2ª TEMPORADA – EPISÓDIO – JANE X BOSCO
OS DIÁLOGOS DESTACADOS FORAM RETIRADOS DA OBRA ORIGINAL, RESPEITANDO-SE OS DIREITOS AUTORIAIS DE BRUNO HELLER E DA REDE CBS
Estava claro para Jane que Bosco estava apaixonado por Lisbon, pelo que ele percebeu, Lisbon tinha uma paixão jovem por seu ex-chefe, mas o conceito moralista católico dela a impedia de demonstrar ou viver esse amor. Discretamente, Lisbon seguia Bosco com o olhar quando ele passava pelos corredores e Jane podia ver o brilho intenso em seus olhos. Por um ínfimo momento, ele sentiu um aperto no estomago, que alguns poderiam chamar de ciúme, contudo, ele não estava envolvido com ela, não havia por que ele se incomodar de quem ela gostava ou não. Jane estava ocupado demais ouvindo o grampo que havia colocado na sala de Bosco a respeito do desdobramento do caso Red John
. Pelo que ele estava acompanhando, poucos progressos haviam sido feitos e todas as ''pistas'' deixadas nos últimos locais de homicídios de Red John não levavam a lugar algum, assim como Jane alertara Bosco. Quando estava envolvido em um caso, ele evitava de acompanhar a investigação de Red John, para não ser flagrado por Lisbon. Certamente, ela ficaria furiosa e quem sabe o que aconteceria com ele; no mínimo, ele levaria um soco. Isso ele queria evitar de qualquer maneira.
Por isso, assim que Lisbon o chamou para um novo caso, um desconhecido que havia morrido na divisão de duas cidades, em um bosque no centro da Califórnia, sutilmente ele escorregou a escuta para o bolso do paletó. Mantendo as aparências, ele manteve sua rotina de irritá-la, admirando o local do crime, dando suas impressões sobre o falecido e usando o fone bluetooth para contatar a viúva, entregando-lhe o aparelho quando foi-lhe questionado o que havia acontecido. Jane particularmente gostou de provocar a suspeita Felícia, a qual estava muito triste pela morte do irmão pelo líder da gang. Claro, ele havia descoberto quem era o culpado há um tempinho, e, por causa disso, ele manipulou as provas de modo de que Felícia fosse presa e Lucas Rood sentir-se culpado, com peso na consciência. Foi triste presenciar a confissão do jovem, que estava remoendo por dentro por ter matado o pai em um ímpeto de fúria. O pobre rapaz foi influenciado negativamente pela mãe, que no fundo ficou satisfeita que o marido havia sido morto. Mesmo tendo fechado o caso, Lisbon não isentou Jane da bronca por ter incriminado deliberadamente Felícia Grant, cuja infeliz mulher estava sofrendo o bastante pela morte do irmão e pelo culpado ter se livrado da prisão devido às manobras do seu advogado. Sinceramente falando, Jane sentiu-se mal por ter usado a infelicidade de Felícia para encerrar o caso; então, quando Felícia estava saindo da CBI, após ter sido liberada das acusações, ele a abordou:
'' – Ei, você está livre.''
'' – Não graças a você.'' – Felícia respondeu irritada, evitando encarar Jane nos olhos.
'' – Eu sei que você quer justiça pela morte do seu irmão. Eu posso ajuda-la com isso.'' – ele disse com um largo sorriso malicioso no rosto.
'' – Ah é?! Como?'' – ela virou para Jane com uma expressão desconfiada no rosto.
'' – Eu tenho um plano.'' – ele estava radiante, como que se estivesse redimindo-se do infortúnio que havia causado a ela. Usando de suas artimanhas, Jane levou o restante da gang a acreditar Voom havia lhes traído e pelo modo que foi arrastado para dentro do bar, seu final não seria agradável. Jane, tirou o chapéu de mafioso que usava, cumprimentando Felícia que exibia um sorrisinho leve no rosto, sentindo-se finalmente vingada.
Ele voltou a Sacramento, para a sede da CBI, pensando em retomar o acompanhamento do caso de Red John, mas para sua tristeza, ele descobriu que Bosco e sua equipe já haviam ido embora há muito tempo. Ele estalou os lábios em desagrado, passando a mãos por seus cabelos loiros, desarrumando-os um pouco. Jane mexeu-se no lugar de um lado para outro, imaginando o que ele faria a seguir; ele não estava disposto ir ao seu quarto de hotel, muito menos para sua casa em Malibu. Enquanto ele pensava, Jane percebeu que Lisbon ainda estava em seu escritório, provavelmente terminando a papelada do caso. E mesmo não admitindo, Lisbon tinha uma estranha influência sobre ele, de alguma maneira que ele desconhecia, ela tinha a capacidade de acalmar seus demônios, de puxá-lo da escuridão da sua vida:
'' – Lisbon!'' – ele disse em uma voz alegre. '' – Ainda por aqui?''
'' – Graças a você, obrigada por isso.'' – ela respondeu enfezada, sem levantar a cabeça dos seus papéis.
'' – Nah..., você se importa muito com essa papelada inútil.''
'' – É mesmo?!'' – ela devolveu sarcasticamente, ainda prestando atenção a seus formulários.
'' – Está com fome?'' – ele tentou uma outra abordagem.
'' – E daí?'' – ela manteve-se concentrada em seus escritos.
'' – Eu posso fazer o jantar para nós.''
'' – O que ?'' – ela levantou a cabeça surpresa, com o olhar muito desconfiado.
'' – Jantar, comida, rango.'' – ele falou debochado
'' – E desde quando você sabe cozinhar?'' – ela permanecia na defensiva.
'' – Desde a infância. Meu pai não era muito afeto a cozinhar, então tive que aprender muito cedo. Minha esposa dizia que eu era um ótimo cozinheiro, claro, quando estava em casa para cozinhar para ela.'' – seu rosto caiu em uma súbita tristeza, seus olhos sinceramente transmitindo a dor da saudade que a lembrança trouxe. Lisbon ficou tocada com a reação dele:
'' – Ok, tenho que terminar aqui e poderemos ir.'' – ela cedeu.
Eles foram no carro dela para sua casa, onde Jane movimentou-se com desenvoltura na cozinha e dentro de poucos minutos, preparou um macarrão a carbonara, que cheirava divinamente quando Jane serviu um prato para ela; Lisbon aspirou o cheiro com deleite, fazendo uma garfada e levando à boca com expectativa.
'' – Hum, meu Deus, Jane, que delícia.'' – ela exclamou ainda com a boca cheia.
'' – Eu disse que sabia cozinhar. Não sei porque você duvida de mim.''
'' – Tenho bons motivos para isso.'' – ela disse meio desdenhosa. Eles terminaram o jantar em silêncio, tendo lavado juntos a louça. Ao terminarem, eles caminharam amigavelmente para a sala, onde Jane pela primeira vez demonstrou incerteza:
'' – Hum, bom. Boa noite.'' – ele disse, sendo que Lisbon podia jurar que o rosto dele tingiu-se de um leve vermelhidão.
'' – Boa noite. Obrigada pelo jantar.'' – o cansaço estava levando a melhor sobre ela após ter jantando tão bem.
'' – Ok.'' – cabisbaixo, ele caminhou em direção à porta, pensando no quanto teria que andar para seu quarto de hotel, apesar de não querer ficar sozinho naquela noite. De algum modo, sua solidão estava oprimindo-o mais do que costume.
'' – Você pode dormir aqui.'' – ela chamou com urgência na voz – '' – Tenho um quarto de hóspedes, só temos que tirar todas as tranqueiras de cima da cama.''
'' – O sofá está bom para mim, obrigado.'' – ele aceitou o convite sem pestanejar, contente de que Lisbon havia oferecido. Ela balançou a cabeça em sinal de entendimento, saindo apressadamente para o andar superior, descendo com travesseiro e edredon nas mãos, além de uma camiseta masculina enorme, provavelmente pertencente a um dos irmãos dela.
'' – Aqui. Essa camiseta é do meu irmão Jimmy, acho que servirá em você. Não precisa dormir com seu terno.''
'' – Obrigado Lisbon.'' ele agradeceu comovido.
'' E olha...'' – ela sacou do bolso de trás de sua calça uma escova de dentes nova e um tubo de pasta de dentes. '' – Só para o caso.'' – ele sorriu com o cuidado terno da parte dela, agradecendo-lhe com um leve aceno de cabeça. Por um segundo, eles ficaram em pé, de frente um para o outro, sem saber direito o que falar. Jane sentiu o familiar frio na barriga quando ele encarava os olhos verdes de Lisbon, porém, ele fez-se forte para não ceder e beijá-la. Ele tinha medo de que não poderia conseguir se controlar. Então, ele desejou novamente boa noite, colocou a roupa de cama no sofá, perguntou onde seria o banheiro, indo para lá quase fugindo dela. Lisbon subiu as escadas também sentindo um formigamento nas mãos e um aperto no estomago, causados pela intensidade do olhar dele. Lisbon fez sua rotina noturna, enfiando-se debaixo das cobertas, tentando ouvir o que se passava no andar de baixo, mas estava tudo silencioso. Imaginando como seria a manhã do dia seguinte, ela fechou os olhos e foi embalada para um sono sem sonhos. As primeiras horas da manhã trouxeram o toque monótono de seu despertador; ela esticou-se na cama, foi até o banheiro de seu quarto, escovou os dentes, e desceu para perguntar a Jane sobre o café da manhã. Ao chegar na sala, ela encontrou o sofá vazio, a roupa de cama dobrada cuidadosamente junto com a camiseta de seu irmão e de algum modo, Jane havia trancado a porta da sala. Ela deu um sorriso descrente, voltou para seu quarto para se arrumar para o dia.
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O caso da mansão de BackWolf foi no mínimo inusitado. Lisbon queimava seus pensamentos para entender como alguém poderia ter entrado na casa sem acionar o alarme; claro, havia Jane e suas suposições e ele estava adorando a história de fantasmas, mesmo sabendo que fantasmas não empurravam ninguém de janelas. Lisbon também não ficou surpresa quando Jane ligou para ela para dizer que havia encontrado uma passagem secreta. Era típico dele enredar-se em uma investigação paralela, focando em assuntos que aparentemente não tinham a ver com o caso, mas ao final, eram a base do motivo do assassinato. Por mais tempo que ela tivesse trabalhando com ele, ainda era impressionante e irritante o modo dele de enxergar as coisas, de esmiuçar os fatos até que apontassem o verdadeiro culpado. Claro, no processo, ela fatalmente arcaria com a montanha de reclamações e desculpas, contudo, o resultado final compensava em parte todo o aborrecimento.
'' - Teresa?'' - Bosco apareceu em sua porta, um pouco tímido. - '' - Nós não tivemos tempo para conversar desde que cheguei aqui. Como você está?''
'' - Ah, oi Sam!'' - ela levantou a cabeça sorrindo abertamente, realmente contente por tê-lo ali. '' - Estou bem, sabe como é, trabalhando duro, muita papelada para preencher.''
'' - Posso imaginar. Tendo um maluco como Jane trabalhando na sua equipe.'' - ele terminou de entrar na sala, tomando seu lugar na cadeira em frente a Lisbon. '' - Só pode dar dor de cabeça mesmo.'' - ele finalizou com um franzido de desgosto no rosto.
'' - Ah, Jane não é tão difícil. Os métodos dele são pouco ortodoxos, mas ele fecha casos.'' - ela disse em tom conciliatório.
'' - Eu não confio nele Teresa. É uma vítima com rompantes de loucura. É perigoso trabalhar com ele.''
'' - Sam...não é assim. Ele não é perigoso; eu o controlo.''
'' - Sério?! Então por que está até agora aqui preenchendo papelada causada por ele? Você acha que está no controle, porém, ele é um homem incontrolável, uma bomba relógio.''
'' - Sam...'' - ela balançou a cabeça com um toque de desdém - '' Você se preocupa demais. Estou bem. Sempre meu protetor, não é?!'' - um riso delicado e afetuoso brincou em seus lábios. Bosco a encarou com intensidade, sua boca entreaberta como se estivesse em dúvida do que falar com ela agora. Optando pela despedida, ele levantou-se de repente.
'' - Bom, boa noite Teresa.''
Antes de sair, Lisbon o chamou:
'' - Podíamos sair qualquer dia desses para tomar algo, sabe, conversar sobre os velhos tempos.''
'' - Claro, quando você quiser.'' - ele segurava com uma força desnecessária a maçaneta da porta do escritório de Lisbon, tendo seu rosto tingindo-se de um tom levemente vermelho. Bosco praticamente fugiu, torcendo para que Lisbon não tivesse percebido seu constrangimento e sua ansiedade em estar com ela a sós em um bar, conversando. Ele não tinha certeza de que seria capaz de resistir a ela; à beleza dela; ao coração enorme dela. Teresa Lisbon era bondosa e linda demais para seu próprio bem.
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'' - Você arruinaria nossas vidas, nossas carreiras por Jane?'' - Bosco estava surpreso por ela ter ido até sua sala, colocá-lo contra parede dessa maneira, tudo para livrar Jane da prisão
'' - Ele fecha casos.'' - ela repetiu a mesma sentença que há anos estava presente em seu discurso sempre que perguntavam a ela do porquê de aturar Jane em sua equipe, mesmo com tantos problemas que ele causava.
'' - 'Ele fecha casos'. É só isso? Ele é tão importante para você?'' -Bosco ainda estava impressionado no quão determinada ela estava e no quão sério ela estava falando. Ele não duvidaria que ela revelasse o segredo deles, acabando com a carreira dos dois.
'' - Eu já disse Sam, se não soltar o Jane, eu vou falar. Só isso. O que vai fazer?.'' Lisbon finalizou, levantando-se para sair da sala com um ar de decidida.
Lisbon deixou a sala de Bosco sentindo um aperto desagradável em seu estomago por pressionar um homem que ela respeitava e admirava em favor de Jane. Ela mesmo não sabia ao certo porque fizera isso, somente que estava em seu coração de que era necessário. Jane era um bastardo egoísta e manipulador, contudo, também era um homem destruído pela tristeza e culpa. E na visão dela, era por isso que ele agia com tanto desleixo, quebrando regras, abusando e provocando as pessoas. No fundo, Lisbon tinha esperança de que alguma forma, ela iria conseguir fazê-lo enxergar o quão bom Jane era, apesar dele mesmo não se dar conta disso. De uma forma distorcida, Lisbon tinha esperança nele.
Ela praticamente rastejou de volta à sua sala, mirando sem vontade o mundo de papéis que estava esperando por ela em sua mesa. Do outro lado da divisória, seus agentes Cho, Van Pelt e Risgby trabalhavam diligentemente em seus relatórios, concentrados em suas telas de computador. Ali estavam três pessoas nas quais ela poderia confiar sua vida. Eram pessoas leais e sinceras, que seguiam suas ordens, apresentavam suas opiniões, e como ela, faziam de tudo para encontrar a verdade e prender os criminosos. De uma maneira um tanto distorcida, Jane também se enquadrava nesse papel de lealdade e confiança. A questão era que ele fingia não pertencer à equipe, mostrava uma fachada de indiferença e deboche, contudo, Lisbon conseguia ver além desse véu de soberba, um homem bom e carinhoso. Ela passava muitas horas da noite, em sua cama, imaginando como ele deveria ter sido amoroso com sua família, antes da tragédia separá-los tão rudemente; ele deveria ter sido um ótimo pai, pelo modo com que ele tratava as crianças que estavam envolvidas em algum caso. Nessas oportunidades, ele deixava sua máscara de arrogância escorregar para revelar uma pessoa afetuosa e atenciosa. Quem dera se ele fosse assim sempre. Com certeza seu trabalho ficaria menos oneroso. Lisbon não tinha ideia de como ela poderia alcançar esse outro Jane dentro de um Jane amargurado e ressentido. Ela esperava que Bosco pudesse ver que todas as travessuras de Jane eram um pedido desesperado de ajuda.
Lisbon tinha finalmente retomado o preenchimento de relatórios e formulários, quando um Samuel Bosco encabulado surgiu em sua porta:
'' - Lisbon.'' - ele chamou baixinho. '' - Eu liguei para a promotoria. Retirei as acusações, então Jane está livre. Espero que saiba o que está fazendo.''
'' - Obrigada Sam. E eu tenho certeza sim.''
'' - Tomara que eu esteja enganado.'' - ele encerrou com uma voz profunda e taciturna. Bosco saiu do escritório dela, pensando profundamente em como ela havia mudado; a Teresa Lisbon com a qual trabalhou jamais poria sua carreira em risco por um vigarista como Jane. O que esse homem tinha de tamanho significado para Lisbon? Ou será que ela sempre foi assim e ele nunca percebeu? Quando trabalharam juntos, Bosco havia notado um toque maternal e protetor em Lisbon, mas ele julgou que devia-se ao fato de que ela havia criado seus irmãos menores. Quem sabe não seria esse o caso? Ela se sentir responsável por um homem tão perdido como Jane. Bosco só gostaria de ter certeza de que ela não fosse prejudicada por sua bondade. Ele nutria um longo e imenso carinho por Lisbon.
No dia seguinte, Jane apareceu no escritório com um ar de inocência, vangloriando-se pelos corredores de como ele fugiu da prisão. Ao ver Lisbon, ele pediu licença a Cho para falar com ela:
'' - Ah, obrigado.''
'' - Não tive nada a ver com isso.''
'' - Tão modesta.''
'' - Ah, claro, porque Bosco me ama e faz tudo que eu mandar.''
'' - É. Eu sei que parece improvável, ele ama você e como não amaria. Mas ele não é do tipo de afrouxaria seus princípios por amor. Então acho que alguma coisa mais concreta, você tem alguma coisa contra ele.''
'' - Você acha?.''
'' - Acho. Ele fez alguma coisa grave, alguma coisa que você sabe. Bom, ele não é do tipo que rouba ou usa drogas. Então, ele machucou alguém? Ele o matou? Matou um bandido que não poderia pegar de outra maneira? .''
'' - Não.''
'' - E você o ajudou. Não, você só soube disso depois e livrou a cara dele por que o bandido merecia. Eu fico comovido por ter arriscado sua carreira por mim. Significa muito.''
'' - Se estiver certo e não estou dizendo que esteja, significaria que traí a confiança de alguém que respeito e admiro. Se for verdade, eu esperaria que você no futuro tivesse um comportamento mais maduro e responsável.''
'' - Estou agradecido, mas não é pra tanto.''
'' - Você deveria ter apodrecido na cadeia.''
Jane saiu da sala dela, contente por provocá-la, ao mesmo tempo, reconhecendo o quanto ela se arriscara por ele. O quanto ela se importava com ele. Talvez fosse a hora de repensar suas táticas e esquemas para que Lisbon não fosse tão prejudicada. De todas as pessoas do mundo, ela era uma das poucas cujo coração grande esbanjava bondade e fidelidade. Isso o tocava fundo, fazia seu estomago revirar-se com borboletas voando. Somente ela era capaz de desviá-lo de seu objetivo de vingança. Portanto, ele teria que reforçar suas barreiras para que ela não se aproximasse demais. Ele não queria que de forma alguma ela se ferisse, principalmente se Red John soubesse do intenso e complexo sentimento de carinho que Jane estava começando a nutrir por ela.
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Jane não gostava de armas; não gostava nada delas. Ainda mais quando policiais tensos apontam suas pistolas uns para os outros, gritando entre si e ele, Jane, no meio dessa discussão, temendo seriamente por sua vida. Assim que Bosco o vislumbrou na poltrona puída, assustado feito um gato, a atmosfera mudou de tensão para surpresa. Bosco era o policial do tipo machão, arisco, desconfiado e ultra protetor com Lisbon. E o caso Westlake só veio comprovar suas primeiras impressões a respeito de Bosco; ele ficou na defensiva na maior parte do tempo, implicando com cada pergunta e atitude que Jane tomava durante o caso. Mesmo que Bosco visse que Jane tinha habilidades e seus esquemas acabavam prendendo os bandidos, ele não queria dar o braço a torcer e achava que eventualmente, Jane acabaria prejudicando a promissora carreira de Lisbon. A animosidade de Bosco contra Jane aumentou mais ainda quando Jane se infiltrou na investigação do sequestro de Mia Westlake, menosprezando o cadáver mumificado de Colin Hamer; ainda por cima, ele provocou o marido de Verona, apontando que ele mantinha drogas para entorpecer sua esposa insegura. Bosco demonstrou toda sua empáfia quando Ducan o encurralou, pressionando para que Jane fosse tirado do caso, simplesmente por se sentir incomodado com as afirmações a respeito dos entorpecentes. Como Verona Westlake achou que Jane havia sido compreensivo e atencioso, Bosco foi obrigado a aceitá-lo na equipe da investigação do sequestro. Mas Bosco não deixaria isso barato; se Jane queria participar, pois bem, ele provaria do amargo remédio da tradição profissional de investigar pistas ao invés de simplesmente cutucar maliciosamente vítimas e testemunhas.
Jane ficou apreensivo quando descobriu que iriam encontrar os membros da máfia mexicana; um bando de homens fortes, tatuados, mal-encarados, exalando violência por todos os poros dos seus corpos sarados. Por algum motivo estranho, Bosco apontou que Jane seria seu reforço. Será que ele sabia que Jane não portava uma arma? Era uma provocação, uma maneira de Bosco incutir medo em Jane, que logo percebeu a jogada quando um dos membros da gangue mexicana demonstrou em sua linguagem corporal que era informante da CBI. Então, a presença dele não era necessária, Bosco tinha tudo sob controle, intencionando apenas amedrontá-lo. Ao voltarem para a CBI, Jane confrontou Bosco mais uma vez, e em um raro momento de fragilidade, Bosco deixou claro que Jane não deveria trabalhar com a equipe de Lisbon, principalmente Lisbon, negando-se sequer a ouvir o que Jane tinha a falar sobre o caso em que estavam trabalhando.
'' – Fiquei impressionado com sua pose de macho; aqueles caras eram sinistros, mas você ficou calmo, durão... Bullet... Kojack.'' Jane desdenhou ao notar que Bosco não cederia, e ele não poderia perder uma ótima oportunidade de provocá-lo.
Tudo mudou quando Van Pelt foi alvejada pela suspeita na cena do crime, expondo que a infantil rixa entre as equipes de Bosco e Lisbon estava saindo do controle, e quase provocou a morte de um membro estimado de sua equipe. Lisbon sentiu seu estomago apertado quando foi acionada para ir ao local, imaginando Grace envolta em uma poça de sangue, com a vida esvaindo-se de seus olhos. Por isso, Lisbon resolveu falar sério com Bosco, finalmente perdendo a paciência:
'' – Sabe, Jane não é o problema, é você. Só porque ele não é policial, você não consegue ver o que ele é. Sabe quantos casos ele solucionou para nós. Acha que ele é uma má influência, ele me tornou uma policial melhor. Já que está tão certo da sua verdade, que não consegue enxergar outra coisa, então eu não conheço você.'' – ela intimidou Bosco, com seus olhos verdes brilhando de ira. Jane não conseguia parar de admirar como ela era ao mesmo tempo frágil e forte. Pelo jeito, Bosco também não conseguia resistir a ela, tendo ele cedido de má vontade seguir o plano de Jane. Quando resgataram Mia Westlake viva e bem, Bosco teve que dar o braço a torcer e reconhecer que os esquemas malucos de Jane traziam resultado positivo. Como uma forma de trégua, Bosco foi à sala de Lisbon, levando consigo uma garrafa de tequila, convidando-a a comemorar com ele. Por um momento, Bosco viu-se sendo tragado pela intensidade do olhar de Lisbon, pela sua determinação, pela sua bondade; a expressão no rosto de Bosco suavizou imediatamente quando ele sentiu borboletas em seu estomago por estar tão próximo dela.
'' – Sobre aquilo que você falou; sobre Jane a tornar uma policial melhor, não estava falando sério, não é?'' constrangido, ele buscou uma saída segura do clima embaraçoso que surgiu entre eles.
'' – Eu posso ter exagerado um poquinho.'' – ela respondeu com um largo sorriso, tornando ainda mais difícil para Bosco continuar encarando-a sem ceder ao seu impulso de tomá-la em seus braços. Isso seria errado de muitas maneiras e com certeza, assustaria e afastaria Lisbon definitivamente da sua vida.
'' – Gostei de trabalharmos juntos de novo.'' – ele disse suavemente, incapaz de esconder o rubor que esquentou seu rosto e as batidas aceleradas de seu coração. Prevendo que ele poderia fazer uma besteira da qual se arrependeria depois, Bosco escapuliu da sala dela para encontrar Jane, cuja conversa certamente seria mais segura.
'' – Você não é policial.''
'' – Hum uh'' –
'' – E nunca será.''
'' – Hum uh''
'' – Mas tem uma perspectiva útil.'' Nesse momento Jane largou seu livro para fita-lo com interesse. '' – Aqui, esse é um resumo do caso Red John desde que eu assumi. Dê uma lida e depois me fala o que acha.''
'' – Bosco.''
'' – Não precisa agradecer.''
'' – Eu não ia agradecer. Eu ia dizer que preciso do arquivo verdadeiro, completo.''
'' – Você é um cretino, sabia disso?'' – Bosco respondeu irritado pela falta de gratidão por parte de Jane. Contudo, esse era um terreno muito mais firme do que tratar com Lisbon. Com Jane, sua pose de policial durão estava segura. Sua fachada de marrento estava firmemente no lugar, e tudo que ele tinha que fazer, era responder aos insultos e insinuações de Jane à altura, ignorando seu jeito irritante de tratar com as pessoas.
