"Então, mon chou. Você já instalou o app que a galera de desenvolvimento fez?"
Você estava tão distraída olhando o feed do Instagram que demorou um pouco para entender a pergunta que seu amigo, Louis Maillard, fez. "Que app, Lou?" abaixou seu celular e olhou para ele. Os dois almoçavam tranquilamente na cantina da Overwatch. Haviam saído um pouco mais tarde do departamento devido a algumas demandas urgentes.
"O Tinder da Overwatch! Você dá match em um anônimo com coisas em comum com você," ele disse e balançou o próprio celular, "já consegui dois dates. Um com um agente da Overwatch e outro com um cara de compliance." Louis comentou um tanto alegre, como se fosse uma conquista na vida dele.
"Assim, sem saber quem eles são?" você riu, um tom irônico e um tanto descrente e voltou a olhar para seu celular, mas antes deu uma garfada na sua comida. "Não tem foto, nome, descrição..."
"Ah, eles se apresentaram logo de cara, falando do setor e equipe. Ao menos os que conversei..." ele deu de ombros. "E tem outros 3, que fizeram a mesma coisa," disse, roubando uma de suas batatas.
Você apenas olhou o garfo com a batata indo até a boca de Louis e balançou a cabeça, dando mais uma garfada na sua comida. Suspirou frustrada antes de retomar. "Lou, eu nunca tive sorte com essas coisas, sinceramente. Além do mais, eu sou a gerente do TI. Quando eu disser isso, vão fugir de mim por acharem que sou uma completa nerd esquisita."
"Exceto pela parte que você sai completamente do estereótipo de nerd esquisita, S/N. Você é gostosa, inteligente, cheirosa, com um cabelo e pele lindos..." ele gesticulou de forma poética e deu um sorriso carinhoso e aconchegante, plenamente sincero.
"Só não tenho sorte com homens," você disse e revirou os olhos antes de beliscar algumas ervilhas e brócolis soltos com o garfo.
"Mas pode encontrar uma boa rola pra sentar," ele frisou e o sorriso carinhoso mudou para um malicioso. "Vamos, instala isso! O cadastro é por ID, então só tem pessoas que trabalham na Overwatch e eles filtram seus colegas de trabalho mais próximos ou subordinados. Então o Mikel não vai aparecer como match pra você."
"Credo, Louis."
Mikel era um verdadeiro especialista na sua equipe, inteligentíssimo e muito competente, mas ele também era uma das pessoas mais estranhas que já conheceu. Ainda não entendia como um cara como ele passou pelas tantas avaliações feitas pela Overwatch e pela Blackwatch. Seu julgamento completamente deturpado diria que ele é um assassino em série que esconde corpos no porão de casa.
Você olhou para o celular e depois olhou para Louis. "Está no e-mail corporativo, né?"
"Isso. Tem o link lá. Só baixar, entrar com seu ID e responder às perguntas. Já pensou se você dá match com Cole Cassidy?" ele arqueou as sobrancelhas e te deu uma leve cotovelada, o mesmo sorriso malicioso desenhado nos lábios finos.
Você o olhou um pouco indignada, sacodiu a cabeça e revirou os olhos. "Eu não tenho nada a ver com Cassidy."
"Mas ele é gostoso!" Louis apontou.
"Sim, mas não tem nada a ver comigo," você disse impaciente enquanto procurava o e-mail do aplicativo na sua caixa de entrada. Quando achou, já colocou para baixar.
"Isso é o que você acha, S/N."
"Louis, ele é um cowboy. Eu nem de cowboy gosto," você revirou os olhos novamente e suspirou. "E preciso ter o mínimo de afinidade com a pessoa para conseguir sair com ela. Ou muito bêbada."
"Certo, já entendi!" ele disse e riu em seguida.
"Terminou de baixar aqui, vou ver de qual é que é." Você disse e logo abriu o aplicativo.
A interface era simples e bem bonita. Não havia nenhum símbolo da Overwatch - provavelmente não foi permitido utilizar - e havia apenas o nome, em azul e laranja, "Lovewatch". A primeira coisa que o app pedia era o número de seu ID. Assim que colocou, foi solicitado para confirmar seu nome e setor e avisou que tais informações ficariam ocultas para quem desse match com você, vice-versa, e outros tantos termos de privacidade que não se deu o trabalho de ler. Em seguida, vieram várias perguntas como idade, país de origem, preferências de gênero, hobbies, lugares que gosta de frequentar, estilo de música favorito, animais de estimação, um país para visitar e etecetera. Também havia um espaço para livre para escrever o que quisesse. Você respondeu a todas as perguntas sendo bem sincera, tentou ser simpática em sua bio e, quando terminou, esperou o app processar e logo apareceu uma mensagem:
LOVEWATCH - Incrível! Você possui 9 matches! Escolha um pela porcentagem de semelhança e comece agora a conversar!
"Nossa, garota... Só 9? Você é tão enjoada assim?" Louis comentou em tom de deboche e se inclinou um pouco sobre a mesa para tentar olhar a tela de seu aparelho.
"Sim, 9... Melhor qualidade a quantidade," sussurrou mau humorada. "Ele deu a opção de escolher os que têm mais afinidade comigo e restaram 3 acima de 75%...? É assim mesmo?" você questionou, Louis assentiu. "Acho que vou falar com esses primeiro e ver o que dá, então..." completou meio desanimada. Melhor qualidade a quantidade, reafirmou e mandou um emoji de olhos para os três contatos. Dois responderam logo de imediato, um deles dando oi e se apresentando - Anthony, do setor de Engenharia. O outro mandou o mesmo emoji de olhos e se apresentou em seguida - Gustav, enfermeiro. O terceiro não respondeu, não visualizou nem nada. "Dois falaram comigo, tipo... Agora. Um da engenharia e outro enfermeiro. Vou ver o que desenrolo deles."
"Muito bem, mon cher! Agora, vamos voltar?" Louis olhou as horas no relógio de pulso e organizou algumas coisas na mesa e na bandeja. "Ainda preciso extrair uns dados..."
"Sim, vamos," você fez o mesmo com seus itens.
Os dois se levantaram e voltaram ao andar do TI. Durante o resto do dia, você continuou a conversa com os dois rapazes que se apresentaram. Eles pareciam normais, nada que chamasse muito a sua atenção. Com a exceção de que Anthony foi um pouco acelerado e já quis tomar um café no mesmo dia após o expediente, o que você prontamente negou e inventou uma desculpa qualquer por enquanto. Gustav demorava um pouco para responder e sempre com poucas palavras, o que te desestimulou. Com isso, você largou o celular para se concentrar em suas tarefas e depois iria voltar a conversar com eles.
O dia se passou tranquilamente e, após o fim do seu expediente, você ainda reviu alguns relatórios e solicitações pendentes de seus analistas e de outros setores os quais demandavam sua exclusiva atenção. Já era tarde, pouco mais de 22h... Cansada, pegou novamente seu celular e viu várias interrogações de Anthony e mais duas palavras de Gustav. O seu terceiro match apareceu digitando. Você esperou e logo recebeu uma mensagem com uma foto de uma xícara branca com um pouco de café.
X | 22:22 - Animada?
Você deu uma breve risada e tirou foto da sua própria xícara de café vazia.
V | 22:22 - Meu combustível já acabou, agora preciso repor minhas energias em casa mesmo 😴
Com isso, Você se perguntou quem mais ficaria até essas horas pelo prédio e chegou à óbvia conclusão de que muita gente ficava até mais tarde, sem contar os turnos da noite. Havia treinos, estudos, pesquisas, manutenção e, inclusive, diversos agentes por ali ainda.
X | 22:24 - Bem que gostaria, mas descanso é coisa para gente privilegiada aqui dentro.
X | 22:24 - Sem ofensas.
Você riu de novo.
V | 22:24 - Certo.
V | 22:25 - Sou S/N, Gerente da TI, alocada na Overwatch. E você?
Ele demorou um pouco para responder e isso a deixou ressabiada. Ou talvez ele estivesse ocupado com mais alguma coisa, afinal de contas, nitidamente ele ainda iria trabalhar esta noite. Nesse meio tempo, você aproveitou para rever seus itens para o dia seguinte até que chegou outra notificação em seu celular.
X | 22:32 - Obrigado pelas informações.
V | 22:32 - Ok... E você? Qual seu nome e de onde é?
X | 22:33 - Gabriel.
V | 22:33 - Setor?
G | 22:34 - Outrora eu te informo 😏
G | 22:34 - Boa noite, S/N. E tente descansar.
Você torceu o nariz e revirou os olhos. Em seguida, arrumou todas as suas coisas pessoais, chamou um Uber e foi para casa. Outrora perderia mais tempo para saber quem era.
No dia seguinte, logo pela manhã Anthony te mandou uma mensagem, um convite para tomar café da manhã com ele. Você chegou um pouco mais cedo na base, então aceitou encontrá-lo em uma cafeteria próxima a qual tinha o costume de ir vez ou outra. Lá, pediu um latte macchiato e um bagel de grãos enquanto o aguardava. Honestamente falando, não estava ansiosa nem nada e, quando Anthony chegou, não se entusiasmou. Cara mediano, aparência comum para um europeu. Cabelo louro escuro, olhos castanhos bem claros, um sorriso estranho. Ele a cumprimentou com um beijo no rosto, o que já a incomodou, e se sentou a seu lado. Em seguida, pediu um expresso e um café da manhã típico britânico, o que deixou seu estômago embrulhado.
Anthony contava como ele havia sido um dos primeiros na sua turma da faculdade, como ele havia sido selecionado para fazer parte da equipe de engenharia da Overwatch, como o Comandante Morrison já havia o elogiado por conta de algumas melhorias... Durante mais de 40 minutos, o assunto foi apenas sobre ele. Como isso, como aquilo, os grandes – e tediosos – feitios da vida aparentemente chata dele, blá, blá, blás. Era possível esse cara ter 75% de afinidade com você?
Durante a conversa, a qual você lutou bravamente para não expressar desinteresse, recebeu uma notificação no celular e viu que era Louis perguntando onde estava e aproveitou esta deixa para simplesmente fugir. Avisou a Anthony que já era seu horário e que precisavam de você no departamento. Ele fez uma careta, mas aceitou e foram caminhando para a base. Lá, se despediram – ele veio com outro beijo em seu rosto – e cada um foi para seu devido andar. No seu setor, Louis logo apareceu do seu lado, esbaforido.
"Pelo amor de Deus, garota! Comandante Morrison mandou uma solicitação agora cedo e você quem precisa autorizar essa porra!" ele exclamou enquanto a seguia pelo corredor do andar, os braços inquietos.
Você virou para Louis e revirou os olhos, respirando fundo em seguida "você precisa parar de tanto drama. Vou sentar na minha mesa e ver a solicitação dele. Já comecei a manhã arrependida das minhas decisões," disse ao passar seu cartão credencial na porta do setor e caminhou tranquilamente até a sua sala, cumprimentando as demais pessoas.
"O que foi? Escolheu a calcinha errada?" Louis disse e riu, parecendo ter recuperado o humor em poucos segundos.
"Aceitei sair com um dos caras do app. Fui tomar café com ele. Ele é um porre," você suspirou, ligou seu notebook e se sentou, colocando suas coisas na mesa para organizar depois. "Acho que o algoritmo do aplicativo está errado. Ele não tinha nada a ver comigo. Mas assim..." gesticulou com as mãos e olhou bem para Louis, "nada, porra nenhuma!"
"Mas já?" ele riu mais ainda. Isso a deixava nervosa! "Você devia ter conversado um pouco mais com o cara também."
"Ele insistiu muito desde ontem e eu cheguei mais cedo mesmo. Ranço," e revirou os olhos. "Bom que já descarto."
Louis balançou a cabeça e encostou no batente da porta, um sorriso no canto dos lábios, desdenhoso. "E os outros dois?"
"Um deles só constrói frases com no máximo três palavras e responde a cada 8h. Vou chamar ele de antibiótico, aproveitar que é um dos enfermeiros. Gustav..."
Louis deu uma breve risada, "você não presta...! Mas conheço esse Gustav. Ele é uma gracinha..." ele cruzou os braços. "E o outro?"
"Às vezes esqueço o quanto você é fofoqueiro e conhece as pessoas por aí..." comentou e virou para seu computador, olhando o sistema de solicitações e já indo verificar a do Comandante Morrison. "O outro é um engraçadinho misterioso. Só me falou o nome, Gabriel."
"Gabriel? Quantos será que existem só aqui?" Louis ponderou e pegou o próprio celular, indo buscar informações na Intranet. "Dá uma pesquisada aí!"
"Calma, já vejo." Antes, você leu o pedido de Morrison e viu que era uma solicitação simples, mas como se tratava do homem que coordenava tudo ali dentro, encaminhou para tratamento com um analista de plena confiança. Livre disso, aproveitou e acessou a Intranet, pesquisando por "Gabriel". O primeiro que apareceu foi o Comandante Gabriel Reyes, da Blackwatch. Apenas por curiosidade, você abriu o perfil dele em uma outra guia para olhar mais tarde. Filtrando para as pessoas alocadas na unidade da Suíça, o resultado reduziu para 17. "São 16. Tem Gabriel na infraestrutura, na engenharia, na ala médica e nuclear, no almoxarifado, alguns agentes, recrutas..."
"São 17, louca!" disse Louis categórico, conferindo as informações em seu aparelho, as grossas sobrancelhas franzidas.
"16. Não estou contando o Comandante Reyes," explicou.
"E porque não?" ele arqueou uma das sobrancelhas e te olhou.
"De todas as pessoas, você acha que ele iria se submeter a um app de relacionamento? Fora que o cara foi simpático..."
"Está dizendo que o Comandante Reyes não é simpático?" Louis riu.
"Estou dizendo que ele não parece ser uma pessoa tão carismática assim, só isso," você deu de ombros.
Louis balançou a cabeça, "com aquela cara fechada de poucos amigos, realmente... Não entendo como ele e Morrison são tão próximos."
Você murmurou em concordância e sacodiu a cabeça para afastar outros pensamentos, mas em seguida, abriu a guia em que estava o perfil de Reyes. Ele estava muito bonito na foto e com um leve sorriso no rosto. Também usava seu uniforme a rigor, mas sem quepe, o undercut penteado para trás, a barba bem feita. O currículo dele era enorme para uma pessoa de 42 anos, mas fazia jus à carreira militar que tanto já ouviu falar. Você suspirou. "Não tem como ser esse homem, Lou."
Ele deu de ombros em sinal de desistência. "Ok, então! Agora, tente filtrar os outros 16. Tira os que têm ID provisório e boa sorte. Bem, S/N, vou para a minha mesa. Precisando, só chamar," Louis disse por fim e saiu da sua sala.
"Pode deixar!" e você se virou para seu monitor, dando uma última olhada no perfil de Reyes antes de começar a fazer suas coisas. Algo a instigava, mas... não... o Comandante da Blackwatch não iria usar um negócio desses.
A manhã foi um pouco agitada com duas reuniões e telefonemas. Você mal teve tempo para parar e respirar e, quando teve, olhou seu celular e viu que havia 3 notificações do aplicativo, sendo uma de Anthony, dizendo que queria te conhecer melhor. Outra era Gustav, dando apenas bom dia. E a outra era Gabriel com uma foto linda do amanhecer de Zurique. Que puta vista privilegiada! A foto pareceu ter sido tirada do telhado de uma das torres.
G | 07:56 - Até parece que amanheci aqui. Vou começar a trazer um saco de dormir, assim evito deslocamento.
Você balançou a cabeça e sorriu. Com essa informação, podia descartar os recrutas, definitivamente, afinal eles estavam alojados na base e mal podiam transitar por algumas áreas externas sem o acompanhamento de superiores. Ignorou Anthony, deu bom dia a Gustav e mandou um vídeo em boomerang para Gabriel da sua mesa repleta de coisas.
V | 11:05 - Muito bom dia. A ideia do saco de dormir é boa, vou trazer junto de uma coberta!
G | 11:09 - E uma garrafa térmica para o café.
V | 11:09 - E uma garrafa térmica!
Deixou seu celular de canto e voltou a trabalhar.
No horário do almoço, Louis te fez companhia junto de uma de suas analistas, Sorah Jeong. Estavam na fila para se servirem e, com isso, você aproveitou para olhar em volta e ver se achava algum dos 'Gabrieis' que viu mais cedo na Intranet e visualizou 7 ou 8 deles.
"S/N, você está meio distraída," Sorah disse a seu lado ao se servir da comida, a voz doce e baixa.
"Está travando a fila, cherrie." Louis disse, empurrando levemente o seu braço. Diferente de Jeong, Maillard já foi um pouco mais grosseiro.
"Foi mal, gente!" você andou e terminou de se servir, indo procurar uma mesa para os três em seguida. Louis e Sorah estavam logo atrás e vocês não tiveram dificuldade para achar um lugar para sentar, logo acomodando-se.
"Tá procurando macho?" o francês questionou em um tom malicioso.
"Louis!" você disse um pouco irritada e suspirou. "Tá, tô tentando descobrir que Gabriel que é. Acho que tem uns 7 aqui, mas aquele ali," e olhou para uma mesa um pouco distante da sua, "é um recruta e o meu Gabriel não é recruta. Ele também chega cedo e sai tarde. Talvez seja um agente de classe mais alta ou de algum grupo de pesquisa," deduziu.
"Tem 8, S/N." Louis disse e sorriu, olhando para trás de você, que disfarçadamente acompanhou o olhar dele e viu os dois Comandantes próximos a uma das portas da cantina. Você revirou os olhos e fuzilou Louis. "Tá, já entendi!"
"Estão falando do Lovewatch?" Sorah perguntou, Louis assentiu. "Ah, eu conheci uma moça lá. Ela é da Blackwatch. Mia, não sei se conhecem. Ela é um doce, estamos nos dando tão bem..." ela comentou e sorriu tímida.
"Ah, Sorah... Na Blackwatch só tem problema," Louis cochichou. "Toma cuidado, mon chou."
"Na Blackwatch só tem problema e você acha que meu match é o Comandante deles," você disse entre os dentes rilhados, seus olhos fixos nos verdes do francês.
"Mas não significa que você não possa ter uma foda fantástica com aquelehomem. Não digo para namorar ou se casar com ele. Apenas se divertir!" Louis gesticulou e explicou, a expressão no rosto dele sendo a mais verdadeira a possível, ainda que com um brilho malicioso nos olhos. Ele realmente acreditava na própria imaginação.
"Louis, é sério?" você balançou a cabeça. "A probabilidade de ser ele é zero. Você acha que ele iria se expor assim? Mesmo?" E foi sua vez de gesticular, mas de indignação.
"Faz um teste!" Ele sugeriu. "Manda uma mensagem agora e veja qual Gabriel aqui pega o celular e responde."
"A ideia do Louis é boa, S/N," Sorah concordou.
Você torceu o nariz, mas acatou a ideia. Pegou o celular e mandou uma mensagem para Gabriel no aplicativo com uma foto da sua sobremesa do dia, que era uma tortinha de maçã.
V | 12:49 - Vou acabar subornando o pessoal da cozinha para me dar o contato do fornecedor disso aqui
A primeira pessoa que procurou foi Reyes, mas ele não esboçou nenhuma reação sequer e isso, estranhamente, apertou seu coração. Porra, Louis já havia plantado a semente? Vocês trocaram um olhar muito rápido, o Comandante completamente estoico e você envergonhada por ter sido pega. Nem no celular dele ele mexeu. Em seguida, olhou para o outro Gabriel, que estava na mesa com a equipe de Estudos Nucleares. Ele era bonito, um rapaz jovem, pele negra, dreads na cabeça. Ele estava com o celular na mão e olhou para você, sorrindo em seguida – que sorriso lindo! – mas não digitou nada e guardou o aparelho, retomando a conversa com seus colegas. O outro Gabriel, um dos médicos, estava segurando a mão de uma garota, então logo foi descartado. O quarto que achou parecia distraído demais, jovem demais, desinteressante demais, mas ele estava com o celular na mão, digitando freneticamente. Você olhou seu aparelho, nenhuma mensagem, e desistiu aí mesmo dentre os que estavam por ali, exceto que o cara da Nuclear poderia ao menos dar um oi.
Louis acompanhou todo o caminho que seus olhos percorreram e sorriu abertamente. "O cara da Nuclear? Ele tem um sorriso maravilhoso, S/N!"
"Realmente," disse Sorah. "Já ouvi falar que ele é extremamente simpático!"
"É, mas ele não respondeu," você suspirou e fez um bico, frustrada. "Talvez eu esteja sendo invasiva." De fato, a melhor opção era deixar as coisas fluírem. Quanto menos você projetar e esperar, menos chateada sairá disso no fim das contas caso algo dê errado.
"Sedução é um jogo, S/N. Então não pense dessa forma," Louis respondeu numa tentativa vã de te acalmar e ao mesmo tempo estimular. "Vai ver aquele sorrisão dele foi uma resposta. Então... Uma troca de mensagens, um sorriso, uns olhares..."
Nisso, você olhou outra vez para o Gabriel da Nuclear e recebeu outro sorriso, seguido de uma piscadela charmosa. Mas, porra, responde minha mensagem então, caralho! É, já estava criando expectativas em cima de um aplicativo de encontros. Céus, precisava voltar para terapia!
Os três terminaram de almoçar e foram caminhar perto da base, olhando vitrines de algumas lojas e discutindo sobre outras coisas que não o aplicativo e não relacionamentos, para o bem da sua ansiedade. Quando retornaram, você foi para a sua sala e já pegou o celular, vendo duas notificações do app. Uma de Anthony e outra de Gabriel. A de Anthony era mais um convite, dessa vez para um jantar. E a de Gabriel...
G | 13:57 – Estratégia simples, mas mal executada. Só serviu para eu confirmar quem você é. Aliás, a torta de maçã também é minha favorita.
Filho da mãe... Era possível ser o Gabriel da Nuclear com um comentário desses? Uma coisa não se encaixava muito bem na outra... Frustrada, você suspirou e abandonou o celular na mesa, dando a devida atenção ao seu trabalho. Nada iria adiantar discutir ou insistir agora. Pelo visto, o engraçadinho queria jogar, mas até onde iria sua paciência? Horas depois, você dispensou o convite de Anthony, perguntou se Gustav tinha algo para dizer e mandou uma foto para Gabriel da sua xícara, agora de chá. Porra, S/N!
V | 17:14 - Melhor que o chá de canseira que você está me dando
Gabriel respondeu logo em seguida, uma foto do stand de tiro, algumas cápsulas deflagradas no chão. Não havia sequer imagem do calçado dele, das mãos, da arma, nada. O maldito parecia uma sombra, uma pessoa inexistente. Será que era um Ômnico? Era possível isso? Ah, não...
G | 17:14 - Desculpe, não consigo ouvir as suas reclamações daqui 🙉
Você revirou os olhos, mas ainda assim sorriu. Péssimo senso de humor, gostei.
V | 17:15 - ha-ha engraçadinho...
Conclusão inteligente da tarde: sabia que o stand de tiro era livre para qualquer pessoa, então aquela foto não te ajudou em absolutamente porra nenhuma. Perfeito.
V | 17:19 – Não vai nem me dar uma dica, nada?
G | 17:19 – Impaciente você.
V | 17:20 – Quem muito demora, vem outro e pega o lugar...
Caralho, S/N. Que desesperada!
G | 17:20 – Impaciente! Esse é apenas o segundo dia. Ainda nem concluiu nada sobre mim.
V | 17:20 – Concluí que você gosta de joguinhos...
G | 17:21 – Paciência é uma virtude, não um jogo.
Touché. a!
G | 17:22 – Tudo a seu tempo, senhorita...
Nem raiva conseguia sentir dele... Terminada essa pequena conversa, você arrumou as coisas e decidiu fazer home office pelo fim da noite. Deu atenção às demandas mais urgentes e foi mexer na Intranet para tentar descobrir mais sobre seu match, tipo, quem diabos seria ele de fato. Suas suspeitas ainda recaíam sobre Gabriel Dubois, o tal cara da área de Estudos Nucleares. Poderia ser ele realmente... Os sorrisos, as trocas de olhares, mas... por qual motivo ele faria esse jogo de esconde-esconde com você e, ao mesmo tempo, seria todo charmoso pelos corredores da Overwatch? Enfim... E, por algum acaso, abriu o perfil de Reyes outra vez, parando para ler atenciosamente sobre sua formação, história e carreira no Exército Americano e na Overwatch, afinal ele foi um herói na Crise Ômnica. Não, isso aqui é demais... Muito homem para pouca S/N, você suspirou e logo insistiu para tirar essa ideia da cabeça. Fechou o perfil dele, finalizou alguns reportes, organizou as coisas dos seus gatos, arrumou o que precisava para levar para o trabalho no dia seguinte, tomou um banho e foi dormir.
Durante a semana, a pessoa que mais manteve contato realmente foi Gabriel. Ele já havia mostrado com todas as letras que sabia quem você era, além de provar ser detalhista e observador para um caralho. Elogios sobre suas roupas, comentários sobre alguns acessórios específicos e, o mais assustador, sobre seu perfume. Nisso, você se esforçou ao máximo para tentar descobrir quem passou tão perto assim, quem poderia ter a observado por tanto tempo para notar seus anéis de falanges, por exemplo, ter notado seus alargadores que nem eram tão grandes assim e viviam escondidos pelos seus cabelos junto de seus tantos outros piercingsnas orelhas. Por um lado, isso a deixava assustada e, por outro, a deixava mais intrigada ainda.
Para piorar toda a situação, Gabriel era uma pessoa extremamente agradável de se conversar. Vocês realmente conseguiram identificar diversas coisas em comum, desde hobbies mais simples até posicionamento político-social. Ele também era uma pessoa divertida, a fazia rir e a surpreendia com algumas fotos maravilhosas e outras muito aleatórias de seu dia a dia. Você, claro, retribuía na mesma moeda. Era estranho, pois pareciam ser amigos há tempos e que queriam pular para o próximo nível acima dessa amizade. Falavam sobre parentes e outros amigos, inclusive com troca de fofocas íntimas e divertidas sobre eles. Falavam de gostos, experiências, mas Gabriel nunca soltava nada que ajudasse a identificá-lo. Essa situação era intrigante. A vontade de ficar frente a frente com ele, por mais louco que isso fosse, apenas aumentava, apenas a deixava mais ansiosa e curiosa para conhecê-lo. Como alguém que se deu tão bem com você estava se escondendo? Como, não. Porquê?
Ainda assim... ainda assim, sua tática de mandar mensagem na hora do almoço para ver se um de seus suspeitos respondia permaneceu, mas nada. Dubois trocava alguns sorrisos com você, chegou até te dar um "bon jour" outro dia, Reyes raramente estava por lá e, quando estava, parecia que você nem existia. Fidalgo, o médico, brigou com a menina do começo da semana. Bem, que pena... Você torcia pelos dois, sinceramente falando. Diese, um dos outros suspeitos, estava mais para ser descartado de sua lista do que qualquer outra coisa.
Os dias correram, você se empolgou cada vez mais com ele e, com isso, já estavam com planos de se encontrarem em breve. Sugerir o primeiro fim de semana pareceu garantir um atestado pleno de seu desespero e curiosidade, então ofereceu o seguinte, o que Gabriel concordou e avisou que iria verificar um lugar interessante para irem. Sua ideia, sinceramente, era de fazer um jantar em seu apartamento, mas ao comentar da situação com Louis, ele recomendou irem a um local público. Mesmo se tratando de um funcionário da Overwatch, não era lá muito seguro ou inteligente confiar assim em um homem que sequer queria dizer qual era seu nome completo. Realmente, isso tudo era muito louco...
Durante a segunda semana, sua ansiedade apenas aumentou e, ainda assim, não desistiu de tentar descobrir quem ele era. Chegou a cogitar parar Dubois no corredor e questionar qual que era a dele afinal de contas, mas, novamente, não queria dar uma de louca invasiva e desesperada. Vai dar tudo certo, S/N. Gabriel continuou extremamente carismático e amigável com você, ainda enviando fotos aleatórias, o humor horroroso, os elogios, a troca de fofocas e assuntos como se fossem íntimos.
Na sexta-feira, você já não se aguentava de tanta ansiedade. Neste dia, parecia uma coisa programada por Deus ou pelo Diabo, pois todos os "Gabrieis" que você desconfiava – cerca de 6 deles e mais 4 que havia e não havia descartado – estavam por ali, inclusive Dubois, que até mesmo parou a seu lado na fila e sorriu, mas não disse absolutamente nada. Nada! Nem bom dia. Poderia não ser ele, no fim das contas. Poderia ser Gabriel Munch, um subtenente da Overwatch que estava na companhia da Capitã Amari neste momento. Você também notou alguns sutis olhares da parte dele durante a semana... Fisicamente falando, Munch não fazia muito seu tipo, pois ele parecia tão capa de revista quanto o Comandante Morrison, só que mais alto e mais musculoso, mas pelas conversas seria um cara bacana. Diese também estava por ali e, engraçado, ele e Louis pareciam nem se conhecerem. Ah, e claro...
"Como o Comandante Reyes mantém esse porte físico se às vezes ele vem aqui, pega um pote de frutas, e vai embora?" Louis comentou sendo um pouco indiscreto ao acompanhar Reyes com o olhar. Óbvio que não demorou nada para o Comandante virar com uma expressão pouco amigável para Maillard, que disfarçou e voltou a prestar atenção na própria comida. "Super soldados também têm super audição?" ele sussurrou.
"Não, mas você encarar do jeito que encarou o Comandante da Divisão Black Ops da maior organização Militar Mundial..." Thomas Lums, seu subgerente, comentou e deu risada. "Por pouco ele não pega uma faca e joga no seu olho."
"Que exagero!" Sorah disse, mas riu também.
"Óbvio que ele não vive só disso, né, Lou..." você respondeu, olhou brevemente para Reyes, e voltou a comer. E se... Nah! No meio de seu devaneio, Dubois passou pela sua frente e mandou outro sorriso, e prontamente você o correspondeu. Louis percebeu e sorriu para você um pouco malicioso.
"É ele mesmo, então?" Maillard apoiou o cotovelo na mesa e inclinou o corpo para frente.
"Ainda não sabe quem é seu match?" Jeong perguntou e olhou para vocês dois.
"Quê?" Lums indagou.
"Ah, senhor..." você revirou os olhos e virou para Thomas. "Lovewatch, Thom. Estou há duas semanas em um joguinho com meu match e desconfio ser Gabriel Dubois, dos Estudos Nucleares."
"O cara não falou o nome completo?" ele arqueou uma das sobrancelhas, parecendo estar indignado.
"Não e isso até que está divertido!" Louis disse.
"Para você," você suspirou e deu uma garfada nos seus legumes.
"Mas já marcaram de sair, algo assim?" Thomas prosseguiu.
"Hm," você fez sinal com a mão para ele aguardar enquanto terminava de mastigar. "Sim," respondeu. "Iremos ao The Nest, no Hotel Storchen."
"Ela acha que vai ser apenas uma conversa no bar," Louis disse em tom malicioso e riu.
"Mas vai! Nós iremos ao bar do hotel, Louis."
"Olha, S/N..." Thomas ergueu ambas as sobrancelhas e torceu os lábios, "algo diz que não vai ser apenas uma conversa no bar... Mas quem delimita isso é você, no fim das contas. É aquela coisa: se ambos estiverem a fim, vão em frente."
"Já falei isso, Thom, mas ela quer dar uma de falsa puritana," Maillard revirou os olhos e você o chutou por debaixo da mesa. "Putain!"
"Thomas tem um ponto... E-eu não faria, S/N, mas se der vontade, o que te impede?" Até mesmo Jeong decidiu ficar do lado dos rapazes. Nem a inocente coreana iria te dar o benefício da dúvida?
"Certo, já entendi, gente! Já entendi!" Neste exato momento, você virou o rosto para o lado com uma careta de nojo e acabou por encontrar com o olhar do Comandante Reyes, que passava logo atrás da mesa em que estavam sentados, Morrison ao lado dele. Foram pouquíssimos instantes, suficientes para você se sentir envergonhada e querer se esconder debaixo da mesa. Mas... Ele sorriu? Foi muito sutil e muito rápido, mas a impressão que teve foi a de que Reyes sorriu com o canto do lábio para você. Deve ter sido por ter me achado uma idiota, certeza.
Terminaram o almoço e foram, como sempre, andar um pouco no entorno da base antes de retornarem ao departamento e às tarefas finais do dia e da semana. Naquela tarde, estava até um pouco desafogada do trabalho então apenas conferiu algumas coisas para deixar organizadas para o começo da próxima semana. Precisou confirmar alguns protocolos de manutenções que ocorreriam no sábado e no domingo, mas eram atualizações pequenas e nada demais. Distraída, acabou por se assustar com o som de notificação do celular. Quando olhou, era Gabriel. Sorriu.
G │ 15:40 - Você está linda hoje. E, como sempre, seu perfume é maravilhoso.
V │ 15:40 - Obrigada. Pena que não posso dizer o mesmo, homem misterioso ️
G │ 15:40 - Não fique chateada. Qual graça teria em você saber logo de cara quem eu sou?
V │ 15:41 - Toda a graça do mundo!
V │ 15:41 – Nosso bar está confirmado amanhã?
G │ 15:43 – Sem sombra de dúvidas.
G │ 15:43 - Você fica incrível de branco.
Você suspirou. É padrão homem elogiar, sem se emocionar, garota...!
V │ 15:44 - Vai ter de fazer mais que isso para me ganhar 👌
G │ 15:45 - Não se preocupe 😉
Você riu. Convencido. Ele realmente sabia quem era e, depois de hoje, você parecia estar certa também de que era Gabriel Dubois. Ah, que vontade de quebrar esses protocolos de privacidade!
Terminadas suas atividades, saiu no seu horário e passou em um shopping para comprar uma lingerie nova e preservativos. Já no dia seguinte, aproveitou a parte da manhã para ir ao salão fazer as unhas das mãos e dos pés, além de uma depilação completa – era mero retoque de rotina, claro. Feito tudo isso, ainda foi cuidar de seus gatos – deu banho em seu Sphynx - Tapioca, penteou sua Maine Coon - Tangerina, trocou água, areia e completou a ração deles, também deu sachê e deixou os brinquedos espalhados por onde eles mais gostavam de ficar. Organizou as suas próprias coisas pela casa e, em seguida, foi descansar um pouco até dar o horário de se arrumar para ir ao bar. Colocou o celular para despertar às 17h, o encontro seria 19:30h, então teria tempo suficiente.
Ao que o celular despertou, você se levantou, tomou um bom banho, hidratou toda a pele do corpo e do rosto e foi escolher uma roupa. Aproveitou o elogio dele do dia anterior e pegou um maxi blazer branco acinturado e, para usar por baixo, uma saia preta que ficava no mesmo cumprimento do blazer e uma regata chumbo de paetês, um decote em V maravilhoso. A quem você queria enganar ao dizer que não iria transar com Dubois no primeiro encontro? Pegou a roupa íntima na secadora e a separou em cima da cama enquanto arrumava o cabelo e colocava uma maquiagem bonita, mas não muito marcante. Nisso, Louis te ligou por vídeo. Você vestiu um hobbie e o atendeu.
"Hm, vejo que alguém está se empenhando até demais..." ele comentou com graça, você olhou para a câmera e sorriu.
"Preciso passar uma boa impressão," respondeu.
"Ele já te vê todos os dias pela base, S/N. Que diferença faz?"
"Para o meu ego," apontou e retomou a seu baby liss. As curvas nos seus cabelos estavam ficando maravilhosas. "Faz uma grande diferença para o meu ego ser elogiada."
"Ah, como se você precisasse!" ele riu. "Mas... S/N, vamos lá, falando sério, cherrie, está se sentindo bem para ir? Preparada? Confiante?"
"Sim, sim e sim. Comprei lingerie nova, fui ao salão pela manhã e acho que, se não rolar nada, ao menos vamos bater um papo e vou encher a cara com uns drinks de qualidade."
"Justo! E ele falou o sobrenome?"
"Louis, é Gabriel Dubois..." você revirou os olhos, um pouco farta desse questionamento.
"Confirmou essa informação?" Maillard insistiu.
"Não," e deu de ombros. "Ele é o que tem me olhado no refeitório todos os dias, praticamente. O que troca sorrisos, inclusive..." suspirou, "Então, estou deduzindo que é ele."
"Você não tem certeza..." o francês ponderou e demorou um pouco para prosseguir. "Pode ser Dubois, Fidalgo, Munch, Diese. Reyes..."
Você revirou os olhos e o encarou através do aparelho, "Reyes, de novo? Não é ele, Louis. Pelo amor..."
"Você gostaria que fosse?"
Que caralho de pergunta, Louis...! "Não... Quero dizer, não sei. Não é que eu não o ache atraente, muito pelo contrário. Ele é intimidador demais."
"Então, se fosse Reyes, não seria uma má opção para você..." Louis falou com um tom maldoso e ao mesmo tempo estranhamente animado.
"Pois é, mas não é ele. Desencana disso, garoto!" respondeu um pouco mal humorada.
"Nunca se sabe! De qualquer forma, cherrie, liguei apenas para dizer que, se algo der errado, ficar incômodo, me dê um toque ou mande mensagem que vou até lá para te resgatar, tudo bem?" Louis sorriu docemente, você o correspondeu.
"Obrigada, Louis."
"E me manda uma foto do look completo! Aposto que vai estar um arraso!" ele disse por fim e mandou vários beijinhos.
"Vou postar no Insta!" você se despediu da mesma forma e continuou a se arrumar.
