Algum evento fora do comum ia acontecer aquele ano em Hogwarts - a Sra. Weasley, Carlinhos e Gui quase deixaram escapar o que era quando nos levarem para a estação de trem. Harry, Rony e eu estávamos curiosos, conversando sobre o assunto na cabine em que estávamos apenas os três.

Eu estava mais determinada do que nunca em levar meu projeto de esquecer Draco adiante, mas fui distraída por um zumbido: o nítido som de uma abelha. Procurei no ar onde ela estaria, mas não encontrei. Ao invés disso, percebi que o zumbido se transformou em vozes vindas da cabine ao lado. Pedi que os meninos fizessem silêncio para ouvirmos.

Era a voz de Draco, dizendo para alguém que quase havia sido aluno de Durmstrang, uma escola conhecida por sua visão tolerante à prática das Artes das Trevas. Senti raiva: ele que fosse para Durmstrang, seria um favor para mim não vê-lo nunca mais.

Mas isso não aconteceria tão cedo, pois Malfoy acabara de aparecer na porta da cabine e ficou provocando Harry e Rony, se referindo ao que ia acontecer em Hogwarts, que ele obviamente sabia e nós não.

Malfoy logo percebeu isso e ficou espicaçando os meninos com perguntas que eles não tinham como saber, e a cada expressão de quem não estava entendendo nada que Harry e Rony faziam, ele e seus dois amigos valentões, Crabbe e Goyle, se dobravam de rir.

Armando-me com minha melhor expressão de desprezo, olhei para Malfoy por cima do livro que estava lendo e pedi que ele explicasse do que estava falando ou saísse. Foi a deixa para ele se exibir mais um pouco, saindo logo depois aos risos com seus dois colegas brutamontes.

Rony ficou chateado, como sempre, e eu pedi que ele não se deixasse aborrecer por Malfoy (como sempre, também). Ele disse que Malfoy nunca poderia chateá-lo, esmagando ao mesmo tempo um bolo de caldeirão com a mão, o que fez subir um delicioso cheiro de mel que tomou conta da cabine.

À noite, no banquete de boas vindas, finalmente descobrimos o que ia acontecer: o Torneio Tribruxo, que começaria em outubro e duraria todo o ano letivo. O Torneio Tribruxo era uma competição amistosa para a cooperação internacional de magia entre as três maiores escolas de bruxaria da Europa: Hogwarts, Beauxbatons e Durmstrang.

Pessoalmente, tenho uma lembrança ruim desse dia, pois foi quando descobri que havia elfos domésticos em Hogwarts. Isso me deixou desapontada, pois eles trabalhavam como escravos. Esta se tornaria uma luta pessoal para mim, mas sinto que se começar a falar disso vou fugir do meu foco nesta narrativa, então é melhor deixar apenas indicado por enquanto.

Não precisei nem prestar muita atenção às abelhas no caminho, pois sabia que a aula de Hagrid seria junto com Sonserina. Hagrid, no seu amor um tanto insensato às criaturas mais estranhas, trouxe esse ano uma nova surpresa desagradável: os explosivins. Fui obrigada a concordar com Malfoy de que eram umas criaturas repulsivas (jamais na frente dele, claro).

Almocei rapidamente e corri para a biblioteca, pois tive uma ideia. A questão da libertação dos elfos me mobilizava, e eu precisava fazer alguma coisa. Quem sabe eu não podia aproveitar essa missão para me distrair, evitando aqueles pensamentos insistentes sobre Draco dos quais eu queria fugir? Lutar pelos direitos dos elfos, além de ser algo que eu verdadeiramente achava importante, ia me ajudar.

Além disso, essa poderia ser uma forma de canalização da energia da abelha de Deméter, algo em prol da comunidade, sem visar benefícios pessoais. Era uma forma de lidar com os presságios, e o que eu pedia não era muito: um pouco de alívio para minha mente.

Harry e Rony começariam a estudar Astrologia na aula de Adivinhação com a professora Trelawney. A essas alturas, eu já havia avançado bastante no meu estudo pessoal da Astrologia e já era capaz de fazer cálculos de mapas astrais com meus conhecimentos de mecânica celeste, mas era algo que pretendia não contar a Harry e Rony. Além de ser provável que eles estranhassem meu interesse, iam acabar me pedindo para fazer seus deveres de Adivinhação por eles.

Malfoy estava especialmente provocativo este ano, principalmente com Rony. Ele sabia que Rony estourava muito mais fácil que Harry. Eu tive a estranha sensação de que, de alguma forma, Draco sentia ciúme de Rony e de Harry pela sua proximidade comigo, mas afastei o pensamento. Ouvir a minha intuição não era a minha especialidade, e eu continuava a acreditar que os meus projetos bem desenhados e planejados eram a melhor forma de afastar Draco dos meus pensamentos.

Um artigo sobre o Sr. Weasley havia sido publicado no Profeta Diário, e Harry e Draco acabaram discutindo graças às provocações de Malfoy. Harry xingou a mãe de Draco, que estava falando mal da mãe de Rony - pode ser mais patético? Malfoy jogou baixo, e atirou um feitiço em Harry pelas costas, o que quase o atingiu. Para seu azar, o professor Moody viu tudo e transformou Draco em uma doninha para puni-lo, fazendo-o subir e depois deixando que quicasse no chão algumas vezes. Isso era totalmente irregular como disciplina por parte de um professor. Ainda bem que a professora McGonagall chegou, senão eu teria ido chamá-la.

Achei o episódio revoltante, ele poderia ter se machucado. Senti pena dele, principalmente quando reassumiu sua forma humana, pois estava vermelho e com os olhos úmidos, se sentindo humilhado. Desviei os olhos, constrangida. Para Harry e Rony foi o equivalente a ganhar o campeonato de quadribol.

Não acho que as coisas devam ser resolvidas na base da humilhação, e se alguém faz isso com você, não significa que deva responder na mesma moeda. Isso me deixou em dúvida quanto ao caráter do professor Moody, e minhas desconfianças seriam reforçadas na aula sobre as maldições imperdoáveis que ele nos deu.

Ele era um bruxo poderoso, mas não tinha muita consideração pelos sentimentos dos outros, e detestei o que fez com Neville, por mais que parecesse se preocupar com ele no final da aula. Em breve saberíamos que esse comportamento não era do professor Moody propriamente dito.

Finalmente, as delegações de Beauxbatons e Durmstrang chegaram, para a alegria de todos, e especialmente de Rony, de quem eu não saberia dizer ao certo se estava mais encantado com as meninas de Beauxbatons ou com Vítor Krum. Eu duvidava da viabilidade do meu plano de flertar com Rony, principalmente diante de comentários como "não se fazem garotas assim em Hogwarts".

Tudo ficou mais complicado quando o nome de Harry apareceu no Cálice de Fogo e ele se viu obrigado a competir - em caráter excepcional, os três campeões se tornaram quatro. Ninguém sabia direito porque isso havia acontecido ou qual seria o resultado, e Harry simplesmente foi em frente, seguindo as orientações dos adultos.

Foi difícil para ele lidar com a reação de Rony, que ficou com ciúmes e não acreditou que não foi ele que colocou o próprio nome no cálice. Fiquei ao lado de Harry tentando ajudá-lo a se organizar para reagir, pois ele estava abalado com tudo o que estava acontecendo.

Entre os alunos, aquilo se espalhou como uma epidemia. Muitos ficaram revoltados com o que consideraram um privilégio a Harry (mal sabiam eles), e todos tinham certeza que ele havia se inscrito através de algum truque desonesto bem feito.

Malfoy providenciou uns distintivos que apoiavam Cedrico como o "verdadeiro campeão", que ao serem tocados giravam e mostravam os dizeres "Potter fede". Os alunos de Sonserina riam até perder o fôlego, especialmente Pansy Parkinson, a garota de quem se dizia que gostava de Malfoy.

Eu a olhei com raiva, e ouvi o zumbido de abelhas ao longe. Sabia que Malfoy estava atrás de mim, e já havia chegado a um ponto em que quase não me sobressaltava mais com a aparição das abelhas que o precediam.

Ele me ofereceu um distintivo, não sem antes fazer uma piada idiota sobre sangue ruim, com o claro objetivo de atingir mais Harry do que eu. Funcionou, porque no momento seguinte os dois estavam atirando feitiços um no outro.

Rony assistia atônito, mas correu para mim quando o feitiço de Malfoy me atingiu acidentalmente bem na boca, e meus dentes da frente começaram a crescer. Snape apareceu, e foi particularmente cruel ao dizer que não notou nenhuma diferença em mim. Os meninos tentaram me defender, mas não adiantou.

Eu saí correndo, chorando de vergonha e raiva, e fui procurar madame Pomfrey na enfermaria. Como os meninos podem ser tão cretinos? Mas no fim o acidente foi providencial porque, num assomo de vaidade, permiti que Madame Pomfrey deixasse meus dentes um pouco menores do que eram, e o resultado ficou perfeito.

Mas as provações de Harry mal tinham começado. Sobrou até para mim, que fui citada por Rita Skeeter num artigo como se fosse namorada dele. Com isso, também fui alvo de risos e sarcasmo dos alunos da Sonserina - em especial Pansy Parkinson, que parecia ter descoberto que era minha inimiga de infância.

A intuição é algo muito forte, mesmo. Pansy reagia com tanta antipatia a mim por algo que nem eu, nem ela imaginávamos.

Eu tentava me manter equilibrada e ignorar as provocações, mas era difícil. Esforçava-me para que Harry voltasse a conversar com Rony, pois sabia o quanto os dois estavam sofrendo por não se falarem. Mas ambos eram teimosos e estavam irredutíveis.

Para meu alívio e do nosso trio em geral, após a primeira tarefa (em que ajudei Harry a praticar um feitiço convocatório para chamar sua Firebolt na prova com o dragão), fui com Rony cumprimentá-lo na enfermaria, e finalmente os dois fizeram as pazes. Meu alívio foi tão grande que chorei de alegria. Parecia que as coisas estavam voltando aos seus lugares, até que enfim.

Foi um pouco antes da primeira tarefa que Vítor Krum começou a frequentar a biblioteca. Eu achava que aquilo não combinava: Krum parecia mais bem colocado num campo de quadribol do que numa biblioteca. Além disso, muitas garotas começaram a ir à biblioteca só porque ele estava lá, e elas me incomodavam com as suas risadinhas.

O anúncio do Baile de Inverno provocou uma grande excitação nos alunos - pelo menos, os distintivos "Potter fede'' já não estavam mais causando tanta sensação assim. O grande assunto do momento passou a ser o baile.

Fiquei imaginando como seria dançar com um garoto no salão de Hogwarts. Como será que Malfoy ficava vestido com roupa de gala? Será que Rony ia me convidar? Seria uma ótima forma de nos aproximarmos um pouco mais - o projeto de flertar com Rony estava bem parado, tanto pela série de acontecimentos das últimas semanas, quanto pelo fato de Rony ainda não ter se dado conta de que eu era uma garota. E se ninguém me convidasse, teria coragem de ir sozinha? Teria coragem de convidar Rony?

Estava distraída na biblioteca pensando sobre isso quando percebi que Vítor Krum estava parado ao meu lado, numa postura formal, como um soldado em posição de sentido.

- Senhorrrita Grrranger, boa tarrrde. Meu nome é Vítor Krrrum.

- Ah… boa tarde. Sim, eu sei quem você é, claro…

- Gostarrria de saber se a senhorrrita aceitarrria ir ao Baile de Inverrrno comigo.

O convite foi direto, como um balaço indefensável. Eu quase perguntei se ele tinha certeza de que era comigo mesmo que ele estava querendo falar, e cheguei a olhar discretamente para os lados. Nenhuma das suas admiradoras estava por perto, no entanto. Ele escolheu um momento mais reservado para me abordar, pensei.

- Se a senhorrrita não aceitar, eu entendo.

- Não… quer dizer, você me pegou de surpresa…

Ele continuava me olhando fixamente, como se eu fosse um pomo de ouro a alguns centímetros da sua mão. Um pensamento repentino me ocorreu: há projeto flerte melhor do que esse? Nem Malfoy, nem o covarde do Rony, mas o garoto mais cobiçado do Torneio Tribruxo. Precisei de toda coragem grifinória para dizer:

- S-sim.

- Sim?...

- Sim, eu aceito. Obrigada pelo convite - respondi, baixando os olhos e corando um pouco.

Ele bateu uma breve continência com os calcanhares e se afastou. Percebi um sorriso leve em seus lábios, que ele logo desmanchou. Senti meu rosto queimar enquanto tentava me convencer de que não estava sonhando, e que iria ao baile com o garoto mais desejado do torneio.

À noite, na sala comunal, Harry e Rony falavam sobre o baile. Ainda não haviam convidado ninguém, e na minha inocência, fiquei pensando como faria se Rony me convidasse, pois teria que recusar, já que havia aceitado o convite de Krum.

Ele fez um comentário frívolo, dizendo que iria com a garota mais bonita que o aceitasse, mesmo que fosse alguém intragável. Como ele pode ser tão infantil, por Merlin! Minha paciência com ele já estava se esgotando.

No dia seguinte, Neville me abordou timidamente ao sairmos da mesa no café da manhã, e perguntou se eu gostaria de ir ao baile com ele. Ele estava vermelhíssimo, e eu disse que aceitaria com prazer, se já não tivesse sido convidada por outra pessoa e aceitado. Ele deu um sorriso sem graça, acho que não acreditou muito. Eu disse que estava sendo sincera, e ele respondeu que tudo bem, sem problemas, e se afastou tropeçando um pouco.

Depois do almoço, Gina me chamou para conversarmos no pátio. Ela veio me contar que Neville a convidou para o baile:

- Não sei se você recusou porque não queria ir com ele, mas eu fiquei super feliz com o convite, e aceitei logo de cara! Gosto do Neville, e se não fosse convidada não poderia ir ao baile, você sabe, sou aluna do terceiro ano - completou.

- Não, não foi por isso, Gin! Eu aceitaria o convite dele, com certeza, mas é que eu fui mesmo convidada por outra pessoa. Por que ninguém acredita que eu fui convidada? - respondi, cruzando os braços contrariada e bufando um pouco.

- Não quis dizer isso, Mione. Puxa, alguém te convidou? Quem foi? Dino? Simas? Cormac McLaggen? Eu acho que ele tem uma quedinha por você.

- Não, nenhum deles… eu… bom, eu acho que você não vai acreditar…

- Hermione Granger, eu faço um Voto Perpétuo para guardar segredo se você quiser, mas você vai ter que me contar quem foi!

- Foi o Vítor… Krum. Vítor Krum.

- O QUÊ?!

- Não faz escândalo, Gina! Eu não quero que ninguém saiba - falei em voz baixa e olhando para os lados, zangada com a reação dela.

- Ahhhh, eu quero gritaaaar! E você aí, nessa calma! Prepare-se para ser a garota mais invejada dessa escola, Mione! Como foi isso? Me conta tudo, me conta!

Resumi a história brevemente, até porque Gina não ia me deixar em paz se não o fizesse.

- Eu não sei direito porque ele me convidou, Gin. Eu sempre o via na biblioteca, achava até meio estranho, porque ele não parece do tipo que lê muito, se é que você me entende, mas nunca conversamos antes. Ele simplesmente me convidou, e eu aceitei. Sabe, eu estava achando que Rony poderia me convidar, mas parece que essa hipótese nem passou pela cabeça dele.

- Rony é um bebezão, Mione, você sabe. Eu sei que você gosta dele, mas ele é totalmente ingênuo e sem jeito com garotas, assim como Harry…

Ela ficou meio triste.

- Gina, agora é minha vez: Harry também é um zero à esquerda no que se refere às garotas! Eu tenho certeza que ele escolheria com prazer enfrentar outro dragão a ter que convidar uma garota para o baile. Ele está mais atrapalhado do que o costume por causa disso. Eu acho que os meninos têm um tempo diferente da gente. Acho não, tenho certeza. É irritante como eles podem ser infantis. Mas o que interessa é: nós duas fomos convidadas e vamos ao baile!

Pulamos e rimos, como duas garotinhas que acabam de ganhar um cachorrinho de estimação. Um grupo de garotas da Sonserina, no qual se destacava Pansy Parkinson, passou ao nosso lado, nos olhando com desdém. Comentei:

- Essa Pansy… Não suporto ela, que garota intragável.

- Ela está mais insuportável do que nunca depois que soube que Draco Malfoy andou pegando uma garota de Beauxbatons. Mas ele vai ao baile com ela, então ela nem pode se queixar muito - disse Gina.

- É mesmo? - perguntei, tentando calcular direito a dose de desinteresse.

- Sim. Você sabe, ela é apaixonada pelo Malfoy, mas ele é do tipo que não fica muito tempo com uma garota… Ele e a Pansy já ficaram, mas o Malfoy está cada hora com uma garota diferente.

- Isso me parece a cara dele, mesmo. Não sabia que ele era… sei lá, tão disputado.

- Ele é um canalha, Mione, você sabe. Mas não dá pra negar que ele é bonito. Você já deve ter reparado… Parece que a cada ano ele fica mais bonito. E ele tem aquela pose, aquele jeito de bad boy. E o sorrisinho cínico? A cada sorriso daquele, três garotas desmaiam - disse, rindo.

- Que ele é canalha eu não duvido. Deve ficar colecionando garotas, imagino.

- Ah, com certeza. Ele já ficou com quase metade da Sonserina. Tem uma garota da Lufa-lufa, a Joanne Lynch, sabe, aquela com cabelo preto? Ela é apaixonada por ele. Até com garotas da Grifinória ele já ficou. Sabe a Jane Woodland?

- Mas ela é do quinto ano!

- E por que isso seria um obstáculo para o Malfoy?

- Eu… como é que você sabe dessas coisas, Gina?

- Ah, Mione, todo mundo fala. É que você está sempre lendo, meio compenetrada. Se prestasse mais atenção nas conversas, ia ficar sabendo de cada coisa!...

- Eu acho que sou meio ingênua, mesmo.

- Sabe de uma coisa? Se o Malfoy me chamasse, bem que eu daria uns amassos com ele.

- Gina!

- O que foi? Aqueles olhos irresistíveis… Você não topava?

- GINA!

- Tudo bem, tudo bem - respondeu, gargalhando… Gina adorava me tirar do sério.

- Pra encerrar essa conversa, Hermione, proponho o seguinte: já que você vai pegar o Krum, deixe o Cedrico pra mim. Combinado?

- Você não presta, Gina Weasley.

Combinamos de nos arrumarmos juntas no dia do baile. Eu iria precisar de ajuda, pois não sabia muito bem como me maquiar ou arrumar o cabelo, não costumava fazer essas coisas. Mas meu vestido era muito bonito, e eu estava pensando em dar uns retoques finais nele com feitiços glamurosos.

Foi muito bom conversar com Gina, fiquei mais tranquila por ver que ela não estava muito chateada por causa do Harry. Por outro lado, não pude deixar de sentir raiva de Draco depois de saber dos detalhes da sua "vida amorosa", vamos dizer assim. Ele é muito mais experiente que Rony, pensei, meio chateada. E sacudi a cabeça num gesto repentino, como para afastar os ciúmes que senti e que ficavam circulando em torno dos meus pensamentos, como pequenas abelhas que não paravam de zumbir.

Quando entrei na Sala Comunal, à noite, reencontrei Gina consolando Rony. Ele havia tentado convidar Fleur Delacour para ir ao baile da forma mais estabanada possível, e ela o tratou como se ele estivesse possuído. Um enorme vexame. Ele estava se lamentando, e mesmo estando com um pouco de pena dele, não resisti a comentar ironicamente que as meninas estavam começando a parecer mais bonitas agora.

Ele me olhou como se acabasse de ter uma ideia brilhante, e comentou que eu era uma garota. Fiquei furiosa, mas me segurei. Então era isso: depois que tudo fracassou, eu era a última tentativa de Ronald Weasley, seu prêmio de consolação?

Eu disse que não poderia ir nem se quisesse pois já havia aceitado um convite, no que ele não acreditou. Por que ninguém acredita? Disse poucas e boas para ele - afinal, não é porque ele demorou para notar que eu sou uma garota que ninguém mais havia notado.

Harry contou que tentou convidar Cho, mas ela recusou por já ter sido convidada por outra pessoa. Percebi que Gina ficou meio séria ao ouvir isso, e me solidarizei silenciosamente com a minha amiga.

Por fim, Harry tomou coragem e convidou Parvati para ir com ele, e sua irmã, Padma, para ir com Rony. Além de vencer dragões, Harry Potter também salvou o baile para ele e seu amigo, em mais um gesto heróico.