Nota iniciais: olá, mundo!

Hoje, 31/07/2022, Harry Potter, O-Menino-Que-Sobreviveu-Mais-Do-Que-Eu-Me-Dei-O-Trabalho-De-Contar, faz aniversário!

Feliz dia de seu nome, Sr. Potter.

Aos avisos de sempre:

1) Seguimos sem beta por aqui. Tentem não se atentar demais aos erros que estão passando pelas minhas revisões solos.

2) Nada disso me pertence. Nem os personagens, nem as estrofes musicais.

3) Por último, mas nem um pouco menos importante, IdS recebeu seu primeiro review aqui no FF! Tive meu surto no dia que aconteceu e já mandei meus agradecimentos para a DM do perfil, já que estou refém de algumas ferramentas do FF, por estar acessando o site via mobile. Então se você deixar seu review/comentário aqui, provavelmente vou te responder via DM — espero que não se importe.

May Prince, agradeço imensamente por ter se dado o trabalho de logar e deixar seu comentário. Você não sabe como foi importante ouvir que tem alguém acompanhando IdS em tempo real!

Ah, e um último P.S.: o arquivo bruto da fanfic bateu 222 páginas ontem. Meu bebezinho está só crescendo e eu não poderia estar mais feliz!


Encontros inesperados

It comes and goes

It rips you up and lets you go

It eats inside and splits your mind

As you search around for others kind

To gather strength from the depths

To fight the fight from day till night

[...]

Am I still here? As one with the fear

Am I still alive? As one with the fear

(Anathema — The Storm Before The Calm)


Sentindo-se completamente mortificada por ter de interromper o luto dos Weasley, Hermione começou uma lenta caminhada em direção à roda de ruivos. Sua insegurança de ter que chegar até Ron, que parecia ser o filho que ainda segurava Molly, foi atenuada repentinamente, pois Ginny a encontrou passos antes com um olhar sério no rosto.

A jovem havia visto a conversa que Hermione e Harry tiveram e soube que os dois estavam em algum tipo de missão antes mesmo que Hermione precisasse abrir a boca para falar.

"O que quer que vocês dois estejam fazendo, por favor, sejam rápidos. Ron ainda não percebeu nada e vai se preocupar assim que der conta do sumiço dos dois", foram as palavras que a ruiva disse, quase em um sussurro inaudível, evitando que Hermione precisasse explicar detalhadamente onde Harry havia ido e onde ela agora precisava ir.

Hermione apenas concordou rapidamente com a cabeça e buscou uma das mãos de Ginny. Segurá-la entre as suas com força era o máximo de conforto que Hermione era capaz de oferecer naquele momento, antes de virar-se para a direção da saída e começar a fazer seu caminho em direção à diretoria.

Por mais que grande parte dos Comensais da Morte houvessem aparatado no momento que Harry magicamente voltou à vida — poucos ficando para tentar proteger seu líder nefasto —, Hermione sabia que Hogwarts ainda não estava segura. Os destroços espalhados pelos corredores eram mais do que o suficiente para deixá-la atenta o suficiente, varinha em riste, pronta para se defender caso alguém tentasse atacá-la.

Os corredores definitivamente não estavam como ela se lembrava: os quadros, antes intrínsecos às paredes do castelo, haviam sido removidos em algum momento entre sua partida de Hogwarts e o encargo de Snape como Diretor da escola. Apesar de ter ouvido alguns relatos quando ela, Harry e Ron chegaram ao encontro de seus amigos, não houve tempo de Neville, Ginny ou Luna elaborarem o quê, realmente, havia acontecido na escola sob o comando de Snape — sob os delírios do próprio Voldemort.

Já bem próxima da diretoria, Hermione virou o último corredor que a separava da sala e se deparou com a silhueta fantasmagórica de Nick-Quase-Sem-Cabeça, o fantasma da Grifinória. Ele, infelizmente, não estava sozinho.

— Peeves, seu pestinha! O que pensa que vai fazer na Sala do Diretor?

Com um profundo suspiro, Hermione cruzou a distância que a separava da dupla, pedindo mentalmente para qualquer força superior que ela não precisasse interagir com Peeves nesse momento.

O poltergeist a viu antes do sir Nicholas. E imediatamente enfiou as duas mãos em seus bolsos. Mas antes que ele executasse sua próxima ação, Hermione apontou a varinha em sua direção e, dando os últimos passos que a separava das duas entidades, disse em um tom forçadamente calmo:

— Eu pensaria duas vezes antes de fazer isso, Peeves.

O poltergeist literalmente revirou os olhos diante das palavras de Hermione, bufando em alto e bom som:

— Um ano sem acertar nenhum aluno! Por causa daqueles irmãos nojentos. — Peeves, então, arremessou uma bomba de bosta numa das paredes próximas, indo na mesma direção e atravessando a solidez enquanto resmungava:

— Só eu sei o que eles faziam nas salas vazias desse Castelo, mas é claro que "o Peeves é só uma assombração, não sabe de nada que…".

Hermione tentou apurar os ouvidos para continuar ouvindo as reclamações de Peeves, mas depois que ele atravessou a parede, restou apenas o silêncio. Do que será que ele estava falando? Seria sobre os irmãos Carrow?, completamente perdida em pensamentos, Hermione assustou-se quando percebeu que sir Nicholas ainda estava do seu lado, observando-a atentamente.

— Você não era aquela menina de Grifinória, sempre enfurnada na biblioteca, com o nariz em algum livro?

Hermione, recuperando-se rapidamente do susto, não conteve o sorriso que se formou em seus lábios com a descrição muito acurada que o fantasma da Grifinória deu. O calor que espalhou-se em seu peito acalmou o ritmo acelerado de sua respiração e, ainda sorrindo, ela respondeu:

— Hermione Granger, sir Nicholas. Prazer em revê-lo.

O fantasma pensou por um tempo, associando o nome à jovem bruxa que ele agora encontrava. E ofereceu um sorriso terno em resposta, fazendo uma longa referência em seguida.

— Apesar de estar há quinhentos anos no castelo, algumas figuras acabam se destacando mais do que as outras. — Ele falou enquanto terminava a exagerada reverência, voltando a empertigar-se ao fim do movimento — Eu só não a confundia com uma Corvinal, pois o brasão de nossa Grifinória estava sempre em seu peito. Grifinórios não são tão versados ao conhecimento explícito, somos reconhecidos pelos nossos conhecimentos tácitos, como eu sempre digo à todos. — Finalizou em um tom sério e Hermione percebeu que esse era o maior diálogo que ela já havia compartilhado com um dos fantasmas de Hogwarts, em todo seus anos como aluna da escola.

Fossem outros os tempos, Hermione estaria completamente disposta a continuar aquela conversa, mas atrás do corpo tremeluzente de sir Nicholas ela podia ver os destroços da gárgula que deveria guardar a Sala do Diretor. E, como se sua atenção fosse puxada de volta à situação atual, Hermione engoliu em seco e temeu que mais alguém além de Harry tivesse entrado naquela sala.

— … as exceções, como Minerva McGonagall e Albus Dumbledore. Será você também uma exceção, senhorita?

Hermione, claramente confusa com a pergunta, mas sem tempo para continuar a conversa, começou a falar em tom vacilante:

— Sir Nicholas, eu adoraria poder continuar a conversar, mas preciso resolver uma pendência urgente. — Seu olhar voltou a encarar a escada que a levaria até à diretoria.

Apesar da expressão desapontada de ter sua resposta negada, o fantasma acompanhou o olhar de Hermione e em seguida voltou a encará-la.

— Precisa de ajuda? Faz tanto tempo que não ajudo um grifinório, depois que aqueles irmãos carinhosamente nos expulsaram dos corredores. O diretor Snape tentou nos alertar…

Quem expulsou quem? Não! Eu realmente preciso ir, sir Nicholas... — Hermione começou a falar extremamente curiosa, mas ela sabia que o tempo estava passando e logo Harry chegaria ao seu encontro. As memórias precisavam ser encontradas e protegidas.

Com um olhar que claramente passava a mensagem de "sinto muito", Hermione recomeçou a andar em direção à escada, desviando da silhueta translúcida do fantasma da Grifinória no processo. Só percebeu a rapidez de suas passadas quando chegou à porta da diretoria, onde precisou parar por um segundo para absorver a nova decoração do lugar.

A disposição da mesa principal era a mesma. As janelas e os vitrais também estavam como Hermione se lembrava. Porém todo o restante dos móveis que pertenceram à Dumbledore não estavam mais ali. E, curiosamente, não havia nenhuma mobília que desse a entender que Snape havia se importado em deixar sua mais nova acomodação parecida com sua personalidade.

Sem os quadros na parede, com a lareira apagada e poucos objetos dispersos sobre a mesa, aquela sala que antes trazia uma sensação de grandeza às memórias de Hermione, agora apenas a deixava com um nó na garganta e com a impressão de que quem quer que ficasse muito tempo ali, acabaria se esquecendo de viver. A sala não passava nenhuma sensação boa ou ruim, apenas um tipo de vazio que Hermione não estava acostumada a experimentar.

Próxima à mesa, uma penseira brilhante era a única coisa que iluminava o ambiente, além da luz que entrava pelas janelas. Ainda perdida em seus pensamentos, Hermione não conseguiu conter o gritinho de susto quando ouviu uma voz atrás de si:

— Ele foi um dos mais… taciturnos diretores que Hogwarts já teve, se me permite comentar. — Era sir Nicholas quem falava, mas Hermione demorou a registrar a presença do fantasma, mesmo depois de olhar por sobre o ombro para confirmar a identidade da voz.

Apenas quando o fantasma literalmente atravessou seu corpo para adentrar à sala, foi que Hermione voltou a se mexer, numa tentativa desesperada de afastar a terrível sensação gelada que o contato provocara.

— Não foi o pior, como ouvi muitos grifinórios comentarem entre si na Sala Comunal. Parece até que se esqueceram da baixinha, aquela que vestia apenas rosa. Como era mesmo seu nome…? — O fantasma estava próximo da mesa do diretor, olhando atenciosamente para Hermione.

Engolindo o suspiro de exaustão que Hermione queria soltar, ela respondeu se aproximando da penseira para checar se as memórias ainda estavam lá:

— Umbridge. Seu nome era Dolores Umbridge.

De frente com a penseira, Hermione sentiu puro alívio ao ver várias formas tremeluzindo em estado líquido dentro do objeto mágico. Tomando cuidado para não chegar próximo demais e ser tragada para dentro das memórias de Severus Snape, mas ao mesmo tempo extremamente curiosa para entender o quê aquelas formas representavam, Hermione sequer ouviu a resposta de sir Nicholas.

Lutando para não se deixar levar pela curiosidade que sentia, Hermione buscou a bolsinha de contas que ainda carregava no pescoço e conjurou um frasco parecido com o que havia dado para Harry, horas atrás, na Casa dos Gritos. Ao seu lado, ela percebeu que sir Nicholas havia ficado quieto e prestava atenção em cada movimento seu. Com redobrada atenção, Hermione usou sua varinha para manipular as memórias e armazená-las dentro do pequeno frasco.

Somente depois que ele foi lacrado e cuidadosamente embrulhado em um xale seu, sucessivamente colocado em um compartimento seguro dentro da própria bolsinha, foi que Hermione percebeu que prendia a respiração e seus pulmões ardiam pela omissão de ar.

Soltando um longo suspiro ao recolocar a bolsinha de contas novamente dentro da blusa, Hermione timidamente levantou o olhar para o fantasma ao seu lado. Sir Nicholas olhava incisivamente da penseira para Hermione e depois de alguns segundos de escrutínio, falou:

— A inimizade entre Grifinória e Sonserina perde sentido depois de tantos anos morto, senhorita. E, enquanto vocês que possuem carne e osso tendem a julgar sem averiguar, nós enxergamos muito mais do quê seus olhos têm a capacidade de ver. — O fantasma falava enquanto apontava para o próprio peito, em um tom completamente diferente do que Hermione já o ouvira usar.

Sir Nicholas, assim como todos os outros fantasmas de Hogwarts, pareciam fazer parte da própria escola, como se aquelas paredes, estátuas e corredores constituíssem um ser consciente em conjunto com os quadros que se mexiam e eram detentores de um certo nível de consciência.

Era sabido que os fantasmas estavam, sempre, à serviço do responsável vigente pela escola, para auxiliar tanto os alunos quanto o corpo docente. Mas sua natureza, mesmo que assustadora como no caso do fantasma da Sonserina, o Barão Sangrento, sempre tinha um quê de lúdico, fantasioso. Entretanto, as últimas palavras proferidas por sir Nicholas não foram ditas em nenhum tipo de tom leve — ao contrário, havia uma seriedade ímpar que, pela primeira vez desde o começo daquele estranho encontro, deixou Hermione ansiando para que o fantasma continuasse a falar.

Mas uma gargalhada extremamente característica de Peeves estilhaçou o precioso momento, fazendo Hermione e sir Nicholas olharem para a porta da diretoria. E, antes que a jovem pudesse se virar e incentivar o fantasma a continuar sua fala, sir Nicholas já estava flutuando na direção da saída.

— Eu não posso negar que fico feliz de ter Peeves aprontando pelos corredores novamente…

Sir Nicholas, ao atingir o batente da porta, virou apenas sua conhecida cabeça solta para dirigir-lhe um piscar de olho e desapareceu da visão de Hermione.

Soltando um novo suspiro audível, a jovem voltou os olhos para a penseira para se certificar de que havia recolhido todas as memórias de Snape. Satisfeita com o resultado, passou a observar a sala com olhos curiosos. Andou até a mesa e pode identificar a caligrafia de seu antigo professor em alguns pergaminhos, mas nada que chamasse muito sua atenção.

Sabia que Harry deveria já estar à caminho da diretoria e ansiava para que ele chegasse logo. Queria retornar ao seio familiar dos Weasley e prestar as devidas condolências ao casal e aos irmãos de Fred. Sabia que seus sentimentos não trariam o gêmeo de volta, mas era a única coisa que Hermione poderia oferecer àquela família que a havia adotado, quando ainda era uma estranha, a esse mundo bruxo.

Alguns metros atrás da grande mesa do diretor, havia uma escada que levava a um mezanino e uma porta que Hermione não se lembrava de ter visto antes, nas poucas vezes em que foi chamada até a presença do então Diretor, Albus Dumbledore. Refletiu por alguns segundos, olhando para essa porta e para a entrada da diretoria, onde Harry deveria aparecer nos próximos minutos e, antes que perdesse a coragem, resolveu andar até ela.

Para sua surpresa, a maçaneta cedeu na primeira tentativa de Hermione em abri-la. Ela acabou por concluir que, o fato de Snape ter morrido, seria responsável para que os feitiços de proteção do cômodo não estivessem mais em vigor — no que agora, já tendo aberto completamente a porta, ela suspeitava fortemente ser a entrada dos aposentos privados do Diretor.

Sentindo-se como uma menina de onze anos novamente, invadindo o espaço pessoal de seu temível Professor de Poções, Hermione entrou no cômodo completamente escurecido e tentou forçar seus olhos a se acostumar com a penumbra.

Levantando a varinha, Hermione sussurrou Lumus e da ponta um pequeno facho de luz azulada apareceu.

Não era um quarto tão grande — ao contrário, tinha um espaço compacto e quase sufocante. Havia uma cama encostada na parede oposta, outras duas portas do lado direito, uma estante considerável do lado esquerdo e uma escrivaninha próxima à estante, abarrotada com tantos livros e pergaminhos que Hermione não controlou a curiosidade em se aproximar.

Logo em cima da escrivaninha, Hermione viu algo que chamou sua atenção instantaneamente: o primeiro quadro que via pendurado em uma parede desde que voltara à Hogwarts. Ainda a alguns passos de distância, ela percebeu que a pintura estava curiosamente estática, mas a luz que sua varinha produzia não era o suficiente para que ela pudesse identificar o conteúdo do quadro. Assim que chegou bem próximo, Hermione prendeu a respiração no mesmo instante que uma voz muito conhecida começou a falar:

— Olá, senhorita Granger. Há quanto tempo não nos vemos. Gostaria de lhe oferecer um drops de limão, mas os que tenho aqui seriam… Insossos demais para seu paladar, tenho certeza disso.

O retrato de Albus Dumbledore falava com Hermione, do mesmo modo que um dia o ex-diretor de Hogwarts falara com ela. O mesmo olhar perspicaz, a mesma voz levemente enrouquecida e antes que Hermione pudesse se recompor o suficiente para responder, ouviu em alto e bom som seu nome ser chamado:

— HERMIONE!

Harry havia chegado à diretoria. E não parecia ter boas notícias consigo, considerando a urgência de sua voz e o tom quase estridente que usava.


Notas finais: uma das coisas que eu mais amava nas fanfics Snamione que consumi ao longo dessa década e meia, eram os personagens secundários que faziam aparições pontuais — ou mesmo os que apareciam regularmente.

Deve dizer que foi uma surpresa até para mim escrever sobre Sir Nicholas e Peeves, mas, no final, eu adorei o resultado!

Fique à vontade para deixar seus comentários, críticas, palpites. Vou adorar recebê-los! E, é claro, até o próximo domingo!