Capítulo V
Me incomodava a forma que ele estava me tratando, meu singelo 'bom dia' e outras palavras que eu jogava ao ar para que ele respondesse eram totalmente ignoradas.
Eu acho que nunca cheguei a falar algo que tivesse magoado alguém assim, isso envolvia o fato de eu me sentir perdida nesse momento, já que eu acabei magoando e não sabia como me desculpar.
O final da tarde veio rapidamente, escurecendo o céu e levando o sol embora. A maioria dos nossos amigos já estavam por aqui, a reunião não demorou muito para começar, eu achei que seria algo 'mais do mesmo', mas acabou sendo gratificante aprender formas novas de lidar com vários dos nossos problemas.
Após a reunião todos serviram um tipo de café da tarde, com comidas salgadas e doces, nosso humor havia melhorado com a visita dos outros titãs, uma energia boa emanava daquele local.
Em outros momentos eu diria que é normal alguém acabar não te dizendo 'olá' ou apenas acenado para você porque não te viu ou não deu tempo, mas nesse caso notei que Abelha não tinha me cumprimentado pela primeira vez em toda nossa amizade. Ela também não falou com Robin, mas a vi falar com Cyborg.
Antes nós achávamos que havia uma queda entre os dois, e talvez até tivesse acontecido, mas nunca aconteceu nada entre eles de especial numa relação de amigos.
-Já comeu? - Mutano se aproximou de mim no sofá e se sentou.
-Sim, estavam deliciosos os cupcakes - Eu respondi para ele enquanto olhava ao redor da sala.
-Essa reunião foi um tédio, não tem música tocando nem pessoas dançando, é como se eu estivesse em um velório - Ele falou e em seguida se transformou em gatinho para subir em meu colo e ganhar carinho.
-Acho que a reunião foi prestativa, mesmo que não tenha diversão envolvida nela - Olhei em direção ao Speedy e o vi conversando sentado próximo a Donna Troy na cozinha, os dois riam e às vezes as mãos dela pousavam em seu braço antes que ele também acariciasse sua mão de volta - Speedy namora? Você sabe? - Mutano em forma de gatinho olhou para cima para mim e acenou um 'não' com a cabeça.
De alguma forma ver os dois tão íntimos conversando daquela forma me incomodava, ou pelo menos eu sentia cinco dos meus nove estômagos se embrulhando com aquilo. Continuei dando carinho no Mutano, nós costumávamos fazer aquilo às vezes, já que eu adorava sua forma de gatinho e ele adorava meu carinho em sua barriga.
Robin havia reclamado uma vez sobre aquilo, dizendo coisas como 'ele é um homem, não um gato' e 'você não deveria fazer carinho assim nele', mas eu nunca cheguei a realmente
ligar para aquilo já que parecia mais com ciúmes do que falta de respeito, pois nós não tínhamos maldade nisso.
Mas agora eu conseguia entender um pouco a sensação do ciúmes, ela é horrível, sinto meus músculos tremerem, sinto raiva e uma angústia, de alguma forma eu queria ir até eles para tentar parar aquilo, até que observei Donna se aproximando e falando em seu ouvido.
Minha nossa, agradeço aos céus por ter autocontrole suficiente para não deixar meus poderes vazarem agora.
Logo em seguida ele sai da sala, segundos depois ela parece o seguir pelo corredor. O que eles estavam fazendo? e por quê eu me sentia tão…
Perturbada?
Mutano pulou do meu colo e voltou em sua forma humana.
-Nossa, Estelar! - Ele colocou a mão em seus ombros - Não precisava de tanta força - Ele choraminga.
-Perdão, amigo Mutano - Eu olhei para minhas mãos e notei que havia perdido um pouco do controle da minha força enquanto olhava Speedy e Donna saindo da sala em silêncio para ninguém notar - Eu estou com minha mente cheia de frustrações - Eu o olhei novamente sentindo muito por tê-lo apertado.
-Tudo bem, da próxima vez você me avisa antes - Ele falou e me deu um tapinha nas costas, indo até Ravena.
Mutano e Ravena estavam cada dia mais próximos, Ravena jurava que não havia nada acontecendo quando eu perguntava a ela, mas mesmo com as conversas que eles mantinham durante o dia, eu achava muito bom que nós estávamos em harmonia em nossas amizades.
Voltei a apoiar as costas no encosto do sofá, eu pensei em ir até Speedy para saber o que estava acontecendo, mas de alguma forma, aquilo iria soar muito estranho, principalmente se ele não estava falando comigo desde a noite anterior.
Talvez fosse uma forma de vingança, para me mostrar que ele não ligava para mim o suficiente para que eu tomasse aquela conclusão estúpida.
Talvez eles fossem amigos e nada estava acontecendo.
Talvez ele gostasse dela e agora eles estavam em algum lugar da torre juntos.
A última opção me faz ter náuseas.
-Oi, Star - Robin se aproxima de mim dessa vez.
-Olá, Robin - Eu o saudei para que ele sentasse ao meu lado.
-Já está tarde, logo todos vão embora - Ele me falou puxando minha mão para que ele pudesse fazer carinho nela - Se você estiver cansada, pode ir dormir, eu vou logo atrás - Ele deu pequenos beijos nas costas da minha mão e eu sorri.
-Estou cansada, irei para o meu quarto - Eu disse assentindo o que ele acabara de me dizer.
Havia dois sentimentos em mim agora, um deles era leve e calmo, como a sombra de uma árvore em um parque ensolarado, esse era Robin.
O outro sentimento era pesado, como um raio que ilumina todo o céu escuro de uma tempestade e estremece com o barulho cortante que penetra as janelas, esse era Speedy.
Eu me levantei e acenei para meus amigos antes de ir para o meu quarto.
Me sentia culpada por me sentir assim, me sentia suja por sentir o que eu sentia.
Me deparei com a porta do quarto de Speedy trancado, eles estavam lá, e eu só queria esquecer.
Peguei um pijama leve e curto que eu usava apenas nas noites de verão e resolvi tomar banho no quarto de Robin.
Eu tinha que decidir de que lado eu estava e o que eu queria para mim naquele momento.
Robin errou diversas vezes comigo, eu sei, mas ele luta todos os dias para ser alguém melhor para ele mesmo e para mim, talvez isso já fosse o suficiente para que eu o perdoasse.
Deitei-me em sua cama, meus cabelos estavam úmidos em seu travesseiro, acho que eu dormi por alguns minutos antes de sentir sua mão quente acariciando meu rosto.
Inclinei meu rosto para que ele pudesse beijar meus lábios, gentilmente beijei sua boca de volta.
Sua mão viajava por todo meu corpo, me fazendo arrepiar toda vez que ela chegava em minhas costas. Nosso beijo era lento, intenso, quente e molhado.
Nossas línguas passeavam por nossas bocas disputando espaço entre elas, me deixei acariciar seu peitoral e suas costas, ele era tão forte, tão quente.
Suas mãos começaram a ser menos gentis e mais precisas, apertando minhas coxas, meu traseiro, sua boca desceu até o meu pescoço, lambendo meu queixo até mordiscar minha orelha, tive que grunhir com aquela sensação.
Senti sua mão acariciando o meio das minhas pernas, enquanto ele descia sua boca até o meu mamilo, sua língua saboreando todo meu seio que estava exposto em sua mão.
Me atrevi a colocar minha mão dentro de sua calça, sentindo o volume quente e duro que ali estava, ele estremeceu com o movimento de 'vai-e-vem' que fiz enquanto eu gemia baixinho.
Não demorou muito para que nossas roupas estivessem todas no chão, sua boca chupando tudo o que havia entre minhas pernas e minhas unhas arranhando suas costas.
-Dick, eu preciso... - Comecei a pedir para que ele me penetrasse.
-Não entendi, pede de novo - Ele falou atrevido, voltando a me chupar.
-Eu quero que você faça - Eu falei, gemendo um pouco mais alto dessa vez.
Ele negou com a cabeça - De novo - Ele mandou.
-Dick, por favor, me fode - Eu implorei o puxando para mim, num instante ele estava dentro de mim, lento e profundo, eu gemi alto enquanto nossas bocas se fundiam.
Ele agarrava meus quadris e penetrava com mais força, eu sentia seu pau duro em meu ventre, estava tão quente e escorregadio, eu estava quase lá.
Por um momento consegui esquecer o que eu estava sentindo, consegui esquecer o que eu estava imaginando que estaria acontecendo dentro daquele quarto, e por um momento agarrei as costas de Dick de uma forma que eu pudesse imaginar que aquele era Roy.
Tão errado, tão sujo, tão forte, tão gostoso…
Orgasmo.
Eu não sei como escrever cenas calientes, espero que vocês gostem.
E aí, já beijaram alguém pensando em outra pessoa?
Parece tão errado, mas ele é tão bom.
(agora a história vai fluir)