Notas iniciais: olá, mundo!
Hoje o aviso está mais curto, para a alegria da nação rs
Esse primeiro arco de IdS está, finalmente, chegando aos capítulos finais. Talvez mais dois ou três capítulos e eu consigo finalizar.
"Por que isso é relevante?", talvez você esteja se perguntando. Porque assim que eu colocar o último ponto final, vou fazer uma força-tarefa de betar tudo o mais rápido possível e postar. Talvez eu consiga fazer duas postagens por semana, talvez mais. Quero poder postar tudo até o início de setembro, para começar a trabalhar nos próximos arcos.
Agradecimentos: essa semana temos mais duas pessoas que eu preciso incluir nos agradecimentos de sempre.
Yaoi e Cherik, vocês dois ainda não começaram a ler IdS, mas preciso agradecer profundamente o apoio criativo que têm me dado nos últimos dias. Meu retorno ao fandom foi algo muito solitário e, apesar de em nenhum momento eu ter desanimado a ponto de parar de escrever, ter o apoio de novos amigos é o que tem sido meu maior combustível para continuar. Obrigada!
Lexas, sua betagem tem sido a melhor coisa para esses capítulos iniciais. Eu pude perceber uma diferença significativa no conteúdo; tive dificuldade de aprofundar alguns detalhes cruciais no início, pelo fato de estar tantos anos sem escrever nada — graças a sua leitura sensível, estou podendo entregar um trabalho muito mais completo. Muito obrigada!
May Prince, eu amo como seus comentários conseguem abrilhantar meus dias! Parte da minha ansiedade em finalizar e começar essa força-tarefa é para que eu possa disponibilizar IdS completa para você. Não nos conhecemos, mas saiba que tenho você em grande estima!
É isso.
Obrigada a todos que, direta ou indiretamente, tem me ajudado e acompanhado esse projeto de uma vida. Agora, fiquem com o próximo capítulo que está bem sofrido, porém uma delicinha de se ler.
O que acontece depois que acaba?
Tell me now
What is right, what is wrong
Where's the line between fear
And total callousness?
There's nowhere to escape
But I have the key
I know the road
So I will take you there
Look after you
And save us both
(Riverside — Guardian Angel)
Apesar de confiar em suas capacidades, Hermione ainda assim sentiu-se surpresa quando seus pés tocaram o chão e, à sua frente, apareceu a Sala de Transfiguração, juntamente com uma enxurrada de memórias de um passado não tão distante, onde tudo era tão mais simples.
Sua mão ainda segurava firmemente a roupa de Snape e, assim que o mundo parou de girar, ela voltou seu olhar para o rosto do antigo professor. Ele continuava terrivelmente pálido, mas não havia nenhum indício de que seus machucados tivessem sofrido demais com a aparatação e, o mais importante, ela ainda podia sentir o tórax quente sob seu toque, indicando que sua missão fora tão bem sucedida quanto possível.
Tão logo esse pensamento foi concluído, Hermione sentiu olhos sobre si. Quando levantou o rosto, encontrou Harry, Minerva McGonagall e Madame Pomfrey parados a poucos metros de distância.
Harry tentou sorrir assim que seus olhos se encontraram, mas apenas conseguiu produzir uma careta estranha, acenando positivamente com a cabeça. McGonagall estava com a boca tampada com ambas as mãos, em uma expressão de choque, enquanto Madame Pomfrey perdia a cor rosada de suas bochechas, parecendo tão confusa como se tivesse acabado de ser atingida por um poderoso Confundus. Entretanto, não foi nenhum deles que quebrou o silêncio da sala.
— Poppy, o tempo para respostas chegará. Por favor, cuide de Severus.
Hermione buscou pela origem da súplica e encontrou um quadro à sua direita, em cima de uma espécie de cama que lembrava vagamente as que hospedavam os pacientes na Ala Hospitalar. Observando mais atentamente, Hermione percebeu que a Sala de Transfiguração havia sido transformada em uma espécie de enfermaria improvisada, com todas as cadeiras e mesas tendo desaparecido, dando lugar a um aspecto vazio e pouco acolhedor.
No quadro, Dumbledore estava descabelado e com sua barba jogada por sobre o ombro — a imagem do retrato parecia maior por estar mais próxima do limite da tela, numa clara tentativa de enxergar melhor, de maneira que Hermione tinha a impressão de ele que iria romper da moldura do quadro a qualquer instante. Podia jurar ter visto uma depressão sobre a região onde a figura se apoiava, como se fosse um transeunte olhando para dentro de uma casa por meio de uma janela. Impressão? Quem sabe... Era um mundo mágico, afinal! Mas foi o máximo que conseguiu observar, pois o corpo que ainda segurava começou a se mover para longe de seus dedos, e Hermione percebeu que Madame Pomfrey havia assumido o controle — ainda claramente confusa, mas pronta para fazer seu trabalho.
Quando o corpo de Snape deixou seus cuidados, Hermione foi abarrotada com sentimentos dúbios: estava, obviamente, aliviada de ter essa responsabilidade retirada de si, mas um vazio sem aparente motivo tomou lugar em seu peito, deixando-a quase sem ar. E agora?
Seus ouvidos foram atingidos por estampidos, iguais aos dos duelos que travou mais cedo, contra os Comensais da Morte. Ainda que seus olhos estivessem abertos, ela podia enxergar claramente as cores vibrantes dos feitiços sendo disparados, escudos invisíveis erguendo-se numa tentativa desesperada de protegeção contra poderosos ataques.
Memórias brotando como flashes diante de seus olhos, viu Oliver Wood carregando o corpo de Colin Creevey sobre os ombros e Merlin… Colin parecia tão minúsculo — não poderia a morte ter diminuído ainda mais sua compleição, correto? Como alguém poderia matar Colin Creevey, um menino tão inocente, tão puro de coração? Piscou os olhos com força, temendo perder-se naquela lembrança tão recente.
Antes que pudesse controlar o fluxo de seus pensamentos, viu alguém que ela não podia identificar cobrir os corpos de Remus e Nymphadora com um pano empoeirado. Nunca mais ouviria os discursos melancólicos do lobisomem, ou observaria as impressionantes capacidades mágicas da metamorfomaga. Não podia ser verdade, não quando eles haviam acabado de encontrar um propósito tão lindo no amor. Eram dois dos bruxos mais corajosos que Hermione já havia conhecido — simplesmente não parecia ser correto que tivessem perdido a vida de forma tão brutal.
— Não… não, não é real…
Só percebeu que tinha dado passos para trás quando sentiu as costas baterem em alguma coisa. O canto do olho identificou uma parede. Então, perdendo o restante do controle que ainda exercia sobre seus membros, escorregou ao chão desengonçadamente e chorou.
Hermione chorou toda a dor que sentia em seu coração, o cansaço de meses fugindo, o pavor das vezes que teve certeza de que morreria tentando. Chorou pelas últimas quarenta e oito horas, os amigos que nunca mais encontraria, o horror que presenciou nos últimos sessenta minutos. Ao levantar as mãos para secar os olhos, viu que até mesmo embaixo de suas unhas estava sujo de sangue, e chorou com ainda mais força, soluçando como uma criança. Concluir isso, fez com que Hermione lembrasse de seus pais, dando vazão a uma nova onda de medo que arrebatou seus esforços para respirar, começando a hiperventilar.
— Está tudo bem, Mione. Acabou… — Harry havia, de alguma forma que ela sequer tinha percebido, sentado no chão ao seu lado, e agora buscava suas mãos numa tentativa de confortá-la.
Hermione não conseguia encontrar palavras que fossem capazes de desfazer o nó que sentia em sua garganta. Mas apertou as mãos de Harry com força, cravando suas unhas nas costas das mãos do amigo a cada novo soluçar, já completamente aquém à situação.
Não sabia precisar o tempo que o pranto sofrido durou, apenas soube que depois de algum tempo, entre as lágrimas que embaçavam sua visão, pôde distinguir a silhueta de Minerva McGonagall chegando bem próximo de onde estavam. Tentou se recompor, mas simplesmente não conseguia parar de chorar.
— Senhorita Granger…
McGonagall franziu os lábios depois que as palavras deixaram sua boca, parecendo descontente com alguma coisa. Suas linhas de expressão suavizaram lentamente, desmontando parte de sua armadura imponente, tornando-a quase tão mundana quanto qualquer outro cívil. Observando atentamente, podia-se distinguir fios de seus cabelos soltando-se do penteado, parte da característica severidade de sua personalidade, atenuando-se, dando um aspecto cansado às suas feições.
Agora a professora estava bem próxima de Hermione e Harry, esticando um vidrinho enquanto voltava a falar, em um tom deveras preocupado:
— Hermione, querida, tome um pouco dessa Poção Calmante. — Ela não titubeou a acatar o comando, levantando sua mão trêmula para pegar o vidrinho — Apenas o suficiente para que você consiga parar de chorar, não mais que duas goladas. Isso, isso.
Hermione seguiu cegamente as instruções, desejando que sua cabeça voltasse a funcionar e que toda aquela dor desaparecesse. Sabia como aquela poção funcionava, seu efeito seria rápido, então, quando deu o segundo gole, foi como se seus pensamentos começassem lentamente a se reorganizar em sua mente. Pôde ouvir McGonagall voltar a falar:
— Você também, Harry. Apenas um gole será suficiente e então eu peço que vocês achem o caminho para a Sala Comunal da Grifinória, e descansem. — Apesar de usar a palavra "pedir", aquele tom indicava uma ordem clara, não deixando nenhum espaço para contestações.
Hermione entregou o vidrinho para Harry, que bebeu a contragosto, mas sem reclamar em voz alta. Quando a poção voltou às mãos de McGonagall e ela tampou o frasco, guardando em um dos bolsos de suas vestes, Hermione já não chorava mais. Virando o rosto para encontrar o amigo, percebeu que as linhas de expressão em seu rosto também estavam mais serenas.
Harry foi o primeiro a se levantar do chão. Mais uma vez esticou a mão para servir de apoio para a amiga, que se esforçou para abrir um sorriso, ainda que tímido, em uma espécie de agradecimento mudo. Novamente em pé, tendo um braço de Harry apoiado em seus ombros de forma protetiva, rumaram na direção da saída da sala, em completo silêncio.
Olhares foram trocados entre o casal de amigos e a antiga professora, mas ninguém parecia inclinado a acrescentar nada. Já na porta, Hermione olhou por sobre o ombro na direção da cama, apenas para encontrá-la tampada por um biombo — não havia nenhuma indicação visível do que quer que estivesse acontecendo lá atrás.
— Vamos, Mione. Ron deve estar preocupado com a gente. — Harry disse ao recomeçar a andar, puxando Hermione consigo.
Ele estava certo. Ron e Ginny estariam preocupados com o sumiço dos dois e não havia mais nada que eles pudessem fazer ali. Com um suspiro resignado, Hermione terminou de fechar a porta da Sala de Transfiguração atrás de si.
O caminho foi percorrido em um silêncio reconfortante. Nenhum dos dois tinha pressa, e parecia que dentro de cada mente, um universo singular habitava e prendia a atenção suficientemente, para que se surpreendessem ao dar de cara com Ron na última curva antes da entrada para a Sala Comunal da Grifinória.
— Onde, diabos, vocês se enfiaram? E por que estão sujos de sangue?
Não havia delicadeza nenhuma no tom, e seu rosto estava tão vermelho que contrastava com as madeixas ruivas. Hermione se encolheu no meio abraço que Harry ainda lhe dava, desviando, envergonhada, o olhar de Ron, sem qualquer intenção de responder aos questionamentos.
Ao que Harry disse, à princípio em um tom forçadamente cômico:
— Bom ver você também, companheiro. Vamos entrar e então eu explico onde estávamos.
Dentro da Sala Comunal, Hermione percebeu que havia sido improvisado uma espécie de acampamento Weasley, próximo à grande lareira que estava acesa. Uma onda de ternura atingiu seu peito em cheio, ao ver todos os Weasleys agrupados. De repente, parecia que tinha entrado em uma espécie de santuário e, parte da angústia que ainda sentia, atenuou-se ao observar atentamente cada uma das pessoas presentes na sala.
Molly estava deitada nos braços de Arthur, aparentemente dormindo. Charlie e Percy conversavam baixinho, próximos a um dos vitrais da sala, ambos com os rostos virado na direção da noite que começava a cair; Gui estava colocando mais lenha na lareira, enquanto George estava sentado em uma poltrona próxima, observando o irmão de perto com um olhar vazio, como se seus olhos refletissem aquilo que perdeu. Ginny dividia uma das mesas de estudos com Fleur, Neville e Luna, e seus olhos inchados assumiram um brilho intenso ao ver os três cruzando a passagem, outrora guardada pelo quadro da Mulher-Gorda — agora apenas um buraco sinistro na parede.
Mais controlada do que minutos atrás, Hermione murmurou baixinho para Harry, enquanto se soltava delicadamente do abraço:
— Harry, cuidado com o que você vai falar.
O amigo acenou positivamente, voltando os olhos para Ginny, que andava em sua direção. Ron ficou ao seu lado, e Hermione agradeceu mentalmente quando ele usou o mesmo tom sussurrado para falar:
— Onde vocês estavam? Você está machucada?
Virando-se para encará-lo, Hermione segurou um dos braços de Ron antes de responder:
— Eu só preciso de um banho, Ron. E de uma xícara de chá quente. Se depois disso Harry já não tiver te contato tudo, então eu ficarei à disposição para conversarmos.
Ron arregalou os olhos e assumiu uma expressão ansiosa, pronto para rebater com qualquer que fosse o argumento, mas foi cortado quando abriu a boca para falar.
— Isso mesmo, Ronald. Deixe Hermione ir tomar seu banho; Harry fará o mesmo e depois vamos conversar. — Ginny Weasley estava atrás de Hermione, com uma das mãos na cintura em uma posição que, além de lembrar muito a matrona de sua família, também não deixava espaços para discussão. Ao voltar o olhar para Ron, Hermione percebeu que o jovem havia até mesmo se encolhido, e ela não conteve um sorrisinho que ameaçou se formar em seus lábios.
— Vamos, Mione.
Hermione foi puxada por uma ruiva que parecia muito determinada a ajudá-la, e sussurrou um sincero "muito obrigada", assim que começarem a andar na direção do dormitório feminino da Grifinória.
— Apresse o passo antes que mais pessoas vejam a situação de suas roupas, Mione. O importante é que vocês voltaram e estão vivos. O resto pode aguardar. Você precisa de ajuda? — Ginny havia gentilmente empurrado Hermione para liderar o caminho, ficando atrás da amiga durante todo o percurso como desculpa para impedir que outros percebessem a coloração das calças de Hermione.
Já na entrada do dormitório, Hermione respondeu:
— Não, eu só preciso de um banho e… esse sangue não é meu, é… — Voltou os olhos para Ginny no meio da frase, ponderando o que mais poderia falar naquele momento.
A ruiva aparentou alívio ao ouvir as palavras de Hermione, e voltou a empurrá-la, agora na direção do banheiro.
— Então vá tomar seu banho. Precisa de roupas? Não usamos o mesmo tamanho, mas posso transfigurar algumas peças minhas.
— Não, eu ainda tenho algumas mudas comigo. — E, quando terminou de falar, levou as mãos para seu pescoço, percebendo que sequer havia se lembrado de esconder a bolsinha de contas embaixo da blusa.
— Tome o tempo que for necessário. Vou até a cozinha buscar alguma coisa leve para que você e Harry possam comer.
Ginny disse naquele mesmo tom maternal de antes, o que serviu para reconfortar ainda mais o coração de Hermione.
— Mione…
Em tom reticente, a ruiva a chamou quando ela já havia se virado para entrar no banheiro.
— O quê quer que tenha acontecido nas últimas horas, eu queria que soubesse que sinto muito. — Havia tanta sinceridade em suas palavras que Hermione ponderou as melhores palavras para usar como resposta, mas antes que pudesse pronunciá-las, a menina já havia se virado para partir.
Ela ficou olhando a direção que a ruiva tomou, desaparecendo de suas vistas rapidamente, com as palavras ainda na ponta da língua. Antes de se virar para finalmente tirar suas roupas sujas e tomar um longo banho, murmurou para o vazio — um sentimento novo que também ameaçava invadir seu peito:
— Eu também sinto muito, Ginny…
Notas finais: esse é um capítulo importante para o desenrolar da história. Estamos nos aproximando do plot principal, onde IdS vai mostrar, finalmente, a que veio hihihi
Acompanhe também minha série "Pecadores" — estou lançando no Fanfiction Net, AO3 e Spirit. A próxima história já sai essa semana.
Já imaginou um Severus Snape padre? Pois é, eu também nunca tinha pensado nessa possibilidade, até conhecer a INCRÍVEL série "Padre Snape", da senhorita JuliaMabon (disponível no Fanfiction Net, AO3 e Spirit).
Atente-se aos avisos antes de ler. É um conteúdo adulto, com temas bem sensíveis, então tome cuidado.
"O pecado de Lo-li-ta" já está disponível. "O pecado de Sa-mu-el" é a próxima história e, para os amantes de slash, vai ser um prato cheio.
Assim como "Instinto de Sobrevivência", a série "Pecadores" também ganhou playlist no Spotify. Pelo nome, você consegue encontrá-las facilmente (incluindo as aspas na pesquisa, fica ainda mais fácil).
Nos vemos na próxima semana!
