torci para Parasita no Oscar e tudo. Tá que foi o único filme que assisti entre os indicados a melhor filme daquele ano. Eu preciso assistir Coringa, está na minha lista. Enfim, o que devo vestir? Preciso saber se tenho em casa ou terei que ir correndo comprar.
— Você não vai e se fosse eu não iria dizer para ninguém que é meu namorado, seria uma confusão e não entraria em um relacionamento falso, Rosalie teria uma parada cardíaca, no mínimo.
— Qual é, sou bonito, seria um ótimo namorado falso. — Tive de rir novamente ao escutar aquilo. — Mas ainda podemos ir apenas como amigos. E eu posso aproveitar o open bar.
— Você já deu 50 dólares para a festa do Crowley, não pode perder isso.
— A festa deve ir até bem tarde, depois do casamento eu dou uma passada por lá e recupero minha grana. Agora, me diga o que devo vestir.
— Edward…
— Você começou com o assunto, tô só querendo ajudar. Não falaremos para ninguém que somos namorados, iremos como amigos, você terá alguém para dançar e te fazer rir, isso significa que não ficará o casamento todo sofrendo por Mike estar casando com outra. E quando deixarmos o casamento, iremos para a festa do Crowley, você e eu iremos beber 50 dólares de cerveja e amanhã iremos voar para New York de ressaca, será uma ótima forma de pegar no sono durante o voo. O que me diz?
Era loucura, dele e minha, principalmente minha que iniciou aquilo. Mas, que se foda!
— Você tem um smoking?
— Sim, madame. Que horas tenho de estar pronto?
— Às quatro — sussurrei apreensiva.
— Perfeito. Tenho seu número, vou te mandar meu endereço e você passa para me buscar com aquela sua lata velha! — Apontou para minha picape.
— Ei! — exclamei e dei um tapa de leve em seu braço, Edward gargalhou de novo. — Mais respeito com meu carro.
— Você sabe que aquele carro provavelmente já existia na época dos dinossauros, né?
— Calado — ordenei. — Não esqueça de mandar a mensagem com seu endereço.
— Pode deixar.
— E não vamos dizer que somos namorados — reforcei.
— Tá bom, eu não vou falar nada. Serei apenas seu acompanhante misterioso e gostoso.
— E convencido.
Deu de ombros.
— Um pouco.
— Certo, tchau!
Me apressei em ir até a picape, meus seguranças entraram no outro carro. Enquanto deixava o estacionamento, eu me senti em pânico. Como meu domingo acabou parecendo o roteiro de uma comédia romântica? Eu nem gostava tanto assim delas, meus filmes favoritos eram os de ação.
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Contei para Rosalie, não queria que ela fosse pega de surpresa quando Edward e eu aparecessemos juntos no casamento. A empresária me ligou e disse que não era uma boa ideia, que de uma forma ou de outra, iriam dizer que Edward era meu namorado e isso se tornaria uma bola de neve se ele, ou eu, depois aparecessemos publicamente com outras pessoas.
— Você tem certeza de que quer se enfiar nesse problema desnecessário? É mais fácil não ir ao casamento, pode voltar para o estúdio, ligo para Alice e ela te encontra lá. Vocês fazem alguma live no Instagram antes da cerimônia, dizem que estão ensaiando sem parar para o programa, vão entender que deixou de ir ao casamento por conta do trabalho. Depois posso postar na sua conta um texto bem bacana parabenizando Mike e Jessica para não pegar mal.
— Mike é meu amigo apesar de tudo, não quero faltar ao casamento dele — sussurrei, estava em minha casa, esperando o pessoal que cuidaria da minha maquiagem, cabelo e roupa chegarem para me arrumar.
— Bella…
— Eu vou, tá? Também não posso cancelar com o Edward assim, seria rude.
Rosalie bufou.
— Eu ligo pra ele e cancelo por você.
— Não, sério. Tudo bem — insisti. — Aceito quais forem as consequências, vou levar ele.
— Você está cometendo um erro.
— É, pode ser, tanto faz. — Suspirei. — Preciso desligar agora, vou falar com minha mãe rapidinho antes do pessoal chegar.
— Ok, qualquer coisa me avisa.
— Beleza.
Dissemos tchau juntas e finalizamos a ligação. Liguei para minha mãe, que atendeu rapidamente e animada.
— Estava pensando em você, filha. Encontrei aquele CD autografado do… Charlie, a Bella está no celular comigo, vem dizer oi. Filha, vou te colocar no viva-voz.
— Olá — saudei.
— Oi, Bells. — Escutei a voz do meu pai. — Como você está?
— Bem e vocês?
— Com saudades — mamãe respondeu. — Quando vem nos ver?
— Não sei, mãe — confessei. — Tenho tanto trabalho, vocês não podem mesmo voar até New York para o programa?
— Infelizmente não — ela respondeu. — Eu tô comprometida com um evento da escola e seu pai vai estar de plantão na delegacia.
— Entendo, vamos pensar depois em uma boa data para vocês virem, ou eu tentar escapar para Forks.
— Perfeito, quais seus planos hoje?
— Ah, é o casamento do Mike hoje. — Meus pais tinham o conhecido na minha última festa de aniversário.
— Eu amo casamentos — mamãe declarou, eu bem sabia disso, ela tinha feito cinco renovações de votos com meu pai só para poder organizar festas do tipo. E vivia me mandando ideias para meu casamento, mesmo que eu nem namorado tivesse.
— Vai sozinha, Bells? — papai perguntou.
— Vou com um dos dançarinos — respondi, silêncio tomou conta da ligação, pensei que ela tivesse caído, mas olhei na tela do celular e vi que não. — Pai? Mãe? Vocês estão aí?
— Bella, você tá namorando e não contou? — mamãe perguntou chateada.
— Mãe, eu não tô namorando. Edward e eu vamos apenas como amigos.
— Espera, qual deles é Edward? — papai indagou, com tom de desconfiança na voz.
— É o bonitinho que fez par com ela no último clipe — mamãe disse animada.
— Bonitinho? — meu pai resmungou.
— Bella, você e ele são tão lindos juntos. Fico feliz que estejam namorando! — Renée disse empolgada.
— Mãe, não estou namorando o Edward, somos apenas colegas de trabalho e meio que amigos.
É, acho que podíamos nos classificar como amigos a partir daquele dia.
— Meio que amigos? — Charlie resmungou novamente.
— Olha, preciso desligar e começar a me arrumar para o casamento, tá? Ligo para vocês quando estiver em New York amanhã. Amo os dois, beijos.
— Também te amo, filha. Boa festa com o Edward — mamãe desejou.
Rolei meus olhos ao escutar aquilo.
— Se cuida, Isabella. Não deixe esse tal de Edmun partir seu coração.
Aqueles dois eram impossíveis, mas eu os amava muito e estava com saudades. Desliguei a ligação e ainda com o celular em mãos vi que tinha recebido uma mensagem de Edward, tínhamos trocado de números quando gravamos o clipe.
Edward Cullen: Meu cabelo é uma bagunça, preciso usar gel?
Isabella Swan: Só se você quiser, não vou te forçar a nada.
Edward Cullen: Então, nada de gel.
Edward Cullen: Ah, meu endereço a seguir.
Na mensagem seguinte, seu endereço. Engoli em seco, iria mesmo fazer aquilo? É, iria!
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Quando estava perto do prédio onde Edward morava, que ficava meio longe da minha casa, mandei uma mensagem para ele descer de seu apartamento. Eu estava tão nervosa com tudo aquilo, o casamento em si, ir com Edward, mas apenas fiquei pronta, coloquei meu vestido vermelho da Chanel, deixei me maquiarem, arrumarem meus cabelos e saí para enfrentar aquele compromisso.
Eu não estava indo na minha picape, claro. O casamento aconteceria em um salão de festas luxuoso da cidade, com imprensa acampando na porta, não poderia aparecer lá no meu carro julgado como feio.
Sendo assim, eu estava no banco de trás da Range Rover que comprei por pressão no ano anterior. Um motorista, que trabalhava comigo quando necessário, estava guiando o carro.
— Esse cara de smoking fumando, James — alertei o motorista quando vi Edward na porta do prédio, com um cigarro na boca.
James parou o carro, eu abri a porta e Edward tirou o cigarro de entre seus lábios.
— Oi, Swan. Parece que você me encontrou. — Jogou o cigarro no chão, apagou com o sapato e caminhou até o carro.
Ele usava um smoking bonito e que parecia novo, os cabelos estavam bagunçados, mas eu podia apostar que ele tinha passado alguma maquiagem no rosto, sua pele estava muito perfeitinha.
— Você se maquiou?
— Claro. — Entrou no carro. — Aprendi a me maquiar logo na escola por conta das apresentações de dança que participava, sou ótimo me maquiando, acho que até arrisco maquiar os outros. Precisando dos meus serviços é só falar, Swan. Fala, cara. — Deu uma batidinha no ombro de James, que o cumprimentou educadamente e logo voltou a dirigir.
— Você tá com cheiro muito forte de cigarro — observei, Edward me lançou um olhar culpado.
— Perdão, eu juro que tento parar com esse vício, mas não consigo. Se quiser se livrar de mim, ir sem esse cigarro ambulante para o casamento, eu vou entender.
— Não — neguei. — Você vai sim, e meu pai fumava, estou acostumada com o cheiro no final das contas.
— Beleza. Pensa pelo lado positivo, você não terá que me beijar e sentir o gosto do cigarro — provocou.
Eu assenti e olhei para a janela ao meu lado. Não tínhamos nos beijado no clipe, ele encerrava antes disso, apenas com uma provocação, onde Edward beijou o canto dos meus lábios. Porém, na noite depois de gravar aquela cena, tinha sonhado que ele me beijava para valer.
Só que isso não aconteceria… Eu nem queria que acontecesse...
Edward puxou assunto, queria contar as fofocas que já sabia sobre a festa do Crowley. O pessoal por lá já estava aprontando bastante, ele tinha muito para compartilhar, eu agradeci por isso, era bom ser distraída.
Me distrai tanto que mal senti o longo tempo que passamos no carro, quando me dei conta, já estávamos na frente do salão. Edward me lançou um olhar hesitante, pela primeira vez, e perguntou:
— Pronta, Swan?
Beijão!
Lola Royal.
16.02.22
