À noite, Maria ainda estava tentando evitar Altair. Ela tinha feito isso a tarde toda depois do que aconteceu mais cedo. Ela não sabia por que estava fazendo isso, já que eram amigos... bem, isso não era verdade, ela sabia por que...
Maria suspirou enquanto caminhava no convés de madeira do bergantim, apreciando a brisa. Fazia muito tempo que ela não sentia esse tipo de coisa, essa liberdade, já que todo o seu tempo era dedicado aos templários...
Ela parou e se inclinou sobre o lado do navio, que estava indo muito rápido.
Ela estava tão distraída que não notou Altair atrás dela.
- Buh... falou ele.
Maria ficou assustada. Altair riu.
- Droga Altair, eu vou te matar... falou Maria. - Isso não tem graça...
- Sinto muito... falou ele levantando as mãos enquanto ela tentava se recuperar do susto.
- O que você quer? Perguntou Maria.
- Eu quero saber por que você me evitou a tarde toda... falou ele.
Maria não podia negar, pois ele já sabia a verdade.
- Sim, eu estava... falou ela. - Eu não esperava vê-lo assim...
- Por quê? Perguntou Altair.
- Você está sempre... de capuz... falou Maria.
Altair sorriu.
- Eu realmente odeio tirar meu capuz, mas já que estamos entre amigos... falou Altair.
- Mas como você sabe que eles não vão revelar sua identidade? Perguntou Maria.
- Aqui, todos eles são de Banias exceto Laila e todos devem muito aos assassinos, então ninguém vai nos trair... explicou Altair.
Maria assentiu.
- Além disso, eu não imaginei que você fosse tão jovem.. falou Maria, segundos depois.
E bonito... pensou ela, mas não falou.
Altair sorriu novamente.
- E que tinha uma tatuagem... terminou Maria.
Ele riu agora... ele não ria assim há muito tempo.
- Você gostou? Perguntou ele, alguns segundos depois.
- É muito bonita... falou Maria. - Por que a águia?
- Eu só pensei que combinava comigo... brincou ele.
Maria notou.
- Meu Deus... falou ela. - Você brincou?
Altair ignorou-a e falou em vez disso:
- Na verdade, a estrela que carrega meu nome está na constelação da águia... então eu fiz a tatuagem... explicou ele.
Maria sorriu.
- Realmente, combina com você... falou ela.
- Você tem uma? Perguntou Altair, alguns segundos depois.
- O quê? Perguntou Maria.
- Uma tatuagem? Perguntou ele.
Maria negou.
Ela notou que Altair estava mais solto, mais feliz e parecia mais humano do que um assassino frio e calculista. E decidiu que ela gostava deste Altair...
Altair nunca imaginou uma ex – Templária ser como Maria é... na verdade, ele nunca tinha conhecido um ex – Templário antes... nunca tinha imaginado uma mulher como templária, mas isso não o incomodou em nada... Na verdade, ele meio que gostava dela assim...
- Eu tenho coisas para fazer e escrever... falou ele. - Bom, não fique acordada até tarde.
- Ok... falou Maria.
Ela o viu ir e voltou a olhar o mar, suspirando e aproveitando a brisa...
X ~ X ~ X
Estava quase amanhecendo quando o bergantim chegou em Banias. Por causa de uma tempestade que veio do nada (o que era comum naquela região), no meio da noite, eles tiveram que desviar a rota para não a pegá-la da frente.
Maria estava assustada e com náuseas durante a tempestade, então ela se retirou para o quarto. Toda vez que ela estava nesse tipo de situação, se lembrava de quando era pequena: ela e sua família quase se tornaram vítimas de um quase naufrágio, quando foi visitar seus avós do lado de sua mãe.
Laila trouxe chá de gengibre para ela, o que a ajudaria a náuseas.
- Já chegamos? Perguntou Maria, terminando o chá.
- Sim... falou Laila. - Você não gosta de tempestades?
- Eu posso viver com elas um pouco na terra, mas no mar? Eu morro de medo... explicou Maria. - Quando eu era pequena, minha família e eu quase sofremos um naufrágio...
Laila assentiu.
- Bem, vou ver se está tudo pronto para nós irmos para Masyaf... falou Laila, mudando de assunto.
Maria assentiu e viu Laila se levantando e saindo. Ao mesmo tempo, Altair entrou na cabine. Ele olhou para Maria.
- Você está se sentindo melhor? Perguntou ele.
- Um pouco... falou ela, vendo que ele estava mais uma vez encapuzado. -Vamos embora agora?
Altair assentiu.
- Estarei pronta em cinco minutos... falou Maria.
- Eu vou esperar... falou Altair, saindo do quarto.
Maria notou que Altair era, ao mesmo tempo, um livro aberto e um mistério.
