"- Olha o Peeta, por exemplo. Ou eu mesmo. Ou até Finnick. Eu estava começando a ficar preocupado com o interesse dele por você, mas parece que agora ele voltou ao normal.
– Você não conhece o Finnick se acha que ele poderia me amar – digo.
Gale dá de ombros.
– Sei que ele estava desesperado. Isso faz as pessoas cometerem todo tipo de loucura."
Hunger games: Mockingjay, Suzanne Collins, 2010. p. 217-218
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A primeira faísca aconteceu ainda em nossas noites frias e embaçadas no hospital do Treze. Ambos estávamos presos em nossos próprios surtos psicóticos e tínhamos a mesma pulseira com os dizeres "mentalmente instável" presa em nossos braços.
Eu tinha noites horríveis e acordava aos gritos naquelas enfermarias frias e assépticas apenas para ser sedada novamente, não sei precisar quanto tempo se passou, e após algum espaçamento entre meus ataques noturnos, fui transferida para um quarto menor onde o ambiente noturno era menos escuro e onde o barulho do bip de equipamentos era quase inexistente. Meus pesadelos arrefeceram por um curto período.
Os dias passavam e sempre havia barulhos de passos pelo quarto, vozes e uma risada histérica entrecortada. Eu não fazia questão de abrir os olhos, estava em um estado de torpor no qual a dor quase não parecia me dilacerar. Eu quase achei que estava melhorando, quase.
Certa noite, os pesadelos voltaram. Bestantes, garras, dentes, sangue, corpos mutilados e Peeta sendo levado de mim.
– PEETA! PEETA! – eu gritava em vão para que o devolvessem para os meus braços. – PEETA! PEETA!
Eu vociferava e me debatia no desespero de não poder encontrá-lo, já esperava a picada em meu braço com a droga que me levaria novamente à inconsciência. Só que ela não veio.
Pelo contrário, senti braços me envolverem. Uma voz doce falava em meu ouvido.
– Shiiii... – fez baixinho a voz que me consolava enquanto seus braços me envolviam. – Acalme-se, eu estou aqui com você. Tudo vai ficar bem, Annie.
Eu me aconcheguei naquele abraço e tentei segurá-lo o mais forte que pude, para que ele não fosse embora. Eu queria acreditar naquelas palavras de que tudo ia ficar bem, mas eu sabia que não ia ficar, afinal eu não era Annie, eu era Katniss. E aquele que me abraçava na noite escura do hospital, não era Peeta,
era Finnick Odair.
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Por várias noites após aquela, Finnick saía da cama ao lado da minha e me abraçava até eu sair de meus pesadelos, ele também cheio de seus próprios tormentos.
Levou algumas noites para ele perceber que não era Annie a quem ele ia socorrer todas as noites, eu nunca tive coragem de tirar-lhe desse devaneio, passei a ter medo de perder seus braços, o mais perto que eu tinha de sentir minha sanidade de volta.
Quando ele finalmente percebeu que eu não era Annie e que eu gritava o nome de Peeta ao invés de seu próprio nome, ele não deixou de me abraçar.
Esse nosso pequeno acordo evitava que eu acordasse a equipe médica com meus gritos e, não sei por que motivos, mas deixou Finnick mais centrado e calmo. Isso fez com que os médicos do Treze acreditassem que estávamos melhorando, e certa noite, antes que eu fugisse para a inconsciência e os pesadelos voltassem, eles vieram e nos deram alta.
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Só consegui algum novo contato com Finnick quase um mês depois que saímos do hospital. Eu já estava bem melhor, dentro das circunstâncias em que me encontrava, é claro.
Ele também parecia bem melhor quando o encontrei na sala de armas de Beete. Ainda estava abatido, mas havia uma fagulha de lucidez em seu semblante. Ele fazia movimentos utilizando o novo tridente que Beete construíra, e depois de ver sua demonstração, pude constatar como ele era talentoso de verdade, e mais uma vez, me peguei refletindo sobre o motivo de toda a Capital ser apaixonada por Finnick. Ele tinha algo. Algo incomum que ia muito além de sua beleza acima da média.
– Boa tarde! – eu disse tímida, fazendo Beete deixar de olhar a demonstração de Finnick para voltar-se para mim. Finnick também parou e me olhou, um olhar de reconhecimento, e para a minha surpresa, ele me deu um daqueles seus sorrisos fenomenais.
Eu retribui o sorris dele com um pequeno aceno de cabeça.
– Olá, Katniss! – Beete me cumprimentou efusivo vindo na minha direção. – O que a traz aqui?
– O arco que usei no ataque ao hospital. Acho que foi danificado... – disse entregando-lhe o arco que estava um pouco torto em um dos lados.
Beete examinou o arco com cuidado.
– Ah, nada que eu não possa consertar rápido. – ele disse satisfeito. – Se importa de fazer companhia a Finnick enquanto vou até meu laboratório consertar isso? Não tenho meus instrumentos aqui.
Eu assenti em afirmação. Beete parecia não achar uma boa ideia deixar Finnick sozinho na sala de armas com o tridente, mas não entendia por que ele não considerava perigoso deixar outra pessoa mentalmente instável com ele.
Beete saiu em seguida e eu e Finnick ficamos parados um na frente do outro. Finnick segurava o tridente com uma das mãos. Parecíamos tentar decidir quem falaria primeiro.
– Eu... – falamos os dois ao mesmo tempo e sorrimos em seguida com a coincidência.
– Eu queria agradecer por ter me ajudado no hospital. – eu disse em seguida, um pouco acanhada, como raramente eu me sentia.
– Annie também tinha pesadelos... – ele explicou em um tom triste.
– Peeta me ajudava com eles... – eu falei em tom de confissão, eu precisava falar com alguém. – Quase sempre eu acordava ao lado dele.
– Eu imaginei que você achava que eu fosse o Peeta... – ele confessou e pareceu constrangido, algo que nunca pensei ver em Finnick Odair. – Claro, eu sou mais alto... – ele completou em seguida, retomando seu tom presunçoso habitual. – e mais bonito...
Ele abriu um daqueles seus sorrisos convencidos de antigamente e rimos juntos de novo.
– Desculpe por não dizer a você que eu não era Peeta... – ele disse agora sério. - Eu sei que foi egoísmo, mas ter alguém a quem abraçar, me ajudou a recuperar a lucidez... – finalizou baixando a cabeça.
E eu ia falar pra ele, falar que eu sabia que ele não era Peeta e que também precisava do abraço dele para não enlouquecer.
– Prontinho! – Beete entrou segurando meu arco consertado, nos interrompendo. Gale estava ao lado dele.
– Katniss, Coin quer falar com você. – anunciou lançando um olhar interrogativo para Finnick, que o brindou com seu exuberante sorriso cheio de confiança.
Eu peguei meu arco, agradeci a Beete e acompanhei Gale que permaneceu com a cara fechada até chegarmos à sala de reuniões.
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Logo que consegui permissão para explorar a floresta do treze ao lado de Gale, eu tive a ideia de levar mais alguém lá.
Eu encontrava constantemente com Finnick nos corredores, nas refeições e ele me parecia cada dia mais abatido. Mas, eu sentia que havia uma ligação entre nós.
Isso porque éramos iguais. Ambos enlouquecidos pela arena, ambos tentando continuar lúcidos e ambos havíamos perdido as pessoas mais importantes de nossa vida para a Capital.
Foi por isso que consegui uma permissão especial para levá-lo a superfície comigo. Eu sentia uma dívida importante com Finnick, ele tinha me ajudado a ficar bem, eu sentia necessidade de fazer o mesmo por ele.
Finnick me olhou com um olhar interrogativo quando nos encontramos próximo na saída para a superfície. Os guardas que o levaram deixaram-nos a sós quando a saída se abriu.
– O que é isso? – ele perguntou curioso quando a luz do dia começou a nos cegar.
– Eu precisava te mostrar uma coisa. – falei puxando-lhe pela mão para fora das profundezas do Treze.
Estávamos na floresta. Era tarde, mas ainda teríamos umas duas horas antes de anoitecer e termos que voltar.
Finnick olhou em volta, estava extasiado.
– Achei que você estivesse cansado da decoração do Treze... – falei em de meus raros acessos de bom humor, divertida com a expressão dele.
– Quem você teve que matar para conseguir nos trazer aqui? – ele brincou.
– Eu sou o tordo, esqueceu? Posso ter o que quiser. – rebati me sentindo leve, como não me sentia há muito tempo. Estava feliz por fazer ao menos alguma pessoa que gosto se sentir um pouco melhor no meio de toda aquela bagunça.
– E o que fazemos agora? – ele indagou olhando em volta. – Olhe, não tenho vontade nenhuma de caçar com você...
– Não se preocupe, só me acompanhe. – eu falei sentindo a expectativa do que estava louca pra mostrar a Finnick desde a primeira vez em que encontrara.
Andamos calados por cerca de meia hora, as árvores tornaram-se mais densas, mas eu conhecia bem o caminho, já estive ali com Gale algumas vezes antes.
Quando chegamos a uma enorme clareira, olhei para Finnick e pude ver seus olhos faiscarem de prazer.
Sem pensar duas vezes, ele retirou as botas, depois as roupas cinzentas do Treze, pôs os pés na areia e correu para a piscina natural que havia a nossa frente.
Deu um mergulho espetacular. Parecia uma escultura de algum deus antigo. Seu corpo ainda bronzeado, e ainda perfeito, me fazendo lembrar por que ele era considerado por muitos o homem mais belo de Panem.
Finnick brincou de forma entretida na água por um tempo enquanto eu me pus apenas a observá-lo. A lembrança do lago na floresta do doze voltou com força total, emergiram lembranças de meu pai e de nosso passado quase feliz, me perdi nesses pensamentos por muitos momentos.
– Ei, Everdeen! – a voz de Finnick me tirou de meus pensamentos. – Ele estava na água acenando para mim. – Venha! A água está ótima! – chamou.
Eu fiz um gesto negativo com as mãos, não esperava por essa. Não, eu não queria entrar na água. Não, eu não tinha humor para nadar em meio aqueles tempos infelizes.
Ele insistiu e saiu da água após minha negativa. E, por essa, eu realmente não esperava: Finnick não vestia nada quando saiu da água, e eu quase me engasguei com a imagem.
Ele veio em minha direção completamente desinibido, parecendo não se importar com fato de estar como veio ao mundo. Eu observei seu peitoral definido, quase como uma pintura. Eu vi as pernas fortes e bronzeadas, os ombros largos moldados pela natação e seu... seu... tão...
Eu tive que desviar o olhar o mais rápido que pude.
– Venha, Katniss! – ele disse com aquele sorriso incrível, totalmente desinibido. Estava de pé na minha frente, bloqueando a luz do sol. – Você vai adorar essa água...
– Finnick, eu não... – tentei dissuadi-lo de novo, mas ele não parecia se importar em nada em estar completamente nu na minha frente.
– Vamos, Katniss... – ele insistiu. – Nunca gostei de nadar sozinho... – falou pegando minhas mãos a fim de me levantar. – Vamos, por favor...
– Ok... – eu concordei, embora me sentisse nervosa e deslocada. E não tinha a ver com o fato de estar vendo Finnick Odair sem roupa, era mais algo relacionado a seus olhos e seu sorriso. Ele era bonito sério, mas era incrível quando sorria.
Ele voltou para a água e retirei minhas botas, despi aos poucos a camisa cinza de botões e a calça social que compunha meu uniforme do treze. Senti um vento frio quando fiquei apenas com a calcinha branca comum do treze, pequena demais para o meu corpo e a regata que eu teimava em usar no lugar de sutiã.
Entrei na água e me mantive a uma distância razoável de Finnick, mas ele esteve observando enquanto eu me despia e mergulhava e, tão logo entrei nas águas agradáveis do lago, ele nadou na minha direção.
– A água não é um lugar ideal para uma garota em chamas. – ele disse nadando muito próximo e falando muito baixo, o que me fez estremecer. – Mas você fica muito bem nesse cenário. – completou.
– Finnick... – eu comecei sem saber o que ia falar.
– Obrigada, Katniss. – ele disse muito sério, muito lúcido, muito perto do meu corpo. Eu podia sentir sua respiração, um pouco pesada.
Nós nos encaramos por um momento e eu pude perceber o calor do corpo de Finnick bem mais próximo, quase sentindo seu corpo encostar no meu.
– Não há de quê. – eu respondi encabulada.
– Você me lembra demais ela... – Finnick disse, de repente, segurando meu queixo. – Annie... ela era exatamente como você antes de ir para os jogos, antes de enlouquecer...
– Esqueceu que os jogos me enlouqueceram também? – disse hipnotizada pelo olhar de Finnick. – É o que dizem...
– Talvez esse seja meu fraco, - ele disse aproximando os lábios dos meus. – Mulheres mentalmente instáveis...
Dizendo isso, Finnick me beijou.
Primeiro, muito devagar tocando apenas os meus lábios com os dele enquanto sua mão segurava meu queixo, depois a língua dele pediu passagem na minha boca. O corpo dele ficou mais próximo e seus braços envolveram minha cintura. Senti uma mão encostar em muito baixo e minhas costas e me puxar em direção ao corpo dele. Minha mente estava embaçada, mas meu corpo reagia, arrepiava a cada toque, correspondendo-o.
Não sei por quanto tempo eu fiquei perdida naquele beijo, trazendo o mais para perto de mim, cada vez mais quente. Foi somente quando senti o corpo dele reagindo e pressionando minha virilha, que me afastei como se levasse um choque.
– Não, Finnick... Isso não está certo... – eu respondi com a respiração entrecortada, nadando para longe dele o mais rápido que podia. – É melhor voltarmos, nosso tempo deve estar acabando, - disse indo em direção a margem.
Nos vestimos em silêncio, eu não olhei quando Finnick saiu da água. Esperei um pouco antes de caminhar de volta pelas árvores. Finnick veio em meu encalço.
Andamos em silêncio, sozinhos com nossos próprios pensamentos pelo caminho de volta, nos mantemos afastados. Quando chegamos próximo a entrada do treze, Gale já nos aguardava.
– Vocês demoraram... – ele disse com cara fechada quando nos avistou. – E, vocês tomaram banho? – indagou ao ver que ainda tínhamos os cabelos molhados.
– Tem um lago muito bacana ao norte, campeão. – Finnick disse ao passar por Gale sem dar mais qualquer explicação.
Gale me lançou um olhar desconfiado, mas não disse nada. Apenas segui calada, deixando as interrogações de Gale para ele próprio.
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A cena do lago, o beijo e o corpo de Finnick permaneceram entre os meus pensamentos pelos dias seguintes, embora sempre entrando em conflito com meus problemas maiores: a revolução, Snow e Peeta.
A distância de Peeta estava me matando. Desde o dia em que me beijou na praia, eu entendi finalmente que algo muito forte existia entre nós dois, e agora eu sofria, sofria demais porque, apesar da alegria divina de saber que ele estava vivo, eu o via falar contra a revolução, falar pela Capital e aquilo era tão alheio a ele que eu só conseguia pensar que ele estava sendo forçado para aquilo e que devia estar sofrendo muito.
Paralelo a isso, eu evitava qualquer encontro com Finnick. Minha mente já estava bagunçada de um modo que eu não ousava colocar mais alguma coisa, ou ela podia desabar.
O problema foi que, apesar de todos os meus esforços, chegou um dia que não só minha mente desabou, mas eu desabei por inteiro.
Era outra transmissão da Capital. Peeta novamente pedindo para que cessássemos fogo. Gale me enfrentando e os gritos de traidor ecoando por todo o treze.
Recolhi-me ao meu quarto e me desesperei em silêncio, mal cheguei a dormir e os pesadelos voltaram com força total. Acordei na madrugada. Completamente insana.
Daí em diante, eu assumo toda responsabilidade pelo que viria a seguir, em meu acesso de loucura. Meus passos me levaram a um aposento onde eu nunca havia estado, mas cujo caminho eu conhecia de algum canto obscuro de minha mente atordoada. Meus passos me levaram à porta de Finnick Odair. E eu praticamente esmurrei a porta dele.
"Aqui estou eu
Em um lugar em que nunca estive antes
Completamente sem amor e com medo de que você
Não me deixe entrar"*
Quando a porta abriu, Finnick me olhou confuso.
– Eu... Eu não consigo mais ficar sozinha. – disse soluçando. Ele me enlaçou em seus braços e me levou para dentro.
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Finnick não disse nada por muito tempo. Apenas me abraçou e me deixou tremer e soluçar sob seu abraço, meu rosto enterrado em seu peito.
Quando sentiu que eu havia me acalmado, ele se separou de mim e me olhou, as mãos em meu rosto.
– Você não precisa falar nada, Katniss.
– Eu... – comecei envergonhada. – Eu queria pedir desculpas, pelo lago...
– Não precisa se desculpar, - falou compreensivo, muito próximo de mim. – Na verdade sou eu quem deveria... eu não deveria ter lhe beijado.
E ao terminar de dizer isso, como que puxado por uma força invisível, Finnick me beijou.
Assim como da primeira vez, eu não hesitei em retribuir o beijo, muito pelo contrário, fui eu quem colocou as mãos nas costas dele e o trouxe para próximo de mim. Uma necessidade intensa de contato com alguém que fosse como eu, alguém com quem eu pudesse dividir a minha dor.
Finnick entendeu o que eu estava disposta e que estávamos em um caminho sem volta. Desceu os beijos por meu pescoço, enquanto suas mãos hábeis e experientes abaixavam as alças de minha simples camisola de tecido. Eu não protestei, nem deixei que os pensamentos externos me fizessem hesitar.
A camisola deslizou pelo meu corpo e ficou aos meus pés. Finnick afastou-se e me olhou na penumbra. Senti meu rosto esquentar.
– Você fica linda quando cora... – ele disse ao meu ouvido, por trás de mim, como da primeira vez em que nos vimos e ele me pediu para contar-lhe um segredo. – Não se preocupe, estamos juntos... – completou me apertando contra si.
Finnick vestia apenas uma calça branca de tecido, e novamente eu pude sentir que seu corpo reagia ao meu. Ele me tomou pela mão e me levou até a estreita cama de seus aposentos, deitando-me e ficando sobre o meu corpo.
Ele beijou minha boca, um beijo demorado, enquanto suas mãos pararam quietas nos meus quadris. Em seguida beijou-me os seios e demorou-se muito em cada um deles. Eu queria pedir que avançasse, que fosse logo ao ponto, mas Finnick era um amante muito experiente, e não me daria o que eu queria assim tão fácil.
Seus beijos desceram sobre meu abdômen e sua língua roçou paciente sobre meu umbigo, minha pele se eriçou e meu corpo inteiro ficou elétrico. Quando ele desceu um pouco mais, senti novamente meu rosto esquentar pelo que viria em seguida e mantive os olhos fechados quando ele beijou entre as pernas, arrancando um gemido do fundo de minha garganta.
Ele afastou-se e me sobressaltou quando, sem aviso, colocou os dedos dentro de mim, nossos olhares se encontraram e ele sentiu minha insegurança. Enquanto eu o olhava, Finnick levou a própria boca os dois dedos úmidos que tirara de mim, inclinou-se e voltou a beijar-me na boca.
– Everdeen, não core... – ele disse ofegando em meu ouvido. – Ver você corada, me deixa maluco.
Ele se afastou um pouco para tirar a calça que vestia, em seguida me abraçou e eu não conseguia esconder minha respiração acelerada.
Ele sorriu de forma sexy, pegou novamente meu maxilar enquanto se posicionava entre minhas pernas.
– Você é tão bonita... – ele disse ofegante enquanto comprimia o corpo sobre o meu. – E tão careta... – disse parando, me fazendo achar que ele desistiria. – Eu tentei, mas não consigo resistir...
E ele foi ao ponto. Parou logo depois, preocupado.
– Machuquei você?
– Não... – eu disse sem jeito. – é que... faz tempo... e...
– Shii... – ele me interrompeu. – Deixe que eu te ame agora... – sentenciou e eu soube que ele se referia a Peeta.
Então, Finnick me beijou intenso, continuamos e quando quase achei que terminaríamos, ele parou.
– Quero que você termine isso, garota em chamas. – eofegou girando nossos corpos sobre a cama, de forma que me vi sentada sobre as pernas dele.
– Quero você em cima de mim, Katniss. – esclareceu ao ver que eu permanecia com o olhar interrogativo.
– Eu... – hesitei, nunca havia feito aquilo. Queria explicar-lhe toda a minha inexperiência.
– Me domine, Everdeen.– ele disse puxando-me pelos braços e fazendo com que eu sentasse sobre ele..
Dessa vez foi Finnick quem gemeu.
– Vamos, Everdeen. – ele me incentivou colocando as mãos em meus quadris. Fazendo eles se moverem.
Eu entendi o movimento e percebi o quanto aquilo era bom. Finnick puxou minha longa trança com uma das mãos e com a outra colocou um de seus dedos em minha boca. Movi meus quadris até sentir o prazer explodir em cada fibra de meu corpo, logo ouvi o gemido de Finnick enquanto ele próprio se lançava com toda força contra mim. Eu desabei sobre o tórax de Finnick e fiquei escutando seu coração bater rápido sob meu ouvido.
Quando sua respiração se acalmou, Finnick me puxou para junto de seu corpo e nos cobriu com seu cobertor. Ficamos acordados, olhos abertos observando a penumbra.
– Eu não sei por que fiz isso, Finnick... – eu disse baixinho, como se contasse um segredo.
– Você fez para não enlouquecer, Katniss. Não enlouquecer de solidão. – Finnick respondeu muito sério enquanto entrelaçava os dedos em meus cabelos e me chamava por meu primeiro nome, como raramente fazia. – Nós só temos um ao outro... até eles voltarem. Durma, Katniss. Eu estarei aqui quando você acordar...
Eu adormeci e Finnick estava comigo quando acordei com pesadelo aquela noite e em todos os pesadelos seguintes. Durante muitas noites nós fomos o único refúgio um do outro, embora soubéssemos que ambos éramos pálidos imitadores dos amores um do outro, ainda assim, conseguíamos nos manter lúcidos. E vivos.
E foi assim por muito tempo.
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– É amanhã. – eu disse com a voz fraca enquanto sentia o corpo quente de Finnick envolvendo o meu. – Se tudo der certo, eles estarão de volta. – falei num misto de medo e ansiedade.
– Eu quero muito que estejam, Katniss. – Finnick falou quase emocionado. – Nunca esperei tanto por algo...
– Você acha que eles nos perdoariam? - eu perguntei temerosa, virando-me para encará-lo.
– Tenho certeza. – ele assentiu com segurança e certo desgosto. – Annie me perdoou tantas vezes... e Peeta... ele te ama de um jeito tão visceral, que perdoaria qualquer coisa... tenho certeza.
– Bem, então acho que essa é nossa despedida, Odair. – Eu disse, colocando em palavras aquilo que sabíamos desde a notícia do resgate dos vitoriosos na Capital.
– Acho que é isso, Everdeen. – Ele disse segurando meu queixo como sempre gostava de fazer.
Nos olhamos por um segundo, até que me inclinei sobre ele e dei-lhe um último beijo devagar. Levantei-me em seguida e vesti minhas roupas, Finnick ficou me olhando da cama.
Quando terminei de me vestir fui até a porta e, quando a destrancava, senti a presença de Finnick às minhas costas.
– Dessa vez, sou eu quem vai contar um segredo, Everdeen. – ele sussurrou em meu ouvido enquanto suas mãos pousavam em meus ombros.
– E o que seria? – perguntei um pouco surpresa, um pouco curiosa.
– Meu segredo é que Peeta teve muita sorte.
– Pelo quê? Por ter ido pros jogos comigo? Não acho que isso seja sorte... – rebati.
– Não. – ele continuou devagar. – Ele teve sorte por Annie existir, teve sorte por eu estar apaixonado por Annie quando conheci você no Massacre Quaternário. Porque se Annie não existisse, eu faria o que Gale não foi capaz de fazer: eu roubaria você do garoto do pão.
Eu estremeci quando ouvi aquelas palavras. Virei-me para encarar Finnick.
– E eu teria sido uma presa fácil pra você, Odair. – disse emocionada, tocando o rosto dele. – Se o garoto do pão não existisse. – completei enquanto uma lágrima escorria por um de meus olhos.
Dizendo isso, beijei-lhe uma última vez e sussurrei um obrigada antes de sair batendo a porta.
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Annie e Peeta nunca chegaram a saber sobre o envolvimento entre Finnick e eu. Nem mesmo depois da guerra, nem mesmo depois que o perdemos nos esgotos da Capital.
Em minha cabeça, a guerra não foi um período real, foi algo etéreo, insano. E afinal, Finnick e eu nunca fomos. Nós éramos o que poderia ter sido.
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* Música (Andru Donalds: Save me now - Andru Donalds, 1994)
