Crepúsculo não me pertence, mas o enredo dessa história sim! Se liga hein!

Olá! Essa fic faz parte do Projeto One-Shot Oculta, um amigo oculto entre autoras do fandom de Crepúsculo. Confira as regras e todas as participantes na página bit (ponto) ly (barra) POSOffnet. Você também encontra o link diretamente no meu perfil, na aba de Favorite Authors.

Essa fanfic é dedicada à minha amiga oculta Letty ( humaanqueen).

Letty, meu amor, espero que você goste e se apaixone pelos seus patinadores, tanto quanto eu sou apaixonada por eles. E me desculpe pela demora, mas você me conhece e jamais deixaria você sem o seu presente. Espero de verdade que goste, amo você amiga.

Queria agradecer à minha beta Ana ( acullenperdida), que ficou comigo durante todo o processo da escrita e me ajudou demais. Até texto em Alemão ela leu para me ajudar, então, sem ela, essa história com certeza não seria a mesma! Ana, muito obrigada, você foi essencial nesse processo.


Bella

Janeiro de 2019

Respiro fundo antes de entrar na pista, somos os próximos, olho para Mike e queria ter a autoconfiança dele. Mesmo que às vezes pareça arrogância ou soberba.

A primeira equipe a representar a Costa Leste são os patinadores Isabella Swan e Mike Newton.

Escuto o locutor nos chamar, respiro mais uma vez e seguro a mão do meu parceiro. Mike me devolve um sorriso que aquece meu coração e seguimos para a nossa volta na pista. Entramos ouvindo o som dos aplausos da plateia, patinamos acenando para as pessoas e vejo Edward aplaudindo e sorrindo como se não fosse nosso concorrente.

Nos posicionamos na figura inicial da coreografia e logo em seguida a música romântica começa. Os primeiros passos são mais dançados, sentindo a emoção da música, depois Mike e eu deslizamos pela arena, giros no solo, movimentos graciosos da coreografia e vem o primeiro salto, duas rotações no ar executadas pelos dois separadamente, e sai com perfeição.

A plateia fica empolgada na arquibancada, tudo está saindo perfeito, não erramos nada. Até o lançamento que eu estava insegura, onde Mike me joga no ar e faço três rotações antes dele me pegar pela cintura, foi perfeito.

Fico até mais confiante para o próximo salto, vamos dar três rotações no ar dessa vez. Deslizo pelo gelo, me preparando para saltar, tomo o impulso necessário e me lanço para o Salto Triple Axel, o movimento mais difícil para o qual ensaiei.

O ofegar surpreso da plateia me enche de orgulho. Me preparo para a aterrissagem, mas ela não sai como o esperado, a lâmina dos meus patins batem em um ângulo errado no gelo e eu caio sobre ele.

Bella, o que foi isso? — Posso ouvir a voz de Mike.

Os sons da plateia se tornam distantes nos meus ouvidos, as luzes que acompanham a coreografia se tornam turvas diante dos meus olhos, não vejo mais os jurados da competição atrás da bancada, na margem da pista. Apenas a dor toma conta de mim. Mike grita, mas não entendo o que ele diz, a última coisa que vejo antes de apagar, é o rosto de Edward junto aos paramédicos.

XxXxXxXxXxXxXxXx

4 meses depois…

Apesar de vir trabalhar no Crazy for Snackà força todos os dias, para poder pagar as contas, consegui me acostumar com a minha nova rotina de anotar e entregar pedidos, lidar com clientes chatos, aguentar meu chefe mal humorado e às vezes ficar feliz por conseguir uns trocados extras com gorjeta.

Rotina essa, que está sendo perturbada por um Edward que, aparentemente, perdeu toda a sanidade e lucidez vindo até o meu trabalho, me fazer uma proposta simplesmente ridícula!

— Você está se ouvindo? — Grito irritada com o que acabo de ouvir, fazendo com que todos ao redor olhem em nossa direção.

— Vamos lá Bella, nós somos incríveis separados, imagine o que podemos conquistar se nos unirmos?

— Olhe para a porcaria do meu joelho Edward! — Explodi, apontando para meu membro.

Como se ele fosse capaz de ver através da minha calça jeans a cicatriz que carrego ali agora. Como se ele pudesse sentir a droga do joelho doer o tempo todo.

Vejo Demetri me olhar de cara feia por estar conversando no meio do meu expediente, respiro fundo e tento me livrar do mala sem alça.

— Não sirvo mais para ser atleta, — recomeço com a voz baixa — você sabe disso, eu sei disso. E com licença, Edward, diferente de você, eu não sou um riquinho, mimado e que tem a vida ganha, preciso trabalhar.

— Não me chame de mimado! Por que você tem que ser tão teimosa? Não viria até você pedir, não, — corrigiu — me humilhar para a pessoa que mais me odeia nesse mundo, se não acreditasse que isso poderia dar certo.

— Já aceitei meu destino, por favor, não finja que se importa!

Falo sem esperar por uma resposta e sigo para o balcão, vejo que o pedido da mesa número 7 já está pronto.

— Eu me importo! — Disse Edward ao meu lado e me chocando com a verdade em sua voz. — Escute, Bella, nós podemos ter nossas diferenças, mas não sou idiota de não reconhecer um talento quando vejo um. Bella, você é boa! Não, mais que isso, você é incrível no gelo. Você nasceu para isso, não deixe que aquele acid… que o ocorrido destrua o seu sonho.

Sinto meus olhos ficarem marejados e o bolo se formando em minha garganta. Minha mente me fazendo reviver o que Mike me disse no hospital.

— Nunca mais vou voltar a competir. — Odeio quando escuto a minha voz embargada. — Você ainda não entendeu? Eu não sirvo mais para isso!

— Não. Não entendi, porque não pode ser verdade! — Retruca firme, com seus olhos verdes encarando atentamente os meus.

Por que ele está fazendo isso? Ele me odeia tanto ao ponto de se dignar a vir até meu trabalho e brincar assim comigo?

— Bella! — Diz Demetri com reprovação na voz. — Você não é paga para conversar. Se despeça do seu namorado e volte ao trabalho.

— Preciso trabalhar, Edward, por favor, vá embora. — Peço, assim que meu chefe sai. — Acabei de conseguir esse emprego e preciso dele.

— Tudo bem, que horas seu turno acaba?

— Edward, pare com isso!

— Bella, por favor, apenas escute minha proposta. Escute o que tenho a dizer antes de negar com tanto fervor.

Droga, por mais que queira que ele me deixe em paz, sou uma pessoa curiosa demais para meu próprio bem. E, sendo sincera, não custa nada ouvir o que ele tem a dizer.

— Amanhã é minha folga.

— Ótimo,às10 horas na cafeteria de frente para a arena?

Respiro fundo e aceno em confirmação, o vejo sair em seu estúpido volvo de última geração. Tento me concentrar no trabalho e não pensar no que Edward me propôs, porque é ridículo, até mesmo para ele.

Apesar de ter sido um dia mais calmo do que o normal para um sábado na lanchonete, chego destruída em casa. Casa! Não chega a ter três cômodos esse cubículo que eu chamo de lar.

Depois de um bom banho e ir mancando até a cama, começo minha rotina noturna, que se resume em colocar 4 travesseiros embaixo do joelho, para fazê-lo desinchar. Aplicar compressas de água morna e fazer uma massagem com uma pomada antiinflamatória para alívio da dor.

Sei que esses cuidados são paliativos, o que eu deveria fazer era voltar para a fisioterapia, mas não posso pagar. O que ganho na lanchonete é o bastante para sobreviver. E, ter um emprego que me faz ficar em pé o dia todo, também não me ajuda em nada, mas não tenho escolha.

Termino de fazer a massagem e me sinto um pouco melhor, estico o braço e consigo pegar uma cerveja geladinha no frigobar, que é a única geladeira em meu pequeno apartamento. Coloco uma série para assistir, mas não consigo me concentrar no enredo, porque minha mente me leva a pensar em Edward, sua proposta e em minha carreira.

Minha história na Patinação Artística começou quando a Bella de 8 anos assistia aqueles patinadores voando no gelo nos Jogos Olímpicos de Inverno e insistia que queria um par de patins para fazer aquilo que via na TV. É claro que, em Forks, onde eu morava com meus pais, fazia bastante frio e os lagos da região passavam quase metade do ano congelados, por isso patinar se tornou rapidamente meu passatempo favorito.

Aprendi sozinha tudo que eu sabia sobre o esporte e, quando fiz 11 anos, decidi que queria transformar o lazer em profissão. Meus pais perceberam que, mesmo jovem, eu estava segura da minha escolha e, que em hipótese nenhuma, iria recuar na minha decisão, então resolveram me apoiar.

Sou imensamente grata aos dois por terem acreditado em mim, no meu sonho e terem investido nele. Não foi fácil, principalmente no início, porque a patinação artística é um esporte que exige, além de muito compromisso, boas condições financeiras.

O problema é que em Forks não tinham escolas de patinação, então, decidimos juntos, que eu e minha mãe mudaríamos para um lugar onde eu pudesse estudar e seguir meu sonho. Quando fiz 12 anos, nos mudamos e dentre as melhores escolas do país, a escolhida ficava em Jacksonville. Meu pai teve que permanecer em Forks, trabalhando como policial, mas ele nos visitava nas férias.

A Academia de Patinação na Primeira Costa FSC, em Jacksonville, era um sonho. O rinque, os professores, treinadores, preparadores, tudo parecia irreal e perfeito ao mesmo tempo. Foi nesse começo que conheci Mike, além de ser meu parceiro desde sempre, ele se tornou meu primeiro namorado 3 anos depois.

Também conheci outros jovens que sonhavam em seguir carreira na patinação, Edward foi um deles, junto de sua parceira, Jessica. Nunca nos aproximamos, eles eram dois riquinhos metidos e nunca fui o tipo de pessoa que me humilhava para os outros só porque eles tinham dinheiro. Além disso, eles eram nossos principais rivais nas pistas, uma vez que competíamos na mesma categoria.

Eu e Mike começamos a competir um ano depois que nos tornamos parceiros. Estava com 13 anos na época que fomos para as nossas primeiras competições, de menor porte, as chamadas não classificatórias, muitas eram promovidas pelas próprias academias de patinação, como forma de primeira experiência.

Logo estávamos em competições nacionais no nível iniciante, mas já no ano seguinte, passamos para o júnior. Em 2014, quando eu tinha 16 anos, nossa dupla já acumulava algumas vitórias e, em uma delas, um caça-talentos chamado Alec Volturi revelou querer investir em nós. Graças ao patrocínio, nossa carreira alcançava as competições internacionais naquele ano, participamos de 3 Grand Prix internacionais, na Noruega, Eslovênia e uma final de Grand Prix Júnior.

Dois anos depois, quando fiz 18, nós passamos para o nível sênior e fomos competir no GP do Canadá e em uma competição internacional na Áustria. Eu estava tão feliz em competir com competidores experientes, porque, além de desafiador, era incrível estar no mesmo nível que eles.

Depois, com a maioridade e, como eu já ganhava meu próprio dinheiro com as turnês de apresentações que fazíamos e o patrocínio, minha mãe percebeu que eu ficaria bem sozinha, e decidiu que era hora de voltar para junto do meu pai.

No ciclo de 2017-18 chegamos no Mundial, quase que aos tropeços, mas chegamos, e até conseguimos a quarta colocação. Edward e Jessica estavam lá também. Infelizmente, foram eles que conseguiram uma classificação melhor daquela vez, mas ambas as duplas cresciam simultaneamente.

No ciclo seguinte, de 2018-19, eu e Mike estávamos fazendo uma temporada quase impecável. Ganhamos o bronze na primeira fase do Sectional da Costa Leste e passamos para a final do Sectional. O sonho de chegar novamente em um mundial, que dessa vez seria no Japão, parecia cada vez mais perto.

Conquistar a medalha de prata na finalfoi maravilhoso e todos achavam que o ouro poderia vir na fase seguinte. Os melhores colocados na final do Sectional, avançam para as Nacionais, conseguindo uma boa colocação nesta fase, o Mundial é o próximo passo. O Campeonato Nacional ocorreu em janeiro.

Lembro com vivacidade o sentimento que foi pisar no rinque naquele dia. Lembro, acima de tudo, do acidente que mudou a minha vida e pôs um fim à minha carreira. Lembro de apagar na hora e de acordar minutos depois na ambulância; e, até o hospital apenas dor e medo me acompanhavam.

Eu rompi por completo o ligamento cruzado anterior e, como resultado da queda no gelo rígido, fraturei o osso da patela. Por causa disso, passei por cirurgias e tive que colocar uma placa de titânio para recuperar o osso.

Nosso corpo é como uma máquina, que mesmo sendo inteligente, funciona em cadeia. Então, se uma coisa está fora do lugar, compromete todo o resto de funcionar corretamente. É por isso que os médicos de Detroit, onde aconteceu a competição, acharam melhor que eu voltasse para casa, em Jacksonville, apenas quando meu joelho estivesse no mínimo estável o suficiente para aguentar a viagem.

Foram longas semanas no hospital, cheias de angústia e oscilações entre a esperança e o medo. Tinha medo que não conseguisse pagar todos os custos do hospital e da minha reabilitação. Não me arriscaria em pedir empréstimo ao banco e não queria ter que pedir a meus pais, eles estavam no meio de uma separação naquele momento. Por isso que menti para eles dizendo que tinha dinheiro suficiente para bancar tudo.

Por volta de uma semana depois da minha internação, já estava completamente irritada e enjoada com a falta de avanço no meu quadro clínico, foi quando Mike finalmente apareceu para me visitar. Através da náusea e da vertigem vi algo que me deu um fragmento súbito e final de esperança. Meu namorado estava comigo e tudo ficaria bem, mas esse sentimento ruiu quando ele me falou o que tinha ido fazer ali.

xx

Mike — Sorri pela primeira vez desde que cheguei ao hospital. — Senti sua falta... Estou com tanto medo. Passei por uma cirurgia, meu pai te contou?

Sei que meu pai nunca aprovou Mike como meu namorado, mas pelo menos ele respeita meu relacionamento. Desde que sofri o acidente, ele não sai do meu lado por nada. A não ser quando eu o obrigo a ir no hotel tomar um banho e descansar.

Contou. Também ficaria com medo, você destroçou o joelho.

Seu tom é grosseiro e ele olha para meu joelho como se fosse um câncer. Como ele pode agir assim? Ele não vê que já estou com medo o suficiente?

Obrigada por ser tão sensível e empático! Fico até emocionada. — Digo ríspida.

Alec vai tirar o patrocínio. — Diz simplesmente.

Não posso dizer que estou totalmente surpresa. — Comecei — Mas pensando bem, nós somos jovens promissores, não é?

Tento falar com entusiasmo e esperança, mesmo que não esteja sentindo nenhuma dessas coisas no momento.

Tenho certeza que vou conseguir me recuperar e vamos encontrar outro patrocinador logo, você vai ver...

Acho que você não me entendeu, Bella. — Me cortou. — Você está sem patrocínio. E sem parceiro.

O que você… — Sinto a dor invadindo meu peito. — O que você está falando?

Estou falando que você é inútil agora, Bella. — Explica, aumentando seu tom de voz. — Não sou mais seu parceiro. Acabou, entendeu?

Você só pode estar brincando comigo!

Porra, Bella, nossa campanha estava impecável, você está entendendo? — Ele gritou. — Como você pôde cair logo no final da apresentação? Caralho! O ouro seria nosso. Era o meu momento.

É só com isso que você se importa? — Retruco aos gritos também.

Estávamos a um passo do mundial. Poderíamos ir para o próximo ciclo como os favoritos para as Olimpíadas, mas você estragou tudo!

Mike, — tento me acalmar e convencê-lo de que nada está perdido. — amor, nós ainda podemos…

Não! Não vou estragar a minha carreira porque a sua acabou. Você não serve mais para ser patinadora.

Apesar da dor que suas palavras me causam, sinto a raiva me dominar.

Se eu não sou mais sua parceira, então o nosso relacionamento acabou.

Você é uma inútil Bella, para o gelo e para ser minha namorada.

Mike diz como se o que vivemos durante todos esses anos fosse nada, como se eu fosse nada.

Eu odeio você! — Grito.

Não era bem ódio que você sentia quando eu fodia você. — Debochou da porta.

Saia daqui!

Jogo a primeira coisa que está ao meu alcance em sua direção, é um pedaço de pão, que obviamente não o atinge. Só me permito chorar quando ele sai.

xx

Então foi isso, fiquei sem meu parceiro, sem namorado e sem patrocínio. Com as economias que fiz ao longo dos anos, paguei os custos do hospital e somente 3 sessões de fisioterapia, fui decorando cada exercício, porque sabia que precisaria praticá-los em casa. Obviamente, estou fazendo um péssimo trabalho, porque meu joelho dói diariamente e faz um tempo que percebi que ando mancando por conta disso.

As contas apertaram e não estava mais conseguindo pagar o apartamento adorável que tinha e nem manter meu tratamento. Então me mudei para um apartamento bem menor e consegui esse emprego de garçonete há dois meses.

Me sinto tão cansada e perdida, porque o acidente e toda essa dor, aconteceu há apenas quatro meses. É tudo muito recente. Em janeiro estava em busca de um ouro na Nacional, em busca de uma classificação no mundial e agora, não faço ideia do que fazer com a minha vida. Não sei o que fazer, se tento uma faculdade e vou a procura de outra profissão.

O acidente foi um golpe duro, mas o que Mike fez comigo foi pior. Me senti como um objeto que ele usou e depois jogou fora quando não tinha mais serventia pra ele. Ainda sinto o amargor de ter sido rejeitada por ele. Sei que ele não era o melhor namorado do mundo, até acho que consigo perceber o quanto ele poderia ser tóxico às vezes, mas, merda, eu estava apaixonada, não via coisas que agora vejo.

Mesmo assim, uma parte do meu coração queria que ele estivesse do meu lado agora, que cuidasse de mim e falasse que tudo vai dar certo, que ainda posso seguir meu sonho. Passamos anos juntos, não foram meses ou dias, mas anos. Trabalhando e construindo uma carreira, uma relação que, hoje, entendo que era unilateral.

Sinto as lágrimas teimosas caírem em meu rosto e as enxugo, não vou mais chorar pelo que aconteceu, e nem por Mike. O que tínhamos acabou e ele não merece minhas lágrimas.

XxXxXxXxXxXxXxXx

No dia seguinte, chego à cafeteria antes do combinado. E como sempre frequentei esse lugar, por ser de frente para a arena dos treinos, Jane, uma das mais antigas garçonetes daqui, já sabia o que eu iria pedir. Então, em menos de dez minutos, eu estava com o meu delicioso cappuccino e um croissant.

Ainda não sei o que estou fazendo aqui, nem por que vim. Nada do que ele me falar vai mudar o fato de que eu não sirvo mais para essa vida. Estou terminando de comer, cogitando a possibilidade de ir embora, quando finalmente vejo seu volvo prateado.

Às vezes, esqueço o quanto ele é bonito, mesmo usando um conjunto de moletom cinza simples, um boné e óculos escuros.

— Bom dia, Bella! — Diz com um sorriso de lado, se sentando de frente para mim.

— Bom dia. — Respondo seca.

Ele parece não reparar ou não ligar para meu tom de voz e faz seu pedido.

— Que indelicadeza a minha, você já comeu? — Pergunta tirando os óculos.

Quando era mais nova ficava intimidada pela combinação única de seus olhos verdes e seu cabelo milimetricamente bagunçado, de um jeito muito próprio dele, de um jeito muito… lindo. Faz muito tempo que não olho diretamente para estes olhos e não gosto nem um pouco de como eles me deixam hipnotizada.

— Sim, já comi. — Respondo e vou direto ao assunto. — Vamos logo ao que interessa, Edward. O que você tem tanto a me dizer?

— Já que você foi direta, também vou ser. Quero que seja minha parceira.

— Você já disse essa insanidade ontem. Por quê? O que aconteceu com a sua adorável parceira?

— Você não soube?

Ele pergunta franzido cenho e respondo que não faço ideia do que ele está falando.

— Ela está com Mike agora.

— Por quê? Vocês dois estão juntos há anos.

— Estávamos. — Me corrigiu. — E isso não pareceu importar quando ele apareceu lhe propondo a parceria.

— Geralmente não é a mulher que paga para conseguir parceiros na patinação?

É uma coisa meio absurda, mas como tem mais mulheres do que homens no esporte, às vezes, para conseguir um parceiro, as patinadoras oferecem uma quantia em dinheiro.

— E por que raios ela aceitaria, Edward? Ela já é rica o suficiente. Mike teria que vender tudo que tem pra pagar um pneu da Mercedes dela.

— Ele não… não precisou pagar nada, Bella, nem ela.

Desvio o olhar para minhas mãos, sentindo meus olhos lacrimejarem. Sabia que não estava louca, notava os olhares entre eles, mas sempre fingia que não era nada, que era apenas ciúmes bobo. Mike está com a Jessica agora e provavelmente não só como parceiros.

— Bella, você sabe que ele é um cretino, né?

Ele toca minha mão, sinto um choque passar com contato e me afasto de seu toque.

— Ele nunca mereceu você. — Isso me faz olhá-lo novamente.

Edward parece verdadeiramente com raiva. Não entendo por que isso parece importar tanto para ele.

— O que faz você pensar que quero ser sua parceira? — Mudo de assunto e ele sorri.

— Porque eu sou o melhor. — Explica me dando uma piscadela. — E você é incrível, Abelhinha.

Sinto minhas bochechas ficarem quentes. Não sei receber elogios desse tipo, até ignoro o apelido ridículo que ele me deu na infância.

— Eu era, você quis dizer. — Digo e ele me olha irritado.

— Certo, é o seguinte: eu tenho um plano.

Jane volta com o pedido de Edward e, pelo que eu acredito ser meia hora, escuto o que Edward tem em mente. Pela primeira vez em meses, sinto uma pontinha de esperança. Basicamente, Edward quer pagar todo o meu tratamento: fisioterapia e o tudo que for necessário para minha recuperação.

Nesse meio tempo, discutimos, porque, como eu sobreviveria sem trabalhar? Sim, sei que para voltar a ser o que era, preciso dedicar todo o meu tempo na fisioterapia. E sem falar dos custos com a mensalidade dos treinos no rinque, das aulas de dança e ginástica, os materiais, os figurinos...

— Bella, você não entendeu. — Disse terminando de comer. — Eu serei o seu patrocinador, tudo por minha conta.

Como se fosse a coisa mais normal do mundo eu aceitar ser bancada por ele.

— Não gosto de caridade. — Digo.

— Você pode parar de ser tão teimosa? Não é caridade. Quero você como minha parceira e estou investindo em você, só isso. E depois, você vai voltar a receber o retorno com novos patrocínios, nós podemos fazer shows, essas coisas.

— Você nunca participou de um show de patinação, Edward.

— Porque a minha ex-parceira era uma chata e nunca aceitou, mas eu sempre quis.

— Como se você precisasse do dinheiro desses shows. — Acusei.

— Não. Não preciso, mas poderia doar, fazer qualquer outra coisa ou simplesmente não aceitar o pagamento.

— Por que eu, Edward? — Pergunto sincera e cansada de brigar.

Não entendo por que ele cismou justamente comigo. Aposto que se ele entrar na arena agora e estalar os dedos vai chover gente que se mataria para ser sua parceira.

— Isso é alguma forma de se vingar da sua namoradinha, Jessica? Porque sei que ela me odeia tanto quanto eu a odeio.

— Não tem nada haver com a Jessica. E para sua informação, nunca tivemos nada. Nos tornamos parceiros porque nossas mães eram amigas e uma coisa levou a outra.

"Quero você como minha parceira porque eu conheço você. Conheço seu trabalho, sua dedicação, sua determinação e, principalmente, sua paixão pelo esporte. Não penso em outra pessoa melhor do que você.

Olha, Bella, sei que você não gosta de mim, e devo admitir que nunca entendi o porquê, mas eu não odeio você. Na verdade, sempre quis ser seu… amigo. A questão é que passei anos tendo a Jessica como parceira, e foi uma boa parceria na maior parte do tempo, mas ela era um saco e uma pessoa horrível.

E uma das coisas que me faz querer você é porque sei da pessoa incrível, boa e talentosa que é. Sua carreira não acabou, Bella, você tem muitos campeonatos para ganhar, muitas medalhas a conquistar e quero conquistá-los com você, se você me permitir. Realmente acredito que juntos seremos grandes. Por favor, me deixe investir em você."

Ficamos nos encarando por um longo tempo. Não sei o que dizer, não esperava essa resposta dele.

— Mesmo que isso desse certo, Edward, nós estamos em Maio, pelo amor de Deus, a primeira fase do Sectionals é em Outubro. — Digo irritada. — Eu nunca estaria pronta a tempo do ciclo de 2019-20. É absurdo.

— Eu não disse que vamos participar deste ciclo. — Ele fala como se eu já tivesse aceitado. — Bella, você precisa de tempo para se recuperar, voltaremos no próximo. O ciclo 2020-21 já tá bem aí, de qualquer forma. E se não for neste, que seja no próximo ou quando estiver pronta para voltar.

Cubro o rosto com as mãos, sinto meu orgulho tentando me impedir de aceitar. Mas não posso desperdiçar essa oportunidade que Edward está me oferecendo. E, sendo sincera comigo mesma, quem melhor do que ele para ser meu parceiro?

— Tudo bem, acho que somos parceiros agora. — Digo antes que mude de ideia.

— Sabia que iria aceitar. — Sorriu. — Sua fisioterapia é às segundas, quartas e sextas a partir das 09:00 horas.

— Você já tinha contratado um fisioterapeuta antes mesmo de falar comigo?

— Claro. Você é teimosa, mas jamais deixaria de me ter como parceiro, Abelhinha. Eu sou o melhor. — Disse convencido e me dando uma piscadela.

— Fique feliz por eu não ter um patins em mãos agora para enfiar a lâmina no seu pescoço por me chamar de Abelhinha.

Isso o fez gargalhar e acho que estou realmente esperançosa, porque o acompanhei. Ficamos mais um tempo conversando e definindo algumas coisas. Nos despedimos e passo o resto do dia sonhando com o futuro.

XxXxXxXxXxXxXxXx

Comecei a fisioterapia logo naquela semana e, como suspeitei, as dores que sinto no joelho são causadas pelas poucas sessões de fisioterapia que paguei e pelo jeito compensatório que comecei a andar. Mas, com apenas algumas sessões já sinto uma enorme diferença e as dores diminuíram, assim como o inchaço.

Meu fisioterapeuta, Laurent, é excelente. Temos três sessões por semana, e ele traçou um plano para que em até 8 meseseu consiga aos poucos voltar a treinar com a intensidade de antes. As duas primeiras semanas de fisioterapia foram complicadas, porque não queria pedir demissão, mas Edward estava certo. Não tinha como fazer o tratamento e voltar à estaca zero ficando em pé o dia todo e forçando o joelho ao máximo.

Então deixei meu emprego de garçonete e ficou certo que Edward assumiria minhas contas por enquanto, não que eu estivesse satisfeita com aquele arranjo, mas lhe prometi que iria devolver cada centavo no futuro. Com o tempo, notamos que estava complicado eu permanecer morando tão longe. E teve o dia que foi a gota d'água...

xx

Obrigada por vir me deixar, mas você sabe que não precisa, né?

Não gosto de Edward ficar vindo me deixar em casa, meu bairro não é lá dos mais seguros para ele ficar vindo até aqui com seu carro caro.

Claro que precisa e não me custa nada.

Tá bom então, obrigada.

Me despeço saindo do carro, mas como sempre é em vão, porque ele insiste em me acompanhar.

Não precisa me levar até a porta de casa, Edward.

Sei que não, mas eu… fico mais em paz quando faço isso. — Suspirou como se tivesse me contado um segredo.

Ele fala com um carinho que não estou acostumada.

O que? — Pergunta quando nota que estou lhe encarando.

Às vezes acho difícil de entendê-lo. Por que ele parece se importar tanto com meu bem-estar?

Não me olhe com desconfiança, só estou garantindo que a minha parceira… Bella, sua porta foi arrombada.

Desvio meus olhos dele e, puta merda! Eu fui assaltada! Corro para entrar em casa e vejo tudo revirado, dou uma olhada em volta e percebo que levaram minha TV e meu frigobar.

Bella, você não pode ficar aqui.

Não tenho para onde ir, Edward.

Estou tentando ao máximo controlar o choro preso na garganta. A minha vida não está uma merda o suficiente? Começo a tentar organizar as roupas que estão espalhadas.

Que merda, levaram até alguns dos meus troféus. — Digo quando olho para minha estante.

Bella, — Edward segura meus ombros — por favor, me deixe levá-la para outro lugar. Você não pode ficar aqui. E se voltarem? Se tentarem machucar você?

Meu coração dá uma leve apertada com o medo que vejo em seus olhos.

Não posso deixar que você pague mais nada pra mim, Edward.

Bella, não seja teimosa quando o assunto é a sua segurança. De jeito nenhum vou deixar você ficar sozinha aqui, nem que eu tenha que vir acampar na sua porta.

Edward, não…

Venha morar comigo. — Propôs e solto uma risada, mas paro assim que percebo que ele parece falar sério.

Não posso morar com você.

E por que não? É mais perto da arena, sua fisioterapia poderia acontecer em casa, já que meu prédio tem área de musculação, piscina, e outras coisas que podem ser utilizadas por Laurent.

Deveria ser firme e dizer "não", porque Edward já tem feito demais por mim, mas nem todo autocontrole do mundo me fará dizer não para esses olhos verdes tão cheios de angústia.

xx

Faz duas semanas que me mudei para o apartamento duplex dele. Ainda penso em lhe perguntar o porquê disso tudo. Sei que ele disse que é porque quer que eu seja sua parceira e que está investindo em mim, mas sinto que há algo que ele não me contou.

Mas morar com ele não tem sido tão ruim quando achei que seria, Edward mesmo sendo um pé no saco, me dá espaço e seu apartamento é maravilhoso. É fácil se acostumar com o conforto desse lugar, por exemplo, são 16 horas de uma quinta-feira, e estou muito plena na sala pomposa dele maratonando The Office.

Estou no penúltimo episódio da terceira temporada, quando escuto a porta se abrir.

— Mãe, tem certeza que não podemos chamar mais ninguém? — Diz uma voz masculina, mas não é Edward.

Deveria me preocupar? Um ladrão não teria a chave do apartamento, teria?

— Uma festa surpresa com três pessoas, que ainda por cima são da família, não é bem uma festa. — Ele reclama.

— Emmett. — Responde uma voz feminina. — Edward não comemora o aniversário há anos, ele não me deixa nem fazer um bolinho, você acha mesmo que ele iria gostar de muita gente aqui? Vamos comemorar em família, isso basta.

Aniversário? Hoje é aniversário de Edward? Droga, não fazia ideia.

— Só pensei que seria legal chamar Rose também.

O que eu faço? Desligo a TV e saio correndo para o meu quarto? Ou só saio correndo?

— Se era para ser surpresa, chegamos tarde demais. Tem alguém em casa.

Não tenho tempo de escolher entre minhas poucas opções, porque em um segundo a forma de um homem alto e muito musculoso aparece na sala.

— Olá. — Digo sem jeito.

— Olá. Sou Emmett e acho que entrei no apartamento errado.

— Quem está aí? — Pergunta a mulher entrando na sala.

É Esme, tia de Edward e uma das melhores coreógrafas das competições de dança no gelo.

— Conheço você. — Diz ela, abrindo um sorriso gentil. — Você é a Bella, não é?

— Sim, sou eu.

— Não acredito que o Edinho desencalhou e não me contou. — Comenta Emmett.

— Ah não. Definitivamente não sou namorada de Edward. Nós apenas começamos uma parceria na patinação e ele está me ajudando, por isso estou morando aqui… por um tempo breve.

— Não precisa se explicar, querida.

Esme vem até mim e me envolve em um abraço acolhedor, me fazendo sentir falta da minha mãe.

— Bom, acho que temos mais uma convidada para a festa. — Esme sorri gentilmente.

— Ah não, por favor, não vou atrapalhar a comemoração em família de vocês.

— Não seja boba, você não atrapalha.

— Isso aí. E vem cá, por acaso seu sobrenome é Swan? — Emmett me pergunta, desconfiado.

— É sim, por quê?

— Nada não. — Sorriu como se estivesse se controlando para não contar um segredo. — Acho que já escutei seu nome por aí… digo nas competições que vamos assistir o Edward rodopiar.

Então, os ajudei a decorar a sala com balões e uma faixa de "Feliz Aniversário". Trouxemos a mesa de jantar para o meio da sala e a enchemos de comidas deliciosas e um bolo com uma pista de patinação no topo.

— A mãe de Edward vem? — Pergunto depois de terminar de encher um balão.

Acho que tirando uma única foto perdida nesse apartamento, nunca vi a mãe dele.

— A Tia Elizabeth? — Começa Emmett. — Sair do seu reino em Nova York para participar de uma festa de aniversário? Imagine só esse milagre!

— Emmett. — Repreende Esme. — A mãe de Edward não é muito… presente.

"Não é muito presente"? — Repete Emmett em tom de ironia. — Mãe, acho que você quis dizer que ela é ausente e que deixa a conta bancária do Edinho recheada para tapar o buraco de amor que ela deixou nele.

Ok, isso explica o porquê de Edward nunca falar sobre sua mãe e o porquê dele não brincar de volta quando impliquei com ele, dias atrás, sobre ser um filho ruim. Disse isso porque havia acabado de falar com minha mãe e ele tinha ficado meio estranho. Que bom, agora me sinto culpada e insensível.

— Emmett Cullen, não fale assim de sua tia.

— Por que mentir? Essa é a verdade, e se não fosse por você, dona Esme, e por meu pai, Edward não saberia o que é ter uma família.

Emmett dá um beijo na bochecha corada da mãe e sai para atender o telefone. Continuamos a decorar em silêncio, o ambiente se tornou um pouco pesado para conversas.

— Elizabeth era muito jovem quando Edward nasceu, — Esme começou baixinho — e depois que Charles morreu foi muito difícil para ela. Edward tinha apenas 3 anos quando aconteceu.

— Não precisa me explicar nada. Não deveria ter me metido.

— Não, está tudo bem, querida.

''Carlisle, meu marido, se culpou muito pela morte do irmão. Como se o fato dele ser cardiologista pudesse impedir que Charles tivesse um infarto a caminho da empresa. Elizabeth ficou perdida e se afundou no trabalho, em manter a empresa funcionando e honrar a memória de seu marido.

Infelizmente, Emmett tem razão, o custo de manter esse império foi ter se afastado do filho. Acho que se eles se veem uma vez por ano é muito. Edward passou praticamente a infância inteira morando conosco, talvez seja por isso que ele começou a patinar, por influência minha.''

— Tenho certeza que você foi, é, uma ótima influência para ele.

Mudamos de assunto e não demorou para Carlisle chegar e se juntar a nós. Em menos de vinte minutos, ouvimos o barulho da chave e nos escondemos, gritando "surpresa" assim que Edward entrou pela sala. Depois do susto, e de cantarmos os parabéns, comemos e conversamos.

A pequena família de Edward é acolhedora e divertida, já conhecia Esme de vista, mas fiquei feliz em realmente poder conversar com ela e ver o quanto ela é maravilhosa e gentil. Carlisle parece um paizão, que cuida de todos ao seu redor.

Edward os olha com admiração e eles não são diferentes, há tanto carinho e afeto que eles parecem que são seus pais e não seus tios. Emmett com certeza age com um irmão irritante, o que nos arrancou muitas gargalhadas. Eu, particularmente, amei ver Edward sem graça.

— Bellinha, não deixe de ver o jogo de sábado. Aposto que vendo um profissional como eu jogar você vai mudar de ideia sobre o hockey.

Emmett diz quando nos despedimos. Ele está determinado a me fazer gostar da sua profissão e esporte favorito. Qual o problema de preferir futebol?

— Farei o meu melhor, mas não prometo nada.

— Cara, você não tinha como arrumar uma namorada menos teimosa?

— Cala a boca, Emmett. — Retruca Edward.

— Emmett, não seja indelicado. — Repreende Esme.

— Tá bom, tá bom — Eu rio da forma exagerada que ele faz sinal de rendição.

— Tchau querida, foi um prazer conhecer você. — De novo, Esme me envolve em um abraço de mãe.

Os levamos até o elevador e apesar de não estar tão perto, consigo escutar Emmett cochichando no ouvido de Edward.

— Eu tô me segurando a noite toda, mas você ainda tem muito o que me explicar…

Emmett deixa a frase morrer, mas posso jurar que ele inclinou a cabeça em minha direção, dando a entender que o assunto sou eu.

— Não sei do que você está falando. — Responde Edward indiferente.

— Você sabe sim, mas me deixe ser claro: como conseguiu que sua crush de adoles…

— Tchau, Emmett! — Edward o corta e o empurra para dentro do elevador.

Crush? Devo ter escutado errado. Depois que eles se foram, eu e Edward terminamos de limpar e organizar a sala. Tínhamos acabado de subir para dormir quando me dei conta de que não lhe desejei parabéns.

— Edward? — Chamo, o fazendo parar na frente do seu quarto.

— Sim? — Diz se virando em minha direção.

Me aproximo, ficando na ponta dos pés para lhe dar um beijo na bochecha, murmurando "parabéns", em seguida. Ele me olha confuso, mas estamos tão próximos que posso sentir sua respiração no meu rosto e seus olhos, de novo, me deixam desnorteada.

— Não tinha lhe desejado.

Explico e me afasto, não gosto da sensação estranha percorrendo a minha espinha.

— Ah, claro. Obrigado. — Sorri torto.

Ele fica lindo quando sorri assim. Mas que tipo de pensamento é esse?

— Me desculpe por Emmett, com aquelas piadas sobre nós.

— Tudo bem. — Ri de como ele está sem graça. — Sua família é ótima. Emmett me fez ver você como alguém além de um mimado.

Digo para irritá-lo, mas ele apenas rola os olhos.

— Boa noite, Edward. — Desejo indo para meu quarto. — E não espere que eu lhe dê um presente, você já tem coisas demais.

— Bella.

Olho em sua direção e depois de alguns minutos de silêncio, quase pergunto se está tudo bem. Ele parece que está lutando para me dizer algo.

— Obrigado. — Diz finalmente.

Não sei por que, mas acho que não era isso que ele queria me falar. Antes que pudesse perguntar pelo o que está me agradecendo, Edward se aproxima e deixa um beijo casto em minha testa.

— Boa noite, Abelhinha.

Permaneço parada, ainda sentindo o toque dos seus lábios em minha pele enquanto o observo entrar em seu quarto. Ele me deixou ali, sem saber o que fazer e, principalmente, sem saber o que sentir.

XxXxXxXxXxXxXxXx

Escuto o despertador tocar e me viro para desligá-lo. Faz um tempo que estou oscilando entre aquele estado de estar dormindo e acordada ao mesmo tempo. Sei que deveria levantar para começar o dia, mas excepcionalmente hoje, estou com muita preguiça de fazer isso e o sofá de Edward é tão confortável.

Suspiro virando para o outro lado, agarrando ainda mais uma almofada. Gosto tanto desse sofá que às vezes adormeço aqui. Sinto o cheiro de lavanda de Edward antes mesmo de ouvir seus passos.

— Bella? — Diz ele tocando de leve meu ombro.

— Hum? — É tudo que consigo dizer em resposta.

— Tá na hora de acordar, você tem fisioterapia e depois temos aula de dança, lembra?

— Eu sei.

Suspirando, abro os olhos e me sento. Estico os braços acima da cabeça, me espreguiçando e desejo bom dia a ele.

— Bom dia… nossa, você gosta mesmo desse sofá, né? — Riu. — Tá até de bom humor.

— Bom humor que pode acabar se você continuar sendo um chato. — Reclamo e ele abre os braços em rendição.

— Não está mais aqui quem falou. Vá tomar banho que eu vou fazer nosso café-da-manhã.

Antes de sair para a cozinha ele beija o topo da minha cabeça. Às vezes ele tem essas demonstrações de carinho e, depois de quatro meses convivendo juntos, não acho mais estranho. Afinal, somos amigos agora.

Me levanto e vou direto para meu quarto, antes de entrar no chuveiro deixo minhas roupas separadas em cima da cama. Os meses passaram voando e já estamos em setembro, quando Laurent me liberou para voltar às aulas de dança e ginástica.

Embora ainda não possa voltar a treinar saltos e arremessos no rinque, Edward e eu começamos a levar a coreografia da sala de dança para a pista. E tenho que concordar com ele, nós formamos uma boa dupla.

Nosso coreógrafo, James, não perde a oportunidade de nos dizer o quanto temos química e paixão quando estamos juntos e fico feliz que essa parceria tenha tudo para dar certo. Termino de me vestir e desço para tomar café.

— Estava começando a achar que você tinha dormido de novo.

Edward diz assim que me acomodo em um dos bancos de frente para o grande balcão de mármore preto de sua cozinha.

— Haha, quando eu penso que já estou começando a te tolerar, você me dá motivos para te odiar, é incrível.

Foi mês passado, tinha dormido no sofá também, e como tinha sido minha primeira aula de dança depois de tanto tempo parada, eu estava destruída. E em vez de tomar banho, acabei pegando no sono.

— E só aconteceu uma vez, pare de ficar usando isso contra mim.

— Que graça isso teria? — Piscou pra mim e eu lhe dei a língua. — Há maneiras mais úteis e prazerosas de usar essa língua, Abelhinha.

Ele diz isso com um sorriso sacana e não gosto de como isso e o comentário de duplo sentido me deixam nervosa.

— Porco! — Retruco desviando o olhar.

Ele ri e coloca meu café da manhã na minha frente, que está perfeitamente dentro da nossa dieta.

Comemos em um silêncio agradável e é tão engraçado, se há um ano alguém tivesse me dito que eu me tornaria parceira de Edward, e ainda por cima estaria morando com ele, provavelmente eu teria dado gostosas gargalhadas. Porque até pouco tempo, eu tinha certeza que o odiava e às vezes me questiono por que nutria esse sentimento por ele.

Mentira, eu sei sim. Além de sermos jovens e rivais nas competições, era por causa da sua ex-parceira. Jessica sempre foi tão cruel, com síndrome de estrelismo e uma cuzona comigo, que pensava que uma pessoa de boa índole não se envolveria com alguém como ela. E isso influenciou minha opinião sobre ele.

Mas conviver com Edward todos os dias tem me mostrado o quanto estava errada. A questão é que, não o vejo mais como um pé no saco, irritante, mimado, chato e riquinho. Bem, ele ainda é rico e irritante, mas aprendi a gostar dele.

Terminamos de comer e, como Edward insiste em ser o chef dessa casa, eu lavo os pratos. Depois que termino com a louça, Laurent chega e descemos para a academia do prédio.

— Então, Laurent, quando você acha que a Bella pode voltar aos treinos de verdade no gelo? — Pergunta Edward, de repente, a Laurent.

Ele tinha acabado de fazer seu treino e eu ainda estava no meu penúltimo exercício.

— Sinto muito, Edward, mas ainda é cedo para ela voltar a fazer saltos e ser lançada no ar.

— Tem certeza? Ela está tão bem que pensei que podíamos pelo menos tentar.

— Eu disse a você que ser minha dupla era roubada. — Reclamo.

Odeio o fato da minha recuperação ser tão lenta.

— Bella, eu disse que você não está pronta para voltar agora, mas isso não significa que você nunca vai poder voltar a fazer isso ou competir. Daqui a dois meses nós faremos novos exames e posso pensar em liberar você, ok?

— Isso! — Concorda Edward tirando a camisa molhada de suor. — Você vai voltar a voar como antes, Abelhinha. — Ele sorri de forma gentil, que involuntariamente eu retribuo.

Edward realmente acredita em mim e saber disso, ao mesmo tempo que me dá forças para continuar, me dá um pouco de medo. Porque é mais uma pessoa que posso decepcionar, além de mim mesma.

Afasto esses pensamentos e me concentro no último exercício que me foi passado. Mas confesso que está sendo um pouco difícil manter o foco.

Edward está conversando com Laurent na minha frente e Deus, eu só posso estar muito carente mesmo. Imaginava que ele era bonito, só não esperava que fosse tanto. Edward tem motivos suficientes para ser tão metido, é rico, alto e com um corpo esculpido pelos deuses.

Desvio o olhar, mas parece que tem um imã gigantesco me atraindo a olhar para ele. Agora estou acompanhando uma gotinha de suor descendo por todo o seu abdômen.

— Se quiser fazer mais do que só olhar é só me avisar, Abelhinha. — Diz ele com a voz rouca e me assustando.

Sinto minhas bochechas pegando fogo por ter sido pega no flagra. Olho em volta e vejo que Laurent está do outro lado pegando um colchonete.

— Não faço ideia do que você está falando. — Minto e ele ri.

— Você é melhor do que isso, Bella.

O vejo se aproximando de mim, mantendo o olhar fixo ao meu, um olhar muito felino. E seria egoísmo dizer que não senti uma pontada de desejo por ser alvo desse olhar.

— Vai fingir que não estava me encarando?

— Você se acha né? — De jeito nenhum vou dar o braço a torcer aqui. — Pois fique sabendo que você não é tudo isso, não.

— Assim você fere meu ego. — Diz de forma dramática. — Ficaria feliz em provar o quanto você está errada.

— Duvido muito, seu ego é enorme. Não ficaria afetado por nada.

— Errada de novo. Você me afeta.

Sei que ele faz isso de propósito, para me irritar, mas odeio o quanto isso mexe comigo. Principalmente quando ele fica sério, como se não fosse apenas um jogo.

Edward coloca uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha, seus olhos fixamente nos meus. A eletricidade percorrendo meu corpo me deixa sem ar e percebo que quero serbeijada por ele.

— Muito bem crianças, eu ainda estou aqui, vamos deixar os flertes para depois, sim? — Brinca Laurent com os braços cruzados nos observando.

Depois de deixar claro que ninguém estava flertando ali, terminamos a sessão com um alongamento.

O resto do dia se passou sem muitas gracinhas por parte dele, mas isso não me impediu de ficar, horas depois em meu quarto, revivendo o que ele me disse: "você me afeta". O que ele quis dizer com isso? Por que fiquei decepcionada por Laurent ter nos interrompido? E por que pensar sobre a tensão entre nós, em como ele me olhou, em como seu corpo estava tão perto do meu, está me deixando excitada?

Não, não e não, você não pode estar pensando em Edward desse jeito, Isabella! Grita a vozinha na minha cabeça e me viro na cama, mas não consigo dormir. Tudo bem, talvez eu sinta um pouco de desejo por ele, admitir isso para mim mesma não é o fim do mundo. É o fim do mundo sim! Afundo a cabeça na almofada, Edward é seu parceiro, Isabella, apenas isso. Não posso confundir as coisas de novo, não deu certo da última vez, por que daria agora? Isto é apenas um misto de carência e falta de sexo.

Ótimo, agora não posso nem ver um homem bonito que meus hormônios gritam. A que ponto eu cheguei! E as provocações vindo dele não me ajudam nem um pouco também. Suspirando e me dando por vencida, pego meu companheiro de momentos assim, em que preciso relaxar para dormir ou quando Mike não dava conta do recado, — o que, pensando bem, era quase sempre — meu vibrador rosa com formato de golfinho.

Depois de um orgasmo, sinto meu corpo relaxar e finalmente consigo dormir.

xx

Uma semana se passou e com ela a chegou o pior dia do ano, meu aniversário. A primeira mensagem que recebo é de meu pai, ele sempre gostou de me parabenizar a meia noite e isso não mudou com a distância. A segunda é de minha mãe. Sinto tanta saudade deles, a última vez que nos vimos foi no hospital.

Se tudo der certo, irei passar o Natal com meu pai em Forks e depois fico uns dias com minha mãe, em Seattle. Respondo os dois antes de me levantar. Hoje é domingo, então não precisei acordar tão cedo quanto no resto da semana. São quase 11 horas quando desço e encontro Edward na sala.

— Bom dia.

— Bom dia, Abelhinha. — Responde com seu sorriso torto.

Espero por qualquer comentário ou referência ao meu aniversário, mas ele não o faz. Pode ser apenas coisa da minha cabeça, mas sinto que Edward está diferente desde aquele dia na academia. Não sei dizer no que, exatamente, mas algo mudou.

E o fato dele não ter feito uma gracinha o dia todo e nem ter me desejado feliz aniversário me deixa um pouco decepcionada. Não que eu goste de comemorar meu aniversário, mas esperava algum tipo de provação dele. Acho que me acostumei com elas.

— Muito bem, você está doente ou algo assim? — Pergunto assim que entramos no elevador.

Edward me avisou que Esme havia nos convidado para almoçar com ela, e tínhamos acabado de voltar de lá. Acabei descobrindo com quem Edward aprendeu a cozinhar tão bem, a comida de Esme é deliciosa. Gostei de conversar e vê-la novamente — até ela me parabenizou e ele não.

— O que? Não. Por quê?

— Você não foi irritante, não fez um comentário de duplo sentido, só pode estar doente. — Explico e ele ri.

— Então você admite que gosta quando eu implico com você?

— Não disse isso.

— Sei… não estou doente, só não estou no clima para isso hoje. Quem sabe amanhã? — Ele me dá uma piscadela e volta a olhar para o celular.

Ele passou o tempo inteiro com os olhos fixos nesse aparelho. Estou começando a achar que ele tem alguém. E o que você tem com isso? Ele é livre e solteiro! Balanço a cabeça para afastar esses pensamentos no momento em que chegamos no nosso andar e quase tenho um infarto quando entro em casa.

— FELIZ ANIVERSÁRIO! — Grita minha mãe vindo me abraçar.

Levo alguns segundos para entender que ela está aqui e retribuir seu abraço.

— Não acredito que você está aqui, — a aperto ainda mais, sentindo meus olhos lacrimejarem. — que saudade de você, mãe.

— Ah meu bem, também senti sua falta. — Ela beija o topo da minha cabeça, antes de sair correndo para pegar o celular. — Temos que ligar para o seu pai, ele me fez prometer que faria uma vídeo-chamada com você. Era para ele estar aqui também, mas sabe como é difícil aquele velho ter um dia de folga né.

Depois de falarmos com Charlie, e ele pedir desculpas mil vezes por não poder estar aqui, pergunto à minha mãe por que ela gastou dinheiro vindo aqui me ver.

— Não gastei um centavo, minha querida, seu namorado que preparou essa surpresa pra você. Aliás, por que não me disse que estava com outro? E um muito mais gato que o antigo?

— Mãe!

Olho em volta, mas Edward não está aqui, deve ter subido para o seu quarto para nos dar privacidade.

— Ele não é meu namorado.

— Sei, sei. Ele me disse isso e que vocês são apenas parceiros na patinação, que está morando aqui temporariamente porque seu apartamento está com infiltração.

Por que ele não contou a verdade sobre "investir em mim"? De qualquer forma, acho melhor essa mentira, do que contar que estou aceitando ser bancada por ele em troca dessa parceira.

— Entendi essa parte, mas por que ele age como se fosse algo mais?

— Ele não faz isso.

— Aquele acidente mexeu com a sua visão também? Já reparou como ele olha pra você, meu bem?

— O que? Não tem jeito nenhum.

Antes que minha mãe comece um discurso sobre coisas que não são reais, mudo de assunto. Passamos as próximas horas conversando e matando a saudade. Infelizmente ela não poderá ficar por muito tempo, amanhã bem cedo já tem que voltar por causa do trabalho. Depois de comermos uma pizza, ficamos na sala assistindo um filme, mas estou quase adormecendo em seu colo, com ela fazendo cafuné em mim.

— Edward? — Escuto minha mãe falar baixinho.

— Ah oi, desculpe. Não quero atrapalhar vocês, só vou na cozinha comer alguma coisa.

— Não seja bobo, querido, você está na sua casa. Não precisa pedir desculpas.

— Ela dormiu?

Minha mãe segura minha cabeça gentilmente, colocando uma almofada no lugar do seu colo.

— Sim. — Responde ela. — Aliás, obrigada de novo.

— Não precisa agradecer, sei o quanto Bella sente sua falta e faz bem ver a família.

— Você é um bom rapaz, Edward.

— Ah…é, obrigado.

— Você come pizza? Nós fomos gulosas demais e pedimos duas, sobrou bastante.

Aos poucos as vozes deles foram diminuindo, até sumirem de vez. Acho que deveria me preocupar com o tipo de assunto que minha mãe pode acabar puxando com Edward, mas acabo adormecendo.

Não demora muito e sou teletransportada para a minha infância, em Forks. Acabei de ganhar meus patins e estou tentando ficar equilibrada pela primeira vez, num lago congelado. Caio, levanto e tento de novo, e de novo, até conseguir. Começo devagar, para não cair e vou ganhando velocidade.

No instante seguinte estou na arena, com Mike, ele sorri para mim, mas seu sorriso, em vez de me causar bons sentimentos, me traz angústia. Então começo a patinar para longe dele, até me esbarrar em alguém.

Desculpe, não consegui desviar de você. — Diz o menino de olhos verdes e cabelo bagunçado. — Você é rápida como uma abelha. — Ele sorri.

Sei quem ele é, mas não o respondo. Como num passe de mágica, vejo que estou de figurino, um lindo vestido branco com uma saia curta e esvoaçante. Escuto a plateia e começo minha apresentação, sozinha. Estou indo bem, e apesar de ser estranho, estou gostando de estar sozinha no rinque, mas quando termino de dar um salto duplo no ar, Mike me puxa pela mão, me forçando a terminar a coreografia com ele. Tento me afastar, mas ele é mais forte.

— Bella.

Escuto uma voz familiar me chamar e é como se ela me desse a força necessária para me libertar das garras de Mike. Longe dele, tento achar o dono da voz, mas não o vejo, apenas sinto que estou flutuando, numa nuvem impregnada com seu cheiro, cheiro de Edward. Me seguro na nuvem, como se ela fosse um salva-vidas, mas é inútil, a nuvem escapa das minhas mãos.

Um toque suave percorre meu rosto, me enchendo de expectativa, uma do tipo boa, que você sente quando está animada, porque algo que você espera vai acontecer. Suspiro no momento em que esse toque para, queria sentir mais dele.

Me sinto inquieta, acho que os sonhos estão se misturando com a realidade. Abro os olhos devagar, ao mesmo tempo que sinto um beijo em minha testa.

— Feliz Aniversário, Bella.

Agora sei por que o cheiro de Edward estava tão forte em meu sonho, é porque ele me levou para o quarto.

— Acordei você. — Diz assim que nossos olhares se encontram. — Desculpe, só queria que ficasse confortável em sua cama, até te chamei, mas você nem se mexeu. E eu a avisei da última vez que a traria para o quarto se dormisse no sofá. Droga, desculpe, não quero que pense que estou invadindo sua privacidade ou algo assim, jamais faria isso, você sabe disso, né? Não sou esse tipo de pessoa…

— Edward. — Coloco um dedo em sua boca frenética. — Está tudo bem. — Tento tranquilizá-lo e ele relaxa os ombros.

Ficamos em silêncio, apenas olhando um para o outro. Estou tão grata a ele por ter trazido minha mãe até aqui que não penso duas vezes antes de abraçá-lo. Rapidamente ele me envolve em seus braços e o calor de seu corpo é tão reconfortante, tão… certo. Certo? O que eu estou pensando?

Às vezes, ficar perto de Edward me deixa confusa. Me afasto sentindo sua barba por fazer em minha bochecha, causando um arrepio em meu corpo. A intenção era apenas agradecê-lo por ser gentil, mas não consigo falar com o seu rosto tão próximo ao meu, suas mãos ainda em minha cintura e seus olhos fitando minha boca.

Meu coração dispara, sei o que ele quer, porque também estou querendo a mesma coisa. É como se existisse uma força, um imã que me puxa em direção a ele, me inclino, mas imediatamente percebo a loucura que estou prestes a cometer.

— Obrigada. — Digo, me afastando de verdade dessa vez e sentando na cama.

— Pelo que? — Sua voz é entrecortada.

— Por tudo. Minha mãe e por todas as outras coisas que fez e faz por mim. Nunca lhe agradeci de verdade.

— Não precisa me agradecer, só quero o seu bem.

— Sei disso, agora que somos amigos.

Acho que estou louca, mas posso jurar que é decepção brilhando em seus olhos.

— É, sim, amigos. — Ele engole em seco. — É melhor eu ir agora, temos que acordar cedo amanhã.

Depois de desejarmos boa noite com uma tensão no ar entre nós, Edward se levanta.

— Bella? — Chama com a porta entreaberta e metade do seu corpo para fora do quarto. — Tenho um presente para você, deixei na sua gaveta. — Ele sorri maliciosamente.

Meu primeiro impulso é dizer que não preciso de nenhum presente, mas logo lembro o que fica guardado na gaveta da minha mesinha de cabeceira e fico corada violentamente.

— Em minha defesa, — começa ele — não estava bisbilhotando. Queria apenas fazer uma surpresa.

— Olha aqui, nós mulheres também gostamos de sexo. E sim, eu tenho um vibrador, qual o problema nisso?

— Problema? Muito pelo contrário, não vejo problema nenhum. Inclusive eu apoio, dá para brincar bastante a dois. — Me sinto quente com as possibilidades que me vêm à mente. — Agora me diga que o nome dele é Zangão, Abelhinha.

— Porco! — Pego uma almofada e jogo em sua direção, mas ele é mais rápido e a pega no ar. — Ele não tem nome.

— Então acho que acabei de batizá-lo.

Pego outra almofada mas ele já havia saído do quarto. Posso ouvir a sua risada do lado de fora.

— Odeio você.

— Odeia nada. — Responde ainda rindo — Boa noite, Bella.

Espero alguns minutos, para ter certeza que ele já foi, para cair na gargalhada. Zangão? Sério? Como ele é ridículo. Abro a gaveta, encontrando uma caixinha preta.

Dentro tem um colar de prata, com pingente de um único patins, há algunscristais incrustados na lâmina do patins. É lindo, delicado e eu amei. Tiro o colar da caixa e percebo que há algo gravado atrás, não controlo o sorriso bobo que sai de meus lábios. Ele mandou gravar ''para minha abelhinha''.

Nos dias seguintes tentei devolver o colar, porque obviamente ele me pareceu bem caro, mas desisti quando Edward pareceu ofendido. E eu gostei de verdade do presente.

XxXxXxXxXxXxXxXx

Em outubro aconteceu a primeira fase do Sectional, Edward sugeriu que fossemos assistir. Adorei voltar a essa competição, pude rever alguns amigos, ficar ainda mais encantada pelo meu esporte e também foi uma forma de participar, mesmo como torcedora.

Mike e Jéssica estavam lá, competindo. Meu coração não palpitou quando Mike passou por nós fingindo indiferença, não senti nenhum indício de sentimentos românticos por ele. Senti apenas mágoa, pela forma triste que nosso relacionamento e nossa parceria acabaram.

Como prometido, em novembro refiz meus exames e meu joelho está clinicamente bem mais saudável do que seis meses atrás, mas senti dores hoje quando tentei dar um salto simples no ar.

Demos uma pausa e vim correndo para o banheiro da arena me esconder e chorar. Estou tão cansada de lutar pela minha recuperação e, mesmo assim, não conseguir fazer o que eu amo como antes.

Toco meu joelho, passando os dedos onde fica minha cicatriz, mesmo estando de legging. Odeio tê-la, porque ela é feia e um lembrete diário de que não sou mais uma atleta. É por causa dela que não uso mais shorts, saias e vestidos que são curtos demais e a deixam à mostra.

— Bella? — Chama Edward batendo na porta. — Está tudo bem?

Digo que sim, mesmo que não seja verdade. Jogo água em meu rosto e respiro fundo antes de sair. Mal abro a porta e ele me envolve em um abraço, que aceito, me aconchegando em seu peito.

— Hoje foi sua primeira tentativa, não desanime, está bem?

— Estou tentando, mas às vezes acho que seria melhor admitir o óbvio: que eu não sou mais uma patinadora.

— Bella, nunca mais repita isso. — Edward coloca suas mãos em meu rosto, me fazendo olhá-lo. — Você é uma patinadora, sempre foi e sempre vai ser.

Deixo uma lágrima teimosa cair e ele a enxuga.

— Se passaram apenas seis meses desde que começamos sua recuperação, dê tempo para o seu corpo se reacostumar com ritmo dos treinos. Você está indo muito bem, seus exames são a prova disso. Eu acredito em você, Bella. Acredite em si mesma também.

Não consigo conter as lágrimas, Edward não sabe o quanto ouvir essas palavras significam para mim.

— Farei o meu melhor. — Prometo a ele.

— E, por favor, pare de chorar, fico angustiado em ver você assim. — Pediu limpando minhas lágrimas.

— Foi você que me fez chorar agora. Prefiro quando é irritante.

— Muito bem, posso fazer cócegas em você. Não, melhor! Quer enfiar uma lâmina no meu pescoço?

Ele faz essa proposta com uma expressão tão séria que caí na gargalhada.

— Tentador! Mas não, não quero. Vai, vamos voltar para o treino.

Beijando minha testa e segurando a minha mão, voltamos ao rinque.

No dia seguinte, na fisioterapia, conto a Laurent o que havia acontecido.

— Nada está perdido, ainda podemos tentar e ver como o seu joelho reage, ok? — Diz ele com doçura. — Além disso, o esporte de vocês não tem uma modalidade mais artística, menos técnica?

Demoro um tempo pra entender o que ele quer dizer, mas logo solto uma gargalhada.

— Ah, qual é Bella, nós somos bons bailarinos. — Responde Edward com esperança em seu tom de voz e seu típico sorriso torto.

Fico uns minutos em silêncio, eles não podem estar falando sério, podem?

— Dança no gelo? — Assentiu em confirmação — Você quer trocar de categoria? — pergunto incrédula.

Não acredito que Edward está concordando com essa loucura.

— Por que não? Imagine a liberdade dos movimentos, das coreografias, dos ritmos, das histórias que podemos contar com a dança. E o melhor de tudo: sem saltos mortais e perigosos. Você nunca pensou nisso?

— Pra falar a verdade, não.

Quem não é do meio, ou não conhece o esporte, pode confundir e achar que Patinação Artística em duplas e Dança no Gelo, são a mesma coisa, mas não são.

Na dança os patinadores praticamente não saltam, e ela se parece um pouco com a dança de salão. Também não se pode fazer lançamentos para saltos ou outros movimentos que sejam muito acrobáticos. Os parceiros na dança não podem patinar separados por muito tempo ou ficar a mais de dois braços de distância um do outro.

Já na Patinação Artística em duplas, os duplistas podem fazer vários elementos distantes um do outro. Há lançamentos com giros, onde o parceiro ergue sua parceira acima da cabeça e a lança no ar, com ela fazendo até três giros antes de ser pega pela cintura ou até fazer a aterrissagem sem ajuda do parceiro e um monte de outras acrobacias arriscadas. Foi nessa aterrissagem sem ajuda que arrebentei meu joelho.

Tudo bem que na Patinação também tem movimentos coreografados e rítmicos, e para isso também temos que fazer aulas de dança, mas trocar de modalidade? Simplesmente nunca me passou pela cabeça.

— Bella. — repreende Laurent — Pense nisso depois, ok? Citei essa possibilidade porque me parece mais viável para o seu caso, mas agora quero que se concentre aqui.

Concordei e me concentrei nos exercícios. O restante de novembro passou rapidamente e dezembro não foi diferente. Num piscar de olhos já era Natal.

Infelizmente, não vou poder ficar um tempo com minha mãe, como o planejado, ela ganhou um sorteio e vai passar as festas de final de ano num cruzeiro. Mas é bom estar em casa, com meu pai. Revi alguns amigos de infância, pesquei com Charlie, montamos a árvore juntos, assim como a ceia do dia 24. E não parei de pensar em Edward um minuto sequer.

— Por que seu namorado não veio?

Pergunta meu pai assim que nos sentamos no sofá para ver um filme natalino depois da ceia. Digo a ele que Edward não é meu namorado.

— Sua mãe disse que era. — Deu de ombros. — De qualquer forma, gosto dele desde o hospital. Tem minha aprovação, se quiser saber.

— Desde o hospital?

— Sim, você não lembra? — Repondo que não sei do que ele está falando. — No seu acidente, ele foi ao hospital todos os dias ver você.

Se ele foi até lá, então por que nunca falou comigo? Esse pensamento me segue até a hora em que me arrumo para dormir.

Decido que não faz mal ligar para ele e desejar "Feliz Natal", mesmo que seja apenas uma desculpa para ouvir sua voz. Mas é ele quem me liga primeiro.

Conversamos sobre como foi o Natal com nossas famílias e passamos quase uma hora no telefone. Até eu me lembrar do que o meu pai me disse e o questionar sobre isso.

— Sim, eu fui.

— Então, por que não falou comigo?

— Não sei…

— Pode falar, Edward.

— Porque sabia que eu era a última pessoa no mundo que você queria ver. E seu pai me manteve informado.

Não posso julgá-lo, naquela época era capaz de eu tê-lo matado de verdade. Mudamos de assunto e perdemos a noção do tempo, mesmo com sono, não queria desligar, queria adormecer ouvindo a sua voz.

— Abelhinha? — Murmuro um sim, quase inaudível, por estar quase dormindo. — Sinto sua falta.

Abro um sorriso bobo, sentindo meu peito se aquecer.

— É, acho que também sinto a sua. — Digo e ele ri. — Boa noite, Edward.

— Boa noite, Bella.

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Janeiro de 2020

— Uma boate? É sério isso Edward?

Meus planos para a sexta-feira à noite se baseavam em: assistir um filme e comer muito chocolate, mas Edward decidiu me arrastar para sair.

— Não é uma boate qualquer. — Ele estende sua mão. — Você confia em mim?

Pior é que eu confio, seguro sua mão e deixo ele me guiar porta a dentro. O letreiro neon escrito "W.B" não me deu nenhuma dica do que esperar. O lugar está lotado de pessoas dançando uma música latina, e a sua decoração é meio rústica, mas o detalhe que me chamou atenção, foi um ringue de boxe no meio da pista de dança.

— Certo, que lugar é esse? — Pergunto a Edward, mas ele apenas sorri.

Abrindo caminho por entre a multidão, ele me leva para mais perto do ringue. Nunca assisti uma luta ao vivo, apenas pela TV, mas acho que este ringue é grande demais.

Edward se posicionou atrás de mim, com os braços esticados e à minha volta, em uma posição protetora. Sentir o calor do seu corpo é reconfortante, mas também me deixa meio fora de órbita.

— Vai começar. — Avisa ele.

Antes que eu consiga perguntar o que vai começar, dois casais sobem no ringue. Eles estão vestidos com roupas de apresentação, como as que usamos nas competições de patinação.

Um deles é composto por uma mulher que, mesmo de salto, é baixinha e tem o cabelo todo espetado. Ela parece uma fadinha, já o seu par é alto, loiro e não muito musculoso. O outro casal é o oposto, a mulher é alta e loira, como uma modelo. O homem tem cabelo grande, amarrado em um coque, é forte e tem olhos puxados. Não há ninguém para apresentá-los, mas acho que é desnecessário, as pessoas parecem saber quem eles são e o que vai acontecer.

A música muda e o casal da fadinha se desloca até o centro, começam a dançar, enquanto o outro observa. Eles são incríveis, sério, fico hipnotizada e os gritos eufóricos das pessoas confirmam o quanto eles são bons. Cedo demais, eles param e desafiam o outro casal a fazer melhor. Entendi o que está acontecendo.

— É uma batalha. — Olho para Edward. — Uma batalha de dança de salão?

— Você está perdendo a diversão.

— Você é um canalha, Edward Cullen. — Brinco, sabendo o porquê ele me trouxe aqui.

Ele ri e beija minha cabeça. Não sei quanto tempo se passou, mas o show foi incrível. Eles batalharam, trocaram de casal, dançaram juntos e ao som de diversos ritmos. No final, a ''plateia'' havia tomado o ringue e Edward me levou para conhecer seus amigos.

— Esse é Jasper, e essa é sua noiva, Alice. — Disse ele, apontando para o cara loiro e a fadinha. — Você já percebeu que eles são os melhores bailarinos de dança de salão do mundo.

— Pera lá, cunhadinho! A melhor sou eu! — Brinca a loira que estava no ringue.

— Bella, essa é Rose, namorada de Emmett. E este é Seth, seu parceiro. — Edward termina de apresentá-los.

— Estou encantada, vocês foram incríveis lá em cima. — Digo a eles. — Sério, fiquei com vontade de dançar com vocês.

— Sinal de que estamos fazendo a coisa certa. — Brincou Alice, vindo me abraçar. — Então você é a famosa Bella?

— Famosa?

— Edward vive falando sobre você. — Explica Rose.

— Não acredite nelas. — Retruca Edward com as bochechas coradas, o que é novidade. — Elas são loucas.

Não tenho chance de respondê-lo porque Emmett surge do nada, me abraçando e me erguendo no ar.

— Você já conheceu minha garota? — Pergunta assim que me põe no chão. — Ela é um arraso, não é?!

— Sim. — Respondo rindo de sua animação, provavelmente aumentada pelo efeito do álcool. — Combina com você.

— Já disse que gosto dela? — Disse a Edward. — Você escolheu bem, maninho.

— Chega! Vem, Bella. — Edward, me puxa pela cintura, enquanto os outros riem e vão para o bar pegar bebida. — Vamos para longe deles.

— Logo agora que estava me divertindo vendo você sem graça? Sem chance!

Digo e ele rola nos olhos, me dando a língua.

— Há maneiras mais úteis e prazerosas de usar essa língua, Edward. — Repito a frase que ele me disse meses atrás, fazendo-o rir.

— É só me dizer como você quer que eu use a minha, Abelhinha.

Por que eu invento de provocá-lo?

— Dance comigo. — Pede.

Assenti em confirmação e deixei ele me levar para o ringue, eu nunca dancei e me diverti tanto na minha vida. Dancei com todos, mas em especial com Edward. As próximas horas foram baseadas nisso, tequila e uma vontade enorme de beijá-lo.

Depois de um tempo, peço licença, e vou ao banheiro para jogar um pouco de água no rosto e recobrar a lucidez. Alice e Rose me acompanham até lá.

— Então, Bella, há quanto tempo você e o Edward estão juntos? — Pergunta Alice lavando as mãos.

— Nossa parceria começou em maio do ano passado.

— Ela quer saber a quanto tempo vocês namoram. — Explica Rose.

— Não namoramos.

Estou acostumada a responder esse tipo de pergunta, mas pela primeira vez, fiquei incomodada pela resposta ser negativa.

— Entendi! — Grita Alice. — Vocês são parceiros, moram juntos, flertam o tempo inteiro, trocam olhares e carícias e é tudo amizade? — Riu. — Isso me lembra eu e o Jazz.

— Tudo bem, não vou negar que me sinto atraída por ele, mas isso nunca vai acontecer. Meu ex, também era meu parceiro e nossa história não acabou muito bem.

— Não conheço seu ex, mas conheço Edward. — Diz Alice. — E ele gosta de você.

— Acho que ele trouxe você aqui para conquistá-la com o gingado dele. — Brinca Rose e nós três rimos.

— Não, foi para me convencer a mudarmos de categoria.

Desde que voltamos a treinar, depois do recesso de fim de ano, não sinto mais dores no joelho, mas não consigo saltar. Faço a preparação, pego impulso e paro antes de sair do solo. Fisicamente, estou pronta, o problema é que fico apavorada. Não! Entro em pânico com essa possibilidade e Edward insiste para trocarmos de categoria.

— Por que não mudam? — Pergunta Alice. — A dança no gelo se assemelha a nossa dança de salão, não é?

— Sim, mas sendo honesta, não parei para pensar na possibilidade… até entrar nesse lugar.

Ainda tenho dúvidas se mudar é a resposta. Sempre gostei de dançar, mas nunca fui uma excelente bailarina. Mike vivia reclamando de mim nas aulas de dança, não sei se consigo ter a desenvoltura e graciosidade que a dança no gelo exige.

— Com a química de vocês, tenho certeza que mudar não será um problema. — Diz Rose e Alice concorda.

Digo a elas que vou pensar melhor no assunto, sou a primeira a sair do banheiro. Fico as esperando encostada na parede.

— Chega vocês dois!

Escuto Edward, o procuro e vejo que ele está com Emmett e Jasper perto da saída. Eles estão falando tão alto por causa da música que posso ouvi-los daqui.

— Se amizade é tudo que ela tem a me oferecer, então fico feliz em ocupar o cargo de amigo. — Edward diz a palavra amigo como se fosse algo ruim.

— Você quem sabe irmão, mas ainda acho que você precisa tomar uma atitude.

— Tenho que concordar com Emmett, fala logo que gosta dela.

Gosta? — Emmett ri. — Ele a ama desde que a conheceu.

Ele a ama? Edward está apaixonado? Paro de ouvi-los, tentando entender por que meu coração está tão apertado agora.

— Abelhinha! — Grita Edward, vindo na minha direção.

— Abelhinha? — Repete Alice saindo do banheiro, me olhando sugestivamente. — Espero que vocês não demorem muito para ver o óbvio.

— Por favor, — diz Edward assim que chega até nós. — vamos embora. Aqueles dois vão me deixar doido.

Alice, Rose e eu, rimos.

Elas se despedem de nós e se juntam aos seus respectivos namorados.

— O que foi? — Pergunto, vendo-o me observar com seu sorriso torto.

— Você é linda. — Ele toca meu rosto.

As borboletas no meu estômago estão quase saindo pela minha boca.

— Nós podemos fazer isso no gelo, Abelhinha.

— Edward…

— Não diga não ainda. Vem comigo.

Pegamos um táxi e Edward me leva para a arena.

— Antes que você reclame, — começa ele — eu tenho a chave, e não, não vamos ser presos.

— Tem certeza disso?

— É só não sermos pegos. — Responde com uma piscadela.

Rindo e me sentindo uma delinquente, entramos e calçamos nossos patins. Edward coloca uma música, parecida com as que estavam tocando na boate.

— Vou mostrar a você que juntos podemos fazer qualquer coisa.

Segurando sua mão, deixo ele me guiar. Dançar sobre o gelo, sem a preocupação de ter que fazer saltos e lançamentos arriscados, é libertador. E divertido também. Me sinto viva, como há muito tempo não me sentia.

Depois de um tempo como parceira de Mike, as coisas ficaram tão sérias e técnicas que eu me concentrei somente em ser perfeita. E esquecia o mais importante: me divertir, me entregar sem medos e apenas viver aquele momento.

Ser atleta de alto rendimento é ter disciplina, foco, determinação e concentração. Mas é se divertir também, é fazer o que gosta com amor, com paixão e vejo isso em Edward. Mesmo trabalhando duro, ele nunca se esquece do porquê patina: por amor.

— Tudo bem, quero mudar de categoria. — Digo, assim que a música acaba.

Estamos suados, com as testas coladas e sorrindo igual dois idiotas.

— Sabia! — Ele beija minha bochecha. — Amanhã mesmo vou ligar para Esme, você vai adorar-lá. Ah você já a conhece, enfim, ela é a melhor coreógrafa que existe e eu não digo isso porque ela é minha tia, mas porque é verdade. Quero ela com a gente, você também, né? Não vejo a hora de começarmos...

Edward fica tagarela quando está empolgado ou nervoso, então paro de prestar atenção no que ele está dizendo e fico admirando o seu belo rostinho.

— Bella, você está me ouvindo? — Pergunta e eu balanço a cabeça em negativa.

— Você fala demais. — Digo contornando seus lábios com os dedos.

— Desculpe, fiquei empolgado.

Edward me abraça pela cintura, me puxando para mais perto de seu corpo, beijando a ponta dos meus dedos. O toque dos seus lábios e seu corpo colado ao meu faz a eletricidade voltar com carga máxima. Olho em seus brilhantes olhos verdes cheios de desejo, vendo o meu próprio refletido neles.

Mando todo meu autocontrole para o espaço e encosto meus lábios nos seus. Esperava que beijá-lo fosse bom, mas não esperava que fosse avassalador. Minhas mãos foram para o seu pescoço, no instante em que ele pediu passagem com a ponta da língua para aprofundar nosso beijo. Um gemido traidor sai de meus lábios no momento em que sua mão foi parar na minha bunda.

— Bella… — Sussurra em meu ouvido.

Me sinto pegando fogo com seus beijos e mordidinhas no meu pescoço. Estou quase implorando para que ele pare e me leve para o seu quarto, quando escuto um barulho.

— Ouviu isso?

— A única coisa que eu quero ouvir são os sons deliciosos que estavam saindo da sua boca.

Ele volta a me beijar com urgência, me fazendo esquecer do mundo à nossa volta.

— Tem alguém aí? — Grita uma voz masculina. — Se for os arruaceiros aqui da rua, saibam que eu vou chamar a polícia!

Reconheço a voz, é Marcus, o zelador. Edward e eu nos olhamos assustados e rimos baixinho da situação que nos metemos. Não sei como, mas saímos de lá sem sermos descobertos. Andamos alguns quarteirões até conseguirmos um táxi.

No caminho de volta, me aconchego em seus braços, mas acabo lembrando da conversa que ele teve com seus amigos. Edward tem alguém, mesmo que essa pessoa esteja o deixando na friendzone, outra já está em seu coração.

Não vou ser tapa barraco de ninguém, principalmente, sabendo que corro o risco de me apaixonar perdidamente por ele. Assim que chegamos em casa, invento uma desculpa e vou direto para meu quarto. De banho tomado, decido que o melhor a fazer é esquecer e fingir que nada aconteceu entre nós.

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Maio de 2020

Bella?

Edward me chama, mas não quero acordar. Aqui está tão confortável.

Dormindo no sofá de novo?

Escuto sua risada perto do meu ouvido, seus braços passando em torno do meu corpo me causando arrepios.

Estou começando a achar que você dorme no sofá de propósito, só para me fazer carregá-la até o quarto.

Me aconchego em seu peito segurando uma risada porque, sim, é verdade. O balançar até o quarto quase me faz pegar no sono de novo e sinto o calor de seu corpo sendo trocado pela maciez da cama.

Droga, já são quase 08:15, deveria acordá-la e não deixar que durma mais. — Murmura. — Bella, acorde.

O colchão atrás de mim afunda e o corpo de Edward está em minhas costas. Deslizando sua mão pelo meu braço e beijando inocentemente meu ombro, ele me chama mais uma vez. Finjo que ainda estou dormindo para sentir mais de seus lábios em minha pele, mas solto um gemido traidor assim que sua boca chega ao meu pescoço.

Ah, você está acordada, Abelhinha?

Como um apelido tão fofo pode virar uma obscenidade vindo dele?

Não, ainda estou dormindo. — Digo e ele ri.

Temos ensaio daqui uma hora, baby.

Empino meu quadril, sentindo sua ereção. Edward morde meu lóbulo e me viro para ficar de frente para ele.

Dá pra fazer muita coisa em uma hora.

Então eu deveria me esforçar mais para acordá-la.

Com uma mão apertando minha bunda, ele me beija, até me deixar sem ar. Estou tão necessitada dele, do seu toque, do seu corpo no meu, que o empurro na cama, me sentando em seu colo.

Edward tira minha blusa, beijando meu pescoço e colo em seguida. Não controlo meus gemidos quando sua língua brinca com meus mamilos endurecidos.

— Edward…

Seguro seu rosto e o beijo, depois beijo sua linda mandíbula marcada e seu pescoço. Ofego quando seu dedo desliza por toda a minha boceta, me provocando.

— Bella? — Por que ele está parando? — Vamos, Abelhinha, você tem que acordar…

— Edward…Não pare!

— Bella! — Escuto um grito e me sento na cama assustada. — Desculpe, não queria gritar, mas você estava num sono pesado.

Depois do susto, cubro o rosto com as mãos, me sinto quente e com vergonha.

— Está tudo bem? — Pergunta.

— Sim, o que aconteceu?

— Você está atrasada, são quase 9 horas. — Merda, tinha esquecido que hoje tinha fisioterapia antes do treino. — Você ainda tem tempo. Trouxe seu café, só para ter certeza que você vai comer.

Faz quatro meses que nos beijamos e nesse meio tempo, tentei me afastar dele. Por consequência, ignorei as refeições que fazíamos juntos e comecei a me alimentar mal. O que me fez passar mal nos treinos. Foi quando ele quis conversar.

Bella não se afaste de mim. Somos parceiros, amigos, não quero perder o que construímos.

Ele me pediu com tanta angústia e medo que partiu meu coração. E foi nesse momento em que eu soube, eu o amo, e por mais que doa ser apenas sua amiga, é melhor do que não ser nada. Então lhe disse que estava tudo bem entre nós, mas preferia não tocar no assunto "beijo".

Edward coloca uma bandeja de café da manhã na minha cama. Agradeço e começo a comer.

— O que foi? — Pergunto notando sua expressão de riso, ele me responde com um "nada", mas sei que não é verdade. — Conta logo.

— Você fala dormindo.

— É, eu sei… o que eu disse?

Não sei ao certo se quero ouvir o que disse enquanto sonhava. Sonhava com ele, mas sou curiosa e quero saber o que posso ou não ter revelado a ele.

— Meu nome.

Quase me engasgo com a torrada e sei que provavelmente estou igual a um tomate agora.

— Falei? Deve ser porque eu sonhei que afundava sua cara na pista de patinação. — Minto e ele ri.

— Acho tão fofo você tentar de todas formas não demonstrar o quanto gosta de mim.

Edward deixa um beijo casto em minha testa e odeio o arrepio que sinto com um toque tão simples e inocente como esse. Ele me avisa que tem um compromisso antes do nosso ensaio com Esme, e por isso hoje eu iria sozinha para a arena.

Depois que ele sai, termino de comer e me arrumo para o dia. Laurent chega e me avisa que estou oficialmente de alta, mas ainda temos uma última sessão, de despedida. No final, agradeço a ele por tudo e vou para arena meio chorosa, mas feliz.

Em fevereiro, regularizamos nossa situação perante a Federação e começamos a treinar com Esme como nossa coreógrafa. Ela está nos preparando para a nossa primeira competição juntos e na nova categoria. Queria participar de uma competição menor, para nos testar primeiro, mas não tem nenhuma prevista para agora. Todos estão se preparando para o Sectional, e Esme tem certeza que nós vamos estar prontos para essa competição, assim como os outros.

Confesso que me sinto mais segura com a dança, mesmo com as pegadas um pouco acrobáticas, elas não são tão perigosas quanto na patinação em duplas. E também confio em Esme e no meu parceiro, então podemos sim, estrear com o pé direito neste ciclo. Entro na arena e vejo que, seja lá qual era ou quem era o compromisso de Edward, ele chegou cedo. Meu coração fica bem apertadinho com o sorriso que ele abre ao me ver.

— Feche os olhos.

Ele me pede, assim que eu me aproximo. Estreito os olhos, desconfiada, mas faço o que ele me pediu.

— Pode abrir.

Edward está segurando um bolo pequeno, com uma abelha e um porco desenhado em cima. Acompanhado de uma vela.

— Feliz um ano de parceria, Abelhinha.

— Você é o porco! — Não seguro a risada.

— Infelizmente. — Deu de ombros. — O que é uma injustiça, eu sou tão limpinho.

— Não aguento você. — Limpo uma lágrima que se acumula de tanto que eu estou rindo. — Feliz um ano, Edward.

Apagamos a vela juntos e o abraço. Nunca pensei que essa parceria pudesse dar tão certo. E nem parece que faz um ano que aceitei a sua proposta.

No fim do dia, em casa, Edward prepara lasanha de jantar. E nós voltamos a maratonar Bones, uma série policial que começamos juntos há algumas semanas. Assisti 3 episódios, antes de dormir com a cabeça no colo dele.

— Boa noite, Abelhinha.

Diz ele, depois me levar para o quarto.

— Boa noite, Porquinho. — Respondo sonolenta e ele ri.

Antes de sair, ele beijou minha bochecha e eu adormeci, para mais uma noite sonhando com ele.

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Os meses passaram como um raio, já estamos em Outubro, e hoje é o dia da nossa primeira competição, a primeira fase do Sectional. Desde que decidimos mudar de categoria e ter Esme como nossa coreógrafa, foram 10 meses de trabalho árduo. Agora, faltam duas duplas para se apresentar e depois somos nós. Eu estou surtando.

— Pronta? — Edward volta com a água que eu pedi. — O que foi? — Pergunta me vendo andar de um lado para o outro.

— Edward, eu não… acho que não consigo.

— Feche os olhos. — Pede.

Obedeço, Edward segura minhas mãos nas suas, encostando sua testa na minha. Ele não diz uma palavra e ficamos assim, apenas sentindo a presença um do outro por um tempo. Não sei o que ele pretende, mas estou mais calma, me sinto em paz com ele aqui comigo.

— Estou com medo, — começa ele — é a nossa primeira vez como parceiros e em uma modalidade diferente. Mas sabe de uma coisa? Se você estiver segurando a minha mão, nada pode dar errado.

Abro os olhos, os dele permanecem fechados. Respiro fundo e o abraço, querendo um pouco mais de contato.

— Apesar do medo, sei que estamos prontos, você está pronta. E eu acredito em você, Abelhinha. Acredito em nós.

Não acredito que ele vai me fazer chorar logo agora.

— Gente? — Chama Esme. — Vocês são os próximos.

Edward avisa que precisamos de mais um minuto e ela prontamente nos dá.

— Se você ainda se sente insegura, tem que me falar agora. — Pede sério. — Porque nós não vamos conseguir fugir se ela voltar.

— Edward! — Rio encostando minha cabeça em seu peito. Respiro fundo e volto a olhar em seus olhos. — Eu consigo.

— Muito bem, já dei 3 minutos. — Esme volta, nos levando para rinque. — Lembrem-se das correções: joelhos esticados, mantenham o alinhamento. Edward, cuidado com a força naquela parte em que você desliza no gelo, sintam a música, entrem no personagem e o mais importante, divirtam-se crianças.

Ela nos abraça e nós somos anunciados, aperto a mão de Edward, grata pelo conforto e segurança que ele me dá. Entramos na pista, e me concentro em Edward, entrando no personagem, sabendo que ele está certo. Se eu estiver segurando sua mão, nada pode dar errado.

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E deu certo! Poderia ter sido melhor, mas juntando os dois programas: a dança curta e a dança livre, conseguimos nota suficiente para passar para a fase seguinte. A final do Sectionals, ocorreu dois dias em Delaware, um mês depois da primeira seletiva.

Antes de entrarmos no gelo, Edward e eu fizemos o mesmo ritual: mãos dadas, testas coladas, apreciando a presença um do outro. Sinto que isso ajuda a nos conectarmos e é inegável o quanto eu entrei mais confiante na pista. Nossa nota mais alta é a prova disso. Passamos para as Nacionais, que acontece em janeiro.

Hoje estamos voltando para casa, em Jacksonville e eu não consigo olhar para Edward sem querer enfiar uma lâmina no seu pescoço. Ele não fez nada, eu que estou com ciúmes do que não é meu. Ontem à noite, quando voltamos para o hotel depois de sairmos para curtir a cidade, nos esbarramos com Victoria.

Uma patinadora excelente, linda, ruiva e ex-namorada de Edward. Faz uns 2 anos que eles terminaram, mas ela pareceu querer reviver os velhos tempos. Fiquei tão sem reação que apenas desejei boa noite aos dois e fui para cama. Só que, agora, sentada ao lado dele nesse voo interminável, não consigo parar de pensar que eles podem ter passado a noite juntos.

— Está tudo bem?

Ele me pergunta pela milésima vez no táxi, a caminho de casa. Respondi que sim.

Em casa, vou direto para o quarto, tomo banho e durmo por umas 12 horas seguidas.

— Certo, por que você está me evitando? — Edward me pergunta, no fim da tarde do dia seguinte.

— Não estou evitando você.

Garanto a ele, mas faço justamente o contrário, voltando para o meu quarto às pressas.

— Bella, converse comigo. — Pede, me seguindo até o segundo andar.

Odeio sentir ciúmes, odeio de verdade, e sei que o sinto porque eu não tenho chance alguma de ter um relacionamento com alguém como Edward. Respiro fundo e tento fazê-lo me deixar em paz, mas ele é teimoso e insistente demais.

— Edward, por favor, está tudo bem.

Entro no meu quarto, cansada dessa conversa inútil, mas ele continua, entrando junto comigo no cômodo.

— Não me faça de idiota, Bella. Sei que alguma coisa está errada, e quero saber o que é. Desde que voltamos da competição você está estranha comigo, se eu fiz alguma coisa, não se afaste, converse comigo e vamos resolver.

Ele fala como se nós tivéssemos algo, como se fossemos parceiros de vida.

— Por que estamos brigando, Bella? — Pergunta, se aproximando e tentando colocar suas mãos nas minhas.

— Não estamos brigando! — Grito irritada, me afastando de seu toque.

— Vou repetir, por que estamos brigando?

— Porque eu estou com ciúmes!

Admito e só percebo o que revelei, quando vejo sua expressão de choque.

— Ciúmes? Você está com ciúmes de mim?

— De quem mais seria? — Não adianta negar, ele provavelmente já se tocou que tenho sentimentos por ele. — É melhor você ir, sei que isso, — aponto de mim para ele — não é recíproco. E não quero estragar a nossa parceria, a nossa… amizade.

— O que não é recíproco, Bella?

Ele quer mesmo que eu me fale em voz alta? Que eu me humilhe assim? Sem chance!

— Saia daqui! Saia daqui agora, Edward!

Imploro, mas ele permanece parado como uma estátua, me observando. Cubro o rosto com as mãos, tentando me controlar para não chorar na sua frente.

— Bella, olhe para mim. — Sua voz é calma, serena e o sinto tocar suavemente minhas mãos, as retirando do meu rosto. — Olhe para mim.

Edward levanta meu queixo, me forçando a encarar seus olhos.

— Eu te amo, Isabella. Sempre amei você, mesmo quando me afastava quando éramos crianças, mesmo quando virava a cara para mim nas competições, mesmo quando fingiu que aquele beijo não significou nada para você.

Edward segura meu rosto, fazendo carinhos preguiçosos em minha bochecha. Meu coração está batendo tão rápido e tão forte, que tenho certeza que ele pode ouvir.

— Eu amo você.

Me afasto de seu toque, controlando o choro.

— Não diga isso, não quando sei que não é verdade.

— Jamais mentiria para você, Bella.

Conto a ele que ouvi sua conversa com Emmett e Jasper, meses atrás, naquela boate.

— Era você! — Explica como se fosse óbvio. — Eu estava falando sobre você.

— Mas… mas… por que nunca me disse?

— Sério? Porque você me odiava.

— Não é verdade.

— Mas agia como se odiasse.

— Victoria? — Retruco.

— Isso tudo é por causa de Victoria? — Ele abre seu sorriso torto, balançando a cabeça em negativa. — Nós não temos mais nada, Bella, nada, entendeu?

Edward volta a se aproximar, com os olhos fixos nos meus, limpando uma lágrima, que nem reparei que tinha deixado cair.

— Bella, você acha mesmo que há espaço para outra mulher na minha vida que não seja você? Eu amo você. — Repete, beijando minha testa. — Só você. — Ele beija minha bochecha, a ponta do meu nariz. — Você é o meu amor, a minha Abelhinha. — Diz e no instante seguinte sua boca está na minha.

Nem se quisesse conseguiria protestar, não com esse beijo carregado de carinho, afeto e desejo. Não sei explicar, mas a forma, a necessidade com que Edward me beija, me faz acreditar em suas palavras. Talvez seja apenas a minha cabeça tentando achar desculpas para me entregar a ele. Edward encerra nosso beijo com um selinho e me leva a sentar na cama.

— Eu amo você. — Repete se sentando ao meu lado. — É muito bom poder te falar isso finalmente. — Toca meu rosto. — Sei que tem sentimentos por mim, não tente negar, — coloca um dedo na minha boca, me impedindo de falar — sei que sente algo, mas não quero que pense que, porque eu estou pronto para admitir isso, vou forçar você a alguma coisa.

— Você é tão idiota! — Rio da sua cara assustada.

Subo em seu colo, igual nos sonhos que tive com ele, mas a realidade é bem melhor.

— É claro que eu amo você, seu porco!

Edward abre um sorriso largo de felicidade, mas o fecha, porque eu puxo seu cabelo rebelde, parando de enrolação e colando sua boca na minha. Estou há muito tempo sem sexo e cansada das nossas provoçãoes. Preciso dele, agora.

— Eu abrindo o meu coração e você pensando em sexo? — Murmura com um gemido, no instante em que mordi seu lóbulo.

— Como se você não estivesse pensando também. — Retruco, rebolando em sua ereção.

— Não me provoque, Abelhinha. — Sua voz é rouca e o meu apelido sai como uma indecência.

Suas mãos apertam a minha bunda, me puxando em direção ao seu quadril, aumentando o atrito entre nós, me fazendo gemer de ansiedade.

— Eu também sei brincar. — Completa antes de me beijar.

Sem parar de me beijar, sinto suas mãos espalmadas em meu abdômen, subindo minha blusa e o ajudo a retirá-la. Não estou de sutiã e ele não vacila em levar meu mamilo endurecido a sua boca.

— Linda e gostosa. — Murmura antes de dar o mesmo tratamento a meu outro seio.

— Chega de provocações, Edward.

Volto a beijá-lo com urgência, com necessidade, ele entende o que eu quero e me segura pela cintura, me deitando na cama. Estimulando meus seios, ele passa a beijar meu abdômen, até meu baixo ventre.

Levanto meu quadril para ajudá-lo a tirar minha calça legging. Mesmo estando ardendo de desejo, me lembro do porquê uso legging em casa: para esconder a cicatriz.

— O que foi? — Pergunta vendo a minha hesitação. — Tudo bem se não quiser mais.

— Claro que quero! É só que… eu… prefiro que você não veja a cicatriz.

— Por que não?

— Porque ela é horrível!

Sei que pode parecer uma besteira, mas não quero que ele a veja e sinta repulsa. Edward segura meu rosto e me beija.

— Tudo em você é lindo, Bella.

Abro a boca para negar, mas ele não me deixa responder, porque sua boca está na minha, me fazendo derreter. Estou totalmente entregue a ele e o deixo terminar de retirar minhas roupas. Edward retira sua camisa e fica de joelhos na cama e ergue a minha perna, encostando meu pé contra o seu peito.

— A visão daqui é perfeita. — Diz com seu sorriso torto. Ele é a imagem do pecado.

Edward começa a beijar meu pé, mordiscar minha panturrilha até chegar na cicatriz, lambendo toda a sua extensão. Sinto minha boceta pulsar, não sabia que o joelho poderia ser uma área tão erógena.

— Como pode achá-la feia? — Pergunta, ainda explorando minha cicatriz com a boca. — Se foi ela quem trouxe você para mim?

Sou incapaz de responder, não com suas carícias descendo para a minha coxa e virilha. Instintivamente, abro mais as pernas, para dar a ele mais espaço. Ele chega bem onde eu o quero, mas o filho da mãe me olha com a maior cara de sacana antes de se afastar, me fazendo choramingar.

— Paciência, Abelhinha. Eu ainda estou muito vestido, não acha?

Me sento e abaixo a porcaria do seu moletom, como eu esperava, ele está sem cueca e o seu pau praticamente salta na minha cara. Diferente dele, não gosto de tantas provações e o coloco inteiro na boca.

— Porra, Bella.

É a vez dele de gemer e jogar a cabeça para trás, sentindo prazer. O bombeio duas vezes antes de voltar a me deitar na cama e abrir bem as pernas, me tocando e o convidando a participar.

Edward umedece os lábios me observando e se estimulando também. Pego uma camisinha na gaveta e jogo em sua direção. Depois de colocá-la, ele volta a beijar todo meu corpo até chegar a minha boca. O desgraçado está me deixando louca, roçando seu pau na minha boceta.

— Edward… por favor.

— Por favor, o que? O que você quer?

— Me fode! Agora!Não preciso pedir duas vezes.

Ofego, sentindo seu pau entrar em mim. Edward fica imóvel por um tempo e, antes que eu implore, ele começa com movimentos muito lentos de vai e vem. Ele me beija com fome, com reverência e amor.

Edward segura meus braços acima da cabeça, me prendendo ali. O ritmo das suas estocadas aumentam e nós não precisamos de palavras, de provocações. Apenas nossos corpos se chocando, se amando é o suficiente. Com a mão livre, ele estimula meu clitóris e não demora muito para eu sentir os espasmos de prazer me alcançarem com força. Com a minha boceta apertando o seu pau, ele chega ao seu ápice depois de mim.

Devidamente satisfeitos, ficamos abraçados na cama, minha cabeça repousando em seu peito, com ele fazendo carinhos nas minhas costas. Quase pego no sono, mas me lembro de uma coisa que sempre quis perguntar a ele.

— Edward?

— Sim.

— Por que você me chama de Abelhinha?

— Porque você é rápida, pequena, forte, linda e pode machucar como uma. Achei que fosse óbvio. — Ele ri. — E eu posso dizer agora que você também é doce, minha abelha rainha. — Brinca.

— Abelha rainha é? O macho morre depois do sexo, sabia disso? — É, eu pesquisei sobre a reprodução das abelhas para implicar com ele. — Mas você não morreu, o que significa que para as outras abelhas você não cumpriu com o seu dever aqui na terra. Eu deveria expulsar você da colmeia.

Edward cai na gargalhada, enquanto eu tento me manter no personagem.

— Eu não cumpri meu dever aqui na terra? — Pergunta rindo.

— Não. E pensando bem, acho que você foi bem rapidinho.

— Rapidinho? — Digo "sim" em resposta, mesmo que seja uma mentira descarada. Edward fica de joelhos na cama e faz uma reverência exagerada. — Vossa alteza, deixe-me deixar claro que nenhuma outra abelha me interessa e permita me desculpar.

Solto uma risada, que logo se transforma em ansiedade. Edward pega meu vibrador na gaveta e essa é a visão mais erótica do mundo.

— Vossa alteza não sabe como eu passei noites em claro, sonhando em usá-lo na senhora.

Ele liga o aparelho e brinca com ele por todo o meu corpo: pescoço, seios, coxas, até chegar na minha boceta.

— Como pretende se desculpar? — Mordo meu lábio inferior, segurando um gemido.

— Cumprindo meu dever aqui na terra.

— Que seria? — Pergunto ofegante, ao mesmo tempo em que ele acomoda a cabeça entre as minhas pernas e me olha antes de responder.

— Servir à minha rainha.

xx

Edward me pediu em namoro no dia seguinte, e é claro que eu aceitei.

Em dezembro, passamos o Natal com meu pai, que adorou saber que estamos juntos, ele realmente aprova Edward, o que me deixa feliz. Depois visitamos minha mãe e conhecemos seu novo namorado, Phil, é um cara legal. No ano novo ficamos com a família dele, com Esme, Carlisle, Emmett, Rose, e eu finalmente conheci sua mãe. Elizabeth Cullen é linda como o filho e não é a megera que achei que fosse, um pouco dura em relação a Edward não querer assumir a empresa e deixar bem claro que não o apoia a continuar na patinação, mas não é uma má pessoa.

Em janeiro nós participamos das Nacionais na Geórgia, e foram as nossas melhores apresentações, ficamos em segundo lugar, conquistando a prata. Como fomos muito bem nas Nacionais, conseguimos garantir nossa participação no Mundial. Como essa competição é bem mais concorrida, nos dedicamos ainda mais nos treinos e em uma nova coreografia para o programa de dança livre.

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Março de 2021

O mundial será na Suécia e a federação americana de patinação garantiu as passagens e hospedagem para os competidores e suas equipes. Na terça-feira, toda a delegação dos Estados Unidos partiu rumo a Estocolmo, o que significa que encontrei com Mike e Jessica de novo, mas felizmente eles dois se mantiveram bem longe de mim no voo. Na quarta-feira, meu único compromisso é a abertura do evento à noite, por isso, Edward e eu, decidimos passar o dia sob as cobertas, assistindo filmes.

Quinta-feira é nosso dia livre, uma vez que nossa categoria só começa a competir na sexta, e decidimos sair para conhecer a cidade. Na hora do almoço, escolhemos um restaurante local para comer e só retornamos ao hotel no final da tarde. Quando chegamos ao andar onde está concentrada nossa delegação, tudo está agitado, pessoas correm de um lado a outro, falas apressadas, pequenos grupos conversam na porta dos quartos. Algo aconteceu, isso é fato.

— O que houve?

Edward pergunta a Tanya Denali, uma das nossas adversárias na dança no gelo, representante do estado do Alasca.

— Um dos competidores das duplas foi pego no antidoping.

— Quem é o patinador? — Pergunto.

— Newton — Informa Tanya. — O comitê vai mandar ele e sua dupla de volta para a América hoje mesmo, eles não vão nem participar do encerramento no domingo.

Estou congelada no mesmo lugar diante daquela informação.

— Vocês sabem quem é o cara? — Ela quer saber.

— Já nos cruzamos antes, moramos na mesma cidade — Edward responde.

— Eu não sei quem ele é. — Tanya dá de ombros e nos pede licença.

Edward percebe meu estado de choque e me guia até o quarto, lá, ele me senta na cama, enche um copo com água e me oferece.

— Como você está? — Pergunta enquanto eu bebo água.

— Em choque. Mike sempre foi inescrupuloso e competitivo, para ele tudo que importa é a vitória, mas nunca imaginei que fosse capaz de ir tão baixo para vencer.

— Está tudo bem, Abelhinha, você não tem mais nada a ver com ele. — Ele beija a ponta do meu nariz.

— Eu sei, só preciso de um tempo para absorver a informação. Você se importa de me deixar sozinha?

— De jeito nenhum, amor.

— Obrigada. — Agradeço lhe devolvendo o copo e me retiro.

Nós temos quartos separados, mas eu usei o meu apenas para guardar minhas coisas e ficava o restante do tempo no dele. Deito na cama e encaro o teto, pensando em tudo que passei com Mike e no que veio depois dele. Não sei quanto fico reflexiva, mas acabo adormecendo e só acordo com o toque do meu celular.

"Jantar no restaurante do hotel. Isso não é um convite, é uma intimação." É o que diz a mensagem de Edward. Sorrio, mesmo não estando com ânimo para um jantar, mas sei que é inútil resistir, só faria Edward vir até aqui e me levar a qualquer custo. Então me arrumo e saio do quarto.

A porta do elevador está quase fechando, mas como meu quarto fica próximo do mesmo, consigo impedir que as portas se fechem. Entro no cubículo de metal e só neste momento percebo que é Mike que está nele comigo, mas é tarde demais para sair, as portas já se fecharam. Observo calada as malas que ele carrega enquanto espero chegar ao meu andar.

— Está feliz? Isso é tudo culpa sua! — Ele quebra o silêncio.

— Você que se afundou e agora está pagando pelos seus atos! Seja homem e reconheça seus erros.

— Tínhamos uma carreira incrível, poderíamos conseguir nossa vaga para as Olimpíadas se não fosse por você. Eu tive que fazer o que foi preciso para recuperar o que você destruiu.

— Eu não destruí nada! A prova disso é que eu e meu parceiro ainda temos chances reais de ir para as Olimpíadas no próximo ano, porque diferente de você, nós não recorremos a substâncias ilícitas para alcançar nossos objetivos.

Nunca mais vou deixar alguém pisar em mim de novo, como Mike fez durante anos.

As portas do elevador se abrem no andar do restaurante, um acima do térreo onde uma equipe da federação o aguarda, não olho para trás ao sair. O deixo com todas as suas merdas e uma amarga eliminação por doping.

xx

No dia seguinte, fizemos nossa primeira apresentação no Mundial, no programa curto. Obtivemos boas notas e estou muito confiante que hoje na dança livre conseguiremos manter o sarrafo lá no alto. Depois do nosso ritual, Edward e eu entramos no rinque, fazemos nossa volta em seu entorno e paramos no centro, de frente um para o outro.

— Não solte a minha mão, Abelhinha. — Diz ele com um sorriso torto.

— Nunca. — Respondo e nossa música começa.

Nos encaramos esperando pela frase musical para iniciarmos nossa coreografia. Quando ela vem, deixo a música tomar conta do meu corpo.

Eu nasci em uma tempestade de trovões

Eu cresci do dia para noite

Eu joguei sozinha

Eu joguei por contra própria

Eu sobrevivi

Quando Esme e Edward me contaram da ideia deles sobre a nossa coreografia do Mundial ser sobre mim e tudo que passei para voltar a patinar, não consegui acreditar e pensei em não aceitar. Mas, assim que ouvi a música, não controlei as lágrimas. Ela me representa em muitas formas e a sensibilidade de Esme com essa coreografia é algo que jamais vou conseguir agradecer adequadamente.

Eu tinha uma passagem só de ida ao lugar

Onde todos os demônios vão

Onde o vento não muda

E nada na terra pode crescer

Sem esperança, apenas mentiras

E você é ensinado a chorar em seu travesseiro

Mas eu sobrevivi

O acidente levou tudo, me quebrou de diversas formas, mas eu aguentei firme, eu lutei e eu estou viva. Sou uma sobrevivente, sou forte e nunca mais vou deixar que nada atrapalhe meus sonhos, nem eu mesma.

Você levou tudo, mas ainda estou respirando

Você levou tudo, mas ainda estou respirando

Ainda estou respirando

Ainda estou respirando

Eu estou viva

Eu estou viva

Escuto o som eufórico da plateia, quando finalizamos uma série perfeita de piruetas, volto a segurar a mão de Edward e nós deslizamos juntos pelo gelo, nos preparando para a sequência de pegadas finais. Com movimentos graciosos, ele me coloca em seus ombros e giramos ao som da música, com suavidade, deslizo junto ao seu corpo até tocar o gelo com os patins.

Ajoelhados no gelo e segurando o rosto um do outro com as mãos, eu o beijo antes da pose final e a música acaba. Agora, não me importo com a nota ou em que classificação vamos ficar. Estou feliz, estou viva e fazendo o que eu amo, com o amor da minha vida como meu parceiro. Nossa carreira juntos está apenas começando e sei que o nosso futuro será brilhante.

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15 anos depois…

— Mamãe, como foi que você e o papai ganhalam aquelas medalhas?

Pergunta Nessie, nossa princesinha de quase 4 anos, parando de desenhar e apontando seu dedinho para nossa estante de prêmios.

— Ah, meu anjo, eu e seu pai ganhamos todas essas medalhas juntos.

Óbvio que ainda tenho alguns prêmios que ganhei com Mike e Edward ainda tem alguns com Jessica, mas esses nós não fazíamos a menor questão de expor. Depois que mudamos de categoria, tomamos gosto pela dança no gelo e nos mantivemos nela até a nossa aposentadoria.

— Algumas dessas medalhas nós ganhamos em competições classificatórias e outras em competições menores, em vários lugares do nosso país e do mundo. — Explico para minha filha — Mas as medalhas mais importantes da nossa carreira estão lá no alto.

Pego Nessie no colo para que ela possa ver melhor e a faço olhar para a penúltima prateleira.

— Essas aqui nós ganhamos nos mundiais. Nós competimos em vários lugares: Estados Unidos, França, Canadá, Japão, Suécia…

Falo os nomes dos países que vou lembrando. Então, aponto para a prateleira mais alta na estante.

— E aquelas lá em cima são as mais importantes. Eu e seu pai ganhamos elas nas Olimpíadas. Aquela foi da nossa primeira participação, nós tínhamos acabado de começar a competir juntos.

Aponto para a medalha de prata exposta mais à esquerda e depois passo para a medalha de prata no meio.

— Aquela nós ganhamos na nossa segunda participação, um ano depois que eu e seu pai nos casamos. E a outra, — indico a medalha de ouro, à direita — foi a última que ganhamos, dois anos antes de você nascer.

Nesse momento, escuto a porta abrir e Edward entra por ela.

— O que minhas duas Abelhinhas estão fazendo? — Ele sorri para nós duas e vem nos cumprimentar com beijos na testa.

— Alguém aqui estava curiosa sobre as nossas medalhas. — Informo.

— Papai, por que vocês não ganham mais medalhas assim?

— Porque eu e a mamãe estamos aposentados.

— O que é isso?

— Significa que nós dois não competimos mais, nós paramos de treinar e de viajar para as competições.

— Por quê? — Minha pequena curiosa questiona.

— Porque nós decidimos ter uma menininha linda de cabelos ruivos e olhos verdes e queríamos ter todo o tempo do mundo para passar com ela. — Respondo beijando seu rostinho rechonchudo.

— Antes nós tínhamos que treinar muito e também vivíamos viajando para os campeonatos, agora nós podemos ficar em casa, só nós três, Abelhinha. — Edward me complementa.

— Mamãe, papai, eu quelo patiná também.

Edward e eu rimos do entusiasmo de nossa filha em querer seguir nossos passos. Eu garanto a ela que daqui há uns dois anos ela já terá idade suficiente para começar a aprender o esporte.

— Eu vou poder patiná onde você e o papai trabaiam?

Depois da aposentaria, nós abrimos a nossa própria arena, com escolinha de patinação, onde damos aulas em horários diferentes, para um de nós poder ficar com Nessie enquanto o outro trabalha. Emmett também dá aula de hockey lá.

— Sim, Abelhinha. — Edward responde. — Mas para você só patinação individual, nada de parceiros, nada de meninos. Quem sabe Hockey com o tio Emmett?

Gargalhando, coloco uma Nessie muito empolgada de volta no chão e ela logo volta a desenhar.

— Você sabe que um dia ela vai namorar, né?

— Sim, quando tiver 40 anos.

— Você é ridículo. — Afirmo rindo.

— Mas você gosta. — Ele dá de ombros e me dá um selinho.

— É, eu gosto.

— Obrigado por segurar a minha mão durante todos esses anos, Abelhinha. — Diz beijando a ponta do meu nariz.

— Obrigada por sempre segura-lá.

Fim.


Quem gostou da Abelhinha e do Porco? Eu amo a energia desse casal hahah. Espero que tenham gostado da leitura tanto quanto eu gostei de escrever essa história.

Obrigada por ler!