No início de 2004, recebemos uma notícia que nos distanciou ainda mais do mundo descompromissado que deixávamos para trás: Gina e Harry iam ter um bebê! Os dois estavam muito felizes, assim como eu e Rony, que fomos convidados para sermos padrinhos na mesma hora em que soubemos da novidade.
Os Weasley não cabiam em si de alegria, e a Sra. Weasley tricotou tantas roupinhas de bebê que daria para vestir uma creche. Meu afilhado Tiago Sirius Potter nasceu em outubro de 2004, um lindo menino saudável e risonho, e com ele nasceu a Gina mãe e o Harry pai, que não poderiam ser mais dedicados e amorosos.
A chegada de um bebê na família muda tudo e muda todos. Nossa rotina passou a ser querer saber as novidades, descobrir o que o bebê fez hoje, olhar fotos e correr sempre que possível para fazer uma visita e pegar Tiago no colo um pouquinho.
Rony estava encantado, era o tio mais babão da face da Terra e falava toda hora que deveríamos ter o nosso também, o que me assustava um pouco. Além do mais, ainda não estávamos no prazo que eu havia planejado.
A lógica de Gina e Harry era diferente, e Tiago mal completou dez meses quando eles descobriram que esperavam um novo bebê. Quando estava grávida, Gina se preocupava em como seria na hora de retomar o quadribol, mas agora estava decidida a sair do time e ficar com os filhos em casa, e posteriormente trabalhar como comentarista ou algo envolvendo o esporte, pois os jogos de quadribol eram muito arriscados, e ela não queria mais se expor, não agora que era mãe.
Harry ficou feliz com a decisão, pois estava criando com Gina a família que sempre desejou. Rony retomou a campanha de paternidade com tudo, e falou sobre isso num dos jantares de pizza na casa de Harry e Gina, para onde corríamos, sempre que tínhamos um tempinho, para brincar com Tiago, que estava começando a dar seus primeiros passos sozinho.
- Isso mesmo! Quanto mais bebês, melhor! - Gritava Harry, animado e sacudindo Rony.
- Pelo Harry, teríamos um time de quadribol - disse Gina, rindo.
- Ah, já ia esquecendo. Sabem quem mais vai ser papai? Draco Malfoy! - Harry completou.
Fiquei parada, disfarçando minha reação. Com Tiago no colo, não foi difícil. Gina olhou rapidamente para mim e falou:
- Puxa, que boa notícia! Parece que eles estavam tentando faz tempo, não é?
- Sim, e agora vem mais um bebezinho da nossa turma por aí. Já imaginou quando eles estiverem todos juntos, indo para Hogwarts? - Disse Harry, feliz.
- Desde que o filho do Malfoy não venha se meter a besta com os nossos, tudo bem. - Rony falou.
- Rony! Não fala assim na frente do Tiago! - Respondi.
- OS NOSSOS, você ouviu, Gina? OS NOSSOS!... Logo, logo, vamos ter novidades por aí. - Harry completou, exultante.
O desejo do meu amigo foi atendido. Em janeiro de 2006, descobri que estava grávida. Gina, Harry e Rony pareciam três crianças grandes comemorando, e a Sra. Weasley continuava tricotando entusiasmada ao ver o número de netos aumentando cada vez mais.
No mês seguinte, o filho de Draco nasceu. Ele o chamou de Scorpio, um belo nome sonserino. Não pude resistir a olhar a notícia no Profeta Diário, a foto do casal com o pequeno bebê de cabelos tão platinados quanto os do pai, e me permiti chorar, afinal, a gravidez estava me deixando mais sensível.
Em maio nasceu meu segundo sobrinho, Alvo Severo Potter, o bebê mais doce que já vi, e em setembro, mês da cerimônia de Elêusis, nasceu nossa filha Rosa Granger-Weasley, que chamamos assim, com um nome único e forte, simbolizando a alegria de Deméter pelo retorno de sua amada filha. Seus padrinhos, como não poderia deixar de ser, seriam Gina e Harry, fechando mais um ciclo de compromisso, amor e amizade.
Minha casa agora estava aparelhada com todos aqueles acessórios infantis, mas ainda assim preferíamos passar o tempo com as crianças na casa de Gina e Harry, que parecia um parque de diversões.
Eu e Rony aparatávamos na entrada, ele sempre com Rosa no colo, pois fazia questão de segurá-la o tempo todo, e eu com a costumeira bolsinha com Feitiço Indetectável de Extensão, que agora levava um pequeno arsenal de acessórios para bebês.
Passávamos um tempo maravilhoso em família com as crianças, com Monstro se revelando a mais amorosa babá. As festas da casa dos Potter se transformaram em encontros diurnos, que giravam em torno das crianças e sua diversão.
Gina havia acabado de assumir a seção esportiva do Profeta Diário quando descobriu que estava grávida novamente, em fevereiro de 2007. Comecei a levar a sério a ideia do time de quadribol, mas Gina garantiu que seria o último, sob os protestos de Harry.
Minha meiga sobrinha Lilian Luna Potter nasceu em novembro, uma bonequinha tão linda e esperta quanto a minha filha. Foi na mesma época em que Harry assumiu a chefia do Departamento de Execução das Leis da Magia no Ministério, um cargo de grande responsabilidade, que combinava com o pai de três filhos que meu amigo havia se tornado.
Profissionalmente, foi um ano importante para mim também. Eu assumia cada vez mais responsabilidades, e até respondia por Kingsley na sua ausência, em algumas situações.
Eu tinha uma bebê pequena em casa, mas minha vida doméstica era tão organizada que isso nunca foi um obstáculo. Além disso, Rony era um pai maravilhoso e presente, e sempre estava perto em todos os momentos da vida de Rosa.
É por isso que costumava censurar um pensamento que surgia, teimoso, quando me sentava na varanda, com uma taça de vinho, pensando no meu casamento. Tudo corria bem na rotina, mas as coisas haviam esfriado.
O pior é que eu não sentia muita falta de Rony, e às vezes até agradecia intimamente quando ele ficava às voltas com Rosa. Estávamos transando bem menos, e eu racionalizava, pensando que era por conta do bebê, mas no fundo sabia que não era apenas isso.
Será que a vida que escolhi e planejei não tinha fôlego o suficiente? Ou será que sempre seria assim, essa sensação de que tinha o melhor possível, pois o que realmente queria era inatingível? Espanava o coração e pensava, e enchia uma nova taça.
Não gostava do rumo que as coisas estavam tomando, e tinha medo que Rony viesse conversar comigo sobre o assunto - o que ia dizer? A verdade – que nossa relação era maravilhosa e cheia de amor, mas algo nunca seria preenchido – era forte demais, e eu mesma não tinha coragem de pensar nela. A ideia de separação me assustava, e temia a reação de Rony se pensasse que teria que viver afastado da filha, que era sua vida.
Quando dei por mim, agosto havia começado e Rosa em breve faria dois anos. Constatei como o tempo podia passar rápido sem que uma confrontação com a verdade da própria vida pudesse acontecer: era da natureza humana adiar tudo aquilo que causa dor.
Naquele ano, a professora Hutton estava organizando um encontro científico sobre o Synchro na Grécia, que aconteceria simultaneamente aos rituais de Elêusis. Queria ir, mas era logo após a festa de aniversário de Rosa. Me sentia culpada por deixar minha bebê pequena, mas Rony me assegurou que eu estava pensando bobagens, e que ele era perfeitamente capaz de ficar com nossa filha sozinho, o que era verdade. Como a paternidade havia feito diferença na vida daquele Rony tão desligado que conheci aos onze anos!
Senti tanto amor e gratidão por ele naquela hora, e, por que não dizer, culpa. Culpa por que eu queria fugir, ficar longe dele e de Rosa. Queria um momento de verdadeira introspecção, queria mergulhar no ritual da Deusa e me reconectar comigo mesma.
Isso não era um crime, mas me sentia culpada, sem nem mesmo saber direito por quê. Abracei Rony com força, como se estivesse me desculpando por tudo o que tinha feito e que queria fazer, e fizemos amor no sofá, como há muito tempo não acontecia.
Um mês depois, cheguei na Grécia pela chave de portal em Stonehenge. A agenda era extensa. Havia toda a programação do ritual e mais a programação acadêmica, que começava naquela noite.
Hutton faria um encontro para poucos convidados, com a presença de Dorothea Demetriou, a especialista grega em Synchro. Seria um encontro muito especial, e estava ansiosa para ouvi-la.
Estávamos hospedadas em um antigo convento ortodoxo transformado em hotel bruxo próximo a Atenas, em uma praia de pescadores, e a reunião seria no salão menor, que comportava cerca de vinte convidados.
O espaço era decorado com motivos evocando a celebração dos Mistérios de Elêusis. No centro da parede diante da qual a mesa dos palestrantes foi montada, havia um painel belíssimo em mosaico representando a Deusa, e lembrei da Deméter da minha visão de garota na sala de Firenze. Ela estava usando o belo colar com a abelha em destaque, e era exatamente como a que eu havia visto.
Fui com Hutton ajudar na organização e recepção à professora Demetriou e convidados, que ajudei a se acomodarem. As cadeiras estavam dispostas em três semi-círculos, e Demetriou ocupou a posição central da mesa principal. Eu e Hutton sentamos uma de cada lado. Eu faria a mediação e os registros, e Hutton iria apresentar Demetriou e debater com a convidada.
A sala já estava em silêncio e Hutton já havia cumprimentado os presentes quando ouvimos os passos apressados no corredor. Nos viramos para a porta quando alguém bateu levemente e entrou. Hutton parou de falar, dirigindo-se a ele:
- Ah, meu querido Draco! Entre, ainda não começamos.
