Fiquei sabendo o que aconteceu com Draco pelas conversas de corredor, pois Pansy Parkinson estava contando para toda a escola. Fiquei assustada, mas também pensei que deveria ter algum exagero na história, como quando Bicuço feriu Draco e isso rendeu meses de braço enfaixado. De qualquer forma, precisava saber melhor o que aconteceu para me tranquilizar.

Harry me contou em detalhes sua briga com Draco, e como ele ficou caído em uma poça de sangue quando ele lhe lançou o feitiço Sectumsempra sem saber seus efeitos. Percebi que seu arrependimento era sincero, e por isso consegui refrear a minha raiva por ele ter sido tão irresponsável e desprezar meus avisos sobre o livro do Príncipe Mestiço.

Livro que, aliás, ele teve o sangue frio de ocultar de Snape, trocando-o pelo de Rony e escondendo-o na Sala Precisa, mesmo após quase ter matado Draco (se Snape não estivesse por perto, era o que teria acontecido).

Nunca consegui digerir bem esse episódio. Evitei falar mais sobre isso na época, pois não queria discutir nada que envolvesse Draco, mas acho que o livro exerceu algum tipo de fascinação maligna em Harry, já que estava cheio de magia das trevas.

Mas, pelo menos, Harry estava feliz. Ele e Gina haviam se beijado e estavam começando a se entender, e eu desejava que isso apaziguasse seu coração. No entanto, ainda era preciso tirar a história do Príncipe a limpo, descobrindo quem ele era.

Continuei a investigar, e descobri a história de Eileen Prince, a mãe de Snape. Harry descartou essa hipótese (que, afinal, não estava tão equivocada assim). Ele continuava obcecado com o livro, mesmo após ter se livrado dele (não de forma definitiva, infelizmente).

Com a memória do professor Slughorn sobre seu passado com Tom Riddle que Harry obteve, Dumbledore conseguiu juntar as peças que faltavam para entender como Voldemort utilizou a poderosa magia das Horcruxes para dividir sua alma.

Dumbledore contou a Harry que estava buscando as Horcruxes há anos, e o convidou para ir com ele numa dessas expedições. Isso deixou meu amigo grifinório ansioso pela aventura, que poderia trazer resultados decisivos no combate a Voldemort.

O convite de Dumbledore veio no mesmo dia em que Harry descobriu sem querer, através de um encontro casual com a professora Trelawney, que Snape é quem havia contado a Voldemort sobre a profecia, segundo a qual ele ou Voldemort deveriam matar um ao outro no final, pois apenas um deles poderia sobreviver.

Pelo que Harry apurou depois, Snape desconhecia a quem a profecia se referia, mas esta parte Harry não aceitou bem, apesar das afirmativas de Dumbledore de que continuava a confiar totalmente em Snape.

A professora Trelawney também contou a Harry que ouviu uma voz masculina comemorando algo na sala Precisa. Harry logo concluiu que Malfoy havia conseguido resolver a tarefa em que se empenhou durante quase todo o ano.

Isso tudo aconteceu na mesma tarde: o encontro com Trelawney, a descoberta que Snape estava envolvido com a profecia, a suspeita de que Malfoy estivesse comemorando algo na Sala Precisa e o convite de Dumbledore para acompanhá-lo na busca à Horcrux.

Harry contou todas essas histórias assim, despejando esse monte de informações de forma apressada. Foi ao dormitório apenas para pegar sua capa e falar comigo e com Rony, pois Dumbledore estava esperando por ele para irem investigar o possível esconderijo de uma das Horcruxes.

Harry nos encarregou de descobrir o que Malfoy estava tramando e vigiar Snape, e nos entregou o Mapa do Maroto. Eu e Rony ficamos nos olhando atônitos quando ele saiu. Não sabíamos bem o que pensar ou fazer, e ambos estávamos preocupados com o que Harry deveria estar sentindo, pois ele passou por um verdadeiro turbilhão de revelações.

Decidimos vigiar Malfoy e Snape pelo mapa. O pontinho relativo a Malfoy estava na Sala Comunal da Sonserina, e o de Snape, em sua sala de Defesa Contra as Artes das Trevas. E assim permaneceram por horas.

Rony estava dormindo em cima dos livros, e eu também lutava contra o sono. Propus a Rony que deveríamos nos revezar para poder descansar um pouco, e ele concordou. Sugeri que ele fosse primeiro, e tirasse uma soneca de duas horas. Eu ficaria olhando o mapa, e depois ele me substituiria. Se Malfoy ou Snape tomassem alguma atitude estranha (ou se saíssem do lugar, pelo menos), eu o chamaria.

Rony aceitou e subiu, e fiquei ali na Sala Comunal, olhando para o mapa imóvel e tentando entender o que Draco estaria comemorando. Se é que ele estava mesmo comemorando, ou se alguém estava mesmo comemorado, já que era uma história confusa, cuja principal informante havia ido à Sala Precisa para esconder garrafas vazias de bebida alcoólica.

Adormeci no sofá, e me vi no corredor, ouvindo as abelhas e tentando encontrar onde estavam. Acordei num sobressalto: o mesmo sonho se repetiu, com Draco se lançando da Torre de Astronomia em direção ao vazio.

Eu havia aprendido que não era sábio menosprezar a intuição e as mensagens dos sonhos, ainda mais de um sonho que se repetia. Como se isso não fosse suficiente, o Mapa do Maroto gritava à minha frente: Draco Malfoy estava na Torre de Astronomia.

Saí desesperada pelo corredor. Nem lembrei de levar o mapa, que ficou aberto e jogado no sofá, muito menos de chamar Rony. Subi as escadas correndo e tropeçando até chegar à Torre. Parei diante da visão aterradora: Draco estava lá, recortado sobre o céu banhado pela Lua crescente, apoiado no parapeito da janela. Eu corri para ele:

- Draco, não! Não faça isso…

Ele se voltou, assustado com a minha presença. Não estava do lado de fora do parapeito como no meu sonho, apenas olhava para fora. Ele ficou olhando para mim como se estivesse tentando se lembrar de onde me conhecia, tão sem sentido deve ter sido a minha aparição. Acho que era a última pessoa que ele esperava ver ali. Ficou sem ação, tentando entender o que estava acontecendo, sem sucesso.

Eu continuei me aproximando. Meu impulso era segurá-lo e afastá-lo dali, tirando-o de perigo. Eu estava ofegante, ansiosa e ao mesmo tempo temerosa de que ele fizesse algo que eu não conseguisse evitar.

Eu tentava articular alguma coisa, buscava em desespero qual a palavra certa que o faria desistir de pular. Fui me aproximando cada vez mais, e quando cheguei perto o suficiente, ele me segurou pelos braços… e me beijou.

A sensação foi como se eu mesma tivesse saltado da Torre, chegando ao lugar que busquei durante toda a vida. Era de ânsia, de agonia. Eu segurava Draco com fúria, como se pudesse garantir que nós nunca mais iríamos nos separar se eu o prendesse com força suficiente. Ele me beijava com desespero, me engolia, sem se importar se me machucava com os dentes. Abocanhava meu pescoço, e segurava meus cabelos com força.

Tudo aconteceu muito rápido, com sofreguidão. Ele me prensou na parede, enquanto eu arrancava seu terno e abria sua camisa sem respeitar os botões, que saltaram assustados. Ele apertava meus seios enquanto continuava a beijar meu pescoço, ofegante.

Não lembro como foi que ele conseguiu tirar os meus jeans. Ele não usou magia, e eu não me importei quando ouvi o barulho da minha varinha batendo no chão junto com a calça, nem de ter pisado nas roupas emboladas quando dei um impulso para me firmar em volta da cintura dele. Eu senti seu pênis na minha entrada. Ele pareceu hesitar por uma fração de segundo, e eu guiei sua mão com um gesto seguro, como se soubesse exatamente o que deveria ser feito.

Não consegui mais acompanhar o turbilhão de emoções e sensações que me atravessaram. Ele me penetrou com facilidade, apesar de ser a minha primeira vez. Não senti dor na hora, foi mais um susto, estava muito excitada. Mal ele começou a se movimentar eu me senti desfalecer, e só fui entender que tinha tido um orgasmo quando revivi a cena mais tarde, o que fiz muitas e muitas vezes.

Foi como se aquele buraco no estômago tivesse tomado meu corpo inteiro num formigamento que me aqueceu e desconectou os meus membros. Ele me prensava na parede a cada movimento, e parou num empurrão intenso. Foi quando o ouvi pronunciar meu nome pela primeira vez: Hermione…

Transamos ali, em pé, nos equilibrando contra a parede. Foi tudo urgente e desesperado. Quando acabou, estávamos ambos meio perdidos, como alguém que acaba de despertar de um feitiço Confundus e não reconhece onde está.

Estava difícil permanecer em pé naquele equilíbrio precário. Ele olhou para trás, se apoiando um pouco em mim ao mesmo tempo em que tentava não me deixar cair, e procurou o paletó. Estendeu-o no chão do melhor jeito que conseguiu. Ele estava cambaleando, e ofereceu a mão para que eu me apoiasse e sentasse ao lado dele.

Estava escorada na parede, quase caindo, e pensava em como faria isso, se ia me ajoelhar ou ia tentar virar e sentar, aquele tipo de pensamento tolo que aparece quando estamos no meio de um momento constrangedor.

Resolvi me ajoelhar e sentei meio desajeitada a seu lado, virada na outra direção. Vi minha varinha abandonada no chão perto da minha calça e calcinha largadas, e imediatamente a apanhei, me recriminando por ter me deixado levar assim.

Ficamos sentados em silêncio, cada um tentando processar o que acabara de acontecer, ou talvez fosse uma forma de adiar o momento de falar. Eu tentava observá-lo discretamente, mas Draco foi mais corajoso do que eu, e ficou me olhando daquele jeito sério que eu conhecia.

Eu correspondi ao seu olhar, e reparei em nós, tentando fazer pequenos intervalos para me recuperar da intensidade daqueles olhos. Seus cabelos estavam úmidos e despenteados de um jeito que eu nunca havia visto, e eu nem queria pensar em como estavam os meus. Isso nos envolveu em uma estranha e desgrenhada intimidade.

A camisa quase toda desabotoada revelava seu peito liso e musculoso, ainda que magro, em que se destacava a cicatriz resultante do feitiço que Harry lhe lançara há poucos dias atrás. A gola da minha camiseta estava esgarçada, e eu levantava a alça do sutiã ao mesmo tempo em que tentava ficar em uma posição em que pudesse me cobrir um pouco, já que estava nua da cintura para baixo.

Não sentia dor, era mais um desconforto, como se meu corpo estivesse voltando a tomar consciência de si. Sentia uma queimação no pescoço, que estava esfolado pelas mordidas e beijos intensos, e nas costas, pela estranha posição em que ficamos.

Não via ironia ou triunfo em seus olhos, apenas uma surpresa enternecida, como quem presencia uma borboleta se libertando aos poucos de um casulo. Meu raciocínio estava retornando devagar, e comecei a examinar as possibilidades. Analisava quanto tempo seria capaz de ficar ali sem me mexer, ou se deveria tentar correr, ou que feitiço usar para me vestir, quando Draco perguntou:

- Granger… você… está bem?

Ele deve ter percebido que era a minha primeira vez. Pelo menos, era isso que eu achava que estava escrito na minha testa. Notei que um fio de esperma meio avermelhado havia escorrido pelas minhas coxas.

- Eu… acho que sim, estou - respondi, com dificuldade de sustentar o olhar dele. Mas ele não permitiu, tocando em meu queixo para que eu me voltasse para ele.

- Eu queria, Granger. Faz muito tempo que eu queria.

- Eu também - consegui murmurar.

Ele se aproximou e me beijou de forma intensa, me puxando para o seu colo. O cheiro amadeirado e fresco, aquele perfume que eu sentira outras vezes, estava agora impregnado em mim, como se nunca mais fosse desaparecer. Ele deslizou as mãos sob a minha blusa e tocou meus seios. Esqueci de todo e qualquer receio. Só queria ficar ali, na Torre de Astronomia, Perséfone prisioneira de Hades para sempre.

Fui despertada pelo leve sobressalto que ele teve quando acariciei seu braço esquerdo, como se tivesse tocado uma ferida não cicatrizada. Compreendi que era o lugar da Marca Negra, e pensei com tristeza que Harry estava certo o tempo todo. O que falei em seguida foi verdadeiro e surpreendente para mim mesma:

- Eu não me importo, Draco.

Toda aquela melancolia que eu presenciara durante o ano pareceu ter voltado, envolvendo-o como uma névoa. Ele disse:

- Você não sabe… não sabe como é.

- Você não precisa… deixa eu te ajudar, Draco. Eu sei que você está sofrendo, eu sei.

- Ninguém pode me ajudar, Granger. Você não entende. Ele… é muito poderoso.

- Dumbledore… eu sei que ele pode te ajudar, eu falo com ele, Draco, confia em mim.

Ele me encarou entre incrédulo e desalentado.

- Você é tão inteligente, Granger, mas não percebe… Você não me conhece, não sabe o que eu fiz… Eu não tenho saída… nós dois não temos… não podemos, Granger, não tem lugar pra nós, você não entende? Eu não quero que você se machuque, eu… não ia conseguir suportar isso… - ele parecia desesperado.

- Draco, fica calmo, vamos pensar uma coisa de cada vez, tá bom? Eu tô preocupada com você, você está em risco, não está? Deixa eu te ajudar, eu tô implorando…

Então ele me encarou com aquele olhar sério que eu conhecia:

- Tudo bem, Granger.

Eu o abracei, aliviada. Ele continuou:

- É melhor você ir… daqui a pouco o Potter vai aparecer aqui atrás de você.

A menção do nome de Harry soou como a lembrança de um mundo distante, o meu mundo, do qual nunca havia me afastado tanto quanto nesse momento.

- Eu vou falar com Dumbledore… eu vou te ajudar, confia em mim.

Ele assentiu com um sorriso melancólico. Devia ter desconfiado. Mas aquele olhar tão intenso me convenceu. Eu não sabia lidar com o Draco Malfoy por trás da máscara que sempre conheci. E não consegui perceber que ele apenas queria me afastar.

Me arrumei o melhor que pude com as minhas roupas amarrotadas para voltar, e enrolei o cachecol no pescoço machucado. Desci com ele até o saguão de entrada, onde iríamos nos separar. Tomamos muito cuidado para não sermos vistos, pois não precisávamos das perguntas que viriam se fôssemos surpreendidos juntos.

Me despedi com um beijo rápido, pedindo que tomasse cuidado e prometendo que ia procurá-lo sem falta assim que falasse com Dumbledore. Ele deslizou os dedos no meu rosto e se virou, se afastando sem olhar para trás.

Enquanto eu voltava apressada para o dormitório, Draco Malfoy foi à Sala Precisa e abriu o caminho para os Comensais da Morte entrarem em Hogwarts.