Prólogo


Um sentimento incomum me incomodava, desde o início eu me sentia observada, o tempo todo, como se houvesse câmeras por toda parte.

Nos observando, tudo o que vivenciávamos, era como um tom de cinza que ia nos reunir e nos afundar em algum momento de nossas histórias.

Mas enquanto isso, eu só vivia, sem saber o que viria depois, ou o agora.

Essa noite teríamos um tipo de reunião dos Titãs, onde teríamos brincadeiras e comida, uma aproximação para que pudéssemos conhecer melhor nossas equipes que estavam mais distantes de nós pelo país a fora.

Eu fui ao mercado com o Robin, escolhemos variadas coisas, doces, salgados, algumas bebidas que eu nunca havia experimentado, ele escolhia melhor que eu, já que meu gosto não era tão bem recebido para os humanos como eu gostaria. Eu levaria vários potes de mostarda para beber se todos gostassem, mas ele me disse que não era o ideal.

O ideal dos humanos não me chamava tanto a atenção, mas eu gostava dos salgadinhos e das guloseimas que ele havia escolhido.

Voltamos para a torre, Cyborg havia se encarregado de escolher as músicas que iriam tocar, Mutano estava arrastando dois armários para o meio da sala, Ravena só olhava e dava sua nota para as duas coisas, ela não estava gostando da idéia desde o início "uma festa" ela dizia "inútil".

Eu gostei do fato de poder conhecer melhor os outros Titãs, já que nunca tinha tido contato com eles, apenas em batalhas, então a ideia parecia boa.

Deixei todas as compras para Robin resolver, e fui até Ravena que estava do outro lado da sala.

-Rae, vamos, hoje vai ser legal, se você se sentir incomodada com algo, me fale, você sabe que somos amigas e eu sempre vou ouvir você… Mas dê uma chance para hoje, por mim?

-Estelar, você sabe que eu tenho mal pressentimentos sobre algumas coisas, e essa é uma delas, não consigo apoiar, mas já que vai acontecer, estarei aqui.

-Eu fico muito feliz por você ficar, até gostaria de recitar um poema de amizade…

-Não precisa, eu já consigo sentir seu humor - Ravena dá um meio sorriso para mim e entendo com a cabeça.

A hora passa rápido, e já são sete da noite.

Alguns Titãs começam a chegar, os da costa leste são os primeiros, Robin havia me dito que ele e Speedy eram amigos desde a infância, cresceram juntos, com Kid Flash.

Notei como os três se enturmaram logo que se viram, me aproximei para saber o que estavam falando, Robin se aproximou de mim logo que cheguei.

-Então agora vocês estão juntos mesmo? De uma forma séria? – Kid Flash perguntou apontando para nós dois, indagado com o fato de que Robin não assumiria um relacionamento sério sendo um herói, pois no mundo dos heróis, ter laços sentimentais com alguém, seja laços de qualquer tipo, pode ser usado contra nós, facilmente.

E nós sabíamos disso.

Robin evitou por muito tempo nossa aproximação, mas estávamos apaixonados demais para conseguir evitar o que tínhamos agora.

-Sim, achamos que era o melhor para nós - Robin respondeu com toda doçura que eu não estava mais acostumada a ouvir nos últimos tempos.

Eu sorri timidamente para isso.

-Fico feliz por vocês, já saiba de antemão que o Robin não é fácil de lidar – Kid Flash sorriu, brincando e apontou para o lado mostrando que ia cumprimentar quem estava chegando.

-Speedy, tão calado, cansado? – Robin perguntou.

-Na verdade estou me perguntando o quê são aqueles dois armários no meio da sala - ele apontou para os armários que o Mutano havia colocado ali mais cedo.

-Eu também não sei - Olhei para Robin esperando respostas.

-Acredito que vamos fazer a brincadeira do Sete minutos no paraíso alí dentro - ele deu uma pausa e olhou ao redor - Bom, vou cumprimentar quem está chegando. A comida está na mesa e no balcão, é só se servir – Robin se afasta de mim e fala com Speedy, nos deixando sozinhos.

-Deixa eu descobrir, tem bebidas alcoólicas aqui, é como um dia de folga dos Titãs – Speedy aponta para garrafas que estavam no balcão.

-Bom, eu ainda não bebi, mas pelo o que eu entendi, hoje estamos de folga sim – eu sorrio para ele e ele pisca para mim sorrindo antes de ir até uma garrafa no balcão e começar a se servir.

Vou até o meio da sala, falo com Abelha, Aqualad, Donna, e alguns outros que só cumprimento sem saber os nomes.

Corro até Ravena que está acompanhada de Mutano, a música já está tocando, Cyborg está conversando com uma garota loira que me lembra a Terra, mas não é ela.

-Quantas pessoas - digo - Até sinto que não estou em casa.

-Eu já estava me sentindo assim hoje à tarde – Ravena me responde – Agora vou aturar até onde posso, depois irei para o meu quarto.

-Não fala assim, você tem que ficar – Mutano pede – A festa vai ser legal.

Os dois começam a conversar entre si, então me afasto e vou até o balcão da cozinha, me apoio de costas nele e olho para todos que estão ali.

Noto as pessoas, comendo e bebendo, elas riem e parecem cada vez mais agitadas e alegres.

-Ei, que silêncio é esse? – diz Robin, que se aproxima de mim novamente - Não acho que você está se divertindo.

-Estou me divertindo sim - entrego meio sorriso a ele e então noto a diferença de seu comportamento - Você falou mais comigo nessa festa do que no restante da semana - sinto quase que imediatamente que não deveria ter falado isso.

-Eu deveria me abrir mais, deveria falar o que sinto - ele suspirou - e o que venho sentindo é que nosso relacionamento-

Robin é interrompido por uma voz que exala no ambiente.

-Ei, Titãs, está na hora de começar a brincadeira dos sete minutos no paraíso - Cyborg abaixa o som e pega dois baldes fechados por cima com um tipo de pano.

-Quem vai começar? - Kid Flash pergunta.

-O primeiro que eu tirar o nome - responde Cyborg, já com a mão dentro de um dos baldes - Jinx - ele anuncia o primeiro nome.

Ela vai até ele e coloca a mão no outro balde coberto - Araut – Jinx chama o nome que logo se levanta até ela e todos meus colegas começam a rir sobre a dupla.

-Tenham uma boa reunião - Cyborg diz sorrindo, abrindo um dos armários para os dois entrarem, Jinx revira os olhos.

Kid Flash, nada feliz, suspira em desapontamento. A brincadeira segue para a terceira pessoa a ser escolhida – Argenta -Mutano sibila e ela se levanta.

A garota era gótica, com os olhos pintados de preto, eu gostava de seu estilo.

-Cyborg – ela tira um papel de dentro de um dos potes e chama o quarto nome.

Mutano ri de Cyborg, que esperava não ser chamado agora.

Os dois entram no segundo armário, e então todos ficam em silêncio, parecem querer ouvir o que está havendo dentro dos dois armários enquanto o relógio conta os sete minutos.

Ravena senta ao meu lado -É uma brincadeira banal- ela diz colocando seu capuz em sua cabeça novamente e negando o que estava acontecendo - Onde está o Robin? – ela me pergunta olhando ao redor antes de olhar para mim.

-Eu estava conversando com ele antes da brincadeira começar, ele saiu de perto e não o vi mais, acho que ele está meio alterado.

-Todas essas pessoas já estão bêbadas, sinto o cheiro de álcool de longe - Ravena sussurra enquanto aponta para todos que estão ali sentados e rindo.

Eu estava com um copo na mão, mas não gostei da queimação na garganta.

-Se você for chamada, espera ir com quem? - perguntei a ela, agora tomei coragem para tomar um gole e quase revirei o rosto após engolir o álcool.

-Araut seria uma pessoa que provavelmente não queimaria meus neurônios, mas como ele já foi chamado, eu só espero não ser chamada - ela diz com desdém, até que enfim o relógio dispara e alguém abre as portas dos armários, revelando quatro pessoas, Jinx saiu séria de lá, junto com o parceiro que passará aquele tempo com ela.

Eu já havia visto esse tipo de brincadeira em filmes, era algo meio familiar para mim.

Já no outro armário, Argenta sai com suas bochechas avermelhadas e Cyborg sorrindo.

–O que será que aconteceu? - questiono.

-Qualquer coisa - Ravena olha para suas mãos enquanto fala.

Depois de quase quarenta minutos de brincadeira, ouço meu nome ser chamado.

Meu coração dispara, mas mantenho a respiração controlada até pegar um papel aleatório – Speedy - eu chamo em surpresa, sinceramente eu esperava que de alguma forma o nome do Robin tivesse sido escolhido, mas não foi como eu queria.

Speedy se levanta e vem de trás das pessoas, ele estava ao lado de Donna, que deu um tapinha em suas costas.

Olho para Robin que não sorri, mas acena para mim com a cabeça. Não gostava daquela sensação.

Speedy coloca sua mão em um dos potes, o que me deixa confusa por um momento e chama um outro nome – Abelha - ele sorri -Você entra no outro armário - ela olha com raiva para ele e vai até o pote e retira um nome.

-Robin – ela sibila com tom de brincadeira.

Em seguida entramos no armário, e alguém fecha as portas por fora.

-Olá, novamente- Speedy sorri gentilmente para mim - Aqui é apertado, espero que acabe logo.

-Talvez eu esteja ocupando espaço demais - vou para trás e me encosto na parede.

-Não, não é isso, o armário já está abafado - ele diz e puxa o colarinho.

Podemos ouvir risadas na sala, não sabemos se aquilo é sobre nós ou se está acontecendo algo diferente.

O silêncio toma conta aqui dentro, até que ele puxa um assunto -O que você gosta de fazer?- ele me pergunta para quebrar o gelo.

-Oh - eu penso um pouco, tem várias coisas que gosto de fazer, mas uma coisa que Ravena tem me incentivado é escrever - Gosto de voar, signos e escrever - respondo a ele.

-Horóscopos nem sempre dizem a verdade - ele pisca - gosta de escrever tipo o que?- ele pergunta e noto suor em seu rosto, aqui dentro estava realmente quente.

-Eu geralmente tento fazer rimas com os textos, mas ficam todas guardadas em meu diário – Agora faço um nó no meu cabelo em um coque com ele mesmo.

-Parece muito bom- ele passa a mão em sua nuca, suor - Por que você não publica os textos? Tenho certeza que seus fãs iriam gostar.

-Robin me disse que é uma má ideia, já que sou uma Titã – eu suspiro e começo a sentir meus braços escorregadios pensando em como às vezes tenho fãs maníacos.

-Dick é muito controlador, sempre foi assim.

-Vocês são amigos há muito tempo? - pergunto, pois noto que ele havia o chamado pela sua identidade secreta.

-Sim, já fazem anos, treinamos juntos – ele para de falar e ouvimos as pessoas falarem lá de fora "Oh, meu Deus!" Penso que não deveríamos ter falado o nome real de Robin.

-O que será que está acontecendo lá?- ele me questiona com a mão no queixo.

-Talvez não devemos falar o nome dele alto, já que é secreto - eu digo com certeza.

Seu sorriso é tão verdadeiro quanto o de uma criança - Boa idéia - ele ficou quieto pensativo.

-Qual seu nome verdadeiro?- pergunto com curiosidade.

-Roy Harper - ele responde -Você já se familiarizou com a terra e toda essa bagunça?- ele brinca.

-Sim, amo a terra e seus costumes, meu povo é muito controlador, aqui eu sinto a liberdade- sorrio para Roy.

-Os minutos devem estar acabando, depois quero ler o que você escreve.

-Oh sim, eu te mostro, mas não vale rir- eu lembro que meus textos quase todos são melancólicos e românticos.

-Prometo que não vou, às vezes eu também escrevo como um desabafo - ele me oferece sua mão e eu a aperto como gesto de amizade.

Sua paciência está acabando -Aqui está muito quente- ele me diz e bate na porta- Não acabou os seis minutos? Parecem vinte!- ele exalta sua voz e eu o olho com raiva.

-Sou tão má companhia assim?- questiono brincando, mas entendo o desconforto.

-Claro que não, é ótimo estar aqui com você, foi a melhor companhia que poderia vir para mim… Eu só estou incomodado com o calor- ele explica e me toca na bochecha. Eu fico vermelha por um instante até que as portas são abertas e nós saímos daquele lugar abafado.

Robin e Abelha ainda estão no armário, o que me gera um desconforto no estômago, mas pouco depois as portas do outro armário se abrem e mostra um Robin vermelho e suado que sai de dentro do armário.

-Está tudo bem?- Eu pergunto preocupada.

-Sim, Estelar -ele responde um pouco eufórico- está tudo bem.

Ele sorri para mim e vai até o banheiro, Roy, já de máscara novamente, e Kid Flash seguem ele e inicia-se uma discussão na qual não consigo ouvir.

-Você é um idiota- Roy diz e sai do banheiro -Estou fora da brincadeira- ele diz bravo e sai da sala.

Logo após isso, Robin aparece e se senta ao meu lado, Kid Flash nos encara e sai.

Ravena nos olha com um olhar maligno e depois se vira.

Sinto um incomodo, mas ninguém me falou nada.

-O que houve?- pergunto para Robin e ele sem olhar para mim responde -Nada.

Sussurros e mais olhares, mas de alguma forma nada fazia muito sentido.


Tive que modificar e atualizar este capítulo, de uma forma que ele ficasse melhor para o restante da história.

Podem haver erros ortográficos, sinto muito.

Espero que gostem, deixem revisões, ajuda muito.

Giulia