Gojou chegou ainda mais cedo do que costume naquele dia, se pudesse descrever a ansiedade que sentia naquele momento, com certeza diria que ela estava chegando ao sol.
A sala foi se enchendo lentamente, e a sua ansiedade aumentava de maneira exponencial. Sabia que naquela altura, somente conseguiria conversar com ela no final do período.
Marin chegou em cima da hora, acompanhada de Nowa e mais um pequeno grupo de amigas. Sem pestanejar, caminhou até o fundo da sala, onde Gojou sentava-se e sem sequer pensar, deu-lhe um rápido e suave beijo nos lábios e lhe desejou bom dia com o seu melhor sorriso. Todos na sala pararam repentinamente de conversar, atentos ao que acabara de acontecer. Gojou, por outro lado, estava completamente petrificado com o que acabara de acontecer. Entorpecido pelo perfume que lhe preenchia as narinas, e ainda processando tudo o que havia acontecido nos últimos segundos. Aquele fora o seu primeiro beijo.
No decorrer das aulas, Gojou recompôs-se, ainda sem conseguir processar tudo. A sala em si estava permeada com burburinhos e comentários abafados sobre como ele era um garoto sortudo, e outros dizendo "até que enfim", tendo em vista que ambos passavam MUITO tempo juntos e já estava mais do que na hora de assumirem esse relacionamento (o que de fato, era a mais pura verdade).
O fim do dia ia se aproximando, e com ele, um brilho alaranjado ia tomando conta da sala de aula, o badalar do sino tocando indicava o fim do primeiro dia letivo após as férias de verão.
Gojou guardava lentamente seu material, e quando deu por si, estava sozinho na sala. Ou quase isso. Marin sentou-se na carteira à sua frente, e aquele perfume sedutor novamente preencheu suas narinas, o fazendo corar.
"Acho que fui direta demais, não fui?" - Marin estava nitidamente encabulada por conta do que aconteceu antes – "Porém, é tarde demais para chorar o leite derramado".
"Se não fosse tão direta assim, não seria você, Kitagawa-san" – Gojou estava ainda mais encabulado com a situação, afinal, para ele era tudo novo nesse sentido.
Marin levantou-se repentinamente, e seu olhar mudou totalmente em questão de segundos.
"Se a partir de agora vamos namorar, então eu tenho algo a lhe pedir" – fez uma pequena pausa, sem desviar seu olhar – "a partir de agora, me chame pelo meu primeiro nome".
"Certo, eu farei isso Kitaga…" - corrigiu-se tempo – "Marin-chan".
A resposta do garoto veio na mesma moeda, enquanto tentava disfarçar o rubor que tomava conta do seu rosto.
Marin sentou-se no colo dele, e ficou ali por alguns minutos. Conversaram sobre assuntos aleatórios, cosplays, comidas que gostariam de comer quando saíssem da escola entre outras coisas fúteis, por assim dizer. No entanto, algo ainda incomodava a garota, como se houvesse culpa em seu coração.
"Wakana-kun… eu preciso… eu preciso me desculpar com você. Deveria ter dito isso tudo pra você bem antes. Eu fiquei pensando em tantas coisas, e em todas elas, você estava sempre ao meu lado".
Wakana apreciava os raros momentos em que Marin abria verdadeiramente o seu coração, e esses raros momentos eram sempre motivo de alegria para ele.
"Não se pode mudar o passado, Marin. Talvez as coisas tivessem corrido de maneira diferente, mas o que importa é o quanto nos divertimos juntos, e o quanto amadurecemos juntos. Meu avô me disse isso várias vezes desde que nos conhecemos, sobre o quanto eu mudei desde que você entrou na minha vida".
Desta vez, era Marin quem apreciava um dos únicos momentos que Wakana abria seu coração tão verdadeiramente. A doçura em suas palavras fez seu coração bater mais rápido.
Ambos se olhavam fixamente, Marin acariava o rosto de Wakana, enquanto ele sutilmente aumentava a pressão do seu abraço, até que por fim trocaram um longo e caloroso beijo, daqueles capazes de fazer a alma sair do corpo e dar a volta ao mundo. O garoto ainda enebriado por aquele doce, porém inesquecível perfume, repetia sem parar ao pé do ouvido dela o quanto a amava, e também se desculpava vez ou outra por também não ter aberto seu coração antes; porém, como ele mesmo disse, tudo acontecia como devia acontecer.
A noite ia caindo lentamente quando ambos iam para a casa de Wakana, era hora de preparar o jantar e apresentar sua namorada, agora oficialmente, ao vovô.
"Eu quero omelete de arroz, Wakana-kun!"
Naquela noite, com certeza ele faria o melhor omelete de arroz da sua vida. E partir daquela noite, ele faria tudo por ela e para ela.
FIM.
