Fanfic: Instinto de Sobrevivência.
Autora: Dora Russel.
Classificação: 18/M.
Gênero: Angst, drama, romance.
Shipper principal: Severus Snape/Hermione Granger (a ser desenvolvido ao longo da história).
Spoiler: A história se passa no universo Pós-Batalha Final, desconsiderando completamente o Epílogo de "Harry Potter e as Relíquias da Morte" e os dezenove anos que se passaram. The Cursed Child também será desconsiderada.
Status: Finalizada.
Avisos: Essa fanfic contém violência, linguagem imprópria para menores. A classificação é 18/M por uma razão, por tanto não me responsabilizo se o conteúdo for acessado por menores de idade.
Notas: Minhas habilidades no Photoshop são risíveis, mas fiz uma capa simples para a fanfic. Basta retirar os espaços e você consegue acessar a mídia: https : / www . imagemhost . com . br / image / rYAwfG
Além disso, a fanfic tem uma playlist no Spotify que você também pode acessar. Todos os capítulos terão estrofes de músicas e essas se encontram disponíveis lá, além de outras músicas que me inspiraram a escrever essa história (mesma coisa, só tirar os espaços que você consegue acessar): https : / open . spotify . com / playlist / 7bbc4dKbrhmb8hadDDS6qJ ? si = MmF5j6wfSY6Z7DgqdHavXw utm _ source = copy - link
Agradecimentos: Talvez soe egocêntrico, mas fica o primeiro agradecimento para a jovem em mim, que sonhava com essa história desde o lançamento do sétimo livro da saga, mas nunca se sentiu confortável em escrever algo tão profundo. Se o tempo é relativo e realidades paralelas existem, eu espero que essa mensagem chegue até ela: conseguimos dar o primeiro passo pisca.
Gostaria também de agradecer imensamente a minha beta, Amara Helena. Quando resolvi colocar em palavras esse plot, bateu uma insegurança grande, pois estou sem escrever nada e afastada do fandom há anos; publiquei um pedido de ajuda no grupo do Facebook Severo Snape Fanfictions (SSF) e logo fui acolhida com muito amor de volta à comunidade. À Amara e todos do grupo que me incentivaram nas últimas semanas, o meu muito obrigada!
Disclaimer: Tudo que você ver aqui pertence a J. K. Rowling Warner. Alguns personagens pouco descritos na série receberam características minhas (e dadas pelo próprio fandom ao longo desses mais de 20 anos de saga), mas fora essa observação, nada me pertence e eu não obtenho nenhum lucro financeiro com essa publicação (apenas muita alegria e enquanto esse sentimento não tiver valor monetário, estou isenta de cobranças).
Sinopse: Para alguns, a Batalha Final veio acompanhada da Morte — amigos e familiares que infelizmente não chegaram a presenciar a queda de Voldemort. Outros, desafiaram-na bravamente, cara a cara com a temível Senhora que recolhe as almas dos que tombam. Diante desse cenário, duas pessoas descobrem o significado da palavra instinto. A pergunta é: o que acontece depois que acaba a Guerra?
Prólogo
instinto
ins·tin·to
sm
1. Estímulo interior e inconsciente que impulsiona o animal racional ou irracional a agir segundo suas necessidades: Instinto de sobrevivência.
2. Tendência ingênita dos animais.
3. Impulso espontâneo e inconsciente.
4. Inclinação natural para certa atividade: Instinto para a pintura.
5. Percepção de situação, determinante na forma de pensar e de agir: "[…] foi o instinto que o avisou de que ali havia um inimigo" (MAA).
6. PSICOL Herança de padrão comportamental, característica de indivíduos de uma espécie animal.
A sensação de sobriedade que perpassou seus sentidos assim que seus olhos se abriram, foi mais dolorosa do que os rasgos sangrentos em seu pescoço. Ele ainda não estava morto.
Muito tempo depois, Severus Snape questionaria o instinto de sobrevivência que fora acionado naqueles instantes subsequentes ao recobramento de sua consciência. Por mais que sua missão estivesse cumprida — Potter estava em posse de memórias suficientes para acabar com aquela Guerra — o quê restava-lhe, aparentemente, era uma morte lenta e esta dava espaço para pensamentos intrusos. Snape temia acabar se entregando e se perdendo.
Se ele tivesse morrido logo após o encontro com Potter, sem nunca ter recobrado a consciência, sem nunca ter voltado a abrir os olhos e ver o estado em que se encontrava, então ele simplesmente não se importaria em, no pior dos casos, voltar como um fantasma para fazer companhia à Binns.
Então fora justamente o instinto de sobrevivência que fizera com que Snape se preparasse para aquele momento anos atrás, quando Arthur Weasley sofrera aquela emboscada no Ministério da Magia. Vencido pelo cansaço, o homem adormecera em seu turno protegendo a maldita profecia e acordara com o bote de Nagini, completamente entregue aos ataques do animal.
Os curandeiros de St. Mungus tentaram até mesmo técnicas trouxas para cuidar de Weasley — obviamente sem sucesso algum. Mas a administração da Poção para Repor o Sangue havia proporcionado tempo suficiente para que Snape trabalhasse em um antídoto contra o veneno letal de Nagini. Antes do natal daquele ano, Weasley estava de volta ao quartel da Ordem da Fênix, vivo e feliz.
A verdade é que a vida de Snape tinha um valor inestimável para a causa, principalmente depois do retorno do Lord das Trevas. Dumbledore poderia sentir-se nauseado a cada volta sua de uma das reuniões com os Comensais da Morte, mas as incansáveis tentativas para manter sua saúde estável não eram porquê o velho se preocupava com seu estado: as informações que o espião trazia, as vidas que conseguia salvar, eram mais importantes que a alma manchada do indivíduo Severus Snape.
Por isso, depois daquele ataque direto a um membro da Ordem da Fênix e com a Guerra chegando ao seu ápice, Snape passara a atender às reuniões que era convocado com um pequeno arsenal de poções em sua sobrecasaca. Nada muito complexo: Poção para Repor o Sangue, Bezoar, Ditamno, um frasquinho com algumas gotas valiosas de Veritaserum e o antídoto contra o veneno de Nagini. De todos frascos que Snape carregava consigo, esse último era o que ele menos acreditou que fosse precisar utilizar para benefício próprio.
Muitas vezes teve a certeza de que não sairia vivo de uma reunião com o Lord das Trevas, fosse por uma falha sua ou de algum companheiro Comensal. As sessões de tortura costumavam começar em um indivíduo, mas invariavelmente terminavam com vários corpos no chão, afetados por maldições que fariam da Cruciatos uma xícara de chá com açúcar. E incontáveis vezes esse seu estoque particular foi o suficiente para que ele chegasse com vida até Hogwarts — até que Dumbledore o curasse o suficiente para que seu papel na Guerra continuasse a ser desenvolvido.
Quando foi chamado até a presença do Lord das Trevas naquela noite, soube que seus próximos movimentos seriam os últimos como espião: Tom Riddle finalmente havia descoberto sua verdadeira posição ou o papel que Snape representava dentro do círculo dos Comensais da Morte não era mais necessário. Não que a verdadeira razão importasse, afinal, ainda faltava uma última coisa a ser feita e quaisquer que fossem os planos daquele maníaco, ele precisava estar preparado.
Por alguma razão que ainda era um mistério para o homem, o Destino agira em seu favor pela primeira vez em muito, muito tempo, pois no instante em que pisara os pés na Casa dos Gritos, o rastro úmido e gosmento deixado por aquela cobra de estimação foi a primeira coisa que vira. E como se isso fosse possível, ele reviu diante de seus olhos, a cada passo cauteloso que dava em direção à sala que Voldemort lhe esperava, a noite em que Dumbledore aparecera em sua lareira, nas masmorras, convocando uma reunião para relatar a situação atual de Arthur Weasley. Atacado por Nagini. Ferimentos que não se fechavam, nem por mágica, nem com a medicina dos trouxas. Os conhecimentos em Poções de Snape eram requeridos em máxima urgência.
Esforçando-se para controlar o tremor que atacou suas mãos, Snape diminuiu seus passos ao abrir apenas um vão em sua sobrecasaca. Ele não podia parar de andar, sabia que o Lord das Trevas já estava ciente de sua presença na casa. Mas ele não precisava. Alcançou o vidrinho com o antídoto e, com um único e rápido olhar para confirmar se aquele era o que procurava, Snape engoliu o líquido viscoso numa golada. Quando chegou no batente da porta, o vidrinho já havia sumido de suas mãos. E o que se deu depois, não o surpreendeu.
Era óbvio que Snape somente havia se precavido porque Potter ainda não havia recebido a última instrução de Dumbledore. A maldita instrução que deixava claro o sacrifício que o garoto teria de fazer pelo Bem Maior. E Snape não poderia morrer antes que essa ação fosse executada.
Agonizando no chão, logo após aquela conversa nauseante entre ele e o Lord das Trevas — olhos nos olhos com o monstro que havia aprisionado sua alma em primeira instância — Snape sabia que o próximo passo era beber a Poção para Repor o Sangue e então administrar algumas generosas gotas de Ditamno nas feridas. Somente então ele estaria apto o suficiente para encontrar Potter e passar sua última tarefa, revelar o quê o garoto precisava fazer para acabar de uma vez por todas com o Lord das Trevas. Mas não foi preciso.
O garoto entrou pouco tempo depois de Voldemort ter-lhe dado às costas, deixando-o para agonizar até a morte como uma forma distorcida de benevolência para honrar o mais fiel dos seus seguidores.
E assim que o jovem se ajoelhou à sua frente, olhos verdes tão vívidos que destoavam com a cor cinzenta daquela sala, Snape deixou que sua alma falasse no lugar da razão. Ele não tinha condições de lutar contra o tempo e fazer o que deveria: usar a poção para evitar que sangrasse até a morte, selar as feridas com a essência daquela poderosa planta e passar as instruções para que Potter fosse capaz de finalmente pôr um fim naquela Guerra. Fazer isso exigia uma força que Snape não queria empregar — por apenas um momento, ele queria apenas olhar para aqueles olhos verdes e se lembrar de uma época de inocência, perder-se em lembranças de um amor terno e infantil.
Mas nem mesmo enquanto sangrava até a morte ele poderia se permitir a felicidade de permanecer nas memórias puras. Potter havia ousado colocar suas mãos geladas e trêmulas sobre seu pescoço ferido, falando com ele e piscando numa velocidade acelerada — ou talvez fosse Snape que estivesse recebendo uma percepção desacelera do tempo —, e de repente, uma a uma, lembranças de como ele viera parar na sua atual situação inundaram sua mente. No final, ele não era um coitado que tivera a infelicidade de se apaixonar por alguém como Lily Evans. Além disso, se Potter enfrentara a morte múltiplas vezes desde que era um bebê, e agora encontrava-se ajoelhado aos seus pés com as roupas sujas e pavor inundando seus olhos verdes, Snape sabia muito bem que parte da culpa era sua.
As lágrimas contendo suas memórias mais secretas foram apenas consequência das emoções que Snape experimentava naquele momento. Que Potter houvesse capturada-as sequer importava para Snape. Ele queria que tudo isso chegasse ao fim. E, por algum tempo, teve a certeza de que havia acabado.
Até seus olhos voltarem a se abrir e ele perceber que inspirar doía mais do que ele se lembrava. E então o instinto de sobrevivência assumiu o controle de sua própria consciência e as mãos ganharam vida própria.
O veneno estava estabilizado, ele sabia disse sem precisar performar nenhum feitiço diagnóstico. Mas sabia que se não se mexesse, continuaria sangrando até seu corpo ser drenado e a morte lenta não era algo que ele desejava.
Ainda que houvesse certa lentidão em seus movimentos, Snape conseguiu auto-administrar a Poção para Repor o Sangue. Ditamno foi a parte mais difícil, já que suas mãos tremiam e qualquer movimento que ele tentasse fazer para se endireitar parecia impossível — a dor era tal qual agulhas sendo inseridas em suas juntas, com o acréscimo de álcool sendo derramado em feridas abertas. Agora ele chorava de ódio.
Muito tempo se passou até que o Ditamno fosse aplicado em todo o ferimento. Nagini mirara apenas no pescoço, mas dera tantos botes que o lado esquerdo do pescoço e da clavícula parecia desfigurado para além do reparo. Mas ele estava estável o suficiente para… Para o quê? O que ele deveria fazer agora?
O plano que fora traçado para ele havia sido cumprido. Mesmo que de forma indireta, Snape sabia que suas memórias seriam mais do que o suficiente para que Potter compreendesse seu destino. E, por mais irracional que talvez fosse, Snape não se sentia inclinado a usar o pouco de força que havia conseguido recobrar para sair da Casa dos Gritos, rumar até o Castelo e descobrir se Potter havia realmente feito o quê deveria fazer. A verdade é que o Voto Perpétuo com Dumbledore havia sido cumprido e ele podia sentir o vazio que a promessa havia deixado em seu peito — Snape não se interessava em saber as minúcias do que quer que estivesse acontecendo entre o Bem e o Mal. Ele só queria esquecer.
Agindo conforme sua vontade depois de quase vinte anos preso aos comandos de terceiros, o homem vestido de preto concentrou sua magia em um único feitiço e desaparatou de Hogwarts, deixando para trás mais do que seu sangue espalhado no chão: aquela noite seria conhecida pela comunidade bruxa como o dia da Batalha Final e também da morte de Severus Prince Snape.
Sitting on top of the facade
Built this tower to surpass
I can't remember why I'm here
Only why I need to disappear
(Leprous — Below)
Nota:
Definição da palavra "instinto" retirada do Dicionário Online Michaelis.
A intenção é publicar um novo capítulo todos os domingos, mas vocês sabem que fanfics são hobbies e a vida real às vezes impede uma assiduidade fiel.
Fiquem à vontade para comentar suas teorias, apreciações ou críticas construtivas. O review é muito importante para que eu possa saber se o plot está sendo bem recebido e também para me motivar a continuar com a escrita.
