Disclaymer: Essa fic se passa no universo de Curse of Strahd. Seus personagens e locais citados são de propriedade da Wizards of the Coast ou dos jogadores que estão participando dessa campanha. Escrita sem fins lucrativos.
Cenário: Curse of Strahd
Série: Andarilhos da Névoa
Personagens: Lysander e Silmeria
Sinópse: Para a alta sociedade, ele é conhecido como Lorde Lysander Von Aegir. Para o submundo do crime ele é conhecido como Coração de Rubi. A história de como o meio-vampiro fez seu pacto com a Valquíria Silmeria.
PS.: Essa história conta a origem do meu personagem para uma campanha de Curse of Strahd. O grupo é formado por Lysander Von Aegir (Dampiro Bruxo da Lâminha Maldita), Agarwen (Shadar-kai Clériga da Rainha Corvo) Kana'in (Humana Paladina Fanática), V (Dampira ladina assassina), Adriel (Caída Feiticeira da Alma Favorecida) e Flecha Veloce (Tiefling Patrulheira).
CORAÇÃO DE RUBI
Sentiu a lâmina atravessando seu peito, bem no coração, fria e impiedosa. Irrefreável, disparando dor por todo seu corpo a cada batida. Caiu no chão envolto por uma poça do próprio sangue… Ou melhor, do sangue que roubou de suas vítimas.
Sua vida inteira foi dura. Não sentia pena de si mesmo. Apenas viveu jogando com as cartas que a vida lhe deu, sendo um monstro e capitalizando isso. Ascendendo socialmente através de assassinato, chantagem e crimes.
Nasceu diferente e se aproveitou disso. Tornou-se famoso pelos motivos errados e conquistou o medo e ódio de muitos em sua vida. E foi arrogante o suficiente para pensar que a hora do acerto de contas nunca viria.
- Nunca mais irá causar dor e sofrimento, criatura das trevas. - Sussurrou a mulher com desprezo.
Ele desejou mais do que nunca ter condições de responder à mulher cujos olhos brilhavam através da escuridão de seu capuz, mas não conseguia. Com um movimento da espada ela retirou a lâmina prateada brilhando sob a luz do luar, tingida de sangue e limpou com um pano antes de voltá-la para a bainha.
- Apodreça no inferno. - A mulher disse antes de virar as costas e deixá-lo para morrer. Uma caçadora, boa demais no que faz, pelo visto. Parecia preparada para eliminá-lo sem dificuldade e ele foi tolo o suficiente para subestimá-la e cair em sua armadilha.
Que final indigno. Morto dentro de sua mansão em Villnore onde fez sua fama roubando e matando indiscriminadamente, em busca de assumir uma posição de poder no submundo da cidade.
Sua visão escureceu e Lysander mergulhou na escuridão. Ele caminhou pela escuridão, gritando, chamando por seus servos, seus criados, mas nada recebeu em retorno.
Até que viu uma luz ofuscante, que por um momento quase o cegou e deparou-se com uma mulher de beleza estonteante. Ela vestia uma armadura e elmo prateados, trazia uma espada na cintura e duas asas brancas adornavam suas costas.
- Lysander, o Coração de Rubi.
- Você é quem eu penso que é? - Lysander perscrutou a mulher de cima a baixo antes de disparar em gargalhada. - Não me diga que Odin enviou a Donzela Guerreira, Ceifadora de Almas, A que Escolhe os Caídos… para escoltar minha alma diretamente para os salões de Valhalla, onde são recebidos os Guerreiros Sagrados Einherjar!
- Você presume demais, Coração de Rubi. - Respondeu a mulher. - Eu vim de fato escoltá-lo, contudo… não é Odin que clama por sua alma. É Hela. Pelos seus crimes, você deverá ser escoltado para Niflheim onde sofrerá por toda eternidade.
Aquelas palavras pesaram em seu coração morto.
- O que? Isso é absurdo! Isso é indigno de mim, Valquíria!
- Por acaso sua alma não é corrompida? Acredita que cometo uma injustiça?
- Sim. Eu sou um espadachim de grande renome. Fui morto em batalha. Odin deveria me receber de braços abertos!
- Você recebeu a morte que mereceu. Não a morte de um herói, mas a de um vilão que matou e bebeu o sangue de inocentes para ascender ao poder.
Ele não esperava por aquela resposta.
- Centenas de vidas arruinadas, roubadas, tiradas… você não é uma alma nobre que merece as recompensas de Valhalla.
- Maldita! E que escolha eu tive? Nasci assim, apenas segui minha natureza.
- Errado. Seguiu seus próprios desejos ambiciosos. Cada vida que você tirou, foi tirada deliberadamente. A maldição que recebeu de seu pai não o define.
- O que disse? Sabe quem é meu pai?
- Sim, eu sei. - Replicou a Valquiria. - E ele não era muito diferente de você. Mas não se engane. Sua maldade vem de suas escolhas, não do seu sangue.
- Não é meu destino e o dos deuses também traçado pelas Nornas? - O jovem Lysander indagou.
- Errado, Coração de Rubi. As nornas traçam o futuro que escolhemos para nós mesmos. O futuro não é determinado.
- Não! Eu não aceito isso! Deve haver algo que eu possa fazer para me redimir! - Lysander esbravejou. - Vocês deuses hipócritas só me julgaram pelos meus erros! E quanto aos meus acertos?
- Oh. - A Valquiria fingiu surpresa. - Diga-me então, Lysander Von Aegir. Por acaso fez algo de bom sequer na sua vida?
Ele foi surpreendido por aquela pergunta. Pensou, pelo que pareceu uma eternidade e tudo que lhe veio à mente foi morte, assassinato, atividades ilícitas, suborno, contrabando… Foi assim que chegou à posição de Nobreza, assim infiltrou-se na Burguesia de Villnore como um novo rico em ascenção.
Até que veio à sua mente a imagem de uma jovem camponesa, pura e inocente, linda e provavelmente virgem. Ele ficou encantado por ela. Seu instinto imediato foi o de seduzí-la e levá-la para a cama, mas algo o impedia de fazê-lo.
Um instinto protetor tomou conta dele e por muitas noites, ele a acompanhou para casa e ela parecia sentir sua presença seguindo-a, mas nunca teve medo dele. Quando uma bela noite, ela pediu que ele se revelasse, ela o recebeu de bom grado e demonstrou o quanto era corajosa por não temê-lo.
- Não tem medo de mim?
- Se quisesse me fazer mal, já o teria feito há noites atrás.
- Sabia desde o início que eu a seguia? - Lysander indagou.
- Mas é claro. Estou acostumada a ser seguida e acabo percebendo essas coisas.
- Quem a persegue?
- Não se importe com isso. Envolver-se apenas trará má sorte a você.
"Eu descobri que ela era perseguida por uma facção de criminosos rivais meus por débitos que seu pai tinha com jogos. Eu paguei a dívida dela e depois mandei eliminar os criminosos… Eu não podia permitir que ela corresse riscos… porque eu a queria para mim… Não para beber seu sangue, como minha sede desejava… Mas porque eu… eu a desejava."
- Embora por motivos questionáveis e razões egoístas, você foi capaz de se apiedar de um inocente? Talvez seu coração não seja tão duro quanto imaginei, Coração de Rubi…
- E o que propõe, Ceifadora de Almas?
- O olhar da Valquiria parecia penetrar sua alma. Por um breve momento, ela fechou os olhos e respondeu:
- Eu decidi conceder-lhe uma nova chance.
- Quer dizer que irei para Valhalla?
- Ainda não. Você precisará antes se provar. Provar que é digno de ser um Einherjar. Você precisa expiar seus crimes.
- A Valquiria pegou a espada embainhada em sua cintura e a lançou-a para o jovem Lysander que a pegou no ar.
- O que é isso?
- É um presente. Você terá sua chance de se provar, Coração de Rubi. Não a desperdice. Se você morrer, com essa alma escurecida como está… Hela o terá por toda a eternidade. Mas se você se redimir, Valhalla o espera.
As asas da Valquiria se expandem novamente, iluminando a escuridão e ofuscando seus olhos. Quando ele abre novamente os olhos, está de volta a sua mansão. Ao se levantar, ele se depara com a guerreira de Odin olhando-o fixamente e apontando um dedo para ele, deixando suas últimas palavras antes de desaparecer:
- Espere pelo dia em que eu, Silmeria, Comandante das Legiões de Valquírias de Asgard o convoque para me servir, Lysander Coração de Rubi!
Lysander não podia acreditar. Seu sangue derramado desapareceu, seu peito perfurado estava curado e a dor era só uma lembrança distante. De sua morte, só restou uma cicatriz. Ao olhar para o alto, uma pluma flutua sobre seu rosto, pousando finalmente sobre sua mão esquerda e a espada da Valquíria embainhada em sua mão direita.
Fim?
