Notas iniciais: olá, mundo!

Terminamos com um baita cliffhanger semana passada, não é mesmo? Temo que esse capítulo esteja fadado à mesma sina.

Essa semana o capítulo é um pouquinho menor, então é possível que eu traga o próximo antes do domingo que vem. Tudo vai depender de como fica meu tempo, já que seguimos sem beta e, para ajudar, eu estou com COVID :(

Deixo meu profundo agradecimento para a querida May Prince, leitora fiel que, além de acompanhar IdS, também me deixa comentários para que eu saiba que não estou sozinha nesse projeto maluco.

Ah, existe uma possibilidade de que IdS seja dividida em arcos. Estamos com 35 capítulos completos, 300 páginas de bruto e, conversando com o querido Lexas essa semana, ele me deu essa dica de separar a história em arcos, para que eu não me perca dentro do meu próprio plot.

Como essa história conta em detalhes a perspectiva (POV) de mais de um personagem, eu percebi que estava tendo dificuldade de encaixar tudo que queria e, apesar de ainda não ter decidido, estou bem tentada a seguir essa opção de dividir o plot. Assim consigo contar essa parte inicial e o que acontece depois em histórias separadas, dando também um tempo para a minha cabeça (vocês, autoras de longfic, tem minha eterna admiração, porque olha... não está sendo fácil rsrs).

O bônus é que, se eu acabar me decidindo por esse caminho, termino IdS em menos tempo do que eu previa inicialmente e, consequentemente, postarei os capítulos com mais frequência.

Espero trazer uma posição mais acurada no nosso próximo encontro. Por hora, desejo um ótimo capítulo *pisca*


Spinner's End

I'm trying to scream, but I can't exhale

The world seems to spin as I'm left on this square

With no will to hold on

Am I the only one crushed by the weight of the world?

(Antimatter — The Weight of the World)

— Eu estou aqui! Entre pela porta próxima ao mezanino. — Hermione instruiu o caminho ao seu amigo sem mover os pés do lugar. Dumbledore ainda a encarava com aquele brilho no olhar, profundamente destoante da tinta que reproduzia sua própria silhueta. Hermione estava estupefata.

Os passos pesados de Harry se aproximaram numa corrida rápida e barulhenta e, antes que pudesse colocar os pensamentos em ordem, Hermione ouviu o restante da porta atrás de si se abrindo, sem cautela alguma, fazendo a madeira colidir com a parede em um baque surdo — foi o suficiente para que o choque inicial desse lugar aos alarmes na cabeça de Hermione, avisando-a, antes mesmo de ter terminado de se virar completamente para olhar Harry, que algo de muito errado tinha acontecido.

Harry estava com a calça jeans manchada de sangue, um vermelho escuro e ressecado. As mãos também estavam sujas e o rosto avermelhado com a força que ele fazia para respirar. Assim que seus olhos se encontraram, o jovem falou:

— Hermione! Ele não está mais lá… Eu cheguei o mais rápido que pude na Casa dos Gritos, até usei aquele Homenum Revelio que você nos ensinou, no instante que pisei os pés naquela maldita casa… — Harry precisou parar para puxar o ar, colocando uma das mãos sobre o abdômen e fazendo uma careta de dor em seguida.

— Harry, por favor, acalme-se. Você não está fazendo sentido algum e de quem é todo esse sangue? — Hermione falou cautelosamente enquanto se aproximava do amigo.

Snape não está mais na Casa dos Gritos. — Harry falou em um único fôlego, apontando a mão direita para onde ela imaginava que fosse a direção da casa — Eu deveria ter te enviado um patrono, mas não sabia se você tinha cansado de me esperar aqui e voltado para o Salão Comunal. Inclusive, onde é aqui?

Hermione tinha parado de prestar atenção em Harry depois da primeira fala do amigo. Snape não está mais na Casa dos Gritos, isso era impossível. Haviam deixando o corpo do ex-professor lá, horas antes. Como ele poderia ter desaparecido? Como eles puderam deixar o corpo do antigo professor naquela casa abandonada? Quanta irresponsabilidade…

— Mas Harry, não é possível… — Hermione sussurrou, ainda tentando encontrar uma razão para explicar o sumiço do corpo de Snape.

— Tão possível quanto meus olhos foram capazes de ver. Hermione, eu procurei pela casa toda e só o que restou foram sangue e rastros daquela cobra nojenta. — Harry apontou para a calça suja — Enquanto eu corria até aqui, eu pensei que talvez algum Comensal da Morte tenha encontrado Snape e… Levado-o embora, mas essa teoria simplesmente não faz sentido.

O diálogo entre os jovens foi interrompido por um pigarreio não muito distante. Hermione virou-se para o quadro, mais uma vez apontando a luz de sua varinha na direção do ex-diretor, enquanto Harry dizia:

— Hermione, onde estamos? E quem… — Sua segunda pergunta nunca chegou a ser finalizada, pois ele andou os últimos passos que faltavam até chegar em Hermione e, lado a lado com a amiga, olhou na direção que a varinha dela apontava. As palavras morreram em sua garganta.

— Harry, meu garoto! Hoje parece ser um dia de reencontros. O quão feliz um quadro pode ser, não é mesmo?

Hermione viu com o canto dos olhos que Harry, assim como acontecera com ela mesma há alguns minutos atrás, prendeu a respiração e abriu a boca em choque. Piscou uma, duas, três vezes até chacoalhar a cabeça, intercalando seu olhar de Hermione para o quadro de Dumbledore.

Talvez fosse o fato de ambos terem sido criados longe dos costumes bruxos, somado ao fato de ser o próprio Dumbledore que falava com eles — ao menos uma parte de quem Albus Dumbledore fora um dia. Essa era a única explicação que Hermione podia dar para os segundos de desconforto que se seguiram.

Percebendo que ainda apontava a varinha na direção do quadro, Hermione endireitou-se e buscou qualquer outra fonte de luz que poderia iluminar o quarto. No teto, havia uma espécie de lustre pouco rebuscado, com velas usadas. Apontando a varinha na direção do objeto, concentrou-se em iluminar o cômodo.

Harry parecia haver encontrado sua voz novamente e, ainda que vacilante, voltou a falar:

— Senhor, bom ahn… revê-lo, senhor.

— De fato, é muito bom encontrar parte do Trio de Ouro novamente. E onde está o senhor Weasley?

Hermione se virou bem a tempo do fim da pergunta, encontrando um Harry pálido e desesperado. Mais recomposta do que o amigo e querendo voltar ao assunto que realmente importava, Hermione respondeu o mais breve que pode:

— Com o restante dos Weasley, senhor. A Batalha chegou ao fim e… vencemos.

A próxima pergunta de Dumbledore foi feita em um tom que lembrava a austeridade que impunha quando estava vivo. Ele havia se levantado da cadeira que representava fielmente a mesma que o acomodara, por anos, na mesa do Salão Principal.

— Eu me questionei, à princípio, o porquê a senhorita Granger estaria nos aposentos de Severus, sendo seguida por você, Harry, mas tenho certeza que te ouvi dizer que Severus não está mais na Casa dos Gritos. O que aconteceu?

Harry agora olhava para os próprios pés e suas mãos nos bolsos completavam a expressão embaraçada em seu rosto. E mais uma vez Hermione precisou responder:

— Professor Snape foi atacado por Nagini, senhor. Antes de… — Ela precisou de alguns segundos, mas conseguiu terminar a frase relutantemente — Morrer, ele cedeu memórias valiosas a Harry e Harry conseguiu derrotar Voldemort.

O silêncio que se seguiu durou por pouco tempo, mas a sensação que pairou era que os minutos correram como se horas houvessem passado. Harry tinha voltado a olhar para Hermione, a dúvida era clara, mesmo que não pronunciada em voz alta. Enquanto isso, Dumbledore tinha o olhar fixo em algum ponto sob as cabeças dos dois, dedos afagando sua longa barba enquanto seus lábios franzidos voltavam lentamente a formular palavras:

— E você acabou de voltar da Casa dos Gritos, Harry? Severus não estava mais lá?

Harry limpou a garganta antes de voltar a olhar para o quadro, buscando a força necessária para responder:

— Nós estávamos correndo contra o tempo, senhor. Snape… Snape morreu olhando em meus olhos e eu não podia deixar sua morte, assim como a de tantos outros, ser em vão. — Em algum momento, ao longo da frase, Harry imbuiu-se de coragem e sua voz se estabilizou numa cadência quase fúnebre — Deixamos seu corpo na Casa dos Gritos e então, depois que Voldemort caiu… Quando conseguimos reagrupar os sobreviventes no Salão Principal e contabilizar as perdas… Eu pedi a Hermione que viesse recolher as memórias que Snape me deu, enquanto eu buscaria seu corpo para que ele tivesse um fim digno, como todos os outros que caíram neste último dia terão. — Seu discurso chegou ao fim e Dumbledore parecia tocado pelas palavras.

Hermione achou ter visto os olhos da pintura se encherem de água enquanto Harry falava, mas assim que o silêncio voltou, Dumbledore já estava se movendo dentro do próprio quadro enquanto falava em tom urgente:

— Preciso que esperem aqui um momento. Eu não devo me demorar. Não se mexam!

E então, Dumbledore simplesmente desapareceu da moldura.

Hermione e Harry trocaram olhares surpresos. E quando perceberam que Dumbledore havia mesmo desaparecido depois de Harry ter dado toda a notícia, Hermione não aguentou mais segurar as palavras desesperadas de escaparem de sua boca:

— Harry, não deveríamos ter deixado o corpo dele naquela casa abandonada. Eu sei que ele estava morto e precisávamos continuar, mas quem será que o tirou de lá? E, o mais importante, por quê?

Seu tom era insistente e ela gesticulou o tempo todo que falou, deixando claro o quanto a situação a perturbava. Ao que Harry respondeu, com uma expressão desolada, mas de forma muito mais controlada do que Hermione esperava:

— Hermione, ele me mandou continuar. Não havia nada que pudéssemos fazer para contornar a situação e o tempo não estava do nosso lado.

Sim, Hermione tinha completa ciência disso. Mas não era o suficiente para extinguir a sensação ruim que havia se instaurado em seu peito.

— De qualquer forma, onde será que Dumbledore foi?

Antes que Hermione pudesse responder, Dumbledore havia voltado para o quadro. E seu olhar arrepiou a espinha de Hermione.

— Quero que prestem bastante atenção no que vou dizer agora, pois o tempo é curto e eu temo que, mesmo assim, seus esforços não sejam o suficiente.

Harry levantou uma sobrancelha inquisitiva ao olhar de Hermione para o quadro. Hermione não conseguia desviar seus olhos de Dumbledore nem por um segundo, atenta ao que quer que o ex-diretor tinha a dizer.

— Senhorita Granger, envie um patrono para Minerva com os seguintes dizeres: "O bolo de chocolate será servido", é o suficiente para chamá-la até a sala dela e eu estarei na minha moldura, em seus aposentos, esperando por sua chegada.

Hermione estava prestes a falar, quando Dumbledore levantou o tom de voz e, combinado com um aceno de mão, cortou-a antes que pudesse falar:

— Não há tempo para explicações elaboradas. Apenas faça. Harry, aproxime-se, meu rapaz.

Hermione virou as costas para os dois e, limpando o máximo possível a mente para tentar produzir boas memórias, sussurrou Expecto Patronum. À sua frente, uma lontra translúcida apareceu e Hermione disse:

— Vá até a professora McGonagall e diga que "o bolo de chocolate será servido''. Agora!

A personificação do patrono corpóreo não tardou a acatar sua ordem, dando algumas piruetas no ar enquanto desaparecia de sua visão, partindo para cumprir sua missão. Hermione retornou para próximo de Harry e ouviu o que Dumbledore falava:

— … Tragam Severus para Hogwarts, eu avisarei Minerva e ela estará esperando por vocês.

— Mas senhor, se ele realmente está vivo, não deveríamos levá-lo para St. Mungus?

— E correr o risco de ele ser preso antes mesmo de receber qualquer tipo de tratamento? Se vocês conseguirem resgatá-lo com vida, Severus será condenado antes mesmo de acordar e, infelizmente, a palavra de um quadro não será suficiente para inocentá-lo.

SNAPE ESTÁ VIVO? — Hermione só percebeu que estava gritando depois que as palavras haviam deixado seus lábios. Imediatamente, suas bochechas ruborizaram com o olhar que Dumbledore lhe deu.

Quase morto, pelo que pude enxergar da moldura que tenho em Spinner's End. — Seu olhar recaiu novamente sobre Harry — Agora, preciso que você faça como instruí. Esse é o último pedido que te faço, Harry.

A mandíbula de Harry estava cerrada, assim como seus punhos.

Qualquer que fosse a conversa que havia acontecido entre os dois, deixou o jovem no limite. Mas ainda assim ele acenou afirmativamente e virou-se para Hermione, buscando suas mãos e segurando-as entre as dele.

Dumbledore deixou a moldura com um barulho alto, derrubando o cálice que ficava apoiado na mesinha ao lado de sua cadeira.

Harry, o que está acontecendo? — Hermione sequer tentou esconder o medo que sentia. Estava cansada demais para fingir que toda aquela situação não estava entrando embaixo de sua pele, causando um novo tipo de medo, contra o qual ela ainda não sabia como resistir.

Ao invés de respondê-la, Harry segurou uma de suas mãos e, com um olhar que claramente pedia desculpas, gritou:

— Monstro!

Um pop alto estalou nos ouvidos de Hermione e, assustada, ela percebeu que o elfo doméstico da família Black apareceu ao lado deles.

— Mestre Harry Potter, senhor. Ah, e a sangue-ruim. Chamou, senhor?

Olhando em choque da criatura para Harry, Hermione não tinha forças para vocalizar o que sua mente gritava: O que diabos está acontecendo aqui?

— Preciso que você nos leve até a casa de Severus Snape, em Spinner's End. — Harry falava muito rápido, mas duas vezes olhou de esguelha para Hermione — Dumbledore disse que você conhece o endereço.

— A casa imunda dos Snape? Monstro talvez conheça. — O elfo doméstico respondeu com aquela voz desdenhosa que fez com que Hermione tentasse se livrar do aperto que Harry empregava, entretanto sem sucesso. O amigo apenas apertou ainda mais suas mãos na dele.

— Ótimo. Um segundo.

Harry finalmente voltou a olhá-la, tão ansioso que parecia não ter tempo para espaçar uma respiração da outra.

— Hermione, pelo pouco que eu entendi, não temos tempo e eu realmente preciso que confie em mim, tudo bem? — Apesar de urgente, seu tom de voz tentava passar algum tipo de segurança, assim como o aperto firme em suas mãos.

Hermione queria protestar e fazer as mil indagações que sua mente criava, mas antes que pudesse falar, Harry emendou a última frase com:

— Segure firme, por favor. Não temos tempo para cuidar de um estruncho. Monstro, Spinner's End, agora!

Foi a última coisa que Hermione ouviu, antes de sentir um puxão em seu umbigo e aquela sensação horrível de falta de controle ao aparatar sob a magia de alguém para um lugar desconhecido. Quando tudo parou de rodar e a náusea ameaçou seu estômago, Hermione voltou a abrir os olhos e viu Monstro fazer uma reverência exagerada:

— Spinner's End, Mestre Harry Potter. Mais uma coisa?

— É só, Monstro. Pode ir.

Com um pop alto, Monstro foi embora e foram justamente as mãos de Harry segurando-a que não permitiram suas pernas de falhar o equilíbrio. A cena em sua frente jamais, não enquanto Hermione vivesse, deixaria de lhe assombrar a mente.

Em uma posição retorcida, sobre um chão sujo, o corpo de Severus Snape estava jogado. Uma poça de sangue parecia estar começando a secar ao lado de sua cabeça. Uma das pernas estava horrivelmente desfigurada, como se estivesse quebrada em mais de um ponto. E, antes que Hermione pudesse pensar, aquela voz que há pouco havia dado ordens soava novamente de modo urgente:

Agora, senhorita Granger! Harry disse que carregava consigo poções de primeiros-socorros. Não há tempo a perder, daqui consigo ver um movimento quase imperceptível de seu peito.

E Hermione, como fora obrigada em tantos outros momentos nos últimos anos, deixou que seus instintos assumissem. Pois apenas a sua razão não seria capaz de controlar seus movimentos, não quando em sua mente tudo que ela era capaz de fazer era gritar.


Notas finais: pequeno, eu sei, mas o próximo capítulo vai valer a pena. Confia! *pisca*

Antes de encerrar, segue um aviso da mulher por trás do pseudônimo Dora Russel, relativo ao momento de crise sanitária e humanitária que estamos vivendo desde 2019:

Cuidem-se, pessoal! Depois de dois anos de pandemia sem me infectar (ao menos não de forma reativa), eu fui pega pela COVID e a verdade é que só estou em pé por causa das vacinas, palavras dos médicos que me atenderam nessa última semana.

Mesmo assim, está sendo barra pesada, sintomas horríveis e já ganhei até pulseirinha VIP do hospital, dada minha assiduidade. Eu me descuidei por questões de serviço (estavam obrigando funcionário a trabalhar sem máscara) e olha, teve dia dessa última semana que até o testamento eu comecei a escrever rs

Não é uma gripezinha — espero que todo mundo já tenha entendido isso. Eu sei que tem muito patrão arrombado como o meu e a gente acaba sendo obrigado a relaxar alguns cuidados, então quem puder, continue fazendo o uso da máscara, pelo menos em ambientes fechados. Cuidem-se e cuidem dos seus, para que possamos seguir forte.

Eu sigo de repouso absoluto, qualquer esforço a mais e parece que vou botar os pulmões pra fora. Como disse: todo esse tempo de pandemia e eu acabei nessa situação por causa desse Capitalismo maldito, mas com a flexibilização atual, qualquer pessoa mais desatenta pode se contaminar e/ou ajudar a espalhar o vírus.

Desculpa o textão, mas não poderia deixar de usar esse espaço para deixar aqui meu relato e alerta.

"São tempos sombrios, não há como negar.". Juntos, venceremos!